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Mário Augusto Baião

A EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO


FUNDAMENTAL l

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito para obtenção do grau de
Licenciado em Educação Física no Centro
Universitário Metodista de Minas Izabela
Hendrix, elaborado pelo acadêmico Mário
Augusto Baião, sob a orientação do professor
André Maia Schetino.

Belo Horizonte
2009
2

Mário Augusto Baião

A EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL l

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do grau


de licenciado em Educação Física, pelo Centro Universitário Metodista de Minas
Izabela Hendrix de Belo Horizonte em 10 de dezembro de 2009 em banca examinadora
constituída pelos professores:

Professor André Maia Schetino – Orientador

Professora Raquel Borges – Instituição

Professor (a) – Instituição

Professor (a) – Instituição


3

A todos que contribuíram para esta conquista, minha gratidão eterna, e que Deus
abençoe a caminhada de todos concedendo saúde, amor e paz.
4

Agradecimentos
A meus pais, responsáveis diretos do meu caráter.
A minha esposa, pelo amor e compreensão.
Aos meus filhos, Arthur e thales
Aos colegas de turma, sempre é bom estabelecer elos.
Aos professores e professoras do Centro
Universitário Metodista Izabela Hendrix, pelo
Incentivo e conhecimentos transmitidos.
Ao Prof.Orientador André Schetino pela compreensão,
dedicação e apoio.
5

RESUMO

Este estudo surge pela minha vivência como professor de Ed. Física na Ed. Infantil e
ensino fundamental l ha mais de 10 anos. Percebendo certa dificuldade na
elaboração e planejamento de aulas, interesse dos alunos por algumas atividades
especificas como o futebol e natação, as questões que envolvem a disciplina,
conceitos teóricos e pedagógicos, planejamento de aulas, questões ambientais e
físicas, espaço apropriado, equipamentos entre outros aspectos que envolvem a Ed.
física escolar. Tal circunstância suscitou alguns questionamentos acerca da
organização dessas aulas, da qualidade e efetividade, da busca de resultados
eficientes, do entendimento da especificidade da Ed. Física escolar, da elaboração
de um currículo com conteúdos compatíveis com a faixa etária embasados
teoricamente. Assim, o objetivo deste estudo reflexivo foi verificar através de uma
revisão bibliográfica como os autores e professores pensam ou estão participando
destas questões. A partir disto com base nas informações colhidas tentar
estabelecer critérios para pensar melhor o planejamento de aulas e propostas de
atividades físicas voltado para este público sustentado nas teorias de educação do
Corpo pelo movimento. Teorias que possam levar a uma compreensão das normas
que permeiam tanto a Educação Física, como o Ensino Fundamental, bem como as
suas relações; os estudos específicos sobre as características físicas, cognitivas e
sócio afetivas das crianças, visando compreender quem são essas crianças, suas
necessidades e interesses como um ser global que faz, pensa, sente e interage; e, a
partir desses trabalhos, identificar questões voltadas à prática da Educação Física
na fase inicial do Ensino Fundamental, visando detectar aspectos coerentes que
pudessem justificar a importância das atividades para essa etapa do ensino

PALAVRAS CHAVES: Educação física escolar, educação infantil, ensino


fundamental.
6

SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO .......................................................................................................7
2 - RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO .......................................................................10
3 - COMPETÊNCIAS E OBJETIVOS DA ED. FÍSICA ESCOLAR.............................14
4 - OS TEMAS DAS AULAS (CONTEÚDOS) ...........................................................18
5 - CONCLUSÃO ......................................................................................................23
6 – REFERÊNCIAS ...................................................................................................26
7

1 - INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como temática de investigação a Educação Física


escolar nas séries iniciais e ensino fundamental l. Encontramos na literatura
inúmeras atividades voltadas para este público como jogos, recreação, brincadeiras
etc. A internet oferece várias opções de pesquisa assim como livros didáticos e
pedagógicos, porém quase todos muito repetitivos e sem especificidade. Esperamos
aqui abordar temas mais específicos, analisando a proposta de sistematização de
outras atividades para além da recreação.
O tema desperta o interesse, também pelo fato de já atuar como professor de
Educação Física neste segmento há 10 anos. Vivencio, portanto algumas
observações aqui apontadas, como dificuldades na seleção de atividades e
conteúdos, além da percepção da falta de amplitude dos trabalhos, artigos e livros
direcionados exclusivamente para a Educação Infantil e ensino fundamental l no que
se refere a Educação Física. É preciso estar atento na escolha das atividades e
conteúdos a serem ministrados. Quando citamos temas mais específicos para este
público – aqueles que vão para além de uma abordagem pautada na recreação, nos
jogos e brincadeiras, tais como: Modalidades esportivas, lutas, natação, dança,
ginástica, atletismo – meus questionamentos sempre recaem na escolha de
conteúdos e faixa etária, na qualidade das aulas, na disponibilização de materiais,
no espaço, nos resultados e avaliações, aceitação por parte dos pedagogos,
orientadores, diretores, pais e na definição do papel da Educação Física escolar que
precisa estar bem claro para os profissionais da área.
As mudanças na Educação Física escolar começaram a partir da década de
80, através de novos princípios e valores que surgiram com o intuito de romper o
modelo mecanicista que prevalecia, e o surgimento de novas abordagens ou
tendências vieram com o objetivo de mudar a visão de um corpo que era visto como
algo dissociado da mente. Com novas abordagens ou tendências para a Educação
Física, Santin citado por Fiorante (2008), salienta que “a disciplina acabou tornando-
se uma atividade polivalente na busca de uma identidade própria”. Na busca de uma
identidade própria, nos remetemos inicialmente à legislação educacional que vigora
em nosso país, e que compreende a Educação Física como um componente
8

curricular obrigatório da Educação Básica. A atual Lei de Diretrizes e Bases (LDB),


promulgada em 20 de dezembro de 1996, enumerada como 9394/96, tem como
principal propósito assegurar a formação comum indispensável para o exercício da
cidadania, fornecendo ao educando meios para progredir no trabalho e em estudos
posteriores. Encontramos amparo no documento lançado pelo Ministério da
Educação e Cultura (MEC) denominado Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs),
em que essa proposta aponta a possibilidade dos conteúdos da Educação Física
serem conhecidos historicamente e socialmente transmitidos, pois são produções da
nossa cultura. A Educação Física escolar deve preocupar-se com as manifestações
de nossa cultura corporal: a dança, as lutas, os jogos, a ginástica e o esporte, os
quais fazem parte dos PCNs e também são formas encontradas para pensamentos,
sentimentos, conflitos, festas, desafios, que sempre permearam as relações sociais.
Torna-se de extrema importância a análise de conteúdos, práticas curriculares,
planejamento, elaboração, execução, preparação discente e docente etc.
O presente artigo faz uma revisão reflexiva da literatura sobre o assunto,
investigando e colhendo informações de autores sobre diversas questões que
envolvem a Educação Física escolar principalmente neste segmento, abordando
questões políticas, sociais e culturais ao longo desses anos em que a Educação
Física passou a ser reconhecida como disciplina obrigatória. Feito isso, refletiremos
sobre a natureza do conhecimento específico que acreditamos ser da Educação
Física Escolar e, como conseqüência, pensar melhor o planejamento de aulas,
seleção de atividades e conteúdos embasados teoricamente.
Para esta revisão foram colhidas informações de aproximadamente trinta
artigos e periódicos, além de livros, revistas e propostas curriculares que abordasse
o tema Educação Física nas séries iniciais, Educação Física na educação infantil,
Educação Física no ensino fundamental ou 1º grau.
Acreditamos que este artigo possa ser mais uma ferramenta para o professor
de Educação Física pensar sua a prática, auxiliando na formação de seus alunos e
com isso desenvolvendo sua autonomia enfatizando muito a importância de sua
atuação como professor. Queremos com este artigo fomentar as discussões em
torno da Educação Física escolar e que sirvam de auxílio e suporte aos professores
na hora de planejar suas aulas, de pensar a escolha de temas e conteúdos
específicos para este público alvo, crianças que estão iniciando suas atividades
escolares, que aborde não só a ludicidade, os jogos e brincadeiras, mas que nas
9

aulas de Educação Física elas possam vivenciar algumas práticas esportivas como
a natação, atletismo, ginástica, lutas, danças, entre outras, atividades que com
certeza são ministradas em outros locais e não na escola, ou seja, são conteúdos da
Educação Física escolar entre tantos que não são valorizados no currículo da
disciplina por inúmeros motivos.
Para isso, dividimos nossa revisão de literatura em três eixos de análise,
escolhidos por sua relevância relativa ao tema deste artigo e à bibliografia
consultada. Posteriormente, trazemos à guisa de conclusão, nossas considerações
finais advindas das análises feitas sobre os eixos estudados.
10

2 - RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO

É na escola que a criança sofre seu primeiro impacto físico-emocional, pois


até então sua vida era exclusivamente dedicada aos brinquedos e ao
ambiente familiar. Nesta fase, portanto, a Ed. física detém séria
responsabilidade, deve proporcionar a criança oportunidades de
desenvolver a confiança em si mesma, a compreensão do ambiente e a
capacidade de comunicação. (ALBUQUERQUE, 2008, P.15)

A partir deste pensamento iniciamos nossas reflexões sobre o papel do


professor (a) de ed. física que irá trabalhar com este público específico, crianças da
educação infantil abordando aspectos da sua responsabilidade, conhecimentos,
experiência, afinidade, entre outros, por entendermos que não basta somente ao
professor ser um transmissor de gestos técnicos, um recreacionista ou um
disciplinário. Na minha modesta experiência como professor na Ed. infantil deparei
com questões que vão muito além de embasamentos teóricos, pedagógicos e
filosóficos, questões que repassam muito pelo caráter deste profissional, que por
muitas vezes tem que ser sensível, amoroso e dedicado. Saber entender os
problemas de seus alunos, sejam emocionais ou psicológicos, interpretá-los e
contextualizá-los dentro das aulas, para que este aluno não se sinta excluído e
desmotivado.
O papel da Educação Física no processo educativo é auxiliar no
desenvolvimento da personalidade do indivíduo como um ser social, contribuir para
a aquisição de novas habilidades, fazê-lo reconhecer as suas potencialidades
físicas, para isto o professor especialista precisa estar embasado teoricamente e
ciente de tamanha responsabilidade.

Desde que a escola existe como instituição, vários programas pedagógicos


têm sido propostos. Apesar da variedade de programas encontrados, que
refletiram diferentes funções da escola ao longo de sua história, atualmente,
é reconhecido que: a) a escola tem papel essencial no desenvolvimento das
crianças; b) tem uma função social importante, devido a necessidade
crescente das famílias de compartilharem com instituições os cuidados com
seus filhos; c) tem uma função política clara, contribuindo para a formação
dos cidadãos. (FERRAZ, 1996, p.16, p.22).

Estas constatações não são tão simples de serem percebidas quando outros
interesses são envolvidos, principalmente no entendimento das funções,
11

especificidades e conteúdos, ensinar o que? para que?, com qual finalidade e


objetivo?

A função precípua de ensino sistematizado dos objetos de conhecimento


construídos socialmente pelos homens ao longo da história como a escrita,
a aritmética, as ciências sociais e naturais têm sido de consenso. A escola,
portanto, amplia, organiza e formaliza uma aprendizagem que se inicia e
continua no seio da família e no grupo social com o qual se vive. Esse
pressuposto, aplicado às diversas disciplinas curriculares como a
matemática e as ciências, por exemplo, gerou um conhecimento
sistematizado que tem claro seu objetivo específico no processo de
escolarização. Contudo, ao se olhar mais atentamente para a educação
física, vê-se que o mesmo não ocorre. Observando-se a realidade que a
Educação Física ocupa na escola, constata-se um componente curricular
sem uma clara definição de sua função no contexto educacional. (FERRAZ,
1996, p.16, p.22).

Apesar de ser instituída legalmente como um componente curricular e até


mesmo reconhecido como fundamental para o desenvolvimento do aluno, a
Educação Física, de fato, parece estar presente na escola, essencialmente como
simples atividade. Isto trás uma inquietação para o professor de Ed. Física que
mesmo sabendo do seu papel e da importância da sua disciplina se sente
desprivilegiado, desmotivado. Isto não deveria acontecer, o professor de Ed. física é
responsável direto pela apresentação, transmissão de conteúdos e conhecimento
aos alunos,

deve sistematizar situações de ensino e aprendizagem que garantam aos


alunos o acesso a conhecimentos práticos e conceituais. Para isso é
necessário mudar a ênfase na aptidão física e no rendimento padronizado
que caracteriza a Ed. física para uma concepção mais abrangente, que
contemple todas as dimensões envolvidas em cada prática corporal
(ABRANTES, 2009, P. 5, p.6).

O binômio teoria/prática é de extrema importância para que os professores de


Educação Física busquem a superação de uma disciplina que é vista como uma
“atividade”
A Educação Física tem necessidade não de repetidores de gestos próprios
ou alheios, mas de pesquisadores; não de mandarins, mas de profetas; não
de aposentados da investigação científica, mas de comprometidos até o
fundo com a mesma investigação; não do imperialismo da bio-medicina,
mas do reconhecimento de que o Homem é um ser eminentemente cultural;
não de representantes do particular, mas da complexidade e da totalidade
humana; não de saciados (que se julgam sábios), mas de famintos (que
pretendem, humildemente, saber mais). O amplo universo da Educação
Física escolar fica caracterizado pela vasta. (SÉRGIO,1991, p. 87)
12

É fundamental que o professor faça uma clara distinção entre os objetivos da


Educação Física escolar e os objetivos do esporte, da dança, da ginástica, da
recreação, da luta profissional, pois, embora seja uma referência, o profissionalismo
não pode ser a meta almejada pela escola, Durante as aulas deverão dar-se
oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades de
forma democrática e não seletiva, visando ao seu aprimoramento como seres
humanos. Nesse sentido cabe assinalar que os alunos portadores de deficiência
física ou mental não podem ser privados das aulas de Educação Física.
Independente de qual seja o conteúdo escolhido pelo professor, os processos
de ensino a aprendizagem devem considerar as características dos alunos em todas
as suas dimensões (cognitiva, corporal, afetiva, ética, estética, de relação
interpessoal e inserção social). Sobre as diversas modalidades dos jogos, o aluno
deve aprender para além das técnicas de execução, a discutir regras e estratégias,
apreciá-los criticamente, analisá-los esteticamente, avaliá-los eticamente,
ressignificá-los e recriá-los. Os alunos trazem para a escola uma bagagem de
conhecimento sobre o corpo e o movimento, vivenciando nos jogos e brincadeiras
e/ou pelo desenvolvimento de interações que estabelecem em seu contexto social,
Cabe aos professores de Educação Física criar oportunidades para que possam
compartilhar essas experiências. É, portanto, tarefa do professor de Educação Física
escolar garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal, contribuir para a
construção de um estilo pessoal para o exercício dessas práticas e oferecer
instrumentos para que sejam capazes e apreciá-las e aprender. Lembrando Freire
citado por Abrantes (2009, p.4)
Ensinar não é a pura transferência mecânica do conteúdo que o professor
faz ao aluno passivo e dócil. Partir do saber que os educadores têm não
significa ficar girando em torno desse saber. Partir significa pôr-se a
caminho, ir-se, deslocar-se de um ponto a outro e não ficar, permanecer.

Não é nosso objetivo nesta reflexão ressaltar o papel do professor de


educação física, seus deveres e compromissos, mas tratando-se de crianças e pré-
adolescentes, vale lembrar que nossa responsabilidade aumenta, temos que estar
atentos a incentivar para que nossos alunos possam experimentar e conhecer o
próprio corpo e seus limites. Por meio de diferentes métodos e técnicas de ensino
oferecer condições para que esta criança perceba como lidar com seus colegas
levando em consideração aspectos afetivos, sociais, éticos e sexuais, incentivando a
13

adotar hábitos saudáveis de alimentação e negar toda e qualquer forma de violência


física ou simbólica. Vale ressaltar que não queremos discutir qual o papel do
professor(a). pedagogo, como já dissemos o objetivo é abordar a importância de um
prof. específico e seu papel na escolha de bons conteúdos fundamentados numa
proposta coerente com a faixa etária que desenvolva atividades que vão beneficiar o
crescimento e o desenvolvimento de nossos alunos.
14

3 - COMPETÊNCIAS E OBJETIVOS DA ED. FÍSICA ESCOLAR

As reflexões que tentamos propor em torno deste tema, “competências e


objetivos da Ed. física escolar” perpassam por questões históricas, culturais e
sociais que envolveram a disciplina ao longo das ultimas décadas. Foram
transformações importantes que acompanharam a cena política nacional e que
ajudaram na formação de conceitos teóricos e pedagógicos que sustentassem ou
explicassem melhor a especificidade da disciplina e sua aplicabilidade na escola.
Paralelamente assistimos mudanças em relação à educação, métodos de ensino e
crises e acontecimentos que estão longe de apontar uma solução para os diversos
problemas que envolvem a educação no Brasil.

Dizer que a educação brasileira passa por uma profunda e extensa crise
não é nenhuma novidade, é reproduzir algo que nossa sociedade tem
sentido concretamente, é visível, dentre vários aspectos, a falta de uma
política educacional fundamentada em princípios filosóficos e pedagógicos
com que venha contribuir com a formação de homens que possa exercer
plenamente a cidadania,. É lamentável o desrespeito a classe docente que
precisa ser reconhecida na enorme responsabilidade que tem em educar,
se fizermos uma análise profunda destes problemas descobriremos porque
muitos segmentos educacionais são vazios em seus propósitos
pedagógicos e porque professores e alunos ficam sem rumo, caindo por
vezes no reino do faz-de-conta que ensina e o aluno faz de conta que
aprende. ( Miyagima, citado por ALBUQUERQUE, 2008, p.14)

É a partir destas e outras constatações é que ressaltamos que os objetivos da


Ed. física escolar visam contribuir com a formação efetiva de seus alunos que o
professor esteja atualizado aos fatos e acontecimentos da sociedade, que proponha
conteúdos importantes saindo da mesmice que nossos alunos estão acostumados.
Ressaltamos também que para se colher bons frutos é preciso semear, ou seja, um
trabalho bom na Educação Infantil e ensino fundamental l envolvendo estas e outras
questões aqui abordadas é bastante pertinente.

Pensando que a Educação Física Escolar é veículo de transmissão e


fornece oportunidades para a construção de um conhecimento capaz de
mover os seres humanos de um lugar para outro, que a Educação Física
Escolar pode levar pessoas a um lugar onde se esteja mais próximo da
felicidade ou de uma melhor qualidade de vida, acreditamos que os
professores que atuam no processo de escolarização devam ter o domínio
de alguns conhecimentos e habilidades. Em primeiro lugar, a atuação deste
professor deve caracterizá-lo por ultrapassar a postura única e exclusiva de
15

um instrutor de atividades físicas, de um recreacionista, de um terapeuta


corporal ou psicomotricista.(SILVA,1996, p. 29, p.35)

A importância que imaginamos ter as atividades físicas para esta faixa etária
deve estar voltada para o movimento, o exercício das atividades motoras pela
criança, além de exercer papel predominante no seu desenvolvimento somático e
funcional, estimula e desenvolve as suas funções psíquicas, cognitivas e sociais. Daí
no nosso entendimento que teoria e prática devem sempre acompanhar o
planejamento da Educação Física escolar.

No âmbito da Educação Física, os conhecimentos construídos devem


possibilitar a análise crítica dos valores sociais, tais como padrões de
beleza e saúde, que se tornaram dominantes na sociedade, seu papel como
instrumento de exclusão e discriminação social e a atuação dos meios de
comunicação em produzi-los, transmiti-los e impô-los; uma discussão sobre
a ética do esporte profissional, sobre a discriminação sexual e racial que
existe nele, entre outros aspectos, pode favorecer a consideração da
estética do ponto de vista do bem-estar, das posturas não consumistas, não
preconceituosas, não discriminatórias e a consciência dos valores coerentes
com a ética democrática. No que tange à questão do gênero, as aulas
mistas de Educação Física podem dar oportunidade para que meninos e
meninas convivam, observem-se, descubram-se e possam aprender a ser
tolerantes, a não discriminar e a compreender as diferenças, de forma a não
reproduzir estereotipadamente relações sociais autoritárias. Nos jogos, ao
interagirem com os adversários, os alunos poderem desenvolver o respeito
mútuo, buscando participar de forma leal e não violenta. Confrontar-se com
o resultado de um jogo e com a presença de um árbitro torna-se um
importante instrumento no desenvolvimento do acato à aceitação de
opiniões e julgamentos de terceiros envolvidos diretamente ou
indiretamente na partida. Principalmente nos jogos, em que o trabalho em
equipe, a solidariedade e dignidade, nos momentos em que, por exemplo,
quem ganha é capaz de não provocar e não humilhar, e quem perdem
reconhecer a vitória dos outros sem se sentir humilhado (ABRANTES, 2009,
P. 5, p.6).

Em função dessas observações, a Educação Física como um componente


curricular tem o objetivo precípuo de disseminar conhecimentos sistematizados
sobre a motricidade humana. Mas, em linhas gerais, quais seriam esses
conhecimentos? Qual a relação destes conhecimentos com os diferentes ciclos de
escolarização?

(...) torna-se possível falarmos em uma dimensão procedimental, uma


dimensão simbólica e uma dimensão atitudinal. A dimensão procedimental
diz respeito ao saber fazer, a capacidade de mover-se numa variedade de
atividades motoras crescentemente complexas de forma efetiva e graciosa.
É importante ressaltar que, nessa concepção, aprender a mover-se envolve
atividades como tentar, praticar, pensar, tomar decisões e avaliar,
significando, portanto, muito mais do que respostas motoras estereotipadas.
16

No que diz respeito a dimensão atitudinal, está se referindo a uma


aprendizagem que implica na utilização do movimento como um meio para
alcançar um fim, mas este fim não necessariamente se relaciona a uma
melhora na capacidade de se mover efetivamente. Neste sentido, o
movimento é um meio para o aluno aprender sobre seu potencial e suas
limitações, além de aprender sobre o meio ambiente. Expressando-se pelo
gesto, som, mímica, jogos, o aluno percebe que o corpo é um instrumento
de comunicação e através dessas observações poderá estabelecer
comparações com outras crianças, adultos, animais construindo seu auto
conceito e a compreensão da realidade. Finalmente, a dimensão simbólica
que significa a aquisição de um corpo de conhecimentos objetivos, desde
aspectos nutricionais até sócio-culturais como a violência no esporte ou o
corpo com das expressões da cultura de movimento e reivindicá-las como
um direito do cidadão e dever do Estado oportunizá-las. Atualmente, o
esporte constitui-se em um fenômeno social de proporções mundiais. O que
se quer dizer é que o aluno pode não gostar de praticar determinadas
expressões da cultura de movimento (jogo, esporte, dança e ginástica),
contudo ele terá essa opinião após conhecê-los, ou ainda, mesmo não
praticando poderá ser um expectador com capacidade de apreciar essas
manifestações que compõem a cultura de movimentos. Portanto, parece
haver um conhecimento teórico e prático a respeito da motricidade humana
que permite uma melhor qualidade de vida. (FERRAZ, 1996, p.16,22).

Pensando então numa proposta curricular que contemple estas


considerações, o que a Educação Física Escolar não pode deixar de fazer é veicular
conhecimentos teórico-práticos, dentro da sua faixa etária, no sentido de
proporcionar aos alunos elementos que lhe garantam autonomia para que no futuro
possam:

a) participar de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas, e


construtivas com os outros, respeitar os outros e administrar as relações
conflitantes; b) atender adequadamente suas necessidades e desejos nos
movimentos do cotidiano; c) atender suas aspirações de lazer relacionadas
a cultura de movimento;d) Executar os movimentos básicos fundamentais
exercendo controle sobre o corpo (andar, correr, saltar, receber,
arremessar, subir, passar, etc; e) Desenvolver a bilateralidade corporal, as
qualidades físicas em geral (coordenação, flexibilidade, ritmo, velocidade,
equilíbrio, força, destreza, etc); f) Identificar as características e as diversas
funções dos recursos materiais; g) Participar das atividades interagindo com
os companheiros do grupo; h) Executar os movimentos básicos
fundamentais estabelecendo relações de tempo e espaço; i) Identificar os
possíveis fatores determinantes da diferenças individuais manifestadas
pelos componentes do grupo; j) participar da elaboração de atividades,
definindo regras, de modo a favorecer a participação integral do grupo; k)
Participar criticamente das atividades, respeitando as posições divergentes;
l) Aprimorar a execução dos movimentos especializados aplicando-os nas
suas respectivas atividades; m) Analisar a importância das atividades
corporais para o processo de formação continuada do homem; n) Avaliar os
prós e contras das práticas das atividades corporais em termos biológicos,
fisiológicos, intelectuais e sociais; o) Identificar e analisar os sentidos e os
valores sociais, morais, éticos e estéticos subjacentes à cultura corporal,
tendo como referência o contexto da sociedade brasileira; p) relacionar a
Educação Física com esporte, saúde, lazer, educação e cultura
(ABRANTES, 2009, p. 5)
17

Estas enumerações, acreditamos, devem ser analisadas, estudadas e


contempladas pelo professor na hora de elaborar seu planejamento, escolher suas
atividades, montar sua aula, não é tarefa tão simples se pensarmos na quantidade
de conteúdos envolvidos.

Da observação natural e comprovada por estudos científicos, pode-se


constatar que o movimento humano desempenha um papel fundamental no
seu processo de desenvolvimento biológico e psicológico (Connolly, 1977;
Tani et alii, 1988), evolucionário (Leakey, 1981; Schmidt, 1982), social e
cultural (Betti, 1992; Daolio, 1992) e cognitivo (Piaget, 1987a; Tani et alii,
1988. ( FERRAZ 1996, p.16, p.22)

Porém, o movimento assume matizes diferenciados no desenvolvimento do


ser humano ao longo do ciclo de vida, devido as suas diferentes características e
conseqüentes necessidades.

Em linhas gerais, utilizando-se as dimensões relacionadas anteriormente,


tem-se como princípio básico que a dimensão atitudinal estará presente em
todo o processo de escolarização, uma vez que aspectos sócio-afetivos
como auto-conceito e socialização devem ser preocupação de todos os
componentes curriculares em todo o ciclo. A Educação Física Escolar reúne
conteúdos extremamente fecundos para obtenção desses objetivos
educacionais, uma vez que as formas de implementação (jogos, atividades
rítmicas, ginástica) de seus conteúdos permitem estabelecer e alcançar
essas metas da escolarização. O aprendizado sistematizado das normas de
convivência, dos hábitos culturais e de outros objetos sociais de
conhecimento, pode alterar significativamente o processo de socialização
do aluno. Contudo, com relação a dimensão dos procedimentos, ou seja, o
saber fazer a ênfase deverá ser a exploração e descoberta de diferentes
condutas motoras nas séries iniciais, sem a preocupação de técnicas
específicas que poderão ser introduzidas nas séries finais respeitando-se,
sempre, as diferenças individuais. Finalmente a dimensão simbólica (fatos,
conceitos e princípios) deverá estar presente em todas as séries
observando-se as características das crianças mais novas que, em função
das estruturas cognitivas que regulam o seu pensamento, estão
impossibilitadas de compreensão de conteúdos e suas respectivas
causalidades. (FERRAZ,1996, p. 16 p.22).

Neste sentido, concordamos com Cisneiros citado por Silva ( 1996, P. 29,
p.35) “que posiciona a Educação Física na dimensão de atividade apenas nas
séries iniciais do ensino e atribuí o caráter de área de estudo ou disciplina nas séries
subseqüentes”. Que quer dizer que as intenções e seleção de conteúdos na Ed.
infantil necessitam de uma atenção especial em relação ao ensino fundamental l por
parte do professor(a), ele deve saber bem diferenciar as características de cada
segmento na elaboração de um bom planejamento.
18

4 - OS TEMAS DAS AULAS (CONTEÚDOS)

De maneira geral as crianças dentro desta faixa etária, independentemente de


sexo, raça, cultura, condição social e potencial físico, têm direito a oportunidades
que maximizem o seu desenvolvimento. Uma vez que o movimento tem um papel
fundamental no desenvolvimento humano (cognitivo, psicomotor, afetivo-social), a
Educação Física na escola deve considerar todos esses aspectos como
independentes e interdependentes. Um bom planejamento escolar deve estar
vinculado à organização dos conteúdos de aprendizagem em cada unidade didática,
garantindo que estejam relacionados ente si, para sua melhor compreensão.
Segundo Barbosa citado por Abrantes (2009, p.7),

Quatro princípios básicos devem nortear a construção de um planejamento


escolar, a) adequação à realidade, b) definição dos objetivos a serem
alcançados, c) clareza da construção, d)inclusão dos diversos atores da
comunidade educativa.

Sem abandonar os conteúdos tradicionais e clássicos da Ed. física escolar,


deve-se fazer a leitura ampla do movimento humano como manifestação de
indivíduos dotados de corporeidade e subjetividade singular. Cabe à Ed. física
definir-se como um espaço em que os alunos possam experimentar, viver, sentir,
provar a corporeidade, a capacidade de reinventar os movimentos, de fazer de novo
e diferente, de usufruir o próprio corpo, Por outro lado, reconhecer que a experiência
do corpo e do movimento se dá no quadro das produções socioculturais instituídas,
como a ginástica, o esporte, a dança, os jogos e as brincadeiras. De acordo com
BRACHT, (1996. p,23, p.28)

O currículo de educação física pré-escolar, nesse sentido, implica em


estruturação de um ambiente que auxilie as crianças a incorporar a
dinâmica da solução de problemas, do “espírito” de descoberta nos
domínios da cultura de movimento. Portanto, necessariamente, está-se
referindo a um conhecimento que implica uma dimensão simbólica, uma
dimensão atitudinal e uma dimensão procedimental.

Sendo assim, propõem-se como metas educacionais:


19

a) competência: auxiliar o aprendiz a utilizar suas próprias habilidades,


conhecimentos e potencial em uma interação positiva com desafios,
dúvidas, pessoas e os problemas do seu ambiente; b) individualidade:
auxiliar o aprendiz, através de um funcionamento autônomo, a tomar
decisões, desenvolver preferências, arriscar-se ao fracasso, estabelecendo
uma dinâmica independente para resolver problemas, e aceitar auxílio sem
o sacrifício da independência; c) socialização: auxiliar o aprendiz a
desenvolver sua capacidade de engajar-se nas relações de mutualidade
com outras pessoas dentro de valores democráticos. . FERRAZ, (1996, p.
16, p.22).

Ao se refletir às competências e habilidades a serem adquiridas ao longo do


processo de ensino e aprendizagem, remete-se às apropriações na descoberta de
seus limites e possibilidades, na compreensão e experimentação das diferentes
manifestações culturais, na participação, criação ou modificação de regras, na
capacidade de trabalhar em equipe, de desenvolver noções conceituais, de
estabelecer relações reflexivas e críticas entre outras. Um bom planejamento deve
valorizar as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos, a fim de despertar
seu interesse e suas motivações para aprender, e serem capazes de aplicar os
conhecimentos adquiridos em sua promoção pessoal e do mio em que interagem.
Para BARBOSA (2005), este deve ser o ponto de partida de um trabalho
educacional inclusivo e comprometido com a formação da pessoa, do cidadão.
“Quem não planeja na avalia, que não avalia não corrige, quem não corrige não
evolui.” Assim para um professor de Ed. física possa fazer um planejamento
eficiente deve-se considerar algumas dimensões de seus alunos:

1. Dimensão simbólica: a) conhecimento e compreensão do corpo; b)


conhecimento e compreensão das habilidades básicas; c) conhecimento e
compreensão de regras2. Dimensão atitudinal: a) apreciação e aceitação da
atividade física; b) auto conceito positivo e estável: capacidades e
limitações, imagem corporal, auto disciplina; c) comunicação pelo
movimento: imitação, expressão e interpretação; d) valores relacionados
aos outros: competição, cooperação, capacidades e limitações dos outros,
valores e comportamentos dos outros. 3. Dimensão procedimental:a)
desenvolvimento das capacidades físicas e motoras;b) desenvolvimento das
habilidades básicas de manipulação, locomoção e estabilização;c)
desenvolvimento perceptivo-motor: consciência espacial, temporal e
corporal. FERRAZ, (1996, p. 16, p.22).

Acreditamos que qualquer atividade física implica em movimento, se tratando


de crianças tudo envolve movimento, cabe ao professor trabalhar com um repertório
variado, partindo de experiências próprias e de seus alunos, por isto que a
20

compreensão dos itens mencionados é necessária para que haja um bom


planejamento, coerente com estas propostas.
Finalizando, é importante ressaltar que não há construção de conhecimentos
sem considerar os afetos e sentimentos, assim como, não há sentimentos e afetos
que não impliquem processos intelectuais, por isso esses aspectos não podem ser
abordados separadamente. Entretanto, isto não significa que a Educação Física não
possui um conhecimento específico, ou melhor, dizendo que o movimento humano
não precisa ser considerado especificamente em todo o processo de escolarização.
Segue-se a apresentação dos blocos de conteúdos que possibilitam a obtenção
desses objetivos e em seguida algumas orientações didáticas direcionados para a
educação infantil e ensino fundamental l, como salientado antes, cabe ao professor
analisar as propostas e adequá-las no seu planejamento anual, bimestral e diário.
Com as novas mudanças em relação às séries e ciclos escolares, houve um
agrupamento de alunos com uma faixa etária equivalente a séries muito próximas,
ou seja, os alunos que saem da Ed. infantil para o ensino fundamental trazem uma
bagagem com identidades que precisam ser trabalhadas com tempo e dedicação em
relação as fortes mudanças que lhes são atribuídas rapidamente, encurta-se com
isso a infância e conseqüentemente todo um processo de maturação. Neste sentido
as sugestões abaixo são considerações importantes na hora de se planejar uma
aula, propor atividades, brincadeiras, corridas, saltos, jogos, ou seja, todas as
questões que envolvem o cotidiano e as aulas de Ed. física. Lembrando que a nossa
temática está pontuada conceitos que analisam o corpo em movimento.

1. Conhecimento e controle do corpo: a) esquema corporal global e


segmentar: percepção, discriminação e utilização; b) percepção do corpo
em repouso e em movimento: elementos orgânicos-funcionais (respiração,
batimento cardíaco, relaxamento e contração); c) diferentes ações básicas
de locomoção (andar, correr, saltar), manipulação (arremessar, receber,
quicar, rebater, abafar e chutar) e equilíbrio (giros, apoios invertidos e
rolamentos); d) noções espaciais: topológicas, lateralidade, dominância
lateral e direção; e) noções temporais: ritmo, duração, acentuação e
velocidade. 2. Jogos: a) o jogo como manifestação social e cultural; b) tipos
de jogos: simulação, de regras, tradicionais e adaptados; c) regulação do
jogo: regras básicas. 3. Atividades rítmicas e expressivas: a) o movimento
como instrumento de expressão e comunicação: gesto, mímica e
dramatização; b) ritmo: diferentes estruturas rítmicas e as qualidades do
movimento: pesado/leve, forte/fraco, rápido/lento, etc; c) tipos de danças: as
rodas cantadas, a dança folclórica e a dança moderna. FERRAZ,( 1996, p.
16, p.22).
21

Para que o desenvolvimento das habilidades básicas de locomoção,


manipulação e equilíbrio possa ser construído com base em um acervo motor com
ampla variabilidade de movimentos, o professor deve organizar as tarefas de
aprendizagem considerando-se os aspectos constituintes do movimento:

1. Espaço: a) direção: frente, atrás, lado, subindo, descendo; b) níveis: alto,


médio, baixo; c) planos: sagital, frontal, horizontal; d) extensões: pequena,
grande. 2. Tempo: a) lento rápido, acelerando, desacelerando. 3. Esforço: a)
forte fraco. 4. Objetos: a) corda, bola, arco, jornal, etc.5. Capacidades
físicas: a) resistência, força, flexibilidade, velocidade. 6. Núcleos do
movimento: a) articulações do ombro, joelho, cotovelo, etc.7.
Relacionamentos: b) dupla, trios, grupos. FERRAZ, (1996, p. 16-22).

São aspectos indispensáveis que o professor de Ed. Física principalmente os


que trabalham com a Ed. infantil e séries iniciais, precisam observar para a
elaboração e escolha das atividades que serão ministradas para este público,
importante salientar a escolha de matérias de fácil manipulação pelas crianças como
arcos, cordas, cones, bolas, colchões etc.
Mesmo que o currículo seja elaborado cuidadosamente resultando em um
excelente programa, terá pouca eficiência se o ambiente de aprendizagem não for
devidamente organizado e se não forem tomados cuidados especiais no
planejamento e implementação das atividades. Os cuidados relacionados com a
estruturação do ambiente como o local (quadra, área livre), aspectos de segurança,
piso, objetos que possam oferecer perigo a integridade física dos alunos, ou seja,
são considerações importantes que o professor precisa pensar para que não tenha
surpresas inesperadas, a seguir enumeramos alguns itens importantes onde serão
apontadas estas questões:

a) verificar a segurança das quadras/espaços com relação a existência de


buracos, garrafas, pregos, etc; b) o espaço deve ter seus limites definidos
com a visualização constante do professor; c) os materiais devem
possibilitar modificações na sua estrutura e formato para que se acomodem
as variações dos diferentes níveis de desenvolvimento das crianças; d) a
novidade do equipamento estimula o grau de interesse da criança, enquanto
a complexidade mantém o interesse em um nível elevado. (II) Instruções e
comportamento do professor Com o intuito de auxiliar na criação de uma
atmosfera que maximize o potencial de aprendizagem e desenvolvimento
dos alunos, alguns aspectos devem ser considerados: a) o problema a ser
resolvido deve ser compreendido completamente pela criança; b) solicitar
uma grande variedade de respostas e estimular reflexão no modo de
execução da tarefa; c) permitir identificação dos estímulos mais importantes
d) garantir que todos os membros da classe estejam envolvidos com a aula
e evitar longas filas; e) estabelecer rotinas e regras claras, pois
freqüentemente o professor necessita mover grandes grupos e modificar as
22

tarefas; f) preocupar-se para que as atividades tenham grande ludicidade


em suas ações e não superestimular a competição; g) incentivar o auxílio de
um aluno para o outro, mostrando a importância do trabalho coletivo.
FERRAZ, (1996, p. 16, p.22).

Em resumo, conhecendo-se o aluno em suas características de crescimento e


desenvolvimento e o universo da cultura de movimento infantil têm-se subsídios para
selecionar a maneira de ensinar, planejar, elaborar as aulas e, dessa forma,
aproximar-se de estratégias mais adequadas de ensino.
23

5 - CONCLUSÃO

Estas reflexões são importantes no sentido de resgatar e promover a


valorização da Educação Física escolar para esta faixa etária quando bem orientada
e fundamentada. Para que nossos alunos sintam o valor da disciplina, sua
importância para a prática esportiva, promoção de saúde, bons hábitos alimentares,
socialização, que estes conteúdos sirvam de incentivos para os pais e responsáveis
quando procurarem alternativas fora da escola, muitas vezes pagam por aulas extra-
curriculares como as escolinhas de futebol, lutas e natação, por entenderem as
necessidades dos seus filhos, e as vezes isto acontece sem muito critério e
avaliação, simplesmente porque um outro colega já faz, está na moda, é legal. I
Imaginamos que o papel da Educação Física escolar estagnou-se em alguns
conteúdos pragmáticos e não se reflete a importância de temas e conteúdos
importantes que permeiam o campo da Ed. Física e não são explorados por nossos
professores, talvez por acharem que está bom do jeito que está.
Acreditamos na importância desta temática por se tratar de crianças e pré-
adolescentes que estão iniciando um processo de formação e maturação física e o
papel do professor de Educação Física é fundamental na escolha de atividades e
conteúdos que irão abordar diversos temas relacionados nesta formação inicial que
será a base, o pilar para aquisição da aptidão física, de interesse pelas atividades
físicas, que elas possam obter conhecimento e informações que serão importantes
ao logo de sua jornada escolar. Somos nós professores que teremos os primeiros
contatos com estas crianças, é grande a confiança que elas depositam e maior
ainda deve ser a nossa responsabilidade. Por isto enfatizamos a importância de uma
Ed. Física para esta faixa etária que reflita, discute, explore seus conteúdos com
qualidade e eficiência.. Entendemos que bons hábitos e bons costumes se adquirem
muito na infância e a Educação Física em sintonia com as outras atividades que
qualquer criança exerça no seu cotidiano escolar e social se torna uma ferramenta
muito importante na construção desta formação.
No sentido do objetivo deste artigo de fazer uma reflexão sobe a Educação
Física escolar nas séries iniciais e ensino fundamental l, abordando os conteúdos e
práticas, de esclarecer a especificidade da disciplina para este segmento, abordando
24

o relacionamento entre professor e aluno além de apontar as mudanças ocorridas no


pensamento pedagógico e filosófico nas ultimas décadas, percebemos que muitos
autores defendem que a cultura corporal se constitui no conhecimento que deve ser
pedagogicamente transmitido/refletido, configurando os conteúdos de ensino-
aprendizagem de uma Educação Física escolar crítica e atuante. Vislumbra-se
também uma necessidade constante de superar os reducionismos que têm
caracterizado a prática da Ed. Física escolar e as concepções discutidas
anteriormente.
Com relação ao papel do professor e a relação professor aluno percebemos
que deve ter como ponto de partida uma análise contextualizada dos conteúdos
valorizando a sua prática, que ele possa ter argumentos teóricos que vá sustentar
suas decisões para que possa haver a problematizarão e a busca de soluções, para
que os alunos possam ser estimulados a agir como sujeitos ativos de práticas
importantes no seu cotidiano escolar. A partir de suas iniciativas, ele deve favorecer
o diálogo dos alunos entre si e com o professor, mas sem deixar de valorizar o
diálogo com a cultura acumulada historicamente; levar em conta os interesses dos
alunos, os ritmos de aprendizagem e o desenvolvimento psicológico, mas sem
perder de vista a sistematização lógica dos conhecimentos, sua ordenação e
gradação para efeitos do processo de transmissão-assimilação dos conteúdos. O
professor deve, também, procurar estabelecer os nexos e mediar as situações de
conflitos que surgem da interação dos alunos com o meio social e cultural que se
refletem na aula, provocando um ambiente de reflexão, trocas e decisões
superadoras das situações-problema.
Sobre as competências da Educação Física Escolar, merece destaque a
análise da especificidade da Educação Física escolar para esta faixa etária, o
conhecimento preliminar das capacidades individuais dos alunos embasados em
fundamentos teóricos coerentes, valorizando as atividades voltadas para o
movimento e motricidade humana na busca do desenvolvimento individual destes
alunos.
Sobre os temas e conteúdo das aulas, percebemos que o planejamento
curricular deve obedecer a critérios teóricos e pedagógicos específicos, são crianças
em fase de maturação física, o professor deve estar atendo no significado e
objetivos das aulas, não é simplesmente propor atividades recreativas e lúdicas,
deve perceber situações problemáticas e conflitantes entre os alunos buscar
25

alternativas que enriqueça o programa curricular, motivar, surpreender seus alunos,


criar uma expectativa em torno das suas aulas, que cada aula seja uma novidade
para seus alunos contribuído no seu desenvolvimento físico, social, cognitivo etc.
Com base nas informações colhidas e analisadas neste estudo percebemos
que o ensino da Educação Física na perspectiva da cultura corporal pressupõe uma
dinâmica didático-pedagógica importante para esta faixa etária, pois estará refletindo
uma vivência lúdica e sócio-comunicativa de práticas relacionadas aos jogos e
brincadeiras populares, aos esportes, atletismo, às lutas, às ginásticas e à dança
(entendida como possibilidades de expressão rítmica do corpo).
Finalmente, entendemos a partir destas análises que é necessário mais
estudos e trabalhos direcionados para Educação Física escolar, apesar de
importantes mudanças ao logo destes anos discute-se muito sobre matrizes
filosóficas, identidades ideológicas e posturas políticas das diferentes abordagens,
mas a prática pedagógica nas escolas segue de acordo com as orientações da velha
e tradicional educação física, quando elas são conhecidas, ou mesmo sem
nenhuma orienta o pedagógica específica.
Há uma necessidade de pesquisas que forneçam conhecimentos e
instrumentos didático-pedagógicos que orientem a tomada de decisão dos
professores, ou seja, conhecimentos que possam auxiliar, de forma concreta, a
prática pedagógica. Muitas das informações obtidas neste estudo abordam uma
análise da situação. São informações diagnósticas que fazem uma leitura mais
precisa daquilo que já acontece na Educação Física escolar. Não são pesquisas
propositivas que sugerem novas formas de desenvolvê-la. Obviamente, esses
conhecimentos são relevantes, mas poderiam ser mais bem aproveitados se fossem
voltados para um público específico como o da educação infantil e ensino
fundamental l, uma vez que a escola é um espaço em constante mutação. Contudo
acreditamos que as reflexões aqui abordadas possam auxiliar o professor de Ed.
Física no sentido de elaborar suas aulas de maneira mais crítica e conceitual, que
ele possa estar mais perto de uma Ed. Física que problematize, critique, traga
soluções e promova a qualidade das aulas.
26

6 – REFERÊNCIAS

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