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Colação de Grau – Parfor – 26/3/15

José Antonio Mangoni - Paraninfo

Saúdo a todos os membros da mesa e com angústia digo que, de todo


coração, gostaria de estar presente nesse momento solene, importante e carregado
de alegria. Mas a vida tem lá seus imprevistos.
E com carinho e com o coração cheio de alegria saúdo aos colegas formandos,
motivo maior de nosso encontro. Obrigado pelo convite de ser vosso paraninfo...
Ciências da religião se caracteriza por muitas perguntas e poucas respostas,
muita consciência de que há ainda muito a conhecer e buscar e compreender e
poucas certezas.
Vivemos imersos nas perguntas, e como diz o judeu Flávio Rotman:

Não é fácil viver eternamente sob um ponto de


interrogação. Mas quem diz que a pergunta essencial
pode ter resposta? A essência do homem é ser uma
pergunta e a essência da pergunta é não ter resposta.

Assim a poesia talvez seja a grande linguagem das ciências da religião e como
dizia Kurt Marti:

Talvez Deus mantenha alguns poetas à disposição para que o


falar sobre ele preserve a sacra irredutibilidade que sacerdotes e
teólogos deixaram escapar de suas mãos. (Kurt Marti)

Se alguém termina o Curso e pensa que está apto a ensinar verdades – como
é próprio de algumas religiões institucionais – acho bom permanecer mais um
tempinho.
Mas de coração acredito que vocês que aqui chegaram tem consciência de
que o tesouro que carregam é precioso, mas está em vasos de argila (precioso, mas
frágil), eu creio que fizeram um bom caminho.
Cuidado: não é a Ciência da Religião que vos torna proprietários da
experiência religiosa; ela estará sempre além, exigindo ser interpretada e
reinterpretada, mas nunca completamente alcançada.
Crer, imaginar, inventar é o trabalho do ser humano mais árduo e
mais eficaz. Ele é fruto de sua curiosidade, imaginação, do desejo... alguns
chamam de religiosidade.
Tenham um coração extremamente apaixonado pelo ser humano,
pelas suas buscas, pelas suas crises, pelas suas respostas. Incentivem a
caminhar, a não parar, incentivem a buscar. As crianças e adolescentes
esperam isso de vocês: não apenas ensinem, mas façam juntos o caminho.
Pois uma coisa é saber o caminho; outro bem diferente é trilhá-lo.
Sejam profissionais, sérios, mas atentos; falem muito, mas também
exercitem a arte de ouvir.
Agradeço pela caminhada que trilhei com vocês em algumas
disciplinas, obrigado por tudo que aprendi de vocês.
Sucesso, façam a diferença onde estiverem, pois só podemos
almejar um mundo melhor se formos os melhores onde estivermos.
Concluo com meu lema de vida: sejam eternos aprendizes e
apaixonados pelo mistério.
Um beijão do tamanho do Pará aos novos licenciados em Ciências
da Religião.