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Gestão de Tecnologia na Escola

Um estudo de caso na escola pública estadual do


Paraná

1ª Edição

Ana Sueli Ribeiro Vandresen


Célia Scucato Minioli
Cineiva Campoli Paulino Tono
Selma Maria Costa de Oliveira

Organizadora
Maria do Carmo Duarte Freitas

2008
Institucional

Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Márcia Helena Mendonça


Reitora em exercício

Rosana de Albuquerque Sá Brito


Pró-Reitora de Graduação

Sandra Regina Kirchner Guimarães


Pró-Reitora de Extensão e Cultura

Maria Consuelo Andrade Marques


Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação

Flávio Zanette
Pró-Reitor de Administração

Carlos Alberto Pereira do Rosário


Pró-Reitor de Gestão de Pessoas

Paulo Tetuo Yamamoto


Pró-Reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças

Zaki Akel Sobrinho


Diretor do Setor de Sociais Aplicadas

Helena de Fátima Nunes


Chefe do Departamento de Ciência e Gestão da Informação

Maria do Carmo Duarte Freitas


Professora orientadora
Direitos autorais reservados ao Labmídia/UFPR

Ministério da Educação (MEC)


Secretaria de Estado da Educação (SEED)
Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)

Ana Sueli Ribeiro Vandresen


Célia Scucato Minioli
Cineiva Campoli Paulino Tono
Selma Maria Costa de Oliveira

Viviane Helena Kuntz


Editoração do material
Sumário
Sumário

Apresentação ................................................................................... 3

Introdução ....................................................................................... 5

A cibercultura e o papel do professor da escola pública na


aprendizagem humana mediada pelo computador e internet ........... 6
A humanidade e o uso de ferramentas ..................................................... 6

Histórico, social, cultural e político-pedagógico do uso do computador e


internet................................................................................................... 8

Computador e internet: uma reflexão acerca do impacto sobre o ambiente


escolar .................................................................................................... 9

Apropriação significativa do computador e da internet ............................. 10

O caráter filosófico ............................................................................................... 11

A análise sociológica ............................................................................................ 14

As transformações culturais ................................................................................. 17

Discussão final ........................................................................................ 20

Referências ............................................................................................. 22

Conhecimentos administrativos necessários para o gestor escolar .. 24


Introdução .............................................................................................. 24

Teorias da Administração Geral (TGA) e Gestão Escolar (GE) ................... 25

Gestão Escolar na Rede Pública do Paraná ............................................... 30

A Gestão Democrático-Participativa ..................................................................... 30

O Perfil do Gestor Escolar ..................................................................................... 35

Gestão Escolar no Paraná ........................................................................ 37

Considerações finais................................................................................ 39

Referências ............................................................................................. 40
Gestão da informação na escola pública estadual do Paraná:
aplicabilidade pedagógica do sistema de informação do registro
escolar ............................................................................................. 44
Introdução .............................................................................................. 44

Fundamentos da Gestão da Informação ................................................... 45

Procedimentos Metodológicos ................................................................. 47

Estrutura Geral do Sistema Estadual de Registro Escolar – SERE.......................... 49

Usuários Clientes da Informação do SERE ............................................................ 50

Análise dos Resultados ............................................................................ 52

Considerações Finais ............................................................................... 57

Referências ............................................................................................. 58

O pedagogo e a aprendizagem na escola pública do século XXI:


inovação, tecnologia e assessoramento ........................................... 59
Introdução .............................................................................................. 59

Gestão do Conhecimento no Espaço Escolar ............................................. 59

Inovação na Escola ............................................................................................... 60

Os Nativos Digitais e a Construção do Conhecimento ........................................... 62

A Tomada de Decisão ........................................................................................... 63

O Assessoramento ................................................................................................ 64

Fundamentação Metodológica ................................................................. 67

A investigação ...................................................................................................... 67

Coleta de Dados.................................................................................................... 68

A Pesquisa ............................................................................................................ 69

Considerações finais................................................................................ 75

Referências ............................................................................................. 76
Apresentação

Este trabalho é o resultado de discussões e pesquisas realizadas a


partir dos encontros de orientação do Plano de Desenvolvimento
Educacional - PDE, da Secretaria de Estado da Educação (SEED), no
período de 2007 a 2008 por professores da rede pública Estadual do 3
Paraná.

Reunidos sobre a temática da Gestão Escolar, optamos pelo


tema “Informática na Educação”, o que permitiu que obtivéssemos
articulação com o Setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade
Federal do Paraná. Este fato mudou completamente os rumos de
nossos trabalhos como professores PDE, pois tivemos a oportunidade
de ampliar nossa visão sobre o tema, com ênfase na Ciência da
Informação, na Gestão da Informação e do Conhecimento.

Sob a orientação da Professora Doutora Maria do Carmo


Duarte Freitas do Departamento de Ciência e Gestão da Informação –
UFPR, o método de orientação teve caráter colaborativo, o que
possibilitou discussões com variados enfoques sobre o tema Gestão
Escolar e Tecnologias.

Assim, os trabalhos constantes deste material foram


desenvolvidos por uma equipe multifuncional e multidisciplinar que
procurou analisar o tema a partir de:

1) concepções teóricas de caráter psico-social, histórico e


cultural de uso das tecnologias no contexto escolar com
relação ao papel do professor da escola pública estadual na
orientação para o uso consciente do computador e da internet
pelas crianças e pelos adolescentes;

2) gestão escolar e o processo de decisão;

3) alternativas metodológicas de uso das Tecnologias da


Informação e Comunicação (TICs) no espaço escolar e sua
contribuição para a inovação do processo ensino-
aprendizagem;

Gestão de Tecnologia na Escola


4) estratégias metodológicas de uso do Sistema Estadual de
Registro Escolar - SERE, nas escolas públicas do Estado do
Paraná: usabilidade e aplicabilidade dos dados emanados.

A metodologia nos levou a uma relação dialógica, isto é, a um


aprender em colaboração permanente, fato este que contribuiu para
o desenvolvimento de nossa capacidade de interagir e trocar idéias
conceitos obtidos de nossas leituras e pesquisas.
4
Este material didático tem como objetivo a proposição de um
documento que busca apresentar aos gestores, pedagogos e
professores, bem como, a qualquer profissional da educação, vários
temas relacionados ao uso pedagógico do computador e TV na escola,
com especificações que possam auxiliá-los em seu trabalho de
assessoramento e à gestão da tecnologia no espaço escolar.

As autoras.

Gestão de Tecnologia na Escola


Introdução

A transformação social inerente à virada do século traz consigo


mudanças de paradigmas para a sociedade e também para a escola.

As mudanças sociais têm acontecido de forma tão drástica que


5
é impossível não perceber os efeitos da penetrabilidade da tecnologia
da informação, em todas as esferas da atividade humana.

Segundo Castells (1999, p.69), “o que caracteriza a atual


revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e
informação, mas a aplicação desses conhecimentos [...]”.

Esta contextualização aponta para a indagação - “em qual


patamar está o processo de incorporação das tecnologias pela escola
e de que forma este processo está sendo conduzido pelos gestores e
equipe pedagógica”. O Governo do Estado do Paraná, vem
implantando programas e desenvolvendo ações que levam, por meio
de uma rede de computadores, o acesso às Tecnologias da
Informação e Comunicação - TIC aos professores e alunos da Rede
Pública de Educação Básica do Paraná.

Mas, ao analisar criticamente este contexto, evidencia-se a


necessidade de enfatizar e fortalecer as ações de formação de todos
participantes do processo ensino - aprendizagem, isto é, investir no
agente humano em termos de apropriação tecnológica articulada com
a pedagógica das TIC, com o intento de produzir inovações
metodológicas em nossas salas de aula.

As discussões aqui colocadas constituem-se em mais uma


contribuição para esta formação.

Boa Leitura!

Gestão de Tecnologia na Escola


A cibercultura e o papel do professor da escola
pública na aprendizagem humana mediada pelo
computador e internet

Cineiva Campoli Paulino Tono

SEED
6

A humanidade e o uso de ferramentas

Desde os primórdios de sua existência, o homem busca


produzir e utilizar recursos externos ao seu corpo para sobreviver e
facilitar sua atividade. Diminuindo assim, os esforços físico, mental e
o dispêndio de tempo para execução tanto de tarefas básicas
pertinentes a manutenção da espécie como caçar, pescar, plantar e
colher, quanto para o desempenho de tarefas mais sutis,
provenientes da modernidade, como buscar, trocar e publicar
informações em tempo real através das tecnologias de informação e
comunicação.

Vara de Pescar Enxada Arco e Flecha

Instrumentos/Recursos/Ferramentas

No que se referem ao ensino escolar, as suas


práticas sempre estiveram influenciadas pelos
instrumentos materiais e semióticos como o
ábaco, o giz ou a maquete, mas também o
texto impresso, a ilustração gráfica ou o mapa
mundi, entre outros, todos eles envolvidos
numa relação comunicativa, mais ou menos
dialogal entre os professores e seus alunos
[...]. (ALONSO apud Sancho, 1998, p. 86)

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Ábaco Quadro Negro e Giz Texto Impresso

7
Instrumentos/Recursos/Ferramentas

Novas ferramentas foram incorporadas no espaço escolar na


última década através de políticas públicas de inclusão digital, tais
como a televisão, o rádio e o computador. O intento implícito deste
trabalho é analisar o impacto sobre a aprendizagem do uso do
computador relacionando-o à televisão, nas esferas de ‘domínio’
humano, à luz de teorias cientificas que o discutam em caráter social
e cultural, além do técnico e pedagógico. São apresentadas as
tendências que revelam os vários níveis de aprendizagem mediada
pelas tecnologias de informação e comunicação, na especificidade do
computador e internet, com superação das operações mecanizadas e
irrefletidas para o alcance do domínio estratégico de uso.

Propõe-se também contextualizar o papel social e cultural


destinado ao professor da rede pública da educação básica quanto à
condução da criança e do jovem aluno na apropriação significativa
destas ferramentas.

Televisão Computador Internet

Instrumentos/Recursos/Ferramentas

A base teórica exposta é proveniente de estudiosos das áreas


de filosofia, psicologia, cultura e sociologia que trabalham os
conceitos e elementos essenciais da temática em estudo com
variâncias na ordem da terminologia, em função da abrangência, da
época e da localidade relacionados às suas abordagens, como
exemplo: tecnologia educacional, mídias na escola, cibercultura,
sociedade informática, sociedade em rede etc. Buscam-se referenciais
científicos diversificados, mas essencialmente de base humanista,
para sustentar a análise proposta de civilização para o uso das
tecnologias, independente da diferença dos termos utilizados.

Gestão de Tecnologia na Escola


Histórico, social, cultural e político-
pedagógico do uso do computador e internet

Ao longo da história, a produção dos computadores evoluiu em


complexidade e o primeiro computador eletromecânico foi criado em
1944 na época da segunda Guerra Mundial, para executar cálculos
balísticos com rapidez e precisão para serem utilizados na indústria
armamentista. A conectividade dos computadores, a rede internet,
surgiu nos tempos remotos da Guerra Fria, em 1969 nos Estados
Unidos, para manter a comunicação das bases militares e preservar 8
as bases de dados, caso o Pentágono fosse atingido por ataques
nucleares. E em seguida, na década de 70, as universidades e
pesquisadores domésticos dos EUA obtiveram permissão para se
incorporarem na teia da comunicação mundial.

Internet para busca, troca e publicação de informação

A internet somente chegou ao Brasil em 1991 com a Rede


Nacional de Pesquisa - RNP, subordinada ao Ministério de Ciência e
Tecnologia. Mas, foi no ano de 1995, que este Ministério juntamente
com o das Telecomunicações, abriu o setor privado da internet para
exploração comercial brasileira. Desde então, o computador
conectado a internet foi sendo remetido continuamente para setores
da sociedade como a indústria e o comércio.
No setor educacional equivalente ao ensino
fundamental e médio, a incorporação de
computadores para uso didático de professores e
alunos da rede pública de ensino de todo o Brasil,
iniciou-se no ano de 1997 com o Programa Nacional
de Informática na Educação – PROINFO, o qual
permanece ativo pelo governo federal através da
Secretaria de Educação a Distância do Ministério da
Educação.

No Paraná, além da adesão ao PROINFO, que rendeu


laboratórios de informática a escolas públicas estaduais e municipais
do Estado desde a sua implementação, em 1998, houve a
implantação do Programa de Extensão e Melhoria do Ensino Médio –

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PROEM, que repassou computadores para todos os colégios que
ofertavam o ensino médio e que aderiram formalmente ao Programa.

No ano de 2004, foi lançado o Programa


Paraná Digital com a previsão de que até ao
final de 2008, haveria o repasse de
computadores acrescidos de conectividade
para a totalidade das 2.100 escolas públicas
estaduais.

9
As ações que permeiam o método de implantação do
Programa Paraná Digital têm como princípio, a universalização de
acesso e o desenvolvimento da cultura de uso de tecnologias
computadorizadas no processo de ensino aprendizagem. Fato que
torna os professores e alunos das escolas, usuários ativos destas
tecnologias e partícipes da retro-alimentação de informações a serem
disponibilizadas e articuladas no Portal da Secretaria de Estado da
Educação do Paraná (SEED).

Para potencializar as implementações de programas


educacionais que visem a inclusão digital, em 2007, o Governo do
Estado lançou a proposta para equipar cada uma das 22.000 salas de
aula de todas as escolas públicas do Estado, com um aparelho de
televisão 29’ (tv multimídia), com dispositivo para conexão USB que
permite a entrada de dados e informações a serem transmitidos
através de imagens, textos e vídeos, que podem ser capturados do
computador/internet.

O panorama ora configurado, denota a pertinência na


realização de pesquisas científicas voltadas para a aplicação prática
deste objeto de estudo e análise. Justifica-se esta pertinência, não
somente devido aos investimentos públicos na informatização e
conectividade das escolas, mas, também, pela necessidade de se
estudar os mecanismos que possam dar sentido e significado para a
aprendizagem humana conferida ao espaço escolar, com a aplicação
efetiva dos resultados da produção humana relativas ao computador
e à internet.

Computador e internet: uma reflexão acerca


do impacto sobre o ambiente escolar

Exposta a condição real, de que há uma década, computadores,


dentre outras tecnologias, estão sendo incorporados nas escolas e,
gradativamente, a rede internet para uso pedagógico, propõe-se
analisar teoricamente os efeitos desta implementação sobre a
atuação docente e a formação discente nos diversos graus de domínio

Gestão de Tecnologia na Escola


e aplicabilidade para a aprendizagem escolar. São examinados os
fatores que influenciam na dinâmica de uso pedagógico das citadas
ferramentas e na efetividade para a aprendizagem, considerando
elementos de caráter técnico-estrutural, cultural e social como:
existência de computador e rede internet nas casas dos professores e
alunos, qualidade e quantidade em tempo de uso, preparo
operacional e metodológico do professor em utilizar tais recursos
pedagogicamente, causas e resultados do uso do computador e
internet por professores e alunos, em casa e na escola.

Na perspectiva histórica, os motivos que levaram ao 10


surgimento do computador e da internet, apontam para um objetivo
resultante do efeito aplicável em tempos de guerra e concebido
conscientemente pelo homem, pelo menos por aqueles que os
idealizaram.
Já, no setor educacional,
sua aplicabilidade não surgiu no
interior do mesmo e da
necessidade consciente dos atores
educacionais, que não solicitaram
voluntariamente a posse didática
destes recursos, mas ao contrário,
pela imposição provida do exterior
da escola, sua aplicação didática
exige tempo, muito estudo teórico
e exercício prático para prever-se
a obtenção de resultados
plausíveis na aprendizagem
escolar mediada pelo computador
e pela rede internet.

Isso tende a ser alcançado com o desenvolvimento da


consciência sobre a compreensão da significativa aplicabilidade destes
recursos para a emancipação humana com a superação da mera
familiaridade operacional e irrefletida passividade de uso.

Apropriação significativa do computador e


da internet

A discussão sobre o uso do computador e da internet desenvolver-se-


á nos aspectos filosóficos, sociais e culturais, transcendendo nestas
abordagens os fenômenos do desenvolvimento da consciência e do
processo do ensino e da aprendizagem na escola.

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O caráter filosófico

Preliminarmente recorre-se ao fundamento filosófico de Álvaro Vieira


Pinto sobre o conceito de tecnologia’ (PINTO: 2004), que a define
como a ciência da técnica, cuja transferência é um engano, assim
como sua importação não conduz ao desenvolvimento. A técnica por
sua vez, é mediação e o homem é o verdadeiro autor de seu destino
sendo ele próprio que a aplica ao seu favor, conforme sua
necessidade e motivação, tornando-a mecanismo mediador da sua
atividade humanizadora.
Este filósofo recusa as concepções que fazem da tecnologia
11
um perigo em si, pois ao fim e ao cabo quem comanda o processo –
para o bem ou para o mal – sempre é o homem. Então, não é a
presença ou falta da técnica que faz com que o homem supra suas
necessidades, pois mesmo tendo acesso a ela, pode continuar a não
supri-la, por não ter desenvolvido a consciência de buscar na técnica,
uma alternativa auxiliar para este suprimento.
Esta concepção filosófica permite refletir sobre o tema em
análise de que computadores, incluindo a rede internet, foram
importados fisicamente para as escolas de educação básica há alguns
anos e que esta mudança de circunstância material pode não ter
alcançado resultado condizente com a mudança da consciência dos
atores educacionais quanto à apropriação significativa destes
recursos. Para que isso ocorra, o que falta afinal?

Antes de formular uma hipótese frente a este questionamento,


refletir-se-á brevemente sobre o desenvolvimento do conhecimento
humano concebido dialeticamente entre o homem e o meio.

Pinto (1985) pondera que a capacidade cognoscitiva e


abstrativa no ápice do processo de desenvolvimento do conhecimento
pressupõe a capacidade de produzir em si o reflexo da realidade e em
caráter dialético, resposta a ela, sob considerado processo histórico
do pensamento filosófico e de reatividade organizada.

A relação dialetizada dos processos cognitivos e da atividade


prática foi fundamentalmente estuda por Vygotsky (2000), o qual
buscou comprovar com seus estudos que a relação entre intelecto e
afeto apresenta o processo de pensamento associado à plenitude da
vida, das necessidades e dos interesses pessoais; das inclinações e
dos impulsos daqueles que pensam; considerando-os como forças
motrizes que dirigem o pensamento para este ou aquele canal, com

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significado tal, capaz de modificar qualquer coisa na vida ou na
conduta de uma pessoa.

Retoma-se então: o que falta afinal para que verdadeiramente


haja um diferencial cognoscitivo mediado pelo computador no
ambiente escolar? Pode-se afirmar que o desenvolvimento da
consciência do professor no uso do computador e da internet depõem
a seu favor e de seu aluno. Gera ainda mudanças nos processos
educacionais com beneficio à aprendizagem. No entanto, isso ocorre
se o professor estiver voltado para o conhecimento do conteúdo e das
possibilidades metodológicas que estas ferramentas podem lhe
conferir, ao operar o computador e ao operar sobre o computador, 12
superando a passividade de uso pela atividade criativa.

Este conhecimento equivale às funcionalidades atribuídas ao


computador por servir para fins como: supermemória artificial que
alivia bastante a carga de memória humana; como executor, com
uma rapidez surpreendente, de operação combinatória, como um
recurso favorável a um processo mais ágil de comunicação, entre
outros.

Pinto (2000) considera que o educador deve ser o portador da


consciência mais avançada de seu meio (conjuntamente com o
filósofo e sociólogo). O autor afirma que há condicionantes
circunstanciais para haver transformação da situação humana num
processo educacional. Neste pressuposto, denota-se que a presença
ou não do computador no mundo escolar e na vida cotidiana de
professores e alunos, empreende mudanças de circunstâncias de
ordem estrutural física e técnica que influenciam, mas não
determinam a atuação docente e a formação discente. Prossegue a
idéia afirmando que são os professores que definem se haverá
aplicação destes recursos durante as aulas, de modo a influenciar na
aprendizagem.

Para que isto ocorra, são necessárias mudanças no âmbito


psicológico, cultural e educacional do professor. Cabe então, aos
implementos políticos educacionais que destinam o uso do
computador e da internet para o ambiente escolar. Investe-se para
além da presença física destes, exigem-se aplicações muito mais
complexas, correlacionadas ao intelecto e a afetividade do professor e
do aluno, caso verdadeiramente almeje-se conduzir o processo a um
desenvolvimento consciente e reflexivo do conhecimento, levando ao
uso pedagógico destes recursos, com perspectiva transformadora e
evolutiva da aprendizagem escolar.

É pertinente considerar que o computador e a


internet podem se tornar componentes
didáticos complementares aos já existentes na
escola. Para confirmação disto, se busca
firmamento na colocação de Lévy de que:

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[...] a sucessão da oralidade, da escrita e da
informática como modos fundamentais de
gestão do conhecimento não se dá por simples
substituição, mas antes por complexificação e
deslocamentos de centro de gravidade. O saber
oral e os gêneros de conhecimento fundados
sobre a escrita ainda existem, é claro, e sem
duvida irão continuar existindo sempre. O
acúmulo da cegueira é atingido quando as
antigas técnicas são declaradas culturais e
impregnadas de valores, enquanto as novas
são denunciadas como bárbaras e contrárias à 13
vida. Alguém que condena a informática não
pensaria nunca em criticar a impressão e
menos ainda a escrita. Isto porque a impressão
e a escrita (que são técnicas) o constituem em
demasia para que ele pense em apontá-las
como estrangeiras. (1997. p. 15)

Superar, então, a constituição do computador e da internet


como recursos estrangeiros para a aprendizagem escolar é um
desafio. O computador, como qualquer outro recurso existente,
somente vai contribuir com a aprendizagem, porque não dizer, com a
evolução humana, quando o homem se conscientizar de que é para
isso que ele deve ser usado e se fazer valer das inúmeras alternativas
providenciais de operação que ele contém.

Outro elemento a ser analisado diz respeito à diferença de


percepção de uso do computador por professores e alunos. Supondo-
se que professores e alunos da educação básica tenham acesso a
computadores tanto em casa, quanto na escola, não garante que haja
compatibilidade e similaridade nos critérios e objetivos de uso deste
recurso por ambos.

Enquanto os professores se utilizam profissionalmente do


computador majoritariamente para executar atividades de ordem
técnica individual para planejamento, organização e sistematização
de informações, os alunos o utilizam prioritariamente numa rede de
compartilhamentos de informações com atividades lúdicas.
Este cenário e outros que, porventura possam ser esboçados
conduzem ao seguinte questionamento: Que elementos são
determinantes para uma aprendizagem significativa e para o efetivo
exercício do professor em trabalhar pedagogicamente com o
computador e com a internet e com a extensão destes na tv
multimídia na escola pública do Estado do Paraná? Não se ousa
apresentar uma resposta a este questionamento.

A única certeza que se tem neste momento é de que a


existência de computador, principalmente quando conectado a
internet, em casa e/ou na escola, modifica a dinâmica das
representações e das relações conferidas às inúmeras e diversificadas
técnicas e tempos de acesso, manipulação e troca de dados e
informações tanto para professores, quanto para os alunos. O teor
desta afirmação é explanado por Lévy (1997. p. 16) com a seguinte
argumentação: “Quando uma circunstância como uma mudança
técnica desestabiliza o antigo equilíbrio das forças e das

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representações, estratégias inéditas e alianças inusitadas tornam-se
possíveis.”

Este autor em outra obra aponta que as mudanças em


termos estratégicos quando da apropriação do
computador, são dependentes do ‘modo’ como os
homens o fazem. “As verdadeiras relações, portanto,
não são criadas entre a tecnologia (que seria da
ordem da causa) e a cultura (que sofreria os efeitos),
mas sim entre grande número de atores humanos que
inventam, produzem, utilizam e interpretam de
diferentes formas as técnicas.” (LÉVY, 1999. p. 23)
14
A força libertadora da reflexão não pode ser substituída pela
difusão de um saber tecnicamente utilizável. (HABERMAS, 1993) A
difusão das tecnologias estende-se à escola com a inserção do
computador no ambiente escolar, mas são necessárias ações que
conduzam além da instrumentalização, com o desenvolvimento da
consciência do uso pedagógico significativo deste recurso, para haver
verdadeira transformação em qualidade no processo de ensino e de
aprendizagem.

A análise sociológica

O sociólogo francês Dominique Wolton considera que


“as realizações técnicas não bastam para aproximar,
mas, principalmente, ao tornar mais visíveis os
diferentes pontos de vista, elas tornam também
visíveis tudo o que os distingue” (1997. p. 37).

É exatamente o que se tem vislumbrado, o extremo e evidente


diferencial na apropriação do computador e da internet pelo professor
e pelo aluno, principalmente quando existe diferença entre gerações
em décadas, equivalente à educação básica. Outra conotação deste
renomado pesquisador na mesma obra, é que “as facilidades de
comunicação emanadas das tecnologias de informação e comunicação
não bastam para melhorar o conteúdo da interação” (idem. p. 37).

“O que existe hoje nas redes é muito mais uma


grande curiosidade no meio de um universo
gigantesco de informações. A prática dos
cibernautas, pelo menos a grande maioria, é
literalmente surfar, abordar as superfícies;
muito mais ver do que aprofundar-se em
conteúdos. Importa mais a sensação do acesso
irrestrito a diferentes sites do que a busca de
informações em torno de um objetivo reflexivo,
privilégio de uma minoria detentora de certo
capital cultural.” (RUBIN,BENTZ,PINTO:1999. p.
127)

Gestão de Tecnologia na Escola


Desta forma, muitas crianças e adolescentes, por terem mais
tempo do que os adultos passam horas e horas na internet ‘se
comunicando’, mas não é o dispêndio de tempo em si, ou a dinâmica
técnica de comunicação que garante o seu desenvolvimento pessoal,
social, cultural e educacional, e sim, o assunto e a forma de abordá-
lo. Enquanto isso os professores, muitas das vezes sequer sabem
utilizar operacionalmente os recursos de comunicação via internet,
quanto mais, de modo significativo. Esta condição os mantém
impossibilitados de assumirem a responsabilidade de socializar tal
procedimento com seus alunos, porque nem ao menos o conhecem
para si.
Parte-se então da premissa de que professores e alunos 15
manuseiam o computador com finalidades diversas, e que torná-lo
um recurso didático efetivo que verdadeiramente seja aplicado em
contribuição para a aprendizagem humana, requer uma nova
concepção metodológica em termos culturais e sociais. Reafirmando
assim, o ideário já exposto referente à necessidade da coincidência
da mudança da circunstância física da presença do computador com a
da consciência de seu uso pelos professores e alunos.

Considerando-se os fenômenos até então conotados, tendo


como referência teórica o posicionamento do sociólogo Adam Schaf
(1995), seria ilógico propagar a ilusão de que bastaria enviar uma
quantidade adequada de computadores para resolver limites de
cultura tecnológica no terceiro mundo. Ainda que no terceiro mundo
fosse distribuído um computador por cabeça, em nada modificaria sua
situação, pois as pessoas não saberiam o que fazer com o mesmo.
Nestes paises, o caminho que leva a apropriada utilização da
informática é longo e impregnado de obstáculos.

Este estudioso (idem, 1995) ao enaltecer a necessidade


emergente de intervenções críticas na sociedade informática,
compara os impactos resultantes da produção e uso exacerbados de
automóveis no mundo com a produção e uso deliberados dos
computadores pelo homem. No caso dos primeiros, os efeitos
maléficos refletidos na vida terrestre, com a elevação gradativa de
gás carbônico, resultante da queima dos combustíveis, provocam o
superaquecimento da terra, fato este que está sendo tardiamente
abordados em termos científicos reparadores, condição esta que não
apresenta soluções plausíveis em qualquer prazo para os problemas
ocasionados.

Quanto aos efeitos produzidos com o uso


desordenado e acrítico dos computadores pelo
homem (crianças, jovens e adultos), serão
estudados em caráter cientifico, somente quando
os resultados forem alarmantes e incontroláveis,
como os produzidos pelos automóveis?

Gestão de Tecnologia na Escola


“Os males sociais que ameaçam a humanidade
só podem ser evitados com a adoção de
medidas preventivas desde já e com a
preparação de outras mais radicais para o
futuro próximo [...] Neste sentido, a sociedade
deve ser mobilizada para adotar tais medidas
ao invés de se deixar desmobilizar por falsas
previsões tranqüilizadoras [...] Deve-se
identificar os problemas antes que atinjam um
nível critico, de modo a configurar, deliberada
e conscientemente uma solução, em lugar de
tentar passivamente um simples ajuste post 16
fato, tardio às suas conseqüências.” (Ibidem:
25-30)

À luz da sociologia a sociedade informática e a conseqüente


cibercultura traz consigo tendências contraditórias: de um lado,
reforça a alienação dos homens, mas de outro permite superá-la
efetivamente. O computador aliena quando o conteúdo e a forma por
ele mediados são acriticamente apropriados. Para superar tal
alienação, deve desenvolver-se o mais rápido possível um processo
de mudança para re-significação na assimilação em termos de
conteúdo e forma, para dar sentido à atividade humana reflexiva,
crítica e consciente, mediada por ele.

Segundo Crochik (1998, p. 73) “para que a educação volte a


ser autônoma, e possa ser um processo de assimilação e elaboração
da experiência pela consciência, é importante dar oportunidade de
reflexão crítica para a criança e deixar um tempo e um espaço vago
para o adulto refletir em suas horas de lazer”. Ao enfatizar este
processo refere-se à administração integral do tempo e do espaço do
indivíduo e refere-se a sua consciência de que o leva a não pensar,
pois durante o dia tem o trabalho alienado e à noite, o
entretenimento alienado.

Para efeito comparativo ao computador, Castells (2000. p.


356) quando trabalha com a lógica da aprendizagem insignificante
associada com a comunicação mediada pela televisão, tende a colocar
as raízes desta lógica, não na natureza humana, mas nas condições
da vida em casa após longas horas de árduo trabalho e na falta de
alternativas e porque não dizer, falta de energia física e mental, para
envolvimento pessoal e cultural.
Deixa assim, o homem suscetível aos
estímulos simbólicos que provenientes da
mídia, afetam o consciente e o
comportamento, como a experiência real
afeta os sonhos, fornecendo a matéria-prima
para o cérebro. Por estar agregado à
televisão, o computador como uma mídia,
contribui para a lógica da aprendizagem
insignificante segundo os fatores apontados?

Tudo depende de como e para que fins é utilizado. No decorrer


desta análise têm-se buscado valorizar mecanismos que estimulem,
influenciem, contribuam e conduzam para a aprendizagem

Gestão de Tecnologia na Escola


‘significativa’ no ambiente escolar ao nível da apropriação estratégica.
Com base nestes é que se mantêm as análises e inclusive sugerem-
se a promoção de futuros estudos, porém, conscientes da existência
da lógica da aprendizagem insignificante atrelada ao uso das
tecnologias de informação e comunicação supramencionadas.

As transformações culturais
17
Para a psicóloga Maraschin (2000), o domínio das tecnologias,
denominado pela pesquisadora de alfabetização digital ultrapassa a
idéia de apropriação técnica dos computadores.

Trata-se de experimentar
outro domínio de viver, de
conviver, cujas propostas
pedagógicas limitadas a esta
apropriação técnica, estão longe
de compreender o domínio e a
extensão das transformações que
está se vivendo.
Uma alfabetização implica em viver em um determinado
domínio da experiência, entendendo-se por domínios, ou ecologias
cognitivas, a delimitação de territórios de vida configurados por redes
de poder-saber acopladas às diferentes tecnologias.
A autora elenca 5 níveis de domínios cognitivos digitais, como
segue:
- viver sem ter acesso qualquer a esse domínio
correspondente aos analfabetos digitais;
- viver sem consciência do quanto somos “programados” por
esse domínio. Contato puramente operacional e de adaptação
às tecnologias sem saber ao certo “o que e para que usar”.
- viver como usuários já numa condição de iniciada reflexão,
recolocando as questões da liberdade e da criatividade no
contexto informatizado. No campo da educação deve haver
espaço para experimentar usos que possam mesmo subverter
a função das tecnologias, manejando-as em direções
divergentes de sua produtividade programada.
- viver produzindo exercícios de autoria, propondo outros
usos, na perspectiva de co-autorias, modificando os conteúdos
desse território que implica ações de programação e de
autoria coletiva.
- viver interferindo nas lógicas deste território, tendo como
grande exemplo o movimento do software livre com a
socialização das produções no âmbito mundial.
Antes de galgar tais níveis de domínio cognitivo digital, deve-
se conhecer o seu movimento e reconhecer que nenhum está
acabado, podendo ser recriados a partir da inventividade humana.

Gestão de Tecnologia na Escola


Chama-se para esta análise o professor atuante na educação básica,
para situar a si e a seus alunos nos ou entre os níveis de domínio
digital, para então se conscientizar da importância do planejamento
dos encaminhamentos metodológicos do trabalho didático com as
ferramentas digitais, com base na real condição dos territórios de
vida frente às tecnologias.
POZO (2002) qualifica a aprendizagem de procedimentos em 3
caracteres: o técnico, o estratégico e o especializado.

- técnico operacional - ocorre geralmente sem a devida


compreensão de como e porque ocorre e aonde se quer
chegar com tal operação. Esta forma de procedimento só é 18
concebível em condições de extrema estabilidade e
automatismo, sem possibilidade de intervenções programadas.

- estratégico - propicia ao aprendiz a compreensão do


contexto geral do processo de aprendizagem, que por sua vez,
exige reflexão consciente sobre a estrutura geral dos
procedimentos empregados, em termos de etapas
seqüenciais, de tempo previsto, de responsabilidades e de
controle sistêmico, com clareza do objetivo a ser alcançado
através do projeto procedimental estratégico,
meticulosamente planejado de forma deliberada.

- especializado de domínio - é resultado da prática repetida e


automatizada do procedimento estratégico e que pode ser
equiparado neste estudo, à apropriação do computador no
nível profissionalizante, excedente à delimitação na educação
básica nesta análise, por isso não aprofundar-se-á em
detalhes neste caráter.

A aprendizagem catalisada pelos domínios do procedimento


estratégico incorpora o procedimento técnico, como condicionante
para a ocorrência deste, mas acresce o domínio relacionado às
estruturas de planejamento informacional e conceitual, de
desenvolvimento e de avaliação do procedimento estratégico como
num todo.

O papel do professor é fundamental na estrutura exposta,


porque sem a sua atuação no nível de domínio estratégico dos
computadores/internet e da televisão, certamente seus alunos
permanecerão por muito tempo, realizando tarefas sem assimilar, por
exemplo, editando sem saber o porquê editar, operando planilhas e
slides por operar, assistindo por assistir, surfando por surfar na
internet, interagindo por interagir, entre outros procedimentos em
condições meramente técnicas, sem acrescentar significado para o
pleno desenvolvimento humano.

Almeida (1997) afirma que a formação e a atuação de


professores para uso das tecnologias é um processo que inter
relaciona o domínio técnico dos recursos com a ação pedagógica e
com os conhecimentos teóricos necessários para refletir,
compreender e transformar sua ação.

Para assumir essa perspectiva em que a prática


pedagógica com uso das novas tecnologias é
concebida como um processo de reflexão-ação, o
professor precisa ser capacitado para dominar os

Gestão de Tecnologia na Escola


recursos tecnológicos, elaborar atividades de
aplicação desses recursos escolhendo os mais
adequados recursos aos objetivos pedagógicos,
analisar os fundamentos dessa prática e as
respectivas conseqüências produzidas em seus
alunos. (ALMEIDA & ALMEIDA, 1999)
Almeida (1999) afirma que se o professor não adquiriu uma
visão teórica coerente com a sua prática, sua compreensão sobre o
processo de conhecimento e de aprendizagem é reduzida a limites
estreitos e suas ações pedagógicas serão caracterizadas pela
contingência. Nota-se que o simples fato do professor aprender a
manusear operacionalmente recursos tecnológicos, não garante uma 19
transformação na sua prática pedagógica que conduza à
emancipação.

O professor torna-se impotente frente à implementação de


tecnologias na escola, se no processo de sua formação, quer seja na
inicial, ou em plena atuação profissional, não lhe for concedido
preparo para utilizá-las através de uma atividade prática norteada
por uma teoria reflexiva. Faz-se necessário apoderar destas, de modo
crítico e apreender estratégias metodológicas inovadoras para auxiliar
a sua prática docente, para transcender e superar a desarticulação da
tecnologia de informação e comunicação com o processo de ensino-
aprendizagem. Caso não ocorra esta superação, este professor ao
atuar na escola pública e ao se deparar com a disponibilidade destas
ferramentas para serem utilizadas pedagogicamente, tenderá a
resistir o enfrentamento do desconhecido, mesmo que comumente as
utilize para trabalhos operacionais, insistindo no uso meramente
individualizado.

O desenvolvimento da consciência do professor em utilizar


tecnologias para propor a seu favor, mudanças e evolução dos
processos educacionais, está condicionado ao desenvolvimento do
conhecimento do conteúdo, do método e das possibilidades
facilitadoras para a sua prática, ao operar sobre o
computador/internet e televisão, superando a passividade pela
atividade criativa. Para Vazquez (1977) o trabalho - a produção - é

Gestão de Tecnologia na Escola


que eleva o homem sobre a natureza exterior e sobre sua própria
natureza, e é nessa superação de seu ser natural que consiste
propriamente sua autoprodução.

A adoção didática das tecnologias de informação e


comunicação se ocorrerem a partir da atividade prática do professor
de forma consciente, que para atingir um grau de emancipação,
necessita praticar e teorizar sobre estas ferramentas. Assim, este a
partir do conhecimento instrumental busca entender os conceitos,
refletir e depois propor ações metodológicas com o uso significativo
destes recursos no processo de ensino-aprendizagem, conforme as
suas percepções, assumindo a autonomia da decisão de uso,
20
municiado dos requisitos fundamentais para efetividade desta
adoção.

Discussão final

Encerra-se esta reflexão com proposições acerca da inclusão digital e


cibercultura no contexto escolar.

A prerrogativa política pedagógica de implantação de


Programas que visam a incorporação de computadores/internet
associados tecnicamente a televisores nas salas de aula das escolas
públicas estaduais do Paraná explicita ações que transcendem os
intentos teorizados, com a efetivação de ações em sua concretude
interveniente nos contextos estruturais, técnicos, administrativos,
pedagógicos e até mesmo culturais.

Fatos que emergem da apropriação pedagógica destas


ferramentas pelos professores, tornando-as complementares e
auxiliadoras para a produção do conhecimento humano, constituindo-
se no grande desafio do nosso tempo. Para tanto, faz-se necessário a
re-significação do espaço escolar nos aspectos de inovação
tecnológica, organizacional e pedagógica, incluindo em especificidade,
a conscientização humana quanto a cibercultura.

A difusão das tecnologias estende-se à escola com a inserção


destas no ambiente escolar, mas são necessárias ações que
conduzam à superação da mera instrumentalização tecnológica, que
remeta ao desenvolvimento cultural e consciente da apropriação,
para haver qualitativa transformação do processo de ensino e
conseqüentemente do processo de aprendizagem.

A reformulação de paradigmas educacionais que buscam


caminhos para o acompanhamento da escola ao avançar das
descobertas tecnológicas deve estar subordinada a transformações de
ordem política e cultural de gestão educacional, enaltecendo o caráter
humano de mudanças, além do material. De outro modo, esta

Gestão de Tecnologia na Escola


reformulação tenderia a um implemento restrito, pontual, e muitas
das vezes, utópico no que tange à intervenção humana.

Na escola, para que professores e alunos se apropriem do


computador, da internet e de forma extensiva da televisão, tendo em
vista o domínio dos procedimentos estratégicos, resultantes dos
estudos realizados teoricamente, faz-se necessário que se desenvolva
a capacidade para a tomada reflexiva de decisão, sobre o porquê se
está utilizando tais recursos e qual objetivo se almeja atingir.

Assumir o controle estratégico da apropriação destas


ferramentas, além do domínio técnico operacional, os envolvidos
21
devem assumir a responsabilidade consciente sobre a escolha dos
procedimentos metodológicos para aplicação destes. Observe-se em
termos de como e com que recursos, podem ensinar e aprender a
fazer algo, a fim de alcançar os objetivos previamente definidos para
este processo, superando assim a condição de alienação contida no
domínio técnico acrítico.

Reforça-se então, a necessidade dos professores serem


preparados para promover análises e mudanças em caráter individual
e no coletivo com seus alunos ao superar a apropriação técnica e
pedagógica, com o desenvolvimento da cibercultura em condições de
qualificar a aplicação das tecnologias digitais a serviço da
aprendizagem humana.

A estratégia institucional que se sugere como eixo norteador e


emergente da inclusão digital e da cibercultura no espaço escolar,
vislumbra-se a partir da busca da efetividade nas políticas de
inovação tecnológica das escolas públicas do Paraná com o
monitoramento em caráter quantitativo e qualitativo dos programas
implementados, ações e atividades desenvolvidas na área de inclusão
digital.

A aprendizagem humana e o domínio técnico de ferramentas


tecnológicas encontram na composição de mecanismos formais,
subsídios para debates de cunho sociológico, cultural e filosófico
sobre a inclusão digital e a cibercultura. Estes devem orientar-se para
o registro e proposição de ações a serem implementadas nas
instituições de ensino e pesquisa, principalmente as de caráter
público, sob orientação da Secretaria de Estado da Educação.

Gestão de Tecnologia na Escola


Referências

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computador: a articulação inter-trans-disciplinar. Textos
produzidos especialmente para a Série Informática na Educação do
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Revista da APG, PUC/SP, ano VI, nº 11, 1997. 22
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informática se transforma com os professores. Coleção
Informática para a mudança na Educação. Ministério da Educação
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Paulo: Editora Paz e Terra, 2000.

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consciência. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998.
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Portugal : Edições 70, 1993.

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04/05/2005 – Título: Educação, tecnologias e suas linguagens
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PINTO, Álvaro V. Sete lições para a educação de jovens e
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aprendizagem. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

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Programa Nacional de Informática na Educação - PROINFO:
Disponível em http://www. proinfo.mec.gov.br. Acesso em 13 de
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discursivas da cultura contemporânea. São Leopoldo (RS):
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SANCHO, Juana Maria, Para uma Tecnologia Educacional. Porto


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SCHAFF, Adam. A sociedade informática: as conseqüências 23


sociais da segunda revolução industrial. 4 ed, São Paulo:
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VAZQUEZ, Adolfo, S. Filosofia da Práxis, 2 ed. Rio de Janeiro,


Paz e Terra, 1977.

VIGOTSKI, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins


Fontes, 2000.

WOLTON, Dominique. Pensar a comunicação. Brasília: Editora


UNB, 2004.

Gestão de Tecnologia na Escola


Conhecimentos administrativos necessários
para o gestor escolar

Ana Sueli Ribeiro Vandresen

SEED

Introdução
24
Este artigo trata da Gestão Escolar e das
influências recebidas das abordagens da
Administração Geral, com o intuito de levantar
a partir de estudiosos dessa área, o perfil do
gestor das escolas públicas estaduais,
promovendo reflexões acerca dos
conhecimentos específicos, necessários para a
promoção de uma gestão democrático-
participativa, frente às novas de exigências de
um mundo globalizado e tecnológico.

No senso comum, gestão ou administração está sempre associada


a situações em que alguém administra alguém, sempre relacionadas a
uma hierarquia. Porém, como gestão não se resume ao controle do
trabalho dos outros, ao se falar sobre gestão/administração escolar
deve-se ter em mente tudo o que acontece dentro da escola: desde as
atividades das merendeiras até as do diretor.

A atividade de gestor escolar exige conhecimentos básicos de


gerenciamento em recursos humanos, financeiros, matérias, além dos
aspectos que envolvem o pedagógico da escola, incluindo nesse aspecto
a implementação das tecnologias no contexto educacional.

Ao longo dos últimos anos, na busca da qualidade, ocorreram


reformas educacionais que trouxeram novas propostas curriculares e,
conseqüentemente, modelos de gestão mais democráticos e
participativos.

Observa-se, desta forma que a função de gestor escolar assume


uma amplitude maior devido aos inúmeros e novos desafios enfrentados
no exercício de sua práxis diária.

Assim, pretende-se, aqui, discutir os conhecimentos exigidos do


gestor escolar, no efetivo exercício da função, frente a esses desafios
Uma diversidade de saberes que extrapolam a sua formação docente,
pois são assuntos da Ciência da Administração.

Gestão de Tecnologia na Escola


Teorias da Administração Geral (TGA) e Gestão
Escolar (GE)

Apesar de recente, a história da Administração apresenta diversos


registros que comprovam a existência de planos formais, organizações
de trabalho, liderança e sistema de avaliação desde as antigas
civilizações. Porém, a história da administração tem início com o
surgimento da grande empresa, a partir da Revolução Industrial, de
1776. 25
Desta forma, a moderna administração surge, buscando
responder a duas conseqüências oriundas dessa revolução: a) o
crescimento acelerado e desorganizado das empresas, e b) a
necessidade de maior eficiência e profundidade dessas empresas.

Desde o seu surgimento, observa-se que as teorias que a


embasam são transportadas para o campo educacional, dando suporte
para as ações administrativas das escolas e dos sistemas educacionais.

Portanto, é necessário que se faça um breve percurso sobre as


teorias da Administração, a partir das duas escolas iniciais:
Administração Científica, desenvolvida por Taylor, e Escola Clássica da
Administração, idealizada por Fayol.

Observe-se.

Quadro 1: Teorias de Administração Geral


CONCEPÇÃO ÊNFASE

Administraçã ênfase na administração de tarefas


o Científica
Abordagem ou
clássica da Taylorismo
administraçã
o foco na estrutura organizacional e
nos princípios universais da
Teoria administração
Clássica da
Aministração

Humanística focada nas pessoas, opondo-se à


visão da abordagem clássica

Continua...

Gestão de Tecnologia na Escola


CONCEPÇÃO ÊNFASE

caracterizada pelo ressurgimento da


Teoria Clássica, em versão atualizada
Neoclássica e redimensionada, pragmática,
baseada no processo administrativo e
na ênfase nos resultados e objetivos;

Abordagem Estruturalista enfatiza a estrutura e o ambiente 26


Abordagem o foco dessa abordagem são as
Comportamental pessoas e o ambiente

Abordagem Sistêmica ênfase no ambiente

Abordagem Contigencial enfatiza o ambiente e a tecnologia,


entretanto não despreza as tarefas,
pessoas e a estrutura.

Para que se possa compreender a relação que se estabelece entre essas


teorias e o sistema educacional, faz-se necessário entender o conceito de
Gestão Escolar, relativamente recente, pois essa compreensão é
fundamental para que se possam traçar analogias com as teorias
administrativas.

Segundo Alonso, gestão escolar é

todo o processo de organização e direção da escola, produto


de uma equipe, que se orienta por uma proposta com base no
conhecimento da realidade, a partir do qual são definidos
propósitos e previstos os meios necessários para a sua
realização, estabelecendo metas, definindo rumos e
encaminhamentos necessários, sem, entretanto, configurá-los
dentro de esquema rígido de ação, permitindo alterações
sempre que necessário. O termo gestão implica
desconcentração de poder, compartilhamento, e permite a
criação de mecanismos de participação adequados à situação e
ao projeto (2002, p.176).
Bordignon e Gracindo (2001, p.147) afirmam que “Gestão da
Educação é o processo político-administrativo contextualizado, através
do qual a prática social da educação é organizada, orientada e
viabilizada”.

Outra contribuição importante é a de Libâneo (2004,p.97):

Organizar, administrar e gestão são termos aplicados aos


processos organizacionais, com significados muito parecidos.
Organizar significa dispor de forma ordenada, articular as
partes de um todo, prover as condições necessárias para
realizar uma ação; administrar é o ato de governar, de pôr em
prática um conjunto de normas e funções; gerir é administrar,

Gestão de Tecnologia na Escola


gerenciar, dirigir. No campo da educação, a expressão
organização escolar é freqüentemente identificada como
administração escolar, termo que tradicionalmente caracteriza
os princípios e procedimentos referentes à ação de planejar o
trabalho da escola, racionalizar o uso de recursos (materiais,
financeiros, intelectuais), coordenar e controlar o trabalho das
pessoas.

Para Libâneo, as escolas são organizações onde homens


interagem para promover a formação humana de seus semelhantes. Para
que as escolas, realmente, funcionem faz-se necessário que o gestor
tenha a capacidade de tomar decisões e de assumir o controle delas, 27
ocorrendo, desta forma, a gestão.

Ou seja,

[...] Em outras palavras, a gestão é a atividade pela qual são


mobilizados meios e procedimentos para se atingir os
objetivos da organização, envolvendo, basicamente, os
aspectos gerenciais e técnico-administrativos. Nesse sentido, é
sinônimo de administração (IDEM, p. 100 - 101)

Acrescente-se que a gestão escolar deve ser focada para a


formação da cidadania, contemplando as relações externas, inter-
relacionando-se com a comunidade. Lembrando sempre que a escola é
espaço de transmissão de saberes, valores e de formação de consciência
democrática e humanizadora.

Desta forma, a gestão escolar


possui “os princípios da educação que a
gestão assegura serem cumpridos - uma
educação comprometida com a “sabedoria”
de viver juntos respeitando as diferenças,
comprometida com a construção de um
mundo mais humano e justo para todos os
que nele habitam, independentemente de
raça, cor, credo ou opção de vida”
(FERREIRA, 2001, p. 307).

Em relação à Gestão Escolar, segundo Libâneo (2004), é


importante distinguir duas concepções relacionadas às finalidades sociais
e políticas da educação: científico-racional e sociocrítica.

A primeira, com visão burocrática e tecnicista, enfatiza a


estrutura, cargo e função, normas e regulamentos. Centralizada e com
pouca participação de outros no planejamento. A segunda caracteriza-se
por um modelo de gestão onde a tomada de decisão é uma ação coletiva
(professores, alunos e pais).

Entretanto, estudos recentes apontam para uma extrapolação


dessas concepções.

Gestão de Tecnologia na Escola


Veja-se.

Quadro 2: Concepções de gestão escolar


CONCEPÇÃO FUNDAMENTOS ÊNFASE

ADMINISTRATIVA

Administração Clássica ou hierarquia de cargos e


científica
técnico-

Burocrática e, mais funções


recente, o modelo de
Gestão de Qualidade Total
28
A responsabilidade enfatiza os elementos
coletiva, a ausência de instituintes da organização
direção centralizada e a escolar, como a capacidade
participação direta e do grupo para criar e
Autogestionária

igualitária de todos os instituir suas normas e


membros da instituição; procedimentos;
Negação da autoridade e
de formas mais
estruturadas de
organização e gestão

práticas organizativas prioriza como elementos,da


Interpretativa

socialmente construídas, análise dos processos de


baseada nas experiências organização e gestão, os
subjetivas e interações significados subjetivos, as
sócias das pessoas; intenções e a interação
entre as pessoas.

relação orgânica entre a enfatiza a importância de


direção e a participação objetivos comuns assumidos
dos membros da equipe por todos, a forma coletiva
de tomada de decisões, sem
democrático-participativa

porém desobrigar a
responsabilidade individual.

Não exclui a necessidade de


coordenação, de diferenciar
competências profissionais
entre a equipe; a gestão
eficaz e avaliação
sistemática de execução das
decisões tomadas

Fonte: LIBÂNEO, 2004.

Observem-se as relações entres as quatro


concepções/abordagens da Gestão Escolar e as Teorias da
Administração, no quadro apresentado a seguir.

Gestão de Tecnologia na Escola


Quadro 3: Teorias Administrativas e abordagens da gestão
escolar, suas ênfases e seus principais enfoques
Ênfase Principais enfoques

Científica Tarefas Racionalização do trabalho no nível


operacional

Organização Formal; Princípios


gerais da Administração;
Clássica Funções do Administrador

Organização Formal; Princípios

Estrutura
gerais da Administração; 29
Neoclássica Funções do Administrador

Burocrática Organização Formal Burocrática;


Racionalidade Organizacional

Estruturalista Múltipla abordagem:

Organização formal e informal;


Análise intra-organizacional e
análise interorganizacional

Humana Organização informal;


Motivação, liderança, comunicações
e dinâmica de grupo;

Comportamental Estilos de Administração;


Pessoas Teoria das decisões;
Integração dos objetivos
organizacionais e individuais;

Do Mudança organizacional planejada;


Desenvolvimento Abordagem de sistema aberto;
Organizacional

Contingencial Ambiente Mudança organizacional planejada;


Abordagem de sistema aberto;

Sistêmica Tecnologias Administração da tecnologia


(imperativo tecnológico);

Técnico- Estrutura e Organização Formal Burocrática;


Científica tarefas Racionalidade Organizacional

Autogestionária Pessoas Organização informal;


Motivação, liderança, comunicações
e dinâmica de grupo;

Interpretativa Pessoas Mudança organizacional planejada;


Abordagem de sistema aberto

Organização Formal;
Motivação, liderança, comunicações
Democrático- Participação e dinâmica de grupo
participativa
Abordagem de sistema aberto

Fonte: Baseado em CERTO, 1994; CHIAVENATO, 2004; LIBÂNEO, 2004

Gestão de Tecnologia na Escola


Gestão Escolar na Rede Pública do Paraná

A gestão das escolas da rede pública estadual


adota princípios democráticos, pois os diretores
das escolas são escolhidos por voto direto da
comunidade escolar, de acordo com a Carta
Constitucional de 1988 que institui a democracia
participativa, na qual o povo exerce o poder, de
forma direta, pela Gestão Democrática do Ensino
Público1. 30
Essa uma orientação de gestão escolar, dentro da concepção
democrático-participativa, permite a organização educacional em
estâncias colegiadas: Conselho Escolar, Conselho de Classe,
representantes de turma, Grêmio Estudantil, Associação de Pais, Mestres
e Funcionários. Enfatiza, ainda, a construção do projeto político
pedagógico de cada instituição, a autonomia das escolas, a participação
efetiva de todos os autores e atores da prática educativa, a discussão
das diretrizes gerais das políticas educacionais e a formação continuada
dos professores.

A Gestão Democrático-Participativa

A gestão democrático-participativa fundamenta-se na participação da


comunidade escolar nos processos decisórios da instituição educacional.

Entretanto, Libâneo (2004) alerta para obstáculos, entre eles a


desescolarização da população, a falta de organização popular e o poder
financeiro das classes dominantes, às reivindicações, às práticas de
participação e de controle em relação às ações praticadas nas escolas.

Esta participação uma vez estimulada influi na democratização e


na melhoria da qualidade de ensino. Segundo Libâneo (2004), as formas
mais conhecidas de participação são os Conselhos de Classe e os
Conselhos Escolares.

Ressalte-se, que essa participação “significa a atuação dos


profissionais da educação e dos usuários (alunos e pais) na gestão da
escola” (LIBÂNEO, 2004, p. 138) e que existem dois sentidos articulados
entre si, neste termo. O primeiro a denota como meio de conquista da
autonomia da escola e de seus integrantes - professores, funcionários,
alunos e pais, tornando-se uma prática formativa, um elemento
pedagógico, metodológico e curricular. No segundo, por sua vez, ela vem
a ser parte das próprias metas da escola e da educação.

1
Ver Art. 206, inciso VI, da Constituição Federal.

Gestão de Tecnologia na Escola


Neste contexto, considera-se a escola
como lugar de compartilhamento de valores e
de aprender conhecimentos, de desenvolver
capacidades intelectuais, sociais, afetivas,
éticas, estéticas; como lugar de formação de
competências para a participação na vida
social, econômica e social; como uma
organização social que apresenta
uniformidade em suas metas,
interdependência entre a racionalidade no uso
de recursos e a coordenação do esforço 31
humano coletivo.

Libâneo (2004) sugere os seguintes princípios administrativos,


com base na concepção democrático-participativa:

Nesta concepção, a direção e a coordenação assumem um papel


fundamental, pois são ações que “canalizam o esforço coletivo das
pessoas para os objetivos e metas estabelecidos” (LIBÂNEO, 2004,
p.215)

A direção aciona, integral e articuladamente, todos os elementos


do processo organizacional, desde o planejamento até a avaliação,
abrangendo a mobilização, a liderança, a motivação, comunicação e
coordenação.

Além disso, gerenciar é coordenar esforços para articular e


convergir as ações da equipe na busca das metas.

Libâneo alerta que gerenciar é


- dirigir e coordenar os andamentos dos trabalhos, o
clima de trabalho, a eficácia na utilização dos recursos e meios,
em função dos objetivos da escola;
- assegurar o processo participativo de tomada de
decisões e, ao mesmo tempo, cuidar para que essas decisões
se convertam em ações concretas;
- assegurar a execução coordenada e integral das
atividades dos setores e elementos da escola, com base nas
decisões tomadas coletivamente;
- articular as relações interpessoais na escola e entre a
escola e a comunidade (incluindo especialmente os pais)
(LIBÂNEO, 2004, p 215 – 216).

Para exercer a direção é preciso que se tenha autoridade,


responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa, tendo em vista que as
funções de um diretor são, fundamentalmente, gestoras e
administrativas, em perder, entretanto, o cunho pedagógico.

Rocha e Carnieletto (2007, p.43), por sua vez, alertam ser preciso
a democratização, ter autonomia e fazer uma boa gestão para o
fortalecimento da escola pública.

Gestão de Tecnologia na Escola


Essa função gestora inclui as atribuições que se relacionam
estreitamente com as funções clássicas do administrador: planejar,
organizar, comandar, coordenar e controlar.

O quadro 4 mostra as relações entre as funções do gestor escolar


e as funções clássicas do administrador, apresentadas pela TGA.

Como se pode observar, nele fica explicitado que as funções de


gestão extrapolam as atividades administrativas e burocráticas, de
caráter extremamente centralizador, que toma a maior parte de seu
tempo.
32
Agregam-se a ela, outras tantas de cunho pedagógico, para as
quais deverá o gestor encontrar tempo para realizar, tendo em vista que
ambas são necessárias para a realização de uma gestão escolar eficiente.

Entretanto, como bem observam Rocha e Carnieletto, “o que tem


acontecido, em muitos casos, se não na maioria das vezes, é a
preponderância do administrativo sobre o pedagógico” (2007, p.44).

Quadro 4: Relação entre as funções dos gestores escolares e


administradores de empresa
ALONSO ROCHA e CARNIELETTO LIBÂNEO
TGA
(2002) (2007) (2004)

Promover Buscar todos os meios e


mudanças condições que favoreçam a
estruturais; atividade profissional dos
pedagogos especialistas, dos
utilizar os professores, dos funcionários,
diferentes visando a boa qualidade do
espaços de ensino;
PLANEJAR

informação;
Assegurar as condições e meios
realizar de manutenção de um ambiente
parcerias com de trabalho favorável e de
outras condições materiais necessárias
instituições; à consecução dos objetivos da
escola, incluindo a
incorporar a responsabilidade pelo patrimônio
tecnologia na e sua adequada utilização;
aprendizagem
;

Continua...

Gestão de Tecnologia na Escola


ALONSO ROCHA e CARNIELETTO LIBÂNEO
TGA
(2002) (2007) (2004)

estimular a Oferecer meios e condições Formação


para favorecer a atividade continuada para
aprendizagem profissional dos pedagogos o
ativa e a especialistas, dos professores, desenvolvimento
participação dos funcionários, visando a boa pessoal e
em projetos; qualidade do ensino; profissional dos
ORGANIZAR

integrantes da
propiciar o Assegurar as condições e meios comunidade
desenvolvime
nto
de manutenção de um
ambiente de trabalho favorável
escolar 33
profissional e de condições materiais Envolvimento da
dos necessárias à consecução dos comunidade no
professores e objetivos da escola, incluindo a processo escolar
administrador responsabilidade pelo
es patrimônio e sua adequada Avaliação
utilização compartilhada

favorecer a
participação
da Supervisionar e responder por
comunidade todas as atividades
escolar – administrativas e pedagógicas
conselhos da escola bem como as
consultivos; atividades com os pais e a
comunidade e com outras
colocar o instâncias da sociedade civil;
administrativo
a serviço do Conhecer a legislação
pedagógico educacional e do ensino, as
pondo em normas emitidas pelos órgãos
COMANDAR

execução o competentes e o Regimento


Projeto Escolar, assegurando o seu
Pedagógico da cumprimento;
escola,
elaborado com Autonomia das
a escolas e da
comunidade; comunidade
educativa
manter o
currículo e a
sua
implementaçã
o no centro
das atenções,
definindo
prioridades
em função
dele.

Continua...

Gestão de Tecnologia na Escola


ALONSO ROCHA e CARNIELETTO LIBÂNEO
TGA
(2002) (2007) (2004)

assumir com Garantir a aplicação das Utilização de


responsabilida diretrizes de funcionamento da informações
de os instituição e das normas concretas e
resultados do disciplinares mantendo a análise de cada
trabalho comunidade escolar problema em
escolar – sistematicamente informada seus múltiplos
sucesso ou das medidas; aspectos, com
fracasso – e ampla
definir a sua
política de
Responder pela gestão
administrativa da escola, junto
democratização
das informações
34
CONTROLAR

ação a partir a SEED, de comum acordo com


deles a secretaria escolar;

Supervisionar a avaliação da
produtividade da escola em seu
conjunto;

Supervisionar e
responsabilizar-se pela
organização financeira e
controle das despesas da
escola, em comum acordo com
o Conselho de Escola,
pedagogos especialistas e
professores

Fonte: ALONSO, 2002; LIBÂNEO, 2004; ROCHA E CARNIELETTO, 2007.

Após a apresentação do quadro 4, é importante ressaltar,


parafraseando Fernandes e Muller (2006) que o gestor precisa
compreender que o administrativo serve ao pedagógico, dando suporte
para a realização dos objetivos educacionais da escola. Para estes
autores, o diretor precisa se ver como representante de um projeto
político-social de educação, buscando, com isso, uma gestão mais
democrática, voltada às necessidades de sua comunidade.

Desta forma, neste artigo, concorda-se com Steiner (2000)


quando afirma que a direção de uma escola deve ser exercida por um
educador, da mesma forma que a normas para a educação e o ensino só
devem ser elaboradas por quem atue neles.

Além disso,“o gestor escolar deve ter, como um dos pilares de sua
qualificação, o conhecimento do contexto histórico e dos princípios
educacionais da instituição em que atua” (ROCHA e CARNIELETTO, 2007,
p. 79).

Gestão de Tecnologia na Escola


Frente a todas essas funções,
centradas na promoção da participação da
coletividade, no respeito às pessoas e suas
opiniões, no desenvolvimento de um
ambiente de confiança entre todo o
segmento educacional, no saber ouvir e
comunicar idéias, qual é o perfil necessário
a esse gestor? Que competências ele precisa
para exercer sua função, no contexto
educacional
35

O Perfil do Gestor Escolar

Os principais instrumentos de gestão escolar são: planejamento de


objetivos, representado pelo Projeto Político-Pedagógico; organização
das pessoas e dos recursos para a viabilização dos objetivos pretendidos;
execução com qualidade dos trabalhos planejados com base nos
recursos disponíveis; avaliação de todos os processos e atividades
desenvolvidas; comunicação das atividades e dos resultados alcançados
para a comunidade escolar; e, formação continuada da equipe de
funcionários da escola, visando o aperfeiçoamento profissional.
Para a operacionalização desses instrumentos e a consecução dos
objetivos almejado, Libâneo (2004) diz ser necessário o desenvolvimento
de uma estrutura adequada, facilitadora de uma cultura favorável à
mudanças e à participação, exigindo a busca de um perfil de gestor
escolar, com habilidades técnicas, humanas e conceituais.
Observa-se que Libâneo, Rocha e Carnieletto (2007) discutem um
perfil requerido para exercer as atividades de gestão escolar. Esse perfil
é apresentado no quadro 5, juntamente com os requisitos mínimos
necessários para se ter acesso à função de gestor escolar, traçados pela
Secretaria de Estado de Educação do Paraná.
Esses requisitos estão dispostos na Lei Estadual nº. 14.231, de 26
/ 11 / 2003, publicada no Diário Oficial nº. 6615, de 27/11/2003 e se
constituem no esboço de um perfil básico para os gestores da escola
pública.

Gestão de Tecnologia na Escola


Observem-se essas características.

Quadro 5: Perfil do gestor escolar


AUTORES ROCHA E SEED/PR
LIBÂNEO CARNIELETTO
PERFIL
Capacidade para o trabalho em
equipe
Capacidade de gerenciamento de
um ambiente cada vez mais
complexo
Capacidade criativa, direcionada a
novas significações em ambiente
36
estável
Capacidade de abstração
Conhecimento e manejo de
tecnologias emergentes
Visão de longo prazo

Disposição para assumir


responsabilidade pelos resultados
Capacidade comunicativa
Visão de longo prazo
Disposição para fundamentar
teoricamente suas decisões
Comprometimento com a
emancipação e autonomia
intelectual dos funcionários
Atuação em função dos objetivos
Visão pluralista das situações
Disposição para cristalizar suas
intenções
Conscientização das oportunidades
e limitações
Ter espírito ético e solidário
Ser conhecedor da realidade da
escola
Ser um defensor da educação
Ter credibilidade na comunicação

Ser conhecedor dos assuntos


técnicos, pedagógicos,
administrativos, financeiros e
legislativos
Ser transparente e coerente
Ser QPM, QUP, QPPE, TF57, TF58
ou CLAD
Ter no mínimo 90 dias de
ininterruptos de exercício na escola
em que pretende concorrer
Ter curso superior e em casos
específicos ao menos o curso de
magistério
Ter disponibilidade legal e
administrativa para assumir a
função
Articulador
Pró-ativo
Líder

Fonte: a partir de SEED (2003), LIBÄNEO (2004),


ROCHA e CARNIELETTO (2007).

Gestão de Tecnologia na Escola


Observa-se, a partir deste quadro, que um gestor escolar deve
reunir habilidades técnicas, humanas e conceituais. As técnicas
oportunizam a tomada de decisões e resolução de problemas. As
humanas permitem conduzir mudanças, relacionar-se e solucionar
conflitos.
Por fim, a terceira exige visão sistêmica, ou seja, a capacidade de
compreender toda a escola, de ter uma visão geral sobre ela.
Constata-se, também, que para o Estado não há a necessidade de
uma formação específica em administração/gestão escolar para o
exercício da função de diretor escolar, basta ser professor e ter vínculo
37
empregatício com o Estado.
Entretanto, observa-se que frente às necessidades impostas pela
sociedade em que as instituições escolares se inserem e pelo
investimento do Estado do Paraná na implantação das tecnologias no
contexto de sala de aula, a partir de ações que envolvem desde a
implantação de laboratórios de informática em todas as escolas estaduais
à criação da TV Paulo Freire, da Secretaria de Estado da Educação, o
gestor escolar necessita além dos atributos levantados no perfil do gestor
escolar, outros tantos que lhe possibilitem esse novo desafio: ser o
fomentador e gerenciador do uso das tecnologias no contexto
educacional.

Gestão Escolar no Paraná

A partir do exposto, constata-se


que sempre houve um
direcionamento para uma M

gestão escolar de orientações T

das abordagens da
administração.

O momento atual não difere dos demais e como se observou, a


gestão democrático-participativa centra-se em fundamentos de
abordagens emergentes da Administração, que caracterizam a Era da
Informação, como a qualidade total, de onde se origina a qualidade social
buscada pelas instituições educacionais. Essa qualidade é representada
pelos métodos de avaliação e controle do produto, aqui no caso,
educação, além do investimento em tecnologia e capacitação profissional.

Os estudos sobre a administração/gestão escolar, realizados nos


últimos anos, levaram à formação de dois grandes grupos, de acordo
com a visão, que cada um possui, de gestão.

O primeiro defende a idéia de administrar uma escola,


principalmente a pública, sem a utilização das teorias da administração,

Gestão de Tecnologia na Escola


pois crê que é uma atividade especifica e deve ter suas próprias teorias.

O segundo acredita e defende que a administração/gestão


escolar, apesar de suas particularidades, insere-se no contexto da
administração geral, tendo em vista que a escola está inserida na
sociedade, não podendo, desta forma, existir uma administração escolar
dissociada do contexto histórico-social de que faz parte.

Tendo em vista essa segunda percepção de gestão escolar, é


importante verificar como o professor assume a escola enquanto gestor,
que conhecimentos sobre gestão ele possui, de que forma ele vê a
inserção das tecnologias na sala de aula.
38
Na tentativa de responder a esses questionamentos, Rocha e
Carnieletto (2007) 2 desenvolveram uma pesquisa, junto aos gestores
escolares das 2000 escolas da rede estadual, voltada ao levantamento de
quem são esses gestores; o que fazem; como se prepararam para a
função; como se tornaram gestores, identificando-se sua formação inicial
e como ocorre seu processo de formação continuada em serviço.

A análise, desses dados, demonstra que, devido ao número de


funcionários sob responsabilidade dos gestores escolares, eles
necessitam ter equilíbrio profissional e emocional, para administrar
conflitos entre professores, preservando as alteridades ou as diferenças
entre os iguais.

Além disso, a concentração das escolas nos centros urbanos exige


a capacidade para lidar com diversos problemas tais como:
desagregação familiar, uso de drogas, violência etc.

Segundo os gestores pesquisados, aspectos importantes no


exercício da docência, necessários para o professor se tornar um bom
gestor escolar:

1) ter compromisso em se desenvolver para melhorar a qualidade


do ensino;

2) aceitar desafios e saber gerenciar conflitos;

3) ter liderança;

) saber e gostar de trabalhar e coordenar equipes;

5) ser organizado e cumpridor dos deveres como profissional e


cidadão;

6) ser crítico, visando a melhoria do local de trabalho;

7) estar motivado com a profissão;

8) ter alguma experiência administrativa;

2
Para maiores detalhes ver Rocha e Carnieletto (2007).

Gestão de Tecnologia na Escola


9) ser comunicativo e pró-ativo;

10) ser um ótimo professor em sala de aula.

A pesquisa revelou, também, certa rotatividade de diretores das escolas


públicas estaduais, reforçando a necessidade de políticas de capacitação
para gestores, num processo de formação continuada permanente.

Observou-se, também, que apesar do Estado propor uma gestão


escolar democrático-participativa, os gestores escolares não a praticam
integralmente. Um tanto, por conhecerem pouco sobre ela; outro tanto,
por terem incorporado práticas administrativas tradicionais, durante seu 39
processo de formação e de profissionalização.

Tendo em vista o exposto, questiona-se


como proceder para minimizar essa lacuna
existente na formação dos gestores escolares?
Como auxiliá-los nas dificuldades encontradas
no seu dia-a-dia? Que instrumentos fazem-se
necessários para que, efetivamente, promova-
se nas escolas uma gestão democrático-
participativa?

Considerações finais

Esta pesquisa buscou discutir aspectos relacionados à gestão escolar,


demonstrando a influência que suas concepções receberam das
teorias administrativas ao longo de seu desenvolvimento e buscando
traçar um perfil do gestor escolar para o enfrentamento dos desafios
educacionais da atualidade, oriundos de uma sociedade globalizada,
tecnológica.

Os aspectos apresentados, analisados teoricamente, sob a luz


das áreas da TGA e da gestão escolar, bem como os dados da
pesquisa, apontam para a importância do aprofundamento da
compreensão dos diretores, em relação às suas atividades gestores
escolares.

Urge, desta forma, a elaboração de material didático-


pedagógico que subsidie o conhecimento específico necessário para os
gestores escolares, sobre o exercício de suas funções.

Além disso, é necessário que a Secretaria de Estado da


Educação do Paraná privilegie em suas políticas educacionais de
capacitação dos profissionais da educação, a capacitação específica de
gestores escolares.

Essa capacitação deverá ser ofertada através de curso de

Gestão de Tecnologia na Escola


formação continuada, possibilitando aos gestores educacionais o
conhecimento das teorias administrativas que lhes possibilite gerir a
complexidade das instituições educacionais, exercendo sua função,
baseada na gestão democrático-participativa, com foco no processo
educativo centrado na transformação social; na liderança e na gestão
de pessoas.

Finalizando, é importante ressaltar que tendo em vista a


chegada, em definitivo, das tecnologias nas escolas, a
administração/gestão escolar democrático-participativa necessita
embasamento na Abordagem Contigencial da Administração, pois a
escola não pode ser vista de outra forma, a não ser como um sistema
aberto, pois não pode ser adequadamente compreendida de forma
40
isolada, mas sim pelo inter-relacionamento entre diversas variáveis
internas e externas, que afetam seu funcionamento.

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Gestão de Tecnologia na Escola


Gestão da informação na escola pública
estadual do Paraná: aplicabilidade pedagógica
do sistema de informação do registro escolar

Selma Maria Costa de Oliveira

SEED 44

Introdução

O presente estudo aborda a aplicabilidade pedagógica do


Sistema Estadual de Registro Escolar – SERE, existente em todas as
escolas estaduais do Paraná, na busca das estratégias metodológicas
desenvolvidas nas escolas que viabilizem a utilização da informação
disponibilizada nesse sistema. Observa-se a forma de interferência da
equipe de gestão escolar nos processos de planejamento educacional
para a melhoria do rendimento real do aluno, ao usufruir das
informações emanadas do SERE.
Discutem-se e aprofundam-se as categorias de análise do ... pedagógico?
objeto de estudo sobre gestão da informação, gestão escolar, sistema
de informação e tecnologias da informação. Faz-se uma exploração
prática da plataforma SERE na versão web na busca de comparar os
conceitos e os aspectos fundamentais da gestão escolar sob a ótica
da gestão da informação, do sistema da informação e das tecnologias SERE
da informação, categorias estas abordadas teoricamente neste
documento.

A pesquisa de campo abrange três entrevistas: duas delas


com os representantes da Secretaria de Estadual de Educação
(SEED), Diretoria Geral (DG) e Diretoria de Administração Escolar
(DAE), sobre as perspectivas de uso político-pedagógico das
informações provenientes do SERE e, a outra, realizada com os
pedagogos, partícipes da gestão escolar, de dez escolas estaduais de
municípios da região metropolitana norte de Curitiba, por meio de um
instrumento de coleta de dados (questionário). Este aborda a
funcionalidade e aplicabilidade das informações provindas do SERE,
através da análise das metodologias descritas de intervenção
efetivadas, através da ação dos pedagogos.

Gestão de Tecnologia na Escola


Da coleta e análise das informações resulta a limitada
utilização de recursos informacionais estratégicos pela gestão escolar.
A proposição é a capacitação dos pedagogos para uso das
informações geradas a partir do SERE.

45
Fundamentos da Gestão da Informação

McGarry (1999, p.3) citando o fundador da cibernética, Norbert


Wiener, afirma: “informação é o termo que designa o conteúdo
daquilo que permutamos com o mundo exterior ao ajustar-nos a ele,
e que faz com que nosso ajustamento seja nele percebido. Viver de
fato é viver com informação”. A informação é o resultado de um
sistema planejado, representa resultados obtidos. Do ponto de vista
institucional, a informação é caracterizada e entendida como um
processo.

... dividido em quatro subfunções: a criação de


informações (coleta, aquisição, captação),
comunicação das informações (circulação,
transmissão, difusão), tratamento das informações
(transformação, utilização, interpretação) e
memorização das informações nas mais diversas
formas. (MAÑAS, 1999, p. 54).

Para este mesmo autor, a circulação das


informações, a capacidade de obtê-las no tempo
desejado e a adaptação das tecnologias de
informação à instituição são aspectos
importantes para a gestão da informação.

Le Coadic (2004, p. 38) afirma “usar a informação é trabalhar


com a matéria informação para obter um efeito que satisfaça a uma
necessidade de informação”. Informação útil é a que se presta para
solucionar um problema, passível de ser mobilizada no tempo
exigido, a partir de dados corretos reais e que possibilite antever e
desenvolver ações. Portanto, a qualidade da informação disponível é
fundamental numa organização.

Gestão de Tecnologia na Escola


Os processos decisórios são influenciados por informações.
Destinados à solução de um problema que exija interferência
imediata ou a médio e longo prazo, devem possibilitar intervenções
futuras, a partir do fluxo intermitente de informações, indicador que é
de resultados, de questionamentos e de reavaliação.

Para Tarapanoff (2006, p. 22), “... o principal objetivo da


gestão da informação é identificar e potencializar recursos
informacionais de uma organização ou empresa e sua capacidade de
informação, ensinando-a a aprender e adaptar-se a mudanças
ambientais”. 46
Por meio da gestão da informação é possível revelar a
significância das ações tomadas, divulgar e transpor experiências e
integrar processos. Os pontos fortes e fracos das ações individuais e
coletivas ficam demarcados, o planejamento pode ser redefinido com
mais segurança e as decisões se aproximam dos objetivos e recursos
da instituição.

Complementa-se este estudo com conceitos Michaud (2006, p.


214) que considera como sistema,

o conjunto de elementos inter-relacionados e


interdependentes, formando um todo integral, maior
do que simplesmente a soma das partes e
incompleto quando falta uma, interagindo
constantemente com o meio ambiente no qual se
encontra inserido, com um objetivo comum de
existência e sobrevivência.

Sob a ótica da tecnologia de informação um sistema de


informação (SI) é composto pelo conjunto de software, hardware,
recursos humanos e respectivos procedimentos que antecedem e
sucedem o software. Um SI não toma decisões. No entanto, o SI não
interpreta dados e não toma decisões. A significância das informações
é determinada pelas pessoas que compõe uma instituição, sendo
determinante a gestão do SI.
Entre os modelos de gestão tem-se a gestão participativa,
através da qual, discussões, decisões e ações são realizadas em
conjunto, com todos os envolvidos nos processos, fazendo com que
os sistemas de informação sejam abertos, transparentes e efetivos.
(REZENDE e ABREU, 2000).
Os SI estão presentes em todas as organizações industriais,
comerciais, instituições de ensino superior, escolas, supermercados
etc. O objeto da investigação deste trabalho é a gestão da informação
na atividade escolar.

Gestão de Tecnologia na Escola


Procedimentos Metodológicos

Este trabalho possui caráter qualitativo, fundamentado em pesquisa


teórica e pesquisa de campo realizada no período de junho de 2007 a
fevereiro de 2008. Na pesquisa de campo procedeu-se a exploração
prática do sistema de registro escolar e entrevistas com seus
desenvolvedores e usuários, além da observação da forma de
trabalho destes últimos.

A exploração operacional do sistema foi realizada na 47


plataforma SERE-WEB ou Sistema de Gestão Escolar, diretamente no
sítio, de acesso próprio para o Sistema Escola e denominado “Escola
de Teste”. O SERE como ferramenta para a gestão da informação nas
escolas públicas estaduais, é disponibilizado ao usuário para uso na
Internet (on-line) ou não (off-line). No entanto, as versões são
semelhantes e adotar-se-á a denominação de SERE, sendo
mencionadas as diferenças entre as versões, quando necessária a
especificação.

Para as entrevistas foram elaborados três instrumentos de


pesquisa, dois deles destinados aos seus desenvolvedores,
representados pelo Diretor Geral da SEED (DG) e pela Diretora de
Administração Escolar (DAE). O terceiro instrumento de pesquisa foi
aplicado aos gestores pedagógicos dos estabelecimentos de ensino
estaduais – os pedagogos, descritos no capítulo “Análise dos
Resultados”, de dez escolas públicas estaduais jurisdicionadas ao
Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Norte – NREAM
Norte / SEED, situados nos municípios de Almirante Tamandaré,
Colombo e Pinhais, sendo nove delas integrantes do Programa
Superação da SEED.

Esta investigação deu-se através da aplicação de um


questionário que possibilitasse averiguar o modo como os pedagogos
utilizam os registros e relatórios emitidos do sistema. O questionário
foi elaborado com dez questões, aplicado a um pedagogo de cada
escola. Manteve-se sigilo da identidade dos pedagogos e escolas
pesquisadas, para tanto, cada respondente ou escola referenciados
nesta pesquisa, foi indicado por um número, da seqüência de 1 a 10
(um a dez).

Aos pedagogos, o SERE na versão web poderá estar acessível


no ambiente da secretaria, após a integração operacional dos
funcionários (secretário e auxiliares). Portanto, as respostas de todos
os pedagogos estão associadas ao SERE off-line.

No âmbito administrativo escolar, a gestão dos recursos


humanos e de infra-estrutura e as determinações formais e legais a
eles relacionados exigidos pela entidade mantenedora, o Governo do
Estado do Paraná representado pela SEED, é concentrada no
desempenho da secretaria da escola.

Gestão de Tecnologia na Escola


A gestão dos dados e da informação permeia todo o processo
pedagógico, do início ao fim, desde validar a entrada do aluno na
escola, ao registrar sua freqüência, apresentar resultados parciais /
finais por ele obtidos num determinado período letivo em cada
disciplina cursada, até arquivar e emitir documentos relativos à
história de escolarização do aluno. Os resultados parciais e finais
possibilitam a análise de desempenho do aluno, remetendo à reflexão
sobre a prática pedagógica como um todo, possibilitando uma
(re)ação diante dos dados estatísticos apresentados. Portanto, a
secretaria escolar detém a memória informacional do aluno e da
escola como um todo e é capaz de re-direcionar a gestão escolar, 48
caso o pedagogo, juntamente com o diretor da escola articulem
conscientemente esta possibilidade em colaboração com os
professores.

Área administrativa Área pedagógica

Área difícil de gerir

Indagada sobre a aptidão dos pedagogos para lidar com os


dados do SERE para a promoção de ajustes no processo educacional,
a resposta dita pela Diretora de Administração Escolar foi que os
gestores pedagógicos são alijados do SERE, sendo que “... a maioria
das questões que envolvem erros é decorrente de processos
pedagógicos falhos”, ao “... não realizarem a avaliação acadêmica e
planejamento escolar, situação decorrente da formação inicial do
pedagogo.” A opinião é que os gestores não estão aptos a lidar com a
tecnologia da informação do SERE-WEB, e acrescenta “é preciso
desenvolver a cultura do planejamento.”

No intuito de colaborar com a divulgação das possibilidades


informacionais do sistema aos gestores escolares, segue-se a
descrição geral do SERE, considerando o disponível na plataforma
web destinado ao Ensino Fundamental, de 5ª a 8ª série (oferta anual)
e o Ensino Médio com as devidas ofertas da Educação Profissional,
excluído o que se destina a Educação de Jovens e Adultos.

Gestão de Tecnologia na Escola


Estrutura Geral do Sistema Estadual de Registro
Escolar – SERE

Este sistema de informação possibilita à escola pública estadual do


Paraná manter os dados escolares de três áreas afins: planejamento
escolar, registro escolar e estrutura e funcionamento. Na área de
planejamento escolar, entre outros requisitos do sistema, é possível a
ordenação dos alunos nas turmas específicas efetivadas. Pela área de
estrutura e funcionamento é possível obter dados sobre os atos
oficiais da escola e dos cursos ofertados.
49

Coleta de dados Saída de informações

Processamento

Entrada de dados Relatórios e telas

O SERE permite o registro dos dados cadastrais dos alunos, da


matrícula, da avaliação e da freqüência por período letivo, da
movimentação do aluno no sistema de ensino estadual através de
transferência e remanejamento, das adequações curriculares de
ordem pedagógica e legal. O uso do sistema recebeu adaptações e
atualizações com inserção de outros dados relativos à carteira de
estudante, ao transporte escolar utilizado pelos alunos e ao Censo
Escolar.

Além disso, o sistema permite a emissão de documentos dos


alunos e relatórios referentes aos dados armazenados. Os
documentos oficiais dos alunos emitidos são: Ficha Individual,
Histórico Escolar (só na versão SERE-WEB), boletim escolar,
requerimento de matrícula, declaração de matrícula, declaração de
transferência, declaração de conclusão, certidão de regularidade de
estudos e Relatório Final por série, de estágio supervisionado, de
regularização de vida escolar e revalidação de estudos cursados no
estrangeiro por ensino / aluno.

A ênfase desta pesquisa recai na utilização dos dados emitidos


do SERE pela gestão pedagógica, possível pela verificação da análise
de notas e freqüência por disciplina, promoção, aspectos sócio-
econômicos de alunos, de turmas, de nível de ensino, de turno, da
escola.

Gestão de Tecnologia na Escola


Usuários Clientes da Informação do SERE

O SERE foi desenvolvido para facilitar a gestão educacional e a gestão


escolar. Porém, o Diretor Geral da SEED afirma que a quantidade de
dados de informações do sistema possibilita a sua utilização por todos
da comunidade escolar, sobretudo alunos e responsáveis. Ressaltam-
se como colaboradores da equipe de gestão escolar: secretário e
auxiliares, pedagogos e Professores, cada qual em sua esfera de
ação.
50
Preece, Rogers e Sharp (2005) comentam diversas
interpretações para a expressão “usuário”. Destacam que usuário é
aquela pessoa que interage diretamente com um produto para
realizar uma tarefa, e mencionam que, para outros autores, usuário é
aquele que gerencia os usuários diretos, ou ainda, aquele que testa o
sistema, entre outras atribuições. Estabelece categorias de usuários
segundo a freqüência de uso.

O usuário primário e, portanto,


prioritário do SERE é o profissional
responsável pela secretaria escolar –
secretário (a) e/ou auxiliar, que desempenha a
função de técnico-administrativo.

Este o alimenta com dados cadastrais provindos da família do


aluno, quando menor de idade pelo pai ou responsável, da história
escolar precedente, do caminho pedagógico atual com o registro da
freqüência do aluno na escola e dos resultados parciais e finais
obtidos ao longo de um período letivo em cada disciplina ou curso;
emite os documentos do aluno, arquiva-os e mantém a memória
escolar do mesmo e, conseqüentemente, da própria escola e do
sistema educacional público estadual paranaense. O secretário
escolar e/ou auxiliar corresponde ao funcionário gestor do SERE.

Na organização interna da escola pública, os registros de


desempenho e de freqüência do aluno que competem ao Professor
são realizados de forma manuscrita no Diário de Classe, formatado
também para os registros de objetivos, conteúdo e metodologia de
cada aula, bem como, de ocorrências diversas. Os registros de
desempenho e de freqüência dos alunos chegam à secretaria,
igualmente de forma manuscrita. Diretor, diretor auxiliar, pedagogos
e Professores são usuários secundários do sistema, pois não lidam
com ele diretamente, mas participam ativamente dos diversos
processos, sejam administrativo-legais ou pedagógicos que resultam
em registros com informações preferenciais.

Gestão de Tecnologia na Escola


O gestor pedagógico obtém as informações de desempenho
dos alunos em contato direto com os Professores, em reuniões
específicas para esta finalidade e/ou através dos documentos e
relatórios emitidos do SERE, tendo como intermediário o funcionário-
gestor do sistema. Percebeu-se que há pedagogos que desenvolvem
formas diferenciadas de organizar e analisar as informações que
excedem o ambiente escolar como de natureza familiar, de saúde, de
trabalho e outras, que podem influenciar a aprendizagem do aluno.

Ao gestor educacional, equiparável como usuário terciário do


sistema, interessa acompanhar e analisar o processo de ensino e os 51
resultados da escola e do sistema estadual de ensino, por meio do
índice de promoção e conclusão dos níveis de ensino pelos
estudantes. A partir disso, pode propor políticas públicas educacionais
e até de outras esferas, que possam contribuir para a melhoria da
qualidade de ensino.

Na versão web, o SERE possibilita ao gestor educacional,


acesso aos dados em tempo real, permitindo a regulação e a
intervenção a par e passo da identificação do problema, bem como, o
gerenciamento e implantação de políticas educacionais mais
rapidamente. Segundo o Diretor Geral da SEED, a perspectiva da
divulgação dos dados estatísticos agregados de aproveitamento
escolar à comunidade é uma meta a ser alcançada pela SEED, já em
fase de planejamento, para que aquela possa acompanhar se o
estabelecimento de ensino está atingindo seus objetivos, ampliando o
seu envolvimento comunidade – escola. O mesmo acrescenta
também que o mérito do Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (IDEB) foi fazer com que as pessoas refletissem sobre os
resultados, o que só foi possível pela sua ampla divulgação.

A Diretora de Administração Escolar esclarece, quanto às


políticas públicas, que há uma programação para possibilitar a
divulgação de informações do SERE-WEB para a comunidade, a
princípio com o boletim escolar. Atualmente, a Patrulha Escolar e o
Ministério Público podem acessar o SERE-WEB. Para o Professor está
previsto a possibilidade de lançamento de notas e faltas diretamente
no sistema. Simultaneamente, está sendo desenvolvido um software
fácil de ser acessado, que conterá dados dos mais diferentes
sistemas, com indicadores e auto-explicativo.

Libâneo (2001, p. 90) discute as


concepções de organização e gestão escolar,
detendo-se na forma democrática-participativa
que, entre outras características, destaca-se
pela busca de objetivos comuns, na
responsabilidade por cada membro da equipe
pela operacionalização das decisões tomadas,
na definição explícita de objetivos sócio-políticos

Gestão de Tecnologia na Escola


e pedagógicos da escola pela equipe escolar, na
busca de objetividade no trato das questões da
organização e gestão, mediante coleta de
informações reais e no acompanhamento e
avaliação sistemáticos com finalidade
pedagógica: diagnóstico, acompanhamento de
trabalhos, reorientação de rumos e ações e
tomada de decisões.

52
Análise dos Resultados

A partir da aplicação do instrumento de pesquisa aos pedagogos,


delineia-se a forma de usabilidade e aplicabilidade dos dados
provindos do SERE.

Como resultado da pesquisa obteve-se que 90% dos


entrevistados são do sexo feminino. O tempo de exercício equivale
também ao tempo de experiência com o trato dos dados do SERE.
Entre os entrevistados, 50% possuem tempo superior a seis anos de
atividade como pedagogo e 50% com tempo inferior. Portanto, dois
cenários para o uso do sistema foram identificados: o primeiro
relativo ao grupo que possui menor tempo de atividade na função
(até cinco anos), sem a capacitação para o uso do sistema e, o
segundo, que conhece o sistema a partir da experiência no
desempenho da função (superior a seis anos).

Tabela 1. Sobre Uso dos Relatórios emitidos do SERE


pelos Pedagogos
Nº Questionamentos Percentual
Sim Não
1 Conhecimento das funções do SERE. 70% 30%

2 Utilização regular dos documentos emitidos. 80% 20%

3 Utilização freqüente dos relatórios. 80% 20%

4 Formato ideal dos quadros estatísticos em relação à análise 80% 20%


imediata dos dados.
5 Possibilidade de cruzamento de dados a partir dos relatórios do 90% 10%
SERE.
6 Apresentação dos relatórios estatísticos aos professores. 80% 20%

7 Utilização de informações complementares, além das 60% 40%


informações do SERE.

Na Tabela 1, quanto ao conhecimento das funções, uso regular


de documentos e relatórios do SERE (questões 1, 2 e 3), obteve-se
que 76% dos respondentes buscam subsídios no SERE para orientar o
trabalho pedagógico. Porém, não há menção sobre esta prática no

Gestão de Tecnologia na Escola


Projeto Político-Pedagógico das unidades escolares pesquisadas. Este
é o instrumento elaborado pela comunidade escolar a partir do
diagnóstico do ambiente interno e externo, que contém metas dos
projetos e ações de ordem pedagógica e política, que devem orientar
o trabalho escolar. Por esta análise, o resultado apresentado aponta
para a utilização do SERE pela escola, de modo informal, sem a
sistematização planejada necessária para realizar uma intervenção a
partir dos possíveis indicadores traduzidos do sistema. Denota-se que
o conhecimento tácito prevalece sobre o conhecimento explícito.

Na opinião de um pedagogo da escola 1, “embora o sistema 53


traga várias informações ainda faz-se necessário, capacitar a Equipe
Pedagógica, para a utilização deste, de forma mais eficaz,
contribuindo assim para a análise de dados do processo ensino-
aprendizagem”.

A maioria absoluta dos respondentes acredita ser possível o


cruzamento de dados obtidos do SERE (questão 5), sendo dominante
a referência feita ao cruzamento das notas com a freqüência dos
alunos identificável nas respostas da questão 8, analisada no próximo
item, que enumera os tipos de relatórios comumente utilizados do
SERE. Observou-se que 80% dos entrevistados, afirmam a
apresentação dos relatórios estatísticos aos Professores (questão 6 da
Tabela 1) como uma prática adotada pela gestão escolar.

Uma única experiência descrita pela escola 1 comprovou o uso


de informações complementares ao SERE (10%), através de dados
coletados na rotina da escola (questão 7 da Tabela 1). O depoimento
revela a organização desses dados como realizada por meio de
planilhas elaboradas pela própria equipe pedagógica com registros
manuscritos a partir de situações de controle. Identificou-se que os
relatórios do SERE prioritariamente utilizados pelos pedagogos são os
referentes ao rendimento (notas, médias, aprovação, reprovação) e a
freqüência ou ausência (evasão) dos alunos nas atividades letivas.

Em depoimento, o entrevistado da escola 6 afirma que “as


funções do SERE são conhecidas pela secretaria no sentido de
executar a função, quando necessito de algum relatório estatístico ou
qualquer coisa do gênero, fico à disposição da secretaria”. Essa
informação indica que o manuseio dos dados é atribuição do
funcionário de secretaria, e de fato o é, no sentido de alimentar o
sistema com os dados provenientes da equipe pedagógica e dos
professores e de extrair os relatórios do SERE por estes solicitados.
Porém, infere um despreparo do pedagogo para interpretação e
reflexão à luz do contexto político e pedagógico e possível exposição
dos resultados extensiva aos professores para desencadear um
processo de re-direcionamento da “gestão escolar” a partir da “gestão
da informação”.

Gestão de Tecnologia na Escola


A situação exposta revela a emissão dos relatórios sendo
executada em função do tempo escolar para anteceder aos
momentos dos Conselhos de Classe. Caso os dados não alimentem o
sistema em tempo hábil, os relatórios não são emitidos ou o são,
falhos e incompletos, sem possibilidade de utilização pelo Conselho
de Classe e, conseqüentemente, gestão da informação como apoio da
gestão escolar. Consta-se que perdem os alunos, professores e a
escola em geral.

O último questionamento leva a uma reflexão mais profunda


sobre a prática da análise dos dados do SERE, com duas importantes 54
abordagens: a descrição das experiências já desenvolvidas com a
análise das informações estatísticas do SERE e da forma de
interferência da gestão da escola junto aos professores e ao processo
educacional como um todo. Identificam-se, novamente, registros
conflitantes com a prática, destacadas no quadro 1.

Com a relação à divulgação das informações do SERE aos


professores, a apresentação de gráficos elaborados na própria escola
a partir de planilha eletrônica é a estratégia adotada por três escolas
confirmada com seus depoimentos: “...com o objetivo de trazer junto
aos professores uma discussão e até mesmo uma reflexão na ação
cotidiana” (respondente 6), “... os avanços e as dificuldades de sua
turma em sua disciplina e assim retomando conteúdos e
reformulando suas avaliações” (respondente 8) e “... por turma e
disciplinas sendo apresentado aos professores durante reuniões para
uma avaliação dos trabalhos realizados no processo de ensino-
aprendizagem” (respondente 10). Os depoimentos comprovam a
preocupação dos entrevistados em divulgar a informação por meio da
tecnologia disponível e a partir de sua análise conjunta, refletir sobre
o trabalho pedagógico implementado.

Quadro 1. Práticas pedagógicas do uso do SERE


Respondente 1 Análise

1: Após os resultados do Conselho de Esta colocação induz à análise de que


Classe observar a porcentagem de há o propósito de desenvolver uma
alunos que estão abaixo da média; metodologia para uso dos dados do
no Conselho Final refletir sobre o SERE. A resposta exclama sobre o
número dos que passaram por problema de reprovação e aponta a
Conselho; aprovados e reprovados; preocupação com a multirepetência
desistência... No ano seguinte (início) minimizada com a promoção de
se questiona o que será feito pelo alunos sem o conhecimento mínimo.
aluno que não foi aprovado e o que Conota-se que a escola detém-se na
se percebe é que o ano vai passando, reflexão. No entanto, não há
e muito pouco se consegue fazer, a pronunciamento de ação.
não ser a obrigação de passá-lo nem
que for por Conselho de Classe,
novamente.

Gestão de Tecnologia na Escola


Respondente 1 Análise

3: São realizadas estatísticas Único pedagogo que mencionou a


bimestrais para acompanhar o expressão “planejamento”. As
desenvolvimento dos alunos, informações obtidas a partir do SERE
individual e coletivamente. No início devem nortear a análise de
do ano é apresentada aos resultados do processo de ensino e
professores uma estatística do ano educacional, pois revela o grau de
anterior em comparação com os significância do trabalho desenvolvido
demais anos anteriores contendo o até então. Redirecionamento de
número de matrículas e a ações metodológicas com
porcentagem dos alunos aprovados, acompanhamento e apoio pedagógico 55
reprovados, evadidos, aprovados por ao professor além do previsto,
Conselho de Classe em cada revisão de medidas organizativas,
disciplina. Isso possibilita uma visão reestruturação do ambiente escolar,
geral do processo e auxilia no são exemplos de etapas de um
planejamento planejamento significativo para uma
mudança concreta da gestão escolar
a favor do educando.

9: Os dados fornecidos pelo Esta afirmação direciona para dois


programa SERE, podem servir e cenários: primeiro, o entrevistado
servem de base para o trabalho obtém os dados de resultado dos
pedagógico no interior da escola. alunos em conversa com os
Digo, “podem servir” porque existem Professores e segundo, os analisa
outros dados que são pouco através do canhoto de notas.
utilizados na escola como, por Caracteriza-se por modelo de gestão
exemplo, os relatórios finais de nota, de informação na informalidade junto
os quais dispõem de dados ao Conselho de Classe, indicando que
relevantes que refletem a realidade os dados são analisados antes de sua
da qualidade de ensino, e que, como inserção na plataforma SERE, não
recursos podem ser utilizados em estando disponíveis para a reunião
reuniões pedagógicas e Conselho de ou, se disponíveis, não são utilizados.
Classe, visando a melhoria da
qualidade de ensino no ano seguinte.
Os formulários podem melhorar com
um campo com o total de faltas por
bimestre. Utilizar e ter a intenção de
utilizar os dados do SERE, como
idéias postas no mesmo plano.

Em uma das escolas (respondente 3), os gráficos elaborados


com a informação do SERE são elaborados pelos alunos, coordenados
pelo professor de Matemática, em forma de gincana, o que também
favorece a divulgação da informação, representada pelos resultados
escolares. Na ocasião da visita para a entrevista, os gráficos estavam
dispostos em edital. Em um dos estabelecimentos de ensino
(respondente 9) já foi usado um software específico obtido por meios
próprios para organização dos dados do SERE e sua apresentação sob
a forma de gráficos aos professores, iniciativa pessoal de um diretor,
decorrente de sua habilidade com a informática. Estas experiências
revelam criatividade no estudo das informações por professores e

Gestão de Tecnologia na Escola


alunos e intencionalidade de boa divulgação através de tecnologia. A
socialização destas e de outras experiências, colaborariam para
orientar o trabalho da gestão escolar.

Com relação, ainda, à forma de divulgação, destaca-se a


desenvolvida na escola 8, pelo depoimento do diretor: “Desde 2006,
a cada bimestre fazemos reunião pedagógica e na mesma, um dos
pontos de pauta é a discussão do rendimento de cada turma e são
apontados os problemas e possíveis soluções. Após discussão com
professores, é feita a apresentação sala por sala dos dados gráficos, o
resultado do Conselho de Classe e as dificuldades pedagógicas, o que 56
tem incentivado a liderança e a participação dos alunos e também é
apresentado aos pais em reunião própria. É apresentado também aos
professores o gráfico de aulas não dadas e o rendimento das turmas
sempre com data-show. (informação verbal)”.

Nota-se a identificação de algumas intervenções aplicáveis a


partir dos dados do SERE, sobressaindo-se a forma de divulgação do
rendimento dos alunos, primeiramente aos professores, a seguir, aos
alunos por turma e finalmente aos pais, em reunião específica para
trabalhar tal questão, com uso dos recursos tecnológicos disponíveis.
Um novo aspecto é considerado na reflexão sobre os resultados da
escola e o trabalho docente: a relação entre o número de aulas não
ministradas pelos professores e o rendimento dos alunos. Trata-se de
um indício de intervenção sobre o trabalho dos professores, sob a
forma de sensibilização coletiva.

Não há registro, nestes depoimentos, de uma intervenção


concreta sobre o planejamento pedagógico e organizacional escolar a
partir do uso do SERE. O conflito de resultados, ora apresentados,
entre a usabilidade do SERE e a gestão do processo educacional na
escola, da identificação do problema, da sua divulgação e análise, do
planejamento à ação, é perceptível na ausência de descrição sobre a
forma de interferência junto aos professores, refletida na questão 10,
revelando que pode não haver intervenção real da equipe gestora.

A identificação dos problemas pelas informações contidas no


SERE é realizada de modo tênue, limitada à discussão e reflexão.
Possíveis causas internas e externas à escola que possam intervir no
processo de ensino encerram-se em uma busca superficial. Outro
aspecto a ser considerado, é a fragilidade dos pedagogos para gerir a
informação a serviço da gestão escolar. Não há uma cultura
estabelecida para realizar este intento.

Gestão de Tecnologia na Escola


Considerações Finais

A pesquisa buscou analisar a indicação de metodologias utilizadas na


aplicabilidade do SERE pela gestão escolar na dimensão pedagógica
da escola pública estadual. Evidenciou-se que os pedagogos possuem
um nível de conhecimento razoável sobre os dados e informações
constantes no SERE e de suas potencialidades para a gestão escolar,
predominando-se neste conhecimento o de cunho tácito ou informal,
ressalvados os que estão em fase inicial de carreira.

Porém, há um grande distanciamento entre a prática de uso 57


das informações e a tomada de decisões e intervenção nos problemas
que delas emergem, sobretudo, nos que se referem aos resultados
escolares dos alunos, muito aquém do desejável, traduzidos em
resultados da escola e do sistema educacional. A mobilização da
gestão escolar restringe-se ao campo da divulgação das informações
aos professores, discussão e reflexão. Existindo estratégias de
intervenção, estas permanecem no campo ideativo.

Se as informações traduzidas do SERE são relevantes, o


interesse em transformá-las em medidas influenciáveis no processo
educacional deveria estar descrito, detalhadamente e formalmente,
no Projeto Político-Pedagógico dos estabelecimentos de ensino, bem
como, no Plano de Ação dos diretores.

A análise das variáveis conduz à influência sobre os


resultados, tais como: a falta de tempo dos pedagogos para uma
análise mais atenta dos questionamentos apresentados na entrevista
desta pesquisa, a maneira de considerar a situação problema (a
escola considera reprovação e evasão como problemas em potencial?
A escola preocupa-se ou sabe como detectar a origem do problema?),
a inexistência da cultura de uso da gestão da informação nas
estratégias políticas e pedagógicas, o despreparo na formação inicial
do pedagogo para gerenciar metodologicamente um sistema de
informação a fim de subsidiar o processo de gestão escolar como um
todo.

Como resultado geral, delimita-se a subutilização do sistema


de registro escolar como recurso de informação estratégico na gestão
da escola. Aponta-se então, para a necessidade de capacitar os
pedagogos das escolas públicas estaduais do Paraná, para o uso
formal e criterioso do SERE como ferramenta de gestão,

Gestão de Tecnologia na Escola


introduzindo-os ao campo da gestão da informação. Outra iniciativa é
a socialização de experiências realizadas para solucionar problemas,
como mais uma contribuição para a gestão da informação, para
incentivar e fortalecer a gestão escolar frente às mudanças
ambientais. Propõe-se a elaboração de um método de usabilidade e
aplicabilidade dos dados do sistema e a ampliação da pesquisa para a
coleta de estratégias de interferência adotadas no processo
educacional a partir das informações emanadas do SERE na versão
web.

Referências 58

LE COADIC, Y. A ciência da informação. Tradução de Maria Yêda F.


S. de Filgueiras Gomes. 2. Ed. Brasília: Briquet de Lemos / Livros,
2004.

LIBÂNEO, J. C.. Organização e gestão da escola. Teoria e prática.


Goiânia: Editora Alternativa, 2001.

MAÑAS, A. V. Administração de sistemas de informação. São


Paulo: Érica, 1999.

McGARRY, K. O contexto dinâmico da informação: uma análise


introdutória. Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 1999.

MICHAUD, C.. Modelos e Conhecimento. In: TARAPANOFF, Kira


(Org.). Inteligência, informação e conhecimento em
corporações. Brasília: IBICT, UNESCO, 2006.

PREECE, J.; ROGERS, Y.; SHARP, H. Design de interação: além da


interação homem-computador. Porto Alegre: Bookman, 2005.

REZENDE, D. A.; ABREU, A.F. de. Tecnologia da informação


aplicada a sistemas de informação empresariais. São Paulo:
Atlas, 2000.

TARAPANOFF, K. Informação, Conhecimento e Inteligência em


Corporações: relações e complementaridade (Org.). In:
TARAPANOFF, Kira (Org.) Inteligência, informação e
conhecimento em corporações. Brasília: IBICT, UNESCO, 2006.

Gestão de Tecnologia na Escola


O pedagogo e a aprendizagem na escola pública
do século XXI: inovação, tecnologia e
assessoramento

Célia Scucato Minioli

SEED
59

Introdução
Inerente a sociedade humana, a educação é resultado da mediação
existente entre o homem e o mundo que o cerca. Já a escola
representa o ponto de encontro entre esta sociedade constantemente
em mudança e os conflitos resultantes do reflexo causado nas outras
instituições sociais como a família, a política e a cultura.
A partir da perspectiva
da “Gestão da Inovação”, a A Escola e a Nova Cultura
escola pública, no início deste
século, volta-se para a
incorporação efetiva da
tecnologia na educação,
assumindo um modelo de
gestão escolar com caráter
democrático-participativo, no
qual o assessoramento do
fazer pedagógico com
tecnologias envolve um
compromisso a ser assumido
por todos os agentes que
integram o processo educativo.

Este processo passa a exigir responsabilidades na tomada de


decisões e principalmente um comprometimento dos profissionais da
educação com esta ação, enriquecida pela variedade de saberes e
experiências.

Gestão do Conhecimento no Espaço Escolar

Analisando-se o panorama sócio-cultural em que está inserida a


escola, hoje, percebe-se que a mudança a ser implementada no
espaço escolar consiste em tarefa difícil, pois exige o envolvimento de
toda a comunidade escolar.

Gestão de Tecnologia na Escola


A decisão implica em identificar
e conhecer as diversas ferramentas
que deverão ser utilizadas para a
realização das mudanças necessárias
e para o registro do conhecimento
construído na instituição, seja através
do levantamento de dados e
informações resultantes do registro SERE
do setor administrativo, seja como
resultado da elaboração, criação,
reestruturação de conhecimentos 60
pedagogicamente construídos, que
fazem parte do dia a dia do professor
e do aluno bem como da Equipe
Gestora.

Neste processo o Pedagogo. como detentor de saberes


relativos à didática e a questões metodológicas, é agente
fundamental na articulação e assessoramento do professor, na
implementação das tecnologias, na prática pedagógica e na
construção do processo ensino-aprendizagem.

Inovação na Escola

A ciência da gestão traz no seu bojo o gérmen da aprendizagem.

A análise das fases ou


ciclos históricos demonstram que,
periodicamente, a sociedade
assume diferentes formas de
organização, em virtude das
novas percepções dos
acontecimentos mundiais, da
incorporação de novos valores,
bem como da implantação de
novas estruturas políticas,
econômicas e sociais e de
diferentes manifestações da
criatividade.

A mudança contemporânea de paradigma pode ser observada


a partir do barateamento do uso da informação resultante dos
avanços da tecnologia em microeletrônica e telecominicações.

Gestão de Tecnologia na Escola


O processo de mudança, exige percepção da realidade. A
escola, como reflexo desta sociedade do conhecimento, passa neste
início de século a questionar sua própria realidade e o reflexo do
processo de inclusão das Tecnologias da Informação e Comunicação
(TICs) no espaço escolar.

O que caracteriza a atual revolução tecnológica? Que


mudanças a escola está preste a realizar?

Na escola, este processo de mudança deve incidir na forma de


condução da própria ação pedagógica, tendo em vista a necessidade
de preparar o aluno para o enfrentamento das mudanças que
61
ocorrem em ritmo acelerado, na sociedade.

Esta mudança deve incidir também na forma de conduzir o


processo de Gestão da Tecnologia, envolvendo ações tanto da parte
administrativa como pedagógica.

Assim, o processo de
inovação/mudança deve, em
primeiro lugar fazer parte das
ações previstas no “Projeto
Político Pedagógico” da
Instituição e também do “Plano
de Ação do Gestor”, com
direcionamentos destinados a
reverter o quadro observado em
relação a questão da aquisição
do conhecimento, tanto relativo
ao aluno como ao professor,
dado o volume de informações PROCESSO DE MUDANÇA
processado diariamente pela
sociedade do conhecimento.

A mudança implica na inovação. Não existe evolução sem


inovação.
Mas como desenvolver a capacidade de inovar?
Onde e como agir? Como transformar a escola num espaço
inovador?

Mañas (1999, p. 79), falando sobre a capacidade de inovar


engloba três atitudes: 1. Inventar (nova idéia ou nova abordagem);
2. Conduzir um projeto (passando de uma invenção a um produto ou
ação); 3. Inventar o cliente, caso seja necessário.

Inovar exige também “criatividade”...

A criatividade, não é característica exclusiva dos gestores.


Ela existe também em pessoas comuns e pode ser expressa de várias
maneiras, desde pequenas formas de resolver problemas cotidianos
até invenções e descobertas. Ela pode ser despertada e desenvolvida,
pois se encontra implícita (latente) ou explícita (aparente) em todas
as pessoas. Este atributo inato ou desenvolvido é especialmente útil
aos gestores no processo de tomada de decisões.

Gestão de Tecnologia na Escola


O gestor ou o tomador de decisão, precisa ter criatividade, ou
estimular a criatividade, isto é, a habilidade de gerar idéias novas e
úteis. Essas idéias devem ser diferentes de tudo aquilo que já foi feito
e deve ser apropriado.
Outro fator importante na tomada de decisão é a percepção,
que pode ser definida como o processo pelo qual os indivíduos
organizam e interpretam as suas impressões sensoriais com a
finalidade de dar sentido ao que vêem e ao que fazem, a partir de
sua percepção da realidade.

O processo de mudança está 62


diretamente ligado â implementação
das Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TICs) nas escolas
públicas do Estado do Paraná.Os
recursos (computadores e TV
Pendrive) já se encontram
disponíveis na maioria das escolas.

Cabe, portanto, a elas, promoverem e gerarem seu próprio


conhecimento e novas formas de aplicarem este conhecimento na construção
e na transposição didática dos conteúdos curriculares.

Os Nativos Digitais e a Construção do Conhecimento

As investigações no âmbito da educação apontam para a necessidade


de uma adequação às exigências da modernidade, bem como na
inserção das novas tecnologias nas escolas, tendo como grande
desafio realizar ações que satisfaçam as metas pretendidas, tendo
em vista o perfil dos “nativos digitais3,” isto é, o aluno-usuário do
século XXI.

Mas, quem são estes nativos digitais?

Macedo; Limoeiro,( 2006 p.36) em sua obra: ”Os nativos digitais:os


consumidores do futuro”, traçam o perfil da criança e do jovem da sociedade
atual.

Esta criança ou este jovem, independente da classe social a que


pertençam, diferem muito da criança e do jovem de alguns anos atrás, que
tinham somente a TV e o vídeo game como aparato tecnológico.

3

O termo ‘nativos digitais’ foi criado pelo educador norte-americano Marc Prensky e define
o grupo de jovens consumidores da mídia, jovens nascidos a partir de 1994 já imersos na
era tecnológica e que possuem uma vida fortemente influenciada pela Internet e pelos
aparatos tecnológicos”. (MACEDO; LIMOEIRO, 2006, p. 36).

Gestão de Tecnologia na Escola


A observação no seu dia-a-
dia nos mostra o seguinte perfil:
o jovem estará realizando várias
ações ao mesmo tempo -
navegando na Internet ao
mesmo tempo em que envia
torpedos de seu celular, ouve
música em um MP3 player, seu
ou do colega, dá uma espiadinha
na TV, vigia a vida alheia no 63
Orkut e ainda marca com seus
amigos no MSN, a programação
do final de semana.

Em contraposição a esta terminologia, os autores se referem a


nós como “imigrantes digitais”.

Por mais que estejamos conectados às novas


tendências tecnológicas, nunca conseguiremos adquirir
as peculiaridades deles, pois nos enquadramos no que
Prensky define como ‘imigrantes digitais’, ou seja,
migramos para esse novo mundo e ainda temos
algumas raízes fincadas no passado (MACEDO;
LIMOEIRO, 2006, p. 2).

Partindo da análise deste perfil, é possível deter-nos nos


seguintes questionamentos.
- Que preocupações deve ter o gestor de Escola Pública, bem
como a sua Equipe Pedagógica com relação ao arcabouço pedagógico,
que venha a despertar o interesse deste jovem “nativo digital” e
passe a envolvê-lo no processo ensino-aprendizagem?
- Que perfil de professor deverá ser desenvolvido/estimulado
para dar conta de uma ação pedagógica que envolva o jovem que já
nasce dominando a linguagem tecnológica?
- Que saberes /conhecimentos o pedagogo e o professor
como “imigrantes digitais” precisam dominar para poderem trabalhar
com este perfil de aluno?
- Que processos de análise sobre a realidade podem ajudar o
gestor e o pedagogo na tomada de decisão?

A Tomada de Decisão

O processo decisório é provocado pelo reconhecimento de um


problema. Os que decidem buscam alternativas, avaliam as
consequências e escolhem os resultados aceitáveis , de acordo com
as metas a serem atingidas.

Assim , o processo decisório não envolve apenas escolhas,


mas também interpretações e criação de significado.

Gestão de Tecnologia na Escola


A criação de significado está ligada a interpretação, a
seleção e a retenção do conhecimento produzido. Portanto , a
criação de significado esta intimamente ligado aos processos mentais
de cada individuo.

Segundo Pérez Gómez (2000, p.


74) a análise e considerações dos
processos mentais de mediação provoca o
desenvolvimento de duas correntes de
investigação: a que se centra na análise
64
dos processos mentais do professor ou
professora quando planeja, organiza,
intervém e avalia e a que se preocupa
fundamentalmente dos processos mentais
e afetivos do aluno ou aluna quando
participa em atividades de aprendizagem.

Nossa análise centra-se na primeira corrente.

A compreensão do sentido do processo de incorporação do


uso das TICs no trabalho de Gestão Escolar e no trabalho pedagógico,
significa introduzir o gestor e o pedagogo no campo da tecnologia,
aproximá-los do computador, fazê-los explorar os diversos recursos
disponíveis e sobretudo, refletir sobre o significado do próprio
trabalho nos dias atuais, ampliando a visão da função exercida.

Esta decisão implica em identificar e conhecer as ferramentas


a serem utilizadas para a realização das mudanças necessárias,
estabelecer o registro do conhecimento construído na instituição,
através do levantamento de dados; e informações resultantes do
registro do setor administrativo, bem como na elaboração, criação,
reestruturação de conhecimentos, pedagogicamente construídos que
fazem parte do dia a dia do professor e do aluno bem como do diretor
e do pedagogo.

O Assessoramento

O principal desafio colocado hoje, à figura do assessoramento, esta


ligado as ações de : guiar, colaborar, mediar, apoiar.

Para o assessoramento do fazer pedagógico com tecnologias,


na perspectiva da gestão democrática, o pedagogo é peça
fundamental, como articulador e gerenciador do assessoramento e da

Gestão de Tecnologia na Escola


implementação didática das tecnologias na prática pedagógica do
professor e na construção do processo ensino-aprendizagem

Neste processo, a decisão implica em


identificar e conhecer as ferramentas a
serem utilizadas para a realização das
mudanças necessárias a realização do
processo de inovação, realizando-se o
registro do conhecimento construído na
instituição e que fazem parte do dia a dia
do professor e do aluno bem como do 65
diretor e do pedagogo.

A análise deverá ser feita a partir de levantamento de dados e


informações resultantes do registro do setor administrativo, bem
como na elaboração, criação, reestruturação de conhecimentos,
pedagogicamente construídos. Entre as muitas formas de entender
este trabalho de apoio e de ajuda a alguém, parece haver um
consenso de que a atividade de assessoramento educacional, para ser
efetiva, deve nascer de uma atitude de colaboração, de construção
dessa prática entre assessor e assessorado.

Para Monereo (2007, p. 14) assessorar significa, ajudar,


mediar, colaborar, apoiar, guiar.

Mas o que significa colaborar?

Monereo (2007, p. 28) apresenta o seguinte conceito:

colaborar é trabalhar com alguém, isto é realizar em


conjunto uma atividade significativa, com o propósito
de atingir uma meta relevante e compartilhada, por
certos meios ou ações que deverão ser definidas de
forma coordenada, conforme as possibilidades das
diferentes partes envolvidas.

Para o autor uma situação de assessoramento é definida de


acordo com os seguintes critérios:

- a existência de um problema a resolver;


- analise de como este esse problema afeta determinados
protagonistas;
- observação do espaço-temporal definido, onde ocorre o
problema...

O assessoramento visando a apropriação, por parte dos


professores de metodologia de uso pedagógico das TICs envolve
ações colaborativas que estabeleçam relações entre conhecimento e
ação docente e discente, apontando para uma ação condizente com
as expectativas do aluno-usuário do computador.

Gestão de Tecnologia na Escola


Oliveira (2007, p. 28) coloca
algumas vantagens no uso da
informática no processo de ensino e
aprendizagem: motivos
psicopedagógicos e tecnológicos;
ausência do bloqueio cognitivo;
relacionamento interativo; diferentes
modos de resolução para um mesmo
problema.

A informática conduz também ao prazer da descoberta; 66


motivação; alegria; emoção; cooperação; interação; a criança
aprende brincando; aprendizagem com significado; promoção de
indagações e possibilidade de desafios.

O autor aponta também algumas desvantagens:


individualidade; aceitação das informações retiradas do computador;
softwares educativos desvinculados da realidade do aluno; falta de
clareza nas telas e nos menus e feedback inadequado.

Para Gomes (2006) a informática, como recurso no processo


de aprendizagem, pode acontecer de duas formas:

-com a função de tornar mais fáceis as rotinas de ensinar e aprender;


nesse caso, o computador é utilizado como máquina de ensinar,
repetindo, portanto, os mesmos esquemas do ensino tradicional;

- com a função de organizar os ambientes de aprendizagem nos quais


os alunos são encorajados a resolverem situações-problema, e o
professor tanto identifica e respeita o estilo de pensamento de cada
um, quanto os convida a refletirem sobre o seu pensar (pensamento
reflexivo); nesse caso, o ensino é inovador.

Gestão de Tecnologia na Escola


Fundamentação Metodológica

A investigação
Com base na realidade o
presente estudo desenvolveu,
através da elaboração de um
instrumento válido, análise
diagnóstica sobre o enfoque dado às
Tecnologias da Informação e
Comunicação – TICs no espaço 67
escolar e que atitudes estão sendo
desenvolvidas pelos Gestores
Escolares (diretores e pedagogos) ,
das Escolas Públicas do Estado do
Paraná, pertencentes ao Núcleo
Regional de Ensino – Área
Metropolitana Norte , para
assessorar o trabalho do professor ,
com relação a utilização dos
recursos tecnológicos (computador e
TV Pendrive) como facilitadores e
de enriquecimento em sua
atividade profissional , nas salas de
aula, na parte administrativa e na
comunicação interna e externa ao
espaço escolar

As bases de pesquisa foram: seleção da população objeto de


estudo e a amostra da pesquisa em função das seguintes eixos de
atitudes: a) o grau de apropriação do uso das TICs, pelos professores
das escola públicas pertencentes ao NRE - Área Metropolitana Norte
de Curitiba; b) atitudes dos professores em relação ao processo de
incorporação das TICs na sala de aula; c) atitudes dos pedagogos em
relação ao assessoramento na incorporação do “fazer pedagógico”
com tecnologias, no espaço escolar.; d) a integração (mediação)
entre os recursos tecnológicos, a sala de aula e a ação docente do
professor; e) Forma como a Equipe Pedagógica das escolas públicas
do NRE - Área Metropolitana Norte estão assessorando e dinamizando
o processo ensino aprendizagem a partir das TICs; f) Como o uso das
TICs está previsto no Projeto Político Pedagógico, das escolas .

Escolheu-se para esta pesquisa, dez escolas das vinte e oito da


Área Metropolitana Norte, situados nos municípios de Almirante
Tamandaré, Colombo e Pinhais, sendo nove delas integrantes do
Programa Superação da SEED situados nos municípios de Almirante
Tamandaré, Colombo e Pinhais.

Gestão de Tecnologia na Escola


Coleta de Dados

Para a coleta de dados aplicou-se como instrumento de


pesquisa um questionário, com o objetivo de medir as atitudes dos
Pedagogos m relação ao uso das TICs, no espaço escolar.

Considerou-se um conceito de atitude baseado nos três


componentes: o cognitivo, o afetivo e o comportamental o que
contribuiu para que a investigação abrangesse aspectos psico-sociais
68
e sócio-cognitivos do uso das TICs no espaço escolar.

O instrumento utilizado
permitiu também conhecer e
compreender o grau e tipo de
envolvimento dos sujeitos, objetos
de estudo Gestores Escolares
(Diretores e Pedagogos), em
atividades relativas ao
assessoramento, inovação e
implantação do uso do computador
e da TV Pendrive, na realidade do
professor como ferramenta que
possibilita a aquisição do
conhecimento, tanto para o
enriquecimento de sua prática
como para subsidiar o trabalho do
professor no processo aquisição do
conhecimento pelo aluno.

Como ponto de partida realizou-se um teste piloto para validar


o instrumento de pesquisa em relação à problematização levantada.

Montou-se o instrumento de pesquisa a partir de dois tipos de


questões: as questões de resposta fechada e as de resposta aberta.
As questões de resposta fechada são aquelas nas quais o inquirido
apenas seleciona a opção, dentre as apresentadas, que mais se
adequa à sua opinião. As questões de resposta aberta permitem ao
inquirido construir a resposta com as suas próprias palavras,
permitindo deste modo a liberdade de expressão.

As questões de respostas fechadas foram montadas com base


na Escala Likert, que é usada quando o pesquisador quer coletar os
sentidos, opiniões e atitudes dos pesquisados.

Esta escala requer que os entrevistados (avaliados) indiquem


seu grau de concordância (aprovação) ou discordância (reprovação)
com relação às declarações (informações) que estão sendo medidas
(avaliadas).

Gestão de Tecnologia na Escola


A Pesquisa

A primeira parte da investigação recaiu sobre as atitudes do


gestor e pedagogo na assessoria do processo de inserção de recursos
tecnológicos na ação pedagógica do professor, isto é, em relação ao
uso das TICs , no espaço escolar.

A investigação sobre o acervo tecnológico na escola


mostrou que mais de 50% das escolas possuem laboratório recebido
através do Programa Paraná Digital. Trinta por cento, além de
possuírem computadores adquiridos através do Programa Paraná 69
Digital, possuem também computadores adquiridos do Programa de
Expansão e Inovação do Ensino Médio (PROEM). Inquiridos sobre a
questão dos laboratórios de informática atenderem as demandas da
escola, 80% responderam que....

NÃO

Os pedagogos acrescentaram também que a Biblioteca das


escolas já estavam conectadas à Internet, no ano de 2007.

A segunda parte do Instrumento de Avaliação dividiu-se em


três blocos: 1) Conhecimento do uso do computador pelo professor;
2) Incorporação das TICs na sala de aula; 3) Processo de ensino e
aprendizagem com o uso das TICs, nos quais se formulou questões
relativas aos seguintes âmbitos de decisão ou dimensões da prática
docente. O primeiro bloco discute a relação entre o professor e o seu
conhecimento de uso do computador.

QUADRO 1 - CONHECIMENTO DO USO DO COMPUTADOR PELO


PROFESSOR

continua

1. A maioria dos professores usa o computador como uma máquina de


escrever sofisticada.
2. A maioria dos professores desconhece a potencialidade de uso do
computador.
3. Os cursos em sua maioria não privilegiam os conhecimentos que
auxiliam ao professor na questão pedagógica.
4. O trabalho com TICs exige do professor conhecimentos sobre como
se processa a relação de interação aluno-computador.
5. O professor apresenta receio face à possibilidade de solicitação para a
realização de uma tarefa.

Gestão de Tecnologia na Escola


As atitudes apontadas no quadro acima constam de análise
realizada a partir das respostas interpretadas no Gráfico 1.

O instrumento de coleta de dados (questionário) que tratou das


variáveis de análise das atitudes do pedagogo na assessoria da ação
pedagógica do professor com relação ao uso do computador em sala
de aula torna evidente que: os pedagogos inquiridos demonstraram
ter consciência da realidade posta nas escolas e dos fatos em relação
ao conhecimento do uso do computador pelo professor.
70

GRÁFICO 1 - CONHECIMENTO
SOBRE O USO DAS TICs PELO
PROFESSORES O instrumento de coleta
de dados (questionário) que
tratou das variáveis de análise
12 das atitudes do pedagogo na
Concordo Total assessoria da ação pedagógica
10
Concordo do professor com relação ao uso
8 Indiferente do computador em sala de aula
Discordo torna evidente que: os
6
Discordo Total pedagogos inquiridos
4 demonstraram ter consciência
da realidade posta nas escolas e
2
dos fatos em relação ao
0
conhecimento do uso do
Q1 Q2 Q3 Q4 Q5
computador pelo professor.
-2
(Gráfico 1).
-4

-6

Ao analisar-se o resultado do instrumento utilizado como


medida para avaliar a questão do assessoramento da ação
pedagógica do professor pelo pedagogo observou-se o
seguinte: os pedagogos reconhecem que, uma parte dos
professores tem um grande conhecimento sobre o uso do
computador, mas ainda existe uma grande parcela que precisa
dominar o seu uso. Os índices apontam fortemente para o grau
de concordância total.

Entretanto não existe uma opinião fechada sobre o


assunto.

O resultado das respostas pertinentes ao Gráfico 1,


aponta quanto a Questão 2, uma discordância, indicando que as

Gestão de Tecnologia na Escola


respostas estão no patamar da dúvida. Houve uma semelhança
na percentagem de respostas: concordo totalmente e discordo,
mostrando que a maioria dos pedagogos tem opinião conflitante
quanto ao grau de conhecimento da potencialidade de uso do
computador, pelo professor.

71

QUADRO 2 - INCORPORAÇÃO DAS TICS NA SALA DE AULA

continua

6. A maioria dos professores usa o computador como uma máquina


de escrever sofisticada.
7. A maioria dos professores desconhece a potencialidade de uso do
computador.

8. Os cursos em sua maioria não privilegiam os conhecimentos que


auxiliam ao professor na questão pedagógica.

9. O trabalho com TICs exige do professor conhecimentos sobre


como se processa a relação de interação aluno-computador.

10. O professor apresenta receio face à possibilidade de solicitação


para a realização de uma tarefa.

A tendência apontada nas computador” e Questão 10


questões relacionadas acima “O professor apresenta
e analisadas no Gráfico 2 receio face à possibilidade de
indicam um grau total de solicitação para a realização
concordância por parte dos de uma tarefa” relacionadas
pedagogos em relação à: ao grau de conhecimento do
Questão 7 “A maioria dos uso das TICs pelo professor
professores desconhece a em sala de aula
potencialidade de uso do
computador”; Questão 8 “Os
cursos em sua maioria não
privilegiam os conhecimentos
que auxiliam o professor na
questão pedagógica”;
Questão 9 “O trabalho com
TICs exige do professor
conhecimentos sobre como
se processa a relação de
interação aluno

Ficou evidenciado pelos dados coletados que: a maioria


dos professores desconhece a potencialidade de uso do

Gestão de Tecnologia na Escola


computador; que os cursos em sua maioria não privilegiam os
conhecimentos que auxiliam ao professor na questão
pedagógica; que o trabalho com TICs exige do professor
conhecimentos sobre como se processa a relação de interação
aluno-computador; que o professor apresenta receio face à
possibilidade de solicitação para a realização de uma tarefa

GRÁFICO 2 -
INCORPORAÇÃO DAS
TICs NA SALA DE AULA
Neste gráfico o grau de 72
discordância recai sobre a Questão
6 “A maioria dos professores usa o
computador como uma máquina
de escrever sofisticada” quando há
Q10
Discordo Total
8

um grande incidência de respostas Discordo

Indif erente
Q9
apontando para o discordo 10 Concordo

totalmente e discordo, mostrando Concordo Total

Q8

que a maioria dos pedagogos 14

divergem de opinião sobre o fato


Q7

da maioria dos professores usarem 12

ou não o computador como uma Q6

máquina de escrever sofisticada. 0

Para comprovar em que grau este -10 -5 0 5 10 15

fato ocorre na realidade, seria


necessário um estudo mais
aprofundado.

No Quadro 3, constam atitudes relacionadas ao processo


ensino-aprendizagem, referentes ao uso do computador pelos
professores e alunos e que fazem parte do processo de
instrumentalização do pedagogo e do professor com base nos
procedimentos didático-pedagógicos necessários ao trabalho de
construção de um novo saber, no espaço escolar.

Gestão de Tecnologia na Escola


QUADRO 3 - PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM COM O USO
DAS TICS

continua

11. A aprendizagem com o uso do computador prepara o aluno para um


bom desempenho em sua vida profissional.

12. A qualidade do material de aprendizagem interfere no aprendizado.

13. No uso das TICs o docente transforma-se em mediador de 73


aprendizagem.
14. O uso do computador desenvolve no aluno a capacidade de trabalho em
grupo. (Colaborativo).

15. O trabalho com o computador desenvolve a autonomia do aluno.

16. O trabalho com o computador desenvolve no aluno a capacidade de


buscar a informação, de pesquisar.

17. As novas tecnologias oferecem suporte às pessoas em seu dia-a-dia.

18. Um dos desafios a ser enfrentado pelo professor consiste em utilizar


sistemas que permitam as pessoas comunicarem-se umas com as
outras quando estiverem em locais fisicamente diferentes para
realizarem trabalhos e discussões. (Fórum, chat, blog, messenger, e-
mail e ambientes virtuais).

GRÁFICO 3 - PROCESSO ENSINO


APRENDIZAGEM COM O USO
DAS TICs

12

Q11

10 Q12
O Gráfico 3 construído
Q13
8
Q14
indica uma significativa
6
Q15 concordância com as
Q16 atitudes apontadas no
4 Q17
instrumento de
Q18
2 pesquisa, pois a
incidência maior de
0
Concordo Total Concordo Indif erente Discordo Discordo Total
respostas recaiu no
-2
concordo totalmente e
-4 concordo.

-6

Entretanto, o gráfico aponta uma discordância em relação às


atitudes apresentadas nas seguintes questões: Questão 11 “A
aprendizagem com o uso do computador prepara o aluno para um

Gestão de Tecnologia na Escola


bom desempenho em sua vida profissional” aparece (-1) uma
resposta negativa.

Questão 13 “No uso das TICs o docente transforma-se em


mediador de aprendizagem” onde aparecem duas (-2) indicações
discordantes e na Questão 14 “O uso do computador desenvolve no
aluno a capacidade de trabalho em grupo. (Colaborativo).” onde o
grau de discordância corresponde a quatro indicações (-4).
Analisando estas respostas do instrumento de pesquisa
conclui-se que os inquiridos demonstram um desconhecimento em
relação aos procedimentos didático-pedagógicos necessários ao 74
trabalho de construção deste novo saber e da importância do uso de
atividades colaborativas em trabalhos que utilizem as TICs no espaço
escolar.

As questões de resposta aberta foram construídas com a


intenção de se investigar:
- De que forma os pedagogos estão assessorando os
professores na utilização das TICs em sala de aula?
- As tecnologias e os resultados para a aprendizagem.
- A integração (mediação) entre os recursos tecnológicos, a
sala de aula e a ação docente do professor.
- De que forma a Equipe Pedagógica das escolas públicas do
NRE Área Metropolitana Norte estão assessorando e
dinamizando o processo ensino aprendizagem a partir das
TICs.
- Como o uso das TICs está previsto no Projeto Político
Pedagógico, da escola.

As Questões Abertas investigaram de que forma o pedagogo


assessora a ação pedagógica do professor quanto ao uso do
computador como ferramenta complementar ao processo ensino-
aprendizagem.
Quando se perguntou se a escola realiza integração
(mediação) entre recursos tecnológicos, sala de aula e ação docente
do professor os números demonstram que a estratégia é via
agendamento prévio (3); outros afirmaram ser necessário
capacitação (2); e os demais colocaram que somente os professores
estão se apropriando destes meios, quem sabe ajuda aquele que
nada sabe e, de modo geral, a mediação não acontece.

A abordagem relacionada à forma como a Equipe Pedagógica


assessora o professor na utilização de metodologias que dinamizam o
processo ensino-aprendizagem encontrou as seguintes citações:

- afirmam não auxiliarem por não serem capacitados no uso


das ferramentas (2);
- alegam falta de pedagogo ou que o laboratório encontra-se
em fase de implantação (3);
- quando da implantação do laboratório não tinham
pedagoga (2);
- assessoramento ocorre quando solicitado ou durante a
construção do plano de trabalho docente (2);

Gestão de Tecnologia na Escola


- não fazem por falta de tempo (1).

Perguntou-se ainda se a utilização das Tecnologias da


Informação e Comunicação (TICs) está prevista no Projeto Político
Pedagógico? As respostas foram:

- As TICs não estão presentes Projeto Político Pedagógico


(3);
- A utilização das TICs não está especificada no projeto,
como tal, mas como uma ferramenta metodológica a ser
utilizada de forma a facilitar o processo ensino-
aprendizagem (3); 75
- Explicam que as TICs estão inseridas no Projeto Político
Pedagógico em forma de conscientização dos professores
(1);
- Consideram as TICs como um apoio pedagógico, ou seja,
um recurso para o professor utilizar em sua aula (2);
- Aparecem no Projeto Político Pedagógico como parte do
planejamento de cada disciplina, pois o aluno precisa ter o
mínimo de domínio das tecnologias (1).

Finalmente, as questões de interatividade e discussão das


experiências, troca de material, informações com colegas da Escola
ou de outras Escolas, foram ainda questionados.

As atitudes apontam que as trocas de material e de


informações ocorrem através das Jornadas Pedagógicas, cursos de
capacitação, e-mails, bilhetes e telefones. Acrescente-se a criação de
modelos de materiais para tornar o trabalho mais objetivo, produtivo,
enfim para facilitar a interpretação de dados para as intervenções e
superação das dificuldades.

Considerações finais

A gestão da inovação na escola a partir da utilização de uma


metodologia própria aponta também para a necessidade do professor
incorporar na sua prática as atitudes necessárias para produzir a
transformação do espaço escolar.

O assessoramento do fazer pedagógico com tecnologias exige


um comprometimento dos profissionais da educação com a ação,
enriquecida pela variedade de saberes e experiências.

O pedagogo como agente inconteste e articulador do


assessoramento e da implementação didática das tecnologias na
prática pedagógica deve incentivar e participar da construção do
processo de inovação, pois é o responsável pela tomada de decisão.

Gestão de Tecnologia na Escola


Esta decisão implica em identificar e conhecer as diversas
ferramentas que serão utilizadas para a realização das mudanças
necessárias e para o registro do conhecimento construído na
instituição, seja através do levantamento de dados e informações
resultantes do registro do setor administrativo, seja como resultado
da elaboração, criação, reestruturação de conhecimentos
pedagogicamente construídos que fazem parte do dia-a-dia do
professor e do aluno bem como do diretor e do pedagogo.

76

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