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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música?

 – Observador

CULTURA » MÚSICA

Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música?


31 Janeiro 2017 

José Carlos Fernandes

Philip Glass, que faz 80 anos dia 31, é um dos fundadores do
minimalismo, a sua prolífica carreira atravessa cinco décadas
e há quem o considere o mais influente compositor vivo.

O Grande Divórcio

A música erudita e o público mantêm há décadas relações frias e
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distantes. Há quem ponha as culpas do afastamento na preguiça e
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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

conservadorismo do público, há quem culpe Karlheinz Stockhausen,
Iannis Xenakis e Pierre Boulez e outros vanguardistas radicais por
produzirem música demasiado complexa e intelectualizada e até de
estarem a marimbar­se para o público. Há quem faça recuar o
arrefecimento das relações até à Segunda Escola de Viena – Arnold
Schoenberg, Alban Berg e Anton Webern – que, há cerca de um século,
rejeitou a linguagem tonal, vista como esgotada e cerceadora da
criatividade, e desenvolveu a dodecafonia e o serialismo.

Em resultado deste divórcio, tornou­se impensável que o falecimento de
um grande compositor do nosso tempo possa causar uma comoção
pública similar à que foi desencadeada pela morte de Verdi, cujo funeral
de Estado (que teve lugar um mês depois de um discreto funeral
privado), congregou 300.000 pessoas, o que faz dele a cerimónia
fúnebre mais concorrida na história de Itália.

Funeral de Verdi, 27 de Fevereiro de 1901

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Até a morte de uma figura tão influente como Pierre Boulez, em Janeiro
de 2016, terá passado despercebida à maioria das pessoas, embora
tenha sido objecto de notas necrológicas nos media – como observou
maliciosamente G.K. Chesterton, “o jornalismo consiste em anunciar
que Lord Jones morreu a pessoas que nunca souberam que ele estava
vivo”. De qualquer modo, as suas facetas de maestro e de polemista
eram bem mais conhecidas do que a de compositor (é improvável que
um leitor deste texto tenha passado o serão de ontem a degustar Le
marteau sans maître). Mas enquanto a morte de Boulez foi noticiada,
os outros compositores de renome falecidos em 2016 – Peter Maxwell
Davies, Einojuhanni Rautavaara e Pauline Oliveros – não despertaram a
atenção dos media generalistas fora dos respectivos países.

Ao contrário das estrelas pop, cuja extinção provoca ondas de choque
nos media e nas redes sociais – o Facebook e o Twitter passaram boa
parte de 2016 ataviados com laços de crepe negro, chorando as partidas
de Cohen, Bowie, Prince e George Michael – os compositores eruditos já
não cativam a atenção das massas nem – o que é mais inquietante – das
elites.

Quem são as grandes figuras da música do nosso tempo?

Se no século XIX se perguntasse quem eram os maiores compositores
vivos, a lista não coincidiria com o cânone hoje em vigor, mas teria
muitos nomes em comum. Se, por exemplo, a questão fosse posta em
1825, poderia faltar Schubert, que só foi reconhecido tardiamente, e
poderiam surgir bem colocados compositores que entretanto perderam
alguma popularidade, como Spohr e Hummel, ou quase desaparecem do
radar, como Clementi ou Reicha, mas estariam lá Beethoven, Donizetti,
Bellini, Rossini, Meyerbeer e Weber. E, o que é mais relevante, a
resposta não seria muito diferente se se questionassem os melómanos
comuns e os “especialistas”.

Se a pergunta sobre quem são os “grandes compositores vivos” fosse
feita hoje, os “especialistas” listariam os nomes de Helmut
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Thomas Adès, Harrison Birtwistle, Tristan Murail, Unsuk Chin, Magnus
Lindberg, Pascal Dusapin, Bruno Mantovani, Jörg Widmann, George
Benjamin e Brian Ferneyhough.

Página da partitura de Désintégrations, de Tristan Murail

Porém, o melómano médio não só não escolheria nenhum deles como
não conhece a sua música ou sequer reconhece os seus nomes. Na
verdade, o cânone do melómano médio de hoje tem o seu centro de
massa no século XIX e admite poucos compositores cujas carreiras se
tenham desenvolvido após a II Guerra Mundial. A sua lista de
compositores vivos seria encimada por Philip Glass, Steve Reich,
Michael Nyman, Arvo Pärt, Max Richter, Wim Mertens e John Adams,
que, não por coincidência, pertencem todos à escola minimal­repetitiva
(a designação é útil, mesmo que alguns dos compositores nela arrolados
rejeitem tal classificação e outros, embora colhendo nela influências,
tenham evoluído noutras direcções).
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As obras fundadoras do minimalismo surgiram na década de 60, pela
mão de quatro compositores nascidos com escasso intervalo entre si:
Terry Riley (n. 1935), La Monte Young (n.1935), Reich (n. 1936) e Glass
(n. 1937). Porém, Riley e Young nunca conseguiram expandir­se para
fora do círculo restrito de especialistas e mesmo os críticos os citam com
mais frequência do que os ouvem. Na nova geração de compositores
minimais que tem vindo a ganhar notoriedade nos últimos anos, a
principal referência é Philip Glass, não Reich e muito menos Riley ou
Young. Entre eles estão nomes como Max Richter e Jóhann Jóhannsson
e “rockers eruditos” como Bryce Dessner (dos The National) e Jonny
Greenwood (dos Radiohead), cujas composições “clássicas” foram
editadas pela respeitável Deutsche Grammophon. Os nomes mais
aclamados da nova geração minimalista são Nico Muhly, que foi
assistente de Glass, e Max Richter, que antes de se lançar a solo fez
parte do Piano Circus, um ensemble de pianos criado para tocar obras
de Glass, Reich, Pärt e Brian Eno.

Sobre Reich já aqui se escreveu há umas semanas (Steve Reich aos 80:
Este disco não está riscado), vejamos como é que o segundo alcançou
tão invejável estatuto.

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“O minimalismo acabou em 1974”

Philip Glass nasceu a 31 de Janeiro de 1937 em Baltimore, no seio de
uma família judaica (tal como Steve Reich). A mãe de Glass era
bibliotecária e o pai era dono de uma loja de discos, o que permitiu que
Glass se familiarizasse desde novo com a música erudita. Após ter
revelado talentos musicais e intelectuais precoces, entrou aos 15 anos
para a Universidade de Chicago, onde estudou matemática e filosofia, e
passou uma temporada em Paris, antes de ingressar na prestigiada
Juilliard School of Music, em Nova Iorque, onde estudou piano. Por esta
altura, Glass começou a rejeitar o serialismo, que se tornara na
linguagem “obrigatória” da vanguarda, e centrou as suas preferências
em compositores do século XX que se tinham mantido à margem desta
corrente, como Aaron Copland, Charles Ives e Virgil Thomson. Não foi
por acaso que escolheu prosseguir os estudos musicais em Paris, entre
1964 e 1966, com Nadia Boulanger, que fora professora de Copland e
Thomson.
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A estadia parisiense colocou­o em contacto com a vanguarda teatral e
cinematográfica europeia e levou­o a envolver­se na direcção musical de
peças de teatro e a colaborar com Ravi Shankar na composição da banda
sonora do filme experimental “Chappaqua”. O encontro com Shankar
foi decisivo para a sua evolução como compositor: rejeitou tudo o que
escrevera até aí e passou a trabalhar com as estruturas repetitivas da
música indiana. Passou uma temporada na Índia em 1966 e de regresso
a Nova Iorque, fundou, em 1967­68, o Philip Glass Ensemble, que seria,
nos primeiros anos de carreira, o veículo para dar a conhecer as suas
composições. Mas as suas primeiras peças, compostas sob a influência
da sua experiência indiana e das primeiras obras de Steve Reich,
estavam afastadas do gosto do establishment, pelo que, para pagar as
contas, Glass foi obrigado a exercer actividades tão pouco musicais
como motorista de táxi e canalizador.

Os títulos das suas primeiras peças denunciam, tal como os das peças de
Reich, a deliberada frieza e aridez dos processos composicionais: Music
in fifths (1969), Music in similar motion (1969), Music with changing
parts (1970), Music in twelve parts (1971­74).

[Music in fifths:]

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Philip Glass - Music In Fifths

No entender de Glass, Music in twelve parts é um ponto de viragem na
sua carreira: ele admite que o que compusera até então podia ser
classificado como “minimal”, mas que Music in twelve parts representa
a súmula e a culminação das suas explorações nesse domínio e rejeita o
termo “minimalismo” para o que compôs daí em diante – “o
minimalismo acabou em 1974” –, preferindo defini­la como “música
com estruturas repetitivas”.

As “etiquetas” e as “escolas” podem ser úteis para quem escreve sobre
música, mas são sempre aproximações muito imperfeitas e facilmente
podem degenerar em usos abusivos e estereotipados (uma acusação
frequentemente feita à crítica musical). Porém, mesmo que tenha
havido mudanças no processo composicional de Glass de 1974 em
diante, qualquer pessoa que tenha paciência para ouvir as três horas e
meia de Music in twelve parts reconhecerá, apesar das proclamações
programáticas do compositor, o leque de fórmulas que iriam sustentar a
copiosa produção de Glass nas quatro décadas seguintes.

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[Versão integral de Music in twelve parts: são três horas e meia de
música]

Philip Glass - Music in Twelve Parts (Full)

As três primeiras óperas

Glass deixou o círculo, então restrito, dos devotos do minimalismo e
chegou a um público alargado com a estreia em 1976 da ópera Einstein
on the beach, desenvolvida em estreita colaboração com Robert Wilson,
parceria que viria a produzir outras obras maiores da carreira de Glass.
Einstein on the beach contém muitas das características que viriam a
marcar a produção operática de Glass: ausência de um enredo no
sentido convencional do termo, fragmentação cronológica da ópera
(fazendo por vezes coexistir ostensivamente diferentes épocas numa
mesma cena), cruzamento de referências culturais, personagens que
retomam importantes figuras históricas e reflexões sobre grandes temas
da actualidade.

[Excerto de “Einstein on the beach”]

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Einstein on the Beach - Philip Glass

Glass pode ser acusado de tudo menos de falta de ambição: antes de
escolher Albert Einstein como personagem central da sua primeira
ópera, Glass pensou em Chaplin, Hitler e Gandhi. Gandhi acabaria por
ser repescado para a sua segunda ópera, Satyagraha (1980) e a terceira,
Akhnaten (1984), teria por tema o faraó egípcio Amenhotep IV (também
conhecido pelo seu nome grego, Amenófis IV), que se rebaptizou como
Akhenaton e tentou impor ao Egipto o culto monoteísta do deus solar
Aton.

Não se tratam porém de óperas históricas no sentido usual do termo:
Einstein on the beach não é uma biografia operática de Einstein, mas
um conjunto de reflexões desgarradas sobre o mundo tecnológico do
final do século XX, usando os lugares­comuns associados à figura de
Einstein (a farta cabeleira branca, o bigode farfalhudo, as roupas
informais, o hábito de tocar violino) como um débil fio condutor. Na
verdade, nas quatro horas e meia de duração da ópera, o nome de
Einstein apenas surge duas vezes e tudo é mantido deliberadamente
vago e informe. Robert Wilson tratou de esclarecer que “não é preciso
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prestar atenção às palavras, pois elas não significam nada. Não estou a
dar­vos puzzles para que os resolvam, apenas imagens para ouvir”.

Se as palavras que o libretista escreveu não significam nada, a música
também não oferece muita substância. Quando tomada em trechos de
cinco ou seis minutos, Einstein on the beach pode ser encantatória; mas
quando ouvida na íntegra, é entorpecente. Os seus criadores parecem
ter estado conscientes disso, pois convidaram o público a entrar e sair
da sala quando assim lhe aprouvesse – o que faz de Einstein on the
beach menos uma ópera tradicional do que um happening.

[Excerto de Einstein on the beach: “Knee play 2”: as Knee plays são
peças que funcionam como uma articulação (daí a analogia com
“joelho”) entre diferentes cenas da ópera]

Einstein on the Beach - Knee Play 2

Satyagraha (1980) atém­se mais à vida de Gandhi do que Einstein on
the beach à de Einstein, mas tem a particularidade de fazer entrar em
cena outras personagens históricas – Lev Tolstoy, Rabidranath Tagore e
Martin Luther King, em papéis mudos – e de cruzar episódios da vida
de Gandhi na África do Sul, no âmbito da luta pela igualdade de direitos,
com eventos históricos afins que ocorreram noutras épocas e lugares,
nomeadamente uma batalha lendária mencionada no Bhagavad­Ghita, e
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a luta pelos Direitos Civis nos EUA dos anos 60.
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A consideração de Robert Wilson sobre a irrelevância das palavras em
Einstein on the beach parece ser também aplicável a Satyagraha, já que
o libreto, concebido conjuntamente por Glass e Constance de Jong, é em
sânscrito, uma língua morta.

[Excerto de Satyagraha, no Würtembergisches Staatstheater de
Stuttgart, quando da estreia da ópera, em 1984]

Satyagraha by Philip Glass (Excerpt)

Mostrando novamente o seu desprezo pelas palavras (ou pelo
entendimento que o público delas possa ter), o libreto de Akhnaten
(1984) é uma colagem de textos das mais diversas fontes, que são
cantados nas línguas originais: assim, além do inglês do narrador,
podem ouvir­se trechos em egípcio antigo, acadiano e hebraico antigo.
O único momento em toda a ópera em que uma personagem (que não o
narrador) canta numa língua não­morta é “Hino ao Sol” do II acto (em
inglês).

Tal como nas óperas anteriores, há momentos conseguidos: na cena do
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funeral de Amenhotep III, o moto continuo glassiano aliado à percussão
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ritual e ao texto extraído do Livro dos Mortos produzem um efeito
empolgante (com afinidades com o neo­primitivismo da Carmina
Burana de Carl Orff). Akhnaten, a ópera mais convencional da trilogia
que Glass designou como “opera portraits”, tem a seu favor a riqueza
tímbrica de uma grande orquestra (ainda que sem violinos), o que é um
notável progresso em relação a Einstein on the beach, concebida para os
magros efectivos do Philip Glass Ensemble: flautas, saxofones e
clarinetes baixo (três de cada) e uma dupla de órgãos eléctricos, cujo
timbre tem o condão de tornar ainda mais enervantes as usuais
cegarregas glassianas.

[Cena 1 de Akhnaten: funeral de Amenhotep III, o pai de Amenhotep
IV]

Akhnaten - Funeral of Amenhotep III

Música para filmes

Antes da estreia de Akhnaten, Glass deu outro passo decisivo para
dilatar o seu público: compôs a banda sonora para Koyaanisqatsi
(1982), um filme experimental realizado por Godfrey Reggio e
produzido por Francis Ford Coppola. O filme, que articula imagens de
paisagens naturais e humanas, não é exactamente um documentário,
havendo quem lhe chamasse um “poema sinfónico visual”: não possui
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providenciar o fio condutor. Reggio recorreu sistematicamente à
aceleração e desaceleração do tempo, um recurso hoje profusamente
usado (quantas vezes a despropósito), mas que, na altura, era inovador.

O termo “koyaanisqatsi” vem da língua dos índios hopi e significa “vida
em desequilíbrio” e o filme estabelece um contraste entre a imponência
e dignidade das paisagens naturais – quase sempre áridas e rochosas –
e a futilidade da agitação humana nas grandes urbes e a desolação e os
detritos que a civilização vai deixando atrás de si. Na cena final, um
foguetão eleva­se majestosamente no ar para explodir pouco depois,
sendo os últimos minutos ocupados com a interminável queda dos
destroços em chamas – mesmo sem palavras, a mensagem de Reggio é
óbvia.

[Final de Koyaanisqatsi]

Koyaanisqatsi - Ending Scene (Best Quality)

A música em incessante pulsação – seja ela lenta ou frenética – de Glass
não só é um complemento perfeito das imagens, como é das raras
partituras para cinema de Glass que sobrevive razoavelmente sem o
filme. O prestígio de Koyaanisqatsi fez com que Glass se tornasse muito
solicitado como autor de bandas sonoras: seguiram­se, entre outros,
Mishima (1985), de Paul Schrader, The thin blue line (1988) e A brief
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history of time (1991), de Errol Morris, bem como a sequela de
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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Koyaanisqatsi, Powaqqtasi (1988), que teria ainda um terceiro capítulo
em Naqoyqatsi (2002).

[Excerto de Powaqqtasi]

Powaqqatsi - Scene 1

Consagração

Entretanto, no mesmo ano de Koyaanisqatsi a CBS lançou Glassworks,
um disco que consolidaria definitivamente a popularidade de Glass, ao
apresentar as suas ideias – as mesmas de sempre, claro – em formato
compacto, o que lhe permitiu chegar a quem não tinha paciência para
uma ópera de quatro horas e meia. 1982 viu também surgir a ópera de
câmara multimédia The photographer (1982), baseada na vida do
fotógrafo Eadweard Muybridge. Em 1986 saiu mais um disco fulcral
para a aceitação de Glass fora dos meios eruditos: Songs from liquid
days é uma colecção de seis canções com música de Glass e letras de
Laurie Anderson, David Byrne, Paul Simon e Suzanne Vega, que ficam a
meio caminho entre a pop e a canção orquestral do Romantismo tardio.
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Consta que a CBS, que impôs o disco como forma de recuperar parte dos
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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

prejuízos incorridos com a gravação de Satyagraha, propôs a Glass que
Billy Joel cantasse uma das canções, mas Glass recusou e o nome mais
sonante no elenco vocal acabou por ser Linda Ronstadt. Foi uma decisão
atilada: Billy Joel era um nome demasiado conotado com música
comercial e Glass sempre zelou por manter uma aura arty.

[“Open the kingdom”, de “Songs from liquid days”, com a letra irónica
de David Byrne a ser servida por música empolada e estridente, que se
diria concebida para servir de banda sonora a uma cerimónia de
casamento da família real britânica]

Philip Glass - Songs From Liquid Days - 05 Open The Kingdom (Li…

Foi a partir do final da década de 1980 que, beneficiando do prestígio
conquistado, a carreira de Glass entrou na fase da produção em massa,
para atender as encomendas de obras que começavam a chover de todos
os lados.

Na ópera surgiram The making of the representative for Planet 8, com
libreto de Doris Lessing, composta em 1985­86 e estreada em 1988, e
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The voyage, destinada a comemorar os 500 anos da chegada de
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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Colombo ao Novo Mundo, encomendada pela Metropolitan Opera de
Nova Iorque, composta em 1990 e estreada em 1992.

[“Mechanical ballet”, de The voyage]

Philip Glass - Mechanical Ballet [from The Voyage]

Portugal, através da Comissão Nacional para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses também quis ter uma ópera composta pelo
compositor da moda. Glass, que acabara de compor The voyage,
começou por não manifestar interesse em regressar ao tema das viagens
marítimas ibéricas na viragem dos séculos XV­XVI, mas acabou por
reconsiderar e, em colaboração com Robert Wilson, compôs em 1991
White raven (O corvo branco), sobre libreto da escritora Luísa Costa
Gomes. A ópera estrearia a 26 de Setembro de 1998, no Teatro Camões,
em Lisboa, no âmbito da Expo 98.

[Excerto de White raven, numa récita no Teatro Real de Madrid, em
1998, com Ana Paula Russo (Rainha) e Yuri Batukov (Rei)]

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Portuguese Court - White Raven

Glass regressaria aos romances de ficção científica de Lessing com The
marriages between zones 3, 4 and 5 (1997) e faria uma dupla incursão
pela vida de grandes astrónomos, com Galileo Galilei (2002) e Kepler
(2009). Também reincidiria no tema da Guerra Civil Americana –já
tinha composto um acto da ópera colectiva The Civil Wars. A tree is best
measured when it is down (1984) – com Appomattox (2007). O
romance Waiting for the barbarians, de J.M. Coetzee, deu uma ópera
homónima (2005) e a peça de Peter Handke Spuren der Verirrten deu
outra, em 2013.

[Excerto de “Spuren der Verirrten”]

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Philip Glass - Spuren der Verirrten (The Lost): Act II. Scenes 2 and…

Também em 2013 estreou The perfect American, baseada num livro de
Peter Stephan Jungk que pretende revelar o lado negro da
personalidade de Walt Disney.

[Excerto da estreia de “The perfect American”, no Teatro Real de
Madrid: é rara a ópera de Glass que não misture tempos históricos,
portanto não é inesperado que Walt Disney contracene com Abraham
Lincoln]

Glass: The Perfect American - Walt Disney & Abraham Lincoln - HD

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Esta produção de óperas pode parecer torrencial, mas é apenas uma
parte do que Glass tem composto para o palco, pois ainda há a
considerar uma dúzia de obras classificáveis como ópera de câmara,
ópera­ballet ou teatro musical, quase sempre conectadas a referências
culturais respeitáveis, como Jean Cocteau, Edgar Allan Poe, Franz Kafka
ou Jalaluddin Rumi (poeta persa do século XIII).

[Abertura da ópera “La belle et la bête” (1994), a partir do filme
homónimo de 1946, de Jean Cocteau]

Philip Glass. Belle et la Bete Overture

Some­se a isto música de cena para uma vintena de peças e bandas
sonoras para dezenas de filmes, tão díspares quanto “Elena” (2011), de
Andrey Zviagintsev, e “Quarteto Fantástico” (2015), de Josh Trank. Até
realizadores de renome como Martin Scorsese (“Kundun”) e Woody
Allen (“Cassandra’s dream”) já usaram os seus serviços. Há que
reconhecer que, pela sua pulsação em moto continuo, a música de Glass
se presta bem à sonorização de filmes, mas a “marca Glass” tornou­se
tão reconhecível que corre o risco de desviar a atenção do espectador
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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

familiarizado com o compositor – “olha, isto soa a Philip Glass” –
quando o ideal é que nem sequer se dê pela banda sonora.

Um compositor respeitável: Sinfonias, concertos, quartetos


de cordas

Glass levou algum tempo até se aventurar nos formatos canónicos da
tradição erudita, mas assim que começou não mais foi capaz de parar. A
sua primeira sinfonia só surgiu em 1992 e deriva o seu material do
álbum Low (1977), de David Bowie, um procedimento inédito no mundo
da música sinfónica – e pode acrescentar­se, uma astuta jogada
comercial.

[III andamento (Warszawa) da Low Symphony]

Warszawa (Part.01). Philip Glass David Bowie Brian Eno

Em 1996, Glass reincidiu em Bowie na Sinfonia n.º 4, derivada do
álbum Heroes, que seria reciclada, logo nesse ano, para um bailado de
Twyla Tharp.

[I andamento (“Heroes”) da Sinfonia n.º 4: numa primeira audição é
difícil detectar o original de Bowie e, por outro lado, são mais do que
óbvios os truques típicos de Glass]
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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Philip Glass - Symphony No. 4 'Heroes' - 01 Heroes

A produção sinfónica tem prosseguido em bom ritmo: o concerto do
80.º aniversário de Glass, no dia 31 de Janeiro de 2017, no Carnegie
Hall de Nova Iorque, será abrilhantado pela estreia da Sinfonia n.º 12,
complementada pela estreia nova­iorquina de Ifé: Three Youruba
songs, compostas em colaboração com Angélique Kidjo (após a
experiência de Songs from liquid days, Glass tem vindo a compor
canções para artistas pop, como Mick Jagger, Natalie Merchant ou
Suzanne Vega; compôs um ciclo de canções sobre textos de Leonard
Cohen, intitulado Book of longing).

[Enquanto não chega a Sinfonia n.º 11, eis a n.º 10, de 2011]

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Philip Glass: Symphony No. 10 (2011)

O formato concerto para solista(s) e orquestra não foi negligenciado: há
dois para violino, sendo que o n.º1, de 1987, é um dos mais molestos
concertos para violino da história, enquanto o n.º2 The American four
seasons, de 2009, até tem momentos de alguma originalidade, que
acabam por ser atropelados pelos clichés glassianos usuais.

[O Concerto para violino n.º 1 recebeu um selo de respeitabilidade ao
ser gravado para a Deutsche Grammophon por músicos do gabarito
de Gidon Kremer, Christoph von Dohnányi e a Filarmónica de Viena]

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Gidon Kremer ⋅ Philip Glass : Violin Concerto

Há ainda dois concertos para violoncelo, um para cravo, um para dois
pianos, outro para violino e violoncelo, outro para quarteto de saxofones
e ainda um para dois timbales.

Após um quarteto de cordas isolado em 1966, Glass regressou ao
formato em 1983 e compôs até à data sete (o mais recente é de 2014).

[VI andamento do Quarteto de cordas n.º 3 Mishima (1985), a partir
de material da banda sonora de Mishima, pelo Catalyst Quartet]

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Philip Glass - String Quartet No. 3 "Mishima" , VI

Quanto à música para teclas, Glass começou por compor, nos anos 60­
70, para o pouco canónico órgão eléctrico, mas passou a preferir o piano
a partir da década de 80. E para consolidar a imagem de compositor
respeitável e institucional nada melhor do que dois volumes de Études
(em francês, no original), surgidos em 1995 e 2012. A estas peças
somam­se numerosas transcrições para piano de obras destinadas a
outras formações, a maioria realizadas pelo seu director musical,
Michael Riesman.

[Mad Rush, pelo próprio compositor. A peça foi composta para uma
recepção ao Dalai Lama em Nova Iorque, em 1979, na catedral de St.
John the Divine, mas como a agenda do Dalai Lama tinha uma
elevada componente de imprevisibilidade, a organização encomendou
a Glass uma peça cuja duração pudesse ser prolongada
indefinidamente. Foi o próprio Glass que a tocou no órgão da catedral]

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2017­6­14 Philip Glass aos 80: onde é que já ouvimos esta música? – Observador

Philip Glass joue Mad Rush

Até há pouco, as obras para piano de Glass estavam disponíveis apenas
em interpretações pelo próprio compositor ou por pianistas obscuros, a
maior parte delas em editoras igualmente obscuras ou na Orange
Mountain Music, a editora fundada por Glass para divulgar a sua
música. Porém, em 2015 chegou mais um certificado de
respeitabilidade: a prestigiada editora Decca lançou um duplo CD com
música para piano de Glass por Valentina Lisitsa, uma das maiorias
pianistas mundiais e uma autoridade em Liszt e Rachmaninov, embora
os excepcionais recursos expressivos de Lisitsa sejam desperdiçados em
composições tão mecânicas e rígidas como as de Glass.

[Excerto de um recital por Nicholas Horvath integralmente preenchido
com 600 lines (1967), uma das primeiras composições de Glass,
concebida para ser executada durante um tempo indeterminado. O
excerto neste vídeo contém apenas 45 minutos de uma performance
que estendeu por 10 horas e meia]

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Philip Glass 600 lines ( 1967 ) by Nicolas Horvath

Há um extenso programa de festividades previstas para assinalar o 80.º
aniversário de Glass: além do já mencionado evento no Carnegie Hall, o
Barbican Centre de Londres já teve no fim­de­semana anterior um
programa 100% Glass, haverá estreias americanas das óperas The
perfect American, em Long Beach, e de The Trial, em St. Louis, e o
Philip Glass Ensemble toca La belle et la bête em Nova Iorque.

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