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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais Campus Formiga TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais Campus Formiga

TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Professor Eduardo Pereira

eduardo.pereira@ifmg.edu.br

2012

Capítulo 1 – Introdução

Sumário

  • 1.1 Introdução

....................................................................................................

4

  • 1.2 A Rede de Transmissão

...............................................................................

5

  • 1.3 A Rede de Subtransmissão..........................................................................

5

  • 1.4 A Transmissão de Energia Elétrica no Brasil

..............................................

5

  • 1.5 Exercícios

....................................................................................................

7

Capítulo 2 – Características Físicas das Linhas Aéreas de Transmissão

  • 2.1 Introdução....................................................................................................

8

  • 2.2 Cabos Condutores

.......................................................................................

8

  • 2.3 Isoladores e Ferragens

.................................................................................

9

  • 2.4 Estruturas das Linhas de Transmissão

........................................................

9

Cabos Para-Raios

  • 2.5 ........................................................................................

11

Exercícios

  • 2.6 ....................................................................................................

11

Capítulo 3 – Teoria da Transmissão da Energia Elétrica

  • 3.1 Introdução

....................................................................................................

12

  • 3.2 Linha de Transmissão Idelal.......................................................................

12

  • 3.2.1 O Fenômeno da Energização da Linha

...........................................

12

  • 3.2.2 Relações de Energia........................................................................

14

  • 3.3 Linha de Transmissão Real

.........................................................................

16

  • 3.3.1 Análise das Linhas em Regime Permanente

...................................

17

  • 3.4 Exercícios

....................................................................................................

17

Capítulo 4 – Cálculo Prático das Linhas de Transmissão

  • 4.1 Introdução

....................................................................................................

19

  • 4.2 Linhas Curtas (até 80 km)

...........................................................................

19

  • 4.3 Linhas Médias (entre 80 km e 250 km)

.......................................................

20

  • 4.4 Linhas Longas (maiores que 250 km)

.........................................................

22

  • 4.5 Linhas de Transmissão como Quadripolos.................................................

22

  • 4.6 Linha Artificial

............................................................................................

25

  • 4.7 Potência nas Linhas de Transmissão

...........................................................

26

  • 4.8 Perdas de Potência e Rendimento

...............................................................

27

  • 4.9 Linhas Trifásicas Desequilibradas

..............................................................

27

4.10 Exercícios

..................................................................................................

28

Capítulo 5 – Operação das Linhas

  • 5.1 Introdução

....................................................................................................

29

  • 5.2 Modo de Operação das Linhas de Transmissão

..........................................

29

  • 5.2.1 Linha Entre Central Geradora e Carga Passiva

..............................

30

5.2.1.1 Operação Com Tensão Constante no Transmissor

......................

31

5.2.2

Linha de Transmissão Ligando uma Central Geradora a um

Grande Sistema

........................................................................................

32

  • 5.2.3 Linha de Interligação de Sistemas

..................................................

33

  • 5.2.4 Linha de Interligação Entre Dois Pontos de um Mesmo Sistema

...

34

  • 5.3 Meios de Controlar Tensões e Ângulos de uma Linha (Compensação das

Linhas)

...............................................................................................................

34

  • 5.3.1 Regulação do Fator de Potência

......................................................

34

  • 5.4 Compensação das Linhas de Transmissão

..................................................

35

  • 5.4.1 Compensação em Derivação

...........................................................

36

  • 5.4.2 Compensação Série

.........................................................................

38

  • 5.5 Dispositivos FACTS

...................................................................................

39

  • 5.6 Exercícios

....................................................................................................

40

Capítulo 6 – Impedância em Série de Linhas de Transmissão

Introdução

  • 6.1 ....................................................................................................

41

Resistência

  • 6.2 ...................................................................................................

41

Indutância

  • 6.3 ....................................................................................................

43

Capítulo 7 – Capacitância de Linhas de Transmissão

Introdução

  • 7.1 ....................................................................................................

48

Capacitância

  • 7.2 ................................................................................................

48

Capítulo 1 – Introdução

1.1 Introdução

As linhas de transmissão são condutores através dos quais a energia elétrica é transportada de um ponto transmissor a um terminal receptor.

Os sistemas de transmissão proporcionam à sociedade um benefício reconhecido por todos: o transporte de energia elétrica entre os centros produtores e os centros consumidores.

Formas comuns de linhas de transmissão são:

Linha aérea em corrente alternada ou em corrente contínua com condutores separados por um dielétrico; Linha subterrânea com cabo coaxial com um fio central condutor, isolado de um condutor externo coaxial de retorno; Trilha metálica, em uma placa de circuito impresso, separada por uma camada de dielétrico de uma folha metálica de aterramento, denominado microtrilha.

As linhas de transmissão podem variar em comprimento, de centímetros a milhares de quilômetros. As linhas com centímetros de comprimento são usadas como parte integrante de circuitos de alta frequência, enquanto que as de milhares de quilômetros para o transporte de grandes blocos de energia elétrica.

As frequências envolvidas podem ser tão baixas quanto 50 Hz ou 60 Hz para linhas de transporte de grandes blocos de energia ou tão altas como dezenas de GHz para circuitos elétricos utilizados na recepção e amplificação de ondas de rádio.

Em frequências muito altas (VHF), o sistema de transmissão utilizado pode ser o guias de ondas. Estes podem estar na forma de tubos metálicos retangulares ou circulares, com a energia elétrica sendo transmitida como uma onda caminhando no interior do tubo. Guias de ondas são linhas de transmissão na forma de apenas um condutor.

A teoria básica de linhas de transmissão pode ser aplicada a qualquer das modalidades de linhas mencionadas. Entretanto, cada tipo de linha possui propriedades diferentes que dependem, por exemplo, de:

Frequência;

Nível de tensão;

Quantidade de potência transmitida;

Modo de transmissão (aéreo ou subterrâneo);

Distância entre os terminais transmissor e receptor.

Os assuntos aqui tratados estão direcionados para linhas de transmissão de

potência. O sistema de transmissão de energia elétrica compreende toda rede que interliga as usinas geradoras às subestações da rede de distribuição.

A eletricidade é em geral transmitida a longas distâncias através de linhas de transmissão aéreas. A transmissão subterrânea é usada somente em áreas densamente povoadas devido a seu alto custo de instalação e manutenção, e porque a alta potência reativa produz elevadas correntes de carga e dificuldades no gerenciamento da tensão.

  • 1.2 A Rede de Transmissão

A rede de transmissão liga as grandes usinas de geração às áreas de grande consumo. Em geral apenas poucos consumidores com alto consumo de energia elétrica são conectados às redes de transmissão onde predomina a estrutura de linhas aéreas.

A segurança é um aspecto fundamental para as redes de transmissão. Qualquer falta neste nível pode levar a descontinuidade de suprimento para um grande número de consumidores. A energia elétrica é permanentemente monitorada e gerenciada por um centro de controle. O nível de tensão depende do país, mas normalmente o nível de tensão estabelecido está entre 220 kV e 765 kV.

  • 1.3 A Rede de Subtransmissão

A rede de subtransmissão recebe energia da rede de transmissão com objetivo de transportar energia elétrica a pequenas cidades ou importantes consumidores industriais. O nível de tensão está entre 35 kV e 160 kV.

Em geral, o arranjo das redes de subtransmissão é em anel para aumentar a segurança do sistema. A estrutura dessas redes é em geral em linhas aéreas, por vezes cabos subterrâneos próximos a centros urbanos fazem parte da rede.

A permissão para novas linhas aéreas está cada vez mais demorada devido ao grande número de estudos de impacto ambiental e oposição social. Como resultado, é cada vez mais difícil e caro para as redes de subtransmissão alcançar áreas de alta densidade populacional.

Os sistemas de proteção são do mesmo tipo daqueles usados para as redes de transmissão e o controle é regional.

  • 1.4 A Transmissão de Energia Elétrica no Brasil

As linhas de transmissão no Brasil costumam ser extensas, porque as grandes usinas hidrelétricas geralmente estão situadas a distâncias consideráveis dos centros

consumidores de energia. Hoje o país está quase que totalmente interligado de norte a sul como pode ser visto na Figura 1.1.

Grande parte da região norte e uma parcela reduzida da região centro-oeste, além de algumas localidades esparsas pelo território brasileiro, ainda não fazem parte do sistema interligado, sendo o suprimento de energia elétrica efetuado, quando existente, por meio de pequenos sistemas elétricos isolados.

Nesses casos, a produção de eletricidade é normalmente efetuada por meio de unidades geradoras de pequeno porte, utilizando frequentemente motores diesel como equipamento motriz.

consumidores de energia. Hoje o país está quase que totalmente interligado de norte a sul como

Figura 1.1 – Sistema Interligado Nacional (SIN)

Para atender às políticas externa e energética, o Brasil está interligado aos países vizinhos como Venezuela (para fornecimento a Manaus e Boa Vista), Argentina, Uruguai e Paraguai.

O Sistema Interligado Nacional é responsável por mais de 95% do fornecimento

nacional. Sua operação é coordenada e controlada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O SIN permite que as diferentes regiões permutem energia entre si, quando uma delas apresenta queda no nível dos reservatórios. Como o regime de chuvas é diferente nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, os grandes troncos (linhas de transmissão da mais alta tensão: 500 kV ou 750 kV) possibilitam que os pontos com produção insuficiente de energia sejam abastecidos por centros de geração em situação favorável.

Vantagens dos sistemas interligados:

Aumento da estabilidade: o sistema torna-se mais robusto podendo absorver, sem perda de sincronismo, maiores impactos elétricos; Aumento da confiabilidade: permite a continuidade do serviço em decorrência da falha ou manutenção de equipamento, ou ainda, devido às alternativas de rotas para fluxo de energia; Aumento da disponibilidade do sistema: a operação integrada acresce a disponibilidade de energia do parque gerador em relação ao que se teria se cada empresa operasse suas usinas isoladamente; Mais econômico: permite a troca de reservas que pode resultar em economia na capacidade de reservas dos sistemas. O intercâmbio de energia está baseado no pressuposto de que a demanda máxima dos sistemas envolvidos acontece em horários diferentes. O intercâmbio pode também ser motivado pela importação de energia de baixo custo de uma fonte geradora, como por exemplo, a energia hidroelétrica para outro sistema cuja fonte geradora apresenta custo mais elevado.

Desvantagens dos sistemas interligados:

 

Distúrbio em um sistema afeta os demais sistemas interligados;

A operação e proteção tornam-se mais complexas.

1.5 Exercícios

I.

Quais são as formas comuns de linhas de transmissão?

II.

Cite três características que influência as propriedades das linhas de

III.

transmissão. Escreva sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN).

IV.

Quais são as vantagens e desvantagens de um sistema interligado?

Capítulo 2 – Características Físicas das Linhas Aéreas de Transmissão

  • 2.1 Introdução

O

desempenho

elétrico

de

uma

linha

de

transmissão

depende

quase

exclusivamente de suas características físicas, que ditam o seu comportamento em

regime normal de operação, definindo seus parâmetros elétricos.

  • 2.2 Cabos Condutores

Constituem dos elementos ativos das linhas de transmissão. Sua escolha adequada representa um problema de fundamental importância no dimensionamento das linhas, pois determinam o desempenho e o custo da transmissão.

Condutores ideais para as linhas aéreas de transmissão seriam aqueles que pudessem apresentar as seguintes características:

Alta condutibilidade elétrica

Baixo custo;

Boa resistência mecânica;

Baixo peso específico;

Alta resistência à oxidação e à corrosão por agentes químicos poluentes.

Dentre os metais que apresentam o maior número dessas propriedades, estão o cobre e o alumínio.

Quando comparamos condutores de cobre com os de alumínio, fixados um mesmo comprimento e uma mesma resistência elétrica do circuito, o volume de alumínio será maior, pois será necessária uma seção condutora maior para compensar sua condutividade, inferior em relação à do cobre.

Apesar disso,

devido

à maior

densidade do

cobre, o

peso

em

cobre será

aproximadamente o dobro em relação ao do alumínio. Isso confere uma vantagem adicional ao alumínio, que pode ser utilizado com estruturas de sustentação mais leves,

além do seu custo mais baixo.

Outra vantagem do alumínio, em virtude de seus diâmetros maiores, é seu melhor desempenho diante do Efeito Corona (ruptura da capacidade de isolamento do ar em torno dos cabos devido ao campo elétrico elevado, produzindo perdas na linha e distúrbios eletromagnéticos que podem causar interferência no sistema de comunicação).

2.3

Isoladores e Ferragens

Os cabos são suportados pelas estruturas através de isoladores, que, como seu próprio nome indica, os mantêm isolados eletricamente das mesmas. Devem resistir tanto as solicitações mecânicas como às elétricas.

As solicitações mecânicas são:

Forças verticais, devido ao peso dos condutores;

 

Forças horizontais axiais, no sentido dos eixos longitudinais das linhas, necessárias para que os condutores se mantenham suspensos sobre o solo;

Forças horizontais transversais, em

sentido

ortogonal

aos

eixos

longitudinais das linhas, devidos à ação da pressão do vento sobre os

cabos.

Esses solicitações são transmitidas pelos isoladores às estruturas, que devem absorve-las.

As solicitações elétricas são:

Tensões normais e sobretensões em frequência industrial;

Surtos de sobretensões;

Sobretensões atmosférica.

Um isolador eficiente deve ainda ser capaz de fazer o máximo uso do poder isolante do ar que o envolve a fim de assegurar o isolamento adequado. A falha de um isolador pode ocorrer tanto no interior do material (perfuração) ou pelo ar que o envolve (descarga externa).

Suas superfícies devem ter acabamento capaz de resistir bem às exposições ao tempo. Para sua fabricação empregam-se dois tipos de material: porcelana vitrificada e vidro temperado.

  • 2.4 Estruturas das Linhas de Transmissão

As estruturas consistem nos elementos de sustentação dos cabos das linhas de transmissão. Suas dimensões e forma dependem de diversos fatores como:

Disposições dos condutores; Distância entre condutores; Dimensões e formas de isolamento; Flecha dos condutores; Altura de segurança; Função mecânica; Materiais estruturais; Número de circuitos.

Nas linhas trifásicas empregam-se, fundamentalmente, três disposições de condutores:    Disposição triangular (Figura 2.1)
Nas
linhas
trifásicas
empregam-se,
fundamentalmente,
três
disposições
de
condutores:
Disposição triangular (Figura 2.1)
Disposição horizontal (Figura 2.2)
Disposição vertical (Figura 2.3)

Figura 2.1 – Disposição triangular

Nas linhas trifásicas empregam-se, fundamentalmente, três disposições de condutores:    Disposição triangular (Figura 2.1)

Figura 2.2 – Disposição horizontal

Nas linhas trifásicas empregam-se, fundamentalmente, três disposições de condutores:    Disposição triangular (Figura 2.1)

Figura 2.3 – Disposição vertical

Para as linhas a circuito duplo preferem-se as disposições indicadas na Figura 2.4.

Para as linhas a circuito duplo preferem-se as disposições indicadas na Figura 2.4. Figura 2.4 –

Figura 2.4 – Linhas a circuito duplo

  • 2.5 Cabos Para-raios

Ocupam a parte superior das estruturas e se destinam a interceptar descargas de origem atmosférica e descarregá-las no solo, evitando que causem danos e interrupções nos sistemas.

Sua colocação nas estruturas, com relação aos cabos condutores, é fundamental no grau de proteção oferecido à linha, e merece ser cuidadosamente estudada.

  • 2.6 Exercícios

I.

Cite três características que um condutor deve ter para ser utilizado em

II.

uma linha de transmissão. Quais são os dois melhores metais para ser usados como condutores em

III.

uma linha de transmissão? Qual é o mais utilizado, e quais são suas vantagens sobre o outro? O que é o Efeito Corona? Quando ele acontece? Como podemos atenua- lo?

Capítulo 3 – Teoria da Transmissão da Energia Elétrica

  • 3.1 Introdução

A expressão linha de transmissão se aplica a todos os elementos de circuitos que se destinam ao transporte de energia, independente da quantidade de energia transportada. A mesma teoria é aplicável, feitas as necessárias ressalvas, independentemente do comprimento físico dessas linhas.

  • 3.2 Linha de Transmissão Ideal

    • 3.2.1 O Fenômeno da Energização da Linha

Consideremos uma linha de transmissão ideal constituída por dois condutores metálicos, retilíneos e completamente isolados, suficientemente distantes do solo, ou de estruturas, ou de outras linhas, para que não seja influenciada pela sua presença, e de comprimento qualquer.

Tratando-se

de

uma

linha

de

transmissão

ideal,

a

resistência

elétrica

dos

condutores é considerada nula, como também o dielétrico entre os condutores é considerado perfeito, de forma que não há perdas de energia a considerar.

Do eletromagnetismo, temos que, entre dois condutores separados por dielétricos, podemos definir uma capacitância e uma indutância.

Consideremos ainda que junto ao receptor haja um dissipador de energia, representado pela resistência R 2 . Um circuito equivalente está representado na Figura

3.1.

Em um instante de tempo imediatamente anterior ao fechamento da chave S, os terminais da fonte estão sob uma diferença de potencial U. No instante em que a chave for fechada entre os terminais 1 e 1’, aparecerá a mesma diferença de potencial U.

Devido aos elementos indutivos e capacitivos ao longo da linha, decorre um tempo finito entre o instante em que se aplica uma tensão ao transmissor de uma linha de transmissão e o instante em que esta tensão pode ser medida em seu receptor. A corrente fornecida pela fonte, uma vez atingido o valor da corrente de carga, se mantém constante.

Cargas elétricas em movimento dão origem a campos magnéticos e elétricos.

Portanto, ao se energizar

uma linha,

ao longo

da mesma irão se estabelecendo,

progressivamente, campos elétricos e campos magnéticos, do transmissor ao receptor. Dizemos que esses campos se propagam do transmissor ao receptor.

progressivamente, campos elétricos e campos magnéticos, do transmissor ao receptor. Dizemos que esses campos se propagam

Figura 3.1 – Linha bifilar ideal

A velocidade de propagação para uma linha de comprimento l (km) é definida

por:

v

l

T

km /s

sendo T o tempo necessário para que a tensão no receptor atinja o valor U.

A impedância da entrada da linha é definida como:

Isolando v, temos:

U 1 Z    Lv 0 I C  v 0 1 v 
U
1
Z
Lv
0
I
C
v
0
1
v
LC

que é a expressão da velocidade com a qual os campos elétricos e magnéticos se propagam ao longo de uma linha.

Para uma linha a dois condutores, no ar ou no vácuo, desprezando o efeito do fluxo magnético interno do condutor e da presença do solo:

v 310

5

km /s

Essa é a velocidade de propagação da luz no vácuo. Nas linhas reais, em que o fluxo interno dos condutores não é desprezível, assim como o meio em que a linha se encontra, v é um pouco menor.

A impedância de entrada da linha também pode ser definida como:

 

Z

0

L C
L
C

Z 0 não depende do comprimento da linha, somente do meio

em que

esta se

encontra

e

de

suas dimensões físicas,

 

distância

entre

os condutores e

raio

dos

condutores.

 

Z 0

é

constante

para

cada

linha

e

por

isso

é considerada uma grandeza

característica denominada impedância natural da linha ou impedância de surtos da

linha.

Com isso, temos:

I

0

 

U

 

constante

 

Z

0

A corrente de carga de uma linha, excitada por uma fonte de tensão constante, também independe de seu comprimento.

3.2.2 Relações de Energia

Em uma linha ideal, a quantidade de energia armazenada pelo campo elétrico é exatamente igual à quantidade de energia armazenada pelo campo magnético. Cada um dos campos armazena exatamente a metade da quantidade de energia fornecida pela fonte. Esse processo durará indefinidamente, se a linha tiver um comprimento infinito.

As linhas de transmissão, porém, possuem comprimentos finitos. Neste caso, ocorrerão fenômenos complexos, que dependem da forma com que a linha é terminada.

Imaginemos que a linha tenha um comprimento l e que na extremidade receptora coloquemos um dissipador de energia R 2 , com a condição de que:

Temos então:

R

2

Z

0

U I Z

0

0

I R

0

2

Uma vez que na terminação da linha não há campos magnéticos e elétricos a armazenar energia, toda a energia fornecida pela fonte será dissipada na resistência R 2 . Logo a corrente I 0 continuará com a mesma intensidade inicial, como se a linha fosse de

comprimento infinito, independente do valor de l. Uma linha assim terminada é denominada linha de comprimento infinito.

Quando o

valor de

R 2

for diferente de Z 0 o equilíbrio da linha será alterado,

devemos considerar, portanto, dois casos:

a)

R 2 > Z 0

 

Neste caso a corrente através de R 2 e a potência dissipável será menor. Junto ao terminal da linha haverá um excesso de energia. Um novo estado de equilíbrio deverá ocorrer, pois esse excesso de energia não poderá ser destruído.

Uma redução da corrente da linha leva a uma redução da energia armazenada no campo magnético. Por isso é o campo elétrico que recebe a energia excedente, que se manifesta na forma de uma elevação da tensão e que se irá propagar ao longo da linha.

O aumento da tensão no receptor com relação à tensão no transmissor recebe o nome de Efeito Ferranti. As principais implicações do Efeito Ferranti são:

 

I.

Necessidade do aumento do nível de isolamento das linhas

II.

Aumento do Efeito Corona

III.

Necessidade de condutores com secções maiores

IV.

Autoexcitação das máquinas síncronas, levando a tensões incontroláveis

Um caso extremo de operação da linha seria quando R 2 = ∞, ou seja, a linha de transmissão aberta junto ao receptor. Neste caso observamos que:

 

I.

A corrente se reduz a zero, progressivamente, do receptor ao transmissor;

II.

O campo elétrico tem que armazenar toda a energia excedente;

III.

A tensão no receptor cresce o dobro do valor da tensão aplicada.

b)

R 2 < Z 0

 

Neste caso a corrente através de R 2 e a potência dissipável será maior. Junto ao terminal da linha haverá um déficit de energia que não poderá ser suprimido de imediato pela fonte que alimenta o sistema. O novo estado de equilíbrio somente poderá ser atingido se essa deficiência for suprida pela própria linha, a custas da energia armazenada por ela durante o processo de energização.

Uma vez que há um aumento no valor da corrente, o campo magnético não somente não pode ceder energia, como também deve armazenar maior quantidade da mesma, o que faz à custa do campo elétrico, que a cede. Haverá, portanto, uma redução na tensão junto ao receptor, que caminha progressivamente em direção à fonte.

Outro caso extremo de operação da linha seria quando R 2 = 0, ou seja, a linha de transmissão está curto-circuitada. Neste caso observamos que:

 

I.

A tensão junto ao receptor somente pode ser nula, propagando-se esse

II.

valor do receptor ao transmissor; Há um aumento no valor da corrente junto ao receptor que se propaga para

III.

o transmissor. Numa linha em curto-circuito a corrente crescerá, no receptor, ao dobro do

seu valor.

3.3 Linha de Transmissão Real

Consideremos uma linha real, incluindo em seu circuito equivalente os elementos

representativos das perdas nos condutores r e das perdas nos dielétricos g, como mostra

a Figura 3.2.

seu valor. 3.3 Linha de Transmissão Real Consideremos uma linha real, incluindo em seu circuito equivalente

Figura 3.2 – Circuito equivalente de uma linha real

Na análise das linhas de transmissão de energia elétrica, interessa-nos conhecer o

seu comportamento tanto em face de impulsos como em face às tensões e correntes

senoidais.

A função de propagação da onda é fornecida pela equação:

 

 r  j  L    g  j  C 

r jL

g jC

seu valor. 3.3 Linha de Transmissão Real Consideremos uma linha real, incluindo em seu circuito equivalente

r jx

  • L

g jb    j

Nas linhas de transmissão de energia elétrica em regime permanente, nas quais a

frequência é constante, a função de propagação será constante.

Sua parte real, α, é responsável pelo amortecimento da onda e recebe o nome de

função de atenuação, tendo como unidade o néper/km. Dela dependem os módulos das

tensões ou correntes. Seu valor é diretamente relacionado com as perdas de energia da

linha.

A parte imaginária, β, recebe o nome de função de fase, tendo como unidade o

radianos/km, pois indica a forma como as fases da tensão e da corrente variam ao longo

da linha.

A impedância característica da linha de transmissão é dada por:

r   j L z  Z   c g   j C
r
 
j
L
z 
Z
c
g
 
j
C
y 

Se fizermos r = g =0, obteremos exatamente a mesma expressão da impedância

natural da linha Z 0 . Nas linhas reais, como r e g são, em geral, relativamente pequenos

se comparados com L e C, respectivamente, seu valor numérico não difere muito do

valor de Z 0 .

3.3.1

Análise das Linhas em Regime Permanente

A condição com carga é o regime normal de operação de linhas. Para o caso onde

a impedância da carga é igual a impedância característica da linha, o fator de potência é

constante e o defasamento entre a tensão e a corrente é sempre igual. A linha não

necessita de energia reativa externa para manutenção de seus campos elétricos e

magnéticos. A única energia absorvida pela linha é energia ativa e destina-se a cobrir as

perdas por efeito Joule e dispersão.

A potência característica da linha é definida como:

P

c

U

2

2

Z

c

cos

O ângulo δ é o argumento de Z c que corresponde à defasagem da corrente em

relação à tensão e está normalmente entre 1º e 5º, pois é função das perdas na linha.

Como cosδ ≈ 1 e Z c ≈ Z 0 , podemos definir a potência natural da linha como:

P 0
P
0

U

2

2

Z

0

O conceito de potência natural (Surge Impedance Loading – SIL) vem recebendo

cada vez mais importância na técnica de transmissão de energia. Sendo uma potencia

ativa, foi adotada na prática como unidade base de potência, exprimindo-se os demais

valores das potências transmitidas através de uma linha, em função de sua potência

natural. Tornou-se preponderante no dimensionamento de linhas.

Sendo independente do comprimento da linha, devido ao fato de Z 0 depender

essencialmente da distância entre os condutores e de seus raios, a potência natural das

linhas tornou-se fator importante na escolha das tensões de transmissão em primeira

aproximação e como orientação inicial dos estudos técnicos e econômicos para sua

fixação.

Apesar de ser a condição mais vantajosa, a operação constante de uma linha com

potência natural, na prática, ocorre só em condições especiais, já que a carga alimentada

não é constante, variando continuamente de acordo com a demanda do sistema.

3.4 Exercícios

  • I. O que ocorre com a energia dissipada pela carga, com a corrente e com a tensão no receptor quando a carga é igual, menor e maior que a impedância natural da

II.

linha?

O que é o Efeito Ferranti e quais são suas implicações?

III. Considere a linha de transmissão da Figura 3.3. Sendo f = 60 Hz a frequência

do sistema e considerando sempre, primeiramente a linha real e em seguida a

linha ideal:

  • a. Calcule a função de propagação da onda

  • b. O que você sabe sobre a parte real e a parte imaginária da função de

propagação da onda?

  • c. Calcule a impedância característica da linha

  • d. Calcule a impedância natural da linha

  • e. Calcule a potência característica da linha para a tensão de 380 kV

  • f. Calcule a potência natural da linha para a tensão de 380 kV

a. Calcule a função de propagação da onda b. O que você sabe sobre a parte

Figura 3.3 – Linha de Transmissão

Capítulo 4 – Cálculo Prático das Linhas de Transmissão

4.1 Introdução

Nos cálculos de linhas de transmissão procura-se obter valores de tensões,

correntes e potências com erros inferiores a 0,5%. As linhas de transmissão devem ser

representáveis através de seus circuitos equivalentes ou modelos matemáticos da forma

mais simples e racional possível, compatível com o grau de precisão almejado.

A partir de agora, a não ser que venha expressamente especificado de modo

diferente, trataremos exclusivamente de linhas aéreas trifásicas. Estas são

suficientemente equilibradas para que possam ser representadas através de circuitos

monofásicos.

De um modo geral, no cálculo elétrico das linhas de transmissão objetivamos:

Conhecidas ou especificadas tensões e correntes em um ponto da linha,

determinar essas mesmas grandezas em outro ponto da linha;

Conhecidas ou especificadas potências ativas e reativas em um ponto da

linha, determinar essas grandezas em outro ponto da linha;

A determinação de grandezas de desempenho: regulação, rendimentos,

ângulos de potência, etc.;

Estudo de compensação para correção de desempenho;

A regulação de tensão de uma linha, em um determinado regime de carga, é a

variação percentual entre os módulos das tensões entre transmissor e receptor, com

relação a esta última:

Reg%

U

1

U

2

U

2

100%

Seu valor depende do regime de carga da linha, principalmente da potência reativa

transmitida, como também dos parâmetros elétricos das linhas. Poderá ser positivo ou

negativo, como, por exemplo, nas linhas médias ou longas que operam em vazio, ou

com potências reduzidas. Pode ser controlado atuando-se sobre o fator de potência da

carga, ou sobre os parâmetros das linhas. Uma ou outra solução tem implicações

econômicas importantes, merecendo nossa atenção.

4.2 Linhas Curtas (até 80 km)

Nas linhas de transmissão curtas podemos desprezar inteiramente os efeitos da

condutibilidade g e da capacitância C. O circuito equivalente de um linha curta está

representado na Figura 4.1.

representado na Figura 4.1. Figura 4.1 – Circuito equivalente de uma linha curta Neste caso a

Figura 4.1 – Circuito equivalente de uma linha curta

Neste caso a equação de correntes será:

I

1

I

2

U

1

U

2

Z

4.3 Linhas Médias (entre 80 km e 250 km)

O circuito equivalente que buscamos para linhas médias deverá ser simples,

principalmente tendo em vista que deverá representar as linhas em circuitos bastante

complexos dos sistemas de energia elétrica.

Deparamos com dois circuitos conhecidos dos cursos de circuitos elétricos, o

circuito T representado na Figura 4.2 e o circuito Pi representado na Figura 4.3.

representado na Figura 4.1. Figura 4.1 – Circuito equivalente de uma linha curta Neste caso a

Figura 4.2 – Circuito T de uma linha de transmissão

As equações para o circuito T são:

U

1

U

2

1

ZY

2

I Z

2

1

ZY

4

I

1

I

2

1

ZY

2

U Y

2

Figura 4.3 – Circuito Pi de uma linha de transmissão As equações para o circuito Pi

Figura 4.3 – Circuito Pi de uma linha de transmissão

As equações para o circuito Pi são:

U

1

U

2

1

ZY

2

I Z

2

I

1

I

2

1

ZY

2

U Y

2

1

ZY

4

Mesmo que ambos os circuitos sejam aceitáveis, prefere-se hoje o circuito Pi

como representativo das linhas médias, pois, ao estabelecer os modelos matemáticos de

grandes sistemas, o circuito T obrigaria o estabelecimento de mais uma barra ou nó por

linha de transmissão incluída, o que se traduz em um aumento correspondente do

número de equações no modelo do sistema. A Figura 4.4 mostra a razão disso:

Figura 4.3 – Circuito Pi de uma linha de transmissão As equações para o circuito Pi
Figura 4.3 – Circuito Pi de uma linha de transmissão As equações para o circuito Pi

Figura 4.4 – Diferenças entre o circuito T e Pi para efeito de inclusão das linhas em

sistemas de energia elétrica

4.4

Linhas Longas (maiores que 250 km)

São aquelas em

cujo

cálculo

os processos das

linhas

curtas e

médias são

considerados insuficientemente precisos para os fins desejados.

O circuito Pi é adequado para a representação das linhas longas, em regime

permanente, desde que os valores de Z

e

Y

sejam adequadamente corrigidos, para
2

retratar a condição de parâmetros distribuídos:

Z'

Z

senh l

l

Y

tgh

l

2

Y '

2

2

l

2

  • 4.5 Linhas de Transmissão como Quadripolos

Dadas as suas características próprias, os circuitos que representam as linhas

podem ser classificados como Quadripolos, que pode ser definido por seis pares de

equações lineares, todas elas inter-relacionadas entre si:

U

1

z

1

I ,I

1

2

U

2

z

2

I ,I

1

2

U

1

a

1

U

2

,I

2

I

1

a

2

U

2

,I

2

I

1

g

1

E ,I

1

2

U

2

g

2

E ,I

1

2

 

I

 

 
 

y

1

 

U , U

1

 
 

1

2

 

2

 

 

I

 

y

 

U ,U

1

2

2

 

U

2

b

1

U ,I

1

1

 

I

2

b

2

U ,I

1

2

 
 

U

1

h

1

U

2

,I

1

 

1

 

I

2

h

2

U

2

,I

Essas equações possuem, cada qual, duas variáveis independentes e duas variáveis

dependentes relacionadas entre si pelos parâmetros dos respectivos circuitos, aos quais

as seguintes restrições são impostas:

Devem possuir apenas uma entrada e uma saída, representada por dois

pares de terminais, podendo um deles ser comum a ambos;

Devem ser passivos, o que exclui a presença de fontes de tensão;

Devem ser lineares, a fim de que a sua saída (resposta) tenha a mesma

forma que o estímulo aplicado à entrada, exigindo pois, impedâncias e

admitância de valores constantes independentes do valor da corrente e da

tensão a elas aplicados.

Devem ser bilaterais, significando que sua resposta a um estímulo aplicado

a um par de terminais é a mesma que a um estímulo aplicado ao outro.

Essa exigência exclui os retificadores de corrente.

Se

U

2

independentes,

e

I

2

do quadripolo da Figura 4.5 forem consideradas variáveis

U

1

e

I

1

serão suas variáveis dependentes, relacionadas com as primeiras

através da impedância Z e da admitância Y do circuito; ele fica definido pelo par de

equações:

ou seja,

 

 

U

1

a

1

U

2

,I

2

 

 

I

1

a

2

U

2

,I

2



U

1

AU

2

 

BI

2

I

1

CU

2

DI

2

Se  U 2 independentes, e  I 2 do quadripolo da Figura 4.5 forem consideradas

Figura 4.5 – Quadripolo típico

ou, adotando a forma matricial,

U  

I

1

1

A

C

 

B

D

 U





I

2

2

 

 

U

1

e

 

I

1

 

U

2

DU

1

 

 

BI

1

 



I

2

 

CU

1

AI

1

 
 

 

U

2

b

1

U ,I

1

1

 

I

b

 

U ,I

2

2

1

1

I

2

D

C

 

B

A

 U





I

1

2

 

1

U

Igualmente, se considerarmos

as variáveis independentes e

variáveis dependentes, teremos:

que correspondem ao par:

ou

U

2

e

I

2

as

sendo necessário lembrar que, em circuitos simétricos, temos sempre:

A D

Outra propriedade dos quadripolos a ser lembrada e que vale sempre é:

A

C

B

D

AD

BC

1

As linhas de transmissão satisfazem inteiramente às condições impostas aos

quadripolos no início deste estudo. As características das linhas são definidas pelas

constantes

A, B, C e D,

que recebem o nome de constantes generalizadas das linhas de

transmissão e são definidas da seguinte forma:

Linhas curtas:   A  D  1   U   1 1
Linhas curtas:
A
D
1
U
 1
1
I
0
1
Linhas médias:
Circuito T
ZY
A
D
 
1
2
ZY
B
Z
1
4
C
Y
Linhas longas:
A
D
cosh
l
B
Z senh
l
c
  B  Z C  0  Z   U  2 
B
Z
C
0
Z 
U
2
1
I
2
Circuito 
ZY
A
D
 
1
2
B
Z
ZY
C
Y
1
4
1
C
senh
l
Z
c

Na análise dos sistemas de energia elétrica temos basicamente duas formas de

associações de quadripolos:

Associação em cascata: a conexão em cascata é obtida pela conexão dos

terminais de saída de um quadripolo com os terminais de entrada do outro,

como na Figura 4.6.

Associação em paralelo: na conexão em paralelo, o estímulo U 1 é comum

aos dois quadripolos, cuja resposta é também igual, U 2 , como na Figura

4.7.

Figura 4.6 – Associação em cascata de quadripolos Figura 4.7 – Associação em paralelo de quadripolos

Figura 4.6 – Associação em cascata de quadripolos

Figura 4.6 – Associação em cascata de quadripolos Figura 4.7 – Associação em paralelo de quadripolos

Figura 4.7 – Associação em paralelo de quadripolos

4.6 Linha Artificial

Quando, através de modelos elétricos, se deseja analisar fenômenos transitórios,

os circuitos π ou T equivalentes são inapropriados, pois, neste caso, o efeito real da

distribuição dos parâmetros ao longo da linha é importante.

Recorre-se então às chamadas linhas artificiais, compostas de um número

relativamente grande de células ligadas em série. Cada célula poderá representar o

circuito π nominal de um trecho de comprimento determinado, como mostra a Figura

4.8.

Figura 4.6 – Associação em cascata de quadripolos Figura 4.7 – Associação em paralelo de quadripolos

Figura 4.8 – Linha artificial

4.7 Potência nas Linhas de Transmissão

As cargas alimentadas pelos sistemas elétricos comerciais servidos pelas linhas de

transmissão são de tipo muito variado, compreendendo, entre outras, de lâmpadas,

motores síncronos e assíncronos, aparelhos domésticos e aparelhos comerciais, cujas

impedâncias não somente não são especificadas, como também variam bastante com o

valor da tensão a que são submetidos. Experiências efetuadas em sistemas reais

mostram que a representação por impedância é apenas aproximada.

Na prática da indústria da energia elétrica, as cargas são especificadas em termos

de demandas em potências ativas e reativas, ou potências aparentes e seus fatores de

potência correspondentes. Essas demandas, evidentemente, variam também com o valor

da tensão aplicada, porém, para efeito de cálculo, são especificadas em correspondência

às tensões nominais dos sistemas.

A Figura 4.9 mostra as curvas de variação das tensões no receptor de uma linha

em função da variação das potências ativas e reativas no receptor, alimentado no

transmissor por um barramento de tensão constante. As curvas demonstram claramente

a possibilidade de existência de duas raízes para uma mesma potência ativa transmitida,

bem como os limites máximos de transmissão. A raiz menor não possui significado

prático, pois a operação com tensões baixas envolveria correntes elevadas e perdas

inadmissíveis.

4.7 Potência nas Linhas de Transmissão As cargas alimentadas pelos sistemas elétricos comerciais servidos pelas linhas

Figura 4.9 – Variação da tensão no receptor de uma linha com tensão constante no

transmissor

Considerando uma linha sem perdas a potência ativa transmitida ao receptor é

dada por:

P

2

U U

1

2

B

sen

onde δ é a defasagem angular entre U 1 e U 2 .

A máxima transferência de potência ativa ocorre quando sen(δ) é igual a 1.

  • 4.8 Perdas de Potência e Rendimento

As perdas de potência de uma linha de transmissão são dadas pela diferença entre

a potência ativa P 1 , absorvida pela linha no transmissor, e a potência ativa P 2 , por ela

entregue no receptor:

Perdas P P

1

2

As perdas de potência numa linha de transmissão podem ser consideradas como

sendo compostas de:

Perdas por efeito Joule nos condutores (representam a maior parcela das

perdas nas linhas);

Perdas no dielétrico entre condutores;

Perdas causadas por correntes de Foucault e por histerese magnética na

alma de aço de condutores e em peças metálicas próximas às linhas;

Perdas por circulação nos cabos para-raios.

O rendimento de uma linha é dado por:

%

P

2

P

1

100%

  • 4.9 Linhas Trifásicas Desequilibradas

Para a análise de determinados fenômenos relacionados com as linhas de

transmissão, nos quais o desequilíbrio elétrico e magnético existente ao longo das linhas

é fator importante, surge a necessidade da representação das linhas por seus modelos

matemáticos trifásicos, ou seja, sua configuração trifásica deve ser evidenciada.

Os modelos anteriormente desenvolvidos pressupunham equilíbrio

eletromagnético tal que as três fases de um circuito podiam ser representadas por um

circuito unipolar. Os mesmos modelos, desde que convenientemente adaptados, podem

ser usados nas representações trifásicas. Os parâmetros elétricos e magnéticos das linhas

de um sistema de vários condutores podem ser definidos através de um par de matrizes

de ordem 3 por 3.

Em se tratando de linhas longas, não é prático procurar determinar as matrizes

para as constantes generalizadas em virtude das dificuldades matemáticas que serão

encontradas. É preferível usar como modelo a linha artificial trifásica.

4.10

Exercícios

  • I. Uma linha de transmissão trifásica possui os seguintes parâmetros elétricos: r = 0,107 Ω/km, L = 1,355 mH/km, C = 0,00845 μF/km, f = 60 Hz. Sendo seu comprimento de 100 km, fazer sua representação através de seus circuitos nominais.

II.

Para a linha de transmissão do exercício I, sendo a tensão no barramento

receptor igual a 135 kV, quando a carga no sistema é de 50 MVA com

fator de potência igual a 0,95 indutivo, calcular a tensão no barramento do

transmissor, bem como a potência entregue à linha, empregando os

métodos π nominal e T nominal. Calcular a regulação, o rendimento e as

perdas da transmissão.

III.

Qual o valor da tensão em vazio no receptor e a corrente de carga da linha

do exercício I quando a tensão no barramento alimentador for igual a

138 kV? Qual a corrente de curto-circuito no receptor, quando a tensão

mantida no transmissor é igual a 138 kV?

IV.

Calcular as constantes generalizadas para a linha do exercício I.

Capítulo 5 – Operação das Linhas

  • 5.1 Introdução

Neste capítulo estudaremos o desempenho das linhas de transmissão em regime

permanente, dentro dos vários esquemas básicos em que são encontradas nos sistemas

elétricos comerciais e as influências das características dos sistemas alimentados, bem

como de sua adaptação a um desempenho desejado através da alteração de seus

parâmetros elétricos, ou compensação.

  • 5.2 Modo de Operação das Linhas de Transmissão

Dentro dos sistemas elétricos, as linhas de transmissão podem ser operadas em

vários esquemas básicos distintos. Estes, bem como as características do transporte de

energia em cada um deles, serão examinados a seguir.

Os receptores das linhas de transmissão constituem-se normalmente de sistemas

elétricos que podem compor-se de:

Sistemas de cargas passivas;

Sistemas que, além de cargas passivas, contêm fontes de energia com

capacidade igual ou maior do que a do sistema alimentador.

Entendemos por cargas passivas os sistemas elétricos que não possuem fontes de

energia ou outras máquinas síncronas de capacidade comparável à das centrais dos

sistema alimentador.

Suas demandas variam

com

as tensões aplicadas

e

sua representação,

por

intermédio de impedâncias de valor constante, é apenas aproximadamente correta.

O mesmo pode ser dito com relação a sua representação através de potências

ativas e reativas constantes, pois estas variam igualmente em função das tensões

aplicadas.

Uma representação correta das cargas deverá basear-se em suas características

N = f (U), que somente poderiam ser determinadas experimentalmente em um sistema e

seriam válidas somente para esse mesmo sistema, enquanto se mantivessem as

condições para as quais foram determinadas.

5.2.1 Linha Entre Central Geradora e Carga Passiva

É uma das formas clássicas de operação das linhas para efeito de estudos. Na

prática,

encontra-se,

geralmente,

apenas

em

sistemas

em

estágios iniciais de

desenvolvimento.

 

Neste tipo de transmissão, cabe à central alimentadora a manutenção da

frequência do sistema. Às linhas de transmissão cabe o transporte da energia ativa

produzida na central alimentadora, cuja capacidade limita o valor da potência ativa

disponível no transmissor da linha.

A potência ativa deverá ser suficiente para atender às demandas do sistema

receptor, cuja capacidade de absorção de energia é limitada por suas características

peculiares, como também para suprir as perdas de energia ativa na transmissão.

Em sistemas pequenos, geralmente, também cabe à central geradora o suprimento

de energia reativa necessária ao sistema alimentado e à linha de transmissão.

Nos sistemas maiores, a energia reativa necessária ao sistema alimentado é, em

geral, produzida junto ao mesmo, evitando-se seu transporte através das linhas, pois

este, além de perdas adicionais de energia, pode ainda trazer problemas de regulação de

tensão.

Esse fato é claramente visível na Figura 5.1, na qual estão reproduzidas as curvas

de regulação de uma linha de 138 kV. Estas nos mostram que, por exemplo, é possível

transmitir 134 MW com uma variação de tensão de 5% sob FP = 1, enquanto que, com

FP = 0,8 IND, com a mesma variação de tensão podemos transmitir apenas 33,5 MW.

Seria igualmente possível transmitir cerca de 382 MW, com os mesmos 5% de variação

de tensão, desde que FP = 0,9 CAP.

5.2.1 Linha Entre Central Geradora e Carga Passiva É uma das formas clássicas de operação das

Figura 5.1 – Variação das tensões no transmissor para tensão constante no receptor de

uma linha curta

A Figura 5.2 mostra para a mesma linha curta, as curvas representativas das

perdas de energia ativa nas mesmas condições anteriores de transmissão. Verifica-se

claramente o aumento das perdas com o aumento de energia reativa entregue ao

transmissor.

A Figura 5.2 mostra para a mesma linha curta, as curvas representativas das perdas de energia

Figura 5.2 – Variação das perdas em função da variação da energia reativa no receptor

de uma linha curta

Essas considerações nos conduzem a algumas conclusões interessantes:

Dentro das limitações impostas pela capacidade da central alimentadora, o

fluxo das potências ativas é controlado pelas demandas do sistema

alimentado, devendo as máquinas primárias ajustar-se a essa demanda, de

forma a manter constante a frequência do sistema. Os geradores, por sua

vez, devem ajustar-se para manter a tensão constante, em um ponto do

sistema;

O fluxo das potências reativas através das linhas é um parâmetro

fundamental em seu desempenho, seja sob o aspecto técnico (regulação da

tensão), seja sob o ponto de vista econômico (rendimento da transmissão).

Quanto mais longa for a linha, maiores serão os problemas decorrentes;

Nas linhas longas, a regulação de tensão e as perdas de potência são, em

geral, os fatores limitantes em sua capacidade de transmissão, enquanto

que, nas linhas curtas, o aquecimento dos condutores, causado pela

corrente transportada, pode ser o fator limitante principal.

5.2.1.1 Operação Com Tensão Constante no Transmissor

Admitamos que a central que alimenta o sistema mantenha tensão constante junto

ao transmissor, ou que o sistema seja alimentado por um barramento de um grande

sistema capaz de manter a tensão constante. A Figura 5.3 apresenta as curvas de

regulação de uma linha longa operada nessas condições.

regulação de uma linha longa operada nessas condições. Figura 5.3 – Curvas de regulação de uma

Figura 5.3 – Curvas de regulação de uma linha longa operada com tensão constante no

transmissor alimentando uma carga passiva

Observamos que:

Para cada valor de fator de potência no receptor há um limite máximo de

potência ativa transmissível, definido pelo ponto em que a equação

apresenta uma única raiz real;

Para valores de potência ativas menores, encontramos sempre duas raízes

reais e positivas. A raiz maior é aquela que possui real significado, pois

atende a ambas as possibilidades no transmissor; central ou barramento

com tensão fixa. A raiz menor representa uma condição inviável de

operação e deve ser descartada.

A regulação da linha, como o seu rendimento, dependem grandemente do

valor da potência reativa no receptor, ou seja, do fator de potência do

sistema alimentado.

5.2.2 Linha de Transmissão Ligando uma Central Geradora a um Grande Sistema

É uma condição de operação frequentemente encontrada nos níveis mais altos dos

sistemas de energia elétrica. É o caso das centrais hidroelétricas, hoje cada vez mais

distantes e de potenciais maiores, que alimentam grandes sistemas de energia, contendo

outras centrais.

Análises preliminares de linhas funcionando nessas condições são feitas, em geral,

com algumas hipóteses simplificativas:

O sistema alimentado pela linha é considerado infinito, ou seja, sua

capacidade de receber e fornecer energia ativa e reativa é infinita no

receptor da linha;

A frequência do barramento de interligação é constante;

A tensão no barramento do receptor da linha é constante.

Essas condições dificilmente serão encontradas em sistemas reais, no entanto,

podem apresentar condições bastante próximas às ideais.

Uma vez definidos os principais parâmetros dessas linhas, são as mesmas

integradas nos modelos dos sistemas e seu desempenho é estudado pelas técnicas de

estudos de fluxo de carga e de estabilidade dos sistemas.

De acordo com as hipóteses iniciais, a central elétrica que alimenta a linha de

transmissão não terá influência alguma sobre a frequência de todo o sistema, como

também não exercerá controle algum sobre a tensão do mesmo. Da mesma forma, em

virtude da constância da frequência e da tensão, o sistema alimentado não exerce

influencia sobre a quantidade de energia transmitida pela linha. Esta dependerá

exclusivamente do modo de operação da central elétrica junto ao transmissor da linha.

Os geradores fornecem às linhas potências ativas de valores iguais à potência

fornecida à sua máquina primária menos as perdas de geração e de transformação. A

linha de transmissão terá que transportar essas potências ao sistema infinito. O valor da

potência ativa transportada pode ser influenciado somente pelos reguladores de abertura

das turbinas da central alimentadora (ângulo de potência).

Como a tensão no barramento do receptor é mantida constante pelo sistema maior,

a regulação da tensão da central elétrica no transmissor da linha poderá ser empregada

para regular o fluxo de potências reativas da linha.

5.2.3 Linha de Interligação de Sistemas

Neste caso,

a central é substituída

por um

novo

semelhantes às do sistema alimentado.

sistema, de características

As tensões, nos pontos de interligação, podem ser consideradas constantes e

ambos os sistemas possuem características de sistemas infinitos. Ambos podem

absorver ou fornecer energia ativa e reativa e a linha poderá transportar energia em

ambos os sentidos.

O fluxo das potências ativas poderá ser controlado através de um controle

diferenciado das gerações em cada um dos sistemas interligados. O fluxo das potências

reativas será controlado através do controle das tensões nos transmissores e receptores.

Uma vez que a geração de energia reativa próxima aos locais de uso é mais

econômica do que sua geração remota e consequente transporte por linhas de

transmissão, esse tipo de linha deve operar, como em geral o faz, com fator de potência

unitário no receptor.

5.2.4

Linha de Interligação Entre Dois Pontos de um Mesmo Sistema

São linhas que normalmente se destinam a aumentar a segurança e a flexibilidade

de operação de um sistema, facilitando a circulação das potências e melhorando a sua

regulação geral.

O projeto de uma linha de interligação deve ser precedido de um estudo geral do

sistema que estabeleça as condições de operação da linha mais conveniente, como

também os pontos mais indicados a serem interligados.

Nesse tipo de linha, as tensões nos pontos de interligação variam de acordo com

as condições de carga no sistema e os ângulos de potência são função do próprio

sistema.

Transformadores reguladores de tensão e de fase podem ser empregados para

regular os fluxos de potência ativas e reativas nessas linhas.

5.3

Meios

de

Controlar

Tensões

(Compensação das Linhas)

e

Ângulos

de

uma

Linha

O transporte de energia através de uma linha de transmissão depende da diferença

em módulo e fase, das tensões no transmissor e no receptor e das características das

linhas e das cargas alimentadas. Atuando sobre qualquer desses elementos, alteraremos

suas condições de funcionamento.

Se uma linha é alimentada por uma central elétrica e a variação de tensão em seu

receptor é pequena, os reguladores automáticos de tensão dos geradores podem regular

a tensão no transmissor de forma a manter a variação da tensão junto do receptor dentro

de limites razoáveis.

Nas linhas de subtransmissão, essa compensação se realiza nos próprios

transformadores elevadores equipados com comutadores automáticos sob carga, ou

através de reguladores indutivos de tensão.

  • 5.3.1 Regulação do Fator de Potência

A regulação e o rendimento de linhas que alimentam cargas passivas dependem

grandemente do fator de potência do sistema receptor.

Dependendo do valor da potência ativa a ser entregue no receptor, a linha poderá

ou não dispor de reativo suficiente para não só atender à demanda desse tipo de energia

pelo sistema alimentado, como também para consumo próprio, necessário para manter o

valor de tensão desejada no receptor.

Poderá também, dispor de excesso de reativo, obrigando-a a manter tensões

indesejavelmente altas junto ao receptor. O transporte de reativos pela linha, por outro

lado, dá origem a correntes mais elevadas, portanto a maiores perdas de energia.

A necessidade do controle das potências reativas junto aos receptores é de

importância primordial nesse tipo de transmissão. As empresas concessionárias, dentro

de certos limites, usam mesmo de medidas coercitivas contra consumidores cujos

fatores de potência são considerados baixos, empregando tarifas diversificadas. Essas

tarifas são fixadas de forma a compensar quaisquer investimentos que o consumidor

venha a ter que fazer para reduzir suas necessidades de energia reativa.

Nos receptores das linhas os problemas podem ser de dois tipos: necessidade de

geração de reativo para o sistema alimentado e eventualmente para a linha; e a absorção

do excesso de energia reativa da linha.

Para isso é necessário que haja compensação de energia reativa junto aos

terminais das linhas. Há dois tipos de equipamento de compensação: rotativos e

estáticos. Os primeiros são construídos principalmente por motores síncronos, enquanto

que, os segundos, por bancos de capacitores e reatores indutivos, associados ou

separados.

Compensadores Síncronos: são motores síncronos que não fornecem

potência mecânica em seus eixos, ou seja, trabalham a vazio. São a forma

mais eficiente para a realização da compensação do fator de potência,

apesar de seu custo elevado. Seu funcionamento baseia-se na conhecida

propriedade dos motores síncronos, de absorver energia reativa ou de

fornecer esse mesmo tipo de energia ao sistema a que estão ligados,

dependendo do seu grau de excitação.

Compensadores Estáticos: de custo inferior, são bastante utilizados, apesar

de apresentarem algumas desvantagens com relação à máquina síncrona,

principalmente devido ao fato de que equipamentos diferentes são

necessários para a produção ou absorção de energia reativa.

o Capacitores estáticos ligados em derivação: têm a capacidade de

gerar energia reativa. A fim de se obter a capacidade necessária e

para que operem sob determinadas tensões, é necessária a

formação de bancos de capacitores, por associação série-paralelo.

o

Reatores indutivos em derivação: absorvem o excesso de energia

reativa existente no sistema.

Uma associação adequada de reatores indutivos e capacitores reguláveis permite

obter uma compensação com características semelhantes àquelas dos compensadores

síncronos.

5.4 Compensação das Linhas de Transmissão

Em uma determinada linha de transmissão, com seus parâmetros elétricos fixos e

definidos, vários equipamentos podem ser usados para regular os fluxos das potências

ativas e reativas e as relações entre as tensões terminais. O elemento aparentemente

menos flexível é a própria linha, cujo parâmetros são função de suas características

físicas, rígidas para uma determinada construção. Sua alteração seria um meio de

reduzir certos efeitos indesejáveis em sua operação. Estes são tão mais acentuados

quanto maior o seu comprimento, como, por exemplo, o efeito Ferranti.

Felizmente, para a técnica das transmissões a longa distância, sem alterarmos as

características físicas das linhas, possuímos meios para alterar suas características de

transmissão, atuando sobre o seu circuito elétrico.

Nessas condições, é possível neutralizar o efeito do excesso de reatância

capacitiva, ou o excesso de reatância indutiva, ou mesmo ambos. Também é possível

alterar artificialmente o comprimento elétrico da linha.

Uma linha de transmissão para poder funcionar, necessita para a manutenção de

seus campos elétricos e magnéticos, de energia reativa, cujo sinal depende do regime de

carga com o qual opera.

Essa energia reativa deverá ser-lhe fornecida pelo sistema gerador a alimenta linha

de transmissão, e seu valor depende de seu comprimento e de sua classe de tensão.

Quando a linha opera em vazio ou com cargas pequenas, ela se comporta como um

capacitor, representando para o sistema alimentador, um gerador de energia reativa. Por

outro lado, com cargas elevadas em cujo limite encontramos a operação em curto

circuito, a linha absorve energia reativa para o seu funcionamento, havendo nesse

regime de operação predominância dos campos magnéticos.

Há apenas um ponto intermediário em que a linha é autossuficiente, há equilíbrio

entre a energia necessária aos seus campos elétricos e magnéticos e ela deixa de

absorver energia reativa, passando o período transitório de energização; é quando opera

com potência natural. Nesse caso, seu fator de potência é constante ao longo de todo o

seu comprimento. Ela deixa de solicitar o sistema alimentador por energia reativa, em

geral de custo elevado.

Somente uma parcela bastante pequena dessas potências pode ser fornecida ou

absorvida pelos sistemas, de forma que outra fontes de energia reativa são necessárias.

Já vimos que a forma de evitar o transporte de energia reativa através das linhas consiste

na produção e absorção da energia reativa junto do receptor, inclusive daquela requerida

pela rede alimentada. Para tanto, sugerimos o emprego de condensadores síncronos, ou

reatores indutivos e bancos de capacitores. Vejamos como satisfazer as necessidades de

energia reativa das linhas.

5.4.1 Compensação em Derivação

Visa a neutralizar o efeito das reatâncias em derivação das linhas através de

elementos em derivação absorvendo energia reativa de sinal oposto. Em outras palavras,

empregam-se reatores indutivos para compensar as reatâncias capacitivas naturais das

linhas.

Com essa compensação procura-se, principalmente, a neutralização do efeito

Ferranti, ligando-se a ambas as extremidades das linhas reatores indutivos de indutância

variável. As tensões nas extremidades da linha são mantidas no valor desejado. Na

Figura 5.4 representamos o esquema unipolar da linha compensada e o seu circuito

equivalente.

Ferranti, ligando-se a ambas as extremidades das linhas reatores indutivos de indutância variável. As tensões nas

Figura 5.4 – Esquema unipolar e circuito equivalente de uma linha compensada em

derivação.

O emprego dos reatores não elimina a elevação das tensões no meio da linha,

atuando somente em suas extremidades, como mostra a Figura 5.5. As tensões em

pontos intermediários podem também ser reduzidas ao nível da tensão do transmissor,

em vazio, com a instalação de reatores em pontos intermediários.

A conveniência da compensação total, como também do emprego de reatores

intermediários, está relacionada com a coordenação do isolamento da linha e os

investimentos necessários. Os reatores, em geral, são ligados diretamente ao barramento

de saída das linhas, nos sistemas em tensões mais elevadas, sendo, no entanto, comum

empregar para esse fim enrolamentos terciários dos transformadores terminais, em

sistemas de tensões mais baixas.

Figura 5.5 – Linha em vazio, perfis de tensão: a) sem compensação; b) com compensação; c)

Figura 5.5 – Linha em vazio, perfis de tensão: a) sem compensação; b) com

compensação; c) compensação intermediária e no receptor.

5.4.2 Compensação Série

Os parâmetros série das linhas de transmissão, reatância indutiva e resistência, são

os responsáveis pelas grandes quedas de tensão nas linhas.

A reatância indutiva é também responsável pelo ângulo de potência da linha,

portanto, pelo seu grau de estabilidade, tanto estática como dinâmica. Para a

manutenção de seu campo magnético, necessita da energia reativa que absorve do

sistema alimentador. Seus efeitos são proporcionais à corrente na linha.

A compensação poderá então, ser feita através de capacitores ligados em série,

capazes de reduzir e mesmo anular os efeitos da indutância da linha, quando vistos de

seus terminais. Nessas condições, o emprego de capacitores estáticos em série com as

linhas de transmissão vem recebendo um crescente impulso, pois apresenta as seguintes

vantagens:

Representam, em geral, a solução mais econômica para melhorar os

limites de estabilidade estática e transitória;

Melhoram a regulação das linhas;

Ajudam a manter o equilíbrio de energia reativa;

Melhoram a distribuição de cargas e as perdas globais no sistema.

Dessa forma, aumentando as capacidades de transporte das linhas, sua instalação

em linhas existentes pode protelar e mesmo evitar a construção de nova linha,

possivelmente de custo superior.

Os capacitores série, para o funcionamento ideal, deveriam ser distribuídos ao

longo da linha, porém, em virtude do custo envolvido em cada uma dessas instalações,

seu emprego é em geral limitado à suas extremidades e a um ou dois pontos

intermediários.

A localização ideal para os capacitores série é junto ao meio da linha, o que requer

a construção de uma subestação e vias de acesso adequadas. Um cálculo econômico

poderá indicar a posição mais adequada: no meio ou junto à suas extremidades.

Em uma linha equipada com capacitores série, verifica-se uma redução sensível

na queda de tensão reativa, acompanhada de uma redução no ângulo de potência da

linha. Este último fato indica que o emprego dos capacitores série aumenta a capacidade

de transporte das linhas.

5.5 Dispositivos FACTS

O aumento dos custos e das restrições ambientais tornou impraticável a estratégia

do sobredimensionamento e, ao mesmo tempo, dificultou a construção de novas

unidades de produção e linhas de transmissão. Por outro lado, tem-se observado um

aumento contínuo do consumo de energia elétrica. Por isso, tornou-se necessário o

desenvolvimento de meios para controlar diretamente os fluxos de potência em

determinadas linhas de um sistema.

O conceito de sistemas com fluxos de potência controláveis, ou “Flexible AC

Transmission System” (FACTS) agrupa um conjunto de equipamentos de eletrônica de

potência que permitem maior flexibilidade de controle dos sistemas elétricos. Estes

dispositivos são desenvolvidos com dois objetivos principais:

  • 1. Aumentar a capacidade de transmissão de potência das redes;

  • 2. Controlar diretamente o fluxo de potência em trajetos específicos de transmissão.

O fluxo de potência numa rede de transmissão está limitado por uma combinação

dos seguintes fatores:

Estabilidade;

Limites de tensão;

Limites térmicos de linhas ou equipamentos.

Os dispositivos FACTS são aplicáveis, de forma mais direta, às restrições de

transmissão de potência relacionadas com problemas de estabilidade.

Os principais equipamentos FACTS são:

SVC (Static Var Compensator)

TSSC (Thyristor Switched Series Condensador)

TCSC (Thyristor Controlled Series Condensador)

STATCOM (Static Synchronous Shunt Compensator)

SSSC (Static Synchronous Series Compensator)

UPFC (Unified Power Flow Controller)

IPFC (Interline Power Flow Controller)

CSC (Convertible Static Compensator)

5.6 Exercícios

I. Quais são os fatores limitantes para a capacidade de transmissão nas linhas longas e nas
I.
Quais são os fatores limitantes para a capacidade de transmissão nas linhas
longas e nas linhas curtas?
II.
Comente sobre o gráfico abaixo:
III.
Comente sobre os compensadores síncronos.
IV.
Comente sobre os compensadores estáticos.
V.
Comente sobre a compensação em derivação.
VI.
Comente sobre a compensação em série
VII.
Comente sobre os dispositivos FACTS

Capítulo 6 – Impedância em Série de Linhas de Transmissão

  • 6.1 Introdução

Uma linha de transmissão de energia elétrica possui quatro parâmetros:

resistência, indutância, capacitância e condutância, que influem em seu comportamento

como componentes de um sistema de potência. Estudaremos os dois primeiros neste

capítulo e a capacitância no próximo.

A condutância entre condutores ou entre condutor e terra leva em conta a corrente

de fuga nos isoladores das linhas aéreas de transmissão ou na isolação dos cabos

subterrâneos. No entanto, a condutância entre condutores de uma linha aérea pode ser

considerada nula, pois a fuga nos seus isoladores é desprezível.

  • 6.2 Resistência

A resistência dos condutores é a principal causa da perda de energia das linhas de

transmissão e definida por

R

Potência perdida no condutor

I

  • 2

onde a potência é dada em watts e I é o valor eficaz em ampères da corrente do

condutor. A resistência de um condutor só será igual à resistência em corrente contínua

se a distribuição de corrente no condutor for uniforme.

A resistência em corrente contínua é dada pela fórmula

R

0

l

A

onde ρ

é

a

transversal.

resistividade do condutor, l é o comprimento

e

A

é

a

área de seção

Pode ser usado qualquer conjunto coerente de unidades. Nos Estados Unidos às

vezes se usa especificar l em pés, A em circular mils (cmil) e ρ em ohms por circular

mil-pé. Em unidades do Sistema Internacional, l é dados em metros, A em metros

quadrados, e ρ em ohm-metro.

Um circular-mil (CM) é a área de um círculo com um diâmetro de um milésimo

de polegada.

Como os fabricantes nos EUA identificam os condutores por sua área de

seção transversal em CM, devemos ocasionalmente usar esta unidade. A área em

milímetros quadrados é igual à área em CM multiplicada por 5,067 x 10 -4 .

Na faixa normal de operação, a variação da resistência de um condutor metálico

com a temperatura é praticamente linear. Num gráfico da resistência em função da

temperatura, como na Figura 6.1, um prolongamento da porção retilínea do gráfico

fornece um método conveniente para correção da resistência para variações de

temperatura. O ponto de interseção do prolongamento da reta com o eixo da temperatura

para resistência zero é uma constante do material. Graficamente, pela Figura 6.1

R

2

T

t

2

R

1

T

t

1

onde R 1 e R 2 são as resistências do condutor às temperaturas t 1 e t 2 , respectivamente, em

graus Celsius e T é a constante determinada pelo gráfico.

seção transversal em CM, devemos ocasionalmente usar esta unidade. A área em milímetros quadrados é igual

Figura 6.1 – Resistência de um condutor metálico em função da temperatura

A distribuição uniforme de corrente pela seção transversal de um condutor ocorre

somente com corrente contínua. Uma corrente variável com o tempo provoca densidade

de corrente desuniforme e, à medida que aumenta a frequência de uma corrente

alternada, acentua-se a desuniformidade da distribuição de corrente alternada. Este

fenômeno é chamado efeito pelicular. Em um condutor circular, a densidade de corrente

usualmente cresce do interior para a superfície.

Exemplo 6.1: Um condutor possui 1000 pés, resistividade de 17 ohms por

circular mil-pé e área de seção transversal de 1113000 CM. Qual é a sua resistência em

corrente contínua?

Solução:

R

l

17 1000

  • 0 0,01527

A

=

1113000

Exemplo 6.2: A resistência em corrente contínua de um condutor é 0,01527 Ω à

temperatura de 20ºC. Sabendo que para este condutor T é igual a 228, qual é sua

resistência à temperatura de 50ºC?

Solução:

 

R

2

T

t

2

 

 

R

1

T

t

1

R

R

T

t

2

0,01527

228

50

 

2

1

T

t

1

228

20

6.3 Indutância

 

Para

um

condutor

 

cilíndrico,

a

indutância

0,01712

por

unidade

de

comprimento

(henrys/metro) devida apenas ao fluxo magnético interno ao condutor, é dada por

L

int

1

2

10

7

H/m

A Figura 6.2 mostra um condutor e os pontos externos P 1

devida apenas ao fluxo entre P 1 e P 2 é

e

P 2 ,

a indutância

D  7 2 L  2 10  ln H/m 1,2 D 1
D
 7
2
L
2 10
ln
H/m
1,2
D
1

Figura 6.2 – Um condutor e os pontos externos P 1 e P 2

A Figura 6.3 mostra um circuito com dois condutores de raios r 1 e r 2 . A indutância

total do circuito devida apenas à corrente do condutor 1 é

L

1

1

2

2ln

D

r

1

10

7

2 10

7

ln

D

r'

1

H/m

O raio

r'

  • 1 corresponde a um condutor físico, sem fluxo interno, porém com a

mesma indutância do condutor real, de raio r 1 ,

corrente no condutor 2 é

r' 0,7788r

1

1

. A indutância devida à

D  7 L  2 10  ln H/m 2 r' 2 Para o circuito
D
 7
L
2 10
ln
H/m
2
r'
2
Para o circuito completo
D
 7
L
L
L
4 10
ln
H/m
1
2
r' r'
1
2

Se

r'

1

r'

2

r' , a indutância total se reduz a

L

4 10

7

ln

D

r'

H/m

Para condutores compostos L X e L Y

L

X

2 10

7

ln

D

m

  • D s

H/m

onde D m ou DMG é a distância média geométrica entre os condutores X e Y e D s ou

RMG é o raio médio geométrico entre os fios dos condutores X.

A indutância do condutor composto Y é determinada de modo semelhante, e a

indutância da linha é

L L

X

L

Y

Exemplo 6.3: A Figura 6.3 mostra um circuito com dois condutores. Os fios do

condutor X possuem 0,25 cm de raio, os do condutor Y possuem 0,5 cm de raio.

Determine a indutância devida à corrente em cada lado da linha e a indutância completa.

Solução:

Determinemos a DMG entre os lados X e Y

D

m

L 1     1 2  2ln D r 1   

D

ae

D

bd

D

be

D

cd

D

ce

  • 6 D

ad

10,743 m

Para o RMG do lado X:

D

s

L 1     1 2  2ln D r 1   

3

0,7788 D

aa

D

bb

D

cc

D

ab

D

ac

D

ba

D

bc

D

ca

D

cb

9

0,481 m

e para o lado Y:

  • D s

  • L X

  • L Y

  • L



4

2

0,7788 D

 

D

D

D

0,153 m

 

dd

ee

de

ed

 

2

10

7

ln

10,743

6,212

10

7

H / m

0,481

2

10

7

ln

10,743

8,503 10

7

H / m

 

0,153

 

L

X

L

Y

14,715 10

7

H / m

e para o lado Y: D s L X L Y L   4 2

Figura 6.3

A Figura 6.4 mostra uma linha trifásica com espaçamento equilátero. A equação

que dá a indutância por fase de uma linha trifásica é

D  7 L  L  L  2 10  ln H/m a b
D
 7
L
L
L
2 10
ln
H/m
a
b
c
D
s

Figura 6.4

O cálculo da indutância ficará mais complicado quando a linha trifásica tiver seus

condutores com espaçamento assimétrico, pois, a indutância em cada fase não é a

mesma. O circuito fica desequilibrado quando cada fase tem indutância diferente. Pode-

se restaurar o equilíbrio entre as três fases trocando, a intervalos regulares, a posição

relativa entre os condutores, de modo que cada condutor ocupe a posição original de

cada um dos outros por uma distância igual. Chama-se transposição a essa troca de

posições. Um ciclo completo de transposição é apresentado na Figura 6.5. Os

condutores de cada fase são designados pelas letras a, b e c, e as posições indicadas

pelos números 1, 2 e 3. A transposição resulta em que a indutância média de cada

condutor, em um ciclo completo de transposição, seja a mesma.

O cálculo da indutância ficará mais complicado quando a linha trifásica tiver seus condutores com espaçamento