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Análise Crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das

Bibliotecas Escolares

Avaliar implica a existência de uma cultura de avaliação, em que todos


percebam a avaliação como um instrumento de melhoria e também como um
instrumento pedagógico, formativo e orientador de praticas desenvolvidas e a
desenvolver na biblioteca escolar (BE). O Gabinete RBE desenvolveu um “Modelo de
Avaliação para as Bibliotecas Escolares” com o objectivo de facultar às
escolas/bibliotecas um meio que lhes permita identificar as áreas de sucesso e
aquelas que por apresentarem resultados aquém do desejado requerem maior
investimento.
A avaliação é um instrumento de melhoria da qualidade. Os resultados obtidos no
processo de auto-avaliação devem, por isso, ser objecto de análise colectiva e de
reflexão na escola e gerar a implementação de medidas adequadas aos resultados
obtidos. Esta análise deve identificar os sucessos – pontos fortes – no trabalho
realizado em cada um dos domínios de funcionamento da BE e as limitações – pontos
fracos – que correspondem a um desenvolvimento menor nalguns domínios de
funcionamento.
O que se pretende é que as escolas avaliem o trabalho desenvolvido nas bibliotecas,
mais propriamente o impacto que elas têm nas aprendizagens dos seus alunos.

O Modelo enquanto
instrumento pedagógico e Enquanto instrumento pedagógico, o modelo de auto-
de melhoria de melhoria. avaliação deve dar ênfase e desenvolver um trabalho
Conceitos implicados
sistemático de promoção da leitura da literacia pois esta
deve contribuir significativamente no desenvolvimento de
competências que permitam aos nossos jovens localizar,
aceder, recuperar, avaliar, interpretar e escolher com
base na informação tendo em vista transformar
informação em conhecimento.
“Com a rapidez com que os conhecimentos e novas
tecnologias avançam, o presente século usufruirá
certamente de inumeráveis inovações que interferirão
directamente nos processos de reconhecimento,
codificação, transmissão e recuperação de
conhecimentos”¹.

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Cabe aos responsáveis controlar e antecipar problemas
para assim responder aos desafios colocados pela
sociedade global e orientar os alunos no sentido de se
tornarem cidadãos autónomos, participativos, activos e
responsáveis.

¹
1. Alvarenga, Lídia. Representação do conhecimento na perspectiva da ciência da informação em tempo e espaços digitais.

Pertinência da existência Durante muitos anos a avaliação era traduzida num


de um Modelo de
Avaliação para as relatório que era analisado em Conselho Pedagógico,
bibliotecas escolares onde o responsável pela actividade, apresentava uma
panorâmica da actividade centrada no que os seus olhos
conseguiam alcançar. A formulação nem sempre permitia
uma análise sistemática que permitisse a identificação de
forças, fraquezas, previsão de acções de melhoria e
definição de prioridades.
A existência deste Modelo é pertinente porque:
Permite identificar pontos fortes e fragilidades;
Permite saber como a escola se apropria da BE;
Permite à escola e a biblioteca saber o em que nível se
situa e definir estratégias de melhoria, estas estratégias
segundo Ross Todd devem se alicerçadas nas
evidencias recolhidas;
Permite centrar o trabalho na gestão de qualidade
sempre centrada no sucesso educativo dos alunos;
Permite estabelecer metodologias de trabalho
adequadas aos desafios colocados pela sociedade de
informação;
 Este Modelo não se limita à avaliação da gestão da
BE permite avaliar outros domínios;
 Para que atinja a sua completa funcionalidade deve
constituir-se como parte integrante da auto-avaliação da
escola
Permite, atribuir valor à BE.

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A avaliação não deve nem superficialmente avaliar o
professor bibliotecário, porquanto, as circunstâncias de
cada um são bastante díspares, verificando-se a
existência de alguns com várias turmas atribuídas, sem
equipas, e com assistentes operacionais a exercer várias
funções dentro da escola.

Organização estrutural e O Modelo de Avaliação, está organizado por domínios


funcional. Adequação e
constrangimentos existindo quatro domínios que visam o cumprimento
efectivo de acções de desenvolvimento de literacias e
competências fundamentais, para a sedimentação de
conhecimentos por parte dos alunos.
Este modelo apresenta um conjunto de indicadores por
domínio que permitem uma leitura e uma identificação
precisa de pontos fortes e fracos e ainda a indicação de
acções para melhoria, estando vocacionado para a
recolha de evidencias que resultarão na concepção de
metodologias de investigação-acção.
Este Modelo não avalia a BE como uma “ilha” isolada da
comunidade educativa, mas como um ramo integrado
numa escola, sempre com o objectivo de formar e
informar.
Penso que o modelo de auto avaliação está bem
estruturado e contempla todas as áreas em que a BE
deve intervir, estas, serão desenvolvidas ao longo de
quatro anos lectivos, e certamente este modelo será uma
mais valia, pois irá permitir diminuir a subjectividade na
análise de dados.

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Integração/ Aplicação à Nestes últimos anos temos vivido momentos conturbados
realidade da escola
no que respeita à avaliação, esta não deve ser vista
como um fim em si mesma, mas como um meio
essencial à melhoria e eficácia dos nossos esforços.
A eficácia da aplicação do modelo depende:
dos recursos afectos à equipa da BE e capacidade da
equipa entender a sua utilidade como instrumento
regulador e valorizador do trabalho da biblioteca;
do grau de autonomia e institucionalização da BE
da capacidade de comunicação do professor
bibliotecário com a comunidade, sendo necessário um
profundo trabalho de motivação informação/formação e
apresentação de provas (evidencias) e reflexão sobre as
mesmas, que consubstanciem as mudanças
implementadas
A acção da BE, e definição de politicas consistentes deve
orientar-se e promover os objectivos educativos definidos
de acordo com com as finalidades do e currículo da
escola.

Competências do O professor bibliotecário principal interveniente e


professor bibliotecário e aplicador deste modelo deve desempenhar o papel de
estratégias implicadas na
sua aplicação. facilitador, aquele que é capaz de estimular a excelência
dos outros, a força motriz. Aquele que acredita e é capaz
de transformar os erros em novas oportunidades de
aprendizagem.
O professor bibliotecário, enquanto gestor deve ser
capaz de envolver os intervenientes, de modo, a facilitar
o alcance dos objectivos do projecto.
Neste contexto, a equipa (quando a escola a
constitui) deve ser encarada como um grupo coeso e não
um mero agrupamento de indivíduos.
O professor bibliotecário deve ser capaz de se adaptar à
realidade do seu local de trabalho, deve ser capaz de

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gerir, de forma a concretizar os objectivos da tarefa que
lhe foi atribuída.
Para a concretização dos objectivos, o professor
bibliotecário deve:

 Ser organizado;
 Ser proactivo;
 Ser um comunicador;
 Ter visão estratégica;
 Gerir estrategicamente;
 Ser reconhecido na comunidade educativa;
 Ser gestor de serviços e recursos humanos;
 Promover uma cultura de avaliação;
 Saber trabalhar em equipa;
 Ser líder;

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