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Que país é esse?

Por Wilson Risolia, líder da FALCONI Educação

No dia 8 de setembro, foram divulgados


os dados referentes ao índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), e o
resultado é, no mínimo, preocupante. O governo anterior cunhou o termo “pátria
educadora”, mas o que podemos depreender do resultado divulgado é que a realidade da
educação brasileira está muito aquém do slogan proposto.

A nossa “pátria educadora” produziu os seguintes resultados nos últimos anos: três
ciclos com Ideb estagnado para o ensino médio; um ensino fundamental II que evolui,
mas não consegue reter os avanços da etapa anterior e também não consegue atingir as
metas estabelecidas pelo governo, e, por fim, um ensino fundamental I que, apesar de
ainda ser visto por muitos como um alento, evidencia a discrepância da realidade das
escolas brasileiras ao conseguir a proeza de apresentar resultados que vão desde
impressionantes 9,8 a um desolador 0,8.

Vale ressaltar que o nosso sistema de ensino tem apresentado queda no número de
matrículas em todas as etapas (exceto creches). Temos três milhões de crianças e jovens
na faixa etária entre 4 a 17 anos fora da escola, quase 700 mil crianças entre 4 e 5 anos
que não são atendidas pelo sistema.

Como falar em uma “pátria educadora” em um país com esses resultados baixos e
instáveis, tantos jovens excluídos e ainda com mais de 12 milhões de analfabetos em
pleno século XXI?

Não será fácil desmontar toda a lógica perversa de um sistema que foi pensado para não
funcionar, mas é possível mudar. Nossas crianças e jovens precisam da nossa
indignação, do nosso esforço para mudar esse quadro tão preocupante.

O que vemos hoje é o retrato de uma política que virou as costas para sua juventude.
Uma política irresponsável e desprovida de planejamento e projeto de Estado, que
impôs sua vontade e sua ideologia em detrimento das necessidades básicas de sua
juventude.

Parafraseando o poeta, pergunto: Que país é esse? Um país que não explicita sua
indignação com os resultados da educação? Que país é esse que não ocupa as ruas e não
se manifesta contra o embuste?
Mas, como dizem que onde há vida há esperança, vamos continuar nossa caminhada em
prol de uma educação verdadeiramente de qualidade, sem ideologias e preconceitos,
com o objetivo de fazer simplesmente o que precisa ser feito.

Essa transformação passa, necessariamente, pela capacidade de elaboração de políticas


públicas consistentes e bem geridas. Se não muda como se faz, os resultados também
não mudam, e tão logo voltaremos a “rediscutir a relação” em 2018.

Publicado em 20/09/2016 no jornal O Globo.

Repercussão

Risolia também opinou sobre os resultados do Ideb 2015 em algumas matérias na


imprensa. Confira:

- Valor Econômico

- O Globo – coluna da Míriam Leitão