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Paulo Machado

e
1ca
Teoria e questões comentadas

4º- edição
Sumário

Abreviaturas............................................................................................................................... 19

TÍTULO 1
DA ADVOCACIA

CAPÍTULO 1- DA ATIVIDADE DE ADVOCACIA (arts. 7°a 5°)........................................ 21

CAPÍTULO li - DOS DIREITOS DO ADVOGADO (arts. 6°e 7)........................................ 42

CAPÍTULO Ili - DA INSCRIÇÃO (arts. 8°a 74)..................................................................... 74

CAPÍTULO IV - DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS (arts. 75 a 17) ............................... 96

CAPÍTULO V- DO ADVOGADO EMPREGADO (arts. 78a 27) ...................................... 108

CAPÍTULO VI - DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (arts. 22 a 26) ........................... 118

CAPÍTULO VII - DAS INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS (arts. 27 a 30) ......... 134

CAPÍTULO VI II -DA ÉTICA DO ADVOGADO (arts. 37 a 33) ........................................... 150

CAPÍTULO IX - DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES (arts. 34 a 43) ......... 172

TÍTULO li
DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

CAPÍTULO 1- DOS FIN S E DA ORGANIZAÇÃO (arts. 44 a 50) ...................................... 190

CAPÍTULO li - DO CONSELHO FEDERAL (arts. 51 a 55) ................................................. 193

CAPÍTULO Ili - DO CONSELHO SECCIONAL (arts. 56 a 59)........................................... 208

CAPÍTULO IV - DA SUBSEÇÃO (arts. 60e67) .................................................................... 216


1Pemf
Eticae

CAPÍTULO V - DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS (art. 62) ................. 219

CAPÍTULO VI - DAS ELEIÇÕES E DOS MANDATOS (arts. 63 a 67) .............................. 228

TÍTULO Ili
DO PROCESSO NA OAB

CAPÍTULO 1- DISPOSIÇÕES GERAIS (arts. 68 e 69) ......................................................... 237

CAPÍTULO li - DO PROCESSO DISCIPLINAR (arts. 70a 74)........................................... 237

CAPÍTULO Il i - DOS RECURSOS (arts. 75 a 77).................................................................. 244

TÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Arts. 78 a 87 ................................................................................................................................. 256

Adendo......................................................................................................................................... 261

Bibliografia ................................................................................................................................. 265

18 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


Lei nº 8.906, de 4 de julho de 19941
Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a
Ordem dos Advogados do Brasil - OAB

O Presidente da República
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a se-
guinte Lei:

TÍTULO 1
DA ADVOCACIA

CAPÍTULO 1
DA ATIVIDADE DE ADVOCACIA

Art. 1°. São atividades privativas de advocacia:


1- a postulação a q ualquer órg·ã o do Poder Judiciário e aos
juizados especiais.
li - as atividades de consultoria,. assessoria e direção jurí-
dicas.
§1 ° Não se inclui na atividade privativa de advocacia a im-
petração de habeas corpus em qualquer instância ou tri-
bunal.

1. Publicada no Diário Oficial da União de S d e j ulho de 1994

21
.,,., 1Pemf
Eticac,

§ 2° Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas,


sob pena de nulidade, só podem ser admitidos a registro,
nos órgãos competentes, quando visados por advogados.
§3° É vedada a divulgação de advocacia em conjunto com
outra atividade.

Art. 2°. O advogado é indispensável à administração da


justiça.
§ 1° No seu ministério privado, o advogado presta serviço
público e exerce função social.
§ 2° No processo judicial o advogado contribui, na postula-
ção de decisão favorável ao seu constituinte, ao convenci-
mento do julgador, e seus atos constituem múnus público.
§ 3° No exercício da profissão, o advogado é inviolável por
seus atos e manifestações, nos limites desta lei.

Art. 3°. O exercício da atividade de advocacia no territó-


rio brasileiro e a denominação de advogado são privativos
dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB.
§ 1° Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao
regime desta lei, além do regime próprio a que se subor-
dinem, os integrantes da Advocacia Geral da União, da
Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública
e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas
entidades de administração indireta e fundacional.
§ 2° O estagiário de advocacia, regularmente inscrito,
pode praticar os atos previstos no art. 1°, na forma do Re-
gulamento Geral, em conjunto com advogado e sob a res-
ponsabilidade deste.

22 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f}emf
Etica<a
I Miif
Art. 4°. São nulos os atos p rivativos de advogado pra-
ticados por pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das
sanções civis, penais e administrativas.
Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por
advogado impedido - no âmbito do impedimento -, sus-
penso, licenciado ou que passar a exercer atividade incom-
patível com a advocacia.

Art. 5°. O advogado postula, em juízo ou fora dele, fa-


zendo prova do mandato.
§ 1° O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem pro-
curação, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze
dias, prorrogável por igual período.
§ 2° A procuração para o foro em geral habilita o advogado
a praticar todos os atos judiciais, em qualquer juízo ou ins-
tância, salvo os que exijam poderes especiais.
§ 3° O advogado que renunciar ao mandato continuará,
durante os 1O (dez) dias seguintes à notificação da renún-
cia, a representar o mandante, salvo se for substituído an-
tes do término deste prazo.

Q Comentários

~ Atos privativos de advogado

O art. 1º do Estatuto da Advocacia e da OAB trata dos atos pri-


vativos de advogado, ou seja, daqueles que somente 2odem ser prati
cados 2or pessoas deviâ.amente inscritas no quadro de advogados daJ
OAB, após terem preenchido as exigências do seu art. 8°.

PAULO MACHADO 23
1!)emf
ltfiii'M Eticao

Podemos dizer que, no inciso I, estão os atos judiciais ("a postu-


lação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais")
e, no inciso II, os atos extrajudiciais ("consultoria, assessoria e direção
jurídicas"). Vejamos alguns comentários acerca desses dispositivos:

"Art. 1° São atividades privativas de advocacia":


1- a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados es-
peciais.

Em relação a este inciso I, do art. 1° do Estatuto, foi proposta, pela


Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a ADI nº 1.127-8, ten-
do o STF declarado a inconstitucionalidade da expressão "qualquer".
Com razão, pois há hipóteses previstas em lei em que a pessoa pode
ir ao Poder Judiciário sem estar representada por um advogado. Essas
hipóteses são verdadeiras exceções os ius postulandi do advogado, que
serão analisadas mais adiante, em item próprio.
O advogado pode postular em juízo ou fora dele fazendo pro-
va do mandato que lhe foi outorgado. Todavia, afirmando urgência,
pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de
15 (dias), prorrogável por igual período (art. 5°, § 1º, EAOAB). Salien-
te-se que, nesse ponto, o Estatuto não traz a exigência mencionada no
art. 104, § 1º, do Novo CPC, de que haverá necessidade de "despacho
do juiz" para que o prazo seja prorrogado.

"Art. 104. O advogado não será admitido a postular em juízo sem procura-
ção, salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para prati-
car ato considerado urgente.
§ 1° Nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independente-
mente de caução, exibir a procu ração no prazo de 15 (quinze) dias, pror-
rogável por igual período por despacho do juiz.
§ 2° O ato não ratificado será considerado ineficaz relativamente àquele
em cujo nome foi praticado, respondendo o advogado pelas despesas e
por perdas e danos:'

24 EDITORA ARMADOR / 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇAO


1f)emf
Eticae CH!lf
Entendem os que, p or se tratar o EAOAB (Lei n º 8.906/94) de lei
esp ecial, cuja finalidade é garantir o bom desempenho da advocacia
- função essencial à Justiça - tal exigência de ter despacho do juiz
n ão deve prevalecer, bastando ao advogado informar a necessidade
e o direito de prorrogação antes de expirar o prim eiro prazo. É um
direito do advogado e não deve depender de aprovação do juiz! Este é
o nosso entendimento, que deve ser adotado caso a questão do Exame
de Ordem peça: "m arque a resposta correta de acordo com o Estatuto
da Advocacia e da OAB'~
Entretanto, caso a er ta venha a ser feita na earte de Direit9
Processual Civil, recQmendamos que os candidatos si am o art OA
do NE.G, ou seja, é P.rorro ávetpor aespac o do juiz :Realmente este
é um ponto delicado, mas até as provas de hoje, sempre que a questão
pediu "de acordo com tal lei': deveríamos seguir à risca a letra da lei na
hora de assinalar a resposta. Pode até ser que a banca venha a fazer de
forma diferente, mas, repito, até hoje foi assim.
W Yirta-se que, namstância especial os ttibunais_não têm admiti-
âo a interposição de recurso por. aayogaáo sem procuração-nos autos
..(Súmula 115 dõ STJ)~

..,. A propósito:

STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL


AgRg no AREsp 669129 SP 2015/0020599-1 (STJ)
Dat a de publicação: 20/04/2015
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
PROCURAÇÃO E OU SUBSTABELECIMENTO. AUSÊNCIA. SÚMU LA 11 5/STJ.
INCIDÊNCIA. 1. A ausência de procuração o u substabeleciment o conferin-
do poderes ao subscritor do ag ravo reg imental atrai a incidência da Sú-
mula 115 deste Superior Tribunal, seg undo a qual: "Na inst ância especial é
inexistente recu rso interpost o por advogado sem procuração nos aut os''.
Precedente. 2. Ag ravo regimental não conhecido.

PAULO MACHADO 25
1Pemf
IMiiM Eticae

li - as atividades de assessoria, consultoria e direção jurídicas.

Embora sejam atividades extrajudiciais, apenas podem ser exer-


cidas por advogado regularmente inscrito na OAB.
Assessoria e consultoria são atividades distintas. Paulo Lôbo2 ex-
plica: "assessoria jurídica é espécie do gênero advocacia extrajudicial,
pública ou privada, que se perfaz auxiliando quem deva tomar deci-
sões, realizar atos ou participar de situações com efeitos jurídicos, reu-
nindo dados e informações de natureza jurídica, sem exercício formal
de consultoria. Se o assessor proferir pareceres, conjuga a atividade de
assessoria sem sentido estrito com a atividade de consultoria jurídicà'.

O art. 7º do Regulamento Geral enfatiza: ''r/s.. função de diretoria e,


gerênc:ra Jurídicas em qualquer empresa pública, privada ou paraesta-
tal, inclusive em instituições financeiras, é privativa de advogado, não
podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito regularmente
naOAB:'

Veja que o cargo de gerência jurídica também é privativo do advo-


gado, de acordo com este art. 7° do RG. O EAOAB não menciona este
cargo (gerência jurídica), mas o RG sim!

~ Atos e contratos

O parágrafo 2° do art. 1° do Estatuto da Advocacia prevê mais


um ato privativo de advogado: os atos e contratos constitutivos de
pessoas jurídicas somente podem ser admitidos a registro nos órgãos

2. Comentá rios ao Estatuto da Advocacia e da OAB. Editora Saraiva. São Paulo. Página 21.

26 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
Éticao IM!if
competentes (juntas comerciais, cartórios de registro civil de pessoas
jurídicas) após visados por advogados. Na ausência deste "visto': por
advogado, o Estatuto considera nulos tais atos.
Advirta-se que este visto não se resume à simples rubrica do
advogado. O profissional deve, cuidadosamente, e com total respon-
sabilidade, analisar de forma integral o seu conteúdo. Quis assim o
legislador evitar (ou pelo menos diminuir) o risco de futuros proble-
mas ou conflitos decorrentes do contrato. A razão não é para reserva
de mercado da advocacia. A questão é de absoluta ordem pública.
No final, ganha a sociedade. Quando um advogado analisa o con-
trato e dá o seu "aval" com o visto, a chance de dar algum problema
diminui bastante.
Entretanto, a r:e· Complementar nº 123/06,,, no art. 9°, § 2°, trou-
xe uma exces:ão a essa exigência, determinando que "não se aplica_à
microemRresas e às empresas de pequeno por te_o disposto no § 2° a9
a . 1º da bei nº 8.906/94': ou seja, nesses casos não se exige o visto
do advogado. Isto ocorre porque, nessas situações, o registro é mais
simples, muitas das vezes se realizando com o mero preenchimento de
formulários já padronizados .

.,_ Exceções ao ius postulandi do advogado

Via de regra, o ius postulandi (capacidade postulatória, capacida-


de de representar alguém em juízo) é do advogado. Porém, Jiá casos
em que a parte .r-ode ir ao Juôiciário sem constituir advogaa o. Senão
vejamos:

aJ Impetração de ha6eas corpus


Essa exceção encontra-se no art. 1°, § 1°, do Estatuto, estabele-
cendo que "não se inclui na atividade privativa da advocacia a impe-
tração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal".

P AULO M ACHADO 27
1f)emf
CffiiM Eticao

A impetração de HC pode ser feita por qualquer pessoa, até mesmo


pelo próprio paciente (quem sofre ou está na iminência de sofrer cons-
trangimento ilegal). Pode ainda ser impetrado em qualquer instância ou
tribunal. Porém, somente as impetrações podem ser feitas pelo leigo, não
sendo admitidas interposições de recursos, como o Recurso em Sentido
Estrito e o Recurso Ordinário em Habeas Corpus. Esses recursos são atos
privativos de advogado. Assim, por exemplo, se há um inquérito policial
instaurado para investigar um crime que já está prescrito, o leigo pode im-
petrar habeas corpus para o juízo de primeira instância. Sendo denegada
a ordem, pode impetrar um novo HC para o Tribunal de Justiça. Perceba
que ele não recorreu, apenas impetrou outro habeas corpus na instância
superior. Já se fosse um advogado, este poderia interpor RSE no TJ ou até
mesmo optar por impetrar um novo BC.

) Juizados"Especiais
Por determinação do art. 9° da Lei nº 9.099/95, pode ser dispen-
<:>?.d?.?. p!~<:>~l\<y"<>. d.~ "<>.d.'l'~<i,ad~ t\'3.S causas de val or até 20 (vinte) sa ários
mmimos. Todavia, nos recursos para as Turmas Recursais, as partes
serão, obrigatoriamente, representadas por advogado (art. 41, § 2°, da
Lei nº 9.099/95).

,e) Justiça: o TrabalhoJ


A atuação da parte sem advogado na Justiça do Trabalho ~aran__;
h a pelo art. 791 a a CLT, que permite aos empregados e aos emprega-
dores litigarem pessoalmente (''Art. 791 - Os empregados e os empre-
gadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho
e acompanhar as suas reclamações até o final:').
Embora alguns autores entendam que esse dispositivo não foi re-
cepcionado pela atual Constituição, o Supremo Tribunal Federal, por
ocasião do julgamento da ADI nº 1.127-8, proposta pela Associação
dos Magistrados Brasileiros em face do art. 1º, I, do Estatuto da Ad-
vocacia e da OAB, manifestou-se pela constitucionalidade do manda-
mento celetista.

28 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1[Jemf
Eticae Elii'M
d) Iustiçacle Pa~
No que pese a relevância da Justiça de Paz, este órgão não está entre
aqueles do Poder Judiciário (vide art. 92 da Constituição Federal), tendo
a incumbência de celebrar o casamento civil, de verificar, de ofício ou
em face de impugnação, o processo de habilitação e de exercer atribui-
ções conciliatórias, sem caráter jurisdicional (art. 98, II, CRFB/88).
De toda forma, ninguém precisa estar representado por advoga-
do para se casar.

..,. Atos dos estagiários

Os estagiários que estiverem regularmente inscritos na OAB po-


dem praticar os atos mencionados no art. 1º do Estatuto da Advocacia
e da OAB, na forma do Regulamento Geral, em conjunto com o ad-
vogado e sob a responsabilidade deste. O Regulamento Geral também
fala em conjunto com o defensor público (e o defensor público é ad-
vogado - advogado público).
Entretanto, o estagiários podem pratica 'soladamente, isto é,
sem a presença ou assinatura do advogado, os seguintes atos Jmas ain-
da ob a respon sabilidade deste (art. 29, §§ lº e 2°, do Regulamento
Geral):
a) retirar e devolver autos em cartório, assinando a respectiva
carga;
b) obter junto a escrivães e chefes de secretarias certidões de pe-
ças ou autos de processos em curso ou findos;
c) assinar petições de juntada de documentos a processos judi-
ciais ou administrativos.
d) praticar os atos extrajudiciais, quando receber autorização ou
substabelecimento do advogado.

P AULO M ACHADO 29
1f)emf
liff!i'M Eticae

.,. Atos nulos

O Estatuto traz cinco grupos de pessoas que, caso venham a pra-


ticar quaisquer dos atos privativos de advogado, tais atos serão nulos.
Repita-se: pela Lei nº 8.906/94, haverá nulidade (absoluta), não po-
dendo ser ratificados por outro profissional, apesar de haver entendi-
mentos doutrinários e jurisprudenciais em sentido contrário.
Vejamos as hipóteses constantes no art. 4°, e seu parágrafo único,
do Estatuto da Advocacia e da OAB:

a) pessoas não inscritas na OAB


Os atos privativos da advocacia somente podem ser exercidos por
pessoa regularmente inscrita no quadro de advogados da OAB. Nem
mesmo os estagiários podem praticá-los isoladamente. Estes apenas
estão habilitados a desenvolver sozinhos os atos mencionados no art.
29, §§ 1° e 2°, do Regulamento Geral, conforme acima mencionado.
O Estatuto, no art. 4°, caput, não exclui as sanções civis, penais e
· administrativas daí decorrentes, seja pelo prejuízo causado a tercei-
ros, seja pelo exercício ilegal de profissão (art. 47 do Decreto-Lei nº
3.688/1941 - Lei das Contravenções Penais). No caso do estagiário,
este pode ser punido pela prática de ato excedente de sua habilitação,
conforme o art. 34, XXIX, do EAOAB.

b)advogadoimpedido
Para o Estatuto da Advocacia e da OAB, @Qedirnento é a 12roib]-
i;ão pareia do é erddo da advocacia. Assim, o advogado pode conti-
nuar exercendo a profissão, rmenos co-ntra ou a favor das p.es_s.oas de-
terminadas n-o art. 3_0, como, por exemplo, um advogado que também
seja agente administrativo da Prefeitura de São Paulo. Caso este advo-
gado venha a atuar em processo contra o município de São Paulo, os
atos praticados serão nulos. Perceba que a nulidade somente alcança
as hipóteses em que ele está impedido de advogar.

30 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Etica• lifliif
c) advogado suspenso
A suspensão não se confunde com a licença. Aquela é uma puni-
ção aplicada pela OAB; esta, um instituto no qual o advogado se afasta
por um tempo, nas situações previstas no art. 12 do EAOAB (requeri-
mento com motivo justificado, doença mental curável ou exercício de
atividade incompatível em caráter temporário).
Durante o prazo da suspensão, que varia, em regra, de 30 dias a
12 meses (art. 37 e§§ 1º ao 3°, do Estatuto), qualquer ato privativo de
advogado que for praticado pelo profissional suspenso será nulo.

d) advogado licenciado
Considerando a diferença entre suspensão e licença, exposta no
item anterior (e), no prazo da licença, nenhum ato de advocacia pode
ser exercido pelo advogado, sob pena de nulidade.

e) advogado que passar a exercer atividade incompatível com


a advocacia
Neste último grupo, o legislador quis alcançar aqueles advoga-
dos que passam a exercer atividades incompatíveis com advocacia,
mas não comunicam isso à OAB, nem tampouco tomam as medidas
adequadas (licença ou cancelamento). Ilustrando, seria o caso de um
advogado que passa no concurso para Delegado de Polícia ou é eleito
prefeito e, mesmo após o desempenho de quaisquer dessas atividades,
continua advogando. Da mesma forma que nos itens anteriores, os
atos serão nulos.

0 PROCURAÇÃO E SUBSTABELECIMENTO

~ Do mandato judicial

O mandato se opera quando alguém recebe poderes de outrem


para praticar atos ou administrar interesses em seu nome (art. 653,

P AULO MACHADO 31
1f)emf
U!ii Eticao

A procuração é o instrumento do mandato, onde ficam consig-


nados os poderes outorgados pelo constituin~e (outorgante) ao ad-
vogado (outorgado). Verifica-se, contudo, na legislação pátria, que a
constituição de advogado pode ocorrer verbalmente em alguns casos:
( 1) se o acusado o indicar por ocasião do interrogatório (art. 266
do CPP) e
(2) nos juizados especiais, salvo quanto aos poderes especiais
(art. 9°, § 3°, da Lei nº 9.099/95).
Diz-se, nesses casos, que a outorga é apud acta (do latim: n a ata,
conforme está na ata) , pois, embora seja verbal na origem, é consigna-
da na assentada da audiência.
Para o EAOAB e para o NCED, nos ~asos âas s.ocieé:la es e aljj
~ogaâfil, o m,andatoj udidal ou ~xtrajuâic1ai deve_se.Loutor.ga o inru}
Yiêirrahnent aos a_yogaâQ']) e ·rrdicara so-ciedade de ue fa am rarte,
não podendo ser fornecidos poderes para a própria sociedade (pessoa
jurídica), muito menos coletivamente (como por exemplo: "outorga
poderes para todos os advogados do Escritório de Advocacia Pedro
Meirá', sem menção ao nome de um ou mais advogados).
Para o Novo CPC (art. 272, § 1º), os advogados poderão requerer
que, na intimação a eles dirigida, figure apenas o nome da sociedade
a que pertençam, desde que devidamente registrada na Ordem dos
Advogados do Brasil. Atente-se que o EAOAB e o NCED não falam
nada sobre isso. Apenas o NCPC (veja abaixo a primeira questão co-
mentada, que caiu no XXI Exame).

32 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticae IMl+M
..,. Poderes gerais e especiais
Na procuração pode constar a outorga de poderes gerais e poderes
especiais. Poderes gerais (ou poderes para o foro em geral, em substi-
tuição à antiga expressão "poderes da cláusula ad judicia et extra") são
os poderes básicos que o advogado precisa para poder atuar desde a
distribuição de uma ação até os recursos nos tribunais. Já os poderes
especiais são aqueles que devem constar quando exigidos por lei, a
exemplo do art. 105 do Novo CPC ("A procuração geral para o foro,
outorgada por instrumento público ou particular assinado pela parte,
habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto rece-
ber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir,
desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar
quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiên-
cia econômica, que devem constar de cláusula específica:'), do art. 39
do Código de Processo Penal ("o direito de representação poderá ser
exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais"),
do art. 44 do CPP ("a queixa poderá ser dada por procurador com po-
deres especiais") e do art. 55 do CPP ("o perdão poderá ser aceito por
procurador com poderes especiais").
Vejamos a seguir os dispositivos do Novo Código de Processo
Civil que tratam do tema da procuração:
Art. 105. A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento públi-
co ou part icular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os
atos do processo, exceto receber citação, confessar, reconhecer a procedên-
cia do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda
a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de
hipossuficiência econômica, que devem constar de cláusula específica.
§ 1° A procuração pode ser assinada digitalmente, na forma da lei.
§ 2° A procuração deverá conter o nome do advogado, seu número de
inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e endereço completo.
§ 3° Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração tam-
bém deverá conter o nome dessa, seu número de registro na Ordem dos
Advogados do Brasil e endereço completo.
§ 4° Salvo disposição expressa em sentido contrário constante do próprio
instrumento, a procuração outorgada na fase de conhecimento é eficaz
para todas as fases do processo, inclusive para o cumprimento de sentença.

P AU LO M ACHADO 33
1Pemf
MHl+M Eticae

~ Substabelecimento

O substabelecimento é o instrumento pelo qual aquele advoga-


do que recebeu poderes do cliente os transfere para outro(s) advo-
gado(s). O substabelecimento o-de"Ser-feito com- re-serva âe p,oâere'§)
isto é, quando o primeiro advogado constituído estende os poderes
ao novo advogado (substabelecido). Neste, o advogado que substabe-
leceu (substabelecente) permanece na causa. Permite-se também ao
advogado substabelecer ~ 1200eres sem reser à, caso em que o novo
advogado sucede o antigo, assumindo o patrocínio da causa sem que o
antigo conserve nenhum dos poderes.

~ Renúncia e revogação

Renúncia e revogação são formas através das quais o advogado e


o cliente desistem dos poderes recebidos ou outorgados no mandato.

A ciên cia pode ser provada por aviso de recebimento, por noti-
ficação do Cartório de Títulos e Documentos ou pela própria ciência

34 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
Éticao IMl+M

O cliente que revogar o mandato outorgado ao advogado, no


mesmo ato, deverá constituir outro profissional que assuma o patro-
cínio da causa. Sendo descumprido, o juiz, verificando a irregularida-
de da representação, suspenderá o processo e marcará prazo razoável
para ser sanado o defeito. Não sendo regularizado dentro do interstí-
cio judicial, se a providência couber ao autor, será extinto o processo;
cabendo ao réu, reputar-se-á revel; cabendo a terceiro, será excluído
do processo ou decreta sua revelia, dependendo do polo em que se en-
contre. Descumprida a determinação em fase recursal perante tribu-
nal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator
não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente ou
determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência
couber ao recorrido. É o que determina o art. 76 e§§ 1° e 2° do NCPC,
abaixo transcritos.

Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da repre-


sentação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoá-
vel para que seja sa nado o vício.
§ 1° Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância ori-
ginária:
1- o processo será extinto, se a providência couber ao autor;
li - o réu será considerado revel, se a providência lhe couber;
Ili - o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependen-
do do polo em que se encontre.

PAULO MACHADO 35
1f)emg
IMl+M Eticae

§ 2° Descumprida a determinação em fase recursai perante tribunal de


justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator:
1- não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;
li - determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência
couber ao recorrido.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem} Marcela, Natália e Paula integram a sociedade de


advogados MNP e foram procuradas por Rafael para ajuizar ação cível em face de
Silvio. A procuração outorgada por Rafael indica apenas o nome da sociedade de
advogados MNP, e na inicial elaborada por Marcela foi requerido que as futuras
intimações fossem feitas apenas em nome da sociedade.

Sobre o caso em exame, segundo o Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta.

A) A procuração pode ser outorgada por Rafael apenas em nome da sociedade


e faculta a qualquer de suas integrantes a elaboração da inicial, que poderá
requerer que as futuras intimações sejam feitas em seu nome, em nome da
sociedade ou em nome das demais integrantes.
B) A procuração pode ser outorgada por Rafael apenas em nome da sociedade
e faculta a qualquer de suas integrantes a elaboração da inicial, que poderá
requerer que as futuras intimações sejam feita s apenas em seu nome ou em
nome da sociedade, mas não em nome das demais integrantes.
C) A procuração deve ser out orgada por Rafael individua lmente às advogadas
e indicar a sociedade de MNP, podendo Marcela req uerer que as futuras inti-
mações sejam feitas em seu nome, em nome da sociedade ou em nome das
demais outorgadas.

D) A procuração deve ser outorgada por Rafael individualmente às advogadas


e indicar a sociedade de MNP, podendo Marcela requerer que as futuras inti-
mações seja m feitas em seu nome ou em nome das demais outorgadas, mas
não em nome da sociedade.

36 EDITORA ARMADOR j 1Ü EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae
IMiif

ÇJ Comentários

Esta questão anulada simplesmente porque a pergunta foi "de


acordo com o Estatuto". Acontece que o Estatuto não fala sobre isso.
Apenas o Novo CPC, em seu art. 272, § 1º: "Os advogados poderão
requerer que, na intimação a eles dirigida, figure apenas o nome da so-
ciedade a que pertençam, desde que devidamente registrada na Ordem
dos Advogados do Brasil."

GABARITO: ANULADA.

(FGV - XVI Exame de Ordem) Bernardo é bacharel em Direito, mas não está
inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, apesar de aprovado no
Exame de Ordem. Não obstante, t em atuação na área de advocacia, realizando
consultorias e assessorias jurídicas.
A partir da hipótese apresentada, nos termos do Regulamento Geral da Ordem
dos Advogados do Brasil, assinale a afirmat iva correta.
A) Tal conduta é permitida, por ter o bacharel logrado aprovação no Exame de
Ordem.
B) Tal conduta é proibida, por ser equiparada à captação de clientela.
C) Tal conduta é permitida mediante autorização do Presidente da Seccional da
Ordem dos Advogados do Brasil.
D) Tal cond uta é proibida, tendo em vista a ausência de inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil.

ÇJ Comentários

Nos termos do art. 1°, II, do EAOAB, são atos privativos de ad-
vogado, devidamente inscrito na OAB, a consultoria, a assessoria e a
direção jurídicas.

PAULO M ACHADO 37
1f)emf
tiiif Et icao

Assim, ressalta o art. 4° do Regulamento Geral que a prática de


atos privativos de advogado por pessoas não inscritas na OAB consti-
tui exercício ilegal da profissão.

GABARITO: D

(FGV - XVI Exame de Ordem) João é advogado da sociedade empresária X


Ltda., atuando em diversas causas do interesse da companhia controle da socie-
dade foi alienado para estrangeira, que resolveu contratar novos profissionais
em várias áreas, inclusive a jurídica. Por força dessa circunstância, rompeu-se a
avença entre o advogado e o seu cliente. Assim, João renunciou ao mandato
em todos os processos, comunicando formalmente o ato à cliente. Houve novo
contrato com renomado escritório de advocacia, que, em todos os processos,
apresentou o instrumento mandato antes do término do prazo legal à retirada
do advogado anterior.
Na renúncia focalizada no enunciado, consoante o Estatuo da Advocacia, deve
o advogado

a) afastar-se imediatamente após a substituição por outro advogado.


b) funcionar como parecerista no processo pela continuidade da representação.
c) atuar em conjunto com o advogado sucessor por quinze dias.
d) agua rdar dez dias para verificar a atuação dos seus sucessores.

Q Comentários

O art. 5°, § 3°, do EAOAB determina que o advogado que re-


nunciar ao mandato continuará durante os 10 (dez) dias seguintes à
notificação da renúncia a representar o mandante, salvo se for subs-
tituído antes do término desse prazo. Portanto, a resposta é a de que
o advogado anterior deve se afastar após a juntada da procuração do
novo advogado.

GABARITO: A

38 EDITORA ARMADOR \ 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1!)emf
Eticao IMii'M
(FGV - VII Exame de Ordem) Tício é advogado prestando serviços à Junta Co-
mercial do Estado Y. Exerce a atividade concomitantemente em escritório pró-
prio, onde atua em causas civis e empresariais. Um dos seus clientes postula o
seu visto em atos constitutivos de pessoa jurídica que pretende criar. Diante do
narrado, à luz das normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da
OAB, assinale a alternativa correta:
a) Sendo um cliente do escritório, é inerente à atividade da advocacia o visto em
atos constitutivos de pessoa jurídica.
b) Ao prestar serviços para Junta Comercial, surge impedimento previsto no Re-
gulamento Geral.
c) A análise do conteúdo dos atos constitutivos pode ser realizada pelo advoga-
do tanto no escritório quanto na Junta Comercial.
d) A atuação na Junta Comercial gera impedimento para ações judiciais, mas
não para vistos em atos constitutivos.

Q Comentários

O art. 2° do Regulamento Geral determina que o visto do advoga-


do em atos constitutivos de pessoas jurídicas, indispensável ao regis-
tro e arquivamento nos órgãos competentes, deve resultar da efetiva
constatação, pelo profissional que os examinar, de que os respectivos
instrumentos preenchem as exigências legais pertinentes.
Estão impedidos de exercer o ato de advocacia referido os advo-
gados que prestem serviços a órgãos ou entidades da Administração
Pública direta ou indireta, da unidade federativa a que se vincule a
Junta Comercial, ou a quaisquer repartições administrativas compe-
tentes p ara o mencionado registro.
Não confunda este tema com o impedimento do art. 30 do EAO-
AB! São assuntos diferentes!

GABARITO: B

PAULO M ACHADO 39
1Pemf
l;filif Etica•

(FGV -VII Exame de Ordem) Esculápio, advogado, deseja comprovar o exercício


da atividade advocatícia, pois se inscreveu em processo seletivo para contrata-
ção por empresa de grande porte, sendo esse um dos documentos essenciais
para o certame. Diante do narrado, à luz das normas do Regulamento Geral do
Estatuto da Advocacia e da OAB, o efetivo exercício da advocacia é comprovado
pela participação anual mínima em
A) seis petições iniciais civis.
B) três participações em audiências.
C) quatro peças defensivas gerais.
D) cinco atos privativos de advogado.

ÇJ Comentários:

Considera-se efetivo exercício da atividade de advocacia a par-


ticipação anual mínima em cinco atos privativos previstos no artigo
1° do Estatuto, em causas ou questões distintas. A comprovação do
efetivo exercício faz-se mediante:
a) certidão expedida por cartórios ou secretarias judiciais;
b) cópia autenticada de atos privativos;
c) certidão expedida pelo órgão público no qual o advogado exer-
ça função privativa do seu ofício, indicando os atos praticados.
É o teor do art. 5° do Regulamento Geral.

GABARITO: D

(FGV -VII Exame de Ordem) A multiplicidade de opções para atuação do advo-


gado desenvolveu o ramo da Advocacia Pública. Assim, à luz das normas do Re-
gulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, nela podem ser integrados
o(a), exceto:
A) Advogado-Geral da União.
B) Defensor Público

40 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticae
IM!if
C) Advogado (Procurador) de Autarquia.
D) Advogado de Sociedade de Economia Mista.

Q Comentários:

Para o art. 9° do Regulamento Geral, exercem a advocacia pública


os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Defensoria Pública e
das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito
Federal, dos
Municípios, das autarquias e das fundações públicas, estando
obrigados à inscrição na OAB, para o exercício de suas atividades.
Lembre-se ainda de que os integrantes da advocacia pública são
elegíveis e podem integrar qualquer órgão da OAB.

GABARITO: D

(FGV - IX Exame de Ordem) Laura, advogada na área empresarial, após concluir


o mestrado em renomada instituição de ensino superior, é convidada para inte-
grar a equipe de assessoria jurídica da empresa K S/A . No dia da entrevista final,
é inquirida pelo Gerente Jurídico da empresa, bacharel em Direito, sem inscri ção
na Ordem dos Advogados do Brasil, apesar de o mesmo t er logrado êxito no Exa -
me de Ordem. Observado tal relato, consoante as normas do Regu lamento Geral
do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa corret a.
A) O bacharel em Direito pode exercer as funções de Gerência Ju rídica mesmo
que não tenha os requisitos para ingresso na Ordem dos Advogados.
B) A função de Gerente Jurídico é privativa de advogados com regular inscrição
nos quadros da Ordem dos Advogados.
C) O bacharel em Direito, caso preencha os req uisitos legais, inclusive aprovação
em Exame de Ordem, pode exercer funções de Gerente Jurídico antes da ins-
crição na Ordem dos Advogados.
D) A função de Gerente Jurídico, como é de confiança da empresa, pode ser
exercida por quem não tem formação na área.

P AULO M ACHADO 41
1Pemf
Uiái Eticao

ÇJ Comentários:

Apesar de o art. 1º, II, do EAOAB dizer que são atos privativos
da advocacia a consultoria, a assessoria e a direção jurídicas, o art. 7°
do RG inclui a gerência jurídica a essa lista. Vejamos: "A função de
diretoria e gerência jurídicas em qualquer empresa pública, privada
ou paraestatal, inclusive em instituições financeiras, é privativa de ad-
vogado, não podendo ser exercida por quem não se encontre inscrito
regularmente na OAB:'
GABARITO: B

CÀPÍTULO li

DOS DIREITOS DO ADVOGADO

Art. 6°. Não há hierarquia nem subordinação entre ad-


vogados, magistrados e membros do Ministério Público,
devendo-se todos tratar-se com consideração e respeito
recíprocos.
Parágrafo único. As autoridades, os servidores públicos e
os serventuários da justiça devem dispensar ao advogado,
no exercício da profissão, tratamento compatível com a
dignidade da advocacia e condições adequadas a seu de-
sempenho.

Art. 7°. São direitos do advogado:


1-exercer, com liberdade, a profissão em todo o território
nacional;
li - a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho,
bem como de seus instrumentos de trabalho, de sua cor-
respondência escrita, eletrônica, telefônica e telemática,
desde que relativas ao exercício da advocacia;
~ Este inciso foi alterado pela Lei n° 11.767, de 7 de agosto de 2008.

42 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticao IMfi'H
Ili - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservada-
mente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem
presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis
ou militares, ainda que considerados incomunicáveis;
IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso
em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia,
para a lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade
e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional
da OAB;
V - não ser recolhido preso, antes da sentença transitada
em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instala-
ções e comodidades condignas, assim reconhecidas pela
OAB, e, na sua fa lta, em prisão domiciliar;
1> O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstituciona-
lidade nº 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expres-
são "assim reconhecidas pela OAB''.

VI - ingressar livremente:
a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos can-
celos que separam a parte reservada aos magistrados;
b) nas salas e dependência de audiências, secretarias, car-
tórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, e,
no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de
expediente e independentemente da presença de seus ti-
tulares;
c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repar-
tição judicial ou outro serviço público onde o advogado
deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao
exercício da atividade profissional, dentro do expediente
ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente
qualquer servidor ou empregado;
d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou
possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva
comparecer, desde que munido de poderes especiais:

PAULO M ACHADO 43
1Pemf
'ª'""VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quais-
quer locais indicados no inciso anterior, independente-
Eticao

mente de licença;
VIII - dirigir-se d iretamente aos magistrados nas salas e
gabinetes de trabalho, independentemente de horário
previamente marcado ou outra condição, observando-se
a ordem de chegada;
IX - sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou
processo, nas sessões de julgamento, após o voto do rela-
tor, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de
quinze minutos, salvo se prazo maior for concedido;
li> O Supremo Tribuna l Federal, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucio-
nalidade nº 1. 105-7 e 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalida-
d e deste inciso.

X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tri-


bunal, mediante intervenção sumária, para esclarecer
equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documen-
tos ou afirmações que influam no julgamento, bem como
para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas;
XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qual-
quer juízo, tribunal ou autoridade, contra inobservância
de preceito de lei, regulamento ou regimento;
XII -falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de
deliberação coletiva da Administração Pública ou do Po-
der Legislativo;
XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário
e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos
de processos findos ou em andamento, mesmo sem procu-
ração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a
obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;
XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por
conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de
flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos
ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, po-

44 EDITORA A RMADOR J 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1!)emf
Eticao IMii'M
dendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico
ou digital;
> Este inciso foi alterado pela Lei 13.245/ 16.

XV - ter vista dos processos judiciais ou administrativos de


qualquer natureza, em cartório ou na repartição compe-
tente, ou retirá-los pelos prazos legais;
XVI - retirar autos de processos findos, mesmo sem procu-
ração, pelo prazo de dez dias;
XVII - ser publicamente desagravado, quando ofendido no
exercício da profissão ou em razão dela;
XVIII - usar os símbolos privativos da profissão de advoga-
do;
XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no
qual funcionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacio-
nado como pessoa de quem seja ou foi advogado, mesmo
quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem
como sobre fato que constitua sigilo profissional;
XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando
pregão para ato judicial, após trinta minutos do horário
designado e ao qual ainda não tenha comparecido a au-
toridade que deva presidir a ele, mediante comunicação
protocolizada em juízo.
XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apura-
ção de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respec-
tivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente,
de todos os elementos investigatórios e probatórios dele
decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, po-
dendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:
a) apresentar razões e quesitos;
b) (VETADO) •
.,_ Este inciso e a alín ea a foram acrescentados pela Lei 13.245/16.

PAULO M ACHADO 45
1f)emf
lfflii'M Eticao

§ 1° Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI:


1 - aos processos sob regime de segredo de justiça;
2 - quando existirem nos autos documentos originais de
difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que
justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria
ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho
motivado, proferido de ofício, mediante representação ou
a requerimento da parte interessada;
3 - até o encerramento do processo, ao advogado que hou-
ver deixado de devolver os respectivos autos no prazo le-
gal, e só o fizer depois de intimado.
§ 2° O advogado tem imunidade profissional, não consti-
tuindo injúria, difamação ou desacato puníveis qualquer
manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade,
em juízo ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplina-
res perante a OAB, pelos excessos que cometer.
~ O Supremo Tribunal Federal, no j ulgamento da Ação Direta de Inconstituciona-
lidade n° 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declarou a inconstitucionalidade da expres-
são "ou desacato''.

§ 3° O advogado somente poderá ser preso em flagrante,


por motivo de exercício da profissão, em caso de crime ina-
fiançável, observado o disposto no inciso IV deste artigo.
§ 4° O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar,
em todos os juizados, fóruns, tribunais, delegacias de polí-
cia e presídios, salas especiais permanentes para os advo-
gados, com uso e controle assegurados à OAB.
~ O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstituciona-
lidade n° 1.127-8 (DOU de 26.5.2006), declaro u a inconstitucionalidade da expres-
são "e controle''.

§ 5° No caso de ofensa a inscrito na OAB, no exercício da


profissão ou de cargo ou função de órgão da OAB, o Con-
selho competente deve promover o desagravo público do
ofendido, sem prejuízo da responsabilidade criminal em
que incorrer o infrator.

46 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticao
WMii'M
§ 6° Presentes indícios de autoria e materialidade da práti-
ca de crime por parte de advogado, a autoridade judiciária
competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade
de que trata o inciso li do caput deste artigo, em decisão
motivada, expedindo mandado de busca e apreensão, es-
pecífico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de
representante da OAB, sendo, em qualquer hipótese, ve-
dada a utilização dos documentos, das mídias e dos obje-
tos pertencentes a clientes do advogado averiguado, bem
como dos demais instrumentos de trabalho que conte-
nham informações sobre clientes.
~ Este parágrafo 6° foi acrescentado pela Lei nº 11.767, d e 7 de agosto de 2008.

§ 7° A ressalva constante do§ 6° deste artigo não se esten-


de a clientes do advogado averiguado que estejam sendo
formalmente investigados como seus partícipes ou co-au-
tores pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra
da inviolabilidade.
li> Este parágrafo 7° foi acrescentado pela Lei nº 13.245/16.

§ 8° (vetado)
§ 9° (vetado)
§ 10. Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apre-
sentar procuração para o exercício dos direitos de que
trata o inciso XIV.
11> Este parágrafo foi acrescentado pela Lei nº 13.245/16.

§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade com-


petente poderá delimitar o acesso do advogado aos
elementos de prova relacionados a diligências em an-
damento e ainda não documentados nos autos, quando
houver risco de comprometimento da eficiência, da efi-
cácia ou da finalidade das diligências.
I> Este parágrafo foi acrescentado pela Lei nº 13.245/16.

PAULO MACHADO 47
1[Jemf
IMIPN Eticao

§ 12. A inobservância aos direitos estabelecidos no


inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o
fornecimento de autos em que houve a retirada de
peças já incluídas no caderno investigativo implicará
responsabilização criminal e funcional por abuso de
autoridade do responsáve l que impedir o acesso do
advogado com o intuito de prejudicar o exercício da
defesa, sem prejuízo do direito subjetivo do advoga-
do de requerer acesso aos autos ao juiz competen-
te."
~ Este parágrafo foi acrescentado pela Lei n° 13.245/ 16.

Art. rJ 0 -7J,..!São aireitos aaadvoga_füi:l(lncluído pela Lei nº


13.363, de 2016)
1- gest ante! (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
a) entrada em tribunais sem:seLS.u met iaaJa detectores de
melais e apar.elhos.-de_r.aios X;;(lncluído pela Lei nº 13.363,
de 2016)

li - 1.l ac ante, aa o:fante7ou q ue der à luz; acesso a cred1é,


onde houver, ou a local adequado ao atendimento das ne-
G~ss,daàes ào bebê; \\nc.\u,ào pe\a \..ei nº 13.363, de 201 ó)

48 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao ilffp:W
L rll

§ 1 ° Os direitos previstos à advogada--.-gestante ou lactante


ap licam-se -engaanto J>erdurar: resJ>edivamentlfilo e"S~
gravídico ou o- ·e ríodo-de amam-entaçãQJ(lncluído pela Lei
nº 13.363, de 2016)
§ 2° Os direitos assegurados nos incisos li e Ili deste artigo
o
\\ C\<\c\\, à advogada adotante ou ijU-e der à la~ serão concedidos
pelo prazo previsto no art. 392 do Decreto-Lei nº_S.452,
e\..\ Cl '..; ,
de 1°_de maio de 1943 (Consolidação das Leis do Traba-
lho). (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016)
§ 3° O direito assegurado no inciso IV deste artigo à advo-
gada adotante ou que der à luz será concedido pelo prazo
previsto no § 6° do art. 313 da Lei nº 13.105, de 16 de mar-
ço de 2015 (Código de Processo Civil). (Incluído pela Lei nº
13.363, de 2016)

Q Comentários

~ DIREITOS DO ADVOGADO

O Estatuto trata como sinônimos as expressões "direitos" e "prer-


rogativas" do advogado. Portanto, inicialmente, cabe-nos fazer um
breve esclarecimento sobre a diferença técnica entre elas.
Pode-se dizer que o "direito" está relacion ado a todas as p essoas,
ao passo que a "prerrogativa" é um direito exclusivo de determinada
profissão para o seu pleno exercício. Desse modo, todos têm o direi-
to à livre locom oção no território nacional em tempo de paz (art. 5°,
XV, CRFB), m as os advogados têm a prerrogativa de examinar, em
qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo
sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer
natureza, findos ou em andamento, ainda que con clusos à autoridade,

PAULO MACHADO 49
1Pemf
141141 Eticao

podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digi-


tal (art. 7°, XIV, da Lei nº 8.906/94).
Entretanto, por questões didáticas também empregaremos as ex-
pressões "direitos" e "prerrogativas" sem distinção, como se sinônimos
fossem.
O Estatuto da Advocacia e da OAB disciplina os direitos dos ad-
vogados ao longo de toda a lei, sendo que as concentra em maior nú-
mero no Capítulo II do Título I (arts. 6° e 7°).
Sendo a advocacia indispensável à realização da justiça - ao lado
da Magistratura do Ministério Público -, o art. 6° logo determina que
não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e
membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consi-
deração e respeito recíprocos. E para que o advogado possa exercer de
maneira plena, sem embaraços, a sua atividade, impõe-se às autorida-
des, aos servidores públicos e aos serventuários da justiça o dever de
tratar os advogados, no exercício da profissão, de forma compatível
com a dignidade da advocacia, inclusive com condições adequadas ao
seu desempenho.
Conforme o disposto no art. 7° do Estatuto são direitos do advo-
gado:

1- exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional.

O advogado devidamente inscrito em um determinado Conselho


Seccional da OAB pode exercer a profissão em todo o país. Impor-
tante apenas lembrar que esta prerrogativa permite que o profissional
advogue, ilimitadamente, no respectivo Conselho e, eventualmente,
em qualquer outro estado. Se vier a atuar em mais de cinco causas
em outro estado, deverá providenciar outra inscrição (inscrição suple-
mentar - art. 10, § 2°, do EAOAB). Desse modo, é garantido o direito
de advogar livremente dentro do território nacional, sendo que, em
alguns casos, a atuação é condicionada à realização de outra inscrição.

50 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1[Jemf
Eticao MMI
li - a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como
de seus instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita,
eletrônica, telefônica e telemática, desde que relativas ao exercício
da advocacia.

Esta é a nova redação dada a este inciso pela Lei nº 11.767/08.


Esta lei também acrescentou os parágrafos 6° e 7° ao art. 7° do Estatuto
da Advocacia, que, em linhas gerais, melhor tratou do tema da invio-
labilidade referida neste inciso.
A inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem
como de seus instrumentos de trabalho, não é absoluta, uma vez que,
presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime pelo
advogado, a autoridade judiciária competente poderá, em decisão mo-
tivada, decretar a quebra da inviolabilidade de que trata este inciso,
expedindo, para tanto, o devido mandado de busca e apreensão, espe-
cífico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante
da OAB. É de salientar que, em qualquer hipótese - mesmo nesses
casos -, é proibida a utilização dos documentos, das mídias e dos obje-
tos que pertencem aos clientes do advogado averiguado, muito menos
dos demais instrumentos de trabalho que tenham informações acerca
de clientes, a não ser que haja algum cliente do advogado averiguado
que esteja sendo formalmente investigado como partícipe ou co-autor
pela prática do mesmo crime que deu origem à quebra da inviolabili-
dade.

Ili - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mes-


mo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou re-
colhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que conside-
rados incomunicáveis.

A Constituição Federal garante a todo preso a assistência de ad-


vogado (art. S°, LXIII). Ao encontro da Lei Maior, o Estatuto da Advo-
cacia e da OAB confere ao advogado esse direito.
Apenas por debate, ainda que de forma bem sucinta, no que
tange à incomunicabilidade do preso, tratada no art. 21 do Códi-

PAULO M ACHADO 51
1f)emf
IMM Eticae

go de Processo Penal, acompanhamos o entendimento de renoma-


dos autores, entre eles, Fernando da Costa Tourinho Filho, de que,
na atualidade, em razão de a Constituição Federal determinar que
é vedada a incomunicabilidade do preso na vigência do estado de
defesa, com mais razão não deve haver na ausência deste. Reforçan-
do esse entendimento o ilustre professor afirma que "se por acaso
houver entendimento contrário, não se deve olvidar que a incomu-
nicabilidade é medida perversa e que, no fundo, o seu objetivo, que
é impedir a comunicação do preso com o mundo exterior, se reduz
a uma nonada, em face do direito conferido ao advogado de se co-
municar com o incomunicável pessoal e reservadamente .. :' (Código
de Processo Penal Comentado, 12ª Edição, Editora Saraiva, Volume
1, 2009, página 97). De qualquer forma, a incomunicabilidade não
alcança o advogado.

IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso em fla-


grante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para a lavratura
do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a co-
municação expressa à seccional da OAB.

Este inciso foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade


(ADI nº 1.127-8), proposta pela Associação dos Magistrados Brasi-
leiros (AMB), em relação à expressão "ter a presença de representante
da OAB': que chegou a ficar suspensa desde 1994. Contudo, o STF, no
julgamento do mérito, ocorrido em 17 de maio de 2006, decidiu pela
integral constitucionalidade do inciso. Ressalte-se que os ministros do
Pretório Excelso destacaram que, se a OAB não remeter um represen-
tante em tempo hábil, não haverá de se falar em invalidade da prisão
em flagrante.
Em complementação, o parágrafo 3° do art. 7° do Estatuto garan-
te ao advogado o direito de somente ser preso em flagrante em caso
de crime inafiançável, desde que por motivo ligado ao exercício da
profissão e, mesmo assim, com as observações indicadas no inciso IV

52 Eorro RA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae tfiMI
V - não ser recolhido preso, antes da sentença transitada em julga-
do, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades
condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão
domiciliar.

Mais uma vez a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)


insurgiu-se, por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, contra
a Lei nº 8.906/94. Neste caso, foi em relação à expressão "assim reco-
nhecidas pela OAB", e o STF, confirmando a liminar antes concedida,
julgou, nesta parte, procedente a ação, ou seja, declarou a inconstitu-
cionalidade da expressão "assim reconhecidas pela OAB':
A prerrogativa de prisão domiciliar, na ausência de sala de Estado
Maior, continua valendo. Esse é o entendimento do Supremo Tribunal
Federal.

VI - ingressar livremente:
a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que sepa-
ram a parte reservada aos magistrados;
b) nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios,
ofícios de justiça, serviços notariais e de registro e, no caso de dele-
gacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independen-
temente da presença de seus titulares;
c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial
ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher
prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro
do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache pre-
sente qualquer servidor ou empregado;
d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou possa par-
ticipar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde
que munido de poderes especiais;

Com essas prerrogativas, o Estatuto garante ao advogado o pleno


exercício de sua atuação, a fim de que possa representar os interes-
ses de seus clientes de maneira eficaz. Qualquer impedimento a essas
garantias deve ser entendido como ilegal e, nos casos de violações às
alíneas a, b e e, como crime de abuso de autoridade, previsto no art.
3°,J, da Lei nº 4.898/95.

P AULO M ACHADO 53
1f)emf
l,fffli·I
75
Eticao

Na alínea d, encontramos um direito que, para ser exercido, exige


procuração com poderes especiais.

VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais


indicados no inciso anterior, independentemente de licença.

Conforme o art. 6° do Estatuto, não há hierarquia nem subordina-


ção entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público.
Nesse mesmo sentido, este inciso VII assegura ao advogado decidir a
melhor maneira de ficar nos locais onde precisa estar para o exercício
da advocacia, sem qualquer interferência por parte dos agentes públi-
cos (nem mesmo das autoridades policiais e judiciárias).
Importa em desprestigio para a classe, e nenhum advogado pode
a isso condescender, quando o magistrado determina o local onde o
advogado deve ficar, com a clara intenção de menoscabo ou em atitu-
de arbitrária.

VIII - dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de


trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou
outra condição, observando-se a ordem de chegada.

Justamente em razão de não haver hierarquia nem subordinação


entre advogados e magistrados, e também de ser o advogado um dos
figurantes essenciais à justiça, é assegurado o seu livre acesso aos ma-
gistrados. Entretanto, é razoável que, em razão de um ato processual
estar sendo realizado, a autoridade judiciária solicite ao advogado que
aguarde o término do aludido ato. O que não se admite é a restrição
para atendê-lo somente em alguns dias da semana e em horários pre-
viamente estipulados.
Saliente-se que para fins de prova (Exame de Ordem), é direito
do advogado, e não do estagiário.

IX - sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo,


nas sessões de julgamento, após o voto do relator, em instância judi-

54 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
ÉticaQ ilffp:1
LI

cial ou administrativa, pelo prazo de quinze minutos, salvo se prazo


maior for concedido.

O STF declarou inconstitucional todo o conteúdo deste inciso,


por ocasião do julgamento da ADI nº 1.127-8, proposta pela Associa-
ção dos Magistrados Brasileiros.
Quis o legislador garantir ao advogado o direito de sustentar oral-
mente as razões recursais "após o voto do relator': o que contribuiria
muito para a realização da justiça, uma vez que, após ouvir o voto do
relator, o advogado melhoraria sua argumentação para maior esclare-
cimento das razões para os demais julgadores do órgão colegiado.
Com a declaração de inconstitucionalidade, o advogado deve
"tentar adivinhar" o que se passa na mente do relator e preparar uma
sustentação oral mais completa, e sintetizada, possível... Lamentável...
Observe que no Novo Código de Ética e Disciplina (art. 60, § 4°)
ainda consta que no processo disciplinar na OAB, a sustentação oral
do advogado será após o voto do relator!

X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, me-


diante intervenção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida sur-
gida em relação a fatos, documentos ou afirmações que influam no
julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe
forem feitas.

Aqui temos uma importantíssima prerrogativa garantida pelo Es-


tatuto aos advogados. Trata-se da utilização da expressão "pela ordem':
quando se verificar a necessidade de esclarecer algum equívoco ou uma
dúvida relevante que possa influir no julgamento ou, ainda, como forma
de defesa contra acusações ou censura que lhe forem feitas.

XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tri-


bunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regu-
lamento ou regimento.

Este inciso traz mais uma forma de o advogado reclamar junto


às autoridades contra a inobservância de preceito de lei, regulamento

PAULO M ACHADO 55
1Pemf
tttm Eticae

ou regimento. A diferença que há entre o inciso anterior e este é que


naquele a intervenção deve ser sumária, de modo a evitar um prejuízo
maior, enquanto que neste pode-se esperar um momento mais opor-
tuno para intervir.

XII -falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de delibera-


ção coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo.

O advogado tem o direito de se manifestar oralmente, sentado ou


em pé, em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Legislativo ou da
Administração Pública, não podendo nenhum ato normativo interno
estabelecer forma diversa.

XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislati-


vo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos
ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam su-
jeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópia, podendo tomar apon-
tamentos.

O direito ao exame dos autos e o direito de vista dos autos não se


confundem. Aquele significa a simples consulta dos autos no cartó-
rio, enquanto que este é a retirada dos autos pelo advogado m ediante
registro em livro de carga ou em documento que declare a saída dos
autos.
Por vezes, o exame dos autos é necessário para suprir uma dúvi-
da urgente ou até mesmo para que o advogado decida se irá ou não
ingressar na causa. Assim, o Estatuto assegura ao advogado examiná-
-los em qualquer órgão do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e da
Administração Pública em geral, findos ou em andamento, mesmo
sem procuração, desde que não estejam submetidos a sigilo, sendo as-
segurada a obtenção de cópia, podendo, ainda, tomar apontamentos.
Em relação ao direito de obtenção de cópia mesmo sem procu-
ração, explicitado neste inciso, explica Geronimo Theml de Macedo
que "aqui é fundamental ter em mente que o direito não é de retirar os
autos de cartório para levá-los até a copiadora mais próxima. O direi-

56 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticae l*lfli!i
L ~

to é de obter as cópias, o que implica dizer que cada cartório judicial


deverá disponibilizar os mecanismos adequados para garantir tal di-
reito, alguns, por exemplo, possibilitam que servidores acompanhem
o advogado até a copiadora:' (obra citada, p. 81).

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir in-


vestigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investi-
gações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que
conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamen-
tos, em meio físico ou digital;

Este inciso foi alterado pela Lei 13.245/16. Antes, em seu texto
original não constavam as expressões "em qualquer repartição policial
responsável por conduzir investigação" e "investigações de qualquer
naturezà' (constava apenas "autos de flagrante e de inquérito poli-
cial''), bem como a questão da obtenção de cópias por meio digital,
como, por exemplo, a fotografia por scanner portátil ou por aparelho
de telefone celular.
Tais alterações vieram em boa hora, pois há muito tempo já se
discutia este direito de acesso do advogado aos procedimentos inves-
tigatórios nos mais variados setores, e não só em sede policial (como
é o caso do procedimento investigatório criminal feito pelo Ministério
Público).
Para assegurar este direito, a Lei 13.245/16 também acrescentou
o§ 12, determinando que: ''A inobservância aos direitos estabelecidos
no inciso XIV, o fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento
de autos em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno
investigativo implicará responsabilização criminal e funcional por
abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso do advo-
gado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa, sem prejuízo
do direito subjetivo do advogado de requerer acesso aos autos ao juiz
competente:'
Assim, entendemos que o mesmo direito deve ser estendido para
se ter vista e cópia de registros de ocorrência (ou boletins de ocorrên-

PAULO MACHADO 57
1Pemf
ilfipri
L ~
Eticao

eia), d e termos circunstanciados e de qualquer procedimento ante-


rior à instauração do inquérito policial, como o comumente chamado
procedimento de "verificação das procedências das informações" (na
prática penal ch amado de VPI), tratado no art. S°, § 3°, do CPP. Afinal,
se pode o mais (inquérito policial), pode o m enos (VPI ou Registro de
Ocorrência ou Boletim de Ocorrência).
Importante atentarmos p ara o seguinte: embora o art. 20 do Có-
digo do Processo Penal estabeleça que "a autoridade assegurará no in-
quérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interes-
se da sociedade': essa sigilosidade - característica do IP - não alcança
o advogado, em virtude do que lhe é garantido pelo art. 7°, inciso XIV,
da Lei n º 8.906/94.
Em razão disso, em fevereiro de 2009, o Supremo Tribunal Fede-
ral editou a súmula vinculante nº 14 com o seguinte teor: "É direito do
defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elemen-
tos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de policia judiciária, digam res-
peito ao exercício do direito de defesa."
Neste sentido, a Lei 13.245/16 acrescentou os §§ 10 e 11, que es-
clarecem mais ainda este tem a. Vejamos:
No § 10 consta que, "nos autos sujeitos a sigilo, deve o advoga-
do apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o
inciso XIV" Isso ocorre porque, como comentamos acima, o sigilo do
inquérito policial não alcança o advogado. Porém, h á casos em que
há interceptação telefônica decretada pelo juiz ou h á quebra de sigilo
bancário. Assim, documentos e informações sigilosas são juntadas aos
autos do inquérito policial. Nest a hipótese, para o advogado ter aces-
so, terá que t er procuração.
O § 11 diz que, "no caso previsto no inciso XIV, a autoridade
competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de
prova relacionados a diligências em andamento e ainda não docu-
mentados nos autos, quando houver risco de comprometimento da

58 EorroRA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMIW;I
eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências:' Este inciso, ao
nosso ver, melhor esclareceu o teor da aludida Súmula Vinculante 14.

XV - ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer


natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirá-los pe-
los prazos legais.

XVI - retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo


prazo de dez dias.

Os direitos trazidos nos incisos XV e XVI não se aplicam nos


casos mencionados no § 1º do art. 7°, a saber:

a) quando o processo estiver sob o regime do segredo de j ustiça;


b) quando houver nos autos documentos originais de difícil restauração
ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos au-
tos no cartório, secretaria ou repartição, reconh ecida pela autoridade em
despacho motivado, proferido exofficio, mediante representação ou are-
querimento da parte interessada;
c) até o encerramento do processo, ao advogado que tenha deixado de
devolver os respectivos autos no prazo legal, e só o fizer depois de inti-
mado.

XVII - ser publicamente desagravado, quando ofendido no exercício


da profissão ou em razão dela.

O Estatuto tratou o desagravo público como um direito do advo-


gado, tendo o Regulamento Geral especificado o tema nos art. 18 e 19.
O desagravo público é um procedimento formal utilizado pela
Ordem dos Advogados do Brasil para mostrar o repúdio e prestar uma
solidariedade às ofensas sofridas pelo advogado no exercício da sua
profissão ou de cargo ou função nos órgãos da OAB, sem prejuízo das
sanções penais em que incorrer o ofensor. Não raro, os advogados são
ofendidos por juízes, promotores de justiça, delegados de polícia, no
desempenho de seu mister, devendo o desagravo ser promovido pelo
Conselho competente, de ofício, a requerimento do próprio advogado
ou de qualquer outra pessoa.

P AULO MACHADO 59
1f)emf

'ª"' Eticac,

O desagravo público, como meio de defesa dos direitos e prerro-


gativas da advocacia, não depende de concordância do ofendido, que
não pode dispensá-lo, sendo, portanto, um critério do próprio Con-
selho.
Uma vez ocorrendo a ofensa no espaço territorial da Subseção a
que se vincule o inscrito, a sessão de desagravo pode ser promovida
pela Diretoria ou Conselho da Subseção, com representação do Con-
selho Seccional. Com razão. Se o advogado foi ofendido num municí-
pio distante da sede do Conselho Seccional, de nada adiantará a sole-
nidade ser lá realizada. Atenderá melhor ao seu objetivo, se realizada
num local mais próximo de onde ocorreu a ofensa.
Por outro lado, competirá ao Conselho Federal promover o desa-
gravo público nos casos de ofensa a conselheiro federal ou a Presidente
de Conselho Seccional, quando ofendidos no exercício das atribuições
de seus cargos e, ainda, quando a ofensa a advogado se revestir de rele-
vância e grave violação às prerrogativas profissionais com repercussão
nacional. Assim, o Conselho Federal indica seus representantes para
a sessão pública de desagravo, que será realizado na sede do Conse-
lho Seccional, exceto no caso de ofensa a conselheiro federal, quando
acontecerá no próprio Conselho Federal.
O procedimento o desagravo público é disciplinado nos parágra-
fos do art. 18 do Regulamento Geral.
Compete ao relator, convencendo-se da existência de prova ou
indício de ofensa relacionada ao exercício da profissão ou cargo da
OAB, propor ao Presidente que solicite informações da pessoa ou au-
toridade ofensora, que serão fornecidas no prazo de 15 (quinze) dias,
a não ser que haja urgência ou notoriedade do fato.
Pode o relator propor o arquivamento do pedido se (1) a ofensa
tiver natureza pessoal, (2) se não estiver ligada ao exercício profissio-
nal ou às prerrogativas gerais do advogado ou (3) se configurar crítica
de caráter doutrinário, político ou religioso.

60 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1f)emf
Eticae IMIR
Sendo recebidas ou não as informações solicitadas e convencen-
éa-se da procedência da ofensa, o relator emitirá um parecer, que será
cimetido ao Conselho. Em caso de acolhimento do parecer, é desig-
.::ada a sessão de desagravo, amplamente divulgada.
1 a sessão do desagravo público, o Presidente lê a nota a ser publi-
:::da na imprensa, encaminhada ao ofensor e às autoridades e registra-
.:..! nos assentamentos do inscrito.

XVIII - usar os símbolos privativos da profissão de advogado

Apenas o advogado devidamente inscrito na OAB pode utilizar


s símbolos privativos da advocacia. São os anéis, adornos e outros
=--~~acionados à profissão.
Compete ao Conselho Federal criar ou aprovar o seu uso (art. 10,
~ciso X, EAOAB - Compete ao Conselho Federal: X - dispor sobre
2 :dentificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos
?.:ivativos) . Não se deve confundir esta competência do Conselho Fe-
.::eral com o que está disposto no art. 58, XI, do mesmo diploma: com-
~te ao Conselho Seccional determinar, com exclusividade, critérios
para o traje dos advogados, no exercício profissional. Um fala sobre os
-:mbolos; o outro, sobre o traje.

XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no qual fun-


cionou ou deva funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de
quem seja ou tenha sido advogado, mesmo quando autorizado ou
solicitado pelo constituinte.

A recusa em depor como testemunha em processo no qual fun-


.:ionou ou deva funcionar, ou até mesmo sobre algum fato vinculado
a pessoa de quem seja ou foi advogado, é um direito assegurado pelo
Estatuto, mas também é um dever imposto pelo Código de Ética e
_uisciplina (arts. 35 a 38 do Novo CED).

:>;ao MACHADO 61
1Pemf
UHI Eticao

XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para


ato judicial, após 30 (trinta) minutos do horário designado e ao qual
ainda não tenha comparecido a autoridade que deva presidir a ele,
mediante comunicação protocolizada em juízo.

O advogado ganhou com este inciso uma importantíssima prer-


rogativa. Para evitar abusos, lamentavelmente cometidos por alguns
magistrados, garantiu o Estatuto da Advocacia e da OAB ao advogado
o direito de se retirar do recinto onde está aguardando para a reali-
zação do ato judicial, após passados 30 (trinta) minutos do horário
marcado e sem que a respectiva autoridade tenha chegado. Este direi-
to não se aplica quando o magistrado já se encontra no local, porém,
realizando outro ato processual, como é o caso de uma audiência de-
signada para um horário anterior, mas que ainda não terminou.
Mister salientar que a Consolidação das Leis do Trabalho traz um
prazo menor. Assim, para os advogados que atuarem perante a Justiça
Trabalhista, o tempo de espera é de apenas 15 (quinze) minutos a par-
tir do horário designado (art. 815, CLT).
Em qualquer caso, obviamente, exige-se a comunicação protoco-
lizada em juízo.

XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infra-


ções, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou
depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investiga-
tórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indire-
tamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:
a) apresentar razões e quesitos;
b) (VETADO).

Esta inovação trazida pela Lei nº 13.245/16 traduz um relevante


avanço para a Justiça e para o exercício do direito de defesa. Embora
o Princípio da Ampla Defesa não seja aplicado à fase da investigação
policial, a presença e a participação do advogado evita que se come-
tam abusos contra os investigados.

62 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª ED IÇÃO


1Pemf
Eticao
IMIWI
Art. 7°-A. São direitos da advogada:
1- gestante:
a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de
metais e aparelhos de raios X;
b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;
li - lactante, adotante ou que der à luz, acesso a creche,
onde houver, ou a local adequado ao atendimento das ne-
cessidades do bebê;
Ili - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, prefe-
rência na ordem das sustentações orais e das audiências
a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de
sua condição;
IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos proces-
suais quando for a única patrona da causa, desde que haja
notificação por escrito ao cliente.
§ 1° Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante
aplicam-se enquanto perdurar, respectivamente, o estado
gravídico ou o período de amamentação.
§ 2° Os direitos assegurados nos incisos li e Ili deste artigo
à advogada adotante ou que der à luz serão concedidos
pelo prazo previsto no art. 392 do Decreto-Lei nº 5.452, de
1° de maio de 1943 {Consolidação das Leis do Trabalho).
§ 3° O direito assegurado no inciso IV deste artigo à advo-
gada adotante ou que der à luz será concedido pelo prazo
previsto no§ 6° do art. 313 da Lei nº 13.105, de 16 de mar-
ço de 2015 {Código de Processo Civil).

Este art. 7° - A foi acrescentado no EAOAB pela Lei 13.363/16.

Os artigos referidos nos parágrafos 2° e 3° deste art. 7º - A estão


transcritos abaixo:

PAULO MACHADO
63
1f)emf
l+HRN Eticae

Art. 392 da CLT. A empregada gestant e tem direito à licença-maternidade


de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário.
Art. 31 3, § 6°, do CPC: (...) o período de suspensão será de 30 (trinta) dias,
contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante
apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que com-
prove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a
adoção, desde que haja notificação ao cliente .

..,_ IMUNIDADE PROFISSIONAL DO ADVOGADO

A imunidade profissional do advogado é tratada no artigo 7°,


parágrafo 2°, do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94):
"O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria,
difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte,
no exercício de sua atividade, em juízo ou fora dele, sem prejuízo das
sanções disciplinares perante a OAB pelos excessos que cometer".

Imunidade profissional é a imunidade que se refere à atividade ou


à função do advogado, podendo assim ser de ordem civil, penal e dis-
ciplinar. Se responsabilidade funcional (ou profissional) do advogado,
quer dizer responsabilidade civil, penal e disciplinar, do mesmo modo
será sua imunidade profissional.

A razão dessa imunidade vem do fato de a advocacia ser uma


profissão eminentemente conflituosa, na qual, não raro, o advogado
se depara com situações injustas em desfavor do seu cliente, o que
em decorrência o faz despender palavras ou expressões que em outras
situações até poderiam ser consideradas como ofensivas, mas não ali,
no exercício de seu mister, devendo ser levadas conta em nome do
princípio da libertas convinciandi.

O instituto da imunidade penal do advogado em relação aos cri-


mes de injúria e difamação não é novidade no ordenamento jurídi-
co pátrio. O artigo 142, I, do Código Penal, já previa essa imunidade

64 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf

"'*'
Eticae

("Não constituem injúria ou difamação punível: I - a ofensa irrogada


em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador") .

Assim, o Estatuto da Advocacia e da OAB inovou em seu texto


original os seguintes aspectos: (1) ampliou a imunidade penal do ad-
vogado para imunidade profissional, ou seja, agora ela é civil, penal e
disciplinar; (2) acrescentou ao rol da imunidade o crime de desacato;
(3) a imunidade profissional do advogado deixou de ser apenas em
juízo e passou a ser em qualquer lugar onde desenvolva a sua atividade
(delegacia de polícia, Comissão Parlamentar de Inquérito, Conselho
de Contribuintes, etc.).

Acontece que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)


propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.127-8),
na qual o Supremo Tribunal Federal, em 1994, suspendeu liminar-
mente a eficácia da expressão "desacato': tendo o mérito sido julgado
em 17 de maio de 2006 e, nessa parte, julgada procedente, ou seja, o
advogado não tem mais imunidade profissional em relação ao crime
de desacato.

Importante evidenciar a ressalva contida na parte final do pará-


grafo 2°, do artigo 7°, do Estatuto, que, no tocante à injuria e à difama-
ção, no exercício da advocacia, o advogado pode vir a ser processado
pela OAB, caso cometa excessos. Tal reprimenda faz sentido, porque,
se por um lado, o advogado tem a prerrogativa da imunidade, por
outro, ele tem o dever de tratar as pessoas e os funcionários públicos
com os quais for se relacionar com urbanidade, educação e lhaneza.
Exagerando e extrapolando o direito de imunidade, estará violando
um dever de bem tratar a todos.

Note-se ainda que, embora o advogado tenha a imunidade pro-


fissional conferida pelo Estatuto da Advocacia, outras leis podem tra-
zer para ele algumas sanções, como, por exemplo, o Novo Código de
Processo Civil, que, no artigo 78 e seus§§ 1° e 2°, permite ao juiz riscar
as palavras ofensivas empregadas nos escritos que o advogado fizer, ad-

P AULO MACHADO 65
1Pemf
iMMI Eticao

vertir o advogado em audiência e até cassar a palavra do mesmo - nos


dois últimos casos quando venha a proferir palavras ofensivas de forma
oral. No art. 360, II, do Novo CPC, há até mesmo possibilidade de o juiz
retirar do recinto quem se comportar de modo inconveniente.
Abaixo, o teor dos arts. 78, §§ 1º e 2°, e 360, II, do Novo CPC:

Art. 78. É vedado às partes, a seus procuradores, aos juízes, aos membros
do Ministério Público e da Defensoria Pública e a qualquer pessoa que
participe do processo empregar expressões ofensivas nos escritos apre-
sentados.
§ 1° Quando expressões ou condutas ofensivas forem manifestadas oral
ou presencialmente, o juiz advertirá o ofensor de que não as deve usar ou
repetir, sob pena de lhe ser cassada a palavra.
§ 2° De ofício ou a requerimento do ofendido, o juiz determinará que as
expressões ofensivas sejam riscadas e, a requerimento do ofendido, deter-
minará a expedição de certidão com inteiro teor das expressões ofensivas
e a colocará à disposição da parte interessada.
Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe:
1- manter a ordem e o decoro na audiência;
li - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem
inconvenientemente;
Ili - requisitar, quando necessário, força policial;
IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do M i-
nistério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe
do processo;
V - regi strar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados
em audiência.

Em relação a tais sanções aplicadas pelos juízes, cabe-nos, ainda


que de maneira superficial, tecer alguns comentários, especialmente
porque há controvérsias acerca da natureza jurídica dessas punições.
Há quem entenda que são sanções disciplinares, resquícios de uma
época em que cabia ao Judiciário a disciplina dos advogados (fase an-
terior à criação da OAB pelo Decreto n º 19.408/30); outros entendem
que são sanções processuais, pois os magistrados têm poder de polícia,

66 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4 • EDIÇÃO


1Pemf
Eticao IMIWJi
e também porque o artigo 6° do EAOAB diz que não hierarquia nem
subordinação entre advogados, juízes e membros do Ministério Públi-
co. Comungamos desse entendimento, apenas complementando que
essas sanções não podem chegar ao ponto de cercear o direito de de-
fesa. Por fim, há os que entendem que os dispositivos citados do CPC
estão todos revogados, uma vez que o artigo 44, II, do Estatuto, diz
que compete à OAB com exclusividade disciplinar os seus inscritos.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem) Adolfo, policial militar, consta como envolvido em
fato supostamente v iolador da integridade física de terceiros, apurado em inves-
tigação preliminar perante a Polícia Militar. No curso desta investigação, Adolfo
foi notificado a prestar declarações e, desde logo, contratou a advogada Simone
para sua defesa. Ciente do ato, Simone dirige-se à unidade respectiva, preten-
dendo solicitar vista quanto aos atos já concluídos da investigação e buscando
tirar cópias com seu aparelho celular. Além disso, Simone intenta acompanhar
Adolfo durante o seu depoimento designado.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.

A) É direito de Simone, e de seu cliente Adolfo, que a advogada examine os au-


tos da investigação, no que se refere aos atos já concluídos e documentados,
porém, a possibilidade de emprego do telefone celular para tomada de có-
pias fica a critério da autoridade responsável pela investigação. Também é
direito de ambos que Simone esteja presente no depoimento de Adolfo, sob
pena de nulidade absoluta do ato e de todos os elementos investigatórios
dele decorrentes.
B) É direito de Simone, e de seu cliente Adolfo, que a advogada examine os au-
tos, no que se refere aos atos já concluídos e documentados, bem como em-
pregue o telefone celular para tomada de cópias digitais, o que não pode ser
obstado pela autoridade responsável pela investigação. Também é direito de
ambos que Simone esteja presente no depoimento de Adolfo, sob pena de
nulidade absoluta do ato e de todos os elementos investigatórios dele decor-
rentes.

PAULO M ACHADO 67
1Pemf
1;nm Eticao

C) É direito de Simone, e de seu cliente Adolfo, que a advogada examine os au-


tos, no que se refere aos atos já concluídos e documentados, bem como em-
pregue o tel efone celular para tomada de cópias digitais, o que não pode ser
obstado pela autoridade responsável pela investigação. Também é direito de
ambos que Simone esteja presente no depoimento de Adolfo, sob pena de
nulidade relativa apenas do ato em que embaraçava a sua presença.
D) Considerando cuidar-se de mera investigação preliminar, Simone não possui
o direito de examinar os atos já concluídos e documentados ou tomar cópias.
Do mesmo modo, por não se tratar de interrogatório formal, mas mera inves-
tigação preliminar, sujeita à disciplina da legislação castrense, não configura
nulidade se obstada a presença de Simone no depoimento de Adolfo.

Çl Comentários

Nos termos do art. 7°, XIV, do Estatuto, com a redação dada pela
Lei 13.245/17, é direito do advogado examinar, em qualquer institui-
ção responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração,
autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou
em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar pe-
ças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital.

GABARITO: B

(FGV - XXI Exame de Ordem) Florentino, advogado, regularmente inscrito na


OAB, além da advocacia, passou a exercer também a profissão de corretor de
imóveis, obtendo sua inscrição no conselho pertinente. Em seguida, Florentino
passou a divulgar suas atividades, por meio de uma placa na porta de um de seus
escritórios, com os dizeres: Florentino, advogado e corretor de imóveis. Sobre o
tema, assinale a afirmativa correta.
A) É vedado a Florentino exercer paralelamente a advocacia e a corretagem de
imóveis.
B) É permitido a Florentino exercer paralelamente a advocacia e a corretagem
de imóveis, desde que não sejam prestados os serviços de advocacia aos

68 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1Pemf
Eticae llffflfi
¼D

mesmos clientes da outra atividade. Além disso, é permitida a utilização da


placa empregada, desde que seja discreta, sóbria e meramente informativa.
C) É permitido a Florentino exercer paralelamente a advocacia e a corretagem
de imóveis. Todavia, é vedado o emprego da aludida placa, ainda que discre-
ta, sóbria e meramente informativa.
D) É permitido a Florentin o exercer paralelamente a advocacia e a corretagem
de imóveis, inclusive em favor dos mesmos clientes. Também é permitido em-
pregar a aludida placa, desde que seja discreta, sóbria e meramente informa-
tiva.

Q Comentários:

O Estatuto da Advocacia não proíbe o exercício da atividade de


corretagem, mas tão somente proíbe que n ão seja exercida junto com
a advocacia (art. 1°, § 3°, do EAOAB).

GABARITO:(

(FGV - XX Exame de Ordem) Júlia é advogada de Fernando, réu em processo cri-


minal de grande repercussão social. Em um programa vespertino da rádio local,
o apresentador, ao comentar o caso, afirmou que Júlia era "advogada de porta de
cadeia" e "ajudante de bandido''. Ouvinte do programa, Rafaela procurou o Con-
selho Seccional da OAB e pediu que fosse promovido o desagravo público. Júlia,
ao to mar conhecimento do pedido de Rafaela, informou ao Conselho Seccional
da OAB que o desagravo não era necessário, pois j á ajuizara ação para apurar a
responsabilidade civil do apresentador.
No caso narrado,

A) o pedido de desagravo público só pode ser formulado por Júlia, que é a pes-
soa ofendida em razão do exercício profissional.
8) o pedido de desagravo pode ser formulado por Rafaela, mas depende da
concordância de Júlia, que é a pessoa ofendida em razão do exercício profis-
sional.

PAULO M AC HADO 69
1[Jemf

'ª"''
C) o pedido de desagravo pode ser formulado por Rafaela, e não depende da
Eticae

concordância de Júlia, apesar de esta ser a pessoa ofendida em razão do exer-


cício profissional.
D) o pedido de desagravo público só pode ser formulado por Júlia, que é a pes-
soa ofendida em razão do exercício profissional, mas o ajuizamento de ação
para apurar a responsabil idade civil implica a perda de objeto do desagravo.

Q Comentários:

O desagravo público é um direito não somente do advogado, mas


de toda a classe da advocacia em ver a OAB repudiando as ofensas
sofridas pelo advogado decorrentes do exercício da sua profissão.
O desagravo independe, portanto, da vontade do advogado ofen-
dido e pode ser requerido por qualquer pessoa, podendo ser iniciado
de ofício pela OAB o processo de apuração (arts. 18 e 19 do Regula-
mento Geral).

GABARITO: C

(FGV - XIX Exame de Ordem) O advogado Carlos dirigiu-se a uma Delegacia


de Polícia para tentar obter cópia de autos de inquérito no âmbito do qual seu
cliente havia sido intimado para prestar esclarecimentos. No entanto, a vista dos
autos foi negada pela autoridade policial, ao fundamento de que os autos esta-
vam sob segredo de Justiça. Mesmo após Carlos ter apresentado procuração de
seu cliente, afirmou o Delegado que, uma vez que o juiz havia decretado sigilo
nos autos, a vista somente seria permitida com autorização judicial.
Nos termos do Estatuto da Advocacia, é correto afirmar que

A) Carlos pode ter acesso aos autos de qualquer inquérito, mesmo sem procura-
ção.
B) Carlos pode ter acesso aos autos de inquéritos sob segredo de Justiça, desde
que esteja munido de procuração do investigado.

70 EDITORA A RMAOOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1f)emf
Eticae

C) em caso de inquérito sob segredo de Justiça, apenas o magistrado que de-


cretou o sigilo poderá afastar parcialmente o sigilo, autorizando o acesso aos
autos pelo advogado Carlos.
D) o segredo de Justiça de inquéritos em andamento é oponível ao advogado
Carlos, mesmo munido de procuração.

Çl Comentário:

Essa questão teve por base o art. 7°, XIV, do EAOAB (é direito do
advogado examinar, em qualquer instituição responsável por condu-
zir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de in-
vestigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que
conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos,
em meio físico ou digital) e a Súmula Vinculante 14, cujo teor é: "É
direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento inves-
tigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária,
digam respeito ao exercício do direito de defesa:'
Perceba que na presente questão, houve decretação pelo juiz de
sigilo.
Como se sabe uma das características do inquérito policial é a
sua sigilosidade, o que significa que qualquer do povo n ão pode ter
acesso às suas informações. É também sabido que esta sigilosidade,
em regra, não alcança o advogado, que pode ter acesso mesmo sem
procuração.
Acontece que, em muitas situações, o juiz pode decretar a sigi-
losidade em maior grau, quando há documentos sigilosos nos autos,
como, por exemplo, extrato bancário dos envolvidos, interceptação te-
lefônica, etc. Nestes casos, para que o advogado tenha acesso, torna-se
necessária a juntada de procuração nos autos.

PAULO M ACHADO 71
1Pemf
l;filM;I Eticae

O§ 1O do art. 7°, com a redação dada pela Lei 13.245/16, dispõe que: "nos
autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o
exercício dos direitos de que trata o inciso XIV:'

GABARITO: B

(FGV - XVI Exame de Ordem) Isabel la, advogada atuante na área pública, é pro-
curada por cliente que deseja contratá-la e que informa a existência de processo
já terminado, no qual foram debatidos fatos que poderiam interessar à nova cau-
sa. Antes de realizar o contrato de prestação de serviços, requer vista dos autos
findos, não anexando instrumento de mandato.
Nesse caso, consoante o Estatuto da Advocacia, a advogada pode

A) ter vista dos autos somente no balcão do cart ório.


B) ter vista dos autos no local onde se arquivam os autos.
C) retirar os autos de cartório por dez dias.
D) retirar os autos, se anexar instrumento de mandato.

Q Comentário:

O art. 7°, XVI do EOAB traz como um dos direitos do advogado


retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo
de 10 (dez) dias.

GABARITO: (

(FGV - XVI Exame de Ordem) O advogado Antônio participava do julgamento


de recurso de apelação por ele interposto. Ao proferir seu voto, o Relator acusou
o advogado Antônio de ter atuado de forma antiética e de ter tentado induzir
os julgadores a erro. Em seguida, com o objetivo de se defender das acusações
que lhe haviam sido dirigidas, Antônio solicitou usar da palavra, pela ordem, por
mais cinco minutos, pleito que veio a ser indeferido pelo Presidente do órgão
julgador.

72 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTIC;\ • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMMI
A respeito do direito de Antônio usar a palavra novamente, assinale a afirmativa
correta.

A) Não é permitido o uso da palavra por advogado em julgamentos de recursos


de apelação.
B) É direito do advogado usar da palavra, pela ordem,mediante intervenção su-
mária, para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.
C) É direito do advogado intervir, a qualquer tempo e por qualquer motivo, du-
rante o julgamento de processos em que esteja constituído.
D) O uso da palavra, pela ordem, mediante intervenção sumária, somente é per-
mitido para o esclarecimento de questões fáticas.

Q Comentários:

O art. 7°, X, do EAOAB diz que é direito do advogado usar da pa-


lavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante interven-
ção sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação
a fatos, documentos ou afirmações que influam no julgamento, bem
como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas.

GABARITO: B

(FGV - XIII Exame de Ordem) Agnaldo é advogado na área de Direito de Em-


presas, tendo como uma de suas clientes a sociedade Cobradora Eficiente Ltda.,
que consegue realizar os seus atos de cobrança com rara eficiência. Por força de
sua atividade, a sociedade é convidada a participar de reunião com a Associação
dos Consumidores Unidos e envia o seu advogado para dialogar com a referida
instituição.
Consoante o Estatuto da Advocacia, deve o advogado comparecer

A) à reunião com seu cliente, responsável pela empresa.


B) desacompanhado, com procuração com poderes ad juditia.
C) à reunião, com mandato outorgado com poderes especiais.
D) ao local sem a presença do cliente e sem mandato.

PAULO M ACHADO 73
1f)emf
CHl=i·f Eticae

Q Comentários:

Há muitos atos que o advogado pode praticar sem procuração,


como, por exemplo, visitar cliente preso, tirar cópia de autos de inqué-
rito policial etc.
Com a procuração com poderes gerais, o advogado pode praticar
os mais variados atos, desde que a lei não exija poderes especiais.
A questão exigiu o conhecimento de uma das hipóteses de exi-
gência de procuração com poderes especiais, que é ingressar livre-
mente em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa
participar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde
que munido de poderes especiais (art. 7°, VI, d, do EAOAB).

GABARITO:(

CAPÍTULO Ili
DA INSCRIÇÃO

Art. 8°. Para inscrição como advogado é necessário:


1- capacidade civil;

li - diploma ou certidão de graduação em direito, obtido


em instituição de ensino oficialmente autorizada e creden-
ciada;

Ili - o título de eleitor e quitação do serviço militar, se bra-


sileiro;

IV - aprovação em Exame de Ordem;


V - não exercer atividade incompatível com a advocacia;
VI - idoneidade moral;

74 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


10em
Éticae MHll·M
VII - prestar compromisso perante o Conselho.
§ 1° O Exame de Ordem é regulamentado em provimento
do Conselho Federal da OAB.
§ 2° O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em
direito no Brasil, deve fazer prova do título de graduação,
obtido em instituição estrangeira, devidamente revalida-
do, além de atender aos demais requisitos previstos neste
artigo.
§ 3° A inidoneidade moral, suscitada por qualquer pessoa,
deve ser declarada mediante decisão que obtenha no mí-
nimo dois terços dos votos de todos os membros do Con-
selho competente, em procedimento que segue os termos
do processo disciplinar.
§ 4° Não atende ao requisito de idoneidade moral aquele
que tiver sido condenado por crime infamante, salvo rea-
bilitação judicial.

Art. 9°. Para inscrição como estagiário é necessário:


1- preencher os requisitos mencionados nos incisos 1, Ili, V,
VI e VII do art. 8°;
li - ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.
§ 1° O estágio profissional de advocacia, com duração de
dois anos, realizado nos últimos anos do curso jurídico,
pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino
superior, pelos Conselho da OAB, ou por setores, órgãos ju-
rídicos e escritórios de advocacia credenciados pela OAB,
sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de
Ética e Disciplina.
§ 2° A inscrição do estagiário é feita no Conselho Seccional
em cujo território se localize seu curso jurídico.
§3° O aluno de curso jurídico, que exerça atividade incom-
patível com a advocacia pode freqüentar o estágio minis-

PAULO M ACHADO 75
1Pemf
IM!i·M Eticao

trado pela respectiva instituição de ensino superior, para


fins de aprendizagem, vedada a inscrição na OAB.
§ 4° O estágio profissional poderá ser cumprido por bacha-
rel em Direito que queira se inscrever na Ordem.

Çl COMENTÁRIOS

0 QUADROS DA OAB

A OAB possui dois quadros .de inscritos: o quadro de advogados


e o quadro de estagiários.
A palavra "advogado" vem do latim (advocatus). Ad significa
"para junto" e vocatus quer dizer "chamado': Advocatus é aquele que é
chamado para junto (para representar quem o constituir).

0 QUADRO DE ADVOGADOS

lll> Requisitos para inscrição com advogado

Os requisitos necessários para inscrição no quadro de advogados


estão no art. 8° do Estatuto. Vejamos:

1- capacidade civil

A capacidade civil aqui referida é a capacidade civil plena, que


nos termos da legislação civil se adquire aos dezoito anos completos
(art. 5° do Código Civil). Essa capacidade civil pode ser comprovada
com a apresentação da carteira de identidade.
Para o preenchimento desse requisito, presume-se que a pessoa é
capaz civilmente com a simples prova de sua maioridade.

76 EDITORA ARMADOR J 10 EM ÉTICA • 4 • EDIÇAO


1Pemf
EticaE'.)
IMii'M
Não é demais lembrar que, em algumas situações, o menor pode
ser emancipado, cessando sua incapacidade, através da colação de
grau em curso de nível superior, nos termos do art. 5°, parágrafo úni-
co, IV, do Código Civil. E, nesse caso, o curso deve ser o de Direito e a
comprovação dar-se-á com o diploma.

li - diploma ou certidão de graduação em Direito obtida em instituição de


ensino oficialmente autorizada e credenciada

O atual Estatuto possibilitou a apresentação de certidão de gra-


duação em Direito, na falta do diploma. Isso ocorre em razão de o
diploma, em determinadas situações, demorar a ser expedido, o que
impossibilita a inscrição daquele que já colou grau em Direito.
Além desse requisito expresso no inciso II do art. 8° do Estatuto,
o art. 23 do Regulamento Geral condicionou o suprimento da falta do
diploma à apresentação da certidão de graduação em Direito desde
que acompanhada da cópia autenticada do histórico escolar. Assim,
deve o candidato apresentar o diploma ou, se não o tiver, a certidão
de graduação em Direito mais o histórico escolar devidamente auten-
ticado.

Ili - título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro.

Esse requisito permaneceu no atual Estatuto. Atente-se que a


redação determina que para inscrição como advogado é necessário
apresentar o título de eleitor e provar a quitação do serviço militar, se
brasileiro. A contrario sensu - e por razões óbvias - se brasileira for,
somente deve ser apresentado o título de eleitor e, se estrangeiro, nem
título de eleitor, nem quitação do serviço militar.
Sobre a inscrição de estrangeiros e brasileiros graduados em ou-
tro país comentaremos mais abaixo.

IV - aprovação no Exame da Ordem

PAULO MACHADO 77
.,,., 1Pemf
Eticae

Conforme expressamente dito pelo art. 8°, § 1°, do Estatuto, o


Exame da Ordem será regulamento por provimento do Conselho Fe-
deral da OAB.
O Exame já foi regulamentado por vários provimentos: 81/96,
109/05 e 136/09. Atualmente o Exame da Ordem é regulamentado
pelo Provimento 144/ l l.
O Exame da Ordem pode ser prestado por bacharéis em Direi-
to, inclusive por aqueles que exercem atividades incompatíveis com a
advocacia, a exemplo dos policiais, dos técnicos de atividade judiciá-
ria e dos prefeitos, ficando, entretanto, impossibilitados de exercer a
atividade de advocacia enquanto estiverem incompatibilizados. Neste
caso, a aprovação no Exame na Ordem tem validade por prazo inde-
terminado, podendo estes obter a inscrição no quadro de advogado
após a desincompatibilização.

V - não exercer atividade incompatível com a advocacia

A expressão "atividade incompatível" está relacionada à atividade


profissional da pessoa. O art. 28 do EAOAB traz num rol taxativo (nu-
merus clausus) as atividades incompatíveis.
Uma pessoa que exerce atividade incompatível com a advocacia
pode prestar o Exame da Ordem, mas, caso venha a ser aprovada, não
poderá se inscrever no quadro de advogados enquanto estiver incom-
patibilizada.

VI - ido neidade moral

O EAOAB não define o que vem a ser idoneidade moral. Alguns


autores se referem à condição do indivíduo honesto, probo ou escru-
puloso.
Para Paulo Lôbo, "os parâmetros não são subjetivos, mas decor-
rem da aferição objetiva de standards ou topoi valorativos que se cap-

78 folTORA ARMADOR [ 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇAO


1!)emf
Eticaca l+fiii'M
tam na comunidade profissional, no tempo e no espaço, e que contam
com o máximo de consenso na consciência jurídica:'
Como a idoneidade moral é um requisito para a inscrição na
OAB, caso venha o advogado futuramente ser considerado inidôneo
moralmente sofrerá a penalidade de exclusão dos quadros da OAB,
somente podendo retornar após o deferimento do pedido de reabilita-
ção (vide art. 41 e parágrafo único do Estatuto).
A inidoneidade moral, antes ou depois da inscrição, pode ser
suscitada por qualquer pessoa, sendo declarada mediante decisão que
alcance, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos votos de todos os membros
do Conselho competente, em procedimento que segue os trâmites do
processo disciplinar.
A lei traz uma hipótese expressa de inidoneidade moral: prática
de crime infamante, salvo se já tenha sido reabilitado judicialmente
(vide arts. 93 a 95 do Código Penal).

VII - prestar compromisso perante o Conselho

Esse compromisso é o juramento que dever ser feito pelo reque-


rente por ocasião do recebimento da carteira e do cartão de advogado.
Trata-se de um requisito solene e personalíssimo, portanto, inde-
legável. Não se pode prestar o compromisso por procuração, devendo
o requerente comparecer pessoalmente.
Esse compromisso encontra-se no art. 20 do Regulamento Geral.
Note que as finalidades da OAB e o compromisso ético são passados
ao advogado neste momento:

"Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar


a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição,
a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça
social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aper-
feiçoamento da cultura e das instituições jurídicas:'

P AU LO M ACHADO 79
1Pemf
Mii·M Eticao

Além dos requisitos arrolados no art. 8° do Estatuto, o art. 20, §


2°, do Regulamento Geral, trouxe mais uma exigência: não praticar
conduta incompatível com a advocacia.
Cabe aqui esclarecer a diferença entre atividade incompatível e
conduta incompatível. A primeira, como acima explicado, está relacio-
nada à atividade profissional (art. 28 do EAOAB) da pessoa: atividade
policial, cargos ou funções vinculados direta ou indiretamente a qual-
quer órgão do Poder Judiciário, militares de qualquer natureza (na
ativa), etc.; a segunda, refere-se à vida pessoal (social) do indivíduo,
como por exemplo, a embriaguez e a toxicomania habituais, a prática
reiterada de jogo de azar não autorizado por lei, a incontinência públi-
ca e escandalosa (art. 34, parágrafo único, do EAOAB).
A respeito disso, entendemos que somente a lei (e a lei é a 8.906/94
- Estatuto da Advocacia e da OAB) pode determinar os requisitos ne-
cessários ao exercício da advocacia, pois a Constituição, no art. 5°,
XIII, ao tratar do princípio da liberdade de profissão, assim impôs: "é
livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer".
Assim, no que pese a relevância e a obrigatoriedade do respeito
ao Regulamento Geral por todos os advogados e membros da OAB,
o RG não é lei, é ato normativo emanado pelo Conselho Federal da
OAB.
Comunga do mesmo posicionamento Geronimo Theml de Ma-
cedo em Deontologia Jurídica (Coleção Tópicos de Direito, volume 12,
Editora Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2009, página 50): "tal acréscimo
trazido pelo Regulamento Geral da OAB é ilegal, pois as normas regu-
lamentadoras devem se ater aos limites das normas regulamentadas;
no nosso caso, o Regulamento Geral deve se limitar ao que dispõe o
Estatuto da Advocacia e da OAB".
Sobre a questão da reserva legal, Flávia Bahia Martins, em Direito
Constitucional (Editora Impetus, Niterói, Rio de Janeiro, 2009), dis-
corre sobre o assunto:

80 E DITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticae IMii·M
"A Constituição assegura a plena liberdade profissional, exceto quando a
lei determinar a satisfação de certos requisitos, como é o caso da compro-
vação de três anos de atividade jurídica para quem pretender ingressar na
carreira da magistratura ou d o Ministério Público (art. 93, 1, e 129, § 3°, da
CF, respectivamente), ou ainda, da prova exigida pela Ordem dos Advo-
gados do Brasil para o exercício da advocacia. Ressalte-se que a restrição
deve ser feita por lei (reserva de lei) e tem que ser proporcional à natureza
da função a ser exercida:'

De toda forma, para aqueles que se preparam para provas com


questões objetivas, em especial, para o Exame da Ordem, aconselha-
mos que sigam o disposto no art. 20, § 2°, do Regulamento Geral, ou
seja: "a conduta incompatível com a advocacia, comprovadamente im-
putável ao requerente, impede a inscrição no quadro de advogados':

.,. Requisitos para inscrição como estagiário

O estágio profissional, com duração de dois anos, realizado nos


últimos anos da faculdade de Direito, pode ser mantido pelas insti-
tuições de ensino superior, pelos Conselhos Seccionais da OAB ou,
ainda, por setores, órgãos jurídicos e escritórios de advocacia creden-
ciados pela OAB.
A inscrição do estagiário deve ser realizada no Conselho Seccio-
nal do estado onde se localiza o seu curso jurídico, e não naquele que
tenha seu domicílio civil, na eventualidade de serem diferentes.
Podem inscrever-se o aluno de Direito (a partir dos últimos dois
anos do curso jurídico) ou o bacharel em Direito que assim desejarem
e preencherem os requisitos mencionados no art. 9° do Estatuto.
Exige o art. 9° que o requerente preencha alguns dos requisitos do
art. 8°, também do EAOAB:
a) capacidade civil;
b) título de eleitor e quitação de serviço militar, se brasileiro;
c) não exercer atividade incompatível com a advocacia;

PAULO M ACHADO 81
1!)emf
Cftii·M Eticae

d) idoneidade moral;
e) prestar compromisso perante o Conselho.

Além desses requisitos, o candidato deve ter sido admitido em


estágio profissional de advocacia.
O acadêmico de Direito que exerce atividade incompatível com
a advocacia (policial, técnico de atividade judiciária, militar das For-
ças Armadas, por exemplo) pode frequentar o estágio ministrado pela
respectiva instituição de ensino para fins de aprendizagem, sendo
proibida a inscrição na OAB (art. 9°, § 3°, EAOAB).

~ Inscrição para estrangeiros ou brasileiros graduados fora do


país

Não vigora no atual Estatuto (Lei nº 8.906/94) o princípio da reci-


procidade, no qual o estrangeiro somente poderá exercer a advocacia
no Brasil, se o brasileiro tiver igual tratamento no país de origem da-
quele estrangeiro.

O art. 8°, § 2°, do EAOAB, determina que o estrangeiro ou obra-


sileiro, quando graduados em Direito fora do país, podem inscrever-
-se no quadro de advogados da OAB. Para isso deve ser feita a prova
do título de graduação em Direito, obtido pela instituição de ensino
estrangeira, devidamente revalidado, bem como preencher os requisi-
tos indicados nos incisos do art. 8° do Estatuto.
De acordo com o Provimento nº 91/2000 do Conselho Federal
da OAB é possível que o advogado estrangeiro preste tais serviços no
Brasil, desde que regularmente admitido em seu país a exercer a advo-
cacia e após a autorização dada pelo Conselho Seccional da OAB do
estado onde for exercer sua atividade profissional. Ressalte-se que tal
autorização será concedida sempre em caráter precário e o exercício
da advocacia se restringe, exclusivamente, à prática de consultoria em

82 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f}emf
Eticao

'ª''''
direito do país de origem, sendo vedados, mesmo em conjunto com
advogados ou sociedades de advogados nacionais, o exercício do pro-
curatório judicial e a consultoria ou assessoria em direito brasileiro.
Para tanto, deve se inscrever no quadro de advogados, depois de pre-
encher as exigências do art. 8°, § 2°, do EAOAB.
Existe uma exceção trazida pelo Provimento nº 129/2008: os ad-
vogados de nacionalidade portuguesa, desde que em situação regular
junto à Ordem dos Advogados Portugueses, poderão se inscrever no
quadro de advogados da OAB com dispensa dos requisitos de aprova-
ção no Exame da Ordem, de revalidação do diploma e da prestação de
compromisso perante o Conselho ("juramento").

Art. 1O. A inscrição principal do advogado deve ser feita


no Conselho Seccional em cujo território pretende estabe-
lecer o seu domicílio profissional, na forma do Regulamen-
to Geral.
§ 1º Considera-se domicílio profissional a sede principal da
atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domi-
cílio da pessoa física do advogado.
§ 2° Além da principal, o advogado deve promover a inseri-
. ção suplementar nos Conselhos Seccionais em cujos terri-
tórios passar a exercer habitualmente a profissão, conside-
rando-se habitualidade a intervenção judicial que exceder
de cinco causas por ano.
§ 3° No caso de mudança efetiva de domicílio profissional
para outra unidade federativa, deve o advogado requerer
a transferência de sua inscrição para o Conselho Seccional
correspondente.
§ 4° O Conselho Seccional deve suspender o pedido de
transferência ou de inscrição suplementar, ao verificar a
existência de vício ou ilegalidade na inscrição principal,
contra ela representando ao Conselho Federal.

PJ.UI.O MACHADO 83
1Pemf
IMl1•i Eticae

ÇJ COMENTÁRIOS

0 TIPOS DE INSCRIÇÃO

O Estatuto prevê três tipos de inscrição para advogados (prin-


cipal, suplementar e por transferência) e um tipo para os estagiários
(inscrição de estagiário).

a) Inscrição principal
Obtida a aprovação no Exame, e caso a pessoa não exerça ativi-
dade incompatível com a advocacia (art. 28 do EAOAB), a inscrição
principal deve ser feita no Conselho Seccional em cujo estado preten-
de estabelecer seu domicílio profissional. O Estatuto da Advocacia e da
OAB considera domicílio profissional a sede principal da atividade de
advocacia, prevalecendo, na dúvida, o domicílio da pessoa física do
advogado (domicílio civil).
Com a inscrição principal, o advogado pode exercer livremente
(ilimitadamente) a profissão no Estado-membro (ou no Distrito Fede-
ral) respectivo e, eventualmente (limitadamente), em qualquer outro
Estado do país. Passando a exercer a advocacia com habitualidade na
área de outro Conselho Seccional, será obrigado a fazer outra inscri-
ção naquele local. Chama-se inscrição suplementar.

b) Inscrição suplementar
A inscrição suplementar é outra inscrição que deve ser feita pelo
advogado quando passa a exercer a advocacia habitualmente em outro
estado, diverso daquele onde tem a inscrição principal. O art. 10, § 2°,
do Estatuto da Advocacia considera habitualidade a intervenção judi-
cial que exceder de cinco causas por ano.

84 E DITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
Ética•

Nesse ponto, alguns aspectos devem ser evidenciados:


O primeiro é em relação à expressão "mais de cinco causas por
ano': que pode dar ensejo a duas interpretações: (1) mais de cinco cau-
sas em andamento ou (2) mais de cinco causas distribuídas por ano.
Adotando-se aquele entendimento, caso um advogado, que tenha ins-
crição principal no Conselho Seccional do Rio de Janeiro, passasse a
atuar em cinco causas em São Paulo no ano de 2009 e, no ano seguinte,
distribuísse mais uma causa, ficando agora com 6 causas em anda-
mento, seria obrigado a fazer uma inscrição suplementar no Conselho
Seccional de São Paulo. Esse é o entendimento adotado por Geronimo
Theml de Macedo. Seguindo a outra interpretação, no mesmo exem-
plo acima citado, não haveria necessidade de o advogado providen-
ciar a inscrição suplementar em São Paulo, uma vez que ele teve cinco
causas em 2009 e apenas uma em 2010. Neste caso, ele somente teria
de fazer a suplementar se num mesmo ano passasse a atuar em seis ou
mais causas novas, podendo, perfeitamente, ter cinco causas em 2009
mais cinco causas em 2010, mesmo que as antigas (de 2009) não te-
nham se encerrado, totalizando 1O causas em andamento. Somos por
esta última interpretação, principalmente porque o legislador parece
ter sido bem claro quando determinou que a habitualidade é aferida
com mais de cinco causas por ano. Esse parece ter sido também o en-
tendimento do Conselho Federal da OAB quando decidiu no processo
nº 0136/1997 (DJ 08.07.97) que "intervenção, para fins do art. 10, do
Estatuto, é sempre a primeira, sendo irrelevante o acompanhamento
nos anos subseqüentes".
É de salientar, ainda, que nos casos de procurações conjuntas ou
de substabelecimento recebido com reserva de poderes, somente se-
rão computadas as causas em que o advogado, efetivamente, passar
atuar, assinando petições, fazendo audiências, etc.
Outro aspecto relevante é acerca da expressão "intervenção judi-
cial", que consta no art. 10, § 2°, do Estatuto. Desse modo, não contam
para fins de habitualidade as intervenções extrajudiciais. O art. 1°, e

PAULO M ACHADO 85
1f)emf
IMM1•i Eticae

seu§ 2°, do Estatuto determinam que são atos privativos de advoga-


do a assessoria, consultoria e direção jurídicas, bem como o visto nos
atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas para registro nos
órgãos competentes. Assim, o advogado que tem inscrição principal,
por exemplo, no Conselho Seccional do Rio de Janeiro pode elaborar
mais de cinco - e muito mais - pareceres jurídicos na Bahia, sem a ne-
cessidade de fazer a inscrição suplementar.
Também não se deve contar o acompanhamento de cartas pre-
catórias em outro estado. A carta precatória é um ato processual de
comunicação, não exigindo do advogado inscrição suplementar no
Conselho Seccional, mesmo sendo superior a cinco. A respeito, já se
manifestou o Conselho Federal da OAB na mesma consulta supra-
citada (processo nº 0136/ 1997, DJ 08.07.97): ''A defesa em processos
administrativos, em inquéritos policiais, o visto em contratos consti-
tutivos de pessoas jurídicas, a impetração de habeas corpus e o simples
cumprimento de cartas precatórias não constituem intervenção judi-
cial para os efeitos do art. 10, § 2°:'
Em relação aos recursos para tribunais localizados fora do Esta-
do, Paulo Lôbo, em "Comentários ao Estatuto da Advocacia e da OAB
(página 110), diz que "não se entende, evidentemente, no sentido de
causa os recursos decorrentes e processados em tribunais localizados
fora do território da sede principal': E completa o assunto: ''A insta-
lação ou participação em escritórios de advocacia ou vínculo perma-
nente a setor jurídico de empresa ou entidade pública fazem presumir
a habitualidade da profissão, deixando de ser eventual". Na primeira
parte, é o caso dos recursos para o STJ, STF, TST, TSE, STM ou TRF,
quando sediados fora do local de inscrição do advogado, não se exi-
gindo outra inscrição.

e) Inscrição por transferência


A inscrição por transferência deve ser feita pelo advogado quan-
do houver mudança efetiva de seu domicílio profissional para outra
unidade federativa.

86 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4' EDIÇÃO


1f)emf
EticaQ
dlfl
Difere-se da inscrição suplementar, porque nesta o advogado
permanece com a inscrição principal. Com a transferência da inscri-
ção, a principal é cancelada.
Por determinação do art. 10, § 4°, do Estatuto, o Conselho Sec-
cional deve suspender o pedido de inscrição suplementar ou de trans-
ferência ao verificar a existência de vício ou ilegalidade na inscrição
principal, representando contra ela ao Conselho Federal.

LICENÇA E CANCELAMENTO

Art. 11. Cancela-se a inscrição do profissional que:


1- assim o requerer;
li - sofrer penalidade de exclusão;
Ili - falecer;
IV - passar a exercer, em caráter definitivo atividade in-
compatível com a advocacia;
V - perder qualquer um dos requisitos necessários para ins-
crição.
§ 1° Ocorrendo uma das hipóteses dos incisos li,
Ili e IV, o
cancelamento deve ser promovido, de ofício, pelo Conse-
lho competente ou em virtude de comunicação por qual-
quer pessoa.
§ 2° Na hipótese de novo pedido de inscrição - que não res-
taura o número da inscrição anterior - deve o interessado
fazer prova dos requisitos dos incisos 1, V, VI e VII do art. 8°.
§ 3° Na hipótese do inciso li deste artigo, o novo pedido
de inscrição também deve ser acompanhado de provas de
reabilitação.

Art. 12. Licencia-se o profissional que:

PAULO M ACHADO 87
1Pemf
Ntfilfl Eticae

1- assim requerer, por motivo justificado;


li - passar a exercer, em caráter temporário· atividade in-
compatível com o exercício da advocacia;
Ili - sofrer doença mental considerada curável.

Art. 13. O documento de identidade profissional, na for-


ma prevista no Regulamento Geral, é de uso obrigatório
no exercício da atividade de advogado ou de estagiário e
constitui prova de identidade civil para todos os fins legais.

Art. 14. É obrigatória a indicação do nome e do número


de inscrição em todos os documentos assinados pelo ad-
vogado, no exercício de sua atividade.
Parágrafo único. É vedado anunciar ou divulgar qualquer
atividade relacionada com o exercício da advocacia ou o
uso da expressão "escritório de advocacia'~ sem indicação
expressa do nome e do número de inscrição dos advoga-
dos que o integrem ou número de registro da sociedade
de advogados na OAB.

LICENÇA E CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO

A licença e o cancelamento, por razões óbvias, são institutos que


ocorrem após a inscrição nos quadros da OAB. O Estatuto trata do
assunto nos artigos 11 e 12.

.,.. Licença

A licença significa o afastamento do advogado do exercício pro-


fissional, quando ocorrer qualquer uma das hipóteses do art. 12 do
Estatuto. Durante o prazo do licenciamento, caso o advogado pratique
qualquer ato de advocacia, o ato será nulo (art. 4° e parágrafo único,
EAOAB).

88 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1f)emf
Eticae
MMMCM
Na licença, não será cobrada anuidade e o profissional não pre-
cisará votar (nem justificar porque não votou), caso haja eleição na
OAB no período correspondente. Com a licença, o número de inscri-
ção será mantido quando do seu retorno à atividade.
Será licenciado o advogado que:

a ) assim o requerer por motivo justificado.


De um modo geral, os advogados preferem a licença ao cance-
lamento. Uma, porque o número continua o mesmo; outra, porque
para retornar é mais fácil e mais rápido. No cancelamento, deverá ser
feito um novo requerimento, aguardar a confecção de nova carteira e o
número de inscrição passa a ser outro, tendo, ainda, que prestar novo
juramento.
Para licenciar-se, o requerimento deve vir acompanhado de um
motivo justificado, que será analisado pela OAB (viagem ao exterior
para fazer um curso de extensão em Direito e doença grave, por exem-
plo). Caso não haja comprovação de justo motivo, a inscrição poderá
ser cancelada por simples solicitação do advogado.

b) passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em


caráter temporário.
As atividades incompatíveis estão arroladas no art. 28 do Esta-
tuto, sendo algumas delas em caráter permanente, outras em caráter
temporário. É temporária, por exemplo, a atividade de Chefe do Poder
Executivo. Assim, o advogado que for eleito Presidente da República,
Governador ou Prefeito ficará licenciado, ficando, portanto, impossi-
bilitado de exercer a advocacia durante o período do mandato.

c) sofrer doença mental considerada curável.


Não há no Estatuto um rol de quais as doenças mentais se enqua-
dram nessa hipótese, devendo a expressão ser remetida à área médica.

P AU LO M ACHADO 89
1[Jemf
0111 Eticao

Para o nosso estudo, enquanto durar a enfermidade mental curável, o


advogado ficará licenciado.

~ Cancelamento

O cancelamento, por sua vez, enseja a saída do advogado dos qua-


dros da OAB. Em outras palavras, ele passa a não mais ser advogado.
Caso o advogado faça um novo pedido de inscrição deve fazer
prova dos requisitos dos incisos I, V, VI e VII do art. 8° do Estatuto,
que são, respectivamente: capacidade civil; não exercer atividade in-
compatível com a advocacia; idoneidade moral e prestar compromisso
perante o Conselho, não precisando prestar novo Exame da Ordem.
O número antigo não será restaurado, ficando para dados históricos
daOAB.
A inscrição será cancelada se advogado:

a) assim requerer;
Diferentemente do que ocorre no requerimento de licença, no
pedido de cancelamento não há de ser apresentado um motivo justi-
ficado.

b) sofrer penalidade de exclusão;


A exclusão é a sanção disciplinar mais grave aplicada pela OAB.
Com a exclusão, ocorrerá, automaticamente, o cancelamento da ins-
crição. Um novo pedido de inscrição deve vir acompanhado de provas
de reabilitação (art. 41 e parágrafo único do EAOAB).

e) falecer;
Em caso de falecimento do advogado, o cancelamento será pro-
movido ex officio pelo Conselho competente ou por meio de comuni-
cação por qualquer pessoa.

90 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4 3 EDIÇÃO


1Pemf
Eticae MMMCM
d) passar a exercer atividade incompatível com a advocacia em
caráter definitivo.
As atividades incompatíveis encontram-se no art. 28 do EAO-
AB, sendo algumas delas em caráter permanente, outras em caráter
temporário. São de natureza definitiva, por exemplo, as atividades de
membro do Poder Judiciário e de membro do Ministério Público. As-
sim, o advogado que for aprovado em concurso público de provas e
títulos para a magistratura deverá cancelar sua inscrição na OAB.
Esclareça-se que, embora o juiz possa voltar ao exercício da ad-
vocacia após sua aposentadoria ou exoneração, respeitado o prazo de
três anos para o juízo ou tribunal do qual se afastou (art. 95, parágra-
fo único, V, da Constituição Federal), a atividade aqui referida tem
natureza permanente, ensejando o cancelamento, diferentemente dos
mandados eletivos, dos cargos em comissão e dos cargos exoneráveis
ad nutum.

e) perder qualquer um dos requisitos necessários para a ins-


crição.
Tais requisitos são aqueles do art. 8° do Estatuto. Se o interessado
precisa preenchê-los para fazer a inscrição, uma vez perdido qualquer
deles, deverá a mesma ser cancelada.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XIX Exame de Ordem) Victor nasceu no Estado do Rio de Janeiro e for-
mou-se em Direito no Estado de São Paulo. Posteriormente, passou a residir, e
pretende atuar profissionalmente como advogado, em Fortaleza, Ceará. Porém,
em razão de seus contatos no Rio de Janeiro, foi convidado a intervir também
em feitos judiciais em favor de clientes nesse Estado, cabendo-lhe patrocinar seis
causas no ano de 2015.

PAULO MACHADO 91
1f)emf
IMIII Eticao

Diante do exposto, assinale a opção correta.

A) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho Seccional de


São Paulo, já que a inscrição principal do advogado é feita no Conselho Sec-
cional em cujo território se localize seu curso jurídico. Além da principal, Vic-
tor terá a faculdade de promover sua inscrição suplementar nos Conselhos
Seccionais do Ceará e do Rio de Janeiro, onde pretende exercer a profissão.
B) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho Seccional do
Rio de Janeiro, pois o Estatuto da OAB determina que esta seja promovida no
Conselho Seccional em cujo território o advogado exercer intervenção judi-
cial que exceda três causas por ano. Além da principal, Victor poderá promo-
ver sua inscrição suplementar nos Conselhos Seccionais do Ceará e de São
Paulo.
C) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho Seccional do
Ceará. Isso porque a inscrição principal do advogado deve ser feita no Conse-
lho Seccional em cujo território pretende estabelecer o seu domicílio profis-
sional. A promoção de inscrição suplementar no Conselho Seccional do Rio
de Janeiro será facultativa, pois as intervenções judiciais pontuais, como as
causas em que Victor atuará, não configuram habitualidade no exercício da
profissão.
D) A inscrição principal de Victor deve ser realizada no Conselho Seccional do
Ceará. Afinal, a inscrição principal do advogado deve ser feita no Conselho
Seccional em cujo território ele pretende estabelecer o seu domicílio profis-
sional. Além da principal, Victor deverá promover a inscrição suplementar no
Conselho Seccional do Rio de Janeiro, já que esta é exigida diante de inter-
venção judicial que exceda cinco causas por ano.

ÇJ Comentários:

Nos termos do art. 10 do EAOAB, a inscrição principal deve ser


feita no Conselh o Seccion al onde o advogado for estabelecer seu do-
micílio profissional, ou seja, onde exercerá a advocacia com h abituali-
dade. Na dúvida, deve prevalecer o domicílio da pessoa física.

92 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇAO


1f)emf
Eticao I MMII
Passando a exercer a advocacia com habitualidade também em
outro estado (mais de 5 causas por ano), deverá providenciar sua ins-
crição suplementar, nos termos do art. 1O, § 2°, do EAOAB.

GABARITO: D

(FGV - IX Exame de Ordem) Sávio, aluno regularmente matriculado em Escola


de Direito, obtém a sua graduação e, logo a seguir, aprovação no Exame de Or-
dem. Por força de movimento grevista na sua instituição, o diploma não pode ser
expedido. A respeito da inscrição no quadro de advogados, consoante as normas
do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa
correta.
A) O diploma é essencial para a inscrição nos quadros da Ordem dos Advoga-
dos.
B) O bacharel, diante do impedimento de apresentar o diploma, deve apresen-
tar declaração de autoridade certificando a conclusão do curso.
C) A Ordem, diante do movimento grevista comprovado, poderá acolher decla-
ração de próprio punho do requerente afirmando ter obtido grau.
D) O bacharel em Direito deve apresentar certidão de conclusão de curso e his-
tórico escolar autenticado.

Q Comentários:

Embora o art. 8°, II, do EAOAB determine que, para inscrição


como advogado, deverá o candidato apresentar diploma ou certidão
de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente
autorizada e credenciada, o art. 23 do RG exige também, na falta de
diploma regularmente registrado, a certidão de graduação em direito,
acompanhada de cópia autenticada do respectivo histórico escolar.

GABARITO: D

PAULO M AC HADO 93
1!)emf
IMMII Eticae

(FGV - IX Exame de Ordem - lpatinga) João, após aprovação em Exame de Or-


dem, apresenta os documentos exigidos para inscrição nos quadros da Ordem
dos Advogados do Brasil. Após sua regular inscrição, a instituição universitária
que João informou ter cursado, comunicou à OAB que não havia, nos seus re-
gistros, qualquer referência a ele. Em razão disso, foi instaurado processo ad-
ministrativo para apurar se o advogado havia efetivamente colado grau. Após
o devido processo legal, ficou confirmado que João, efetivamente, não lograra
êxito no curso de Direito. Diante dessa narrativa, à luz da legislação aplicável aos
advogados, assinale a afirmativa correta.
A) O advogado será apenado com a suspensão do exercício das atividades até
apresentar certidão de colação de grau.
B) O advogado será advertido e não poderá exercer a profissão até regularizar
sua situação.
C) O advogado terá cancelada sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil.
D) O advogado não será apenado porque o curso do tempo convalidou os seus
atos sendo considerado rábula.

ÇJ Comentários:

O fato de o advogado João ter feito uma falsa prova de um dos


requisitos necessários para a inscrição na OAB, que foi o diploma, dá
ensejo à punição de exclusão (art. 38, I, do EAOAB, com o consequen-
te cancelamento da sua inscrição (art. 11, II, do EAOAB).

GABARITO: C

(FGV - IX Exame de Ordem - lpatinga) Mareio, advogado com inscrição regular,


passou a exercer atividade incompatível com a advocacia e, por força disso, teve
sua inscrição cancelada. Após sua aposentadoria no cargo que gerava a incom-
patibilidade requereu o seu retorno aos quadros da OAB. Assinale a alternativa
que indica o requisito exigido pelo Estatuto para a inscrição nesse caso.

94 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae Cftiil
A) Diploma de graduação em Direito.
B) Certificado de reservista.
C) Compromisso perante o Conselho.
D) Título de eleitor.

Q Comentários:

Se o advogado já foi inscrito na OAB, mas teve que cancelar sua


inscrição para exercer atividade incompatível com a advocacia em ca-
ráter definitivo, quando deixar de exercer tal cargo e quiser se inscre-
ver novamente, terá que ser pedida uma nova inscrição. A inscrição
antiga não se restaura. Para isso terá que prestar um novo compromis-
so (juramento), eis que está passando a integrar novamente os quadros
da OAB. Os demais documentos indicados nas alternativas já estão na
OAB, desde sua primeira inscrição.

GABARITO: (

(FGV - VI Exame de Ordem - Duque de Caxias) O Bacharel em Direito, após


aprovação no Exame de Ordem, deve apresentar cópia do diploma. Caso ele não
tenha sido expedido, segundo as normas do Regulamento Geral do Estatuto da
Advocacia e da OAB,
A) ocorrerá a inscrição provisória como advogado.
B) não poderá ocorrer a inscrição até expedido o diploma.
C) pode apresentar certidão de conclusão com histórico escolar.
D) deve obter permissão especial do Conselho Seccional.

PAULO M ACHADO 95
1f)emg
IMifW EticaQ

Q Comentários:

Por determinação do art. 23 do RG, o requerente à inscrição no


quadro de advogados, na falta de diploma regularmente registrado,
apresenta certidão de graduação em direito, acompanhada de cópia
autenticada do respectivo histórico escolar.

GABARITO; C

CAPÍTULO IV
DA SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade


simples de prestação de serviços de advocacia ou consti-
tuir sociedade unipessoal de advocacia, na forma discipli-
nada nesta Lei e no regulamento geral.
"" Redação alterada pela Lei 13.247/16.

§ 1° A sociedade de advogados e a sociedade uni pessoal


de advocacia adquirem personalidade jurídica com o re-
gistro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho
Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede.
11> Redação alterada pela Lei 13.247/16.

§2° Aplica-se à sociedade de advogados e à sociedade uni-


pessoal de advocacia o Código de Ética e Disciplina, no que
couber.
p,. Redação alterada pela Lei 13.247/16.

§3° As procurações devem ser outorgadas individualmente


aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte.

96 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticao
IMMtM
§ 4° Nenhum advogado pode integrar mais de uma socie-
dade de advogados, constituir mais de uma sociedade uni-
pessoal de advocacia, ou integrar, simultaneamente, uma
sociedade de advogados e uma sociedade unipessoal de
advocacia, com sede ou filial na mesma área territorial do
respectivo Conselho Seccional.
.,. Redação alterada pela Lei 13.247/ 16.

§ 5° O ato de constituição de filial deve ser averbado no


registro da sociedade e arquivado no Conselho Seccional
onde se instalar, ficando os sócios, inclusive o titular da
sociedade unipessoal de advocacia, obrigados à inscrição
suplementar.
li> Redação alterada pela Lei 13.247/ 16.

§ 6° - Os advogados sócios de uma mesma sociedade pro-


fissional não podem representar em juízo clientes de inte-
resses opostos.
§7° A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da
concentração por um advogado das quotas de uma socie-
dade de advogados, independentemente das razões que
motivaram tal concentração.
.,. Este § 7° foi acrescentado pela Lei 13.247/ 16.

Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem fun-


cionar todas as espécies de sociedades de advogados que
apresentem forma ou características de sociedade empre-
sária, que adotem denominação de fantasia, que realizem
atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio
ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa
não inscrita como advogado ou totalmente proibida de
advogar.
.,. Redação alterada pela Lei 13.247/ 16.

PAULO M ACHADO 97
--
1f)emf

ª''' § 1° A razão social deve ter, obrigatoriamente, o nome de,


pelo menos, um advogado responsável pela sociedade,
Eticao

podendo permanecer o de sócio falecido, desde que pre-


vista tal possibilidade no ato constitutivo.
§ 2° O licenciamento do sócio para exercer atividade in-
compatível com a advocacia em caráter temporário deve
ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua
constituição·
§ 3° É proibido o registro, nos cartórios de registro civil de
pessoas jurídicas e nas juntas comerciais, de sociedade que
inclua, entre outras finalidades, a atividade de advocacia.
§ 4° A denominação da sociedade unipessoal de advoca-
cia deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu
titular, completo ou parcial, com a expressão Sociedade In-
dividual de Advocacia .
li> Este § 4° foi acre scentado pela Lei 13.247/16.

Art. 17 . Além da sociedade, o sócio e o titular da socie-


dade individual de advocacia respondem subsidiária e il i-
mitadamente pelos danos causados aos clientes por ação
ou omissão no exercício da advocacia, sem prejuízo da res-
ponsabilidade disciplinar em que possam incorrer.
li> Redação alte rada pe la Lei 13.247/ 16.

Ç) COMENTÁRIOS

0 SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Quando um advogado começa a assumir uma quantidade maior


de causas, surge a necessidade de se unir a outro ou a outros advoga-

98 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f}emf
Eticae, fiifl
dos, para juntos dividirem as tarefas (e, até mesmo, as despesas) e, ao
final, ratearem os ganhos obtidos. Não raro, audiências são marcadas
para o mesmo dia, em juízos, em comarcas, em estados diferentes.
Para o auxílio recíproco, os advogados constituem uma sociedade de
advogados.
O tema está disciplinado nos arts. 15 ao 17 do Estatuto da Advo-
cacia e da OAB (que foram alterados pela Lei 13.247/16), nos arts. 37
ao 43 do Regulamento Geral e no Provimento nº 112/06 do Conselho
Federal da OAB.

~ Natureza jurídica

De acordo com o texto original do art. 15 do Estatuto da Advoca-


cia e da OAB, os advogados poderiam se reunir em sociedade civil de
prestação de serviços de advocacia.
Por essa redação, poderíamos dizer que a natureza jurídica de
uma sociedade de advogados é uma sociedade civil. Acontece que o
EAOAB é uma lei de 1994 (Lei n º 8.906/94), quando ainda vigorava
o Código Civil de 1916, que, por sua vez, classificava as sociedades
em civis e mercantis. Com o advento do novo Código Civil (2002), a
classificação passou a ser em sociedades simples e sociedades empre-
sarias, razão pela qual, atualmente, sua natureza jurídica é de socie-
dade simples. Porém, apenas com o advento da Lei 13.247/ 16 é que o
mencionado art. 15 foi alterado, constando agora, que os advogados
podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de
advocacia.
Acrescente-se que mais uma novidade veio com essa alteração da
Lei 8.906/94. A partir de então os advogados também podem consti-
tuir uma sociedade unipessoal de advocacia, como se percebe na re-
dação abaixo destacada:

PAU LO M ACHADO 99
1Pemf
IMMfl Eticae

Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de presta-


ção de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advo-
cacia, na fo rma disciplinada nesta Lei e no regu lamento geral.

Sem a intenção de nos aprofundarmos no tema, há quem enten-


da que a sociedade de advogados é uma sociedade simples sui gene-
ris, uma vez que há peculiaridades trazidas pela Lei nº 8.906/94 que a
torna diferente das demais sociedades simples do Código Civil. Essas
características serão abordadas logo abaixo .

..,. Personalidade jurídica

Para qualquer sociedade adquirir personalidade jurídica, há de


ser feito o registro de seus atos constitutivos em um órgão competente.
Em relação à sociedade de advogados, esta adquire personalidade
jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Con-
selho Seccional da OAB, em cuja base territorial tiver sede, seja esta
uma sociedade simples ou uma sociedade unipessoal de advocacia,
sendo proibido o registro nos cartórios de registro civil de pessoas
jurídicas e nas juntas comerciais.
Prevê o Estatuto que não são admitidas a registro, e nem podem
funcionar, as sociedades simples de advogados ou sociedades unipes-
soais de advocacia que apresentem formas ou características mercan-
tis, que adotem denominação fantasia, que realizem atividades es-
tranhas à advocacia, que incluam sócios não inscritos no quadro de
advogados da OAB ou que estejam totalmente proibidos de advogar.

..,. Denominação

No contrato social, que será registrado no Conselho Seccional


da OAB, deve constar a denominação (razão social) da sociedade. No
entanto, existem regras a serem seguidas para que o registro seja apro-
vado.

100 E DITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticao i,Hifl
Conforme dito, não se admite o uso do nome fantasia (por exem-
plo, "Justa Causa, advogados". Tampouco se permite a utilização do
nome de algum advogado renomado já falecido ("Escritório de Advo-
cacia Rui Barbosa" ou "Evandro Lins e Silva, advogados associados").
Quando se tratar de uma sociedade simples de advocacia, a deno-
minação adequada deve trazer o nome de, pelo menos, um advogado
responsável pela sociedade, acompanhado de uma expressão que indi-
que a finalidade do escritório. Assim, se três advogados - Pedro Meira
Júnior, Ana Cristina Secioso de Sá Pereira e Carlos Henrique Afonso
Dias - resolvem constituir uma sociedade simples de advogados, po-
derão ser colocadas, entre outras, as seguintes denominações: "Meira
e advogados"; "Ana Cristina Secioso de Sá Pereira, advocacià'; "Escri-
tório de Advocacia Carlos Dias"; "Escritório Jurídico Meira, Secioso e
Dias': Não importa se a expressão indicadora da finalidade vem antes
ou depois do nome do advogado.
O Regulamento Geral permite o uso do nome abreviado do ad-
vogado, o que não significa que serão utilizadas siglas com as iniciais
de cada parte do seu nome completo. Apenas para melhor ilustração,
o nome completo de uma pessoa é formado por um prenome mais
um sobrenome, podendo, ainda, ter um agnome. O prenome pode ser
simples (p. ex., Pedro, Fabiana, Rafael) ou composto (Pedro Henri-
que Tiago, Ana Cristina), do mesmo modo que pode ser o sobrenome
(Vidal, sobrenome simples; Meira Matos, sobrenome composto). O
agnome só deve constar quando houver nomes iguais na mesma fa-
mília, justamente, para que possa ser feita a distinção: Júnior, Neto,
Sobrinho, Filho. Então, quando o Regulamento Geral disse "nome
abreviado': quis dizer, qualquer parte do nome.
Por autorização do Provimento nº 112/06, pode ser utilizado o
símbolo "&" na denominação da sociedade de advogados (Meira &
Dias, Sociedade de Advogados - por exemplo).
Quando vigorava o Código Civil de 1916, era possível constar a
abreviatura "S.C:', de sociedade civil no final da denominação (p. ex.,

PAULO MACHADO 101


1f)emf
IMifl Eticao

Escritório de Advocacia Pedro Meira S.C.), mas, pelo fato de o novo


Código Civil não mais adotar esta classificação, hoje, não se pode uti-
lizá-la. Advirta-se que sempre foi proibida, por motivo óbvio, a ado-
ção das expressões "Ltda'', "Cia': "S/X' e "ME".
Em caso de falecimento de um dos sócios, cujo nome é utilizado
na denominação da sociedade simples de advogados, o Estatuto de-
termina que a permanência do nome é condicionada à previsão no
contrato social (art. 16, §1 º, in fine).
Quando houver licenciamento de um sócio para o exercício de
atividade incompatível com a advocacia em caráter temporário, de-
verá tal fato ser averbado no registro da sociedade, não alterando sua
constituição. Por outro turno, caso o advogado passe a exercer ativi-
dade incompatível em caráter definitivo, gerando o cancelamento da
inscrição, será obrigatória a alteração contratual para que seja retira-
do o nome daquele sócio. Lembre-se de que a razão social deve ter o
nome de pelo menos um advogado da sociedade. Neste caso, ele não
será mais advogado em virtude do cancelamento da inscrição.
Em relação à grande novidade trazida pela Lei 13.247/16, quando
se tratar de sociedade unipessoal de advocacia, a sua denominação
deve ser obrigatoriamente formada pelo nome do seu titular, comple-
to ou parcial, com a expressão "Sociedade Individual de Advocacia':
como por exemplo, ''Ana Cristina, sociedade individual de advocacia''
ou ''Ana Cristina Sedoso de Sá Pereira, sociedade individual de advo-
cacia'' (conforme art. 16, §4°, do EAOAB).

~ Outras considerações

Os mandamentos do Código de Ética e Disciplina são aplicados


às sociedades simples de advogados ou às sociedades unipessoais de
advocacia, no que couber.
A sociedade unipessoal de advocacia pode resultar da concen-
tração por um advogado das quotas de uma sociedade de advogados,
independentemente das razões que motivaram tal concentração.

102 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Etica e IMMfl
Nenhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de ad-
vogados, constituir mais de uma sociedade unipessoal de advocacia,
ou integrar, simultaneamente, uma sociedade de advogados e uma so-
ciedade unipessoal de advocacia, com sede ou filial na mesma área
territorial do respectivo Conselho Seccional. Dessa forma, se um ad-
vogado já é sócio de um escritório de advocacia no Estado do Rio de
Janeiro, não poderá integrar, como sócio, nenhuma outra sociedade
simples de advogados nem constituir uma sociedade unipessoal de
advogados neste Estado. Poderá, todavia, ser sócio de outra sociedade
de advogados (simples ou unipessoal) no Estado de Minas Gerais, por
exemplo.
Já na hipótese de constituição de filial em outro estado, o ato de
constituição deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado
no Conselho Seccional onde se fixar, ficando os sócios obrigados à
inscrição suplementar. Essa obrigação também é exigida para o titular
da sociedade unipessoal de advocacia (art. 15, § 5°, do EAOAB).

Os sócios de uma mesma sociedade simples de advogados não


podem representar em juízo clientes com interesses opostos.
As procurações passadas aos advogados devem ser outorgadas
individualmente aos profissionais, mencionando a sociedade de que
façam parte. As atividades de advocacia são exercidas pelos próprios
advogados, ainda que os honorários se revertam à sociedade. No en-
tanto, podem ser praticados pela sociedade, com o uso da razão social,
os atos indispensáveis às suas finalidades, que não sejam privativos de
advogado.
A sociedade simples de advogados pode contemplar qualquer
tipo de administração social, sendo permitida a existência de sócios
gerentes, com indicação dos poderes atribuídos (art. 41 do Regula-
mento Geral).
Por fim, no que diz respeito à responsabilidade civil, os advoga-
dos sócios, o titular da sociedade individual de advocacia e os advo-

PAULO MACHADO 103


1f)emf
UifW Eticao

gados associados respondem subsidiária e ilimitadamente pelos da-


nos causados diretamente ao cliente, por dolo ou culpa, por ação ou
omissão, no exercício da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade
disciplinar e penal em que possam incorrer (art. 17 do EAOAB, com
a redação dada pela Lei 13.247/16, combinado com o art. 40 do Regu-
lamento Geral).

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - Exame de Ordem 2010.2) Michel, Philippe e Lígia, bacharéis em Direi-


to recém-formados e colegas de bancos universitários, comprometem-se a em-
preender a atividade advocatícia de forma conjunta logo após a aprovação no
Exame de Ordem. Para gáudio dos bacharéis, todos são aprovados no certame e
obtém sua inscrição no Quadro de Advogados da OAB. Assim, alugam sala com-
patível em local próximo ao prédio do Fórum do município onde pretendem
exercer sua nobre função. De início, as causas são indiv iduais, por indicação de
amigos e parentes. Logo, no entanto, diante do sucesso profissional alcançado,
são contactados por sociedades empresárias ansiosas pela prestação de serviços
profissionais advocatícios de qualidade. Uma exigência, no entanto, é realizada:
a prestação deve ocorrer por meio de sociedade de advogados.
No concernente ao tema, à luz das normas aplicáveis

A) a sociedade de advogados é de natureza empresarial.

B) os advogados sócios da sociedade de advogados respondem limitadamente


por danos causados aos clientes.

C) o registro da sociedade de advogados é realizado no Conselho Seccional da


OAB onde a mesma mantiver sede.

D) não é possível associação com advogados, sem vínculo de emprego, para


participação nos resultados.

104 EDITORA AR MADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticao IMMfl

Q Comentários:

A letra A está errada, porque a natureza jurídica de uma socieda-


de de advogados é uma sociedade simples.
A letra B está errada, porque a responsabilidade é ILIMITADA e
não LIMITADA (art. 17 do EAOAB).
A letra D está errada, porque o art. 39 do Regulamento Geral
permite tal forma de advocacia. É o advogado associado.
A letra C é a correta, nos termos do art. 15, § 1º, do EAOAB.

GABARITO: (

(FGV - IV Exame de Ordem) Os advogados Pedro e João desejam estabelecer


sociedade de advogados com o fito de regularizar o controle dos seus fluxos de
honorários e otimizar despesas. Estabelecem contrato e requerem o seu regis-
tro no órgão competente. À luz da legislação aplicável aos advogados, é correto
afirmar que
A) é possível a participação de advogados em sociedades sediadas em áreas ter-
ritoriais de seccionais diversas.
B) o Código de Ética não se aplica individualmente aos profissionais que com-
põem sociedade de advogados.
C) podem existir sociedades mistas de advogados e contadores.
D) a procuração é sempre coletiva quando atuante sociedade de advogados.

Q Comentários:

O tema "sociedade de advogados" é tratado nos arts. 15 ao 17 do


EAOAB e nos arts. 37 ao 73 do Regulamento Geral. Esse tipo de socie-
dade só pode ter advogados como sócios.

PAULO M ACHADO 105


1!)emf
lnilifW Eticae

Tais dispositivos determinam que há proibição para que o advo-


gado seja sócio em mais de um escritório no mesmo estado. Assim, se
forem em estados diferentes, não há problema.
As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advo-
gados (e não coletivamente) e indicar a sociedade de que façam parte.
O Código de Ética se aplica aos advogados e à sociedade, no que
couber (art. 15, § 2°, EAOAB).

GABARITO: A

(FGV -VI Exame de Ordem - Duque de Caxias) No concernente à Sociedade de


Advogados, é correto afirmar, à luz do Estatuto e do Código de Ética e Disciplina
da OAB, que
A) pode se organizar de forma mercantil, com registro na Junta Comercial.
B) está vinculada às regras de ética e disciplina dos advogados.
C) seus sócios estão imunes ao controle disciplinar da OAB.
D) seus componentes podem, isoladamente, representar clientes com interes-
ses conflitantes.

Q Comentários:

Para o art. 15, § 2°, do EAOAB, aplica-se à sociedade de advoga-


dos o Código de Ética e Disciplina, no que couber.

GABARITO: B

(FGV - VII Exame de Ordem) Lara é sócia de determinada sociedade de advo-


gados com sede no Rio de Janeiro e filial em São Paulo. Foi convidada a integrar,
cumulativamente e também como sócia, os quadros de outra sociedade de ad-
vogados, esta com sede em São Paulo e sem filiais. Aceitou o convite e rapida-
mente providenciou sua inscrição suplementar na OAB/ SP, tendo em vista que
passaria a exercer habitualmente a profissão nesse estado.

106 E DITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticao Cfiifl
A) Lara agiu corretamente, pois, considerando-se que passaria a atuar em mais
do que cinco causas por ano em São Paulo, era necessário que promovesse
sua inscrição suplementar nesse estado.
B) Lara não agiu corretamente, pois é vedado ao advogado integrar mais de
uma sociedade de advogados com sede ou filial na mesma área territorial do
respectivo Conselho Seccional.
C) Lara não agiu corretamente, pois é vedado ao advogado integrar mais de
uma sociedade de advogados dentro do território nacional.
D) Lara agiu corretamente e sequer era necessário que promovesse sua inscri-
ção suplementar, pois passaria a exercer a profissão em São Paulo na qualida-
de de sócia e não de advogada empregada da sociedade em questão.

Q Comentários:

A resposta é a literal disposição do art. 15, §4°, do EAOAB (Ne-


nhum advogado pode integrar mais de uma sociedade de advogados,
com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho
Seccional).

GABARIT0: 8

(FGV - IX Exame de Ordem) O advogado João, regularmente contratado para


defender os interesses de José em Juízo, realiza a defesa regular em primeiro
grau, mas não apresenta recurso de apelação contra sentença que julgou impro-
cedente o pedido, mesmo havendo sólida fundamentação para modificar o deci-
dido. O prejuízo causado ao cliente foi de R$ 10.000,00, parcialmente coberto por
seguro realizado pela sociedade de advogados integrada por João. Consoante as
regras estatutárias, os prejuízos causados ao cliente acarretam a responsabilida-
de pessoal do sócio advogado de forma
A) limitada à responsabilidade decorrente de contrato de seguro.
B) ilimitada, mas subsidiária em relação à sociedade.
C) limitada e principal, sendo a da sociedade subsidiária.
D) ilimitada e vinculada ao resultado do processo disciplinar instaurado.

P AULO M ACHADO 107


1Pemf
Mii:i Eticae

Q Comentários:

Para o art. 17 do EAOAB, além da sociedade, o sócio responde


subsidiária e ilimitadam ente pelos danos causados aos clientes por
ação ou omissão no exercício d a advocacia, sem prejuízo da responsa-
bilidade disciplinar em que possa incorrer.
Acrescente-se que o art. 40 do RG inclui o advogado associado
nessa regra. Vejam os:
"Os advogados sócios e os associados respondem subsidiária e
ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente,
nas hipóteses de dolo ou culpa e por ação ou omissão, no exer-
cício dos atos privativos da advocacia, sem prejuízo da respon-
sabilidade disciplinar em que possam in correr:'

GABARITO: B

CAPÍTULO V
DO ADVOGADO EMPREGADO

Art. 18. A relação de emprego, na qualidade de advoga-


do, não retira a isenção técnica nem reduz a independên-
cia profissional inerentes à advocacia.
Parágrafo único. O advogado empregado não está obriga-
do à prestação de serviços profissionais de interesse pes-
soal dos empregadores, fora da relação de emprego.

Art. 19. O salário mínimo profissional do advogado será


fixado em sentença normativa, salvo se ajustado em acor-
do ou convenção coletiva de trabalho.

108 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4 • EDIÇÃO


1Pemf
Eticae UIJI
Art. 20. A jornada de trabalho do advogado empregado,
no exercício da profissão, não poderá exceder a duração
diária de 4 (quatro) horas contínuas e a de 20 (vinte) horas
semanais, salvo acordo ou convenção coletiva ou em caso
de dedicação exclusiva.
§1° Para efeitos deste artigo, considera-se como período
de trabalho o tempo em que o advogado estiver à dispo-
sição do empregador, aguardando ou executando ordens,
no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe re-
embolsadas as despesas feitas com transporte, hospeda-
gem e alimentação.
§2° As horas trabalhadas que excederem a jornada nor-
mal são remuneradas por um adicional não inferior a 100%
(cem por cento) sobre o valor da hora normal, mesmo ha-
vendo contrato escrito.
§ 3° As horas trabalhadas no período das 20 (vinte) horas
de um dia até as 5 (cinco) horas do dia seguinte são remu-
neradas como noturnas, acrescidas do adicional de 25 o/o
(vinte e cinco por cento).

Art. 21. Nas causas em que for parte o empregador, ou


pessoa por este representada, os honorários de sucum-
bência são devidos aos advogados empregados.
Parágrafo único. Os honorários de sucumbência, percebi-
dos por advogado empregado de sociedade de advoga-
dos são partilhados entre ele e a empregadora, na forma
estabelecida em acordo·
.,. O Supremo Tribuna l Federal, na data de 14 de fevereiro de 1996, em liminar
parcialmente concedida, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.194-4, de-
cidiu limitar a aplicação deste artigo aos casos em que não exista disposição con-
tratual em contrário.

P AULO M ACHAOO 109


1Pemf
DIJI Etica•

Çl COMENTÁRIOS

0 DAS ESPÉCIES DE ADVOGADO

..,. Profissional liberal

O advogado como profissional liberal é o tipo mais antigo das


espécies de advogado. Trata-se daquele profissional que não mantém
vínculo empregatício com nenhum cliente, podendo atendê-lo de for-
ma avulsa, habitual ou permanente. Apesar de ser a forma mais antiga
de se exercer a profissão, ainda é a mais comum, e a que mais se vê nos
dias de hoje.
Atualmente, este advogado pode prestar seus serviços emitindo
nota fiscal como pessoa física ou, se assim desejar, constituir uma pes-
soa jurídica (sociedade unipessoal de advocacia), emitindo suas notas
fiscais através desta PJ.

..., Advogado sócio

Quando um advogado começa a assumir uma quantidade con-


siderável de causas, chega o momento de se unir a outro, ou a outros,
advogados, constituindo, juntos, uma sociedade de advogados. Os só-
cios dividem as tarefas e rateiam os lucros auferidos. Esse tema é me-
lhor explorado no capítulo que trata das sociedades de advogado, para
onde remetemos o leitor.

..,. Advogado empregado

O advogado empregado é aquele que mantém um vínculo em-


pregatício com uma empresa ou com uma sociedade de advogados,
para a qual presta os seus serviços de advocacia. Ele preenche todos os

110 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae IMIJI
requisitos caracterizadores do mencionado vínculo, a saber: habitua-
lidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação.
Pela primeira vez, essa forma de advocacia recebeu sua tutela le-
gal com o advento do atual Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº
8.906/94) nos arts. 18 ao 21. O Regulamento Geral também tratou do
assunto nos arts. 11 ao 14.
A relação de emprego não retira do advogado a isenção técnica,
nem tampouco reduz a independência profissional inerentes à advo-
cacia. Advirta-se que advogado empregado não está obrigado a pres-
tar serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, fora
da relação empregatícia.
Vejamos alguns aspectos importantes relacionados a esta espécie
de advogado:

a) Piso salarial
O salário mínimo do advogado empregado será fixado por sen-
tença normativa, salvo quando ajustado em acordo ou convenção co-
letiva de trabalho.

b) Jornada de trabalho e hora extra


A jornada de trabalho do advogado empregado não poderá ultra-
passar a duração diária de 4 (quatro) horas contínuas e a de 20 (vinte)
horas semanais, exceto se houver acordo ou convenção coletiva de tra-
balho ou, ainda, em caso de dedicação exclusiva. O Estatuto considera
dedicação exclusiva o regime de trabalho que for previsto expressa-
mente em contrato individual de trabalho.
As horas trabalhadas que excederem a jornada normal são remu-
neradas com um adicional não inferior a 100 % ( cem por cento) sobre
o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. Naqueles
casos de dedicação exclusiva, serão remuneradas como extras as horas
trabalhadas que passarem da jornada de 8 (oito) horas diárias. Consi-

PAULO MACHADO 111


1Pemf
IMIJI Eticae

dera-se como período de trabalho todo o tempo em que o advogado


estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando or-
dens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe reembol-
sados os gastos efetuados com transporte, hospedagem e alimentação.

e) Os honorários de sucumbência e o advogado empregado


O art. 21 do Estatuto e seu parágrafo único determinam que, nas
causas em que o empregador (ou pessoa por este representada) for
parte, os honorários de sucumbência são devidos aos advogados em-
pregados. Já se o advogado for empregado de sociedade de advogados,
os sucumbenciais são partilhados entre ele e a sociedade, como for
estabelecido em acordo. Esses dispositivos, embora tenha sido obje-
tos de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.194-4), foram
declarados constitucionais pelo STF, que deu interpretação conforme,
sem redução do texto.
Os referidos honorários, por decorrerem precipuamente do exer-
cício da advocacia e só acidentalmente da relação empregatícia, não
integram o salário ou a remuneração do advogado empregado, não
podendo, assim, ser considerados para efeitos trabalhistas. Os hono-
rários sucumbenciais desses advogados constituem fundo comum,
cuja destinação é decidida pelos profissionais integrantes do serviço
jurídico da empresa ou por seus representantes .

..,. Advogado associado

O advogado associado é um tipo intermediário entre o advogado


sócio e o advogado empregado. Ele não é sócio, porque não figura no
contrato social da sociedade de advogados como tal. Também não é
empregado, porque não mantém vínculo empregatício.
Dessa forma, uma sociedade de advogados pode associar-se com
advogados para participação nos resultados, sem vínculo de emprego

112 E DITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EOIÇÃO


1J)emf
Eticao
UIJI
(art. 39 do Regulamento Geral). O contrato para tal deve ser averbado
no registro da sociedade, que fica no Conselho Seccional.
Quanto à responsabilidade civil - da mesma maneira que os ad-
vogados sócios -, os advogados associados respondem subsidiária e
ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, em caso
de dolo ou culpa, por ação ou omissão, no exercício dos atos privati-
vos da advocacia. Obviamente, também são responsáveis disciplinar e
criminalmente, quando infringirem o Estatuto, o Regulamento Geral,
o Código de Ética e Disciplina e a legislação penal.

~ Advogado público
O Estatuto da Advocacia e da OAB não tratou apenas do advoga-
do que atua no setor privado. Conforme determinação do seu art. 3°, §
1°, exercem atividade de advocacia os integrantes da Advocacia Geral
da União, da Procuradoria da Fazenda Nacional, da Defensoria Pública
e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e de suas respectivas entidades de administra-
ção direta ou indireta, sujeitando-se, todos esses, ao regime da Lei nº
8.906/94 (EAOAB), além do regime próprio a que se subordinem.
Para os advogados públicos, o Estatuto da Advocacia é a lei suple-
tiva das leis específicas da advocacia pública, como, por exemplo, a Lei
Complementar nº 80/94, para a Defensoria Pública em geral.
A questão da advocacia particular pelos advogados públicos, ou
seja, fora das suas atribuições institucionais, varia de acordo com a
respectiva lei. Para os procuradores dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios, somente é vedada a advocacia particular contra a
Fazenda Pública que os remunere, a não ser que a respectiva lei esti-
pule de modo contrário, trazendo-lhes a vedação. Para os advogados
públicos federais, de um modo geral, há proibição para a advocacia
fora de suas funções públicas.
Um ponto muito debatido é sobre a obrigação ou não da inscri-
ção na OAB para essa espécie de advogado. No que pese as controvér-

PAULO MACHADO 113


1!)emf
i+flfJI Eticao

sias e discussões acerca do assunto, para o Regulamento Geral (art.


14) todos eles estão obrigados à inscrição no quadro de advogados da
OAB para o exercício de suas atividades públicas, inclusive o regula-
mento determina que os advogados públicos são elegíveis e que po-
dem integrar qualquer órgão da OAB, como conselheiros seccionais
ou federais.
Com razão, sobretudo porque os advogados públicos também es-
tão sujeitos às infrações e sanções disciplinares aplicadas pela OAB.
Caso um advogado público cometa um infração não-funcional, mas
relacionada a qualquer atividade privativa da advocacia (art. 1° da Lei
nº 8.906/94), e venha a ser suspenso por decisão da OAB transitada
em julgado, em razão do princípio da moralidade administrativa (art.
37 da Constituição Federal), essa imposição deve repercutir na res-
pectiva instituição. Afastado temporariamente da advocacia, haverá
reflexos em suas funções, devendo ser instaurado o devido processo
administrativo. Há quem entenda que o que aqui foi dito não tem apli-
cação. No entanto, seguimos a posição do Estatuto e do Regulamen-
to Geral, a nosso ver, em harmonia com os preceitos constitucionais.
Afinal, o art. 22, XVI, diz competir à União legislar sobre condições
para o exercício das profissões. E o Estatuto da Advocacia e da OAB é
lei federal...
Acrescente-se que o Novo Código de Ética e Disciplina reservou
um espaço para tratar da advocacia pública. Vejamos como ficou a
redação do seu art. 8°:

"Art. 8° As disposições deste Código obrigam igualmente os órgãos de


advocacia pública, e advogados públicos, incluindo aqueles que ocupem
posição de chefia e direção jurídica.
§ 1° O advogado público exercerá suas funções com independência técni-
ca, contribuindo para a solução ou redução de litigiosidade, sempre que
possível.
§ 2° O advogado público, inclusive o que exerce cargo de chefia ou di-
reção jurídica, observará nas relações com os colegas, autoridades, ser-
vidores e o público em geral, o dever de urbanidade, tratando a todos

114 EDITORA ARMADOR 1 10 EM f ncA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae liflfJI
com respeito e consideração, ao mesmo tempo em que preservará suas
prerrogativas e o direito de receber igual tratamento das pessoas com as
quais se relacione:1

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem) Pedro é advogado empregado da sociedade em-


presária FJ. Em reclamação trabalhista proposta por Tiago em face da FJ, é desig-
nada audiência para data na qual os demais empregados da empresa estarão em
outro Estado, participando de um congresso. Assim, no dia da audiência designa-
da, Pedro se apresenta como preposto da reclamada, na condição de empregado
da empresa, e advogado com procuração para patrocinar a causa.
Nesse contexto,

A) Pedro pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono


e preposto do empregador, em qualquer hipótese.
B) Pedro pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono
e preposto do empregador, pois não há outro empregado disponível na data
da audiência.
C) Pedro pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como patrono
e preposto do empregador, em qualquer hipótese, desde que essa circuns-
tância seja previamente comunicada ao juízo e ao reclamante.
D) Pedro não pode funcionar no mesmo processo, simultaneamente, como pa-
trono e preposto do empregador ou cliente.

Q Comentários:

Nos termos do art. 25 do NCED, o advogado não pode funcionar


como advogado e preposto no mesmo processo.

GABARITO: D

PAULO M ACHADO 115


10em
IMIJI Éticao

(CESPE - Exame de Ordem 2010.1) Assinale a opção correta acerca da situação


do advogado como empregado, de acordo com as disposições do Estatuto da
Advocacia e da OAB.
A) O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços profissio-
nais de interesse pessoal, fora da relação de emprego.
B) Nas causas em que for parte empregador de direito privado, os honorários de
sucumbência serão devidos a ele, empregador, e não, aos advogados empre-
gados.
C) Considera-se jornada de trabalho o período em que o advogado esteja à dispo-
sição do empregador, aguardando ou executando ordens no âmbito do escri-
tório, não sendo consideradas as horas trabalhadas em atividades externas.
D) A relação de emprego, no que se refere ao advogado, não retira a isenção
técnica inerente à advocacia, mas reduz a independência profissional, visto
que o advogado deve atuar de acordo com as orientações de seus superiores
hierárquicos.

Q Comentários:

A letra A está correta, porque, se o advogado tem vínculo de em-


prego para defender os interesses de determinada empresa, por exem -
plo, não cabe ao advogado atuar na defesa dos interesses do empre-
gador, fora da sua relação empregatícia (art. 18, parágrafo único, do
EAOAB).
As demais estão erradas porque:
1 - Nas causas em que for parte o empregador, ou pessoa por
este representada, os honorários de sucumbência são devidos aos ad-
vogados empregados. Já os honorários de sucumbência, percebidos
por advogado empregado de sociedade de advogados são partilhados
entre ele e a empregadora, na forma estabelecida em acordo (art. 21
doEAOAB).

116 EDITORA ARMADOR J 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae IMIJI
2 - Considera-se como período de trabalho o tempo em que o
advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou execu-
tando ordens, no seu escritório ou em atividades externas, sendo-lhe
reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospedagem e ali-
mentação (art. 20, § 1°, do EAOAB).
3 - A relação de emprego, na qualidade de advogado, não retira
a isenção técnica nem reduz a independência profissional inerentes à
advocacia (art. 18 do EAOAB).

GABARITO:A

(FGV-VI Exame de Ordem) Mévio é advogado empregado de empresa de gran-


de porte atuando como diretor jurídico e tendo vários colegas vinculados à sua
direção. Instado por um dos diretores, escala um dos seus advogados para atuar
em processo judicial litigioso, no interesse de uma das filhas do referido diretor.
À luz das normas estatutárias, é correto afirmar que
A) a defesa dos interesses dos familiares dos dirigentes da empresa está ínsita na
atuação profissional do advogado empregado.
B) a atuação do advogado empregado nesses casos pode ocorrer voluntaria-
mente, sem relação com o seu emprego.
C) a relação de emprego retira do advogado sua independência profissional,
pois d eve defender os interesses do patrão.
D) em casos de dedicação exclusiva, a jornada de trabalho máxima do advogado
será de quatro horas diárias e de vi nte horas semanais.

Q Comentários:

O advogado empregado não está obrigado à prestação de serviços


profissionais de interesse pessoal dos empregadores, fora da relação de
emprego, conforme previsão do art. 18, parágrafo único, do EAOAB.

GABARITO:B

PAULO MACHADO 117


1f)emf
i+flf!I Eticae

CAPÍTULO VI
DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos


inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados,
aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência.
§ 1° O advogado, quando indicado para patrocinar causa
de juridicamente necessitado, no caso de impossibilida-
de da Defensoria Pública no local da prestação de serviço,
tem direito aos honorários fixados pelo juiz, segundo ta-
bela organizada pelo Conselho Seccional da OAB, e pagos
pelo Estado.
§ 2° Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários
são fixados por arbitramento judicial, em remuneração
compatível com o trabalho e o valor econômico da ques-
tão, não podendo ser inferiores aos estabelecidos na tabe-
la organizada pelo Conselho Seccional da OAB.
§ 3° Salvo estipulação em contrário, 1/3 (um terço) dos ho-
norários é devido no início do serviço, outro terço até a de-
cisão de primeira instância e o restante no final.
§ 4° Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato
de honorários antes de expedir-se o mandado de levanta-
mento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam
pagos diretamente, por dedução da quantia a ser recebida
pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou.
§ 5° O disposto neste artigo não se aplica quando se tratar
de mandato outorgado por advogado para defesa em pro-
cesso oriundo de ato ou omissão praticada no exercício da
profissão.

Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por


arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado,

118 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1Pemf
Eticao
UffW
tendo este direito autônomo para executar a sentença
nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando
necessário, seja expedido em seu favor.

Art. 24. A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorá-


rios e o contrato escrito que os estipular são títulos execu-
tivos e constituem crédito privilegiado na falência, concor-
data, concurso de credores, insolvência civil e liquidação
extrajudicial.
°
§ 1 A execução dos honorários pode ser promovida nos
mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado,
se assim lhe convier.
§ 2° Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do
advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais
ao trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores
ou representantes legais.
§ 3° É nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou
convenção individual ou coletiva que retire do advogado
o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência·
., O Supremo Tribunal Federal, na data de 14 de fevereiro de 1996, em liminar
parcialmente concedida, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.194-4, sus-
pendeu a eficácia deste parágrafo até o julgamento final da ação.

§ 4° O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte con-


trária, salvo aquiescência do profissional, não lhe prejudi-
ca os honorários, quer os convencionados, quer os conce-
didos por sentença.

Art. 25. Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de


honorários de advogado, contado o prazo:
1- do vencimento do contrato, se houver;
li - do trânsito em julgado da decisão que os fixar;
Ili - da ultimação do serviço extrajudicial;

PAULO MACHADO 119


1!)emf
Cfif&I Eticae

IV - da desistência ou transação;
V - da renúncia ou revogação de mandato.

Art. 26. O advogado substabelecido, com reserva de po-


deres, não pode cobrar honorários sem a intervenção da-
quele que lhe conferiu o substabelecimento.

Çl COMENTÁRIOS

0 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

~ Considerações gerais

Honorários advocatícios é a denominação que se dá à contra-


prestação recebida pelo advogado em razão da atividade profissional
desenvolvida, que não decorra de relação de emprego (o advogado
empregado recebe salário, podendo, também, receber honorários su-
cumbenciais).
A Lei nº 8.906/94 (EAOAB) traz uma hipótese em que o advo-
gado trabalhará gratuitamente. Isso ocorrerá quando o advogado de-
fender outro colega em processo originário de ação ou omissão no
exercício da profissão. Entende-se, aqui, que as prerrogativas da advo-
cacia estão em debate, motivo pelo qual há interesse de toda a classe, e
não só daquele profissional. Veja que o defensor dativo nomeado pela
OAB faz a representação do advogado processado disciplinarmente
por delegação da própria Ordem, constituindo um múnus (e um mo-
tivo) extremamente célebre.
O Novo Código de Ética e disciplina passou a tratar da advoca-
cia pro bano no art. 30 e seus parágrafos. Considera-se advocacia pro

120 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao l;ftfN
bano a prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos
em favor de instituições sociais sem fins econômicos e aos seus assis-
tidos, sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a
contratação de profissional.
No exercício da advocacia pro bano, e ao atuar como defensor
nomeado, conveniado ou dativo, o advogado empregará o zelo e a de-
dicação habituais, de modo que a parte por ele assistida se sinta ampa-
rada e confie no seu patrocínio.
A advocacia pro bano pode ser exercida em favor de pessoas na-
turais que, igualmente, não dispuserem de recursos para, sem prejuízo
do próprio sustento, contratar advogado e não pode ser utilizada para
fins político-partidários ou eleitorais, nem beneficiar instituições que
visem a tais objetivos, ou como instrumento de publicidade para cap-
tação de clientela.
O Estatuto da Advocacia e da OAB apresenta três tipos de ho-
norários advocatícios: convencionados, arbitrados judicialmente e su-
cumbenciais (art. 22).
Os convencionados, como o próprio nome diz, o advogado e o
cliente combinam um valor fixo. O valor fixo é a principal caracterís-
tica deste tipo de honorários. Esse valor fixo pode ser contratado de
forma verbal ou por escrito, mediante o contrato de honorários advo-
catícios. Recomenda-se ao advogado fazer o contrato por escrito, por
ser mais seguro, inclusive para fins de cobrança, como se verá mais
abaixo.
Na ausência de combinação entre advogado e cliente sobre ova-
lor dos honorários, os mesmos serão arbitrados pelo juiz, ou seja, serão
fixados por arbitramento judicial, com remuneração compatível com
o trabalho e o valor econômico da questão. Advirta-se que, mesmo
nesse caso, o valor dos honorários não pode ser inferior ao estabele-
cido na tabela de honorários criada por cada Conselho Seccional da
OAB.

PAULO M ACHADO 121


1Pemf
RIM Eticae

O art. 22, § 1°, do Estatuto, determina que quando o advogado


for indicado para atuar em causa de pessoa juridicamente necessitada,
naqueles casos dos estados que não têm Defensoria Pública, ou têm,
mas por qualquer motivo está impossibilitada (greve, por exemplo), o
profissional tem direito a receber honorários fixados pelo juiz e pagos
pelo Estado.
Os honorários sucumbenciais são aqueles pagos pela parte venci-
da (parte sucumbente) ao advogado da parte vencedora.
Em caso de falecimento do advogado, ou se este vier a se tornar
incapaz civilmente, os honorários de sucumbência, proporcionalmen-
te ao trabalho por ele desenvolvido, são devidos aos seus sucessores ou
representantes legais.
Apesar de o art. 24, § 3°, do Estatuto, estipular que "é nula qual-
quer disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou
coletiva que retire do advogado o direito ao recebimento dos honorá-
rios de sucumbência", o STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade
nº 1.194-4, declarou o aludido dispositivo inconstitucional.
O Novo CED reservou um capítulo próprio para tratar dos ho-
norários profissionais (Título I, Capítulo IX, arts. 48 ao 54). Vejamos:

"Art. 48. A prestação de serviços profissionais por advogado, individual-


mente ou integrado em sociedades, será contratada, preferentemente,
por escrito.
§ 1° O contrato de prestação de serviços de advocacia não exige forma es-
pecial, devendo estabelecer, porém, com clareza e precisão, o seu objeto,
os honorários ajustados, a forma de pagamento, a extensão do patrocínio,
esclarecendo se este abrangerá todos os atos do processo ou limitar-se-á
a determinado grau de jurisdição, além de dispor sobre a hipótese de a
causa encerrar-se mediante transação ou acordo.
§ 2° A compensação de créditos, pelo advogado, de importâncias devi-
das ao cliente, somente será admissível quando o contrato de prestação
de serviços a autorizar ou quando houver autorização especial do cliente
para esse fim, por este firmada.

122 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4 ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao Cftftil
§ 3° O contrato de prestação de serviços poderá dispor sobre a forma de
contratação de profissionais para serviços auxiliares, bem como sobre o
pagamento de custas e emolumentos, os quais, na ausência de disposição
em contrário, presumem-se devam ser atendidos pelo cliente. Caso o con-
trato preveja que o advogado antecipe tais despesas, ser-lhe-á lícito reter
o respectivo valor atualizado, no ato de prestação de contas, mediante
comprovação documental.
§ 4° As disposições deste capítulo aplicam-se à mediação, à conciliação, à
arbitragem ou a qualquer outro método adequado de solução dos con-
flitos.
§ 5° É vedada, em qualquer hipótese, a diminuição dos honorários con-
tratados em decorrência da solução do litígio por qualquer mecanismo
adequado de solução extrajudicial.
§ 6° Deverá o advogado observar o valor mínimo da Tabela de Honorários
instituída pelo respectivo Conselho Seccional onde for realizado o serviço,
inclusive aquele referente às diUgências, sob pena de caracterizar-se avil-
tamento de honorários.
§ 7° O advogado promoverá, preferentemente, de forma destacada a exe-
cução dos honorários contratuais ou sucumbenciais.
Art. 49. Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação,
atendidos os elementos seguintes:
1- a relevância, o vu lto, a complexidade e a dificuldade das questões ver-
sadas;
li - o trabalho e o tempo a ser empregados;
Ili - a possibilidade de ficar o advogado impedido de intervir em outros
casos, ou de se desavir com outros clientes ou terceiros;
IV - o valor da causa, a condição econômica do cliente e o proveito para
est e resultante do serviço profissional;
V - o caráter da intervenção, conforme se trate de serviço a cliente eventu-
al, frequente ou constante;
VI - o lugar da prestação dos serviços, conforme se trate do domicílio do
advogado ou de outro;
VII - a competência do profissional;
VIII - a praxe do foro sobre trabalhos análogos.
Art. 50. Na hipótese da adoção de cláusula quota litis, os honorários devem
ser necessariamente representados por pecúnia e, quando acrescidos dos

P AULO MACHADO 123


1!)emf

ª'ª Eticaa

honorários da sucumbência, não podem ser superiores às vantagens ad-


vindas a favor do cliente.
§ 1° A participação do advogado em bens particulares do cliente só é ad-
mitida em caráter excepcional, quando esse, comprovadamente, não tiver
condições pecuniárias de satisfazer o débito de honorários e ajustar com
o seu patrono, em instrumento contratual, tal forma de pagamento.
§ 2° Quando o objeto do serviço jurídico versar sobre prestações vencidas
e vincendas, os honorários advocatícios poderão incidir sobre o valor de
umas e outras, atendidos os requisitos da moderação e da razoabilidade.
Art. 51. Os honorários da sucumbência e os honorários contratuais, per-
tencendo ao advogado que houver atuado na causa, poderão ser por ele
executados, assistindo-lhe direito autônomo para promover a execução
do capítulo da sentença que os estabelecer ou para postular, quando for
o caso, a expedição de precatório ou requisiçã o de pequeno valor em seu
favor.
§ 1° No caso de substabelecimento, a verba correspondente aos honorá-
rios da sucumbência será repartida entre o substabelecente e o substabe-
lecido, proporcionalmente à atuação de cada um no processo ou confor-
me haja sido entre eles ajustado.
§ 2° Quando for o caso, a Ordem dos Advogados do Brasil ou os seus Tri-
bunais de Ética e Disciplina poderão ser solicitados a indicar mediador
que contribua no sentido de que a distribuição dos honorários da sucum-
bência, entre advogados, se faça segundo o critério estabelecido no§ 1°.
§ 3° Nos processos disciplinares que envolverem divergência sobre a per-
cepção de honorários da sucumbência, entre advogados, deverá ser ten-
tada a conciliação destes, preliminarmente, pelo relator.
Art. 52. O crédito por honorários advocatícios, seja do advogado autôno-
mo, seja de sociedade de advogados, não autoriza o saque de duplicatas
ou qualquer outro título de crédito de natureza mercantil, podendo, ape-
na s, ser emitida fatura, quando o cliente assim pretender, com fundamen-
to no contrato de prestação de serviços, a qual, porém, não poderá ser
levada a protesto.
Parágrafo único. Pode, todavia, ser levado a protesto o cheque ou a nota
promissória emitido pelo cliente em favor do advogado, depois de frus-
trada a tentativa de recebimento amigável.
Art. 53. É lícito ao advogado ou à sociedade de advogados empregar, para
o recebimento de honorários, sist ema de ca rtão de crédito, mediante cre-
denciamento junto a empresa operadora do ramo.

124 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao
Uftw
Parágrafo único. Eventuais ajustes com a empresa operadora que impli-
quem pagamento antecipado não afetarão a responsabilidade do advo-
gado perante o cliente, em caso de rescisão do contrato de prestação de
serviços, devendo ser observadas as disposições deste quanto à hipótese.
Art. 54. Havendo necessidade de promover arbitramento ou cobrança ju-
dicial de honorários, deve o advogado renunciar previamente ao manda-
to que recebera do cliente em débito:'

..,. Pacto quota litis

Pacto ou cláusula quota litis é a participação do advogado no re-


sultado ou ganho obtido na causa. Paulo Lôbo lembra que o direito ro-
mano e as Ordenações Filipinas condenavam essa forma de contratar
(obra citada, p. 141). Com razão. Neste caso, o advogado se transfor-
ma em "sócio" do cliente naquela demanda. O advogado, nesta situa-
ção, é "quase" parte...
Entretanto, o Código de Ética e Disciplina trouxe a possibilidade
de ser feito esse pacto, desde que estejam presentes as condições do
art. 50 e seus parágrafos:

Art. 50. Na hipótese da adoção de cláusula quota litis, os honorários devem


ser necessariamente representados por pecúnia e, quando acrescidos dos
honorários da sucumbência, não podem ser superiores às vantagens ad-
vindas a favor do cliente.
§ 1° A participação do advogado em bens particulares do cliente só é ad-
mitida em caráter excepcional, quando esse, comprovadamente, não tiver
condições pecuniárias de satisfazer o débito de honorários e ajusta r com
o seu patrono, em instrumento contratual, tal forma de pagamento.
§ 2° Quando o objeto do serviço jurídico versar sobre prestações vencidas
e vincendas, os honorários advocatícios poderão incidir sobre o valor de
umas e outras, atendidos os requisitos da moderação e da razoabil idade.

De toda forma, apesar da permissão pelo Código de Ética, todo


zelo deve ter o advogado para que não incorra em infração disciplinar.

PAULO MACHADO 125


1Pemf
IMIM Eticao

..,._ Formas judiciais de cobrança

Na hipótese de o constituinte faltar com a obrigação de pagar os


honorários ao advogado, este deve procurar ao máximo resolver a si-
tuação amigavelmente. Chegando ao ponto de não haver mais solução
pela forma preliminar, surge a necessidade de se buscar a via judicial.
Para isso, deve o advogado renunciar ao patrocínio da causa e consti-
tuir outro advogado para fazer a cobrança, conforme dispõe o art. 54
do Novo Código de Ética e Disciplina.
O art. 24 do Estatuto determina que o contrato feito por escrito
(contrato de honorários advocatícios) constitui título executivo. Des-
se modo, o advogado não precisará propor ação de conhecimento. A
cobrança será feita, neste caso, através da execução por quantia certa.
Já quando o advogado contrata de forma verbal, resta claro que
não há o que executar, ensejando, assim, uma ação de cobrança.
Quando for o caso de o advogado juntar aos autos o contrato de
honorários advocatícios antes da expedição do mandado de levanta-
mento ou precatório, deve o juiz determinar que lhe sejam pagos dire-
tamente, deduzindo o valor respectivo da quantia a ser recebida pelo
constituinte, a não ser que este comprove que já o pagou.
Os honorários incluídos na condenação, seja por arbitramento,
seja por sucumbência, pertencem ao advogado, tendo o profissional
direito autônomo de exigir o cumprimento da sentença, podendo,
ainda, solicitar ao juiz que o precatório seja expedido em seu nome,
quando for o caso.
O art. 24 do Estatuto enfatiza que a decisão judicial que fixar ou
arbitrar honorários, bem como o contrato feito por escrito, têm força
de título executivo e constituem crédito privilegiado na falência, con-
cordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extraju-
dicial.

126 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EOIÇÃO


1Pemf
Eticae
IMIM
Quando o advogado receber um substabelecimento com reserva
de poderes, não poderá cobrar os honorários respectivos sem a inter-
venção daquele que lhe substabeleceu (art. 26 do EAOAB) .

..,. Prescrição (art. 25, EAOAB)

A ação de cobrança de honorários advocatícios prescreve em 5


(cinco) anos, que serão contados a partir:
a) do vencimento do contrato, quando houver;
b) do trânsito em julgado da decisão que os fixar ou arbitrar;
c) da finalização do serviço extrajudicial (assessoria, consultoria
e direção jurídicas; acompanhamento de inquérito policial);
d) da desistência ou transação;
e) da renúncia ou revogação de mandato.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem) A advogada Kátia exerce, de forma eventual e vo-
luntária, a advocacia pro bano em favor de certa instituição social, a qual possui
personalidade jurídica como associação, bem como de pessoas físicas economi-
camente hipossuficientes. Em razão dessa prática, sempre que pode, Kátia faz
menção pública à sua atuação pro bano, por entender que isto revela correição
de caráter e gera boa publicidade de seus serviços como advogada, para obten-
ção de clientes em sua atuação remunerada.
Considerando as informações acima, assinale a afirmativa correta.

A) Kátia comete infração ética porque a advocacia pro bano não pode ser desti-
nada a pessoas jurídicas, sob pena de caracterização de aviltamento de hono-
rários. Kátia também comete infração ética ao divulgar sua atuação pro bano
como instrumento de publicidade para obtenção de clientela.

PAULO M ACHADO 127


1f)emf
IMl&I Eticae

B) Kátia comete infração ética, ao divulgar sua atuação pro bono como instru-
mento de publicidade para obtenção de clientela. Quanto à atuação pro bano
em favor de pessoas jurídicas, inexiste vedação.
C) Kátia comete infração ética porque a advocacia pro bano não pode ser desti-
nada a pessoas jurídicas, sob pena de caracterização de aviltamento de ho-
norários. Quanto à divulgação de seus serviços pro bano para obtenção de
clientela, inex iste vedação.
D) A situação narrada não revela infração ética. Inexistem óbices à divulgação
por Kátia de seus serviços pro bano para obtenção de clientela, bem como à
atuação pro bano em favor de pessoas jurídicas.

ÇJ Comentários:

A advocacia pro bono não pode ser utilizada para captação de


clientes, mas pode ser realizada em favor de pessoas físicas ou jurídi-
cas (art. 30 do NCED).

GABARITO: B

(FGV - XX Exame de Ordem) A advogada Taís foi contratada por Lia para atuar
em certo processo ajuizado perante o Juizado Especial Cível. Foi acordado opa-
gamento de honorários advocatícios no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O
feito seguiu regularmente o rito previsto na Lei nº 9.099/95, tendo o magistrado,
antes da instrução e julgamento, esclarecido as partes sobre as va ntagens da
conciliação, obtendo a concordância dos litigantes pela solução consensual do
conflito.
Considerando o caso relatado, assinale a afirmativa correta.

A) Diante da conci liação entre as partes, ocorrida antes da instrução e julgamen-


to do feito, Taís fará jus à metade do valor acordado a título de honorários
advocatícios.
B) A conciliação entre as partes, ocorrida antes da instrução e julgamento do fei-
to, não prejudica os honorários convencionados, salvo aquiescência de Taís.

128 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


10em
Éticae MIM
C) Diante da conciliação entre as partes, ocorrida antes da instrução e julgamen-
to do feito, deverá o magistrado, ao homologar o acordo, fixar o valor que
competirá a Taís, a título de honorários advocatícios, não prevalecendo a pac-
tuação anterior entre cliente e advogada.
D) Em razão da conciliação entre as partes, ocorrida antes da instrução e julga-
mento do feito, deverá ser pactuado, por Taís e Lia, novo valor a título de ho-
norários advocatícios, não prevalecendo a obrigação anteriormente fixada.

Q Comentários:

Nos termos do art. 24, § 4°, do EAOAB, o acordo feito pelo clien-
te do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do profissio-
nal, não lhe prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os
concedidos por sentença.

GABARITO: B

(FGV - XX Exame de Ordem) A advogada Laila representou judicialmente Rita,


em processo no qual esta postulava a condenação do Município de Manaus ao
cumprimento de obrigação de pagar quantia certa. Fora acordado entre Laila
e Rita o pagamento de valor determinado à advogada, a título de honorários,
por meio de negócio jurídico escrito e válido. Após o transcurso do processo, a
Fazenda Pública foi condenada, nos termos do pedido autoral. Antes da expedi-
ção do precatório, Laila juntou aos autos o contrato de honorários, no intuito de
obter os valores pactuados.
Considerando a situação narrada, é correto afirmar que

A) Laila deverá executar os honorários em face de Rita em processo autônomo,


sendo vedado o pagamento nos mesmos autos, por se tratar de honorários
contratuais e não sucumbenciais.
B) o juiz deverá determinar que os valores acordados a título de honorários se-
jam pagos diretamente a Laila, por dedução da quantia a ser recebida por
Rita, independentement e de concordância desta nos autos, salvo se Rita pro-
var que já os pagou.

PAULO MACHADO 129


1Pemf
liflftM Eticae

C) Laila deverá executar os honorários em face do município de Manaus, em


processo autônomo de execução, sendo vedado o pagamento nos mesmos
autos, por se tratar de honorários contratuais e não sucumbenciais.
D) o juiz poderá determinar que os valores acordados a título de honorários se-
jam pagos diretamente a Laila, por dedução da quantia a ser recebida por
Rita, caso Rita apresente sua concordância nos autos.

Q Comentários:

O art. 22, §4°, do EAOAB determina que, se o advogado fizer


juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de expedir-se o
mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que
lhe sejam pagos diretamente, por dedução da quantia a ser recebida
pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou.

GABARITO: B

(FGV - IV Exame de Ordem) A prescrição para a cobrança de honorários advoca-


tícios tem como termo inicial, consoante as normas estatutárias,
A) o início do contrato de prestação de serviços.
B) a sentença que julga procedente o pedido em favor do cliente do advogado.
C) a data da revogação do mandato.

D) o dia do primeiro ato extrajudicial.

Q Comentários:

Para o art. 25 do EAOAB, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de


cobrança de honorários de advogado, contado o prazo:
I - do vencimento do contrato, se houver;

130 EDITORA A RMADOR J 10 EM ÉTICA • 4 ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae
dflM
II - do trânsito em julgado da decisão que os fixar;
III - da ultimação do serviço extrajudicial;
IV - da desistência ou transação;
V - da renúncia ou revogação do mandato.
Também prescreve em 5 (cinco) anos a ação de prestação de con-
tas pelas quantias recebidas pelo advogado de seu cliente, ou de tercei-
ros por conta dele (art. 25-A, EAOAB).

GABARITO:(

(FGV - VI Exame de Ordem) No caso de arbitramento judicial de honorários,


pela ausência de estipulação ou acordo em relação a eles, é correto afirmar, à luz
das regras estatutárias, que
A) os valores serão livremente arbitrados pelo juiz, sem parâmetros, devendo o
advogado percebê-los.
B) a fixação dos honorários levará em conta o valor econômico da questão.
C) a tabela organizada pela OAB não é relevante para essa forma de fixação.
D) havendo acordo escrito, poderá ocorrer o arbitramento judicial de honorá-
rios.

ÇJ Comentários:

O art. 49 do NCED determina que os honorários profissionais


devem ser fixados com moderação, atendidos os elementos seguin-
tes: a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade das questões
versadas; o trabalho e o tempo necessários; a possibilidade de ficar o
advogado impedido de intervir em outros casos, ou de se desavir com
outros clientes ou terceiros; o valor da causa, a condição econômica
do cliente e o proveito para ele resultante do serviço profissional; o
caráter da intervenção, conforme se trate de serviço a cliente eventual,

PAULO MACHADO 131


1f)emf
UIPI Eticao

frequente ou constante; o lugar da prestação dos serviços, conforme se


trate do domicílio do advogado ou de outro; a competência do profis-
sional; a praxe do foro sobre trabalhos análogos.

GABARITO: B

(FGV -VI Exame de Ordem - Duque de Caxias) Esculápio realiza contrato escri-
to de honorários com Terêncio, no valor de RS 20.000,00. Consoante as normas
estatutárias aplicáveis à espécie, é correto afirmar que
A) esse documento não se reveste passível de futura execução, como título exe-
cutivo.
B) a ausência de pagamento do valor pactuado leva ao arbitramento judicial
dos honorários.
C) o contrato escrito é titulo executivo, podendo o advogado ingressar com
ação de execução dos seus honorários.
D) esse crédito não possui privilégio em eventual insolvência do cliente.

ÇJ Comentários:

O Código de Processo Civil diz que é título executivo aquele con-


ferido por lei. Assim, o art. 24 do EAOAB (Lei 8.906/94) determina
que o contrato de honorários feito por escrito é um título executivo.
Assim, de posse de um título executivo n ão há o que falar em
processo de conhecimento, cabendo ação de execução diretamente.

GABARITO: C

(FGV -VII Exame de Ordem) O advogado João apresentou petição em determi-


nada Vara Cível, pela qual fazia juntar o contrato de honorári os celebrado com
seu cliente para aquela causa, bem como requeria a expedição de mandado de
pagamento em seu nome, a fim de receber seus honorários diretamente, por

132 ED ITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDI ÇAO


1Pemf
Eticae l&UIN
dedução da quantia a ser recebida por seu constituinte. Sobre a hipótese e à luz
do que dispõe o Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a alternativa correta:
A) O advogado tem direito à expedição de mandado de pagamento em seu
nome, para que receba diretamente seus honorários, por dedução da quantia
a ser recebida pelo constituinte, devendo, para tanto, fazer juntar aos autos o
contrato de honorários.
B) O advogado tem direito à expedição de mandado de pagamento em seu
nome, para que receba diretamente seus honorários, por dedução da quantia
a ser recebida pelo constituinte, devendo, para tanto, fazer juntar aos autos o
contrato de honorários, bem como declaração expressa de seu constituinte
anuindo com a realização do pagamento diretamente ao advogado.
C) O advogado não tem direito à expedição de mandado de pagamento em seu
nome, para que receba diretamente seus honorários, por dedução da quantia
a ser recebida pelo constituinte, mas o magistrado pode assim determinar,
caso entenda conveniente.
D) O advogado não tem direito, em hipótese alguma, à expedição de mandado
de pagamento em seu nome, para que receba diretamente seus honorários,
por dedução da quantia a ser recebida pelo constituinte. Mandados de pa-
gamento, incluindo-se aqueles referentes aos honorários do advogado, são
sempre expedidos em nome da parte.

ÇJ Comentários:

Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários


antes de expedir-se o mandado de levantamento ou precatório, o juiz
deve determinar que lhe sejam pagos diretamente, por dedução da
quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os
pagou (art. 22, § 4°, do EAOAB).

GABARITO:A

PAULO M ACHADO 133


1f)emf
Df!M Eticae

CAPÍTULO VII
DAS INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS

Art. 27. A incompatibilidade determina a proibição total


e o impedimento a proibição parcial do exercício da advo-
cacia.

Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa


própria, com as seguintes atividades:
1- chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder
Legislativo e seus substitutos legais;
li - membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério
Público, dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados
especiais, da justiça de paz, juízes classistas, bem como to-
dos os que exerçam função de julgamento em órgãos de
deliberação coletiva da administração pública direta ou
indireta;
.., O Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.127-
8 (DOU de 26.05.06), determinou a exclusão da abrangência dest e inciso para os
juízes eleitorais e seus suplentes.

Ili - ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos


da Administração Pública direta ou indireta, em suas fun-
dações e em suas empresas controladas ou concessioná-
rias de serviço público;
IV - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou
indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os
que exercem serviços notariais e de registro;
V - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou
indiretamente à atividade policial de qualquer natureza;
VI - militares de qualquer natureza, na ativa;

134 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae

VII - ocupantes de cargos ou funções que tenham compe-


tência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tri-
butos e contribuições parafiscais;
VIII - ocupantes de funções de direção e gerência em insti-
tuições financeiras, inclusive privadas.
§ 1° A incompatibilidade permanece mesmo que o ocu-
pante do cargo ou função deixe de exercê-lo temporaria-
mente.
§ 2° Não se incluem nas hipóteses do inciso Ili os que não
detenham poder de decisão relevante sobre interesses
de terceiro, a juízo do Conselho competente da OAB, bem
como a administração acadêmica diretamente relacionada
ao magistério jurídico.

Art. 29. Os Procuradores Gerais, Advogados Gerais, De-


fensores Gerais e dirigentes de órgãos jurídicos da Admi-
nistração Pública direta, indireta e fundacional, são ex-
clusivamente legitimados para o exercício da advocacia
vinculada à função que exerçam, durante o período da
investidura.

Art. 30. São impedidos de exercer a advocacia:


1- os servidores da administração direta, indireta e funda-
cional, contra a Fazenda Pública que os remunere ou à qual
seja vinculada a entidade empregadora;
li - os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes ní-
veis, contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito pú-
blico, empresas públicas, sociedades de economia mista,
fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas
concessionárias ou permissionárias de serviço público.
Parágrafo único. Não se incluem nas hipóteses do inciso 1
os docentes dos cursos jurídicos.

P AULO M ACHADO 135


1!)emf
IMit•I Etica•

Q COMENTAR/OS

0 IMPEDIMENTO E INCOMPATIBILIDADE
Essas nomenclaturas também são encontradas em diversos ra-
mos do Direito, sendo que, em cada um deles, os conceitos e as conse-
qüências variam. No Direito Civil, a título de exemplo, existe o impe-
dimento para o casamento entre irmãos. No Direito Processual Civil
e no Direito Processual Penal, o impedimento é regra de natureza ob-
jetiva em que um juiz, por exemplo, não pode atuar num processo em
que tenha um parentesco muito próximo com o advogado ou com a
parte, ou o advogado que não pode ingressar nos autos de um proces-
so quando já existe aquela relação de parentesco. Para a Deontologia
Jurídica, impedimento e incompatibilidade significam outras coisas
(art. 27 do EAOAB).
Para o Estatuto da Advocacia e da OAB,

136 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4 • EDIÇÃO


1!)emf
Eticae
IMIJ•I
O motivo para a criação de impedimentos e de incompatibilida-
des é o de evitar que alguns advogados levem vantagens ou desvan -
tagens em relação aos demais que não exerçam tais atividades, e até
mesmo por implicações éticas, como no caso supracitado do funcio-
nário vinculado ao Município de Salvador se pudesse advogar con-
tra quem o remunera. As vantagens podem ser em relação à captação
de clientela, ao poder de influência nas decisões, etc. Um exemplo de
desvantagem seria a falta de independência dos militares das Forças
Armadas, que, em virtude do regime próprio a que são subordinados,
podem ficar presos no quartel, vindo a faltar uma audiência ou deixar
de interpor um recurso tempestivamente.
Resumindo, são atividades incompatíveis aquelas que não pode-
rão ser desenvolvidas concomitantem ente com a advocacia. Caso a
pessoa já exerça uma atividade incompatível, não poderá se inscrever
na OAB (mas p ode prestar o Exame da Ordem, conforme visto mais
acima), pois um dos requisitos mencionados no art. 8° do Estatuto
para ser advogado é "n ão exercer atividade incompatível com a ad-
vocacia': Por outro lado, quem já é advogado e depois passa a exercer
qualquer atividade incompatível deverá licenciar-se da OAB ou can-
celar sua inscrição. No impedimento, ele continua com sua inscrição,
ficando apenas uma anotação em sua carteira profissional de que há
restrições para a advocacia.

li>- Casos de incompatibilidade

O art. 28 do Estatuto traz em oito incisos todos os casos de ativi-


dades incompatíveis. Porém, o legislador não definiu quais têm natu-
reza temporária e quais têm caráter definitivo, devendo ser analisadas
cada uma das situações em conjunto com a Constituição, leis ordiná-
rias, leis complementares, leis orgânicas, etc.

1- Chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo


e seus substitutos legais.

P AULO MACHADO 137


1l)emf
IMit•I Eticao

Em razão deste primeiro inciso, não podem exercer a advocacia


os Prefeitos, os Governadores, o Presidente da República e seus subs-
titutos legais (Chefes do Poder Executivo).
Também são incompatíveis os membros da Mesa do Poder Legis-
lativo. Observe que os membros do Poder Legislativo, conforme o art.
30, II, são impedidos (podem exercer a advocacia, menos contra ou a
favor de determinadas pessoas), ao passo que os membros da Mesa
não podem advogar em hipótese alguma.
Para melhor entendimento do leitor, relembremos a composição
do Poder Legislativo no Brasil:
Na União, há o Congresso Nacional, que, por adotar o sistema
do bicameralismo, é integrado pelo Senado Federal (que representa os
Estados e o Distrito Federal) e a Câmara do Deputados (que represen-
ta o povo). Nos Estados existem as Câmaras Legislativas; nos municí-
pios, as Câmaras Municipais; e no Distrito Federal, a Câmara Distrital.
Cada uma dessas Casas tem uma Mesa que a representa (Mesa Direto-
ra), que é formada pelo Presidente, Vice-Presidente e Secretários, cuja
numeração varia de acordo com cada Regimento Interno.
Dessa forma, se o advogado for eleito Deputado Estadual, ele
pode continuar exercendo a advocacia parcialmente, mas, se passar a
ser Presidente da Assembléia Legislativa, deverá solicitar sua licença
da OAB, por se tratar de atividade incompatível temporária.
Aliás, todos os casos deste inciso têm caráter temporário, ense-
jando a licença.

li - membros de órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público,


dos tribunais e conselhos de contas, dos juizados especiais, da justiça
de paz, juízes classistas, bem como todos os que exerçam função de
julgamento em órgãos de deliberação coletiva da administração pú-
blica direta ou indireta.

Uma primeira observação em relação a este inciso é que "mem-


bro" se difere de "servidor': São membros do Poder Judiciário, os ma-

138 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae, Uil•I
gistrados: juízes substitutos, juízes de Direito, desembargadores e os
Ministros dos Tribunais. São membros do Ministério Público os pro-
motores de justiça, procuradores de justiça, procuradores da Repúbli-
ca, procuradores regionais da República.
Outra ressalva é a extinção dos juízes classistas, que eram os ju-
ízes que representavam a classe dos empregados e a classe dos em-
pregadores nas antigas Juntas de Conciliação e Julgamento (JCJ) ao
lado dos juízes togados. Atualmente, temos as Varas do Trabalho, com
juízes togados e sem juízes classistas.
Em relação aos membros dos juizados especiais, não podemos
deixar de mencionar o que dispõe o art. 7°, parágrafo único, da Lei
nº 9.099/95: "Os juízes leigos ficarão impedidos de exercer a advoca-
cia perante os Juizados Especiais, enquanto no desempenho de suas
funções". Parece-nos que, pelo fato de uma lei de mesma hierarquia
(ordinária federal) ter tratado do mesmo assunto de modo diverso, é o
que deve prevalecer na prática.
Por fim, mister salientar que o Supremo Tribunal Federal, por
ocasião do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº
1.127-8, no dia 17 de maio de 2008 (publicado no Diário Oficial da
União em 26.05.2008) ratificou a liminar concedida e decidiu que não
se incluem nessa regra os juízes eleitorais e seus suplentes.

Ili - ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Admi-


nistração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas
empresas controladas ou concessionárias de serviço público.

O art. 28, § 2°, do Estatuto traz duas exceções a este tipo de in-
compatibilidade:
1 - Não se incluem nessa hipótese os que não detenham poder
de decisão relevante sobre interesses de terceiros, a juízo do Conselho
competente da OAB, ou seja, a Ordem irá verificar se na prática há,
ou não, poder de decisão relevante, para definir se haverá, ou não, a
incompatibilidade.

PAULO M ACHADO 139


1Pemf
CHIJ•i Eticae

2 - Também não se incluem no inciso III aqueles que desempe-


nham a administração acadêmica diretamente relacionada ao magis-
tério jurídico.

IV - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indireta-


mente a qualquer órgão do Poder Judiciário e os que exercem servi-
ços notariais e de registro.

O legislador tratou dos membros do Poder Judiciário no inciso


II, e dos servidores e de outros ocupantes de cargos ou funções vincu-
lados direta ou indiretamente ao Judiciário, neste inciso. Fazem parte
desta incompatibilidade os técnicos de atividade judiciária, os analis-
tas judiciários, os contadores judiciais, os assessores dos desembar-
gadores e até m esmo aqueles ligados indiretamente a este Poder, tais
como os p sicólogos, seguranças e demais cargos auxiliares ligados ao
Poder Judiciário.
Encontram-se nessa situação incompatível os que exercem ser-
viços notariais e de registro (tabeliães, notários, registradores e escre-
ventes de cartório extrajudicial).

V - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta ou indireta-


mente à atividade policial de qualquer natureza.

Da mesma forma que no inciso anterior, o Estatuto fez m enção a


vínculo de natureza direta ou indireta, só que aqui é em relação à ati-
vidade policial. Como exemplo, podemos citar os próprios policiais:
policiais federais (agentes, escrivães e delegados), policiais civis (in-
vestigadores, comissários, delegados), policiais militares, policiais ro-
doviários (estaduais e federais), d entre outros (art. 144 da CRFB). São
também incompatíveis os integrantes do Corpo de Bombeiro Militar.
O Órgão Especial do Conselho Federal da OAB decidiu que os
guardas municipais se enquadram nessa hipótese de incompatibilida-
de (processo nº 252/99, DJ 19.10.99).

140 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇAO


1Pemf
Eticae 1Mi1•1
O Provimento nº 62/1988, embora tenha disposto sobre a incom-
patibilidade que cuidava o inciso XII do art. 84 do antigo Estatuto
(Lei nº 4.215/63), ainda nos serve, compreendendo-se entre os cargos
incompatíveis os de perito criminal, papiloscopista e seus auxiliares
(como o auxiliar de necropsia) e médico-legista.
Paulo Luis Netto Lôbo entende que "em virtude da crescente ter-
ceirização, a vedação envolve igualmente os que prestam serviços às
atividades policiais diretas ou indiretas, mesmo que empregados de
empresas privadas" (obra citada, p. 170).

VI - militares de qualquer natureza, na ativa.

São os militares das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aero-


náutica), seja qual for a patente e desde que estejam na ativa.

VII - ocupantes de cargos ou funções que tenham competência de


lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos e contribuições
parafiscais.

É o caso dos fiscais e de outros servidores que tenham competên-


cia de lançamento, arrecadação ou fiscalização de tributos ou contri-
buições parafiscais. Exemplificando, temos os auditores fiscais, fiscais
de receita previdenciária, fiscais de renda e fiscais do trabalho.

VIII - ocupantes de funções de direção e gerência em instituições fi-


nanceiras, inclusive privadas.

A última hipótese de incompatibilidade trazida pelo Estatuto é a


dos diretores e gerentes de instituições financeiras públicas ou priva-
das.

~ Afastamento temporário da atividade incompatível

O § 1° do art. 28 do Estatuto determina que a incompatibilidade


permanece mesmo que os ocupantes de cargos e funções incompa-

PAULO MACHADO 141


1Pemf
Cfifnl Eticao

tíveis deixem de exercê-los temporariamente. Desse modo, os juízes


não poderão advogar enquanto estiverem de férias ou de licença da
magistratura.

~ Afastamento definitivo da atividade incompatível - desincom-


patibilização

Apesar de apenas o art. 28, VI, do EAOAB determinar que a in-


compatibilidade ocorre somente enquanto no exercício da atividade
("na ativà'), às demais hipóteses deve-se dar o mesmo entendimento.
Assim, ex-policiais, ex-fiscais podem advogar.
Uma ressalva há de ser feita no que diz respeito aos magistrados
e aos membros do Ministério Público aposentados ou exonerados. É
que a Emenda Constitucional nº 45/2004 acrescentou o inciso V ao
art. 95, parágrafo único, e o§ 6° ao art. 128. Assim, é vedado a eles o
exercício da advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastaram, antes
de decorridos três anos do afastamento de seus cargos por aposenta-
doria ou exoneração.

~ Casos de impedimento

1- servidores da administração pública direta, indireta e fundacional.

São impedidos, ou seja, estão proibidos de exercer a advocacia


parcialmente, os servidores da administração pública direta, indireta e
fundacional. Neste caso, eles podem advogar, menos contra a Fazenda
Pública que os remunere ou à qual seja vinculada a entidade empre-
gadora.
Aqui encontramos, por exemplo, o funcionário da Prefeitura do
Rio de Janeiro, que só não pode advogar contra o município do Rio
de Janeiro; o agente administrativo do INSS, que não pode advogar
contra a União, por se tratar de autarquia federal; os professores de
escolas estaduais, que não podem litigar contra o Estado; entre outros.

142 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1!)emf
Eticao

~ Exceção para advogados que sejam docentes de cursos jurí-


dicos
º'"'
A exceção legal é para os docentes dos cursos jurídicos (art. 30,
parágrafo único), que, apesar de serem servidores públicos, podem
advogar livremente.
Embora a lei, neste inciso, nada mencione, Marco Antonio Silva
de Macedo Junior e Celso Coccaro discorrem exemplificando na obra
conjunta Ética Profissional e Estatuto da Advocacia (p. 40), que "docen-
te da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (autarquia
estadual) poderá advogar contra o Estado de São Paulo ("Fazenda que
o remunera''), mas não deverá fazê-lo contra a própria Universidade,
em decorrência de limitações éticas".
No entanto, Paulo Lôbo (obra citada, p. 178) entende que os do-
centes dos cursos jurídicos "não sofrem qualquer incompatibilidade
ou impedimento para advogar. Esclarece, ainda, que "essa explicita-
ção deve-se ao fato de que é importante, para a formação dos futu-
ros advogados, o magistério de profissionais qualificados que doutra
forma estariam impedidos de advogar, inclusive totalmente, se sua
especialidade fosse o direito público". Somamos a este entendimento,
por se tratar de exceção legal, ousando apenas salientar outro moti-
vo: se a Constituição possibilita aos magistrados e aos membros do
Ministério Público o exercício de suas atividades cumulativamente
com o magistério (art. 95, parágrafo único, e art. 128, § 5°, II, d, da
Constituição), igual tratamento deve ser estendido aos advogados,
mesmo que em situação privada, sob o aspecto de que não podem
ver prejudicada sua atuação no mercado por causa da docência em
cursos jurídicos públicos. Assim como os juízes e promotores de
justiça não sofrem descontos nos seus subsídios, não vemos moti-
vo para o legislador vedar a advocacia integral para advogados. Há
de ter um tratamento isonômico para os três agentes indispensáveis
à administração da justiça. Embora se saiba que a Constituição se
refere aos casos das exceções à acumulação de cargos públicos, tal

P AULO M ACHADO 143


1Pemf
'ª'"'
como acontece com os profissionais da área da saúde, externamos
aqui o nosso posicionamento sobre o tema.
Eticae

Todavia, como a lei menciona apenas os docentes dos cursos ju-


rídicos, os docentes de outros cursos (medicina, engenharia, letras,
administração) ficam impedidos, nos termos do art. 30, inciso I, do
Estatuto da Advocacia e da OAB.

li - membros do Poder Legislativo

O impedimento deste inciso II é mais abrangente do que o ante-


rior (inciso I). Aqui, o impedimento é maior, estendendo-se contra ou
a favor de qualquer órgão da administração pública direta ou indireta
e não só contra quem ou remunera.

É o caso dos membros do Poder Legislativo, em seus diferentes


níveis (senador, deputado federal, deputado estadual, deputado dis-
trital e vereador), que podem advogar, menos contra ou a favor das
pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de
economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empre-
sas concessionárias ou permissionárias de serviço público.

Impedimentos especiais (ou impedimentos sui generis)

Já foi dito que o Estatuto da Advocacia e da OAB determina que


o impedimento é a proibição parcial do exercício da advocacia. No
entanto, encontramos algumas hipóteses diferentes, nas quais a pessoa
pode advogar, mas somente no âmbito do cargo público que ocupam
ou, então, podem advogar menos no setor onde trabalham. Denomi-
namos aqui "impedimento especial". Essa denominação não pela lei.
Conforme disposto no art. 29 do Estatuto, os Procuradores Ge-
rais, os Advogados Gerais, Defensores Gerais e dirigentes de órgãos
jurídicos da Administração Pública direta, indireta e fundacional, são
exclusivamente legitimados para o exercício da advocacia vinculada à
função que exerçam, durante o período da investidura.

144 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4 • EDIÇÃO


1Pemf
Eticao I Mll•I
Alertamos sobre a possibilidade de outras leis trazerem outras
hipóteses de "impedimentos especiais", como é o caso dos Defensores
Públicos que prestaram concurso anteriormente à Lei Complementar
nº 80/94, podendo advogar particularmente. Os que foram aprovados
em concursos posteriores só podem advogar no âmbito da Defensoria
Pública.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XIX Exame de Ordem) Formaram-se em uma Faculdade de Direito, na


mesma turma, Luana, Leonardo e Bruno. Luana, 35 anos, já exercia função de
gerência em um banco quando se graduou. Leonardo, 30 anos, é prefeito do
município de Pontal. Bruno, 28 anos, é policial militar no mesmo município. Os
três pretendem praticar atividades privativas de advocacia.
Considerando as incompatibilidades e impedimentos ao exercício da advocacia,
assinale a opção correta.

A) Lua na não está proibida de exercer a advocacia, pois é empregada de institu i-


ção privada, inexistindo impedimentos ou incompatibilidades.
B) Bruno, como os servidores públicos, apenas é impedido de exercer a advoca-
cia contra a Fazenda Pública que o remunera.
C) Os três graduados, Luana, Leonardo e Bruno, exercem funções incompatíveis
com a advocacia, sendo determinada a proibição total de exercício das ativi-
dades privativas de advogado.
D) Leonardo é impedido de exercer a advocacia apenas contra ou em favor de
pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de econo-
mia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas conces-
sionárias ou permissionárias de serviço público.

Q Comentários:

Todos exercem atividades incompatíveis, não podendo advogar


em hipótese alguma, nem mesmo em causa própria, como determina

P AULO M ACHADO 145


1Pemf
IMit•I Eticao

o art. 28, I (Chefe do Executivo - prefeito), V (policiais) e VI (gerente


de instituição financeira, inclusive privada).

GABARITO: (

(FGV - VIII Exame de Ordem) José, general de brigada, entusiasmado com a


opção do seu filho pelo curso de Direito, resolve acompanhá-lo nos estudos.
Presta exame vestibular e matricula-se em outra instituição de ensino, também
no curso de Direito. Ambos alcançam o período letivo em que há necessidade de
realizar o estágio forense. José, desejando acompanhar seu filho nas atividades
forenses nas horas de folga, vez que continua na ativa, agora como General de
Divisão, requer o seu ingresso no quadro de estagiários da OAB. A partir do caso
apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) Militar não pode, enquanto permanecer na ativa, inscrever-se no quadro de
advogados, mas se permite a ele a inscrição no quadro de estagiários.
B) Militar não pode, enquanto na ativa, obter inscrição no quadro de advogados
nem no quadro de estagiários.
C) Militar da ativa pode atuar na Justiça Militar especializada, porque se inscreve
no quadro especial de estagiários.
D) Militar de alta patente pode obter inscrição tanto no quadro de estagiários
como no de advogados, mediante permissão especial do Presidente da OAB.

ÇJ Comentários:

O art. 8° do EAOAB traz os requisitos necessários para quem de-


seja se inscrever no quadro de advogados da OAB, sendo um deles não
exercer atividade incompatível com advocacia.
Veja que essa mesma exigência também serve para quem quiser
se inscrever no quadro de estagiários (art. 9°, I, do EAOAB).

GABARITO:B

146 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÁO


1f)emf
Eticae
IMIJ·I
(FGV • VIII Exame de Ordem) Osvaldo é vereador do município "K" e ocu-
pa cargo vinculado à Mesa da Câmara de Vereadores. Necessitando pro-
por ação cominatória em face do seu vizinho Marcos, e sendo advogado,
apresenta-se em Juízo postulando em causa própria. Nos termos das nor-
mas estatutárias, assinale a afirmativa correta.
A) A função de membro do Poder Legislativo impede o advogado de atuar, mes-
mo em causa própria.
B) A eleição para a Mesa Diretora do Poder Legislativo impede o advogado de
atuar, gerando uma incompatibilidade.
C) O mandato de vereador não se inclui dentre as situações de incompatibilida-
de, ocupe ou não cargo na Mesa Diretora.
D) As incompatibilidades dos membros do Poder Legislativo estão circunscritas
aos integrantes do Senado e da Câmara dos Deputados Federal.

Q Comentários:

A incompatibilidade determina a proibição total, e o impedimen-


to, a proibição parcial do exercício da advocacia.
Entre outros casos, são impedidos de exercer a advocacia os mem-
bros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis, contra ou a favor
das pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades
de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou em-
presas concessionárias ou permissionárias de serviço público.
Acontece que quando qualquer um desses membros do Legislati-
vo passa integrar a MESA do Legislativo (Presidente, Vice-presidente
ou Secretário), passa a existir uma incompatibilidade, conforme reza
o art. 28, I, parte final , do EAOAB.

GABARITO: B

PAULO MACHADO 147


1[Jemf
l+HIJ•I Eticae

(FGV - IX Exame de Ordem - lpatinga) Paulo, advogado inscrito na seccional de


seu Estado há 1Oanos, toma posse no cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal
do Brasil. Considerando a hipótese de Paulo continuar a exercer a função de ad-
vogado, assinale a afirmativa correta.
A) Paulo não poderá continuar a exercer a função de advogado, tendo em vista
que passou a exercer função incompatível com a advocacia.
B) Paulo poderá continuar a exercer a advocacia, desde que não advogue contra
a União, que o remunera.
C) Paulo poderá continuar a exercer a advocacia, desde que não atue em causas
envolvendo matéria tributária.
D) Paulo poderá continuar a exercer a advocacia, não havendo qualquer tipo de
impedimento.

ÇJ Comentários:

O art. 28, VII, do EAOAB determina que é atividade incompatí-


vel com a advocacia aquela dos ocupantes de cargos ou funções que
tenham competência de lançamento, arrecadação ou fiscalização de
tributos e contribuições parafiscais.
Pelo fato de o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal ser de
caráter definitivo, deve ocorrer o cancelamento da inscrição do advo-
gado, conforme previsão do art. 11, IV, do EAOAB.

GABARITO: A

(FGV - XII Exame de Ordem) Ângelo, comandante das Forças Especiais do Es-
tado "B''. é curioso em relação às normas jurídicas, cuja aplicação acompanha na
seara castrense, j á tendo atuado em órgãos julgadores na sua esfera de atuação.
Mantendo a sua atividade militar, obtém autorização especial para realizar curso
de Direito, no turno da noit e, em universidade pública, à q ual teve acesso pelo

148 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


10em
Ética. CHIJel
processo seletivo regular de provas. Ângelo consegue obter avaliação favorável
em todas as disciplinas até alcançar o período em que o estágio é permitido. Ele
pleiteia sua inscrição no quadro de estagiários da OAB e que o mesmo seja rea-
lizado na Justiça Militar. Com base no caso narrado, nos termos do Estatuto da
Advocacia, assinale a afirmativa correta.
A) O estágio é permitido, desde que ocorra perante a Justiça Militar especializa-
da.
B) O estágio é permitido, mas, por tratar-se de função incompatível, é vedada a
inscrição na OAB.
C) O estágio poderá ocorrer, mediante autorização especial da Força Armada
respectiva.
D) O estágio possui uma categoria especial que limita a atuação em determina-
dos processos.

Q Comentários:

O aluno de curso jurídico que exerça atividade incompatível com


a advocacia pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva ins-
tituição de ensino superior, para fins de aprendizagem, vedada a ins-
crição na OAB (art. 9°, § 3°, do EAOAB).

GABARITO: B

(FGV - XIII Exame de Ordem) Juarez da Silva, advogado, professor adjunto de


Direito Administrativo em determinada Universidade Federal, foi procurado, na
qualidade de advogado, por um grupo de funcionários públicos federais que de-
sejavam ajuizar determinada ação contra a União.
Pode Juarez aceitar a causa, advogando contra a União?

A) Não. Juarez não pode aceitar a causa, pois está impedido de exercer a advo-
cacia contra a Fazenda Pública que o remunera.

PAULO M ACHADO 149


1f)emf
CHIII Eticae

B) Sim. Juarez poderá aceitar a causa, pois o impedimento de exercício da advo-


cacia contra a Fazenda Pública que remunera os advogados que são servido-
res públicos não inclui a hipótese de docentes de cursos jurídicos.
C) Sim. Juarez poderá aceitar a causa, pois não há nenhum tipo de impedimento
para o exercício da advocacia por servidores públicos.
D) Não. Juarez não poderá aceitar a causa, pois exerce o cargo de professor uni-
versitário, que é incompatível com o exercício da advocacia.

Q Comentários:

Em regra, são impedidos de exercer a advocacia os servidores da


administração direta, indireta e fundacional, contra a Fazenda Pública
que os remunere ou à qual seja vinculada a entidade empregadora.
Entretanto, não se incluem nesse caso os docentes dos cursos ju-
rídicos, que poderão advogar contra a Fazenda Pública que os remu-
nere. Tal exceção ocorre, porque a universidades também precisam de
professores que sejam advogados, sendo certo que, muitos se recusa-
riam a lecionar nessas instituições por estarem perdendo clientes.

GABARITO:B

CAPÍTULO VIII
DA ÉTICA DO ADVOGADO

Art. 31. O advogado deve proceder de forma que o torne


merecedor de respeito e que contribua para o prestígio da
classe e da advocacia.
§ 1° O advogado, no exercício da profissão, deve manter
independência em qualquer circunstância.

150 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1J)emf

'ª'''
Eticao

§2° Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qual-


quer autoridade, nem o de incorrer em impopularidade,
deve deter o advogado no exercício da profissão.

Art. 32. O advogado é responsável pelos atos que, no


exercício profissional, praticar com dolo ou culpa.
Parágrafo único - Em caso de lide temerária, o advogado
será solidariamente responsável com seu cliente, desde
que coligado com este para lesar a parte contrária, o que
será apurado em ação própria.

Art. 33. O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente


os deveres consignados no Código de Ética e Disciplina.
Parágrafo único. O Código de Ética e Disciplina regula os
deveres do advogado para com a comunidade, o cliente, o
outro profissional e, ainda, a publicidade, a recusa do pa-
trocínio, o dever de assistência jurídica, o dever geral de
urbanidade e os respectivos procedimentos disciplinares.

Çl COMENTÁRIOS

0 RESPONSABILIDADE FUNCIONAL DO ADVOGADO

O advogado, no exercício da sua profissão, está sujeito a serres-


ponsabilizado por ações ou omissões que possam vir a causar prejuízo
a clientes ou a terceiros.
Assim, a responsabilidade funcional (ou profissional) se divide
em três tipos: responsabilidade civil, responsabilidade penal e res-
ponsabilidade disciplinar. Essas esferas são independentes umas das
outras. O advogado pode, por exemplo, com uma conduta inadequa-

P AULO M ACHADO 151


1f)emf
CHIEI Eticao

da, cometer uma infração disciplinar, mas não causar prejuízo ao seu
cliente e nem praticar um crime.
A seguir, faremos uma breve abordagem de cada uma dessas res-
ponsabilidades.

~ Responsabilidade civil

São vários os dispositivos no ordenamento jurídico pátrio que


tratam da responsabilidade civil aplicada ao advogado.
Podemos começar citando o art. 186 do Código Civil, que traz
a regra geral da responsabilidade civil e que também alcança o ad-
vogado: ''.Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusi-
vamente moral, comete ato ilícito:'
O Estatuto da Advocacia e da OAB, no art. 32, expôs uma regra
semelhante, porém, direcionada ao profissional da advocacia: "O ad-
vogado é responsável pelos atos que, no exercício profissional, praticar
com dolo ou culpa:'
Veja que, pela simples leitura dos artigos acima transcritos, ares-
ponsabilidade civil do advogado é subjetiva, ou seja, exige a verifica-
ção da culpa.
Para alguns autores, os prejuízos eventualmente causados pelo
advogado aos clientes não escaparam da órbita do Código de Defesa
do Consumidor (Lei nº 8.078/90), que, ao conceituar "fornecedor': en-
quadrou toda pessoa física prestadora de serviço em seu mecanismo
de proteção ao cliente:

"Art. 3°. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada,


nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizad os, que
desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização
de produtos ou prestação de serviços:'

152 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticao liffiil
Uma observação importante é que o CDC adotou como regra
a responsabilidade objetiva. O art. 14, caput, diz que "o fornecedor
de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos
à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos:' Entretanto, o próprio CDC
se excepciona no art. 14, § 4°: "A responsabilização pessoal dos pro-
fissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa'~ Aqui,
confirma-se que a responsabilidade civil do advogado, pelos danos
causados aos clientes, decorrentes de seus serviços advocatícios, exi-
gem a verificação da culpa.

1111- Lide temerária

A lide temerária ocorre quando o advogado, em conluio com o


cliente, altera a verdade dos fatos com o objetivo de prejudicar outrem.
Ao discorrer sobre o assunto, Paulo Lôbo (obra citada, página
189) diz que a "lide temerária, no entanto, não se presume, nem pode
a condenação decorrente ser decretada pelo juiz na mesma ação. Tam-
pouco basta a prova da temeridade, que pode ser resultado da inexpe-
riência ou da simples culpa do advogado. Para responsabilizar o advo-
gado e imprescindível a prova do dolo:'
O Estatuto da Advocacia e da OAB não deixou passar desperce-
bido o tema e dispôs no parágrafo único do art. 32 que "em caso de
lide temerária, o advogado será solidariamente responsável com seu
cliente, desde que coligado com este para lesar a parte contrária, o
que será apurado em ação própria:' Existe, ainda, um mandamento
no Código de Ética que proíbe o advogado expor os fatos em juízo
falseando deliberadamente a verdade ou estribando-se na má-fé (art.
6°, Novo CED).
Podemos citar como exemplo de lide temerária, o advogado que,
mesmo sabendo que um cliente (credor) já recebeu o valor da dívida,

P AULO MACHADO 153


1!)emf
l;filil Eticav

valendo-se da ciência que de que o devedor não tem recibo de quita-


ção, propõe uma ação de cobrança em face deste .

.., Responsabilidade Penal


Longe da intenção de esgotar o assunto, até mesmo por se tra-
tar de matéria criminal, comentaremos brevemente a seguir alguns
crimes próprios do advogado, ressaltando também alguns aspectos
deontológicos.

a) Violação de segredo profissional (art. 154, CP)


A escolha do advogado pelo cliente e a relação profissional entre
os dois são calcadas na fidúcia. Para tanto, o cliente deve se sentir à
vontade e bem confiante para que possa revelar todas as nuances do
fato, a fim de que o advogado possa exercer de maneira plena o seu
mister. Desse modo, as informações que o advogado obtiver no exer-
cício da sua profissão têm de ser resguardadas e utilizadas apenas nos
limites da defesa ou da acusação, sobretudo quando se trata de pro-
cesso sob segredo de justiça. Entretanto, há fatos revelados ao advoga-
do que não precisam ser utilizados no processo, ficando por conta de
complemento ao fato principal ou como desabafo por parte do cliente.
Nesse caso, deve o advogado guardar o segredo. O segredo guardado
não é do advogado, é do cliente.
O Código Penal tipificou como crime de violação de segredo
profissional "o comportamento do agente que, sem justa causa, reve-
la a alguém segredo que teve ciência em razão de função, ministério,
ofício ou profissão, revelação essa capaz de produzir dano a outrem''
(Rogério Grecco, "Curso de Direito Penal': volume III, Editora Impe-
tus, 2006, p. 663 ). Quando a confiança é violada sem que haja um justo
motivo, há de ser responsabilizado aquele que descumpriu o dever de
fidelidade.
Para que seja configurado o crime em questão, devem estar pre-
sentes os seguintes requisitos: (1) ser um segredo; (2) o segredo ter

154 EDITORA A RMADOR J 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMIFI
sido obtido pelo agente em razão de sua atividade (função, ministério,
ofício ou profissão); (3) revelação a outrem; (4) sem justa causa e (5)
potencialidade de causar dano a alguém.
A respeito do justo motivo (que especialmente nos interessa para
a prática, a fim de que se possa revelar o segredo sem, contudo, confi-
gurar o crime), trata-se de verdadeiro estado de necessidade, em vir-
tude do conflito de dois interesses, devendo um ser suprimido pela
"maior importância" do outro naquele momento. Sobre isso, o art. 37
do Código de Ética e Disciplina traz algumas informações importan-
tes. Vejamos:

"Art. 37. O sigilo profissional cederá em face de circunstâncias excepcio-


nais que configurem justa causa, como nos casos de grave ameaça ao di-
reito à vida e à honra ou que envolvam defesa própria:'

É evidente que a defesa da vida e da honra, bem como a defesa


contra a afronta advinda do próprio cliente, devem prevalecer no con-
fronto com o direito ao sigilo, razão pela qual admite-se a violação.
O Novo CED tratou do assunto de forma mais detalhada do que
o CED anterior. Vejamos o teor das novas redações:

Art. 35. O advogado tem o dever de guardar sigilo dos fatos de que tome
conhecimento no exercício da profissão.
Parágrafo único. O sigilo profissional abrange os fatos de que o advogado
tenha tido conh ecimento em virtude de funções desempenhadas na Or-
dem dos Advogados do Brasil.
Art. 36. O sigilo profissional é de ordem pública, independendo de solici-
tação de reserva que lhe seja feita pelo cliente.
§ 1° Presumem-se confidenciais as comunicações de qualquer natureza
entre advogado e cliente.
§ 2° O advogado, quando no exercício das funções de mediador, concilia-
dor e árbitro, se submete às regras de sigilo profissional.
Art. 37. O sigilo profissional cederá em face de circun stâncias excepcionais
que configurem justa causa, como nos casos de grave ameaça ao direito à
vida e à honra ou que envolvam defesa própria.

PAULO M ACHADO 155


1{Jemf

'ª'''
Eticao

Art. 38. O advogado não é obrigado a depor, em processo ou procedi-


mento judicial, administrativo ou arbitral, sobre fatos a cujo respeito deva
guardar sigilo profissional.

b) Sonegação de autos
O advogado tem o direito de obter vista dos autos por um prazo
que pode variar em função de determinação legal ou judicial. Ultra-
passado o prazo, o advogado deverá devolvê-los ao respectivo cartório
ou secretaria. Não havendo a devolução dentro do prazo, o juiz deter-
minará que o oficial de justiça o intime, a fim de que sejam entregues
em 24 (vinte e quatro) horas. Ainda assim não os devolvendo, as se-
guintes conseqüências poderão advir:
b.l) busca e apreensão dos autos;
b.2) perda de vista daqueles autos fora do cartório;
b.3) responsabilização criminal (art. 356, CP);
b.4) sanção disciplinar de suspensão (art. 34, XXII, c/c art. 37, I,
todos do EAOAB);
b.5) responsabilidade civil em caso de prejuízo (art. 32, EAOAB).

e) Patrocínio infiel
O crime de patrocínio infiel está tipificado no art. 355, caput, do
Código Penal e ocorre quando o advogado, ou o procurador judicial,
trai o dever profissional, causando prejuízo a quem lhe confiou opa-
trocínio de uma causa.
Como visto, trata-se de crime cujo sujeito ativo é o advogado.
Para Cezar Roberto Bitencourt, a expressão "ou procurador judicial"
pode ser interpretada como advogado público, "compreendendo-se
como tais os advogados membros da Advocacia-Geral da União, da
Procuradoria da Fazenda Nacional, das Defensorias Públicas, Procu-
radorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, Municípios, Distrito
Federal, Autarquias e demais entidades da administração indireta e

156 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f}emf
Eticae IMIEI
fundacional." E continua: "É perfeitamente admissível a participação
de terceiros, incluindo-se os estagiários:'

d) Tergiversação e patrocínio simultâneo (art. 355, parágrafo


único, CP);
O Código Penal pune, no parágrafo único do art. 355 do Código
Penal, a conduta do advogado que patrocina os interesses de partes
opostas na mesma causa.
A primeira conduta incriminada é a tergiversação, que consiste
em o advogado, ou o procurador judicial (veja mais sobre o procura-
dor judicial nos comentários ao crime de patrocínio infiel logo acima),
mudar de lado, ou seja, após a sua renúncia ou a revogação pelo clien-
te, passar a atuar para a parte contrária. A outra conduta, patrocínio
infiel, acontece quando o profissional defende os interesses de partes
antagônicas, ao mesmo tempo, na mesma causa. Para Bitencourt, o
termo "partes contrárias" deve ser entendido como pessoas com inte-
resses divergentes na mesma relação jurídico-processual, mesmo não
estando como partes naquele processo, como é caso do denunciado e
do lesado, que são partes contrárias em uma ação penal, mesmo que
este não esteja habilitado corno assistente do Ministério Público (obra
citada, p. 1207).

e) Exercício de atividade com infração de decisão administra-


tiva (art. 205, CP)
Configura-se o crime em questão quando alguém exerce ativi-
dade de que está impedido por decisão administrativa. Explica Cezar
Bitencourt que este delito pode ser entendido como um tipo sui gene-
ris de crime próprio, eis que, embora não seja exigido pelo tipo penal
uma condição especial do agente, o ilícito apenas pode ser praticado
por quem está impedido de exercer o seu trabalho, ofício ou profissão.
Para o advogado, é a hipótese de haver decisão da OAB suspen-
dendo-o ou excluindo-o de seus quadros. É claro que, na pendência

P AULO M ACHADO 157


1f)emf
IMiil Etka0

de recurso com efeito suspensivo ou sem trânsito em julgado, não há


se falar neste ilícito penal. Trata-se de crime habitual, não se punindo
a conduta isolada (Cezar Roberto Bitencourt, obra citada, p. 781).

Responsabilidade disciplinar - remetemos o leitor aos comentários


aos arts. 34 ao 41 do EAOAB.

0 DEVERES DO ADVOGADO NO CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA

O Código de Ética e Disciplina é um ato normativo editado pelo


Conselho Federal da OAB, podendo, portanto, ser alterado por esse
mesmo órgão (art. 54, V, do EAOAB). Desta forma, no ano 2015 foi
aprovado o Novo CED e entrou em vigor no dia 1° de setembro de
2016, já tendo sofrido alterações (que já estão inseridas nesta edição).
Embora o Código de Ética e Disciplina não seja uma norma em
sentido formal (é uma norma em sentido material), o seu respeito pe-
los advogados é imposto pelo art. 33 da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da
Advocacia e da OAB) e a sua violação é punida com uma censura apli-
cada pela OAB (art. 36, I, do EAOAB).

"Art. 33. O advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres con-


signados no Cód igo de Ética e Disciplina''.

A ausência, no Código de Ética e Disciplina, de definição ou


orientação a respeito de questão de ética profissional da advocacia,
relevante para o exercício da profissão, enseja consulta e manifestação
do Tribunal de Ética e Disciplina ou do Conselho Federal.
O Presidente do Conselho Seccional, da Subseção ou do Tribunal
de Ética e Disciplina deve chamar a atenção do responsável, quando
tiverem ciência de transgressão às normas do CED, sem prejuízo da
instauração do devido procedimento, a fim de serem apuradas as in-
frações.

158 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Etica• Cflifl
O Novo Código de Ética e Disciplina é dividido em três Títulos,
que regulam os deveres do advogado para com a comunidade, o clien-
te, o outro profissional e, também, a questão da publicidade, da recusa
do patrocínio, do dever de assistência jurídica, do dever geral de ur-
banidade e dos respectivos procedimentos disciplinares, do advogado
público, da advocacia pro bono, entre outros. O Título I trata da "Ética
do Advogado" (arts. 1º ao 54), o Título II, do "Processo Disciplinar"
(art. 55 ao 72) e o Título III, "Das disposições gerais e transitórias"
(arts. 73 ao 80).
Assim como a Constituição da República Federativa do Brasil, o
Novo Código de Ética e Disciplina é iniciado com um preâmbulo, no
qual estão inseridos os princípios norteadores da ética do advogado,
com os seguintes dizeres:
"O CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGA-
DOS DO BRASIL, ao instituir o Código de Ética e Disciplina,
norteou-se por princípios que formam a consciência profis-
sional do advogado e representam imperativos de sua con-
duta, os quais se traduzem nos seguintes mandamentos: lutar
sem receio pelo primado da Justiça; pugnar pelo cumprimento
da Constituição e pelo respeito à Lei, fazendo com que o or-
denamento jurídico seja interpretado com retidão, em perfei-
ta sintonia com os fins sociais a que se dirige e as exigências
do bem comum; ser fiel à verdade para poder servir à Justiça
como um de seus elementos essenciais; proceder com lealda-
de e boa-fé em suas relações profissionais e em todos os atos
do seu ofício; empenhar-se na defesa das causas confiadas ao
seu patrocínio, dando ao constituinte o amparo do Direito,
e proporcionando-lhe a realização prática de seus legítimos
interesses; comportar-se, nesse mister, com independência e
altivez, defendendo com o mesmo denodo humildes e pode-
rosos; exercer a advocacia com o indispensável senso profis-
sional, mas também com desprendimento, jamais permitindo
que o anseio de ganho material sobreleve a finalidade social do

PAULO M ACHADO 159


1f)emf
IM!il Etica•

seu trabalho; aprimorar-se no culto dos princípios éticos e no


domínio da ciência jurídica, de modo a tornar-se merecedor
da confiança do cliente e da sociedade como um todo, pelos
atributos intelectuais e pela probidade pessoal; agir, em suma,
com a dignidade e a correção dos profissionais que honram e
engrandecem a sua classe.

Inspirado nesses postulados, o Conselho Federal da Ordem dos


Advogados do Brasil, no uso das atribuições que lhe são conferidas
pelos arts. 33 e 54, V, da Lei n. 8.906, de 04 de julho de 1994, aprova
e edita este Código, exortando os advogados brasileiros à sua fiel ob-
A • ))

servancia.

~ Deveres do advogado

Logo no primeiro artigo, o Código de Ética exige do advogado


conduta compatível com os seus preceitos, bem como com os do Esta-
tuto da Advocacia e da OAB, do Regulamento Geral, dos provimentos
e dos demais princípios da moral individual, social e profissional.
De forma explícita, o parágrafo único do art. 2°, do Código de
Ética e Disciplina diz que são deveres do advogado:

"Art. 2° O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor


do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fun-
damentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, cum-
prindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada
função pública e com os valores que lhe são inerentes.
Parágrafo único. São deveres do advogado:
1- preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profis-
são, zelando pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da ad-
vocacia;
li - atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidad e,
lealdade, dignidade e boa-fé;
Ili - velar por sua reputação pessoal e profissional;

160 EDITORA A RMADOR 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇAO


1Pemf
Eticao IMiil
IV - empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e pro-
fissional;
V - contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis;
VI - estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os liti-
gantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios;
VII - desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de via-
bilidade jurídica;
VIII - abster-se de:
a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente;
b) vincular seu nome ou nome social a empreendimentos sabidamente
escusos;
c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honesti-
dade e a dignidade da pessoa humana;
d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono cons-
tituído, sem o assentimento deste;
e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante auto-
ridades com as quais tenha vínculos negociais ou familiares;
f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes.
IX - pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos
direitos individuais, coletivos e difusos;
X - adotar conduta consentânea com o papel de elemento indispensável
à administração da Justiça;
XI - cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados
do Brasil ou na representação da classe;
XII - zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia;
XIII - ater-se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa
dos necessitados:'

Lembra-nos o Código de Ética e Disciplina que o advogado deve


ter consciência de que o Direito é um meio de mitigar as desigualda-
des para o encontro de soluções justas e que a lei é um instrumento
para garantir a igualdade de todos.
Por força do art. 4°, o advogado, ainda que vinculado ao clien-
te ou constituinte, mediante relação empregatícia ou por contrato de
prestação permanente de serviços, ou corno integrante de departa-

PAULO MACHADO 161


.,,, 1!)emf
Eticae

mento jurídico, ou de órgão de assessoria jurídica, público ou priva-


do, deve zelar pela sua liberdade e independência. Infelizmente, na
prática, seja no setor público ou no setor privado, deparamo-nos com
diversos advogados receosos em cumprir esse dever por atitudes pre-
potentes de alguns empregadores, sob a constante ameaça de se verem
desempregados ...
No art. 4°, parágrafo único, do Novo CED determina-se que é
legítima a recusa, pelo advogado, do patrocínio de causa e de mani-
festação, no âmbito consultivo, de pretensão concernente a direito que
também lhe seja aplicável ou contrarie orientação que tenha manifes-
tado anteriormente.
Foi mantida a imposição que havia no anterior CED, ao dispor
que o exercício da advocacia é incompatível com qualquer procedi-
mento de mercantilização e que é vedado o oferecimento de serviços
profissionais que implique, direta ou indiretamente, angariar ou cap-
tar clientela.
O Capítulo III do Título I do Código de Ética e Disciplina anun-
cia os deveres dos advogados em suas relações com os clientes (arts.
9° ao 26) em uma linguagem bem clara e auto-explicativa, razão pela
qual apenas os transcreveremos a seguir:

"Art. 9° O advogado deve informar o cliente, de modo claro e inequívo-


co, quanto a eventuais riscos da sua pretensão, e das consequências que
poderão advir da demanda. Deve, igualmente, denunciar, desde logo, a
quem lhe solicite parecer ou patrocínio, qualquer circunstância que possa
influir na resolução de submeter-lhe a consulta ou confiar-lhe a causa.
Art. 1O. As relações entre advogado e cliente baseiam-se na confiança re-
cíproca. Sentindo o advogado que essa confiança lhe falta, é recomendá-
vel que externe ao cliente sua impressão e, não se dissipando as dúvidas
existentes, promova, em seguida, o substabelecimento do mandato ou a
ele renuncie.
Art. 11. O advogado, no exercício do mandato, atua como patrono da par-
te, cumprindo-lhe, por isso, imprimir à causa orientação que lhe pareça
mais adequada, sem se subordinar a intenções contrárias do cliente, mas,
antes, procurando esclarecê-lo quanto à estratégia t raçada.

162 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1[Jemf
Eticae .,,,
Art. 12. A conclusão ou desist ência da causa, tenha havido, ou não, extin-
ção do mandato, obriga o advogado a devolver ao cliente bens, valores e
documentos que lhe hajam sido confiados e ainda estejam em seu poder,
bem como a prestar-lhe contas, pormenorizadamente, sem prejuízo de
esclarecimentos complementares que se mostrem pertinentes e neces-
sários.
Parágrafo único. A parcela dos honorários paga pelos serviços até então
prestados não se inclui ent re os valores a ser devolvidos.
Art. 13. Concluída a causa ou arquivado o processo, presume-se cumprido
e extinto o mandato.
Art. 14. O advogado não deve aceitar procuração de quem j á tenha pa-
trono constituído, sem prévio conhecimento deste, salvo por motivo
plenamente justificável ou para adoção de medidas judiciais urgentes e
inadiáveis.
Art. 15. O advogado não d eve deixar ao abandono ou ao desamparo as
ca usas sob seu patrocínio, sendo recomendável que, em face de dificul-
dades insuperáveis ou inércia do cliente quanto a providências que lhe
tenham sido solicitadas, renuncie ao mandato.
Art. 16. A renúncia ao patrocínio deve ser feita sem menção do motivo
que a determinou, fazendo cessar a responsabilidade profissional pelo
acompanhamento da ca usa, uma vez decorrido o prazo previsto em lei
(EAOAB, art. 5°, § 3°).
§ 1° A renúncia ao mandato não exclui responsabilidade por danos eventu-
almente causados ao cliente ou a terceiros.
§ 2° O advogado não será responsabilizado por omissão do cliente quanto
a documento ou informação que lhe devesse fornecer para a prática opor-
tuna de ato processual do seu interesse.
Art. 17. A revogação do mandato judicial por vont ade do cliente não o
desobriga do pagamento das verbas honorárias contratadas, assim como
não retira o direito do advogado de receber o q uanto lhe seja devido em
eventual verba honorária de sucumbência, calculada proporcionalmente
em face do serviço efetiva mente prestado.
Art. 18. O mandato judicial ou extrajudicial não se extingue pelo decurso
de t empo, salvo se o contrário for consignado no respectivo instrumento.
Art. 19. Os advogados integrantes da mesma sociedade profissional, ou
reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca, não podem
representar, em juízo ou fora dele, clientes com interesses opostos.

PAULO MACHADO 163


1Pemf
IMIEI Eticae

Art. 20. Sobrevindo conflitos de interesse entre seus constituintes e não


conseguindo o advogado harmonizá-los, caber-lhe-á optar, com prudên-
cia e discrição, por um dos mandatos, renunciando aos demais, resguar-
dado sempre o sigilo profissional.
Art. 21. O advogado, ao postular em nome de terceiros, contra ex-cliente
ou ex-empregador, judicial e extrajudicialmente, deve resguardar o sigilo
profissional.
Art. 22. Ao advogado cumpre abster-se de patrocinar causa contrária à va-
lidade ou legitimidade de ato jurídico em cuja formação haja colaborado
ou intervindo de qualquer maneira; da mesma forma, deve declinar seu
impedimento ou o da sociedade que integre quando houver conflito de
interesses motivado por intervenção anterior no trato de assunto que se
prenda ao patrocínio solicitado.
Art. 23. É direito e dever do advogado assumir a defesa criminal, sem con-
siderar sua própria opinião sobre a culpa do acusado.
Parágrafo único. Não há causa criminal indigna de defesa, cumprindo ao
advogado agir, como defensor, no sentido de que a todos seja concedido
t ratamento condizente com a dignidade da pessoa humana, sob a égide
das garantias constitucionais.
Art. 24. O advogado não se sujeita à imposição do cliente que pretenda
ver com ele atuando outros advogados, nem fica na contingência de acei-
tar a indicação de outro profissional para com ele trabalhar no processo.
Art. 25. É defeso ao advogado funcionar no mesmo processo, simultanea-
mente, como patrono e preposto do empregador ou cliente.
Art. 26. O substabelecimento do mandato, com reserva de poderes, é ato
pessoa l do advogado da causa.
§ 10 O substabelecimento do mandato sem reserva de poderes exige o
prévio e inequívoco conhecimento do cliente.
§ 2° O substabelecido com reserva de poderes deve ajustar antecipada-
mente seus honorários com o substabelecente:'

..., Sigilo profissional e honorários advocatícios

O Código de Ética e Disciplina também tratou dos temas relati-


vos ao sigilo profissional e aos honorários advocatícios. Porém, para

164 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1!)emf
Eticae

melhor didática, tais assuntos foram abordados em tópicos separados


nos capítulos anteriores deste livro .
ª'''
.._ Dever de urbanidade

Extrema importância tem o modo como o advogado irá tratar o


público, os colegas, as autoridades e os funcionários do juízo. Por isso,
o Novo Código de Ética e Disciplina passou a tratar o assunto com
mais riqueza de detalhes no capítulo intitulado "DAS RELAÇÕES
COM OS COLEGAS, AGENTES POLfTICOS, AUTORIDADES,
SERVIDORES PÚBLICOS E TERCEIROS" (arts. 27 ao 29).

"Art. 27. O advogado observará, nas suas relações com os colegas de pro-
fissão, agentes políticos, autoridades, servidores públicos e terceiros em
geral, o dever de urbanidade, tratando a todos com respeito e conside-
ração, ao mesmo tempo em que preservará seus direitos e prerrogat ivas,
devendo exigir igual tratamento de todos com quem se relacione.
§ 1° O dever de urban idade há de ser observado, da mesma forma, nos
atos e manifestações relacionados aos pleitos eleitorais no âmbito da Or-
dem dos Advogados do Brasil.
§ 2° No caso de ofensa à honra do advogado ou à imagem da instituição,
adota r-se-ão as medidas cabíveis, instaurando-se processo ético-disci-
plinar e dando-se ciência às autoridades competentes para apuração de
eventual ilícito penal.
Art. 28. Consideram-se imperativos de uma corret a atuação profissional o
emprego de linguagem escorreita e polida, bem como a observância da
boa técnica jurídica.
Art. 29. O advogado que se va ler do concurso de colegas na prestação
de serviços advocatícios, seja em caráter individual, seja no âmbito de
sociedade de advogados ou de empresa o u entidade em que trabalhe,
dispensar-lhes-á tratamento condigno, que não os torne subalternos seus
nem lhes avilte os serviços prestad os mediante remuneração incompatí-
vel com a natureza do trabalho profissional ou inferior ao mínimo fixado
pela Tabela de Honorários que for aplicável.
Parágrafo único. Quando o aviltamento de honorários for praticado por
empresas ou entidades públicas ou privadas, os advogados responsáveis
pelo respectivo departamento ou gerência jurídica serão instados a corri-

PAULO MACHADO 165


1!)emf
1;u111 Eticae

giro abuso, inclusive intervindo junto aos demais órgãos competentes e


com poder de decisão da pessoa jurídica de que se trate, sem prejuízo das
providências que a Ordem dos Advogados do Brasil possa adotar com o
mesmo objetivo:·

0 PUBLICIDADE PROFISSIONAL
A questão da publicidade dos serviços advocatícios está abordada
nos arts. 39 ao 47 do Novo Código de Ética e Disciplina, que manteve
a permissão da publicidade, mas com algumas restrições. Não se ad-
mite, em nosso país, o uso de expressões que possam captar clientes,
nem a divulgação da advocacia em conjunto com outra atividade. Ve-
da-se, ainda, a veiculação pelo rádio e pela televisão e a denominação
de nome fantasia.
A fim de se alcançar todos os detalhes acerca deste relevante
tema, vejamos a seguir as novas redações:

"Art. 39. A publicidade profissional do advogado tem caráter meramente


informativo e deve primar pela discri ção e sobriedade, não podendo con-
figurar captação de clientela ou mercantilização da profissão.
Art. 40. Os meios utilizados para a publicidade profissional hão de ser
compatíveis com a diretriz estabelecida no artigo anterior, sendo veda-
dos:
1- a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão;
li - o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de pu-
blicidade;
Ili - as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer
espaço público;
IV - a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras
atividades ou a indicação de vínculos entre uns e outras;
V - o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em
colunas ou artigos literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publica-
dos na imprensa, bem assim quando de eventual participação em pro-
gramas de rádio o u televisão, ou em veiculação de matérias pela internet,
sendo permitida a referência a e-mail;

166 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


10em
Ética• IMiil
VI - a utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas asse-
melhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela.
Parágrafo único. Exclusivamente para fins de identificação dos escritórios
de advocacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e ins-
crições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas no
artigo 39.
Art. 41 . As colunas que o advogado mantiver nos meios de comunicação
social ou os textos que por meio deles divulgar não deverão induzir o lei-
tor a litigar nem promover, dessa forma, captação de clientela.
Art. 42. É vedado ao advogado:
1 - responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos
meios de comunicação social;
li - debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de
outro advogado;
Ili - abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da
instituição que o congrega;
IV - divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas;
V - insinuar-se para reportagens e declarações públicas.
Art. 43. O advogado que eventualmente participar de programa de te-
levisão ou de rádio, de entrevista na imprensa, de reportagem televisio-
nada ou veiculada por qualquer outro meio, para manifestação profis-
sional, deve visar a objetivos excl usivamente ilustrativos, educacionais e
instrutivos, sem propósito de promoção pessoal ou profissional, vedados
pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de
profissão.
Parágrafo único. Quando convidado para manifestação pública, por qual-
quer modo e forma, visando ao esclarecimento de t ema jurídico de inte-
resse geral, deve o advogado evitar insinuações com o sentido de promo-
ção pessoal ou profissional, bem como o debate de caráter sensaciona-
lista.
Art. 44. Na publicidade profi ssional que promover ou nos cartões e ma-
terial de escritório de que se utilizar, o advogado fará constar seu nome,
nome social ou o da sociedade de advogados, o número ou os números
de inscrição na OAB.
§ 1° Poderão ser referidos apenas os títul os acadêmicos do advogado e as
distinções honoríficas relacionadas à vida profissional, bem como as insti-
tuições jurídicas de que faça parte, e as especialidades a que se dedicar, o
endereço, e-mail, site, página eletrônica, QR code, logotipo e a fotografia

P AULO MACHADO 167


1!)emJ
CHifl Eticae

do escritório, o horário de atendimento e os idiomas em que o cliente


poderá ser atendido.
§ 2° É vedada a inclusão de fotografias pessoais ou de terceiros nos car-
tões de visitas do advogado, bem como menção a qualquer emprego,
cargo ou função ocupado, atual ou pretérito, em qualquer órgão ou insti-
tuição, salvo o de professor universitário.
Art. 45. São admissíveis como formas de publicidade o patrocínio de
eventos ou publicações de caráter científico ou cultural, assim como a di-
vulgação de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultu-
ral de interesse dos advogados, desde que sua circulação fique adstrita a
clientes e a interessados do meio jurídico.
Art. 46. A publicidade veiculada pela internet ou por outros meios eletrô-
nicos deverá observar as diretrizes estabelecidas neste capítulo.
Parágrafo único. A telefonia e a internet podem ser utilizadas como veí-
culo de publicidade, inclusive para o envio de mensagens a destinatários
certos, desde que estas não impliquem o oferecimento de serviços ou re-
presentem forma de captação de clientela.
Art. 47. As normas sobre publicidade profissional constantes deste capítu-
lo poderão ser complementadas por outras que o Conselho Federal apro-
var, observadas as diretrizes do presente Código:'

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - V Exame de Ordem) Crésio é procurado por cliente que j á possui ad vo-
gado constituído nos autos. Prontamente recusa a atua ção até que seu cliente
apresente a quitação dos honorários acord ados e proceda à revogação dos po-
deres q ue foram conferidos para o exercício do mandato. Após cumpridas essas
formalidades, comprovadas documentalmente, Crésio apresenta sua procuração
nos autos e requ er o prosseguimento do processo. À luz das normas aplicáveis,
é correto afirmar que
A) a revogação do mandato exime o cliente do pagam ento de hono rári os acor-
dados.

168 EDITORA A RMADOR J 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
Éticae
IMiil
B) permite-se o ingresso do advogado no processo mesmo que atuando outro,
sem sua ciência.
C) o advogado deve, antes de assumir mandato, procurar a ciência e autorização
do antecessor.
D) a verba de sucumbência deixa de ser devida após a revogação do mandato
pelo cliente.

Q Comentários:

Salvo melhor juízo, essa questão deveria ter sido anulada, uma
vez que não existe nenhuma determinação no sentido de que deve ha-
ver "autorização" do advogado anterior, seja no Estatuto da Advocacia,
seja no Regulamento Geral, seja no Código de Ética e Disciplina (no
antigo e no novo).

GABARITO:(

(FGV - VI Exame de Ordem) Daniel, advogado, resolve divulgar seus trabalhos


contratando empresa de propaganda e marketing. Esta lhe apresenta um plano
de ação, que inclui a contratação de jovens, homens e mulheres, para a distribui-
ção de prospectas de propaganda do escritório, coloridos, indicando as especia-
lidades de atuação e apresentando determinados temas que seriam considera-
dos acessíveis à multidão de interessados. O projeto é realizado. Em relação a t al
projeto, consoante as normas aplicáveis aos advogados, é correto afirmar que
A) a moderna advocacia assume características empresariais e permite publici-
dade como a apresentada.
B) atividades moderadas como as sugeridas são admissíveis.
C) desde que autorizada pela OAB, a propaganda pode ser realizada.
D) existem restrições ética s à propaganda da advocacia, entre as quais as referi-
das no texto.

P AULO MACHADO 169


1f)emf
MHIFI Etica•

ÇJ Comentários:

Correspondências, comunicados e publicações, versando sobre


constituição, colaboração, composição e qualificação de componen-
tes de escritório e especificação de especialidades profissionais, bem
como boletins informativos e comentários sobre legislação, somente
podem ser fornecidos a colegas, clientes, ou pessoas que os solicitem
ou os autorizem previamente.
Constitui infração disciplinar angariar ou captar causas, com ou
sem a intervenção de terceiros (art. 34, III, do EAOAB).

GABARITO: D

(FGV - VI Exame de Ordem · Duque de Caxias) O escritório de advocacia do Dr.


Za ngão decide patrocinar programa televisivo juntamente com um supermer-
cado e uma companhia de cervejas. O programa é de estilo popular, com belas
mulheres vestidas de forma apropriada ao verão brasileiro. No intervalo do pro-
grama, o apresentador apresenta homenagens aos seus patrocinadores e, em re-
lação ao escritório de advocacia, recita um texto: "Caso você tenha um problema
com a Justiça, procure quem é bom. Consulte um dos advogados do Escritório
do Dr. Zangão. Pode não ser uma rima, mas é a solução:' Essa situação caracteriza
A) publicidade imoderada.
B) propaganda regular.
C) patrocínio cultural.
D) atividade permitida pelo Estatuto.

ÇJ Comentários:

O Código de Ética e Disciplina admite a publicidade da advoca-


cia com restrições.

170 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTI CA • 4ª ECIÇAO


1{Jemf
Eticae Uiii
Algumas dessas restrições são a propaganda em televisão, rádio
e a utilização de fotografias ou imagens que fujam da sobriedade da
advocacia.

GABARITO: A

(FGV -VIII Exame de Ordem) O advogado "Y'; recém formado, diante da dificul-
dade em conseguir clientes, passa a distribuir panfletos em locais próximos aos
fóruns da cidade onde reside, oferecendo seus serviços profissionais. Nos panfle-
tos distribuídos por "Y" constam informações acerca da sua especialização técni-
co científica, localização e telefones do seu escritório. Por outro lado, "Y" instalou
placa na porta de seu escritório, na qual fez constar os valores cobrados por seus
serviços profissionais, fixados, aliás, em patamares inferiores àqueles estipulados
pela tabela de honorários da OAB. Quanto à conduta de "Y'; assinale a afirmativa
incorreta.
A) "Y" incorre em infração disciplinar, consistente na captação irregular de cau-
sas, ao distribuir panfletos ao público oferecendo seus serviços como advo-
gado.
B) "Y" viola dispositivo do Código de Ética e Disciplina da OAB, ao fixar honorá-
rios em valores inferiores aos estipulados na tabela de honorários da OAB.
C) "Y" pode distribuir panfletos ao público, oferecendo seus serviços profissio-
nais, desde que neles não conste sua especialização técnico-científica.
D) "Y" viola dispositivo do Código de Ética e Disciplina da OAB, ao fazer constar
de sua placa referências aos valores cobrados por seus serviços profissionais.

Q Comentários:

A Ética permite a publicidade com algumas restrições a partir do


art. 39 do Novo Código de Ética e Disciplina.
Uma dessas restrições é a captação de clientela através de distri-
buição de panfletos.

GABARITO: (

P AULO M ACHADO 171


1f)emf
IMitl Eticae

CAPÍTULO IX
DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES

1- exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou faci-


litar, por qualquer meio, o seu exercício aos não-inscritos,
proibidos ou impedidos;
li - manter sociedade profissional fora das normas e precei-
tos estabelecidos nesta lei;
Ili - valer-se de agenciador de causas, mediante participa-
ção dos honorários a receber;
IV - angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção
de terceiros;
V - assinar qualquer escrito destinado a processo judicial
ou para fim extrajudicial que não tenha feito, ou em que
não tenha colaborado;
VI - advogar contra literal disposição de lei, presumindo-se
a boa-fé quando fundamentado na inconstitucionalidade,
na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior;
VII - violar, sem justa causa, sigilo profissional;
VIII - estabelecer entendimento com a parte adversa sem
autorização do cliente ou ciência do advogado contrário;
IX - prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu
patrocínio;
X - acarretar, conscientemente, por ato próprio, a anulação
ou a nulidade do processo em que funcione;
XI - abandonar a causa sem justo motivo ou antes de de-
corridos 1 O (dez) dias da comunicação da renúncia;
XII - recusar-se a prestar, sem justo motivo, assistência jurí-
dica, quando nomeado em virtude de impossibilidade da
Defensoria Pública;

172 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1fJemf
Etica• +Mil•
XIII - fazer publicar na imprensa, desnecessária e habitual-
mente, alegações forenses ou relativas a causas penden-
tes;
XIV - deturpar o teor de dispositivo de lei, de citação dou-
trinária ou de julgado, bem como de depoimentos, docu-
mentos e alegações da parte contrária, para confundir o
adversário ou iludir o juiz da causa;
XV - fazer, em nome do constituinte, sem autorização escri-
ta deste, imputação a terceiro de fato definido como crime;
XVI - deixar de cumprir, no prazo estabelecido, determina-
ção emanada do órgão ou autoridade da Ordem, em ma-
téria da competência desta, depois de regularmente noti-
ficado;
XVII - prestar concurso a clientes ou a terceiros para reali-
zação de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la;
XVIII - solicitar ou receber de constituinte qualquer impor-
tância para aplicação ilícita ou desonesta;
XIX - receber valores, da parte contrária ou de terceiro, re-
lacionados com o objeto do mandato, sem expressa auto-
rização do constituinte;
XX - locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente
ou da parte adversa, por si ou interposta pessoa;
XXI - recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao
cliente de quantias recebidas dele ou de terceiros por con-
ta dele;
XXII - reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos
com vista ou em confiança;
XXIII - deixar de pagar as contribuições, multas e preços de
serviços devidos à OAB, depois de regularmente notifica-
do a fazê-lo;
XXIV - incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia
profissional;

P AULO M ACHADO 173


1[Jemf
IMifW Eticara

XXV - manter conduta incompatível com a advocacia;


XXVI - fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para
inscrição na OAB;
XXVII - tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da
advocacia;
XXVIII - praticar crime infamante;
XXIX - praticar, o estagiário, ato excedente de sua habilita-
ção.
Parágrafo único. Inclui-se na conduta incompatível:
a) prática reiterada de jogo de azar, não autorizado por lei;
b) incontinência pública e escandalosa;
e) embriaguez ou toxicomania habituais.

Art. 35. As sanções disciplinares consistem em:


1- censura;
li - suspensão;
Ili - exclusão;
IV- multa.
Parágrafo único. As sanções devem constar dos assenta-
mentos do inscrito, após o trânsito em julgado da decisão,
não podendo ser objeto de publicidade a de censura.

Art. 36. A censura é aplicável nos casos de:


1- infrações definidas nos1J.D.c is_o_s I aXVle ..XXIX cio art.
li - violação a preceito do Código de Ética e Disciplina;

174 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


10em
Éticae CHIFI
Ili - violação a preceito desta lei, quando para a infração
não se tenha estabelecido sanção mais grave.
Parágrafo único. A censura pode ser convertida em adver-
tência, em ofício reservado, sem registro nos assentamen-
tos do inscrito, quando presente circunstância atenuante.

Art. 37. A suspensão é aplicável nos casos de:


1- infrações definidas nos in-cisos'XVíl a xx-
11 - reincidência em infração disciplinar.
§ 1º A suspensão acarreta ao infrator a interdição do exer-
cício profissional, em todo o território nacional, pelo prazo
d@ (trinta)@iãs a 1L-{doze) meses, êle acordo com os cri-
térios de individualização previstos neste capítulo.
§ 2° Nas hipóteses dos incisos XXI e XXII\ do art. 34, a sus-
pensão perdura até que satisfaça integralmente a dívida,
inclusive com correção monetária.
§3° Na hipótese do inciso XXIV do art. 34, a suspensão per-
dura até que preste novas provas de habilitação.

Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de:


1- aplicação, or':3-(:nes)..Yj!Z_g$1 desusP-ensao,
li - infrações definidas nosrirtãs_o_s_XXVI a.XXVlll.do.ai:t...3.4.
Parágrafo único. Para a aplicação da sanção disciplinar de
exclusão é necessária a ma11ifest aça0Ja v..orá\reta.e21.3.::(dois
ter o~) dosmemJ,_ro5_ õ Conselhas-Seccional-comgetente.

Art. 39. A multa, variável entre o mínimo corresponden-


te ao valor de uma anuidade e o máximo de seu décuplo,
é aplicável cumulativamente com a censura ou suspensão,
em havendo circunstâncias agravantes.

P AULO M ACHADO 175


1J)emf
IMlt•I Eticae

Art. 40. Na aplicação das sanções disciplinares são con-


sideradas, para fins de atenuação, as seguinte circunstân-
cias, entre outras:
1- falta cometida na defesa de prerrogativa profissional;
li - ausência de punição disciplinar anterior;
Ili - exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo
em qualquer órgão da OAB;
IV - prestação de relevantes serviços à advocacia ou à cau-
sa pública.
Parágrafo único. Os antecedentes profissionais do inscrito,
as atenuantes, o grau de culpa por ele revelada, as circuns-
tâncias e as conseqüências da infração são considerados
para o fim de decidir:
a) sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa
e de outra sanção disciplinar;
b) sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicá-
veis.

Art. 41. É permitido ao que tenha sofrido qualquer san-

tamento.
Parágrafo único. Quando a sanção disciplinar resultar da
prática de crime, o pedido de reabilitação depende tam-
bém da correspondente reabilitação criminal.

Art. 42. Fica impedido de exercer o mandato o profis-


sional a quem forem aplicadas as sanções disciplinares de
suspensão ou exclusão.

176 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMIFI
Art. 43. A pretensão à punibilidade das infrações dis-
ciplinares l rescreve~e1ncmco ano , contados da data àa
constalãçãº'-<úiliataofa o.
§ 1° Aplica-se a(Prescrição a todo processo disciplinar pa-
ralisado r:ronmris-de"i:rês·,mo--si, pendente de despacho ou
julgamento, devendo ser rçi.u1.v~âo_ae.:.ofício] ou a ~quer·-
ment o-da gane iiileressa a , sem prejuízo de serem apura-
das as responsabilidades pela paralisação.
§ 2° A prescrição interrompe-se:
1 - pela instauração de processo disciplinar ou pela notifi-
cação válida feita d iretamente ao representado;
li - pela decisão condenatória recorrível de qualquer órgão
julgador da OAB.

Çl COMENTÁRIOS

.,. Responsabilidade disciplinar

A responsabilidade disciplinar é aquela apurada e aplicada pela


OAB. O advogado, ou o estagiário, que infringir as n ormas contidas
no Estatuto da Advocacia, no Regulamento Geral e no Código de Éti-
ca e Disciplina será processado e punido pela OAB.
Passaremos, então, ao estudo das sanções e infrações disciplina-
res (arts. 34 ao 41 do EAOAB) .

.,. Sanções disciplinares

O art. 35 do Estatuto lista as sanções disciplinares que podem ser


aplicadas pela OAB: i&ensura} fil!§"pens2p, xdusã@ e===-

P AULO MACHADO ,n
1Pemf
IMIFI Eticae

A censura é uma das sanções mais leves aplicadas pela OAB, de


maneira que ela pune a prática das infrações mais leves cometidas pe-
los advogados, que são aquelas arroladas no art. 36 do Estatuto. Com
essa punição, o-advo a<lO"" -ode continuar exe cenclo a ~ :gr rf ssão;
porém, tal reprimenda deve ser ~ i.slracl:ãJ n s asse amentõs \Q9} · ns
rí o <lleixando o mesmo er_p.i:.unário,. e com isso uma eventual
prática de outra infração será considerada como reincidência, ense-
jando, por sua vez, a aplicação de uma sanção mais grave (suspensão
de 30 dias a 12 meses - art. 37, II, EAOAB).
O art. 36, parágrafo único, do Estatuto da Advocacia, prevê que
a censura - mleiâ ser com~e.rli a em uma simples a. x.ert..encia., consti-
tuindo em ofício reservado encaminhado ao advogado,~ em reg1s.rr~
fios-assentamentos~desde que presente circunstância atenuante. Essas
atenuantes estão no--art::40 do Estatuto (falta cometida na defesa de
prerrogativa profissional, ausência de punição disciplinar anterior -
primariedade -, exercício assíduo e proficiente de mandado ou cargo
em qualquer órgão da OAB e prestação de relevantes serviços à advo-
cacia ou à causa pública).
Entendemos que a advertência não é essencialmente uma puni-
ção. Primeiro, porque ela não consta no art. 35 do Estatuto da Advo-
cacia; segundo, porque é co s· e ad a pára...fins Cle:rein.c1â.ê eia
Trata-se, portanto, de um benefício aplicado ao advogado que comete
uma infração de natureza leve e possui alguma circunstância atenu-
ante. Assim, caso um advogado viole um segredo profissional (art. 34,
VII, EAOAB), mas já exerceu um cargo na OAB com assiduidade e
proficiência, deverá ser tão-somente advertido pela OAB, sem aplica-
ção de censura. Se porventura uma nova infração leve for novamente
cometida pelo profissional, agora sim, sofrerá um censura, devendo
tal sanção ser lançada nos seus assentamentos.

178 EDITORA A RMADOR 1 10 EM t TICA • 4° EDIÇÃO


1[Jemf
Eticao
+MIEI
dias a i (doze) eses. O prazo da suspensão pode, ainda se esten-
der por prazo rindeterminadõ nas hipóteses do a:r:r:::n ~~.§ 2º=e ~1>: ( 1)
recusar-se injustificadamente a prestar contas ao cliente de quantias
recebidas dele ou de terceiros por conta dele; (2) deixar de pagar as
contribuições, multas e preços de serviços devidos à OAB, depois de
regularmente notificado a fazê-lo; e (3) incidir em erros reiterados que
evidenciem inépcia profissional. Nesses casos específicos, a suspensão
perdura até que o advogado satisfaça integralmente a dívida, inclusive
çom correção monetária ou até que preste novas provas de habilitação.
Neste último caso de suspensão por prazo indeterminado (inép -
cia profissional), há de ser feita uma observação. A inépcia profissio-
nal ocorre quando o advogado 1rnmete-erros--reiteraâQsho exe c'õúJ
d.E::ally_ocaciID Não basta um erro isolado. Há de ser comprovada a
repetição de falhas para que haja punição pela OAB.
Ainda, neste ponto, cabe-nos uma explicação a respeito da ex-
pressão "prestar novas provas de habilitação'~ Para Geronimo Theml
de Macedo, o conteúdo deve ser entendido como nova aprovação no
Exame da Ordem (obra citada, p. 130). Tal entendimento parece ser
o mesmo do Conselho Federal da OAB na decisão mencionada pelo
autor: "inépcia profissional evidente e comprovada deve gerar a neces-
sidade da suspensão exercício profissional até que o representado faça
novo exame de ordem" (processo nº 1.875/98/SCA-SP, Relator Clovis
Cunha da Gama Malcher Filho (PA), DJ 26.05.99).
No que pese os respeitáveis entendimentos, defendemos um po-
sicionamento diferente, no sentido de que "prestar novas provas de
habilitação" não é prestar novo Exame da Ordem. Uma, porque se o
legislador quisesse que o advogado punido por inépcia profissional
se submetesse a novo Exame, assim teria dito expressamente. Outra,
porque o Estatuto somente faz referência à aprovação no Exame da
Ordem para quem desejar se inscrever no quadro de advogados da
OAB (art. 8°, IV).

PAULO M ACHADO 179


1!)emf
IMIFI Etica•

A xclusão é a sanção mais grave aplicada pela OAB. O advoga-


do que for excluído terá u iscriçãoKanc_e a a (art. 11, II, EAOAB)
e, conseqüentemente, não poderá advogar até seja reabilitado. Para a
aplicação da sanção disciplinar de exclusão é necessária a am e _t . -
(fã:o-f11vorável e..273 (dois terços) do unem roS-ct0.{;0nsel o:: Se,c_cionfil

As sanções disciplinares ( censura, suspensão, exclusão e multa)


devem constar nos assentamentos do inscrito após o trânsito em jul-
gado da decisão, não podendo ser objeto de publicidade a de censura,
justamente porque nesta não há problema em alguém o contratar. Na
suspensão e na exclusão, a OAB deve ter todo o cuidado para que nin-
guém contrate o profissional. Os atos praticados por advogado sus-
penso ou excluído são nulos (art. 4° e parágrafo único do EAOAB).

~ Das infrações e suas respectivas sanções

O art. 34 do Estatuto da Advocacia e da OAB tem 29 incisos, tra-


zendo uma série de infrações disciplinares.
Essas infrações podem ser dividas em três grupos: leves, graves e
gravíssimas. Advirta-se que a lei não faz essa classificação. Nós assim
fizemos para melhor entendimento do leitor.
Dessa forma, as infrações leves são punidas com censura (que,
conforme já vimos, pode ser convertida em mera advertência, se pre-
sentes circunstâncias atenuantes), as graves com suspensão e as gra-
víssimas com exclusão.

180 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4 ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae
+MIEI
.,.. Infrações punidas com censura

O art. 36 do Estatuto determina que a censura será aplicada nos


casos de:
a) infrações definidas nos incisos I a XVI e XXIX do art. 34;
b) violação ao Código de Ética e Disciplina;
c) violação a preceito desta lei, quando para a infração não se
tenha estabelecido sanção mais grave.

Veremos a seguir as infrações dos incisos Ia XVI e XXIX do art.


34:
I - exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou facilitar,
por qualquer meio, o seu exercício aos não-inscritos, proibidos ou im-
pedidos;
II - manter sociedade profissional fora das normas e preceitos
estabelecidos nesta lei;
III - valer-se de agenciador de causas mediante participação nos
honorários a receber;
IV - angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de ter-
ceiros;
V - assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para
fim extrajudicial que não tenha feito ou em que não tenha colaborado;
VI - advogar contra literal disposição de lei, presumindo-se a bo-
a-fé quando fundamentado na inconstitucionalidade, na injustiça da
lei ou em pronunciamento judicial anterior;
VII - violar, sem justa causa, sigilo profissional;
VIII - estabelecer entendimento com a parte adversa sem autori-
zação do cliente ou ciência do advogado da parte contrária;

P AULO M ACHADO 181


10em
CHIEI Éticae

IX - prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu patro-


cínio;
X - acarretar, conscientemente, por ato próprio, a anulação ou a
nulidade do processo em que funcione;
XI - abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos
1O (dez) dias da comunicação da renúncia;
XII - recusar-se a prestar, sem justo motivo, assistência jurídica,
quando nomeado em virtude de impossibilidade da Defensoria Pú-
blica;
XIII - fazer publicar na imprensa, desnecessária e habitualmente,
alegações forenses ou relativas a causas pendentes;
XIV - deturpar o teor de dispositivo de lei ou de citação doutri-
nária ou de julgado, bem como de depoimentos, documentos e alega-
ções da parte contrária, para confundir o adversário ou iludir o juiz
da causa;
XV - fazer, em nome do constituinte, sem autorização escrita
deste, imputação a terceiro de fato definido como crime;
XVI - deixar de cumprir, no prazo estabelecido, determinação
emanada do órgão ou autoridade da OAB, em matéria da competência
desta, depois de regularmente notificado;
XXIX - praticar o estagiário ato excedente de sua habilitação .

.,.. Infrações punidas com suspensão

A suspensão é aplicada nos caso do art. 37 do Estatuto da Advo-


cacia, a saber:
a) infrações definidas nos incisos XVII a XXV do art. 34;
b) reincidência.

182 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae lifiiFI
Vejamos as infrações de natureza grave (art. 34, XVII ao XXV):
XVII - prestar concurso a clientes ou a terceiros para a realização
de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la;
XVIII - solicitar ou receber de constituinte qualquer importância
para aplicação ilícita ou desonesta;
XIX - receber valores da parte contrária, ou de terceiros, relacio-
nados com o objeto do mandato sem expressa autorização do consti-
tuinte;
XX- locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente ou da
parte adversa, por si ou interposta pessoa;
XXI - recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao cliente
de quantias recebidas dele ou de terceiros por conta dele;
XXII - reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos com vis-
ta ou em confiança;
XXIII - deixar de pagar as contribuições, multas e preços de ser-
viços devidos à OAB, depois de regularmente notificado a fazê-lo;
XXIV - incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia pro-
fissional;
XXV - manter conduta incompatível com a advocacia.
Para o parágrafo único do art. 34 do Estatuto, inclui-se na con -
duta incompatível a prática reiterada de jogo de azar não autorizado
por lei, a incontinência pública e escandalosa e a embriaguez ou toxi-
comania habituais .

... Reincidência

O advogado que já foi punido com uma censura ou uma suspen-


são deixa de ser primário. Desse modo, caso venha a cometer uma
nova infração disciplinar será considerado reincidente. Por exemplo:
um advogado anteriormente punido com uma censura que vem a ser

PAULO M ACHADO 183


1Pemf
IMIFI EticaQ

condenado por ter abandonado uma causa sem justo motivo (art. 34,
XI - infração de natureza leve) será considerado reincidente e será
suspenso pelo prazo de 30 (trinta) dias a 12 (doze) meses.

..,. Infrações punidas com exclusão

A exclusão será infligida nas hipóteses mencionadas no art. 38 do


Estatuto da Advocacia, sendo elas:
a) na aplicação por 3 (três) vezes de suspensão: o advogado que
for suspenso pela terceira vez, seja qual for a infração come-
tida, após o trânsito em julgado da decisão que a fixou, será
excluído dos quadros da OAB. A exclusão exige o quorum de
2/3 (dois terços) dos membros do Conselho competente.
b) nas infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34.

Veja a seguir as infrações gravíssimas:


XXVI - fazer falsa prova de qualquer dos requisitos necessários
para a inscrição na OAB;
XXVII - tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da ad-
vocacia;
XXVIII - praticar crime infamante .

..,.. Atenuantes (art. 40, caput do EAOAB)

São consideradas atenuantes, para a aplicação das sanções disci-


plinares, as seguintes circunstâncias:
a) falta cometida na defesa de prerrogativa profissional;
b) ausência de punição disciplinar anterior (primariedade);
c) exercício assíduo e proficiente de mandado ou cargo em qual-
quer órgão da OAB;

184 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇAO


1[Jemf
Eticae IMIFI
d) prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública.

..,. Dosimetria da sanção disciplinar {art. 39, parágrafo único, do


EAOAB}

Os antecedentes profissionais do advogado ou do estagiário, as


atenuantes, o grau de culpa por eles revelada, as circunstâncias e as
conseqüências da infração serão consideradas para o fim de decidir
sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra san-
ção disciplinar, bem como sobre o tempo de suspensão e o valor da
multa aplicáveis.
Assim, se um advogado comete uma infração de natureza leve,
como, por exemplo, violar um segredo profissional (art. 34, VII, EAO-
AB), e é primário, terá a censura convertida em uma simples adver-
tência. Entretanto, o advogado que já foi punido com uma censura, e
agora viola um segredo profissional, deverá ser suspenso, podendo,
ainda, ser aplicada uma multa no valor de uma a dez anuidades .

..,. Reabilitação {art. 41 do EAOAB}

O ordenamento jurídico pátrio não admite efeitos perpétuos de


nenhuma punição. A par disso, o Estatuto da Advocacia permite ao
que tenha sofrido qualquer sanção disciplinar requerer, um ano após
o seu cumprimento, a reabilitação, diante de provas efetivas de bom
comportamento. Porém, quando a sanção disciplinar resultar da prá-
tica de crime, o pedido de reabilitação na OAB dependerá também da
correspondente reabilitação criminal (art. 94 do Código Penal) .

..,. Prescrição da pretensão punitiva (art. 43, caput, do EAOAB}


A aplicação da punibilidade às infrações disciplinares prescreve
em 5 (cinco) anos, contados da data da constatação oficial do fato.

P AULO MACHADO 185


1f)emf
IMIFI Eticae

.,. Prescrição intercorrente (art. 43, § 1°, do EAOAB)

Dar-se-á a prescrição intercorrente quando, durante o decorrer


do processo, o mesmo fica paralisado por mais de 3 (três) anos, pen-
dente de despacho ou julgamento, devendo ser arquivado ex officio ou
por requerimento da parte interessada. Os eventuais responsáveis pela
paralisação deverão ser punidos pela OAB.

.,. Interrupção da prescrição (art. 43, § 2°, do EAOAB)

Interrompe-se a prescrição, devendo ter sua contagem reiniciada,


em duas situações:
a) pela instauração de processo disciplinar ou pela notificação vá-
lida feita diretamente ao representado;
b) pela decisão condenatória recorrível de qualquer órgão julga-
dor da OAB.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XVI Exame de Ordem) Ao final de audiência de instrução e julgamento


realizada em determinada vara criminal, o juiz solicita que o advogado não deixe
o recinto, bem como que ele atue em outras duas audiências que ali seriam reali-
zadas em seguida. O advogado recusa-se a participar das outras duas audiências
mencionadas, até mesmo por haver Defensor Público disponível.
Com base no caso exposto, assina le a afirmativa correta.

A) O advogado não cometeu infração ética, porque apenas resta configurada in-
fração disciplinar na recusa do advogado a prestar assistência jurídica quan-
do há impossibilidade da Defensoria Pública.
B) O advogado cometeu infração ética, porque ele já estava na sala de audiên-
cias.

186 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


CHIEI
C) O advogado não cometeu infração ética, porque é vedado ao advogado par-
ticipar de duas

D) O advogado cometeu infração ética, porque ele tem o dever de contrib uir
para a boa administração da justiça.

Q Comentários:

Consoante o art. 34, XII, do EAOAB constitui infração discipli-


nar o advogado se recusar a prestar, sem justo motivo, assistência ju-
rídica, mas somente quando nomeado em virtude de impossibilidade
da Defensoria Pública, o que não ocorreu no caso em tela.

GABARITO:A

(FGV - VIII Exame de Ordem) Pedro, advogado regularmente inscrito nos qua-
dros da OAB, após regular processo administrativo disciplinar, é apenado com
a sanção de exclusão por ter sido condenado pela prática de crimes contra o
patrimônio, tendo a decisão judicial transitada em julgado. Após cumprir a pena
e tendo sido a mesma julgada extinta pelo Juízo competente, apresenta requeri-
mento de retorno à OAB. Nos termos do Estatuto, deve o requerente
A) apresentar a documentação prevista para inscrição inaugural no quadro de
advogados, além de submeter-se a novo Exame de Ordem.
B) requerer a restauração da sua inscrição anterior com os documentos previs-
tos para a inscrição inaugural, sem submissão a novo Exame de Ordem.
C) indicar provas para a inscrição nos quadros da OAB que comprovem a sua
capacidade civil apta a permitir o retorno, e os documentos para inscrição
inaugural.

D) comprovar a sua reabilitação e apresentar os documentos relacionados à ido-


neidade moral.

P AULO MACHADO
187
1[Jemf
DIFI Eticae

ÇJ Comentários:

A reabilitação é instituto que, tal como no direito penal, oculta os


efeitos da condenação.
O art. 41 do EAOAB diz que é permitido ao que tenha sofrido
qualquer sanção disciplinar requerer, um ano após seu cumprimen-
to, a reabilitação, em face de provas efetivas de bom comportamento.
Quando a sanção disciplinar resultar da prática de crime, o pedido de
reabilitação depende também da correspondente reabilitação crimi-
nal.
Por sua vez o art. 11, § 3°, do EAOAB diz que quando o advogado
for excluído, o novo pedido de inscrição também deve ser acompa-
nhado de provas de reabilitação.

GABARITO: D

(FGV - IX Exame de Ordem) O advogado Cândido, conhecido pelas soluções


criativas para resolver os problemas dos seus clientes, aduz, como tese defen-
siva, em ação de despejo por falta de pagamento, que a norma que autoriza tal
desocupação forçada seria inconstitucional, pois caberia ao Estado fornecer ha-
bitação gratuita ou a preços módicos aos necessitados e, em caso de impossibi-
lidade financeira, custear a moradia, pagando ao locador os valores devidos, a
título de aluguel social. Essa defesa foi considerada como contrária à disposição
de lei que determina, como consequência do não pagamento dos alugueres, o
despejo por falta de pagamento. Em razão disso, foi proferida sentença determi-
nando a desocupação do imóvel e condenando o cliente do advogado Cândido
ao pagamento dos alugueres devidos, bem como as demais verbas decorrentes
da sucumbência. Além disso, determinou o magistrado a expedição de ofício à
Ordem dos Advogados do Brasil para abertura de processo disciplinar. Consoan-
te as regras do Estatuto da Advocacia, assinale a afirmativa correta.
A) O fato de advogar contra literal disposição de lei sem exceções, não constitui
infração disciplinar.

188 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMIFI
B) A alegação de inconstitucionalidade descaracteriza a infração disciplinar in-
vocada.
C) A infração disciplinar não está prevista no sistema por caracterizar delito de
hermenêutica.
D) A referida infração somente pode ser considerada quando causar prejuízo ao
cliente o que não foi o caso.

Q Comentários:

O art. 34, VI, do EAOAB tipifica como infração disciplinar a con-


duta do advogado que advogar contra literal disposição de lei.
Acontece que se houver boa-fé por parte do advogado, tal infra-
ção não se caracteriza. E a boa-fé é presumida quando o advogado
estiver fundamentado na inconstitucionalidade, na injustiça da lei ou
em pronunciamento judicial anterior.

GABARITO: B
(FGV - X Exame de Ordem) O advogado João, que também é formado em Co-
municação Social, atua nas duas profissões, possuindo uma coluna onde apre-
senta notícias jurídicas, com informações sobre atividades policiais, forenses ou
vinculadas ao Ministério Público. Semanalmente inclui, nos seus comentários, al-
guns em forma de poesia, suas alegações forenses e os resulta dos dos processos
sob sua responsabilidade, divulgando, com isso, seu trabalho como advogado. À
luz das normas estatutárias, assinale a afirmativa correta.
A) A divulgação de notícias, como aventado no enunciado, constitui um direito
do advogado em dar publicidade aos seus processos
B) Nos termos das regras que caracterizam as infrações disciplinares está de-
lineada a de publicação desnecessária e habitual de alegações forenses ou
causas pendentes.
C) Diante das novas mídias que também atingem a advocacia, o advogado pode
utilizar-se dos meios ofertados para a divulgação de seu trabalho.
D) A situação caracteriza o chamado desvio da fun ção de advogado, com o pre-
juízo à imagem dos clientes pela divulgação.

P AULO MACHADO 189


1Pemf
IMIII Etica~

ÇJ Comentários:

O art. 34, XII, do EAOAB tipifica como infração disciplinar a


conduta do advogado que faz publicar na imprensa, desnecessária e
habitualmente, alegações forenses ou relativas a causas pendentes.

GABARITO: B

TÍTULO li
DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

CAPÍTULO 1
DOS FINS E DA ORGANIZAÇÃO

Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, serviço


público, dotada de personalidade jurídica e forma federa-
tiva, tem por finalidade:
1- defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado de-
mocrático de direito, os direitos humanos, a justiça social,
e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida adminis-
tração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das
instituições jurídicas;
li - promover, com exclusividade, a representação, a defe-
sa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a Repú-
blica Federativa do Brasil.
§ 1° A OAB não mantém com órgãos da Administração Pú-
blica qualquer vínculo funcional ou hierárquico.

190 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇAO


1!)emf
Eticae
IMitw
§2° O uso da sigla "OAB" é privativo da Ordem dos Advo-
gados do Brasil.

1- o Conselho Federal;
li - os Conselhos Seccionais;
Ili - as Subseções;
IV - as Caixas de Assistência dos Advogados.
§1° O Conselho Federal, dotado de ersonalidade ·urídic
opnA com sede na capital da República, é o órgão supre-
mo da OAB.

ritórios.
§ 3° As Subseções são partes autonomas do Cons-eltfoSeõ-
ciona-l na forma desta lei e de seu ato constitutivo.

§ 6° Os atos conclusivos dos órgãos da OAB, salvo quando


reservados ou de administração interna, devem ser publi-
cados na imprensa oficial ou afixados no fórum, na íntegra
ou em resumo.

Art. 46. Compete à OAB fixar e cobrar, de seus inscritos,


contribuições, preços de serviços e multas.

P AULO MACHADO 191


1f)emf
dlfl Eticaei

Parágrafo único. Constitui título executivo extrajudicial a


certidão passada pela diretoria do Conselho competente,
relativa a crédito previsto neste a rtigo.

Art. 47. O pagamento da contribuição anual à OAB ex-


clui os inscritos nos seus quadros do pagamento obrigató-
rio da contribuição sindical.

Art. 49. Os Presidentes dos Conselhos e das Subseções


da OAB têm legitimidade par~ agir, judicial e extrajudicial-
mente, contra qualquer pessoa que infringir as disposições
ou os fins desta lei.
Parágrafo único. As autoridades mencionadas no caput
deste artigo têm, ainda, legitimidade para intervir, inclusi-
ve como assistentes, nos inquéritos e processos em que se-
jam indiciados, acusados ou ofendidos os inscritos na OAB.

Art. 50. Para os fins desta lei, os Presidentes dos Conse-


lhos da OAB e das Subseções podem requisitar cópias de
peças de autos e documentos a qualquer tribunal, magis-
trado, cartório e órgão da Administração Pública direta,
indireta e fundacional.
~ O Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.127-
8 (DOU de 26.05.2006), deu interpretação a este dispositivo, sem reduzir o t exto,
nos seguintes t ermos: "de modo a fazer compreender a palavra 'requisitar' como
dependente de motivação, compatibilização com as finalidades da lei e atendi-
mento de custos desta requisição. Ficam ressalvados, desde já, os documentos
cobertos por sigilo''.

192 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
Ética• lfüiil
CAPÍTULO li
DO CONSELHO FEDERAL

1 - dos conselheiros federais, integrantes das delegações


de cada unidade federativa;
li - dos seus ex-presidentes, na qualidade de membros ho-
norários vitalícios.

§ 2° Os ex-p__residente têm direito agenas...à.li.021 nas ses-


sões.

ons.élnos..Secciona1s, nas
sessões do Conselho Federal, têm lugar reservado junto à
delegação respectiva e têJk e.i.J o:somente...a oz

Art. 53. O Conselho Federal tem sua estrutura e funcio-


namento definidos no Regulamento Geral da OAB.

§ 2° O voto é tomado por delegação, e não pode ser exer-


cido nas matérias de interesse da unidade que represente.
§3° Na eleição para a escolha da Diretoria do Conselho
Federal, cada membro da delegação terá direito a 1 (um)
voto, vedado aos membros honorários vitalícios .
.,. Este § 3° foi acrescentado pela Lei nº 11 .179, de 22 de setembro de 2005.

Art. 54. fqmget.e.:.ao Conselho F.e_ôeral..:


1- dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;

P AULO M ACHADO 193


1f)emf
Cftiil Eticae

li - representar, em juízo ou fora dele, os interesses coleti-


vos ou individuais dos advogados;
Ili - velar pela dignidade, independência, prerrogativas e
valorização da advocacia;
IV - representar, com exclusividade, os advogados brasilei-
ros nos órgãos e eventos internacionais da advocacia;
V- editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e
Disciplina, e os Provimentos que julgar necessários;
VI - adotar medidas para assegurar o regular funcionamen-
to dos Conselhos Seccionais;
VII - intervir no Conselho Seccional, onde e quando consta-
tar grave violação desta lei ou do Regulamento Geral;
VIII - cassar ou modificar, de ofício ou mediante represen-
tação, qualquer ato, de órgão ou autoridade da OAB, con-
trário à presente lei, ao Regulamento Geral, ao Código de
Ética e Disciplina, e aos Provimentos, ouvida a autoridade
ou o órgão em causa;
IX - julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos
Conselhos Seccionais, nos casos previstos neste Estatuto e
no Regulamento Geral;
X - dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e so-
bre os respectivos símbolos privafivos;
XI - apreciar o relatório anual, e deliberar sobre o balanço e
as contas de sua diretoria;
XII - homologar ou mandar suprir relatório anual, o balan-
ço e as contas dos Conselhos seccionais;
XIII - elaborar as listas constitucionalmente previstas, para
o preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários de
âmbito nacional ou interestadual, com advogados que es-
tejam em pleno exercício da profissão, vedada a inclusão
de nome de membro do próprio Conselho ou de outro ór-
gão da OAB;

194 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1Pemf
Eticao
Uiil
XIV - ajuizar ação direta de inconstitucionalidade de nor-
mas legais e atos normativos, ação civil pública, manda-
do de segurança coletivo, mandado de injunção e demais
ações cuja legitimação lhe seja outorgada por lei;
XV - colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídi-
cos, e opinar, previamente, nos pedidos apresentados aos
órgãos competentes para criação, reconhecimento ou cre-
denciamento desses cursos;
XVI - rrurtorizar, 1 ela maioria absoluta das delegg:ções- iª1
onera--ç:ã n~ou::a:liena~ç_ã o:d e-seus-bens-imóveis•
XVII - participar de concursos públicos, nos casos previstos
na Constit uição e na lei, em todas as suas fases, quando
tiverem abrangência nacional ou interestadual;
XVIII - resolver os casos omissos nest e Estatuto.
Parágrafo único. intervenç.ã_orreferida no mciso VOdes-
te artigo de~ende de p:révia a rov -ç:ã o; p ~ (dois ter-
ços) das-deleg_a J;Qê, garantido o amplo direito de defesa
do Conselho Seccional respectivo, nomeando-se diretoria
provisória para o prazo que se fixar.
Art. 55.lí airetoria do Conselho Federal é composta de um
Vice:eresiaent , de UJ ,ecretar1o=-Ge-
á ·o-=<3eral Ad"Uiito e <tle um :r.eso_ur.ej_r.9.
§ 1 ° O Presidente exerce a representação nacional e inter-
nacional da OAB, competindo-lhe convocar o Conselho
Federal, presidi-lo, representá-lo ativa e passivamente, em
juízo ou fora dele, promover-lhe a administração patrimo-
nial e dar execução às suas decisões.
§ 2° O Regulamento Geral define as atribuições dos mem-
bros da Diret oria e a ordem de substituição em caso deva-
cância, licença, falta ou impedimento.
§ 3° Nas deliberações do Conselho Federal, os membros
da diretoria votam como membros de suas delegações,
cabendo ao Presidente, apenas, o voto de qualidade e o
direito de embargar a decisão, se esta não for unânime.

PAULO M ACHADO 195


I Miil
ÇJ COMENTÁRIOS

0 FINALIDADES DA OAB
O art. 44 do Estatuto trata das finalidades institucionais e corpo-
rativas da OAB.
Finalidades institucionais são aquelas cumpridas pela OAB ex-
ternamente, ou seja, a OAB como instituição vai agir com o objetivo
de alterar ou preservar algo fora do seu corpo; finalidades corpora-
tivas são aquelas que a OAB cumpre internamente, de modo a mudar
ou manter algo dentro de si, relativamente aos seus quadros de advo-
gados e de estagiários. Vejamos:

..,_ Finalidades institucionais:

a) defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrá-


tico de Direito, os direitos humanos e a justiça social;
b) pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida admii;iistração
d~ justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições
jurídicas.

..,_ Finalidades corporativas:

a) promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a se-


leção e a disciplina em toda a República Federativa do Brasil.

O art. 11 do Regulamento Geral determina que "compete ao sin-


dicato de advogados e, na sua falta, à federação ou confederação de
advogados, a representação destes nas convenções coletivas celebra-
das com as entidades sindicais representativas dos empregadores, nos

196 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae

acordos coletivos celebrados com a empresa empregadora e nos dis-


ª'''
sídios coletivos perante a Justiça do Trabalho, aplicáveis às relações
de trabalho': o que poderia ir de encontro ao disposto no art. 44, II,
do EAOAB ("promover, com exclusividade, a representação"). Se há
exclusividade da OAB, por que o Regulamento Geral diz competir ao
sindicato? O Regulamento Geral está contrariando a Lei nº 8.906/94?
A resposta é simples: quando se tratar de assunto de interesse de
toda a classe dos advogados, como por exemplo, se uma prerrogativa
estiver sendo violada, a OAB (através de seus órgãos) representará os
advogados judicial e extrajudicialmente; mas, quando se tratar de as-
sunto referente aos direitos dos advogados empregados ( como no caso
de violação ao salário mínimo do advogado empregado), essa repre-
sentação ficará a cargo do sindicato ou, na falta deste, da federação ou
confederação dos advogados.

0 A ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

A Ordem dos Advogados do Brasil foi criada em 1930 pelo De-


creto nº 19 .408, que em seu art. 17 determinou:

"Fica criada a Ordem dos Advogados Brasileiros, órgão de Disciplina e


seleção de advogados, que se regerá pelos estatutos que forem votados
pelo Instituto dos Advogados Brasileiros, com a colaboração dos Institu-
tos dos Estados, e aprovados pelo Governo:'

No entanto, a OAB passou a ser devidamente estruturada com o


advento da Lei nº 4.215 de 27 de abril de 1963, sendo este o primeiro
Estatuto da OAB, que, por sua vez, foi revogado pela Lei nº 8.906 de 04
de abril de 1994 - Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados
do Brasil.
O uso da sigla OAB é privativo da Ordem dos Advogados do Bra-
sil, como preceitua o art. 44, § 2°, do atual Estatuto.

PAULO MACHADO 197


1f)emf
Uiil Eticae

0 O INSTITUTO DOS ADVOGADOS BRASILEIROS

Bem antes da criação da OAB, mas após a autorização para a cria-


ção dos primeiros cursos jurídicos no Brasil (11 de agosto de 1827
em Olinda e São Paulo), na busca pela organização da advocacia, foi
fundado o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), mais precisa-
mente, no ano de 1843, com vistas à criação da OAB, tendo prestado
significante contribuição para a história do país, como, por exemplo,
n o auxílio ao governo na organização legislativa e judiciária, posicio-
n ando-se como órgão de estudos e debates de temas legislativos e ju-
risprudenciais.
O IAB, ainda existente, não é a entidade de classe dos advogados,
porém, presta, entre outros, o relevante serviço de fomentar a cultura
jurídica.

0 ÓRGÃOS DA OAB

A OAB é formada por quatro órgãos:


a) Conselho Federal;
b) Conselhos Seccionais;
c) Subseções;
d) Caixa de Assistência dos Advogados.

O estudo desses órgãos está disciplinado tanto no Estatuto da Ad-


vocacia e da OAB como no Regulamento Geral. O Conselho Federal
é tratado nos arts. 51 a 55 do EAOAB e nos arts. 62 a 104 do RG; os
Conselhos Seccion ais, nos arts. 56 a 59 do EAOAB e nos arts. 105 a
114, do RG; as Subseções, nos arts. 60 e 61 do EAOAB e nos arts. 115
a 120 do RG; e a Caixa de Assistência dos Advogados, no art. 62 do
EAOAB e nos arts. 121 a 127 do RG.

198 E DITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇAO


1f)emf
Eticao Ui-li
..., Considerações iniciais sobre os órgãos da OAB

Nenhum órgão da OAB pode se manifestar sobre questões de or-


dem pessoal, exceto em caso de homenagem a quem tenha prestado
relevantes serviços à sociedade e à advocacia.
As salas e dependências dos órgãos da OAB não podem receber
nomes de pessoas vivas ou inscrições estranhas às suas finalidades,
respeitadas as situações que já existiam na data da publicação do Re-
gulamento Geral (art. 151, parágrafo único, do RG). A publicação
ocorreu no DJ de 16 de novembro de 1994 .

..., Personalidade jurídicas dos órgãos da OAB


ffiii: u_s_o_s_órgaõs:::âa 0-1:t:B) com ex-ceç:ãn:::das:.sub:se0..:.e:s, -0ssue
(~ 11âaâ.e~Jilllilk:a p...mv-·a. É o que se depreende com a simples
leitura dos parágrafos 1° ao 4° do art. 45 do Estatuto. Ascsrrbsecões são
órgãos autônom._QS..J os Consellios Seccionai , fl'nc:ionand-o como~e ~
tensões e c a finalícla de-de d1$c:-entnrlízara-l umas-ati -·dades-cte-stes.
Curiosamente, o art. 44, caput, do EAOAB determina que a OAB
também tem personalidade jurídica. Aqui, uma dúvida poderia surgir.
Quem tem personalidade jurídica? A OAB ou alguns de seus órgãos?
Sobre o assunto dispõe Paulo Lôbo:

"Quando o art. 44 do Estatuto diz que a OAB é dotada de personalida-


de jurídica própria, remete necessariamente à especificação do art. 45. A
OAB é a instit uição (que não se confunde com pessoa jurídica), cuja per-
sonalidade jurídica revela-se nos "órgãos" que a compõem, designados no
art. 45. Vê-se, pois, que a referência no caput do art. 44 à personalidade
jurídica da OAB é uma metonímia. Não existe uma pessoa jurídica OAB,
ao lado de outras pessoas jurídicas, mas uma institui ção organizada em
determinadas pessoas jurídicas, que são o Conselho Federal, os Conselhos
Seccionais e as Caixas de Assistência:'

..., Natureza Jurídica da OAB


Um tema sempre polêmico, por isso bastante discutido na doutri-
na, e a ainda não pacificado, é a questão da natureza jurídica da OAB.

PAULO MACHADO 199


1!)emf
lifli-#1 Eticae

Podemos encontrar divergências até mesmo entre os administrativis-


tas mais renomados.
Longe da intenção de querer esgotar o assunto, ou até mesmo de
se aprofundar no tema, eis que não é este o objetivo deste trabalho,
apresentamos abaixo uma sinopse do assunto, ficando para outro mo-
mento maiores debates a respeito.
Inicialmente, e em linhas gerais, lembramos que para que uma
entidade seja considerada autarquia, entre outros requisitos, ela deve
integrar a administração pública. Como preceitua o Estatuto (Lei nº
8.906/94), no art. 44, § 1º, a OAB não mantém qualquer vínculo fun-
cional ou hierárquico com qualquer órgão da Administração Pública.
Em razão disso, há quem entenda que a OAB é uma autarquia em
regime especial.

No que pese o respeitável entendimento supramencionado, so-


mamos com a corrente que entende ser a OAB uma entidade sui
generis, uma vez que esta é uma entidade com características pecu-
liares. A OAB é diferente das demais entidades de classe. Não há no
ordenamento jurídico nenhuma entidade par, principalmente por não
manter qualquer vínculo de natureza funcional ou hierárquica com os
órgãos da Administração Pública.

O STF se pronunciou acerca do assunto na Ação Direta de In-


constitucionalidade nº 3.026/DF (Relator Ministro Eros Grau):

"(...) Não procede a alegação de que a OAB sujeita-se aos ditames impos-
tos à Administração Pública Direta ou Indireta. 3. A OAB não é uma enti-
dade da Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público
independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídica s
exist entes no direito brasileiro. 4. A OAB não est á incluída na categoria
na qual se inserem essas que se t em referido com "autarquias especiais"
para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas
"agências"( ...).

200 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4 ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae

0 CONSELHO FEDERAL
ª'''
O Conselho Federal é o órgão supremo da OAB e tem sua sede na
capital do país (Brasília) .

..,. Composição do Conselho Federal

O Conselho Federal é composto pelos conselheiros federais, con-


forme o disposto no art. 51 do EAOAB.
São conselheiros federais:
a) os integrantes das delegações de cada unidade federativa;
b) os ex-presidentes do próprio Conselho Federal.
Quanto ao primeiro grupo (integrantes das delegações de cada
unidade federatiYa), cada ~M,;!.l........,o eccionaD ~ re aêlvêrgado
(conselheiros federais) para ~ rese._ntâ;lo.:ru Consel o eral. Es-
ses conselheiros federais são eleitos pelo voto direto dos advogados
nas eleições que se realizam trienalmente nos Conselhos Seccionais
por meio de chapas. As chapas contêm os candidatos à Diretoria do
Conselho Seccional (Presidente, Vice-Presidente, Secretário Geral,
Secretário Geral Adjunto e Tesoureiro), os conselheiros seccionais,
a Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados e a delegação de
conselheiros federais.
Quan do o Presidente do Conselho Federal, que é o Presidente
Nacional da OAB, encerra o seu mandato, passando a ser ex-presiden-
te, ele continua sendo conselheiro federal, na qualidade de membro
honorário vitalício.
Assim, há 81 conselheiros federais provenientes das delegações
(já que no Brasil há 27 unidades federativas, contando com o Distrito
Federal) mais os ex-presidentes.

..,. Votação no Conselh o Federal

Os votos n o Conselho Federal são tomados por delegação.


Cada delegação tem d ireito a um voto. Sendo a delegação compos-

PAULO M ACHADO 201


1Pemf
l;Hlil Eticae

ta por três conselheiros federais, o voto será tomado por maioria


(3x0 ou 2xl).
No caso de falta de um conselheiro, e na ausência de um suplente,
esta delegação só poderá votar se os dois que estiverem presente vo-
tarem no mesmo sentido. Caso contrário, haverá empate e o voto da
delegação não será computado (será inválido).
Os conselheiros federais integrantes das delegações não poderão
exercer o direito de voto nas matérias de interesse específico da uni-
dade federativa que represente, podendo, no entanto, opinar sobre o
assunto (art. 68, § 2°, do Regulamento Geral). Assim, por exemplo, se
estiver sendo decidido se o Conselho Federal deve, ou não, intervir no
Conselho Seccional de São Paulo, os integrantes da delegação de São
Paulo ficarão impedidos de votar.
De acordo com art. 51, § 2°, do atual Estatuto da Advocacia, os
ex-presidentes não têm mais direito a voto, como se permitia no pas-
sado, por ocasião da Lei nº 4.215/63, tendo agora apenas direito de
voz. Entretanto, o art. 81 da Lei nº 8.906/94 determinou que não se
aplica essa restrição de direito de voto aos que tenham assumido ori-
ginariamente o cargo de Presidente do Conselho Federal até a data
da publicação desta lei (05 de julho de 1994), ficando assegurados o
pleno direito de voz e voto em suas sessões, ou n as palavras do art. 77,
§ 2°, do Regulamento Geral: "Os ex-Presidentes empossados antes de
julho de 1994, têm direito de voto equivalente ao de uma delegação,
em todas as matérias, exceto na eleição dos membros da Diretoria do
Conselho Federar'

~ Atribuições do Presidente do Conselho Federal

O Presidente deste órgão tem apenas o voto de qualidade (voto


de minerva, voto de desempate), competindo-lhe exercer a represen-
tação nacional e internacional da OAB, convocar o Conselho Federal,
presidi-lo, representá-lo, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele,

202 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMiil
promover-lhe a administração patrimonial e ainda dar execução às
suas decisões.

Ili- Diretoria do Conselho Federal

unânime.

Ili- Outras considerações

O Presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros e os agra-


ciados com a Medalha Rui Barbosa podem participar das sessões do
Conselho Pleno do Conselho Federakmredrreito.:s:oment e:à~ oz::(veja
mais sobre Medalha Rui Barbosa no item próprio mais abaixo).
Apesar de o art. 50 do Estatuto possibilitar, para o cumprimen-
to de suas finalidades, aos Presidentes dos Conselhos da OAB e das
Subseções a requisição de cópias de peças de autos ou de outros do-
cumentos a qualquer tribunal, magistrado, cartório e órgãos da Ad-
ministração Pública, o Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de
Inconstitucionalidade nº 1.127-8, deu interpretação a este dispositivo,
sem redução do texto, para fazer entender a palavra requisitar como
dependente de motivação, compatibilização com as finalidades da lei e
atendimento de custos, ficando, ressalvados, os documentos sigilosos.

PAULO MACHADO 203


-
1(Jemf
IMl-11 Eticae

~ Competências do Conselho Federal


As competências do Conselho Federal estão arroladas no art. 54
do Estatuto da Advocacia, sendo elas:

a) dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;


O art. 44 do Estatuto define as finalidades institucionais e corpo-
rativas da OAB. Dessa forma, é através de seus órgãos que elas serão
efetivadas.

b) representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou


individuais dos advogados;
Essa competência também é em cumprimento às finalidades da
OAB (art. 44, II, EAOAB).

c) velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valori-


zação da advocacia;
d) representar, com exclusividade, os advogados brasileiros
nos órgãos e eventos internacionais da advocacia;
Pelo EAOAB, esta competência é do Conselho Federal. Porém,
o Regulamento Geral, no art. 80, parágrafo único, determina que os
Conselhos Seccionais podem representar a OAB em geral ou os ad-
vogados brasileiros em eventos internacionais ou no exterior, quando
autorizados pelo Presidente Nacional da OAB, que é o Presidente do
Conselho Federal.
e) editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e
Disciplina, e os Provimentos que julgar necessários;
O Regulamente Geral e o Código de Ética e Disciplina não são
leis em sentido material. São atos normativos criados pelo Conselho
Federal da OAB. Se este Conselho pode criá-los, também pode alte-
rá-los.

204 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae IMl-11
f) adotar medidas para assegurar o regular funcionamento
dos Conselhos Seccionais;
Sendo o Conselho Federal o órgão supremo da OAB, com "juris-
dição" em todo o território nacional, compete-lhe assegurar o regular
funcionamento dos Conselhos Seccionais, localizados nos Estados-
-membros e no Distrito Federal.

g) intervir no Conselho Seccional, onde e quando constatar


grave violação desta lei ou do Regulamento Geral;
Essa.Jn(erYmção;:âepenâYde prévia,aptnxa.:çào:p~.37(dois ter-
ços) dás d_ekga_-ç~, sendo garantido o amplo direito de defesa do
Conselho Seccional respectivo, nomeando-se diretoria provisória
para o prazo que se fixar.

h) cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação,


qualquer ato, de órgão ou autoridade da OAB, contrário à
presente lei, ao Regulamento Geral, ao Código de Ética e
Disciplina e aos Provimentos, ouvida a autoridade ou o ór-
gão em causa;
O Conselho Federal é guardião da legislação da advocacia e da
OAB.

i) julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos Con-


selhos Seccionais nos casos previstos neste Estatuto e no Re-
gulamento Geral;
O Conselho Federal, órgão supremo da OAB, tem competência
para julgar em última instância os recursos na Ordem.

j) dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os


respectivos símbolos privativos;

P AULO MACHADO 205


1PemJ
Uiil Eticae

Para que haja uniformidade, o Conselho Federal é o órgão res-


ponsável pela identificação dos inscritos na OAB e pelos símbolos pri-
vativos da advocacia.

k) apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as


contas de sua diretoria;
1) homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as
contas dos Conselhos seccionais;
m) elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o pre-
enchimento dos cargos nos tribunais judiciários de âmbito
nacional ou interestadual, com advogados que estejam em
pleno exercício da profissão, vedada a inclusão de nome de
membro do próprio Conselho ou de outro órgão da OAB;
É competência do Conselho Federal elaborar a lista sêxtupla
quando a destinação for para os tribunais de abrangência nacional ou
interestadual, ou seja, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Supe-
rior do Trabalho ou os tribunais federais cuja competência territorial
alcance mais de um estado. Sendo tribunal estadual, a competência
passa a ser dos Conselhos Seccionais.
A proibição para a inclusão de membros do próprio Conselho
Federal ou de outro órgão da OAB é justa e ética, já que são os conse-
lheiros que irão escolher os seis indicados para o Tribunal Judiciário,
evitando-se assim que possa haver qualquer privilégio ou tráfico de
influência.

n) ajuizar ação direta de inconstitucionalidade de normas le-


gais e atos normativos, ação civil pública, mandado de se-
gurança coletivo, mandado de injunção e demais ações cuja
legitimação lhe seja outorgada por lei;
O Estatuto da Advocacia e da OAB entrou em vigor no ano de
1994, quando a Constituição Federal arrolava no art. 103 as pessoas

206 EDrTORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Etica @
Uiil
legitimadas a propor a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) e,
no art. 105, aquelas com legitimidade para propor a Ação Declaratória
de Constitucionalidade (ADC). Acontece que, por ocasião da Emenda
Constitucional nº 45/2004, que trouxe a reforma do Judiciário, passou
a ser determinado no art. 103 que as mesmas pessoas legitimadas a
propor a ADI, agora, também podem propor a ADC, e o Conselho
Federal da OAB lá está.
A Lei nº 9.882/99, no art. 2°, I, prevê que os legitimados para a
Ação Direta de Inconstitucionalidade têm competência para propor
Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental, razão pela qual a
OAB também pode propor a ADPF.

o) colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e


opinar, previamente, nos pedidos apresentados aos órgãos
competentes para criação, reconhecimento ou credencia-
mento desses cursos;
Também em cumprimento às finalidades da OAB (art. 44, EAO-
AB), o Conselho Federal desempenha o relevante papel de opinar, an-
tecipadamente, nos pedidos de criação, reconhecimento e credencia-
mento dos cursos jurídicos nos órgãos competentes.

p) autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração


ou alienação de seus bens imóveis;
Atente-se para o quorum exigido neste inciso: maioria absoluta.

q) participar de concursos públicos, nos casos previstos na


Constituição e na lei, em todas as suas fases, quando tive-
rem abrangência nacional ou interestadual;
Deve a OAB, através do Conselho Federal, participar de forma
efetiva nos concursos públicos de âmbito nacional ou interestadual,
quando houver previsão na Constituição Federal e nas leis, como, por

PAULO MACHADO 207


1Pemf
DIM Eticao

exemplo, nos concursos públicos para o ingresso na Magistratura, no


Ministério Público e na Advocacia Geral da União.
Quando os concursos não tiverem abrangência nacional ou in-
terestadual, a competência será dos Conselhos Seccion ais (art. 58, X,
EAOAB).

r) resolver os casos omissos neste Estatuto.

CAPÍTULO Ili
DO CONSELHO SECCIONAL

Art. 56. O Conselho Seccional compõe-se de conselhei-


ros em numerg_1:mw-º.r_0.0Jla ao de seus.msGr-itõs]segundo
critérios estabelecidos no Regulamento Geral.
§ 1° São membros o 'nos Y:ttA1í~ios os,.seus...ex=.presiJ'
entes, somente com direito à voz em suas sessões.
§2° O Presidente do Instituto dos Advogados local é mem-
bro honorário, somente com direito à voz, nas sessões do
Conselho.
§ 3° Quando presentes às sessões do Conselho Seccional, o
Presidente do Conselho Federal, os Conselheiros Federais
integrantes da respectiva delegação, o Presidente da Caixa
de Assistência dos Advogados e os Presidentes das Subse-
ções, tê dffeila:à Y..oz.

Art. 57. O Conselho Seccional exerce e observa, no res-


pectivo território, as competências, vedações e funções
atribuídas ao Conselho Federal, no que couber e no âm-
bito de sua competência material e territorial, e as normas
gerais estabelecidas nesta lei, no Regulamento Geral, no
Código de Ética e Disciplina, e nos Provimentos.

208 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1J)emf
Eticae Uii:I
Art. 58. Compete õriva 1vament~o Conselho Seccional:
1- editar seu Regimento Interno e Resoluções;
li - criar as Subseções e a Caixa de Assistência dos Advoga-
dos;
Ili - julgar, em grau de recurso, as questões decididas por
seu Presidente, por sua diretoria, pelo Tribunal de Ética e
Disciplina, pelas Diretorias das Subseções e da Caixa de As-
sistência dos Advogados;
IV - fiscalizar a aplicação da receita, apreciar o relatório
anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua direto-
ria, das diretorias das Subseções e da Caixa de Assistência
dos Advogados;
V - fixar a tabela de honorários, válida para todo o territó-
rio estadual;
VI - realizar o Exame de Ordem;
VII - decidir os ped idos de inscrição nos quadros de advo-
gados e estagiários;
VIII - manter cadastro de seus inscritos;
IX - fixar, alterar e receber contribuições obrigatórias, pre-
ços de serviços e multas;
X- participar da elaboração dos concursos públicos, em to-
das as suas fases, nos casos previstos na Constituição e nas
leis, no âmbito do seu território;
XI - determinar, com exclusividade, critérios para o traje
dos advogados, no exercício profissional;
XII - aprovar e modificar seu orçamento anual;
XIII - definir a composição e o funcionamento do Tribunal
de Ética e Disciplina, e escolher os seus membros;
XIV - eleger as listas, constitucionalmente previstas, para
preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários, no

PAU LO MACHAOO 209


1!)emf
IMifl Et icae

âmbito de sua competência e na forma do Provimento do


Conselho Federal, vedada a inclusão de membros do pró-
prio Conselho e de qualquer órgão da OAB;
XV - intervir nas Subseções e na Caixa de Assistência dos
Advogados;
XVI - desempenhar outras atribuições previstas no Regu-
lamento Geral.

Art. 59. A diretoria do Conselho Seccional tem compo-


sição idêntica e atribuições equivalentes às do Conselho
Federal, na forma do regimento interno daquele.

ÇJ COMENTÁRIOS

0 CONSELHOS SECCIONAIS
De acordo com o art. 45, § 2°, do EAOAB, os Conselhos Sec-
cionais têm "jurisdição" sobre os respectivos Estados-membros, do
Distrito Federal e dos territórios, embora se saiba que no Brasil, atual-
mente, não há mais territórios .

.,. Composição e voto

A composição desses conselhos é diferente do Conselho Federal.


Nos Conselhos Seccionais, a composição é proporcional ao número
de advogados inscritos (art. 106 do Regulamento Geral do EAOAB
com nova redação dada pela Resolução 02 de 2009 do Conselho Fe-
deral). Desse modo, se houver menos de 3.000 advogados inscritos
na Seccional, poderá ter até 30 conselheiros seccionais, podendo ser
acrescentado mais um conselheiro a cada grupo completo de 3.000,
até atingir o número máximo de 80 conselheiros seccion ais.

210 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae lfflitl
Integram, ainda, os Conselhos Seccionais os seus ex-presidentes,
na qualidade de membros honorários vitalícios, valendo para estes a
mesma regra do art. 81 do EAOAB quanto ao direito de voto, ou seja,
continuam com direito de voz e voto apenas os que tenham assumido
originariamente o cargo de Presidente até a data da publicação da Lei
nº 8.906/94 (05 de julho de 1994). Os demais, de acordo com esta lei,
possuem apenas o direito de voz.
O Presidente do Instituto dos Advogados local é membro hono-
rário do Conselho Seccional, tendo direito a voz em suas sessões.

.._ Diretoria do Conselho Seccional

A Diretoria do Conselho Seccional tem composição idêntica e


atribuições equivalentes às do Conselho Federal: Presidente, Vice-
-Presidente, Secretário Geral, Secretário Geral Adjunto e Tesoureiro.

.... Competências do Conselho Seccional

O art. 58 do Estatuto da Advocacia diz competir privativamente


ao Conselho Seccional:

a) editar seu Regimento Interno e Resoluções;

b) criar as Subseções e a Caixa de Assistência dos Advogados;


A criação das Subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados
é da competência exclusiva dos Conselhos Seccionais, não podendo
ser criadas pelo Conselho Federal.

c) julgar, em grau de recurso, as questões decididas por seu


Presidente, por sua diretoria, pelo Tribunal de Ética e Dis-
ciplina, pelas Diretorias das Subseções e pela Caixa de As-
sistência dos Advogados;

P AULO M ACHAOO 211


1[JemJ
1;u1a Etkae

O Conselho Seccional também funciona como tribunal de recur-


sos. Digamos que, via de regra, os recursos em segunda instância na
OAB são julgados por esse Conselho.
Na OAB, algumas decisões são da competência do Presidente,
outras da Diretoria do Conselho, das Subseções ou da Caixa de Assis-
tência dos Advogados. Já os processos disciplinares contra advogados
e estagiários são, em regra, julgados pelo Tribunal de Ética e Disciplina
(TED). As decisões proferidas pelo Presidente do Conselho Seccional,
por aquelas Diretorias ou pelo TED terão seus recursos encaminhados
para o Conselho Seccional, não podendo ser remetidos diretamente
ao Conselho Federal, sob pena de supressão de instância.

d) fiscalizar a aplicação da receita, apreciar o relatório anual


e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria, das
diretorias das Subseções e da Caixa de Assistência dos Ad-
vogados;
Sendo da competência do Conselho Seccional a criação das Sub-
seções e da Caixa de Assistência dos Advogados, será também de sua
responsabilidade a fiscalização da aplicação da receita, da apreciação
do relatório anual e da deliberação sobre as contas e os balanços desses
órgãos.

e) fixar a tabela de honorários, válida para todo o território


estadual;
Compete a cada Conselho Seccional determinar a tabela de ho-
norários advocatícios, que terá validade para aquele Estado-membro
ou Distrito Federal. Não existe, portanto, uma tabela nacional. A tabe-
la de honorários do Rio de Janeiro, por exemplo, é diferente da tabela
fixada pelo Conselho Seccional da Bahia.

f) realizar o Exame de Ordem;

212 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticao lifiitl
O art. 58, VI, do Estatuto determina que cabe a cada Conselho
Seccional realizar o Exame de Ordem.
Entretanto, na prática, por convênio entre os Conselhos Seccio-
nais, a competência passou a ser do Conselho Federal

g) decidir os pedidos de inscrição nos quadros de advogados e


estagiários;

h) manter cadastro de seus inscritos;


Incumbe aos Conselhos Seccionais atualizar, até o dia 31 de de-
zembro de cada ano, o cadastro dos advogados inscritos, organizan-
do a lista correspondente. Esse cadastro contém o nome completo de
cada advogado com os respectivos números de inscrição (principal e
suplementar), além dos endereços e os telefones dos locais onde exer-
çam sua profissão e o nome da sociedade de que faça parte, se for o
caso.
Nesse cadastro devem ser incluídas a lista dos cancelamentos de
inscrição e a lista das sociedades de advogados registradas nos Conse-
lhos Seccionais, indicando os nomes dos sócios e o número do regis-
tro na OAB.

i) fixar, alterar e receber contribuições obrigatórias, preços de


serviços e multas;
Cada Conselho Seccional fica responsável para estabelecer e re-
ceber:
i.l) as contribuições, que são as anuidades, tanto dos advogados
como dos estagiários;
i.2) os preços de serviços, que são os valores fixados para emissão
de carteira, inscrição no Exame da Ordem, etc.
i.3) as multas.

PAULO MACHADO 213


1f)emf
dlil Etica o

j) participar da elaboração dos concursos públicos, em todas


as suas fases, nos casos previstos na Constituição e nas leis,
no âmbito do seu território;
Compete ao Conselho Seccional participar de forma efetiva nos
concursos públicos de âmbito estadual, quando houver previsão na
Constituição e em leis específicas como, por exemplo, nos concursos
públicos para o ingresso na Magistratura, no Ministério Público e em
outras carreiras jurídicas.
O representante da OAB, indicado pelo Conselho Seccional, tem
atuação em todas as fases do concurso, desde a fase da elaboração do
edital, fiscalizando e intervindo quando houver suspeita de irregula-
ridades.
Quando os concursos tiverem abrangência nacional ou interesta-
dual, a competência será do Conselho Federal (art. 54, XVII, EAOAB).

k) determinar, com exclusividade, critérios para o traje dos ad-


vogados no exercício profissional;
É competência exclusiva dos Conselhos Seccionais a determina-
ção dos trajes dos advogados, não podendo nem mesmo os magistra-
dos interferir nessa regulamentação.

1) aprovar e modificar seu orçamento anual;


Compete ao Conselho Seccional da OAB aprovar e, se necessário,
modificar o orçamento do ano que se segue.

m) definir a composição e o funcionamento do Tribunal de


Ética e Disciplina, e escolher os seus membros;
O Tribunal de Ética e Disciplina, localizado em cada Conselho
Seccional, será por este organizado, recrutando seus membros, que
podem, ou não, ser conselheiros seccionais.

214 EDrroRA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1[Jemf
Eticae MHifl
n) eleger as listas, constitucionalmente previstas, para preen-
chimento dos cargos nos tribunais judiciários, no âmbito
de sua competência e na forma do provimento do Conselho
Federal, vedada a inclusão de membros do próprio Conse-
lho e de qualquer órgão da OAB;
Será competência do Conselho Seccional elaborar a lista sêxtu-
pla, quando a indicação for para tribunais de abrangência estadual. Se
o tribunal tiver abrangência nacional ou interestadual, a competência
será do Conselho Federal (art. 54, XIII, EAOAB).
A proibição para a inclusão de membros do próprio Conselho
Seccional ou de outro órgão da OAB é justa e ética, já que são os con-
selheiros que irão escolher os seis indicados para o respectivo tribunal
judiciário, evitando-se, com isso, que haja qualquer privilégio ou trá-
fico de influência.

o) intervir nas Subseções e na Caixa de Assistência dos Advo-


gados;
Vimos acima que compete ao Conselho Seccional criar as Sub-
seções e a Caixa de Assistência dos Advogados, podendo, entretanto,
intervir nestes. O quorum nesse caso é de 2/3 (dois terços).

Assim, não se deve confundir: compete ao Conselho Federal intervir


nos Conselhos Seccionais, mas compete ao Conselho Seccional in-
tervir nas Subseções e na Caixa de Assistência dos Advogados.

p) desempenhar outras atribuições previstas no Regulamento


Geral.
O Regulamento Geral tem função supletiva aos casos omissos no
Estatuto da Advocacia e da OAB.

PAULO M ACHADO 215


1Pemf
Dld•I Eticaa

CAPÍTULO IV
DA SUBSEÇÃO

Art. 60. A Subseção pode ser criada pelo Conselho Sec-


cional, que fixa sua área territorial e seus limites de compe-
tência e autonomia.
§ 1 ° A área territorial da Subseção pode abranger um ou
mais municípios, ou parte de município, inclusive da ca-
pital do Estado, contando com um mínimo de 15 (quinze)
advogados, nela profissionalmente domiciliados.
§ 2° A Subseção é administrada por uma diretoria, com
atribuições e composição equivalentes às da diretoria do
Conselho Seccional.
§ 3° Havendo mais de 100 (cem) advogados, a Subseção
pode ser integrada, também, por um Conselho em número
de membros fixado pelo Conselho Seccional.
§ 4° Os quantitativos referidos nos parágrafos primeiro e
terceiro deste artigo podem ser ampliados, na forma do
regimento interno do Conselho Seccional.
§ 5° Cabe ao Conselho Seccional fixar, em seu orçamento,
dotações específicas destinadas à manutenção das Subse-
ções.
§ 6° O Conselho Seccional, mediante o voto de 2/3 (dois
terços) de seus membros, pode intervir nas Subseções,
onde constatar grave violação desta Lei ou do Regimento
Int erno daquele.

Art. 61. Compete à Subseção no âmbito de seu território:


1- dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB;
li - velar pela dignidade, independência e valorização da
advocacia, e fazer valer as prerrogativas do advogado;

216 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticae

ª'ª'
Ili - representar a OAB, perante os poderes constituídos;
IV -desempenhar as atribuições previstas no Regulamento
Geral ou por delegação de competência do Conselho Sec-
cional.
Parágrafo único. Ao Conselho da Subseção, quando hou-
ver, compete exercer as funções e atribuições do Conselho
Seccional, na forma do Regimento Interno deste, e ainda:
a) editar seu Regimento Interno, a ser referendado pelo
Conselho Seccional;
b) editar resoluções, no âmbito de sua competência;
c) instaurar e instruir processos disciplinares, para julga-
mento pelo Tribunal de Ética e Disciplina;
d) receber pedido de inscrição nos quadros de advogado e
estagiário, instruindo e emitindo parecer prévio, para deci-
são do Conselho Seccional.

Çl COMENTÁRIOS

0 SUBSEÇÕES

As subseções são partes autônomas dos Conselhos Seccionais,


funcionando como extensões. Elas têm a função de descentralizar al-
gumas atividades destes Conselhos.
Sua área territorial pode abranger um município, mais de um
município ou parte de um município, inclusive na capital do Estado.
Para que uma subseção seja criada pelo Conselho Seccional é ne-
cessário que haja pelo menos quinze advogados domiciliados profis-
sionalmente na respectiva área de abrangência.
Compete às subseções:

PAULO M ACHADO 217


1f)emf
Ui§I Eticae

a) dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB (art. 44 do


EAOAB);
b) velar pela dignidade, independência e valorização da advoca-
cia, fazendo valer as prerrogativas da advocacia;
c) representar a OAB perante os poderes constituídos;
d) desempenhar as atribuições previstas no Regulamento Geral
ou por delegação de competência do Conselho Seccional.
Caso haja mais de 100 (cem) advogados domiciliados profissio-
nalmente na respectiva área da subseção, esta pode contar com um
Conselho (Conselho da Subseção), cujo número de membros será
fixado pelo Conselho Seccional, competindo-lhe, agora, exercer as
mesmas funções do Conselho Seccional, na forma do Regimento In-
terno deste, e ainda:
a) editar seu Regimento Interno, a ser referendado pelo Conselho
Seccional (e não pelo Conselho Federal);
b) editar resoluções no âmbito de sua competência;
c) instaurar e instruir processos disciplinares.
O julgamento ficará a cargo do Tribunal de Ética e Disciplina, que
fica localizado em cada Conselho Seccional;
d) receber pedido de inscrição nos quadros de advogados e es-
tagiários da OAB, instruindo e emitindo parecer prévio, para
decisão do Conselho Seccional.
Perceba que, quando é criado um conselho na subseção, suas atri-
buições são ampliadas sobremodo.
O art. 60, § 4°, do Estatuto, ressalta que os quantitativos acima re-
feridos para a criação da subseção ou do conselho da subseção (quinze
e cem, respectivamente) podem ser aumentados, mas não diminuí-
dos, na forma do Regimento Interno do Conselho Seccional.

218 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Et icae
IMiifl
. ,._ Diretoria da Subseção

A subseção é administrada por uma diretoria com composição e


atribuições equivalentes às da diretoria do Conselho Seccional. Adi-
retoria é composta pelo: Presidente, Vice-Presidente, Secretário Geral,
Secretário Geral Adjunto e Tesoureiro.

CAPÍTULO V
DA CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS

Art. 62. A Caixa de Assistência dos Advogados, com per-


sonalidade jurídica própria, destina-se a ~ oss~-
cia aos inscritos ffo C:o nsel1Jo:Secc1onaíaque se vi
§ 1° A Caixa é criada e adquire personalidade jurídica com
a aprovação e registro de seu estatuto pelo respectivo Con-
selho Seccional da OAB, na forma do Regulamento Geral.
§ 2° A Caixa pode, em benefício dos advogados, promover
a seguridade complementar.
§ 3° Compete ao Conselho Seccional fixar contribuição
obrigatória devida por seus inscritos, destinada à manu-
tenção do disposto no parágrafo anterior, incidente sobre
atos decorrentes do efetivo exercício de advocacia.
§ 4° A'clíretori= da
Caixa , comg_Qsta..ae:s @oco)ri'ieffil5ros,
com atribuições definidas no seu Regimento Interno.
§ 5° Cabe à Caixa a@:etaâeãa .receJta:aãs..anuidades r-eEe -

tante após as deduções regulamentares obrigatórias.


§ 6° Em caso de extinção ou desativação da Caixa, seu pa-
trimônio se incorpora ao do Conselho Seccional respectivo.
§ 7° O Conselho Seccional, mediante,Võtõ'cfe 2 l3~{aõ i.s-te ,_
ços) éle..seus..mem ms, pode fo erJIJ- -a--=caixa-c:ta A-ssist~fb1

PAULO MACHADO 219


1Pemf

"'*'
Eticae

eia dos Advogados, no caso de descumprimento de suas


finalidades, designando diretoria provisória, enquanto du-
rar a intervenção.

Çl COMENTÁRIOS

0 CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS

Como o próprio nome já diz, a Caixa de Assistência dos Advoga-


dos tem a fiTIID_iâ:aêl âe r snrras-sistên cia-ao advogados e:::arrs:e tag}-
.os ' culaià-0s ao respecfi~o eonselho:.:Se~c_cío.u-a1'.
A Caixa de Assistência dos Advogados é criada pelo Conselho
Seccional quando estes contarem comlitl:ais=d-e.:::J:::500.1n cnfo.st adqui-
rindo personalidade jurídica com a aprovação e registro de seu estatu-
to, o que se faz no próprio Conselho Seccional.
A assistência aos inscritos na OAB é definida no Estatuto da Cai-
xa e está condicionada à:
a) regularidade do pagamento da anuidade;
b) carência de um ano, após o deferimento da inscrição;
c) disponibilidade de recursos da Caixa de Assistência.

O art. 123 do Regulamento Geral determina que, em casos es-


peciais, o Estatuto da Caixa pode prever a dispensa dos requisitos de
regularidade do pagamento da anuidade e de carência de um ano.
A Caixa de Assistência pode promover a seguridade complemen-
tar em benefício dos advogados na forma do Regulamento Geral.
As Caixas promovem entre si convênios de colaboração e execu-
ção de suas finalidades e mantêm a Coordenação Nacional das Caixas,
composta por seus presidentes, sendo esta Coordenação Nacional um

220 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1Pemf
Eticao IMiil
órgão de assessoramento do Conselho Federal para a política nacional
de assistência e seguridade dos advogados, tendo o seu coordenador,
nas sessões, direito a voz nas matérias a elas pertinentes.
Caso a Caixa seja extinta ou desativada, o seu patrimônio se in-
corpora ao do Conselho Seccional que a criou.
Sendo da competência do Conselho Seccional criar a Caixa de
Assistência dos Advogados, pode este Conselho, ip:.ar:3[o~T[3; ( dois
terços) s--~rrS'1llembro· , ·nteFvir nes-ta, se houver descumprimento
de suas finalidades, designando para tanto diretoria provisória en-
quanto durar a intervenção (art. 58, XV, do EAOAB).

~ Diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados

A Diretoria da Caixa é composta e_cinco-mem ,r_o_s_,. com atribui-


ções definidas no seu Regimento Interno.

~ Fontes de renda

As fontes de renda da Caixa de Assistência dos Advogados são:

a) metade líquida das anuidades;


Conforme o art. 56 do Regulamento Geral, com a nova redação
dada pela Resolução nº 2 de 2007 do Conselho Federal, do valor bruto
mensal das anuidades são descontados 60 % (sessenta por cento) com
o seguinte destino:
I - d:0. .!lfo(dez por cento) i;wa::i -eõnselfio -~ ~-a;
II-~ (três por cento) para o an:do cultural.\ que é administra-
do pela Escola Superior da Advocacia (ESA);
III - &-%J( dois por cento) para o ,Eundo.'.delnfegraçãn=e.:E>es-e mo ~-
vimento Assistencial dos Advogados (Fida);

PAULO M ACHADO 221


1Pemf
Cbiil Eticao

IV 2!5'¾i (quarenta e cinco por cento) ~,.as â.espesas a mims;-


:rar as e.:manutençao ckc<::-onsellio:Seccigna 1
b) contribuições obrigatórias devidas pelos advogado~, inci-
dentes sobre os atos decorrentes do efetivo exercício da ad-
vocacia, que são fixadas pelo Conselho Seccional (art. 62, §
3°, do EAOAB).

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XIX Exame de Ordem) Tício, presidente de determ inada Subseção da


OAB, valendo-se da disciplina do Art. 50 da Lei Federal nº 8.906/94 (Estatuto da
OAB), pretende requisitar, ao cartório de certa Vara de Fazenda Pública, cópias de
peças dos autos de um processo judicial que não estão cobertas pelo sigilo. As-
sim, analisou o entendimento jurisprudencial consolidado no Supr€mo Tribunal
Federal sobre o tema, a fim de apurar a possibilidade da requisição, bem como,
caso positivo, a necessidade de motivação e pagamento dos custos respectivos.
Diante da situação narrada, Tício estará correto ao concluir que

A) não dispõe de tal prerrogativa, pois o citado dispositivo legal foi declarado
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que compete pri-
vativamente aos tribunais organizar as secretarias e cartórios judiciais, não se
sujeitando a requisições da OAB, por expressa disciplina constitucional.
B) pode realizar tal requisição, pois o citado dispositivo legal foi declarado cons-
titucional pelo Supremo Tribuna l Federal, independentemente de motivação
e pagamento dos respectivos custos.
C) pode realizar tal requisição, pois o Supremo Tribunal Federa l, em sede de
controle de constitucionalidade, assegurou-a, desde que acompanhada de
motivação compatível com as finalidades da Lei nº 8.906/ 94 e o pagamento
dos respectivos custos.
D) não dispõe de tal prerrogativa, pois ao citado dispositivo legal foi conferida,
pelo Supremo Tribunal Federal, interpretação conforme a Constituição Fede-
ral para excluir os presidentes de Subseções, garantindo a requisição apenas
aos Presidentes do Conselho Federal da OAB e dos Conselhos Secciona is, des-
de que motivada.

222 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4° EotÇAO


1f)emf
Eticae IMiil
ÇJ Comentários:

O art. 50 do EAOAB diz que: "Para os fins desta lei, os Presidentes


dos Conselhos da OAB e das Subseções podem requisitar cópias de
peças de autos e documentos a qualquer tribunal, magistrado, cartório
e órgão da Administração Pública direta, indireta e fundacional:'
Acontece que o Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de In-
constitucionalidade nº 1.127-8 (DOU de 26.05.2006), deu interpreta-
ção a este dispositivo, sem reduzir o texto, nos seguintes termos: "de
modo a fazer compreender a palavra 'requisitar' como dependente de
motivação, compatibilização com as finalidades da lei e atendimento
de custos desta requisição. Ficam ressalvados, desde já, os documen-
tos cobertos por sigilo".

GABARITO:(

(FGV - XIX Exame de Ordem) As Subseções X e Y da OAB, ambas criadas pelo


Conselho Seccional Z, reivindicam a competência para desempenhar certa atri-
buição. Não obstante, o Conselho Seccional Z defende que tal atribuição é de sua
competência.
Caso instaurado um conflito de competência envolvendo as Subseções X e Y e
outro envolvendo a Subseção X e o Conselho Seccional Z, assinale a opção que
relaciona, respectivamente, os órgãos competentes para decidir os conflitos.

A} O conflito de competência entre as subseções deve ser decid ido pelo Con-
selho Seccional Z, cabendo recurso ao Conselho Federal da OAB. Do mesmo
modo, o conflito entre a Subseção X e o Conselho Seccional Z será decidido
pelo Conselho Seccional Z, cabendo recurso ao Conselho Federal da OAB.
B} O conflito de competência entre as su bseções deve ser decidido pelo Conse-
lho Seccional Z, cabendo recurso ao Conselho Federal da OAB. Já o conflito
entre a Subseção X e o Conselho Seccional Z será decidido, em única inst ân-
cia, pelo Conselho Federal da OAB.
C} Ambos os conflitos de competência serão decididos, em única instância, pelo
Conselho Federal da OAB.

PAULO M ACHADO 223


1[Jemf
IMiil Eticao

D) O conflito de competência entre as subseções deve ser decidido, em única


instância, pelo Conselho Seccional Z. O conflito entre a Subseção X e o Con-
selho Seccional Z será decidido, em única instância, pelo Conselho Federal da
OAB.

Q Comentários:

Dispõe o art. 119 do Regulamento Geral do EAOAB que "Os


conflitos de competência entre subseções e entre estas e o Conselho
Seccional são por este decididos, com recurso voluntário ao Conselho
Federal:'

GABARITO: A

(FGV - XVI Exame de Ordem) Compete ao Conselho Seccional ajuizar, após de-
liberação,
A) ação direta de inconstitucionalidade em face de leis ou atos normativos fede-
rais.
B) queixa-crime contra quem tenha ofendido os inscritos na respectiva Seccio-
nal.
C) mandado de segurança individual em favor dos advogados inscritos na res-
pectiva Seccional, independentemente de vinculação com o exercício da pro-
fissão.
D) mandado de segurança coletivo, em defesa de seus inscritos, independente-
mente de autorização pessoal dos interessados.

Q Comentários:

As competências dos Conselhos Seccionais estão no art. 58 do


EAOAB, bem como no art. 105 do RG.

224 EDITORA ARMADOR J 10 EM ÉTICA • 4 ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticao IMiil
A alternativa A está errada, pois a competência para propor ADI
em face de leis e atos normativos FEDERAIS é o Conselho Federal.
A alternativa B está errada, pois Queixa-crime somente pode ser
ofertada pelo ofendido ou seu representante legal.
A letra C está errada, porque tem de ser por ato relativo à advo-
cacia.
Por fim, a letra D corresponde aos termos do art. 105, V, c, do
Regulamento Geral do EAOAB.

GABARITO: D

(FGV - VII Exame de Ordem) Nos termos do Regulamento Geral do Estatuto da


Advocacia e da OAB quanto à aquisição de patrimônio pela Ordem dos Advoga-
dos do Brasil, revela-se correto afirmar que
A) a alienação de bens é ato privátivo do Presidente da Seccional da OAB.
B) a aquisição de bens depende de aprovação da Diretoria da OAB.
C) a oneração de bens é ato do Presidente do Conselho Federal.
D) a disposição sobre os bens móveis é atribuição do Presidente da Seccional.

Q Comentários:

Nos termos do art. 48 do RG, a alienação ou oneração de bens


imóveis depende de aprovação do Conselho Federal ou do Conselho
Seccional, competindo à Diretoria do órgão decidir pela aquisição de
qualquer bem e dispor sobre os bens móveis.
A alienação ou oneração de bens imóveis depende de autoriza-
ção da maioria das delegações, no Conselho Federal, e da maioria dos
membros efetivos, no Conselho Seccional.

GABARITO: B

PAULO MACHADO 225


1Pemf
MH!il Eticae

(FGV - VIII Exame de Ordem) As alternativas a seguir apresentam algumas das


competências do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, à exce-
ção de uma. Assinale-a.
A) Representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos dos advogados.
B) Velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia.
C) Representar, sem exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e even-
tos internacionais da advocacia.
D) Edita r e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, e os Pro-
vimentos que julgar necessários.

ÇJ Comentários:

As competências do Conselho Federal estão arroladas no art. 54


do EAOAB.
Assim, a letra C indica uma que não é, pois a representação é
COM exclusividade, e não SEM exclusividade (at. 54, rv, do EAOAB).

GABARITO: (

(FGV - IX Exame de Ordem) Assinale a afirmativa que indica como ocorrerá, em


havendo necessidade, a criação de novos Conselhos Seccionais, de acordo com
as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB.
A) Por meio de Lei aprovada pelo Congresso Nacional.
B) Por meio de Medida Provisória Federal.
C) Por Provimento do Conselho Federal.

D) Por meio de Resolução do Conselho Federal

226 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Etica e Cfiiifl
Q Comentários:

O fundamento da resposta está no art. 46 do RG, que diz que


os novos Conselhos Seccionais serão criados mediante Resolução do
Conselho Federal.

GABARITO:D

(FGV - IX Exame de Ordem - lpatinga) O cargo de Presidente da Caixa dos Ad-


vogados é dos mais relevantes para a OAB. Um advogado eleito para tal cargo,
não tendo como concluir o seu mandato, de acordo com as normas do Regula-
mento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, deve prestar contas
A) ao presidente do Conselho Federal titular.
B) ao secretário do Conselho Secciqnal em exercício.
C) ao coordenador do Conselho Fiscal ou Deliberativo.
D) ao presidente da Caixa dos Advogados sucessor.

Q Comentários:

A questão decorre da passagem do mandato eleitoral. Na aludida


transferência a prestação de contas é um dever do Presidente que está
saindo.
A respeito veja o teor do art. 59 do Regulamento Geral: "Deixan-
do o cargo, por qualquer motivo, no curso do mandato, os Presidentes
do Conselho Federal, do Conselho Seccional, da Caixa de Assistência
e da Subseção apresentam, de forma sucinta, relatório e contas ao seu
sucessor:'

GABARITO:D

PAULO MACHADO 127


1Pemf
Cffi@
I Etica$

CAPÍTULO VI
DAS ELEIÇÕES E DOS MANDATOS

Art. 63. A eleição dos membros de todos os órgãos da


OAB será realizada na segunda quinzena do mês de no-
vembro, do último ano de mandato, mediante cédula úni-
ca e votação direta dos advogados regularmente inscritos.
§ 1°A eleição, na forma e segundo os critérios e procedi-
mentos estabelecidos no Regulamento Geral, é de compa-
recimento obrigatório para todos os advogados inscritos
na OAB.
§ 2° O candidato deve comprovar situação regular junto
à OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter
sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilita-
ção, e exercer efetivamente a profissão-há mais-de-s (g:11,

§ 1° A chapa para o Conselho Seccional deve ser composta


dos candidatos ao Conselho e à sua Diretoria e, ainda, à
delegação do Conselho Federal e à diretoria da Caixa de
Assistência dos Advogados, para eleição conjunta.
§ 2° A chapa para a Subseção deve ser composta com os
candidatos à diretoria, e de seu Conselho quando houver.

(trêst anos, iniciando-se em primeiro de janeiro do ano se-


guinte ao da eleição, salvo o Conselho Federal.

228 Eo1TORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Eticae I Miil

gye-~irn.andat o automaticamente, antes


de seu término, quando:
1- ocorrer qualquer hipótese de cancelamento de inscrição
ou de licenciamento do profissional;
li - o titular sofrer condenação disciplinar;
Ili - o titular faltar, sem motivo justificado, @ ê-s:re:.UoLo.eS"
or...dinácia-s consecutiva~ de cada órgão deliberativo do
Conselho ou da diretoria da Subseção, ou da Caixa de As-
sistência dos Advogados, não podendo ser reconduzido
no mesmo período de mandato.
Parágrafo único. Extinto qualquer mandato, nas hipóteses
deste artigo, cabe ao Conselho Seccional escolher o substi-
tuto, caso não haja suplente.

Art. 67. A eleição da Diretoria do Conselho-E-e ~ca-Ji, que


tomará posse oo âiã:J~e fev.ei:e1r.o, obedecerá às seguin-
tes regras:
1- será admitido o registro, junto ao Conselho Federal, de
candidatura à presidência, desde 6 (seis) meses até 1 (um)
mês antes da eleição;
li - o requerimento de registro deverá vir acompanhado do
apoiamento de, no mínimo, 6 (seis) Conselhos Seccionais;
Ili - até 1 (um) mês antes das eleições, deverá ser req uerido
o registro da chapa completa, sob pena de cancelamento
da candidatura respectiva;
IV - no dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, o
Conselho Federal elegerá, em reunião presidida pelo con-

PAULO M ACHADO 229


1f)emf
UM Eticae

selheiro mais antigo, por voto secreto e para mandato de 3


(três) anos, sua diretoria, que tomará posse no dia seguinte;
• A redação deste inciso IV foi alt erada pela Lei nº 11.179, de 22 de setembro de
2005.

V - se_rLconsiderada---eleit<j a chapa que obtiver matoria


sJmples cios votos dos ConselheirorFederais, presente a
metade mais 1 (um) de seus membros .
... A redação deste inciso V foi alterada pela Lei nº 11.179, de 22 de setembro de
2005

Parágrafo único. Com exceção do candidato a Presidente,


os demais integrantes da chapa deverão ser conselheiros
federais eleitos.

ÇJ COMENTÁRIOS

0 ELEIÇÕES E MANDATOS NA OAB

As eleições na OAB são realizadas trienalmente. Assim, todos os


mandatos na OAB têm a duração de três anos.
As eleições dos membros de todos os órgãos da OAB se realizam
na segunaa. quinzena~do mês de-novembro"'90 últinr.o::ano;do manda-
to, mediante cédula única e votação direta dos advogados regularmen-
te inscritos.
O Yoto é obrigatório para todos os advogados, sob pena de multa
equiv alente a"'20 %l (vinte por cento) do valor da anuidade , a não ser
que a ausência seja justificada por escrito. Os estagiários não votam.
O advogado que tem inscrição sup,leme ta ode e~ rcer op_ç ãa
cl_e _v_o-t o...., comunicando ao Conselho Seccional no qual tem inscrição
principal.

230 E DITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Etica• IMiii
É vedada a votação em trânsito, ou seja, votar, por exemplo, no
local mais perto do seu escritório, da sua residência ou na comarca
onde o profissional for participar de uma audiência. Para isso, a OAB
designa ao advogado o local onde deve votar.
O candidato a membro da OAB deve fazer prova dos seguintes
requisitos, a saber:
a) ser advogado regularmente inscrito no respectivo Conselho
Seccional (com inscrição principal ou suplementar);
b) estar em dia com as anuidades;
c) não ocupar cargos ou funções incompatíveis com a advocacia
(art.28, EAOAB) em caráter permanente ou temporário;
d) não ocupar cargos ou funções dos quais possa ser exonerável
ad nutum (mesmo que compatíveis com a advocacia);
e) não ter sido condenado por qualquer infração disciplinar por
decisão transitada em julgado, salvo de estiver reabilitado pela
OAB;
f) exercer efetivamente a profissão há mais de-cinco,;.anos (não se
conta o período de estagiário);
g) não estar em débito com a prestação de contas ao Conselho
Federal, caso seja dirigente do Conselho Seccional.

A chapa para o Conselho Seccional é composta dos candidatos


à Diretoria (Presidente, Vice-Presidente, Secretário Geral, Secretário
Geral Adjunto e Tesoureiro) e ao Conselho (conselheiros seccionais),
à delegação do Conselho Federal e à Diretoria da Caixa de Assistência
dos Advogados.
A eleição é conjunta e consideram-se eleitos os candidatos in-
tegrantes da chapa que obtiver a maioria dos votos válidos (art. 64,
EAOAB).

PAULO M ACHADO 231


1f)emf
Diil Etica ..

A chapa para a Subseção é composta com os candidatos à sua


Diretoria e ao Conselho da Subseção, quando houver.
Os mandatos na OAB têm intcto ~m 1º âe janeiro do ano seguin-
te ao da eleição para os todos os órgãos da O B, com e-xceçi_o para o
e oIT&eJ.ho ~eral (os conselheiros federais eleitos na chapa iniciam os
seus mandatos no dia º de::fe_yereiTI~do ano seguinte ao da eleição).
Ocorre a extinção do mandato, automaticamente, antes de seu
término, quando:
a) ocorrer qualquer hipótese de cancelamento da inscrição ou de
licença do advogado;
b) o titular sofrer condenação disciplinar na OAB;
c) o titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões ordiná-
rias consecutivas de cada órgão deliberativo do Conselho, da
Diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advo-
gados, não podendo ser reconduzido no mesmo período de
mandado.

Nos casos de extinção de qualquer mandato na OAB, resultante


das hipóteses supracitadas, caberá ao Conselho Seccional escolher o
substituto, no caso de não haver suplentes (art. 66, parágrafo único,
do EAOAB).
Conforme acima comentado, a votação será de forma direta nos
Conselhos Seccionais, sendo na modalidade indireta para a escolha da
Diretoria do Conselho Federal.
Dispõe o art. 67 do EAOAB que:

"A eleição da Diretoria do Conselho Federal, que tomará posse no dia pri-
meiro de fevereiro, obedecerá às seguintes regras:
1- será admitido o registro, junto ao Conselho Federal, de candidaturas à
presidência, desde 6 {seis) meses até 1 (um) mês antes da eleição;
li - o requerimento de registro deverá vi r acompanhado do apoio de, no
mínimo, 6 {seis) Conselhos Seccionais;

232 EDITORA A RMAOOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Etica& IMiil
Ili - até 1 (um) mês antes das eleições, deverá ser requerido o registro da
chapa completa, sob pena de cancelamento da candidatura respectiva;
IV - no dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, o Conselheiro
Federal elegerá, em reunião presidida pelo conselheiro mais antigo, por
voto secreto e para mandato de 3 (três) anos, sua diretoria, que tomará
posse no dia seguinte;
V - será considerada eleita a chapa que obtiver maioria simples dos votos
dos Conselheiros Federais, presente a metade mais 1 (um) de seus mem-
bros:'

Com exceção do candidato à Presidente do Conselho Federal, os


demais integrantes da deverão ser conselheiros federais eleitos.
O Novo Código de Ética e Disciplina, pela primeira vez, passou a
tratar do exercício de cargos e funções na OAB e na representação da
classe, no Capítulo VI, do Título I, especificamente, nos arts. 31 ao 34,
dispondo da seguinte maneira:

"Art. 31. O advogado, no exercício de cargos ou funções em órgãos da


Ordem dos Advogados do Brasil ou na representação da classe junto a
quaisquer instituições, órgãos ou comissões, públicos ou privados, man-
t erá conduta consentânea com as disposições deste Código e que revele
plena lealdade aos interesses, direitos e prerrogativas da classe dos advo-
gados que representa.
Art. 32. Não poderá o advogado, enquanto exercer cargos ou funções
em órgãos da OAB ou representar a classe junto a quaisquer instituições,
órgãos ou comissões, públicos ou privados, firmar contrato oneroso de
prestação de serviços ou fornecimento de produtos com tais entidades
nem adquirir bens imóveis ou móveis infungíveis de quaisquer órgãos da
OAB, ou a estes aliená-los.
Parágrafo único. Não há impedimento ao exercício remunerado de at ivi-
dade de magistério na Escola Nacional de Advocacia - ENA, nas Escolas de
Advocacia - ESAs e nas Bancas do Exame de Ordem, observados os prin-
cípios da moralidade e da modicidade dos valores estabelecidos a título
de remuneração.

PAULO MACHADO 233


1Pemf
IMiil Eticae

Art. 33. Salvo em causa própria, não poderá o advogado, enquanto exer-
cer cargos ou funções em órgãos da OAB ou tiver assento, em qualquer
condição, nos seus Conselhos, atuar em processos que tramitem perante
a entidade nem oferecer pareceres destinados a instruí-los.
Parágrafo único. A vedação estabelecida neste artigo não se aplica aos di-
rigentes de Seccionais quando atuem, nessa qualidade, como legitimados
a recorrer nos processos em trâmite perante os órgãos da OAB.
Art. 34. Ao submeter seu nome à apreciação do Conselho Federal ou dos
Conselhos Seccionais com vistas à inclusão em listas destinadas ao pro-
vimento de vagas reservadas à classe nos tribunais, no Conselho Nacio-
nal de Justiça, no Conselho Nacional do Ministério Público e em outros
colegiados, o candidato assumirá o compromisso de respeitar os direitos
e prerrogativas do advogado, não praticar nepotismo nem agir em desa-
cordo com a moralidade administrativa e com os princípios deste Código,
no exercício de seu mister:'

Para outros detalhes sobre o assunto, recomendamos ao leitor a


leitura dos arts. 128 a 137 do Regulamento Geral.

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XX Exame de Ordem) Charles é presidente de certo Conselho Seccional


da OAB. Não obstante, no curso do mandato, Charles vê-se envolvido em difi-
culdades no seu casamento com Emma, e decide renunciar ao mandato, para
dedicar-se às suas questões pessoais.
Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.

A) O sucessor de Charles deverá ser eleito pelo Conselho Federal da OAB, dentre
os membros do Conselho Secciona l respectivo.
B) O sucessor de Charles deverá ser eleito pelo Conselho Seccional respectivo,
dentre seus membros.
C) O sucessor de Charles deverá ser eleito pela Subseção respectiva, dentre seus
membros.
D) O sucessor de Charles deverá ser eleito por votação direta dos advogados
regularment e inscritos perante o Conselho Seccional respectivo.

234 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1!)emf
Etica• IMiil
Q Comentários:

Para o art. 66, parágrafo único, do EAOAB, ocorrendo os casos de


extinção do mandato, antes de seu tempo integral, cabe ao Conselho
Seccional escolher o substituto, caso não haja suplente.

GABARITO: B

(FGV - XX Exame de Ordem) Fabiano é conselheiro eleito de certo Conselho


Seccional da OAB. No curso do mandato, Fabiano pratica infração disciplinar e
sofre condenação, em definitivo, à pena de censura. Considerando a situação
descrita e o disposto no Estatuto da OAB, o mandato de Fabiano no Conselho
Seccional
A) será extinto, apenas se a sanção disciplinar aplicada for de exclusão.
B) será extinto, apenas se a sanção por infração disciplinar aplicada for de exclu-
são ou de suspensão.
C) será extinto, independentemente da natureza da sanção disciplinar aplicada.
D) será extinto, apenas se a sanção aplicada for de suspensão ou se for reinci-
dente em infração disciplinar.

Q Comentários:

Nos termos do art. 66 do Estatuto, extingue-se o mandato auto-


maticamente, antes de seu término, quando:
I - ocorrer qualquer hipótese de cancelamento de inscrição ou de
licenciamento do profissional;
II - o titular sofrer condenação disciplinar;
III - o titular faltar, sem motivo justificado, a três reuniões or-
dinárias consecutivas de cada órgão deliberativo do Conselho ou da

PAULO M ACHADO 235


1[Jemf
Miil Eticaet

diretoria da Subseção, ou da Caixa de Assistência dos Advogados, não


podendo ser reconduzido no mesmo período de mandato.

GABARITO: (

(FGV - IX Exame de Ordem - lpatinga) A respeito do voto e da participação na


eleição para o Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, de acordo
com as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assi-
nale a afirmativa correta.
A) É voluntário o voto, podendo candidatar-se o advogado com mais de cinco
anos de atividade.
B) É obrigatório o voto, podendo inscrever-se, para ocupar cargos no Conselho,
qualquer advogado independente do tempo de exercício.
C) Évoluntário o voto, sendo a eleição direta e secreta, escolhendo os membros
do Conselho Seccional e Federal.
D) É obrigatório o voto, podendo o advogado com inscrição suplementar há
mais de cinco anos ser candidato na seccional.

ÇJ Comentários:

De fato o voto é obrigatório para todos os advogados. Caso o ad-


vogado não vote ou
O tema é tratado nos arts. 128 ao 137 do Regulamento Geral.
D não tenha sua justificativa aceita pela OAB, terá de pagar uma
m ulta de 20% do valor da anuidade. Os estagiários não votam.
O candidato deve comprovar situação regular junto à OAB, não
ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter sido condenado por infra-
ção disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão
há mais de cinco anos (art. 63, § 2°. EAOAB).

GABARITO:D

236 EDITORA A RMADOR J 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇAO


1f)emf
Etica• IMIJ•i
TÍTULO Ili
DO PROCESSO NA OAB

CAPÍTULO 1
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 68. Salvo disposição em contrário, aplicam-se sub-


sidiariamente ao processo disciplinar as regras da legisla-
ção processual penal comum e, aos demais processos, as
regras gerais do procedimento administrativo comum e da
legislação processual civil, nessa ordem.

Art. 69. Todos os prazos necessários à manifestação de


advogados, estagiários e terceiros, nos processos em geral
da OAB, ao e umze · s, incf usive para interposição de
recursos.
§ 1° Nos casos de comunicação por ofício reservado, ou
de notificação pessoal, o prazo se conta a partir do dia útil
imediato ao da notificação do recebimento.
§2° Nos casos de publicação na imprensa oficial do ato ou
da decisão, o prazo inicia-se no primeiro dia útil seguinte.

CAPÍTULO li
DO PROCESSO DISCIPLINAR

PAULO M ACHADO 237


1f)emJ

'ª''' § 1° Cabe ao Tribunal ·de Ética e Disciplina, do Conselho


Seccional competente, julgar os processos disciplinares,
Eticae

instruídos pelas Subseções ou por relatores do próprio


Conselho.
§ 2° A decisão condenatória irrecorrível deve ser imedia-
tamente comunicada ao Conselho Seccional onde o repre-
sentado tenha inscrição principal, para constar dos respec-
tivos assentamentos.
§ 3° O Tribunal de Ética e Disciplina, do Conselho onde o
acusado tenha inscrição principal, pode suspendê-lo pre-
ventivamente, em caso de repercussão à dignidade da ad-
vocacia, íle P-oisJ:üt .oJl_~ ~enrsessão-es eda para a qual
deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender
à notificação. Neste caso, o processo disciplinar deve ser
concluído noJprcrz-o-nráxrm-o de OJ[[oV'e ntat:dia:sl

Art. 71. A jurisdição disciplinar não exclui a comum e,


í.Quan-. O\)"fato co-nstitUi~
~ ou contravenção, _eY.es e r,
eom unk ad o-às autoridades-competentes.

§ 1° O Código de Ética e Disciplina estabelece os critérios


de admissibilidade da representação e os procedimentos
disciplinares.
§2° O processo disciplinar tramita em sigilo, até ao seu tér-
mino, só tendo acesso às suas informações as partes, seus
defensores e a autoridade judiciária competente.

·Art. 73. Recebida a representação, o Presidente deve de-


signar relator, a quem compete a instrução do processo e

238 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticae CHWI
o oferecimento de parecer preliminar a ser submetido ao
Tribunal de Ética e Disciplina.
§ 1° Ao representado deve ser assegurado amplo direito
de defesa, podendo acompanhar o processo em todos os
termos, pessoalmente ou por intermédio de procurador,
oferecendo defesa prévia após ser notificado, razões finais
após a instrução e defesa oral perante o Tribunal de Ética e
Disciplina, por ocasião do julgamento.
§ 2° Se, após a defesa prévia, o relator se manifestar pelo
indeferimento liminar da representação, este deve ser de-
cidido pelo Presidente do Conselho Seccional, para deter-
minar seu arquivamento.
§ 3° O prazo para defesa prévia pode ser prorrogado por
motivo relevante, a juízo do relator.
§4° Se o representado não-for encontrado!l 90-forrevel o
Presidente do Eonsefüo ou da Subseção deve desr r- ~
defensordatiW.
§ 5° É também permitida a revisão do processo disciplinar,
por erro de julgamento ou por condenação baseada em
falsa prova.

Art. 7 4. O Conselho Seccional pode adotar as medidas


administrativas e judiciais pertinentes, objetivando a que
o profissional suspenso ou excluído devolva os documen-
tos de identificação.

QUESTÕES COM ENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem) O advogado Roni foi presidente do Conselho Fe-
deral da OAB em mandato exercido por certo t riênio, na década entre 2000 e
2010.

P AULO M ACHADO 239


1f)emf
ue, Eticae

Sobre a participação de Roni, na condição de ex-presidente do Conselho Federal,


nas sessões do referido Conselho, assinale a afirmativa correta.

A) Não integra a atual composição do Conselho Federal da OAB. Logo, apenas


pode participar das sessões na condição de ouvinte, não lhe sendo facultado
direito a voto ou direito a voz.
B) Integra a atual composição do Conselho Federal da OAB, na qualidade de
membro honorário vitalício, sendo-lhe conferido direito a voto e direito a voz
nas sessões.
C) Não integra a atual composição do Conselho Federal da OAB. Logo, apenas
pode participar das sessões na cond ição de convidado honorário, não lhe
sendo facultado direito a voto, mas, sim, direito a voz.
D) Integra a atual composição do Conselho Federal da OAB, na qualidade de
membro honorário vitalício, sendo-lhe conferido apenas direito a voz nas ses-
sões e não direito a voto.

Q Comentários:

De acordo com art. 51, § 2°, do atual Estatuto da Advocacia, os


ex-presidentes não têm mais direito a voto, como se permitia no pas-
sado, por ocasião da Lei nº 4.215/63, tendo agora apenas direito de
voz. Entretanto, o art. 81 da Lei nº 8.906/94 determinou que não se
aplica essa restrição de direito de voto aos que tenham assumido ori-
ginariamente o cargo de Presidente do Conselho Federal até a data
da publicação desta lei (05 de julho de 1994), ficando assegurados o
pleno direito de voz e voto em suas sessões, ou nas palavras do art. 77,
§ 2°, do Regulamento Geral: "Os ex-Presidentes empossados antes de
julho de 1994, têm direito de voto equivalente ao de uma delegação,
em todas as matérias, exceto na eleição dos membros da Diretoria do
Conselho Federal:'

240 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


1f)emf
Eticae MWI
(FGV - VI Exame de Ordem) Após recebida representação disciplinar sem fun-
damentos, cabe ao relator designado pelo presidente do Conselho Seccional da
OAB, à luz das normas aplicáveis,
A) arqu ivar o processo ato contínuo.
B) propor ao presidente o arquivamento do processo.
C) designar data para a defesa oral pelo advogado.
D) julgar improcedente a representação.

Q Comentários:

Nos termos do art. 73, § 2°, do EAOAB, se, após a defesa prévia,
o relator se manifestar pelo indeferimento liminar da representação,
este deve ser decidido pelo Presidente do Conselho Seccional, para
determinar seu arquivamento. Veja que quem arquiva é o Presidente.
O relator somente pode propor o arquivamento.

GABARITO: B

(FGV - VI Exame de Ordem - Duque de Caxias) Entre as competências do Tri-


bunal de Ética e Disciplina da OAB, NÃO se inclui, à luz das normas aplicáveis do
Estatuto da Advocacia e do Código de Ética,
A) instaurar de ofício processo sobre ato que considere em tese infração à nor-
ma de ética profissional.
B) mediar pendências entre advogados, bem como conciliar questões sobre
partilha de honorários.
C) responder a consultas "em tese'; aconselhando e orientando sobre ética pro-
fissional.
D) elaborar seu orçamento financeiro a ser submetido ao Conselho Seccional.

PAULO MACHADO 241


1f)emf
Bill Eticao

Q Comentários:
O art. 71 do NCED traz uma série de competências do Tribunal
de Ética e Disciplina, não constando a da letra D.

GABARITO: D

(FGV - IX Exame de Ordem) Caio é advogado que atua em três estad os da fede-
ração, possuindo uma inscrição principal e duas suplementares, t endo em vista o
número elevado de causa s que possui. Em d ecorrência de conflitos ocorridos em
função dos processos em que atua, foram instaurados t rês processos disciplina-
res, um em cada seccional onde atua. De acordo com as normas do Estatuto da
Advocacia, a competência para julgamento desses processos cabe ao

A) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasi l.


B) Conselho Seccional em que o advogado possui inscrição principal.
C) Conselho Seccional de cada infração disciplinar.

D) Conselho Nacional de Justiça.

Q Comentários:

A regra acerca da competência está no art. 70 do EAOAB.


O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB compete
exclusivamente ao Conselho Seccional em cuja base territorial tenha
ocorrido a infração, salvo se a falta for cometida perante o Conselho
Federal.
Lembre-se de que o Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho
onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventi-
vamente, em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia,
depois de ouvi-lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a

242 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4° EDIÇÃO


1!)emf
Eticae
Cb!UI
comparecer, salvo se não atender à notificação. Neste caso, o processo
disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias.

GABARITO: (
(FGV - IX Exame de Ordem - lpatinga) O advogado José da Silva defronta-se
com uma situação em que surge dúvida quanto à sua atuação ética. Consultan-
do a legislação de regência, não vislumbra solução para sua dúvida. Nesse caso,
não havendo previsão no Código de Ética e Disciplina da OAB, deve o advogado
formular consulta ao
A) Conselho Seccional.
B) Tribunal de Ética e Disciplina.
C) Presidente da Instituição.
D) Tribunal Pleno.

Q Comentários:

O Tribunal de Ética e Disciplina tem outras competências, além


daquela de processar e julgar os advogados. O TED também é compe-
tente para orientar e aconselhar sobre ética profissional, respondendo
às consultas em tese (art. 71 do Novo CED).

GABARITO: B

{FGV - XI Exame de Ordem) O advogado Caio solicitou vista de autos de proces-


so disciplinar instaurado na OAB contra seu desafeto, o advogado Tício. Caio jus-
tificou seu pedido afirmando que juntaria às informações contidas no processo
disciplinar em questão as de um determinado processo judicial no qual ambos
atuaram, visando, com isso, demonstrar que Tício costumava ter comporta men-
to aético. Com relação à hipótese sugerida, assinale a afirmativa correta.
A) Caio não poderá ter acesso aos autos do processo disciplinar instaurado con-
tra Tício, porque ~emonstrou que juntaria às informações nele contidas as

PAULO MACHADO 243


1Pemf
IMIIW Eticae

de um processo judicial em que ambos atuavam, prejudicando, assim, a boa


administração da justiça.
B) Caio não poderá ter acesso aos autos do processo disciplinar instaurado con-
tra Tício, uma vez que os processos disciplinares instaurados na OAB contra
advogados tramitam em sigilo, até o seu término, só tendo acesso às suas
informações as partes, seus defensores e a autoridade judiciária competente.
C) Caio poderá ter acesso aos autos do processo disciplinar instaurado contra
Tício, desde que assine termo pelo qual se compromete a não divulgar a ter-
ceiros as informações nele contidas.
D) Caio poderá ter acesso irrestrito aos autos do processo disciplinar instaurado
contra Tício, uma vez que processos disciplinares instaurados na OAB contra
advogados não tramitam em sigilo.

Çl Comentários:

O processo disciplinar da OAB tem suas regras delineadas nos


arts. 70 ao 77 do EAOAB e nos arts. 55 ao 71 do CED.
Entre essas regras, o art. 72, § 2°, do EAOAB determina que o
processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu término, só tendo
acesso às suas informações as partes, seus defensores e a autoridade
judiciária competente.

GABARITO:B

CAPÍTULO UI
DOS RECURSOS

Art. 75. f:al>e- r.ecurso-ao-Cõnselno:Eecfer:ah deQQ,d_as:âs


·edsões- definif - =; proferidas ~efo·--Eonse-lho.=S-e~ciDnal;,
uamto~nã"o~e·ntJIDn:::std-o:cmãntmesr;9.U,...sel'll:lo:unântmes,

244 EDITORA ARMADOR J 10 EM ÉTICA • 4• EDIÇÃO


10em
Éticao Uill
contl'ar.,e~ es a et, decisão do Conselho Federal ou de
outro Conselho Seccional e, ainda, o Regulamento Geral, o
Código de Ética e Discipl ina e os Provimentos.
Parágrafo único. Além dos interessados, o Presidente do
Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso refe-
rido neste artigo.

Art. 76. Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as


decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de
Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da Cai-
xa de Assistência dos Advogados.

Art. 77. .o os crs-recursos têm-efeito--s-usRensivo- xc,eto


quando tratarenr de-el ·ç_ôgs (a rts. 63 e s.), de susp_ensãõl
preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e
e cancelamen o da inscrição obtida com falsa prova.
Parágrafo único. O Regu'lamento Geral disciplina o cabi-
mento de recursos específicos, no âmbito de cada órgão
julgador.

Çl COMENTÁRIOS

0 PROCESSO D ISCIPLINAR

~ Da competência do Tribunal de Ética e Disciplina

O Tribu nal de Ética e Disciplina (TED) tem suas competências


arroladas no art. 71 do Novo Código de Ética e Disciplina, quais sejam:
I - julgar, em primeiro grau, os processos ético-disciplinares;

PAULO MACHADO 245


1f)emf
IMIIW Etica o

II - responder a consultas formuladas, em tese, sobre matéria éti-


co-disciplinar;
III - exercer as competências que lhe sejam conferidas pelo Re-
gimento Interno da Seccional ou por este Código para a instauração,
instrução e julgamento de processos ético-disciplinares;
IV - suspender, preventivamente, o acusado, em caso de conduta
suscetível de acarretar repercussão prejudicial à advocacia, nos termos
do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil;
V - organizar, promover e ministrar cursos, palestras, seminários
e outros eventos da mesma natureza acerca da ética profissional do
advogado ou estabelecer parcerias com as Escolas de Advocacia, com
o mesmo objetivo;
VI - atuar como órgão mediador ou conciliador nas questões que
envolvam:
a) dúvidas e pendências entre advogados;
b) partilha de honorários contratados em conjunto ou decorren-
tes de substabelecimento, bem como os que resultem de su-
cumbência, nas m esmas hipóteses;
c) controvérsias surgidas quando da dissolução de sociedade de
advogados.

Novidade trazida pelo Novo CED, no art. 72, foi a questão das
Corregedorias-Gerais:

Art. 72. As Corregedorias-Gerais integram o sistema disciplinar da Ordem


dos Advogados do Brasil.
§ 1° O Secretário-Geral Adjunto exerce, no âmbito do Conselho Federal,
as fun ções de Corregedor-Geral, cuja competência é definida em Provi-
mento.
§ 2° Nos Conselhos Seccionais, as Corregedorias-Gerais terão atribuições
da mesma natureza, observando, no que couber, Provimento do Conse-
lho Federal sobre a matéria.

246 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf
Etica0 MMM
§ 3° A Corregedoria-Geral do Processo Disciplinar coordenará ações do
Conselho Federal e dos Conselhos Seccionais voltadas para o objetivo de
reduzir a ocorrência das infrações disciplinares mais frequentes.

!1J,- Do processo disciplinar na OAB

O poder de punir disciplinarmente os inscritos na Ordem com-


pete ao Conselho Seccional do estado onde ocorreu a infração, exce-
to se a falta for cometida perante o Conselho Federal. Em verdade,
compete ao Tribunal de Ética e Disciplina daquele Conselho Seccional
julgar os processos disciplinares instruídos pelas Subseções ou por re-
latores do próprio Conselho Seccional. A representação contra mem-
bros do Conselho Federal também deve ser processada e julgada pelo
Conselho Federal (art. 70 do EAOAB).
As regras do processo disciplinar são tratadas tanto na Lei
8.906/94 (EAOAB), quanto no Código de Ética e Disciplina. O Novo
CED trouxe mais detalhes a respeito do aludido tema no Capítulo 1 do
Título II (arts. 55 a 71). Vejamos:

Art. 55. O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante represen-


tação do interessado.
§ 1° A instauração, de ofício, do processo disciplinar dar-se-á em função
do conhecimento do fato, quando obtido por m eio de fonte idônea ou
em virtude de comunicação da autoridade competente.
§ 2° Não se considera fonte idônea a que consistir em denúncia anônima.
Art. 56. A representação será formulada ao Presidente do Conselho Sec-
cional ou ao Presidente da Subseção, por escrito ou verbalmente, deven-
do, neste último caso, ser reduzida a termo.
Parágrafo único. Nas Seccionais cujos Regimentos Internos atribuírem
competência ao Tribunal de Ética e Disciplina para instaurar o processo
ético disciplinar, a representação poderá ser dirigida ao seu Presidente ou
será a este encaminhada por qualquer dos dirigentes referidos no caput
deste artigo que a houver recebido.
Art. 57. A representação deverá conter:

PAULO M ACHADO 247


1Pemf
Qiil Eticao

1- a identificação do representante, com a sua qualificação civil e ende-


reço;
li - a narração dos fatos que a motivam, de forma que permita verificar a
existência, em tese, de infração disciplinar;
Ili - os documentos que eventualmente a instruam e a indicação de outras
provas a ser produzidas, bem como, se for o caso, o rol de testemunhas,
até o máximo de cinco;
IV - a assinatura do representante ou a certificação de quem a tomou por
termo, na impossibilidade de obtê-la.
Art. 58. Recebida a representação, o Presidente do Conselho Seccional ou
o da Subseção, quando esta dispuser de Conselho, designa relator, por
sorteio, um de seus integrantes, para presidir a instrução processual.
§ 1° Os atos de instrução processual podem ser delegados ao Tribunal de
Ética e Disciplina, conforme dispuser o regimento interno do Conselho
Seccional, caso em que caberá ao seu Presidente, por sorteio, designar
relator.
§ 2° Antes do encaminhamento dos autos ao relator, serão juntadas a
ficha cadastral do representado e certidão negativa ou positiva sobre a
existência de punições anteriores, com menção das faltas atribuídas. Será
providenciada, ainda, certidão sobre a existência ou não de representa-
ções em andamento, a qual, se positiva, será acompanhada da informação
sobre as faltas imputadas.
§ 3° O relator, atendendo aos critérios de admissibilidade, emitirá parecer
propondo a instauração de processo disciplinar ou o arquivamento limi-
nar da representação, no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de redistribui-
ção do feito pelo Presidente do Conselho Seccional ou da Subseção para
outro relator, observando-se o mesmo prazo.
§ 4° O Presidente do Conselho competente ou, conforme o caso, o do Tri-
bunal de Ética e Disciplina, proferirá despacho declarando instaurado o
processo disciplinar ou determinando o arquivamento da representação,
nos t ermos do parecer do relator ou segundo os fundamentos que adotar.
§ 5° A representação contra membros do Conselho Federal e Presidentes
de Conselhos Seccionais é processada e julgada pelo Conselho Federal,
sendo competente a Segunda Câmara reunida em sessão plenária. A re-
presentação contra membros da diretoria do Conselho Federal, Membros
Honorários Vitalícios e detentores da Medalha Rui Barbosa será processa-
da e j ulgada pelo Conselho Federal, sendo compet ente o Conselho Pleno.

248 EDITO RA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae IMIII
§ 6° A representação contra dirigente de Subseção é processada e julgada
pelo Conselho Seccional.
§ 7° Os Conselhos Seccionais poderão instituir Comissões de Admissibi-
lidade no âmbito dos Tribunais de Ética e Disciplina, compostas por seus
membros ou por Conselheiros Seccionais, com atribuição de análise pré-
via dos pressupostos de admissibilidade das representações ético-disci-
plinares, podendo propor seu arq uivamento liminar.
Art. 59. Compete ao relator do processo disciplinar determinar a notifica-
ção dos interessados para prestar esclarecimentos ou a do representado
para apresentar defesa prévia, no prazo de 15 (quinze) dias, em qualquer
caso.
§ 1° A notificação será expedida para o endereço constante do cadastro
de inscritos do Conselho Seccional, observando-se, quanto ao mais, o dis-
posto no Regulamento Geral.
§ 2° Se o representado não for encontrado ou ficar revel, o Presidente do
Conselho competente ou, conforme o caso, o do Tribunal de Ética e Disci-
plina designar-lhe-á defensor dativo.
§ 3° Oferecida a defesa prévia, que deve ser acompanhada dos documen-
tos que possam instruí-la e do rol de testemunhas, até o limite de 5 (cin-
co), será proferido despacho saneador e, ressalvada a hipótese do § 2°
do art. 73 do EAOAB, designada, se for o caso, audiência para oitiva do
representante, do representado e das testemunhas.
§ 4° O representante e o representado incumbir-se-ão do comparecimen-
to de suas testemunhas, salvo se, ao apresentarem o respectivo rol, re-
quererem, por motivo justificado, sejam elas notificadas a comparecer à
audiência de instrução do processo. 15
§ 5° O relator pode determinar a realização de diligências que julgar con-
venientes, cumprindo-lhe dar andamento ao processo, de modo que este
se desenvolva por impulso oficial.
§ 6° O relator soment e indeferirá a produção de determinado meio de
prova quando esse for ilícito, impertinente, desnecessário ou protelatório,
devendo fazê-lo fundamentadamente.
§ 7° Conclu ída a instrução, o relator profere parecer preliminar, a ser sub-
metido ao Tribunal de Ética e Disciplina, dando enquadramento legal aos
fatos imputados ao representado.
§ 8° Abre-se, em seguida, prazo comum de 15 (quinze) dias para apresen-
tação de razões finais.

PAULO MACHADO 249


1!)emf
Mftiil Eticao

Art. 60. O Presidente do Tribunal de Ética e Disciplina, após o recebimen-


to do processo, devidamente instruído, designa, por sorteio, relator para
proferir voto.
§ 1° Se o processo já estiver tramitando perante o Tribunal de Ética e Dis-
ciplina ou perante o Conselho competente, o relator não será o mesmo
designado na fase de instrução.
§ 2° O processo será incluído em pauta na primeira sessão de julgamentos
após a distribuição ao relator
§ 3° O representante e o representado são notificados pela Secretaria do
Tribunal, com 15 (quinze) dias de antecedência, para comparecerem à ses-
são de julgamento.
§ 4° Na sessão de julgamento, após o voto do relator, é facultada a susten-
tação oral pelo tempo de 15 (quinze) minutos, primeiro pelo represent an-
te e, em seguida, pelo representado.
Art. 61. Do julgamento do processo disciplinar lavrar-se-á acórdão, do
qual constarão, quando procedente a representação, o enquadramento
legal da infração, a sanção aplicada, o quórum de instalação e o de de-
liberação, a indicação de haver sido esta adotada com base no voto do
relator ou em voto divergente, bem como as circunstâncias agravantes ou
atenuantes consideradas e as razões determinantes de eventual conver-
são da censura aplicada em advertência sem registro nos assentamentos
do inscrito.
Art. 62. Nos acórdãos serão observadas, ainda, as seguintes regras:
§ 1° O acórdão trará sempre a ementa, contendo a essência da decisão.
§ 2° O autor do voto divergente que tenha prevalecido figurará como re-
dator para o acórdão.
§ 3° O voto condutor da decisão deverá ser lançado nos autos, com os
seus fundamentos.
§ 4° O voto divergente, ainda que vencido, deverá t er seus fundam entos
lançados nos autos, em voto escrito ou em transcrição na ata de ju lga-
mento do voto oral proferido, com seus fundamentos.
§ 5° Será atualizado nos autos o relatório de antecedentes do representa-
do, sempre que o relator o determinar.
Art. 63. Na hipótese prevista no art. 70, § 3°, do EAOAB, em sessão especial
designada pelo Presidente do Tribunal, serão facultadas ao representado
ou ao seu defensor a apresentação de defesa, a produção de prova e a
sustentação oral.

250 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1f)emf

""'
Etica e

Art. 64. As consultas submetidas ao Tribunal de Ética e Disciplina rece-


berão autuação própria, sendo designado relator, por sorteio, para o seu
exame, podendo o Presidente, em face da complexidade da questão, de-
signar, subsequentemente, revisor.
Parágrafo único. O relator e o revisor têm prazo de 1O (dez) dias cada um
para elaboração de seus pareceres, apresentando-os na primeira sessão
seguinte, para deliberação.
Art. 65. As sessões do Tribunal de Ética e Disciplina obedecerão ao dispos-
to no respectivo Regimento Interno, aplicando-se-lhes, subsidiariamente,
o do Conselho Seccional.
Art. 66. A conduta dos interessados, no processo disciplinar, que se revele
temerária ou caracterize a intenção de alterar a verdade dos fatos, assim
como a interposição de recursos com intuito manifestamente protelató-
rio, contrariam os princípios deste Código, sujeitando os responsáveis à
correspondente sanção.
Art. 67. Os recursos contra decisões do Tribunal de Ética e Disciplina, ao
Conselho Seccional, regem-se pelas disposições do Estatuto da Advocacia
e da Ordem dos Advogados do Brasil, do Regulamento Geral e do Regi-
mento Interno do Conselho Seccional.
Parágrafo único. O Tribunal dará conhecimento de toda s as suas decisões
ao Conselho Seccional, para que determine periodicamente a publicação
de seus julgados.
Art. 68. Cabe revisão do processo disciplinar, na forma prevista no Estatuto
da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 73, § 5°).
§ 1° Tem legitimidade para requerer a revisão o advogado punido com a
sanção disciplinar.
§ 2° A competência para processar e julgar o processo de revisão é do
órgão de que emanou a condenação final.
§ 3° Quando o órgão competente for o Conselho Federal, a revisão proces-
sar-se-á perante a Segunda Câmara, reunida em sessão plenária.
§ 4° Observar-se-á, na revisão, o procedimento do processo disciplinar, no
que couber.
§ 5° O pedido de revisão terá autuação própria, devendo os autos respec-
tivos ser apensados aos do processo disciplinar a que se refira.
§ 6° O pedido de revisão não suspende os efeitos da decisão condenató-
ria, salvo quando o relator, ante a relevância dos fundamentos e o risco
de consequências irreparáveis para o requerente, conceder tutela cautelar
para que se suspenda a execução.

P AULO M ACHADO 251


1!)emf
Cflill Eticae

§ 7° A parte representante somente será notificada para integrar o proces-


so de revisão quando o relator entender que deste poderá resultar dano
ao interesse jurídico que haja motivado a representação.
Art. 69. O advogado que tenha sofrido sanção disciplinar poderá requerer
reabilitação, no prazo e nas condições previstos no Estatuto da Advocacia
e da Ordem dos Advogados do Brasil (art. 41 ).
§ 1° A competência para processar e julgar o pedido de reabilitação é do
Conselho Seccional em que tenha sido aplicada a sanção disciplinar. Nos
casos de competência originária do Conselho Federal, perante este t ram i-
tará o pedido de reabilitação.
§ 2° Observar-se-á, no pedido de reabilitaçã o, o procediment o do proces-
so disciplinar, no que couber.
§ 3° O pedido de reabilitação terá autuação pró pria, devendo os aut os
respectivos ser apensados aos do processo disciplinar a que se refira.
§ 4° O pedido de reabilitação será instru íd o com provas de bom compor-
tamento, no exercício da advocacia e na vida social, cumprindo à Secreta-
ria do Conselho competente certificar, nos autos, o efetivo cumprimento
da sanção disciplinar pelo requerente.
§ 5° Quando o pedido não estiver suficientemente instruído, o relator as-
sinará prazo ao req uerente para que complemente a documentação; não
cumprida a d et erminação, o pedido será liminarmente arquivado.

..,. Dos prazos

Os prazos necessários para a manifestação de advogados, estagi-


ários e terceiros, nos processos em geral na OAB, são de 15 (quinze)
dias, inclusive para a interposição de recursos (art. 69 do EAOAB).
Em caso de comunicação mediante ofício reservado, ou de noti-
ficação pessoal, o prazo contar-se-á a partir do dia útil imediato ao da
notificação do recebimento (art. 69, § 1º, do EAOAB) e nos casos de
publicação na imprensa oficial do ato ou da decisão, o prazo inicia-se
no primeiro dia útil seguinte (art. 69, § 2°, do EAOAB).
O prazo para a defesa prévia pode ser prorrogado por motivo
relevante, a juízo do relator (art. 73, § 3°, do EAOAB).

252 EDITORA ARMADOR j 10 EM ÉTICA • 43 EDIÇÃO


1f)emf
Eticao IMU
..,._ Suspensão preventiva

É possível que o Tribunal de Ética e Disciplina d o Conselho Sec-


cional no qual o advogado tenha inscrição principal o suspenda pre-
ventivamente nos casos de condutas com grave repercussão à dignida-
de da advocacia. Para tanto, há de ser respeitado o direito de o acusado
ser ouvido em sessão especial, especialmente marcada para esse fim,
para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo se não atender à
notificação. Nesta sessão, especialmente designada pelo Presidente do
Tribunal, são facultadas ao representado, ou ao seu defensor, a apre-
sentação de defesa, a produção de provas e a sustentação oral, restritas,
no entanto, para a questão do cabimento, ou não, da medida cautelar.
Na suspensão preventiva, o processo disciplinar deve ser conclu-
ído no prazo m áximo de 90 (noventa) dias .

..,._ Dos recursos

Das decisões emanadas pelo Presidente do Conselho Seccional,


pelo Tribunal de Ética e Disciplina ou, ainda, pela Diretoria da Subse-
ção ou da Caixa de Assistência dos Advogados caberá recurso para o
Conselho Seccional (art. 76 do EAOAB).
Já das decisões proferidas pelo Conselho Seccional, desde que
n ão sejam unânimes ou, sendo unânimes, contrariarem o Estatuto,
o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, os Provimen-
t os, as decisões do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional
(requisitos de admissibilidade), caberá recurso ao Conselho Federal,
órgão supremo da OAB. O Presidente do Conselho Seccional, além
dos interessados, tem legitimidade para interpor esse recurso.
Todos os recursos na OAB têm efeito suspensivo, salvo quando
se tratarem de eleições, de suspensão preventiva decidida pelo TED
e de cancelamento de inscrição obtida com falsa prova (art. 77 do
EAOAB).

P AULO MACHADO 253


1fJemf
Miil Eticae

Revisão disciplinar (art. 73, § 5°, do EAOAB e art. 68 do NCED)


Tal como no processo penal, o Estatuto da Advocacia e da OAB
permite que seja feita uma revisão do processo disciplinar por erro de
julgamento ou por condenação baseada em falsa prova. Como o art.
68 do Estatuto determina que se aplica o direito processual penal sub-
sidiariamente ao processo disciplinar, entendemos que também cabe
a revisão quando, após a decisão, forem descobertas novas provas da
inocência do punido ou de circunstância que determine a diminuição
da sanção imposta (art. 621 do Código de Processo Penal).

QUESTÕES COMENTADAS

(FGV - XXI Exame de Ordem} Lúcia, advogada, foi processada disciplinarmente


e, após a int erposição de recurso, o Conselho Seccional do Estado de Pernambu-
co confirmou, por unanimida~e, a sanção de suspensão pelo prazo de trinta dias,
nos termos do Art. 37, § 1°, do Estatuto da OAB. Lúcia verificou, contudo, existir
decisão em sentido contrário, em caso idêntico ao seu, no Conselho Seccional do
Estado de Minas Gerais.

De acordo com o Estatuto da OAB, contra a decisão definitiva unânime proferida


pelo Conselho Seccional do Estado de Pernambuco,

A) não cabe recu rso ao Conselho Federal, em qualquer hipótese.


B) cabe recurso ao Conselho Federal, por contrariar decisão do Conselho Seccio-
nal de Minas Gerais.

C) cabe recurso ao Conselho Federal, se a decisão contrariar também decisão


do Conselho Federal, e não apenas decisão do Conselho Seccional de Minas
Gerais.

D) ca be recurso ao Conselho Federal, em qualquer hipótese, ainda que não exis-


tisse decisão em sentido contrá rio do Conselho Seccional de Minas Gerais.

254 EDITORA ARMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1!)emf
Eticae Diii

ÇJ Comentários:

Nos termos do art. 75, do EAOAB, cabe recurso ao Conselho Fe-


deral de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Sec-
cional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, con-
trariem esta lei, decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho
Seccional e, ainda, o regulamento geral, o Código de Ética e Disciplina
e os Provimentos.

GABARITO: B

(CESPE- Exame de Ordem 2010.1) De acordo com o Estatuto da Advocacia e da


OAB, tem efeito suspensivo recurso contra
A) decisão não unânime proferida por conselho seccional.
B) decisão que trate de eleições de membros dos órgãos da OAB.
C) suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina.
D) cancelamento da inscrição obtida com falsa prova.

ÇJ Comentários:

Em regra, os recursos na OAB têm efeito suspensivo. Entretanto,


por força do art. 77, não terão tal efeito os recursos que tratarem sobre
eleições, suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disci-
plina e cancelamento da inscrição obtida com falsa prova.

GABARITO: A

PAULO MACHADD 255


1Pemf
Eticae

TÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 78. Cabe ao Conselho Federal da OAB, por delibe-


ração de 2/3 (dois terços), pelo menos, das delegações,
editar o Regulamento Geral deste Estatuto, no prazo de 6
(seis) meses, contados da publicação desta Lei.

Art. 79. Aos servidores da OAB, aplica-se o regimento


trabalhista.
§ 1° Aos servidores da OAB, sujeitos ao regime da Lei nº
8.112, de 11 de dezembro de 1990, é concedido o direito
de opção pelo regime trabalhista, no prazo de 90 (noven-
ta) dias a partir da vigência desta Lei, sendo-lhes assegu-
rado o pagamento de indenização, quando da aposenta-
doria, correspondente a 5 (cinco) vezes o valor da última
remuneração.
§ 2° Os servidores que não optarem pelo regime trabalhis-
ta serão posicionados no quadro em extinção, assegurado
o direito adquirido ao regime legal anterior.

Art. 80. Os Conselhos Federal e Seccionais devem pro-


mover, trienalmente, as respectivas Conferências, em data
não coincidente com o ano eleitoral, e, periodicamente,
reunião do Colégio de Presidentes a eles vinculados, com
finalidade consultiva.

Art. 81. Não se aplicam aos que tenham assumido origi-


nariamente o cargo de Presidente do Conselho Federal ou
dos Conselhos Seccionais, até à data da publicação desta
lei, as normas contidas no Título li, acerca da composição

256 EDITORA A RMADOR 1 10 EM ÉTICA • 4 ° EDIÇÃO


1f)emf
Eticae IMl=fW
desses Conselhos, ficando assegurado o pleno direito de
voz e voto em suas sessões.

Art. 82. Aplicam-se as alterações previstas nesta Lei,


quanto a mandatos, eleições, composição e atribuições
dos órgãos da OAB, a partir do término do mandato dos
atuais membros, devendo os Conselhos Federal e Seccio-
nais disciplinarem os respectivos procedimentos de adap-
tação.
Parágrafo único. Os mandatos dos membros dos órgãos da
OAB, eleitos na primeira eleição sob a vigência desta Lei,
e na forma do Capítulo VI do Título li, terão início no dia
seguinte ao término dos atuais mandatos, encerrando-se
em 31 de dezembro do terceiro ano do mandato e em 31
de janeiro do terceiro ano do mandato, neste caso com re-
lação ao Conselho Federal.

Art. 83. Não se aplica o disposto no art. 28, inciso li, des-
ta Lei, aos membros do Ministério Público que, na data de
promulgação da Constituição, se incluam na previsão do
art. 29, § 3°, do seu Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias.

Art. 84. O estagiário, inscrito no respectivo quadro, fica


dispensado do Exame de Ordem, desde que comprove,
em até 2 (dois) anos da promulgação desta Lei, o exercí-
cio e resultado do estágio profissional ou a conclusão, com
aproveitamento, do estágio de Prática Forense e Organiza-
ção Judiciária, realizado junto à respectiva faculdade, na
forma da legislação em vigor.

Art. 85. O Instituto dos Advogados Brasileiros e as insti-


tuições a ele filiadas têm qualidade para promover peran-

P AULO M ACHADO 257


1f)emf
IMl:fl Eticae

te a OAB o que julgarem do interesse dos advogados em


geral ou de qualquer dos seus membros.

Art. 86. Esta lei entrará em vigor na data de sua publi-


cação.

Art. 87. Revogam-se as disposições em contrário, espe-


cialmente a Lei nº 4.215, de 27 de abril de 1963, a Lei nº
5.390, de 23 de fevereiro de 1968, o Decreto-lei nº 505, de
18 de março de 1969, a Lei nº 5.681, de 20 de julho de 1971,
a Lei n° 5.842, de 06 de dezembro de 1972, a Lei nº 5.960,
de 10 de dezembro de 1973, a Lei nº 6.743, de 05 de de-
zembro de 1979, a Lei 6.884, de 09 de dezembro de 1980, a
Lei nº 6.994, de 26 de maio de 1982, mantidos os efeitos da
Lei nº 7.346, de 22 de julho de 1985.
Brasília, 4 de julho de 1994;
173° da Independência e 106° da República.
Itamar Franco

Ç1 COMENTÁRIOS

Em relação às disposições finais, a leitura já é auto-explicativa.


Porém, aproveitando o tema, colacionamos abaixo o teor das Disposi-
ções Gerais e Transitórias do Novo Código de Ética e Disciplina:

"Art. 73. O Conselho Seccional deve oferecer os meios e o suporte de


apoio material, logístico, de informática e de pessoal necessários ao pleno
funcionamento e ao desenvolv iment o das atividades do Tribunal de Ética
e Disciplina.
§ 1° Os Conselhos Seccionais divulgarão, trimestralmente, na internet, a
quantidade de processos ético-disciplinares em andamento e as punições
decididas em caráter definitivo, preservadas as regras de sigilo.

258 EDITORA ARMADDR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


1Pemf
Eticae

§ 2° A divulgação das punições referidas no parágrafo anterior destacará


cada infração tipificada no artigo 34 da Lei n. 8.906/ 94.
Art. 74. Em até 180 (cento e oitenta) dias após o início da vigência do pre-
sente Código de Ética e Disciplina da OAB, os Conselhos Seccionais e os
Tribunais de Ética e Disciplina deverão elaborar ou rever seus Regimen-
tos Internos, adaptando-os às novas regras e disposições deste Código.
No caso dos Tribunais de Ética e Disciplina, os Regimentos Internos serã o
submetidos à aprovação do respectivo Conselho Seccional e, subsequen-
temente, do Conselho Federal.
Art. 75. A pauta de julgamentos do Tribunal é publicada em órgão oficial
e no quadro de avisos gerais, na sede do Conselho Seccional, com antece-
dência de 15 (quinze) dias, devendo ser dada prioridade, nos julgamentos,
aos processos cujos interessados estiverem presentes à respectiva sessão.
Art. 76. As disposições deste Código obrigam igualmente as sociedades
de advogados, os consultores e as sociedades consultoras em direito es-
trangeiro e os estagiários, no que lhes forem aplicáveis.
Art. 77. As disposições deste Código aplicam-se, no que couber, à media-
ção, à conciliação e à arbitragem, quando exercidas por advogados.
Art. 78. Os autos do processo disciplinar podem ter caráter virtual, me-
diante adoção de processo eletrônico.
Parágrafo único. O Conselho Federal da OAB regulamentará em Provimen-
to o processo ético-disciplinar por meio eletrônico.
Art. 79. Este Código entra em vigor a 1° de setembro de 2016, cabendo ao
Conselho Federa l e aos Conselhos Seccionais, bem como às Subseções da
OAB, promover-lhe ampla divulgação.
Art. 80. Fica revogado o Código de Ética e Disciplina editado em 13 de
fevereiro de 1995, bem como as demais disposições em contrário:'

PAULO M ACHADO 259


Adendo

DAS CONFERÊNCIAS E DOS COLÉGIOS DE PRESIDENTES


(arts. 145 ao 150, RG)

A Conferên cia Nacion al da Advocacia Brasileira é órgão de con -


sulta m áximo do Conselho Federal da OAB, tendo por objetivo o es-
tudo e o debate das questões e dos problemas que digam respeito às
finalidades da OAB (art. 44 do EAOAB) e ao congraçamento dos ad-
vogados.
Há também as Conferências da Advocacia Estaduais e a Distrital,
que são órgãos consultivos dos Conselhos Seccionais.
As Conferências dos Advogados (a Nacional, as Estaduais e a
Distrital) se reúnem de três em três anos, no segundo ano do manda-
to. A data, o local e o tem a central serão decididos no primeiro ano do
mandato do Conselho Federal ou do Conselho Seccional.
As conclusões das Conferências possuem caráter de mera reco-
mendação aos respectivos Conselhos, n ão tendo, portanto, caráter
vinculante.

..,. Membros das Conferências

De acordo com o art. 146 do Regulamento Geral, as Conferências


são formadas por membros efetivos e membros convidados.
São membros efetivos os Conselheiros e os Presidentes dos ór-
gãos da OAB que estejam presentes, os advogados e estagiários inscri-
tos na Conferência. Todos esses têm direito de voto.

261
1Pemf
UM&tl Eticae

Os membros convidados são aqueles a quem a Comissão Organi-


zadora conceder essa qualidade. Os convidados somente terão direito
de voto, se forem advogados.
Os convidados, expositores e membros dos órgãos da OAB têm
identificação especial durante o funcionamento da Conferência.
O art. 146, § 2°, do Regulamento Geral menciona a existência de
membros ouvintes, que são os estudantes de Direito, mesmo inscritos
como estagiários na OAB, os quais escolherão um porta-voz entre os
presentes em cada sessão da Conferência.

.,. Da Comissão Organizadora e dos trabalhos da Conferência


A direção da Conferência ficará p or conta de uma Comissão Or-
ganizadora, designada pelo Presidente do Conselho, que será por ele
presidida e integrada pelos membros da Diretoria e outros convida-
dos.
Cabe à Comissão Organizadora definir a distribuição do temário,
os nomes dos expositores, a programação dos trabalhos, os serviços
de apoio e infra-estrutura e o regimento interno da Conferência dos
Advogados.
A Comissão Organizadora é representada pelo Presidente, ten-
do este poderes para cumprir a programação estabelecida e decidir as
questões ocorrentes e os casos omissos.
Os trabalhos da Conferência são desenvolvidos sem sessões ple-
nárias, painéis ou outros modos de exposição ou atuação dos partici-
pantes.
As sessões plenárias são dirigidas por um Presidente e um re-
lator, escolhidos pela Comissão Organizadora. Quando as sessões se
desenvolverem em forma de painéis, os expositores ocupam a metade
do tempo total, sendo a outra parte destinada para os debates e para
a votação de propostas ou conclusões dos participantes. É facultado
aos expositores submeter as suas conclusões à aprovação dos partici-
pantes.

262 EDITORA A RMADOR j 10 EM ÉTICA • 4ª EDIÇÃO


10em
Ética• IMM,t.tl
~ Do Colégio de Presidentes

No mesmo sentido das Conferências, foi criado o Colégio de Pre-


sidentes dos Conselhos Seccionais, com a finalidade de promover o
intercâmbio de experiências entre as diversas Seccionais e a formula-
ção de propostas e sugestões ao Conselho Federal, bem como servir de
instância consultiva do Conselho Federal, sempre que a este parecer
necessário.
O Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais é regulamen-
tado em provimento.
Existe, ainda, o Colégio de Presidentes das Subseções. Este tem
sua regulamentação no Regimento Interno de cada Conselho Seccio-
nal.

~ MEDALHA RUI BARBOSA (art. 152 do RG)

A Medalha Rui Barbosa é a comenda máxima conferida pelo


Conselho Federal, órgão supremo da OAB, às grandes personalidades
da advocacia brasileira.
A Medalha só pode ser concedida uma vez no prazo do mandato
do Conselho e será entregue ao homenageado em sessão solene.
Os agraciados com a Medalha Rui Barbosa podem participar das
sessões do Conselho Pleno do Conselho Federal com direito somente
à voz.

PAULO M ACHADO 263