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O Dia da Literatura Brasileira é comemo-
rado em homenagem a José de Alencar, um
dos maiores escritores de nosso país, res-
ponsável por introduzir na literatura nacio-
nal temas mais realistas que valorizavam o
povo e a cultura do Brasil.
publicou Cartas sobre a Confederação dos
Tamoios, uma série de cartas nas quais faz
severas críticas a Gonçalves de Magalhães,
autor do livro de poesias Suspiros poéticos
e saudades. Em 1857, publica O guarani,
em forma de folhetim, alcançando grande
sucesso. Além de escritor, José de Alencar
atuou como advogado e político, tendo in-
gressado na carreira política como depu-
tado estadual do Ceará em 1860. Morreu
em 12 de dezembro de 1877, aos 48 anos,
vítima de tuberculose, deixando um im-
portante acervo para a literatura nacional,
entre eles O guarani, Ubirajara, Iracema,
O gaúcho, O sertanejo. Sua obra exerceu
grande influência sobre seus seguidores,
que também se preocuparam em retratar o
Brasil rural, mostrando o modo de vida e
a cultura do sertanejo, com suas lendas e
tradições.
A importância de José
de Alencar para a
literatura brasileira
Além de José de Alencar, havia, na épo-
ca, outros romancistas que se destacavam,
como Gonçalves de Magalhães, Gonçalves
Dias, Castro Alves – considerado o poeta
dos escravos –, Joaquim Manuel de Mace-
do, Álvares de Azevedo, entre outros. No
entanto, José de Alencar retratou em sua
obra temas verdadeiramente brasileiros,
usando um vocabulário
tipicamente regional e
tendo como persona-
gem principal o ín-
dio, o herói nacional,
que, em sua obra, é
caracterizado como
o “bom selvagem”.
O indianismo, isto é,
a valorização do indí-
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Dia da Literatura Brasileira
1
o
de maio
Você sabia?
Data de 1500 o
primeiro documento
da literatura
brasileira. Trata-se
da Carta de Pero
Vaz de Caminha
a Dom Manuel,
rei de Portugal,
relatando as belezas
descobertas no
Brasil. A literatura
brasileira de 1500 a 1800 era resumida
a textos descritivos sobre viagens e
religião.
A vida e a obra do autor
José Martiniano de Alencar nasceu em
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de maio de 1829, no município de Me-
cejana, no estado do Ceará, no Nordeste do
Brasil. Ainda menino, aos 11 anos mudou-
-se com a família para o Rio de Janeiro,
onde estudou no Colégio de Instrução Ele-
mentar. Começou o curso de Direito em
1846, fundando na época a revista Ensaios
Literários. Suas atividades na área de lite-
ratura tiveram início em 1854 no Correio
Mercantil, onde estreou como folhetinis-
ta, atuando também como jornalista, arti-
culista e cronista. Em 1856, aos 27 anos,
o autor publicou seu primeiro romance,
Cinco minutos. Nessa época, foi redator-
-chefe do Diário do Rio de Janeiro, onde
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nacional, no qual realidade e fantasia se
misturam e fazem surgir os mais inusitados
personagens. Criador de Jeca Tatu, o pre-
guiçoso caipira, e de outros famosos perso-
nagens fantásticos, como Emília, a boneca
de pano, o travesso Saci-Pererê, a ame-
drontadora Cuca e o Visconde de Sabugo-
sa, o inteligente sabugo de milho, sua obra
vai povoar para sempre não só o imaginário
infantil como também o adulto. Considera-
do pioneiro na literatura infantil brasileira,
Monteiro Lobato tornou-se referência para
os autores infantojuvenis contemporâneos.
Para saber mais sobre a literatura brasileira
e seus grandes autores, você pode acessar
alguns sites bem interessantes:
• Casa de José de Alencar – reúne várias in-
formações sobre a vida e o acervo do autor
com fotos da casa onde ele morou.
< www.cja.ufc.br/>
• Projeto Memória de Leitura – enciclo-
pédia com textos de escritores brasileiros
e portugueses dispostos em uma linha do
tempo.
<http://www.unicamp.br/iel/memoria/>
• Fundação Biblioteca Nacional – bibliote-
ca com a biografia de vários autores.
<http://www.bib.cervantesvirtual.com/por-
tal/fbn/biografias.shtml>
• Domínio Público – site com diversos li-
vros em domínio público.
<http://www.dominiopublico.gov.br/pes-
quisa/PesquisaObraForm.jsp/>
• Fundação Casa de Jorge Amado – site
com o acervo do autor Jorge Amado.
<http://www.unicamp.br/iel/memoria/>
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gena, assim como o nacionalismo, pertence
à primeira geração do Romantismo, movi-
mento literário que surgiu no fim do século
XVIII, logo após o movimento de Indepen-
dência do Brasil. Essa primeira geração é
marcada pela valorização do passado his-
tórico, pelo amor à pátria, pela exaltação
da natureza e pela idealização do amor e da
mulher amada. Dentre os autores desse mo-
vimento, destacou-se José de Alencar, que,
ao contrário dos outros escritores, os quais
ainda traziam em seus romances urbanos o
modo de vida da corte portuguesa e a vida
na cidade do Rio de Janeiro, valorizava
em sua obra a vida simples nos sertões e
o indígena brasileiro, enaltecendo as suas
qualidades, como sua bravura, beleza e seu
amor à natureza.
Nesse culto à natureza, ao exaltar as bele-
zas naturais do Brasil e os lugares pitores-
cos habitados pelos indígenas e sertanistas
brasileiros, José de Alencar resgata os va-
lores nacionais, preservando a língua fala-
da em nosso país. Para tanto, usa em suas
obras uma linguagem original, mais pró-
xima da realidade brasileira, para denun-
ciar e criticar a burguesia do Brasil. Isso
pode ser comprovado nas obras Senhora
e Lucíola, que marcam a transição para o
Realismo, movimento literário que se se-
guiu ao Romantismo. Assim, o autor tor-
nou-se o precursor da literatura brasileira,
influenciando definitivamente os gostos li-
terários de sua época.
Ao consolidar o Romantismo no Brasil, por
utilizar um estilo literário mais realista e
completo, que rompe com os padrões eu-
ropeus e valoriza a literatura nacional, José
de Alencar também ficou conhecido como
o patriarca da literatura brasileira.
A literatura infantil brasileira
Depois de José de Alencar, surgiram mui-
tos outros escritores encantados pelas be-
lezas e histórias misteriosas de nosso país.
Alguns deles escreveram livros voltados
para o público infantil, como Monteiro Lo-
bato (1882-1948), autor de O sítio do Pica-
pau Amarelo. Assim como José de Alencar,
Monteiro Lobato, escritor brasileiro muito
conhecido entre as crianças, escreveu es-
pecialmente sobre a vida rural e adotou um
estilo literário bem simples, valorizando os
costumes da roça e as lendas do folclore
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Sugestões de atividades
Para esta data, uma atividade interessante
seria estimular o contato com a literatura,
mostrando à classe a importância da leitura
para o aprendizado pessoal e escolar. Dessa
forma, qualquer atividade relacionada a li-
teratura poderá ser prazerosa para trabalhar
habilidades de compreensão, interpretação
de texto e aquisição de vocabulário. Há vá-
rias formas positivas de explorar o contato
com a literatura:
• Por exemplo, pode ser feita a leitura de
algum trecho de um dos romances de José
de Alencar que retrate bem os aspectos ca-
racterísticos de sua obra (por exemplo, Ira-
cema), como o indianismo, o patriotismo,
a valorização do indígena etc. O professor
pode guiar os alunos na interpretação dos
trechos, oferecendo pistas do próprio autor.
Também é possível ler algum conto de
Monteiro Lobato, que é um marco para a
literatura infantil brasileira, como Caça-
das de Pedrinho, Reinações de Narizinho,
O Saci etc.
• Para despertar o interesse e motivar a
classe, o professor pode sugerir aos alu-
nos que assistam a algum filme baseado ou
adaptado de um romance ou história que
conheçam, e estabeleçam comparações
entre o filme e o texto original: o que foi
mantido, o que ficou diferente, se as perso-
nagens foram fielmente caracterizadas etc.
Dica: pode ser algum episódio do Sítio do
Picapau Amarelo.
• A escritora Alexandra Pericão também
se inspirou nos personagens fantásticos
do nosso folclore e escreveu uma história
cheia de aventuras. No livro Uaná, ela con-
ta a história de um curumim que não era ín-
dio, mas morava na Amazônia e tinha ami-
gos como o jabuti, o saci-pererê e outros
seres que habitavam a floresta. Nessa his-
tória, o personagem Uaná começa a viver
várias aventuras sobre as lendas brasileiras
e fica fascinado pelo mundo encantado de
mistérios que vai tentando desvendar. Os
personagens e mitos da floresta sempre são
temas instigantes e que despertam o inte-
resse e a curiosidade do público infantoju-
venil. Portanto, nessa atividade, o professor
é quem vai orientar a classe indicando al-
guns autores e temas interessantes que pos-
sam ser discutidos na sala de aula.
• O professor também pode propor um pe-
queno sarau literário na sala de aula, incen-
tivando os alunos a ler trechos de seus livros
favoritos, músicas, poemas etc. Ao final, é
interessante organizar um Mural de Litera-
tura e pedir aos alunos que tragam sugestões
de leituras ou filmes para afixá-las nesse
espaço, como notas de divulgação de livros
e filmes em revistas, catálogos, jornais etc.
Para facilitar, podem ser usados catálogos
de livros distribuídos pelas editoras. Eles
podem ajudar, por exemplo, na indicação
de títulos a serem lidos. Esse mural pode ser
realizado em conjunto com outras classes,
para que haja a participação de todos.
• Se possível, o professor pode visitar, em
conjunto com os alunos, alguma biblioteca
da cidade – ou a biblioteca da própria esco-
la – e mostrar algumas obras de autores im-
portantes da literatura brasileira. Ao entrar
em uma biblioteca e perceber como ela está
organizada e a importância que os livros
têm, o aluno cria um vínculo positivo com
a leitura e começa a estabelecer relações
mais lúdicas e prazerosas com os livros.
• Dependendo do grau de escolaridade e da
faixa etária dos alunos, é possível organi-
zar uma visita a uma bienal do livro, por
exemplo. O importante é trabalhar ativi-
dades lúdicas que envolvam toda a classe
e que despertem nos alunos a vontade de
ler e aprender mais por meio da literatu-
ra. O professor deve assumir a postura de
orientador e mediador do aluno em relação
às suas futuras escolhas literárias e empe-
nhar-se na tarefa de despertar nele a paixão
pelos livros. Por isso, o educador não deve
acomodar-se diante da ideia de que o aluno
não gosta de ler, pois isso só depende de
orientação e incentivo na medida certa.

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