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Leonardo Salazar

Música Ltda

O negócio da música para empreendedores

Inclui um Plano de Negócio para uma banda

Atualizado de acordo com a Lei Complementar 133/09 (Simples da Cultura)

Sebrae
Recife, 2010

Copyright @ 2010, Leonardo Salazar

Sebrae
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Revisão
Betânia Jerônimo
Projeto gráfico e diagramação
Z.diZain Comunicação | www.zdizain.com.br

S 161 m
SALAZAR, Leonardo Santos.
Música Ltda: o negócio da música para empreendedores
(inclui um Plano de Negócio para uma banda) / Leonardo Santos
Salazar. – Recife: Sebrae, 2010.
168 p. : 32 tabelas; 3 gráficos; 20,5 x 23 cm.
Atualizado de acordo com a Lei Complementar 133/09
(Simples da Cultura).
ISBN 978-85-88135-57-4
1. Música. 2. Empreendedorismo. 3. Sebrae. I. Salazar,
Leonardo Santos. II. Título.

Impressão
F&A Gráfica e Editora

Sebrae

Rua Tabaiares, 360 - Ilha do Retiro - CEP 50750-230 - Recife/PE
Telefones: 0800 570.0800 / 81 2101.8400 | www.sebrae.com.br/uf/pernambuco

CDU – 78
CDD - 780

Aos artistas, técnicos e empresários que decidem empreender no
negócio da música.
Às bandas e artistas que cruzaram meu caminho, especialmente
Fim de Feira, Devotos, Parafusa, Wander Wildner, Del Rey, Seu Chico, Eddie, Bruno Pedrosa e Mula Manca.
Aos professores Luiz Márcio Assunção, Roberto Ferreira, Sérgio
Buarque, João Fernando de Melo, Esdras Souto, Jamesson Coutinho
e Wilma Morais.

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evidente como o som”. além há continuação. pensar a prática. Emily Dickinson “Estudar é também e. E pensar a prática é a melhor maneira de pensar certo”. sobretudo. Paulo Freire .“Esse mundo é inconcluso. Invisível como a música.

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produtor e artista: uma confusa relação 26 Show. agente e produtor executivo 25 Contratante. transporte. maestro! 15 Introdução 17 O negócio da música 19 Estágios da atividade quanto ao grau de profissionalização 22 Amador 23 Semiprofissional 23 Profissional 23 Oportunidades de negócios 23 Diferenças entre empresário.Sumário Lista de figuras 11 Agradecimentos 13 música. hospedagem e alimentação 29 Turnê ou excursão 31 Disco: da gravação à distribuição 33 Organograma do show business 35 Atores envolvidos no negócio da música 37 Advogado 37 Agente (booking) 37 Artista (intérprete) 38 Autor (compositor) 38 . palco e bastidores 27 Negociando cachê.

flexibilização.Contador 39 Contratante 39 Designer 39 Distribuidora 40 DJ (Disc Jockey) 40 Ecad 40 Editora 42 Empresário artístico (manager) 42 Fornecedores 43 Fundação Biblioteca Nacional (FBN) 43 Governo 43 Gravadora (selo) 44 Imprensa 44 Músico autônomo 45 Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) 45 Pirataria (carrocinha de CDs) 46 Produtor executivo 47 Produtor fonográfico 48 Produtor musical 48 Promoter 48 Público consumidor 48 Sindicatos 49 Sociedades de autor 49 Tour manager 50 Varejista 50 Exercício da profissão de músico 50 Nota contratual de trabalho para músicos profissionais 51 Numeração de discos e ISRC 52 Direitos autorais. registro e edição de obras musicais 53 Meia-entrada em eventos culturais 56 Exportação da música 57 Artista e empreendedor 58 Divisão de tarefas entre músicos da banda 59 O empreendedorismo 61 Comportamentos empreendedores 65 Autônomo 65 .

Empresário 67 Empreendedor individual 68 Microempresa 72 Plano de Negócio 76 Abrindo uma empresa 79 Princípios de administração 80 Planejamento estratégico 82 Finanças 85 Conjuntura 87 Economia da cultura 88 Consumo de produtos musicais 90 Tributos 92 Orçamento 95 Formação de preço 96 Pagamento 98 Faturamento – gastos = lucro 100 Demonstrações contábeis 102 Indicadores de desempenho 104 Avaliação de alternativas de investimento 108 Serviços bancários 110 Plano Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) 112 Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura 114 Marketing 117 Mix de marketing 120 Mercado 121 Clientes 123 Precificação 124 Distribuição 125 Comunicação 125 Marketing cultural 126 Marketing de serviços 129 A cauda longa: uma nova dinâmica de marketing e vendas 129 Modelo de plano de negócio para uma banda 133 Sumário executivo 135 .

Sócios e atribuições 135 Dados cadastrais 135 Missão 137 Atividade econômica 137 Forma jurídica 137 Enquadramento tributário 137 Capital social e cotas 137 Fonte de recursos e integralização 137 Análise de mercado 138 Segmentação e mensuração 139 Público-alvo 140 Concorrentes 141 Fornecedores 142 Plano de marketing 142 Descrição dos produtos 143 Preço 143 Promoção 143 Comercialização 144 Distribuição 144 Plano operacional 145 Capacidade produtiva 145 Processos operacionais 146 Necessidade de pessoal 146 Custos fixos 148 Capital de giro 148 Custos variáveis 149 Estimativa de faturamento 149 Projeção do fluxo de caixa 150 Demonstrativo de resultados 150 Indicadores de viabilidade 153 Construção de cenário negativo 153 Avaliação estratégica 154 Avaliação do Plano de Negócio 155 Conclusão 157 Fontes de pesquisa 161 .

lista de figuras TABELAS TABELA 1 – Cálculo mensal do IRPF para o ano calendário 2010 67 TABELA 2 – Partilha do Simples Nacional – Anexo III (serviços e locação de bens móveis) 74 TABELA 3 – Partilha do Simples Nacional – Anexo I (comércio) 74 TABELA 4 – Etapas do Plano de Negócio 77 TABELA 5 – Estilo musical mais assistido na RMR 92 TABELA 6 – Cálculo mensal do IRPF para o ano calendário 2010 94 TABELA 7 – Pagamento com retenções para a pessoa física 99 TABELA 8 – Pagamento com retenções para a pessoa física isenta de ISS 99 TABELA 9 – Pagamento de pessoa jurídica com adição de CPP 99 TABELA 10 – Receita – gastos = lucro 100 TABELA 11 – Fluxo de caixa 103 TABELA 12 .Para venda de shows (anexo III da LC 123/06 .comércio) 137 TABELA 16 – Contratantes no mercado nacional 139 TABELA 17 – Contratantes no mercado internacional 139 TABELA 18 – Preço de venda de um show 143 TABELA 19 – Preço de venda de um disco 143 TABELA 20 – Meta de venda de shows em cinco anos 144 TABELA 21 – Meta de venda de discos em cinco anos 144 11 .Para venda de discos (anexo I da LC 123/06 .serviços) 137 TABELA 15 .Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) 104 TABELA 13 – Comparativo entre as taxas dos serviços bancários dos bancos oficiais 111 TABELA 14 .

TABELA 22 – Investimento inicial (R$) 147 TABELA 23 – Custo fixo mensal (R$) 148 TABELA 24 – Projeção dos custos fixos para cinco anos 148 TABELA 25 – Custo de um show (custo variável unitário) 149 TABELA 26 – Projeção dos custos variáveis para cinco anos (R$) 149 TABELA 27 – Projeção do faturamento para cinco anos (R$) 149 TABELA 28 – Projeção do fluxo de caixa para cinco anos (R$) 150 TABELA 29 – Demonstração de resultados dos exercícios 2010 a 2014 150 TABELA 30 – Metas de vendas de shows (pessimista) 153 TABELA 31 – Metas de vendas de discos (pessimista) 153 TABELA 32 – Projeção do fluxo de caixa (pessimista) (R$) 153 QUADROS quadro 1 – Estágios na carreira do músico 23 Quadro 2 – Diferenças entre empresário. agente e produtor executivo 26 Quadro 3 – Etapas da realização de um show 28 Quadro 4 .Funções da equipe técnica de uma banda 29 QUADRO 5 – Manual de ajuda do Plano de Negócio 77 QUADRO 6 – Variáveis do mix de marketing 121 QUADRO 7 – Sócios e atribuições 136 QUADRO 8 – Custo médio de produtos consumidos pelo público-alvo 140 QUADRO 9 – Responsáveis e tarefas específicas 145 QUADRO 10 – Etapas de um show 146 QUADRO 11 – Equipe técnica da banda Brazuca 146 DIAGRAMAS Diagrama 1 21 ORGANOGRAMAS ORGANOGRAMA 1 – As relações do show business 36 GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Custos de produção x Situação econômica 138 GRÁFICO 2 – Mapa de palco e backline 147 GRÁFICO 3 – Análise Swot (ou Fofa) 154 FLUXOGRAMAS FLUXOGRAMA 1 – Divisão de tarefas entre músicos 60 FLUXOGRAMA 2 – Espécies de tributo 93 .

Bruno Lins. Rei Magro. Jorge Ayres. Lula Sampaio. Willian P. Lucas Pitbull. Patrícia Raposo. Marta e Ossos do Ofício. Frabrice Gervais. Gabriel Furtado. Marcelo Pereira. Paula Schver. Maria Arraes. Eduardo Carneiro. Thiago Soares. Clayton Soares. Linde. Carlota. Fernanda Couto. Sonally Pires. Bruno Lisboa. Laura Leiner. Almeida. Rodrigo Araújo.AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus. Rodrigo Barata. Daniel K. Rosana Pavanelli. Alexandre Moraes. Marcelo Soares. 13 . Luciana Veras. Rosa Santana. Gilberto Freyre Neto. Kleber Magrão. Vivi. Heitor Pontes. Rodrigo Maia. José Teles. Roger e Paula de Renor. Rose Mary Souza. Fernando Duarte. Júlio Cavani. Léo Lira. Roseane Cabral. Michelle de Assumpção. Theo. Filipe Gomes. Leo Milfont. Robério Pitanga. Ana Paula e os meninos. Léo Antunes. Alexandre Ferreira e todo o pessoal do Sebrae/PE. Keops Ferraz. Rogério Robalinho. César Insano. Gal Cunha Lima. Marcelo e Amélia. Roberto Brasileiro. Gustavo da Lua. Marcos Toledo. Villas. Fábio Cabral. Rogério Ceneviva. Henrique Figueira. Paulo André. Fernando Burburinho. João Falcão. Adriano Araújo. Ricardo Mendes. Manoel Barbosa. Simone Malta. Tito Lívio. Fabrício Nobre. Thalles Siqueira. Jair Pereira. Gisela Ferrari. Hibys. Ricardinho Baltar e família. família Salazar. Marc Regnier. Léo D. Marcelinho e Marcela. Berna Vieira. Jeff. Pablo Lopes. Renato L. Wilson Farias. João e Joaquim Souza Leão. Juliano Ribeiro. Cris Pontual. Melina Hickson. Rob van den Bosch. Felipe Cabral. Bruno Nogueira. Maguila. Nívea. Guilherme Calheiros. Gutie. Sebastião. Bruno Pontes. Arthurzinho e toda sua família. família Cox Santos. Mariana Ribeiro. Débora Nascimento. Márcia Xavier. Gustavo H. Tam.

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Numa entrevista publicada na edição de 16 de abril daquele ano. o livro de Leonardo Salazar e pensei como ele seria útil para transformar essa riqueza em oportunidade. do Jornal do Commercio. proporcionando sustento não apenas para autores e intérpretes. para as pequenas empresas. maestro! Em 1993. sobretudo. Ela nos coloca como traço de união entre a capacidade humana e a inspiração divina que a música traduz. com particular interesse. o Sebrae sente-se particularmente realizado. Trilhas que certamente vão levar a diversificados e gloriosos caminhos. do caruaruense José Condé. na formação de jovens e no encantamento que os mais diversos intérpretes dessa arte proporcionam. o consagrado maestro brasileiro Júlio Medaglia esteve no Recife para produzir a trilha sonora da série "Rabo de saia". "Música Ltda: o negócio da música para empreendedores" é. desafios que também serão transformados em vitórias. o respeitado maestro desabafou: "Pernambuco tem mais musicalidade que a Europa inteira e é o Estado mais rico musicalmente do Brasil". aliando as múltiplas oportunidades que a música enseja. pois. mas para todos aqueles que vivem de e para a música. ambientada em Pernambuco e baseada no livro "Pensão Riso da Noite". Foi lembrando dessa entrevista que li. Parceiro desta obra. veredas e desafios. na produção de instrumentos musicais.Música. Nilo Simões Superintendente do Sebrae em Pernambuco 15 .

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relatórios oficiais. Que tipo de empreendedor abriria mão dessa fatia do bolo? A importância deste estudo reside no fato de que grande parte dos agentes da música não possui conhecimentos específicos e habilidades técnicas necessárias para empreender seu próprio negócio. em outros. com a publicação deste livro. revistas especializadas. O disco será tratado como produto secundário. da pesquisa documental e da pesquisa na Internet. O objeto de estudo deste livro é a indústria da música pela ótica socioeconômica. no livro “Tecnobrega”. apuraram que no mercado tecnobrega. pesquisas acadêmicas. jornais. o show se reafirma como principal fonte de renda do artista”.42 por show.46 o disco e R$ 10 o DVD. empresários. totalizando um faturamento médio de R$ 1. O presente trabalho tem o objetivo de elaborar um modelo de microempresa para uma banda de música. além da experiência do autor no ramo. Desejamos que este trabalho contribua para reafirmar a importância da formalização de toda a cadeia produtiva da música. São cifras consideráveis. Foram consultados obras audiovisuais.INTRODUÇÃO Este documento foi escrito originalmente como trabalho de conclusão do curso de especialização em Gestão de Negócio. arquivos e documentos privados. Agora ele foi adaptado. A metodologia utilizada consistiu na investigação através da pesquisa bibliográfica. websites. Abrir a própria empresa é mais do que realizar um sonho. “Com a crise da indústria fonográfica. 17 . Esperamos. livros técnicos. contribuir para a difusão da cultura empreendedora principalmente entre os músicos. O principal produto da microempresa será o show ao vivo. a um preço médio de R$ 7. Ronaldo Lemos e Oana Castro. atesta a cantora carioca Marisa Monte em seu documentário “Infinito ao meu redor”. é uma fonte de renda complementar. é uma resposta ao desemprego. as bandas vendem em média 77 discos e 53 DVDs por show. revisto e atualizado para ser publicado como livro de consulta para empreendedores — sejam eles músicos. Na maioria dos casos. em Belém. mas não como produto sem valor econômico. gestores públicos ou estudantes. técnicos.104.

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O NEGÓCIO DA MÚSICA

O autor considera o negócio da música um gênero do qual fazem parte três espécies: o
show business, a indústria fonográfica e a propriedade intelectual. O show business diz respeito à cadeia produtiva que gira em torno da apresentação musical e do artista. Já a indústria
fonográfica envolve a comercialização do disco e dos produtos afins — vinil, DVD e formatos digitais. E a propriedade intelectual considera as licenças de uso e os direitos autorais,
conexos e fonomecânicos.
Em outras palavras, existem resumidamente três formas de se ganhar dinheiro com música: receita com venda de serviços (shows), receita com venda de produtos (discos) e receita
com exploração de direitos (royalties). Hoje em dia, as quedas nas vendas de discos e as mudanças nas práticas relativas aos direitos autorais transformaram o show na principal fonte
de renda dos artistas. Na cadeia produtiva da música, o show é o motor que move toda a
engrenagem. O artista é a gasolina, o combustível, o início de todo o processo. Sem combustível, o motor não funciona.
A música é a manifestação artística mais entranhada na sociedade, presente em todos
os grupos sociais e em diferentes faixas etárias. Chris Anderson demonstrou no livro “A cauda longa” que o negócio da música é composto por milhares de nichos. Música para ninar,
música para brincar, música para dançar, música para se apaixonar, música para protestar,
música para relaxar. Do brega ao jazz, do axé à MPB, do pagode ao blues, do forró à música
clássica, do sertanejo ao rock. Não há mais o grande mercado, o grande hit, a grande estrela
da música. Mas milhares de micromercados, de mini hits e de artistas satélites.
Parafraseando um famoso comercial, o brasileiro é apaixonado por música. A música está presente o ano inteiro em todo lugar: em casa, no trabalho, nas ruas e, principalmente, no
lazer. Além dos shows, ouve-se música em aparelho de som, rádio, televisão, cinema, computador, iPod, bares, restaurantes, consultórios, elevadores, supermercados, estádios, colégios,
festas particulares, eventos oficiais e comemorações de todo tipo.
Diagrama 1 – O negócio da música e suas espécies

Show
business

Negócio da
música

Propriedade
intelectual

Indústria
fonográfica

20

21

Os jornalistas Ivan Cláudio e Natália Rangel. percebemos diferentes vínculos estabelecidos entre aquele e esta. e hoje é líder naquilo que faz. Eles possuíam uma fábrica de papel e decidiram mudar de ramo quando lhes caiu nas mãos uma pesquisa que apontava as grandes possibilidades do novo setor. há uma década. técnicos. mas que emprega milhares de pessoas no mundo inteiro. "Antes do surgimento destas casas. em reportagem publicada na revista Isto É. do Banco Icatu. a Corporação Interamericana de Entretenimento.O negócio da música está repleto de atores. Estágios da atividade quanto ao grau de profissionalização Observando a relação do músico com a carreira na música. da Via Funchal. (. Desde a criação da Via Funchal. tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Outra empresa que decidiu investir pesado na área cultural foi a Gávea Investimentos. diz o empresário Cássio Maluf. Ou seja. "Estamos colhendo o fruto de ter investido na hora certa". Era um setor muito informal. profissionais liberais. ele adquiriu por US$ 150 milhões. dando de ombros diante do desmantelamento da chamada indústria fonográfica. decidiu investir e criou a gravadora Biscoito Fino. que reúne. uma indústria limpa. de Armínio Fraga — no ano passado.) No terreno musical. dia em que as pessoas não reservavam para o lazer. em sociedade com o empresário Fernando Altério. afora a mídia publicitária e os veículos informativos. talvez um pouco barulhenta. Levou para o seu catálogo pesos pesados da MPB como Chico Buarque e Maria Bethânia. sócio. os shows pequenos aconteciam em teatros e os grandes iam para os estádios. com o irmão Jorge Maluf. São artistas. Existem empresas que fornecem produtos e serviços. em São Paulo. o Credicard Hall e o Citibank Hall. Propomos uma classificação focada no retorno fi- 1 A explosão do entretenimento: a entrada de grandes investidores no setor cultural aquece o cenário das artes e cria um novo e lucrativo filão da economia.. muitas delas na segunda-feira.. "Agora todo mundo quer entrar nesse campo. o negócio dos irmãos Maluf cresceu 50% e hoje a casa funciona com uma ocupação de 70%. (. no Rio de Janeiro. diz Jorge. processos. cinco trazem alguma atração. órgãos e entidades que regulam e fiscalizam o setor. em 11 de agosto de 20081. que carecia de investimentos profissionais". produtos e serviços — além do público consumidor — forma o que se chama indústria da música. empresários.) A sensibilidade na identificação de nichos de público é outro fator que vem contribuindo para a profissionalização do setor cultural. a empresária Kati Almeida Braga. Essa cadeia de pessoas. produtores. . registrando o aumento de investimentos privados no setor e citando exemplos na área musical: Quem primeiro detectou uma demanda reprimida foram os donos de casas de espetáculos como a Via Funchal. enfocam a dimensão econômica da indústria cultural brasileira. não poluente.. dos sete dias da semana.. entre outras casas. ou o Citibank Hall.

e a música é a sua principal fonte de renda. sem fazer desta um meio de vida. o sonho de quase todo jovem músico é fazer sucesso com sua banda autoral e auferir renda exclusi- ESTÁGIOS Participação da atividade musical na renda mensal Amador Até 25% Semiprofissional De 25% a 75% Profissional De 75% a 100% 2 Não confundir amador com amadorismo. técnica ou moral. De modo que um músico amador pode desenvolver um projeto sem amadorismo.nanceiro que a atividade proporciona ao músico. Semiprofissional Além da música. A música tem prioridade na sua agenda. conforme o Quadro 1. Música Ltda | O negócio da música quadro 1 – Estágios na carreira do músico . sendo a música uma atividade “extra”. mas com qualidade técnica e artística. um processo sem qualidade artística ou técnica. Profissional Neste estágio. Seu tempo é dividido entre a música e outra atividade. capaz de arcar com todos os custos pessoais e contribuir para o sustento da sua família. existem três estágios na carreira do músico: amador. O amador se dedica à atividade por prazer. 22 23 Oportunidades de negócios Assim como o sonho de todo jogador de futebol é ser da Seleção Brasileira. Deixaremos de lado formação acadêmica. o músico profissional vive da música. Desta forma. duração da carreira. Amadorismo é fazer de qualquer jeito. a fim de equilibrar o seu orçamento. Amador O músico amador exerce outra atividade econômica para se sustentar. o músico semiprofissional precisa de outra atividade remunerada para complementar suas receitas correntes. qualidade artística ou qualquer outra valoração de natureza estética. em relação à remuneração recebida pelo desempenho da atividade. exercida sem remuneração ou com remuneração inconstante. semiprofissional e profissional2.

• empresariamento artístico (management). . Nem só de banda autoral vive o músico. às vezes uns esteticamente distintos dos outros. • produção fonográfica (gravadora). Da mesma forma. Mas. • casa de show. o músico precisa entender que essa profissão possibilita a diversidade de projetos. O músico precisa ampliar sua visão acerca das possibilidades que sua atividade oferece. • direção artística (disco ou show). • montagem de estrutura. • banda ou orquestra de baile. • banda tributo ou cover. mas este não é o único a lhe retribuir financeiramente. • técnica (som. teatro. porque sua renda é a soma de todos os trabalhos. • comércio de instrumentos. e o músico ficar sem outra opção de rendimento. • comércio de disco. equipamentos e acessórios. luz. já que não existe dependência econômica de apenas um projeto específico. • fabricação e reparo de instrumentos. • distribuição de discos (distribuidora). • edição musical (editora). direta ou indiretamente. Pode (e deve) haver o projeto principal. A seguir. • sonorização para eventos. atendimento pela manhã três vezes por semana em clínica particular. sinceramente. Assim. e assim por diante. ambulatório à tarde durante a semana. de forma abrupta. • produção de turnê (tour manager). o músico precisa enxergar várias possibilidades de trabalho na área musical. Também é uma precaução contra a possibilidade do projeto principal vir a ser encerrado no futuro. equipamentos e acessórios. bar (música ao vivo). este sonho é alcançado pela minoria dos músicos. • produção executiva (show ou disco). as oportunidades de negócios mais comuns. • agenciamento (booking). DVD e afins. boate.vamente desse trabalho. Outra analogia que cai bem com a profissão de músico atualmente: o médico possui vários trabalhos — plantão aos domingos. palco). • composição (autor). reduzindo o grau de incerteza da sua remuneração mensal. na indústria da música na atualidade: • banda autoral. Isto traz uma vantagem. plantão à noite duas vezes por semana em outro hospital.

Ou seja. Há livros que chamam esta figura polivalente de empresário. • tecnologia da informação (produtos para o setor). • organização de eventos (festivais. enquanto outros chamam simplesmente de produtor executivo. O mais comum no mercado brasileiro é a figura de um único produtor recebendo 20% dos rendimentos para acumular as três funções. • masterização. • maestro. • ensino (licenciatura). de forma geral. • DJ (rádio. • trilha sonora (publicidade. • design (capas de disco e material gráfico). concursos. teatro. • marketing cultural (elaboração e captação de projetos musicais). prêmios. CD. 24 25 Lembrando que uma opção não exclui a outra. jogos. DVD). shows). No livro “Manual de produção de CDs e Música Ltda | O negócio da música Diferenças entre empresário. Mas tanto faz. DVDs). sem se prender unicamente ao trabalho com banda autoral. boate). cinema. • assessoria de imprensa (especializada em música).• instrumentista ou intérprete (tocando/cantando/gravando para terceiros). show. agente e produtor executivo (Quadro 2). com funções e remunerações diferentes: empresário. • mixagem. • replicação de mídia (vinil. agente e produtor executivo . A produção de artistas pode ser realizada por apenas uma pessoa — o produtor — ou por até três profissionais distintos. documentários. • estúdio de gravação. o músico deve diversificar seus investimentos. a ideia é que o músico preencha sua agenda com trabalhos ligados à atividade musical. • sinfônica (emprego público). moda). • estúdio de ensaio. e considerando também as características e aspirações pessoais. • cantor independente (voz e violão). • estúdio móvel. • web (programação ou design para o setor). O que importa é a função que eles exercem. • produtora de vídeo (clipes. assim como aconselha um prudente gerente bancário. festa. • arranjador.

o pequeno músico empreendedor necessita ser seu próprio empresário. é uma espécie de . existe muita banda no mercado e. os autores Marcelo Oliveira e Rodrigo Lopes afirmam que “cabe ao empresário fazer tudo o que for necessário para colocar o nome do artista em evidência. ou agente que vende show de World Music para festivais de verão na Europa. na realidade. Na realidade. No final das contas. agentes especializados em vender um determinado gênero de música para uma região conhecem muito bem os contratantes e sabem como funciona a negociação e quanto se pode pagar. Este modelo de agenciamento privilegia o artista que der mais retorno financeiro em detrimento dos demais. pelo menos enquanto seu trabalho não atrair a devida atenção. agente e produtor executivo Empresário (management) • Foco na carreira artística • Planejamento de longo prazo 20% sobre o cachê e outras rendas Agente (booking) Produtor • Foco na venda de shows • Planejamento de médio prazo 10% a 20% sobre o cachê Produtor executivo • Foco nas necessidades diárias • Planejamento de curto prazo Cachê fixo ou % fitas demo”. Exemplos: agente que vende show de forró para prefeituras no interior do Nordeste. Em geral.Quadro 2 – Diferenças entre empresário. Contratante. Existem grandes agências que cuidam de vários artistas. A vantagem é que o dono da agência tem bons contatos e conhece bem o mercado onde atua e o tamanho do bolso do contratante. a experiência servirá para o músico avaliar o trabalho desses profissionais. Normalmente o produtor fica com 20% da remuneração do artista. causando sobrecarga de trabalho para uns e ociosidade para outros. por isso. Há carência de empresários artísticos. O produtor. Isto é de praxe no mercado em quase todo o mundo. A desvantagem é o tratamento diferenciado entre os artistas. O produtor é o olho do artista fora do palco. agente ou produtor executivo. principalmente produzindo shows em teatros e casas noturnas de prestígio e o incluindo em espetáculos de grande repercussão”. para cada artista existe um produtor para representá-lo na agência e para trabalhar por ele fora dela. Por outro lado. produtor e artista: uma confusa relação O trabalho do produtor é representar os interesses do artista.

inclusive ele próprio. Esse processo causa confusão. a empresa do artista receberia o cachê do contratante e o produtor (gerente da empresa) faria uma série de pagamentos a terceiros pelos serviços prestados — técnicos. 6) contato com fornecedores do artista. 3) reunião com o artista para passar informações do evento. Ele administra o negócio. É preciso que o artista tenha seu negócio formalizado. 26 27 Música Ltda | O negócio da música O dinheiro é depositado pelo contratante na conta da empresa do produtor. 4) envio de informações do show para a equipe técnica do contratante (backline.gerente. motorista. sendo motivo de desentendimento entre artista e produtor. Fazendo um mapeamento do processo de trabalho da venda de um show. com CNPJ próprio. A sugestão é simplificar e dar mais transparência ao processo com outro procedimento. 2) fechamento com o contratante. No lugar de perder tempo com a elaboração de projetos para conseguir patrocínio para gravar um disco. 5) envio de dados do artista para a produção do contratante (CD. release. Este é o ônus do artista ser dono do próprio nariz. 8) prestação de contas. repertório). Desta forma. . Show. Assim. mas o verdadeiro dono é o artista. Este é o rastro do dinheiro: contratante –> produtor –> artista. room list. nota contratual. mapa de palco. e não apenas um funcionário (gerente) dele. retendo a comissão de 20%. Agora está configurado de forma clara e precisa quem é funcionário e quem é dono do negócio. A carreira do artista segue adiante mesmo quando há mudanças na administração. Por isso o artista precisa investir em shows. é mais vantajoso. econômica e estrategicamente. 7) recebimento do cachê. encontram-se didaticamente oito etapas: 1) envio ou recebimento da proposta de show (início do processo). repassando o restante para o artista. catering). que retém 20% do valor. mapa de luz. Mas esta verdade não está bem esclarecida na cabeça de muitos profissionais. fica caracterizado que o produtor é um sócio que possui 20% da cota do negócio do artista. investir em apresentações ao vivo e em turnês. cujo dinheiro seguiria o seguinte caminho: contratante –> artista –> produtor. pela ótica do produtor. e pagamento de todos os fornecedores. palco e bastidores Vender disco barato nos shows é uma forma de auferir renda de dois produtos em uma única oportunidade. foto. input list.

os equipamentos. em relação ao show esses cuidados devem ser dobrados. o desempenho dos músicos. Mas o show é formado por outros elementos não auditivos. O figurino. os técnicos. de ritual e prazer.Quando se fala em show. Se for importante o artista ter cuidados com a qualidade de um disco. ao cenário. transmite energia e motiva o público para comprar o disco do artista no final da apresentação. Boas composições e bonitas melodias cativam a plateia. Em seguida. além de release. a equipe técnica da banda envia as necessidades operacionais para o contratante. esse palco é desmontado. A produção executiva se refere ao trabalho por detrás do palco — os bastidores. Trata-se de uma mistura de elementos sonoros. constituídos por uma mistura de música e negócios. ao figurino e à iluminação. A direção artística do show diz respeito ao palco. Pós-produção A banda recebe o cachê e emite nota fiscal e recibo. é muito importante destacar dois aspectos distintos. tudo influencia o conceito do público sobre a obra do artista e também sobre o show como um todo. a venda do show e sua logística. à música. os equipamentos checados e o som regulado. para os artistas e para o público”. iluminador e roadie (ou contraregra). Nesta fase. Após o show. No livro “Vocabulário de música pop”. técnico de som. a iluminação. visuais. O público dificilmente dará uma segunda chance. conforme o Quadro 4. ligados à apresentação musical ao vivo: • direção artística. Normalmente a equipe técnica de uma banda é formada por quatro profissionais: produtor. sensitivos e performáticos. fotos e discos. ao repertório. Já um bom show emociona. Quadro 3 – Etapas da realização de um show Etapa Atividades Pré-produção O processo tem início com o acerto do show e o fechamento do contrato. • produção executiva. acontecem as liberações junto ao Ecad e à Ordem dos Músicos. . Um show sem emoção e com um som ruim acaba com a imagem de qualquer artista. o cenário. A música é um elemento importante do show. A realização de um show pode ser dividida em três fases: pré-produção. aos músicos. Roy Shuker ensina que “os concertos de música popular são fenômenos culturais complexos. produção e pósprodução (Quadro 3). Produção A banda desloca-se até o local do show com antecedência para a passagem de som onde o palco será montado.

Música Ltda | O negócio da música Negociando cachê. Também não é algo pessoal. • input list. o backline informa as necessidades quanto aos equipamentos — amplificadores. As técnicas de negociação podem ser estudadas e colocadas em prática por qualquer pessoa. Besteira. • backline.Quadro 4 . A negociação nem sempre é agradável. estantes. principalmente as suas necessidades. bateria. O mapa de palco mostra a arrumação do palco onde cada músico se posicionará. Ainda existem outros documentos mais específicos: room list (necessidades de hospedagem e quantidade de pessoas em um apartamento. Negociação é um processo e não uma guerra. 28 29 Tem gente que se acha um péssimo negociador. Em geral. • solucionar conflitos o mais rápido possível. afora seus dados pessoais) e catering (exigências do artista para o camarim quanto ao serviço de alimentos e bebidas). bancos etc. saber ouvir e falar pouco. transporte. • conhecer a outra parte.Funções da equipe técnica de uma banda Profissional Atribuições Produtor Logística e operacionalização Técnico de som Sonorização Iluminador Efeitos visuais Roadie Montagem e desmontagem do palco As necessidades técnicas variam de uma banda para outra. Existem três documentos muito importantes que o artista precisa enviar com antecedência para que o contratante tome as devidas providências: • mapa de palco. • deixar a outra parte falar. dizem respeito aos equipamentos necessários para a realização do show. mas o professor Esdras Souto ensina algumas habilidades de relacionamento para obter sucesso em um processo de negociação: • mostrar as forças e eliminar as fraquezas. e o input list diz a relação de canais e microfones com instrumentos e equipamentos periféricos. hospedagem e alimentação .

a negociação segue para as demais condições: transporte. 5) oferta mantida ou refeita. O artista diferenciado pode exigir um pouco mais da média do mercado. Leva tempo.• colocar-se no lugar do outro.347/86.000 ou 50% da bilheteria — o que for mais vantajoso para ele. Uma boa saída é negociar uma percentagem da bilheteria. caso o artista precise se deslocar da sua cidade para realizar o show4. Em termos de cachê. Na prática as coisas não funcionam bem assim. de forma que possa maximizar o valor dele na negociação. 6) negócio fechado ou não. antes ou depois do show. Por isso. buscar modelos onde todos saiam ganhando. em regra o pagamento sai depois do evento. O montante arrecadado servirá de base para os próximos cachês. 4) processo de negociação. com emissão de nota de empenho e posterior depósito bancário3. a forma mais segura para o artista é o pagamento de uma parte na assinatura do contrato e de outra na passagem de som. especialmente o Anexo I (cláusula sexta). é preciso ter jogo de cintura para avaliar a relação de custo e benefício em cada caso. o mais comum é o acerto de contas no dia do evento. Quanto à forma de pagamento. Existem seis etapas até o fechamento da negociação: 1) valor cobrado.666/93 (licitações e contratos). especialmente o art. A negociação não ocorre do dia para a noite. Algumas casas de show pagam cachê e não pagam despesas de via- 3 4 Lei 8. Acertado o cachê. mediante processo administrativo. Mas cuidado para não sufocar o contratante e perder um importante parceiro. 25. alimentação. • ser flexível. 2) valor possível. Em outros casos. o artista deve conhecer o valor médio de mercado e o tamanho do bolso do contratante. No entanto. É melhor que seja assim para evitar arrependimentos. este não vai abrir o bolso até que fique provado o seu poder de fogo em atrair público pagante para a casa de show. Quando o artista é desconhecido do contratante. 3) primeira oferta. Se o show for promovido pelo governo ou por outra pessoa jurídica de natureza pública. Portaria 3. . tem sido muito comum o acerto da percentagem da bilheteria com um valor mínimo de garantia. do Ministério do Trabalho e Emprego. O contratante tem a obrigação de arcar com essas despesas. hospedagem. Exemplo: o artista leva R$ 1.

Sites de relacionamento e comunidades como MySpace. Facebook e Twitter servem para divulgar o artista e difundir o seu repertório. As gravadoras costumavam arcar com as despesas de turnês. Uma alternativa é buscar patro- . A maior parte do tempo é gasta com a viagem. como um show na cidade. Também é uma oportunidade para o contato pessoal do artista com o seu público através da visita a uma loja de disco. nestes casos. É preciso ter um gancho. e vi algumas das mais famosas atrações turísticas da janela de um automóvel cruzando a cidade. deve ao menos combinar com o contratante do show a divulgação do seu material para a imprensa local. Se o artista não tiver dinheiro suficiente para contratar um assessor de imprensa. O assessor de imprensa também deve agendar entrevistas em programas de rádio e televisão. turnê é uma série de apresentações em várias cidades. mas porque estava exausto. Mais se parece com uma excursão. Ou então dormia enquanto atravessávamos os mais espetaculares cenários do mundo. fiquei em lugares que desejaria nunca ter visto. um pacote de viagem no melhor estilo pé na estrada.gem. televisão — e gera uma receita com a venda de ingressos e discos. Hoje. Cada noite um palco. O critério que deve pesar mais. isto soa como um conto de fadas. ou mesmo davam algum suporte logístico. para que uma matéria ou uma simples nota seja publicada na imprensa local. Orkut. que acompanhava Elvis Costello. Bruce Thomas. com a crise da indústria fonográfica. alguns festivais independentes não pagam cachê e pagam despesas de viagem. Este profissional entra em contato com os veículos de comunicação de cada cidade. não porque não estivesse interessado. Além disso. tem registros no livro “The big wheel” de uma de suas excursões: Viajávamos milhares de quilômetros. Outras vezes. A passagem do artista pela cidade resulta em pauta na mídia local — jornal. e influencia o jornalista do veículo de comunicação para que publique matéria no dia do show. que geralmente não concede espaço para os artistas independentes de outra região. é a repercussão que o show pode ter para o artista. 30 31 Música Ltda | O negócio da música As turnês são extremamente necessárias para promover o lançamento do disco na mídia regional. ficando hospedados em Holiday Inns. Um aliado estratégico nas turnês é o assessor de imprensa. aumentar o público do artista e gerar um maior faturamento. rádio. Turnê ou excursão Conceitualmente. baixista da banda Attractions. mas não geram renda ou remuneração. A turnê é um investimento sob conta e risco do artista. envia discos e releases pelo correio. é preciso que alguém esteja permanentemente em contato com os jornalistas para conseguir a pauta. de um pocket show ou de uma seção de autógrafos após a apresentação ao vivo.

Esse evento será o marco inicial que indicará o período e a região da turnê. Se o evento é internacional. . devem constar impostos e retenções incidentes sobre o cachê. para conseguir pacotes promocionais para transporte e hospedagem. divulgação. apresenta uma variante de turnê onde vários artistas viajam e tocam juntos. os demais shows serão fechados nas outras cidades. Este é um modelo viável de turnê para artistas independentes. No planejamento financeiro. devem ser providenciados com antecedência passaporte e visto de trabalho para toda a equipe. de ordem econômica. Diz que este modelo foi muito popular na década de 60.cínio. Eventos importantes começam a fechar a programação com seis meses de antecedência. Alguns cuidados operacionais devem ser tomados. de ordem executiva. Também é interessante convidar pelo menos um artista local para participar do show em cada cidade. por exemplo. se houver. Se a turnê for internacional. estrutura. público ou privado. obrigações e deveres de cada parte em relação ao show e à viagem. o segundo. o prazo é de um ano de antecedência. a fim de cobrir pelo menos as despesas de transporte. onde o artista anfitrião é o próximo a excursionar. A partir daí. principalmente por grupos britânicos. Num segundo momento pode haver uma troca de papéis. Pode ser um show num grande festival ou uma apresentação em um programa de televisão em rede nacional. A equipe também deve ser enxuta. A legislação sobre o trabalho de músico estrangeiro muda de um país para outro e por isso o responsável pelo visto deve ser o contratante do show. Os shows de menor porte. divide custos e une público de dois ou mais artistas. Nunca é demais lembrar que para assinar o contrato é necessário estipular cachê. A turnê deve ser programada com antecedência por dois motivos: o primeiro. em clubes. Deve-se levar o necessário para evitar custos com excesso de bagagem e transtornos com manuseio e acomodação desse material. Roy Shuker. A bilheteria pode ser dividida entre o artista e o contratante. hospedagem e alimentação da equipe. Desse encontro podem resultar outros produtos como CD ou DVD. podem ser documentados como promocionais. O início da organização de uma turnê deve começar pelo fechamento de um evento importante que justifique o investimento. É um modelo sustentável: junta forças. A dica é que os principais contratantes dos grandes shows providenciem ou ajudem a providenciar os vistos de trabalho. considerando o roteiro e a época. condições. principalmente em relação a equipamentos e instrumentos. no livro já citado. O contratante da cidade entra no risco arcando com os custos do show — espaço. para conseguir entrar na programação dos principais festivais e casas de show.

com o movimento punk. Esse antigo lema ganhou força nos anos 90. desde a década de 70. . Até mesmo softwares populares como o Nero possibilitam alguns recursos de edição de áudio. sem falar nas coletâneas e nos discos de 78 rotações. edição e mixagem em múltiplas faixas. o artista era avaliado pela quantidade e qualidade de discos que havia lançado ao longo da carreira. não existia Orkut. MySpace. Youtube ou MySpace. Existiram algumas exceções. destacam-se gravação. com a banda larga e a telefonia móvel. com o computador pessoal. Orkut. Os artistas independentes dificilmente lançavam discos no mercado. Youtube. era algo muito caro e por isso quase impossível naquela época. de Lula Côrtes e Laílson. como o disco “Satwa”. por exemplo. sem apoio de uma gravadora. remoção de ruídos e facilidade de uso. ferramentas de comunicação onde artistas renomados e novos artistas têm disponíveis os mesmos recursos. Se eles podem. Só para se ter uma ideia das mudanças ocorridas recentemente. • desenvolvimento da comunicação. plug-ins de efeito. o lema DIY (Do It Yourself — faça você mesmo) contagiou uma multidão de pessoas que tomaram coragem para empreender seu próprio talento. em Recife. Windows e Linux. Com um computador portátil (laptop) moderno. nos estúdios ociosos da gravadora Rozenblit. na época do vinil (LP). Existem vários softwares de gravação digital — uns mais profissionais e outros mais simples. lançou 40 discos entre 1961 e 1989. Lançar um disco independente. gravado em 1973. um software de gravação gratuito. com o surgimento de quatro fatores que contribuíram para a queda de barreiras na indústria fonográfica: 32 33 Novas tecnologias de produção e distribuição estão surgindo e exigem atualização do músico e empresário artístico. um dos primeiros discos brasileiros independentes. Antigamente. No entanto. • ferramentas de divulgação e distribuição — Google. pensavam os artistas em potencial. é possível gravar um disco com menos custos e mais recursos do que os disponíveis à época do Rei do Baião. é de edição de áudio e está disponível para Mac. Em 2002. equipamentos de som decentes e um técnico de áudio talentoso. Música Ltda | O negócio da música • massificação da informática. Dentre os principais recursos. O forrozeiro Luiz Gonzaga. nós também podemos. em 1997 os arquivos MP3 eram praticamente desconhecidos da população mundial. consolidando-se na primeira década do século XXI. • acesso a tecnologias de produção. O Audacity. com os softwares de gravação.Disco: da gravação à distribuição O disco ou álbum é uma reunião de fonogramas em uma única mídia. por exemplo.

Na mixagem. A qualidade da gravação deve ser uma preocupação do artista. artista ou intérprete.portalsmd. também chamada de master: título do álbum e das faixas. da correção das frequências do som do disco. Ele deve ter experiência e sensibilidade suficientes para transformar a criação musical do artista em produto fonográfico. A criatividade do artista continua sendo o diferencial de cada composição. Também é nesta fase que são inseridas as informações digitais na mídia. o disco é o seu cartão de visitas. Isto se torna necessário em alguns casos para a obtenção de um resultado imparcial. Chrystian & Ralf.com. Para lhe ajudar existe a figura do produtor musical. outra pessoa que não tenha participado do processo de gravação. com a assessoria do Ministério da Ciência e Tecnologia: o SMD5 ou Semi Metalic Disc. Zeca Baleiro. Em 2007. uma amostra do seu talento. assinou com a Ralf Produções um contrato de exclusividade para explorar a nova mídia por 20 anos. A masterização é a fase do “polimento” da gravação. . uma tecnologia patenteada pelo artista Ralf. Além disso. com um custo de produção 30% inferior ao do compact disc. Para fazer as cópias. a Microservice. Também existe o SMDV ou Semi Metalic Disc Video. Alguns artistas preferem escolher. produtor fonográfico e código ISRC. Marcelo Oliveira e Rodrigo Lopes afirmam que duas coisas são fundamentais em um produtor musical: Ele tem que saber o que quer musicalmente e como conseguir isso no estúdio. Mas a tecnologia é apenas uma ferramenta e não cria nada. cada disco. Mas ele não está só nessa batalha. deve preocupar-se também em criar uma boa atmosfera para a gravação. Orquestra Imperial. o artista tem uma alternativa similar ao CD tradicional. Perfeito para vender direto ao público em shows.A tecnologia atual prova que é possível obter bons resultados com poucos recursos. Afinal de contas. 5 Mais informações: http://www. que sai da fábrica com o preço impresso de R$ 8. não viciado nos erros e acertos da gravação. O técnico de gravação e o produtor musical são responsáveis pelo resultado sonoro do disco. cada carreira artística. O diferencial é que o disco sai da fábrica com o preço tabelado e impresso na capa com o valor popular de R$ 5. Uma nova mídia surgiu no mercado brasileiro em 2003. fase também chamada de prensagem ou replicação. Arnaldo Antunes. equivalente à mídia DVD.br. dentre outros. os vários sons gravados serão equilibrados em cada música. para realizar a mixagem do disco. realizado por um ouvido descansado. empresa líder na fabricação de CDs e DVDs no Brasil. da dupla sertaneja Chrystian & Ralf. Muitos artistas já experimentaram lançar seus discos no formato SMD: Comadre Fulozinha. uma exteriorização da sua arte.

um organograma resumido do show business. e não isoladamente. O artista deve estabelecer parceiras com uma ou duas lojas de disco em cada cidade. em 2009 o comércio eletrônico cresceu 25% no Brasil. mesmo quando o artista segue viagem. não podendo por isso ser desprezadas. dando-o para quem comprar o ingresso do show do artista. porque além de vender os discos. Mas o disco não pode ser tratado como um produto sem valor econômico. em 2004. ao mesmo tempo em que o público levará dois produtos em uma única oportunidade.46 o disco e R$ 10 o DVD. em Belém. As lojas de discos também são pontos para venda de ingressos e divulgação de shows. Youtube. a um preço médio de R$ 7. Todos esses modelos de distribuição são válidos e devem ser pensados conjuntamente. Também existe o modelo de distribuição de discos através de bancas de revista. No entanto. além da página oficial do artista na Internet. ou seja. o artista estará aumentando o interesse do público pelo seu show. presentes nos 27 Estados brasileiros. De acordo com a E-bit. da revista Outra Coisa. Orkut. mas depois será elétrico e mais veloz. Trabalhar com uma distribuidora nacional é vantajoso pela capilaridade dos divulgadores.42 por show. empresa especializada em informações do varejo on-line. . Ronaldo Lemos e Oana Castro apuraram6 que no mercado tecnobrega. 6 Livro “Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música”.Organograma do show business A seguir. os lojistas atuam como termômetro do mercado. 34 35 Música Ltda | O negócio da música A distribuição digital gratuita do disco acontece notadamente através de sites como MySpace. em novas cidades. que hoje faz o papel desempenhado pelas rádios no passado: levar música e informação para o público.104. É dinheiro à vista no bolso do artista. O destaque da pesquisa ficou para o aumento da participação de varejistas de pequeno e médio portes. um bonde puxado a cavalo. O modelo de distribuição de discos mais lucrativo para o artista é a venda direta ao público nos shows. Esta estratégia é indicada principalmente para penetração em novos mercados. Por enquanto.90 (revista + CD). O comércio digital é uma tendência no Brasil e no mundo. as lojas de discos permanecem na cidade. e o artista deve pegar esse bonde. popularizado pelo roqueiro Lobão com o lançamento. que trazia encartado em cada edição o disco de um artista pelo preço de R$ 12. Assim. Outra estratégia interessante é usar o disco como brinde. totalizando um faturamento médio de R$ 1. as bandas vendem em média 77 discos e 53 DVDs por show.

e fazer assessoria de imprensa. músicos. revistas. camisa. gravadoras e intérpretes • Também administra os direitos conexos de intérpretes. foto. inclusive por meio da radiodifusão e transmissão por qualquer modalidade e da exibição de obras audiovisuais Rádio. room list e dados gerais para promotores Sociedades de autor (UBC. pagar anúncios Artista/intérprete • Show • Direito conexo • Contrato com a gravadora • Contrato de exclusividade com o agente • Informar rider técnico. sites • Executar os fonogramas • Promover os artistas • Informar o público Promotores • Festivais • Casas de show • Boates e clubes • Prefeituras e governos estaduais • Fundações culturais • Órgãos diversos • Ceder informações do show/festival para o agente Gravadora • Exploração comercial do fonograma através da venda ou licenciamento • Detentora dos direitos dos fonogramas • Suporte financeiro para a turnê • Ceder material promocional como pôster. por exemplo) • Administração dos direitos autorais de execução pública de obras musicais • Associados: compositores. autores.organograma 1 – AS RELAÇÕES do show business Editora • Tem o direitos exclusivo de reprodução. CD. imprevistos . licenciamento e cessão das obras • Tem o dever de divulgá-las • Explora comercialmente a obra Ecad • Centraliza a arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública músical. release. músicos e gravadoras Autor • Criador • Direito moral • Direito patrimonial • Cessão dos direitos patrimoniais à editora Produção • Datas • Logística • Equipamentos • Hotel • Alimentação • Horários • Livro da turnê • Confeccionar o rider geral Tour manager • Executa a turnê • Contorna eventuais problemas. editoras. informações pessoais para o agente Público • Principal consumidor • Relação direta com o artista e sua obra Empresário/agente • Envio de material para os promotores • Contrato com promotores • Roteiro da turnê • Viabilizar estrategicamente a turnê • Enviar rider técnico. TV. room list. jornal.

O agente deve agir com responsabilidade e compromisso. postular e dar andamento aos processos na Justiça. informar rider técnico. O valor das custas processuais e dos honorários é definido pela OAB e pelos Tribunais de Justiça de cada Estado. Geralmente recebe do artista uma comissão (10% a 20%) sobre o valor do cachê acertado com o contratante. locação. São suas atribuições: enviar material promocional do artista para o contratante com a intenção de vender o show. ao mesmo tempo. O artista pode ter um agente para cada região ou país. o advogado recebe 20% do valor da causa defendida e ganha. as pessoas físicas. o artista não pode constituir. as microempresas e as empresas de pequeno porte estão dispensadas da obrigação de constituir advogado para ajuizar ações e arcar com o ônus da sucumbência. a obrigação de promover. o show do artista. Um mesmo agente pode representar mais de um artista numa mesma região. todas as despesas do agenciamento (telefone. Música Ltda | O negócio da música Agente (booking) . mais de um agente em uma mesma região com a mesma incumbência. mapa de palco e room list do artista para a produção do evento. Em relação aos Juizados Especiais de Pequenas Causas. discorrendo sobre as atribuições e especificidades de cada um. A ação de habeas-corpus também independe de advogado. gravação. solicitar alvará para a entrada de menor em show. repassar para o artista todos os detalhes da negociação. este profissional recebe a denominação de agent booking ou simplesmente booking. São suas atribuições: prestar consultoria e assessoria jurídica. cessão de direitos autorais. agenciamento. Em alguns casos. No exterior. edição. por prazo determinado e região certa. Existe advogado especializado em direito autoral e leis de incentivo à cultura. elaborar e analisar contratos comerciais (representação exclusiva. Advogado Profissional bacharel em Direito e inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. A depender do acordo. postagens. salvo estipulação diversa. 36 37 Profissional que assume. representar e defender os interesses do cliente. mediante retribuição. essa comissão pode ser calculada sobre a receita bruta ou sobre a receita líquida (depois de abater os impostos). Salvo ajuste entre as partes. visar contrato e distrato social na Junta Comercial local. celebrar contrato com o contratante do show.Atores envolvidos no negócio da música Elaboramos uma sequência com os principais atores envolvidos direta e indiretamente no negócio da música. locomoção etc) correm a cargo do agente. prestação de serviços. patrocínio etc). apresentação artística. cumprindo as instruções recebidas do artista.

7 Ver capítulo XII do Novo Código Civil. A proteção dos direitos autorais independe de registro da obra. o direito conexo. o direito fonomecânico (pela venda de discos). o agente terá direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao artista7. Não necessariamente o artista é o autor da obra. Ele também pode ser pessoa jurídica. ou seja. São fontes de renda do autor os direitos autorais e fonomecânicos (pela venda de discos). São fontes de renda do intérprete o cachê por show. Se o contrato for por tempo indeterminado. conceder entrevistas à imprensa. independentemente de censura ou licença. Artista (intérprete) Artista é o intérprete. o cachê para campanhas publicitárias e para gravação em estúdio. Ao autor pertence o direito exclusivo de utilização. Ainda quando dispensado por justa causa. o direito de imagem. ceder os direitos patrimoniais a terceiros. Não necessariamente o autor é o artista que sobe ao palco. inclusive sobre os shows pendentes. para exploração econômica. Se a dispensa se der sem culpa do agente. desde que transcorrido um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento do agente. executar o show. Ele fornece o material promocional para o agente trabalhar. publicação ou reprodução de suas obras. O autor precisa se filiar a alguma sociedade de autor para receber rendimentos de direitos autorais de execução pública musical. Autor (compositor) Autor é a pessoa física criadora de obra artística. A Constituição Federal de 1988 diz que é livre a expressão da atividade artística. ele terá direito à comissão devida. temporariamente. ele pode optar pelo registro na Fundação Biblioteca Nacional ou ainda em qualquer cartório da sua cidade. Ele pode ou não editar sua música. É assegurado ao autor o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criar ou participar. produzir fotos e videoclipes. em alguns casos previstos na Lei 9. . transmissível aos herdeiros até 70 anos após a sua morte. É assegurado ao intérprete o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criar ou participar. São suas atribuições: ensaiar o repertório.A remuneração será devida ao agente também quando o show deixar de ser realizado por fato causado pelo artista. mediante aviso prévio de 90 dias. cantor ou músico que execute obra artística. qualquer das partes poderá encerrá-lo. dar autógrafos aos fãs. São suas atribuições: criar a obra musical e mostrá-la para que intérpretes a gravem ou executem. No entanto.610/98.

São suas atribuições: organizar livros contábeis (caixa. enviar obrigações acessórias (GFIP. som. fundações. O contratante fica com o lucro obtido com o evento. elaborar demonstrações contábeis — principalmente o balanço patrimonial e os resultados do exercício. governo. .Contador Profissional bacharel em Ciências Contábeis ou técnico em Contabilidade. do passivo (obrigações) e do patrimônio líquido (capital social e reservas). Caged. fazer declaração do Imposto de Renda da empresa e dos sócios. no lugar de negociar um cachê fechado com o artista. estrutura. fazer pesquisa de mercado para saber o que o público quer assistir. inscrito no Conselho Regional de Contabilidade. diário e razão). calcular e emitir guias de pagamento dos impostos. fazer conciliação bancária. assumindo os riscos do mesmo. Ele é responsável civil e criminalmente pelos acidentes que venham a ocorrer na área interna do evento. Ele contrata os serviços terceirizados para a realização do evento (publicidade. acompanhar a mídia especializada à procura de novos talentos. Rais etc). O contratante celebra o contrato de show com o agente. O designer tem a responsabilidade de traduzir uma mensagem artística em imagens e cores. com o empresário ou ainda diretamente com o artista. festival. São duas as principais funções da contabilidade: administrativa e econômica. cerimoniais. destinarlhe uma percentagem da renda da bilheteria. O empreendedor individual está dispensado de obrigações contábeis. Contratante Designer Profissional que cuida da identidade visual do artista ou do evento. bar/restaurante. empresas. São suas atribuições: 38 39 Música Ltda | O negócio da música O contratante é a pessoa física ou jurídica que contrata os serviços artísticos e os oferece ao público-alvo: casa de show. Pode ser funcionário da empresa ou autônomo terceirizado. boate. devendo apenas manter um controle básico de compras. Também pode incrementar o faturamento da bilheteria com a ajuda de patrocinadores para bancar parte das despesas do evento. São suas atribuições: receber proposta de show dos agentes e empresários. As microempresas têm suas obrigações contábeis simplificadas. luz. É comum o contratante. a econômica diz respeito aos resultados da organização — lucro ou prejuízo em determinado período. pessoal) e capta patrocínio para tal. recebimentos e pagamentos. A função administrativa diz respeito ao controle do patrimônio da organização — controle do ativo (bens e direitos). e ainda aumentar seu lucro com a venda de bebidas e alimentos no local. instruir sobre emissão de nota fiscal/recibos/pagamentos.

Ecad O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) é uma instituição privada sem fins lucrativos. Alguns DJs são criadores de obras e produtores de remix. cartazes. Um artista é julgado. Para capas de discos independentes. ela pode fabricar o disco ou apenas enviá-lo para o varejo. e-flyers. a priori. casas de show. porque é uma adaptação. banners e demais materiais promocionais. a fim de colocar o público para dançar em festas. estatutárias e regimentais. os direitos autorais e fonomecânicos. com um novo arranjo. Também paga impostos estaduais e mantém uma ampla rede de divulgadores espalhados pelas cidades em que atuam. Um remix de uma obra já existente é considerado uma nova obra. Dependendo do contrato de distribuição. pela capa do disco. E ser profissionais autônomos ou empregados.criar capas de discos. DJ (Disc Jockey) Profissional responsável pela execução da música mecânica. Distribuidora Atividade de comércio atacadista de discos. que tem por atribuição colocar o produto na praça (lojistas. São fontes de renda dos DJs o salário.988/73 para centralizar a arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública musical. criada pela Lei 5. . muitas vezes totalmente diferente da música original. geralmente o designer é um amigo ou conhecido que curte a banda e se identifica com a proposta ou mesmo com o som que a banda faz. DJs também podem trabalhar em rádios. 665 mil fonogramas. Atualmente. 1. como também a documentação de obras musicais e de fonogramas no Brasil.4 milhão de obras musicais. festivais. 51 mil obras audiovisuais e mais de 279 mil titulares de música cadastrados. supermercados. o cachê por show e por remix produzido. marcas. Uma tendência recente tem sido este profissional formar uma banda para acompanhálo em apresentações ao vivo. A distribuidora fica com uma percentagem que varia de 40% a 60% do preço passado ao lojista. boates. as capas de disco constituem um importante elemento de marketing. O banco de dados do Ecad atualmente conta com cerca de 341 mil usuários de música. A instituição é administrada por uma superintendência que executará as determinações da Assembleia Geral e dará cumprimento às normas legais. CDs e DVDs. magazines). encartes.

shows ao ar livre. hotéis/ motéis. formaturas. Segundo o Ecad. emissoras de rádio e televisão. qualquer pessoa. Anacim. boates. que promova a veiculação de música. Em outra ação. é preciso solicitar uma autorização prévia ao Ecad. cinemas. Nos últimos anos. Em 2008.5% do faturamento como condição de licença. • indireta (direitos gerais. Abrac. ocorrido em 1998 no Rio de Janeiro. Para utilizar músicas em local de frequência coletiva. a área sonorizada e a região socioeconômica. desfiles de carnaval. fora do ambiente residencial. governos. festas juninas. UBC. intérpretes e demais titulares. lojas. usando-a para o pagamento de despesas operacionais e de seus funcionários. o tipo de utilização da música (ao vivo ou mecânica). obras audiovisuais). o Ecad conseguiu na Justiça que a Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão pagasse à instituição 2. Uma crítica é que o Ecad não arrecada de todos os usuários de música. mas através da proporcionalidade ou da amostragem. Mas o Ecad não repassa o dinheiro diretamente para o autor. academias de ginástica e dança. rádio. Então 40 41 Música Ltda | O negócio da música A Assembleia Geral do Ecad é formada por 10 associações: Abramus. Podem também ser calculados através de um percentual sobre a receita bruta. Outra forte crítica ao trabalho do órgão é que ele não distribui o dinheiro de forma equilibrada e justa. micaretas. Sbacem. mecânica ou ao vivo. cinema. Socinpro. bares/restaurantes. o Instituto Franco Brunni. O pagamento do direito autoral é a retribuição ao autor pelo uso de sua música. Em 2008. O cálculo do direito autoral é realizado de acordo com as regras contidas no regulamento de arrecadação. shopping centers. intérpretes. • indireta especial (carnaval. Amar. festa junina e músico acompanhante). salas de cinema e prefeituras municipais não pagam ao Ecad. a instituição arrecadou aproximadamente R$ 332 milhões. micaretas/festejos populares. músicos. enfim. sendo a sua tabela de preços definida pelas associações que integram o Ecad. Assim e Sadembra. circo. a gerência jurídica da instituição vem combatendo esta prática. Retém 17% da receita arrecadada. salões de beleza. física ou jurídica. a MTV e a rede de lojas C&A também foram condenados solidariamente ao pagamento dos direitos autorais pela execução pública de obras musicais no show U2 Pop Mart Tour. Os principais usuários do Ecad são casas de show.• direta (shows. Várias televisões e rádios comerciais. Os valores variam de acordo com a atividade do usuário. Existem três formas de distribuição previstas no regulamento de distribuição do Ecad: . Sicam. que é o representante legal dos autores. entre 2000 e 2008 a distribuição de direitos autorais deu um salto de 222% no Brasil. casamentos. O valor distribuído em 2008 aos titulares de direitos autorais (autores. editores e produtores fonográficos) foi de aproximadamente R$ 271 milhões. televisão). consultórios.

cumprindo prazos. local e repertório do show. O autor tem o direito de dispensar a arrecadação de seus direitos autorais. O contrato geralmente dura cinco anos. a gravadora ou diretamente para o autor. Para isso. O autor deve encaminhar a solicitação de liberação do show para a sua editora (caso suas obras sejam editadas) ou para a sua sociedade de autor (caso seja vinculado a alguma). ou mesmo sozinho pode acumular essas funções. o valor de R$ 100 pela execução pública de obras musicais. O empresário pode ter agente. coordenando toda a equipe (artista + produção). no contrato social. quem emite o ISRC é o “dono” do fonograma. ele poderá se associar à sociedade de autor que mais lhe convier. excetuando-se os direitos autorais. produtor e tour manager trabalhando para ele. Editora Pessoa física ou jurídica que detém o direito exclusivo de reprodução da obra e o dever de divulgá-la. Empresário artístico (manager) A principal atribuição do empresário artístico é cuidar do desenvolvimento da carreira do artista a longo prazo. Daí terá direito ao software para gerar o próprio código ISRC e deter os direitos patrimoniais sobre as suas obras. o autor cede os direitos patrimoniais para a editora. propaganda etc). estabelecendo metas. Os direitos morais do autor são inalienáveis e intransferíveis. . citando data. ele deve solicitar. A editora fica com 25% da receita gerada pelos direitos autorais da obra e repassa 75% para o autor. também inserir. a atividade de “edição musical”. Em regra. Se tiver agente envolvido na negociação do cachê de um show. ao abrir a sua microempresa. No contrato de edição. O Ecad vai reter o valor de R$ 17 e repassar o valor líquido para a UBC (sociedade de autor). Exemplificando um caso concreto: um promotor de evento paga ao Ecad. que vai ficar com R$ 6 e repassar R$ 77 para os titulares dos direitos autorais. com antecedência. através de uma guia própria. Representa os interesses do autor e pode ser conveniada com alguma sociedade de autor para recolhimento do direito autoral de execução pública. ou ainda diretamente para o Ecad da região onde o show ocorrerá (caso não seja filiado à sociedade de autor). o não recolhimento (renúncia) desses direitos em determinado show. A sociedade de autor retém 6% (calculado sobre o valor bruto arrecadado) e repassa o restante para a editora. Agindo desta forma. Geralmente sua receita é formada por uma comissão calculada sobre 20% dos rendimentos do artista (show. geralmente o empresário divide sua parte ao meio com ele. Tem sido muito comum o próprio artista.o Ecad repassa a receita líquida para as sociedades de autor.

também autorizada pela Lei 5. gráficas rápidas. designers. 42 43 A função do governo é regular o mercado e fiscalizar o setor. marketing. O Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional (EDA/BN) fica na Rua da Imprensa. São fornecedores de um artista e de um produtor: empresas de locação de equipamentos de áudio/iluminação/montagem de palco. Fundação Biblioteca Nacional (FBN) O escritório de direitos autorais da Fundação Biblioteca Nacional é um órgão autorizado pela Lei 5. CPF e comprovante de residência. vendas. corrigir falhas de mercado e incentivar atividades relevantes para o Estado e a sociedade de forma geral. Mas o artista é o dono do negócio. Cada prestador de serviço tem sua tabela de preço específica e sua forma de trabalhar. O solicitante deve pagar uma taxa de cerca de R$ 20 por obra (cheque nominal ou comprovante de depósito bancário). motoristas de van. O governo tem o papel de estimular a competitividade das microempresas. cidadã e econômica. estúdios de ensaio e de gravação. A proteção do patrimônio (material e imaterial) histórico e Música Ltda | O negócio da música Governo . contabilidade. A Constituição Federal de 1988 diz que a exploração dessa atividade econômica é exclusiva da iniciativa privada. analisa a obra e emite um certificado de registro de obras musicais. A FBN recebe o pedido de registro. roadies. Existe um prazo de 40 a 60 dias para o recebimento do certificado na residência do solicitante. A Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro também goza de legitimidade. entregando cópia de RG.988/73 para registro e arquivamento de obras musicais.988/73 para fazer o registro de obras musicais e emitir uma certidão correspondente.A figura do empresário artístico assemelha-se com a do gerente que toca o negócio adiante. Fornecedores Fornecedores são pessoas ou empresas que prestam serviços ou fornecem produtos para o produtor e o artista. finanças. Este documento goza de fé pública. Neste contexto. surgem leis e editais de incentivo à cultura como fonte de financiamento público do setor. De modo que o empresário deve zelar pela correta administração da carreira do artista. 16/1205. comunicação etc. fábricas de discos. técnicos de som/luz. técnicos de mixagem e masterização. A responsabilidade do empresário envolve todos os aspectos da gestão de um negócio — produção. jornalistas. O autor deve encaminhar a partitura com letra. Os artigos 215 e 216 da CF falam sobre as três dimensões da cultura: simbólica. no Rio de Janeiro (21 3220-0039 / 3240-9179).

mixagem. As responsabilidades da gravadora são financiar a gravação e promover o produto. Ao abrir a própria microempresa. Sony/BMG e EMI são consideradas grandes gravadoras (majors). o acesso do brasileiro à cultura e o exercício da atividade cultural como fonte geradora de emprego e renda são aspectos assegurados pela Carta Magna. A gravadora detém o direito patrimonial sobre o fonograma e também o direito de autorizar a sua veiculação e uso.artístico nacional. aos blogs. editora e produtora. Contrata através de processo administrativo baseado no art. cuidando apenas da distribuição do produto e funcionando apenas como escritórios de marketing. O salário dos jornalistas é pago pelas empresas nas quais eles trabalham. Gravadora (selo) A palavra selo geralmente é empregada para se referir à gravadora independente ou à pequena gravadora. E paga cachê mediante empenho. 25 (inexigibilidade de licitação) da Lei 8. Em alguns casos. cerimônias e eventos institucionais. Alguns jornalistas são autônomos e trabalham para mais de um veículo de comunicação. celebra contrato com pessoas jurídicas mediante apresentação de todas as certidões negativas de débito com a Secretaria da Fazenda (federal. A gravadora explora comercialmente o fonograma através da venda ou do licenciamento. diretamente com o artista ou através de empresário exclusivo. Warner. a gravadora sequer arca com esses custos. o artista está respaldado para ser a sua própria gravadora. profissional igualmente jornalista que faz a ponte entre o veículo de comunicação e o artista. Fonograma é a música gravada em algum suporte físico ou digital. Geralmente eles são bem receptivos em relação aos novos artistas. Cabe destacar a figura do assessor de imprensa. Terceirizam todo o processo de produção do disco — gravação. feiras. às revistas especializadas. Imprensa A imprensa é fundamental no mercado brasileiro para divulgar a música independente na grande mídia. Em geral.666/93. a gravadora fornece suporte financeiro ou logístico para as turnês dos artistas contratados. promover o artista. executar o fonograma (rádio ou televisão). analisar a obra. festivais temáticos. Sem dinheiro para investir em campanhas midiáticas. aos programas de rádio e televisão. O papel da imprensa é informar o público. Atualmente as gravadoras não passam de um escritório em um edifício empresarial. estadual e municipal). masterização e fabricação. Universal. resta ao artista independente recorrer aos espaços jornalísticos dos cadernos de cultura dos jornais. . Em alguns casos. O governo também promove festas populares.

ao entender também que os artigos questionados pelo deputado não foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988. Grava. estabeleceu requisitos para o exercício da profissão de músico e instituiu o poder de polícia sobre esta atividade artística. Segundo o artigo 18. a OMB exerce apenas a função de fiscalização. Mas a OMB está com os dias contados. mantidas as atribuições específicas dos sindicatos locais. A função de defesa da classe musical. a liberdade do exercício profissional. se não estiverem devidamente registrados nos órgãos competentes. Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) 44 45 Música Ltda | O negócio da música Autarquia criada pela Lei 3. E foi isso que a procuradora fez no dia 15 de julho de 2009. o parlamentar pedia que o MPF entrasse no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).857/60.Músico autônomo Músico autônomo é o profissional (cantor ou músico) que presta serviços a mais de um artista ou produtora. Deborah Duprat. sem culpa das vítimas". todos que se anunciarem como músicos ficam sujeitos às penalidades aplicáveis ao exercício ilegal da profissão. o STF afirmou que as restrições à liberdade profissional somente seriam válidas em relação às "profissões que. a seleção. não tem sido colocada em prática como deveria. o direito conexo (gravações). a disciplina. que foi vice-presidente da CPI do Ecad na Assembleia Legislativa de São Paulo. acatou uma representação protocolada no Ministério Público Federal pelo deputado estadual Carlos Giannazi. com jurisdição na região de atividade do artista. Na ação. que garante. o cachê para trilha sonora ou jingle.857/60. ao anular a obrigatoriedade do diploma de jornalista. São suas fontes de renda o cachê por show. o cachê para gravação em estúdio. com a finalidade de exercer. em todo o país. talvez a mais importante. a defesa da classe e a fiscalização do exercício da profissão de músico. ensaia e toca com outros artistas. poderiam trazer perigo de dano à coletividade ou prejuízos diretos aos direitos de terceiros. a fim de suspender vários artigos da Lei (federal) 3. A procuradora-geral da República. A procuradora lembra que. Ela questiona que tipo de interesse justificaria a restrição à liberdade profissional do músico e . A tabela de preços do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro fixou o cachê do músico autônomo em R$ 785 por show. Já o artigo 16 determina que somente pode exercer a profissão de músico quem estiver regularmente registrado no Ministério da Educação e Cultura e no Conselho Regional dos Músicos. Ele também pode incrementar sua receita ministrando aulas particulares. a procuradora contesta 22 artigos dessa lei que criou a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB). Na prática. de alguma forma. no seu artigo 5º. no primeiro semestre de 2009. Na ADPF.

A procuradora-geral pede a suspensão destes dispositivos até o julgamento final da ação. convertendo-se no árbitro autoritário dos gostos do público". fiscalizar e punir pessoas em razão do exercício de sua atividade artística".591 operações no Brasil. E acrescenta: "Da mesma maneira. Ela alega que "essas normas criam inadmissíveis embaraços aos músicos profissionais — sobretudo para os mais pobres. Para reprimir a pirataria. Pirataria (carrocinha de CDs) A pirataria domina cerca de 50% do mercado nacional de produtos fonográficos. Para ela. inclusive a música. 18. 54. conexos ou fonomecânicos. 28. "se um profissional for um mau músico. 35. 40. distribuir e vender CDs e DVDs sem autorização do produtor fonográfico e sem recolher impostos e direitos autorais. Assim. em 2008 foram realizadas 3. dificultando o exercício da profissão e cerceando o seu direito à livre expressão artística". 36. não cabe "ao Estado imiscuir-se nesta seara. 31. Segundo dados da APCM. 19. 16. E completa: "Na pior das hipóteses. Ao todo. sem formação musical formal e que muitas vezes não dispõem de recursos para pagar sua anuidade. caput (parcial) e parágrafos 2º e 3º. 37. 33. foram mais de quatro milhões de CDs e de dois milhões de DVDs. Os dispositivos questionados pela ADPF são os artigos 1º (parcial). Segundo Duprat. foram 195 condenações pelo crime de pirataria. a Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (Apdif). Em 2007.qual risco social estaria envolvido nesta profissão. Pode-se definir pirataria como a prática de copiar. é indiscutível a ofensa à liberdade de expressão consubstanciada na atribuição a órgão estatal do poder de disciplinar. 49. as pessoas que o ouvirem passarão alguns momentos desagradáveis". 30. 184 do Código Penal brasileiro. em 1995. 29. que foi criada em conjunto com o setor de áudio e vídeo. além de privar "toda a sociedade do acesso à obra desses artistas". Duprat ressalta ainda que um dos campos mais relevantes da liberdade de expressão é o das manifestações artísticas. tendo por base o art. 32. Cabe ainda à Apdif a representação de seus associados em questões judiciais ou extrajudiciais na defesa dos direitos autorais dos produtores fonográficos associados. alínea b (parcial). nenhum dano significativo ele causará à sociedade". a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) criou. 17. 34. 39. foram mais de oito milhões de CDs e de 17 milhões de DVDs apreendidos. 38. Do montante. caput. as atividades antipirataria da Apdif foram transferidas para uma nova entidade — a Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM). que tem como objetivo o combate à reprodução não autorizada de gravações musicais. essa liberdade é violada com a exigência dos músicos profissionais se filiarem à Ordem dos Músicos do Brasil. . 50. Quanto à mídia gravada. e 55 (parcial) da Lei 3857/60. As ações tiveram uma peculiaridade que foi o aumento no número de apreensões de mídias virgens.

184 do Código Penal. Seu planejamento é de curto prazo. cada carrocinha vende em média 35 discos por dia. em troca da divulgação amplificada. em tempo real.50 por disco. feita por essas carrocinhas. existe a autorização do produtor fonográfico para a comercialização do produto. ou ainda comissão (%) sobre a verba total. Segundo o jornalista. conexos e fonomecânicos.50 o CD. com autorização do produtor fonográfico. acompanha o seu desenvolvimento e cobra resultados dos envolvidos. É importante não confundir pirataria com carrocinha de discos. Trata-se de uma forma de vender discos de porta em porta. bem como por diárias ou por etapas. obter receita própria. O produtor executivo cuida da parte logística e das necessidades cotidianas do artista. Em reportagem publicada na revista Continente Multicultural. Ele pode ganhar um cachê fixo pelo projeto inteiro. já que. Sai mais barato para o artista do que pagar o jabá às emissoras de rádio e TV. Pelo menos poderia se associar a outro artista ou gravadora e dividir os custos de uma. desta forma. por que o artista e a gravadora independente ainda não despertaram para essa estratégia de venda de discos e promoção da marca? Cada artista ou gravadora independente deveria ter a sua própria carrocinha autorizada. E mais. A carrocinha por si só não configura violação ao art. O lucro é de R$ 1. encontra-se a figura do vendedor ambulante de discos com a sua carrocinha de CDs e DVDs. o comerciante (inclusive o ambulante) de CD e DVD pode se inscrever como empreendedor individual. Esta atitude não configura a pirataria. Com a LC 128/08. Muitos artistas optam por abrir mão de seus direitos autorais. desde que comercialize produtos legais.Em várias regiões metropolitanas do país. na edição de março de 2009. trabalhando de segunda a sexta-feira. É um modelo de negócio onde todos saem ganhando. o jornalista Diogo Guedes apurou que a fabricação de uma carrocinha pode custar entre R$ 500 e R$ 1. tanto o vendedor ambulante autorizado de discos quanto o artista independente. Ou seja. que investigou esta prática no centro comercial do Recife. ou seja. 46 47 Profissional que põe a mão na massa: coordena todas as etapas de um projeto. um comerciante pode lucrar cerca de R$ 1. por um preço médio de R$ 2. visto que o próprio artista fornece a master para replicação. O artista espera com esta estratégia alcançar popularidade e reverter esse sucesso de vendas em contratos para apresentações ao vivo e.155 mensais com a venda ambulante de discos em carrocinhas. Música Ltda | O negócio da música Produtor executivo .000 — já com os equipamentos e aparelhos sonoros. neste caso.

o consumidor dos produtos musicais. incluindo nove regiões metropolitanas. Nos Estados Unidos ou na Inglaterra. concluiu que o show de música é a segunda atividade cultural mais frequentada pelo brasileiro. Público consumidor O público é o apreciador da obra artística.Produtor fonográfico Pessoa física ou jurídica que toma a iniciativa e tem a responsabilidade econômica da primeira fixação do fonograma. dando orientações ao técnico de som e aos músicos. o organizador do fã-clube do artista. promoter é o próprio organizador do evento e não alguém que trabalha apenas na sua divulgação. E recebe uma percentagem (10% a 20%) sobre a bilheteria ou sobre o lucro do evento. O produtor fonográfico é a gravadora (e vice-versa). Os entrevistados também foram perguntados sobre quanto acham justo pagar pelo consumo de determinados produtos culturais. promoter é o responsável pela realização do show. Vale dizer. É o responsável pelo “som” do disco. Um bom produtor musical deve ter sensibilidade artística e. com mil entrevistados domiciliares em 70 cidades do país. As respostas obtidas: . dependendo da sua experiência e fama. qualquer que seja a natureza do suporte utilizado. Geralmente ele é funcionário da casa de show ou da boate. promoter é quem divulga o evento e distribui convites. Também pode ter salário fixo pago pela casa de show ou boate. conhecimento técnico. Promoter No Brasil. Produtor musical O produtor musical dirige a gravação no estúdio. o público representa o elo final da cadeia produtiva da música. Cabe ao produtor fonográfico autorizar o uso e a veiculação do fonograma. realizada pela Fecomércio/RJ e Ipsos. Sua remuneração varia muito. bem como do tempo de gravação e da quantidade de músicas a serem gravadas. Algumas pesquisas foram realizadas com o objetivo de estudar o consumo dos produtos musicais no Brasil. explorando-o comercialmente através da sua venda ou licenciamento. Uma delas. Se o autor é o início de tudo. ao mesmo tempo. Trata-se de uma espécie de relações públicas.

• R$ 16 por um show;
• R$ 9 por um CD;
• R$ 13 por um DVD;
• R$ 9 para ir ao cinema;
• R$ 15 para ir a uma peça de teatro;
• R$ 20 por um livro.
Sindicatos

A atual Constituição Federal diz que nenhum trabalhador será obrigado a associar-se
ou a permanecer associado. No entanto, as entidades associativas como os sindicatos têm
legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. Os sindicatos também gozam de legitimação para instituir e fazer valer a tabela de piso de remuneração da
categoria, bem como para negociar com a classe patronal sobre o reajuste de salários.
Existem dois importantes sindicatos no setor musical espalhados por quase todos os Estados da federação. O Sindicato dos Músicos representa os interesses de músicos e cantores.
Já o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Sated) representa outros artistas, como atores e bailarinos, e ainda técnicos de som e iluminação e contrarregra.
Existe uma contribuição sindical cobrada anualmente dos filiados. Em contrapartida, os
sindicatos defendem os interesses dos trabalhadores do setor e também prestam alguns serviços adicionais como assessoria jurídica, plano de previdência complementar fechado (CulturaPrev), atendimento médico e odontológico, clube de recreação, dentre outros.

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Sociedades de autor

• Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes);
• Amar (Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes);
• Sbacem (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música);
• Sicam (Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais);
• Socinpro (Sociedade Brasileira de Administração e Proteção de Direitos Intelec-tuais);
• UBC (União Brasileira de Compositores);
• Abrac (Associação Brasileira de Autores, Compositores, Intérpretes e Músicos);
• Anacim (Associação Nacional de Autores, Compositores, Intérpretes e Músicos);

Música Ltda | O negócio da música

Sociedade de autor de obra musical é uma associação civil, sem fins lucrativos, criada
para a administração dos direitos de execução pública de obras musicais, que retém 6% do
que o Ecad repassa e faz o pagamento do restante para a editora, gravadora ou autor. Os associados podem ser compositores, autores, editoras, músicos, gravadoras e intérpretes.
As sociedades de autor são:

• Assim (Associação de Intérpretes e Músicos);
• Sadembra (Sociedade Administradora de Direitos de Execução Musical do Brasil).
A Assembleia Geral do Ecad, formada por essas associações musicais, é responsável pela
fixação de preços e regras de cobrança e distribuição dos valores arrecadados. Os titulares de
direitos autorais são filiados a tais associações, que por sua vez são responsáveis pelo controle
e pela remessa ao Ecad das informações cadastrais de cada sócio e dos seus respectivos repertórios, a fim de alimentar seu banco de dados e possibilitar a distribuição dos valores arrecadados dos diversos usuários de música.
Tour manager

O tour manager é responsável por executar a turnê. Ele contorna os imprevistos, cumpre
a agenda de compromissos, cuidando dos horários, do traslado, das viagens, do check in e do
check out em hoteis.
O tour manager pode receber diárias ou cachê fixo por show. Ou ainda percentagem do
cachê.
Ele é uma figura muito comum na Europa. No Brasil, o produtor geralmente acumula a
função.
Varejista

O varejista é a pessoa (ou a loja) que recebe o disco do distribuidor e revende ao consumidor. Em média, o varejista vende o produto (CD ou DVD) com 50% de lucro em cima do
preço de custo.
Os principais varejistas são lojas de discos, magazines, livrarias e bancas de revista.
Atualmente o comércio digital tem crescido muito no Brasil. Pesquisas apontam que,
enquanto no comércio de discos no varejo tradicional houve um aumento, em 2008, de 4,9%
em relação a 2007, o mercado digital de música aumentou 79,1%, quando comparado com o
ano anterior.

Exercício da profissão de músico
A Lei 3.857 foi sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1960, criando a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) com a finalidade de exercer em todo o país a seleção, a
disciplina, a defesa da classe e a fiscalização do exercício da profissão de músico, mantidas as
atribuições específicas dos sindicatos locais. Mas, na vida real, as coisas são bem diferentes.
Regulamentada no século passado, os músicos atuais têm o desafio de colocar em ordem
o exercício da profissão no Brasil. Isto porque a OMB transformou-se num fim em si mesma.

Na prática, a OMB exerce apenas as funções de fiscalização, cobrando anuidades e taxas para manter a própria estrutura e pagar o salário dos funcionários. A função de defesa da classe
musical, talvez a mais importante, não tem sido colocada em prática como deveria.
A referida lei diz que a duração normal do trabalho de músico é de cinco horas. Todos
os preceitos da legislação de assistência e proteção ao trabalho, assim como da Previdência
Social, são aplicados aos músicos profissionais. Todo contrato de músico profissional obriga o
desconto e o recolhimento das contribuições previdenciárias e do imposto sindical por parte
do contratante.
O músico só poderá exercer a profissão depois de regularmente registrado (artigo 16).
Então ele receberá uma carteira profissional, válida como identidade civil, que o habilitará
a exercer a profissão em todo o país (artigo 17). Todo músico encontrado no exercício ilegal
da profissão (artigo 18), comprovado por anúncio, cartaz ou outro meio de propaganda, fica
sujeito às seguintes penas disciplinares: advertência, censura, multa, suspensão e cassação do
exercício profissional (artigo 19). No nosso entendimento, o artigo 19 é inconstitucional, pois
fere o princípio fundamental da liberdade de expressão, conforme o inciso IX, artigo 5º, da
Constituição Federal: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de
comunicação, independente de censura ou licença”.
Sendo uma autarquia federal, dotada de personalidade jurídica de direito público, com
autonomia administrativa e patrimonial, a Ordem dos Músicos do Brasil deve seguir os princípios da Administração Pública consagrados pela Constituição Federal de 1988: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Em caso de descumprimento destes
princípios, qualquer músico é parte legítima para entrar com ação contra a OMB.

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Os músicos e produtores conhecem a nota contratual, menos pelos benefícios e mais
pela burocracia e pelo valor cobrado, em alguns casos, de forma abusiva, pela Ordem dos
Músicos do Brasil e pelo Sindicato dos Músicos.
De fato, essas práticas estão em desacordo com a norma jurídica — a portaria do Ministério do Trabalho e Emprego no 3.347/86, posteriormente alterada pela Portaria 446/04.
Em primeiro lugar, a empresa contratante deve providenciar o visto da Ordem dos
Músicos do Brasil e do Sindicato dos Músicos nos órgãos regionais e locais onde ocorrerá o
show.
Em segundo lugar, observada a regularidade da situação profissional do músico contratado, os referidos órgãos não podem cobrar qualquer taxa ou emolumento para a concessão
dos vistos.

Música Ltda | O negócio da música

Nota contratual de trabalho para músicos profissionais

E assim por diante. o recolhimento previsto será feito imediatamente após o término de cada espetáculo. No caso de contrato celebrado com base em percentagens da bilheteria. consecutivas ou não. principalmente. em nome da Ordem dos Músicos do Brasil e do sindicato local. já a identificação AB 0010000 significa que a segunda tiragem teve 10. Mas o decreto entrou em vigor somente a partir do dia 22 de abril de 2003. quando para o desempenho dos serviços artísticos for necessário viajar. os seguintes sinais de identificação: empresa fabricante. por um prazo de pelo menos cinco anos.533/02. A mesma nota poderá ser usada para temporadas de até 10 apresentações. Deve ser preenchido em cinco vias. somente será registrado no Ministério do Trabalho depois de provada a realização do pagamento. além da qualificação e assinatura dos contratantes. o local. em partes iguais (5% para cada entidade).000 cópias. Numeração de discos e ISRC Há muito tempo os artistas reclamavam que não havia controle sobre a fabricação de seus discos. A pressão sobre os parlamentares e o Governo Federal aumentou em meados de 2002. Segundo o decreto. finalmente o presidente Fernando Henrique Cardoso publicou o Decreto 4. Os artistas queriam transparência e mecanismos de fiscalização. devendo a empresa contratante conservar a primeira via para fins de fiscalização. em cada exemplar do suporte material que contenha fonograma deve constar. A cláusula sexta do anexo I da Portaria 446/04 diz que o contratante se obriga a pagar ao artista. a identificação AA0005000 significa que a primeira tiragem teve 5. da taxa de 10% sobre o valor do contrato. obrigatoriamente. pelo contratante.A nota contratual é o instrumento legal de contrato para prestação de serviço eventual. Esse instrumento contratual deverá conter. Podemos destacar a militância da sambista Beth Carvalho e. a mobilização do roqueiro Lobão. Em dezembro daquele ano. a espécie. Eles apenas recebiam um relatório de vendas das gravadoras. O contrato celebrado com um músico estrangeiro. A identificação da tiragem deve conter duas letras e sete números. tiragem e quantidade produzida. até o respectivo retorno. domiciliado no exterior e com permanência legal no país. Por exemplo. lote. Desconfiavam que elas pudessem estar fabricando e vendendo mais discos do que informavam nos relatórios. a duração. hospedagem e alimentação. produtor fonográfico.000 cópias. O recolhimento desta taxa será feito pelo Banco do Brasil. a natureza do ajuste. Foi um verdadeiro presente de Natal para os artistas brasileiros. . as despesas de transporte. o valor e a forma de pagamento — efetuado até o término da apresentação. apelidado de “Lei Lobão”.

no Rio de Janeiro. morta em dezembro de 2001. no ano 2009 (09). Este é um direito fundamental instituído pela Constituição Federal de 1988 (artigo 5º. Não fossem os rendimentos de direitos autorais e conexos. Por motivos óbvios. o intérprete ou as associações representativas podem solicitar acesso a esses registros para fiscalizar o aproveitamento econômico da obra musical. O direito autoral. a duração e o gênero da música. que outra fonte de renda teria seu pequeno filho naquele momento? Quem garantiria seu sustento. Mas não vamos entrar no mérito dessa discussão. é a garantia de aposentadoria para o compositor e de pensão para os seus familiares. alínea b): XVIII – São assegurados. O autor. Isto funciona como uma espécie de carteira de identidade da música gravada. Veja o exemplo da cantora Cássia Eller. Há três formas de registrar uma música: • só a letra. o intérprete. O ISRC é composto por 12 caracteres.O suporte material deve conter o código digital ISRC — International Standard Recording Code. O resto é contra ou defende a flexibilização da norma vigente — a Lei 9. Por exemplo. Existem escritórios autorizados em todos os Estados brasileiros. porque este não é o objetivo deste trabalho. dentre outros dados. o produtor fonográfico. flexibilização. BR-BZC-09-00100 indica que o fonograma foi produzido no Brasil (BR) sob a responsabilidade da banda Brazuca (representada pela sigla BZC). inciso XVIII. os músicos executantes. O código informa o autor. no nosso entendimento. sendo o centésimo fonograma registrado naquele ano (00100) pelo produtor fonográfico. os intérpretes e as respectivas representações sindicais e associativas. sem precisar depender da ajuda de outros? No Brasil existe uma lei sobre direito autoral e duas correntes doutrinárias conflitantes. nos termos da lei: b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem os criadores. Sobre o registro de obras artísticas. 52 53 Música Ltda | O negócio da música Direitos autorais. • letra e música. O fabricante e o produtor fonográfico devem manter essas informações em arquivo por um período mínimo de cinco anos. os artistas de sucesso comercial são a favor da lei.610/98. • só a música. registro e edição de obras musicais . o caminho legal é registrá-las no Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

Ao assinar um contrato de edição. Tais direitos perduram por 70 anos. temporariamente. São os chamados direitos conexos. Autores. produtores fonográficos ou editores devem escolher a que mais lhes convier. Mas nosso entendimento é que um ato complementa o outro. suspender ou retirar a obra de circulação. A violação dos direitos autorais recebe sanções estipuladas pela Lei 9. Socinpro. a certidão deve chegar à residência do compositor com o número do registro. São direitos morais do autor: ter seu nome na utilização da obra. proveito. 102. dentre outros. tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzido com fraude. que deverá ser retido na fonte. Sbacem. aos artistas intérpretes. obter ganho. no que couber. Assim e Sadembra. porque para receber remuneração pelos direitos autorais de execução pública basta se filiar a uma sociedade de autor. Outra questão é a edição musical. O pedido é enviado à FBN. para si ou para outrem. Normalmente o editor fica com 25% e o autor com 75% da receita sobre a exploração comercial da obra. Art. intérpretes. dentre os quais destacamos quatro: Art. São nove artigos. 104. o autor estará legalmente protegido e sua família terá direito pelo resto da vida aos benefícios decorrentes da sua obra.Em geral o autor deve apresentar letra e partitura em folhas separadas. expuser à venda. Divulgar a obra comercialmente é dever do editor. divulgada ou de qualquer forma utilizada. é isento de contribuição previdenciária. Num prazo de 30 dias úteis. a título de royalties. lucro direto ou indireto. distribuir. com a finalidade de vender. adquirir. Amar. Existem dez sociedades de autor: Abramus. ocultar. contados do dia 1º de janeiro subsequente ao ano do seu falecimento. UBC. o autor passa para o editor. O titular cuja obra seja fraudulentamente reproduzida. Sicam. vantagem. será solidariamente responsável com o contrafator. sem prejuízo da indenização cabível. Já vimos que os direitos patrimoniais do autor podem ser transferidos para exploração econômica. Os direitos morais são inalienáveis e intransferíveis. . modificar ou não a obra.610/98. O dinheiro que o autor recebe da editora. comprovante de residência e do pagamento de uma pequena taxa por música (cheque nominal anexado ao pedido ou depósito bancário). mas não de Imposto de Renda. Quem vender. a administração patrimonial da obra. Assim. aos músicos executantes e aos produtores fonográficos. com o intuito de auferir rendimentos. Os direitos autorais são subdivididos em direitos morais e patrimoniais. Anacim. Alguns profissionais afirmam que esse tipo de registro não tem importância. São elas que compõem a Assembleia Geral do Ecad. poderá requerer a apreensão dos exemplares reproduzidos ou a suspensão da divulgação. Os direitos autorais aplicam-se. conservar a obra inédita. bem como fotocópia da identidade e do CPF. Abrac.

Art. bem como matrizes. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. ou multa. sem intuito de lucro direto ou indireto. sem autorização expressa do autor. do intérprete ou executante. por qualquer meio ou processo. 2º e 3º não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou aos que lhe são conexos. Destacamos o art. § 3º Se a violação consistir no oferecimento ao público. em um só exemplar. seus proprietários. de obra intelectual. de 19 de fevereiro de 1998. nem a cópia de obra intelectual ou fonograma. Música Ltda | O negócio da música em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda. fibra ótica. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor. respondendo como contrafatores o importador e o distribuidor. satélite. ou do direito do produtor de fonograma. adquire. com o intuito de . distribui. mediante cabo. do produtor. diretores. 68. A sentença condenatória poderá determinar a destruição de todos os exemplares ilícitos. que alterou o Código Penal e o Código de Processo Penal. 106. do autor. interpretação. introduz no país. direto ou indireto. ou multa. gerentes. a sua destruição. 184 do Código Penal: Art. 184. 110. do intérprete ou executante. Art. As penalidades previstas foram dadas pela Lei 10.nos termos dos artigos precedentes. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: Pena – detenção. tem em depósito. realizados nos locais ou estabelecimentos a que alude o art. vende. para uso privado do copista. do direito de intérprete ou executante. expõe à venda. com intuito de lucro direto ou indireto. § 1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial. servindo eles unicamente para o fim ilícito. ou de quem os represente: Pena – reclusão. sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente. Pela violação de direitos autorais nos espetáculos e audições públicas. sem autorização expressa. § 2º Na mesma pena do § 1º incorre quem. aluga. do produtor de fonograma. ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la lucro.695/03. moldes. empresários e arrendatários respondem solidariamente com os organizadores dos espetáculos. ou de quem os represente: 54 55 Pena – reclusão. ou ainda aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma. em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610. em caso de reprodução no exterior. conforme o caso. equipamentos e insumos destinados a tal fim ou. com o intuito de lucro direto ou indireto. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. execução ou fonograma. oculta. conforme o caso. ou multa. assim como a perda de máquinas. negativos e demais elementos utilizados para praticar o ilícito civil. § 4º O disposto nos §§ 1º.

apresentam o conceito do “open business”. desde que comprove a sua qualificação. se for maior. consequentemente. a limitação quanto à quantidade de ingressos na modalidade meia-entrada só pode ocorrer se a lotação do local estiver impressa no ingresso. Por exemplo. Como a principal fonte de renda dos artistas do tecnobrega advém das apresentações ao vivo. livres dos rendimentos de direitos autorais. a horizontalização da produção — em geral feita em rede. a contribuição da tecnologia para a ampliação desse acesso e a redução de intermediários entre o artista e o público. a ampliação do acesso à cultura. a flexibilização dos direitos de propriedade intelectual. respectivamente. a Lei 10. Entre as principais características deste modelo. camarote etc). os porteiros devem estar atentos à validade da mesma. na modalidade inteira. Em caso de apresentação da carteira estudantil.000 pessoas. Se a capacidade do local for menor do que 3. pelo menos 50% desses lugares deverão ser reservados para ingressos na modalidade meia-entrada. protocolar . Ainda segundo o decreto. a quantidade mínima deste tipo de ingresso será de 30%. o consumidor deverá comprar o ingresso. custando R$ 50 e um ingresso promocional antecipado custando R$ 30. numa pesquisa sobre o modelo de negócio do tecnobrega.498/93 prevê multa de até 70% da arrecadação bruta do espetáculo para o produtor cultural infrator. na cidade de Belém. Em Pernambuco. ficando dispensada a exigência exclusiva de apresentação da carteira estudantil. gerar contratos de show”. estão a sustentabilidade econômica. Porém. São modelos de negócios que envolvem a criação e disseminação de obras artísticas em regimes flexíveis de propriedade intelectual. a MP é válida em todo o território brasileiro. Caso haja uma recusa para a venda nessas condições. se o evento oferece um ingresso. para se tornar um sucesso e. O Decreto 16. Ressaltamos que o benefício da meia-entrada vale para qualquer modalidade de ingresso (inteira.Ronaldo Lemos e Oana Castro. a meia-entrada será oferecida aos preços de R$ 25 e R$ 15.859/93 assegura a meia-entrada para estudantes. Como tem força de lei federal. os autores supracitados concluem que “perder o controle sobre a execução de uma obra é condição para sua maior difusão.208/01 garante o direito a 50% de desconto em eventos culturais e artísticos para quem comprovar estar matriculado em curso permanente de qualquer instituição de ensino. se no ingresso não houver a informação expressa da lotação do lugar. ou negócio aberto. Meia-entrada em eventos culturais A Medida Provisória 2. pista. qualquer pessoa terá direito à meia-entrada. promocional.

no desenvolvimento de um projeto setorial integrado de exportação da música do Brasil. os professores (Lei 12. é ampliar seu mercado de trabalho e atrair diversas divisas diretamente relacionadas ao setor. ABMI (Associação Brasileira da Música Independente) e BM&A (Brasil Música e Artes) — uniram-se. O artista tem que ir onde há público e mercado. Música Ltda | O negócio da música ferramenta. Os artistas precisam enxergar o mercado global como uma opção real e lucrativa. Ministério da Cultura e Sebrae. Os idosos (Lei 11.uma denúncia no Procon e entrar com uma ação no Juizado Especial pedindo a restituição do valor em dobro. Sectma. sendo mais vantajoso receber em dólares do que em reais. Três associações que atuam na promoção da música do Brasil no exterior — ABGI (Associação Brasileira de Gravadoras Independentes). fornecem precauções que os artistas brasileiros devem tomar quando contratados para apresentações no exterior: • firmar contrato que estabeleça as condições das apresentações.247/07) também têm direito a 50% de desconto em eventos culturais e esportivos. pelo excepcional nível dos seus artistas. Exportação da música O mundo está conectado através dos veículos de comunicação e dos meios de transporte. este projeto será uma poderosa Edson Natale e Cristiane Olivieri. . Mas nem só estudantes têm o direito à meia-entrada em Pernambuco. sofisticação e. conforme narra Marinilda Boulay no livro “Guia do mercado brasileiro de música 2006-2007”: 56 57 A intenção do plano.258/02) e os servidores públicos da Fundarpe. com seu evidente reflexo no incentivo da produção musical do país. mediante a apresentação das respectivas carteiras de identificação civil ou funcional. Para uma banda em Recife é mais barato viajar para Miami do que para Manaus. o preço e a legislação aplicável. de forma a ter segurança de recebimento do cachê e de cumprimento das exigências do rider técnico.628/98). Ainda. diversidade. sobretudo. A música brasileira é reconhecida em todo o mundo por sua qualidade. a ser utilizada nos esforços de exportação de outros produtos e serviços brasileiros. por iniciativa da Apex-Brasil. no livro “Guia brasileiro de produção cultural 2007”. que deve unificar os esforços atualmente isolados de difusão da música brasileira. • checar o histórico do contratante. UPE e Conservatório Pernambucano de Música (Lei 13.

A rádio continua sendo uma boa estratégia para superar a barreira de entrada no mercado internacional. Na Europa.wmce. uma espécie de guia de viagem com informações de shows. 9 A palestra aconteceu em 2006. há o endereço de todas as rádios associadas. • providenciar com o contratante um visto de trabalho junto ao órgão de imigração do seu país. estadual e municipal). O que não puder ser disponibilizado deverá ser levado do Brasil. intitulada “World music charts Europe”8. • verificar os documentos pessoais — o passaporte deve ter validade de pelo menos seis meses para que o artista possa pegar o visto. A carga tributária é menor e existe pouca exigência de registro contábil. tudo em ordem cronológica. do Sebrae.• não supor que haverá equipamentos e instalações disponíveis. retirando-o no respectivo consulado antes de deixar o Brasil. É o caso do governo (federal. . telefones. julho e agosto) e o outono (setembro e outubro). inexiste custo com aluguel de sala. de médias e grandes empresas privadas e de muitos editais de patrocínio cultural. na segunda edição da Porto Musical. o que facilita o dia-adia da organização. que tocam músicas do mundo inteiro e divulgam mensalmente uma lista dos artistas em destaque. Além do mais. contato dos produtores locais. e-mails etc. porque não há necessidade de possuir um contador como empregado e de alugar uma sala comercial — no lugar pode ser alugada uma caixa postal virtual como sede da microempresa. O tour manager é pago pela banda depois que esta recebe os cachês. horários. Desta forma. IPTU. Cuidado para despesas extras com excesso de carga. durante uma palestra no Recife. segundo a Lei Geral (LC 123/06). sob qualquer forma de comercialização. hotéis. inclusive com nome dos radialistas. do Sesc. Artista e empreendedor A necessidade de o artista legalizar sua atividade musical é um caminho sem volta. com nota fiscal e CNPJ. condomínio e energia. Diversas organizações contratam exclusivamente empresas formais. informações e dicas sobre uma viagem internacional9. os custos operacionais são reduzidos.de). A única exigência é que o disco esteja disponível no mercado europeu. existe uma associação que congrega 54 rádios. seja de que tipo for. O produtor brasileiro Iran Gomes atua como tour manager na Europa. de vários países. Ele forneceu. Há duas épocas do ano propícias para turnês na Europa: o verão (junho. O tour manager é responsável pela confecção do “road book”. A melhor alternativa para começar um novo negócio é adotar o modelo de microempresa. enviando todas as suas necessidades através do rider técnico. Os músicos-sócios trabalha- 8 No site da organização (www. pousadas. tickets de embarque.

Ronaldo Lemos e Oana Castro revelaram o caminho percorrido pelo guitarrista Chimbinha e pela cantora Joelma para alcançarem este patamar. envie material para imprensa. seria bom que essas tarefas fossem compartilhadas por todos os músicos.riam em suas residências e dividiriam os custos fixos — contador terceirizado. MySpace. resolva sua liberação junto à Ordem dos Músicos e ao Ecad. No caso de cinco sócios. manutenção da conta corrente. Quando estouraram entre as classes populares do Pará e de outros Estados do Nordeste. elegendo-se um músico coordenador de todo o 10 Pesquisa realizada pelo Datafolha/Fnazca. mensalidade da caixa postal. serão cinco sócios que se dividirão na gestão da microempresa. os CDs não pararam nas prateleiras. É pouco custo individual para muitos benefícios coletivos. Mas ter uma banda é uma tarefa mais complexa e exige outras responsabilidades do músico. Quando a banda não tem produtor executivo ou empresário. 58 59 Basicamente. Twitter etc). No modelo de negócio elaborado para este livro. foram convidados pela produção do “Domingão do Faustão” para se apresentar no programa. Uma pesquisa apontou a banda Calypso como a mais ouvida no Brasil em 200710. Uma lição de empreendedorismo. com mais de 12 milhões de discos e três milhões de DVDs vendidos oficialmente em 10 anos de carreira. comunicação e organização. atingindo um público de todas as idades. Vendidos a preços baixos — entre R$ 5 e R$ 10. alimente a página da banda na Internet (site oficial. Deve ser alguém de confiança e iniciativa. frequentados por seus fãs. No entanto. um dos músicos deve assumir este papel. com habilidade de relacionamento. Orkut. Criaram seu próprio selo e distribuíram seus CDs em grandes supermercados populares. escreva o repertório do show. envie rider técnico e mapa de palco para a produção do show. administre o caixa da banda e planeje o próximo passo da carreira. a conta por músico seria de apenas R$ 58 mensais. Toda banda deve ter alguém que trabalhe por ela fora do palco. Uma pessoa que faça contato com contratantes e com outros músicos. para não sobrecarregar uma pessoa apenas. A dupla começou a gravar e vender sem apoio de gravadora. De acordo com o Código Civil. qualquer sociedade empresária limitada (como a microempresa) precisa ter pelo menos dois sócios. registro e hospedagem do site e cadastro mercantil (algo em torno de R$ 290 por mês). as tarefas do músico são duas: ensaiar e fazer shows. receba o cachê e faça os pagamentos devidos. A fórmula inovadora deu certo. sexos e gostos. Música Ltda | O negócio da música Divisão de tarefas entre músicos da banda . marque ensaios. Do estúdio para todo o Brasil.

brigas e desentendimentos. Mais tarefa exige mais responsabilidade. problemas irão surgir com o passar do tempo — desmotivação.processo. insatisfação. Nada mais justo. Quem dá mais ganha mais. portanto. Se assim não for. quem dá menos recebe menos. Também é importante que o músico que acumula tarefas seja remunerado também pelo trabalho extra. fluxograma 1 – Divisão de tarefas entre músicos Produção executiva Direção artística Comercial Banda ou artista Comunicação Administração . que a remuneração seja acrescida na mesma proporção.

O empreendedorismo

O conceito de empreendedorismo está intimamente ligado ao conceito de realização. Se
formos buscar no dicionário a origem da palavra empreender, iremos encontrar as seguintes
definições: “resolver-se a praticar”, “tentar”, “delinear” ou ainda “pôr em execução, realizar,
fazer”. A palavra empreendedor tem origem francesa (entrepreneur) e significa “aquele que assume riscos”, “aquele que começa algo novo”. O Sebrae define empreendedor como o “indivíduo que possui ou busca desenvolver atitude de inquietação, ousadia e proatividade na relação
com o mundo, condicionado por características pessoais, pela cultura e pelo ambiente, que
favorecem a interferência criativa e inovadora”.
A definição de empreendedorismo dada por Joseph Schumpeter é clássica. Economista
austríaco que viveu entre 1883 e 1950, Schumpeter criou o conceito de “destruição criativa”,
um processo onde cada nova tecnologia destrói a velha técnica. Velhos postos de trabalho são
substituídos por novas profissões. Robert K. Menezes, no artigo “A contribuição de Schumpeter para o empreendedorismo”, diz que o progresso é consequência deste processo destruidor
e criativo. A visão schumpeteriana incorpora à economia o papel dos empreendedores como
sujeitos capazes de aproveitar as chances das mudanças e introduzir novos produtos e serviços
no mercado.
Para Schumpeter, “empreendedor é o agente do processo de destruição criativa. É o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos,

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novos mercados e, implacavelmente, sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros”.

O empreendedorismo ganhou corpo no Brasil a partir da década de 90. Isto aconteceu
devido à soma de quatro fatores:

A missão do Sebrae é promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das
micro e pequenas empresas, e fomentar o empreendedorismo. O site da instituição assim relata
a importância da sua missão:
Uma das prioridades da instituição, portanto, diz respeito à capacitação dos empresários e dos interessados em abrir sua empresa, investindo na elaboração de planejamento do negócio e no conhecimento
direcionado às práticas gerenciais, para que estes possam criar e manter seus empreendimentos, participando efetivamente do desenvolvimento do país.

Música Ltda | O empreendedorismo

• a reestruturação do Sebrae;
• o controle da inflação através do Plano Real;
• a instituição do Simples (Lei 9.317/96), primeira versão do estatuto que concedia benefícios às micro e pequenas empresas;
• a inserção da disciplina “empreendedorismo” no currículo de alguns cursos universitários.

por exemplo. abre-se um negócio em menos de 30 dias. é uma posição de destaque. a única saída de um recém-formado de 22 anos de idade ou de um recém-desempregado aos 40 anos. foi instituída a Lei Complementar 123. aperfeiçoando os mecanismos do estatuto anterior. foi o resultado do relatório executivo de 2000 do Global Entrepreneurship Monitor. principalmente em tempos de crise econômica mundial. Diante de um mercado de trabalho estagnado e. em 2003. retraído. com números expressivos. Para o professor e escritor Fernando Dolabela. segundo dados do Sebrae. o empreendedorismo surge como resposta ao desemprego. no gráfico apresentado anteriormente. dinamiza a economia”. Oriente Médio e norte da África. A revista semanal de informação Carta Capital publicou um caderno especial sobre empreendedorismo. “o empreendedor é o responsável pelo crescimento econômico e pelo desenvolvimento social. intitulado Doing Business. na China são menos de 40. agora é possível começar um negócio com um único procedimento”. envolvendo mais de 14 milhões de pessoas em novos negócios. o templo Iskcon Sri Radha Krish- . A cada ano nascem cerca de 500 mil empresas no país.2% da população adulta (cerca de 112 milhões de pessoas). Ainda assim. destaca a presença do Brasil como país bem colocado no ranking mundial do empreendedorismo: Um fato que chamou a atenção dos envolvidos com o movimento do empreendedorismo no mundo e. Como se sabe. É desnecessário citar dados dos Estados Unidos e Europa. muitas vezes.Em 2006. que criou o Simples Nacional. na sexta posição. A criação do próprio emprego é um tipo de empreendedorismo forçado. este estudo tem sido realizado anualmente e. No Canadá. Elas são fundamentais para o desenvolvimento do país. divulgando um relatório do Banco Mundial. O mesmo caderno especial traz uma seção mostrando casos em que o empreendedorismo também pode ser aplicado na filantropia. são necessários mais de 60 dias. o Brasil aparece. com um índice de criação de empresas de 13. Um dos assuntos pesquisados era o número médio de dias necessários para se abrir uma nova empresa de forma legal. José Carlos Dornelas. sobre os melhores países com ambientes favoráveis aos novos negócios. na Ásia Central. na edição de 1º de abril de 2009. Na índia. Por meio da inovação. reduzindo a burocracia e concedendo privilégios legais e tributários para estimular ainda mais os empreendedores brasileiros. Na América Latina e no Caribe. no Brasil. Diz o texto da revista: “A maior parte dos países ricos trabalha o tempo todo para tornar mais fácil a abertura de um novo negócio. onde o Brasil apareceu como o país que possuía a melhor relação entre o número de habitantes adultos que começam um novo negócio e o total dessa população: um em cada oito adultos. no livro “Empreendedorismo: transformando ideias em negócios”. principalmente.

capacidade de liderar. Qualquer profissional pode solicitar à Secretaria de Finanças do município sua inscri- 64 65 Música Ltda | O empreendedorismo • busca de oportunidades e iniciativa (capacidade de pensar diferente e de fazer novas relações entre coisas antigas). temporal e atingível). Joacir Martinelli.na-Chandra possui sala de conferência com recursos audiovisuais. “Os empreendedores sociais borram a distinção entre fazer dinheiro e fazer caridade. • persuasão e rede de contatos (investir em relacionamentos interpessoais . • busca de informações (coleta de dados. Alguns bilionários empreendedores fazem parte do seu Conselho Diretor. O templo fornece. Presta serviço eventual ao tomador do serviço. • riscos calculados (calcular as consequências e tomar precauções). o profissional autônomo exerce por conta própria atividade econômica de natureza urbana. • persistência e comprometimento (tentar de outras maneiras para atingir o resultado). 200 mil refeições para as crianças das escolas da cidade de Bangalore. talão de nota fiscal e é contribuinte individual do INSS.a meta deve ser mensurável. Alguns desses empreendedores criam fundos especiais de capital de risco para financiar exclusivamente a criação de novas empresas.foco no objetivo). Possui inscrição municipal. diz o texto. entrevista. sem vínculo empregatício. diariamente. conversa. • exigência de qualidade e eficiência (fazer melhor a cada dia com menos recursos). • planejamento e monitoramento sistemáticos (dividir a meta em submetas e acompanhar a sua materialização rotineiramente). hierarquia ou subordinação. no artigo “Comportamentos empreendedores”. leitura de livros e periódicos etc). pesquisa na Internet. mas não possui personalidade jurídica nem CNPJ. . identifica e define nove comportamentos decisivos para o sucesso de qualquer tipo de empreitada: Autônomo Também conhecido como profissional liberal. específica. influenciar pessoas). Alguns usam os lucros do negócio para subsidiar o trabalho beneficente”. Comportamentos empreendedores Citando uma pesquisa realizada com empresários americanos pelo psicólogo David McClelland. • independência e autoconfiança (vontade de realizar . da Universidade de Harvard. • estabelecimento de metas (conhecer o resultado .

empresário artístico. A alíquota pode variar de um município para outro. auxílio-acidente. despesas com aluguel.br). o valor mínimo é de R$ 102 e.previdencia. O autônomo deve observar o piso e o teto do salário de contribuição mensal. Para o exercício 2010. como o valor da contribuição social já foi retido na fonte. mediante a apresentação dos documentos pessoais. mas a receita líquida após a dedução de alguns gastos. Mas a alíquota será de 11% caso o autônomo preste serviços a uma empresa ou a outra pessoa jurídica. O autônomo estará isento do recolhimento do ISS quando prestar serviço em sua sede. ou seja.ção como autônomo — músico. para fins previdenciários. através do carnê-leão. que deverá reter o valor na fonte. ou solicitar autorização para imprimir um talão de notas fiscais. O IRPF é um imposto progressivo.gov. produtor de eventos.416. auxílio-reclusão e pensão por morte. mensalidade escolar. oscilando entre 2% e 5%. através da Guia de Previdência Social (GPS). o autônomo está dispensado de recolher o valor referente a tal serviço através da GPS própria. caso um músico realize um show em uma cidade vizinha. utilizando o livro caixa do programa do carnê-leão. Neste caso. programa que deve ser baixado do site da Receita Federal (www. A base de cálculo é o valor total do serviço prestado (valor bruto). O ISS é devido ao município onde o serviço foi efetivamente prestado. informando o código 1007.gov.54. Geralmente o imposto municipal (ISS) tem valor fixo e é pago semestral ou anualmente. plano de saúde. A base de cálculo do IRPF.receita. O pagamento deve ser feito até o dia 15 do mês subsequente. em qualquer agência da Previdência Social. deve se inscrever obrigatoriamente no INSS como contribuinte individual. A inscrição pode ser feita pela Internet (www.31 — respectivamente 20% de R$ 510 (salário mínimo vigente) e 20% de R$ 3. A legislação permite a dedução de alguns custos e despesas — previdência oficial. sua alíquota aumenta na medida em que também aumenta o rendimento da pessoa física no mês de apuração (Tabela 1). O autônomo. .fazenda. o imposto municipal será devido a essa cidade e não à cidade onde o autônomo reside. técnico. Os principais benefícios oferecidos ao contribuinte individual da Previdência Social são salário-maternidade. O profissional autônomo está sujeito ao recolhimento mensal do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física). Assim. dentre outros. previdência privada. aposentadoria por idade/tempo de contribuição/ invalidez. R$ 683. br) ou pessoalmente. não é a receita bruta do autônomo recebida no mês de apuração. tratamento médico. gastos com dependentes. A alíquota dessa contribuição social é de 20%. que pode ser comprada em uma papelaria ou emitida diretamente pelo site da instituição. O autônomo pode emitir nota fiscal de serviço avulsa. caso esteja em situação regular perante a Secretaria da Fazenda municipal. o máximo. O autônomo deve providenciar o cadastro no município onde reside.

o músico não poderia requerer a inscrição como empresário: Art. 966. • não assumir dívidas de longo prazo. literária ou artística. o empresário exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. Música Ltda | O empreendedorismo Empresário . será considerado pessoa física. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. de natureza científica.743.75 ALÍQUOTA PARCELA A DEDUZIR DO IMPOSTO Isento – 7.406/02). 66 67 O instituto do empresário é a antiga firma individual do Código Civil antecedente.246. de acordo com o parágrafo único do referido artigo.5% R$ 505.5% R$ 692.43 De R$ 2.62 Acima de R$ 3.70 15% R$ 280. ressalvada a hipótese de sua continuidade por autorização judicial. Parágrafo único.78 O autônomo deve seguir quatro princípios básicos na intenção de reduzir os riscos inerentes ao desempenho da atividade por conta própria: • possuir baixos custos fixos.94 De R$ 2. Cabe destacar que a atividade deve ser exercida profissionalmente e de forma organizada.743.499. O empresário terá CNPJ e. O empresário deverá inscrever-se obrigatoriamente no Registro Público de Empresas Mercantis da sua cidade.16 a R$ 2. • evitar cartão de crédito.995. ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores. • ter uma poupança e uma previdência complementar. A sua morte acarretará a extinção da empresa.499.76 a R$ 2.19 27.995. ou no Simples Nacional. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual. mesmo assim. • usar cartão de débito e cartão pré-pago para celular. 966 do Novo Código (Lei 10.5% R$ 112. Vale ressaltar que. Isto significa dizer também que se exige habitualidade no exercício da profissão.TABELA 1 – Cálculo mensal do IRPF para o ano calendário 2010 BASE DE CÁLCULO MENSAL Até R$ 1. Pode optar pela tributação no lucro real ou presumido. Conforme define o art.15 De R$ 1.71 a R$ 3.246.19 22.

os magistrados etc. possua mais de um estabelecimento ou cuja atividade seja enquadrada no anexo IV ou V da Lei Complementar 123/06. 966 do Código Civil) que opte pela tributação do Simples Nacional e que tenha auferido renda bruta no ano calendário anterior de até R$ 36. entrando em vigor a partir de julho de 2009. de 16 de setembro de 2009.Mas o que é constituir elemento de empresa? É quando o músico organiza os fatores de produção. assumindo a gestão do negócio. Forma jurídica criada pela Lei Complementar 128/08. Não poderá optar por essa forma de enquadramento o MEI que contrate mais de um empregado. com a contratação de terceiros. os membros do Legislativo. permitiu a inclusão da atividade de cantor e músico independente (CNAE 90019/02 . agora são 10 atividades apenas: • cantor independente. os menores de 18 anos. algumas pessoas condenadas. • músico independente. A Resolução 67. No caso da indústria da música. serão observados apenas os fatores legais impeditivos do registro empresarial. porém. a atingir os trabalhadores informais (comerciantes.produção musical) na lista que indica as atividades abrangidas pelo instituto.000. . manufatureiros). a fim de que sejam alcançados pela proteção da Previdência Social. trazendo-os para a formalidade. artesãos. os funcionários públicos. Assim ele será considerado empresário pela teoria da empresa. Empreendedor individual A figura do empreendedor individual é a grande chance do músico independente formalizar sua atividade. não há solicitação de prova de exercício profissional da atividade no momento do registro. basicamente. • fabricante e reparador de instrumentos musicais. ou simplesmente empreendedor individual. participe de outra empresa como sócio ou administrador. A criação do instituto do empreendedor individual visa. Nesta ocasião. os empresários falidos ainda não reabilitados. os estrangeiros. prestadores de serviços. os militares. é a figura do empresário (art. ter CNPJ. dando forma empresarial à sua atividade. o Microempreendedor Individual (MEI). contratar direto com a Administração Pública e ter acesso ao crédito e a outros serviços bancários. do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). Na prática. por exemplo. • comerciante de instrumentos musicais e acessórios. os chefes do Poder Executivo. Não podem ser empresários. Enfim.

• R$ 5 a título de ISS.000 será proporcional aos meses em que a empresa foi constituída até o final do ano.000. caso sua atividade seja o comércio ou a indústria.000 por mês. Pode acontecer também de o empreendedor ultrapassar a cota anual de R$ 36.000 (3. • R$ 1 a título de ICMS. a remuneração que receber da empresa contará para os benefícios previdenciários. de uma só vez. a receita bruta não poderá ultrapassar R$ 27. Esse documento pode ser gerado por qualquer pessoa em qualquer computador ligado à Internet. os documentos do ano inteiro e ir pagando mensalmente. O valor do excesso deverá ser acrescentado ao faturamento do mês de janeiro e os tributos serão pagos juntamente com o DAS referente àquele mês.000).• comerciante de CDs.000 / por 12 meses = R$ 3. O pagamento é feito na rede bancária e nas casas lotéricas até o dia 20 de cada mês. a receita bruta de R$ 36. porém não ultrapassou R$ 43. • instrutor de artes e cultura em geral.1 (11% do salário mínimo vigente) a título de contribuição previdenciária. independente do seu faturamento. caso sua atividade seja a prestação de serviços. Neste caso. • promotor de eventos. discos e fitas. Por exemplo: 36. tenha vínculo de trabalho com outra empresa. • instrutor de música. a partir de janeiro do ano seguinte ao ano em que o faturamento excedeu R$ 36. Logo.000 x 9 meses = R$ 27. que será o resultado da soma dos seguintes valores: • R$ 56. temos duas situações: . É possível gerar. O limite é de R$ 36. o seu empreendimento será incluído no Simples Nacional.000. O MEI pagará mensalmente um valor fixo. Pode haver trabalhador que. caso o empreendedor constitua uma empresa no decorrer do ano. 68 69 Música Ltda | O empreendedorismo O pagamento desses valores é feito através de um documento chamado DAS. na categoria de microempresa.gov. o seu pagamento passará a ser de um percentual do faturamento por mês 4% se comércio. • o faturamento foi maior que R$ 36. se o empreendedor se inscreveu em abril. além de empreendedor individual. DVDs. 4.000. como empregado ou autônomo. Neste caso. A partir daí. • proprietário de casas de festa e eventos.000 anuais.5% se indústria e 6% se prestação de serviços.200 (20% do teto). • dono de bar.portaldoempreendedor. Não há qualquer tipo de impedimento ou conflito. Mas. gerado por um aplicativo no endereço eletrônico www.br. Neste caso.

portaldoempreendedor. mensalmente. o empreendedor deve zelar pela sua atividade e manter um mínimo de controle em relação ao que compra.200. O CNPJ. traduzida nos seguintes benefícios: . o número de inscrição na Junta Comercial e no INSS. ou o salário base da categoria. basicamente com a informação de quanto o empreendimento faturou com emissão e sem emissão de notas fiscais. Basta guardá-la para fins de controle e fiscalização. Mensalmente deverá fazer uma declaração correspondente. o comprador poderá emitir nota fiscal de entrada. também pela Internet.200. além de ser importante para crescer e se desenvolver. Anualmente deverá fazer uma declaração do faturamento. e enviá-la para a Receita Federal. Essa organização mínima permite gerenciar melhor o negócio e a própria vida. O empreendedor deverá registrar. O cadastro do empreendedor individual é gratuito e deve ser feito na Internet (www. e o alvará de funcionamento são obtidos imediatamente. desde que prevista na legislação do Estado ou município. as notas fiscais de compras de produtos e serviços. O empreendedor individual estará dispensado de emitir nota fiscal para pessoa física. Neste caso. Não é preciso também ter livro caixa.• o faturamento foi superior a R$ 43. vende e ganha. com acréscimo de juros e multa. Essa declaração deverá ser feita até o último dia do mês de janeiro de cada ano. E não precisa ser enviada a lugar algum. No caso de empreendedores que já possuem CNPJ.gov.receita. conforme explicado na primeira situação. referente ao exercício anterior. Contudo. Lembre-se também que é necessário conhecer as normas da prefeitura para desenvolver o seu negócio. passa a ser feito no mesmo ano em que ocorreu o excesso no faturamento. A contabilidade formal — livro diário e livro razão — está dispensada.br). o enquadramento no Simples Nacional será retroativo e o recolhimento sobre o faturamento.br). Além disso. e pagará uma alíquota de apenas 3% de contribuição previdenciária patronal. o total das suas receitas. E quais os benefícios da formalização? Cobertura previdenciária para o empreendedor e sua família. seja ele qual for. E manter em seu poder. totalizando 11% de encargos sociais. inicie imediatamente o cálculo e o pagamento dos tributos acessando diretamente o portal do Simples Nacional (www. a opção somente poderá ser feita durante o mês de janeiro de cada ano. poderá emitir nota fiscal avulsa. O empreendedor individual poderá ter até um empregado recebendo um salário mínimo.fazenda. Caso venda para pessoa jurídica. em formulário simplificado. além de 8% de FGTS. ao perceber que seu faturamento no ano será maior que R$ 43. caso venda mercadorias para contribuinte do ICMS.gov. da mesma forma. Por isso. recomenda-se que o empreendedor. mas estará obrigado à emissão quando vender para destinatário cadastrado no CNPJ.

Este valor deverá ser recolhido em GPS com o código de pagamento 1295. inclusive aposentadoria por tempo de contribuição. ele deverá complementar o pagamento em favor do INSS. Para o empreendedor • aposentadoria por idade (mulher aos 60 anos e homem aos 65 .9. • simplificação no processo de baixa e ausência do pagamento de taxas. Por exemplo. incluindo crédito. • possibilidade de crescimento em um ambiente seguro. Além desses benefícios. o valor correspondente ao salário mínimo (atualmente R$ 510) passa a contar para o cálculo de qualquer benefício previdenciário.é necessário contribuir pelo menos durante 15 anos) • aposentadoria por invalidez (é necessário um ano de contribuição) • auxílio-doença (é necessário um ano de contribuição) • salário-maternidade para a mulher (são necessários 10 meses de contribuição) Para a família • pensão por morte (a partir do primeiro pagamento em dia) • auxílio-reclusão (a partir do primeiro pagamento em dia) • acesso a serviços bancários. Com esse pagamento. 70 71 Música Ltda | O empreendedorismo Se a contribuição do empreendedor individual se der com base em um salário mínimo. na rede bancária. se o dia 15 for feriado). existem outras vantagens para o negócio: . a conta será a seguinte: R$ 510 x 9% = R$ 45. qualquer benefício que ele vier a ter direito também se dará com base em um salário mínimo. sabendo que não sofrerá ações do Estado. • desempenho da atividade de forma legal. até o dia 15 do mês seguinte a que se referir o pagamento (ou no primeiro dia útil subsequente. com o código de pagamento 1295. calculada sobre o salário mínimo. com uma alíquota complementar de 9%. O pagamento deverá ser feito em GPS. • apoio técnico do Sebrae sobre a atividade exercida. • formalização simplificada e sem muita burocracia. Caso o empreendedor individual queira ter direito a aposentadoria por tempo de contribuição (35 anos de contribuição para o homem e 30 anos para a mulher). com o valor atual do salário mínimo. • baixo custo da formalização em valores mensais fixos.

Se a empresa exerceu o primeiro mês de atividade. No início da atividade. Esta lei foi revogada pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. ou suas abreviaturas “ME” ou “EPP”. 179. mediante documento de arrecadação (DAS). Conforme mostra a leitura do art. devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. O Simples Nacional. os limites serão proporcionais ao número de meses ou frações de meses em que a ME ou EPP houver exercido a atividade. A União.317/96. a alíquota do mês de março/2009 será calculada somando o faturamento dos meses de março/2008 a fevereiro/2009. tributárias. que instituiu o Simples Nacional. instituído pela Lei Complementar 123/06.4 milhões. visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas. A receita bruta do ano calendário é calculada de acordo com o faturamento dos 12 meses antecedentes. a receita bruta no ano calendário esteja entre R$ 240 mil e R$ 2. sendo fundamentais para o desenvolvimento do país. 179 da CF: Art. a sociedade simples e o empresário. porque elas criam mais postos de trabalho. Respondem por 20% do PIB e empregam 60% dos trabalhadores. Por exemplo. oito anos após a promulgação da Constituição Federal. é um regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte. • no caso da empresa de pequeno porte. assim definidas em lei. o limite de faturamento no ano calendário da microempresa é de R$ 240 mil. este limite será de R$ 20 mil. Implica o recolhimento mensal. os Estados.Microempresa A Constituição Federal de 1988 concedeu privilégios para as microempresas e empresas de pequeno porte. As pessoas jurídicas deverão acrescentar às suas denominações as expressões “Microempresa” ou “Empresa de Pequeno Porte”. Por exemplo. O sistema tributário Simples foi instituído pela Lei 9. como ficou conhecida a LC 123/06 (posteriormente alterada pela LC 127/07. também conhecido popularmente como Super Simples. dos seguintes impostos e contribuições: . desde que: • no caso da microempresa. previdenciárias e creditícias. Consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária. tratamento jurídico diferenciado. ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. pela LC 128/08 e pela LC 133/09). a receita bruta no ano calendário seja igual ou inferior a R$ 240 mil. o Distrito Federal e os municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte.

entre outros casos. equipamentos e acessórios etc (Tabela 3). aluguel e outros serviços prestados. inciso XV. artes visuais. bandas. 72 73 Música Ltda | O empreendedorismo Não está excluída. 18. No entanto. conforme redação do art. • Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). serão tributadas pelo Simples Nacional. • Programa de Integração Social (PIS). a própria lei lista as exceções onde está inserido o setor cultural. instrumentos musicais. parágrafo 5º-B. a incidência de outros impostos previstos de acordo com cada caso: IOF. destinados à exibição de apresentações artísticas. Não poderá optar pelo Simples Nacional. da LC 123/06. • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Senac. IE. possam se formalizar juridicamente pagando poucos tributos (Tabela 2). a sua exibição ou apresentação. • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). ISS retido na fonte. audiovisuais. FGTS. Nem toda empresa pode se beneficiar desse enquadramento tributário. literatura. considerando a venda de discos. teatros e demais espaços culturais. casas de show. ITR. As MEs e EPPs ficam dispensadas das contribuições para os serviços sociais autônomos (Sesc. • Contribuição Patronal Previdenciária (CPP). cabendo ao operador do programa apenas preencher os campos com os dados . dentre outros. por exemplo. Antes. cinematográficas e audiovisuais. Destacamos que o programa de geração do DAS é bem simples. Desde janeiro de 2010. Tudo é calculado automaticamente. a empresa que exerça atividade financeira.5%. Os sócios das MEs e EPPs estão isentos de Imposto de Renda e da contribuição previdenciária sobre a distribuição de lucros ou dividendos. elas são tributadas na faixa inicial de apenas 6%. seja constituída sob a forma de sociedade por ações ou cooperativa. técnica. com alterações dadas pela LC 133/09 — apelidada de Simples da Cultura. Essa é a oportunidade para que artistas. Senai. No entanto. Sesi). As pessoas jurídicas que se dedicam às atividades de produções cinematográficas. • Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). de acordo com o anexo III. inclusive no caso de música. artes cênicas. realize atividade de consultoria e preste serviço decorrente de atividade intelectual. artística ou cultural. tenha sócio domiciliado no exterior. As alíquotas para o comércio ainda são menores. essas microempresas culturais eram tributadas na faixa inicial de 17. esses impostos incidirão sobre pró-labore.• Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). artísticas e culturais. Sebrae. no entanto.

69% 2.53% 0.01 a 360.02% 2.000.000.45% 5.83% 5.35% 0.80% 0.84% De 480.60% 5.92% 4.000.38% 1.01 a 360.59% 0.00 12.60% 0.000.74% 0.00 11.01 a 1.30% 2.88% 0.00% De 1.54% 0.000.50% 6.28% 0.19% 5.50% 5.47% 3.68% 0.00 15.30% 5.16% 0.59% 0.01 a 2.27% 0.00 6.01 a 2.00 12.000.00% 0.320.00% 4.21% 0.05% 0.00% 0.79% 2.07% 3.69% 0.42% 0.01 a 1.000.00 15.00% TABELA 3 – Partilha do Simples Nacional – Anexo I (comércio) RECEITA BRUTA EM 12 MESES (EM R$) ALÍQUOTA IRPJ CSLL COFINS PIS/PASEP CPP ISS 4.000.58% 0.000.00% 0.00% 1.13% 0.71% 5.57% 7.000.000.79% 2.00 17.04% 0.70% 2.09% 5.00 11.680.00% 2.000.76% 2.01 a 1.07% 0.51% 6.000.34% 0.03% 4.00% 4.48% 0.000.01 a 2.000.79% De 240.65% De 1.40% 5.37% 4.00% De 1.25% 2.920.00% 2.26% 0.35% 1.280.080.43% 0.000.01 a 720.000.38% 4.01 a 960.00 14.56% 7.42% 0.28% 3.55% 0.00% 0.93% 0.84% Até 120.75% 1.000.31% De 960.72% 0.00% De 1.23% 2.040.000.000.00% 0.00% 0.TABELA 2 – Partilha do Simples Nacional – Anexo III (serviços e locação de bens móveis) RECEITA BRUTA EM 12 MESES (EM R$) ALÍQUOTA IRPJ CSLL COFINS PIS/PASEP CPP ISS Até 120.01 a 1.00% 0.000.57% 7.000.23% De 720.45% 5.54% 0.00 8.00% De 120.00 7.000.00 17.35% 4.000.36% 0.39% 1.57% 1.160.00% De 1.78% 0.76% 0.000.00% De 2.42% 5.25% 3.00 17.01 a 840.35% 0.00 13.36% 0.75% 1.560.98% 5.27% 3.000.40% 4.78% 2.63% 0.64% 1.89% 0.01 a 240.000.00 12.200.000.39% 0.000.01 a 1.28% 2.01 a 1.400.98% 0.15% 0.40% 0.000.10% 0.00% 0.01 a 1.61% De 1.000.57% 1.85% 0.38% 0.000.040.48% 0.42% 4.680.71% 0.000.50% De 360.000.00% De 1.52% 1.56% 7.69% 2.50% 6.920.000.01 a 720.00% De 2.42% 4.73% 0.71% 0.800.79% 2.560.87% De 600.00 10.000.78% 0.000.82% De 720.000.42% 0.52% 3.09% 0.00% 2.35% 1.51% 6.70% 2.01 a 480.000.00% De 1.25% De 120.95% 0.320.81% 0.35% 0.01 a 1.00 6.68% 0.06% 0.00 .40% 0.000.56% 0.31% 0.53% 0.43% 1.000.01 a 2.00 15.75% 2.38% 4.000.41% 5.00 16.15% 0.31% 0.00% De 2.99% 2.000.00 16.27% 0.00% 0.000.84% 0.01 a 600.01 a 600.000.42% 0.47% 0.00 8.01 a 240.58% De 600.97% 4.01 a 480.080.000.000.86% De 240.13% 0.800.000.440.280.57% 0.000.69% 0.00 15.00 7.000.00% 0.33% De 360.00% 0.37% 0.56% 1.200.00% 2.440.53% 1.01 a 840.80% 0.00 13.26% De 840.57% 7.63% 0.00 5.61% 1.000.000.56% De 480.20% 0.160.86% 0.50% 5.70% 2.00 8.

000.TABELA 3 (continuação) ALÍQUOTA IRPJ CSLL COFINS De 840.51% De 1.320.56% 3.49% 3.53% 0. esse serviço fica sob a responsabilidade do contador terceirizado.13% 0.38% De 1.61% 0.34% 4.38% 4. Os impostos do mês anterior deveriam ser pagos mesmo que o pagamento não fosse computado no caixa da empresa até o dia do vencimento.01 a 1.000. à Receita Federal.54% 1.39% 0.04% 0.00 9.60% 0.200.38% 0.82% De 1.00 10.44% 3.25% PIS/PASEP CPP ISS 0.43% 0.800.45% De 1.52% 3. No entanto.42% 0.52% 1.160. É bom saber como são calculados os valores desses tributos.000.51% 0.47% 1.32% 0.160.43% 1.45% 0.30% 3.39% 0.43% 0.48% 1.35% 2.040.01 a 1.38% 4.00 9.37% 4.53% 1.00 11. Caged e CTPS.000.000.680.000.000.46% 1.41% De 1.000. Mas existia o problema do regime de competência do cálculo dos impostos.48% 0.30% 3.080.40% 0.000. emitir notas fiscais de prestação de serviços e declarar todo ano.440.01 a 2.00 11.000.12% 0.000.560.000.280.23% 0.00 10.280.46% 1.01 a 1.37% 4.94% 3.07% De 1.080.95% solicitados — valor total das notas fiscais de serviços e comércio.00 11.46% 0.00 11. As microempresas ficam obrigadas a manter um livro caixa com a movimentação financeira e bancária.01 a 2.000.42% 1.23% 0. As microempresas e empresas de pequeno porte podem optar por utilizar a receita bruta recebida no mês (regime de caixa) para a determinação da base de cálculo dos impostos.00 10.440.01 a 2. Em todo caso.53% 1.05% 3. maior a alíquota) e a base de cálculo é a mesma — o faturamento.39% 1.88% De 2.00 9.52% 0.87% 0.57% 0. Depois de preencher.33% 3.26% 0.560.53% 0.000.000.03% 0. As alíquotas são progressivas (quanto maior o faturamento.34% 4.00 10. as microempresas devem observar obrigações acessórias como GFIP.000.60% 0.46% 0. elas devem manter um registro dos valores a receber.000.99% 3. mas estão dispensadas da afixação de quadro de trabalho e da posse do livro de inspeção do trabalho.00 8.000.200.32% 0.920.48% De 1.42% 0.000.01 a 1. é só imprimir o boleto e fazer o pagamento até o dia 20 do mês seguinte ao da competência. mas o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) resolveu este problema com a edição da Resolução 38/08.000.000.10% De 1.47% 0.60% 3. Isto era um problema para as MEs e EPPs sem capital de giro.58% 0.91% De 2.800.01 a 1.33% 4. informações socioeconômicas e fiscais (Imposto de Renda simplificado).01 a 1.95% 0.680.52% 1.000.01 a 2.47% 0. conforme anexo único da referida resolução.33% 3.42% 0.38% 4.01 a 1.54% 0.56% 0.47% 1.17% De 960.01 a 1.000.01 a 960. recolhimento de ISS na fonte e assim por diante.60% 3.320. 74 75 Música Ltda | O empreendedorismo RECEITA BRUTA EM 12 MESES (EM R$) .57% 3.000.08% 3.52% 0.01% 3.28% 3.040.000. Quanto às obrigações trabalhistas.85% De 2.920.400.000.00 11.

como critério de desempate. a preferência de contratação para microempresas ou empresas de pequeno porte. beneficiando-se da dispensa de constituir advogado e do ônus da sucumbência. informa que 36% delas fecham as portas antes de completarem seu primeiro aniversário e 49% antes do segundo ano de vida. . Nas contratações cujo valor seja até R$ 80 mil. 3) sumário executivo. 2) sumário. Nele estão escritos os objetivos da organização. Sobre a apresentação de um Plano de Negócio. Essas empresas também poderão ter acesso aos Juizados Especiais. no livro “O segredo de Luísa”.As MEs e EPPs gozam de outros benefícios. 4) descrição da empresa. quando o faturamento ultrapassar os limites do ano calendário. o Plano de Negócio surge como solução para reduzir os riscos do empreendimento. o potencial do mercado local. Cláudio Afrânio Rosa avisa que “o plano permite identificar e restringir seus erros no papel. a conjuntura econômica regional. os seus produtos e serviços. “sendo uma ferramenta que faz o empreendedor mergulhar profundamente na análise do seu negócio” esclarece Dolabela. poderá ser realizado processo licitatório exclusivamente para MEs e EPPs. Neste contexto. 5) produtos e serviços. José Carlos Dornelas menciona dez tópicos na sua estruturação: 1) capa. através de ofício. Plano de Negócio Segundo estimativas do Sebrae. os resultados alcançados etc. O Plano de Negócio é um instrumento de orientação do empreendedor. Fernando Dolabela. ou automaticamente. 6) mercado e competidores. Nas licitações públicas será assegurada. a cada ano são criadas aproximadamente 500 mil microempresas e empresas de pequeno porte no Brasil. os seus clientes. A pesquisa também identificou que a ausência de planejamento financeiro e a falta de visão global do negócio são os principais motivos apontados pelos entrevistados para a extinção das empresas. A exclusão do Simples Nacional pode ocorrer em duas ocasiões: por opção da empresa. ao invés de cometê-los no mercado”. No livro “Como elaborar um Plano de Negócio”. citando pesquisas do Sebrae e do IBGE. as etapas do planejamento.

fornece uma explicação didática para a elaboração de cada tópico de um Plano de Negócio. em um parágrafo Visão Descreva brevemente como seu negócio deverá estar em um futuro próximo (cinco anos) Objetivos estratégicos Detalhe seus objetivos estratégicos a partir da missão e da visão Valores Descreva os valores da sua organização Música Ltda | O empreendedorismo 1 Descrição das linhas gerais do negócio (nome ou razão social do negócio) . serviços e benefícios para o cliente Missão Descreva a missão do negócio. TABELA 4 – Etapas do Plano de Negócio PLANO DE TRABALHO POR NATUREZA DA TAREFA Ordem de realização Descrição Tipo de ação envolvida Preliminar Decidir abrir um negócio Análise preliminar Data de término Status OK Preliminar Analisar as forças e fraquezas individuais Análise preliminar OK Preliminar 1 Escolher produtos/serviços adequados. análise de mercado Análise preliminar. conforme as informações transcritas no Quadro 5. a razão dele existir. 8) análise estratégica. 9) planejamento financeiro.7) marketing e vendas. Fernando Dolabela traça um roteiro para a elaboração do Plano de Negócio considerando a natureza da tarefa. 10) anexos. Silvina Ramal. e como essa oportunidade será transformada em produtos. no livro “Como transformar seu talento em um negócio de sucesso”. coleta de dados OK 2 Estratégia de marketing Coleta de dados 3 Empresa Coleta de dados 4 Planejamento financeiro Análise 5 Fazer sumário executivo Revisão 6 Fazer análise de risco e tomar decisões Decisão 76 77 QUADRO 5 – Manual de ajuda do Plano de Negócio Oportunidade de mercado detectada Descreva a oportunidade detectada para montar o negócio Descrição do negócio Descreva de que maneira a empresa aproveitará a oportunidade percebida por meio do negócio. conforme a Tabela 4.

indicando se haverá intermediários – e como será a relação com eles 6 Organização e gerência do negócio Organograma Defina o organograma da organização Planejamento estratégico Defina os cargos. a distribuição de tarefas e responsabilidades entre eles. Quais são os atributos relevantes do seu produto? Quais são os benefícios dele?Qual é o seu ciclo de vida? Preço Descreva a política de preços. e a remuneração Cadeia de valor Descreva os principais processos de trabalho da empresa . de liderança em custo. governo etc) influenciam o seu negócio Barreiras de entrada e saída Existem barreiras de entrada? Descreva-as Existem barreiras de saída? Descreva-as 4 Estratégia e mensuração do mercado Segmentação de mercado Seu público-alvo é segmentado de alguma maneira? Descreva isso Perfil do consumidor Descreva as principais características de seus consumidores Mensuração de mercado Defina o tamanho do mercado potencial. ambiente financeiro/demográfico/ tecnológico/cultural. se necessário. explicando a estratégia de mercado utilizada para definir preços Promoção Descreva as estratégias que a empresa utilizará para promover seus produtos e serviços em termos de propaganda. descreva como fornecedores. de nicho de mercado)? 5 Plano de marketing Produto Descreva seu produto ou linha de produtos. como as forças do macroambiente (sociedade. substitutos e intermediários afetam o seu negócio Análise do macroambiente Descreva brevemente. promoção de vendas e relações públicas Distribuição e vendas Descreva a estratégia de distribuição e vendas da empresa.QUADRO 5 (continuação) 2 Resumo da empresa Forma jurídica Descreva o tipo de sociedade utilizado Sócios Quem são os sócios e como suas habilidades agregam valor ao negócio Localização Onde estará localizada a empresa Resumo do início das atividades Como serão os primeiros seis meses de atividade da organização 3 Análise de mercado Mercado potencial Descreva o mercado potencial – o universo de pessoas que poderia comprar seu produto ou serviço Análise da concorrência Destaque seus principais concorrentes e os pontos fortes e fracos com relação ao seu negócio Análise do microambiente Se houver necessidade. a participação de mercado que deseja atingir e quanto isso representa em volume de vendas Definição da estratégia do negócio Qual será sua estratégia de mercado (estratégia de diferenciação.

gráfica rápida. papelaria e estacionamento. O aluguel de um ponto em uma área não comercial é mais barato. assim distribuídos: 78 79 Abrindo uma empresa Uma banda de música e uma produtora cultural não precisam de um ponto bem localizado para funcionar. • plano de marketing. • avaliação do Plano de Negócio. serviços de cópias. • planejamento financeiro.7 Política de responsabilidade social (escreva como sua empresa ajudará a comunidade) 8 Planejamento financeiro Necessidade de investimento inicial Cronograma de desembolso mensal Projeção da receita Preço e volume de vendas Projeção anual das receitas Estimativa da receita nos próximos cinco anos Tributos Descreva quais os tributos recolhidos pela empresa Custos Descreva e quantifique os custos fixos e variáveis Ponto de equilíbrio Calcule o seu ponto de equilíbrio Projeção do fluxo de caixa Mensal e para os próximos cinco anos Análise de atratividade do negócio Analise a rentabilidade e a atratividade do negócio por meio do custo de oportunidade do investimento. . • avaliação estratégica. casas lotéricas.br. • análise de mercado. Também deve ser considerado o comércio do entorno — bancos. e está disponível para download gratuito no endereço eletrônico www.com.sebraemg. São oito tópicos principais. utilizaremos a versão do Sebrae/MG para a elaboração do Plano de Negócio. da taxa interna de retorno e do valor presente líquido. Outra alternativa são os escritórios virtuais. Defina o ponto de exposição de caixa (valor máximo negativo encontrado no fluxo de caixa líquido) Neste livro. Uma boa opção são os edifícios empresariais. • construção de cenários. por conta da segurança. ao contrário de uma loja de discos. agência de correios. • plano operacional. empresas que alugam endereços (caixa postal) para pres- Música Ltda | O empreendedorismo • sumário executivo. O livro intitulado “Como elaborar um Plano de Negócio” foi escrito por Cláudio Afrânio Rosa. da unidade mineira do Sebrae.

• cadastramento nos demais órgãos . O processo de administrar compreende cinco etapas interligadas: • planejamento (ferramenta para administrar as relações com o futuro). • organização (ordenamento dos recursos para facilitar a realização dos objetivos). Princípios de administração Nosso intuito é fornecer uma visão panorâmica da administração de empresas. financeiros) em produtos e serviços. Vamos abordar os principais conceitos e ferramentas desta ciência social. Após a emissão da nota. . condomínio. energia. alvará da prefeitura. Assim. Caixa Econômica (FGTS). uma organização é um sistema de trabalho que transforma recursos (humanos. Algumas prefeituras como a de São Paulo e a do Recife já criaram o modelo de emissão de nota fiscal eletrônica. IPTU comercial. Tudo simples.Receita Federal (CNPJ). rápido e seguro. Basta escolher uma gráfica conveniada e mandar imprimir o talão de notas fiscais. há um endereço oficial para a empresa e cada sócio trabalha na sua própria residência. Agora a empresa está pronta para começar a operar. Secretaria da Fazenda (inscrição estadual). A administração é um processo dinâmico que consiste em tomar decisões sobre o uso de recursos para realizar objetivos. • execução (realização de atividades planejadas). Previdência Social (INSS). Daí é só abri-lo e imprimir a nota fiscal. um link é enviado por e-mail para o contratante. faz-se necessário obter uma autorização da Secretaria de Finanças do município. materiais.tadores de serviços a um preço médio de R$ 50 por mês. Cada nota apresenta quatro vias numeradas. A seguir. Para Antônio César Maximiano. motivando-as e dirigindo-as). Para a emissão do talão de notas fiscais. descrição e valor do serviço). telefone e Internet para o escritório. aluguel de sala. Existe um software específico para o preenchimento dos dados (razão social da empresa contratante. e há economia com taxa de bombeiros. os passos para a abertura formal de uma sociedade limitada: • preenchimento do contrato social. Secretaria de Finanças da prefeitura (inscrição municipal e alvará de funcionamento) e Corpo de Bombeiros (autorização). • controle (comparação de atividades realizadas com atividades planejadas). no livro “Fundamentos de administração”. • registro na Junta Comercial. • liderança (trabalho com pessoas.

• avaliação (aferição de resultados). A filosofia da melhoria contínua deriva do kaisen. E representa a transformação dos custos fixos em custos variáveis. Uma decisão é a escolha entre alternativas ou possibilidades. O professor Chiavenato ensina que “o kaisen é uma filosofia de contínuo melhoramento de todos os empregados da organização. É preciso “dar mais liberdade para as pessoas e desamarrá-las do entulho autocrático. no livro “Administração geral e pública”. surgiram várias técnicas de intervenção e abordagens inovadoras de mudança organizacional. A terceirização ocorre quando uma operação interna da organização é transferida para outra organização que consiga fazê-la melhor e mais barato. eliminando os desperdícios. Para Maximiano. Eliminar desperdícios significa reduzir ao mínimo a atividade que não agrega valor ao produto ou serviço. agregar valor significa realizar operações estritamente relacionadas com a elaboração do produto ou a prestação do serviço. Fazer sempre o melhor. julgamento e escolha). 80 81 Música Ltda | O empreendedorismo O desempenho de qualquer organização pode ser avaliado de acordo com a realização dos objetivos e da forma como os recursos são utilizados. Para Idalberto Chiavenato. • alternativas (criação de ideias e geração de soluções). • diagnóstico (busca do entendimento da situação).. as tendências organizacionais no mundo moderno se caracterizam por simplificar e descomplicar para enfrentar a complexidade. Na prática. A melhoria contínua é uma técnica de mudança organizacional suave. é uma simplificação da estrutura da organização e uma focalização nos aspectos essenciais do negócio. O processo de tomar decisões tem cinco fases: . • decisão (comparação. centrada nas atividades em grupo das pessoas.. Uma organização é eficiente quando utiliza corretamente os recursos disponíveis. (.• problema (percepção e identificação do problema). mas contínuas e constantes”. Eficácia é o conceito de desempenho que envolve a comparação entre objetivos (desempenho esperado) e resultados (desempenho realizado). palavra japonesa que significa boa mudança. Todos os processos de administração envolvem a tomada de decisão. No final da era neoclássica da ciência administrativa.) As melhorias não precisam ser grandes. diz o teórico. de maneira que realizem suas tarefas um pouco melhor a cada dia. o talento e o conhecimento”. para que elas possam utilizar seus recursos mais importantes: a inteligência. surge uma nova situação. Uma organização é eficaz quando realiza seus objetivos. que pode gerar outras decisões ou processos de resolver problemas. Quando uma decisão é colocada em prática.

mas com a cabeça olhando para frente. E anda por aí ouvindo música no iPod. O foco no cliente indica a busca pela satisfação do público-alvo. O segredo continua o mesmo: gastar menos do que se ganha. Há seis anos não existiam Orkut. a fim de manter o artista no mercado globalizado. Uma agenda de trabalho de longo prazo. o mundo está em constante mudança. Um modelo de administração focado no futuro. O foco nas pessoas denota a colaboração entre os membros da equipe — músicos. • foco no trabalho. nascido em 1997.Planejamento estratégico Planejamento é um plano de ação detalhado. através da combinação de variáveis e da geração de hipóteses plausíveis. no ambiente organizacional das grandes corporações. Do ponto de vista empreendedor. O deleite do público é o resultado positivo da expressão artística. O entrosamento dos músicos. Afinal de contas. • foco no cliente. Youtube ou MySpace — sites de comunicação onde astros como The Strokes e novatos como Mallu Magalhães estão presentes. o produtor deve trabalhar no presente para alterar as va- . É andar com os pés no chão. O planejamento estratégico surgiu na década de 60. técnicos e produtores. O pré-adolescente de hoje. Motivação e liderança são aspectos fundamentais deste processo. Hoje é uma técnica também aplicável à microempresa. O planejamento estratégico na indústria da música pode ser entendido como um processo que requer do produtor a sensibilidade de perceber o ambiente onde o artista está inserido. O foco no lucro significa que a rentabilidade do negócio é importante para a própria sobrevivência do artista. a harmonia da equipe técnica e a eficiência dos produtores. • foco nas pessoas. A direção estratégica de uma carreira artística é um estilo de direção focado no futuro. O foco no trabalho exprime a produtividade e a qualidade do produto cultural. Há 12 anos os arquivos MP3 eram praticamente desconhecidos da população mundial. usando as mesmas ferramentas. bem como a capacidade de realizar ajustes de rota e a coragem de fazer adaptações de processos de trabalho. talvez nunca tenha comprado um CD na loja de disco do bairro (se é que existe alguma). O fã nada mais é do que um cliente satisfeito. O artista deve saber aonde quer chegar para imprimir um direcionamento na sua carreira. atento às mudanças. mas com certeza já fez download de dezenas de músicas através da conexão de banda larga. A metodologia do planejamento estratégico possui quatro focos: • foco no lucro. A construção de cenários é uma técnica para prever todas as possibilidades de um ambiente no futuro.

Os cenários serão usados no planejamento estratégico na etapa do diagnóstico do momento atual do artista. Ameaças são forças externas. • tático. editais de patrocínio. repertório. São forças independentes. A partir daí. renda do consumidor etc. promoção de passagens aéreas. • operacional. que estão fora do controle do artista — inflação.riáveis que influenciam o ambiente desejado pelo artista no futuro. Oportunidades são situações externas e. divulgação do evento. fora do controle da empresa. que exige iniciativa do produtor para alterar as condições atuais. escreveu no livro “Sociedade pós-capitalista” que “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. fala sobre a importância da análise Swot: 82 83 A análise Swot ajuda os executivos a resumir os principais fatos e previsões derivadas das análises as questões estratégicas primárias e secundárias com que a organização se depara. Pontos fortes ou positivos são forças de natureza interna que puxam o desempenho para cima. A análise Swot (ou Fofa) permite identificar as forças que atuam sobre os ambientes internos e externos da carreira do artista. pirataria. tipo de embalagem. regional. tempo meteorológico. de modo que sejam mais favoráveis no futuro para o artista. nacional e internacional. Bateman Snell. os executivos podem extrair uma série de declarações que identificam . Os cenários descrevem o ambiente externo da organização. O planejamento estratégico é subdividido em três planos: • estratégico. baixa do dólar. Música Ltda | O empreendedorismo externa e interna. que podem prejudicar o seu desempenho. identificando oportunidades e ameaças. no livro “Administração: novo cenário competitivo”. que são os pontos fortes e os pontos fracos — variáveis que estão sob o controle do produtor (local do show. gosto musical da população. Peter Drucker. portanto fora do controle da empresa. preço do ingresso. portanto. Esta é uma atitude proativa em relação ao mercado. dia da semana. leis. Pontos fracos ou negativos são forças de natureza interna que puxam o desempenho para baixo. Às oportunidades e ameaças será somada a descrição dos aspectos internos do produto cultural. que podem beneficiar o seu desempenho. produção do disco. bem como para fazer uma conexão com o ambiente externo onde ela está inserida em todos os níveis — local. época da turnê etc). A qualidade do diagnóstico estratégico será determinada pela profundidade e realidade das informações levantadas. O diagnóstico estratégico serve para revelar o estado de saúde da carreira do artista. o papa da administração.

A missão serve para definir o propósito do artista. sendo composto pela declaração de visão e pela declaração de missão. Além do mais. É preciso avaliar também a satisfação do público — o que eles estão achando da qualidade do show. repassadas pelos responsáveis de cada meta para o grupo. . músicos e produtores. O desempenho pode cair afetando a qualidade do show e o resultado final da organização musical. técnicos. O controle do planejamento é uma atividade exercida rotineiramente por meio de informações. Muitas vezes são eles que observam a situação de outro ângulo e sentem na pele quando algo vai mal. • os riscos detectados. A visão de futuro serve para nortear o rumo da carreira artística estabelecendo um cenário futuro. A sua execução é de longo prazo. desafiadores. A finalidade do plano operacional é estabelecer metas que sirvam para estipular pontos de controle. identificando o público-alvo e a área de atuação. isto pode ser um sintoma de erro de estratégia. Se o volume de shows está abaixo do esperado. músicos e produtores que não são escutados pelos artistas e pelos empresários ficam desmotivados. • o que ainda falta fazer. • a necessidade de alterar o objetivo. aferir resultados parciais a curto prazo e indicar os responsáveis. Também é importante para o futuro da carreira artística ouvir os técnicos. O processo de controle fornece informações e possibilita tomar decisões sobre: • a comparação do desempenho com o objetivo. O plano tático é mais específico e a sua execução ocorre a médio prazo. Evidencia as operações necessárias para alcançar o resultado global da carreira artística. Este plano define objetivos que ajudam o artista a cumprir a missão e concretizar a visão. Os objetivos devem ser específicos. possíveis e determinados. Ele está relacionado com o ambiente externo da carreira artística.O plano estratégico informa o resultado global desejado pelo artista. através de reuniões ou e-mails.

finanças .

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o crescimento da faixa da população enquadrada na classe média. a queda nas taxas de desemprego nas principais regiões metropolitanas.75%.5% e um crescimento da economia de 5% a 6% para 2010. com 500 mil mídias virgens de DVD. sob o nome genérico de “finanças”. no mínimo positivo para o setor. na proporção inversa. • show de música é a segunda atividade cultural mais frequentada pelo brasileiro. Reportagem do Jornal do Commercio divulgou ação da Polícia Civil que fechou uma fábrica com capacidade para produzir 15 mil CDs e DVDs por dia — o maior laboratório de produtos piratas fechado nos últimos anos no Estado. fato que diminui o custo do dinheiro para financiamentos. aparelhos etc). O desenvolvimento socioeconômico do país e o combate à pirataria são dois fatos que indicam um cenário futuro. senão próspero. • em aumentando a renda e a escolaridade. vinda do Paraguai. fortaleçam o mercado profissional. a criação de uma delegacia especializada no combate à pirataria já promoveu três grandes operações em depósitos clandestinos na Região Metropolitana do Recife. contabilidade e finanças. 86 87 Música Ltda | Finanças Uma leitura atenta do noticiário revela boas notícias para o setor musical brasileiro. 16 pessoas presas e uma indiciada. A tendência é que essas ações policiais. enfraqueçam o mercado pirata e. Podemos concluir que. além de cálculos matemáticos. A taxa Selic está atualmente em 8. Conjuntura • gasto médio do brasileiro com cultura e lazer é de quase 10% da sua renda. o investimento do setor público em obras de infraestrutura e programas sociais de distribuição de renda. a volta do ensino de música nas escolas. pelo menos em tese. o aumento do número de computadores nos lares — tudo isso contribui para o aumento da demanda por produtos musicais. Do lado da macroeconomia. A equipe econômica do Governo Federal prevê uma inflação de 4. a serem destinadas ao mercado paulista de produtos piratas. realizadas de modo sistemático. discos. haverá um aumento do dispêndio das famílias com produtos musicais (shows. Outras pesquisas já haviam revelado que: . dedicado a assuntos envolvendo áreas correlatas como economia. Em setembro de 2008. DVDs.Optamos por titular. a Polícia Federal de São Paulo apreendeu uma carga. culminando com a apreensão de 200 mil mídias de CD e DVD. O aumento do salário mínimo acima da inflação. MP3. Em Pernambuco. previsões do Banco Central. estatísticas do IBGE e pesquisas do Ipea indicam números favoráveis. a evolução da escolaridade média do brasileiro. este capítulo. maior será o consumo de produtos culturais.

Tal fato é muito simples de ser observado na ação dos cambistas. eu compro”. transporte e saúde. Cabe ao empreendedor entender a situação e decidir qual decisão tomar diante desse cenário do setor musical brasileiro para os próximos anos. a regra geral funciona assim: a empresa vende o que produz. Produtos e serviços musicais são considerados bens de luxo. seu consumo cresce quando o poder aquisitivo da população aumenta. em geral. muito ou nada daquela mercadoria. Uma exceção desta regra é o monopólio. definem economia como a ciência social que estuda a produção. eis a questão. educação. No Brasil. Quando a procura por um produto é maior do que a oferta. A partir daí. e o fará pelo valor mais alto que o comprador estiver disposto a pagar (monopólio). Ela também pode ser definida como a ciência que estuda o uso dos recursos escassos para a produção de bens alternativos. Isto faz com que os produtores busquem oferecer o melhor produto pelo menor preço. após o pagamento de despesas prioritárias como habitação. Como explica o professor Paul Singer. o valor restante (cada vez maior) é destinado a gastos com cultura. A tendência é que os preços dos produtos semelhantes tenham a mesma faixa de valor. A segunda lei é a da concorrência. Singer diz que na primeira lei de mercado. a circulação e o consumo de bens e serviços que são utilizados para satisfazer às necessidades humanas. O cambista então compra o ingresso e espera que ele acabe na bilheteria.A explicação é simples. Um disco dado pelo artista ao vizinho não é uma mercadoria. “Ingresso sobrando. ele vai decidir se leva pouco. Poupar ou investir. ou seja. . o que aumenta seu valor. No final do processo. o preço dele tende a se manter elevado. pratica-se a economia de mercado. uma mercadoria é um produto ou serviço que se destina à venda. Isto quer dizer que. Portanto. enquanto a quantidade de ingressos é reduzida. alimentação. O cambista é um concorrente desleal do organizador do show. sob a forma de mercadoria. entretenimento e viagens. As leis da procura (demanda) e oferta são bem conhecidas da população em geral. para o consumidor. só ele terá o ingresso para vender. gritam eles. O preço já é sabido e. Do contrário. sobrando mais dinheiro no bolso das famílias brasileiras. O Brasil tem uma política de combate à existência dos monopólios. a partir daí. mas o mesmo disco na prateleira da loja de discos é uma mercadoria. no livro “Introdução à economia”. o vendedor fixa o preço. o preço do produto tende a cair se a oferta for maior que a procura. Isto quer dizer que a procura está grande. o comprador começa a barganhar. Economia da cultura Paulo Viceconti e Silvério das Neves. onde em cada ramo da produção existem vários produtores. onde existem um ou dois produtores que controlam os preços das mercadorias. no livro “Aprender economia”.

a circulação e o consumo de bens e serviços culturais.6 milhão de empregos formais. No Brasil.) A indústria do entretenimento é um fenômeno mundial e superou o faturamento das indústrias automobilísticas com o segundo maior rendimento do planeta — só perde para a indústria bélica. notadamente a partir de 2003.musicadobrasil. Os produtos musicais apresentam algumas singularidades econômicas que foram destacadas na pesquisa “A indústria do disco: economia das pequenas e médias gravadoras da indústria fonográfica da cidade de Buenos Aires”. isso significa uma rede de produção que começa no artista. minc. Observa-se que o salário mensal pago aos trabalhadores nessa área é 47% superior à média nacional e gira em torno de 5.) Segundo pesquisa conjunta do IBGE e Ministério da Cultura. 12 Atualmente o site está fora do ar.. (. IBGE e Ministério do Planejamento. esta pesquisa revelou que: 88 89 • apenas 8.8% possuem unidades de Ensino Superior.. • 39. • 45. o MinC e o IBGE lançaram um importante estudo sobre a cultura nos municípios brasileiros — a “Pesquisa de informações básicas municipais — Cultura”11. o número de empregos gerados e a média salarial: (.br12: . o equivalente a 4% do universo de postos de trabalho. passa pelos canais de exibição de sua obra e chega ao consumidor”.org. temos em atividade cerca de 400 mil empresas gerando 1. Continua a reportagem destacando a quantidade de empresas do setor.7% dos municípios brasileiros possuem salas de exibição de cinema. • 95.br). uma parceira entre Ministério da Cultura...A economia da cultura é um ramo da ciência econômica que estuda a produção. esse ramo de estudo vem crescendo velozmente. Em 2006. • 82% possuem videolocadoras. coordenada por César Palmeiro e disponibilizada para download gratuito no endereço eletrônico www.2% possuem sinal de TV aberta. explicam os jornalistas Ivan Cláudio e Natália Rangel em reportagem anteriormente citada. Música Ltda | Finanças O estudo também mostra que os equipamentos culturais se concentram nas regiões metropolitanas.gov. “Traduzindo do economês. 11 Esses estudos podem ser consultados a partir do download gratuito da página do Ministério da Cultura na Internet (www.1 salários mínimos. com a consolidação do estudo “Sistema de informações e indicadores culturais”. Dentre outras informações sobre os municípios brasileiros.6% possuem provedores de Internet.

O maior vendedor de CD. concluiu que o show de música é a segunda atividade cultural mais frequentada pelo brasileiro. Os artistas com maiores vendagens são aqueles que aparecem na televisão e têm suas músicas tocadas no rádio: Victor & Leo. nas relações culturais e sociais do produto cultural. Na simetria de desconhecimento. com mil entrevistados domiciliares em 70 cidades do país. Consumo de produtos musicais Recente pesquisa realizada por Fecomércio/RJ e Ipsos. Já o consumidor não sabe se o produto musical satisfará às exigências do público. • R$ 15 para ir ao teatro. O jornalista e crítico de música José Teles divulgou em sua coluna “Toques”. Ivete Sangalo. Ana Carolina e Amy Winehouse. A aleatoriedade da demanda significa que a base de satisfação do consumo de música apresenta um caráter intrinsecamente subjetivo. As respostas: • R$ 16 para assistir a um show. e o maior vendedor de DVD foi o padre Marcelo Rossi. • simetrias de desconhecimento. O produtor só sabe se o show ou disco fará sucesso depois de lançado e divulgado. O show ou disco só será conhecido pelo consumidor depois que o produto for adquirido e experimentado. Isto quer dizer que o produtor cultural deve estar atento a fenômenos que extrapolam os aspectos artísticos.• aleatoriedade da demanda. dados sobre o desempenho da indústria fonográfica em 2008. o gosto do consumidor e o seu padrão de compra estão relacionados com as tendências populares e a estética da moda. incluindo nove regiões metropolitanas. Os entrevistados também foram perguntados sobre quanto acham justo pagar pelo consumo de determinados produtos culturais. foi o padre Fábio de Melo. o produtor cultural não sabe se o show ou disco do artista agradará. • relações culturais e sociais da música. para definir suas estratégias de atuação no mercado. • R$ 9 para ir ao cinema. não é improvável que um resulte em sucesso absoluto. Roberto Carlos. em 2008. Por fim. publicada semanalmente no Jornal do Commercio (PE). • R$ 9 por um CD. • R$ 20 por um livro. De dois produtos musicais idênticos. enquanto o outro seja um fracasso total. Os artistas brasileiros dominam 75% . • R$ 13 por um DVD.

ao passo que 14% das pessoas da classe C vão a duas festas e shows ao mês e 8% das pessoas da classe D vão a apenas uma festa e show ao mês. cinema.46% deles não gastam nada.6 bilhões. • aproximadamente 57% dos consultados gastam menos de R$ 100 por mês com cultura e 17.7). DVDs). com destaque para o forró estilizado. são a atividade cultural com maior participação dos entrevistados da RMR. Música Ltda | Finanças Sobre a frequência de consumo de festas e shows musicais. • os shows musicais. Frederico Silva.6% dos dispêndios culturais totais. representando 2. enquanto as famílias sem filhos gastam R$ 10. discoteca) representam 17. Dessa forma. museu. As despesas fora de casa com atividades artísticas (show. na pesquisa “Economia e política cultural”. As práticas fora de casa constituem-se na maior renda per capita domiciliar para as famílias com filhos acima de 18 anos (R$ 18. em média. O Ministério da Cultura (MinC) e o Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea) divulgaram. da geração de emprego e do financiamento. revelou dados interessantes sobre uma das maiores metrópoles do Nordeste. • a maior parte dos entrevistados da RMR não tem o hábito de frequentar cinemas. 73. Pesquisa coordenada pelo economista Uranilson Carvalho. o resultado do estudo que analisou as relações entre economia e cultura nas dimensões do acesso. é possível dizer que o consumo cultural é feito. a pesquisa revelou que. enquanto os menores são daquelas sem filhos (R$ 56. As despesas com a indústria fonográfica chegam a 14. Diz ainda o pesquisador: Em termos de consumo médio.8). centro de efervescência musical brasileira. enquanto os estrangeiros detêm uma fatia de 25%.9% em relação a 2007. acerca do consumo de produtos culturais na Região Metropolitana do Recife (RMR).6% a gastos com conteúdo (CDs. No entanto.8% e equivalem a R$ 5. As vendas de CD e DVD no atacado aumentaram 4.9 bilhões. os maiores gastos são das famílias com filhos acima de 18 anos (R$ 82). lazer.4% se referem às despesas com equipamentos (aparelhos) e apenas 26. e também frequenta poucas livrarias e bibliotecas.4% do PIB. por jovens ou por famílias que têm filhos com mais de 18 90 91 anos ainda no domicílio. em boa medida. teatro. 14% das pessoas das classes A e B vão a festas e shows cinco vezes ao mês. em 2009. por cada 100 domicílios. afirma que o consumo cultural das famílias brasileiras atingiu R$ 31. referente ao ano 2002.do mercado nacional. • aproximadamente 67% dos residentes da RMR consultados nunca ou raramente adquirem produtos artesanais. aproximadamente 3% dos gastos familiares.3. Algumas considerações sobre a pesquisa: . em 2007. teatros e museus. Já o mercado digital de música teve um aumento de 79.1% em relação ao ano anterior.

transações financeiras. indústria. Mas. Existem no Brasil quatro regimes de tributação para pessoas jurídicas — lucro arbitrado.71% Reggae 0. lucro presumido. média ou grande). Existem duas principais espécies de tributos: impostos e contribuições sociais. do Simples Nacional. em dinheiro. processos de industrialização. • há uma relação direta entre o nível de renda e escolaridade e o consumo cultural. Quanto maior o nível de renda e escolaridade. no caso das microempresas e empresas de pequeno porte.41% Samba 1. que incidem sobre prestações de serviço.47% 4% Gospel 3. conforme o Fluxograma 2.53% MPB 25. Tributos Tributos são pagamentos obrigatórios. inclusive doações.71% . pequena. TABELA 5 – Estilo musical mais assistido na RMR ESTILO MUSICAL Forró estilizado 27.41% Brega Sertanejo 8.06% Axé 2.12% NSR 1. rendimentos de qualquer natureza.18% Pop rock 0. Para cada porte de empresa (micro. maior o acesso ao consumo cultural. as empresas do setor de produção cultural e artística são adeptas do lucro presumido ou. de cada setor de atividade (agropecuária. comércio ou serviços). As empresas são obrigadas a escolher o regime de tributação no ato da sua constituição. lucro real e Simples Nacional.12% Rock 2. em geral. existe um regime que melhor se adapta à sua realidade.65% Forró pé-de-serra 17.• as principais dificuldades citadas para a participação em atividades culturais foram falta de dinheiro. tempo e interesse.53% Pagode 3. venda de mercadorias. A Tabela 5 revela as respostas dos entrevistados quanto ao estilo musical mais assistido em 2008. pagamento de salários e honorários.12% Clássicos 2.

No lucro presumido.33% sobre a receita bruta. O que nem sempre é verdade. visto que na indústria da música o lucro do empresário artístico é de 20%. Pior para o empresário. Câmbio e Seguros. a carga tributária é fixada na alíquota de 16. dividida da seguinte forma: Música Ltda | Finanças CSLL 92 .FLUXOGRAMA 2 – Espécies de tributo Estaduais ICMS IPVA ITDC Municipais ISS IPTU ITBI Impostos Federais IRPJ IPI IOF Tributos CPP Contribuições sociais IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados IOF – Imposto sobre Operações Financeiras de Crédito. ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários ICMS – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual ou Intermunicipal e de Comunicação IPVA – Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores ITDC – Imposto sobre Transmissão por Doação ou Causa Mortis ISS – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano ITBI – Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis 93 PIS / PASEP Cofins CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido PIS/Pasep – Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CPP – Contribuição Patronal Previdenciária O lucro presumido recebe este nome porque se presume que o lucro de quem trabalha no ramo da prestação de serviços seja de 32% do seu faturamento.

• 2. O Imposto de Renda é devido ao Governo Federal. contabilidade. respeitando a tabela progressiva em vigor (Tabela 6). A microempresa tributada no Simples Nacional já paga o IRPJ através do DAS.65% de PIS. . de qualquer natureza.8% sobre o faturamento bruto. conforme ensina Ricardo Chimenti no livro “Direito tributário”: A mesma pessoa pode ser contribuinte como pessoa jurídica e como pessoa física. em razão da renda total. sendo a Receita Federal responsável pela sua arrecadação e fiscalização. • 0. As empresas são obrigadas por lei a reter na fonte o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). O IRPJ da empresa tributada no lucro presumido é de 4. tendo a Receita Federal ficado responsável pela fiscalização desde 2007. como pessoa física. A Constituição de 1988 estabeleceu que 1.88% de CSLL. Como o próprio nome diz. Essa incumbência fica a cargo do Banco do Nordeste (BNB). A base de cálculo desse imposto é o montante tributável. Sua função é fiscal.8% de IRPJ. constituindo a principal fonte de receita da União. sobre a mesma disponibilidade financeira.8% da arrecadação do Imposto de Renda será destinada ao financiamento de investimentos na Região Nordeste. • 3% de Cofins. e sua alíquota varia de acordo com o faturamento da microempresa nos 12 meses anteriores. acesso aos Juizados Especiais. sobre os lucros da firma individual ou da empresa. Quem trabalha no setor de produção cultural precisa compreender pelo menos três espécies de tributo: o Imposto de Renda (IR). Tanto as pessoas jurídicas quanto as pessoas físicas pagam tal imposto. quando pagar ao autônomo por um serviço prestado. • 4. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) da empresa tributada no lucro real é de 15% sobre o lucro operacional. o regime de tributação Simples Nacional desburocratiza uma série de questões em relação à abertura e ao fechamento das empresas: carga tributária. Seus recursos são destinados ao custeio dos benefícios da Previdência Social. A Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) é devida ao Governo Federal. licitações e contratos com a Administração Pública. tais como aposentadorias e pensões.• 5% de ISS. havendo um adicional de 10% sobre o valor que ultrapassar R$ 240 mil. As alíquotas variam de acordo com a receita bruta auferida nos últimos 12 meses. a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) e o Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS). Como pessoa jurídica.

O cálculo do valor da aposentadoria será baseado pela média obtida das 80% maiores contribuições. com vencimento no dia 10 do mês seguinte.499. a mulher deve contribuir por 30 anos e o homem por 35 anos. A alíquota da Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) das empresas em geral é de 20%.31 (20% do teto remuneratório de R$ 3. Todos os profissionais autônomos — músico. Além da aposentadoria. A base de cálculo do ISS para os artistas corresponde ao valor bruto do cachê. existem outros benefícios: auxílio-doença. ela será responsável pela retenção da parte devida pelo profissional.71 a 3. Para os produtores do evento.78 No caso das empresas.54). a empresa reterá e repassará ao INSS o valor correspondente à alíquota de 11% devida pelo contribuinte individual.75 ALÍQUOTA PARCELA A DEDUZIR DO IMPOSTO Isento – 7. a mulher deve ter 60 anos e o homem 65 anos. O limite mínimo vigente corresponde a R$ 102 (20% do salário mínimo de R$ 510).246. punido com detenção. por tempo de contribuição.5% R$ 505. o máximo é de R$ 683. existe a opção da base de cálculo 94 95 Música Ltda | Finanças BASE DE CÁLCULO MENSAL . ou a seus empregados e sócios. A base de cálculo corresponde ao total da remuneração recebida no mês.19 22. iluminador. Para a aposentadoria por idade.743. diretores.5% R$ 692. Logo. a alíquota é de 15%. corrigidas monetariamente pelo índice INPC.19 27. No caso de cooperativas. a base de cálculo dessa contribuição é o total das remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais que lhe prestem serviço e aos sócios. técnico de som. Assim.499. produtor — estão incluídos na categoria de contribuinte individual.16 a 2.416. o que reduz bastante o peso da carga tributária (conforme anexo III da LC 123/06). a contribuição já está incluída na alíquota dos tributos pagos sobre o faturamento.246. Para se aposentar pelo INSS. respeitados os limites do salário de contribuição.70 15% R$ 280. com uma alíquota de 20%.995.43 De R$ 2. calculado pelo IBGE. Constitui crime.743.76 a 2.94 De R$ 2. para fins da Previdência Social. o não repasse ao INSS do valor retido do contribuinte. O ISS é um imposto municipal que incide sobre a prestação de serviços de qualquer natureza por empresa ou profissional autônomo. auxílio-acidente e pensão por morte. No caso das microempresas culturais.62 Acima de R$ 3. eles são obrigados a contribuírem mensalmente.TABELA 6 – Cálculo mensal do IRPF para o ano calendário 2010 Até R$ 1. roadie.995.5% R$ 112. Quando a pessoa jurídica for pagar à pessoa física que lhe preste serviço eventual.15 De R$ 1. Sua alíquota varia de acordo com a política do município — entre 2% e 5%. empregados ou funcionários.

outros não. sendo o ISS devido somente na etapa de realização do projeto. O primeiro passo é o impulso criativo. como Recife. ainda que estes não se constituam como atividade principal do prestador.0. deve-se consultar a Secretaria da Fazenda no município em questão. . O autor deste trabalho. em recente conflito com a Secretaria da Fazenda no Recife. lembrando que o ISS é devido ao município onde o serviço é efetivamente prestado. e não no município onde se localiza a sede do artista ou da produtora de eventos. sobre as exportações de serviços para o exterior. Existe uma divergência sobre a incidência de ISS no patrocínio cultural.estar parametrizada numa estimativa prévia (acertada entre o fiscal e o produtor) ou na receita bruta da bilheteria (produtor faz a prestação de contas dos ingressos chancelados pelo fiscal). O ISS da microempresa já está incluído no DAS e sua alíquota varia de acordo com o faturamento acumulado nos últimos 12 meses. bilheteria. O orçamento deve levar em conta todos os gastos do projeto. Não incide. O imposto também incide sobre o serviço proveniente de outro país ou cuja prestação tenha se iniciado naquele. visto que não há prestação de serviços entre a patrocinadora e a patrocinada. Para o produtor cultural que trabalha com o modelo de gerenciamento de projetos. incluindo custos de produção. mas tão somente um repasse de recursos. O imposto é devido para o município onde o show é realizado. exige-se a habitualidade e a finalidade lucrativa quanto aos serviços prestados. Na dúvida. venda de produtos etc. O auditor fiscal relator do processo de consulta nº 15. quando a patrocinada fará uma série de pagamentos aos prestadores de serviços contratados.41983. Alguns municípios cobram.09 concluiu que não incide ISS sobre contrato de patrocínio cultural. Deve estimar e detalhar todas as receitas do projeto como patrocínio. conforme esclarece Chimenti: Para que incida o ISS. Não incide ISS sobre show realizado no exterior. O orçamento deve discriminar a quantidade e o valor unitário (e total) de cada item. porém. Orçamento Orçamento é o planejamento financeiro e estratégico de uma administração para determinado exercício. o orçamento é o segundo passo de toda essa iniciativa. obteve vitória em relação a essa questão. estão isentos do recolhimento de ISS os eventos de música clássica ou folclóricos. despesas administrativas e taxas e impostos incidentes sobre a atividade. e não na sede da produtora ou do artista. A elaboração do orçamento começará a dar forma à ideia original. Em algumas cidades.

na hipótese de aumento ou diminuição do projeto. dão mais dicas sobre a elaboração de um orçamento: O orçamento deve ser visto como uma ferramenta de ajuda e controle do projeto e. no livro “Guia brasileiro de produção cultural”. de forma que se façam ajustes periódicos. a forma decimal é 0. nas contas de despesa se deve estimar a maior. • o imposto sobre a venda (nota fiscal). apesar dos ajustes. Calcular o preço de venda de um show com base na margem de lucro sobre a receita bruta. o empreendedor está se precavendo contra cenários negativos. Para um imposto sobre a venda de 8. De qualquer maneira. Quem está preparado para o pior também está pronto para o melhor cenário. a menor. Assim será fácil determinar os valores individuais de cada valor total e realizar rápidas adequações do orçamento. a representação decimal equivalente é 0. De acordo com este princípio contábil. • a margem de lucro. A vírgula anda duas casas para a esquerda! Exemplo 1. Formação de preço Quanto ao tratamento matemático para a formação de preços. e nas contas de receita. temos 0. Vale destacar que o Princípio da Prudência dever nortear a elaboração do orçamento.2 na forma decimal. Pv = (1 – m – i) Onde: Pv = preço de venda C = custo do produto ou serviço m = margem de lucro (forma decimal) i = imposto da nota fiscal (forma decimal) OBS: para um imposto de nota fiscal na alíquota de 6%. considerando os seguintes valores: Música Ltda | Finanças C . devem ser consideradas as seguintes variáveis: 96 97 • o custo do produto ou serviço. Para uma margem de lucro de 20%. deve ser utilizado diariamente para balizar os gastos já realizados. principalmente.21%. Agindo desta forma. a memória de cálculo.0821.06. as receitas captadas. mantenha o histórico do seu orçamento e. A primeira fórmula deve ser usada para determinar o preço de venda com base na margem de lucro sobre a receita bruta. E assim por diante. bem como os gastos excessivos e as economias realizadas. portanto.Edson Natale e Cristiane Olivieri.

600 • margem de lucro do empresário = 20% • impostos sobre a nota fiscal = 6% Pv = C (1 – m – i) = 1. não existe margem de lucro.500 por exemplo) para manter uma margem de negociação.8 x 0.162. Calcular o preço de venda de um show com base na margem de lucro sobre a receita líquida.162.162. A segunda fórmula deve ser usada para determinar o preço de venda com base na margem de lucro sobre a receita líquida.94 = 1.600 • margem de lucro do empresário = 20% • impostos sobre a nota fiscal = 6% Pv = C (1 – m) (1 – i) = 1.600 (1 – 0. Ele deverá cobrar um valor maior (R$ 2.06) = 1.127. Sendo assim.600 0.16 pelo show.600 0. . cobrir os custos do show e pagar os impostos da nota fiscal.752 = 2. sabendo que pode ceder até o valor de R$ 2.600 (1 – 0.06) = 1.2) (1 – 0.2 – 0.16 para manter a margem de lucro de 20%.• cachê do artista = R$ 1.66 Existe uma terceira fórmula.600 0.16* * É claro que o responsável pela negociação do artista não vai cobrar exatamente R$ 2. considerando os seguintes valores: • cachê do artista = R$ 1.74 = 2. pois o lucro já apresenta um valor definido. indicada nos casos em que o lucro possui valor pré-fixado pelo empresário. Pv = Onde: Pv = preço de venda C = custo do produto ou serviço m = margem de lucro (forma decimal) i = imposto da nota fiscal (forma decimal) C (1 – m) (1 – i) Exemplo 2.

agendando para realizar o pagamento de acordo com a forma acertada anteriormente entre a banda e os prestadores de serviços. o recibo. A forma legal de formalizar esse processo é através do Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA).500 0. IRPF e ISS. um documento que quita a obrigação para fins comerciais. e-mail. Mas no caso de pagamento a uma pessoa física. várias normas jurídicas dizem que a empresa contratante responde pela retenção do INSS. passaporte. O administrador deve criar regras para normatizar esse processo. mas com características distintas.500 por um show (Tabela 7). telefone. considerando os seguintes valores: • cachê do artista = R$ 1. data de nascimento.61 Pagamento O administrador deve ter alguns cuidados ao realizar pagamentos. CNPJ ou CPF. Por exemplo. Na prática.723.9179 = 2. Ele deve possuir alguns dados dos prestadores de serviços para manter um cadastro atualizado — razão social ou nome completo. o administrador não precisa reter nenhum imposto.i) Exemplo 3.0821) = 2. Qual o valor das retenções? Quanto é o valor recebido pelo DJ? 98 99 Música Ltda | Finanças Pv = . uma pessoa jurídica paga a um DJ (pessoa física) o valor de R$ 2. inscrição municipal ou INSS. no caso de pagamento a uma pessoa jurídica.600 • lucro fixo do empresário = R$ 900 • impostos sobre a nota fiscal = 8.600 + 900 (1 – 0.21% C+L (1 – i) = 1. endereço. Pv = Onde: Pv = preço de venda C = custo do produto ou serviço L = lucro pré-fixado i = imposto da nota fiscal (forma decimal) C+L (1 . dois documentos parecidos. Ele tem o direito e o dever de exigir a apresentação da nota fiscal e do recibo. Calcular o preço de venda de um show com base no lucro pré-fixado. A nota fiscal é um documento que registra a transação para fins tributários e.

54.275 2. o DJ recebe um valor líquido de R$ 2.000 ao todo.ISS Valor líquido R$ MEMÓRIA DE CÁLCULO . E o governo arrecada R$ 954.500 – 275) x alíquota IR] – Dedução IR [2. Em todo caso. conforme a Tabela 8.54.225 x 7.45 .500 – INSS) x alíquota IR] – Dedução IR [(2.45 para o Governo Federal).INSS .43 166.000 . qual é o valor efetivamente pago pela pessoa jurídica (Tabela 9)? Em resumo.TABELA 7 – Pagamento com retenções para a pessoa física RETENÇÕES R$ . ele estará isento do recolhimento do ISS no seu município. Para isso. o DJ deve entregar à pessoa jurídica pagadora uma cópia do comprovante do CIM quitado.IR .45 sem nenhum esforço (R$ 125 para o município e R$ 829.45 [(2.045.00 Isento 2.500 x 20% = 500 Valor total 3.5%] – 112.170.5%] – 112.ISS Valor líquido MEMÓRIA DE CÁLCULO .500 x 11% .IR .INSS .500 – 275) x 7. o DJ recebe um pouco mais.55 TABELA 9 – Pagamento de pessoa física com adição de CPP ADICIONAL R$ MEMÓRIA DE CÁLCULO + CPP + 500 2.43 = 54.500.500 x 5% = 125 2.045. Com toda a documentação regular.55.43 0.45 [(2.275 2.88 – 112. devendo a mesma observar o prazo de validade do imposto.55 Caso o DJ tenha o Cadastro de Inscrição Mercantil (CIM) regularizado. sobre um cachê negociado no valor de R$ 2. TABELA 8 – Pagamento com retenções para a pessoa física isenta de ISS RETENÇÕES .500 x 11% . enquanto a pessoa jurídica gasta R$ 3.125 2.

RT = P x Q Exemplo 1. Qual a receita total de uma banda que faz 11 shows por mês cobrando um cachê de R$ 2 mil? RT = P x Q RT = 2. A receita líquida menos os custos dos produtos ou serviços é o lucro bruto. a manutenção do escritório. Gasto é um nome geral. A receita total. 100 101 TABELA 10 – Receita – gastos = lucro BANDA BRAZUCA LTDA – ME (JANEIRO/2010) R$ A Receita total B Imposto sobre a receita (DAS)* (1.750) D E Lucro bruto (C – D) 3. A receita bruta menos os impostos é igual à receita líquida.765.515. os juros dos empréstimos etc. custo e despesa não são a mesma coisa.985 A B C Receita líquida (A – B) 13. custo é um tipo de gasto relativo ao processo produtivo.40) 14. corresponde ao valor total da nota fiscal de venda ou de serviço. o salário do pessoal. ao serviço prestado ou ao produto vendido. O lucro bruto menos as despesas administrativas é o lucro líquido (Tabela 10).60 C D Custos dos produtos ou serviços* (9. A receita total (RT) é a soma do preço de mercado (P) multiplicada pela quantidade vendida (Q).953. geralmente em forma de dinheiro. também chamada de receita bruta ou faturamento. genérico e significa sacrifício financeiro em medidas monetárias.Faturamento – gastos = lucro Faturamento ou receita é a entrada monetária.000 Gasto. despesa é outro tipo de gasto e está relacionada com a administração da empresa.60 G *Os valores entre parênteses indicam a operação matemática de subtração. as ações de marketing.000 x 11 RT = R$ 22.469.60 E F Despesas administrativas* G Lucro líquido (E – F) (812) F 2. Música Ltda | Finanças Descrição .

roadie e produtor. Assim. Custos variáveis são aqueles decorrentes da prestação do serviço. O custo total (CT) é a soma do custo fixo com o custo variável total (CT = CF + CVT). Cme = CT q = CF + CVT Q O custo fixo médio (CFme) é obtido dividindo-se o custo fixo pela quantidade produzida. honorário do contador. Exemplo 2. contador e tarifa bancária da conta corrente. técnicos de som. devem ser contratados prestadores de serviços temporários para a execução dos projetos vigentes. Qual o custo total? CV = PCF + CV CV = 300 + 1. produtor). esses custos também não irão existir. técnicos. se houver. Se o show não chegar a acontecer. os custos variáveis seriam os cachês de músicos. por exemplo. O custo variável total (CVT) é o custo unitário do produto ou serviço multiplicado pela quantidade vendida (CVT = Cu x Q). Os custos variáveis (CV) aumentam ou diminuem de acordo com o volume produzido. CVme = CV/q.500 (cachês de músicos. independentemente da empresa estar produzindo ou não. iluminador. O custo variável médio (CVme) resulta da divisão do custo variável pela quantidade produzida. registro e hospedagem do domínio. CFme = CF/q. . Os custos fixos são invariáveis em relação ao volume da produção — aluguel de caixa postal virtual.800 O custo médio (Cme) é a divisão do custo total pela quantidade produzida (q). mais a parcela correspondente à contribuição patronal previdenciária. Uma banda tem o custo fixo mensal de R$ 300 com caixa postal virtual. Dependendo da demanda. Recomenda-se ter baixos custos fixos para trabalhar com o modelo de gerenciamento de projetos. tarifa de manutenção da conta corrente. O custo variável é R$ 1.500 CV = R$ 1. Em um show de uma banda.Custo fixo (CF) é todo gasto constante com a manutenção do negócio. Assim.

Qual o lucro no fim do mês? L = (P x Q) – {CF + (Cu x Q} L = (2.500) 102 103 L = 22. São informações importantes para a tomada de decisão gerencial do negócio.800 L = 5.O custo médio também pode ser apresentado como a soma do custo fixo médio com o custo variável médio.000 – (300 + 16.000 – 16. Cme = CFme + CVme.500 x 11)} L = 22.000. O gestor pode tomar decisões estratégicas com segurança através de alguns documentos contábeis. Uma empresa jamais pode ficar com o caixa descoberto por muito tempo. Música Ltda | Finanças Demonstrações contábeis .000 x 11) – {300 + (1. As demonstrações financeiras fornecem informações a respeito do passado (lucro. O custo fixo é R$ 300. O custo de um show é R$ 1. demonstrando as atividades que afetaram o caixa em um período (Tabela 11). O fluxo de caixa mostra a real disponibilidade financeira da empresa. Lucro é o retorno positivo de um investimento feito por um indivíduo ou uma pessoa nos negócios. fluxo de caixa e condições financeiras). no sentido de ajudar usuários a fazer previsões e tomar decisões relativas à situação financeira futura do negócio. Matematicamente. Considere que uma banda faz 11 shows por mês cobrando R$ 2. L = RT – CT L = (P x Q) – (CF + CVT) L = (P x Q) – {CF + (Cu x Q} Exemplo 3. tais como a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e o boletim do fluxo de caixa. É muito importante para o planejamento de pagamentos e recebimentos.500. Assim. o lucro é a diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT).200 Para que serve a contabilidade? Ela registra todas as transações em valor monetário.

303 5.303 200 15. o princípio contábil que permeia toda a DRE é o mesmo do regime de competência.000 13. evidencia o prejuízo ou o lucro líquido do negócio.250 27 Técnico 750 7. no livro “Contabilidade e finanças para não especialistas”.643 20 DAS (competência jan/2009) 20 Galo da Madrugada 20 Venda de discos no Galo da Madrugada 24 Carnaval de Olinda 24 Venda de discos no carnaval 27 Músicos 5. Mostra todas as receitas e.843 15 Contador 200 3.590 13.500 4.143 8. que reconhece as receitas e despesas quando estas ocorrem.318 125 4.TABELA 11 – Fluxo de caixa BANDA BRAZUCA LTDA – ME (FEVEREIRO/2010) DATA DESCRIÇÃO 01 Saldo do mês anterior 01 Banco do Nordeste (tarifa) 10 INSS (competência jan/2009) RECBTO PAGTO 605 SALDO 605 12 593 775 . após o desconto de todos os gastos do período.143 160 8.253 A DRE (Tabela 12) informa com detalhes o resultado das operações da empresa num dado momento.253 TOTAL 500 5.003 27 Van 750 5.443 15 Caixa postal virtual (anuidade) 600 3. Conforme ensina o professor Hong Yuh Ching.000 3.903 27 Produtor 900 6. e não quando a empresa recebe ou paga em caixa.182 13 Baile da La Ursa 13 Venda de discos no baile 4.337 5.253 10.503 8.503 27 Roadie 600 6. . no final do relatório.

515. sendo o resultado da divisão do lucro líquido pela receita total ou bruta.765.500 Receita bruta com discos 485 Imposto sobre as receitas* (1. podemos calcular a lucratividade desse caso.60 = 0. L = Lucro líquido Receita líquida = 2. 104 105 O índice de lucratividade (L) mede o lucro líquido das vendas em relação ao faturamento.Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) BANDA BRAZUCA LTDA – ME (JANEIRO/2010) DESCRIÇÃO R$ Receita bruta 14. anteriormente. • ponto de equilíbrio.71% O índice de rentabilidade das vendas (RV) é o resultado da divisão do lucro líquido pela receita líquida do período. de maneira simples.60 *Os valores entre parênteses indicam a operação matemática de subtração.469. • rentabilidade das vendas. podemos calcular a rentabilidade das vendas para o exemplo.515. • prazo de retorno do investimento.750) Lucro bruto 3.1971 ou 19.60 Custos dos produtos ou serviços* (9. Lucro líquido Receita total = 2.953 14. • rentabilidade do investimento.953. alguns indicadores de desempenho: • lucratividade.2185 ou 21.60 Despesas administrativas* (812) Lucro líquido 2. Utilizando os dados fornecidos pela mesma DRE.985 Receita bruta com shows 14.TABELA 12 .60 13. Indicadores de desempenho Vamos apresentar. Utilizando os dados fornecidos pela DRE.953.985 = 0.40) Receita líquida 13.85% Música Ltda | Finanças L = .

e assim. RI = Lucro líquido Capital investido 2.953.000 = 0.953.60 = 7.000 2.4 meses O ponto de equilíbrio operacional (PEO) corresponde à quantidade mínima a ser produzida e vendida para cobrir todos os custos operacionais do projeto. José Carlos Dornelas complementa tal definição: É o ponto no qual a receita proveniente das vendas equivale à soma dos custos fixos e variáveis. a partir de informações da mesma DRE.1342 ou 13. obtém-se rentabilidade para o investimento. Cláudio Afrânio Rosa lembra que o ponto de equilíbrio representa o quanto sua empresa precisa faturar para pagar todos os custos em um determinado período. Considerando um capital investido de R$ 22 mil.60 = 22. É o resultado da divisão do capital investido pelo lucro líquido do período.42% O prazo de retorno do investimento (PRI) é um indicador de atratividade que aponta o tempo necessário para que o empreendedor recupere o que investiu. CFT PE = (RT – CVT) RT Onde: PE = faturamento no ponto de equilíbrio CFT = custo fixo total CVT = custo variável total RT = receita total . tornar-se uma importante ferramenta gerencial.O índice de rentabilidade do investimento (RI) é o resultado da divisão do lucro líquido do período pelo capital investido no negócio. pois possibilita ao empresário saber em que momento seu empreendimento começa a obter lucro. PRI = Capital investido Lucro líquido mensal = 22. É de grande utilidade.

é R$ 15.000 PE = 15.000 20. O custo total do investimento.000) 20. A gravadora só lucraria a partir da segunda tiragem do disco. Imagine que você seja dono de uma gravadora independente e queira saber quanto precisa faturar para pagar as contas do projeto de lançamento de um disco. Portanto.000 (2.000 PE = 15. O preço de venda do disco é R$ 10.75 20. masterização e material promocional do disco.50.Exemplo 1. ou seja.000.5). CFT PE = (RT – CVT) RT 15. Sem contar que alguns discos preci- Música Ltda | Finanças PE = .000 x 10).000 Em resumo. precisa vender todo o estoque a um preço mínimo de R$ 10 (cada exemplar). Portanto.000 (2.000 0.000 cópias a um custo unitário de R$ 2. o CVT é R$ 5. incluindo gravação. Agora é só jogar os dados na fórmula.000 – 5. sendo ele representado pelo CFT.000 para empatar o investimento. mixagem.000 x 2.000 106 107 15. sua gravadora precisa faturar R$ 20.000 PE = (20. Vão ser prensadas 2. a receita total é R$ 20.

daí a dificuldade das gravadoras independentes sobreviverem no mercado atual. considerando o investimento de R$ 15. replicá-lo a um custo unitário mais baixo.com o SMD.000 discos Em resumo. Usando os dados do exemplo anterior. Bandas já trabalham assim. É um investimento de risco. na obtenção de um lucro pré-fixado com valor determinado. como pela oportunidade para desovar a produção fonográfica. O economista Roberto Ferreira ensinou mais duas fórmulas que são aplicadas para encontrar a quantidade produzida e vendida no ponto de equilíbrio operacional. • acesso gratuito a softwares de gravação. quantos discos precisariam ser vendidos para alcançar o ponto de equilíbrio. Essa estratégia reforça a importância do show como foco principal da ação dos artistas. • venda direta do disco em shows. A solução para o artista é assumir as rédeas do negócio: baratear o processo de produção do disco.000 para empatar o investimento! A outra fórmula deve ser usada para encontrar a quantidade mínima a ser produzida. vendê-lo mais barato para o público e ganhar dinheiro com um volume maior de vendas. Q = CFT (P – C) Onde: Q = quantidade no ponto de equilíbrio CFT = custo fixo total P = preço de venda unitário do produto C = custo variável unitário do produto Exemplo 2. pois seriam necessárias 2. São duas fontes de renda em um único ponto.000 7. .5 Q = 2. principalmente por causa de: • popularização do computador pessoal.5) Q = 15. Isto é uma realidade.50? Q = CFT (P – C) Q = 15.sariam ser usados na assessoria de imprensa. o preço de venda de R$ 10 e o custo unitário de R$ 2. tanto como fonte de receita através do cachê.000. • replicação a baixo custo . o dono da gravadora sequer poderia pensar em prensar apenas mil cópias do disco.000 (10 – 2.

o valor presente líquido e a taxa interna de retorno.50) 108 109 Q = 18.50 Q = 2. considerando o investimento de R$ 15. desgastar relacionamentos e perder tempo.000 + 3.000. a quantidade produzida teria que ser de pelo menos 2.000 7.000 (10 – 2. para obter lucro com o projeto já na tiragem inicial. Para isso existem alguns métodos úteis para avaliar se o projeto merece investimento. Antes de sair determinado numa jornada.50? Q = Q = CF+L (P – C) 15. Q = CF+L (P – C) Onde: Q = quantidade no ponto de equilíbrio CFT = custo fixo total L = lucro pré-fixado P = preço de venda unitário do produto C = custo variável unitário do produto Exemplo 3.400 discos vendidos Em resumo. Quantos discos sua gravadora precisa vender para obter um lucro de R$ 3. Destacaremos o custo de oportunidade. o empreendedor necessita saber em que terreno está pisando.000.400 cópias. o preço de venda de R$ 10 e o custo unitário de R$ 2. sob o risco de desperdiçar dinheiro. Música Ltda | Finanças Avaliação de alternativas de investimento .

deixamos de lado diversas opções profissionais que poderiam existir. Isto é o que denominamos custo de oportunidade. Dos cinco critérios apresentados pelo professor em seu livro. Eis a fórmula: VPL = .Quando abrimos um negócio. se o mesmo for um número positivo. no livro “Matemática financeira aplicada”. denominada nesse estudo de “taxa mínima de atratividade”. Esta etapa deve ser detalhista e bem próxima da realidade. define investimento como uma aplicação de recursos econômico-financeiros no presente. Roberto Ferreira. para um período de pelo menos cinco anos. a qual servirá para fazer o confronto quando da determinação da taxa interna de retorno da alternativa analisada. Esse confronto indicará se há ou não retorno ou benefício econômico.VP + VF (1 + i)n Fórmula para encontrar o valor futuro: VF = VP x (1 + i)n . estamos deixando de trabalhar com carteira assinada para outra pessoa. Hong Ching ensina que no método do VPL é tomada a decisão em favor do investimento. Um elemento fundamental que serve como parâmetro na avaliação dessas alternativas é a taxa de mercado financeiro. escolhemos dois para nos subsidiar na projeção do fluxo de caixa — o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR). Focado na visão macroeconômica. de aplicar o dinheiro na caderneta de poupança ou qualquer outra aplicação e até de passar mais tempo com a família. quando se executa o projeto de investimento dado para análise. Esses métodos exigem a estimativa de um fluxo de caixa anual do projeto. O fluxo de caixa anual deve ser entendido como o resultado final entre a receita total e a despesa total do período. porque qualquer alteração nos números do fluxo de caixa afetará o resultado final da avaliação dos investimentos. Esse é o custo da oportunidade de negócio: o que deixamos de fazer por causa dele. Esclarece Silvina Ramal: Quando aplicamos nosso tempo e nosso dinheiro em uma empresa. objetivando auferir receitas líquidas ou lucros no futuro.

fiscalizada e regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O lucro do banco. porque não será rentável do ponto de vista econômico. Por fim.Onde: VP = valor presente (investimento inicial) VF = valor futuro i = taxa mínima de atratividade n = período (em anos) Na avaliação da taxa interna de retorno. Unibanco. portanto. o projeto deverá ser rejeitado. No entanto. basta simplesmente igualar o valor presente líquido a zero. Se ix > im. Essa é a atividade bancária básica. caso os projetos em análise não ofereçam retornos acima do mínimo estabelecido pela empresa. Real — e os mistos — Banco do Brasil (sociedade de economia mista) e Caixa Econômica Federal (empresa pública). apresentaremos um caso concreto da análise de um projeto através do VPL e da TIR. O banco é uma empresa que pega dinheiro emprestado com o mercado. No Plano de Negócio elaborado no final deste livro. diz ainda Hong Ching: Nunca esquecer que entre as diversas alternativas existentes. Itaú. cobrando tarifas e juros Música Ltda | Finanças Serviços bancários . sempre existirá a de não fazer nada. reside na diferença entre o custo do dinheiro captado no mercado. existem diferentes tipos de banco: os comerciais múltiplos — Bradesco. que do ponto de vista estratégico e de melhoria do clima organizacional interno da empresa podem se justificar plenamente. E ainda há os bancos de desenvolvimento. Na prática. que será o parâmetro para comparar o investimento estudado com a taxa mínima de atratividade (im). e faz empréstimos para pessoas físicas ou jurídicas. o projeto será rentável economicamente e. como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Nordeste (BNB). tanto o VPL quanto a TIR são calculados com o auxílio de uma calculadora financeira (HP-12C) ou através da função financeira de uma planilha eletrônica (Excel ou Calc). criados para atenuar os desequilíbrios regionais. chamado de spread. até mesmo com o Banco Central (Bacen). As deci- 110 111 sões de investimento devem levar também em consideração os eventos qualitativos não quantificáveis monetariamente. deverá ser realizado. Mas se ix < im. Assim encontraremos uma taxa incógnita (ix). tendo como referencial a taxa de juros cobrada pelo governo (taxa Selic) e a taxa de juros cobrada efetivamente dos clientes.

00 Tarifa para manutenção de conta corrente R$ 15. Master. Desconto de duplicatas 1. A cobrança facilita o pagamento para o cliente e dá segurança para a empresa. tem-se um comparativo entre tarifas e juros cobrados por bancos oficiais para três serviços comuns oferecidos para pessoas jurídicas: conta corrente. O BNB está presente em muitos municípios nordestinos.m. Para maior segurança. 1. as informações devem ser anotadas no canhoto do talão de cheques.bem abaixo daqueles praticados no mercado.67% a.m.m. 2.72% a. com a função de débito automático. 2.00 Capital de giro pré-fixado 1. Por isso foi o banco escolhido para servir de modelo no Plano de Negócio apresentado no final deste livro. em parceria com alguma operadora de crédito. Possui um limite pré-fixado que pode ser alterado posteriormente pelo gerente do banco. Uma modalidade é a emissão de boleto bancário enviado para o cliente pelo correio. Rio de Janeiro e Brasília. emitidos pelos clientes da empresa. O cartão de crédito é fornecido pelo banco. tem convênio para realizar saque em qualquer caixa eletrônico do Banco do Brasil. além de dispor de um serviço de operações bancárias através da Internet. mas possui agências em São Paulo.00 R$ 28. Outra modalidade de cobrança é a operadora de crédito (Visa. Na Tabela 13.00 R$ 20.00 R$ 15. capital de giro e desconto de duplicatas13. o banco adianta para a empresa os valores dos cheques prédatados.51% a. Para maior controle.50 R$ 30. mediante a cobrança de taxa e juros ao mês. O banco é obrigado a fornecer ao cliente um cartão gratuito para movimentação.61% a.m.m. . deve ser nominal. O cheque perde a validade se não for descontado após 180 dias da data da sua emissão. 13 Dados referentes ao mês de janeiro de 2010. 1. Cheque é uma ordem de pagamento à vista. apresenta política de crédito para microempresas e empresas de pequeno porte e de patrocínio cultural.87% a. Conta corrente é o produto básico do relacionamento entre banco e cliente. cobra pequenas taxas e juros baixos. Hiper). geralmente depois de um ano da abertura da conta corrente.08% a. No desconto de duplicatas. O cliente tem tempo para TABELA 13 – Comparativo entre as taxas dos serviços bancários dos bancos oficiais Serviço BNB CEF BB Cadastro para abertura de conta corrente 0. além de ofertarem linhas de crédito específicas para setores importantes da economia nacional.m. o que significa que apenas aquela pessoa pode sacar o valor.

Existe financiamento específico para cada caso: reforma de imóvel. para operações de até R$ 500 mil. Poupança é a forma mais segura de investimento. com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor cultural através de três mecanismos: O Ministério da Cultura promoveu.5% ao mês. Isto porque existem sérias distorções no atual modelo de financiamento. Normalmente o banco e as operadoras retêm uma comissão. com juros de 1% ao mês e prazo de até 48 meses para pagar. em dois dias (no débito) ou em 30 dias (no crédito). criando a Nova Lei Rouanet. 112 113 Plano Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) O Plano Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) foi instituído pela Lei 8. variando de 2. compra de equipamentos de produção. Existe uma taxa de contratação. diminuídos no caso de antecipação da liquidação da dívida. até que o Congresso Nacional aprove as alterações propostas em projeto de lei encaminhado pelo Poder Executivo. tais como o Crediamigo. com taxas pré-fixadas ou pós-fixadas. Existe seguro para a poupança no valor de até R$ 60 mil por CPF. Existe uma taxa de administração cobrada pelo banco. Um relatório do próprio MinC destaca alguns pontos que precisam ser revistos (a diversidade musical brasileira é um grande ativo capaz de agregar valor ao Brasil na concorrência internacional pela atração de investimentos e turistas): Música Ltda | Finanças • Fundo Nacional de Cultura (FNC).5% a 5% sobre o valor da operação. com os juros sendo calculados mensalmente.313/91. • Fundo de Investimento Cultural e Artístico (Ficart). incidindo-se Imposto de Renda sobre os rendimentos do CDB. Ela rende 0. a ser enviado ao Congresso Nacional. Uma solução viável para as micro e pequenas empresas é o cartão do BNDES. em 2009. construção de unidades etc. Não há taxa de administração e nem incide IR sobre os rendimentos da poupança. O rendimento médio é de 12% ao ano.pagar e a empresa recebe o valor direto na sua conta corrente. uma série de debates públicos com o objetivo de formatar um anteprojeto de lei. popularmente conhecida como Lei Rouanet. mais a Taxa Referencial (TR). O BNB também tem linhas de crédito específicas para pequenas empresas e profissionais autônomos. . Uma modalidade segura de aplicação é o CDB (Certificado de Depósito Bancário).2% ao ano. o que dá um rendimento médio de 7. • incentivo a projetos culturais (mecenato). A modalidade mais popular de empréstimo é o cheque especial.

devendo a prestação de contas ser realizada segundo as normas vigentes. de instituição oficial. apenas aquelas tributadas no lucro real podem repassar recursos para os projetos culturais e abater o valor patrocinado. Os recursos provenientes de doações ou patrocínios deverão ser depositados e movimentados em conta bancária específica. qualquer outro projeto de música poderá deduzir o imposto devido nos percentuais de 40% (doações) e 30% (patrocínios). Mas ela poderá lançar R$ 40 mil como despesa operacional. • 80% dos recursos são destinados às regiões Sul e Sudeste. o percentual de dedução do Imposto de Renda devido pelo patrocinador será de até 100% do valor do incentivo. segundo a Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC. apenas R$ 1 vem do setor privado. No nosso exemplo. Se o projeto cultural for de música erudita ou instrumental. Deste valor devido. A lei impede que doações ou patrocínios sejam efetuados por pessoa ou organização vinculada ao agente doador ou patrocinador. Não sendo de música erudita ou popular. no fim das contas. ou seja. fazendo com que a empresa. A área de música foi a mais incentivada. o que ocorre é que a empresa pagará R$ 960 mil para a Receita Federal e patrocinará o projeto cultural no valor de R$ 40 mil. • 3% dos proponentes captam 50% dos recursos. apesar do valor do patrocínio ser de R$ 40 mil. ela pode abater até 4% com projetos culturais via Lei Rouanet. A diferença entre doação e patrocínio é que na doação não há publicidade. com cerca de R$ 222 milhões captados. consiga abater 64% do valor patrocinado. O montante poderá ser lançado no registro contábil como despesa operacional.• de cada R$ 10 captados. Esta será analisada. com o projeto sendo encerrado somente após a sua completa aprovação. • dos projetos enviados. a empresa incentivadora tem que pagar R$ 1 milhão de Imposto de Renda. . Os projetos de música recebem tratamento diferenciado. No nosso exemplo. Na prática. • dos projetos aprovados. Dentre as pessoas jurídicas. no limite de até 4% do imposto devido. o que na prática reduz a base de cálculo do Imposto de Renda da empresa incentivadora. em nome do beneficiário. não sendo permitido o lançamento do montante como despesa operacional. menos de 50% são aprovados. Por exemplo. apenas 20% captam recursos. muito menos exploração de marketing em cima do valor incentivado. a empresa poderá abater o valor integral do patrocínio (R$ 40 mil). R$ 40 mil. O valor total dos recursos incentivados em 2008 foi pouco mais de um bilhão de reais. a empresa incentivadora só poderá abater R$ 12 mil (30% de R$ 40 mil).

• distribuição. tais como: • patrimônio cultural. “a economia da cultura é um setor estratégico e dinâmico. novos segmentos foram incluídos no programa.Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura A diversidade musical brasileira é um grande ativo capaz de agregar valor ao Brasil na concorrência internacional pela atração de investimentos e turistas. modernização e expansão da infraestrutura necessária para a produção de obras fonográficas no país.br Música Ltda | Finanças Quanto ao apoio ao segmento fonográfico. emprego. renda e são capazes de propiciar oportunidades de inclusão social.gov. • fonográfico. em particular para jovens e minorias”.bndes. 114 115 • produção de obras fonográficas brasileiras. bem como o desenvolvimento de fonogramas nacionais e a distribuição de obras fonográficas no país e no exterior. 14 www. Por isso. • desenvolvimento e implantação de novos modelos de negócios para a comercialização de obras fonográficas brasileiras. divulgação e comercialização de obras fonográficas brasileiras no país e no exterior. com recursos não reembolsáveis. tanto pelo ponto de vista econômico como sob o aspecto social. Serão aprovados projetos que se encaixem no seguinte perfil: . • implantação. A economia da cultura surge nesse contexto como alavanca para o desenvolvimento sustentável do país. Suas diversas atividades geram trabalho. O BNDES Procult (Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura) era destinado apenas ao setor do audiovisual até novembro de 2009. financiamentos e capital de risco. Agora. • editorial e livrarias. o principal banco nacional de desenvolvimento oferece ao setor cultural um diversificado conjunto de instrumentos de apoio financeiro. • espetáculos ao vivo. • aquisição de direitos relacionados com obras fonográficas brasileiras. o objetivo do programa é promover o fortalecimento e a consolidação da cadeia produtiva fonográfica nacional. inclusive adaptação para novas mídias. Para o BNDES14.

festivais. teatro. . divulgação e comercialização de espetáculos brasileiros ao vivo. prêmios.Quanto ao segmento de espetáculos ao vivo. feiras e afins. Serão aprovados projetos que se encaixem no seguinte perfil: • realização de exposições. relacionados com temas culturais. • apoio ao fortalecimento de corpos estáveis (orquestras e grupos de dança. promover e proteger a diversidade artística e cultural nacional. concursos. festas. circo etc). e apoiar a produção e distribuição de bens e serviços culturais. ampliar o acesso à produção e fruição da cultura. os objetivos do programa são incentivar. e de espetáculos estrangeiros no país. • distribuição. no país e no exterior. Até 2012 será destinado R$ 1 bilhão para financiar a área cultural.

marketing .

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Música Ltda | Marketing anunciante). criar. A outra se senta a uma mesa e abre seu PowerBook da Apple. “À atividade de fazer. Kotler e Keller destacam que o profissional de marketing atua no sentido de estimular a demanda pelos produtos da organização.com. Os clientes não compram produtos ou serviços. compra alguns bolinhos. Uma vez on-line. na verdade compram soluções para problemas. influenciando o nível. O bom marketing tem se tornado um ingrediente cada vez mais indispensável para o sucesso dos negócios. ele recebe determinada quantia sempre que alguém clica no banner de um O marketing está por toda parte. conecta-se à Internet. E transforma uma necessidade. Os autores supracitados dão um belo exemplo de marketing aliado à música. no livro “Administração de marketing”. necessidades e desejos. em resumo. pela venda ou troca de bens e serviços. Philip Kotler e Kevin Keller. no cotidiano das cidades: 118 119 Duas adolescentes entram em uma loja da Starbucks.ganha algum dinheiro (por meio de um programa de remuneração. Todas as pessoas possuem necessidade de se alimentar. o gigante das ferramentas de busca . Bonavita e Jorge Duro. ou. entretanto uma pessoa sente desejo de comer crepe. a garota consulta no Google o nome da banda que tocou a trilha sonora do filme que viu na noite anterior. Surgem vários sites e dois anúncios — um para ingressos da turnê da banda e outro para o CD da trilha sonora e o DVD do filme na Amazon. Marketing é a atividade de satisfazer às necessidades e desejos de pessoas ou grupos de pessoas através da venda de produtos ou serviços. lhe entrega cupons que dão direito a dois expressos com leite e menta grátis e. enquanto outra sente desejo por uma picanha com farofa e vinagrete. por fim. no livro “Marketing para não-marqueteiros”. é dado o nome de marketing”. definem J.Antes de estudar o marketing. pessoas e organizações envolvem-se em um grande número de atividades que poderiam ser chamadas de marketing. Quando ela clica no anúncio da Amazon. Uma vai até o balconista. Formal ou informalmente. . Em poucos segundos. é necessário entender dois conceitos importantes: necessidade e desejo.Google . dizem que o marketing supre necessidades lucrativamente. particular ou social. R. Sua amiga retorna com os expressos. graças à parceria da Starbucks com a T-mobile para criar HotSpots sem fio nas mais de mil cafeterias da rede. trabalhar com mercados na tentativa de satisfazer necessidades e desejos de pessoas ou grupo de pessoas. Ele é responsável por gerenciar a demanda. atendendo aos objetivos da organização. desejo é algo mais específico e definido. em uma oportunidade de negócios lucrativa. descobrir. e ainda outra sente desejo apenas por sushi. ofertar. a oportunidade e a composição da mesma. Necessidade é algo mais amplo e geral.

no comportamento. o fabricante não tem condições de controlar todas as etapas. pois. padronizado e armazenado. o show é um serviço. Também é conhecido como os “4 Ps” (produto. caracteriza-se por ser intangível. distribuição ou logística é onde o produto ou serviço é distribuído (no bairro. na participação em eventos e propagandas de produtos comerciais.Mix de marketing Mix de marketing ou composto de marketing é um conceito criado na década de 60 por Philip Kotler. que pode ser testado. Ele precisa de muito capital e de muitos empregados para isso. de forma geral. . no país). na região. Já a diferenciação pode fazer de um produto um bem único e altamente desejado. concorrência do mercado. na cidade. posicionamento da marca. o disco é um produto. A mensagem sobre o produto precisa ser passada de maneira correta. O preço muitas vezes é a cara final do produto ou serviço. ao contrário. nas entrevistas. bares. O sucesso do marketing está atrelado à correta definição de cada item e à harmonia entre eles. praças públicas. mas o que antes se precisa saber é o objetivo a ser alcançado. Praça. Quando os produtos são muitos parecidos. É fundamental. postos de gasolina e bancas de revista. Existem várias formas de determinar o preço de um produto ou serviço. eles são chamados de commodity — o que faz vender commodity é o preço baixo (e a facilidade de encontrá-lo). É importante ter intermediários para um negócio. Um produto. magazines. teatros. Os canais utilizados para isso são lojas. nas composições. boates. então. utilizando os canais certos para atingir o público-alvo. que não pode ser estocado e dificilmente padronizado. Bonavita e Duro diferenciam produtos e serviços da seguinte maneira: um produto é algo tangível. é tudo aquilo oferecido no mercado para a satisfação de desejos e necessidades. no local e no preço certos para atender aos desejos dele. praça e promoção). A mensagem de um artista também é veiculada sutilmente na maneira de se vestir. É anunciar e tornar público o fato de que um determinado produto ou serviço existe e está à disposição dos interessados. organizar um fluxo de distribuição em que se tenha certeza de que o produto fabricado vai estar disponível para o consumidor no tempo. Existem muitos fatores que influenciam a determinação do preço: custos fixos e variáveis. no ambiente do show. na capa do disco. Bonavita e Duro esclarecem um ponto importante sobre a distribuição — o papel do intermediário: A organização de um sistema de distribuição é uma das tarefas mais importantes e delicadas do marketing de uma empresa. características do produto. um serviço. preço. estratégias de venda. até que o produto chegue ao consumidor. A atividade de promoção também pode ser chamada de propaganda. De nada adianta um produto de qualidade sem uma promoção eficaz. Portanto. na maioria das vezes.

culturas. nome de marca. cidadãos. formado por empresas que vendem para o público em geral. concessões. garantias e devoluções PRAÇA PROMOÇÃO Canais de distribuição. mercado era o lugar onde se compravam mercadorias. nenhuma organização está isolada do resto do mundo. O mercado digital parece infinito comparado ao mercado físico do varejo tradicional. formado por empresas que vendem para outras empresas. analisando-as para traçar a atuação da sua organização. A noção de mercado foi ampliada com o surgimento da Internet. estoque e transporte Promoção de vendas. Mercado No início. O microambiente PRODUTO PREÇO Preços. Existem forças que atuam sobre a organização concentradas no microambiente e forças que estão no macroambiente da organização. assessoria de imprensa. Os economistas definem mercado como um conjunto de compradores e vendedores que efetuam transações relativas a determinados produtos ou classe de produtos. empresas e demais entidades que têm necessidades. O consumidor de outra região pode adquirir produtos através de um clique. tamanhos. Silvina Ramal diz que mercado é o conjunto de pessoas. governos. relações públicas. formado por empresas que vendem para outros países.O Quadro 6. formado por empresas que vendem para organizações do terceiro setor e órgãos governamentais. e marketing direto Música Ltda | Marketing QUADRO 6 – Variáveis do mix de marketing . prazo de pagamento e qualidade. • mercado global. As decisões do mix de marketing devem ser tomadas de forma a exercerem influência sobre os canais comerciais e os consumidores finais. • mercado organizacional. propaganda. Kotler e Keller apresentam quatro principais mercados de clientes: 120 121 • mercado consumidor. cobertura. eventos e experiências. Portanto. • mercado sem fins lucrativos. intenção e capacidade financeira para comprar alguma coisa. especifica as variáveis de marketing de cada ‘P’. variedades. Vários mercados coexistem na economia moderna. um fluxo entre vários setores da sociedade — empresas. extraído do livro de Kotler e Keller. Variedade de produtos. O composto de marketing de uma organização está inserido em um ambiente de negócios onde existem outras organizações. embalagens. condições de financiamento características. serviços. A isto chamamos sistema de marketing. design. descontos. meio ambiente. entidades. Bonavita e Duro ensinam que o gerente de marketing capta as informações disponíveis no ambiente. pontos-de-venda.

distribuição e divulgação do produto ou serviço. EMI. Onde: F = faturamento potencial da empresa Q = quantidade média consumida por pessoa em um período de tempo N = total de pessoas com o mesmo perfil na região P = preço de venda do produto ou serviço F = QxNxP Exemplo 1. Quantas pessoas poderão ser atingidas? Quanto a empresa poderá faturar? Para isso existe uma fórmula simples. política e cultura. divulgados pela IFPI. Seu produto (ou serviço) atenderá a determinadas parcelas da população e dificilmente será consumido por todos. Sony. focada no público jovem e universitário. você pode dimensionar o mercado potencial da sua cidade. Consultando o site do IBGE. o acesso aos canais de distribuição e à tecnologia de produção. descobriu que 10% dos jovens dizem gostar de rock e que a frequência de ida a shows é de quatro eventos por mês. descobriu que a população jovem e universitária da sua cidade é de 50. as máquinas. gênero musical. Depois de definir o segmento. Q=4 N = 50. Com estas informações. O macroambiente de mercado é composto pelas forças que atuam indiretamente sobre o negócio: tecnologia. Barreiras de entrada são as dificuldades para se ingressar no mercado. religião. A segmentação de mercado influirá na escolha de vários aspectos do negócio como precificação. Barreiras de saída são as dificuldades para sair do negócio. é necessário conhecer o seu tamanho. É a parcela de mercado que a empresa atende. economia. Market share quer dizer participação de mercado. Através de uma pesquisa de mercado. Por exemplo. região. Você quer cobrar ingresso a um preço médio de R$ 15. personalidade. Warner. renda do púbico. concorrentes. segundo dados de 2004. o estoque.000 x 10% = 5. no mercado mundial de discos. fornecedores e empregados. Existem vários tipos de segmentação: faixa etária. apresentada por Silvina Ramal. Os outros 75% estavam nas mãos das majors (Universal.de mercado é composto pelas forças que atuam diretamente sobre a empresa: clientes. Você é dono de uma casa de show de rock. BMG). a participação das gravadoras independentes era de 25%. tais como as indenizações trabalhistas.000 pessoas. Segmentação de mercado é definir um foco de atuação.000 P = 15 . Por exemplo.

ainda que disfarçadas de conversa informal. tais como oferecer um produto pelo qual haverá pouca procura ou disponibilizar um serviço interessante em um local inadequado. Para isso também deve aplicar questionários ou fazer entrevistas com o público. cinema. todo mundo acha que perfume francês é caro.000 x 15 F = 300. O objetivo da pesquisa de mercado é precaver o empreendedor para que não cometa erros. Mas entender e identificar as necessidades e desejos dos clientes nem sempre é tarefa fácil. • reais (o cliente quer um carro com baixo custo de manutenção). necessidades e desejos. O profissional de marketing precisa pesquisar mais a fundo. seu mercado potencial é de R$ 300. • não declaradas (o cliente espera um bom atendimento do revendedor). seu trabalho é conhecer o concorrente. anda de ônibus? Todas estas informações são pistas para entender as necessidades e desejos do público-alvo. é solteiro. Por exemplo. mora sozinho. projetar a participação de mercado que você pretende dominar e oferecer algum diferencial para o público com sua nova casa de show. Kotler e Keller distinguem cinco tipos de necessidades usando como exemplo o mercado automobilístico: . • secretas (o cliente quer ser visto como um consumidor inteligente). As perguntas podem ser fechadas ou abertas. É preciso saber sexo. renda.000 em faturamento mensal. • de algo mais (o cliente gostaria que o carro viesse com computador). Depois. então a percepção de valor do perfume francês é 122 123 Música Ltda | Marketing O produtor precisa ser um bom observador para conhecer o público-alvo. Os instrumentos mais utilizados na pesquisa de mercado são o questionário e a entrevista. escolaridade. academia.F = 4 x 5. barzinho? Trabalha. camiseta? Quais os hábitos de consumo do seu público? Internet. Percepção de valor é a noção que o público tem daquele produto.000 Em resumo. celular. Um exemplo de pergunta fechada: Você sente necessidade de ter uma casa de show em nosso bairro? E um exemplo de pergunta aberta: Por que você sente a necessidade de ter uma casa de show em nosso bairro? Clientes • declaradas (o cliente quer um carro econômico). idade. Qual o comportamento do público da sua banda? Ele é frequentador assíduo ou eventual dos shows? Ele vai sozinho ou acompanhado? Quanto gasta no bar? Compra disco. Muitos clientes não sabem o que querem em um produto. faculdade.

o produto é lançado com alto preço. Caso o seu produto seja diferenciado da concorrência. Basicamente existem duas políticas de preços: liderança em custo e diferenciação. Precificação Precificação é o ato de determinar o preço do produto ou serviço. Na desnatação do mercado. Já na política de diferenciação. ganhando dinheiro com uma margem de lucro maior. Cabe ao produtor adaptar seus custos para permanecer no negócio. Na sobrevivência. por causa da concorrência de produtos semelhantes. o preço é determinado pelo mercado. O empreendedor precisa ter essa noção para tomar decisões e evitar erros fatais de estratégia de vendas. ele vende o produto um pouco mais caro. Ele também é um dos elementos mais flexíveis: pode ser alterado com rapidez. Na política de liderança em custo. • liderança da qualidade. Na liderança da qualidade. Bonavita e Duro ensinam quatro estratégias para a determinação de preços: • sobrevivência. ele deve aumentar sua margem de lucro para compensar a queda no volume de vendas e manter o padrão de faturamento. O advento da pirataria e da Internet alterou (para baixo) a percepção de valor que o público tem em relação ao disco físico (CD). porém com um volume de vendas menor. • desnatação do mercado. O preço também informa ao mercado o posicionamento de valor pretendido pela empresa para seu produto ou marca. o empreendedor tem que vender seu produto barato e ganhar dinheiro no grande volume de vendas. Um produto bem desenhado e comercializado pode determinar um preço superior e obter alto lucro. porque seu produto é melhor que o da concorrência.alta. . os demais produzem custos. a determinação do preço está associada à projeção de status. A relação margem de lucro versus volume de venda é fundamental na definição do posicionamento estratégico do negócio no mercado. Na maximização dos lucros. ao contrário das características de produtos. Se o produto é comum ao da concorrência. dos compromissos com canais de distribuição e até das promoções. necessariamente o empresário vai reduzir sua margem para ganhar no volume. • maximização dos lucros. que é baixado depois que o produto perde a aura de novidade. Kotler e Keller lembram as particularidades deste elemento do mix de marketing: O preço é o único elemento do mix de marketing que produz receita. o produtor definirá a segmentação de mercado e trabalhará baseado na curva de demanda do seu produto.

como Pão de Açúcar e Walmart. No entanto. para que possa cumprir sua função de comunicação com eficácia: Música Ltda | Marketing Comunicação . 124 125 A regra de ouro de Chacrinha ainda está em vigência: “quem não se comunica. O artista deve pegar esse bonde. Japão? O modelo de distribuição de discos mais lucrativo para o artista é vender direto ao público nos shows. spots (rádio). As lojas de discos também são pontos de venda de ingressos e divulgação de shows. Trabalhar com uma distribuidora nacional é vantajoso pela capilaridade dos divulgadores. se trumbica”. O comércio digital é uma tendência no Brasil e no mundo. A propaganda do projeto cultural deve levar em consideração alguns critérios importantes. Para a sociedade da informação e do espetáculo. anúncios (jornal e revista). intervalo comercial. praças públicas. É dinheiro à vista no bolso do artista. escolas. Como diria Milton Nascimento. O mundo moderno gira em torno da comunicação. A publicidade trabalha com anúncios pagos. A distribuição digital gratuita acontece naturalmente. depois será elétrico e mais veloz. os lojistas atuam como termômetro do mercado. A distribuição de shows deve ser realizada de acordo com o seguinte pensamento: onde está o público-alvo? Centro. litoral. Argentina. de acordo com a E-bit. asilos? Brasil. apenas no primeiro trimestre de 2008. clubes. O comércio eletrônico cresceu no Brasil 49%. divididas por veículos de comunicação usados para atingir os resultados da campanha.Distribuição Lugar de artista é na estrada. Por enquanto um bonde puxado a cavalo. cartaz e panfleto (mídia volante) e banner on-line (Internet). boates. Por isso não podem ser desprezadas. presentes nos 27 Estados brasileiros. praias. outdoor/outbus/lambe-lambe (mídia externa). periferia. As peças publicitárias mais usadas são VTs (televisão). Europa. por isso é desnecessário tecer comentário. interior. ele deve ir aonde o povo está. também chamados de conteúdo comercial — no caso da televisão. Canadá. teatros. Até os grandes varejistas tradicionais. Um plano de mídia é um cronograma que mostra as ações de divulgação. creches. hospitais. as lojas de discos permanecem na cidade mesmo quando o artista segue viagem. porque além de vender os discos. estão investindo pesado no setor. as coisas só se tornam efetivas quando são veiculadas em alguma mídia. O produtor deve estabelecer uma parceira com duas ou três lojas de disco em cada cidade.

É uma das ações de comunicação com maior relação custo-benefício. escolaridade?). sexo. • orçamento (melhor forma de gastar para que os objetivos sejam atingidos?). O maior desafio do marketing cultural é harmonizar a relação artista — obra — mercado. Deve-se enxergar o produto cultural como um conteúdo editorial para a mídia. Ana Carla Fonseca Reis. a ordem é se relacionar com o mundo externo da empresa — clientes. especialistas. Itaú. Já nas relações públicas. • mensuração (medir seu impacto . . desenvolver um relacionamento) a um público específico. • público-alvo (idade. BNB. profissão. esclarece o papel do marketing cultural: É neste contexto que se enquadra o marketing cultural. chamados de releases. • mensagem (mensagem principal?). país?). • canais (melhores canais para atingir esse público com a mensagem?).deu certo?). Também faz parte dessa estratégia participar de reuniões da categoria. Marketing cultural Marketing cultural é o conceito de marketing aplicado a um tipo diferenciado de produto. • praça (bairro. A maior parte da produção cultural independente brasileira é divulgada por meio da assessoria de imprensa. ser visto por todos e comunicar que você está na ativa.• objetivo (ampliar o alcance do produto e fortalecer a marca?). A assessoria de imprensa é a ação desenvolvida por um jornalista no sentido de enviar para os meios de comunicação informes. O marketing cultural tenta viabilizar a obra do artista no mercado. no livro “Marketing cultural e financiamento da cultura”. renda. artes cênicas ou audiovisuais etc). Algumas são empresas privadas: Votorantim. literatura. Infraero. matéria ou entrevista. seja ele de qualquer área (música. usando a cultura como base e instrumento para transmitir determinada mensagem (e. jornalistas. Algumas são organizações públicas: Banco do Brasil. Muitas empresas atualmente publicam editais com o intuito de selecionar e patrocinar projetos culturais. CEF. no caso um produto cultural. com o intuito de conseguir uma nota. sem que a cultura seja a atividade-fim da empresa. empresários. fornecedores. estabelecer parcerias. cidade. a longo prazo. região. Correios. Petrobras. Os objetivos podem ser vários: conhecer novos produtos ou serviços. feiras e convenções. políticos. sobre o produto cultural em destaque. Natura.

O projeto cultural precisa dar um retorno comercial ao patrocinador de alguma forma: publicidade. • objeto (o que é?). No ano passado. transporte. alimentação. É uma das grandes provas de que a economia cultural vai de vento em popa. De pouco adianta usar como argumento o valor artístico do produto ou serviço. como provam as pesquisas desenvolvidas pela agência Significa. prazo de execução estipulado. bem como um manual de ajuda. Podemos definir um projeto como sendo uma iniciativa com objeto e objetivo definidos. Trata-se do reflexo de um movimento que já vinha acontecendo com o patrocínio via leis de incentivo. é que enquanto no patrocínio a troca se dá em valor monetário. Geralmente cada edital ou cada lei de incentivo já disponibiliza seu próprio formulário de preenchimento. com dados das 500 maiores empresas do país. "Vivemos numa sociedade focada no espetáculo e o entretenimento tem se desenvolvido e profissionalizado numa velocidade incrível. Segundo esses estudos anuais. ele deve atender às suas necessidades mercadológicas e comerciais. as maiores empresas do país investem em projetos culturais: Tantos investidores mostram o status em que se encontra o mercado de produtos culturais. Elaborar um projeto é reunir num único documento todas as informações sobre um empreendimento artístico. O produtor cultural deve ter isso em mente quando for apresentar um projeto ao responsável do setor de patrocínio. O que diferencia patrocínio de apoio. através de editais públicos. 126 127 Música Ltda | Marketing O patrocínio é um instrumento de marketing da empresa. batendo o esporte e a ecologia. Nessa mesma onda de otimismo. impressão de material gráfico. Todo projeto deve apresentar os seguintes tópicos: . conclusão e relatório final. orçamentos e planilhas de custos elaborados previamente. que trabalha com a atitude de marca. Por exemplo. no apoio a troca se dá em produtos ou serviços. caixas de bebidas. diz Yacoff Sarkovas. • qualificação do proponente (quem é o responsável pelo projeto?). obrigações e deveres mútuos. existe um progressivo deslocamento das verbas para projetos culturais. presidente da Significa. o publicitário Nizan Guanaes já lançou a sua campanha: quer mudar o selo comercial "Made in Brazil" (fabricado no Brasil) para "Created in Brazil" (criado no Brasil). sem seleção. 77% das empresas investiram na área. venda de produtos etc. Isso atrai a adesão de empresas que buscam agregar valor à sua marca". em geral.Também existe o patrocínio direto. ações promocionais. Logo. conhecimento da marca. divulgação etc. O relacionamento entre a classe artística e a empresa é intermediado por um documento chamado “projeto cultural”. Conforme informam os jornalistas Ivan Cláudio e Natália Rangel. remuneração estabelecida.

caso não tenha conseguido patrocínio para o seu projeto cultural. O produtor não deve desistir. matérias. • objetivo (o que se quer atingir qualitativa e quantitativamente?). • orçamento e desembolso (quanto?).sebrae. Antes. • anexos (fotos. o produtor precisa ter paciência para esperar pela apreciação do projeto pelos patrocinadores. Ao mesmo tempo. 15 www. O projeto deve ser apresentado ao patrocinador com 90 dias de antecedência. www.com. • procurar circular em eventos frequentados pelos patrocinadores e se apresentar a eles. É uma etapa delicada porque exige pressa. • saber se o projeto é de interesse do patrocinador antes de passar dois meses na elaboração achando que vai agradar. contratação e desembolso de dinheiro.• justificativa (por que?). 16 . É tempo mais que necessário para apreciação.br.gov. Uma das mais populares é o Crediamigo do BNB16. Com ele o artista pode fabricar discos. 17 www. mas dar orientações importantíssimas. procure aconselhamento para saber da viabilidade econômica dele. Esta instituição não vai financiar seu projeto. Algumas sugestões para o produtor: • monitorar constantemente quem está patrocinando projetos semelhantes ao seu. • perguntar ao responsável pelo patrocínio qual o prazo para resposta. Outra opção é o cartão BNDES17 . • demorar em responder ao pedido pode revelar que o projeto não interessa ao patrocinador. por exemplo. O Sebrae15 ajuda neste sentido. e parcelar o pagamento com uma alíquota de juros abaixo do mercado. Existem alguns prazos de praxe. existem linhas de crédito específicas para cada caso. O produtor cultural cai na estrada com o projeto nas mãos para tentar captar recursos e viabilizar a sua execução.bnb. Para o financiamento de um projeto.gov.bndes. que financia capital de giro para empreendedores autônomos e micro e pequenos empresários. com modos de falar e vestir adequados ao ambiente de negócio do patrocinador.br. esboço?). ficha técnica. • estratégia de ação (como? quando? onde?).br. • apresentar-se da melhor forma possível. já que há um cronograma a ser cumprido.

explica Anderson: “Sempre há alguém que baixa da Rhapsody.. Também afirma que os baixos volumes de venda de uma quantidade enorme de produtos equivalem a uma receita total considerável. Música Ltda | Marketing A cauda longa: uma nova dinâmica de marketing e vendas . O show é a soma de muitos sentidos. Para um artista. higiene e conforto local. não só alguma das 60 mil faixas mais vendidas. (. o varejista on-line Rhapsody mantém um estoque digital de cerca de dois milhões de faixas. John Bateson e Douglas Hoffman afirmam que “quando um consumidor compra um serviço. e ainda mais do que isso. datas não preenchidas são oportunidades que não voltam atrás. compra uma experiência criada com a prestação desse serviço. iluminação. Para o público. mostrou o potencial da Internet como mercado varejista ilimitado. enquanto o estoque físico de lojas como Walmart se limita a menos de 60 mil faixas. escreveu o best seller internacional intitulado “A cauda longa – A nova dinâmica de marketing e vendas”. 200 mil ou 400 mil faixas principais — e até suas 600 mil. onde os custos com estocagem e distribuição são quase nulos. São aspectos próprios da prestação do serviço. tudo influi na percepção que o público tem do show. não só da audição. “Um show de música ao vivo. O ambiente onde é prestado influi na percepção do público sobre a qualidade do serviço. No caso da música. sejam eles bens ou serviços. Usando exemplos de livros.. cenário. Cada pessoa percebe o show de uma maneira particular. mas outras de suas 100 mil. 900 mil faixas mais importantes. O público faz parte do sistema de serviço. Ou seja.) E assim se forma a cauda longa”. catarse. Por isso é importante que o artista entenda o show como uma experiência compartilhada. O público não pode consumir na quarta-feira um show que deixou de ir no sábado porque ficou doente. editor-chefe da revista norte-americana Wired. constitui um pacote de benefícios ao público: diversão. O serviço depende do lugar onde a experiência acontece. deleite artístico. relaxamento. os serviços fornecem um pacote de benefícios ao consumidor pela experiência criada por ele. 128 129 Chris Anderson. Assim. Figurino. apresentam um pacote de benefícios ao consumidor. Um serviço não pode ser estocado. filmes e músicas. São serviços não realizados. a experiência do show começa desde o momento em que ele passa pela catraca de entrada. Mas o marketing de serviços apresenta algumas particularidades em relação ao marketing tradicional de produtos. A satisfação do público só pode ocorrer quando ele mesmo está vivenciando a experiência.Marketing de serviços Todos os produtos. No livro “Marketing de serviços”. no momento em que o serviço é prestado. pelo menos uma vez por mês. por exemplo.

Anderson diz que a “cauda longa” está presente na nova economia das indústrias do entretenimento. O primeiro é disponibilizar tudo quanto for produzido.Esse modelo de negócio surgiu nos Estados Unidos. já que os custos com estoque e distribuição praticamente são inexistentes. com a Netflix e a Rhapsody. • pense “e” “+” – a regra é disponibilizar tudo (várias opções extras). música. anúncios através de busca no Google etc. sem qualquer tipo de filtragem ou seleção. • pós-filtragem (mensuração) – é preciso lançar tudo e ver o que acontece. com acesso exclusivo mediante assinatura ou pagamento. local de origem. pois a escolha da oferta “ou” é discriminatória. recomendações e especificações do produto para ajudar na decisão do consumidor. toque de telefone. de diversas maneiras. Ele a chama de economia da abundância. Segundo ele. porque na Internet não existe gargalo entre a oferta e a demanda. é preciso conquistar clientes com perfis diferentes. Para Anderson. • gratuidade estratégica – preço quase zero como estratégia de promoção para atrair público com a gratuidade de alguns produtos e serviços. remix. o desconhecido. mais barato. promovendo os produtos para depois identificar o que vendeu mais. • microfatiamento – desagregar o conteúdo para que o consumidor escolha dentre as melhores alternativas (álbum. o direito autoral é a principal barreira por causa da inflexibilidade dos atuais mecanismos de licença. vídeo. Em 2002. letras cifradas etc). • compartilhamento de informações – são necessárias classificações. • formas de distribuição variada – para alcançar mais mercados. o produto popular deve ser mais caro e. não frustrando as vendas. em 1994. existem nove regras para atuar no mercado da “cauda longa”: • estoque digital e distribuição on-line . Anderson mostra ainda barreiras e restrições ao mercado de “cauda longa”. seria errado disponibilizar apenas os produtos mais vendidos. • precificação elástica – para maximizar o valor do produto e o tamanho do mercado. O segundo princípio é ajudar o consumidor a encontrar o produto através de recomendações (dos próprios consumidores) e filtros de pesquisa como gênero musical. É preciso deixar que o público faça o julgamento. outros produtos comprados pelos consumidores. elevando o nível de alguns clientes para uma categoria superior. • produção colaborativa (crowdsourcing) – a avaliação do produto pelos próprios usuários é melhor e mais barata.é mais barato e mais eficiente do que colocar o produto nas prateleiras de centenas de lojas. surgiu o creative commons. Para ele existem dois princípios básicos para vender produtos culturais através da Internet. Para o autor. modelo de licença mais flexível que . os mais baixados.

No entanto. principalmente em relação ao Brasil. Música Ltda | Marketing 130 131 . acesso da população à Internet e segurança das transações financeiras através da rede mundial de computadores.pode ajudar a superar este obstáculo. existem outras dificuldades. como renda do consumidor.

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MODELO DE PLANO DE NEGÓCIO PARA UMA BANDA .

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Um dos sócios será o administrador legal. explorando o gênero MPB. a cada ano os sócios se revezem nas demais funções. exclusivamente na área de música. a BPC promoverá mensalmente os próprios eventos. explorando o gênero MPB e a mistura com ritmos regionais. É plano da empresa. Dados cadastrais Nome fantasia: Banda Brazuca Razão social: Brasil Produções Culturais Ltda – ME Endereço: Caixa Postal 0123 . o lançamento de subprodutos da banda como CDs e DVDs. desde que não haja manifestação contrária da maioria absoluta dos sócios. comunicação e comercial. A ideia é que cada integrante da equipe seja um sócio e tenha uma responsabilidade gerencial definida. Sumário executivo Sócios e atribuições A seguir (Quadro 7). composta por cinco sócios.br 134 135 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda A Brazil Produções Culturais (BPC) é uma microempresa do setor de serviços. um produtor e um técnico. a BPC atua no ramo de produção cultural e artística.CEP 50. levando em consideração as características pessoais necessárias ao exercício da função. Não importa a composição da sociedade: cinco ou quatro músicos e um produtor. Com sede em Recife. a médio prazo. Como estratégia de curto prazo.Recife/PE Website: www. sendo prorrogado automaticamente por igual período.Nosso Plano de Negócio está estruturado para uma banda de música.000-000 . produção executiva. Nossa sugestão é que os cargos devem ser rotativos. desde que sejam respeitadas as características pessoais e as atribuições do cargo. O produto principal da organização é o show da banda Brazuca — também o nome fantasia da empresa. O revezamento das funções gerenciais é importante por dois motivos: • para que cada sócio tenha a oportunidade de conhecer todo o processo organizacional de uma microempresa. cujo contrato social de constituição da empresa terá prazo de vigência de cinco anos. a atribuição de cada sócio. Os demais sócios assumirão outras funções gerenciais — direção artística.brazuca.mus. Cinco sócios com cotas iguais formarão a sociedade. • para motivar os sócios através de novos desafios no trabalho corporativo da música. ou ainda três músicos. . Este deverá ser escolhido levando em conta requisitos essenciais para o exercício da função. isto é.

fazer pesquisa artística. perseverança e iniciativa. honestidade e iniciativa. promover a imagem da banda entre o público-alvo e formador de opinião. Lema: “Matar um leão todo dia e ainda deixar outro amarrado para o dia seguinte” Enviar proposta de show. cuidar de cenário/ iluminação/figurino. enviar dados pessoais da equipe/rider técnico/ mapa de palco/room list/camarim. estabelecer relacionamento com o advogado terceirizado Sócio 5 Administração Organização. enviar newsletter Sócio 4 Comercial Objetividade. jogo de cintura. Lema: “O impossível sempre acontece” Agendar ensaios. informar à banda sobre entrevistas. resolver OMB e Ecad Sócio 3 Comunicação Agilidade. Lema: “Custo é como capim. Lema: “Quem não se comunica. ousadia e iniciativa. cachê e condições/celebração de contratos/ negociação com técnicos e demais fornecedores. divulgar a agenda de shows. raciocínio matemático. contactar artistas e técnicos Sócio 2 Produção executiva Praticidade.QUADRO 7 – Sócios e atribuições RESPONSÁVEL FUNÇÃO CARACTERÍSTICAS ATRIBUIÇÕES Sócio 1 Direção artística Criatividade. atualizar o site ou blog. responsabilidade. informar à banda e à equipe sobre ensaios e shows. cuidar de equipamentos/transporte/ hospedagem/alimentação/passagem de som/horário. passar dados de contratos gerais/contratantes/técnicos/fornecedores para o administrador. experimentação. disponibilidade e iniciativa. se trumbica” Atender jornalistas. enviar foto/vídeo/ release para a imprensa. Lema: “Por que não desse jeito?” Cuidar do repertório. estudar as inovações tecnológicas. se não cortar ele cresce” Controlar pagamentos/recebimentos/ emissão de notas fiscais e recibos/ movimentação bancária/gastos/avaliação de resultados/levantamento de certidões negativas//arquivamento de documentos/ relacionamento com o contador terceirizado . multimídia e iniciativa.

00 4% Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda Fonte de recursos e integralização . Cofins.Para venda de shows (anexo III da LC 123/06 . 136 137 Cada sócio integralizará uma cota com recursos próprios. PIS. primando pela qualidade técnica e artística de seus produtos e buscando a satisfação do público-alvo e dos parceiros.000. A integralização das cotas será dividida em duas parcelas com valores de R$ 2.000. subdividido em cinco cotas iguais de R$ 4.01 a 240.26% TABELA 15 .000. CPP.21% De 240. A primeira será integralizada por cada sócio no ato da assinatura do contrato social.Missão Oferecer lazer e cultura através da MPB.00 8. CSLL.000. a segunda e última parcela será integralizada em até 12 meses. TABELA 14 .400.comércio) RECEITA BRUTA EM 12 MESES (EM R$) ALÍQUOTA Até 120. Atividade econômica • Atividade principal: produção musical • Atividades secundárias: comércio varejista de discos.Para venda de discos (anexo I da LC 123/06 .000.00 6% De 120. ISS (serviços) ou ICMS (comércio) Capital social e cotas A sociedade iniciará suas atividades com um capital social de R$ 22. CDs e afins.000.00 10. edição musical Forma jurídica Sociedade limitada Enquadramento tributário (tabelas 14 e 15) Simples Nacional – Microempresa (ME) Inclui os impostos IRPJ.000.01 a 360.200 cada.serviços) RECEITA BRUTA EM 12 MESES (EM R$) ALÍQUOTA Até 120.

a carreira do artista fica comprometida sem contratantes empreendedores e sem eventos bem estruturados. A variável “custo de produção” influencia o lado da oferta. A variável “situação econômica” altera o lado da demanda. A técnica da matriz de impactos cruzados permite a construção de quatro cenários. afeta a empresa produtora de eventos. Do outro. ou seja. sob a perspectiva do organizador do evento. a verba para patrocínio é cortada no primeiro momento de adequação do orçamento (Gráfico 2). Afinal. os interesses do produtor do evento. O artista saberá negociar melhor com o produtor do evento se compreender os dois lados dessa moeda. De um lado.Análise de mercado O ambiente de mercado de uma banda de música é como uma moeda de duas faces. modifica as decisões não apenas do público consumidor. Talvez o aspecto mais importante. os interesses do artista. seja a análise das variáveis econômicas que influenciam a produção de shows. GRÁFICO 1 – Custos de produção x Situação econômica Baixos custos de produção II • Transporte e hospedagem baratos • Cachê viável do artista • Patrocinador presente no evento • Alto poder aquisitivo do público • Transporte e hospedagem baratos • Cachê viável do artista • Patrocinador retraído no evento •Baixo poder aquisitivo do público • Transporte e hospedagem caros • Cachê alto do artista • Patrocinador presente no evento • Alto poder aquisitivo do público • Transporte e hospedagem caros • Cachê alto do artista • Patrocinador retraído no evento • Baixo poder aquisitivo do público III IV Altos custos de produção Recessão econômica Crescimento econômico I . como também do patrocinador — em tempos de crise econômica. isto é. cabe agora discorrer sobre as razões do produtor do evento — o contratante. Como os interesses do artista são óbvios. de acordo com duas variáveis incertas que afetam o ambiente de negócio da produção de eventos musicais.

eventos empresariais. Entretanto. Os clientes corporativos são organizadores de festas populares. O público-alvo é o brasileiro (e o estrangeiro) fã da MPB. sem patrocínio. Destacamos o mercado europeu de forma geral (e o francês em particular). shows privados. bem receptivo à música popular brasileira — classificada internacionalmente no gênero World Music. público com dinheiro) • Cenário II – situação de risco (baixo custo. público sem dinheiro) Segmentação e mensuração TABELA 16 – Contratantes no mercado nacional Brasil Festivais Salas e bares Festas populares Nordeste Pernambuco 90 13 7 211 38 26 – – 16 TABELA 17 – Contratantes no mercado internacional Festivais Salas França Europa 117 78 Japão Estados Unidos 3 4 Canadá 11 65 – – – – 138 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda O mercado da banda Brazuca é a música popular brasileira. com patrocínio. em toda a Região Nordeste. Marinilda Bertolete Boulay. congressos e feiras. eventos empresariais e festas populares acontecem sazonalmente em todo o Brasil. 139 . no livro “Guia do mercado brasileiro de música”.Nota técnica • Cenário I – melhor cenário (baixo custo. sem patrocínio. 146 salas para shows e 65 bares e clubes com música ao vivo no país. participou de sete festivais e catalogou 16 festas populares só em Pernambuco. existe o mercado internacional. Além disso. o mercado japonês e o da América do Norte (Estados Unidos e Canadá). É sabido que. sendo 13 festivais. festivais. público sem dinheiro) • Cenário III – situação regular (alto custo. catalogou 90 festivais de música. Leonardo Salazar. ocorrem festas populares o ano inteiro. autor deste livro. já promoveu shows em 26 espaços na Região Metropolitana do Recife. encontrando um resultado que impressiona pela quantidade de oportunidades existentes no território francês (Tabela 17). público sem dinheiro) • Cenário IV – pior cenário (alto custo. Festivais de música. 35 salas e três bares e clubes somente no Nordeste (Tabela 16). com patrocínio. a quantidade real é bem maior. Boulay também catalogou festivais e salas de concerto para música ao vivo nesses lugares.

show. apresentados no Quadro 8 em ordem decrescente de influência. livro. QUADRO 8 – Custo médio de produtos consumidos pelo público-alvo Custo médio de produtos consumidos pelo público-alvo Cinema/teatro: R$ 20 Bar/lanchonete: R$ 25 Boate/restaurante: R$ 40 CD/DVD: R$ 40 Academia: R$ 100 Livro/revista/jornal: R$ 50 Roupas/acessórios: R$ 200 Celular/Internet: R$ 150 . praia. obtendo os seguintes resultados. • estado civil – solteiro (60%). • escolaridade – 2º grau (20%). • hábitos de consumo – Internet.Público-alvo Observando o perfil do público-alvo. utilizando a técnica da análise estrutural das variáveis. cursos. TV a cabo. jornal. celular. cinema. graduado/pós-graduado (50%). academia. lanchonete. DVD. • idade – 14/18 anos (20%). universitário (30%). chegamos ao seguinte resultado: D = f (A x L x P x D x M x O x Y x F) D = Decisão do público pelo show f = em função de Variáveis atrativas A = atrações (artísticas) L – local do show P – preço do ingresso D – dia da semana M – marketing (divulgação) Variáveis repulsivas O – outro evento na mesma época Y – disponibilidade de caixa do público F – frequência de saída para shows Classificamos e hierarquizamos as variáveis que influenciam a demanda (decisão) do público por um show. CD. congressos. roupas. acessórios. revista. restaurante. bar. 18/30 anos (50%). esportes. boate. chegamos ao seguinte resultado: • sexo – ambos os sexos. acima de 30 anos (30%). seminários. locadora de filmes. outra atividade física. viagens. namorando/casado (40%). Analisando as variáveis gerais que influenciam a decisão do público pelo show.

• marketing (divulgação) . Mesmo se forem de gêneros diferentes. área vip. • local do show . o simbólico. independentemente do artista que irá tocar neles. Ganhará quem anunciar com antecedência. camarote etc). 141 . Já a maioria dos trabalhadores. É preciso perceber essa dinâmica e dar tempo para o público receber o salário.a pessoa precisa saber da existência do evento. Alguns eventos sairão prejudicados. São dias visados por produtores. Esses hábitos podem gerar uma boa oportunidade para o desenvolvimento de projetos musicais voltados para nichos de mercado. • outro evento na mesma época . O valor real é o numerário estampado na nota e. no caso de escalação para um evento. Depois precisa ser influenciada para ir ao show em vez de optar por outro entretenimento. • frequência de saída para shows . após um feriado. Também influem a forma de pagamento e as opções de consumo (pista. • preço do ingresso . O público sai de casa para ver o artista. notadamente a quinta-feira e o domingo. só nos fins de semana. alguns eventos têm uma marca tão forte que se transformam na própria atração em si. Entretanto. por isso é muito comum o “choque” de eventos do mesmo gênero para o mesmo público.Variáveis mais influentes: Concorrentes Os concorrentes diretos da banda Brazuca.esta variável diz respeito ao custo do ingresso (valor real ou simbólico). Tem produzido bons resultados agendar os shows de pequeno e médio portes para dias menos concorridos. banheiros limpos etc. arquibancada.variável que mais influencia as outras variáveis de um show. Uma boa campanha de marketing transforma o público-alvo em propagandista do show. • dia da semana . • disponibilidade de caixa do público . quanto ele representa para cada um. dividirão o mesmo espaço na mídia. no caso de um show organizado pela banda Brazuca.jovens solteiros e universitários saem para baladas quase todo dia. se tem boa acústica. se é de acesso fácil com estacionamento seguro. corroborando a decisão estratégica de que o artista deve investir mais em shows. o concorrente direto é outro evento na mesma época para o mesmo 140 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda • atrações (artísticas) .o público pondera se o local do show é coberto ou aberto. também fica vazio.um evento na mesma época pode dividir o público. O bolso do consumidor.o dinheiro no bolso do brasileiro acaba no final do mês. senão ambos. são outras bandas ou artistas com o mesmo projeto artístico.os dias tradicionais de shows são a sexta-feira e o sábado.

casas de show. os concorrentes são três: • outros artistas do gênero. no sentido literal da palavra. cinema. Existe uma interdependência muito forte entre vários agentes da indústria da música. Basicamente. Fornecedores Os principais fornecedores da banda Brazuca são os técnicos que atuam no show ao vivo e as empresas envolvidas na produção de discos. teatro. fábrica de replicação. Em alguns casos. Já os concorrentes indiretos estão relacionados com outras opções de diversão na cidade como bares. estúdio de masterização. designer. São veículos de comunicação. Na produção de discos estão envolvidos mais profissionais. É preciso permitir que a outra parte também saia ganhando no processo de negociação — o modelo ganha-ganha. • eventos simultâneos para o mesmo público. • alternativas de entretenimento na cidade. como um grupo de qualidade técnica e artística que valoriza a música popular brasileira. Geralmente são profissionais autônomos que cobram cachê por show. A meta do plano de marketing é que até lá a imagem da banda vá sendo consolidada no mercado. roadie e produtor. iluminador. Nenhum artista é independente. boates. Trata-se de um processo que exige paciência e acompanhamento sistemático para que o disco esteja finalizado dentro do prazo. Plano de marketing O plano de marketing tem como objetivo posicionar a marca da banda Brazuca no mercado. O desempenho harmonioso entre eles influencia o resultado final do produto artístico. Entretanto. essencialmente. músicos. lojistas.público-alvo. governo e patrocinadores. Por isso a necessidade de investir em relacionamentos. existem muitos parceiros envolvidos na indústria da música. a Copa do Mundo de Futebol será realizada no Brasil. inclusive empresas de médio e grande portes: estúdio de gravação. São necessários quatro técnicos para trabalhar na apresentação musical: técnico de som. . a ponto de aproveitar o megaevento esportivo como ponto máximo de promoção e realização artística. Em 2014. festas populares. organizadores de eventos. há necessidade de se contratar uma empresa de locação de veículos para realizar o transporte até a cidade do evento. técnico de mixagem.

a banda usará o disco como brinde para quem comparecer aos shows. É uma apresentação artística musical. O produto secundário é o disco com canções gravadas ao vivo pela banda. Preço O preço de venda de um show da banda Brazuca levará em consideração três variáveis: o custo fixo médio. São cinco músicos no palco interpretando composições representativas da música popular brasileira.40 513 615. de acordo com a projeção dos custos fixos e variáveis para os próximos cinco anos (Tabela 18). fotos. 143 .190.Descrição dos produtos O produto principal é o show da banda Brazuca. com repertório nacional e duração de 120 minutos.000 1. participação em programas de música ao vivo. Promoção TABELA 18 – Preço de venda de um show VARIÁVEL 2010 2011 2012 2013 273 102 80 78 76 1.60 3. entrevistas.318 150 180 328.644 1. de acordo com a Tabela 19. No primeiro ano de atividade.500 798 1.600 1.765 3.000 142 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda A promoção da banda Brazuca será realizada principalmente através dos veículos de comunicação social. Quem comprar o ingresso ganha um exemplar promocional do disco.287. por meio da assessoria de imprensa.920 2. Logo. vídeos e músicas. Os discos serão vendidos nos shows. A margem de lucro deve oscilar entre 20% e 30% sobre o faturamento.000 4. A Internet será usada como canal de promoção com anúncios no Google e newsletter (panfleto virtual). O website da banda terá notícias. que será vendido principalmente nos próprios shows da banda. o custo variável e a margem de lucro.40 5. o preço da banda Brazuca será reajustado anualmente.000 TABELA 19 – Preço de venda de um disco DISCO 2014 2010 2011 2012 2013 Venda para público em shows – 5 5 5 2014 5 Venda para lojistas no atacado – 10 10 10 10 6.304 2.60 Custo fixo médio Custo variável Impostos da nota fiscal Lucro líquido 477 Preço final 2.

a banda iniciará a venda dos discos nos próprios shows. enquanto a banda se dedica a ensaiar o show. durante 11 meses.900 5. Comercialização No início. a meta será receber convites para diversos eventos. A meta de venda de discos para o público em shows será de 25 unidades por show em 2011. 600 em 2012. bem como produzir acervo sonoro e visual para uma posterior confecção de material de divulgação. Será montado um estande com iluminação. São eventos quinzenais que deverão ocorrer em locais estratégicos para alcançar o público-alvo e os clientes corporativos das principais cidades pernambucanas — Recife. produtoras de show. até o fim do primeiro ano. Distribuição Nos primeiros três meses de atividade. A partir do terceiro ano. haverá um processo de prospecção de clientes corporativos — prefeituras. conforme a Tabela 20. Garanhuns. além de dois shows nos feriados. Caruaru. Já a meta para a venda de discos em lojas será de 300 unidades em 2011. Salgueiro TABELA 20 – Meta de venda de shows em cinco anos SHOWS Organizados pela banda Contactados por terceiros Total 2010 2011 2012 18 – – – – – 36 48 52 56 18 36 48 2013 2014 52 56 TABELA 21 – Meta de venda de discos em CINCO anos DISCOS 2010 2011 2012 2013 2014 Venda em shows – 900 2.400 3. Serra Talhada. banner e estrutura para exposição do material do grupo.A partir do segundo ano. Jaboatão. Já no segundo ano. 75 em 2013 e 100 em 2014. o diretor comercial do grupo tem a meta de realizar 18 shows nos nove meses seguintes. O objetivo desses eventos é gerar fluxos de informações na mídia. totalizando um mínimo de 48 shows por ano. a banda organizará os próprios eventos como estratégia de lançamento da marca no mercado.600 Venda em lojas – 300 600 900 1. totalizando 36 shows.200 em 2014 (Tabela 21). essa meta será de pelo menos um show por semana.200 . Em seguida. atingindo o público-alvo e os clientes corporativos. festivais. 50 em 2012. cerimoniais de eventos empresariais. Olinda. 900 em 2013 e 1. Arcoverde.

contratos. haverá uma média de um show por semana. convites. uma data não preenchida é uma oportunidade desperdiçada. a banda investirá em shows na Europa. Juazeiro. um serviço não realizado. São Luís. a fim de reforçar a marca e o produto. sobrecarregando toda a equipe. Rio de Janeiro. No segundo ano de atividade. O Quadro 9 traz as ações que deverão ser realizadas e os responsáveis por elas. Aracaju. Existem bandas que fazem até dois shows na mesma noite e quatro em um único final de semana. Brasília. Belo Horizonte. Salvador e Feira de Santana. acertar shows e captar patrocínios Comercial Formar a equipe. a Brazuca deverá investir em cidades de outros Estados do Nordeste — Campina Grande. Curitiba. horários etc Produção executiva Divulgação e promoção dos shows. serviços bancários Administração 144 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda Como no setor de serviços não existe estoque. visitar cidades e feiras. newsletter. A banda Brazuca não agirá desta forma. Mossoró. O tempo não volta atrás. algumas ações e muito esforço serão necessários. a meta de realização será de 24 shows. Plano operacional Para atingir essas metas de vendas. desde que o menor período não seja inferior a 15 dias. Goiânia. site. ensaiar shows e cuidar de todos os aspectos ligados à atuação da banda no palco Direção artística Organizar a parte logística dos shows. O ano possui 52 semanas e a maioria dos shows ocorre nos fins de semana. blog Comunicação Coordenar todo o processo de recebimentos e pagamentos. A cada ano. documentação. ensaios. prospectar eventos. Nossa capacidade máxima de produção está estipulada em 56 shows por ano. Fortaleza. Teresina. Natal. Japão e América do Norte. notas fiscais. toda a equipe deve gozar de férias coletivas por 30 dias. 145 . agenda. Capacidade produtiva QUADRO 9 – Responsáveis e tarefas específicas AÇÃO RESPONSÁVEL Se possível. programas de rádio e televisão.e Petrolina. Belém e Manaus. notadamente através do circuito de festivais de verão e do circuito de salas de concerto no outono e inverno. estabelecer parcerias. O objetivo é produzir resultados. nas principais praças — São Paulo (e interior). exceto nas datas de festas populares e feriados. João Pessoa. consecutivos ou não. equipamentos. Pelo contrário. Maceió. Também investirá no restante do país. podendo as metas serem revistas e adaptadas ao contexto. Porto Alegre. Além das cidades por onde passou. entrevistas. A partir do terceiro ano.

checagem dos equipamentos e regulagem do som. conforme o Quadro 10. produção e pós-produção. também acontecem as liberações junto ao Ecad e à Ordem dos Músicos Produção A banda então se desloca até o local do show com antecedência para a passagem de som. que pode ser dividida em três fases: pré-produção. um iluminador e um roadie (Quadro 11). QUADRO 10 – Etapas de um show ETAPA ATIVIDADES Pré-produção O processo tem início com o acerto do show e o fechamento do contrato. bem como releases. Nesta fase. Necessidade de pessoal A banda Brazuca necessitará de uma equipe técnica formada por quatro profissionais para trabalhar no show: um produtor. fotos e discos para que o contratante possa fazer a divulgação em sua cidade. um técnico de som. o palco será desmontado Pós-produção A banda recebe o cachê e emite nota fiscal e recibo QUADRO 11 – Equipe técnica da banda Brazuca PROFISSIONAL ATRIBUIÇÕES Produtor Logística e operacionalização Técnico de som Sonorização Iluminador Efeitos visuais Roadie Montagem e desmontagem do palco .Processos operacionais A atividade básica da banda Brazuca é a apresentação musical. a equipe técnica da banda envia as necessidades operacionais para o contratante. Em seguida. Após o show. montagem do palco.

www.GRÁFICO 2 – Mapa de palco e backline Bateria Bateria Trombone e flauta Trombone e flauta Violão e cavaquinho Violão e cavaquinho Microfone Direct box Monitor Microfone Direct box Monitor Backline 1 amplificador baixo Backline 1 amplificador bateria completa 1 baixo Baixo Baixo Hospedagem 3 apartamentos triplos Hospedagem 3 apartamentos triplos 1 bateria completa Serão detalhados os gastos da abertura do negócio: honorários para elaboração do contrato social.br.br. A Tabela 22 refere-se aos gastos com a abertura do negócio. registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial18. 40 140 2. registro do domínio19 e hospedagem do website da banda na Internet.205 146 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda Percussão Percussão 147 . TABELA 22 – Investimento inicial (R$) ITEM Caixa postal virtual (primeira anuidade) 600 Taxas de abertura da empresa (órgãos públicos) 800 Honorários (contador ou advogado) 400 INPI (registro de marca) 225 Registro (primeira anuidade) Hospedagem do domínio (primeira anuidade) Total 18 19 www.registro.inpi. aluguel do endereço virtual.gov. taxas de abertura da empresa nos órgãos públicos.

Para tanto.71 352.58 729. R$ 22.905 3.654 3.30 396 415.42 481.625.04 2.70 175.160 2.205 – – – – 144 151. Este percentual foi estimado de acordo com a inflação acumulada nos últimos 12 meses.50 694.381. é possível detalhar a soma do investimento inicial com a projeção dos custos fixos para o período de cinco anos.98 408.229.80 4.50 BNB (tarifa) Contador Caixa postal virtual CIM (prefeitura) Site (registro e hospedagem) Total anual Mensalidade 2014 . porque vai trabalhar baseada no conceito de gerenciamento de projetos.34 – 189 198.836.47 2.54 4. Este montante será suficiente para dar início às atividades da empresa e financiar o primeiro ano de eventos organizados pela banda. Na Tabela 24.37 218.40 2.76 166.70 4.59 458.50 – 630 661.20 158.80 436.73 335. ou seja. escolheu a alternativa dos escritórios virtuais.50 319. em detrimento do aluguel de uma sala comercial.028.45 208.Custos fixos A banda Brazuca optou por reduzir ao máximo os custos fixos operacionais. considerando a possibilidade de reajuste anual de 5% sobre cada despesa. TABELA 23 – Custo fixo mensal (R$) ITEM BNB (tarifa de manutenção da conta corrente) 12 Contador 180 Caixa postal virtual 50 CIM (prefeitura) 33 Site (registro e hospedagem) 15 Mensalidade 290 TABELA 24 – Projeção dos custos fixos para cinco anos ITEM 2010 2011 2012 2013 Investimento inicial 2. Capital de giro O capital de giro da banda será formado pelo mesmo valor do investimento inicial dos sócios.000.75 304.268 2. informada pelo IPCA.500. índice calculado pelo IBGE que mede a inflação oficial. A Tabela 23 apresenta os custos fixos mensais para o primeiro ano de atividade da banda.

472 53.Custos variáveis Os custos variáveis da banda Brazuca são decorrentes das apresentações musicais.760 9.120 110.000 260.000 – 7.769.500 40.216 11.500 210.60 185.800 25. a evolução dos custos variáveis para os próximos cinco anos.980.000 192.56 2.000 Técnico de som 150 1 150 Iluminador 150 1 150 Roadie 100 1 100 Produtor 200 1 200 Total 1.856 Equipe técnica 10.60 Músicos 18.400 5.000 336.000 45.794.96 Total anual 28.500 376.200 69.000 115.913. TABELA 25 – Custo de um show (custo variável unitário) DESCRIÇÃO VALOR UNITÁRIO (R$) QUANTIDADE VALOR TOTAL (R$) Músicos 200 5 1.600 148 ITEM 2010 2011 2012 2013 2014 116.120 89. Diante disso. A Tabela 25 apresenta os custos de um show da banda Brazuca no primeiro ano.800 69.60 69. A planilha seguinte (Tabela 26) leva em consideração dois aspectos: o reajuste anual de 20% sobre os cachês dos profissionais e a meta que estipula a quantidade anual de shows.88 Mensalidade TABELA 27 – Projeção do faturamento para cinco anos (R$) RECEITA BRUTA Shows Discos Total 2010 2011 2012 2013 2014 45.000 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda TABELA 26 – Projeção dos custos variáveis para cinco anos (R$) 149 .500 18.80 15.592 143.672.000 108.482. Estimativa de faturamento A Tabela 27 considera os valores dos cachês e as metas de vendas para os próximos cinco anos.000 43.000 28.920 41.121.000 288.

088.000 = 19.500 210.946 79.911.595 35.000 Receita bruta de shows 45.31% .595 Lucratividade (L) L = Lucro líquido Receita total = 8.614.500 376.405) (79. TABELA 29 – Demonstração de resultados dos exercícios 2010 a 2014 2010 Descrição R$ Receita bruta total 45.700) 42.905) Lucro líquido 8.885.300 = 20.90) (175.595 42.1% Rentabilidade das vendas (RV) RV = Lucro líquido Receita líquida = 8.86 Lucro *Os valores entre parênteses indicam a operação matemática de subtração.10 112. Considera-se custo total a soma dos custos fixos e variáveis e dos impostos incidentes sobre o faturamento.14) (226.000 288.554) (130.000 Custo total* (36.86 149.300 Custos dos shows* (28.000 115.12) 8.901.098.800) Lucro bruto 13.Projeção do fluxo de caixa (Tabela 28) Considera-se receita total a soma da venda de shows e discos.000 Receita bruta de discos – Imposto sobre a receita de shows (6%)* Receita líquida (2. Demonstrativo de resultados (Tabela 29) TABELA 28 – Projeção do fluxo de caixa para cinco anos (R$) 2010 2011 2012 2013 2014 Receita total 45.595 45.500 Custos fixos* (4.

516.500 Receita bruta de shows 108.654) Lucro líquido 35.516.946 115.000 Receita bruta de discos 18.720 Custos dos shows* (69.10 Lucratividade (L) L = Lucro líquido Receita total = 79.20) (720) Receita líquida 193.10 193.120) Lucro bruto 39.720 = 33.088.592) Lucro bruto 82.000 Imposto sobre a receita de shows (8.21%)* Imposto sobre a receita de discos (4%)* (15.70) Lucro líquido 79.000 = 37.80 = 40.500 Imposto sobre a receita de shows (6%)* (6.000 Receita bruta de shows 192.946 108.946 Lucratividade (L) L = Lucro líquido Receita total = 35.763.500 = 31.80 Custos fixos* (3.088.088.600 Custos fixos* (3.836.86% Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda RV = 151 .06% 2012 Descrição R$ Receita bruta total 210.10 210.480) Impostos sobre a receita de discos (4%)* (300) Receita líquida 108.000 Receita bruta de discos 7.2011 Descrição R$ Receita bruta total 115.66% Rentabilidade das vendas (RV) RV = 150 Lucro líquido Receita líquida = 79.12% Rentabilidade das vendas (RV) Lucro líquido Receita líquida = 35.924.80 Custos variáveis* (110.

60) Lucro bruto 116.10% *Os valores entre parênteses indicam a operação matemática de subtração.30% 2014 Descrição R$ Receita bruta total 376.000 Receita bruta de discos 28.000 Receita bruta de discos 40.86% Rentabilidade das vendas (RV) RV = Lucro líquido Receita líquida = 149.676) Imposto sobre a receita de discos (4%)* (1.028.86 260.000 Imposto sobre a receita de shows (10.131.229.000 = 39.86 Lucratividade (L) L = Lucro líquido Receita total = 112.885.926.500 Imposto sobre a receita de shows (10.26%)* (26.84 Custos fixos* (4.500 = 39.926.684 Custos variáveis* (143.60) (1.40 Custos variáveis* (185.769.794.TABELA 29 (continuação) 2013 Descrição R$ Receita bruta total 288.500 Receita bruta de shows 260.56) Lucro bruto 154.885.98) Lucro líquido 149.40 = 44.885.000 Receita bruta de shows 336.40 Custos fixos* (4.140) Receita líquida 260.26%)* Imposto sobre a receita de discos (4%)* (34.600) Receita líquida 339. .901.901.901.12% Rentabilidade das vendas (RV) RV = Lucro líquido Receita líquida = 112.86 Lucratividade (L) L = Lucro líquido Receita total = 149.684 = 43.54) Lucro líquido 112.86 376.473.86 288.914.86 339.

a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o prazo de retorno do investimento.000 e a taxa mínima de atratividade de 10% ao ano. simulando um cenário onde as metas de vendas não foram atingidas (tabelas 30 a 32). para que seus efeitos sejam previstos e.219. diferente do cenário desejado.70) (55.905.80) (43. seus estragos.780.Indicadores de viabilidade Utilizando os dados do fluxo de caixa do projeto.20 7. aplicaremos os indicadores de viabilidade do negócio. 15.239.225) 2.500 Custo total* (15.000 2. Os impostos continuam inseridos no cálculo do custo total. calcularemos o Valor Presente Líquido (VPL).145 94.24 TIR = 135% Prazo de retorno do investimento = 17 meses Construção de cenário negativo Vamos apresentar um cenário pessimista. Em seguida. A seguir.000 30. Tanto o VPL quanto a TIR indicam que o projeto é viável economicamente.197.02 Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda TABELA 30 – Metas de vendas de shows (pessimista) 153 .000 TABELA 31 – Metas de vendas de discos (pessimista) DISCOS 2010 2011 2012 2013 2014 Venda em shows – 144 400 629 900 Venda em lojas – – – – – TABELA 32 – Projeção do fluxo de caixa (pessimista) (R$) Receita total 2010 2011 2012 2013 2014 12.720 50.522.225) (28.30 *Os valores entre parênteses indicam a operação matemática de subtração. considerando o capital investido de R$ 22. VPL = R$ 222. mensurados. Vamos manter constantes os valores dos custos fixos e do custo variável unitário (custo do show).000 71.98) Lucro* (3.837. 152 SHOWS Organizados pela banda Contactados por terceiros Valor do cachê unitário (R$) 2010 2011 2012 2013 2014 6 – – – – – 12 16 17 18 2.66 24.966.000 5.000 4.500 3.533.34) (69. uma projeção do fluxo de caixa com o faturamento abaixo do previsto.

a TIR e o prazo de retorno do investimento. As oportunidades são as forças positivas e externas. Já as forças internas (pontos fortes e fracos) podem ser alteradas pela ação da banda (Gráfico 3).Utilizando os dados do fluxo de caixa pessimista do projeto. Mesmo simulando este cenário pessimista. Os pontos fracos são as forças negativas e internas. As ameaças são as forças negativas e externas. Os pontos fortes são as forças positivas e internas. São independentes da vontade da banda. VPL = R$ 7.000 e a taxa mínima de atratividade de 10% ao ano. identificamos algumas forças. GRÁFICO 3 – Análise Swot (ou Fofa) I Pontos fortes II Oportunidades • Músicos de alta qualidade • Instrumentos modernos • Repertório ensaiado • Microempresa organizada • Carreira planejada • Baixo custo de produção • Baixo custo de distribuição • Crescimento econômico • Crédito para o setor • Boa receptividade da música brasileira no exterior • Show sem iluminação • Equipe técnica indefinida • Pouca presença na mídia • Falta de capital de giro • Marca sem reconhecimento • Poucos locais para show • Estrutura precária • Contratantes não arcam com despesas de traslado • Pirataria física e digital • Alto preço de passagens aéreas III Pontos fracos IV Ameaças . O prazo de retorno do investimento se estendeu um pouco mais no tempo (de 17 para 48 meses). que atuam no negócio da banda. calcularemos o VPL. A principal característica das forças externas (oportunidades e ameaças) é que a banda não tem controle sobre elas. Já a TIR no valor de 18% indica que o projeto rende mais do que a taxa mínima de atratividade. Avaliação estratégica Aplicando a análise Swot sobre o ambiente da Brazuca.885 TIR = 18% Prazo de retorno do investimento = 48 meses O VPL indica que o projeto continua viável. o projeto continua sendo viável do ponto de vista econômico. positivas e negativas. considerando o capital investido de R$ 22. externas e internas.

Então. porque a questão depende de muitas outras variáveis. com receita proveniente de patrocínio. pois daria retorno ao empreendedor (é verdade que só depois de 48 meses). Construímos um cenário positivo e testamos um negativo. Fizemos questão de não considerar o patrocínio como receita neste planejamento. Mesmo este não é de todo ruim. o negócio seria bem melhor. Música Ltda | Modelo de Plano de Negócio para uma banda 154 155 .Avaliação do Plano de Negócio Vale a pena abrir o negócio? Nós acreditamos que sim.

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conclusão .

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analisando a situação da indústria fonográfica na Argentina. Os artistas que vemos como estrelas são uma ínfima parcela da realidade. hoje pode se tornar produtor de conteúdo. chegou a chamar de “empreendimento quixotesco” o lançamento de novos produtos e artistas indepen- 158 Música Ltda | Conclusão Quem antes era público consumidor. • acesso aos meios de comunicação.Desde a década de 70. com o computador pessoal. Mas trabalhar com a música é fácil. principalmente rádio e televisão. • pirataria. ou do que as prateleiras das lojas conseguem expor. Se elas podem. Por isso a necessidade de intervenção do governo neste setor. Orkut. outras fontes para complementar a renda. César Palmeiro. mas para melhorar a competitividade das micro e pequenas empresas independentes. Esse antigo lema ganhou força na década de 90. com a conexão banda larga. Não para ajudar no sentido de dar esmolas. Mas daí a investir tudo numa carreira. • acesso a tecnologias de produção. nós também podemos — pensavam os artistas em potencial. com os softwares de gravação. • leis de incentivo à cultura com falhas ou distorções. O universo de artistas é bem maior do que a imprensa consegue veicular. A maioria das pessoas que trabalham no setor possui outras atividades. • falta de profissionalismo do setor em geral. com o movimento punk. O autor identificou seis problemas críticos na cadeia produtiva da música brasileira: 159 . É preciso ter a consciência de que a música deve ser uma atividade de prazer. MySpace. • desenvolvimento da comunicação. consolidando-se na primeira década do século XXI. Youtube. • falta de crédito (financiamento). iTunes. O primeiro estágio do profissional da música é se apaixonar. o lema DIY (Do It Yourself — faça você mesmo) contagiou uma multidão de pessoas que tomaram coragem para empreender o seu próprio talento. sem antes tomar algumas precauções. são “outros quinhentos”. difícil é viver da música. Esses problemas parecem acometer também o mercado da música em Buenos Aires. antes de uma atividade profissional. A maioria está submersa na linha de visão da mídia popular. com o surgimento de quatro fatores que contribuem para a derrubada de barreiras de entrada na indústria da música: • massificação da informática. • ferramentas de divulgação e distribuição como Google. Destacamos que o mercado da música no Brasil possui muitas imperfeições. • escassez de locais adequados para shows.

Muitas das informações contidas nele são baseadas em fatos reais. . • assessoria de empresas (incubadoras). experiências do autor deste trabalho no ramo. especialmente os músicos. No entanto. • combate à pirataria. o mesmo pesquisador argentino sugere uma lista de ações a serem tomadas para solucionar esses problemas. finanças e marketing. empreendedorismo. Este livro apresentou um modelo de negócio para uma banda de música. • criação de instrumentos financeiros específicos para o negócio da música. • cotas mínimas para acesso aos veículos de comunicação.dentes. • criação de espaços oficiais para shows com estrutura completa. Esperamos que os profissionais da indústria da música. despertem para a necessidade de conhecer conceitos e técnicas das disciplinas aqui abordadas: indústria da música. Vamos listar neste trabalho algumas que se encaixam no perfil do mercado brasileiro de música: • treinamento de recursos humanos. tamanho o risco e as incertezas do negócio. • financiamento público (crédito ou isenção fiscal). • divulgação de práticas e experiências (best practice) que tiveram bons resultados entre empresas do setor. • aperfeiçoamento dos mecanismos das leis de incentivo à cultura.

FONTES DE PESQUISA

Endereços eletrônicos
WWW.ABMI.COM.BR - Associação Brasileira de Música Independente
WWW.ABPD.ORG.BR - Associação Brasileira dos Produtores de Discos
WWW.ABRAFIN.COM.BR - Associação Brasileira dos Festivais Independentes
WWW.AGENCIABRASIL.GOV.BR (portal com notícias dos três poderes da
República)
WWW.APEXBRASIL.COM.BR - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos
WWW.BACEN.GOV.BR - Banco Central do Brasil
WWW.BB.GOV.BR - Banco do Brasil (serviços e patrocínio)
WWW.BMA.ORG.BR - Brasil Música e Artes
WWW.BN.BR - Fundação Biblioteca Nacional (registro de obras)
WWW.BNB.GOV.BR - Banco do Nordeste do Brasil (serviços e patrocínio)
WWW.BNDES.GOV.BR - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
WWW.BOVESPA.COM.BR - Bolsa de Valores (educação financeira)
WWW.CAIXA.GOV.BR - Caixa Econômica Federal

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WWW.DNRC.GOV.BR - Departamento Nacional de Registro do Comércio
WWW.DOMINIOPUBLICO.GOV.BR (biblioteca digital desenvolvida em software
livre)
WWW.CORREIOS.COM.BR - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(patrocínio)
WWW.CREATIVECOMMONS.ORG.BR (licenças flexíveis para obras intelectuais)
WWW.ECAD.ORG.BR - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição
WWW.EFWMF.ORG - Fórum Europeu dos Festivais de World Music
WWW.FESTIVAISDOBRASIL.COM.BR (portal com notícias de vários festivais de
música)
WWW.FESTIVALES.COM (festivais de música e artes em geral da Espanha e
América Latina)
WWW.FESTIVALFINDER.COM (mais de 2.500 festivais de música nos Estados
Unidos)
WWW.IBGE.GOV.BR - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
WWW.INFRAERO.COM.BR - Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária
(patrocínio)
WWW.INPI.GOV.BR - Instituto Nacional da Propriedade Industrial
WWW.IPEA.GOV.BR - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
WWW.MINC.GOV.BR - Ministério da Cultura
WWW.MUSICNEWS.ART.BR (clipping editado das principais notícias do mercado
fonográfico)
WWW.OVERMUNDO.COM.BR (site colaborativo para expressão e difusão de ideias
e obras)
WWW.PETROBRAS.COM.BR - Petrobras Cultural
WWW.PORTALDOEMPREENDEDOR.GOV.BR (site do empreendedor individual)
WWW.PRESIDENCIA.GOV.BR/LEGISLACAO (consulta à legislação brasileira)

WWW.PREVIDENCIA.GOV.BR (acesso aos serviços da Previdência Social)
WWW.RECEITA.FAZENDA.GOV.BR/SIMPLESNACIONAL (portal do Simples
Nacional)
WWW.REGISTRO.BR (registro de domínios para a Internet no Brasil)
WWW.SATEDSP.ORG.BR - Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de
Diversões de São Paulo
WWW.SEBRAE.COM.BR - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas
WWW.SENAC.BR - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
WWW.SESC.COM.BR - Serviço Social do Comércio
WWW.SINDMUSI.COM.BR - Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro
WWW.UBC.ORG.BR - União Brasileira dos Compositores
WWW.WMCE.DE (lista com radialistas europeus que tocam World Music)
WWW.WOMEX.COM - Feira Internacional de World Music

Periódicos
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Rangel (revista Isto É, 11 de agosto de 2008).
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