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A D V O C A C I A - G E R A L D A U N I Ã O

P R O C U R A D O R I A - G E R A L F E D E R A L
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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA


VARA ÚNICA DE POÇO REDONDO - SERGIPE.

Proc. nº 201786001282
Autor (a): AUCILENE DA SILVA
Réu: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

O INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, já


qualificado nos autos do processo em epígrafe, no qual lhe é movida AÇÃO
PREVIDENCIÁRIA, vem, tempestivamente e na forma da lei, por seu Procurador Federal
do quadro permanente da Advocacia-Geral da União, com mandato ex lege, que esta
subscreve, vem, respeitosamente, perante V. Exa., apresentar a sua

CONTESTAÇÃO

pelos fundamentos de fato e de direito a seguir expostos:

1. SUMÁRIO FÁTICO

Postula à parte autora, a condenação do INSS a conceder o benefício


pensão por morte em face do óbito do Sr. ENALDO ALVES CORDEIRO, falecido em
25/05/2017.

Tal parte alega ser companheira do falecido, que conviveu com ele. O
benefício foi negado pela falta de provas que aloque a autora a qualidade de dependente da,
assim como sua qualidade de segurado especial do instituidor.

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No caso em concreto o pedido da parte autora de pensão por morte


foi indeferido em razão da falta da qualidade de segurado. Visto que a “de cujus” não
apresentou as contribuições necessárias.

Como se pode notar, os documentos acostados pela autora em nada


demonstram o exercício da atividade rural pelo falecido, na verdade o falecido era
detentor de um benefício assistencial que não gera direito a pensão

BENEFICIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA NÃO GERA DIREITO A PENSÃO


POR MORTE

A parte autora ajuizou ação ordinária pleiteando o recebimento do benefício de


pensão por morte na qualidade de segurado especial.

Entretanto, o falecido recebia o benefício assistencial, NB nº 109.254.494-9


DER 19/01/1999, cessado em face do falecimento do instituidor ocorrido em
25/05/2017. Conforme tela Plenus:

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Conforme hialina previsão do art. 21, par. 1 da citada lei. Nesse sentido segue
a jurisprudência, verbis:

Acordão Origem: TRIBUNAL - TERCEIRA REGIÃO


Classe: AC - APELAÇÃO CÍVEL - 1058736
Processo: 200503990421267 UF: SP Órgão Julgador: OITAVA TURMA
Data da decisão: 24/03/2008 Documento: TRF300153234
Fonte DJU DATA:23/04/2008 PÁGINA: 350
Relator(a) JUIZA MARIANINA GALANTE
Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as
acima indicadas, decide a Oitava Turma do Tribunal Regional Federal
da Terceira Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo
interposto com fulcro no art. 557, § 1º, do CPC, nos termos do voto
da Senhora Desembargadora Federal, e na conformidade da ata de
julgamento, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Ementa PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DO ART. 557 § 1º DO CPC. PENSÃO


POR MORTE.
DECISÃO FUNDAMENTADA.
I - É pacífico o entendimento nesta E. Corte, segundo o qual não
cabe alterar decisões proferidas pelo relator, desde que bem
fundamentadas e quando não se verificar qualquer ilegalidade ou
abuso de poder que possa gerar dano irreparável ou de difícil
reparação.
II - Não merece reparos a decisão recorrida que manteve a
improcedência do pedido, fundamentando-se no fato de que o de cujus
recebeu amparo social até a data do óbito e, de acordo com o art.
21, § 1º, da Lei nº 8.742/93, tal prestação cessa com a morte e não
gera direito à pensão.
III - Mesmo considerando que o falecido trabalhou como pedreiro até
01.02.93, teria perdido a qualidade de segurado, já que o único
documento que demonstra sua incapacidade laborativa - recebimento
de amparo social à pessoa portadora de deficiência - é de 07.07.98,
conforme informações do Sistema Dataprev.
IV - Agravo não provido.

Data
23/04/2008
Publicação
Referência CPC-73 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973 LEG-FED LEI-
Legislativa 5869 ANO-1973 ART-557 PAR-1 LOAS-93 LEI ORGÂNICA DA
ASSISTÊNCIA SOCIAL LEG-FED LEI-8742 ANO-1993 ART-21
PAR-1

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Destarte, os pedidos formulados não merecem acolhida, impondo-se o


julgamento de improcedência de todos os pedidos formulados.

Após pesquisa no sistema constatou-se que O DE CUJUS GANHAVA LOAS


QUE NÃO GERA DIREITO A PENSÃO!

SOBRE O LOAS: Benefício de Prestação Continuada da Assistência


Social – BPC-LOAS ao idoso e à pessoa com deficiência

O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC-LOAS, é


um benefício da assistência social, integrante do Sistema Único da Assistência Social –
SUAS, pago pelo Governo Federal, cuja a operacionaliização do reconhecimento do direito
é do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e assegurado por lei, que permite o acesso
de idosos e pessoas com deficiência às condições mínimas de uma vida digna.

QUEM TEM DIREITO AO BPC-LOAS:

- Pessoa Idosa - IDOSO: deverá comprovar que possui 65 anos de idade ou mais, que não
recebe nenhum benefício previdenciário, ou de outro regime de previdência e que a renda
mensal familiar per capita seja inferior a ¼ do salário mínimo vigente.

- Pessoa com Deficiência - PcD: deverá comprovar que a renda mensal do grupo familiar
per capita seja inferior a ¼ do salário mínimo, deverá também ser avaliado se a sua
deficiência o incapacita para a vida independente e para o trabalho, e esta avaliação é
realizada pelo Serviço Social e pela Pericia Médica do INSS.

Para o cálculo da renda familiar per capita é considerado o conjunto de pessoas composto
pelo requerente, o cônjuge, o companheiro, a companheira, os pais e, na ausência de um
deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os
menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto.

O benefício assistencial pode ser pago a mais de um membro da família desde que
comprovadas todas a condições exigidas. Nesse caso, o valor do benefício concedido
anteriormente será incluído no cálculo da renda familiar.

O benefício deixará de ser pago quando houver superação das condições que deram
origem a concessão do benefício ou pelo falecimento do beneficiário. O benefício
assistencial é intransferível e, portanto, não gera pensão aos dependentes.

O LOAS É UM BENEFÍCIO ASSISTENCIAL E INTRANSFERÍVEL NÃO


GERA DIREITO A PENSÃO!

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No presente caso, o “DE CUJUS” FALECEU SEM ESTAR EXERCENDO


ATIVIDADE ABRANGIDA PELA PREVIDÊNCIA SOCIAL PELO QUE NÃO É
DEVIDO AOS SEUS DEPENDENTES O BENEFÍCIO DE PENSÃO POR MORTE.

O benefício de Amparo Social é ASSISTENCIAL E NÃO


PREVIDENCIÁRIO, OU SEJA, QUEM ESTÁ GOZANDO DO MESMO NÃO
MANTÉM QUALIDADE DE SEGURADO, não gerando direito a qualquer
prestação aos dependentes.
O AMPARO É BENEFÍCIO QUE SE EXTINGUE COM
A MORTE DO BENEFICIÁRIO, NÃO SUSCETÍVEL DE TRANSMISSÃO A
EVENTUAIS DEPENDENTES. COM EFEITO, REVESTE-SE DE NATUREZA
ASSISTENCIAL, LOGO, ESTÁ LIMITADO À PESSOA DO BENEFICIÁRIO –
UNICAMENTE
Vejamos o art.36 do Decreto 1744/95:
Art. 36. O benefício de prestação continuada é
intransferível, NÃO GERANDO DIREITO A PENSÃO. (Redação
dada pelo Decreto nº 4.712, de 29.5.2003)

Isto posto, deve ser rejeitada a pretensão autoral, eis que o de cujus não
detinha a indispensável qualidade de segurado especial no momento do óbito, não fazendo
jus, seus dependentes, ao benefício pleiteado.
Em assim sendo, não há direito à pensão por morte, por ausência dos
requisitos para concessão do benefício, razão pela qual o indeferimento administra

Por tudo que foi exposto, verificamos que não há nos presentes autos
qualquer prova definitiva que justifique a concessão do benefício pleiteado, devendo ser
julgado improcedente o pedido.

Sendo assim, não tendo logrado comprovar seu enquadramento na


hipótese legal de garantia do benefício, não tem, a parte autora direito à pensão por morte,
razão pela qual seu pedido está a merecer rejeição.

2. DO NOVO PERCENTUAL DE JUROS DE MORA E CORREÇÃO


MONETÁRIA. INOVAÇÃO DA LEI 11.960/2009. ÍNDICES DA CADERNETA DE
POUPANÇA. APLICAÇÃO AOS PROCESSOS EM CURSO. INCIDÊNCIA
IMEDIATA DA NORMA PROCESSUAL.

Convém aduzir que o valor dos juros de mora e da correção monetária


sofreu relevante alteração com o advento da Lei 11.960/2009, que alterou a redação do

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artigo 1º-F, da Lei 9.494/97, independentemente da natureza da demanda contra o Poder


Público:

“Art. 1o-F. Nas condenações impostas à Fazenda


Pública, independentemente de sua natureza e para fins de
atualização monetária, remuneração do capital e
compensação da mora, haverá a incidência uma única vez,
até o efetivo pagamento, dos índices oficiais de
remuneração básica e juros aplicados à caderneta de
poupança.” (grifos do Réu)

Ou seja, a partir de 29.06.2009, data da vigência do novel diploma,


incidirão os índices oficiais de remuneração e juros de mora aplicáveis à caderneta de
poupança, vez que os baixos índices inflacionários não mais justificam a utilização de 1%
de juros de mora, ainda acrescido de índice de correção monetária (INPC), ou então da
taxa SELIC.

Aliás, este novo regramento aplicar-se-á mesmo às ações judiciais


intentadas antes da nova Lei, conforme já decidiu o STF no julgamento do RE 559.445, de
26.05.2009, em caso análogo:
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. JUROS
DE MORA. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. ART. 1º-
F DA LEI 9.494/97 COM REDAÇÃO DA MP 2.180-35.
CONSTITUCIONALIDADE. EFICÁCIA IMEDIATA. 1. É
constitucional a limitação de 6% (seis por cento) ao ano dos juros de
mora devidos em decorrência de condenação judicial da Fazenda
Pública para pagamento de verbas remuneratórias devidas a
servidores e empregados públicos. Precedentes. 2. Aplicação imediata
da lei processual aos processos em curso. 3. Agravo regimental
improvido.”

Pelo exposto, em caso de eventual condenação, deverá ser observado o


regramento suso descrito, a contar de 29.06.2009.

3. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS

Apenas para argumentar, destaque que deve observar que nas ações
contra a Fazenda Pública, os honorários devem ser estipulados com observância ao § 4.°
do art. 20 do CPC, ou seja, sem a limitação do mínimo de 10% estabelecida pelo § 3.º do
mesmo artigo, de modo que se torna possível uma apreciação mais equitativa do valor a
ser definido para essa verba.

Deve, portanto, o percentual em questão ser determinado em, no


máximo, 5% do montante de eventual condenação, excluindo desse montante as parcelas
vencidas após a sentença, conforme a súmula 111 do STJ que diz “Os honorários
advocatícios, nas ações previdenciárias, não incidem sobre as prestações vencidas após a
sentença”.
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4. DO FECHO
Em face de todo o exposto, postula-se pela IMPROCEDÊNCIA da
pretensão em tela.

Sucessivamente, em respeito ao princípio da eventualidade, requer


que no cálculo dos juros de mora e correção monetária seja aplicado os índices da
legislação nº 11.960/09.

Que os honorários advocatícios não incidam sobre as parcelas


vincendas, posteriores à sentença (Súmula n. 111 do colendo Superior Tribunal de
Justiça), e nem ultrapassem cinco por cento (5%) do valor da condenação, nos moldes
do parágrafo 4º do artigo 20 do Código de Processo Civil;
Protesta, outrossim, pela produção de todos os meios de provas admitidos
em direito.

São os termos em que pede deferimento.


Aracaju, quarta-feira, 4 de outubro de 2017.

ADRIANO CARDOSO DE ANDRADE


Procurador Federal
AGU/PGF/PFE/INSS