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Índice

Prefácio

Apresentação

Capítulo 1 — Auto-imagem: que é isto?


Edificando a base n. 1
Capítulo 2 — Um novo nome para um conceito bíblico.
Edificando a base n°. 2
Capítulo 3 — Resultados de uma auto-imagem negativa.
Edificando a base n°. 3
Capítulo 4 — Como você decidiu quem você é
Edificando a base n°. 4
Capítulo 5 — Crescendo com papai e mamãe
Edificando a base nº. 5
Capítulo 6 — Histórias da infância
Edificando a base nº. 6
Capítulo 7 — A questão do Pai ausente
Edificando a base nº. 7
Capítulo 8 — A tríplice base da auto-imagem
Edificando a base n°. 8
Capítulo 9 — Reestruturando os alicerces
Edificando a base n°. 9
Capítulo 10 — Um novo senso de segurança
Edificando base nº. 10
Capítulo 11. — Um novo senso de valor
Edificando a base n°. 11
Capítulo 12 — Um novo senso de competência
Edificando a base nº. 12
Capítulo 13 — Refazendo o relacionamento “pais-filhos”
Edificando a base nº. 13
Capítulo 14 — Transformando-se à semelhança de Cristo
Edificando a base nº. 14
Capítulo 15 — O objetivo da auto-imagem
Edificando a base nº. 15
Hábitos para Desenvolver e Aperfeiçoar Sua Auto-imagem
Este livro pode mudar sua vida!

Quando lemos um livro, muitas vezes decidimos:


Memorizar alguns textos principais
— Fazer algo especial para alguma pessoa
— Mudar alguma coisa em nossa vida.
Pouco tempo depois, porém, esquecemos completamente nossas boas intenções! Por esse motivo,
gostaria de apresentar...

Cinco Maneiras Práticas de Transformar Suas intenções em Atitudes Práticas*

1. Anote em fichas
Escreva em pequenas fichas os princípios ou textos que você deseja memorizar e carregue-as consigo
durante um mês ou dois. Leia essas anotações seguidamente, quando tiver algum tempo livre, na sala
de espera do consultório médico, enquanto aguarda seus filhos no portão da escola, ou à noite, antes
de dormir.

2. Faça uma revisão mensal


Marque hoje em sua agenda uma data mensal para fazer a revisão de suas boas intenções. Não
desanime se não tiver feito tudo o que planejou... apenas não desista!

3. Releia os trechos principais


Sublinhe os “textos-chaves” deste livro e releia-os periodicamente. Assim você poderá fazer rapidamente
uma revisão geral, sem ter de ler novamente o livro inteiro!

4. Aplique imediatamente à sua vida


Há um velho ditado que diz: “Se ouve, você logo esquece; se vê, você lembra; se faz, você
compreende!”. Aplique o que aprender tão logo seja possível. Isto certamente o ajudará a entender os
ensinamentos e a se lembrar deles.

5. Selecione o que deseja aprender


Faça a seguinte pergunta: “Quais são as três coisas principais deste livro que eu gostaria de incorporar à
minha vida?” Lembre-se de que todos nós lutamos com a mesma dificuldade de transformar nossas
boas intenções em hábitos... Estas cinco sugestões foram elaboradas por um desses lutadores!

Prefácio

Se você pensa em ser diferente do que é, ou mesmo em ser outra pessoa, possivelmente tem algum
problema relativo à sua própria imagem.

Um estudante me procurou na Universidade e disse: — Josh, se eu pudesse escolher, gostaria de ser


outra pessoa, qualquer uma dentre umas vinte que conheço. — Será que esta afirmativa e válida para
você?

Como você responderia a estas duas perguntas:

1. Qual é o seu valor como pessoa? Não quanto vale os componentes químicos do seu corpo,
mas quanto você vale?

2. Você se sente feliz em ser como é?

A resposta a estas indagações pode ser a chave para determinar como você vive a sua própria vida, a
alegria que experimenta, a maneira como trata os outros e o modo como se relaciona com Deus. Não
tanto o que você é, mas o que você pensa ser é que determina a sua vida — a felicidade e o sucesso
que você pode desfrutar.
Pode ser novidade para você pensar sobre este assunto. Quem sabe você nunca tenha percebido que as
pessoas têm um valor real, são feitas à imagem do nosso Criador e são “coroadas de glória e honra”
conforme o Salmo 8:4-5 nos declara.

Talvez você creia, como os behavioristas, que a vida é apenas um acidente cósmico nesta imensa
galáxia, e as pessoas são meras “máquinas programadas”; ou, como os existencialistas, que “somos um
absurdo”; ou ainda, como os evolucionistas, que “somos apenas animais cujo ancestral genético é o
macaco”.

Por outro lado, muitas pessoas gostam de pensar que o homem é totalmente autônomo e
independente. Alegam que a ciência e a tecnologia superaram todas as barreiras que antes nos
constrangiam, que não mais estamos amarrados às superstições dos nossos antepassados e somos
livres para viver como queremos.

No entanto, longe de sentir-se livres para poder realizar seu imenso potencial, muitas pessoas preferem
envolver-se com problemas menores e diversificados, em vez de procurar um significado pessoal mais
amplo, único e integrado, que se relacione com o extraordinário universo em que vivemos. Se
considerarmos que o homem é uma partícula inconseqüente, vagando no universo, é fácil perceber que
o seu valor pessoal será totalmente nulo. Por pensar assim, muitos ficam emocionalmente feridos e
clamam por socorro.

Essas pessoas me fazem lembrar um amigo, chamado Jeff, que me escreveu dizendo: “Estou
escrevendo porque me sinto sozinho e confuso. Não creio que valha a pena viver. Choro por mim
mesmo todas as noites, antes de dormir. Há momentos em que gostaria de estar morto”.

Jodi Foster (a atriz de cinema que foi alvo do amor distorcido de John Hinckley e o levou a atirar contra
o presidente Ronald Reagan, há alguns anos) contou acerca de um problema parecido, vivido por uma
amiga sua, também atriz. Em uma entrevista, Jodi declarou: “A coisa mais engraçada sobre minha
amiga é que ela é uma das moças mais lindas do mundo, mas pensa que é feia e até se considera
grotesca! Por esse motivo, ela não acredita quando alguém diz que a ama. É como se dissesse: ‘Deus,
se Tu me amas, és um idiota”.

O único ponto certo no raciocínio desta moça é que Deus a ama de verdade, O erro em seu modo de
pensar é não perceber que, sendo Deus o nosso Criador, somente Ele pode fazer uma avaliação correta
acerca da nossa importância e do nosso valor. Só Ele pode corresponder de maneira real ao nosso
anseio por aceitação e amor.

É necessário que as pessoas saibam que são amadas e valorizadas. Longe de estar superado, pelo
contrário, o cristianismo é o que corresponde, de um modo todo especial, às necessidades humanas na
sociedade moderna, do mesmo modo que tem feito através dos tempos. O relacionamento pessoal com
Jesus Cristo nos dá liberdade individual completa para atingirmos a plenitude do ser, à qual fomos
destinados.

Quando alguém abre o coração para Jesus Cristo, não abraça apenas uma filosofia de vida; também
estabelece um relacionamento pessoal, único e maravilhoso com seu Criador. É esta união que lhe torna
possível não somente melhorar o seu senso de auto-estima, mas também realizar coisas de valor
duradouro e permanente. Os cristãos sabem que o Deus do Universo os ama e os aceita. Podem ver-se,
efetivamente, como filhos do Rei e começar a agir sob essa condição real. Deixe-me explicar o que
quero dizer.

Cada pessoa tem uma importância especial na criação de Deus. Quando Ele entra na vida de alguém, o
valor dessa pessoa se torna infinito, eterno e imutável, por causa dAquele que nela habita.

É realmente indescritível a necessidade que as pessoas têm, hoje em dia, de saber que são amadas e
valorizadas. Quanto mais nos aproximamos do século XXI, mais a sociedade em que vivemos transmite
uma mensagem de desvalorização e de degradação do indivíduo. Assim, em vez de sentir-se amadas e
valorizadas, as pessoas são levadas — longe de Deus — a sentir-se isoladas, emocionalmente rejeitadas
pelos demais ou por eles usadas, sendo, cada uma delas, apenas mais um dente em uma grande
engrenagem.
Este livro foi escrito para ajudar você a entender a perspectiva de Deus a seu respeito. Por experiência
própria, sei que uma visão adequada de Deus, de você mesmo e das outras pessoas, pode ser uma
força libertadora em sua vida. Você não está sozinho na luta por sua identidade pessoal. Suas dores e
feridas são compartilhadas por muitos outros, incluindo eu mesmo. Embora a luta seja árdua e o
processo seja cansativo, todo o esforço é recompensado quando você procura encontrar sua verdadeira
“auto-imagem” sob a perspectiva de Deus, dentro da imagem que Ele mesmo tem de você.

À medida que você passe a aplicar os princípios deste livro à sua experiência diária, e comece a ver-se
conforme Deus o vê, a minha oração é para que os resultados da transformação pessoal que venham a
ocorrer permitam-lhe refletir a imagem divina, em cada aspecto de sua vida.

Apresentação

Toda cultura tem suas questões particulares e absorventes.

Neste mundo de luta e conflitos, o problema da auto-estima tem ocupado o centro do palco por muitos
anos e não mostra sinais de sair do foco dos refletores tão cedo.

As perguntas que as pessoas fazem sobre auto-estima são tão variadas quanto importantes. Por
exemplo, deve-se admitir que um cristão se dedique a construir uma auto-imagem positiva? Os esforços
neste sentido não nos levarão mais tarde a um atoleiro de preocupações, ou nos afastarão da
necessidade de Cristo?

Nossa preocupação com a auto-imagem não será um cavalo de Tróia, trazendo valores seculares para a
igreja cristã? Assuntos de maior peso como santidade, obediência e sacrifício pessoal não estarão
recebendo menos atenção, enquanto conselheiros nos encorajam a “encontrar-nos a nós mesmos” e a
“afirmar o nosso valor”?

Uma auto-imagem saudável é uma oração dirigida ao conhecimento do Senhor? Não haverá uma cura
autêntica das feridas interiores, à medida que crescemos no conhecimento de quem Cristo é e daquilo
que Ele tem feito? Talvez esta cura seja encarada como um aperfeiçoamento do conceito que temos de
nós mesmos. Talvez o crescimento espiritual envolva uma consciência profunda de nossa própria
dignidade e propósito.

Perguntas sobre a auto-estima não desapareceram — e não devem desaparecer. São importantes,
especialmente para milhares de pessoas honestas o suficiente para admitir que algo está faltando em
sua experiência cristã. Muitas e muitas pessoas, um número bem maior do que se possa supor, vivem
em desespero particular, imaginando se alguém realmente se importa com elas, e persistem lutando
para acreditar que o que são e o que fazem podem interessar a alguém.

Freqüentemente, respostas a estes problemas não passam de afirmações superficiais sobre a


importância e o valor de alguém que, confortavelmente, não toma conhecimento da real natureza
pecaminosa do homem, fato que justifica a negação realista da auto-avaliação.

Por outro lado, pessoas que aceitam a posição bíblica sobre o pecado algumas vezes oferecem soluções
simplistas para o problema da auto-estima, tais como: “Pare de ser exigente consigo mesmo e viva a
vida como puder”, ou “Acredite no que Deus diz, decore, ore e testemunhe”.

Josh McDowell apresentou uma argumentação bastante apropriada, muito oportuna e equilibrada sobre
a auto-estima, não comprometendo nem a triste verdade da depravação humana nem a esperançosa
verdade de sua dignidade. Seu enfoque, neste assunto, reflete uma sensibilidade compassiva para com
as lutas reais que ocorrem no íntimo daqueles que parecem felizes e contentes.
Quando comecei a ler o livro, fiquei imaginando se a rica percepção da dor que uma auto-imagem pobre
e frágil pode causar levaria Josh a diluir a sólida perspectiva bíblica na idéia de “vamos fazer com que as
pessoas logo se sintam melhor”, encorajando-as a “gostar de si mesmas”, como sendo uma pré-
condição à obediência. Fiquei emocionado ao encontrar a rara combinação de (1) um claro compromisso
com a Palavra de Deus e (2) uma calorosa compreensão de como as pessoas realmente vivem. Como é
triste notar que estes dois elementos, que sempre deveriam caminhar juntos, raramente o fazem.

O momento mais encorajador deste livro, para mim, é aquele em que Josh compartilha abertamente sua
própria luta com uma auto-imagem obstinadamente negativa. O leitor não deixará de contagiar-se pela
alegria de saber mais sobre o que somos em Cristo e o que podemos fazer em Seu nome.

Veja bem, este não é um tratado acadêmico. Cada capítulo contém ilustrações com fatos da vida real e
sugestões práticas de como lidar biblicamente com uma baixa auto-estima. O equilíbrio entre teoria e
pratica é perfeito. Josh cuidadosamente assentou os fundamentos para esclarecer as questões acerca da
auto-estima e, então, transformou conceitos abstratos em princípios objetivos que podemos aplicar na
vida diária.

Lawrence J. Crabb Jr., Ph.D.

Capitulo 1
Auto-imagem: que é isto?

Você já mostrou a alguém as fotografias que leva em sua carteira? Claro que sim. Talvez você tenha
ficado interiormente satisfeito com a impressão causada por uma fotografia de alguém especial para
você. Quem sabe você tenha mostrado um retrato encantador de seus pais, ou, se você é mais velho e
casado, tenha sorrido orgulhosamente diante das exclamações de seu amigo ao ver seus lindos filhos.
Mas, se algum amigo vir a fotografia de sua Carteira de Identidade, aí é diferente! Esse tipo de foto não
se mostra a ninguém, a não ser ao caixa do banco! Você não se acha parecido com ela!

Cada um de nós traz consigo outro retrato de si mesmo, uma fotografia muito mais importante do que
qualquer outra em nossa carteira. Os psicólogos têm um nome para ela. Eles chamam o nosso retrato
mental de auto-imagem.

Alguns de nós podem gostar de sua fotografia da Carteira de Identidade. Outros podem gostar de seu
auto-retrato. Muitos de nós, entretanto, ficaríamos embaraçados se nosso coração se abrisse como uma
carteira e alguém, acidentalmente, visse o que pensamos de nós mesmos. Além disso, há aquelas
pessoas cuja auto-imagem não é muito nítida, como uma fotografia guardada há muito tempo.

Não preciso comentar sobre belas mulheres e homens de boa aparência vistos em grandes cartazes, que
chamam mais atenção do que os menos atraentes, de acordo com o julgamento do mundo. Do mesmo
modo, uma pessoa com uma auto- imagem saudável e positiva tende a sair na frente na corrida da vida.
Gostemos ou não, nossa auto-imagem, aquele retrato, exerce grande influência sobre nosso bem-estar
emocional e espiritual. Por que isto acontece?

As pesquisas têm mostrado que tendemos a agir em harmonia com nosso auto-retrato. Se não
gostamos do tipo de pessoa que somos, achamos que mais ninguém gostará de nós. Esta atitude
influencia nossa vida social, nosso desempenho profissional e nosso relacionamento com outras pessoas.
Eis por que um escritor disse que as novas descobertas sobre auto-imagem “são as mais importantes
revelações da psicologia neste século”. Um psicólogo cristão declarou: “Um adequado auto-conceito
(outro nome para auto-imagem) é um bem precioso. Um auto-conceito inadequado é uma
desvantagem”.
Quando você formou o retrato mental de si mesmo? Como ele foi formado?

Para todos nós, os alicerces são assentados no momento em que nascemos e o médico nos coloca nos
braços de nossa mãe. Nesse instante, começamos a relacionar-nos com nossos pais e com outros
membros da família. Aos cinco ou seis anos, nosso auto-conceito — a pessoa que pensamos ser em
relação aos outros — está estabelecido de maneira tão absoluta que resistiremos a qualquer esforço
para mudá-lo.

Podemos desenvolver uma auto-imagem mais saudável?

Neste ponto alguém pode estar dizendo: “Ora, eu tive uma base muito ruim. Não é de admirar que
tenha tantos problemas”. Talvez algum conselheiro lhe tenha passado essa idéia. Como resultado, você
desistiu de tentar uma mudança significativa. Para quê? É possível alguém restabelecer os alicerces?

Estou aqui para dizer que seu auto-retrato não está para sempre fixado em um lugar inacessível, tal
como uma fotografia plastificada, dentro da carteira. Você pode mudá-lo desenvolvendo uma visão mais
acurada e saudável de si mesmo. De fato, fraquezas, pontos obscuros e tendências naturais podem,
ocasionalmente, distorcer a fotografia. Quando, porém, você aprender a ver-se como Deus o vê, o fator
de distorção diminuirá.

Você já reparou na diferença que a iluminação correta pode fazer em uma fotografia, ou a distorção que
uma sombra escura produz? As boas novas, de que temos grande valor aos olhos de Deus, podem
iluminar nosso auto-retrato. Por outro lado, o pecado, resultante de nossa natureza pecaminosa, pode
jogar uma sombra sobre nossa auto-imagem.

Aqueles que me conhecem ou que leram minha biografia, A Skeptie Quest (“A Busca de um Cético”)
sabem dos lamentáveis alicerces para construir uma boa imagem pessoal que foram colocados em
minha vida. Se eu tivesse deixado aquelas experiências modelarem minha visão pessoal, viveria
transbordando de raiva. Mas porque (1) eu vim a conhecer Deus pessoalmente através de Jesus Cristo,
(2) conheci o caráter de Deus mediante o estudo de Sua Palavra e (3) deixei que outros cristãos me
ajudassem a remodelar meu autoconhecimento, agora me vejo mais como Jesus me vê. Cada vez gosto
mais do que vejo em meu auto-retrato.

Você também pode experimentar esta transformação. Você pode ter sua auto-imagem transformada
pelo conhecimento e pela aplicação dos princípios bíblicos expostos neste livro. Quero ajudá-lo a ver-se
conforme Deus o vê, prezado amigo. Quero levá-lo a descobrir quem você é, e quão especial você é aos
olhos de Deus (Rom. 12:3).

Que significa autovalorização?

O que você pensa a seu respeito, sua auto-imagem ou senso de autovalorização, influencia cada parte
de sua vida. Outras expressões estreitamente relacionadas com autovalorização são autoconceito e
auto-estima. Embora estas palavras não tenham exatamente o mesmo significado, são freqüentemente
usadas com o mesmo sentido.

Nossa auto-imagem tem uma estrutura definida, composta por conclusões que tiramos a nosso respeito.
Se nossos pais ou avós vivem dizendo que somos estúpidos, começamos a acreditar e a agir como se o
fôssemos. Nossas notas na escola começam a refletir a opinião que temos de nós mesmos.

Talvez você seja uma jovem dona de casa. Se não aprendeu a arte de cozinhar e seu marido reforça o
sentimento de que você não consegue cozinhar tão bem quanto a mãe dele, você não conseguirá
dominar a arte culinária. “Tudo o que eu cozinho fica horrível”, você diz a si própria e a outras pessoas,
o que certamente reforça a sua opinião negativa sobre esta habilidade. Com certeza, você seria capaz
de cozinhar bem, mas o seu sentimento de inabilidade tem raízes tanto em seu passado quanto em seu
presente.
Embora os sentimentos a nosso respeito possam estar profundamente enraizados em nosso consciente
e subconsciente, há esperança. Parte de nossa auto-imagem é dinâmica e sujeita a mudanças, e cresce
e evolui de acordo com as interações da vida diária. É como uma tela que está sendo tecida e esticada
numa moldura interior, para formar um senso exterior (consciente) de quem somos.

Uma amiga mudou-se de uma cidade onde as pessoas de sua igreja tinham uma atitude altamente
crítica e perfeccionista. Enquanto freqüentou aquela igreja, sentiu-se obrigada a pôr-se à prova muitas
vezes. Seu senso de autovalorização tinha de ser reforçado por seu marido e filhos. Em sua nova
comunidade, ela experimentou atitudes de aceitação bastante calorosas e rapidamente se envolveu de
maneira satisfatória nas atividades da nova igreja, recebendo a confirmação de seu valor. Sua auto-
imagem e seu senso de autovalorização melhoraram bastante porque ela se sentiu aceita do jeito que
era, da mesma maneira que Deus já a havia aceitado anteriormente.

Navegamos em um mar revolto

A firme estrutura interior de uma auto-imagem, formada cedo na vida, pode ser comparada aos mastros
de um barco a vela. As velas içadas nos mastros são o tecido mutável do que você acredita ser. Elas
sobem nos mastros e movem-se de acordo com o vento. Sua auto-imagem flui e reflui como a maré nas
interações diárias.

Quando você recebe mensagens positivas do ambiente, navega com vento forte e cultiva pensamentos
positivos sobre si próprio. Fica contente com o que é e com a sua maneira de viver, como o barco
navegando a toda vela. Outras vezes, seu barco pega uma calmaria pela falta de contato ou de
interações significativas com amigos ou pessoas queridas. Ou então, às vezes, você é sacudido e virado
às avessas, atingido por ventos fortes de crítica e acusações de outras pessoas ou de si mesmo.

As velas rasgam-se nas tempestades da vida. Especialmente em tempestades devastadoras — divórcio,


desempregos, morte de algum ente querido — alguns barcos batem em praias rochosas ou quebram o
mastro. Estes barcos podem ser reparados, mas a reconstrução, muitas vezes, é uma tarefa árdua e
muito longa.

A maioria dos mastros, entretanto, é feita para agüentar quando as velas se enfunam, sendo que
apenas ocasionalmente elas se rasgam.

Pessoas que têm um bom e saudável senso de autovalorização sentem-se importantes, acreditam que
têm valor e que o mundo é um lugar melhor porque elas estão aqui. Estas pessoas interagem com
outras e apreciam seu valor, irradiando esperança, alegria e confiança, estando sempre cônscias de seus
sentimentos. Aceitam a si mesmas como agradáveis a Deus — são como um barco movendo-se adiante
com confiança, a toda a vela. Acreditam em si mesmas como parte da criação de Deus, sentem-se
amadas, valorizadas e capazes, pecadoras por natureza, mas redimidas e reconciliadas com Deus para
se tornarem tudo o que Ele deseja que sejam.

Roubamos a nós mesmos

Uma auto-imagem inadequada rouba-nos a energia e o poder de atenção necessários para nos
relacionarmos bem com os outros, porque ficamos muito absorvidos com as nossas próprias
inabilidades. Isto se torna mais real quando estamos em contato com pessoas que nos fazem lembrar
de nossos defeitos ou cujo julgamento valorizamos ou queremos influenciar. Nestas situações, ficamos
tão fechados em nós mesmos que não damos suficiente atenção aos outros. O resultado desta atitude é
sermos rotulados como desatentos ou orgulhosos. Nosso senso de inadequação impossibilita-nos amar e
dar atenção aos outros.

Uma auto-imagem inadequada nos tira a energia e o poder de atenção necessários para nos
relacionarmos bem com os outros.

Por exemplo, um estudante que parecia muito seguro escreveu-me: “Eu me sinto extremamente
presunçoso. Tenho medo do que as pessoas possam pensar a meu respeito. É difícil aceitar-me como
sou. Também tenho medo de olhar as pessoas nos olhos ou de ficar em grupos. Sinto-me um lixo. Meu
medo de ser rejeitado é enorme”.

Pessoas com auto-imagem inadequada preocupam-se com as opiniões, os elogios ou as críticas dos
outros como fatores determinantes da maneira como vão sentir ou pensar num dado momento. Aqueles
que têm um senso de autovalorização muito baixo são escravos da opinião dos outros e não se sentem
livres para serem eles mesmos.

Bob, um homem atraente, bem-vestido, elegante quase à perfeição, caminha com um ar confiante que
demonstra os princípios que ele ensina como orientador vocacional. Com freqüência, faz palestras para
grupos de homens de negócios sobre motivação, técnicas de vendas e confiança pessoal. Tem um
aperto de mão firme, confiante, e outras atitudes que, conforme dizem os especialistas, comunicam
segurança, sucesso e agressividade. Então, por que ele procuraria aconselhamento em um consultório?
Quando ele me contou quanto se sentia rejeitado por sua esposa, sua fachada de confiança começou a
romper-se. Conflitos conjugais fizeram com que aflorassem os sentimentos de inadequação.
Quebrantado, Bob confessou seu medo de falhar sem a ajuda da esposa. Sua auto-imagem,
normalmente de um leve tecido esvoaçante, tinha-se rasgado, revelando, escondida em seu interior,
uma estrutura fraca.

Lamentavelmente, muitas pessoas olham para si mesmas mais de acordo com o retrato formado no
início da vida do que de acordo com suas realizações como adultos. Muitos dos que exteriormente
demonstram ter alcançado sucesso, interiormente sentem-se deprimidos e ansiosos por causa da auto-
imagem negativa que desenvolveram na infância. A fachada de sua auto- imagem — as velas de seu
barco — parece ser forte e resistente, mas, abaixo da linha d’água, a estrutura — os mastros — está
empenada e frágil. Em situações de crise, o alicerce inadequado da autovalorização fica evidente.

Pessoas com um frágil senso de autovalorização esperam ser enganadas, rejeitadas e censuradas;
aguardam o pior e muitas vezes criam motivos para ter medo. Assumem comportamentos derrotistas,
de desconfiança e suspeita. Lutam com a tensão de “tentar ser aceitos” sem acreditar que o serão.

Karen é um exemplo. Quando entrou no consultório de aconselhamento, parecia uma cegonha: alta,
magra e encurvada. Seu porte demonstrava um profundo senso de depressão e inadequação. Suas
roupas denotavam pobreza e uma vida de sitiante, e seu comportamento deixava transparecer que ela
não gostava de si mesma. Era quase uma criança, abandonada, assustada, cujos olhos passeavam
aflitos pela sala.

Tudo nela dizia: “Ninguém gostaria de olhar para mim, pois eu nunca me consideraria importante o
suficiente para merecer atenção”. Procurara o aconselhamento porque tinha certeza de que seu marido,
pastor, teria de abandonar o ministério se ela fosse apanhada cometendo alguns de seus hábitos
compulsivos, como roubar lojas e, mais recentemente, maltratar uma criança que estava sob seus
cuidados.

A sua pobre imagem pessoal tinha-lhe dado um senso inadequado de seu valor pessoal. Isto contribuiu
para as suas atitudes erradas e pecaminosas e aumentou, aos seus olhos, a visão de sua auto-imagem
negativa.

Será que a auto-imagem e o senso de autovalorização de Karen poderiam ser mudados? Hoje, quando
você se encontra com Karen, vê uma mulher significativamente diferente, uma vibrante esposa de
pastor e mãe amorosa de três filhos.

Olhamos a vida através de lentes manchadas

Sua auto-imagem é como um conjunto de lentes através das quais você vê a realidade. De acordo com
o que você vê através das lentes, há de escolher um comportamento apropriado para determinada
situação. Se suas lentes distorcerem a situação, seu comportamento não se harmonizará com a
realidade. Quanto mais saudável for a sua auto-imagem, mais acuradamente suas lentes refletirão a
realidade, e seu comportamento, em resposta, será mais apropriado.
É como a velha ilustração da mancha preta em uma página branca. Algumas pessoas vêem a mancha
preta e focalizam nela a sua atenção. Outras vêem todo o espaço branco e nele se concentram.
Depende da perspectiva de cada um.

Esta verdade sobre autovalorização pode ser constatada na vida de Marilyn, uma atraente mulher na
plenitude de seus trinta anos. Sua postura e músculos faciais tensos demonstravam abertamente seu
problema. Por muitos anos, os seus amigos tinham- na encorajado a procurar ajuda para melhorar seu
senso de autovalorização. Embora tendo muitos amigos, ela estava tão convencida de que não era
querida, que se recusava a crer que alguém pudesse amá-la de verdade.

Marilyn é um exemplo de alguém que age de acordo com sua auto-imagem. Ela pensava e se
comportava sexualmente de forma degradante, para corresponder à espécie de pessoa que ela
imaginava ser. Sua visão limitada focalizava mais e melhor apenas suas atitudes mais vis — o que
distorcia ainda mais a concepção que tinha a seu respeito.

Se você se vir como um fracasso, encontrará um meio de fracassar, não importa o quanto busque o
sucesso. Por outro lado, se você se vir como uma pessoa adequada e capaz, certamente enfrentará a
vida com mais otimismo, e seu desempenho estará próximo do melhor.

Seja qual for a visão de si mesmo que você escolha focalizar, ela se tornará a chave do sucesso e da
felicidade em sua vida John DeVines, autor de How Much Are You Worth? (“Quanto Você Vale?”),
resume a importância deste fato quando diz que “a sua visão acerca de si mesmo é muito mais
importante do que tudo o que a maioria das pessoas pode pensar a seu respeito”. São dele estes
versos:

A resposta acerca de quanto eu valho determina se sou feliz ou triste, esperançoso ou


deprimido, amante da vida ou propenso ao suicídio. Se eu me considero de muito valor
desempenho bem meu trabalho, vivo melhor com minha esposa, e sinto sempre um grande
bem-estar. Mas se penso que não valho nada, não tenho motivação para o trabalho, e
convenço-me de que tudo quanto eu fizer fracassará.

Edificando a Base nº. 1

Examine sua auto-imagem para identificar como se vê. Está satisfeito com o que você é nesta altura de
sua vida (presumindo se que ambicione um maior desenvolvimento pessoal no futuro)?

Você tem uma visão exagerada de si mesmo, quando se compara com outras pessoas? Você não gosta
do seu retrato mental?

Anote cinco pontos fortes e cinco pontos fracos que você observa em si mesmo.

Qual das duas listas você levou mais tempo para relacionar?

Isto lhe diz alguma coisa sobre a sua auto-imagem? O quê?

Capitulo 2

Um novo nome para um conceito bíblico

Conselheiros e professores cristãos abordam a psicologia sob uma perspectiva diferente daquela
adotada por não-cristãos. Fundamentamos nosso ministério na pressuposição de que Deus cuida de Sua
criação, a raça humana. Cremos que, por ser compassivo e amoroso, Deus Se revela pessoalmente à
raça humana, e tudo quanto Ele revela é verdadeiro. Esta revelação nos alcança de duas maneiras.
Primeiro, Deus Se revela através de toda a Sua criação. Romanos 1:20 testifica que todo ser humano
tem a evidência da existência de Deus naquilo que Ele mesmo criou, o que inclui a natureza e também a
raça humana. Deus Se fez conhecido por meio do que Ele criou. É o que os teólogos chamam de
revelação geral.

A Bíblia também diz que Deus ordenou à raça humana que dominasse a criação, que a subjugasse e
tivesse autoridade sobre ela (Gên. 1:28). Esta ordem possibilitou o aparecimento da ciência e do método
científico que os psicólogos atualmente usam para estudar os seres humanos e seu comportamento. Os
conselheiros cristãos também acreditam que o método científico é o melhor sistema já inventado para
estudar e explorar os aspectos do universo criado por Deus que não são tratados de modo específico na
Bíblia.

A segunda maneira pela qual Deus Se revela é através da Bíblia e da pessoa de Jesus Cristo. Os
teólogos chamam isso de revelação especial. Muitos cientistas seculares consideram esta forma de
revelação irrelevante ou mesmo impossível. Mas aqueles de nós que conhecem Deus pessoalmente,
estão envolvidos em aconselhamento cristão e encaram as necessidades das pessoas sob um ponto de
vista bíblico, dão atenção à revelação especial. Cremos que ela provê o conhecimento específico que
Deus quer que tenhamos, conhecimento sobre o mistério da vida que não é encontrado em nenhuma
outra fonte.

Cremos que a Bíblia é a parte escrita da revelação especial de Deus, que Ele providenciou para nós
como a verdade absoluta. Pela Bíblia podemos confirmar ou invalidar o que descobrimos por meio da
pesquisa científica ou o que estudamos pela revelação geral. Sem a Bíblia como método de verificação
de nossas descobertas, provavelmente ficaríamos enredados nas idéias e nos enganos de nossa própria
mente.

Este conceito é bíblico?

A idéia de auto-imagem é apenas um capricho de nossa mente confusa, apenas mais um esforço de
focalizar uma atenção egoísta em nós mesmos?

Se a existência de um autoconceito pudesse ser determinada pelos cinco sentidos — o que vemos,
sentimos, ouvimos, tocamos ou provamos —, então nossa existência poderia ser comprovada pelo
método científico. Auto-imagem, entretanto, é apenas um termo usado para explicar o que pensamos a
nosso respeito. Ela não tem existência concreta em si mesma.

Podemos afirmar a existência da auto-imagem através da revelação especial, a Bíblia? Este conceito
pode ser encontrado nas Escrituras? Mesmo não tendo intenção de misturar teologia com psicologia,
não devemos temer examinar as informações obtidas através da psicologia para verificar se elas
oferecem ajuda em nossa busca de compreender a nós mesmos. E importante passar os nossos
conceitos, psicológicos ou não, pelo crivo da Palavra de Deus.

No primeiro capítulo, a auto-imagem foi definida como a idéia que fazemos de nós mesmos. Desde que
concordemos com esse conceito de auto-imagem, podemos encontrar passagens tanto no Velho quanto
no Novo Testamento confirmando que criamos imagens e pensamentos a respeito de nós mesmos. Eis
algumas delas:

Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros
superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada
qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo, além do
que convém, antes, pense com moderação segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto, onde Cristo vive,
assentado à direita de Deus. Pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque
morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa
vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele, em glória.., e vos revestistes do
novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe,
seja isso o que ocupe o vosso pensamento.

Muitas outras passagens (Rom. 12:16; Fil. 4:7; Mat. 6:25-34 e 6:19-21; João 13:1-3) podem ser citadas
para mostrar o reconhecimento das Escrituras de que os seres humanos têm pensamentos e
sentimentos sobre si mesmos e de que tais atitudes afetam seu comportamento.

Ilustrações bíblicas sobre auto-imagem

Escritores modernos, de orientação psicológica, ficariam surpresos ao saber que o conceito de auto-
imagem já existia muito antes do século vinte. Há três mil anos, o rei Salomão fez uma observação
acurada sobre a relação existente entre o que o homem pensa e o modo como age. Salomão escreveu:
“Porque, como imagina em seu coração, assim ele é” (Prov. 23:7).

O dr. EarI Radmacher escreveu um dos melhores comentários que já li sobre o convincente conselho do
rei Salomão a um homem que estava prestes a enredar-se em um mau negócio:

O rei Salomão retrata uma situação na qual um governador, rico e poderoso, pretendia enganar alguém
que tinha convidado para jantar. Para completar a fraude, ele finge estar sinceramente interessado em
seu hóspede. Logo que consegue seu intento, entretanto, ele o larga como a uma batata quente. O rei
Salomão aconselha: “Não vá pelas aparências: um homem não é necessariamente o que diz ou faz.
Suas palavras e atitudes podem ser tramadas para enganar você. Em última análise, só o que jaz nas
profundezas do coração do homem mostra um retrato fiel de quem ele é”.

Você sabe como funciona, não sabe? A pessoa mostra um grande sorriso e aperta a mão da outra,
fingindo interesse, quando na realidade não lhe dá a mínima importância. Talvez você tenha sido a outra
pessoa uma ou duas vezes e, em conseqüência, deve ter aprendido a não se guiar pelo que vê na
superfície. Você atingiu o ponto que Salomão falou: “Como imagina em seu coração, assim ele é”.

Deixe-me explicar a palavra coração, porque hoje ela tem um significado diferente do que tinha quando
a Bíblia foi escrita. Você pode dizer a alguém: “Amo você de todo coração”, mas nos tempos bíblicos
você teria dito: “Amo você de todos os meus rins” ou “Amo você de todas as minhas entranhas”.
Naqueles tempos, os rins e as entranhas eram reconhecidamente o centro da afeição humana, enquanto
o coração era o centro da reflexão. O que Salomão pretendia, quando aconselhou: “Como imagina em
seu coração, assim ele é”, era simplesmente isto: “O que o homem pensa no mais profundo da sua
mente, eis o que ele é”. Os seus pensamentos mais profundos são a matéria-prima com o qual ele tece
suas ações.

Outro versículo que também mostra a realidade do autoconceito é Números 13:33, que registra:
“Também vimos ali gigantes (os filhos de Enaque são descendentes de gigantes), e éramos aos nossos
próprios olhos como gafanhotos, e assim também o éramos aos seus olhos”. Os espias que foram
enviados a reconhecer a terra prometida voltaram com a notícia de que lá havia gigantes e, a não ser
Josué e Calebe, os outros aconselharam que permanecessem longe, apesar de a terra ser muito rica,
como Deus havia prometido. A principal questão aqui é que Josué e Calebe não se viam do mesmo
modo que os outros.

A maioria, “vendo os gigantes”, sentiu-se apenas como gafanhotos, comparados aos filhos de Enaque, e
ficou intimidada. O texto mostra que a “impressão que tinham de si mesmos” afetou até o modo pelo
qual os inimigos os viam — foram considerados apenas “como um punhado de gafanhotos”. A idéia que
os espias faziam de si mesmos influenciou a perspectiva de toda situação.

Quanto a Josué e Calebe, está bem claro que eles não se viam como gafanhotos, antes, viam-se à luz
da presença de Deus, confiantes de que poderiam reclamar a terra. O fato é que tinham feito uma
avaliação realista de si mesmos. Não eram arrogantes ou excessivamente autoconfiantes, nem
tampouco eram como os demais, cheios de medo, sem confiança, com uma baixa opinião acerca de si
mesmos e de Deus. Josué e Calebe confiavam em Deus — não arrogantemente, mas firmes no Senhor e
seguros de Suas promessas.

Outros textos mostram a realidade da auto-imagem, ou a descrição objetiva de alguém, e igualmente


ilustram a validade deste conceito. Encontramos Caim quando seu semblante descaiu-lhe (Gên. 4:5-7),
Davi depois de ser confrontado com seu pecado por Natã (11 Samuel 12, Salmo 51), o testemunho
intrépido de Pedro a respeito de quem era Jesus e, mais tarde, negando que O conhecia (Luc. 22:33-34,
54-62).,

Estudar a vida de homens e mulheres da Bíblia para ver como a sua fé estava relacionada à auto-
imagem é realmente muito estimulante. Um bom exemplo é a diferença entre as cartas que Paulo
escreveu a Tito e a que escreveu a Timóteo. Nestas cartas há indicações de que Timóteo tinha um
conceito de auto-imagem mais fraco do que Tito.

Tendo isto em mente, podemos entender por que Paulo trazia à mente de Timóteo as profecias feitas
quando de sua ordenação (1 Tim. 1:18 e 4:14), admoestando-o a perseverar no dom do ministério da
Palavra de Deus e a não achar, ou permitir que os outros pensassem, que, por ser muito jovem, teria
menos autoridade.

Mais adiante, Paulo dá extensas instruções sobre como Timóteo deveria relacionar-se com as pessoas a
quem ensinava. Fazia-o recordar que Deus não lhe dera “espírito de timidez” (1 Tim. 4:5; compare com
II Tim. 1:7).

Em sua segunda carta a Timóteo, Paulo gasta mais tempo encorajando e fortalecendo a confiança de
Timóteo ao declarar a fé que nele depositava.

A carta de Paulo a Tito contrasta com essa. Paulo não se dirige a Tito como a um pastor, mas como a
um apóstolo, dando-lhe instruções detalhadas para atingir determinado objetivo. Não há trechos de
cunho pessoal para encorajar Tito ou fortalecer sua fé. Evidentemente Paulo não achava necessário
fazer isso.

Paulo refere-se a pensamentos, crenças e sentimentos que as pessoas devem ter em relação a si
próprias quando diz que cada um deve ter o mesmo sentimento de Cristo dentro de si (Fil. 2:5-16).
Paulo alude à sua auto-imagem quando escreve:

“Pela graça de Deus, sou o que sou”. Outra das afirmações do apóstolo é a seguinte: “Mas prove cada
um o seu labor, e então terá motivo de gloriar-se unicamente em si, e não em outro.”

Uma auto-imagem saudável é “ver a nós mesmo como Deus nos vê — nem mais nem
menos”.

Até aqui definimos auto-imagem como “o que pensamos e sentimos a respeito de nós mesmos”. Para
uma definição verdadeiramente bíblica, vamos expandir nosso pensamento. Uma auto- imagem
saudável é “ver a nós mesmos como Deus nos vê — nem mais nem menos”. Em outras palavras, uma
auto-imagem saudável significa ter uma visão realista de nós mesmos, dentro da perspectiva de Deus,
como somos retratados em Sua Palavra. Acrescentei “nem mais nem menos” porque algumas pessoas
têm uma visão vaidosa a respeito de si próprias (orgulho), enquanto outras se autodepreciam (falsa
humildade). Algumas vezes isto é resultado de orgulho e, outras, de falta de conhecimento. Precisamos
de uma visão bíblica realista.

A cultura moderna impõe fortemente uma visão não-bíblica. Algumas vezes faz afirmações sobre a
humanidade que soam como bíblicas, mas sem fundamento nas Escrituras. Outras alegações chegam a
ser grandiosas. A partir daqui, assumiremos a definição que apresentamos de “auto-imagem saudável”,
ver a nós mesmos como Deus nos vê — nem mais nem menos. Desta maneira, teremos as asserções
corretas do ponto de vista bíblico, emocional e mental sobre nós mesmos.
A autovalorização é bíblica?

Muitos cristãos sentem-se desconfortáveis com a idéia de reconhecer qualquer valor próprio, sendo
inflexíveis contra a idéia de amar e aceitar a “i mesmos. Por causa de sua tradição teológica,
constantemente se vêem apenas como vermes insignificantes, prontos para serem pisados, pecadores
indignos, sem nenhum valor e merecedores do inferno. Fazem grande esforço para combinar uma boa
auto-imagem com aquilo que conhecem da Bíblia. Dizem-nos “não se tenha em alta conta, rebaixe- se”,
e citam-nos Romanos 12:3: “Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não
pense de si mesmo, além do que convém, antes, pense com moderação segundo a medida da fé que
Deus repartiu a cada um”.

Psicólogos seculares contemporâneos consideram este pensamento teológico inconsistente. Roilo May,
renomado psicólogo, diz:

Nos círculos em que o autodesprezo é pregado, nunca se explica por que uma pessoa deva ser tão rude
e sem consideração ao impor sua companhia aos outros, se ela própria se acha tão triste e enfadonha.
Além disso, grande número de contradições também não tem explicação adequada em uma doutrina
que recomenda que devemos odiar o eu e amar aos outros, na expectativa de que eles nos amarão,
mesmo sendo nós criaturas odiosas, ou que, quanto mais nos odiamos, mais amamos a Deus, que
cometeu o erro de, em um momento de descuido, ter criado um ser tão desprezível, “eu”.

Em Romanos 12:3, citado anteriormente, Paulo diz que não devemos pensar além do que realmente
somos. Em outras palavras, devemos ser bíblicos e realistas na opinião que fazemos a nosso respeito, e,
por isso, o apóstolo acrescenta que “devemos pensar com moderação”.

O verbo pensar em grego significa “pensar ou sentir de determinada maneira sobre alguém”9. Em
Romanos 12:3, significa formar uma opinião, um julgamento ou em sentimento sobre si mesmo. O
ponto importante para Paulo é formar esta opinião ou autoconceito como resultado de uma avaliação
realista de si mesmo.

O propósito de Paulo neste texto não era encorajar pessoas a não formar uma auto-imagem positiva.
Mais que isso, temos de desenvolver uma auto-imagem ou auto-avaliação saudável, que coincida com o
que Deus afirma a nosso respeito. Por certo, parte da ênfase de Paulo era para prevenir os crentes
contra o espírito orgulhoso e arrogante. Mas o reverso desta ênfase é advertir contra a falsa humildade
ou auto-depreciação. Aqui vemos que Paulo reconhece a importância de termos uma auto-imagem
apropriada, que incorpore uma avaliação honesta e realista dos dons e talentos dados por Deus. O
desafio é usarmos estes dons no enriquecimento do corpo de Cristo, que é a Sua igreja.

É óbvio que há uma diversidade de talentos, dons espirituais e habilidades. Paulo tinha grande
preocupação pela unidade no corpo de Cristo. :& chave para conseguir unidade no meio de tanta
diversidade é a honestidade do crente na avaliação que faz de si mesmo e dos dons que Deus lhe dá
para a realização da Sua obra. Devemos fazê-lo, entretanto, sem nos compararmos aos outros, tentando
ver se são superiores ou inferiores. Paulo disse que aqueles que se comparam a outros “não têm
entendimento”. Também enfatiza que não devemos avaliar nossos dons e talentos com o propósito de
exaltar-nos ou jactar-nos a respeito de nossas características especiais. Mais que isso, devemos olhar
para nós mesmos e para nossa capacidade, dada por Deus, como uma base para servirmos aos outros.

Sou importante para Cristo?

O sentimento de ser importante para Cristo e para os outros foi planejado para ser uma experiência
normal em nossa vida. É uma experiência maravilhosa poder avaliar-se corretamente e ainda sentir-se
bem consigo mesmo.

Cristãos que crêem que devem negar o eu e humilhar-se erram ao afirmar que a humanidade tem
grande valor para Deus. Não somos valorizados pelo que fazemos por nós mesmos, mas pelo que Deus
faz por nós. Somos pecadores caídos, mas ainda criados à imagem de Deus. De fato, somos a coroa de
Sua criação — o que concede à raça humana um valor intrínseco.

A Bíblia mostra, de várias maneiras, que os seres humanos são especiais para Deus. Eles são o ápice da
criação de Deus (Gên. 1), criados à imagem de Deus (Gên. 1:26-27), com a possibilidade de virem a ser
filhos de Deus (João 1:12-13). Você pode dizer, como Francis Schaeffer: “O homem é pecador e
maravilhoso”. No Velho Testamento o salmista se maravilhava de que tivéssemos sido criados “um
pouco menor do que os anjos”1’ e com um propósito específico (Gên. 1:28). Os escritores do Novo
Testamento também reconheciam os seres humanos como uma criação especial de Deus. Somos o
objeto do propósito redentor de Deus neste mundo (João 3:16). Como povo redimido, temos anjos que
cuidam de nós (Heb. 1:14; Sal. 91:11- 12; Dan. 6:22; compare com Mat. 4:11) e Jesus Cristo que nos
prepara um lugar na eternidade (João 14:1-3).

Vemos claramente que o gênero humano tem valor diante de Deus, indistintamente e como um povo.

Autovalorização não é uma idéia estranha à Bíblia. Está ligada ao cerne do processo redentor de Deus.
Aquele que nos comprou por um grande preço conhece nosso verdadeiro valor. O preço que Ele pagou
por você e por mim é Jesus (1 Cor. 6:20, 1 Ped. 1:18-19). Se alguma vez você colocar uma etiqueta
com preço em si mesmo, nela estará escrito “Jesus”. Sua morte na cruz foi o pagamento por nossos
pecados. Valemos o que Jesus vale diante de Deus porque este foi o preço que Ele pagou por nós. Ele
declara nosso valor. E a visão que Deus tem de você e do seu valor é a visão verdadeira.

É importante, entretanto, que compreendamos que este valor intrínseco nos é atribuído por causa do
que Deus fez e do propósito que Ele tem para nós. Não é um valor conquistado por nós — algo que
fizemos ou não por merecer.Em Efésios 1:18 Paulo escreveu sobre nosso valor intrínseco: “iluminados
os olhos de vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da
glória da sua herança nos santos”.

Assim, a Bíblia confirma o conceito de autovalorização sem negar o pecado do homem. Por milhares de
anos, filósofos e teólogos têm lutado com estes dois aspectos de nossa natureza. Por um lado, os seres
humanos criados à imagem de Deus têm grande valor e são capazes de apresentar um comportamento
bondoso, benevolente e amoroso. Por outro lado, seres humanos são falhos, pecadores e responsáveis
pelos fatos mais cruéis da história. Produzimos Neros e Hitlers. A dignidade e o valor da humanidade
contrastam com seu pecado, egoísmo e orgulho.

Mas a graça de Deus se manifesta no fato de que, embora sejamos pecadores e decaídos, Deus nos
considera valiosos o suficiente para “comprar-nos de volta”, mesmo que o preço seja o precioso sangue
de Jesus (veja Lucas 15). Esta é a única solução ao paradoxo da natureza humana, um paradoxo para o
qual psicólogos seculares não encontram explicação. Apenas através da intervenção amorosa de Deus
estas duas naturezas podem ser reconciliadas. Esta reconciliação é a solução divina, de difícil
compreensão para a mente e o entendimento humano.

Autovalorização é o mesmo que orgulho?

A diferença entre autovalorização e orgulho é difícil de ser percebida pelos cristãos, mas estes conceitos
têm significados diferentes. Autovalorização é a convicção de que temos um valor fundamental porque
fomos criados por Deus à Sua imagem e porque Jesus morreu por nossos pecados.

Q orgulho aponta para o eu. É causado pelo prazer que encontramos em nós mesmos, pelo que cremos
poder fazer ou pelo que temos feito de nossa vida. Orgulho é uma atitude de superioridade, uma mente
envaidecida, que se manifesta através de uma avaliação irreal de si mesmo e arrogante em relação aos
outros (1 Cor. 4:6-7, 18-19; 5:2; 8:1-2 e 13:4). Encontramos admoestações na Bíblia sobre a oposição
de Deus ao orgulho e ao espírito arrogante: “Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede
a sua graça”.’2 “A soberba precede a ruína.”

Algumas vezes, os cristãos caem na armadilha de querer receber o louvor devido a Deus, por aquilo que
Ele tem feito na vida deles. Pensar desta maneira é distorcer Gálatas 1:24: “E glorificavam a Deus a
meu respeito” e a resposta do salmista “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente
maravilhoso me formaste” (Sal. 139:14).

Este livro não é um esforço para promover o orgulho ou a falsa humildade, mas para encorajar a
apreciação, a gratidão e a alegria por tudo o que Cristo fez em cada um de nós.

Nosso sucesso vem através de Cristo

Muitos cristãos, hoje, enfatizam a importância de ser bem- sucedidos. Isto também pode levar ao
orgulho quando se enfatiza a meta ou o resultado, e não a fonte do sucesso, que é Jesus Cristo! Para
ensinar que os cristãos devem ser vencedores, usam versículos como “Deus... nos dá a vitória através
de Nosso Senhor Jesus”. E “Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores, por meio
daquele que nos amou”. Algumas vezes, entretanto, a ênfase é colocada em obter o sucesso, e não na
idéia comum aos dois versículos, “através de Cristo”, que é a base para ser um vencedor. Sem enfatizar
a expressão “através de Cristo”, o ensino de que os cristãos devem ser vencedores promove o orgulho.
Com este complemento, o ensino promove uma auto-imagem saudável e o andar pela fé para a glória
de Deus.

Orgulho é o resultado da exaltação do eu e a falha em reconhecer Quem nos fez como somos. Elizabeth
Skoglund escreveu:

Muitas pessoas não distinguem a diferença entre orgulho, humildade e auto-estima saudável. O
problema consiste não em que a auto-estima contradiga as Escrituras, mas no fato de as palavras
orgulho e humildade não serem entendidas corretamente, à luz das Escrituras. Orgulho no sentido
bíblico envolve uma estimativa desonesta de si mesmo. Humildade verdadeira é simplesmente a
ausência de concentração em si mesmo. Significa que, enquanto eu gosto de mim e me aceito, não
preciso provar meu valor a mim mesmo ou aos outros.

Vou além, definindo humildade como “saber quem você é, saber Quem o fez como você é, e dar glória a
Deus por isso”. De alguma maneira associamos humildade a uma atitude de auto-depreciação. “Não sou
nada; não posso fazer nada; sou um fracasso; sou um pecador; Deus não pode usar-me; como sou
corrupto” e assim por diante. A verdadeira humildade não só reconhece o pecado, as deficiências ou os
sentimentos de “corrupção” de alguém, mas também as fraquezas e o poder, a deficiência e a
capacidade, as limitações e as peculiaridades, “à luz do que somos em Cristo!”. Humildade, então, inclui
não apenas sermos gratos por nossas habilidades, mas confiar em Deus para sanar nossas imperfeições.

Tive um exemplo claro de humildade no Congresso Mundial de Evangelistas, que reúne obreiros de todo
o mundo, a maioria deles de países do terceiro mundo. Durante a sessão de perguntas e respostas com
Billy Graham, um africano perguntou: “Billy, se você não fosse branco e americano, onde estaria hoje?”.
É fácil perceber as implicações desta questão. A multidão ficou quieta, esperando a resposta de Graham.
Sem hesitação, Billy respondeu de maneira amorosa mas enfática: “Sou o que sou pela graça de Deus”.
Por um momento houve silêncio e, em seguida, uma grande salva de palmas. Billy Graham sabe quem
é, Quem o fez como é, e dá glória a Deus por isso.Uma auto-imagem saudável reconhece a obra de
Cristo que é inata em nosso ser.

Humildade muitas vezes é o canal para a glória de Deus. Nosso Criador pode ser glorificado não só
através de nossa capacidade, mas também através de nossas fraquezas. Esta é a ênfase de minha
biografia A Skeptic’s Quest (“A Busca de um Cético”), escrita por Joe Musser. Joe salienta que muitas
das minhas áreas de fraqueza e limitação tornaram-se áreas de poder e glorificação de Deus.Todos
temos limitações e fraquezas. O que conta é como lidamõs com elas. Sentimo-nos rejeitados por causa
delas ou as aceitamos realisticamente e, então, tentamos mudar ou melhorar estas áreas?

Um saudável senso de valor próprio é fundamental para aproximar-nos ainda mais de Deus. Este senso
eleva o conceito de Deus que nos conferiu tal valor. Um senso de orgulho, entretanto, leva-nos a uma
auto-consideração e a usurpar o direito de Deus controlar nossa vida. Um conceito saudável de auto-
imagem também faz com que valorizemos os outros, a quem devemos considerar “em maior honra do
que a nós mesmos”.
Sem um conceito saudável de auto-imagem, ficamos preocupados conosco mesmos, concentrados em
nossas necessidades. Constantemente nos posicionamos com o objetivo de sermos aceitos pelos outros.
Desde que passamos a ver-nos como Deus nos vê, e nos conscientizamos de quem somos — criados de
modo inigualável, à imagem de Deus, amados, aceitos e perdoados — estamos livres da preocupação
conosco mesmos, para nos preocuparmos com os outros.

Servir parece ter suas raízes numa auto-imagem saudável. Se você se sente ameaçado pelos outros,
devido a uma auto-imagem enfraquecida, tentará superar esta ameaça fazendo os outros parecer
pessoas más, ou lutando para você mesmo parecer melhor. Provavelmente, você se sente ameaçado ao
servir aos outros quando isto significa tratar alguém como mais importante que você. Alguns cristãos
que têm uma auto-imagem pobre presumem que o fato de servir fará com que Deus e os outros
formem uma idéia melhor a respeito deles. O cristão que tem uma auto-imagem saudável, entretanto,
desempenhará com zelo o papel de servo, sem nenhuma outra intenção a não ser a glória de Deus.

Qual o tipo correto de auto-estima?

Uma premissa válida tanto em relação a Bíblia quanto à psicologia é a de que você só pode amar os
outros depois de aceitar-se a si mesmo. A expressão “Amar o próximo como a si mesmo” é encontrada
cinco vezes na Bíblia (Lev. 19:18; Mat. 19:19; Mar. 12:31; Luc. 10:27; Rom. 13:9). É reconhecida por
Jesus como o segundo grande mandamento. Atualmente é usada com freqüência por escritores e
pregadores cristãos como a base do conceito de autovalorização e auto-estima.

Devemos notar, entretanto, que amar a nós mesmos não nos é ordenado como mandamento nestas
passagens bíblicas. A auto-estima aqui é uma atitude subentendida. Jesus e os escritores bíblicos
depreendem que a auto-estima é uma experiência normal. Subentendem que as pessoas com as quais
falavam ou para quem escreviam já amavam a si mesmas.

Paulo faz uma suposição semelhante em sua carta aos Efésios: “Assim também os maridos devem amar
as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, a si mesmo se ama. Porque
ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, também Cristo o faz com a
igreja.”7(Uma vez que a Bíblia pressupõe a auto-estima como fato natural e normal em vez de dizer que
devemos odiar-nos, podemos concluir que cultivar um sentimento de auto-estima e interesse próprio é
bíblico. A Bíblia deixa subentendido que já temos interesse quanto ao nosso bem-estar.

É importante compreender que o desenvolvimento de uma auto-estima saudável não deve tornar-se
uma prioridade suprema. Na realidade, uma auto-imagem positiva é conseguida através do
conhecimento de Cristo e de transformar-nos conforme à Sua imagem. Ter uma auto-estima saudável
não é o objetivo principal. Conhecer a Cristo em Sua plenitude é, sim, o alvo supremo em nossa vida.
Ter uma auto-estima saudável não é nosso objetivo principal. Conhecer a Cristo em Sua plenitude é,
sim, o alvo supremo em nossa vida.

Edificando a Base n°. 2

Anote novamente seus pontos fortes relacionados no fim do Capítulo 1. Então, considere cada ponto
forte individualmente e verifique se você o tem usado como base para uma atitude errada de orgulho
(“Vejam o que eu tenho e o que eu fiz”) ou para um saudável sentimento de autovalorização (“Deus foi
muito bom e gracioso dando-me estas características, que confirmam o valor que Ele vê em mim”).

Pontos Fortes Orgulho Autovalorização

Reescreva as fraquezas que você anotou no final do Capítulo 1. Considere estas áreas de fraqueza e
pondere se você as tem usado como uma base para a auto-depreciação ou falsa humildade, ou se você
tem entregue cada uma delas a Cristo (II Coríntios 12:9).
Pontos Fracos Auto Depreciação Entrega a Cristo

Capitulo 3

Resultados de uma auto- imagem negativa

Um dos efeitos profundos produzidos por uma auto-imagem negativa pode ser encontrado na atitude
que uma pessoa desenvolve contra o seu ambiente. Pessoas sem uma auto-imagem saudável têm uma
visão pessimista e temerosa diante do mundo e da vida, em face da sua incapacidade de enfrentar
desafios. Elas encaram as situações novas ou inesperadas como ameaças à sua felicidade e segurança
pessoal, como se tivessem sido propositadamente preparadas para atingi-las pessoal- mente. Elas vêem
o mundo como uma força que as comprime, empurra e esmaga.

Joanna, uma atraente mulher, confessou: “Dizer que eu me sinto como um verme não descreve
adequadamente o que sinto a respeito de mim mesma. O verme pode rastejar para baixo da terra e
esconder-se; não deixa rastro atrás de si. Pareço-me mais com as lesmas feias e pegajosas de meu
quintal. Para onde se voltam, deixam um rastro horrível. Sou como uma delas; causo embaraço a todo
lugar que vou”.

Tais pessoas tendem a considerar os fatos da vida sem nenhum senso de desafio ou tentativa de mudá-
los. Vêem-se como vítimas, presas na armadilha de um ambiente hostil.

Por outro lado, aqueles que têm uma auto-estima saudável encaram o
mundo como um desafio a ser enfrentado, uma oportunidade para
exercitar seu poder pessoal e sua confiança em Cristo. Essas pessoas
assumem uma atitude positiva, esperando causar impacto no mundo
através de Cristo e, pela graça de Deus, mudar de modo efetivo seu
ambiente. Crêem que seu destino repousa no que Cristo pode fazer
através delas, e que elas podem e devem realizar tarefas significativas
para a eternidade.

Uma auto-imagem fraca e negativa afeta as pessoas de diferentes


modos, mas existem similaridades de pessoa a pessoa. Para algumas, os
efeitos são conscientes; para outras, inconscientes, enganando-as
interiormente.

Enxergamos o mundo através de nossa auto-imagem

Nossa percepção e interpretação do mundo que nos rodela são afetadas pelo retrato íntimo que temos
de nós mesmos. Uma auto-imagem negativa distorce as mensagens que recebemos das pessoas e a
maneira como interpretamos os fatos da vida. Eis por que a auto-imagem deficiente é difícil de ser
corrigida. Ela elimina qualquer mensagem positiva, tanto de Deus quanto dos outros. As mensagens
positivas são necessárias se pretendemos mudar a opinião que temos de nós mesmos.

Qualquer pessoa que trabalha com aconselhamento tem consciência da rejeição ou do “desconto” que
muitos fazem a qualquer elogio que lhes seja feito.Todos conhecemos pessoas que têm dificuldade em
aceitar elogios. Deixar de ouvir ou receber elogios sobre nossas atitudes positivas é um processo que
nos impede qualquer mudança. Dentro de nós tomamos a decisão a respeito de nosso valor. Até que
esta decisão seja mudada, seremos incapazes de alterar nossa auto-imagem.

Pessoas com uma auto-imagem frágil não gostam de si mesmas. Encontram dificuldade até mesmo para
comunicar quão mal se sentem a seu próprio respeito Como Joanna, os sentimentos que têm a respeito
de si mesmas podem ser expressos como autodesprezo.
Uma pessoa com uma auto-imagem debilitada comporta- se a partir de uma série de fatos e
motivações, tais como:

1. Atitude pessimista diante da vida.


2. Falta de confiança para apresentar-se socialmente.
3. Extrema sensibilidade quanto às opiniões alheias.
4. Preocupação excessiva quanto à aparência, desempenho e status social.
5. Visão das outras pessoas como concorrentes que precisam ser vencidos e não como amigos para
compartilhar.
6. Senso de masculinidade ou feminilidade direcionados apenas para conquistas sexuais.
7. Esforço para tornar-se alguém ou alguma coisa, em vez de relaxar e ter prazer em ser o que se é.
8. Visão do presente como algo a ser ignorado, focalizando maior atenção em sucessos passados ou
sonhos futuros.
9. Medo de Deus ou crença de que Ele não está interessado nas pessoas ou está zangado com elas.
10. Hábito de recordar mentalmente conversas ou situações passadas, imaginando o que a outra pessoa
quis dizer.
11. Visão acusatória e critica dos outros.
12. Atitude defensiva em conversas e no comportamento usual.
13. Atitude de “carregar o mundo nos ombros”.
14. Uso da ira como defesa para não se ferir.
15. Tendência de desenvolver relacionamentos de dependência.
16. Incapacidade para aceitar elogios.
17. Hábitos e comportamentos derrotistas.
18. Hábito de deixar que os outros a conduzam.
19. Medo de solidão.
20. Medo de intimidade, porque esta pode conduzir a um relacionamento sufocante ou à rejeição.
21. Problemas quanto à aceitação do amor de Deus ou de outra pessoa.
22. Dependência dos bens materiais para sentir segurança.
23. Incapacidade de expressar emoções.
24. Hábito de usar rótulos negativos em relação a si mesma.
25. Antecipação ou preocupação de que o pior aconteça.
26. Tendência de seguir a multidão e evitar comportamento independente.
27. Comportamento perfeccionista nos mínimos detalhes.
28. Preferências sempre rígidas, legalistas e ritualistas quanto ao culto.
29. Interpretação do mundo como dominador e hostil.
30. Transferência de sua responsabilidade para os outros, em situações negativas ou de sentimentos
indesejáveis.
31. Necessidade de estruturas e controle externo.
32. Consciência excessivamente sensível.

Antes, uma palavra de advertência. Tenha cuidado para não tomar uma atitude extremada em relação a
esta lista. Uma auto- imagem negativa não é a causa isolada de todos estes fatores. Pode haver outros
motivadores. Por exemplo, muitas das tendências enumeradas podem ser provocadas inteiramente por
peca- dos não-confessados ou rebelião contra Deus. Além disso, só porque alguém tem uma auto-
estima extremamente frágil, não quer dizer que todos estes fatores estejam presentes em sua vida.

Pessoas com ‘uma auto-imagem negativa muitas vezes agem de acordo com o que chamamos de “duplo
alto-baixo”. Colocam-se lá embaixo, na expectativa de que alguém discorde delas e as leve para cima,
ou colocam alguém lá embaixo para se colocarem lá em cima.

Sem uma auto-aceitação saudável é difícil amar ou aceitar os outros. Se você não se aceita, estará
continuamente tentando provar a si mesmo e aos outros. Seu modo de vida será sempre obter em vez
de dar.

Se você não tem uma auto-imagem adequada, será difícil aceitar a si mesmo da maneira que você é. E
normalmente você não acreditará em alguém que o aceite do modo que você é. Você começará a
projetar uma pessoa que na realidade não é você. Quando uma pessoa com esta atitude se casa, os
problemas logo surgem, mesmo dentro de casamentos cristãos.

A auto-imagem afeta o casamento

Uma auto-imagem frágil é um dos principais problemas encontrados na intimidade conjugal. Se você
não se aceita de maneira saudável, como esperar que o seu cônjuge o aceite como você é? Não é
possível! Então você começa a construir uma fachada ou barreira ao seu redor. Como resultado, o
homem ou mulher que se casou com você “casou-se com uma fachada”, não com uma pessoa real.
Quando isso acontece, a fachada aumenta cada vez mais e, normalmente, qualquer intimidade que
havia no relacionamento inicial desaparece. Pessoas que não têm uma auto-aceitação adequada buscam
satisfazer suas próprias necessidades, às vezes de maneira errada, e não procuram atender às
necessidades do cônjuge.
Mesmo na Clínica de Terapia Sexual de Master & .Johnson, menos de 10% do tempo gasto com os
clientes está relacionado com os aspectos físicos do sexo. Noventa por cento do tempo é empregado no
exame da auto-estima e da comunicação entre o casal.

Hoje, a ausência de valores absolutos, somada à frágil auto-imagem pessoal, resulta no uso do sexo
como uma tentativa de construção da auto-estima individual. A conseqüência, entretanto, é o
aviltamento tanto de uma quanto de outra pessoa envolvida na situação.

O que mais vemos na vida sexual de hoje são pessoas tentando provar-se a si mesmas. Você tem de
provar que é homem e pode satisfazer a uma mulher. Você tem de provar que é uma mulher e pode
agradar sexualmente a um homem e a você mesma.

Muito dessa pressão frenética vem de um sentimento de “Não gosto de mim e tenho de provar o meu
valor”. Quando você se vê como Deus o vê, conhece como você é ou realmente gosta de si mesmo —
reconhecendo suas fraquezas e seus pontos fortes — quando você é obediente pela fé, não é
influenciado por pressões emergentes. Se você é solteiro e tem uma auto-imagem saudável, não precisa
usar um namorado ou namorada para sustentar sua auto-estima. Se você é casado, não precisa usar
seu cônjuge como apoio para auto-afirmação. Você não precisa provar-se a si mesmo ou a outrem com
o objetivo de aceitar-se. Estará satisfeito com a avaliação que Deus faz a seu respeito.

Edificando a Base n°. 3

“Pois tu, formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por
modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis e a minha alma o sabe
muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como
nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram
escritos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles ainda havia” (Salmo
139:13-16).

Reescreva com suas palavras o quanto estes versos falam de você.

Você pode agradecer a Deus, honestamente, por tê-lo criado do jeito que você é? (Responda sim ou
não.)

Se sua resposta for negativa, será que você pode, em uma atitude de fé, pedir que Ele o ensine a ser
grato pela maneira como o fez? (Responda sim ou não.)

Escreva abaixo uma oração que expresse a sua gratidão a Deus, de acordo com o que você sente em
relação a Ele por tê-lo criado do jeito que você é.

Capitulo 4
Como você decidiu quem você é?

Desde a infância assimilamos informações tanto de pessoas mais velhas como de nossos iguais, o que
nos possibilita avaliar-nos a nós mesmos em três áreas fundamentais da vida: aparência, desempenho e
importância. A associação dessas três áreas corresponde à maior parcela do que pensamos ser — nossa
auto-imagem.

As reações dos outros são importantes para nós não só na infância, mas também na vida adulta. Depois
que nos tornamos adultos, ainda reunimos detalhes — talvez de diferentes fontes — para confirmar
quem somos e o que consideramos ser. Embora a avaliação inicial de nós mesmos se complete muito
cedo e seja difícil de mudar, continuamos a procurar estímulos de nossos companheiros e amigos para
saber que tipo de pessoas somos no momento.

Qual é a minha aparência?

James Dobson, em seu livro Hide or Seek (“Esconder ou Procurar”), diz que o atributo pessoal mais
valorizado em nossa cultura é a aparência física.LA primeira pergunta a que precisamos responder é
esta: “Qual é a minha aparência?”. Formamos uma imagem mental de nós mesmos a partir de elogios
ou zombarias que recebemos. Avaliamo-nos pelas reações dos outros à nossa aparência física.

A importância desta área para nossa auto-estima é demonstrada pelos bilhões de dólares gastos
anualmente com roupas, cosméticos e acessórios de beleza, e pela quantidade de tempo que gastamos
apenas arrumando e verificando nossa roupa e aparência pessoal. Muitos milhões são gastos em
cirurgias plásticas. As pessoas atualmente têm tudo “corrigido”, do nariz ao umbigo. Se nossa aparência
física for um “quadro perfeito”, achamos que podemos sentir-nos bem a nosso respeito.

A importância da aparência física pode ser ilustrada pelas dificuldades de Susan, uma jovem executiva,
cuja função requeria que ela estivesse rodeada diariamente por mulheres jovens e atraentes. Seu senso
interior de inadequação física, entretanto, afetou sua capacidade de trabalhar sem tensão.

Desde que era adolescente, Suzan ouvia sua mãe dizer que ela não tinha formas bonitas. Contudo,
julgada pelos padrões contemporâneos, ela era atraente. Apesar disso, sentia-se feia e inadequada em
comparação às mulheres com as quais trabalhava. Estava convencida de que nenhum homem a amaria
porque sua aparência não era “perfeita”. Sua insegurança interferiu tanto em seu trabalho que ela
perdeu o emprego.

Sam sofreu um grave desfiguramento em resultado de um acidente na infância. Uma explosão cortou
seus lábios quando ele era apenas um bebê. No correr dos anos, numerosas tentativas de cirurgia
plástica fracassaram. Na adolescência ele sofreu forte rejeição por parte de seus colegas, especialmente
as garotas. Tornou-se retraído e solitário. Em certa época, gastava de 10 a 20 horas por semana
assistindo a filmes, numa forma de escapismo. No esforço de tornar-se aceito, seu desfiguramento e a
resultante rejeição o tornaram excessivamente submisso.

Tanto você quanto eu somos influenciados pelo sentimento que temos a nosso respeito por causa de
nossa aparência. A imagem que vemos no espelho é interpretada através da opinião que ouvimos e
lembramos de outros. (Algumas pessoas que demonstram opiniões diferentes não são ouvidas ou
preferimos não ouvi-las.) Isto é verdade, especialmente nos anos escolares.)

Os pais de Bob devem ter-lhe dito que ele era o menino mais bonito da cidade, mas quando foi para a
escola as outras crianças notaram e algumas criticaram os defeitos que acharam nele. Com freqüência
ouvimos falar de crianças que voltaram da escola em lágrimas porque os colegas caçoaram delas por
serem gordas ou terem cabelo vermelho, sardas, cabelos crespos ou dentes de coelho. Tais recordações
permanecem dentro de nós mesmo depois de adultos.
A necessidade de uma aparência exterior perfeita vai além da aparência física imediata. Quantas vezes
as pessoas pensam: “Ah, se eu pudesse comprar tal carro, ou ser amigo de tal pessoa, então eu seria
aceito. Assim, eu poderia formar uma opinião melhor a meu respeito”.

Qual é o meu desempenho?

Uma segunda grande questão que fazemos a nós mesmos, “Qual é o meu desempenho?”, refere-se ao
nosso desempenho. Uma pergunta correlata é “Qual é o meu desempenho em comparação com as
outras pessoas?”. Vivemos em uma sociedade orientada para o desempenho. Nossa tendência é formar
uma imagem mental de nós mesmos com base nos sucessos e fracassos que temos aos olhos de nossos
pais e amigos.

Se a imagem que temos de nossa competência é muito fraca, sentimo-nos ameaçados quando alguma
outra pessoa alcança sucesso, e, quando ouvimos acerca das fraquezas ou fracassos de outros, um
sentimento de orgulho cresce dentro de nós.

“Alegro-me que você não tenha podido vir.” Conheço estes sentimentos por experiência própria. Um dos
melhores pregadores cristãos do país é Dick Purnell, um querido amigo que foi meu colega de quarto
quando estudamos no Wheaton College, no Estado de Illinois, Estados Unidos. Sugeri que ele me
substituísse em um grande congresso para solteiros na Flórida, do qual eu não poderia participar. “Mas
não conhecemos Dick”, disse o organizador do evento. “Vocês têm a minha palavra de que gostarão
dele”, respondi.

Depois do congresso o organizador me telefonou e, brincando, disse: “Foi bom que você não tivesse
podido vir”. Apenas por ter estado naquela reunião por alguns minutos, Dick surgiu como uma grande
ameaça para mim — antes mesmo que eu pudesse analisar meus sentimentos! Mais tarde, entretanto,
fui capaz de compartilhar este fato com outros e dizer: “Sabem, esta foi uma das melhores coisas que já
ouvi neste ano”.

Meses depois, fui convidado a falar em um seminário de solteiros em Chicago, desta vez para pessoas
que trabalhavam na aviação. Também não pude ir, e recomendei Dick. Algum tempo mais tarde,
encontrei-me com uma aeromoça que tinha participado do congresso. “Ah!, ela disse, “foi ótimo você ter
ficado doente. Todo mundo simplesmente adorou Dick!”. E, sabe, desta vez brotaram em meu coração,
de modo natural e imediato, alegria e agradecimentos a Deus pela capacidade de comunicação de meu
amigo!

Quando cheguei em casa, contei à minha esposa: “Depois de ter indicado Dick por duas vezes para me
substituir e ter encontrado pessoas contentes porque não pude atender aos convites, sinto-me
realmente feliz porque tenho uma boa auto-imagem”. Há alguns anos estas opiniões seriam uma
ameaça à minha amizade com Dick e à minha auto-consideração. Agora, eu gostaria que houvesse uma
dezena de Dick Purneil para enviar em meu lugar.

“O trabalho extra.” Um exemplo de pessoa que está tentando firmar sua auto-imagem através do
desempenho é o trabalhador compulsivo. Muitos de nós têm um traço desta característica na
personalidade. Pastores e obreiros cristãos são, muitas vezes, contaminados por esta doença. Sentimo-
nos bem quando estamos exaustos por causa de um trabalho cansativo. Nossa auto-imagem está
firmemente ligada ao nosso desempenho.) Uma mulher me disse: “Eu realmente me sinto bem à noite
quando estou tão cansada que mal posso me mexer”.

Um amigo me contou que este padrão de comportamento lhe é muito familiar e que há muito o tem
combatido. Foi criado num lar adorável, mas não importava quão bem tivesse feito qualquer tarefa, seus
pais sempre queriam que tivesse feito melhor. Nunca elogiavam nenhum trabalho que fizesse. A
aprovação dos pais, especialmente do pai, parecia sempre fora de seu alcance. Sentia-se como o
jumento tentando pegar a cenoura diante do nariz, ou como um cão de corrida procurando alcançar um
coelho que não pode ser apanhado. Expressou sua frustração metaforicamente quando disse: “Estou
sempre subindo a escada, mas nunca atinjo o topo”.
Até hoje ele ainda busca ouvir palavras de aprovação de seus pais. Ambos estão mortos, mas os
padrões paternos ainda vivem dentro dele. Meu amigo luta contra o impulso de tentar alcançar os
padrões que herdou de seus pais e estão interiorizados em sua mente.

Se você quer testar suas tendências de trabalhador compulsivo, preste atenção se tem facilidade para
relaxar. Você consegue tirar um dia ou mais e não fazer nada? Consegue sentar-se por um período
grande, sem trabalhar ou ler, sem que sua ansiedade cresça? Trabalhadores compulsivos sentem-se
deprimidos quando seu nível de atividade diminui, seja por sua escolha, nas férias, em dias de folga, nos
fins de semana, seja por circunstâncias diversas, como doença, velhice, desemprego. Pessoas com
tendências compulsivas de trabalho precisam fazer alguma coisa durante o tempo todo para que se
sintam bem e tenham uma boa auto-aceitação.

Quão importante eu sou?

Uma terceira pergunta, usada para definir quem somos, é: “Quão importante eu sou?”. Isto atinge o
nosso status social. Relaciona-se com a capacidade de controlar ou influenciar nosso grupo, ou o
sentimento de poder em relação a nossos amigos. Muitas pessoas pensam que, se conseguirem uma
posição de poder na política ou nos negócios, sentir-se-ão melhores e serão mais bem aceitos. Mas a
ironia da situação é que muitos homens de negócios bem-sucedidos ainda pensam em si mesmos como
um fracasso.

Todos nós formamos nossa imagem mental com base nos sentimentos de aceitação que recebemos de
nossos pais.

Como crianças, preocupamo-nos com o quanto nossos pais nos amam e quão importantes somos para
e1esW. Hugh Missildine faz afirmações relevantes a esse respeito em sua obra Your Inner Child ofthe
Past (“Sua Criança Interior”).

A criança desenvolve seu senso de valorização, capacidade, importância e individualidade a partir da


atenção que recebe de seus pais. Vê-se ou sente-se refletida no amor, aprovação e atenção que seus
pais manifestam em relação a suas necessidades...

Na infância, para receber carinho, afeição e atenção de seus pais, a criança assimila e imita os gestos e
trejeitos deles, além do modo de se olhar e de ver o mundo em geral. A atitude mais importante de
todas é como os pais se sentem a respeito da criança. Isto determina como a criança se sente. Ela não
tem outro guia e nenhum outro espelho que reflita que tipo de pessoa ela é, e se merece ou não ser
amada.

Uma das maneiras para determinar quão importantes somos para nossos pais é o espaço de tempo que
eles passam conosco. Aprendemos cedo na vida que as coisas mais importantes tomam mais tempo do
que as menos importantes. Uma criança que é sempre preterida em favor de um trabalho, da televisão
ou do jornal, vem a sentir-se desprezada.

Todos nós formamos nossa imagem mental com base nos sentimentos de aceitação que
recebemos de nossos pais.

A filha de um amigo meu tinha 3 anos quando este assunto veio à baila. O casal havia acabado de
mudar-se para uma casa nova e ambos andavam ocupadíssimos com o problema da jardinagem. Depois
de terem plantado vinte pés de azaléias, que requerem bastante cuidado, a esposa estava dedicando
diariamente bastante tempo para cuidar de outras plantas. Certa manhã, a filhinha olhava a mãe
trabalhar nos canteiros, dando tudo de si nessa atividade. Das profundezas de seu coração infantil
surgiu a pergunta perturbadora: “Mamãe, você gosta tanto de mim quanto gosta das suas flores?”.

Enquanto somos crianças, desenvolvemos uma compreensão da “importância das prioridades”. Pessoas
e coisas importantes têm prioridade e recebem grande espaço de tempo e atenção. Assim, avaliamo-nos
pelo tempo e atenção que recebemos.
Quando adultos ainda avaliamos a nós mesmos

Mesmo não sendo mais crianças, continuamos a usar as atitudes e reações das outras pessoas para
conosco, a fim de respondermos a estas três perguntas: “Qual é a minha aparência?”, “Qual é o meu
desempenho?”, “Quão importante eu sou?”.

Quando notamos que as pessoas reagem de maneira positiva em relação à nossa pessoa, nós nos
sentimos bem. Quando as atitudes e reações são negativas, sentimo-nos mal. Como mencionamos
anteriormente, uma auto-imagem negativa formada na infância continuará a fazer com que rejeitemos
as atitudes boas e as reações positivas a nosso favor, levando a concentrar- nos unicamente apenas nas
más e negativas.

Somos como um elefante de circo amarrado à corrente da bicicleta. Ficamos curiosos em saber como
uma corrente tão fraca pode prender um elefante tão grande. Um treinador me explicou que não é a
corrente que o prende; é a memória do elefante que evita que ele tente escapar. Quando o elefante é
bem pequeno, não tem força suficiente para quebrar a corrente ou soltar-se. Aprende, então, que a
corrente é mais forte que ele, e não esquece mais. O resultado é que, mesmo depois de grande e bem
forte, lembra-se apenas que tentou quebrar a corrente e não pôde. É claro que, ocasionalmente, um
elefante descobre que pode quebrar a corrente, e a partir daí seu treinador terá dificuldade em controlá-
lo.

Nossa auto-imagem funciona de modo parecido. Aprendemos quais são nossas fraquezas e nossos
pontos fortes quando ainda somos crianças e a recordação disso nos mantém presos mesmo depois de
adultos. As experiências que tivemos — as agradáveis e as sofridas — ficam impressas em nosso
subconsciente e atravessamos a vida crendo que somos as mesmas pessoas com as mesmas fraquezas
que pensávamos ter tempos atrás. Os sentimentos da infância, dos quais temos memória, estão bem
vivos e nos fazem pensar que o mundo ao nosso redor era, e ainda é, mais forte do que nós.

Mas como um elefante que pode fugir, podemos libertar- nos destas amarras internalizadas. Não
precisamos nem devemos deixar que esses sentimentos de aceitação ou rejeição nos façam esquecer as
novas e extraordinárias qualidades divinas e o novo poder interior que o próprio Deus nos concede.

Edificando a Base n°. 4

O sentido do texto de Efésios 1:11 é este: “Por causa do que Cristo fez (na Cruz) tornamo-nos presentes
dados a Deus, nos quais Ele se deleita”.

Que significa a palavra deleita?

Quem se tornou um presente para Deus?

O que Ele faz com esse presente?

Que significa dizer que Deus se deleita em você?

Em Hebreus 12:2 lemos: “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, .Jesus Cristo, o qual
em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está
assentado à destra do trono de Deus”.

A quem pertence a alegria referida no texto acima?

Capitulo 5
Crescendo com papai e mamãe

Você já considerou os planos de Deus para o crescimento de uma pessoa? A formação de uma
personalidade saudável e de uma auto-imagem adequada não acontece por acaso. Por um desígnio
especial, Deus planejou para que um homem e uma mulher produzissem descendência. Os pais são
importantes não apenas para a procriação biológica, mas também para o processo de desenvolvimento
de personalidades saudáveis e de indivíduos com uma auto-imagem adequada.

Deus planejou um processo de amadurecimento no qual a descendência humana atravessa vários


estágios de dependência. É um processo que inclui desenvolvimento físico, espiritual e emocional. E
Deus estabeleceu o relacionamento com os pais como seu corolário. Ambos os processos (crescimento e
relacionamento paterno) são fundamentais em Seu plano para o desenvolvimento de uma personalidade
sadia.

A importância destes dois processos pode ser compreendida quando paramos para considerar o espaço
do tempo despendido em cada um. O processo de desenvolvimento físico leva, usualmente, 18 anos. O
processo de relacionamento com os pais envolve, aproximadamente, o mesmo número de anos. Isto
significa que a pessoa média despenderá pelo menos metade da vida dentro deste relacionamento de
parentesco, quer como pais, quer como filhos.

Por exemplo, os Reeses estiveram envolvidos nos processos de crescimento físico e de criação como
pais por trinta e seis anos. Houve um espaço de 18 anos entre o filho mais velho e o mais novo.
Acrescente-se a estes 18 anos aqueles nos quais eles estiveram relacionados com seus próprios pais, e
teremos mais de meio século de envolvimento entre desenvolvimento físico e relacionamento paterno. O
cálculo não inclui os anos em que os Reeses atuaram como avós, encantados com seus treze netos.

‘Tendo em vista que Deus determinou que os processos de crescimento e relacionamento familiar
tomassem tanto tempo da breve duração de nossa vida, eles devem ser importantes para Ele. Desde o
começo, Deus estabeleceu estes dois processos como fundamentais para gerar personalidades sadias e
auto-conceitos adequados. Um dos maiores propósitos para o qual os seres humanos foram criados é
cumprir o primeiro mandato de Deus, crescer e multiplicar.

Os pais são agentes de Deus

Como dissemos, o início do desenvolvimento de nossa auto- imagem repousa no relacionamento com
nossos pais. Nossa auto-imagem procede principalmente das imagens autoritárias a que fomos
submetidos na infância. Com elas aprendemos sobre quem somos e com quem nos parecemos. “Uma
criança descobre, literalmente, que tipo de pessoa é e como se sente sobre si mesma pelas reações de
seus pais.”

As avaliações de nossos pais são transferidas para nossa mente jovem. Vemo-nos de acordo com os
pensamentos e atitudes que eles demonstram a nosso respeito. A partir de suas atitudes, percebemos
seus sentimentos com relação a nós. Tais experiências, mesmo esquecidas ao longo do tempo, ajudam
a formar nosso autoconceito.

Deste modo, as experiências diárias da infância, e não apenas as traumatizantes, são as que formam
nossa auto-imagem. A atmosfera reinante na família contribui mais para a visão que temos de nós
mesmos do que acontecimentos esporádicos. Adotamos a atitude normal da família, internalizando estas
impressões. Devemos compreender que a influência paterna é um fator significativo em nossas
tentativas de ver nossa auto-imagem transformada.

O reconhecido escritor e conselheiro, Cecil Osborne, disse: “A criança pequena não tem uma imagem
clara de si mesma. Ela se enxerga através do espelho da avaliação de seus pais. Dizer repetidamente a
uma criança que ela é má, ou preguiçosa, incapaz ou estúpida, tímida ou desajeitada, criará nela a
tendência de agir de acordo com esta imagem que os pais ou outra figura autoritária lhe atribuíram”.

Larry, por exemplo, tinha uma depressão profunda e uma grande falta de confiança em si mesmo. Com
26 anos, ainda não havia decidido o que queria fazer. Era frustrado, inseguro e sentia-se deslocado. Seu
pai sempre o chamou de “estúpido” e até hoje ainda o chama assim, e diz que ele não é capaz de fazer
nada. A auto-imagem de Larry é distorcida. Sente-se tal e qual a imagem que o pai faz a seu respeito.
Existe uma receita para uma família sadia?

O psicólogo Stanley Coopersmith, em sua obra The An tecedents of Self-Esteem (“Os antecedentes da
auto-estima”) descreve algumas características da família que constrói uma boa auto-estima em seus
filhos.A atitude mais significativa é a de aceitação e amor incondicional. Esta atitude é uma constante,
não é algo concedido ou tirado dependendo do comportamento da criança.

A segunda característica é uma atitude de compreensão. As crianças pensam que os pais conhecem e
realmente compreendem seus sentimentos. Se as crianças não têm permissão para expressar seus
sentimentos positivos e negativos, não saberão que são compreendidas. Sentem-se rejeitadas porque
seus sentimentos não são aceitos.

É interessante notar que, no estudo de Coopersmith, crianças com um senso correto de autovalorização
foram disciplinadas com a mesma freqüência de outras, às quais faltava a autoconfiança. As diferenças
nos resultados obtidos pela aplicação da disciplina relacionam-se à ênfase dada pelos pais durante o
processo. Crianças que demonstram maior senso de autovalorização são as que foram disciplinadas por
mostrar um comportamento ofensivo ou inapropriado. Aquelas que têm um baixo senso de valor próprio
foram disciplinadas por serem “crianças más”. É importante distinguir entre o comportamento da
criança, que pode ser ofensivo, e a própria criança, que é amada.
Se os pais soubessem quão importantes são para o desenvolvimento dos filhos, talvez
trabalhariam com maior dedicação para desenvolver uma atitude mais positiva em seu
relacionamento com eles.

Se os pais soubessem quão importantes são para o desenvolvimento dos filhos, talvez trabalhariam com
maior dedicação para desenvolver uma atitude mais positiva em seu relacionamento com eles.
Lamentavelmente, porém, não é o que acontece. Muitos pais, pelo fato de possuírem eles mesmos uma
auto-imagem deficiente, sentem dificuldade em transmitir o que não têm. E sentindo-se inadequados, é
mais fácil para eles comunicar sentimentos negativos a seus filhos.

Os colegas também desempenham uma função importante

A segunda influência em nosso autoconceito é a informação que recebemos de amigos, colegas e


professores. Os colegas também ajudam a formar a auto-imagem. Eles confirmam ou negam o que
aprendemos em casa.

Imagine uma menininha a quem dizem em casa que é engraçadinha e bonitinha. Um dia, quando vai
para a escola, fica arrasada porque alguém a chama de “cabelo de milho” ou “sardenta”.

Ou pense no menino que acreditava ser um ótimo atleta até que na escola vê que é desajeitado e não
consegue fazer muitas das coisas que as outras crianças fazem.

As crianças são cruéis. Os apelidos que dão e as brincadeiras que fazem realmente machucam. Elas
decepam e esmagam os aspectos positivos da nossa boa auto-imagem. Quanto mais sensíveis somos
quando crianças, mais profundas são as feridas que sofremos por brincadeiras e tormentos dos colegas
de classe.

Por outro lado, um amigo, mestre de um famoso seminário, contou como este processo, em seu caso,
trabalhou de maneira positiva. Ele tinha sido criado em um lar infeliz. Sua mãe abandonara a família
quando ele era muito criança, seu pai era militar e assim ele passou a maior parte de sua vida com os
avós.

Seu primeiro ano escolar foi miserável. Cedo foi rotulado como “criança-problema” e vivia de acordo
com esse rótulo. Então, quando começou a freqüentar uma nova classe, foi saudado à porta por uma
professora muito sábia. Ela olhou bem nos seus olhos, chamou-o pelo nome e disse: “Tenho ouvido
muitas coisas a seu respeito, mas não creio numa só palavra”. “Aquele dia foi um marco para uma nova
vida”, diz agora o mestre, meu amigo.
Alguém acreditou nele. Pais adotivos ou figuras autoritárias, geralmente professores, instrutores ou
parentes próximos, podem ser um salva-vidas para crianças abandonadas.

Outra influência dominante na formação da auto-imagem das crianças são os irmãos, embora esta
influência normalmente não seja tão forte quanto a dos pais ou dos amigos de fora do lar. Em alguns
casos, entretanto, uma criança que até então fora o centro das atenções sente-se destronada pela
chegada de um novo bebê, e isto marca uma mudança em sua auto-imagem. Algumas vezes duas
crianças do mesmo sexo, de idades aproximadas, podem afetar-se mutuamente. Uma criança mais
velha que necessite desempenhar o papel dos pais com relação às crianças menores também pode ter
seu senso de autoconceito alterado.

Deus tem padrões para os pais

O processo ideal que Deus determinou para cada criança é ter um relacionamento íntimo e positivo com
os pais — quer dizer, estímulos e influência tanto do pai quanto da mãe. O desenvolvimento sadio da
personalidade humana requer esta interação com as figuras de autoridade masculina e feminina durante
os 18 anos que se passam entre a infância e a adolescência. É o desígnio de Deus para as crianças
Nenhuma descendência do mundo animal parece requerer ou ter esta necessidade, porque nenhuma
criatura tem uma personalidade como a do ser humano. É necessário um casal para a procriação, e
também são necessários os dois progenitores para revelar o caráter de Deus às crianças. Juntos, num
relacionamento de uma só carne, os pais comunicam e demonstram os atributos de Deus para os filhos.
Através desta interação, as crianças têm os ingredientes necessários para tornar-se pessoas saudáveis,
que podem confiar sua vida a Deus, o Pai celestial.

Algumas vezes, entretanto, os pais sacrificam metas de longo prazo (de natureza cristã, para os filhos),
a fim de atingir objetivos imediatos. Preferem, por exemplo, ter filhos quietos e bem- comportados.
Assim as crianças vivem de tal maneira atemorizadas que os amigos comentam e elogiam como sendo
realmente obedientes. Os pais podem ser tão rígidos que as crianças não ousam sair nem um pouquinho
da linha, e isto não é saudável.

Na educação dos filhos, os meios determinam o fim. Pelos meios corretos qualquer criança pode ser
compelida, por um espaço de tempo, a adotar o comportamento que os pais desejem. O sucesso dos
pais não se mede quando a criança tem 6 ou 16 anos, mas quando tem 36. Os pais têm de conviver
com o fruto do seu trabalho durante muitos anos. Os resultados verdadeiros deste trabalho são
observados na fase adulta de sua descendência.

Deus estruturou o desenvolvimento da personalidade humana para ser um processo longo. Ele até
escolheu que Seu Filho nascesse de uma mulher. Jesus sofreu influência dos pais através da infância e
meninice, tanto quanto outras crianças do Seu tempo. O processo de envolvimento com os pais não foi
abandonado por Ele e foi usado para ajudá-lo a atingir a idade adulta.

Pela Bíblia podemos determinar três ingredientes importantes no relacionamento com os pais. Embora a
Bíblia não nos dê instruções detalhadas acerca de como sermos pais, ela provê um esboço da estratégia
de Deus.

O primeiro ingrediente é ser um modelo. Os pais servem de modelo para os filhos, estejam ou não
conscientes disso. A questão é: “Que tipo de modelo devem ser?”. As crianças observam e imitam as
palavras, os comportamentos e as atitudes dos pais. Aprendem a pensar como os pais pensam, a sentir
o que eles sentem, a escolher o que escolhem e a comportar-se de maneira semelhante à deles.

O segundo ingrediente é o ensino. Os pais têm de ensinar aos filhos procedimentos e princípios pelos
quais se baseiam. Isto inclui desde aprender a amarrar o sapato até as verdades bíblicas a respeito de
Deus. Biblicamente, o ensino inclui não apenas a instrução verbal, mas, quando necessário, disciplina
para reforçar o ensino.

O terceiro ingrediente é aprender a relacionar-se. Os pais devem amar os filhos e relacionar-se com eles
de maneira terna e carinhosa. Todos estes três ingredientes são importantes no processo de
relacionamento entre pais e filhos, mas a comunicação, sem dúvida, é o fator decisivo. Sem um
relacionamento caloroso, amoroso e íntimo, os outros dois ingredientes não surtirão efeito na vida da
criança.

A Bíblia retrata três personalidades sadias

Se os pais puderem preencher, hoje, a estratégia original de Deus, gerarão crianças com personalidades
sadias que poderão vir a confiar sua vida ao Pai Celestial. Na Bíblia, três personalidades sadias servem
de exemplo do que Deus quer que sejamos. As duas primeiras são Adão e Eva antes da queda.
Observando estas duas criações perfeitas de um Deus perfeito, podemos ver alguma coisa do que
significa ser mentalmente sadio. A terceira personalidade verdadeiramente saudável é Jesus Cristo. Sua
Personalidade não foi tocada pelo pecado, e assim Ele apresenta a imagem perfeita de uma
personalidade verdadeiramente sadia.

O Novo Testamento mostra Jesus Cristo como o modelo de nosso crescimento cristão. Inúmeras vezes
os escritores O apontam como alguém a quem devemos imitar. Cada pessoa que aceita a Cristo deve
tornar-se como Ele.

Meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós.

Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo.

Agora, porém (Cristo) vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos
perante Ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis.

Cristo em vós, a esperança da glória, o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a
todo homem em toda sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo.

Os cristãos devem viver uma vida que manifeste as características de Cristo ao mundo. Não têm apenas
de agir como Cristo, mas tornar-se como Ele em toda a sua personalidade. Paulo esclarece o que
significa ser como Cristo em três passagens do Novo Testamento. “O fruto do espírito é: amor, alegria,
paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.9 A segunda
passagem, 1 Timóteo 3, ensina sobre atributos que os líderes da igreja devem ter. Eles acham-se
resumidos em Tito 1:6-8:

(O presbítero deve ser) irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não
acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível
como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem
cobiçoso de torpe ganância, antes hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio
de si.

Estas três passagens bíblicas dão uma imagem detalhada de como deve ser uma pessoa realmente igual
a Cristo. Tal pessoa deve manifestar os frutos do Espírito e exibir as características e qualidades de um
presbítero. Esta lista de atributos é, também, o melhor retrato que podemos ter hoje em dia de uma
personalidade realmente saudável.

A maioria dos cristãos vê o “tornar-se igual a Cristo” como um alvo que está procurando atingir. Alguns
cristãos, entretanto, aumentam seu problema de auto-estima ao comparar o que eles são neste
momento com Cristo, que é o modelo mais excelente do universo. Estas pessoas perdem a esperança
porque sentem que nunca atingirão seu padrão. Fixam-se apenas na meta, e não no processo para
alcançá-la.

Os cristãos precisam manter uma perspectiva equilibrada do modo como se vêem. Precisam olhar para a
frente e considerar o que podem vir a ser — como Cristo (o que nos conserva humildes e sensíveis à
liderança de Deus). Precisam também olhar para trás e analisar o que eram quando aceitaram a Cristo
(o que nos torna agradecidos a Deus e nos dá esperança). Esse tipo de equilíbrio ajuda os cristãos a ter
uma visão sensata de si mesmos (Rom. 12:3).

O ideal de Deus foi distorcido

Por causa da queda do homem, o pecado entrou no mundo, e o ideal de Deus foi prejudicado. Por
causa do pecado, os pais não podem manifestar aos filhos de maneira perfeita o caráter e os atributos
de Deus. As crianças crescem neste mundo e são inevitavelmente influenciadas por relacionamentos que
lhes dão imagens de Deus realmente distorcidas. Quando a natureza pecaminosa das crianças reage a
essa influência, resulta não em personalidades totalmente sadias, mas defeituosas, pessoas pecadoras
que por sua vez produzirão outras personalidades doentias e pecadoras. A Bíblia registra o ciclo
resultante e seu efeito nefasto através das gerações em Êxodo 20:5 e 34:7.

O relacionamento entre pais e filhos não é, nem de longe, o que Deus gostaria que fosse, assim as
crianças não têm suas necessidades emocionais e espirituais devidamente atendidas.

Por causa dos pecados de seus pais, elas têm uma imagem falha de Deus e não confiam nEle. A
sociedade moderna é resultado resultante desse ciclo.

As marcas que as crianças assimilam no relacionamento com os pais podem ser vistas como certa
vulnerabilidade a alguns tipos de pecado. Toda pessoa tem uma “natureza pecaminosa” e pode ser
envolvida em pecado, mas geralmente isto se dá numa área de vulnerabilidade adquirida na infância.
Alguns adúlteros nunca pensariam em agredir alguém. Um assassino nunca pensaria em defraudar seu
cônjuge.

Quando o pecado entrou no mundo e os pais falharam em preencher as necessidades inatas de seus
filhos, estes começaram a procurar no mundo a satisfação de seus anseios. Os pais não lhes ofereceram
um amor saudável, então os filhos procuraram amor por meios pecaminosos. Atualmente, o processo
continua, mesmo nos lares cristãos.

Os estágios da influência dos pais

Dentro do plano ideal de Deus, o papel dos pais no desenvolvimento dos filhos segue algumas normas.
O desenvolvimento da criança envolve três estágios de influência paterna.

1. Influência de ambos os pais (do nascimento aos 3 anos). Ambos os pais atuam como educadores da
criança neste estágio.

2. Estágio de influência do sexo oposto (dos 3 anos à puberdade). O genitor do sexo oposto
desempenha um papel mais significativo no desenvolvimento da personalidade.

3. Estágio de influência do mesmo sexo (da puberdade à vida adulta). O genitor do mesmo sexo exerce
um impacto mais significativo no desenvolvimento do indivíduo.

É importante que a criança receba influência de ambos os pais durante todo o desenvolvimento do
processo, mas é importante também que sofra a influência correta do pai ou da mãe durante os
diferentes estágios. Isto é o que torna o processo de relacionamento “pais-filhos” tão difícil e desafiador.

Quando a criança tem apenas um dos pais, os avós podem tornar-se o modelo da pessoa que falta,
como aconteceu com Billy. A mãe de Billy era divorciada e trabalhava para mim. Seu pai tinha
desaparecido e nunca vira Billy. Sua mãe decidiu mudar-se para perto de seus próprios pais, assim o pai
dela pôde tornar-se uma influência masculina positiva para Billy. Isto foi há dez anos. Encontrando Billy
hoje, percebemos que a decisão de sua mãe foi muito sábia.

Estágio de influência de ambos os pais. Inicialmente, nos primeiros 18 meses de vida, a criança se
relaciona mais com a figura materna. Pesquisas demonstram que, durante estes 18 meses, a criança vê
os pais na figura da mãe. É importante neste período que o pai participe do papel da mãe, tanto quanto
possível.

Aproximadamente com 3 anos de idade, a criança começa a descobrir que é mais parecida com o pai ou
com a mãe. A percepção de uma distinção anatômica marca o início de uma mudança no
relacionamento com ambos os progenitores.

Estágio de influência do sexo oposto. Aproximadamente dos 3 anos até a puberdade, o progenitor
do sexo oposto exerce uma influência maior no desenvolvimento psicológico da criança, embora o
progenitor do mesmo sexo desempenhe um papel de equilíbrio bastante significativo.

O interesse da criança no progenitor do sexo oposto é relacionado com o plano de Deus. Deus planejou
de modo que o interesse da criança se focalizasse através das linhas sexuais de desenvolvimento, para
que mais tarde houvesse relacionamentos adequados com o sexo oposto. Este estágio de influência de
progenitores do sexo oposto é aquele no qual a criança é chamada de “menininho da mamãe” ou
“menininha do papai”. É a época em que a criança deseja possuir o pai ou a mãe.

Durante este estágio, a criança é preparada pelo pai ou pela mãe a sentir-se à vontade nos
relacionamentos adultos com o sexo oposto. Neste estágio, a criança necessita de muita afeição, amor,
atenção do progenitor de sexo oposto ao da criança.

Pesquisas acessíveis indicam que é o calor, e o prazer afetivo do progenitor do sexo oposto durante
estes anos, que prepara o indivíduo para um relacionamento sexual adulto e saudável.

Vezes sem conta tem sido demonstrado que indivíduos que não receberam cuidados adequados, amor,
atenção e afeição, durante este estágio do progenitor do sexo oposto, têm problemas no
relacionamento sexual quando adultos. Uma menina que tenha aprendido a sentir-se confortável nos
braços do pai irá sentir- se confortável nos braços do marido. Um menino que tenha conhecido a alegria
de estar com a mãe sentirá prazer ao lado de sua esposa.

Até mais ou menos 10 anos, a criança precisa de muito carinho demonstrado por contato físico, por
abraços, beijos e aconchego do pai ou da mãe. Nesta fase, nunca é demais a afeição saudável que uma
criança recebe.

Estágio de influência do mesmo sexo. O terceiro estágio do desenvolvimento infantil começa na


puberdade e prolonga-se até a idade adulta é a época em que o progenitor do mesmo sexo que a
criança tem maior influência. E quando o jovem e a jovem precisam de um modelo — um exemplo do
que significa ser homem ou mulher — para começar a moldar-se para a idade adulta, embora o pai ou
mãe do sexo oposto ao da criança ainda seja importante. Durante este estágio, a pessoa desenvolve e
amadurece sua identidade sexual. Reações positivas do pai ou da mãe às tentativas do filho ou filha de
se tornarem parecidos com um deles são necessárias para confirmar e reforçar a identidade sexual da
pessoa que se acha nesta fase de crescimento.

Ao nascer, não temos auto-imagem. Ela se desenvolve aos poucos, diariamente, à medida que
internalizamos a atmosfera e as atitudes que nos cercam. Uma auto-imagem positiva advém da
qualidade de relacionamento que temos com as pessoas que desempenham papéis significativos em
nossa vida desde cedo.

Os pais devem ser vistos como presentes de Deus

Antes de me casar, eu costumava passar bastante tempo na casa de Paula. Ela tinha pais maravilhosos.
Ela nunca ouviu seus pais discutir ou seu pai levantar a voz para sua mãe. Eu costumava pensar:
“Senhor, por que eu não pude ter pais assim, que se amassem?”. Não só não me lembro de ter recebido
um abraço de meu pai, como nunca o vi abraçando minha mãe.

Minha mãe não tinha, propriamente, excesso de peso. Mas, por causa de um problema glandular, ela
era obesa. Como resultado disso, eu sempre me achei gordo, quando, na verdade, não o era. Para mim,
meu pai era o alcoólatra da cidade. Embora tivéssemos alguns momentos bons, nossa vida familiar era
obscurecida por uma sucessão de problemas, tribulações e mágoas.

Eu costumava invejar Paula e sua família até alguns anos atrás, quando descobri que Deus tinha
escolhido meus pais. Comecei a ver que as características que recebi deles foram com a Sua permissão.
Mesmo num mundo contaminado pelo pecado, percebi que Deus me fez como sou e usou meus pais
para me moldarem.

A percepção deste fato manteve-se firme enquanto minha biografia estava sendo escrita há alguns
anos. No começo fiquei amedrontado com a idéia de que as pessoas ficariam conhecendo fatos
particulares do meu passado. Minha esposa mesmo disse: “Querido, você está certo de que não se
importará em que as pessoas leiam isto?”. “Não”, respondi, “mas agora é muito tarde.”

Foi uma experiência dolorosa ver Joe Musser pesquisando meu passado para escrever a história da
minha vida. Ele trouxe à tona muitas feridas com as quais eu ainda não havia lidado. Mas ao longo do
tempo foi de grande ajuda. Agora sou capaz de dizer ao Pai Celestial: “Obrigado por meus pais
terrenos”.

Deus usa todas as circunstâncias da nossa vida, conforta- nos em todas as situações e então usa as
feridas e dores para capacitar-nos a ministrar a outros (II Cor. 1:3-4). Deus usou Romanos 8:28,
“Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito”, para ajudar-me a formar uma imagem melhor de meu pai. Sou
grato até mesmo por ter um pai alcoólatra porque Deus, na Sua fidelidade, usou esta circunstância para
capacitar-me a ajudar outras pessoas.

Talvez você esteja começando a entender melhor algumas das falhas de seus pais. Se está, você precisa
chegar ao ponto de dizer “Obrigado, Senhor, por meus pais. Não entendo o porquê dos problemas de
minha infância, mas confio que o Senhor permitiu que acontecesse tudo o que aconteceu, para que tudo
colaborasse juntamente para o meu bem”.

Edificando a Base n°. 5

Faça uma lista das características pessoais de seu pai e de sua mãe que, você acredita, efetivamente
fizeram deles (ou poderiam tê-los feito) “bons pais”.

Quando você faz uma avaliação do amor de seus pais por você, isto lhe dá uma boa imagem de Deus
Pai?

Deus Se assemelha aos seus pais terreno?

Escreva o nome de algumas pessoas cuja vida o ajudou a sentir Deus como Ele realmente é. Explique.

Capitulo 6
Histórias da infância

Ser grato aos pais, não importa quão pobre possa ter sido o relacionamento, é uma coisa. Superar este
fato e ainda usá-lo para a glória de Deus, é outra. Pela Sua graça, isto pode ser feito. Para dar a você
esperança de que sua auto-imagem pode mudar, vou contar-lhe alguns fatos de meu próprio passado e
também do passado de O’Neill, um amigo meu.

A história de O’Neill

O’Neill foi criado em uma pequena cidade do nordeste do Texas, por pais que valiam ouro e o amavam
com toda a capacidade que tinham. Mas, para ele, isto não foi suficiente.

Porque seu pai tinha uma auto-imagem negativa, tentava-se superar trabalhando demais. Alguém que
tinha vencido na vida superando todas as grandes dificuldades da infância, o pai de O’Neill só conseguia
transmitir amor através de bens materiais. Ele nunca abraçava o filho nem lhe dizia que o amava ou que
se orgulhava dele.

Sua mãe era uma mulher que ansiava por amizades. O’Neill acreditava que ela jamais as tivesse
encontrado. Antes de morrer, tentou esconder seu coração carente em uma avalancha de atividades na
igreja e em sua comunidade que lhe tomavam todo o tempo. Sentia-se solitária e amedrontada. Por
causa de seus medos, era dominadora, controladora e possessiva.

Sendo o mais velho de três filhos, numa família não muito unida, O’Neill lutava para conseguir ser
aceito, amado e aprovado por seus pais, e procurava ser o que desejavam que ele fosse. Era bom
menino, obediente, um filho que era exibido diante dos irmãos mais novos como exemplo e, por causa
disso, seu irmão até hoje ainda guarda ressentimentos contra ele.

Intimamente, a vida de O’Neill era dolorosa. Como “filhinho da mamãe”, não podia brigar com os
meninos da vizinhança; mamãe intervinha sempre. Quando entrou para o segundo grau, era o
efeminado da escola. Um dos garotos adorava atormentá-lo todas as manhãs, desafiando-o a lutar,
empurrando-o até levá-lo às lágrimas. Ele era o terror da vida de O’Neill, da mesma forma que outro
menino havia sido no primeiro grau. O’Neill não podia fugir, mesmo tendo medo de brigar. Não tinha
confiança em sua capacidade de cuidar de si mesmo. Seus colegas achavam que ele era tão efeminado
que deveria usar lacinhos de fita na roupa de baixo. O apelido “Lacinho” tornou-se um sarcasmo que o
atormentou durante anos.
Para tornar as coisas piores, O’Neill temia secretamente de que alguém descobrisse que ele urinava na
cama. Até os quinze anos, nunca havia dormido em casa de amigos, o que fazia com que sua solidão e
seu senso de inferioridade se agravassem.

Seu pai não podia entender por que ele molhava a cama. Reagia com ira, como se O’Neill fizesse isso de
propósito para espicaçá-lo.

A chacota, molhar a cama e os problemas normais da adolescência fizeram-no sofrer muito. Sem amigos
mais chegados, O’Neill entrou para o escotismo. Mas a chacota acompanhou-o ali também. Sentia-se
consumido pelo medo e pela falta de respeito por si mesmo; fervia de raiva e não sabia como se
expressar.

Então, descobriu o futebol americano e desenvolveu sua capacidade atlética. Dotado de um bom físico e
de boa capacidade, e protegido contra ferimentos por causa dos enchimentos de sua roupa, sentiu-se
estimulado a derrubar os adversários no chão. Quando estava no colégio sua raiva contra os outros
havia sido totalmente descarregada e ele entrou para o primeiro time.

A partir daí, começou a ser respeitado pelos colegas e aprendeu a respeitar-se a si mesmo.

Finalmente superou o problema de urinar na cama e a vida parecia-lhe mais alegre. No seu último ano,
o time chegou a participar dos jogos estaduais. O’Neill, entretanto, não recebeu nenhuma medalha,
porque o homem que classificava os atletas para receber as medalhas não gostava de seu pai. Este fato
o feriu demais. E ele nunca conseguiu suportar o apelido de “Lacinho”.

Na adolescência, ele encontrou um lugar seguro para crescer. O grupo de jovens da igreja tornou-se
importante para ele. Na igreja sentia-se como “um peixe grande num lago pequeno”. Tornou-se líder do
grupo de adolescentes, ganhando reconhecimento dos adultos. Foi até eleito para participar da
representação do grupo de jovens de sua denominação. Em certo verão, no acampamento da igreja,
comprometeu-se em tempo integral com o serviço cristão.

A carreira universitária de O’Neill começou com um choque. O técnico de futebol de uma das maiores
universidades prometeu-lhe uma bolsa de estudos. Quando chegou a época da matrícula, entretanto, o
técnico decidiu não lhe dar a bolsa, dizendo que ele não era bom o bastante para jogar.

Zangado, O’Neill decidiu provar ao técnico e a si mesmo que podia jogar futebol americano na maior
universidade dos país. Matriculou-se sem a bolsa e começou a preparar-se fisicamente. Na primavera do
primeiro ano, conseguiu entrar no time, ganhou a bolsa de estudos e mudou-se para o dormitório dos
atletas.

O técnico-chefe, porém, não gostava dele. O’Neill não fumava nem bebia; treinava o ano inteiro e era
um bom rapaz. O técnico implicava com ele dentro e fora do campo, inventava falsas acusações contra
ele, deixava-o no banco dos reservas em vários jogos, dizia-lhe que nunca mais seria seu treinador, não
lhe deu carta de recomendação mesmo O’Neill tendo direito a ela e convenientemente se esqueceu de
entregar seus prêmios. A dor era maior do que O’Neill podia suportar, mas ele pensava na filosofia de
seu pai “Se você pode viver com isto, pode viver sem isto”.

Seus fins de semana na universidade eram de solidão e depressão. Algumas vezes sua raiva mergulhava
numa depressão quase suicida. Pegava o carro e dava um giro procurando pegar alguma garota ou
entrar em alguma briga. Durante esse tempo continuava a preparar-se para o ministério, mesmo
sabendo que não havia realidade em suas experiências cristãs. Depois de algum tempo, devido à sua
conduta no colégio, ganhou um novo apelido dos colegas. Era “Pregador”, por causa do seu plano de
entrar para o ministério.

Ainda não tinha amigos íntimos. Temia deixar que alguém soubesse quão pequeno e assustado era por
dentro. Tinha certeza de que ninguém poderia gostar dele, porque certamente ele não gostava de si
mesmo. Continuava um solitário, alguém que sofria silenciosamente.

No verão, depois do seu primeiro ano na universidade, O’Neill ouviu o evangelho pela primeira vez. Se
as boas novas tivessem sido pregadas em sua igreja natal, ele não teria ouvido. Aceitou a Cristo na
expectativa de que, finalmente, sua vida seria transformada. Mais uma vez, nada parecia mudar. Sua
solidão e seu senso de inferioridade e ódio interior não desapareceram. Como resultado, sentia-se mais
miserável que antes. Sabia que Cristo estava em sua vida, mas a sua vida ainda não era diferente.

No último ano de faculdade, encontrou sua futura esposa, com quem se casou no meio do ano, O
casamento fez surgir mais sentimentos de inferioridade. Ele não se comunicava adequadamente porque
tinha medo que sua esposa o conhecesse interiormente. Seu casamento simplesmente ia à deriva.

Quando terminou a faculdade, empregou-se num acampamento cristão na Califórnia. Aquele verão
tornou-se um novo ponto de partida para a vida de O’Neill. No acampamento, encontrou um conselheiro
cristão que lhe deu esperanças de que poderia ser uma pessoa diferente. Depois de uma breve sessão
de aconselhamento, à tarde, sua vida começou a mudar dramaticamente.

Desde aquele verão, os anos têm sido um desenrolar de fatos de como Deus tem trabalhado para curar
as suas feridas, solidão, ódio e sentimentos de inferioridade. Ele tem passado muitas horas tentando
compreender a si mesmo. Tem orado, estudado a Bíblia e procurando aconselhamento. Sua esposa e
ele têm gasto um bom tempo em terapia. Houve ocasiões em que a luta foi quase esmagadora, mas
hoje O’Neill não é a mesma pessoa do começo desta história. Ele é diferente. Sua auto- imagem foi e
está sendo maravilhosamente transformada!

Hoje ele não carrega mais amarguras, embora os problemas da infância ainda o façam chorar. Ele
cresceu através da maioria destas dificuldades e pode dizer honestamente que é grato por todas as
dores que sofreu. Isto resultou na capacidade de ministrar, com o correr dos anos, a centenas de outros
que também passam por grandes sofrimentos.

“Bendito seja o Deus e Pai nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias o Deus de toda
consolação. Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar aos que
estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por
Deus.”

Recordações de Josh

Meus pais nunca passaram do segundo ano primário. Na pequena cidade em que cresci, nunca prestei
atenção ao fato de meus professores enfatizarem a necessidade de falar e escrever corretamente. E,
como conseqüência, eu não sabia nada. Nunca aprendi as regras gramaticais e nem imaginava que
deveria usar um verbo no singular se o sujeito estivesse no singular. “Eles está indo” era bom demais
para mim, durante a minha fase de crescimento.

No segundo ano, Mrs. Duel tentou mudar meu jeito de canhoto, fazendo-me usar a mão direita. Eu
tinha de sentar-me à mesa enquanto ela dizia: “Construa uma casa de blocos”. Se eu construísse com a
mão esquerda, ela me batia com a régua e dizia:

“Pare, comece de novo. Faça com a mão direita”. Esse tipo de pressão provocou-me dificuldade no falar.
Sempre que eu ficava amedrontado, nervoso ou cansado, geralmente na escola, eu gaguejava.
Normalmente minha resposta íntima quando Mrs. Duel me pressionava era “Construa sua casa estúpida
a senhora mesma”.

No quinto ano fui escalado para recitar o “Discurso de Gettysburg”. Na frente de todo o mundo, Mr.
Elliott me disse:

“Fale, fale. Pare de gaguejar e fale”. Saí correndo da sala chorando diante de todos os meus amigos.
Quando meu irmão vinha da faculdade nos visitar, corrigia todo o tempo o meu modo de falar. Eu ficava
embaraçado de falar perto dele. Pensava que ele queria arrasar-me. Não podia imaginar que ele fizesse
aquilo para o meu próprio bem.

Além disso, havia o alcoolismo de meu pai. Meus amigos iam para a escola e caçoavam porque meu pai
estava bêbado na cidade. Eles nunca souberam o quanto suas piadas me magoavam. Por fora eu podia
rir, mas interiormente eu chorava.

Algumas vezes eu ia até a cocheira e encontrava minha mãe caída no esterco, porque havia apanhado
tanto de meu pai que não conseguia levantar-se. Por duas vezes ela foi embora de casa.

Quando tínhamos visitas, eu levava meu pai para fora de casa, amarrava-o na cocheira e deixava o
carro estacionado bem longe, além do silo. Assim poderíamos dizer aos nossos amigos que ele tinha ido
a algum lugar.

Não creio que alguém odiasse tanto uma pessoa quanto eu odiava meu pai. Muitas vezes, estourando
de raiva, eu quase o matei.

Pense em minha auto-imagem. Eu era alérgico a mim mesmo. Para compensar minhas fraquezas e
tentar agradar às pessoas que atormentavam minha vida, eu trabalhava arduamente nas tarefas
domésticas, e aplicava-me nos estudos e nos esportes. Como resultado, sobressaí nos estudos e nos
esportes, mesmo esperando, a todo o tempo, falhar nestas áreas.

Quando entrei para a universidade, os erros gramaticais que eu tinha trazido de casa sempre me
embaraçavam. Minha gramática era tão ruim que me chamavam de “Estudante nota D”. Sentia-me aflito
ao falar para a classe.

Então um professor disse que eu tinha duas coisas a meu favor. A primeira era a capacidade de
argumentar corretamente para provar uma opinião. A segunda era uma grande determinação e força de
vontade. Ele sugeriu que eu estudasse Direito. Comecei a vislumbrar uma esperança de vida em que as
pessoas me respeitariam e minha mente foi além dessa possibilidade. Depois da “descoberta” do meu
poder de argumentação, meu projeto seguinte foi o de refutar o cristianismo, por causa de um encontro
pouco satisfatório que tivera com um grupo de evangelismo. Assim que iniciei o projeto, encontrei-me
com um grupo de estudantes cristãos. Durante mais de um ano, discuti com eles a verdade do
cristianismo. Depois de buscar as mais completas evidências, percebi, entretanto, que não conseguia
provar nada em contrário.

Mas continuei. Mesmo que Jesus tivesse realizado milagres e ressuscitado dentre os mortos, para mim
Ele era um desmancha-prazeres. Eu não queria ninguém para estragar meus bons momentos. Mais de
um ano depois, após me revirar na cama uma noite pensando nisto, eu me rendi. Disse a Deus: “A
despeito de mim mesmo, acho que creio que o Senhor é real”. Admiti que estava errado — era pecador
— e pedi perdão. Pedi-lhe que tomasse minha vida em Suas mãos e a fizesse semelhante à de meus
amigos cristãos.

No princípio, não senti nenhuma diferença. De fato, sentia- me pior, imaginando no que me teria
metido. Ficava imaginando se tinha encontrado meu fim. Mas do sexto ao décimo oitavo mês, notei que
minha vida tinha mudado. Uma espécie de paz mental começou a ocupar o lugar de meu desassossego.
Meu temperamento explosivo desapareceu. Eu costumava explodir com qualquer pessoa que me
“olhasse enviesado”. No meu primeiro ano como calouro na universidade, quase matei uma pessoa. Eu
não tentei mudar meu temperamento; apenas descobri que havia mudado quando enfrentei uma
situação que, normalmente, teria causado uma explosão.

Existiam, entretanto, fraquezas a serem superadas. Mas, passo a passo, algumas vezes a grandes
passos, elas também mudaram. Quando me transferi para a Universidade de Wheaton, uma escola
cristã, enfrentei o desafio de dar tudo o que tinha ao Senhor. Eu não queria fazer esta entrega porque
Ele poderia dirigir-me para o ministério cristão, o que para mim significava apenas uma coisa — falar.

Finalmente eu disse: “Senhor, eu não creio que possua nenhum talento para pregar; não tenho nenhum
dom (na realidade eu tinha, mas não pensava assim). Gaguejo quando estou com medo. Meu inglês é
horrível. Aqui estão todas as minhas limitações e o Senhor não pode escolher-me para Seu ministério.
Mas se o Senhor aceitar as minhas limitações e fizer alguma coisa com elas, então eu O servirei pelo
resto de minha vida”.
Nas mãos de um Deus sem limitações, aquelas muitas fraquezas transformaram-se em força, dando-me
oportunidade de falar de Cristo a milhões de pessoas em cerca de metade dos países do globo. Estou
convencido de que agora vivo uma vida sobrenatural, além de minhas limitações, por causa da realidade
da presença de Deus.

É claro que ainda cometo erros de gramática. E cada vez que abro a boca para falar tenho consciência
de minhas fraquezas e da graça de Deus. Mas também tenho consciência de que “Ele faz diferença”. Por
causa disso, posso dizer honestamente “Graças, Senhor, por minha infância e por meus pais”. Se não
fosse por eles, eu não seria o que sou hoje.

“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de
Cristo Jesus.”

Edificando a Base n°. 6

“Não sou o que deveria ser. Mas graças a Deus não sou mais o que era antes, e ainda não
sou o que, pela graça de Deus, ainda serei.” Considere este frase e pense objetivamente
como isto pode ser aplicado a você.

Anote cinco aspectos nos quais você acha que não é como deveria ser.

Relacione cinco características pela quais você pode dar graças a Deus por não ser como era
anteriormente.

Enumere cinco qualidades que, pela graça de Deus, você tem esperança de apresentar no futuro, e
pelas quais anseia ardorosamente.

Capitulo 7

A questão do pai ausente

Pesquisas estimaram que em 1990, uma entre quatro crianças nos Estados Unidos estaria morando
apenas com um dos pais, quase sempre com a mãe. Esta tendência tem estado em evidência já há
algum tempo.
Um número cada vez maior de crianças, como as duas que mencionei no capítulo anterior, é afetado por
um pai que está fisicamente presente em casa — pelo menos dorme lá — mas é distante, passivo, não
demonstra afeto, rejeita os filhos, não se envolve nem participa, e gasta pouco tempo com eles. E como
deixar a criança numa loja de doces sem permitir que satisfaça o seu desejo de chupar as balas que
estão à sua frente.

Num artigo da revista McCall’s intitulado “O Pai Americano Ausente”, Max Lerner escreveu que a
mudança de papéis e a influência do pai constitui-se num problema de grande significado.

A ausência paterna é, talvez, o fato principal na mudança da estrutura familiar americana


hoje. Seu virtual desaparecimento traz importantes conseqüências para a esposa e os filhos,
mas creio que o impacto maior é sobre os filhos.

O falecido dr. Paul Popenoe, antigo diretor do Instituto Americano de Relacionamento Familiar, em um
artigo intitulado “Por Que os Pais Fracassam?”, fez uma declaração ainda mais contundente: “A idéia de
que crianças de ambos os sexos podem desenvolver-se satisfatoriamente, em um mundo de dois sexos,
com os modelos fornecidos por apenas um deles, é perniciosa. Elas precisam dos modelos de ambos os
sexos para progredir desde a infância”.

Em 1960 o número de crianças que viviam com apenas um dos pais era menor do que um em dez. Em
1978, era quase um em cinco. E, como temos visto, esta proporção tende a diminuir cada vez mais.
As estatísticas são alarmantes. Milhões de crianças não terão a influência equilibrada da figura feminina
e masculina. Surgirão problemas tanto na vida destas crianças quanto na dos adultos que elas se
tornarão. As feridas emocionais que carregarão consigo certamente afetarão sua vida, seu casamento e
a espécie de pais que virão a ser.

Um amigo meu tomou consciência de como a quebra de relacionamento pai-filho causa problemas de
personalidade, quando era chefe de pessoal na Cruzada Estudantil para Cristo. Entrevistando
universitários graduados para trabalhar na equipe, observou que as mulheres manifestavam uma auto-
imagem mais saudável, confiante, e um senso de identidade sexual mais consistente do que os homens.
Considerados como um todo, os homens demonstravam auto-imagem mais fraca e um senso de
masculinidade mais pobre. Todos os candidatos foram considerados excelentes, sendo os melhores dos
cursos que freqüentaram: líderes das comunidades estudantis, pessoas importantes no corpo discente,
ótimos atletas e indivíduos proeminentes na sociedade.

Ainda assim os homens se apresentavam menos confiantes do que as mulheres quanto à identidade do
seu papel sexual e auto-imagem pessoal.

Efeitos da ausência do pai para os meninos

Tradicionalmente em nossa cultura, a menina tem em casa a figura da mãe como modelo durante o
estágio de influência dos progenitores do mesmo sexo, ou seja, da puberdade à idade adulta. Durante
esses anos, normalmente, a menina tem um relacionamento bem mais chegado com seu modelo
feminino do que os meninos com seu modelo masculino. Freqüentemente a figura do pai não está
disponível, ou está totalmente alheia à vida dos filhos. Por causa do relacionamento mais chegado com
seu modelo feminino, as meninas tendem a desenvolver uma auto-imagem mais saudável.

Se eu tivesse poderes mágicos para mudar um fenômeno cultural, seria para corrigir o problema da
ausência, passividade ou não-envolvimento do pai. Creio que nenhum outro problema tem afetado mais
a nossa sociedade do que este.

Harold M. Voth, psiquiatra-chefe e psicanalista da Fundação Menninger, em Topeka, no Estado de


Kansas, Estados Unidos, escreve em sua obra The Castrated Family (“A Família Castrada”):
Conseqüências sérias e de longo alcance resultam quando o comportamento interno da família foge à
normalidade Virtualmente, cada paciente que eu tenho tratado ou cujo tratamento tenho
supervisionado, ou de tratamentos que tenho estudado através de pesquisas diligentes, revelam uma
grande constelação de aberrações familiares. O padrão mais comum é o da família na qual a mãe exerce
papel dominante e agressivo, e o pai é fraco e passivo. Alguns desses pais são muito agressivos e
positivos em situações de trabalho, mas tímidos e fracos em seu relacionamento conjugal. As esposas
nestes casamentos claramente “usam as calças”.

Outro padrão é o da mãe fraca que se agarra aos filhos, e do pai tirano e ditador, mas incapaz de
experimentar intimidade com a esposa e a prole. Embora possa parecer que tal espécie de pai seja o
chefe da família, na realidade a maior responsabilidade e autoridade recai sobre a esposa, exceto por
alguns períodos em que o pai marca sua presença através da zanga irracional e de explosões de ira.
Algumas mulheres, por necessidade, têm de desempenhar os papéis de pai e mãe. Estas mulheres
podem ser femininas, mas a ausência do pai coloca toda a responsabilidade sobre elas, e o efeito que
isto causa, tanto nos filhos quanto nelas mesmas, não é nada bom. Pais e mães podem ser hostis,
demonstrar rejeição, ser excessivamente ansiosos ou possessivos. Algumas famílias têm falta de
qualquer estrutura de autoridade. Alguns pais, esporadicamente, abandonam as suas responsabilidades.
Todas estas condições dentro da família afetam negativamente o desenvolvimento da personalidade da
criança.

Pais fortes e mães fortes (no sentido feminino — feminilidade forte não é agressividade) que se amam,
que cooperam entre si e cujos papéis são bem definidos, têm filhos sadios. Quando este padrão é
quebrado de alguma maneira, distúrbios emocionais em graus variados aparecem nos filhos.

A revolução industrial e a paternidade


O problema começou ao que parece, com a revolução industrial e a urbanização da sociedade. Enquanto
havia uma civilização agrária e rural, a figura do pai era um fator importante e dinâmico na vida do lar e
no desenvolvimento da criança. Desde que seu trabalho e carreira estavam centrados ao redor da casa,
havia maior contato com os filhos, ainda mais que estes usualmente trabalhavam junto com ele. A falta
de distrações como a televisão, por exemplo, significava muitas noites centradas na família, e os filhos
estavam mais expostos a um relacionamento com o pai.

Hoje em dia o pai trabalha fora de casa, e as crianças raramente conhecem seu local de trabalho. Muitas
vezes não sabem o que ele faz. Os filhos o vêem ao café da manhã ou ao jantar, e algumas vezes nem
isso. Alguns pais viajam a semana toda e no fim de semana estão exaustos. Quase não têm identidade
quando surgem na vida dos filhos. Pesquisas recentes indicam que o pai americano gasta em média
menos de 6 minutos por semana numa interação de qualidade com seus filhos.

Há poucas crianças sem relacionamentos maternos e afetivos; mesmo crianças privadas da mãe em
nossa sociedade encontram um maior número de substitutas, figuras autoritárias femininas com quem
se relacionam, do que aquelas que se acham privadas do pai. Mães substitutas são encontradas na
escola dominical e nas escolas em geral, liderando grupos de escoteiros e mesmo em grupos esportivos.
De uma maneira ou de outra, a grande maioria dos americanos hoje tem sido atingida pelo problema de
um relacionamento familiar deficiente. É uma epidemia que tem várias causas e conseqüências de longo
alcance.

Conseqüências para as mulheres

Os sintomas que encontramos em garotas e mulheres que vêm de lares em que falta a presença efetiva
do pai são numerosos. Os mais comuns são os que causam as maiores dificuldades. A maior parte das
filhas é afetada no estágio da influência do pai (dos 3 anos até a puberdade). Embora também ocorram
conseqüências nos anos da adolescência, efeitos do estágio da pré-puberdade parecem ser mais
significativos.

Quando uma menina não tem um relacionamento caloroso, amoroso e carinhoso com o pai, durante os
anos da pré- escola e da escola elementar, ela pode tornar-se uma mulher com uma desconfiança
básica dos homens, como parte de sua personalidade. Pode não haver consciência da causa desta
desconfiança ou mesmo de sua intensidade, mas ela existe. Isto tem as suas raízes no relacionamento
com o pai, mas é manifestado em relação a outros homens em sua vida.
Outro problema que as mulheres demonstram é o da hostilidade contra os homens. Novamente o
problema tem raízes na profunda amargura contra o pai por não ter atendido às suas necessidades
quando criança. Esta hostilidade pode ser inconsciente, mas, como desconfiança, manifesta-se contra os
homens que surgem em sua vida.

Um terceiro problema é o resultado da necessidade de afeição e atenção dos homens. A falta de


relacionamento afetivo e caloroso com o pai durante o estágio heterossexual pode levar uma mulher a
um desejo quase insaciável de ser apoiada e de receber afeição de um homem.

Tratando o marido como pai

Outro problema que surge é conseqüência dos três primeiros. Algumas mulheres muitas vezes têm
problemas conjugais e sexuais que não compreendem e não são capazes de controlar. Um problema
conjugal comum é aquele em que a mulher se relaciona emocionalmente com o marido como se ele
fosse seu pai. Em todo casamento, há alguma transferência para o cônjuge de emoções originalmente
endereçados ao progenitor do sexo oposto. São problemas específicos de casamentos nos quais a
esposa provém de um lar em que o pai era inexpressivo. Ela se relaciona emocionalmente com o marido
como se este fosse seu pai, procurando encontrar nele a satisfação das necessidades emocionais que
não foram atendidas pelo progenitor.

Esta transferência de emoções pode ser particularmente perniciosa no aspecto sexual do casamento.
Conselheiros relatam que algumas mulheres sentem repulsa às relações sexuais com o marido, da
mesma forma que sentiriam se seu pai se aproximasse delas com intenções sexuais. Não tendo suas
necessidades preenchidas de forma não-erótica, com a afeição paterna, inconscientemente respondem à
afeição física do cônjuge como uma investida sexual do pai. Parece que estas mulheres transferem para
o marido sua hostilidade e desconfiança em relação ao pai, o que lhes torna difícil o relacionamento
sexual.

Antes do casamento, dizem os conselheiros, algumas destas mulheres tentavam satisfazer as


necessidades afetivas de uma forma promíscua. Antes do casamento, sem um sentido de
comprometimento total ou duradouro, seu desejo de afeição e atenção fizeram com que elas se
tornassem sexualmente livres, mas, depois de atadas ao casamento, a desconfiança e a hostilidade
devotadas ao pai embotaram sua liberdade.

Mulheres extremamente promíscuas reconhecem que não era o sexo em si que as incitava, mas a
necessidade de afeição. Algumas dizem que davam o corpo com o objetivo de receber o afeto que
almejavam.

Vemos, então, que a necessidade infantil de atenção paterna é a raiz da promiscuidade sexual de muitas
jovens hoje. Geralmente as meninas que têm relacionamentos bons e saudáveis com os pais são
capazes de manter maior controle e evitar problemas de promiscuidade.

Conseqüências para os homens

A falta de afeição, carinho e calor da figura paterna também exerce grande influência na vida do
menino. O impacto é sentido durante o estágio da influência do progenitor do mesmo sexo, começando
na puberdade, quando os meninos mais precisam de uma figura autoritária masculina como modelo.

Um menino com um relacionamento deficiente com o pai cresce com um senso de masculinidade pobre.
Tem pouca confiança em si como ser humano masculino. Desde que lhe falta um relacionamento efetivo
com o pai, sente dificuldade em saber como “ser homem”.

A maioria dos homens raramente ou nunca deixa transparecer este senso de inadequação. Muitos
sentem que têm de usar uma máscara de autoconfiança continuamente. Quando suas vidas se
desintegra e eles são forçados a procurar aconselhamento, então o conselheiro, e apenas este, os ouve
admitir suas reais necessidades.
Provando a masculinidade

Um senso de masculinidade pobre muitas vezes leva homens inseguros a tentar provar a si mesmos e
ao mundo que são realmente homens. Esforçam-se de várias maneiras para convencer a si mesmos e
aos outros que eles são másculos. São vulneráveis ao “mito do machismo” que permeia nossa
sociedade. Homens de verdade são rudes, não se deixam levar por emoções, são individualistas e estão
sempre no controle da situação. Homens não choram.

Para sentir-se mais confiantes em sua capacidade de viver de acordo com este mito, geralmente se
esforçam muito mais para alcançar os símbolos de status, títulos e posição do que as mulheres. Lutam
para provar sua masculinidade através de realizações ou empreendimentos, especialmente no campo
material. Se eu ganho mais dinheiro ou atinjo mais metas do que os outros homens, devo ser “um
homem melhor” do que a média. A competição é também usada para provar a masculinidade. Se eu
venço alguém, quer xadrez quer no futebol, o vencedor obviamente é “o melhor homem”j Para mim, as
competições infantis tiveram um significado muito importante. Alguns homens usam conquistas sexuais
para provar suas façanhas masculinas. Por muitas décadas nossa cultura tem endeusado o “tipo .James
Bond”, que faz grande sucesso tanto em violência quanto em sedução

De alguns poucos anos para cá, entretanto, temos testemunhado uma tendência no sentido de orientar
os homens para um comportamento mais terno e atencioso como parte do verdadeiro homem. Alguns
maridos e pais — a maioria jovem, incluindo muitos cristãos — estão optando por desenvolver estas
qualidades em sua vida. Creio que esta mudança significa uma esperança para grande número de
crianças que estão em fase de crescimento. Entretanto, para serem bem-sucedidos no desenvolvimento
destas influências com vistas a promover um crescimento sadio nas crianças,os homens também
precisam entender os resultados da privação dos pais que sofreram em seu próprio passados.

Hostilidade e medo das mulheres

Um segundo problema muitas vezes observado na vida de homens privados da presença do pai é a
hostilidade contra as mulheres. Esta hostilidade pode desenvolver-se porque a mãe (ou a mãe adotiva)
tenta compensar a ausência ou passividade do pai. Aos 10 ou 11 anos, os meninos já sofreram
suficiente influência materna e estão aptos para os estímulos masculinos. Quanto mais forte, dominante
ou sufocante é a mãe na tentativa de suprir a ausência e a falta de atenção do pai, maior se torna a
hostilidade e amargura do menino, muito embora seja boa a intenção da mãe. Muitas vezes, porque o
menino admira e respeita demais sua mãe, desenvolve sentimentos ambivalentes contra ela, recusando-
se a admitir sua hostilidade e amargura. Ele não deseja magoá-la, mas promete a si mesmo escapar de
suas atenções, tanto físicas quanto emocionais, o mais breve possível. Na idade adulta, a zanga ou
mesmo a raiva do menino contra sua mãe (como a hostilidade e amargura da menina contra o pai)
manifestam-se contra outras mulheres.

Terceiro, o corolário da hostilidade contra a mãe é o medo de ser dominado por alguma mulher na vida
adulta. Um homem adulto pode jurar nunca permitir que outra mulher controle sua vida. Muitas vezes
não é um medo consciente, mas surge nas maneiras de evitar proximidade ou intimidade com mulheres.
Para ele, a proximidade erótica é a única intimidade que lhe permite estar a salvo do domínio feminino.
Como marido, pode tornar-se condescendente e silencioso, ou zangado e distante. Pode até iniciar
contatos físicos freqüentes para ter a sensação de domínio no relacionamento conjugal. De qualquer
maneira, estes comportamentos têm a intenção de quebrar os laços de controle feminino. Exercem um
efeito prejudicial sobre o casamento, maior do que muitos homens e mulheres imaginam. Poucas
pessoas que enfrentam este problema têm idéia da extensão de seus efeitos no casamento.

Muitos homens relacionam-se com a esposa como se ela fosse a mãe e eles novamente adolescentes.
Algumas mulheres comentam que seus maridos são como outro filho, recusando- se a assumir tarefas
ou responsabilidades familiares. Para o marido, as solicitações ou os lembretes da esposa se
assemelham muito aos de sua mãe, e eles respondem da mesma maneira alienada de quando eram
adolescentes.

Problemas nas amizades masculinas


Um quarto problema observado nos homens privados da companhia do pai é a necessidade, mas
também o medo, de estabelecer relacionamentos profundos com homens. O relacionamento pai-filho
deve ser um campo de treinamento, como também deve servir de preparo para relacionamentos
masculinos íntimos. Não tendo experimentado tais relacionamentos em casa, a maioria dos homens não
sabe como desenvolvê-los. Tem medo de que amizades masculinas íntimas possam ter uma conotação
de homossexualidade. Estudos atuais indicam que a maioria dos homens em nossa sociedade não têm
amigos de verdade com quem possam compartilhar sua vida de modo mais íntimo Herb Goldberg, em
sua obra The Hazards of Being Male (“Os Perigos de Ser Homem”), escreve sobre a arte perdida do
companheirismo. Depois de conversar sobre o tempo, esportes, mercado de ações, taxas de juros e,
talvez, a nova secretária sexy do escritório, eles não têm mais nada a dizer um ao outro” .

Outro problema é o da homossexualidade masculina, que parece estar aumentando mais do que o
lesbianismo. A necessidade de um relacionamento com a figura do pai substituto, aliada ao medo e à
hostilidade contra as mulheres, predispõe os homens a maior susceptibilidade para o homossexualismo.
O desejo de intimidade com a figura do pai, ligado às necessidades sexuais e afetivas, é o que alguns
jovens tentam encontrar em relacionamentos homossexuais.

Alguns terapeutas como Arthur Janov, que escreveu The Primal Scream (“O Grito Primal”), acreditam
que a meta da homossexualidade seja a heterossexualidade. O homem procura através de
relacionamentos homossexuais o preencher necessidades infantis que não foram atendidas pelo pai e,
assim, amadurecer para um relacionamento heterossexual. (O mesmo seria verdadeiro para os casos de
lesbianismo: falta de relacionamento afetivo entre mãe e filha na infância). Se a teoria de Janov é
correta, então no futuro haverá um aumento na proporção de desertores na comunidade gay. Muitos
dos desertores podem permanecer “ex-gays secretos”, por medo de perder as amizades na comunidade
gay e, também, por medo de não serem aceitos como ex-gays na sociedade normal.

O ciclo continua

A maioria dos homens de hoje foi afetada em alguma proporção pelo problema do pai ausente, passivo,
não-envolvido. Isto criou um círculo vicioso profundamente inculcado em nossa cultura: mulheres
dominadoras casam-se com homens passivos, e estes casamentos produzem filhas dominadoras e filhos
passivos. O ciclo, então, recomeça. Em cada geração, o problema torna-se pior e as conseqüências para
nosso auto-conceito, tão pobre, são devastadoras. Hoje, tanto para homens quanto para mulheres, há
uma epidemia de auto-imagens negativas e enfraquecidas, que se originou no colapso do
relacionamento com os pais.

Armand M. Nicholi, psiquiatra da Universidade de Harvard, resume esta teoria: Se há um fator que
influencia o desenvolvimento do caráter é a estabilidade emocional do indivíduo, e a qualidade do
relacionamento que ele experimenta, enquanto criança, com os pais.

Inversamente, pessoas que sofrem de doenças emocionais graves têm uma experiência comum, que é a
ausência de um dos pais, seja por motivo de morte, divórcio, trabalho que exige muito tempo fora do lar
ou outras razões.

O tema deste capítulo focaliza os efeitos da ausência paterna. A privação da mãe, entretanto, que se
está tornando maior à medida que cada vez mais mães estão-se engajando em carreiras de tempo
integral fora de casa, também pode causar males devastadores. Antes de as famílias começarem a
mudar de endereço com tanta freqüência, podia-se esperar que avós, tios e tias ocupassem o espaço
deixado pela ineficiência dos pais. Atualmente poucas crianças têm a segurança e o reforço da
retaguarda de uma grande família.

À medida que chegamos ao fim do século vinte, deparamo-nos com uma cultura caracterizada por mais
e mais pessoas que foram privadas de um desenvolvimento afetivo com os pais. Na proporção que
aumenta o número de pais solteiros e de famílias em que ambos os pais têm suas próprias carreiras,
uma quantidade crescente de crianças será criada com falta de envolvimento dos pais. As marcas destas
privações ficarão gravadas profundamente na auto-imagem das próximas gerações.
Consigo vislumbrar, entretanto, alguma esperança. Como já disse, alguns jovens pais, alguns deles
cristãos, estão reconhecendo a necessidade de uma paternidade efetiva e estão fazendo disto uma
prioridade em sua vida. Além disso, fitas, filmes e programas do dr. James Dobson, psiquiatra cristão
que trabalha com crianças e famílias, valorizando a importância do papel dos pais — e do pai em
particular — têm-se tornado bem conhecidos entre grupos cristãos e não-cristãos, alcançando até
mesmo certos membros do Congresso Nacional. Para mim pessoal- mente, que viajo constantemente
para atender a compromissos de meu ministério e sou pai de três lindas crianças, as informações deste
capítulo são muito importantes e especialmente significativas.

Edificando a Base n°. 7

Disse Jesus: “Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis; mas, se faço, e não me credes,
credes nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim e eu estou no Pai”
(João 10:37-38).

João 14:7-10 registra: “Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o
conheceis e o tendes visto. Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe
Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tendes conhecido? Quem me vê a mim, vê o
Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”.

Escreva os textos citados com suas próprias palavras.

Nosso Pai Celeste é exatamente como____________________ assim podemos aprender a respeito de


Deus, nosso Pai Celeste, aprendendo sobre _________________________________________________
Escreva uma oração contando a Deus, o Pai Celeste, como você pensa que Ele é. Seja específico e tenha
liberdade em suas palavras. Ele conhece o seu coração, mas colocar no papel nossos pensamentos e
sentimentos nos ajuda bastante.

Capitulo 8
A tríplice base da auto-imagem

Susan, obreira cristã de tempo integral, achava quase impossível progredir em seu trabalho. O medo a
deixava paralisada quando ela tentava desempenhar papéis de liderança que sua posição requeria.
Estava convencida que lhe tirariam o emprego se seu passado fosse descoberto.

Um conselheiro dedicou-lhe várias sessões antes que ela fosse capaz de admitir quais tinham sido suas
atividades no passado, que ela tanto repugnava agora. Finalmente, das profundezas de sua angústia,
dor e medo, jorrou tudo: seus numerosos casos amorosos, um aborto e seu envolvimento homossexual.
Embora sua vida tivesse sofrido uma mudança tremenda desde que se tornara cristã, Susan ainda tinha
uma auto-imagem deficiente por causa dos pecados do passado, sem saber como lidar com eles. As
conseqüências da visão negativa que tinha de si mesma eram óbvias. Seu problema não podia ser
resolvido por um cirurgião que removesse uma auto-imagem deficiente como se faz com um apêndice
ou vesícula biliar.

Nossa auto-imagem é uma parte de nós diferente de um órgão físico. Se precisássemos estudar um livro
de medicina, encontraríamos diagramas, ilustrações e mesmo fotografias de órgãos internos, normais e
anormais. Estes gráficos capacitam os estudantes de medicina a compreender melhor a estrutura e o
funcionamento do corpo humano. Mas a auto-imagem de alguém não pode ser fotografada. Porque não
há uma forma exata, somos mais limitados em entendê-la. Podemos, entretanto, tentar descrever
alguns de seus componentes.

‘Três necessidades emocionais básicas são comuns a todos os seres humanos:

1. Necessidade de sentir-se amado, aceito; ter um senso de pertencer a alguém (segurança).


2. Necessidade de sentir-se aceitável; ter um senso de valor.
3. Necessidade de sentir-se adequado; ter um senso de competência.

Estas necessidades aparecem como fundamentais em todo tipo de personalidade. Servem como três
pilares em torno dos quais os estímulos de nossa infância se estruturam e a auto-imagem se
desenvolve. Estes pilares — segurança, valor e competência — são os suportes nos quais a auto-
imagem saudável se apóia. Se um dos pilares não está bem desenvolvido ou se encontra danificado, a
auto-imagem da pessoa é instável, insegura e desequilibrada.

Visualize a auto-imagem como se fosse “um banquinho de três pernas”, O assento do banco, no qual a
pessoa se senta e coloca todo o peso, é sustentado por três pernas iguais, mas separadas. Não é
preciso muita imaginação para ver o que acontece a uma pessoa que tenta usar um banco com uma
perna quebrada ou de tamanho diferente das outras.

Quanto mais fortes forem os pilares de nossa auto-imagem, mais força terão para agüentar os traumas
da vida, no futuro. Mesmo a auto-imagem adulta mais saudável pode ser sacudida por tragédias ou
traumas, obrigando a pessoa a apoiar-se em alguém ou em alguma coisa.

Sensação de segurança

Ainda bebê, Linda foi abandonada à porta de uma casa. A privação que sofreu tão cedo deixou sua
auto-imagem bastante frágil e isto era facilmente percebido. O pilar básico da auto-imagem saudável é
a sensação de segurança ou o sentimento de sermos amados. Experimentamos a sensação de
segurança quando somos aceitos por outra pessoa. É o sentimento de que fazemos parte de um
relacionamento e somos amados ao menos por uma pessoa. É o conhecimento de que alguém
“realmente se importa conosco”. Segurança é o que sentimos quando sabemos ser amados
incondicionalmente como somos.

O pilar básico da auto- imagem saudável é a sensação de segurança ou o sentimento de


sermos amados.

O mundo está cheio de pessoas como Linda, que nunca experimentaram amor e aceitação
incondicionais. E claro que, de alguma sorte, todos recebemos amor e, de algum modo, somos
aceitos.Ninguém, contudo, recebe de uma fonte humana amor e aceitação incondicionais adequados e
suficientes para de remover toda a fragilidade da auto-imagem. De um modo ou outro, o amor que
recebemos é imperfeito, porque as pessoas que nos amam não são perfeitas. No mínimo,
ocasionalmente, recebemos amor e aceitação condicionais, assim expressos: “Eu o amo por que...”. Esta
espécie de amor trás consigo uma mensagem não verbalizada e, talvez, uma ameaça inconsciente. Nós
ouvimos: “Eu o amo porque você é tão“. A ameaça que sentimos, talvez sem perceber, é: “O que
aconteceria se eu deixasse de ser ”.

O amor condicional deixa insatisfeita a necessidade básica de amor, e nosso senso de segurança
desenvolve-se de forma inadequada. A maioria de nós cresce com este pilar da auto- imagem
enfraquecido. Outros têm esta base forte, mas ainda não totalmente estável.

James D. Malloryé Stanley C. Baldwin, em The King and (“O Rei e Eu”), iniciam um capítulo sobre o
amor com este comentário: “O amor é a maior fonte de cura que pode existir na vida de
alguém”1.Pesquisas na área da psicologia demonstram que o fator mais importante no desenvolvimento
de uma personalidade saudável é a sensação de sermos amados e cuidados e, então, de sermos
capazes de amar os outros.

Senso de valor

Segurança é a sensação de ser agradável aos outros. Relacionado a isto está o senso de valor, um
sentimento de ser agradável a si mesmo. Se você é agradável aos outros, provavelmente sentir-se-á
agradável a si mesmo. A segurança lida com o sentimento de proteção. O valor lida com todo o ser
interior, com um sentimento bom a respeito de si mesmo, um sentimento de “eu gosto de mim, eu me
respeito, não me envergonho do modo como trato a mim mesmo”. É um sentimento de ser correto,
limpo, certo e apropriado. É o sentimento de que sou bom o bastante ou de que sou valioso e
correspondo à aceitação dos outros. Valho o bastante para ser amado.

A maioria das crianças, à medida que vai crescendo, costuma idealizar seus pais, colocando-os em um
pedestal e considerando-os perfeitos: “Papai e mamãe não fazem nada errado”. Nessas condições, se
não experimentam o amor e a aceitação incondicionais que desejam, presumem que o problema esteja
dentro delas mesmas. Inconscientemente arrazoam: “Mamãe e papai são perfeitos, obviamente me
amariam se eu merecesse seu amor”. O que fica registrado na mente delas é “Não sou bom o suficiente
para ser amado”. Algumas crianças podem expressar verbalmente estes sentimentos logo cedo. Outras
são incapazes de verbalizar esta percepção mesmo quando adultos, ainda que tentem compensar seu
sentimento de falta de valor através de suas realizações adultas.

Jim, por exemplo, chegou ao ápice de sua carreira profissional. Escreve livros, faz conferências através
do mundo, tem um carro esporte caríssimo e vive numa belíssima casa. Goza de segurança em seu
trabalho, e seus amigos o vêm como um homem extremamente bem-sucedido. Entretanto, quando você
o conhece bem, pode sentir seu medo e insegurança. Para os amigos íntimos, ele admite que tem uma
auto-estima profundamente baixa. Atormentado por sentimentos de inferioridade, não se sente valioso o
suficiente para ser amado.

ÇO mundo está cheio de pessoas que se sentem sem valor, de uma maneira ou de outra. Experiências
de relacionamento na infância freqüentemente provocam feridas profundas, que são reabertas ou
pioram na adolescência ou nas experiências adultas. Algumas vezes nosso senso de falta de valor
aumenta porque nos engajamos em atividades que violentam nossos padrões pessoais e nos deixam um
sentimento de culpa. Muitas vezes nos envergonhamos pela maneira com que tratamos os outros ou a
nós mesmos.

Todas estas experiências e sentimentos estão relacionados com nosso senso de valor pessoal. Uma
auto-imagem saudável requer um pilar de valorização forte. Dependendo do grau em que nosso senso
de valor é danificado ou inadequado, nossa auto-imagem torna-se instável na mesma proporção.

Senso de competência

O terceiro pilar da auto-imagem é um senso interior de competência. “Eu posso fazer isso” é a atitude
confiante de pessoas com auto-imagem saudável quando enfrentam uma nova tarefa. Esta atitude
otimista inspira esperança e coragem. Está intima- mente relacionada ao sucesso que elas obtiveram em
resolver problemas no passado. Pessoas com um senso de competência saudável enfrentam um novo
dia sem medo, mas com alegria e entusiasmo pelas oportunidades que estão diante delas.

Muitos pais lêem para os filhos a clássica história infantil “A Pequena Máquina que Podia”. É a história de
uma locomotiva que tinha de empurrar uma carga pesada para o alto da montanha. Todas as
locomotivas grandes lhe diziam que não conseguiria fazê-lo, mas enquanto se esforçava sob o peso da
carga ela dizia a si mesma “Eu acho que posso, eu acho que posso”. Como resultado, a despeito das
dúvidas das grandes locomotivas, ela alcançou o alto da montanha.

Quando as crianças crescem, têm permissão de explorar os arredores e sair de perto dos pais, elas
começam a desenvolver um senso saudável de competência. À medida que são encorajadas a tentar
realizar coisas novas e a superar dificuldades, o senso de confiança em sua capacidade vai-se
desenvolvendo. Tentando coisas novas e alcançando sucesso, elas aprendem a levantar-se cada vez que
caem e a dizer “Eu posso fazer isso”.

Observe os bebês quando estão aprendendo a andar. Dão um passo ou dois e caem. Com o tempo dão
vários passos. Observe a alegria deles quando os pais elogiam esta nova conquista. Logo andam por
todos os lados e começam a correr atrás dos irmãos maiores. Desenvolvem um senso de competência
crescente à medida que adquirem novas habilidades.

Os pais desempenham um importante papel de ajudar os filhos a sentir-se competentes. Ao permitir que
experimentem tarefas novas e mais difíceis, comunicam às crianças a crença de que elas são capazes de
executá-las. Quando os pais não deixam o filho assumir riscos, experimentar coisas novas e explorar
novas áreas, comunicam, consciente ou inconscientemente, uma falta de confiança na criança, uma
atitude de “Eu não acho que você seja capaz de fazer coisas novas”. Enquanto crianças, necessitamos
do encorajamento e ajuda de nossos pais para desenvolvermos um senso de competência. A criança
que é poupada e não tem permissão de assumir riscos cresce com um senso de competência
subdesenvolvido.

Amanda, aos vinte e poucos anos, é uma jovem atraente que sofre com uma auto-imagem deficiente.
Muitos dos seus problemas têm origem na infância, por causa da competição que havia entre ela e sua
irmã. Mary sempre deixava os pais felizes, enquanto Amanda achava que nunca os satisfazia. Amanda
chegou à conclusão de que não era amada. Desde que não conseguia deixar seus pais contentes, e
Mary conseguia, achou que o problema fosse alguma falha sua.

Hoje, a avaliação de Amanda sobre si mesma ainda não mudou. Ela ainda acredita que não pode ser
amada. Sua vida inteira está organizada em torno da tentativa de desmentir aquilo que ela crê ser
verdade.

Amanda necessita de alguém com autoridade igual à de seus pais, para dar-lhe uma nova avaliação de
seu valor. A nova afirmação do valor de Amanda precisa ser baseada no seu verdadeiro valor como
pessoa. Idealmente, esta avaliação seria a visão que Deus tem dela. Amanda precisa então rever e
refazer a sua auto-avaliação, com base no que Deus diz sobre o seu valor. (Todas as pessoas, cristãs ou
não, precisam desenvolver estes pilares de maneira adequada. Cada um deles tem igual importância no
desenvolvimento de uma auto-imagem saudável. Em nossa cultura, muitas vezes as pessoas tentam
compensar um senso de segurança ou valorização fraco, super-desenvolvendo o senso de competência.
Podem tornar-se trabalhadoras compulsivas com a noção errada de que, se trabalharem o bastante,
serão valorizadas e amadas ou como Amanda, podem organizar sua vida de acordo com a idéia de fazer
alguma coisa para se tornarem amadas.
Do mesmo modo que um fazendeiro fica desconfortável ao sentar num banco de três pernas desiguais
para tirar leite, as pessoas também têm problemas para encontrar paz dentro de si com três pilares
desiguais sustentando a sua auto-imagem.Pessoas sem equilíbrio entre seu senso de valor, segurança e
competência passarão a vida toda tentando estabilizar a sua própria imagem. De maneira ideal, com
sustentáculos fortes e equilibrados em sua auto-imagem, as pessoas podem relaxar, gostar de si
mesmas, sentir-se bem como são e encontrar a alegria que a vida oferece.

Edificando a Base n°. 8

Você se lembra do que Paulo escreveu sobre nosso valor intrínseco? “Oro para que seus corações sejam
inundados de luz, a fim de que vocês possam ver alguma coisa do futuro que Ele nos chamou a
partilhar. Quero que vocês compreendam que Deus enriqueceu porque nós, que somos de Cristo, fomos
dados a Ele!” (Efésios :18, BLH). A partir deste versículo, veja se suas respostas às questões que se
seguem são as mesmas encontradas no texto.

De acordo com Efésios 1:18, quem enriqueceu?

Deus.
Como alguém enriquece?

— Essa pessoa tem alguma coisa extremamente valiosa. O que Deus tem, de muito valor, que O
enriqueceu?

— A minha pessoa.

Isto significa que Deus é mais rico porque Ele tem você? (Responda sim ou não.)

Isto significa que você tem valor para Deus? (Responda sim ou não.)
Capitulo 9
Reestruturando os alicerces

Que mudança deve ocorrer em sua auto-imagem se você é um cristão? Até este ponto, muito do que foi
dito sobre auto imagem representa a verdade para todos os seres vivos. Todos participamos do
processo de crescer numa família. Todos — cristãos e não-cristãos, igualmente — temos os pilares de
segurança, valorização e competência que sustentam nossa auto-imagem. Você não precisa ser cristão
para ter uma boa auto-imagem.

O comprometimento de uma pessoa com Cristo, entretanto, faz uma diferença perceptível. É pena que
alguns cristãos nunca permitam que sua fé penetre tão profundamente em sua personalidade para curar
e transformar sua auto-imagem.

Quando me entreguei a Cristo como meu Salvador, minha auto-imagem não foi transformada
automaticamente. Não obtive vitória imediata sobre as feridas profundas do meu passado, embora
através da confiança em Cristo tenha recebido o potencial, o Espírito Santo, para ter minhas feridas
curadas e minha auto-imagem transformada. Foi um processo de crescimento que realizou um
progresso substancial em meus pensamentos, tornando-me mais semelhante a Cristo. As mudanças que
agora vejo em mim mesmo parecem-me inacreditáveis quando olho para trás, para a pessoa que eu
era. Depois de todos esses anos, nem tudo em minha vida foi mudado. O processo de crescimento
continua — e vai continuar até eu morrer. O mesmo é verdade para você.

Paulo nos diz: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura as cousas antigas já passaram; eis que se
fizeram novas”. Quando uma pessoa aceita a Cristo torna-se uma nova criatura, e o processo de
transformação manifesta-se nas experiências da vida diária.

Se você é como eu, deve ter desejado que algumas coisas velhas já tivessem sido mudadas em sua
vida. Eu ainda tenho a mesma experiência pessoal de minha infância, os mesmos pais, o mesmo irmão.
Fatores que não mudaram são os que influenciaram a formação de minha auto-imagem, por isso não é
de admirar que o meu autoconceito não tenha mudado imediatamente. Quase imediatamente depois de
minha conversão, eu continuei o mesmo de antigamente.

As “cousas novas” das quais Paulo fala são espirituais — mudanças interiores que começaram a ocorrer
em mim, à medida que passei a crescer espiritualmente nas semanas e meses que se seguiram à minha
conversão a Cristo. Nesse sentido, a experiência de muitas pessoas, quanto ao “nascer de novo”, é
semelhante. Muitos poucos experimentam as mudanças radicais das quais ouvimos falar
freqüentemente.

Despindo as velhas roupas

Jesus disse: “Lázaro, venha para fora” e, sob Seu comando, um cadáver reviveu. Lázaro estivera morto
por quatro dias e usava as vestes da morte, faixas de linho enroladas em seu corpo, embebidas em
especiarias que ajudavam a preservar o corpo morto. Todavia, uma nova vida passou através das
roupas tumulares para dentro do corpo.

Lázaro não precisava mais das vestes da morte. Enquanto tentava sair do túmulo, entretanto, encontrou
resistência. Ainda estava enrolado em toda aquela roupa. No entanto, um Lázaro vivificado tentava
encontrar seu caminho para a saída. Então Jesus disse aos que pranteavam: “Tirem sua mortalha e
deixem- no ir”. Com a ajuda dos amigos, Lázaro foi libertado para viver sua nova vida.
Quando Lázaro recebeu a nova vida, as amarras da mortalha não se quebraram imediatamente. Houve
um processo; ele precisou ser desatado com a ajuda dos outros.

Como cristãos nascidos de novo, também temos uma nova vida. Mas as amarras de uma auto-imagem
deficiente, resquícios de nosso estado anterior, muitas vezes dificultam a capacidade de agir livremente
em nossa nova vida. A vida com Cristo é um processo pelo qual as ataduras de uma auto-imagem
inadequada são desamarradas, com a ajuda dos outros, dando-nos mais e mais liberdade para ativar
todo o potencial da nova vida em Cristo.
O processo de amadurecimento

Você já desejou que Deus o tivesse transformado instantaneamente num cristão amadurecido? Algumas
vezes um amadurecimento imediato é preferível a toda dor e sofrimento que constituem nosso
crescimento pessoal. Entretanto, Deus nos faz passar por situações que exigem um processo de
amadurecimento. Muitas vezes esquecemos que o apóstolo Paulo, já um líder religioso antes de sua
conversão, passou 14 anos por um processo de crescimento antes de começar suas viagens missionárias
e de escrever suas cartas.Não há amadurecimento sem um processo.

Todos estamos envolvidos neste processo de crescimento, o qual inclui a área de nossa auto-imagem.
Através de nosso relacionamento com Deus, conseguimos ver-nos da mesma maneira que Ele nos vê.
Nossa percepção desta realidade torna- se um alicerce estável sobre o qual nossa auto-imagem pode
apoiar-se e desenvolver-se. Em troca, este novo alicerce nos dá um senso de valor, segurança e
esperança que não teríamos de outra maneira. Cada pilar de nosso autoconceito é reforçado,
transformado e firmado no novo alicerce de nossas experiências cristãs.

Esta transformação não é apenas um reforço nos velhos pilares de nosso autoconceito, mas a
reconstrução deles. Envolve mais do que apenas pegar um pilar velho e colocá-lo num alicerce novo.
Parte do processo requer que ganhemos compreensão de nossas novas experiências no crescimento
cristão, para mudar a perspectiva com a qual encaramos experiências ocorridas.

Estas perspectivas novas podem, então, produzir não apenas a cura, mas a reconstrução de cada pilar
de nossa auto-imagem.

Invertendo a posição dos tijolos velhos

A transformação do cristão, assim, não é apenas reforçar pilares velhos, mas reestruturá-los. É como
tirar todos os tijolos de um pilar construído de maneira casual, invertê-los, olhá-los de um novo jeito, e
ver, pela primeira vez, como ficam mais bem ajustados. Então podemos colocá-los no pilar
corretamente, do jeito que devem ser colocados, reconhecendo que cada tijolo tem seu próprio lugar na
construção do pilar. Em vez de cada tijolo de experiência sobressair do pilar em ângulos estranhos,
aparentemente sem propósito ou exercendo pouco efeito na estabilidade do pilar, o nível do construtor
— a Palavra de Deus — é usado para colocar cada tijolo da experiência na posição em que melhor
sustentará os que estão ao seu lado. O Espírito Santo, então, torna-se a nova massa que segura os
tijolos com firmeza, cada um bem colocado em seu lugar adequado.

Vendo a realidade pelo lado certo

Estudando a Carta aos Romanos, vemos que as maiores verdades a nosso respeito são as que estão na
Bíblia. Descobrimos que, se o que pensamos sobre nós não está de acordo com a Bíblia, vivemos uma
fantasia. Nossos cinco sentidos podem enganar-nos.

As maiores verdades a nosso respeito são as que estão na Bíblia.

É como voar dentro de uma tempestade, quando você não pode ver o horizonte. O avião pode estar
voando de cabeça para baixo, mas seus cinco sentidos provavelmente lhe dirão que você está voando
do lado certo. Os pilotos dão a esta sensação o nome de vertigem. Tudo o que é visto, sentido, tocado e
provado pode dar a sensação de estar voando de maneira certa, mas, se os instrumentos mostram que
estão de cabeça para baixo, eles sabem que a posição verdadeira é aquela que os instrumentos
mostram. Os pilotos têm de aprender a confiar nos instrumentos, e não nos seus sentidos.

Muitas vezes experimentamos o que pode ser chamado “vertigem espiritual”. Em outras palavras,
nossas emoções, sentimentos e os cinco sentidos nos dizem uma coisa, mas a Palavra de Deus nos diz
que o oposto é que é a verdade, e nisso devemos confiar.
Nosso instrumento é a Palavra de Deus, mas algumas vezes não o usamos. Algumas vezes sentimos que
não somos perdoados por Deus, somos condenados, ou estamos aqui e Deus em algum lugar distante e
estranho para nós. Mas o tempo todo, por causa do que a Bíblia diz a este respeito, podemos estar
cientes de que somos filhos de Deus. Aprendemos que, quando colocamos nossa confiança no que
nosso instrumento — a Palavra de Deus — diz sobre nós, o nível de nossa vida espiritual melhora e
começamos a caminhar para a frente novamente. Uma auto-imagem saudável está firmada no fato de
que Deus realmente nos ama.

Uma auto-imagem saudável está firmada no fato de que Deus realmente nos ama.

Mas você precisa ter a imagem bíblica de quem e do que você é em Cristo, antes mesmo que possa
começar a reagir corretamente ao que lhe parece ser um mundo confuso. É o que acontece quando um
amigo compra um presente de aniversário para outro que gosta de armar quebra-cabeças. Ele compra
dois quebra-cabeças e, de brincadeira, troca as tampas das caixas. A pessoa que recebe o presente fica
frustrada conforme tenta armar o quebra-cabeça de acordo com a figura da tampa da caixa.

Precisamos parar de usar apenas sentimentos e atitudes sobre nós mesmos como se fôssemos a figura
da tampa da caixa. Palavra de Deus é a verdadeira imagem que devemos buscar e na qual devemos
confiar. Uma vez que você olhe através dela, poderá começar o trabalho de juntar todas as pequenas
peças de sua vida para formar a imagem correta, conforme o modelo que aparece na Palavra de Deus.
Freqüentemente tomamos atitudes e decisões baseadas em informações ou suposições erradas.
Baseamos nossas atitudes no que imaginamos que Deus pensa a nosso respeito, e não no que Ele
realmente pensa sobre nós, que é revelado em Sua Palavra. A verdade expressa na Bíblia a respeito de
você e de mim é o ponto de partida para o desenvolvimento de uma auto-imagem positiva e saudável.

O caráter de Deus e você

O fator-chave para compreender a verdade sobre nós, como indivíduos em Cristo, é primeiro entender
quem é Deus. Encontramos isto na lista que se segue sobre os atributos de Deus e o que eles significam
para nós. A maioria destes atributos foi extraída da obra de Linda Raney Wright, Staying on Top When
Things Go Wrong (“Permanecendo no Topo Quando as Coisas Vão Mal”) (Wheaton, IL: Tyndale House,
1983).

Deus é orei do universo (Sal. 24:8, 1 Crô. 29:11,12; II Crô. 20:6). Isto significa que todas as
circunstâncias estão em Suas mãos. Ele está no controle de minha vida.
Deus é íntegro (Sal. 119:137). Ele não pode pecar contra mim.
Deus é justo (Deu. 32:4). Ele será sempre justo comigo.
Deus é amor (1 João 4:8). Ele quer dar-me o melhor da vida.
Deus é eterno (Deu. 33:27). O plano que Ele preparou para mim é eterno.
Deus é onisciente (II Crô. 16:9, Sal. 139:1-6) Ele sabe tudo a meu respeito e a respeito de minha
situação, e como transformar isto em bem.
Deus é onipresente (Sal. 139:7-10). Não há lugar a que eu possa ir em que Ele não tome conta de mim.
Deus é onipotente (Já 42:2). Não há nada que Ele não possa fazer em meu favor.
Deus é verdadeiro (Sal. 31:5). Ele não pode mentir para mim.
Deus é imutável (Mal. 3:6). Posso confiar nele.
Deus é fiel (Rom. 15:5, Exo. 34:6). Posso confiar em que Ele fará o que prometeu.
Deus é santo (Apo. 15). Ele será santo em todos os Seus atos.

Vendo-se como Deus o vê

Com este conhecimento de quem Deus é, vejamos agora quem é você, como crente, desde o momento
em que recebeu Cristo em sua vida. Quando você coloca sua confiança em Cristo, como Salvador e
Senhor, o Espírito Santo o batiza em Cristo (ou o identifica totalmente) nele. “Pois, em um só Espírito,
todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos
nós foi dado beber de um só Espírito”. Isto acontece com você e comigo no momento da salvação,
dando-nos a todos uma nova identidade.
Um exemplo clássico da verdade a seu respeito, porque você é uma “nova criatura em Cristo”, é
encontrado no livro de Efésios (Capítulos 1 e 2). Estes textos mostram sua verdadeira posição em Cristo.
O termo teológico para este conceito é verdade posiciona.

Para nos vermos como Deus nos vê, como realmente somos, precisamos entender nossa posição em
Cristo. A visão adequada de nós mesmos, em Cristo, é importante para o desenvolvimento de uma auto-
imagem saudável.

As verdades sobre nós, encontradas em Efésios 1, são as seguintes:

Somos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais (v.3).
Fomos escolhidos antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele (v.4).
Fomos predestinados para a adoção de filhos (v.5).
Fomos redimidos pelo seu sangue (v.7).
Fomos selados em Cristo, com o Espírito Santo (v.13).

Por causa desta nossa posição em Cristo, há grandes verdades a nosso respeito, verdades que Paulo
quer que saibamos. Ele ora a Deus para que os nossos corações sejam iluminados, a fim de podermos
ter uma idéia da glória do futuro para o qual Ele nos chamou a participar. Ele quer que compreendamos
que Deus foi enriquecido, porque nós, que somos de Cristo, fomos dados a Ele. Quer também que
entendamos como é extraordinariamente grande o Seu poder para fortalecer aqueles que nEle crêem,
sabendo que esse poder levantou a Cristo dentre os mortos e O fez assentar-Se à mão direita de Deus
(vv. 18-19). Deus está interessado em que O vejamos como Ele é e saibamos como Ele nos vê.

Paulo continua descrevendo a ressurreição de Cristo e como Ele está assentado à direita de Deus (vv.
20-23) e diz que também ressuscitaremos e nos assentaremos com Ele (Efé. 2:6)

A estas verdades posicionais encontradas em Efésios 1, podemos acrescentar outras características dos
crentes depois que confiam em Cristo (Efé. 2:4-10). Os cristãos são descritos como:

— Vivos junto com Cristo


— Ressuscitados com Cristo
— Assentados com Ele nos lugares celestiais
— Salvos pela graça
— Obras de Suas mãos

A fim de valorizar ainda mais o que significa “estar em Cristo”, compare a lista anterior com a seguinte
descrição de como as pessoas estão antes de aceitar a Cristo (Efésios 2:1-3). Elas estão:

— Mortas em delitos e pecados


— Andando de acordo com o curso deste mundo
— Andando de acordo com o príncipe da potestade do ar
— Andando de acordo com o espírito que atua nos filhos da desobediência
— Vivendo segundo as inclinações da carne e dos pensamentos
— E são por natureza, filhos da ira

Se você, entretanto, é crente, pode dizer o seguinte a seu respeito:

Tenho paz com Deus (Rom. 5:1)


Sou aceito por Deus (Efé. 1).
Sou filho de Deus (João 1:12).
Sou habitação do Espírito Santo (1 Cor. 6:19).
Tenho acesso à sabedoria de Deus (Tia. 1:5).
Sou socorrido por Deus (Heb. 4:16).
Estou reconciliado com Deus (Rom. 5:11).
Não tenho condenação alguma (Rom. 8:1).
Estou justificado (Rom. 5:1).
Tenho Sua justiça (II Cor. 5:21; Rom. 5:19).
Sou Seu embaixador (II Cor. 5:20).
Estou completamente perdoado (Col. 1:14).
Tenho minhas necessidades satisfeitas por Deus (Fil. 4:19).
Sou ternamente amado (Jer. 31:1).
Sou o aroma suave de Cristo para com Deus (II Cor. 2:15).
Sou o santuário de Deus (1 Cor. 3:16).
Sou inculpável e irrepreensível (Col. 1:22).

Você está começando a entender, pelo exposto, o que Paulo quer dizer quando enfatiza: “Se alguém
está em Cristo, é nova criatura: as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas?”.

Uma das chaves para o amadurecimento é reconhecer que, no momento em que nos entregamos a
Cristo, somos revestidos do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem
dAquele que o criou (Col. 3:10). Você pode dizer que, como resultado de estarmos em Cristo, fomos
recriados

Nos capítulos seguintes descobriremos mais verdades espirituais a respeito de você e de mim, e também
aprenderemos como tais verdades podem tornar-se uma realidade vibrante em nossa vida diária e em
nossos relacionamentos.

Edificando a Base nº. 9

Sendo capaz de lembrar quem Deus é, e quem você é, do ponto de vista dEle, é importante que você
reconheça os traumas e as tensões da vida.

A lista das características de Deus, e de você mesmo, o ajudarão a evitar a “vertigem espiritual”, ou
seja, perder a noção da realidade em tempos de dificuldade.

Relacione a seguir algumas das características do caráter de Deus, e suas próprias, que você gostaria de
memorizar.

Escreva-as, agora, em algumas fichas pequenas (10 x 15 cm), e leve-as consigo para recordá-las e para
ajudá-lo a reprogramar a sua mente com estas grandes verdades.

Capitulo 10
Um novo senso de segurança

A experiência pessoal com Cristo — real e efetiva — fornece a você um alicerce sólido para cada um dos
três pilares de sua auto-imagem. Seu senso de segurança firma-se em Deus Pai, o seu senso de valor
em Deus Filho, e o seu senso de competência em Deus Espírito Santo. À medida que você começa a
entender o significado disso, e passa a experimentar sua realidade, cada um dos pilares será
reestruturado, dando o apoio no qual uma auto-imagem estável pode descansar.

Sua necessidade básica é a de ser amado e sentir segurança. Intelectualmente você pode saber que é
amado. Emocional- mente, muitas pessoas dizem possuir um sentimento de vazio decorrente do fato de
não se sentirem amadas quando crianças. Eles podem até mesmo descrever uma profunda “dor de
vazio” em seu íntimo, que está relacionada diretamente a um senso de segurança deficiente.

Amor incondicional

O aspecto mais significativo dos pensamentos e sentimentos de Deus a nosso respeito é Seu amor e
aceitação incondicionais. “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que
Ele nos amou primeiro, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”.1 Nada em você foi
motivo para Deus amá-lo. Ele simplesmente o ama.
Muitas vezes as pessoas esquecem a verdade básica de que Deus as ama. Antes de alguém vir a Cristo,
Ele já o amava e Ele o ama agora (Rom. 5:8 e 8:38-39). Jesus demonstrou a extensão deste amor
quando disse: “Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor”.2 É
surpreendente pensar que Cristo nos ama tanto quanto Deus Pai O ama. No mundo em que vivemos, é
difícil compreender isso intelectualmente, muito menos emocionalmente.

Quando Cristo estava enfrentando a cruz, orou por Seus seguidores — os daquele tempo e nós agora —
e pediu ao Pai que nos protegesse a todos.

É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ora,
todas as minhas cousas são tuas e as tuas cousas são minhas; e neles eu sou glorificado. Já não estou
no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os
em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós... Eu lhes tenho transmitido a
glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos.

Jesus aqui está enfatizando que o Pai ama você da mesma maneira que Ele ama o Filho.

Bili e Gloria Gaither tentaram captar a profundidade do amor de Deus em seu hino “1 Am Loved” (Sou
Amado). A primeira estrofe diz: “Eu disse que, se o Senhor soubesse, não me quereria. As minhas
marcas são profundas e ficam escondidas debaixo da máscara que eu estou usando. Mas Ele diz: Meu
filho, as minhas cicatrizes são ainda mais profundas, e foi por amor de ti que Eu me feri assim”.

O coro é a resposta do crente quando compreende a extensão do Seu amor: “Sou amado, sou amado,
posso arriscar-me amando você, porque Aquele que melhor me conhece, me ama muito mais. Sou
amado, você é amado, tome minha, mão. Somos livres para amar um ao outro, somos amados”.

Deus, Aquele que melhor o conhece (Sal. 139:1-6), tem por você um amor sem igual!

A compreensão deste fato pode resolver o problema da amiga de Jodi Foster, cuja auto-imagem e
autovalorização eram tão pobres. Ela pensava que, se Deus realmente a conhecesse, seria um “bobo”
caso assim mesmo a amasse! Se ela ao menos pudesse imaginar que Deus a conhece melhor do que ela
se conhece, e ainda assim a ama tanto que enviou Seu Filho para morrer por ela!
Para a maioria das pessoas hoje, é extremamente difícil compreender que exista um amor assim
consciente e incondicional. E um amor imerecido e sem nenhuma motivação intrínseca. Deus
demonstrou isto enviando Seu Filho para morrer por nós. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira
que deu Seu Filho unigênito (Jesus Cristo), para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a
vida eterna”.4 Deus ama você e, por isso, segundo o ponto de vista de Deus, você tem possibilidade de
ser amado. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós,
sendo nós ainda pecadores”.

Alguém pode questionar: “Bem, este amor está no tempo passado. E agora?”. Jesus também diz isto no
tempo presente: “Porque o próprio Pai vos ama”.

E sobre o futuro? O amor de Deus será suficientemente grande para superar as dificuldades, os
desapontamentos e as frustrações que certamente nos sobrevirão? Para este problema a Bíblia também
tem uma resposta: “Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem
principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem
qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.7
Para alguns de nós, é difícil não apenas corresponder ao amor incondicional de Deus, mas também
retribuir ao amor dos outros. Veja, por exemplo, a experiência de Rick. Ele estava visitando a casa de
uma pessoa amiga quando esta sentiu um impulso para aproximar-se dele, colocar a mão em seu ombro
e dizer: “Gostaria que você soubesse que eu o amo”. Imediatamente Rick afastou-se e perguntou: “O
que você quer?”. E aquela pessoa, muito amiga, respondeu perplexa: “Nada. Do que você está
falando?”. Rick não disse nada e foi embora. Mais tarde voltou e pediu perdão pela maneira rude como
tinha reagido àquela expressão de amor: “Não estou acostumado que alguém me ame, senão quando
quer alguma coisa”, explicou.
Com freqüência nossas experiências nos relacionamentos com as outras pessoas tornam-se uma
barreira que nos impede de corresponder amorosamente ao nosso Pai celestial, da mesma maneira’ que
Rick teve problemas para retribuir àquela manifestação de amor. Deus explicou nosso problema de
falhar em corresponder afetivamente ao Seu amor dizendo-nos: “Pensavas que eu era teu igual”. Há,
porém, realmente uma grande diferença, e é que o amor de Deus por nós é incondicional!

Aceitação incondicional

Outras pessoas querem discutir com Deus: “Mas eu preciso, em primeiro lugar, ajudar aos outros” ou
“Preciso consertar minha vida, antes de ser aceito por Ti, ó Deus, e antes que eu possa aceitar a mim
mesmo”.

A resposta de Deus é: “Eu já aceitei. Porque meu Filho, Jesus Cristo, morreu por seus pecados, Eu
posso aceitar você”!

Deus não apenas nos ama incondicionalmente, Ele também nos aceita da maneira que somos. Não há
nenhuma indicação nas Escrituras de que devamos fazer alguma coisa como condição para sermos
aceitos por Deus. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;
não de obras, para que ninguém se glorie”.9 Nossa aceitação, por parte de Deus, não está baseada em
nossas boas ações ou boas atitudes ou no que Lhe fizemos; é um presente da parte de Deus. Nossa
aceitação está baseada em quem Ele é, no que Ele fez. Ela se torna pessoal para cada um de nós
quando colocamos nossa fé em Cristo e O aceitamos como nosso Salvador e Senhor. A Bíblia diz: “Mas,
a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem
no seu nome”.

Deus está sempre esperando o melhor de nós e desejando que tenhamos êxito. Entretanto, quando
falhamos, Ele sempre nos dá uma nova oportunidade. Ele não nos passa sermão. Em Sua graça, nunca
diz: “Eu avisei”. Ele permite que as conseqüências de nossos pecados nos ensinem, ao mesmo tempo
que nos aplica disciplina amorosa e correção paternal. Ele aceita nossa capacidade e nossos talentos e
opera em nós e através de nós. Na Bíblia, Ele apresenta o Seu ideal para nossa vida, embora saiba que
falharemos muitas e muitas vezes.

Uma história famosa nos anais da Rose Bowl, nos Estados Unidos, bem ilustra o que significa ter alguém
que acredita em você e o aceita incondicionalmente.

Em 1929, um jogador de futebol americano da Universidade da Califórnia, Roy Riegels, entrou para a
história da Rose Bowl. No segundo quarto do primeiro tempo, ele agarrou a bola em uma falta batida
pelo time adversário, e correu para o fundo do campo, mas do lado contrário, ou seja, contra o seu
próprio campo! Por um instante os outros jogadores do seu time ficaram gelados, poisRoy marcaria um
gol contra o seu próprio time! Então, Benny Lom, um jogador do mesmo time de Roy, correu arás dele.
Depois de completar um espetacular retorno de 65 ardas, Riegels, um pouco confuso, foi derrubado por
um jogador de seu próprio time, antes de marcar o gol para o adversário!

O time de Roy precisou chutar para a linha de gol. O time adversário bloqueou o chute, feito do fundo
de campo, e ganhou dois pontos, vantagem que eventualmente o levaria a vencer o jogo.

No intervalo, os jogadores da Califórnia desceram carrancudos para o vestiário. Os espectadores e


jogadores ficaram imaginando o que aconteceria a Roy nas mãos de Price, o técnico do time. No
vestiário Roy se afundou num canto, e com o rosto nas mãos chorou incontrolavelmente. Price ficou em
silêncio e não fez nenhum discurso de estímulo ou de advertência. (que poderia ele dizer? Quando
estavam prontos para sair para o segundo tempo, seu único comentário foi: “Rapazes, o mesmo time
que jogou no primeiro tempo vai jogar no segundo”.

Os jogadores foram para a porta, menos Roy. O técnico foi até o canto onde ele estava sentado e disse
baixinho: “Roy, você não me ouviu? Eu disse: o mesmo time que jogou no primeiro tempo vai jogar no
segundo”. Roy respondeu: “Price, eu não posso fazer isto. Eu acabei com você, com a Universidade da
Califórnia e comigo mesmo. Eu não posso enfrentar aquela multidão no estádio nem que seja para
salvar a minha vida”. O técnico colocou a mão no ombro de Roy e disse: “Rapaz, levante-se e vá; o jogo
está apenas na metade”. Assim Roy Riegels foi jogar de novo. E, como disseram depois os jogadores
adversários, ele jogou como jamais tinham visto alguém jogar!

Quando o dr. J. Haddon Robinson narrou este caso na revista Campus Life, fez esta notável observação:
“Quando lembro desta história, digo: Que técnico! E então penso em todos os grandes erros que tenho
cometido em toda a minha vida, e vejo como Deus é bondoso em perdoar e deixar-me tentar outra vez.
Eu pego a bola e corro na direção errada, tropeço e caio. Fico tão envergonhado de mim mesmo que
não quero mostrar o meu rosto a ninguém. Mas Deus vem até mim, aproxima-se, na pessoa de Jesus
Cristo e diz: Levante-se e vá em frente. O jogo está apenas na metade!

Este é o evangelho da segunda chance. Da terceira chance. De uma centena de chances. Quando penso
nisto, tenho de dizer: Que Deus!”.

Aceitamos a nós mesmos

Se você já é um cristão, pense por um momento sobre o que aconteceu quando você creu em Cristo
como seu Salvador e foi aceito por Deus como Seu filho. Você nasceu de novo (João 3:3-5; 1 Ped. 1:23)
como filho de Deus (João 1:12-13). Tornou-se herdeiro de Deus (Ef. 1:13-14; Rom. 8:17) e foi adotado
na família de Deus (Ef. 1:5). Você foi amado por Deus Pai (Rom. 5:8; 1 João 4:9-10), que derramou
amor em seu coração (Rom. 5:5). Tornou-se unido a Cristo, de tal maneira que nunca será separado
dEle (João 17:23; Gál. 2:20; Heb. 13:5). Nada o separará do amor de Deus (Rom. 8:38, 39). Você
passará a eternidade com Aquele que o ama (João 14:1-4). Você entrou para uma nova Família, à qual
agora pertence para sempre (1 Cor. 12:13-1 7).

Quando compreendemos que Deus realmente nos aceita, começamos a olhar para nós mesmos,
perguntando “Então eu I)OSSO aceitar-me?”.

O fato de que Deus nos aceita deve ser a motivação para aceitarmos a nós mesmos. Se não podemos
aceitar-nos da maneira como somos, com nossas limitações e habilidades, fraquezas e força, defeitos e
talentos, então não podemos confiar que alguém possa aceitar-nos como somos. Estaremos sempre
vivendo de aparências, construindo uma fachada ao redor de nós, sem permitir que os outros nos
conheçam em profundidade.
Uma vez que você acredite que Deus o aceita, será mais fácil aceitar a si mesmo incondicionalmente.
Então será mais Fácil acreditar que os outros o aceitam e você poderá também aceitá-los
incondicionalmente, do jeito que são.

Uma das maiores necessidades da igreja é que os cristãos vivam conforme o que diz a Bíblia: “Portanto
acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus”.

Pertencendo à família

Sou filho de Deus e pertenço à Sua família. O apóstolo João fez uma observação penetrante quando,
sob a direção do Espírito Santo, escreveu: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto
de sermos chamados filhos de Deus”.

Há um tempo na vida de todos nós em que devemos parar e dizer: Eis o que eu sou — um filho de Deus
— e entender o que isso significa.

Somos filhos de Deus, nascidos dEle (João 1:13) e adotados em Sua família (Ef. 1:5).Fico impressionado
com Dick Day, reitor do Julian Center (um programa trimestral intensivo de discipulado). Depois de ter
cinco filhos, ele e sua esposa Charlotte foram para a Coréia e adotaram Jimmy, um órfão de 5 anos.

“Este menininho, Jimmy”, diz Dick, “agora é meu filho.Tem os mesmos privilégios que os nossos cinco
filhos,os mesmos direitos à nossa herança, ao nosso amor e ao nosso tempo.”
Esta declaração de Dick fez crescer muito minha apreciação pelo lugar que ocupamos na família de
Deus, como filhos naturais, adotivos e co-herdeiros em Cristo, o Filho unigênito de Deus.

Não mais uma ilha

Jesus disse: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai está em mim”.14 Duas pessoas estão unidas, Deus Pai
e Deus Filho. Os versículos seguintes dizem que Deus enviou uma terceira pessoa, o Espírito Santo.
Então Jesus Cristo declarou: “Naquele dia (que se refere ao dia de Pentecostes e ao estabelecimento do
corpo de Cristo) vós conhecereis que eu estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós”.

Você percebe o que significa a passagem “Eu estou em meu Pai, vós em mim e eu em vós”?

Significa que, quando você confessa Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, você está no Pai e o Pai
está em você. E mais, você está em Cristo e Cristo está em você.

Agora, preste atenção. Eu estou no Pai. O Pai está em nós. Neste caso, você está em mim e eu em
você. Como cristão, não sou uma ilha, sou uma península. Sou parte do corpo de Cristo, pertenço ao
corpo de Cristo.

Sou um dos membros vitais, vivos, mencionados em 1 Coríntios capítulo 12: “Pois, em um só Espírito,
todos nós fomos batizados em um corpo... E a todos nós foi dado beber de um só Espírito... Mas Deus
dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve... Contudo, Deus coordenou
o corpo, concedendo muito mais honra aquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo;
pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se
um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. Ora,
vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo”.’

Sabendo que pertencemos a Deus Pai e à Sua família, que somos aceitos e amados incondicionalmente
por Ele, temos a chave para reestruturar nosso senso de segurança.

Edificando a Base n°. 10

Faça uma lista de cinco pessoas que você crê que o amam, e indique o modo pelo qual você acha que
cada uma delas tem demonstrado amor por você.
A Palavra de Deus registra: “Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo
morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8); “Nisto se manifestou o amor de Deus em
nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto
consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou seu
Filho como propiciação pelos nossos peca- dos” (1 João 4:9-10).

Qual é a maior prova de amor que uma pessoa pode dar? Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do
que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13).

O que Deus deveria fazer para provar que ama você?

Você ama alguém dessa maneira?

Quem ama você desse modo?

Deus o ama assim.

Em suas palavras, diga o que Deus fez para demonstrar Seu grande amor por você.

Capitulo 11
Um novo senso de valor
Embora saibamos que Cristo morreu por nossos pecados e
nos valorizou, algumas vezes sentimos que Ele simplesmente não morreu por nós pessoal e
individualmente. Ele morreu pelo mundo inteiro ou por outras pessoas, e por acaso fomos incluídos no
significado que isto tem para os outros.

Mas se você fosse a única pessoa viva, Cristo ainda teria morrido por você. Você deve ter ouvido isto
antes, mas realmente acreditou? Pense no seguinte: Se você fosse a única pessoa viva, então estaria no
lugar de Adão. Do mesmo modo que Adão pecou, você teria pecado. E, da mesma forma, como fez por
Adão, Deus teria providenciado um Redentor (Gên. 3:15), desta vez, para você.

O valor do perdão

Você é capaz de acreditar que Deus continua a perdoar, diariamente, os pecados que cometemos? Ao
viver a vida cristã, Fracassamos cada dia. Mas, cada dia, Deus nos perdoa. A Bíblia diz: “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para rios perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça”.

Em Hebreus 10:12 lemos: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos
delitos”. Os efeitos deste sacrifício, uma vez e para sempre, são vistos em Colossenses: “Perdoando
todos os nossos pecados, tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de
ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”.2 Para Deus foi
um perdão de grande valor. “Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro,
que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso
sangue de Cristo”.

Vejam o rei Davi confessando seus pecados a Deus: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade
não mais ocultei. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões e Tu perdoaste a iniqüidade do
meu pecado”.4 Que liberdade saber que somos perdoados por Deus: “Agora, pois, já nenhuma
condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.

Por outro lado, algumas pessoas estão certas de que Deus nunca as perdoará porque elas pecaram
muito, por muito tempo, ou cometeram pecados muito grandes: Uma estudante de 17 anos me
escreveu, dizendo: A razão pela qual estou escrevendo é que estou só e confusa. Tive relações sexuais
com meu namorado, achando que devia isto a ele. Quatro meses mais tarde, descobri que estava
grávida. Provoquei um aborto. Jeff me abandonou e meus pais ainda não sabem de nada. Há um mês
me converti. Sinto-me culpada. Como Deus pode me amar depois de tudo o que fiz? Sinto que não vale
mais a pena viver. Choro todas as noites antes de dormir. Há momentos em que gostaria de estar
morta. Meus pais e eu não nos damos muito bem. Eles têm sido cristãos a vida inteira e não
entenderiam o que estou passando. Estou muito confusa. Será que Deus pode me amar e perdoar
realmente? Por favor, responda.

Esta jovem não compreende o significado da morte de Cristo na cruz e como isto se relaciona com ela.
Se ao menos pudesse entender isto.As boas novas são estas: se confessarmos os nossos pecados —
aqueles dos quais temos consciência — então Deus misericordiosamente nos perdoa “todos eles”.

Uma boa ilustração de “todos os pecados” é a vida do rei Manassés, um dos mais fracos reis de Judá.
Ele voltou as costas para Deus, prestou culto a falsos deuses e levou o povo à idolatria (II Crô. 33:1-9).
Se a jovem escritora dessa carta acreditava que Deus não a perdoaria, então, sem dúvida, diria que
Deus nunca perdoaria Manassés.

A história, entretanto, mostra que os assírios capturaram Manassés, e no cativeiro ele se humilhou
diante de Deus. A despeito do passado pecaminoso de Manassés, Deus o perdoou amorosa e
compassivamente. Se cada pessoa pudesse entender quão extensa e completamente Deus perdoa,
haveria muito mais alegria no mundo.

Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois
quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.
Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se
compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem”.

Perdoando-nos a nós mesmos

Outro aspecto interessante sobre o perdão de Deus é que, se Ele perdoa a nós mesmos, nós podemos
perdoar-nos. Muitas vezes os cristãos chegam ao ponto em que podem aceitar o perdão de Deus, mas
ainda não conseguem perdoar a si mesmos. Não é interessante que podemos ser mais duros conosco
mesmos do que Deus é? Exigimos mais de nós mesmos e estabelecemos muito mais condições para
perdoarmos os nossos erros, do que o nosso Pai Celestial o faz.

Se Cristo morreu por nossos pecados e Deus nos perdoa, então por que não conseguimos perdoar-nos?
Para ter uma auto- imagem saudável, precisamos ver-nos da mesma forma que Deus nos vê:
perdoados!

Perdão de quem?

Algum tempo atrás, num restaurante, eu disse algo que nunca deveria ter dito. Magoei profundamente
um irmão em Cristo. Na volta para casa, percebi o impacto de minhas palavras impensadas. Voltei ao
restaurante, tentando encontrar a pessoa a quem tinha magoado.

Eu reconheci, diante deste irmão cristão, que havia cometido um pecado e pedi que me perdoasse. Ele
me olhou bem nos olhos e disse: “Eu nunca o perdoarei. Alguém em sua posição nunca deveria ter dito
aquilo”. Não sabendo o que fazer, respondi: “Sei que nunca deveria ter dito aquilo; eis por que estou
pedindo que me perdoe”. Fiz o que pude para acertar a situação, mas aquele homem não queria mudar
sua determinação de não me perdoar.

Fui para casa frustrado e confuso. Comecei a ter um conflito emocional e espiritual por causa da
situação. Sentindo-me extremamente culpado, comecei a censurar-me em voz alta: “Como você pode
estar no trabalho cristão e magoar um irmão desse jeito? Como Deus pode usar você quando age desta
maneira?”.

Minha incessante auto-acusação deve ter soado como se eu estivesse escrevendo um novo hino
intitulado: “Oh, que desgraçado sou”, sobre auto-piedade e a miséria do pecado pessoal. Então o
Espírito Santo de Deus começou a trabalhar nos meus pensamentos. Parei e pensei em todo o incidente,
inclusive em minha atitude subseqüente, à luz das Escrituras e do meu relacionamento com Cristo.
Mentalmente eu disse: “Um momento, Josh, você não está lidando com isto da maneira correta. Você
pode ter duas atitudes diante da situação. Uma é continuar a sentir pena de si mesmo, chafurdando na
culpa, questionando a capacidade de Deus de lidar com a situação e de olhar para sua fragilidade e
pecado. A outra é entender que Jesus morreu por esta situação, fazer tudo o que puder para acertar as
coisas com seu irmão, confessar a Deus, aceitar Seu perdão e reconhecer Sua capacidade de resolver a
situação. Então, reconhecendo Sua justiça, perdoe-se, levante a cabeça, endireite os ombros e ponha os
olhos em Cristo, e vá em frente caminhando pela fé”.

Após lutar um pouco com as alternativas, escolhi reconhecer o perdão de Deus, perdoei-me também e
continuei a caminhar pela fé, fazendo todo o possível para consertar o relacionamento ferido com um
irmão que não estava disposto a perdoar-me.

Neste ponto houve uma percepção de que, aceitando o perdão de Deus e em seguida perdoando a mim
mesmo, não havia um condicionamento de ser perdoado pela outra pessoa, embora Deus esperasse que
eu agisse do modo correto. “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão
tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão;
e, então, voltando, faze a tua oferta”.

Um ano mais tarde, recordando o incidente, eu disse à minha esposa: “Querida, acho que aquele
relacionamento está curado. A ferida parece ter cicatrizado e, pelas aparências, acho que ele me
perdoou. De fato, parece que nossa amizade está melhor agora do que antes”.
Quando compreendemos que Deus nos perdoa, por que recusamos a perdoar-nos? Que direito temos de
não nos perdoar? Ele é o único que tem direito de dizer que você está perdoado e é valorizado — não
você e os seus sentimentos!

Mas Deus não apenas o perdoa. Ele diz: “Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e
das suas iniqüidades, para sempre”.8 Se você tem a “mente de Cristo”,9 então também precisa perdoar
— e não condenar — a si mesmo, e estar disposto a esquecer até mesmo os seus pecados de ontem.

Concedendo perdão

A maravilhosa transformação que acontece no desenvolvimento de uma auto-imagem saudável, na área


do perdão, é que você se torna capaz não apenas de perdoar a si mesmo, mas também de ser um canal
ou instrumento para perdoar os outros. “Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos,
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou”.

Experimentar o perdão é uma das grandes necessidades do mundo moderno, O diretor de um hospital
de doentes mentais declarou em um seminário universitário que metade de seus pacientes poderia ir
para casa se soubesse que está perdoada.

Uma das maneiras de Deus transmitir perdão é através de Seus filhos. Outra estrofe do hino de Gaither
“I Am Loved”, ao qual já me referi, conta isto claramente: “Perdoado, repito, sou perdoado, limpo diante
do meu Senhor eu permaneço livremente. Perdoado, eu posso perdoar meu irmão, perdoado, eu posso
aproximar-me e tomar sua mão”.

Experimentar o perdão é uma das grandes necessidades do mundo moderno.

Como pecadores caídos, nossos esforços em permanecermos corretos diante de Deus não têm valor
(Isa. 64:6), mas como propósito de Sua criação nós temos valor. O ato de criar- nos, somado ao Seu
amor por nós, demonstrado através de Sua ação em nós, confere-nos um valor altamente significativo.
Mas, lembre-se, não é pelo que nós fazemos, mas por causa de quem Ele é e do que Ele tem feito.

Valiosos, embora caídos

Se definimos uma auto-imagem saudável como “vendo-nos como Deus nos vê — nem mais nem
menos”, então precisamos ver não apenas o valor da humanidade aos olhos de Deus, mas também seu
pecado, rebelião e alienação de Deus.
A Bíblia é clara a respeito da degradação e depravação humana. Deus mesmo declarou que “enganoso é
o coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”.

Qualquer pessoa que deseje ter um quadro equilibrado da natureza humana precisa considerar a
perspectiva de Deus, conforme se acha mencionada no Salmo 53:2-3: “Do céu olha Deus para os filhos
dos homens, para ver se há quem entenda, se há alguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e
juntamente se corromperam: não há quem faça o bem, não há nem sequer um”.

A pecaminosidade humana é universal: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Alguns de
nós não querem admitir esta realidade, especialmente sobre si mesmos. Entretanto, “se dissermos que
não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”.’
Sabemos que no Velho Testamento os guerreiros hebreus usavam fundas como armas. Alguns eram
extremamente precisos na pontaria. Podiam atirar “com a funda uma pedra num cabelo, e não
erravam”.’4 A palavra que se traduz por “errar” é chatah, que basicamente significa “errar o alvo”. Em
lugares do Velho Testamento a palavra chatah é traduzida por “pecar”.

O Novo Testamento tem o mesmo conceito de pecado. Paulo fez uma analogia semelhante quando usou
a palavra grega hamartano para pecar. Pecar é errar o alvo, o padrão, o objetivo que Deus determinou
para nossa vida quando nos criou. Esta é a palavra usada em Romanos 3:23. Significa estar destituído
da natureza santa, justa e íntegra de Deus.
Auto-imagem e imagem de Deus

Embora estejamos profundamente contaminados pelo pecado, o fato de errarmos o alvo que Deus
planejou para nós não destruiu totalmente a semelhança que temos com Ele. Por causa do pecado, a
humanidade não se tornou menos humana. Ainda existe um enorme abismo entre os seres humanos e
os demais seres vivos: Na criação, Deus fez algo que determinou uma base permanente para o valor e a
dignidade humana. Deus nos criou de maneira especial quando disse: “Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança”.

Esta “imagem de Deus” foi estragada pela queda do homem por causa do pecado, mas não foi
destruída. Paulo refere- se aos coríntios, os quais estavam vivendo em pecado, como ainda tendo “a
imagem e glória de Deus”.

Se você não valoriza o fato de que traz em si a imagem de Deus, pode pensar em si mesmo como
valendo o mesmo que uma árvore. Por certo, ambos são criação de Deus, embora haja uma diferença
imensa. Tendo sido criado à imagem de Deus, você foi dotado de capacidade intelectual, emoções,
habilidade para tomar decisões sobre certo e errado, poder de criatividade e possibilidade de amar e
comunicar-se.

A essência exata do que constitui esta imagem de Deus na espécie humana não é determinada.
Sabemos, entretanto, que ela ainda existe na humanidade, mesmo depois da queda do pecado. Ela
constitui a base para a santidade e o valor da vida humana (Gên. 9:6).

Francis Schaeffer escreve: “É importante notar que o homem caído ainda conserva alguma coisa da
imagem de Deus. A queda separa o homem de Deus, mas não lhe tira a diferenciação das outras coisas.
O homem caído ainda é homem”.

Para dar ênfase ao nosso valor individual mesmo depois da queda, Jesus fez uma comparação entre o
valor da humanidade e os pássaros dos quais Deus cuida. “Observai as aves do céu: não semeiam, não
colhem nem ajuntam em celeiros; contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós
muito mais do que as aves?... Não temais pois. Bem mais valeis vós do que muitos pardais.”

Jesus também mostrou que os homens têm mais valor do que os outros animais, quando, respondendo
a algumas pessoas que achavam que Ele não devia curar no sábado, disse: “Qual dentre vós será o
homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo esforço, tirando-a
dali? Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha?”.

Muitos escritores têm citado as palavras de Martinho Lutero:

“Deus não nos ama porque somos valiosos; somos valiosos porque Deus nos ama”. Esta afirmação é
verdadeira, mas talvez não tenha grande alcance. Como está colocado, este conceito pode facilmente
ser mal interpretado. À afirmação “Somos valiosos porque Deus nos ama”, deixe-me acrescentar estas
palavras: “e expressou Seu amor nos criando à Sua imagem e, ainda, nos recriou em Cristo”.

Muito valor

Recriando-nos em Cristo, Deus nos dá algo tão bom, se não melhor do que a perfeita imagem original
de sua pessoa. “Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos
feito justiça de Deus.”

Se você considerar quão excelentes são a bondade e justiça de Deus, torna-se atemorizador que você
tenha à disposição esta bondade agora mesmo. Você tem valor não apenas porque foi criado valioso,
mas tem ainda maior valor por causa da cruz de sua criação e de sua redenção.

Muitos séculos atrás, um grande sábio, Morena, foi forçado ir viver no exílio. Tendo ficado seriamente
doente, na Lombardia, Itália, foi levado para um hospital de indigentes. Os médicos, presumindo que
aquele homem de aparência tão desprezível não pudesse entender o latim, começaram a falar nesta
língua, entre si, ao lado de sua cama. Eles diziam: “De qualquer maneira este homem vai morrer, vamos
então testar um novo tratamento nesta criatura sem valor”. Ao ouvir isto, o dr. Morena levantou-se,
olhou para os médicos e disse: “Como podem dizer que é sem valor alguém por quem Jesus morreu?”.
Entender o que Jesus fez por você pode reestruturar o seu pilar de valorização pessoal, seu senso de
valor próprio e dar estabilidade à imagem que você tem de si mesmo.

Edificando a Base n 11

Em 1 João 1:9 nós lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados e nos purificar de toda a injustiça”. A palavra confessar significa “concordar com Deus a
respeito do pecado”. Significa admitir que pecamos e que Jesus morreu por causa disso.

Quais os pecados que você reconhece agora diante de Deus?

O que Deus está fazendo com relação a esses pecados?

Qual é a “quantidade” de injustiça que Deus pode perdoar?

Hebreus 9:22 nos diz: “Com efeito, quase todas as cousas, segundo a lei, se purificam com sangue; e
sem derramamento de sangue não há remissão”. O que Deus fará, uma vez que você tenha confessado
seus pecados a Ele?

“Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós, s nossas transgressões” (Salmo 103:12).
Então, a que distância os seus pecados estão de você, após terem sido confessados e perdoados?

lsaías 1:18 registra: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor. Ainda que os vossos pecados são como a
escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, se
tornarão brancos como a lã”. Assim, quão limpo e puro você está, depois que o Senhor o perdoou?

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos
pecados, vivamos para a justiça” (1 Pedro 2:24). Quem, pois, levou os seus pecados?

II Coríntios 5:21 nos diz: “Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele
fôssemos feitos justiça de Deus”. Então, qual é a justiça que recebemos?

Capitulo 12

Um novo senso de competência

\/amos tratar agora do terceiro pilar — competência — que tem deixado muitas pessoas perdidas nas
difíceis experiências cotidianas. No seu caso, por exemplo, pode ter começado com uma dependência
exagerada dos pais para atender às suas necessidades, o que não lhe permitiu desenvolver a
autoconfiança. Ou possivelmente você tenha enfrentado fracasso após fracasso através dos anos. Ou,
talvez, apenas um fato devastador, como o divórcio ou a perda do emprego, tenha prejudicado ou
destruído seu senso de competência.

Sem ele, porém, qualquer que tenha sido a causa, perdemos a coragem e a esperança, e tornamo-nos
pessimistas em relação à vida. Cada um de nós precisa de um senso de confiança interior que diga: “Eu
posso fazer isto”.

Competência através do Espírito


Não importa por que seu pilar de competência é fraco ou inexistente, ele pode ser reconstruído e
transformado. Quando você vem a compreender e experimentar um relacionamento com o Espírito
Santo, sua confiança pode ser restaurada.

A Bíblia tem muito que dizer sobre nosso relacionamento com o Espírito Santo, fato que muitos crentes
ignoram. Nascemos do Espírito (João 3:3-5). O Espírito vive em nós (João 14:17), estará conosco para
sempre (João 14:16). O Espírito ensina as coisas que precisamos saber (João 14:26) e testifica que
pertencemos a Deus e somos Seus filhos (Rom. 8:16). Ele nos guia (Rom. 8:14) e nos dá talentos,
capacidade e dons espirituais necessários para vivermos uma vida com propósito, servindo a Deus (1
Cor. 12:4,11). O Espírito ajuda em nossas fraquezas e intercede por nós (Rom. 8:26-27). É Ele que
desenvolve em nós o fruto da justiça de Deus: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gál. 5:22-23).

A melhor maneira de tomar posse da competência potencial que você tem através do Espírito Santo é
compreender que o cristão tem fontes disponíveis ao seu alcance, como resultado da habitação do
Espírito em sua vida.

Algo de maravilhoso aconteceu aos discípulos do Senhor no dia de Pentecostes. Eles foram cheios do
Espírito Santo, o que os capacitou a viver uma vida santa e a ser poderosas testemunhas. Hoje Ele quer
trabalhar em nós. O fato maravilhoso de que Jesus Cristo vive em nós e expressa Seu amor através de
nós é uma das verdades mais importantes da Palavra de Deus.

A vida impossível

Tentar viver por nossa própria força, de acordo com os padrões impossíveis da vida cristã — e
fracassando inevitavelmente — certamente enfraquecerá nosso senso de competência. De fato, o cristão
que tenta ser tão parecido com Cristo quanto possível (um ideal sobrenatural) pode ter um senso de
competência pior do que a pessoa que não é cristã e prefere viver de acordo com algum ideal humano.
Os padrões da vida cristã são muito elevados para que os alcancemos por nós mesmos. De acordo com
a Palavra de Deus, apenas uma pessoa foi capaz de ter sucesso em mantê-los — Jesus Cristo. A vida
cristã significa viver somente no poder do Espírito Santo.

O Espírito Santo não apenas capacita o cristão a nascer na família de Deus, mas o sustenta no
crescimento espiritual, produzindo o fruto do Espírito.

É o Espírito Santo que nos dá poder para sermos testemunhas frutíferas. Quando Jesus disse que
seríamos suas “testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins
da terra”, antes de declarar isto Ele falou: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo”.’
Não é apenas impossível tornar-se cristão sem o Espírito Santo, é também impossível ter o fruto do
Espírito em nossa vida e levar outros a Jesus.
A partir do momento em que recebemos a Cristo, passa- mas a ser habitação do Espírito e, assim, tudo
aquilo de que necessitamos para sermos homens e mulheres de Deus e produzirmos frutos para Cristo
está à nossa disposição. O segredo está em deixar o Espírito Santo nos encher e nos capacitar, de modo
que possamos conhecer tudo o que já temos e podemos utilizar. E importante perceber que a palavra
bíblica usada para encher não significa alguma coisa “vinda do exterior” ou “procedendo do nada”, mas
algo que já está dentro e enchendo! Eis por que prefiro usar a palavra “capacitar”.

Somos cheios do Espírito pela fé no Deus Todo-poderoso que nos ama. Quando você leva um cheque ao
banco e sabe que tem dinheiro lá, não fica em dúvida se o banco pagará seu cheque. Não espera ter de
implorar que o caixa lhe dê o dinheiro. Ao contrário, você simplesmente vai “pela fé”, coloca seu cheque
no balcão e espera para receber o dinheiro que já é seu. Ficar pedindo a Deus que nos encha
completamente com o Espírito Santo, que já está em nossa vida, é simplesmente pedir novamente algo
que já é nosso como filhos de Deus.

Quando você espera receber, seja o dinheiro do banco seja a plenitude do Espírito Santo de Deus,
apenas pela fé, é necessário reconhecer os fatores que precedem o recebimento de ambos. Você recebe
o dinheiro do banco apenas quando vai lá com um cheque ou uma ordem de pagamento devidamente
preenchidos e assinados. Se for lá apressadamente, sem seguir os procedimentos do banco para a
retirada de fundos, muito provavelmente não receberá o dinheiro. Postar-se no meio-fio, do lado de fora
do banco, e começar a gritar “Quero o meu dinheiro!”, não dará resultado algum.

Do mesmo modo, várias coisas o preparam para ser cheio do Espírito Santo. Primeiro, você precisa ter
fome e sede de Deus e desejar sinceramente ser cheio do Espírito. A promessa de Jesus foi: “Bem
aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”.

Segundo, você precisa estar disposto a submeter a direção e o controle de sua vida a Cristo. Como
Paulo disse: “Rogo-vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis vossos corpos por
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que o vosso culto racional”.

Terceiro, confessar cada pecado conhecido que o Espírito Santo traga à sua mente e aceitar a
purificação e o perdão que Deus promete: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para
nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”.

Cheio do Espírito — ser ou não ser

Ser cheio do Espírito não é um estilo de vida opcional para o cristão. Deus ordena que sejamos cheios
do Espírito: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei- vos do Espírito”.5
Deus não nos dá uma ordem sem prover uma maneira para que possamos obedecer. Ele nos dá a
promessa de que, “se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que
ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos
feito”.

Os crentes já têm o Espírito Santo, então não precisam pedir que Ele entre de novo na vida deles.
Apenas precisam pedir que Ele encha e controle cada parte, cada canto escondido e cada fresta.

Embora os cristãos se tomem morada do Espírito Santo, de uma vez para sempre (quando Cristo entra
na vida deles através do Espírito), podem ser cheios do Espírito várias vezes. De fato, a palavra grega
“encher” significa “ir sendo cheio”, referindo-se a um enchimento constante e contínuo do Espírito, para
controlar e tornar poderosa a vida do crente no Salvador Jesus.

A frustração do esforço próprio é eliminada quando vivemos no poder do Espírito Santo. Só Ele pode
capacitar-nos a viver a vida significativa e santa que almejamos e que Ele mesmo deseja para nós.

Se você já sabe que deseja ter uma vida cheia do Espírito, precisa apenas pedir isto ao Pai. Reconheça
que tem estado no controle de sua vida, o que é pecado contra Deus, pois só Ele é o seu legítimo
regente e proprietário. Dê graças a Ele por perdoar seus pecados através da morte de Cristo na cruz por
você. Convide Cristo a assumir o controle de sua vida e o Espírito Santo a enchê-lo com Seu poder, a
fim de que você possa realmente glorificar a Cristo com todo o seu ser.
Num ato de fé, então, agradeça-Lhe por responder ao que você pediu. Agradecer não é um ato de
presunção, é agir pela fé em que Ele mantém Sua promessa de nos dar qualquer coisa que pedirmos de
acordo com Sua vontade. Já que Ele ordena que sejamos cheios do Espírito, é Sua vontade que todos os
cristãos vivam de modo sobrenatural.

Foi através de sua experiência pessoal com o Espírito Santo, que Lhe deu um novo senso de
competência, que Paulo pode dizer: “Tudo posso naquele que me fortalece”.7 Paulo passou a ver a sua
capacidade não em si mesmo, mas em Deus, e sabia que era parte integrante de Sua vida. “Não que
por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma cousa, como se partisse de nós; pelo contrário, a
nossa suficiência vem de Deus”.

Da fraqueza vem a força

Analisando as pessoas que Deus usa, vemos freqüentemente que, quando elas se rendem a Deus, Ele
toma suas limitações e as transforma em força.
Muitas vezes ouvimos dizer: “Oh, João deveria estar sendo usado numa área especial do trabalho de
Deus. Ele é tão talentoso, tão persuasivo, tão preparado”. Mas, muitas vezes, essa capacidade pode
estar representando uma limitação. O poder pessoal sobre o qual nos apoiamos antes que Deus tenha
completo controle de nossa vida pode tornar-se uma desvantagem. Temos a tendência de depender de
nossas forças mais evidentes, antes de conscientemente permitir que o Espírito Santo crie outras forças
em nossa vida. O poder que temos antes de o Espírito Santo tomar o controle algumas vezes é a
tentação de tomarmos atitudes de auto-suficiência, egoísmo e orgulho.

Por outro lado, fraquezas das quais temos consciência nos fazem mais dependentes do Espírito Santo.
Elas podem tornar- se nossas maiores forças.

O forte e o fraco

Uma perspectiva adequada de si mesmo é entender quem você é, com suas próprias forças e pontos
positivos, suas falhas e fraquezas, lembrando que a força aparente pode tornar-se tentação de orgulho.
Ter uma auto-imagem saudável não significa não ter limitações. Se você sabe quem é em Cristo, está
liberto para aceitar suas fraquezas, falhas e erros — e não ser ameaçado por eles. Com paciência e
esperança, podemos lidar com os problemas sem nos abater por não alcançarmos alguns padrões de
perfeição que imaginamos.

Alguém que tem um forte pilar de competência pode afirmar o axioma que mencionei anteriormente:
“Ainda não sou o que devo ser, mas não sou o que era anteriormente e, pela graça de Deus, ainda não
sou o que serei”. Podemos estar “plenamente certos de que aquele que começou a boa obra em nos há
de completá-la até o dia de Cristo Jesus”.

Edificando a Base n. 12

O Espírito Santo nos torna competentes: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de
poder, de amor e de moderação” (II Timóteo 1:7). A Nova Versão Internacional da Bíblia traduz esse
mesmo versículo na seguinte forma: “Porque não nos tem dado espírito de timidez, mas espírito de
poder, de amor e de autodisciplina”.

Qual é o espírito mencionado que não vem de Deus?

Qual é o espírito que vem de Deus?

Em Filipenses 4:13 lemos: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Isto significa que somos
potencialmente competentes para fazer qualquer coisa que Deus deseja que façamos?

Capitulo 13
Refazendo o relacionamento “pais-filhos”

Muitos cristãos têm alcançado a plenitude de Deus, da melhor maneira que sabem, e anos depois ainda
continuam insatisfeitos com a visão que têm de si mesmos e de seu desenvolvimento na vida cristã.
Talvez você seja um desses crentes. Você pode até mesmo ter sido usado por Deus de maneiras
maravilhosas. Talvez seja apontado como um exemplo de fé e maturidade cristã, mas intimamente
ainda se vê como um pobre espécime da maior criação de Deus. É possível que você nunca tenha
observado que seu crescimento cristão deve incluir, em primeiro lugar, uma visão melhor de quem você
é ou dos motivos por que você tem uma visão insatisfatória de si mesmo.

O plano de Deus para restaurar auto-imagens e personalidades negativas é padronizado segundo o Seu
processo original de relacionamento “pais-filhos”. Esse processo foi planejado inclusive para moldar
personalidades, mas se tornou profundamente distorcido quando o pecado entrou no mundo.
Identificamos de início os três grandes princípios do relacionamento “pais-filhos”. O primeiro deles é o
de modelar. Os pais servem como exemplo para os filhos. O segundo é o de ensinar. Os pais ensinam os
filhos, o que inclui a disciplina e o conhecimento prático necessário para sobreviver no mundo. Para os
pais crentes, isto compreende também prover aos filhos um lar cristão sólido, e ensinar-lhes a Palavra
de Deus. O terceiro princípio é o de aprender a relacionar-se. O relacionamento “pais-filhos” propicia a
atmosfera que torna efetivos os outros dois princípios. Sem um relacionamento de amor, compreensão e
aceitação, modelar e ensinar simplesmente não funcionam.

Reestruturando o relacionamento “pais-filhos”

A vida espiritual de qualquer pessoa também se inicia com o nascimento e se desenvolve através de um
processo de relacionamento do tipo “pais-filhos”. O passo inaugural é a conversão. Quando você aceita
Cristo, inicia a reversão do processo de pecado, que tem passado de geração a geração, e muda o curso
de sua vida em direção à saúde espiritual e emocional. Começou para você o processo de restauração
do seu relacionamento. O seu desenvolvimento, para assemelhar-se a Cristo, iniciou-se agora. Este
crescimento é um processo de reestruturação do relacionamento “pais-filhos”, na medida em que as
necessidades espirituais e emocionais do filho, que não foram satisfeitas no relacionamento com os pais
humanos, serão agora atendidas por Deus através da atuação dos membros do corpo de Cristo.

Muitas das pessoas da nossa época nasceram em lares totalmente inadequados. Cresceram em um
ambiente que mal e mal lhes dava o mínimo suporte emocional para a sobrevivência física. Quando se
tornam cristãs, podem ter “um caminho maior a percorrer” em direção à semelhança com Cristo, do que
alguém cujo lar cristão tenha propiciado uma boa base para a sua saúde emocional. Usualmente,
quanto mais adequado o relacionamento “pais-filhos”, menos necessária se torna a sua restauração.

Grande parte do processo realmente depende do desejo e da determinação do próprio indivíduo de


tornar-se sadio. Mas aqueles que tiveram um relacionamento inadequado com os pais terão muito mais
que superar na experiência de aprender a confiar no Pai Celestial. Simplesmente saber que devem
confiar em Deus e meramente desejar que Ele os modele segundo a Sua imagem não produz grandes
resultados, e muitas vezes eles não sabem por quê.

O crescimento cristão progride melhor em um ambiente que proporciona suporte emocional e amor, do
mesmo modo que o lar, na infância, deve supri-los, O corpo de Cristo, seja uma igreja formal, um
pequeno grupo de amigos crentes ou qualquer outra obra cristã, deve proporcionar sempre um
ambiente de amor e apoio que propicie as condições ideais de crescimento.

O crescimento cristão no início da igreja

O programa que Deus estabeleceu para ajudar a transformar a auto-imagem e a personalidade do


cristão pode ser encontrado na igreja primitiva, no livro de Atos: E perseveravam na doutrina dos
apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitos
prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e
tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à
medida que alguém tinha necessidade.

A Igreja do Novo Testamento parece ter tido três experiências básicas nas quais todos os crentes
tomavam parte. A primeira delas é a experiência vital do ensino: “Devotavam-se ao ensino dos
apóstolos”. A segunda é a experiência de um relacionamento vital: “E na comunhão, no partir do pão e
na oração, os crentes estavam juntos e tinham tudo em comum”. E a terceira é a experiência vital do
testemunho: testemunhar, no Novo Testamento, consistia em viver a vida cristã e então falar a respeito
de Cristo. Era um ministério de testemunho dirigido não só aos crentes, mas aos não-cristãos ao seu
redor.

Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa, e tomavam as suas
refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e contando com a simpatia de todo o
povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.
Restauração do relacionamento e discipulado

O corpo de Cristo tem de estar revestido destes três aspectos do processo de reestruturação do
relacionamento “pais-filhos”, atuando tanto como pai quanto como filho, dando e recebendo
reciprocamente amor e apoio emocional, não apenas sob o ponto de vista formal, mas na realidade da
vivência diária. Por meio destas três experiências vitais (ensino, comunhão e testemunho), cada cristão
crescerá até a maturidade em Cristo. Isto é o que muitas vezes denominamos discipulado. Podemos
também chamar de processo de reestruturação.

Que existe, realmente, um paralelo entre o relacionamento “pais-filhos” e o processo de reestruturação


ou discipulado não é mera coincidência. No relacionamento familiar, os pais exercem a função de
agentes do crescimento. E, no processo de restauração, o corpo de Cristo — cada um de seus membros
servindo tanto como filho quanto como pai — também desempenha essa função, de promoção do
desenvolvimento espiritual.

A Palavra de Deus na reestruturação

Para transformar nossa vida, como cristãos, Deus usa outro agente: a Palavra de Deus. O Espírito Santo
trabalha através dos crentes e de Sua Palavra para ajudar a tornar-nos como Jesus Cristo. Pedro
escreveu: “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que
por ele vos seja dado crescimento para a salvação, se é que já tendes a experiência de que o Senhor é
bondoso”3. Promovendo renovação de nossa mente, o Espírito Santo usa a Palavra Deus para
reestruturar a nossa maneira de pensar (Rom. 12:2). Paulo escreveu: E ele mesmo concedeu uns para
apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas
ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,
até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como
meninos,agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha
dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em
tudo naquele que é o cabeça, Cristo.

A reciprocidade de tratamento

Através de Sua Palavra, Deus nos revela Seus atributos, caráter e personalidade. E, por meio do corpo
de Cristo, Ele os torna realidade. Aparecem aproximadamente sessenta vezes no Novo Testamento os
“conceitos de reciprocidade” enunciados na expressão “uns aos outros”. São os princípios que
descrevem a maneira pela qual Deus ministra Seus atributos a cada crente, e a todos eles, como
membros do corpo de Cristo.

Estes conceitos incluem ser devotados uns aos outros (Rom. 12: 10), honrar uns aos outros (também
Rom. 12:10), ter o mesmo sentimento uns para com os outros (Rom. 15:5), aceitar uns aos outros
(Rom. 15:7), admoestar uns aos outros (Rom. 15:14), saudar uns aos outros (Rom. 16:3-6,16), servir
uns aos outros (Gál. 5:13), carregar as cargas uns dos outros (Gál. 6:2), suportar uns aos outros em
amor (Efé. 4:2), submeter-se uns aos outros (Ef. 5:21) e encorajar uns aos outros (1 Tes. 5:1 )

Revelando Deus através do corpo de Cristo

Jesus disse aos Seus discípulos, quando estava com eles na terra, que tinha vindo para revelar-lhes o
Pai. Ele disse: “Quem me vê a mim, vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou
no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai
que permanece em mim, faz as suas obras”.

Jesus em Seu corpo físico revelou Deus ao mundo. Ele tornou reais os atributos e o caráter de Deus,
“colocou carne e ossos na personalidade de Deus”. Sabemos como Deus é porque Jesus O tornou
conhecido para nós. Seria possível à igreja revelar algo a respeito de Deus, como Jesus fez? A resposta
é sim. A igreja é denominada “o corpo de Cristo”, e um de seus propósitos é demonstrar o caráter e os
atributos de Deus o Pai às pessoas que vivem hoje.
Perguntaram a uma jovem mulher como Deus poderia tornar real Seu amor por ela. Ela pensou por um
minuto e disse: “Ele poderia mostrá-lo a mim”. Não é isso o que o corpo de Cristo deve fazer, trazer à
realidade o amor de Deus?

Uma coisa é alguém ler na Bíblia algo sobre o amor de Deus ou ouvir um sermão a esse respeito. Isto se
torna real para esta pessoa, porém, quando ela experimenta o amor de Deus através dos membros do
corpo de Cristo.

Talvez você se lembre de uma experiência assim em sua própria vida, ou talvez o perdão de Deus
tenha-se tornado real para você quando um amigo declarou que o perdoava!

Por desígnio divino, o processo de reestruturação através do corpo de Cristo traça um paralelo com o
processo de nosso relacionamento “pais-filhos” em nossa família. O gráfico a seguir ajuda a esclarecer
esta comparação.

Relacionamento Processo de
“pais-filhos” reestruturação

AGENTES DE DEUS PAIS CORPO DE CRISTO

Exemplos comportamentais Modelando Testemunhando


Experiências de Aprendizado Vital Ensinando Ensinando
Experiências de Relacionamento Vital Relacionamento Compartilhando

Aplicando o processo de reestruturação

Nossa auto-imagem muda quando nos submetemos ao processo divino do parentesco de Deus. Ele
providenciou meios pelos quais você pode ter sua auto-imagem reestruturada e transformada, mas você
precisa ser receptivo a este processo.

Identifique suas necessidades. O primeiro passo que você deve dar é tornar-sé consciente das áreas
de sua personalidade que precisam ser transformadas. Quais são os entraves ao seu crescimento
espiritual? Qual o pilar mais fraco em sua auto-imagem? Pode ser aquele a que você tenha prestado
pouca atenção, pensando ser menos importante do que o pilar que você considerava mais forte. Ou
pode ser aquele que anteriormente você considerava forte, mas agora vê como um esteio construído
sobre falsas premissas.

A melhor maneira de começar a conhecer a si mesmo é orar e pedir para Deus mostrar-lhe, através de
Sua Palavra, quais são as mudanças que Ele quer ver em sua vida. Procure descobrir o que Deus
considera importante. Comece com a oração do salmista: “Sonda-me, á Deus, e conhece o meu
coração; prova- me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me
pelo caminho eterno”.
Algumas vezes você precisará de ajuda neste processo, e neste caso será útil consultar algum amigo
cristão maduro, um pastor ou conselheiro.

Procure auxílio nas Escrituras. Uma vez que tenha compreendido seu desenvolvimento na edificação
dos pilares e saiba no que deve concentrar seus esforços, comece a estudar a Palavra de Deus tendo
em mente suas necessidades. Você encontrará coisas realmente significativas, esclarecimentos “que
nunca viu antes”. Um estudo bíblico específico, orientado para esse objetivo, pode proporcionar o
impulso necessário para você iniciar sua transformação.

Há um poder na Palavra de Deus que transforma vidas. Quando uma pessoa estuda e medita a respeito
de uma passagem da Bíblia que se aplica ao seu problema, ocorrem resultados dramáticos. Muitas vezes
estes resultados somente podem ser explicados como um trabalho sobrenatural do Espírito Santo. O
Espírito toma a Palavra de Deus e a usa para reestruturar e transformar nossa auto-imagem e
personalidade.
Encontre ajuda através do corpo. O passo final do processo é permitir que os membros do corpo de
Cristo sejam instrumentos do Espírito Santo para começar a transformá-los. E interessante que todas as
passagens do Novo Testamento relativas i reciprocidade, caracterizadas pela expressão “uns aos
outros”, contenham uma responsabilidade dupla. Por exemplo, observe Gálatas 6:2: “Levai as cargas
uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”. Nossa responsabilidade é óbvia: os cristãos têm de
ajudar a carregar as cargas uns dos outros. Mas isto significa que as pessoas também precisam deixar
que suas cargas sejam compartilhadas. Devemos permitir que os outros nos ajudem a carregar nossas
cargas. Devemos permitir que nos amem e cuidem de nós do mesmo modo que devemos fazer por eles.
Através do corpo de Cristo, começamos a experimentar o amor e os atributos de Deus de uma forma
pessoal. À medida que nos relacionamos com os outros, colocamos em prática Seu caráter e
personalidade de tal maneira que nossa vida começa a ser transformada. Nosso relacionamento com os
outros torna-se um catalisador para produzir cura em nossa vida.

À medida que eu experimento o amor de Deus através de você, que eu provo o conforto, a misericórdia
e a justiça de Deus através de você, minha auto-imagem começa a mudar. Quando você me perdoa e
me responde como se eu realmente tivesse valor, no tempo oportuno acreditarei em mim mesmo.
Quando você acredita em mim, confia em mim e me encoraja, começo a confiar e acreditar em mim
mesmo. Desenvolvo, assim, um novo senso de competência. Minha personalidade passa a ser
transformada através do meu relacionamento com você, enquanto o Espírito Santo trabalha em meu
íntimo. O corpo de Cristo reforça as verdades que aprendi pela Palavra de Deus.

Círculo de aceitação

Crescer em auto-aceitação e desenvolver uma auto-imagem melhor e mais saudável são experiências
que se desenvolvem em círculo. Elas se iniciam quando você começa a entender o amor e a aceitação
de Deus. Novamente, é importante entender que a sua verdadeira base de aceitação ou confiança está
em Deus, e não nos outros. Enquanto você cresce neste conhecimento, passa a acreditar que pode ser
amado e aceito. Neste ponto, pode começar a desenvolver uma auto-aceitação sadia.

Da confiança decorrente de sua nova auto-aceitação, você pode relacionar-se mais abertamente com as
outras pessoas. Pode expressar mais livremente amor e aceitação aos outros. À medida que estes
relacionamentos melhoram e você se aproxima mais dos outros, começa a ter uma visão mais clara de si
mesmo e passa a experimentar, ainda mais intensamente, o amor e a aceitação de Deus.

>>>veja-se com mais lucidez e experimente o amor de Deus de uma nova maneira >>> entenda e
aceite o amor de Deus >>> acredite que você é amado e aceito -> ame e aceite as outras pessoas>>>

O exemplo de Paulo

Em 1 Tessalonicenses 2:1-12, Paulo dá um exemplo do processo de reestruturação que usou em seu


ministério. Ele descreve como foi cuidadoso para com aqueles cristãos, como se fosse uma mãe
amorosa (v. 7). Conta como os exortou e admoestou como um pai o faria (v. 11). Enfatiza seu
relacionamento com eles: “Assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos, não somente
o evangelho de Deus, mas, igualmente, a nossa própria vida, isso porque vos tomastes muito amados
de nós” (v. 8).

Assim, o uso que Paulo faz do processo de reestruturação, como descrito anteriormente, é evidente. Ele
ensinou aos convertidos. Relacionou-se com eles em amor e compreensão. Deu- lhes o modelo e
testemunhou-lhes o que significava pertencer ao Senhor.

Veja que em dois lugares aqui Paulo os chama de irmãos, ainda que, como apóstolo, pudesse ter usado
uma linguagem mais autoritária. Esta é uma distinção importante, que devemos ter em mente nos
nossos relacionamentos no corpo de Cristo No processo de parentesco original, tanto existe um
componente de autoridade quanto um componente de maior proximidade. Quando somos crianças,
nossos pais desempenham ambos os papéis. Agora, como crentes, Deus exerce o componente de
autoridade, e nossos irmãos e irmãs em Cristo exercem o componente de parentesco. Talvez Jesus
tivesse isso em mente quando disse: “A ninguém na terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai,
aquele que está no céu”.

No corpo de Cristo, cada um de nós tanto é aprendiz quanto professor, seja consciente ou
inconscientemente. Podemos pensar que apenas recebemos e não damos, ou vice-versa. Mas um
relacionamento entre irmãos tem as duas mãos de direção.

Nestes últimos anos, um número cada vez maior de igrejas tem reconhecido a necessidade de os
cristãos se olharem como corpo de Cristo agindo na terra. À medida que os cristãos se relacionam
reciprocamente, como Deus quer, devemos ver mais e mais de que modo a reestruturação do
relacionamento “pais- filhos” pode transformar a nossa auto-imagem.

Edificando a Base nº. 13

O texto de Efésios 4:11-16, na Bíblia Viva, nos diz: “Alguns de nós recebemos um talento especial como
apóstolo; a outros Ele concedeu o dom de serem capazes de pregar bem; alguns têm a habilidade
especial de ganhar pessoas para Cristo, ajudando-as a crer nEle como seu Salvador; outros, ainda, têm
o dom de cuidar do povo de Deus, como um pastor faz com o seu rebanho, e dirigi-lo e ensiná-lo nos
caminhos de Deus. Por que é que Ele nos dá estes talentos especiais para fazermos melhor
determinadas coisas? É que o povo de Deus estará melhor aparelhado para fazer uma obra melhor para
Ele, edificando a Igreja — o corpo de Cristo — e elevando-a a uma condição de vigor e maturidade; até
que finalmente todos creiamos do mesmo modo quanto à nossa salvação e ao nosso Salvador, o Filho
de Deus, e todos nos tornemos amadurecidos no Senhor. Sim, crescermos a ponto de que Cristo ocupe
completamente todo o nosso ser. Então não seremos mais como crianças, sempre mudando nossa idéia
a respeito daquilo que cremos porque alguém nos disse uma coisa diferente, ou habilmente nos mentiu,
e fez que a mentira soasse como verdade. Em vez disso, seguiremos com amor a verdade em todo o
tempo — falando com verdade, tratando com verdade, vivendo em verdade — e assim nos tornaremos
cada vez mais, e de todas as maneiras, semelhantes a Cristo, que é o Cabeça do seu corpo, a igreja.
Sob sua direção o corpo inteiro se ajusta perfeitamente, e cada um dos membros em sua maneira
particular auxilia os outros membros, de tal modo que todo o corpo saudável está em crescimento e
cheio de amor”.

Você descobriu nesse texto quais partes desempenha no corpo de Cristo? Quais são elas?

Você acha que está suficientemente envolvido nessas atividades para começar a entender como se
enquadra nelas?

Peça que Deus lhe mostre seu lugar na igreja. Certifique-se de que você esteja realmente cultuando a
Deus e trabalhando com os outros crentes.

Capitulo 14

Transformando-se à semelhança de Cristo

Agora, quando você se lança nesta nova aventura com Deus, procurando melhorar sua imagem pessoal
e transformá-la à semelhança de Cristo, deve lembrar que ela está intimamente ligada ao seu respeito
próprio, de modo que seu comportamento e suas atitudes se tornam muito importantes na
reestruturação e na conservação sempre viva e saudável de sua auto-imagem.

As escolhas que você faz, e as conseqüências delas decorrentes, exercem profunda influência sobre a
sua imagem pessoal. Quando prefere violar os padrões cristãos e pessoais, você perde o respeito
próprio e enfraquece a sua auto-imagem. Por isso muitas vezes você perde a confiança em sua
capacidade de fazer o que considera certo. Sua imagem interior se desgasta com cada escolha errada
que você faz e que violenta os seus valores pessoais.

Os cristãos hoje em dia não mais se sentem compelidos a viver dentro de certos limites estreitos e
específicos, como acontecia algumas décadas atrás. E isto, na verdade, torna mais difícil identificar os
parâmetros de conduta a que eles devem obedecer. Quando a sociedade secular acabou por rejeitar os
padrões éticos e a moralidade judaico-cristã, um dos princípios de comportamento que ela passou a
seguir foi este: “Se você se sente bem, faça”. Entretanto, pessoas dotadas de maior discernimento
perceberam que a sociedade não poderia sobreviver simplesmente baseada neste princípio e, assim,
acrescentaram outra limitação: “Se o que você faz não fere outra pessoa, está bem”. Os cristãos
modernos, contudo, não podem agradar a Deus se seguirem estes dois princípios éticos que servem de
parâmetros para a cultura secular contemporânea.

Não obstante, muitas pessoas procuram basear suas escolhas nestes dois fundamentos, e acabam
descobrindo que eles não são, de modo algum, confiáveis. Na verdade, esquecem-se de que “enganoso
é o coração humano, mais do que todas as cousas” (Jeremias 17:9).

Um sistema ético baseado em sentimentos individuais e em capacidades racionais somente seria efetivo
se a natureza básica do homem pudesse ser sempre confiável, amorosa e justa. Se este fosse o caso,
poderíamos sempre confiar nos sentimentos e nas escolhas pessoais. Mas nossa sociedade, como a
temos e como a vemos, demonstra que a natureza humana não é confiável.

A sociedade moderna falha por não compreender que, quando os sentimentos subjetivos de uma
pessoa, por si sós, governam as escolhas, sem nenhum objetivo ou padrão externo, não há motivo para
considerar nenhum princípio ético. Nessas condições, cada pessoa faz a lei para si mesmo, e não há
critério para avaliar as escolhas. A correção ou o desacerto da escolha feita por alguém não são
conclusivos para ninguém mais.

Os cristãos, entretanto, sabem que existe um objetivo, um fundamento absoluto para os padrões éticos
e morais: a Palavra de Deus. Quando a escolha pessoal contraria estes princípios, conseqüências
severas eventualmente ocorrem. Quando nós, os crentes, defrontamo-nos com decisões difíceis, temos
esta fonte para nos socorrer, e nela encontramos princípios absolutos que nos orientam a tomar a
melhor decisão para todos, tanto agora como no futuro, sem mudarmos totalmente a situação de
acordo com os nossos desejos imediatos.

Contudo, não é fácil discernir, em todas as situações, qual é a decisão correta. Os cristãos gostariam de
que todas as decisões fossem indicadas na Bíblia como sendo certas ou erradas, mas existe uma zona
nebulosa para muitas das decisões que devemos tomar em nossa vida, e as atitudes que assumimos
nessa área afetam a nossa auto-imagem. Toda vez que preferimos comportar-nos de maneira tal em
que faltamos com o respeito próprio, enfraquecemos nossa imagem pessoal, nosso senso de valor e de
autoconfiança.

O alvo da vida cristã

O princípio básico para nossa conduta, como cristãos, foi expresso por Paulo em sua carta aos
Colossenses: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus
dando por ele graças a Deus Pai”.’

Parece que muitos cristãos mudaram este versículo da seguinte maneira: “Faça muitas coisas em nome
do Senhor Jesus Cristo”. No mínimo, esta é a maneira pela qual vivem sua vida. Como cristãos,
entretanto, devemos ter um alvo definido para trazer honra e glória a Deus, através de tudo o que
fizermos. Todo nosso comportamento deve ter em vista a justiça de Deus, a qual, como demonstramos
anteriormente, Ele já colocou dentro de nós.

Para fazer isso, precisamos saber o que Deus considera certo e errado. Necessitamos ter a “mente de
Cristo” se queremos aplicar as admoestações da Bíblia às circunstâncias da vida. Não podemos deixar
que nosso aprendizado dos valores divinos dependa da sociedade atual — ou mesmo de nossos pais, a
menos que estes estejam firmemente fundamentados nas Escrituras. Não podemos nem mesmo
depender “da sussurrante voz” do Espírito Santo, porque algumas vezes temos a tendência de anulá-la
por causa de nossos próprios desejos ou do “senso comum”, Certamente a experiência diária de sermos
cheios do Espírito Santo começará a adequar nossos desejos e nosso senso comum dentro da
perspectiva de vida de nosso Deus. Mas a única maneira de estarmos seguros acerca do que está
acontecendo é comparar o que o Espírito Santo parece estar dizendo-nos através da Palavra de Deus
escrita e através das circunstâncias do momento.

Comportamento e atitudes erradas

Muitas passagens bíblicas afirmam claramente o que é pecado. Certos comportamentos e atitudes são
definidos especificamente como errados. Olhemos primeiro o que diz o Velho Testamento, em um texto
que foi escrito em linguagem poética:

Seis cousas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos
que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para
o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

Outro texto é do Novo Testamento:

Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com Ele, em
glória.

Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno, e a
avareza, que é idolatria; por estas cousas é que vem a ira de Deus (sobre os filhos da desobediência).
Ora, nessas mesmas cousas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas. Agora, porém,
despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do
vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos.

Mais um, também dos escritos de Paulo: Ora, as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição,
impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções,
invejas, bebedices, glutonarias, e cousas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como
já outrora vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam.

Vemos também em outras passagens comportamentos e atitudes específicos que se encaixam na


categoria de coisas erradas. Alguns são encontrados em 1 Coríntios 6:9-10, e, claro, nos Dez
Mandamentos em Êxodo 20:

1. Não terás outros deuses diante de mim. 2. Não farás para ti imagens de escultura, nem semelhança
alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as
adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade
dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até
mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 3. Não tomarás o nome do
Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. 4.
Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. 5. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem
os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. 6. Não matarás. 7. Não adulterarás. 8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não
cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo.., nem cousa alguma que pertença ao teu próximo.

Comportamento e atitudes corretas

Outros comportamentos e atitudes são claramente definidos como certos e bons. Eis alguns exemplos:
1.’ Compartilhar nossa fé com outros (Mat. 28:19-20).

2. Ser benignos e compassivos uns para com os outros, perdoando-nos uns aos outros (Efé. 4:32).

3. Dar graças por tudo (1 Tes. 5:18).


4. Pensar em coisas honrosas e boas (Fil. 4:8).

5. Mostrar amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio
próprio: o fruto do Espírito (Cá!. 5:22-23).

Talvez sim, talvez não

Entre os comportamentos especificamente mencionados como corretos e aqueles indicados como


errados, há, entretanto, muitos outros que não são explicitamente proibidos nem expressamente
autorizados. Algumas vezes são apropriados, e outras não. Esta, porém, não é uma área de pecados
leves ou de comportamentos cautelosamente aprovados, em que não faça nenhuma diferença a nossa
maneira de agir. De modo algum. À medida que aplicamos os princípios gerais expressos nas Escrituras,
o comportamento questionável ou neutro, ou a atitude ou reação que demonstramos, podem ser
qualificados e determinados como certos ou errados, dependendo das suas condições específicas.

Quando lemos e estudamos 1 Coríntios 8 a 10 e Romanos 12 a 15, aprendemos quatro princípios que
nos fornecem toda a orientação necessária para podermos decidir quanto aos problemas que surgem
nas áreas questionáveis ou neutras, procurando honrar a Deus e manter o nosso respeito pessoal,
acerca do nosso comportamento. Os títulos destes quatro princípios foram extraídos da obra Guilty and
Freedom (“Culpa e Liberdade”), de Bruce Narramore e Ei!! Counts (Vision House, 1974).

O princípio de liberdade

O primeiro princípio gera! é o da liberdade. Em dois versículos, Paulo nos declara inequivocamente:
“Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência (porque
naqueles dias a carne vendida podia ter sido oferecida como sacrifício aos ídolos); porque do Senhor é a
terra e a sua plenitude”,6 e “Eu sei, e disto estou persuadido no Senhor Jesus, que nenhuma cousa é de
si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura”.

A ênfase nestas passagens está na liberdade, mas é liberdade para escolher: “Todas as cousas me são
lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”.8 Tendo isto em mente, podemos
perguntar: “Há possibilidade de eu ser dominado por este comportamento ou atitude?”. Algumas
atividades podem não levar ao vício físico, mas podem criar dependência emocional. Alguns podem
escravizar-se a hobbies ou atividades favoritas que os mantêm longe do crescimento em outras áreas da
vida. Alguns podem tornar-se escravizados por sonhos ou pela imaginação.

Princípio de utilidade

Um segundo princípio está baseado no versículo que diz:

“Todas as cousas me são lícitas, mas nem todas convêm”. Embora tenhamos permissão de entregar-nos
a um grande número de atividades, se acharmos que elas não nos são úteis, devemos restringi-las.
Devemos perguntar a nós mesmos: “Este comportamento é proveitoso, traz algum benefício? Ajuda-me
a caminhar em direção ao alvo de tornar-me como Cristo? Faz de mim uma pessoa melhor?”.

Isto não significa, porém, que não possamos relaxar, divertir-nos e ser alegres. Há muitas atividades
benéficas proveitosas, além de estudar a Bíblia, orar, evangelizar e participar de reuniões cristãs. Alguns
cristãos se sentem culpados se não estão sempre fazendo alguma coisa que consideram “espiritual”.
Têm a tendência de menosprezar outros que não se sentem da mesma maneira.

Um dos benefícios de uma auto-imagem saudável é a capacidade de relaxar e divertir-se, mantendo


equilíbrio na vida. É correto diante de Deus passarmos um tempo alegre e descontraído. De fato, isto
ajuda bastante nossa saúde física, emocional e espiritual.

Princípio de amor e consideração


O terceiro princípio também começa com Paulo:

Porém, se alguém vos disser: Isto é cousa sacrificada a ídolo, não comais, por causa daquele que vos
advertiu, e por causa da consciência; consciência, digo, não a tua propriamente, mas a do outro. Pois
por que há de ser julgada a minha liberdade pela consciência alheia? Se eu participo com ações de
graças, por que hei de ser vituperado por causa daquilo de que dou graças?

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.
Não vos tomeis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tão pouco para a igreja de
Deus, assim como também eu procuro em tudo ser agradável a todos, não buscando o meu próprio
interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos. Sede meus imitadores como eu sou de Cristo.

Este princípio de amor e consideração pelos outros refere- se ao impacto que nosso comportamento
pode ter sobre outras pessoas. Paulo introduziu este princípio um pouco antes de seu discurso: “Todas
as cousas são lícitas.., mas nem todas edificam”.”

Assim, ao tratar de alguma situação dentro da “zona nebulosa”, devemos também perguntar: “Este
comportamento é construtivo ou edificante para os outros? Esta atividade ajudará ou atrapalhará outras
pessoas em sua vida cristã? Outros não-cristãos se aproximarão mais para aceitar a Cristo?”.

Novamente, é importante notar que Paulo não está dizendo que devemos empenhar-nos apenas em
atividades especifica- mente espirituais ou ministeriais. Ao estudar a Bíblia, vemos que o equilíbrio é a
chave de uma auto-imagem saudável. Cima pessoa pode até mesmo se manter numa boa direção,
durante muito tempo, e ainda assim não ter equilíbrio em sua vida cristã.

Usando este princípio e os versículos anteriores, entretanto, nós, cristãos, muitas vezes caímos em duas
armadilhas. A primeira é ficar muito preocupados com o que as outras pessoas vão pensar. Paulo
aponta uma distinção que devemos fazer: “Não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus que
prova os nossos corações”.’2 Agradar a Deus nem sempre agradará aos outros.

A segunda é eventualmente adotar uma regra além das fronteiras bíblicas sobre assuntos em que esta
não faz declarações. Parece ser muito mais fácil ter uma regra firme, que cubra todas as contingências
em alguma área ampla de preocupações, do que tomar tempo para considerar as escolhas possíveis ou
aceitáveis.

O engano deste segundo tipo de pensamento torna-se evidente quando o aplicamos em nossas
atividades diárias, tais como o vestir, o comer e o beber. Sabendo que o que quer que vistamos,
comamos ou bebamos causará problema a pelo menos uma pessoa em algum lugar, seria tolice pensar:
“Para ficar a salvo, nunca vestirei, comerei ou beberei coisa alguma. A adoção desse tipo de regra,
mesmo nas áreas de difícil decisão, é o inicio do legalismo (o qual é a “base de nossa aceitação” pelas
outras pessoas ou por Deus, “com fundamento em nossas ações ou em nosso desempenho”). O
conselho de Paulo em 1 Coríntios 10:28-33 na realidade é: “se você sabe que vai escandalizar alguém
com tal atitude, não faça; do contrário, está tudo certo”.

Algumas pessoas imaturas insistem em usar de sua liberdade sem se preocupar com os outros ao seu
redor. Agir assim não é gozar da liberdade em Cristo, mas simplesmente manifestar o egoísmo e violar o
princípio de amor e consideração. Também há cristãos que tentam estabelecer regras universais de
conduta, que se baseiam não tanto nas Escrituras, mas em meras suposições sobre a Bíblia e em seus
hábitos de cultura regional.

Uma destas situações surgiu quando muitos jovens na década de 60 deixaram crescer a barba e o
cabelo. Se você tem certa idade, lembrará quanto esse uso foi condenado por muitos pais e autoridades
eclesiásticas como algo errado e antibíblico. Mas, durante todo o tempo, viam-se pendurados nas
paredes de suas casas e nas igrejas retratos de Jesus e também de grandes missionários, com longos
cabelos e barba grande.
Aqui se vê um exemplo interessante de um hábito que em si mesmo não era antibíblico nem prejudicial.
Para muitos jovens, é claro, deixar crescer os cabelos e a barba era um sinal de rebelião ou de
desespero não apenas contra as autoridades, mas contra a guerra em geral. Estes jovens precisavam de
ajuda, não para cortarem os cabelos, mas para escolherem a visão de si mesmos e do mundo. Outros
jovens deixaram o cabelo crescer porque era moda entre seus grupos.

Pessoas de discernimento tentaram examinar as diferenças entre estas duas razões e discutir a
diversidade de sentimentos e os pontos de vista sobre seu significado. Neste caso, os princípios de
liberdade, de utilidade, de amor e de escravização às atitudes da contracultura ao redor precisavam ser
considerados em cada caso, individualmente.

Estabelecer uma regra absoluta sobre um comportamento que não é um absoluto nas Escrituras é uma
violação dos princípios bíblicos. Precisamos ser cuidadosos ao fazer distinção entre os nossos costumes
e a revelação bíblica.

O princípio da fé

O quarto princípio a ser considerado em nossas escolhas é o princípio da fé. “Mas aquele que tem
dúvidas, é condenado, se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provem de fé é
pecado.”

Precisamos estar convencidos em nossa mente, diante de Deus, de que o que estamos fazendo está
certo. Aprendemos, por exemplo, com os outros, que certas atividades são erradas. Como resultado,
quando tomamos parte delas, sentimo-nos culpados e condenados. Paulo está dizendo que essas
atividades transformam-se em pecado para nós, embora não sejam assim consideradas na Bíblia. Nós
atrapalhamos o nosso caminhar com o Senhor quando nos empenhamos em uma atividade que faz com
que condenemos a nós mesmos.

O problema aqui é de maturidade e compreensão da Bíblia. Isto atinge diretamente o centro do


processo de restauração do nosso relacionamento filial com Deus. À medida que crescemos e
sinceramente aceitamos os verdadeiros padrões de Deus, em lugar daqueles de nossa infância (os quais
“presumimos” ou nos “foram ditos” serem os padrões de Deus), seremos capazes de tomar parte em
atividades não proibidas na Bíblia, sem que nos acusemos de estar pecando. E claro que, nestes casos,
ainda devemos ter em mente os outros princípios de conduta focalizados anteriormente. Por outro lado,
quanto mais amadurecemos, passamos a perceber mais claramente que algumas atividades, que antes
considerávamos inofensivas, realmente não nos trazem benefícios ou edificação, como outras que
gostaríamos de acrescentar presentemente em nossa vida.

Resumo

Podemos resumir a aplicação dos princípios mencionados da seguinte maneira:

1. Esteja plenamente convencido de que determinada atividade está correta e que você pode
desempenhá-la pela fé.
2. Conheça as pessoas com as quais você está relacionado e não se empenhe em nenhuma atividade
que possa causar- lhes problemas desnecessários. Não insista em seu ponto de vista sem considerar as
pessoas ao seu redor.
3. Não se entregue a nenhuma atividade proibida pela Bíblia. Entretanto, se o fizer, lembre-se de que
Deus o compreende e é paciente com sua imperfeição. O apóstolo João disse: “Se, todavia, alguém
pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo”.’4 Concorde com Deus que você está errado
e aceite Seu perdão e purificação, que lhe são oferecidos continuamente. Esta é a tônica de 1 João 1:9:
“Se confessarmos os nossos peca- dos, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de
toda a injustiça”.
4. Não persista em atitudes que você sabe não terem valor para você e para seu crescimento em Cristo.
Não participe de nada que possa tornar-se um vício ou um hábito destrutivo.
Pessoas que possuem auto-imagem saudável têm um comportamento livre de tensão. Conhecem suas
limitações pessoais e, assim, não se amedrontam diante das escolhas que têm de fazer diariamente.

Lembre-se de que você é livre para ser o original divino que Deus planejou. Aproveite a sua liberdade e
use-a como uma oportunidade para crescer e tornar-se mais e mais parecido com Cristo, expressando a
imagem de Deus.

Lembre-se de que você é livre para ser o original divino que Deus planejou.

Edificando a Base nº. 14

Você foi criado à imagem de Deus. Gênesis 1:26-27 diz: “Também disse Deus: Façamos o homem à
nossa imagem, conforme a nossa semelhança... Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de
Deus o criou; homem e mulher os criou”.

De acordo com estes versículos, você foi criado à _______ e de Deus.

Anote cinco maneiras pelas quais você vê a imagem de Deus em você e em outras pessoas.

De acordo com Gênesis 1:31: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que tudo era muito bom”. Desde que
foi Ele quem o fez, isto significa que você é bom?

O fato de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus significa que você é o reflexo ou a estampa
de Deus. Do mesmo modo que a marca do pé numa estrada de lama é a marca do sapato de alguma
pessoa, assim você é a impressão de Deus. Um sapato pode ser recolocado onde deixou a sua
impressão: Deus pode habitar em você, como impressão dEle. Você foi criado à imagem de Deus, assim
Ele pode habitar em você e sentir-Se à vontade. Você é o “templo” ou a habitação de Deus (1 Coríntios
6:19-20) e Ele está à vontade, morando em você, criação dEle, feito à Sua imagem e semelhança.

Capitulo 15
O objetivo da auto-imagem

Você sabia que é um presente para o mundo? Se não fosse, então Deus não teria razão alguma para
não levá-lo ao céu para estar com Ele imediatamente após você confiar em Cristo como seu Salvador e
Senhor. Cada um de nós é um dom de Deus para a humanidade, e dons devem ser usados. Como um
dom de Deus para o mundo, Ele quer você para alcançar Seu mundo para Cristo.

Isto significa que lhe foi dado um propósito de vida, o qual realmente o ajuda no desenvolvimento de
uma auto-imagem saudável. Qual é seu propósito? Eu acredito que seja muito importante.

Um recrutador de pessoal, um “head hunter” que procura e contrata executivos para outras empresas,
certa vez contou- me o seguinte: “Quando eu encontro um executivo que estou tentando contratar,
gosto de desarmá-lo. Ofereço-lhe uma bebida, tiro meu paletó, meu colete, solto a gravata, ponho os
pés em cima da mesa e converso sobre futebol, família ou qualquer coisa, até que ele fique bem
relaxado. Então, quando acho que o deixei bem à vontade, fico em pé, olho-o bem nos olhos e digo:
‘Qual o seu objetivo de vida?. É espantoso como altos executivos ficam desmontados diante desta
pergunta”.

“Bem”, ele continua contando, “eu estava entrevistando um rapaz outro dia. Tinha-o desarmado
completamente, com meus pés em cima da escrivaninha, falando sobre futebol. Então me levantei e
perguntei: ‘Qual o seu objetivo na vida, Bob?’. E ele respondeu, sem pestanejar: ‘Ir para o céu e levar
comigo todas as pessoas que eu puder’. Pela primeira vez em minha carreira fiquei sem palavras”, ele
concluiu.

O que os outros precisam saber


O resultado que se espera no desenvolvimento de uma auto- imagem saudável como cristão é o desejo
de tornar-se parte do plano redentor de Deus. Quando você vê a humanidade como Deus a vê, e
compreende o fato de que Ele criou todas as pessoas à Sua imagem e que Jesus morreu por todas elas,
considerando cada uma individualmente, aumenta o seu desejo de compartilhar o amor de Deus com
aqueles “a favor de quem Cristo morreu”.

Você pode achar que ninguém encontrou a Cristo diretamente pelo fato de você ter falado de Cristo,
mas talvez muitas estejam seguindo o caminho de Cristo como resultado de sua maneira de viver.
O modo pelo qual você vive sua vida certamente pode mostrar algo diferente de uma vida normal. Se
como cristão você acredita em si mesmo, sua vida mostrará isso, quer você perceba quer não. Mas,
como foi dito anteriormente, o testemunho vivo precisa ser acompanhado do testemunho verbal. Se
nenhum destes dois tipos de testemunho está dominando sua vida, uma auto- imagem melhorada
provavelmente fará uma grande diferença.

Testemunho e auto-estima

Mesmo não tendo uma auto-imagem saudável, o aprendizado cristão nos faz saber que devemos
compartilhar Cristo com os outros. Para aqueles que não têm uma auto-imagem saudável, este
imperativo traz somente um sentimento de culpa enquanto os anos vão-se passando e eles não vêem
ninguém se encontrar a Cristo através deles. De fato, este é um dos componentes de sua auto-imagem
deficiente.

Muitas pessoas acreditam que não vivem uma vida suficientemente boa para testemunhar de Jesus
Cristo verbalmente.

têm medo de possíveis reações negativas aos seus esforços de falar a respeito de Cristo. Outras acham
que fracassarão em qualquer tentativa de compartilhar o evangelho, deixando os ouvintes ainda mais
confusos. Outras ainda têm medo de todas estas possibilidades.

Vamos atentar para estes medos mais cuidadosamente e verificar se eles não se encaixam em algum
dos três pilares da auto-imagem que já vimos. Reconhecer que você tem seu próprio lugar e é amado,
que tem valor e é competente através do Espírito Santo, é fazer com que estas desculpas pareçam
menores.

Quanto mais nos vemos como Deus nos vê, mais percebemos a necessidade de outras
pessoas terem
consciência de que Deus as ama.

Quanto mais nos vemos como Deus nos vê — aceitos por Ele, amados, perdoados, feitos à Sua imagem
— mais percebemos a necessidade de outras pessoas terem consciência de que Deus as ama. Elas
precisam saber que “Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele
fôssemos feitos justiça de Deus”.

Um amigo que dá aconselhamento contou-me a respeito de uma experiência recente. Depois que
Connor, um jovem dentista, deixou o escritório de aconselhamento, meu amigo sentiu um
contentamento que precisava compartilhar com alguém. Desceu correndo as escadas e contou ao
pessoal da equipe que Connor havia acabado de orar com ele aceitando a Cristo. Pelo testemunho do
meu amigo, este jovem dentista, que estava extremamente deprimido quando iniciou o
aconselhamento, aceitara a morte de Jesus Cristo na cruz como pagamento de seus pecados. Em
resultado, o seu senso de valor foi novamente confirmado porque estava participando com Deus em Seu
ministério “para
buscar e salvar o perdido”.

Compartilhar sua fé ajuda a melhorar sua auto-imagem, e melhorar sua auto-imagem faz parte da
descoberta do desejo, energia e competência para compartilhar sua fé.
Há, também, a necessidade de compreender que compartilhar o evangelho com outras pessoas é uma
das razões de você ainda estar na terra. Tomando parte ativa no corpo de Cristo, oferecendo a si
mesmo, seus talentos e salário de tal maneira que o corpo de Cristo, como um todo, possa dar melhor
testemunho para o mundo, tudo isto faz parte do objetivo de você estar aqui, ainda que não possa
enxergar modos específicos pelos quais sua parte no todo seja evidente.

Quando meu amigo correu pelas escadas para contar às outras pessoas que Connor havia aceitado a
Cristo, elas ficaram tão entusiasmadas quanto ele. Sabiam que de algum modo tinham participado com
Connor na descoberta de uma nova vida.

Uma pessoa comprometida com um ideal de vida exerce uma influência significativa na sociedade. Tal
comprometimento deve dar ao indivíduo um senso de valor pessoal, um senso de que sua vida deixará
uma marca para a eternidade. A alegria de evangelizar é um antídoto poderoso contra sentimentos de
insignificância e falta de valorização. Pessoas que compartilham sua fé em Cristo podem encontrar
significado vital e permanente em saber que sua vida influi na causa mais nobre e crucial da
humanidade.

Alberto, o Gordo

É como na crônica de Doug Vinson, o “Alberto, o Gordo”.

“Veja Alberto, o Gordo, o homem mais gordo do mundo”, proclamavam os alto-falantes de propaganda.
“Ele é real, está vivo e pesa 394 quilos.”

Subi os degraus gastos da plataforma, na expectativa de que Alberto, o Gordo fosse um boneco
estufado ou alguma outra fraude. Fiquei realmente surpreendido quando vi numa pequena sala um
homem enorme sentado numa cadeirinha...

Alberto, o Gordo nascera numa pequena cidade do Mississipi. Um defeito genético fez com que
acumulasse seu peso anormal e, realmente, ele pesava 394 quilos.

Dei um passo ao lado para que outras pessoas entrassem na barraca... Pacientemente ele respondia às
perguntas e tinha uma resposta pronta e cheia de humor às zombarias e escárnios que lhe atiravam.
Estava quase indo embora quando um adolescente do grupo perguntou-lhe como se sentia sendo o
homem mais gordo do mundo.

“Bem, todos somos feitos à imagem de Deus, não somos?”, Alberto respondeu. E todos temos formas e
tamanhos diferentes. Deus me fez da maneira que sou com um propósito, e o fez da maneira que você
é com um propósito. A Bíblia diz que o corpo vai morrer e o espírito vai continuar vivendo, assim é mais
importante como vivemos do que como parecemos”.

À medida que outros entravam, ele contou como se tornara cristão quando tinha 16 anos. Enquanto
falava, de maneira cálida e controlada, apresentou o plano de Deus para a salvação. Alguns ouviram
sem demonstrar nenhuma reação, mas a maioria ouvia polidamente.

Chegando mais perto, notei um cartaz na parede atrás dele: “A vida é um presente de Deus — lute
contra o fracasso”.

Um de cada tipo

Ninguém no mundo é como você. Você pode achar que algumas pessoas poderiam dar graças a Deus
por isto. E está certo — porque você também pode dizer o mesmo. Você pode agradecer a Deus porque,
entre os milhões de indivíduos que vivem hoje, não há ninguém como você. Sua oração deve ser:
“Senhor, eu quero ser, com toda a minha singularidade, aquilo para o qual o Senhor me criou. Não
quero ser como ninguém mais. Quero apenas ser eu mesmo, em tudo o que devo ser, não para minha
própria glória, mas para glorificar o Senhor”.
Depois de ouvir-me apresentar uma mensagem sobre o perdão e como ele está relacionado a uma auto-
imagem saudável, um estudante universitário chamado Byron Michow escreveu este salmo e deu-lhe o
título de “Eu”. Descreve de modo muito bonito a luta que travamos enquanto vivemos, tentando ser
como os outros:

Durante toda a minha vida tenho tentado agradar os outros. Durante toda a minha vida agi como os
outros. Nunca mais farei isto. Se eu perder meu tempo tentando ser outra pessoa, Quem perderá tempo
tentando ser eu mesmo?

Se não há ninguém como você, por que você quer ser como outrem? Meu desejo é que você não queira
ser como outra pessoa, mas como o indivíduo único que Deus o criou.

Você é o melhor você que jamais existirá. Desde a criação e até o final dos tempos, não houve ou
haverá alguém como você. Isto significa que, sendo você mesmo, não é preciso competir com ninguém.
Sua singularidade não deve constituir-se em motivo de orgulho, mas de louvor a Deus. “Graças te dou,
visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis”.

Escrevendo sobre o tema da auto-estima, o psicólogo cristão Bruce Narramore reconhece a relação
entre nossa singularidade, a auto-estima e o serviço.

Deus usou pessoas diferentes com dons diferentes através da Bíblia. Hoje Ele está usando cada um de
nós de uma maneira especial. Todos fomos criados com uma personalidade única e com talentos, e
precisamos reconhecer que, para Deus, nossa singularidade é uma fonte de auto-estima. Cada um de
nós foi escolhido para preencher algum aspecto de Seu ministério, e assim não precisamos competir
com aqueles que estão ao nosso redor para provar nosso valor.

Fazendo o bem

Um dos objetivos pelos quais estamos no mundo é fazer o bem aos outros. As Escrituras admoestam-
nos a agradar os outros (nosso “próximo”) fazendo-lhes o bem e edificando-os (Rom. 15:2): “façamos o
bem a todos, mas principalmente aos da família da fé”7 “não vos canseis de fazer o bem”8 e “e não nos
cansemos de fazer o bem”.

Quando nossas atitudes resultam em bem para os outros, correspondendo ao que somos realmente em
Cristo, elas reforçam sentimentos e atitudes positivas que temos sobre nós mesmos.

Pergunte a si mesmo: “Quando foi a última vez em que me senti especialmente bem a meu respeito?”.
Foi quando você fez alguma coisa boa para alguém? Se foi, Deus planejou desta maneira. Você viveu a
verdade do princípio bíblico: Fomos criados para fazer o bem para os outros. A condição que interfere
negativamente aqui é a queda da humanidade no pecado.

Fazendo o melhor

Outro fator que pode afetar nossa auto-imagem é se estamos fazendo ou não nosso melhor em
situações que são importantes para Deus, para os outros e para nós mesmos. Paulo admoesta em
Gálatas: “Mas prove cada um o seu labor, e então terá motivo de gloriar-se unicamente em si, e não em
outro”.

Desejar fazer o melhor não é o mesmo que querer ser o melhor em alguma coisa. Querer ser o melhor
pode ser motivado pelo desejo de ser aceito pelos outros (ou mesmo pelo desejo de aceitar a si
mesmo). Desejar ser o melhor faz com que estabeleçamos comparações com os outros. Neste caso,
você ou outra pessoa — qualquer um que não seja o melhor — precisa ser diminuído de alguma
maneira para estabelecer a importância da pessoa que se torna a melhor à custa de algum esforço.
Quando você faz o seu melhor, você gosta de si mesmo. Mas não quero dizer com isso fazer o seu
melhor para agradar os outros, mas fazer o seu melhor a fim de ser tudo aquilo para o que Deus o
criou: Sua glória, a glória do próprio Deus! Se você fizer o seu melhor com os dons, talentos e
capacidade que Deus lhe deu, no poder do Espírito Santo, não terá a preocupação se centenas de
pessoas são ou parecem ser melhores do que você. Ainda pode olhar-se no espelho e dizer: “Eu gosto
de você, e Deus também”.,

Obrigado, Senhor, por mim

Davi tinha uma auto-imagem saudável. Aqui está um salmo de louvor que ele escreveu a respeito da
onipresença (presença infinita), onisciência (conhecimento infinito) e soberania (autoridade suprema) de
Deus sobre todos os aspectos da vida.

Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe


penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar, e conheces todos os meus
caminhos.
Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por
diante, e sobre mim pões a tua mão.
Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim:
é sobremodo elevado, não o posso atingir. Para onde me ausentarei do teu Espírito? para onde fugirei
da tua face?
Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também;
se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares:
ainda lá me haverá de guiar a tua mão e a tua destra me susterá.
Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por
modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o
sabe muito bem; os meus olhos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido
como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram
escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.
Que preciosos para mim, Senhor, são os teus pensamentos.

Quantas vezes, em vez de louvar, você tem ouvido a sua própria queixa ou a de outro cristão: “Bem, a
mãe natureza com certeza se atrapalhou quando chegou a hora de fazer meu nariz (ou cabelo, corpo ou
cérebro)”. Atente para o fato de Davi louvar a Deus pela maneira que Ele o fez. “Graças te dou, visto
que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste.” Como cristãos, precisamos diariamente
expressar uma atitude semelhante.

O quê? Rosas para mim?

Uma auto-imagem saudável também se mostra de outras maneiras. Tomei um avião em Atlanta certo
dia e vi algo que nunca havia testemunhado antes. Para chegar à classe econômica, eu tinha de passar
pela primeira classe. Uma aeromoça estava de pé, perto da porta, dizendo: “Bem-vindo, obrigada por
voar conosco”, enquanto segurava uma dúzia de rosas. Já voei quase cinco mil vezes (eu conto todas as
minhas viagens), mas nunca tinha visto uma aeromoça com os braços cheios de flores.
Perguntei a ela: “Seu namorado lhe comprou flores?”.
“Não”, ela respondeu.
Tornei a perguntar: “Foi seu marido?”. “Não”.
“Bem, então, continuei, quem comprou?”
“Eu”, ela disse. Isto soou estranho.
Então fui até meu lugar, guardei minhas coisas, voltei, apresentei-me, descobri que ela era cristã e
disse: “Posso fazer-lhe uma pergunta pessoal?”.
“Claro”, ela replicou.
“Por que você comprou uma dúzia de rosas para si mesma. Ela respondeu: “Porque eu gosto de mim”.
Pense nisto. Porque ela gostava de si mesma, comprou uma dúzia de rosas para se presentear.

Uma sala cheia de flores

A noite do Ano Novo para mim tem sido sempre solitária, longe de casa, com saudades de minha
família. Há treze anos passo esta noite longe de Dottie e das crianças, num mesmo quarto de hotel em
Laguna Beach, Califórnia.
Todo ano, logo depois do Natal, faço um circuito de conferências para estudantes durante seis dias.
Começo na Costa Leste, onde passamos o Natal com a família de Dottie. Então, depois de uma semana
viajando e falando noite e dia, chego à Costa Oeste na véspera do Ano Novo e vou para Laguna Beach.
Minha família ainda está na Nova Inglaterra e eu estou esgotado emocional, física e espiritualmente.

No ano passado cheguei ao Aeroporto de Orange County e encontrei-me com Don Stewart, um amigo
que escreveu vários livros comigo. Enquanto nos dirigíamos para Laguna Canyon, passamos por um
caminhão no qual um casal vendia flores.

“Pare”, disse a Don. Saí do carro e comprei cinco dúzias de flores. Imagine, se puder, alguém abrindo a
porta de um pequeno carro e tentando acomodar-se segurando cinco dúzias de flores. Não é fácil.
Dom não teceu comentários sobre o fato de estar com o carro repleto de flores, mas você pode
imaginar como ele estava intrigado. Eu sabia que ele queria descobrir o que estava acontecendo. Seu
querido amigo tinha acabado de comprar cinco dúzias de flores e estava indo, sozinho, para um quarto
de hotel em Laguna Beach. “O que está acontecendo aqui?”, eu tinha certeza de que ele queria
perguntar. “Josh McDowell, orador e autor cristão, membro da equipe da Cruzada Estudantil e
Profissional para Cristo, cuja esposa e três filhos estão em Boston, indo para um quarto de hotel na
véspera de Ano Novo com cinco dúzias de flores. Será que ele é realmente a pessoa que eu penso que
é?”.

Depois de dirigir vários quarteirões em silêncio, finalmente Don não se conteve: “Por que todas estas
flores?”. Cheio de entusiasmo, eu lhe contei a história da aeromoça e de suas rosas, e também alguns
tópicos abordados neste livro.

Então concluí: “Estas flores são para me fazer lembrar quem é Deus, o que Jesus fez por mim, e quem
eu sou, pela graça de Deus. Esta noite vou espalhar todas as flores pelo quarto como uma lembrança de
que Deus me ama, cuida de mim e me perdoa, e de que posso gostar de mim e aceitar-me, e ao
mesmo

tempo ser grato por ser usado por Ele para compartilhar Seu amor ao mundo, mesmo passando a
véspera de Ano Novo sozinho num quarto de hotel”.

Talvez tenha chegado a hora de você sair e comprar para si mesmo uma dúzia de rosas.

Ou, talvez, você precise simplesmente dizer: “Obrigado, Senhor, por ser quem sou. Obrigado por meus
pontos fortes e minhas fraquezas. Eu quero entregar minhas limitações ao Senhor para que Ele faça de
mim um instrumento melhor ao compartilhar Seu amor ao mundo. Senhor, quero amar o mundo e
preciso começar amando e aceitando a mim mesmo”.

Edificando a Base nº. 15

Você é especial porque foi criado por Deus com um objetivo especial. Encontramos porções de Seus
objetivos através de Sua Palavra.

Gênesis 1:27-28: “Deus... homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos,
multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, e
sobre todo animal que rasteja pela terra”. A quem Deus deu esta ordem?

1 Tessalonicenses 2:4: “Pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus a ponto de nos confiar ele o
evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e, sim, a Deus que prova os nossos
corações”. Para qual objetivo você foi aprovado?

II Coríntios 5:20: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por
nosso intermédio”. Você é embaixador de quem?
Ser embaixador de Cristo significa exortar as pessoas a aceitar a Cristo como Salvador; também inclui
cada uma de nossas ações. Efésios 2:10 diz: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas
obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. O que Deus planejou para nós
como cristãos?

Hábitos para Desenvolver


e
Aperfeiçoar Sua Auto-imagem

1. Não se rotule de forma negativa (“Sou desajeitado”, e assim por diante). A tendência é conformar-
nos ao rótulo que nos damos.
2. Comporte-se de maneira firme (mas não agressiva) mesmo em situações ameaçadoras,
especialmente quando não se sentir tão firme.
3. Quando falhar, admita ou confesse a Deus, seu Pai, e então recuse a auto-condenar-se. “Agora, pois,
já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rom. 8:1). Lembre-se de que você está
no processo de tornar-se semelhante à Cristo. Crescer leva tempo. Seja bondoso consigo mesmo da
mesma forma que seria, ou esperaria ser, com outra pessoa qualquer.
4. Não se compare com os outros. Você é uma pessoa singular. Deus aprecia você em sua
singularidade; tenha uma atitude semelhante em relação a si mesmo.
5. Concentre-se e medite na graça, no amor e na aceitação de Deus — não nas críticas dos outros.
6. Relacione-se com amigos confiantes, que gostem de você e apreciem a vida.
7. Comece a ajudar os outros a ver-se, a si mesmos, como Deus os vê, aceitando-os, amando-os e
encorajando-os. Dê-lhes a dignidade que eles merecem como seres únicos diante de Deus.
8. Aprenda a rir; atente para o lado bem-humorado da vida e desfrute-o.
9. Tenha expectativas realistas em relação aos outros, levando em conta talentos, dons, capacidade e
potencial específicos de cada pessoa.
10. Tenha calma e vá devagar. Se Jesus, que não tinha pecado, preparou-se por trinta e três anos para
um ministério de três anos, talvez Deus não tenha tanta pressa a seu respeito quanto você supõe. Faça
o que é certo e agradável aos olhos de Deus. Quando nossa vida reflete a pessoa de Deus, somos muito
mais felizes e isto afeta nossa atitude em relação a nós mesmos.
12. lidere os outros exercendo influência e orientação sábias em vez de força autoritária.
13. Ame em concordância com o modelo de amor divino ágape e também com equilíbrio.

Se você aprender a praticar os princípios deste livro, e desta seção em particular, talvez algum dia possa
escrever uma carta parecida com esta, que recebi de Marilyn:

Prezado Josh

Eu era possuída de muita ira e tinha muitas feridas que derivavam do fato de não perdoar a Deus e a
meus pais por ser como era. Somando-se a isto, não gostava de mim mesma e achava difícil aceitar-me.
O Senhor sabia que eu precisava ouvir sua mensagem sobre auto-imagem.

Obrigada. Estou começando a ver-me como Deus me vê. Este é o inicio de uma cura há muito tempo
esperada.

Marilyn

Em Filipenses 3:13-14, Paulo diz a Marilyn e a você: “Esquecendo-me das cousas que para trás ficam e
avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação
de Deus em Cristo Jesus”.