Você está na página 1de 4

C Sistema destinado à preparação para Concursos Públicos e 1

Aprimoramento Profissional via INTERNET


www.concursosecursos.com.br

DIREITO CONSTITUCIONAL

AULA 3

Aplicabilidade das Normas Constitucionais

1. CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS QUANTO À EFICÁCIA


JURÍDICA

1.1. Introdução
A doutrina clássica classificava as normas constitucionais em auto-executáveis
(auto-aplicáveis) e não auto-executáveis. Assim, algumas normas seriam
imediatamente aplicáveis e outras não.

O Professor José Afonso da Silva, ao contrário do que entendia a doutrina


clássica, afirmou que todas as normas constitucionais, sem exceção, são revestidas
de eficácia jurídica, ou seja, de aptidão à produção de efeitos jurídicos, sendo assim
todas aplicáveis, em maior ou menor grau.

Para graduar essa eficácia dentro de categorias lógicas, foi proposta a


seguinte classificação:

• norma constitucional de eficácia jurídica plena;

• norma constitucional de eficácia jurídica limitada;

• norma constitucional de eficácia jurídica contida.

1.2. Norma Constitucional de Eficácia Jurídica Plena

Também chamada norma completa, auto-executável ou bastante em si, é


aquela que contém todos os elementos necessários para a pronta e integral
aplicabilidade dos efeitos que dela se esperam. A norma é completa, não havendo
necessidade de qualquer atuação do legislador (exemplo: artigo 1.º da Constituição
Federal de 1988).

1.3. Norma Constitucional de Eficácia Jurídica Limitada

É aquela que não contém todos os elementos necessários à sua integral


aplicabilidade, porque ela depende da interpositio legislatoris (interposição do
legislador). Muitas vezes essas normas são previstas na Constituição com
expressões como “nos termos da lei”, “na forma da lei”, “a lei disporá”, “conforme
definido em lei” etc.

IETAV System- CGC: 03.755.533/0001-71 - Fone/Fax: (24) 3360-0011


ietav@concursosecursos.com.br
C Sistema destinado à preparação para Concursos Públicos e 2
Aprimoramento Profissional via INTERNET
www.concursosecursos.com.br

A efetividade da norma constitucional está na dependência da edição de lei


que a integre (lei integradora). Somente após a edição da lei, a norma
constitucional produzirá todos os efeitos que se esperam dela (exemplo: artigo 7.º,
inciso XI, da Constituição Federal de 1988, que só passou a produzir a plenitude de
seus efeitos a partir do momento em que foi integrada pela Lei n. 10.101/00).

Norma de Eficácia Interposição do Plenitude dos


Jurídica Limitada +
legislador (Lei) efeitos =

A aplicabilidade da norma constitucional de eficácia jurídica plena é imediata.


No caso da norma limitada, a aplicabilidade total é mediata.

O constituinte, prevendo que o legislador poderia não criar lei para


regulamentar a norma constitucional de eficácia limitada, criou mecanismos de
defesa dessa norma:

• mandado de injunção;

• ação direta de inconstitucionalidade por omissão.

Conforme já foi dito, somente após a edição da lei, a norma constitucional


produzirá todos os efeitos que se esperam dela. Assim, a norma de eficácia limitada,
antes da edição da lei integradora, não produz todos os efeitos, mas já produz
efeitos importantes. Além de revogar as normas incompatíveis (efeito negativo,
paralisante das normas contrárias antes vigentes), produz também o efeito
impeditivo, ou seja, impede a edição de leis posteriores contrárias às diretrizes por
ela estabelecidas.

A norma constitucional de eficácia limitada divide-se em:

• Norma constitucional de eficácia jurídica limitada de princípio programático:


todas as normas programáticas são de eficácia limitada. São normas de
organização que estabelecem um programa constitucional definido pelo
legislador. Essas normas são comuns em Constituições dirigentes. Exemplos:
artigo 196 e artigo 215 da Constituição Federal.

• Norma constitucional de eficácia jurídica limitada de princípio institutivo:


aquelas pelas quais o legislador constituinte traça esquemas gerais de
estruturação e atribuições de órgãos, entidades ou institutos, para que o

IETAV System- CGC: 03.755.533/0001-71 - Fone/Fax: (24) 3360-0011


ietav@concursosecursos.com.br
C Sistema destinado à preparação para Concursos Públicos e 3
Aprimoramento Profissional via INTERNET
www.concursosecursos.com.br

legislador ordinário os estruture em definitivo, mediante lei.1 Exemplo: artigo


98 da Constituição Federal.

1.4. Norma Constitucional de Eficácia Jurídica Contida (Redutível ou Restringível)


A norma de eficácia redutível é aquela que, desde sua entrada em vigor,
produz todos os efeitos que dela se espera, no entanto, sua eficácia pode ser
reduzida pelo legislador infraconstitucional. Note-se que enquanto o legislador não
produzir a norma restritiva, a eficácia da norma constitucional será plena e sua
aplicabilidade imediata.

Excepcionalmente, uma norma constitucional pode ao mesmo tempo ser de


eficácia limitada e contida, a exemplo do inciso VII do artigo 37 da Constituição
Federal.

Exemplo de norma constitucional de eficácia jurídica contida: o inciso LVIII do


artigo 5.º assim dispõe: “o civilmente identificado não será submetido a
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;”. Observe-se que a
norma restringe sua eficácia ao dispor, por exemplo, salvo nas hipóteses previstas
em lei. A esta ressalva, constante do dispositivo mencionado como exemplo, a
doutrina denomina cláusula expressa de redutibilidade. Destarte, é correto dizer que
todas as normas que contêm cláusula expressa de redutibilidade são normas de
eficácia contida.

Mas é preciso ressaltar que nem todas as normas de eficácia contida contêm
cláusula expressa de redutibilidade. Com efeito, as normas definidoras de direitos
não têm caráter absoluto, ou seja, em alguns casos, orientadas pelos princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade, é permitido ao legislador criar exceções, ainda
que a norma não tenha cláusula expressa de redutibilidade. Podemos citar como
exemplo o artigo 5.º da Constituição Federal, que garante o direito à vida,
entretanto esse direito foi reduzido quando o Código Penal admitiu a existência da
legítima defesa. Se a norma garantidora do direito à vida fosse absoluta, não
poderia uma norma infraconstitucional restringir esse direito, permitindo a legítima
defesa. Outro exemplo que podemos citar de princípio consagrado
constitucionalmente que não tem caráter absoluto é o da presunção de inocência
(artigo 5.º, inciso LVII, da Constituição Federal). Se esse princípio tivesse caráter
absoluto, a prisão preventiva seria inconstitucional.

1.5. Resumo
Assim, de acordo com a melhor doutrina, as normas constitucionais podem
ter:

1
SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 4.ª ed. São Paulo: Malheiros, 2000.

IETAV System- CGC: 03.755.533/0001-71 - Fone/Fax: (24) 3360-0011


ietav@concursosecursos.com.br
C Sistema destinado à preparação para Concursos Públicos e 4
Aprimoramento Profissional via INTERNET
www.concursosecursos.com.br

Eficácia Plena Eficácia Limitada Eficácia Contida

Aplicabilidade imediata Aplicabilidade mediata Aplicabilidade imediata

Não exige lei que Enquanto lei Enquanto a lei não


integre ou modifique a integradora não sobrevém, a norma
eficácia sobrevém; a norma terá eficácia plena.
da norma. não produz seus efeitos

Por fim, as normas constitucionais podem ser de eficácia exaurida (esvaída) e


aplicabilidade esgotada, conforme leciona Uadi Lammêgo Bulos, classificação que
abrange sobretudo as normas do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
que já efetivaram seus mandamentos.

IETAV System- CGC: 03.755.533/0001-71 - Fone/Fax: (24) 3360-0011


ietav@concursosecursos.com.br