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BLODIA

AS CRÔNICAS ALEATÓRIAS

Escrito por

BLODIA

Blog

2014

BLODIA

CRÔNICAS DA ERA HIBORIANA 1

Há milênios, quando os homens ainda adoravam o deus Júpiter e todo o panteão que outrora pertencera aos povos gregos, Roma era o centro do mundo! Gladiadores valorosos lutavam na arena do Coliseu diante da turba que os assistia, tomadas pelo frenesi das batalhas onde homens lutavam contra homens e bestas de regiões distantes.

As poderosas Legiões viajavam através das fronteiras do vasto império de César,

expandindo e afirmando seu domínio, fossem soldados dispostos a dar a vida pela honra romana ou mercenários conquistando seu ganha pão através do derramamento do sangue inimigo. Também existiam as Vestais, sacerdotisas que guardavam com sua pureza os segredos, costumes e crenças dos romanos dentro dos templos dedicados a deusa do fogo, Vesta.

Assim era Roma, a Cidade-Império: onde homens livres faziam comércio em suas ruas estreitas, nobres em orgias palacianas, políticos envolvidos até o pescoço em intrigas e camponeses trabalhando arduamente como força motriz para sustentar o vasto domínio romano. Mas não será em nenhum assentamento militar, palácio nobre ou edificação do prestigiado senado onde nossa história terá início. Mas numa simples taverna daquele tempo. Durante o primeiro encontro, de muitos que se seguiram, entre um grupo de aventureiros e o sábio chamado Alcion dos Tomos Velados. Naquele dia esquecido do tempo, aquela reunião aconteceu sob a luz das velas que iluminavam o lugar.

O semblante do velho era calmo, seus trajes brancos e leves. Coçou a barba

meticulosamente. O aro prateado que adornava sua testa cheia de rugas brilhou com a claridade daquela noite morna. Os poucos cabelos grisalhos que sobreviveram à calvície apontavam a experiência e conhecimento reunidos através de muitas décadas de vida.

- Acredito que sejam vocês os jovens que estavam a minha procura

Bom, podem

notar que eu não estou surpreso, muitos me procuram para ouvir minhas histórias e eu lhes contarei com prazer, esmero e honestidade. O grupo apenas se entreolhou em silêncio, todos estavam atentos às palavras que Alcion proferia com sua voz seca, ritmada e dotada de energia, sobre as lendas há muito esquecidas narradas nas perdidas Crônicas da Nemédia.

- Pois saibam, que entre os anos em que os mares afundaram a Atlântida e os anos

em que surgiram os Filhos de Aryas, houve uma era jamais sonhada! - Seus olhos cerraram

e suas mãos gesticulavam como se estivessem polvilhando areia ao vento.

- Reinos de grande esplendor se espalharam pelo mundo como se fossem as estrelas

no céu: Nemédia, Ophir, Britúnia, Hiperbórea. Zamora, com suas mulheres de cabelos negros e suas torres guardadas por aranhas. Zíngara e sua cavalaria. Koth, que fazia fronteira com as terras pastoris de Shem. Stygia e suas tumbas assombradas pelas trevas, e a Hirkânia, onde os cavaleiros vestiam aço, seda e ouro. No entanto, o reino mais orgulhoso do mundo era a Aquilônia, que imperava suprema nas oníricas terras do ocidente

1 Conto originalmente publicado no blog As Crônicas Aleatórias (abril de 2009), apresentando livremente as “Crônicas Nemédias”, de Robert Ervin Howard (Conan Properties International). In memorian.

BLODIA

- O velho parou um momento para retomar o fôlego, como se tivesse, durante alguns

instantes, sido transportado para aqueles dias antigos. Acalmou-se e ofereceu um sorriso para sua atenta audiência, jovens ávidos para saber sobre o que ele tinha para lhes contar.

-

E

este

sou

eu,

seu

cronista,

que

lhes

falarei

sobre

aventuras

de

outrora.

Permitam-me contar para vocês como foram aqueles dias de grandes aventuras

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