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Editora Árvore da Vida www.arvoredavida.org.br

Editora Árvore da Vida

www.arvoredavida.org.br

© Living Strean Ministry

Edição para a Língua Portuguesa

© Editora Árvore da Vida

Título do original em Inglês Further Talks on the Church Life

4ª Edição – Novembro / 1990 5ª Edição – Maio / 1992 6ª Edição – Agosto/1993 – 2.000 exemplares 7ª Edição – Novembro / 1994 – 5.000 exemplares 8ª Edição – Outubro / 2000 - 5.000 exemplares

Traduzido e publicado com a devida autorização do Living Strean Ministry e todos os direitos reservados para a língua portuguesa pela Editora Árvore da Vida.

Editora Árvore da Vida

Rua Gravi, 71 – Saúde – CEP 04143-050 – São Paulo – SP Brasil – Tel.: (11) 5071-8879 – Fax: (11) 5071-8899 Home page: www.arvoredavida.org.br E-mail: editora@arvoredavida.org.br

Impresso no Brasil

Capítulo

ÍNDICE

Página

Introdução 03

Prefácio … 04

O

Problema da Base da Igreja

06

A

Igreja numa Cidade e a Igreja numa Casa 20

O

Conteúdo da Igreja

31

O

Problema da Unidade da Igreja 45

O

Serviço da Igreja

81

O

Caminho para a Obra Doravante… 92

INTRODUÇÃO

Entre os que falam a língua portuguesa, o irmão Watchman Nee é bastante conhecido, face às várias edições de seus livros "Paz, Ação e Firmeza" (edição esgotada), "A Vida Normal da Igreja Cristã ", "O Obreiro Cristão Normal" e "A Vida Cristã Normal". Recentemente, quando a segunda edição desse último foi publicada, os editores o consideraram um "eloqüente apóstolo chinês de nossa época" e "um daqueles grandes embaixadores". Isto não só é digno de toda aceitação, como também

devemos ainda salientar o fato de que tudo o que foi visto pelo irmão Nee na Bíblia Sagrada não serviu somente para seu país , nem, certamente, para estabelecer seu próprio nome, mas serviu para a edificação do Corpo de Cristo, ao qual amou, entregando-se por ele. Este livro é, por assim dizer, uma continuação de seu primeiro livro "A Vida Normal da Igreja Cristã"; todavia, com um destaque: o primeiro foi fruto da revelação do Senhor a este irmão no início de seu ministério, e este segundo é o resultado dessa revelação posta verdadeiramente em prática e testada por mais de vinte anos . Nestes últimos dias, quando o Corpo de Cristo está dividido em mais de mil pedaços, quando todos os esforços humanos para uni-Lo através de movimentos,

só têm produzido

convenções, denominações, associações, organizações, etc

mais e mais divisões, cremos que "Palestras Adicionais Sobre a Vida da Igreja" vem ao encontro desta ardente necessidade. O Senhor falou de "um corpo", "uma fé " e "uma unidade do Corpo de

vemos que ele já providenciou a maneira de

Cristo". Em "Palestras Adicionais

tornar isso possível. Ao entregar este livro aos irmãos de língua portuguesa, oramos para que muitos dos que buscam o Senhor com simplicidade e pureza de coração possam ver

etc

",

o que Ele tem preparado para o Seu Corpo — A Igreja !

Efetuamos a tradução para o português com o maior senso de fidelidade às idéias apresentadas pelo autor, para que ficasse o mais perto possível do original Chinês. Assim, quando você ler este livro , com um coração aberto e um espírito sincero para com o Senhor , receberá as idéias do autor tão claras e precisas como na ocasião em que foram originalmente proferidas. Também respeitamos cuidadosamente a linguagem , para que , assim pudéssemos expressar , em português correto , o irmão Watchman Nee.

Os editores

PREFÁCIO

Esta publicação é uma coletânea de mais algumas palestras proferidas pelo irmão Watchman Nee sobre a vida da Igreja, no período entre 1948 e 1951, mais

de dez anos após a publicação das mensagens contidas no livro intitulado "Concernente à Nossa Missão", cujo título atual é "Vida Normal da Igreja Cristã". A palestra sobre a unidade da igreja, impressa no quarto capítulo do presente livro, foi proferida no ano de 1951, pouco tempo antes do seu aprisionamento, o que ocorreu no começo de 1952. Em uma dessas palestras, o irmão Nee enfatizou que a luz referente à igreja — que o Senhor lhe dera antes do ano de 1937, e que fora dada a conhecer a todos os seus cooperadores nesse mesmo ano, sendo publicada no livro "Concernente à Nossa Missão" — não podia ser mais clara, mesmo após dez anos de experiências

e testes. Noutra palestra, declarou, nítida e definitivamente, crer ainda mais

naquilo que vira anteriormente. Portanto, estas palestras não são apenas uma prova suficiente de que, até os últimos anos do seu ministério, o irmão Nee ainda

mantinha o mesmo ponto de vista, como sempre teve durante todo tempo com relação à vida da igreja, a qual ministrou ao corpo de Cristo, antecedendo um longo período de experiência. O ministério do irmão Nee sempre teve dois lados: o lado espiritual e o lado prático. Através da publicação de alguns de seus livros, que foram traduzidos para

a língua inglesa, o lado espiritual de seu ministério tem-se tornado razoavelmente

conhecido, constituindo-se em grande ajuda para o povo de Deus nos países de língua inglesa. Já que o presente mover do Senhor em Sua restauração se tem propagado vitoriosamente, mais e mais, no mundo ocidental, nós, que somos alguns dos cooperadores do irmão Nee, recebemos o profundo encargo de publicar vários de seus livros sobre o lado prático de seu ministério, livros esses que podem ajudar aqueles já beneficiados pelo lado espiritual a terem uma perspectiva integral e uma visão equilibrada de todo o ministério que lhe foi comissionado pelo Senhor para o Seu Corpo. Cremos plenamente que, na situação atual, quando há muita confusão e um grande número de contrariedades e distrações, este livro suprirá a necessidade urgente de tantos que O buscam entre os Seus filhos. A palestra do primeiro capítulo sobre a questão da base da igreja é um verdadeiro

remédio para a perplexidade de hoje. Neste, ele afirma que a base da igreja é composta por dois elementos básicos — a autoridade do Espírito e o limite da

localidade. Hoje em dia, existe uma ênfase considerável para com a autoridade do Espírito, mas uma negligência quase que completa quanto ao limite da localidade.

A questão da localidade é até propositadamente refutada por alguns, e

maliciosamente debatida. Ela, porém, é um teste à realização adequada da prática

da vida da igreja.

Enquanto a palestra do segundo capítulo esclarece a definição da igreja numa casa (lar), e confirma o princípio de uma localidade com apenas uma igreja, a palestra do capítulo terceiro revela que uma igreja genuína, em qualquer localidade, tem de ser inclusiva. Deve ter capacidade para incluir e conter todos os tipos de verdadeiros cristãos e todas as coisas positivas das Escrituras; caso contrário, perderá a sua base. A palestra do capítulo quarto é uma grande revelação! Enfatiza que a unidade genuína da igreja é a unidade de todo o Corpo de Cristo, expressa em genuínas igrejas locais. Todos os outros tipos de unidades são unidades de divisões. Em resumo, os quatro primeiros capítulos dizem-nos clara, enfática e francamente, que as denominações são erradas e que as igrejas são locais. Qualquer denominação, qualquer seita, qualquer divisão é condenada por Deus. Não há desculpa em caso algum. Uma igreja tem de ser local, permanecendo sobre a base da unidade, disposta a acolher todos os filhos de Deus e pronta para incluir todas as coisas bíblicas. Estas palestras são palavras fiéis de alguém que jamais "deixou de anunciar coisa alguma que fosse proveitosa à igreja" e nunca "procurou agradar a homens". As oposi-ções que encontrou e as perseguições que sofreu (foram, na maioria, devidas à sua fidelidade em seu ministério, quanto ao lado prático da vida da igreja. Se jamais "deixou de anunciar coisa alguma, como poderemos nós, seus cooperadores, que estamos com ele no interesse do Senhor, deixar de anunciar algo, não nos mantendo fiéis à incumbência do Senhor, como ele o foi durante todo o tempo? O Senhor é soberano e vitorioso! Defendeu Seu caminho no passado, bem em face da oposição e do ataque do inimigo sutil. Que Ele aumente a Sua defesa continuamente, concedendo Sua abundante bênção sobre o caminho determinado por Ele para Sua igreja, caminho este tomado pelos Seus fiéis nestes últimos dias! Ele é gracioso, digno de toda a confiança e capaz! Cumprirá o que prometeu. Mas "quem

tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz". "A sabedoria é justificada pelos seus filhos". Estas mensagens foram publicadas originalmente em língua chinesa, exatamente como foram proferidas. A presente tradução para a língua inglesa, principalmente os quatro primeiros capítulos, é feita tão literalmente quanto possível, para apresentar aos leitores, de maneira bem precisa, o pensamento genuíno do autor. Portanto, na tradução, foi dispensada mais atenção ao sentido

do que à linguagem.

WITNESS LEE

Los Angeles, Califórnia, U.S.A. 20 de dezembro de 1968.

CAPÍTULO UM

O PROBLEMA DA BASE DA IGREJA

(Palestra proferida aos irmãos e irmãs em Xangai, a 1° de abril de 1950, e publicada em "A Porta Aberta", a 30 de junho de 1950).

Qual é a verdadeira base da igreja? Esta questão é muito importante, pois, na

Bíblia, o Senhor nos mostrou explicitamente que a igreja tem sua base definida. Presumo que todos reconheçamos que a bênção de Deus, o Espírito Santo de Deus,

a luz de Deus e ainda a própria vida do Senhor Jesus estão todos na igreja. Ainda

que comumente possamos dar ênfase à vida do Senhor nos indivíduos, o fato é que

a Sua vida está na igreja. Por haver Deus comissionado à igreja tantas coisas

espirituais, é uma questão muito importante saber se uma assim chamada "igreja"

é realmente uma igreja. Se Deus nos tivesse dado individualmente muitas coisas

espirituais, o problema não seria tão grande. Mas Ele nos mostrou na Bíblia que colocou todas as coisas espirituais na igreja. Portanto o fato de o grupo a que pertenço ser ou não a igreja é um assunto muito sério! Se tenho comunhão com irmãos e irmãs que não são a igreja, tal será uma grande perda. Por exemplo, algumas das irmãs que trabalham no laboratório do hospital usam lâminas de vidro para exames bacteriológicos. Para esta finalidade, uma lâmina de vidro tem utilidade. Todavia, se um irmão for visitá-las, uma lâmina de vidro não poderá ser usada para servir um refrigerante. A lâmina de vidro tem sua função vital no laboratório, mas não serve para servir refrigerantes. O visitante não é um gafanhoto ou um pardal, que se satisfazem com um pingo d'água numa lâmina. Você deverá servi-lo em um copo. Há muitos problemas que jamais poderão ser resolvidos por meio de uma lâmina de vidro. Mas um copo feito por muitas lâminas poderá facilmente ser usado para solucionar o problema da sede. Uma superfície plana tem uma capacidade muito menor que um objeto tridimensional. Não estamos hoje procurando anular o que, como indivíduos, alguns têm conseguido espiritualmente diante de Deus. Um indivíduo pode desfrutar de muitas coisas espirituais e, às vezes, alcançar o mais elevado nível espiritual. Deus, entretanto, tem posto mais coisas espirituais na igreja; portanto, quando uma pessoa as procura individualmente, não as consegue. Isto não quer dizer que um indivíduo não tenha bênção alguma, mas sim que você não pode obtê-la por meio de sua busca individual. Hoje, as riquezas de Deus estão na igreja, a qual é um objeto tridimensional, exatamente como um copo. Você, como indivíduo, precisa tornar-se parte deste copo antes de poder tocar a Água Viva. Só a igreja pode conter os muitos itens espirituais.

Precisamos ver claramente, diante de Deus, que muitas coisas espirituais estão

na igreja, e não com os indi víduos. A palavra do Senhor "sobre esta rocha edificarei

a minha igreja" (grego) é muito clara e maravilhosa. O resultado disso é que "as

portas do inferno não prevalecerão contra ela". Esta promessa destina-se à igreja, e não aos indivíduos. Muitas vezes, é bastante difícil aos indivíduos resistir ao inimigo;

mas, assim que aparece a igreja, Satanás é imediatamente derrotado. Na verdade, os indivíduos realmente têm bênçãos; elas, porém, são limitadas. Somente na igreja as bênçãos são ilimitadas e ricas. Portanto, tão logo uma pessoa deixe o caminho da igreja, a presença de Deus e as bênçãos se tornam limitadas. (Não estou dizendo

"nulas", mas, na verdade, "limitadas"). Além disso, tal pessoa não será capaz de tocar muitas coisas espirituais diante de Deus. Perdoem-me, por favor, por falar tão francamente. Principalmente nesses últimos dez anos, tenho procurado ver se as pessoas sabem o que é a igreja.

É bastante estranho que muitos irmãos que têm conhecido o Senhor por vinte ou

trinta anos não conheçam a igreja de Deus. Até mesmo aquilo que eles um dia obtiveram desvaneceu-se gradativamente; e mesmo aquilo que pensam ter não pode ser conservado intacto. Ao mesmo tempo, há outros irmãos que conhecem a igreja de Deus; conseqüentemente, as riquezas do Cabeça passam a ser as riquezas deles, e assim são capazes de prosseguir continuamente. Desejo, portanto, que todos os irmãos e irmãs jovens percebam que um cristão não deve preocupar-se apenas com seu próprio proveito espiritual, mas também

deve preocupar-se com saber se os irmãos com os quais tem comunhão são ou não

a igreja. Lembrem-se de que cada pessoa é apenas um indivíduo. Dois podem ser a

igreja, ou apenas podem ser dois indivíduos, e não a igreja. Não presuma que um grupo de quinhentas pessoas reunidas, ou mesmo mil, seja a igreja. Esta pode não ser verdadeira. Graças a Deus, mil pessoas podem tornar-se a igreja, mas mil pessoas podem ser somente mil indivíduos. Serão, assim, apenas mais indivíduos, mas não ainda a igreja. Existe aqui uma grande diferença. Os filhos de Deus, hoje, percebem que uma pessoa não pode ser a igreja, mas não reconhecem que mil pessoas podem ser talvez apenas mil indivíduos, e não a igreja. Lembrem-se, por favor, de que mesmo dez mil pessoas podem ainda assim permanecer como dez mil indivíduos, e não serem a igreja. Esta, perante Deus, tem outros requisitos. Nós, portanto, como Seus filhos, devemos dar especial atenção à base da igreja.

DOIS REQUISITOS BÁSICOS

Deixem-me hoje expor dois assuntos. Ambos devem ocorrer antes que possa

haver a igreja. O Novo Testamento claramente nos revela dois requisitos básicos: 1)

A autoridade do Espírito Santo; 2) O limite da localidade.

A. A AUTORIDADE DO ESPIRITO SANTO

Devemos observar que, onde não há o Espírito Santo, não há igreja. A igreja não é, absolutamente, Witness Lee, nem é Yu-Tsé Chang, nem Ching-Hwa Yu; a igreja deve ser apenas o Espírito Santo. Em outras palavras, a igreja, do princípio ao fim, só pode ter uma autoridade, um poder e uma vida, que é o Espírito Santo. Só há uma vida, a do Espírito Santo; só há um poder, o do Espírito Santo; e só há uma autoridade, a do Espírito Santo. Temos, por exemplo, muitos irmãos idosos, hoje, aqui. O irmão Yu poderá dizer:

"Já que estou na igreja há vinte anos, posso fazer uma sugestão ou iniciar alguma coisa". Veja, existe aqui algo extra, que veio à tona para perturbar. Quando este irmão aparece, não temos o Espírito Santo nem a igreja. Lembrem-se, por favor, de que, onde o Espírito Santo não está, também a igreja não existe. A igreja é um corpo, por meio do qual o Espírito do Senhor pode expressar Seus desejos sem impedimento algum. Assim como o Senhor Jesus usou o corpo que a virgem Maria

Lhe deu quando estava na terra, da mesma maneira Ele, hoje, no Espírito Santo, usa a igreja. Esta, em seu estado mais elevado, é ainda o Corpo de Cristo. Noutras palavras, somente aquilo que é capaz de expressar a mente do Espírito Santo pode ser chamado de igreja.

Só o Espírito Santo Tem Autoridade

Prosseguirei um pouco mais, falando primeiro aos irmãos mais velhos. Vocês sabem mais ou menos o que é autoridade, e dizem aos irmãos jovens que se submetam à autoridade. A questão básica, hoje, é esta: vocês obedecem à autoridade; mas de quem é esta autoridade a que vocês obedecem? Deixem-me dizer que, do mesmo modo como os irmãos jovens se tornam um distúrbio quando falam por si mesmos, também os irmãos mais velhos se tornam um distúrbio quando falam por si mesmos. Os jovens que falam por si mesmos são uma perturbação, e os idosos que falam por si mesmos também o são. Somente a autoridade do Espírito Santo é autoridade. Por que é que, então, os irmãos mais jovens precisam obedecer aos mais idosos? É porque os idosos têm aprendido mais diante de Deus e conhecem mais da Sua autoridade; conseqüentemente, o Espírito Santo pode fluir mais facilmente através deles. São como um cano de água através do qual esta tem fluído há anos, sem nenhuma interrupção. Os jovens devem obedecer aos idosos, não porque estes sejam a autoridade, mas porque é fácil ao Espírito Santo falar através dos mais velhos. Pelo fato de terem trabalhado para o Senhor por muitos anos, é fácil ao Espírito Santo fluir deles. Eu aprendo a me submeter aos irmãos idosos, porque eles estão investidos da autoridade do Espírito Santo. Quando não obedeço, facilmente perco a autoridade do Espírito Santo sobre mim. Não estamos, de modo algum, instituindo a autoridade dos irmãos mais velhos, mas sim a autoridade do Espírito Santo, que flui facilmente dos mesmos. Em outras palavras, a única autoridade na igreja é a autorida- de do Espírito Santo. Não há autoridade alguma que emane de determinados indivíduos. Os presbíteros não têm autoridade, os irmãos mais velhos não têm autoridade, e os espirituais também não têm autoridade. Somente o Espírito Santo tem autoridade. A isto se dá o nome de "Corpo de Cristo".

Um Canal para a Autoridade do Espírito Santo

Recentemente, vi o que aconteceu a um irmão cuja mão carregara há vários anos um objeto muito pesado por uma distância muito grande. Depois disso, sua mão ficou inflamada. Agora, piorou tanto, que mal pode movê-la! Este irmão finalmente disse:

"Todo o meu corpo me pertence, exceto esta mão. Este membro parece pertencer a outra pessoa e, ao mesmo tempo, parece lutar comigo". Eu jamais ouvira alguém falar algo assim. Sou alguém que adoece freqüentemente, e sei que toda vez que sinto a existência de certo membro, este, certamente, deve apresentar alguma enfermidade. Quando o corpo humano está em perfeitas condições, não se tem consciência de sua existência. Sempre que sentimos os pulmões respirarem, então eles devem estar doentes. Sempre que sentimos bater o coração, ele deve estar enfermo. Desde o meu nascimento até a minha mocidade, jamais tive consciência de meus dentes; mas, no dia em que os senti, não pude dormir a noite inteira. O corpo é muito natural e espontâneo. Não é harmonioso no sentido de que você sinta a sua existência, mas é tão harmonioso, que parece nem existir. Hoje, talvez, você não sinta que tem alguns dedos. Você acharia engraçado se eu lhe perguntasse:

"você sente que tem dedos?". Mas, se um de seus dedos estivesse quebrado, você se sentiria incomodado o dia todo. Sempre que sente algo, então, algo está errado com você. Toda vez que o corpo não pode usar um de seus membros, ele está enfermo. O Espírito Santo deve ter completa autoridade na igreja; então o Corpo inteiro se moverá como desejar, sem qualquer empecilho. Quando há um obstáculo em certa parte, o Corpo inteiro fica doente. Quando cada um está sob a autoridade do Espírito Santo, Ele pode usar a todos; então não há qualquer impedimento no Corpo. Tudo caminha muito suavemente. Quando a autoridade opera suave- mente, esse é o momento em que o Corpo está sadio. Quando cada um pode ser usado pelo Espírito Santo, Este, então, tem autoridade, e tudo é muito natural e espontâneo. A autoridade completa do Espírito Santo é a base da igreja, na qual está o Corpo de Cristo. Um grupo hoje pode ter irmãos e irmãs que estejam debaixo da autoridade do Espírito Santo e outros irmãos e irmãs que não estejam debaixo dessa autoridade. Imediatamente, você poderá ver que lá não existe base alguma da igreja. A base desta é o Espírito Santo. Toda vez que Ele é contrariado, a base da igreja se perde. Não é pelo fato de todos os irmãos e irmãs terem tomado hoje uma decisão, que teremos aí o Corpo de Cristo. Não é por haver mil e seiscentas pessoas, e todas terem levantado as mãos para tomar uma resolução, que teremos a igreja. Não é questão de haver mil e seiscentas pessoas, mas sim de estar sendo ou não exercida a autoridade do Espírito Santo. Onde não há autoridade do Espírito Santo, não existe qualquer base para a igreja. Somente quando cada um se submete à autoridade do Espírito Santo, é que a igreja tem a sua base. Que é o corpo? É aquilo que você pode usar livremente, movendo-se dentro dele. Não apresenta conflitos nem dificuldades. Tudo o que você quiser que ele faça, ele fará. Aquilo que luta contra você não é o corpo. Uma igreja local pode ou não ser manifestada; tudo depende de ela ser ou não capaz de submeter-se ao Espírito Santo. Quando tal tipo de submissão é manifestado, a igreja é manifestada. Lembrem-se, portanto, de que, se um irmão gosta de falar e tomar decisões por conta própria, a autoridade do Espírito Santo fica danificada, o Corpo de Cristo sofre danos, e a igreja sofre perdas. Conseqüentemente, não há igreja nesse lugar. Não é por haver um edifício com uma placa afixada, que temos a igreja, mas sim pelo fato de os irmãos e irmãs abandonarem suas próprias idéias e se sujeitarem à autoridade do Espírito Santo, e esta autoridade poder fluir através deles sem nenhum impedimento; aí, então, teremos a igreja. Você que serve a Deus e tem responsabilidade na obra, precisa lembrar-se de uma coisa: após vinte ou trinta, ou mesmo cinqüenta ou sessenta anos, quando todos os seus cabelos já estiverem brancos, você ainda será apenas um transmissor da autoridade, um canal, ou um porta-voz da autoridade — você mesmo não será a autoridade. Sempre que você se tornar a autoridade, tudo estará terminado. Os irmãos e irmãs cooperadores devem conhecer minuciosamente o que é autoridade do Espírito Santo. Não pense que, ao menos hoje, você possa fazer alguma sugestão. Permita-me dizer-lhe que sua sugestão não serve. O Senhor jamais lhe deu autoridade para dar suas próprias sugestões. Você só pode ser o canal da autoridade, mas nunca a própria autoridade. Ainda que vivesse cem anos, e tivesse seguido o Senhor durante todo esse tempo, não pense que poderia fazer algumas sugestões. É pelo fato de o meu espírito ter sido treinado e ter aprendido algo, que a percepção dele pode ser mais aguda, que eu posso ter mais luz, que os princípios básicos de Deus puderam ser mais tocados por mim, que estou familiarizado com a.

palavra de Deus; portanto é mais fácil fluir a autoridade do Espírito Santo. Usamos a autoridade para servir os irmãos e irmãs, não para governá-los. A autoridade é apenas uma parte do nosso serviço. Espero que todos os responsáveis pelas casas onde há reuniões tomem nota disto. A autoridade se relaciona ao seu ministério, e é só um dos seus muitos ministérios. Não existe para que você governe os outros, mas para que possa supri-los. Em certo assunto, outros irmãos talvez não vejam, mas eu vejo; é possível que não compreendam, mas eu consigo compreender. Como entendo o desejo do coração de Deus, comunico-lhes o Seu desejo dizendo- lhes: "Irmãos, vocês não devem fazer isso dessa maneira; eu sei que não vai dar certo. Se fizerem assim, violarão a autoridade de Deus; portanto devem deixar esse assunto de lado". Isso não é exercitar a autoridade para governar os irmãos, mas é suprir e servi-los. Estamos, diante de Deus, aprendendo a ser o canal da autoridade do Espírito Santo para suprir os irmãos. Não estamos governando-os. Estamos aprendendo a deixar que a autoridade de Deus flua como suprimento, e não a estabelecer a nossa própria autoridade. Não importa que tipo de posição um irmão possa ocupar, seja ele um supervisor, um apóstolo ou um diácono; sempre que estabelecer ou manifestar sua própria autoridade, perderá e arruinará toda a base da igreja. Esta se estabelece sobre a autoridade do Espírito Santo. Sempre que a autoridade do Espírito Santo for afrontada, a base da igreja se acabará. Quando toda a igreja está sob a autoridade do Espírito Santo, é como se o Senhor usasse o Seu próprio corpo que Maria Lhe deu quando estava nesta terra, falando, escutando e caminhando conforme desejava. O corpo que Maria Lhe preparou não poderia ser mais apropriado. Tinha tanta coordenação, que era como se ele não estivesse lá, e no entanto era o próprio Senhor. Era muito harmonioso, muito unido, não tinha nenhuma dificuldade ou conflito, em absoluto. Não era como se alguém precisasse das mãos e não pudesse usá-las; ou como se os olhos fossem solicitados e não pudessem funcionar; ou a língua fosse necessária, e estivesse ferida; ou fosse requerida a cabeça, e ela se mostrasse incapaz de pensar. A igreja, de semelhante modo, pode chegar também a esse ponto, ou seja: ela existe e, no entanto, é como se não estivesse lá: somente se percebe Cristo. O Senhor pode mover-Se espontaneamente e passar através dela livremente. E tão harmoniosa, tão em unidade, tão espontânea, que é como se o Senhor não estivesse passando. A autoridade do Espírito Santo passa através da igreja tão livremente, tão harmoniosamente, que é como se Ele não estivesse passando em seu meio. Quando a autoridade do Espírito Santo pode passar completamente, então temos a igreja. Sempre que houver resistência ou obstáculo, tal não será a igreja. Sempre que o Espírito Santo não puder mover-Se, sempre que os indivíduos sobressaírem, haverá algum problema, e a igreja sofrerá danos, a ponto de não poder mais chamar-se igreja. Hoje, há muitas opiniões de homens, muitas decisões de homens, muitos métodos humanos, muitas organizações criadas pelos homens, muitos nomes de homens e muitas tradições humanas nos grupos que invocam o nome do Senhor. Não gostaria de falar mais sobre isso. Do começo ao fim, desde que fomos chamados pelo Senhor, há uma base fundamental, isto é, devemos obedecer à autoridade do Espírito Santo na igreja e estabelecê-la, destruindo a nossa própria autoridade. Peço ao Senhor que me perdoe por dizer isso, pois a autoridade do Espírito Santo não precisa ser estabelecida pelo homem. Desculpem-me por usar a seguinte ilustração para o bem dos irmãos jovens. Amanhã, se eu soltasse um tigre na rua, seria necessário enviar guardas a protegê-lo? Não, o tigre não necessita de nenhuma

proteção; ele pode se proteger. Do mesmo modo, o Espírito não necessita do nosso apoio. A autoridade do Espírito Santo está na igreja, não precisando de nosso zelo para estabelecê-la. A única coisa necessária é que os filhos de Deus estejam dispostos a consagrar-se e entregar-se, para que a autoridade do Espírito Santo possa manifestar-se continuamente. A questão, agora, é se estamos ou não prontos a nos consagrar. Sempre que os filhos de Deus desobedecem, a autoridade do Espírito Santo não pode manifestar-se. A questão básica, hoje, é se nós nos temos ou não consagrado adequadamente. Espero que nos consagremos novamente diante de Deus, tendo em vista a autoridade do Espírito Santo. Devemos orar: "Senhor, Tu és o Cabeça da igreja. Concede-me a graça, para que eu não seja alguém que entrave nem alguém que

Você precisa perceber que sempre que tiver

algo seu introduzido na igreja, a despeito de quão bom isso venha a ser, haverá algo extra adicionado à igreja, e isso será um empecilho. Meu corpo só pode consistir em seus próprios membros. Não posso permitir que coisas de outros lhe sejam adicio- nadas. Mesmo as melhores coisas dos outros não podem ser colocadas em meu corpo. O que é do meu corpo deve ser de mim mesmo. As coisas dos outros podem ser preciosas, mas, uma vez que sejam acrescentadas ao meu corpo, podem tornar-se venenosas. Preciso aprender diante de Deus a não trazer as minhas próprias coisas para dentro da igreja. Algumas dessas coisas podem ser muito boas, mas, se não forem do Espírito Santo, não poderão ser colocadas na igreja. Uma vez colocadas dentro da igreja, esta perderá sua base. Na igreja, há somente um Espírito Santo, uma autoridade, um poder, uma comunhão, um Nome. Qualquer coisa colocada nela, que não seja do Espírito Santo, arruinará a sua base, e, então, ela acabará.

resista, que eu não tenha nada meu

".

O que não é Iniciado pelo Espírito Santo não é Igreja

Em Xangai, muitas pessoas podem estabelecer uma missão de pregação do evangelho, um seminário, um Instituto Bíblico, ou ainda uma escola de estudos bíblicos. O erro, em tais casos, é menor. Mas ninguém pode estabelecer uma igreja! Se você não for capaz de obedecer ao Espírito Santo, e forem introduzidas a autoridade e as coisas humanas, então não haverá igreja! Se não for iniciada pelo Espírito Santo, não será igreja. Não sei se você percebe a seriedade disto! E possível que alguns de nós montem uma fábrica, com a direção do Espírito Santo; mas isso será impossível com relação à igreja. Não faz diferença se você é um cristão ou não, se tem a vida de Deus ou não; — você não pode estabelecer uma igreja. Se não for iniciada pelo Espírito Santo, não será uma igreja. Este é um assunto muito sério. Ninguém pode começar a estabelecê-la, pois, desde o princípio, tal pessoa não terá a autoridade do Espírito Santo. Se não há autoridade do Espírito, não há a igreja. Seja qual for a situação, se o Espírito Santo não começar, você não poderá estabelecer uma igreja. Primeiramente, temos que perguntar: E o início? Se o Espírito Santo não começar a igreja, não haverá uma maneira de iniciarmos. Devemos submeter-nos ao poder grandioso do Espírito Santo e colocar-nos sob a autoridade determinada por Deus, totalmente restringidos, sem procurar nossa própria liberdade. Devemos permitir que a autoridade do Espírito Santo passe livremente através de cada um de nós.

B. O LIMITE DA LOCALIDADE

Uma igreja também requer uma segunda base. Sem essa, tampouco, haverá base para a igreja. Você, provavelmente, perguntará: já que todos expressamos a autoridade do Espírito Santo e vivemos debaixo dela, isso não basta para se estabelecer uma igreja? Não, não basta! A Bíblia claramente nos mostra duas coisas que devem existir, para que se estabeleça uma igreja: 1°) a autoridade do Espírito Santo; 2°) o limite da localidade. Se você não o enxergar, não poderá compreender a base da igreja. Você está surpreso? Isso parece uma queda de três mil metros, lá do céu para a terra, não parece? Sim, de fato, a igreja também está sobre a terra. Ela está parcialmente no céu e parcialmente na terra. A parte celestial diz respeito à autoridade do Espírito Santo; a parte terrena refere-se ao limite da localidade. Este é um assunto muito maravilhoso na Bíblia. A Bíblia claramente nos mostra isto: que a igreja pertence totalmente a uma localidade. Tal como a igreja em Jerusalém, Jerusalém é um lugar; a igreja em Corinto, Corinto é um lugar; a igreja em Antioquia, Antioquia é. uma cidade; a igreja em Éfeso, Éfeso é um porto marítimo. Na Bíblia, a base da igreja é a localidade onde está a igreja. As igrejas todas tomam a localidade por limite. Aqui está um ponto importante; por favor, prestem atenção. Se os irmãos e irmãs de Xangai, por exemplo, desejarem posicionar-se sobre a base da igreja, só poderão fazê-lo sobre a base do Espírito Santo e de Xangai. Devem posicionar-se sobre a base do Espírito Santo, mas também devem posicionar-se sobre a base de Xangai, porque Xangai é a localidade onde moram. Uma vez mudada a localidade, imediatamente você perderá a base da igreja. Vamos a algumas ilustrações.

A Igreja e as Igrejas

na Judéia". A igreja mencionada aqui

está no plural em grego, inglês e chinês. São as igrejas na Judéia. Por que está no plural? É porque, naquela época, a Judéia era uma província de Roma. Como numa província existem muitas localidades, conseqüentemente existem muitas igrejas. Por isso, não se fala em "igreja na Judéia", mas "igrejas na Judéia". Nas Escrituras, há somente a igreja local e não a igreja provincial. O mesmo acontece com a Galácia,

que era uma província constituída de muitas localidades; portanto se diz: "às igrejas da Galácia" (l Co 16:1). Éfeso era um porto marítimo, uma localidade; por isso a "igreja em Éfeso" está no singular (Ap 2:1). Este ponto está muito claro na Bíblia. Filadélfia, por exemplo, era uma cidade, e só existia uma igreja lá (Ap 3:7). A Ásia, hoje conhecida como Ásia Menor, era uma grande província; portanto a Bíblia diz: "às

sete igrejas

Primeira Tessalonicenses 2:14 diz: "igrejas

na Ásia" e não "à igreja

na Ásia" (Ap 1:4, 11).

Somente uma Igreja em uma Localidade

Há uma coisa que todos precisamos observar: o mundo não tem uma só igreja; a Igreja Católica Romana, portanto, é errada. Um país não tem uma igreja; portanto a Igreja Anglicana (Igreja da Inglaterra ou Igreja Episcopal) é errada. Uma província não tem uma igreja, tampouco uma raça. Na Bíblia, somente a menor unidade administrativa tem uma igreja, somente uma localidade ou uma cidade tem uma igreja. A igreja de uma localidade não pode unir-se com a igreja de outra localidade, para ambas se tornarem uma igreja. Cada cidade só pode ser ajustada a

uma igreja, assim como um esposo só pode ser combinado com uma esposa. Portanto, em Antioquia, temos a igreja de Antioquia" e não as "igrejas de Antioquia" (At 13:1). Seria errado dizer as "igrejas de Antioquia". De acordo com a determinação de Deus, uma localidade só pode ser combinada com uma igreja,

nunca com muitas igrejas. Na Bíblia você jamais encontrará as igrejas em Corinto, ou as "igrejas de Antioquia". Mas a Bíblia, na verdade, diz: a "igreja de Antioquia", a

"igreja

"igrejas" em Antioquia, em Corinto ou em Filadélfia. A determinação de Deus para a igreja é: a autoridade do Espírito Santo, no lado espiritual, e o limite da localidade, em sua aparência externa. Quando a igreja em Corinto teve a tendência de dividir-se em quatro facções, Paulo imediatamente os repreendeu, por serem facciosos e carnais. Quando os coríntios estavam a ponto de dividir-se em muitas pequenas igrejas — uma de Paulo, outra de Cefas, outra de Apoio e outra de Cristo — o Espírito Santo falou-lhes que aquilo era carnal. Cada cidade, cada localidade só pode ser combinada com uma igreja. Sempre que aparecer mais de uma, tal será uma divisão, uma seita, o que é rejeitado por Deus. Do ponto de vista de Deus, a igreja em Corínto tornou-se carnal. Por quê? Porque só pode haver uma igreja em uma localidade; uma segunda não pode ser estabelecida. Quando uma igreja já está estabelecida, a segunda, então, é uma divisão, e é carnal. Nunca poderá haver mais de uma igreja em uma localidade. Alguns dizem que desejam suprir os outros com alimento espiritual, mas alimento espiritual não é base suficiente para se estabelecer uma igreja. Outros dizem que querem ajudar as pessoas a entender a Bíblia, mas ajudar os outros a entender a Bíblia também não é base suficiente para se estabelecer uma igreja. Tampouco ensinar os outros a conhecer o Espírito Santo é base adequada para se estabelecer uma igreja. Alguns dizem que precisamos de um reavivamento, e que uma igreja de reavivamento deveria ser estabelecida. Recentemente, em certo lugar, alguém estabeleceu uma "Igreja do Reavivamento", com o único objetivo de reavivamento espiritual; mas, com o reavivamento, também não existe base para se estabelecer uma igreja. Os homens não podem estabelecer uma igreja, porque eles não têm a base para estabelecer a igreja. Paulo não tinha base para estabelecer a igreja; tampouco Cefas ou Apoio. Éfeso tem a base para estabelecer uma igreja, mas Paulo não é igual a Éfeso! Corinto tem a base para estabelecer uma igreja, mas Paulo não é igual a Corinto, tampouco o é Cefas ou Apoio; eles todos não eqüivalem a Corinto. Não tinham a base e não eram qualificadas a estabelecer uma igreja, porque cada igreja deve ser combinada com uma locali- dade. Se não se combinar com uma localidade, será impossível estabelecer-se uma igreja. Se não há localidade, não há igreja. É mais do que evidente que Deus toma por base o limite da localidade.

em Corinto" (l Co 1:2), a "igreja em Filadélfia", todas no singular. Não havia

Só Pode Haver uma Igreja em Xangai

Nós, em Xangai, temos uma igreja que não se posiciona sobre nenhuma base de denominação, nenhuma base de sectarismo, e nenhuma base de qualquer outra coisa, mas sobre a base de Xangai. Esta é a igreja em Xangai. Suponhamos que eu tivesse uma desavença com o irmão Chang; então o deixaria fazendo suas reuniões na Rua Nan-Yang, enquanto eu acharia um lugar na Rua Szechwan para as minhas reuniões. É como se você fosse para o sul, e eu, por isso, fosse para o norte, totalmente opostos um ao outro. Na Rua Szechwan, prego o evangelho, e um grupo

de pessoas são salvas. O local de reuniões da Rua Nan-Yang pode acomodar 2.400 pessoas; eu construo um maior na Rua Szechwan para acomodar 2.600. Lá também prego o evangelho. Mas deixem-me dizer-lhes algo: posso conduzir muitos à salvação, posso dar mensagens, posso edificar os santos, mas jamais poderei tornar-me a igreja. Por quê? Porque a qualificação para tomar Xangai como base da igreja já foi tomada por outros.Por isso, não estou qualificado a estabelecer outra igreja, pois só pode haver uma igreja em Xangai.

Uma Igreja Pode Ser Estabelecida em uma Localidade Onde não Existe Igreja

Atualmente, por exemplo, em Pi-Chieh, na província de Kweichow ninguém até agora tomou a posição de estabelecer uma igreja sobre a base da localidade. Se alguém deseja fazê-lo, então está bem, que ele vá a Pi-Chieh e o faça, porque, em uma localidade, só pode haver uma igreja local. Se uma igreja adicional aparecer por lá, Deus a considerará uma divisão. É como uma mulher unindo-se a um homem. Se casar com um homem solteiro, será sua esposa. Se ele já for casado, como poderá ela tornar-se sua esposa? Ela só poderá unir-se a um homem que não tem esposa. Todo o Novo Testamento fala-nos uma coisa: a igreja é local. Precisamos ver que ela é local. Nas epístolas, observamos a igreja em Corinto (l Co 1:2), a igreja em Cencréia (Rm 16:1). Em Apocalipse notamos as sete igrejas na Ásia (Ap 1:4). Em cada localidade, há somente uma igreja. A igreja não pode desvincular-se da localidade e ser independente. Lembrem-se, por favor, de que uma igreja só pode ser estabelecida em uma localidade onde não há igreja. Se já existe uma igreja em uma localidade, só poderemos unir-nos a ela; não poderemos estabelecer uma outra. Uma vez estabelecida outra, tal será uma divisão, que é seita condenada por Deus. Qual é a diferença entre uma esposa e uma concubina? Tudo é o mesmo, exceto a posição! Só a base é diferente; no resto, tudo é o mesmo. Embora exteriormente possam parecer iguais, algo falta a uma delas, isto é, a base.

Que é Divisão?

Divisão significa falta de base, e o estar sem a base é condenado por Deus! Por favor, desculpem-me por usar novamente Pi-Chieh, província de Kweichow, como exem- plo. Qual é a diferença entre você ir a Pi-Chieh pregar o evangelho, salvar pessoas, edificar os santos; e ir à Rua Szechwan, em Xangai, e lá fazer o mesmo? Exteriormente, não há diferença alguma! Isso não significa que, quando você prega o evangelho na Rua Szechwan, as pessoas não possam ser salvas; não quer dizer que, quando você prega o evangelho na Rua Szechwan, as pessoas não possam receber a vida eterna; tampouco vem indicar que as pessoas da Rua Szechwan vão abandonar sua experiência de salvação. A verdade do evangelho ainda é a mesma, e as mensagens podem ser dadas de uma maneira muito clara, como se tudo fosse o mesmo. Mas você não pode estabelecer outra igreja na Rua Szechwan. Se você for até lá para estabelecer uma igreja, tal será uma divisão. As mensagens que você prega em Pi- Chieh, província de Kweichow, podem ser exatamente as mesmas que você prega na Rua Szechwan, em Xangai. Nas duas diferentes localidades, porém, existem duas bases distintas. Em Pi-Chieh, província de Kweichow, poderá existir uma igreja, ao passo que na Rua Szechwan existirá uma divisão. A mesma mensagem é pregada

nestas duas localidades, mas que grande diferença! Suponhamos que você estabeleça a Mesa do Senhor em Pi-Chieh, isto é, a Ceia do Senhor, o Partir, do Pão. Um dia, você muda essa mesma Mesa com todos os participantes de Pi-Chieh para a Rua Szechwan, em Xangai. Aqui você ora, estuda a Bíblia e louva ao Senhor da mesma maneira como fazia antes. Nestas coisas não há diferença alguma. Mas, em Pi-Chieh, você é uma igreja, enquanto na Rua Szechwan você será uma divisão. Quando uma mulher casa com um homem solteiro, ela é sua esposa; mas, se casar com um homem já casado, ela não será sua esposa. Quando vamos a um lugar onde não há igreja, podemos estabelecer uma igreja. Mas, num lugar onde já existe uma igreja, só podemos unir-nos a ela; não podemos estabelecer outra. Este é um princípio básico na Bíblia. Se você não der importância ao limite da localidade, tudo estará terminado. Se o menosprezar, então você não terá a base. Espero que, diante de Deus, você compreenda estes dois pontos: 1) a igreja de Deus é estabelecida sobre a autoridade do Espírito Santo; 2) a igreja de Deus é estabelecida sobre o limite da localidade. A base da igreja é estabelecida na direção do Espírito Santo. Você não pode dizer: "É por direção do Espírito Santo que estamos nos reunindo na Rua Szechwan". Se realmente fosse a direção do Espírito Santo, a primeira coisa que Ele argumentaria é que o lugar onde você se reúne é errado. Conseqüentemente, você violou e contrariou a primeira limitação Dele; você, portanto, não tem a base sobre a qual posicionar-se. Dizer apenas que você tem o Espírito Santo não é suficiente; também deve considerar a jurisdição da localidade, que é estabelecida pelo Espírito Santo. A localidade é a jurisdição da qual você jamais pode afastar-se; você só pode submeter-se. Os homens não têm liberdade alguma quanto à jurisdição da localidade estabelecida pelo Espírito Santo.

A Localidade Restringe a Formação de Divisões

Espero que os irmãos e as irmãs se apeguem firmemente a esse princípio básico, para que possam ver clara e minuciosamente as assim chamadas denominações, igrejas, grupos e organizações. Se qualquer grupo não estiver edificado sobre a base da localidade, você saberá que ele não é a igreja. Está claro? Você acha estranho? Eu o acho estranho, quando leio na Palavra. Ir da autoridade do Espírito Santo para o limite da localidade parece-se com cair de três mil metros de altura, numa queda só, do céu para a terra! A Bíblia realmente nos revela que a base da igreja é a autoridade do Espírito Santo. A Bíblia, todavia, também nos mostra que só ter o Espírito Santo não é suficiente; precisamos, também, que a isto se acrescente a base da localidade. Esses dois requisitos, colocados juntos, produzem a igreja. À medida que olhamos para trás, vamos ficando mais claros e mais louvamos a Deus. Se, nos últimos dois mil anos, as pessoas da igreja estivessem dispostas a ser limitadas pela localidade, não teria havido tantas dificuldades e tanta confusão. Se o homem tivesse se submetido à autoridade de Deus, tanto o Catolicismo quanto o Protestantismo jamais poderiam estabelecer- se. Tampouco teriam sido estabelecidas as mais de cem denominações na China, e as mais de seiscentas grandes organizações e cinco mil organizações menores em todo o mundo. Todas teriam sido restringidas pelo limite da localidade.

A Localidade nunca Muda

Perdoem-me por usar termos políticos. Uma dinastia pode mudar, mas uma localidade nunca muda; um partido político pode mudar, mas uma localidade não; até mesmo um país pode mudar, mas ainda assim uma localidade permanecerá a mesma. Xangai sempre foi Xangai, e Chang-Chun sempre foi Chang-Chun. Durante a dinastia Ching, Xangai era Xangai; durante a República, ainda era Xangai; até agora, continua sendo Xangai. Durante a guerra sino-japonesa, quando o país quase passou a fazer parte de outro, a localidade permaneceu a mesma. Todas as coisas mudarão, mas a localidade nunca mudará. Deus deseja a localidade como base para a igreja. Podemos ter a igreja na localidade de Roma, mas nunca a igreja do Império Romano. O nome é o mesmo, mas, na realidade, são diferentes. A igreja na cidade de Roma é reconhecida pelo Espírito Santo, mas a igreja do Império Romano não. Por esse motivo, precisamos aprender diante de Deus a não perder esta base da localidade. Por favor, lembrem-se disto: a igreja deve posicionar-se sobre a base da localidade. Por muitos anos, nós nos temos posicionado sobre essa base, rejeitando tudo o que não está de conformidade com ela, rejeitando todos os outros rótulos. Qualquer grupo que não toma Xangai como base, não é a igreja em Xangai. O trabalho que aqui temos é realizado com a esperança de edificar a igreja em Xangai. Se alguém de fora perguntar sobre esse assunto, você deverá deixar-lhe claro que a igreja interiormente tem a autoridade do Espírito Santo como conteúdo, e, exteriormente, o limite da localidade. A autoridade do Espírito Santo mais o limite da localidade formam uma igreja. Se não houver autoridade do Espírito Santo inte riormente e se não houver o limite da localidade, tal não será uma igreja.

A Base da Igreja e as Bênçãos Espirituais

Quanto mais clara é a base da igreja, mais ricas são as bênçãos espirituais. Principalmente nesses últimos dois anos, temos visto que Deus definitivamente abençoou a base da igreja. Muitos irmãos e irmãs começaram a perceber a diferença entre o caminho do individualismo e a base da igreja. Você pode ver a bênção do Senhor, porque a autoridade do Espírito Santo está em todos os membros, levando-os a servir a Deus em coordenação, e não em atividades individuais. Em algumas igrejas locais, o número de membros aumentou duas vezes, cinco vezes e dez vezes, tudo em múltiplos. Originalmente, havia em Taipé aproximadamente trinta membros, mas agora aumentaram para mais de mil (Nota dos tradutores: Em 1977, a igreja em Taipé contava com mais de vinte e três mil membros). Enviamos a essa cidade alguns irmãos, que trabalham muito diligentemente. Deus continua a abençoar, e o número de membros continua aumentando. Quando estava em Hong-Kong (na primavera de 1950 - editor), recebi uma carta de um irmão, através da qual pude sentir que ele realmente conhecia o que era a igreja, e isto devido ao seguinte incidente. A igreja em Taipé esperava que o irmão Witness Lee fosse responsável pela campanha de evangelização, por ocasião do Ano Novo chinês. Depois de estar tudo acertado, o irmão Lee precisou vir até Hong-Kong, para resolvermos alguns assuntos. Eles ficaram realmente desapontados, pensando que não poderiam

realizar tal campanha. O irmão Lee disse-lhes: "Para mim, ter um irmão Lee é apenas ter um irmão a mais; perder um irmão Lee é simplesmente perder um irmão". Se houvesse uma igreja em Taipé, ter ou perder o irmão Lee seria uma questão de ter ou perder um irmão. Todavia, se não houvesse igreja em Taipé, então, quando o irmão Lee se fosse, metade de Taipé também se iria. Não obstante, o resultado daquela campanha de evangelização foi maravilhoso! Alguns dos irmãos que vocês suporiam incapazes de pregar o evangelho o fizeram contra toda expectativa. Como resultado, mais de mil e quatrocentos pessoas receberam o Senhor. Nas reuniões dos dois dias seguintes, duzentos e vinte e oito foram batizadas. Não faz diferença se um irmão é tirado ou acrescentado, porque lá existe a igreja. Voltando agora à carta do irmão, estou contente pela sua afirmação: "Acredito que, se nós, irmãos, aprendêssemos a servir o Senhor de uma maneira coordenada, mesmo que houvesse três mil ou dez mil convertidos, seríamos capazes de digeri-los e absorvê- los". Quando a igreja vem à existência e começa a funcionar, então, se vierem quinhentos, quinhentos serão digeridos; se vierem mil, mil serão digeridos. Esta é a igreja de Deus.

Um Vaso Necessário para Conter a Bênção de Deus

Alguns de nós oramos ao Senhor, pedindo-Lhe que nos abençoe da mesma maneira como abençoou a igreja durante o Pentecoste. Mas, se o Senhor realmente respondesse às nossas orações, o que faríamos? Se Ele realmente nos concedesse a bênção de Pentecoste, o que faríamos? Se o Senhor nos desse três mil ou cinco mil pessoas, o que faríamos? Se vários milhares de pessoas subitamente enchessem o nosso local de reuniões, você imediatamente veria que não seríamos capazes de digerir a todos eles. Por exemplo, se em Xangai três mil pessoas fossem acrescenta- das de uma só vez, não seríamos capazes de digeri-las. Não saberíamos como batizá- las, como distribuí-las nas várias casas onde há reuniões para ter a Mesa do Senhor, como edificá-las e como visitá-las. Todavia, quando Deus abençoa e a igreja é forte, podemos facilmente digeri-las. Não importa quantos venham: não ficaremos nos arrastando, sem saber como conduzi-las adequadamente. Temos aqui cerca de mil e quinhentos irmãos e irmãs entre nós, e a nossa comunhão ainda não é adequada. O que faríamos se outros mil nos fossem acrescentados? Ser-nos-ia difícil carregá-los, se Deus nos abençoasse assim. Não estamos falando de uma organização, mas de um organismo que possa suportar as bênçãos de Deus. Se Deus nos abençoasse, dando-nos três mil, e dois mil desaparecessem depois de dois dias, isso não seria a igreja. Se Deus nos desse tantas pessoas, poderíamos nem sequer notar que elas desapareceram. Se não percebermos quando as pessoas vêm e quando elas vão, isso não é igreja. A igreja é um organismo com tal capacidade, que pode conter a bênção de Deus. Espera-se que a igreja atinja um ponto tal, que, quando Deus abençoar abundantemente, haja um vaso capaz de conter essa bênção. Quando todo o corpo de irmãos e irmãs obedecem ao Espírito Santo, todos têm parte no serviço e todos são abençoados. Ninguém do corpo introduzirá suas próprias opiniões, mas todos estarão ocupados em servir; é nesse momento que surge a igreja de Deus. Digo-lhes que, se vocês não se estão preparando para a obra do Espírito Santo, Ele não agirá. Vocês todos devem preparar-se para a obra Dele. Sempre devemos preparar mais lugares, preferindo deixar o Senhor trazer as pessoas a deixá-lo levá- las embora. Quando o Espírito Santo começar a agir, você verá que não haverá

lugares suficientes. Precisamos preparar-nos para a obra do Espírito Santo, providenciando um local de reuniões maior e ampliando a nossa capacidade; então o Senhor abençoará. Precisamos preparar homens para o serviço; então o Senhor abençoará. Se não prepararmos cada um para o serviço, o Espírito Santo não terá meios para agir.

Todos Precisamos Aprender a Servir

Espero que os irmãos e as irmãs vejam que a base da igreja fundamenta-se na localidade e na autoridade do Espírito Santo. Uma vez que a autoridade do Espírito Santo se faz presente, isso significa que cada um começa aprendendo a libertar-se de suas próprias idéias e a submeter-se à autoridade de Deus. À medida que cada um começa aprender a servir, a igreja de Deus aparece. Na igreja, não é suficiente que as nossas opiniões pessoais não sejam introduzidas, mas também, do lado positivo, é necessário que cada um se submeta à autoridade do Espírito Santo. Uma vez que as pessoas se submetam à autoridade do Espírito Santo, imediatamente a Sua autoridade começará a nos dirigir e fará com que todos comecem a servir; e, assim, todos servirão. Vocês, irmãos responsáveis pelas casas onde há reuniões, perdoem-me por dizer as seguintes palavras: a responsabilidade básica que vocês têm diante de Deus é que vocês mesmos precisam servir; mas isso não é suficiente. Se vocês podem fazer, mas não conseguem levar os outros a fazer, estão fracassados. O Espírito Santo deseja levar todos a servir. Do lado negativo, não introduza suas próprias idéias; do lado positivo, deixe que o Espírito Santo faça com que cada um sirva. A autoridade do Espírito Santo significa que Ele pode fluir através de cada um, que Ele pode dirigir cada um. Portanto aquele que só pode servir por si mesmo, mas não pode confiar responsabilidades a outros, é alguém que fracassa. Aquele que não conserva a responsabilidade nas suas próprias mãos, mas a distribui aos irmãos e irmãs, para que eles tenham parte na obra, é aquele a quem Deus usará. Não pense que, quando as necessidades surgirem, será seu direito fazer tudo. Se, quando as necessidades surgem, você as resolve rapidamente, conservando-as em suas mãos, sem distribuí-las, isso bloqueia a obra do Espírito Santo. As responsabilidades devem ser distribuídas; não devem ser retidas em suas próprias mãos. Retê-las é sempre um obstáculo. As responsabilidades não devem estar presas a você. Quando a autoridade do Espírito Santo tem liberdade na igreja, não importa se é você quem faz ou não, mas é uma questão de permitir que o Espírito Santo tenha

liberdade para liberar-Se. Quando a autoridade Dele age, move-se e é liberada em todo o Corpo, então temos a igreja.

O trabalho sempre deve ser distribuído; distribuir é um princípio. Sempre que

algo lhe aparece, você o distribui imediatamente. Quando algo pode ser feito por

uma pessoa e também pode ser feito por cinco pessoas, é melhor distribuí-lo entre as cinco. Sempre procure fazê-lo levando outros consigo. Quando proceder assim, você estará treinando os irmãos e levando-os a fazer as coisas, de modo que todos estejam aprendendo a servir.

O irmão Witness Lee e eu passamos um longo tempo buscando o Senhor e

conversando (Nota dos editores: em fevereiro e março de 1950, em Hong-Kong). Cremos ainda mais naquilo que vimos antes. Nos dias vindouros, Deus certamente usará o caminho da migração. Portanto cada irmão precisa aprender a ser treinado. Vocês não devem esperar que, no futuro, um grupo de irmãos migrem para Nan-

Chang, e que lá a igreja em Nan-Chang vá treiná-los por vocês. Temos que treiná-los agora! Temo que os irmãos e irmãs não tenham aprendido o suficiente diante de Deus e que, quando chegar a época da migração, tais irmãos não possam sair e migrar. Portanto cada um deve aprender algo referente à igreja. Precisamos, porém, aprender muito mais diante do Senhor sobre o serviço de todo o Corpo. Assim haverá um caminho para que Deus flua de nós.

CAPÍTULO DOIS

A IGREJA NUMA CIDADE E A IGREJA NUMA CASA

(Palestra proferida aos irmãos em Xangai, a 1° de abril de 1950, e publicada em "A Porta Aberta", a 30 de junho de 1950).

Com referência à base da igreja, dissemos que, em uma cidade, deve haver somente uma igreja, pois deve haver apenas uma unidade. Mas algumas pessoas dizem que "a igreja em uma casa" — tomando por base as Escrituras — "é uma unidade adicional à localidade". O que querem dizer é que a igreja pode ter várias unidades numa localidade. O que dizer sobre tal tipo de afirmação? O Novo Testamento, em quatro lugares diferentes, menciona a igreja em uma casa, isto é, num lar. 1. Romanos 16:5:"Saudai, igualmente a igreja que se reúne na casa deles " "Deles se refere a Priscila e Áqüila, do versículo terceiro. Aqui o fato é simples. A igreja em Roma, como centenas e milhares de outras igrejas, começou, primeiramente, na casa de um irmão. Isso significa que os principais membros da casa desse irmão já eram irmãos no Senhor. Ao mesmo tempo, não havia muitos membros na igreja; usavam, portanto, a casa deste irmão como seu local de reuniões. Este é um fato histórico, e não doutrinário. É possível justificar uma doutrina; mas o mesmo não ocorre com a História, pois acontecimentos históricos são fatos. Qualquer pessoa que esteja familiarizada com a História sabe que centenas e milhares de igrejas, primeiramente, se iniciaram em lares. A igreja num determinado lugar, portanto, tornou-se a igreja na casa de uma certa pessoa. A igreja em Roma era a igreja na casa de Priscila e Aqüila. Alguns podem perguntar: "Uma vez que Paulo enviou saudações tanto à igreja em Roma como à igreja em uma casa, mostrando assim não haver somente a igreja local, mas também a igreja numa casa, não existiriam, conseqüentemente, duas igrejas?" Vamos devagar: Temo que você não tenha ouvido a Palavra de Deus cuidadosamente. O livro de Romanos jamais menciona o termo "a igreja em Roma". Como, então, o apóstolo pode ter saudado a igreja em Roma? O livro de Romanos, ao enviar saudações, não o faz claramente à "igreja em Roma", mas sim a igreja em casa". Está implícito, entretanto, que a saudação enviada à igreja em casa de Priscila e Aqüila é a saudação enviada à igreja em Roma, a qual se reunia em casa de Priscila e Aqüila. Assim a igreja em Roma era a igreja na casa deles. Presumo que a dificuldade daqueles que discutem sobre isso advenha do fato de que, após o versículo quinto, Paulo novamente menciona vários nomes. Acredito que todos os expositores da Bíblia sabem que, após ter saudado a igreja no versículo quinto, Paulo mencionou propositadamente um bom número de pessoas importantes, e especialmente as saudou uma a uma. Isto não significa, todavia, que tais pessoas estivessem fora da igreja em casa, mas sim que eram as pessoas, dentro da igreja em casa, às quais Paulo especialmente enviava suas saudações. Algumas, além de estarem incluídas nas saudações gerais à igreja, necessitavam de uma atenção especial. Não cometam o erro de pensar que, pelo fato de estarem todos incluídos nas saudações gerais à igreja, seja desnecessário acrescentar-lhes outras saudações feitas individualmente. Isto não é afeição santa nem tampouco o que ocorreu. Paulo não fez isto e nem mesmo nós o faríamos.

A prova disto está no versículo terceiro. Se a saudação enviada à igreja

automaticamente incluía a todos, e não havia necessidade de saudá-los novamente,

mencionando certos nomes, então Paulo não deveria ter saudado a Priscila e Áqüila no versículo terceiro. Ele deveria saudar apenas "a igreja que se reúne na casa deles" [de Priscila e Áqüila] (versículo quinto). O fato de haver saudado a "igreja que se reúne na casa deles" [de Priscila e Áqüila já não significava a inclusão de ambos?

A saudação a toda a igreja naturalmente, inclui a cada um individualmente.

Mencionar estes indivíduos, todavia, além de saudar a igreja, não significa que eles não sejam membros da igreja, ou que sejam membros de um outro grupo. Se assim fosse, então Priscila e Áqüila não seriam da igreja que se reunia em sua própria casa! Você percebe agora? Paulo saudou a Priscila e Áqüila no versículo terceiro; e, no versículo quinto, prosseguiu saudando a igreja que estava na casa de Priscila e Áqüila. Se a menção dos nomes de alguns indivíduos, além da saudação à igreja,

significa que tais indivíduos não eram desta igreja, e que existia uma outra igreja na cidade, então até mesmo Priscila e Áqüila, cujos nomes Paulo também mencionou separadamente em sua saudação, não pertenciam à igreja que estava em sua própria casa!

O fato é que a igreja na casa de Priscila e Áqüila era a igreja em Roma. A igreja

em Roma, naquela época estava na casa de Priscila e Áqüila. Da mesma maneira que os indivíduos mencionados antes do versículo quinto — tais como Priscila e Áqüila — eram desta igreja, assim os muitos indivíduos nomeados após o versículo quinto também eram desta igreja. E, além disso, muitos outros indivíduos não mencionados também eram desta mesma igreja. Nos versículos décimo e décimo - primeiro, mais duas casas são mencionadas, nas quais também havia o povo do Senhor. Entretanto Paulo não disse: "saudai a igreja na casa de Aristóbulo" ou "saudai a igreja na casa de Narciso". Somente no versículo quinto ele realmente disse: "Saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles" [a de Priscila e Áqüila]. Embora toda a casa de Aristóbulo tenha crido no Senhor, em Roma havia apenas uma igreja — a igreja que estava na casa de Priscila e Aqüila. Portanto, embora houvessem cristãos na família de Aristóbulo, eles não podiam tornar-seuma igreja. Apesar de muitos da casa de Narciso serem cristãos, estes de sua casa não podiam tornar-se uma igreja independente. Só havia uma igreja em Roma, que era a igreja na casa de Priscila e Aqüila. Por isso a Bíblia não menciona a igreja na casa de Narciso. A casa de Aqüila, a casa de Aristóbulo e a casa de Narciso, todas pertenciam à igreja em Roma. Embora houvesse três casas de cristãos, não eram três igrejas. Havia somente uma igreja. Roma era uma localidade; tinha, portanto, apenas uma igreja — a que estava na casa de Priscila e Aqüila. Além disso, a História nos conta que, à época do Senhor, Roma já era uma cidade muito grande. Mas, no início, os cristãos em Roma eram poucos. Por ser grande a cidade e estarem espalhados os cristãos por toda a cidade, era natural que Paulo acrescentasse saudações pessoais às saudações enviadas à igreja em Roma, a qual se reunia na casa de Priscila e Aqüila. Por isso mencionou especialmente: "Saudai a Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e aos irmãos que se reúnem com eles" (versículo catorze), e também: "Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e sua irmã, a Olimpas e a todos os santos que se reúnem com eles (versículo quinze). Tais santos estavam espalhados por lugares distantes uns dos outros, através de toda a cidade de Roma, assim como os irmãos, hoje, na igreja em Xangai, que moram em Young Shu Pó e Kiang Wan. Mas Paulo nos diz que havia somente uma igreja na cidade

de Roma, e que tal era aquela que se reunia em casa de Priscila e Aqüila. Embora estivessem espalhados, e alguns irmãos se reunissem com aqueles que moravam perto, Paulo, contudo, não os chamou de igreja; chamou-os somente de "irmãos que se reúnem com eles" ou "todos os santos que se reúnem com eles". Só pode existir uma igreja em uma localidade.

2. Primeira Coríntios 16:19: "No Senhor muito vos saúdam Aqüila e Priscila e,

bem assim, a igreja que está na casa deles". Esta saudação foi enviada em 59 d.C, quando Áqüila e Priscila moravam em Éfeso (At 18:18-19). Como a igreja em Éfeso se reunia na casa deles, foi, portanto, chamada de "igreja que está na casa deles". Isso não significa que houvesse uma igreja na cidade de Éfeso e outra, na casa de Áqüila e Priscila, mas que a igreja na cidade de Éfeso era a igreja na casa de Áqüila e Priscila. Tal fato histórico de maneira alguma pode ser mudado. Mais tarde esses dois retornaram a Roma, e, mais uma vez, abriram sua casa para local de reuniões da igreja em Roma. Eram realmente um casal fiel e amável.

3. Colossenses 4:15-16: "Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia. e a Ninfa e

à igreja que está em sua casa. E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, "

(VRC) (a palavra "e", usada

duas vezes no versículo quinze, é a mesma palavra em grego). Podemos descobrir, por meio da História, que a igreja em Laodicéia se reunia em casa de um irmão chamado Ninfa, um cristão de Laodicéia, não de Colossos.

(Verifique isso, por favor, nos escritos de Moore, Alfred, Earle e Finley). Paulo, portanto, chamou à igreja de Laodicéia de "igreja que estava na casa de Ninfa", isto é, "a igreja de Laodicéia na casa de Ninfa". Tal é um fato, e está bem evidente nesta passagem. É possível que os irmãos mencionados no versículo quinze sejam diferentes da igreja? Não, é impossível! Paulo mencionou três categorias de pessoas: 1) os irmãos, 2) Ninfa, 3) a igreja. Se os irmãos e a igreja não são os mesmos, então onde colocar Ninfa? O versículo diz: "os irmãos e Ninfa". A expressão "os irmãos" inclui "Ninfa" ou não? Não importa quem você seja; tem de reconhecer que "os irmãos" inclui "Ninfa". Logo tanto "os irmãos" quanto "Ninfa" pertencem ao mesmo grupo. Embora ambos sejam do mesmo grupo, todavia, depois de ter saudado os irmãos (isto é, após Ninfa ter sido incluído na saudação aos irmãos), Paulo especialmente destacou Ninfa dentre eles, saudando-o pessoalmente. Além disso, com relação às categorias (2) Ninfa, e (3) a "igreja que está em sua casa" [de Ninfa], podemos dizer que a "igreja que está em sua casa" inclui Ninfa? É claro que sim, a igreja o inclui. Assim sendo, por que não é suficiente que Paulo diga: "saudai a igreja que está em casa de Ninfa"? Embora a igreja em sua casa

a Ninfa e à igreja que está em sua

casa". Ele saúda a igreja, mas principalmente a Ninfa. Nestas três categorias de pessoas, Ninfa é parte de cada uma delas. Da mesma maneira, "os irmãos" e "a igreja são idênticos. Portanto Paulo não pára com a saudação aos "irmãos de Laodicéia", mas prossegue, saudando a um irmão em particular chamado "Ninfa". Já que a reunião da igreja se fazia em casa de Ninfa, Paulo continua, saudando a "igreja que está em sua casa". "Os irmãos" se refere a

indivíduos; "a igreja" se refere a todo o grupo. Mas eles são idênticos. Paulo primeiramente saúda os indivíduos, depois saúda toda a igreja. Qual é o relacionamento existente entre a igreja na casa de Ninfa (versículo quinze) e a igreja em Laodicéia (versículo dezesseis)? O versículo quinze é uma

fazei que também o seja na igreja dos laodicenses

inclua Ninfa, Paulo ainda assim diz: "Saudai

saudação, enquanto o versículo dezesseis refere-se à leitura da epístola. O versículo quinze fala da saudação aos irmãos em Laodicéia, os quais eram a igreja que se reunia em casa de Ninfa. No versículo dezesseis, espontaneamente, sem qualquer explicação, Paulo informa aos colossenses que os irmãos em Laodicéia (a quem saudou no versículo quinze) eram a igreja que se reunia em casa de Ninfa, e que tal igreja era a igreja em Laodicéia. Então, solicitou aos irmãos em Laodicéia que providenciassem que a epístola fosse lida aos colossenses (Colossos distava apenas 20 km de Laodicéia). Lendo esses dois versículos cuidadosamente, você perceberá que a igreja em casa de Ninfa, em Laodicéia (versículo quinze), é a própria igreja em Laodicéia (versículo dezesseis). Pedro é Cefas, e Cefas é Pedro: os dois são permutáveis. O mesmo ocorre aqui.

e à igreja que está em tua

casa". Filemom era um cristão que morava em Colossos e era um cooperador do apóstolo Paulo. A igreja em Colossos reunia-se em sua casa; a frase "à igreja que está em tua casa", conseqüentemente, indica a igreja em Colossos. Isto é a História! Teotóno afirma que, até o século quinto, sempre que visitavam Colossos, os turistas freqüentemente consideravam a casa de Filemom como um ponto histórico. Sendo famoso lugar histórico, era ponto turístico obrigatório aos que iam a Colossos. Tal se devia ao fato de que a igreja em Colossos se reunia naquela casa em particular. A igreja na casa de Filemom era a igreja em Colossos, pois a igreja em Colossos se reunia na casa de Filemom. Todas as igrejas na Bíblia, portanto, tomam a localidade como a unidade: a casa jamais pode ser a unidade para a igreja.

4. Filemom 1-2: a "

Filemom

Afia, e a Arquipo

A CASA, UMA UNIDADE INSUFICIENTE

Já vimos que o Novo Testamento menciona quatro vezes a igreja em uma casa.

O que tudo isso, na verdade, significa? Devemos observar essa questão por um

outro ângulo, e ver se a casa é ou não a unidade para a jurisdição de uma igreja. Não sei se você compreende ou não o que se chama de "unidade de jurisdição". Quando pesamos alguma coisa, por exemplo, usamos o quilo como unidade; assim o quilo é

a "unidade de peso". Quando medimos coisas, usamos o metro como unidade;

assim o metro é a "unidade de comprimento". O quilo é a unidade de peso, e o metro, a unidade de comprimento. É uma casa a "unidade de jurisdição" para a igreja? Como já disse antes, em outros lugares, a unidade de jurisdição para a igreja é uma cidade ou localidade. Isto se baseia nos ensinamentos de Deus. Por que uma cidade ou uma localidade pode tornar-se a unidade? É porque Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia, todas eram localidades, e apenas uma igreja posicionava-se em cada localidade. A questão agora é que, se Deus não tivesse tomado a localidade como a unidade de jurisdição da igreja, então não deveria haver sete igrejas nestas sete localidades. Por que não deveria haver uma igreja para todas as sete localidades? Ou, se a localidade não fosse mantida como unidade, por que não deveria haver mais de sete igrejas? Mas, na Bíblia, Deus nos disse que havia sete localidades e que também havia sete igrejas! Elas eram as "sete igrejas na Ásia", não "a igreja na Ásia"; eram "as igrejas", não "a igreja"; eram as "ecclesiae", não a "ecclesia". Não somente existiam sete igrejas diferentes nesta terra, mas também havia sete candelabros no santo lugar, diante do Senhor. Havia sete, não um. Sem dúvida, está evidente que as pessoas devem obedecer àquilo que Deus nos mostrou quanto à questão de tomar a localidade

como unidade de jurisdição para uma igreja.

Permitam-me perguntar novamente: pode a casa tornar-se a unidade para a igreja? Para responder a esta pergunta, precisamos ter uma mente bastante clara; caso contrário, cometeremos erros. Precisamos compreender a diferença entre a casa mencionada na Bíblia e a casa mencionada por aqueles que, hoje, defendem

a igreja numa casa. A casa ensinada na Bíblia é o lugar onde a igreja se reunia

naquela localidade. A igreja na casa de uma pessoa, portanto, é também a igreja naquela localidade. A igreja na casa de Aqüila era a igreja em Roma, a igreja na casa de Ninfa era a igreja em Laodicéia, e a igreja na casa de Filemom era a igreja em Colossos.

Mas, e hoje? As pessoas ensinam que Roma é uma localidade, mas que pode haver lá duas igrejas: uma em uma rua e outra em uma casa. Em Colossos, pode haver três igrejas: uma em uma rua, duas em duas diferentes casas. Portanto as pessoas ensinam que a igreja em uma casa é uma igreja menor do que a jurisdição de uma localidade; isto é, na mesma localidade, pode haver muitas igrejas. Utilizam a palavra "casa" da Bíblia para entenderem que a unidade da igreja nas Escrituras não está limitada a uma localidade, mas a uma casa. Por isso vocês devem atentar em que a "casa" mencionada na Bíblia e a casa proposta por algumas pessoas têm significados completamente diferentes. Agora, a questão é: existe na Bíblia uma unidade menor do que a localidade para o limite, para a jurisdição da igreja? O homem diz que sim, porém Deus diz que não! Essa pergunta é bem fácil de se responder. Já vimos que só havia uma

igreja em Roma, uma igreja em Colossos e uma igreja em Laodicéia. O livro de Apocalipse claramente nos mostra que a igreja em Laodicéia está no singular, o que também corresponde a um candelabro de ouro nos céus. O exemplo mais evidente foi a igreja em Jerusalém, que, àquela época, era a igreja com o maior número de pessoas. Todos os que estudam a Bíblia sabem que as reuniões da igreja em Jerusalém eram realizadas em diferentes casas. A Bíblia "

(At

2:46). A palavra "casa" aqui não é meramente uma casa. Atos 5:42 também diz:

"

Mais tarde, quando Pedro saiu da prisão, foi para a "casa de Maria" (At 12:12),

que era uma entre muitas casas. Agora a questão é se esse tipo de casa pode ser

a unidade de jurisdição para a igreja. A História nos mostra que, entre todas as

outras igrejas, Jerusalém teve o maior número de membros e o maior número de reuniões em lares. Se Deus tivesse qualquer intenção de tomar a casa como unidade da igreja, então Jerusalém teria sido a localidade mais qualificada e o exemplo mais típico. Se em Jerusalém, onde havia muitos membros e muitas casas, Deus não usou a casa para ser a esfera, a jurisdição da igreja, concluímos então ser totalmente impossível encontrar em qualquer outro lugar o fato de que uma casa seja a esfera da igreja. Qual é, então, a realidade? Havia muitas casas em Jerusalém, mas Deus tinha somente uma igreja em Jerusalém, a Cada vez que mencionou a igreja em Jerusalém, o Espírito Santo usou convictamente a palavra "igreja" no singular, e nunca 'igrejas" no plural. A Bíblia registra somente o termo "a igreja em Jerusalém", e não "as igrejas em Jerusalém". Ela jamais declara: "cada igreja em cada casa em Jerusalém". É possível que tenha havido muitas casas de reuniões, mas, mesmo assim, elas eram a única igreja em Jerusalém. Qualquer idéia de tomar a casa como unidade para a igreja é um conceito humano e não o ensinamento da Bíblia. Só esta frase "a igreja em Jerusalém" (At 8:1). Já é suficiente para impossibilitar a

diz: "Diariamente persevera-vam unânimes no templo

de casa em casa

no

templo e de casa em casa

".

Aqui também não é meramente uma casa.

qualquer um que deseje o estabelecimento de uma igreja isolada, independente, individualista e solitária em uma casa. Podemos também comparar Atos 14:23 com Tito 1:5, isto é: " promovendo-lhes "

cada cidade, constituísses

Esses dois versículos se correspondem e concordam um com o

outro. "Cada igreja" está em "cada cidade". Está em "cada cidade", e não em cada casa. A casa pode ser usada como um local de reuniões, e a igreja pode ser chamada de igreja na casa de certa pessoa; mas a igreja na casa de Ninfa ainda era a igreja em Laodicéia. A cidade ou a localidade — jamais a casa — é o limite, a jurisdição e unidade da igreja.

em cada igreja a eleição de presbíteros

e

"

em

presbí-teros

".

DOIS ERROS

Os dois maiores erros cometidos pelo homem são: 1. Querer ter uma igreja maior

do que a cidade ou a localidade; querer unir muitas igrejas em diferentes loca-

lidades e fazer delas uma grande igreja, maior do que a localidade. Jamais pensaram que, nas Escrituras, não se registra um termo equivalente a "igreja na China". Quantos são capazes de perceber que o termo "a igreja na China" não é bíblico? Todos os filhos de Deus devem compreender que, nas Escrituras, não

há uma igreja unida maior do que a localidade.

Temos, por exemplo, 'às igrejas da Galácia", e não "à igreja da Galácia" (Gl 1:2). Temos "as igrejas aos gentios", e não a "igreja dos gentios" (Rm 16:4). Temos

na

Judeía" (l Ts 2:14). Temos "às sete igrejas

(Ap 1:4). Temos ainda "as igrejas" na Síria e Cilícia (distritos) e não "a igreja" na Síria e Cilícia (Atl5:41). Portanto o limite, a jurisdição da igreja sobre a terra, está restrito a uma localidade. Ainda que você junte duas igrejas, que estão em duas localidades diferentes, elas não podem ser uma igreja; ainda são duas igrejas. Na província da Ásia, se você somar as igrejas como uma, mais uma, mais uma, mais uma, mais uma, mais uma, mais uma, o resultado não será uma igreja, mas sete igrejas. Se você somar todas as igrejas das diferentes localidades de toda a província da (Galácia, você ainda não terá a igreja na Galácia, mas as "igrejas da Galácia". Quem disse que a igreja está acima, além da localidade? Que Deus possa abrir

os seus olhos, a fim de que você não cause confusão ao testemunho de Deus. 2. Por outro lado, as pessoas desejam ter uma igreja menor do que a cidade ou

a localidade. Desejam dividir uma localidade em muitas "igrejas", muitas

"assembléias", muitas "congregações", ou igrejas em casas", usando este último como um maravilhoso título. Mas estas são todas da mesma natureza, isto é, servem para causar divisões, para estabelecer suas próprias seitas segundo a carne. Os filhos de Deus devem diferenciar bem a "casa" mencionada na Bíblia da "casa" concebida pelo pensamento humano. Na Bíblia, quando a casa eqüivale a uma localidade ou cidade, os cristãos que nela se reúnem são chamados de

igreja, como a igreja em Roma, a igreja em Colossos, a igreja em Laodicéia, etc. Mas, quando a casa é menor do que a localidade ou cidade, os cristãos que nela

se reúnem não são chamados de igreja, como as reuniões da igreja em Jerusalém

realizadas em várias casas. Isto é muito diferente da casa concebida pelo pensamento humano, que é feita menor do que a localidade ou a cidade, perpetuando assim a vida das seitas, ou dando outra forma às mesmas.

as "igrejasde Deus

na Judéia" (uma província), e não a "igreja de Deus

na Ásia", e não "à igreja

na Ásia"

Os irmãos, portanto, devem lembrar-se de que o ensinamento bíblico é "a igreja

cm Corinto", e

não "as quatro igrejas em Corinto" (l Co 1:2); é "a igreja em Laodicéia" (Ap 3:14; Cl 4:15-16). Encontramos "a igreja em Éfeso", e não "as igrejas em Éfeso" (Ap 2:1).

Temos "a igreja dos Tessalonicenses", e não "as igrejas dos Tessalonicenses" (l Ts 1:1).

em Antioquia", e não "as igrejas em Antioquia" (At 13:1 -

V.R.C.). A igreja de Deus toma a localidade como o seu limite! Quando a igreja na casa de certa pessoa é completamente equivalente à igreja daquela localidade, pode ser chamada de igreja na casa dessa pessoa. Todavia, quando a "igreja" na casa de certa pessoa é menor do que a igreja em sua localidade, não pode ser chamada de igreja. Quando você junta as "igrejas" na "casa" de Cefas, na "casa" de Paulo, na "casa" de Apoio e na "casa" de Cristo, não existem quatro igrejas em Corinto, mas sim a igreja em Corinto, no singular. Então se conclui que Deus nunca fez deste tipo de "casa" uma unidade para o limite, para a jurisdição da igreja. Como as quatro casas não são quatro unidades, os cristãos que nelas se reúnem, respectivamente, não podem ser quatro igrejas. Deve ter havido mais de dez mil irmãos em Jerusalém, e é possível que eles se tenham dividido em cem casas para as reuniões (não sabemos o número exato). Como casas desse tipo são menores do que a cidade, menores do que a localidade e menores do que Jerusalém, elas não são suficientes para se tornarem as unidades das igrejas. Portanto, se você juntar as cem casas, não se tornarão cem igrejas. Na Bíblia, só há a igreja em Jerusalém, no singular. Já que as cem casas juntas não podiam tornar-se cem, mas só podiam totalizar uma, isso significa que cada uma das cem não era suficiente para tornar-se uma unidade por si mesma. Se a igreja na casa de Ninfa (Cl 4:15) e a igreja em Laodicéia (versículo dezesseis) não são a mesma, então, ao somá-las, o resultado será duas igrejas. Mas, depois que "as" somamos, Deus diz, em Apocalipse 3:14, a "igreja em Laodicéia", e não as igrejas" ou as "duas igrejas" em Laodicéia. São uma somente. Quando menor do que a localidade, a casa não é suficiente para tomar-se a unidade. Quando equivalente a uma localidade, então é qualificada para tornar-se a unidade. Mas a unidade é a localidade, jamais a casa. Devemos ficar bem claros de que, na Bíblia, a unidade-padrão para a igreja, o limite da igreja, é a cidade ou a localidade. Quando a casa eqüivale à localidade, então podemos dizer "a igreja na casa de Fulano de Tal". Quando a casa é menor do que a localidade, você pode somar um mais um, mas o total será um, não dois. Você pode somar dez mais dez, porém o total não será vinte, será um. Você pode somar cem mais cem, mas o total não será duzentos, será só um. Todos os totais serão um! Através disso, conclui-se que nenhuma das "casas" pode igualar-se com a unidade para o limite, para a jurisdição da igreja. Quem pode mostrar, na Bíblia, que haja duas igrejas em uma localidade? Ninguém! Hoje, só podemos dizer que há duas denominações em uma localidade, quatro seitas numa localidade, ou cem manifestações da carne em uma localidade; mas nunca poderemos dizer que haja duas ou mais igrejas em uma localidade. Podemos dizer que há cem reuniões caseiras em uma certa localidade, mas só pode haver uma igreja nessa localidade. Isso é certo! Por causa da voz de Deus, nos últimos vinte e oito anos, as seitas perderam o seu lugar naqueles que amam ao Senhor, Os irmãos que defendem a divisão da igreja em casas devem estar alerta, suspeitando de que isto vem a ser uma outra forma

Também temos "a igreja

em Jerusalém", e não "as igrejas em Jerusalém" (At 8:1); é "a igreja

de pedir autorização para o ego ou para as seitas. Que Deus possa abrir os olhos de Seus filhos, para verem que aqueles que deixaram as denominações não deixaram necessariamente as seitas. Que Deus tenha misericórdia, pois eu falo honestamente. Todos precisamos examinar seriamente os nossos próprios corações na luz: não é verdade que, de um lado, nós gostamos de rejeitar o pecado do denominacionalismo, e, contudo, por outro lado, também não ouvimos a igreja, e então adotamos o caminho cômodo de ter a "igreja" em casa? Que o Senhor tenha misericórdia de vocês por fazerem isto, e de mim por falar desta maneira. Meu coração está muito triste, porque, ao mesmo tempo em que o Senhor obtém Sua vitória, ainda ocorre tal perturbação. Um pouco da nossa desobediência hoje, se o Senhor adiar a Sua vinda, resultará numa bifurcação no percurso da igreja cem anos depois. Desejaria que os irmãos orassem por nossos irmãos com jejuns, para que Deus possa converter seus corações. Por outro lado, vocês, irmãos, que ainda se comunicam com eles, devem mostrar-lhes o seu amor firme para com eles, a fim de que o Senhor possa ganhá-los. Que o Senhor lhes conceda um coração de temor e tremor, para que saibam o quanto o falar em nome do Senhor requer que eles se despojem de seu "ego", requer que sejam humildes e que não falem, até que vejam e ouçam. Que o Senhor lhes faça ver quão sério é o resultado do proferir uma palavra sem revelação. Uma vez que damos à luz a Ismael, o que é carnal perseguirá o que é espiritual para sempre.

NUNCA DUAS UNIDADES PARA A IGREJA

Algumas pessoas pensam erroneamente. Concordam que o limite, a jurisdição da

igreja, é a localidade, mas, como não estão dispostas a sair das seitas, pensam que

a casa é também um limite da igreja. Pensam que as duas podem viver lado a lado,

sem serem contrárias entre si. Não podem distinguir em que ponto a casa se iguala à localidade, e em que ponto a casa difere da localidade. Quando a casa é o mesmo que a localidade, pode ser o limite da igreja. Quando a casa é diferente da localidade, as duas não podem ser ao mesmo tempo o limite, a unidade da igreja. O ponto-chave está na localidade, no fato de a casa ser ou não igual à localidade. Precisamos saber que, se a casa é a unidade, então a localidade, que é maior do que

a casa, não pode ser a unidade. Como a localidade pode ser a unidade, se ela pode ser dividida em unidades ainda menores? Mas, se reconhecemos a localidade como unidade, como podemos reconhecer a casa também como uma unidade? Sendo a localidade a menor unidade, como pode ela ser dividida em unidades ainda

menores, tais como uma casa? Por exemplo, se o comprimento é representado por uma unidade de medida, que é o metro, então um centímetro não é suficiente para ser a unidade, porque é menor do que uma unidade completa. Se você tomar um centímetro para ser a unidade, o metro já não poderá ser a unidade, porque o metro será então equivalente a cem unidades. Do mesmo modo, se a unidade para

a igreja é a localidade, então as muitas casas nessa localidade não podem ser as

muitas igrejas. Uma localidade com uma casa tem apenas uma igreja; uma localidade com cem casas também tem apenas uma igreja. Com cem casas, não temos cem igrejas. Se a casa é a unidade, então com uma casa há uma igreja, e com cem casas há cem igrejas; daí, então, uma localidade com cem casas jamais poderia ter somente uma igreja. Ambas, a casa e a localidade, são unidades completamente diferentes. Ou tomamos a casa para ser a unidade, ou tomamos a localidade para

ser a unidade. Deve haver uma unidade, mas não podemos ter ambas. A casa e a localidade não podem ser ao mesmo tempo unidades para a igreja. Se a localidade é a unidade, então: 1) A igreja que une várias localidades é

errada; 2) as divisões fragmentárias numa só localidade também são erradas. Mas, se a casa é a unidade, então 1) a igreja que une várias localidades ainda é errada; mas 2) as divisões em uma localidade são certas. Todas as divisões podem esconder-se atrás da palavra "casa". Se a "casa" é a unidade, todos aqueles que

a igreja" (Mt 18:17) podem organizar "igrejas-casas" separadas. A

"igreja-casa" torna-se, assim, um refúgio para todos os facciosos em uma localidade.

Que o Senhor seja misericordioso para com a Sua igreja! Você, portanto, precisa estar claro de que, entre a casa e a localidade, só uma delas pode ser a unidade, e não as duas juntamente. Isto é tal qual a nossa salvação: se não é pela graça, então é pelas obras. Não pode ser pela graça e pelas obras; você não pode ter ambas. De acordo com a Bíblia, assim como a nossa

salvação é pela graça, também o limite, a jurisdição da igreja, é a localidade. Dividir

a igreja numa localidade em muitas "igrejas-casa" é introduzir divisões no Corpo, e

recusam "ouvir

é obra da carne. Acredito que Deus, em Sua grande sabedoria, decidiu ter a localidade como o limite da igreja, a fim de eliminar as obras do homem no sentido de dividir a igreja em uma localidade.

A INTENÇÃO E O RESULTADO

Quando esquadrinhamos a Bíblia para achar evidência e ajuste de algum ensinamento, não devemos verificar somente a intenção do nosso coração, mas também precisamos atentar para o lugar a que este tipo de ensinamento conduzirá os filhos de Deus, e qual será o resultado. Por exemplo, alguém disse que a Bíblia jamais proibiu os cristãos de fumar ópio. Ele falou: "Se você diz que os cristãos não devem fumar ópio, por favor, prove isso através da Bíblia". Sem dúvida alguma, a Bíblia não tem uma declaração escrita proibindo claramente o fumar ópio. Mas devemos dar atenção ao resultado que tal tipo de conversa trará aos filhos de Deus. O resultado não será outro senão fazer com que as pessoas entrem no mundo e satisfaçam as suas concupiscências. Outro exemplo é o batismo. Alguns pensam que, embora a imersão seja correta, a aspersão também serve, e podem dar muitas razões. Mas o resultado destas razões é dizer-nos que o homem pode mudar a Palavra de Deus. Semelhantemente, se alguém diz que pode haver a igreja em uma casa, além da igreja numa localidade, também perguntamos: "Qual será o resultado deste tipo de ensinamento? Poderia haver qualquer outro resultado, além de dar ao povo nessa localidade a liberdade na carne para quebrar a unidade da igreja e conduzir os filhos de Deus ao caminho das divisões? Se em uma localidade há "igrejas-casa", cada uma delas tendo uma administração própria, e todas pensando ser espiritualmente uma, não estão porventura enganando a si mesmas? Se mantivermos tal tipo de ensinamento, quantas divisões adicionais surgirão em uma localidade com as assim chamadas "igrejas-casa"? Agora há um grande número de igrejas denominacionais; mas, se as "igrejas-casa" forem bíblicas, haverá centenas de igrejas numa localidade! É esta a expectativa de alguém que se consagrou ao Senhor e O ama? Todos sabemos que há somente uma igreja. Em nosso país e no exterior, no

passado e no presente, há somente uma igreja. Por haver somente um Cabeça, há somente um Corpo. A igreja é um Corpo com vida; sendo assim, não é certo dividi- lo por qualquer motivo. Devemos enfatizar isto: a igreja é uma, porque o Corpo é um. Portanto qualquer razão para dividir a igreja é pecado. Uma divisão é um pecado, porque ela é um "schism [grego - divisão] no corpo" (l Co 12:25). Porém, embora a igreja seja uma, é impossível que todos os irmãos se reúnam juntos. O tempo e o espaço impedem que todos os irmãos de todo o mundo sempre se reúnam juntos. Além disso, não é prático que a administração da igreja supervisione e dirija os assuntos de todos os irmãos em uma igreja mundial. A Palavra de Deus, portanto, não só o permite, mas também providencia para que a igreja possa ser separada. Para que a igreja (singular) se torne igrejas (plural), Deus decidiu a maneira pela qual, nesta terra, uma única igreja e uma outra única igreja não podem tomar-se uma igreja, porém duas igrejas. Este é o princípio da "localidade", segundo o que a Bíblia revela. Na Bíblia, nenhuma igreja é maior do que a localidade ou cidade; nem tampouco igreja alguma é menor do que a localidade ou cidade. Uma localidade é o lugar onde as pessoas se juntam e moram juntas. Desde que a localidade é um lugar onde as pessoas se juntam e moram juntas, ela é, segundo a Bíblia, o limite da igreja. As pessoas que moram juntas em uma localidade podem ser independentes de outras localidades. Não é uma questão de número de pessoas (cristãos), mas é questão de localidade. A razão de se separarem não se baseia no amor, mas na localidade. A razão pela qual Deus permite que a igreja esteja separada é a localidade. Qualquer outro tipo de separação é pecado. Vocês cometerão pecado, se vierem a separar-se de seus irmãos por quaisquer outras razões que não sejam a localidade. Na Bíblia, há somente a diferença da localidade, que não é diferença em natureza. A diferença da localidade é a grande sabedoria de Deus. Estou em Xangai, e você está em Soochow', mas, quando ambos chegamos a Nanking, não haverá problema de diferenças. Além do limite da localidade, não deve haver absolutamente nenhum outro limite. Na igreja, Deus só permite que nos dividamos de acordo com o princípio da localidade. Sem dúvida, a igreja é uma; assim, como pode haver muitas igrejas? Só pode ser devido à diferença de localidade. Porque temos nosso corpo na carne, estamos natural- mente restringidos por limites geográficos. Qualquer diferença devida a nomes, qualquer diferença devida a sentimentos humanos, ou qualquer outro tipo de diferença é nocivo à natureza da igreja. Só a localidade não fere a natureza da igreja. Isto fará com que os irmãos e os outros sejam incapazes de escapar da localidade. Você pode ser capaz de fazer o que quiser, mas não está qualificado a estabelecer uma igreja de acordo com sua preferência. Quando você vir que a base da igreja é local, não haverá razão alguma para a existência de quaisquer seitas. A questão da localidade corta a carne do homem até à parte mais profunda. Agora deixem-me repetir o que disse até aqui acerca da natureza da igreja. Qualquer motivo para dividir a igreja causa danos à sua natureza, isto é, transforma a unidade da igreja em desunião. Pelo fato de estarmos no corpo humano, só a razão geográfica poderia dividir-nos, sem causar danos à natureza da unidade da igreja. Deus, por conseguinte, decidiu ter a localidade como limite da igreja sobre esta terra. E também decidiu que, em uma localidade, só deveria haver uma igreja a expressar a unidade da igreja celestial. Precisamos também ver a razão espiritual de dividir a igreja por localidades. Assim poderemos compreender se o princípio praticado hoje de dividir a igreja por casas é de Deus ou não. A maneira de dividir por casas os santos em Jerusalém é bíblica. Devido ao grande número de pessoas — uma razão física — estavam divididos

em muitas reuniões caseiras. Mas a igreja ainda era uma, "a igreja (singular) em Jerusalém". Mas, atualmente, a maneira de dividir por casas é uma maneira de dividir

a igreja em muitas igrejas em uma localidade. Não se deve à razão física; tampouco se deve à razão geográfica; nem mesmo se deve a grandes distâncias, que tornam difícil que as pessoas se ajuntem; não se-deve a uma grande multidão sem lugar suficiente que acomode a todos; não se deve ao fato de haver tanta gente, que

cuidar de todos seria impossível, e não se deve a grandes distâncias que tornam difícil

a administração; todavia estão divididos em muitas igrejas. Portanto a razão de dividir

as pessoas em muitas igrejas deste modo pode causar danos à natureza da igreja. Divisões sem exigências geográficas ou físicas são espirituais, ferindo a unidade espiritual. Tal tipo de divisão não é exterior e limitada, mas interna e espiritual. Qual- quer divisão que não se deva a uma razão geográfica ou física é, interiormente, uma divisão real, básica e espiritual. Esse tipo de divisão, portanto, é uma divisão na verdadeira natureza, na essência, arruinando a unidade espiritual. Logo isso é muito sério. Desde que vimos pela primeira vez a luz concernente à

unidade do Corpo de Cristo, há vinte e oito anos, atravessamos muitas ondas de adversidade. Mas creio que jamais passamos por uma mais séria e mais ambígua do

que o ensinamento relativo à ."igreja-casa". Esta é a primeira vez que pessoas se

opõem à verdade concordando com ela

Como

somos todos pessoas que servem a

Deus, imploro-lhes que busquem a Sua luz. Não propaguem uma voz de confusão na igreja de Deus, mas, ao contrário, livrem-se do sectarismo de seus corações. Não devemos empurrar a unidade da igreja inteiramente para o lado "espiritual",

dizendo: "Somos um na vida! Somos um espiritualmente!". Irmãos, quando não vivemos juntos na mesma cidade, ainda podemos cobrir-nos com palavras espirituais e esconder completamente a desunião com a "unidade espiritual". Mas, agora, já que todos vivemos na mesma cidade e estamos na mesma localidade, é concebível que não expressemos ou demonstremos a nossa unidade? Já que não há fatores geográficos

e físicos para nos dividir, não é este o momento para demonstrarmos que somos uma

igreja? Por que em um tempo tão oportuno, quando nos é possível mostrar nossa unidade, deveria surgir esta diferente "igreja-casa"? Esta "casa" representa a unidade, ou separação e seita? Ó Senhor, tem misericórdia de nós. Não me atrevo a dizer de onde procede o ensinamento acerca da "casa". Mas temo que o irmão que fala sobre isto não tenha visto o pecado da seita. Esta "casa" está a meio caminho da seita; não é uma rejeição completa da seita. Faz com que aqueles que deixaram as denominações não deixem as seitas. Temo que alguns que não estão dispostos a serem restringidos pelo Corpo, que só conhecem sua ação individual, seu viver individual e seu trabalho individual, apreciem tal tipo de conversa sobre a "igreja-casa". Aqueles que não desejarem ouvir a igreja, mas desejarem estabelecera igreja, valorizarão tal tipo de "doutrina". Que o sangue do Senhor me cubra por falar assim. Acho, contudo, que a humildade é proveitosa para muitos; não andar no nosso próprio caminho é proveitoso aos filhos de Deus. Finalmente, este tipo de "casa" não é a casa referida nas Escrituras. Este tipo de "casa" é uma seita. Uma seita disfarçada. Este tipo de "casa" faz as pessoas se dividir, mas nunca se unir. Este tipo de "casa", ao mesmo tempo em que fere a natureza da igreja, não permite que esta ferida seja revelada. Este tipo de "casa" aperfeiçoa a muitos que são individualistas, a muitos que não querem ser restringidos e a muitos que se deliciam com ser "líderes". Que o Senhor tenha misericórdia de mim por falar desta maneira e tenha misericórdia das Suas igrejas, para que não sejam feridas.

CAPÍTULO TRÊS

O CONTEÚDO DA IGREJA

(Palestra proferida aos irmãos em Xangai, a 4 de dezembro de 1950, publicada em "A Porta Aberta", a 1° de março de 1951).

Gostaria de falar-lhes um pouco mais sobre o problema da igreja. Esta deve ter tanto a autoridade do Espírito quanto a unidade da localidade. A base da localidade, todavia, não é um assunto tão simples, pois a igreja ainda precisa do seu conteúdo. Sem conteúdo, ela ainda não pode ser reconhecida como uma igreja local. Estar certo quanto ao nome é uma questão muito importante, mas isso não quer dizer necessariamente que não haja problemas. Por isso é que eu gostaria de ver, na Bíblia, junto com vocês, irmãos, os vários requisitos de uma igreja em uma localidade. Dizer simplesmente que estamos posicionados sobre a base da localidade não é suficiente. Além de posicionar-nos sobre a base da localidade, deve haver os requisitos, as condições e o conteúdo da igreja. Se tais requisitos e condições não são satisfeitos, então ainda não estamos posicionados sobre a base da localidade.

1. RECEPTIVA

Antes de tudo, se uma igreja está realmente posicionada sobre a base da localidade, conforme se apresenta na Bíblia, ela tem de receber todos aqueles a quem o Senhor recebe. Romanos 15:7 diz: "Portanto acolhei-vos uns aos outros,

como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus". Vemos aqui uma coisa: o acolher dos cristãos se baseia no acolher de Cristo, isto é, devemos nos acolher uns aos outros como também Cristo nos acolheu. Em outras palavras, não poderemos rejeitar aqueles a quem Cristo recebe. Hoje, se um pecador foi recebido por Cristo, então temos que recebê-lo como irmão. Se há um homem a quem Cristo acolheu, e, ainda assim, não o acolhemos, imediatamente nos tornamos uma seita, não uma igreja. O que é uma igreja? Uma igreja significa que, em uma localidade, todos aqueles a quem Cristo recebeu nós também recebemos. Deus não pediu a vocês, que moram em Xangai, que recebessem os irmãos residentes em Nanking ou os irmãos de Chungking, mas pediu-lhes que recebessem os irmãos de sua localidade. Devem receber todos aqueles a quem Cristo recebeu. Quando desejo saber se uma igreja é ou não a igreja em Tientsin, tudo o que devo fazer é ver se ela recebe todos os salvos residentes em Tientsin. Suponhamos que os irmãos em Tientsin queiram ser seletivos: só desejam receber determinado tipo de pessoas recebidas por Cristo, mas não a outro tipo de pessoas a quem Cristo também recebeu. Então, tal não é a igreja. Vocês não podem dizer que recebem somente aqueles que são iguais a vocês e rejeitam os que não são iguais. Não podem, por razão alguma, deixar de receber alguém a quem o Senhor recebeu! Caso contrário, não são a igreja.

"Acolhei ao que é

débil

na

porque Deus o acolheu" (Rm 14:1, 3).

Suponhamos que haja alguém que só coma legumes. Você, pode considerá-lo muito fraco. Mas o nosso acolhimento não está baseado no fato de o irmão ser forte ou fraco, mas no fato de Deus o haver recebido ou não. Talvez seja um irmão fraco, mas mesmo assim você precisa recebê-lo. Deus já o recebeu, seja ele fraco ou forte;

portanto você não pode fazer outra coisa, a não ser recebê-lo também. A comunhão fundamental de uma igreja em uma localidade está baseada na comunhão com Deus. Um irmão a quem Deus já recebeu nós também temos de receber. Não podemos ter razão alguma para rejeitá-lo; caso contrário, seremos uma seita, e não uma igreja. Noutras palavras, que é uma igreja? É que o nosso acolher em uma localidade é tão amplo quanto Deus, e também tão rigoroso quanto Deus: todos aqueles a quem Deus recebe, nós recebemos; e todos aqueles a quem Deus não recebe, nós tampouco recebemos. A igreja universal é aquela que recebe todos aqueles a quem Deus recebeu, no mundo inteiro; uma igreja local é aquela que recebe todos aqueles recebidos por Deus numa localidade. Não importa quão diferente um irmão seja de nós, ou quanto lhe falte para chegar ao nosso padrão; há somente um requisito para o acolhermos — isto é, Deus o acolheu? Se Deus já o recebeu, também nós devemos fazê-lo! Portanto uma igreja local — devemos, antes de tudo, estar bem claros quanto a isso — precisamos tomar a vida de Cristo e a f é em Deus como a base para receber cristãos. Fora disso, não temos nenhuma outra exigência. Se fazemos outras exigências, ou certos requisitos, somos uma seita igual a qualquer outra, e uma seita é condenada; portanto isso é um assunto muito sério.

II. EXERCENDO DISCIPLINA

Isso quer significar que devemos receber todos os cristãos de uma localidade sem reserva alguma? Não! Uma igreja em uma localidade deve não apenas receber todos aqueles a quem Cristo recebeu nessa localidade, mas também deve exercer a disciplina da igreja. Que é a disciplina da igreja? Quando um irmão, que foi recebido pelo Senhor, comete algo, de modo que o próprio Senhor o exclui da comunhão, nós também exercemos disciplina sobre ele. Você não deve dizer que queremos todos os que o Senhor quer e também todos os que o Senhor não quer. Se Ele coloca certa pessoa no mundo, e ainda assim você a coloca na igreja, você abre na igreja uma porta para o mundo. Conseqüentemente, não haverá uma linha demarcatória entre a igreja e o mundo: a muralha que há entre os dois foi derrubada por você. Sempre usamos esta ilustração: Quando um barco está no mar, o barco e o mar não podem ter comunhão. Tão logo começam a ter comunhão, mais cedo ou mais tarde, o barco afundará. Do mesmo modo, se você fizer um furo na igreja, a linha de separação entre a igreja e o mundo desaparecerá. A igreja local, portanto, deve exercer disciplina; deve haver ação disciplinar, para tornar-se uma igreja local. Que é ação disciplinar? Primeira Coríntios 5 menciona seis diferentes tipos de pessoas salvas e que tinham a vida de Deus. Mas, de um modo especial, eles desleixaram, tornando-se respectivamente fornicador, avarento, idolatra, maldizente, beberrão e roubador. Paulo disse-lhes (à igreja em Corinto): "expulsai, pois, de entre vós o malfeitor" (l Co 5:13). A ordem de l Coríntios 5 não diz que, assim que um irmão peque, vocês devem expulsá-lo de seu meio. Contudo o que realmente diz é que, quando um irmão se torna /a/pessoa, aí então, vocês devem expulsá-lo. Não diz: aquele que comete fornicação, mas sim "um fornicador"; não um irmão que maldiz, mas sim "um maldizente". Quando um homem se torna tal pessoa, a igreja deve expulsá-lo, deve excomungá-lo. Aquele a quem o Senhor não quer na igreja, você também não deve querer naquela localidade. Se vocês, em sua localidade, conservarem alguém que o Senhor não quer, essa retenção causará sérios

problemas. O Senhor disse que tal pessoa é como um pouco de fermento que leveda toda a massa (l Co 5:6). Dentro de pouco tempo, a igreja inteira ficará mofada. A igreja inteira já não será mais a farinha pura, mas o fermento. A igreja, portanto, precisa ter disciplina. Além disso, ela sabe que tipo de pessoa um irmão é. Isso se reflete nas palavras da irmã M. E. Barber: "A unidade da igreja é a voz do Espírito Santo". Se todos os irmãos sentem que um irmão é tal pessoa, então ele com certeza é tal pessoa. Você não pode dizer que todos os irmãos o entenderam mal. Uma igreja local, por conseguinte, deve executar a disciplina de Deus em sua localidade. Além disso, a Bíblia revela-nos que a igreja exerce disciplina não só no aspecto moral, mas também no aspecto doutrinário. O Senhor, todavia, não deseja que exerçamos disciplina com relação a doutrinas vulgares. Alguns, por exemplo, guardam o dia do Senhor, enquanto outros guardam o sábado (isto não se refere aos Adventistas do Sétimo Dia, que estão retornando à lei). Isso não devemos discutir. Alguns guardam ambos os dias; isso tampouco deveríamos discutir. Alguns irmãos comem legumes, e outros comem carne; tampouco devemos discutir isso. Há um tipo de doutrina que obrigatoriamente devemos discutir, e isto se refere à Pessoa do Senhor

Jesus. Isso está mencionado em 2 João 7-11: "Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo f ora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne: assim é o enganador

e o anticristo tem Deus

nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más." Aqui, penso eu, está muito claro que uma igreja em uma localidade deve guardar a Pessoa do Senhor Jesus. Se o Senhor Jesus não é Deus vindo em carne, se é somente carne, então não é Deus; sendo assim, o Senhor Jesus não poderia ter realizado a redenção por nós, e a igreja estaria basicamente anulada. A igreja, conseqüentemente, deve ser rigorosa, e de maneira alguma desleixada e tolerante em qualquer coisa que se relacione à Pessoa de Cristo. Se alguém pregar um ensinamento diferente sobre a Pessoa do Senhor, não o receba em sua casa, nem

tampouco lhe dê as boas-vindas. Caso contrário, a igreja perderá sua base. Se não há disciplina, ela perde a sua qualificação de igreja. Logo, a confusão moral é errada e proibida pela igreja; a confusão doutrinária também é errada, e não é permitida pela igreja. Todavia de modo algum pense que isso se refere a doutrinas vulgares. Se a igreja se preocupa com doutrinas vulgares, toda ela será derrotada, dividida em pedaços. Não deveremos discutir doutrinas vulgares. Devemos somente combater as doutrinas relativas à Pessoa de Cristo. Aqui, a igreja precisa exercer disciplina; doutra sorte, ela estará acabada. Mateus 18:15-17 diz: "Se teu irmão pecar [contra til, vai argüi-lo entre ti e ele só

se, porém, não te ouvi toma ainda contigo uma ou duas

atender, dizei-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio Algumas igrejas são muito preguiçosas e não se preocupam em tratar com assuntos problemáticos. Todavia, aqui, o Senhor disse que a igreja deve cuidar dos assuntos disciplinares. O ensino do Senhor aqui se refere à igreja local, lugar onde podemos contar nossos problemas. A igreja numa localidade deve cuidar de tais assuntos. Se uma igreja local não o faz, está negligenciando seu dever. Se vocês são a igreja em uma localidade, devem assumir toda a responsabilidade nessa localidade.

Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece, não

Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa,

E,

se ele não os

III. INCLUSIVA

Além disso, a questão mais importante para a igreja em uma localidade é que ela deve ser inclusiva, não exclusiva. O que a igreja deve incluir tem dois aspectos:

o da conduta e o da doutrina. Primeiramente, vamos considerar o aspecto da

conduta cristã, que a igreja não deve excluir. Em Atos 20:27, Paulo disse aos presbíteros de Éfeso: "Porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus" ou "nunca deixei de anunciar-vos a perfeita e completa vontade de Deus". Se a igreja em uma certa localidade está firmada na posição de igreja, não pode deixar de declarar a perfeita e completa vontade de Deus. Não podemos esperar que um irmão alcance a perfeita e completa vontade de Deus, mas pelo menos, como Paulo, não podemos rejeitar ou deixar de anunciar nenhuma verdade referente a esta vontade perfeita e completa. Assim que vocês evitarem algo, imediatamente se tornarão uma seita. Porque não são capazes de incluir todos os filhos de Deus, vocês excluem aqueles que acreditam naquilo que vocês deixam de anunciar.

é o Seu Corpo, a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as

A "igreja

coisas" (Ef 1:22-23). O Senhor enche a igreja universal; o Senhor também enche a

igreja local. Se uma igreja local tem só uma parte de Cristo, não é a igreja. A igreja

é o Corpo de Cristo, o que significa todo o Cristo. Por exemplo, se minha cintura fosse de noventa e oito centímetros, e você me desse uma roupa com uma cintura

de setenta e cinco centímetros, eu não poderia usá-la. A roupa deverá ser suficientemente grande, para que eu possa usá-la. O relacionamento entre a igreja

e Cristo é igual ao corpo e a vida, e não como o relacionamento entre a roupa e o

corpo. Às vezes, você pode forçar um pouco a roupa para que se ajuste ao corpo; mas você jamais poderá forçar o corpo a conter a vida. Deve haver um corpo que seja completo, a fim de incluir plenamente toda a vida de Cristo. Só quando a plenitude do Senhor for colocada na igreja em Xangai é que esta poderá ser chama- da de igreja em Xangai. Suponhamos que a igreja permita que haja uma certa coisa, mas não permita uma outra. Então ela carece de algo. Pelo fato de o Cristo dessa porção que vocês não querem não poder ser incluído entre vocês, vocês não

estão perfeitamente completos. Essa porção fica inutilizada. Isto é muito importante.

A igreja está cheia da plenitude de Cristo. Desde que ela é o Corpo de Cristo, e

Cristo precisa revestir-Se dela, esta tem que ser suficientemente grande, para que possa revestir Cristo. A igreja precisa ter um invólucro suficientemente grande, para que Cristo se encaixe nele. Se não tiver tudo que a Sua vida possui, não poderá expressar o Cristo completo e não poderá ser chamada de igreja. "Da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus" (Cl 1:25). Dentro da igreja, deve haver a plena Palavra de Deus. A Sua Palavra deve ser cumprida na igreja. Após ler essas palavras, talvez você não compreenda o seu lado prático. Que significa ter a Palavra de Deus e todos os tipos de conduta bíblica cumpridos na igreja? Que significa dizer que uma igreja local deve ser inclusiva e não exclusiva? Vem à tona, por exemplo, o assunto dos dons espirituais, sobre os quais temos falado nestes dias. Dizemo-nos ser a igreja em Xangai; mas suponhamos que os irmãos daqui não acreditem em dons espirituais. Isso está correto? Não! A igreja não pode deixar de crer em dons espirituais, porque na Bíblia há dons espirituais. No momento em que vocês não acreditam em dons espirituais, não podem ser a igreja

em Xangai. Só podem ser chamados "uma igreja em Xangai que não acredita em dons espirituais". A sua falta em não crer nos dons espirituais faz com que vocês não sejam inclusivos, mas exclusivos para com certos irmãos. Suponhamos que haja vinte irmãos em Xangai que acreditam em dons espirituais. Uma vez que vocês recusam acreditar em dons espirituais, não podem incluí-los, e os marginalizam. Como eles são membros do Corpo de Cristo, o fato de vocês os excluírem talvez não seja como amputar uma das mãos, mas pelo menos é como amputar um dedo. Vocês, por conseguinte, não podem dizer que essa igreja está cheia da plenitude de Cristo. Vocês não cumpriram a Palavra de Deus. Amputaram uma parte de Cristo. Tomemos uma questão mais importante, tal como vender tudo para seguir o Senhor. Suponhamos que os irmãos em Xangai não acreditem no vender tudo, mas em trabalhar diligentemente para ganhar dinheiro e tirar uma certa porcentagem para dar aos pobres. Se cem irmãos em Xangai fossem movidos pelo Espírito do Senhor a vender tudo e segui-Lo, sentiriam não haver lugar para eles nessa igreja. Como vocês não têm meios de incluí-los, são exclusivos em relação a eles. Mas vender tudo para seguir o Senhor também é uma parte da vida de Cristo. Se vocês não podem incluir os irmãos que têm essa porção de vida, mas os marginalizam, percebam que essa igreja é demasiadamente pequena e defeituosa. Isso é exatamente como a amputação de uma das mãos ou de um dos pés. Como pode a igreja não ter o que Cristo tem? Se a igreja não aceita aquilo que Cristo tem, não pode permanecer na posição de igreja. Assim vocês são uma seita, não uma igreja. Uma igreja deve incluir a plenitude de Cristo. O resultado será que essas cem pessoas se tornarão uma "igreja que vende tudo para seguir o Senhor", e, assim, mais uma seita será gerada. Vocês não são completos, tampouco eles. Sua doutrina não é suficiente para incluí-los, e a deles não é também a perfeita e completa vontade de Deus. Vocês os amputam, e eles os amputam como a outra parte. Uma igreja local, portanto, tem de incluir todos os tipos de filhos de Deus que buscam o Senhor. Deve ser capaz de incluir todos os irmãos que vendem tudo, como também os que não vendem tudo. Tudo o que não está na Bíblia, não podemos incluir; caso contrário, incluiremos o mundo. Mas tudo o que está na Bíblia, devemos incluir; doutro modo, separaremos e excluiremos alguns filhos de Deus. "Conservando-o (o campo), porventura, não seria teu?" (At 5:4). Está evidente que, enquanto não era vendida, a propriedade podia continuar sendo dos seus donos. A Bíblia nos mostra que aqueles que nada vendiam ainda podiam ser cristãos. Se um certo grupo não crê que devem ser aceitos os que não vendem seus bens, tal grupo é uma "família" — como foi praticado por alguns cristãos na China — mas não a igreja. As denominações, em geral, não exigem que todos vendam tudo o que possuem, mas a "família" exige; portanto todos eles não são a igreja. Qualquer coisa que exclua uma parte dos filhos de Deus é exclusiva e sectária. O melhor para os irmãos em todo o lugar seria tomarem o caminho da perfeição. Se, todavia, você não for capaz de escalar este caminho, de modo algum impeça os outros de o fazerem. Somente assim poderemos ser inclusivos e ser chamados de igreja. O melhor para todos os servos de Deus é escalarem este caminho. Caso não sejamos capazes, devemos deixar que outros tomem o caminho. O que a Bíblia permite, também devemos permitir; o que a Bíblia não permite, nós tampouco devemos permitir. Nós mesmos devemos subir cada vez mais alto. Devemos ter a esperança de subir cada vez mais alto. Não importa quão difícil seja o caminho; precisamos trilhá-lo. Mas, em caso de não conseguirmos, ainda assim deveremos deixar que outros irmãos o trilhem. Jamais deve ocorrer o fato de a igreja ter o que

você tem e não ter o que você não tem. Por você não ser suficientemente grande, não está apto a ser a base de uma divisão. Andrew Murray disse certa vez: "Nós, que somos servos do Senhor, mais cedo ou mais tarde teremos que pregar palavras que nós mesmos não somos capazes de cumprir". Eu jamais deverei impedir os outros de ir em frente só porque não posso prosseguir. A igreja em uma localidade deve ter essa tolerância, para que possa permanecer na posição de igreja. Talvez pareça estranho, mas isto é um fato. O andar de Paulo concordava com tudo o que pregava. Mas, pessoas como nós, mesmo que não sejamos capazes de ir em frente adequadamente, ainda assim precisamos pregar. Outro exemplo é o dos irmãos que usam medicamentos quando estão doentes. Têm base bíblica para fazê-lo, pois Lucas continuou sua profissão de médico depois de salvo. Durante a doença, é certo tomar-se alguma coisa para ajudar o corpo. Mas alguns irmãos dependem somente do Senhor, e não tomam medicamento de modo algum. A atitude correta da igreja é incluir os dois. Se os irmãos puderem crer na cura divina sem ajuda de médico ou medicamento, tal é o ideal. Se alguns irmãos, por lhes faltar fé, consultam um médico e tomam algum medicamento, não há problema. Se um grupo de irmãos acredita na ciência e pensa que seja exagero não tomar medicamento, e por isso rejeita os outros, imediatamente se poderá ver que esse grupo de irmãos é exclusivo para com alguns irmãos, e os rejeita. Não devemos, todavia, ir ao outro extremo, insistindo em não ir ao médico nem em tomar medicamentos. Se assim fizermos, aqueles que carecem de fé morrerão. No lado oeste do Egito, ao longo do Sudão, prevalecia seriamente a malária. Muitos irmãos, que criam na cura divina, foram para lá e diziam: "O quinino é medicamento, não o tomaremos". Como resultado, a cada ano, de um grupo de cem, dezenas morriam. Mas um outro grupo de irmãos falou: "Num lugar como este, o quinino é alimento, e não medicamento". Conseqüentemente, poucos dentre cem morriam a cada ano. Sem dúvida, isto prova que a proposta do primeiro grupo estava errada. Basicamente, nossa atitude deve ser: não aceitar aquilo que a Bíblia não permite; mas aceitar aquilo que ela permite. Essa é a maneira de ser inclusivo, e não exclusivo. Não devemos dizer que precisamos depender dos medicamentos. Se assim falarmos, os que acreditam na cura divina irão embora. Também não devemos insistir em não tomar medicamentos; caso contrário, os fracos na fé irão embora. Uma igreja deve ser inclusiva, e não exclusiva. Todas as seitas são o resultado do fracasso havido nesse aspecto. Devemos, portanto, voltar a isso nossa atenção. 4) Com relação à questão da santidade, muitos dos filhos de Deus acreditam que, uma vez que crêem no Senhor, são perfeitos. Outros dos filhos de Deus acreditam que ainda precisam de uma segunda bênção, para que possam ser perfeitos. Na Bíblia, alguns foram aperfeiçoados ao serem abençoados, mas alguns também foram abençoados uma segunda e uma terceira vez, e, então, alcançaram a perfeição. Pelo fato de alguns do grupo dos "Irmãos" crerem na perfeição através de serem abençoa- dos uma única vez, os do grupo da "Santidade" irão embora, porque acreditam firmemente que só após uma segunda bênção é que se alcança a perfeição. Por causa de sua absoluta crença na segunda bênção para alcançar a perfeição, aqueles que estão no grupo dos "Irmãos" irão embora, pois crêem na perfeição através de serem abençoados uma única vez. Se uma igreja selecciona apenas os trechos das Escrituras em que acredita, automaticamente não está firmada na posição da igreja, mas, de fato, na posição de uma denominação. Nós pregamos ambas — a doutrina da perfeição por ser abençoado uma vez, e a doutrina da perfeição por receber uma

segunda bênção. Levamos as pessoas a ser aperfeiçoadas através da primeira bênção, e também levamos as pessoas a ser liberadas, recebendo uma segunda bênção. Logo a possibilidade de surgirem mais seitas e divisões no futuro depende do fato de vocês reservarem ou não um lugar para todos os filhos de Deus. Se não reservarem um lugar para todos os filhos de Deus, serão uma seita.

Mencionarei, agora, várias questões externas. Por exemplo: o cobrir a cabeça está definitivamente na Bíblia. Hoje, a igreja deve ser absolutamente a favor do cobrir a cabeça. Mas, se alguns irmãos ainda não viram isso, devemos tomar a atitude de Romanos 14, e esperar que eles o vejam, porque devemos receber aqueles aos quais o Senhor recebe. Embora não vejam agora, esperamos que o vejam no futuro. Com referência a tudo o que está na Bíblia, a igreja só pode firmar-se no lado positivo, e não no lado negativo. Se alguns ainda não viram a questão do cobrir a cabeça, a igreja só pode dizer que, apesar da sua fé fraca, os receberá também. Se uma irmã cobre a cabeça e a igreja não a recebe, ela sentirá que a igreja não é dela e, por isso, irá embora. Então vocês forçarão o surgimento de uma seita dos que cobrem a cabeça. Se firmarem na posição de não favorecer o cobrir a cabeça, e de não permitir que as

irmãs o façam, vocês não serão a igreja. O receber os santos não se baseia no fato de cobrir ou não a cabeça. Se o acolher o irmão estiver baseado no fato de cobrir

a cabeça, e não no acolhimento de Cristo, as irmãs que o fazem sentirão que tal

igreja não é delas. Precisamos, portanto, ver claramente que devemos ficar com a

Bíblia, de acordo com o que está nela. Se há alguns capazes de alcançar esse nível, devemos suportá-los com paciência.

A questão da imposição de mãos é também encontrada na Bíblia. Alguns irmãos

não podem concordar

O CONTEÚDO DA IGREJA

69

com isso; todavia não os forçamos. Se não praticamos isso, que está na Bíblia, alguns irmãos nos deixarão. Então os que se opõem à imposição de mãos são uma seita, a seita dos "não impositores de mãos". Se vocês quiserem permanecer na posição de igreja, devem aceitar tudo que estiver na Palavra de Deus.

O batismo é o problema mais discutido. Por que tem havido tanta discussão sobre

este assunto durante os últimos séculos? É porque alguns trouxeram coisas do Catolicismo Romano para o Protestantismo. Pelo fato de o Catolicismo Romano

aspergir água sobre a cabeça das pessoas, muitas igrejas protestantes seguiram

o mesmo caminho.

Originalmente, é provável que ambas as partes tenham tido muitas discussões, até que cada um tomou seu próprio caminho. Diante de qualquer mandamento da

Bíblia, se a igreja não ficar firme no lado positivo, a fim de preservar o que se encontra na Bíblia, estará criando uma seita.

O partir do pão, na Bíblia, significa que se lembre o Senhor no primeiro dia de cada

semana. Se algumas igrejas não o praticam de acordo com a Bíblia, os que desejam

lembrar o Senhor com mais freqüência terão de ir embora.

O lavar os pés também está na Bíblia. Alguns radicalmente se opõem a este assunto,

e o reduzem a nada por meio de seus ensinamentos. Em conseqüência, os que

desejam obedecer à ordem do Senhor no que se refere ao lavar os pés, terão de

sair.

Entre os filhos de Deus, alguns são mestres, alguns enfatizam a vida mais profunda, e outros, a pregação do evangelho. Alguns irmãos são tão zelosos na pregação do evangelho, que desprezam os que enfatizam a vida mais profunda; e, alguns, que enfatizam a vida mais profunda, desprezam os que pregam o evangelho. Você me despreza, e eu o desprezo. Imediatamente, surgem as divisões. Darei um outro exemplo: Alguns irmãos dão ênfase ao pregar por inspiração. Obviamente, isso não é comum. Prega-se pela inspiração que vem dos dons espirituais. Isto é muito bom. O profetizar mencionado em l Coríntios 14 é desse tipo. Tais irmãos são absolutamente contrários à exposição da Bíblia. Mas não está isto na Bíblia? Na Bíblia, há os que pregam o evangelho, e há os que são mestres. Se os irmãos desaprovam a exposição da Bíblia, os que estudam a Bíblia acharão tal fato insuportável, e os que são mestres terão de ir embora. Mas, se a igreja só crê no ensino através da exposição das Escrituras, os que acreditam na inspiração não poderão tolerá-lo. Como resultado, haverá divisões. Toda a dificuldade é que somos demasiadamente pequenos. Nosso coração não é suficientemente amplo perante o Senhor, nem tampouco nossa pessoa. "Quero isto, mas não quero aquilo; a igreja deve ser dirigida de acordo com a minha idéia". Por favor, lembre-se: a igreja deve ser dirigida de acordo com a vontade do Senhor, e não de acordo com a sua idéia, porque você é muito pequeno. Sempre há alguns irmãos melhores do que você em certos aspectos; não pode dizer que é superior a todos os irmãos. Sempre há alguns irmãos e irmãs que estão acima de você em alguns pontos. Você não pode correr à frente de todos eles. Precisamos aprender a receber os pontos bons de todos os irmãos, porque só o Senhor é equivalente a uma igreja. Somente quando a igreja inteira for juntada, é que ela se igualará ao único Senhor. Ainda que tenha recebido misericórdia especial do Senhor, você só pode ser equivalente a uma parte; não pode ser equivalente a todos os irmãos. Se pode eqüivaler a dois ou a vinte irmãos, isso já é misericórdia especial do Senhor. Mas, se pensa que é igual a toda a igreja, que tipo de orgulho é este? Como você pode fazer com que todos os irmãos sejam iguais a você? Se cada irmão ou irmã for como você, a igreja não terá futuro algum. Os irmãos e irmãs devem ser melhores que você em muitos aspectos. Falta equilíbrio à igreja, quando ela dá atenção a uma coisa somente. Quando você enfatiza uma coisa, outro irmão salienta uma outra, e mais outro irmão ressalta outra ainda; isso representa desenvolvimento para toda a igreja. Mas, assim que você tomar a dianteira da igreja, ela estará acabada. Admito que você seja melhor do que muitos irmãos, mas você jamais poderá ser igual a todos os irmãos. Só o próprio Senhor é igual a toda a igreja, não você. Mesmo o irmão mais novo pode enfatizar algo que você não enfatizou. A virtude de alguns irmãos é o amor, mas nem todos os irmãos têm o amor como virtude principal. Se todos virmos isso, a igreja poderá crescer equilibradamente. 12) Se uma determinada igreja, por exemplo, deseja guardar o "Natal", os que servem a Deus fielmente terão que seguir por outro caminho; não há absolutamente nem "Natal" nem "Páscoa» (a que é celebrada pelo Cristianismo) na Bíblia. Se a igreja guarda tais ocasiões, imediatamente se verá que ela não vai bem. Há muitas outras coisas que não se encontram na Bíblia, tais como os ídolos do Catolicismo Romano. Se você se render a elas, os problemas virão imediatamente.

Vários Princípios Básicos

Resumindo os pontos acima mencionados, encontramos vários princípios básicos. Primeiro: a igreja deve firmar-se no lado positivo de tudo aquilo que está na Bíblia,

e tolerar também o lado negativo. Se alguns são fracos e não se acham capazes de

alcançar o que está na Bíblia, a igreja precisa suportá-los com paciência. Segundo: com relação a determinadas verdades, a Bíblia apresenta dois lados, como já mencionamos em relação à doutrina da santidade. Assim também a igreja deve ter dois lados. Ter só um deles gerará uma seita. Terceiro: tudo o que a Bíblia não tem, a igreja deve rejeitar completamente. Caso contrário, todos os que seguem ao Senhor fielmente irão embora, quando virem a igreja contendo o que a Bíblia não tem.

De qualquer forma, com relação a tudo o que a Bíblia tem, precisamos firmar-nos no lado positivo. Para qualquer assunto em que a Bíblia permite dois lados, devemos firmar-nos em ambos. E tudo o que ela não tem, devemos rejeitar. Quarto: em tudo o que a Bíblia dá liberdade às pessoas, também devemos dar, como, por exemplo, guardar o dia do Senhor ou o dia do sábado. Isso não significa que a Bíblia não creia no dia do Senhor, mas sim que os fracos ainda acreditam no dia do sábado. Ainda são judeus. A Bíblia claramente aprova o comer carne; mas, se alguns defendem comer legumes, a igreja deve permitir que o façam. O guardar o sábado não se refere aos Adventistas do Sétimo Dia de hoje. Estes estão envolvidos com a questão da lei; é todo um sistema. Isso é totalmente contrário ao livro de Gaiatas, e é uma heresia não encontrada na Bíblia. A igreja que inclui todos os filhos de Deus pode ser reconhecida como a verdadeira igreja. Se vocês dão especial atenção a alguma doutrina, ou muita ênfase a certa coisa, se rejeitam determinados tipos de ensinamento e excluem o restante dos filhos de Deus, não podem ser considerados como igreja. Vocês não podem ser a igreja, se não forem inclusivos. Com esta capacidade de inclusão, vocês começarão a perceber que podemos ser irmãos e irmãs juntamente com todos os filhos de Deus. Podemos ficar juntos com qualquer um que ama o Senhor. Os irmãos responsáveis, portanto, devem crescer diante do Senhor, de modo a poderem atingir o grau mais elevado e mais perfeito. Permitam-me repetir mais uma vez: se vocês ainda não atingiram o grau mais elevado, o seu coração deve ser suficientemente grande, de modo que, em nenhuma circunstância, sejam obstáculo para outros irmãos. Se, ao mesmo tempo, vocês não conseguem atingir

e não permitem que outros prossigam, são uma seita, não uma igreja. Não somos a igreja quando tomamos o nome de igreja local, mas sim quando existe capacidade de inclusão espiritual para conter todos os filhos de Deus. Se a igreja inclui a todos e não exclui a nenhum dos filhos de Deus, ela não será responsável pelos irmãos que desejam trilhar outro caminho, pois eles é que estão criando a divisão, não a igreja. Portanto vocês precisam ser quebrados em pedaços! Precisam ser escavados profundamente! Você não pode considerar-se como a vara de medida da igreja, pois é demasiadamente curto. Deus tem um trabalho para todo irmão e irmã, e Ele confia algo a cada um deles. Quando todos puderem estar em bom desempenho, então teremos a igreja. Esta, portanto, precisa ser inclusiva, não exclusiva.

IV. SUPRINDO O SERVIÇO

Uma igreja pode ou não estar na posição de igreja, dependendo também do fato de ela dar ou não a todos os irmãos e irmãs a oportunidade de trabalharem, de conceder ou não a todos a oportunidade de servirem a Deus. Há uma coisa a que vocês precisam atentar: quando recebe a vida de Deus, um cristão tem a disposição para servi-Lo, sua natureza deseja servi-Lo. Se não lhe derem tal oportunidade, haverá uma ruptura, e esse irmão se tornará uma seita. Os ensinamentos da Bíblia são bem claros com relação a este assunto. Há três trechos na Escritura a nos mostrarem que o Corpo de Cristo tem um relacionamento especial com serviço. Romanos 12:4-5: "Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros." Estes dois versículos dizem que somos um corpo e, individualmente somos membros. Os versículos de 6 a 8:"Tendo, porém, diferentes dons, segundo a graça

que nos foi dada: se profecia,

exorta,

Em outras palavras, a igreja é o Corpo de Cristo. Como um corpo, inclui muitos membros e inclui cada membro. A este Corpo você deve oferecer trabalho; deve dar- lhe oportunidade de desenvolver suas funções. Paulo aqui nos mostra que se deve usar qualquer tipo de dom que se possua. Jamais se deve fazer além e acima do grau de sua fé; deve-se dar lugar à atuação de outros irmãos. Se você fizer todos os trabalhos, os outros irmãos nada terão a fazer. Se pregar todas as mensagens, os outros irmãos nada terão a pregar. Portanto, na igreja, é melhor que uma pessoa tome uma porção, e não duas; não é bom que uma pessoa faça todas as coisas. Uma porção deve ser designada a cada irmão, para que ele a cumpra. A cada irmão e irmã deve ser dada a oportunidade de servir a Deus, assim como você tem essa oportunidade. Primeira Coríntios 12:27-28: "Ora, vós sois Corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse Corpo." A seguir diz: "A uns estabeleceu Deus na igreja, primeira- mente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas". O maravilhoso aqui é que Paulo, no próximo versículo, pergunta: "São todos apóstolos? Ou todos profetas? São todos mestres? Ou operadores de milagres?". São todos apóstolos? Deus está perguntando aqui. É verdade que todos o são? Pelo fato de haver profetas que querem ocupar toda a igreja de Deus, de haver mestres que desejam ocupar toda a igreja de Deus e operadores de milagres que desejam ocupar toda a igreja de Deus, o Senhor pergunta: São todos profetas?

São todos mestres? São todos operadores de milagres? Mesmo que cada um, em toda a igreja, operasse milagres, isso ainda não seria a igreja. Ainda que cada um, em toda a igreja, pudesse pregar, isso não seria a igreja. Mesmo que cada um, em toda a igreja, fosse profeta, assim mesmo isso não seria a igreja. Todos recebem dom de curar? Certamente, há grupos que se especializam só em curar. Mas, mesmo que cada um de nós pudesse curar, ainda assim não seríamos a igreja. Falam todos em línguas e interpretam-nas todos? Mesmo que cada um falasse em

línguas e as interpretasse, isso não seria a igreja. "São todos

Significa "nem

todos", pois deveria haver apóstolos, mestres, os que prestam socorros a outros, os que governam, etc. Com todos estes tipos de funções colocados juntos, temos a

se ministério,

ou o que ensina,

ou o que

etc."

?"

igreja. Ficamos assombrados, porque há muitos que preferem só um tipo de trabalho. Alguns pensam simplesmente que o tipo de trabalho que eles têm é o mais importante. Se cada irmão é um com o dom de curar, então os apóstolos, profetas e mestres serão todos inúteis. Portanto os que arcam com a responsabilidade da igreja devem deixar que os profetas tenham a oportunidade de profetizar, que os mestres tenham a oportunidade de ensinar, que dêem aos que têm o dom de cura, a oportuni- dade de curar; aos que falam em línguas a oportunidade de falar em línguas, e aos que governam a oportunidade de governar. No que se refere ao serviço, a igreja não deve restringir nenhum irmão ou irmã; então teremos a igreja. Caso contrário, teremos uma seita, não a igreja. Pelo fato de vocês não darem aos irmãos e irmãs uma oportunidade de servir, eles haverão de buscar um outro caminho. Se os irmãos jovens ainda estão misturados com a carne, vocês só podem exercer a autoridade para tratar com eles. O Senhor não tem absolutamente a intenção de que os que só têm um talento o enterrem. Aos Seus olhos, o dom maior é cinco talentos, e o menor, um talento. Se a igreja pusesse todos os de um talento em uso, isso compensaria vários cinco talentos. Se só alguns de vocês estão servindo, a igreja não pode ser forte. Isto não significa que os membros de um talento, que recentemente creram no Senhor, não terão nenhum ato carnal. Em muitos pontos, vocês devem fazê-los escutar e obedecer; mas, assim mesmo, ainda devem usá-los. Nunca, ao tratar com a carne, você deverá tratar com o dom. Todos os irmãos cooperadores, os líderes nas igrejas, devem dar a cada irmão a oportunidade de servir. Os dons registrados em Romanos 12 são mais complexos que os de l Coríntios. Profetizar, ministrar, ensinar, exortar e contribuir estão todos incluídos. Quando todos os de um só talento têm a oportunidade de manifestar seus dons, as seitas não podem aparecer. Efésios 4 tem palavras similares. Os versículos onze e doze dizem: "E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do Corpo de Cristo" (VRC). Esta passagem também mostra que os dons não são os mesmos. O versículo dezesseis diz: "Do qual todo o Corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do Corpo, para Sua edificação em amor" (VRC). O pensamento de Deus aqui é que só quando todos os membros funcionam, o Corpo de Cristo pode ser edif içado. Se nem todos os irmãos e irmãs estão servindo, o Corpo de Cristo não pode ser edif içado. Os irmãos responsáveis em cada localidade devem lembrar que, se estão ocupados enquanto os irmãos e irmãs não estão, fracassam grandemente. Vocês jamais devem pensar que, pelo fato de estarem fazendo muito, isso seja o bastante. Se você pode levar outros irmãos e irmãs a trabalharem na obra do Senhor, permita-me dizer-lhe que o Senhor deseja que você os leve a trabalhar ainda mais do que você. A questão é esta: como você se considera? Se pensa que, fazendo tudo perfeitamente, pode edificar o Corpo de Cristo, então continue. Mas, se tiver a visão, poderá perceber que os assuntos da igreja não podem ser dirigidos por você somente. No máximo, você é apenas um membro da igreja. Cada membro do Corpo de Cristo tem seu próprio trabalho. Se os introduz também no serviço, então você alcançou o que é chamado de Corpo de Cristo. Você precisa ver que não pode substituir os irmãos e irmãs. De modo algum pode trabalhar no lugar deles. Não importa quão perfeito seja, quão bom seja no seu serviço, ou quão grandes sejam os seus dons; se não pode introduzir os irmãos e irmãs no serviço, então no lugar onde você está ainda não existe a igreja. São todos mãos? Mil mãos, ou cem mãos

são um monstro, não um corpo. Iria um passo além, e perguntaria: há uma só mão? De qualquer forma, não

conseguirá dizer que, sozinho, pode fazer esse tipo de trabalho. Precisamos ver que

o Corpo de Cristo inclui muito mais do que a minha pessoa. Cada um pode receber

graça diretamente do Cabeça, não necessariamente através de mim. A graça do Senhor sempre me assombra. Como ela é grande! Já que Ele é gracioso, pode fazer com que recebam graça sem mim. Pode fazer com que recebam a Sua bênção sem passar por mim. Na igreja, Ele pode levantar todo tipo de cooperadores. Precisamos

introduzir todos os irmãos no serviço. Não devemos tentar fazê-los iguais a nós. Se, em certo lugar, os irmãos e irmãs não podem trabalhar, e só poucos estão servindo, isto é mais ou menos a mesma coisa que o serviço de um só homem nas denominações. Assim como o serviço de um só homem é abominável diante de Deus,

o serviço de poucas pessoas também o é. O serviço de todo o Corpo é o que agrada

a Deus. Deus diz que cada um deve servir. Quando você introduzir todos no serviço,

verá que esta é a igreja, que este é o conteúdo da igreja.

V. NÃO SISTEMATIZANDO

Finalmente, não devemos, de maneira alguma, abraçar qualquer pensamento de sistematização. De modo algum, deveremos pensar que a verdade e o evangelho de Deus só podem sair do nosso meio. Nossa intenção é somente encontrar as pessoas que Deus usa em cada localidade. Não iremos necessariamente a muitos lugares para dirigir os outros, pois Deus tem a Sua própria direção em cada lugar. Vamos lá simplesmente à procura de comunhão. Jamais deveremos ter a atitude de que vamos a certa localidade para ser um Pastor. Não devemos tomar-nos sistematizados. Quando vou a qualquer lugar, vou à procura de comunhão. Além de Elias, havia muitos outros profetas. Poderia haver milhares de "Elias" no mesmo lugar, firmados na mesma base. São nossos irmãos,

e eles também vêem que somos seus irmãos. Suponhamos que um grupo de irmãos tenha estado a se comunicar uns com os outros em uma determinada localidade, e você vá lá e inicie uma nova obra no mesmo lugar, mas não se comunique com eles. Isto claramente prova que você não conhece a igreja. Suponhamos que cinqüenta irmãos estejam firmados na base da igreja em uma certa localidade; mais tarde, outros cinqüenta irmãos, no mesmo lugar, sejam iluminados e claramente vejam a base da igreja. Com absoluta certeza, tais irmãos ficarão juntos com o primeiro grupo de irmãos. Guardando a base da localidade, o problema de sistematizar não surgirá. Numa localidade, você é pela igreja nessa localidade, e não para o estabelecimento de uma igreja do "nosso" sistema. Quando você está em Chung-King, você é a igreja em Chung-King, e quando está em Tsing-Tao, você é a igreja em Tsing-Tao. Não é a igreja de um determinado sistema. Cometerá um grande erro se tornar uma igreja de um certo sistema. No instante em que tiver o pensamento de sistematizar, imediatamente se tornará uma seita. Gostaria de tomar Hsi-An como exemplo. Desta vez, não é uma questão de nome ou organização. Quando as duas reuniões em Hsi-An foram unidas, houve dificuldades para decidir quem seriam os responsáveis, os que assumiriam a liderança. No grupo "A", por exemplo, havia três irmãos na liderança; no grupo "B", também havia três irmãos na liderança; agora, quem seriam os irmãos responsáveis? Na obra de Deus, os responsáveis não são determinados pela

quantidade de tempo, mas pela medida de experiência espiritual. A reunião do grupo "A" pode ter tido uma história de vinte anos, e a reunião do grupo "B" pode ter tido uma história de apenas cinco meses. Mas a experiência dos irmãos responsáveis pelo grupo "A" é limitada diante do Senhor, enquanto a experiência dos irmãos responsáveis pelo grupo "B", diante do Senhor, é de muitos anos. De acordo com o costume do mundo, os que se reuniram por vinte anos devem definiti- vamente ser os responsáveis, quando se juntarem com aqueles que estão reunindo-se por apenas cinco meses. Mas não é assim na Palavra do Senhor. Os responsáveis devem ser os que têm a história mais longa diante do Senhor, e não os que têm a história mais longa de reuniões. Portanto, quando as duas reuniões se juntam, os irmãos responsáveis pelo grupo "A" devem imediatamente deixar que os irmãos responsáveis pelo grupo "B" assumam a liderança. De forma alguma, os irmãos responsáveis são determinados pela qualificação de qualquer reunião. A posição da igreja está baseada no tempo, mas os irmãos responsáveis não devem apegar-se à igreja em que tinham a liderança; tudo depende de quanta experiência espiritual eles têm diante do Senhor.

VI. PROCURANDO OS IRMÃOS

Hoje, em Xangai, devemos dar uma atenção considerável a certos irmãos e irmãs que querem deixar as denominações. Se realmente viram que a localidade é a base estabelecida pela Bíblia, não devem, em circunstância alguma, estabelecer outra reunião. Quando deixei as denominações, por exemplo, não pensava em mim mesmo como sendo o primeiro a deixá-las. No meu coração esperava encontrar outros que, de igual modo, as houvessem deixado. Se fosse deixar as denominações em Xangai, definitivamente iria procurar e inquirir se também outros irmãos as haviam deixado ou não. Quando estava para deixá-las, há trinta anos, em Foochow, saí por toda a cidade, procurando irmãos que já as haviam deixado. Isso não significa que, quando as deixei, me haja tornado o cristão mais maravilhoso do mundo inteiro. Mas meu primeiro pensamento, nessa época, foi procurar irmãos. Amar os irmãos é uma disposição natural; procurar os irmãos é também uma disposição natural. Devemos estar muito felizes por nos reunir com aqueles que buscam o Senhor de coração puro. Alguns irmãos dizem que deixaram as denominações, mas a intenção deles era mais estabelecer uma igreja do que realmente deixar as denominações. Assim, não procuram os que já as deixaram. O objetivo de muitos é estabelecer uma igreja por sua conta. Não sentem, portanto, a preciosidade dos outros irmãos que também as deixaram. Mas os que realmente as deixaram vão considerar todos os irmãos em iguais condições como amáveis e preciosos para si. Há, portanto, dois tipos de pessoas que deixam as denominações:

o primeiro tipo são aqueles que realmente as deixam; assim sendo, procuram estar juntos com os que servem ao Senhor de coração puro. Os outros são aqueles que as deixam, porque desejam estabelecer uma igreja por conta própria. Esta situação não existe apenas em Xangai, mas também em Tsing-Tao, em Pequim, e até mesmo no noroeste. Em Xangai, parece que começamos mais cedo que outros. Hoje, eles não nos procuram, mas nós temos que procurá-los. Eles têm o problema do sistema, mas nós não podemos tê-lo. Se hoje vamos a Ping-Liang, Tien-Sui ou Ti-Hua, devemos ter muito cuidado para jamais estabelecer primeiro uma igreja, mas para procurar os irmãos. Se a primeira coisa que fizerem, ao chegar a um novo lugar, for estabelecer uma

igreja, estarão cometendo o mesmo erro de alguns irmãos em Xangai, que já men- cionamos. Há provavelmente um grupo de irmãos cuja base não é errada e estão indo rumo à melhor direção. Não se pode dizer que não estejam familiarizados com a Bíblia. São irmãos cuja base não é errada. Assim, você precisa a qualquer preço procurá-los, até que não encontre realmente nenhum; então poderá ter um novo começo. Muitas vezes, você só poderá unir-se a outros, e não ter um novo começo. Em nenhuma circunstância, deverá sentir que se unir a outros seja vergonhoso, e que estabelecer uma igreja seja glorioso. Se assim for, você só poderá culpar-se por não ter nascido antes dos apóstolos. Muitas pessoas gostam de estabelecer igrejas. Isto não as revela espirituais, mas carnais. Por outro lado, estes irmãos jovens, que recentemente saíram das denominações, talvez sejam capazes de liderar outros. Pode ser que um irmão recebido no sábado passado tenha sido disciplinado nas mãos do Senhor. Uma vez que você o recebeu, talvez você precise escutá-lo no próximo fim de semana, compartilhando sobre muitos assuntos, porque a sua maturidade pessoal não estava relacionada com a denominação em que ele estava. Qualquer um que tenha verdadeira experiência espiritual deve ser posto no lugar correto. Espero que o Senhor abra o Seu caminho mais e mais claramente diante dos irmãos, para que todos os que verdadeiramente amam ao Senhor possam andar nele.

CAPITULO QUATRO

O PROBLEMA DA UNIDADE DA IGREJA

(Palestra proferida aos irmãos e irmãs em Xangai, a 6 de março de 1951, publicada em "A Porta Aberta", a 15 de abril de 1951).

O problema mais importante, mais visível de nossos dias é a unidade da igreja.

Hoje, precisamos ver o caminho da unidade e perceber como andar nela. De acordo com o meu conhecimento, existem quatro tipos de unidade em todos os lugares. Dentre estes quatro diferentes caminhos de unidade, nós, filhos de Deus, precisamos buscar aquele no qual andar. Precisamos estar claros sobre qual destes quatro caminhos está de acordo com a vontade de Deus, qual deles é bíblico, qual deles é o adequado para a igreja, e qual deles devemos tomar. Aos outros, temos de aprender a rejeitar. Quando vemos o que é de Deus, precisamos rejeitar os outros, que não o são. Quais são estes quatro caminhos? Primeiramente, existe a unidade do Catolicismo Romano; depois, a unidade "espiritual"; a seguir, a unidade da igreja na localidade; e finalmente, a unidade das congregações independentes.

A UNIDADE DO CATOLICISMO ROMANO

As Igrejas à Época dos Apóstolos

À época dos apóstolos, as igrejas estavam divididas de acordo com as

localidades. Penso que esta questão esteja bastante clara. A igreja em Jerusalém,

a igreja em Antioquia, a igreja em Corinto, a igreja em Éfeso, a igreja em Filadélfia e a igreja em Laodicéia estavam todas separadas de acordo com a localidade. A igreja em cada localidade tinha a sua própria administração independente. Sendo

em cada igreja a eleição de

presbíteros

presbíteros

Assim, os presbíteros destinam-se à igreja numa cidade. A igreja toma a cidade como unidade; caso contrário, os presbíteros de uma cidade cuidariam de várias igrejas, ou os presbíteros de uma igreja cuidariam de várias cidades. O limite da cidade, portanto, se iguala ao limite da igreja; e o limite da igreja se iguala ao limite da administração dos presbíteros. Isto é bem evidente. As igrejas, nos dias primitivos, não tinham nenhuma outra unidade de igreja em maior escala. À época dos apóstolos, as Escrituras reconheceram a existência de "igrejas" nesta terra, mas não as uniu para que se tomassem "uma igreja". Havia as "igrejas", mas não sua união, para serem uma igreja, no singular. É por isso que Paulo escreveu aos Coríntios: "nem as igrejas de Deus". Hoje, quando os filhos de Deus falam sobre a igreja, sempre falam da "igreja de Deus", não das "igrejas de Deus". Em seu conceito, sempre fazem com que as igrejas sejam uma igreja; dizem, portanto, "a igreja", ao invés de "as igrejas". Mas, na mente dos apóstolos, havia as igrejas separadas; diziam, portanto, "as igrejas de Deus". Os apóstolos não uniam as igrejas na terra, para que fossem uma igreja; caso contrário, esta expressão "as igrejas de Deus" não existiria. Lembre-se de que l Coríntios capítulos

assim, na Bíblia, Atos 14:23 nos diz: " "

como, em cada cidade, constituísses

promovendo-lhes

",

".

e

Tito

1:5

diz:

bem

Os presbíteros destinam-se à igreja, e a igreja está numa cidade.

onze e catorze sempre dizem "as igrejas" isto é o mesmo que dizer: as igrejas de Deus na terra são locais. Não reuniam todas as igrejas de Deus na terra em uma única igreja. Esta era a situação à época dos apóstolos.

A História da Mudança

Mais tarde, depois dos apóstolos, a igreja começou a mudar. As igrejas nas grandes cidades começaram espontaneamente a ter poder. Uma grande cidade naturalmente tinha uma população maior; desta forma, a igreja numa grande cidade tornou-se mais poderosa do que a igreja numa pequena cidade, num lugarejo. A igreja na cidade grande tinha a tendência de absorver as igrejas nas cidades menores e lugarejos, de modo que estas se tomaram seus satélites. Uma se tornou o centro, enquanto as outras se tornaram os acessórios ao seu redor. Como resultado, houve mudanças, não apenas na organização, mas também na administração da igreja. Originalmente, havia vários presbíteros numa igreja. As igrejas nos lugarejos ou pequenas cidades também tinham seus próprios presbíteros. Mas, depois que os apóstolos morreram, um grupo de pessoas na igreja primitiva defendeu um certo tipo de doutrina: isto é, uma vez que os apóstolos morreram, sua autoridade foi comissionada aos presbíteros (ou bispos), e estes representavam os apóstolos. Isto foi um tipo de cortesia. Porque honravam o primeiro grupo de apóstolos, era-lhes deselegante designar qualquer outro como um apóstolo. Não ousavam usar o título "apóstolo". Mais tarde, designaram um dentre muitos presbíteros de uma cidade grande, para ser o bispo. Originalmente, todos os presbíteros eram bispos (supervisores); cada um era um bispo. O termo "presbítero" refere-se à própria pessoa, e "bispo", ao seu ofício. Mas, dentre os muitos presbíteros, e colheram um para ser o bispo. Este bispo, tornou-se o cabeça dos presbíteros de sua localidade, bem como o cabeça de todos os presbíteros das igrejas-satélites. Esta mudança originou-se na igreja de uma grande cidade, a qual fez de todas as igrejas nas cidades pequenas e lugarejos seus satélites. Posteriormente, o presbítero-chefe saiu da grande igreja e, naturalmente, tornou-se o presbítero- chefe das igrejas-satélites. Foi, então, chamado de "bispo", que é o mesmo título dado na Bíblia, mas que não corresponde essencialmente àquele da Bíblia. Nesta, os presbíteros eram bispos. Paulo reuniu os presbíteros de Éfeso e lhes disse: " sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos" (At 20:28). Os bispos, na Bíblia, eram muitos em número; os presbíteros também o eram. Mas, hoje, um é escolhido dentre muitos presbíteros, para tornar-se o bispo. Somente um é o bispo, enquanto os restantes são presbíteros, não bispos. Os presbíteros não têm mais a autoridade de bispos. Os lugares menores foram também unidos e entregues ao governo deste único bispo. Assim, uma mudança ocorreu, de modo que uma pessoa governava sobre muitas igrejas. E então a questão de distritos surgiu. Este desenvolvimento não parou aqui. Naquele tempo, o Império Romano conquistou o mundo todo, e, naturalmente, entre as muitas igrejas, a igreja na cidade de Roma tornou-se muito grande. A cidade não era apenas grande, mas também a capital. Pessoas de todo o mundo vinham a ela, quando desejavam ver César. A princípio, um bispo governava sobre muitos lugares, o que resultou numa igreja de distrito. Como a cidade de Roma se tornara muito proeminente, disseram: "Somos a capital,

e César vive em nosso meio". Conseqüentemente, o bispo da igreja de Roma não só governava sobre os presbíteros da igreja em Roma, mas também sobre os presbíteros do distrito de Roma. E ele não somente se tornou o cabeça dos presbíteros do distrito de Roma, mas também o cabeça dos bispos dos vários distritos. Este era o papa. Tudo resultou de dar a um homem graduações contínuas, até que ele atingisse o topo de uma hierarquia. Hoje, o significado de "bispo", nas denominações, é supervisor. O cabeça de todos os bispos é o papa. Por isso é que todos ambicionam ir a Roma, tornando-se o bispo de lá, pois, uma vez que alguém se torne o bispo de Roma, torna-se automaticamente o bispo de todo o mundo, o cabeça de todos os presbíteros do mundo. Uma vez que alguém se torna o bispo de Roma, imediatamente se torna o papa, representante de Cristo. Esta tendência continuou a desenvolver-se até o quarto século, quando seu desenvolvimento tornou-se completo. Naquela ocasião, "as igrejas", conforme se registra na Bíblia, já não mais existiam; todas se tornaram "uma igreja". As igrejas de todo o mundo tornaram-se uma igreja. A partir daquele dia, "as igrejas de Deus", como se menciona na Bíblia (l Co 11:16), não mais existiam e não mais foram mencionadas; "as igrejas dos santos" mencionadas na Bíblia (l Co 14:33) também não mais existiam, não mais eram mencionadas, e delas não se ouvia dizer. Todas se tornaram a única Igreja de Roma, e todas as igrejas por todo o mundo se tornaram filiais de Roma. Não havia mais igrejas das localidades. Tinham ou não uma base bíblica? Sua base nas Escrituras era que os filhos de Deus deveriam ser um. Pensavam que o Senhor tinha somente uma igreja nesta terra; portanto uniram-se como "uma igreja", mas se esqueceram de que na Bíblia havia "as igrejas".

Ninguém se Atrevia a Discutir a Unidade

Precisamos observar uma condição que prevaleceu depois que a Igreja Católica Romana veio a existir. Já sabemos como a Igreja Romana estava cheia de heresia, ídolos, imundícies e pecados. Então, por que razão, durante mil e cem anos, não houve nenhum irmão ou irmã; na igreja, levantando-se para tratar com esta situação? Será possível que nenhum irmão ou irmã tivesse visto tais heresias? Será possível que não tivessem visto os ídolos? Ou que não tivessem visto os pecados imundos? A partir do quarto século, por mil e cem anos, certamente existiram alguns que viram as heresias, ídolos e pecados imundos; contudo ninguém ousava tratar com eles! Temiam que, uma vez lidando com estas coisas, imediatamente destruíssem a "unidade". "A igreja é uma", diziam; "se começarmos a tratar com os ídolos, a igreja será dividida". Sentiam que o pecado de adorar ídolos era grande, mas o pecado de destruir a unidade era ainda maior. Portanto preferiam rejeitar a adoração de ídolos por si mesmos, mas sem nada propagar. Temiam que a divulgação pudesse arruinar a unidade. Conheciam as heresias e conheciam os ídolos; além disso, eles os detestavam. Detestavam, porém, muito mais destruir a unidade. Sendo assim, simplesmente fugiam destas heresias e ídolos, mas não ousavam proferir qualquer palavra, mensagem ou ação para destruir a unidade. Por um período de mil e cem anos, ninguém tomou nenhuma medida. Continuaram a guardara, unidade da igreja. Antes da Reforma, Martinho Lutero não tinha nenhuma idéia de formar outra igreja. Fazer tal coisa, pensava ele, seria um pecado sério. Portanto, a princípio, o que esperava fazer era aperfeiçoar a Igreja Católica Romana; a idéia de formar

outra igreja não estava em sua mente. Foi mais tarde, na História, que a formação de uma outra igreja foi forçada. Sem sombra de dúvida, Lutero somente esperava aperfeiçoar a Igreja Católica Romana; não tinha intenção alguma de formar uma nova igreja. Aqui vemos uma coisa: A Igreja Católica Romana crê na unidade da igreja por todo o mundo. Crê que apenas uma igreja deve existir em todo o mundo. Por isso é que, durante a longa História de Roma, os filhos de Deus basicamente se esqueceram de que, na Bíblia, existiam "igrejas", no plural. Apenas queriam a igreja no singular. Portanto, quando Lutero surgiu, o que ele também viu foi a igreja na terra. Não viu que na Bíblia, Deus tem "as igrejas". Assim, a unidade que se exigia era que as igrejas na terra se tornassem a única igreja, a igreja internacional, mundial e universal. A despeito do lugar onde esta igreja se fixasse, ela seria sempre a Igreja de Roma. Em Xangai, ela é a Igreja de Roma; em Moscou, é a Igreja de Roma; em Londres, é a Igreja de Roma; em Berlim, ela é também a Igreja de Roma. Onde quer que esteja, ela é sempre a Igreja de Roma. Não se chama Igreja de Roma; seu título correto é Igreja Católica, Igreja Pública. Nós a chamamos de Igreja de Roma, porque sabemos que saiu de Roma. Por que se chama Igreja Católica? Porque significa que é unificada, universalmente comum, incluindo todos em si. Na China é chamada a Igreja Pública ("Kung-Chiao"). Mas a palavra "católico", no latim, significa universal, geral, referindo-se a nenhuma diferença de raça ou distrito. Não importa onde esteja, ela é sempre uma — uma na Inglaterra, uma no Japão e uma na Rússia. Contanto que saia de Roma, é chamada de Igreja Católica. Como resultado, há apenas "uma igreja" na terra. Precisamos ser muito cuidadosos hoje, para estudar as Escrituras corretamente diante de Deus, a fim de averiguar se a igreja na terra é ou não uma igreja. Se for apenas uma igreja, deveremos dizer que a igreja local está errada, e até mesmo as muitas denominações do Protestantismo deverão também confessar que estão erradas. Se houver apenas uma igreja, todos teremos de voltar para Roma. Se não o fizermos, estaremos errados. Portanto precisamos estudar as Escrituras, para ver se estamos errados ou não. Sei que há alguns amigos protestantes a dizerem que a igreja na terra é uma, e que nossas igrejas nas diferentes localidades estão erradas. A igreja é sempre uma, dizem eles. Por favor, note que a palavra deles os condena. Se a igreja é apenas uma, não há nenhuma razão para existir qualquer de suas denominações. Se a igreja é apenas uma, então, a despeito de onde exista, ela deve ser a Igreja de Roma. De acordo com o número, eles são os maiores; de acordo com a História, são os mais velhos; de acordo com a organização, são um. Se devesse existir somente uma igreja, se a igreja de Deus ou a igreja de Cristo devesse ser a igreja, no singular, então é correto e está de acordo com o ensinamento da Bíblia que retomemos a Roma. Todavia a Bíblia não ensina assim. No século passado, John H. Newman, um contemporâneo de J. N. Darby, foi um famoso pastor inglês. Não era apenas piedoso, mas, intelectualmente falando, tinha uma mente excelente e escreveu muitos livros. Foi considerado uma das mais famosas pessoas da Igreja Anglicana. O hino "Dirija-me, Bondosa Luz" foi composto por ele. Porque acreditava haver somente uma igreja no mundo, começou um movimento na Igreja Anglicana para retornar a Roma. Não obteve êxito, é claro, porque Apocalipse, capítulos segundo e terceiro, nos mostra claramente que Sardes não pode retornar a Tiatira. Ele pensou que já que existe apenas uma igreja, é uma atitude muito lógica deixar a Igreja Anglicana e unir-se à Igreja Romana. Por ter sido

recebido como um membro da Igreja Romana, acabou sendo promovido a cardeal da Inglaterra. Você sabe que um cardeal, em graduação, está próximo a papa. Não somente era um bispo, mas também um cardeal, o único na Inglaterra, o arcebispo de um grande distrito. Quando um papa morre, um dentre inúmeros cardeais é escolhido para ser o sucessor. Muitas pessoas lamentaram por Newman, mas eu senti, ao ler seus livros, que seu princípio e seu fim eram consistentes. Não digo que estivesse certo, mas que seu comportamento combinava com sua doutrina. Ele cria em apenas uma igreja; voltou-se, portanto, para Roma. Você não deve crer em uma igreja, e ainda assim permanecer nas denominações. Você não pode confessar que a igreja é uma, e ser um pastor na Igreja Anglicana, ou um presbítero numa Igreja Presbiteriana. Newman foi, antes, completamente consistente e incontraditório. Seu fim esteve em harmonia com seu princípio. Neste aspecto, muitas pessoas nas denominações não podem comparar-se a ele.

A Bíblia Diz: "As Igrejas de Deus"

A Bíblia alguma vez disse que existe apenas uma igreja na terra? Não; a Bíblia nos mostra que o que Deus estabelece na terra são as igrejas, conforme mencionamos, isto é, uma igreja em cada localidade. Aqui está uma questão importante, que devemos considerar diante de Deus: na Bíblia, as igrejas existiam em muitas localidades; Deus jamais as reuniu para serem uma igreja.

Temos alguma prova disto? Sim. Observemos este assunto em três direções. Primeiro, depois que os romanos conquistaram a Judéia, esta foi mudada de uma nação para uma província de Roma. Muitas igrejas, uma em cada localidade, existiam no distrito, na província da Judéia. Quando a Bíblia mencionou as igrejas da Judéia, não disse "a igreja" na Judéia, mas as igrejas' na Judéia (l Ts 2:14). Você já viu a importância da palavra igrejas"? Embora tantas igrejas existissem numa província, não havia uma igreja provincial. Se houvesse, seriam registradas como "a igreja na Judéia", não como "as igrejas na Judéia". Uma vez que a Bíblia as registrou como as igrejas na Judéia, significa que existiam muitas igrejas individuais, não a união de muitas, para se tornarem a única igreja da Judéia. Não havia coisa tal como uma igreja unida. A seguir, poderemos considerar um outro lugar, a Galácia. Galácia não era o

nome de uma cidade, mas, como Judéia, era o nome de uma província. Quando a Bíblia mencionou Galácia, não disse "a igreja" na Galácia, mas as "igrejas da Galácia" (l Co 16:1); não a igreja no singular, mas as igrejas no plural. Isto é para nos mostrar que várias igrejas não estavam unidas na Galácia para formarem uma igreja. Elas eram ainda as igrejas. Em terceiro lugar, naquele tempo, a maior província era a Ásia. Podemos ver que as igrejas importantes estavam na Ásia: Éfeso, Colossos, bem como Laodicéia. Não deveríamos considerar Laodicéia menos importante, com base no fato de a Bíblia não lhe dar um bom relato. Na verdade, Laodicéia, a princípio, era muito boa e era um lugar bem grande. Muitas igrejas existiam na Ásia (l Co 16:19), mas não eram unidas para se tornarem a igreja na Ásia; pelo contrário, Apocalipse l diz: "às sete

na Ásia". Não há, portanto, nenhuma igreja unida na Bíblia. As igrejas

igrejas

numa província não se uniram, e as igrejas em todo o mundo também não se uniram. A Bíblia jamais indicou que as igrejas de uma província deveriam unir-se como uma igreja, que as igrejas em cada país deveriam unir-se como uma igreja,

ou que as igrejas em cada continente deveriam unir-se como uma igreja. Não existe tal tipo de igreja na Bíblia. Não há, na Bíblia, esta indicação de que todas as igrejas, em todo o mundo, deveriam unir-se como uma igreja. O livro de Atos jamais menciona tal coisa. Além disso, o que disse Paulo, quando mencionou a igreja nas epístolas? Por exemplo, em l Coríntios, mencionou "as igrejas de Deus" (11:16) e "todas as igrejas dos santos" (14:33); não uma igreja, porém muitas igrejas. A igreja composta por todos os santos não é a igreja, mas as igrejas dos santos. Aqui, três ou quatro irmãos e irmãs se tornam uma igreja, e lá três ou quatro irmãos e irmãs se tornam uma igreja; portanto são as igrejas dos santos. A Bíblia menciona claramente as igrejas de Deus e as igrejas dos santos. Está, portanto, muito evidente que Deus não tem nenhuma intenção de unir todas as igrejas em uma só. Para tudo o que deseja realizar, Deus precisa primeiro fazer duas coisas: a doutrina deve ser pregada, e os apóstolos devem pô-la em prática. Mas nós jamais ouvimos a doutrina de unir as igrejas. Perdoem-me por dizer que estudei a Bíblia muitas vezes e jamais vi uma doutrina a mostrar somente uma igreja na terra. Nem jamais vi os apóstolos realizando tal coisa. O Senhor fez com que os apóstolos fossem completamente obedientes; não os deixaria ter suas próprias opiniões, nem agir por si mesmos. Todas as coisas feitas por eles foram realizadas em obediência ao Senhor; estavam, portanto, qualificados a serem apóstolos. Se tivessem suas próprias opiniões e agissem por si mesmos, Deus não reconheceria o trabalho deles como sendo Seu trabalho, porque existiria uma distância entre eles. Deus exigiu que obedecessem completamente e fossem totalmente consagrados; assim reconheceria o que fizeram como sendo Seu próprio trabalho. Uma vez que os apóstolos não uniram todas as igrejas na terra em uma igreja, nós não os temos como exemplo para tal união; tampouco temos o ensinamento bíblico para tanto. Se Deus quisesse unir todas as igrejas na terra dentro de uma grande e imensa igreja, por que Ele não o faria através das mãos de homens tais como Pedro, Tiago, João e Paulo? Por que esperaria por trezentos ou quatrocentos anos, para realizá-lo através do papa? Eu creio no exemplo de Pedro e Paulo, mas não no exemplo do papa; creio nas realizações de Pedro e Paulo, porém não nas coisas feitas pelo papa; creio nestes apóstolos que foram absolutos para com o Senhor, mas não nos papas. De modo algum podemos segui-los. E por isso que não acredito na Igreja de Cristo na China. A igreja é local. Existem somente as "igrejas" de Cristo na China, não "a Igreja" de Cristo na China. Irmãos, vocês enxergam a diferença? Somente as igrejas na China, não a igreja na China, devem existir. Deve haver uma igreja em Xangai, uma igreja em Tientsin. Poderia bem haver oito ou nove mil igrejas por toda a China. Mas é absolutamente impossível fazer com que elas se tornem a única Igreja na China. Portanto aqui vemos uma coisa: a Bíblia não contém absolutamente nenhum mandamento nem exemplo para a união de todas as igrejas na terra dentro de uma igreja organizada, formal. Pelo contrário, todos os exemplos e todos os ensinamentos da Bíblia mostram que as igrejas são locais, e no plural. Portanto, quando busco a Deus, não posso associar-me à Igreja Católica Romana. Vejo que ela é uma organização mundana, em que todas as igrejas em todo o mundo são unidas em uma única igreja, e nesta igreja o papa age como o imperador, e os cardeais como príncipes em cada nação. Uma vez que são como a organização do mundo, não há como unir-nos a ela. Quando falamos com os irmãos e irmãs nas diferentes localidades a respeito da unidade da igreja,

precisamos dizer-lhes que nossa unidade não é aquela da Igreja Católica Romana. Hoje, nesta terra, existe uma unidade que é a da Igreja Católica Romana.Isto não dará em nada, porque não é de Deus. Na História, vemos que isto é algo produzido pelo homem; não é o que Deus quer realizar.

2. A UNIDADE "ESPIRITUAL"

Há um segundo tipo de unidade que pode ser encontrado em todo o mundo, e é chamado de unidade "espiritual". Vejamos qual o seu conceito e onde teve sua origem.

A Religião Estatal

Originalmente, o Catolicismo Romano era a religião estatal do império Romano. O termo "religião estatal" tem uma definição bastante interessante: significa a religião ordenada pelo Estado, pelo rei, ou imperador, para o povo do país. Em outras palavras, uma vez que alguém nasça cidadão de um país, torna-se membro da religião desse país. Se uma pessoa é um cidadão romano, automaticamente entra para a religião romana. Ou alguém não possui nacionalidade alguma e, portanto, não tem vínculo algum com qualquer religião estatal; ou nasce cidadão de um país e, conseqüentemente, é membro da religião desse país. Desejando ou não, ele tem que crer nessa religião. Não lhe é deixada a decisão; foi decidido pelo imperador. Se ele depende do Estado para sua subsistência, precisa então crer na religião do Estado. Depois que o império romano aceitou o Catolicismo Romano como religião estatal, o número de membros da Igreja Católica Romana se igualou à população do império romano. Anteriormente, os membros da igreja somente se igualavam ao número daqueles que se arrependeram, foram regenerados e batizados. Agora, entretanto, já ninguém precisava nascer de novo, a fim de entrar para a igreja. Uma vez que nascesse no país e seu pai fosse romano, estava qualificado para tornar-se um membro da religião romana. Por exemplo, meu pai é chinês, e eu nasci de meu pai. É-me desnecessário ser naturalizado a fim de me tornar um chinês, pois já sou chinês por nascimento. Isto foi igualmente verdadeiro na Igreja Católica Romana:

uma vez nascido romano, você seria um membro da Igreja Católica Romana. Aquele que era nascido da carne tornava-se um filho de Deus. Isto inverteu inteiramente a palavra de João, capítulo primeiro, tornando desnecessário ser nascido de Deus para receber o Senhor Jesus; mas, ao invés disso, bastava ser nascido do sangue, da vontade da carne e da vontade do homem. Contanto que fosse um romano, você seria um membro da Igreja Católica Romana. Esta era a Igreja Católica Romana.

O Protestantismo Foi também Originalmente uma Religião Estatal

Posteriormente, quando o Protestantismo apareceu, Martinho Lutero somente esperava fazer alguma reforma na Igreja Católica Romana; não esperava formar uma nova Igreja. A formação de uma nova Igreja não se deveu a razões religiosas, mas políticas. Porque o papa romano governava sobre todo o mundo, até mesmo os imperadores o temiam. A idéia do papa era que os imperadores deveriam governar sobre o corpo humano, enquanto que ele governaria sobre a alma

humana. O corpo deveria ser governado pelo imperador, enquanto a alma deveria ser governada pelo papa. Embora César fosse o maior imperador, nada poderia fazer com o papa; este reinava sobre ele. O papa deveria fechar a porta para o reino celestial; então ninguém poderia entrar, nem mesmo o rei. O papa governava sobre todo o mundo. Assim os reis de todas as nações o temiam muito. Eles eram os reis, porém havia alguém que governava sobre eles. Eram os reis; contudo, acima deles, estava alguém que era o seu rei. O papa era o imperador supremo de todo o mundo. Portanto, quando Lutero saiu para reformar a igreja, estes reis sentiram que havia um modo para separarem sua igreja de Roma. Não queriam que ele governasse sobre suas almas; queriam governá-las por si mesmos. Queriam uma igreja diferente, que não fosse governada pelo papa. Caso contrário, em determina- das situações, as ordens que davam poderiam ser alteradas pelo papa. Este apenas emitiria uma outra ordem, e o povo não ousaria desobedecer, porque a desobediência ao papa significaria a ida de suas almas para o inferno. Portanto, quando Lutero surgiu, os reis sentiram que aí estava uma ótima oportunidade. A doutrina pregada por Lutero foi para as pessoas serem salvas, justificadas pela fé para se aproximarem de Deus. Mas, ao lado disso, estavam muitos reis e príncipes, apenas esperando que Lutero fosse adiante, ficando prontos a apoiá-lo com a força. Vendo a situação, o papa usou da força para prender os reformistas. Então os reis aproveitaram a oportunidade, a fim de enviar exércitos para a batalha, e a luta foi rude. Depois, não apenas a doutrina, mas também a igreja se separou da Igreja Católica Romana. Qual foi então o resultado? Tudo que Lutero defendeu tornou-se a igreja da Alemanha na Alemanha, a igreja da Holanda na Holanda, e a igreja da Inglaterra na Inglaterra. Originalmente, Roma era o maior império do mundo, com a Alemanha, Holanda e Inglaterra como unidades menores dentro dele. Mas, finalmente, a Alemanha tinha uma Igreja Luterana, a Holanda tinha a Igreja Holandesa reformada, e a Inglaterra tinha a Igreja Anglicana. Estas eram também igrejas estatais, porém menores. Atualmente, alguém que nasça de pais britânicos é membro da Igreja Anglicana. No momento em que alguém nasce, automaticamente se torna um membro da Igreja Anglicana. É por isso que há o batismo infantil. É necessário ter a criança registrada na Igreja. Por ser britânico, é automaticamente um membro da Igreja Anglicana. É desnecessário crer. A única questão é se foi ou não registrado. Se foi, então é um membro. Um indivíduo tanto pode nascer inglês, como também pode nascer cristão. Posteriormente, quando as igrejas particulares foram levantadas, seus membros, primeiro, tiveram de deixar a Igreja Anglicana. Estas igrejas privadas foram chamadas "dissidentes", o que significa que elas discordavam da igreja estatal. Originalmente, estavam na igreja estatal; mas, agora que queriam sair, tinham primeiro de deixa-las, a fim de unir-se a outra. Se uma pessoa quisesse associar- se à Igreja Wesleyana, primeiro precisava deixar a Igreja Anglicana. Eram dissidentes; caso contrário, não teriam saído.

A Doutrina do Visível e do Invisível é Gerada

Nesse ponto, um problema surgiu. Uma vez que tanto a Igreja Católica Romana quanto a Igreja Protestante eram igrejas estatais, naturalmente produziam muitas pessoas não-salvas. Uma pessoa não pode ser salva por nascimento. Se alguém pode ser salvo por nascimento, tudo o que precisamos fazer é tornar o cristianismo

a religião estatal da China, e todos os chineses serão cristãos. Assim, tornar-se um

cristão pela regeneração seria desnecessário. Todavia isto é impossível. Nascer é uma coisa, mas nascer de novo é bem diferente. Portanto o resultado foi que todas as igrejas estatais foram preenchidas por pessoas não salvas. Graças a Deus, havia também muitos salvos. Mas essas pessoas não-salvas, não importando que tipo de educação e ambiente você possa atribuir-lhes, ainda eram não-salvas. A questão aqui é se a Igreja Anglicana é a igreja ou não. Se o é, como poderia haver nela tantas pessoas não-salvas? Certamente, isto é muito estranho! Nesta igreja há incrédulos, e ainda em bom número — como pode ocorrer isso? Conseqüentemente, um certo tipo de doutrina emergiu: isto é, a igreja é de dois tipos, um visível e outro invisível uma, igreja com forma, e outra, igreja sem forma. A igreja mencionada nas Escrituras é invisível e espiritual, mas a igreja que temos agora é

visível e com forma. Na igreja visível existem falsos cristãos; na igreja espiritual, todos são verdadeiros. Irmãos, precisamos saber que todas as doutrinas têm uma origem.

A doutrina da igreja espiritual, da visível e da invisível, foi introduzida assim como

mencionamos. Uma vez que o homem introduziu tantos falsos cristãos, a igreja visível, naturalmente, não é digna de confiança. Desde que o homem capturou todo o povo britânico numa rede, havia, obviamente, "peixes bons" e "peixes maus". Isto está errado. As Escrituras ensinam que a igreja é o Corpo de Cristo, e Cristo é o Cabeça da Igreja; sendo assim, somente os que crêem podem ser a igreja. Como pode haver incrédulos na igreja? Uma vez que tantos incrédulos encheram a igreja, o que eles poderiam fazer, senão ajudar a produzir tal doutrina, dizendo ser a igreja de dois tipos, visível e invisível? A visível é indigna de confiança, enquanto a invisível é verdadeira. Este tipo de doutrina só poderia ser produzido. Era-lhes essencial; senão lhes seria impossível prosseguir. Irmãos, vocês vêem que esta doutrina precisava surgir? A igreja visível se tornou tão desleixada, que qualquer coisa poderia ser encontrada nela. Assim, viram-se forçados a produzir essa doutrina. E basearam-se numa passagem das Escrituras: depois que o Senhor semeou a semente, Satanás também semeou o joio. Hoje não devemos remover o joio, mas deixá-los crescer juntos (Ver Mt 13:24, 30). Diziam que os invisíveis, os espirituais, são aqueles que nasceram de novo, dentre os quais nenhum é falso. Entre os visíveis está o joio, que não deve ser removido. Muitos irmãos e irmãs, ao lerem esta passagem, pensaram estar certos, vendo tal distinção entre a igreja visível e a invisível. Não viram que este erro não pode ser coberto pela doutrina das igrejas visível e invisível, só porque os que produziram esta doutrina fizeram a igreja incluir pessoas a mais. O que o Senhor Jesus disse com respeito ao trigo e ao joio crescerem juntos, é que eles crescem juntos no mundo (Mt 13:38), não na igreja! Uma vez que expandiram a Igreja, para ser tão grande quanto o mundo, naturalmente o joio está na igreja. Conseqüentemente, sua única saída era explicar que a igreja nas Escrituras é tanto visível quanto invisível, tanto com forma quanto sem forma. A Igreja Anglicana é excessivamente grande; a igreja na Bíblia constitui- se somente das pessoas espirituais, regeneradas.

Qual era a condição das igrejas na terra em Apocalipse 2 e 3? Eram os sete candelabros de ouro. O que é um candelabro de ouro? É um lugar onde a luz

a vossa luz diante

, dos homens". Se a luz brilha, mas os homens não podem vê-la, para que serve? Hoje à noite, por ser visível a luz, podemos estar aqui; mas, se fosse invisível, como poderíamos estar aqui? Uma luz invisível é uma anedota, uma grande zombaria. Como poderia existir uma luz invisível? Além disso, se uma luz é visível, precisa ter

brilha. Quando estava na terra, o Senhor Jesus disse: "Brilhe

forma: não pode ser disforme. Uma luz sem forma é uma mentira. A igreja na terra deve ser vista pelos homens. A Bíblia não tem intenção alguma de fazer da igreja uma luz invisível. Mas, hoje, a igreja da qual falaram não é apenas aquela candeia colocada debaixo do alqueire, mas colocada sobre o candelabro para brilhar com luz invisível! A palavra que o Senhor Jesus falou-nos é suficientemente clara. Ele disse:"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte" (Mt 5:14). Isto é visível, não invisível. O Senhor quer que sejamos manifestados na terra e vistos pelos homens. Vocês precisam ver, portanto, que o que chamam de igreja exterior é na realidade, o mundo. Uma vez que insistem em pendurar uma placa, chamando-a de uma igreja, precisam explicar que dentro desta igreja exterior está uma outra igreja. Porém a igreja mencionada na Palavra de Deus é aquela que sai do mundo, e é separada dele. Se é assim, somente reconhecemos a existência da igreja espiritual, jamais da igreja exterior. Qual então é a dificuldade hoje? Existem muitos irmãos e irmãs a pensarem que a unidade, hoje, entre nós que somos cristãos, é uma unidade "espiritual". O que é esta unidade espiritual? É que, na igreja, algumas pessoas são espirituais, e algumas não o são. Assim, em toda igreja, há a igreja exterior e há também a igreja espiritual. A unidade espiritual é que um grupo de irmãos espirituais tem comunhão com um outro grupo de irmãos espirituais e todos eles se tornam um, uns com os outros. A razão de a unidade espiritual ser necessária hoje é que alguns são do mundo. Se todos fossem gerados pela Palavra de Deus, espontaneamente todos teriam comunhão juntos, e a questão da unidade espiritual jamais apareceria. Este assunto é muito importante porque toca num problema básico. Por exemplo, se você perguntasse a alguém quantos em sua denominação não são salvos, ele provavelmente lhe diria que são cerca da metade deles. Várias denominações lhe diriam que seria muito bom se apenas um dentre dez fosse salvo. Eles não são muito diferentes da igreja estatal. São como uma cebola que possui muitas camadas, que podem ser descascadas. O que querem dizer é que as nove camadas de fora nada significam; o que importa é o centro. Sem dúvida, o princípio das denominações é ainda o princípio da igreja estatal, porque muitos, em seu meio, não pertencem ao Senhor. Portanto sua comunhão é limitada aos espirituais, não a toda a igreja. Se toda a igreja fosse ter comunhão juntamente, muitos incrédulos estariam envolvidos. Sendo assim, não podem tomar toda a igreja como o limite para a sua comunhão espiritual. Mas a Bíblia inclui toda a igreja como o limite de sua comunhão. Já que o limite da igreja não está claramente definido, a condição da igreja não está clara. Como resultado, precisamos ter uma comunhão "espiritual". Hoje, muitos tipos de igrejas peculiares existem no mundo, porque muitos não- cristãos foram introduzidos nelas. Estando na "igreja" muitos incrédulos e falsos cristãos, eles têm que manter uma comunhão invisível; toda a sua comunhão é invisível. Portanto dizem que têm comunhão somente no coração. Foi um erro produzir tal necessidade. Você precisa entender e ver através dela. Uma vez que sua posição está errada, existe a necessidade de unidade "espiritual". Se você se colocar na posição correta, você já é um. Se a igreja está correta, o invisível se tornará visível, e não haverá necessidade alguma de comunhão invisível. O Senhor disse que a igreja é o candelabro; mas, se você disser que esta é uma luz invisível, de fato isto será estranho. Este tipo de comunhão espiritual e unidade espiritual foi produzido por permitirem que incrédulos se misturassem à igreja.

A Formação de Muitas Denominações

Este problema envolve dois lados: o primeiro, do ponto de vista da igreja estatal, conforme acabamos de ver; o segundo, do ponto de vista dos dissidentes, que precisamos ver agora. Muitos não aprovaram a igreja estatal. Não somente a desaprovaram, como também se opuseram ao seu erro. Tais foram os Batistas, os Presbiterianos e os Wesleyanos. Os últimos criam que a pregação poderia ser feita em qualquer lugar. Dissidentes outros, tais como estes, se levantaram e, baseados em sua discórdia, formaram igrejas para manter a verdade. Assim surgiram as igrejas Batista, Presbiteriana, Wesleyana, dos Quacres, e, posteriormente, vários milhares de grupos também surgiram. Na Inglaterra, (oram chamados dissidentes. No império russo, a igreja estatal foi chamada de Igreja Ortodoxa Grega, e as restantes foram chamadas de denominações. Todos estes irmãos se levantaram em favor da verdade. Isto é um ponto positivo! Nós agradecemos a Deus. Mas, por outro

lado, lamentamos o fato de eles fazerem com que a igreja de Deus fosse dividida em vários milhares de partes, ao formarem igrejas para preservar a verdade de Deus. Mais tarde, a situação gradativamente mudou. Na primeira geração, ambos os lados debatiam consideravelmente. Por exemplo, Wesley debatia violentamente com a Igreja Anglicana. Mas, na terceira e quarta geração, o debate se acalmou e elas não diferiam muito uma da outra. Anteriormente, não se saudariam nem se comunicariam; porém, hoje, até oram juntos. Por exemplo, a Igreja Cristã Unida estava originalmente na Igreja Wesleyana, exigindo que os wesleyanos aceitassem a doutrina da cura divina. Debateram tão terrivelmente sobre este assunto, que mais tarde se separaram. Hoje, na terceira geração, não mais discutem. No princípio, a diferença entre eles era grande; porém, agora, já não é tão grande. Algumas das pessoas na Igreja Cristã Unida acreditavam no derramamento do Espírito Santo e no falar em línguas; portanto saíram para estabelecer a Igreja Pentecostal. A princípio, a discussão entre elas foi também terrível; porém, posteriormente, a discussão não mais importava. Hoje, todas essas igrejas já foram formadas. Pessoas, por causa do batismo, formaram a Igreja Batista; pessoas, por causa de Lutero, formaram a Igreja Luterana; outras, por causa de Calvino, formaram a Igreja Presbiteriana; outras, por causa de Wesley, formaram a Igreja Metodista; e outras, por causa de Simpson, formaram a Aliança Cristã e Missionária. Porém, na Bíblia, jamais houve um caso de uma igreja ser formada por uma certa doutrina. E as doutrinas baseadas nas quais os homens debatiam com todo o esforço possível, não eram, segundo o apóstolo Paulo, os maiores problemas. Em Romanos 14, Paulo disse que está tudo bem no que diz respeito a um homem guardar este dia enquanto um outro guarda outro dia. Todas estas pessoas são fracas na fé. Contudo não deveriam estar divididas por doutrinas. Alguns não comeriam carne, porque são fracos na fé; portanto não há problema em que comam legumes. Paulo não formou uma igreja vegetariana, nem uma igreja carnívora. Alguns comem legumes, e outros comem carne. Paulo disse que não há problema algum; nós recebemos todos os que o Senhor recebe (Rm 14:3). Se alguém come legumes, é um irmão; se come carne, é também um irmão. Se guarda este dia, é um irmão; se guarda um outro dia, é também um irmão. Não há nenhum exemplo na Bíblia de se formar uma igreja por doutrina. Segundo a Bíblia, de que é formada então, a igreja? A única exigência é aquela

porque Deus o acolheu". Precisamos acolher todo

aquele a quem Deus acolhe. Nós o recebemos, porque Deus o recebeu. Ele já

de Romanos 14:1,3: "acolhei

possui a vida de Deus. Antigamente, era um pecador; mas, agora, veio ao Senhor. A única pergunta que precisamos fazer é se ele recebeu o Senhor ou não. Se já O recebeu, qualquer palavra adicional é desnecessária. Quanto ao modo como ele deve comportar-se, na condição de cristão, precisamos ajudá-lo com os ensinamentos da Bíblia, porém não podemos recusá-lo, ou colocá-lo fora da igreja. Alguns crêem em batismo por aspersão; são melhores do que aqueles que de modo algum batizam. Alguns batizam aspergindo pingos d'água; outros batizam por imersão. A Bíblia retrata Felipe e o eunuco descendo à água, e o Senhor Jesus saindo da água. Descer e sair devem significar batismo por imersão. Todavia algumas pessoas apenas têm suas mãos imersas na água, não seus corpos. De acordo com as Escrituras, precisamos ser imersos. Hoje alguns batizam, aspergindo água. Não podemos dizer- lhes que pertencem à "igreja da aspersão de água". Não podemos estabelecer uma igreja por doutrina. Deixando de lado a imersão e a aspersão, podemos apenas fazer uma pergunta: Este irmão foi acolhido por Deus? Se todos foram aceitos diante de Deus, quer sejam imersos, quer aspergi-dos com água, ou ainda nem sejam batizados, como podemos não recebê-los hoje? Se vamos passar a eternida- de juntos, por que não podemos acolhê-los hoje? Como podemos permitir que cada um siga o seu próprio caminho, só porque não podemos aceitar os defeitos dos outros? Não deve ser assim! A Bíblia mostra que a igreja inclui todos aqueles a quem o Senhor recebeu. Além do mais, Paulo, em Romanos 14, disse: "Acolhei ao que é débil na fé", e não:

"rejeitai". Nós reconhecemos que este irmão é fraco; contudo não devemos rejeitá- lo, mas recebê-lo. Freqüentemente erramos, por considerar se sua fé é tão forte quanto a nossa. Se o é, então ele pode seguir-nos. Portanto precisamos ver que devemos receber aqueles que são fracos na fé. Se os rejeitarmos, o máximo que podemos fazer é trancá-los fora da igreja por poucos anos. Depois disto, não poderemos mais impedir a sua entrada. Você não tem nenhuma maneira de excomungá-los; são nossos irmãos para sempre. Precisamos perceber que é errado dividir a igreja por doutrinas. Suponha que haja um irmão que coma legumes na igreja em Hsi-an. Que você diria? Você pode somente fazer uma pergunta: Esta pessoa foi salva? Se já o foi, e continua sua dieta de legumes, precisamos permitir-lhe fazê-lo. Em outras palavras, ele recebeu a mesma vida, exatamente como nós; portanto, a despeito de sua maneira particular, temos de recebê-lo. O que precisamos fazer com aqueles que são fracos na fé é ajudá-los com os ensinamentos da Bíblia, não separá-los, formando uma outra igreja. Hoje, as assim chamadas denominações foram geradas como o resultado da divisão por causa de doutrinas. As pessoas tomam uma doutrina da Bíblia, pregam-na e formam uma denominação à sua volta. Conseqüentemente, existe a Igreja Pentecostal, a Igreja Luterana, os Quacres, etc. Os quacres enfatizam um tipo de gesto (estremecimento); os luteranos, um tipo de doutrina; os presbiterianos, um tipo de organização; e os congregacionais, um tipo de congregação independente. Isto não é o trabalho do Senhor, mas o resultado das idéias dos homens, que dividiram os filhos de Deus em tantas denominações. Muitos pensam que é bom haver denominações. Sabem por quê? Porque é conveniente. Irmãos! Se me perguntassem, segundo a carne, se gosto ou não de denominações, eu diria: "Sim, gosto delas, porque tudo é bem delineado. Os que gostam de falar em línguas, podem ir para a Igreja das Línguas; os que gostam de congregações independentes, podem ir para a Igreja Congregacional; e os que gostam de batismo por aspersão podem ir para uma igreja que o pratica". Mas a Bíblia ensina que, em cada localidade, deve haver somente uma igreja. Em Corinto

há somente uma igreja; em Éfeso há somente uma igreja; e, em Xangai, deve existir apenas uma igreja. Este caminho não é tão cômodo, porque cada um deve amar todos os tipos de irmãos! Amar muitos irmãos que são diferentes de mim provoca muito atrito e muitas lições. Você tem suas proposições, eu tenho as minhas; você tem suas idéias, e eu tenho as minhas. É muito conveniente que você tenha a sua igreja, e eu, a minha. Não nos é conveniente estarmos juntos em uma igreja, para nos amarmos mutuamente. Com as muitas dificuldades, existem muitas lições; quanto mais dificuldades, mais amor mútuo existe. Mesmo que estejamos descontentes um com o outro, ainda não podemos escapar. Se gostamos ou não, ainda temos de ser irmãos juntos. Você precisa vencer os carnais com espirituais, conquistar todas as diferenças com amor, e cobrir todas as dificuldades com a graça. Caso contrário, a igreja jamais poderá ser estabelecida.

Dar as Mãos por Cima dos Muros não é Unidade

Uma vez que as pessoas já têm hoje as denominações, o que faremos? Já testificamos que não é bom terem os filhos de Deus denominações e divisões. Não é bom que você tenha uma divisão, e eu uma outra. Os filhos de Deus não devem formar divisões: pelo contrário, devem amar-se mutuamente e estar juntos. Temos dito isto por trinta anos, desde 1921. E esta palavra eficaz? Sim. Embora tenhamos encontrado muitas oposições desde o princípio, e ainda estejamos encontrando algumas hoje, elas têm-se enfraquecido. A princípio, tentaram proteger as denominações; porém, hoje, sua insistência está se tornando cada vez mais fraca. Agora dizem: "Queremos ter comunhão espiritual". Mas vimos que esta comunhão espiritual é o resultado de dois fatores: primeiro, as igrejas estatais, nas quais uma igreja pequena se acha dentro de uma igreja grande, uma igreja verdadeira dentro de uma falsa igreja, uma igreja invisível dentro de uma igreja visível, uma igreja de realidade dentro de uma igreja de exterioridades; segundo, as divisões causadas pelas diferenças de doutrinas. Agora, um caminho intermediário foi invocado, isto é, ter comunhão "espiritual" uns com os outros. Vamos ver se esta comunhão "espiritual" está certa ou errada.

Comunhão "espiritual" é, certamente, uma melhora, em relação a não haver nenhuma comunhão entre as denominações. Graças a Deus! A situação na China, durante todos estes anos, certamente mudou, e está diferente agora. Mas pode a comunhão "espiritual" substituir a comunhão da igreja conforme o que a Bíblia estabelece? O que chamam de comunhão "espiritual" não é a verdadeira comunhão espiritual; apenas tomam o termo emprestado. Que é a comunhão "espiritual" de que eles falam? Por exemplo, aqui temos várias xícaras. Originalmente, o propósito de Deus é que todos fossem unidos para serem uma xícara. Mas cometeram o erro de se dividirem em muitas xícaras. A comunhão "espiritual" é a comunhão que conserva as denominações. Que é denominacionalismo? Eu tenho minha xícara, você tem a sua, e ele tem a dele. Que é comunhão "espiritual"? Você estende sua mão sobre sua xícara, e eu estendo minha mão sobre a minha, para dar as mãos por cima das bordas. Separar por divisões é denominacionalismo. Dar as mãos é comunhão "espiritual". Enquanto permanecemos nas denominações, queremos ter comunhão "espiritual" uns com os outros. Se não dermos as mãos por cima dos muros, somos sectários e denominacionais. Mas o ensinamento da Bíblia é que não

deve haver nenhuma seita, nenhuma denominação. Contudo, hoje, existem irmãos que ainda querem conservar as divisões; porém sua consciência os incomoda caso não haja comunhão alguma. Conseqüentemente, estendem suas mãos por sobre o muro, para dá-las ao outro lado. Esta é a doutrina da assim chamada comunhão "espiritual" de hoje. Com relação a este assunto, sinto-me muito pesado interiormente. Irmãos, deixem-me dizer uma palavra: se as denominações são bíblicas, vocês e eu devemos pagar qualquer preço para preservá-las. Oh! se é mandamento de Deus, como podemos anulá-las? Precisamos aprender a seguir a Deus, não ao homem. Mas, se as denominações estão erradas, precisamos cortá-las pela raiz. Não pode- mos, por um lado, confessar que elas estão erradas; e, contudo, por outro lado, encorajá-las. Não podemos, por um lado, dizer que as denominações não são importantes; e, contudo, por outro lado, preservá-las. Uma vez que são sem importância, temos de destruí-las e aboli-las. Não podemos, por um lado, querer ter comunhão e, contudo, por outro lado, ter comunhão por cima dos muros. Se realmente desejamos comunhão, precisamos destruir os muros e ter comunhão. Se quisermos servir a Deus, e se sentimos que todos os filhos de Deus devem ter comunhão, precisamos derrubar todos os muros, para ter comunhão. Se é correto haver muros, então precisamos construí-los, não somente com três metros de altura, mas com três mil metros. Precisamos ser radicais e absolutos diante de Deus. Se as denominações são corretas, temos que empregar mil vezes o esforço — isto está correto. Se as denominações são erradas, então o correto é que as derrubemos. Se você sente que as denominações são erradas e, contudo, quer conservar os muros e dar as mãos por cima deles, este não é o princípio para as pessoas servirem a Deus. O princípio básico para servirmos a Deus é que, se você sente que as denominações são certas, deve fortalecê-las; se sente que são erradas, deve arrasá-las. Se, por um lado, você quer apoiar as denominações e, por outro, tenta destruí-las, o que pretende realizar com isso? Precisamos chegar ao ponto de mostrar aos outros que suas ações não estão de acordo com a vontade de Deus. Fale por si mesmo. Se sente que as denominações são corretas, você deve ajudá-las. Se sente que são erradas, por favor, derrube-as — não meramente diminua um pouco a altura dos muros, mas derrube-os completamente. Se as denominações estão certas, precisamos edificar muros mais altos, a fim de que você não possa vir para cá, nem eu possa ir para lá, de modo que todos estejamos claramente divididos. Esta questão deve ser radical e absoluta. Por um lado conservar as denominações, e, por outro lado — sentindo que são erradas — tentar repará-las, não é absolutamente o caminho de Deus. Vocês são os que conhecem a Deus; vocês são aqueles que lêem a Bíblia — vocês já viram, por acaso, Deus querendo que os homens consertem alguma coisa? Isto é o que é feito por aqueles que carecem de coragem para responder à exigência de Deus e ouvir Sua Palavra. Estão pagando somente metade, ou menos da metade do preço; estão buscando um ajuste. Oferecem suas mãos de comunhão em cima, enquanto mantêm os muros de divisão embaixo. Gostaria de que vocês, irmãos, vissem este ponto claramente. O princípio básico do comportamento cristão é que devemos ir ao encalço de toda questão, de maneira completa e absoluta, até o fim. Então poderemos solucionar o problema. Para uma compreensão mais clara, dar-lhes-ei uma ilustração. O registro da Bíblia mostra que Deus aceitou a oferta de Abel, mas não a de Caim. Penso sabermos todos que Caim era um agricultor e cultivava o solo. Isso era o que seu pai fazia, quando estava no jardim do Éden. Quando seu pai lavrava o solo, trazia o

produto da terra e o oferecia a Deus. Mas, agora, Caim estava fora do jardim do Éden, por causa do pecado. Apesar disso, Caim cultivava o solo como antes, recebia o produto da terra e o oferecia a Deus como anteriormente. Vocês sabem que Deus não somente recusou aceitar-lhe a oferta, mas também ficou descontente com ele. Algumas pessoas perguntam: "Por quê?". Isto é muito simples, e tem somente um significado: O que o homem fazia antes de pecar era aceitável a Deus, porém nada pode ser pior diante de Deus do que o homem fazer a mesma coisa após ter pecado. Suponha que toda noite, às oito horas, uma criança queira que sua mãe lhe prepare um lanche antes de ir para a cama. Mas, um dia, ela causou algum problema lá fora: alguma coisa desagradável aconteceu, e sua mãe teve que pedir desculpas e pagar estragos. Naquela noite, ela se volta à sua mãe e lhe pede que lhe prepare um lanche, como de costume, como se nada houvesse acontecido. Que você diria? Se ela viesse à sua mãe chorando ou zangada, esta não se sentiria tão mal. Mas, se viesse toda sorridente, como se nada houvesse acontecido, a mãe se sentiria muito mal. A criança causou-lhe problemas, mas agiu como se nada houvesse ocorrido! No futuro, esta criança poderia assassinar alguém e agir como se nada tivesse acontecido! Caim foi exatamente assim. Aquilo que fez antes, faz agora, da mesma maneira, após ter pecado. A maneira como as coisas eram oferecidas a Deus anteriormente, ele ainda a repete, como se nada houvesse acontecido. Cometer pecado é uma questão pequena, mas não ter consciência dele é questão mais séria. Por que Abel foi aceito? Porque admitiu que estava fora do jardim do Éden. Sua oferta admitia que ele tinha pecado, que a situação presente era diferente da passada. Nós tememos pessoas frívolas como Caim; tais pessoas não podem servir a Deus. Este é um princípio básico. Elas dizem: "Estamos nas denominações. Tais denominações não foram formadas por nós; foram formadas pelos nossos antepassados. Mas, agora, temos alguma responsabilidade nelas. Não podemos dizer: Bom! Vamos estar unidos amanhã! Isto é impossível. E as denominações em que estamos?". Deus quer que a igreja seja unida, mas nós a dividimos! Quando começo a estar consciente de que é errado que eu me divida desta maneira, preciso confessar que isto é errado diante de Deus; preciso derrubá-lo. Tenho que dizer: "Ó Deus, embora esta denominação não tenha sido formada por mim, mas por meus antepassados, a despeito disso, sou pecaminoso ao fazer parte dela. Isto não é simplesmente uma questão pessoal; envolve toda a igreja de Deus. Isto é pecado. Hoje eu pediria ao Senhor que a derrubasse; hoje eu declaro que há alguma coisa errada nela". Deixem-me dizer-lhes; esta é a maneira correta de agir. Suponham que a denominação tenha sido formada por mim e, agora, quando vejo a falha, digo: "Venhamos e tenhamos comunhão". Deixem-me dizer-lhes: tenho medo deste comportamento frívolo e volúvel. Este é o comportamento de Caim, não condenando o pecado após haver pecado, porém tentando consertar a situação. Isto é muito anticristão. Irmãos, vocês estão claros? Não pensem que está tudo bem se, após haverem pecado, vocês não o condenarem, porém somente tentarem consertá-lo. Isto jamais será a manifestação da vida de Deus! Por exemplo, suponha que eu ofenda a um irmão falando dele muitas coisas em sua ausência. Que deveria fazer ao ser reprovado na luz de Deus? Primeiro, devo ir a ele e confessar meu pecado: "Irmão, pequei contra você, falando muitas coisas pelas costas para arruiná-lo. Por favor, aceite muitas desculpas". Então não haverá problema se, no dia seguinte, eu lhe mostrar amor. Que dizer de um homem que peca contra você, que rouba muitas coisas suas, que fala de você e, depois,

comporta-se como se nada houvesse acontecido? Ele não confessa de modo algum seu pecado, porém se volta para tratá-lo bem e envia-lhe presentes. Como você se sentiria a seu respeito? Nós, cristãos, realmente temos uma maneira de fazer as coisas. Se fazemos algo errado, não podemos simplesmente mudar um pouco, sem confessar nosso erro. Não é correto agir desta forma. Não existe tal caminho diante de Deus para solucionar nossos problemas. Essa pessoa precisa vir a você e confessar: "Irmão, estou errado. Eu lhe devo dinheiro e outras coisas". Precisa primeiro confessar seu pecado, antes de mostrar amor por você. Este é o princípio pelo qual um cristão pode ser restaurado. O princípio aqui é o mesmo. Hoje, não é apenas uma questão de as denominações estarem certas ou não. O que importa é que, se você sente que elas estão corretas, deve apoiá-las; se sente que estão erradas, precisa derrubá-las. Você não deve dar as mãos por cima do muro. Se você diz que é certo haver o muro, então precisa construí-lo mais alto. Se sente que o muro está errado, derrube-o. Você não deve ter comunhão "espiritual". O que chamam de comunhão "espiritual" significa um tipo de comunhão que não é de todo suficiente. Embora as denominações sejam erradas, e você tenha o desejo de abandoná-las, ainda prefere preservá-las. Portanto o que você faz é apenas esticar a mão para um pouco de comunhão com os outros. Se você se encaixa nesta categoria, definitivamente ela não é de Deus. Não sei se você enxerga isso claramente. Precisa vê-lo pormenorizadamente, antes que possa sair para tratar com as situações em cada localidade. Não é correto aos que anteriormente se fechavam para os outros, abrir agora a janela e dar as mãos por cima do muro. Se este muro deve existir, edifique-o mais forte e mais elevado; se não deve existir, precisa derrubá-lo. Conservar as diferentes denominações e, contudo, ter comunhão, deixem-me dizer-lhes: isto é uma auto-frustração. Hoje, na China, existem provavelmente três tipos de unidade. A primeira é a unidade da Igreja Católica Romana; a segunda é a unidade "espiritual", significan- do que, embora existam exteriormente, as denomina ções não existem em nossos corações. Parece-me estranho! Se as denominações não são importantes, por que deveriam as pessoas permitir sua existência? Se não são importantes, por que as pessoas se zangam quando se toca nelas? É bastante confuso. Devemos ter em mente que, se as denominações são importantes, precisamos apoiá-las; caso contrário, derrubemo-las. Se a comunhão é necessária, vamos comungar, e não ter a assim chá mada comunhão "espiritual". Este é realmente um bom termo, porém seu uso foi estragado. Não é mais comunhão espiritual, mas comunhão "parcial"! Se esta questão ficar clara, penso que o problema de unidade poderá facilmente ser resolvido. Com este tipo de unidade "espiritual", há uma grande dificuldade, isto é, aqueles que a defendem dão sua atenção aos filhos de Deus, e negligenciam a Sua exigência. Em outras palavras, prestam atenção ao sentimento dos filhos de Deus, porém esquecem o sentimento do próprio Deus. Um homem que apoia as denominações é alguém que conhece a Deus muito pouco. Muitas pessoas, porém, não ousariam apoiar as denominações se lhes pedissem. Sentem que as denominações são pecado. Todavia, por considerarem que existem muitos filhos de Deus nas denominações, não são suficientemente fiéis, para inteiramente desvendar-lhes a verdade de Deus, a fim de mostrar-lhes como as divisões entre os filhos de Deus não estão de acordo com a Sua vontade. Deixam de agir assim, porque temem que, se o fizerem, venha a existir algum tipo de separação entre eles

e muitos dos filhos de Deus que estão nas denominações. Por outro lado, se vocês

lhes pedissem que expressassem a defesa e o apoio às denominações, eles sentiriam, de certa forma, que não deveriam fazê-lo, pois estudaram a Palavra e obtiveram alguma luz. As denominações são condenadas perante Deus, e

rejeitadas por Ele. Assim sendo, eles querem ter uma unidade "espiritual". Mas, por favor, lembrem-se de que este tipo de unidade "espiritual", ou esta atitude de dar as mãos por sobre os muros, não é nada mais que um método para acomodar, para reconciliar, para aliviar. Não ousam apoiar totalmente as denominações; contudo relutam em abandoná-las por completo. Conseqüentemente, permitem-lhes existir,

e defendem uma unidade "espiritual", uma comunhão "espiritual". O que chama de

unidade "espiritual" significa, nada mais, nada menos, que eles não ousam obedecer

a Deus completamente; não ousam seguir inteiramente a Palavra do Senhor. Por

causa de homens, não se atrevem a ser absolutos para com Deus. O temor de ser absoluto para com Deus é a dificuldade de hoje. Na verdade, é por não serem corretos nem absolutos para com o Senhor, que muitos defendem a comunhão "espiritual", a unidade "espiritual". Este método não é proveniente dos ensinamentos

das Escrituras, mas da sabedoria e do temor do homem. Sendo assim, creio que, se, diante de Deus, não nos colocarmos do lado dos filhos de Deus a fim de olharmos para suas fraquezas e falhas, mas do lado do Senhor a fim de olharmos para Sua glória e santidade, automaticamente veremos que este tipo de unidade acomodante não é a vontade do Senhor e não é bíblico. Precisamos estar bem claros quanto a isto, de modo a podermos resolver os problemas.

3. A UNIDADE NAS ESCRITURAS

Veremos agora o terceiro tipo de unidade, isto é, a unidade nas Escrituras.

A Unidade Inerente do Corpo

As Escrituras nos mostram que a igreja é o Corpo de Cristo, e que há somente um corpo. As Escrituras também nos mostram que Deus, através do Espírito Santo, habita na igreja, e que o Espírito Santo é um Espírito. Assim as Escrituras dão especial atenção a "um Espírito" e a "um corpo". A isto precisamos também dar nossa especial atenção. A igreja de Cristo é o Corpo de Cristo. Se você a considerar apenas igreja, poderá sentir que não importa se está de certo modo dividida aqui e ali. Se você a considera o povo de Deus, novamente não importará se ela está dividida um pouco aqui e um pouco ali. Se você ainda a considerar o exército de Deus, poderá estar correto dividi-la um pouco aqui e um pouco ali. Novamente, se você a considerar casa de Deus, o dividi-la em algumas casas aqui e algumas ali poderá também estar correto. Mas o que a Palavra de Deus também nos diz sobre a igreja de Cristo? Diz que ela é o Corpo de Cristo. Como Corpo, esse tipo de divisão é absolutamente impossível. Você não pode separar três membros aqui, cinco membros ali e outros dois acolá. É impossível. Tudo o mais pode ser dividido, qualquer coisa no mundo pode ser dividida, mas não o corpo. Uma vez dividido, o corpo torna-se um cadáver. Uma vez dividida a igreja, o mundo apenas tem o cadáver de Cristo, não o Seu corpo. Portanto Deus nos mostrou com muita seriedade que a igreja não pode ser

dividida. Os filhos de Deus não podem estar divididos, assim como o corpo não o pode. Contudo, hoje, os filhos de Deus tornaram-se insensíveis às divisões, e não as consideram uma questão séria. Por favor, lembrem-se: um corpo não pode ser dividido! A igreja é o Corpo de Cristo; em natureza, ela é o Corpo, e um Espírito habita nela. Portanto a unidade da igreja nas Escrituras é a unidade da natureza do Corpo, que é indivisível. Hoje queremos fazer uma pergunta. Já que a Bíblia nos mostra que a unidade da igreja é a unidade do único Espírito Santo habitando no único corpo, como então, pode ser ela expressa?

Não uma Igreja, mas Sete Candelabros de Ouro

A Igreja Católica Romana nos diz que, uma vez que o Corpo de Cristo é um, devemos somente organizar uma igreja na terra. Já vimos que este não é o ensinamento das Escrituras. Estas dizem que o Corpo de Cristo é um, porém nunca exigem que a igreja na terra se torne uma igreja, como a Igreja Católica Romana. Caso contrário, a palavra "igrejas" é um grande erro, e as Escrituras não deveriam conter este termo. Você não pode dizer, ao mesmo tempo, "igrejas", e também dizer "uma igreja". Uma vez que as Escrituras dizem "igrejas", sabemos então que Deus não tem nenhuma intenção de unir todas as igrejas da terra em uma só. Além disso, os apóstolos, na Bíblia, jamais organizaram "uma igreja". O que estabeleceram em muitos lugares foram as "igrejas", e estabeleceram uma igreja em cada localidade. O Espírito Santo não os dirigiu a estabelecer apenas uma igreja. Esta é somente a opinião da Igreja Católica Romana, e a unidade do Catolicismo Romano é elaborada pelo homem, e não é bíblica. Não só isso: vamos atentar mais uma vez às Escrituras. A igreja que vemos nesta terra é a aparência externa da igreja, que pode estar errada. Pode não ser fácil compreender pela aparência externa se a igreja na terra deve ser muitas igrejas ou uma só; portanto a melhor solução é colocar-se diante do Senhor e ver como Ele enxerga as igrejas na terra. Isso não pode estar errado. Graças a Deus! Vemos nas

Escrituras que a igreja em cada localidade tem um representante diante do Senhor. Esta é a preciosidade de Apocalipse, capítulos primeiro, segundo e terceiro, que nos

mostram as "sete igrejas

igrejas havia nesta terra, mas que estas sete igrejas foram colocadas lá como exemplos representativos. Apocalipse l, 2 e 3 nos mostram como as sete igrejas na Ásia estavam diante do Senhor no céu. Havia sete candelabros de ouro postos perante Ele. Você vê? As igrejas na terra podem estar erradas, completamente erradas, mas as igrejas no céu, as igrejas diante do trono, as igrejas perante o Senhor não podem estar erradas. Dizer que também estas estão erradas é blasfemo e terrível! Como eram as sete igrejas na Ásia diante do Senhor? Eram os sete candelabros de ouro. Em outras palavras, para cada igreja na terra, há um candelabro de ouro no céu. Estas sete igrejas estavam em sete diferentes localidades: Éfeso era uma localidade, Esmirna era uma localidade, Pérgamo era uma localidade, etc, — um total de sete localidades. Pelo fato de existirem sete igrejas na terra, existiam sete candelabros no céu. Portanto não é a vontade de Deus unificar as igrejas numa só igreja. Se fosse assim, então Deus no céu poderia ter apenas um candelabro, não sete. Irmãos! Isto está muito claro. Vocês precisam pensar. Que o Senhor os leve a pensar! Se pensassem somente um pouco, saberiam que, se o Senhor possuísse apenas uma igreja na terra, Ele poderia ter somente um

na Ásia". Isto não significa que apenas um total de sete

candelabro no céu. Porém há sete candelabros, eles são sete igrejas em sete localidades. Em cada localidade, há um candelabro. Está óbvio para nós que o

propósito de Deus não é unificar as igrejas em uma igreja. O termo "candelabro" nos

é bastante familiar; é também encontrado no Velho Testamento. No Velho Testa-

mento, havia um candelabro com sete hastes colocado diante de Deus, significando que todos os israelitas eram unidos como uma nação. Deus não queria que a nação de Israel fosse dividida em duas nações. A divisão entre as nações de Judá e Israel não Lhe era agradável, porque perante Deus elas eram uma. Dividi-las em duas é pecado.

Porém, no Novo Testamento, não existe um candelabro com sete hastes, mas sete diferentes candelabros. Em outras palavras, no princípio, o pensamento original de Deus com relação à igreja é ter as respectivas igrejas posicionadas diante Dele independentemente. Você vê? Não é um candelabro com sete hastes, mas sete candelabros. Eles foram postos lá um a um, e o Senhor andava no meio deles. Se fosse um candelabro com sete hastes, o Senhor não poderia andar no meio deles. Portanto, na realidade espiritual, são sete diferentes candelabros diante de Deus, não sete candelabros unidos para serem um candelabro. Isto significa que Deus não tem intenção alguma de unir as igrejas na terra para serem uma igreja. Deus jamais teve tal intenção. Em outras palavras, a vontade fixa de Deus com relação à nação de Israel é diferente da Sua vontade concernente à igreja. A vontade fixa de Deus com relação

a Israel é que esta deveria ser uma nação na terra, não duas. Ao mesmo tempo,

Deus determinou somente um lugar para toda a nação de Israel adorar, que era Jerusalém. O povo de Israel deveria ir a Jerusalém todo ano, e não a qualquer outro lugar. Eles estabeleceram Betei, porém isso desagradou a Deus. Era um lugar elevado, mas não o centro de Deus. Hoje, Deus não quer que as igrejas na terra sejam unificadas e, da mesma forma como Jerusalém no passado, tomem Roma como um centro. Hoje, são sete diferentes igrejas. Portanto a unidade do Corpo de Cristo não significa que as igrejas na terra devam ser tornadas uma igreja. A Bíblia não pode contradizer-se. E o que ela nos mostra é que há somente um Corpo de Cristo. Também nos mostra que Deus não quer que as igrejas sejam reunidas numa única igreja na terra. A unidade que Deus deseja não é que as igrejas sejam combinadas em uma grande igreja, formando uma grande unidade. Estamos estudando esta questão passo a passo. Acabamos de ver como a Bíblia fala com relação ao Corpo, como fala com relação à igreja. A unidade mencionada na Bíblia não se refere à unidade de uma igreja de dimensões extensas. Então a que se refere a unidade do Corpo, que o Senhor hoje deseja? Deve referir-se a alguma outra coisa. Sendo assim, a unidade do Catolicismo não pode ser aplicada; não é de Deus. Este é o primeiro ponto.

Havendo uma Denominação, Há uma Divisão

Agora, atentaremos ao segundo ponto. Nossos irmãos dizem que precisamos ter uma comunhão "espiritual", uma unidade "espiritual". Então a unidade do Corpo de Cristo se refere à unidade "espiritual", como hoje é defendido pelos irmãos nas denominações? É metade "sim", e metade "não". A Bíblia evidentemente nos mostra que os filhos de Deus não devem estar divididos, porém as denominações são obviamente divisões. Uma vez que você observa uma denominação, imediatamente vê uma divisão. Desde que a divisão existe, não fale sobre a

unidade "espiritual"! Este é o tipo de comportamento que carece de integridade, conforme já mencionamos. Você não pode, de um lado, defender a unidade, e, todavia, por outro lado, defender as denominações. Você não pode, por um lado, conservar as divisões, e, por outro lado, falar sobre unidade. Assim como na ilustração que usamos com relação às xícaras, a metade inferior está errada, enquanto a metade superior está correta. A base na metade inferior está errada, enquanto a comunhão sobre a metade superior está certa. Penso que está suficientemente claro que a Bíblia diz que as denominações são erradas. Gaiatas 5:19-21 até mesmo registra denominações (seitas) como obra da carne ou, como traduzido para o chinês, obra da concupiscência. "Ora as obras da carne são "

conhecidas, e são: "Rivalidades, divisões, seitas

(Texto Grego de Nestle do Novo

Testamento Interlinear Greco-Inglês). Como, então, Deus deseja que manifestemos a unidade do Corpo? Essa unidade do Corpo não é a unidade de toda a terra, como a união de muitas igrejas para formarem uma grande igreja; tampouco é permanecer na denominação e falar da unidade "espiritual". Então o que é a unidade do Corpo, conforme o que se estabelece na Bíblia? Gostaria de despender algum tempo para estudar este assunto com vocês.

A Igreja Mencionada em Efésios e Colossenses é Universal tanto em Espaço como em Tempo

Na Bíblia, duas epístolas falam especificamente da igreja: Efésios e Colossenses. Creio que todo aquele que estuda a Bíblia, sabe que a igreja mencionada nesses dois livros refere-se principalmente àquela "igreja" que é a única igreja de Deus. Esta igreja não só se refere à igreja na terra, porque, embora, em termos de espaço, a igreja na terra seja suficientemente ampla para incluir a todos, em termos de tempo ela só inclui uma parte. Suponhamos que hoje haja cinqüenta milhões de salvos no mundo inteiro. Mas a igreja nos livros de Efésios e Colossenses não inclui apenas cinqüenta milhões de pessoas, pois cinqüenta milhões é só o número de cristãos no ano de 1951. No ano passado, em 1950, alguns morreram, e no ano de 1551 alguns outros morreram, e no ano de 1051 ocorreu o mesmo. Os irmãos e irmãs da época do apóstolo Paulo já não vivem mais na terra. Em outras palavras, a igreja de Cristo, em Efésios e Colossenses, inclui a todos os salvos por todo o mundo, em todas as nações e em todas as épocas, tanto no passado como no presente, não só em termos de espaço, mas também de tempo. Este é o chamado Corpo de Cristo. Hoje, ainda que todos os cristãos por todo o mundo fossem reunidos, mesmo assim não seriam o Corpo de Cristo. Embora estejamos vivos, muitos já morreram e muitos outros ainda irão nascer. Há ainda muitos irmãos e irmãs que serão salvos amanhã. Eles também estão no Corpo de Cristo; não podemos dizer que eles não estão incluídos. Portanto, seja qual for o tempo, a igreja na terra não é o Corpo de Cristo. Mesmo que todos os filhos de Deus sobre a terra fossem reunidos, não seriam ainda o suficiente para se tornarem o Corpo de Cristo. Em termos de espaço, está correto; mas, em termos de tempo, está errado, porque gerações após gerações já se passaram. Necessitamos de todos os cristãos das gerações passadas, todos os cristãos da época atual e todos os cristãos das gerações futuras unidos para sermos o Corpo de Cristo. O que se menciona em Efésios e Colossenses refere-se a isso. Essa unidade é espiritual. Hoje, é impossível manter uma igreja colocando nela Paulo como

presbítero e Pedro como um pastor, porque eles já morreram. Todavia essa unidade é espiritual, e essa unidade maior é correta. Desde que uma pessoa seja um irmão no Senhor, todos temos comunhão com ele. Alguns irmãos já morreram, mas também temos unidade com eles. Todos somos um com qualquer irmão ou irmã. Esta certamente é a unidade espiritual, universal tanto no tempo como no espaço.

A Unidade Mencionada em Coríntios e Filipenses Refere-se à Unidade na Igreja em uma Localidade

Ainda que reconheçamos perante o Senhor a comunhão e a unidade de Efésios e Colossenses, precisamos lembrar que esse tipo de comunhão e unidade pode facil- mente tornar-se algo idealístico. É bem possível que, por um lado, defendamos a unidade do Corpo, e, por outro, sejamos pelo segundo tipo de unidade, por meio do qual tanto as denominações quanto a unidade são defendidas simultaneamente. Assim, diante do Senhor, precisamos ver que, com relação à unidade dos cristãos, na Bíblia, há, por um lado, as duas epístolas aos Efésios e Colossenses, e, por outro lado, as duas epístolas aos Coríntios e Filipenses. A unidade dos cristãos tratada nessas duas últimas epístolas também se refere à unidade do Corpo. Podemos ver claramente que a unidade mencionada em l Coríntios não se refere à unidade universal, tanto em espaço quanto em tempo, mas à unidade da igreja que está em Corinto. Creio que esta palavra é suficientemente clara. Havia contendas entre os irmãos em Corinto; não com todo o Corpo de Cristo, mas somente com alguns irmãos que havia entre eles. Por isso, quando Paulo os exortou a serem um, estava simplesmente os exortando a serem um com os irmãos de sua localidade. "Todos vocês, irmãos que vivem em Corinto, são a igreja em Corinto: vocês devem expressar a unidade do Corpo na cidade de Corinto. Vocês não devem estar divididos na localidade de Corinto".

"Vós" Refere-se aos Cristãos em Corinto

Primeira Coríntios 1:10 diz "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que (vós) faleis todos a mesma coisa A quem se refere a palavra "vós"? Refere-se aos cristãos em Corinto, aos irmãos em Corinto. "E que não haja entre vos divisões". Novamente, "vós" se refere aos Coríntios. "Antes (vós) sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer". Desta vez também se refere aos cristãos em Corinto. Aqui vemos uma coisa: a unidade do Corpo mencionada na Bíblia torna-se imaginária, caso você não a expresse na localidade. É fácil dizer: "Oh, nós amamos todos os filhos de Deus, exceto nosso vizinho!". "Oh, todos os filhos de Deus são um, desde Paulo até aqueles que ainda não nasceram. Todos são um, exceto alguns irmãos aqui em Xangai!". Isto é utópico e ilusório. Você não pode falar da unidade do Corpo e dizer que todos são um, exceto os poucos irmãos que vivem juntos no mesmo lugar! Portanto Paulo nos mostra que, quando falamos de unidade, há um requisito mínimo de unidade, isto é, a igreja na localidade. Se os cristãos em Corinto desejam falar da unidade do Corpo, não devem fazê-lo em Roma ou em Jerusalém, mas em Corinto. Se vocês não falarem sobre ela em Corinto. tornar-se-á inútil, e vocês estarão enganando a si mesmos. Suponhamos que eu more em Xangai e que não consiga dar-me bem com os irmãos em Xangai, mas com os irmãos de Nanking me dê otimamente bem. Isto é inútil, e estou

enganando a mim mesmo. Devemos ver que a unidade do Corpo é exigida pelas Escrituras, mas tem um limite, um requisito mínimo de limite, que é a localidade. Os irmãos em Corinto devem ser um com os irmãos em Corinto. Se vocês não são um em Corinto, todas as suas palavras estão enganando os outros. "Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu de Apoio, e eu de Cefas, e eu de Cristo"(l Co 1:12). Observe a frase "cada um de vós". Quem são estes? É claro, os coríntios. Não seria certo Paulo falar tais palavras aos irmãos em Jerusalém, porque eles não as havia proferido. Tampouco seria certo Paulo aplicá-las aos irmãos em Antioquia, porque eles não haviam dito tal coisa. Quem as proferiu? Somente os irmãos em Corinto! Aqui o Senhor nos dá a luz para a unidade básica, isto é, os cristãos em Corinto devem ser um pelo menos em Corinto. Se a unidade neste único lugar, "Corinto", não se pode verificar, eles não devem falar sobre unidade com outras pesso- as. Devem ser um pelo menos em um lugar. Talvez um irmão em Corinto possa recitar todo o livro de Efésios, dizendo que devemos amar-nos uns aos outros. Naturalmente, todos nós nos amaremos um ao outro na Nova Jerusalém, mas o problema é se nós amamos uns aos outros hoje. Todos teremos comunhão na Nova Jerusalém, mas o problema é se temos comunhão hoje. O que temos hoje é prático. Hoje, na Sua Palavra, a exigência mínima de Deus para a unidade de Seus filhos é a localidade. Se a exigência mínima não pode ser cumprida, então tudo o mais é falso. Os irmãos facciosos em Corinto diziam: "Você é de Paulo, eu sou de Cefas, e ele é de Apoio", e alguém se levantou para dizer: "Eu sou de Cristo". Enquanto contendiam entre si, Paulo lhes disse que deveriam ser um. Vejamos como Paulo os repreendeu: "Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais; e, sim, como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda (isto é, quando eles eram recém-salvos) não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis (isto é, depois de salvos por um longo tempo), porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes, contendas e divisões, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?" (l Co 3:1-13 gr.). Isto se refere ao capítulo primeiro, onde vemos como os coríntios estavam envolvidos em ciúmes, contendas e divisões, e eram carnais, tendo a respeito dessas coisas o mesmo ponto de vista que tinham no princípio, quando foram salvos. Não progrediram absolutamente. No começo, ao serem salvos, tomavam leite; e, agora, ainda estão tomando leite. Se continuarem em ciúmes, contendas e divisões, serão carnais durante toda a vida. Talvez possam ainda continuar bebendo leite até aos sessenta, setenta ou oitenta anos de idade. Então onde está a expressão da espiritualidade? Está na unidade da igreja. E onde está a manifestação da carnalidade? Está nas divisões da igreja. Não podemos chamar-nos espirituais e, no entanto, ainda permanecer nas divisões. Se assim for, enganar-nos-emos a nós mesmos. Como é clara esta palavra: "porque ainda sois carnais. Porquanto, havendo entre vós ciúmes, contendas e divisões, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?" Paulo também repetiu as palavras do capítulo primeiro no versículo seguinte:

"Quando, pois, alguém diz: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apoio; não é evidente que andais segundo os homens?" (não sois carnais? -1 Co 3:4). Paulo estava mostrando-lhes que as divisões, não importa a sua boa aparência diante dos homens, são carnais diante de Deus. O sinal da espiritualidade é a unidade: o sinal da carnalidade são as divisões, ciúmes e contendas. Outro ponto que devemos observar é que Paulo não deu atenção alguma a qualquer dificuldade entre os irmãos em Corinto e os irmãos em Éfeso, ou entre os irmãos em Corinto e os irmãos em Colossos. Não apontou dificuldade alguma entre

os irmãos em Corinto e os irmãos em Laodicéia, ou entre os irmãos em Corinto e os irmãos em Filipos. Ele deu atenção às divisões entre os próprios irmãos em Corinto. No mínimo, eles devem ter dito: "Eu sou de Paulo, eu sou de Cefas, eu sou de Apoio, e eu sou de Cristo". Mas Paulo, com efeito, disse: "Irmãos Vocês são irmãos em Corinto. Não deve haver ciúmes, contendas ou divisões em Corinto". Você percebe, existe na verdade um limite. Pelo menos, não deveria haver ciúmes, contendas e divisões na igreja em Corinto. A quem se refere o "vós"? À igreja em Corinto. Portanto a questão da unidade nas Escrituras é a seguinte: Esta unidade é a unidade do Espírito Santo e a unidade do Corpo; mas a unidade do Espírito Santo

e a unidade do Corpo têm um requisito mínimo de unidade, um requisito mínimo de limite, isto é: a unidade da igreja deve ocorrer em uma localidade.

O "Corpo" Refere-se aos Filhos de Deus num Certo Tempo e Lugar

Acabamos de ver o ponto de vista negativo da divisão. Agora vamos ver o ponto de vista positivo da unidade, conforme se exige na Bíblia. "Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do

único pão" (l Co 10:17). Isto inclui os filhos de Deus em Corinto. Este "único pão" é

o pão sobre a mesa em Corinto. Durante o partir do pão nessa localidade, um pão

era posto diante dos filhos de Deus, indicando que, embora fossem muitos, ainda eram um só pão. Em outras palavras, o Corpo de Cristo que os irmãos em Corinto deveriam expressar tinha que ser expresso pelo menos em Corinto. Aqui devemos lembrar a situação daquele tempo. Quando os irmãos e irmãs se reuniam, um pão era exposto diante de muitos deles. Talvez cinqüenta irmãos estivessem partindo o pão juntos; assim Paulo disse que os cinqüenta, sendo muitos, eram um só pão. Em outras palavras, o Corpo de Cristo tem uma expressão universal, isto é, a igreja, o Corpo de Cristo. Mas os irmãos em cada localidade também expressam o Corpo de Cristo. Isto não significa que os irmãos em Corinto sejam o Corpo de Cristo, enquanto que os irmãos em Éfeso não o são. Isso significa que os filhos de Deus "em Corinto" são Corpo de Cristo; assim, tanto no princípio espiritual como no fato espiritual, eles devem expressar-se como sendo o Corpo de Cristo. O Corpo de Cristo é a igreja universal tanto em espaço quanto em tempo, a igreja que está em todos os lugares e em todas as gerações; todavia os irmãos na localidade devem pelo menos estar na mesma posição, aplicando o mesmo princípio para expressar o mesmo fato. Em outras palavras, o limite mínimo da unidade é o limite da localidade. Na localidade de Corinto, a unidade do Corpo, a unidade da vida deve ser expressa. Isto é maravilhoso! O Corpo mencionado em Efésios refere- se a todos os filhos de Deus, mas o Corpo mencionado em Coríntios refere-se aos filhos de Deus num determinado tempo e lugar. Os filhos de Deus naquele lugar e naquela época também são o Corpo de Cristo. Ao continuar lendo l Coríntios 12, novamente percebemos o assunto do Corpo; o único Corpo com o único Espírito Santo é discutido: "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo" (l Co 12:12). "Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Não podem os olhos dizer à mão: não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós" (l Co 12:15-16, 21). Como se vê, l Coríntios 12 fala do Corpo de Cristo

com muitos pormenores. O Corpo de Cristo mencionado em l Coríntios é diferente daquele mencionado em Efésios. Como já disse, o Corpo de Cristo mencionado em Efésios se refere à igreja universal. Este não é um problema para a maioria dos estudiosos da Bíblia. Mas o Corpo de Cristo mencionado em l Coríntios 12 refere-se à igreja em Corinto. Por que isto? Porque é diferente do que se menciona em Efésios. O Cabeça mencionado em Efésios é diferente da cabeça mencionada em l Coríntios 12. Em Efésios, "Cristo é o cabeça da igreja" (5:23), mas em l Coríntios 12:21 se diz "

Aqui o olho é um membro, e a mão também é

um membro. Segue-se a isto uma afirmação muito especial: "nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós" (12:21). A cabeça mencionada em l Coríntios 12 é, portanto, apenas um membro. Esta afirmação não pode ser usada e aplicada como uma ilustração em Efésios. Isso seria terrível. De modo algum pode ser usada ali. Se fosse, o Cabeça estaria colocado em posição muito baixa. Portanto a cabeça de l Coríntios 12 é só um membro, cuja posição é diferente da de Efésios. O Cabeça de Efésios é, sem dúvida, Cristo, enquanto a cabeça de l Coríntios 12 é alguém entre os irmãos, que age como uma cabeça. É apenas um dos membros, mas não o único Cabeça. E muito baixo; não é elevado. Assim, para a expressão da unidade do Corpo, a Bíblia nos mostra que a localidade é o limite mínimo. Espero que os irmãos enxerguem que, na Bíblia, o requisito mínimo da unidade é a unidade na localidade. Os filhos de Deus devem ter sua unidade espiritual em cada localidade. Esta é a exigência básica da Bíblia. Qual é, então, o propósito de Deus? É "que não haja divisão no Corpo" (l Co 12:25). Você lembra por que Paulo disse isso? É por causa das ocorrências dos capítulos primeiro e terceiro, onde se vêem divisões entre eles. Paulo mostrou-lhes que ter divisões na localidade de Corinto significa ter shism no Corpo de Cristo. A unidade tem de ter ao menos a localidade como seu limite. Se moro em Corinto, preciso ao menos ser um com os filhos de Deus na localidade de Corinto; devo pelo menos demonstrar uma vida de unidade em Corinto. Não posso ter divisões.

"Não podem os olhos dizer à mão

Devemos Amar os Irmãos em Corinto

Paulo, no capítulo treze, fala do amor. Por que neste capítulo fala tão seriamente do amor? Porque só o amor é contrário às divisões. O amor une, o amor não divide. Em Corinto, havia ciúmes e contendas. Por isso, Paulo disse que o amor não arde em ciúmes, não procura os próprios interesses, não se ressente do mal, não se divide, nem se separa. Observamos, aqui, Paulo a exortar os irmãos em Corinto, a se amarem mutuamente, ao menos na localidade de Corinto. Hoje, um certo tipo de condição prevalece na igreja: as pessoas pregam a doutrina de se amarem uns aos outros, mas se esquecem da localidade. Sentem que a localidade não é importante. Mas, irmãos, por favor, lembrem-se de que, quando vocês pregam o amar uns aos outros, mas se esquecem da questão da localidade, é muito fácil tornarem-se idealistas. "Todos os irmãos e irmãs são amáveis, exceto alguns em Xangai!". Que faremos? Os irmãos de Xangai sentem desta maneira, e os irmãos de Nanking sentem do mesmo modo: "todos os irmãos "

são bons, com exceção daqueles de Nanking

Os irmãos de Ti-Hua também

sentem o mesmo: "Todos os irmãos são muito bons, mas não alguns em Ti-Hua". Mas permitam-me dizer-lhes o que Deus diz aos irmãos de Xangai: "Amem, primeiramente os irmãos de Xangai, e depois os irmãos de Nanking". Deus também diz aos irmãos de Nanking: "Amem primeiramente os irmãos de Nanking, e, depois,

os de Xangai". Assim, os irmãos em Corinto precisavam amar primeiramente os irmãos em Corinto, e depois ascender aos céus para ver o Corpo de Cristo. Em

primeiro lugar, deviam descer para ver Corinto, e, depois, ir até Éfeso, para ver o Corpo de Cristp. Antes de tudo, precisavam descer até Corinto e observar o Corpo de Cristo, porque isto é muito mais prático. Se não podemos amar os irmãos a quem vemos, como podemos amar os irmãos a

quem não vemos? O apóstolo João disse "

quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê". Hoje, precisamos acrescentar mais uma palavra: "Se não podemos amar aos irmãos que vemos, como podemos amar os irmãos que não vemos?". Muitos, simplesmente, não amam aos irmãos que vêem; só amam aqueles a quem não vêem. Isto é o que se chama de "comunhão espiritual". Pois tudo o que não se pode ver é "espiritual". Se você permanecer nesta posição, grandes dificuldades surgirão na igreja. A comunhão, o amor mútuo, o cuidado mútuo e a unidade entre os filhos de Deus precisam ter início ao menos na localidade. A localidade é o requisito mínimo.

pois

aquele que não ama a seu irmão, a

Devemos Pensar a Mesma Coisa em Filipos

No livro de Filipenses, Paulo também exortou os irmãos a serem um: "Pela vossa cooperação (unidade) no evangelho, desde o primeiro dia até agora" (Fp 1:5). Mais tarde, Paulo mencionou outro aspecto, nos versículos quinze e dezessete: "Alguns

efetivamente proclamam a Cristo por inveja e porfia

Cristo por discórdia". Aqui, pode-se ver, não temos uma condição universal da igreja,

mas uma questão local em Filipos. A dificuldade lá era que alguns irmãos pregavam Cristo em comunhão, enquanto outros pregavam Cristo por inveja, dizendo: "Se você pode pregar, eu também posso. Se você pode fazê-lo, por que eu não posso?". Assim, também pregavam. No capítulo segundo, versículo segundo, Paulo exortou-os: "de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo senti-

mento". Gostaria de salientar aqui esta palavra: "de modo que penseis a mesma cousa". Isso não se refere à igreja universal. Embora a igreja universal possa aprender deste exemplo, esta palavra se refere principalmente aos Filipenses, pois a eles Paulo escreveu a carta. Vocês, cristãos em Filipos, irmãos filipenses, devem pensar a mesma coisa. É-lhes inútil pensar a mesma coisa que os irmãos em Xangai; é-lhes também inútil pensar o mesmo que os irmãos da igreja em Lan-Chou. Vocês devem ter o mesmo pensamento que os irmãos de Filipos. Este é o mandamento da Bíblia. Pensar a mesma coisa exige a localidade como requisito mínimo. Se este falhar, todas as doutrinas serão idealísticas e imaginárias. Muitos irmãos são bastante espirituais nos céus, mas carnais na terra. Seu pensamento é muito espiritual, mas sua prática é carnal. Paulo falou-lhes que, se tivessem o mesmo pensamento, o mesmo amor, o mesmo sentimento, e fossem unidos de alma, então completariam a alegria dele. "

(Fp 2:3). Esta palavra foi proferida aos

filipenses. Vocês, filipenses, nada devem fazer por partidarismo. Então Paulo expôs a razão que leva as pessoas a fazerem as coisas por partidarismo: Alguns cobiçam a "vangloria". Estes, que buscam a vangloria, separam-se facilmente dos irmãos. Os que desejam ter glória diante dos homens naturalmente criam problemas com outros. Alguns são orgulhosos, considerando-se muito elevados. Assim são

aqueles, contudo pregam a

"Nada façais por partidarismo

por humildade, considerando cada

um os outros superiores a si mesmo"; então vocês poderão ser um com os outros. Alguns cuidam somente de suas próprias coisas, e são muito egoístas. Por isso também lhes é fácil criar problemas com outros. Paulo falou: "Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros" (Fp 2:4). Essa é a razão pela qual muitos não podem pensar da mesma maneira, não podem ter o mesmo amor, não podem ser unidos de alma, não podem ter o mesmo sentimento e não podem ser um com os outros. Alguns cuidam apenas de si, outros são orgulhosos, outros buscam a glória e desejam que terceiros os aplaudam. Obviamente, tais tipos de pessoas jamais poderão ser um com os outros. Temos que aprender a ser humildes, não buscando a glória dos homens, e precisamos aprender a cuidar dos outros. Então poderemos ser um com outros filhos de Deus. Este é o princípio bíblico. Precisamos segui-lo adequadamente. Paulo louvou os filipenses por sua cooperação (unidade) na pregação do evangelho. Mas, na realidade, tinham discórdia. Daí a necessidade da exortação no capítulo segundo. As discórdias em Filipos não ocorriam somente entre os irmãos, mas também entre as irmãs. Por isso, Paulo, no capítulo quarto, especialmente citou duas irmãs: "Rogo a Evódia, e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor" (Fp 4:2). Temos aqui duas irmãs; seus nomes são femininos. Não sabemos a extensão da história por detrás dessas palavras. Paulo não no-la revelou. Ele apenas disse: "Rogo a Evódia, e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor". Essa exortação mostra-nos que havia contendas na localidade de Filipos. Também nos mostra que essa contenda estava limitada àquela localidade, face aos nomes mencionados. Creio que, agora, você deveria ver pelo menos uma coisa: A unidade do Corpo, ou a unidade do Espírito Santo, na Bíblia, refere-se especialmente à unidade na localidade. A unidade que não ocorrer na localidade será totalmente vã. Você não pode dizer que é capaz de guardar a unidade em qualquer outro lugar, exceto em sua própria localidade.

incapazes de ser um com os outros. "

Mas,

A Igreja, na Bíblia, é Local

Agora iremos em frente, a fim de ver por que enfatizamos tanto a expressão da unidade na localidade. É que a igreja na Bíblia é a igreja local. Falamos isto por muitos anos, e mesmo agora continuamos a repeti-lo inúmeras vezes. A igreja, na Bíblia, é local. Nenhuma exceção, sequer, pode ser vista em todo o Novo

Testamento. Todas as igrejas são locais: ou seja, a igreja em Jerusalém, a igreja em

os exemplos encontrados na Bíblia são

igrejas locais. Por exemplo, no livro de Apocalipse, a igreja em Éfeso, a igreja em Esmirna, a igreja em Pérgamo, a igreja em Tiatira, a igreja em Sardes, a igreja em Filadélfia e a igreja em Laodicéia são todas locais. Deus determinou ter uma igreja em cada localidade. As localidades e as igrejas são equivalentes. As cidades na terra estão divididas de acordo com a localidade. Hoje, as igrejas de Deus na terra estão também separadas de acordo com a localidade. No mundo, existe a localidade de Xan-gai; portanto há uma igreja em Xangai diante de Deus. No mundo, há a localidade de Nanking; portanto existe a igreja em Nanking diante de Deus. No mundo, existem as localidades de Hsi-An e Lan-Chou; portanto há a igreja em Hsi-An e a igreja em Lan-Chou perante Deus. Em outras palavras, desde que haja um lugar suficientemente grande para ser uma localidade, então uma igreja deve haver naquela localidade. Se o seu lugar não é suficientemente grande para ser uma

Antioquia, a igreja em Corinto, etc

Todos

localidade, então vocês não podem ser uma igreja. Por exemplo, Lan-Chou é um lugar suficientemente grande para ser uma localidade. Aos olhos de Deus, é uma localidade. Assim, uma igreja pode estar lá em Lan-Chou. Diante de Deus, este assunto está muito claro. A Bíblia determina a localidade de acordo com o limite de uma cidade ou um lugarejo. Por exemplo, no livro de l Coríntios, que acabamos de ler, há uma palavra muito boa: "Por esta causa vos mandei Timóteo, que é meu filho amado e fiel no Senhor, o qual vos lembrará os meus caminhos em Cristo Jesus, como por toda parte ensino em cada igreja" (l Co 4:17). "Por toda parte" é a

localidade; "cada igreja" é o seu conteúdo espiritual. Em cada localidade, havia uma igreja. Como está "por toda parte" dividida na Bíblia? Está dividida conforme uma cidade ou um lugarejo. O Senhor Jesus pregou o evangelho em cada cidade e em cada povoado (Mt 9:35); portanto, a unidade de jurisdição da localidade é a cidade

cada cidade, constituísses presbíteros,

ou lugarejo. Paulo disse a Tito: "

conforme te prescrevi" (Tt 1:5). Naquela época, Paulo pregava o evangelho nas cidades e não entrava nos lugarejos; por isso, não os mencionou. Todas as igrejas na Bíblia eram locais. Portanto, este é o problema de hoje: a unidade dos filhos de Deus precisa ter pelo menos uma igreja local como sua unidade. Em outras palavras, a unidade mínima para a unidade espiritual dos filhos de Deus deve ser a localidade. Todos os filhos de Deus na mesma localidade devem ser um. Esse é o requisito mínimo.

em

Deve Haver Comunhão Espiritual entre as Igrejas

Desejo agora considerar com vocês a dificuldade dos filhos de Deus com referência a esta questão. Já mencionei o segundo tipo de unidade, parte da qual é correta e parte é errada. Que significa isto? Deve haver a "comunhão espiritual" da qual se fala? Parte dela deve existir, e parte não. Como, então, a parte que tem que existir deve ser cumprida? A resposta é que deve haver comunhão espiritual entre uma igreja local e outra igreja local. A Bíblia nos mostra que a igreja é local; a unidade da igreja, portanto, deve ocorrer pelo menos na localidade. Por isso eu disse:

se não há nenhuma unidade na localidade, todas as outras palavras são vãs e ilusórias. Não se trata de uma localidade negligenciar seus próprios assuntos para cuidar dos assuntos de outra localidade. Não é que os irmãos de Tien-Hsui não resolvem os próprios assuntos, e vão cuidar dos assuntos de Ping-Lian. Mas é que Tien-Hsui e Ping-Lian devem ter comunhão em questões espirituais. A unidade da igreja, a unidade do Corpo, tem a localidade como sua unidade. Mas também devemos ter unidade espiritual com os irmãos de outras localidades. Esta unidade espiritual não é a unidade entre uma denominação e outra, mas é a unidade entre uma igreja e outra. Esta unidade espiritual não é unidade entre as divisões, mas é a unidade do Corpo, entre os membros. Uma igreja local está aqui, e outra igreja está acolá; e, entre essas igrejas locais, buscamos a unidade do Espírito Santo, a unidade do Corpo, a unidade no caminho do Senhor, e buscamos a unidade em cada aspecto, a fim de expressar a unidade espiritual entre as igrejas. Hoje, se não temos a unidade espiritual entre as igrejas, mas, em vez disto, nós a temos entre as denominações, tal está errado. É errado ter unidade espiritual entre as seitas e não tela entrs as localidades. A teoria está certa, mas a aplicação está errada.

4. A UNIDADE DO CONGREGACIONALISMO

Vejamos, agora, a importância do limite da localidade. Talvez devêssemos observar primeiramente a História. Bem no início, as igrejas na Bíblia eram locais. Mais tarde, uniram-se para formar igrejas distritais ou provinciais. Ainda mais tarde, uniram-se numa igreja internacional, uma igreja única, na qual surgiu o papa. No princípio, quando estavam em harmonia com o propósito de Deus, as igrejas eram locais. Mas, pouco a pouco, degradaram, até haver só uma igreja em todo o mundo, a Igreja Católica Romana. Durante a Reforma, ela foi esmagada, mas não o suficiente para voltar a ser as igrejas locais, como no princípio. Subseqüentemente àquele golpe es- magador, a igreja internacional passou a ser a igreja nacional, a igreja estatal, em cada nação. Neste ponto, as igrejas melhoraram um pouco e, de certo modo, aproxi- maram-se da semelhança daquelas existentes no princípio. Estas igrejas estatais, mais tarde, tornaram-se as igrejas independentes. Dentro de uma nação havia dezenas, centenas, e até milhares de pequenas igrejas. Tais igrejas independentes deram mais um passo de retorno ao princípio. Você precisa perceber como foi difícil, naquela época, estabelecer tais igrejas independentes. Por exemplo, em toda parte, a igreja insistia em que os sermões só poderiam ser pregados em lugares sagrados. O que eram seus lugares sagrados? Eram as igrejas (prédios materiais) consagradas. John Wesley saiu a pregar sermões por qualquer lugar. Oh! como foi grande sua perseguição. A igreja estatal declarava profanos os sermões pregados em lugares não consagrados. Além disso, não apenas o lugar deveria ser consagrado, mas a pessoa tinha de ser ordenada, antes que uma mensagem pudesse ser pregada. É por isso que Darby disse que, se assim fosse, nem Paulo, Pedro ou João poderiam ter pregado, porque não tinham sido ordenados. Considerava-se a pregação algo muito importante, considerava-se também o lugar muito importante, e considerava-se o estabelecimento de novas igrejas ainda mais importante. Nem mesmo durante a Reforma, Lutero se atreveu a estabelecer uma igreja. Foi o poder político que o obrigou a fazê-lo. Entretanto, depois que Wesley foi levantado, tal tipo de influência, gradualmente, começou a mudar. Assim, a igreja internacional passou a ser as igrejas nacionais, e as igrejas nacionais transformaram- se nas igrejas independentes. Entre tais igrejas independentes, uma doutrina que se tornou bastante dominante foi o assim chamado Con-gregacionalismo, a significar que cada congregação inde- pendente é uma igreja. Quem creu no Congregacionalis-mo? Os Congregacionais e os Batistas. Que significava o Congregacionalismo? Muitos filhos de Deus entre eles, lendo a Bíblia, viram que as igrejas, na Bíblia, eram todas independentes umas das outras. A igreja em Jerusalém tinha sua própria administração; a igreja em Antioquia cuidava dos seus próprios assuntos; a igreja em Corinto, assim como a igreja em Éfeso, também tinha sua própria administração. Portanto criam que, embora a igreja fosse universal, cada congregação era a unidade de administração da igreja. Daí o chamar- se "Congregacionalismo". Estabeleceram igrejas baseadas no Congregacio nalismo. Cada congregação era uma igreja sem arcebispo sobre eles. Comparando com outras igrejas independentes, isto representou melhoria. Vemos, agora, o progresso nos diversos melhoramentos: a igreja internacional progrediu para as igrejas nacionais; as igrejas nacionais progrediram para as igrejas independentes; e, entre as independentes, algumas progrediram para as igrejas congregacionais.

O Erro do Congregacionalismo

O Congregacionalismo está, na realidade, bastante próximo da Bíblia, mas foi um pouco além da Bíblia. Os irmãos Congregacionais estudaram a Bíblia, mas fracassaram na descoberta da palavra "localidade". Falharam por não verem que Jerusalém é uma cidade, e não uma congreação; Antioquia é uma cidade, e não uma congregação; Éfeso é um porto, não uma congregação; Colossos é uma cidade sobre um monte, e não uma congregação. Pensaram que Jerusalém, Antioquia, Éfeso e Colossos fossem congregações, e, por isso, concluíram que as congregações eram independentes umas das outras. A História da Igreja mostra-nos que a igreja deteriorou-se até à época de Lutero. Com Lutero começou a restauração, o aperfeiçoamento, até que o estágio das igrejas independentes foi alcançado. Todavia, das igrejas independentes, as igrejas caminharam para um outro extremo, isto é, para tomar a congregação como unidade. Tal tipo de igreja não apenas incluía os Congregacionais e os Batistas, mas também, mais tarde, até mesmo os Irmãos Abertos. Estes também consideravam a congregação como uma unidade, indo para o mesmo extremo. Gostaria agora de comentar um pouco com vocês por que o Congregacionalismo está errado. É o que mais se aproxima da Bíblia, mas ainda está errado. O Senhor deseja que, na mesma igreja local, nós nos amemos uns aos outros, recebamos uns aos outros, e evitemos ciúmes, contendas e divisões. Mas a unidade do Congregacionalismo toma a congregação como sua unidade de jurisdição. A dificuldade aqui é que este assunto de congregação é incontrolável. Realmente, é um problema difícil. Pode haver uma congregação na Rua Nanyang, 145, e outra na mesma rua, número 143. Se amo os irmãos da Rua Nanyang, 145, vou reunir-me com eles. Quando deles discordo, estabeleço outra congregação na Rua Nanyang, 143. Se você viu que a unidade é uma questão de localidade, só poderá estabelecer uma igreja em outra cidade, mas não uma outra igreja aqui, em Xangai. A unidade da localidade proíbe a qualquer pessoa estabelecer uma outra igreja numa localidade, se uma igreja local já houver sido aí estabelecida. Temos de estar juntos em uma única igreja local. Naturalmente, isto não é fácil; mas ainda precisamos amar uns aos outros. Oh! como é grande a sabedoria do Senhor, ao colocar-nos em localidades, ao dar-nos a localidade como limite. Somente aqui, podemos realmente encontrar a cruz para carregar e a lição para aprender. Qual é o significado da Igreja Congregacional? Significa que, dentro de cada localidade, pode haver várias congregações, cada uma delas tendo uma unidade dentro de si, e sendo elas independentes umas das outras. Esta é uma questão muito séria. A unidade do Congregacionalismo é um outro erro. O erro da igreja internacional vai para um extremo, fazendo com que muitas localidades tenham uma só igreja; mas o erro das igrejas congregacionais vai para o extremo oposto, fazendo com que uma localidade tenha muitas igrejas. A Igreja Católica Romana está em um extremo, com muitas localidades e uma só igreja; e as igrejas congregacionais estão no outro extremo, com uma localidade e muitas igrejas. É como um pêndulo. Oscila para um lado, com muitas localidades possuindo uma igreja; e oscila para o outro lado, com uma localidade tendo de cinco a dez igrejas. No século passado, os Irmãos foram levantados, mas alguns deles também caíram no Congregacionalismo. Houve duas divisões principais: Os Irmãos Fechados e os Irmãos Abertos. Os Irmãos Fechados ainda estão ao lado da igreja unida; os Irmãos

Abertos caminharam para o outro lado, tornando-se congregações, as assembléias de "capela". Pode haver uma assembléia numa rua e outra assembléia em outra rua, nada tendo a ver uma com a outra. Isto significa que eles podem ter muitas igrejas em uma localidade.

Uma Localidade com Uma Igreja

Precisamos, portanto, ver muito claramente, diante de Deus, que, na Bíblia, existe "uma localidade com uma igreja"; ou, em suma, "uma localidade, uma igreja". Este é um princípio básico da Bíblia. Se estudarmos a questão da igreja, deveremos ser capazes de compreender este princípio: "uma localidade, uma igreja". Todos os erros vêm da sua violação. "Uma localidade, uma igreja" é o pêndulo. Quando oscila para um lado, está errado, porque faz com que três ou quatro localidades tenham uma só igreja, ou que o mundo todo tenha uma só igreja. Quando oscila para o lado oposto, também está errado, porque faz com que uma localidade tenha várias igrejas. Ou há algo anormal ligado à localidade, ou há algo anormal ligado à igreja. Na Bíblia, temos "uma localidade, uma igreja". Quando o Novo Testamento foi escrito, a população da cidade de Jerusalém era aproximadamente um milhão de pessoas. Era uma das cidades mais populosas do mundo de então. Muitas localidades na China ainda hoje não têm esta população. Naquela ocasião, três mil pessoas foram salvas, e depois cinco mil. O número dos

salvos, por fim, atingiu um total de várias dezenas de milhares. Aquilo foi realmente extraordinário. Como não havia lugar suficientemente grande para se reunirem, eles precisavam reunir-se de casa em casa. Todavia a Bíblia não diz "as igrejas em Jerusalém", no plural. Duvido que eles pudessem facilmente encontrar um local de reuniões suficientemente grande para acomodar três ou cinco mil pessoas. É possível que se reunissem no deserto; nós não sabemos. Embora a cidade fosse tão grande,

e os cristãos tão numerosos, mesmo assim eles ainda eram uma igreja. A Bíblia, portanto, nos mostra: uma localidade, uma igreja.

Vemos claramente que a Igreja Católica Romana oscilou para um extremo, com

o princípio de ter muitas localidades com uma só igreja. E, hoje, um outro grupo de

pessoas no mundo está no outro extremo, com o princípio de uma localidade com muitas igrejas. Na mesma localidade, vocês são uma igreja, e nós somos outra igreja:

isto é Congregacionalismo! Para eles, é suficiente uns aos outros se amarem dentro da mesma congregação, e não se preocuparem com outras congregações. Os Irmãos Abertos foram para este lado, na direção da Igreja Congregacional. Os Irmãos Fechados caminharam para o lado oposto, na direção da Igreja Católica Romana.

Assim, enfrentamos um enorme problema na China. O testemunho que mantemos aqui precisa resistir à obra da Igreja Católica Romana, por um lado, e à obra das Igrejas Congregacionais, por outro lado. Hoje, na China, se nos descuidarmos um pouco, aparecerá entre nós o Congregacionalismo. Se estivermos claros sobre "uma localidade, uma igreja", então enxergaremos claramente o que é o Catolicismo Romano e o que é o Congregacionalismo. Por exemplo, Hsi-An é uma localidade; portanto deve haver lá uma igreja. Não importa se a igreja em Hsi-An é boa ou má; ela é lá a única igreja. Se está tudo certo entre mim e os irmãos em Hsi-An, estou na igreja em Hsi- An; mas, se está tudo errado entre mim e esses irmãos, ainda estou na igreja em Hsi- An.

Vejamos, agora, as conseqüências do Congregacionalismo. Se tudo vai bem entre

mim e os irmãos, então parto o pão com eles; caso contrário, você ama o seu grupo, e eu amo o meu; e, de agora em diante, vamos partir o pão separadamente. Tal modo de partir o pão nada custa, e é desnecessário convidar um pastor. Pode- mos/simplesmente, preparar uma mesa como preferirmos, e partir o pão. Podemos formar outra igreja, amar uns aos outros, lavar os pés uns dos outros desde a manhã até à noite, fazer de cada refeição uma festa de amor, e ter uma ótima comunhão. Mas a Bíblia diz: "uma localidade, uma igreja!". A Bíblia diz que "nós (os cristãos da mesma localidade), embora muitos, somos unicamente um pão" (l Co 10:17). Mas, que são vocês? Vocês, embora poucos, são dois pães. Vocês dizem: "Nós somos um pão, e vocês também são um pão". Isto é o Congregacionalismo. E uma situação terrível para a igreja, o aparecimento do Congregacionalismo. O Catolicismo Romano, durante o período de onze séculos, teve apenas uma igreja. Se o Congregacionalismo pudesse existir também por um período de onze séculos, poderia haver centenas e milhares de igrejas. Os que gostam de contendas sempre buscam motivo para contenda. Suponhamos que sendo eu um contendor, tenha encontrado um irmão com que contender. Mais tarde, a contenda terminará em divisão. Então eu sofrerei, porque não terei ninguém com quem contender. Precisarei procurar um outro irmão. Isto é pavoroso. A igreja não somente será dividida em muitos pedaços, como também defenderá mais divisões. Se o princípio é errado, as dificuldades continuarão: sempre que surgir algo que não for do seu agrado, você estabelecerá uma mesa, e o outro estabelecerá uma outra. O Senhor nos mostrou que uma localidade deve ter somente uma igreja, que uma localidade deve somente ter uma administração. Por isso, devemos estar limitados pela localidade. Se qualquer irmão não é um comigo, devo lavar-lhe os pés e rogar-lhe que seja um comigo. Aqui, há lições para eu aprender; o meu gênio tem de ser tratado. Preciso descobrir a razão pela qual um irmão não deseja ser um comigo, e fazer o máximo possível para ajustar essa situação; caso contrário, não haverá jeito de prosseguirmos. Se agirmos de acordo com o Congregacionalismo, ficará tudo muito conveniente. Cada vez que surgir algo desagradável, ir-me-ei e estabelecerei outra igreja. Então, em Xangai, poderá não só haver vinte e quatro reuniões em casas, mas também vinte e quatro igrejas. Conseqüentemente, aparecerá uma localidade com muitas igrejas; e isto é algo muito sério. A unidade da igreja Católica Romana é contrária às Escrituras, e a unidade "espiritual" ficou aquém do objetivo do Senhor. A unidade das Escrituras é aquela de uma localidade com uma igreja. Isso torna impossível o não sermos um em cada localidade. Há um bom número de irmãos, por exemplo, com os quais a igreja realmente busca a unidade. Sabe qual é a atitude deles? Nestes últimos dias, ouvi alguém dizer assim: "Podemos conversar e ter comunhão uns com os outros, muito embora vocês tenham sua igreja, eu tenha a minha, e ele, a dele. Todos somos um. Todos estamos em nossas próprias posições para sermos um com os outros. Todos temos nossos próprios anciãos e diáconos; porém nós nos respeitamos uns aos outros". Devo dizer seriamente a esses irmãos que deve haver apenas uma igreja em uma localidade. Eu disse ao irmão que me falou deste modo: "Esse seu pensamento junta, de um modo todo-inclusivo, todos os irmãos que estão em uma localidade com muitas igrejas. Isto pode agradar só a algumas igrejas. Hoje, com sua esperteza, você pode tratar do passado e tratar dele muito bem; mas que fará no futuro? Todos nós por fim morreremos. Então que você deseja que os irmãos jovens venham a fazer no futuro? Hoje, se os nossos irmãos, em cada lugar, praticam o Congre- gacionalismo, sem nada dizerem sobre a nossa obediência ao Senhor, mas apenas

permitindo tal tipo de unidade, que faremos com relação ao futuro? Suponhamos que, hoje, você possa estar bem com as cinco congregações antigas. Haverá, no entanto, algumas dificuldades no futuro, e, com elas, a sexta congregação aparecerá. Mais tarde, havendo mais dificuldades, surgirão a sétima e a oitava. Que você fará? Todos vocês devem ver que este é um princípio básico. O mandamento do Senhor é muito claro: por um lado, Ele não permitirá que tenhamos uma igreja unida, para que não nos tornemos um poder na terra e entre os homens. Por outro lado, não permitirá que uma igreja se torne várias igrejas em uma só localidade. Caso contrário, ocorrerão contendas intermináveis no futuro. Hoje, gostaria de que vocês vissem que o Con-gregacionalismo é o resultado de alguns irmãos terem visto a verdade na Bíblia, mas não a terem visto acuradamente. Não há congregações na Bíblia. Jerusalém, Antioquia, Éfeso, Tiatira e Laodicéia são todas localidades. Através de tantos anos de História da igreja, a luz do Senhor tornou-se cada vez mais clara: da igreja internacional à igreja nacional; da igreja nacional à igreja independente; e da igreja independente, uni tanto além do padrão normal, ao Congregacionalismo. Agora, nestes últimos vinte ou trinta anos, o Senhor nos conduziu a ver a igreja local. Está suficientemente claro. A igreja, hoje, está tomando o caminho dos apóstolos. A igreja é local! Nunca se orgulhe, dizendo que isto é pregado por nós. Isto é a graça de Deus. Ele permitiu que Seus filhos tateassem por mais de mil anos. Graças a Deus! Herdamos o que eles ganharam, e encontramos o caminho. Graças a Deus! Eles viram o caminho do Congregacionalismo. Embora errado, não deixa de ser uma melhoria. Viram que a "única igreja" do Catolicismo Romano é errada. Mas melhoraram, indo além do padrão. Por que é que irmãos tão bons como os "Irmãos" também tiveram contendas? Porque um grupo deles tomou o caminho da igreja unida, e o outro grupo tomou o caminho das congregações. A Missão Para o Interior da China também praticou o Congregacionalismo. Hoje, a prática mais dominante é o Congregacionalismo. O livrete escrito por Goodman, intitulado "Um Clamor Urgente", é também algo de Congregacionalismo. Quando ocorre o Congregacionalismo? Quando há uma assembléia numa certa rua, e outra na porta vizinha; e uma não toma conhecimento da outra. A única unidade que buscam é a unidade dentro de sua própria assembléia. Enquanto todos podem ser um, reúnem-se como uma assembléia. Caso contrário, separam-se novamente. O tipo de amor de uns para com os outros, conforme o Congregacionalismo defende, é este tipo de amor não limitado pela localidade, sem as lições da mesma. Por isso, eu já disse repetidas vezes, as lições da localidade são um assunto extremamente sério. Você mora nesta cidade, e não lhe é fácil mudar-se daqui. O Senhor o colocou em certa localidade para moê-lo passado, era Éfeso; hoje, mude para Tien-Hsui. Isso também é bem razoável! No passado, era uma igreja; hoje ela não deve transformar-se em várias igrejas. Sei que muitos irmãos, hoje, ainda estão voltando ao Congregacionalismo das igrejas congregacionais. Não faz muito tempo, os irmãos em Xangai defenderam as igrejas em casas. É simples, isto ainda está de acordo com o princípio do Congregacionalismo. Por isso, vocês todos devem estar claros, a fim de manterem "uma localidade, uma igreja". O pêndulo não deve oscilar para um extremo, nem para o outro. Qual é a definição das igrejas em casas? Significa que cada reunião numa casa é uma igreja. Assim, as reuniões nas casas se tornam as igrejas" em Xangai. Se pudesse ser assim, então não somente haveria sete igrejas na Ásia, mas também seria possível haver quatro igrejas em Corinto. Poderia haver

sete igrejas na Ásia, porque a Ásia era uma província; mas não poderia haver quatro igrejas em Corinto porque Corinto era uma cidade. Os coríntios diziam: "Eu sou de Paulo, e eu de Apoio, e eu de Cefas, e eu de Cristo". Foi por esse motivo que Paulo disse que eles eram carnais. A igreja é uma só; é impossível haver quatro igrejas em uma localidade. Uma vez resolvido este problema, todos os outros também o serão.

Devemos mais Temer Fundar uma Igreja do que Fazer

Qualquer Outra Coisa

Finalmente, devemos dar atenção a um outro problema. Já vimos que a unidade do Corpo se expressa na localidade. Se não damos atenção à unidade na localidade, então todos os tipos de unidade são palavras vãs e não encontradas na Bíblia. A unidade tem de ser expressa na localidade; doutro modo, é inútil falar-se dela. A unidade, a fim de ser percebida, não deve esperar até quando formos para o céu, porque lá todos seremos um. A unidade é ser um com os irmãos ao seu redor, hoje. Caso contrário, o que resulta é o erro do Congregacionalismo. Os que estão na Igreja Católica Romana aprenderam alguma coisa com relação à igreja, mas aplicaram-na erroneamente. Cada um, na Igreja Católica Romana, viu que a igreja é

uma, mas estão errados com relação ao limite. Pensam que, hoje, há só uma igreja na terra. E nós? Em certo ponto, somos como eles, pois já vimos que a igreja é uma. Mas eles têm uma igreja para toda a terra, e nós temos uma igreja para cada localidade. Porque o Catolicismo Romano crê que há somente uma igreja em toda a terra, seus irmãos aprenderam a lição de não se atreverem a estabelecer qualquer outro tipo de igreja. Este é um bom aspecto. Não importa quão grandes sejam as dificuldades; eles ainda continuam juntos e não se atrevem a dividir-se. Já que viram que a igreja é uma, eles pecariam contra o Senhor se gerassem divisões. Hoje, como estamos aprendendo a mesma lição sobre este aspecto, espero que tenhamos o mesmo resultado: de também não nos atrevermos a estabelecer outras igrejas, mas permanecermos com os irmãos, a fim de aprender

a mesma lição. Não sei como falar hoje aos irmãos. Sinto que deveríamos aprender integralmente, perante o Senhor, que podemos fazer qualquer coisa, exceto estabelecer outra igreja. Quando nos mudamos para uma localidade, temos a

liberdade de fundar uma escola, um hospital, uma companhia ou uma fábrica. Temos

a liberdade de fazer o que bem entendemos. Mesmo que isso não seja do Senhor, o

pecado não é o mais grave. Não estou dizendo que você deve ser desobediente à vontade do Senhor, mas estou dizendo que o erro que você cometeria não seria o maior. Mas é certo que você jamais pode sair para estabelecer uma outra igreja. Estabe- lecer igrejas de acordo com os nossos próprios desejos é o maior pecado. Devemos mais temer fundar um igreja do que fazer qualquer outra coisa. Irmãos, vocês percebem a seriedade deste assunto? Nada é pior do que estabelecer igrejas de acordo com os nossos desejos. Você pode fundar qualquer coisa, mas nunca deve fundar uma igreja, porque isto envolve o problema do Corpo de Cristo. Todos devemos estar bem claros diante de Deus, com relação a este assunto. Por essa razão, aonde quer que formos, precisaremos procurar ver se existe ou não uma igreja nessa localidade. Não é uma questão de a igreja lá ser forte ou não. Este

é um outro assunto. Não importa se a igreja lá é ou não espiritual. Isso é algo secundário. Se há uma denominação neste extremo, ou uma Igreja Católica Romana no outro extremo, se há muitas igrejas numa localidade, ou uma igreja em muitas localidades, então veremos que não há igreja alguma naquela localidade, e

poderemos estabelecer lá uma igreja. Pelo fato de a igreja ser local, ela não é nem Congregacionalismo nem unionismo.

Se já existe uma igreja local em uma localidade, jamais deveremos estabelecer

uma segunda igreja. Devemos temer estabelecer uma outra mesa para o partir do pão. Isso é algo terrível. Hoje, meu coração dói, por causa dos que leram alguns dos nossos livros e viram um pouco da verdade da igreja, e dizem: "Vamos reunir-nos". Irmãos, não é tão simples assim! Não podemos estabelecer uma igreja desleixadamente, a nosso bel-prazer. Antes de tudo precisamos ver se já existe uma igreja em nossa localidade. Se ela já existir, devemos comunicar-nos com esses irmãos, mesmo que isso seja contra a nossa vontade. Se há uma denominação ou uma seita, não temos jeito de nos unir a ela, pois não podemos posicionar-nos nas denominações. Mas, se é uma

igreja local, não posso estabelecer uma outra igreja, mesmo que vejamos nela alguns erros. Só posso ajudá-la por meio de ensinamentos, mas não estabelecendo outra igreja. Meu coração se angustia, porque há muita gente que não tem temor de estabelecer uma outra igreja. Supõem que esta seja uma questão muito simples, e que só discutindo-a com três ou quatro dentre eles, podem imediatamente estabelecer uma igreja. Os irmãos que são de certo modo dotados, ou que têm algum conhecimento bíblico, ou que são pregadores capazes, pensam que pódem estabelecer uma igreja. Suponhamos que eu tenha problemas com meus irmãos. Já não me seria mais difícil sair para pregar, estabelecer a Mesa do Senhor, construir um local de reuniões. Mas eu jamais poderia fazê-lo, porque deve haver apenas uma igreja em cada localidade. Portanto, irmãos, temos de ser hoje conduzidos ao ponto de jamais cometer o pecado de dividir o Corpo de Cristo. Há somente um Corpo de Cristo. Eu não desejo ser tal pessoa carnal, uma pessoa da carne, que causa divisões. Quando todos os irmãos estiverem firmes nesta posição, nosso aprendizado e nossa espiritualidade aumentarão, estaremos realmente capacitados a andar na vereda da igreja, e todos os irmãos e irmãs terão a verdadeira unidade, não a unidade grande e externa, que internamente é obscura, nem a unidade "espiritual", que lhe permite ser uma divisão, e a mim, uma outra.

O livrete "Um Clamor Urgente" menciona que, na conferência de Keswick,

Inglaterra, tem-se a unidade em Cristo durante uma semana por ano. Gostaria de perguntar: e as outras cinqüenta e uma semanas do ano? Se somos um em Cristo, devemos ser um durante as cinqüenta e duas semanas do ano. Se é para estarmos divididos, então deveremos estar divididos todas as cinqüenta e duas semanas. Mas, o estranho é que, em Keswick, há unidade durante uma semana por ano, e, depois, todos voltam às suas divisões outra vez. Ainda assim, alguns consideram isso como um fenômeno de unidade. Mas, se é para guardarmos a unidade, vamos guardá-la todo o tempo. Se é para guardar a unidade só uma semana anualmente, e voltarmos a estar divididos o resto do ano, então preferimos ficar em Keswick todos os dias, e jamais partir. Temos de ver a unidade completa e absoluta, não a assim chamada unidade "espiritual". O termo é bom, mas está sendo usado em sentido diferente. A unidade que vemos é a unidade do Corpo de Cristo expressa na localidade. E esta expressão na localidade que faz com que

muitas pessoas sejam incapazes de ir até o fim. Este é um grande teste. Obviamente, se Deus tirar a palavra "localidade", então tudo é conveniente. Então poderemos ter algumas reuniões onde todos se reúnam e conversem, e, depois, voltem para as suas divisões novamente. Eu desejo que os irmãos na China, hoje, vejam que a igreja é local. Mais tarde, pela misericórdia de Deus, poderemos ter várias centenas ou vários milhares de igre- jas locais levantadas. Elas também poderão espalhar-se até países estrangeiros, ao mundo ocidental, de onde veio o evangelho. Espero que os nossos irmãos na China não sejam influenciados pelo Congrcgacionalismo. Não há nada no Congregacionalismo, exceto uma coisa: divisão. Ele divide uma localidade em muitas facções. Espero que os irmãos e irmãs tenham um coração que tema estabelecer novas igrejas, podendo atrever-se a fazer qualquer coisa, exceto estabelecer uma igreja. Precisamos ver seriamente que o Corpo de Cristo é expresso na localidade. Natural- mente, não podemos forçar outros a tomarem este caminho. Se há uma denominação numa localidade, isso é outra coisa. Se há uma divisão numa localidade, isso também é outra coisa. Mas, se já existe uma igreja nessa localidade, não deveremos estabelecer outra igreja. Andando assim, creio que, na China, o caminho da igreja será percorrido de maneira melhor.

Um Problema

Um irmão pergunta: "Já que a palavra referente à unidade da igreja sai de nós, as pessoas podem nesta época, com muita facilidade, entender erroneamente o fato de estarmos pedindo-lhes que se unam a nós. Por que não nos unimos a eles?" Para responder esta questão, temos de mostrar-lhes que o problema básico é este: perante o Senhor, podemos ceder em certas coisas; mas há outras em que jamais poderemos comprometer-nos. Quais são estas coisas em que nunca poderemos comprometer-nos? São os ensinamentos da Bíblia, porque são a Palavra de Deus. Ainda que quiséssemos, não poderíamos comprometer-nos. Posso falar de um jeito ou de outro, mas será inútil. Não poderemos alterar a Palavra de Deus. Em quais coisas poderemos ceder? Poderemos ceder em nossa própria posição. Em relação aos nossos irmãos que estão nas denominações, quer nas igrejas congregacionais, quer na igreja unida, no que tange às coisas em que não podemos comprometer-nos, não devemos ceder nem um pouco, mas permanecer firmes. No entanto, nas coisas em que podemos ceder, deveremos fazê-lo, pois devemos buscar a unidade. Há dois pontos em que não podemos comprometer-nos:

1- Denominações são pecado; portanto nisto não podemos comprometer-nos. Deus disse que as divisões (seitas, denominações) são da carne. Não podemos dizer que as divisões são espirituais. Se não somos fiéis ao Senhor, não somos Seus servos, e não podemos pregar Suas palavras. As denominações devem ser condenadas. Este é o aspecto negativo. 2- Temos de solicitar-lhes reconhecer que a igreja é local. Este é o aspecto positivo, no qual jamais podemos comprometer-nos, ainda que pouco. Deve haver somente uma igreja em cada localidade, e não várias igrejas. Esta é a Palavra do Senhor, e não temos autoridade para alterá-la. Não podemos mudar nenhum dos dois pontos. Uma vez que o problema referente à Palavra do Senhor ficar esclarecido, já não se perguntará se você deve unir-se a mim ou se eu devo unir- me a você, pois isto já não envolverá mais a Palavra do Senhor, mas apenas nossas posições. Se ainda tivermos de considerar" o assunto, estaremos errados e

não seremos servos do Senhor. Uma vez unidos hoje, o que acontecerá com as divisões que talvez surjam no futuro? Já que eles, há pouco, começaram a andar neste caminho, os problemas facilmente podem surgir outra vez. Aos que já fizeram certa coisa antes, é-lhes muito fácil fazê-la novamente. Aos que andaram antes no caminho das denominações, é-lhes muito fácil voltar a este mesmo caminho. Não é que não confiamos em nossos irmãos, mas o fato é que eles devem condenar as denominações como pecado. Então Deus os libertará delas. Se não condenarem as denominações como pecado, ainda que tenham saído delas, certamente surgirão problemas no futuro. Hoje, se usarmos manobras para atingir a unidade, problemas ainda surgirão. Não deveremos relaxar quanto a esses dois pontos, isto é:

denominações são pecado, e a igreja é local. Devemos dizer-lhes que temos trilhado esse caminho por mais de trinta anos, e que esperamos que eles também andem juntamente conosco. Por outro lado, está correto até mesmo pensarmos que nunca andamos neste caminho e começarmos tudo novamente. Por ser esta a nossa história, não há problema em nos considerarmos unidos a eles. A Palavra do Senhor é do Senhor, e não podemos abandoná-la; mas a historia, que é nossa, sim, a esta podemos abandonar. A igreja é local, e as denominações são pecado. Nestes dois pontos, não podemos relaxar. Quanto à questão da posição, podemos ter um novo começo amanhã. Nós rejeitamos as denominações; eles também rejeitam as denominações:

e assim nos unimos todos, tornando-nos a igreja local. Que vocês acham? A história

é nossa, mas a isso podemos abandonar, e começar tudo de novo. Eles não existem,

e nós também não existimos; mas, amanhã, todos existiremos. Que vocês acham? Tudo o que pode ser abandonado, nós abandonaremos; mas a Palavra do Senhor,

a esta, de maneira alguma, abandonaremos; dela não podemos abrir mão. Este problema é facilmente resolvido. Isto não é uma dificuldade.

Com relação à administração, também só pode haver uma em cada localidade.

O Congregacionalismo tem várias administrações em cada localidade. Atos 14:23

diz que Paulo e Barnabé estabeleceram presbíteros em cada igreja. Se este fosse o único registro da Bíblia alusivo à ação de Paulo, pqder-se-ia dizer que é possível haver várias igrejas numa localidade, e presbíteros em cada uma dessas igrejas. Todavia, se vocês lerem Tito 1:5, verão que a situação é diferente. Paulo diz:

"em cada cidade, constituísses presbíteros". Quando juntamos estes dois textos, sentimos que o assunto é muito específico. Por um lado, diz "em cada igreja", e, por outro lado, diz "em cada cidade". Presbíteros, portanto, são constituídos para cada igreja, e a cidade é o limite da administração dos presbíteros na igreja. Muitos irmãos e irmãs crêem que a questão de terem unidade conosco é meramente espiritual, e que a sua administração ainda continuará independente. Esse não é o ensinamento das Escrituras. Cada localidade deve ter somente uma igreja e uma administração. É impossível haver várias igrejas e várias administrações em uma só localidade. Já que esta é uma questão muito importante, precisamos ficar bem claros a seu respeito. Só pode haver uma administração em uma cidade, jamais várias administrações. Se estivermos claros sobre esse assunto, haverá poucos problemas. Doutro modo, quando você tiver problemas numa reunião, irá para

uma outra reunião. Se numa reunião você não é recebido, poderá ir a outra reunião e ser recebido. Se os filhos de Deus enxergarem a unidade da igreja, não só a comunhão entre os irmãos e as irmãs será uma, mas também a administração será uma.

CAPÍTULO CINCO

O SERVIÇO DA IGREJA

(Partes de duas palestras proferidas pelo irmão Watchman Nee a seus cooperadores, quando os treinava no Monte Kuling, no ano de 1948. A primeira parte foi publicada no capítulo cinqüenta e um de "Lições para os Novos Cristãos", em abril de 1949. A segunda parte foi publicada no terceiro capítulo de "As Questões da Igreja", em março de 1950).

Ainda que a igreja tenha a base adequada exteriormente e o conteúdo correto interiormente, isso ainda não é o bastante. Ela também deve ter o serviço, o serviço da igreja. Este tem sido negligenciado por todas essas gerações. Ainda hoje, não temos uma compreensão adequada a esse respeito. O serviço da igreja é uma coordenação espiritual, uma coordenação dos santos na vida e no Espírito Santo. O serviço da igreja é a atividade espiritual dos santos, membros uns dos outros no Espírito Santo, como um corpo, cada membro trabalhando, de acordo com sua função. Não é o movimento independente de um indivíduo, mas é o movimento coordenado de todos os santos. Não é o serviço de uma pessoa individualmente, mas de todos os santos, servindo juntos. Não é o serviço de um pastor, mais um pregador e vários presbíteros e diáconos; mas é o serviço em que todos os santos participam juntos. Se urna igreja é normal, o número de pessoas salvas deve ser também o número das pessoas que servem. No Novo Testamento, todos os salvos são sacerdotes; todos, portanto, devem servir. Se, numa igreja, apenas uma minoria ou uma parte está servindo, algo está errado nela. Ela ainda é fraca. A igreja só é forte, quando todos servem.

1. O SERVIÇO DO CORPO

é o Seu Corpo" (Ef 1:22-23). O serviço da igreja, portanto, deve ser o

serviço do Corpo. "Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé:

Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o

ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe

aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?

estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro lugar mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? ou todos profetas? são todos mestres? ou operadores de milagres? têm todos dons de curar? falam todos em outras línguas? interpretam-nas todos?" (l Co 12:14-19,

28-30).

A uns

A "igreja

Há Diferentes Membros no Corpo.

O Espírito Santo dá aos membros do Corpo de Cristo vários tipos de dons e ministérios, de acordo com as necessidades do Corpo. O Senhor dá diferentes tipos de ministérios a esses membros, para que as necessidades de todo o Corpo possam ser supridas. Hoje, Ele dispôs os vários ministérios no Corpo. O próprio Senhor sabe, e jamais fará o Corpo inteiro ser um olho, ou um pé, ou uma orelha. Ele dá ao Corpo diferentes tipos de ministérios, para suprirem toda a igreja. Assim como um corpo precisa de muitos membros, também a igreja necessita de vários ministérios, principalmente para o serviço espiritual. Observem aqui que alguns têm o ministério da Palavra, e outros têm a operação de milagres. Tanto o ministério da Palavra quanto o serviço sobrenatural, o serviço de milagres, são aqui mostrados.

Deve Haver Espaço para Todos os Membros Servirem

Você sabe o que é igreja? Uma igreja precisa ter espaço para que todos os ministérios sirvam o Corpo. Isto é a igreja. Está bastante evidente que a igreja são todos os irmãos e irmãs, incluindo aqueles que são considerados não decoro-sos, executando as funções de seus ministérios espirituais, cada um servindo ao Senhor. É impossível ao Corpo ter muitos membros inúteis. Vocês devem ver que todos são membros do Corpo, que cada membro tem sua função, e que cada membro deve cumprir seu serviço perante Deus. Isso então pode ser chamado de igreja.

Cada Membro Tem o Serviço de Seu Ministério

Lendo l Coríntios 12, Efésios 4 e Romanos 12, vemos que há três categorias de ministérios. Observamos aqui o ministério da Palavra e também o ministério dos milagres, ambos para o crescimento do Corpo. Cada membro do Corpo tem o serviço de seu ministério. Se você é cristão, é membro do Corpo, e como um membro do Corpo, deve cumprir seu serviço perante Deus. Enfatizamos o serviço universal. Cada um deve ter seu serviço específico, e servir adequadamente perante Deus. Cada um deve servir. Espero que todos os filhos de Deus, um por um, sejam conduzidos ao ponto de todos servirem. Uma vez que cada membro tem sua função, esperamos que não haja nenhum que deixe de servir.

Não se Deve Permitir a Existência do Sistema em que um Cuida de Todos

Se, num determinado lugar, os membros não servem, mas, ao invés disso, existe um sistema em que todas as questões de todo o Corpo são confiadas aos olhos, isso certamente não é o Corpo. As mãos não trabalham, mas pedem aos olhos que trabalhem; os pés não andam, mas pedem aos olhos que andem; a boca não come, mas pede aos olhos que comam o nariz não cheira, mas pede aos olhos que cheirem. Que é isso? Isso não é o Corpo; é um monstro! Se encontrarem uma organização ou um sistema onde uma ou duas pessoas cuidam das questões de todo o Corpo e onde todo o restante dos membros não precisam servir, e, contudo, o Corpo prossegue em frente, digo-lhes que isso certamente não é a igreja, nem é possível que isso seja a igreja. Onde já se viu uma pessoa cujo corpo nada faz, mas todas as funções são confiadas a um ou dois membros? Os ouvidos não ouvem, mas

pedem aos olhos que ouçam; o nariz não cheira, mas pede aos olhos que cheirem; as mãos não trabalham, mas pedem aos olhos que trabalhem; os pés não andam, mas pedem aos olhos que andem por eles. Os olhos são solicitados para fazer tudo; um membro faz tudo. Permitam-me dizer-lhes, pois está bastante patente, que isso não é o Corpo de Cristo. Isso é uma doença, uma doença grave. Portanto, irmãos, vocês devem observar que, na igreja, cada um tem um ministério diante de Deus; cada membro precisa servir. Na igreja, todos devem servir, sem a existência de qualquer sistema de "um por todos". Não deve haver um membro, nem tampouco alguns membros representando todos os demais a cuidarem dos problemas. Se existe uma situação assim, devemos saber que isso não é o Corpo de Cristo. O sistema que não concede lugar para que todos os membros sirvam, certamente não é o sistema do Corpo. No Corpo, os olhos podem estar muito ocupados, a boca também, assim como os pés, e as mãos; contudo, não há conflito algum entre eles. Se a boca, os pés, as mãos e o nariz estão inativos, então deve haver alguma doença no Corpo. Quando os olhos, os pés, a boca e as mãos se movem, você pode ver a coordenação do corpo. Isto é o Corpo. Se alguns servem e outros não, se uns são sacerdotes e outros não, se somente um ou poucos têm a permissão de ser sacerdotes, você pode ver claramente que isto não é o Corpo. Vocês precisam fazer com que todos os irmãos e as irmãs vejam este princípio, este caminho.

2. TODOS OS MEMBROS DEVEM FUNCIONAR

Veja Romanos 12:4-8: "Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim, também nós, conquanto muitos, somos um só Corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina, esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta, faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria".

Os Dons Variam de Acordo com a Graça Recebida

Outra coisa que necessita de atenção especial no Corpo é que cada um não recebe a mesma medida de graça. Desde que a graça que cada um recebe varia, os dons recebidos por cada um diante de Deus também variam. Acabamos de ler l Coríntios 12. Sua ênfase está no ministério da Palavra e no ministério dos milagres; esta é a esfera de l Coríntios 12. E quanto a esta passagem de Romanos 12? Aqui também há o ministério da Palavra; mas, além disso, há também o ministério de servir os outros na igreja, assim como a obra dos levitas. Alguns contribuem, outros presi- dem, e alguns exercem misericórdia. Aqui se pode ver o ministério da Palavra e a obra dos levitas.

Aqueles que Servem Devem Concentrar a Atenção no Seu Serviço

Deve haver lugar no Corpo para que todos os membros sirvam. Já o vimos em l Coríntios 12. Romanos 12 no-lo mostra novamente: para todo aquele que é dotado,

seja no ministério da Palavra ou no ministério de servir os outros, o mandamento é que ele deve servir nessa conformidade. Em outras palavras, você não deve interferir nos assuntos dos outros, e pisar nos seus pés. Enquanto estiver caminhando, não pise no calcanhar dos outros. Siga o seu caminho, e aja de acordo com o dom que Deus lhe deu. Aquele que profetiza, que profetize de acordo, e não cuide de outros assuntos. Aquele que exorta, que o faça sem tentar cuidar de outras coisas. Aquele que preside, que presida corretamente na igreja e não interfira no trabalho dos outros. A disposição natural do homem gosta de se intrometer nos negócios dos outros. Irmãos, vocês precisam ver que cada um deve servir de acordo com seu próprio ministério, cada um cumprindo o que deve fazer e concentrando nisso sua atenção. Essa passagem de Romanos 12 nos mostra que cada um deve servir de acordo com aquilo que lhe foi designado. Cada um precisa saber perante Deus o que pode fazer, que dom o Senhor lhe deu. Assim que souber, deverá exercê-lo de acordo, não se intrometendo um no serviço do outro.

O Corpo não Deve Permitir que Membro Algum Negligencie Seu Dever

Quando cada um presta atenção ao seu próprio ministério e a ele se aplica diligentemente, então temos o Corpo. O Corpo não deve permitir que membro algum negligencie seu dever. Não devemos permitir que os membros se retraiam. Se os olhos não enxergarem, todo o Corpo estará em trevas; se os pés não andarem, todo o Corpo não poderá andar. Os olhos devem ver, e os pés devem andar. Mesmo que o dom recebido de Deus seja bem pequeno, ainda assim esperamos que você não o esconda .Quando falamos de Romanos 12, podemos introduzir o princípio de um talen- to (Leia Mateus 25:14-30). Muito embora tenha recebido apenas um talento, ainda assim você deve usá-lo. Vocês precisam ver que a igreja é o Corpo de Cristo. Por isso, todo membro, quer tenha recebido um dom grande ou pequeno, seja este de cinco, de dois ou de um talento, deve entregar tudo o que tem para servir. Se há alguém que não serve assim, mas enterra o seu talento, não pode haver igreja alguma. Se há alguns membros no Corpo que não funcionam, isso fará com que o Corpo sofra grandemente.

Todos os que Receberam um Talento Devem Manifestar Esse Único Talento

O crescimento vitorioso de uma igreja ou sua apatia não depende do fato de aqueles que receberam cinco talentos se manifestarem e servirem ou não. (Por conveniência, nos parágrafos seguintes, nós os chamaremos de "os de cinco talentos", "os de dois talentos" e "os de um talento"). A responsabilidade total está sobre os de um talento. De geração em geração, todas as dificuldades se encontram não com os de cinco talentos, mas com os de um talento. Se os de um talento estão bem, tudo está bem; se os de um talento enterram seu talento, tudo está acabado. A dificuldade com os de um talento é que eles enterram seu talento no solo, e, como resultado, você sente o peso da morte na igreja. Você nem imagina como é grande este peso! Os de cinco talentos estão carregando, então, os de um talento. Como é grande este peso de morte! Em qualquer época, em qualquer lugar onde haja uma igreja, todos os de um talento devem manifestar os seus talentos e negociá-los. Quando todos os de um talento manifestarem seus talentos, haverá uma igreja nessa localidade.

Vocês mesmos devem observar, a fim de perceber que a direção correta de uma igreja não é algo que depende apenas de seu trabalho, porém é mais uma questão de vocês terem a capacidade de fazer com que todos os de um talento manifestem seus talentos. Hoje, todos os problemas da igreja vêm dos de um talento. O Senhor nos mostrou que não há ninguém cujo dom exceda cinco talentos. Por um período de vinte anos, a igreja pode ter apenas um membro com cinco talentos; mas, a cada dia, ela pode ter cinco pessoas, cada uma delas possuindo um talento. Qualquer filho de Deus, mesmo aquele em pior condição, ainda tem um talento. E cinco pessoas de um talento colocadas juntas, eqüivalem a uma que tem cinco talentos. Se, hoje, na igreja, todos os de um talento manifestassem seus talentos, não haveria necessidade de tantos grandes dons entre nós. Apenas pelo despertar dos de um talento — deixem-me dizer-lhes — é que o mundo inteiro será conquistado.

Cada Membro do Corpo Deve Agir

Vocês devem estar claros, portanto, de que o que importa não é o quanto vocês mesmos podem trabalhar, ou quanto peso conseguem carregar, mas sim o quanto vocês são capazes de levar todos os irmãos e irmãs, todos os de um talento, a se levantarem para trabalhar e servir. Este é o caminho que vimos principalmente nestes últimos anos: todos os de um talento devem levantar-se para servir o Senhor. Se você é o único que está ocupado desde o nascer até o pôr- do-sol, isso não será a igreja. Mas se você estiver ocupado desde a manhã até a noite, e fizer com que todos os de um talento trabalhem e fiquem ocupados, tal será a igreja servindo, tal será a igreja pregando o evangelho. É a igreja que está trabalhando, é o Corpo que está agindo, e não alguns membros substituindo a atividade do Corpo. Deste modo, a China começará a ter a igreja.

A Igreja é Todos os de um Talento Servindo

Você jamais deveria pensar que, por haver pessoas que se reúnem numa certa localidade, temos então a igreja. Unicamente o Corpo de Cristo é a igreja, e o Corpo de Cristo depende do funcionamento de todos os membros. O problema está com os de um talento. Por essa razão, temos somente uma esperança, somente um encargo, isto é: o serviço em cada localidade não deve depositar a ênfase sobre os especialmente dotados, e sim sobre os menos dotados, sobre aqueles que, para os homens, não têm valor algum, os que têm apenas um talento, esperando que todos os que tenham um talento se levantem da terra. Você deve dizer-lhes que o lenço destina-se a limpar o suor, não a embrulhar o talento (Leia Lc 19:20). O lenço de cada um deve ser usado para limpar o suor; nenhum lenço deverá ser usado para embrulhar talento. Digo-lhes que, um dia, quando todos os de um talento se levantarem para servir o Senhor, vocês verão que o Corpo estará entre nós, e também a igreja. Todo o problema, hoje, é que os de cinco e os de dois talentos cuidam de todas as questões, enquanto todos os de um talento são deixados inativos. Vocês devem fazer com que os de um talento vejam que, embora, de fato, tenham apenas um talento, se traba- lharem de acordo com o que têm, esta será a igreja, a vida do Corpo. Só podem começar por aqui, e não de algum estágio mais avançado. Deixem que aprendam, dia a dia, a fazer de acordo com sua capacidade, cada um servindo a Deus, ninguém

transferindo responsabilidade aos outros. Assim, você verá o Corpo de Cristo, a vida do Corpo sendo plenamente expressa através dos de um talento.

3. TODO O CORPO DEVE APRENDER A SERVIR

Com relação aos afazeres da igreja, os irmãos e as irmãs devem preocupar-se com eles e estar bastante claros a seu respeito. Não importa o tipo de obrigação; todos devem arregaçar as mangas. Temos, por exemplo, a limpeza do local de reuniões, o cuidado e a arrumação dos cobertores e lençóis pertencentes à igreja. Tudo isso é característico do serviço dos levitas. O cuidado dos irmãos necessitados entre nós, o hospedar e o despedir de irmãos e irmãs visitantes estão todos na natureza do trabalho dos levitas. Vocês podem ver, perante Deus, que há muito trabalho de natureza levítica. Há muito a ser feito no escritório de serviço da igreja, o que está também na natureza do trabalho dos levitas. Quando uma pessoa serve a Deus, por um lado, deve realizar o trabalho dos sacerdotes e, por outro lado, o trabalho dos levitas: ambos são necessários. Por um lado, você deve participar do serviço espiritual; por outro lado, você também deve participar dos afazeres práticos. Estêvão e alguns irmãos estavam no trabalho de servir as mesas: este é o serviço dos diáconos, o trabalho dos levitas. Quando os discípulos distribuíam os pães, recolhendo depois doze cestos, e, noutra ocasião, sete cestos, dos pedaços que sobejaram, estavam realizando a tarefa dos diáconos. A responsabilidade de Judas pela bolsa era principalmente o dever dos diáconos. O Senhor Jesus, no poço de Sicar, enviou seus discípulos a comprar alimentos: isso também era trabalho dos diáconos. Todas essas coisas ocupam uma grande parte do serviço cristão, e este tipo de serviço é o que todos, na igreja, devem aprender adequadamente diante de Deus.

Ajudando nos Serviços Domésticos

Creio que posso dar aqui uma sugestão. Peço a atenção especial dos irmãos e irmãs. Há muitos irmãos e irmãs que têm tempo livre. Também há irmãs que não têm tempo

para nada em seus lares: têm de cozinhar, cuidar das crianças, etc

deixar que alguns irmãos, no serviço dos levitas, se levantem para assumir alguma responsabilidade nesta questão, arranjando alguém que vá à casa do irmão ou da irmã para ajudá-los? Os irmãos responsáveis podem dizer-lhes: "Há entre nós duas irmãs que ajudarão vocês a lavar roupa duas horas por semana". Este também é um trabalho dos levitas. No tempo de Atos, as viúvas gregas foram esquecidas na distribuição diária, e houve murmúrios. Isto era a igreja. Ainda que não fosse algo espiritual, mas um assunto prático, mesmo assim precisava ser feito.

Por que não

Doze Itens de Afazeres Práticos

Há muitos afazeres práticos no serviço da igreja, que podemos considerar diante do Senhor:

1 - O trabalho da limpeza;

2- As arrumações e a indicação no local de reuniões;

3- A necessidade de um grupo de irmãos e irmãs que cuidam do partir do pão e do batismo. Alguns precisam ser responsáveis pelo pão e pelo cálice para a Mesa do Senhor. O batismo também requer que alguns se encarreguem de ajudar as pessoas que vão ser batizadas, no descer e no subir, na troca de roupas, etc. Todos eles precisam ser treinados;

4- Cuidar dos irmãos pobres entre nós;

5- Ajudar os pobres dentre os incrédulos. No caso de enchentes ou incêndios, a igreja deve lembrar-se deles;

6- Hospedar os irmãos que vêm de fora e despedir-se dos que vão;

7- A contabilidade;

8- A responsabilidade pela hospedagem;

9- Tarefas do escritório da igreja;

10- Os responsáveis pelo transporte. Nos lugares onde existem automóveis ou transportes coletivos, é necessário que alguns se encarreguem do assunto;

11-Deve haver alguns que cuidem da correspondência que entra e da que sai;

12- Até este ponto, ainda nada temos para a grande maioria dos irmãos e irmãs fazerem. Portanto, creio que talvez possam ser usados no ajudar os irmãos e irmãs pobres em seus afazeres domésticos, como lavar, costurar roupas, etc

Espero sempre que cada irmão e irmã leve uma carga nos afazeres da igreja. Jamais se deve permitir que alguns estejam ativos, e outros não. O serviço da igreja é sempre para o todo. Se, em nosso meio, há alguns irmãos e irmãs que têm tempo livre, seria bom que ajudassem os outros irmãos e irmãs nos afazeres domésticos. Cada semana você vai à casa de um irmão ou irmã diferente e faz algumas coisas variadas para eles. Principalmente as irmãs que são donas de casa, que têm dinheiro e boa posição, seria bom se fossem à casa de algum irmão ou irmã para lavar e costurar algumas roupas. Elas não devem ter pessoas trabalhando para si, enquanto nada fazem por outrem. Se estiverem prontas a ir às casas dos irmãos e irmãs pobres, e ajudá-los em algum trabalho, com suas próprias mãos, haverão de parecer cristãs. Todas essas coisas se relacionam ao lado prático do serviço da igreja. Quanto a este princípio, precisamos estar claros diante de Deus: todos os irmãos e irmãs devem participar do serviço espiritual e também do serviço prático. Quer seja muito ou pouco, sempre espere que todos trabalhem, e que o façam com toda a sua força. Se esta questão puder ser organizada adequadamente, ela levará a igreja a progredir passo a passo nos serviços. Irmãos, permitam-me dizer novamente:

vocês precisam ver que a responsabilidade que lhes cabe é muito grande; devem estar muito ocupados, têm de trabalhar, trabalhar a tal ponto, até que introduzam todos os irmãos e irmãs nesse estágio. Quando todos os irmãos e irmãs vierem e

servirem juntos, a igreja local terá o seu fundamento. Quando outros virem tal situação, haverão de perceber que há uma igreja em nosso meio. Cada um de nós trabalha, cada um de nós tem parte na questão dos afazeres práticos, e cada um de nós tem parte nas coisas espirituais.

Fazer com que Todos os de um Talento Negociem

Gostaria de falar aqui aos irmãos responsáveis. Vocês têm um costume natural de usar somente os irmãos de dois talentos. A história da igreja é sempre assim. Os de cinco talentos podem subir por si mesmos, não há necessidade de cuidar deles.

Mas os de um talento são realmente difíceis de lidar; antes de falarem duas frases, já se enterraram novamente. Os de dois talentos são os mais fáceis de lidar: têm alguma habilidade, podem fazer as coisas bem feitas, e não enterram seus talentos. Mas, se em cada lugar, você puder somente usar os de dois talentos, e não for capaz de usar os de um talento, já fracassou completamente.

Já disse isto em Foochow, e também em Xangai, e hoje o repetirei novamente:

Quando temos a igreja? Ela existe quando todos os de um talento se levantam para participar do serviço da igreja, tanto do lado prático quanto do lado espiritual. Você não pode menear a cabeça dizendo: "Este irmão é inútil". Se disser que este e aquele são inúteis, acabou-se a igreja, você fracassou completamente. Se você crê que ele é inútil, então ele realmente será inútil. Você pode dizer-lhe que, segundo ele próprio, é de fato inútil; mas que o Senhor lhe deu um talento e quer que todos os possuidores de um talento saiam e negociem. O Senhor pode usá-los. Se você não pode usar os de um talento, isso prova que, perante o Senhor, você não pode ser um líder. E preciso usar todos os irmãos e irmãs que são inúteis. Isso é trabalho dos irmãos cooperadores. Os irmãos cooperadores não só devem usar os irmãos úteis, como também devem fazer com que os irmãos inúteis se tornem úteis.

O princípio básico é que o Senhor jamais deu a alguém menos de um talento. Na casa do Senhor, nenhum servo pode desculpar-se, dizendo que não lhe foi dado talento algum. Gostaria de que todos vocês soubessem isto: diante de Deus, todos os Seus filhos são servos. Se filhos, então servos. Ou, em outras palavras, se membros, então dons; se membros, então ministros. Se pensamos que há alguém a quem o Senhor não pode usar, realmente não conhecemos a graça de Deus. Precisamos conhecê-la tão integralmente, de modo que, quando Deus chamar alguém de servo, jamais nos levantemos para dizer que ele não o é. Hoje, se você fizer a escolha, talvez possa apenas juntar três ou quatro pessoas em toda a igreja. Mas Deus disse que todos são servos. Se Deus disse assim, devemos permitir que eles sirvam. Irmãos e irmãs, de agora em diante, se temos ou não um caminho em nosso trabalho, e se este caminho será ou não bem sucedido, isso depende daquilo que dizemos hoje diante do Senhor, daquilo que dizemos sobre o nosso trabalho. Há somente alguns que trabalham? Há vários que são dotados de maneira especial realizando o trabalho? Ou todos os servos do Senhor têm uma parte nele, e toda a igreja serve? Nisto consiste todo o problema. Se este problema não puder ser resolvido, não existe coisa alguma.

O Corpo de Cristo é Vivo

O Corpo de Cristo não é uma doutrina; é algo vivo. Todos devemos aprender

isso: somente quando cada membro funciona, é que temos o Corpo de Cristo. Quando cada membro está funcionando, então temos a igreja. Hoje, o problema está em nossas mãos: herdamos o sistema sacerdotal do Catolicismo Romano, herdamos o sistema pastoral do Protestantismo, e, até no dia de hoje, se formos descuidados, aparecerá um certo tipo de sistema intermediário:

diante de Deus, alguns de nós cuidarão de todos os problemas do Seu serviço. Simplesmente pregar o Corpo de Cristo é inútil: precisamos permitir que Ele trabalhe e demonstre Suas funções. Uma vez que seja o Corpo de Cristo, você não precisa temer que Lhe faltem as funções; sendo o Corpo de Cristo, pode depositar sua fé Nele. O Senhor quer que todo membro, em cada localidade, se levante e sirva.

Deus Foi além de Nós

De acordo com a minha correspondência, creio que estou certo ao dizer que o tempo chegou. As cartas que recebi de diferentes lugares e as notícias que ouvi de todos os cantos mostram que hoje, em cada lugar, todos estão prontos a despertar para o serviço. Deus foi além de nós; precisamos seguir em frente. Não é meu desejo que um irmão sequer dentre nós saia e fracasse no conduzir os irmãos e irmãs ao serviço, substituindo-os. Espero que, quando for a determinado lugar, no princípio você leve oito ou dez a servirem, e, então, após determinado tempo, eles mesmos levem sessenta, oitenta, ou cem a servirem naquele lugar. Então, em uma segunda visita, você verá mil ou duas mil pessoas servindo ali. Isso está correto. Se você precisa usar os de cinco talentos para abafarem os de dois talentos, e os de dois talentos para abafarem os de um talento, permita-me dizer-lhe que você não é o servo do Senhor. Se precisa usar os de cinco talentos para substituírem os de dois talentos, e os de dois talentos para substituírem os de um talento, você não é o servo do Senhor. Deve fazer com que todos os de cinco talentos sirvam, com que todos os de dois talentos sirvam; não apenas isso: você deve fazer também com que todos os de um talento sirvam. Aos que você pensa ser inúteis, você também deve fazê-los servir. Assim a igreja gloriosa aparecerá. Preferiria ver em Foochow todos aqueles simples aldeões servindo, a ver três ou quatro ilustres pregadores. Não aprecio os ilustres; prefiro os de um talento. Se o Senhor for gracioso para conosco, poderá dar-nos mais pessoas como Paulo e Pedro. Mas o Senhor não tem agido assim. Todo o mundo está cheio de irmãos e irmãs que possuem um talento. Que faremos com tais pessoas? Onde colocá-las? Neste treinamento, aqui, no monte, se Deus realmente tratar com o nosso "ego" e com o nosso trabalho, a tal ponto que possamos sair e prover um caminho em que todos os de um talento sirvam, então a igreja, pela primeira vez, verá o que é o amor fraternal, e Filadélfia aparecerá (Ap 3:7-13).

4.0 SERVIÇO DE TODO O CORPO E A AUTORIDADE

Hoje, não precisamos apenas do governo do alto, mas também do amor, fraternal. Creio na autoridade e creio também no amor fraternal. Sem a autoridade, a igreja não pode prosseguir. "Guardaste a Minha Palavra" — isso é autoridade. "E não negaste o

Meu nome" — isso também é autoridade (Ap. 3:8). Filadélfia tinha esses dois tipos de autoridade. Entretanto a própria Filadélfia é o amor fraternal; todos os irmãos se levantaram e serviram em amor. Quando chegar tal dia, começaremos a conhecer o que é a igreja. Caso contrário, se a condição atual continuar, estaremos ainda agarrados à cauda do Catolicismo Romano e do Protestantismo; não saberemos o que vem a ser a fraternidade de Filadélfia, e não saberemos o que é a autoridade da igreja.

Dois Caminhos — Dom e Autoridade

Hoje, creio que esses dois caminhos estão claramente colocados diante de nós. Se, em nosso meio, o Senhor puder realmente quebrar-nos, o caminho que tivemos há dez, vinte ou trinta anos será completamente invertido. A sua concepção não pode ser a mesma de antes; tem de ser quebrada e destruída. Em primeiro lugar, você não deve usar um irmão por considerá-lo útil ou deixá-lo de lado por julgá-lo inútil. Na igreja, não deve haver membro algum que seja marginalizado. Esse não é o caminho que o Senhor tomou. Hoje, para restaurar o Seu testemunho, o Senhor deve fazer com que todos os de um talento se levantem. Todos os que pertencem ao Senhor são membros do Corpo. Todos precisam levantar-se; todos precisam funcionar. Se tal ocorrer, você verá uma igreja. Hoje, enquanto você está aqui no monte e olha em derredor, quase precisa dizer: "Onde está a igreja? Onde está Cristo? Parece que o Senhor não está aqui, nem tampouco a igreja". Eu repito:

quando você se for, nunca despreze os de um talento; jamais os substitua, nem os abafe. Você precisa acreditar neles, fazendo-o de coração. Tem de fazê-los trabalhar. Se Deus está em paz quando lhes pede que sejam servos, você também deverá estar em paz quando fizer o mesmo. Em segundo lugar, na igreja, não estamos com medo de suas atividades carnais. Estes dois caminhos têm de ser estabelecidos na igreja: dom e autoridade. Todos os de um talento devem levantar-se para servir, trabalhar e frutificar. Vocês podem perguntar: "Se os de um talento se levantarem com sua carne, que devemos fazer?" Deixem-me dizer-lhes que a carne precisa ser tratada, e a maneira de tratá-la é o uso da autoridade; a autoridade representa Deus. Estas duas coisas são inteiramente distintas: dom é dom, e autoridade é autoridade. Os de um talento devem usar seus dons. Agora, com os que são carnais, você deve usar autoridade. Se um irmão introduz a carne enquanto trabalha, você precisa dizer-lhe: "Irmão, não adianta. Você não pode trazer isto para dentro. Esta atitude está errada. Não permitimos que você a tenha". Falando- lhe dessa maneira, em seguida ele irá para casa. Não fará coisa alguma novamente. Então você deverá visitá-lo e dizer-lhe que isto também de nada adiantará, e que ele ainda precisa realizar o serviço. Embora a carne se intrometa novamente, ainda deve deixar-lhe realizar o serviço, mas precisa dizer-lhe novamente: "Isto você deve fazer, mas aquilo não permitiremos que você faça". Use sempre a autoridade para tratar com ele. Esta é uma tentação muito grande. Assim que o Senhor usa os de um talento, sua carne imediatamente se introduzirá; a carne e o único talento estão unidos. Precisamos rejeitar a carne, mas temos de usar aquele único talento. A condição de hoje, é: nós enterramos a carne, eles enterram o único talento, e a igreja nada tem.

Isso não pode continuar assim. Temos de usar a autoridade para tratar com a carne, mas também precisamos pedir-lhes que manifestem o talento. Talvez digam:

"Se eu trabalhar, de nada adiantará, e se não trabalhar, de nada adiantará também; portanto que devo fazer?". Você deverá dizer-lhes: "De fato, se você trabalhar, isso estará errado, porque você introduz a carne; mas se não trabalhar, isso também estará errado, porque você enterra o talento. O talento deve ser introduzido; mas a carne não". Se, na igreja, a autoridade puder ser preservada, e as funções de todos os membros introduzidas, você verá uma igreja gloriosa na terra, e o caminho da restauração será fácil. Não sei quantos dias mais o Senhor colocou diante de nós. Creio que nosso caminho ficará cada vez mais claro. Precisamos dedicar todos os nossos pensamentos e toda a nossa força, de modo que todos os irmãos e irmãs possam levantar-se e servir. Quando este tempo chegar, a igreja começará, e o Senhor voltará. Que o Senhor seja misericordioso e gracioso para conosco, de modo a podermos ser bem-sucedidos.

CAPÍTULO SEIS O CAMINHO PARA A OBRA DORAVANTE

(Palestra proferida aos cooperadores, quando os treinava no Monte Kuling, a 19 de agosto de 1948, e publicada em "Os Ministros", a 1° de novembro de 1948).

Nosso antigo caminho na obra do Senhor nos fez encontrar algumas dificuldades práticas. Neste ano, despendemos um esforço considerável com duas reuniões em Foochow e Xangai, a fim de solucionar o nosso problema. Hoje voltaremos novamente a ele. Enquanto, no passado, vimos a luz referente à igreja com bastante clareza, não chegamos a ver tão bem a luz relativa à obra. A edição de "Concernente à Nossa Missão", [agora intitulado "A Vida Normal da Igreja Cristã" — editor] livro publicado logo após uma conferência aos cooperadores em Hankow, mostra que a nossa visão estava suficientemente clara sobre a questão da igreja. Vimos que as igrejas são locais, um assunto que está muito mais claro hoje do que em toda a História da igreja. Ao ler todos os livros, pode-se perceber que jamais houve um tempo em que o caráter local da igreja se tenha tornado tão claro quanto hoje. Mas, com relação à obra, sempre sentimos no passado que carecíamos de igual clareza. Isto ocorreu, porque Jerusalém parecia ter algo supérfluo quando comparada com Antioquia. Em Hankow, examinamos todo o livro de Atos, mas não fomos capazes de levar em conta Jerusalém. Começando pelo capítulo treze, nem o livro de Atos coincidia com nossa obra, nem nossa obra, com o livro de Atos. Não sabíamos, entretanto, como aplicar os acontecimentos ocorridos antes do capítulo treze. Naquela época, não tínhamos luz suficiente. Por causa das provações e dificuldades que enfrentamos durante esses vários anos, creio que chegamos a descortinar a utilidade dos dez primeiros ou mais capítulos. Descobrimos sua utilidade. Por favor, perdoem-me por dize-lo dessa maneira, pois, na verdade, foi assim que ocorreu. Creio que precisamos reconhecer que, tanto através das reuniões de Foochow quanto das de Xangai, jamais houve um tempo em que os primeiros doze capítulos de Atos ficaram tão claros quanto hoje. Da mesma maneira como as igrejas locais posteriores ao capítulo treze jamais foram vistas com tanta clareza como naquela época em Hankow, assim também o caminho para a obra nunca foi visto com tanta clareza como hoje. As dificuldades do passado pertencem ao passado; hoje, a situação é diferente.

1. A OBRA É REGIONAL

Uma das várias questões que descobrimos nesta ocasião é a da região. Enquanto as igrejas são locais, a obra é regional. Isto, eu sinto, está bastante claro nas Escrituras. Por que é que não o vimos há cinco ou dez anos? Simplesmente porque não vimos. Não podíamos fazer nada. Hoje, porém, de uma vez por todas o vemos, e apenas, se exigem duas frases para declará-lo: as igrejas são locais, e a obra é regional. Em outras palavras, uma igreja está numa localidade, mas a obra está em muitas localidades, que se agrupam para formar uma região. No livro de Atos, pode-se ver claramente que os doze apóstolos tinham uma região específica para a sua obra. Pedro, João e o seu grupo trabalhavam numa região, enquanto Paulo, Silas, Timóteo e Barnabé trabalhavam numa outra. Ao

investigarmos o primeiro capítulo de Filipenses, muitas regiões diferentes podem ser vistas. Quando lemos também 2 Coríntios, encontramos duas palavras: "Mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se estende até vós" (10:13). Aqui é-nos mostrado claramente aquilo que se relaciona a uma região, uma área que lhes era demarcada. Deus estava ali, traçando um círculo para eles, e, dentro desse círculo, havia uma área de trabalho para tal grupo de pessoas. A obra, portanto, se relaciona à região. As igrejas, porém, não se relacionam a uma região. Nenhuma igreja deve exercer controle sobre outras localidades, porque as igrejas são locais. No passado, cometemos um grande erro, confundindo a esfera da obra com a localidade da igreja. Agora vemos claramente que a obra inclui inúmeras localidades dentro de uma determinada área, que é chamada de "região". Assim como Pedro e João estavam na região de Jerusalém, Paulo e Timóteo, por sua vez, estavam noutra região. Embora mantivessem contato e comunhão uns com os outros, suas regiões respectivas não eram as mesmas. Hoje, não podemos falar o suficiente, mas está mais do que claro que a obra é regional, e as igrejas são locais.

2. A REGIÃO TEM UM CENTRO

O segundo aspecto é que, em cada região, vê-se um centro, ao passo que as igrejas não possuem um centro. A igreja em Jerusalém não tem controle algum sobre a igreja em Samaria. Aqui todos os estudiosos da Bíblia sabem que as igrejas são locais, e que a igreja numa localidade não pode exercer controle sobre a igreja em outra localidade. Além disso, a igreja numa localidade não pode controlar as igrejas em muitas localidades. A esfera de ação mais ampla de uma igreja é limitada à sua própria localidade. Não deve haver um conselho distrital, ou quartéis-generais para a igreja. O mesmo, entretanto, não ocorre com a obra, pois esta tem um centro. Essa é a razão por que, no livro de Atos, podemos ver que Jerusalém é o centro de uma região, enquanto Antioquia é o centro de outra região.

A Característica Especial de Jerusalém

Não sei se você pode ver que, sem um centro para a obra, Jerusalém se nos torna uma dificuldade, e não um auxílio. Toda a Bíblia revela que as igrejas são locais; Jerusalém, contudo, parece, de certo modo, ser especial. Enquanto a Bíblia inteira revela que as igrejas são locais, Antioquia também parece ser especial. Conseqüentemente, você pode ver que Antioquia se nos torna também uma dificuldade, e não um auxilio. Hoje, vemos claramente que a igreja em Antioquia é uma coisa, enquanto que Antioquia como centro para a obra é uma outra coisa. Quando falamos das igrejas, Jerusalém se coloca numa posição igual à de Antioquia e Samaria. Mas, quando falamos da obra, Jerusalém é o centro. A ordem de Deus era que eles fossem testemunhas "tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos con-fins da terra" (At 1:8). Jerusalém, portanto, era um centro da obra. Assim, em Atos 13, quando houve uma outra pregação em Antioquia, esta se tornou um outro centro da obra. Foi o Espírito Santo quem deu o início em Jerusalém. Aqui, foi o Espírito Santo, novamente, quem deu um outro início em Antioquia. Em ambos os lugares, foi o Espírito Santo quem iniciou a obra. Em Antioquia, vemos

alguns que se foram para outros lugares, a fim de executar uma obra. Quando as igrejas vinham a existir, presbíteros eram constituídos, a fim de serem responsáveis pela supervisão da igreja, mas parece que Antioquia os controlava, porque os cooperadores estavam morando em Antioquia.

Pedro também Era um Presbítero

Vemos aqui o valor de Jerusalém. Ao lermos as Escrituras, podemos também ver o valor do fato de Pedro ser um presbítero em Jerusalém. No passado, dávamos atenção a Pedro somente como um apóstolo, não como um presbítero. Ele, porém, sustentava uma dupla posição. Com relação à localidade de Jerusalém, Pedro, Tiago e João eram presbíteros. Todavia, com relação à obra, eram todos apóstolos. Portanto, ao escreverem cartas à igreja em Antioquia, assinavam-nas como apóstolos e presbíteros. Caso contrário, seria impossível aos presbíteros de Jerusalém escrever e dar ordens à igreja em Antioquia, visto que esta também tinha seus presbíteros. Como presbíteros, tomavam certas decisões pela igreja em Jerusalém; como apóstolos, também tomavam as mesmas decisões pela obra. Hoje, entre nós, esta questão está bastante clara. Pelo menos conosco, este problema está plenamente resolvido e pertence ao passado. Não apenas pertence ao passado, mas esse mesmo ensinamento foi gloriosamente trazido à luz. Agora, vemos que a obra de Deus se realiza em toda uma região. Para a Sua obra, Deus deseja estabelecer uma localidade como centro. Todos os cooperadores devem ser centralizados naquela localidade, algumas vezes saindo, algumas vezes voltando. Em outras palavras, os presbíteros são responsáveis por uma igreja local; mas, se a localidade é também um centro da obra, então não só os presbíteros arcam com a responsabilidade, mas os cooperadores devem também ser presbíteros ali, a fim de terem parte na responsabilidade dos assuntos da igreja. As Escrituras não oferecem um exemplo para a prática comum de enviar cooperadores a residir numa localidade. A não ser que um cooperador migre para uma localidade, a fim de ser presbítero, estará errado. Por exemplo, um cooperador deve morar em Jerusalém; caso contrário, deve mudar-se para uma outra cidade, para tomar-se responsável por aquela localidade como um presbítero. Se desejar somente ser um cooperador, deverá morar em Jerusalém. Portanto, com respeito à acusação que a igreja fez a Pedro durante os últimos dois mil anos, temos a dizer que Pedro não estava errado. De que tem a igreja acusado Pedro durante os últimos dois mil anos? De que Pedro não deixou Jerusalém. Mas era certo Pedro permanecer em Jerusalém. Não estava errado. Disseram que ele deveria ter deixado Jerusalém, mas não creio nisso! Quem sabe se o Senhor queria que Pedro e João deixassem Jerusalém? Alguns afirmam que os dois fizeram com que se levantasse perseguição contra a igreja em Jerusalém, pelo fato de não terem partido. Mas isso não tem qualquer base bíblica. Se o Senhor desejasse que ambos deixassem Jerusalém, podia ter feito com que a perseguição recaísse sobre Pedro e João, e não sobre a igreja. Não é certo que eu esteja errado, e os outros sofram. Se o Senhor fizesse com que os outros sofressem, então, certamente, eu não estaria errado. Se era errado que Pedro e João permanecessem em Jerusalém, Deus deveria tê-los repreendido, e não a igreja em Jerusalém. O Senhor, entretanto, disse que, se alguém não é do mundo, o mundo irá odiá- lo; e, se o mundo perseguiu a Ele, também o perseguirá. Assim, quando seguimos ao Senhor, vemos que o mundo nos odeia, porque não lhe pertencemos. A perseguição

não ocorre pelo fato de falharmos em deixar o nosso lar; caso contrário, todos os cristãos que deixarem seus lares não serão perseguidos. Quero dizer-lhes que tanto os cristãos em casa quanto os cristãos fora de casa, todos serão perseguidos.

Saindo e Voltando

Você se lembra de que Pedro saiu para Cesaréia, e retornou a Jerusalém. Uma outra vez, Pedro foi a Samaria (uma vez que a obra de Deus estava em Samaria), e depois retornou a Jerusalém. Jerusalém era o centro, enquanto Samaria era uma cidade da obra naquela região. Os cooperadores concentraram-se em Jerusalém; portanto saíam e voltavam, voltavam e saíam. Ter um cooperador a governar sobre a igreja numa localidade é um pensamento dos protestantes, e não das Escrituras. Quanto à localidade que deve ser tomada como o centro para a obra, só Deus pode tomar a decisão. Somente Deus sabe como e onde começar; somente o Espírito Santo sabe como iniciar a obra. A decisão do homem não tem proveito algum. Não podemos, através de discussão, decidir qual localidade é "Jerusalém", pois Deus quer fazê-lo por Si mesmo; isto está nas mãos do Espírito Santo. Somente a Jerusalém designada pelo Espírito Santo é Jerusalém. Na primeira parte de Atos, vemos Pedro saindo de Jerusalém e retornando. Mais tarde, vemos Paulo saindo de Antioquia e voltando. Jamais permaneciam em outra localidade, mas sempre voltavam. Em outras palavras, o que devemos ver neste instante é que a obra tanto tem uma área como um centro. Quer digamos uma região, uma área ou um centro, todos vêm a ser apenas termos. Qualquer termo que você escolha está correto. O que precisamos enfatizar é a essência. Na obra em Jerusalém havia algo de essencial. O que importa não é se a chamamos de área, centro ou região. O mesmo é verdadeiro com relação a Antioquia. Uma vez que o Senhor diga: "Demarquei isso para você", estará correto que você o chame de demarcação da obra. Isto sempre implica uma área, uma região ou um centro, dentro do qual habita um grupo de cooperadores, e um outro distrito, no qual habita um outro grupo de cooperadores. Não foram presbíteros os enviados a outros lugares. Não foram somente os apóstolos ou somente os presbíteros, mas foi Pedro e outros, que tanto eram apóstolos como presbíteros. Portanto, irmão, quando você, um cooperador, residir numa localidade, lá você será tanto apóstolo como presbítero. Tomar este caminho desta forma está correto. É certo que alguns de nossos irmãos saiam para ajudar, mas eles precisam retornar. Não é certo que deixem de voltar. Assim como Paulo, saem e viajam por um amplo circuito, e depois voltam — isso está correto; ou, como Pedro, saem e imediatamente voltam — isso também está correto. Voltar é um dever. Os homens culpam a Pedro por não sair, mas deveriam também culpar a Paulo por voltar. Pedro retornou a Jerusalém, e Paulo, a Antioquia. Esta é a Palavra de Deus, que não poderia ser mais clara.

3. PREGANDO O EVANGELHO ATRAVÉS DOS APÓSTOLOS E ATRAVÉS DA MIGRAÇÃO

Veremos, agora, o terceiro aspecto, isto é, como a obra de Deus é levada adiante, e como o evangelho é pregado. Temos aqui duas maneiras. Já que a obra de Jerusalém é diferente da de Antioquia, temos, portanto, duas maneiras diferentes de

pregar o evangelho e de estabelecer igrejas.

O Caminho de Antioquia — Os Apóstolos Saindo

Primeiramente, pode-se agir conforme Antioquia. Paulo e Barnabé, Paulo e Timóteo, ou Paulo e Silas iam a um lugar após outro, a fim de pregar o evangelho, e, depois, voltavam a Antioquia. Os apóstolos é que saíam para pregar o evangelho, e os apóstolos é que saíam para estabelecer igrejas. Esta é uma das duas maneiras.

O Caminho de Jerusalém — Saindo por Migração

A segunda maneira é a de Jerusalém, de onde os cristãos migraram. Pregavam

o evangelho por toda parte. Pode-se ver que a migração resulta na pregação do

evangelho por toda parte. Se uma migração é feita pacificamente, ou se ela se deve a uma perseguição, nem por isso deixa de ser uma migração. O caminho de Jerusalém é migrar; a única diferença é que eles saíram por causa da perseguição. Creio, portanto, que o Senhor deixou pegadas bastante claras. Assim jamais pense que a primeira metade de Atos não seja tão valiosa. Atos é exatamente como Gênesis; demonstra o caminho de Deus. Ao vermos a maneira como Deus operou no princípio, precisamos agir da mesma forma hoje.

A Medida do Crescimento Está em Proporção ao Número que Sai

Deus usou a perseguição para fazer os santos migrarem. Eles não podiam ficar; foram forçados a partir. Naquela época, milhares de pessoas constantemente estavam saindo. Mas Paulo, em sua volta a Jerusalém, ainda encontrou milhares de

cristãos naquela igreja. Ao voltar a Jerusalém e subir ao. templo para ser purificado, ouviu dizer quantos milhares de judeus haviam crido (At 21:20). O trigo colhido este ano crescerá novamente no ano próximo. Você precisa deixar o solo que ocupou, a fim de permitir que outros se tornem cristãos. Você não deve permanecer parado todo o tempo. O número de cristãos que saem é o que indica o crescimento na mesma proporção. Permanecer todo o tempo num único lugar não fará com que

o número aumente. Os discípulos de Jerusalém continuaram a sair para pregar o

evangelho. Mais tarde, quando estava para ser julgado pelo sumo sacerdote, Paulo salientou quantos milhares de judeus haviam crido. Assim o caminho de Deus é enviar pessoas, grupo após grupo, como semente que se espalha. Portanto, diante de Deus, precisamos ver claramente estes três princípios, antes de podermos realizar a assim chamada obra missionária: 1) a obra é regional; 2) a obra em cada região tem um centro; 3) há duas maneiras de pregar o evangelho — pelo sair dos apóstolos e pela migração dos cristãos.

Não Devemos Ser Inertes

Sendo assim, irmãos, vocês jamais devem estar inertes com respeito a esses três pontos. Durante os vários anos da guerra, enfrentamos dificuldades, por meio das quais descobrimos estas três coisas. Para muitos de nós, metade de nosso

tempo já se foi. A metade restante precisa ser gasta em tomar um curso reto. Jamais deveríamos andar como no passado. E creio (este é um sentimento pessoal) que esta luz está suficientemente clara. Vocês vêem: a igreja, por dois mil anos, tentou enquadrar-se no caminho de Jerusalém; porém jamais o fizeram correta- mente. Hoje somos capazes de ajustá-lo correta e até mesmo claramente. A clareza desta questão é exatamente a mesma da localidade da igreja, quando estávamos em Hankow. O fato de as igrejas serem locais já nos está claro: de que a obra é regional também nos está claro. Por essa razão, nossa obra precisa estar voltada para o curso correto. Se ainda estamos pensando que um cooperador deve controlar uma localidade, chegaremos a um beco sem saída. A menos que essa questão seja reparada, a obra jamais poderá continuar. O velho caminho jamais chegará ao fim. Por exemplo, se o velho caminho fosse certo, então somente à região de Pinyang poderíamos enviar todos os cooperadores, a fim de cuidarem de mais de cem reuniões; mas isso, apenas para descobrir que mais cooperadores do que agora temos se fariam necessários. Mesmo na região de Wenchow, nossos cooperadores não atingem número suficiente, para serem distribuídos por todos os lugares. Então precisaríamos de que as irmãs fossem pastoras. Seguir, portanto, este caminho significa que jamais chegaremos ao fim, para atender as necessidades.

O Testemunho no Centro Deve Ser Preservado

Precisamos ver que a obra tanto tem sua região, como tem seu centro. Todas as questões atinentes às localidades podem ser confiadas às igrejas locais. Os cooperadores sempre saem para a obra, a fim de trabalhar e, não muito depois, voltam a Jerusalém. Então saem outra vez e voltam novamente a Jerusalém. Sendo assim, é bom manter um forte testemunho em Jerusalém. É uma tarefa fácil para os doze apóstolos manter o ministério da Palavra em Jerusalém, mas lhes seria muito difícil manter este ministério por toda a Samaria e por toda a Judéia. Desta forma, diante de Deus, precisamos ter muita oração e uma clara luz, de modo a podermos ver qual localidade pode ser usada como centro para a obra numa região, um lugar onde um grupo de cooperadores, tanto irmãos quanto irmãs, possam habitar e fazer dele seu centro, bem como ser membros da igreja local, a fim de preservar o testemunho na localidade. Pelo sair e pelo voltar, se poderá manter o ministério da Palavra naquela localidade.

Xangai é um Centro

Por causa das localidades na região da fronteira de Kiangsu e Chekiang, e das linhas de transporte de Nanking-Xangai e Xangai-Hangchow, o centro da obra está localizado em Xangai. Xangai deve manter um testemunho forte, e Xangai precisa de cooperadores que sustentem a obra. A responsabilidade do restante das localidades nesta região deve ser deixada aos irmãos de sua própria localidade, e, ao mesmo tempo, os irmãos de Xangai devem ter permissão de migrarem para outros lugares. Após um determinado tempo, os irmãos de Xangai serão enviados grupo após grupo. Esta é uma questão muito importante. Sair para pregar o evangelho está nas mãos dos irmãos e irmãs; não estamos enviando pessoas para serem pastores, mas

simplesmente migrantes. Por favor, lembrem-se de que o princípio de Jerusalém é a migração. Este é o método de pregar o evangelho nas igrejas primitivas. Naquela época, saíam por causa da perseguição; mas, gostaria de perguntar, onde vocês en- contrarão filhos de Deus que não sofram perseguição? Vocês, portanto, devem ter em mente que o caminho está claramente colocado diante de nós.

Foochow também é um Centro

Assim é como eu vejo hoje. Posso ilustrar deste modo: se a província de Fukien e a ilha de Formosa são uma região para a obra, cremos então que Foochow pode ser tomada como um centro. Naturalmente, os irmãos devem apoiar e manter tal centro, saindo e voltando. Quando levamos pessoas à salvação, devemos admoestá-las de que, se o Senhor for gracioso para conosco, elas também poderão sair, encorajando vinte pessoas a se mudarem para Nan-Ping, trinta para Putein, trinta para Amoy, trinta para Taipé e trinta também para Tainan. Quando se mudarem, o evangelho será gerado. O evangelho simplesmente os seguirá. Se vocês estão esperando enviar um número considerável de evangelistas dentro de um certo número de anos, não apenas os gastos serão elevados, mas o número de pessoas a saírem será menor. E, por fim, vocês não terão muitos resultados. Lembrem-se de que toda a igreja precisa sair para pregar o evangelho. É correto que saia um grupo após outro. Em Foochow, há apóstolos e presbíteros. Às vezes, dois ou três deles podem ir a uma localidade para visitar e, depois, voltam. Dois ou três mais podem ir a uma outra localidade, e também voltarem. Não estou dizendo que, de agora em diante, todo o trabalho do evangelho deva ser deixado em suas mãos. Talvez um ou dois irmãos e irmãs precisem fazer visitas de lugarejo em lugarejo. Somente quando estas duas maneiras de levar o evangelho forem tomadas simultaneamente, é que o evangelho será pregado.

O Ministério da Palavra e o Enviar

Vocês podem ver agora que a obra num centro torna-se muito importante. Lá vocês não apenas precisam manter o ministério da Palavra, como também precisam enviar pessoas para a obra. Não importa se são mascates, trabalhadores braçais ou empregadas domésticas; todos devem ser enviados a pregarem o evangelho. Por essa razão, precisamos dar a todos os irmãos e irmãs um treinamento adequado, de modo a serem conduzidos ao estágio de serem enviados. Cinqüenta serão enviados para um lugar, e trinta para um outro lugar, onde todos possam ser capazes de auxiliar as igrejas locais, sem que se tornem um peso para elas. Se os muitos que são enviados se tornam um problema, de modo que as igrejas não possam encontrar uma saída, que fazer então? Portanto os irmãos e irmãs precisam ser treinados, a fim de serem preparados para sair como missionários, grupo após grupo. Assim, os cooperadores precisam ver que a obra tem de ser centralizada, e não espalhada. A localidade-centro deve primeiro ser estabelecida em boa ordem, antes que os santos possam ser treinados e enviados. Durante esses poucos anos, enfrentamos muitos sofrimentos e dificuldades, que nos capacitaram a aprender algumas lições. Não tratemos tal lição erroneamente. Nós realmente precisamos ter

tal ensinamento.

4. A NECESSIDADE DE RECEBER TREINAMENTO BÁSICO

Veremos, agora, o quarto ponto, isto é, a necessidade de todos os irmãos e irmãs receberem o mesmo treinamento.

A Reunião de Treinamento dos Novos Cristãos

Precisamos proporcionar aos principiantes um tipo especial de reunião. Tanto em Xangai quanto em Foochow, já proporcionamos este treinamento aos novos irmãos que creram. Este tipo de reunião é o mesmo a cada ano. Obviamente, não esperamos que estas lições de treinamento sejam simplesmente recitadas, como as pessoas costumam fazer com o "Pai-nosso". Se as pessoas são vivas, então haverá vida. As palavras de instrução serão dadas em seqüência, do princípio ao fim de cada ano. Depois de cinqüenta e duas semanas, o ciclo será repetido novamente. Assim, quando cada irmão sair, terá, no mínimo, recebido a instrução básica. Deste modo, as dificuldades diminuirão. Se alguns entrarem em nosso meio, não importa em qual semana começarem, em um ano terminarão todo o treinamento. Depois de cinqüenta e duas semanas, estarão prontos a repetir o treinamento. Se entrarem na décima semana do ano, completarão o ciclo de treinamento e ensinamento, quando se aproximarem da nona semana do ano seguinte. Então obterão a mesma instrução, e estarão prontos a ser enviados.

Enviados para Pregar o Evangelho

Devem eles ser aconselhados de que, quando migrarem para um lugar, deverão fazer o máximo para ali salvar almas. Assim pessoas sempre serão levadas à salvação na localidade-centro. Estas pessoas devem então ser edifiçadas e migrar para algum outro lugar, dando-lhes assim a oportunidade de sair para pregar o evangelho. Deste modo, toda a igreja pregará o evangelho; não apenas os evangelistas. Se somente os evangelistas fizerem a pregação, jamais poderão, em seu tempo de vida, completar a pregação do evangelho por toda a China. Hoje, a população da China é de quatrocentos e cinqüenta milhões de pessoas; mas não mais do que um milhão são cristãos. Se este milhão de cristãos estiver em nossas mãos e todos forem enviados, haverá uma maneira. Precisamos ajudá-los a receber o mesmo tipo de treinamento, e depois enviá-los. Então você verá a igreja pregando o evangelho por toda a parte. Eles saem para pregar o evangelho, porque são enviados. Não lhes é necessário esperar pela perseguição antes de serem enviados. Talvez enfrentem perseguição; mas, de qualquer forma, devem sair. Alguma arrumação, portanto, é necessária, e os irmãos responsáveis devem fazer tais arranjos. Algumas localidades são geograficamente estratégicas, e precisamos lançar mão delas. Talvez pudéssemos primeiramente enviar alguns até lá, a fim de adquirirem algum tipo de emprego, e depois pudéssemos enviar mais alguns outros para executarem algum trabalho. Quando pessoas forem levadas à salvação através delas, os cooperadores poderão ir até lá para levantar uma reunião. Assim, antes de podermos chegar ao fim, precisamos de uma mudança em toda a situação atual, a fim de prosseguirmos neste caminho da obra.

Quando a Igreja Prega o Evangelho, os Frutos Vêm

Hoje, todos os irmãos e irmãs reconheceriam que somente quando a igreja pregar

o evangelho, é que haverá mais frutos. Apenas o trabalho da igreja pode resultar mais

frutífero. Recentemente, um grupo de irmãos foi a Gou-Tien para pregar o evangelho,

e um total de mais de cinqüenta pessoas foram salvas e batizadas. Quando a igreja

pregou o evangelho, pessoas foram salvas. Sem propaganda, uma pessoa simplesmente tomou uma ou duas outras pessoas, até que, por fim, mais de cinqüenta foram salvas. Antigamente, Nan-Ping tinha somente alguns que iam às reuniões. Finalmente, depois que os irmãos foram lá, mais de vinte foram batizados. Estes ouviram o evangelho durante um grande incêndio em Nan-Ping, onde somente um quarto da cidade foi poupado. Cerca de dez casas de nossos irmãos foram também queimadas. Mas, quando toda a igreja pregou o evangelho, um grande número de pessoas foram salvas. Nessa época, nossos irmãos nos escreveram e disseram que, após descobrirem esse caminho, entregariam suas vidas prontamente por isso, e não se voltariam para qualquer outra direção. Vemos hoje, que, enquanto a igreja prega o evangelho, o Senhor opera. Não temos que usar propaganda ou aplicar qualquer tipo de métodos. Simplesmente os irmãos saem, cada um trazendo uma alma. Então vocês vêem as pessoas chegarem. Embora a mensagem até possa ser de certo modo fraca, não importa, contanto que a igreja esteja pregando o evangelho. Você verá dezenas e dezenas de pessoas batizadas. Esse trabalho, no futuro, será sempre transferido aos irmãos locais, permitindo-lhes que façam o trabalho por si mesmos.

Kuling Fornecerá Auxilio

Que devemos fazer, nós que estamos em Kuling? As igrejas locais devem enviar

a este lugar os que prometem alguma coisa, os quais receberão um ou dois meses

de auxílio espiritual. Então serão enviados de volta às suas próprias localidades, a

fim de arcarem com alguma responsabilidade. Os cooperadores sempre arcam com a responsabilidade da obra no centro, mas, ao mesmo tempo, sempre saem

e voltam. Se assim for, então a obra terá um caminho.

A Necessidade de Coordenação

Por essa razão, nos agrupamentos, tanto em Xangai quanto, agora, em Foochow, demos muita atenção à coordenação. Tudo é inútil, se não há coordenação. Anteriormente, você seguia o seu caminho, e ele, o dele; agora, sem coordenação, nada pode ser feito. Ninguém deve agir independentemente; todos precisam submeter-se à coordenação genuína. Creio que, em breve, o evangelho poderá propagar-se bem rapidamente. Além disso, acredito que nos será fácil tomar toda a China. Por exemplo, se os irmãos de Foochow forem fiéis, ser-lhes-á muito fácil conquistar totalmente a província de Fukien e a ilha inteira de Formosa. Se os irmãos de outras localidades também forem fiéis e aprenderem a seguir este caminho, serão capazes de conquistar todos os outros lugares. Hoje, o caminho foi descoberto por nós. Agora, ele repousa inteiramente sobre

o fator humano. O caminho está tão claro, que não pode estar mais claro. Se você

não vir o princípio de Jerusalém, sentirá que na Palavra de Deus existe alguma coisa que não pode ser corretamente ajustada, e que há alguma dificuldade. Hoje reconhecemos que todo o livro de Atos se encaixa muito bem. Não há um problema sequer. Além disso, agora, cada vez que leio o livro de Atos, vejo que a maneira

pela qual Pedro se conduziu na primeira parte era realmente boa. Creio que ele sofreu uma falsa acusação por dois mil anos. O sair e o v o l t a r d e P e d r o a

a obra de Deus

J e r u s a l ém e s t ã o i n t e i r a mente justificados. Em qualquer caso, exige um centro.

O Ministério da Palavra não é um Problema Difícil

Portanto, passemos agora à análise da questão relativa ao ministério da Palavra. Simplesmente mantê-lo numa localidade central é o suficiente. Quanto às outras localidades, precisam ser conduzidas e treinadas, a fim de se manterem. Se se mantiverem, não haverá quaisquer dificuldades. É por esta causa que nós, em Kuling, estamos preparando um lugar para o treinamento. No futuro, permitiremos que todos aqueles que são promissores nas igrejas de todas as localidades venham aqui, para receberem algum treinamento. Então faremos com que voltem. Assim, realizarei o meu trabalho, e você o seu, cada um cuidando de seu próprio trabalho. Creio que, em breve, poderemos chegar ao fim deste modo, e, em muitas localidades, fortes testemunhos poderão ser edifica dos continuamente.

O Fundamento da Obra

O fundamento de toda a obra está hoje aqui. Se este se tornar confuso, tudo estará confuso. Então retrocederemos à situação que havia antes da nossa reunião em Hankow. Em Hankow, somente vimos o problema da igreja. Naquela ocasião, não vimos o aspecto da obra. Todavia, agora, o caminho da obra está diante de nós. Se tivermos os homens corretos e a misericórdia do Senhor, digo-lhes que, sem muito esforço e dentro de poucos anos, toda a China será conquistada. Creio que este é um grande acontecimento possível; conquistar toda a China com o evangelho. Caso contrário, mesmo após cinqüenta anos, a situação permanecerá a mesma de hoje. Reconheço, realmente, que muito da bênção de Deus tem estado em nosso meio. No passado, sempre disse que Deus salva as pessoas, e, sem sombra de dúvida, Deus já salvou um grande número de pessoas em nosso meio. Sempre sinto, porém, que estes não são suficientes; ainda não há pessoas suficientes. Recentemente, enquanto todos líamos a Bíblia aqui, eu mesmo também li a Palavra de Deus uma ou duas vezes. Vejo que Sua Palavra é muito clara. No passado, vimos apenas o caminho da igreja, sem ver o caminho da obra. Quando o caminho da obra é pobre, o caminho da igreja também o é. Agradecemos a Deus pela Sua misericórdia sobre nós, pois hoje, após tantos anos, Ele nos fez ver este caminho. Os irmãos numa localidade devem sempre tomar a responsabilidade em coordenação e também migrar em grupo para pregar o evangelho. Esta é uma questão bastante simples. Jerusalém teve grande êxito nesse aspecto. Diante de Deus, Jerusalém representa a igreja. Jerusalém nos céus

representa a igreja, e a Jerusalém nesta terra também representa a igreja. Pedro estava sempre lá trabalhando; como resultado, muitas pessoas saíam para pregar o evangelho. Jamais se dá o caso de que, quando as pessoas partem, o evangelho chega ao fim. O evangelho sempre será levado em frente, continuamente. Isto é muitíssimo glorioso. O requisito de hoje: seja fiel em coordenação.

A Exigência de Hoje — Ser Fiel em Coordenação

Portanto nossa exigência hoje não é somente que os cooperadores devem ser coordenados, mas que os irmãos responsáveis o devem ser igualmente. Entre nós, ninguém pode escolher livremente. Desta maneira, é possível que a igreja pregue o evangelho. Cada pessoa, não importa aonde vá, deverá ser pela pregação do evangelho. Sua boca deverá ser pela pregação do evangelho. Nós precisamos, como todo o Corpo, sair. Creio que o Senhor terá hoje o Seu caminho. Se não formos fiéis e fidedignos, o Senhor escolherá outros para trilharem este caminho. Acredito que Lhe seja possível fazê-lo. Mas levaria pelo menos outros vinte anos. Não diga que o Senhor não nos poria de lado. Ele pode facilmente marginalizar-nos; mas isto desperdiçaria outros vinte anos. Esperamos poupar vinte anos para o Senhor. Que Ele possa ter misericórdia de nós, de modo a podermos alcançá-lo. Vamos nos dedicar totalmente por isto. Nestes dias, após passar por experiências muito pesadas e difíceis, Ele nos levou a ter este caminho. Não o abandonemos.

FIM -

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FIM DOS TERMOS E CONDIÇÕES