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Padre Ágio Augusto Moreira

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Padre Ágio Augusto Moreira Fogo que Purifica (Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Padre Ágio Augusto Moreira

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Belmonte Crato - Ceará

2010

EDITORAS

Expressão Gráfica A Província Editora

APOIO CULTURAL

Armando Lopes Rafael

DIGITAÇÃO

João Bosco Belchior Vilar Luiz Carlos de Souza Emanuel Belchior Vilar

ILUSTRAÇÃO FOTOGRÁFICA

João Bosco Belchior Vilar

ARTE FINAL

Ed Batalha

REVISÃO GRAMATICAL

Professor Miguel da Costa Barros

SUPERVISÃO

Monsenhor Ágio Augusto Moreira

M835f

Catalogação na Fonte

Moreira, Ágio Augusto Fogo que Purifica (Tratado sobre as Almas do Purgatório)./Ágio Augus- to Moreira [Padre].- Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2010.

240 p.

ISBN: 978-85-7563-528-5

1. Purgatório- tratado 2.Purgatório- Almas

I. Moreira, Ágio Augusto II.Título

CDD: 236.5

SUMÁRIO

PRIMEIRA PARTE

Existência do Purgatório

01. O Purgatório Existe?

13

02. Tese Católica

15

03. Tradição dos Padres

16

04. Os Concílios

17

05. Exéquias Eclesiásticas

19

06. Novas Disposições do Direito Canônico

19

07. Razão de Conveniência

20

08. Sentimentos do Coração

21

09. Ministro Extraordinário das Exéquias

22

SEGUNDA PARTE

Natureza do Purgatório

10. Morte e Vida

25

11. O Sofrimento do Purgatório

26

12. A Pena do Dano

29

13. A Pena dos Sentidos

31

14. A Duração do Purgatório

34

15. Longo e Breve Purgatório

36

16. Minutos Parecem Séculos

38

17. Mistério do Purgatório

39

18. Duração Positiva no Purgatório

40

19. Alegrias e Consolações

41

20. Estado das Almas do Purgatório

42

21. Falsas

Canonizações

44

22. Lugar de Misericórdia e Purificação

46

23. Atração das Almas

47

TERCEIRA PARTE

As Videntes e Instruções dadas pelas Almas

25. A Vidente Santa Catarina de Gênova

53

26. A Vidente Beata Ana Taigi

56

27. A Vidente Ágata Simma

59

28. A Caminho da Vocação

59

29. O Que é uma Aparição?

61

30. Muita Cautela nas Aparições

62

31. As Primeiras Aparições da Vidente Simma

64

32. Sofrimentos Expiatórios por Outras Almas

65

33. Perguntas às Videntes Ágata e Ana

66

34. Instruções dadas pelas Almas através das Videntes

69

35. Deus Exige uma Expiação

70

36. Maria SS. Mãe de Misericórdia

71

37. Balança entre o Purgatório e o Inferno

72

38. Por Que Faço Conferências?

73

39. A Vidente Irmã M. D. I.

74

40. A Vidente Maria Luiza Richard (Madame Brault)

75

QUARTA PARTE

O Purgatório Através das Aparições (Revelação de M.G. à Irmã M. D. I. C.)

41. O Purgatório e seus graus

79

42. Onde está o Purgatório?

82

43. O Fogo do Purgatório

84

44. Qual é Maior Sofrimento?

85

45. Após a Separação do Corpo

87

46. Quando uma Alma vai para o Céu?

88

47. Expiação e Desapego

90

48. Como Aparecem as Almas do Purgatório?

91

49. As Almas se Comunicam?

92

50. O Que Deus Mais Ouve?

94

51. Eis o que Jesus Exige de Vós

95

52. Amor e Sacrifício

96

QUINTA PARTE

Como Evitar o Purgatório

54. Exercício da Vida Interior

101

55. Ensinamentos da Irmã M.

103

56. Jesus, Mediador das Almas

105

57. A Graça de Deus

106

58. Jesus Sacramentado nas Igrejas

107

59. Vida Espiritual nas Pequenas Coisas

108

60. Piedade, Hipocrisia e Caridade (Mensagem da Irmã M. G.)

110

61. Chamas de Amor

111

SEXTA PARTE

Meios de Aliviar e Libertar as Almas do Purgatório

62. Sufrágios pelas Almas

115

63. Mensagens dos Santos Padres

117

64. O Maior Sufrágio

119

65. Comunhão

121

66. Via Sacra e Orações Pelos Mortos

123

67. A Esmola

125

68. Água Benta

127

69. Velas Bentas

128

SÉTIMA PARTE

Devoção às Almas do Purgatório

70. Em que Consiste?

131

71. A Voz da Gratidão

134

72. Intercessão das Almas

135

73. Conhecimento de Deus

137

74. Visão de Santa Gertrudes

139

75. Alegria e Sofrimento

140

76. Alegria nos Tormentos

141

77. Tempo Precioso

142

OITAVA PARTE

Mensagens das Almas

79. Misericórdia e Caridade

149

80. Perguntas e Respostas

150

81. Morte, Máxima Penitência

152

82. Nossos Sofrimentos

153

83. Santificai o Dia do Senhor

154

84. O Sofrimento como Satisfação

155

85. Comunhão, Poderoso Sufrágio

156

86. Confissão dos Pecados

157

87. Memento Morti

158

NONA PARTE

Contos e Fatos sobre o Purgatório

88. Fogo Real

161

89. Duração

163

90. Devoção às Almas

166

91. Missas pelas Almas

167

92. Luta Contra o Demônio

169

93. Devoção do Rosário

170

94. Revelações de Santa Francisca

172

95. Oração do Pai Nosso

174

96. A Alma do Sacerdote

175

97. Caridade para com as Almas

177

98. Oração pelas Almas

178

99. Visão de Santa Perpétua e Santa Gertrudes

180

100. Aparição a São João Bosco

181

101. Conservar a Vida

182

102. Mãe do Missionário

184

103. Assistência à Missa

184

104. Julgamento de Deus

185

105. Terrível Purgatório

187

106. Uma Missa Salva uma Alma

188

DÉCIMA PARTE

Indulgências

107. Noção Geral sobre as Indulgências

191

108. Condições para Lucrar Indulgências

192

109. Indulgências aplicadas às Almas

193

110. Indulgências a favor das Almas

194

111. Promessas de São Miguel Arcanjo

196

112. A Vida Eterna

196

113. Tesouro das Indulgências

198

DÉCIMA PRIMEIRA PARTE

Dos Sufrágios pelas Almas do Purgatório

114. Responso

201

115. Salmo “De Porfundis”

202

116. Novena das Almas

202

117. Ladainha pelos Fieis Defuntos

204

118. Orações Diversas

206

119. Súplica

208

120. Memento dos Mortos

209

121. Breve Exercício para cada dia da Semana

209

122. “Miserere” (Tende Piedade)

211

123. “Ave Maria” (Meditada pelas Almas)

212

124. “Pai Nosso” (Mechtilde)

213

125. Novena Prodigiosa em Sufrágio das Almas do Purgatório

215

APÊNDICE

01) Conversão através da Vidente Águeda Simma

217

02) Uma Janela para o Além ou Museu Cristão

217

03) Valor e Elenco dos Objetos Raros

218

TRATADO DO PURGATÓRIO

(Por Santa Catarina de Gênova)

1. Conformidade com a Vontade de Deus

224

2. Alegria das Almas no Purgatório

225

3. Penas das Almas do Purgatório

226

4. Diferença entre os condenados e as almas do Purgatório

226

5. Deus mostra sua Bondade aos próprios condenados

227

6. As Almas do Purgatório

228

7. O Inferno e o Purgatório

228

8. Condenação ao Inferno

228

9. Lançamento no Purgatório

228

10. Necessidade do Purgatório

229

11. Natureza Terrível do Purgatório

229

12. Conformidade entre Deus e a Alma

229

13. Como Deus purifica as Almas (Como Ouro no Crisol)

230

14. Ardente Desejo das Almas

231

15. Alegria e Dor das Almas Purgantes

232

16. As Almas Padecentes não podem merecer

233

17. As Almas Querem a Sua Perfeita Purificação

233

18. Exortações e Reprimendas aos Vivos

233

19. Sofrimento Espontâneo e Alegria das Almas Purgantes

234

20. Conclusão da Santa Catarina sobre a Doutrina do Purgatório .234

TERÇO PELAS ALMAS

237

BIBLIOGRAFIA

239

DEDICATÓRIA

É com muito afeto e amor que dedico a presente obra à minha mãe Rai- munda Pereira de Castro, de saudosa memória. Pois, desde o berço, ela despertou em mim a devoção às almas do purgatório. Quando criança, rezando o terço com ela ou recitando o ofício popular, eu pedia as almas que não me aparecessem. Minha mãe tinha uma devoção sólida. Ela sabia que entre os sufrágios poderosos a favor das almas, estava a celebração da Santa Missa. Portanto, ela fazia questão de complementar a arrecadação, por meio de seu trabalho pessoal. Muitas vezes, eu me oferecia para celebrar independentemente de qual- quer espórtula, mas ela não aceitava. Na sua formação espiritual, recebida diretamente do virtuoso Pe. Joaquim Sother de Alencar, todos os atos feitos com sacrifício têm muito merecimento para a outra vida. Daí, ela oferecia o sacrifício de seu trabalho para unir ao sacrifício do altar a favor das benditas e santas Almas do Purgatório.

Existência do Purgatório

Existência do Purgatório

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

I PARTE

Existência do Purgatório

Estudo sobre o purgatório (Existência, Fatos e Opiniões)

01 – O purgatório existe?

Estado de Questão – É um lugar de justiça e de misericórdia divina.

De Justiça, pois as almas que passam por lá, após a morte, têm que pagar toda dívida que contraíram aqui na terra.

De Misericórdia, pois Deus reconhece as boas obras praticadas, durante

a vida mortal.

Quanto à origem nominal – Vem de duas palavras latinas a saber: o adjetivo purus que significa limpo,puro, mais o verbo ago que significa fa- zer, tornar. Daí se formou a palavra purgare que vem a ser alimpar, tornar limpo, purificar. Portanto, o Purgatório é o lugar de purificação.

Quanto ao sentido real do termo – É um lugar em que as almas se puri-

ficam de suas faltas. É um lugar, ou melhor, estado em que as almas dos justos, com pecado venial não perdoado, ou com pena temporal a pagar, sofrem até

a purificação de todas as manchas. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o

purgatório é a purificação final dos “eleitos”. (Do Catecismo da Igreja Católica

nº 1031). É um lugar espiritual, onde as almas se alimpam ou se purificam de suas imperfeições.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

As Penas do Pecado

O pecado tem uma dupla conseqüência. O pecado grave priva-nos da co- munhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação chama-se “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudi- cial às criaturas e exige purificação, quer na terra, quer depois da morte, no exato chamado purgatório. Esta purificação liberta da chamada “pena tem- poral” do pecado.

Pena Eterna e Pena Temporal

“Estas duas penas não devem ser concebidas como espécie de vingança do pecado e infligidas por Deus, do exterior, mas antes como uma consequência da própria natureza do pecado”. ( Do Catecismo da Igreja Católica nº 1472 )

Perdão dos Pecados

“O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam

a remissão das penas eternas do pecado”. Mas permanecem as penas temporais

do pecado. (Do Catecismo da Igreja Católica nº 1473). Para se libertar das pe- nas temporais, o cristão, segundo o Catecismo Católico, deve esforçar-se para:

- suportar pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo;

- enfrentar serenamente a morte, quando chegar a hora;

- aceitar como uma graça essas penas temporais do pecado;

- despojar-se completamente do velho homem para revestir-se do homem novo. (Do Catecismo nº 1473)

Quanto ao sentido moral – O Purgatório é um lugar de paz. Lá só existe

a

doce paz dos eleitos que aguardam resignados, cheios de amor e de esperança,

a

entrada no céu. Por conseguinte, o purgatório é a entrada ou passaporte para

o

céu, quando há pecados para serem perdoados.

Quanto ao conceito de pecado – Segundo Santo Tomás de Aquino, o teólogo Suarez apontam três espécies de culpa:

1ª) Pecado Venial – pecado não perdoado; 2ª) Hábitos maus que foram perdoados, mas não houve penitência; 3ª) Pena Temporal – significa a satisfação para merecer os sufrágios.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Erros quanto à Doutrina do Purgatório

1º) Ário, Séc. IV, afirmou que rezar ou fazer sacrifício a favor dos mortos

é uma coisa vã; 2º) Albigenses e principalmente os inovadores, como Lutero, ensinaram que purgatório é “meram diaboli larvam” ; 3º) Calvino afirma: “exitiale commentum satanae”; 4º) Modernos Protestantes, não poucos, admitem de boa vontade que existe um estado entre o céu e o inferno, mas rejeitam o nome de purgatório e asseguram que as almas podem merecer e satisfazer neste estado. O purgatório é um lugar de suplício, onde as almas dos justos purificados acabam de purgar as suas faltas.

02 – Tese Católica

Existe o purgatório, no qual as almas dos justos, que ainda, não expiaram plenamente, se purificam das penas e podem receber sufrágios dos fiéis. Prova-se pelos textos da Sagrada Escritura, Tradição dos Padres, pelos Concílios Provinciais e Ecumênicos, pela razão de Conveniência e pelos Sen- timentos do coração.

Antigo Testamento

Eis o texto clássico de Judas Macabeu:

“O nobre Judas pediu ao povo para ficar longe do pecado, pois acabava de ver, com seus próprios olhos, o que tinha acontecido, por causa do pecado daqueles que tinham morrido na batalha.” Então, fizeram uma coleta individual, reuniram duas mil moedas de prata

e mandaram a Jerusalém, a fim de que fosse oferecido um sacrifício pelo peca-

do. Ele agiu com grande retidão, pensando na ressurreição; se não tivesse es-

perança na ressurreição, nos que tinham morrido na batalha, seria coisa inútil

e tola rezar pelos mortos. Mas, considerando que existe uma bela recompensa

guardada para aqueles que são fiéis até a morte, então, esse é um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou oferecer um sacrifício pelo pecado dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado. (2 Mc XII 48)

Nota bene: Os protestantes negam a existência do 2º Livro dos Macabeus.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Novo Testamento

- “Quem disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem disser algo contra o Espírito Santo nunca será perdoado, nem neste mundo, nem no outro que há de vir.” (Mt XII,32) Aqui, a expressão ‘que há de vir’ é o purgatório; logo, há pecados que são perdoados no outro mundo, no purgatório.

03 – Tradição dos Padres

Inscrições das Catacumbas

As inscrições das catacumbas demonstram que os primeiros cristãos ora- vam pelos mortos. Pelos quatro primeiros séculos, a existência do purgatório já era aceita, pela prática universal de fazer orações e oferecer sacrifícios em favor das almas, ensinada pelos santos padres. Exemplo: “Ursula, acepta sis Christo. Aeterna tibi lex Timothea in Cristo”. Victoria refrigeretur…

Afirmações dos Santos Padres

a) Tertuliano exorta uma viúva cristã a conservar pelo falecido esposo a mesma ternura, rezando por ele.

b) São João Crisóstomo: Perguntaram a ele o que era preciso fazer pelos defuntos. Respondeu ele: ”É preciso ajudá-los com ardentes súplicas e especialmente com a prece litúrgica, por excelência, o Santo Sacrifício da Missa”.

c) Santo Ambrósio: Escrevendo a Faustino diz: “Chorai menos e rezai mais. Derramai lágrimas, isto é permitido, mas não deixeis de reco- mendar ao Senhor a irmã querida que vos deixou.”

d) São Cipriano: Em Cartago, no 3º séc., fala do sufrágio dos mortos que ele recebera da tradição de seus predecessores.

e) Santo Agostinho: Ele louva a Parchius, porque, em vez de rosas, lírios

e violetas sobre os túmulos, derrama o perfume da esmola sobre as cinzas dos mortos queridos. Ele diz mais claramente, num sermão aos seus diocesanos de Hipona:

“Não há dúvida de que as orações da Igreja e o sacrifício salutar e as es- molas dos fiéis ajudam os defuntos a serem tratados mais docemente do que mereciam os seus pecados.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“O que aprendemos de nossos pais, diz o Santo Doutor, e o que a Igreja Católica observa é fazer memória no Sacrifício dos que morreram em Comu-

nhão do Corpo e Sangue de Cristo, e rezar e oferecer por eles o sacrifício. Pede orações no santo Altar pela alma de Mônica, sua mãe.” f ) São Gregório Naziazeno: “Recomendamos a Deus as almas dos fiéis que chegaram antes de nós ao lugar de repouso.”

g) São Cirilo escreve – “Não é por lágrimas que se socorre um defunto, mas pelas orações e esmolas”.

h) São Cesário e São Gregório Magno trataram sobre o purgatório. Em

Constituições Apostólicas encontramos: “Oremus Pro fratribus nos- tris, qui in Christo requierunt. Em vernáculo: “Rezemos pelos nossos irmãos que morreram em Cristo.” Na antiga liturgia, encontram-se preces pro defunctis.

A Igreja, porém, não ora pro reprobis, isto é, os condenados.

04 – Os Concílios

Prova-se pelos concílios provinciais e ecumênicos, a partir do ano 312.

Concílios Provinciais

Inúmeras assembléias provinciais e ecumênicas afirmaram o dogma do purgatório e recomendaram os sufrágios e orações pelas almas. Eis os concílios provinciais:

1º. de Cartago, ano 312, cânone 29 2º. de Ordens, ano 533, cânone 14 3º. de Praga, ano 563, cânone 34 4º. de Chalon Sur Saône em 580

Concílios Ecumênicos

Os concílios de Latrão, Florença e sobretudo o Concílio de Trento que não definiram a natureza do fogo do purgatório, mas afirmaram os pontos es- senciais do dogma, da seguinte forma:

“A Igreja Católica, de conformidade com a Sagrada Escritura e a antiga tradição dos padres, ensinou, nos Concílios anteriores e no presente sínodo universal, que existe um lugar de expiação e que as almas ali encerradas podem ser aliviadas, pelos sufrágios dos fiéis e principalmente pelo sacrifício do Altar.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“O Santo Concílio ordena aos Bispos que tomem cuidado para que uma pura doutrina no que diz respeito ao purgatório, conforme a tradição dos san-

tos padres e dos concílios, seja acreditada e sustentada por todos os que perten- cem à Igreja e seja ensinada e pregada em toda parte.” “As questões difíceis e árduas neste ponto, que não poderiam servir para a edificação e nem favorecer a piedade, devem ser evitadas nas exor- tações ao povo.” “É mister também evitar a exposição de opiniões incertas e com aparên- cias de erro.”

E definindo concluíram:

“Se alguém disser que à graça da justificação, a culpa e a pena eterna são de tal modo perdoadas ao penitente, que não resta pena temporal a sofrer, neste mundo e no outro, no purgatório, antes de entrar no reino dos céus, seja anátema.”

E outro cânon:

“Se alguém disser que o santo sacrifício da missa não deve ser oferecido a

favor dos vivos e mortos, pelos pecados e penas, satisfações e outras necessida- des, seja anátema.” Eis aí toda a Doutrina da Igreja sobre o purgatório. Que se conclui, então? Há dois pontos, perfeita e claramente definidos e que somos obrigados

a crer. 1º) “Existe um lugar de purificação temporária para as almas justificadas que saem desta vida, sem completa penitência dos seus pecados.” 2º) “Os sufrágios dos fiéis, e especialmente o Santo Sacrifício da Missa, são úteis às almas.” Eis aí, em síntese, a Doutrina da Igreja a respeito do purgatório, segundo os Concílios Provinciais e Ecumênicos. O purgatório existe, é um Dogma de fé

e por isso todos os fiéis da Igreja Católica são obrigados a acreditar.

Nos Primeiros Séculos

Segundo o testemunho de Tertuliano e dos Santos Padres, como tam- bém os monumentos, os cristãos sufragaram os mortos com orações e pelo Santo Sacrifício da Santa Missa celebrada sobre as sepulturas. De tal modo que nos epitáfios das catacumbas se encontram belas preces pelos mortos. Perguntaram a São João Crisóstomo o que era preciso fazer pelos defun- tos. Respondeu ele: “É preciso ajudá-los com ardentes preces e especialmente com a prece litúrgica, por excelência, o Santo Sacrifício da Missa.”

05 – Exéquias Eclesiásticas

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

O ritual das exéquias, reformado após o Concílio Vaticano II, foi pro-

mulgado por Decreto da Sagrada Congregação para o Culto Divino, de 15 de agosto de 1969. Através do Código de Direito Canônico ou Eclesiástico, temos os seguin- tes cânones que confirmam a existência do purgatório.

Vejamos:

Can. 1176 – Parag. 1 – Celebrem-se exéquias eclesiásticas pelos fiéis de- funtos, de acordo com o Direito. Parag. 2 – As exéquias eclesiásticas, com as quais a Igreja suplica para os defuntos o auxílio espiritual, honram seus corpos e, ao mesmo tempo, dão aos vivos o consolo da esperança; sejam celebradas de acordo com as leis litúrgicas; Can. 1177 – parag. 1 – As exéquias em favor de qualquer fiel devem ser celebradas, geralmente na própria Igreja Paroquial; Can. 1185 – A quem se negaram exéquias eclesiásticas deve-se negar tam- bém qualquer Missa exequial. Os cânones aqui apresentados mostram que a Igreja, através de seu Direi- to Canônico, aceita a existência tradicional do Purgatório, a ponto de estabe- lecer normas para as exéquias.

Valor dos Funerais

“Os funerais, por edificantes que sejam, são antes consolo para os vivos do que socorro para os mortos. Contudo, aí está um dever cristão, e seria injusto não conservar tais cerimônias. Mas que não são absolutamente necessárias à salvação dos defuntos”, afirma Santo Agostinho.

06 – Novas Disposições do Código de Direito Canônico

Segundo novas disposições do Código do Direito Canônico, a partir da intervenção do Papa Paulo VI, através de decreto da Congregação para a Doutrina da Fé, de 15 de novembro de 1966, publicado nas Atas da Santa Sé

(AAS) volume 58, pág. 1186, todos os escritos referentes a reclamações priva-

podem

das (aparições, visões e locuções interiores, milagres, profecias, etc

ser publicados e lidos pelos fiéis, sem licença prévia e expressa da autoridade

eclesiástica, contanto que se observe a moral cristã geral.

O Decreto da Congregação para a Doutrina da Fé (AAS), nº 58/6, de 20-

12-1966, já estava aprovado pelo Papa Paulo VI, na data 14-10-1966, e foi publi-

)

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

cado por vontade do próprio Sumo Pontífice. Três meses depois da publicação, o decreto foi convalidado, pelo que não é mais proibido divulgar sem o “imprima- tur” escritos referentes às novas aparições, revelações, profecias e milagres. O Concílio Vaticano II reconheceu o direito à informação leal entre as pessoas honestas, após 15-11-66; os cânones 1399 e 2318 não vigoram mais. (Documentação Católica nº 1488, pág. 327)

07 – Razão de Conveniência

Por que existe o purgatório? A razão de ser do purgatório é o pecado. Só entra no céu a alma purificada

e digna da visão beatifica, pois o pecado separa a alma de Deus para sempre, daí o nome de pecado mortal.

No entanto, a misericórdia divina e infinita de Deus, diante do pecador arrependido, dá o perdão e a graça da amizade.

Mas o pecador fica devendo à justiça divina. Ao receber a graça do perdão,

o pecador fica obrigado a pagar a dívida satisfazendo a bondade de Deus, atra-

vés da oração e da penitência. “O pobre pecador, culpado de muitas faltas veniais, passa dessa vida para

a outra, a fim de prestar contas a Deus.” Ora, não se pode condenar eternamente uma alma que só tem faltas e imperfeições, isto é, que não cometeu pecados graves ou mortais. Para tais almas deve existir um lugar especial para serem purificadas. Outrossim, as pessoas que cometeram pecados graves ou mortais, mas se arrependeram e receberam a graça do perdão, tais almas, se não fizerem peni- tência, estão sujeitas a passar pelo purgatório. De tal maneira que, se durante a vida não pagou devidamente toda a dívida, ou a morte surpreendeu, e o tempo não foi suficiente para pôr em dia as suas contas com Deus, então o único recurso para o pecador é passar pelo purgatório. O Mons. Ascânio Brandão afirma no seu folheto “O Purgatório” o se- guinte: pode-se ir para o purgatório por três motivos:

1º. Pelos pecados veniais não remidos ou perdoados neste mundo; 2º. Pelas inclinações viciosas deixadas em nossa alma pelo hábito do pecado; 3º. Pela pena temporal devida a todo pecado mortal ou venial, cometido de- pois do Batismo e não expiado, ou mesmo expiado insuficientemente nesta vida. “Depois da morte, não há mais reparação, nem penitência, nem mérito.” Havemos de pagar a dívida de nossos pecados, até o último centavo, como

afirma o Evangelho.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Segundo o grande Conde de Maistre, a existência do Purgatório se apoia na natureza de Deus e na natureza do homem.

Digo na natureza de Deus. Deus é santidade, justiça e caridade. Como san- to, Deus não pode admitir união entre a sua pureza infinita e nossas manchas. Como Deus é bom! Não pode deixar perecer para sempre a obra das suas mãos que lhe implora o perdão. Daí a necessidade de um lugar de expiação.

A razão do purgatório também se baseia na natureza humana.

“Está na natureza do homem procurar se purificar para ter um alívio, por- que a falta coloca o homem em desarmonia com seu fim último.”

Ora, a alma não pode se purificar sem sofrimento, sem penas.

O purgatório, portanto, é esta expiação, esta purificação que a alma pro-

cura.

Para tornar a alma apta a gozar a felicidade de Deus, sem as manchas de suas faltas, é necessária, indispensável a existência do purgatório.”

Resumo

O purgatório existe pela razão: Pecados veniais ou pecados livres são re-

midos ou não perdoados neste mundo.

08 – Sentimentos do Coração

Há muitos entes queridos que deixaram esta vida. Muitos praticaram a caridade, mas cometeram muitas falhas. Outros passaram para o outro mundo com boas disposições, mas negli- genciaram nos seus deveres de cristão. Ainda muitos tiveram a sorte de receber o perdão dos pecados, na última hora, mas não deu mais tempo fazer penitência. Todavia o coração fala-nos que tais pessoas que morreram nessas circuns- tâncias não podem receber a condenação eterna. Com certeza eram caridosas, possuíam qualidades apreciáveis e certamente fizeram algum bem em vida.

Admitir que, após a morte, estejam no céu, depois de tantas faltas e defei- tos, sem ter feito penitência, não podemos aceitar. Da mesma forma, não podemos afirmar que tais pessoas estejam conde- nadas, pois seria muito inaceitável.

A idéia do purgatório se impõe necessariamente à nossa razão, antes que

se impõe à nossa Fé. Eis os pensamentos dos virtuosos ministros de Deus sobre o purgatório:

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Do Padre Faber: “O purgatório explica os enigmas deste mundo.” “Dá solução a uma multidão de dificuldades.” “Em face desse sistema, poderíamos chamá-lo de o oitavo e terrível sacra- mento do fogo, que atinge as almas, às quais os sete sacramentos não deram uma pureza perfeita.” “O purgatório é uma invenção de Deus para multiplicar os frutos da pai- xão de Nosso Salvador e que Ele estabeleceu prevendo a grande multidão de homens que deveriam morrer no amor de Deus, mas de amor imperfeito.” “Não é uma continuação, além do cúmulo das misericórdias prodigaliza- das no leito de morte?” Isto os esclarece tanto e nos faz supor que muitos católicos se salvam, principalmente os que viveram neste mundo na pobreza, no sofrimento e nas provações.

Do Monsenhor Baugoud: “O dogma do purgatório também encontra fundamentos e raízes no coração humano. É um intermediário entre a justiça e a misericórdia, como o divino auxiliar do amor”. Tirar o purgatório e a justiça seria terrível. Seria inexorável. Felizmente está aí o purgatório. O amor infinito de Deus o criou. “O purgatório não serve apenas para temperar e satisfazer a justiça. Ser- ve também para dilatar a misericórdia. Serve para explicar a misericórdia de Deus que se contenta, na hora da morte, com um pouco de arrependimento do pecador.”

Do Monsenhor Tiamer Toth: “O purgatório é a melhor resposta aos er- ros da reencarnação. Há um sofrimento purificador depois desta vida.” “O Cristianismo ensinou isto, muito antes que as filosofias nebulosas do oriente semeassem na alma do homem moderno o erro da reencarnação, que não tem a seu favor argumento de espécie alguma.”

09 – Ministro Extraordinário das Exéquias

Atribuições do Ministro Extraordinário das Exéquias:

01. Dirigir a celebração da palavra de Deus em velórios;

02. Orientar a reza do terço em velórios e no cemitério;

03. Presidir ao ritual da encomendação, mas só na falta do Ministro Ordenado;

04. Acompanhar os enterros, fazendo as orações de despedida;

05. Dirigir, quando na ausência do sacerdote, as celebrações de 7º dia.

Orientações Gerais

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

01. Na ausência do sacerdote, o Ministro Extraordinário das exéquias

pode celebrar a encomendação, a saber: Na Igreja ou na casa, onde o velório foi realizado;

02. Pode também o Ministro Extraordinário efetuar a celebração da pala-

vra de Deus no Velório, a celebração de 7º dia e as celebrações, no cemitério, de

corpo presente ou no aniversário de morte;

03. Em qualquer das celebrações, é importante que o Ministro seja um

sinal de Esperança e Vida. Em nome da Igreja, evangelizadora por natureza e missão, ele deve procla-

mar a Fé na ressurreição, sempre respeitando a dor e o sofrimento que a perda de um ente querido traz consigo;

04. Na Igreja, em casa ou no cemitério, o Ministro pode e deve dar uma

mensagem que edifique e console a todos que participam da celebração, espe- cialmente a família enlutada. Esta mensagem deve ser simples e breve; 05. “É interessante que o Ministro, em qualquer uma das celebrações acima enunciadas, esteja usando uma bata distintiva, segundo o uso da Comunidade”. Também nós pregamos que há purificação além-túmulo. Esta purificação se faz na justiça de Deus e com o fim de salvar uma alma, por toda a eternidade, e torná-la digna da pureza infinita, que é Deus. O purgatório é um combate aos erros do espiritismo, porque nos manda orar e sufragar os mortos, sem se preocupar em conversar com eles, na certeza de que estão nas mãos da divina justiça e não podem se comunicar com os vivos. Que o não dogma racional e de quantos erros e superstições nos livra!”

Do Padre Faber: “O purgatório existe pelo sentimento. Encontra fun- damentos e razões no coração humano. É um instrumento entre a justiça e a misericórdia.” “Tirar o purgatório, a justiça divina seria terrível.” “O purgatório serve para explicar a misericórdia de Deus, na hora da morte.”Enfim, é o 8º Sacramento, de fogo”, que atinge as almas, às quais os sete sacramentos não deram uma perfeição.

Natureza do Purgatório

Natureza do Purgatório

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

II PARTE

Natureza do Purgatório

10 – Morte e Vida

“Vita mutatur”

“Non tollitur” (Do prefácio da Missa de Réquiem). Em vernáculo: A vida não foi tirada, nem desapareceu, mas mudou-se. A morte é a porta da eternidade. Os mortos lutam e sofrem para pagar as suas dívidas, contraídas durante

a vida mortal. Mas vale a pena, porque descansam realmente das fadigas e das lutas desta vida.

Post mortem judicium

Quer dizer, “depois da morte o juízo”.

No juízo particular, há um exame rigoroso de tudo, é uma prestação de con- tas minuciosa até “de uma palavra ociosa”. Diz Jesus no Evangelho (Mt XII, 36 )

“Depois do juízo, poderíamos dizer, em geral, vem

o purgatório.” De qualquer modo, breve ou longo, o purgatório já está garantindo a en- trada no céu. Por conseguinte, podemos afirmar teologicamente que o purga- tório é a entrada ou passaporte para o céu.

Post Judicium

Reflexão: Ninguém veio ao mundo porque quis. Também, ninguém veio ao mundo por acaso. Ninguém planejou a sua vinda ao mundo e nem tampou- co apareceu no mundo por si mesmo.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

A nossa existência foi concebida nos planos do Criador. A realidade da

nossa existência não é outra coisa do que a vontade expressa de Deus, que nos colocou na terra, independentemente de nossa vontade. Portanto, foi por ato sublime, infinito amor, que Deus nos criou. Como não houve correspondência da nossa parte, no que toca ao estado

de graça e santidade, Deus nos castigou com a morte, até o dia da ressurreição da carne, no final dos tempos. Mas, mesmo assim, muitos abusaram da graça da Redenção, e o santo ve- lho Simeão, ao tomar nos seus braços o menino Jesus, expressou:

Ele será

um sinal de contradição.” ( Lc II, 34) Então, o amor de Deus é infinito, este mesmo amor que criou e resgatou

a humanidade inventando o purgatório, como última chance para restituir o

estado de graça e santidade da maior parte da humanidade. Portanto,o purga- tório é a derradeira tábua de salvação.

É preciso ficar ciente de que Deus criou o purgatório não por vingança,

mas por amor.

A vida em si é um mistério insondável, pois só após a morte que chegare-

mos a conhecer a realidade da vida.

“Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos

A vida é transitória e, ao mesmo tempo, é a abertura para a eternidade.

A morte é um golpe tão duro que torna a criatura incapaz de acostumar-

se, principalmente quando súbita. Apesar de ser certa, aparece sem aviso prévio, vem como ladrão, segundo

o Evangelho. Ela provoca choro, tristeza e saudades e até desespero para quem não tem formação cristã. As lágrimas que derramamos são justas, mormente quando se trata de en- tes queridos. No entanto, devemos chorar de uma maneira cristã, segundo o conselho do Monsenhor Ascânio Brandão:

“É mister lembrar-se deles (parentes), mais com orações e sufrágios do que com lágrimas estéreis.”

11 – O Sofrimento do Purgatório

Noção: Há dois sofrimentos distintos, duas penas principais, a saber:

- a pena do dano ou separação de Deus;

- a pena do sentido ou tormento do fogo.

Sofrimento Terrível

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“A Justiça divina fere as benditas almas para as purificar, santificar e torná- las dignas do esplendor da glória celeste e da visão beatífica de Deus.” “O fogo é devorador, o sofrimento, portanto, é incrível.” “A enormidade do pecado foi tão grande que só pela cruz houve a salvação e só pelo fogo a purificação total, para poder entrar na glória de Deus.” “Os estudiosos do assunto classificam-no de o 8º sacramento, o do fogo.” Mas é considerado o Sacramento da Misericórdia, na entrada da vida eterna.

Opiniões dos Santos sobre o Sofrimento do Purgatório

Segundo São Tomás e Santo Agostinho, quanto ao sofrimento, as penas do purgatório são análogas as do inferno. Santa Catarina de Gênova, após uma visão do purgatório, exclama: “Que coisa terrível é o purgatório. Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxima sequer da realidade. Veja que as penas que lá padecem as almas são tão dolorosas como as penas do inferno.” “É o mais horroroso de todos os martírios.” Portanto, elas clamam das profundezas dos abismos das chamas expiado- ras, segundo o texto de Job: “Miseremini mei! Saltem Vos, amici mei, quia manus Domini tetigit mei.” Em vernáculo: “Tende compaixão de mim, ao menos vós que sois meus amigos, porque a mão de Deus me feriu.”

Segundo os teólogos e autores competentes, as almas do Purgatório so- frem tanto que não há linguagem humana que possa traduzir os tormentos terríveis que padecem.

Santa Catarina de Gênova, chamada a Teóloga do Purgatório, de quem Jesus Cristo recebeu o sofrimento de expiação dos justos, diz “ser impossível traduzir, e o nosso entendimento não pode conhecer tal sofrimento. É preciso uma graça e uma iluminação especial de Deus para compreender estas coisas.”

Segundo São Gregório Magno - “As chamas do purgatório são passagei- ras, não são eternas, mas creio que são mais terríveis e insuportáveis que todos os males desta vida.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

São Boaventura ensina: “os nossos maiores sofrimentos ficam muito aquém dos que ali se padecem.”

Santo Ambrósio e São João Crisóstomo asseveram: “todos os tormen- tos, que os furos dos pesquisadores e dos demônios que inventaram contra os mártires, jamais atingiram a intensidade dos que se padecem em tal lugar de expiação.”

Santo Antônio diz: “o fogo do purgatório é de tal maneira rigoroso que comparado com o que conhecemos na terra, este se afigura como pintado num painel.”

São Nicolau Tolentino: “Tive uma visão de um imenso vale onde mul- tidões de almas se torciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração.”

Concluindo com Santo Tomás – “O purgatório tem penas que ultrapas-

sam a todos os sofrimentos deste mundo”. E acrescenta: “a mínima pena do

purgatório excede, em intensidade, a máxima pena deste mundo os sofrimentos das pobres almas submersas nesse mar de fogo! ”

Imaginemos

Santo Agostinho diz que o fogo, com que Deus purifica as almas dos jus- tos, no purgatório, tem a mesma natureza do fogo, com que, por permissão divina, são os réprobos atormentados do inferno.

Segundo Domingos Soto – “Se o homem tivesse de suportar os tormen- tos do purgatório, a dor matá-lo-ia num instante.” A alma imortal, por sua natureza, torna-se mais forte, pela separação do corpo orgânico, e por isto tem a capacidade para tanto sofrimento.

Reflexão

Os nossos crimes foram tão graves que foi preciso a segunda Pessoa da SS. Trindade baixar até ao homem, a fim de tomar uma carne, com todas as suas fraquezas, menos o pecado, para salvar a situação da Humanidade. Jesus escolheu o sacrifício da cruz, o suplício mais cruel do tempo. Pela cruz, o próprio Cristo selou e sublimou o madeiro como objeto ideal para res- gatar a humanidade.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Como a cruz não foi bastante, para purificar as manchas do pecado, solu- cionou o problema, pelo fogo do purgatório, a fim de restituir a pureza original. Segundo a opinião de alguns Santos, tal fogo é mais quente do que o da terra, portanto, semelhante ao do inferno. De tal modo que, se ao homem, com seu corpo, fosse permitido se purificar no fogo do purgatório, ele não agüentaria tamanha dor. Ora, como a alma, além de ser espiritual, é imortal, por natureza, é mais forte e tem capacidade de suportar o fogo da purificação.

12 – A Pena do Dano

A pena do dano é a privação da visão de Deus no céu. A visão intuitiva

consiste na felicidade de ver a Deus, como é, Videbimus eum sicut est, isto é,

vê-lo-emos como Ele é, diz São Paulo.

À separação do Sumo Bem, a alma sente um horrível martírio, pior que o

sofrimento do próprio fogo do purgatório. Esses desejos insatisfeitos são uns verdadeiros suplícios.

Opiniões

Segundo São Tomás, a pena do dano é mais insuportável, maior e mais terrível do que a pena do sentido. Não ver a Deus como Ele é, não possuí-Lo único encanto da pobre alma, que já não tem mais nada que a possa seduzir ou enganar, é deixá-la esquecida da suprema felicidade! Aqui neste mundo, a tibieza, o apego à terra e nossa fraqueza fazem com que, muitas vezes, nos esqueçamos de Deus, vivamos sem sentir e nem imaginar sequer o que seja separado de Deus. “Há quem não possa sequer imaginar o que possa haver de sofrimento, nes- sa ausência de Deus, que é a pena do dano.” Porém, aí, quando a alma, separada deste corpo mortal, sentir a necessidade de voar para Deus, de possuir a Deus, atraída pelo Bem infinito, sedenta da posse de Deus e da Eternidade, então, há de sentir, há de perceber quanto é doloroso e terrível estar um minuto que seja separada do Bem Soberano, separada de Deus! “É a horrível pena do dano.”

Segundo Santa Catarina de Gênova, “sentir um ímpeto de ir para Deus, sem poder satisfazer, isto é o maior sofrimento que se possa imaginar, é pro-

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

priamente o purgatório. Este estado é um estado de morte, uma angústia imen- surável.” (tratado sobre o purgatório II) Se compreendêssemos melhor como é horrível a separação de Deus!

Segundo Monsenhor Beaugaud, “Têm-se visto, neste mundo, afeições tão profundas, almas que se amavam e não poderam suportar a separação e morreram de dor.”

“Que não será no purgatório! Podemos dizer que, se Deus, por um mila- gre da sua Onipotência, não sustentasse as almas do purgatório, elas ficariam aniquiladas de dor longe daquele Deus que amam apaixonadamente.” “Ah! se compreendêssemos melhor como é horrível a separação de Deus, se, como os santos, experimentássemos as provações da vida mística, o tormen-

to de se sentir ausente de Deus, saberíamos avaliar o que é e que faz sofrer esta terrível pena do dano.” (Do livro do cristianismo e os tempos presentes, Tomo

V cap XIV)

Segundo Santa Teresa, “em vão tentariam explicar essas angústias miste- riosas, pois a alma sente um desejo irresistível de Deus. Não tem nenhuma consolação, nem no céu, nem na terra, a que já pertence. E, em que a natureza custa suportar, os ossos se separam e ficam como que deslocados, sente-se uma dor violenta e um só desejo nos consome de morrer, morrer, ir a Deus!” Segundo a Liturgia da Igreja, chama-o, com razão, de morte, nesta expres- são: “Libera eas a morte”, isto é, livra-as da morte.

Reflexão

Nominalmente, dano vem da palavra latina damnum, que significa preju- ízo, perda. Portanto, a pena de dano seria o castigo de ser prejudicado de não ver a Deus, a perda de Deus. Segundo Santo Tomás, é a pena mais terrível que a pena dos sentidos. Infelizmente, neste mundo velho, vive-se caducando atrás das coisas da terra que não lhe dão felicidade completa, e sim, dissabores. A alma vive se enganando a si mesma, sem encontrar o gozo perene, caindo na tibieza, sem procurar Deus, esquecendo que a vida é breve, e nem medita que a alma, sepa- rada do corpo, necessariamente, como espírito, tende em busca do ser supremo que lhe deu a existência. Por conseguinte, é tremendamente insuportável a pena do dano. Tal separação é inexplicável.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Só um milagre da parte de Deus pode impedir o aniquilamento da alma, quando sofre a pena do dano. Sentir um ímpeto de atração para Deus, e não o desejo de possuir a Deus,

é o maior sofrimento. Como já foi dito acima, Santa Catarina de Gênova afirma:

“A pena do dano é o purgatório propriamente dito.”

13 – A pena dos Sentidos

Além do sofrimento da “pena do dano”, isto é, da privação da visão de Deus ou da posse da visão beatífica, há as penas expiadoras e purificadoras. Dentro destas penas está a “pena dos sentidos.” No purgatório há fogo, um fogo terrível criado, pela Justiça Divina, para

a purificação dos justos, para acrisolar o ouro das almas.

Fogo verdadeiro

“Os teólogos, em geral e em sentença comum, afirmam que se trata de um fogo verdadeiro e não metafórico. Fogo que queima mil vezes mais que

o fogo da terra, que, comparado a ele, não é mais do que uma pintura para

a realidade.” Os santos padres e os teólogos escolásticos admitem um fogo real.

Como pode um fogo material atormentar a alma que é espiritual? É um mistério. Todavia, não temos um outro mistério, que é o da alma espiritual agir sobre o corpo material?

Declaração de Santo Tomás: “No purgatório, há dois sofrimentos, a sa- ber: a pena do dano”, que consiste no retardamento da visão de Deus, e a “pena dos sentidos, castigo proveniente de um fogo material” (Suppl. Quaest. Cap.

E art. 3). “As maiores dores são as que afetam a alma, comenta São Tomás.

Toda sensibilidade do corpo vem da alma. O que não será uma dor que vem ferir diretamente a alma? Pois o fogo material, fogo misterioso, dotado de um poder extraordinário pela Justiça Divina, atinge diretamente a alma e a fere dolorosamente.”

Fogo Material. Segundo São Boaventura, “O fogo do purgatório é um

fogo material que atormenta a alma dos justos que não fizeram penitência nes-

te mundo.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Fogo”! Esta palavra faz tremer. Já exclamava Isaías:

“Quem dentre vós poderá habitar em meio de um fogo devorador?” “Façamos penitência agora, aliviemos em meio de um fogo devorador” “É terrível o fogo que nos espera.”

Questão de Fogo. Foi muito discutida no séc. IV. Santo Agostinho concluiu pela existência do fogo material. No séc. XIII, Santo Tomás seguiu a opinião de Santo Agostinho. A pena do fogo é terrível. Não é menor em intensidade do que o fogo do inferno. Este fogo, segundo São Gregório Magno, Instrumento da Divina Justiça, faz sofrer mais tormentos e muito mais crueldades do que tudo quanto sofreram os mártires, nos suplícios imagináveis!

Conclusão: “Não podemos saber, neste mundo, com certeza, e nem é ne- cessário saber, como é e o que é o fogo realmente. Sabemos é que a Sagrada Escritura, muitas vezes, nos fala do fogo para nos dar a entender que somos castigados e expiaremos nossas faltas, nos rigores da Divina Justiça, para nos purificarmos e sermos dignos de entrar no céu.” “Se o fogo desta vida, criado por Deus para nos servir, já é terrível, que não será o fogo da Divina Justiça.”

O Fogo do purgatório é semelhante ao fogo do inferno. “Ah! Dizia uma alma, ignora-se no mundo que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno.” Continua a alma falando: “Se fosse possível fazer uma visita a essas mansões de dor, não haveria na terra quem quisesse cometer um só pecado venial, visto a rigor com que é punido.”

Reflexão

São importantes as nossas orações, boas obras e sofrimentos. Como são justas as queixas que um religioso ouviu desses pobres cora- ções, abandonados:

“Ó irmãos! Ó amigos! Há tanto tempo vos aguardamos, e vós não vindes; chamamo-vos e não respondeis; sofremos tormentos que não têm iguais, e não vos compadeceis; gememos e não nos consolais.” São Francisco Xavier percorria, à noite, as ruas da cidade, convocando com uma campainha o povo para orar pelas almas.

Fogo do Purgatório

Fogo do Purgatório

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

14 – A Duração do Purgatório

Quanto Tempo?

Que pergunta desenganadora! “Tempus jam non erit amplius”, que quer dizer: O tempo já não será con- tado, quando se trata da eternidade.

Quanto tempo fica uma alma no purgatório?

É uma pergunta curiosa que não tem resposta. Não é só difícil, até mesmo impossível. Não há nenhuma definição por parte da teologia ou da Igreja. É um mis- tério. Pois sabemos que na eternidade não há mais tempo. Como julgar o tempo em relação à eternidade? O sofrimento intenso e horrível das pobres almas faz com que os minutos lhes sejam anos e até séculos; aqui havemos de fazer como todos os autores que tratam do purgatório: recorrem às revelações particulares. Então, elas nos esclarecem, e algumas bem provadas e até sujeitas a processos canônicos rigo- rosos, como as dos Santos canonizados, que nos dão uma garantia de que não se tratava de ilusões ou fantasias mórbidas.

Opiniões Diversas

De Santo Agostinho – “Quanto à duração do purgatório, de uma coisa podemos ter certeza, é que as penas expiatórias não irão além do último juízo, no fim do mundo.” ( De Civitate Dei-Lib XXI, cap. XIII e XVI).

De São Roberto Belarmino – É para nós coisa muito incerta. Podería- mos considerar duas espécies de duração. Uma positiva, que corresponde à me- dida do tempo tal como contamos neste mundo. Outra fictícia ou imaginária, a que pensam as almas pelo sofrimento que as faz perder toda noção do tempo. Daí partimos para as revelações particulares, como por exemplo: “pobres al- mas que se queixaram de anos e até séculos de abandono naquelas chamas.”

De São Vicente Ferrer – Ele nos assegura que “há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro, por um só pecado.”

De Santa Francisca – Ela afirma que “a maioria das almas que sofrem lá no purgatório compreende de 30 a 40 anos.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

De Muitos Santos – Afirmam que “viram almas destinadas a sofrer no purgatório até o fim do mundo.”

Ao Padre Scoot de Louvain foi revelado que “um banqueiro de Antu- érpia estava no purgatório, há mais de duzentos anos, porque tinham rezado pouco por ele.”

Da Igreja Católica – “A igreja supõe, muitas vezes, que as penas do purga- tório sejam longas, quando permite fundação de missas e sufrágios, por longos anos, e celebra aniversário de 20, 30, 50 e mais anos. Permite fundações per- pétuas de missas.”

De Cesário – “Ninguém sabe quanto tempo, quantos anos deverá ficar no purgatório uma alma.”

Reflexão

As almas simples e humildes, sobretudo as que muito sofreram neste mundo, com paciência, e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muito abreviado, às vezes de horas A pergunta curiosa acima não tem sentido. Tal pergunta não tem respos- ta, pois é difícil e até impossível. Em torno do purgatório, há um grande misté- rio. Santo Agostinho afirma “que as penas expiatórias não irão além do juízo, no fim do mundo.” Conforme as revelações dos videntes, devido à intensidade dos sofrimen- tos, os minutos parecem anos e séculos. Na prática, a igreja permite fundação de missas e sufrágios, por longos anos, e até permite fundação perpétua. Certo

é que ninguém sabe quanto tempo,quantos anos, quantas horas, quantos dias deverá uma alma permanecer no purgatório.

Atenção: O importante não é saber quanto tempo, quantos anos, quan-

tas horas uma alma deverá permanecer no purgatório, e sim cuidar de evitar

a pena do dano, fazendo penitência, aproveitando o ensejo para rezar pelas almas. Quem reza pelas almas tem-nas como protetoras lá na eternidade. Elas não têm merecimento para elas, mas têm a nosso favor.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

15 – Longo e Breve Purgatório

Mais longa é a pena do que a culpa. Segundo as revelações particulares, há almas destinadas a um longo sofri- mento, nas chamas do purgatório, e outras passam brevemente pela expiação. Eis as várias revelações de Santos e Santas:

Santa Verônica Juliane – “Fala de uma irmã de seu convento que havia

se oposto às reformas do Mosteiro e deveria ficar no purgatório tantos anos quantos passou neste mundo.”

Santa Margarida de Cortona – “À grande penitente franciscana disse Nosso Senhor”: “Alegra-te, minha filha, tua mãe está livre do purgatório, onde ficou ela dez anos.” Como a Santa rezasse por três defuntos, ela julgava esti- vessem salvos. Revelou Jesus: “Estão salvos por tuas orações e se livraram do inferno, mas ficarão vinte anos nas chamas do purgatório.”

Santa Lutgarda – “Fez penitência pelo abade cisterciense, muito austero e duro demais para com os súditos. Deveria ficar no purgatório quarenta anos.

A mesma Santa viu no purgatório um dos Papas mais piedosos e ilustres da

igreja, a saber, Inocêncio III. Este Papa apareceu à Santa dizendo que, por algumas faltas no governo da igreja, deveria permanecer no purgatório até o fim do mundo.”

Santa Teresa – “Na sua vida ou autobiografia, fala-nos uma carmelita

fervorosa que só passou dois dias no purgatório. Uma outra, muito pacien-

te na doença, ficou apenas quatro horas na expiação. Um irmão coadjutor da

Companhia de Jesus morreu à noite e ficou no purgatório até a missa do dia

seguinte.” (M. Jugie-Le Purgatorie )

Santa Margarida Maria Alacoque – A vidente do Sagrado Coração de Jesus viu o seu diretor espiritual, o Beato Pedro Colombiére, passar algumas horas nas chamas expiatórias, por ligeiras faltas. E aqui se trata de um Santo. Imagine nós pecadores. Que será de nós?!

São Roberto Belarmino examinou, com muito cuidado, as circunstân- cias e a autenticidade desta visão, e falou dela em suas obras. Todavia, se há longas expiações, outras, pela misericórdia de Deus, são muito breves. Talvez tenham sido mais intensas.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Santo Cura Dar´s, João Maria Vianey, teve muitas vezes intuições ad- miráveis do tempo em que muitas almas deveriam ficar no purgatório. Per- guntaram ao Santo D´Ars se uma doente se havia de curar. Quem perguntou ignorava que a enferma tivesse morrido. O Santo Cura, que sabia por inspirações do céu, respondeu logo: “Ela recebeu a recompensa” ( Intuitions du Crué, do livro do Mons. Trochu).

São Severino, Arcebispo de Colônia, era um grande servo de Deus, ad- mirável pelas suas virtudes e até pelos milagres. Após a morte, apareceu a um Cônego de sua Catedral para lhe pedir orações. Estava no purgatório, por ins- tantes, por ter rezado com alguma precipitação.

Reflexão

As almas simples e humildes, e sobretudo as que muito sofreram neste mundo, com paciência, e se conformaram perfeitamente com a vontade de Deus, podem ter um purgatório muitíssimo abreviado, às vezes de horas ape- nas. É o que nos dizem inúmeras revelações particulares. Até santos passaram ligeiramente pelo purgatório. Que havemos de concluir, quando meditamos na duração do purgatório? Primeiramente, procuremos ter mais zelo pela causa das almas sofredoras que tanto padecem, por causa de nosso esquecimento. Somos muito fáceis em canonizar logo os mortos e comodamente já não rezamos mais por eles, sob a desculpa de que já estão no céu. Não canonizemos tão depressa os nossos mortos, mesmo aqueles que vi- mos ter a morte dos justos. Rezemos muito por eles. Nunca nos descuidemos do sufrágio dos mortos, porque já fizemos muito, durante algum tempo. Já mandamos celebrar umas Missas e rezamos por umas tantas almas sofredoras? Muitas delas esquecidas? Outra conclusão, que havemos de tirar de nossas reflexões sobre a duração das penas do purgatório, é a de cuidarmos mais de nossas imperfeições e não sermos tão presunçosos, julgando-nos capazes de entrar no céu. Cuidado com esta presunção, que nos pode acarretar um longo e doloro- so purgatório. Toma, pois, a resolução de jamais deixar passar um dia sequer sem rezar pelos parentes falecidos e entes queridos. Tem piedade daqueles que nos deixaram e que agora estão sofrendo mui- to e muito.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Quase todos os cristãos, depois da morte, terão, por força, de passar um período mais ou menos longo, nas chamas tormentosas do purgatório. Real- mente são poucos, após a morte, que passam direto para o céu. Pois a justiça de Deus é rigorosa, principalmente para aqueles que abusam da graça, aqueles que não empregam um mínimo de esforço para se corrigir. Mas é certo que a graça não falta; quer dos sacramentos, quer por meio da leitura, empregar todos os meios para evitar a pena do dano.

16 – Minutos Parecem Séculos

São tão dolorosas as penas do purgatório que lá os minutos pare- cem séculos.

Há nas revelações particulares tantos fatos impressionantes que compro- vam isto. E, ademais, que é a eternidade?

A

eternidade é a ausência do tempo.

O

tempo já não existe. Os minutos desta vida são séculos para as almas

que padecem naquelas chamas expiatórias.

Santo Antônio e São Paulo da Cruz – As narrações que se seguem ser- vem de reflexão de que a purificação no purgatório é muito séria e dolorosa. Mais uma vez, por estes dois exemplos, podemos concluir que é melhor mortificar-se aqui na terra.

Reflexão

Os dois fatos que se seguem servem de meditação. Conta Santo Antônio que um enfermo, vítima de dores atrozes, pedia sempre a morte. Julgava os seus sofrimentos terríveis e acima de toda força humana. Um anjo lhe apareceu e disse:

“Deus me mandou para te dizer que podes escolher um ano de dores na terra ou um só dia no purgatório. O doente escolheu um dia no purgatório. Então, foi para o purgatório. O anjo foi consolar e ouviu este gemido de dor:” “Anjo ingrato, disseste que ficaria no purgatório um só dia e sinto que estou já aqui, há longos vinte anos pelo menos ” “Meu Deus! Como sofro!” O anjo respondeu: “como te enganas! Teu corpo está ainda na terra sem ter baixado ao sepulcro. A misericórdia de Deus te concede ainda voltar para um ano de doença na terra.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Respondeu o enfermo: mil vezes sofrimentos maiores ainda na minha

doença. Então, ressuscitou e, durante um ano, sofreu horrivelmente, mas com uma paciência heróica até a morte. Com São Paulo, deu-se também um impressionante fato:

O Santo estava em oração na cela, quando sentiu que lhe batiam com

forte pancada na porta. Não quis atender, pensando ser o diabo que, às vezes, lhe perturbava a oração. Em nome de Deus, retira-te, satanás, grita São Paulo, mas o batido continua.

- Que queres de mim? - pergunta o Santo.

- Quanto sofro, quanto sofro, meu Deus!

- Sou a alma daquele padre falecido.

- Há tanto tempo estou num oceano do fogo.

- Há quanto tempo!

Parecem mil anos!

- São Paulo conheceu logo e respondeu admirado: “O que me diz?!”

- Meu padre, faz um quarto de hora apenas que faleceu e já me fala em mil anos?!

- O sacerdote do purgatório pediu sufrágios e orações e desapareceu.

- São Paulo, comovido e banhado de lágrimas, tomou a disciplina e se

flagelou até banhar-se em sangue. No dia seguinte, logo pela manhã, celebrou pelo padre defunto e viu-o entrar triunfante no céu, na hora da Sagrada Comunhão.

17 – Mistério do Purgatório

“Quem pode entender e penetrar este mistério de dor e de alegria, que é o purgatório?” “Os santos nos poderiam dar uma idéia do que sofrem e do que gozam as almas do purgatório, quando Deus os faz experimentar, aqui neste mundo, tanto martírio nas provações daquelas noites, de que nos fala São João da Cruz com as quais o Senhor prova, aniquila os seus eleitos na terra, e ao mesmo tempo os enche de uma paz inalterável e de consolações inefáveis, em meio de trevas e de angústias.” “Mistério profundo! Só os que experimentaram este doloroso e feliz es- tado de alma, neste mundo, podem dizer algo do que se passa no purgatório?” “Que alegria não experimenta o pobre náufrago, quando, depois de se debater entre as ondas, se vê de repente salvo e livre de todo perigo”!

“É a felicidade, a alegria das santas almas, quando, após esta vida e depois

de haverem passado o tremendo juízo, vêem que estão salvas da condenação

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

eterna, embora tenham de padecer muito naquelas chamas, naquele martírio, por mais prolongado que seja!” Estão salvas! “Oh! Como elas cantam um hino de ação de graças à infinita misericór- dia.” (Extraído do Opúsculo “O purgatório. Mons. Ascânio Brandão)

Reflexão

A própria palavra mistério diz algo de incompreensível e de impenetrável, pois somente aquelas almas que caíram lá, para expiar as suas faltas, podem nos comunicar alguma coisa. Se a nossa vida aqui na terra já consideramos um mistério, não devemos brincar, fazer pouco, mas tomar seriamente a realidade da vida, além mundo. Temos que nos sustentar nas opiniões dos Santos e das manifestações dos videntes e das videntes. Em tais situações, devemos ser humildes. Dobrar a cabeça perante os fatos, embora não seja dogma de fé. No entan- to, Deus nos fala por vários modos, inclusive pelas aparições dos videntes ou das videntes, dando verdadeiras instruções de ascética e mística, como proce- der à vida interior para com Deus.

18 – Duração Positiva no Purgatório

Opiniões de Santos e Santas

De Santo Tomás de Aquino- “Conta-se, na vida de Santo Tomás, que o

mestre, seu sucessor na cátedra de Teologia de Paris, depois da morte, apareceu

e disse que havia ficado quinze dias no purgatório, para expiar a negligência em executar o testamento de um Bispo.”

De São Vicente Ferrer – “Ele assegura que há almas que ficaram no purgatório um ano inteiro, por um pecado venial.”

De Santa Francisca de Pampeluna – “Segundo o testemunho da Santa,

a maioria das almas lá sofrem trinta a quarenta anos.”

De Padre Faber – A observação do padre leva-nos a crer “que a duração do purgatório vem aumentando sempre mais, à medida que a humanidade avança no tempo. Há tanta falta de penitência hoje, tanto luxo e mundanismo.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

De Madre Francisca da Mãe de Deus – (1615-1671) “Nosso Senhor Cristo mostrou à madre quatro padres que estavam, há mais de cinqüenta anos, no purgatório, porque não administraram bem, com respeito e piedade, os sacramentos.”

De São Roberto Belarmino – “Ele examinou com muito cuidado as cir- cunstâncias e a autenticidade desta visão e falou dela nas suas obras. Todavia, se há longas expiações, outras, pela misericórdia divina, são muito breves.” “Talvez tenham sido mais intensas.” Trata-se do caso do Papa Inocêncio II.

De Santa Margarida Maria Alacoque – É a vidente da devoção do Sa- grado Coração de Jesus. Diz a Santa que viu seu Diretor Espiritual, o Beato Padre La Colombiére, passar algumas horas nas chamas expiatórias, por ligei- ras faltas.

Reflexão

Todos estes exemplos supracitados são verdadeiras advertências que ser- vem para uma profunda meditação a fim de cada um sentir que o purgatório é um lugar de expiação e de purificação. Ninguém merece o céu facilmente. Na terra: Penitência. No purgatório: fogo.

19 – Alegrias e Consolações

Como já foi dito, o purgatório é um mistério. Com certeza, tal mistério será desvendado no futuro. Pois há no purgató-

rio alegrias e consolações, mesmo no meio dos tormentos, da dor e das penas.

O purgatório é a pátria da justiça rigorosa e, ao mesmo tempo, é a pátria

da infinita misericórdia de Deus. Para nós é uma grandíssima misericórdia en-

contrar, após a morte, um lugar de expiação.

Apesar do grande rigor da justiça divina, consola-nos a idéia de que no purgatório há consolações e alegrias.

O que é importante é que no purgatório há uma esperança da salvação

certa, não obstante o grande sofrimento, mormente o grande, escuro e fundo purgatório. Segundo São Francisco de Sales, as alegrias e as consolações que existem

no purgatório de expiação são um bálsamo suavizante para as almas. Eis o resumo escrito por São Francisco de Sales, Bispo e Doutor da Igreja, a respeito do purgatório:

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

1º) As almas do purgatório estão numa contínua união com Deus e perfeita- mente submissas à vontade de Deus. Não podem deixar esta união divina e nunca podem contradizer a divina vontade, como acontece conosco, neste mundo; 2º) Elas se purificam com muito amor e com muito boa vontade, porque sabem que é isto a vontade de Deus. Sofrer para fazer a vontade de Deus é uma alegria para elas. 3º) Elas querem ficar à maneira que Deus quer e quanto tempo Ele quiser. 4º) Elas são impecáveis e não podem experimentar nem o mais leve movi- mento de impaciência, nem cometer uma imperfeição sequer. 5º) Amam a Deus mais do que a si próprias e mais que todas as coisas e com amor muito puro e desinteressado. 6º) As almas são consoladas pelos anjos. 7º) Elas estão seguras da sua salvação e com uma segurança que não pode ser confundida. 8º) As amarguras que experimentam são muito grandes, mas numa paz profunda e perfeita. 9º) Se, pelo que padecem, estão como numa espécie de inferno, quanto à dor, é um paraíso de doçura, quanto à qualidade, mais forte do que a morte. 10º) “Feliz estado, mais desejável que temível, pois estas chamas do pur- gatório são chamas de amor.” Quem pode entender e penetrar este mistério de dor e de alegria que é o purgatório? Os Santos poder-nos-iam dar uma idéia do que sofrem e do que gozam as almas do purgatório, quando Deus os faz experimentar, aqui neste mundo, tanto martírio, nas provações daquelas noites de que nos fala. São João da Cruz, nas quais o Senhor prova, aniquila os seus eleitos e, ao mesmo tempo, os enche de uma paz inalterável e de consolações inefáveis, em meio a trevas e angústias.

20 – Estado das Almas do purgatório

As almas detidas no purgatório não podem merecer e desmerecer. Consta que o tempo de merecer e desmerecer cessa, no próprio instante da morte. “As almas do purgatório valem quando oram por nós. Pois, de uma parte, são queridas por Deus, e nada impede que ouçam as preces das almas.” Vejamos. As almas detidas no purgatório:

a) Podem ajudar, pelo valor satisfatório e impetratório, quando, pelo Santo Sacrifício da Missa, se aplicam os merecimentos de Jesus Cristo; b) Pelo valor satisfatório das nossas obras, quando se aplicam as indulgências, em vista dos merecimentos de Jesus Cristo e dos Santos.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Vejamos, agora, a força da oração quando se faz pelas almas que padecem no purgatório. Exemplo: No séc. IV (em 302), Santa Perpétua conta- nos a seguinte vi- são do purgatório:

“Estávamos em oração na prisão, depois da sentença que nos condenara a sermos expostos às feras, e, de repente, chamei por Demócrito. Era meu irmão, segundo a carne. Morrera com um câncer na face, a lembrança de sua triste sor- te me afligia. Fiquei admirada de me ter vindo à lembrança este irmão e pus-me a rezar por ele, com todo fervor, gemendo diante de Deus.” Na noite seguinte, tive uma visão na qual vi Demócrito sair de um lugar tenebroso, no qual se acham muitas pessoas. Estava abatido e pálido, com a úlcera que o levou à sepultura. Tinha uma grande sede. Junto de mim estava uma bacia com água, mas ele em vão tentava beber e não conseguia. Conheci que meu irmão estava sofrendo e era preciso rezar por ele. Pedi por ele, dia e noite, com muitas lágrimas para que fosse libertado. Alguns dias depois, tive outra visão, na qual Demócrito me apareceu todo bri- lhante e belo e se inclinou e bebeu à vontade a água que, antes, não podi sorver. Conheci por isso que estava livre do suplício.

Reflexão

As almas presas no purgatório não podem merecer e desmerecer. Elas mesmas afirmam que, uma vez caindo no purgatório, não podem ter mere- cimento. É por isso que Deus permite às almas ter contato com as pessoas na terra, a fim de pedir a esmola de uma prece, dum sufrágio. Mas, por outro lado, elas têm muito prestígio perante Deus, porque elas estão cumprindo a sua vontade. Quando as invocamos, estamos pedindo alguma graça. Pois, elas têm merecimento a nosso favor. Elas não têm merecimento para elas, mas têm para nós, cá na terra. Elas, por sua vez, podem receber sufrágios e aplicação das indulgências, principalmente do santo sacrifício da Missa.

Mistério Profundo! Só os que experimentaram este doloroso e feliz estado de alma, neste mundo, podem dizer algo do que se passa no purgatório. ( Extraído do Opúsculo do purgatório, Mons. Ascânio Brandão) Quando São Francisco de Assis soube que era um predestinado e viu garan- tida, pela revelação do céu a sua glória, teve uma alegria tão grande que nenhuma linguagem humana poderá traduzi-la. Qual não será a alegria das pobres almas, na certeza de serem predestinadas?

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Reflexão

O purgatório é um mistério profundo. É uma mistura de tristeza e alegria, de dor e gozo, de sofrimentos e consolações. Existe união com Deus, porque as almas fazem a vontade de Deus, obedecem a Deus e o amam com pureza acima de tudo. Em compensação, são consoladas pelos anjos. Sentem segurança na sua salvação eterna. Apesar das dores, das amarguras, das angústias, sentem muita paz. Quanto à dor, padecem muito. No entanto, é um paraíso de doçura o purgatório. Eis aqui o resumo do escrito de São Francisco de Sales, que muito contri- bui para servir de meditação.

21 – Falsas Canonizações

Não canonizemos depressa nossos mortos queridos. Nunca descuidemos do sufrágio deles, porque já o fizemos, durante algum tempo, ou mandamos celebrar algumas missas. Ignoramos o rigor da Justiça Divina.

De Santo Agostinho: “Como são esquecidos os mortos!” Exclamava Santo Agostinho. “Em vida, eles nos amavam tanto.”

De São Francisco de Sales: “Nos funerais: lágrimas, soluços e flores. De- pois, um túmulo e o esquecimento.”

Quanto às canonizações Nosso São Francisco de Sales tinha muito medo dessas canonizações rece- bidas dos veneradores. Estas boas almas, dizia ele, com seus elogios, imaginan- do que depois da minha morte fui logo direto para o céu, me farão sofrer no purgatório. Eis o que me aproveitara a boa reputação de santo!

De Santo Agostinho: “Ele pede orações pela alma de Mônica, sua mãe, e de Patrício, seu pai, a todos os leitores das suas confissões.”

De Santa Teresa: Ela escreve no prefácio do livro das fundações “pelo amor de Deus”, eu peço a cada pessoa que ler este meu livro, reze uma “Ave Maria”, a fim de que me ajude a sair do purgatório e apresse a hora em que hei de gozar a vinda de N. S. Jesus Cristo.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

De Frederico Ozanam: Piedoso e admirável fundador das conferências de São Vicente de Paulo, deixou no seu testamento estas linhas: “Não vos deixeis levar por aqueles que nos disserem: ele está no céu! Rezai sempre por aquele que muito vos ama, mas que muito pecou. Com auxílio de vossas ora- ções, eu deixarei a terra com menos temor.”

De Padre Perregue: Ilustrado e piedoso, deixa esta recomendação: “Peço aos meus amigos que rezem por mim muito tempo depois de minha morte. Que eles não digam como se costuma dizer, muitas vezes, e com muita pressa, “já está no céu.” Que rezem muito por mim, sim , eu lhes peço encarecidamente.”

Reflexão

Os santos pedem orações não só para morrer bem, mas para se livrar do purgatório. Na verdade, o purgatório continua para nós um grande mistério. Ninguém sabe por quanto tempo tem que sofrer, a não ser que haja uma revelação especial de Deus. Da mesma forma, ninguém sabe as faltas ocultas e esquecidas, cometidas, quando vivo. Perante Deus, tudo fica claro como a luz do dia, e a inteligência reconhece a sua culpa e, ao mesmo tempo, cai nas chamas purificadoras do purgatório livremente, de boa vontade. Nós ignoramos o rigor da justiça divina. Pois o Evangelho de São Lucas fala que são contados os cabelos da cabeça. “Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados.” (Lc XII,7) Costumamos consolar a família do morto, dizendo que fulano era tão bom, virtuoso e que Deus levou para o céu. Os que podem, mandam celebrar missa de “corpo presente”, de sétimo dia, e 30º dia; às vezes, aniversário. De- positam flores, acendem velas, enviam cartões como lembranças aos parentes, amigos e conhecidos. Acham que cumpriram o seu dever social e solidário. Não se lembram ou não sabem que o purgatório é um estado de purificação que somente Deus sabe avaliar o grau de merecimento de cada alma. Pois hou- ve casos revelados, até de pessoas virtuosas de verdade, que foram obrigadas a se purificar no fogo do purgatório. Servem de exemplo os dois fatos narrados, nos capítulos anteriores, a sa- ber: O caso de São Severino, da cidade de Colônia, e o caso do Beato Pe. Co- lombiére, Diretor Espiritual de Santa Margarida Maria Alacoque.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

22 – Lugar de Misericórdia e Purificação

Misericórdia: O purgatório é um lugar em que se percebe a Bondade e a

Misericórdia divina. É uma invenção do amor misericordioso de Deus. É uma revelação divina, no plano de Deus.

O juízo de Deus julga com justiça infinita. Pois tudo que a alma fez de

bom é reconhecido e recompensado, mesmo que tenha cometido um sem-

números de faltas; não deixa perder o que é bom.

Purificação: O purgatório é também um lugar de purificação e derradeira tábua de salvação. As almas no purgatório compreendem que, em vida, perderam grandes favores, muitas graças e favores de Deus, em várias circunstâncias. Então, reco- nhecem a injustiça que cometeram contra o amor e a bondade de Deus. No purgatório, as almas são arrependidas. Tal arrependimento dá força e coragem para suportar o sofrimento. Pois elas sentem que o seu sofrimento é justamente a causa de sua indiferença, quando vivas. As almas que, no mundo, se distinguiram na sua inteligência, nas suas habilidades, na sua capacidade em fazer o bem à humanidade, com uma dosa- gem de vaidade e, por conseguinte, alimentaram o próprio “EU”, com certeza sofrem um longo purgatório. Mas vale a pena sofrer um purgatório escuro, longo, porque tais almas têm a certeza de uma felicidade eterna, depois de cumprir e satisfazer a vontade divina. Na eternidade, não há mais pecado. As almas são consideradas benditas e santas.

Benditas: São benditas porque elas bendizem, louvam e agradecem a Deus, por ter-lhes concedido a salvação eterna.

Santas: São santas porque elas não pecam mais e tendem à perfeição, purificando-se de todas as imperfeições. O fogo em si não tem por finalidade castigar simplesmente, mas purificar de todas as impurezas satisfazendo à jus- tiça Divina.

Reflexão

O purgatório é um lugar de misericórdia. Quando se fala em purgatório,

isso lembra logo que é mais uma modalidade de salvar o pecador que chegou a abandonar os meios ordinários, como sejam os sacramentos.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

O purgatório é um lugar de misericórdia, em que está presente a bondade

infinita de Deus. Ele julga tudo que está escondido nas profundezas da alma. Bem que Deus reconhece tudo que a alma fez de bom, mas castiga toda imperfeição. Apesar de nossa fraqueza, a misericórdia, porém, é mantida, evi- tando, por conseguinte, desespero, desengano e desânimo. Como última tábua de salvação, o purgatório, apesar de ser um lugar de purificação bem duro e intransigente, é também um lugar de misericórdia. As almas sentem o horror de seus pecados e por isso mesmo aceitam o sofrimento com resignação, louvando a Deus, pela graça da purificação, esperando entrar na bem-aventurança como benditas e santas.

23 – Atração das Almas

Ver Deus

“As almas do purgatório encontram-se numa conformidade tão unitiva

com o seu Deus que não podem conceber motivos, comparações, em exemplos que sejam suficientes para esclarecer essa coisa tal como a mente a sente e só compreende por sentimento interior.” “As almas têm a esperança de ver como Ele é, segundo São João”. “Quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque nós o veremos como Ele é.” ( 1 Jô III,2)

“A ânsia de união é não só grande, mas muito forte a ponto de padecer o sofri-

mento, até o momento em que possam saciar-se da presença real de Jesus Cristo.”

Sabedoria de Deus

“Assim como a alma limpa e purificada não acha outro repouso a não ser em Deus, também a alma em pecado não encontra lugar apropriado a não ser no inferno.” “Da mesma forma, a alma separada do corpo, não encontrando em si aquela pureza na qual foi criada de boa vontade, imediatamente se lança no purgatório, para se ver livre da mancha que impede de ver Deus.”

Vontade de Deus

“Se as almas do purgatório pudessem purificar-se por contrição, em um só instante pagariam suas dívidas, porque elas ficariam contentes no que se refere à vontade e se encontrariam purificadas do pecado original e atual, no

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

que diz respeito à culpa. Com a purificação, as almas ficam tão puras como no momento em que Deus as criou. Por causa de sua confissão e arrependimento

de todos os pecados cometidos, Deus perdoa sua culpa, restando a pena, a es- cória do pecado, isto é, de algumas dívidas a pagar, das quais vão se purificando no fogo, com a pena. Uma vez purificadas de toda culpa e unidas a Deus pela vontade, veem a Deus claramente, segundo o grau de conhecimento que Ele lhes concede.” “As almas veem quanto importa a visão de Deus. E veem também que as almas foram criadas para este fim.”

O purgatório é uma mistura de sofrimento e gozo.

São as duas faces do amor, a saber:

Amor purificador e amor unitivo.

Reflexão

A alma, como ente espiritual, criada à imagem de Deus, sente-se intrinse-

camente atraída para contemplar o seu criador. Vem São João confirmando esta verdade da união íntima que existe entre a alma e Deus criador. Esta união é mui- to forte. Pois a alma tem esperança de vê-lo como Ele é na realidade. Eis o texto:

“Quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque nós ve- remos como Ele é.” ( 1 Jô III,2) Portanto, a alma, uma vez criada, não só depende do Criador, mas tem uma ânsia de se unir a Deus eternamente. Então, vem a sabedoria divina para salvar muitas almas que se tornaram indiferentes, frias e tíbias; bondosamente oferece um meio maravilhoso para tirá-las da indiferença e da tibieza, fazendo passar pelas chamas expiadoras do purgatório. Feliz invenção! Só a sabedoria divina podia ter tamanha e abençoada idéia.

24 – Purgatório, Ato de Amor

“A alma percebe em si uma mínima mancha de imperfeição, recebe o purgatório como misericórdia.” “A pena das almas do purgatório é maior, porque elas em alguma coisa desagradaram a Deus e por terem cometido voluntariamente contra tanta bondade.” “O motivo é este: estando em graça, aquelas almas veem a verdade e a importância do impedimento que não as deixa aproximar-se de Deus”.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Todas estas realidades tentei escrever e comparar com o que está gravado em minha mente. Sinto-me confusa, por não encontrar palavras adequadas e profundas.” “Vejo tanta conformidade entre Deus e alma que, quando Deus a vê na-

quela pureza em que a criou, atrai-a de certo modo para Si, com tanto e ardente amor.” “Quando a alma, por visão interior, vê-se assim atraída por Deus, com tão amoroso fogo, então, pelo calor do ardente amor do seu Senhor Deus, sente transbordar em sua mente a ação de Deus, que nunca cessa de atraí-la e condu- zí-la, com muito cuidado e contínua assistência, à plenitude de sua perfeição.

E Deus faz tudo isto só por amor puro.”

Necessidade de purificação: “Quem quiser entrar no paraíso pode entrar, porque Deus é todo misericórdia e tem os braços para nós, a fim de receber-nos na sua glória.” “O purgatório está preparado para tirar-lhe toda e qualquer mancha, e a alma lança-se dentro dele e parece-lhe encontrar grande misericórdia para se livrar de tal mancha:” 1º. Por causa do impedimento do pecado, não pode seguir esta atraçãopor

Deus;

2º. Porque a alma é impedida de ver a luz divina; 3º. Por impulso, a alma quer ser livre de impedimento, para seguir aquele olhar unitivo de Deus. É esta visão interior que produz nas almas a pena que sofrem no pur- gatório. Estado de Graça: “A alma foi criada com todas aquelas condições para alcançar a purificação, sem contaminar-se com nenhuma mancha do pecado e viver como Deus ordenou.” “Ao contaminar-se pelo pecado original, a alma perde seus dons e graças e morre. A alma só pode ser ressuscitada somente em Deus.” “Deus ressuscita a alma também, por outra graça especial. Para conduzí-la

a seu estado primitivo, criou o purgatório com ato de amor. Este último estado vai consumindo as imperfeições.”

Reflexão

As duas chamas ardentes estão em jogo. A chama do purgatório, purifi- cando a alma manchada pelo pecado, e por sua vez a chama da alma queiman- do de amor por Deus.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Na medida que a alma vai se purificando, o amor vai crescendo fortemen- te em busca de Deus. Deus faz ver às suas queridas amigas que o fogo do purgatório é ardoroso

e não vingativo. Portanto, criou o purgatório somente por amor puro. Tal o

interesse de Deus Criador que, com muito amor, criou a criatura humana em

estado de inocência e pureza. O amor de Deus foi tão grande que não arrefeceu

e criou o fogo do purgatório para recuperar o estado primitivo, restituindo a graça sublime da criação.

Santa Catarina de Gênova

Santa Catarina de Gênova

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

III PARTE

As Videntes e Instruções Dadas Pelas Almas

25 – A Vidente: Santa Catarina de Gênova

Biografia

“Nasceu na Primavera de 1447.” Quando adolescente, desejava ingressar numa Congregação Religiosa, mas pareceram obstáculos contra o seu intento. Assim as imposições sociais e familiares da época impediram a realização do seu ideal religioso. Casou com Juliano Adorno. Conseguiu converter o marido. Ele se tor- nou um irmão da Ordem Terceira de São Francisco e concordou em viver com ela como irmão e em estrita continência. Segundo o autor: “Para compensar as tribulações que causara ao marido e para diminuir tantas fadigas, ela se entregou aos prazeres e às vaidades do mundo e nelas se comprazia.” Neste diapasão de vida viveu 5 anos. Mas, após a morte do marido, dirigiu um hospital, dedicando toda sua vida aos doentes e aos pobres da cidade. Chegou a ser uma grande mística e escritora. Segundo a tradição, como mística curava com sua bênção e orações. Pois, aos 26 anos de idade, triste, abatida, decepcionada, não sabia o que fazer. Foi, então, que Deus infundiu em sua alma uma torrente de graças que a fez exclamar:

“Não mais mundo! Não mais pecados! Ó amor! Não mais pecados!” O Amor Divino transformou a pecadora numa santa e a mulher em um anjo de puro amor. Afinal, tornou-se uma vidente extraordinária.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Como escritora, escreveu um tratado sobre o purgatório. Tal obra é fruto de suas experiências místicas de 1501. Catarina tornou-se uma vidente extra- ordinária. Após uma visão do purgatório exclamou:

“Que coisa terrível é o purgatório! Confesso que nada posso dizer e nem conceber que se aproxime sequer da realidade.” Vejo que as penas que lá padecem as almas são tão dolorosas como as pe- nas do inferno. (Tratado do purgatório, cap. VIII, Catarina ) “Jesus Cristo revelou a Santa Catarina o sofrimento da expiação dos Jus- tos. Diz ela que é impossível traduzir na linguagem humana, e o nosso enten- dimento não pode conceber tal sofrimento. É preciso uma graça e uma luz especial de Deus para compreender estas coisas, dizia a Santa.”

Comentários Sobre Santa Catarina

De São Francisco de Sales. Ele afirmou: “Santa Catarina é mestra na ci- ência de amor.” De São Luis Gonzaga. Ele disse: “As chamas do incêndio, do amor de Santa Catarina abraçaram minha alma.” O Cardeal Perraud, escrevendo sobre as visões de Santa Catarina, disse o seguinte:

“As visões são de uma psicologia sobrenatural tão alta e tão forte que unem os mais altos conceitos da Filosofia e da Teologia aos pensamentos mais próprios para fortificar e consolar os que choram os seus entes queridos.” “Eu não creio, escreve a Santa, que, depois da soberana felicidade que go- zam na glória os santos, haja uma felicidade igual à que gozam as almas do purgatório. O que é notável é que esta felicidade vai crescendo cada vez mais, à medida que desaparecem as manchas do pecado.” Ela escreveu o famoso “Di- álogo entre a alma e o corpo.” E o “Tratado do purgatório” escrito pela Santa é baseado nas suas experiências místicas de 1501. Tais experiências são os esque- mas do purgatório. Santa Catarina viveu o amor e ensinou o amor. Aos 14 de setembro de 1510, foi chamada por Deus. Ela foi canonizada, em 1737, pelo Papa Clemente XII. Contava 63 anos de idade. É protetora das esposas com problemas e casamentos com dificuldades. Sua festa é celebrada no dia 14 de setembro.

Beata Ana Taigi

Beata Ana Taigi

Maria Ágata Simma

Maria Ágata Simma

26 – A Vidente Beata Ana Taigi

Biografia

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

É natural da Itália. Contraiu matrimônio. Mas se tornou célebre mística,

devido às graças extraordinárias recebidas por Deus. Principalmente sobre o

mistério do purgatório.

A Beata trouxe, em sua extraordinária mensagem do sobrenatural, muitas

luzes e preciosas lições. Vamos passar as seguintes revelações:

Esmola

“Um homem conhecido de Ana morreu, e ela o viu nas chamas do purga- tório, salvo do inferno pela Divina Misericórdia de Deus, porque socorreu um pobre que o importunava muito, pedindo esmola.”

Grande Arrependimento

“Ana viu um conde, cuja vida se passou em delícias e divertimentos, que, na hora da morte, teve um grande arrependimento e se salvou, mas devia sofrer no purgatório tormentos incríveis, tanto quanto passou neste mundo sem se preocupar com a penitência e com a salvação eterna.”

Grande Virtude

“Ana viu homens de grande virtude sofrendo, porque se deixaram levar pela vaidade e amor próprio, muito apegados aos elogios e à amizade dos gran- des da terra.”

O Papa em Agonia

“Um dia Nosso Senhor lhe disse:” “Levanta-te e reza para o meu vigário na terra. Está na hora de compare- cer-Me para prestar contas. Ana sufragou a alma do Papa e depois a viu como o rubi, ainda não de todo brilhante, pois lhe faltava se purificar mais.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Divina Justiça

“Faleceu em Bona o Cardeal Dória, que deixou grande fortuna, e natural- mente celebraram-se por sua alma centenas de missa. Foi revelado à Beata Ana que as missas celebradas pela alma do Cardeal eram aproveitadas pelas almas dos pobrezinhos abandonados, que não tinham quem mandasse celebrar por elas. Viu-se, assim, a Divina Justiça, que não olha a riqueza nem as possibilida- des dos ricos em arranjar sufrágios, com descuido, às vezes, neste mundo, da verdadeira penitência.”

Complacências e Elogios

“Viu Ana, no purgatório, um sacerdote muito estimado por suas virtudes

e sobretudo pelas brilhantes pregações que fazia, e o tornaram admirado por todos.” Sofria muito este pobre Padre. “Foi revelado à Beata Ana que o padre expiava a falta, por procurar com muito empenho a fama de bom orador e um pouco de vaidade no pregar a palavra de Deus, sobretudo nas complacências com os elogios.”

Apego, pouca submissão, falta de recolhimento e piedade

“Ela viu dois religiosos muito santos no purgatório, em sofrimentos duros.” “Um deles expiava o seu apego ao próprio juízo e pouca submissão ao

modo de ver os outros, e o outro religioso, a disposição, a falta de recolhimento

e piedade ao exercício do ministério sacerdotal.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

27 – A Vidente Maria Ágata Simma

Biografia

Era filha legítima de José Antônio Simma e Aloisa Rinderer. Maria Ágata ou Águeda foi, desde a juventude, muito piedosa e frequen- tava assiduamente os cursos de Introdução Religiosa ministrados por seu pá- roco, Padre Carlos Fritz. Queria ser religiosa. Após três tentativas, nada conseguiu, devido a sua fraca constituição física. Suas três passagens por Conventos formaram-na e fi- zeram- na progredir espiritualmente, preparando-a para o seu apostolado em favor das almas do purgatório. Sua vida espiritual foi caracterizada pelo amor filial à Virgem Maria e pelo desejo ardente de socorrer as almas do purgatório, mas também de auxiliar, com todos os meios, as Santas Missões. Depois da morte de seu pai, em 1947, viveu só em casa paterna. Para sobreviver, ocupou-se como jardineira. Viveu na pobreza, auxiliada por pessoas caridosas. Além de ser pobre, viveu de seu trabalho. Fez todo ser- viço gratuitamente. Ela consagrou sua virgindade à Maria SS. E fez a consagração, ensi- nada por São Luis Gringnon de Montfort, em favor sobretudo das almas do purgatório. Ofereceu-se também a Deus pelo voto de Alma vítima de amor e expiação. Ela encontrou, assim, a vocação que Deus lhe designou: ajudar as almas do purgatório com a oração, o sofrimento expiatório e apostolado. Quanto ao apostolado, ela ajudou a preparar crianças para a confissão e a primeira comunhão, dando-lhes instrução religiosa complementar, e demons- trou nesta tarefa um verdadeiro talento.

28 – A Caminho da Vocação

Biografia

“Desde a infância, compreendi que Deus me pedia um sacrifício todo especial.” Quando comecei ir à escola, queria saber qual seria este sacrifício.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

É preciso que eu faça um acordo com Deus fazendo esta oração: “Senhor,

que eu encontre um bilhete no qual esteja escrito o

que devo fazer.” Como não houve resposta ao bilhete, fiz a seguinte oração: “Vós sabeis que não é minha culpa se não encontro o caminho que escolhestes para mim.” Ao concluir os estudos, pensei: “Agora, talvez deva ir para um convento, quem sabe é lá que Deus me quer.”

vós podeis tudo

Fazei

Convento Sagrado Coração de Jesus

Aos 17 anos, entrei no Convento do Sagrado Coração de Jesus, em Hall, no Tirol. Depois de um ano, tive que sair, devido à pouca saúde.”

Convento das Dominicanas

Escolhi o Convento das Dominicanas de Thalbach, perto de Bregenz, às margens do Lago de Constança”. A Irmã Superiora, após oito dias, disse-me:

“Você é muito fraca.”

Convento das Franciscanas

“Conheci o Convento das Franciscanas de Gaissau, que envia religiosas às Missões. Este é o Convento certo para mim, pensou Ágata Simma. Entrei

em 1938. Gostava Muito. Pois bem, mais uma vez a superiora me disse: Você é

o mais frágil de todas

tei por três vezes entrar no Convento. Não consegui. Está tudo acabado para mim. Não pude encontrar o caminho que Deus escolheu para mim. Este pen- samento muito me atormentou, por algum tempo. Mas conforta-me a idéia de não ser culpada, pois fizera o possível.”

É muito fraca para nós. Não podemos admiti-la. Ten-

Devoção a Almas

“Desde a infância, tinha um grande amor às almas do purgatório; o mes- mo acontecera com minha mãe que nos dava com freqüência este conselho:

Quando tiverdes uma pergunta importante a fazer, endereçai-a às almas do purgatório; são as melhores ajudas.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

29 – Que é uma aparição

Noção

“É uma manifestação do outro mundo, de alguém que nos vem dizer o

que lá se passa.”

Podemos acreditar ou não ?

“Há dois extremos igualmente prejudiciais, a saber: a leviandade e o ce- ticismo.” “Aceitar toda espécie de aparições sem examinar criteriosamente, através dos teólogos ou autoridades eclesiásticas ou superiores competentes no assun-

to não passa de leviandade.” “Qui cito credit, levis est corde.” Isto é, quem acredita facilmente, é levia- no de coração ou é um espírito leviano.”

Ao contrário, o céptico é aquele que duvida de tudo, nega por orgulho.

“Qui incredulus est infideliter agit, isto é, quem é incrédulo age de ma- neira infiel.”

É necessário um equilíbrio, neste caso, entre os dois extremos: a levianda-

de e o ceticismo.

Uma alma humilde e obediente nunca pode se enganar. A boa Doutrina da Igreja esclarece que só se dá por uma especialíssima permissão de Deus, nas seguintes circunstâncias:

- raras vezes

- para dar um ensinamento

- para dar lição aos vivos

- para pedir socorro e sufrágio

- por uma graça especial

- por um milagre.

(Extraído do folheto: O purgatório, Mons. Ascânio Brandão)

Comunicação

“Desde que nossa alma se separa do corpo, pela morte, não tem mais ór- gãos para se comunicar com os homens.”

É puro espírito e só por um milagre pode se tornar visível aos nossos olhos.

O milagre das aparições encontramos na Sagrada Escritura. Eis os

exemplos:

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

- Samuel apareceu à Pitoniza de Eudor e respondeu a Saul, porque havia

perturbado o repouso dos mortos. Mostrou o castigo que lhe estava reservado, por esta curiosidade vã.

- S. Mateus narra que os túmulos se abriram, e muitos apareceram e foram vistos em Jerusalém. (Mt XXVII, 52 a 53)

- Sinais Distintivos.As aparições podem ser verdadeiras ou falsas:

1º. A Igreja não admite revelação alguma, se não foi devidamente com- provada. 2°. A Igreja não obriga os fiéis a acreditar nas revelações particulares, por mais provadas que tenham sido. 3º. No entanto, seria temerário não acreditar que os santos homens, for- mados e equilibrados, aceitaram e provaram não haver ilusões. 4º. Diz o Papa Bento XIV que podem os fiéis acreditar, podem ser publi- cadas as revelações, para a edificação dos fiéis, contanto que sejam aprovadas pela autoridade eclesiástica. 5º. O Papa Urbano VIII manda que, ao serem publicadas, declare o autor em nada querer se adiantar aos juízos da Igreja.

30 – Muita Cautela nas Aparições

Esclarecimento

Quanto às pessoas, é mister indagar dotes naturais:

- É um temperamento equilibrado?

- Não se trata de uma psiconeurose?

- É instruída ou ignorante?

- Não estaria com o espírito debilitado por jejuns ou por alguma enfermidade?

Quanto ao estado mental

- É pessoa discreta?

- É de juízo reto?

- É de imaginação exaltada?

- É de sensibilidade excessiva?

Quanto à matéria das aparições

- É mister muita para julgar as pessoas.

- Segundo a doutrina unânime dos doutores eclesiásticos, nenhuma reve- lação pode contradizer o dogma e o que foi ensinado pelo Evangelho.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

- Diz São Paulo: “Ainda que um anjo do céu vos pregue um Evangelho

diferente do que anunciamos, seja anátema.” (Gl IV,8)

- Diz Santa Teresa: “Acontece com certas pessoas de tão fraca imagina-

ção que se embebem, de tal maneira, na imaginação que tudo o que pensam claramente lhes parece que estão vendo”

- No séc. XVII, o sábio Cardeal Bona criticou severamente a facilidade e

a leviandade com que acreditavam muitos em revelações sobrenaturais e deu as seguintes regras:

1ª. “Toda aparição desejada ou provocada é suspeita. Ninguém deve de- sejar ver, nem conversar com os mortos, indagar a sorte dos defuntos, mesmo que a faça por motivo de caridade ou para rezar por eles: seria, portanto, teme-

ridade e presunção.” 2ª. “Se a aparição revela coisas ocultas que seria melhor silenciar sobre elas, tais como faltas alheias, coisas contrárias ao dogma e ao Evangelho, horror

à Água Benta, ao Crucificado. Tudo indica intervenção diabólica.” 3ª. “As almas do purgatório aparecem geralmente para solicitar orações, recomendar restituições, etc. Feito isso, não voltam mais a não ser para agra- decer.” Se, porém, uma aparição se torna importuna, dia e noite ameaçando a paz de um homem ou de uma família ou comunidade, é certo sinal que vem do demônio. 4ª. “Ninguém deve aceitar serviços prestados pelas almas do purgatório que se vêm colocar a nossa disposição, morar, etc. É pura ilusão, isto é coisa diabólica.” 5ª “Todos os Teólogos Místicos ensinam que as aparições verdadeiras, logo de princípio, perturbam e assustam, depois lançam a alma numa doce paz, aumentam a humildade, excitam o amor a Deus e ao próximo e produzem um grande desejo de perfeição.” 6ª. “É mister que as aparições sejam expostas simplesmente a um Diretor Espiritual, sem exageros, sem reticências, nem diminuição da verdade. Aguar- dar a sua decisão e obedecer-lhe cegamente.” (Extraído do Livro: O purgató- rio, Monsenhor Ascânio Brandão)

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

31 – As Primeiras Aparições à Vidente Simma

Revelações

Foi em 1940 que se manifestou, pela primeira vez, uma alma do purgató- rio. Conta Ágata Simma:

“Percebi que alguém ia e vinha pelo meu quarto e acordei.

Olhei para ver quem era. Nunca fui medrosa, vi então um estranho que andava lentamente. Questionei-o em tom agressivo: Como entrou aqui? Per- deu alguma coisa?

A pessoa estranha continuava a andar e não dava atenção.

Que está fazendo? Perguntei. Não tive nenhuma resposta. Levantei-me e tentei agarrá-lo. Só peguei o ar, não havia mais ninguém. Voltei para cama e vi-o novamente caminhando pelo quarto. Pensei. Estou vendo este homem, por que não posso apanhá-lo? Levantei outra vez e fui lentamente ao seu encontro, quis pará-lo e, mais uma vez, peguei o vazio, não havia mais nada. Bastante intranquila voltei para o leito. Eram 4 horas da manhã. Ele não voltou mais, e eu não consegui dormir. Após a Santa Missa, eu procurei meu Diretor Espiritual e contei-lhe tudo. Ele me disse: Pergunte: O que deseja de mim? Na noite seguinte, ele retornou. Era a mesma pessoa da noite anterior. Perguntei-lhe: Que você quer de mim? Ele respondeu: Mande celebrar três Missas por mim e serei libertado. Imaginei, então, tratava-se de uma alma do purgatório. O Diretor Espiritual confirmou. De 1940 a 1953, a cada ano, vinham apenas duas ou três almas particu- larmente em novembro. O padre Alfonso Matt, meu Diretor Espiritual, me aconselhou a nunca afastar uma alma, mas aceitar tudo com generosidade.”

Sofrimentos Expiatórios em Prol das Almas

A Vidente Maria Ágata Simma aceitou os sofrimentos como apostolado

em prol das almas do purgatório:

a. Pra expiar os pecados de práticas anticoncepcionais e de impureza. Para expiar esses pecados, padecia sofrimentos expiatórios, terríveis dores corporais e horríveis náuseas; b. Pecado da tibieza e frieza religiosa. Para Simma expiar tais pecados, parecia-lhe ficar horas entre blocos de gelo, e o frio a penetrava até a medula.

Era expiação dolorosa pela Tibieza e Frieza religiosa;

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

c. Quanto às indulgências, Simma desejou, desde a tenra idade, ajudar as

almas do purgatório. Com todo zelo, procurou ganhar as indulgências e rezava pelas almas inúmeras orações indulgenciadas;

d. Sofrer pelos mortos. Até, então, Simma, não sabia que poderia expiar

pelas almas sofrendo por elas; Sofrimentos Expiatórios são duros como os do purgatório. Foi preciso

todo o seu espírito de sacrifício e a consciência de seu povo, para aceita, espon- taneamente, sofrer tanto pelos outros.

e. Um dia, perguntou se não seria possível que as almas viessem com me-

nos freqüência. Foi-lhe respondido que ela fizera o voto de abandono total,

como “alma vítima”. O fato é que tais sofrimentos são por vezes anunciados e depois cessam imediatamente após o tempo fixado;

f. “Tu és dos nossos”. Que significa? Significa que, com teu voto, tu te en-

tregaste, de modo especial, à Mãe de Misericórdia. Ela te deu a nós, e, por este motivo, o caminho que conduz a ti é luminoso para tantas almas. Fazes bem em receber-nos com solicitude, com amor e compaixão. Assim, podes libertar- nos mais rapidamente sofrendo menos, podes receber mais graças e méritos e entender muitas coisas a respeito das almas, das quais pedes informações;

g. Há muito tempo, eu assumi a proteção de uma alma, isto é, estar pronta

a fazer sacrifícios para libertar uma alma desconhecida.

32 – Sofrimentos Expiatórios Por Outras Almas

Expiação

“Depois, outras almas do purgatório pediram-me para sofrer por elas. Fo- ram grandes sofrimentos, diz Simma.” Quando uma vem, me acorda, batendo à porta, me chamando, sacudin- do-me ou de outra maneira. Foi assim que uma alma me perguntou: “Sofrerás por mim?” Isso me pa- receu bastante estranho, porque, até então, nenhuma expressava tal desejo. En- tão, lhe respondi: “Sim, mas o que devo fazer?” Ela me respondeu:

“Por três horas, experimentarás grandes dores em todo corpo, mas depois poderás levantar-te e continuar teus afazeres, como se nada tivesse acontecido. Assim, poderás diminuir vinte anos de purgatório para mim.” Aceitei. Senti, então, dores tais que mal sabia onde estav, apesar de estar ciente que aceitara aqueles sofrimentos em expiação de uma alma, e que tais sofrimentos deveriam durar três horas. Tinha a sensação de que as três horas já deveriam ter passado, mas parecia tratar-se de três dias ou três semanas.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Quando tudo acabou, dei-me conta de que apenas três horas se passaram. Às vezes, devia sofrer apenas cinco minutos, mas como me parecia longo aque- le tempo.

As Aparições Tornam-se Conhecidas

Em 1954, Ano Mariano, vinham almas, todas as noites. Às vezes, diziam quem eram e me encarregavam de várias incumbências para seus parentes. Deste modo, o caso ficou conhecido do público. Não me agradou, diz Simma. Pois só falaria ao meu Diretor Espiritual. As almas vinham também durante o dia. Ao terminar o Ano Mariano, as almas não vinham todas as noites, mas duas ou três vezes por semana. Em geral, apareciam na Primeira Sexta-Feira do mês, ou na festa da SS. Virgem, ou durante a Quaresma. Na Semana Santa, no mês de novembro e no Advento, muitas tinham permissão de vir.

33 – Perguntas às Videntes Ágata e Ana

Perguntas Interessantes – Respostas pelas Videntes

01. Conhece as almas que se dirigem a você?

Simma: “As que conheci, reconheço-as num instante; as outras não, a não ser que me digam quem são.”

02. Pode-se mandar uma alma do purgatório a uma outra pessoa?

Simma: “Não se pode”.

03. É possível fazer uma alma aparecer?

Simma: “Não, não é possível. Ela vem quando o Bom Deus o permite, para pedir sua libertação.”

04. É um pecado não crer nas aparições das almas?

Simma: “Não, pois não é dogma de fé.”

05. O que sabem de nós as almas do purgatório?

Simma: “As almas sabem tudo o que se diz a respeito delas e o que se faz em favor delas. Estão muito mais perto ou próximas de nós do que possamos imaginar.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

06. O que ajuda as almas do purgatório?

Simma: “O auxílio mais precioso que podemos prestar as almas é, sem dúvida, a Santa Missa, mas à medida que os mortos a estimaram, quando vivos. Isto vale não só para as Missas de Preceito (Domingos e Dias Santos), mas também as do dia da semana, quando podem assistir sem prejudicar as ocu- pações profissionais. Caso não seja possível, mande um membro da família.”

07. Acender velas é um ato devocional, tem sentido e valor?

Simma: “Claro, especialmente quando são bentas.” “Quando, porém, não são, é preciso pensar que as compramos por amor de nossos falecidos. Tal ato

tem um grande valor.”

08. E a Água Benta?

Simma: “É preciosa, quando é usada com fé e confiança. Muitas vezes, vale mais uma gota d’água acompanhada de uma jaculatória. É lamentável que, em muitas casas, não haja mais água benta. Não há ´portanto a oportunidade de, com ela, aliviar as almas do purgatório.”

09. Quais os pecados mais severamente punidos no purgatório?

Ana: “Os pecados contra a caridade, a saber: Maledicência, calúnia, ran- cor; querelas provocadas pela cupidez e pela inveja são severamente punidas no

outro mundo.” Precaução: Cuidemos de não criticar ou zombar, fazer pouco de alguém. Isso prejudica gravemente nossa alma.

10. Quais as obras que têm maior recompensa no céu?

Ana: “São as obras da caridade.” Pecamos, muitas vezes, com palavras e jul- gamentos sem caridade. Devíamos aceitar o conselho que nos dá a mãe de Deus:

“Sejam caridosos e bons com todos”.

Eis o preceito divino: “Sermos bons com quem nos faz bem é coisa que também os pagãos fazem.” Mas fazer o bem mesmo àqueles que nos fazem o mal, eis aí a verdadeira atitude cristã, com que ficamos capazes de ganhar um amigo e abreviar os sofrimentos de quem padece no purgatório.”

11. O que sofrem as almas do purgatório?

Ana: “Elas sofrem de mil maneiras diferentes.” “Há tantos tipos de purgatório quantas são as almas. Cada alma é punida naquilo e por aquilo que a fez pecar. Mas há sofrimento comum a todas as al- mas: a ausência de Deus.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“As almas querem purificar-se no purgatório como ouro no cadinho. So- mente uma alma luminosa, perfeita pode ir ao encontro da luz eterna e da per- feição divina, para contemplar Deus face a face.”

Reflexão

A nossa atitude é evitar tudo que possa humilhar o nosso próximo, omitin- do as críticas ferinas e maldosas, mal juízo, questiúnculas que provocam ressen- timentos ou mágoas ou ainda tristeza profunda. Diz o provérbio: “Aquilo que não queremos para nós não devemos querer para os outros.” “Quem despreza o seu próximo, peca.” (Prov. XIV, 21) Jesus, no entanto, nos advertiu qual deve ser o nosso comportamento, no tocante à caridade. Vejamos:

“Se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os pecadores não fazem as mesmas coisas? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa?” (Mt. V,46-47) Outra pergunta feita à Vidente: “Quais as obras que têm a maior recom- pensa no céu?” Segundo a Vidente Ana, são as obras da caridade. Pecamos, muitas vezes, não só por palavras, mas por obras, deixando de praticar a caridade ao próxi- mo, quando está em nosso alcance. Jesus, porém, mostra o próximo narrando a parábola do homem que foi assaltado, quando ia descendo de Jerusalém a Jericó. Depois de contar a parábola Jesus perguntou: “Na sua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” O Doutor da Lei respondeu: “aquele que praticou a caridade para com ele.” Então Jesus lhe disse: “Vá e faça a mesma coisa.” (Lc X, 37-37) Nós sabemos quem é o nosso próximo. Mas o que nos impede de praticar a caridade é o comodismo, a vaidade, a discriminação e o egoísmo. Ainda não vibrou aos nossos ouvidos a resposta de Jesus ao Doutor da Lei.: Vá e faça a mesma coisa.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

34 – Instruções Dadas Pelas Almas Através das Videntes

Advertências

“Não precisa lamentar-se dos tempos que atravessamos.” “É necessário dizer aos pais que eles são os principais responsáveis.” “Os pais não podem atender a todos os seus desejos, dando-lhes tudo o que querem simplesmente para que fiquem contentes e não gritem.” “Assim o orgulho forma raiz no coração da criança.” “Mais tarde, quando a criança começa a frequentar a escola, não saberá sequer rezar um Pai Nosso, nem fazer o sinal da Cruz. Os pais se desculpam dizendo que a educação religiosa compete aos catequistas e aos professores de religião.” Por que há hoje essa indiferença religiosa, esta decadência moral? A Vidente Simma responde simplesmente:

“Porque as crianças não aprenderam a renunciar. Mais tarde, tornam-se descontentes e pessoas sem discrição que fazem tudo e querem ter tudo em profusão. Isso provoca desvios sexuais, práticas anticoncepcionais e aborto. Todos estes atos pedem vingança ao céu! Quem não aprendeu de criança a renunciar, torna-se egoísta, sem amor, tirânico. Por este motivo, há tanto ódio e falta de caridade. Peca-se contra o amor ao próximo, sobretudo com a male- dicência, a enganação e a calúnia”.

Onde começa?

“Começa no pensamento. É preciso aprender estas coisas, desde a infân- cia, e procurar afastar imediatamente os pensamentos contrários à caridade. Tais pensamentos sejam combatidos e assim se julgará os outros sem caridade.”

Quem deve praticar o apostolado?

“O apostolado é dever de todos os católicos, quer como autoridade, quer pelo bom exemplo, quer ainda como simples cristão.” “Os bons devem defender suas convicções e declararem-se cristãos.” “Todo cristão deveria buscar o Reino de Deus e fazer progredí-lo; caso contrário, os homens não serão mais capazes de receber o governo da Provi- dência Divina.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

35 – Deus Exige uma Expiação

Expiação

É com sacrifícios voluntários e com a oração que se pode expiar mais. Mas, se tais sacrifícios não são aceitos de boa vontade, Deus os exigirá com força. Porque a expiação é necessária.

Por que as almas não se dirigem diretamente aos seus parentes?

“É uma pergunta que fez Maria Simma (Vidente). Então veio uma alma que fez a seguinte correção, como resposta, de um modo severo:” “Não peque contra as decisões Divinas! Deus distribui as graças a quem quer. Você não teria nunca o poder de enviar uma alma a outra pessoa. Não é por seus méritos que Deus lhe concede estas graças. Considerando os méritos, muitos outros poderiam ser preferidos a você. É verdade que, desde a infância, você tem ajudado muito as almas, mas também isso é uma grande graça. Esta graça (em outra pessoa) renderia muito mais do que você fez.”

Por que Deus permite às almas aparecer aos vivos?

“Certamente não é para satisfazer nossa curiosidade. Se, pela misericór- dia de Deus, aconteceram fatos extraordinários, eles são conformes o plano da salvação. Estes fatos são de grande consolação para os defuntos, porque lhes permitem serem libertados dos sofrimentos, e incitam os vivos a rezarem mais pelas almas do purgatório e a se desapegarem do que é terreno.” Devemos estar alertas e preocupar-nos mais com a vida eterna

Reflexão

“Não apeguemos nossos corações ao que é temporal. De tudo que passa

Tudo passa e mais rápido do que pensamos. Só levare-

mos nossas boas obras. É evidente que precisamos dos bens terrenos para viver, mas a questão é não apegar a eles o coração; eis o problema. Este é o sentimento e o escopo das aparições das almas do purgatório, como todas as outras revela- ções particulares.” “É o único motivo pelo qual Deus permite tais contatos sobrenaturais. O bom Deus misericordioso se digne dar-nos sua bênção e a sua graça para podermos tirar proveito.”

não levaremos nada

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Certo que os caminhos de Deus são admiráveis, insondáveis. Um grande pecador pode tornar-se um grande Santo.

Por que as almas do purgatório vêm até você?

“Com certeza, não é por causa da minha devoção. Há pessoas mais devo- tas que eu. E, contudo, as almas não se dirigem a elas.” “Os fenômenos sobrenaturais não são termômetros de santidade; a pedra de comparação da perfeição é a caridade desinteressada, a saber: sofrer pelos outros, por amor, imitando Cristo.”

Qual a maior Eficácia?

“O que tem maior eficácia é o sofrimento, quando suportado com grande paciência e colocado como oferta nas mãos de Deus, a fim de que dele se sirva para quem desejar, onde será melhor e mais necessariamente utilizado.” “Suportar o sofrimento com paciência, é precisa muita coragem.” “Sofrer a favor de outras pessoas, é necessário muita fé e heroísmo.” “Certo que os caminhos de Deus são insondáveis. É preciso uma grande humildade.”

36 – Maria Santíssima, Mãe de Misericórdia

Mãe de Misericórdia

Para as almas do purgatório Maria é Mãe de Misericórdia. “Quando o seu nome ecoa no purgatório, as almas sentem grande alegria.” “Uma alma disse que Maria SS. pedira a Jesus para libertar todas as almas que se encontravam no purgatório, por ocasião da sua assunção, e que Jesus atendera ao pedido de sua mãe.” “Naquele dia, as almas acompanharam Maria ao Céu, porque ela fora co- roada Mãe de Misericórdia, Mãe da Divina Graça.” “No purgatório, Maria distribui graças, segundo a vontade divina. Ela passa com frequência pelo purgatório.” Isso é o que Maria Ágata viu.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Reflexão

Somente a palavra Mãe Já diz tudo. Pois mãe significa amor, compaixão e compreensão. Maria SS. Mergulhou no mar de sofrimento, mormente por oca- sião da Paixão de seu Divino Filho. Ela demonstrou amor à causa da Redenção compassiva e com muita compreensão participa do Mistério da Salvação. Portanto, Ela merece o simpático título de “Mãe de Misericórdia, Vida, Doçura, Esperança nossa, Salve.”

37 – Balança entre o Purgatório e o Inferno

As almas do Purgatório e Os agonizantes

“Segundo o que dizem as almas do purgatório, muitas almas vão para o inferno, porque pouco se reza por elas.” “Inúmeras almas poderiam ser salvas, se, pela manhã e à noite, fosse re- zada esta oração indulgenciada, a saber: Três ave-marias por aqueles que vão morrer naquele dia, acrescentando a oração dos moribundos:” “Ó Misericordioso Jesus, que ardeis de tão grande amor pelas almas, eu

vos suplico, pela agonia de vosso Sacratíssimo Coração e pelas dores de Vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no Vosso Preciosíssimo Sangue todos os peca- dores da terra que estão em agonia e que hoje mesmo hão de morrer.” “Coração agonizante de Jesus, tende piedade dos moribundos.”

A Vidente Maria Ágata Simma viu numerosas almas na balança entre o

purgatório e o inferno.

Reflexão

Já pensou que, com tão pouco esforço, podemos socorrer tantas pessoas

que morrem durante o dia, dependendo a sua salvação somente de uma peque-

na ajuda de três Ave-Marias com a oração dos moribundos? Vale rezar tudo pelos agonizantes, pela manhã e à noite.

É oportuno rezar por aqueles que estão deixando a terra.

É um ato de caridade excelente. É mais que uma esmola.

É um presente valiosíssimo salvar uma alma que está à beira do abismo

do inferno. Não custa nada colocar na nossa devoção diária a prática das Ave-marias com a oração dos agonizantes.

Pesemos na balança da justiça a salvação dos que deixam o mundo para sempre.

38 – Por que faço Conferências?

Apostolado de Simma

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

A própria Vidente Maria Ágata Simma responde à pergunta, nestes ter-

mos: “Porque as almas me advertiram que devo ir a todas as partes onde pedem

a minha presença; é o meu apostolado.” “O Concílio Eclesiástico também quer que os leigos trabalhem mais no

apostolado. Todo católico é obrigado, após a recepção do Crisma, a defender

a fé e a verdade, segundo os dons que recebeu. Portanto, conclui a Vidente,

é meu dever fazer conferências. Não exijo pagamento. Mas recebo donativos

para as despesas de viagem. Toda sobra de dinheiro vai para a caixa das almas, pertence às almas que solicitam Missa ou uma boa obra.”

Quais escolas frequentou para ter capacidade de dar conferências?

“Frequentei somente a escola do primeiro grau. Mas meus relacionamen- tos com as almas do purgatório ensinaram-me muito e mudei bastante. Tenho uma grande confiança no Espírito Santo. Quando invoco o Espírito Santo, eu sinto o poder de sua ajuda, mormente quando se trata da educação das crianças.” Portanto, aconselho muito aos educadores e aos pais que peçam ao Espí- rito Santo para iluminá-los.

Qual o meio mais seguro para não cair no inferno?

“Sejam muito humildes. O humilde não vai ao inferno, mas o orgulhoso, este sim, está em perigo de perder-se por toda a eternidade.”

Quando há embuste?

Alguém fez perguntas sobre o destino de uma pessoa dizendo o nome, a data do nascimento e da morte. A resposta foi: “Está ainda no purgatório.” A pessoa, então, me disse, zombando de mim: “ Desta vez é claro que tudo isso é enganação, aquela mulher ainda vive.” Pensei: Como pode uma alma dizer-me que esta mulher estava no purgatório? Procurei o meu Diretor Espiritual e lhe disse: “Não quero mais fazer per- guntas, há alguma coisa que não coincide.” Com calma, tranquilidade me respondeu: Quando tiver ocasião nova- mente de falar com aquela alma, diga-lhe: “Em nome de Jesus, ordeno-te dizer- me por que me deste uma resposta errada, uma vez que esta pessoa está viva.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Fiz de acordo com isso e recebi a seguinte informação: “Esta resposta não veio de uma alma do purgatório.” De quem, então?

A alma respondeu: “Era o demônio sob a aparência de uma alma do pur-

gatório. Quando te fazem perguntas sinceras, recebem respostas certas, se pro- curam enganar, então o demônio tem o poder de se intrometer.” “Portanto, a resposta foi unicamente a intervenção do demônio, pai da mentira.”

39 – A Vidente Irmã M. D. I. C.

Biografia

Todos que a conheceram, sem nota discordante atestam que ela nunca deixou de praticar todas as virtudes cristãs, até ao heroísmo, muitas vezes. Era ótima religiosa. Como diretora de um pensionato, exerceu grande influência sobrenatural sobre as almas; todas a chamavam de verdadeira Santa. Trata-se da irmã M. D. I. C. Todas as testemunhas atestam que era dotada de um juízo muito reto, era muito equilibrada e de muito bom senso. Além do mais, nunca desejou vias extraordinárias, e, ao contrário, procurou se convencer de que era duvidoso o que era obrigada a ouvir, e alegava ser coisa diabólica, declarando que não queria sair da via comum, desejava ser como toda gente e passar desapercebida. Enfim, com isto ela aproveitou muito na vida espiritual, e todos testemu- nham quanto se santificam com estas visitas ao purgatório. Faleceu em 02 de maio de 1917.

Quem é a Irmã M. G. ?

Trata-se da Irmã religiosa do Convento de V. que tem por iniciais M.G.

Faleceu no dia 15 de fevereiro de 1871, vítima de sua dedicação, com 36 anos de idade.

A Irmã M.D.I.C. ouviu junto de si, de repente, em novembro de 1873,

uns gemidos muito prolongados. Assustada, exclamou: “Que não apareça, mas me diga quem é!” “Nenhuma resposta. E os gemidos não cessaram, e cada vez mais misteriosos.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Finalmente, no dia 15 de fevereiro de 1874, uma voz muito conhecida se fez ouvir: Não tenhais medo! Eu sou a Irmã M.G. Então, deu-se a conhecer

à sua antiga companheira, cujos conselhos havia desprezado outrora; que ela

havia de multiplicar as visitas para santificá-la, e que, assim santificada, havia de aliviar a antiga companheira no purgatório.” Durante vários anos, de 1874 a 1890, se estabeleceram entre a Irmã M.G. (falecida) e a irmã M.D.I.C. (viva) relações que foram escritas em precioso “Manuscrito do purgatório.” Depois de maduro exame destes manuscritos, os examinadores, verda- deiros mestres espirituais, não hesitaram em declarar que o manuscrito nada continha contra os ensinamentos da fé e estava de perfeito acordo com os prin- cípios da vida espiritual, e podia edificar muito as almas.

Resumo das Aparições

Primeiro, há lição de caridade cristã. Pois a Irmã falecida M.G. tinha feito sofrer muito à M.D.C.I. e ela justamente veio pedir socorro, depois da morte, para se livrar do purgatório. Quanto mais vivas eram as luzes adquiridas pela Irmã M.G. (falecida) tan- to mais se purificava a irmã falecida e progredia na santificação a Irmã M.D.C.I. Portanto, a Irmã M.G. cada dia adquiria a purificação, enquanto a Irmã M.D.C.I. cada dia adquiria a santificação.

Nota bene: “O Manuscrito do Purgatório” foi traduzido pelo Mons. As- cânio Brandão.

40 – A Vidente Maria Luiza Richard (Madame Brault)

Biografia

Em 14 de março de 1910, faleceu na cidade de Pointe Claire, no Canadá, uma mulher extraordinária, santa mãe de família, um modelo de esposa e cristã verdadeira, Maria Luiza Richard, Madame Brault. Era dotada de uma grande simplicidade, espírito bem equilibrado e sen- sata, de uma piedade muito provada e sincera. Hoje está perfeitamente averi- guado que não se tratava de nenhum espírito mistificador, nem de alguma falsa visionária. Teólogos e prelados ilustres examinaram os fatos; confessores, doutores

e esclarecidos depuseram como testemunhas fidedignas, no exame dos fatos

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

impressionantes da vida maravilhosa desta grande mística do século XX. Madame Brault tinha contato com as almas do purgatório como o Santo Cura D’Ars podia dar testemunho da sorte das pobres almas. Dizia ele chorando, num dia de finados: “Os egoístas da terra se esquecem dos mortos. Como deve ser cruel para as almas o abandono dos homens!” “Dizem que amam os pais e parentes defuntos. Que mentira! Madame Brault teve muitas visões das almas do purgatório. Elas lhe pediam orações, Missas e Sacrifícios .” As pessoas que ela via eram desconhecidas, às vezes, e fizeram inquéritos rigorosos de datas, lugares e circunstâncias. Chegaram à conclusão de que não existia nenhuma possibilidade de mis- tificação. Eram impressionantes as revelações desta mística.

(Do livro: “O Purgatório” - Mons. Ascânio Brandão)

O Purgatório Através das Aparições

O Purgatório Através das Aparições

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

IV PARTE

O Purgatório Através das Aparições

(Revelações da Irmã M. G. à Irmã M. D. I. C.)

41 – O Purgatório e Seus Graus

Neste capítulo, damos início à entrevista de uma irmã religiosa, falecida, à sua companheira Irmã de Convento, viva. “Foi assim que, durante vários anos, se estabeleceram entre a alma da Irmã

M. G. e irmã M.D.I.C. relações que foram escritas em precioso documento

chamado Manuscrito do Purgatório, de 1874 a 1890.” “Os teólogos que foram consultados deram o seu parecer de que o Ma-

nuscrito tinha o selo de uma perfeita autenticidade e, por conseguinte, tinha pleno valor, quer quanto à sua autenticidade, quer quanto à sua origem.” Não seguimos as datas das entrevistas entre as duas Irmãs, a saber: Irmã

M. G. e Irmã M. D. I. C. Mas damos um esquema por assuntos mais interes-

santes, não só pela curiosidade, mas principalmente pelos conselhos e adver- tências de quem sofreu e experimentou o purgatório, em todos os seus graus. As informações que a irmã deu durante o período de dezesseis anos, isto

é, de 1874 a 1890, são suficientes para a gente ter uma noção do que seja o pur- gatório e aproveitar, ao mesmo tempo, todo o potencial de uma vida interior com Deus. As mensagens são úteis para todas as idades, mormente para as pessoas adultas que têm carência de formação espiritual. Percorramos as entrevistas, de acordo com as perguntas feitas pela Irmã M.D. I.C. (viva) e à Irmã M.G. (falecida):

- Conheceis as coisas da terra? Pergunta a Irmã M.D.I.C.

- Conheço, enquanto Deus permite. O meu conhecimento é muito res-

trito. Certas almas têm o conhecimento mais extenso do que eu. Tudo isto é proporcionado ao mérito. Eu posso falar dos graus do purgatório, porque passei por lá. O primeiro purgatório compreende o grande purgatório que tem diferentes graus:

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Primeiro grau – O mais profundo, e no que mais se sofre, é uma espécie

de inferno momentâneo. Lá estão os pecadores que cometeram enormes cri-

mes, durante a vida, e a morte os surpreendeu neste estado, sem que tivessem tempo de penitenciarem-se. Salvaram-se por milagres, muitas vezes, pelas orações dos parentes e de pessoas piedosas. Algumas vezes, nem puderam se confessar, e o mundo os julgou condena- dos, mas o bom Deus, cuja misericórdia é infinita, lhes deu, no momento da morte, a contrição necessária para se salvarem, tendo em vista algumas ações boas que praticaram, em vida. Para tais almas o purgatório é terrível. É um inferno, exceto isto, que no inferno propriamente dito se amaldiçoa a Deus, enquanto que no purgatório

O bendizem e agradecem por terem sido salvas.

Segundo grau – Vêm as almas que, sem ter cometido grandes crimes, fo- ram indiferentes para com Deus, a saber:

- Não cumprir o dever pascal, convertidas na última hora. Não deu tempo de receber o viático. Portanto, no purgatório expiam sua longa indiferença, penas inauditas, abandonadas, sem orações, e se fazem orações por elas não podem aproveitar.

Terceiro grau - Há o purgatório das religiosas e religiosos tíbios, isto é, sem fervor, padres que não exerceram seu ministério com a reverência devida à Majestade Divina.

Grande Purgatório

Estão no grande purgatório os grandes pecadores e os que ficaram toda a vida afastados de Deus pela indiferença. E bem assim os religiosos que não fo-

ram fervorosos. E lá as orações que se fazem por estas almas não são aplicadas. Elas foram indiferentes para com Deus, em vida, e as deixa numa espé- cie de abandono, a fim de que elas recuperem assim a sua vida que foi nula. Portanto, no grande purgatório, as almas não recebem as orações de alguém, expiam sua longa indiferença, penas inauditas, abandonadas, sem orações, e se

as fazem por elas não as podem aproveitar.

Segundo purgatório

Encontram-se as almas que morrem culpadas de pecados veniais, não ex- piados antes da morte, ou então em pecados mortais perdoados, mas sem a satisfação devida.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

O purgatório das pessoas consagradas, que receberam maiores graças, é

mais longo e mais piedoso do que o das pessoas não consagradas.

Terceiro purgatório

É o átrio ou o vestibular do Céu. Muitas pessoas muitos piedosas têm

medo de Deus e não desejam bastante o céu com ardor. Este purgatório tem seu martírio bem doloroso como os outros. Estar privado da visita do Bom Jesus, que sofrimento! Ah! Ninguém pode imaginar o que seja o purgatório! É preciso ser muito bom e ter compaixão das almas. O maior sofrimento que possa ter uma alma que ama verdadeiramente a Jesus é não amá-lo. Entre os dois purgatórios o primeiro é o maior, o segundo, porém, é me- nor, segundo a Irmã M. G.

Prudência quanto às Revelações Particulares

A Igreja Católica tem grande reserva em relação às revelações particula-

res. Pois ela é guardiã da verdade. Mas, quando os fatos estão de pleno acordo com os ensinamentos de Cristo, a igreja não pode rejeitá-los, mesmo ainda quando não examinados teologicamente. Perguntei a uma alma: “Como podes dar-me conselhos a respeito das al- mas sobre as quais vos faço perguntas?”

A alma me respondeu: “Por meio de Maria, Mãe da Misericórdia, nós o

sabemos.”

Reflexão

Meditando sobre o grande purgatório, a Irmã M. G., que experimentou o terrível sofrimento, aconselha-nos muito fervor e freqüência à Santa Missa. Do contrário, após a morte, as missas que forem celebradas em nosso sufrágio Deus aplicará para outras almas necessitadas, e permanece indiferente. Acontece a mesma coisa, quando somos tíbios ou frios nos nossos deveres para com Deus. Aproveitemos, enquanto temos vida, a oportunidade para merecer a re- compensa eterna, participando do Santo Sacrifício da Missa, com a devida freqüência e fervor, para usufruir, após a morte, os sufrágios das missas a nosso favor.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

42 – Onde está o Purgatório

No centro da terra, próximo ao inferno, respondeu a Irmã falecida. As almas estão aí num lugar restrito, comparado à multidão que aí se en- contra, pois são milhares e milhares.

Entretanto, que lugar ocupa uma alma?

“Cada dia, aí chegam milhares e milhares, a maior parte dos 30 a 40 anos de idade.” “Muitas almas fazem, às vezes, o seu purgatório nos lugares onde peca- ram, ao pé dos santos altares onde se encontra o SS. Sacramento, mas não im-

porta o lugar onde se encontram, porque levam elas o seu purgatório, isto é, o seu sofrimento.”

O sofrimento, porém, é mesmo menos intenso do que no purgatório pro-

priamente dito.

Há grande espaço entre o purgatório e o Céu?

“Às vezes, ouvimos um eco das alegrias que desfrutam os bem-aventura- dos no céu. É como que um castigo para nós, porque nos dá um grande desejo de ver Deus.”

Há uma grande diferença entre o purgatório e o Céu?

Sim, no céu há luz pura

É verdade, eu trago sempre o meu purgatório comigo, mas tenho a per-

No purgatório, profundas trevas.

missão de vos acompanhar, diz a Irmã M.G. e por isso eu sofro menos.

O purgatório em vários lugares

Segundo a Vidente Maria Simma, o purgatório encontra-se em vários lu- gares. As almas nunca estão fora do purgatório, mas com o purgatório. Ela (a Vidente Simma) viu o purgatório de várias maneiras: Certa vez, de um modo; noutra vez, de outro. No purgatório há uma grande multidão de almas absolutamente desco- nhecidas para ela. As que pecaram contra a fé tinham sobre um coração uma chama escura, aquelas que pecaram em grupo: padres, religiosas, religiosos; viu católicos, protestantes, pagãos. Os católicos sofriam mais que os protestantes

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

e pagãos. Os pagãos, ao contrário, têm um purgatório mais suave, mas rece- bem menos socorros e sua pena dura mais tempo. Os católicos recebem mais socorros, e são libertados mais rapidamente. Viu também muitos religiosos e religiosas que ali estavam, por causa de sua tibieza na fé e pela falta de caridade. Ela viu as que pecaram contra a pureza, uma chama vermelha. “Até crianças de seis anos podem ser castigadas a sofrer longo tempo o purgatório.” “Cada alma é punida segundo a natureza de suas culpas e o grau de apego ao pecado cometido.” “A intensidade dos sofrimentos não é a mesma para todas as almas. Um dia de purgatório rigoroso é mais terrível que 10 anos de purgatório leve.” “A duração das penas é muito variada.” “Há almas que têm que sofrer até o juízo final. Outras almas, porém, pas- sam meia hora ou até menos.” (Visão da Vidente Maria Simma) “Oh! Se soubessem e pensassem o que é o purgatório e se soubessem que amargura pensar que a gente aqui está por culpa própria.” “Estou aqui há oito anos, e parece-me que já faz dez mil anos, disse a Irmã M. G.”

Pode a terra ser considerada um purgatório?

Segundo a irmã M. G., “O purgatório está no centro do globo.” “A terra já é uma espécie de purificação. Entre as pessoas que nela mo- ram, umas aí fazem o seu purgatório inteiramente pela penitência voluntária ou aceita de boa vontade. Estas pessoas de boa vontade, depois da morte, vão diretamente para o Céu.” Outras pessoas começam o purgatório na terra, porque a terra é também um lugar de sofrimento, mas estas almas, como não têm bastante generosida- de, vão acabar o seu purgatório da terra no purgatório real.

Qual é a ocupação das almas?

No purgatório, as almas ficam só ocupadas com seus sofrimentos. No en- tanto, elas louvam, agradecem a Nosso Senhor as misericórdias infinitas para com elas, porque o limite é o inferno para muitas almas; foi bem extremo e por um pouco não se condenaram.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Qual não há de ser o reconhecimento, a gratidão, que foram assim arran- cadas das garras do demônio!

O modo de ver das almas é muito diferente do modo de ver da terra.

Só é possível, quando a alma deixa o corpo.

Reflexão

O mundo é uma espécie de purgatório. É mil vezes melhor fazer o pur-

gatório aqui do que deixar para fazer depois da morte. Quem nos lembra é a Irmã M. G. Pois o purgatório aqui na terra é menos doloroso e muito mais meritório. O sofrimento, quando é aceito de boa vontade, tem como garantia a entrada no Céu sem expiação, assim confirma a alma que já passou pelo pur- gatório e sabe muito bem quão terrível é o sofrimento. A experiência da Irmã nos adverte encarecidamente. Soframos o quotidiano passageiro e benigno e evitemos os tormentos cruéis do purgatório.

43 – O Fogo do Purgatório

É um fogo como o da Terra?

“Sim, responde a Irmã M. G., com esta diferença: o fogo do purgatório é uma purificação da justiça divina, e o da terra é bem doce comparado com o do purgatório. É uma sombra junto dos grandes braseiros da divina justiça.”

Como uma alma pode se queimar?

“Por uma justa permissão de Deus. Pois a alma foi verdadeiramente culpa- da, o corpo nada mais fez que obedecer a ela. A alma sofre como se ela tivesse corpo para sofrer.”

E quanto ao julgamento de Deus?

“Os juízos de Deus são bem diferentes dos da terra.” Ele olha para o temperamento, o caráter, o que se faz por leviandade ou por pura malícia ou ainda por perversidade. Deus conhece o fundo dos cora- ções. O íntimo de cada pessoa. “Jesus é muito bom, mas muito justo.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

O fogo do purgatório purifica os protestantes?

Segundo a alma M. G., pela misericórdia de Deus, um certo número de protestantes se salva, mas o purgatório deles é longo é rigoroso. Eles não abusaram da graça, é verdade, como muitos católicos, mas não tiveram as graças, insígnias dos Sacramentos, e outros socorros da verdadeira religião católica.

Reflexão

O

fogo do purgatório é um fogo de purificação.

A

Irmã M. G. afirma que “a alma sofre como se ela tivesse corpo para

sofrer.”

O

fogo em si tem a propriedade de queimar, consumir e reduzir a cinzas,

quando se trata de matéria orgânica. Quando, porém, se refere ao espírito, o fogo queima, faz sofrer, atormenta, mas purifica, limpa, restitui ao estado pri- mitivo, a pureza original. Diante da realidade do fogo, qual será a nossa opção: sofrer no fogo terrí- vel do purgatório ou sofrer no fogo, no vale de lágrimas da terra?

44 – Qual é o maior sofrimento?

Oh! Não podeis imaginar, nem representar, ainda na terra, quem é Deus. Nós, porém, O sabemos e O entendemos, porque nossa alma está desprendida

de todos os laços que a prendiam e impediam de compreender a santidade, a majestade do Bom Deus, sua grande misericórdia.

Uma força irresistível nos leva para o

Bom Deus, como nosso centro e, ao mesmo tempo, uma força nos impele para

o lugar da nossa expiação. São duas forças, a saber: Uma nos leva a Deus, Outra nos leva à expiação. Quanto ao sofrimento, o maior é não ver Deus. Não é o fogo, mas a pri-

vação da visão de Deus. É um martírio contínuo que me faz sofrer mais do que

o fogo do purgatório. Nós, porém, merecemos o sofrimento, e aqui ninguém murmura. Que- remos o que Deus quer. Ninguém poderá compreender na terra o que pade- cemos. As almas sofrem quando dormimos, portanto, eu sofro mais de noite quando repousais.

Somos mártires, diz a Irmã M. G

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

O principal tormento consiste na ausência daquele único objeto de nos-

sos longos desejos: Deus.

Tendes de Deus um conhecimento mais perfeito do que o nosso?

Sim, responde Irmã M. G., nós O conhecemos muito melhor e O ama- mos muito melhor, e também muito mais. “Ai! E é isto o que causa aqui nosso maior tormento. Na terra não se sabe

o que é o Bom Deus! Fazem dele uma idéia muito estreita; mas nós, ao deixar- mos o nosso corpo de barro, então só agora é que conhecemos a Deus, que vida não haveríamos de levar.”

inúteis arrependi-

mentos!” “E, no entanto, na terra não se pensa isto e se vive na cegueira. Não se da à

devida importância à eternidade.”

Até aqui são as mensagens da Irmã M. G. como resposta. Agora, vamos apreciar as mensagens dos Santos sobre o mesmo assunto.

A terra, isto é, o mundo é uma passagem. Os sofrimentos do purgatório são

terríveis, afirmam os santos:

“É o mais duro, o mais amargo dos sofrimentos. Mas

São Boaventura – Ensina que “nossos maiores sofrimentos ficam aquém dos que ali se padecem.”

Santo Ambrósio e São Crisóstomo – “Asseveram que todos os tormen- tos, que os furos perseguidores e os demônios inventaram contra os mártires, jamais atingirão a intensidade dos que padecem em tal lugar da expiação.”

Santo Antônio – “Diz que o fogo do purgatório é de tal modo rigoroso que, comparado com o que conhecemos na terra, este se afigura como pintado num painel.”

Santa Catarina de Gênova – “Que coisa terrível! Confesso que nada pos-

so dizer e nem conhecer que se aproxime se quer da realidade. As penas que lá padecem são dolorosas, como as penas do inferno.”

Padre Faber – “E pior que todos os martírios.”

São Gregório Magno – “Creio que as penas do purgatório são mais terrí- veis e insuportáveis que todos os males desta vida.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

São Nicolau Tolentino – “Teve uma visão de um imenso vale, onde uma multidão de almas se torciam de dor num braseiro e gemiam de cortar o coração.”

Reflexão

Segundo a Irmã M. G., “a nossa alma é impelida por duas forças, a saber:

uma nos leva ao Bom Deus, e a outra nos leva à expiação. Pois o maior sofri- mento da alma do purgatório não é o fogo, mas a privação da visão de Deus. Devido ao grande desejo de ver Deus, a alma sabe perfeitamente que, para con- templar Deus face a face, sente-se a necessidade imperiosa de se purificar.” Portanto, “a alma se lança impetuosamente nas chamas do fogo do pur- gatório para se purificar, a fim de ter a felicidade de contemplar Deus, como Ele é.”

45 – Após a separação do corpo

Pergunta da Irmã M. D. I.C:

Dizei-me: o que se passa depois da agonia? No último momento decisivo, o demônio emprega toda sua raiva, em tor- no dos agonizantes. Deus permite que as almas fortes e generosas sofram as últimas provas, nestes últimos combates, a fim de que tenham um lugar mais belo no Céu. Deus não permite que uma alma, que Lhe foi dedicada na vida, pereça nestes últimos momentos. As pessoas que amaram a SS. Virgem e a invocaram, toda a vida, receberam dela muitas graças, nas últimas lutas. Acontece o mes- mo para as que foram devotas de São José e de São Miguel, ou de algum santo protetor. A alma, ao deixar o corpo, se encontra tomada, toda investida, se assim posso me exprimir, de Deus. Ela se encontra numa tal claridade que, num ins- tante, percebe toda a sua vida e o que ela mereceu. É em meio desta visão clara que se pronuncia sua sentença. Se é uma alma culpada, e, por conseguinte, merece o purgatório como eu, a alma fica de tal maneira esmagada sob o peso das suas faltas a apagar, que ela, por si mesma, se atira no purgatório. A alma vê o Bom Deus, mas está aniquilada na sua presença. É só então que a gente compreende o Bom Deus, e seu grande amor pelas almas. E que desgraça é o pecado aos olhos da Majestade Divina!

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Reflexão

A Irmã M. D. I. C. dá a resposta certa, sem circunlóquios, com muita

clareza, a realidade sobre a separação da alma do corpo.

A alma, após a morte, percebe a sua culpa.

Em ato simultâneo, vê o semblante da justiça lançando a sentença. Quando a alma é culpada, ela se sente aniquilada sob o peso de seus pecados. Quando a alma vê o Bom Deus, fica esmagada diante de sua presença. É nesta visão que tudo fica claro, tudo se torna transparente, a alma vê quanto tempo perdeu, quando estava na terra, compreende, então, que deixou de ad- quirir um grande tesouro para desfruta, por toda a eternidade. Que tesouro magnífico, segundo o Evangelho: “Ajuntem riquezas no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não assal- tam nem roubam.” (Mt VI 20)

46 – Quando uma alma vai para o Céu?

Tudo que se passa no outro mundo é um mistério para a terra São Miguel e o Anjo da Guarda estão presentes, na execução do julgamen-

to Divino. Não é o êxtase que vai levar a alma ao Céu. É assim, uma vida mortificada e humilde, é muito mais, para se desejar e é muito mais segura. É preciso acei- tar os êxtases, quando Deus envia e nunca desejar. Pois o próprio demônio se aproveita do cérebro fraco, de um temperamento mole e de um juízo pouco equilibrado, e ilude estas pobres almas.

O demônio procede assim para lançar a religião ao ridículo.

Poucas pessoas amam a Deus como Ele o quer. Elas se procuram a si mesmas, julgando procurar a Deus e sonham com uma santidade que não é

verdadeira.

Dizei-me, então: em que consiste a verdadeira santidade? Vejamos:

- Renunciar da manhã à noite.

- Pôr de lado, toda hora, o “Eu” humano.

- Viver no sacrifício.

- Deixar que Deus trabalhe como queira em vós.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

- Receber as graças de Deus, com uma profunda humildade, reconhecen- do-se indigno delas.

- Estar, quando possível, sempre na presença de Deus.

As almas são confirmadas na graça?

Segundo a Irmã M.G., “no purgatório há almas bem culpadas, mas arre- pendidas, e, não obstante, as faltas que têm ainda a expiar, estão confirmadas em graças e não podem mais pecar. São perfeitas. Pois, à medida e na pro- porção que uma alma se purifica no lugar da expiação, compreende melhor a Deus, ou Deus e a alma se compreendem melhor, sem ,entretanto, se verem, porque, então, não haveria mais purgatório.”

Não tem também no purgatório mais graças do que as outras?

Sim, quanto mais uma alma está destinada a ocupar um lugar mais eleva- do, no céu, também os seus conhecimentos são mais extensos e sua união mais íntima com Deus, no lugar da expiação. Tudo aqui é proporcionado ao mérito.

Conclusão

Após a separação do corpo, todos nós teremos de comparecer manifesta- damente perante o Tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba retribuição do que tiver feito, durante sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal.” ( II Cor. V, 10). Cada um receberá conforme suas obras. “Mas não deixa de ser verdade que cada um receberá conforme o que te- nha praticado de bom ou de mau, em sua vida, pois o Senhor retribui a cada um conforme suas obras.”

Reflexão

Segundo a Irmã M.G., a ação do demônio é aproveitar a debilidade mental, a fraqueza do temperamento e o desequilíbrio da imaginação, por ocasião daqueles que estão em agonia.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Para enfrentar o demônio, é preciso não só cumprir os mandamentos, mas abraçar os conselhos do Evangelho. Não basta dizer: Senhor! Senhor! Mas re- nunciar, diariamente, máxime, o “Eu” humano, ser humilde e colocar-se na presença de Deus. No purgatório, como acabamos de ler, as almas não pecam mais. Pois, no momento que entram no purgatório, começam a conhecer a Deus e, ao mesmo tempo, sentem a necessidade de se livrar das manchas do pecado, através das chamas expiadoras. As almas são, portanto, santas, porque se purificam; benditas, porque bendizem continuamente a Deus, por terem sido livradas do fogo eterno.

47 – Expiação e Desapego

“Tudo está em proporção, no tocante às faltas que devem expiar. Algumas almas se julgam santas, porque experimentam um amor mais sensível do que ordinariamente, mas todas estas sensibilidades naturais nada valem. É mister que a alma se eleve e se desapegue, pouco a pouco, de tudo que a cerca e so- bretudo de si mesma, de seu amor próprio, das suas paixões, a fim de chegar à união divina, e só Jesus sabe quanto custa à natureza chegar até lá.”

“O coração há de ser triturado, a fim de sair dele todo o amor humano, aliás muito difícil.” “Poucas almas compreendem estas coisas.” “A alma, quanto mais unida a Jesus, tanto mais será exata no cumprimen- to dos seus deveres.” “As almas que têm pecados veniais a expiar são de um número pequeno. Estas não ficam muito tempo no purgatório. Algumas orações bem feitas, al- guns sacrifícios as livram, em pouco tempo.” “Deus me concedeu uma grande graça: a de vir pedir orações, assim fala a Irmã M.G.” “Eu não merecia e sem isto eu ficaria aqui anos e anos, como a maioria das almas.” “Deus permite que certas almas tenham grande ternura de coração, en- quanto outras são menos sensíveis.” Tudo está nos seus desígnios, de Deus, assim fala a Irmã M.G.

Reflexão

Expiar é purificar-se pela penitência, após a morte, pelas chamas ardentes do fogo do purgatório.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Desapegar é despojar-se de tudo, principalmente de si mesmo, do amor próprio, de suas paixões, amizades e de tudo que tiver apego carnal ou mundano. Enquanto temos vida, purifiquemo-nos, em todas as circunstâncias. Pois a nossa vida terrena é muito passageira. O nosso tempo, por curto que seja, vale a eternidade. Não existe melhor penitência, na caminhada, quando na vida se nos ofe- rece a oportunidade de despojarmo-nos de tudo que possa comprometer a salvação eterna. O desprendimento não deve ser só material, mas espiritual, como seja, apoiar a opinião dos outros, reconhecer os erros, não julgar mal, nem desejar ou guardar ressentimento, obedecer aos pais e superiores, por amor a Deus, isto é, ver na autoridade dos superiores a pessoa de Jesus Cristo.

48 – Como Aparecem as Almas do Purgatório?

“Elas aparecem ordinariamente de formas diversas e diferentes modos”. Exemplo: algumas batem à porta, outras aparecem de improviso. Umas se mostram em aparência humana, claramente visíveis, como em sua vida mortal, vestidas comumente, outras aparecem de modo evanescente. “As almas que estão envolvidas no terrível fogo do purgatório causam uma impressão assustadora.” “Quanto mais são purificadas por seus sofrimentos, mais se tornam lumi- nosas e afáveis.” “Com freqüência, contam como pecaram e como escaparam do inferno, graças à Divina Misericórdia; às vezes, acrescentam ensinamentos e exortações às suas declarações.” “Elas também aparecem extraordinariamente, sob formas que causam medo; às vezes, falam, como durante suas vidas, em sua língua.” Os estrangeiros falam mal a língua, com sotaque próprio. Mortes Repentinas: São uma justiça ou uma misericórdia de Deus? “Estas espécies de morte, às vezes, são justiça e, outras vezes, misericórdia de Deus.” Misericórdia: Quando uma alma tem o temor de Deus e Deus sabe que ela está preparada para comparecer diante dEle a fim de lhe poupar os horrores de angústias que poderia ter, nos últimos momentos, Deus a retira deste mun- do, com uma morte repentina. Justiça: Às vezes, também, Deus toma estas almas por justiça. Não ficam de todo perdidas. Se Deus as retira deste mundo, com uma morte repentina, seu purgatório é bem mais doloroso e se prolonga muito.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Outras encheram a medida de seus crimes, abafando a voz de todas as graças divinas, e Deus as tira da terra, a fim de que não excitem mais a vingança divina.

Reflexão

A morte repentina, isto é, sem esperar, é para muita gente uma graça; para

outros é tremenda e, afinal, para alguns é uma tranqüilidade.

É uma graça, quando a pessoa está preparada, diariamente, e vive com

pensamento nas coisas de Deus.

É um choque, quando apanha a pessoa de surpresa, sem nenhuma prepa-

ração, muitas vezes, em pecado.

É uma tranqüilidade, quando alguém prefere tal tipo de morte para não

dar trabalho e preocupação aos parentes, amigos e conhecidos. Mas, segundo a Irmã M.G. revelou, a morte repentina é uma manifestação da misericórdia ou da justiça divina. Vamos pedir a Deus que seu chamamento para a eternidade seja uma ma- nifestação da sua misericórdia e não da sua justiça terrível.

49 – As Almas se Comunicam

Irmã M.D.C.: As religiosas e as outras da mesma Congregação têm rela- ções entre si? Irmã M. G.: No purgatório como no céu, as religiosas da mesma família não estão sempre juntas. As almas não merecem todas as mesmas recompensas. Entretanto, elas se reconhecem no purgatório. Podem também, com per- missão de Deus, se comunica entre elas. Irmã M.D.I.C.: Pode-se receber uma oração em pensamento de um amigo defunto e lhe dar a conhecer a saudade que se tem dele? Irmã M. G.: No purgatório como no céu, pode-se fazer chegar até aqui a lembrança e as saudades da terra, mas, como vos disse, não são úteis às almas do purgatório, porque elas sabem e conhecem as pessoas que se interessam por elas na terra. Deus permite, algumas vezes, que delas se possa receber algum conselho, alguma advertência. Assim, o que vos disse, diversas vezes, a respeito de São Miguel foi da par- te de Deus e, também, o que vos disse do vosso pai espiritual. Todas as comissões que me destes, algumas vezes, para o outro mundo, eu as fiz sempre, mas tudo isto subordinado à vontade de Deus.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Irmã M.D.I.C.: As faltas são conhecidas no purgatório por todos, como serão no dia do juízo final? Irmã M. G.: Nós não conhecemos no purgatório as faltas dos outros, ex- ceto quando Deus o permite para certas almas, mas segundo seus desígnios, e isto para muito poucas almas Irmã M.D.I.C.: No purgatório, as almas se consolam mutuamente, no amor de Deus, ou cada uma delas é completamente isolada em cada sofrimento? Irmã M.G.: No purgatório, nossa única consolação, nossa única esperança

é somente Deus. Na terra, Deus permite que a gente seja consolada, às vezes,

nas penas do corpo e do espírito, por um coração amigo

estão abismadas em Deus, na vontade divina, e só Deus pode aliviar a dor que

mas, aqui, as almas

padecemos

Todas as almas são torturadas, cada uma segundo a culpa que tem, mas todas têm uma dor comum que ultrapassa a todas as outras, a ausência de Jesus, que é nosso elemento, nossa vida, nosso tudo. E estamos separadas dEle por nossa culpa. Irmã M.D.I.C.: Conhecei-vos uma às outras no purgatório? Irmã M.G.: As almas se comunicam entre si, quando Deus permite, po-

rém à maneira das almas, sem palavras

Eu vos compreendo sem que pronun-

cieis com os lábios. Há, entretanto, comunicações de almas, assim quando vos vem um bom pensamento pelo nosso Anjo da Guarda, ou por Deus mesmo.

Reflexão

Antes de tudo, as almas se comunicam entre si, quando Deus permite. A sua comunicação é sem palavras, à maneira própria dos espíritos. As almas sabem e conhecem as pessoas que se interessam por elas, na terra. As almas comunicam-se com as pessoas da terra, com a permissão de Deus. Elas não conhecem as faltas umas das outras, a não ser que haja interven- ção de Deus. Só quem pode consolar e aliviar as dores das almas é somente Deus e mais ninguém, a não ser quando rezamos por elas, fazemos penitências a favor delas. Mas há uma dor comum que elas sentem, é a ausência de Deus. Aliás, é o maior sofrimento no purgatório.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

50 – O Que Deus Mais Ouve

Vida Interior Com Deus

“É tudo que é feito com espírito interior.” “Devemos evitar os elogios do mundo”. “Amai a Jesus, porque Ele é tudo, pouco amado. Quanto mais íntima é a união de uma alma com Deus, mais esta alma é ouvida. Procurai trabalhar aten- tamente só por Deus. Não procureis outro para testemunhar as vossas ações.” “Ah! Quantas vidas parecem cheias de boas obras e, no entanto, na hora da morte, estarão vazias. Se soubésseis quão poucas as pessoas que agem só por Deus e praticam seus atos só por Deus. Na morte, estão aí! Quando a gente não está mais cego,quanto arrependimento! Ah se refletissem, algumas vezes, no que é a eternidade!” “Esta vida, comparada com este dia sem noite para os eleitos, com esta noite sem dia, não há de ter fim para os condenados.” “Ama-se tanta coisa na terra, apega-se a tudo neste mundo, exceto Àquele que unicamente deveria merecer nossa afeição e ao Qual recusamos nosso amor.”

Deus Ama as Almas Simples

“Deveis proceder para com Jesus como uma criança com sua mãe, con- fiando na bondade dEle, entregando-Lhe nas mãos divinas todos os vossos interesses espirituais e corporais.” “Deus não olha as grandes ações. Sim, uma ação simples, um pequeno sacrifício, contanto que sejam feitos por amor.” “Um pequeno sacrifício conhecido só por Deus, e da alma que o praticou, torna-se mais meritório que um outro maior que foi aplaudido.” “Devemos ser bem de vida interior, evitando os elogios do mundo.” “Jesus quisera que amásseis com amor de criança, isto é, com a ternura de uma criança que só quer agradar a seus pais.” “Deveis oferecer vossas intenções a Deus bem determinadas.”

Reflexão

Ao tomar a refeição, dizei: “Meu Jesus, alimentai a minha alma com a vossa graça, assim como eu alimento agora o meu corpo.” Ao lavar o rosto ou as mãos: “Meu Jesus, purificai a minha alma como eu faço com meu corpo.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Habituai-vos a falar sempre a Jesus com o coração, como a um amigo, o mais devotado e sincero.” “Não fazer e nem dizer nada sem consultar Deus, quer que presteis muita atenção nisto e o pratiqueis. Esta conversação divina, que Ele quer ter convos- co, não vos impedirá de vos entregardes aos trabalhos exteriores.” “Ao contrário, é impossível conservar-se calmo no exterior, se o interior não está tranquilo.” (Esta reflexão é da Imã M.G)

51 – Eis o Que Jesus Exige de Vós

“As paixões interiores se refletem sempre no exterior, e a alma que vigia cuidadosamente o seu interior é também senhora do exterior.” Eis, então, o que Jesus pede a vós:

- Uma vida de fé;

- União contínua com Ele;

- Uma vida humilde;

- Uma vida oculta, conhecida só de Jesus;

- Uma vida de renúncia;

- Uma vida de sacrifício e sobretudo de amor;

- Sede generosos;

- Fazer ou sofrer, segundo a vontade de Deus.

“Durante todo o ano, em vosso coração, ainda mesmo em meio das maio- res ocupações, tende sempre um lugarzinho reservado, onde vos recolhereis no coração e com o coração de Jesus, e lá nunca o perdereis de vista.” “Na morte, vereis que nunca se fez demais”. Sede generosos. Vede o fim para o qual vos chama Jesus: a santidade, o puro amor. Caminhai sempre sem olhar para trás. Não há santidade sem sofrimento. Jesus vê com muito prazer os nossos esforços.” (Toda esta página é uma orientação da Irmã M.G. à Irmã M.D.I.C.)

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Reflexão

“Não há santidade sem sofrimento.”

“Assim como não há salvação sem derramamento de sangue.”

A essência da santidade está na obediência, isto é, em fazer a vontade de Deus. Para fazer a vontade de Deus temos que renunciar. Toda renúncia é um sacrifício. E o sacrifício é um sofrimento. É exatamente o que a Irmã M.G. disse, quando falou da vida interior com Deus. Pois Deus pede a cada um de nós: a fé, uma união com Ele, levando uma vida humilde, oculta, acompanhada de renúncia, de sacrifício e de amor, fazendo ou sofrendo, ao mesmo tempo, a vontade de Deus, com generosidade em tudo por tudo.

52. Amor e Sacrifício

“Deus gosta da pessoa que tem pureza de intenção e espírito interior e a grande bondade para com as almas.” “As boas obras terão valor, no último dia, se forem oferecidas a Deus, an- tes de serem executadas.” “Quanto mais uma alma ama Jesus, tanto mais as suas orações e ações são meritórias diante dEle. No céu, só o amor é que há de ser recompensado. Tudo que foi feito com outra intenção será nulo, por conseguinte perdido.” Continua a Irmã M.G. aconselhando à Irmã do convento (viva). “Vossa vida deve resumir-se em duas palavras: amor e sacrifício.” “O sacrifício e o amor da manhã à noite.” “Se soubésseis o que é o bom Deus, não haveria sacrifício que não qui- sésseis fazer, sofrimento que não quisésseis padecer, para vê-lo num minuto somente, e então ficaríeis bem satisfeita, bem consolada, ainda que nunca mais tivésseis de vê-lO.” Imagine ver Deus por toda a eternidade! “O sofrimento precede sempre o amor, e há um grande amor que só atin- gem os que sofreram muito.” “Eu vos falo principalmente dos sofrimentos do coração. (Fala a Irmã M.G. à Irmã do Convento)”.

No Purgatório se ama?

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Sim, mas é um amor de reparação, e se nós tivéssemos amado a Deus como deveríamos, na terra, não seríamos tão numerosos e não haveria tantas almas no purgatório.”

No céu, Jesus é bem amado?

“No céu, se ama muito a Deus. Lá, Deus é desagravado, mas não como na terra.” “Eu vos disse que há almas que fazem o seu purgatório, no pé dos altares. Elas ficam ali pelas faltas que cometeram nas Igrejas.” “Estas faltas que foram diretamente a Jesus presente nos tabernáculos são punidas, com muita severidade, no purgatório.” “As almas que ficam diante do tabernáculo em adoração, lá estão em re- compensa da devoção ao santo lugar.” “Elas sofrem menos do que se estivessem no purgatório mesmo, e Jesus, que elas contemplam com os olhos da alma e da fé, ao mesmo tempo, lhes ali- via, com a sua presença real, o que padecem elas.” “Jesus nos tabernáculos espera os corações que O amam e não os encon-

tra

Nunca chegareis a compreender bem a bondade de Deus. Se alguém refle-

tisse bem, algumas vezes, seria suficiente para ficar santo, mas não se conhecem bem a misericórdia de Deus e a bondade do coração de Jesus, neste mundo.” “Cada um mede segundo o seu modo de ver, e esta maneira é defeituosa. Daí vem que se reza tão mal.” “É o amor que tudo faz para o nosso bem. Deus quer de nós mormente o amor”.

“É

preciso lutar contra vossas más inclinações.”

“É

preciso proceder como se Jesus estivesse sempre presente.”

“E

isto nos seja natural apesar de ser tão sobrenatural.”

(Considerações da Irmã M.G. para a Irmã M.D.I.C do convento)

Reflexão: O amor exige pureza de intenção, que significa as orações e as

ações dirigidas para Deus. As orações e as boas obras sejam somente para Deus. Portanto, tudo que for feito com outra intenção será nulo. O sacrifício são os sofrimentos do coração, a saber:

O desapego total das criaturas e das coisas, partindo de si mesmo.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

53 – União Com Deus Através da Renúncia

“Trabalhai sem descanso e com todas as vossas forças para a vossa perfeição.” “Tende bastante firmeza de caráter, para vencer todas as dificuldades que se opõem à vossa união com Jesus, até que chegueis lá aonde Ele quer.” Vossa vida será um martírio perpétuo. Custa muito renunciar-se a cada momento. “O sacrifício é um martírio contínuo. Mas, neste martírio, se experimen- tam as mais doces alegrias. Nada agrada tanto a Nosso Senhor Jesus como ver uma alma que se esforça, não obstante todos os obstáculos que se encontram no caminho para poder se entregar, cada vez mais, para a glória e pelo amor de Deus.” “Só as ações feitas com grande amor, sob o olhar de Deus, para cumprir a vontade, só elas terão a recompensa imediata em passar pelo Purgatório.” “Jesus se sente mais insultado e ofendido com os pecados que cometem as almas que Lhe são consagradas do que com as injúrias daquelas pessoas que não são seus amigos.” “Oh! Se vos fosse dado compreender, na terra, como Jesus é tratado com indiferença e desprezo, mormente da parte das comunidades religiosas, como também a indiferença do clero.” Jesus é tratado como de igual para igual.

O número que possui o espírito interior é muito pequeno.

“No purgatório, os padres são numerosos, por falta de amor e indiferença. Eles expiam, pelo fogo e em torturas de todas as formas, as suas negligências.”

“A maior infidelidade da vossa parte, o menor esquecimento, a menor in-

diferença para com Jesus Lhe é mais sensível e Lhe fere o coração tão bom, tão amoroso do que uma injúria de um inimigo.” Nunca haveis de fazer demais por um Deus tão bom. “Os sofrimentos da terra são meritórios. Não os deveis perder. Muitas al- mas contam convosco para as tirar do lugar dos seus sofrimentos.” Pensai bem nisto e rezai por elas, de todo o coração. “Os sofrimentos do corpo e do coração são a herança dos amigos de Je- sus, enquanto estão neste mundo.” “Feliz a alma privilegiada!” É o caminho mais certo para chegar ao céu. “Não tenhais medo do sofrimento, ao invés, amai-o porque ele nos apro- xima mais dAquele que amamos.”

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“O meio mais infalível para chegar depressa à união com Jesus é o amor, mas o amor unido ao sofrimento.” “Jesus envia à alma que ama sofrimento, penas sobre penas, a fim de desa- pegá-la de tudo que a cerca ” Então, pode falar ao coração.

A Irmã M.G. aconselha a dizer, muitas vezes, durante o dia, as seguintes

orações:

- “meu Deus realizai em mim os vossos desígnios!”

- “daí-me a graça de não pôr obstáculos a vossa vontade!”

- “meu Jesus, eu quero o que vós quereis, e tanto tempo quanto quiserdes!”

“As almas do purgatório sofrem com paciência admirável e louvam a Mi- sericórdia Divina, graças à qual escaparam do inferno. Sabem que merecem sofrer e deplorar suas culpas.” “Quem pensa, em vida, que o purgatório seja pouca coisa, e aproveita para pecar sofrerá duramente.”

Reflexão

Nós temos que tender à perfeição: “sede perfeitos como meu Pai é perfeito.”

Aproximar-se da perfeição exige de nós muita firmeza de caráter e muito sacrifício. Ora, o sacrifício é uma espécie de martírio. Por conseguinte, exige de nossa vida quotidiana muita renúncia para ter bastante disposição a pender à perfeição. É através da renúncia que chegaremos à união com Deus.

A irmã M.G. fala que “Jesus Se sente insultado e ofendido com os pecados

que cometem as almas que Lhe são consagradas.” Nós, como pessoas consagradas, com urgência, temos que reparar pronta- mente tais insultos, tais ofensas, principalmente o desprezo das comunidades religiosas e a indiferença do clero. Como culpados, temos que reagir contra tais afrontas, tal frieza e tal in- diferença, aproveitando a graça de estado, a prática de pequenas renúncias e máxime penetrar bem no fundo da realidade da vida misteriosa, no tocante ao

purgatório. Com a força da meditação sobre o purgatório, alcançaremos a vida eterna

que tanto almejamos.

Como evitar o purgatório

Como evitar o purgatório

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

V PARTE

Como Evitar o Purgatório

54 – Exercício da Vida Interior

É um bem enorme evitar o purgatório. É uma graça que Deus terá grande prazer em nos dar. É através da oração perseverante que podemos alcançar, também, grande graça em cada oração que rezamos, em cada Missa que ouvi- mos, em cada comunhão que recebemos e em cada boa obra que praticamos.

Transformamos as mágoas desta vida em merecimentos para o Céu rezan- do: “Seja feita a Vossa vontade!”

Um cristão sem formação catequética, no seu pensamento acha difícil evi- tar o Purgatório.

“Para tornar a nossa vida, aqui na Terra, mais feliz, para melhor receber a morte com resignação, para ter mais tranqüilidade, ao passar do tempo para a eternidade”, basta usar meios tão fáceis como práticos.

Pois há motivos por que temos que passar pelo Purgatório, após a morte:

a. Todo pecado pessoal tem que ser expiado, nesta ou na outra vida, como sem falta;

b. O período longo de expiação depende da gravidade e da repetição dos

pecados;

c. A culpa é inteiramente nossa. Cometemos o pecado por própria culpa;

d. O pior é que contraímos a culpa e não cuidamos de pagar a dívida, aqui

na Terra.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Meios para Evitar o Purgatório

Eis algumas maneiras para evitar não só a prisão, mas a dureza e o tempo de duração no Purgatório:

1°. Evitar o pecado venial deliberado. Ofender a Deus deliberadamente é horrível, pois a ofensa a Deus é enorme, devido à malícia do pecado;

2°. Empregar todos os esforços para deixar os maus hábitos;

3°. Os hábitos e a deliberação aumentam a malícia do pecado;

4°. Dar satisfação, isto é, rezar atentamente estas palavras do Pai Nosso:

“Perdoai-nos as nossas dívidas ou ofensas assim como nós perdoamos aque- les que nos ofendem”;

5°. A maneira de satisfazer é praticar penitência;

6°. Não devemos ter horror à penitência. Pois se é um dos meios eficazes para alcançar o perdão, pratiquemos tranqüilamente a penitência;

7°. Não é tão difícil; em regra geral, Deus exige o cumprimento dos deveres;

8°. Façamos pequenas coisas com reta intenção e evitemos as grandes coi- sas, sem pureza de intenção, ausência de vida interior com Deus;

9°. A penitência em si é fácil, útil e necessária. Quanto ao segredo do bom viver, é transformar o dever num prazer;

10°. O cristão deve aproveitar os momentos de paciência e de amabilida- de para com os outros. O rigoroso cumprimento do dever ajuda-nos a adquirir boas experiências de penitências.

Reflexão:

Afinal, mais uma maneira de diminuir o nosso tempo de purgatório:

a. Fazer a nossa confissão freqüente;

b. Comungar e assistir à Santa Missa diariamente.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Quanto à Confissão: “Aplica às nossas almas o sangue preciosíssimo de Cristo, apaga nossos pecados, faz-nos ver a sua malícia, enche-nos de horror ao pecado e dá-nos a graça necessária para evitarmos”.

Resumindo tudo o que foi dito, nos 10 pontos acima, para melhor me- morizar:

- Evitar o pecado deliberado, mesmo o venial;

- Empregar esforços para abandonar os maus hábitos;

- Praticar a penitência, custe o que custar, porque é um meio eficaz;

- Cumprir o dever transformando em prazer;

- Aproveitar todos os momentos de impaciência, contrariedade, ou incô- modos físicos ou morais para exercer a penitência.

55 – Ensinamentos da Irmã M.G.

A alma M.G. dá os derradeiros ensinamentos à Irmã do Convento. Vejamos os seus ensinamentos:

1 – Dizei, cada manhã ao levantar-se:

“Meu Jesus, eis-me aqui para cumprir vossa vontade santa:” Que quereis que eu faça hoje para vos agradar?

2

– Fazei todos os exercícios de piedade, sob o olhar de Jesus com muito

amor.

3

– Só se pode fazer bem às almas do Purgatório na medida da união com

Deus.

4

– Deus procura almas que reparem os ultrajes que Ele recebe, que O

amam e que O façam amar. Ele vos quer e quer neste número.

5 – Jesus, antes de conceder a uma alma uma união íntima com Ele, puri-

fica-a pela provação; quanto mais desígnios tem sobre esta alma, tanto mais a

prova é maior.

6 – Fixai vossa morada habitual no Coração de Jesus.

7 – Ide procurar no Coração de Jesus o de que necessitais para vós e para os outros.

8 – Os sofrimentos do coração são mais penosos que os do corpo. Para

uma alma que ama a Jesus, a dor maior é magoar a Jesus, por suas ingratidões e pecados.

9 – Pedi ao Coração de Jesus força de alma necessária para que Ele cum- pra em vós seus desígnios.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

10 – Para fixar o espírito na presença de Deus, tomai cada dia uma das 14

estações da Via-Sacra e pensai bastante nela. Jesus gosta que nos lembremos do que Ele sofreu por nós.

11 – Nos dias de festa, tomai um dos Mistérios Gloriosos.

12 – Pensai também, muitas vezes, na Eucaristia e na vida oculta de Jesus,

no Tabernáculo.

Recomendações das Almas do Purgatório:

1º. O SS. Sacramento, a Eucaristia, não é mais honrada como deveria ser. 2°. O Rosário ou o Terço de Maria deveria ser levado em maior conside- ração. Esta prática tem grande devoção, tem grande poder. Maria é o socorro dos cristãos. 3°. É preciso levar as coisas seriamente, no tocante à moda que provoca e escandaliza.

Reflexão

“Tudo passa e passa depressa”. Não tenhamos tanta preocupação pelas coisas que um dia hão de acabar. Olhemos sempre o que nunca mais há de aca- bar. Por nossas ações santas unidas a Jesus, embelezemos nosso trono no Céu. Façamos o nosso trono mais alto, alguns degraus mais próximos daqueles que haveremos de contemplar e amar por toda a eternidade.

Qual deve ser a vossa ocupação na terra?

Quanto aos ensinamentos da irmã M.G. para melhor reter na memória, vejamos o resumo:

- Ao amanhecer aconselhemos dialogar com Jesus, dizendo: “Que quereis que eu faça hoje para vos agradar?

- É dever fazer todas as ações, quer espirituais, quer comuns, tudo sob o olhar de Jesus.

- Empregar todos os meios para reparar os ultrajes por meio dos sofrimen- tos do coração que são mais duros que os do corpo.

- Jesus só concede a graça da união íntima no seu coração depois de puri- ficar a alma pela provação.

- Pensar ou meditar na Paixão e Morte, bem como adorar Jesus na Euca- ristia ou no Tabernáculo agrada a Jesus, faz bem à alma.

56 – Jesus, Mediador das Almas

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

É Jesus, o Divino Mediador das almas. É Jesus que lhes presta serviço. É

o próprio Jesus que se externa pelas almas, que suplica por elas, que leva os seus desejos aos homens e os faz seus. É Jesus que pede orações e geme”. “O amor misericordioso O impele a viver pelas almas, a cuidar delas e fazer tudo por elas”. “Se a uma alma é permitido falar comigo, é Jesus que fala pelas almas”. “É Ele o intérprete do Purgatório”. “Sinto e ouço claramente que é Jesus que fala pelas almas”. “Cada palavra é Jesus”. “É sempre Jesus que agradece por elas e serve de medianeiro entre o Pur- gatório e os homens. É Ele que nos abençoa e socorre em lugar das almas, quando rezamos por elas”. “É indescritível a grandeza e condescendência da Bondade Divina”. “Deus lhes presta muitos serviços e não deixa ninguém sem consolação, nem sem Jesus”.

Reflexão

A criatura humana, idealizada nos planos Divinos para viver a vida plena

natural, foi criada no estado de graça e santidade, com o dom da liberdade,

para, depois de certo tempo, ser introduzida na plenitude da felicidade eterna,

o

Céu, sem passar pela morte. Enquanto o Criador coloca no mundo a humanidade no estado de graça

e

felicidade, o homem não corresponde com os planos divinos, desobedece e

perde, portanto, a felicidade eterna prometida. Mas Deus não abandona a criatura humana, enviando o seu Divino Filho para resgatar a humanidade, através da Redenção. Infelizmente, o homem abusa da graça da Redenção e se entrega ao peca- do, com toda sua malícia e maldade. A justiça e a misericórdia entram em jogo, para conseguir e solucionar a situação do homem decaído.

A justiça Divina é retíssima, e a misericórdia Divina é infinita e sobrepuja

ao pecado. Então, Deus inventa um meio eficaz e decisivo que denominamos de “Purgatório”, a fim de purificar a alma de toda mancha, por meio do fogo expiador.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

O Purgatório é, por conseguinte, uma verdadeira tábua de salvação. Feliz

do pecador se chegar a cair nas chamas terríveis do Purgatório.

O Purgatório, por mais abrasadoras que sejam as suas chamas e braseiros,

garante a purificação e a entrada da alma na Bem-aventurança eterna.

Façamos tudo para evitar o fogo eterno, preferindo o fogo temporal.

57 – A Graça de Deus

“Deus concede as suas graças a quem lhe apraz. A graça de Deus é um dom gratuito. Devemos viver para fazer a vontade de Deus. Pois não deveis viver senão para Deus”. “Procurai, em toda parte e sempre, a glória de Deus. Procurai o reino de Deus. Nada deveis fazer que não seja para agradar a Deus”. “Antes de cada, ação recolher-se um momento e ver se é coisa que agrada a Deus”. “Deus não recusa as graças que Lhe pedem, numa oração bem feita”. Ele não falta com suas graças divinas”. “Fazei todas as vossas ações com olhar em Deus. Eu vos digo: consultai- O, antes de tudo o que tiverdes de fazer ou dizer”. “Quando Deus quer uma alma só para Ele, espreme-a como às uvas, a fim de vencer as suas paixões, os seus defeitos. Então, Jesus acumula as graças escolhidas e a inunda de seu amor”. “Tomai como prática a presença de Deus, olhando com pureza e reta in- tenção”. “Vejo o Bom Deus como vós com olhos da fé, mas a nossa fé é muito mais viva do que a vossa. Pois nós sabemos bem o que é o bom Deus”. “Ai! Se soubéssemos como desejo ver a Deus”. (instruções da Irmã M.G.)

Como viver a vida interior com Deus?

“Fazer tudo para agradar a Deus. Tende sempre Deus convosco. Dizei- Lhe tudo como amigo e vigiai muito o vosso interior. Vossa vida deve ser uma vida de atos contínuos, interiores de amor, de notificações”. “Que seja a vossa vida de fé e de amor”. “Ocupai-vos de Jesus da manhã à noite. Fazei todas as vossas ações sob o olhar de Deus simplesmente, e, neste mundo, não procureis agradar senão a Ele”. (instruções da Irmã M.G.).

Reflexão

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Mortificai vosso espírito, vossa língua, isto será mais agradável a Deus

que as mortificações do corpo que,muitas vezes, procedem de nossa vontade.

É preciso chegar ao despojamento de todas as coisas para não atender senão a

Deus”. “Mortificai-vos no corpo, mas, sobretudo, no espírito. Esquecei-vos”. “Fazei um ato total de abnegação de vós mesmos. Nunca repareis no que fazem os outros. O Bom Deus não pede a mesma perfeição a todas as almas”. “Repito: mortificai-vos no corpo, mas sobretudo no espírito”. “Não vos canseis jamais de trabalhar. Recomeçai, cada dia, como se tivés- seis de começar e não tivésseis feito nada”. “Esta renúncia perpétua da própria vontade de seus cômodos, e da manei-

ra própria de ver, é um longo martírio, mas muito meritório e muito agradável

a Deus”. (Da Irmã M.G.)

58 – Jesus Sacramentado nas Igrejas

Eucaristia: “A Eucaristia deve ser para vós um ímã que vos atraia sempre,

cada vez mais.” “Vossa vida deve ser uma vida interior e de união a Jesus, pelos sofrimen- tos do corpo e da alma, máxime pelo amor”. “Renovai a intenção de reparar o abandono de Jesus sacramentado, nas igrejas. Deus somente:”Meu Deus é meu tudo”.

- O Tabernáculo deve ser o meu repouso.

- A Eucaristia é minha vida.

- A Cruz é minha herança.

- Maria é minha mãe.

- O Céu é minha esperança.

“Diante de Jesus Sacramentado, Nosso Senhor é muito sensível no SS. Sacra- mento”. “Amai-O pelas almas injustas, e o Bom Jesus sentir-se-á confortado e conso- lado neste desprezo. Preparai-vos, com muito cuidado, sempre, para bem receber a Santa Comunhão, participar da Santa Missa e do Ofício Divino”.

Comunhão: Deus Nosso Senhor deseja que vos habitueis a fazer, muitas ve- zes, a Comunhão Espiritual. Dela haveis de tirar frutos abundantes e salutares, se a fizerdes com boas disposições. Devo preparar uma morada para Jesus.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Reparação: Sim, é verdade que no Céu Deus recebe adorações infinitas. Mas, como na terra Ele é ultrajado, quer também receber do mundo a reparação. É de vós que espera esta reparação para que O ameis, a fim de desagravá-Lo.

Confiança e Amor em Deus: Não estejais a dar ouvidos a vós mesmos. Confiai em Deus. Será que Deus não há de querer vos conceder todas as forças necessárias para servir? A Irmã M.G. insiste e repete: “Confiai em Deus e não em nós mesmos. Amai muito somente o Bom Deus!” “Tende confiança sem limites na bondade de Jesus”.

Perfeição: “Não é preciso preocupar-se com os outros. Deus não pede

a todos a mesma perfeição. Quando a gente se ocupa com Deus, é mister se

ocupar também com a salvação das almas”. “Não repareis nunca no que fazem os outros. O Bom Deus não pede, re- pito, não pede a mesma perfeição a todas as almas. Nem todos são esclarecidos com as mesmas luzes”.

Amor: Eu já vos disse que o Bom Deus procura, neste mundo, almas que

O amem, mas com este amor de criança, esta ternura respeitosa. Ele não en-

contra estas almas

número delas é muito menor do que se pensa. Nos Ta-

bernáculos da terra, Jesus espera os corações que O amam e não os encontra.

O

Reflexão

Jesus no Tabernáculo é a expressão viva do amor para com os homens. Depois de realizar a obra grandiosa da Redenção, o Seu amor não estancou, foi mais longe. Nos seus planos divinos, quis permanecer entre nós, de uma maneira duplamente oculta, a saber, sob as espécies de pão e vinho, escondido dentro de um Tabernáculo.

59 – Vida Espiritual nas Pequenas Coisas

“Existem almas que praticaram muitas devoções, acompanhadas de orgu- lho que não tem faltas”. “Muitas almas praticaram penitências unicamente por imitação dos santos

e não pelo arrependimento dos pecados”. “Muitas almas desejaram ser santas, praticando grandes penitências e gran- des sacrifícios, chegando a empreender extraordinárias coisas, no entanto negli- genciaram as pequenas coisas, como os mais importantes deveres do estado”.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Não se deve buscar coisas grandes nas almas, mas só pequenas e simples”. “É na simplicidade que se encontra a bondade e a grandeza de Deus”. “As próprias virtudes praticadas na terra têm que ser purificadas no santo fogo do Purgatório. Certamente houve, no exercício das virtudes, aqui e acolá, vaidade de ser melhor do que os outros. Ou ainda merece o fogo purificador, devido às virtudes ladeadas por pequenos vícios”.

Confirmadas na Graça: As almas no Purgatório, não obstante as faltas cometidas em vida, estão confirmadas em graça, devido à expiação. Portanto, não podem mais pecar. “No entanto, há almas no Purgatório que têm mais graças do que outras, pois são proporcionadas ao mérito de cada uma”. “Tanto que Deus não permite que uma alma, que Lhe foi fiel na vida, pereça nos últimos momentos. De tal modo, estão presentes, nos últimos ins- tantes: Maria SS., São José, São Miguel, o Anjo da Guarda ou algum Santo Protetor”.

Reflexão

Para não ser tão pesada a nossa dívida no Purgatório, devemos sacrificar em vida o próprio “EU”. Para ser santa tem que renunciar ao “EU” humano, viver de sacrifícios, receber as graças de Deus com profunda humildade, colocando-se na presen- ça de Deus. “Não há santidade sem sacrifício.” E acrescento que a essência da santidade é sacrificar o “EU” humano, que deve ser inteiramente despojado. A Irmã M.G. aconselha que façamos o Purgatório aqui na terra. Mas, in- felizmente, alguns, por falta de generosidade, vão terminar o seu sofrimento no Purgatório real. Outras almas deixam de fazer o seu Purgatório, neste mundo, unicamente por comodismo e apego às coisas materiais. Sim, há almas admiráveis, porém muito raras, que já passaram o seu Pur- gatório, aqui neste mundo. Diz Santa Catarina de Gênova:

“Tenho medo de mim mesma, isto é, medo do amor próprio e da ilusão própria.” Tenho que fugir de mim mesma, de outro modo não suporto o meu próprio “EU”. “Eu penso, demasiadamente, no meu “EU” em vez de pensar em Jesus”. Ela tem razão. O “EU” é perigoso, traiçoeiro, manhoso, não merece confiança. É como um verme que alimenta a enfermidade.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

Para dominar, é indispensável um despojamento total do “velho homem” como nos recomenda São Paulo.

O homem que se preocupa com o “EU” é considerado um homem velho, isto é, “aquele que se corrompe com paixões enganadoras. É preciso que vocês

se renovem

Aí no Sacrário, Jesus está amavelmente como amigo, aguardando, noite

e

se revistam do homem novo” (Ef IV, 22 a 24).

e

dia, os visitantes adoradores. Pois, no Céu, Jesus recebe adorações infinitas

e,

na terra, espera, pelo menos, adorações de reparação. Diante de Jesus Sacra-

mentado, deveis depositar confiança absoluta nEle não em vós mesmos. Não basta tender à perfeição, mas empregar esforço capaz de reparar a falta de res- peito, a indiferença ou mesmo a frieza espiritual. Mas não devemos esquecer que o amor, que Jesus Sacramentado deseja, é aquele amor com aquela candura de simplicidade de criança. Infelizmente, são poucos que procuram o Cristo no Sacrário. Não é preciso empregar palavras proferidas pelos sábios, basta um olhar de fé. Perguntaram ao santo Cura D’Ars por que passava tanto tempo olhando para o Sacrário. Ele respondeu simplesmente: “Eu contemplo, Jesus e Ele olha para mim, isto é, dando-me a devida atenção”.

60 – Piedade, Hipocrisia e Caridade (Mensagens da Irmã M.G.)

Piedade

“Há, no Purgatório, almas que pareciam ser piedosas. Mas, nestas almas, houve malícias. Então, pelo Purgatório, através do fogo tormentoso, mostra-se que a verdadeira piedade consiste na verdade, na justiça e no temor a Deus”.

Hipocrisia

“Em outra vez, observei muitas almas pelas quais ninguém reza por elas. São almas que, em vida, foram consideradas piedosas e queriam parecer como tais. Estas sofrem muito no Purgatório”. “Seria um alívio para elas se suas faltas, que sabiam esconder com astúcia, fossem conhecidas na terra. Por estas almas os fiéis rezam pouco ou nada, pois julgam-nas no Céu”. “Por isso o Salvador me incumbiu de rezar, sofrer por elas e expiar-lhes as hipocrisias”.

Fogo que Purifica

(Tratado Sobre as Almas do Purgatório)

“Não obstante, vi, de fato, umas almas preferirem, agora, mil vezes, não ser veneradas na terra e estão expiando amargamente as hipocrisias, as teimo- sias, as vaidades espirituais”.

Caridade

“A caridade deve ser divina e não humana”.