Você está na página 1de 384

ACTAS

DAS IV JORNADAS
DE CONTABILIDADE

INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE


E ADMINISTRAÇÃO DE AVEIRO
- 199 1
OVtk Qt- ^D-nv ££)\J (o ^

ACTAS
DAS IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

rscA - AVKmo
n
^ W ' ^ BIBLIOTECA

f
rtaJH .. .
c r> n.

1
Montagem e
Prod. Gráfica: AREAL EDITORES, LDA.
Rua da Torrinha, 228-H-39
4000 PORTO

Impressão INOVA/ARTES GRÁFICAS


DepÓSitO legal DEPÓSITO LEGAL N.° 78 789/94
ACTAS
DAS IV JORNADAS DE CONTABILIDADE
Aveiro, 17, 18 e 19 de Outubro de 1991

INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE


E ADMINISTRAÇÃO DE AVEIRO

3
Publicação subsidiada
pela EXTRUSAL
Organização
1.1.

As Jornadas de Contabilidade têm vindo a ser iniciativas dos


Institutos Superiores de Contabilidade e Administração de Aveiro e do
Porto que, em 1978 e 1984 o primeiro, e em 1985 o segundo, realizaram
as três primeiras Jornadas de Contabilidade.
Coube ao ISCAA de Aveiro a iniciativa de realização das IV
Jornadas, que tiveram lugar em 17, 18 e 19 de Outubro de 1991, nas
recém inauguradas instalações na zona de Santiago.
Estas jornadas decorrem nos moldes utilizados nas anteriores, com
os ajustamentos que a experiência foi indicando.
A sua organização dependeu do contributo de muitas pessoas,
singulares e colectivas. O poderoso grupo da Caixa Geral de Depósitos,
através da sua Agência de Aveiro e das agências locais da Locapor e da
Fidelidade tomou a cargo o patrocínio exclusivo destas Jornadas
assegurando, assim, os meios necessários à sua concretização.
As Comissões Científicas e Organizadora, a Câmara Municipal de
Aveiro, as firmas expositoras, a Imprensa, a Radio, os Serviços Sociais
da Universidade de Aveiro, e muitas outras entidades, contribuíram de
várias formas para a realização da IV jornadas.
O corpo docente da área de contabilidade do ISCAA, nomeadamente
os professores Domingos Cravo, João Serrano da Naia Fortes e Avelino
Azevedo Antão colaboraram na elaboração dos programas temáticos, no
contacto com professores e peritos nacionais e estrangeiros que vieram
a contribuir decisivamente para o êxito das sessões.
O corpo de alunos colaborou de modo intenso e impecável em todo
o processo burocrático e de apoio às sessões.
O corpo de funcionários apoiou o secretariado na parte burocrática,
nomeadamente o operador de off-set António das Neves da Silva e a
secretária dactilógrafa Paula Alexandra Cardoso F. Teixeira que foram
verdadeiros suportes desta organização.
O serviço de documentação do ISCAA participou de modo impressivo
na organização desta mostra bibliográfica.

6
1.2. COMISSÕES
As Comissões de Honra e Científica foram constituídas do seguinte
modo:
• Comissão de Honra
Ministro da Educação
Secretário de Estado do Ensino Superior
Reitor da Universidade de Aveiro
Governador Civil de Aveiro
Presidente da Câmara de Aveiro
Comissão de Científica
Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira
Prof. Doutor Caetano Léglise Cruz Vidal
Prof. Doutor Rogério Fernandes Ferreira
Prof. Doutor D. Enrique Hernandez Pena
Prof. Dr. Amílcar Barbosa Amorim

1.3. TEMAS
Os trabalhos apresentados foram agrupados segundo os seguintes
temas:
I - A contabilidade e os Utentes da Informação Contabilística
II - Consolidação de Contas
III - Auditoria
rV - Gestão
A sua organização foi apoiada por um secretariado constituído por
professores, funcionários e alunos do ISCAA, na dependência do
Conselho Directivo. Foram elaboradas duas circulares e um cartaz, que
constituíram o suporte da difusão das Jornadas.

1.4. MESAS
As sessões decorreram nos dias 17, 18 e 19 de Outubro de 1991 e os
respectivos trabalhos foram orientados por mesas constituídas por um
presidente e um secretário, do seguinte modo:
MESA I:
Presidente: Dr. Joaquim José da Cunha
Prof. Auxiliar e Presidente do Conselho Directivo ISCAA
Secretário: Dr. Rui Magalhães Mota
Prof, do ISCAA

7
MESA II
Presidente: Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira
Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de
Economia da Universidade do Porto e Vice-reitor da
Universidade Portucalense
Secretário: Dr. Amílcar Barbosa Amorim
Professor coordenador e Presidente do Conselho
Científico do ISCAA

MESA III
Presidente: Prof. Doutor D. Enrique Hernandez Pena
Professor Catedrático da Universidade Complutense de
Madrid
Secretário: Dr. Domingos José da Silva Cravo
ROC e Professor do ISCAA

MESAIV
Presidente: Prof. Doutor Rogério Fernandes Ferreira
Professor Catedrático do ISEG
Secretário: Drs Virgínia Maria Granate Costa e Sousa
Professora Adjunta do ISCAA

Estas mesas orientaram os trabalhos, respectivamente, nos dias 17


(I), 18 (II e III) e 19 (III e W).

1.5. COMUNICAÇÕES
As comunicações apresentadas, agrupadas nos respectivos temas,
foram as seguintes:
Dia 17
Mesa I
- Contabilidade: Ciência, Técnica ou Arte ?
Dr. Nicolau SCHWES
Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS) Porto Alegre - BRASIL
- Ética e Direcção de Empresas
DrB Maria Emília Alves Mendes Pinto
Professora do ISCAP

8
- Dicotomia de Custos
Dr. Ruy L. F. de Carvalho
ROC - Professor do ISCAL
- Inflação e Monetarismo
Mário Joel Veiga Oliveira Queirós
Finalista da FEUP
O Diploma Europeu de Contabilidade
Dr. Ruy L. F. de Carvalho
ROC - Professor do ISCAL
- Gestão Bancária no Contexto da Integração Europeia
Doutor Mário Antão
Professor do ISEG

Dia 18
Mesa II
- Urgência e necessidade da Contabilidade Agrícola
(Parte II)
Dr. José Ribeiro & Dr. Vítor Dórdio
Departamento de Gestão de Empresas da Universidade de
Évora
- Custeio Total versus Custeio Variável
Dr. José Manuel de Matos Carvalho
Professor e Presidente do CD do ISCAC
- Avaliação de Empresas
Dr. Manuel Duarte Domingues
Contabilista
- Contingências e acontecimentos subsequentes
Dr. Jorge M. Teixeira da Silva
Revisor Oficial de Contas
- A propósito de trespasses
Prof. Doutor Rogério Fernandes Ferreira
Professor Catedrático do ISEG
- A Contabilidade Nacional - Um Sistema de Informação
dos Equilíbrios Económicos
Dr s Virgínia Maria Granate Costa e Sousa
Professora do ISCAA

9
- La Reforma de la Contabilidad P u b l i c a Local e n
Espana. El P l a n General de Contabilidad P u b l i c a
A d a p t a d o à la A d m i n i s t r a c i ó n Local
Doutor D. Antonio M. Lopez Hernandez
Professor do Departamento de Economia Financeira e
Contabilidade da Universidade de Granada - Espanha

Mesa III
- D e s e n v o l v i m e n t o de software de a p o i o à Auditoria
b a s e a d o n o m é t o d o de a m o s t r a g e m "PPS Sampling"
Dr a Augusta C. Santos Ferreira & Dr § Helena Coelho Inácio
Docentes do ISCAA
- A Contabilidade e o L e a s i n g
Dr. José Hipólito de Oliveira André Figueiredo
Director Administrativo e Financeiro da IMOLEASING
- Sobre a i n c l u s ã o d o s R e v i s o r e s Oficiais de Contas n o s
Órgãos de F i s c a l i z a ç ã o d a s S o c i e d a d e s
Dr. Carlos Baptista da Costa
Revisor Oficial de Contas

Dia 19
Mesa IV
- Problemática das Provisões e das Reintegrações e
A m o r t i z a ç õ e s e m ó p t i c a contabilístico-fiscal e de
Auditoria
Dr. António Afonso da Silva Carvalho
Professor do ISCAP
- C o n s i d e r a ç õ e s e m t o r n o do P a r a d i g m a da U t i l i d a d e
Dr. Domingos José da Silva Cravo
Docente do ISCAA
- O i m p a c t o d a 7S D i r e c t i v a n o D i r e i t o I n t e r n o P o r t u g u ê s
Dr. José de Oliveira Correia
Inspector de Finanças
- Controlo Interno - C o n c e i t o s B á s i c o s . Aplicações
Específicas
Dr. António Afonso da Silva Carvalho
Professor do ISCAP

10
1.6. EXPOSIÇÕES
A REGISCONTA realizou u m a exposição de material informático e
técnico durante os dias das Jornadas.
Na biblioteca do ISCAA esteve exposta u m a mostra de livros
adequados às Jornadas.

1.7. WORKSHOP
A DATAJURIS, Direito e Informática, Lda realizou no dia 19 u m a
Workshop sobre Bases de Dados, legislação, jurisprudência, doutrina
e software para juristas, orientado pelo Dr. João Paulo Remédios
Campos.

1.8. PUBLICAÇÃO DAS ACTAS


As presentes actas são publicadas com um considerável atraso em
relação à data inicialmente prevista.
Este atraso fica a dever-se, fundamentalmente, à lentidão com que
alguns Autores fizeram chegar os originais escritos dos seus trabalhos
ao secretariado.
Lamentavelmente alguns trabalhos não são publicados por falta
desses originais e um deles, até, por vontade expressa do seu Autor. No
entanto caso os originais em falta venham a ser presentes ao
secretariado este procederá a sua publicação em separata.

1.9. PROGRAMA SOCIAL


No dia 18, um autocarro e u m guia profissional estiveram à
disposição dos acompanhantes, a quem foi proporcionado um passeio,
compreendendo o almoço, a alguns dos pontos mais belos da região do
Buçaco e arredores.
Estiveram à disposição dos participantes, durante as Jornadas, 2
autocarros para transporte entre o ISCAA e os hotéis e restaurantes.

1.10. DP7ERSOS
A todos os participantes foi atribuído u m diploma de presença e
oferecida u m a chávena para café alusiva às IV Jornadas e ao ISCAA.

11
1.11. V JORNADAS DE CONTABILIDADE
Em vésperas de publicação destas actas, foi com muito gosto que
tomámos conhecimento da realização, provavelmente em Novembro de
1994, das V Jornadas de Contabilidade, que terão lugar no Porto,
organizadas pelo ISCAP.

12
2

Sessão Solene de Abertura

Presidida pelo Senhor Director Geral do


Ensino Superior Prof. Doutor Pedro Lynce
de Faria, em representação de S. Exa. o
Secretário de Estado do Ensino Superior

13
. A cerimónia solene de abertura da IV Jornadas de Contabilidade
teve lugar pelas 11 horas do dia 17 de Outubro de 1991, no auditório
do ISCAA, sob a presidência do Senhor Director-Geral do Ensino
Superior, Prof. Doutor Pedro Lynce de Faria, em representação do S.
Exa. o Secretário de Estado do Ensino Superior.
Na mesa, além da entidade que presidia, estiveram as seguintes
personalidades:
Governador Civil de Aveiro, Dr. Gilberto Madaíl
Reitor da Universidade de Aveiro, Prof. Doutor Renato Araújo
Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Dr. José Girão
Pereira
Presidente C.C.I. Politécnicos, Dr. António Almeida e Costa
Presidente do C. D. ISCAA, Dr. Joaquim José da Cunha
Secretário Coordenador das IV Jornadas, Dr. Casimiro Ferreira

Aberta a sessão, o secretário-coordenador proferiu algumas palavras,


agradecendo a presença, de todas as entidades e dando u m a
panorâmica do que viriam a ser os trabalhos que se iriam iniciar.
A sessão foi encerrada pelo Director Geral do Ensino Superior, Prof.
Doutor Pedro Lynce de Faria, que aludiu à importância de
acontecimentos desta natureza, tecendo em considerações sobre a
influência destas iniciativas na difusão do conhecimento n u m a área em
grande evolução, evolução essa decorrente da integração de Portugal na
CEE.
Finda a sessão solene foi exibido u m documentário intitulado "Um
Olhar Sobre Aveiro" e aberta aos participantes u m a exposição de
material informático e técnico da REGISCONTA.
Na sala de leitura da biblioteca do ISCAA ficou patente a todos os
participantes u m a mostra de material bibliográfico alusivo às Jornadas.

14
Durante a exposição de um dos Autores

O Ministro da Educação e outras Entidades convidadas


Mesa que presidiu à sessão de encerramento das Jornadas

Vista parcial da assistência


3

Comunicações da Mesa I

Presidente: Dr. Joaquim José da Cunha


Secretário: Dr. Rui Magalhães Mota

Contabilidade: Ciência, Técnica ou Arte ? 17


Dr. Nicolau SCHWES
Professor da Universidade Federai do
Rio Grande do Sul (UFRGS) Porto Alegre - BRASIL
Ética e Direcção de Empresas 37
Drs Maria Emília Alves Mendes Pinto
Professora do ISCAP
Dicotomia de Custos *
Dr. Ruy L. F. de Carvalho
ROC - Professor do ISCAL
Inflação e Monetarismo 43
Mário Joel Veiga Oliveira Queirós
Finalista da FEUP
O Diploma Europeu de Contabilidade *
Dr. Ruy L. F. de Carvalho
ROC - Professor do ISCAL
Gestão Bancária no Contexto da Integração Europeia *
Doutor Mário Antão
Professor do ISEG

Texto não disponível para publicação = *

15
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
CONTABILIDADE: Ciência, Técnica ou Arte ?

Autor: NICOLAU SCHWES


(Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Porto
Alegre - BRASIL)

17
SUMARIO

INTRODUÇÃO 19
1. DEFINIÇÃO DE TÉCNICA 20
2. DEFINIÇÃO DE ARTE 21
3. DEFINIÇÃO DE CIÊNCIA 21
3.1. Conhecimento 21
3.1.1. Conhecimento vulgar 22
3.1.2. Conhecimento filosófico 22
3.1.3. Conhecimento teológico 22
3.1.4. Conhecimento científico 22
3.2. Conhecimentos Certos 23
3.3. Objeto do Conhecimento 24
3.4. Conhecimento Geral 25
3.5. O Método Racional 25
4. CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS 27
5. OBJECTIVOS DA CIÊNCIA 28
6. DEFINIÇÃO DE CONTABILIDADE 29
6.1. O Objeto da Contabilidade 29
6.2. O Método da Contabilidade 31
7. EXCLUINDO TÉCNICA E ARTE 33
CONCLUSÃO 34
BIBLIOGRAFIA 36

18
INTRODUÇÃO

A busca da máxima eficiência, da lucratividade e da aplicação


imediata de tudo o que surge de novo no campo profissional, seja ele
qual for, leva os profissionais à supervalorização da técnica, esquecendo
da Ciência embutida em cada profissão.
A confusão entre técnica e ciência é ocasionada pela própria
metodologia de ensino dos cursos universitários.
Objetivando a satisfação das necessidades do mercado de trabalho,
as Universidades têm dado um enfoque utilitarista à Ciência,
enfatizando o ensino da técnica em detrimento à fundamentação
científica das profissões. Isto debilita o senso crítico dos profissionais
oriundos destas Universidades no que se refere àquilo que fazem, e não
desenvolve neles o interesse pela busca dos fundamentos científicos que
lastreiam o seu campo de atuação.
A facilidade metodológica do ensino da técnica é verificada tanto do
ponto de vista do estudante, como do docente. P a r a o docente não é
necessário um conhecimento científico profundo do assunto e a
possibilidade de questionamentos é reduzida, uma vez que a visão
prática e unilateral, facilita a compreensão do aluno, que acomoda-se
frente a esta situação.
Nossa preocupação em relação ao assunto reside no facto de que ao
observarmos a realidade académica de nosso curso encontramos uma
tipificação desta situação, onde o conhecimento científico cede lugar ao
ensinamento de técnicas.
A forma com que este modelo vem se legitimando, principalmente na
área contábil, faz com que passemos a analisar mais criticamente a ori-
gem do problema e discutir soluções para buscar escapar deste maqui-
nismo, a começar pelo próprio entendimento do que é a Contabilidade.
Ciência, Técnica ou Arte são definições que usualmente lhe são
atribuídas. Nosso objectivo neste trabalho é clarificar cada um destes
conceitos e, finalmente, definir qual o enquadramento da Contabilidade.
P a r a tanto formulamos conceitos próprios de CIÊNCIA, TÉCNICA
e ARTE, a partir de intensa pesquisa bibliográfica e vários debates em
sala de aula. Buscamos um embasamento filosófico para formação e
justificação de nossos conceitos pois a Filosofia é a fonte de todas as
áreas do conhecimento humano e todas as ciências dela não só
dependem como nela se incluem.

19
A riqueza e diversidade de proposições encontradas sobre o assunto
fazem com que a tarefa de apresentar conceitos sólidos de CIÊNCIA,
TÉCNICA e ARTE seja bastante complexa.
Devemos tomar o cuidado de estabelecer parâmetros concretos e
devidamente direcionados, sem deixar de preocupar-nos com a tarefa
inerente de formular u m arsenal de argumentos contra u m a possível
avalanche de questionamentos que possam ser levantados contra nossas
asserções.
Fazemos questão de deixar de lado qualquer prenúncio de
arrogância e inflexibilidade na defesa destas ideias, resumindo a
apresentação de nosso trabalho na demonstração da metodologia do
estudo e na fundamentação das conclusões.

1. DEFINIÇÃO DE TÉCNICA

Técnica é o conjunto de procedimentos ordenados e concretos


aplicáveis na realização de objectivo específico.
A técnica é u m a forma de expressão do conhecimento humano. Está
relacionada ao aspecto produtivo da actividade humana, tanto no
âmbito material como mental.
Caracteriza-se por procedimentos concatenados de forma ordenada,
ainda que somente no âmbito intelectual, ou seja, independentemente
de aplicação prática. Quando nos referimos aos procedimentos como
sendo aplicáveis, objetivamos salientar que tais procedimentos,
independentemente de estarem aplicados, caracterizarão a técnica,
desde que p o s s a m s e r aplicados.
Nesta conceituação a palavra concreto foi utilizada para delimitar
o objeto da técnica. Devemos salientar, que a técnica não é aplicável
apenas para fins materiais, mas aplicável também para fins abstractos,
como por exemplo a hipnose e a ioga.
A definição do objectivo a ser atingido é importante para orientar a
execução da tarefa e permitir alcançar a meta esperada.
A técnica busca a eficiência e a otimização do resultado naquilo que
executa. P a r a satisfazer tais qualidades é fundamental possuir um
objectivo específico.

20
2. DEFINIÇÃO DE ARTE

Arte é a manifestação do Belo, produto de intensas emoções estéticas


do artista, ligado a condições diversas de época, de povo, de cultura.
As intensas emoções do artista caracterizam-se pelos aspectos de
criatividade e imprevisibilidade, e a exteriorização destes sentimentos
de forma concreta começa a consolidar aquilo que designamos por Arte.
A arte é conceituada como sendo a manifestação do belo, onde este
é o objeto da satisfação do espírito do homem face ao equilíbrio
resultante da combinação dos elementos esteticamente apresentados
pelo artista.
Haja vista esta satisfação ser de essência estritamente subjectiva,
u m a vez que é condicionada ao padrão de espírito e cultura de cada
indivíduo, é imprescindível observar que as condições da época, do povo
e da cultura em que este indivíduo se encontra irão moldar sua
capacidade de percepção e, consequentemente, a forma com que encara
a manifestação do artista como sendo "Belo" e, por conseguinte, arte.

3. DEFINIÇÃO DE CIÊNCIA

Como j á foi colocado, a literatura que subsidia o assunto é muito


ampla, de forma que nos é possível estudar vários conceitos de ciência,
analisá-los, criticá-los e, finalmente, extrair as ideias que nos parecem
correctas e mais precisas.
Deste trabalho de discussão e compilação resultou nossa Concepção
de Ciência, que passamos a explicar a seguir.
Ciência é um conjunto de conhecimentos certos e gerais, referentes a
um objecto delimitado, obtidos através de métodos racionais.

3.1. Conhecimento
Etimologicamente Ciência é sinónimo de conhecimento,
caracterizando-se este por u m a relação de assimilação da coisa pelo
homem. Todavia tal associação não é suficiente para definirmos ciência,
tendo em vista a existência de diferentes tipos de conhecimento.

21
É importante, inicialmente, uma breve distinção entre os tipos de
conhecimento, para posteriormente os correlacionarmos com o conceito
de Ciência.
Numa distinção bastante tradicional e simples, podemos classificar
o conhecimento em quatro níveis: vulgar ou empírico, filosófico,
teológico ou religioso e científico.

3.1.1. Conhecimento vulgar


Alguns o classificam como conhecimento sensível. É o conhecimento
adquirido no dia-a-dia através da percepção das coisas pelo homem.
Este conhecimento restringe-se ao que visualizamos ou
experimentamos. Se resume ao facto ocorrido, seja no âmbito material
ou abstracto, sem se preocupar com as causas de sua ocorrência, é por
isso, considerado incompleto e superficial.

3.1.2. Conhecimento filosófico


É um conhecimento subjectivo, cujo ponto de partida consiste em
hipóteses que não poderão ser submetidas à observação.
A fundamentação do conhecimento filosófico está na experiência
vital e cultural do indivíduo, a partir do qual este formulará uma
concepção própria da verdade sobre as coisas.

3.1.3. Conhecimento teológico


O conhecimento teológico é direcionado à compreensão da totalidade
da realidade do homem-mundo. O ojetivo é detectar um princípio e fim
unívoco no que se refere a génese essencial do cosmo.
Não é considerado um conhecimento racional, pois está
fundamentado na fé e na crença. A sua verificabilidade, bem como a do
conhecimento filosófico, é impossível, e só é praticável acreditando-se
na existência de Deus.

3.1.4. Conhecimento científico


É aquele que transpõe-se ao facto e busca conhecer suas causas, dife-
renciando-se, desta forma, da superficialidade do conhecimento vulgar.
O conhecimento científico busca a essencialidade das coisas,
abandona a contemplação exclusivamente sensitiva dos fatos para obter

22
a relação e justificativa da causa e efeito relacionada a estes fatos.
Outra diferença entre o conhecimento vulgar e científico é que o último
exige um método racional para a sua obtenção.
Vale então observar que quando há a inferência do termo
"conhecimentos" na definição de ciência, este se refere ao "conhecimento
científico", haja vista as características antes fundamentadas.

3.2. Conhecimentos Certos


Partimos, então, do princípio de que conhecimento é u m a relação de
assimilação intelectual da "coisa" pelo "homem".
Buscamos justificar a importância da característica c e r t o através
da definição do adjectivo certeza, no momento em que esta se refere
ao sujeito do conhecimento, o homem.
A ideia de certeza atribuída no conceito provém da definição de que
ela consiste no estado de espírito que afirma u m a verdade conhecida,
sem temor de engano.
Mas o que é a verdade?
A fim de melhor compreensão do assunto, faremos u m a distinção
entre a Verdade Ontológica e a Verdade Lógica. A primeira exprime a
essência das coisas. Estas existem efectivamente, fora e
independentemente de nós, homens.
J á a Verdade Lógica consiste em u m a relação entre o espírito
humano e a Verdade Ontológica, ou seja, a verdade lógica se estabelece
no momento em que o juízo que o homem faz da coisa esta conforme
ao que ela realmente é.
Se afirmamos que em Marte há criaturas humanas, esta colocação
terá o valor lógico da verdade, se lá houver criaturas humanas.
Mas o que estabelece, então, a relação de conformidade ou não entre
a afirmação e o facto em si.
Passamos então ao conceito de evidência, que é a manifestação clara
à inteligência h u m a n a daquilo que é desvelado na coisa. Se tivéssemos
evidências de que há vida em Marte, a premissa seria verdadeira.
Através da percepção destas evidências, o espírito humano assumirá,
em relação à verdade, um destes quatro estados:
- Ignorância: a verdade pode aparecer-lhe simplesmente como
possível, pela total falta de evidências.

23
- Dúvida: encara a verdade somente como provável.
- Opinião: afirma a verdade, mas com temor de se enganar.
- Certeza: o verdadeiro aparece-lhe como evidente. Afirma a
verdade sem receio de se enganar.
Fica pois, flagrante, a importância do atributo "certeza" ao
conhecimento científico, observando-se que o conhecimento tido como
vulgar pode até ser verdadeiro (sob o aspecto ontológico), no entanto a
insuficiência de evidências faz com que o espírito humano se encontre
em algum dos outros estados antes apresentados.
O conhecimento das coisas pelas suas causas e suas leis, na
tentativa de estabelecer suficiente respaldo de evidências para
consolidar o estado de certeza na afirmação da verdade a que se refere
é, portanto, característica preponderante do conhecimento científico.
Devemos salientar, ainda, que a ciência está em constante evolução
e que o estado de certeza a respeito de seus conhecimentos não é
definitivo. O que é certo hoje, poderá não o ser amanhã.

3.3. Objeto do Conhecimento


Como j á verificamos, o fundamento da ciência está no conhecimento,
na busca do saber, inerente ao próprio ser humano.
Nesta busca de conhecimentos, a ciência focaliza dois objetos
bastante genéricos: o Homem e a Natureza. No primeiro, o homem,
sujeito da ciência, busca o conhecimento sobre si mesmo, tanto no
âmbito físico como mental e no segundo o homem busca conhecer o
mundo que o rodeia.
No entanto, verificamos que Homem e Natureza é u m a distinção de
objeto muito ampla e que nada delimita. Se fosse mantida resultaria na
existência de apenas duas ciências.
Quando inferimos que a ciência deve ter u m objeto delimitado,
deduzimos que esta deve abranger u m a área específica dentro do estudo
da Natureza ou do Homem, e buscar acerca deste objeto o máximo de
conhecimento.
A delimitação do objeto de estudo serve para orientar o
conhecimento e a função de cada ciência, e é o objeto que irá
determinar a diferença entre a Química e a Física ou entre a Historia
e o Direito.
Poderemos e vamos encontrar duas ou mais ciências com o mesmo

24
objeto material, como a própria Química e a Física, exemplificadas
anteriormente, que estudam ambas a electricidade; ou a Psicologia e a
Sociologia que estudam o comportamento do homem. No entanto, não
devemos esquecer que o enfoque de cada ciência é diferente,
estabelecendo-se vários "objetos formais".
A electricidade é estudada pela Química sob o enfoque dos electrons,
enquanto que a Física a estuda como fonte de energia. O
comportamento individual do homem em função de sua personalidade
é estudado pela Psicologia, enquanto a Sociologia estuda o
comportamento do homem na sociedade.
Cabe, ainda, salientar que o estudo de u m mesmo objeto material
sob enfoques diferentes, constituindo distintos objetos formais, não cria
nenhuma subordinação entre estas ciências.

3.4. Conhecimento Geral


A existência de u m objeto delimitado não contradiz a necessidade de
que toda ciência deva ser geral. A generalidade significa que deve
haver interrelação entre as diversas áreas de u m a ciência, devemos
situar todos os fatos estudados n u m contexto global, pois o estudo do
facto em si, isoladamente, é conhecimento científico e não ciência. Não
existe ciência do individual, o geral é diferenciador importante entre
conhecimento científico e ciência.
A generalização é o único meio de penetrar no contexto para
descobrir a essência das coisas. A ciência deve ser ampla, ou se já,
bastante abrangente, correlacionando o objeto em estudo com as
"interfaces " que o rodeiam, mas sem perder a profundidade de sua
pesquisa, da sua busca do conhecimento. Esta é a generalidade
necessária à Ciência, que em nada é prejudicada pela delimitação de
seu objeto de estudo.

3.5. O Método Racional


Método, em seu sentido mais geral, é a ordem que se deve impor aos
diferentes processos necessários para atingir u m objectivo. No sentido
conceituai que por nós é utilizado, fundamenta-se sua definição como
sendo o conjunto dos processos que são utilizados na i n v e s t i g a ç ã o da
verdade.
A característica da racionalidade do método científico reside na
premissa de que ciência é o conhecimento pelas causas, de forma que

25
as verdades investigadas precisam, necessariamente, ser
demonstradas.
Com isto podemos identificar o método racional como sendo o conjun-
to de processos empregados na investigação e demonstração da verdade.
A investigação nasce de algum problema observado, ou seja, da pre-
disposição em se analisar mais cuidadosamente um assunto com vistas
a tentar desenvolver um maior conhecimento sobre ele. A partir da deli-
mitação do objeto ou fenómeno a ser estudado utilizamos u m a metodo-
logia investigativa tal qual a colecta de dados, a observação, a for-
mulação de hipóteses, a experimentação e a apresentação de modelos.
Inexiste um método único, aplicável uniformemente por qualquer
tipo de ciência. O método está intimamente relacionado ao objeto de
estudos de cada ciência e a ele se adapta. Todavia, podemos apresentar,
genericamente, dois tipos de processos nos quais se enquadram
conceitualmente os processos investigativos específicos: a análise e a
síntese.
A análise é a decomposição de um todo em suas partes constituintes,
objetivando o estudo profundo e minucioso de cada u m a destas partes
a fim de conhecer sua natureza, suas funções, suas relações de
causalidade. A análise é o processo que parte do mais complexo para o
menos complexo, através da divisão das dificuldades em t a n t a s parcelas
quanto se possa e seja necessário para melhor resolvê-las.
A síntese é um processo lógico de reconstrução ou recombinação do
todo, a partir de suas partes. Objectiva obter o conhecimento da
totalidade do objeto de estudos. Reunindo todas as partes estudadas, a
síntese possibilita que se conheçam as relações determinantes da
unidade do objeto em estudo, conferindo-lhe um sentido global. A
síntese parte do mais simples para alcançar o mais complexo.
Os processos investigativos particulares utilizados por qualquer
Ciência nada mais são, em suma, do que variações de u m a metodologia
de análise e síntese.
J á a demonstração da verdade consiste na forma com que teorizamos
a respeito das investigações, com o objectivo de consolidar proposições
que, devidamente argumentadas, afirmarão o caráter de "verdade" do
conhecimento adquirido. Corresponde a forma pela qual tentamos
provar nossas conclusões.
No desenvolver desta tentativa de legitimação do conhecimento, o
homem se utiliza basicamente de dois tipos de raciocínio: a dedução e
a indução.

26
Na dedução o raciocínio parte do geral para chegar ao particular, do
universal para chegar ao singular. Em outras palavras, a dedução
consiste em tirar uma verdade particular de uma verdade geral na qual
ela está implícita. Parte-se da verdade universal para se chegar à
verdade singular. Seu argumento lógico é que um facto geral encerra
em sua explicação de outro semelhante, porém menos geral.
Na indução o raciocínio vai do particular para o geral. Parte-se de
uma ou várias verdades singulares para se chegar a uma verdade
universal. A indução é o raciocínio pelo qual o espírito, de dados
singulares suficientes, infere uma verdade universal.

4. CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS

Apresentaremos a classificação das Ciências defendida por Lakatos,


baseada numa divisão proposta por Mário Bunge. Em primeiro lugar,
as ciências são divididas em dois grandes grupos: as ciências formais
e as ciências factuais.
As ciências formais, dentro das quais são enquadradas a lógica e a
matemática, têm como objeto o estudo de ideias. Se caracterizam por
tratarem de entes ideais, tanto abstractos quanto interpretados,
existentes apenas na mente humana e, mesmo nela, a nível conceituai
e não fisiológicos. São por isso também denominadas de ciências
abstractas.
O outro grande grupo, as ciências factuais, têm por objeto o estudo
dos fatos. Utilizam-se do método experimental para verificar seus
postulados e suas hipóteses.
As ciências factuais, por sua vez, são subdivididas em dois grupos:
as ciências naturais e as ciências sociais. As ciências naturais
dedicam-se ao estudo da natureza, da vida, das suas leis e das diversas
formas que afectam os seres viventes.
As ciências sociais têm como objeto o homem enquanto ser
inteligente, livre e social, não somente considerado em si mesmo, mas
também em seus actos, que são a manifestação de sua vida moral e
social.

27
5. OBJETIVOS DA CIÊNCIA

A partir do momento em que consolidamos o padrão conceituai de


"Ciência", podemos partir para um esquema associativo destes
parâmetros inicialmente discutidos para com a "Contabilidade".
Antes, no entanto, gostaríamos de chamar a atenção ao facto de que
em nenhum momento fizemos referências a objectivos ou finalidades da
Ciência.
A complexidade do assunto é polémica.
Poderia um conjunto de conhecimentos ser totalmente desassociado
de objectivos?
Em nosso ponto de vista, sim. Ainda que, na maioria das vezes, o
conhecimento seja pesquisado de maneira a ser utilizado futuramente
para algum tipo de finalidade.
Consideramos imprescindível desassociar este caráter utilitário do
conceito de Ciência, haja vista estarmos lidando com coisas distintas
conforme veremos a seguir.
Francis Bacon defendia o "saber pelo saber", onde o cientista
desenvolve seus estudos sem a preocupação com a finalidade que possa
ser a eles empreendida. Bacon sugeria que o cientista se dedica a
Ciência com vistas ao domínio da natureza, ou mesmo o domínio do
próprio homem, consolidando apenas genericamente um objectivo.
Em nosso ponto de vista o conhecimento científico destina-se
exclusivamente à exploração de seu próprio objeto.
O conhecimento científico possui certas condições que o caracterizam
por essência, tais quais o caráter da "certeza", da generalidade e do
método racional, enquanto que sua utilização está relacionada
exclusivamente com sua aplicabilidade pelo homem, de acordo com as
intenções e vontades deste, e não em função de uma condição intrínseca
à própria Ciência.
Do contrário, como justificar os inúmeros descobrimentos que
surgiram ao acaso, como por exemplo o aparecimento de um elemento
químico novo, totalmente diferente daquele que se esperava encontrar
para a finalidade original, e ainda sem aplicação prática?
Gostaríamos de não polemizar essa questão, sendo no entanto
importante ratificar nossa posição no instante em que consideramos
que uma Ciência enquanto "pura" não se identifica com objectivos (visa

28
somente o estudo do seu próprio objeto). Somente podemos atribuir
finalidades ao conhecimento científico no momento em que
vislumbramos u m a Ciência enquanto "aplicada", sendo que esta
aplicação não é condição essencial para sua existência e entendimento.

6. DEFINIÇÃO DE CONTABILIDADE

CONTABILIDADE é a ciência social que tem por objeto o património


de quaisquer entidades, em seus aspectos qualitativos e quantitativos,
bem como as suas variações.

6.1. O Objeto da Contabilidade


Toda Ciência tem um objeto definido. A delimitação do objeto de
estudo serve para orientar o campo de ação de cada Ciência.
A Contabilidade tem por objeto material o Património de quaisquer
entidades.
O Património consiste no conjunto de bens, direitos e obrigações
pertencentes a u m a ou mais pessoas.
O Património é também objeto de estudos de outras áreas do
conhecimento, como a Administração, a Economia e o Direito. O que as
diferencia é o enfoque atribuído ao estudo do objeto, definindo o objeto
formal de cada u m a delas.
A Administração estuda o património sob o aspecto da gestão, ou
seja, busca formas eficientes de gerir e manipular as riquezas de uma
entidade.
Na Economia o enfoque dado ao património se relaciona com os
escassos recursos disponíveis que precisam ser administrados com
máxima eficiência, objetivando a satisfação dos ilimitados desejos do
homem, atingindo inclusive o estudo do Património no âmbito de
cidades, estados ou países, buscando entender o comportamento dos
recursos.
No Direito o património é um dos objetos de estudo, e quanto a este
aborda e preocupa-se apenas com o aspecto da propriedade e
especialmente com as relações jurídicas existentes.
A Contabilidade estuda o património sob seus aspectos qualitativos

29
e quantitativos e de suas variações, buscando entender e prever o seu
comportamento.
Sob o ponto de vista qualitativo, a Contabilidade estuda o
património no que se refere a sua composição e natureza dos diferentes
elementos que o constituem.
Sob o ponto de vista quantitativo, a Contabilidade analisa o
património como fundo de valores, ou seja, se preocupa com a
quantificação dos diversos elementos componentes do património.
Diante da heterogeneidade destes componentes patrimoniais, a
Contabilidade utiliza-se de um denominador comum monetário, visando
reduzi-los a u m a expressão que permita agrupá-los e compará-los com
maior facilidade.
Ainda com relação ao património, a Contabilidade busca a
apreensão, a quantificação, o registro, o relato e a interpretação das
variações patrimoniais. Estas variações tanto podem ser qualitativas
como podem ser quantitativas.
Ainda que sejam registradas pela Contabilidade as variações
patrimoniais decorrentes de qualquer tipo de fatos, quer sejam estes
decorrentes da ação humana, quer se originem de factores fora do
alcance da vontade humana, como os sinistros, por exemplo, a maioria
dos fatos que provocam variações patrimoniais tem como agente o
homem. Este é o principal motivo que nos leva a classificar a
Contabilidade como ciência social.
A Contabilidade analisará qualquer variação patrimonial,
independentemente de que o facto que a tenha originado decorra de
operações normais da gestão das entidades e esteja sob controle dos
gestores destas entidades, ou se originem de situações extraordinárias
sobre os quais a entidade não tenha qualquer gerência, tais como fatos
relacionados à greve, política económica, legislação, conjuntura
económica, etc.
O que caracteriza as ciências sociais é ter por objeto o homem
enquanto ser inteligente, livre e social, considerado não somente em si,
mas também em seus actos, que são manifestações da sua vida moral
e social.
O que a Contabilidade estuda é justamente o efeito que a ação do
homem causa sobre o património das entidades.
Na classificação da Contabilidade como ciência social, outro aspecto
a ser salientado é o seu objeto ser o património de quaisquer entidades.

30
Estas entidades são agregados compostos de bens e pessoas, voltados
à obtenção de fins comuns, fazendo, portanto, parte do sistema social.
A Contabilidade, enquanto ciência pura, de acordo com o que j á foi
colocado, se caracteriza pela busca do conhecimento da verdade a
respeito do seu objeto de estudo, sem priorizar u m a utilização imediata.
Se preocupa, apenas, com a obtenção do saber pelo saber, sem uma
finalidade de aplicação prática.
J á enquanto ciência aplicada, a Contabilidade busca a utilização dos
conhecimentos consolidados na solução de problemas concretos. É nesta
situação que se definem os ojetivos da Contabilidade, como por exemplo,
a sua utilização como sistema de informações para fins gerenciais.
Queremos, ainda, salientar que a Contabilidade não está voltada
exclusivamente para o passado. Na medida em que conhece as causas
das variações patrimoniais e os seus efeitos sobre o património,
possibilitará fazer predições a respeito do comportamento do património
face a determinadas situações.
Ao definirmos Contabilidade como sendo u m a Ciência, estamos
admitindo que ela atenda dois requisitos importantes de acordo com o
nosso conceito de Ciência, quais sejam a certeza e a generalidade.
Consideramos que a Contabilidade corresponde a um conjunto de
conhecimentos certos na medida em que tais conhecimentos são
entendidos como "verdades" a respeito do seu objeto de estudo. Ao
mesmo tempo, a Contabilidade é capaz de justificar suas asserções,
proporcionando o estado de espírito da certeza com relação a estas
"verdades".
J á em relação à generalidade, consideramos que a Contabilidade
atende tal condição tendo em vista que abrange todo o campo de
conhecimentos relacionados com o seu objeto formal (o Património e
suas variações, sob os aspectos qualitativos e quantitativos),
estabelecendo a devida relação entre os elementos componentes do seu
campo de atuação.

6.2. O Método da Contabilidade


Conforme analisamos previamente, u m a Ciência, na exploração do
seu objeto, utiliza-se de um método racional, ou seja, de um conjunto de
processos que são orientados para a investigação e demonstração da
verdade. Por analogia, a Contabilidade, entendida como ciência,
também emprega métodos científicos que, embora possuam

31
características próprias moldadas às particularidades do estudo do
objeto "Património", e sejam identificáveis por nomenclatura específico
da Ciência Contábil, correspondem perfeitamente aos métodos
científicos gerais e aplicáveis a qualquer ciência.
Os métodos se caracterizam por apresentar na i n v e s t i g a ç ã o dois
tipos de processos (a análise e a síntese) e na d e m o n s t r a ç ã o da
verdade os raciocínios indutivo e dedutivo.
Por investigação entendemos todo o processo metodológico utilizado
na observação, colecta de dados, experimentação e apresentação de
modelos.
i Na demonstração atende-se a necessidade de comprovar as
proposições levantadas pelo processo investigative Aqui podemos
destacar o enunciado de leis e a teorização. E a consolidação do
conhecimento pelas causas.
Na Contabilidade podemos identificar estes diferentes tipos de
métodos conforme apresentaremos a seguir:
1) Investigação:
Não é tarefa das mais difíceis associar os processos contábeis de
investigação com os métodos genericamente entendidos por sintéticos
e analíticos. O levantamento de balancetes, do Balanço Patrimonial ou
da Demonstração de Resultados do Exercício são exemplos típicos de
um processo sintético, onde há observação, colecta de dados e posterior
apresentação no modelo convencional. Na caracterização de processos
analíticos podemos destacar a análise de balanços e a análise de custos.
Cumpre apenas ressaltar que o processo entendido por
a p r e s e n t a ç ã o (investigação) é diferenciado da d e m o n s t r a ç ã o , muito
embora o emprego dos dois termos indistintamente possa causar certa
confusão. Por exemplo, como entender que as Demonstrações Contábeis
não são efectivamente u m a demonstração a nível metodológico? A
resposta reside no entendimento que a simples apresentação de um
Balanço Patrimonial não é suficientemente explicativa a fim de
assegurar que ele, de facto, espelha o que afirma representar. Somente
a d e m o n s t r a ç ã o metodológica, como todo o arcabouço teórico que
descreve a utilização lógica e adequada de métodos investigativos que
foram utilizados na prospecção de verdades sobre o Património, e que
comprova minuciosamente a fidedignidade e utilidade deste modelo
denominado "Balanço Patrimonial", é que irá satisfazer as
características de certeza e generalidade que envolvem o método
científico.

32
2) Demonstração:
No desenvolvimento destas teorizações, o pesquisador se utiliza de
dois tipos de raciocínio: o indutivo e o dedutivo.
Um exemplo de raciocínio indutivo na Contabilidade pode ser
visualizado na tarefa de classificação dos custos de produção em fixos
e variáveis. Somos obrigados a observar individualmente cada tipo de
gasto, e efectuar u m a análise do seu comportamento em relação ao
nível de produção para, posteriormente, classificá-lo entre os custos que
variam e os que não variam com o nível de produção.
Outro exemplo da utilização de um raciocínio indutivo na
Contabilidade é a formação da ideia original de que toda origem de
recurso corresponde a u m a aplicação. Ora, a investigação auxiliou o
pesquisador no momento em que, analiticamente, forneceu dados de
que em todas situações patrimoniais apresentadas foi verificado que os
elementos classificados convencionalmente por "origens" se reflectem
sistematicamente naqueles identificáveis por "aplicações".
Essa observação permitiu que o investigador indutivamente
raciocinasse que isto era u m a "verdade" sob a ótica contábil, de forma
que estabeleceu parâmetros que permitissem a comprovação
d e m o n s t r a t i v a de sua teoria.
No desenvolvimento de sua demonstração, utilizou-se do r a c i o c í n i o
d e d u t i v o , que implicou o surgimento da equação patrimonial (Activo
menos Passivo igual a Situação Líquida) no momento em que
convencionou que as aplicações são denominadas ACTIVO, e que as
origens de capital de terceiros são o PASSIVO, e que a diferença,
representada pela origem oriunda de capital próprio, é a SITUAÇÃO
LIQUIDA, logo d e d u z i u que o ACTIVO é igual à soma do PASSIVO e
da SITUAÇÃO LÍQUIDA.

7. EXCLUINDO TÉCNICA E ARTE

Por possuir objectivo específico, a técnica tem seu alcance limitado


à obtenção de sua finalidade. Não apresenta, portanto, conhecimento
das causas e nem contempla a generalidade necessária para abranger
toda a área do objeto de estudo.
A técnica não é, por conseguinte, auto-renovável, tornando-se

33
obsoleta quando houver alterações no objectivo inicialmente proposto.
A técnica tampouco é produtiva, característica esta tão fundamental no
estudo da Contabilidade.
Acreditamos que fundamentalmente por estes motivos não é correcto
classificar a Contabilidade como técnica, ainda que possamos destacar
algumas "Técnicas Contábeis", tal qual a auditoria, uma vez que estas
foram desenvolvidas a partir da existência de um arcabouço maior
denominado "Ciência Contábil".
No que se refere a arte, acreditamos que no momento em que há
u m a dependência de factores altamente subjectivos, a exemplo da
satisfação do espírito do homem no que se refere à aceitação do Belo,
bem como o facto de que aquilo que entendemos por arte somente
nascer a partir da manifestação da criatividade e de intensas emoções
inspiratórias exclusivas de um artista, torna-se relativamente fácil
afastar a idéia de que a Contabilidade pudesse ser u m a arte, uma vez
que ela consiste de u m a gama de conhecimentos lógicos e racionais
conforme procuramos expor anteriormente.

CONCLUSÃO

O objectivo fundamental do trabalho apresentado foi o de configurar


o enquadramento da Contabilidade numa destas três áreas: Ciência,
Técnica e Arte e, após a classificação, desenvolver um conceito próprio
e aceitável de acordo com as bases propostas.
De grande valia foi a metodologia da pesquisa, pois através de
leituras de diversas obras pode-se distinguir, avalisar e desenvolver
uma idéia sobre a matéria em questão, lapidada em última instância
após exaustivas discussões em sala de aula.
É do conhecimento de todos que é extremamente difícil elaborar
u m a conceituação científica, pois na busca de definições defrontamo-nos
num campo onde existem linhas de pensamento que apresentam
divergências e incertezas.
Ora, na área contábil a dificuldade é a mesma. A inclusão da
Contabilidade no campo da Ciência, da Técnica ou da Arte, por
exemplo, tem sido debatida pelos mais ilustres estudiosos desta
disciplina. Como resultado destas controvérsias tem surgido correntes
distintas e antagónicas, e ainda hoje permanece a dúvida sobre a

34
classificação e conceituação de Contabilidade. Sendo assim, sem
pretensão alguma além do intuito de fornecer subsídios e no sentido de
trazer à tona o conhecimento absorvido, concluímos que a Contabilidade
é u m a Ciência, haja vista apresentar as seguintes características:
- Ter objeto de estudo próprio;
- Utilizar-se de métodos racionais;
- Estabelecer relações entre os elementos patrimoniais, válidas em
todos os espaços e tempos;
- Apresentar-se em constante evolução;
- Ser o conhecimento contábil regido por leis, normas e princípios;
- Seus conteúdos evidenciarem generalidade;
- Ter car ater preditivo;
- Estar relacionada com os demais ramos do conhecimento científico;
- A construção lógica do pensamento ser o fundamento das ideias e
estas ensejar os conteúdos das doutrinas;
- Apresentar o caráter de certeza na afirmação de seus enunciados.
A Contabilidade ajusta-se, por conseguinte, de acordo com os
requisitos exigidos pela Epistemologia ou Lógica das Ciências.
É oportuno, ao concluirmos este trabalho, salientar a necessidade de
avançar ainda mais no exame de alguns aspectos relevantes. Que o
nosso trabalho não espelhe a arrogância de representar a exaustão da
questão. Muito pelo contrário. Pela importância e complexidade do
tema, e em virtude da insignificante quantidade de bibliografia
específica à disposição sobre o assunto, seria extremamente
interessante que académicos, autores e doutrinadores nacionais se
manifestassem sobre o tema, evidenciando-o de u m a maneira mais
enfática como um desafio ao conhecimento.

35
BIBLIOGRAFIA

BARROS, Aidil Jesus Paes & LEHFELD, Neide A. de Souza. Um


guia para a inicialização científica. São Paulo, McGraw-Hill do Brasil,
1986.
GALLIANO, A. Guilherme. O Método Científico: teoria e prática. São
Paulo, Harper & Row do Brasil, 1979.
HERMANN JR, Frederico. Contabilidade Superior. 7.ed. São Paulo,
Atlas, 1967.
JOLIVET, Régis. Curso de Filosofia. 4.ed. Rio de Janeiro, Agir, 1959.
LAHR, C. Manual de Filosofia. 6.ed. Porto, Livraria Apostolado da
Imprensa, 1952.
LAKATOS, Eva Maria & MARCONI, Marina de Andrade.
Metodologia Científica, l.ed. São Paulo, Atlas, 1983.
LOPES DE SÁ, A. A Classificação Científica da Contabilidade.
Revista do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre, (25):5-8, 1980.
. Fundamentos Lógicos da Ciência Contábil. Revista
Brasileira de Contabilidade, Rio de Janeiro, (52):21-3, jan./mar. 1985.
NASCIMENTO, José Amado. Aspectos Científicos da Contabilidade.
Revista Brasileira de Contabilidade, Rio de Janeiro, (48):7-13, jan./mar.
1984.
RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica: guia para eficiência nos
estudos, l.ed. São Paulo, Atlas, 1977.
TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da Pesquisa Científica.
São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1982.
VIANA, Cibilis da Rocha. Teoria Geral da Contabilidade. Porto
Alegre, Sulina, 1966. v.l.

36
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
ÉTICA E DIRECÇÃO DE EMPRESAS

Autora: MARIA EMÍLIA ALVES MENDES PINTO


(Economista, Professora do ISCAP)

37
M. olheando o financial times tenho deparado frequentemente com
artigos cujos títulos me sugeriram o tema que nos vai ocupar. Trata-se
da rentabilidade de um factor de produção - nas minhas aulas de
Contabilidade Analítica costumo dizer aos alunos que a Mão de Obra
é um factor produtivo "..." - quero com isto evidenciar a sua
especificidade com respeito aos restantes factores.
Há anos que vimos assistindo a melhorias notáveis no rendimento das
matérias primas e a implementação de medidas de redução de custos
de Fabricação e Administrativos fazem parte do nosso quotidiano.
É agora, o momento, para nos debruçarmos sobre os custos/benefícios
duma correcta política de Gestão de Pessoal.
Comecemos por olhar para a realidade da nossa Empresa e pensemos
na sua estrutura de custos. Quase todos concluiremos que necessita da
nossa atenção. Provavelmente não necessitaremos, como nalguma outra
ocasião, de levarmos a efeito uma política de redução dos efectivos ou
de reconversão de pessoal, soluções sempre penosas e cujos custos -
alguns de nós já o experimentamos - foram difíceis de suportar. Trata-
-se, nesta ocasião de rentabilizar um Factor Chave de sucesso, o único
que em definitivo torna a nossa empresa verdadeiramente competitiva.
Quando se trata da aquisição ou manutenção dum equipamento, por
exemplo, sabemos o que pretendemos com clareza e conseguimos quase
sempre quantificar as nossas necessidades. Quando recrutamos ou
temos de investir na formação de um colaborador, podemos ter clara a
necessidade, mas os parâmetros da nossa decisão são mais difíceis de
explicar e por muito tranquilos que fiquemos por ter entregue o
recrutamento ou a formação de Pessoal a empresa especializada,
sempre sentimos que a decisão nos transcende um pouco mais. É que
os erros neste campo são difíceis de reparar.
Todos temos a experiência do significado duma incorrecta rotação do
Pessoal. Contactarmos por exemplo um fornecedor, e ao tratar de um
assunto determinado, verificamos que o interlocutor não sabe assumir
um erro cometido pelo seu antecessor, preocupando-se em deixar
salvaguardada a sua idoneidade profissional, facto ao qual tem todo o
direito, mas não se preocupando em salvaguardar de igual modo a
imagem da empresa em que trabalha. Esta situação põe em causa a
credibilidade da empresa com os consequentes custos comerciais. Por
outro lado, se nos cabe em sorte, termos na nossa empresa uma elevada
rotação de Pessoal também conhecemos a insegurança, que a falta de

38
experiência gera, e a irresponsabilidade que acompanha, regra geral,
a expectativa de u m a mudança "para quem dê mais em vantagens
materiais ou em curriculum profissional".
Voltemos à questão: que pretendo eu e para a minha empresa ao
recrutar? Esta pergunta prende-se com outra: que quero eu da minha
empresa? E a resposta de todos nós poder-se-ia resumir a u m a simples
palavra desenvolvimento, isto é, crescimento harmónico. Mas o
desenvolvimento relaciona-se com o horizonte temporal. Que desejamos?
O imediato? Há anos fazíamos projecções para prazos alargados, hoje
somos mais comedidos pois temos a experiência das suas muitas
vantagens e das suas também, muitas limitações. À falta de melhor eu
responderei por todos: queremos u m desenvolvimento consistente, que
saiba superar as ocasiões de dificuldade e reconverter-se
atempadamente. Para o conseguirmos só temos u m a via: a satisfação
das necessidades dos nossos clientes, a mesmo tempo que, cada um dos
nossos colaboradores, fica também satisfeito.
Chegamos a um conceito importante o conceito de satisfação, no qual
me quero deter u m pouco.
Há anos u m a pessoa das minhas relações contava-me que u m genro,
nessa altura ainda não tinha 30 anos, se encontrava doente. Tratava-se
no entender dos médicos britânicos duma situação de stress extremo,
que aparecia com certa frequência em profissionais jovens do sector
financeiro. O tratamento deveria ser imediato pois a doença poder-se-ia
tornar irreversível. A doença estava apelidada incluso como doença de
Wall Street. Felizmente o assunto não terminou de acordo com as
previsões dos médicos ingleses. P a r a o facto é possível que tivesse
concorrido u m a alteração da situação profissional e o nascimento de um
filho... Há dias lia n u m a publicação, que trabalha temas da nossa
especialidade, u m a preocupação dos japoneses: a morte por stress.
Também j á existia denominação clínica: Karoshim.
Porque faço referência a estes factos? Pelos conceitos de satisfação e
rentabilidade. São exemplos típicos de como o desrespeito pelas leis da
natureza têm os seus custos. Importa conhecer as leis que regem o
comportamento humano e respeitá-las. Nesse conhecimento e nesse
respeito encontraremos o modo de aproveitarmos ao máximo o Factor
Pessoal, enquanto respeitamos a dignidade da Pessoa H u m a n a e a
satisfazemos.
E o que tem de específico a Pessoa H u m a n a ? A sua racionalidade, isto
é:

39
- Inteligência: capacidade de conhecer o fim
- Vontade: possibilidade de se dirigir a esse fim de u m a forma
livre.
Vamos agora pensar um pouco na possibilidade do homem decidir, a
fim de conhecermos o que move o homem à acção.
Pensemos agora num l 2 emprego, de u m recém saído da faculdade, que
enfrenta um mercado de trabalho exíguo e que provavelmente como a
alguns de nós sucedeu, não provinha de família abastada. O critério de
decisão foi com toda a certeza a perspectiva de trabalhar e de ganhar
dinheiro - tratava-se de u m a motivação de carácter extrínseco. Com o
tempo tenta situar-se numa área que lhe seja agradável. A procura de
trabalho faz-se nesta situação - por motivos de satisfação interior:
motivação intrínseca. Respondermos a estas duas ordens de motivações
é bom, mas não é suficiente. É necessário que o que move à acção seja
permanente e responda aos bons e aos maus momentos. Um exemplo
talvez ajude a compreender o que quero expressar. O que eu vou relatar
foi um facto vivido por u m colega nosso. Num momento de dificuldade
de u m a empresa com a qual mantinha u m a situação de avença, eu fora
abordada para estudar a viabilidade económico-financeira,... decidiu
vincular-se aos quadros da empresa. Explicava-me que os
trabalhadores mais categorizados estavam a sair e que ele com esta
atitude pretendia infundir-lhes confiança na viabilidade da referida
empresa. Não digo que seja para nós padrão de referência este
comportamento, o que me parece é que ele reflecte como o conhecimento
global da realidade ajuda a dar o máximo. Direi, que o colega, actuou
por u m a motivação de carácter final.

Resumindo: as motivações podem ser de três tipos:


Extrínsecas
Intrínsecas
Finais
Como é natural no nosso dia a dia movemo-nos por estes 3 motivos
simultaneamente e só por razões de sistematização procedemos à sua
análise. Contudo pode ser-nos útil quando trabalhamos, pensarmos, de
vez em quando, que os nossos interlocutores são Pessoas que devem ser
tratadas como tal. Têm valor só pelo facto de serem Pessoas, contudo
se os tratarmos como tal: procurando que entendam o que se pede e
estimulando-os a consegui-lo garantiremos que o seu rendimento no
trabalho será, sem dúvida o mais eficiente.

40
A constatação desta realidade fez surgir mais de 500 cursos de Ética
nas Escolas de Negócios dos EUA e reuniu n u m a Universidade
Empresários e Humanistas em Congresso. Não se t r a t a de conceitos de
índole exclusivamente psicológica, mas do conceito de Homem: um
sujeito de potencialidades e de capacidades que é necessário saber
aproveitar. Como dizia em título um artigo do Professor da
Universidade Complutense de Madrid, que há pouco li, é preciso
descobrir "O valor económico do altruísmo".
Retomemos o tema da motivação do actuar humano e perguntemo-nos
como conseguir que todos os que connosco colaboram se sintam
motivados a auto-superar-se, vencendo, quando necessário as
dificuldades inerentes a u m esforço que pode não ter recompensa
imediata? A resposta passa necessariamente pelo tema da Comunicação
na Empresa. Com isto termino e peço que para j á não desliguem: todos
conhecemos muito sobre este assunto. Todos rasgamos ou arquivamos
para algum dia ... Ordens de Serviço e instruções que desconhecemos,
quando necessárias e todos nos sentimos algum dia desfazados da
realidade da nossa Empresa por não termos sido informados de algum
assunto atempadamente.
Fazia-me h á pouco considerar, um Mestre de quem muito aprendi e
cujo nome não cito, porque sei que lhe desagradaria, que na
Comunicação da Empresa deve suceder como na Comunicação do
mundo da Física. P a r a que exista Comunicação deve haver:
Um emissor
Um receptor
Um Suporte
Um Código
O emissor deve ter u m a linguagem compreensível e de entendimento
inequívoco para quem a receba. É o Código. Da nossa experiência
tiramos cada dia que nem sempre o que queremos dizer, é o que foi
entendido. O suporte do nosso caso será a forma como queremos fazer
chegar a mensagem: há assuntos que se descrevem e outros que é
melhor conversar; há assuntos que dizem respeito a todos, outros que
dizem respeito somente a alguns. Finalmente e talvez o mais
importante: em qualquer comunicação há emissor, mas que deve
funcionar como receptor e avaliar o impacto da sua informação.

41
Termino, o tempo não dá para falarmos dos Códigos Deontológicos. São
necessários e ajudar-nos-ão a ter um comportamento correcto no
momento oportuno, contudo essas regras só funcionarão, se cada um
dos que trabalhamos e gerimos Empresas captarmos a realidade
h u m a n a em toda a sua profundidade. Abrindo caminho à nossa reflexão
somente deixo agendado um tema: a importância de fazer chegar a
informação a quem se deve e no momento adequado.

42
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
INFLAÇÃO E MONETARISMO
(Uma análise empírica para o caso português)

Autor: MÁRIO JOEL MATOS V. O. QUEIRÓS

43
INDICE

INTRODUÇÃO

HIPÓTESES TEÓRICAS

HIPÓTESES EMPÍRICAS
3.1. Variáveis de tradução das hipóteses
3.2. Forma funcional: Modelo e variáveis
3.3. Base de dados: Amostra

ESTIMAÇÃO
4.1. Resultados
4.2. Discussão do modelo
4.2.1. Estudo da versão 5
4.2.2. Estudo da versão 12
4.2.3. Interpretação e comentário dos parâmetros
4.2.4. Termos de perturbação
4.3. Interpretação e comentário do método

CONCLUSÕES

BIBLIOGRAFIA, FONTES E ANEXO ESTATÍSTICO

44
1. INTRODUÇÃO

Numa economia de troca directa não existe inflação; certos


preços podem aumentar, mas outros diminuirão em idêntica
proporção por forma que, em agregado, o nível geral de preços
permanece constante. Somente numa economia monetária a
inflação pode existir, pelo que o responsável por este fenómeno
não pode ser senão quem cria o dinheiro. Este é criado em
Portugal por u m a instituição vivendo em regime de monopólio do
estado: o Banco de Portugal.
PEDRO AEROJA

É conhecida a sensibilidade que todo o cidadão tem do processo


inflacionista, encarando-o como u m fenómeno tão inevitável como o
correr do tempo. Apesar disso, j á não tão inevitável será a cifra que
esta adopta em cada ano. Também inevitável, segundo não só o senso
comum mas também grande parte da teoria económica, será o aumento
dessa cifra pelo efeito da inflação "importada", isto é, da inflação que
sofrem os bens e serviços importados. A base deste raciocínio apoia-se
na perpétua luta de subida de rendimento por parte de vendedores (seja
de bens, serviços ou mão-de-obra), induzida pela anterior subida de
rendimento de outros vendedores (que veio aumentar o custo de vida
dos primeiros), e pela subida de preços das importações, estando assim
instalado um ciclo vicioso sem alguma almofada que possa servir de
amortecedor dos efeitos. Deste modo recai a culpa desta epidemia sobre
a ganância dos particulares.
Mas se nas últimas décadas a inflação é um fenómeno permanente,
atingindo por vezes valores anteriormente inimagináveis, isto apenas
representa u m a pequena parcela da história da economia desde que a
moeda, de alguma forma, teve o seu surgimento. Num passado ainda
recente, desde a época medieval até ao século passado, era natural
surgir um período de várias décadas de baixa de preços (seguido
naturalmente de outro de alta). Mas se no entanto, os períodos de baixa
estavam conotados com períodos de estagnação da produção, os de alta
identificavam-se principalmente com o aumento de produção de metais
preciosos como o ouro e, em menor grau, a prata, nomeadamente com
o afluxo proveniente das colónias portuguesas e espanholas, a
descoberta de minas no continente americano, ou a invenção de novos
métodos de extracção. Mais recentemente, a moeda já não se identifica

45
com o seu valor intrínseco, e se outrora para se verificar um aumento
do seu montante em circulação era preciso esperar por um aconteci-
mento revolucionário, hoje em dia é possível accionar esse mecanismo,
bastando para isso ligar a impressora de papel. Assim, neste século, a
cada despesa de guerra está associada a emissão de moeda para a
custear, verificando-se invariavelmente o agravamento da reincidente
inflação (por exemplo, 2.- Guerra Mundial e período consequente e
guerras da Coreia e do Vietname nos EUA).
Terá sido esta relação o que levou à formulação primitiva da Teoria
Quantitativa da Moeda, segundo a qual o stock de moeda de u m a eco-
nomia e a representação do stock de bens e serviços que essa economia
possui (embora os serviços não sejam stockáveis, esse stock compreende
os serviços j á prestados). Assim: M=Q. Mas para homogeneização
destas identidades é preciso avaliar Q (produto) pelo seu preço: M=PQ.
Ainda assim, há uma variável imprescindível nesta equação: a
velocidade de circulação da moeda - V, isto porque, se u m a unidade
monetária serviu para pagar V contas, então o efeito é o mesmo de
haverem V unidades monetárias em vez de u m a (a velocidade de
circulação monetária aumenta com o número de trocas em que cada
unidade monetária está presente, num determinado espaço de tempo).
Por exemplo a expressão "pé de meia" ou "dinheiro no colchão", dá bem
a ideia de que é a velocidade de circulação da moeda, neste caso, se o
estado aumenta a oferta de moeda em 50 mil u.m. e as distribui a um
indivíduo que as guarda em casa até ao fim dos seus dias, tendo um
comportamento nas despesas indiferente a essa poupança adicional,
então esse aumento do stock monetário não provocará alguma inflação
porque não há qualquer efeito na procura de bens e serviços. De outro
ponto de vista, a velocidade de circulação monetária dessas 50 mil u.m.
é zero, logo: A M.V=0, O que implica A P.Q=0, e sendo Q exógeno, vem
que A P = 0 . O estado só poderá culpar os particulares de serem os
responsáveis pela inflação, na medida em que o aumento do stock
monetário que estes têm à sua disposição, vai ser utilizado na aquisição
de bens e serviços, mas como esse aumento no momento zero vai ser
recebido por uma pequena parte de agentes (aqueles que tem relações
económicas com o estado), o que significará u m a grande percentagem
do seu rendimento disponível, não é justo que estes não fizessem uso
desse aumento, assim como não é justo cobrar aos outros agentes o
imposto inflacionista para pagar aos primeiros.

Chegamos assim à equação final: MV=PQ. Há aqui u m a relação


determinista da qual se pode deduzir que, u m a vez que o nível do
produto varia de forma exógena, u m a variação mais que proporcional

46
da moeda em circulação considerando a velocidade de circulação da
moeda constante) irá originar u m a variação no nível geral de preços.
Apesar deste raciocínio lógico, a teoria é alvo de várias críticas, mas
as mais importantes são sem duvida, a incapacidade de u m aumento
da moeda gerar aumentos do produto e a permanência da velocidade de
circulação monetária. No primeiro caso, a corrente monetarista refuta
essa ideia no médio e longo prazo, considerando-a no entanto, no curto
prazo. Quanto ao segundo, reconhece-se que em período de inflação
como o custo de reter moeda é superior, h á u m a maior tendência para
fazer circular o dinheiro e que, além disso, com o desenvolvimento de
novos produtos financeiros, diversificação de créditos, etc., a
necessidade de reter moeda para fins de transacção fosse diminuindo
(já que há sempre onde recorrer), aumentando também a sua
velocidade. Esta é ainda influenciada pelos hábitos, atitudes,
expectativas, etc., além de que é menor (maior para classes de
rendimento maior (menor).
De qualquer modo, parece haver evidência não apenas teórica, mas
também empírica para esta relação de trade-off:

59 64 69 74

47
2. HIPÓTESES TEÓRICAS

E a testar a teoria monetarista para o caso português que se destina


o presente trabalho, mais precisamente a dar conta do mais imoral dos
impostos - o inflacionista - que consegue escapar ao princípio da
legalidade consagrado no artigo 106. s da Constituição, ludibriando
assim todo o cidadão.
Deste modo, a variável inflação, dependente, será o objecto de estudo
influenciado pelo aumento da quantidade de moeda em circulação e do
nível de despesa da economia.
P=f (M,V,DN)
A escolha do nível de despesa e não de um agregado do produto (PIB
por exemplo) justifica-se pela razão de Portugal não ser uma economia
autárquica, o que origina um cabaz de bens e serviços adquiridos
internamente não coincidentes com o agregado do produto. Implicita-
mente, está-se deste modo a afirmar que a taxa de inflação medida será
a da Despesa Nacional e não apenas do consumo, u m a vez que a moeda
em circulação afecta o preço de todos os bens e serviços de uma
economia (DN) e não apenas de parte deles (por exemplo PIB que inclui
exportações e exclui importações.
A análise será feita com base em taxas de crescimento prevendo-se
que: a taxa de inflação varie positivamente com a taxa de crescimento
da moeda em circulação, e negativamente com a taxa de crescimento do
produto. Como se considera que apenas estas variáveis podem
influenciar a taxa de inflação, o valor do termo constante deverá ser
próximo de zero.
Pretende-se assim provar, com apoio empírico, não só a não
inevitabilidade do fenómeno, mas também a sua possibilidade de
controlo mais ou menos desfasada. Analogamente, embora se pudesse
pôr a questão de que a inclusão da variação de preços das importações
pudesse ter relevância estatística, esta variável não é tida em conta
u m a vez que é considerado que está correlacionada com: o nível de
produto (negativamente), com a oferta de moeda (positivamente),
apenas agindo sobre estas variáveis. Isto é, um aumento dos preços
externos pode causar perturbações ao nível da afectação interna de
recursos provocando assim u m a diminuição do produto, e no segundo
caso pode levar a u m a maior emissão de moeda por parte do estado

48
para custear essa importação, considera-se ainda que a variação das
taxas de câmbio, no longo prazo, amortecerão a parte desse efeito ligado
por sua vez a um modelo semelhante ao estudado neste trabalho, mas
aplicado à zona económica interna; além disso, aumentando o preço das
importações o único efeito, ceteris paribus, seria o aumento do preço
relativo dos bens importados e intensivos em inputs importados
relativamente aos restantes bens que baixariam de preço. Não é feito
algum teste de correlação devido à pequena relevância da variável, o
que diminuiria a sua eficácia, mas principalmente porque os seus
efeitos terão um período de maturação muito diferente consoante a sua
dimensão e essa própria estrutura não sendo viável na prática isolar
cada causa com cada efeito.
Importa ainda realçar que seja qual for a relevância estatística da
regressão, não se podem decalcar pura e simplesmente as conclusões
para a refutação ou aceitação da Teoria Quantitativa da Moeda. Uma
razão para isso é o facto de a relação ser estimada com um determinado
período de desfasamento, e esta teoria nada adianta sobre a sua deter-
minação, sendo mesmo defendida essa irrelevância nomeadamente pelo
Prof. Milton Friedman. Acresce ainda que na maior parte do período de
análise se verificou administração dos preços de certos bens, o que
poderia enviesar os resultados, no entanto, segundo a teoria, espera-se
que a distorção do preço de certos bens seja compensada pela distorção
do preço de outros, não se alterando assim o índice de preços global;
mesmo assim os testes de permanência de estrutura com centro nos
anos 1975/76, em que se começou a verificar u m a mudança de aplicação
dessa política, podem pretender dizer algo sobre a influência da mesma.
Apesar disso, consideram-se estes problemas de relativamente pequena
dimensão, sendo portanto este estudo u m a boa aproximação à teoria.

3. HIPÓTESES EMPÍRICAS
3.1 .Variáveis de t r a d u ç ã o d a h i p ó t e s e t e ó r i c a
- Variação do índice de Preços: ou seja, taxa de inflação. Esta é a
variável explicada, sendo definida pela variação de preços ponderada
das componentes da Despesa Nacional tal como é definida a seguir.
- Variação da Despesa Nacional: variável explicativa em termos
reais, (a preços constantes de 1977), definida pelo somatório de
Consumo Privado, Consumo Público e Formação Bruta de Capital Fixo.
Sendo a Variação de Existências definida como uma componente
residual (originando aparentes incongruências na sua comparação entre

49
preços constantes e correntes nomeadamente com sinais opostos), não
permite o cálculo de um índice deflator, pelo que não é incluída neste
agregado. Por esta razão e devido ao seu pequeno montante espera-se
que não altere significativamente a relação estatística. Segundo a teoria
que serve de base a este estudo, espera-se que o crescimento deste
agregado venha esbater os efeitos inflacionistas do crescimento da
massa monetária, assim, o sinal do parâmetro associado deve ter um
valor negativo, revelando u m a relação de variação em sentido inverso.
- Variação do Stock Monetário: variável explicativa em termos
nominais. A recolha de dados desta variável enfrenta grandes
limitações até 1976, ano em que começa a haver u m a melhor
desagregação destes stocks. Assim os agregados escolhidos são M l , QM
e M2 (Ml - e M2 - a partir de 1976) em vez de M l - e M2 - que seriam
os óptimos j á que sendo a análise feita em termos de valores dos
agentes residentes, é natural que a moeda também o seja, e o Sector
Residente Financeiro pouca influência terá nesta análise. Mas como à
medida que recuamos no tempo se nota u m a diminuição na diferença
entre M l - e M l , e M2 - e M2, entre 1959 e 1975 essa diferença não
será relevante. A não consideração da diferença entre L e M2 prende-se
com a reduzida liquidez destes activos, (essa diferença só terá efeitos
na inflação quando tornada mais líquida) acrescida de falta de dados
análoga à agora referida. Serão testados modelos com a inclusão
simultânea de M l e QM, variáveis que se consideram ter algum índice
de correlação, no entanto justifica-se pelas suas diferenças de liquidez,
influenciando por isso de forma diferente a variável explicada. São
também utilizados com algum desfasamento temporal: t, t-1, t-2, porque
não se sabe o período de maturação dos efeitos de u m a alteração do
valor destas variáveis. Como j á foi referido, pretende-se provar que
aumentos exagerados do stock de massa monetária venha a provocar
inflação logo, como esta relação se dá num mesmo sentido, o parâmetro
associado a esta variável deverá ter sinal positivo.
- Velocidade de Circulação Monetária: é ignorada como variável,
não apenas pela inexistência de dados estatísticos sobre o seu valor
(embora haja métodos para o calcular: VI =PIBpm/Ml,
Vqm=PIBpm/QM, V2=PIBpm/M2, o que reflecte, sem necessidade de
algum teste a evidente correlação dessa variável com DN, M l , QM e
M2, assim como se considera que a desagregação dos Activos Líquidos
na posse do Público nas variáveis M l e QM, j á terá em conta as
diferentes velocidades implícitas.
- Expectativas Inflacionistas: n u m a tentativa de incluir uma
variável que acelerasse o período de maturação dos efeitos da variação

50
stock monetário em tempo de inflação (como justificado na introdu-
ção), foi construída esta com base nas inflações dos períodos anteriores.
A ponderação dada à inflação do período t-1 foi de 90% ou 80% (e por
consequência, a t-2 foi de (l-90%).90%=9% ou (1-20%).80%=16% e assim
sucessivamente - o valor óptimo calculado por alisamento exponencial
simples foi de 62,5%, não sendo de admitir que na realidade os agentes
formulem expectativas com essa ponderação), sendo valores arbitrados,
mas que deverão estar dentro da realidade. Não há quaisquer dados
estatísticos de inquéritos sobre expectativas quanto a taxa de inflação).
Note-se que a variável é mesmo "inflação esperada" em percentagem,
e não "variação do índice de preços". Quanto mais alta for a inflação dos
períodos anteriores maior será a vontade dos agentes em não reter
moeda, u m a vez que esperam também no ano presente uma inflação
alta o que aumenta a esse custo de oportunidade. Desta forma,
aumentarão a velocidade de circulação monetária, provocando um
acréscimo na inflação razão pela qual o parâmetro estimado para esta
variável deve ter um valor positivo. Contudo, é altamente provável que
por si só consiga explicar grande parte do comportamento da variável
explicada pelos motivos apresentados em 4.1.

- Termo Constante: como j á foi dito, o seu valor deve ser próximo
de zero, porque apesar de a inflação ser explicada por u m a variável que
pode ser manipulada (stock de moeda), mas que vai ter repercussões em
vários períodos, a sua evolução no período t não deve ser muito
diferente dos períodos próximos, logo deve poder substituir, em parte,
efeitos das suas variações nesses períodos.

3.2. F o r m a funcional d a relação: Modelo e Variáveis


- Modelo base:
ln(IPt/IPt-l) = B I + B2 ln(DNt/DNt-l) + B3 ln(M2i/M2i-l) +
+ B4 In(INFESPt) + Ut

- Variáveis:
ln(IPt/IPtl): Logaritmo da variação do índice de preços da
Despesa Nacional no ano t.
ln(DNt/DNt-l): Logaritmo da variação da Despesa Nacional no ano
t (a preços de 1977).
ln(M2i/M2i-l): Logaritmo da variação do Stock de M2 no ano i, em
certas versões é desagregado em M l e QM.

51
ln(INFESPt): Logaritmo da Inflação Esperada no ano t (calculados
tal como referido atrás, sendo o coeficiente de
ponderação de 0,9 e 0,8).
Ut: Termo de Perturbação do ano t.

- Forma funcional: O modelo utilizado é o log-log. Esta opção


justifica-se pela tradução da teoria em que a relação existe com base em
taxas de crescimento, ou seja, é o impacto relativo e não absoluto de
uma variável explicativa que vai ter influência na variação relativa, e
não absoluta, da variável explicada. Numa economia em particular
pouco importa se o stock monetário aumentou em 1000 milhões de
unidades monetárias, o que irá ter impacto na taxa de inflação é se
esses 1000 milhões representam um peso em 10000 milhões, ou em
20000 milhões, ou em 5000 milhões. É esse peso que terá influência na
taxa de inflação, uma vez que se a análise for feita noutra unidade de
medida, contos em vez de escudos por exemplo, a variação absoluta vem
mil vezes inferior, no entanto o impacto tem de ser forçosamente o
mesmo, o que é conseguido como j á se disse, com análises percentuais.
Justificação análoga é feita para as outra variáveis. Também quanto ao
índice de preços o relevante não é se este variou em 20 unidades mas
sim o peso dessas 20 unidades no índice de preços anterior, isto porque
a medida de variação tem de ser a mesma quando feita com anos de
referência de índices de preços diferentes, o que não seria conseguido
se a análise fosse feita em termos absolutos. Os parâmetros a estimar
são assim as elasticidades de u m a variável face à outra, e isso só é
conseguido com um modelo deste género. Embora economicamente não
tenha significado o parâmetro B4, este reflecte a aceleração dos efeitos
da variação do Stock Monetário por se viver em período inflacionista,
e assim contribuir para uniformizar os períodos de desfasamento desta
variável na taxa de inflação, tentando atribuir maior relevância
estatística às variáveis que têm efeitos em mais que um período:
In(M2i/M2i-l). A variável que mede as expectativas inflacionistas é um
logaritmo por forma a tornar absolutas as distâncias relativas dos
níveis de inflação: 5% e 20% ficam à mesma distância relativa de 10%,
e é essa distância relativa que importa aos agentes (inflações de 400%
ou 410% ao ano pouco diferem, mas entre 2% ou 12% a diferença j á é
considerável).

52
3.3. B a s e de dados: A m o s t r a
0 período amostrai cobre os anos 1960-1989. Naturalmente que é
uma série temporal, com dados anuais. A justificação da anualidade na
recolha de dados prende-se não só com a sua inexistência mais
fraccionada na grande parte do período amostrai, mas também com
essa desnecessidade: não é muito relevante saber se o período de
maturação dos efeitos não é um ou dois anos, mas sim por exemplo, um
ano e meio, além de que seis meses é um período curto para se fazer
sentir um efeito em toda ou na maior parte da sua amplitude. O
problema que poderá causar será aparecerem duas variáveis relevantes
sobre o mesmo fenómeno explicativo, mas com períodos de
desfasamento com um ano de diferença.
A escolha do ano de 1977 como referência de indexação dos preços
tem a ver com a fonte de recolha de dados. É perfeitamente indiferente
esta escolha uma vez que a análise é feita com base em taxas de
crescimento (variação relativa e não absoluta).
As fontes de IP e DN, foram o "Documento de Trabalho n. 9 15" e os
"Relatórios de Actividade" de 1962 a 1989 publicados pelo Banco de
Portugal e as "Séries Retrospectivas de Indicadores Diversos para a
Economia Portuguesa 1960-1988" publicadas pelo Banco de Fomento e
Exterior, enquanto que as de M2 foram as "Séries Retrospectivas de
Indicadores Monetários e Financeiros para a Economia Portuguesa
1960-89" publicadas pelo Banco de Fomento e Exterior, além dos
relatórios referidos atrás. Outras fontes consultadas serviram de
comparação, e não apresentaram tanto grau de confiança.

4. ESTIMAÇÃO

Devido à grande extensão de versões estimadas, apenas são


apresentadas as que revelaram alguma significância estatística e as
que se justifiquem do ponto de vista teórico.

4.1 . R e s u l t a d o s
Os resultados obtidos na estimação pelo método ordinário dos
mínimos quadrados, de diferentes funções explicativas do
comportamento da inflação (ln(IPt/IPt-l)) em Portugal são apresentados
no Quadro 1.

53
Qualquer versão apresentada é estatisticamente relevante a 99%
quando considerada globalmente (teste F-Snedcor). Na análise seguinte,
salvo quando algo é dito em contrário, o teste feito para concluir sobre
a relevância estatística das variáveis, foi o de t-student unilateral.
Quando o termo constante não aparece é porque não passou esse teste
a 5% de significância (bilateral), excepto na l. a e 2.- versões em que
apesar da sua alta irrelevância, foi incluído a título de exemplo.
Foram experimentadas 4 versões idênticas às primeiras duas em que
se incluíram as variáveis ln(INFESP-0,9)t e ln(INFESP-0,8)t,
concluindo-se pela sua relevância a 99,9%. No entanto esta inclusão não
foi continuada porque h á uma grande correlação entre esta variável e
a explicada duma forma que nada tem a ver com o efeito de u m a causa:
apenas há semelhanças de comportamento da inflação entre o ano t e
os anos anteriores, o que se pretendia medir era u m a variação da
velocidade de circulação da moeda não devendo ser esta u m a boa
aproximação, serve, contudo, pelos motivos apresentados em 3.1.
Não foram apresentadas versões com a variação desfasada da
Despesa Nacional u m a vez que não existe apoio teórico para tal: a
Despesa Nacional do ano em análise irá influenciar a inflação desse ano
porque é no momento de aquisição dos bens e serviços que se dará o
efeito inflacionista, enquanto que o stock de moeda aumentando num
ano, pode ser pelo menos em parte, utilizado no(s) ano(s) seguinte(s).
- Versão 1: Variáveis com relevância estatística a 95% de confian-
ça: ln(DNt/DNt-l) e ln(M2t-l/M2t-2) (também com relevância a 99,9%).
Devido à irrelevância do termo independente passou-se à versão 3.
- Versão 2: Variáveis com relevância estatística a 95% de
confiança: ln(DN/DNt-l) (com relevância a 99,9%), ln(Mlt-l/Mlt-2)
(relevância a 99%) e ln(QMt-l/QMt-2). Também devido à irrelevância
do termo independente se passou à versão 4.
- Versão 3: A um grau de análise de 5%, apenas revelaram
significância estatística três variáveis: ln(DNt/DNt-l), ln(M2t-l/M2t-2)
e ln(M2t-2/M2t-3) (as primeiras duas a 0,1%). Assim foi elaborada a
versão 5.
- Versão 4: A u m grau de análise de 5%, apenas revelaram
significância estatística as variáveis ln(Mlt-l/Mlt-2), ln(QMt-l/QMt-2),
ln(Mlt-2/Mlt-3) e ln(DNt/DNt-l) (esta última relevante a 0,1% e as
duas primeiras a 1%).
- Versão 5: Todas as variáveis são estatisticamente relevantes a
99% de confiança, no entanto apenas as que medem a variação da

54
QUADRO N.9 1

VARIÁVEIS EXPLICATIVAS

DHt M2t Hit QMt M2t-1 Mlt-1 QMt-1 M2t-2 Mlt-2 QMt-2 F
Versão g.l. const. In In In In In In In R! 6 (g-i.) DH
DHt-1 M2t-1 Mlt-1 QMt-1 M2t-2 Mlt-2 QMt-2 M2t-3 Mlt-3 QMt-3

1 24

coef ic. 0,0015 -1,0729 0,1924 0,5654 0,2660 0,7706 0,0376 24,515 1,051
(ráci o t) (0,048) (-4,832) (1,261) (3,524) (1,679) (4,24)

2 ! 21

coefic. 0,0037 -1,5711 0,1731 0,0892 0,4521 0,2803 0,2280 -0,0390 0,6622 0,0456 8,841 1,184
(rácio t) (0,058) (-6,061) (1,261) (0,706) (2,951) (2,182) (1,578) (-0,293) (7,21)

3 i 25

coefic. -1,0663 0,1958 0,5659 0,2697 0,7719 0,0369 96,074 1,048


(rácio t) (-6,206) (1,469) (3,609) (1,983) (4,25)

4 |; 22

coefic. -1,5661 0,1748 0,0927 0,4533 0,2842 0,2320 -0,0350 0,6660 0,0446 36,788 1,180
(rácio t) (-6,560) (1,333) (0,854) (3,055) (2,663) (1,866) (-0,316) (7,22)

5 ! 26

coefic. -1,0581 0,6773 0,3460 0,7627 0,0377 121,944 1,226


(rácio t) (-6,028) (4,828) (0,128) (3,26)

6 j 27

coefic. -1,0994 0,2990 0,7309 0,7594 0,0383 117,439 1,013


(rácio t) (-6,453) (2,339) (5,385) (3,27)

7 | 27

coefic. 0,0505 -1,3084 0,7782 0,7587 0,0388 46,591 1,297


(rácio t) (2,135) (-6,649) (6,137) (2,27)

8 1 24
coefic. -1,5835 0,5222 0,2564 0,0420 0,6588 0,0451 49,819 1,340
(rácio t) (-6,570) (3,804) (2,088) (0,435) (5,24)

9 | 25

coefic. -1,6111 0,1690 0,1214 0,5821 0,2846 0,6644 0,0451 49,730 1,001
(rácio t) (-6,931) (1,310) (1,340) (4,546) (2,834) (5,25)

10 | 25

coefic. -1,5954 0,5375 0,3718 0,2646 0,6707 0,0444 64,311 1,415


(rácio t) (-6,774) (4,118) (5,331) (2,216) (4,25)

11 j 25

coefic. -1,6467 0,7053 0,4263 0,6457 0,0468 75,790 1,494


(rácio t) (-6,872) (6,414) (6,194) (3,27)

12 j 26

coefic. -1,1684 0,8496 0,2445 0,7567 0,0384 117,152 1,448


(rácio t) (-6,593) (9,240) (2,456) (3,26)
Despesa N acional no ano em análise e de M2 no ano anterior são rele­
vantes a 99,9%, por isso se elaborou a versão 8. A versão 7 foi ela­
borada por estes motivos e pelos apresentados na análise da versão 6.
­ Versão 6: Todas as variáveis são estatisticamente relevantes a
95% de confiança, mas apenas as que medem a variação do Stock
Monetário um ano antes e da Despesa N acional no ano em análise são
relevantes a 99,9%, por isso continua­se com a aposta na versão 7.
­ Versão 7: As variáveis são relevantes a 99,9% de confiança
estatística. O termo constante é significativamente diferente de zero
(grau de significância estatística de 95%).
­ Versão 8: Variáveis relevantes a 95% de significância: todas
excepto ln(Qmt­2/QMt­3).
­ Versão 9: Variáveis relevantes a 95% de significância: as mesmas
da versão anterior (excepto ln(Mlt­2/Mlt­3) que não é incluída). Pelos
resultados destas duas versões passou­se à versão 10.
­ Versão 10: Todas as versões são relevantes a 99,9% de confiança
estatística, excepto a variável ln(Mlt­2/Mlt­3) que só é relevante a
95%, por isso se elaborou a versão 11. Como esta última variável ainda
é relevante, elaborou­se a versão 12 em que é conjugada com
ln(M2t­l/M2t­2): pode ser que a variação de um agregado monetário
mais líquido com dois anos de desfasamento tenha mais influência que
a de um agregado menos líquido, enquanto que com u m período de
desfasamento j á seja importante a variação de QM.
­ Versão 11: Todas as variáveis são relevantes a 99,9% de
confiança estatística.
­ Versão 12: Todas as variáveis são relevantes a 95%. A variável
que traduz a variação de M l com dois períodos de desfasamento quase
é relevante a 99%, enquanto que as outras o são a 99,9%.
No quadro 1 não é apresentada alguma versão incluindo a variável
ln(INFESPt). Foram calculadas várias mas a que obteve maior
relevância estatística foi a seguinte (ponderação de 90%) em que o
termo constante, mais u m a vez, não passou o teste t­student a 95%:

var. In(DNVDNM) ln(M2t­1/M2t­2) In(INFESPt) R! 6 F

coef. ­0,7484 0,4372 0,0391 0,8823 0,0272 236,034


rác.­t ■5,102 3,846 5,839 (3,26)

55
É fácil ver-se porque não foi escolhida nenhuma destas opções, das
quais esta foi a que melhores resultados apresentou: apesar de passar
com segurança o teste F-Snedcor assim como os testes t-student, pela
justificação j á apresentada a terceira variável não é muito de confiar,
serviu isso sim, para demonstrar a menor relevância estatística das
variáveis que medem a variação do Stock Monetário sem e com dois
períodos de desfasamento com um valor para a estatística t-student de
1,050 e 0,204 respectivamente, enquanto que a de ln(M2t-l/M2t-2)
apresentava um valor de 2,735 (pouco inferior ao da versão sem as duas
variáveis), refira-se que o valor estimado do seu coeficiente foi 0,3766
- um pouco maior, enquanto que os outros têm valores bastante mais
inferiores 0,1124 e 0,0226 respectivamente.

4.2 D i s c u s s ã o d o m o d e l o
As duas primeiras versões são o ponto de partida para se começar
a eliminação de variáveis pela análise individual da estatística
t-student. Embora possa parecer um método pouco correcto, é preciso
referir que foram experimentadas várias versões que não são
apresentadas devido à sua pior qualidade.
Desta forma, e porque o termo constante não passou o teste t nem
a 20% de significância o que é claramente apoiado pela teoria,
elaboraram-se as versões 3 e 4. Estas, tais como as outras, apenas
diferem entre si na desagregação de M2 em M l e QM, os resultados
sem desagregação, até aqui, são sempre melhores. A análise estatística
destas versões revela algumas variáveis irrelevantes a 5% de
significância, mas para tentar apanhar relevância estatística da
Variação do Stock Monetário no ano em análise e dois anos antes,
elaboraram-se as versões 5, 6, 8 e 9.
As versões 5 e 6 continuam a sugestionar a elaboração de u m a outra
versão: a Ir. Mas entre estas duas, a preferível será a primeira pela
análise comparativa do teste t das variáveis não comuns, o que é
acentuado na versão 3. A versão 7 tem o inconveniente da relevância
estatística do termo constante, o que deve acontecer por a variação do
stock monetário ter um efeito na inflação com u m período de
desfasamento superior a um ano, ou então um efeito nas inflações de
dois anos (ou mais).
Voltando à análise da influência de M2 desagregado em M l e QM,
as versões 8 e 9 mais uma vez revelaram grande confiança estatística
para a sua variação com um período de desfasamento; na versão 8 há

56
uma outra variável que revela confiança estatística: ln(Mlt-2/Mlt-3),
pelo que se prosseguiu com esta versão, mas apenas com as variáveis
relevantes, de que resultou a versão 10. Esta versão apresenta boas
qualidades na análise da relevância estatística de cada variável. A
justificação para a irrelevância da variação de QM dois anos antes é
dada pela reduzida liquidez deste agregado monetário: os agentes
recebendo neste momento um aumento no seu stock de moeda não o
irão gastar de imediato, grande parte dedica-lo-ão à poupança, mas no
prazo de u m ano (aproximadamente, por hipótese), j á houve tempo para
que esse aumento fosse dedicado ao consumo como o era normalmente
o stock anterior, mas para isso terá de ser convertido em liquidez
primária, pelo que QMt-2 é transformado em M l t - 1 . J á a variação de
QMt-1 tem a sua importância, não porque possa ser assim utilizado
mas porque os agentes sabem que o poderão converter em M l no
período seguinte sem perda de valor, o que vem acentuar a justificação
da irrelevância da variação de QMt-2 (em t-1 j á foi convertido em M l
a parte que serve para repor M l t - 1 ao nível necessário e para o seu
aumento devido à inflação).
Esta é a justificação da elaboração da versão 12 em alternativa às
versões 5 e 10. De qualquer modo, também foi elaborada a versão 11
que mostra ser u m a boa concorrente desta última, com indicadores
muito próximos.
A relevância estatística das versões 5, 10, 11 e 12 vem elegê-las
como as que melhor se adequarão à tradução da realidade. Ainda
assim, as versões 10 e 11 poderão ser eliminadas se compararmos o
valor do teste F-Snedcor (apesar de os graus de liberdade não serem os
mesmos, aproximam-se, enquanto que os valores deste rácio se afastam
consideravelmente), e de R2 (com as devidas limitações); além disso, o
parâmetro associado à variação da Despesa Nacional afasta-se do valor
-1 nestas versões, o que significaria um impacto mais que proporcional
na taxa de inflação derivado de um aumento do seu valor.
Deste modo restam-nos as versões 5 e 12 (embora a 10.B e a l l . a não
sejam de desprezar). Há que recorrer a vários indicadores que as
possam seleccionar, ou pelo menos descobrir o seu interior.

4.2.1. E s t u d o d a v e r s ã o 5
l. a teste de hipótese: Significância global da regressão (quadro AOV):
HO: IB = [0 0 0]
H l : IB * [0 0 0]

57
fonte variação soma quadr. g.i. soma pond.quadnF
todas var. 0,519005 3
residual 0,036886 26 Fo = 121,944
total 0,555891 29 Fc(3,26)1% = 4,64

Fo » Fe: A regressão é globalmente significativa com um grau de confiança estatística de


99%.

2" teste de hipótese: Permanência de estrutura até 1976 / após 1978


- Teste Chow:
O ano de 1977 não foi incluído na elaboração deste teste porque é de
longe a maior excepção ao comportamento tomado pela generalidade
das variáveis, pelo que foram calculadas as três regressões necessárias
sem esta observação (o que reflecte um grande valor do termo de
perturbação nesse ano devido ao fenómeno do 25 de Abril a única
implicação é a diminuição dos graus de liberdade.
HO: IB60-76 = IB78-89 = IB60-89
Hl: 3 IBi^IBj , i * j
Fo = 0,0015 « Fc(3,22)5% = 3,05: Conclui-se pela permanência de
estrutura. É de referir que as regressões parciais são globalmente
significativas (teste F-Snedcor) assim como as variáveis de cada uma
(teste t-student).

3. s teste de hipótese: Aumentos de igual percentagem na Despesa


Nacional e no Stock Monetário, terão como consequência que não se
verificará inflação:
HO: [1 1 1] IB = 0
H l : [1 1 1] IB * 0
Itol = 0,247 < Itcl(26)80% = 0,26: Há evidência estatística para que a
hipótese nula não seja rejeitada, com um nível de significância de 80%.
Isto é, será possível descer a inflação para um nível de 0% desde que
o aumento do Stock Monetário acompanhe o da Despesa Nacional
(também porque o termo constante não passou o teste t a 5% de
significância).

4. s teste de hipótese: A variação de u m a unidade percentual da


Despesa Nacional no ano presente e/ou de M2t-1 e M2t-2 terá como

58
efeito u m a diminuição de 1% no índice de preços e um aumento de 1%
nesse mesmo índice, respectivamente (ceteris paribus para cada
hipótese):
HO = B2 = -1
H l = B2 * -1
Itol = 0,331 < Itcl(26)60% = 0,53: Há evidência estatística a 60% de
significância para que a hipótese nula não seja rejeitada.
HO = B3+B4 = 1
H l = B3+B4 * 1
Itol = 0,388 < Itcl(26)60% = 0,53: Há evidência estatística a 60% de
significância para não se rejeitar a hipótese nula. A elasticidade do
índice de Preços da Despesa Nacional relativamente ao Stock de M2 e
à DN tem apoio estatístico para que o seu valor seja unitário (também
se poderá concluir que o período de maturação dos efeitos de variação
de M2 se deve situar a pouco mais que u m ano).

4.2.2. E s t u d o d a v e r s ã o 12
Os testes seguintes são os mesmos feitos para a versão 5.
l. s teste:
HO: IB = [0 0 0]
H l : IB * [0 0 0]

fonte variação soma quadr. g.l. soma pond.quadr:F


todas var. 0,517601 3
residual 0,038291 26 Fo = 117,152
total 0,555892 29 Fc(3,26)1% =4,64

Fo » Fe: A regressão é estatisticamente significativa a 99% de confiança quando


considerada globalmente.

2. 9 teste:
HO: IB60-76 = IB78-89 = IB60-89
H l : 3 IBi * IBj , i * j
Fo = 0,0216 « Fc(3,22)5% = 3,05: Conclui-se pela permanência de
estrutura. Também neste caso as regressões parciais são globalmente
significativas, assim como as variáveis de cada uma.

59
3. s teste:
HO: [1 1 1] IB = O
H I : [1 1 1] IB m O
Itol = 0,528 < Itcl(26)60% = 0,53: Há evidência estatística a 60% de
significância para que não se rejeite a hipótese nula.

4. s teste:
HO = B2 = -1
H l = B2 * -1
Itol = 0,950 < Itcl(26)20%: Há evidência estatística a 20% de
significância para que não se rejeite a hipótese nula.
HO = B3+B4 = 1
H l = B3+B4 * 1
Itol = 1,387 < Itcl(26)10%: Há evidência estatística a 10% de
significância para que a hipótese nula não seja rejeitada.

4.2.3. I n t e r p r e t a ç ã o e c o m e n t á r i o d o p a r â m e t r o
- Versão 5: Se o Stock de M2t-1 ou M2t-2 variarem u m a unidade
percentual, estima-se que em média o índice de preços da Despesa
Nacional variará 0,677 ou 0,346 unidades percentuais no mesmo
sentido respectivamente (ceteris paribus num caso e no outro),
enquanto que para a variação percentual da Despesa Nacional a
relação é de 1 para 1,058 em sentido inverso (também ceteris paribus).
Também se estima que não haverá inflação autónoma u m a vez que o
termo constante não passou o teste t-student a 5% de significância, logo
se nem DNt, nem M2t-1, nem M2t-2 variarem, em média a inflação do
ano t será de 0%.
- Versão 12: Estima-se que, em média, se o Stock de M2t-1 variar
u m a unidade percentual o índice de preços da Despesa Nacional
variará 0,8496 unidades percentuais no mesmo sentido, se o Stock de
Mlt-2 variar uma unidade percentual, o índice de preços da Despesa
Nacional variará 0,2445 unidades percentuais também no mesmo
sentido, se a Despesa Nacional variar uma unidade percentual o seu
índice de preços variará 1,1684 unidades percentuais em sentido
inverso (ceteris paribus para qualquer das três hipóteses). Também se
estima que, em média, não haverá inflação autónoma.
Refira-se que além desta interpretação há a considerar os testes
efectuados, nomeadamente os 3. s e 4. s que são apoiados pela teoria.

60
4.2.4. T e r m o s de p e r t u r b a ç ã o
As hipóteses clássicas do método de estimação utilizado neste
trabalho exigem que a esperança matemática (valor esperado) dos
termos de perturbação seja zero. Se as versões aqui analisadas
incluíssem termo constante, o problema ficava por aqui porque esse
termo iria centrar a ordenada na origem da recta estimada por forma
a que se verificasse essa hipótese. Mas se este não foi incluído por não
ser significativamente diferente de zero, espera-se que, em média, o
valor de Ut seja zero.
Outra das hipóteses clássicas é a da homocedasticidade, ou seja, a
variância de Ut é u m a constante finita, logicamente positiva (e
desconhecida). Não foi possível identificar alguma variável como sendo
a causadora de u m fenómeno heterocedástico, nem tão pouco h á apoio
teórico para tal, pelo que não é feito algum teste nesta área.
A terceira hipótese clássica refere que estes termos não deverão es-
t a r autocorrelacionados, ou seja, COV(Ui,Uj) = 0, Vij = 1, 2,...,30, i * j .
Quanto a este caso também dificilmente se poderá pensar numa
justificação da sua existência apenas, talvez, que no período anterior à
revolução de Abril alguns bens de consumo eram subsidiados (mesmo
alguns anos após) pelo que o seu preço contabilizado seria u m pouco
inferior ao seu preço real e assim estas variáveis teriam os seus efeitos
amortizados - a inflação viria sub-avaliada. Nos últimos anos os preços
contabilizados j á se aproximam bastante da realidade e por isso a
inflação deve estar quase correcta. Como a regressão entra em conta
com estes dois períodos ao mesmo tempo, é possível que, em média, no
primeiro os desvios sejam negativos e no segundo positivos -
autocorrelação positiva. Só que acontecendo isto, a defesa da teoria
liga-se com a deficiente recolha estatística que deveria ser baseada nos
preços de mercado acrescidos dos subsídios, o que leva a dizer que no
modelo não existira autocorrelação dos desvios, apenas poderá existir
autocorrelação dos erros no modelo estimado.
Teste Durbin-Watson: Seja p o coeficiente de autocorrelação de
primeira ordem:
HO: p = 0
Hl: p ^ O
- Versão 5: dm = 1,134 < do = 1,226 < du = 1,743: O teste é
inconclusivo.
- Versão 12: dm = 1,134 < do = 1,448 < du = 1,743: O teste é
inconclusivo.

61
Como se pode ver, nada se pode concluir quanto à existência ou não
de autocorrelação dos termos de perturbação. Mesmo a 1% de
significância temos du = 1,512 pelo que não saímos da inconclusão. Mas
como é provável que tal se verifique, no anexo estatístico são
apresentadas algumas alternativas calculadas pelo método de
Cochrane-Orcutt a uma interação.
Uma última hipótese prende-se com a distribuição de probabilidade
que segue este vector aleatório: os termos de perturbação devem seguir
u m a distribuição de Gauss (com os parâmetros j á referidos). Devido à
sua abundância, pode-se dizer que cumprem o Teorema do Limite
Central, pelo que esta hipótese se deve verificar.
Além do que j á foi dito, o problema do desfasamento irá retirar
significância estatística à regressão porque não se sabe quanto tempo
demoram os efeitos que advêm da alteração do valor de u m a variável,
sendo até diferente de época para época. Os termos de perturbação,
naturalmente captarão esses efeitos de desfasamento, além de outras
variáveis não incluídas que escapam ao âmbito económico (mudanças
de hábitos, parte da variação da velocidade de circulação monetária,
etc.).
Voltando ao ponto em suspenso no final de 4.2., podemos ver que os
valores da soma do quadrado dos resíduos assim como da estimativa do
desvio padrão e de K2 (e R2) são semelhantes nas duas versões, pelo que
o desvio em relação à média de u m a é equivalente ao de outra, o mesmo
se podendo dizer da explicação da variância (e da variação em torno da
media) - à volta de 76% (78,5%). Quanto à significância global, a versão
5 tem alguma vantagem, acontecendo o contrário no teste sobre
autocorrelação, mas de modo algum estes valores podem servir de
eliminação porque se aproximam demais.
E natural que cheguemos a u m impasse u m a vez que a única
diferença entre estas duas versões é o comportamento da variação de
M2t-2 e Mlt-2. Mas se for preciso escolher uma, teremos de recorrer à
teoria, e neste caso a versão 5 leva alguma vantagem: As versões 5 e
12 passam o teste de que aumentos de igual percentagem na DN e no
Stock Monetário terão como consequência u m a inflação de 0% (teste 3.8)
com 80% e 60% de significância respectivamente, e o teste às
elasticidades do índice de preços da Despesa Nacional (teste 4.fi) é
também favorável à versão 5 (60% e 60% contra 60% e 10% de
significância respectivamente). Este último mostra melhor onde estará
o defeito da versão 12: na variável não comum.
Estas análises poderão ser alvo de críticas baseadas em que o

62
período de desfasamento dos efeitos de variação do Stock Monetário não
será o que está implícito nestas versões, embora tudo aponte para que
seja próximo disso. Poder-se-ia fazer o teste da melhoria do ajustamento
pela introdução de u m a variável adicional para comparação das duas
versões em análise, só que se torna desnecessário j á que as estatísticas
F podem ser comparadas sendo neste caso favorável (pouco) à
introdução da variação de M2t-2.

4.3. I n t e r p r e t a ç ã o e c o m e n t á r i o d o m é t o d o
O método de estimação utilizado - OLS (ordinário dos mínimos
quadrados) - é o que minimiza o quadrado dos desvios dos valores
estimados em relação à sua média que é o mesmo dos valores
observados quando o termo constante é incluído. Essa minimização é
obtida pela derivação desse somatório em ordem aos parâmetros
associados às variáveis e ao termo constante, igualando-se a zero cada
derivada obtida.
Como se t r a t a de minimizar o quadrado dos desvios, este método
penaliza demasiado os desvios maiores, o que pode ou não ser uma
vantagem. Quando se inclui o termo constante, o somatório desses
desvios é sempre igual a zero.
Além das quatro hipóteses clássicas sobre os termos de perturbação
referidas anteriormente, este método exige que se verifique a não
aleatoriedade das variáveis explicativas e a observação de valores
diferentes dessas variáveis por forma a que permitam calcular o
número de parâmetros requeridos. Como se pode ver no anexo
estatístico, estas hipóteses são cumpridas.
Por fim h á a hipótese de que as variações de M l e QM estejam
correlacionadas, assim como de M2t e M2t-1, e M2t e M l t - 1 o que nos
conduziria à presença de multicoliniaridade. Obteve-se u m coeficiente
de correlação entre estes pares de variáveis de 2,31%, 26,07%, e 5,11%
respectivamente, pelo que a hipótese de multicoliniaridade deve ser
posta de lado.

63
5. CONCLUSÕES

A inflação é um fenómeno monetário que resulta de um


aumento da qualidade da moeda mais rápido do que o aumento da
produção.
MILTON FRIEDMAN

Um gato à caça da sua própria cauda pode, por um acto de


extraordinária destreza felina, conseguir apanhá-la. Vencer a
inflação por aumento da produção, embora muito semelhante à
superfície, não terá esse êxito tão frequente.
JOHN K. GALBRAITH

Tudo leva a crer que a causa da inflação é u m aumento do stock


monetário superior ao aumento da Despesa Nacional. Esse aumento
ter-se-á dado aproximadamente um ano antes ou pouco mais, o que é
evidenciado pela relevância estatística das variáveis desfasadas das
várias versões. Também está provado empiricamente que há uma
relação de 1 para 1 nestas variações, isto é, u m aumento de 1% no
stock monetário provoca um aumento em 1% (valor absoluto na taxa de
inflação, enquanto que um aumento de 1% na despesa nacional provoca
uma diminuição da taxa de inflação em 1% (valor absoluto). Além disso
provou-se ainda, empiricamente, que se o aumento do stock monetário
do ano anterior e dois anos antes ao de análise for do mesmo montante
relativo do aumento da despesa nacional nesse ano, teremos um ano
sem inflação - esta conclusão terá as suas limitações, é claro, porque há
sempre efeitos das variações do stock monetário de períodos anteriores,
do período em análise, assim como de variações na velocidade de
circulação monetária com o decorrer do tempo (pelos motivos já
apresentados) e que também vão exercer a sua influência.
Quando é feita a desagregação de M2 em M l e Q l , vê-se que é a
variação do stock mais líquido aquele que mais influencia o
comportamento da inflação.
Também se pode afirmar que não h á comportamentos
significativamente diferentes para a economia portuguesa nos períodos
antes e após 25 de Abril de 1974, logo a relação é sempre a mesma seja
qual for o ideal político dominante no país, que poderá acontecer será
u m a distorção dos preços relativos dos bens e serviços entre si.
Nada é estudado quanto a um aumento do stock monetário poder

64
fazer aumentar o PIB, e assim a DN, o que poderia levar a argumentar
que apesar de causar inflação seria preferível aumentar o Stock
Monetário um pouco mais que a Despesa Nacional. Mas todos
estaremos de acordo com a afirmação de Galbraith referida no início,
e se tivermos em conta as distorções na afectação económica de
recursos, por exemplo: o empresário A confrontando-se com u m a
diminuição da procura dos seus produtos enquanto que vê os seus
preços subir, pode ser induzido a produzir mais de um bem que não é
preciso, não se apercebendo que a causa desse efeito é a inflação e não
um aumento da procura, ou, pelo contrário, a procura dos produtos do
empresário B pode subir, subindo assim ao seu preço mas ele pode
atribuir esse aumento unicamente ao fenómeno inflacionista deixando
assim de produzir um bem que é preciso, vemos que quer num caso
quer no outro, a inflação induz a u m a ineficiente afectação de recursos
porque o primeiro empresário só bastante tarde se vai aperceber do
prejuízo que está a ter, atrasando assim a sua solução o que se
reflectirá depois num maior despedimento de trabalhadores, e o
segundo empresário também só bastante tarde se apercebe de que não
está a ganhar o que seria possível, tardando por isso na absorção da
mão-de obra, por exemplo, não será de crer que seja preferível vivermos
em inflação.
Neste estudo, a análise da inflação é feita com base, entre outros, do
comportamento da Despesa Nacional e não do PIB. A diferença entre
estes dois agregados, como é sabido, é a exclusão das exportações e
inclusão das importações na primeira. Além de que o comportamento
de um é semelhante ao outro, há ainda u m a outra justificação para esta
especificação além da apresentada atrás: como j á foi dito, se a moeda
vai ser utilizada no país e pelos residentes, só faz sentido essa variável
ser conjugada com outra nesses termos - o PIB tem em conta os bens
adquiridos por agentes externos, e não tem em conta certos bens
adquiridos pelos internos - mas o que é mais importante é que se é a
Despesa Nacional que deve ser tida em conta, um país não pode viver
eternamente com u m a Balança de Transacções Correntes em
desequilíbrio crescente u m a vez que o excesso de importações tem de
ser pago de alguma forma, tal como o excesso de exportações recebe o
raciocínio anterior para a situação do país oposto, j á que o BTC
mundial fecha todos os anos em equilíbrio. Isto para se dizer que se a
DN tende para o PIB, então há u m a justificação adicional para se
considerar este estudo um bom suporte da Teoria Monetarista.
Também não é feita uma regressão que justifique o pagamento do
aumento da Dívida Pública com emissão monetária, no entanto, quando

65
o Orçamento Geral do Estado não podia ser deficitário (até 1973), as
taxas de inflação são bastante baixas, acontecendo o contrário a partir
de 1974 quando passou a ser autorizada a constituição de Dívida
Pública. Em alternativa podemos basear-nos n u m a aproximação e,
deixando os comentários teóricos de parte, chegou-se aos seguintes
resultados (estatísticas t-student entre parênteses):
ln(M2t/M2t-l) = 0,1189 + 0,20611n(DPt-2/DPt-3) F(l,27) = 8,909
(7,435) (2,985)
ln(M2t/M2t-l) = 0,1249 + 0,16281n(DPt-l/DPt-2) F(l,28) = 4,858
(7,340) (2,204)
DPt = Dívida Pública efectiva no ano t, a preços correntes.

Com as limitações devidas, pode-se contudo ver que há alguns


motivos para acreditarmos que subindo a Dívida Pública subirá
também o Stock de M2.
Resta concluir que, se este estudo serve para algo, será com certeza
para justificar que u m a política monetária feita sem o objectivo ou sem
ser a consequência da intervenção do estado na economia, então é
bastante provável que a inflação se reduza para níveis próximos do
zero, apesar de que níveis de 1% ou 2% podem ser aceitáveis. Mas
sobretudo esses níveis, tal como as outras características da actividade
económica, não devem ser o fruto de uma decisão administrativa que
sempre se afasta da realidade, mas sim do jogo das forças do mercado
que agora j á são aceites em todo o mundo como a melhor forma de
afectação de recursos quando o mercado se aproxima da concorrência
perfeita ou da perfeita contestabilidade - mercado monetário é talvez
o único que se pode classificar como tal.

66
6. BIBLIOGRAFIA, FONTES E ANEXO ESTATÍSTICO

ARROJA, PEDRO, "O estado e a economia"


DORNBUSCH, RUDIGER e STANLEY FISHER, "Macroeconomics"
FAREBROTHER, R. W., "Econométrica", vol. 48-1980
FRIEDMAN, MILTON e ROSE FRIEDMAN, "Capitalismo e
Liberdade"; "Dollars and deficits"
GALBRAITH, JOHN K., "A sociedade da abundância"
GUJARATI, DAMODAR, "Econometrics"
LEPAGE, HENRI, "Amanhã o capitalismo"; "Amanhã o liberalismo"
SAMUELSON, PAUL,"Economia"
TREVITHICK, JAMES, "Como viver em inflação"

BANCO DE PORTUGAL:
Relatórios de 1962/89.
Estudos e documentos de trabalho n.e 11, 15 e 16.

BANCO DE FOMENTO E EXTERIOR:


Séries retrospectivas de indicadores diversos para a economia
portuguesa 1960-1988.
Séries retrospectivas de indicadores monetários e financeiros
1960-1989.
Séries retrospectivas de contabilidade nacional 1960-1985.

67
DN (preços de 1977), DP (preços correntes e M2: valores em milhões de escudos.
INFESP09: valor em percentagem.

Deflator DN M1 QM M2 INFESP09 Dívida


Anos
DN Pública

0,273063 232210 41803 3616 45419 15330,0


1958

0,279087 244343 45069 4421 49490 15888,0


1959

0,284775 264391 48204 6029 54233 2,2059 17250,4


1960

0,288253 287407 47975 6899 54874 2,0551 18680,1


1961

289571 51937 9117 61054 1,3046 22744,7


1962 0,293731

314059 59039 11134 70173 1,8407 25924,6


1963 0,295289

0,297476 332275 67208 13948 81156 0,6614 29372,3


1964

0,308210 359605 73238 20107 93345 0,7330 31762,4


1965

0,321249 386376 78619 23579 102198 3,3208 33564,0


1966

0,336413 410376 83764 30678 114442 4,1396 34288,1


1967

0,348681 432530 89227 38314 127541 4,6622 34345,5


1968

0,363818 461151 107014 46656 153670 3,7483 35589,1


1969

0,376412 499288 111164 61098 172262 4,2818 39500,5


1970

526592 126630 76472 203102 3,5437 43464,1


1971 0,401212

0,431455 571867 149346 95760 245106 6,2838 46499,0


1972

0,469528 626861 191506 111142 302648 7,4126 53655,0


1973

647137 209467 125201 334668 8,6832 91634,0


1974 0,577375

0,677698 646167 227219 158215 385434 21,5406 128787,0


1975

669745 246319 214516 460835 17,7921 191239,0


1976 0,791100

1,000000 702480 274807 292641 567448 16,8393 281596,0


1977

709072 316062 330001 646063 25,4496 381214,0


1978 1,216276

716964 396013 453244 849257 22,0098 514515,0


1979 1,492776

752968 481456 612079 1093535 22,6609 585788,0


1980 1,801266

774585 524597 831853 1356450 20,8650 683913,0


1981 2,184038

793320 610601 1073412 1684013 21,2117 910064,0


1982 2,670543

775869 666375 1296649 1963024 22,1691 1272422,0


1983 3,330461

4,186304 729617 772619 1679036 2451655 24,4568 1714868,0


1984

731345 980701 2062610 3043311 25,5733 2277305,0


1985 4,986839

782166 1334402 2309217 3643619 19,7678 3012000,0


1986 5,728378

861948 1527179 2637818 4164997 15,3597 3698000,0


1987 6,214546

914965 1719358 3039509 4758867 9,1743 4455200,0


1988 7,078400

7,985516 953037 1889467 3392964 5282431 13,4279 5083800,0


1989

68
Estimação das versões 5 e 12 pelo método de Cochrane-Orcutt

Sendo p o coeficiente de autocorrelação de primeira ordem:


N2 (l-DW/2) + K2
P= -
N2-K2

- Versão 5:
P = 0,40225631 DW* = 1,5266
var. ln(DNt/DNt-1)* ln(M2t-1/M2t-2)* ln(M2t-2/M2t-3)* R2 6 F
coef. -0,7858 0,5928 0,3306 0,5764 0,0299 65,780
rác.-t -4,125 5,603 3,754 (3,25)

- Versão 12:
p = 0,28969928 DW+ = 1,7982

var. In(DNVDNM)* ln(M2t-1/M2t-2)* ln(M1t-2/M1t-3)' R! ò F


coef. -1,0311 0,7953 0,2344 0,6255 0,0338 73,659
rác.-t -5,220 8,791 2,740 (3,25)

Analisando os valores das estatísticas Durbin-Watson, vemos que a


1% de significância já nenhuma das duas versões se apresenta com
autocorrelação dos resíduos, enquanto que a 5% a versão 5 se mostra
inconclusiva. Mais uma vez o termo constante não foi incluído já que
o valor associado da estatística t-student foi de 1,129 e 1,667 (24 graus
de liberdade) respectivamente para as versões 5 e 12, o que mostra uma
alta irrelevância (pelo menos a 10% de significância).
Efectuando os testes do capítulo 4 à versão 12 chegamos ainda a
resultados melhores, pelo que as conclusões desenvolvidas no capítulo
anterior se mantêm:

l. e teste:
Fo = 73,659 » Fc(3,25)l% = 4,68: A regressão é globalmente
significativa a 99% de confiança.

69
2.s teste: Também neste caso se excluiu o ano de 1977 pelas razões já
adiantadas:
FO = 1,472 < Fc(3,17)5% = 3,20: Conclui-se pela permanência de
estrutura. Também neste caso as regressões parciais têm significância
estatística a 99% de confiança (globalmente), assim como as respectivas
variáveis pelo menos a 95%.

3.9 teste:
Itol = 0,008 « Itcl(25)80% = 0,26: Há evidência estatística a 80% de
significância para que não se rejeite a hipótese nula.

4.s teste:
Itol = 0,158 < Itcl(25)80% = 0,26
Itol = 0,393 < Itcl(25)60% = 0,53: Tanto no primeiro caso como no
segundo há evidência estatística para que a hipótese nula não seja
rejeitada (a 80% e 60% de significância respectivamente).
Isto quer dizer que se utilizarmos o critério alargado do teste
Durbin-Watson, a versão 12 transformada será a que melhor traduz a
realidade em Portugal. Dado que a transformação operada para se
alcançar esta estimação não altera a interpretação dos parâmetros
apresentados, esta é análoga à apresentada anteriormente.

70
4

Comunicações da Mesa II

Presidente: Prof. Doutor Camilo Cimourdain de Oliveira


Secretário: Dr. Amílcar Barbosa Amorim

- Urgência e necessidade da Contabilidade Agrícola


(Parte II) 73
Dr. José Ribeiro & Dr. Vítor Dórdio
Departamento de Gestão de Empresas da Universidade de Évora
- Custeio Total versus Custeio Variável 91
Dr. José Manuel de Matos Carvalho
Professor e Presidente do CD do ISCAC
- Avaliação de Empresas 107
Dr. Manuel Duarte Domingues
Contabilista
Contingências e acontecimentos subsequentes *
Dr. Jorge M. Teixeira da Silva
Revisor Oficial de Contas
- A propósito de trespasses 133
Prof. Doutor Rogério Fernandes Ferreira
Professor Catedrático do ISEG
- A Contabilidade Nacional - Um Sistema de
Informação dos Equilíbrios Económicos 143
Drã Virgínia Maria Granate Costa e Sousa
Professora do ISCAA
(Cont.)

71
La Reforma de la Contabilidad Publica Local en Espana.
El Plan General de Contabilidad Publica Adaptado à la
Administración Local 179
Doutor Antonio M. Lopez Hernandez
Professor do Departamento de Economia Financeira e
Contabilidade da Universidade de Granada - Espanha

Texto não disponível para publicação

72
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
URGÊNCIA E NECESSIDADE DA CONTABILI-
DADE AGRÍCOLA (Parte II)

Autores: JOSE RIBEIRO / VICTOR DORDIO


(Assistentes, Departamento de Gestão de Empresas, Universidade de Évora)

73
INDICE

1. GENERALIDADES

2. CONDICIONALISMOS ESTRUTURANTES
2.1. De natureza fiscal
2.2. De outra natureza

3. NOVAS TECNOLOGIAS DISPONÍVEIS


3.1. O processamento informático
3.2. A necessidade de gestão
3.3. As aplicações de apoio à decisão
3.3.1. Aplicações de fornecimento de infor-
mação numérica
3.3.2. Sistemas periciais

4. CONCLUSÃO

74
1. GENERALIDADES

Cerca de sete anos são passados sobre a data em que tivemos a


oportunidade de nos dirigir a esta mesma plateia, no decorrer das
segunda jornadas de contabilidade, para falar sobre a urgência e a
necessidade das Contabilidade Agrícola no nosso país. Durante todo
este tempo, pouco se fez no sentido de melhorar o panorama que então
descrevemos e implantar as medidas que preconizámos.
Por isso, achamos pertinente voltar de novo ao tema, tecendo algumas
considerações à luz da nova conjuntura, onde avultam um novo
enquadramento fiscal, um quadro de apoios estruturais de origem
Comunitária e o aparecimento de novas tecnologias de informação.
Esta comunicação, muito provavelmente, não teria sido realizada se o
legislador fiscal de 1963, tivesse estabelecido a obrigatoriedade de
contabilidade nas explorações agrícolas e se o imposto sobre a Indústria
Agrícola não tivesse estado suspenso durante mais de um quarto de
século.
A Reforma Fiscal em curso, mais pragmática neste domínio, estabelece
obrigatoriedades tendo em conta a dimensão económica de exploração
agrícola, critério que nos parece adequado podendo, contudo discutir-se
os limites estabelecidos serão os mais apropriados para o fomento da
adopção da contabilidade nas explorações agrícolas.
A nossa comunicação desenvolver-se-á segundo dois vectores principais:
os condicionalismos estruturantes, de natureza fiscal, e de outra ordem
que influenciam o estado actual da contabilidade agrícola e as
potencialidades que as novas tecnologias veiculam para uma maior
eficácia na execução da contabilidade agrícola e seu posterior
aproveitamento para fins de gestão.

2. CONDICIONALISMOS ESTRUTURANTES
2.1. De natureza fiscal

É largamente difundida a ideia de que continua a ser a obrigatoriedade


fiscal - o pagamento de impostos - que determina quase em exclusivo
a adopção da contabilidade nas nossas empresas. E as explorações

75
agrícolas não constituem excepção à regra, muito embora se tenha
sempre condenado o exclusivismo da opção fiscal na introdução da
contabilidade, pelos vícios que é capaz de promover na gestão da
empresa.
A generalidade dos titulares de explorações agrícolas é constituída por
empresários individuais, sujeitos a 1RS, para quem o respectivo Código
estabelece no seu art. 109 a a obrigatoriedade de existência de
«contabilidade organizada nos termos da lei comercial» para as
explorações que «na média dos três últimos anos, hajam realizado um
volume de negócios superior a 30 000 contos».
Abaixo deste limite, estipula-se a obrigatoriedade de escrituração dos
seguintes livros (art. 112 s , n 9 1):
- Livro de registo de receitas e despesas,
- Livro de registo do movimento de produtos, gado e materiais;
- Livro do registo de imobilizações.
Estes livros podem ser substituídos pelos "outputs" do sistema
informatizado de registos «GESTAGRO - Contabilidade de Gestão
Agro-Pecuária», desenvolvido pela Rede de Informação de
Contabilidades Agrícolas (RICA), em substituição dos anteriores
Cadernos Modelo I e Modelo II (art. 112 s , n 9 2 CIRS e Ofício-Circulado
n 9 18/91, da OGCI, de 05/08/91).
Aquela obrigação atinge o conjunto dos empresários agrícolas
individuais, que realizem nos primeiros cinco anos de vigência do
Código, proveitos anuais superiores a 3 000 contos ou exerçam a
actividade em «prédios rústicos cujo valor patrimonial total para efeitos
de contribuição autárquica» seja superior a 1 500 contos.
Em termos esquemáticos teríamos, segundo a legislação Fiscal, a
seguinte classificação das explorações agrícolas e as respectivas
obrigações contabilísticas:

VN s 3000 c 3000 c<VNs30000 c VN > 30000 c


Pequeno Agricultor Médio Agricultor Grande Agricultor
Isento Escrituração Contabilidade

Que resultados concretos pode esta situação provocar sobre o Estado


actual da contabilidade agrícola nas nossas explorações?
Em primeiro lugar, haverá que conhecer o universo dos empresários

76
agrícolas atingidos por esta medida. Depois, saber se todos eles
cumprem efectivamente o preceituado na lei fiscal.
Assim, consultando os elementos estatísticos fornecidos pela R.I.C.A.1,
n u m a amostra que inclui 2091 explorações, e cujos elementos
detalhados apresentamos no quadro n s 1, ficamos a saber que apenas
41 (1,9 % do total) apresentam em 1987, u m a Produção Bruta Média,
por exploração, na classe de rendimentos superior a 24 U.D.E. 2
equivalente a 30 000 contos de produção bruta média
aproximadamente, valor que apenas a coloca no grupo das explorações
obrigadas possuir contabilidade organizada.
Quadro n 9 1:
Produção bruta média e número de
explorações por classes de rendimento (R.I.C.A.)

Classes de Número de Produção bruta média E A .


rendimento explorações
de amostra 1987 1986

<4UDE 1073 1280 c 1280 c


a 4 a < 8 UDE 604 2770 c 2940 c
a 8 a < 12 UDE 214 5100 c 6780 c
a 12 a < 24 UDE 159 11830 c 11120 c
a 24 UDE 41 23460 c 34430 c

Fonte: Divulgação n s 15 - RICA - p. 18.

Haverá portanto, que extrapolar os números da amostra para o todo


nacional, sabendo-se o risco de u m a operação dessa natureza. Segundo
o Recenseamento Agrícola do Continente de 1979, havia cerca de
873.000 explorações, das quais cerca de 58% (506.000, aprox.) caem fora
da amostra do RICA por falta de dimensão. Ficariam então cerca de
366.660, às quais se aplicaria a percentagem anterior (1,9%) dando
assim um total de 6.967 explorações obrigadas a possuir contabilidade
devidamente organizada.
Todavia este método de estimativa é altamente discutível, mesmo
partindo que a amostra da R.I.C.A é perfeitamente representativa do
universo observado. Com efeito, a amostra dá-nos a "produção bruta

1
Divulgação nç IX, Rede de Informação de Contabilidades Agrícolas, Ministério da
Agricultura, 1990, Lisboa.
2
1 U.D.E. = 1100 ECU (= 89 870$00, no período de 1981 a 1983).

77
média" por exploração, enquanto que a legislação fiscal nos fala de
"volume de negócios". Ora como se sabe, para além das questões de
diferente valorimetria inerentes àqueles dois conceitos, era preciso
admitir que toda a produção bruta fosse transaccionada ou que o
volume de negócios englobasse o autoconsumo para que se verificasse
coincidência entre os dois conceitos.
Como ultrapassar então este problema? As estatísticas existentes nos
diferentes Organismo públicos (DGCI, INE, IFADAP) não nos dão
directamente os dados que precisamos para desenvolver a nossa tese,
pelo que teremos que nos socorrer dos disponíveis e especular um pouco
sobre eles.
Desejaríamos saber quantos contribuintes de 1RS apresentam o anexo
B I ou C da declaração mod. 2 e de contribuinte de IRC que estão
compreendidos no CAE 111000, ou seja a cobertura fiscal das
actividades agro-pecuárias. Não existem dados disponíveis quer a nível
nacional quer distrital.
Quanto às explorações agrícolas, o recenseamento Agrícola do
Continente (RAC) efectuado em 1979 é ainda a grande fonte de
elementos estatísticos. Foram recentemente divulgados os resultados
preliminares o Recenseamento Geral Agrícola, sendo todavia bastante
agregados os elementos disponíveis e a sua base de apuramento nem
sempre coincide com a utilizada no Recenseamento anterior. Por
exemplo, os elementos respeitantes ao número de explorações que
dispõem de contabilidade ainda não foram divulgados.
Assim, estabelecemos o quadro n s 2, onde se mostra o número de
explorações que possuem contabilidade devidamente organizada,
segundo o RAC/79.
Dos elementos ali apresentados podemos constatar que o número de
explorações que possuíam contabilidade não era senão 4.336 (em 1979)
em todo o Continente, o que não representava mais do que 0,5% do
respectivo total. Este número não será muito diferente daquele (6.967)
que encontramos utilizando a amostra da RICA, se considerarmos que
um e outro distam cerca de oito anos.
Todavia cabe ainda perguntar: como se explica que u m a exploração de
500 ha ou mais não disponha de contabilidade. Como é que é gerida?
A partir de que dados? Recolhidos e registados como? No entanto, há
em Portugal continental 957 explorações daquela dimensão das quais
somente 504 (53%, pouco mais de metade) mantenham u m a
contabilidade regularmente organizada.

78
Para os distritos alentejanos a situação é u m pouco melhor mas está
ainda longe de se poder considerar aceitável conforme se pode concluir
da comparação dos dados constantes no quadro n s 1 e os do quadro n 9
3, onde se mostra o número de explorações agrícolas nos três distritos
do Alentejo nos anos de 1979 e de 1989.
Quadro n 8 2:
Explorações segundo a existência de contabilidade

Grupos de Portugal Beja Évora Portalegre


superfície

Sem terra 114 3


0 a 5 ha 1551 19 13 23
5 a 20 ha 902 11 11 17
20 a 50 ha 482 11 17 21
50 a 100 h a 230 7 10 11
100 a 500 ha 545 67 47 51
500 a 1000 ha 185 45 32 21
1000 ha e + 319 69 108 43

TOTAL 4336 229 238 205

Fonte: Recenseamento Agrícola do Continente - 1979 (I.N.E.)

Quadro n 2 3:
Número e dimensão total das explorações agrícolas no Alentejo

Beja Évora Portalegre Total


Ano
Ne Área Na Área NB Área Ns
1979 18350 817022 12220 572709 15385 460941 45955
1989 19136 730849 12105 566067 12713 422696 43954

Fontes: Recenseamento Agrícola do Continente - 1979 (INE)


Recenseamento Geral Agrícola - 1989 (INE).

Na nossa comunicação anterior a estas Jornadas, em 1984 admitíamos


que só no Alentejo existiam 3576 empresas onde era possível implantar
a contabilidade a curto prazo, e mais 10500 a médio prazo, Embora se
tenha assistido a u m a redução do número de explorações, esse
fenómeno deve ter atingido sobretudo as pequenas explorações ou seja,
aquelas que não estavam compreendidas nas nossas estimativas.

79
Portanto, os números avançados devem considerar-se ainda pertinentes.
Colocam-se então algumas questões. Como se terão comportado estas
explorações no espaço de tempo que decorreu desde 1984? Terão de
facto introduzido a contabilidade? Se sim, em que percentagem?
Infelizmente, não temos dados disponíveis para retirar quaisquer
conclusões a este propósito embora se saiba que no período
compreendido entre o 3 2 trimestre de 1986 e Maio de 1991, cerca de
8.007 Jovens Agricultores beneficiaram de ajudas à instalação,
comprometendo-se portanto a manter u m a contabilidade, que na maior
parte dos casos será a simplificada (RICA, Margens Brutas, etc.).
Em resumo, poderemos dizer que a existência de contabilidade
devidamente organizada nas explorações agrícolas portuguesas é
sobretudo obra do Fisco, desconhecendo-se no entanto a dimensão
exacta do fenómeno por falta de estatísticas apropriadas e disponíveis,
será com certeza alguns milhares de contabilidades em execução (5000
a 6000?) e um campo potencial para outros milhares, no futuro
próximo.

2.2. De outra natureza

A comunidade Económica Europeia reconheceu há bastante tempo que


a melhoria da eficácia das estruturas agrícolas passava, entre outras
medidas pela implantação de contabilidade nas explorações e incentivou
a sua adopção através do Reg. (CEE) 797/85, que em Portugal foi
aplicado sucessivamente pelo Decreto-Lei n e 172-G/86, pelo Decreto-Lei
nfi 79-A/87 e pelo Decreto-Lei n 9 81/91, de 19 de Fevereiro, este último
em vigor.
Portugal reconheceu também a importância do assunto e através do
PROAGRI - programa de robustecimento da capacidade técnica e da
gestão das organizações agrícolas, que constitui um programa específico
do PEDAP (Reg.(CEE) 3828/85 e D/L. n s 96/87, de 4 de Março),
estabeleceu medidas de apoio para "recuperar situações de insuficiência
e assegurar condições de continuidade da função contabilística", nas
cooperativas agrícolas e associações de agricultores.
Esse apoio concretiza-se através de:

80
Meios humanos:
- contratação de contabilistas;
- aquisição de serviços de contabilidade;
- contratação de operador informático;
- contratação de auxiliar de contabilidade.
Meios materiais:
- equipamento informático;
- programas.
Relativamente aos meios materiais, abordaremos a questão no próximo
parágrafo. Quanto aos meios humanos oferece-se-nos tecer as seguintes
considerações.
Admitimos que é substancialmente diferente executar a contabilidade
na própria exploração ou "adquirir serviços de contabilidade", expressão
certamente equivalente a "recorrer a gabinetes de contabilidade". A
natureza de u m a e de outra será potencialmente diversa, pois se neste
último caso, a execução de contabilidade agrícola (analítica de
exploração) se revela altamente problemática j á no primeiro caso, ela
será mais provável, sobretudo se for o próprio agricultor ou um familiar
próximo a executá-la.
A existência ou permanência de um contabilista (ou qualquer outro
profissional do sector) na exploração agrícola não é, por si só, garantia
de execução de contabilidade agrícola, pois esta exige recolha de
inúmeros elementos analíticos no "terreno" o que só se pode fazer com
a colaboração do agricultor ou de outros trabalhadores directamente
ligados à produção. Os exemplos mais flagrantes dizem respeito à "folha
de ponto" referente à utilização da mão-de-obra e à utilização da
maquinaria agrícola, nas diferentes culturas.
Restam ainda, agora sim a cargo do contabilista, todo um conjunto de
problemas de técnica e ciência contabilística relacionados com a
actividade agro-pecuária, onde podemos destacar a valorimetria dos
produtos acabados os adiantamentos às culturas, as amortizações e
valorimetria do gado, as benfeitorias, etc., para não falar desse
verdadeiro quebra-cabeças que é contabilização dos custos e proveitos
da cortiça e outros produtos plurienais. O ensino da Contabilidade
Agrícola não terá ainda nas nossas Escolas Superiores, a expressão
quantitativa e qualitativa adequada à dimensão do fenómeno no
terreno. Fica assim a contabilidade geral ou financeira, como a
especialidade geralmente retida para dar resposta ao problema. Se em
termos fiscais isso é suficiente, em termos de gestão da exploração ela
é, certamente, insuficiente.

81
Para concluir este ponto, julgamos ser útil realçar o incentivo e apoio
material fornecido pelas autoridades comunitárias e nacionais para
introdução da contabilidade nas explorações agrícolas. O objectivo é,
claramente, a melhoria da eficácia e competitividade das estruturas
agrícolas o que se fará através da redução de custos j á que dificilmente
se pode prever um aumento de receitas no quadro excedentário das
principais produções agrícolas comunitárias. E para esse fim
fundamental a existência de u m a adequada contabilidade agrícola.
Os meios humanos requeridos terão necessariamente de sair das nossas
Escolas Superiores, especialmente vocacionadas para essa área o que
implica um grande esforço de actualização e de pesquisa na ciência
contabilística, em colaboração interdisciplinar com as ciências
empresariais, agronómicas, silvícolas e zootécnicas.

3. NOVAS TECNOLOGIAS DISPONÍVEIS


3.1. O processamento informático

Quando, há cerca de sete anos, propúnhamos métodos simplificados de


restos contabilísticos para as pequenas e médias explorações agrícolas,
excluindo os mais sofisticados e dispendiosos quer em equipamento
quer em mão-de-ora para as de maior dimensão, apenas se deixava
adivinhar no horizonte do curto prazo a "revolução" que a vulgarização
dos equipamentos informáticos de pequeno porte traria ao
processamento contabilístico.
Na verdade poucos eram os indícios disponíveis que nos fizessem
adivinhar que, em apenas sete anos, a informática se tornasse um
instrumento quase banal ao serviço de qualquer contabilista ou mesmo
empresário.
De facto o baixo preço relativo que os equipamentos informáticos têm
vindo a atingir, conjugado com a rapidez e correcção com que os dados
contabilísticos são obtidos, tornaram o computador um auxiliar
indispensável do Técnico de Contas e do Empresário dos nossos dias.
Por outro lado a mudança qualitativa e de mentalidade que se está a
operar nos empresários agrícolas, resultante das modificações dos
condicionalismos estruturantes j á apontados, leva-nos a prever, num
horizonte relativamente próximo, o aparecimento daquilo a que
podemos chamar u m "verdadeiro empresário agrícola"

82
Este "verdadeiro empresário agrícola será caracterizado, na nossa
opinião, por uma preocupação dominante com os aspectos relacionados
com a gestão da sua empresa, como factor qualitativo de sucesso, em
contraposição com as preocupações eminentemente técnicas e
tecnológicas dos actuais agricultores.
As suas exigências no campo da gestão não se esgotarão na rapidez e
correcção com que a contabilidade é executada, quer na exploração,
quer fora dela, mas incidirão, essencialmente, na forma de utilizar a
informação produzida pela contabilidade no processo de gestão corrente.
Sendo a gestão um processo de tomada de decisões, é fundamental, do
ponto de vista do seu sucesso, que exista informação correcta e
atempada para lhe servir de base. A correcção e rapidez no
fornecimento desta informação está, em princípio, assegurada pelo
processamento informático da contabilidade. Partimos aqui do principio
de que os registos contabilísticos r e t r a t a m a realidade da empresa e
não foram "retocados" por uma preocupação essencialmente fiscal,
comum, infelizmente, a quase todos aqueles que mantêm contabilidade
por simples imposição legal.

3.2. A necessidade de gestão

Considerando, portanto, que a informação produzida pela contabilidade


é correcta e retrata, a realidade da empresa, coloca-se então a questão
de como a utilizar no processo de tomada de decisões (gestão).
Infelizmente a esmagadora maioria dos empresários agrícolas tem uma
formação académica da nível bastante baixo ou, no melhor dos casos,
essencialmente virada para as questões agronómicas. Mesmo que sinta
a necessidade de utilizar a informação contabilística disponível (e
muitos são j á os que a sentem) não possui os conhecimentos necessários
para o fazer.
Com hipóteses de solução para este problema são normalmente
apontadas:
- recurso pontual a técnicos especialistas na área da gestão
exteriores à empresa, provenientes quer de gabinetes privados
quer dos serviços do Estado;
- a contratação de um técnico em exclusividade, quase sempre
dificilmente suportável do ponto de vista financeiro em empresas
de média dimensão;

83
- a formação do próprio empresário nesta área do conhecimento.
Infelizmente na maior parte dos casos, estas hipóteses demonstram não
conterem as melhores soluções para o problema u m a vez que a
disponibilidade de técnicos exteriores a empresa não é permanente e a
formação efectiva em gestão não é fácil de obter em curto espaço de
tempo.

3.3. As aplicações de apoio à decisão

O tipo de problemas atrás descrito, parece não ser apenas comum ao


conjunto dos agricultores portugueses. No resto da Europa, segundo a
bibliografia especializada e os contactos mantidos com investigadores
de diversos países, nomeadamente espanhóis, franceses, holandeses e
dinamarqueses, existe o mesmo tipo de problemas para os quais se têm
proposto uma solução baseada em aplicações informáticas utilizáveis
em computadores pessoais.
Estas aplicações informáticas, que se englobam no grupo dos
instrumentos de apoio à decisão em gestão, caracterizam-se por,
baseando-se em dados da contabilidade provenientes de u m programa
que as integra ou lhes está anexo, efectuarem determinado tipo de
cálculos, mais ou menos automatizados de modo a apresentarem ao
utilizador um conjunto de indicadores chave que lhe permita apreciar
o estado da empresa em análise.
Estas aplicações podem ser agrupadas em dois conjuntos distintos
atendendo à filosofia de fornecimento de informação que lhes está
subjacente:
- as que apenas processam e fornecem informação numérica, sem
apresentar qualquer tipo de análise;
- as que, para além da informação numérica, apresentam não só
uma análise dos valores como também soluções possíveis para os
problemas detectados.
A cada um deste grupo correspondem também princípios de
programação diferentes. Assim ao primeiro grupo corresponde uma
técnica de programação clássica, baseada em algoritmos. O segundo
grupo constituído pelos Sistemas Periciais (Expert Systems), aplicações
práticas da Inteligência artificial, que conheceram nos últimos anos um
desenvolvimento e divulgação acelerados.

84
A diferença prática entre estes dois grupos de programas consiste no
facto de os Sistemas Periciais conterem em si u m a base de
conhecimento especializado n u m a determinada área do conhecimento
(neste caso a gestão) constituída por regras do tipo "SE... ENTÃO...",
que pretende reconstituir o processo de raciocínio utilizado por um
decisor humano.
Vejamos de seguida alguns exemplos, nacionais (quando existem) e
estrangeiros, de algumas das aplicações que constituem estes dois
grupos.

3.3.1. Aplicações de fornecimento de informação


numérica

Comecemos pela aplicação "GESTAGRO - C o n t a b i l i d a d e de Gestão


Agro-pecuária" desenvolvida pela Rede de Informação de
Contabilidades Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pescas e
Alimentação.
Conforme documentação distribuída pela própria RICA, o objectivo do
desenvolvimento desta aplicação foi o de a u m e n t a r a capacidade da
Rede de obter e armazenar informação sobre as explorações agrícolas
portuguesas e, ao mesmo tempo, produzir não apenas um instrumento
de apoio aos tomadores de decisões (empresários agrícolas, neste caso)
e aos técnicos do MAPA que os assessoram mas também possibilitar aos
seus utilizadores um meio que satisfizesse as novas exigências legais
em termos de contabilidade.
Esta aplicação denota u m a preocupação de simplificação e
acessibilidade na forma como são recolhidos os dada contabilísticos,
evitando tanto quanto possível a terminologia contabilística. Dentro
desta ética, a introdução dos valores a registar é feita, de preferência,
sem dar a conhecer ao utilizador que está a efectuar registos
contabilísticos.
Ao contrário das aplicações contabilísticas gerais, a GESTAGRO,
possibilita o registo dos valores em unidades físicas e em unidades
monetárias, colmatando assim u m a das falhas mais frequentemente
apontados pelos utilizadores da área agrícola à generalidade das
aplicações.
Se bem que possua um plano de contabilidade tipo e suficientemente
flexível para possibilitar ao utilizador optar entre a contabilidade

85
"simplificada" (global, sem desagregação de actividades) e a
contabilidade "de gestão" (sectorial, desagregada tanto quanto
necessário).
P a r a além da informação característica à contabilidade geral, a apli-
cação, pode assim fornecer informação sobre a diversas actividades da
empresa, tanto em quantidades como em valor monetário, permitindo
simultaneamente u m a gestão económica e técnica das empresas.
Um outro conjunto de aplicações específicas para as empresas agrícolas
é o comercializado pela firma Linha Verde.
Desenvolvido numa filosofia modular, este conjunto de aplicações
inter-relacionáveis, é constituído por um largo número de programas
específicos que vão desde a Contabilidade Rural, destinado apenas
à execução da contabilidade geral, até ao módulo Gestão Rural e
conjugado com os restantes vocacionados para situações de produção
específicas, tais como produções vegetais, produções leiteiras, etc.
permitem a gestão integral da empresa agrícola.
Também aqui a preocupação é a de facilitar a tarefa do utilizador, não
lhe sendo exigido, para poder utilizar a aplicação, conhecimentos
especializados de contabilidade. A recolha de dados é efectuada
directamente para as contas das diferentes actividades estando
contemplado o registo de valores monetários e de quantidades.
A informação obtida é variada e o seu grau de desagregação pode ser
definido de acordo com as necessidades do empresário. Nota-se, no
entanto uma preocupação predominantemente agronómica nas
possibilidades de definição de documentos de saída. No campo da
informação que possibilite uma análise económica apenas sobressai
como manifestação evidente o módulo Gestão da Tesouraria.
Vejamos por fim, neste grupo de aplicações para fornecimento de
informação numérica, o programa AGRIGEST-TURBO, desenvolvido
pela École Supérieure dAgriculture de Purpan, em Toulouse, França.
Também concebida numa estrutura modular interdependente, esta
aplicação visa permitir ao seu utilizador a satisfação das exigências da
Lei Francesa em relação à contabilidade financeira, à contabilidade do
IVA e, simultaneamente, possibilitar-lhe o controlo orçamental por
actividades desenvolvidas.
É uma aplicação flexível no que diz respeito à possibilidade de definição
pelo utilizador dos níveis de desagregação da informação obtida, mas,
em termos de operação, exige conhecimentos médios da técnica
contabilística.

86
A introdução dos factos a registar é feita directamente num écran de
recolha contabilística, sendo a quantificação feita em unidades
definidas e em valores monetários.
A informação obtida é definida pelo utilizador e vai do balancete
mensal ao mapa de controlo orçamental, passando por mapas de análise
dos movimentos dos centros de actividade, em valor e em quantidades,
até aos mapas de gestão do imobilizado.
A vantagem comparativa que apresenta em relação às duas anteriores
é a de possibilitar um controlo da actividade desenvolvida através da
comparação dos valores reais obtidos com valores previamente definidos
como objectivos (orçamento). Esta comparação, que é efectuável em
qualquer momento, possibilita um controlo orçamental permanente,
propiciador de acções correctivas atempadas dos desvios detectados. Por
outro lado a necessidade de definir um orçamento inicial tem o efeito
pedagógico de levar o empresário a estabelecer objectivos razoáveis
para a sua actividade e de o habituar a reflectir sobre ela.
De uma forma geral podemos dizer que as aplicações que incluímos
neste grupo se caracterizam por um módulo geral de recolha de dados
que a própria aplicação depois trata e reparte pelos restantes módulos
específicos. O esquema da figura 1 ilustra a forma de funcionamento
descrita.

Módulo de
Entrada de
Dados

Módulo de Módulo de
Processamento < > Tratamento
Contabilístico Específico

Output
Definido pelo
Utilizador

Figura 1 - Esquema Geral de Funcionamento das Aplicações

87
3.3.2. Sistemas periciais

As aplicações incluídas neste grupo caracterizam-se como já se disse,


por fornecerem informação numérica simultaneamente com uma análise
e um "conselho" sobre acções futuras a desenvolver para despistar
problemas detectados.
São geralmente constituídas por dois módulos, um de processamento de
dados e outro, um sistema pericial, que analisa a informação e produz
a análise final. O seu esquema geral de funcionamento é apresentado
na figura 2.

Entrada de dados

V
Módulo de Sistema Pericial
Processamento
Motor de Base de
Inferência Conhecimento

V V
Saída de informação

Figura 2 - Esquema Geral de Funcionamento das Aplicações

A grande vantagem que este tipo de aplicação apresenta em relação às


anteriores é a facilidade que possibilita, a um utilizador não
especializado em gestão, em proceder a uma análise dos resultados
periódicos da sua empresa.
A utilização da base de conhecimento constituída por regras facilmente
alteráveis possibilita a alteração dos pressupostos sobre os quais se
baseia a análise efectuada, sempre que tal se mostre necessário.
Esta alteração, que em programação clássica se traduziria numa
reprogramação de toda a aplicação, é aqui obtida por simples
reescrituração das regras base.

88
Não existem em fase operacional muitos exemplos deste tipo de
aplicações vocacionadas para a utilização directa de dados
contabilísticos. Conhecemos algumas ainda em desenvolvimento e
tivemos recentemente contacto com u m Sistema Pericial vocacionado
para a análise e conselho na área financeira, desenvolvido pela École
Supérieure d'Agriculture de Purpan, que se encontra pronto para
utilização.
Este sistema, que pode ser acoplado à aplicação AGRIGEST-TURBO,
de que falámos anteriormente, possibilita ao seu utilizador obter u m
diagnóstico da situação financeira da sua empresa com base nos dados
contabilísticos processados.
Nesta área podemos dizer que existe disponível o suporte teórico,
restando apenas desenvolver as aplicações práticas necessárias à
autonomização do conhecimento em gestão junto dos não especialistas.

4. CONCLUSÃO

Era nosso objectivo quando começámos a elaboração deste trabalho


conhecer a dimensão do fenómeno da contabilidade agrícola em
Portugal, nomeadamente ao nível das empresas legalmente obrigadas
a possuir contabilidade regularmente organizada e aquelas que
efectivamente dispõem desse instrumento de apoio à gestão. No entanto
a inexistência de elementos estatísticos disponíveis não nos permite
esclarecer esta dúvida permanecendo assim a extensão do assunto na
obscuridade.
Outra questão ainda relacionada com este tema é o de debater se o
limite legal imposto às empresas agrícolas para adoptarem
obrigatoriamente a contabilidade é o mais aconselhado ou se se poderia
ter sido mais ousado nesta matéria. Parece ser conveniente que o limite
tenha por referência a dimensão económica da empresa e não somente
a sua dimensão física. Pensamos, todavia, que a introdução da
contabilidade nas empresas deve ser u m a necessidade "sentida" e não
"imposta", por isso, a partir do ponto em que a exploração agrícola
assume a feição empresarial - o essencial da actividade "vem do" e "vai
para" o mercado - a contabilidade apresenta-se como indispensável,
variando a sua complexidade com a dimensão económica e a natureza
das actividades prosseguidas.

89
O sector agrícola debate-se hoje e, certamente, continuará a debater-se
ainda mais no futuro - j á próximo - com problemas estruturais e
conjunturais que exigem às empresas do sector u m a grande
flexibilidade de gestão com o objectivo de as tornar mais competitivas
num mercado geograficamente alargado e comum a agriculturas com
um estádio de desenvolvimento muito superior.
A estrutura de apoio à execução das contabilidades nas empresas
agrícolas - gabinetes, centros de gestão, Ministério - e os meios
materiais disponíveis - equipamentos e programas - são largamente
suficientes para proporcionar u m a solução satisfatória para o problema,
pese embora as notórias carências dos centros de gestão, por exemplo.
A passagem, num estádio posterior, da contabilidade geral para a
contabilidade agrícola, marcará a fase em que as preocupações de
natureza fiscal perderão a preponderância para dar lugar a necessidade
de gestão. O grau de exigência, a todos os níveis, do segundo tipo de
contabilidade é muito superior e requer da parte dos profissionais da
contabilidade conhecimentos minuciosos não só da técnica e ciência
contabilística como, inclusive, das ciência agronómicas silvícolas e
zootécnicas.
Concluiremos, propondo um alargamento necessário e urgente da
adopção da contabilidade nas empresas agrícolas, o que poderá ser
levado a cabo por distintas vias, nomeadamente, a impositiua
resultante da força da lei, com os perigos e vícios sobejamente
conhecidos e, preferencialmente, por via da sensibilização e formação
dos empresários agrícolas. É u m desafio que se coloca às autoridades
(agrícolas, académicas, fiscais) e aos profissionais do sector
(contabilistas, técnicos oficiais de contas) que têm ao seu dispor todo o
cabedal de conhecimentos e novas tecnologias para aceitar com êxito,
esse desafio.

Évora, Outubro de 1991

90
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
CUSTEIO TOTAL versus CUSTEIO VARIÁVEL
(Matematização de duas questões)

Autor: J. M. MATOS DE CARVALHO


(Prof. Adj. ISCA Coimbra)

91
INDICE

0. INTRODUÇÃO

A. PRIMEIRA QUESTÃO
Análise do resultado em sistemas de custeio total e
variável
1. Custeios total e variável
2. Discussão de uma situação concreta
3. Análise matemática
4. Conclusões

B. SEGUNDA QUESTÃO
O ponto crítico e a análise dos custos segundo a sua
variabilidade
1. Ponto crítico
2. Análise matemática
3. Conclusões

92
0. INTRODUÇÃO

Esta comunicação não pretende fazer u m a análise comparativa dos


sistemas de custeio total e variável, mas somente relevar, através dum
trabalho interdisciplinar, a clareza resultante do seu tratamento
matemático.

A p r i m e i r a q u e s t ã o analisa o resultado obtido em cada u m dos


custeios. Como se sabe, quando a produção é diferente das vendas, o
resultado obtido em cada um dos custeios é diferente.
Assim é possível obter, para determinado período, resultados
diametralmente opostos. Tome-se, por exemplo, a situação em que se
obtém um lucro de 25.000 contos em custeio total e um prejuízo de
25.000 contos em custeio variável.
Desde logo, podemos afirmar seguramente que um deles não exprimirá
a realidade. Qual o resultado "correcto"?
O tratamento matemático desta questão permitirá u m a visão mais
clara da problemática dos custeios total e variável.

A s e g u n d a q u e s t ã o tem a ver com a determinação do ponto crítico.


A obtenção deste valor obriga à separação dos custos em fixos e
variáveis. Tal separação, com rigor, torna-se difícil em algumas
rubricas contabilísticas.
Assim, temos consciência de que a separação não é totalmente correcta
e que o ponto crítico "real" pode divergir bastante daquele que
determinamos, com consequências nefastas em termos de tomada de
decisões.
Nesta questão iremos avaliar as consequências de tais erros na
determinação do ponto crítico e tirar daí conclusões.

93
A. PRIMEIRA QUESTÃO
Análise do resultado em sistemas de custeio total
e variável

1. Custeios total e variável

Como é sabido, o resultado de um período é a diferença entre os


proveitos desse período e os custos que lhe estão na origem.
Podemos definir custo (Gray & Ricketts - Cost and Managerial
Accounting, pg. 17) como o total de recursos consumidos para atingir
um objectivo específico.
Os custos podem classificar-se como extintos (expired costs), integrando
a demonstração de resultados, e como suspensos (unexpired costs),
aparecendo no balanço.
Podemos, também, classificá-los como custos do período (period costs),
aqueles custos que podem ser associados a um determinado período
contabilístico mais do que aos produtos entregues aos clientes, e como
custos dos produtos (product costs), custo das mercadorias compradas
para revenda ou produtos fabricados para venda.
Os custos do período são, desde logo, custos extintos enquanto os custos
dos produtos são custos suspensos até serem vendidos tornando-se
custos extintos depois de vendidos.
Em resumo:

Balanço Demonst.resultados
| Custos do Existências - Custo Custo no período em
Custos I Produto do produto suspenso que o produto é
vendido - custo do
produto extinto

Totais | Custos do Pré-pagamento ou Custo no período em


I Período custo diferido - Custo que a sua utilização
do período suspenso ocorre - custo do
período extinto

94
Assim se, por hipótese, considerarmos o caso de u m a empresa cujo
único proveito são as vendas, o resultado ficará:
Resultado = Vendas - Custo dos produtos - Custo do período
Em dispositivo vertical fica:
Vendas
Custo do produto
Margem
Custo do período
Resultado
Os mesmos autores fazem ainda u m a distinção que aqui nos parece
útil, precisamente, de contabilidade de custos - cálculo de custos para
o balanço e demonstração de resultados - e contabilidade de gestão - em
termos de tomada de decisões.
Nesta primeira questão, queremos fazer u m a comparação entre o
sistema de custeio total (absorption costing) e o variável (direct
costing). Consideramos u m sistema de custeio (costing system) como um
método de cálculo de custo dos produtos.
Em custeio total são considerados no custo de produção quer os custos
variáveis quer os custos fixos enquanto no custeio variável só os
primeiros são considerados.
Em termos de demonstração de resultados, no custeio total os custos
são separados em custos industriais e não industriais enquanto no
custeio variável se separam em variáveis e fixos.
A demonstração de resultados fica:

Custeio total Custeio variável


Vendas Vendas
C.Industrial Produtos Vendidos Custos variáveis
Margem Bruta Margem de contribuição
Custos não Industriais Custos Fixos
Resultado Resultado

Como se afirmou a valorização das existências é diferente, dado que em


custeio total o custo industrial resulta dos custos variáveis e fixos de
produção enquanto em custeio variável só dos variáveis.
E relativamente ao resultado do período o que se passa?

95
Consideremos a seguinte tabela:

C.Total/C.Variável C.Variáveis C.Fixos

C.Industriais (l)C.Industr. Variáveis (4)C.Industriais Fixos


C.Não Industriais (2)C.N.Ind.Variáveis (3)C.N.Industr.Fixos

Analisemos agora a diferença resultante dos dois sistemas de custeio


para cada um dos grupos de custos:

Custeio Total Custeio Variável Diferença


(1) C. Ind. Variáv. Custo do Produto Custo do Produto 0
(2) C. N. Ind. Var. Custo do Período Custo do Produto 0
(3) C. N. Ind. Fixos Custo do Período Custo do Período 0
(4) C. Ind. Fixos Custo do Produto Custo do Período (a)

(a) Neste caso, em custeio variável o custo industrial fixo (CIF) é custo
do período, portanto, é considerado na totalidade; no custeio total só se
imputam os custos dos produtos extintos, isto é, relativos à produção
vendida. Daqui resulta que quando as vendas (V) são menores que a
produção (P) os custos extintos são menores e logo o resultado maior.

Portanto, os custos considerados na demonstração de resultados, em


custeio total, são
V / P . CIF
e, em custeio variável,
CIF
donde se obtém a seguinte diferença de resultados
V / P . CIF - CIF.
Em resumo:
V = P CIFct = CIFcv Rct = Rcv
V<P CIFct < CIFcv Rct > Rcv
V> P CIFct > CIFcv Rct < Rcv
onde:
CIFct representa custos indust. fixos imputados em custeio total
CIFcv representa custos indust. fixos imputados em custeio variáv.
Rct representa resultado em custeio total
Rcv representa resultado em custeio variável.

96
2. Discussão de uma situação concreta
Admitamos, para determinado período, em que não havia existência
inicial, os seguintes dados:

Produção (P) 100.000 unidades


Vendas (V) 50.000 unidades
Preço de Venda Unitário (pv) 5 contos
Custo Unitário Industrial Variável (CuIV) 2,5 contos
Custo Unitário Não Industrial Variável (CuNIV) 0,5 contos
Custo Industrial Fixo (CIF) 100.000 contos
Custo Não Industrial Fixo (CNIF) 25.000 contos

As demonstração de resultados para aquele período são as seguintes:

Custeio Total Custeio Variável

V 250.000 V 250.000
crv 125.000 CIV 125.000
125.000 125.000
CIF . V/P 50.000 CNrv 25.000
Margem bruta 75.000 Marg.Contr. . . . 100.000
CNTV 25.000 CIF 100.000
50.000 0
CNIF 25.000 CNIF 25.000
Resultado (R) . . . 25.000 R -25.000

Valor exist.final 50.000 x 3,5 = 50.000 x 2,5 =


(50.000 u) 175.000 c 125.000 c

Diferença + 50.000 c

Como se vê a diferença resulta do custo industrial fixo. Esta situação


corresponde à segunda hipótese indicada no ponto anterior, ou seja:
V <P Rct > Rcv Rct - Rcv = + 50.000 c.
Se os resultados são diferentes (e muito !) podemos concluir, com
certeza, que u m deles não é correcto. Imaginemos um empresário a
quem são apresentadas as duas demonstrações de resultados. Ele
perguntará, de imediato, se afinal a empresa teve lucro ou prejuízo. A
questão que colocamos é a seguinte: Qual dos dois custeios será melhor
modelo contabilístico para representar a realidade expressa pelos dados
desta situação concreta?

97
3. Análise Matemática

O tratamento matemático a um nível muito simples permitirá uma


melhor análise do problema.
Admitamos as seguintes representações:
CP Custo de produção
CuP Custo unitário de produção
Qp Quantidade produzida
Qv Quantidade vendida
pv Preço unitário de venda
CT Custo total ou complexivo
CIPV Custo industrial dos produtos vendidos
CNI Custos não industriais
CuV Custo unitário variável

CUSTEIO TOTAL
CP = CIV + CIF
CuP = (CIV + CIF) / Qp
CuP = CuIV + CIF / Qp
CIPV = CuP . Qv
CIPV = CuIV . Qv + CIF / Qp . Qv
CNI = CuNIV . Qv + CNIF
CT = CIPV + CNI
CT = CuV . Qv + CIF . Qv / Qp + CNIF
V = pv . Qv
R = V-CT
R = (pv - CuV) . Qv - CIF . Qv / Qp - CNIF

Logo
R = f (Qv, Qp)

Esta função corresponde a


z = ax + b x / y + c
z = f (x , y)
onde
a > 0 b < 0 e c<0
para
x>=0 ey>0

98
CUSTEIO VARIÁVEL

CP CIV
CuP crv/Qp
CuP = Curv
CIPV CurV. Qv
CNrv CuNrV . Qv
CT = CuV . Qv + CIF + CNIF

R pv . Qv - CuV . Qv - CIF - CNIF


R = (pv- CuV) . Qv - CIF - CNIF
R = f(Qv)
w = a x +b +c
w f(x)
onde
a>0b<0e c<0
para
x > =0

A diferença entre o custeio total e o custeio variável será dada por


v = z -w
v = b (x / y - 1)
v = f (x , y)
onde
b <0
para
x>=0 e y>0

Quando
x = y ==> z = W ==> v =0.

Em conclusão: O custeio variável é um caso particular do custeio total


quando a produção é igual às vendas. Neste caso, logicamente, a
diferença de resultado é zero.

99
4. Conclusões

Sendo o custeio variável um caso particular do custeio total quando a


produção é igual às vendas, concluímos o seguinte:
O resultado de 25.000 contos de prejuízo no custeio variável
corresponde à situação de produção e vendas de 50.000 unidades. O
resultado de custeio total corresponde a uma produção de 100.000
unidades e vendas de 50.000 unidades.
Uma situação de produção de 100.000 unidades e vendas de 50.000
unidades é totalmente diferente da de produção e vendas de 50.000
unidades.
Portanto, em termos de cálculo de custos o custeio a utilizar é o custeio
total. É, para nós, mais adequado em termos de valorização de
existências e determinação do resultado.
Não defendemos o custeio variável ("direct costing") como método de
cálculo de custos, dado não ser recomendável a sua utilização quando
se verificam variações significativas de existências de produtos.
Em termos de contabilidade de gestão (managerial accounting) e de
análise dinâmica o que se deve utilizar é a relação custo - volume -
resultado, que como é sabido, se torna muito mais simples com a
hipótese de produção igual às vendas.
É perfeitamente possível no custeio total fazer a separação dos custos
em variáveis e fixos e ter um modelo com duas variáveis (vendas e
produção) em vez de uma só (vendas).
Em resumo, não parece correcto, fazer-se um registo contabilístico de
partida dobrada em custeio variável. Defendemos a contabilização em
custeio total, separando custos variáveis e fixos. Com esses dados,
utilizamos, então, o modelo custo - volume - resultado com uma ou duas
variáveis.
Concluímos, como iniciamos este ponto: O custeio variável é um caso
particular do custeio total quando as vendas são iguais à
produção.

100
B. SEGUNDA QUESTÃO
O ponto crítico e a análise dos custos segundo a
sua variabilidade

1. Ponto crítico

Face à incerteza na separação de custos fixos e variáveis pretendemos


determinar um ponto crítico "seguro", isto é, que nos dê a certeza de
que valores superiores pertencem à zona de lucro.
Admitindo a hipótese de produção igual às vendas, custos variáveis
proporcionais e custos fixos constantes; considerando as seguintes
representações
CV Custos variáveis
CF Custos fixos
Vr Volume de vendas a que corresponde o resultado R
podemos obter o ponto crítico da seguinte forma:
R = V - CT
R = V - CV - CF
V - CV = CF + R
Como existe proporcionalidade entre a margem (V - CV) e as vendas (V)
podemos estabelecer a seguinte regra de três simples
V V - CV
Vr CF + R
Vr = (CF + R) . V / (V - CV)
ou seja
Vr = (CF+ R) / (1 - CV / V)
o denominador é a margem de contribuição em percentagem que vamos
designar por M. Assim fica
Vr = (CF + R) / M
Concluímos assim, que para o resultado O (R = O), isto é, o ponto
crítico, teremos:
Vo= CF/M.

101
2. Análise Matemática

Quando decompomos os custos totais (CT) em fixos (CF) e variáveis


(CV) obtemos valores que não temos a certeza de serem correctos.
Admitamos uma margem de erro de x.
Vamos supor que na nossa separação obtivemos
C T = CV + C F
Vamos ainda, por hipótese, supor que considerávamos unicamente como
variáveis os custos das existências vendidas e consumidas. Neste caso
os custos variáveis eram mínimos (inferiores aos reais) e os custos fixos
máximos.
Os valores "correctos" seriam
Custos fixos CF - x
Custos variáveis CV + x (x > O).

Se designarmos
Vo ponto crítico por nós obtido
Vo' ponto crítico "correcto" (desconhecido)
M margem de contribuição em % por nós obtida
M' margem de contribuição em % "correcta".

Teremos
Vo = CF / M ou seja Vo = CF / (1 - CV / V)
Vo'- (CF - x) / M' ou Vo'= (CF - x) / (1 - (CV + x) / V)

Vo' = (CF - x) / (1 - CV / V - x / V)
Vo' = (CF - x) / (M - x / V)

A diferença entre Vo' e Vo será


Vo' - Vo = (CF - x) / (M - x / V) - CF / M
= (CF - x) . V / (V . M - x) - CF / M
= (- x . V . M + x . CF) / ((V . M - x) . M)
= - x . (V . M - CF) / ((V . M - x) . M)
= - x . R / ((V . M - x) . M)

V . M corresponde à margem de contribuição em valor absoluto e


resulta do produto do valor das vendas pela margem de contribuição em
percentagem.

102
Admitindo
(V . M - x) . M > 0 e x>0
ficaria
R > 0 = = = = > Vo'-Vo<0
isto é,
R > 0 = = = = > Vo' < Vo.
Por outro lado
R < 0 = = = = > Vo' > Vo.

E evidente que se pode tomar a hipótese oposta de os custos variáveis


estarem sobreavaliados (neste caso x < 0).
A variação percentual do ponto crítico será
(Vo' - Vo) / Vo

Ficará, portanto,
(Vo' - Vo) / Vo = (-x . R / ((V . M - x) . M))) / (CF / M)
= -x . R / ((V . M - x) . CF)
= -Os / CF) . R . (1 / (CF + R - x))
= -(x / CF) . R / (V . M - x)).

Admitamos o seguinte exemplo


%
V 200.000 100
CV 100.000 50
Margem 100.000 50 < = = = M
CF 50.000 25
R 50.000 25

Portanto
Vo = CF/M
Vo = 50.000/0,5
= 100.000

Admitamos que os custos variáveis "reais seriam de 80.000. Existiria,


portanto, um erro de 20.000 contos (x = -20.000).

103
A variação percentual do ponto crítico seria
(Vo' - Vo) / Vo = - ( -20.000 / 50.000) X 50.000 / 120.000
= + 16.66%.

Logo
Vo' = 100.000 X 1,1666
= 116.666c.

3. Conclusões

As conclusões a seguir indicadas são desenvolvidas tendo como base a


hipótese mais provável, isto é,
(V . M - x) . M > 0.
Pensamos que a esmagadora maioria das demonstrações de resultados
apresentam margem de contribuição positiva e que o erro de estimação
dos custos variáveis e fixos é inferior aquela. Julgamos não ter
qualquer interesse para este tipo de estudo, a análise de uma
demonstração de resultados em que a margem é negativa ou o erro de
estimação é superior à margem.
Tendo presente aquela condição podemos concluir:

I a Hipótese
Custo variável da demonstração de resultados mínimo
(inferior ao "real")
Custo fixo da demonstração de resultados máximo

1. Para R > 0 Vo' < Vo


O ponto crítico obtido é superior ao real. Ponto crítico máximo
(mais "seguro"). Esta situação tem interesse.

2. Para R < O Vo' > Vo


Neste caso Vo é ponto crítico mínimo. Esta situação não tem
interesse.

104
2- Hipótese
Custo variável da demonstração de resultados máximo
(superior ao "real")
Custo fixo da demonstração de resultados mínimo

1. Para R > 0 Vo' > Vo


Vo é ponto crítico mínimo. Esta situação não tem interesse.

2. P a r a R < 0 Vo' < Vo


Vo é ponto crítico máximo. Esta situação tem interesse.

Em resumo, para situações de lucro o custo variável a utilizar deve ser


inferior ao "real" e para situações de prejuízo o custo variável deve ser
superior ao "real".
Elaborando um quadro de resumo ficará:

Hipóteses P o n t o crítico

C.Variáveis C.Fixos R Vo' e Vo Vo Interesse

Mínimo Máximo > 0 Vo' < Vo Máximo Sim


Mínimo Máximo < 0 Vo' > Vo Mínimo Não
Máximo Mínimo > 0 Vo' > Vo Mínimo Não
Máximo Mínimo < 0 Vo' < Vo Máximo Sim

Em conclusão: Se pretendermos determinar um ponto crítico "seguro"


n u m a situação de lucro devemos ser prudentes a classificar os custos
como variáveis e em caso de dúvida consideramo-los como fixos.
Obteremos assim um valor para o ponto crítico mais elevado, mas
certamente mais seguro.

105
Bibliografia

Caiano Pereira e S. Franco - Contabilidade Analítica


Gray e Ricketts - Costand Managerial Accounting
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
AVALIAÇÃO DE EMPRESAS

Autor: MANUEL DUARTE DOMINGUES


(Contabilista - Lie. Controle de Gestão)

107
RESUMO

Motivo da C o m u n i c a ç ã o

Aparentemente este tema estaria deslocado nestas IV Jornadas de


Contabilidade...
Mas, como é sabido, a realidade é bem diferente. A avaliação de
empresas tem como principal suporte as peças contabilísticas
tradicionais: balanço e demonstração de resultados. Logo, sendo a
informação contabilística fundamental no processo de avaliação de
empresas, o tema enquadra-se perfeitamente na temática da
Contabilidade e terá lugar, como tal, no âmbito destas Jornadas.
Acresce o facto de os Contabilistas serem confrontados,
frequentemente, com a necessidade de emitirem opinião sobre o valor
das empresas ou partes sociais.
E ainda a circunstância de não ser abundante em Portugal a
literatura sobre esta matéria, nem as publicações da especialidade
incluírem, com a frequência que seria desejável, estudos no âmbito da
avaliação de empresas.

R e s u m o da C o m u n i c a ç ã o

1 - Introdução
2 - Objectivos da avaliação de empresas
3 - Fundamentos, Conceitos e Critérios
3.1 - Aspectos gerais
3.2 - Diversos conceitos de valor da empresa
3.3 - Critérios de avaliação de empresas
4 - Metodologia a seguir. Fases do processo.
4.1 - Fases do processo
4.2 - Auditoria das principais contas de Balanço e de
Resultados. Conclusões.

108
5 - Métodos de calculo do valor da empresa
5.1 - Métodos de avaliação com base no património
5.1.1 - Resumo dos principais critérios
5.1.2 - Critério do valor contabilístico
5.1.3 - Critério do valor intrínseco
5.1.4 - Critério do valor substancial
5.2 - Métodos de avaliação com base no rendimento
5.2.1 - Resumo dos principais critérios
5.2.2 - A escolha dos fluxos de rendimento
a) O valor de rendimento a partir dos lucros
b) O valor de rendimento a partir dos dividendos
c) O valor de rendimento a partir dos cash-flows
5.2.3 - Horizonte temporal das previsões
5.2.4 - Fixação da taxa de actualização
5.3 - Métodos mistos
5.3.1 - O Goodwill
5.3.2 - Principais métodos de determinação do
Goodwill
a) Métodos estatísticos de determinação do
Goodwill
b) Método de actualização da renda do Goodwill.
5.4 - Conclusões tendo em conta a metodologia proposta e
os métodos de determinação do valor de uma
empresa

Serão analisados os vários conceitos que se prendem com a avaliação


de empresas, bem como os critérios usualmente utilizados.
Indicar-se-ão as várias fases do processo, com destaque para a
importância da auditoria das contas, dada a necessidade da certificação
das mesmas.
Por último, serão estudados os vários métodos de cálculo do valor da
empresa, de modo a poderem tirar-se as conclusões possíveis.

Pombal, 27 de Setembro de 1991

109
COMUNICAÇÃO

1 - INTRODUÇÃO
O tema avaliação de empresas tem, nos últimos anos, despertado o
interesse de gestores, investigadores, sócios e accionistas de empresas.
Tem sido objecto de estudo de vários tratadistas, que procuram dar
resposta às inúmeras e complexas questões que o tema em si encerra.
E no período subsequente à II Guerra Mundial que, na Europa, os
estudos sobre avaliação têm u m a fase de expansão. Mas é, em especial,
desde o início da década de sessenta, coincidindo com o desenvol-
vimento das economias europeias, que se verifica um progresso
assinalável no domínio conceptual, de que resultaria u m a certa
autonomização teórica e prática.
Avaliar é apreciar ou estimar o valor. É um trabalho que deve ser
feito por um perito. Se o objectivo for a transacção, pode afirmar-se que
fixar um valor resulta do confronto entre o comprador e o vendedor,
sujeitos a motivações geralmente opostas. Deste modo, o valor de um
bem fundamenta-se na noção de troca, podendo ser definido como o
preço de equilíbrio, em que o vendedor aceita vendê-lo e o comprador
concorda em comprá-lo.
Neste caso, a avaliação de empresas feita por peritos terá como
objectivo facilitar a respectiva negociação a partir de bases razoáveis.
O valor apontado não se imporá às partes, constituindo antes um índice
de referência, uma norma, de forma a abreviar as negociações, evitando
controvérsias difíceis.
A avaliação de empresas, tendo como objectivo fundamental a
determinação do valor das mesmas, tem como principal suporte as
peças contabilísticas tradicionais: balanço e demonstração de
resultados, no caso das empresas não cotadas. No caso das empresas
cotadas é, normalmente, no mercado de capitais que se obtêm o valor
de u m a empresa.

2 - OBJECTIVOS DA AVALIAÇÃO DE EMPRESAS


A necessidade de avaliação duma empresa pode ocorrer em
circunstâncias tão diversas como:
- aquisição ou venda total da empresa;

110
- controle duma empresa, pela aquisição duma fracção importante
do seu capital;
- admissão à cotação de acções na Bolsa;
- aquisição de ações, no quadro de gestão duma carteira de títulos;
- divisão dum património (habilitação de herdeiros);
- operações públicas de venda (O.P.V.) e de aquisição (O.P.A.);
- fusões e aquisições de empresas (M & A);
- liquidação de empresas;
- avaliação periódica da empresa, para fazer o p o n t o d a situação.
A definição dos objectivos da avaliação duma empresa é
fundamental, pois condiciona todo o processo, orientando o perito
avaliador no cumprimento da sua missão.
Assim, importa saber se a perspectiva mais importante é a
económica ou a financeira, se o objectivo das partes interessadas é o
poder ou o rendimento, para assim se concluir se é determinante o
preço ou o valor.

3 - FUNDAMENTOS, CONCEITOS E CRITÉRIOS


3.1 - A s p e c t o s g e r a i s
Conhecidos os objectivos da avaliação, importa fazer o diagnóstico
interno e externo da empresa, estabelecendo-se em seguida os critérios
de avaliação.
A maioria dos critérios aponta para u m compromisso entre duas
concepções de empresa. Uma é estática, predominantemente
contabilística, considera a empresa como um património, cujo valor
corresponde à soma dos valores dos elementos que o compõem. A outra
é dinâmica, essencialmente económica, encara a empresa como um
investimento complexo, cujo valor é função dos rendimentos que pode
gerar no futuro.
Estas duas concepções, traduzem-se em vários conceitos e métodos,
usados pelos peritos avaliadores, de acordo com os objectivos e tendo em
conta o contexto do processo de avaliação.
Assume papel importante o diagnóstico global da empresa. Trata-se
de identificar os seus aspectos mais importantes e significativos, bem
como o contexto em que ela exerce a sua actividade.
Com este objectivo, torna-se necessário colher informações e reunir
dados, de modo a poder emitir-se um juízo de valor sobre a empresa.
Assim se conseguirá caracterizar um conjunto de factores relativos à

111
empresa: humanos, comerciais, técnicos e económicos, necessários à
avaliação.
Deste modo será possível fazer o diagnóstico global da empresa nos
dois aspectos:
- em relação ao contexto: as oportunidades, ameaças, coacções,
restrições e outros elementos de interesse, tendo em conta o meio
em que a empresa se insere.
- no âmbito da empresa: os principais problemas, capacidades
efectivas e potenciais, pontos fortes e fracos e outros aspectos que
se reputem relevantes.
Por isso, a análise deve ser feita, considerando diversos aspectos:
. Aspectos Económicos e Financeiros
Aspecto Social
. Aspectos Jurídicos e Fiscais
. Aspecto Comercial
. Aspecto de Aprovisionamento
. Aspecto Técnico
A acção da empresa e os seus resultados serão condicionados tanto
pelos factores internos como pelos externos. A evolução destes factores
e a sua análise dentro de determinados parâmetros permitirá obter
diferentes valores para a empresa. O valor finalmente escolhido estará
de acordo com as premissas mais prováveis, dentre as que serviram de
base à avaliação.
A profundidade da análise varia consoante os casos. Haverá
situações em que uma breve análise será suficiente para caracterizar
os aspectos mais importantes. Noutras exigem-se análises mais
pormenorizadas e profundas.

3.2 - D i v e r s o s c o n c e i t o s de valor da e m p r e s a
São múltiplos os conceitos de valor da empresa usados pelos diversos
autores. Referem-se os mais frequentemente utilizados:
1. Valor Contabilístico - também designado por book value, é o valor
da situação líquida da empresa, calculado a partir dos registos
contabilísticos.
2. Valor Intrínseco - corresponde ao valor da situação líquida após
reavaliação. Os elementos do activo são valorizados pelo seu valor de
venda normal.

112
3. Valor de substituição ou de reconstituição - corresponde ao total
dos capitais necessários para investir na constituição de u m a empresa
idêntica à que se pretende avaliar.
4. Valor de liquidação - consiste no valor da situação líquida na data
da liquidação ou extinção da empresa, correspondendo ao montante
realizado com a venda dos activos afectos à exploração.
5. Valor substancial - formado pelo conjunto de bens patrimoniais
afectos à exploração, valorizados segundo o critério do valor de uso. É
u m dos conceitos mais importantes no âmbito da avaliação de
empresas. Numa óptica económica, é u m referencial importante do
valor da empresa, sendo por isso utilizado no cálculo do goodwill.
O cálculo do valor substancial implica u m a avaliação total do patri-
mónio da empresa. P a r a isso, os trabalhos agrupar-se-ão em duas fases:
I s ) Inventariação dos elementos patrimoniais, tendo em conta a sua
natureza, dimensão, utilização e duração prevista - fases do diagnóstico
interno atrás mencionado;
2ê) Atribuição de valores à massa patrimonial inventariada, de
acordo com a valorimetria preconizada por este conceito de valor.
Os conceitos de valor apresentados caracterizam-se por terem como
objectivo principal o património da empresa. Da visão tradicional do
valor obtido pelo somatório das parcelas constituintes do património em
dado momento, evoluiu-se para outros métodos práticos de avaliação
que serão estudados mais adiante.

3.3 - Critérios de a v a l i a ç ã o de e m p r e s a s
Baseiam-se nos conceitos de valor atrás apresentados os diferentes
critérios de avaliação de empresas. Podem ter por base o património, o
rendimento ou u m a perspectiva mista.
Nesta ultima óptica assume particular importância o conceito de
goodwill 1 . Trata-se de um dos conceitos mais controversos na teoria da
avaliação de empresas.

Goodwill na expressão inglesa, geschaftswert em alemão, fonds de comerce em francês,


avviamento em italiano, valor de la razon sociale em espanhol e aviamemto em português.
Seguindo Rogério Fernandes Ferreira prefere-se esta expressão (aviamento) às
tradicionalmente usadas: valor comercial, trespasse, etc. Utiliza-se aqui o termo trespasse
em sentido contabilístico ou corrente de negócios, dado que o significado jurídico ainda é
mais restrito.

113
O goodwill é sempre um excedente do valor unitário e global da
empresa, sobre o valor das partes que a constituem. Atende-se ao efeito
de sinergia.
O goodwill identifica-se com a noção de sobrelucro: diferença entre
o valor dos lucros actualizados e a remuneração do capital investido a
uma taxa considerada normal.
Numa óptica económica, o goodwill é o excedente do valor actual dos
lucros futuros esperados, relativamente ao lucro que se considera
normal para dado empreendimento, utilizando determinado património.
Em resumo, pode dizer-se que quando existe goodwill (badwill, para
alguns autores, se houver prejuízos esperados) o valor da empresa
deverá situar-se num intervalo entre o valor substancial e o valor de
rendimento.
Para alguns autores o goodwill aparece entre as ópticas de avaliação
do património e do rendimento. P a r a outros, o goodwill somado ao valor
substancial é importante na determinação do valor da empresa
(perspectiva mista).
O estudo dos vários critérios de avaliação tendo em conta as diversas
perspectivas, será feito mais adiante.

4 - METODOLOGIA A SEGUIR. FASES DO PROCESSO.

4.1 - F a s e s do p r o c e s s o
Tendo em conta os objectivos visados num processo de avaliação de
empresas e antes da escolha do método mais indicado para o cálculo do
seu valor, é necessário proceder a um conjunto de trabalhos
preliminares a nível da empresa, cujos resultados são importantes no
processo global de avaliação.
A metodologia proposta abrange as seguintes fases:
Fase 1 - Análise da gestão e dos processos utilizados e verificação
dos princípios contabilísticos utilizados na elaboração das contas.
Fase 2 - Auditoria das contas na data do último balanço
apresentado, bem como dos elementos contabilísticos mais actualizados.
Fase 3 - Preparação de um relatório sobre a empresa, resultante do
estudo dos diagnósticos interno e externo.

114
Fase 4 - Avaliação do património físico da empresa, tendo em conta
os valores actuais de substituição, a usura física, a usura técnica e o
estado de conservação dos respectivos bens.
Fase 5 - Análise da gestão em áreas relacionadas com aspectos
financeiros, fiscais e política de dividendos.
Fase 6 - Análise dos Balanços e Contas de Resultados Previsionais,
para um determinado período, geralmente 5 anos.
Fase 7 - Finalmente, a avaliação da empresa.
Importa agora analisar os aspectos mais importantes em relação a
algumas das fases descritas, indicando os procedimentos de trabalho e
as metodologias específicas a seguir.
Em relação aos princípios contabilísticos utilizados na empresa,
importa confirmar se estão de acordo com as normas estabelecidas pelo
POC, garantindo uniformidade de critérios e segurança nas conclusões
resultantes da análise da informação contabilística. Esta deve ser:
suficiente, clara, exacta, íntegra, relevante e fidedigna.
Os documentos contabilísticos (balanços, demonstrações de
resultados, balancetes, etc.) devem estar elaborados de modo a
traduzirem correctamente a situação da empresa.
Hoje, a contabilidade tem um papel importante a desempenhar na
previsão, na gestão, na fiscalização e na mensuração das actividades.
P a r a isso deve seguir princípios contabilísticos uniformes e utilizar
critérios de valorimetria precisos.

4.2 - Auditoria d a s p r i n c i p a i s c o n t a s d e b a l a n ç o e de resultados.


Conclusões.
A auditoria das contas tem como objectivo confirmar que a infor-
mação que contém é a situação verdadeira e apropriada, de acordo com
os princípios contabilísticos geralmente aceites. P a r a isso deve ter em
conta os métodos e normas reconhecidos e aceites internacionalmente.
Num processo de avaliação de empresas, a extensão e profundidade
da auditoria contabilística seria condicionada por diversos factores como
sejam: a existência ou não de Conselho Fiscal, de Revisor Oficial de
Contas ou de auditoria externa.
As informações contabilísticas constituem o principal suporte para
a avaliação da empresa, mas h á outras informações de carácter
extracontabilístico, cuja importância tem aumentado nos últimos anos.

115
Trata-se de aspectos que afectam, afectaram ou podem vir a afectar no
futuro a situação patrimonial da empresa, tendo em conta que ela é um
sistema aberto e, por isso, em interacção permanente com o seu
ambiente.
Em resumo estas informações dizem respeito:
- à própria empresa, como entidade jurídica e económica;
- aos produtos e mercados onde opera;
- ao meio envolvente (riscos e condicionalismos);
- à conjuntura nacional e internacional.
Relativamente aos elementos previsionais, importa estudar o modo
como é feito o planeamento na empresa (se é que ele existe) e a
fundamentação e credibilidade dos orçamentos e das previsões
elaborados.
Efectuada a auditoria das contas da empresa, deve proceder-se a
uma análise sumária das mesmas nos três últimos exercícios, com o
objectivo de se determinar o valor dos resultados líquidos devidos à
actividade normal da empresa, que serão de considerar para efeitos da
sua avaliação.
A fase seguinte do trabalho de avaliação consiste na análise dos
elementos económicos e financeiros, tanto históricos, como previsionais.
As demonstrações financeiras objecto de auditoria, permitem obter
informações fundamentais para a determinação do valor da empresa.
As conclusões da análise económica e financeira da empresa
constituem a base para u m a aproximação à valorização da empresa.
Trata-se então de determinar o valor da empresa, tendo em conta a sua
situação financeira e as suas perspectivas.
A determinação desse valor é feita com base em diversos métodos.
Da comparação entre eles, resulta a possibilidade de se fazer u m a ideia
do valor real da empresa.

5 - MÉTODOS DE CÁLCULO DO VALOR DA EMPRESA


O objectivo fundamental de qualquer processo de avaliação é
determinar o valor da empresa. Importa aqui acentuar o facto de o
valor de u m a empresa em funcionamento ser diferente do de u m a
empresa parada ou que vá entrar em liquidação.
Interessa estudar o valor de uma empresa numa óptica de
continuidade, desiderato que é obtido na prática pela utilização de
diferentes métodos.

116
Os métodos de avaliação mais utilizados podem agrupar-se do
seguinte modo:
- Métodos de avaliação com base no património
- Métodos de avaliação com base no rendimento
- Métodos mistos
É aconselhável a combinação de vários métodos alternativos, dadas
as dificuldades de aplicação prática e as limitações de cada método.
A aplicação dos diferentes métodos permitirá obter um conjunto de
valores, de cuja síntese resultará o valor final a atribuir à empresa.

5.1 - M é t o d o s de a v a l i a ç ã o c o m b a s e n o p a t r i m ó n i o
5.1.1 - R e s u m o dos p r i n c i p a i s critérios
Os critérios de apreciação do valor de u m a empresa assentaram
inicialmente no património, como soma do valor contabilístico dos
elementos que o compõem. Deste modo, começou por avaliar-se a
empresa através do seu valor contabilístico ou seja, o valor da Situação
Líquida evidenciado pela Contabilidade.
Mas, dado que este valor raramente traduz o valor real dos diversos
elementos, passou a utilizar-se o valor intrínseco, que resulta do valor
contabilístico com as correcções julgadas convenientes.
Ora a empresa não é apenas u m património (bens, direitos e
obrigações), pois tem um valor unitário e global que é consequência da
sua aptidão para o exercício das actividades que constituem o seu
objecto. Aparece assim o conceito de valor substancial.
Vamos, em seguida, analisar cada um destes conceitos.

5.1.2 - Critério d o v a l o r c o n t a b i l í s t i c o
Este critério assenta no princípio de que a situação líquida
contabilística representa o valor do património líquido da empresa. O
valor da empresa é fornecido pelo último balanço aprovado.
O valor contabilístico pode calcular-se segundo duas ópticas:
- a concreta ou real - o valor da empresa é dado pelo excesso dos
elementos patrimoniais activos sobre os passivos;
- a abstracta - toma-se o capital próprio ou situação líquida da
empresa (capital social, reservas e resultados do exercício).
Este critério é fácil de apreender e simples de aplicar, mas enferma

117
de limitações que fazem com que o valor da empresa apurado por este
critério se afaste, com frequência, do valor real da empresa.
As razões das divergências entre o valor contabilístico e o valor real
são, entre outras, as seguintes:
- inflação e variação de preços de certos bens;
- diferença entre amortizações fiscais e depreciação real do
imobilizado;
- desfasamento entre provisões fiscais e necessidades reais (as
empresas portuguesas têm seguido, regra geral, critérios fiscais);
- critérios de valorização das existências (inadequação);
- formação de reservas ocultas;
- eventual manutenção de créditos incobráveis no activo.
Com o objectivo de melhorar este critério, alguns autores sugerem
que ao avaliar a empresa, se proceda a algumas correcções,
nomeadamente:
- contas monetárias (activos e passivos) - converter os saldos em
escudos actuais, aplicando o índice geral de preços;
- contas não monetárias (existências e imobilizado) - actualizar o
valor, aplicando índices de preços sectoriais.
O critério do valor contabilístico apenas nalguns casos se aproximará
do valor real da empresa, nomeadamente:
- empresas de criação recente;
- empresas que tenham atingido rapidamente a sua velocidade de
cruzeiro, sendo estáveis os resultados periódicos e tendo j á as
reavaliações sido efectuadas.
As insuficiências assinaladas justificam que não se apure o valor da
empresa com base no balanço de gestão, mas antes com base num
balanço especial, elaborado para efeitos de avaliação.

5.1.3 - Critério d o v a l o r i n t r í n s e c o
O valor intrínseco obtém-se, partindo do balanço contabilístico,
introduzindo-lhe correcções devidas à avaliação directa, obtendo-se
assim um balanço especial em que os valores contabilísticos são
substituídos pelos valores reais.
Procede-se, n u m a primeira fase, à inventariação dos elementos
patrimoniais e, numa segunda fase, à sua avaliação em termos reais e
actuais. Tratando-se de existências e imobilizado, deve ser feita por
especialistas. Obtém-se assim o valor patrimonial real da empresa.

118
Este critério tem limitações, dado que não atende à dinâmica da
empresa para gerar rendimentos. Aliás, este facto sucede com todos os
critérios de avaliação com base no património, razão por que não devem
ser tomados isoladamente.
O critério do valor intrínseco tal como sucedia com o do valor
contabilístico, assenta no conceito de titularidade patrimonial. Esta
noção distancia-se cada vez mais da de empresa como capital
económico. O que já não sucede com o conceito de valor substancial.

5.1.4 - Critério do valor s u b s t a n c i a l


Este critério assenta no princípio de que a empresa vale o que seria
necessário investir para reconstituir o património nela utilizado, no
estado em que o mesmo se encontra.
Como se atende às funções de cada elemento, a soma do todo pode
ser diferente da soma das partes. Assenta n u m a concepção dinâmica de
empresa.
O valor substancial é o valor real de u m instrumento de produção,
no sentido de capital económico (factor de produção) e não de
património. Equivale ao activo da empresa afecto à produção.
O valor substancial difere do activo contabilístico, porque:
- considera apenas os activos afectos à exploração;
- inclui os elementos que, embora não sendo propriedade da
empresa, concorrem para a actividade normal (exemplo: bens em
leasing).
Assim, por exemplo, um activo de fruição faz parte do valor
intrínseco, mas não do valor substancial. Ao contrário, um bem
explorado em regime de leasing, faz parte do valor substancial, mas não
do valor intrínseco.

5.2 - M é t o d o s d e a v a l i a ç ã o c o m b a s e n o r e n d i m e n t o
5.2.1 - R e s u m o d o s p r i n c i p a i s critérios
A perspectiva de avaliação atrás descrita, contrapõe-se a do valor de
rendimento.
Na determinação do valor de rendimento, podem aplicar-se as regras
de cálculo da teoria da análise do investimento, embora surjam
teorizações e particularidades próprias.

119
Em termos simplistas, o valor de rendimento é dado pelo lucro
actualizado. Mas aqui importa definir qual o lucro a tomar em linha de
conta, havendo consenso em relação ao lucro normal (nem sempre o
contabilístico). É necessário também definir a taxa de actualização e o
horizonte temporal das projecções.
Outro critério, aplicado em especial em grandes empresas com vista
à negociação de participações minoritárias, baseia-se na actualização
dos dividendos e tem gerado a elaboração de diversos modelos.
Um terceiro critério baseia-se no cash-flow. Aqui o valor da empresa
pode ser igual à margem bruta de autofinanciamento, multiplicada por
um coeficiente. Mas, este processo, ainda é de aplicação restrita.
O valor de rendimento deve assentar em estimativas de
rentabilidade futura da empresa, que variarão em função de decisões
financeiras como: investimento, financiamento e política de dividendos.
O valor de rendimento R é igual à soma dos fluxos de rendimento
futuro F, actualizados a uma taxa t, durante um horizonte temporal de
n períodos sucessivos. Obtém-se pela fórmula:
j-n Fj
R= I comj = l,...,n
j=i d + t y t>0
em que: Fj - fluxo de rendimentos gerado no período j
t - será, regra geral, menor do que 1

5.2.2 - A e s c o l h a d o s fluxos de r e n d i m e n t o
P a r a calcular o valor de u m a empresa é recomendável utilizar valo-
res de rendimento tanto históricos como previsionais. No primeiro caso
analisam-se os fluxos do passado cuja evolução se projecta no futuro.
No segundo caso os cálculos de fluxos assentam em estudos de análise
e do diagnóstico estratégico da empresa. Nos dois casos as informações
em análise são de duas naturezas: quantitativa e qualitativa.
Pode afirmar-se que o valor de rendimento de u m a empresa
calcular-se-á a partir de fluxos económicos, de fluxos de tesouraria ou
de fluxos financeiros:
- os fluxos económicos ou lucros baseiam-se na análise de custos e
proveitos;
- os fluxos de tesouraria correspondem, para efeitos de cálculo do
valor de rendimento de u m a empresa, aos dividendos;

120
- os fluxos financeiros apoiam-se no conceito de cash-flow,
nomeadamente em margens brutas de autofinanciamento.
Existe consenso em relação ao facto de se considerar que os fluxos
realizáveis com carácter durável por u m a empresa podem servir de
base ao cálculo do seu valor.

a) O valor de rendimento a partir dos lucros


Tradicionalmente, é a partir dos lucros obtidos no passado, que se
calcula o valor de rendimento de u m a empresa.
Mas que lucro? O lucro fiscal, o de exploração ou o contabilístico?
Nos três casos, verificam-se desfasamentos em relação ao lucro normal,
ou seja o que se obteria em condições normais.
Em relação ao lucro fiscal, verificam-se as seguintes divergências:
não aceitação de certas provisões; amortizações a taxas que muitas
vezes se afastam da realidade; o mesmo sucedendo com as provisões;
custos não aceites como tal (multas, impostos sobre os lucros, etc.).
No que diz respeito ao lucro de exploração, afastar-se-á do lucro
normal se os resultados extraordinários forem elevados e frequentes.
Finalmente o lucro contabilístico: respeita princípios contabilísticos
legais (POC) e, em certos casos, não considera a remuneração do gestor.
Daqui se conclui não ser suficiente a projecção para o futuro do lucro
médio alcançado no passado. Na avaliação de empresas é fundamental
estabelecer fluxos representativos do lucro que a empresa auferirá
normalmente quando em funcionamento, abstraindo factores anómalos.
Isto significa optar por valores de lucros previsionais, fazendo
estimativas a partir de hipóteses de evolução em relação à empresa e
ao seu ambiente.
Deve ser um resultado real, que pode ser o lucro contabilístico
corrigido, obtido a partir de orçamentos feitos com base no planeamento
estratégico da empresa, caso exista. Se há melhorias esperadas de
gestão a introduzir, os resultados beneficiarão com isso.
Obter-se-á um lucro médio depois de impostos a partir da análise
dos últimos 3 a 5 anos, respeitando os princípios da especialização e
consistência dos exercícios, considerando as perspectivas futuras, a
depreciação efectiva dos imobilizados e abstraindo o custo dos capitais
investidos. Só após estas rectificações ou outras tendentes à aproxima-
ção do lucro à realidade esperada é que o mesmo será actualizado.

121
b) 0 valor de rendimento a partir dos dividendos
O dividendo é o lucro distribuído e será importante para o investidor
apenas preocupado com o rendimento monetário.
Neste caso calcula-se o valor de rendimento a partir do dividendo.
A actualização dos dividendos tem justificação no cálculo do valor de
participações minoritárias ou no caso de grandes empresas com acções
cotadas na Bolsa. Os cálculos podem também ser feitos com base em
dividendos históricos ou previsionais.
No nosso país, o valor dos dividendos distribuído não tem tido
significado. O peso da fiscalidade sobre os dividendos e a falta de
racionalidade do mercado de capitais são as razões apontadas. O seu
valor é fixado sem atender à capacidade real da empresa, faltam
critérios de rentabilidade e baseia-se no lucro contabilístico, o que é
controverso: depende de convenções (por ex: custo histórico, prudência)
e critérios (por ex: amortizações, provisões, valorimetria das existências)
que são discutíveis e manipuláveis, fundamentados, muitas vezes, mais
em princípios fiscais do que económicos.
Os dividendos históricos revestem-se, portanto, de precaridade, no
caso português, para o cálculo do valor de rendimento. A distribuição
de lucros futuros também está condicionada por imperativos legais e
contratuais (reservas legais, estatutárias, etc.).
A política de dividendos pode, em teoria, ser objecto de duas posições
opostas: para uns a distribuição de lucros limitando o
autofinanciamento reduz o valor substancial da empresa; outros
entendem que a não distribuição enfraquece a imagem da empresa
entre os accionistas, contribuindo para a descida da cotação das acções.
O valor de rendimento pode determinar-se a partir do valor de u m a
acção e do número de acções.
O valor de u m a acção será obtido pela fórmula:
d em que: Ra - valor de rendimento de 1 acção
Ra = — d - dividendo anual constante
t para u m nfi ilimitado de anos
t - taxa de rendimento por acção
Sendo N o n s de acções da empresa, o valor de rendimento da
empresa será: R = Ra x N
Importa realçar o facto de que, se a preocupação do investidor não
é apenas obter dividendos, mas também o crescimento do potencial
produtivo da empresa, estes modelos perdem generalidade.

122
c) 0 valor de rendimento a partir dos cash-flows
A apresentação anual das contas pelas empresas obriga à aplicação
do princípio da especialização dos exercícios e impõe cortes anuais na
vida das empresas, surgindo aqui problemas difíceis devido à aplicação
de critérios discutíveis em relação a amortizações, provisões,
valorimetria de existências, acréscimos e diferimentos, etc.
O cálculo do valor de rendimento de u m a empresa a partir do
cash-flow de exploração é u m a forma de ultrapassar algumas das
dificuldades referidas.
O termo cash-flow é definido de vários modos. Correntemente
associa-se à ideia de fluxos de tesouraria, isto é, pagamentos e
recebimentos, durante um certo período.
Em avaliação de empresas utiliza-se o cash-flow bruto de exploração:
soma do lucro líquido depois de impostos com amortizações, certas pro-
visões 1 e juros de financiamento ou seja os meios financeiros libertos.
Surgem limitações ao uso dos cash-flows como indicadores de
rentabilidade. Na comparação entre empresas aparecem distorções
devidas, por exemplo, a diferentes graus de automatização.
Apesar disso o cash-flow fornece indicações úteis, sendo u m a
grandeza mais homogénea que o lucro e u m bom índice de capacidade
de crescimento e do fortalecimento da empresa.
Do mesmo modo, podemos utilizar cash-flows históricos ou
previsionais. No primeiro caso, recomenda-se a sua aplicação a
empresas que j á atingiram a maturidade, ou seja, que mantêm
constante a sua capacidade operacional. No segundo caso, importa
considerar as necessidades de financiamento e os investimentos futuros
da empresa: surge aqui o problema da escolha dos investimentos,
impondo-se a necessidade de actualizar fluxos de receita e despesa
futuros.

5.2.3 - Horizonte t e m p o r a l d a s p r e v i s õ e s
Depende de diversos factores como, por exemplo, a influência pessoal
dos sócios. Se esta for grande, menor será, no caso de cessão, o
horizonte temporal das previsões. Mas muitas vezes as mudanças

Incluem-se aqui apenas as provisões que não têm a natureza de custos ou perdas (ditas
reservas ocultas).

123
representam saltos qualitativos devidos à capacidade, competência,
imaginação e iniciativa dos novos sócios.
Noutros casos, o horizonte temporal está à partida fixado: é o caso
das explorações sob contrato de concessão, uso temporário de patentes
ou cumprimento de certa finalidade em prazo determinado.
Teoricamente, podem considerar-se duas hipóteses, na escolha do
horizonte temporal das previsões: duração ilimitada ou limitada da
empresa.
O mais simples consiste em considerar a duração ilimitada da
empresa. No entanto, dadas as mutações que ocorrem no mundo actual,
será mais realista limitar o horizonte das previsões, fixando-o em n
períodos (anos).
O valor de n será tanto menor quanto maior for a natureza aleatória
do negócio. Deste modo o horizonte será de 2 a 5 anos para negócios
muito aleatórios e, no extremo, de 15 a 20 anos para empresas que
beneficiem de u m a estabilidade absoluta, fruto de u m a situação
privilegiada no mercado.

5.2.4 - F i x a ç ã o d a t a x a de a c t u a l i z a ç ã o
Há necessidade de actualizar os fluxos porque um escudo disponível
hoje vale mais do que um escudo disponível apenas no futuro. O
investimento hoje gerará rendimentos amanhã.
Assim, a actualização dos fluxos justifica-se por duas razões: o tempo
e a incerteza.
A actualização pode ser feita utilizando tabelas financeiras, onde se
obtém directamente o valor do factor de actualização.
A taxa de actualização é importante, originando variações
significativas no valor de rendimento. Importa cotejar com as taxas das
aplicações alternativas comparáveis, com idêntico grau de risco ao da
empresa em avaliação.
A escolha de uma taxa de actualização é condicionada por aspectos
como a situação do mercado financeiro, a posição da própria empresa
a avaliar, o grau de risco e aspectos particulares em relação às partes
interessadas. Também aspectos relacionados com a fiscalidade das
aplicações alternativas e variabilidade das taxas de inflação
condicionam a taxa de actualização.
Como a actividade empresarial está sujeita a risco, deve ser
utilizada uma taxa de actualização que inclua uma medida de risco.

124
Em qualquer caso, a taxa de actualização escolhida para determinar
o valor de rendimento da empresa deve ser o custo de oportunidade do
capital da entidade interessada na avaliação. Assim, devem ser
considerados os investimentos alternativos e comparáveis, bem como o
prémio de risco.

5.3 - M é t o d o s m i s t o s
5.3.1 - O Goodwill
A perspectiva mista ou dualista como método de determinação do
valor de uma empresa conjuga aspectos patrimoniais e de rendimento.
Basicamente o valor da empresa é obtido através da soma do valor
patrimonial com um valor de goodwill.
Em matéria de avaliação, o goodwill é o conjunto dos elementos
qualitativos que não aparecem no Balanço (clima social da empresa,
personalidade dos dirigentes, estado das relações com o ambiente -
fornecedores, clientes, Estado e o público) e que fazem, na realidade,
parte da empresa.
A questão do goodwill é u m a das mais controversas na teoria de
avaliação de empresas. Os autores apresentam conceitos diferentes,
embora haja aspectos comuns.
O goodwill é definido como o excedente do valor unitário e global da
empresa sobre o valor das partes que a constituem. E a consideração do
efeito de sinergia.
O goodwill identifica-se com a noção de sobrelucro: é a diferença
entre a remuneração do capital investido a u m a taxa considerada
normal e o valor dos lucros actualizados.
Na perspectiva económica, o goodwill é o excedente do valor actual
dos lucros futuros esperados, em relação ao lucro considerado normal
para um empreendimento que utiliza determinado património.
Numa óptica de tesouraria, o goodwill é o excedente pago ou
recebido na transacção de u m a empresa em relação ao valor total dos
elementos patrimoniais da empresa no momento da transacção.
O goodwill não se confunde com o trespasse. Este constitui um
componente do goodwill.
Alguns autores referem o badwill no caso de acumulação de
prejuízos ao longo de diversos exercícios.

125
5.3.2 - P r i n c i p a i s m é t o d o s de d e t e r m i n a ç ã o do goodwill
a) Métodos estatísticos de determinação do goodwill
a l ) Método Prático Indirecto ou Alemão
O goodwill (GW) pode ser representado pela expressão:
GW = Ve - Vi
ou seja a diferença entre o valor da empresa e o valor intrínseco.
Os práticos alemães assimilam o goodwill a uma simples média
aritmética entre o valor de rendimento e o valor intrínseco:
1
Ve = — (Vr+Vi)
2
em que Vr resulta da capitalização do lucro económico da empresa (e
não do lucro contabilístico).
Das igualdades anteriores obtém-se:
Ve = GW + Vi
e finalmente:
1
GW = — (Vr-Vi)
2

a2) Método Directo


O lucro económico (P) serve para remunerar o valor intrínseco ou
melhor o valor substancial (Vs), mas também o goodwill. Dizendo
doutro modo: há um excedente de lucro económico, depois da
remuneração do valor substancial (ou intrínseco). Este excedente é
chamado justamente de sobrelucro. A capitalização deste último
fornece, assim, o goodwill.
Deste modo:
1
GW = (P-i.Vs)
k
em que:
P - lucro económico
Vs - valor substancial
i - taxa de capitalização do valor substancial (ou
intrínseco)

126
k - taxa de capitalização do sobrelucro (goodwill) (i é
sempre inferior a k) a)
e ainda:
Ve = GW + Vi
em que:
Ve - valor da empresa
Vi - valor intrínseco

b) Método de actualização da renda do goodwill


O sobrelucro repete-se (o valor pode ou não ser constante) no tempo.
O goodwill obtém-se então actualizando esta renda. Assim, para rendas
constantes:
1 1
GW = (P-i.Vs) / 1+ + + ... j
\ 1+k (1+k) 2 /

l-(l+k)- n
GW = (P-i.Vs)
k

5.4 - C o n c l u s õ e s t e n d o e m c o n t a a m e t o d o l o g i a p r o p o s t a e o s
m é t o d o s de d e t e r m i n a ç ã o d o v a l o r de u m a e m p r e s a
Verifica-se que grande parte dos métodos referidos se caracterizam
por u m a subjectividade que implica a obtenção de diferentes valores na
sua aplicação.
Por isso deverá observar-se especial cuidado na selecção dos
conceitos, coeficientes e critérios de avaliação.
A escolha entre os vários conceitos referidos é decisiva no cálculo do
valor do goodwill que, como se constatou, tem uma influência
determinante no cálculo do valor da empresa.
Do mesmo modo deverá ter-se especial atenção na escolha de
coeficientes, taxas de actualização e de rentabilidade esperadas, bem
como o período de tempo a tomar em consideração na actualização dos
lucros supranormais do rendimento futuro e dos cash-flows.
Importa ainda constatar o grau de rigor com que foram feitos os
trabalhos preliminares do processo de avaliação: diagnóstico global e
elaboração dos documentos previsionais que servirão de base às
projecções dos rendimentos futuros.

127
Deste modo, é natural que a escolha do processo de avaliação
provoque discussões entre as partes envolvidas, se não existir
unanimidade em relação ao que melhor responda aos objectivos e
finalidades que presidiram à avaliação.
Por isso, importa que as partes interessadas tenham em conta os
seguintes aspectos:
- consenso prévio quanto aos critérios a utilizar;
- definição clara dos objectivos da avaliação, por parte dos peritos
avaliadores.
A determinação do valor de u m a empresa não pode ser o resultado
que se obtém a partir da média simples ou ponderada dos resultados
obtidos pela aplicação dos diferentes métodos, exigindo uma análise em
função das suas características.
Importa analisar a adequabilidade de cada método ao caso concreto,
entrando em linha de conta com o sector de actividade da empresa.
Analisando os diferentes métodos, pode concluir-se que não existe
uma solução geral para os problemas que se colocam. Por isso é
aconselhável recomendar o método ou a conjugação de métodos que
melhor se adaptem aos objectivos visados, devendo ser usada a
prudência necessária, dado que qualquer avaliação é relativa
constituindo, na maior parte dos casos, u m a indicação objectiva, num
processo cuja conclusão depende de numerosos factores independentes,
para além dos interesses em jogo.
Ainda em relação à escolha dos métodos de cálculo do valor de u m a
empresa, a tendência actual aponta para a utilização de métodos
baseados nas teorias do cash-flow e valor de rendimento, em detrimento
dos métodos baseados em critérios contabilísticos, embora estes sejam
ainda usados frequentemente em empresas de reduzida dimensão.

128
ANEXO

Com o objectivo de ilustrar, na prática, parte dos conceitos teóricos


enunciados, apresentam-se a seguir alguns exemplos que complemen-
t a m o trabalho apresentado.

Exemplo n.fi 1: Métodos de avaliação com base no rendimento


(ponto 5.2 do texto)
Uma S.A. distribuiu os seguintes dividendos por acção:
65$00 para o exercício n-2;
72$00 para o exercício n-1;
75$40 para o exercício n.
Nos mesmos exercícios foram levados a reservas os seguintes
valores: 2.340.000$00, 2.490.000$00 e 2.640.000$00 respectivamente.
A sociedade anónima tem um capital de 30.000.000$00, dividido em
30.000 acções de 1.000$00.
A uma taxa anual de 12%, determinar:
a) O valor de rendimento a partir dos dividendos (V.R.D.).
b) O valor de rendimento a partir dos lucros (V.R.L.).
c) O valor da empresa (VE) a partir do V.R.L.

Resolução:
a) Cálculo do valor de rendimento por acção a partir dos dividendos
65+72+75,4 1 b)
V.R.D. = x - = 590$00
3 0,12
b) Cálculo do valor de rendimento a partir dos lucros (V.R.L.).
. Valor correspondente a cada acção:

Exercícios Média
2 Aritmé-
n-2 n-1 n tica

• A título de dividendos 65 72 75,4 212,4 70,8


• A título de reservas 78 83 88 249 83
TOTAIS 143 155 163,4 461,4 153,8

V.R.L. = 153,8 : 0,12 = 1.281$666

129
c) Cálculo do valor da empresa (V.E.) a partir do V.R.L.
V.E. = 1.281$666667 x 30.000 acções = 38.450.000$00

Exemplo n. 8 2: Métodos mistos


(ponto 5.3 do texto)
São dados os seguintes valores de u m a empresa:
- valor intrínseco 10.000.000$00
- valor substancial 11.500.000$00
- lucro antes de impostos 2.100.000$00
- correcções à conta de resultados
(aumento de proveitos) 90.000$00
- amortizações
(redução em relação às taxas fiscais) 50.000$00
- taxa de impostos sobre lucros 40%
Calcular:
a) O lucro económico da empresa;
b) O valor de rendimento em função do resultado anterior;
c) O goodwill pelo método directo (indicar as duas soluções
possíveis);
e) O goodwill actualizado para um período de 5 anos (por
hipótese o lucro económico é constante durante este período).
Sabendo que:
i = 9% (taxa de capitalização normal)
K = 16% (taxa de capitalização do sobrelucro)

1-(1,16)-5
e: = 3,274
0,16

Resolução:
a) Cálculo do lucro económico
- lucro antes de impostos 2.100.000$00
- correcções económicas +90.000$00
- correcções das amortizações +50.000$00
Soma 2.240.000$00
- imposto sobre lucros (40%) 896.000$00
Lucro líquido 1.344.000$00

130
b) Cálculo do valor de rendimento
1.344.000$00
Vr = = 14.933.333$00
0,09
e o valor da empresa (Ve) será:
- valor intrínseco 10.000.000$00
- valor de rendimento 14.933.000$00
Soma dos dois valores 24.933.000800
Valor da empresa (média dos valores) . . . 12.466.500$00

c) Cálculo do goodwill pelo método indirecto


. A partir do valor de rendimento:
- valor de rendimento 14.933.000$00
- valor intrínseco (ÍO.OOO.OOOSOO)
Diferença 4.933.000$00
Goodwill (metade da diferença) . . . . 2.466.500$00
. A partir do valor da empresa:
- valor da empresa 12.466.500$00
- valor intrínseco (10.000.000$00)
Goodwill (por diferença) 2.466.500$00

d) Cálculo do goodwill pelo método directoc)


. Sobrelucro após remuneração do valor intrínseco:
- lucro económico 1.344.000$00
- remuneração de Vi a 9%
(10.000.000$00 x 9%) (900.000$00)
Sobrelucro (diferença) 444.000$00
Goodwill (capitalização de sobrelucro a 16%)
444.000$00 : 0,16 = 2.775.000$00
. Sobrelucro após remuneração do valor substancial:
- lucro económico 1.344.000$00
- remuneração do Vs a 9%
(11.500.000$00 x 9%) (1.035.000$00)
Sobrelucro (diferença) 309.000$00
Goodwill (capitalização de sobrelucro a 16%)
309.000$00 : 0,16 = 1.931.250$00

131
e) Cálculo da renda do goodwill actualizada
- lucro económico 1.344.000$00
- remuneração do Vs a 9%
(11.500.000$00 x 9%) 1.035.000$00
Sobrelucro (diferença) 309.000$00
6
1-(1,16)-
GW = 309.000$ - - = 309.000$ x 3.274 = 1.011.666$00
0,16

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) MARQUES, José Teotónio D.


. Avaliação de Empresas - DGCI - Lisboa - 1990
(2) FERREIRA, Leonor F.
. Excertos da Tese de Mestrado sobre "Avaliação de
Empresas" - ISE - 1987
(3) BASTARDO, C. e Gomes, A.R.
. Fusões e Aquisições (M & A) - Texto - 1989
(4) CHOUNAVELLE, André
. L'évaluation de l'entreprise - Les Editions Foucher - Paris
- 1981
(5) VIZZANOVA, Patrice
. Évaluation des entreprises - Tome 2 et 3 - Atol - Paris - s/d
(6) FERREIRA, Rogério F.
. Balanços (Gestão Financeira) - Vol.11
3.a Ed. - Livraria Petrony - 1973

NOTAS DO EDITOR:

a) O sobrelucro implica maior risco de realização que o lucro normal e portanto épacífico
aceitar que k > i.

b) Reparar que se toma a média embora os valores sugiram crescimento sustentado...

c) Notar neste exemplo o destaque da diferença resultante de partir do valor intrínseco


ou do valor substancial.

132
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
A PROPÓSITO DE TRESPASSES

Autor: ROGÉRIO FERNANDES FERREIRA


(Professor Catedrático do ISEG)

133
RESUMO E/OU JUSTIFICAÇÃO DESTE ESTUDO

Procura-se neste Estudo salientar a inconveniência1 do uso que


tradicionalmente se faz entre nós nas contabilidades das empresas do
termo trespasses com um significado amplo que se traduz na diferença
entre o valor global atribuído a uma empresa ou estabelecimento e o
valor soma dos seus demais elementos patrimoniais activos e passivos.
Torna-se necessário ficar bem aclarado que outro termo seria
preferível (aviamento) naquele amplo sentido contabilístico de trespasse
que, todavia, é mais restrito (diferente, aliás) do que o sentido jurídico.
E igualmente conviria destacar (retirar do complexo patrimonial
compreendido no significado contabilístico amplo de trespasse) aparcela
que correspondesse ao valor atribuído ao direito ao arrendamento que
igualmente se não deveria chamar trespasse (sentido contabilístico
restrito de trespasse e também usual).
Dos modos apontados ficaria assim reservado o termo trespasse à
operação jurídica há muito tempo consagrada pelo art. 1118.B do Código
Civil, hoje revogado pelo art. 3.s do Dec-Lei nB 321-B/90, de 15 de
Outubro, mas que igualmente se configura no art. 115.9 do Regime do
Arrendamento Urbano aprovado por este Decreto-Lei.
Aposição exposta não tem audiência plena, mas, considerando o que
hoje se consigna a este respeito nas directivas comunitárias e as opções
que, em conformidade, noutros países são assumidas, importará que o
assunto seja debatido.
Também os tratamentos fiscais que se estão dando aos problemas dos
"trespasses" em qualquer dos sentidos apontados, carecem de
reapreciações.
Por tudo isto, pareceu útil trazer estes assuntos a debate nas IV
Jornadas de Contabilidade realizadas em Aveiro no I.S.C.A.A. no mês
de Outubro de 1991.
R.F.F.

1
A inconveniência resulta das confusões que se assim se ocasionam entre os diferentes
significados da palavra; claro que quem procura "pescar em águas turvas" lucrará,
eventualmente, com tais confusões, mas o objectivo último deste estudo não será favorecer
esses aproveitamentos. As ditas confusões acarretam distorções fiscais dignas de monta
que, aliás, derivam, precisamente, de a legislação estar consentindo distorções.

134
TRESPASSE(S) E SUA TRIBUTAÇÃO1

A) Conceito jurídico e contabilístico de trespasse;


articulações com a fiscalidade

Antes de falar da tributação destes ganhos2 importará dilucidar que


na lei civil de há muito se consagrava o sentido de trespasse, de
existência de trespasse, indicando o art. 1118.9 do Código Civil3
que em caso de "transmissão acompanhada da transferência, em
conjunto das instalações, utensílios, mercadorias ou outros elementos
que integram o estabelecimento".
Ora, na contabilidade, entre nós, tem-se utilizado correntemente o
termo trespasse com o significado de valor activo (imobilizado
incorpóreo), autónomo, transmissível ou transmitido. Sobre este
significado de trespasse os nossos livros de contabilidade de há muito
dão conta. E também de há muito, o Prof. Gonçalves da Silva anotara
que melhor seria usar a expressão aviamento indicando que:
"O aviamento, que frequentemente se designa por trespasse, é, pois,
o valor atribuível às condições favoráveis que determinam a elevada
rendibilidade do estabelecimento, ou seja uma capacidade potencial
de ganho mais do que satisfatória. Simboliza a esperança, a
expectativa, de lucros superiores aos normais. Corresponde à
maior-valia que, pelo facto de se acharem afectos a determinada
exploração rendosa e devidamente coordenados, adquirem em globo
os diversos elementos patrimoniais4."

Desenvolvimento de estudo anterior sobre questão de significativa actualidade.


Falaremos aqui só do caso dos trespasses de estabelecimentos de empresas.
Artigo revogado pelo art. 3s do Dec. Lei n9 321-B/90, de 15 de Outubro, que aprovou
o Regime do Arrendamento Urbano, referindo-se este, em termos semelhantes, a trespasse,
no seu art. 115-, cujo teor se transcreve, dado o seu interesse:
Trespasse do estabelecimento comercial ou industrial
1-E permitida a transmissão por acto entre vivos da posição do arrendatário, sem dependência da
autorização do senhorio, no caso de trespasse do estabelecimento comercial ou industrial.
2-Não há trespasse:
a) Quando a transmissão não seja acompanhada de transferência, em conjunto, das instalações,
utensílios, mercadorias ou outros elementos que integram o estabelecimento:
b) Quando, transmitido o gozo do prédio, passe a exercer-se um outro ramo de comércio ou industriei
ou quando, de um modo geral, lhe seja dado outro destino.
3-0 trespasse deve ser celebrado por escritura pública.
Cf. Imobilizações e Amortizações, 2a edição, Livraria Sá da Costa, pág. 38.
135
O POC ainda não aclara a questão pois continua a perfilhar o termo
trespasse, não definindo o seu significado e não apresentando qualquer
nota explicativa (confronte-se a conta 434 do POC) 1 . Limitou-se a usar
esta consagrada designação contabilística, criando para ela a conta 434.
Admite-se assim que, de facto, melhor teria sido o POC utilizar a
expressão aviamento 2 com o actual sentido contabilístico amplo de
trespasse, substituindo assim esta expressão, e mais: utilizando, em
sentido mais restrito, o termo "direito ao arrendamento", em vez de
trespasse, destacando ou autonomizando do conceito "aviamento" mas
só aquela parcela (direito ao arrendamento) mas também todos aqueles
elementos a que possa e deva ser dada autonomia própria, como
imobilizados incorpóreos - marcas, patentes, carteira de clientes, etc..
O que se aponta, aliás é o que actualmente se recomenda
internacionalmente e se segue em outros países.
Nota-se, entretanto, que no Plano Espanhol se distingue:
"213. Fondo de comercio
Conjunto de bienes inmateriales, tales como la clientela, nombre
o rázon social y otros de naturaleza análoga que impliquen valor
para la empresa.
Esta cuenta solo se abrirá en el caso de que el fondo de comercio
haya sido adquir do a título oneroso.
Su movimiento es el siguiente:
a) Se cargará por el importe que resulte según la transacción de
que se trate, con abono, generalmente, a cuentas dei subgrupo
57.
b) Se abonará por las enajenaciones y en general por la baja en
inventario, con cargo, generalmente, a cuentas dei subgrupo
57 y en caso de perdidas a la cuenta 670.
214. Derechos de traspaso
Importe satisfecho por los derechos de arrendamiento de locales.
Su movimiento análogo al senalado para la cuenta 213."

1
Dirão que a culpa não é da CNC mas da Secretaria de Estado para os Assuntos
Fiscais que terá alterado projecto apresentado.
2
Há quem perfilhe goodwill expressão interessante dos países de língua anglo saxónica,
ou a expressão fundo de comércio de países de expressão latina. O termo aviamento é
usado pelos italianos e, como se disse, foi recomendado pelo Prof. Gonçalves da Silva, por
mim e também por juristas portugueses de nomeada. Claro que há quem discorde mas não
épropósito essencial deste breve Estudo desenvolver este aliás curioso aspecto terminológico
e algo particular.

136
No Plano Francês utilizam-se também as duas seguintes subcontas
da conta 20 Immobilisations Incorporelles:
206 - Droit au bail
207 - Fonds Commercial

Importa sublinhar (de novo) que em projecto que precedeu o Dec. Lei
n s 238/91, de 2 de Julho, com as recentes alterações do POC, ficara
prevista a explicitação da separação entre direito ao arrendamento e
trespasse. Esse projecto carece de adequações nomeadamente o aqui
proposto abandono do termo trespasse, mas o diploma legal veio a
sofrer involução 1 .
Objectivando propósitos do que se aponta é de salientar também o
facto de se pretender salientar que na actual legislação fiscal a
mais-valia obtida num trespasse (no sentido contabilístico e impróprio
deste termo atrás salientado) está sujeita a IRC (ou a 1RS, consoante
o caso), sem a possibilidade de obter a compensação do incentivo ao
reinvestimento do art. 44 a do Código do IRC (e art. 18fi dos Estatutos
dos Benefícios Fiscais).
Verificado que o produto da alienação de u m dito "trespasse" é
objecto de posterior reinvestimento (em aquisições de outros
estabelecimentos ou de outros imobilizados) pode, efectivamente,
entender-se menos razoável que em tais casos a lei não tenha previsto
também o referido incentivo.
Este problema tem hoje mais acuidade pelo facto de as mais-valias
obtidas pelas empresas terem passado a ser tributadas à taxa de IRC
(36%) mais derrama (até 10% dos 36%) enquanto o primitivo imposto
de mais-valias se cifrou, ao longo dos anos, entre os limites de 10% a
13%, antes da actual Reforma Fiscal. E o tratamento dados aos
trespasses (no sentido contabilístico comentado) sentir-se-á hoje de
modo mais intenso, sabendo que a legislação do arrendamento urbano
conferiu direito de preferência aos senhorios em caso de "trespasse" de
estabelecimento comercial.
Com efeito, o recente Dec. Lei n e 321-B/90 (de 15 de Outubro),
estabeleceu no seu art. 116B, n a 1, que "no trespasse por venda ou dação

1
A Comissão de Normalização Contabilística não parece ter aqui conseguido impor a
sua posição oficial de órgão máximo nessa matéria (em termos de competência).
Preocupações de fiscalidade e certo conservadorismo da parte da Secretaria de Estado a
que administrativamente a Comissão está adstrita não favoreceram, desta vez e tanto
quanto nos parece, o melhor tratamento desta matéria.

137
em cumprimento do estabelecimento comercial, o senhorio do prédio
arrendado, tem direito de preferência". Esta disposição legal virá
também a contribuir para maior realismo dos valores que vierem a
constar das escrituras das operações ditas de trespasse.
Poder-se-á assim considerar menos justificável a situação particular
de desfavor 1 em que podem ficar as mais-valias desta categoria de
Imobilizado, auferidas por empresas. Com efeito :
Os demais casos de ganhos de mais-valias, inclusive em
investimentos financeiros, que também são, obviamente, valores
incorpóreos (salvo os prédios de rendimento) estão merecendo
tratamento fiscal favorável e incentivador.
Ora, na Lei n e 106/88, de 7 de Setembro (Lei da Reforma Fiscal), no
seu art. 29, indica-se que "a reforma da tributação do rendimento
obedecerá a princípios de equidade, eficiência e simplicidade, devendo
facilitar o cumprimento das obrigações fiscais e contribuir para a
consecução de objectivos de promoção do desenvolvimento económico e
de realização da justiça social".
Considera-se que as situações de desigualdade que se vão gerando
com apregoadas boas intenções estão a reduzir a coerência do todo que
é um Sistema Fiscal, "estruturado por Lei" e que se diz "dentro de
preocupações de equidade e justiça".
Concluindo : o alargamento do incentivo assinalado a investimentos
financeiros (também activo incorpóreo em certos sentidos), tornam mais
discutíveis as qualificações e discriminações de tratamento fiscal entre
Imobilizado Corpóreo, Incorpóreo e Financeiro, pelo que se entende que
o assunto deve ser repensado. E isso também porque prevendo o POC
amortizações regulares em Trespasses e também amortizações em
Imobilizações Financeiras, sucederão dissonâncias com o preceituado na
legislação de carácter fiscal que só admite amortizações de trespasses
para casos porventura muito excepcionais (ditos de comprovado
deperecimento efectivo) e não do modo regular que o POC passou a
determinar.

1
De desfavor em relação a certas comparações. É que se pode também afirmar que a
fiscalidade se uai encontrando distorcida - preocupações de atendimento a certas situações
provocam desigualdade e injustiça em relação a outras situações. Caminha-se para uma
"injustiça pegada".

138
B) Soluções de contabilização de "trespasses" -
influências do POC (nas suas adaptações às
Directivas Comunitárias e a normas internacionais)
e da fiscalidade (Código do IRC)

Um ponto importante nesta matéria e que convirá debater entre nós


é o do registo das frequentes operações de cessão a título oneroso de
estabelecimento comercial, da totalidade de um património ou de u m a
parte dele, que seja susceptível de constituir um ramo independente
(estamos usando a terminologia do n e 4 do art. 3 s do Código do IVA).
O meu distinto colega Dr. Gastambide Fernandes ocupa-se desta
importante questão 1 procurando esclarecer um problema que entre nós
se pode dizer estava por dilucidar.
Nota o ilustre articulista que "ao abordar a contabilização da
operação há que resolver os problemas associados à classificação,
quantificação e divulgação dos vários elementos que integram esta
operação".
E indica que "estes negócios são normalmente feitos em conjunto,
isto é, deles não constam os preços atribuídos aos seus elementos
componentes, pelo que o contabilista não poderá lançar a operação de
forma global incluindo na mesma rubrica moradores, instalações,
equipamentos, direitos e outros quaisquer elementos".
Sendo assim, como está concluído, necessário se tornará repartir o
valor global de cessão, destacando todas as parcelas que impõem
autonomia, podendo assumir esta o direito ao arrendamento e o fundo
de comércio ou aviamento ou trespasse (designação que seria preferível
substituir, como se observa em A) supra).
Nessa repartição do valor global do trespasse (lato sensu) haverá
que encontrar regras e aí vêm as úteis sugestões no sentido de se seguir
o critério do "justo valor" a encontrar no mercado, o que, aliás, não é
tão simples como isso, mas não importa agora entrar neste aspecto da
questão pois o nosso objectivo é o de salientar mais outros aspectos.
O supra citado articulista observa e bem que (o adquirente) "não
seguiria o princípio do custo histórico se registasse os bens e direitos

1
In Tratamento Contabilístico do Trespasse previsto no POC, artigo publicado no
Boletim da APOTEC nç 173 de Agosto de 1991.

139
adquiridos ... com base nas quantias constantes da contabilidade do
cedente".
É importante esta acentuação do Dr. Gastambide Fernandes pois a
nossa lei fiscal terá insinuado a contabilização no adquirente pelos
valores constantes da contabilidade do cedente ao procurar tomar uma
posição de neutralidade fiscal nas suas indicações acerca do tratamento
fiscal das operações de fusão e de cisão de sociedades, prescrevendo no
art. 62 a nfi 1 ai. b) do Código do IRC, entre outras condições, a de que
"os elementos patrimoniais activos e passivos objecto de transmissão
inscritos na contabilidade da sociedade (cessionária) com os mesmos
valores que tinham na contabilidade das sociedades fundidas ou
cindidas.
A intenção do legislador fiscal era em especial para que nas
referidas fusões e cisões pudesse não ocorrer tributação no caso de não
se evidenciarem mais-valias já existentes e ocultas na contabilidade das
empresas cedentes (em fusões ou cisões).
A lei fiscal terá procurado desse modo incentivar a realização das
referidas operações pois não se evidenciando mais-valias ocultas na
contabilidade das ditas empresas cedentes, não surgiria de imediato a
tributação. Esta ficaria assim suspensa 1 , para o futuro, para quando
os bens e direitos transmitidos, incluindo os eventualmente existentes
em activos incorpóreos, tais como, o direito ao arrendamento e o
aviamento, fossem, se viessem a sê-lo, posteriormente cedidos pela,
digamos, sociedade cessionária.
Esta neutralidade fiscal é útil mas conduz a manter, ou seja, a
introduzir reservas ocultas provenientes das empresas cedentes na
contabilidade da dita cessionária.
Justificada que está a razão da opção fiscal, deve dizer-se que a
mesma tem a sua utilidade, pois pode favorecer operações de
concentração, na medida em que pela dita opção não há, entretanto,
imposto, por não evidenciação de ganhos.
Uma outra questão que nos parece útil assinalar é que pomos em

1
Como aliás sucede (e se nota por ser pormenor curioso a reforçar esta análise) no
Código do IVA que também prevê suspensão desse imposto ao consignar, no seu art. 39, n9
4, que "não são consideradas transmissões as cessões a título oneroso ou gratuito do
estabelecimento comercial, da totalidade de um património ou de uma parte dele, que seja
susceptível de constituir um ramo de actividade independente, quando, em qualquer dos
casos, o adquirente seja, ou venha a ser, pelo facto da aquisição, um sujeito passivo do
imposto de entre os referidos na ai. a) do n9 1 do artigo 29".

140
dúvida que se possa dizer que geralmente o único dado de que se
disporá é o preço global em casos de trespasse (no sentido jurídico).
Talvez o mais usual e, afirmamos, o mais adequado seja nas
empresas cedentes e nas cesssionárias se apreciar todo o património e
ceder, discutindo o valor que deve ser atribuído para efeitos da cessão
a cada uma 1 das categorias de activos e passivos a transmitir,
incluindo imobilizados incorpóreos, sendo quase sempre discutido e
também apurado e destacado o valor atribuível à chave do
estabelecimento (direito ao arrendamento) e/ou ao aviamento.
Parece-nos ser esta forma de negociar mais curial. Não se negoceia
às cegas valores significativos, é necessário ver o que valem os bens e
direitos e os passivos a transmitir, existentes à data dos ditos
trespasses (lato sensu).
Com o exposto não se pretende polemizar ou enveredar por questões
supérfluas como seria a de debater que esta ou aquela é a opção de
negociação mais usual.
Na realidade, será difícil afirmar que a negociação mais vezes será
por um valor global sem discriminações ou por u m a prévia atribuição
da valores parcela a parcela. Apenas se poderá afirmar que umas vezes
será de um modo outras do outro, podendo inclusive observar-se que
não raramente as partes em presença pretendem evitar discutir os
valores parcelares, vindo-se então a optar pela via eventualmente mais
fácil ou mais conveniente de cessão por valor global, sem
discriminações. Deste modo, quer a sociedade "cessionária" quer a
sociedade "cedente" não têm outra opção que não seja a de proceder ao
rateio do valor 2 e então há que ponderar as lúcidas indicações do Dr.

1
Precisando melhor - começa-se por aí, mas depois, negociar-se-á, muitas vezes, por uma
"verba redonda". Daí também surgirem redistribuições. E de novo terá razão Gastambide
Fernandes tanto mais que, frequentemente, na escritura do trespasse (em sentido jurídico)
não aparece discriminação do "preço global". Por isso, a quem contabiliza compete actuar
com o necessário profissionalismo, solicitando e apreciando os dados discriminados da
negociação e escriturando adequadamente.
2
Aliás e uma vez que a questão está suscitada poder-se-á lembrar que em Cursos sobre
Avaliação de Empresas nós próprios anotamos que o valor de uma empresa em funciona-
mento resultará da sua aptidão para a produção de bens ou serviços dependendo dos
lucros que pode permitir. Ora, isso é dar-se preferência ao apuramento de um valor global.
E aponta-se que os bens de uma empresa, enquanto nela permanecem, têm valor global que
não corresponde ao somatório dos valores individuais, antes é maior ou menor, consoante
o valor do elemento humano da empresa e a adequação dos meios materiais à realização
das actividades e à formação do lucro. Para desenvolvimento, poderia ver-se, entre o mais,
nosso livro Lições de Gestão Financeira, ed. Livraria Amado vol. II, págs. 199 e segs.

141
Gastambide Fernandes no estudo que cometamos. Todavia, entendemos
útil anotar receios de que por falta de indicações cautelares ou com
enunciações destas matérias sem convenientes advertências se
generalizem ocultações de informação e de valores efectivamente
ajustados de modo discriminado entre as partes. De outro modo:
pretende-se sublinhar que importará que o legislador estabeleça um
mínimo de cautelas para que não possa vir a cair num livre arbítrio,
possibilitando às empresas valorizações, a seu belprazer, dos diversos
elementos patrimoniais activos e passivos cedidos na operação global.
Realmente, importará evitar que surjam aproveitamentos menos
próprios de divergências de tratamento fiscal que por variados motivos
ficaram legalmente previstas, nomeadamente no tocante a ganhos
apurados nas várias parcelas do património e na contabilização de
custos futuros1.

1
Atente-se, por exemplo, que os chamados "trespasses " (strito sensu) não geram "custos
fiscais" e não beneficiam dos incentivos concedidos ao reinvestimento do produto da
alienarão relativa a outras categorias de activo imobilizado (corpóreo ou financeiro).

142
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
A CONTABILIDADE NACIONAL - UM SIS-
TEMA DE INFORMAÇÃO DOS EQUILÍ-
BRIOS ECONÓMICOS

Autora: VIRGINIA MARIA G. C. SOUSA


(Prof. Adjunta do ISCAA)

143
1. INTRODUÇÃO

Que a "Contabilidade é a ciência do equilíbrio patrimonial" (1) e que


"a conta é um instrumento de representação e medida desse equilíbrio"
(2) parecem ser verdades incontestáveis.
Das afirmações enunciadas salienta-se, como é evidente, a íntima
relação existente entre a contabilidade e o equilíbrio patrimonial, visto
este como um equilíbrio dinâmico (3).
Hoje, entende-se que, à luz do paradigma sistémico, os sistemas de
informação se devem colocar ao serviço de um maior equilíbrio (4).
Assim, a contabilidade nacional é um sistema de informação dos
equilíbrios económicos fundamentais (5).
Através de um sistema de contas articuladas a contabilidade
nacional descreve, de forma coerente e com apoio do método digráfico,
os grandes equilíbrios expressos pelas consabidas equações:

OFERTA AGREGADA = PROCURA AGREGADA


POUPANÇA = INVESTIMENTO

A contabilidade nacional servindo-se de dois quadros síntese - o


Quadro Económico de Conjunto (Q.E.C.) e o Ouadro de Entradas e
Saídas (Q.E.S.) - descreve, de forma simplificada o sistema económico.
O Q.E.S. coloca-se ao serviço de um equilíbrio fundamental expresso
pela equação:

TOTAL DE EMPREGOS = TOTAL DE RECURSOS

ou particularizando:

PRODUÇÃO DISTRIBUÍDA DE PRODUTOS + IMPORTAÇÕES +


IMPOSTOS S/IMPORTAÇÃO + I.V.A. = CONSUMO INTERMÉDIO
DOS PRODUTOS + CONSUMO PRIVADO + CONSUMO
COLECTIVO + F.B.C.F. + V. DE EXISTÊNCIAS + EXPORTAÇÕES

ou seja:

OFERTA AGREGADA = PROCURA AGREGADA

144
Tendo por base a teoria do equilíbrio de Walras, permite, com base
na sua estrutura em input-output, a elaboração de u m a matriz
contabilística.
O Q.E.C, posiciona-se também, através da sua conta CO (de bens e
serviços) ao serviço de um equilíbrio expresso pela equação

TOTAL DE EMPREGOS = TOTAL DE RECURSOS

ou particularizando:

P.I.B. pm. + IMPORTAÇÕES = CONSUMO FINAL S^ERRITÓRIO +


+ F.B.C.F. + VARIAÇÃO DE EXISTÊNCIAS + EXPORTAÇÕES

ou ainda de forma sintética:

OFERTA AGREGADA = PROCURA AGREGADA

Apoiando-se num sistema de contas articuladas (da C l à C5), cada


u m a delas ao serviço de um equilíbrio fundamental - que a técnica
digráfica permite - chega ao equilíbrio expresso pela equação de raiz
Keynesiana

POUPANÇA = INVESTIMENTO

patente na sua conta capital (C5) e implícito na sua conta financeira


(C6) ou seja:

POUPANÇA BRUTA + TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL =


= CAP. OU NEC. DE FINANCIAMENTO + INVESTIMENTO

A contabilidade nacional como "modelo contabilístico da economia"


(6) permite uma representação coerente e exaustiva do sistema
económico, enquanto um todo sinérgico constituído por partes
interdependentes - sectores institucionais ou ramos de actividade.
Ao longo deste trabalho, tendo por base u m a bateria de indicadores,
tentarei fazer u m a análise económica (7) comparada e testar a
coerência da política económica praticada (8) no seio do processo de
planeamento português (9).

145
2. ENQUADRAMENTO INTERNACIONAL DA ECONOMIA
PORTUGUESA

"Cada sociedade tem o seu ritmo próprio de desenvolvimento,


condicionado pela maturação dos seus factores internos, mas
também influenciado pela evolução do sistema internacional em
que está inserida".
Ernâni Lopes e outros, in Portugal o Desafio dos Anos 90, pág. 39

2.1. O "Triângulo de Ouro d o C o m é r c i o Mundial"


Hoje, como j á em 85/86, a Europa dos 12, os E.U.A. e o Japão
constituem aquilo a que se convencionou chamar o "Triângulo de Ouro
do Comércio Mundial".
Em 85 os três efectuaram entre si, mais de metade das trocas à
escala mundial e em 86 o intercâmbio comercial entre a C.E.E. e os
E.U.A. atingiu 120 milhões de dólares, enquanto os investimentos
recíprocos se elevaram a 200 mil milhões (10).
Vejamos, através do quadro n. s 1 e do gráfico n. a 1 , como se
posicionavam - com valores referentes a 89 - os três gigantes do
comércio internacional.

OS GIGANTES DO COMÉRCIO INTERNACIONAL


Quadro n. s 1 (valores de 1989)

INDICADORES E.U.A. JAPÃO C.E.E.

P.I.B./P.N.B.
(crescimento em volume) 3.0, 4.8 3.6
Taxa de desemprego
(em % da pop.activa) 5.2 2.3 9.5
Inflação
(índices de preços no cons.) 4.5 1.7 4.6
B.T.C.
(em biliões de dólares) -122 +61 +5

Fonte: L'Observateur de L'O.C.D.E., ns 162, Fev., Março de 1990.

146
OS GIGANTES DA CONCORRÊNCIA INTERNACIONAL (em 1989)
Gráfico n.fi 1

RB ou P.N.B,

Legenda:
E.UA '
C.E.E. -
Japão -

T.D.4-4 B.T.C.

Fonte: Quadro n2
Inf.

147
De salientar:
- a liderança do Japão com os melhores indicadores;
- a elevada taxa de desemprego na C.E.E.;
- o elevado défice na B.T.C, dos E.U.A.

2.2. P o r t u g a l e a E u r o p a C o m u n i t á r i a
Observemos a posição que o nosso País tem vindo a ocupar antes e
depois da sua entrada na C.E.E..

a) Antes (em 1985)


Observemos o quadro n. a 2 e o gráfico n. s 2.

PORTUGAL/EUROPA - 1985
Quadro n.fi 2

INDICADORES PORTUGAL 4 Grandes Países


da Europa *

Crescimento do P.I.B. 2.25 2.25


Taxa de desemprego 11 10.25
Inflação 19.5 5.25
B.T.C, (em biliões de dólares) -0.25 10.5

* Neste ano, a O.C.D.E. ainda não apresentava informações sobre a


C.E.E.
Fonte: L'Observateur de UO.C.D.E. ns 138 de Janeiro de 86.

148
PORTUGAL/EUROPA (em 1985)
Gráfico n.s 2

Legenda:
Portugal
4 Grandes países
da Europa

T.D.4 B.T.C.

Fonte: Quadro ne 2

É assinalável a distância que nos separa dos quatro grandes países


da Europa, especialmente no que respeita ao saldo da B.T.C, e à
inflação.

149
b) Após a entrada na C.E.E. (em 87)
Vejamos o quadro n.s 3 e o gráfico n.9 3.

PORTUGAL/C.E.E. - 1987
Quadro n.B 3

INDICADORES PORTUGAL C.E.E.

P.I.B. (crescimento em volume, em %) 4.6 2.8


Taxa de desemprego (em %) 7.1 11.0
Inflação (índice de preços) 9.5 3.0 (*)
B.T.C, (biliões de dólares) 0.7 37.4

Fonte: L'Observateur de LO.C.D.E. ne 156, Fev/Março de 89.


* de L'Observateur de L'O.C.D.E., Fev/Março de 88.

c) Após a entrada na C.E.E. (em 89)


Observemos o quadro n.B 4 e o gráfico n.s 4.

PORTUGAL/C.E.E. - 1989
Quadro n.fi 4

INDICADORES PORTUGAL C.E.E.

P.I.B. (crescimento em volume) 4.1 3.6


Taxa de desemprego (em %) 5.4 9.5
Inflação (índice de preços) 12.8 4.6
B.T.C, (biliões de dólares) -1.0 +5

Fonte: L'Observateur de LO.C.D.E. ne 162, Fev/Março de 90.

150
Vo^0*
PORTUGAL/C.E.E. (1987)
Gráfico n.2 3

PIB

Legenda:
Portugal
C.E.E.

r.D.'« j i—H-t- 1 B.T.C.


A ;,' i J i i »

\ n«

Fonte: Quadro n° 3
Inf.

De realçar:
- todos os indicadores se tornam mais favoráveis a Portugal no
período 85/87;
- relativamente à C.E.E., apresentamos em 87 uma taxa de
crescimento superior e uma taxa de desemprego menor. A
distância separadora resulta novamente do saldo da B.T.C.(que
apesar de positivo é menor) e da taxa de inflação que ainda é
tripla da apresentada pela C.E.E.

151
PORTUGAL/C.E.E. (1989)
Gráfico n. s 4

B.T.C.
T.D.-*—i

Fonte: Quadra n° 4

De assinalar:
- dos quatro indicadores utilizados, apenas um (a taxa de
desemprego) se torna mais favorável para Portugal em 87/89;
- relativamente à C.E.E. o diferencial do crescimento - ainda
favorável a Portugal - diminuiu; o diferencial da taxa de
desemprego é mais favorável; o da inflação aumenta, o que é
naturalmente pernicioso; e, finalmente, no que respeita ao saldo
da B.T.C, o diferencial diminuiu, um factor apenas aparente-
mente favorável dado que a C.E.E. apresenta um saldo positivo
enquanto que a balança portuguesa é negativa.

152
Torna-se evidente que o nosso crescimento tem vindo a ser
acompanhado da criação de postos de emprego, mas o fosso que nos
separa da C.E.E. diz respeito ao défice da B.T.C, e à inflação. Esta vai
ter consequências nefastas no sistema de informação de mercado, ao
mesmo tempo que vai estimular nos agentes económicos
comportamentos que não conduzem, de forma nenhuma, ao aumento de
produtividade.
Por outro lado, sendo a inflação em Portugal superior à da C.E.E.
isso vai prejudicar a nossa competitividade.
O défice externo tem sido u m a preocupação constante das nossas
políticas económicas. As necessidades de financiamento do nosso País
arrastam-se de 80 a 84. Aparecem mais tarde capacidades de
financiamento, em 85/87, para de novo a sombra negra das
necessidades de financiamento voltar em 88 e 89.
Por trás desta situação está u m a balança de bens e serviços
sistematicamente negativa. E, enquanto as taxas de cobertura das
importações pelas exportações atingem cerca de 80% no triénio 84/86,
alcançam valores bastante inferiores em 87 (73,5%); em 88 (68,49%) e
em 89 (72,9%) (11).
Porquê?

3. PORTUGAL - UM PAÍS ABERTO AO EXTERIOR

"... Em termos sintéticos pode dizer-se que a aposta maior que


se põe a Portugal neste virar de década é a passagem de uma
sociedade que ainda se rege em muitos domínios - mental, social,
económico, - por um "modelo fechado" para outra de tipo aberto à
semelhança dos nossos parceiros comunitários".
G.O.P. para 89/92, D.Rep.I Série n.e 301 de 30/12/88

Inserido num espaço cada vez mais aberto à concorrência Portugal


apresenta-se com um elevado grau de vulnerabilidade, aliás j á
demonstrado pelos programas de estabilização e afirmado ainda nas
G.O.P. para 88(12).
Às portas do Mercado Único, o nosso país apresenta-se com um
elevado grau de dependência externa u m a vez que tanto as
importações, como as exportações, se tornam vitais para apoiar o
desafio de modernização que nos é apresentado.

153
3.1. Indicadores de Vulnerabilidade e Dependência
A dependência e vulnerabilidade da economia portuguesa ficam
patentes através dos seguintes indicadores:
- relação entre as exportações e a procura global;
- grau de abertura;
- e grau de penetração das importações,
construídos com auxílio das National Acoounts da O.C.D.E.(13).

a) Exportações/Procura Global (em %)


Vejamos o quadro n.9 5:

As exportações na procura global (em %)


Quadro n.s 5

Países 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988

Portugal 19.3 17.9 18.2 21.8 25.7 26.4 24.4 24.2 24.3
Espanha 13.4 15.1 15.6 17.4 19.5 19.3 17.2 16.5 16.2
França 17.5 18.3 17.6 18.3 19.5 19.4 17.7 17.3 17.7
Reino Unido 21.9 21.5 21.2 21.2 22.3 22.8 20.6 20.4 18.6
R.F.A. 20.9 22.6 23.5 22.8 24.0 25.2 24.1 23.3 23.7
Japáo 11.9 13.0 12.8 12.5 13.5 13.2 10.7 9.8 9.5
E.U.A. 9.2 8.8 7.9 7.2 6.9 6.4 6.7 7.1 8.0

Indicador construído tendo por base as National Accounts (O.C.D.E.), Paris, 1990.

- de 84 a 88 o valor das nossas exportações na P.G. torna-se mais


elevado que aqueles que são apresentados pelos outros países;
- a partir de 86, a tendência destes indicadores é de descida, para
Espanha, enquanto para nós se mantém praticamente inalterável
mas bastante acima dos valores apresentados para a economia
espanhola;
- de realçar os baixos valores apresentados pelos E.UA. e pelo Ja-
pão ao longo de todo o período. Em 87 e 88 representam cerca de
metade dos valores mais baixos apresentados pelos outros países.

b) Grau de Abertura
(Importações + Exportações/P.I.B.)
Observemos o quadro n.s 6:

154
Grau d e a b e r t u r a
(Importações + E x p o r t a ç õ e s / PIBp.m.)
Quadro n. 9 6

Países 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988

Portugal 69.42 71.14 71.38 75.42 82.42 78.71 69.11 75.75 81.78

Espanha 33.98 38.30 39.33 43.11 45.03 44.58 38.32 39.15 40.19

França 44.27 46.10 45.50 45.13 47.65 47.16 41.48 41.46 42.86

Reino Unido 52.65 50.88 51.08 52.49 57.54 57.20 52.90 52.87 50.72

R.F.A. 53.61 57.13 57.56 55.83 59.21 61.22 54.89 54.49 53.63
Japão 28.28 28.72 28.46 26.24 27.50 25.87 19.05 17.88 18.23
E.U.A. 20.88 20.05 18.13 17.41 18.07 17.17 17.95 18.98 20.11

Indicador construído tendo por base as National Accounts (O.C.D.E.), Paris, 1990.

- os valores apresentados por Portugal superam, de longe, ao longo


de todo o período os valores apresentados pelos outros países;
- de 86 para 88 o nosso grau de abertura aumenta (o mesmo
acontecendo com a Espanha). A entrada na C.E.E. com certeza
não é alheia a este facto;
- ao longo de todo o período, pode-se constatar os baixos valores
apresentados pelos E.U.A. e pelo Japão.

c) Grau de Penetração das Importações


(Importações/Procura Interna)
Vejamos o quadro n. s 7:
Grau de P e n e t r a ç ã o d a s I m p o r t a ç õ e s
(Importações / P r o c u r a Interna)
Quadro n.e 7

Países 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988

Portugal 0.366 0.379 0.379 0.391 0.418 0.397 0.349 0.386 0.417

Espanha 0.177 0.197 0.202 0.217 0.218 0.216 0.184 0.195 0.200

França 0.224 0.233 0.230 0.226 0.236 0.234 0.204 0.206 0.213
Reino Unido 0.256 0.245 0.250 0.259 0.288 0.283 0.266 0.267 0.263
R.F.A. 0.269 0.284 0.282 0.274 0.291 0.298 0.262 0.249 0.255
Japão 0.144 0.140 0.139 0.124 0.127 0.116 0.078 0.075 0.081
E.U.A. 0.106 0.102 0.09 0.09 0.10 0.09 0.10 0.10 0.10

Indicador construído tendo por base as National Accounts (O.C.D.E.), Paris, 1990.

155
- Portugal apresenta, ao longo de todo o período, o maior grau de
penetração;
- a partir de 86 o nosso grau de penetração aumenta o mesmo
acontecendo com Espanha o que está provavelmente mais uma
vez relacionado com a entrada na C.E.E.;
- em 86/88 o nosso grau é praticamente duplo do espanhol;
- de assinalar, novamente, os baixos valores apresentados pelos
E.U.A. e pelo Japão.

3.2. A N e c e s s i d a d e de u m a N o v a Cultura
Tendo por base os três indicadores analisados podemos afirmar que
é grande a nossa dependência e vulnerabilidade. Assim, qualquer crise
que afecte os líderes da economia internacional afecta com toda a cer-
teza muito mais a nossa pequena economia dada a sua permeabilidade.
Numa sociedade aberta as condições de competitividade exigem uma
grande rapidez de resposta aos desafios do meio. Isso só é possível
através de um processo de crescimento diversificado e não meramente
quantitativo - eixado numa nova cultura.
A gestão macroeconómica do País terá de ser estratégica e de longo
prazo, orientada para um desenvolvimento equilibrado.
O planeamento deverá, então, ser encarado de u m a outra forma,
numa perspectiva de valorização dos aspectos qualitativos (14).

4.COMPETITIVIDADE-UM PROJECTO DE SOBREVIVÊNCIA

"... Em última análise, e tendo em conta a via escolhida pelos


Doze, a capacidade de resistência da Europa dependerá, em
grande parte, da competitividade das suas empresas".
Boletim Inf.do B.F.N., n.e 3/4, Março/Ab. de 1989, página 70.

4.1. O Mercado Concorrencial


Tem sido preocupação dos legisladores da Comunidade a defesa da
concorrência. O Tratado de Roma/C.E.E. no seu artigo n. 2 85 proíbe o
acordo entre empresas, as associações e as práticas concertadas que
afectem o comércio entre os Estados-membros e que tenham por
objectivo impedir, restringir ou falsear a concorrência.

156
O artigo n.Q 86 do mesmo Tratado, também em defesa e salvaguarda
do comércio entre os Estados membros, pretendeu evitar que uma ou
mais empresas explorem de forma abusiva uma posição de dominação
do mercado.
Entre nós, a preocupação de defesa da concorrência abriu passagem
ao Dec.Lei n. s 422/83 (15) mais tarde completado pelo Dec.Lei n. s 428/88
(16) que se constituem como pilares da salvaguarda da concorrência,
considerada u m dos instrumentos essenciais da política económica.
É através de um mercado concorrencial que os consumidores poderão
ter uma escolha mais diversificada de bens e serviços, com qualidade,
ao mesmo tempo que as empresas se sentirão estimuladas para atingir
u m a maior eficácia.

4.2. A Competitividade: U m a A b o r d a g e m c o m B a s e n o
P.C.E.D.E.D.
O P.C.E.D.E.D. (17) constitui-se como concretizador de u m a
estratégia macroeconómica de progresso controlado.
Observemos o esquema n. 9 1:
Neste programa a Competitividade é a variável fundamental - em
ligação directa com os custos unitários de produção. Estes, sendo
baixos, permitem u m a mais fácil conquista de mercados e, por outro
lado, poderão baixar ainda mais por efeito das economias de escala
permitidas pela dimensão dos mercados conquistados.
Observemos, então, como forma de análise da competitividade da
nossa economia o comportamento dos custos de produção.

4.2.1. A P r o b l e m á t i c a d o s Custos de P r o d u ç ã o
Nesta análise darei realce aos seguintes aspectos:
- aos custos salariais, como indicador de competitividade;
- aos custos em juros e impostos;
- e ao autofinanciamento como forma de poupança de custos.

157
PHI i l l
Ï SS^-S
ce g « Era
LL O ES

<Ç s
O ÍD

.SSSojsa:

?^õ- oogSQCD
û oË" "3 E
O)

õ «Sã
já o y C - Û
C T 3 5 (D O
o "ES

CD C CD O
QfcE

lljaf

gn«20,«
feT3 C => O C
QOf°E«
,9 Ï Ï . E »
CJ en

T) ^3 ira

ÎBfff
5
f° J,§
Z no
« tgo<S-~

u ;
CL C CO C L

co" c» ÎË\!S , § "<S


OJ-S E CO C cO

vonnod SIVNId
svoiinod 3Q S30ÔV1N3IHO soAiiosrao

158
a) Custos Salariais

- Em Portugal por Grandes Ramos


Tendo por base os quadros de Entradas e Saídas do período
80/86 (18) calculamos os V.A.B. por grandes ramos e as remune-
rações pagas também por grandes ramos, como forma de chegar
a um indicador - os custos salariais. Vejamos o quadro n.2 8:

Custo Salarial por grandes ramos em Portugal


Quadro n.s 8
unidade: 1000 C

Grandes Ramos 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986

Agr.Silv. e Pesca 0.20 0.21 0.19 0.20 0.18 0.18 0.17


Indústria 0.52 0.54 0.55 0.52 0.47 0.45 0.45
Construção 0.68 0.67 0.66 0.70 0.75 0.70 0.67
Com.e Serv.Com. 0.37 0.37 0.36 0.34 0.33 0.31 0.32
Banca e Seguros 0.42 0.39 0.37 0.40 0.45 0.45 0.47
Serviços N.Com. 0.99 0.99 0.99 0.99 0.99 0.99 0.99
TOTAL 0.52 0.53 0.53 0.52 0.50 0.48 0.49

Fonte: Quadros de Entradas e Saídas (p.c), Contas Nacionais, I.N.E.


Legenda: Custo Salarial = Remunerações/V.A.B.
Ag.Silvicultura e Pesca = Ramos 01 + 02 + 03
Indústria = Ramos 04 a 30 + 32
Cosntrução = Ramo 31
Com. e Serviços Comercializáveis = Ramos 33 a 38 + 42 a 45
Banca e Seguros = Ramos 39 + 40
Serviços Não Comercializáveis = Ramos 46 a 49
O Total abarca, além dos ramos referidos, o ramo 41 e o ramo fictício.

De assinalar:
- a tendência decrescente dos custos salariais na Ag.Silv.e Pesca
e o seu valor reduzido em comparação com os outros ramos;
- a tendência também decrescente dos custos no Com.e Serv.
Com. e o seu valor reduzido mas já superior aos anteriores;
- a Banca apresenta-se de seguida (embora ultrapasse a

159
Indústria em 86). Depois de u m a tendência descendente até
82, os seus custos aumentam sempre até 86 - ano em que
atingem os valores mais altos do período (0.47);
- a Indústria é o ramo que se apresenta de seguida com custos
salariais mais elevados. Lembremos que este ramo ocupa um
lugar privilegiado no comércio internacional. Com custos
crescentes até 82 e decrescentes de 82 para 86, atinge em 85
e 86 (0.45) o valor mais baixo do período;
- a Construção vem a seguir com custos salariais ainda mais
elevados, mas oscilantes na sua variação;
- finalmente os S.N.C, apresentam os custos mais elevados
(0.99) e u m a constância notável.
Tomando por base o ano de 1980 assinalemos num gráfico (n. s 5)
a evolução verificada pelos custos salariais em dois ramos
fundamentais a Ag.Silv. e Pesca e a Indústria.
Pode constatar-se:
- a tendência decrescente dos custos salariais de 83 para 86 nos
dois ramos, Ag.Silv.e Pesca e Indústria;
- que os custos salariais do total dos ramos apresentam também
u m a tendência descendente de 83 para 86, embora no último
ano se verifique u m a pequena subida que se deve,
principalmente, ao comportamento crescente dos custos
salariais na Banca e Seguros.

Custos Salariais, por grandes ramos em Portugal


Base 100: 1980
120-1

80 81 B2 83 84 85 86

È
— " ' Agr.Sil. e Pesca ° Indústria " ' Total dos ramos

160
- Custos Salariais na Indústria Transformadora
(Portugal e os outros países concorrentes)
O que são os custos salariais do nosso sistema produtivo,
quando comparados com custos similares de outros países? (19)
Façamos uma análise apenas circunscrita à Indústria (a
Manufacturing das National Accounts) (20) por ser esta que
ocupa lugar privilegiado no comércio externo. Segundo as contas
nacionais portuguesas, em 80/86, ela atingiu cerca de 80% das
importações e das exportações. Vejamos o quadro n. s 9:

Custos salariais n a i n d ú s t r i a (Manufacturing)


Quadro n. s 9

Países 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986


Portugal 0.528 0.53 0.55 0.526 0.48 0.464 0.463
Espanha 0.561 0.55 0.539 0.513 0.485 0.47 0.429
França 0.68 0.70 0.70 0.686 0.682 0.663 ...
Reino Unido 0.81 0.816 0.782 0.76 0.75 0.724 0.704
R.F.A. 0.68 0.69 0.679 0.654 0.65 0.644 0.635
Japão 0.50 0.517 0.517 0.524 0.515 0.514 0.521
E.U.A. 0.74 0.73 0.737 0.71 0.694 0.706 0.697

Fonte: Indicador construído tendo por base as Nat.Accounts da O.CD.E.,Paris, 1990.


Legenda: Custo Salarial = Remunerações/V.A.B. (a preços correntes)
Sendo: Portugal - em milhões de escudos
Espanha - em biliões de pesetas
França - em milhões de francos
R.Unido - em milhões de libras
R.F.A. - em milhões de marcos
Japão - em biliões de ienes
E.U.A. - em milhões de dólares

A tendência parece ser p a r a que os custos salariais baixem.


Especialmente a partir de 83, essa tendência é lei para todos (ou
quase todos) os países em análise. Um caso, porém, é notável é
a Espanha - que apresenta u m a descida contínua nos seus custos
salariais ao longo de todos os anos em análise.
E evidente que a descida dos custos salariais se deve a vários
factores, mas podemos, em síntese, afirmar que sempre que tal

161
acontece isso está relacionado com o facto das remunerações não
acompanharem os ganhos de produtividade alcançados, nomeada-
mente através dos investimentos.
Se compararmos Portugal com os restantes países (por ex. no
ano de 86) constatamos que o custo de 0.46 é ultrapassado por
todos os nossos concorrentes com a única excepção da Espanha
que apresenta o valor de 0.42.
Assim, em 1986, pode-se observar que:
- os custos salariais na Península rondam os 0.40;
- no Japão ascendem a 0.50;
- nos E.U.A. e nos países mais industrializados da Europa
situam-se entre os 0.60 e 0.70.
Mas, sendo os custos salariais um indicador de
competitividade, que repercussões se podem ver no comércio
externo português?

- Custos Salariais e Comércio Externo na Indústria


Vejamos, com auxílio das Contas Nacionais, como evoluiu o
comércio externo na Indústria. Os indicadores construídos são: o
saldo (Exportações - Importações) e a taxa de cobertura das
Importações pelas Exportações. O quadro n. s 10 informa sobre
esses indicadores no período 80/88.
De realçar:
- os saldos negativos em todos os anos do período;
- de 80 para 81 a situação deteriora-se quer no que respeita
ao saldo como à taxa de cobertura;
- de 81 para 82 o saldo deteriora-se mas, a taxa de cobertura
melhora;
- a vinda de melhores anos, apontada no período anterior, é
confirmada pois em 82/83, 83/84 e 84/85 os saldos e as
taxas de cobertura tornam-se mais favoráveis;
- de 85 para 86, de 86 para 87 e de 87 para 88 a tendência
inverte-se. Tudo piora no que respeita aos saldos e às taxas
de cobertura.
Diríamos, assim, que, apesar da tendência descendente dos
custos salariais na Indústria e da posição de inferioridade relati-
vamente aos nossos parceiros (com excepção da Espanha) no co-

162
mércio internacional - nomeadamente a partir de 85/86 -, a baixa
dos custos salariais não é acompanhada de uma melhor situação
no comércio externo (infelizmente não foi possível dispor de
valores que permitissem calcular os custos salariais em 87 e 88).

Comércio Externo - Indústria


Quadro n.s 10

Anos Saldos Taxa cobertura das


(Exp. - Imp.) Imp. pelas Exp.

1980 (P80) -174746 58.68


81 (P80) -191289 55.50

81 (P81) -258244 52.02


82 (P81) -261602 53.31

82 (P82) -313430 53.11


83 (P82) -209220 66.19

83 (P83) -266767 66.51


84 (P83) -145027 80.52

84 (P84) -172467 81.92


85 (P84) -146641 85.19

85 (P85) -146324 87.16


86 (P85) -310282 77.53

86 (P86) -173747 86.49


87 (P86) -417380 74.31

87 (P87) -433717 75.56


88 (P87) -648236 69.24

Fonte: Q.E.S. (a PC. e a preços do ano anterior).

- Custos Salariais na Têxtil, Vestuário, Couro e Calçado


(Portugal e os países concorrentes)
Tendo por base as National Accounts, vejamos através do
quadro n.9 11 a posição que Portugal ocupa junto dos seus
concorrentes, tomando como variável de estudo os custos salariais
deste ramo (21).

163
Custos salariais na Têxtil, Vestuário, Couro e Calçado
Quadro n.a 11

Países 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986

Portugal 0.679 0.693 0.705 0.66 0.552 0.516 0.508

Espanha 0.627 0.616 0.596 0.589 0.563 0.547 0.508

Itália a) 0.551 0.561 0.555 0.566 0.547 0.516 0.514

França 0.753 0.769 0.757 0.764 0.766 0.723 0.68*

a) País escolhido pela sua posição na concorrência internacional.


Fonte: Indicador construído tendo por base as National Accounts (O.C.D.E.),Paris, 1990.
* Do tableau d'entreés-sorties, de France, à P.C., rapport sur les comptes, de la
Nation (89), I.N.S.E.E.
Os custos salariais portugueses são novamente descendentes
a partir de 1983. Nessa data são superados pela França; em 84
e 85 pela França e pela Espanha; em 86 são os mais baixos, a par
da Espanha, embora superados pela Itália - um dos mais
agressivos concorrentes no comércio internacional - e pela
França.

- Custos Salariais e Comércio Externo na Têxtil, Vestuário,


Couro e Calçado
Que relação podemos estabelecer entre a evolução dos custos
salariais e o comércio externo neste ramo?
Utilizemos mais uma vez as Contas Nacionais e os dois
indicadores, saldo (Exportações - Importações) e taxa de
cobertura das Importações pelas Exportações. Veja-se o quadro
n.s 12.
A situação melhora sempre de 80 a 84. Tudo começa a
deteriorar-se a partir de 84/85. Assim, as exportações aumentam
13.46% e as importações 30.19%; em 85/86, as exportações
aumentam 11.89% (menos que no período anterior) e as
importações 43.53% (mais que no período anterior). Desta forma,
em 84/85, a taxa de cobertura desce embora o saldo positivo
continue a aumentar. Em 85/86 há uma grande descida da taxa
de cobertura. Em 86/87 as exportações aumentam 13.94% (mais
que no período anterior) mas as importações aumentam 51.57%
(bastante mais que no período anterior). Tudo isto conduz a que

164
o saldo diminua e a taxa de cobertura também. Em 87/88 as
exportações aumentam 5% (bastante menos que no período
anterior) e as importações 16.46% (também menos que no período
anterior) - factos que vão provocar que o saldo diminua e a taxa
de cobertura também. De referir, ainda, que neste período a taxa
de cobertura atinge o valor mais baixo de sempre.

Comércio Externo - Têxtil, Vestuário, Couro e Calçado


Quadro n.8 12

Anos Saldos Taxa cobertura das


(Exp. - Imp.) Imp. pelas Exp.

1980 (P80) 51332 366.59


81 (P80) 53926 399.73

81 (P81) 58688 390.16


82 (P81) 71394 431.70

82 (P82) 82421 409.41


83 (P82) 98165 470.26

83 (P83) 132367 507.40


84 (P83) 154896 516.30

84 (P84) 201950 519.12


85 (P84) 221076 452.40

85 (P85) 268796 461.51


86 (P85) 277223 359.67

86 (P86) 306576 365.05


87 (P86) 305801 274.40

87 (P87) 350532 288.70


88 (P87) 346902 260.30

Fonte: Q.E.S. (a PC. e a preços do ano anterior).

Podemos afirmar que apesar dos nossos custos salariais se


situarem acima dos custos espanhóis e italianos (de 80 a 83)
mesmo assim a nossa situação, no comércio internacional, é boa.
Por absurdo que pareça é a partir de 84 (período em que a nossa
situação externa piora) que os custos salariais portugueses se
tornam relativamente menores em comparação com os custos
congéneres dos outros países concorrentes.

165
Mas, além dos custos salariais (um dos indicadores utilizados
para medir a competitividade de um País) (22), há outras
variáveis a ter em consideração para explicar as perdas no
comércio internacional.
Vejamos mais um indicador construído para informar sobre o
comportamento de outros custos, nomeadamente juros e impostos.

b) Custos Salariais e Outros


Observemos o quadro n.s 13 construído a partir dos Quadros Ec.
de Conjunto, de Portugal, e dos Tableau Ec. D'Ensemble, franceses,
para informar acerca dos custos das empresas (S10) em Remunera-
ções, Juros e Impostos.

Custos salariais e outros (Sector S10)


Quadro n.a 13

Descrições
1985 1986 1987 1988 1989
Países Rácios

França Rem./VAB(R10) 65.19 62.57 62.34 61.14 60.73

Portugal Rem./PIB (R10) 51.94 53.03 55.19 54.33 53.40

França Juros/VAB(R41) 11.0 9.61 9.17 8.88 9.46

Portugal Juros/PIB (R41 42.21 29.7 22.56 23.53 24.77

França Imp.Sub/VAB (R20-R30) 6.35 6.47 6.14 6.52 6.66

Portugal Imp.Sub/PIB (R20-R30) 15.21 12.04 7.41 6.79 6.05

França Imp.S/Rend/VAB (R61) 3.27 3.51 3.79 3.85 4.02

Portugal Imp.S/Rend/PIB (R61) 3.37 3.10 3.81 4.51 5.55

Fonte: Para Portugal: Quadros Económicos de Conjunto das Contas Nacionais Portuguesas.
Para França: Tableau Économique d'Ensemble das Contas Nacionais Francesas.

Rácios: Rem. (R10) / VAB Imp.-Sub. (R20-R30) / VAB


Rem. (R10) / PIB Imp.-Sub. (R20-R30) / PIB
Juros (R41) / VAB Imp. S/Rend. (R61) / VAB
Juros (R41) / PIB Imp. S/Rend. (R61) / PIB

De assinalar:
- que em França, como em Portugal, os custos salariais pesam
mais que os custos em juros e impostos;
- que, enquanto os nossos custos salariais são
proporcionalmente mais baixos, com os juros e impostos
passa-se precisamente o inverso;

166
- a enorme diferença entre os custos em juros suportados pelas
empresas portuguesas e aqueles que atingem as congéneres
francesas (chegam a ser três e quatro vezes menores).

c) Custos e Política Económica

Parece então evidente que, mais que sobre os custos salariais, a


atenção da política económica portuguesa deverá incidir sobre os
custos em juros que as empresas fatalmente terão de suportar,
principalmente aquelas que não tenham capacidade para se
autofinanciar e que são com certeza as que estão ligadas a ramos
mais desprotegidos (mas nem por isso menos importantes) da
economia nacional.
Apesar de nos últimos anos se ter desenvolvido o mercado de
capitais e a desintermediação bancária, o crédito continua a ser a
grande fonte de financiamento, conforme o comprova o quadro
seguinte (o n. s 14), construído para o período 85/89 e tendo por base
as contas financeiras dos Q.E.C das Contas Nacionais.

O F i n a n c i a m e n t o de S10
(Conta F i n a n c e i r a - Variação d e Débitos)
Quadro n. s 14

Indicadores 1985 % 1986 % 1987 % 1988 % 1989 %


F 30/50 106641 21.5 87529 19.4 200655 32.3 148384 18.4 473961 34.8
F 60/80 388433 78.5 364884 80.6 420628 677 660215 81.6 887022 65.2
Total

(V.débitos) 495074 100 452413 100 621283 100 808599 100 1360983 100

Fonte: Q.E.C, (conta C6)

E será justo continuar a sacrificar as remunerações quando se


afirma na Lei Fundamental do País a preocupação com a "justa
repartição individual e regional do produto nacional" (23) e ao
mesmo tempo se verifica, através das contas nacionais, que a
distribuição funcional do R.N.B.c.f. tem vindo a ser desfavorável
para as remunerações desde 1983? Vejamos, para o comprovar, o
quadro n.° 15.

167
D i s t r i b u i ç ã o funcional d o R.N.B.cf e m P o r t u g a l
Quadro n.fi 15

Indicadores 1980 81 82 83 84 85 86 87 88 89

Rem/BNBcf 59 72 62.07 62.18 61.38 59.75 57 32 55.28 54.69 54.48 52.20

R.de prop- e emp. 37.97 37.82 38.62 40.25 42.68 44,72 45.31 45.52 47.80
40.28
/RNBcf

Fonte: Q.E.C, das C.N. Portuguesas

Mas a distribuição de rendimentos em Portugal será mais ou


menos desfavorável para as remunerações quando comparada com
outros países? Observemos o quadro n. s 16.

As r e m u n e r a ç õ e s n o R.N.B.cf (Portugal e o s outros)


Quadro n.B 16

Países 1985 1986 1987 1988

Portugal 57.32 55.28 54.69 54.48


Espanha 50.46 50.75 n.d. n.d.
França 63.15 61.14 60.68 59.90
Reino Unido 63.27 64.26 63.5 n.d.
R.F.A. 59.99 59.49 59.68 58.9
Japão 58.37 58.56 58.90 58.96
E.U.A. 64.36 64.80 65.03 65.12

Indicadores construídos tendo por base as National Accounts (O.C.D.E.),


Paris, 1990.

A parte das Remunerações no R.N.B.cf. em Portugal (em 85/88)


é bastante reduzida, com tendência a descer, e sempre inferior à dos
diversos países (com excepção da Espanha).
Parece poder concluir-se que os baixos custos salariais (em 85 e
86) de Portugal e Espanha estão mais relacionados com baixos
níveis salariais (relativos), enquanto o baixo nível dos custos
salariais no Japão está mais relacionado com altos níveis de
produtividade do seu sistema produtivo.
Os custos salariais mais elevados noutros países, nomeadamente
nos E.U.A., estão, com certeza, relacionados com salários mais

168
compensadores, u m a vez que a distribuição de rendimentos é mais
favorável para as remunerações. Os altos níveis de produtividade do
sistema produtivo dos E.U.A. permitem não só que as remunerações
aumentem a sua parte na distribuição (de 85 a 88), como uma
diminuição dos custos salariais (0.706 em 85 e 0.697 em 86) e taxas
de autofinanciamento elevadas (+ de 100%).

d) Autofinanciamento e Poupança de Custos


O autofinanciamento das empresas vai depender, por um lado, da
sua propensão para poupar e, por outro, da sua propensão para
investir o que evidentemente está em estreita relação com a
conjuntura económica nacional e internacional.

- Investimento e Taxa de J u r o
Qual a importância da taxa de juro nas decisões de
investimento?
A visão crítica do papel da taxa de juro nas decisões de
investimento realça a importância das suas motivações.
Keynes mostra que não só a taxa de juro, mas as expectativas
relacionadas com as vendas futuras e com todo o enquadramento
macroeconómico, nomeadamente a política económica,
desempenham u m papel mais importante que a taxa de juro nas
decisões de investimento (24).
Lembremos que o planeamento desempenha um papel muito
importante nessas decisões contribuindo para diminuir aquilo a
que se convencionou chamar as "incertezas secundárias"(25).
Investimentos que podemos considerar estratégicos podem ser
impelidos por forças que ultrapassam a mera comparação teórica
entre a taxa de juro e a eficiência marginal do capital. O
empresário pode ser motivado para investir mesmo em condições
de rendibilidade pouco favoráveis, nomeadamente de curto prazo.
Tanto a procura, como os avanços tecnológicos, e a política
fiscal podem ter u m a influência determinante na rendibilidade
esperada dos investimentos, a uma dada taxa de juro, o que
explica o paradoxo de "taxas de juro elevadas coabitando com
investimentos também elevados"(26).
Mas a verdadeira "independência" do investimento, relativa-

169
mente à taxa de juro, pode ser alcançada quando as empresas
têm capacidade para se autofinanciarem.
Quanto maior é a capacidade de autofinanciamento de uma
empresa, mais inelástica é a curva da eficiência marginal do
capital relativamente à taxa de juro (27). Observemos o gráfico
n. s 6:

Gráfico n. e 6

Toxa

Juro
E2

A il

i'2

Ir vestimenta

forte: Denlse Flouzat, Analyse Ecoromlque, Conptabllré Notiorale

170
Neste caso, a empresa com maior capacidade de
autofinanciamento é aquela que apresenta a curva E 2 . A curva Ej
será aplicada, por hipótese, a u m a empresa que tem maior
necessidade de recorrer ao crédito para fazer os seus
investimentos.
Assim, u m a subida da taxa de juro de i0 para ix reduz bastan-
te menos o investimento em E 2 (I2 - I2') do que em E1 (Ij -I/).

- O Autofinanciamento em Portugal e nos Outros Países


Sendo o autofinanciamento u m a estratégia fundamental de
poupança de custos (realçada no P.C.E.D.E.D.) num mundo
empresarial que enfrenta custos elevados em juros, vejamos,
através das contas nacionais, como se apresentam as nossas
empresas (S10) em comparação com as congéneres estrangeiras.
Observemos o quadro n. e 17.

Taxa de A u t o f i n a n c i a m e n t o d e S10 (em %)


(SB/FBCF)
Quadro n. s 17

Países 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89

Portugal 8 -18.5 -52 -50 -71.2 -44 30.2 45.6 39.15 32.31*

Espanha 69.5 64.3 76.7 78.4 96.6 112.3 103.5 n.d. n.d. n.d

França 61.7 56.1 57.6 64.1 74.4 75.7 90 90 86.9 n.d.

R.Unido 78 83.9 98.3 120.4 115.3 113 111.3 118.3 n.d. n.d.

R.F.A. 48.6 44.4 50.8 60.4 60.3 62 74.2 74.6 n.d. n.d.

Japão 62.8 61.8 66 68.6 70.6 71.2 78 77.3 71.1 n.d.

E.U.A. 79.3 83.6 87.6 103.3 106 104.4 103 105 103 n.d.

* Valor calculado tendo por base C.N. Portuguesas de 89 (ainda não publicadas).
Os restantes valores foram calculados tendo por base as National Accounts (O.C.D.E.), Paris, 1990.

O autofinanciamento em Portugal é manifestamente reduzido


e bastante inferior àquele que é apresentado pelos outros países
(mesmo por Espanha).
É evidente a nítida melhoria de 85 para 86 (a partir de 86 a
poupança das nossas empresas deixa de ser negativa).

171
4.2.2. U m a Crítica à P o l í t i c a de R e n d i m e n t o s
Após a entrada em vigor do P.C.E.D.E.D., em 1987, a taxa de auto-
financiamento baixou de 45.6 para 39.15 (em 88) e para 32.31 (em 89).
Apesar da tendência de descida dos custos salariais, principalmente
nos ramos mais ligados ao comércio internacional, e da perda das
Remunerações no R.N.B.c.f., não se verificou o necessário aumento da
taxa de autofinanciamento de S10 , além de, como j á vimos, não se
terem verificado os resultados esperados no comércio externo e, talvez,
por que os baixos níveis salariais são u m a "base artificial e transitória
de competitividade" (28).
Que política de rendimentos adoptar?
Dadas as dificuldades enfrentadas nos vários países na adopção das
políticas de rendimentos, alguns economistas, nomeadamente Martin
Weitzman (29), tentaram resolver o problema apontando u m a outra
modalidade de formação de rendimentos.
As remunerações têm vindo, ao longo dos tempos, a tornar-se um
custo fixo, factor que dificulta as necessárias adaptações das empresas
à evolução conjuntural do meio e as obriga a u m aumento de preços
mesmo quando a produção diminui (stagflation).
Martin W. propõe um princípio de determinação de salários tendo
por base a repartição dos resultados de cada empresa.
Assim, em período de recessão, "o custo marginal associado ao
último trabalhador recrutado será inferior ao custo médio que lhe é
igual no sistema tradicional de fixação de salários".
Através deste processo as empresas terão interesse em recrutar
trabalhadores, contribuindo, assim, para o pleno emprego sem criar
tensões inflacionistas.
Este sistema pode também estimular o aumento da produtividade
dos trabalhadores, motivando-os num ambiente salutar que os faz
sentir mais ligados à Sua empresa.
Parece-me que as Remunerações deverão ser vistas numa tripla
perspectiva - como custo, como variável na distribuição de rendimentos
e como factor de motivação e reconhecimento da competência
profissional do trabalhador da Nova Empresa.
Na C.E.E. este problema não tem sido esquecido. Assim,
sublinhando u m a lacuna que considera incompatível com a criação do
Mercado Único em 93, propõe aos 12 a aprovação das grandes linhas de
um Estatuto de Sociedade Anónima Europeia. Este novo estatuto

172
pretende estar ao serviço das empresas transnacionais (30) ao mesmo
tempo que concretiza um avanço na chamada "Europa Social". As
empresas que optarem por esse estatuto terão de permitir uma
participação mínima de trabalhadores (há três opções) e em
contrapartida disporão de vantagens fiscais (31).
Um dos grandes problemas, a ultrapassar, diz respeito à
participação dos trabalhadores no capital desta sociedade. Esta questão
é ainda mais complexa u m a vez que vai influenciar a constituição dos
órgãos sociais. O sistema dualista (com um conselho de administração
e um conselho fiscal) é exigido no caso da co-gestão dos trabalhadores.
Este estatuto de empresa comunitária foi seriamente criticado, numa
Mesa Redonda de Industriais Europeus, constituída pelas 40 maiores
multinacionais da C.E.E., por colocar em risco a "competitividade
europeia". (32)
Que rumo trilhar para alcançar a tão difícil e almejada
competitividade?
Sem duvida que "a qualidade é a melhor forma de reencontrar a
competitividade e os lucros". (33)

5. A QUALIDADE - UM PROJECTO AO SERVIÇO DE UM


CRESCIMENTO MAIS EQUILIBRADO

" Os objectivos económicos e sociais das políticas dos Estados


tendem hoje, e cada vez mais, a integrar a garantia e o
desenvolvimento da qualidade de produtos e serviços, como factor
essencial do aumento de produtividade em geral e da
competitividade dos produtos nacionais/.../"
Dec.Lei n. 9 165/83, Diário da Rép.I Série n. s 96 de 27/04/83.

O processo de crescimento que não aumenta o desemprego, que não


gera tensões inflacionistas - as reivindicações salariais diminuem - (34)
e melhora a competitividade das empresas, é o crescimento apoiado
num projecto de qualidade total - "motor de u m a nova concepção de
empresa, vector de expansão económica e do desenvolvimento humano
e social (35).

173
5.1.0 Projecto Qualidade Total:As E s t r a t é g i a s Interna e E x t e r n a
A qualidade total abrange a totalidade das actividades, funções,
colaboradores, relações cliente - fornecedor na empresa, relações com o
exterior, mercados (actuais e potenciais) e todo o ciclo de vida do
produto ou produtos concebidos pela empresa - entendida esta como um
sistema.(36)
A gestão estratégica da qualidade, factor chave da competitividade,
melhora a qualidade e a produtividade de toda a organização, através
de métodos e instrumentos próprios, tendo com suporte a mobilização
de todos.(37)
Sendo um projecto - a via conciliadora das estratégias materializa-se
na adopção de uma estratégia de qualidade voltada para dentro da
empresa - estratégia interna e de outra dirigida ao meio - estratégia
externa. Aquela é dirigida para atingir um objectivo essencial: fazer
nascer a qualidade dentro da empresa como forma de ir ao encontro da
fabricação de um produto com qualidade que melhor satisfaça o
consumidor.
Um dos processos a utilizar poderá ser a criação de círculos de
qualidade (e de pilotagem) que, não sendo um objectivo em si mesmos,
(38) se constituem como "semente" da qualidade, permitindo a
flexibilização indispensável das estruturas e a concomitante melhor
circulação da informação e, ao mesmo tempo, u m a permanente
motivação para a formação.
É através do contínuo questionamento da qualidade que surge a
inovação - a variável estratégica que permite a necessária capacidade
de antecipação e adaptação da empresa ao meio. (39)
Os círculos, através da gestão participativa, constituem-se numa
prática de gestão social - os factores sociais não podem ficar esquecidos
na gestão do económico - ao serviço da democracia industrial, num
supremo respeito pelo Homem em todas as suas vertentes.
O objectivo básico da estratégia externa é que a empresa fabrique
um produto que, pelas suas características, vá ao encontro do mercado
a conquistar, não pelas suas características técnicas mas pelos serviços
que presta (40) - é o marketing em estreita ligação com a qualidade.

5.2. A Qualidade a D i m i n u i ç ã o dos Custos de P r o d u ç ã o


Hoje, a qualidade j á não pode ser atingida a qualquer preço como
acontecia na Era do seu controlo. Deve ser construída passo a passo,

174
dentro da empresa e em ligação permanente com o meio, ao serviço de
uma poupança significativa de custos - os custos da não qualidade.
A tendência para o desaparecimento dos produtos defeituosos e a
mobilização do pessoal da empresa, num projecto comum, com o
consequente aumento de produtividade, vão eliminar os custos da não
qualidade.
Todo o ambiente interno da empresa, melhorado através da gestão
estratégica da qualidade, vai, em suma, provocar uma diminuição dos
custos de produção.

5.3. A Qualidade e a C o m p e t i t i v i d a d e
Num mundo em permanente mudança e intensa concorrência só
sobrevivem as empresas que produzem com qualidade.
Não chega produzir a baixo custo, principalmente quando isso se
deve a baixos salários: é preciso criar produtos que vão ao encontro da
qualidade pretendida pelos consumidores - u m a qualidade total.
Desta forma, as nossas empresas poderão conquistar mercados
internacionais e, ao mesmo tempo, competir no mercado interno com os
produtos que nos invadem via importação.

CONCLUINDO:
Portugal - país aberto, vulnerável e fortemente dependente das
importações e das exportações para crescer - terá u m a via a seguir para
o desenvolvimento - a Qualidade na gestão de toda e qualquer
actividade, como estratégia de competitividade, como via para um
desenvolvimento equilibrado, como um Projecto do País.
Devemos ser optimistas. Mas teremos mesmo de esperar pelo ano
2010, como afirma um dos responsáveis pela nossa indústria, para ver
"empresas competindo em economia aberta, assumindo o conceito de
qualidade total, inovadoras, inteligentes e dinâmicas assentes no
talento dos nossos empresários e na motivação e qualificação dos nossos
trabalhadores" (41) ? !
Que se vai cumprindo a profecia são os votos que gostaria de deixar.

Aveiro, 18 de Outubro de 1991

175
NOTAS

(1) Jaime Lopes Amorim, Lições de Contabilidade Geral, cit. in J.L. Amorim, Digressão
Através do Vetusto Mundo da Contabilidade, Livraria Avis, Porto, 1969, p. 558.
(2) Fernando Martin Lamouroux, Contabilidad, Universidade de Salamanca, 1989, p. 158.
(3) Segundo Masi, invocado pelo Prof. Jaime Lopes Amorim in op.cit. p.278, "é um
equilíbrio dinâmico ou uma sucessiva renovação de estados".
(4) De acordo com Idalberto Chiavenato, Teoria Geral da Administração, 2.- Edição, Mc.
Graw-Hill, São Paulo, 1979, p.281, a homeostasia ou equilíbrio dinâmico é uma das
características básicas de um sistema que lhe permite melhor reagir às mudanças
do meio.
(5) Serge Percherai, Comptabilité Nationale, Exercices Résolus, que recorre a duas
citações ilucidativas: "A Contabilidade Nacional não é senão um instrumento que
permite apresentar o equilíbrio de conjunto de uma economia" (L.Stoleru) - p.9 ; "uma
representação quantificada do equilíbrio macroeconómioco" (E.AIphandery) - p.12.
(6) Idem, ibidem, p.15.
(7) De acordo com Bernard Walliser e Charles Prou, La Science Économique, Ed. du
Seuil, Paris, 1988, p. 292, "A primeira concepção de uma Contabilidade Nacional, a
imagem de uma contabilidade de empresa, é construir uma bateria normalizada de
indicadores agregados que sirvam para a explicação macroeconómica e para a
definição da política económica".
(8) Idem, ibidem, p.291, seguindo F.Forquet: "A C.N. constitui uma espécie de prova de
coerência e de validação dos conceitos da teoria económica".
(9) Alain Pichot, Comptabilité Nationale et Planification, Ed. Cujas, Paris, 1968, Prefácio
de Jean Marczewski, p. XIV que afirma: "A Planificação e a C.N. não são senão duas
manifestações de um mesmo processo, aquele que conduz o pensamento e a acção
económica para a aplicação, ao serviço das sociedades humanas, das aquisições
mais recentes da ciência da informação e da decisão.
(10) Boletim Mensal do B.F.N., n.° 7 de Julho de 87, p. 11.
(11) Contas Nacionais, I.N.E., Quadros Ec. de Conjunto de 84, 85, 86, 87, 88 e 89 - ver
referências documentais.
(12) "As dificuldades ancestrais das nossas estruturas, as distorções ocorridas na última
década e a vulnerabilidade da economia portuguesa face à evolução da economia
internacional/.../", G.O.P. para 88, D.Rep. I Série n.° 21 de 26/1/88.
(13) National Accounts, O.C.D.E., Paris, 1990, ver referências documentais.
(14) G.O.P. para 88, D.Rep. I Série n.Q 21 de 26/01/88.
(15) Dec.Lei n.5 422/83, D.Rep. I Série n.s 278 de 03/12/83.
(16) Dec.Lei n.5 428/88, D.Rep. I Série n.5 268, Suplemento de 19/11/88.
(17) Resolução do Conselho de Ministros n.s 27/89, D.Rep. I Série n.5 204 de 05/09/89.
(18) A escolha deste período é justificada por duas razões: por ser aquele que antecede

176
a 1 r fase do P.C.E.D.E.D. (87-90); por existir mais informação tanto através das C.N.
portuguesas como das Nat.Acc.da O.C.D.E.. Os Q.E.S. são apresentados pelas
contas nacionais portuguesas - ver referências documentais.
(19) A escolha dos países teve a ver com a sua posição na liderança do comércio
internacional (os três blocos da Parte 2 deste trabalho).
(20) A Manufacturing das National Accounts é, nos vários países, com excepção de
Portugal e Espanha, a indústria transformadora. Segundo essa fonte as Mining and
Quarrying - indústrias extractivas - estão incluídas na Manufacturing apenas no caso
de Portugal e Espanha.
(21) É o ramo n.s 12 das National Acc. da O.C.D.E. - Têxtil, Wearing, Appareil and
Leather Industries.
(22) Júlio H.Neves, Uma Medida da Evolução da Competitividade das Empresas, Boletim
Informativo do I.S. de Gestão n.9 8 de Dezembro de 89, p.33, utiliza um indicador -
a taxa de variação dos custos por unidade produzida - como forma de avaliar a
competitividade de uma empresa.
(23) "Os Planos de desenvolvimento ec. e social terão por objectivo promover o
crescimento económico, o desenvolvimento harmonioso de sectores e regiões, a
justa repartição individual e regional do produto nacional, /.../", art. 91 da
Constituição da Rep.Portuguesa, L.Almedina, 1989, p.43.
(24) Denise Flouzat, Analyse Économique, Comptabilité Nationale, Masson, Paris, 1987,
p.198.
(25) Gustavo Mesquita Guimarães, Planeamento Económico: Enquadramento Teórico do
Sistema Português, Boletim do C.N.do Plano, n.Q 18 de 1989, p. 204.
(26) Boletim Mensal do B.F.N., n.9 4 de Abril de 86, p.58.
(27) Denise Flouzat, op.cit., p.198.
(28) Eng.Alves Monteiro, Os Têxteis e o Mercado Único, Ministério da Indústria e Energia,
Cadernos Divulgação, n.g 9, p.9.
(29) Xavier Greffe, Politique Économique, Programmes, Instruments, Prespectives,
Económica, Paris, 1987, p.427.
(30) Boletim Mensal do B.F.N., n.a 8, Agosto de 1988, p.14.
(31) Boletim Mensal do B.F.N. n.s 1/2 , Jan/Fevereiro de 1989, p.36.
(32) Idem, ibidem, p.36.
(33) Georges Archier e Hervé Sérieyx, Pilotes du 3,s Type, Ed. du Seuil, Paris, 1986, p.45.
(34) Xavier Greffe, op.cit, p.422.
(35) Michel Périgord, Rússir La Qualité Totale, Management 2000, ed.d'Organisation,
Paris, 1987, Préface de Gilbert Ravelau, pp. 23 e 24.
(36) Idem, ibidem, p.72.
(37) Idem, ibidem, Avant-Propos de Bernard Monteil, p.18.
(38) Annie Bartoli et Philippe Hermel, Piloter l'Entreprise en Mutation, une approche
stratégique du changement, éd. d'Organisation, Paris, 1986, p.232.
(39) Idem, ibidem, p. 106.

177
(40) Paulo de Lencastre, Planeamento e Optica de Marketing, Jornadas Luso Espanholas
de Gestão Científica, Universidade Portucalense, Porto, 1988, 1.Q V., p.545.
(41) Eng. Mira Amaral, Horizonte 2000 - A Indústria Portuguesa no Espaço Económico
Europeu, Ministério da Ind. e Energia, Cad.Divulgação, n.5 12, p. 16.

REFERENCIAS DOCUMENTAIS

1. Comptes et Indicateurs Économiques - Rapport sur les Comptes de la Nation,


I.N.S.E.E., 1989.
2. Contas Nacionais, Dados definitivos de 80 e 81, quadros quinquenais de 80, quadros
complementares de 77/81, I.N.E., Julho de 87.
3. Contas Nacionais, dados definitivos de 82, I.N.E., Agosto de 87.
4. Contas Nacionais, dados definitivos de 83, I.N.E., Agosto de 87.
5. Contas Nacionais, dados definitivos de 84, I.N.E., Maio de 88.
6. Contas Nacionais, dados definitivos de 85, I.N.E., Set. de 88.
7. Contas Nacionais, dados def. de 86, I.N.E., Fev. de 89.
8. Contas Nacionais, dados provisórios de 87 e 88, I.N.E., Fev. de 1990.
9. Q.E.C, de 89 e Q.E.S. de 89 (preços correntes e a p.c.) - ainda não publicados.
10. National Accounts, Detailed Tables, Volume II, 1976-1988, Paris, I990.

178
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
LA REFORMA DE LA CONTABILIDAD PÚBLICA
LOCAL EN ESPANA. EL PLAN GENERAL DE
CONTABILIDAD PÚBLICA ADAPTADO A LA
ADMINISTRACIÓN LOCAL

Autor: ANTONIO M. LOPEZ HERNANDEZ


(Professor de! Departamento de Economia financiera y Contabilidad.
Universidade de Granada.)

179
INDICE

1. INTRODUCTION

2. LA REFORMA DE LA CONTABILIDAD PÚBLICA ESPANOLA


2.1. La Contabilidad Pública y la Ley General Presu-
puestaria
2.2. Contabilidad Pública e Información económica
financiera
2.3. El Processo de Normalización Contable Pública en
Espana

3. EL SISTEMA CONTABLE LOCAL ACTUAL

4. LA LEY 39/88 Y EL NUEVO SISTEMA CONTABLE LOCAL

5. EL PLAN GENERAL DE CONTABILIDAD PÚBLICA


ADAPTADO A LA ADMINISTRACIÓN LOCAL
5.1. Âmbito de aplicación y Características Générales
5.2. Estructura del Plan

REFERENCIAS

180
1. INTRODUCIÓN

La Evolution seguida por la Contabilidad pública local a lo largo de


la historia h a estado directamente vinculada a los desarrollos
producidos en la Contabilidad pública Espanola.
Las principales reglas que h a n caracterizado a nuestra Contabilidad
pública nacen de la época de Bravo Murillo, que puso en vigor la Ley
de Administration y Contabilidad de 20 de febrero de 1850, y fueron
conformandose con las posteriores Leyes de Administration y Contabi-
lidad de 25 de junio de 1870 y 1 de julio de 1911. Esta última ha estado
en vigor hasta la aparición de la Ley General Presupuestaría (1).
En sus origenes la Contabilidad pública fue concebida con fines de
proporcionar la confianza de que los fondos públicos habían sido
recaudados, mantenidos, gastados legalmente y sin irregularidad de las
operaciones financier as.
Realizaba esencialmente, funciones de control sobre el presupuesto,
estando subordinada ai control de legalidad y a la rendition de cuentas.
Ciertamente, en el terreno de la Contabilidad pública, ha sido el
presupuesto el objeto central y casi único de atención.
Como senala BAREA (2) "La Contabilidad pública tradicional tenia
como finalidad exclusiva poner de manifiesto el desarrollo de la gestion
del presupuesto para determinar el deficit o superavit habido".
Podríamos resumir las notas más características dei sistema de
Contabilidad pública tradicional en las siguientes (3):
1. Solo se contempla la contabilidad de los entes públicos
administrativos y fundamentalmente dei Subrector Estado.
2. Es u n a contabilidad de presupuesto.
3. Es u n a contabilidad de flujos, en lugar de u n a contabilidad de
fondos que tendiera a mostrar la situación patrimonial.
4. Está basicamente ai servicio del control de legalidad, lejos de un
sistema de information útil para la toma de decisiones.
5. Es u n a contabilidad de responsables, enfocada a la rendition de
cuentas, que muestra la honestidad, pêro no la eficácia de los
gestores.

181
6. Se lleva por el método de la partida simple. A pesar de los
reiterados llamamientos, en la distintas Leyes de Contabilidad y en
otras disposiciones sobre la necesidad de llevar la contabilidad por
el método de la partida doble, en la práctica no se llegó a aplicar y
la contabilidad estaba organizada mediante un sistema de partida
simple que recoge aisladamente u n a serie de operaciones sin u n a
vision global y concatenada de la actividad dei Estado.

2. LA REFORMA DE LA CONTABILIDAD PÚBLICA


ESPANOLA

2.1. La Contabilidad Pública y la Ley General Presu-


puestaria
La reforma de la Contabilidad pública, ha venido de la mano de la
Ley General Presupuestaria de 1977 (L.G.P.), que sento las bases
légales para llevarla a efecto y posteriormente, se ha visto asumida en
el Texto Refundido de la Ley General Presupuestaria de 1988
(T.R.L.G.P.).
Las premisas de esta reforma podemos concretarlas en las
siguientes:
1. Enmarca el campo subjetivo de aplicación de la Contabilidad
pública, al senalar (Art. 122) que el Estado y las Entidades
integrantes del sector público estatal quedan sometidos al regimen
de contabilidad pública.
2. Delimita el campo de aplicación objetivo ai senalar (Art. 123) que, la
sujeción ai regimen de la contabilidad pública lleva consigo la
obligación de rendir cuentas de las respectivas operaciones,
cualquiera que sea su naturaleza.
3. Aunque indica (Art. 127) que la Contabilidad pública se llevará en
libros, registros y cuentas segun los procedimientos técnicos que
sean más convenientes por la índole de las operaciones y de las
situaciones que en ellos deban anotarse, no entra a definir en
concreto los sistemas y médios para desarrollar la misma.

182
4. Amplia el conjunto de fines asignados a la Contabilidad pública
(Art. 124) de los clásicos de control de legalidad a los mas modernos
de eficiência, eficácia y a la obtención de información útil para la
toma de decisiones.(4)
De esta forma la determinación de la situación financiera y
patrimonial, la obtención dei resultado alcanzado en la gestion de
sus actividades, asi como la evaluación dei coste y rendimiento de
los servicios han venido a sumarse a los fines tradicionales.
5. Establece la necesidad de u n a normalization contable para el rector
público. Así, el articulo 125, senala como competências de la
Intervention General de la Administration del Estado (I.G.A.E.) la
de someterse a la decision del Ministério de Economia y Hacienda
el Plan General de Contabilidad Pública, al que se adoptarán las
Corporaciónes, Organizadoras y demás Entidades incluidos en el
sector público según sus características y peculiaridades.
Compartimos totalmente las palabras de J. ARANGUREN (5)
cuando afirma, ai referirse a la L.G.P., que "La ley ha supuesto un
avance fundamental en la concepcióon de la Contabilidad pública,
que a partir de su promulgación y entrada en vigor actualiza e indu-
dablemente potencia u n nuevo y fundamental campo: la
información".

2.2. Contabilidad Pública e Información económica


financiera
La asunción de la amplia gama de fines asignados por la L.G.P., a
la Contabilidad pública configura a esta como un sistema de
información integral sobre el acontecer económico-financiero de las
Entidades públicas en el cual pueden diferenciarse três subsistemas:
- Contabilidad presupuestaria, dirigida ai control de la ejecución
dei Presupuesto.
- Contabilidad financiera, orientada basicamente al suministro de
información de carácter patrimonial.
- Contabilidad analítica, cuyos objetivos básicos son suministrar
información de costes y para el análisis y control de la gestion.

183
Los productos principales de la Contabilidad pública son los estados
financieros formales y otro tipo de informes fïnancieros tanto de
naturaleza interna como externa, según usuários y propósito. Son
numerosos los estúdios que se h a n planteado cuales son los objetivos de
los informes financieros. Aunque es cierto que se han dirigido
fundamentalmente a la contabilidad Privada.
El Financial Acounting Standards Board (F.A.S.B.) ha formulado
algunas conclusiones sobre los objetivos de los estados financieros de
las empresas, comerciales; adoptandolas para poder aplicarias a las
entidades públicas quedaria como sigue (6):
"Los estados financieros de las entidades públicas deberán
suministrar informaciones dei campo de la contabilidad financiera que
sean utiles a sus responsables y administradores para tomar decisiones
y asignar los recursos; a aquellos que contribuyen voluntária o
involuntariamente a sus actividades; y a los analistas de sus
operaciónes para estudiar y evaluar sus políticas y su gestion. Los
estados financieros deberán poder ser comprendidas por todos aquellos
que tengan u n conocimiento razonable de las actividades económicas y
de la contabilidad financiera y esten dispuestos a dedicar el tiempo y
los esfuerzos requeridos para estúdio de los estados financieros".
El Institut Canadien des Contables Agrees (I.C.C.A) resume los
objetivos de la información financiera suministrada por la Contabilidad
pública en los siguientes (7):
- Demostrar la buena gestion y la conformidad con las
autorizaciones légales.
- Facilitar la evaluación de la incidência económica de la actividad
de las Administraciones públicas.
- Facilitar la evaluación de las elecciones en la ejecución de los
programas y de su gestion.
- Exponer el estado de las finanzas públicas.
La información elaborada por la contabilidad será utilizada por los
distintos usuários de la misma segun las necesidades (8), que podemos
resumir de la forma matricial siguiente (9):

184
Usuários Necessidades de información

Incidência Elección en la Estado de


Conformidad Económica ejecuciín de las Finanzas
Programas y G.

INTERNOS:
*Resposables
Políticos X X X

X
"Administradores X
de programas X
EXTERNOS:
"Legisladores X X
X

XX
"Analistas X
"Investigadores X
"Público en
General X X
X
X

(I.C.C.A.: Les Rapports Financiers des Administration Publiques.


Estude de Recherche. Toronto, 1980).

Existe, por tanto, u n a información financiera especialmente dirigida


a usuários externos interesados especialmente en la gestion realizada
y en la situación financiera y patrimonial del ente.
Pêro, quizás más interes e importância tienen los informes
elaborados con fines de información gerencial para la toma de
decisiones y análisis de los efectos económicos de la gestion, dirigidos
a usuários internos.

2.3. El Proceso de Normalización Contable Pública en


Espana
La Ley General Presupuestaría incorpora ai sector público, ai
movimiento de Normalización contable. La modernización dei sistema
contable público h a tenido como columna vertebral la elaboración de un
Plan General de Contabilidad para el Sector Público que posibilitará
cumplimentar los fines asignados a la Contabilidad Pública en el
artículo 124 del T.R.L.G.P.
La I.G.A.E., haciendo uso de la facultad conferida en el artículo 127
de la L.G.P., elaboro el Plan General de Contabilidad Pública (P.G.C.P.)
que fue aprobado con carácter provisional por el Ministério de
Hacienda, por la Orden de 14 de Octubre de 1.981, (B.O.E., 29-10-81).

185
Una nueva version, fue aprobada por resolución de la I.G.A.E. de
fecha 11 de noviembre de 1.983 (B.O.E., 19 y 20-1-84), que puso fin a
la provisionalidad de la version anterior. (10)
En ambas versiones solo se habia desarrollado la contabilidad
externa. El texto que desarrollá el grupo 9 de Contabilidad Analítica
fue aprobado por Orden Ministerial de 20 de septiembre de 1.983, del
Ministério de Economia y Hacienda (B.O.E., 1-11-83).
El modelo de referencia del P.G.C.P. es el Plan de Cuentas aprobado
por Decreto 530/1983 para el Sector Privado. Sobre la base de este se
hicieron una serie de modificaciones, para recoger las singularidades de
los entes a los que se habia de aplicar.
A este respecto, sehala I. MONTANO (11) que "Las diferencias que
necesariamente se han de dar entre el Plan Contable del sector privado
y el Plan Contable de los Entes Públicos tiene su origen,
principalmente, en la institución presupuestaría."
El P.G.C.P. significo el paso de un modelo tradicional de ejecución
presupuestaría y de tesorería a uno más acorde con los princípios de
contabilidad generalmente aceptados y con las prácticas vigentes en el
âmbito empresarial. El P.G.C.P. establece como objetivo general el
ofrecer información sistemática de carácter económico.
Así mismo, como objetivos particulares especifica los siguientes:
- Modernizar la Contabilidad Pública, acercándola a las
concepciones vigentes en la actualidad en la disciplina contable.
- Normalizar los datos ofrecidos por la contabilidad de los diversos
agentes dei Sector Público, de forma que sean comparables y
agregables.
- Integrar los datos normalizados dei Sector Público en la
Contabilidad Nacional.
Son innegables las ventajas que supone para u n a organización
publica la aplicación de un Plan Contable, fundamentalmente porque
significa implementar un sistema de información contable.
Sin embargo, no es menos cierto que el P.G.C.P. es objeto de
numerosas criticas que ponen en duta la bondad dei mismo.
En este sentido, son elocuentes algunas de las afirmaciones
realizadas por M. PARRA ORTEGA, Interventor General de la
Generalitat de Cataluha, ai respecto (12).

186
"El Plan no existe mas que como u n bluff que va a costar mucho a
muchas entidades públicas a las que se le esta vendiendo este producto
de modernidad".
"No se puede criticar por ello (refiriendose a la I.G.A.E.), pero si
debe censurarsele que dilapiden su prestigio, merecidamente obtenido,
apoyando e imponiendo u n a estupidez del calibre del P.G.C.P."
"Nada hay que oponer a los intentos de cambio en la contabilidad
pública. Yo solo, constato que el P.G.C.P. en u n intento fallido, por
tanto, debe ser derogado, pues su implantación ocasiona gastos
innecesarios y eso, seguro, es antieconómico".
Al margen de las palabras anteriores, que evidencian u n rechazo
claro y absoluto a la implantación del P.G.C.P., h a n sido numerosos los
comentários y pronunciamientos que ponen de relieve la inadecuación
del Plan, por considerarlo u n a copia demasiado fiel del modelo contable
del Sector Privado y no adaptado suficientemente a la especialidad de
los entes a los que h a de aplicarse.
Las siguientes palabras, del profesor REQUENA RODRIGUEZ son
bastante claras al respecte:
"Nos parece obligado subrayar que los entes públicos y privados, aún
con similar fenomenologia económicofmanciera, difieren no obstante, en
la forma de atender a la realización de sus funciones en especial por el
distinto orden externo que los condicionen. Ello quiere decir, pues, que
cualquier intento de planificación contable dei sector público no puede
quedar en u n a mera copia adaptada, sin más, de u n modelo propio dei
sector privado, cual es el caso que nos ocupa, con u n resultado, como no
podia menos que suceder, poço acorde ai propósito que debía presidir
el intento". (13)

3. EL SISTEMA CONTABLE LOCAL ACTUAL

Como ya apuntábamos anteriormente la contabilidad municipal h a


seguido u n a trayectoria similar a la Contabilidad Pública, observando
en aquella los rasgos básicos que h a n caracterizado a esta, aunque
adaptada, logicamente, para recoger las singularidades propias de los
Entes Locales a los que había de aplicarse.

187
La Contabilidad Pública de los Entes Locales quedo determinada en
la Instruction de Contabilidad de las Corporaciónes Locales de 1952.
Por su parte, la Ley 7/85, (L.R.L.) determina, en su artículo 114, que
las Entidades Locales quedan sometidos al regimen de contabilidad
pública, asignado a la Administration dei Estado la obligation de
establecer un Plan de Cuentas para las mismas.
Por otro lado, el R.D. 78/86 (T.R.L.R.L.), desarrolla esta cuestión en
sus artículos 456 y siguientes.
De esta forma, el artículo 456 del citado texto, senala que las
Corporaciónes Locales llevarán contabilidad de la situation y gestion
económica en libros y registros adecuados, a fin de que en todo
momento pueda darse razón de las operaciónes presupuestarias,
patrimoniales y de valores independientes o auxiliares, deduciendose
de ellos las cuentas générales que han de rendirse. Anade adernas que
la función contable se manifestará en la toma de razón:
a) De todos los gastos ordenados, de los compromisos adquiridos, de los
derechos y obligaciones reconocidas y liquidadas y sus alteraciones,
de los ingresos y pagos, devoluciones y reintegros de los fondos
presupuestarios.
b) De las entradas y salidas en metálico o valores de los fondos
independientes y auxiliares dei Presupuesto.
c) De los bienes, derechos y obligaciones integrantes dei património.
d) De las operaciónes de Tesoreria y de la recaudación.
e) De las operaciónes de los almacenes y establecimientos de la
Entidad Local.
La Contabilidad Local se desarrolla en los siguientes libros-registro:
- De inventario y Balances.
- General de Rentas y Exacciones.
- General de Gastos.
- De valores independ. y auxiliares de Presupuesto (VIAP).
- De Arqueos.
- Diário general de Intervenoción de Ingresos.
- Diário general de Intervención de Pagos.
Como soporte de la contabilidad auxiliar deben llevarse tambien los
libros:
- De Cajá.
- De arqueo diário.

188
Estos libros son los clásicos de las Entidades Locales, viniendo ya
recogidos en la Instrucción de Contabilidad anexa al Reglamento de
Haciendas de 1952. Estos libros se ven reducidos en los Municipios de
menor de 2.000 habitantes y en las Entidades de âmbito territorial
inferior ai municipal.
El Texto Refundido, no establece las normas de llevanza de los
citados libros, ni su estructura. Por ello se entiende que las normas de
funcionamiento seran, en lo que no hayan sido derogadas, las que
establece la ya mencionada Instrucción.
A su vez, los interventores pueden establecer cuantos libros y
registros consideren necesarios.
Los libros-registros mencionados nacen con u n claro planteamiento
formalista y con el objetivo de rendición de cuentas.
El sistema contable establecido para las Corporaciones locales gira
basicamente en torno ai presupuesto (14), como instrumento de control
legal en el manejo de fondos públicos. Es u n conjunto contable basado
en la existência de três contabilidades: Presupuestaria, patrimonial y
de VIAP. "Todas estas contabilidades que son t r a t a d a s por las normas
légales aisladamente, pueden refundirse y tienen las garantias dei
sistema de Partida doble, pêro no son un sistema contable integrado,
por eso aunque debe cuadrar su Debe y Haber, su Activo y Pasivo, no
constituyen un Plan General de Cuentas, sino u n triple sistema
contable que conviene superar, especialmente con la inclusion contable
de las amortizaciónes en las cuentas de los servicios, para conocer los
costes reales". (15)
La finalidad de este sistema contable está lejos de ser la de u n
sistema de información que permita establecer controles de eficácia y
eficiência sobre la actividad economico-financiera dei Ente Local; es u n a
contabilidad de flujos, que escasamente contempla la situación
patrimonial; u n sistema contable que utiliza el método de la partida
simple (16).
Hay que reconocer, sin embargo, que el sistema Contable Local
vigente y sus procedimientos de trabajo, ha sido instrumento adecuado
y dio respuesta a los fines que se le asignaban.
Pero, con la entrada en vigor de la Ley 39/88, el sistema contable entra
en crisis y se hace necesario su modificación para que mantenga u n a
relación directa con los fines que en la actualidad debe satisfacer.

189
4. LA LEY 39/88 Y EL NUEVO SISTEMA CONTABLE
LOCAL

La contabilidad Local tradicional, lo mismo que ocurría con la


contabilidad pública antes de la aprobación de la Ley General
Presupuestaria y posteriormente el Plan General de Contabilidad
Pública, resulta insuficiente para el cumplimiento de los fines que en
la actualidad se demanda por parte de los distintos usuários de la
información contable local, imponiendose la reforma de la misma.
Aunque la L.R.L., recogia en su artículo 114 la necesidad de u n Plan
General de Cuentas, para el subsector local, haciendose eco de lo
establecido en el artículo 125 de la L.G.P., ha sido la Ley 39/88 de 28
de Diciembre, Reguladora de las Haciendas Locales (L.R.H.L) la que ha
dado un paso adelante en este objetivo. (17)
En su articulo 181, reitera que las Entidades locales y sus
Organismos Autónomos quedan sometidos al regimen de contabilidad
pública; igualmente las Sociedades Mercantiles en cuyo capital tenga
participación total o mayoritaria las Entidades Locales estaran
sometidas al regimen de contabilidad pública, sin perjuicio de que se
adapten a las disposiciónes del Código de Comercio y demás legislación
mercantil y al Plan General de Contabilidad vigente para las Empresas
espanolas.
La sujeción al regimen de contabilidad pública, anade el artículo
182, lleva consigo la obligación de rendir cuentas de las respectivas
operaciónes, cualquiera que sea su naturaleza, al tribunal de cuentas.
La L.R.H.L. no da u n a definition de lo que se entiende por
contabilidad pública local pero, en su artículo 186, en consonância con
el artículo 124 del Testo Refundido de la Ley General Presupuestaria
utiliza, como sustituto de definición, la enumeración de los fines
asignados a la misma, a saber:
a) Establecer el balance de la Entidad Local, poniendo de manifiesto
la composition y situación de su património, así como sus
variaciones.
b) Determinar los resultados desde un punto de vista
económico-patrimonial.
c) Determinar los resultados analíticos poniendo de manifiesto el coste
y rendimiento de los servicios.

190
d) Registrar la ejecución de los Presupuestos Générales de la Entidad,
poniendo de manifiesto los resultados presupuestarios.
e) Registrar los movimientos y situacion de la Tesoreria Local.
f) Proporcionar los datos necesarios para la formación de la Cuenta
General de la Entidad, así como de las cuentas, estados y
documentos que deban elaborarse o remitirse ai Tribunal de
Cuentas.
g) Facilitar la información necesaria para la confección de estadisticas
económico-fmancieras por parte dei Ministério de Economia y
Hacienda.
h) Facilitar los datos y demás antecedentes que sean precisos para la
confección de las cuentas económicas dei Sector Público y las
Nacionales de Espana.
i) Rendir la información económica y financiera que sea necesaria para
la toma de decisiones, tanto con el orden político como en el de
gestion.
j) Posibilitar el ejercicio de los controles de legalidad, financiero y
eficácia.
k) Posibilitar el inventario y el control del inmovilizado material,
inmaterial y financiero, el control del endeudamiento y el
seguimiento individualizado de la situacion deudora o acreedora de
los interesados que se relacionen con la Entidad Local.
Esta amplia gama de fines asignados a la contabilidad local,
podemos agruparia en très categorias:

1) Fines de control:
a) Posibilitar el ejercicio del control de legalidad en la ejecución de los
presupuestos.
b) Posibilitar el control financiero.
c) Posibilitar el control de eficácia.

2) Fines de Gestion:
a) Determinar los resultados económicos.
b) Determinar los resultados analíticos.
c) Determinar los resultados presupuestarios.
d) Establecer el balance de la Entidad Local.
e) Registrar los movimientos y situacion de la tesoreria local.

191
3) Fines de Information:
a) Proporcionar los datos necesarios para la formation de la cuenta
general de la Entidad.
b) Facilitar la information necesaria para la confection de estadísticas
económico-financieras.
c) Facilitar los datos para la confection de las cuentas económicas del
Sector Público y las Nacionales de Espana.
d) Rendir la información económica y financiera que sea necesaria para
la toma de decisiones.
La Contabilidad Pública Local está pues subordinada a las
necesidades de control, gestion e información de la hacienda local para
el mejor cumplimiento de los fines asignados.
El nuevo sistema Contable Local queda configurado como u n
SISTEMA CONTABLE INTEGRAL, ya que h a de reflejar todas las
operaciones de naturaleza economico-finlanciera que se den en el
âmbito competencial de los Entes Locales y la información t r a t a d a por
el mismo no se realiza de forma inconexa, sino armónica y
sistematicamente, quedando claramente diferenciados três subsistemas:
- Contabilidad Presupuestaría.
- Contabilidad Financiera.
- Contabilidad Analítica.
Ahora bien, para que, quede garantizada la aplicación y puesta en
marcha dei nuevo sistema contable, es necesario la elaboración de u n
Plan General de Cuentas para las Entidades Locales, conforme al Plan
General de Contabilidad Pública.
Esta atribución, corresponde, de acuerdo con el artículo 184 de
L.R.H.L. a la Intervention General de la Administración dei Estado
(IGAE), debiendo someterse su aprobación ai Ministério de Economia
y Hacienda. A este Departamento ministerial corresponde además, a
propuesta de la IGAE:
a) Aprobar las normas contables de carácter general a las que tendrá
que ajustarse la organización de la contabilidad de los Entes Locales
y sus Organismos Autónomos.
b) Establecer los libros que, como norma general y con carácter
obligatorio, deban llevarse.
c) Determinar la estructura y justification de las cuentas y demás
documentos relativos a la contabilidad pública.

192
El desarrollo de la Ley 39/88 se h a realizado a très niveles
diferentes, con normativas distintas(18):
- Financiera, integrada por diversos e independientes Reales
Decretos.
- Presupuestaria, formada por:
- Orden dei Ministério de Economia y Hacienda de 20 de
septiembre de 1989 (B.O.E. 20-10-89), por la que se establece
la estructura presupuestaria de los presupuestos de las
Entidades Locales.
- Real Decreto 500/90 de 20 de abril (B.O.E. 27-4-90), por el
que se desarrolla el Capitulo I del Título VI de la Ley 39/88,
en materia de presupuestos.
- Contable, regulada por:
- Orden del Ministério de Economia y Hacienda de 17 de julio
de 1990 (B.O.E.), por el que se aprueba la Instruction de
Contabilidad para la Administration Local.
- Orden dei Ministério de Economia y Hacienda de 17 de Julio
de 1990 (B.O.E. 29-7-90) por la que se aprueba la Instrucción
de Contabilidad del tratamiento especial simplificado para
Entidades Locales de âmbito territorial con población inferior
a 5.000 habitantes.
La Instrucción de Contabilidad para la Administración Local consta
de las siguientes partes:

Título I. El Sistema de Contabilidad de la Administración Local


Contiene las reglas destinadas a definir, de manera general, el
sistema. Estructurado en cuatro Capítulos desarrolla los princípios
générales del sistema, el âmbito de aplicación, las competências en
cuanto a la modificación e interpretación de la norma y los fines de la
contabilidad.

Título IL Documentos Y Libros


Está dedicado a los documentos y libros de contabilidad. En cuanto
a los documentos contables se clasifïcan en función de las distintas
operaciones que se pueden presentar. Por lo que se refiere a los libros
de contabilidad se regulan los que obligatoriamente h a n de llevarse,
clasificándolos en libros de contabilidad principal y auxiliar.

193
Título III. OPeraciónes Contables
Constituye un desarrollo del contenido del Plan General de
Contabilidad Pública adaptado a la Administración Local. Analiza las
anotaciones contables desde el punto de vista de las operaciones que las
producen, complementando de esta forma el contenido del Plan que solo
describe los movimientos de cargo y abono de las distintas cuentas.

Título IV. Operaciones en Otras Estructuras Contables dei Sistema


Es un complemento dei Título I, regula , de forma general,
procedimientos de control y seguimiento obligatorio para rémanentes
de crédito y gastos con financiación afectada, y otros opcionales para
proyectos de gasto, pagos a justificar y anticipos de cajá fija.

Título V. Contabilidad de las Operaciones Comerciales


Recoge toda la regulación relativa a este tipo de operaciones
específicas de Organismos Autónomos no administrativos dependientes
de la Entidad Local.

Título VI. Estados a Rendir e Información a Suministrar


Engloba el siguiente contenido:
- La Cuenta General de las Entidades Locales.
- Estados y Cuentas Anuales de la Entidad Local y sus
Organismos Autónomos.
- Las Cuentas de las Sociedades Mercantiles.
- Información para el Pleno de la Entidad y los Organos de
Gestion.

Además, la Instrucción acompana los siguientes Anexos:


Anexo I. Plan General de Contabilidad Pública adaptado a la
Administración Local
Anexo II. Documentos de Contabilidad
Anexo III. Libros de Contabilidad
Anexo IV. Estados Y Cuentas Anuales 1
Anexo V. Estados Y Cuentas Anuales 2
Anexo VI. Estados de Prevision P a r a los Organismos Autónomos
Comerciales, I n d u s t r i a l s , Financieros Y Análogos

194
5. EL PLAN GENERAL DE CONTABILIDAD PÚBLICA
ADAPTADO A LA ADMINISTRACIÓN LOCAL
5.1. Âmbito de aplicación y Características Générales
La contabilidad de los Entes Locales y de los Organismos Autónomos
de ellos dependientes habrá de ajustarse a las normas contenidas en la
Instrucción de Contabilidad para Administración Local y ,por tanto, al
Plan General de Cuentas que se adjunta como Anexo I a la referida
Instrucción.
El Plan será de aplicación, con su entrada en vigor el 1 de enero de
1992, a los siguientes Entes:
- Entidades Locales a las que hace referencia el artáculo 3 s de la Ley
7/1985, de 2 de abril, reguladora de las Bases de Regimen Local. A
las Entidades con población inferior a 5.000 habitantes les será de
aplicación el Plan simplificado.
- Organismos Autónomos dependientes de las Entidades Locales, que
pueden ser:
* Organismos Autónomos de carácter Administrativo.
* Organismos Autónomos de carácter Industrial, Comercial,
Financiero o Análogo.
Sin embargo, las Sociedades Mercantiles cuyo capital social
pertenezca íntegra o mayoritariamente a u n a Entidad Local elaboraran
su contabilidad de acuerdo con el Plan General de Contabilidad en
vigor para las empresas espanolas.
El Plan de Cuentas para la Administración Local es u n a adaptación
del Plan General de Contabilidad Pública de 1983, que a su vez, fue
u n a adaptación del Plan General de Contabilidad para las empresas
espanolas aprobado por Decreto 530/1973, de 22 de febrero (19); como
consecuencia de ello podemos asignarle las mismas características que
presentaba su homónimo para el Estado:
* El Plan es abierto. Aunque en su elaboración se ha pretendido dar
respuesta contable ai mayor numero de operaciones posibles dentro dei
âmbito económico local, queda sin embargo previsto los posibles
câmbios a introducir como consecuencia de la evolución que tenga el
subsector local y sus requerimientos informativos.
* El Plan es flexible. Teniendo en consideración que los destinatários
del Plan son tanto los propios Entes Locales, ya sean Ayuntamientos,
Diputaciónes o Cabildos, como los Organismos Autónomos dependientes
de ellos, bien sean de carácter administritivo o de carácter comercial,

195
financière» o análogo, y analizando la realidad del universo local
espanol, la flexibilidad del Plan se convierte mas que en u n a
característica en un imperativo.
* El Flan es realista. El Centro directivo de la contabilidad pública
espanola (IGAE), teniendo en cuenta los condicionamientos que impone
la realidad dei subsector local, ha manifestado su opción por la
posibilidad de aplicación, mas que por la perfección del Plan.
Los objetivos que, a juicio de la IGAE, se pretenden conseguir con
la adaptación del Plan de Contabilidad Pública a la Administración
Local son los siguientes:
- Modernizar la contabilidad pública local, acercandola a las
concepciónes vigentes en la actualidad en la disciplina contable.
- El mayor acercamiento posible al Plan General de Contabilidad
Pública.
- La normalización de términos y expresiones contables acercandolos
lo máximo posible a los usuales tanto en el âmbito del resto del sector
público como en el sector privado.
- Conseguir u n a mayor coordinación entre las rubricas dei Plan de
Cuentas y las clasificaciónes presupuestarias, aprobadas por la ya
mencionada Orden Ministerial de 20-9-1989.

5.2. Estructura del Plan


El contenido dei Plan es el siguiente:
I s CUADRO DE CUENTAS.
La clasificación de las cuentas responde ai critério decimal, de forma
tal que los nueve grupos que lo integran son designados por u n dígito,
los subgrupos incorporan un segundo dígito, las cuentas se identifican
mediante três dígitos y las subcuentas con cuatro o más.
Los grupos dei 1 ai 5 contiene las denominadas Cuentas de Balance,
recogiendo los fondos activos y pasivos que integran dicho estado
contable, correspondiendo a:
Grupo 1. Financiación Básica
Grupo 2. Inmovilizado
Grupo 3. Existências
Grupo 4. Acreedores y Deudores
Grupo 5. Cuentas Financier as

196
Los grupos 6 y 7 recogen las Cuentas de gestion, asi denominadas
por estar dedicadas a reflejar el flujo de gastos e ingresos ocasionados
por la actividad normal de Ente Local, correspondiendo a:
Grupo 6. Compras y Gastos por Naturaleza
Grupo 7. Ventas e Ingresos por Naturaleza
El grupo 8 contiene las Cuentas de Resultados, en las que se resu-
men los flujos de gastos e ingresos ordinários y aquellos otros de natu-
raleza extraordinária que se presenten, siendo su denominación la de:
Grupo 8. Resultados
El grupo 0 contiene las Cuentas de Control Presupuestario y de
Orden, recibiendo esta misma denominación en el Plan.
Aunque por la denominación de este grupo parece desprenderse que
el control presupuestario está soportado exclusivamente en el mismo,
hay que hacer constar que solo incluye aquellas fases de la ejecución
del presupuesto que no representan la existência de derechos u
obligaciónes de caracter patrimonial. El grupo 0 no contiene todas las
cuentas de control presupuestario, ya que las fases de ejecución
presupuestaria en las que el Ente Local realiza reconocimiento de
derechos y obligaciónes de contenido económico son contabilizadas en
el grupo 4 "Acreedores y Deudores", cuyas cuentas , por tanto, también
tienen carácter de control presupuestario.
El modelo contable adoptado por el Plan responde, por tanto, a un
sistema contable con el siguiente esquema:

CUENTAS DE BALANCE:
G • X / G. Z t G • 3 r
G.4, G.5

CONTABILIDAD CUENTAS DE GESTION:


FINANCIERA G.6, G.7

CONTABILIDAD
EXTERNA CUENTAS DE RESUL-
TADOS: G. 8
CONTABILIDAD
PRESUPUESTARIA:
G.O, G.4

197
2a DEFINICIONES Y RELACIONES CONTABLES.
Este apartado recoge las definiciones correspondientes a grupos,
subgrupos y cuentas, describiendo los principales motivos de cargo y
abono de las mismas.

3 8 CRITÉRIOS DE VALORACION.
La importância dei establecimiento de unos critérios de valoración
queda recogido en el Plan de la siguiente forma:
"Siguiendo la línea del Plan General de Contabilidad Pública del 11
de noviembre de 1.983, se reconoce que la autenticidad de la
información contable que ofrece una contabilidad, tanto en el aspecto
de la actividad desarrollada durante el ejercicio como en la
presentación de la situación patrimonial, depende, de forma
fundamental de la valoración dada a las diversas rubricas figuradas en
el balance.
Por tanto, resulta esencial el establecimiento de unos critérios
básicos de valoración, que permitan que la información" presentada en
los documentos contables elaborados por los entes locales afectados por
este plan, sea en lo posible, realista y homogéneo".
Los principios contenidos en el Plan, orientadores de los critérios de
valoración a aplicar, son:
- Principio dei precio de adquisición
- Principio de continuidad
- Principio de devengo
- Principio de gestion continuada
Después de exponer los principios inspiradores, establece unos
critérios de valoración especificos para los siguientes bienes integrantes
dei património local:
- Inmovilizado
A) Material
B) Inmaterial
- Existências
- Valores Mobiliários y Participaciones
- Créditos
- Débitos

198
A diferencia de lo que ocurre enn el Plan General de Contabilidad
Público, la adaptación realizada a la Administration Local no incluye
las Cuentas Anuales, que son objeto de regulation en el Título VI de la
Instruction de Contabilidad. Las Cuentas y Estados que deben formar
las Entidades Locales y sus Organismos Autónomos, segun la
mencionada Instruction, constaran de las siguientes partes:
a) Balance de Situation.
b) Cuenta de Resultados.
c) Cuadro de Financiación Anual.
d) Estado de Liquidación del Presupuesto.
e) Estado demostrativo de Presupuestos Cerrados.
f) Estado de los compromisos de gasto adquiridos con cargo a
ejercicios futuros.
g) Estado de Tesoreria.
h) Estado de la Deuda.
A los Estados Anuales anteriores se acompanaran, ai objeto de
ampliar la información contenida en los mismos, u n número
determinado de Anexos.

199
REFERENCIAS

(1) Vid. HERRERO GUAZO, S. y HERRERA NIETO, J. L: Técnicas


Contables en la Administración pública. I.N.A.P. Madrid, 1984
p.p. 7 a 18.
(2) BAREA, I. "Un nuevo Plan Contable para. el Sector Público",
Conferencia Inaugural dei I Congreso de la A.E.C.A. Valencia,
19B1.
(3) Vid. Preâmbulo de la Orden de 31 de Marzo de 1986 por la que
se aprueba la Instrucción de Contabilidad de los Organismos
Autónomos. (B.O.E. nums. 122 y 123, de 22 y 23 de mayo)
(4) Situandose de esta forma, en la misma linea de algunos
pronunciamientos aparecidos en la literatura contable. Queremos
destacar los siguientes:
American Accounting Asociation define la contabilidad como
"el proceso de determinacion, medida y oomunicación de
información económica que permita a los usuários de esta
información emitir juicios y tomar decisiones con conocimiento de
causa". (A Statement of Basic Accounting Theory. Evanston, ILL.,
A.A.A., 1.966)
American Institute of Certified Public Accountant: "La
contabilidad es u n a actitud de servicio cuya función es proveer
información cuantitativa principalmente de naturaleza
financiera, acerca de las entidades económicas, con el propósito
de que sea útil para la toma de decisiones". (The Basic concepts
and Accounting Business Enterprises, Statement n s 4. New York
1.970.)
(Estas Organizaciones reelaboraron posteriormente las
definiciones mencionadas)
(5) ARANGUREN CASTRO, J.: "El Plan General de Contabilidad
Pública". Revista Espanola de Financiación y Contabilidad. Núm.
37, 1982, p. 42.
(6) El párrafo siguiente ha sido sacado dei Documento. Scope and
Implications of the conceptual Framework Proyect. Stamford,
Conn, FASB, 1976, p. 10. Algunos nombres y expresiones h a n sido
sustituidos para poder aplicarlos a los Entes públicos.
(7) I.C.C.A.: Les Rapports Financiers des Administrations publiquer.
Estude de Recherche. Toronto, 1980, pp. 31-33.

200
Comunicações da Mesa

Presidente: Prof. Doutor D. Enrique Hernandez Pena


Secretário: Dr. Domingos José da Silva Cravo

Desenvolvimento de software de apoio à Auditoria


baseado no método de amostragem "PPS Sampling" 203
Drã Augusta C. Santos Ferreira & Drs Helena Coelho Inácio
Docentes do ISCAA
A Contabilidade e o Leasing 217
Dr. José Hipólito de Oliveira André Figueiredo
Director Administrativo e Financeiro da IMOLEASING
Sobre a inclusão dos Revisores Oficiais de Contas
nos Órgãos de Fiscalização das Sociedades 225
Dr. Carlos Baptista da Costa
Revisor Oficial de Contas

201
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE DE
APOIO À AUDITORIA BASEADO NO MÉTODO
DE AMOSTRAGEM "PPS SAMPLING"

Autoras: AUGUSTA CONCEIÇÃO S. FERREIRA


HELENA COELHO INÁCIO
(Docentes do ISCAA)

203
Resumo
1. Introdução
2. Objectivos da amostra
3. População e unidade de amostragem
4. Tamanho da amostra
5. Método de selecção da amostra
6. Execução do plano de amostragem
7. Análise dos resultados da amostra
7.1. Amostra sem erros
7.2. Amostra com erros
7.2.1. Erro projectado na população
7.2.2. Permissão para o risco de amostragem
8. Conclusões
9. Vantagens e desvantagens

RESUMO
O trabalho que apresentamos tem como objectivo o desenvolvimento
de software de apoio à auditoria com base no método de amostragem
estatística "PPS Sampling".
A introdução ao tema, segue-se u m a apresentação dos materiais e
métodos utilizados para desenvolvimento do software.
Finalmente fazemos a exposição do método de amostragem da qual
constam os aspectos relevantes para compreensão do método e que
obedecem à seguinte ordem:
• descrição dos objectivos da amostra;
• definição da população e da unidade de amostragem;
• determinação do tamanho da amostra;
• método de selecção da amostra;
• execução do plano de amostragem;
• avaliação dos resultados;
• conclusões;
• vantagens e desvantagens do método.

204
1. INTRODUÇÃO

Das diversas técnicas utilizadas pelo auditor no desempenho da sua


função, a amostragem assume um papel importante dado que é quase
impossível fazer u m a análise exaustiva sobre todos os documentos e
transacções da entidade objecto de auditoria.
Nesta medida vão surgindo e sendo desenvolvidas técnicas de
amostragem que se baseiam cada vez mais em métodos matemáticos -
amostragem estatística - em contraposição aos métodos subjectivos de
apreciação do auditor - amostragem não estatística ou de apreciação.
As vantagens que podem ser apontadas à amostragem estatística,
comparativamente à não estatística são 1 :
• Facilidade na determinação de u m a amostra eficiente;
• medida da suficiência da matéria de prova;
• facilidade na quantificação dos riscos de amostragem;
• facilidade na avaliação dos resultados da amostra.
Não obstante as vantagens apontadas às técnicas de amostragem
estatística, as de apreciação continuam a ser as mais utilizadas dada
a sua fácil e prática aplicação. Acresce ainda que em muitos casos e
embora designadas de estatísticas as técnicas que podem ser utilizadas
pelo auditor não são desenvolvidas tendo por base unicamente métodos
matemáticos.
Nesta medida desenvolvemos u m a aplicação em DBASE TV2 que
permite ao auditor utilizar a técnica de amostragem quando se encontre
num ambiente de PED 3 e sempre que os ficheiros da aplicação de
contabilidade possam ser importados pelo DBASE IV.
Certas de que a heterogeneidade dos elementos contabilísticos, a
analisar pelo auditor, não possibilitam a utilização de um único método
de amostragem, centramo-nos nas contas a receber e desenvolvemos a
aplicação com base no método "Probability-Proportional to Size

Costa, Carlos Baptista da, "Auditoria Financeira - Teoria e prática", 2" Edição, 1991,
Rei dos Livros.
2
Copyritht (C) Asthon-Tate Corporation, 1985, 1986, 1987, 1988.

Processamento electrónico de dados.


205
Sampling" (PPS) 1 , por considerarmos que as suas características
respondem às exigências necessárias quando as ditas contas são o
objecto de auditoria.

2. OBJECTIVOS DA AMOSTRA

O objectivo primordial é o de obter prova acerca da fidelidade dos


saldos contabilísticos, ou seja, que estes não apresentam erros
materialmente relevantes.
As provas retiradas da amostra, conduzem a conclusões acerca das
demonstrações financeiras. É necessário no entanto ter em atenção que
tais provas dependem dos procedimentos de auditoria aplicados. Por um
lado, a dimensão da amostra é influenciada pelas conclusões acerca do
sistema de controlo interno a que o auditor chegou, por outro, as
conclusões acerca da fidelidade dos saldos dependem dos testes
aplicados aos elementos da amostra.

3. POPULAÇÃO E UNIDADE DE AMOSTRAGEM

A população consiste no conjunto de transacções, documentos ou


contas a testar e, os elementos a ser incluídos nessa população devem
estar perfeitamente identificados pelo auditor. Se as contas a receber
forem o objecto de auditoria, é possível estabelecer quatro populações:
todas as contas, as contas com saldo devedor, as contas com saldo
credor ou as contas com saldo nulo, sendo portanto necessário definir
os elementos que pertencem a cada população.
A unidade de amostragem é a unidade monetária e a população é
considerada como u m número de unidades monetárias, igual ao valor
total da população. A unidade monetária é a base para selecção da
amostra, no entanto o exame do auditor não recai sobre as unidades
monetárias seleccionadas, mas sim sobre os elementos que lhes estão
associadas e que se designam de unidades lógicas de amostragem.

Kell, Walter G., Boyton, William C, Ziegler, Richard E., "Modern Auditing", 4e Edição,
1989, Jonh Wiley e Sons, New York, E.U.A..

206
Relativamente às contas a receber, a unidade monetária
seleccionada seria u m determinado valor que constituiria o saldo de um
cliente, a unidade lógica de amostragem a examinar seria a conta do
cliente que correspondesse a esse saldo.
Neste método quanto mais unidades monetárias forem associadas à
unidade lógica, maior a possibilidade dessa unidade lógica ser
seleccionada. Por este motivo a probabilidade de selecção é proporcional
ao número de unidades monetárias. Esta característica é responsável
por duas limitações do método PPS:
• no teste a elementos do activo os saldos nulos ou negativos devem
ser excluídos da população porque não têm possibilidade de ser
seleccionados para a amostra;
• não é adequado no teste aos passivos, porque a possibilidade de
serem seleccionados "items" com valor contabilístico baixo é muito
reduzida. Tratando-se de passivos a probabilidade de incorrecção é
maior nas contas com saldo pouco elevado.

4. TAMANHO DA AMOSTRA

O tamanho da amostra é determinado tendo em atenção os seguintes


aspectos:
• valor total da população a ser testada (VT), que influencia
directamente o tamanho da amostra;
• factor de confiança para o risco específico de incorrecção aceitável
(FC) - é obtido a partir da tabela 1 depois de estabelecido o risco de in-
correcção aceitável. Este risco é estabelecido pelo auditor considerando:
1 - o nível de risco de que um erro materialmente relevante na
contabilidade, possa ocorrer sem que seja detectado; 2 - o nível de risco
de controlo; 3 - os resultados dos testes de detalhe e revisões analíticas.
Quanto maior for a confiança do auditor no sistema de controlo
interno e no sistema de informação contabilístico da empresa, maior
será o risco de incorrecção que o auditor estará disposto a correr e
menor será o factor de confiança, portanto o risco de incorrecção afecta
inversamente o tamanho da amostra e o FC afecta directamente o
tamanho da amostra;
• erro tolerável (ET) - é entendido como o erro máximo que poderá
existir numa conta para que esta não seja considerada materialmente

207
incorrecta, ou seja, o auditor estabelece o grau de confiança que
pretende ao examinar u m a conta e o erro tolerável é calculado da
seguinte forma:
ET = VT x (100% - grau de confiança)
O erro tolerável afecta inversamente o tamanho da amostra;
• erro antecipado (EA) - é entendido como o desvio padrão da
população em relação à média, influencia directamente o tamanho da
amostra;
• factor de expansão (FE) - é apenas necessário quando existe erro
antecipado permitindo projectar esse erro para o total da população.
Quanto mais pequeno for o risco de incorrecção, maior o factor de
expansão. Este factor afecta directamente o tamanho da amostra.
O número de elementos da amostra é calculado a partir da seguinte
fórmula:
VTxFC
ET - (EA x FE)
Tabela 1

Risco de incorrecção aceitável


1% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 37% 50%

Factor de 4,61 3,00 2,31 1,90 1,61 1,39 1,21 1,00 0,70
confiança

5. MÉTODO DE SELECÇÃO DA AMOSTRA

Após a determinação do tamanho da amostra, é necessário optar


pelo método de selecção dos "items" que vão constituir a amostra e como
tal, vão ser objecto de teste e de análise.
No processo de amostragem que vimos a apresentar, o método de
selecção sistemática é o mais utilizado por dividir a população em
intervalos iguais e permitir que a unidade lógica seja seleccionada
sistematicamente a partir de cada intervalo.
P a r a que tal seja possível, é necessário calcular o intervalo de
selecção utilizando a seguinte fórmula:

208
Valor total da população
IS =
Número de elementos da amostra
O procedimento seguinte é o de seleccionar aleatoriamente um valor
compreendido entre um e o intervalo de selecção, constituindo este o
primeiro valor a ser comparado com os valores acumulados da
população. Quando o valor contabilístico acumulado (VCA) for superior
ou igual ao valor aleatório, será seleccionada a unidade lógica que
provocou essa situação. Seguidamente é adicionado ao valor aleatório
o intervalo de selecção e o resultado dessa adição (VS) será comparado
com os valores contabilísticos acumulados, quando for encontrado um
valor acumulado que ultrapasse VS será então seleccionada a unidade
lógica que deu origem a essa situação. Neste momento será novamente
adicionado ao VS o IS, procede-se a nova comparação e a nova selecção
da unidade lógica. Este processo continua sistematicamente até serem
obtidos todos os elementos da amostra.

Unidade lógica Valor Valor contabilís- Unidade mone- Valor contabil.


(N° do cliente) contabilístico tico acumulado tária selecção item amostragem

23 21 777,6 21 777,6
70 66 045,6 87 823,2
90 199 270,8 287 094,0 250 000 199 270,8
93 51 070,2 338 164,2
100 74 038,8 412 203,0
140 103 899,3 516 102,3
160 71 102,7 587 205,0 565 085 71 102,7
190 51 810,1 639 015,1
200 14 554,5 653 569,6
225 3 175,7 656 745,3
260 3 646,6 660 391,9
295 56 053,8 716 445,7
300 68 131,8 784 577,5
320 393 061,5 1 177 639,0 880 170 393 061,5
323 25 224,9 1 202 863,9 1 195 255 25 224,9

1750 42 501,7 12 288 302,1

Fig. 1 - Processo de selecção da amostra de uma população de 103 elementos, considerando um risco
de incorrecção aceitável de 5% e um grau de confiança de 90%.

A figura 1 exemplifica o processo de selecção da amostra de uma


população de 103 elementos e de valor contabilístico total igual a
12.288.302$10. Considerando um risco de incorrecção aceitável de 5%
e um grau de confiança de 90%, obtemos uma amostra de 39 elementos
e um intervalo de selecção de:

209
12 288 302$10
= 315 084$70, arredondando 315 085$00
39
Consideramos ainda a primeira unidade monetária de selecção,
determinada aleatoriamente, de 250 000$00.
Com este método, podemos garantir que todas as unidades lógicas
com valor igual ou superior ao intervalo de selecção serão extraídas da
população para a amostra e que serão ainda extraídas unidades lógicas
com valor inferior ao IS.
A partir deste momento o auditor vai testar e analisar cada u m a
dessas contas com o objectivo de determinar os seus valores reais, isto
é, os valores de auditoria, e compará-los com os correspondentes valores
contabilísticos.
A existência ou não de divergências entre estes dois valores contri-
buirá para projectar os resultados da amostra ao total da população.

6. EXECUÇÃO DO PLANO DE AMOSTRAGEM

A execução do plano não é mais que a aplicação de procedimentos de


auditoria às unidades lógicas da amostra com a finalidade de encontrar
para cada u m a delas valores de auditoria.
Os procedimentos de auditoria, envolvem nesta fase os chamados
testes substantivos e os erros encontrados são projectados para o total
da população, pelo que é necessário proceder à avaliação dos resultados.

7. ANÁLISE DOS RESULTADOS DA AMOSTRA

A avaliação dos resultados da amostra é efectuada com base na


comparação entre o limite superior de erro (LSE), calculado a partir dos
dados da amostra, e o erro tolerável (ET) especificado para o cálculo do
número de elementos da amostra.
Se desta comparação resultar que:
• o LSE <s= ET, então a população não contém erros maiores que
o ET especificado;
• o LSE > ET, então a população contém erros maiores que o ET
especificado.

210
O LSE é calculado através da seguinte fórmula:
LSE = EP + PRA
sendo:
EP - erro total projectado na população
PRA - permissão para risco de amostragem
O valor destes dois factores será diferente conforme existam, ou não,
erros na amostra, ou seja, divergência entre os valores contabilísticos
e os valores de auditoria.
Por este motivo, trataremos separadamente a avaliação dos
resultados em amostras sem erros e em amostras com erros.

7.1. A m o s t r a s e m erros

Os resultados obtidos na amostra são projectados para a população,


assim se não são encontrados erros na amostra o factor EP é zero, ou
seja, não há erros a projectar para a população. Daqui resulta que o
LSE é igual a PRA.
Vejamos:
LSE = EP + PRA
sendo EP igual a zero vem:
LSE = PRA
No que diz respeito ao factor PRA, ele é obtido da seguinte forma:
PRA = FC x IS
em que FC é o factor de confiança segundo um determinado risco de
incorrecção aceitável especificado para o cálculo do número de
elementos da amostra e o IS é o intervalo de selecção.
No caso concreto, de EP ser igual a zero, se o erro antecipado, que
se tinha especificado para o cálculo do número de elementos da
amostra, for zero o LSE é igual ao ET. Se o erro antecipado for maior
que zero o LSE é menor que ET.
Vejamos:
VT x FC VT
n =— e IS =
ET - (EA x FE) n
se EA (erro antecipado) é igual a zero então:

211
VTxFC
n =
ET
substituindo n na fórmula do intervalo de selecção vem:
VTxFC
IS = VT/
ET
VTx ET
IS =
VTx FC
ET
IS =
FC
sendo
PRA = FCx IS vem:
ET
PRA = FCx
FC
PRA = ET
Como LSE = PRA, então vem LSE = ET.
Assim, qualquer que seja a situação, quando nenhum erro é
encontrado na amostra, podemos concluir que a população não contém
erros maiores que o ET.

7.2. Amostra c o m erros

Quando são encontrados erros na amostra, o auditor deve calcular


o EP e o PRA por forma a determinar o LSE.
Os factores EP e PRA variam conforme os valores contabilísticos das
unidades lógicas sejam menores ou maiores que o intervalo de
amostragem.

7.2.1. Erro projectado n a p o p u l a ç ã o

Quando a unidade lógica tem um valor contabilístico menor que o IS


o EP é calculado da seguinte forma:

212
EP = PC x IS
em que PC representa a seguinte percentagem de erro:
Valor contabilístico - Valor de auditoria
IS =
Valor contabilístico
Dado que a cada unidade lógica corresponde um intervalo de
selecção no valor contabilístico da população, a fórmula acima permite
que o erro encontrado seja projectado para todo o intervalo a que
pertence.
No caso da unidade lógica ter u m valor contabilístico maior ou igual
ao IS, não é necessário calcular u m a percentagem de erro para o
intervalo de selecção u m a vez que a própria unidade lógica j á é maior
ou igual a esse erro, pelo que o erro a projectar é o encontrado. Assim
vem:
EP = Valor contabilístico - Valor de auditoria

7.2.2. P e r m i s s ã o para o risco de a m o s t r a g e m

O factor PRA para amostras que contenham erros é calculado a


partir da seguinte fórmula:
PRA = PB + PI
sendo:
PB - precisão básica;
PI - permissão incrementada resultante dos erros
A precisão básica é igual ao PRA da amostra sem erros, isto é:
PB = FC x IS
O cálculo de PI envolve apenas os erros relacionados com as
unidades lógicas de valores contabilísticos menores que o IS, u m a vez
que todas as outras são seleccionadas e consequentemente examinadas,
não havendo por isso risco de amostragem a elas associado.
P a r a calcular o PI são necessários os seguintes passos:
• determinar o incremento apropriado no factor de confiança;
• elaborar por ordem decrescente u m a grelha de erros projectados
para unidades lógicas menores que o IS;

213
• efectuar o somatório da multiplicação do valor dos erros
encontrados pelo incremento no factor de confiança, considerando
ambos os elementos da multiplicação ordenados por ordem
decrescente.
A execução do primeiro passo exige a consulta da tabela 2 -
"Factores de incorrecção aceitável em função do número de erros
encontrados na amostra".
Após estarem identificados os factores de confiança de acordo com
o número de erros encontrados na amostra e atendendo ao risco de
incorrecção aceitável anteriormente especificado, é calculado o
incremento no factor de confiança, conforme figura 2.

Tabela 2

-actores de ncorrecção aceitável em função do número de erros

Ne de erros Risco de incorrecção aceitável


encontrados
na amostra 15% 20% 25% 30% 37% 50%
1% 5% 10%

0 4.61 3.00 2.31 1.90 1.61 1.39 1.21 1.00 0.70


1 6.64 4.75 3.89 3.38 3.00 2.70 2.44 2.14 1.68
2 8.41 6.30 5.33 4.72 4.28 3.93 3.62 3.25 2.68
3 10.05 7.76 6.69 6.02 5.52 5.11 4.77 4.34 3.68
4 11.61 9.16 8.00 7.27 6.73 6.28 5.90 5.43 4.68
5 13.11 10.52 9.28 8.50 7.91 7.43 7.01 6.49 5.68
6 14.57 11.85 10.54 9.71 9.08 8.56 8.12 5.56 6.67
7 16.00 13.15 11.78 10.90 10.24 9.69 9.21 8.63 7.67
8 17.41 14.44 13.00 12.08 11.38 10.81 10.31 9.68 8.67
9 18.79 15.71 14.21 13.25 12.52 11.92 11.39 10.74 9.67
10 20.15 16.97 15.41 14.42 13.66 13.02 12.47 11.79 10.67

N s erros encontra- Factor de Incremento no factor Incremento no factor


dos na amostra confiança de confiança confiança menos 1

0 3.00 __ -
1 4.75 1.75 0.75
2 6.30 1.55 0.55
3 7.76 1.46 0.46
4 9.16 1.40 0.40

Fig. 2 - Cálculo do incremento no factor de confiança de acordo com o número de erros encontrados na
amostra.

Os segundo e terceiro passos referidos estão exemplificados na fig.3.

214
Erros projectados Incremento no factor de Permissão incremental
confiança menos um

255 500 0.75 191 625


197 300 0.55 108 515
84 750 0.46 38 985

339 125

Fig. 3 - Aplicação do incremento no factor de confiança aos erros projectados.

8. CONCLUSÕES

A par da análise quantitativa dos erros encontrados na amostra o


auditor deve efectuar u m a análise qualitativa desses erros, ou seja,
determinar se eles se devem a:
• diferenças nos princípios ou critérios contabilísticos;
• falhas ou irregularidades.
Deve ainda, o auditor, relacionar os erros com outras fases de
auditoria.
Uma vez calculado o limite superior de erro o auditor deve
compará-lo com o erro tolerável inicialmente definido.
O auditor pode concluir que a população não contém erros
materialmente relevantes, se desta comparação resultar que:
• o limite superior de erro é menor que o erro tolerável;
• os resultados dos testes substantivos não contrariam esta
conclusão;
• da análise qualitativa não resulta nenhuma prova de
irregularidades.
Se da comparação resultar que o limite superior de erro é maior que
o erro tolerável, o auditor, consoante as situações que se lhe
apresentarem, terá as seguintes atitudes possíveis:
• se todas as restantes provas sugerem que a população não
contém erros materialmente relevantes, a amostra não é
representativa da população. Neste caso o auditor deve examinar
unidades de amostragem adicionais ou realizar procedimentos
alternativos para determinar se efectivamente a população
contém erros materialmente relevantes;

215
• a importância do erro antecipado especificado pode não ter sido
suficientemente grande relativamente ao erro tolerável para
limitar adequadamente a permissão para o risco de amostragem.
Neste caso o auditor deve examinar unidades de amostragem
adicionais e reavaliar ou realizar procedimentos de auditoria
alternativos para determinar se a população contém erros
superiores ao erro tolerável;
• a população pode conter erros superiores ao erro tolerável. Neste
caso o auditor pede ao cliente para investigar os erros, e se
possível, ajustar o valor contabilístico.

9. VANTAGENS E DESVANTAGENS

A este método são normalmente apontadas as seguintes vantagens:


• facilidade de utilização;
• obtenção de u m a amostra estratificada;
• o tamanho da amostra não é baseado em estimativas de valores
de auditoria;
• um elemento individualmente significativo é imediatamente
seleccionado.
Em contrapartida as desvantagens que o método apresenta são
nomeadamente:
• considerar que o valor de auditoria para u m a unidade lógica não
pode ser menor que zero ou maior que o valor contabilístico;
• necessidade de um tratamento especial para selecção de saldos
nulos ou negativos;
• o tamanho da amostra aumenta sempre que o número de erros
esperados aumenta.

216
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
A CONTABILIDADE E O LEASING

Autor: JOSÉ HIPÓLITO O. ANDRÉ FIGUEIREDO


(Director Administrativo e Financeiro da IMOLEASING)

217
O LEASING

Resenha Histórica
As primeiras operações realizadas dentro de um conceito de Leasing
algo semelhante ao actual ocorrem no Séc. XIX, tendo por
intervenientes empresas industriais, essencialmente no âmbito dos
transportes e comunicações.
Estas operações enquadram-se essencialmente no conceito de
Leasing operativo, dado que, para além da compra do bem e da sua
cedência, eram prestados serviços complementares essencialmente
porque o locador era o próprio produtor dos bens.
O Leasing financeiro conheceu o seu advento, no que respeita aos
imóveis nos anos 30, enquanto que na área do mobiliário só viu o seu
início nos anos 50, surgindo como empresa locadora u m a empresa
financeira e sendo o locatário u m a empresa em sentido lato.
Este tipo de Leasing tem como modalidades a aquisição ou
construção de um bem por parte do locador, de acordo com instruções
do locatário, que passa a dispor do referido bem contra o pagamento de
uma prestação pecuniária: A renda de locação financeira.
Nesta modalidade, o locatário assume todos os riscos e encargos
durante o período do contrato.
No final do contrato, existe uma opção de compra por um preço igual
ao valor residual, ou, em alternativa a celebração de um novo contrato.

O Leasing em Portugal - Sua Evolução


Em Portugal, nos anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, os
meios à disposição das empresas para fazer face às suas necessidades
de financiamento reduziam-se praticamente aos financiamentos
bancários, fortemente restringidos pelos limites de crédito originados
pela situação macro-económica, pelo que, em 1979, as autoridades
decidiram-se pela criação do quadro legal da locução financeira, o que
sucedeu com os D.L. 135/79 e 171/79.
Contudo, só em 1982 surgiram as primeiras três empresas de
locução financeira - duas no ramo mobiliário: a SLIBAIL e a LOCAPOR
e u m a no ramo imobiliário: a IMOLEASING.

218
Com o crescimento da Actividade, graças ao contributo que deu ao
desenvolvimento do aparelho produtivo nacional, foram surgindo
diversas empresas, encontrando-se actualmente em actividade no ramo
mobiliário 19 empresas e no imobiliário 4 empresas.
O tecido empresarial português (empresas, empresários em nome
individual e profissionais liberais), cedo entendeu as potencialidades do
Leasing para a satisfação das suas necessidades de renovação e
aquisição de bens imóveis e bens de equipamento, tendo o sector
mobiliário apresentando o crescimento que se segue:
83/84 - 72%
84/85 - 53%
85/86 - 52%
86/87 - 146%
87/88 - 134%
88/89 - 31%
89/90 - 33%
No que concerne ao sector imobiliário, pelas características dos bens em
questão, pelos elevados montantes envolvidos e pela situação económica
que o país vivia, o crescimento assumiu formas diferentes como abaixo
se descrimina:
83/84 - 10%
84/85 - 7%
85/86 - 56%
86/87 - 261%
87/88- 120%
88/89 - 92%
89/90- 131%

Particularidades do Leasing
Como contrapartida da utilização de um bem é paga pelo locatário
u m a renda/prestação, composta pela amortização do financiamento e
pela remuneração do capital.
O Leasing apresenta algumas particularidades importantes, das
quais saliento a hipótese de envolver importações, de mudar o local de
instalação dos equipamentos, de ceder a posição contratual, de
reformular as condições financeiras do contrato, de efectuar o lease
back fornecedor (produtor vende à Leasing e depois torna-se locatário)
e no caso dos veículos a possibilidade de poderem sair do país.

219
Como se pode constatar, é um produto que permite uma grande
flexibilidade, podendo inclusive adaptar-se a cadência dos dispêndios às
características da gestão de tesouraria dos clientes.
No que concerne às vantagens inerentes à locução financeira passo
a indicar os aspectos mais importantes:
• Financiamento a 100% a médio e longo prazo;
• Simplicidade e rapidez;
• Encargos fiscalmente dedutíveis, excepto nos veículos, em que na
cat. B do 1RS só serão dedutíveis 50% das rendas e nas entidades
sujeitas a IRC só é dedutível a parcela da renda, correspondente
a um valor inferior a 4.000 contos.
• No que respeita aos imóveis não é dedutível apenas a parcela das
rendas correspondente à amortização do valor do terreno.
• Liberta capital circulante para outras aplicações.
• Melhora a estrutura financeira do locatário, não figurando no
passivo mas em contas de ordem.
• Diminui os riscos de obsolescência técnica.
• Não implica por norma a existência de garantias reais.
• O Leasing de imóveis, considerando o binómio prazo e taxa
envolvidos, afigura-se hoje como altamente vantajoso.
• A comparação em igualdade de circunstâncias do financiamento
em Leasing com o financiamento bancário, dá clara primazia ao
Leasing pela poupança fiscal gerada.
No que concerne às desvantagens:
• O locatário só tem a propriedade do bem no fim do contrato.
• Existem severas cláusulas em caso de incumprimento.

Contabilização de Acordo com o Modelo Continental.


Princípio da Forma Jurídica sobre a substância
Até à revisão do Plano Oficial de Contabilidade, foi adoptado um
modelo de contabilização do Leasing, de acordo com o modelo adoptado
pela generalidade dos países da Leaseurope, prevalecendo o princípio
da sobreposição da propriedade jurídica do bem sobre a substância da
operação.
De acordo com este modelo, o bem é contabilizado no balanço do
locador, sendo amortizado por este. Por outro lado, o locatário considera
a operação nas suas contas de ordem, contabilizando as rendas como
custo ao longo da vida do contrato.

220
No final do contrato, se concretizar a operação de compra,
contabiliza o bem pelo preço pago: o valor residual. No caso dos bens
cuja vida útil não coincide com o período do contrato de locução
financeira, deverá registá-lo pelo seu valor líquido, que passará a
amortizar no seu balanço.
Em suma:
Pelas rendas: 62219
a 11/12
No final do Contrato se houver opção:
No caso do mobiliário 42
a 11
No caso do imobiliário 42
a 11
a 79
Pelas amortizações 662
a 482

Contabilização de acordo com o Modelo Anglo-Saxónico.


Princípio da substância da operação sobre forma jurídica
Com a revisão do P.O.C., foi adoptado o princípio referido,
atribuindo-se maior relevância à utilização económica do bem que à sua
propriedade jurídica.
De acordo com este modelo o bem passará a contabilizar-se no
balanço do locatário, considerando-se no balanço do locador a operação
como uma mera operação de financiamento.
Assim, o bem será registado no activo e passivo do locatário.
A rubrica do passivo debitar-se-á pelo valor da amortização do
capital, movimentando-se os custos financeiros na respectiva conta de
demonstração de resultados.
O locatário amortizará o bem de forma consistente com a sua
política contabilística.
Se não existir a certeza de que optará pela compra no final do
contrato deverá amortizar o bem durante o período que lhe é inerente,
no caso de este ser inferior à sua vida útil.
Em suma:

221
início do contrato: 42
a 261
Pelas rendas: 6818
261
a 11/12
Pelas amortizações: 662
a 482
final do contrato:
Se houver opção: 261
6818
a 11/12
Se não houver opção:
Abate do imobilizado: 7942/6942
a 42
Abate das amortizações: 48
a 7942/6942
Valor residual: 261
a 7942/6942
Esta metodologia de contabilização, foi contudo suspensa até ao final
de 1992.

A problemática em redor da contabilização do Leasing


A referida adopção do princípio da substância sobre a forma jurídica,
veio exigir u m a reflexão profunda que assente no facto de os locatários
serem confrontados com a impossibilidade de considerar a renda como
custo.
A citada reflexão exige que se analisem alguns aspectos, tais como
o facto de o Leasing ser uma actividade relativamente recente em
Portugal e ter ao longo destes poucos anos demonstrado uma grande
vitalidade no apoio à modernização do tecido empresarial nacional, quer
no que respeita à substituição, quer à inovação das estruturas
económicas.
Ao nível Europeu verifica-se que em países onde o Leasing j á tem
uma história de décadas, as autoridades não alteraram ainda a sua
contabilização e os benefícios fiscais inerentes.
Um outro aspecto tem a ver com o facto de no Dec. Reg. 2/90 de 12

222
de Janeiro, referente às reintegrações, se considerar a reintegração dos
bens em locação financeira como se os bens fossem contabilizados na
locadora, existindo alguma descoordenação com o disposto no novo
P.O.C..
Por outro lado, colocam-se questões algo complexas, com o facto de
se menosprezar a individualidade do direito de propriedade, sendo a
locadora a proprietária e a contabilização efectuada no balanço da
locatária que está a contabilizar activos e passivos futuros.
No caso do contrato não ser cumprido, a locatária faz desaparecer o
bem do seu balanço, dando imagem de que tudo está bem, quando
efectivamente assim não é.
Toda esta questão, pela sua delicadeza, encontra-se no cerne de um
grande debate a nível comunitário, não havendo ainda qualquer
harmonização, pelo que a atitude das autoridades nacionais foi algo
apressada implicando, no caso de a nova metodologia de contabilização
ter entrado em vigor a possibilidade de se ver n a necessidade de a
alterar por a normalização comunitária ter apontado noutro sentido.

Outros aspectos de natureza contabilístico-fiscai


No encontro anual realizado pela Apelease (Associação das
Empresas de Leasing) em 29 de J u n h o passado, estiveram presentes o
Sr. governador do Banco de Portugal, Dr. Tavares Moreira e o Sr.
SEAF, Dr. Oliveira e Costa.
De acordo com a intervenção do Sr. Governador do Banco de
Portugal, entre outros aspectos, as Sociedades de Leasing vão passar
a ser consideradas como instituições de crédito, tendo acesso ao MMI
e ao mercado de obrigações de Caixa, o que lhe permitirá melhorar a
sua situação de mercado.
O acesso das empresas ao Leasing de veículos não comerciais vai
tornar-se de novo possível.
No âmbito da total abertura de fronteira em 1993, vai
perspectivar-se a possibilidade de as sociedades poderem estabelecer-se
e prestar serviços noutros países da CEE, preparando o grande mercado
único.
No âmbito da fiscalidade, de acordo com a intervenção do Sr. SEAF,
está em análise a possibilidade de isentar os bens objecto de contratos
de Leasing imobiliário de Contribuição Autárquica, assim como a
possibilidade de protelar o momento de pagamento da sisa para o

223
momento da opção, no final do contrato, o que permitirá obter
importantes benefícios fiscais.
Quanto à Contabilidade, foi assumida a prorrogação da suspensão
da aplicação do novo P.O.C, ao Leasing até à definição desta matéria
pelas autoridades comunitárias.
De acordo com as citadas intervenções, abriram-se importantes
perspectivas para o sector do Leasing em Portugal e para os seus
clientes, nomeadamente para a sua preparação para o embate que
representará a abertura do espaço comunitário em 1993.

224
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
SOBRE A INCLUSÃO DOS REVISORES
OFICIAIS DE CONTAS NOS ÓRGÃOS DE
FISCALIZAÇÃO DAS SOCIEDADES

Autor: CARLOS BAPTISTA DA COSTA


(Revisor Oficial de Contas; Professor do ISCAL;
Sócio de Alves, Costa & Lampreia - SROC)

225
INDICE

1. INTRODUÇÃO

2. BREVE RESENHA HISTÓRICA

3. A SITUAÇÃO ACTUAL

4. O PROBLEMA DA FISCALIZAÇÃO DA
GESTÃO

5. CONCLUSÕES

226
1. INTRODUÇÃO

O breve trabalho que temos o prazer de apresentar nas IV Jornadas


de Contabilidade, organizadas pelo ISCA de Aveiro, debruça-se sobre
um tema que pensamos ter alguma importância no actual contexto das
sociedades comerciais em Portugal.
Trata-se da "velha" questão de saber se:
a) Devem ou não os ROC fazer parte de um órgão social das
sociedades, concretamente do Conselho Fiscal.
b) Deve ou não ser uma das atribuições dos ROC a revisão legal
de empresas, sobretudo na sua vertente da fiscalização de
gestão.
O tema não é novo mas é polémico. Obviamente que não
pretendemos ser exaustivos mas tão somente despertar ideias para um
debate que se pretende animado.

2. BREVE RESENHA HISTÓRICA

O início da fiscalização das sociedades em Portugal remonta a 22 de


Junho de 1867 data em que foi publicada a primeira Lei das Sociedades
Anónimas, lei esta que procedeu pela primeira vez à instituição do
Conselho Fiscal.
De acordo com o artigo 21 9 da referida lei, todas as sociedades anó-
nimas teriam de ter um Conselho Fiscal, composto pelo menos por três
accionistas eleitos pela Assembleia Geral, a qual os poderia exonerar.
Por seu lado, o artigo 22s cometia ao Conselho Fiscal as funções
seguintes:
- Examinar, sempre que o julgasse conveniente, a escrituração da
sociedade:
- Convocar a Assembleia Geral quando o julgasse necessário,
exigindo-se neste caso o voto unânime do Conselho quando fosse
composto de três elementos, e dois terços dos votos quando a ele
pertencesse um maior número de accionistas;
- Assistir, com voto unicamente consultivo, às sessões da Direcção,
sempre que o julgasse conveniente;

227
- Fiscalizar a administração da sociedade;
- Dar parecer sobre o balanço, inventário e relatório.
Cerca de vinte anos mais tarde, foi aprovado por Carta de Lei de 28
de Junho de 1888 o Código Comercial de Veiga Beirão, estando a
fiscalização das sociedades anónimas contemplada na secção III. De
acordo com o artigo 171° tal fiscalização cabia a um Conselho Fiscal
eleito pela Assembleia Geral e composto, segundo o artigo 175 s , pelo
menos por três accionistas. Ao Conselho Fiscal estavam cometidas as
funções seguintes:
- Examinar, sempre que o julgasse conveniente, e pelo menos de
três em três meses, a escrituração da sociedade;
- Convocar a Assembleia Geral extraordinária, quando o julgasse
necessário, exigindo-se neste caso o voto unânime do Conselho,
quando composto só de três membros, e de dois terços dos vogais,
quando composto de maior número;
- Assistir às sessões da Direcção, sempre que o entendesse
conveniente;
- Fiscalizar a administração da sociedade, verificando frequente-
mente o estado da Caixa e a existência dos títulos ou valores de
qualquer espécie confiados à guarda da sociedade;
- Verificar o cumprimento dos estatutos relativamente às condições
estabelecidas para a intervenção dos accionistas nas assembleias;
- Vigiar pelas operações de liquidação da sociedade;
- Dar parecer sobre o balanço, inventário e relatório apresentado
pela Administração;
- E, igualmente, vigiar por que as disposições da lei e dos estatutos
fossem observadas pela Administração.
Ao longo dos anos foi sendo publicada alguma legislação relacionada
com a fiscalização de determinados tipos de sociedades anónimas
(concessionárias do Estado ou da Câmara Municipal de Lisboa,
estrangeiras com acções e obrigações cotadas nas Bolsas de Lisboa ou
Porto, etc.).
Uma lei importante sobre esta matéria, que contudo nunca foi
regulamentada, foi a Lei n s 1995, de 17 de Maio de 1943, segundo a
qual a fiscalização das sociedades por acções seria exercida por peritos
ajuramentados e com intervenção do Tribunal, os quais teriam de fazer
parte da Câmara dos Verificadores das Sociedades por Acções.

228
A estes Verificadores, que não faziam parte do Conselho Fiscal,
estavam cometidas funções eminentemente relacionadas com o que
podemos designar de revisão de contas ou auditoria.
De referir que aquela lei previa que à medida que o regime por ela
instituído entrasse em execução, nas sociedades assim fiscalizadas
deixaria de existir o Conselho Fiscal, salvo se a assembleia geral
deliberasse mantê-lo.
Com a publicação do Decreto-Lei nQ 49381, de 15 de Novembro de
1969, foi instituído o novo regime de fiscalização das sociedades
anónimas o qual se manteve em vigor até à publicação do Código das
Sociedades Comerciais.
De entre as inovações constantes daquele diploma, destacamos as
seguintes:
- os membros do Conselho Fiscal e o Fiscal único podiam ser ou
não accionistas;
- podiam ser eleitos como membros do Conselho Fiscal pessoas
colectivas;
- um membro do Conselho Fiscal e um suplente ou o Fiscal único
e u m suplente tinham de ser revisores oficiais de contas (ROC)
ou sociedades de revisores oficiais de contas (SROC);
- a fiscalização das sociedades anónimas cujo capital não excedesse
2 500 contos podia ser exercida apenas por u m Fiscal único e um
suplente;
- a fiscalização das sociedades anónimas cujo capital excedesse
2 500 contos estava cometida a um Conselho Fiscal o qual,
conforme os estatutos da sociedade, teria de ser composto por:
- três membros efectivos e u m ou dois suplentes;
- cinco membros efectivos e dois suplentes.
As funções cometidas ao Conselho Fiscal eram as seguintes:
- Fiscalizar a administração da sociedade;
- Vigiar pela observância da lei e dos estatutos;
- Verificar a regularidade dos livros, registos contabilísticos e
documentos que lhes servem de suporte;
- Verificar, quando o julgasse conveniente e pela forma que
entendesse adequada, a extensão da caixa e as existências de
qualquer espécie de bens ou valores pertencentes à sociedade ou
por ela recebidos em garantia, depósito ou outro título;

229
- Verificar a exactidão do balanço e da conta de resultados ou de
ganhos e perdas;
- Verificar se os critérios valorimétricos adoptados pela sociedade
conduziam a u m a correcta avaliação do património e dos
resultados;
- Elaborar anualmente relatório sobre a sua acção fiscalizadora e
dar parecer sobre o relatório, balanço, contas e propostas
apresentados pela administração;
- Convocar a assembleia geral, quando a respectiva mesa o não
fizesse, estando vinculada à convocação;
- Cumprir com as demais obrigações impostas pela lei e pelos
estatutos.

3. A SITUAÇÃO ACTUAL

Hoje em dia, a fiscalização das sociedades anónimas está


contemplada no Código das Sociedades Comerciais • (CSC) e pode
exercer-se de u m a das três formas seguintes:
- Integralmente através de u m Conselho Fiscal
- Integralmente através de um Fiscal único (em alternativa ao
Conselho Fiscal) mas apenas nos casos em que o capital da
sociedade seja inferior a 20 000 contos
- Conjuntamente através de u m Conselho Geral de u m a ROC
ou de u m a SROC
O Conselho Fiscal é composto por:
- três membros efectivos e u m ou dois suplentes, ou
- cinco membros efectivos e dois suplentes, se tal estiver
contemplado no contrato de sociedade
Existindo Fiscal único, terá também de haver u m suplente.
De referir que a lei impõe que "o Fiscal único, um membro efectivo
do Conselho Fiscal e u m dos suplentes têm de ser ROC ou SROC".
O Conselho Geral é composto por um número ímpar de membros a
fixar no contrato de sociedade, mas sempre superior ao número de
directores e não superior a quinze. Tais membros devem ser accionistas
titulares de acções nominativas ou ao portador registadas ou

230
depositadas, em número fixado no contrato de sociedade, não inferior
ao necessário p a r a conferir u m voto na assembleia geral, implicando a
alienação das acções a cessação de funções.
Como se verifica, neste caso, a lei não impõe que u m ROC faça parte
do Conselho Geral. Contudo, nas sociedades onde exista este órgão
social, a assembleia geral deve designar u m ROC ou u m a SROC p a r a
proceder ao exame das contas da sociedade.
Vejamos de seguida as competências do Conselho Fiscal e do
Conselho Geral.
Conselho Fiscal Conselho Geral
(artigo 420e do CSC) (artigo 441 9 do CSC
a) Fiscalizar a administração da a) Nomear e destituir os directores;
sociedade; b) Designar o director que servirá de
b) Vigiar pela observância da lei e do presidente e destituí-lo;
contrato de sociedade; c) Representar a sociedade nas
c) Verificar a regularidade dos livros, relações com os directores;
registos contabilísticos e d) Fiscalizar as actividades da
documentos que lhe servem de direcção;
suporte; e) Verificar, quando o julgue
d) Verificar, quando o julgue conveniente e pela forma que
conveniente e pela forma que entenda adequada, a regularidade
entenda adequada, a extensão da dos livros, registos contabilísticos
caixa e das existências de e documentos que lhe servem de
qualquer espécie dos bens ou suporte, assim como a situação de
valores pertencentes à sociedade quaisquer bens ou valores
ou por ela recebidos em garantia, possuídos pela sociedade a
depósito ou outro título; qualquer título;
e) Verificar a exactidão do balanço e f) Aprovar o relatório e as contas
da demonstração dos resultados; elaborados pela direcção;
0 Verificar se os c r i t é r i o s g) Elaborar anualmente um relatório
valorimétricos adoptados pela sobre a sua actividade e
sociedade conduzem a uma apresentá-lo à assembleia geral;
correcta avaliação do património e h) Conceder ou n e g a r o
dos resultados; consentimento à transmissão de
g) Elaborar anualmente relatório acções, quando este for exigido
sobre a sua acção fiscalizadora e pelo contrato;
dar parecer sobre o relatório, i) Convocar a assembleia geral,
contas e propostas apresentados quando entenda conveniente;
pela administração; j) Exercer as demais funções que lhe
h) Convocar a assembleia geral, sejam atribuídas por lei ou pelo
quando o presidente da respectiva contrato de sociedade.
mesa o não faça, devendo fazê-lo;
i) Cumprir as demais atribuições
constantes da lei ou do contrato de
sociedade.

231
Verifica-se pois que diversas funções cometidas ao Conselho Fiscal
(nas sociedades com estrutura tradicional) estão cometidas ao Conselho
Geral (nas sociedades que adoptem a nova estrutura, inspirada no
modelo alemão).
Ao permitir que as sociedades anónimas adoptem uma forma de
estrutura diferente da tradicional, o CSC deu um primeiro passo no
sentido de os ROC deixarem de estar inseridos num órgão social das
empresas.
A atribuição que o CSC reserva para o ROC na estrutura moderna
das sociedades anónimas ("proceder ao exame das contas da sociedade")
está perfeitamente definida no Decreto-Lei n s 519-L2/79, de 29 de
Dezembro, o qual estabelece que uma das atribuições exclusivas dos
ROC é o "exame das contas de empresas ou de quaisquer outras
entidades, em ordem à sua certificação legal", o qual se destina "a
atestar a sua sinceridade e regularidade". E mais adiante, o mesmo
diploma refere que a "certificação legal das contas exprime a convicção
do revisor de que os documentos de prestação de contas representam ou
não, de forma verdadeira e apropriada, os resultados das operações e
a situação patrimonial da empresa relativamente ao período e à data
a que os mesmos se referem".
Aliás, já há quase 20 anos que o Dr. Alberto Pimenta defendia que
as contas anuais das sociedades anónimas deviam ser examinadas por
um perito o qual, entre outras incompatibilidades, não podia ser
"accionista, membro do Conselho de Administração ou do Conselho
Fiscal da sociedade ou de qualquer empresa dela dependente ou por ela
dominada, ou exercer, quer na sociedade quer nestas empresas,
qualquer função remunerada"1.
Podemos aliás dizer que este conceituado jurista (assim como outras
pessoas que vêm defendendo que o ROC não deve fazer parte de
qualquer órgão social nem ser considerado como tal) anteviu o que as
directivas comunitárias sobre o direito das sociedades preconizam sobre
o assunto.
Assim, o projecto inicial da 5a Directiva da CEE (que trata da
estrutura das sociedades anónimas e dos poderes e obrigações dos seus
órgãos) aponta naquele mesmo sentido ao preconizar no seu artigo 52s

"A prestação de contas do exercício nas sociedades comerciais", Lisboa, 1972.

232
"a obrigação de independência do ROC 1 . Por seu lado, a 8 a Directiva da
CEE (que t r a t a das qualificações mínimas dos ROC e que foi aprovada
em 1984) estabelece, no seu artigo 249, que "os Estados-membros
determinarão que essas pessoas (ROC) não podem efectuar u m a
fiscalização legal se não forem consideradas independentes segundo o
direito do Estado-membro que exija a fiscalização". E o artigo 27 s da
mesma Directiva separa inequivocamente os ROC dos órgãos de
administração, de direcção ou de fiscalização das sociedades.
Aliás, faz exactamente agora três anos que a Comissão para as
questões comunitárias da Fédération des Experts Comptables
Européens (FEE) elaborou (em 10/10/88) um documento intitulado "A
independência do ROC" onde esta problemática é detalhadamente
tratada. O capítulo rV do trabalho debruça-se sobre a independência e
as regras de funcionamento das sociedades. Na parte dedicada às
incompatibilidades escreve-se: "o ROC não pode aceitar ou prosseguir
um trabalho logo que ele exerça certas funções incompatíveis".
Como exemplos refere-se, entre outros, que o ROC não pode aceitar
um trabalho desde que "seja representante legal, faça parte dos órgãos
de administração, de direcção ou de fiscalização ou seja sócio da
sociedade em causa".
E mais à frente, o capítulo V, intitulado "Independência e
comportamento do ROC" refere:

b) o ROC não pode aceitar u m trabalho numa empresa se, em


qualquer momento no decurso dos dois anos anteriores:
(1) tiver pertencido aos órgãos de administração, de
direcção ou de fiscalização de tal empresa

d) o ROC não pode, no decurso dos dois anos que se seguem ao


fim do seu mandato:
(1) fazer parte dos órgãos de administração, de direcção,
ou de fiscalização de tal empresa
(2) fazer parte do pessoal de tal empresa
Parece pois, por demais evidente, que a tendência na Europa comu-
nitária (onde estamos inseridos desde 1 de Janeiro de 1986 e que a
partir de 1 de Janeiro de 1993 terá as suas fronteiras totalmente

1
Designado por "Contrôleur légal", na versão francesa e por "Statutory auditor", na
versão inglesa.

233
abertas) vai no sentido de os ROC não fazerem parte dos Conselhos
Fiscais nem serem considerados Conselhos Fiscais, como infelizmente
ainda acontece em Portugal.
Aliás legislação muito recente e promulgada depois da entrada em
vigor do CSC aponta nesse sentido. Vejamos dois exemplos.
Assim, o Decreto-Lei n 9 495/88, de 30 de Dezembro, que define o
regime jurídico das sociedades gestoras de participações sociais (SGPS),
estabelece no número 2 do seu artigo 10a que "todas as SGPS, qualquer
que seja o seu tipo ou estrutura, têm obrigação de designar um ROC ou
u m a SROC nos termos do artigo 446 s do CSC". E logo a seguir, o
número 3 estipula que "às SGPS que tenham Conselho Fiscal não é
aplicável o disposto no número 2 do artigo 414fi do CSC".
Ou seja, por outras palavras, nos casos em que as SGPS tenham
Conselho Fiscal o ROC não faz parte deste órgão social. A atribuição
cometida ao ROC é a de proceder ao exame das contas da sociedade.
Por outro lado, o Código do Mercado de Valores Mobiliários (apro-
vado pelo Decreto-Lei n 9 142-A/91, de 10 de Abril) estabelece no seu
artigo 100 s , que os documentos de prestação de contas das empresas
cotadas nas Bolsas têm de ser acompanhados de um relatório ou
parecer de um auditor que faça parte do Registo de auditores
organizado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

4. O PROBLEMA DA FISCALIZAÇÃO DA GESTÃO

Mas, além de ser passível de discussão o facto de o ROC dever ou


não integrar um órgão social das sociedades, põe-se também, na actual
legislação portuguesa, o problema de ao mesmo estar cometida a
fiscalização da gestão.
De facto, outra das atribuições exclusivas dos ROC "é a revisão legal
de empresas", a qual "consiste na fiscalização das contas e da gestão,
bem como do cumprimento das disposições legais e estatutárias".
Além de se dever questionar se a gestão deve ser fiscalizada (ou se
não teria sido preferível o legislador ter optado pela expressão
"apreciação da gestão") põe-se o problema de se saber em que consiste
e como deve ser efectuada pelo ROC a referida fiscalização da gestão.
A resposta não é fácil e de tal maneira que as Normas Técnicas da

234
CROC (aprovadas em 1983) dedicam 40 artigos à problemática da
revisão legal das contas e apenas 6 artigos à revisão legal de empresas.
A questão da fiscalização de gestão põe-se, sobretudo, quando ao
ROC se pede que aprecie se os actos praticados "são legalmente
permitidos" e se "foram executados no âmbito dos poderes conferidos,
concretizando decisões em favor da entidade gerida, nas quais foi
empregada a diligência de um gestor criterioso e ordenado".
Parece fora de dúvida que toda a gestão de u m a empresa (boa ou
má) se reflecte nas demonstrações financeiras. Aliás, o POC, ao
enfatizar na demonstração dos resultados, os resultados operacionais
vai exactamente nesse sentido u m a vez que são tais resultados que
reflectem a eficiência e a eficácia com que a administração geriu os
negócios da sociedade.
Por outro lado, é à administração que compete a responsabilidade de
elaborar as contas anuais e, previamente, implementar adequados
sistemas contabilísticos e de controlo interno.
Ora, um sistema de controlo interno "é o plano de organização e
todos os métodos e procedimentos adoptados pela administração de uma
entidade para auxiliar a atingir o objectivo de gestão de assegurar,
tanto quanto for praticável, a metódica e eficiente conduta dos seus
negócios, incluindo a aderência às políticas da administração, a
salvaguarda dos activos, a prevenção e detecção de fraudes e erros, a
precisão e plenitude dos registos contabilísticos e a atempada
preparação de informação financeira fidedigna" 1 .
Assim sendo, e não podendo o ROC proceder à revisão legal de con-
tas em ordem à respectiva certificação sem previamente ter efectuado
testes de conformidade 2 , conclui-se que ele efectua a chamada
"fiscalização da gestão" a nível da verificação dos sistemas
contabilísticos e de controlo interno.
Ir para além disto a nível da fiscalização de gestão poderá ter como
consequência transformar o ROC num co-gestor.

1
Norma de Auditoria ne 6 da IF AC.
2
Testes que visam confirmar que as técnicas de controlo interno, sendo adequadas, se
encontram em efectivo funcionamento ao longo do exercício (artigo 35s das Normas
Técnicas da CROC).

235
5. CONCLUSÕES

Tendo em consideração o que referimos ao longo deste breve


trabalho somos de opinião de que se podem tirar as seguintes
conclusões:
1. Os ROC não devem fazer parte dos Conselhos Fiscais das
sociedades, devendo a legislação portuguesa ser alterada no
sentido de se generalizar o que se encontra preconizado no
Decreto-Lei nfi 495/88, de 30 de Dezembro (caso das SGPS);
2. As sociedades anónimas de dimensão razoável e todas aquelas
que estejam cotadas na Bolsa devem passar a adoptar a nova
estrutura prevista no CSC (Conselho Geral e Direcção);
3. Aos ROC deve ser cometida apenas a função de examinar as
contas das empresas, em ordem à sua certificação legal;
4. Aos ROC não deve ser cometida a atribuição da revisão legal
de empresas, sobretudo no que concerne à fiscalização da
gestão entendida esta como interferência nas decisões dos
gestores e que portanto possa, de alguma forma, tornar o ROC
como um co-gestor;
5. Dever-se-á entender que a fiscalização do cumprimento das
disposições legais e estatutárias, a apreciação da eficácia e
segurança dos sistemas contabilístico e de controlo interno são
indispensáveis à execução do referido exame às contas
conducentes à sua certificação legal.

Lisboa, Outubro de 1991

236
6

Comunicações da Mesa IV

Presidente: Prof. Doutor Rogério Fernandes Ferreira


Secretário: Drs Virgínia Maria Granate Costa e Sousa

Problemática das Provisões e das Reintegrações


e Amortizações em óptica contabilístico-fiscal
e de Auditoria 239
Dr. António Afonso da Silva Carvalho
Professor do ISCAP
Considerações em torno do Paradigma da Utilidade 303
Dr. Domingos José da Silva Cravo
Docente do ISCAA
O impacto da 7a Directiva no Direito Interno Português . . . . 323
Dr. José de Oliveira Correia
Inspector de Finanças
Controlo Interno - Conceitos Básicos. Aplicações
Específicas 333
Dr. António Afonso da Silva Carvalho
Professor do ISCAP

237
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
PROBLEMÁTICA DAS PROVISÕES E DAS
REINTEGRAÇÕES E AMORTIZAÇÕES
em óptica contabilístico-fiscal e de auditoria

Autor: ANTÓNIO AFONSO DA SILVA CARVALHO


(Professor do ISCAP; Revisor Oficial de Contas)

239
SUMÁRIO

PROVISÕES
1. Conceito, Essência e Objectivos
2. Génese e Evolução
3. Enquadramento Legal
4. Patrimonialidade das Provisões
5. Contrapartida das Provisões
6. Tipos de Provisões
7. Análise do Tratamento Fiscal das Provisões
8. Análise Comparativa dos Tratamentos Fiscal e
Contabilístico das Provisões
9. Análise do Regime das Provisões
10. Posição das Provisões no Balanço
11. Procedimentos em Auditoria

AMORTIZAÇÕES E REINTEGRAÇÕES
1. Discórdia Terminológica
2. Métodos de Contabilização das Amortizações
3. Métodos de Cálculo das Quotas de Deperecimento
4. Inovações introduzidas pela Reforma Fiscal
5. Elevação das Taxas das Tabelas Anexas ao D.R.
n9 2/90
6. Procedimentos em Auditoria

240
PROVISÕES

PROVISÕES = ESTIMATIVAS

1. CONCEITO, ESSÊNCIA E OBJECTIVOS

Provisão é a expressão contabilística de um risco, que se traduz na


assumpção imediata de u m custo correspondente a uma eventual
redução de valor do património, resultante de causas que não são
necessariamente irreversíveis.
Eventual, porque ainda não se concretizou. E pode ou não
materializar-se.
A palavra PROVISÃO designa sempre em contabilidade uma
eventualidade:
- risco de incobrabilidade: de créditos;
- risco de depreciação: baixa de valor das existências;
- risco de perda:
- baixa de cotação de valores mobiliários (acções, obrigações e
títulos da dívida pública);
- encargo de indemnizar (em consequência de quebra contratual;
por despedimento de pessoal, etc.).
As provisões são valores que se destinam a dar cobertura a
depreciações ou a riscos e encargos futuros, de montante incerto mas
de ocorrência provável (e logo também incerta).
De modo mais preciso, pode dizer-se que as provisões são criadas,
ou
a) para fazer face a encargos de exigibilidade aleatória e de
montante incerto;
ou
b) para fazer face a encargos de exigibilidade certa e de
montante incerto, mas previsível com um certo grau de certeza.

241
É evidente que a criação de qualquer provisão é sempre uma
resultante da afectação de resultados positivos obtidos pela empresa à
satisfação de u m risco futuro, previsível no momento da afectação.
As provisões são verbas estimadas conexas com ocorrências
ulteriores sobre cuja verificação existe um certo grau de incerteza, quer
quanto à sua concretização quer quanto ao montante dos riscos e dos
encargos que provavelmente a unidade económica (u.e.) virá a suportar
no futuro. Portanto, só o futuro dirá se as provisões atempadamente
constituídas foram insuficientes ou excessivas.
Não obstante as dificuldades em estimar custos ou prever a
ocorrência de encargos, a verdade é que, caso se venham a verificar,
eles não podem afectar as contas do exercício. Por isso as provisões
devem contabilizar-se sempre no exercício em que surgiram os eventos,
quer nele haja lucro, quer haja prejuízo.
A contabilização é feita na fase de rectificação ou regularização de
contas, portanto antes do apuramento dos resultados do exercício.
As PROVISÕES são parcelas de custos que se contabilizam por
precaução 1 . Visam ocorrer a perdas futuras e prováveis, cujo montante
se ignora, mas que são bem determinadas quanto à sua natureza:
- Provisões para créditos de cobrança duvidosa;
- Provisões para depreciação de existências;
- Provisões para Investimentos Financeiros;
- Provisões para riscos e encargos.
Por isso, não são admissíveis provisões para riscos gerais.
Note-se que embora as provisões digam respeito a riscos e encargos
futuros ou a depreciações não definidas, se reportam ao exercício em
que se constituem. Por outro lado, a probabilidade de se concretizarem
os riscos e os encargos que estão na origem da constituição de
provisões, existe. Desde logo se justifica, do ponto de vista
contabilístico, a sua existência, o que aliás resulta da observância, entre
outros, dos princípios contabilísticos da prudência (prudence) e da
especialização dos exercícios ou do acréscimo (accrual). Assim, este

1
As Provisões para Riscos e Encargos, que se reportam a todo o património, no Balanço
situam-se no Passivo, em classe que se poderia denominar precisamente
De Precaução.
O Passivo desintegrar-se-ia, então, assim:
De Funcionamento
De Financiamento
De Precaução

242
estabelece que "os proveitos e os custos são reconhecidos quando obtidos
ou incorridos, independentemente do seu recebimento ou pagamento,
devendo incluir-se nas demonstrações financeiras dos períodos a que
respeitam", do princípio da prudência deduz-se que a contabilidade deve
registar todas as perdas de valor - efectivas ou potenciais - e não
atender aos ganhos potenciais, introduzindo nas contas um certo grau
de precaução, sem contudo distorcer os resultados.
Tendo em conta os riscos da actividade económica aos quais a
empresa em particular se expõe, porquanto basta existir a empresa
(qualquer que seja a sua dimensão) para haver risco, as provisões,
quando justificadas e razoáveis, contribuem para conferir às
demonstrações financeiras as necessárias características qualitativas,
nomeadamente as de relevância e fiabilidade, que o P.O.C, consagrara.
Riscos - São acontecimentos incertos e aleatórios.
Classes patrimoniais positivas sujeitas a riscos, cuja cobertura é
assegurada por provisões:
- Créditos
- Existências
- Investimentos Financeiros
As provisões devem estar correlacionadas com a actividade da
empresa e deverão constituir-se apenas as provisões necessárias, pois
é regra internacionalmente aceite 1 que as provisões não justificadas
não devem ser permitidas - e caso existem, devem ser anuladas.
Até há pouco 2 , no nosso País, essa regra não era observada,
acontecendo até, e não raro, as empresas contabilizarem provisões não
justificadas e desnecessárias, embora enquadráveis nas possibilidades
fiscais então existentes.
As provisões não justificadas e tais provisões de mera permissão
fiscal, se figurarem no balanço, são verdadeiras reservas ocultas.

O Art" 42." da TV Directiva da CEE diz expressamente: "O montante das provisões
para riscos e encargos não pode ultrapassar as necessidades".
O Código do IRC, aprovado pelo Decreto-Lei n ' 442-B188, de 30 de Novembro, que
entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1989, introduziu profundas alterações na base de
cálculo das provisões, que passou a atender à realidade factual em vez da base estatística
(aplicação de percentagem sobre os saldos que apresentavam determinadas contas à data
de 31-12, para o cálculo das provisões a considerar para propósitos fiscais).
Anteriormente, também, a D.G.C.I. definia regras de cálculo das provisões para
ramo de actividade - v.g. Portaria nQ 142/80, de 29 de Março.

243
Pode dizer-se ainda que qualquer provisão, independentemente das
distinções que adiante se farão, permite na prática:
- Reduzir os resultados do exercício, dado que é a contrapartida dos
custos ou perdas incertas;
- Regularizar o balanço, diminuindo o valor do património;
- Evitar que futuros exercícios sejam sobrecarregados com custos
ou perdas imputáveis ao próprio exercício.
Frisa-se que o conceito de provisões geralmente adoptado entre nós
aproxima-se do definido na IV Directiva da CEE, que diz:
Artigo 20°
1. As provisões para riscos e encargos têm por objectivo cobrir perdas ou dívidas que
estão claramente circunscritas, quanto à sua natureza, mas que, na data de encerramento
do balanço, são ou prováveis ou certas, mas indeterminadas quanto ao seu montante ou
quanto à data da sua ocorrência.
2. Os Estados-membros podem igualmente autorizar a constituição de provisões tendo
por objectivo cobrir encargos que tenham a sua origem no exercício ou em exercício anterior
e que estão claramente circunscritos quanto à sua natureza mas que, na data de
encerramento do balanço, são ou prováveis ou certos mas indeterminados quanto ao seu
montante ou quanto a data de ocorrência .
3. As provisões para riscos e encargos não podem ter por objectivo corrigir os valores
de elementos do activo.

1
É o seguinte o teor do Art9 33. ° do C.C.I.:
Apenas serão de considerar como provisões para efeito do disposto no n° 8 do artigo
26.°:
a) As que se destinarem a ocorrer a obrigações e encargos derivados de processos
judiciais em curso por factos que determinariam a inclusão daqueles entre os custos ou
perdas do exercício;
b) As que visarem a constituição da reserva técnica necessária à cobertura dos encargos
das entidades patronais que não transfiram para outrem as responsabilidades emergentes
de acidentes de trabalho e doenças profissionais, não podendo o montante anual das
provisões exceder 80% dos prémios que seriam devidos se o seguro fosse efectuado em
qualquer empresa seguradora nacional;
c) As que tiverem por fim a cobertura de créditos de cobrança duvidosa, calculadas em
função da soma dos créditos resultantes da actividade normal da empresa existentes no
fim do exercício;
d) As que se destinarem a cobrir as perdas de valor que sofrerem as existências;
e) As que tiverem sido constituídas de harmonia com a disciplina imposta pela
Inspecção de Seguros e pelo Banco de Portugal às empresas submetidas à sua fiscalização.
§leAs taxas e os limites das provisões a que se referem as alíneas c) e d) serão fixados
pelo Ministério das Finanças para cada ramo de actividade, com prévia audiência do
organismo que, a nível nacional, represente a respectiva actividade.
2° As provisões que não devam subsistir por não se terem verificado os eventos a que
se reportam, e bem assim as que forem utilizadas para fins diversos dos expressamente
previstos neste artigo, considerar-se-ão proveitos ou ganhos do respectivo exercício.

244
ESSÊNCIA
O conceito de provisão é de essência contabilística e não fiscal. Por
isso, as empresas devem observar o que sobre provisões dispõe o P.O.C.,
cujas regras, critérios e princípios consubstanciam autêntico direito da
contabilidade de cumprimento obrigatório.
Mas é às empresas, e só a elas, que cabe decidir em relação a cada
período (normalmente o exercício económico) quais os créditos
comerciais que no futuro próximo se mostrarão de cobrança
problemática, com base em factos concretos surgidos no exercício ou em
exercício(s) anterior(es) e dos quais possam advir potenciais prejuízos
ou dar lugar a eventuais passivos.
"Assim, pareceria lógico que a legislação fiscal acatasse por inteiro
as disposições contabilísticas que decorrem da observância, entre
outros, dos princípios da prudência e da especialização dos exercícios,
ou, nessa impossibilidade, optasse por excluir alguns tipos de provisões,
o que daria lugar a meras correcções extra-contabilísticas para efeitos
de determinação do lucro tributável" 1 .

OBJECTIVOS
Os objectivos que as visam são os seguintes:
- Registar prejuízos certos, mas de importância não determinada;
- Relevar encargos a satisfazer, cuja importância exacta se
desconhece.

2. GÉNESE E EVOLUÇÃO

Foi em França que surgiu pela primeira vez, no fim da segunda


década deste século - por volta de 1928 - a noção de provisão. Porém,
só foi reconhecida na legislação do direito das sociedades em 1966.

Uma coisa são as provisões, outra são os Encargos a Pagar (subconta 26.8 do POC).
A subconta "Encargos a Pagar" serve de contrapartida a custos da Classe 6 que,
embora já concretizados, ainda não estavam pagos nem contabilizados à data de 31-12.
A revelação de tais custos deve efectuar-se sempre à data de fim de exercício, em
obediência ao Princípio do Conservantismo.

245
Logo em 1932, talvez devido à grande Depressão de 1929/30, o
"American Institute of Certified Public Accounts" (AICPA) encetou a
recolha e tratamento de uma série de dados sobre as provisões.
E, em 1975, surge a primeira norma sobre provisões: A norma n 9 5
do #F.A.S.B.".
Em J u n h o de 1979 surgiu a Norma nfi 10 emanada do "I.A.S.C.".
Em Portugal, no livro A TÉCNICA DA LEITURA DE BALANÇOS,
de F. Caetano Dias, publicado em 1936, em Lisboa, não é feita alusão
a provisões. Somente no balanço constante de fis. 174 e 175 se inscreve
na classe PATRIMÓNIO LÍQUIDO a conta Depreciações e
Amortizações, referente apenas aos elementos do imobilizado corpóreo.

3. ENQUADRAMENTO LEGAL

O C.G.I. limitava aos casos nele referidos a possibilidade de


constituir provisões, pois descreve taxativamente as provisões 1 que são
aceites como custos expressamente enumerados, nos Art. os 26. a e 33. 9 .

1
É o seguinte o teor do Art" 33." do C.C.I.:
Apenas serão de considerar como provisões para efeito do disposto no n° 8 do artigo
26.":
a) As que se destinarem a ocorrer a obrigações e encargos derivados de processos
judiciais em curso por factos que determinariam a inclusão daqueles entre os custos ou
perdas do exercício;
b) As que visarem a constituição da reserva técnica necessária à cobertura dos encargos
das entidades patronais que não transfiram para outrem as responsabilidades emergentes
de acidentes de trabalho e doenças profissionais, não podendo o montante anual das
provisões exceder 80% dos prémios que seriam devidos se o seguro fosse efectuado em
qualquer empresa seguradora nacional;
c) As que tiverem por fim a cobertura de créditos de cobrança duvidosa, calculadas em
função da soma dos créditos resultantes da actividade normal da empresa existentes no
fim do exercício;
d) As que se destinarem a cobrir as perdas de valor que sofrerem as existências;
e) As que tiverem sido constituídas de harmonia com a disciplina imposta pela
Inspecção de Seguros epelo Banco de Portugal às empresas submetidas à sua fiscalização.
§ Is As taxas e os limites das provisões a que se referem as alíneas c) e d) serão fixados
pelo Ministério das Finanças para cada ramo de actividade, com prévia audiência do
organismo que, a nível nacional, represente a respectiva actividade.
2" As provisões que não devam subsistir por não se terem verificado os eventos a que
se reportam, e bem assim as que forem utilizadas para fins diversos dos expressamente
previstos neste artigo, considerar-se-ão proveitos ou ganhos do respectivo exercício.

246
Portanto, a contabilizarem-se provisões para propósitos fiscais, elas
não podem extravasar o âmbito do Artfi 33. e de C.C.I. 1
Por outro lado, podem mesmo deixar de se constituir provisões, o que
contudo será contrário aos elementares princípios de uma sã gestão.
Com efeito, qualquer empresa, por mais cuidado que use na concessão
de crédito aos seus clientes, pode ver-se confrontada com situações de
incobrabilidade, por causas imprevistas e imprevisíveis (v.g. conjuntura
económica, razões políticas: revoluções, guerras, etc.) e, também, por
mais cuidado que ponha nos aprovisionamentos, pode por simples
mudanças atmosféricas ficar em armazém com stocks obsoletos (v.g.
artigos de estação, etc.).
E, caso não se constituam provisões, o balanço e a conta de
resultados não evidenciam a real situação patrimonial, financeira e de
crédito da empresa, não proporcionando pois a "true and fair view" ou
"l'image fidèle".

4. PATRIMONIALIDADE DAS PROVISÕES

São as provisões elementos patrimoniais ou não?


As provisões podem aparecer no Activo, no Passivo ou em resultados.

4.1. Provisões do Activo


Representam eventualidades activas:
- Provavelmente não realizaremos um certo recebimento:
- o crédito que se tornou incobrável;
- a mercadoria que ficou obsoleta;
- as acções (participações financeiras) cuja cotação baixou
irreversivelmente.

1
Uma coisa são as provisões, outra são os Encargos a Pagar (subconta 26.8 do PCC).
A subconta "Encargos a Pagar" serve de contrapartida a custos da Classe 6 que,
embora já concretizados, ainda não estavam pagos nem contabilizados à data de 31-12.
A revelação de tais custos deve efectuar-se sempre à data de fim de exercício, em
obediência ao Princípio do Conservantismo.

247
Algumas podem ser autonomizadas, caso seja possível realizar u m a
operação com elas.
Exemplo:
Provisões para Cobranças Duvidosas: O risco pode em certas situações ser
transferido para uma empresa seguradora.

4.2. Provisões do Passivo


Representam eventualidades passivas:
- Provavelmente teremos de realizar um pagamento:
- em consequência de processo judicial.
São autónomas, na medida em que representam autênticos passivos.
As contas que servem para relevar as eventualidades passivas são
denominadas no P.O.C, por Provisões para Riscos e Encargos.
Compreendem as provisões para Riscos:
29.3 - Processos Judiciais em Curso
29.4 - Acidentes no Trabalho e Doenças Profissionais
Compreendem as Provisões P a r a Encargos:
29.1 - Pensões (Pagamento da Pensão a reformados)
29.2 - Impostos
29.5 - Garantias a Clientes (automóveis, máquinas, TV, etc.).
Questão:
As provisões podem ser consideradas como dívidas?
- Podem. É que as provisões podem destinar-se a ocorrer a u m a
despesa que se sabe de antemão vir efectivamente a ser paga.

4.3. Em dispositivo gráfico


BALANÇO

ACTIVO PASSrVO
- Provisões + Provisões
1 1
Custo hoje, ausência Custo hoje,
de receita amanhã encargo amanhã

248
5. CONTRAPARTIDA DAS PROVISÕES

Em cada exercício económico, as provisões são movimentadas


(constituição, reforço ou anulação) ou quando ocorrem os eventos ou
pelo menos no final do exercício, na fase de rectificação ou regularização
de contas, portanto antes do apuramento dos resultados.
A contrapartida contabilística é, no P.O.C., denominada por
"provisões do exercício" 1 , que são custos puros e simples do exercício.
Sendo assim, as provisões parcelas dos custos normais ou ordinários
(ditos custos puros e simples) do exercício, devem contabilizar-se
sempre independentemente de haver lucro ou prejuízo.
São portanto afectações do resultado bruto - o resultado líquido só
ulteriormente é apurado.
Numa empresa, é o contabilista que tem competência para
movimentar as provisões, embora de parceria com os responsáveis
directivos 2 , nomeadamente quanto à definição das situações concretas
que devem ser objecto de constituição de provisão, que é preciso
comprovar muito bem e isso nem sempre é fácil, principalmente em
casos de mora.
A comprovação das situações de mora de clientes (e outros
devedores) é feita por todos os meios possíveis (v.g. diligências pessoais
do cobrador, cartas, telex, telefax, etc.).

6. TIPOS DE PROVISÕES

O Art 8 33. s do CIRC admite três tipos de provisões:

1
No Anteprojecto do Plano Geral de Contabilidade a contrapartida das provisões era
denominada por "Dotações para provisões".
Esta denominação estava mesmo bastante generalizada.
O Plan Coptable General (P.C.C.) denomina-as de "Dotations aux provisions".
O Plan General de Contabilidad (Plano Espanhol) de 1973 e de 1991 denomina-as
"Dotaciones de las provisiones ".
Os anglo-saxónicos denominam-as "Provision for Bad Debts".
2
A responsabilidade pela preparação da informação financeira e pela sua apresentação
é primordialmente da administração ou gerência, face ao C.S.G. (P.O.C. Revisto -
Características da informação financeira - Características qualitativas).
A constituição de RESERVAS de lucros, por sua vez, é da competência exclusiva da
assembleia geral.

249
I - Provisões para depreciação de elementos do activo - provisões
para créditos de cobrança duvidosa, provisões para depreciação de
existências [ al. a) e b) ]
II - Provisões para Riscos e Encargos - provisões para processos
judiciais em curso, provisões para acidentes no trabalho e doenças
profissionais, provisões para pensões de reforma, provisões para
garantias dadas a clientes [ ai. c) ]
III - Provisões com características de reservas - provisão para alta
de preços, provisão para a reconstituição de jazigos mineiros [ ai. e)]
Contempla ainda as provisões a constituir pelas instituições
dependentes da disciplina imposta pelo Banco de Portugal e pelo
Instituto de Seguros de Portugal, que aqui não trataremos.
Vamos a seguir analisar os tipos I e II, uma vez que as provisões
com características de reservas orientadas para objectivos de ordem
económica, não são, em contabilidade, provisões.

I — PROVISÕES PARA DEPRECIAÇÕES


Correspondem a certos elementos do Activo-créditos, existências e
imobilizações - sujeitos a depreciações originadas por factos de ordem
externa e tem, como é sabido, expressão no próprio Activo permitindo
corrigir, reduzindo, os valores activos sujeitos a depreciação.
Do ponto de vista estritamente contabilístico estas depreciações:
- determinam-se no fim do exercício económico quando existe a
possibilidade da não recuperação do custo histórico dos elementos pela
sua realização.
- quantificam-se pela diferença entre o mesmo custo histórico e o
valor de realização possível, tendo como referência o fim do exercício
económico.
Refira-se ainda o carácter não definitivo destas depreciações, u m a
vez que são a contrapartida de custos ou perdas potenciais, em relação
aos quais existe um certo grau de incerteza quer quanto à sua
concretização quer quanto ao seu montante. Daí a reversibilidade
destas depreciações, o que as distingue das amortizações e
reintegrações (de facto, um crédito que se prevê incobrável pode afinal
vir a cobrar-se, o mesmo se podendo dizer relativamente a outros
valores activos em relação aos quais em dado momento se achou
correcto criar provisões).
De acordo com o POC Revisto são as contas de provisões para
depreciações:

250
/ Cód. Denominação Antes

19 Provisões para aplicações de tesouraria igual


28 Provisões para cobranças duvidosas Igual
39 Provisões para depreciação de existências Provisão para depreciação de existências
49 Provisões para investimentos financeiros Provisão para imobilizações financeiras

Da sua contabilização falaremos um pouco mais adiante.

II — PROVISÕES PARA RISCOS E ENCARGOS


A conta é 29 - Provisões para Riscos e Encargos.
Estas provisões prendem-se com factos verificados ou em curso no
exercício que envolvem u m certo risco que poderá ser determinante de
encargos futuros.
- Correspondem a débitos potenciais, j á que a confirmarem-se os
referidos encargos irão implicar desembolsos no futuro.
- Têm origem em factos por estimativa pelo que apresentam
incerteza quanto ao seu montante.
- Figuram no Balanço como passivos autónomos (passivo
contingente] permitindo regularizar, aumentando o passivo.
O POC Revisto prevê as subcontas de provisões para riscos e
encargos que se seguem e que assumem, como foi dito, uma natureza
claramente definida quanto ao seu objecto.

Cód. Denominação Antes

29.1 Pensões
29.2 Impostos
29.3 Processos judiciais em curso
29.4 Acidentes no trabalho e doenças profissionais
29.5 Garantias a clientes

Na Prática, sabemos que a determinação e quantificação das provi-


sões se tem afastado da anteriormente exposta, o que decorre da diver-
gência existente entre a teoria contabilística e a legislação fiscal sobre
a mesma matéria, divergência cujas causas, note-se, não se pretendem
contestar no presente trabalho. É contudo, inegável que essa divergên-
cia tem contribuído para desvirtuar na prática a essência das provisões.
É também certo que as profundas alterações introduzidas pelo código
IRC (CIRC) nesta matéria, vêm contribuir para minimizar o problema
atrás referido. Também destas questões falaremos mais adiante.

251
7. ANALISE DO TRATAMENTO FISCAL DAS
PROVISÕES

No fim do exercício social, aquando dos trabalhos de rectificação ou


regularização de contas, é feito o levantamento dos encargos latentes
que surgiram no exercício e das perdas de valor de bens/elementos do
activo (créditos ou existências).
Encargos e perdas de ocorrência previsível num futuro mais ou
menos próximo [ futuro(s) exercício(s) ], mas de que se ignora o
montante exacto.
Ora, as provisões são constituídas/criadas para ocorrer a esses
encargos e a esses custos, que obviamente são de natureza
contabilística. Isso nos leva a concluir que "o conceito de provisão e de
natureza contabilística e não fiscal, donde decorre que as empresas
estão vinculadas a adoptar nesta matéria as regras e princípios que o
P.O.C, prescreve, cabendo-lhe a faculdade de decidir quais as provisões
julgadas necessárias em face da informação disponível à data da
elaboração das contas anuais" 1 .
Cabe, pois, à empresa decidir, em face das situações concretas, à
cerca da necessidade de constituir provisões, bem como do seu
montante.

7.1. As provisões antes da reforma fiscal


O Código da Contribuição Industrial, que surgiu em 1963 e vigorou
até 31 de Dezembro de 1988, limitava aos casos nele referidos a
possibilidade de constituir provisões, pois descrevia taxativamente as
provisões aceites como custos, custos esses também expressamente
enumerados no Art a 26. a .
Assim, a contabilizarem-se provisões para propósitos fiscais, elas
tinham de obedecer à disciplina do Art s 33.fi do C.C.I, que contemplava:
a) As Provisões para Processos Judiciais em Curso;
b) As Provisões para Acidentes no Trabalho e Doenças
Profissionais;
c) As Provisões para Cobranças Duvidosas.

1
in A Regulamentação das provisões no código do IRC (CIRC), de Maria dos Prazeres
Lousa.

252
Quanto às Provisões para Cobranças Duvidosas ou P.O.C/77
distinguia:
29.1.1 - Provisões para Clientes
29.1.2 - Provisões para Outros Devedores
E r a m impostos limites à constituição das provisões, que eram calcu-
ladas numa base estatística,i.e. mediante a aplicação de taxas, as quais
eram fixadas pelo Ministério das Finanças, como determinava o § I e do
Art 9 33. 9 do C.C.I., taxas essas que ultimamente eram as seguintes:

Taxas anuais Limites das taxas

Vendas a retalho, a prestações 6% 8%


Vendas de veículos com motor 6% 8%
Restantes actividades 4% 5%

(Aprovadas por despacho de 84-04-27 de Sua Excelência o


Subsecretário de Estado do Orçamento - Proc. 11./A- E.G. 42 499/84).

Como se sabe, era definida u m a taxa máxima para o reforço anual


e para o valor acumulado, aplicável:
- ao montante dos créditos da actividade normal da empresa no
final do exercício económico (ou mesmo para a provisão para letras
descontadas e ainda não vencidas à data de fim de exercício);
- ao total das existências (de todas as categorias) em armazém no
fim do exercício.
Casos especiais foram também considerados (v.g. Decreto-Lei n 9
503-C/76, de 30 de Junho)

7.2. As Provisões depois da Reforma Fiscal


Abandonou-se a metodologia da aplicação de taxas genéricas ditas
de base estatística, substituindo-a pela avaliação dos elementos
patrimoniais e das perdas prováveis que possam estar associadas, face
a cada caso concreto.
Relativamente às provisões para créditos de cobrança duvidosa e
para depreciação de existências passam a estar reguladas no novo
Código do IRC no Art 9 33. 9 , alíneas a) e b) do n 9 1 e o seu método de
cálculo passa finalmente a aproximar-se do que deverá ser a realidade
económica da empresa e dos princípios contabilísticos definidos no POC,
embora sujeito a alguns condicionalismos de natureza formal e a
determinados limites temporais.

253
REGIME DE TRANSIÇÃO
A alteração do regime daquelas provisões tornou imprescindível o
regime transitório, o qual está previsto no Artfi 13. s do D.L. n s 442-B/88,
que aprovou o Código do IRC e a elaboração da norma interpretativa
n 9 1/88 da Comissão de Normalização Contabilística.

8. ANÁLISE COMPARATIVA DOS TRATAMENTOS


FISCAL E CONTABILÍSTICO DAS PROVISÕES

- O princípio da prudência adoptado pelo POC determina que as


diminuições do activo, ainda que potenciais, deverão ser relevadas
contabilisticamente. Nem todas, porém, serão consideradas como custos
para efeitos do apuramento do lucro tributável.
- Comecemos pois por fazer a distinção entre as Provisões
fiscalmente aceites como custo (I) e não aceites (II).
- No I s Grupo, temos a Provisão para créditos de cobrança
duvidosa, e a Provisão para processos judiciais em curso, a Provisão
para depreciação de existências e as constituídas de harmonia com a
disciplina imposta pelo Banco de Portugal e Instituto de Seguros de
Portugal (Art9 33.Q do Código do IRC).
- Do 2B grupo fazem parte a Provisão para aplicações de tesouraria,
a Provisão para riscos e encargos (exceptuada a destinada a processos
judiciais em curso referida no I s grupo) e a Provisão para investimentos
financeiros.
Vamos seguidamente, proceder ao tratamento separado das mesmas.

I — PROVISÕES FISCALMENTE DEDUTÍVEIS

Vejamos o que preceitua o C.I.R.C. relativamente às Provisões para


Cobranças duvidosas e Depreciação de existências (por serem as mais
usadas frequentemente).

Provisão para Créditos de Cobrança Duvidosa

1. I n t r o d u ç ã o
Em muitos ramos de negócio a maior parte das vendas, se não a
totalidade, são feitas a crédito.

254
Há pois o risco de alguns clientes nunca pagarem o valor das
mercadorias ou serviços que compraram a crédito. E o risco do negócio
- que existe sempre. Por isso é um risco normal.
Surgem assim os créditos incobráveis {bad debts dos
anglo-saxónicos), que têm de ser considerados com u m custo normal do
exercício e como tal contabilizados quando surgem ou, pelo menos no
fim do exercício social (que entre nós tem de coincidir com o ano civil),
na fase de rectificação ou regularização de contas i.e. antes do
apuramento dos resultados do exercício.
Em linguagem corrente: o que não se faz na devida altura, em
contabilidade tem de ser feito no final do exercício.

2. C o n c e i t o
São as que tiveram por fim a cobertura de créditos de cobrança
duvidosa e sejam evidenciados como tal na contabilidade (alínea a) ns
1 do Art. 33.9 do CIRC).
O montante dos devedores da empresa figura no balanço, no Activo.
Se tivermos a certeza que todos os devedores pagam as suas dívidas,
então o montante dos créditos representa um valor verdadeiro (e
exacto). Todavia se alguns dos créditos se tornarem eventualmente de
cobrança duvidosa, então o valor do Activo está sobrevalorizado. Há
pois, que corrigi-lo.
Quando um devedor entra em mora, isso é indício ou de dificuldades
financeiras ou de vontade deliberada de incumprimento. Algum tempo
decorre até se averiguar, para cada caso, o verdadeiro motivo da mora
e suas consequências.
Há aqui um evento sobre o qual existe um certo grau de incerteza,
quer quanto à sua concretização, quer quanto ao montante - isto porque
o devedor, voluntária ou coactivamente, pode vir a pagar todo o débito
ou apenas u m a parte dele (v.g. falência, em que há rateio da massa
falida pelos credores; execução judicial em que os bens apreendidos são
de valor insuficiente, acordo de credores, em que h á perdão parcial da
dívida, etc.).
Surgida a situação e a fim de tornar os créditos próximos do valor
real, h á que criar a inerente provisão.
A provisão é constituída para cobrir o montante estimado dos
créditos de cobrança duvidosa.
O seu cálculo assenta pois em estimativas que devem ser efectuadas

255
com razoável aproximação, bem como ser adequados aos factos que
originam, por quanto se as estimativas forem mal feitas, as
correspondentes provisões ou são excessivas, dando lugar a reservas
ocultas, ou são insuficientes, não proporcionando uma cobertura
integral do risco que porventura venha a concretizar-se.
Além de que, num e noutro caso, contribuirão, por via das provisões,
para desvirtuar os resultados do exercício e consequentemente as
demonstrações financeiras (DF's) que, assim, não dão a imagem fiel e
verdadeira (a true and fair view dos anglo-saxónicos) do património, da
situação financeira e dos resultados da empresa, como devem dar.

9. ANÁLISE DO REGIME DAS PROVISÕES

Voltando à al. a) do ns 1 do Art9 33. s do CIRC, que diz:


Regime das provisões
Artigo 33"
Provisões fiscalmente dedutíveis
1- Podem ser deduzidas para efeitos fiscais as seguintes provisões:
a) As que tiverem por fim a cobertura de créditos resultantes de actividade normal que
no fim do exercício possam ser considerados de cobrança duvidosa e sejam evidenciados
como tal na contabilidade;

Para o valor da provisão constituída poder ser aceite como custo do


exercício, para efeitos fiscais, este normativo exige:
1- Que os créditos sejam resultantes da actividade normal;
2- Que, no final do exercício os créditos possam ser considerados
de cobrança duvidosa;
3- Que como tal sejam evidenciados na contabilidade.
- Consideram-se créditos derivados da actividade normal:
1 - Os que forem devidos por vendas e serviços prestados, registados
correctamente nas subcontas
21.1 - Clientes - c/c.
21.8 - Clientes de Cobrança Duvidosa
e outras de igual significado.
2 - Os que forem devidos por vendas e serviços prestados, para cuja
regularização já se tenham sacado letras ou outros títulos de crédito -
os denominados créditos titulados - e se encontrem registados nas
subcontas

256
21.2 - Clientes - Títulos a receber
21. - Clientes - Títulos Protestados
21. - Clientes - Títulos à Cobrança
21. - Clientes - Letras Descontadas - e ainda não vencidas.
3 - Os adiantamentos feitos a fornecedores por conta de encomendas a
satisfazer futuramente e se encontrem registados nas subcontas
22.9 - Adiantamentos a Fornecedores
26.9 - Adiantamentos por conta de vendas
26.1.9 - Adiantamentos a Fornecedores de Imobilizado
37 - Adiantamentos por conta de compras - são as compras de
bens e serviços a preços pré-fixados
44.7 - Adiantamentos por conta de Investimentos Financeiros
44.8 - Adiantamentos por conta de Imobilizações Corpóreas
44.9 - Adiantamentos por conta de Imobilizações Incorpóreas.
Trata-se de imobilizações em curso a preços pré-fixados.
4 - Os que forem devidos por vendas de bens, alvarás e outros valores
da unidade económica (u.e.) e serviços especiais - que não sejam
específicos da actividade normal - e se encontrem relevados na subconta
26.8 - Devedores e Credores Diversos
5 - Os que forem provenientes de empréstimos, que não revistam a
forma de adiantamentos, por razoes inerentes a actividade específica da
unidade económica (u.e.) e se encontrem relevados nas subcontas
26.2.4 - Adiantamentos ao Pessoal
26.2.9 - Outras Operações com o Pessoal
6 - Os créditos seguros pela COSEC. Situação comum aos vários
créditos: é que eles esteiam relevados na contabilidade.
Mas nem todos os créditos oriundos da actividade normal da
unidade económica servem de base ao cálculo de provisões, como
expressamente dispõe o n s 3 do Art 9 34. s do CIRC, que diz:
3 - Não serão considerados de cobrança duvidosa:
a) Os créditos sobre o Estado, regiões autónomas e autarquias locais ou aqueles
em que as entidades tenham prestado aval;
b) Os créditos cobertos por seguro, com excepção da importância correspondente
à percentagem de descoberto obrigatório, ou por qualquer espécie de garantia
real;
c) Os créditos sobre pessoas singulares ou colectivas que detenham mais de 10%
do capital da empresa ou sobre membros dos seus órgãos sociais, salvo nos
casos previstos nas alíneas a) e b) do nç 1;
d) Os créditos sobre empresas participadas em mais de 10% do capital salvo nos
casos previstos nas alíneas a) e b) do n9 1.

257
Este normativo veio fixar doutrina e disciplinar procedimentos
errados. É, pois, u m a importante inovação no Código do IRC.
Devem, sem dúvida, excluir-se da incidência das provisões para
créditos de cobrança duvidosa os créditos sobre Entidades Oficiais e
sobre sócios e accionistas, isto porque o Estado é a mais solvível de
todas as entidades da nação e, quanto aos sócios e accionistas, as suas
cotas e acções, respectivamente são em última estância as garantes das
suas dívidas.
Excluem-se também os créditos por seguro, que são a parte deles não
coberta. A COSEC
Esquematicamente:

CRÉDITOS EXCLUÍDOS

r
i

ESTADO GARANTIA REAL PARTICIPANTES


OU PARTICIPADAS

*
* *
Outra condição necessária imposta pela parte final da ai. a) do nfi 1
do Art 2 33. s do CIRC, para a aceitação como custo fiscal da provisão
constituída para créditos de cobrança duvidosa, é que tais créditos, no
fim do exercício económico (em 31-12), sejam efectivamente
considerados de cobrança duvidosa - i.e. créditos de difícil cobrança - e
sejam evidenciados como tal na Contabilidade. É u m a exigência formal.
Esta condição é inovadora em relação ao Código da Contribuição
Industrial, em sede do qual era aliás iníqua, porquanto a constituição
da provisão para créditos de cobrança duvidosa assentava na aplicação
da taxa prevista no seu Art 9 33. s sobre a totalidade dos créditos
resultantes da actividade normal da unidade económica (u.e.) no fim do
exercício.
Era u m critério de base estatística. Que foi abandonado.
Foi substituído por um critério individualizado, exigindo-se agora às
empresas que identifiquem claramente os créditos cuja cobrança se lhes
afigura duvidosa (difícil) e mais: que os contabilizem adequadamente.
A subconta adequada para contabilizar os créditos de cobrança
duvidosa é a 21.8 - Clientes de Cobrança duvidosa.

258
O cumprimento desta exigência formal é fácil para o caso de clientes
(e outros devedores) cujos débitos são considerados de cobrança
duvidosa na totalidade. Basta efectuar o lançamento
CLIENTES
- Clientes de Cobrança Duvidosa
a CLIENTES
- Clientes - c/c.
C
Transferência da 2- para a I a subconta do valor
do s/débito, considerado de cobrança duvidosa $
Deste modo, o saldo da conta 28. PROVISÕES PARA COBRANÇAS
DUVIDOSAS corresponderá sempre ao saldo da subconta 21.8 -
Clientes de Cobrança Duvidosa mais o saldo de outra subconta a criar
para relevar as "Outras Dívidas de Terceiros" de Cobrança Duvidosa,
o que consubstancia u m a forma fácil e expedita de a Administração
Fiscal poder controlar as provisões constituídas ou reforçadas e bem
assim os créditos de cobrança duvidosa que venham a ser cobrados, cuja
provisão terá, para efeitos fiscais, de ser considerada um proveito, a
contabilizar na subconta 79.6.2 - PROVEITOS E GANHOS
EXTRAORDINÁRIOS - Reduções de Amortizações e de Provisões -
Provisões por contrapartida da provisão. O problema complica-se
quanto aos clientes (e outros devedores) cujos débitos só gradualmente
(cf. o disposto na ai. c) do Art s 34. 8 do CIRC) podem ser provisionados.
Isso representa que cada cliente (ou outro devedor) passa a ter na
empresa duas c/c: uma, na subconta 21.1 - Clientes - c/c; outra, na
subconta 21.8 - Clientes de Cobrança Duvidosa, até o débito ser
considerado na totalidade de cobrança duvidosa e, consequentemente,
a inerente provisão estiver toda constituída/criada.
E poderá ter u m a terceira c/c no caso de ser aceitante de letras
vincendas, na subconta 21.2 - Clientes - Títulos a Receber.
Convenhamos que isso pode trazer dificuldades.
Terá o legislador fiscal ponderado esta situação?

- Clientes de Cobrança duvidosa


"Para esta subconta são transferidos os créditos sobre clientes cuja
cobrança se apresenta duvidosa, quer estejam ou não em litígio".
Esta nota explicativa foi omitida no novo P.O.C. (P.O.O/77), porque
a C.N.C, quis ser neutra neste aspecto.

259
Na frase de rectificação ou regularização de contas deve proceder-se
sempre a u m a análise cuidadosa às contas de clientes (e outros
devedores), a fim de se transferirem para esta subconta os casos de
duvidosa ou difícil cobrança.
Isto em obediência à clareza - que é u m dos requisitos essenciais do
Balanço. 1
Exemplo:
No fim do ano, feito um exame às contas dos clientes, verificou-se que o débito de
20 c. do João e o aceite de 30 c. do Joaquim tinham fracas hipóteses de serem
recebidos, devido à ausência dos mesmos para parte incerta.
Lançamento:
CLIENTES
- Clientes de Cobrança Duvidosa
a CLIENTES
Transferência para a I s subconta dos débitos dos seguintes clientes, que se
ausentaram para parte incerta:
- Clientes c/c.
João
valor do s/débito 20 000$
- Clientes - Títulos a Receber
Joaquim
valor do s/ aceite 30 000$
50 000$

- Cálculo da Provisão
A regra geral é que a provisão deve resultar da rigorosa avaliação
individual da situação de cada crédito da empresa.
Dados os reflexos contabilísticos e fiscais das provisões, é
fundamental definir com clareza o que se considera, para efeitos fiscais,
créditos de cobrança duvidosa.
Com vista a instituir u m a certa homogeneidade de procedimentos
entre as empresas quanto às causas/situações que podem dar origem à
criação de provisões, o legislador fiscal estabeleceu alguns critérios
objectivos no
Artigo 34.e
Provisão para créditos de cobrança duvidosa
1- Para efeitos da constituição da provisão prevista na alínea a) do ns 1 do artigo
anterior, são créditos de cobrança duvidosa aqueles que o risco de incobrabilidade se
considere devidamente justificado, o que se verificará nos seguintes casos:

1
O Balanço diz-se claro quando pelo simples exame das contas complexas ou gerais, que
o constituem, devidamente seriadas, ficamos a fazer uma ideia precisa da composição
qualitativa do património que ele representa.

260
a) O devedor tenha pendente processo especial de recuperação da empresa e protecção
de credores ou processo de execução, falência ou insolvência;
b) Os créditos tenham sido reclamados judicialmente;
c) Os créditos estejam em mora há mais de 6 meses desde a data do respectivo
vencimento e existam provas de terem sido efectuadas diligências para o seu recebimento.

Consagram-se neste artigo algumas disposições que vinham


constituindo doutrina e, assim, é possível constituir provisão para todos
os saldos considerados de difícil cobrança, com base em justificação
segura, como segue:
- Créditos cujo devedor tenha pendente processo especial de recuperação de empresa
e protecção de credores ou processo de execução, falência ou insolvência, podendo a
provisão ser constituída em 100% dos respectivos montantes;
- Créditos que tenham sido reclamados judicialmente, podendo a provisão ser
constituída em 100% dos respectivos montantes;
- Créditos que estejam em mora há mais de 6 meses desde a data do respectivo venci-
mento e existam provas de terem sido efectuadas diligências para o seu recebimento.

A actividade económica deve reger-se por normas de rigor e no


mundo dos negócios, quanto aos créditos concedidos a clientela, eles
devem ser pagos nos prazos estipulados.
Quando o devedor está a entrar em dificuldades financeiras, e
começa a pagar as suas contas mais lentamente; em vez de pagar os
seus financiamentos, limita-se a amortizá-los, acumulando, assim,
empréstimos bancários.
Deixa de pagar ao Fisco e à Segurança Social e por último deixa de
pagar os ordenados e salários e aos fornecedores.
Surge então o corte de crédito.
E todo um processo que se desenvolve ao longo de algum tempo e
por isso quando tiver decorrido o prazo normal de pagamento das
dívidas e, não obstante as diligências desenvolvidas, não for possível o
seu recebimento (situação tipificada na ai. c) do Art 9 34. s do CIRC), à
medida que o tempo decorre, aumenta o risco de incobrabilidade.
E por essa razão que o legislador estabeleceu para os créditos em
mora percentagens crescentes na medida em que vão aumentando os
meses da mora e que são os seguintes:
a) 25% para créditos em mora há mais de 6 meses e até 12 meses;
b) 50% para créditos em mora h á mais de 12 meses e até 18 meses;
c) 75% para créditos em mora h á mais de 18 meses e até 24 meses;
d) 100% para créditos em mora há mais de 24 meses.
Esquematicamente:

261
Limite anual da provisão

0 devedor tenha pendente processo de execução,


falência ou insolvência 100%

Créditos reclamados judicialmente 100%

Créditos em mora:
mais de 6 até 12 meses 25%
mais de 12 até 18 meses 50%
mais de 18 até 24 meses 75%
mais de 24 meses 100%

- Falência judicial de devedores


Os débitos incobráveis de clientes e/ou outros devedores que,
voluntária ou forçadamente se apresentem a Tribunal para efeitos de
falência judicial, serão anulados mediante a utilização da subconta
82.8.2 - Créditos Incobráveis
e não necessariamente através da utilização das provisões existentes.
E que torna-se fácil comprovar inequivocamente ao Fisco a
incobrabilidade total ou parcial de tais créditos, desde que se obtenha
a respectiva Certidão de Tribunal justificativa do não recebimento pelo
credor do valor total ou parcial do crédito. 1
Desde que se obtenha, pois, a Certidão de Tribunal comprovativa da
incobrabilidade, o montante dos saldos devedores de clientes e/ou outros
devedores que se tornem incobráveis, serão logo contabilizados como
custos normais do exercício 2 - embora de carácter excepcional.
Por isso, na prática,
as provisões acabam por só serem utilizadas para ocorrer a
créditos incobráveis não resultantes de falência ou concordata
judiciais
A Certidão de Tribunal é um documento autêntico. Faz prova plena
(Art 3 371. s do C. Civil). "A força probatória dos documentos autênticos
só pode ser ilidida com base na sua falsidade" (n8 1 do Art B 372. s do C.
Civil).

1
A incobrabilidade de créditos pode resultar de falência ou de acordo judicial de
credores (concordata). No caso de concordata, é vulgar ficar incobrável apenas uma parte
do crédito.
2
Épois indispensável que a Certidão de Tribunal mencione expressamente o ano em que
o crédito foi considerado incobrável.

262
Ora, se a u.u. faz prova plena da ocorrência de um prejuízo inerente
à sua actividade normal, é lógico que o Fisco o aceite como um custo
normal ou ordinário do exercício em que ocorreu a incobrabilidade,
como aliás dispõe o Art s 34.9 do C.C.I.
Exemplo:
- Dados:
O cliente F., de Lisboa, que devia 120 c. em c/c, faliu.
Não se recebeu nada, por insuficiência de bens.
Obteve-se a respectiva Certidão de Tribunal.
- Lançamento
RESULTADOS EXTRAORD. DO EXERCÍCIO
- Outras Perdas Extraordinárias
- Créditos Incobráveis
a CLIENTES
- Clientes - c/c.
F.
Pela anulação do s/ débito, por ser incobrável,
devido a falência judicial, cf. Certidão do
Tribunal de anexa $
s s
O apoio legal para este lançamento encontra-se no Art 34. do C.C.
Industrial que determina: "Os créditos incobráveis só são de considerar
como custos ou perdas do exercício na medida em que tal resulte de
processos de execução, falência ou insolvência".
Deve ter-se em conta que em casos de falências ou concordatas
(acordos de credores), por vezes os credores recebem apenas uma parte
dos respectivos créditos, parte essa que é função de uma percentagem
atribuída, em rateio da massa falida, a todos os credores comuns.
Quando isso se verifica, cada credor receberá apenas uma
percentagem do seu crédito.
Exemplo:
- Dados
O nosso cliente "Sociedade de Representações Ibérica, Lda.", de Santarém, que
j á estava no rol dos clientes sem interesse, apresentou-se oportunamente a
Tribunal, para efeitos de falência. O valor do s/débito era de 246 220$60.
Julgada a falência, aos credores coube, em rateio da massa falida, 20% dos
respectivos créditos.
Recebemos a nossa parte. Obtivemos a respectiva Certidão de Tribunal.
- Lançamento
de de 199n
DIVERSOS
a CLIENTES
- Clientes de Cobrança Duvidosa
Sociedade de Rep. Ibérica, Ld a

263
Pelo movimento contabilístico inerente a falência judicial deste cliente,
homologada em / / , cabendo aos credores, em rateio da massa falida, 20%
dos respectivos créditos:
CAIXA
Valor recebido em rateio:
29% x 246 226$60 49 244$10
RESULTADOS EXTRAORD. DO EXERCÍCIO
- Créditos Incobráveis
Pela parte incobrável do débito do nosso cliente supracitado, cf. respectiva
Certidão do Tribunal de , anexa 196 976$50
246 220$60.

Portanto, só são de considerar como créditos incobráveis os que


resultem de decisão judicial.

Implicações com IVA


Há a possibilidade de dedução ao imposto correspondente a créditos
incobráveis, como dispõe o n s 8 do Art 2 71. 8 do CIVA, que diz:
"Os sujeitos passivos poderão deduzir ainda o imposto facturado em créditos
considerados incobráveis em processos de execução, falência ou insolvência. Em tal
hipótese, será comunicada ao adquirente do bem ou serviço que seja um sujeito
passivo do imposto a anulação total ou parcial do imposto, para efeitos de
rectificação da dedução inicialmente efectuada".

Exemplo:
A empresa X facturou a um cliente mercadorias no valor de 500 contos, sujeitas a 17%
de IVA.
Se o cliente não pagar, a empresa X perde 585 contos.
Note-se, porém que neste montante existem rubricas com características distintas:
500 contos respeitantes as mercadorias e 85 contos referentes ao imposto liquidado e j á
entregue nos cofres do Estado.
Portanto, a empresa X pagou 85 contos de IVA que não recebeu.
Nestes casos, e desde que a incobrabilidade resulte de processo de execução, falência
ou insolvência,
- poderá a empresa X deduzir o montante do imposto que liquidou e pagou e não
recebeu;
- deverá a empresa X comunicar ao cliente que seja sujeito passivo do imposto, para
que este, por sua vez, proceda à rectificação da dedução que inicialmente efectuou.
Exige a prudência e a certeza que só possam ser considerados créditos incobráveis os
que resultarem de decisão judicial, plenamente comprovável através de Certidão de
Tribunal.

264
Provisão Para Processos Judiciais em Curso

É possível constituir (ou criar) esta provisão desde que possa ser
inequivocamente justificada por documentos do Tribunal.
O valor da provisão será o que se estimar para o total a pagar.
Exemplos:
Quebras contratuais
Indemnizações por fornecimentos de M.P. indevidas ou deterioradas
Não cumprimento de prazos de fornecimentos de
. Maquinismos
. Matérias Primas
. Mercadorias
Pedidos de indemnizações por despedimentos
Pela constituição desta provisão, para ocorrer a
(descrever o evento) 60 000$
Utilização
Temos a considerar 3 hipóteses:
I s - Vem a pagar-se o valor exacto da provisão;
2 9 - Vem a pagar-se menos que a provisão constituída;
3 5 - Vem a pagar-se mais do que a provisão constituída.

Lançamentos;
a
I hipótese - Paga-se o valor exacto da provisão
PROVISÕES P a , COB.DUVID.E OUTROS RISCOS E ENCARGOS
- Provisões P 8 , Outros Riscos e Encargos
- Para Processos Judiciais em Curso
a UTILIZAÇÃO DE PROVISÕES
- Para Riscos e Encargos Previstos
Utilização 60 000$
FORNECIMENTOS E SERVIÇOS DE TERCEIROS 1
- Contencioso e Notariado
a CAIXA / DEP. À ORDEM
Pagamento de 60 000$

2 a hipótese - Paga-se menos do que a Provisão constituída


p.e. paga-se 50 c.
PROVISÕES P ê , COB. DUVID. E OUTROS RISCOS E ENCARGOS
- Provisões p a Outros Riscos e Encargos
- Para Processos Judiciais em Curso

A conta a debitar será obviamente a que corresponder à natureza do custo em questão.

265
a UTILIZAÇÃO DE PROVISOES
- Para Riscos e Encargos Previstos
Utilização 50 000$

//

PROVISOES P 8 , COB. DUVID. E OUT. RISCOS E ENCARGOS


- Provisões P ê Outros Riscos e Encargos
- Para Processos Judiciais em Curso
a RESULTADOS EXTRAORDINÁRIOS DO EXERCÍCIO
- Reposição e Anulações de Provisões
Anulação da parte não utilizada da provisão
criada para ocorrer a 10 000$

//

FORNECIMENTOS E SERVIÇOS DE TERCEIROS


- Contencioso e Notariado
a CAIXA / DEP. A ORDEM
Pagamento de 50 000$

3 a hipótese - Paga-se mais do que a Provisão constituída


p. e. paga-se 65 c.
PROVISÕES p B COB. DUVID. E OUT. RISCOS E ENCARGOS
- Provisões P s . Outros Riscos e Encargos
- Para Processos Judiciais em Curso
a UTILIZAÇÃO DE PROVISÕES
- Para Riscos e Encargos Previstos
Utilização 60 000$

//

DIVERSOS
a CAIXA / DEP. À ORDEM

FORNECIMENTOS E SERVIÇOS DE TERCEIROS


- Contencioso e Notariado

60 000$
RESULTADOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES

5 000$ 65 000$

266
Provisão Para Letras Descontadas

As letras descontadas nos bancos encerram risco igual aos demais


créditos sobre terceiros, uma vez que a u. e. que desconta as letras
(quer esteja na posição de sacador, quer na de endossante) é sempre a
primeira responsável perante o banco, pela chamada via de regresso,
pelas letras não pagas nos respectivos vencimentos, pelos aceitantes.
Assim, deverá criar-se provisão sobre responsabilidades deste tipo.
O Fisco exige que as u. e. que constituem esta provisão façam prova
do montante das letras descontadas à data de 31 de Dezembro, através
de declarações dos diferentes bancos onde tenham sido negociadas as
letras ainda não vencidas.
Tudo quanto foi dito acerca das Provisões para Cobranças Duvidosas
se aplica a este tipo de provisão, quer quanto a taxas, quer quanto à
constituição, reposição ou anulação, reforço e utilização.

As responsabilidades contingentes da empresa por letras desconta-


das e não vencidas à data de 31-12 totalizavam $

Provisão para Acidentes no Trabalho e


Doenças Profissionais

A constituição (ou criação) desta provisão deve obedecer ao disposto


na alínea b) do Art a 33. s do C C I . , que diz:
"A constituição da reserva técnica necessária à cobertura dos encargos das
entidades patronais que não transfiram para outrem as responsabilidades
emergentes de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, não poderá o
montante anual das provisões exceder 80% dos prémios que seriam devidos se o
seguro fosse efectuado em qualquer empresa seguradora nacional".
O Valor da provisão a constituir tem, como se deixa ver, um limite:
- 80% dos prémios de seguro, se os houvesse!

Lançamentos:
Tudo se passa de forma idêntica ao que se disse para a PROVISÃO
PARA PROCESSOS JUDICIAIS EM CURSO, quer quanto à
constituição, quer quanto ao reforço, reposição ou anulação e utilização.

267
Provisões Extraordinárias

O P.O.C, não define o que considera perdas ordinárias ou


extraordinárias, mas apresenta na conta 82 - RESULTADOS
EXTRAORDINÁRIOS DO EXERCÍCIO - diversas naturezas de perdas
extraordinárias.
É óbvio que, por exclusão, as demais perdas poderão ser
consideradas ordinárias.
Exemplos:
Provisão para "Multas e Outras Penalidades Legais" - subconta 82.7.1
Provisão para "Outras Perdas Extraordinárias" - subconta 82.8.2
Provisão para Assistência de Garantia
Esta provisão destina-se a fazer face aos gastos que as u. e.
vendedoras de bens duradouros (v. g. veículos, máquinas,
electrodomésticos, etc.) têm de suportar com revisões, reparações,
substituição de peças e até dos próprios bens, que ocorrem durante
determinado período - o período de garantia.

Provisão para Cobranças Duvidosas


Saldo da conta em 31/12/X1 12 000 contos
Estava incluído neste saldo um cliente com u m a dívida de 500 contos
a que correspondia uma provisão de 125 contos (=0,25).
Em Abril de X2 o cliente paga .6 tendo a empresa perdoado o
remanescente.
Teríamos em Abril o assento nos livros seguinte:
11 - Caixa 300 contos
69 - Custos e Perd. Extraord.
692 - Dívidas Incobráveis 200 contos
21 - Clientes
a 218 - Clientes de Cobrança Duvidosa 500 contos
Durante o ano de X2 houve naturalmente vendas e recebimentos de
dívidas. No fim do ano verificou-se que a análise do saldo da conta de
Clientes determinou como quantia para a provisão 10 500 contos.
Então, haveria de corrigir o saldo da conta através do assento nos
livros, seguinte:
23 - Provisões para Cob. Duvidosas
281 - Dívidas de Clientes 1500 c.
a 7962 - Redução de Provisões 1500 c.

268
Então, as contas apresentar-se-iam como se segue:

Db 281 - Provisões p. Clientes Duvidosos Cr


7962 - Redução de Prov. 1500 c Provisões Exerc.p.Cob.Duv. 1200 c

Db Demonstração dos Resultados Cr

Extraordinários Extraordinários
692 - Dívidas incobráveis 200 c 7962 - Redução de Provisões 1500 c

Este é que foi o verdadeiro prejuízo. Aparecem os "males paguilhas"


todos. A aplicação de provisões deturpara estes conceitos.
Se no fim do exercício o saldo da conta Clientes determinasse u m
saldo de 13 000 contos, então o assento nos livros seria o seguinte:
67 - Provisões do Exercício
671 - Cobranças Duvidosas 1000 contos
6711 - Dívidas de Clientes
a 28 - Provisões p. Cobranças Duvidosas 1000 contos
281 - Dívidas de Clientes
Então, as contas apresentar-se-iam como se segue:
Db 281 - Provisões p. Cob. Duvidosas Cr

Provisões do Exercício 12 000 c


Provisões do Exercício 1 000 c
13 000 c

Db Demonstração dos Resultados Cr

Extraordinários
671 - Provi, do Exerc. 1 000 c
Operacionais
692 - Dívidas incobráveis 200 c

Provisão para Depreciação de Existências

Também nesta conta, se alteraram significativamente as disposições


legais.
Vejamos:

269
Presentemente, só poderá ser considerada a provisão constituída de
importância correspondente à diferença entre o custo de aquisição ou
de produção das existências constantes do balanço no fim do exercício
e o respectivo preço de mercado (art. 35. s nB 1).
Entende-se por preço de mercado o custo de reposição ou o preço de
venda, consoante se trate de bens adquiridos para a produção ou
destinados a venda (art. 35. 9 n 2 2 CIRC).
O POC revisto define como preço de mercado o custo de reposição ou
o valor realizável líquido, conforme se trate de bens adquiridos para a
produção ou de bens para venda.
Diz, ainda, entender-se como preço de reposição de um bem o que a
empresa teria de suportar para o substituir nas mesmas condições,
qualidade, quantidade e locais de aquisição e utilização e considera
como valor realizável líquido de um bem o seu esperado preço de venda
deduzido dos necessários custos, previsíveis de acabamento e venda.
A divergência entre a definição fiscal e a contabilística tem a sua
explicação no facto de o nB 3 do art. 35. s dispor que:
Esta provisão só poderá ser utilizada no exercício em que o prejuízo se torne efectivo.

Na vigência do C.C.I., era considerada a provisão constituída por


aplicação de u m a taxa (método estatístico) sobre o montante das
existências em 31 de Dezembro, sendo o reforço permitido e calculado
igualmente por aplicação de u m a taxa sobre o novo valor das
existências em 31 de Dezembro seguinte e assim sucessivamente.
São formas de cálculo completamente diferentes originando, em
princípio, valores dispares.
Tal como sucede com a Provisão para créditos de cobrança duvidosa,
o saldo da Provisão constituída em exercícios anteriores a 1989, será
levado a crédito da subconta "Provisão nos Termos da Contribuição
Industrial" - 29.27.
PERÍODO DE TRANSIÇÃO
Do antes explicitado, depreende-se que as alterações verificadas na
forma de cálculo das provisões fiscalmente consideradas, poderiam
originar significativo incremento do resultado tributável. Daí, ter
surgido a subconta 29.27 - Provisões nos termos da contribuição
industrial.
Esta subconta, será creditada pela transferência dos saldos em
1/1/89 das provisões que tenham sido aceites para efeitos fiscais (não
tributadas) deduzido do montante que dele tiver sido utilizado em 1989.

270
Será debitada pelos valores das provisões constituídas de harmonia com
o preceituado no Código do IRC e, ainda, pelos encargos devidos por
motivo de férias que se vençam no exercício de 1989 relativos a
exercícios anteriores (na proporção de 25% em cada u m dos quatro
primeiros exercícios).
É o que prescreve o art 2 13. s do DL 442-B/88, de 30 de Novembro,
conjugado com a Norma Interpretativa n s 1 da Comissão de
Normalização Contabilística.

II — PROVISÕES NÃO ACEITES PARA EFEITOS FISCAIS

Debrucemo-nos, primeiramente, na "Provisão p/impostos s/os lucros".


Desde que houvesse lucro tributável era de toda a conveniência a
sua constituição. No entanto, nunca foi aceite como custo fiscal. Aliás,
a sua constituição era feita após o apuramento do Resultado Líquido.
O C.I.R.C. vai bem mais longe do que o C.C.I, no que respeita ao
princípio contabilístico da "especialização dos exercícios", ou seja,
Custos e Proveitos a afectarem os exercícios respectivos.
Assim, surgem ao longo do ano os pagamentos por conta do I.R.C.,
resultando u m a parcela a ser paga no exercício seguinte manifesta-
mente inferior à que resultaria em termos de contribuição industrial.
O imposto sobre o rendimento a ser pago em exercício posterior
aquele a que respeita, estimado n u m a base muito mais aproximada,
será contabilizado através da conta 86 - Imposto sobre o rendimento do
exercício, por contrapartida da subconta 24.1. - Estado e Outros Entes
Públicos - Imposto sobre o rendimento.
Quanto às Provisões p/aplicação de tesouraria, p/investimentos
financeiros e p/riscos e encargos (exceptuada a destinada a fazer face
a processos judiciais em curso), serão integralmente acrescidas ao
resultado contabilístico para determinação do resultado tributável.

T r a t a m e n t o c o n t a b i l í s t i c o a dar à s p r o v i s õ e s n o actual POC

As contas do Balanço que indicam as provisões conforme o actual


POC são as seguintes:

271
19 - PROVISOES PARA APLICAÇÕES DE TESOURARIA
- Destina-se a registar as diferenças entre o custo de aquisição e o
preço de mercado das aplicações de tesouraria, quando este for superior
àquele.
A movimentação a efectuar será a seguinte:

Situação Debitar Creditar


Constituição ou reforço da provisão 68,4 19
Reposição ou anulação da provisão 19 796,2

Frisa-se que esta provisão não e aceite como custo para efeitos
fiscais, visto não estar enumerada no Artigo 33 s . do CIRC.

28 - PROVISÕES PARA COBRANÇAS DUVIDOSAS


- Destina-se a fazer aos riscos de cobrança das dívidas de terceiros
para com a empresa e a que resultam de transacções correntes. As
contas a movimentar serão as seguintes:

Situação Debitar Creditar


Constituição ou reforço da provisão 67,1 28
Reposição ou anulação da provisão 28 796,2

29 - PROVISÕES PARA RISCOS E ENCARGOS


- Regista as responsabilidades derivadas dos riscos de natureza
específica e provável (contingências).
O POC prevê a divisão desta conta em diversas subcontas podendo
as empresas criar outras de acordo com as situações específicas que
lhes possam ocorrer. As subcontas a movimentar dependerão dessas
situações,mas apenas o quarto dígito se alterará. Assim genericamente
teremos:

Situação Debitar Creditar


Constituição ou reforço da provisão 672 29
Reposição ou anulação da provisão 29 7962

272
As provisões para riscos e encargos aceites como custos para efeitos
fiscais são, segundo o Art. 33. s do CIRC: as que se destinarem a ocorrer.

39 - PROVISÕES PARA DEPRECIAÇÃO DE EXISTÊNCIAS


- Utilizada para registar as diferenças entre o preço de mercado e o
custo de aquisição ou de produção das existências, resultantes da
aplicação dos critérios definidos na valorimetria das existências.
Também se procedem à abertura de várias subcontas para os diversos
tipos de existências. A movimentação desta conta deverá ser efectuada
da forma seguinte:

Situação Debitar Creditar

Constituição ou reforço da provisão 67,3* 39*

Reposição ou anulação da provisão 39* 7962

* De acordo com o tipo de existências

Estas provisões são aceites como custos para efeitos fiscais, pois
estão enumeradas no Artigo 33 a . ai. b) do CIRO

49 - PROVISÕES PARA INVESTIMENTO FINANCEIRO


- Devem ser constituídas por duas ordens de razões:
1. O preço de mercado dos títulos é inferior ao seu custo de
aquisição;
2. Existe o risco de não ser possível cobrar empréstimos de
financiamento.
A conta está dividida nas seguintes subcontas:
49.1 - Partes de capital
49.2 - P a r a obrigações e títulos de participação
49.3 - P a r a empréstimos de financiamento
49.4 - P a r a outras aplicações financeiras
A movimentação contabilística deverá estar de acordo com o quadro:

Situação Debitar Creditar

Constituição ou reforço da provisão 6843/4/5/8 49*

Reposição ou anulação da provisão 49* 7962

* De acordo com a discriminação acima referida

273
- Destaquem-se, também, a parte final do Ponto 2.9, do capítulo onde
ficaram as «considerações técnicas» do POC a respeito de «Provisões»:
"Não se considera o procedimento de anulação e sequente constituição de uma
provisão".

- A sua constituição deverá respeitar apenas as situações que


estejam associados riscos e em que não se trate apenas de uma simples
estimativa e de um passivo certo.

10. POSIÇÃO DAS PROVISÕES NO BALANÇO

Os clássicos colocavam as provisões no 2 a membro do Balanço, na


Situação Líquida Activa Potencial.
Porém, o P.O.C, dá-lhe um tratamento diferente. Como se pode
verificar no nQ 7 do cap. II - Considerações técnicas, as provisões são
divididas em dois grupos:
- As que correspondem a certos elementos do Activo 1
São deduzidas, em coluna, as correspondentes contas do
Activo.
- As que respeitam a encargos que se prevê virem a tornar-se
efectivos no futuro
Figuram no 2 a membro, como passivos autónomos.
A constituição ou reforço far-se-á através do débito na conta:

67 - Provisão do exercício
67.1. Para cobranças duvidosas
67.2. Para riscos e encargos
67.3. Para depreciação de existências

por crédito na conta de Balanço respectiva

1
Dão-nos logo o valor realizável de
CLIENTES
EXISTÊNCIAS
E com esse objectivo que as provisões aparecem no balanço a deduzir as subcontas de
clientes.

274
19. Provisão p/ aplicações de tesouraria
28. Provisão p/ cob. duvidosas
29. Provisão p/ riscos e encargos
39. Provisão p/ dep. existências
49. Provisão p/ invest, financeiros
O aumento ou reforço extraordinário terá expressão através da conta
69.62 - Aumento de Provisões e a redução na conta 79.62 - Redução de
Provisões - Subcontas de Custos e Perdas/Proveitos ou Ganhos
Extraordinários.
Resumindo:

Descrição Constituição Aumento ou Redução


Reforço

Cobranças Duvidosas 671 671


(28) 6962 6962 7962
Riscos e Encargos 672 672
(29) 6962 6962 7962
Deprec. Existências 673 673
(39) 6962 6962 7962
Aplic. Financeiras
(Tit. Neg. e Inv. Fin.) 684 684 7962
(49) 6962 6962

Não poderá deixar de ser aqui referido o que se diz no número 29.
das "Considerações Técnicas" do POC a respeito de "Provisões":
- A sua constituição deve respeitar apenas às situações a que
estejam associados riscos e em que não se trate apenas de uma simples
estimativa de um passivo certo.
- Atendendo à conveniência de não considerar indevidamente custos
e proveitos, abandonou-se o procedimento de utilização das provisões,
pelos métodos directo ou indirecto, constando de nota anexa as
variações ocorridas.
- Não se considera o procedimento de anulação e sequente
constituição de uma provisão.
O cumprimento destas normas, irá ao encontro dos "p.c.g.a." com
especial relevância para o da prudência, especialização dos exercícios
e da materialidade.

275
Exemplo prático
Procede-se, de seguida, à exemplificação através de um caso prático sucinto, do
movimento contabilístico das "Provisões" fazendo acordar os valores movimentados
contabilisticamente com os critérios fiscais embora se deixe claro que numa perspectiva
de gestão, poderão não coincidir, u m a vez que medida os montantes de tais provisões
serão aceites como custo. Neste exemplo, deu-se especial relevo ao "período transitório".
Situação em 1/1/89
- Saldo da Prov. para cob. duv. 2 000 c.
- Saldo da Prov. para dep. exist. 1 000 c.

Ocorrências durante o ano de 1989


- Um crédito de um cliente na importância de 500 c. foi considerado incobrável.
- Uma partida de determinada mercadoria foi vendida durante 1989 por 1 500 c.
tendo o respectivo custo sido de 1 800 c , utilizando-se a provisão pela diferença, ou seja,
300 c.
Daqui resulta que os saldos das Provisões p/ cobranças duvidosas e p/ Depreciação de
existências em 31/12/89 serão transferidos para a conta 29.27 - Provisões nos termos da
contribuição industrial.
Ainda, em 31/12/89, o agente económico em questão, apresenta a seguinte situação:
- Processo de execução judicial s/o cliente A, para cobrança do crédito concedido no
valor de 120 c.
- Processo de acordo de credores com o cliente B, prevendo-se um perdão de dívida na
ordem de 50%, sendo o total do crédito de 280 c.
- Créditos em mora, reclamados, com os seguintes atrasos relativamente aos prazos
de vencimento respectivos.
- Até 6 meses, 500 c.
- De 6 a 12 meses, 430 c.
- De 12 a 18 meses, 180 c.
- De 18 a 24 meses, 390 c.
- Há mais de 24 meses, 70 c.
- O inventário de mercadorias em armazém relevou que o Lote B da mercadoria X
(adquirida para venda), cujo custo havia sido de 2 000 c. valorara ao preço de mercado
(preço de venda), correspondia a 1 650 c.

Cálculos:
Provisão para cobranças duvidosas:
- Crédito sobre o cliente A, com processo judicial 120 c.
- Crédito com acordo de credores (perda estimada: 50%) 140 c.
- Créditos em mora até 6 meses
- Créditos em mora de 6 a 12 meses (25%) 107,5 c.
- Créditos em mora de 12 a 18 meses (50%) 90 c.
- Créditos em mora de 18 a 24 meses (75%) 292,5 c.
- Créditos em mora há mais de 24 meses (100%) 70 c.
820 c.

276
Provisão para depreciação de existências
- Preço de aquisição - Preço de mercado 350 c.

29.27 Prov. nos termos da C l , 839 - Outros ganhos imputáveis a ex.ant.

820 1 500 1 170


350 700

29.1 Prov. p/cob. duvidosas 39.1 - Prov.p/dep.existências de mercado

820 350

Em 1990, à luz do novo POC as contas movimentadas apresentar-se-


-ão com os seguintes códigos:

29.6/7 - Prov. nos termos da C l .

820 1 500
350 700

28. - Prov. p/cob. duvidosas 39. - Prov.p/dep.existências de mercado

820 350

Conforme, se referiu, as variações ocorridas a partir de 1990 inclusive, constarão da


nota anexa.
Apresentamos o movimento contabilístico destas situações apenas nas contas de
"Provisões", subentendendo-se que terão de ser registadas nas contas respectivas as
perdas no momento da ocorrência das perdas que as originaram.

Exemplo Prático
1 - CÁLCULO DA PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE COBRANÇA DUVIDOSA
Em 89.12.31 a firma ALFA, Ld s apresentava no seu balancete de encerramento os
seguintes créditos sobre terceiros:
- Clientes c/c 10.000 contos
- Clientes c/letras 2.000 contos
- Sócios c/c 200 contos
- Outros Devedores e Credores 100 contos
- Clientes de Cobrança Duvidosa 1.100 contos
13.300 contos
A subconta de clientes de cobrança duvidosa apresentava a seguinte discriminação:
* Cliente A - 200 - com processo de falência pendente
** Cliente B - 500 - crédito em mora há mais de 8 meses
** Cliente C - 200 - crédito em mora há mais de 20 meses
** Cliente D - 100 - crédito em mora há 4 meses.

277
Existem provas de que os créditos foram reclamados.
* No primeiro caso, o credor recorreu ao tribunal para que o devedor procedesse
ao pagamento da sua dívida. (Há prova objectiva sobre a acção proposta).
** Nos restantes casos, efectuaram-se diligências depois de ter decorrido o prazo
para satisfação das dívidas (provas documentais; cartas, circulares).
Resolução:
Cliente A 200 c.
Cliente B - 500 x 25% 125 c.
Cliente C - 200 x 75% 150 c.
Cliente D
Provisão a constituir 475 c.

2 - CÁLCULO DA PROVISÃO PARA DEPRECIAÇÃO DE EXISTÊNCIAS


A firma Beta, S.A. apresentava no seu inventário de existências finais os seguintes
valores:
- Mercadorias - 50 un. x 800$ = 40.000$00
- Matérias-Primas - 1.000 un. x 500 = 500.000$00
- Produtos Acabados - 2.000 un. x 1.500$ = 3.000.000$00
- Produtos em vias de fabrico - 100 un. x 850$ = 85.000$00
Total 3.625.000$00
Os preços de venda eram os seguintes:
Mercadorias 850$00 unidade
Produtos acabados 2000$00 unidade
Produtos em vias de fabrico Sem valor
0 custo de reposição das Matérias-primas era de 480$00/unidade
Resolução:
1 - No caso dos Produtos e Mercadorias, como o preço de mercado é superior, não há
depreciamento pelo que não há lugar à constituição de provisão.
2 - Nos produtos em vias de fabrico, não havendo preço de mercado, não é possível
verificar se há depreciamento.
3 - Relativamente às matérias-primas constata-se que há deprecimento porque o preço
de reposição é inferior ao de inventário, podendo constituir-se a provisão pela
diferença entre aqueles valores:
Matérias-Primas
Preço de inventário: 500$00
Preço de reposição: 480$00
Diferença 20$00
PROVISÃO A CONSTITUIR: 20.000$00
1000 UN. x 20$00 = 20.000$00

278
11. PROCEDIMENTOS EM AUDITORIA

11.1. Provisões
11.1.1. P r o v i s õ e s p a r a a p l i c a ç õ e s d e t e s o u r a r i a (subconta 19 do
POC Revisto)
P r o v i s õ e s para i n v e s t i m e n t o s financeiros (subconta 49 do
POC Revisto)

Princípios contabilísticos
Conforme nota explicativa à conta 41 do anterior POC nos
"Investimentos Financeiros" incluem as participações de capital e
outros títulos adquiridos pela empresa, com carácter permanente, para
rendimento ou controlo de outras empresas e nas "Aplicações de
tesouraria" incluem-se os títulos adquiridos de outras empresas e nas
"Aplicações de tesouraria" incluem-se os títulos adquiridos com o
objectivo de aplicações de tesouraria de curto prazo.
Esta distinção foi sempre controversa, porquanto no acto da
contabilização nem sempre é fácil distinguir quais os objectivos que
presidem à aquisição.
Assim, tem-se vindo a atender à intenção que preside à compra, a
qual, algumas vezes vem a ser desvirtuada, daí advindo por vezes
contrariedades fiscais.
A luz do novo POC, nos "investimentos Financeiros" passaram
também a incluir-se os investimentos em imóveis não afectos à
actividade operacional da empresa, os depósitos bancários não
classificáveis como disponibilidades e os bens detidos pela empresa
afectos a "Fundos".
No que diz respeito às provisões em análise, as mesmas visam
provisionar as diferenças entre o custo de aquisição dos títulos e outras
aplicações financeiras e o respectivo preço de mercado, quando este for
inferior aquele, e ainda os riscos de cobrança dos empréstimos de
financiamento.

Objectivos da auditoria
Os procedimentos a levar a efeito tem como objectivos determinar:
a) Se os saldos das provisões estão bem calculados.
b) Se estabeleceu uma correcta distinção entre Aplicações de
Tesouraria e Investimentos Financeiros.

279
c) Se as dotações do exercício ou a diminuição ou anulação de saldos
anteriores e o montante da provisão, foram devidamente reflectidas nas
demonstrações financeiras e nas declarações de rendimentos para
efeitos de imposto sobre o rendimento.

Verificações de substanciação
No cumprimento dos objectivos atrás definidos as verificações de
substanciação mais significativas são:
a) Avaliar pormenorizadamente da correcta distinção entre
aplicações de tesouraria e investimentos financeiros, recorrendo,
nomeadamente, a demonstrações financeiras de exercícios anteriores,
actas de Assembleias dos vários órgãos sociais onde se definam
estratégias económico-fmanceiras, e relações sociais específicas com as
entidades participadas.
b) Testar a veracidade dos custos de aquisição e sua conjugação com
os valores contabilizados.
c) Testar a forma de determinação dos preços de mercado e
analisá-los criticamente.
d) Comprovar a exactidão do cálculo do valor da provisão e do
respectivo reforço ou diminuição da mesma.
e) Conjugar esses valores com os constantes das demonstrações
financeiras e das declarações de rendimentos para efeitos do imposto
sobre o rendimento.

11.1.2. P r o v i s ã o P a r a c o b r a n ç a s d u v i d o s a s (conta 28 do POC


Revisto)

Princípios contabilísticos
Esta conta destina-se a fazer face aos riscos de cobrança das dívidas
de terceiros. Embora a Reforma Fiscal, do que diz respeito aos impostos
sobre o rendimento, tenha aproximado o tratamento fiscal deste tipo de
provisões do tratamento contabilístico internacionalmente seguido, ao
abandonar o método estatístico de quantificação destas provisões por
adopção do método da idade dos saldos, continuam a verificar-se
diferenças de tratamento.
Com efeito, os procedimentos internacionais de auditoria aconselham
a que se constitua este tipo de provisões, face à existência material de
risco na cobrança, facto que, pode ocorrer em resultado de fenómenos
vários e independentemente da idade de saldos das dívidas em questão.

280
Objectivos da auditoria
Os trabalhos de auditoria desta conta devem direccionar-se
fundamentalmente a:
a) Determinar com rigor os saldos devedores de terceiros.
b) Avaliar os riscos objectivos e subjectivos de cobrança dos mesmos.
c) Avaliar da correcta determinação do montante da provisão.
d) Verificar se as dotações do exercício ou a diminuição ou anulação
do saldo anterior e o montante da provisão foram devidamente
reflectidas nas demonstrações financeiras e nas declarações de
rendimentos para efeitos de impostos sobre rendimentos.

Verificações de substanciação
P a r a cumprimento dos objectivos atrás definidos devem levar-se a
cabo todos ou alguns dos procedimentos seguintes:
a) Proceder à circularização exaustiva, ou parcial, com recuso a
métodos estatísticos, dos devedores, tendo em vista a conciliação de
saldos.
b) Testar a existência objectiva de risco de cobrança relativamente
aos débitos provisionados.
c) Relativamente aos saldos mais significativos, proceder a um
levantamento das condições de negócio que lhes estão subjacentes, e
mesmo das condições económico-financeiras dos respectivos devedores.
d) Comprova a exactidão do cálculo de valor da provisão e do
respectivo reforço e/ou diminuição da mesma.
e) Conjugar esses valores com os constantes das demonstrações
financeiras e das declarações de rendimentos para efeitos dos impostos
sobre rendimentos.
f) Verificar ainda se eventuais desfasamentos com o tratamento
fiscal foram devidamente repercutidos nas declarações de rendimentos
referidas na alínea anterior.

11.1.3. P r o v i s ã o p a r a d e p r e c i a ç ã o d e e x i s t ê n c i a s (conta 39 do
POC Revisto)

Princípios contabilísticos
Esta conta serve para registar as diferenças relativas ao custo de
aquisição ou de produção, restantes da aplicação dos critérios definidos
na valorimetria das existências.
Também no que a ela diz respeito, a Reforma Fiscal dos impostos

281
sobre o rendimento veio aproximar os princípios fiscais dos princípios
de auditoria internacionalmente aceites.
Com efeito, a determinação do seu quantum, até aí efectuada com
base estatística, passou a fazer-se por comparação com preços de
mercado, entendidos estes como preços de reposição, quanto aos bens
adquiridos para transformação, e como preços de venda, quanto aos
bens adquiridos para venda.
Essa aproximação, no entanto, não é total, porquanto, em termos de
princípios de auditoria admite-se e aconselha-se mesmo a que se criem
provisões deste tipo quando, em face duma análise comercial razoável,
se prevejam, descidas estáveis provenientes de flutuações de valor, que
o mesmo é dizer se criem provisões face a variações futuras, e não só
quanto a diferenças constatadas no presente. Ora, tal procedimento não
tem enquadramento fiscal.

Objectivos de auditoria
A auditoria desta conta deve ter como objectivos fundamentais:
a) Examinar criticamente os critérios seguidos na valorimetria das
existências.
b) Testar os métodos de inventariação.
c) Analisar a forma de determinação dos preços de mercado e as
tendências da sua evolução.
d) Certificar o cálculo da provisão.
e) Verificar se as dotações do exercício, ou a diminuição ou a
anulação do saldo anterior e o montante da provisão foram
devidamente reflectidos nas demonstrações financeiras e nas
declarações de rendimentos para efeitos do imposto sobre o rendimento.

Verificações de substanciação
Ao nível destas verificações vários procedimentos podem levar-se a
efeito, nomeadamente:
a) Proceder a uma análise pormenorizada dos critérios de
valorimetria das existências e sua consistência, de algumas mercadorias
ou produtos seleccionados em função da sua maior expressão ou com
recurso a métodos estatísticos.
b) Testar, por amostragem, a fiabilidade dos inventários.
c) Analisar criticamente os preços que foram utilizados na
comparação com o custo de aquisição ou de produção, na determinação
da provisão em causa. Para o efeito, proceder ao levantamento de

282
idênticos preços, por sectores de actividade, com base em dados oficiais,
estatísticos ou em última análise, lógicos.
d) No caso dos preços referidos na alínea anterior serem preços
futuros previsionados, utilizar particular cuidado no seu julgamento, e
tanto quanto possível efectuá-lo com base em projecções económico-
-estatísticas credíveis.
e) Comprovar a exactidão do cálculo da provisão e do respectivo
reforço ou diminuição.
f) Conjugar esses valores com os constantes das demonstrações
financeiras e das declarações de rendimentos para efeitos do imposto
sobre o rendimento.
g) Verificar ainda se eventuais desfasamentos com o tratamento
fiscal, foram devidamente repercutidos nas declarações de rendimentos
referidas na alínea anterior.

11.1.4. P r o v i s õ e s P a r a r i s c o s e e n c a r g o s (conta 29 do POC


Revisto)
Pensões
Impostos
Processos judiciais em curso
Acidentes no trabalho e doenças Profissionais
Garantias a clientes
Provisão nos termos do CCI
Outros riscos e encargos

Princípios contabilísticos
Conforme anteriormente se disse, esta conta serve para registar as
responsabilidades derivadas dos riscos de natureza específica e provável
(contingências) e subdivide-se nas subcontas específicas atrás
enumeradas.
São subcontas de âmbito bem definido, à excepção da última, de
carácter residual, que se destinam a provisionar as realidades
reflectidas nos seus próprios títulos.

Objectivos de auditoria
A auditoria destas contas deve ter como objectivos:
a) Quantificação o mais rigorosa possível da responsabilidade e/ou
risco inerente a cada u m a delas.
b) Controlo da sua correcta utilização.

283
Verificações de substanciação
P a r a cumprimento dos objectivos anteriormente definidos
relativamente a cada u m a das contas atrás citadas, devem ser
executados os seguintes procedimentos:
Pensões
a) Atendendo ao nível etário médio dos trabalhadores da empresa e
recorrendo ao cálculo das probabilidades, ou subsidiariamente consultar
uma companhia de seguros, determinar qual o valor razoável a imputar
a esta provisão.
b) No caso desta conta ter um Fundo afecto, controlar o rendimento
inerente, o qual, aliás, deverá ser considerado no cálculo referido na
alínea anterior.
Impostos
a) Analisar quais os eventos futuros que serviriam de base à
determinação desta provisão e comprova da certeza da sua ocorrência.
Processos judiciais em curso
a) Verificar a aderência do valor desta Provisão aos valores
inerentes aos vários processos a que se reporta.
Acidentes no trabalho e doenças Profissionais
a) Verificar a aderência do valor desta provisão às expectativas de
encargos a suportar a que a mesma respeita. P a r a o efeito proceder a
uma projecção dos encargos similares suportados no exercício anterior.
Garantias a clientes
a) Verificar a aderência do valor desta provisão as expectativas dos
valores a suportar.
P a r a o efeito, atendendo ao volume de vendas previsionado para o
exercício seguinte e ao espectro das mesmas por tipos de artigos,
proceder a uma projecção dos encargos similares suportados no
exercício anterior.
Provisão nos termos do CCI (Art e 13. s DL 442-B/88)
a) Verificar o cálculo efectuado na determinação do valor desta
provisão por levantamento dos impostos que a mesma devem estar
subjacentes.
Outros Riscos e Encargos
a) Proceder aos testes que se mostrem aconselháveis para cada um.

284
AMORTIZAÇÕES
E
REINTEGRAÇÕES

As reintegrações revestem de grande importância para todos os tipos


de unidades económicas (u.e.), principalmente as industriais. Por isso
abordaremos a sua problemática, bem como a das amortizações.

1. DISCÓRDIA TERMINOLÓGICA

O termo amortização tem sido usado para significar o registo da


redução do valor de qualquer conta. No entanto, este conceito é
demasiado amplo, englobando v.g., as reduções de valor das dívidas a
Receber e a Pagar - "as chamadas amortizações financeiras, cujo estudo
é feito na Matemática Financeira".
Em contabilidade a palavra amortização é utilizada com um sentido
técnico restrito - "Registo da depreciação ou redução do valor de
qualquer conta do Imobilizado".
A palavra amortização tem sido, entre nós, alvo de alguma polémica,
centrada entre o uso do termo amortização em detrimento do termo
Reintegração e vice-versa.
Para os "reintegracionistas" a palavra reintegração é mais
apropriada que "amortização", pois a operação contabilística
correspondente não visa propriamente reduzir o valor do imobilizado -
"Levar à morte" - mas assim a sua reconstituição - ou então visa ambas
as coisas, mas deve ser dada maior relevância à segunda finalidade.
Perfilhando da opinião dos "amortizacionistas", entendemos que o
termo reintegração não é adequado para apelidar o termo contabilístico
designado tradicionalmente por amortização pelos técnicos de
contabilidade da grande maioria dos países com tradição na matéria.
Assim, temos que:

285
ESPANHA - Amortización
FRANÇA - Amortissement
PAÍSES DE LÍNGUA INGLESA - A m o r t i z a t i o n ou
Depreciation em sentido
restrito - amortização do
imobilizado sujeito a
deperecimento - dentro de
um sentido lato de
Amortization.
ALEMANHA - Abschreibung
ITÁLIA - Ammortamento
É de salientar ter sido neste último país que surgiu inicialmente a
discórdia terminológica em questão, já ultrapassada aliás, isto, se
atentarmos nos textos legais italianos ultimamente publicados, em que
apenas se faz menção ao termo ammortamento - ammortamenti no
plural - para significar amortização.
É evidente que temos que concordar com o Professor Lopes de Sá -
Ver revista de contabilidade n s 123 - quando o mesmo, em relação à
matéria em causa, refere que "pelo simples facto de alguns países
seguirem uma certa "intitulação", não nos autoriza a dizer que a
mesma seja internacionalmente aceite".
Todavia, o P.C.G. - "PLAN COMPTABLE GENERAL - SISTEME
ABRGE" define amortização:
- "CONSTATATION COMPTABLE D'UN AMOINDRISSEMENT DE
LA VALEUR D'UN ELEMENT D'ACTIF RESULTANT DE
L'USAGE, DU TEMPS, DE CHANGEMENT DE TECHNIQUE ET
DE TOUTE AUTRE CAUSE DONT LES EFFETS SONT JUCES
IRRÉVERSIBLES".
O bem elaborado dicionário americano de KOHLER, "A DICTINARY
FOR ACCOUNTANTS", não menciona o termo reintegration nem o
verbo to reintegrate. Quanto ao termo amortization, regista o seguinte:
- "THE GRADUAL EXTINGUISHMENT OF ANY AMOUNT OVER
A PERIOD OF TIME AS THE RETIREMENT OF A DEBT BY
SERIAL PAYMENTS TO THE CREDITOR OR INTO A SINKING
FUND".
- "A REDUCTION OF THE BOOK VALUE OF A FIXED ASSET; A
GENERIC TERM FOR THE DEPRECIATION, DEPLETION,
WRITEDOWN, OR WRITEOFF OF A LIMITED LIFE ASSET OR
GROUP OF SUCH ASSETS, EITHER BY A DIRECT CREDIT OR
THROUGH THE MEDIUM OF A VALUATION ACCOUNT".

286
Acrescenta-se ainda que igualmente o dicionário de contabilidade
"LEXIQUE U.E.C. LEXICON - DUSSELDORF ", elaborado pela União
Europeia de Peritos Contabilistas, Económicos e Financeiros, não
regista, em qualquer das cinco línguas em que se encontra impresso, o
termo reintegração.
Em Portugal, com a publicação do D.L. ns 410/89, de 21 de
Novembro, que aprovou o novo P.O.C., fica-se com a ideia que o termo
"amortização" foi preferido em deterimento da anterior tecnologia
Amortizações e Reintegrações, que figurava no P.O.C, sob a vigência do
D.L. ns 47/77, de 7 de Fevereiro - diga-se aliás que tal representava
uma terminologia híbrida, isto é, uma situação de compromisso entre
reintegracionistas e amortizacionistas - alinhando-nos por esta forma
com a terminologia adoptada na grande maioria dos países com
tradição na área da contabilidade.
No entanto, não deixa de ser uma curiosidade interessante, a
constatação de que o Decreto Regulamentar n s 2/90, de 12 de Janeiro,
que impõe uma nova disciplina fiscal das amortizações para efeitos de
I.R.S. e I.R.C., logo no seu n s 1 refira: "As reintegrações e amortizações
...", o que de certa forma, contraria a filosofia subjacente do novo P.O.C,
que adoptou de forma inequívoca o termo amortizações.

2. MÉTODOS DE CONTABILIZAÇÃO DAS


AMORTIZAÇÕES

2.1. Método Directo


Elemento do Activo Imobilizado
a Elemento do Activo Imobilizado
Depreciação

2.2. Método Indirecto


Amortizações do Exercício
a Amortizações Acumuladas (Redução do Activo)
Depreciação
Constata-se que pelo Método Directo os elementos do Imobilizado
figuram no Balanço pelo seu valor actual e no Método Indirecto figuram

287
pelo seu valor inicial e explicita-se em dedução o valor das
Amortizações Acumuladas ao longo do período de vida útil dos
respectivos Imobilizados.
É de realçar que nas operações de abate terá de se ter em linha de
conta não somente os métodos utilizados na contabilização das
amortizações, mas também as quotas de deperecimento praticadas.

3. MÉTODOS DE CÁLCULO DAS QUOTAS DE


DEPERECIMENTO

Embora os métodos preconizados pelo Decreto Regulamentar nfi 2/90,


sejam apenas dois, isto é, o método de quotas constantes (art2 5s) e o
método das quotas degressivas (art s 6a), será interessante analisarmos
outros métodos de cálculo das quotas de deprecimento.

3.1. Notação
Vo - Valor inicial ou de aquisição;
Vr - Valor residual;
Vp - Valor industrial ou de produção;
Q - Quotas de deperecimento;
A - Amortização acumulada;
t - Número de exercícios decorridos;
Vt-At - Valores no fim do exercício t;
Qt - Quota correspondente ao exercício t;
n - Número de anos de utilidade esperada.

RELAÇÕES NOTÁVEIS
Vp = Vo-Vr
Vt = Vo-At

t
At = 2 Qk
K=l

288
3.2. Método das Quotas Constantes
Vo - Vr VP
Qt = — - = = Q => constante
n n

Se Vr = 0 então
Vo
Qt = —
n

Como At = tQ logo:
An = nQ = Vp

Como Vt = Vo - tQ logo:
Vn = Vo - nQ = Vt

Exemplo 1:
Vo = 1.000; Vr = 0; n = 10

Períodos Quotas Exercício Amortiz.Acumuladas Valor Actual

0 1.000
1 100 100 900
2 100 200 800

10 90 1.000 0

n Qn = Q An = nQ Vn = Vo-nQ

3.3. Quotas Decrescentes em Progressão Geométrica, ou


Método das Quotas Degressivas (D.R. N9 2/90)
Neste método, a quota Q é u m a percentagem fixa sobre os sucessivos
valores de balanço, isto é, sobre os valores actuais, ou ainda é como lhes
refere o D.R. n s 2/90, o valor resultante da aplicação de coeficientes ao
valor líquido contabilístico, ou seja, ao valor de aquisição ou de
construção deduzido das amortizações acumuladas.
Os coeficientes são os seguintes:

289
Período de vida útil < 5 anos - 1,5
Período de vida útil a 5 e s 6 anos - 2
Período de vida útil > 6 anos - 2,5

Importante:
Como Qt = k . Vt - 1 com k < 1
Se Vr = O nunca se amortizará Vo.

Exemplo 2:
Vo = 1.000; Vr = 327,68; n = 5; K = 0,2

Períodos Quotas Exercício Amortiz.Acumuladas Valor Actual

0 1.000
1 200 200 800
2 160 360 640
3 128 488 512
4 102,4 590,4 409,6
5 81,92 672,32 327,68(a>

«" Vr = Vo • (1 - K)n = 1.000 • (1 - 0,2)5 = 327,68


K -» Razão da Progressão

Vr 1,n
K = 1-[ ] = 0,2
Vo

3.4. Quotas em Progressão Aritmética, ou Método


Lemaire
Neste método, a quota Q = Q - (t - 1) • r.
Como:
n (n - 1)
Vo - Vr = nQ - - - • r
2
conclui-se que dado Q facilmente se calcula r e vice-versa, pelo que:
Qn = Q - (n - 1) • 1

n (n - 1)
An = nQ • r
2

290
n (n - 1)
Vn = Vo - nQ +
2

Exemplo 3.1:
Vo = 1.000; Vr = 250; n = 5; Q = 250

Períodos Quotas Exercício Amortiz.Acumuladas Valor Actual

0 1.000
1 250 250 750
2 200 450 550
3 150 600 400
4 100 700 300
5 50 750 250<a)

Igual ao valor residual = 250.

Exemplo 3.2:
Vo = 1.000; Vr = 0; n = 5; Q = 250

Períodos Quotas Exercício Amortiz.Acumuladas Valor Actual


0 1.000
1 250 250 750
2 225 475 525
3 200 675 325
4 175 850 150
5 150 1.000

3.5. Caso particular do Método de Lemaire.


Método de Cole. Método dos Números Dígitos ou
Método Americano - Sum of the years digits
Este método e ainda conhecido pela A.S.C. - Accounting Standards
Committee como "Rule of 78".
A quota de amortização de cada exercício será aquela que resultar
da aplicação de d/N sobre Vo, em que d corresponde ao exercício em
referência e N à soma dos algarismos dos anos em que se vai amortizar
o bem.
Exemplificando :
Se Vo = 1.000 e N = 4, então temos que:

291
d/N Q At Va

0 1.000
1 4 / 10 400 400 600
2 3/10 300 700 300
3 2/10 200 900 100
4 1 /10 100 1.000

Repare-se que se trata de uma progressão aritmética decrescente de


razão igual a 1/10, ou seja, de uma anuidade decrescente sem resto.

Exemplo:
AMORTIZAÇÕES DEGRESSIVAS
- Constituem um excelente incentivo ao investimento, quer na fase de aquisição, quer
na fase terminal do período de vida útil.
Bens a que corresponde u m a taxa de 20% no método das quotas constantes (caso de
aparelhagem e máquinas electrónicas, máquinas de escrever, de calcular, de contabilidade
e de fotocopiar, máquinas - ferramentas ligeiras e veículos pesados e reboque de
mercadorias).
Taxa aplicável: 20% x 2 = 40%
Custo de aquisição: 100 (por hipótese, no final do ano)
Amortização do 1 s ano: 40
Amortização do 2S ano: 24
Economia fiscal decorrente dos dois primeiros anos:
ia ano: 40 x 39,6% = 15,84
2S ano: 24 x 39,6% = 9,504
Como a redução do pagamento do IRC se concretiza cerca de 5 meses após a aquisi-
ção, quanto à I a amortização, e 17 meses quanto à 2 § , a economia fiscal actualizada para
o momento da aquisição rondará os 21 c. (ou seja, corresponde a cerca de 2 1 % do valor
de aquisição), apenas considerando as amortizações dos dois primeiros anos de vida útil.

4. INOVAÇÕES INTRODUZIDAS PELA REFORMA


FISCAL

- Método das quotas degressivas


O n s 2 do art 9 28B do CIRC introduz, para o cálculo das reintegrações
do exercício, a faculdade de opção pelo método das quotas regressivas,
como excepção da regra do método das quotas constantes.
Esta inovação do art. 289, comporta contudo à partida, três
restrições:

292
1. Que os elementos do activo imobilizado a auferirem deste preceito
legal, pertençam ao activo imobilizado corpóreo, conforme se
depreende, quer da própria expressão, utilizada no seu n 9 2, bem
como do termo "Reintegração", que na óptica fiscal está relacionado
com ele.
2. Que só os elementos do activo imobilizado corpóreo adquiridos
posteriormente a 1 de Janeiro de 1989, beneficiam deste regime, o
que resulta da obrigatoriedade da utilização de um único método de
reintegração, para cada bem, estabelecida pelo n s 4 desse artigo.
3. Que não tenham sido adquiridos em estado de uso, nem sejam
edifícios, viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, excepto quando
afectas a empresas exploradoras de serviço público de transporte ou
destinadas a ser alugadas no exercício da actividade normal da
empresa sua proprietária, mobiliário e equipamentos sociais, como
taxativamente se impõe nas alíneas a) e b) do artigo em questão.
Estabelece ainda o art. 29 s do mesmo diploma legal, que a quota
anual de reintegração aceite como custo final, para efeitos de utilização
deste método, e o que resulta da aplicação das taxas de reintegração do
decreto regulamentar - D.R. n 9 2/90 de 12 de Janeiro - corrigidas por
coeficientes, aos valores do custo de aquisição ou produção do bem,
ainda não reintegrados, ou seja, ao valor líquido contabilístico.
Os coeficientes referidos são os estabelecidos pelas 3 alíneas do n 9 3
desse artigo:
a) 1,5 - se o período de vida útil do elemento é inferior a cinco anos
(este período de vida útil é o que corresponde ao período mínimo de
vida útil, derivado das taxas máximas da tabela, ou das aceites pela
D.G.C.I., nos termos do n 9 3 do art. 5 9 do citado decreto
regulamentar);
b) 2 - se o período mínimo de vida útil do elemento e de 5 ou 6 anos;
c) 2,5 - se o período mínimo de vida útil do elemento e superior a 6
anos.
O número 2 do art. 69 do D.R. n 9 2/90, que permite u m a forma
especial de reintegração a partir do ano em que a quota anual de
reintegração calculada com base no método das quotas degressivas seja
inferior à que resulta do valor pendente de reintegração pelo número
de anos de vida útil que reste ao elemento a contar do início desse
exercício.
Poderá, então, ser considerada como custo o resultado dessa divisão
até ao fim do período mínimo de vida útil.

293
Para tanto é necessário que nos anos anteriores as reintegrações
pelo método das quotas degressivas tenham sido calculadas pelos
valores máximos permitidos, e que o resultado da divisão dê origem a
uma quota não inferior a quota mínima de reintegração prevista no art.
19a desse diploma.

Exemplo
Supõe-se um bem reintegrável à taxa da tabela de 20%, pelo método das quotas
degressivas, aproveitando o n s 2 do art. 6 s .

Anos Valor Taxa Quota Quotas Repartição de valor Quota


Líquido 20%x2=40% Anual Acumuladas líquido pelo n° de anos Constante
que restam Mínima

1989 1000 40% 400 400 600:4=150 100


1990 600 40% 240 640 360:3=120 100
1991 360 40% 144 784 216:2=108 100
1992 216 40% 108 892 - 100
1993 108 40% 108 1000 - 100

Como se vê nos anos de 1992 e 1993 optou-se pela hipótese do n 9 2 do art. 6 e por o
quociente da divisão ser superior à quota mínima pelo método das quotas constantes.
De salientar as grandes vantagens que se poderão obter se se adoptar o método das
quotas degressivas, pelo facto das taxas de reintegração aumentarem substancialmente
nos primeiros anos de utilização dos bens abrangidos por esta regra.
Verifica-se por outro lado, a distorção que poderá provocar no Balanço, a adopção por
este critério, caso o equipamento objecto de reintegração não tenha um ritmo efectivo de
depreciamento tecnológico correspondente.
Este método e as percentagens de aumento referidas no n s 3 do art. 29 9 do CIRC
foram adoptadas em França, para diversos equipamentos e edifícios industriais de
construção ligeira e ainda para instalações afectas a obras sociais. Destaca-se nesse país
a aplicação do método para incentivar instalações para a produção de energia e com fins
antipoluentes.

- Método das Quotas Constantes a aplicar às Obras em edifícios


Alheios
Analisando o conteúdo do art. 5 s do Dec. Reg. 2/90 verifica-se que "as
obras em edifícios alheios" passaram a estar definidas, deixando, assim
de subsistir as dúvidas, que existiam no regime de Contribuição
Industrial.
As taxas de Amortizações e Reintegrações não constam das tabelas
uma vez que são calculadas com base no correspondente período de
utilidade esperada.
São as empresas que atribuem o número de anos de utilidade

294
esperada, como aliás, acontece com as grandes reparações, número esse
que poderá ser corrigido pela D.G.C.I. quando se considere que é
inferior ao que, efectivamente, devia ter sido estimado, conforme o nfi
2 do art. 5B do DR n e 2/90.

- Reintegrações de Imóveis
E outro dos aspectos em que se verifica a introdução de inovações
face ao regime anterior.
Tal como no passado, o valor do terreno não conta para efeitos de
reintegração, (alínea b) do n a 1 do artigo 32 s ).
Contudo, foi eliminada a distinção na forma de tratamento fiscal dos
edifícios industriais e edifícios comerciais, habitacionais ou
administrativos, no que concerne ao cálculo do valor reintegrável dos
imóveis.
Assim, se nos termos do nB 9 da Portaria 737/81 de 29/8 era tido,
para aqueles últimos, como valor a reintegrar o menor dos seguintes:
- valor de construção;
- valor global menos 16 vezes o rendimento colectável, passa agora
a considerar-se um valor correspondente a 25% do valor patrimonial do
imóvel, constante da matriz, à data da aquisição, à semelhança do que
j á vinha sendo praticado para os primeiros.
Prende-se tal inovação com o novo conceito introduzido no código da
Contribuição Autárquica de "valor patrimonial".

- Reintegrações de Imóveis na parte correspondente ao valor dos


terrenos
A doutrina fiscal relativamente a este ponto de novo se encontra em
discrepância com as orientações do POC assim, por oposição no
conteúdo da subconta 6621 - Amortizações do Exercício - Imobilizações
Corpóreas - Terrenos e Recursos Naturais, que prevê a criação de uma
amortização, encontra a lei fiscal, consubstanciada na alínea b) do n 9
1 do art. 32 s do CIRC e no n 9 1 do art. I l 9 do Dec. Reg. 2/90, a não
possibilitar a sua aceitação como custo para efeitos fiscais.
O citado art. I I s do D.R. - 2/90 ao permitir reintegrar a totalidade
do valor de construção quer dos edifícios comerciais, habitacionais ou,
administrativos, alinha o critério de reintegração destes bens com o
sistema em vigor na generalidade dos países europeus, França e
Espanha, repercutindo-se por certo, favoravelmente no investimento
imobiliário.

295
- Activos Revertíveis
Os activos imobilizados revertíveis são aqueles que por virtude de
contratos de concessão são propriedade da empresa que efectua a sua
exploração durante um prazo determinado, revertendo para outra
entidade nos termos do contrato de concessão.
Casos desta natureza verificam-se em relação a empresas privadas
que exploravam a produção e distribuição de energia eléctrica, antes da
sua integração na E.D.P., e verifica-se hoje em relação às empresas
concessionárias das zonas de jogo.
Estas empresas são obrigadas, por força do contrato de concessão, a
adquirir ou a construir imobilizações corpóreas que no fim da concessão
revertem para o Estado, para as Autarquias ou para Organismos com
Objectivos de Assistência, Beneficiência, etc.
Nestes casos os bens podem ser reintegrados ou amortizados de
acordo com o número de anos que falta para o fim da concessão, se este
período for inferior ao período mínimo de vida útil, o que significa que
nesta hipótese as taxas de reintegração ou de amortização a aplicar a
esses bens podem ser superiores às que se encontram fixadas nas
tabelas anexas ao Decreto Regulamentar.
O n 9 2 do art. 13 s do Dec. Reg. 2/90 dispõe que a quota anual de
reintegração ou de amortização que pode ser aceite para efeitos fiscais,
como custo do exercício, determina-se dividindo o custo de aquisição ou
de produção, deduzido dos subsídios ou comparticipações da entidade
concedente, pelo número de anos que decorrer entre a sua entrada em
funcionamento e a data estabelecida para a reversão desses bens, o que
corresponde a esse número de anos.
No entanto o seu n s 3 estabelece que, no decorrer do período de
reintegração ou de amortização houver conhecimento de que o período
de concessão será prorrogado ou prolongado, deverá ser corrigida a
quota anual de reintegração ou de amortização, a partir do exercício em
que se verifique esse condicionalismo, ou seja, a quota de reintegração
ou de amortização deverá ser corrigida a partir do exercício em que se
concretize a prorrogação da concessão.

- Locação Financeira
No tocante à locação financeira art. 14 s do D.R. - 2/90 de 12 de
Janeiro), embora com alguns ajustamentos visando u m a maior
neutralidade fiscal das operações, em particular, mantém-se os
princípios básicos que tem sido seguidos neste domínio e que decorrem

296
do código do IRC - Reintegrações dos bens na Sociedade de locação
financeira e aceitação como custo de rendas no locatário.

- Peças ou Componentes de substituição ou de Reserva


Pela primeira vez é tratado na legislação fiscal o problema deste tipo
de elementos do activo imobilizado.
O tf 1 do artigo 15.s permite que as peças e componentes de
substituição ou de reserva que:
a) Tenham a natureza de imobilizações;
b) Sejam perfeitamente identificáveis;
c) Sejam de utilização exclusiva em elementos do imobilizado,
possam ser excepcionalmente reintegrados, a partir da data da entrada
em funcionamento dos elementos do imobilizado a que respeitam, ou da
data da sua aquisição, se posterior à da entrada em funcionamento
desses elementos, durante o mesmo período de vida útil dos elementos
a que se destinam, ou no caso da sua vida útil (das peças ou
componentes de substituição ou de reserva) ser menor, no decurso de
período de vida útil calculado em função do número de anos de
utilidade esperada.
O regime anterior não se aplica às peças e componentes que
aumentam o valor ou a duração esperada dos elementos em que são
aplicados, caso em que, tratando-se de grandes reparações e
beneficiações, se aplica o regime previsto no ns 2 do artigo 5g.

Exemplo
Pela importação em 1990 de peças de reserva destinadas às máquinas "X" e "Y" que
entraram em funcionamento em 1989:
1. Pelo valor de aquisição (supondo que as peças não vão aumentar o período de vida útil
das máquinas):
Débito Crédito
1.1 Factura do fornecedor 423 2611
1.2 Direitos alfandegários 423 111
1.3 Frete e seguro 423 111
2. Pelas amortizações contabilizadas anualmente, supondo que se t r a t a de bens a
reintegrar a taxa mínima de 12,5%:
2.1 Taxa a aplicar às peças com base no período que resta aos elementos a que se
destinam as peças:
100 : 12.5 - 1 = 7 anos; 100 : 7 = 14,28%
2.2 Contabilização das amortizações calculadas anualmente: 6623 4823

297
- Amortizações de Imobilizações Incorpóreas
-- Trespasses
Preconiza agora o POC no ponto 5 n s 48, "que os trespasses devem
ser amortizados no prazo máximo de cinco anos podendo no entanto
este período ser dilatado,desde que se justifique e não exceda o do uso
útil.
Para satisfazer esta determinação do POC os adquirentes de
trespasses têm de inscrever na sua contabilidade, os referidos valores
como Imobilizações Incorpóreas, registando os inerentes "custos
contabilísticos" nos exercícios seguintes em evidente conciliação com a
4 a Directiva.
Assim sendo, poderia considerar-se razoável a qualificação dessa
amortização com "custos fiscais". No entanto considera a Administração
Fiscal pelo estabelecido no n s 3 do art B 17. s do D.R. - 2/90 que os
trespasses não são amortizáveis excepto em caso de deperecimento
efectivo devidamente comprovado e reconhecido pela D.G.C.I.
Verifica-se assim não haver harmonização no domínio fiscal e
contabilístico em matéria de trespasses.

-- Despesas de Investigação e Desenvolvimento


Como acontece com as «Despesas de instalação», as «Despesas de
investigação e desenvolvimento», eram consideradas na Portaria n s
737/81 como «Gastos plurienais» amortizados a taxa máxima de 33,33%
e, de conformidade com a alínea a) do artigo 23 s do D.R. n s 2/90, elas
terão que ser amortizadas segundo aquele regime.
As «Despesas de investigação e desenvolvimento» iniciadas a partir
de 01.01.89 poderão ser consideradas custo de um só exercício, de
harmonia com as disposições do artigo 18a do D.R. n s 2/90, ou
movimentadas no imobilizado incorpóreo, de acordo com o artigo 17e a
amortizadas à taxa de 33,33% ao ano, mas, com uma quota mínima de
20% conforme refere o nB 3 do artigo 3 a .
O n s 2 do artigo 30. s do IRC bem como o n s 2 do artigo 18B do D.R.
s
n 2/90, definem quais as despesas que se consideram de investigação
e desenvolvimento:
a) Despesas de investigação - As realizadas pela empresa com vista
à aquisição de novos conhecimentos científicos ou técnicos;
b) Despesas de desenvolvimento - As realizadas pela empresa
através da exploração de resultados de trabalhos de investigação ou

298
de outros conhecimentos científicos ou técnicos com vista à
descoberta ou melhoria substancial de matérias-primas, serviços ou
processos de fabrico.

5. ELEVAÇÃO DAS TAXAS DAS TABELAS ANEXAS AO


D.R. N9 2/90

As taxas das tabelas anexas do Decreto Regulamentar n 9 2/90 - que


servem não só de limite anual para as Reintegrações e Amortizações de
acordo com o método das quotas constantes, mas também de base de
referência para, através da aplicação de um coeficiente, se
determinarem as taxas a praticar no caso de utilização do método das
quotas degressivas - baseiam-se nas que se encontravam estabelecidas
para efeitos de impostos sobre os lucros, antes da entrada em vigor do
IRC. No entanto, dado que a parte substancial destas foram fixadas há
mais de 20 anos, impunha-se a sua correcção, de modo a ter em conta
o acelerado progresso tecnológico verificado nos últimos tempos, que
reduziu a vida útil dos elementos do activo imobilizado mais
directamente ligados ao processo produtivo. É o que se faz não só em
grande parte das taxas genéricas, como também das taxas específicas.
Analisando as taxas constantes dos dois diplomas verifica-se que
para uma grande parte dos elementos do Imobilizado corpóreo, se
registou u m a elevação das taxas, facto que resultará, para efeitos
fiscais, n u m a redução do período de vida útil dos bens contemplados.
P a r a exemplo, poderão citar-se, entre outros, os seguintes bens que
sofreram elevação de taxa:
- Equipamentos de construção civil e obras públicas;
- Maquinaria;
- Computadores;
- Compressores;
- Máquinas de escrever, calcular e fotocopiar;
- etc.

299
6. PROCEDIMENTOS EM AUDITORIA

Amortizações e reintegrações

Princípios contabilísticos
Como vimos já, as amortizações e reintegrações são a materialização
da depreciação económica dos bens do Activo Imobilizado, bens que,
directa ou indirectamente, concorrem para a realização do objecto
principal de qualquer empresa: a obtenção de lucros.
Desta realidade decorre a enunciação do princípio de que devem ser
calculadas e contabilizadas anualmente as amortizações e reintegrações
a que haja lugar, independentemente da existência ou não de lucros.
Por outro lado, igualmente à revelia dos resultados obtidos, as
amortizações devem corresponder o mais rigorosamente possível a
depreciações efectivas, isto é, a diminuições económicas de valor
avaliadas em razão de critérios tecnológicos de depreciação inerentes
aos bens em causa e aos processos produtivos a que os mesmos se
encontrarem afectos ou em razão de critérios económico-tecnológicos
que têm a ver nomeadamente com fenómenos de obsolescência.

Objectivos da auditoria
A auditoria das contas de amortizações e reintegrações exige o seu
alargamento às contas de imobilizado, cujos valores servem de base ao
seu cálculo. Assim, sem pretendermos ser exaustivos a esse nível,
diremos que dos objectivos de auditoria das contas de amortizações e
reintegrações se destacam:
a) Comprovação da existência material dos bens registados em conta
de imobilizações (realidade dos registos);
b) Comprovação da correcta avaliação dos mesmos bens (avaliação
de saldos);
c) Comprovação da veracidade e correcção de cálculo dos encargos
com amortizações e reintegrações do exercício e acumuladas.

Verificações de substanciação
P a r a levar a efeito os três grandes objectivos atrás referidos,
múltiplas tarefas devem ser executadas no âmbito das verificações de
substanciação, tais como:

300
a) Testar a exaustividade dos registos nas contas de imobuizações,
por comparação destes com inventários físicos, comprovando os
registos de alguns bens seleccionados, ou ainda seleccionando
algumas facturas mais expressivas, não contabilizando como
imobilizado e analisada a razão de tal procedimento;
b) Seleccionar alguns bens e verificar se os valores por que foram
contabilizados foram correctamente determinados (com ou sem
encargos acessórios ou IVA, etc.);
c) Testar a correcção de registos existentes relativamente a
elementos tais como: datas de aquisição e início de utilização,
período de vida útil e taxas de reintegração definidas; datas e
diplomas de reavaliação; datas de realização de operações
extraordinárias sobre os bens (grandes reparações, amortizações
extraordinárias, etc.) e data de alienação.
d) Testar também as políticas seguidas relativamente a eventuais
"trabalhos para a própria empresa" ou "Entradas de bens de
imobilizado para realização de capital", nomeadamente, analisando
os processos de custeio seguidos no primeiro caso e verificando a
forma de determinação do preço, no segundo caso, por exemplo
consultar o relatório do POC (art- 28.B CSC) se ele existir.
Efectuados estes testes, deverão então efectuar-se as verificações de
substanciação relativas as amortizações e reintegrações,
propriamente ditas, tais como:
e) Baseadas nos mapas de reintegração e nos elementos j á colhidos
conforme alíneas anteriores, controlar, por amostragem ou
exaustivamente, a correcta determinação da quota de reintegração
do exercício, montantes das reintegrações acumuladas e valores
líquidos de reintegração;
f) No caso de bens reavaliados, controlar também a reavaliação
efectuada e os valores dela resultantes, bem como a quota de
reintegração do exercício e acréscimo da mesma relativamente a que
resultaria do cálculo da mesma sobre o originário valor de aquisição;
g) Conciliar os valores constantes dos mapas de reintegrações com
os elementos contabilizados e constantes das demonstrações
financeiras e da declaração de rendimento para efeitos de imposto
sobre o rendimento;
h) Controlar também eventuais divergências entre os valores
contabilísticos seguidos e critérios fiscais aplicáveis e respectivas
repercussões na declaração de rendimentos referida na alínea anterior;

301
i) Controlar, ainda, a correcta determinação de eventuais mais ou
menos-valias fiscais e contabilísticas e seu tratamento nas já citadas
declarações de rendimentos.

//

302
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO PARADIGMA
DA UTILIDADE

Autor: DOMINGOS J. SILVA CRAVO


(Assistente do Quadro Transitório do ISCAA;
Revisor Oficial de Contas)

303
INDICE

1. INTRODUÇÃO
1.1. O paradigma legalista
1.2. O paradigma económico
1.3. O paradigma utilitarista

2. UTENTES E TIPOS DA INFORMAÇÃO FINANCEIRA

3. A IMAGEM FIEL

4. A INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA

5. CONCLUSÃO

6. BIBLIOGRAFIA

304
1. INTRODUÇÃO

A Contabilidade tem tido, ao longo dos tempos, um processo de


evolução próprio, ao qual está inequivocamente associado o objecto
atribuído, ou atribuível, a esta disciplina.
Uma digressão sumária pelo período científico da História da
Contabilidade permite-nos constatar que o seu desenvolvimento se
processou à custa de três grandes paradigmas 1 , 2:
- o legalista;
- o económico; e
- o utilitarista
Caracterizemos sumariamente os dois primeiros para nos
debruçarmos com mais algum pormenor sobre o último.

1.1. O paradigma legalista

No quadro deste paradigma, o objectivo primeiro da Contabilidade


- que corresponde também à sua primeira finalidade histórica - é
mostrar ao proprietário a sua situação, em especial face a terceiros. As
grandes preocupações contabilísticas, em termos de utilização da
informação, consistem em evidenciar o património, numa perspectiva
de garantia do cumprimento das obrigações passadas e futuras do
comerciante. Nessa óptica, compreende-se que, como diz Canibano 3 , "a
objectividade da informação contabilística se entenda num sentido
eminentemente legalista, e esteja sustentada em factos ou
acontecimentos que, para efeitos legais, possam ser considerados como

1
Tua Vereda, J.: Algunas implicaciones dei paradigma de Utilidad en la disciplina
contable. Técnica Contable, n9 486, Junio de 1989, Madrid.
2
Canibano Calvo, não considera que o desenvolvimento da Contabilidade se efectuou
segundo os mesmos pressupostos referidos por J. Tua, já que, por um lado, e seguindo a
Lakatos, denomina as fases de evolução do conhecimento contabilístico por "programas de
investigação", e, por outro lado, dá particular relevo ao programa de investigação
formalizado de R. Mattessich. (Canibano Calvo, L.: Contabilidad - análisis contable de la
realidad económica. Ed. Pirâmide, 1987, Madrid.
Canibano Calvo, L.: Teoria Actual de la Contabilidad. Ed. ICE, Madrid, 1975.
305
prova (...) e a finalidade atribuída à informação contabilística consista
na apresentação de uns dados sobre bens, direitos e obrigações, que
sirvam de garantia a terceiros".
É geralmente reconhecido que as teses do paradigma legalista
influenciaram decisivamente os modelos contabilísticos, quer ao nível
terminológico, quer ao nível conceptual. O pensamento contabilístico
sofreu grandes influências (quiçá, domínio ?) do Direito, a ponto de a
Contabilidade ter sido considerada, não sem razão, a "Álgebra do
Direito" 1 . Estas influências, consubstanciam-se, designadamente,
sempre que existe u m a prevalência da forma legal dos factos
contabilísticos sobre a sua substância económica, bem como pela
aplicação rigorosa dos critérios da verificabilidade e da objectividade da
informação financeira.
Paradoxalmente, - ou naturalmente, na perspectiva do
desenvolvimento das ciências - a ruptura com o paradigma legalista
dá-se, no plano conceptual, quando os relatos apresentados pelo modelo
contabilístico, e que se reportavam aos bens, direitos e obrigações que
serviam de garantia a terceiros, ao serem avaliados objectivamente, em
conformidade com o modelo, deixam de reflectir a realidade da empresa,
fruto, designadamente, da conjuntura económica hiper-inflacionista do
pós I Guerra.
Os critérios legalistas de medição da objectividade mostraram-se
então caducos, e tornou-se necessário desenvolver novos modelos.

1.2. O paradigma económico

O enquadramento contabilístico passa então a assentar numa "visão


económica e com ela a vinculação da informação contabilística ao
conhecimento da realidade económica" 2 .
Nesta nova fase - paradigma económico, ou do cálculo do resultado
- os estudos centram-se na busca da "Verdade Única" nas medições do
resultado e da situação patrimonial.

1
Garnier, P.: La Comptabilité, algèbre du droit et méthode d'observation des sciences
économiques. Dunod, Paris, 1947, cit. por Cahibano (1987).
2
Tua Pereda, ob. cit.

306
A Contabilidade recorre a conceitos da Teoria Económica, e em
particular da microeconomia, com o objectivo de, desse modo, facilitar,
designadamente, o cálculo do resultado.
Alicerçada na busca da Verdade Ideal, a investigação contabilística
assenta predominantemente no método dedutivo.
Como resultado da investigação "a priori", são desenvolvidos e
aplicados os conceitos de "plano de contas" 1 e de "princípios de
contabilidade geralmente aceites" 2 .
A obtenção de u m a verdade única para a medição do resultado e da
situação económica da Empresa, rapidamente se revelou utópica e,
como diz Cea Garcia 3 "haveria que desterrar a visão idílica de u m a
racionalidade contundente e irrefutável para cada transacção
empresarial, apesar de com bastante frequência competirem diversas
hipóteses alternativas relacionadas com a natureza económico
financeira de certas transacções, razão pela qual a escolha do princípio
contabilístico para u m a determinada interpretação suporia sempre
certas doses de convencionalismo".
Existindo, como foi dito, diversas hipóteses alternativas - por vezes
até conflituantes - relacionadas com a natureza económico-financeira
de certas transacções, e visando o paradigma económico a obtenção de
uma verdade única e, consequentemente, como corolário obter u m a
informação contabilística neutra e imparcial, colocam-se algumas
questões de difícil resposta no quadro epistemológico:
1. que interpretação deverá ser dada a cada transacção ?
2. quais as determinantes que deverão ser consideradas na
formulação dos juízos "apriorísticos" do modelo, e "in fine" na
preparação dos princípios de contabilidade ?
3. que utilidade tem a informação contabilística preparada deste
modo idílico ?
A resposta a estas questões tem a ver, naturalmente, com o corolário
do objectivo primeiro deste programa de investigação, ou seja, a
determinação da existência da apregoada neutralidade e imparcialidade
da informação contabilística.

O primeiro dos quais, da autoria de E. Schmalenbach, apareceu em 1927.


O conceito de Princípios de Contabilidade Geralmente Aceites, foi desenvolvido, a
partir dos anos tinta, essencialmente nos Estados Unidos.
Cea Garcia, J.L.: La racionalidad económica en los princípios contables y las
operaciones financieras a largo plazo. Revista Espahola de Financiación y Contabilidad,
n" 48, Septiembre-Diciembre, 1985, Madrid.
307
Todavia, quando se analisa esta questão introduz-se no modelo um
novo grupo de agentes - os utentes (ou destinatários) da informação
contabilística - que concluirão acerca daquela característica.
Mas sendo estes utentes tão variados e com interesses por vezes
conflituantes, por certo não considerarão todos eles u m a mesma
informação como neutra e imparcial, tendo essa conclusão a ver com as
opções que foram tomadas na formulação dos princípios contabilísticos
que estiveram subjacentes à preparação da informação, e estes, por seu
turno, às interpretações dadas a cada transacção.
Sendo assim,somos levados a concluir que não existe informação con-
tabilística neutra e imparcial, j á que, pelo menos na fase da formulação
dos princípios basilares desta disciplina, existe sempre u m a certa dose
de escolha, pelo menos dos destinatários preferenciais da informação.
Estas questões colocam novos desafios à Contabilidade, provocando
um diferente alinhamento conceptual, u m a vez que, sendo a informação
contabilística das empresas u m a necessidade iniludível para o
funcionamento das economias de mercado modernas, reconhece-se,
implicitamente, que o modelo contabilístico se transforma, cada vez
mais, num sistema aberto que, sendo constantemente alimentado pela
realidade económica, vai influenciar, pela via da informação por si
gerada, a sobredita realidade (Quadro l).

Meio E n v o l v e n t e
Sistema de informação
Contabilidade

Inputs Transformação Out-puts

* Informação * Método * Informação


Contabilístico
* Recursos
Materiais
—> —> —>

Quadro I - A Contabilidade como sistema de informação 1

1
Adaptado de Gaultier e Underdown, Accounting Theory and Pratice.

308
Constata-se que a empresa e o meio envolvente se mantêm em
ligação permanente, através de um processo constante de alimentação
e rectroalimentação, e que sendo as demonstrações financeiras a
imagem visível externa de todo o processo de captação, medição,
avaliação e classificação dos factos contabilísticos que envolvem a
actividade da empresa, a informação contabilística constitui peça
determinante desse processo de ligação já que permite aos seus utentes
efectuarem avaliações e tomarem decisões informadas.

Realidade económico empresarial

Sistema informativo - contabilidade

Análise
Contabilidade da Contabilística
Captação Actividade interna
Representação
! Medida
Avaliação Contabilidade da
Actividade externa Demonstrações
Financeiras

Auditoria contabilística Consolidação


da
informação
Contabilística
(Informação de grupos
de sociedades)

Quadro 2 - Modelo contabilístico

Deste modo, a Contabilidade é considerada uma disciplina do campo


das ciências da informação, destinada ao conhecimento retrospectivo da
realidade, e elaborada de tal modo que permite a prospecção da
sobredita realidade.
Nesta óptica, pode ser definida1 como "o processo de identificar,
medir e comunicar a informação económica, que permite juízos
e decisões informadas aos seus usuários" ou, como o faz Canibano
Calvo , a "Contabilidade é uma ciência de natureza económica que tem
por objecto produzir informação, para possibilitar o conhecimento

American Accounting Association: A Statement of Basic Accounting Theory, 1966


(citado por Tua (1989)).
2
Canibano Calvo, L. (1987), ob. cit.

309
passado, presente e futuro da realidade económica em termos
quantitativos a todos os seus níveis organizativos, mediante a utilização
de um método específico apoiado em bases suficientemente testadas, com
o fim de facilitar a adopção das decisões financeiras externas e as de
planificação e controlo internas".
Daqui resulta que a esta disciplina terá, necessariamente, de
assumir como um dos seus objectivos basilares a produção e o
fornecimento ao destinatário da informação dos elementos de que ele
necessita para poder formular u m a opinião acerca da unidade
económica ou, por outras palavras, a Contabilidade tem por objecto
produzir e comunicar informação, cuja finalidade é possibilitar aos
destinatários efectuarem juízos e tomarem decisões informadas.
Este objectivo básico da Contabilidade implica que o "produtor" da
informação tenha como função facultar a o d e s t i n a t á r i o o m a i o r
n ú m e r o p o s s í v e l de informações, que este combinará da forma que
julgar mais apropriada face aos objectivos que pretenda atingir.
Rejeitam-se deste modo as teses legalistas, u m a vez que se considera
não ser o principal objectivo da disciplina evidenciar o património numa
perspectiva de garantia do cumprimento das obrigações assumidas pela
empresa.
Rejeita-se, igualmente, a tese de que a Contabilidade seja u m a
disciplina económica - afastada que está a possibilidade de encontrar
uma 'Verdade Ideal" nas medições do resultado e da situação
patrimonial.
Reconhece-se que se t r a t a de u m a disciplina de aplicação a factos
económicos, isto é, que o seu objecto material est vinculado à realidade
económica. A Contabilidade efectua um processo de agregação/desagre-
gação da realidade económica, visando avaliar segmentos, ou a
totalidade, da estrutura circulatória daquela realidade.

1.3. O paradigma utilitarista

Colocadas estas questões constata-se que, pela primeira vez, passam


a estar em causa os utentes da informação financeira, os quais se passa
a entender que a contabilidade deve primordialmente servir.

310
Alteram-se 1 , desse modo, os pressupostos básicos da nossa
disciplina, reconhecendo-se que a importância da Contabilidade é
função da utilidade que a mesma tenha para os destinatários da
informação e, reconhecendo-se, por consequência, a importância dos
utentes na construção do modelo contabilístico.
Neste sentido Staubus 2 sustentou que a contabilidade deveria
conceber-se como um serviço de informações e que a profissão
contabilística deveria indicar quem são os principais utentes dessa
informação e a necessidade de adquirir certos conhecimentos sobre o
processo de tomada de decisões empregue pelos diferentes níveis de
utentes.
Começam desse modo a construir-se os alicerces do paradigma
utilitarista.
Apresenta-se pois a utilidade da informação para a tomada de
decisões pelos destinatários, como a pedra chave do paradigma da
utilidade, daí resultando, como diz Sterling 3 , que "a informação mais
relevante é a que contém maior potencial de fornecimento de dados
necessários para os modelos empregues pelo decisório".

2. UTENTES E TIPOS DA INFORMAÇÃO FINANCEIRA

Entendendo-se o destinatário/utente da informação financeira como


todo aquele que dela necessite para tomar decisões, os mesmos
representam um conjunto relativamente numeroso (Quadro 3), como o
demonstram as análises empíricas.

Como diz José Mattoso, "é difícil determinar a vigência ou falência de categorias
mentais. Hoje em dia esses critérios já não são passíveis de qualificação, porque são
neutros. A partir de Descartes é que se começa a dominar a ciência, e esta domina cada
vez mais todas as disciplinas das ciências humanas. Por esse motivo, o critério do bom e
do mau só pode ser um critério de utilidade: uma coisa é útil ou não para o homem, para
que este seja mais autónomo e senhor do seu destino". (José Mattoso, in Revista Sábado,
n" 100 de 12 a 18 de Maio de 1990, Lisboa).
Staubus, George J.: A Theory of accounting to investors, Berkeley, Calif, University
of California Press, 1961 (cit. por Gonzalez Bravo, Lucio E. e outros: Aspectos
metodológicos de la Contabilidad, Impressos Centro, Argentina, 1990).
Sterling, R.R.: Decision Oriented Financial Accounting, Accounting and Business
Research, Summer, 1972 (cit. por Tua (1989)).
311
Destinatários internos Destinatários externos
Produtores Não produtores Com interesse Com interesse
de informação de informação específico genérico

Gerência Empregados Credores Agentes


Directores Fornecedores reguladores
Investidores de mercado
potenciais Legisladores
Clientes Serviços de
Analistas estatística
financeiros Público em
Assessores geral
Agentes
mediadores
Avalistas
Autoridades
fiscais
Advogados

Proprietários

Imprensa financeira
Agências de informações
Sindicatos
Associações patronais
Professores

Quadro 3 - Destinatários da Informação Financeira

Tomando como ponto de referência a unidade económica geradora da


informação, os destinatários são classificáveis em:
- destinatários internos, e
- destinatários externos,
os quais têm, naturalmente, necessidades diferentes de informação,
necessidades essas que, em limite, levam à criação de dois sub-modelos,
designados, respectivamente, por Contabilidade de Gestão (Managerial
accounting) 1 e Contabilidade Financeira (Financial accounting), a
primeira destinada a responder às necessidades geradas pelo modelo de
decisão dos destinatários internos - v.g. gerências, administradores, etc.
- (Quadro 4), e a segunda predominantemente voltada para a satisfação
das necessidades informativas dos utentes externos.

1
Hoje em dia, assiste-se ao desenvolvimento da contabilidade de gestão no quadro de
um novo paradigma: a contabilidade de direcção estratégica.

312
Informação do meio envolvente
i
V

Si sterna de informação < 1


Contabilidade

(5
1(6)
Função objectivo 1 (2) (4)
Vendas
Resultados 1
yI
1
V
x 131
\ 7
Meios > > Acções
—> | Decisores
i
(7)
j

Restrições
Técnicas 1 > (1) Definição da função objectivo
Legais (2) Elaboração do orçamento
Autorestrições (3) Execução do PPBS
(4) Recursos inform, dos factos reais
(5) Informação de controlo (desvios)
(6) Execução do PPBS modificado
PPBS-Plan, programming budgeting system
Meio ambiento (plano, programa e orçamento)

Quadro 4 - Um modelo de decisão dos destinatários internos


da informação contabilística

A criação dos dois modelos informativos acima referidos, responde


à problemática da informação para as duas grandes categorias de
destinatários.
Todavia, no grupo de utentes externos, existe ainda u m a grande
heterogeneidade de interesses e, consequentemente, de necessidades
informativas, u m a vez que os modelos para a tomada de decisões serão,
em princípio, distintos.
Coloca-se então a questão de determinar se deverão existir
destinatários preferenciais na preparação e divulgação da informação
financeira e, em caso afirmativo, qual ou quais.
A resposta a esta questão, não é simples, como o demonstram as
regulamentações britânica e norte-americana.
A primeira, defende que todos os utentes devem ser tratados equi-
tativamente, enquanto a segunda, apesar de enumerar um vasto leque

313
de destinatários da informação - SFAC n s 1 do FASB - acaba por se
orientar, predominantemente, para a protecção do investidor bolsista.
Um pouco neste último sentido, parece-nos que se orienta o Plano
Oficial de Contabilidade Português - revisão de 1990.
De facto, tal como a norma norte-americana, o POC indica um leque
relativamente vasto de utentes da informação financeira (investidores,
financiadores, trabalhadores, fornecedores e outros credores, adminis-
tração pública e público em geral), mas começa por dizer no primeiro
parágrafo do seu capítulo terceiro que "as demonstrações financeiras
devem proporcionar informação acerca da posição financeira, das
alterações desta e dos resultados das operações, para que sejam úteis
a i n v e s t i d o r e s , a c r e d o r e s e a outros utentes (...); c o n t r i b u e m
a s s i m para o f u n c i o n a m e n t o eficiente d o m e r c a d o de capitais".
Nesta perspectiva pode dizer-se que a Contabilidade pode ser
entendida como um modelo gerador de sistemas de informação, uma vez
que, face aos múltiplos interessados na informação produzida pelo
sistema contabilístico, esta tende a ser mais cada vez mais ampla por
forma a satisfazer quer os diversos núcleos de utentes, quer as distintas
perspectivas por eles pretendidas, colocando, por isso mesmo, novas
questões conceptuais.
De facto, como diz Tua 1 "o enquadramento que atende à utilidade
dos utentes coloca mais interrogações do que respostas definitivas, pois
abre a possibilidade de estabelecer tantos sistemas contabilísticos
quantos os grupos de utentes que possam detectar-se ou, pelo contrário,
aconselha a necessária busca de um só sistema que t r a t e de satisfazer
na melhor medida possível a totalidade dos interesses concorrentes".
A primeira das soluções implica que o modelo contabilístico se
adapte por forma a produzir informações de carácter múltiplo, cada vez
mais diversificadas e sucessivamente mais exigentes, isto é, um sistema
- que pode ser designado por Contabilidade Multidimensional - que tem
por objectivo proporcionar informação adequada a modelos de decisão
de utentes específicos.
Na segunda solução adopta-se uma postura distinta, que consiste em
supor que as Demonstrações Financeiras se preparam para utentes
indeterminados e, consequentemente, tem objectivos múltiplos.
A regulamentação contabilística - planos de contabilidade, 4B Directi-

v a Pereda (1989).

314
va, NIC's, etc. - tem-se inclinado pela segunda solução, a qual, apresen-
tando inequívocas vantagens, não é, no entanto, isenta de problemas 1 .

3. A IMAGEM FIEL

Admitindo, portanto, u m a s demonstrações financeiras de


compromisso, únicas para todos os utentes, vai colocar-se uma nova
questão, que consiste em saber como e quando é que essas
demonstrações financeiras traduzem u m a imagem fiel da situação da
unidade económica e dos resultados.
A utilização "fidedigna" do modelo contabilístico, consubstanciada,
designadamente, na adequada aplicação dos princípios de contabilidade
geralmente aceites (PCGA), deveria conduzir, na óptica dedutiva-nor-
mativa, à obtenção da imagem fiel, ou seja a aplicação dos primeiros
constituiria condição necessária e suficiente para alcançar a segunda
- e esta é a postura generalizada dos auditores, como se deduz dos seus
pareceres sobre as contas anuais, quando referem, nomeadamente, que
as demonstrações financeiras "apresentam de forma verdadeira e
apropriada a situação financeira da unidade económica, bem como os
resultados das suas operações, de acordo com os princípios de
contabilidade geralmente aceites, aplicados de forma consistente em
relação ao exercício anterior" 2
No entanto, nada garante que a aplicação dos princípios de
contabilidade geralmente aceites conduza, inevitavelmente, à obtenção
da imagem fiel - quando muito, salvo prova em contrário, outorgam a
presunção de imagem fiel, como diz Cea 3 - j á que:
- por um lado, sendo os princípios elaborados visando atingir um
determinado tipo de objectivos, e tendo estado sujeitos a u m conjunto
de limitações e restrições, designadamente, de contorno económico, e
- por outro lado, tendo os princípios um carácter geral, não se
pode inferir, nem que as condições gerais que levaram ao seu
aparecimento se mantêm no momento da sua aplicação, nem que as
características gerais são aplicáveis às particularidades de cada
empresa em questões que podem ser - e muitas vezes são - importantes.

Vd. Tua (1989).


Normas Técnicas de Revisão Legal de Contas - modelos.
Cea Garcia, J.L.: Contabilidad, Auditoria e Imagen Fiel; El País; 87.03.24, Madrid.
315
Assim sendo, não se pode, portanto, concluir que a "imagem obtida"
a partir da aplicação dos PCGA, corresponda à imagem fiel e, pode
mesmo correr-se "o risco de se desembocar em deformações
informativas, apesar da ortodoxia contabilística" 1 .
No entanto, reconhece-se que, sendo os factos económicos
plurifacetados, distintas interpretações daqueles, conduzem a diferentes
leituras da realidade económica, daí resultando um conjunto de
imagens, as quais podem ser, todas elas, diferentes manifestações da
Imagem Fiel e, nesta perspectiva, a imagem fiel é um "conceito
poliédrico (...) e a opção por uma, entre as várias imagens possíveis,
supõe u m a eleição subjectiva" 2
Todavia entendemos que, no quadro do paradigma da utilidade, a
imagem fiel deve ser interpretada como aquela que conduz a u m a maior
utilidade informativa.
Deste modo, tomando como ponto de referência a solução de demons-
trações financeiras únicas, acolhida pela generalidade das regulamen-
tações contabilísticas, e encontrando-se definido o objectivo geral da
informação contabilística, reduziu-se o leque de alternativas possíveis
na interpretação dos factos económicos, consistindo o passo seguinte na
minimização dos efeitos de opções subjectivas, a qual foi conseguida
balizando a elaboração das demonstrações financeiras com um conjunto
de requisitos (características) que garantam a utilidade da informação.
Estes requisitos que a informação financeira deverá satisfazer, têm
pois, como função, o estabelecimento de critérios para a eleição da
alternativa que satisfaça mais adequadamente a procura informativa.
A análise da evolução histórica dos mesmos, mostra que os vários
organismos de normalização tem incluído nas suas regulamentações
diferentes requisitos - quadro 5 - sendo apontado por Monterrey
Mayoral 3 , que as razões para tal facto são devidas, por um lado, as
várias normas terem sido emitidas em épocas distintas e, por outro
lado, a selecção de requisitos ter a ver com a formação de cada autor,
e/ou com as diferentes interpretações que podem ser tidas quando se
t r a t a de Contabilidade.

I
Cea (1987), ob. cit.
Monterrey Mayoral, J.A.: El Princípio de la Imagen Fiel en la IV Directriz, Actas das
II Jornadas de Contabilidade, Instituto Superior de Contabilidade e Administração de
Aveiro, Aveiro, 1985.
Monterrey Mayoral, J.A.: En torno a los requisitos de la información contable. Técnica
Contable, ns 464-465, Agosto-Septiembre, 1987, Madrid.
316
Organismo emissor American
Accounting AICPA ICAEW AECA FASB - CNC
Association

Documento ASOBAT' Relatório Corporate Documento SFAC POC*


Trueblood3 Report3 nff 1 4 n»2 s

Data de emissão 1,966 1,973 1,975 1,980 1,980 1.989

Propõe hierarquia Não Não Não Não Não Não

Relevância • • / • / •

Imparcialidade/objectividade / / • • •

Verificabilídade / / / •

Comparabilidade / / / / /

Clareza / / /
Oportunidade / / /
Economicidade • • •7

Veracidade/Fidelidade / /
Razoabilidade / /
Identificabilidade •

Integridade J

Quantificação •

Confiança/Fiabilidade / /
Capacidade previsional •

Valor "feedback" /
Materialidade •e

' "A statement of basic accounting theory (ASOBAT)". American Accounting Association, Illinois, 1966
2
"Report of the study group on the objectives of financial statements (Trublood report)", AICPA, New York, 1973
3
"The corporate report", ICAEW, Londres, 1975
4
Princípios e normas de contabilidad em Espana, Documento n9 1, AECA, Madrid, 1980
5
Qualitative Characteristics of accounting information, Statement of financial accounting concepts (SFAC) ne 2, New York, 1980
5
Plano Oficial de Contabilidade, Comissão de Normalização Contabilística, 1989 (DL nB 410/89, de 21 de Novembro)
7
Restrição básica
8
Umbral para 0 reconhecimento dos requisitos

Quadro 5 - Requisitos da informação contabilística


em algumas regulamentações1

1
Adaptado de Monterrey Mayoral (1987).

317
Os vários requisitos apontados podem ser classificados em:
- requisitos básicos, e
- requisitos colaterais,
j á que o cumprimento dos primeiros deverá ser complementado com a
satisfação dos últimos.
Tomando como referência o quadro 5, podemos incluir nos requisitos
básicos a relevância, a objectividade (neutralidade/imparcialidade), a
verificabilidade e a comparabilidade, constituindo todos os demais
apontados no quadro referido requisitos colaterais.
Como refere Tua 1 no quadro do paradigma da utilidade "os critérios
tradicionais de objectividade e de verificabilidade, sem deixarem de ser
importantes, são ultrapassados pelo critério da relevância no primeiro
lugar da escala de prioridades".
Também o Plano Oficial de Contabilidade Português, na sua revisão
de 1990, se encaminha para o enquadramento nas teses utilitaristas,
e dedica, como referimos acima, u m capítulo às Características da
Informação Financeira, - seguindo nesta matéria a "Framework for the
Preparation and Presentation of Financial Statements", da
International Accounting Standards Committee (IASC), de 1988 - e
referindo, nesse capítulo, designadamente, que "a qualidade essencial
da informação proporcionada pelas demonstrações financeiras é a de
que seja compreensível aos utentes, sendo a sua utilidade determinada
pelas seguintes características:
- Relevância
- Fiabilidade
- Comparabilidade",
reconhecendo de seguida que a imagem fiel da situação financeira e do
resultado das operações, só pode ser obtida pela conjugação entre as
características da informação financeira, e a aplicação dos conceitos,
princípios e normas contabilísticas adequadas.

Tua (1991), ob. cit.

318
4. A INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA

Como refere Zeff1 "apesar da falta de unanimidade, um número


respeitável de aderentes desta escola sustenta que o interesse dos
investidores e credores se situa na previsão dos fluxos futuros de
filiados da empresa" e assim sendo haverá que avaliar as alternativas
contabilísticas em termos do seu potencial de serviço aos utentes, com
o objectivo de prognosticar o futuro, para adiante continuar dizendo
"esta orientação é totalmente contrária à ênfase tradicional que a
Contabilidade coloca no passado (sob o pressuposto de que a
Contabilidade tem como objectivo principal proporcionar informação
sobre a administração dos activos e passivos). Neste sentido, a
orientação para o futuro constitui u m a mudança total no pensamento
contabilístico".
Além disso foi defendido que na impossibilidade de conhecer os
modelos decisórios dos utentes da informação financeira, dificilmente
se poderiam regulamentar e pôr em prática os critérios de utilidade.
Daí que seja necessário provar empiricamente as hipóteses e os
pressupostos explícitos e implícitos que faziam parte das teorias
normativas.
De entre as questões deixadas em aberto pelo paradigma da
utilidade para que sejam resolvidas pela investigação empírica
referem-se as seguintes: 2
a) de que modo se utiliza a informação financeira na tomada de
decisões ?
b) qual é a informação financeira mais útil para o utente ?
c) que tipo de modelo decisório adoptam os diferentes utentes ?
d) qual a melhor maneira de comunicar a informação ?
e) como se comporta a empresa na elaboração da informação
financeira ?
f) que efeitos produzem os valores contabilísticos nos utentes
individuais e nos mercados de capitais ? e na empresa que as
prepara ?

1
Zeff, Stephen A.: Administration de Empresas, 1982 (cit. por Gonzalez Bravo, Lúcio
E. e outros (1990).
2
Tua Pereda, J.: La investigation empírica en Contabilidad - La hipotesis de eficiência
dei mercado. Ed. Instituto de Contabilidad y Auditoria de Cuentas, Madrid, 1991.

319
g) que tipos de informação financeira promovem ou impedem a
optimização dos recursos económicos ?
Daqui resulta que a investigação empírica em contabilidade
evidencia um forte carácter interdisciplinar dado depender da disciplina
económica, mas também da psicologia, da sociologia, da investigação
operacional, da estatística e das ciências políticas.

5. CONCLUSÃO

A concluir reafirmarei o que j á acima dissera - o paradigma da


utilidade lança muito mais interrogações do que respostas e a sua
afirmação em Portugal passará, do meu ponto de vista, pelos esforços
desenvolvidos e a desenvolver pelas escolas no sentido da formação de
uma nova cultura contabilística.

320
6. BIBLIOGRAFIA

CANIBANO CALVO, L.: Teoria actual de la contabilidad Ed. ICE.


1975. Madrid.
CANIBANO CALVO, L.: Contabilidad - Análisis contable de la
realidad económica. Ed. Pirâmide. 1987. Madrid.
CEA GARCIA, J. L.: La racionalidad económica en los princípios
contables y las operaciones financieras a largo plazo. Revista Espanola
de Financiación y Contabilidad, n9 48 - Septiembre Diciembre. 1985.
Madrid.
CEA GARCIA, J. L.: Contabilidad, Auditoria y Imagen Fiel. El País.
87.03.24. Madrid.
FERNANDES Ferreira, R.: Normalização Contabilística. Livraria
Arnado. 1984. Coimbra.
FERNANDES PENA, E.: La contabilidad, la información fmanciera
y la auditoria en la Ley de sociedades anónimas (in 7 Conferências
sobre contabilidad y auditoria). Semsa Distribuciones. 1983. Madrid.
FERNANDEZ PIRLA, J.M.: Teoria Económica de la Contabilidad.
Ed. ICE. 1974. Madrid.
GAULTIER e UNDERDOWN: Accounting Theory and Pratice.
KUHN, THOMAS S.: A Tensão Essencial. Edições 70. Lisboa.
LAKATOS, I. E. MUSGRAVE, A.: A crítica e o desenvolvimento do
conhecimento. Editora Culturix. 1979. São Paulo.
MONTERREY MAYORAL, J.A.: El princípio de la imagen fiel en la
rV directriz. Actas das 2.as Jornadas de Contabilidade. Instituto
Superior de Conhbilidade e Administração de Aveiro. 1985. Aveiro.
MONTERREY MAYORAL, J. A: En torno a los requisitos de la
información contable. Técnica Contable n s 464/465, Agosto /Septiembre
1987. Madrid.
SILVA CRAVO, Domingos J.: Activos intangíveis, ISCAA, 1990,
Aveiro.
SOUSA SANTOS, B.: Da sociologia da Ciência à Política científica.
Revista Crítica de Ciências Sociais, nfi 1 - Junho. 1978. Coimbra.
TUA PEREDA, J.: Princípios y Normas de Contabilidad. Instituto
de Planificación Contable. 1983. Madrid.

321
TUA PEREDA, J.: Algunas precisiones adicionales en torno al
princípio de imagen fiel. Técnica Contable n s 444 - Diciembre. 1985.
Madrid.
TUA PEREDA, J.: Algunas implicaciones dei paradigma de utilidad
em la disciplina contable. Técnica Contable n° 486 - Junio. 1989.
Madrid.
VIEIRA DOS REIS, J.: Os documentos de prestação de contas na
CEE e a legislação portuguesa. Rei dos Livros. 1987. Lisboa.

Publicações Oficiais:
PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE - 1989
NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE (IASC)
Incluídas no Manual do Revisor Oficial de Contas
4.8 DIRECTIVA DA CEE
Incluídas no Manual do Revisor Oficial de Contas

322

L
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
O IMPACTO DA 7* DIRECTIVA NO DIREITO
INTERNO PORTUGUÊS

Autor: JOSÉ ÂNGELO OLIVEIRA CORREIA


(Inspector de Finanças)

323
1. A abordagem do tema proposto é efectuada na óptica da
transposição para o direito nacional das normas de consolidação
de contas estabelecidas na 7S, Directiva (83/349/CEE).
2. Objectivos e âmbito de aplicação do normativo do D.L. n s 238/91
de 2 de Julho que institui a obrigatoriedade da elaboração das
demonstrações financeiras consolidadas e do respectivo relatório
de gestão.
3. Condições que tornam obrigatória a consolidação de contas numa
empresa-mãe e as excepções previstas configuradas nas dispensas
e exclusões da mesma.
4. Confrontos entre objectivos gerais e fiscais face à obrigatoriedade
da consolidação e contas.
5. Alterações introduzidas nos códigos das Sociedades Comerciais e
Registo Comercial e no Plano Oficial de Contabilidade.
Competência para elaboração e Fiscalização das contas
consolidadas.
Porto, Outubro de 1991

ÍNDICE

1. Introdução
2. Objectivos e âmbito de aplicação do normativo relativo à
Consolidação de Contas
3. Dispensas e exclusões da obrigação da Consolidação de
Contas
4. Alterações aos Códigos do Registo Comercial e das
Sociedades Comerciais
5. Alterações ao P.O.C
6. Confronto entre objectivos gerais e fiscais da Consolidação
de Contas
7. Conclusões

324
1. INTRODUÇÃO

O tema que vai ser apresentado não é um tratado sobre a


consolidação de contas, mas sim uma "mensagem" oportuna para uma
área da ciência contabilística que irá ser brevemente bastante solicitada
no mercado de trabalho.
Não se trata também de uma matéria nova, pois que os profissionais
e estudiosos da contabilidade, por esta ou aquela razão, já se
debruçaram sobre a mesma.
Mas eis chegada a hora do seu impacto na vida real do País. A
adesão às Comunidades Europeias veio redimensionar o espaço da
contabilidade, projectando-a para além das fronteiras a que estava
circunscrita. Observamos a contabilidade na óptica da sua aplicação
restrita à empresa, mas este limite foi ultrapassado, e o seu rumo
dirige-se agora para o grupo de empresas com novos aliciantes para os
mais estudiosos e com mais responsabilidade para os profissionais que
terão de ir ao seu encontro.
Assim, é oportuno sensibilizar e incentivar os estudiosos de
mais-valia científica para que prossigam o novo rumo que acabamos de
delinear.

2. OBJECTIVOS E ÂMBITO DE APLICAÇÃO DO NORMATI-


VO RELATIVO À CONSOLIDAÇÃO DE CONTAS

Como é do conhecimento geral, o Decreto-Lei n s 238/91 de 2 de


Julho, teve como objectivo transpor para o direito nacional as normas
de consolidação de contas, estabelecidas na 7â. Directiva (83/349/CEE),
relativa ao direito das sociedades, aprovado pelo Conselho das
Comunidades Europeias em 13 de Junho de 1983.
Consequentemente, a introdução desta directiva originou também as
alterações correspondentes ao Código das Sociedades Comerciais, ao
Código do Registo Comercial e ao Plano Oficial de Contabilidade.

325
Contudo, como segundo objectivo desta transposição coloca­se a
obrigatoriedade da elaboração das demonstrações financeiras
consolidadas e do relatório consolidado de gestão do grupo de empresas
compreendidas na consolidação.
De acordo com aquele diploma, e por enquanto, as empresas­mães
sujeitas àquela obrigação devem estar constituídas sob a forma de:
■ Sociedades anónimas,
■ Sociedades em comandita por acções,
■ Sociedades por quotas.
Dissemos, por enquanto, porque já existe uma proposta de Directiva
(JO, C114, 1986) sobre a extensão do âmbito de aplicação da 4a. e 7.s
Directiva às sociedades em nome colectivo e em comandita simples.
Assim, aquele diploma, recentemente publicado, torna obrigatória a
consolidação de contas para a empresa­mãe, sujeita ao direito nacional
que obedeça às seguintes condições:
1) Possua maioria dos direitos de voto dos titulares do capital da
empresa dependente;
2) Tenha o direito de designar ou destituir a maioria dos membros
dos órgãos sociais da empresa dependente e seja,
simultaneamente, titular de capital desta empresa;
3) Possua o direito de exercer uma influência dominante sobre a
empresa dependente da qual é um dos titulares do capital, por
força de um contrato realizado entre ambas ou de cláusula
contratual;
4) Detenha pelo menos 20% dos direitos de voto e a maioria dos
membros dos órgãos sociais da empresa filial que exerceram
funções durante o exercício a que se reportam as contas
consolidadas, bem como, no exercício precedente.
5) Detenha capital de uma empresa filial e a controle por si ou por
força de um acordo com outros titulares do seu capital, a maioria
dos direitos de voto.
Além destas condições existem outras particularidades relativas a
esta obrigação designadas nos pontos 2, 3 e 4 do art s l. s do referido
diploma.

326
3. DISPENSAS E EXCLUSÕES DA OBRIGAÇÃO DA CON-
SOLIDAÇÃO DE CONTAS

- Uma empresa-mãe pode ficar dispensada da consolidação se à data


do seu balanço, o grupo de empresas a consolidar não tenha
ultrapassado ou deixado de ultrapassar dois dos três seguintes limites
durante dois exercícios consecutivos
I s - Total do balanço - 1,5 milhões de contos;
2° - Vendas ilíquidas e outros proveitos - 3 milhões de contos;
e
3 - Média anual de 250 trabalhadores.
A dispensa em causa deixa de ser aplicada quando uma das
empresas a consolidar tenha os títulos representativos do seu capital
cotados numa bolsa de valores dum Estado membro das Comunidades
Europeias.
- Uma empresa é também dispensada desde que seja ao mesmo
tempo empresa-mãe e filial de u m a outra empresa-mãe sujeita à
legislação de um Estado membro das Comunidades Europeias e:
a) - Possua todas as partes de capital da empresa dispensada;
b) - Detiver 90%, ou mais, das partes de capital da empresa
dispensada da obrigação e os restantes titulares do seu capital
tenham aprovado a dispensa.
Contudo, esta segunda dispensa depende da verificação de
determinadas condições mencionadas no ponto 5 do art 8 3. s do diploma
j á citado e não se aplica às sociedades que estejam cotadas numa bolsa
de valores dum Estado membro das Comunidades Europeias (n s 6 do
art 8 3.s).
Falamos das dispensas, mas também poderá haver exclusão de u m a
empresa da consolidação de contas em qualquer dos seguintes casos:

I - Quando não seja materialmente relevante:


a) para cumprir o objectivo de dar u m a imagem verdadeira e
apropriada da situação financeira e dos resultados de
conjunto das empresas compreendidas na consolidação;

327
b) e se em casos excepcionais, a aplicação de u m a das
disposições das normas de consolidação, for incompatível
com aquele objectivo, não deverá ser aplicada, divulgando-
-se o facto no anexo ao balanço e à demonstração de
resultados.
No entanto, se duas ou mais empresas se encontrarem nas
condições anteriores da alínea a), mas forem materialmente
relevantes para o objectivo em causa, devem ser incluídas na
consolidação (n s 2 do art s 4. s ).

II - Sempre que restrições severas e duradouras prejudiquem


substancialmente o exercício pela empresa-mão dos seus
direitos sobre o património ou a gestão dessa empresa.
E quando a aquisição de partes de capital dessa empresa
tenha em vista a sua cessão posterior.

III - Se u m a ou várias empresas a consolidar exerçam actividades


tão diferenciadas que tornem incompatível o objectivo do
anterior I, a), tais empresas serão excluídas da consolidação,
aplicando-se, todavia, o regime das participações em
associadas.
Contudo, deve atender-se às particularidades dos nfi 5 e n s 6
do art 9 4. s do já citado diploma no caso da exclusão destas
empresas.

4. ALTERAÇÕES AOS CÓDIGOS DO REGISTO COMER-


CIAL E DAS SOCIEDADES COMERCIAIS

O novo diploma introduz algumas alterações naqueles códigos. O


primeiro aditou a alínea n) do art Q 3. s e o nfi 2 do art s 42. s . Ao segundo
foi-lhe aditado o capítulo IV, no qual são estabelecidos diversos artigos
quanto à "apreciação anual da situação de sociedades obrigadas à
consolidação de contas".

328
Nestes termos, os responsáveis executivos de sociedades obrigadas
à consolidação de contas terão de cumprir as obrigações estipuladas por
lei na referido normativo, devendo prestar em tempo útil à sociedade
consolidante todas as informações necessárias à consolidação das
contas.
Tanto a elaboração do relatório consolidado de gestão, das contas
consolidadas do exercício como dos outros documentos de prestação de
contas consolidadas devem dar cumprimento às disposições legais
aplicáveis.
Depára-se-nos aqui um aspecto crucial no que concerne à elaboração
das contas consolidadas. Actualmente, haverá poucos profissionais
habilitados tanto para a elaboração como para a fiscalização daquelas
contas. Pelo que será oportuno salientar que nos I.S.C.A.(s) existe o
curso de Especializados em Auditoria, cujo curriculum, entendemos ser
um dos mais adequados para aquelas funções. É necessário recordar o
investimento que o País está a fazer na preparação de profissionais
competentes para uma área cuja complexidade ainda não foi testada,
mas que brevemente irá pôr à prova as capacidade de alguns
portugueses intervenientes na consolidação. Consequentemente, é de
lembrar aos presentes que a aplicação do diploma que transpõe para o
direito interno as normas de consolidação de contas estabelecidas na 7S.
Directiva são de aplicação obrigatória desde 1 de Janeiro do corrente
ano. Parece-me urgente definir, em termos profissionais quem é quem,
o dramaturgo inglês diria "to be or not be", "that's the question". Nós
estamos em Portugal e Portugal está na CEE e na vasta e
pluridimencional área da consolidação de contas muito trabalho
profundo e consciencioso é necessário desenvolver junto das empresas.

5. ALTERAÇÕES DO P.O.C.

Finalmente, surgem-nos as alterações ao Plano Oficial de


Contabilidade, aprovado pelo Decreto-Lei n s 410/89, de 21 de Novembro.
Tanto as normas de consolidação de contas e as demonstrações
financeiras consolidadas constantes no anexo I passam a constituir os
seus capítulos 13 e 14, sendo ainda o mesmo alterado com base nas
modificações e aditamentos constantes do anexo II ao diploma da já
citada transposição das normas de consolidação de contas.

329
Importa ainda t r a t a r alguns dos aspectos, que reputamos de
interesse e que se encontram no âmbito das normas de consolidação de
contas.
Assim, esses aspectos referem­se ao seguinte:
■ Através da consolidação de contas obtém­se u m só balanço e u m a só
demonstração de resultados que integram o conjunto de empresas
compreendidas na consolidação;
■ Aquelas demonstrações financeiras consolidadas constituem um
complemento das demonstrações financeiras individuais das
empresas do grupo e têm como objectivo dar u m a imagem
verdadeira e apropriada da situação financeira e dos resultados das
operações do conjunto dessas empresas;
■ Os princípios contabilísticos, os critérios valorimétricos dos activos
e passivos e a estrutura dos modelos utilizados na elaboração das
demonstrações financeiras consolidadas são os previstos no P.O.C.;
■ As técnicas e os procedimentos de consolidação adoptados têm como
base a aplicação do método de consolidação integral, prevendo­se
também a adopção dos métodos da consolidação proporcional e o da
equivalência patrimonial, sendo este último de aplicação obrigatória
relativamente às empresas associadas;
■ Face ao que se passa em outros países evita­se a imposição de
registos digráficos para as operações de consolidação nas empresas­
mães, pelo que basta a existência de mapas e documentos de suporte
que fundamentem de forma clara e objectiva a sua revisão por parte
das entidades competentes.
■ Além destas, outras questões de não somenos importância acerca
das normas de consolidação de contas vêm expressas no Anexo I e
II do Decreto­Lei n s 238/91, de 2 de Julho.

6. CONFRONTO ENTRE OBJECTIVOS GERAIS E FISCAIS


DA CONSOLIDAÇÃO DE CONTAS

Um outro aspecto que consideramos de interesse relevante para a


consolidação de contas refere­se à área geográfica em que se situam
essas empresas.

330
O diploma regulador estabelece no seu artfi 2.9, que as empresas
compreendidas na consolidação devem ser consolidadas qualquer que
seja o local da sede das empresas filiais.
Por outro lado, o art 8 l. s do mesmo diploma define as empresas­mães
sujeitas à obrigatoriedade da elaboração das demonstrações financeiras
consolidadas e do relatório consolidado de gestão.
Eis­nos chegado ao ponto de colocar a questão relativa à
obrigatoriedade da consolidação das contas para efeitos do regime da
tributação do lucro consolidado.
Entendo, face à legislação vigente, que aquele regime deve ser
aplicado no âmbito do Decreto­Lei n e 414/87 de 31 de Dezembro, e do
IRC (art s 59.e) que consagram alguns dos seus artigos à "tributação pelo
lucro consolidado". P a r a o efeito a sociedade consolidante, deve atender
às seguintes condições:
■ Todas as sociedades do grupo tenham a sede e direcção efectiva em
território nacional;
■ Possuir o domínio total (mínimo de 90%) sobre as demais sociedades
do grupo nos termos do C.S.C..
■ Aplicação do regime geral de tributação em IRC dos lucros do grupo
das sociedades consolidadas.
Naquela primeira condição encontra­se a chave da questão, face ao
estabelecido no art 3 2. 8 do Decreto­Lei n s 238/91, de 2 de Julho,
enquanto neste a consolidação é obrigatória para o grupo de empresas
qualquer que seja o local da sede das empresas filiais, naqueles a
aplicação do regime da tributação pelo lucro consolidado está
condicionado a todo o grupo ter a sede e direcção efectiva em território
nacional.
Inferimos deste raciocínio que a obrigatoriedade da consolidação de
contas estabelecida no art B l. s do actual normativo tem por objectivo a
protecção de interesses sociais tanto dos sócios como de terceiros,
enquanto que os outros têm como objectivo da aplicação do regime de
tributação pelo lucro consolidado. Corroborando esta ilação está o facto
da aplicação deste regime carecer duma autorização, a solicitar ao
Ministro das Finanças, pela sociedade dominante, que deverá ser
formulada até 30 de Abril do próprio ano em que se processará a
tributação pelo lucro consolidado.

331
7. CONCLUSÕES

Muito mais haveria para dizer, pois que os aspectos práticos da


consolidação de contas terão de ser analisados caso a caso e o tempo é
escasso para nos debruçarmos sobre os mesmos.
Alguns pequemos e grandes problemas irão surgir nas áreas das
"diferenças de primeira consolidação", dos "impostos diferidos",
"ajustamentos das amortizações e reintegrações relativas a
imobilizações de grupo", "interesses minoritários", etc.
E certo que as dificuldades vão aparecer contudo, é necessário
atendermos ao objectivo anteriormente enunciado desde novo diploma
da consolidação de contas que visa proteger os interesses quer dos
sócios quer de terceiros como, também, assegurar a comparabilidade e
equivalência da informação financeira com os outros Estados membros
da Comunidade Europeia.
A minha "mensagem" tem por finalidade alertar para o facto do
exercício em curso, se tratar do primeiro ano em que se torna
obrigatória a consolidação de contas. Termino, dizendo que é chegada
a hora de reflectirmos no modo como ela deverá ser processada, nos
métodos a utilizar e nas técnicas e procedimentos que para o efeito
melhor se coadunem. Só assim, poderemos proporcionar uma imagem
fiel do património, da situação financeira bem como do resultado
económico do conjunto das empresas incluídas na consolidação de
contas.

Aveiro, 19 de Outubro de 1991

332
IV JORNADAS DE CONTABILIDADE

Título da Comunicação:
CONTROLO INTERNO
- Conceitos Básicos
- Aplicações Específicas

Autor: ANTONIO AFONSO DA SILVA CARVALHO


(Docente do ISCAP; Revisor Oficial de Contas)

333
INDICE

I. GENERALIDADES

II. NOÇÃO

III. EVOLUÇÃO CONCEITUAL

IV. CONCEITOS BÁSICOS

V. ÂMBITO DO CONTROLO INTERNO

VI. MÉTODOS DE CONTROLO

VII. REGISTO

VIII. FLOW CHARTING

IX. REGRAS BÁSICAS A SEGUIR

X. QUESTIONÁRIO DE CONTROLO INTERNO

XI. FORMAS DE AVALIAR O SISTEMA DE CONTROLO


INTERNO

XII. MEDIDAS DE CONTROLO INTERNO

BIBLIOGRAFIA

334
I. GENERALIDADES

O controlo interno foi, desde sempre, u m a preocupação essencial e um


dos vectores mestres da actividade profissional dos auditores internos.
E desde longa data é cada vez mais preocupação idêntica dos auditores
externos.
E, neste caso, pode considerar-se elucidativo o facto dos Statements on
Auditing Standards (SAS) emitidos pelo American Institute of Certified
Public Accountants (AICPA) o considerarem na sua segunda norma,
relativa ao trabalho de campo, estabelecendo que:
"There is to b e a p r o p e r s t u d y a n d e v a l u a t i o n of t h e e x i s t i n g
internal control a s a b a s i s for r e l i a n c e t h e r e o n a n d for t h e
d e t e r m i n a t i o n of t h e r e s u l t a n t e x t e n t of t h e t e s t s to w h i c h
a u d i t i n g p r o c e d u r e s are t o b e restricted".
Mas esta atitude é, profissionalmente, o resultado de u m a longa
caminhada do AICPA na pesquisa, no estudo e nas definições do que
deve entender-se por controlo interno.
Em 1948, a Comissão sobre Procedimentos de Auditoria realizou u m
estudo aprofundado sobre o controlo interno, publicando os respectivos
resultados em 1949, no âmbito de um relatório intitulado "Controlo
interno - elementos de um sistema coordenado e a sua importância para
a gestão e para o auditor independente".
Desse relatório emergiram sobre o controlo interno a seguinte
conceituação e considerandos:
"O controlo interno compreende o plano da organização e todos os
métodos e medidas coordenadamente adoptadas no âmbito do negócio
para salvaguardar os seus activos, verificar a exactidão e a fiabilidade
dos seus dados contabilísticos, promover a eficiência operacional e
encorajar a adesão às políticas de gestão prescritas. Esta definição
ultrapassa possivelmente o sentido que por vezes é atribuído à
expressão, reconhecendo que um sistema de controlo interno se estende
para além das matérias directamente relacionadas com as funções dos
departamentos contabilísticos e financeiros.
Em Outubro de 1958, com a intenção de clarificar o âmbito do trabalho
do auditor, a Comissão emitiu a norma sobre procedimentos de
auditoria número 29, na qual o controlo interno foi subdividido da
seguinte forma:

335
"Controlo interno, em sentido amplo, inclui controlos que possam ser
caracterizados quer como contabilísticos, quer como administrativos,
como segue:
a. Os controlos contabilísticos compreendem o plano de organização e
todos os métodos e procedimentos que principalmente respeitem e
estejam relacionados com a salvaguarda de activos e a fiabilidade
dos registos financeiros. Incluindo, geralmente, controlos como os
sistemas de autorização e aprovação, separação de tarefas
relacionadas com a escrituração e elaboração de demonstrações
financeiras das pessoas ligadas com operações ou custódia dos
activos, controlo físico sobre os mesmos activos e auditoria interna.
b. Os controlos administrativos compreendem, para além do plano de
organização, todos os métodos e procedimentos que se relacionam
com a eficácia operacional, bem como com a adesão a políticas
administrativas e que, normalmente, apenas u m a relação indirecta
com os registos financeiros.
Estes controlos administrativos incluem geralmente a análise estatísti-
ca, estudo de tempos e métodos, relatórios sobre produtividade, progra-
mas de formação profissional dos empregados e controlos da qualidade.

II. NOÇÃO

Em Inglaterra, o sistema de controlo interno é definido como:


"the whole system of controls, financial and otherwise, established
by the management in order to carry on the business of the
enterprise in an orderly and efficient manner, ensure adherence to
management policies, safeguard the assets and secure as far as
possible the completeness and accuracy of the records. The
individual components of an internal control system are known as
'controls' or 'internal controls'." (L204).
Em França, a Ordre des Experts Comptables elabora as definições
seguintes:
"La première date de 1962: «Le contrôle interne comptable résulte
du choix de la mise en prauve de méthodes de moyens humains et
matériels adaptés à l'entrepise et propres à prévenir, ou tout au
moins a révéler sans retard les erreurs et les fraudes.»

336
La second publiée em 1977 à l'occasion de XXXII Congresso
Nacional da Ordre des Experts Comptables, s'énonce ainsi: «Le
contrôle-interne est l'ensemble des sécurités contribuant à la
maîtrise de l'entreprise. Il a pour but d'assurer, d'un côté, la
protection, la sauvegarde du patrimoine et la qualité de
l'information, de l'autre, l'application des instructions de la direction
et de favoriser l'amélioration des performances. Il se manifeste par
l'organisation, les méthodes et les procédures de chacune des
activités de l'entrepise pour maintenir la pérennité de celle-ci.»
Dans la première definition, le contrôle interne a pour unique objet
la détection des erreurs et des fraudes; dans la seconde en revanche,
il est conçu en outre comme u n moyen de sauvegarder le patrimoine,
de promouvoir la qualité de l'information, d'améliorer les
performances et de faire appliquer la politique de la direction.
Le controle interne a donc non seulement des objectifs comptables,
mais également des objectifs administratifs. Nous analyserons:
- les aspects comptables du contrôle interne;
- les aspects administratifs du controlo interne;
- l'intérêt de l'auditeur pour ces différents aspects du contôle
interne."

III. EVOLUÇÃO CONCEITUAL

Atentas as várias fases evolutivas que, em termos conceituais, necessa-


riamente se verificam, a AICPA classificou o controlo interno em:
- controlo interno administrativo ou operacional
- controlo interno contabilístico

CONTROLO INTERNO ADMINISTRATIVO OU OPERACIONAL


É constituído pelo plano de organização, procedimentos e registos
relativos ao processo de liderança da gestão, no que concerne à
autorização das operações, embora se não limite a esse âmbito. A
referida autorização é u m a função da gestão directamente associada à
responsabilidade de cumprimento dos objectivos da organização e é o
ponto de partida para o estabelecimento do controlo contabilístico das
transacções.

337
CONTROLO INTERNO CONTABILÍSTICO
Compreende o plano de organização, os procedimentos e registos que
estejam relacionados com a salvaguarda dos activos e a fiabilidade dos
registos financeiros sendo, consequentemente, concebidos para
garantirem razoável segurança de que:
a. As transacções são realizadas de acordo com uma autorização geral
ou específica da gestão, conforme o regime de delegação de poderes
instituído;
b. O registo das operações é um meio necessário, para permitir:
1. A preparação das demonstrações financeiras em conformidade
com princípios contabilísticos geralmente aceites quer ainda
com critérios que lhes sejam aplicáveis;
2. A atribuição da responsabilidade pelos activos.
c. O acesso aos activos só é permitido no âmbito da autorização da
gestão.
d. Os activos são periodicamente objecto de verificação física e os
respectivos resultados comparados com os registos existentes, sendo
quaisquer diferenças daí resultantes, regularizadas, depois de
esclarecidas, mediante a tomada de acções apropriadas.

SIGNIFICADO
- A primeira razão para estudo de controlo interno é porque ele pode
formar um importante elo na cadeia de recolha de provas evidence de
auditoria, para suporte no parecer da true and fair view;
- A segunda razão é para alertar a administração das deficiências do
sistema e prescrever-lhe os remédios - ajudá-la a implementar o
controlo de toda a organização.

SITUAÇÕES
Consideremos três situações:
a) controlo interno bom
- requer um trabalho de auditoria menos detalhado;
- os testes substantivos 1 requerem um menor número de
amostras.

Os testes substantivos destinam-se a verificar os saldos das contas.

338
b) controlo interno razoável (moderate)
- requer um trabalho de auditoria mais detalhado (v.g. existem
guias de remessa e facturas de venda, mas não existe
qualquer controlo para testar a correspondência entre elas,
então o auditor tem de recorrer a u m maior número de
amostras ao realizar os testes substantivos).
c) controlo interno fraco (poor)
- pode acontecer que o controle interno seja tão fraco que
nenhuma auditoria possa ser levada a cabo tornando
impossível a formação da opinião de auditoria, (v.g. não existir
guias de remessa);
- no mínimo, a exigência de u m trabalho de auditoria muito
mais detalhado;
- toda a prova de auditoria (evidence) deve ser obtida por meio
de testes substantivos.

TIPOS DE TESTES
É de vital importância a distinção conceituai dos testes, como segue:
(i) testes substantivos (substantive tests)
- destinados a proporcionar a prova directa dos montantes
das contas - obter evidência para justificar os montantes
(v.g. circularização dos saldos dos clientes e outros
devedores).
- necessários mesmo no caso de existirem controlos internos
- a extensão será determinada pelo sistema de
controlo interno implantado - se existe um controlo
apertado, o trabalho de auditoria é menor.
- a extensão de testes substantivos detalhados serão
também determinados por razões óbvias, tais como
as resultantes da revisão analítica (comparando
rácios e contas - compilando evidências nas
demonstrações financeiras).
(ii) testes de conformidade (compilance tests)
- apenas aonde existem controlos internos e são dignos de
confiança;
- testes feitos para mostrar que os controlos internos
funcionam - não para confirmar um montante, mas para
mostrar que o sistema será operacional;

339
- a investigação é para provar a realização do controlo;
- observação (v.g. o correio é aberto por duas pessoas
e entregue a uma terceira);
- prova escrita (v.g. rubrica das facturas de compra);
- erros de cálculo mostram que o controlo não está a
trabalhar apropriadamente.

Agora considere a sequência


1 - Examinar o sistema de regime contabilístico, incluindo os
controlos internos relevantes e controlo por meio de Walk-through
testes.
2 - Considerar a existência de um controlo interno digno de crédito
- se nenhum
- considere as implicações no relatório de auditoria;
- proceder a testes substantivos.
- se algum
- efectuar testes de conformidade para verificar a
existência de controlos operativos ao longo do período
- se eles não poderem ser verificados, proceder a um
número ilimitado de testes substantivos;
- se eles não poderem ser verificados proceder a testes
substantivos limitados.
3 - Realize testes substantivos
- não podem ser evitados se não há evidência;
- podem ser reduzidos se o auditor concluir que existe um
controlo interno mínimo.

IV. CONCEITOS BÁSICOS

Dada a sua relevância e na sequência dos conceitos anteriormente


arrolados, torna-se necessário definir o conteúdo subjacente a alguma
terminologia utilizada, bem como de outra que de forma sistemática
aparece associada ao controlo interno.

340
R e s p o n s a b i l i d a d e da g e s t ã o
0 estabelecimento e a manutenção de um sistema de controlo interno
constitui u m a importante responsabilidade de gestão. Assim, os
conceitos implícitos na definição de controlo contabilístico são expressos
no contexto dessa responsabilidade.
O sistema de controlo interno deve estar sob permanente supervisão da
gestão, de forma a determinar que funciona como foi prescrito e que é
modificado quando necessário, em função de alterações nas condições
envolventes.

Razoável segurança
Os conceitos de controlo interno compreendem a razoável - mas não a
absoluta - segurança de que os objectivos expressos sejam assegurados
pelo sistema.
O conceito de razoável segurança reconhece que o custo do controlo
interno não pode exceder os benefícios esperados da sua utilização.

M é t o d o s de p r o c e s s a m e n t o de d a d o s
Sendo os conceitos sobre controlos contabilísticos expressos em termos
de objectivos, os mesmos são independentes do processo utilizado no
processamento de dados. Deste modo são aplicáveis da mesma forma a
sistemas de processamento manual, mecânico ou electrónico, sendo
embora certo que a organização e os procedimentos necessários para
assegurar aqueles objectivos possam ser influenciados pelo método de
processamento de dados utilizado.

Limitações
Há limitações que devem ser reconhecidas quando se considera a
potencial eficácia de qualquer sistema de controlo interno e que lhe são
inerentes. Na aplicação de muitos procedimentos de controlo há
possibilidades de cometimento de erros, provenientes do incorrecto
entendimento de instruções, de julgamento e negligência, distracção ou
fadiga do pessoal.

341
Pessoal
A razoável segurança de que os objectivos de controlo interno são
atingidos depende, em parte, da competência e integridade do pessoal,
da independência do exercício das funções que lhe tiverem sido
estabelecidas e da sua rigorosa compreensão dos procedimentos
prescritos.

S e g r e g a ç ã o de f u n ç õ e s
Funções incompatíveis em termos de controlo interno são as que
colocam uma pessoa numa posição em que possa perpetrar e conciliar
erros ou irregularidades no exercício normal das suas
responsabilidades. Qualquer pessoa que proceda ao registo de operações
ou tenha acesso a activos, encontra-se geralmente em posição de
perpetrar erros ou irregularidades.

E x e c u ç ã o de o p e r a ç õ e s
A obtenção de razoável segurança de que as operações são executadas
de acordo com autorização da gestão, exige que haja evidência de que
as autorizações são emitidas por pessoas agindo no âmbito da
autoridade que lhes está cometida e que as operações estejam em
conformidade com os termos dessas autorizações.

R e g i s t o de o p e r a ç õ e s
No que se refere ao registo de operações, o objectivo do controlo interno
requer que as mesmas sejam registadas pelo valor adequado, nos
períodos contabilísticos em que foram realizadas e que sejam
classificadas em contas apropriadas.

Acesso a activos
O objectivo de salvaguarda de activos exige que o acesso a esses activos
seja limitado a pessoal autorizado a fazê-lo. Neste âmbito se inclui o
acesso físico directo ou indirecto, através da preparação ou
processamento de documentos que autorizem o uso ou utilização desses
activos.

342
C o m p a r a ç ã o dos r e g i s t o s c o n t a b i l í s t i c o s c o m o s a c t i v o s
0 propósito da comparação periódica entre os registos e os activos é o
de determinar se estes conferem com aqueles. A frequência com que
esta comparação se deve realizar com o objectivo de aferir a fiabilidade
dos registos para preparação das demonstrações financeiras depende
não só da materialidade dos activos mas também da sua suscetibilidade
de perda, em consequência de erros ou irregularidades.
Finalmente, e de forma que não se pretende exaustiva, pode dizer-se
que os principais elementos definidores da qualidade do controlo
interno são os seguintes:
1. O desenvolvimento e manutenção de u m a linha funcional de
autoridade para complementar os controlos de organização;
2. Uma clara definição de funções e responsabilidades dos
departamentos e actividades da empresa, sem lacunas ou áreas de
responsabilidade indefinidas;
3. Um sistema que garanta oportuna, completa e adequada informação
quer dos resultados das operações quer das responsabilidades e
graus de cada função e da organização em conjunto;
4. Um sistema de informação para a administração e para os diversos
níveis operacionais, baseado em dados dos registos e documentos
contabilísticos, e concebido para apresentar um quadro informativo
das operações, assim como para expor à administração os factores
favoráveis e desfavoráveis;
5. Um mecanismo implementado na estrutura operacional, conhecido
como evidência interna, com o fim de prevenir quer o seu
funcionamento efectivo quer a eventual consumação de fraudes e
irregularidades;
6. Uma planificação antecipada dos diversos elementos funcionais da
organização através de u m sistema que pressupostamente assegure
um mecanismo de controlo das operações futuras;
7. Manutenção no seio da organização de uma actividade de avaliação
independente, representada pela auditoria interna, como um serviço
construtivo e de apoio à gestão, com a função de verificar o
cumprimento das políticas, dos regulamentos, das práticas
financeiras e das operações em geral.
A auditoria interna deverá colocar a maior ênfase na superação das
insuficiências do controlo interno;

343
8. A concepção dos controlos deverá possibilitar o aproveitamento das
vantagens que possam decorrer do conhecimento das qualidades
naturais dos empregados, com o objectivo de, por essa via, se
dispensarem alguns desses controlos, se reduzir a sua extensão ou
aligeirar a sua rigidez.

V. ÂMBITO DO CONTROLO INTERNO

Controlo de ou sobre o quê?


A secção 202 da Companies Act, 1990 refere os requisitos legais a que
deve obedecer a escrituração dos livros próprios de contabilidade:
1 - Todas as companhias são obrigadas a possuir livros próprios de
contabilidade, quer sobre a forma de documentos ou de outro
modo, que
a) registem correctamente e justifiquem as transacções da
companhia;
b) possam em qualquer altura proporcionar a posição
financeira da companhia com razoável segurança (todas as
semanas? Todos os meses? - omisso);
c) habilitem os directores a garantir qualquer balanço, conta
de lucros e perdas ou a conta de receitas e despesas da
companhia estão de acordo com as exigências da
Companies Act;

d) permitir que as contas da companhia sejam rapidamente


e convenientemente auditadas.
2 - Os livros de contabilidade da companhia sejam escriturados nu-
ma base continua e consistente, quer dizer, as entradas sejam fei-
tas em tempo oportuno e consistentes de um ano para o seguinte.
3 - Sem prejuízo de generalidade das subsecções (1) e (2), os livros
de contabilidade escriturados de acordo com estas secções,
deverão conter
a) entradas dia-a-dia de todas as somas de dinheiro recebidas
e gastas e os assuntos a respeito dos quais as receitas e os
gastos tiveram lugar;

344
b) o registo dos activos e dos passivos da companhia;
c) se os negócios da companhia envolvem transacções de
mercadorias:
(i) um registo de todas as mercadorias compradas e
de todas as mercadorias vendidas (excepto as
vendas a dinheiro feitas na secção de retalho),
mostrando as mercadorias e os vendedores e
compradores com o suficiente detalhe, para
permitir que as mercadorias e os vendedores
sejam identificados e o registo de todas as
facturas respeitantes a tais compras e vendas.
(ii) possuir fichas de stock até ao fim de cada ano
financeiro e os registos dos bens/elementos ou
valores que a companhia possui.
d) Se os negócios da companhia compreendem a prestação de
serviços, o registo de todos os serviços prestados e de todas
as facturas a eles respeitantes.
4 - Para os fins das subsecções (1), (2) e (3), os livros de
contabilidade poderão contemplar a escrituração se eles
obedecerem com aquelas subsecções e proporcionarem a true and
fair view do estado dos negócios da companhia e explicar as suas
transacções.

Considere a necessidade de registos próprios de


- Todos os montantes de dinheiro recebidos
- idealmente:
- duas pessoas abrem o correio
- registar no momento os valores recebidos
- os cheques/outros valores entregues ao caixa
- os avisos serão entregues em mão na secção de
contabilidade para registo do Diário de Caixa -
Entradas
- teste para o diário = cheques/valores = registo
temporário
teste para verificar se há perfeita coincidência:
Diário/Banco/Registo de entrada (recepção).
- também, nenhuma das partes ter acesso às C/C.

345
- Despesas
- têm de ser devidamente autorizadas
- adequado sistema de delegação:
delegação de autoridade: quais as pessoas
autorizadas a comprar acima de X importância.
- necessidade de assegurar que o gasto é necessário
- os cheques devem ser assinados por Directores/
/Procuradores, acompanhados do documento evidence
a pagar (v.g. factura, nota de débito, etc.).

- Vendas
- os requisitos do controlo cobrem a necessidade de
assegurar que todas as vendas são registadas
- existir guias de remessa (GR) para todas as
mercadorias saídas de armazém
Ninguém sai a porta do armazém com
mercadorias que não vão acompanhadas da
respectiva guia de remessa (GR).
- controlo das guias de remessa (GR) com as facturas
- assegurar o controlo físico das mercadorias
- Porteiro
- Segurança nocturna

- Compras/passivos
- como é assegurado que todas as compras são registadas?
- registos feitos quando as facturas são recebidas?
. Não é satisfatório
v.g.se as mercadorias são enviadas e falha
enviar a factura, há um passivo que não é
registado (exemplo coxo). Os lucros ficariam
sobreavaliados
- se um erro do fornecedor leva a atrasar o envio da
factura, o passivo j á existe
as contas ficariam erradas se tais items fossem
omitidos - principalmente se as mercadorias
fossem inventariadas.
- é necessário um sistema idêntico ao das vendas
. documento (GE) emitido logo que as
mercadorias são recebidas;
. subsequente controlo para assegurar que todas
as responsabilidades estão registadas com
base nas GE's.

346
Activos
- como é a custódia física dos activos assegurado?
v.g. documento de propriedade dos edifícios
certificados de investimento
seguro (? função do auditor)
Activos roubados/furtados ou desaparecidos -
controlar,
garantias sobre edifícios (função do auditor ?).
- stocks é a área de maior preocupação, obviamente ligada ao
controlo das áreas de compras/vendas.
- Dinheiro/Depósitos
. extractos dos bancos e conciliações examinados por
outrem que não a pessoa responsável pelas contas
correntes.

VI. MÉTODOS DE CONTROLO

0 objectivo é dar algumas indicações sobre que controlos actualmente


existem.
1 - Organização
- apropriada delegação de responsabilidades
. maiores obrigações não seriam atribuídas a qualquer
pessoa
2 - Segregação de funções
- área mais importante
- princípios básicos muitas vezes citados mas requerendo a
divisão entre
a) Realização de negócios
Aprovação de vendas (incluindo o preço), descontos,
abatimentos, devedores duvidosos, compras.
b) Registo de transacções
Lançamento de facturas, lançamento de notas de
crédito, contabilização nos livros.
c) Custódia e manuseamento de activos
Despacho físico de mercadorias, último a receber
dinheiro.
3 - Físico
- controlo sobre o acesso à sala dos computadores, etc.
4 - Autorização e avaliação

347
5 - Aritmeticamente e contabilisticamente
- uso de contas de controlo
- alguns erros não ocorreriam: os maus devedores
- conciliações bancárias
- o uso de hash totals no sistema de computadores (controlo
contabilístico).
- facturas de vendas processadas por computador (com
tipo, número, nome, etc.).
v.g. Facturas
6 - Pessoal
- controlo do registo criminal.
7 - Supervisão
8 - Administração
v.g. os cheques serem assinados somente pelos directores/
/procuradores.

VII. REGISTO

Há vários métodos para o registo do sistema de contabilidade e do


sistema do controlo interno (não há dificuldade de traçar u m a linha
clara entre o sistema de contabilidade e o sistema de controlo interno).
a) Narrativas
Elaborar u m a descrição
- conveniente para pequenas companhias, com sistema
simples, especialmente quando a confiança no sistema de
controlo interno é nula.
b) Flow chart
- representação diagramática compreensiva do sistema,
mostrando através dela a circulação de todos os
documentos relevantes.
c) Questionários
- aflorar uma lista formal, com todas as questões relevantes
pré-preparadas de forma esquemática {standard);
- muitas vezes construída para ser parcialmente descritiva,
parcialmente avaliativa:
v.g. resposta "sim" indica adequada solução para o
problema do controlo; resposta "não" indica uma
aparente fraqueza/debilidade do sistema.

348
VIII. FLOWCHARTING

Técnicas muito amplas para o registo de sistema de


contabilidade/sistema de controlo interno:
- compreensiva (documentos não podem ser ignorados - todos os
documentos são contabilizados).
- mais fácil de seguir do que a narrativa.
- usual base de avaliação
- pode ser usado conjuntamente com questionários de
controlo interno ou forms de avaliação do controlo interno
quando a ênfase da avaliação é mais especifica.
Não necessariamente uma aproximação standard, embora com razoável
consistência entre as maiores firmas de auditoria (audit firms).
O método mais comum mostra os documentos movendo-se no tempo e
no espaço.
- lançar o olhar numa exemplificação
- aumento de requisições
- requisições assinadas pelo fiel do armazém
- os documentos vão directamente do armazém para o
comprador
- autorização verificada pelo comprador.

IX. REGRAS BÁSICAS A SEGUIR

- o diagrama mostra o movimento físico dos documentos no tempo e


no espaço;
- todos os documentos constantes do sistema devem ser contabilizados;
- documento que circula no tempo está debaixo de protecção;
- documento que circula no espaço vai geralmente da esquerda para
a direita (devido ao facto dos documentos poderem ser devolvidos):
- não em linha diagonal
- a informação dimanada está a linha ponteada
- linha contínua = movimento físico.
- a narrativa mostrada à esquerda (breve/não existente) com coluna
de referência para o número da operação;

349
narrativa adicional pode ser anexa, mas não incluída na face do
gráfico da operação (v.g. para descrição de aspectos subsidiários do
sistema que opera apenas em circunstâncias especiais):
- pode ser interrompido (levemente).

QUESTIONÁRIOS DE CONTROLO INTERNO

Método parcial de registo do sistema (pode ser alternativo ao flow


chart);
Método parcial de estabelecer / avaliar um sistema;
Toma a forma de uma série de questões de relevantes aspectos do
sistema de contabilidade:
- respostas registadas a seguir a discussões com o pessoal da
contabilidade
- como no flow charting; os testes walk-through1 serão
necessariamente para verificar a compreensão dos auditores
e a existência superficial do sistema (este não fornece
evidência significativa de auditoria).
Forma
- larga série de questões recebendo respostas sim/não;
- em lugar devido, podem ser deixados espaços para registar
respostas substanciais:
- v.g. (iii) detalhes daqueles que podem autorizar
encomendas
- v.g. (viii) questões abertas - como está a receita dos
fornecimentos registados?
- diferentes formatos de ICQ 2 podem ser tomados em consi-
deração para u m a elevada proporção de questões retóricas;
- como neste exemplo, frequentemente designado para tomar
por "sim" respostas que indiquem posição satisfatória - assim,
respostas "não" indicam pelo menos a possibilidade de haver
problemas:
- ver a coluna para referenciar o controlo interno ou
management letter

Walk-through = desenrolar da tarefa.


ICQ - Internal Control Questionnaires.

350
- fraqueza/debilidade pode também requerer adicional
trabalho de auditoria em substantiva stage da auditoria,
se não há controlo digno de confiança.
mas a resposta "não" pode não ser grandemente significativa
- existem possibilidades de poder existir "controlos de
compensação", que neutralizam no todo ou em parte o
potencial efeito das fraquezas/debilidades.

XI. FORMAS DE AVALIAR O SISTEMA DE CONTROLO


INTERNO

- Único método de registo de sistema


Simplesmente pretendido para estabelecer/avaliar o sistema.
Todavia, deve ser o elo de ligação com a narrativa/mais usualmente
flow charts ou ICQ's.
- Objectivo para evidenciar os "controlo-chave"
Aqueles controlos que têm vital importância para assegurar a
realização dos objectivos de u m particular sistema de contabilidade.
- Formato
Aqui, resposta "sim" é designada para indicar um problema;
resposta "não" ilustra u m satisfatório estado dos negócios.
- Notas de assuntos de Compras
Questões designadas para cobrir a maioria das áreas onde podem
ocorrer erros ou fraudes.

a - Podem ser registadas responsabilidades inerentes a


mercadorias/serviços que não foram autorizadas ou não
recebidas?
- possivelmente em prejuízo da entidade através do subsequente
pagamento daquelas responsabilidades;
- meios comuns de levar a cabo/fraudes
- enganar a entidade em incorrectos pagamentos.
b - Podem as responsabilidades por mercadorias/serviços serem
incorridas mas ficarem por registar?
- risco de erro em vez de fraude (ou possivelmente fraude
da administração para deturpar as contas)

351
- lucros sobreavaliados se os serviços recebidos não forem
registados ou os stocks recebidos-e incluídos no
inventário de fim do exercício-não foram registados.
c- Podem as mercadorias ser devolvidas aos fornecedores sem serem
registadas?
- Possibilidade de erro ou fraude, este envolvendo conluio com
o fornecedor.

Lembrar o papel da avaliação


- para identificar os controlos que valham a pena
- para servir de guia aos testes de conformidade
- para nos ajudar a reduzir os testes substantivos se
os testes de conformidade forem satisfatórios.

XII. MEDIDAS DE CONTROLO INTERNO

Expressos que foram alguns conceitos e generalidades sobre os sistemas


de controlo interno, que se consideraram necessários para um primeiro
enquadramento do tema que objectivo final deste trabalho, impõe-se
agora o tratamento específico da sua aplicação às diferentes áreas:

EXISTÊNCIAS

1. Adequada segregação das funções de planeamento, controlo da


produção, requisição, gestão de stocks, encomendas, recepção
quantitativa e qualitativa, armazenagem, contabilidade de stocks,
conferências de facturas, registo de contas e letras a pagar e
tesouraria.
2. Adequado sistema integrado de planeamento e controlo da produção,
planeamento de necessidades, gestão económica dos stocks e
colocação de encomendas.
3. Armazenagem de todas as existências em locais de acesso restrito.
4. Controlo contabilístico de todas as existências em sistema de
inventário permanente, complementado com um eficiente plano de
contagens físicas cíclicas ou anuais.
5. Adequado sistema de reconhecimento contabilístico das sucatas de
produção geradas.

352
6. Avaliação periódica e sistemática das situações de obsolescência,
deterioração física, excessos de stocks e outras que possam implicar
u m a depreciação do valor das existências.
7. Manutenção de u m a adequada cobertura de seguro de existências,
em sistema de apólice flutuante.

IMOBILIZAÇÕES

Investimentos Financeiros1
As principais medidas de controlo são as seguintes:
1. Exigência de autorização formal, expressa e prévia da Administração
quanto a quaisquer operações sobre investimentos financeiros e
quanto à constituição, reforço ou reposição das provisões para
investimentos financeiros.
2. Existência de u m adequado sistema de controlo físico e contabilístico
sobre os títulos e sobre o recebimento dos respectivos juros e
dividendos.
3. Reapreciação anual da adequação e suficiência da provisão para
investimentos financeiros, tendo em conta as cotações dos títulos à
data do balanço e/ou o seu valor substancial evidenciado nos
balanços mais recentes das entidades participadas.

Imobilizações corpóreas e em curso


1. Existência de um adequado sistema de iniciação, autorização e
controlo contabilístico e orçamental das obras de investimento,
abrangendo as compras ao exterior e os trabalhos para a própria
empresa, as transferências internas de localização de equipamentos
e as desmontagens ou desmantelamentos.
2. Definição formal de u m a política que permita a distinção entre os
custos capitalizáveis e aqueles que devem ser imputáveis ao período
(exercício económico).

O POC actualmente em vigor prevê que esta classe de valores integre contas que, pela
sua natureza, deveriam ser enquadradas em contas de terceiros (empréstimos de
financiamento) e em imobilizações corpóreas (investimentos em imóveis), pelo que, as
medidas de controlo que lhes são aplicáveis serão naturalmente as especificamente
destinadas àquelas classes de contas.

353
3. Existência de um ficheiro individual e actualizado dos bens,
especificando a referência, descrição ano e custo de aquisição, valor
de reavaliação, vida útil estimada, taxa de depreciação, depreciação
anual e acumulada e localização física.
4. Balanceamento periódico do ficheiro individual das imobilizações
corpóreas com os saldos das contas de controlo, verificação regular
da existência física, sua localização e condições operacionais dos
respectivos bens.
5. Manutenção de u m a adequada cobertura de seguros das
imobilizações corpóreas, assegurando u m a indemnização em caso de
sinistro aos valores de reposição, associada a u m a adequada
cobertura de lucros cessantes emergentes.

Imobilizações i n c o r p ó r e a s
1. Existência de u m a clara definição das contas integrantes e dos
respectivos períodos de amortização futura, bem como das
responsabilidades pelo seu controlo, substanciação e avaliação
periódica.
2. Existência de u m responsável a nível conveniente para garantir a
permanente adequacidade da cobertura de seguros vigente, e a sua
revisão e actualização periódica.

BIBLIOGRAFIA
Na elaboração deste trabalho foi consultada a bibliografia seguidamente
indicada, além de peças soltas sobre a mesma matéria que, pela sua na-
tureza e origem, não houve possibilidades de expressamente mencionar.
- Introdução à Auditoria Contabilística, Carlos Batista da Costa;
- Auditoria Financeira, Carlos Batista da Costa;
- Codification on Statements on Auditing Standards, American
Institute of Certified Public Accountants;
- Standards for the professional practice of Internal Auditing, The
Institute of Internal Auditors;
- Internal Auditing, Andrew D. Chambers;
- Internal Auditing Manual, Wilson Root:
- The Practice of Modern Internal Auditing, Lawrence B. Sawyer.
- Manual de Auditoria Interna, Charles A. Bacon:
- Computer Control and Audit, William C. Mair e outros.
- Curso de Auditoria, A. Lopes de Sá.

354
7

Sessão Final de Encerramento

Presidida por S. Exa. O Ministro da


Educação, Eng8 Roberto Carneiro

355
A sessão final de encerramento teve lugar cerca das 13 horas do dia
19 de Outubro de 1991 e foi presidida por S. Exa. O Ministro da
Educação, Eng.s Roberto Carneiro.
Além do Ministro, tomaram lugar na mesa as seguintes entidades:
Governador Civil de Aveiro, Dr. Gilberto Madaíl
Vice Reitor da Universidade de Aveiro, Prof.8 Doutora Maria
Helena Nazaré
Presidente da C. M. de Aveiro, Dr. José Girão Pereira
Presidente do Conselho Directivo ISCAA, Dr. José Joaquim
Cunha
e, em representação de S. Exa. Rev. o Bispo de Aveiro o Cónego
Monsenhor João Gaspar.
Aberta a sessão tomou a palavra o Presidente do C. D. do ISCAA,
Dr. Joaquim José da Cunha, que dissertou sobre as Jornadas que se
encerravam e o seu significado.
Encerrou a sessão o Ministro da Educação que, de improviso, teceu
considerações sobre a reforma do Sistema Educativo e suas implicações
no ensino do País, com realce para o Ensino Politécnico, felicitando a
comunidade presente pela importância das Jornadas que se estavam a
encerrar.
Seguiu-se um almoço, presidido pelo Ministro Roberto Carneiro, a
que compareceram para cima de duas centenas de participantes e
respectivos acompanhantes.

356
8

Agradecimentos

357
É de elementar justiça agradecer a todas as pessoas e entidades cujo
empenho e colaboração permitiram a realização destas Jornadas,
nomeadamente:

• À Comissão de Honra e à Comissão Científica;


• Aos Presidentes e aos Secretários das Mesas;
• Ao Presidente do Conselho Directivo do ISCAA, Dr. Joaquim José
da Cunha, verdadeiro "motor" de todas as ctividades da Escola;
• Aos Professores, Funcionários e Estudantes do ISCAA;
• À CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS, à LOCAPOR e à
FIDELIDADE, do GRUPO C.G.D., nas pessoas dos seus
dirigentes Drs. Luís Clemente, Tomás Cardoso, Carlos Jorge
Pinto, José Gomes Martins e Diamantino Gomes;
• À Câmara Municipal de Aveiro;
• À Extrusal, na pessoa do seu administrador, Eng6 Carlos Bóia;
• Aos Presidentes da Câmara dos R.O.C., da A.P.C, e da APOTEC;
• Aos Presidentes das Escolas irmãs (ISCA'S);
• Ao Dr. Hernâni O. Carqueja e à Revista de Contabilidade e
Comércio;
• À Intervisa de Aveiro;
• À Regisconta e à DataJuris;
• À Imprensa e à Rádio locais;
• A todos os Participantes.

358
9

Lista dos Participantes

359
ABREU, Artur Acácio Bandeira Mengo de — Sr a da Hora — 4450
Matosinhos
AGOSTINHO, Margarida Filomena Pestana — Urb. da Codinel, Lote
19, A, 12 s Dtfi — 2675 Odivelas
ALBINO, José Luís Gaspar de Melo — Serrado, Bloco 5A, I s Esq —
3500 Viseu
ALMEIDA, Benjamim Ferreira de — Apartado 7 — 4521 Feira Codex
ALMEIDA, João Morais de — Av. Coutinho Lanhoso, 693 6fi — 4480
Vila do Conde
ALMEIDA, Luiz Chaves de — R. Silva e Albuquerque, 19 2 s Esq —
1700 Lisboa
ALMEIDA, Maria João Dias — Areosa, Eixo — 3800 Aveiro
ALVES, Celeste do Nascimento — R. da Aviação Naval, I s D frente —
3800 Aveiro
AMORIM, Amílcar Barbosa — Canelas — 3860 Estarreja
ANDRADE, José António Moreira Barbosa de — R. Mário Sacramento,
12 I a C — 3800 Aveiro
ANTÃO, Avelino Azevedo — Vilar — 3800 Aveiro
ANTÁO, José Figueiredo — R. Luís de Camões n s 66, 4 9 Dto — 3800
Aveiro
ANTUNES, José Maria Alburquerque L. — Qta Carramona, BL C, 35
R/C Esgueira — 3800 Aveiro
ANTUNES, Paula Alexandra Freitas — Urbanização Cruz d'Argola,
418 2 Dt 9 — 4700 Braga
ANTUNES, Paulo Jorge das Neves Antunes — R. Cimo de Vila, n s 82
— 3830 Ílhavo
ARAÚJO, José António Martins — Av. da Liberdade, 610 I s — 4700
Braga
AREDE, Jorge Manuel Gomes de — Sobreiro Valongo do Vouga —
3750 Águeda
AZEVEDO, Jorge Humberto Moreira — Tr. da Cacieira Azurva —
3800 Aveiro

361
AZEVEDO, Mário — Trav. Cacieira, Azurva — 3800 Aveiro
BALONAS, Dina Maria de Jesus — Eucalipto Sul ns 4 I s Aradas —
3800 Aveiro
BALTAZAR, Maria Celeste dos Reis — R. da Aviação Naval, 23 sótão
A — 3800 Aveiro
BAPTISTA, Armando Rui Torres — C.R.S.S. Viseu — 3500 Viseu
BAPTISTA, Horácio Ferreira — Av. Boavista, 1163 — 4100 Porto
BAPTISTA, Maria Alexandrina — R. Alves Redol, 72 I s Esq C. Piedade
— 2800 Almada
BARBOSA, Maria Isabel Miranda — Largo S. João, 4 Meadela — 4900
Viana do Castelo
BASTOS, Eugénio Resende de — Milheiros de Poiares — 3700 S. João
da Madeira
BATISTA, Idalina Santos — Av. António Augusto Aguiar, 23 5a — 1000
Lisboa
BERNARDO, Edgar Nuno — R. das Camélias, 75 2B — 4400 V.N.Gaia
BILELA, João Carlos — Ílhavo — 3830 Ílhavo
BONIFÁCIO, Maria Emilia Correia de O. — Av. da Régua, 446 — 3880
Ovar
BRAGA, José Eugénio Almeida Santos — Praceta 25 de Abril, 54 4S Dto
— 4400 V.N. Gaia
BRAVO, António Ferreira — R. Com. Quelhas Lima — 4665 S.M.
Infesta
Brás, Norberto Lopes — Av. Marginal, 66 3S — 5000 Vila Real
CABRAL, Maria João Pinto Cardoso Pina — R. do Teodona, n s 79 1Q —
3000 Coimbra
CALADO, Joaquim António Caldeira — Ponte da Vala — 2300 Tomar
CAMPOS, Alice Carla Freitas Nogueira S. — Av.Lourenço Peixinho,179
3SE Trás — 3800 Aveiro
CAMPOS, António Braz da Silva Mendes — Seia — 6270 Seia
CAMPOS, Victor Manuel Conceição — Recardães — 3750 Águeda
CAMPOS, António Victor de ALMEIDA — Lote 4 Aguieira 2000 —
3520 Viseu

362
CANADAS, Natália Maria P. R. — Av. Sá da Bandeira, 115-10SA —
3000 Coimbra
CANÃO, Licínio Manuel de Jesus — Rua da Caldeira, 27 — 3800
Aveiro
CANTANTE, José da Silva Freitas — Rua I s de Maio — 3100 Pombal
CARDOSO, Fernando Augusto — R. António Patrício, 4-r/c — 1700
Lisboa
CARDOSO, Manuel da Ressureição — Cantanhade — 3060
Cantanhede
CARIOCA, Manuel Inocêncio — R. de N. Sra. da Consolação-Açafora
— 2710 Sintra
CARREIRA, José Maria de J e s u s — Av. Sá da Bandeira, 115 10BA —
3000 Coimbra
CARRILHO, Joaquim Vicente Pinheiro — R. Augusto Costa-Costinha
n s 4 6 s Esq — 1500 Lisboa
CARVALHO, Amália Maria Foitinho de — R. José Morgado n e 16 —
3800 Aveiro
CARVALHO, António Afonso da Silva — R. de Timor, 16 1SD — 4400
V.N. de Gaia
CARVALHO, António Augusto dos Santos — R. Gil Vicente, 51-Aguas
Santas — 4000 Porto
CARVALHO, António Manuel de J e s u s M. de — R. do Marco - S.
Bernardo — 3800 Aveiro
CARVALHO, João Manuel Silva — R. Sao Martinho, 84 l B Esq — 3800
Aveiro
CARVALHO, José Manuel de Matos — Vale de Açores — 3000 Coimbra
CARVALHO, Ruy L. F. de — R. Marques de Fronteira, 171 lQDto —
1000 Lisboa
CASTANHEIRA, António Pinto — Urb. Banhos Secos, 13 — SB Clara
— 3000 Coimbra
CASTRO, Fernando Paiva de — Sangalhos — 3780 Anadia
CATALÃO, João Francisco Roque — R. ALMEIDA Garrett, 20 Lourel
— 2710 Sintra
CAZOUX, Miguel Angelo — R. Porto Gonçalo — 3840 Vagos

363
COELHO, José Pedro de Oliveira — Borralha — 3750 Águeda
CORREIA, António José — Lg. do Bispo de Mariana, 1 IA 4 s Fr. — 2520
Peniche
CORREIA, Fernando Augusto Monteiro — R. Saragoça — 18B 3 s Esq
— 3800 Aveiro
CORREIA, Jorge Manuel Castanheira — Q. Redinho - Alfarelos —
3130 Soure
CORREIA, José Angelo de Oliveira — R. Damião de Góis, 316-5 S E —
4000 Porto
CORREIA, Maria Helena Clara Pinto — R. do Freitas, 9 Esgueira —
3800 Aveiro
COSTA, Alberto Jorge Daniel — R. I s Dezembro, Edif. Fátima, 3 s Esq
— 3800 Aveiro
COSTA, Ana Maria Vidal e — R. Cidad Rodrigo,5 2 s Esq. — 3800
Aveiro
COSTA, Anabela Simões — Argueiro — 3885 Esmoriz
COSTA, António Manuel da Silva — Jafafe — 3750 M.Vouga
COSTA, Aparicio Magalhães Alves da — Av. Dr Lourenço Peixinho,
15-6fiC — 3800 Aveiro
COSTA, Carlos Batista da — R. Maria 21 R/CJísq — 1100 Lisboa
COSTA, Manuel Barros da — R. Padre Salgueiro n s 5 — 3720 Ol.de
Azeméis
COSTA, Maria Virgínia de Pinho e Silva — R.Alexandre Herculano, 189
2 9 esq. — 3700 S.J.Madeira
COSTA, Sandra Marina Rangel Santos — R.Direita,413-Aradas —
3800 Aveiro
CRAVO, Alberto da Silva — R. da Cruzinha — 3750 Águeda
CRAVO, Domingos José da Silva — Rua do Carril, 55 R/C Esq — 3800
Aveiro
CRAVO, João Marcos da Silva — R. do Sol, 9 Esgueira — 3800 Aveiro
CRAVO, Maria Fernanda Duarte Ramalho — R. do Carril, 55 R/C Esq.
— 3800 Aveiro

364
CRUZ, António Ribeiro da — R. Serpa Pinto, Beco 6 2 s lote l 8 Esq —
3830 Ílhavo
CRUZ, Elisa Jesus Pinho da — R. da Imprensa Portuguesa, 11 3Dto —
3880 Ovar
CRUZ, Joaquim de Oliveira e,R. S.João - Fermelã — 3860 Estarreja
CRUZ, João Alberto de Melo Ferreira da — R. Direita, 306 S. Bernardo
— 3800 Aveiro
CRUZ, José Rodrigues Ferreira — Apartado 9 — 2745 Queluz
CUNHA, Carlos — Trav. Cacieira - Azurva — 3800 Aveiro
DATAMEX, Sistemas Informáticos, Lda — Urb. A Encosta, Lote 4
Bloco B, 1 e 2 — 2400 Leiria
DIAS, António Carlos Vieira — Av. da Liberdade, 24 — 1200 Lisboa
DIAS, António Manuel Coutinho — R. Direita prédio J l fi Esq. Aradas
— 3800 Aveiro
DIORDIO, Victor Manuel Candeias — R. Fundação Calouste
Gulbenkian,53 — 7000 Évora
DOMINGUES, António José Vicente — R. I s de Maio, 6 3 s Dto — 3100
Pombal
DOMINGUES, Manuel Duarte — R. Prof. Gonçalves Figueira, 19-3fiE
— 3100 Pombal
DOMINGUES, Nancy dos Santos — Est.Nacional 109,porta 170
Verdemilho — 3800 Aveiro
DUARTE, António Rainha — Av. 25 de Abril, 46 2 9 Dto — 3800 Aveiro
DUARTE, M a Manuela de J e s u s Pereira — R.dos Carreiros-Vilar —
3800 Aveiro
EMÍDIO, António Manuel Rosa — Apartado 2 — 2380 Alcanena
ESTEVES, Maria Angelina da Silva — Gândara Madail — 3720 Ol.de
Azeméis
EXTRUSAL-Companhia Portuguesa de Extrusão — Apartado 171 —
3802 Aveiro Codex
FARDILHA, Maria Fernanda B a r a t a M. de Sá — Apartado 19 — 4408
Valadares
FERNANDES, Gilberto de Carvalho — Oiã — 3770 01. Bairro

365
FERNANDES, José Alves — Apartado 58 — 3800 Aveiro
FERRAZ, Susana Cristina Carvalho Moreira — R. Cândido de O. Lt
A l 62C P. St. Adrião — 2675 Odivelas
FERREIRA, Albino de Pinho Marques — Arrancada do Vouga — 3750
Águeda
FERREIRA, Ana Maria Pereira Antunes — R. Jaime Cortesão,2 sótão
— 3800 Aveiro
FERREIRA, António Estevão da Naia — R. Manuel Luis Nogueira,72
— 3800 Aveiro
FERREIRA, António Lopes — Apartado 13 — 3801 Aveiro codex
FERREIRA, Augusta da Conceição Santos — Rua Quinta do Torto,3800
Aveiro
FERREIRA, Carla Alexandra Rodrigues — R. José Luís de Morais, 10
2 s Esq — 2685 Sacavém
FERREIRA, Gisela Maria Sá Monteiro — Lugar da Praia — 3885
Esmoriz
FERREIRA, Henrique Modesto Tavares — Serem de Cima — 3750
Águeda
FERREIRA, João Carlos Teles — R. S. António, 62 19C — 3830 Ílhavo
FERREIRA, José Augusto Mendes — Bairro do Hospital 20 — 3800
Aveiro
FERREIRA, José Eduardo de Castro — R.José Luciana de Castro,32
2 s Esq. — 3800 Aveiro
FERREIRA, José Manuel Braga — R. do Fujacal 44 2 s Esq — 4700
Braga
FERREIRA, Margarida Maria Neves — R. da Feira de Março, 4 7QEsq
— 3800 Aveiro
FERREIRA, Maria Clara Lopes — Sobreiro Arrancada do Vouga —
3750 Águeda
FERREIRA, Maria de Fátima Loureiro — Av.Dr. José de Almeida, 191-2S
— 3000 Coimbra
FERREIRA, Maria Isabel Jesus — Tojeira Palhaça — 3770 01. Bairro
FIGUEIRA, Maria Emília Martins — Esc. Secundária de Vale de
Cambra — 3720 Ol.de Azeméis

366
FIGUEIRAS, José Hipólito de O. André — IMOLEASING, Av. da
República, 35-6 s — Lisboa
FIGUEIREDO, António Paulo Marques — Alameda Conde Samodães,
184 3 s Dto — 4400 V.N. Gaia
FIGUEIREDO, Henrique Simões de — Rua Serpa Pinto 54 R/C Esq
Alb. Velha — 3850 Al.-a-Velha
FONSECA, Carla Maria dos Santos — Macinhata do Vouga — 3750
Águeda
FONSECA, Domingos António Tavares - C.G.D Oliveira de Azeméis —
3720 Ol.de Azeméis
FONTELA, Ana Maria Reis — R. da Capela — 3830 Ílhavo
FORTES, João Serrana Naia — Av. 25 de Abril n s 72 3 s Dto t r á s — 3800
Aveiro
FREITAS, Guilhermina Maria da Silva — Alfarelos — 3130 Soure
GARRIDO, Maria Irene da Cunha — R. Nossa Sr s do Amparo, 689 —
4300 Porto
GODINHO, Maria da Conceição de Almeida — Igreja Santiago de
Riba.VL — 3720 Oliveira de Azeméis
GODINHO, Maria de Lurdes da C. A. — R. do Giestal, 37 2 8 Esq —
1300 Lisboa
GOMES, Alfredo do Carmo — R. 5 de Outubro, 74 — 3500 Viseu
GOMES, Diamantino Ferreira — Praça Joaquim Melo Freitas 1 —
3800 Aveiro
GOMES, Gina Maria Martins — R. José Luciano de Castro, 1 7 6 - 7 ^ Esg
— 3800 Aveiro
GONÇALVES, Cristina Maria de Pinho — Largo do Sr do Alamo, 21 —
3800 Aveiro
GONÇALVES, José da Silva — Estrada da Rocha — 3530 Mangualde
GORDINHO, José João Oliveira — Rua do Algueidão, n s 8 — 3830
Ílhavo
GRAÇA, Fernando Manuel Faria Varelas — Qta Carramona Edif 24-49c
Esgueira — 3800 Aveiro
GUERRA, Paulo José dos Santos — Rua da República Alagoas — 3800
Aveiro

367
GUIMARÃES, Elda Maria da Costa e Melo — R. Mário Sacramento,
111 3fiDto — 3800 Aveiro
GUIMARÃES, Francisco — R. Sousa Viterbo, 36 2 a — 4000 Porto
HERNANDEZ, António M. Lopez — Fac. de C. Empresariais Espanha
— Granada
INÁCIO, Helena Coelho — R. Calouste Gulbenkian n s 3, H — 3800
Aveiro
LAMBUCA, José Manuel Cascais — R. Luis de Camões,28-2 g — 2600
V.F.Xira
LARANJO, Ana Maria Barradas Serrano — R. Dr Branquinho
Carvalho, L.3-3 s Dto — 3050 Mealhada
LEAL, José Luis de Sousa — Largo Chão do Bispo, 2A — 3000 Lisboa
LEITÃO, João Castanas — R. Fernão Lourenço, 2 2QDto — 2800
Almada
LEMOS, Valeriano da Silva Amorim de — R. Coronel Leite, n 9 7 — 3880
Ovar
LIMA, Luis Manuel Pereira — Edif. Atenas Parque 3 Q Andar sala c —
3000 Coimbra
LOCAPOR, SA — R. Clube dos Galitos, 23 — 3800 Aveiro
LOPES, Alfredo José Rodrigues — R. Sá Miranda, 75 CV Dta — 3000
Coimbra
LOPES, António Alexandre Fernandes — R. António da Silva Brinco,3
R/C — 3750 Águeda
LOPES, José António C. — Terreiro D. João V — 2640 Mafra
LOPES, Maria de Conceição Vieira da S. — R. do Cabreira S. Bernardo
— 3800 Aveiro
LOUREIRO, Otelinda Maria M. S. Oliveira — Quinta do caldeireiro
— 3750 Águeda
LUCAS, Maria da Conceição Cunha — R.Banda da Amizade,26 3 2 —
3800 Aveiro
LUCAS, Rui José Ribeiro Rodrigues ,B a OtB da Roda Lote 9 2 s Dto
Benedita — 2460 Alcobaça
LUIS, Fernanda Nogueira de Carvalho — R. Escola Primária 15-1SE
P.Salvo — 2780 Oeiras

368
MACEDO, Adélio de Oliveira — R. Santo António, 238 — 4465
S.M.Infesta
MADAÍL, João José Tavares — R. da Liberdade 10 — 3800 Aveiro
MADALENA, João Manuel Nunes da — Ílhavo — 3830 Ílhavo
MADEIRA, Amilcar Lopes — Oiã — 3770 01. Bairro
MAIA, António — R. Sousa Viterbo, 36 2 9 — 4000 Porto
MAIA, António Ascenso Nunes da — Praça João de Deus Ramos Lote
B 2 e Dto — 2460 Alcobaça
MAIA, João Paulo da Silva R. Fernandes — R. Capitão Lebre, 154
Verdemilho — 3800 Aveiro
MAIA, Luis Manuel Susana e — R. Senhor dos Milagres, 15 4 s Esq —
3800 Aveiro
MAIA, Maria Cecília Silva — R. Fonte do Mundo, 19-6 s Dto — 4703
Braga
MAIA, Maria da Conceição Marques — R. Infante D. Henrique, 117-2S
— 4000 Porto
MAIA, Rosa S. Roque — R. Dr Edmundo Machado nQ9 — 3800 Aveiro
MALAQUIAS, José Manuel Fidalgo — R.Capela — 3830 Ílhavo
MARECO, Manuel Nascimento Fonseca — R. Dr Mário Brasa, 22 J^/C
D — 3000 Coimbra
MARQUES, Alberto Joaquim de Oliveira — M.C J.Máquinas de Costura
Industriais R. Oscar Silva 107 — 4200 Porto
MARQUES, Felisberto António — R. António Rodrigues — 3800 Aveiro
MARQUES, José Augusto Melo — R. Aquilino Ribeiro n ê 18-l s — 3800
Aveiro
MARQUES, Serafim da Costa — R. Consiglieri Pedroso, 71 A — 2745
Queluz
MARTINS, António Ezequiel Oliveira — R. Agro de Moinhos, n 2 199-C/D
— 4400 V.N. Gaia
MARTINS, Hélder Outeiro — R. Aires Barbosa, 31 l s Dto — 3800
Aveiro
MARTINS, Isidoro Campos — Urb. Pim. & Rend. R.4,49A 3c Massamá
— 2745 Queluz

369
MARTINS, João Manuel Batista — Maceda Talhadas — 3740 Sever
Vouga
MARTINS, Jorge Pedro do Vale — Trav. Julio Dinis, 2 l s Esq — 3880
Ovar
MARTINS, José António Gomes — R. Bento de Moura 18 R/C Esq
Esgueira — 3800 Aveiro
MARTINS, Lírio Fernando Silva — MAQPRÉ-Máq. prensas e eq. têxtil
Leça da Palmeira — 4450 Matosinhos
MARTINS, Rodrigo Fonseca — Av. Boavista, 1163 — 4100 Porto
MARTINS, Rui António da Cruz — R.João Mendes, 1 R/C Esq. — 3500
Viseu
MATIAS, Aristides Ferreira — Curia — 3780 Anadia
MATIAS, João Pedro Maia — Rua Direita, 158 Vilar — 3800 Aveiro
MATOS, José Manuel Ferreira Bouça de — Estrada Nacional nfi16 —
6370 F.Algodres
MATOS, Paulo Sérgio da Rocha Ré — Ílhavo — 3830 Ílhavo
MATOS, Pedro Miguel Madail de — R. Dr Alberto Souto, 105 3 9 Esq —
3800 Aveiro
MELO, Ana Sofia Ferreira de — R. Bernardo Torres, 1 l B Esq. — 3800
Aveiro
MELO, Maria de Natividade M. A. C. G. — B. do Serrado Bloco 5A
l s Esq — 3500 Viseu
MELO, Pedro Miguel B. de — R. Santa Cecília — 3800 Aveiro
MENANO, José Alberto Rebolho — Rua S. Sebastião, 72 — 3800 Aveiro
MENDES, Liliana Paula S.O. — Arai Escariz — 3700 S.J.Madeira
MENDES, Tiago da Costa — Viela do Canto 24B 1— 3800 Aveiro
MENINO, José Manuel Rei — Decoser, SA Av. Oita 18 3fi Dto — 3800
Aveiro
MESQUITA, Gabriel Fernandes — R. Rui de Pina, 44 59B Foz do Douro
— 4100 Porto
MOITA, Alfredo de ALMEIDA — C.R.S.S. de Viseu — 3500 Viseu
MONTEIRO, João Paulo L.Cabral — R. do Carril,16 — 3800 Aveiro

370
MORAIS, Fernando Oscar Branco de Sousa — Av. Dr Lourenço
Peixinho, 87 5 8 Dto — 3800 Aveiro
MORAIS, Manuel da Fonseca — Arrancada do Vouga — 3750 Águeda
MORGADO, Joaquina Maria de ALMEIDA — R.Principe Perfeito,8 2S
— 3800 Aveiro
MOTA, Rui Mário Magalhães Gomes,R. de S. Martinho, 94, 2 9 Esq —
3800 Aveiro
NAIA, Paulo Jorge Freitas da — R. Comandante Rocha e Cunha, 93 —
3800 Aveiro
NErVA, Alberto Manuel Rendeiro — Trav. Mário Sacramento 17 2sf—
3800 Aveiro
NETO, Alzira Estima Silva Santos — Peta S 8 do Alamo 35 — 3800
Aveiro
NETO, António Rodrigues — Peta. S § do Alamo, 35 — 3800 Aveiro
NEVES, António E. Neutel O Rinchoa, Lte 7 3 s Dto Rinchoa — 2735
Cacém
NEVES, Emanuel Baptista das — Urb. S. João de Deus, BI 5 l fi Dto
Esg. — 3800 Aveiro
NEVES, José Alberto Carvalho — R. Sr ê da Saúde n s 3 Vilar — 3800
Aveiro
NEVES, Paulo Sérgio J e s u s — Ameal — 3750 Águeda
NORONHA, Agnelo,Av. António Augusto Aguiar, 122 10Q — 1000
Lisboa
NOVAIS, Maria Aurora da Silva — R. Júlio Lemos, 188 3 s Dto — 4750
Barcelos
NUNES, Olga Cristina ALMEIDA Nogueira — R. do Agro, 162 R/C —
3800 Aveiro
OLIVEIRA, Ana Margarida Leite G. de — Rua Eng. Von Haff, n a 61 29C
— 3800 Aveiro
OLPVEIRA, Elísio Maia — Oiã — 3770 01. Bairro
OLrVEIRA, João José da Silva — R. Dr Armando C. Rodrigues, 40 —
9500 P. Delgada
OLIVEIRA, José Alberto da Silva — R. José Almada Negreiros — 270
2 s Esq — 4400 V.N. Gaia

371
OLIVEIRA, Júlio de Pinho Martins de — R. Eça de Queirós, 148 R/C —
3700 S.J.Madeira
OLIVEIRA, Maria do Carmo Ferreira de A. — R. José Soares de Sá, 33
— 4520 Sta M.Feira
OLIVEIRA, Maria Dulce Barreto Pereira de — R. 25 de Abril Póvoa
do Paço — 3800 Aveiro
OLIVEIRA, Maria Helena Afonso T. da Silva — Rua da Aviação naval
— 10-29Dto — 3800 Aveiro
OLIVEIRA, Maria Ineyde da Silva de — Póvoa do Carreiro Troviscal
— 3770 Ol.do Bairro
OLIVEIRA, Maria João Marques de — R. 15 de Agosto, 26 R/C — 3750
Águeda
PACHECO, Manuel Pereira — Av. Dr. Lourenço Peixinho, 134-6 8 —
3800 Aveiro
PAIS, Carlos Alberto Lacerda — R. 31 de Janeiro, 11 — 3800 Aveiro
PASCOAL, Telmo Manuel Rebola — R. Amadeu do Vale, 78 Cacia —
3800 Aveiro
PEDROSA, Fernando Manuel Domingues — Monte Redondo Leiria —
2425 Monte Real
PEREIRA, Alexandra — Av. António Augusto Aguiar, 122 10fi — 1000
Lisboa
PEREIRA, António José Miranda P. — R. Alto da Conchada, 2 lfi —
3000 Coimbra
PEREIRA, António Lopes — R. Fundação Gulbenkian,43 R/C — 4700
Braga
PEREIRA, Carlos Flores — Tocha — 3065 Tocha
PEREIRA, Catarina Maria da Silva — A. da Régua, Viv. Zélia,
Carregal — 3880 Ovar
PEREIRA, Joaquim Moreira da Silva — Quinta da Carramona
Esgueira — 3800 Aveiro
PEREIRA, José de Sousa — R. Honório de Lima, 312 2fiEsq — 4200
Porto
PEREIRA, José Manuel Ferreira — R. do Caminho de Ferro, 143 —
9000 Funchal

372
PEREIRA, Maria Albertina Lourenço G. — R. do Caminho de Ferro
143 — 9000 Funchal
PEREIRA, Maria Elisabete da Silva — Vinha Donega Pessegueiro do
Vouga — 3740 Sever Vouga
PEREIRA, Teresa Cristina Gonçalves — R.,Brejo — 3750 Águeda
PEREIRA, Teresa Maria Andrade Soares — Catraia Assequins — 3750
Águeda
PERES, João Sanches — Esc. Superior de Gestão de Santarém — 2000
Santarém
PIMENTA, José Domingos Vieira — R. Júlio Lemos, 188 3 s Dto — 4900
V. do Castelo
PIMPÃO, António Maia — Qta Belo Monte, 52 — 3000 Coimbra
PIMPÃO, Elsa Margarida Amaral Maia — Qta Belo Monte, 52 — 3000
Coimbra
PINHAL, Fernando das Neves — Póvoa do Forno Troviscal — 3770 01.
Bairro
PINHAL, José António Ribeiro Pinho — R. Álvaro Cesdelães, 518-3fiEsq
— 4450 Matosinhos
PINHAL, Maria Manuel Cruz — R. José Luciano de Castro 33
Esgueira — 3800 Aveiro
PINHO, Maria Judite de Sousa M. de — Av. Oita, 12 3QDto — 3800
Aveiro
PINTO, Carlos Jorge — R. 15 de Agosto, 26 R/C H — 3750 Águeda
PINTO, Helena Maria Maia — Av. Visconde Salreu, 286 — 3860
Estarreja
PINTO, Maria Emilia Alves Mendes — Av. da Boavista n s 1605 — 4100
Porto
PINTO, Paula Cristina Cardoso Pereira — B. da Ponte de Anta BI G
Ent.3 l e Dto — 4500 Espinho
PINTO, Victor Armando A. T. — Alcanena — 2380 Alcanena
PONTES, Leonel da Silva — Montijos Monte Redondo — 2425 Monte
Real
PRATA, Marisol Cruz — Banhos Vilarinho do Bairro — 3780 Anadia

373
PROENÇA, Abel Barroso — Av. Cons. Fernando Sousa, 19 17- — 1000
Lisboa
QUEIRÓS, Manuel de Sá — R. José Luciano de Castro, 163 4sDto —
3800 Aveiro
QUEIRÓS, Mário de Oliveira — R. Aval de Cima, 183 3sDto — 4200
Porto
QUEIRÓS, Mário Joel Matos Veiga de O. — R.Aval de Cima, 183 3sDto
— 4200 Porto
QUIMARÃES, Salviano José — R. Infante D. Henrique, 117 2g — 4000
Porto
QUINTELA, Rui Manuel da Silva — R. S.Francisco de Assis,43 2aC —
4435 Rio Tinto
RAMALHO, Deolinda Veladas — Edif. Boa Vista Lote 2 4sEsq Benedita
— 2460 Alcobaça
RAMOS, Aldina Maria Matos Cirne — Av.Fernando A.Oliveira Lt 11
St Cacia — 3800 Aveiro
RAMOS, António Manuel Fernandez — Rua da Amarona — 3830
Ílhavo
RAMOS, Maria Flauzina Matos — R. Nova Valeja — 3880 Ovar
RAMOS, Maria Manuela — R. Hintze Ribeiro, 78 — 3800 Aveiro
REBELO, Nelson Manuel Machado — R. de Angola, 31 32Dto — 4400
V.N. Gaia
REIS, Paulo de Almeida — Av. Dr. Lourenço Peixinho, 256 3SC — 3800
Aveiro
RESENDE, Lúcio Gomes de Pinho — S. Martinho da Gândara — 3720
Ol.de Azeméis
RIBEIRO, Alfredo José Dias Fonseca — Chão Pinheiro, BL 1 lfi — 3800
Aveiro
RIBEIRO, Domingos — Trav. Cacieira Azurva — 3800 Aveiro
RIBEIRO, José Maria Simões — R. Padre António Vieira, nfi18 — 7000
Évora
RIBEIRO, Pedro Jorge Cláudio — R. Mário Sacramento, 12 1SC — 3800
Aveiro
ROCHA, Ana Paula Oliveira A. Leite — Rua Alqueidão — 3830 Ílhavo

374
ROCHA, Eduardo Jorge ALMEIDA — L. Eng António ALMEIDA 3 2 Dto
sala d — 4100 Porto
RODRIGUES, Manuel Francisco — R. Sn 8 da Hora, 42 2S Madalena —
4405 Valadares
ROQUE, João Francisco — Av. Estados U. da America, 97 l s Esq —
1700 Lisboa
ROSA, Artur Rodrigues da — R. Aquilino Ribeiro, 10 l 9 Dto — 3800
Aveiro
ROSA, João Artur Ferreira da Costa — R. N. Senhora de Fátima, 11
lfiDto — 2000 Santarém
SALGUEIRO, José Carlos da Costa — Várzea Tavanede — 3080 Fig.
da Foz
SALVADO, Adelino José Lambelho — Av. D. Pedro V, 33 5 e Dto — 2795
L.-a-Velha
SANTANA, António Francisco Sénio — Ílhavo — 3860 Ílhavo
SANTOS, Adriano Ferreira dos — R. do Cruzeiro Oliveirinha — 3800
Aveiro
SANTOS, Álvaro de Oliveira — Beco Macinhata do Vouga — 3750
Águeda
SANTOS, Amadeu Rodrigo Gomes dos — Av. 5 de Outubro, 3 — 4520
Sta M.Feira
SANTOS, Amândio da Costa — Largo da Capela Machada — 3100
Pombal
SANTOS, António João Gaudêncio dos — Recardães — 3750 Águeda
SANTOS, Carlos Alberto Valente dos — R. Salreu, Salreu — 3860
Estarreja
SANTOS, Joaquim Alberto Neiva dos — Quinta do Griné, Lote 11 ST)
Esgueira — 3800 Aveiro
SANTOS, José António Ferreira dos — R. da Fonte, 65 - Gafanha da
Nazaré — 3800 Aveiro
SANTOS, Luís Filipe Marinho Lima — R. 5 de Outubro, 3327 Avintes
— 4400 V.N. Gaia
SANTOS, Maria Delfina Carvalho dos — R. Ant. José de ALMEIDA, 35
4 9 Dto — 3000 Coimbra

375
SANTOS, Maria Manuela Ferreira — Av.Caloust Gulbenkian 2fiB
4 9 Dto — 1000 Lisboa
SANTOS, Paulo Renato da Silva Costa — R. S. Martinho n s 52 — 3800
Aveiro
SARDO, Emanuel Vinagre da Naia — Av. Dr Lourenço Peixinho, 159
A l e E — 3800 Aveiro
SARMENTO, Maria Zita de Morais — P. Residencial S. Sebastião, B.5
2 8 F — 2655 Ericeira
SÁ, Joaquim de Oliveira e — R. I s de Dezembro — 4535 Lourosa
SÁ, Vera Lúcia Ferreira de — R.Rodrigues de Freitas Ed.S.José,3 9 Dt
— 3880 Ovar
SERRA, Alda Maria Alves Pinheiro — R. República, nB50 — 3800
Aveiro
SILVA, Abel dos Santos — R. Dr António Ribeiro Santos Lt H 1 —
1300 Lisboa
SILVA, Ana Maria Cardoso da — R.do Hospital — 3770 01. Bairro
SILVA, Carlos Alberto da Rocha Moreira da — R. de Arroios, 217 3SD
— 1000 Lisboa
SILVA, Carlos Alberto Pires da — R. do Giestal, 37, 3 s Dto — 1300
Lisboa
SILVA, Fernando Manuel Marques Costa e — Praia Cortegaça — 3800
Ovar
SILVA, Joaquim Gomes da — R. Conde Silva Monteiro,586 Ol.Douro
— 4400 V.N. Gaia
SILVA, João Nuno Natário de Matos — R. de Goa, 6 R/C Dto — 2200
Abrantes
SILVA, Jorge Manuel Teixeira da — Arrotas de Assequins — 3750
Águeda
SILVA, José da Rocha Gomes da — Mato D'arca Cesar — 3700 S.J.
Madeira
SILVA, José Manuel da — R. Dr. Alberto Souto, 38 3 s Dto — 3800
Aveiro
SILVA, José Oliveira da — R. Alberto F. Oliveira, 74 S. Gemil — 4480
Vila Conde

376
SILVA, Luis Manuel Santiago — Sangalhos — 3780 Anadia
SILVA, Maria Clementina de ALMEIDA T. e — Sangalhos — 3780
Anadia
SILVA, Maria da Conceição Domingues S. — Rua da Cruz nfi1900 —
3800 Aveiro
SILVA, Maria Luisa Bastos da — Rua 18 n B 582, 2 e Dto — 4500 Espinho
SILVA, Maria Manuel Ribeiro Coelho da — Av. Dr Lourenço Peixinho,
83 6QEsq — 3800 Aveiro
SILVA, Rogério Mário Madail da — R. das Cardadeiras,9 3 9 Esq. —
3800 Aveiro
SIMÕES, Francisco Manuel Dias — R. Cidade Penafiel, 35 l 9 Esq —
2330 Entroncamento
SIMÕES, Maria Isabel Lopes Ferreira — R. João XXIII, 191 Gaf.
Nazaré — 3800 Aveiro
SOARES, Paulo Jorge — Apartado 97 — 4901 V. Castelo
SOBREIRO, José António de Almeida M. — L. Cons. Queirós, 15 2 9 J
— 3800 Aveiro
SOUSA, Anabela dos Santos — Santos Evos — 3500 Viseu
SOUSA, Isabel Sofia Ferreira de — Rua Santos Dias, 1052 — 4465
S.M. Infesta
SOUSA, Jacinto de Encarnação Rodrigues de — A v . Boavista, 1163 —
4100 Porto
SOUSA, João Manuel Godinho — R. António Alegria, 170 2fi — 3720
Oli. Azeméis
SOUSA, Maria Manuel Dias de — R. Nossa Senhora da Saúde, 25 Vilar
— 3800 Aveiro
SOUSA, Rosa Maria Pereira Martins de — Rua de Alqueidão — 3830
Ílhavo
SOUSA, Silvano Albino Mesquita de — R.Prof.Júlio Catarino, 17
Verdemilho — 3800 Aveiro
SOUSA, Virgínia Maria Granate Costa e — R. Mário Sacramento 101
3 s Dto — 3800 Aveiro
TAVARES, António José dos Reis — Q. da Ribeira — 3750 Águeda

377
TAVARES, Humberto Rodrigues — R. de S. João, 26 28 Verdemilho —
3800 Aveiro
TAVARES, José Manuel Manso — R. da Quinta Gafanha da
Encarnação — 3800 Aveiro
TAVARES, Raul Pacifico Almeida — Estrada Nacional 109 1511 4S —
4405 Valadares
TEIXEIRA, António Carlos Nunes — R. da República, 169 Cacia —
3800 Aveiro
TEIXEIRA, Maria da Conceição Pereira M. — Outeiro do Coval — 3860
Estarreja
TOMÁS, Elias Manuel Portela — Terreiro D. João V — 2640 Mafra
VALENTE, António Manuel Nunes — R.General Costa Cascais,30 —
VALENTE, Manuel Augusto Amorim — R.Dr .Alberto Vidal,119 I s Dto
— 3860 Estarreja
VENTURA, Mário Duarte Salgado — R. Nunes de Azevedo — 4970
A.de Valdevez
VIANA, João Martins — Trav. Remédios, 10 — 2520 Peniche
VIÇOSO, Donato João Lourenço — Av. Elias Garcia nfi126 2 s Esq —
1000 Lisboa
VIEIRA, Rui Alberto Sarrico — R. de S. Martinho, 96 2 8 Esq — 3800
Aveiro
VITORINO, Carlos Alberto de J e s u s — Av. Dr. Lourenço Peixinho, 134
59Dto — 3800 Aveiro

378
10

Lista dos Autores

379
ANTÓNIO AFONSO DA SILVA CARVALHO
Rua de Timor, 16 1Q dt2 4400 GAIA

ANTONIO M. LÓPEZ HERNANDEZ


Faculdade de Ciências Empresariais
GRANADA, ESPANHA

AUGUSTA DA CONCEIÇÃO SANTOS FERREIRA


Rua Quinta do Torto 3800 AVEIRO

CARLOS BATISTA DA COSTA


Avenida da República, 48 I s 1000 LISBOA

DOMINGOS JOSÉ DA SILVA CRAVO


Rua do Carril, 55 r/c Esqs 3800 AVEIRO

HELENA COELHO INÁCIO


R. Calouste Gulbenkian, 3 H 3800 AVEIRO

JORGE MANUEL TEIXEIRA DA SILVA


Arrotas de Assequins 3750 ÁGUEDA

JOSÉ HIPÓLITO DE OLIVEIRA ANDRÉ FIGUEIREDO


Avenida da República, 35 6S 1000 LISBOA

JOSÉ MANUEL MATOS CARVALHO


ISCAC 3000 COIMBRA

JOSÉ ÂNGELO OLP/EIRA CORREIA


Rua Damião de Góis, 316 59 Esq9 4000 PORTO

JOSÉ MARIA SIMÕES RIBEIRO


Rua Padre António Vieira, 18 7000 ÉVORA

MANUEL DUARTE DOMINGUES


Rua Professor Gonçalves Figueira, 19 3S Esqs 3100 POMBAL

MARIA EMÍLIA ALVES MENDES PINTO


Avenida da Boavista, 1605 4100 PORTO

381
MARIO ANTÃO
Rua Manuel Correia Gomes, 4 2 s dt9 1500 LISBOA

MÁRIO JOEL VEIGA OLIVEIRA QUEIRÓS


Rua Aval de Cima, 183 3S dt9 4200 PORTO

NICOLAU SCHWES
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
PORTO ALEGRE BRASIL
ROGÉRIO FERNANDES FERREIRA
Avenida dos Estados Unidos da America, 97 l 9 Esq9 1700 LISBOA

RUY L. F. DE CARVALHO
R. Marquês da Fronteira, 171 I e Dt9 1000 LISBOA

VIRGÍNIA MARIA GRANATE COSTA E SOUSA


Rua D. João Evangelista de Lima Vidal, 5 C
S. BERNARDO 3800 AVEIRO

382
ÍNDICE GERAL

1. ORGANIZAÇÃO 5

2. SESSÃO SOLENE DE ABERTURA 13

3. COMUNICAÇÕES DA MESA I 15
— Contabilidade: Ciência, Técnica ou Arte?,
por Nicolau Schwez 17
— Ética e Direcção de Empresas,
por Maria Emília Alves Mendes Pinto 37
— Inflação e Monetarismo,
por Mário Joel Veiga Oliveira Queirós 43

4. COMUNICAÇÕES DA MESA II 71
— Urgência e necessidade da Contabilidade Agrícola
(Parte II), por José Ribeiro & Vítor Dórdio 73
— Custeio Total versus Custeio Variável,
por José Manuel de Matos Carvalho 91
— Avaliação de Empresas,
por Manuel Duarte Domingues 107
— A propósito de trespasses,
por Rogério Fernandes Ferreira 133
— A Contabilidade Nacional - Um Sistema de
Informação dos Equilíbrios Económicos,
por Virgínia Maria Granate Costa e Sousa 143
— La Reforma de la Contabilidad Publica Local
en Espana. El Plan General de Contabilidad Publica
Adaptado à la Administrácion Local,
por Antonio M. López Hernandez 179

383
5. COMUNICAÇÕES DA MESA III 201
— Desenvolvimento de software de apoio à Auditoria
baseado no método de amostragem "P P S Sampling",
por Drs Augusta Ferreira & Dr- Helena Inácio 203
— A Contabilidade e o Leasing,
por José Hipólito de'Oliveira André Figu eiredo 217
— Sobre a inclusão dos Revisores Oficiais de Contas
nos Órgãos de Fiscalização das Sociedades,
por Carlos Baptista da Costa 225

6. COMUNICAÇÕES DA MESA IV 237


— P roblemática das P rovisões e das Reintegrações e Amor­
tizações em óptica contabilístico­fical e de Auditoria,
por António Afonso da Silva Carvalho 239
— Considerações em torno do P aradigma da Utilidade,
por Domingos José da Silva Cravo 303
— O impacto da 7- Directiva no Direito Interno P ortuguês,
por José de Oliveira Correia 323
— Controlo Interno ­ Conceitos Básicos. Aplicações
Específicas, por António Afonso da Silva Carvalho 333

7. SESSÃO FINAL DE ENCERRAMENTO 355

8. AGRADECIMENTOS 357

9. LISTA DOS P ARTICIP ANTES 359

10. LISTA DOS AUTORES . . . ■ 379

384
Caixa Geral de Depósitos

A Caixa Geral de Depósitos, fundada em 1876, é uma Instituição de


Crédito do Estado, com características de banco universal, liderando a
captação de poupança e a concessão de crédito, actividades em que a
sua dimensão ultrapassa um quarto do total do sistema bancário.
Universalizando a sua actividade com base na melhoria permanente
da qualidade, a Caixa aposta firmemente na prestação aos clientes de um
serviço financeiro global e integrado.
Assim, actuando em todos os segmentos da actividade económica,
desempenha um importante papel no apoio às actividades empresariais,
através do financiamento do investimento e da exploração, para além do
apoio tradicional à aquisição de habitação e aos investimentos efectuados
pelas autarquias, sobretudo em infraestruturas municipais.
Líder do mais importante grupo financeiro nacional - o Grupo Caixa
Geral de Depósitos - estende hoje a sua actividade a outras áreas, como
os seguros, através da Companhia de Seguros Fidelidade, o Leasing, com
a Locapor e a Imoleasing, a gestão de fundos de investimento, por
intermédio da Caixagest e da Fundimo, a que se acrescentam o capital de
risco e outros serviços financeiros.
No plano internacional, a CG.D., além de manter o tradicional apoio
aos emigrantes, tem vindo a cobrir outras áreas de intervenção, com
especial destaque para as relações das empresas e dos investidores com
os mercados internacionais.
Juntando as posições já detidas em França, através da Sucursal de
Paris, no Brasil, com o Banco Financial Português, e no Off-shore da
Madeira, a Caixa iniciou, em 1991, um processo de afirmação em
Espanha, através da aquisição de dois bancos - o Banco da Extremadura
e o actual Banco Luso-Espanhol - cuja rede de 61 balcões será
progressivamente alargada, procurando, desse modo, cobrir os centros
económicos importantes do país vizinho e, em particular, potenciar as
regiões fronteiriças.
Dispondo de uma rede de agências, actualmente em número de 455,
em todo o território nacional, a Caixa vem desenvolvendo um esforço de
modernização das suas estruturas, assente na inovação e na
descentralização, merecendo, cada vez mais, a confiança de aforradores
e investidores, particulares e empresas em geral.
Aliando o melhor dos seus valores tradicionais com a capacidade de
inovação e diversificação de produtos e serviços, a CG.D. funciona,
assim, como instituição de referência do sistema financeiro português e
contribui significativamente para o processo de integração progressiva da
economia portuguesa na economia comunitária.