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16. COLHEITA

A colheita é a última operação realizada no campo no processo de produção agrícola.

As colhedoras mecânicas constituem um grande avanço tecnológico, propiciando rapidez, redução de custos e mão-de-obra durante a colheita.

As colhedoras do tipo combinadas são dotadas das seguintes partes principais:

Plataforma de corte;

Mecanismo de alimentação;

Mecanismo de trilha;

Mecanismo de separação;

Mecanismo limpeza;

Tanque ou depósito de grãos.

As plataformas de corte diferem caso o cereal a ser colhido seja o milho ou os demais cereais como soja, trigo e arroz.

seja o milho ou os demais cereais como soja, trigo e arroz. Mecanismos da colhedoras combinadas

Mecanismos da colhedoras combinadas (Fonte: Teixeira et al.)

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16.1. Plataforma de corte para o milho Partes principais:  Separadores individuais para cada linha
16.1.
Plataforma de corte para o milho
Partes principais:
Separadores individuais para cada linha a ser colhida;
Corrente de dentes (empurrar as espigas colhidas);
Rolos espigadores;
Condutor helicoidal (sem dedos retráteis).
Plataforma de corte para milho (Fonte: Balastreire)
16.2.
Plataforma de corte para os demais cereais
16.2. Plataforma de corte para os demais cereais Barra de corte de uma colhedora: a) vista

Barra de corte de uma colhedora: a) vista geral de uma barra de corte; 1) barra, 2) faca, 3) condutor helicoidal. b) detalhe de construção da barra; 1) guarda, 2) placa de apoio, 3) placa de desgaste, 4) barra da faca, 5) seção da faca, 6) grampo, 7) barra de suporte.( Fonte: Balasteire)

Partes principais:

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Separadores (extremidades laterais da plataforma);

Molinete (orientar as plantas que serão cortadas em direção à barra de corte);

Barra de corte;

Condutor helicoidal (com dedos retráteis).

16.3.

Mecanismo de alimentação

O mecanismo de alimentação tem a função de levar o material cortado até o mecanismo de trilha. Constituem-se basicamente de uma esteira transportadora que conduzem o material ao mecanismo de trilha.

16.4. Mecanismo de trilha

Existem basicamente três tipos de mecanismos de trilha:

Cilindro de dentes e côncavo;

Cilindro de barras e côncavo;

Cilindro axial.

16.4.1. Cilindro de barras e côncavo

No cilindro existem flanges feitas em aço com ranhuras. O côncavo é constituído com barras lisas e permitem a passagem dos grãos trilhados para as peneiras de separação.

dos grãos trilhados para as peneiras de separação. Cilindro de barra (Fonte: Colheita Mecanizada) Professor

Cilindro de barra (Fonte: Colheita Mecanizada)

16.5. Mecanismo de separação

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Após a ação do mecanismo de trilha, resulta uma mistura de palha, grãos debulhados, palha triturada e grãos não debulhados. A separação dos grãos debulhados dos demais materiais é feita basicamente em três lugares diferentes:

Grelha do côncavo;

Grelha sob o cilindro batedor; e

Saca-palhas.

16.5.1. Saca-palhas

É um mecanismo de separação constituído de seções. Cada seção possui duas laterais de chapa cortadas em forma de dentes de serra voltados para a parte traseira da máquina. No fundo de cada seção possui pequenos retângulos de chapas de bordas recortadas que se sobrepõem como se fossem escamas. Na parte inferior de cada seção, há uma bandeja que coletam os grãos e os encaminha para uma bandeja localizada abaixo e atrás dos cilindros trilhador e batedor.

Nas colhedoras modernas, podem existir na saída do saca-palhas um picador de palhas que possui a função de reduzir a palha em tamanhos menores e distribuí-la sobre terreno colhido.

em tamanhos menores e distribuí-la sobre terreno colhido. Seção do saca-palha de uma colhedora (Fonte: Balastreire)

Seção do saca-palha de uma colhedora (Fonte: Balastreire)

16.6. Mecanismo de limpeza

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Os principais mecanismos de limpeza de uma colhedora são: peneira superior, peneira inferior e o ventilador.

16.6.1. Peneira superior

A peneira superior fica localizada sob o saca-palhas. Na extremidade

posterior desta peneira existe uma extensão destinada a orientar as partes não trilhadas para um condutor helicoidal que levará o material para retrilha.

A limpeza do material sobre a peneira superior é feita mecanicamente

pela ação da própria peneira e pela ação da corrente de ar provocada pelo ventilador.

16.6.2. Peneira inferior

A peneira inferior separa as sementes dos pequenos resíduos que

atravessam a peneira superior. Os grãos limpos atravessam a peneira e são conduzidos para um condutor helicoidal que os levará ao tanque graneleiro. As

impurezas menores são conduzidas para fora da máquina pela ação da corrente de ar promovida pelo ventilador.

pela ação da corrente de ar promovida pelo ventilador. Mecanismo de limpeza de um colhedora (Fonte:

Mecanismo de limpeza de um colhedora (Fonte: Colheita Mecanizada)

16.7. Perdas na colheita

As perdas podem ser naturais ou artificiais.

16.7.1. Perdas naturais

Queda de grãos no campo

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Tendência ao acamamento, ação dos ventos, chuvas, pássaros, insetos e roedores.

16.7.2. Perdas artificiais

As perdas artificiais, devido à máquina, ocorrem basicamente:

Plataforma de corte;

Mecanismos de trilha;

Mecanismos de separação (saca-palhas);

Mecanismos de limpeza (peneiras e ventilação).

16.8. Determinação das perdas

16.8.1. Determinação da produtividade das culturas

Amostra de 100m² divididas igualmente em pequenas áreas de 2x2m²;

Pese o material colhido em uma balança de precisão;

Transforme a quantidade colhida em 100m² para 1ha;

A produtividade da lavoura é dado pela relação: Peso da amostra x

100(kg/ha).

16.8.2. Perdas Pré-Colheita (ou Natural)

Faça um mínimo de três em locais diferentes da área que se pretende colher;

Coloque uma armação (aproximadamente 1 x 4 metros) no sentido transversal ao plantio das linhas;

Conte os grãos soltos e os que estão nas espigas ou vagens caídas encontrados dentro da armação;

Pese o total de grãos encontrados nas medições;

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Some as áreas das armações;

Determinar o peso da perda de pré-colheita por hectare.

Determinar o peso da perda de pré-colheita por hectare. Armação colocada para a colheita de pré-colheita

Armação colocada para a colheita de pré-colheita

(Fonte: Colheita Mecanizada)

16.8.3. Perdas na Plataforma de Corte

Colha uma pequena área, aproximadamente ¼ do tanque graneleiro;

Pare a colhedora e deixe-a em funcionamento até que toda a palha

tenha saído da mesma;

Dê ré na colhedora a uma distância igual a de seu comprimento;

Coloque a armação na parte colhida em frente a colhedora e recolha

todos os grãos ali presentes (soltos ou dento das vagens ou espigas);

Pese os grãos coletados;

Obter o peso dos grãos perdidos na plataforma por hectare;

Subtrair as perdas de pré-colheita das perdas na plataforma de corte.

perdas de pré-colheita das perdas na plataforma de corte. Esquema de colocação da armação para medição

Esquema de colocação da armação para medição das perdas na plataforma de corte (Fonte: Colheita Mecanizada)

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16.8.4. Perdas na Trilha, Saca-Palhas e Peneiras

Coloque a armação atrás da Colhedora, na parte colhida, e colete os

grãos presentes nesse espaço, estando eles nas vagens ou espigas, ou

não;

Pese os grãos coletados;

Obter o peso dos grãos perdidos por hectare;

Subtrair as perdas anteriores das perdas na trilha, saca-palhas e

peneiras.

OBS: O picador de palha deve estar desligado.

e peneiras. OBS: O picador de palha deve estar desligado. Esquema de colocação da armação para

Esquema de colocação da armação para medição das perdas de trilha, saca- palhas e peneiras (Fonte: Colheita Mecanizada)

16.8.5. Perda Total da Colhedora

Perdas totais = (perdas na plataforma) + (perdas na trilha, saca-palhas e

peneiras)

16.8.6. Percentagem das Perdas e Eficiência

e peneiras) 16.8.6. Percentagem das Perdas e Eficiência Exemplo: Suponha que se obteve em campo uma

Exemplo:

Suponha que se obteve em campo uma perda total da colhedora de 100

kg/ha e produtividade igual a 3.000 kg/ha, pergunta-se qual a porcentagem de

perdas e qual é a eficiência de colheita da máquina?

E a eficiência é: 152 Para uma produtividade de 3000 Kg/ha, uma perda de 100

E a eficiência é:

E a eficiência é: 152 Para uma produtividade de 3000 Kg/ha, uma perda de 100 Kg/ha

152

Para uma produtividade de 3000 Kg/ha, uma perda de 100 Kg/ha corresponde a 3,33% e a máquina teve uma eficiência de 96,67%.