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Literatura e Ensino UNIDADE 03 AULA 10

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

A literatura nos exames de


seleção: Vestibular e Enem

1 Objetivos de aprendizagem

„„ Conhecer a história do vestibular no Brasil;


„„ Reconhecer os reflexos do vestibular nas
aulas de literatura no Ensino Médio;
„„ Compreender o Enem como um exame que se
disseminou nos últimos anos recebendo a adesão
de um grande número de universidades;
„„ Discutir sobre os reflexos do Enem nas aulas
de literatura no Ensino Médio.
A literatura nos exames de seleção: Vestibular e Enem

2 Começando a história

Caro estudante.

A partir de agora, discutiremos sobre um assunto vivenciado por boa parte da


população brasileira, mas pouco discutido no que se refere aos seus aspectos
históricos, principalmente os exames de seleção mais praticados pelas universidades
brasileiras – Vestibular e Enem.

Desde quando existe o vestibular? De que maneira os conteúdos relativos à


literatura são focados no vestibular? Qual o reflexo do vestibular no Ensino Médio?
De que maneira os conhecimentos acerca da literatura aparecem na prova do
Exame Nacional de Ensino Médio?

Essas são perguntas que geralmente fogem aos nossos domínios curriculares,
mas cujas respostas são de suma importância para entendermos melhor as razões
que motivaram o contexto no qual estamos inseridos, contexto esse que, grosso
modo, vem colocando em xeque o ensino de literatura no nível médio devido ao
“adestramento” pelo qual vêm passando os estudantes, cuja finalidade parece
ser, única e exclusivamente, a aprovação nesses exames.

Diferentemente do Ensino Fundamental, em que ainda é possível se discutir sobre


literatura, inclusive como conteúdo extracurricular, no Ensino Médio, professores
e alunos, de um modo geral, estão voltados para técnicas e macetes de como
se chegar a um bom resultado nos exames de vestibular e no Enem. Isso inclui,
por exemplo, a leitura de resumos de obras literárias disponibilizados na Internet
e que, embora não substituam, de forma alguma, a leitura da obra na íntegra,
têm auxiliado os candidatos, mas apenas em seu processo de “adestramento”
para as provas.

Em linhas gerais, podemos afirmar que o fato de os conteúdos curriculares


serem avaliados por meio de questões de múltipla escolha – como acontece
tanto em grande parte dos vestibulares quanto no Enem –, na maioria dos
casos, não avaliam de fato o nível de leitura/interpretação/compreensão do(a)
candidato(a), e esse aspecto, basicamente, tem colocado em risco o ensino de
literatura no nível médio.

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3 Tecendo conhecimento

3.1 Vestibular no Brasil

Segundo Claudete Amália (2003), historicamente, o vestibular no Brasil é um


evento que remonta ao ano de 1911 e é caracterizado pelo seu aspecto seletivo
dos alunos “mais capacitados” para o ensino superior, excluindo, consequentemente,
aqueles considerados menos capacitados. Certamente, esse é um dos aspectos
do vestibular que sempre incomodou e continua incomodando a população
brasileira, porque é decorrente, naturalmente, de uma política educacional que
privilegia as classes econômicas mais favorecidas, devido às suas melhores
condições de aprendizagem, bem como ao acesso a melhores escolas e, portanto,
melhores condições de ensino.

Nos últimos anos, mais especificamente nas


Figura 1
últimas gestões presidenciais, como forma
de inclusão dos alunos provenientes das
classes menos favorecidas e, portanto, de
democratização do ensino superior, foram
criados programas como o Prouni e o Sistema
de Cotas, que têm possibilitado o ingresso desses candidatos ao ensino superior,
embora sem refletir diretamente no formato do vestibular. Esses programas têm
provocado grande debate da população de um modo geral, quanto à sua validação,
principalmente aquele relativo ao sistema de cotas para negros e indígenas, haja
vista que, por si só, essa é uma questão de ampla complexidade, já que definir
etnia num país tão miscigenado como o Brasil é tarefa das mais difíceis.

O vestibular constitui, assim, evento que está intimamente ligado ao Ensino


Médio (ou como se chamava anos atrás: ensino secundário), pois os alunos
desse nível de ensino compõem o público-alvo do vestibular, constituindo a
sua grande maioria. Por essa razão, a relação entre vestibular e Ensino Médio é
bastante estreita, uma vez que este, de um modo geral, estrutura-se de acordo
com as dinâmicas daquele, principalmente nas escolas privadas, cujos conteúdos
curriculares têm praticamente se restringido aos conteúdos apresentados nos
programas dos vestibulares. Noutras palavras, ressaltamos aqui que, de um modo
geral, os conteúdos curriculares específicos do Ensino Médio correspondem aos
conteúdos contemplados nos programas dos vestibulares, com uma pequena
diferença: para dar conta dos programas dos vestibulares, muitas vezes as
escolas se restringem a eles, abrindo mão de conhecimentos outros. A cultura
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dos cursinhos pré-vestibulares, sobretudo, tem alimentado essa prática, bem


mais comum nas escolas privadas, ao contrário das escolas públicas, que ainda
mantêm os conteúdos exigidos para a formação no Ensino Médio, sem se
colocarem estreitamente submetidas ao que se exige no exame vestibular. O
ensino público mantém-se na perspectiva de se trabalhar o conteúdo relativo
ao Ensino Médio, que, como consequência, reflete no exame vestibular e não o
contrário. Já as escolas particulares e os cursinhos se concentram no trabalho em
sala de aula com os tais “macetes”, no sentido de instrumentalizar os alunos para
responder às questões a que se submetem nos exames vestibulares, abrindo mão
da aquisição do conhecimento de forma mais reflexiva e menos mecânica. Esse
fenômeno se deve ao fato de o vestibular, pelo seu aspecto geral de objetivação,
ser estruturado com questões de múltipla escolha, o que impede o candidato de
apresentar seu domínio nos conhecimentos em forma de reflexão mais subjetiva,
privilegiando-se, assim, uma forma extremamente mecanicista.

Entre outras mudanças, [...] a introdução dos testes de múltipla escolha talvez
tenha sido o aspecto sobre o qual recaiu a parte mais incisiva da crítica à
nova sistematização. A presença dessa modalidade de provas trouxe, entre
outras conseqüências para o ensino, a difusão dos cursinhos pré-vestibulares.
Operando a partir de uma lógica empresarial, os cursinhos funcionam fazendo
com que os estudantes acreditem ‘que a preparação deve ser de última hora’.
[...] Especializando-se em dar ‘dicas’ de como responder ao tipo de questão
proposta pelo vestibular, são consideradas como instituições ‘treineiras’ para
as referidas provas. (ANDRADE, 2003, p. 28).

Esse caráter “treinador” dos cursinhos atualmente se reflete nas escolas de


Ensino Médio, tanto que algumas delas se nomeiam “Colégio e Curso”, com o
objetivo de oferecer à população de um modo geral, além das aulas normais
do ensino médio, cursos pré-vestibulares. Porém, o que acontece de fato é a
transformação das próprias aulas conteudísticas do currículo do Ensino Médio
em “dicas” de como responder às questões dos vestibulares. Prova disso são as
avaliações escolares, cujas questões são retiradas de exames vestibulares das
universidades locais e de outros estados brasileiros.

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Uma análise dos programas oficiais no modelo brasileiro de educação mostra


sua ênfase no conhecimento quantitativo; para ter sucesso acadêmico, a
atenção e os interesses dos alunos precisam estar voltados para a aquisição
de um saber acrítico e memorizável.(LEAHY-DIOS, 2004, 35-36).

Trata-se, portanto, de um tipo de ensino massificado, pouco ou nada preocupado


com a qualidade, mas com a quantidade de alunos aprovados no vestibular:
quanto mais se aprova, mais credibilidade o colégio tem junto à sociedade como
um todo e, consequentemente, mais ganho em capital, o que comprova que
a educação tem se tornado uma “indústria do saber”. Os alunos são chamados
de clientes e, uma vez ingressados nas faculdades particulares, continuam na
condição de clientes que pagam por um serviço.

[...] A sobrevivência das escolas depende em larga escala dos resultados


obtidos nos exames. [...] e, por enquanto, os exames vestibulares representam
a certeza oficial da homogeneidade de conhecimentos e a identidade cultural
dos valores de classe média na educação literária.(LEAHY-DIOS, 2004, 37).

Podemos dizer, assim, que o vestibular se caracteriza, hoje, como um rito de


passagem, ao qual podem se submeter todos os que têm formação no nível
médio, seja profissionalizante ou não, mas pelo qual só têm condições reais de
ser aprovados aqueles que dispõem de melhores condições econômicas e que
podem se inserir nessa condição de clientes. Não podemos deixar de distinguir
aqui que esse fenômeno ocorre em maior ou menor grau de acordo com a área
na qual o(a) candidato(a) pretende ingressar. Ou seja, quanto mais concorrido
o curso (Medicina, Computação, Direito, por exemplo), mais dificuldades o
candidato encontra. Isso significa dizer que, nos cursos de licenciatura, têm
ingressado as pessoas provenientes das camadas menos favorecidas, uma
vez que corresponde à área de menor concorrência. Dito de outro modo, os
problemas da educação têm raízes profundas nas condições socioeconômicas,
seja na formação do professor, seja na infraestrutura das escolas públicas, seja nos
salários dos professores, tanto das escolas públicas quanto das escolas privadas.

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3.2 Qual o espaço da literatura nesse contexto?

Figura 2 Infelizmente, o espaço da literatura se reduz a


quase nada, pois livro é produto cultural que
custa caro. E bibliotecas públicas é algo que,
em nosso país, não se vê com naturalidade,
ou seja, não se vê em quantidade suficiente
para atender a população.

Nesse contexto de precariedade, Magda Soares, ao tratar da democratização da


leitura, faz-nos um alerta e faculta-nos (a nós professores e futuros professores
de língua e de literatura) uma responsabilidade:
O alerta é que, reconhecendo que a distribuição eqüitativa
deste bem simbólico que a leitura é condição para
uma plena democracia cultural, é preciso reconhecer
também que os obstáculos a essa distribuição, isto é, à
democratização da leitura, são fundamentalmente de
natureza estrutural e econômica, ultrapassando, assim, os
limites de nossas possibilidades como educadores, mas,
por outro lado, obrigando-nos, como cidadãos, à luta
contra a desigual distribuição dos bens simbólicos, entre
eles, a leitura. A responsabilidade é que, reconhecendo
que a leitura, particularmente a leitura literária, além de
dever ser democratizada, é também democratizante,
nós, os educadores comprometidos com a formação de
leitores, devemos assumir essa formação não apenas como
desenvolvimento de habilidades leitoras e de atitudes
positivas em relação à leitura, mas também, talvez sobretudo,
como possibilidade de democratização do ser humano,
conscientes de que, em grande parte, somos o que lemos,
e que não apenas lemos os livros, mas também somos lidos
por eles (SOARES, 2004, p. 32).

É, portanto, caro estudante e futuro professor de literatura, sob essa perspectiva


de distribuição desigual do bem simbólico, ou do produto cultural, que é a leitura,
que devemos pensar a questão da literatura no vestibular. Desde o seu surgimento,
a instituição vestibular vem passando por diversas modificações, conforme aponta
Claudete Amália (2003). Primeiramente, destacamos, com base no seu estudo,
a inclusão da prova de redação, em 1978, ocasionada pelo fato de o formato da
questão de múltipla escolha não avaliar o nível de conhecimento do aluno em
língua portuguesa. Essa atitude é, ainda hoje, passível de muitas críticas, uma
vez que elimina os alunos das classes menos favorecidas, considerando que estes
vêm de um ensino público precário, dentre outros aspectos. A introdução da
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literatura no vestibular tem, portanto, como objetivo inicial, minimizar problemas


de escrita encontrados nas redações, acreditando-se na máxima que diz que
“quanto mais se lê, melhor se escreve”:

No entanto o fato de simplesmente incluir a leitura de literatura não resolveu


o problema, inclusive por ser um programa restrito a obras clássicas. Uma vez
mais nos vemos diante de um fenômeno segregacionista dos alunos de escolas
públicas, ou mais especificamente, dos alunos de baixa renda, de um lado, porque
tais escolas, de um modo geral, não dispõem de um bom acervo de livros, ou
seja, mal possuem bibliotecas; por outro, por privilegiar a norma padrão da língua
portuguesa, através dos chamados clássicos, desconsiderando as variedades
linguísticas, inclusive como aspectos de nossa riqueza cultural, bastante presente
na literatura, sobretudo a partir dos modernistas. Reconhecendo, talvez, esse
problema, além da necessidade de contemplar a literatura contemporânea,
inclusive produzida por escritores ainda vivos, em 1993 incluíram-se, através
do Conselho de Graduação da USP, obras de dois escritores contemporâneos:
Rubem Fonseca e José Saramago.

O que testemunhamos, assim, é que, desde 1993, a literatura contemporânea de


língua portuguesa tem ocupado espaço cativo nas listas de obras dos vestibulares
do Brasil. As razões, conforme já vimos com Claudete Amália, são as mais
pertinentes: o principal problema recai, ainda, sobre a condição econômica dos
estudantes, sobretudo, de escolas públicas, cujas condições para se promover a
leitura e, consequentemente, a formação de leitores são as mais precárias. Além
disso, não podemos deixar de assinalar que é também bastante frágil o nível de
leitura de boa parte dos professores das escolas públicas, dos quais a maioria
sequer conhece tais escritores.

De toda maneira, a inclusão dessa produção literária nas listas dos vestibulares tem
como fator positivo a disseminação desses escritores que formam o novo cenário
da literatura brasileira, proporcionando, por meio deles, e pressupostamente,
um diálogo mais vivo dos alunos-leitores-candidatos com tais obras. O problema
está no fato de boa parte dos candidatos se restringir à leitura dos resumos e
não às obras na íntegra, e isso se deve, em certa medida, ao trabalho realizado
pelas escolas que, no geral, priorizam o “adestramento” do estudante e não
exatamente a sua formação como um todo.

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3.3 A literatura no Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado em 1988 pelo então ministro
Paulo Renato e, naquela versão, tinha como objetivo avaliar anualmente o
aprendizado dos alunos do Ensino Médio em todo o país e, a partir dos resultados
dessa avaliação nacional, elaborar políticas buscando a melhoria do ensino,
tendo como base os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Médio
e Fundamental. O Enem foi, portanto, a primeira grande iniciativa de avaliação
de ensino implantada no Brasil. E, nessa primeira versão, o Enem não constituía
exame de ingresso nas universidades brasileiras. Foi a partir de 2009 que o Exame
Figura 3 recebeu o novo formato que se mantém
até hoje, atraindo, a cada ano, a adesão de
universidades. Além disso, o Exame passou
a constituir, também, meio de aquisição de
bolsas em universidades particulares através
do ProUni - Universidade Para Todos.

E como ficam os conteúdos literários nessa nova realidade, ou seja, nessa nova
prática de avaliação?

Caro estudante e futuro professor de literatura, não muda muito. A prova de


Linguagens, Códigos e suas Tecnologias mantém o formato das questões de
múltipla escolha. A diferença talvez esteja no fato de, no programa do Enem,
não aparecem sugestões de leitura obrigatória de obras específicas, como nos
vestibulares de um modo geral. O programa apresenta como conteúdos de
literatura a serem estudados para a prova os principais autores e movimentos da
literatura brasileira e da literatura portuguesa, ou seja, constituem os conteúdos
curriculares “exigidos” no Ensino Médio.

Em notícia veiculada no Portal Terra, em 11 de outubro de 2011, professor de Porto


Alegre, Luís Augusto Fischer, alerta para o fato de o Enem prejudicar o ensino
de literatura no nível médio. De que maneira? Ora, para Fischer, e podemos
perfeitamente concordar com ele, literatura é assunto de muita complexidade,
já que, no texto literário, quando analisado, inclusive em situações de prova,
devem ser considerados os conhecimentos relativos à sua história, ao enredo,
às características do autor, bem como às questões que envolvem o contexto em
que foi produzido. O prejuízo se dá, portanto (e aqui verificamos semelhança com
o que discutimos anteriormente sobre o vestibular), na maneira como o Enem
se reflete no ensino, uma vez que a escola se molda às formas de ingresso nas
universidades. Vejamos o que afirma o professor:“Na escola brasileira, a literatura
tem sido porta de acesso não apenas a livros, mas também a outras artes. Sem
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isso, parece que vamos perder esse acesso, além de perdermos parte importante,
talvez fundamental, da formação cultural dos alunos nesses campos”. Por que,
exatamente, o professor faz esse alerta? Abaixo reproduzimos parte da notícia
da qual extraímos esse depoimento para entendermos melhor a questão de
que trata o professor.

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com
base nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 1998 a 2010
apontou que poesias e letras de canções aparecem em 42% das questões de
literatura. Romances estão presentes em cerca de 12% das perguntas, e contos
em apenas 3%. Enquanto isso, histórias em quadrinhos ocupam 19% do teste.

O estudo mostra que há, por ano, uma média de 13% de questões que
mencionam textos literários e semiliterários. Além disso, a frequência de
autores foi considerada baixa ao se avaliar todos os testes, de 1998 a 2010
(inclusive a prova de 2009 que vazou). Carlos Drummond de Andrade apareceu
19 vezes; em segundo lugar, vêm Machado de Assim e Manuel Bandeira, com
sete citações. Nenhum outro autor aparece mais de cinco vezes. Graciliano
Ramos e João Cabral aparecem três vezes cada, menos do que Jim Davis, do
Garfield, e Bob Thaves, da tira Frank e Ernest, com quatro referências cada.

http://noticias.terra.com.br/educacao/enem/noticias/0,,OI5404391-
EI8398,00-Professor+diz+que+Enem+pode+prejudicar+ensino+de+lite
ratura

3.4 E agora o que fazer?

Mediante esse quadro um tanto desfavorecedor para a literatura, perguntamo-


nos: o que fazer?

Bom, acreditamos que encerramos esse componente curricular abordando dez


temas relacionados às problemáticas em torno do ensino de literatura e que
alcançamos a nossa meta: motivar os estudantes (futuros professores) para a
riqueza do universo literário como instrumento de humanização, nos termos do
mestre Antonio Candido, já tão discutido em nossas aulas. A partir dessa tomada
de consciência ou dessa sensibilização, podemos mudar nossa postura, como
pessoas, como leitores, como professores.
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Acreditamos, portanto, que os documentos que orientam o ensino de literatura


(PCNs e OCNs) possam servir de base para as nossas aulas. Mas acreditamos,
acima de tudo, que toda mudança nessa área de ensino de literatura parta do
cultivo do gosto pela leitura. Noutras palavras, é só gostando muito de ler que
podemos transmitir, para nossos alunos, a importância da leitura nas nossas
vidas, na nossa formação humana.

Exercitando

Agora, caro estudante, vamos exercitar um pouco, observando algumas questões


de literatura extraídas de exames de vestibular e do Enem?

Busque na Internet provas de Língua Portuguesa do vestibular da Coperve de


2013 e do Enem 2013.

Selecione uma questão de literatura de cada exame e procure respondê-las.


Ao final, compare suas respostas com o gabarito e discuta no Fórum sobre as
conclusões a que chegou.

4 Aprofundando seu conhecimento

Nos sites abaixo relacionados, você encontrará notícias sobre vestibulares do


Brasil e sobre o Enem dos últimos anos. Procure ler as matérias e refletir um
pouco sobre o assunto.
àà http://veja.abril.com.br/tema/enem-e-vestibulares
àà http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/pedagogia-garfield-644833.shtml

5 Trocando em miúdos

Nessa décima e última aula de “Literatura e Ensino”, procuramos promover uma


discussão sobre os exames de seleção mais comuns no processo de ingresso
às universidades brasileiras, quais sejam o vestibular e o Enem. Por meio de um
percurso histórico, apresentamos o vestibular como o exame mais antigo para a
entrada nos cursos de ensino superior, datando, assim, de 1911. O Enem, por sua
vez, teve início em 1988 e, nas suas primeiras versões, servia apenas como um
instrumento de avaliação do Ensino Médio no Brasil, com o objetivo de contribuir
para a elaboração e prática de políticas públicas voltadas para a melhoria da
educação. A partir de 2009, o Enem passou a funcionar como exame de seleção
para ingresso às universidades, configurando, hoje, um dos mais importantes do
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país, com a adesão da maioria das universidades públicas e particulares. Aliados a


essas informações mais históricas, verificamos qual o espaço da literatura nesses
exames e como isso se reflete no Ensino Médio. Verificamos, portanto, que o
Ensino Médio, sobretudo nas escolas particulares, configura-se atualmente pela
sua natureza “treineira”. No entanto, ressaltamos que o indivíduo que sabe ler,
que lê com autonomia, com senso crítico, com criatividade, desenvolve diversos
tipos de capacidade para a sua vida de um modo geral, incluindo a participação
em exames desses tipos.

6 Autoavaliando

Tente fazer, agora, um levantamento do repertório de leitura que você construiu


ao longo de sua vida de estudante e de professor, se for o caso.

Eleja os autores e obras que você já leu, dos quais você tem vasta lembrança,
tanto no que se refere aos próprios textos, quanto no que se refere aos contextos
dos quais esses textos fazem parte.

Busque na Internet algum exame de vestibular que tenha contemplado algum(ns)


desse(s) autor(es) e procure resolver a questão. Então, a que resultado você chega?
Sua leitura ainda está valendo para responder à(s) questão(ões)? Ou ler apenas
os resumos das obras é suficiente para resolver a prova?

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Referências

ANDRADE, Claudete Amália Segalin de. Dez Livros e uma vaga: a leitura de
literatura no vestibular. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2003.

“Exame Nacional do Ensino Médio”. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/


wiki/Exame_Nacional_do_Ensino_M%C3%A9dio>. Acesso em:1 dez. 2012.

LEAHY-DIOS, Cyana. Educação literária como metáfora social: desvios e rumos.


2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

“Professor diz que Enem pode prejudicar ensino de literatura” Disponível


em:<http://noticias.terra.com.br/educacao/enem/noticias/0,,OI5404391-EI8398,00-
Professor+diz+que+Enem+pode+prejudicar+ensino+de+literatura>. Acesso
em:1 dez. 2012.

SOARES, Magda. Leitura e democracia. In: SANTOS, Maria Aparecida Paiva Soares
dos. et al. Democratizando a leitura: pesquisas e práticas. Belo Horizonte: Ceale;
Autêntica, 2004. p. 17-32.

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