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Paulo M achado

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Teoria e questões comentadas

4º- edição

Sumário

Abreviaturas

TÍTULO 1

DA ADVOCACIA

CAPÍTULO 1- DA ATIVIDADE DE ADVOCACIA (arts. 7°a 5°)

19

21

CAPÍTULO li - DOS DIREITOS DO ADVOGADO (arts. 6°e 7)

42

CAPÍTULO

Ili - DA INSCRIÇÃO (arts. 8°a 74)

74

CAPÍTULO IV - DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS (arts. 75 a 17)

96

CAPÍTULO V- DO ADVOGADO EMPREGADO (arts. 78a 27)

CAPÍTU LO VI - DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (arts. 22 a 26)

CAPÍTULO VII - DAS INCOMPATIBILIDADES EIMPEDIMENTOS (arts. 27 a 30)

CAP ÍTU LO VI II -D A ÉTICA DO ADVOGADO (arts. 37 a 33)

CAP ÍTULO IX - DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES DI SCIPLINARES (arts. 34 a 43)

TÍTULO li

108

118

134

150

172

DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

CAPÍTULO

1- DOS FIN S E DA ORGANIZAÇÃO

(arts. 44 a 50)

CAPÍTULO li - DO CO NSELHO FEDERA L (arts. 51 a 55)

CAPÍTULO

Ili - DO CONSELHO SECCIONAL (ar ts. 56 a

190

193

208

a 55) CAPÍTULO Ili - DO CONSELHO SECCIONAL (ar ts. 56 a 190 193 208 CAPÍTULO

1Pemf

Eticae

CAPÍTULO V - DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS (art. 62)

CAPÍTULO VI - DAS ELEIÇÕES E DOS MANDATOS (arts. 63 a 67)

TÍTULO Ili DO PROCESSO NA OAB

CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS (arts. 68 e 69)

CAPÍTULO li - DO PROCESSO DISCIPLINAR (arts. 70a 74)

CAPÍTULO Il i - DOS RECURSOS (arts. 75 a 77)

219

228

237

237

244

TÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES GERAIS ETRANSITÓRIAS

Arts. 78 a 87

256

Adendo

261

Bibliografia

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• 4ª EDIÇÃO

Lei nº 8.906, de 4 de ju lh o de 1994 1

Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB

O Presidente da República

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a se- guinte Lei:

TÍTULO 1 DA ADVOCACIA

CAPÍTU LO 1 DA ATIVIDADE DE ADVOCAC IA

Art. 1°. São atividades privativas de advocacia :

1- a postulação a q ualquer órg·ão do Poder Judiciário e aos juizados especiais.

li - as atividades de dicas.

§ 1° Não se inclui na atividade privativa de advocacia a im- petração de habeas corpus em qualquer instância ou tri- bunal.

consultoria,. assessoria e direção jurí-

1. Publicada no Diá ri o Ofi cial d a Un ião de S d e j u lho de 1994

1Pemf

.,,.,

Eticac,

§ 2° Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de nulidade, só podem ser admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por advogados.

§ É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com outra atividade.

Art. 2°. O advogado é indispensável à administração da justiça.

§ 1° No seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social.

§ 2° No processo judicial o advogado contribui, na postula- ção de decisão favorável ao seu constituinte, ao convenci- mento do julgador, e seus atos constituem múnus público.

§ 3° No exercício da profissão, o advogado é inviolável por seus atos e manifestações, nos limites desta lei.

Art. 3°. O exercício da atividade de advocacia no territó- rio brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB.

§ 1° Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta lei, além do regime próprio a que se subor- dinem, os integrantes da Advocacia Geral da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas entidades de administração indireta e fundacional.

§ 2° O estagiário de advocacia, regularmente inscrito, pode praticar os atos previstos no art. 1°, na forma do Re- gulamento Geral, em conjunto com advogado e sob a res- ponsabilidade deste.

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Etica<a

I Miif

atos p rivativos de advogado pra-

ticados por pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das sanções civis, penais e administrativas.

Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por advogado impedido - no âmbito do impedimento -, sus- penso, licenciado ou que passar a exercer atividade incom- patível com a advocacia.

Art. 4°. São nulos os

Art. 5°. O advogado postula, em juízo ou fora dele, fa- zendo prova do mandato.

§ 1° O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem pro- curação, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período.

§ 2° A procuração para o fo ro em geral habilita o advogado a praticar todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou ins- tância, salvo os que exijam poderes especiais.

§ 3° O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os 1O (dez) dias seguintes à notificação da renún- cia, a representar o mandante, salvo se for substituído an- tes do término deste prazo.

Q

Comentários

~ Atos privativos de advogado

O art. 1º do Estatuto da Advocacia e da OAB trata dos atos pri- vativos de advogado, ou seja, daqueles que somente 2odem ser prati cados 2or pessoas deviâ.amente inscritas no quadro de advogados daJ OAB, após terem preen chido as exigências do seu art. 8°.

ltfiii'M

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Eticao

Podemos dizer que, no inciso I, estão os atos judiciais ("a postu- lação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais") e, no inciso II, os atos extrajudiciais ("consultoria, assessoria e direção jurídicas"). Vejamos alguns comentários acerca desses dispositivos:

"Art. 1°São atividades privativas de advocacia":

1 - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados es- peciais.

Em relação a este inciso I, do art. 1° do Estatuto, foi proposta, pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a ADI nº 1.127-8, ten- do o STF declarado a inconstitucionalidade da expressão "qualquer". Com razão, pois há hipóteses previstas em lei em que a pessoa pode ir ao Poder Judiciário sem estar representada por um advogado. Essas hipóteses são verdadeiras exceções os ius postulandi do advogado, que serão analisadas mais adiante, em item próprio.

O advogado pode postular em juízo ou fora dele fazendo pro- va do mandato que lhe foi outorgado. Todavia, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de 15 (dias), prorrogável por igual período (art. 5°, § 1º, EAOAB). Salien- te-se que, nesse ponto, o Estatuto não traz a exigência mencionada no art. 104, § 1º, do Novo CPC, de que haverá necessidade de "despacho do juiz" para que o prazo seja prorrogado.

"Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procura- ção, salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para prati- car ato considerado urgente.

§ 1° Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independente-

mente de caução, exibir a procu ração n o prazo de 15 (qu in ze) dias, pror- rogável por igual período por despacho do juiz.

§ 2° O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi praticado, respondendo o advogado pelas despesas e por perdas e danos:'

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1f)emf

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CH!lf

Entendem os que, p or se tratar o EAOAB (Lei n º 8.906/94) de lei esp ecial, cuja finalidade é garantir o bom desempenho da advocacia

-

função essencial à Justiça - tal exigência de ter despacho do juiz

n

ão deve prevalecer, b as tando ao advogado infor mar a n ecessid ade

e

o direito de prorrogação antes de expirar o prim eiro prazo. É um

direito do advogado e não deve depender de aprovação do juiz! Este é

o nosso entendimento, que deve ser adotado caso a questão do Exame

de Ordem peça: "marque a resposta correta de acordo com o Estatuto da Advocacia e d a O AB'~

Entretanto, caso a er ta venha a ser feita na earte de Direit9 Processual Civi l , recQmendamos que os candidatos si am o art OA

do NE.G, ou seja, é P.rorro ávetpor aespac o do juiz :Realmente este

sempre qu e a questão

pediu "de acordo com tal lei': deveríamos seguir à risca a letra da lei na hora de assinalar a resposta. Pode até ser que a banca venha a fazer de forma diferente, mas, repito, até h oje fo i assim.

W Yirta-se que, namstância especial os ttibunais_não têm admiti- âo a interposição de recurso por. aayogaáo sem procuração-nos autos (Súmula 115 STJ)~

é um ponto delicad o, mas at é as p rovas d e hoj e,

,.

A propósito:

STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AgRg no AREsp 669129 SP 2015/0020599-1 (STJ)

Dat a de publicação: 20/04/2015

Ementa: AGRAVO REGIME NTA L NO A GRAVO EM RECURSO ESPECIA L.

PROC URAÇÃO E

INCIDÊNCIA. 1. A au sência d e procu ração o u substabelecimen t o con fe rin- do pod ere s ao subscrito r d o ag ravo reg ime ntal atrai a in ci d ên cia da Sú - mul a 115 d este Superi o r Tri b unal, seg undo a q ual: "Na inst ância especial é inexistente recu rso interpost o por advogad o sem p rocuração nos aut os''. Precedente. 2. Ag ravo reg im ental não co nh ecido.

OU SU BSTABELECIME NTO. AUSÊNCI A. SÚMU LA 11 5/STJ.

1Pemf

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Eticae

li - as atividades de assessoria, consultoria e direção jurídicas.

Embora sejam atividades extrajudiciais, apenas podem ser exer- cidas por advogado regularmente inscrito na OAB.

Assessoria e consultoria são atividades distintas. Paulo Lôbo 2 ex- plica: "assessoria jurídica é espécie do gênero advocacia extrajudicial, pública ou privada, que se perfaz auxiliando quem deva tomar deci- sões, realizar atos ou participar de situações com efeitos jurídicos, reu- nindo dados e informações de natureza jurídica, sem exercício formal de consultoria. Se o assessor proferir pareceres, conjuga a atividade de assessoria sem sentido estrito com a atividade de consultoria jurídicà'.

estrito com a atividade de consultoria jurídicà'. O art. 7º do Regulamento Geral enfatiza: ''r/s

O art. 7º do Regulamento Geral enfatiza: ''r/s função de diretoria e, gerênc:ra Jurídicas em qualquer empresa pública, privada ou paraesta- tal, inclusive em instituições financeiras, é privativa de advogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente naOAB:'

Veja que o cargo de gerência jurídica também é privativo do advo- gado, de acordo com este art. 7° do RG . O EAOAB não menciona este cargo (gerência jurídica), mas o RG sim!

~ Atos e contratos

O parágrafo 2° do art. 1° do Estatuto da Advocacia prevê mais um ato privativo de advogado: os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas somente podem ser admitidos a registro nos órgãos

2. Co me ntá rios ao Estatuto da Advocac ia e da OAB. Editora Saraiva. São Pa u lo. Pág in a 2 1.

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competentes (juntas comerciais, cartórios de registro civil de pessoas jurídicas) após visados por advogados. Na ausência deste "visto': por advogado, o Estatuto considera nulos tais atos.

Advirta-se que este visto não se resume à simples rubrica do advogado. O profissional deve, cuidadosamente, e com total respon-

sabilidade, analisar de forma integral o seu conteúdo. Quis assim o legislador evitar (ou pelo menos diminuir) o risco de futuros proble- mas ou conflitos decorrentes do contrato. A razão não é para reserva

de mercado da advocacia. A questão é de absoluta ordem pública.

No final, ganha a sociedade. Quando um advogado analisa o con- trato e dá o seu "aval" com o visto, a chance de dar algum problema diminui bastante.

Entretanto, a r:e · C omplementar nº 123/ 06,,,no art. 9°, § 2°, trou-

xe uma exces:ão a essa exigência, determinando que "não se aplica_à

microemRresas e às empresas de pequeno por te_o disposto no § a9

a . 1º da bei nº 8.906/94': ou seja, nesses casos não se exige o visto

do advogado. Isto ocorre porque, nessas situações, o registro é mais simples, muitas das vezes se realizando com o mero preenchimento de

formulários já padronizados.

.,_ Exceções ao ius postulandi do advogado

Via de regra, o ius postulandi (capacidade postulatória, capacida-

de de representar alguém em juízo) é do advogado. Porém,Jiá casos

con stituir advogaa o. Senão

vejamos:

em que a parte .r-ode ir ao Juôiciário sem

aJ Impetração de ha6eas corpus

Essa exceção encontra-se no art. 1°, § 1°, do Estatuto, estabele- cendo que "não se inclui na atividade privativa da advocacia a impe- tração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal".

P AULO M ACHADO

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CffiiM

1f)emf

Eticao

A impetração de HC pode ser feita por qualquer pessoa, até mesmo pelo próprio paciente (quem sofre ou está na iminência de sofrer cons- trangimento ilegal). Pode ainda ser impetrado em qualquer instância ou tribunal. Porém, somente as impetrações podem ser feitas pelo leigo, não sendo admitidas interposições de recursos, como o Recurso em Sentido Estrito e o Recurso Ordinário em Habeas Corpus. Esses recursos são atos privativos d e advogado. Assim, por exemplo, se há um inquérito policial instaurado para investigar um crime que já está prescrito, o leigo pode im- petrar habeas corpus para o juízo de primeira instância. Sendo denegada a ordem, pode impetrar um novo H C para o Tribunal de Justiça. Perceba que ele não recorreu, apenas impetrou outro habeas corpus na instância superior. Já se fosse um advogado, este poderia interpor RSE no T J ou até mesmo optar por impetrar um novo BC.

) Juizados"Especiais

Por determinação do art. 9° da Lei nº 9.099/95, pode ser dispen-

sa ários

<:>?.d?.?. p!~<:>~l\<y"<>. d.~ "<>.d.'l'~<i,ad~ t\'3.S cau sas

de val or até 20 (vinte)

mmimos. Todavia, nos recursos para as Turmas Recursais, as partes

serão,

Lei n º 9. 099/95).

obrigatoriam ente, representadas por advogado (art. 41, § 2°, da

,e) Justiça: o TrabalhoJ

A atuação d a parte sem advogado na Justiça do Trabalho ~ara n ;

h a p elo ar t. 791 a a CLT, que permite aos emp rega d os e aos emprega-

dores litigarem pessoalmente (''Art. 79 1 - Os empregados e os empre- gadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho

e acompanhar as suas r eclamações até o final:').

Embora alguns autores entendam que esse dispositivo não foi re- cepcionado pela atual Constituição, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento da ADI nº 1.127-8, proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros em face do art. 1º, I, do Estatuto da Ad- vocacia e da OAB, manifestou-se pela con stitucionalidade do m anda- mento celetista.

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d) Iustiçacle Pa~

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No que pese a relevância da Justiça de Paz, este órgão não está entre aqueles do Poder Judiciário (vide art. 92 da Constituição Federal), tendo a incumbência de celebrar o casamento civil, de verificar, de ofício ou em face de impugnação, o processo de habilitação e de exercer atribui- ções conciliatórias, sem caráter jurisdicional (art. 98, II, CRFB/88).

De toda forma, ninguém precisa estar representado por advoga- do para se casar.

,.

Atos dos estagiários

Os estagiários que estiverem regularmente inscritos na OAB po- dem praticar os atos mencionados no art. 1º do Estatuto da Advocacia e da OAB, na forma do Regulamento Geral, em conjunto com o ad- vogado e sob a responsabilidade deste. O Regulamento Geral também fala em conjunto com o defensor público (e o defensor público é ad- vogado - advogado público ).

'soladamente, isto é,

sem a presença ou assinatura do advogado, os seguin tes atos Jm as ain-

ob a respon sabilidade deste (art. 29, §§ lº e 2°, do Regulamento

da

Entretanto, o

estagiários podem pratica

Geral):

a)

retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva carga;

b)

obter junto a escrivães e chefes de secretarias certidões de pe- ças ou autos de processos em curso ou findos;

c)

assinar petições de juntada de documentos a processos judi- ciais ou administrativos.

d)

praticar os atos extrajudiciais, quando receber autorização ou substabelecimento do advogado.

liff!i'M

.,. Atos nulos

1f)emf

Eticae

O Estatuto traz cinco grupos de pessoas que, caso venham a pra-

ticar quaisquer dos atos privativos de advogado, tais atos serão nulos. Repita-se: pela Lei nº 8.906/94, haverá nulidade (absoluta), não po- dendo ser ratificados por outro profissional, apesar de haver entendi-

mentos doutrinários e jurisprudenciais em sentido contrário.

Vejamos as hipóteses constantes no art. 4°, e seu parágrafo único, do Estatuto da Advocacia e da OAB:

a) pessoas não inscritas na OAB

Os atos privativos da advocacia somente podem ser exercidos por pessoa regularmente inscrita no quadro de advogados da OAB. Nem mesmo os estagiários podem praticá-los isoladamente. Estes apenas estão habilitados a desenvolver sozinhos os atos mencionados no art. 29, §§ 1° e 2°, do Regulamento Geral, conforme acima mencionado.

O Estatuto, no art. 4°, caput, não exclui as sanções civis, penais e

· administrativas daí decorrentes, seja pelo prejuízo causado a tercei- ro s, seja pelo exercício ilegal de profissão (art. 47 do Decreto-Lei nº 3.688/1941 - Lei das Contravenções Penais). No caso do estagiário, este pode ser punido p ela prática d e ato excedente de sua habilitação, conforme o art. 34, XXIX, do EAOAB.

b)advogadoimpedido

Para o Estatuto da Advocacia e da OAB, @Qedirnento é a 12roib]- i;ão pareia do é erddo da advocacia. Assim, o advogado pode conti- nuar exercendo a profissão, rmenos co-ntra ou a favor das p.es_s.oas de- terminadas n-o art. 3_0, como, por exemplo, um advogado que também seja agente administrativo da Prefeitura de São Paulo. Caso este advo- gado venha a atuar em processo contra o município de São Paulo, os atos praticados serão nulos. Perceba que a nulidade somente alcança as hipóteses em que ele está impedido de advogar.

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Etica•

lifliif

c) advogado suspenso

A suspensão não se confunde com a licença. Aquela é uma puni-

ção aplicada pela OAB; esta, um instituto no qual o advogado se afasta

por um tempo, nas situações previstas no art. 12 do EAOAB (requeri- mento com motivo justificado, doença mental curável ou exercício de atividade incompatível em caráter temporário).

Durante o prazo da suspensão, que varia, em regra, de 30 dias a 12 meses (art. 37 e§§ 1º ao 3°, do Estatuto), qualquer ato privativo de advogado que for praticado pelo profissional suspenso será nulo.

d) advogado licenciado

Considerando a diferença entre suspensão e licença, exposta no item anterior (e), no prazo da licença, nenhum ato de advocacia pode ser exercido pelo advogado, sob pena de nulidade.

e) advogado que passar a exercer atividade incompatível com a advocacia

Neste último grupo, o legislador quis alcançar aqueles advoga- dos que passam a exercer atividades incompatíveis com advocacia, mas não comunicam isso à OAB, nem tampouco tomam as medidas adequadas (licença ou cancelamento). Ilustrando, seria o caso de um advogado que passa no concurso para Delegado de Polícia ou é eleito prefeito e, mesmo após o desempenho de quaisquer dessas atividades, continua advogando. Da mesma forma que nos itens anteriores, os atos serão nulos.

0 PROCURAÇÃO E SUBSTABELECIMENTO

~ Do mandato judicial

O mandato se opera quando alguém recebe poderes de outrem

para praticar atos ou administrar interesses em seu nome (art. 653,

U!ii

1f)emf

Eticao

U!ii 1f)emf Eticao A procuração é o instrumento do mandato, onde ficam consig- nados os poderes

A procuração é o instrumento do mandato, onde ficam consig- nados os poderes outorgados pelo constituin~e (outorgante) ao ad- vogado (outorgado). Verifica-se, contudo, na legislação pátria, que a constituição de advogado pode ocorrer verbalmente em alguns casos:

o acusado o indicar por ocasião do interrogatório (art. 266

( 1) se

do CPP) e

(2) nos juizados especiais, salvo quanto aos poderes especiais

(art. 9°, § 3°, da Lei n º

9.099 /95) .

Diz-se, nesses casos, que a outorga é apud acta (do latim: n a ata, conforme está na ata) , pois, embora seja verbal na origem, é consigna- da na assentada da audiência.

e aljj

Para o EAOAB e para o NCED, nos ~asos âas s.ocieé:la es

~ogaâfil, o m,andatoj udidal ou ~xtrajuâic1ai deve_se.Loutor.ga o inru} Yiêirrahnent aos a_yogaâQ']) e ·rrdicara so-ciedade de ue fa am rarte, não podendo ser fornecidos poderes para a própria sociedade (pessoa jurídica), muito menos coletivamente (como por exemplo: "outorga poderes para todos os advogados do Escritório de Advocacia Pedro Meirá', sem menção ao nome de um ou mais advogados).

Para o Novo CPC (art. 272, § 1º), os advogados poderão requerer que, na intimação a eles dirigida, figure apenas o nome da sociedade a que pertençam, desde que devidamente registrada na Ordem dos Advogados do Brasil. Atente-se que o EAOAB e o NCED não falam nada sobre isso. Apenas o NCPC (veja abaixo a primeira questão co- mentada, que caiu no XXI Exame).

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,.

Poderes gerais e especiais

Na procuração pode constar a outorga de poderes gerais e poderes

especiais. Poderes gerais (ou poderes para o foro em geral, em substi-

tuição à antiga expressão "po deres da cláusula ad judicia et

os poderes básicos que o advogado precisa para poder atuar desde a distribuição de uma ação até os recursos nos tribunais. Já os poderes especiais são aqueles que devem constar quando exigidos por lei, a exemplo do art. 105 do Novo CPC ("A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto rece- ber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiên- cia econômica, que devem constar de cláusula específica:'), do art. 39 do Código de Processo Penal ("o direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais"), do art. 44 do CPP ("a queixa poderá ser dada por procurador com po- deres especiais") e do art. 55 do CPP ("o perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais").

Vejamos a seguir os dispositivos do Novo Código de Processo Civil que tratam do tema da procuração:

Art. 105. A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento públi- co ou part icular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto receber citação, confessar, reconhecer a procedên- cia do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se fu nda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica, que devem constar de cláusula específica.

§ 1° A procuração pode ser assinada digitalmente, na forma da lei.

§ 2° A procuração deverá conter o nome do advogado, seu número de in scrição na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.

§ 3° Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração tam- bém deverá conter o nome dessa, seu número de registro na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.

§ 4° Salvo disposição expressa em se ntid o contrário constante d o própri o instrumento, a procuração outorgada na fase de conhecimento é eficaz para todas as fases do processo, inclusive para o cumprimento de sentença.

extra") são

MHl+M

~ Substabelecimento

1Pemf

Eticae

O substabelecimento é o instrumento pelo qual aquele advoga- do que recebeu poderes do cliente os transfere para outro(s) advo- gado(s). O substabelecimento o-de"Ser-feito com- re-serva âe p,oâere'§) isto é, quando o primeiro advogado constituído estende os poderes ao novo advogado (substabelecido). Neste, o advogado que substabe- leceu (substabelecente) permanece na causa. Permite-se também ao advogado substabelecer ~ 1200eres sem reser à, caso em que o novo advogado sucede o antigo, assumindo o patrocínio da causa sem que o antigo conserve nenhum dos poderes.

da causa sem que o antigo conserve nenhum dos poderes. ~ Renúncia e revogação Renúncia e

~ Renúncia e revogação

Renúncia e revogação são formas através das quais o advogado e o cliente desistem dos poderes recebidos ou outorgados no m andato.

desistem dos poderes recebidos ou outorgados no m andato. A ciên cia pode ser provada por

A ciên cia pode ser provada por aviso de recebimento, por noti- ficação do Cartó rio de T ítulos e Documentos o u pela própria ciência

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Éticao

IMl+M

1 0 e m Éticao I M l + M O cliente que revogar o mandato

O cliente que revogar o mandato outorgado ao advogado, no mesmo ato, deverá constituir outro profissional que assuma o patro- cínio da causa. Sendo descumprido, o juiz, verificando a irregularida- de da representação, suspenderá o processo e marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo regularizado dentro do interstí- cio judicial, se a providência couber ao autor, será extinto o processo; cabendo ao réu, reputar-se-á revel; cabendo a terceiro, será excluído do processo ou decreta sua revelia, dependendo do polo em que se en- contre. Descumprida a determinação em fase recursal perante tribu- nal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente ou determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido. É o que determina o art. 76 e§§ 1° e 2° do NCPC, abaixo transcritos.

Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da repre- sentação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoá - vel para que seja sa nado o vício.

§ 1° Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância ori-

ginária:

1 - o processo será extinto, se a providência couber ao autor;

li - o réu será considerado revel , se a providência lhe couber;

Ili - o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependen- do do polo e m que se encontre.

PAULO MACHADO

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IMl+M

1f)emg

Eticae

§ 2° Descumprida a determinação em fase recursai perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator:

1- não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;

li - determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providênc ia couber ao recorrido.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem} Marcela, Natália e Paula integram a sociedade de advogados MNP e foram procuradas por Rafael para ajuizar ação cível em face de Silvio. A procuração outorgada por Rafael indica apenas o nome da sociedade de advogados MNP, e na inicial elaborada por Marcela foi requerido que as futuras intimações fossem feitas apenas em nome da sociedade.

Sobre o caso em exame, segundo o Estatuto da OAB, assinale a afirm ativa correta.

A)

A procuração pode ser outorgada por Rafael apenas em nome da sociedade

e

faculta a qualquer de suas integrantes a elaboração da inicial, que poderá requerer que as futuras intimações sejam feitas em seu nome, em nome da sociedade ou em nome das demais integrantes.

B)

A

pro cura çã o

pod e ser outorgada por Rafael apenas em n ome da soc i edad e

e

faculta a qualquer de suas integrantes a elaboração da inicial, que poderá

requerer

que as futuras

intim ações sej am feita s apenas em seu nome ou em

nome da sociedade, mas não em nome das demais integrantes.

C)

A

proc uração d eve se r ou t o rgada por Rafae l indi vidua lm e nte às advogadas

indi ca r a soc ie dade de MNP, podendo Marcela req uerer que as fut u ras int i- mações sejam feitas em seu nome, em nome da sociedade ou em nome das demais outorgadas.

e

D)

A

procuração deve ser outorgada por Rafael individualmente às advogadas

e

indica r a sociedad e de MNP, podendo Marcela requerer que as futuras inti-

36

ma ções seja m feitas em se u nom e ou em n ome das d e mais o utorgada s, n ão e m nome da so ci eda d e.

mas

E DITORA ARMADOR

j

1Ü EM ÉTI CA

4 ª EDI ÇÃO

1f)emf

Eticae

ÇJ Comentários

IMiif

Esta questão anulada simplesmente porque a pergunta foi "de acordo com o Estatuto". Acontece que o Estatuto não fala sobre isso. Apenas o Novo CPC, em seu art. 272, § 1º: "Os advogados poderão

requerer que, na intimação a eles dirigida, figure apenas o nome da so- ciedade a que pertençam, desde que devidamente registrada na Ordem dos Advogados do Brasil."

GABARITO: ANULADA.

(FGV - XVI Exame de Ordem) Bernardo é bacharel em Direito, mas não está

in scrito nos quadros da Ordem dos Advogado s do Brasil, apesar de aprovado no

Exame de Ordem. Não obstante, t em atuação na área de advocacia, realizando consultorias e assessorias jurídicas.

A partir da hipótese apresentada, nos termos do Regulamento Geral da Ordem

dos Advogados do Brasil, ass inale a afirmat iva co rreta .

A) Tal conduta é permitida, por ter o bacharel logrado aprovação no Exame d e Ordem.

B)

C) Tal conduta é permitida mediante autorização do Presidente da Seccional da Ordem dos Ad vogados do Brasil.

D) Tal cond uta é proibida, t endo e m vista a ausência de in scrição na Ordem dos Advogados do Brasil.

Tal co nduta

é proibid a, por ser equiparada à captação de clientela.

ÇJ Comentários

Nos termos do art. 1°, II, do EAOAB, são atos privativos de ad- vogado, devidamente inscrito na OAB, a consultoria, a assessoria e a direção jurídicas.

tiiif

1f)emf

Eticao

Assim, ressalta o art. 4° do Regulamento Geral que a prática de atos privativos de advogado por pessoas não inscritas na OAB consti- tui exercício ilegal da profissão.

GABARITO: D

(FGV - XVI Exame de Ordem) João é advogado da sociedade empresária X Ltda., atuando em diversas causas do interesse da companhia controle da socie- dade foi alienado para estrangeira, que resolveu contratar novos profissionais em várias áreas, inclusive a jurídica. Por força dessa circunstância, rompeu-se a avença entre o advogado e o seu cliente. Assim, João renunciou ao mandato em todos os processos, comunicando formalmente o ato à cliente. Houve novo contrato com renomado escritório de advocacia, que, em todos os processos, apresentou o instrumento mandato antes do término do prazo legal à retirada

do advogado anterior.

Na renúncia focalizada no enunciado, consoante o Estatuo da Advocacia, deve

o advogado

a) afastar-se

b) funcionar como parecerista no processo pela continuidade da representação.

c) atuar em conjunto com o advogado suc essor por quinze dias.

d) agua rdar d ez dias para verificar a atuação dos seus sucessores.

imedia tamente após a substituição por outro advogado.

Q

Comentários

O art. 5°, § 3°, do EAOAB determina que o advogado que re- nunciar ao mandato continuará durante os 10 (dez) dias seguintes à notificação da renúncia a representar o mandante, salvo se for sub s- tituído antes do término desse prazo. Portanto, a resposta é a de que o advogado anterior deve se afastar após a juntada da procuração do novo advogado.

38

EDITORA ARMADOR

GABARITO: A

\

10 EM ÉTICA

4• EDIÇÃO

1!)emf

Eticao

IMii'M

(FGV - VII Exame de Ordem) Tício é advogado prestando serviços à Junta Co- mercial do Estado Y. Exerce a atividade concomitantemente em escritório pró- prio, onde atua em causas civis e empresariais. Um dos seus clientes postula o seu visto em atos constitutivos de pessoa jurídica que pretende criar. Diante do narrado, à luz das normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a alternativa correta:

a) Sendo um cliente do escritório, é inerente à atividade da advocacia o visto em atos constituti vos de pessoa jurídica.

b) Ao prestar serviços para Junta Comercial, surge impedimento previsto no Re-

gulamento Geral.

c) A análise do conteúdo dos atos constitutivos pode ser realizada pelo advoga- do tanto no escritório quanto na Junta Comercial.

d) A atuação na Junta Comercial gera impedimento para ações judiciais, mas não para vistos em atos constitutivos.

Q

Comentários

O art. 2° do Regulamento Geral determina que o visto do advoga-

jurídicas, indispen sável ao regis-

do em atos con stitutivos de pessoas

resultar da efetiva

constatação, pelo profissional que os examinar, de que os respectivos instrum entos preen ch em as exigên cias legais pertinentes .

Est ão impedidos de exercer o ato de advocacia referido os advo- gados que prestem ser viço s a órgãos ou entidades da Administração Pública diret a ou indiret a, d a unidade fe d erativa a q ue se vincule a Junta Comercial, ou a quaisquer repartições adm inistrativas compe- tentes p ara o mencionado registro.

tro e arquivam ento n os órgãos compet ent es, deve

Não confunda este t ema com o imp edimento do art. 30 do EAO - AB! São assuntos diferentes !

PAULO M ACHADO

GABARITO: B

39

l;filif

1Pemf

Etica•

(FGV -VII Exame de Ordem) Esculápio, advogado, deseja comprovar o exercício da atividade advocatícia, pois se inscreveu em processo seletivo para contrata- ção por empresa de grande porte, sendo esse um dos documentos essenciais para o certame. Diante do narrado, à luz das normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, o efetivo exercício da advocacia é comprovado pela participação anual mínima em

A) seis petições iniciais civis.

B) três participações em audiências.

C) quatro peças defensivas gerais.

D) cinco atos pri vativos de advogado.

ÇJ Comentários:

Considera-se efetivo exercício da atividade de advocacia a par- ticipação anual mínima em cinco atos privativos previstos no artigo 1° do Estatuto, em causas ou questões distintas. A comprovação do efetivo exercício faz-se mediante:

a) certidão expedida por cartórios ou secretarias judiciais;

b) cópia autenticada de atos privativos;

c) certidão expedida pelo órgão público no qual o advogado exer- ça função privativa do seu ofício, indicando os atos praticados.

É o teor do art. 5° do Regulamento Geral.

GABARITO: D

(FGV -VII Exame de Ordem) A multiplicidade de opções para atuação do advo-

gado desenvo lveu o ramo d a

gulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, nela podem ser integrados

o(a), exceto:

A) Advogado-Geral da União.

B) Defensor Público

Ad vocacia Públi ca. Assim, à luz da s norma s do Re-

40

E DITO RA A RMADO R

1

10 EM ÉTI CA

4• EDIÇÃO

1f)emf

Eticae

IM!if

C) Advogado (Procurador) de Autarquia.

D) Advogado de Sociedade de Economia Mista.

Q

Comentários:

Para o art. 9° do Regulamento Geral, exercem a advocacia pública os integrantes da Advocacia-Geral d a União, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito Federal, dos

Municípios, das autarquias e das fundaçõ es públicas, estando obrigados à inscrição na OAB, para o exercício de suas atividades.

Lembre-se ainda de que os integrantes da advocacia pública são elegíveis e podem integrar qualquer órgão da OAB.

GABARITO: D

(FGV - IX Exame de Ordem) Laura, advogada na área empresarial, após concluir

o mestrado em renomada instituição de ensino superior, é conv idada para inte- grar a equipe d e assessoria jurídica da empresa K S/A . No dia da entrevista final, é in quirida pelo Gerente Juríd ico d a empresa, bacharel em Direito, sem inscri ção na Ordem do s Advogados do Brasil, apesa r de o m esmo t er logrado êxito no Exa -

co nsoante as normas do Regu lamento Geral

me de Ordem.

do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinal e a afirm ativa cor ret a.

A) O bacharel em Direito p ode exercer as funções de Gerência Ju rídi ca mesmo que não tenha os requisitos para ingresso na Ordem d os Advogados.

B) A função de Gere nte Jurídico é privativa d e advogados com regular inscri ção nos quadros da Ordem dos Advogados.

ui sitos legais, inclu sive aprovação

C) O bacharel em Direito, caso preencha os req

em Exame de Ordem, pode exercer funções de Gerente Jurídico antes da ins-

Observado tal relato,

crição na Ordem dos Advogados.

D) A função d e Gerente Jurídico, co mo é de confiança da empresa, pode ser exercida por quem não tem formação na área.

Uiái

ÇJ Comentários:

1Pemf

Eticao

Apesar de o art. 1º, II, do EAOAB dizer que são atos privativos da advocacia a consultoria, a assessoria e a direção jurídicas, o art. 7° do RG inclui a gerência jurídica a essa lista. Vejamos: "A função de diretoria e gerência jurídicas em qualquer empresa pública, privada ou paraestatal, inclusive em instituições financeiras, é privativa de ad- vogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente na OAB:'

GABARITO: B

CÀPÍTULO li DOS DIREITOS DO ADVOGADO

Art. 6°. Não há hierarquia nem subordinação entre ad- vogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo-se todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos.

Parágrafo único. As autoridades, os servidores públicos e os serventuários da justiça devem dispensar ao advogado, no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da advocacia e condições adequadas a seu de- sempenho.

Art. 7°. São direitos do advogado:

1- exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional;

li - a inviolabilidad e de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua cor- respondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia;

~ Este inciso foi alterado pela Lei n° 11.767, de 7 de agosto de 2008.

42

EDITORA ARMADOR

1

10 EM ÉTICA

EDIÇÃO

1Pemf

Eticao

IMfi'H

Ili - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservada- mente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis;

IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso

em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade

e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional

da OAB;

V - não ser recolhido preso, antes da sentença transitada

em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instala- ções e comodidades condignas, assim reconhecidas pela

OAB, e, na sua fa lta, em prisão domiciliar;

1> O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Di ret a de Inconstituciona- lidade nº 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expres- são "a ssim reconhecidas pela OAB ''.

VI - ingressar livremente:

a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos can-

celos que separam a parte reservada aos magistrados;

b) nas salas e dependência de audiências, secretarias, car-

tórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, e,

no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus ti-

tulares;

c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repar-

tição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado;

d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou

possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva

comparecer, desde que munido de poderes especiais:

'ª'""

1Pemf

Eticao

VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quais- quer locais indicados no inciso anterior, independente- mente de licença;

VIII - dirigir-se d iretamente aos

gabinetes de trabalho, independentemente de horário

previamente marcado ou outra condição, observando-se

a ordem de chegada;

IX - sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas sessões de julgamento, após o voto do rela-

tor, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de

quinze minutos, salvo se prazo maior for concedido;

li> O Supremo Tribuna l Federal, n o julgamento das Aç õ es Diretas de Inconstitucio- nalidade nº 1. 105-7 e 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declaro u a inconstitucionalida- d e d este inciso.

X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tri-

bunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documen-

tos ou afirmações que influam no julgamento, bem como

para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas;

XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qual-

quer juízo, tribunal ou autoridade, contra inobservância

magistrados nas salas e

de

preceito de lei, regulamento ou regimento;

XII

-falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de

deliberação coletiva da Administração Pública ou do Po-

der

Legislativo;

XIII

- examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário

e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos

de processos findos ou em andamento, mesmo sem procu-

ração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de

flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos

ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, po-

44

EDITORA A RMADOR

J

10 EM ÉTICA •

EDIÇÃO

1!)emf

Eticao

IMii'M

dendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico

ou digital;

> Este inciso foi alterado pela Lei 13.245/ 16.

XV - ter vista dos processos judiciais ou administrativos de

qualquer natureza, em cartório ou na repartição compe- tente, ou retirá-los pelos prazos legais;

XVI - retirar autos de processos findos, mesmo sem procu-

ração, pelo prazo de dez dias;

XVII - ser publicamente desagravado, quando ofendido no

exercício da profissão ou em razão dela;

XVIII

- usar os símbolos privativos da profissão de advoga-

do;

XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no

qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacio-

nado como pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem

como sobre fato que constitua sigilo profissional;

XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando

pregão para ato judicial, após trinta minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido a au- toridade que deva presidir a e le, mediante comunicação protocolizada em juízo.

XXI

- assistir a seus clientes investigados durante a apura-

ção

de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respec-

tivo

interrogatório ou depoimento e, subsequentemente,

de todos os elementos investigatórios e probatórios dele

decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, po-

dendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:

a) apresentar razões e quesitos;

b) (VETADO)•

.,_ Este inciso e a alín ea a foram acrescentados pela Lei 13.245/16.

lfflii'M

1f)emf

Eticao

§ 1° Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI:

1 - aos processos sob regime de segredo de justiça;

2 - quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido de ofício, mediante representação ou a requerimento da parte interessada;

3 - até o encerramento do processo, ao advogado que hou- ver deixado de devolver os respectivos autos no prazo le- gal, e só o fizer depois de intimado.

§ 2° O advogado tem imunidade profissional, não consti- tuindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplina- res perante a OAB, pelos excessos que cometer.

~ O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstituciona- lidade n° 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expres- são "ou desacato''.

§ 3° O advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de exercício da profissão, em caso de crime ina- fiançável, observado o disposto no inciso IV deste artigo.

§ O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar, em todos os juizados, fóruns, tribunais, delegacias de polí- cia e presídios, salas especiais permanentes para os advo- gados, com uso e controle assegurados à OAB.

~ O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstituciona-

46

lidade n° 1.127-8 (DOU são "e con trol e''.

§ 5° No caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da profissão ou de cargo ou função de órgão da OAB, o Con- selho competente deve promover o desagravo público do ofendido, sem prejuízo da responsabilidade criminal em que incorrer o infrator.

de 26.5.2006), declaro u

a inconstitucionalidade da expres-

EDITORA A RMADOR

1

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4 • EDIÇÃO

1Pemf

Eticao

WMii'M

§ 6° Presentes indícios de autoria e materialidade da práti- ca de crime por parte de advogado, a autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade de que trata o inciso li do caput deste artigo, em decisão motivada, expedindo mandado de busca e apreensão, es- pecífico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB, sendo, em qualquer hipótese, ve- dada a utilização dos documentos, das mídias e dos obje- tos pertencentes a clientes do advogado averiguado, bem como dos demais instrumentos de trabalho que conte- nham informações sobre clientes.

~ Este parágrafo 6° foi acrescentado pela Lei nº 11.767, d e 7 de agosto de 2008.

§ 7° A ressalva constante do§ 6° deste artigo não se esten- de a clientes do advogado averiguado que estejam sendo formalmente investigados como seus partícipes ou co-au- tores pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra da inviolabilidade.

li> Este parágrafo 7° foi acrescentado pela Lei nº 13.245/16.

§ 8° (vetado)

§ 9° (vetado)

§ 10. Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apre- sentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV.

11> Este parágrafo foi acrescentado pela Lei nº 13.245/16.

§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade com- petente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados a diligências em an- damento e ainda não documentados nos autos, quando

houver risco de comprometimento da eficiência, da efi-

cácia

ou da f inalidade das diligências.

I> Este parágrafo foi acrescentado pela Lei nº 13.245/16.

IMIPN

1[Jemf

Eticao

§ 12. A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advoga- do de requerer acesso aos autos ao juiz competen- te."

~ Este parágrafo foi acrescentado pela Lei n° 13.245/ 16.

Art. rJ 0 - 7J,

!São

a i reitos aaadvoga_füi:l (lnclu ído pela Lei nº

13.363, de 2016)

1- gestante! (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)

a) entrada em tribunais sem:se LS.u

melais e apar.elho s.-de_r.aios X;; (lncluído pela

de 2016)

me t ia a Ja detector es de

Lei nº 13.363,

pela de 2016) me t ia a Ja detector es de Lei nº 13.363, li -

li - 1.lac a nt e, aa o :fa nte7 ou q ue der à l uz; a ce sso a c r ed 1é, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das ne-

G~ss,daàes ào bebê; \\nc.\u,ào pe\a \

ei

13.363, de 201 ó)

ào bebê; \\nc.\u,ào pe\a \ ei nº 13.363, de 201 ó) 48 EDITORA A RMADOR 1

48

EDITORA A RMADOR

1

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4 ª EDIÇÃO

1f)emf

Eticao

ilffp:W

L

rll

§ 1° Os direitos previstos à advogada--.-gestante ou lactante ap licam-se -engaanto J>erdurar: resJ>edivamentlfilo e"S~ gravídico ou o- ·eríodo-de amam-entaçãQJ (lncluído pela Lei

nº 13.363, de 2016)

2° Os direitos assegurados nos incisos li e Ili deste artigo

o \\ C\<\c\\, à advogada adotante ou ijU-e der à la~ serão concedidos pelo prazo previsto no art. 392 do Decreto-Lei nº_S.452,

§

e\

\

Cl '

;

,

de 1°_de maio de 1943 (Consolidação das Leis do Traba- lho). (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)

§ 3° O direito assegurado no inciso IV deste artigo à advo- gada adotante ou que der à luz será concedido pelo prazo previsto no § 6° do art. 313 da Lei nº 13.105, de 16 de mar- ço de 2015 (Código de Processo Civi l). (Inclu ído pela Lei nº 13.363, de 2016)

Civi l). (Inclu ído pela Lei nº 13.363, de 2016) Q Comentários ~ DIREITOS DO ADVOGADO

Q

Comentários

~ DIREITOS DO ADVOGADO

O Estatuto trata como sinônimos as expressões "direitos" e "prer- rogativas" do advogado. Portanto, inicialmente, cabe-nos fazer um breve esclarecimento sobre a diferença técnica entre elas.

Pode-se dizer que o "direito" est á relacion ado a todas as p essoas, ao passo que a "prerrogativa" é um direito exclusivo de determinada profissão para o seu pleno exercício. Desse modo, todos têm o direi- to à livre locom oção no território nacional em tempo de paz (art. 5°, XV, CRFB), m as os advogados têm a prerrogativa de examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que con clusos à autoridad e,

141141

1Pemf

Eticao

podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digi- tal (art. 7°, XIV, da Lei nº 8.906/94).

Entretanto, por questões didáticas também empregaremos as ex- pressões "direitos" e "prerrogativas" sem distinção, como se sinônimos fossem.

O Estatuto da Advocacia e da OAB disciplina os direitos dos ad-

vogados ao longo de toda a lei, sendo que as concentra em maior nú- mero no Capítulo II do Título I (arts. 6° e 7°).

Sendo a advocacia indispensável à realização da justiça - ao lado da Magistratura do Ministério Público -, o art. 6° logo determina que não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consi- deração e respeito recíprocos. E para que o advogado possa exercer de maneira plena, sem embaraços, a sua atividade, impõe-se às autorida- des, aos servidores públicos e aos serventuários da justiça o dever de tratar os advogados, no exercício da profissão, de forma compatível com a dignidade da advocacia, inclusive com condições adequadas ao seu desempenho.

Conforme o disposto no art. 7° do Estatuto são direitos do advo- gado:

1- exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional.

O advogado devidamente inscrito em um determinado Conselho

Seccional da OAB pode exercer a profissão em todo o país. Impor- tante apenas lembrar que esta prerrogativa permite que o profissional advogue, ilimitadamente, no respectivo Conselho e, eventualmente, em qualquer outro estado. Se vier a atuar em mais de cinco causas em outro estado, deverá providenciar outra inscrição (inscrição suple- mentar - art. 10, § 2°, do EAOAB) . Desse modo, é garantido o direito de advogar livremente dentro do território nacional, sendo que, em alguns casos, a atuação é condicionada à realização de outra inscrição.

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EDITORA ARMADOR

1

10 EM ÉTI CA

EDIÇÃO

1[Jemf

Eticao

MMI

li - a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia.

Esta é a nova redação dada a este inciso pela Lei nº 11.767/08. Esta lei também acrescentou os parágrafos 6° e 7° ao art. 7° do Estatuto da Advocacia, que, em linhas gerais, melhor tratou do tema da invio- labilidade referida neste inciso.

A inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, não é absoluta, uma vez que, presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime pelo advogado, a autoridade judiciária competente poderá, em decisão mo- tivada, decretar a quebra da inviolabilidade de que trata este inciso, expedindo, para tanto, o devido mandado de busca e apreensão, espe- cífico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB. É de salientar que, em qualquer hipótese - mesmo nesses casos -, é proibida a utilização dos documentos, das mídias e dos obje- tos que pertencem aos clientes do advogado averiguado, muito menos dos demais instrumentos de trabalho que tenham informações acerca de clientes, a não ser que haja algum cliente do advogado averiguado que esteja sendo formalmente investigado como partícipe ou co-autor pela prática do mesmo crime que deu origem à quebra da inviolabili- dade.

Ili - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mes- mo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou re- colhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que conside- rados incomunicáveis.

A Constituição Federal garante a todo preso a assistência de ad- vogado (art. S°, LXIII). Ao encontro da Lei Maior, o Estatuto da Advo- cacia e da OAB confere ao advogado esse direito.

Apenas por debate, ainda que de forma bem sucinta, no que tange à incomunicabilidade do preso, tratada no art. 21 do Códi-

P AULO M ACHADO

51

IMM

1f)emf

Eticae

go de Processo Penal, acompanhamos o entendimento de renoma- dos autores, entre eles, Fernando da Costa Tourinho Filho, de que, na atualidade, em razão de a Constituição Federal determinar que

é vedada a incomunicabilidade do preso na vigência do estado de

defesa, com mais razão não deve haver na ausência deste. Reforçan-

do esse entendimento o ilustre professor afirma que "se por acaso houver entendimento contrário, não se deve olvidar que a incomu-

nicabilidade é medida perversa e que, no fundo, o seu objetivo, que

é impedir a comunicação do preso com o mundo exterior, se reduz

a uma nonada, em face do direito conferido ao advogado de se co-

:' (Código

municar com o incomunicável pessoal e reservadamente

de Processo Penal Comentado, 12ª Edição, Editora Saraiva, Volume 1, 2009, página 97). De qualquer forma, a incomunicabilidade não alcança o advogado.

IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso em fla- grante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a co- municação expressa à seccional da OAB.

Este inciso foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8), proposta pela Associação dos Magistrados Brasi- leiros (AMB), em relação à expressão "ter a presença de representante da OAB': que chegou a ficar suspensa desde 1994. Contudo, o STF, no julgamento do mérito, ocorrido em 17 de maio de 2006, decidiu pela integral constitucionalidade do inciso. Ressalte-se que os ministros do Pretório Excelso destacaram que, se a OAB não remeter um represen- tante em tempo hábil, não haverá de se falar em invalidade da prisão em flagrante.

Em complementação, o parágrafo 3° do art. 7° do Estatuto garan- te ao advogado o direito de somente ser preso em flagrante em caso de crime inafiançável, desde que por motivo ligado ao exercício da profissão e, mesmo assim, com as observações indicadas no inciso IV

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V - não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julga- do, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar.

Mais uma vez a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) insurgiu-se, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, contra a Lei nº 8.906/94. Neste caso, foi em relação à expressão "assim reco- nhecidas pela OAB", e o STF, confirmando a liminar antes concedida, julgou, nesta parte, procedente a ação, ou seja, declarou a inconstitu- cionalidade da expressão "assim reconhecidas pela OAB':

A prerrogativa de prisão domiciliar, na ausência de sala de Estado Maior, continua valendo. Esse é o entendimento do Supremo Tribunal Federal.

VI - ingressar livremente:

a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que sepa-

ram a parte reservada aos magistrados;

b) nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro e, no caso de dele- gacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independen- temente da presença de seus titulares;

c) em qualquer edifício ou rec into em que funcione repartição judicial

ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache pre- sente qualquer servidor ou empregado;

d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou possa par-

ticipar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde

que munido de poderes especiais;

Com essas prerrogativas, o Estatuto garante ao advogado o pleno exercício de sua atuação, a fim de que possa representar os interes- ses de seus clientes de maneira eficaz. Qualquer impedimento a essas garantias deve ser entendido como ilegal e, nos casos de violações às alíneas a, b e e, como crime de abuso de autoridade, previsto no art. 3°,J, da Lei nº 4.898/95.

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Na alínea d, encontramos um direito que, para ser exercido, exige procuração com poderes especiais.

VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença.

Conforme o art. 6° do Estatuto, não há hierarquia nem subordina- ção entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público. Nesse mesmo sentido, este inciso VII assegura ao advogado decidir a melhor maneira de ficar nos locais onde precisa estar para o exercício da advocacia, sem qualquer interferência por parte dos agentes públi- cos (nem mesmo das autoridades policiais e judiciárias).

Importa em desprestigio para a classe, e nenhum advogado pode a isso condescender, quando o magistrado determina o local onde o advogado deve ficar, com a clara intenção de menoscabo ou em atitu- de arbitrária.

VIII - dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de

trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a ordem de chegada.

Justamente em razão de não haver hierarquia nem subordinação entre advogados e magistrados, e também de ser o advogado um dos figurantes essenciais à justiça, é assegurado o seu livre acesso aos ma- gistrados. Entretanto, é razoável que, em razão de um ato processual estar sendo realizado, a autoridade judiciária solicite ao advogado que aguarde o término do aludido ato. O que não se admite é a restrição para atendê-lo somente em alguns dias da semana e em horários pre- viamente estipulados.

Saliente-se que para fins de prova (Exame de Ordem), é direito do advogado, e não do estagiário.

IX - sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo,

nas sessões de julgamento, após o voto do relator, em instância judi-

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cial ou administrativa, pelo prazo de quinze minutos, salvo se prazo maior for concedido.

O STF declarou inconstitucional todo o conteúdo deste inciso, por ocasião do julgamento da ADI nº 1.127-8, proposta pela Associa- ção dos Magistrados Brasileiros.

Quis o legislador garantir ao advogado o direito de sustentar oral- mente as razões recursais "após o voto do relator': o que contribuiria muito para a realização da justiça, uma vez que, após ouvir o voto do relator, o advogado melhoraria sua argumentação para maior esclare- cimento das razões para os demais julgadores do órgão colegiado.

Com a declaração de inconstitucionalidade, o advogado deve

"tentar adivinhar" o que se passa na mente do relator e preparar uma

sustentação oral mais completa, e sintetizada, possível

Observe que no Novo Código de Ética e Disciplina (art. 60, § 4°) ainda consta que no processo disciplinar na OAB, a sustentação oral do advogado será após o voto do relator!

Lamentável

X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, me- diante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida sur- gida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.

Aqui temos uma importantíssima prerrogativa garantida pelo Es- tatuto aos advogados. Trata-se da utilização da expressão "pela ordem':

quando se verificar a necessidade de esclarecer algum equívoco ou uma dúvida relevante que possa influir no julgamento ou, ainda, como forma de defesa contra acusações ou censura que lhe forem feitas.

XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tri- bunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regu- lamento ou regimento.

Este inciso traz mais uma forma de o advogado reclamar junto às autoridades contra a inobservância de preceito de lei, regulamento

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ou regimento. A diferença que há entre o inciso anterior e este é que naquele a intervenção deve ser sumária, de modo a evitar um prejuízo maior, enquanto que neste pode-se esperar um momento mais opor- tuno para intervir.

XII -falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de delibera-

ção coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo.

O advogado tem o direito de se manifestar oralmente, sentado ou

em pé, em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Legislativo ou da Administração Pública, não podendo nenhum ato normativo interno

estabelecer forma diversa.

XIII

- examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislati-

vo,

ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos

ou

em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam su-

jeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópia, podendo tomar apon- tamentos.

O direito ao exame dos autos e o direito de vista dos autos não se

confundem. Aquele significa a simples consulta dos autos no cartó- rio, enquanto que este é a retirada dos autos pelo advogado m ediante registro em livro de carga ou em documento que declare a saída dos autos.

Por vezes, o exame dos autos é necessário para suprir uma dúvi- da urgente ou até mesmo para que o advogado decida se irá ou não ingressar na causa. Assim, o Estatuto asseg ura ao advogado examiná- -los em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e da Administração Pública em geral, findos ou em andamento, mesmo sem procuração, desde que não estejam submetidos a sigilo, sendo as- segurada a obtenção de cópia, podendo, ainda, tomar apontamentos.

Em relação ao direito de obtenção de cópia mesmo sem procu- ração, explicitado neste inciso, explica Geronimo Theml de Macedo que "aqui é fundamental ter em mente que o direito não é de retirar os autos de cartório para levá-los até a copiadora mais próxima. O direi-

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to é de obter as cópias, o que implica dizer que cada cartório judicial deverá disponibilizar os mecanismos adequados para garantir tal di- reito, alguns, por exemplo, possibilitam que servidores acompanhem o advogado até a copiadora:' (obra citada, p. 81).

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir in-

vestigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investi- gações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que

conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamen-

tos, em meio físico ou digital;

Este inciso foi alterado pela Lei 13.245/16. Antes, em seu texto original não constavam as expressões "em qualquer repartição policial responsável por conduzir investigação" e "investigações de qualquer naturezà' (constava apenas "autos de flagrante e de inquérito poli- cial''), bem como a questão da obtenção de cópias por meio digital, como, por exemplo, a fotografia por scanner portátil ou por aparelho de telefone celular.

Tais alterações vieram em boa hora, pois há muito tempo já se discutia este direito de acesso do advogado aos procedimentos inves- tigatórios nos mais variados setores, e não só em sede policial (como é o caso do procedimento investigatório criminal feito pelo Ministério Público).

Para assegurar este direito, a Lei 13.245/16 também acrescentou o§ 12, determinando que: ''A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advo- gado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz competente:'

Assim, entendemos que o mesmo direito deve ser estendido para se ter vista e cópia de registros de ocorrência (ou boletins de ocorrên-

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eia), de termos circunstanciados e de qualquer procedimento ante- rior à instauração do inquérito policial, como o comumente chamado procedimento de "verificação das procedências das informações" (na prática penal ch amado de VPI), tratado no art. S°, § 3°, do CPP. Afinal, se pode o mais (inquérito policial), pode o m enos (VPI ou Registro de

Ocorrência ou

Importante atentarmos para o seguinte: embora o art. 20 do Có- digo do Processo Penal estabeleça que "a autoridade assegurará no in- quérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interes- se da sociedade': essa sigilosidade - característica do IP - não alcança

o advogado, em virtude do que lhe é garantido pelo art. 7°, inciso X IV, da Lei n º 8.906/94.

Em razão disso, em fevereiro de 2009, o Supremo Tribunal Fede- ral editou a súmula vinculante nº 14 com o seguinte teor: direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elemen- tos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de policia judiciária, digam res- peito ao exercício do direito de defesa."

Neste sentido, a Lei 13.245/16 acrescentou os §§ 10 e 11 , que es -

clarecem mais ainda

No § 10 consta que, "nos autos sujeitos a sigilo, deve o advoga- do apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV" Isso ocorre porque, como comentamos acima, o sigilo do inquérito policial não alcança o advogado. Porém, há casos em que há interceptação telefônica decretada pelo juiz ou h á quebra de sigilo bancário. Assim, documentos e informações sigilosas são juntadas aos autos do inquérito policial. Nest a hipótese, para o advogado ter aces - so, terá que ter procuração.

O § 11 di z que, "n o caso previsto n o in ciso XIV, a autoridade

competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de

prova relacionados a diligências em andamento e ainda não docu- mentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da

Boletim de O corrência).

este tem a. Vejamos:

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eficiência, da eficácia ou da fin alidade das diligências:' Este inciso, ao nosso ver, melhor esclareceu o teor da aludida Súmula Vinculante 14.

XV - ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer

natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pe-

los prazos legais.

XVI - retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias.

Os direitos trazidos nos incisos XV e XVI não se aplicam nos casos mencionados no § 1º do art. 7°, a saber:

a) quando o processo estiver sob o regime do segredo de j ustiça;

b) quando houver nos autos documentos originais de difícil restauração

ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos au- tos no cartório, secretaria ou repartição, reconh ecida pela autoridade em

despacho motivado, proferido exofficio, mediante representação ou are- querimento da parte interessada;

c) até o encerramento do processo, ao advogado que tenha deixado de

devolver os respectivos autos no prazo legal, e só o fizer depois de inti- mado.

XVII - ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício

da profissão ou em razão dela.

O Estatuto tratou o desagravo público como um direito do advo-

gado, tendo o Regulamento Geral especificado o tema n os art. 18 e 19.

O desagravo público é um procedimento formal utilizado pela

Ordem dos Advogados do Brasil para mostrar o repúdio e prestar uma solidariedade às ofensas sofridas pelo advogado no exercício da sua profissão ou de cargo ou função nos órgãos da OAB, sem prejuízo das sanções penais em que incorrer o ofensor. Não raro, os advogados são ofendidos por juízes, promotores de justiça, delegados de polícia, no desempenho de seu mister, devendo o desagravo ser promovido pelo Conselho competente, de ofício, a requerimento do próprio advogado ou de qualquer outra pessoa.

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Eticac,

O desagravo público, como meio de defesa dos direitos e prerro-

gativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que

não pode dispensá-lo, sendo, portanto, um critério do próprio Con- selho.

Uma vez ocorrendo a ofensa no espaço territorial da Subseção a que se vincule o inscrito, a sessão de desagravo pode ser promovida pela Diretoria ou Conselho da Subseção, com representação do Con- selho Seccional. Com razão. Se o advogado foi ofendido num municí- pio distante da sede do Conselho Seccional, de nada adiantará a sole- nidade ser lá realizada. Atenderá melhor ao seu objetivo, se realizada num local mais próximo de onde ocorreu a ofensa.

Por outro lado, competirá ao Conselho Federal promover o desa-

gravo público nos casos de ofensa a conselheiro federal ou a Presidente de Conselho Seccional, quando ofendidos no exercício das atribuições de seus cargos e, ainda, quando a ofensa a advogado se revestir de rele- vância e grave violação às prerrogativas profissionais com repercussão nacional. Assim, o Conselho Federal indica seus representantes para

a sessão pública de desagravo, que será realizado na sede do Conse-

lho Seccional, exceto no caso de ofensa a conselheiro federal, quando acontecerá no próprio Conselho Federal.

O procedimento o desagravo público é disciplinado nos parágra-

fos do art. 18 do Regulamento Geral.

Compete ao relator, convencendo-se da existência de prova ou indício de ofensa relacionada ao exercício da profissão ou cargo da OAB, propor ao Presidente que solicite informações da pessoa ou au-

toridade ofensora, que serão fornecidas no prazo de 15 (quinze) dias,

a não ser que haja urgência ou notoriedade do fato.

Pode o relator propor o arquivamento do pedido se (1) a ofensa tiver natureza pessoal, (2) se não estiver ligada ao exercício profissio- nal ou às prerrogativas gerais do advogado ou (3) se configurar crítica de caráter doutrinário, político ou religioso.

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Sendo recebidas ou não as informações solicitadas e convencen-

éa-se da procedência da ofensa, o relator emitirá um parecer, que será

Em caso de acolhimento do parecer, é desig-

.::ada a sessão de desagravo, amplamente divulgada.

a sessão do desagravo público, o Presidente lê a nota a ser publi- :::da na imprensa, encaminhada ao ofensor e às autoridades e registra- nos assentamentos do inscrito.

ci metido ao Conselho.

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XVIII - usar os símbolos privativos da profissão de advogado

Apenas o advogado devidamente inscrito na OAB pode utilizar s símbolos privativos da advocacia. São os anéis, adornos e outros =--~~acionados à profissão.

Compete ao Conselho Federal criar ou aprovar o seu uso (art. 10, ~ciso X, EAOAB - Compete ao Conselho Federal: X - dispor sobre 2 :dentificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos ?.:ivativos) . Não se deve confundir esta competência do Conselho Fe- .::eral com o que está disposto no art. 58, XI, do mesmo diploma: com- ~te ao Conselho Seccional determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos advogados, no exercício profissional. Um fala sobre os -:mbolos; o outro, sobre o traje.

XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no qual fun- cionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha sido advogado, mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte.

A recusa em depor como testemunha em processo no qual fun- .:ionou ou deva funcionar, ou até mesmo sobre algum fato vinculado a pessoa de quem seja ou foi advogado, é um direito assegurado pelo Estatuto, mas também é um dever imposto pelo Código de Ética e _uis ciplina (arts. 35 a 38 do Novo CED).

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XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para

ato judicial, após 30 (trinta) minutos do horário designado e ao qual

ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir a ele,

mediante comunicação protocolizada em juízo.

O advogado ganhou com este inciso uma importantíssima prer- rogativa. Para evitar abusos, lamentavelmente cometidos por alguns magistrados, garantiu o Estatuto da Advocacia e da OAB ao advogado o direito de se retirar do recinto onde está aguardando para a reali- zação do ato judicial, após passados 30 (trinta) minutos do horário marcado e sem que a respectiva autoridade tenha chegado. Este direi- to não se aplica quando o magistrado já se encontra no local, porém, realizando outro ato processual, como é o caso de uma audiência de- signada para um horário anterior, mas que ainda não terminou.

Mister salientar que a Consolidação das Leis do Trabalho traz um prazo menor. Assim, para os advogados que atuarem perante a Justiça Trabalhista, o tempo de espera é de apenas 15 (quinze) minutos a par- tir do horário designado (art. 815, CLT).

Em qualquer caso, obviamente, exige-se a comunicação protoco- lizada em juízo.

XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infra-

ções, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investiga- tórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indire-

tamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:

a) apresentar razões e quesitos;

b) (VETADO).

Esta inovação trazida pela Lei nº 13.245/16 traduz um relevante avanço para a Justiça e para o exercício do direito de defesa. Embora o Princípio da Ampla Defesa não seja aplicado à fase da investigação policial, a presença e a participação do advogado evita que se come- tam abusos contra os investigados.

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Art. 7°-A. São direitos da advogada:

1- gestante:

a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de

metais e aparelhos de raios X;

b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;

li - lactante, adotante ou que der à luz, acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das ne- cessidades do bebê;

Ili - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, prefe- rência na ordem das sustentações orais e das audiências

a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição;

IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos proces-

suais quando for a única patrona da causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente.

§ 1° Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto perdurar, respectivamente, o estado gravídico ou o período de amamentação.

§ Os direitos assegurados nos incisos li e Ili deste artigo

à advogada adotante ou que der à luz serão concedidos pelo prazo previsto no art. 392 do Decreto-Lei nº 5.452, de 1° de maio de 1943 {Consolidação das Leis do Trabalho).

§ O direito assegurado no inciso IV deste artigo à advo- gada adotante ou que der à luz será concedido pelo prazo

previsto no§ do art. 313 da Lei nº 13.105, de 16 de mar-

ço de 2015 {Código de Processo Civil).

Este art. 7° - A foi acrescentado no EAOAB pela Lei 13.363/16.

Os artigos referidos nos parágrafos 2° e 3° deste art. 7º - A estão transcritos abaixo:

PAULO MACHADO

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direito à li cença-maternidade

de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário.

Art. 31 3, § 6°, do CPC: (

co ntado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que com- prove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente.

o período de suspen sã o será de 30 (trinta) dias,

Art. 392 da CLT.

A empre gada gestant e tem

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IMUNIDADE PROFISSIONAL DO ADVOGADO

A imunidade profissional do advogado é tratada no artigo 7°,

parágrafo 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/ 94):

"O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria,

difamação ou desacato puníveis qualquer

no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das

sanções disciplinares perante a OAB pelos excessos que cometer".

Imunidade profissional é a imunidade que se refere à atividade ou à função do advogado, podendo assim ser de ordem civil, penal e dis- ciplinar. Se responsabilidade fun cional (ou profissional) do advogado, quer dizer responsabilidade civil, penal e disciplinar, do mesmo modo será sua imunidade profissional.

m anifestação de sua parte,

A razão dessa imunidade vem do fato de a advocacia ser uma

profissão eminentemente conflituosa, na qual, não raro, o advogado

se depara com situações injustas em desfavor do seu cliente, o que

em decorrência o faz despender p alavras ou expressões que em outras

poderiam ser consideradas com o ofensivas, mas não ali,

no exercício de seu mister, devendo ser levadas conta em nome do

princípio da libertas convinciandi.

situações até

O instituto da imu nidade penal do advogado em relação aos cri-

mes de injúria e difamação não é novidade no ordenamento jurídi- co pátrio. O artigo 142, I, do Código Penal, já previa essa imunidade

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("Não constituem injúria ou difamação punível: I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador") .

Assim, o Estatuto da Advocacia e da OAB inovou em seu texto original os seguintes aspectos: (1) ampliou a imunidade penal do ad- vogado para imunidade profissional, ou seja, agora ela é civil, penal e disciplinar; (2) acrescentou ao rol da imunidade o crime de desacato; (3) a imunidade profissional do advogado deixou de ser apenas em juízo e passou a ser em qualquer lugar onde desenvolva a sua atividade (delegacia de polícia, Comissão Parlamentar de Inquérito, Conselho de Contribuintes, etc.).

Acontece que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8), na qual o Supremo Tribunal Federal, em 1994, suspendeu liminar- mente a eficácia da expressão "desacato': tendo o mérito sido julgado em 17 de maio de 2006 e, nessa parte, julgada procedente, ou seja, o advogado não tem mais imunidade profissional em relação ao crime de desacato.

Importante evidenciar a ressalva contida na parte final do pará- grafo 2°, do artigo 7°, do Estatuto, que, no tocante à injuria e à difama- ção, no exercício da advocacia, o advogado pode vir a ser processado pela OAB, caso cometa excessos. Tal reprimenda faz sentido, porque, se por um lado, o advogado tem a prerrogativa da imunidade, por outro, ele tem o dever de tratar as pessoas e os funcionários públicos com os quais for se relacionar com urbanidade, educação e lhaneza. Exagerando e extrapolando o direito de imunidade, estará violando um dever de bem tratar a todos.

Note-se ainda que, embora o advogado tenha a imunidade pro- fissional conferida pelo Estatuto da Advocacia, outras leis podem tra- zer para ele algumas sanções, como, por exemplo, o Novo Código de Processo Civil, que, no artigo 78 e seus§§ 1° e 2°, permite ao juiz riscar as palavras ofensivas empregadas nos escritos que o advogado fizer, ad-

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vertir o advogado em audiência e até cassar a palavra do mesmo - nos dois últimos casos quando venha a proferir palavras ofensivas de forma oral. No art. 360, II, do Novo CPC, há até mesmo possibilidade de o juiz retirar do recinto quem se comportar de modo inconveniente.

Abaixo, o teor dos arts. 78, §§ 1º e 2°, e 360, II, do Novo CPC:

Art. 78. É vedado às partes, a seus procuradores, aos juízes, aos membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e a qualquer pessoa que participe do processo empregar expressões ofensivas nos escritos apre- sentados.

§ 1° Quando expressões ou condutas ofensivas forem manifestadas oral ou presencialmente, o juiz advertirá o ofensor de que não as deve usar ou repetir, sob pena de lhe ser cassada a palavra.

§ 2° De ofício ou a requerimento do ofendido, o juiz determinará que as expressões ofensivas sejam ri scadas e, a requerimento do ofendido, deter- minará a expedição de certidão com inteiro teor das expressões ofensivas

e a colocará à disposição da parte interessada.

Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lh e:

1- manter a ordem e o decoro na audiência;

li - ordenar qu e se retirem da sala de audiência os qu e se comportarem

inconvenientemente;

Ili - requisitar, quando necessário, força policial;

IV - tratar com urbanidade as partes, os ad vogados, os membros d o M i- nistério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo;

V - regi strar em ata, com exatid ão, todos os requerim entos a pre se ntad os

em audiência.

Em relação a tais sanções aplicadas pelos juízes, cabe-nos, ainda que de maneira superficial, tecer alguns comentários, especialmente porque há controvérsias acerca da natureza jurídica dessas punições. Há quem entenda que são sanções disciplinares, resquícios de uma época em que cabia ao Judiciário a disciplina dos advogados (fase an- terior à criação da OAB pelo Decreto n º 19.408/30); outros entendem que são sanções processuais, pois os magistrados têm poder de polícia,

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e também porque o artigo 6° do EAOAB diz que não hierarquia nem subordinação entre advogados, juízes e membros do Ministério Públi- co. Comungamos desse entendimento, apenas complementando que essas sanções não podem chegar ao ponto de cercear o direito de de- fesa. Por fim, há os que entendem que os dispositivos citados do CPC estão todos revogados, uma vez que o artigo 44, II, do Estatuto, diz que compete à OAB com exclusividade disciplinar os seus inscritos.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem) Adolfo, policial militar, consta como envolvido em fato supostamente v iolador da integridade física de terceiros, apurado em inve s- tigação preliminar perante a Polícia Militar. No curso desta investigação, Adolfo foi notificado a prestar declarações e, desde logo, contratou a advogada Simone para sua defesa. Ciente do ato, Simone dirige-se à unidade respectiva, preten- dendo solicitar vista quanto aos atos concluídos da investigação e buscando tirar cópias com seu aparelho celular. Além disso, Simone intenta acompanhar

Adolfo durante o seu depoimento designado.

Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.

A) É direito de Simone, e de seu cliente Adolfo, que a advogada examine os au- tos da investigação, no que se refe re aos atos já concluídos e documentados, porém, a possibilidade de emprego do telefone celular para tomada de có- pias fica a critério da autoridade responsáve l pela investigação. Também é direito de ambos que Simone esteja presente no depoimento de Adolfo, sob pena de nulidade absoluta do ato e de todos os elementos investigatórios

dele decorrentes.

B) É direito de Simone, e de seu cliente Adolfo, que a advogada examine os au- tos, no que se refere aos atos já concluídos e documentados, bem como em- pregue o telefone celular para tomada de cópias digitais, o que não pode se r obstado pela autoridade responsável pela investigação. Também é direito de ambos que Simone esteja presente no depoimento de Adolfo, sob pena de nulidade absoluta do ato e de todos os elementos investigatórios dele decor- rentes.

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1Pemf

Eticao

C) É direito de Simone, e de seu cliente Adolfo, que a advogada exa mine os au- to s, no que se refer e aos atos já concluídos e documentados, bem como em- pregue o tel efone ce lular para tomada de cópias digitais, o que não pode ser obstado pela autoridade responsável pela investigação. Também é direito de ambos que Simone esteja presente no depoimento de Adolfo, sob pena de nulidade relativa apenas do ato em que embaraçava a sua presença.

D) Considerando cuidar-se de mera invest igação preliminar, Simone não possui o direito de examinar os atos já concluídos e documentados ou tomar cópias. Do mesmo modo, por não se tratar de interrogatório formal, mas mera in ves-

tigação preliminar, sujeita à disciplina

da leg is lação castrense,

não configura

nulidade se obstada a presença de Simone no depoimento de Adolfo.

Çl Comentários

Nos termos do art. 7°, XIV, do Estatuto, com a redação dada pela Lei 13.245/17, é direito do advogado examinar, em qualquer institui- ção responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar pe- ças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital.

GABARITO: B

(FGV - XXI Exame de Ordem) Florentino, advogado, regularmente inscrito na

OAB, além da advocacia, passou a exercer também a profissão de corretor de imóveis, obtendo sua inscrição no conselho pertinente. Em seguida, Florentino passou a divulgar suas atividades, por meio de uma placa na porta de um de seus

escritórios, com os dizeres: Florentino, advogado e corretor de tema, assinale a afirmativa correta.

imóve is. Sobre o

A) É vedado a Florent ino exercer paralelamente a advocacia e imóveis.

a corretagem de

B) É permitido a Florentino exercer paralelamente a advocacia e a corretagem de imóveis, desde que não sejam prestados os serviços de advocacia aos

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Eticae

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mesmos clientes da outra atividade. Al ém disso, é permitida a utilização da placa empregada, desde que seja discreta, sóbria e meramente informativa.

C) É permitido a Florentino exercer paralelamente a advocacia e a corretagem

imóveis. Todavi a, é vedado o emprego da aludida pla ca, ainda que discre -

de

ta, sóbria e meramente informativa.

D) É p ermiti d o a Florentin o exercer paralel amente a advocacia e a corretagem de imóveis, inclusive em favor dos mesmos clientes. Também é permitido em-

seja di sc ret a, só b ria e meram ente informa-

pre ga r a aludida placa, desde que tiv a.

Q

Comentários:

O Estatuto da Advocacia não proíbe o exercício da atividade de corretagem, mas tão somente proíbe que n ão seja exercida junto com a advocacia (art. 1°, § 3°, do EAOAB).

GABARITO:(

(FGV - XX Exame de Ordem) Júlia é advogada de Fernando, réu em processo cri- minal de grande re p ercussão soci al. Em um programa vespertin o da rádio loca l, o apresentador, ao co mentar o caso, afirmou qu e Júlia era "ad vogada de porta de

cadeia" e "ajud ante d e bandido''. Ouvinte do

selho Seccional da OAB e pediu q ue fosse promovido o

ao

da OAB que o desagravo n ão era necessário, pois j á ajuizara ação para apurar a

responsabil idad e civi l do apresentador.

programa,

Rafaela procurou o Co n- desagravo público. Júlia,

to mar conhecimento do pedido de Rafaela, informou ao Conselho Seccional

No caso narrado,

A)

o pedido de desagravo público só pode ser formulad o po r Júlia, que é a pes-

soa ofendida

em razão do exercíc io profi ssion al.

8)

o pedido de d esa gra vo pode se r formulado por Rafaela, mas depend e da concordância de Júlia, que é a pessoa ofendida em razão do exercício profis- sional.

'ª"''

1[Jemf

Eticae

C) o pedido de desagravo pode ser formulado por Rafaela, e não depende da concordância de Júlia, apesar de esta ser a pessoa ofendida em razão do exer- cício profissional.

D) o pedido de desagravo público só pode ser formulado por Júlia, que é a pes- soa ofendida em razão do exercício profissional, mas o ajuizamento de ação para apurar a responsabil idade civil implica a perda de objeto do desagravo.

Q

Comentários:

O desagravo público é um direito não somente do advogado, mas

de toda a classe da advocacia em ver a OAB repudiando as ofensas sofridas pelo advogado decorrentes do exercício da sua profissão.

O desagravo independe, portanto, da vontade do advogado ofen-

dido e pode ser requerido por qualquer pessoa, podendo ser iniciado de ofício pela OAB o processo de apuração (arts. 18 e 19 do Regula- mento Geral).

GABARITO: C

(FGV - XIX Exame de Ordem) O advogado Carlos dirigiu-se a uma Delegacia de Polícia para tentar obter cópia de autos de inquérito no âmbito do qual seu cliente havia sido intimado para prestar esclarecimentos. No entanto, a vista dos autos foi negada pela autoridade policial, ao fundamento de que os autos esta- vam sob segredo de Justiça. Mesmo após Carlos ter apresentado procuração de seu cliente, afirmou o Delegado que, uma vez que o juiz havia decretado sigilo nos autos, a vista somente seria permitida com autorização judicial.

Nos termos do Estatuto da Advocacia, é correto afirmar que

A) Carlos pode ter acesso aos autos de qualquer inquérito, mesmo sem procura- ção.

B) Carlos pode ter acesso aos autos de inquéritos sob segredo de Justiça, desde que esteja munido de procuração do investigado.

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1f)emf

Eticae

1 f ) e m f Eticae C) em caso de inquérito sob segredo de Justiça,

C) em caso de inquérito sob segredo de Justiça, apena s o magistrado que de - cretou o sigilo poderá afastar parcialmente o sigilo, autorizando o acesso aos autos pelo advogado Carlos.

D) o segredo de Justiça de inquéritos em andamento é oponível ao advogado Carlos, mesmo munido de procuração.

Çl Comentário:

Essa questão teve por base o art. 7°, XIV, do EAOAB (é direito d o advogado examinar, em qualquer instituição responsável por condu- zir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de in- vestigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital) e a Súmula Vinculante 14, cuj o teor é: direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento inves- tigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa:'

Perceba que na presente questão, houve decretação pelo juiz de sigilo.

Como se sabe uma das características do inquérito policial é a sua sigilosidade, o que significa que qualquer do povo n ão pode ter acesso às suas informações. É também sabido que esta sigilosidade, em regra, não alcança o advogado, que pode ter acesso mesmo sem procuração.

Acontece que, em muitas situações, o juiz pode decretar a sigi- losidade em maior grau, quando há documentos sigilosos nos autos, como, por exemplo, extrato bancário dos envolvidos, interceptação t e- lefônica, etc. Nestes casos, para que o advogado tenha acesso, torna-se necessária a juntada de procuração nos autos.

l;filM;I

1Pemf

Eticae

O§ 1Odo art. 7°, com a redação dada pela Lei 13.245/16, dispõe que: "nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV:'

 

GABARITO: B

(FGV - XVI

Exame de Ordem) Isabel la, advogada atuante na

área pública, é pro-

curada por cliente que deseja contratá-la e que informa a existência de processo

já terminado, no qual foram debatidos fatos que poderiam interessar à nova cau-

sa. Antes de realizar o contrato de prestação de serv iço s, requer vista dos autos findos, não anexando instrumento de mandato.

Nesse caso, consoa nte o Estatuto da Advocacia, a advogada pode

A) ter

vista

dos

autos

somente no balcão do cart ór io.

B) ter

vista

dos

autos

no local

ond e se arquivam os autos.

C) retirar os autos de cartório por dez dias.

D) retirar os autos, se anexar instrumento de mandato.

Q

Comentário:

O art. 7°, XVI do EOAB traz como um dos direitos do advogado retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de 10 (dez) dias.

GABARITO: (

(FGV - XVI Exame de Ordem) O advogado Antônio participava do julgamento de recurso de apelação por ele interposto. Ao proferir seu voto, o Relator acusou

o advogado Antônio de ter atuado de forma antiética e de ter tentado induzir os julgadores a erro. Em seguida, com o objetivo de se d efender das acusações que lhe haviam sido dirigidas, Antônio solicitou usar da palavra, pela ordem, por mais cinco minutos, pleito que veio a ser indeferido pelo Presidente do órgão julgador.

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Eticao

IMMI

A respeito do direito de Antônio usar a palavra novamente, assinale a afirmativa

correta.

A) Não é permitido o uso da palavra por advogado em julgamentos de recursos de apelação.

B) É direito do ad v ogado usar da palavra, pela ordem,mediante intervenção su-

mária, para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.

C) É direito do advogado intervir, a qualquer tempo e por qualquer motivo, du- rante o julgamento de processos em que esteja constituído.

D) O uso da palavra, pela ordem, mediante intervenção sumária, somente é per- mitido para o esclarecimento de questões fáticas.

Q

Comentários:

O art. 7°, X, do EAOAB diz que é direito do advogado usar da pa- lavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante interven- ção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.

GABARITO: B

(FGV - XIII Exame de Ordem) Agnaldo é advogado na área de Direito de Em- presas, tendo como uma de suas clientes a sociedade Cobradora Eficiente Ltda., que consegue realizar os seus atos de cobrança com rara eficiência. Por força d e sua atividade, a sociedade é convidada a participar de reunião com a Associação

dos Consumidores Unidos e envia o seu advogado para dialogar com a referida

instituição.

Consoante o Estatuto da Advocacia, deve o advogado comparecer

A) à reunião com seu cliente, responsável pela empresa.

B) desacompanhado, com procuração com

C) à reunião, com mandato outorgado com poderes especiais.

D) ao local sem a presença do cliente e sem mandato.

poderes ad juditia .

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Q

Comentários:

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Eticae

Há muitos atos que o advogado pode praticar sem procuração, como, por exemplo, visitar cliente preso, tirar cópia de autos de inqué- rito policial etc.

Com a procuração com poderes gerais, o advogado pode praticar os mais variados atos, desde que a lei não exija poderes especiais.

A questão exigiu o conhecimento de uma das hipóteses de exi- gência de procuração com poderes especiais, que é ingressar livre- mente em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais (art. 7°, VI, d, do EAOAB).

CAPÍTULO Ili DA IN SCRIÇÃO

GABARITO:(

Art. 8°. Para inscrição como advogado é necessário:

1- capacidade civil;

li - diploma ou certidão de graduação em direito, obtido

em instituição de ensino oficialmente autorizada e creden-

ciada;

Ili - o título de eleitor e quitação do serviço militar, se bra-

sileiro;

IV - aprovação em Exame de Ordem;

V - não exercer atividade incompatível com a advocacia;

VI - idoneidade moral;

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Éticae

MHll·M

VII - prestar compromisso perante o Conselho.

§ 1°O Exame de Ordem é regulamentado em provimento

do Conselho Federal da OAB.

§ 2° O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em direito no Brasil, deve fazer prova do título de graduação, obtido em instituição estrangeira, devidamente revalida- do, além de atender aos demais requisitos previstos neste artigo.

§ 3° A inidoneidade moral, suscitada por qualquer pessoa, deve ser declarada mediante decisão que obtenha no mí- nimo dois terços dos votos de todos os membros do Con- selho competente, em procedimento que segue os termos

do processo disciplinar.

§ 4° Não a tende ao requisito de idoneidade moral aquele que tiver sido condenado por crime infamante, salvo rea- bilitação judicial.

Art. 9°. Para inscrição como estagiário é necessário:

1-

preencher os requisitos mencionados

no s incisos 1, Ili, V,

VI

e VII do art. 8 °;

li - ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.

§ 1° O estágio profissional de advocacia, com duração de dois anos, realizado nos últimos anos do curso jurídico, pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior, pelos Conselho da OAB, ou por setores, órgãos ju- rídicos e escritórios de advocacia credenciados pela OAB, sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina.

§ 2° Ainscrição do estagiário é feita no Conselho Seccional em cujo território se localize seu curso jurídico.

§ 3° O aluno de curso jurídico, que exerça atividade incom- patível com a advocacia pode freqüentar o estágio minis-

IM!i·M

1Pemf

Eticao

trado pela respectiva instituição de ensino superior, para fins de aprendizagem, vedada a inscrição na OAB.

§ 4° O estágio profissional poderá ser cumprido por bacha- rel em Direito que queira se inscrever na Ordem.

Çl

COMENTÁR IOS

0 QUADROS DA OAB

A OAB possui dois quadros .de inscritos: o quadro de advogados

e o quadro de estagiários.

A palavra "advogado" vem do latim (advocatus). Ad significa

"para junto" e vocatus quer dizer "chamado': Advocatus é aquele que é

chamado para junto (para representar quem o constituir).

0 QUADRO DE ADVOGADOS

lll> Requisitos para inscrição com advogado

Os requisitos necessários para inscrição no quadro de advogados estão no art. 8° do Estatuto. Vejamos:

1- capacidade civil

A capacidade civil aqui referida é a capacidade civil plena, que

nos termos da legislação civil se adquire aos dezoito anos completos (art. 5° do Código Civil). Essa capacidade civil pode ser comprovada com a apresentação da carteira de identidade.

Para o preenchimento desse requisito, presume-se que a pessoa é capaz civilmente com a simples prova de sua maioridade.

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EticaE'.)

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Não é demais lembrar que, em algumas situações, o menor pode ser emancipado, cessando sua incapacidade, através da colação de grau em curso de nível superior, nos termos do art. 5°, parágrafo úni- co, IV, do Código Civil. E, nesse caso, o curso deve ser o de Direito e a comprovação dar-se-á com o diploma.

li - diploma ou certidão de graduação em Direito obtida em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada

O atual Estatuto possibilitou a apresentação de certidão de gra- duação em Direito, na falta do diploma. Isso ocorre em razão de o diploma, em determinadas situações, demorar a ser expedido, o que impossibilita a inscrição daquele que já colou grau em Direito.

Além desse requisito expresso no inciso II do art. 8° do Estatuto, o art. 23 do Regulamento Geral condicionou o suprimento da falta do diploma à apresentação da certidão de graduação em Direito desde que acompanhada da cópia autenticada do histórico escolar. Assim, deve o candidato apresentar o diploma ou, se não o tiver, a certidão de graduação em Direito mais o histórico escolar devidamente auten- ticado.

Ili - título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro.

Esse requisito permaneceu no atual Estatuto. Atente-se que a redação determina que para inscrição como advogado é necessário apresentar o título de eleitor e provar a quitação do serviço militar, se brasileiro. A contrario sensu - e por razões óbvias - se brasileira for, somente d eve ser apresentado o título de eleitor e, se estrangeiro, n em título de eleitor, nem quitação do serviço militar.

Sobre a inscrição de estrangeiros e brasileiros graduados em ou- tro país comentaremos mais abaixo.

IV - aprovação no Exame da Ordem

1Pemf

.,,.,

Eticae

Conforme expressamente dito pelo art. 8°, § 1°, do Estatuto, o Exame da Ordem será regulamento por provimento do Conselho Fe- deral da OAB.

O Exame já foi regulamentado por vários provimentos: 81/96,

109/05 e 136/09. Atualmente o Exame da Ordem é regulamentado

pelo Provimento 144/l l.

O Exame da Ordem pode ser prestado por bacharéis em Direi-

to, inclusive por aqueles que exercem atividades incompatíveis com a advocacia, a exemplo dos policiais, dos técnicos de atividade judiciá- ria e dos prefeitos, ficando, entretanto, impossibilitados de exercer a atividade de advocacia enquanto estiverem incompatibilizados. Neste caso, a aprovação no Exame na Ordem tem validade por prazo inde- terminado, podendo estes obter a inscrição no quadro de advogado após a desincompatibilização.

V - não exercer atividade incompatível com a advocacia

A expressão "atividade incompatível" está relacionada à atividade

profissional da

merus clausus) as atividades incompatíveis.

Uma pessoa que exerce atividade incompatível com a advocacia pode prestar o Exame da Ordem, mas, caso venha a ser aprovada, não poderá se inscrever no quadro de advogados enquanto estiver incom- patibilizada.

pessoa. O art. 28 do EAOAB traz num rol t axativo (nu-

VI

- id o ne idad e moral

O EAOAB não define o que vem a ser idoneidade moral. Alguns

autores se referem à condição do indivíduo honesto, probo ou escru-

puloso.

Para Paulo Lôbo, "os parâmetros não são subjetivos, m as decor- rem da aferição objetiva de standards ou topoi valorativos que se cap-

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folTORA ARMA DOR

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Eticaca

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tam na comunidade profissional, no tempo e no espaço, e que contam com o máximo de consenso na consciência jurídica:'

Como a idoneidade moral é um requisito para a inscrição na OAB, caso venha o advogado futuramente ser considerado inidôneo moralmente sofrerá a penalidade de exclusão dos quadros da OAB, somente podendo retornar após o deferimento do pedido de reabilita- ção (vide art. 41 e parágrafo único do Estatuto).

A inidoneidade moral, antes ou depois da inscrição, pode ser suscitada por qualquer pessoa, sendo declarada mediante decisão que alcance, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos votos de todos os membros do Conselho competente, em procedimento que segue os trâmites do processo disciplinar.

A lei traz uma hipótese expressa de inidoneidade moral: prática de crime infamante, salvo se já tenha sido reabilitado judicialmente (vide arts. 93 a 95 do Código Penal).

VII - prestar compromisso perante o Conselho

Esse compromisso é o juramento que dever ser feito pelo reque- rente por ocasião do recebimento da carteira e do cartão de advogado.

Trata-se de um requisito solene e personalíssimo, portanto, inde- legável. Não se pode prestar o compromisso por procuração, devendo o requerente comparecer pessoalmente.

Esse compromisso encontra-se no art. 20 do Regulamento Geral. Note que as finalidades da OAB e o compromisso ético são passados ao advogado neste momento:

"Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar

a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição,

a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aper- feiçoamento da cultura e das instituições jurídicas:'

P AU LO M ACHADO

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Mii·M

1Pemf

Eticao

Além dos requisitos arrolados no art. 8° do Estatuto, o art. 20, § 2°, do Regulamento Geral, trouxe mais uma exigência: não praticar conduta incompatível com a advocacia.

Cabe aqui esclarecer a diferença entre atividade incompatível e conduta incompatível. A primeira, como acima explicado, está relacio- nada à atividade profissional (art. 28 do EAOAB) da pessoa: atividade policial, cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qual- quer órgão do Poder Judiciário, militares de qualquer natureza (na ativa), etc.; a segunda, refere-se à vida pessoal (social) do indivíduo, como por exemplo, a embriaguez e a toxicomania habituais, a prática reiterada de jogo de azar não autorizado por lei, a incontinência públi- ca e escandalosa (art. 34, parágrafo único, do EAOAB).

A respeito disso, entendemos que somente a lei (e a lei é a 8.906/94 - Estatuto da Advocacia e da OAB) pode determinar os requisitos ne- cessários ao exercício da advocacia, pois a Constituição, no art. 5°, XIII, ao tratar do princípio da liberdade de profissão, assim impôs: "é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer".

Assim, no que pese a relevância e a obrigatoriedade do respeito ao Regulamento Geral por todos os advogados e membros da OAB, o RG não é lei, é ato normativo emanado pelo Conselho Federal da OAB.

Comunga do mesmo posicionamento Geronimo Theml de Ma- cedo em Deontologia Jurídica (Coleção Tópicos de Direito, volume 12, Editora Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2009 , página 50): "tal acréscimo trazido pelo Regulamento Geral da OAB é ilegal, pois as normas regu- lamentadoras devem se ater aos limites das normas regulamenta das; no nosso caso, o Regulamento Geral deve se limitar ao que dispõe o Estatuto da Advocacia e da OAB".

Sobre a questão da reserva legal, Flávia Bahia Martins, em Direito Constitucional (Editora Impetus, Niterói, Rio de Janeiro, 2009), dis- corre sobre o assunto:

80

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Eticae

IMii·M

"A Constituição assegura a plena liberdade profissional, exceto quando a lei determinar a satisfação de certos requisitos, como é o caso da compro- vação de três anos de atividade jurídica para quem pretender ingressar na carreira da magistratura ou d o Ministério Público (art. 93, 1, e 129, § 3°, da CF, respectivamente), ou ainda, da prova exigida pela Ordem dos Advo- gados do Brasil para o exercício da advocacia. Ressalte-se que a restrição deve ser feita por lei (reserva de lei) e tem que ser proporcional à natureza da fun ção a ser exercida:'

De toda forma, para aqueles que se preparam para provas com questões objetivas, em especial, para o Exame da Ordem, aconselha- mos que sigam o disposto no art. 20, § 2°, do Regulamento Geral, ou seja: "a conduta incompatível com a advocacia, comprovadamente im- putável ao requerente, impede a inscrição no quadro de advogados':

.,. Requisitos para inscrição como estagiário

O estágio profissional, com duração de dois anos, realizado nos

últimos anos da faculdade de Direito, pode ser mantido pelas insti- tuições de ensino superior, pelos Conselhos Seccionais da OAB ou, ainda, por setores, órgãos jurídicos e escritórios de advocacia creden- ciados pela OAB.

A inscrição do estagiário deve ser realizada no Conselho Seccio-

nal do estado onde se localiza

o seu curso jurídico, e n ão naquele que

tenha seu domicílio civil, na eventualidade de serem diferentes.

Podem inscrever-se o aluno de Direito (a partir dos últimos dois anos do curso jurídico) ou o bacharel em Direito que assim desejarem e preencherem os requisitos mencionados no art. 9° do Estatuto.

Exige o art. 9° que o requerente preencha alguns dos requisitos do art. 8°, também do EAOAB:

a) capacidade civil;

b) título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro;

c) não exercer atividade incompatível com a advocacia;

P AULO M ACHADO

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Cftii·M

1!)emf

Eticae

d) idoneidade moral;

e) prestar compromisso perante o Conselho.

Além desses requisitos, o candidato deve ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.

O acadêmico de Direito que exerce atividade incompatível com

a advocacia (policial, técnico de atividade judiciária, militar das For-

ças Armadas, por exemplo) pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino para fins de aprendizagem, sendo proibida a inscrição na OAB (art. 9°, § 3°, EAOAB).

~ Inscrição para estrangeiros ou brasileiros graduados fora do país

Não vigora no atual Estatuto (Lei nº 8.906/94) o princípio da reci- procidade, no qual o estrangeiro somente poderá exercer a advocacia no Brasil, se o brasileiro tiver igual tratamento no país de origem da- quele estrangeiro.

O art. 8°, § 2°, do EAOAB, determina que o estrangeiro ou obra-

sileiro, quando graduados em Direito fora do país, podem inscrever- -se no quadro de advogados da OAB. Para isso deve ser feita a prova do título de graduação em Direito, obtido pela instituição de ensino estrangeira, devidamente revalidado, bem como preencher os requisi- tos indicados nos incisos do art. 8° do Estatuto.

De acordo com o Provimento nº 91/2000 do Conselho Federal da OAB é possível que o advogado estrangeiro preste tais serviços no Brasil, desde que regularmente admitido em seu país a exercer a advo- cacia e após a autorização dada pelo Conselho Seccional da OAB do estado onde for exercer sua atividade profissional. Ressalte-se que tal autorização será concedida sempre em caráter precário e o exercício da advocacia se restringe, exclusivamente, à prática de consultoria em

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direito do país de origem, sendo vedados, mesmo em conjunto com advogados ou sociedades de advogados nacionais, o exercício do pro- curatório judicial e a consultoria ou assessoria em direito brasileiro. Para tanto, deve se inscrever no quadro de advogados, depois de pre- encher as exigências do art. 8°, § 2°, do EAOAB.

Existe uma exceção trazida pelo Provimento nº 129/2008: os ad- vogados de nacionalidade portuguesa, desde que em situação regular junto à Ordem dos Advogados Portugueses, poderão se inscrever no quadro de advogados da OAB com dispensa dos requisitos de aprova- ção no Exame da Ordem, de revalidação do diploma e da prestação de compromisso perante o Conselho ("juramento").

Art. 1O. A inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho Seccional em cujo território pretende estabe- lecer o seu domicílio profissional, na forma do Regulamen- to Geral.

§ 1º Considera-se domicílio profissional a sede principal da atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domi- cílio da pessoa física do advogado.

§ 2° Além da principal, o advogado deve promover a inseri- . ção suplementar nos Conselhos Seccionais em cujos terri- tórios passar a exercer habitualmente a profissão, conside- rando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder de cinco causas por ano.

§ 3° No caso de mudança efetiva de domicílio profissional para outra unidade federativa, deve o advogado requerer a transferência de sua inscrição para o Conselho Seccional correspondente.

§ 4° O Conselho Seccional deve suspender o pedido de transferência ou de inscrição suplementar, ao verificar a existência de vício ou ilegalidade na inscrição principal, contra ela representando ao Conselho Federal.

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ÇJ COMENTÁRIOS

0 TIPOS DE INSCRIÇÃO

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Eticae

O Estatuto prevê três tipos de inscrição para advogados (prin- cipal, suplementar e por transferência) e um tipo para os estagiários (inscrição de estagiário).

a) Inscrição principal

Obtida a aprovação no Exame, e caso a pessoa não exerça ativi- dade incompatível com a advocacia (art. 28 do EAOAB), a inscrição principal deve ser feita no Conselho Seccional em cujo estado preten- de estabelecer seu domicílio profissional. O Estatuto da Advocacia e da OAB considera domicílio profissional a sede principal da atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domicílio da pessoa física do advogado (domicílio civil).

Com a inscrição principal, o advogado pode exercer livremente (ilimitadamente) a profissão no Estado-membro (ou no Distrito Fede- ral) respectivo e, eventualmente (limitadamente), em qualquer outro Estado do país. Passando a exercer a advocacia com habitualidade na área de outro Conselho Seccional, será obrigado a fazer outra inscri- ção naquele local. Chama-se inscrição suplementar.

b) Inscrição suplementar

A inscrição suplementar é outra inscrição que deve ser feita pelo advogado quando passa a exercer a advocacia habitualmente em outro estado, diverso daquele onde tem a inscrição principal. O art. 10, § 2°, do Estatuto da Advocacia considera habitualidade a intervenção judi- cial que exceder de cinco causas por ano.

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10em

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Nesse ponto, alguns aspectos devem ser evidenciados:

O primeiro é em relação à expressão "mais de cinco causas por ano': que pode dar ensejo a duas interpretações: (1) mais de cinco cau- sas em andamento ou (2) mais de cinco causas distribuídas por ano. Adotando-se aquele entendimento, caso um advogado, que tenha ins- crição principal no Conselho Seccional do Rio de Janeiro, passasse a atuar em cinco causas em São Paulo no ano de 2009 e, no ano seguinte, distribuísse mais uma causa, ficando agora com 6 causas em anda- mento, seria obrigado a fazer uma inscrição suplementar no Conselho Seccional de São Paulo. Esse é o entendimento adotado por Geronimo Theml de Macedo. Seguindo a outra interpretação, no mesmo exem- plo acima citado, não haveria necessidade de o advogado providen- ciar a inscrição suplementar em São Paulo, uma vez que ele teve cinco causas em 2009 e apenas uma em 2010. Neste caso, ele somente teria de fazer a suplementar se num mesmo ano passasse a atuar em seis ou mais causas novas, podendo, perfeitamente, ter cinco causas em 2009 mais cinco causas em 2010, mesmo que as antigas (de 2009) não te- nham se encerrado, totalizando 1Ocausas em andamento. Somos por esta última interpretação, principalmente porque o legislador parece ter sido bem claro quando determinou que a habitualidade é aferida com mais de cinco causas por ano. Esse parece ter sido também o en- tendimento do Conselho Federal da OAB quando decidiu no processo nº 0136/1997 (DJ 08.07.97) que "intervenção, para fins do art. 10, do Estatuto, é sempre a primeira, sendo irrelevante o acompanhamento nos anos subseqüentes".

É de salientar, ainda, que nos casos de procurações conjuntas ou de substabelecimento recebido com reserva de poderes, somente se- rão computadas as causas em que o advogado, efetivamente, passar atuar, assinando petições, fazendo audiências, etc.

Outro aspecto relevante é acerca da expressão "intervenção judi- cial", que consta no art. 10, § 2°, do Estatuto. Desse modo, não contam para fins de habitualidade as intervenções extrajudiciais. O art. 1°, e

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seu§ 2°, do Estatuto determinam que são atos privativos de advoga- do a assessoria, consultoria e direção jurídicas, bem como o visto nos atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas para registro nos órgãos competentes. Assim, o advogado que tem inscrição principal, por exemplo, no Conselho Seccional do Rio de Janeiro pode elaborar mais de cinco - e muito mais - pareceres jurídicos na Bahia, sem a ne- cessidade de fazer a inscrição suplementar.

Também não se deve contar o acompanhamento de cartas pre- catórias em outro estado. A carta precatória é um ato processual de comunicação, não exigindo do advogado inscrição suplementar no Conselho Seccional, mesmo sendo superior a cinco. A respeito, já se manifestou o Conselho Federal da OAB na mesma consulta supra- citada (processo nº 0136/ 1997, DJ 08.07.97): ''A defesa em processos administrativos, em inquéritos policiais, o visto em contratos consti- tutivos de pessoas jurídicas, a impetração de habeas corpus e o simples cumprimento de cartas precatórias não constituem intervenção judi- cial para os efeitos do art. 10, § 2°:'

Em relação aos recursos para tribunais localizados fora do Esta- do, Paulo Lôbo, em "Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB (página 110), diz que "não se entende, evidentemente, no sentido de causa os recursos decorrentes e processados em tribunais localizados fora do território da sede principal': E completa o assunto: ''A insta- lação ou participação em escritórios de advocacia ou vínculo perma- nente a setor jurídico de empresa ou entidade pública fazem presumir a habitualidade da profissão, deixando de ser eventual". Na primeira parte, é o caso dos recursos para o STJ, STF, TST, TSE, STM ou TRF, quando sediados fora do local de inscrição do advogado, não se exi- gindo outra inscrição.

e) Inscrição por transferência

A inscrição por transferência deve ser feita pelo advogado quan- do houver mudança efetiva de seu domicílio profissional para outra unidade federativa.

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Difere-se da inscrição suplementar, porque nesta o advogado permanece com a inscrição principal. Com a transferência da inscri- ção, a principal é cancelada.

Por determinação do art. 10, § 4°, do Estatuto, o Conselho Sec- cional deve suspender o pedido de inscrição suplementar ou de trans- ferência ao verificar a existência de vício ou ilegalidade na inscrição principal, representando contra ela ao Conselho Federal.

LICENÇA E CANCELAMENTO

Art. 11. Cancela-se a inscrição do profissional que:

1- assim o requerer;

li - sofrer penalidade de exclusão;

Ili - falecer;

IV - passar a exercer, em caráter definitivo atividade in-

compatível com a advocacia;

V - perder qualquer um dos requisitos necessários para ins- crição.

§ 1° Ocorrendo uma das hipóteses dos incisos li, Ili e IV, o cancelamento deve ser promovido, de ofício, pelo Conse- lho competente ou em virtude de comunicação por qual- quer pessoa.

§ 2° Na hipótese de novo pedido de inscrição - que não res- taura o número da inscrição anterior - deve o interessado fazer prova dos requisitos dos incisos 1, V, VI e VII do art. 8 ° .

§ 3° Na hipótese do inciso li deste artigo, o novo pedido

de inscrição também deve ser acompanhado de provas de

reabilitação.

Art. 12. Licencia-se o profissional que:

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1- assim requerer, por motivo justificado;

li - passar a exercer, em caráter temporário· atividade in-

compatível com o exercício da advocacia;

Ili - sofrer doença mental considerada curável.

Art. 13. O documento de identidade profissional, na for- ma prevista no Regulamento Geral, é de uso obrigatório no exercício da atividade de advogado ou de estagiário e constitui prova de identidade civil para todos os fins legais.

Art. 14. É obrigatória a indicação do nome e do número de inscrição em todos os documentos assinados pelo ad- vogado, no exercício de sua atividade.

Parágrafo único. É vedado anunciar ou divulgar qualquer atividade relacionada com o exercício da advocacia ou o uso da expressão "escritório de advocacia'~ sem indicação expressa do nome e do número de inscrição dos advoga- dos que o integrem ou número de registro da sociedade de advogados na OAB.

LICENÇA E CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

A licença e o cancelamento, por razões óbvias, são institutos que ocorrem após a inscrição nos quadros da OAB. O Estatuto trata do assunto nos artigos 11 e 12.

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Licença

A licença significa o afastamento do advogado do exercício pro- fissional, quando ocorrer qualquer uma das hipóteses do art. 12 do Estatuto. Durante o prazo do licenciamento, caso o advogado pratique qualquer ato de advocacia, o ato será nulo (art. 4° e parágrafo único, EAOAB).

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Na licença, não será cobrada anuidade e o profissional não pre- cisará votar (nem justificar porque não votou), caso haja eleição na OAB no período correspondente. Com a licença, o número de inscri- ção será mantido quando do seu retorno à atividade.

Será licenciado o advogado que: