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ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível Autos n° 011.10.010026-1 Ação:

ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível

Autos n° 011.10.010026-1 Ação: Indenizatória/Ordinário Autor: Evandro Valle Réu: Leandro Werner e outros

Vistos, etc. 1. RELATÓRIO Evandro Valle ajuizou ação de indenização por danos morais contra Leandro Werner, Simone Bechtold e Antenor Werner, almejando a tutela jurisdicional no sentido de condenar os réus ao pagamento da verba indenizatória, em razão de falsa acusação criminosa que lhe foi imputada. Alegou que é vizinho dos réus e que mantinham relação cordial. Como é profissional atuante na área de consertos de equipamentos eletrônicos, afirmou que o réu Leandro o procurou para que realizasse o reparo de algumas peças de vídeo game, dizendo, porém, que não possuía dinheiro para efetuar o pagamento dos serviços. A fim de manter um bom relacionamento com os réus, argumentou que efetuou o conserto do vídeo game de forma gratuita para o réu Leandro, alertando-o de que não poderia mais prestar seus serviços sem o recebimento de valores, mas, ainda assim, Leandro teria solicitado mais consertos e doação de algumas peças, tendo o autor negado tais pedidos.

Salientou que, a partir de então, os réus passaram a arquitetar um plano de vingança contra o autor, dizendo que, em 31.03.2010, os réus Leandro e Simone se dirigiram até a Delegacia de Polícia e lá registraram Boletim de Ocorrência, acusando o autor da prática de vários crimes, dentre os quais: "furto, ameaça com arma de fogo, aliciamento de menor, oferecimento de substância entorpecente e morte", figurando como vítima em todos estes supostos crimes, o réu Leandro, tendo os demais réus confirmado e apoiado a acusação feita contra o autor. Em razão das acusações criminais que lhe foram imputadas, passou a ser considerado criminoso perante todos os vizinhos, não sendo mais procurado para prestar qualquer tipo de trabalho ou relação amigável, afirmando que os réus passaram a "espalhar" por toda a vizinhança os crimes pelos quais o autor estava sendo investigado. Salientou que após as investigação criminal, restou comprovado que todas as acusações efetuadas pelos réus mostraram-se inverídicas, tratando-se de comunicação falsa de crime, tanto que em procedimento instaurado para apurar eventual prática de ato infracional praticado pelo réu Leandro, este restou condenado pela prática do ato infracional de calúnia e comunicação falsa de crime, tendo que prestar serviços à comunidade em razão da pena que lhe foi imposta. Mesmo com a sua inocência demonstrada em razão da investigação criminal, disse que ficou moralmente abalado, devendo os réus ser condenados ao pagamento de indenização por danos morais. Citados, os réus Simone Bechtold e Antenor Werner, apresentaram contestação, às fls. 109-123, alegando que o autor passou a se aproximar do réu Leandro de uma forma estranha e que, em razão disso, teria começado a frequentar a casa dos réus para conversar com Leandro sem a presença dos pais, fazendo com que a ré Simone, genitora de Leandro, começasse a desconfiar dessa aproximação, proibindo seu filho Leandro de brincar com o autor.

Disseram que, passado algum tempo, receberam bilhetes contendo conteúdo ameaçador, exigindo a entrega de tapetes e dinheiro. Arguiram que, ao questionar

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ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível Leandro sobre quem estaria

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Leandro sobre quem estaria lhe ameaçando, este teria afirmado que nada poderia falar, motivo pelo qual estes fatos foram levados ao conhecimento da autoridade policial. Salientaram que o autor agia quando Leandro retornava do colégio, abordando-o com uma arma de fogo e exigindo que Leandro escrevesse as cartas de ameaça contra si. Disseram ainda ter o autor confessado ser o responsável pelo furto de tapetes na residência dos réus, pedindo dinheiro a Leandro todas as vezes em que era abordado.

Prosseguiram afirmando que além das ameaças, o autor também teria convidado o seu filho Leandro para se deitar na cama com ele, bem como para adentrar em sua residência para "cheirar um pó branco", não restando outra alternativa, senão procurar a autoridade policial e registrar os fatos ocorridos. Por fim, disseram que deve ser dada a justa credibilidade às alegações do réu Leandro, uma vez que foi vítima das ameaças feitas pelo autor, razão pela qual não podem ser condenados ao pagamento de indenização por danos morais, pois em momento algum foram negligentes ou se descuidaram da vigilância do filho. Às fls. 129-144, o réu Leandro apresentou contestação, alegando, preliminarmente, sua ilegitimidade passiva para atuar nesta demanda, em razão de sua menoridade para responder civilmente pelos atos. No mérito, reafirmou as alegações apresentadas pelos réus Simone e Antenor. Houve réplica, às fls. 148-164, tendo o autor reiterado os fatos alegados na

petição inicial.

O Ministério Público manifestou-se à fl. 167.

Designada audiência de instrução e julgamento, foi colhido o depoimento do autor e ouvidas sete testemunhas, sendo duas do autor e outras cinco da parte ré.

Os autos vieram conclusos.

É o relatório. Decido.

2. FUNDAMENTAÇÃO 2.1. PRELIMINAR - Da ilegitimidade passiva do réu Leandro Werner Em preliminar, alegou o réu Leandro que não pode fazer parte do polo

passivo desta demanda, tendo em vista que, em razão de sua menoridade, não responde civilmente pelos atos.

A lei civil é clara quando estabelece que quem possui responsabilidade para

responder pelos danos causados pelos seus filhos, em razão da menoridade, são os pais, conforme a dicção do artigo 932, do Código Civil:

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

I – os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua

companhia; (

).

A responsabilidade dos pais, portanto, se assenta na presunção juris tantum

de culpa e de culpa in vigilando, razão pela qual a ilegitimidade do menos deve ser reconhecida e o processo ser julgado extinto em relação a este, pois, conforme se verifica

dos autos, Leandro esteve todo o tempo sob a autoridade de seus pais, os ora réus Simone e Antenor.

Assim, o feito deve ser extinto em relação ao réu Leandro Werner, não persistindo necessidade de intervenção e acompanhamento do Ministério Público MÉRITO Trata-se de ação de indenização por danos morais em que o autor pretende a condenação dos réus, ao pagamento da verba indenizatória, em razão de falsa acusação criminosa realizada pelo seu filho Leandro. Da detida análise dos autos, vislumbra-se que, de fato, a falsa acusação criminosa contra o autor ocorreu, pois, de acordo com as alegações constantes na

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ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível contestação apresentadas pelos réus,

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contestação apresentadas pelos réus, estes confirmaram ser o autor a pessoa que teria

ameaçado seu filho Leandro, enviando-lhe diversas cartas ameaçadoras, bem como de que teria sido o autor o responsável pelo furto de alguns tapetes na residência dos réus, mesmo após ter restado demonstrado através de investigação policial, que teria sido seu próprio filho quem teria escrito todas as cartas ditas ameaçadoras.

O laudo pericial produzido durante a fase investigatória criminal pela

autoridade policial (fls. 66-67), que fez a tomada da letra autêntica do autor, bem como de Leandro, concluiu que: "Os grafismos constantes nos documentos questionados foram produzidos pelo punho que forneceu o Termo de Tomada de Letra Autêntica, segundo

autoridade solicitante, fornecido por LEANDRO WERNER – Vide item 1 do Título V – DOS EXAMES;"

Do acima transcrito, observa-se que o autor não foi o responsável pelas ameaças direcionadas aos réus e, principalmente, ao seu filho Leandro, tendo restado demonstrado que quem escreveu as cartas foi este.

A tese levantada pela defesa de que a letra dos bilhetes era de Leandro

porque o autor o obrigava a redigir de próprio punho as ameaças não se revela crível e não encontra suporte em nenhum elemento probatório dos autos. Quanto às imputações feitas ao autor no sentido de que este teria furtado diversos tapetes da residência dos réus, bem como das acusações de ameaça com arma de fogo, aliciamento de menor e uso de entorpecentes, não ficou comprovado em nenhum momento, nem em sede criminal, que Evandro Valle seria o autor destes crimes. Tem-se, inclusive, dos documentos acostados aos autos que, quando das investigações realizadas, bem ainda quando do procedimento para se apurar eventual prática de ato infracional, o filho dos réus sofreu aplicação de medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade, conforme faz prova o documento de fl. 75. Salienta-se que a imputação falsa de crime realmente ocorreu, tendo sido o autor alvo de investigação policial, não podendo tal fato ser considerado um mero dissabor, devendo os réus serem responsabilizados pelos danos daí advindos. A uma, porque se trata

de graves acusações, as quais não restaram provadas, fazendo com que o autor passasse por considerável constragimento perante seus vizinhos e familiares. E, a duas, porque os réus não comprovaram que não concorreram com culpa para a ocorrência do dano praticado por seu filho Leandro. Na seara criminal o inquérito policial instaurado para investigar os fatos restou arquivado por falta de provas, motivo pelo qual não há como sustentar, como já dito, as alegações da peça contestatória.

A responsabilidade dos réus, no presente caso se apresenta na presunção

juris tantum e de culpa in vigilando, uma vez que o menor Leandro encontrava-se sob a autoridade e companhia dos pais (artigo 932, I, CC). Comprovado o ato ilícito - in casu, a falsa imputação de crime com reflexos na vida pessoal do autor -, nasce imediatamente para os responsáveis o dever de indenizar os danos morais dele resultantes.

A Constituição Federal em seu art. 5º, X, estabelece que: "são invioláveis a

intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação". De igual sorte, está previsto no artigo 186 do Código Civil de 2002, que:

"Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito". Na mesma esteira e no que toca a obrigação de reparar o dano, não se deve perder de vista o que restou disposto no art. 927 do mesmo diploma legal: "Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo."

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ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível Em situações semelhantes, já

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Em situações semelhantes, já decidiu o Tribunal de Justiça de Santa

Catarina:

"RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. IMPUTAÇÃO CALUNIOSA DE PRÁTICA DE FURTO. TESTEMUNHAS QUE CONFIRMAM A CONDUTA LESIVA DO RÉU. AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIAS QUANTO AO ALEGADO CRIME. SITUAÇÃO VEXATÓRIA CONFIGURADA. OFENSA À INTEGRIDADE MORAL CARACTERIZADA. DEVER DE INDENIZAR RECONHECIDO. EXEGESE DO ART. 5º, X, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E DOS ARTS. 189 E 927 DO CÓDIGO CIVIL. QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM R$ 5.000,00 QUE SE MOSTRA JUSTO E PEDAGOGICAMENTE EFICAZ. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. ( (AC n.º 2007.012763-7. Relator: Des. Marcus Tulio Sartorato). No caso em comento, verifica-se que as acusações realizadas pelos réus foram graves, pois o autor foi até mesmo acusado de aliciamento de menores e uso de entorpecentes, imputações estas que em momento algum restaram demonstradas pelos réus, não se podendo afirmar que tal conduta não tenha gerado dano de ordem moral ao autor. As testemunhas dos réus ouvidas na fase de instrução processual, apenas afirmaram conhecer Leandro e sua família, dizendo ser o menor uma pessoa educada e que nunca teria apresentado problemas. Depoimentos que não corroboraram para demonstrar a ausência de culpa in vigilando dos genitores, ora réus. Já testemunha do autor, ainda que sua esposa, foi firme em narrar a situação de sofrimento sofrido e o constrangimento gerado a partir do início das acusações. Em caso análogo já decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul:

"Apelação Cível. Responsabilidade Civil. Indenização. Discriminação. Falsa imputação do crime de ameaça. Configurados os pressupostos do instituto da

responsabilidade civil. O conjunto probatório trazido aos autos evidencia ter o autor sofrido discriminação em razão de sua profissão e do local que escolhera para residir; outrossim, restou evidenciada a falsa imputação do crime de ameaça a sua pessoa. Dano moral. Ocorrência. Violação dos direitos de personalidade protegidos pela Carta Magna em seu artigo 5º, X e V. Dano moral. Ocorrência. Dever de indenizar. Dano in re ipsa. Prescindibilidade da prova. Procedência dos pedidos constantes à inicial. À unanimidade, deram provimento ao apelo". (Apelação Cível Nº 70026310706, Sexta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luís Augusto Coelho Braga, Julgado em 14/10/2010). Não se tem dúvidas, com base no que consta nos autos, de que os réus agiram de modo leviano e irresponsável ao apontar o demandante como autor dos crimes a ele imputados. Destarte, configurado o ato ilícito, atrai o dever de indenizar. Diante de tal conduta ilícita dos réus, o autor busca ser indenizado pelos danos morais sofridos.

O dano moral decorre da situação injusta e humilhante pela qual o autor

passou em decorrência da conduta ilícita e leviana dos demandados ao lhe imputar a falsa prática de vários crimes.

Em relação à prova dos danos, por tratar-se de dano imaterial, ela não pode ser feita nem exigida a partir dos meios tradicionais, a exemplo dos danos materiais. Exigir tal diligência seria demasia e, em alguns casos, tarefa impossível.

O encargo probatório é uma regra que deve ser sopesada no ato de decidir.

No Código de Processo Civil, a regra geral, está prevista no artigo 333, incisos I e II, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Nessa perspectiva, para a demonstração do dano moral basta a realização da prova do nexo causal entre a conduta (indevida ou ilícita), o resultado danoso e o fato. Não se trata de uma presunção legal, pois é perfeitamente admissível a produção de contraprova, se

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ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível demonstrado que não consiste

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demonstrado que não consiste numa presunção natural. Trata-se de dano moral in re ipsa, que dispensa a comprovação da extensão dos danos, sendo estes evidenciados pelas circunstâncias do fato. Nesse sentido é a orientação do Superior Tribunal de Justiça:

"CIVIL. DANO MORAL. REGISTRO INDEVIDO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. A jurisprudência desta Corte está consolidada no sentido de que, na concepção moderna do ressarcimento por dano moral, prevalece a responsabilização do agente por força do simples fato da violação, de modo a tornar-se desnecessária a prova do

prejuízo em concreto, ao contrário do que se dá quanto ao dano material. (

conhecido". (RESP nº 556.200/RS; Quarta Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, Data 21/10/2003, DJ 19/12/2003). Dessa forma, resta evidente a ocorrência de dano moral pela imputação falsa de crime prestada contra o autor, do que resultou a humilhação e vergonha suportadas perante seus vizinhos familiares. Ainda que o autor não tenha trazido vizinhos para confirmar o constrangimento

a que foi submetido e nem mesmo podido precisar por quantas vezes os carros da polícia

passaram em frente a sua casa, tal não pode ser usado para afastar a responsabilidade dos réus, pois, como já dito, os fatos alegados contra o autor são por demais gravosos, salientando-se que, mesmo após os réus terem ciência da conclusão da investigação criminal, ainda assim ficaram insistindo em defender a tese fantasiosa da defesa, motivo pelo qual devem ser condenados a indenizar o autor pelos danos sofridos. Não há que se falar em ausência de dolo ou má-fé por parte dos réus, pois, mais do que dar causa à instauração de investigação, após o término desta continuaram a insistir na existência dos crimes, motivo

pelo qual não se pode falar em mero aborrecimento. É de se dizer, aliás, que qualquer pessoa que fosse submetido à situação vivenciada pelo autor, entenderia a extensão dos danos, pois o simples fato de ser acusado por vizinhos de crimes graves e abjetos, e de ter sido instaurado procedimento investigatório

a respeito, sendo inocente, já é de causar dor e sofrimento passíveis de indenização. Demonstrada, assim, a presença dos pressupostos da obrigação de indenizar, passa-se à quantificação da indenização. Para se fixar o valor indenizatório ajustável à hipótese fática concreta, deve-se sempre ponderar o ideal da reparação integral e da devolução das partes ao status quo ante. Este princípio encontra amparo legal no artigo 947 do Código Civil . No entanto, não sendo possível a restitutio in integrum em razão da impossibilidade material desta reposição, transforma-se a obrigação de reparar em uma obrigação de compensar, haja vista que a finalidade da indenização consiste, justamente, em ressarcir a parte lesada. Na quantificação do dano, impõe-se que o Magistrado atente às condições do ofensor, do ofendido e do bem jurídico lesado, assim como à intensidade e duração do sofrimento, e à reprovação da conduta do agressor, não se olvidando, contudo, que o ressarcimento da lesão ao patrimônio moral deve ser suficiente para recompor os prejuízos suportados, sem importar em enriquecimento sem causa da vítima. Há de ser considerado, também, a repercussão do fato (maior ou menor publicidade), bem ainda a idade avançada da autora. E há que se atentar, principalmente, que a indenização imposta deve coagir ao autor do dano a que não volte a repeti-lo. Considerando o abalo sofrido pelo autor o qual sofreu a falsa imputação de graves crimes, fixo o montante a título de dano moral no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), solidariamente aos réus. 3. DISPOSITIVO

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) Recurso não

ESTADO DE SANTA CATARINA PODER JUDICIÁRIO Comarca de Brusque Vara Cível Ante o exposto: 1)

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Ante o exposto:

1) Julgo procedente o pedido formulado por Evandro Valle contra Simone Bechtold e Antenor Werner e, com base no artigo 269, I, do Código de Processo Civil, resolvo o mérito para condenar os réus, solidariamente, ao pagamento de indenização por danos morais ao autor, na quantia de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), que deverá ser corrigida monetariamente pelo INPC/IBGE e juros de mora de 1% ao mês, ambos a contar dessa decisão.

Condeno os réus ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios, que fixo em 15% sobre o valor da condenação, com base no artigo 20, § 3º, do Código de Processo Civil. 2) Julgo extinto o feito, em relação a Leandro Werner, sem resolução de mérito, com base no artigo 267, VI, do Código de Processo Civil. Condeno o autor ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios ao procurador deste réu, na quantia de R$ 800,00, com base no art. 20§ 4º do CPC, cuja cobrança, no entanto, fica suspensa ante o fato do autor ser beneficiário da JG. P.R.I. Brusque (SC), 16 de agosto de 2012.

Maria Augusta Tridapalli Juíza Substituta

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