Você está na página 1de 38

Direito Penal IV

Professor José Felício Dutra Júnior feliciodutra@yahoo.com.br

DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

Os crimes contra a Incolumidade Pública estão previstos no Título VIII da parte especial do Código Penal. Eles estão divididos em três Capítulos, a saber:

Penal. Eles estão divididos em três Capítulos, a saber: I - Dos Crimes De Perigo Comum;

I - Dos Crimes De Perigo Comum; II - Dos Crimes Contra a Segurança dos Meios de Comunicação e Transporte e outros Serviços e Públicos; III - Dos Crimes Contra a Saúde Pública.

e Públicos; III - Dos Crimes Contra a Saúde Pública. • A intenção do legislador foi
e Públicos; III - Dos Crimes Contra a Saúde Pública. • A intenção do legislador foi

A intenção do legislador foi tpifcar um conjunto de crimes de perigo na legislação penal de modo a prevenir a prátca de determinados atos que causem uma situação de risco à sociedade. Daí usar a expressão incolumidade pública, ou seja, salvaguardar a segurança da sociedade, evitando que ela seja exposta à perigo, pois esses crimes não são tolerados pela coletvidade.

DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

Para entendê-los, é necessário que o estudante tenha em mente a diferença entre:

que o estudante tenha em mente a diferença entre: a) dolo direto e indireto, culpa consciente

a)

dolo direto e indireto, culpa consciente e

inconsciente;

a) dolo direto e indireto, culpa consciente e inconsciente; b) c) imprudência, negligência ou imperícia; crime

b)

dolo direto e indireto, culpa consciente e inconsciente; b) c) imprudência, negligência ou imperícia; crime de

c)

imprudência, negligência ou imperícia; crime de perigo concreto ou crime de perigo

abstrato, crime de perigo individual ou crime de perigo coletvo;

de perigo concreto ou crime de perigo abstrato, crime de perigo individual ou crime de perigo

d)

crime de dano.

DOLO DIRETO E INDIRETO, CULPA CONSCIENTE E INCONSCIENTE

IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA OU IMPERÍCIA

CRIME DE PERIGO CONCRETO E CRIME DE PERIGO ABSTRATO

Segundo Guilherme Nucci, enquanto o crime de dano consuma-se com a efetva lesão a um bem juridicamente tutelado, o crime de perigo contenta-se com a mera probabilidade de dano (NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado. 15ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. P. 758).

O crime de perigo trata-se de um juízo de probabilidade que se funda na normalidade dos fatos, vale dizer, conforme o que usualmente costuma acontecer, o legislador leva em consideração o dano em potencial gerado.

Para a conduta configurar um crime de perigo, este deve ser concreto, ou seja, a doutrina majoritária sustenta a distinção entre o perigo concreto e o perigo abstrato, considerando-se o primeiro como a probabilidade de ocorrência de um dano que necessita ser devidamente provada pelo órgão acusador, enquanto o segundo significa uma probabilidade de dano presumida pela lei, que independe de prova no caso concreto.

CRIME DE PERIGO INDIVIDUAL OU CRIME DE PERIGO COLETIVO

Crime de perigo individual

OU CRIME DE PERIGO COLETIVO • Crime de perigo individual quer dizer que o crime é

quer dizer que o crime é

praticado contra pessoa(s) determinada(s). Pode ser uma pessoa ou um grupo determinado de pessoas.

Crime de perigo coletivo

grupo determinado de pessoas. • Crime de perigo coletivo quer dizer que o crime é praticado

quer dizer que o crime é

praticado contra qualquer pessoa (não há foco do agente), ou seja, pessoas indeterminadas.

Por exemplo, o art. 132 do CP trata-se de crime de perigo individual (Dos crimes contra a pessoa); e, o art. 250 do CP trata-se de crime de perigo comum ou coletivo (Dos crimes contra a incolumidade pública).

CRIME DE DANO

O crime de dano deste subtítulo não se confunde com aquele previsto no art. 163 do Código Penal, em que diz destruir, inutlizar ou deteriorar coisa alheia”.

Aqui, a ideia é de uma conceituação ampla, onde o dano se configura a partir do momento em que há lesão efetiva ao bem jurídico tutelado.

Aos crimes contra a Incolumidade Pública previstos no Título VIII da parte especial do Código Penal, se a situação de risco gerar um dano efetivo a integridade física de outrem de modo que o resultado seja lesão corporal grave ou morte, o agente será imputado cumulatvamente ao artgo 258 do Código Penal. E, SE O AGENTE TINHA INTENSÃO DE MATAR, E USOU COMO MEIO O INCÊNDIO, MATANDO A VÍTIMA E GERANDO PERIGO CONCRETO PARA OUTRAS PESSOAS INDETERMINADAS?

DOS CRIMES DE PERIGO COMUM

Incêndio;

Explosão;

Uso de gás tóxico ou asfxiante;

Fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou gás tóxicos, ou asfxiante; Inundação; Perigo de inundação;

Desabamento ou desmoronamento;

Subtração, ocultação ou inutlização de material de

salvamento;

Difusão de doença ou praga.

Incêndio

Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

Aumento de pena

§ 1º - As penas aumentam-se de um terço:

I - se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou

alheio;

II - se o incêndio é:

a) em casa habitada ou destinada a habitação;

b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de

cultura;

c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo;

d) em estação ferroviária ou aeródromo;

e) em estaleiro, fábrica ou oficina;

f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável;

g) em poço petrolífico ou galeria de mineração;

h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta.

Incêndio culposo

§ 2º - Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de seis meses a dois anos.

Bem jurídico

Incêndio

Incolumidade pública, isto é, perigo comum que• Bem jurídico Incêndio pode decorrer das chamas provenientes de um incêndio. A simples exposição a

pode decorrer das chamas provenientes de um incêndio. A simples exposição a perigo justifica a proteção. Não apresentando riscos à incolumidade pública, não ocorre delito, podendo configurar dano qualificado (art. 163, par. único, II).

Sujeitos do crime

(art. 163, par. único, II). • Sujeitos do crime Sujeito atvo: Crime comum, isto é, não

Sujeito atvo: Crime comum, isto é, não

exige nenhuma qualidade do agente (pode ser até o proprietário do bem). Sujeito passivo: coletividade e aqueles que têm sua integridade pessoal ou patrimonial lesada ou ameaçada pelo

dano.

Tipo objetivo

Voluntária causação de fogo relevante (perigo perigo

concreto), expondo a perigo coisas ou pessoas indeterminadas. Se o agente visar expor a perigo somente uma pessoa ou um grupo certo e determinado, o crime será aquele previsto no art. 132 do CP.

Incêndio

Tipo subjetivo: adequação típica

Incêndio • Tipo subjetivo: adequação típica Dolo vontade consciente de causar incêndio. Não exige elemento

Dolo

vontade consciente deIncêndio • Tipo subjetivo: adequação típica Dolo causar incêndio. Não exige elemento subjetivo especial. A

causar incêndio. Não exige elemento subjetivo especial. A existência de um fim especial poderá majorar a pena, ou tipificar outra infração

penal. Se visar a obtenção de vantagem pecuniária, em proveito próprio ou alheio, a pena será majorada em um terço (§1º, I).

Consumação e tentativa

Crime formalem um terço (§1º, I). • Consumação e tentativa verificação do perigo concreto, efetivo, embora não

verificação do perigo(§1º, I). • Consumação e tentativa Crime formal concreto, efetivo, embora não se exija a produção

concreto, efetivo, embora não se exija a produção de chamas. Admite-

se a tentativa, segundo Bitencourt.

Classificação doutrinária

Comum; formal; causar incêndio (não sesegundo Bitencourt. • Classificação doutrinária pode negar que causa transformação no mundo exterior

pode negar que causa transformação no mundo exterior perceptível

pelos sentidos e, nesse sentido, pode-se classificá-lo como material); de forma livre; comissivo (pode ser comissivo por omissão); perigo concreto; instantâneo; unissubjetvo; plurissubsistente.

Aumento de pena

Forma culposa

plurissubsistente. • Aumento de pena • Forma culposa §1º, incisos I e II, art. 250. §2º

§1º, incisos I e II, art. 250.

de pena • Forma culposa §1º, incisos I e II, art. 250. §2º do art. 250.

§2º do art. 250.

Concurso formal com o crime de homicídio qualificado.

Incêndio em mata ou floresta: Crime ambiental

Art. 41 da Lei 9.605/98

Fogo potencialmente lesivo às matas eou floresta: Crime ambiental • Art. 41 da Lei 9.605/98 florestas incolumidade pública, visto que aquele

florestas

incolumidade pública, visto que aquele dispositivo tutela o ambiente,

pública, visto que aquele dispositivo tutela o ambiente, Quando do incêndio não advém perigo concreto à

Quando do incêndio não advém perigo concreto à

resguardando a integridade das matas e florestas.

Art. 250 da Lei 9.605/98 pastagem.

Art. 54 da Lei 9.605/98

250 da Lei 9.605/98 pastagem. • Art. 54 da Lei 9.605/98 Se o fogo for provocado

Se o fogo for provocado em lavoura ou

Poluição atmosférica oriunda de incêndio,54 da Lei 9.605/98 Se o fogo for provocado em lavoura ou com resultado lesivo à

com resultado lesivo à saúde humana, aos animais e à flora.

Materialidade do crime de incêndio

(art. 173 do CPP). Se não há risco à incolumidade pública, pode configurar crime de dano simples ou qualificado. E, se o agente objetiva expor a perigo um

ou qualificado. E, se o agente objetiva expor a perigo um necessidade de prova técnica número

necessidade de prova técnica

número determinado de pessoas, responderá pelo crime do art. 132 do CP.

Ação penal pública incondicionada.

Explosão

Explosão Art. 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

§ 1º - Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Aumento de pena

§ 2º - As penas aumentam-se de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1º, I, do artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo parágrafo.

Modalidade culposa

§ 3º - No caso de culpa, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos, a pena é de detenção, de seis meses a dois anos; nos demais casos, é de detenção, de três meses a um ano.

Bem jurídico

Explosão

incolumidade pública• Bem jurídico Explosão a simples exposição a perigo justifica a proteção, pois a eventual produção

• Bem jurídico Explosão incolumidade pública a simples exposição a perigo justifica a proteção, pois a

a simples exposição a

perigo justifica a proteção, pois a eventual produção de dano é irrelevante para a caracterização do crime.

Sujeito do crime

para a caracterização do crime. • Sujeito do crime sujeito ativo crime comum; sujeito passivo além

sujeito ativo

do crime. • Sujeito do crime sujeito ativo crime comum; sujeito passivo além da coletividade, é

crime comum; sujeito passivo

Sujeito do crime sujeito ativo crime comum; sujeito passivo além da coletividade, é a pessoa especificamente

além da coletividade, é a pessoa especificamente atingida pela explosão.

Tipo objetivo

“expor a perigo” (arriscar, colocar em perigo); a a perigo” (arriscar, colocar em perigo); a

vida, a integridade física e o patrimônio. i) Explosão, “ato ou efeito de rebentar com violência, estrondo e deslocamento de ar”; ii) arremesso de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos; iii) colocação de dinamite ou substância de efeitos análogos.

Tipo subjetivo

ou substância de efeitos análogos. • Tipo subjetivo Dolo vontade consciente de causar explosão ou arremessar

Dolo

substância de efeitos análogos. • Tipo subjetivo Dolo vontade consciente de causar explosão ou arremessar ou

vontade consciente de causar explosão ou

arremessar ou colocar engenho de explosivo. Não há fim especial (elemento subjetivo especial do tipo), havendo pode configurar outro crime, ou a causa de aumento de pena (§2°).

Consumação e tentativa

Explosão

Consuma-se com a explosão,• Consumação e tentativa Explosão arremesso ou simples colocação de explosivo. A tentativo é possível somente

arremesso ou simples colocação de explosivo. A tentativo é

possível somente nas duas primeira modalidades.

Classificação doutrinária

Crime comum; formal; de formaduas primeira modalidades. • Classificação doutrinária livre; comissivo (pode ser comissivo por omissão –

livre; comissivo (pode ser comissivo por omissão agente

garantidor); perigo concreto; instantâneo; unissubjetvo; e, plurissubsistente.

§1° do art. 251 (substancia utilizada)

Forma privilegiada

Causa de aumento de pena

Forma culposa

OBS.: Não ocorrendo perigo concreto à incolumidade pública, e não sendo própria a coisa, poderá configurar o crime de dano qualificado (art. 163, par. único). Ação penal pública incondicionada.

o crime de dano qualificado (art. 163, par. único). • Ação penal pública incondicionada. §2° do
o crime de dano qualificado (art. 163, par. único). • Ação penal pública incondicionada. §2° do

§2° do art. 251

o crime de dano qualificado (art. 163, par. único). • Ação penal pública incondicionada. §2° do

§3°

Uso de gás tóxico ou asfixiante

Art. 252 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, usando de gás tóxico ou asfixiante:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Modalidade Culposa

Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de três meses a um ano.

Uso de gás tóxico ou asfixiante

Bem jurídico

incolumidade públicaUso de gás tóxico ou asfixiante • Bem jurídico o perigo comum que pode decorrer das

ou asfixiante • Bem jurídico incolumidade pública o perigo comum que pode decorrer das condutas proibidas.

o perigo comum que pode

decorrer das condutas proibidas. A simples exposição a perigo justifica a proteção, porque eventual intoxicação e asfixia é irrelevante para

configurar este tipo penal.

Sujeitos do crime

para configurar este tipo penal. • Sujeitos do crime sujeito ativo crime comum; sujeito passivo coletividade,

sujeito ativo

este tipo penal. • Sujeitos do crime sujeito ativo crime comum; sujeito passivo coletividade, e,

crime comum; sujeito passivo

do crime sujeito ativo crime comum; sujeito passivo coletividade, e, especificamente, a pessoa que tem sua

coletividade, e, especificamente, a pessoa que tem sua vida,

integridade física ou o patrimônio ofendidos ou ameaçados.

Tipo objetivo

“expor a perigo a vida”. É indispensável que o gás a perigo a vida”. É indispensável que o gás

tenha toxicidade suficiente para pôr em perigo a vida, a saúde ou o

patrimônio de outrem. A detonação de ampola de gás lacrimogêneo,

mesmo em recinto fechado, não tem toxicidade suficiente para criar o perigo exigível.

Tipo subjetivo

para criar o perigo exigível. • Tipo subjetivo dolo vontade consciente de expor a perigo o

dolo

para criar o perigo exigível. • Tipo subjetivo dolo vontade consciente de expor a perigo o

vontade consciente de expor a perigo o bem

jurídico, por meio de gás tóxico ou asfixiante. Pode configurar-se também o dolo eventual. Se houver dolo de dano, que também pode ser eventual, caracterizar-se-á outro crime.

Uso de gás tóxico ou asfixiante

Consumação e tentativa

consuma-se com a instalação dade gás tóxico ou asfixiante • Consumação e tentativa situação de perigo comum e concreto. Não

situação de perigo comum e concreto. Não se configura a forma

tentada na prática.

Classificação doutrinária

Crime comum; formal; de forma forma

vinculada (usando gás tóxico ou asfixiante); comissivo (pode ser omissivo impróprio); de perigo concreto; instantâneo; unissubjetvo; plurissubsistente.

Forma culposa

Letalidade do gás

• Forma culposa • Letalidade do gás parágrafo único do art. 252. irrelevância não é preciso

parágrafo único do art. 252.

• Letalidade do gás parágrafo único do art. 252. irrelevância não é preciso que o gás
• Letalidade do gás parágrafo único do art. 252. irrelevância não é preciso que o gás

irrelevância

não é preciso que o gás seja

mortal para configurar o tipo penal.

Admite a suspensão condicional do processo.

Ação penal pública incondicionada.

Fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante.

Art. 253 - Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante.

Bem jurídico

Bem jurídico incolumidade pública perigo comum que pode decorrer das condutas proibidas configura o exaurimento do

incolumidade pública

Bem jurídico incolumidade pública perigo comum que pode decorrer das condutas proibidas configura o exaurimento do

perigo comum que pode

decorrer das condutas proibidas configura o exaurimento do crime.

das condutas proibidas configura o exaurimento do crime. ocorrendo o dano, então, apenas sujeito crime comum;

ocorrendo o dano, então, apenas

configura o exaurimento do crime. ocorrendo o dano, então, apenas sujeito crime comum; sujeito passivo coletividade

sujeito

configura o exaurimento do crime. ocorrendo o dano, então, apenas sujeito crime comum; sujeito passivo coletividade

crime comum; sujeito passivo

configura o exaurimento do crime. ocorrendo o dano, então, apenas sujeito crime comum; sujeito passivo coletividade

coletividade

e

o Estado, que é, por presunção, o titular da incolumidade pública.

Tipo objetivo

Tipo objetivo condutas: i) fabricar; ii) fornecer; iii) adquirir; iv)

condutas: i) fabricar; ii) fornecer; iii) adquirir; iv)

possuir; v) transportar. A lei presume o perigo comum, sendo dispensável sua superveniência. Explosivo deteriorado, insuscetível de

alcançar sua destinação, porém, não caracteriza o crime, porque ausente

o

perigo à incolumidade pública por crime impossível. Elemento

normativo

normativo “sem licença de autoridade”. O desconhecimento da

“sem licença de autoridade”. O desconhecimento da

inexistência dessa licença, ou o desconhecimento da necessidade dela,

podem caracterizar o erro de tipo.

Tipo subjetivo

podem caracterizar o erro de tipo. Tipo subjetivo dolo vontade consciente de praticar qualquer das

dolo

podem caracterizar o erro de tipo. Tipo subjetivo dolo vontade consciente de praticar qualquer das

vontade consciente de praticar qualquer das

condutas. Não há elemento subjetivo especial. Não há modalidade culposa.

Fabrico, fornecimento, aquisição, posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante.

Consumação e tentativa

gás tóxico, ou asfixiante. • Consumação e tentativa consuma-se com a prática de qualquer uma das

consuma-se com a prática de

qualquer uma das condutas. A tentativa é de difícil configuração, e a doutrina majoritária afirma que não há forma tentada.

Classificação doutrinária: Crime comum; formal; de forma livre; comissivo; perigo abstrato (perigo presumido pela lei); instantâneo (mas, permanente, nas modalidades “possuir” e “transportar”); unissubjetivo, plurissubsistente.

OBS.: Se o fabrico de explosivos é meio para a prática do

crime de dano qualificado (art. 163, par. único, II), não se verifica o concurso material, mas sim a absorção daquele por este. Ação pena pública incondicionada.

Inundação

Art. 254 - Causar inundação, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa, no caso de dolo, ou detenção, de seis meses a dois anos, no caso de culpa.

Bem jurídico

Inundação

Incolumidade pública (perigo comum)• Bem jurídico Inundação A simples exposição a perigo já configura o tipo penal. • Sujeitos

A
A

simples exposição a perigo já configura o tipo penal.

Sujeitos do crime

a perigo já configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito

Sujeito atvo

configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo integridade física

crime comum; sujeito

passivo

integridade física e patrimonial expostas a perigo.

passivo integridade física e patrimonial expostas a perigo. coletividade, e as pessoas que tiveram sua vida,

coletividade, e as pessoas que tiveram sua vida,

Tipo objetivo

“causar” (dar causa, motivar, produzir) inundação (dar causa, motivar, produzir) inundação

(alagamento provocado pela saída de água de seus limites), expondo a perigo concreto e efetivo.

Tipo subjetivo

expondo a perigo concreto e efetivo. • Tipo subjetivo Dolo vontade de causar inundação tendo a

Dolo

a perigo concreto e efetivo. • Tipo subjetivo Dolo vontade de causar inundação tendo a consciência

vontade de causar inundação tendo a

consciência de que expõe as perigo a vida, a integridade física ou patrimonial de outrem. Não há previsão de elemento subjetivo especial. Pune-se também a modalidade culposa.

Consumação e tentativa

também a modalidade culposa. • Consumação e tentativa Consuma- se com a efetivação da inundação, desde

Consuma-se com a efetivação da

inundação, desde que dela decorra perigo concreto. Admite-se, em tese, a tentativa.

Classificação doutrinária

Inundação

• Classificação doutrinária Inundação Trata- se de crime comum, formal; de forma livre; comissivo (ou omissivo

Trata-se de crime comum, formal; de

forma livre; comissivo (ou omissivo impróprio); de perigo concreto; instantâneo; unissubjetvo; plurissubsistente.

Forma culposa

Inundação e perigo de inundação

• Forma culposa • Inundação e perigo de inundação Prevista na parte da sanção Não há

Prevista na parte da sanção

e perigo de inundação Prevista na parte da sanção Não há que se confundir a tentativa

Não há que se confundir a

tentativa de inundação com o crime de perigo de inundação (art. 255). A distinção entre ambos é feita pelo elemento subjetivo, pois no perigo de inundação o agente não quer o alagamento nem assume o risco de produzi-lo.

OBS.: Se não se configura perigo à incolumidade pública, a inundação poderá, conforme o caso, caracterizar o crime de usurpação de água (art. 161, §1°, I) ou dano (art. 163). Ver o art. 20 da Lei n. 7.170/83, na hipótese de devastamento atentatório à

segurança nacional. Ação penal pública incondicionada.

Perigo de Inundação

Art. 255 - Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação:

Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

Perigo de Inundação

Bem jurídico

Incolumidade pública (perigo comum)Perigo de Inundação • Bem jurídico A simples exposição a perigo já configura o tipo penal.

• Bem jurídico Incolumidade pública (perigo comum) A simples exposição a perigo já configura o tipo

A simples

exposição a perigo já configura o tipo penal.

Sujeitos do crime

a perigo já configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito

Sujeito atvo

configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo coletividade, e

crime comum; sujeito passivo

Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo coletividade, e as pessoas que tiveram sua

coletividade, e as pessoas que tiveram sua vida, integridade física

e patrimonial expostas a perigo.

Tipo objetivo

São 3 as ações previstas: remover; destruir oufísica e patrimonial expostas a perigo. • Tipo objetivo inutlizar; que se conjugam com o verbo

inutlizar; que se conjugam com o verbo expor, que tem o mesmo

sentido de arriscar (já contém o fator perigo, ou seja, expor alguém

é colocar a pessoa em perigo). O objeto material é o obstáculo

natural ou obra destinada a impedir inundação, cuja remoção, destruição ou inutilização cause perigo concreto e efetivo à vida, integridade física ou patrimonial de outrem.

à vida, integridade física ou patrimonial de outrem. • O agente não quer a inundação, embora

O agente não quer a inundação, embora tenha conhecimento do perigo de sua ocorrência. Alguns doutrinadores defendem que a superveniência da inundação faz com que o agente responda pelo crime do art. 255 em concurso formal com o crime do art. 254.

Perigo de Inundação

Tipo subjetivo

Perigo de Inundação • Tipo subjetivo Dolo de perigo vontade de expor a perigo a vida,

Dolo de perigo

Perigo de Inundação • Tipo subjetivo Dolo de perigo vontade de expor a perigo a vida,

vontade de expor a

perigo a vida, a integridade física ou patrimonial de outrem.

Não há previsão de elemento subjetivo especial. Não se pune a modalidade culposa.

Consumação e tentativa

se pune a modalidade culposa. • Consumação e tentativa Consuma-se com a prática de qualquer um

Consuma-se com a prática de

qualquer um dos verbos nucleares, criando o perigo comum, independentemente da ocorrência da inundação. Não se

admite a tentativa.

Classificação doutrinária

ação múltpla ou de conteúdo variado; de forma livre; comissivo; de perigo concreto; instantâneo; unissubjetvo; plurissubsistente. Ação penal pública.

perigo concreto; instantâneo; unissubjetvo; plurissubsistente. • Ação penal pública. Crime comum; formal; crime de

Crime comum; formal; crime de

Desabamento ou desmoronamento

Art. 256 - Causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Modalidade culposa Parágrafo único - Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de seis meses a um ano.

Desabamento ou desmoronamento

Bem jurídico

Incolumidade pública (perigo comum)Desabamento ou desmoronamento • Bem jurídico A simples exposição a perigo já configura o tipo penal.

• Bem jurídico Incolumidade pública (perigo comum) A simples exposição a perigo já configura o tipo

A simples

exposição a perigo já configura o tipo penal.

Sujeitos do crime

a perigo já configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito

Sujeito atvo

configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo coletividade, e

crime comum; sujeito passivo

Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo coletividade, e as pessoas que tiveram sua

coletividade, e as pessoas que tiveram sua vida, integridade física e patrimonial expostas a perigo.

Tipo objetivo

A conduta consiste em causar (organizar, produzir,física e patrimonial expostas a perigo. • Tipo objetivo provocar) desabamento ou desmoronamento, que podem ser

provocar) desabamento ou desmoronamento, que podem ser totais ou parciais, desde que motivem o aparecimento de perigo comum concreto. Desabamento é a construção. Desmoronamento é de solo, de terra e de rocha. Caso não sobrevenha risco à incolumidade pública, poderá o desabamento configurar contravenção penal prevista no art. 29 da LCP. Se afetar somente vítimas da área interna do terreno, desclassifica-se para os arts. 121, §3°, e 129, §6°, do CP. Se o desabamento ou

desmoronamento foi provocado mediante emprego de explosivo, com a produção de perigo concreto, aplica-se o princípio da consumação, respondendo o agente apenas pelo delito do art. 251.

Desabamento ou desmoronamento

Tipo subjetivo

Desabamento ou desmoronamento • Tipo subjetivo dolo vontade consciente de provocar desabamento ou desmoronamento. O fim

dolo

Desabamento ou desmoronamento • Tipo subjetivo dolo vontade consciente de provocar desabamento ou desmoronamento. O fim

vontade consciente de provocar

desabamento ou desmoronamento. O fim especial do agente é irrelevante para configurar o tipo penal. Há

previsão de modalidade culposa.

Consumação e tentativa

de modalidade culposa. • Consumação e tentativa consuma-se com a criação da situação de perigo.

consuma-se com a criação da

situação de perigo. Admite-se, teoricamente, a tentativa, por ser crime material.

Classificação doutrinária

por ser crime material. • Classificação doutrinária Crime comum; material; de forma livre; comissivo; de perigo

Crime comum; material; de

forma livre; comissivo; de perigo concreto; instantâneo;

unissubjetvo; plurissubsistente. Ação penal pública incondicionada.

Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento

Art. 257 - Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento

Bem jurídico

Incolumidade pública (perigo comum)inutilização de material de salvamento • Bem jurídico A simples exposição a perigo já configura o

• Bem jurídico Incolumidade pública (perigo comum) A simples exposição a perigo já configura o tipo

A simples

exposição a perigo já configura o tipo penal.

Sujeitos do crime

a perigo já configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito

Sujeito atvo

configura o tipo penal. • Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo coletividade, e

crime comum; sujeito passivo

Sujeitos do crime Sujeito atvo crime comum; sujeito passivo coletividade, e as pessoas que tiveram sua

coletividade, e as pessoas que tiveram sua vida, integridade física e

patrimonial expostas a perigo.

Tipo objetivo

Ocorre por ocasião de incêndio, inundação, naufrágiofísica e patrimonial expostas a perigo. • Tipo objetivo ou outro desastre ou calamidade: i) subtrair;

ou outro desastre ou calamidade: i) subtrair; ii) ocultar; iii) ou inutlizar. O objeto material é o aparelho, material ou qualquer outro

meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou

salvamento. iv) Impedir (obstar) ou difcultar (tornar difícil).

Tipo subjetivo

(obstar) ou difcultar (tornar difícil). • Tipo subjetivo Dolo vontade consciente de praticar qualquer das condutas,

Dolo

ou difcultar (tornar difícil). • Tipo subjetivo Dolo vontade consciente de praticar qualquer das condutas, tendo

vontade consciente de praticar qualquer das

condutas, tendo consciência da existência de inundação, naufrágio ou outro desastre ou calamidade pública. Não há previsão de modalidade culposa.

Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento

ocultação ou inutilização de material de salvamento • Consumação e tentativa O crime se consuma com

Consumação e tentativa O crime se consuma com a prática dos verbos nucleares, mesmo que não haja frustração de salvamento ou de socorro. Admite-se a tentativa. Classificação doutrinária Crime comum; formal; crime de ação múltpla ou de conteúdo variado; de forma livre; comissivo; de perigo abstrato; instantâneo, mas permanente na modalidade de “ocultar”; unissubjetvo; plurissubsistente. Ação penal pública incondicionada.

permanente na modalidade de “ocultar”; unissubjetvo; plurissubsistente. • Ação penal pública incondicionada.

Formas majoradas de crime de perigo comum

Art. 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena privatva de liberdade é aumentada de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço. OBS.: A lesão e a morte não podem ser a finalidade do dolo do agente, mas sim resultado gravoso do crime contra a incolumidade pública. Em havendo várias vítimas, responderá o agente por apenas um delito majorado pelo resultado, excluindo o concurso formal. Se do crime resulta morte e lesão corporal, aplica-se a majorante da morte, por ser mais grave.

Difusão de doença ou praga

Art. 259 - Difundir doença ou praga que possa

causar dano a floresta, plantação ou animais de utilidade econômica:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Modalidade culposa

Parágrafo único - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a seis meses, ou multa.

Difusão de doença ou praga

Bem jurídico

incolumidade pública, particularmente o perigoDifusão de doença ou praga • Bem jurídico comum resultante de doenças e pragas que possam

comum resultante de doenças e pragas que possam causar danos a floresta, plantações ou animais de utilidade econômica.

Sujeitos do crime

ou animais de utilidade econômica. • Sujeitos do crime sujeito atvo crime comum (incluindo o proprietário

sujeito atvo

de utilidade econômica. • Sujeitos do crime sujeito atvo crime comum (incluindo o proprietário de floresta,

crime comum (incluindo o

proprietário de floresta, plantações ou animais); sujeito passivo a coletividade.

plantações ou animais); sujeito passivo a coletividade. • Tipo objetivo Difundir significa espalhar, disseminar,

Tipo objetivo

Difundir significa espalhar, disseminar, propagar.sujeito passivo a coletividade. • Tipo objetivo Doença é a perturbação, a alteração da saúde. Praga

Doença é a perturbação, a alteração da saúde. Praga é qualquer

outro mal grave que atinge a coletividade de plantas ou animais; praga, à semelhança de epidemia, é “um surto maléfico e transeunte”, capaz de danificar florestas, plantações ou animais de utilização econômica.

Tipo subjetivo

ou animais de utilização econômica. • Tipo subjetivo dolo vontade consciente de difundir doenças ou pragas,

dolo

animais de utilização econômica. • Tipo subjetivo dolo vontade consciente de difundir doenças ou pragas, tendo

vontade consciente de difundir doenças

ou pragas, tendo consciência de causar perigo comum. Não há necessidade de elemento subjetivo especial. Pune-se a culpa.

Difusão de doença ou praga

Consumação e tentativa

Difusão de doença ou praga • Consumação e tentativa consuma-se com a real difusão de doença

consuma-se com a real difusão de

doença ou praga, desde que seja potencialmente lesiva. Não

há necessidade de comprovar o real perigo comum, sendo suficiente sua idoneidade perigosa.

Classificação doutrinária

sua idoneidade perigosa. • Classificação doutrinária Crime comum; formal; de forma livre; comissivo; perigo

Crime comum; formal; de forma

livre; comissivo; perigo abstrato (coloca um número indeterminado de pessoas em perigo, que, contudo, não

precisa ser demonstrado); instantâneo; unissubjetvo; plurissubsistente.

Forma culposa

Admite a suspensão condicional do processo, em face da pena mínima. Ação penal pública incondicionada.

suspensão condicional do processo, em face da pena mínima. • Ação penal pública incondicionada. parágrafo único

parágrafo único