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Atuação Policial Frente aos

Grupos Vulneráveis

Créditos

Cláudio Duani Martins – Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais. É especialista em


Gestão de Direitos Humanos e Pedagogia Empresarial. Possui vasta experiência como instrutor
de técnicas policiais e direitos humanos em cursos de formação da PMMG e como instrutor
internacional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. É co-autor de várias publicações em
treinamento policial e direitos humanos na Segurança Pública.
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 1

SENASP/MJ - Última atualização em 16/02/2009


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Apresentação

Antes de iniciar este curso, leia a música de Lenine “Ninguém faz idéia” ou assista ao
DVD, se desejar.
(http://zeroeum.multiply.com/video/item/38/38)

Observe que ele faz uma chamada, praticamente, a todos os grupos ou pessoas que
formam a nossa sociedade mundial. Porém, no dia-a-dia, nem sempre é assim. Há grupos na
nossa sociedade e no mundo, que para muitos são invisíveis.

Alguns desses grupos, devido a questões ligadas a gênero, idade, condição social,
deficiência e orientação sexual, tornam-se mais suscetíveis à violação de seus direitos, por isso
são denominados grupos vulneráveis.

Neste curso, você estudará sobre eles e também sobre a importância do profissional da
área de segurança pública ter conhecimentos básicos sobre os dispositivos legais referentes a
cada grupo.
Espera-se que as informações aqui contidas possam servir de subsídios para a prestação
de um atendimento de qualidade a esses grupos.

Importante! Aqui você irá estudar sobre todos os grupos, exceto a comunidade LGBTT e
as mulheres, pois, já existem cursos próprios para essas temáticas na Rede Nacional de Educação
a Distância/Ministério da Justiça, com os nomes: Segurança Pública sem Homofobia e Mulheres
Vítimas de Violência.

Ao final do curso, você será capaz de:

Definir grupos vulneráveis correlacionando os conceitos com Direitos Humanos;


Identificar os principais grupos vulneráveis existentes em nossa sociedade;

Analisar a legislação relativa à proteção dos grupos vulneráveis tanto no Brasil como no
mundo e seu enlace com a atividade policial;

Apontar a atitude correta na atuação em ocorrências envolvendo integrantes dos grupos


vulneráveis;

Realizar abordagens e buscas, em integrantes dos grupos vulneráveis, em conformidade


com a filosofia de direitos humanos; e

Prestar o socorro às vítimas dos grupos vulneráveis, levando em consideração os


cuidados que cada caso exige.

Este curso é composto por 6 módulos:

Módulo 1 – Introduzindo a questão

Módulo 2 – Conceituando o tema: grupos vulneráveis e minorias

Módulo 3 – Atuação policial e grupos vulneráveis: pessoas idosas


Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 1

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Módulo 4 – Segurança Pública e população em situação de rua

Módulo 5 – Atendimento policial às pessoas com deficiência

Módulo 6 – Atendimento policial às crianças e aos adolescentes

Bom estudo!

Módulo 1 – Introduzindo a questão

Você, com certeza, deve estar se perguntando:

O que é um grupo vulnerável?

Onde ele pode ser encontrado?

Quais são as pessoas que o compõe?

E no que consiste a vulnerabilidade dessas pessoas?

Antes de buscar respostas para essas perguntas é preciso compreender alguns aspectos da
nossa sociedade.

Neste módulo, você estudará sobre os grupos vulneráveis e o papel da segurança pública
em proteger e promover os direitos humanos, em relação a esses grupos.

Ao final deste módulo, você será capaz de:

Compreender a relação existente entre grupos vulneráveis e o papel da segurança pública


como protetora e promotora dos direitos humanos; e

Reconhecer como é importante que o profissional da área de segurança pública saiba


lidar com as pessoas, sem discriminá-las, garantindo seus direitos e resolvendo conflitos de
forma serena e igualitária.

O conteúdo deste módulo está dividido em 2 aulas:

Aula 1 – Grupos vulneráveis sob a ótica da segurança pública


Aula 2 – As exigências aos profissionais de segurança pública frente aos grupos
vulneráveis Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 1

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Aula 1 – Grupos vulneráveis sob a ótica da Segurança Pública

A sociedade brasileira possui, atualmente, cerca de 170 milhões de brasileiros


distribuídos em um território de dimensões continentais.

A cultura brasileira é o resultado de um grande sincretismo que uniu costumes de


diversos povos e os caracteres genéticos que compõem as nossas raízes são frutos de uma secular
miscigenação de etnias, gerando uma diversidade que proporciona ao Brasil, uma imensurável
riqueza cultural e social.

As diferenças relacionadas à etnia, gênero, deficiência, idade, dentre outros, também


constituem essa diversidade tornando-a ainda mais bela. Porém, quando as diferenças se
convertem em desigualdade, criam um ambiente propício para a violação de direitos, tanto no
espaço público quanto no privado, tornando vulneráveis as pessoas que estão na condição de
diferentes. É
possível citar como exemplo: as pessoas com necessidades especiais, os idosos, as
mulheres, crianças e adolescentes e a população de rua. Esses grupos são chamados de grupos
vulneráveis.

A busca dessas pessoas pelo reconhecimento de seus direitos é hoje um fator democrático
preponderante, pois, somente através da igualdade é que se percebe a plena democracia. Foram
muitos os movimentos sociais e conquistas no século XX, dos setores mais vitimados pelo
preconceito e a discriminação, mas, ainda hoje, a sociedade não está preparada para lidar com
essas diferenças, o que gera o preconceito e a indiferença tornando a vida dessas pessoas, ainda
mais difícil.

A falta de políticas públicas direcionadas a esses grupos e a desinformação da sociedade


são fatores que contribuem para a vitimação. Atualmente existe um grande esforço nacional para
dar mais visibilidade a esses grupos e mais informação a sociedade, estimulando, assim, uma co-
responsabilidade na formulação de leis e políticas garantidoras dos direitos dos grupos
vulneráveis, como a criação de conselhos temáticos – o Conselho Nacional dos Direitos da
Mulher, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, dentre outros.

Os direitos humanos foram construídos através da história, na luta dos oprimidos pelo
reconhecimento como cidadãos e pela liberdade. Com já se sabe, direitos humanos são todos os
direitos que o ser humano possui (a vida, a família, filhos, trabalho, etc) e que estão listados nos
30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10 de dezembro de 1948, e
garantidos em nossa Constituição Federal de 1988.
A defesa dos direitos humanos proporciona a sociedade e, notadamente, a esses grupos
vulneráveis, o reconhecimento e a abertura de espaço político, para além do meramente formal,
ou seja, traz a realização concreta de seus anseios e faz cumprir efetivamente o que está escrito
nas leis e nos estatutos.

Dentro desse contexto, o policial na sua atividade cidadã e de proteção social deve
conhecer a dinâmica dos grupos humanos, ou seja, descobrir seus anseios, dificuldades,
necessidades e se engajar, no que for relativo à segurança pública, para a defesa e promoção dos
direitos desses grupos. É como afirma Balestreri (2004, p.49):

Dada a grave realidade nacional e internacional, onde o crime e a violência ameaçam, a


cada dia mais, as liberdades individuais e coletivas e as instituições democráticas, é preciso que a
segurança pública seja resolutamente percebida como inclusa no mais fundamental rol dos
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 1

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direitos humanos.

É por isso que seus operadores diretos (policiais, bombeiros, agentes penitenciários e
guardas municipais) devem considerar-se e ser considerados, cada vez mais, como promotores de
direitos. E, é claro, como tal se portarem.

Por vezes, é necessário repensar as atitudes e valores que temos confrontando-as com a
nova ordem social e política de nossa sociedade. Por exemplo, reflita sobre:

Como você agiria caso uma pessoa que usa cadeira de rodas lhe solicitasse ajuda para
descer uma escada ou sair de seu carro?

Como agiria se uma pessoa surda e muda tivesse sido vítima de agressão?

Qual seria sua atitude caso um cidadão cego lhe solicitasse ajuda ou você se deparasse
com uma ocorrência de violência doméstica contra uma mulher ou abuso sexual de crianças e
adolescentes?

Com certeza, essas seriam situações embaraçosas, por fugirem da rotina de seu trabalho,
pois você está habituado a lidar com pessoas que podem se locomover normalmente, entender o
que lhes é solicitado, enfim, que não possuem características que dificultará suas vidas em
sociedade.
No entanto, quando se depara com casos como os citados, surge a dúvida de como atuar
nessas ocasiões. Por outro lado, essas pessoas esperam ser tratadas com respeito e dignidade,
como cidadãos sujeitos de direito, como todos os demais.

Aula 2 – As exigências aos profissionais de Segurança Pública frente


aos grupos vulneráveis

A atividade de segurança pública exige profissionais que saibam lidar com as pessoas
sem discriminá-las, garantindo seus direitos e resolvendo conflitos de forma serena e igualitária.
É
imprescindível que o profissional de segurança pública conheça melhor as dificuldades
de cada grupo e como ele pode auxiliá-las, protegendo e promovendo seus direitos.

Você, profissional da área de segurança pública, deve conhecer e se habituar aos


procedimentos que fogem aos padrões, que contemplam questões sobre minorias e grupos
vulneráveis, de forma a nortear a sua atuação no trato adequado com essas pessoas.

A Constituição Federal de 1988 dá a todos a promoção dos direitos coletivos sem


nenhuma discriminação.

Constituição Federal de 1988

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:


I – (...);
II – (...);
III – (...); e
IV - Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação.

O Plano Nacional de Direitos Humanos II também é claro, com relação às políticas


públicas para o enfrentamento relativo aos grupos vulneráveis.

Plano Nacional de Direitos Humanos II

13. Apoiar programas e ações que tenham como objetivo prevenir a violência contra
grupos vulneráveis e em situação de risco.

Também é possível encontrar respaldo no artigo 5º da Constituição Federal.

Artigo 5º da Constituição Federal:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a todos
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Além dos dispositivos já citados, no ordenamento jurídico há outros garantidores de


direitos dos grupos vulneráveis mais específicos, como o Estatuto do Idoso, o Estatuto da
Criança e do Adolescente, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Lei nº 11.340, Maria da
Penha, dentre outros. Entretanto, a efetividade desses dispositivos depende da participação da
sociedade civil organizada e de políticas públicas de atendimento em diversas áreas, inclusive na
segurança pública.
Nesse contexto, o profissional de segurança pública não pode de forma alguma ser mais
um a vitimar e desrespeitar os direitos dessas pessoas. Ele também não deve ser alguém somente
disposto a ajudar, precisa ter conhecimentos básicos sobre cada um dos dispositivos legais
referentes a cada segmento, para prestar um atendimento de qualidade e dar os devidos
encaminhamentos a cada caso em específico.

Outro procedimento necessário é a criação de redes, onde os vários órgãos ligados a


proteção e promoção de direitos, como conselhos temáticos, polícias, Ministério Público e
Judiciário estejam integrados e formulando estratégias de atendimento em conjunto.

(http://www.senado.gov.br/web/relatorios/destaques/2003057RF.pdf)
(http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm)
(http://www.interlegis.gov.br/cidadania/20020108135559/20031208112349/)
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm)

Conclusão

Lembre-se de que em sua família pode haver pessoas que fazem parte desses grupos.
Aprendendo um pouco sobre eles, você também, como cidadão, estará mais bem
preparado para protegê-los e promover os seus direitos.

Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a compreensão do


conteúdo.

O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas nas


páginas anteriores.

1. Defina grupos vulneráveis:

2. Estabeleça uma relação entre os grupos vulneráveis e o papel da Segurança Pública


como protetora e promotora dos direitos humanos.

Este é o final do módulo 1

Introduzindo a questão

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para acesso e
impressão.
Respostas:

1. São considerados grupos vulneráveis, os grupos que por causa de questões ligadas a
gênero, idade, condição social, deficiência e orientação sexual, tornam-se mais suscetíveis à
violação de seus direitos, e que por se tratarem de uma “minoria”, são considerados diferentes.

2. A Segurança Pública perpassa pelo respeito a todos, independente de sua situação


social, idade, gênero, orientação sexual ou qualquer característica que o torne uma pessoa
diferente das demais. Por isso, é importante conhecer um pouco sobre os grupos socialmente
vulneráveis e buscar protegê-los, conquistando o seu reconhecimento e confiança.

Módulo 2 – Conceituando o tema: grupos vulneráveis e


minorias

Será que existe algo em comum entre eles?

João é deficiente.

Márcia é moradora de rua.

Elisa tem 70 anos.

Marcos é homossexual.

Neste módulo, você estudará a diferença entre grupos vulneráveis e minorias e poderá
responder a essa pergunta.

Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

Definir grupos vulneráveis;

Classificar os grupos vulneráveis;

Diferenciar grupos vulneráveis e minorias; e

Enumerar os principais tipos de minorias.

O conteúdo deste módulo está dividido em 3 aulas:

Aula 1 – Grupos vulneráveis

Aula 2 – Minorias

Aula 3 – Diferença entre grupos vulneráveis e minorias


Aula 1 – Grupos vulneráveis

Grupo vulnerável é um conjunto de pessoas que por questões ligadas a gênero, idade,
condição social, deficiência e orientação sexual, tornam-se mais suscetíveis à violação de seus
direitos.

Para efeito didático esses grupos são classificados em seis categorias:

Mulheres;

Crianças e adolescentes;

Idosos;

População de rua;

Pessoas com deficiência física ou sofrimento mental; e

Comunidade LGBTT.

Existem outros grupos na sociedade em situação de risco, porém, a vulnerabilidade neste


caso é a sujeição constante ao preconceito e à discriminação, independente de outros fatores.

Neste curso, você irá estudar sobre todos esses grupos em específico, excetuando apenas
a comunidade LGBTT e as mulheres, pois, já existem cursos próprios para essas temáticas na
Rede Nacional de Educação a Distância/Ministério da Justiça, com os nomes: Segurança sem
Homofobia e Mulheres Vítimas de Violência.

É extremamente relevante que você saiba diferenciar um grupo vulnerável de uma


minoria. E este é o tema da próxima aula.

Aula 2 – Minorias

Segundo Sabóia (2001, p. 19 e 20 apud DESCHÊNES, 1985, p. 31), minorias são:

Um grupo de cidadãos de um Estado, constituindo minoria numérica e em posição não-


dominante no Estado, dotada de características étnicas, religiosas ou lingüísticas que diferem
daquelas da maioria da população, tendo um senso de solidariedade um para com o outro,
motivado, senão apenas implicitamente, por vontade coletiva de sobreviver e cujo objetivo é
conquistar igualdade com a maioria, nos fatos e na lei.

A Organização das Nações Unidas não instituiu um conceito universal sobre minoria. O
entendimento da Corte Internacional de Justiça é de que cada Estado tem
discricionariedade para arbitrar se o grupo possui fatores característicos distintivos e se incide no
conceito de minoria.
Resumindo, a identificação de uma minoria envolve a apreciação de critérios objetivos e
subjetivos. Em outras palavras, caberá ao Estado reconhecer determinados grupos como índios e
demarcar terras para eles, ou remanescentes de quilombos, e reconhecer aquele sítio como
histórico dando-lhes titularização coletiva das terras; ou como ciganos, etc. (id. 2001, p. 21).

Tipos de minorias

Segundo o artigo 27 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, as minorias


protegidas são étnicas, religiosas e lingüísticas.

Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos

Art. 27 - Nos Estados em que existam minorias étnicas, religiosas ou lingüísticas não será
negado o direito que assiste às pessoas que pertençam a essas minorias, em conjunto com os
restantes membros do seu grupo, a ter a sua própria vida cultural, a professar e praticar a sua
própria religião e a utilizar a sua própria língua.
(http://www.cidadevirtual.pt/cpr/asilo2/2pidcp.html#a27)

Minorias étnicas
São grupos que apresentam fatores distinguíveis em termos de experiências históricas
compartilhadas e sua adesão a certas tradições e significantes tratos culturais, que são diferentes
dos apresentados pela maioria. (SABÓIA 2001, p. 23 apud POUTER, 1986, p. 2). Exemplos:
índios, comunidades negras remanescentes de quilombos, ciganos, judeus, dentre outros.

Minorias lingüísticas
São grupos que usam uma língua, quer entre os membros do grupo, quer em público, que
claramente se diferencia daquela utilizada pela maioria, bem como da adotada oficialmente pelo
Estado. Não há necessidade de ser uma língua escrita. Entretanto, meros dialetos que se desviam
ligeiramente da língua da maioria não gozam do status de língua, de um grupo minoritário.
(SABOIA 2001, p. 23 apud NOWAK, 1993, p. 491).

Minorias religiosas
São grupos que professam e praticam uma religião (não simplesmente outra crença, como
o ateísmo, e.g.) que se diferencia daquela praticada pela maioria da população. (SABOIA 2001,
p. 23 apud Dienstein,1992, p.156). No Brasil existem as seguintes minorias: budistas,
muçulmanos, espíritas, praticantes de candomblé (religião jeje-nagô ou ioruba), dentre outras.

Aula 3 – Diferença entre grupos vulneráveis e minorias

Os grupos vulneráveis são pessoas que podem fazer parte de uma minoria étnica, mas,
dentro dessa minoria, têm uma característica que as difere das demais e as torna parte de outro
grupo.

Exemplo: Uma pessoa que faz parte de um pequeno grupo islâmico, num país católico,
pode também ser deficiente física. Ela pertence a uma minoria religiosa (islã) e integra outro
grupo vulnerável por ter deficiência física. De igual forma pode haver superposição dos tipos de
minorias: o muçulmano no Brasil será integrante tanto de minoria étnica como da religiosa e da
lingüística.

A diferença básica é que as minorias estão limitadas aos aspectos étnicos, lingüísticos e
religiosos e os grupos vulneráveis, por sua vez, estão relacionados com as características
especiais que as pessoas adquirem em razão da idade, gênero, orientação sexual, deficiência
física ou sofrimento mental e condição social.

Conclusão

Muitas pessoas confundem os conceitos estudados neste curso, é comum ver pessoas
dizerem, por exemplo, que a comunidade LGBTT é minoria em nossa sociedade. Mas, agora que
você sabe a diferença entre os dois termos, procure utilizá-los corretamente e pesquise um pouco
mais sobre o assunto.

Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a compreensão do


conteúdo.

O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas nas


páginas anteriores.

1. Sobre grupos vulneráveis é correto afirmar que:

( ) Grupos vulneráveis são grupos de cidadãos de um Estado que constitui minoria


numérica e em posição não-dominante no Estado, dotada de características étnicas, religiosas ou
lingüísticas.

( ) Não há diferença entre grupos vulneráveis e minorias.

( ) Grupos vulneráveis estão relacionados às características especiais que as pessoas


possuem em razão da idade, gênero, orientação sexual, deficiência física ou sofrimento mental e
condição social, que as tornam suscetíveis à violação de seus direitos.

2. Faça a correspondência:

1. Minoria étnica
2. Minoria lingüística
3. Minoria religiosa

( ) São grupos que professam e praticam uma religião (não simplesmente uma outra
crença, como o ateísmo, e.g.)

( ) São grupos que usam uma língua, quer entre os membros do grupo, quer em público,
que claramente se diferencia daquela utilizada pela maioria, bem como da adotada oficialmente
pelo Estado.
( ) São grupos que apresentam fatores distinguíveis em termos de experiências históricas
compartilhadas e sua adesão a certas tradições e significantes tratos culturais, que são diferentes
dos apresentados pela maioria.

3. Analise a questão abaixo e responda:

João é negro e deficiente. É possível dizer que João pertence a um grupo vulnerável?

( ) Sim, pois mesmo fazendo parte de uma minoria étnica João é deficiente.

( ) Não, pois já pertence a uma minoria.

Este é o final do módulo 2

Conceituando o tema: grupos vulneráveis e minorias

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para acesso e
impressão.

Respostas:

1. Grupos vulneráveis estão relacionados às características especiais que as pessoas


possuem em razão da idade, gênero, orientação sexual, deficiência física ou sofrimento mental e
condição social, que as tornam suscetíveis à violação de seus direitos.

2.
3, 2 e 1

3. Sim, pois mesmo fazendo parte de uma minoria étnica João é deficiente.

Módulo 3 – Atuação policial e grupos vulneráveis: pessoas


idosas

Antes de iniciar os estudos deste módulo, o texto abaixo:

NOSSOS VELHOS
Martha Medeiros
Pais heróis e mães heroínas do lar.
Passamos boa parte da nossa existência
cultivando esses estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado,
resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.
A heroína do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases
e dá de implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Fizeram 80 anos.
Nossos pais envelhecem.
Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo,
ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo:
agora chegou a vez deles serem cuidados e mimados por nós,
nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Tem muita quilometragem rodada e sabem tudo,
e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos a longo prazo,
agora dedicam-se a pequenas aventuras,
como comer escondido tudo o que o médico proibiu.
Estão com manchas na pele.
Ficam tristes de repente.
Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos,
que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e heroínas
já não estão no controle da situação.
Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm esse direito,
mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular
e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso:
Calça de brim?
Frege?
Auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas
adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos,
simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança,
a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com
nossa insistência para que tudo siga como sempre foi.
Essa nossa intolerância só pode ser medo.
Medo de perdê-los, de perdermos a nós mesmos,
medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.
É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida,
mas é difícil aceitar as etapas dos outros,
ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces,
aqueles para quem sempre podíamos voltar,
e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.
Chamar atenção para o nosso futuro é criar a possibilidade de melhorar as relações com a
terceira idade no presente.

Este módulo abordará os aspectos importantes relacionados a essa faixa etária, seus
direitos e a atuação policial frente a esse grupo.

Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

Definir pessoa idosa;

Compreender a situação da pessoa idosa no Brasil;

Identificar os principais delitos praticados contra a pessoa idosa;

Proceder de forma adequada no atendimento a pessoa idosa; e

Analisar os principais documentos relativos à proteção da pessoa idosa.

O conteúdo deste módulo está dividido em 4 aulas:

Aula 1 – A situação da terceira idade no Brasil

Aula 2 – Violência contra o idoso

Aula 3 – O Estatuto dos Idosos

Aula 4 – Atuação policial no trato com pessoas idosas

Aula 1 – Situação da terceira idade no Brasil

O Estatuto do Idoso criado pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, define como
pessoa idosa, aquela com idade igual ou superior a 60 anos.

(http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/2003/10741.htm)

Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

SENASP/MJ - Última atualização em 10/02/2009


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Você, com certeza, já conviveu ou convive com uma pessoa idosa em seu cotidiano, um
parente ou vizinho, e já deve ter presenciado várias situações em que pode comprovar, que
apesar de terem grande experiência de vida, são muitas vezes discriminadas e vitimadas no
espaço doméstico e no público.

SAIBA MAIS...

Apesar dos vários episódios de violência, morte por doença ou acidentes, e abandono
material e afetivo verifica-se um crescimento significativo dessa população no Brasil. Segundo o
IBGE, a população de idosos representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60
anos ou mais de idade (8,6% da população brasileira). As mulheres são maioria. E 8,9 milhões
(62,4%) dos idosos são responsáveis pelos domicílios e têm, em média, 69 anos de idade e 3,4
anos de estudo. Com um rendimento médio de R$ 657,00, o idoso ocupa, cada vez mais, um
papel de destaque na sociedade brasileira. Ainda segundo o IBGE, nos próximos 20 anos, a
população idosa do Brasil poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar
quase 13% da população ao final desse período. Em 2000, segundo o Censo, a população de 60
anos ou mais de idade era de 14.536.029 de pessoas, contra 10.722.705 em 1991. O peso relativo
da população idosa no início da década representava 7,3%, enquanto, em 2000, essa proporção
atingia 8,6%.

Fonte: http://www.ibge.gov.br

No mundo, em 2050, um quinto da população mundial será de idosos. Daí verifica-se a


importância do estudo sobre as características dessa faixa etária, principalmente, para os
profissionais de segurança pública, pois são elas que deverão ser servidas e protegidas. Deve-se
levar também em consideração que, na melhor de nossas expectativas, todos um dia passarão
pela experiência da terceira idade.

Aula 2 – Violência contra o idoso

Você em sua rotina operacional já deve ter se deparado com inúmeros casos de violência
praticados contra idosos, e que em muitos deles, os violadores e agressores são os próprios
parentes da vítima.

Segundo a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência


do Ministério da Saúde (2001) os maus-tratos contra idosos dizem respeito às “ações únicas ou
repetidas que causam sofrimento ou angústia, ou, ainda, a ausência de ações que são devidas, que
ocorrem numa relação em que haja expectativa de confiança”.

(http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-
89102000000400020&script=sci_arttext&tlng=pt) Com base nesse mesmo documento, a
violência contra idosos se manifesta sobre vários aspectos: Abuso físico, psicológico, sexual,
abandono e negligência. Some a essas formas de violência, o abuso financeiro e a
autonegligência. Cabe ressaltar que a negligência, conceituada como a recusa, omissão ou
fracasso por parte do responsável pelo idoso, é uma forma de violência presente tanto em nível
doméstico quanto institucional, levando muitas vezes ao comprometimento físico, emocional e
social, gerando, em decorrência, aumento dos índices de morbidade e mortalidade.

Cada um dos tipos de violência citados na página anterior está classificada no documento
de Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e violências do Ministério
da Saúde Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

(http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/politica_promocao.pdf)

São classificados como:

Abandono

Ausência ou deserção, por parte do responsável, dos cuidados necessários às vítimas, ao


qual caberia prover custódia física ou cuidado.

Abuso financeiro aos idosos

Exploração imprópria ou ilegal e/ou uso não consentido de recursos financeiros de um


idoso.

Abuso físico ou maus-tratos físicos

Uso de força física que pode produzir uma injúria, ferida, dor ou incapacidade.

Abuso psicológico ou maus-tratos psicológicos

Agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, rejeitar, humilhar a vítima,


restringir a liberdade ou ainda isolá-la do convívio social.

Abuso sexual

Ato ou jogo sexual que ocorre em relação hetero ou homossexual que visa estimular a
vítima ou utilizá-la para obter excitação sexual e práticas eróticas e sexuais impostas por meio de
aliciamento, violência física ou ameaças.

Acidentes ampliados

São acidentes relacionados a indústrias de processos contínuos; não se restringem ao


ambiente de trabalho, afetando comunidades do entorno e produzindo efeitos adversos ao longo
do tempo.

Autonegligência

Conduta de pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança, com a recusa ou o
fracasso de prover a si mesmo um cuidado adequado.

Com frequência, os idosos mais vitimados são os que possuem alguma dependência, seja
em decorrência de uma doença, deficiência física ou mental. A situação de idosos dependentes se
agrava quando seu responsável ou cuidador é usuário de drogas, alcoólatra ou possui algum
problema de saúde mental. Nesses casos, o idoso pode sofrer com a negligência e a violência
praticada por aqueles que deveriam protegê-los e garantir sua integridade física e mental.

(http://www.ite.edu.br/apostilas/O%20cuidador%20de%20idosos.doc)

No espaço público, principalmente em áreas urbanas, os idosos sofrem vários tipos de


acidentes, como atropelamentos, quedas com fratura do colo do fêmur, queimaduras, vítima de
bala perdida, dentre outras lesões, que na maioria das vezes levam a invalidez ou ao óbito. No
ambiente doméstico, o descrédito dado as informações e relatos de maus-tratos, feito por idosos,
gera impunidade aos agressores, e estimula o sigilo pelos próprios idosos que temem sofrer mais
violência ou procuram, de alguma forma, devido ao vínculo afetivo, proteger o agressor.

Diante de tantos fatos, é possível perceber a importância de se ter um mecanismo


moderno e eficiente de proteção dos direitos dessas pessoas. O Estatuto do Idoso foi criado
justamente para atender essa demanda e você irá estudá-lo na próxima aula a partir de situações
práticas.

Aula 3 – O Estatuto do Idoso

O Estatuto do Idoso foi aprovado em setembro de 2003 e sancionado pelo presidente da


República no mês seguinte, após sete anos tramitando no congresso. O Estatuto do Idoso amplia
os direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos.

Mais abrangente que a Política Nacional do Idoso – lei de 1994 que dava garantias à
terceira idade, o Estatuto institui penas severas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos da
terceira idade.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8842.htm)

Você irá estudar os principais pontos do Estatuto do Idoso a partir de situações práticas
relacionadas à área da saúde, transporte e família.

Saúde

1ª situação prática
Imagine que você está de serviço próximo a um hospital e que de repente uma jovem lhe
procura acompanhada do pai dela, de 79 anos de idade, e lhe diz que seu pai está muito doente, e
lhe pede ajuda, pois a fila do posto de saúde está enorme e ninguém quer ceder lugar ao pai dela.
Como você agiria? Como iria orientar a essa pessoa?
O que diz o estatuto
O artigo 15 do Estatuto do Idoso diz claramente que o idoso tem atendimento preferencial
no Sistema Único de Saúde e o artigo 114 alterou a redação do artigo 1º, da Lei 10.048, de 08 de
novembro de 2000, e passou a ter a seguinte redação:

(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L10048.htm)

Art. 1º As pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60


(sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão
atendimento prioritário, nos termos desta Lei.

Sugestão de atendimento
Neste caso, o pai da jovem deve ser atendido com prioridade, desde que não haja um caso
mais grave ou outra pessoa idosa na sua frente.

Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

SENASP/MJ - Última atualização em 10/02/2009


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2ª situação prática

Uma senhora de 65 anos lhe procura e diz estar necessitando de remédios controlados
para diabetes e se você não tem uma orientação de como ela pode adquirir gratuitamente, pois
não tem como comprar. Como você poderia ajudá-la?

O que diz o estatuto:


O § 2º, do artigo 15, diz que incumbe ao Poder Público, a distribuição de remédios,
principalmente os de uso continuado, de forma gratuita aos idosos, assim como a de próteses e
órtese.

(http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/pr%C3%B3tese.htm)

Sugestão de atendimento
No caso citado, você deve orientá-la a procurar um órgão de saúde da prefeitura local e
fazer um cadastro para o recebimento dos remédios.

Importante!
Procure saber qual o órgão em seu município é responsável pelo cadastro e pela
distribuição de remédios gratuitamente para idosos.

Transporte

Situação prática
Você está trabalhando próximo à rodoviária e é solicitado por um senhor de 65 anos de
idade que relata que não pode viajar em um coletivo interestadual, pois a empresa não autorizou
a liberação de assento gratuito para ele. Como você agiria nesse caso?

O que diz o estatuto

O artigo 39, do Estatuto do Idoso, tem a seguinte redação:

Art. 39 Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos
transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais,
quando prestados paralelamente aos serviços regulares.
§ 1º Para ter acesso à gratuidade, basta que o idoso apresente qualquer documento pessoal
que faça prova de sua idade.
§ 2º Nos veículos de transporte coletivo de que trata esse artigo serão reservados 10%
(dez por cento) dos assentos para os idosos, devidamente identificados com a placa de reservado
preferencialmente para idosos.

§ 3º No caso das pessoas compreendidas na faixa etária entre 60 (sessenta) e 65 (sessenta


e cinco) anos, ficará a critério de a legislação local dispor sobre as condições para exercício da
gratuidade nos meios de transporte previstos no caput deste artigo.

Art. 40 No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á, nos termos da


legislação específica:
I – A reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou
inferior a 2
(dois) salários mínimos; e
II – Desconto de 50% (cinqüenta por cento), no mínimo, no valor das passagens, para os
idosos que Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

SENASP/MJ - Última atualização em 10/02/2009


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excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários mínimos.

Sugestão de atendimento

No caso citado, se a pessoa está dentro dos requisitos exigidos por lei, a empresa de
transporte é obrigada a emitir as passagens gratuitamente com base no inciso I, do artigo 40 e
com desconto de 50% no caso do inciso II. Em caso de resistência por parte da empresa um
boletim de ocorrência deve ser lavrado.

Família

Situação prática
Uma pessoa lhe relata a seguinte situação: Uma senhora de 79 anos está sem nenhuma
assistência em casa, passando por dificuldade financeira e doente, seus filhos recebem a pensão
por ela, e gastam tudo com custos pessoais negligenciando os devidos cuidados com a mãe.
Existe também uma informação, que a senhora está sofrendo maus-tratos e violência física.
Como você, sendo um policial, agiria nessa situação?

O que diz o estatuto

No que se refere ao tratamento dispensado à senhora, seus filhos estão violando os artigos
4º e 99, do Estatuto do Idoso que prevê:
Art. 4º Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação,
crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na
forma da lei.

Art. 99 Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o


a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis,
quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado:
Pena – Detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa.
§ 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena – Reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.

Com relação à pensão da senhora que está sendo usada pelos filhos, constitui crime
previsto nos artigos 102 e 104, do Estatuto do Idoso:

Art. 102 Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer outro


rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa de sua finalidade:
Pena – Reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.

Art. 104 Reter o cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios, proventos ou
pensão do idoso, bem como qualquer outro documento com objetivo de assegurar recebimento
ou ressarcimento de dívida:
Pena – Detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa.

Sugestão de atendimento
No caso citado estão ocorrendo várias violações aos direitos da senhora, e todos são
crimes previstos no Estatuto do Idoso, porém, na sua atuação, você deverá tomar alguns
cuidados. Em primeiro lugar, procurar constatar a veracidade dos fatos e levantar o maior
número de informações possíveis.

Caso sejam constatadas as denúncias, uma ação conjunta se faz necessária, pois em
muitos casos, a Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Página 19

própria vítima pode querer proteger os seus filhos, negando os fatos. O Conselho
Municipal do Idoso que irá notificar o Ministério Público. Na ausência de conselho, o próprio
Ministério Público é que adotará as medidas previstas no artigo 74, do Estatuto do Idoso, no que
for pertinente. Um boletim de ocorrência deve ser lavrado e direcionado à Delegacia
Especializada de Proteção ao Idoso, caso exista na localidade, do contrário, deve ser registrado
em uma delegacia local.
Importante!
Os órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção dos direitos do idoso são o Ministério
Público e os Conselhos Municipal, Estadual e Nacional do Idoso.

Algumas polícias, como por exemplo, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), possui
a Diretriz para Produção de Segurança Pública nº 08 (Ver anexo 1), que aborda a filosofia de
Direitos Humanos da PMMG e traz um capítulo exclusivo sobre atendimento aos grupos
vulneráveis. No caso dos idosos estão listados na próxima aula, alguns procedimentos que o
policial deve ter ao lidar com o idoso.

Aula 4 – Atuação policial no trato pessoas idosas

As orientações que estudará foram extraídas da Diretriz para Produção de Segurança


Pública nº 08, da PMMG, do capítulo exclusivo sobre atendimento aos grupos vulneráveis.

No desenvolvimento das suas ações, os profissionais da área de segurança pública


poderão se deparar com situações que envolvam pessoas da terceira idade. Seja o idoso
denunciante ou suspeito, deverá ter sempre tratamento diferenciado.

Dentro de uma delegacia, será convidado a assentar-se. Também será ótimo oferecer-lhe
um cafezinho e água. Com isso, o profissional promoverá um relacionamento de confiança e
respeito.

Se o idoso for suspeito, o policial deve respeitar sua idade e condições de saúde, manter
com ele prévia conversa sobre o ato cometido, para que ele comece a refletir sobre as
conseqüências e esteja preparado para assumi-las, resguardados os aspectos de segurança do
policial. Deve ser esclarecida ao idoso a ajuda jurídica que ele receberá do Estado, com outras
informações acerca do trâmite da investigação ou processo.

O idoso, sempre que possível, será acompanhado por algum membro familiar. O policial
deverá evitar agressão verbal ou física aos familiares do idoso, vítima de crime, para não causar-
lhe problemas sérios ou até complicações à saúde.

Agora que você estudou sobre as pessoas idosas, procure pesquisar mais sobre o assunto
acessando os links abaixo:

Portal do envelhecimento
(http://www.portaldoenvelhecimento.net/principal/principal.htm)

Idade Maior: a revista da terceira idade


(http://www.idademaior.com.br/)
Direito do Idoso
(http://www.direitodoidoso.com.br/)

Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Página 20

Núcleo de Informações do Idoso


(http://www.idoso.ms.gov.br/default.asp)

Conclusão

Lembre-se de que no desenvolvimento das suas ações, o profissional da área de


segurança pública poderá se deparar com situações que envolvam pessoas da terceira idade. Seja
o idoso vítima ou suspeito, deverá ter sempre tratamento diferenciado. Um tratamento de
qualidade fará toda a diferença.

Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a compreensão do


conteúdo.

O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas nas


páginas anteriores.

1. Todas as afirmativas abaixo, sobre a pessoa idosa, estão corretas, exceto: ( ) Considera-
se idosa a pessoa com 65 anos ou mais de idade.

( ) A pessoa idosa de 65 anos ou mais, tem direito a transporte público gratuito.

( ) As pessoas idosas têm direito a remédio controlado gratuito.

( ) As pessoas idosas são tratadas por um geriatra.

2. Imagine que você tem que informar a uma senhora de 89 anos, que seu filho acaba de
ser preso e que se encontra a caminho de uma delegacia. Quais os cuidados você deveria ter ao
lidar com essa senhora?

3. Agora, você é acionado para atender a um caso de um senhor de 79 anos que foi
surpreendido furtando no interior de uma loja. Você percebe que ele está muito nervoso e treme
muito. Qual seria seu procedimento para com ele?

Este é o final do módulo 3


Atuação policial e grupos vulneráveis: pessoas idosas

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para acesso e
impressão.

Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Página 21

Respostas:

1. Considera-se idosa a pessoa com 65 anos ou mais de idade.

2. Primeiro certificar-se de que essa pessoa tem algum histórico de problemas cardíacos.
Em seguida avaliar a real necessidade de informá-la o fato e se não há outra pessoa da família a
ser avisada. Em último caso, comunicar a idosa de forma tranqüila, procurando explicá-la passo
a passo o que aconteceu.

3. Nesse caso, o idoso cometeu um delito e se faz necessária sua condução. Porém,
lembre de que ele pode ter sérios problemas e vir, inclusive, a entrar em óbito. Por isso, evite
palavras ríspidas e ofensas desnecessárias, atenha-se ao problema e informe a ele seus direitos,
procure ser firme, mas educado, evite o uso desnecessário de força. O convide a acompanhá-lo
até o local onde ele será ouvido pela autoridade competente.
Anexo:

Anexo 1
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COMANDO - GERAL

ATUAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS SEGUNDO A FILOSOFIA


DOS
DIREITOS HUMANOS

DIRETRIZ PARA

A PRODUÇÃO DE SERVIÇOS DE

SEGURANÇA PÚBLICA Nº 08/2.004 - CG

Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Página 23

JANEIRO/2.004

GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS


AÉCIO NEVES
COMANDANTE-GERAL DA PMMG
Cel PM Sócrates Edgard dos Anjos

CHEFE DO ESTADO-MAIOR
Cel PM Hélio dos Santos Júnior

Coordenação:
Chefe da Seção de Emprego Operacional/ PM3

Ten-Cel PM Renato

Vieira de Souza

Especialista em Estudos da Criminalidade e Segurança Pública (UFMG) e

Mestre em Administração Pública (FJP)


Apoio Técnico:

Assessoria de Doutrina e Pesquisa/PM3


Cap PM Paulo da Costa Júnior – Chefe
Bacharel em Direito (FADOM) e Especialista em Segurança Pública
.
(FJP)

Assessoria de Direitos Humanos/PM3


Cap PM Sílvio José de Sousa Filho – Chefe
Especialista em Segurança Pública (FJP), Especialista em Ciências Políticas e Estratégias
Nacionais (UEMG)

3o Sgt PM Jo

sé Geraldo dos Reis – Auxiliar da A

ssessoria de Direitos
Humanos

REDAÇÃO DA DIRETRIZ:
Ten Cel PM Jovino César Cardoso
Maj PM Marcelo Vladimir Corrêa
Cap PM Marcelo Martins Resende
Cap PM Alexandre Antônio Alves
Cap PM Sílvio José de Sousa Filho
Cap PM Paulo da Costa Júnior
Cap PM Argemiro Martins de Lima
Cap PM Luiz Henrique Ribeiro Moreira
Cap PM Welerson Conceição Silva
1º Ten PM Cláudio Duani Martins

REVISÃO DA DIRETRIZ:
Ten-Cel PM Renato Vieira de Souza
Cap PM Sílvio José de Sousa Filho
Cap PM Paulo da Costa Júnior
3° Sgt PM José Geraldo dos Reis

REVISÃO ORTOGRÁFICA:
Ten Cel QOR João Bosco de Castro

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Seção de Emprego Operacional. Diretriz para a


Produção de Serviços de Segurança Pública nº 08 – Atuação da Polícia Militar de Minas
Gerais segundo a filosofia dos Direitos Humanos.
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Belo Horizonte, 2004. 57p.

CDU (em protocolo de registro junto à Fundação Biblioteca Nacional)


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................................
6
1.1
Finalidade .......................................................................................................
6
1.2 Objetivos
........................................................................................................
7
2
CONCEITUAÇÕES BÁSICAS .............................................................................
8
3
PRESSUPOSTOS DA FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS NA PMMG..........
9
3.1
Filosofia institucional dos Direitos Humanos..................................................
9
3.1.1
Para quem são os Direitos Humanos? ............................................................
9
3.1.2
Quem deve proteger os Direitos Humanos? ...................................................
10
3.1.3
A validade dos Direitos Humanos no mundo ..................................................
10
3.2
Categorização dos professores de Direitos Humanos.....................................
10
3.3
Relacionamento da Polícia com as Organizações de Direitos Humanos ........
12
3.4
Treinamento Básico do Policial.......................................................................
12
3.5
Sensibilização dos Comandantes....................................................................
13
4
CONDUTA ÉTICA E LEGAL DO POLICIAL .......................................................
14
4.1 Introdução
.....................................................................................................
14
4.2
O policial no cumprimento do dever legal ......................................................
14
4.3
O policial defensor da dignidade humana ......................................................
14
4.4
O policial e o emprego da força ......................................................................
15
4.4.1
Princípios para o uso da força e da arma de fogo .........................................
15
4.4.2
O escalonamento do uso da força pelo policial ..............................................
16
4.4.3
O uso da arma de fogo pelo policial ...............................................................
16
4.5
Policial mantenedor em assuntos confidenciais ............................................
17
4.6
Policial contra a tortura e o tratamento cruel, desumano ou degradante .....
18
4.6.1
Policial inibidor da tortura ..............................................................................
18
4.6.2
A responsabilidade do policial contra a tortura .............................................
18
4.6.3
A conduta do policial contra a tortura ...........................................................
19
4.7
Policial protetor da saúde das pessoas privadas da
liberdade.........................................................................................................
19
4.8
Policial inibidor da corrupção .........................................................................
19
4.8.1
Policial inibidor dos atos de corrupção na busca de informações ..................
19
4.8.2
Policial inibidor da corrupção no desempenho da atividade operacional ......
20
4.9
Policial e o respeito à lei ................................................................................
20
4.10
O reflexo da violação dos Direitos Humanos pelo Policial..............................
21
5
DEVERES E FUNÇÕES DO POLICIAL ..............................................................
21
5.1 Introdução
......................................................................................................
21
5.2
Princípios da ação policial .............................................................................
22
5.3
Comportamento policial durante o rastreamento ..........................................
22
5.4
Presunção de inocência em relação às pessoas capturadas pela polícia .......
22
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Página 25

5.5
Deveres do policial .........................................................................................
23
5.6
Interferência policial na privatividade ...........................................................
23
5.7
Como lidar com informantes confidenciais ....................................................
24
5.8
Vítimas de crimes e abuso de poder................................................................
25
5.9
Princípios dos Direitos Humanos na captura e detenção...............................
25
5.10
Gerência, supervisão e coordenação pela Polícia Militar ...............................
26
6 PROCEDIMENTO
POLICIAL-
MILITAR.............................................................
26
6.1 Introdução
......................................................................................................
26
6.2
Detalhamento do comportamento policial......................................................
27
6.2.1
Procedimentos na intervenção policial...........................................................
28
6.2.2
Importância do conhecimento e conjugação de esforços...............................
29
6.3
Comportamento policial em face de grupos vulneráveis e minorias..............
30
6.4 Minorias
..........................................................................................................
31
6.4.1
Minorias étnicas .............................................................................................
31
6.4.2
Minorias lingüísticas .......................................................................................
31
6.4.3
Minorias religiosas .........................................................................................
31
6.4.4
Diferença entre grupos vulneráveis e minorias .............................................
31
6.5
Atuação policial em face de grupos vulneráveis ............................................
31
6.5.1 Mulheres
.........................................................................................................
31
6.5.2
Violência contra a mulher ...............................................................................
32
6.5.3
Mulher capturada ...........................................................................................
33
6.5.4
Mulher detida .................................................................................................
33
6.5.5
A Mulher vítima de criminalidade e de abuso de poder .................................
33
6.6
Crianças e adolescentes .................................................................................
34
6.6.1
Ato infracional ................................................................................................
34
6.6.2
Apreensão de adolescente infrator ................................................................
34
6.6.3
Medidas aplicadas aos adolescentes ..............................................................
35
6.7 Homossexuais
................................................................................................
35
6.7.1
Definições dos homossexuais .........................................................................
35
6.8
Pessoas com deficiência física e sofrimento mental.......................................
37
6.8.1 Deficiência
......................................................................................................
37
6.8.2 Doença
............................................................................................................
37
6.8.3 Incapacidade
..................................................................................................
37
6.8.4 Impedimento
..................................................................................................
37
6.8.5
Cuidados no trato com pessoa deficiente......................................................
37
6.9
Terceira idade .................................................................................................
41
6.10
Atuação policial em face de minorias .............................................................
42
6.10.1
Discriminação .................................................................................................
42
6.11
Ações dos Comandantes de Unidade ..............................................................
42
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................
42
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Página 26

8
RECOMENDAÇÕES FINAIS ..............................................................................
45
ANEXO “ÚNICO” .........................................................................................................
46
I
Instrumentos Internacionais de Direitos Humanos .......................................
46
1
Declaração Universal dos Direitos Humanos ..................................................
46
2
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos ..........................................
47
II
Instrumentos Regionais de Direitos Humanos ..............................................
51
1
Declaração Americana dos Direitos Humanos ................................................
51
III
Instrumentos Nacionais de Direitos Humanos ...............................................
52
1
Constituição da República Federativa do Brasil .............................................
52
IV
Direito Constitucional Brasileiro e Direito Internacional...............................
54

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................


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Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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CAPÍTULO I

1.
Introdução
É fundamental para o Policial Militar, como profissional responsável pela
promoção da paz social, saber que sua profissão lhe dá condições de oferecer o melhor à
pessoa humana, para ela exercer sua cidadania - a proteção dos direitos.
Os fatos contemporâneos, vistos sob dimensão planetária, apresentam um quadro de
miséria, fome e desigualdade social, no qual a violência representa a principal preocupação na
agenda do cidadão. O resultado desses fatos é a trágica violação dos mais elementares dos
direitos humanos: o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Tais fatos refletem na paz
social e abalam a confiança que os cidadãos têm nas instituições policiais, em sua capacidade
para pacificar e resolver os conflitos do Estado Democrático de Direito.
Neste ambiente de conflito, o policial percebe, em seu dia-a-dia, como os meios de
comunicação de massa conduzem as pessoas, principalmente os jovens, ao
individualismo e à compulsão para o consumo que, muitas vezes, banalizam os
valores morais, desvalorizam o direito à vida e negligenciam a segurança pessoal.
Para compreender, de maneira bem sintética, o que leva as pessoas à
prática de atos violentos e ao cometimento do crime, é preciso analisar os aspectos
sociais, culturais, conjunturais e psicológicos que fazem parte da vida pregressa do agressor
da sociedade. Sob esse aspecto e como
integrante deste ambiente, o policial é um profissional capaz de proteger
direitos do cidadão de bem, mas também aos agressores sociais no ato da
captura. A justiça se encarregará de julgá-lo, e se considerado infrator ele tem
capacidade e direito de regenerar e reintegrar-se à sociedade.

No contato com as pessoas, esta Diretriz orienta o procedimento do


policial militar e adapta-o à filosofia dos Direitos Humanos, facilitando o exercício
de suas atribuições constitucionais, como a aplicação da lei em defesa da sociedade e a
proteção dos direitos humanos e liberdades
constitucionais.

1.1 Finalidade
Fortalecer e consolidar o comportamento de integrantes da Polícia Militar de Minas
Gerais para aplicação da filosofia dos Direitos Humanos.
1.2 Objetivos
1.2.1 Oferecer aos integrantes da Instituição os padrões necessários à promoção e difusão
dos Direitos Humanos.
1.2.2 Conhecer as conceituações necessárias à assimilação dos princípios de Direitos
Humanos.
1.2.3 Consolidar os pressupostos básicos dos Direitos Humanos para atuação da Polícia
Militar.
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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1.2.4 Nortear procedimentos, deveres e funções policiais-militares segundo a filosofia


dos Direitos Humanos, com base na conduta ética e legal.
1.2.5 Conhecer os instrumentos internacionais, nacionais e regionais de Direitos
Humanos.
1.2.6 Conscientizar os policiais militares a evitar a violação dos Direitos Humanos em
intervenções policiais.
CAPÍTULO II

2.
CONCEITUAÇÕES BÁSICAS
Autoridade – pessoa que exerce cargo, encargo ou emprego público, ou detém função
pública, de natureza civil ou militar, investida de poder em consonância com as normas legais.
Autoridade Policial – pessoa na condição de agente da administração pública que exerce
o poder de polícia.
Autoridade de Polícia Judiciária – pessoa na condição de agente da administração
pública com o poder de polícia de promover a investigação criminal e realizar a polícia
judiciária.
Autoridade Policial-Militar – pessoa na condição de agente da administração pública,
integrante da Organização Policial-Militar, com o poder de polícia de preservação da ordem
pública e defesa social, e de polícia ostensiva.
Poder de Polícia – é a capacidade legítima que o agente da administração pública,
devidamente constituída, tem para limitar direitos individuais em prol da coletividade.
Captura – ação policial consistente em privar uma pessoa de sua liberdade de
locomoção, em virtude de suspeição da prática de delito, ou de mandado de prisão.
Pessoa Detida – é aquela pessoa privada de sua liberdade, na aguarda de julgamento.
Pessoa Presa – pessoa privada de sua liberdade, como resultado da condenação pelo
cometimento de delito.
Tortura – ato de constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça,
causando-lhe sofrimento físico ou mental, com o fim de obter informação, declaração ou
confissão da vítima ou de terceira pessoa; para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
em razão de discriminação racial ou religiosa. Submeter alguém, sob sua guarda, poder ou
autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental,
como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Dignidade Humana – é valor espiritual e moral inerente à pessoa, o qual se manifesta
na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e traz consigo a pretensão ao
respeito das demais pessoas. Constitui-se um mínimo invulnerável que todo estudo jurídico deve
assegurar, de modo que, só excepcionalmente, possam ser feitas limitações do exercício dos
direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todos as
pessoas como seres humanos.
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Direitos Humanos – são títulos legais que toda pessoa tem como ser humano. São
universais e pertencem a todos. Esses direitos, embora violáveis, não podem jamais ser retirados
de alguém.
Direitos Fundamentais – são prerrogativas fundamentalmente importantes e iguais para
todos os seres humanos, cujo principal escopo é assegurar-lhes convivência social digna e livre
de privações.
Violação dos Direitos Humanos – atos e omissões imputáveis ao Estado, os quais
constituem desrespeito às leis e normas nacionais e internacionais reconhecidamente inerentes
aos direitos humanos.
Violência Policial – ato praticado por agente da administração pública, pertencente a
organização policial, que se excede no uso da força, sem observar os princípios da legalidade,
necessidade e proporcionalidade, nem os preceitos éticos que regem a atividade policial.
Vítimas – pessoas que, individual ou coletivamente, sofreram danos, inclusive
sofrimento físico, mental ou emocional, perdas econômicas ou violações substanciais de seus
direitos fundamentais, mediante atos ou omissões que constituem transgressão das leis criminais
e das que proíbem o abuso criminoso de poder.
Encarregado da Aplicação da Lei – é o agente público, civil ou militar, integrante das
instituições policiais
, nacionais ou internacionais, com poderes especiais de captura, detenção , uso de força e
investigação criminal, para servir a sociedade e protegê-la contra atos ilegais.
Equipamento de Proteção Individual – EPI – é o conjunto de equipamentos e
armamentos necessários ao policial, para proteger a si mesmo e desenvolver suas atividades com
segurança.
Ética Pessoal – é o conjunto de valores morais, questões culturais, crenças na distinção
entre o bem e o mal, o certo e o errado, relativamente ao indivíduo.
Ética – é o conjunto de princípios morais ou valores que governam uma instituição, um
grupo ou um indivíduo no grupo. São princípios axioteleológicos acerca do ser-com-o-outro ou
do ser-em-situação: indivíduo-com-outro-indivíduo, indivíduo-em-situação.
Ética de Grupo – é a Ética destinada a influenciar a conduta pessoal mediante padrão
subcultural (linguagem grupal, rituais, nós-contra-eles, costumes, tradições), em busca de
conseqüente mudança individual coerente com a cultura do grupo. Isso pode implicar aceitação
ou rejeição.
Ética Profissional – é o conjunto de normas codificadas do comportamento dos
praticantes de determinada profissão, com vistas ao melhoramento qualitativo da classe, medido
pelo índice de autenticidade (confiança e credibilidade) e legitimidade (consagração, renome,
fama, aceitação). Ética profissional é o nome popularesco da Deontologia: tratado dos direitos,
prerrogativas, atribuições, deveres, obrigações e competências do grupo profissional e da
respectiva profissão. Trata-se da codificação dos direitos e deveres, prerrogativas e necessidades
eticomorais e socioculturais de uma profissão e respectiva categoria profissional.
Ética Policial Militar – é a Ética regente da classe policial-militar, com base na
deontologia policial-militar.
Voz de Prisão em Flagrante Delito – é a ação verbal imperativa do Encarregado da
aplicação da lei que determina o momento da privação temporária da liberdade de alguém
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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que tenha cometido ato delituoso em estado de flagrância, mediante suas garantias e
direitos.
Organização Encarregada da Aplicação da Lei – para esta Diretriz, é o órgão público
civil ou militar, nacional ou internacional, responsável pela preservação da ordem pública,
exercício da polícia ostensiva, investigação criminal, exercício da polícia judiciária ou
desempenho de qualquer outra forma de poder de polícia.
Auto de Resistência – é o documento formal em que o Encarregado da aplicação da lei
narra, de forma clara e minuciosa, as circunstâncias do fato que o levaram ao emprego da força,
por ocasião de resistência à sua atuação legal.
CAPÍTULO III

3
PRESSUPOSTOS DA FILOSOFIA DOS DIREITOS HUMANOS NA PMMG
Para a melhor compreensão da filosofia dos Direitos Humanos, e para efeito de
padronização de alguns procedimentos relativos à categorização dos professores de Direitos
Humanos , relacionamento da Polícia Militar com as organizações de Direitos Humanos,
treinamento policial básico e sensibilização de comandantes, estão
estabelecidos os pressupostos que doravante farão parte da rotina administrativa e
operacional da Instituição, os quais serão implementados e difundidos nos diversos níveis da
Polícia Militar.
3.1 Filosofia Institucional dos Direitos Humanos
Para sistematização didático-pedagógica da filosofia de Direitos Humanos, foi adotada a
metodologia do TRIÂNGULO DOS DIREITOS HUMANOS. Tal metodologia estrutura-se
em duas perguntas e uma reflexão sobre Direitos Humanos, conforme sugere a figura a seguir:

DIREITOS

HUMANOS

3.1.1 Para quem são os Direitos Humanos?


Esta pergunta remete-nos a várias respostas tais como: “para todos, mas só
alguns os têm”, “para todos, mas não passam do papel”, “Direitos Humanos para
humanos direitos”, “para proteger marginais” ou a uma simples e direta “são para todos os
cidadãos”. Esse tipo de manifestação demonstra claramente que grande parte das pessoas não
está sensibilizada para o tema Direitos Humanos, faltando-lhe uma visão mais clara sobre o que é
ter direito .
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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Na verdade, as normas de Direitos Humanos foram criadas para dar garantias de direitos
a todas as pessoas. Essa resposta conduz-nos a outra pergunta: quem realmente acredita que os
Direitos Humanos foram criados para todas as pessoas? Muitos não acreditam totalmente, ou em
parte, que os Direitos Humanos foram criados para todas as pessoas. O policial é um promotor
dos Direitos Humanos e, por isso, deve acreditar, sem nenhuma sombra de dúvida, que esses
Direitos foram criados para todas as pessoas.
Direitos Humanos não são algo abstrato. São algo perceptível que está no dia-a-dia
das pessoas, como o direito à vida, à propriedade, e o de constituir uma família.
Os direitos das pessoas estão garantidos na Constituição da República Federativa do
Brasil, nos art. 5º, 6º e 7º, mais especificamente no art. 5º, o qual elenca direitos e liberdades
individuais, fundados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Os Direitos Humanos são para todos, integram o cotidiano de todos os cidadãos e
principalmente do cidadão policial, que tem a nobre missão de servir e proteger a sociedade da
qual ele faz parte.
3.1.2
Quem deve proteger os Direitos Humanos?
Se os Direitos Humanos são de todos e para todos, quem deve protegê-los? Sem
dúvida, por nossa Constituição Federal, a segurança pública é responsabilidade de todos e
dever do Estado. O policial tem papel fundamental na proteção dos Direitos Humanos , pois ele é
a autoridade mais comumente encontrada nas ruas e emblematiza o Estado. As pessoas têm o
policial como alguém em quem cofiam e trazem a perspectiva de que ele irá solucionar seus
problemas. Por isso, o policial deve estar preparado tecnicamente para agir com imparcialidade e
humanismo, em todos os seus contatos com o público.

As entidades de defesa dos Direitos Humanos, governamentais ou não,


contribuem para que o papel do Estado se materialize, completando sua ação de proteção.
No momento atual , quando se evidencia o recrudescimento da violência no País,
principalmente nos grandes centros urbanos, é imprescindível que façamos um mutirão da paz,
congregando esforços e trabalhando junto a essas entidades de Direitos Humanos, por meio de
parcerias, abrindo portas para um conhecimento mútuo, trabalhando não apenas com a denúncia
de ações policiais incorretas, mas dando ênfase ao anúncio de ações integradas em prol da
construção da cidadania e da paz social.
3.1.3 A validade dos Direitos Humanos no mundo

Agora, que foram respondidas as duas perguntas, será feita uma análise
global dos Direitos Humanos. Podemos nos perguntar por que existe então tanta miséria,
fome e guerras no mundo? Por que não há uma efetividade dos Direitos Humanos no mundo?
Pode-se responder a essas perguntas, estudando-se a diversidade cultural e religiosa dos países,
suas diferenças geográficas, seus costumes e normas , suas desigualdades sociais, os governos
ditatoriais, e as conseqüências da economia globalizada, entre outros aspectos que interferem
diretamente na plenitude dos Direitos Humanos para toda a humanidade.

Um aspecto fundamental é que o policial deve ser um pedagogo da cidadania.


Ele deverá, sempre que possível, mediante orientações ou palestras, informar as pessoas
corretamente sobre seus direitos para que possam desenvolver-se por meio de uma cooperação
mútua em rumo da construção de uma sociedade consciente de seus direitos.
3.2 Categorização dos professores de Direitos Humanos
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3
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3.2.1 Com a finalidade de escalonar os níveis de professores em relação às atividades já


desenvolvidas, tendo como base a participação dos policiais militares nos cursos, seminários,
palestras e treinamento de Direitos Humanos em nível municipal, estadual, federal e
internacional, estes serão categorizados de acordo com os cursos de que são detentores e devem
ser aproveitados como integrantes do corpo docente dos diversos cursos relativos aos Direitos
Humanos.
3.2.1.1
Promotor de Direitos Humanos – Policial com habilitação para proferir palestras e
auxiliar os professores em aulas no curso de Promotores de Direitos Humanos.
3.2.1.2 Professor de Direitos Humanos - Professor com habilitação para ministrar aulas
nos cursos de Promotores de Direitos Humanos.
3.2.1.3

Professor Multiplicador - Professor com habilitação para formar

professores de Direitos Humanos, planejar cursos de Promotor de Direitos Humanos e de


Professor de Direitos Humanos, e atuar na docência da disciplina de Direitos Humanos nos
cursos de formação da Instituição.
3.2.1.4

Professor Coordenador - Professor com habilitação para formar


professores de Direitos Humanos e professores multiplicadores, planejar e coordenar
cursos e seminários, nacionais e internacionais, de Direitos Humanos, e planejar e coordenar
cursos de professores de Direitos Humanos e de atualização em Direitos Humanos.
3.2.2 Pré-requisitos que devem ser preenchidos pelo professor militar, a fim de ser
incluído em diversos níveis do corpo docente da Polícia Militar de Minas Gerais.
3.2.2.1
Promotor de Direitos Humanos

Ter concluído o curso de promotores de Direitos Humanos.


3.2.2.2
Professor de Direitos Humanos
Ter concluído o curso de Professor de Direitos Humanos.
3.2.2.3 Professor Multiplicador:
Ter experiência de docência em, no mínimo cinco cursos de Promotores de Direitos
Humanos, com o mínimo de 60 horas-aula em cada um.
Ter realizado o curso de reforço ou atualização em Direitos Humanos
3.2.2.4
Professor Coordenador
Ter experiência de docência em, no mínimo, cinco cursos de Professor de Direitos
Humanos, com o mínimo de 120 horas-aula em cada um. Ter participado de, pelo menos, um
Seminário Latino-Americano de Direitos Humanos para forças policiais.
3.2.3 Para a docência das disciplinas de Direitos Humanos, Técnica Policial e Tiro
Policial nos cursos de formação da Instituição, será obrigatório ao Professor ser portador do
título de Professor de Direitos Humanos.
3.2.4 Os conteúdos programáticos, o plano de matéria da disciplina de Direitos Humanos
dos cursos de formação e o planejamento de palestras e seminários de Direitos Humanos devem
ser orientados pelo disposto nesta Diretriz.
3.2.5 A participação na docência definida nos itens 3.2.2.3 e 3.2.2.4 deverá ser
comprovada por documento assinado pelo Comandante da Unidade em que o professor ministrou
as aulas.
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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3.2.6 O funcionamento do curso de promotor de Direitos Humanos, professor de Direitos


Humanos, professor multiplicador e de reforço/atualização ficará a cargo da APM, sob
coordenação do CTP.
3.2.7 A categorização dos professores será formalizada por certificado a ser conferido
pelo Comandante da APM.

3.3 Relacionamento da Polícia com as Organizações de Direitos Humanos


O policial em sua missão de proteger o direito das pessoas deve sempre ter em mente que
ele não está sozinho. Outras pessoas estão envolvidas na busca de soluções dos problemas que
afligem a sociedade.
Essas pessoas compõem órgãos municipais, estaduais e nacionais ou organizações não-
governamentais (ONG) que trabalham na elaboração e execução de projetos, diretrizes e outras
atividades que estão relacionadas com a promoção dos Direitos Humanos. O
Policial, sempre que possível, deve estabelecer contatos com essas pessoas, para formar
rede de intercâmbio.
A postura de cada policial influenciará na imagem institucional, formulada por nossos
parceiros. Há de se frisar que a iniciativa do policial em interagir com os diversos órgãos de
Direitos Humanos é louvável, devendo ter ele o cuidado de cientificar os comandos nos diversos
níveis, para o apoio e as orientações adequadas, pois o policial representa toda a Instituição e
emblematiza o Estado.
Lembrem-se, policiais, de que ONGs, e outros órgãos ligados a Direitos Humanos estão
todos direcionados para o mesmo objetivo: proteger os direitos das pessoas. Por isto, devemos
evitar críticas e nos empenhar-nos em na busca conjunta de soluções.
3.4 Treinamento Básico do Policial

O treinamento básico do policial será desenvolvido, para mantê-lo devidamente


habilitado para atuar no policiamento. O treinamento deve contemplar os conhecimentos básicos
ligados à atividade operacional, sob as seguintes exigências:
a) o respeito e obediência à lei;
b) o respeito à dignidade da pessoa humana;
c) o respeito aos Direitos Humanos.

O treinamento será contínuo e sério para todos os policiais, seguindo o que


estabelecem as Diretrizes para a Educação Profissional de Segurança Pública da Polícia
Militar de Minas Gerais.
3.4.1 Aplicação prática dos Direitos Humanos no treinamento
O policial será treinado na aplicação prática dos padrões humanitários e de Direitos
Humanos, para condicioná-lo à capacidade de desenvolver suas atividades operacionais
eficazmente, em consonância com esses padrões.
No treinamento básico do policial os temas de Ética Policial e Direitos Humanos devem
ser tratados com atenção especial, como forma de conscientizar o policial quanto das alternativas
de resolução pacífica de conflitos que antecedem ao uso da força e das armas de fogo.
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A proibição da tortura e do tratamento desumano, cruel ou degradante será


enfatizada em todas as modalidades de treinamento.
3.4.2 Treinamento com arma de fogo
O treinamento com arma de fogo será desenvolvido para aperfeiçoar o policial
militar na execução correta e segura do tiro, além de aprimorar seu domínio técnico do
manejo e emprego do armamento no serviço policial, voltado para o tiro defensivo de
preservação da vida.
O policial que portar arma de fogo somente poderá utilizá-la, depois de ter
completado o treinamento sobre seu uso.
3.4.3 Treinamento para o emprego da força
O treinamento para o emprego da força será desenvolvido para praticar técnicas de defesa
pessoal policial. Essas técnicas contemplarão o uso progressivo da força, condicionando o
policial a usá-la, quando estritamente necessária e na medida exigida pelo desempenho de sua
missão.
O treinamento será prático. As técnicas a serem treinadas devem remeter o policial à
compreensão dos métodos de persuasão, negociação e mediação, que visam a limitar o emprego
da força como um todo.
3.4.4 Treinamento físico do policial
O treinamento físico do policial será desenvolvido de acordo com as normas em vigor na
Instituição, para manutenção e aprimoramento do vigor físico necessário ao desempenho da
atividade policial.
A saúde e o condicionamento físico do policial são imprescindíveis ao desempenho das
atividades diárias de polícia. A preocupação em estar saudável e em melhores condições físicas
para o trabalho deve compor a consciência do próprio policial.
3.5 Sensibilização dos Comandantes
Para alcançar o êxito em relação à implementação desta Diretriz, segundo as
políticas e orientações práticas emanadas da cúpula da Instituição, é necessária a
conscientização e a sensibilização dos ocupantes dos cargos estratégicos e intermediários, para
conduzir o nível operacional a contribuir com a efetividade do respeito ao direito do cidadão e da
promoção de Direitos Humanos. O profissional que desempenha suas atividades na lida diária
deve saber que seus comandantes comungam no pensamento de servir e proteger o cidadão,
mediante a difusão dos direitos humanos e o respeito a sua dignidade em prol do bom serviço
policial prestado.
Uma vez os níveis estratégico e intermediário sensibilizados para a importância das
medidas de Direitos Humanos, em consonância com a prática de melhor fazer polícia, o policial
saberá que tal aspecto não é sinônimo de polícia fraca, mas de uma polícia respeitadora dos
direitos fundamentais, com técnicas e táticas policiais.
O envolvimento dos gerentes maiores ratifica a importância de assegurar o bom comando
e a boa administração da Instituição. O compromisso dos comandantes favorece a boa supervisão
e coordenação no âmbito interno e contribui para a melhor execução do serviço por nosso
policial, até mesmo por saber exatamente o que vai ser verificado diante Atuação Policial Frente
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de cada conduta individual. Tal certeza, somada ao respeito aos Direitos Humanos, reflete
exatamente a imagem da Instituição em que serve o policial.

CAPÍTULO IV

4
CONDUTA ÉTICA E LEGAL DO POLICIAL
4.1 Introdução
A Organização Policial existe para zelar pelo cumprimento das leis que foram
instituídas a fim de efetivar a garantia dos direitos fundamentais do ser humano,
possibilitando a ele condições básicas de sobrevivência e convivência harmônica e pacífica,
imprescindíveis ao desenvolvimento do homem em relação a seu semelhante.
A polícia tem a obrigação de obedecer à lei, inclusive as leis promulgada para a
promoção e proteção dos Direitos Humanos. Agindo assim, o policial estará não somente
cumprindo seu dever legal, mas também respeitando e protegendo a dignidade da pessoa
humana, mesmo que para isso tenha de usar a coerção e empregar a força, nos casos estritamente
necessários e na medida exata, para o cumprimento do dever legal.
O uso da força policial não deve ser indiscriminado, pois, ao contrário, pode abalar as
bases da conduta ética e legal do Policial, as quais são: a obediência às leis, o respeito à
dignidade humana e a proteção dos Direitos Humanos. A legalidade, a necessidade e a
proporcionalidade, além da conveniência, devem estar internalizadas no policial, para que sua
ação não colida com os propósitos que deve defender. A comunicação deve ser a principal e a
primeira arma do policial.
O respeito à dignidade humana pelo policial conta também com sua qualificação
eticoprofissional que o capacita a manter em sigilo as informações de caráter confidencial,
manifestando-se contundentemente contrário à tortura e ao tratamento desumano, cruel ou
degradante, e cuidadoso para com a saúde das pessoas privadas da liberdade que estejam sob sua
custódia, contrapondo-se aos atos de corrupção que difamam o organismo policial e denigrem a
imagem institucional perante a sociedade.
Com suas qualidades morais, psíquicas e físicas, além do adequado treinamento, o
policial terá habilidade técnica para raciocinar e atuar acertadamente, preservando vidas e
cumprindo seu papel social.
4.2 Policial no cumprimento do dever legal
Os Direitos Humanos estão protegidos por leis internacionais e nacionais, e esses
instrumentos relacionam-se com a atividade policial, fornecendo insistente direcionamento para
o desenvolvimento de um policiamento ético e legal. Nem mesmos as normas e regulamentos
internos podem ser descumpridos, já que estão em consonância com os Direitos Humanos e as
leis internas e externas que garantem a efetividade desses direitos.
A polícia, que é o organismo social incumbido de zelar pelo cumprimento e
aplicação da lei, tem a obrigação de obedecer aos limites que ela mesma impõe, inclusive
a lei promulgada para a promoção e a proteção dos Direitos Humanos. Agindo assim, o policial
reconhece que os Direitos Humanos são invioláveis, sem desrespeitar atos das autoridades
públicas, sob pena de responsabilização administrativa, civil e criminal.
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4.3 Policial defensor da dignidade humana


Os Direitos Humanos são fundamentos do respeito à dignidade da pessoa humana, e esses
direitos são inalienáveis, ninguém pode transferi-los nem barganha-los.
Quando o policial comete qualquer ato contra a dignidade da pessoa humana,
responde por sanções nas esferas administrativa, civil e penal. Individualmente, o policial
é o responsável pelo dano, mas toda a Instituição fica maculada perante a sociedade. Isso
refletirá negativamente no trabalho dos outros policiais.
Não basta que o policial respeite e proteja a dignidade humana, mas que mantenha e
defenda os Direitos Humanos. Os Direitos Humanos tëm as características de
irrenunciabilidade e imprescritibilidade, e não serão objeto de desistência, pois ninguém
poderá renunciar à vida, à liberdade, à dignidade. São conquistas que não poderão retroagir. Os
Direitos Humanos não perderão seu valor com o passar do tempo. O tempo não será motivo para
que os Direitos Humanos sejam extintos.
A importância do policial não está somente no cumprimento do dever legal, mas na
conduta ética de aplicar a lei na construção da paz social e defesa dos Direitos Humanos de todas
as pessoas, independentemente de nacionalidade, sexo, raça, credo, convicção política, religiosa
ou filosófica.
4.4 Policial e emprego de força
Outra característica dos direitos humanos é a efetividade. Nenhum efeito ou valor terão
os direitos humanos, se não garantirem a materialização de seus propósitos. Há necessidade de
meios efetivos para fazer valer o respeito aos direitos humanos. O emprego da força será
utilizado no cumprimento do dever legal para manter, defender e garantir os direitos de todas
pessoas.
A polícia é dotada de poderes, com o objetivo de fazer cumprir a lei e manter a ordem. Os
poderes que o policial tem de capturar, deter e prender alcançam efeitos imediatos e diretos nos
direitos das pessoas.
O uso da força pela polícia sob circunstâncias claramente definidas e controladas
por lei é aceitável pela sociedade como legítima. O abuso de poder com o uso da força vai
de encontro aos princípios em que se baseiam os direitos humanos e o respeito à dignidade
da pessoa humana. Para prevenir os abusos, é necessária a adoção de medidas eficazes, quanto
à investigação e sanções proporcionais ao uso excessivo da força. Os princípios e padrões
internacionais que se referem ao comportamento da polícia em relação ao uso da força são
iniciativas importantes que direcionam para a construção da paz social, priorizando a segurança
pessoal dos policiais e a proteção dos direitos humanos.
4.4.1 Princípios para o uso da força e da arma de fogo
O Código de Ética Disciplinar da Instituição, em conformidade com o Código de
Conduta Ética para os Encarregados da Aplicação da Lei, afirma que “os policiais só podem usar
a força quando estritamente necessário e na proporção exigida pelo desempenho de suas funções
(sic)”. Os princípios básicos sobre o uso da força e da arma de fogo pelos policiais, instrumento
internacional adotado pela ONU, fazem os seguintes
reconhecimentos:
a) o trabalho dos policiais é um serviço social de grande importância;
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b) a ameaça à vida à e segurança dos policiais deve ser encarada como ameaça à
estabilidade da sociedade como um todo;
c) os policiais exercem papel vital na proteção do direito à vida, à liberdade e à segurança
da pessoa, na forma garantida pela Declaração dos Direitos Humanos.
Os princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade e ética estão por trás de todas
as disposições detalhadas que regulam o uso da força pela polícia. Esses princípios exigem
respectivamente que a força somente seja usada pela polícia dentro dos parâmetros da lei,
quando estritamente necessária a seu atingimento e preservação da paz social, sendo usada de
forma proporcional, na medida exata do cumprimento da lei e restabelecimento da ordem
pública.
4.4.2 O escalonamento do uso da força pelo policial
Com a intenção de restringir o uso da força, na aplicação dos meios capazes de
causar morte ou ferimentos às pessoas, a polícia deve tornar disponível toda uma gama de
recursos para o uso diferenciado da força.
Os meios não-violentos devem ser empregados, antes do uso da força e da arma de fogo.
4.4.3 O uso da arma de fogo pelo policial
O uso da arma de fogo é permitido para autodefesa e defesa de terceiros, contra risco
iminente de morte ou ferimento grave, ou para captura de pessoa que represente esse tipo de
ameaça, quando os meios menos extremos forem insuficientes.
O uso letal intencional de armas de fogo é proibido, exceto quando estritamente
inevitável para proteger a vida.
4.4.3.1 O que o policial deve fazer antes de usar a arma
Antes de usar a arma de fogo contra pessoas, é imprescindível que o policial: a)
identifique-se como tal;

b) avise, prévia e claramente, sua intenção de usar a arma de fogo, com tempo suficiente
para que o aviso seja levado em consideração, a não ser que tal procedimento represente risco
aos policiais, ou acarrete risco de morte ou dano grave, ou seja claramente inadequado ou inútil,
dadas as circunstâncias do caso.
4.4.3.2 O que o policial deve fazer depois de usar a arma de fogo
Toda a vez que o uso legal da força ou da arma de fogo for inevitável, é
imprescindível que o policial:
a) modere o uso da força ou arma de fogo, minimizando o dano e o sofrimento,
para respeitar e preservar a vida humana;
b) assegure a assistência médica o mais cedo possível a qualquer pessoa ferida ou
atingida;
c) notifique os parentes ou amigos da pessoa ferida ou atingida.
Caso haja, por terceiros, resistência à captura, detenção ou prisão, em flagrante delito ou
por ordem judicial, os policiais poderão usar dos meios necessários para se defenderem ou para
vencer resistência, devendo lavrar um auto subscrito de tudo que ocorrer, devidamente
testemunhado por duas pessoas de maioridade e responsáveis.
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A morte e ferimentos resultantes do uso da força devem ser comunicados aos


superiores, e qualquer uso arbitrário e abusivo de força deve ser tratado como crime.
4.4.3.3 O emprego da força em reuniões públicas pelo policial
Todas as pessoas têm direito de participar de reuniões legítimas e pacíficas. O
emprego da força e da arma de fogo no policiamento de reuniões públicas somente será
permitido, nos casos extremos e nos termos minimamente necessários, previstos em lei.
Via de regra, as manifestações, mesmo ilegais, quando tomam caráter violento, não
seguem um planejamento, tornando a ação repentina, desordenada e sem
continuidade. Daí, a importância de o policial manter-se sereno diante dos fatos, e sua
ação ser pautada no estrito cumprimento do dever legal.
O uso da força e da arma de fogo deve ser evitado, sempre que possível. Se
impossível, o uso da força deve ser restrito ao mínimo necessário. Os meios não-letais no
uso progressivo da força, devem ser priorizados. A comunicação deve ser o ponto de partida para
alcançar os objetivos propostos na lei, mediante negociação, mediação, persuasão e resolução de
conflitos.
O disparo de arma de fogo contra grupo de manifestantes ilegais violentos não é, em
hipótese alguma, considerado tática aceitável para dispersar multidão. O policial que assim agir
não estará preservando a vida, tampouco obedecendo as leis que deve cumprir.
Conseqüentemente, estará denegrindo a imagem institucional e contribuindo para o
descrédito do serviço policial perante a sociedade.
4.4.3.4 Treinamento e habilitação do policial para uso da arma de fogo
O treinamento policial com arma de fogo na Polícia Militar de Minas Gerais estará
direcionado para o tiro defensivo de preservação da vida, baseado na realidade do cotidiano
policial, com vistas em:
a) a preservação da vida , priorizando a segurança do público, do policial e do cidadão
infrator;
b) a obediência às leis;
c) a preservação da imagem Institucional.
O treinamento terá a maior parte de sua carga horária prática, para
condicionamento do policial a agir segundo os princípios do uso da força e da arma de
fogo, estimulado sempre pela razão na avaliação dos riscos no local de atuação.
A sociedade e a justiça compreendem a legitimidade do uso da arma de fogo, nos casos
estipulados em lei, porém não admitem os excessos nem seu emprego inadequado.
A idéia é de que todo policial tem preparo adequado para utilizar a arma de fogo de forma
acertada.
Não é suficiente saber atirar, mas saber quando atirar e onde acertar, avaliando sempre a
conveniência do uso da arma. O uso da arma poderá ser desnecessário, caso o policial o julgue
inoportuno. Normalmente, as vidas são preservadas e os problemas resolvidos com atitudes e não
com tiros. O maior desafio ao policial, durante o treinamento não será atingir mortalmente o
alvo, mas raciocinar rapidamente, decidir acertadamente e efetuar o disparo de qualidade para
preservar a vida, se for necessário.
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O policial que tenha de portar arma de fogo para o pleno desempenho da atividade
operacional somente estará em condições de portá-la, depois de completar o treinamento
necessário e relativo ao uso da arma que manuseará.
4.5 Policial mantenedor de sigilo em assuntos confidenciais
Os assuntos de natureza confidencial em poder do policial devem ser mantidos em sigilo,
a menos que, em razão do dever legal ou necessidade de justiça exijam atitude contrária.
Pela natureza da atividade, o policial acaba obtendo informações variadas que podem
prejudicar a reputação do acusado, o que torna necessária a devida cautela com o manuseio de
tais informações, para que elas não sejam reveladas com objetivos diferentes do cumprimento do
dever ou da necessidade de justiça.
4.6 Policial contra a tortura e o tratamento cruel, desumano ou degradante A
sociedade reconhece como inteiramente legítimo o uso da força pela polícia para manter e
defender o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Para tanto, o policial foi investido de
autoridade e poderes como o de dar buscas, deter, capturar e prender.
Quando as pessoas têm sua liberdade cerceada, elas crêem que sua integridade
física será preservada. A mesma sociedade que reconhece a necessidade do uso da força
pelo policial espera que não haja abuso praticado por ele. As pessoas capturadas, detidas ou
presas beneficiam-se de formas específicas de proteção, com base nos seguintes princípios:
a) ninguém será submetido à tortura ou a quaisquer outros maus-tratos;
b) todos os presos fazem jus a tratamento humano e respeito a sua inerente
dignidade humana;
c) todas as pessoas são presumidas inocentes, até prova contrária de acordo com a lei.
4.6.1 Policial inibidor da tortura
Não existe nenhuma situação em que a tortura possa ser infligida legalmente.
Nenhum policial, seja qual for seu posto ou graduação, tem justificativa ou defesa por ter
cometido tortura.
Em alguns casos, pode-se entender como correto e oportuno restringir alguns
direitos individuais em benefício do interesse público mais amplo para garantir outros
benefícios, tais como a ordem civil e a segurança pública. Mesmo assim, existem alguns direitos
que não são derrogáveis, e permanecem protegidos em qualquer circunstância.
Estes direitos variam ligeiramente de acordo com as disposições de cada tratado, mas
incluem sempre:
a) o direito à vida;
b) a proibição da tortura;
c) a proibição da escravidão.
A tortura foi obviamente tornada ilegal pela comunidade internacional e é definida na
Declaração sobre a proteção de todas as pessoas contra a tortura e outros tratamentos ou penas
cruéis, desumanos ou degradantes, como “forte dor ou sofrimento, seja físico ou Atuação Policial
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mental, infligidos a uma pessoa por um servidor público, ou através de sua instigação,
como os objetivos de obter, desta ou de outra pessoa, informações ou confissão, castigando-a por
um ato que tenha cometido ou seja suspeita de haver cometido, ou intimidando esta ou outras
pessoas”. A responsabilidade pela tortura inclui policiais de todos os níveis, que possam ser
responsabilizados por não ter conseguido preveni-la e ou reprimi-la.
4.6.2 A responsabilidade do policial contra a tortura
A convenção contra a tortura estipula que uma ordem de um policial na função de
comando não pode ser invocada como justificativa para a tortura.
Tal situação é ratificada no Código de Conduta dos Funcionários Responsáveis pela
Aplicação da Lei, no qual se afirma que “nenhum policial poderá invocar ordens superiores
como justificativa para praticar tortura”.
A obediência a ordens superiores não constituirá defesa eficaz para o policial que sabia
ser ilegal uma ordem para emprego de força ou arma de fogo, causadora de morte ou sério dano
à pessoa, tendo possibilidade razoável de desobedecer a tal ordem. Tal responsabilidade recai
também no superior que emitiu a ordem ilegal.
4.6.3 A conduta do policial contra a tortura
Os princípios para uso da força e arma de fogo afirmam que “nenhuma sanção
criminal ou disciplinar será imposta àqueles policiais que, seguindo o Código de Conduta
dos Policiais, se recusem a cumprir uma ordem para usar abusivamente força ou arma de fogo,
ou relatem que há esse costume por outros policiais”.
O policial tem enorme proteção para resistir a ordens ilegais que visem a prática de
tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. É, portanto,
definitivamente proibida ordem de policial que exerce comando sobre os demais, para
autorizar ou incitar outros policiais a realizar execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias.
Nesse caso, o policial comandado terá o direito e a obrigação de desafiar tais ordens. Tal
procedimento deve ser enfatizado obrigatoriamente nos ensinamentos dos cursos e treinamentos
realizados na Corporação.
A exigência de conduta policial ética e legal significa que os policiais, como indivíduos,
devem procurar a eficácia, ao mesmo tempo respeitando a lei, a dignidade humana e os direitos
humanos.
4.7 Policial protetor da saúde das pessoas privadas da liberdade
O cuidado e a custódia de pessoas capturadas, detidas ou presas é aspecto
extremamente importante para o policial. Apesar de o tratamento dessas pessoas estar
regulamentado, tanto por leis internacionais quanto por leis nacionais, continuam a ocorrer
abusos.
O tratamento humano das pessoas privadas da liberdade não exige alto grau de habilidade
técnica policial, mas requer o respeito pela dignidade da pessoa humana e o cumprimento de
algumas regras básicas de conduta.
A maneira como uma instituição policial trata as pessoas privadas da liberdade é um
índice do profissionalismo de seus integrantes, dos padrões éticos que ela é capaz de manter e
demonstra até que ponto ela pode ser vista como um serviço para a comunidade, Atuação Policial
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mais do que instrumento de repressão. Esses fatores, em longo prazo, determinarão a


eficácia da instituição policial.
4.8 Policial inibidor da corrupção
4.8.1 Policial inibidor dos atos de corrupção na busca de informações
Nenhuma polícia trabalha com êxito sem o mapeamento de informações por sua
equipe de inteligência. A busca de informações é extremamente importante e tem de
contar com informantes confidenciais, às vezes os únicos meios pelos quais alguns criminosos,
podem ser trazidos perante a Justiça.
A busca de tais informações acarreta sérios perigos à Instituição e ao policial, pelos
seguintes motivos:
a) os próprios informantes confidenciais são, muitas vezes, criminosos
estreitamente associados a outros criminosos;
b) as informações são geralmente trocadas por dinheiro ou favores;
c) os entendimentos entre os policiais e os informantes são necessariamente
conduzidos de maneira secreta.
A falta de procedimento policial eficaz sobre as maneiras de lidar com tal assunto pode
acarretar corrupção de policiais e, consequentemente, o desrespeito e abuso dos direitos
humanos.
Dessa forma, é imprescindível a adoção de medidas que visem a:
a) formular política clara para a fundamentação de procedimentos e orientações, e
maximização de benefícios com o recebimento de informações confidenciais sobre crimes e
criminosos;
b) estabelecer procedimentos rígidos e orientações explícitas para os policiais
subordinados entenderem exatamente a forma de conduzir o relacionamento com
informantes confidenciais, e a extensão em que esse relacionamento é monitorado.
4.8.2 Policial inibidor da corrupção no desempenho da atividade operacional No
desempenho da construção da paz social, o policial deparará com situações em que estará do lado
oposto ao do cidadão. Nesse caso, ele será obrigado a atuar contra aquele que infringir a lei. Para
isso, atuará sempre respaldado pela lei, sem abusos nem arbitrariedades. Quando o policial
recorre a práticas contrárias à lei ou atua além do poder e autoridade concedidos por lei, a
distinção entre o suspeito e o policial já não pode ser feita.
O desenvolvimento de atitudes e comportamentos pessoais pelo policial faze com que ele
desempenhe sua atividade de forma correta. Cada cidadão coloca seu bem-estar nas mãos de
outros seres humanos, necessitando de garantia e proteção para fazê-lo com confiança.
Escândalos de corrupção, envolvimento em grande escala com o crime organizado e
outros desvios de conduta relacionados com policiais abalam profundamente as fundações da
Instituição, a qual almejará níveis de ética prontos para efetivamente erradicar esse tipo de
comportamento indesejável.
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Vale ressaltar que não é suficiente que o policial saiba que sua ação deve ser pautada na
lei e não na arbitrariedade. A ética pessoal do policial é que vai decidir o tipo de ação a ser
tomada em dada situação.
Em razão da natureza do trabalho, o policial estará atuando sempre em grupo.
Trabalhar com colegas em situações difíceis e perigosas, durante grande parte do dia,
pode levar ao surgimento de comportamentos típicos de grupos caracterizados por padrões
subculturais. O policial terá sua ética pessoal confrontada com a ética de grupo, cabendo a esse
indivíduo aceitar ou não a pressão que lhe foi imposta.
Quando nos consultamos com um médico, psicólogo ou advogado, acreditamos e
esperamos que nossa privacidade seja respeitada e nosso caso seja tratado
confidencialmente. A bem da verdade, confiamos na existência e no respeito de um
código de ética profissional, visto que a natureza da atividade possui um impacto direto na
qualidade de vida dos cidadãos como também da sociedade com um todo.
4.9 Policial no respeito à lei
Os policiais que tiverem motivos para acreditar que houve ou que está para haver
uma violação dos direitos humanos, do Código de Ética para O Encarregado da Aplicação
da Lei, ou outra lei, deverá comunicar o fato aos seus superiores e outras autoridades
competentes ou órgãos com autoridade de revisão e reparação.
O policial não sofrerá nenhuma sanção administrativa ou de qualquer outra
natureza, pelo fato de ter comunicado que houve, ou que está prestes a haver, violação da
lei.
4.10 O reflexo da violação dos Direitos Humanos pelo Policial
A atividade policial é um componente visível da prática do Estado na construção da paz
social. As ações dos policiais não são vistas nem avaliadas pela sociedade como individuais. Pelo
contrário, são vistas como indicador do comportamento da Instituição Policial como um todo. O
policial age sob a autoridade direta do Estado que lhe conferiu poderes especiais. Por esse
motivo as ações individuais do Policial, como o abuso de autoridade, o uso excessivo da força,
corrupção e tortura, podem ter um efeito devastador na imagem de toda a Instituição, gerando
traumas que nem sempre o tempo poderá superar.
As decisões e práticas tomadas pelo Policial devem ser vistas e aceitas como ações e
decisões do Estado, que é responsável em prestar contas à sociedade de seus atos. As práticas do
Policial Militar devem estar fundamentadas no respeito e obediência às leis do Estado.
Conseqüentemente, o que se espera do Policial é que ele respeite, proteja e promova os direitos
humanos de todas as pessoas sem nenhuma distinção.
O Policial Militar tem a capacidade individual e coletiva de influenciar a opinião pública.
Quando a ação do Policial Militar viola os direitos e liberdades dos cidadãos a aceitação da
autoridade do Estado é questionada e desacreditada. E sempre que o violador desses direitos não
for responsabilizado, não será somente a credibilidade do Estado, com respeito as obrigações
internacionais em direitos humanos, que estará em risco, mas o próprio conceito e qualidade dos
direitos e liberdades individuais defendidos pela Instituição Policial.
O ato individualizado do policial na violação dos direitos humanos poderá acarretar em
responsabilidades ao Estado Brasileiro perante a Comunidade Internacional.
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CAPÍTULO V

5
DEVERES E FUNÇÕES DO POLICIAL
5.1 Introdução
Em defesa de uma sociedade que adota, promove e aplica a paz social, envolvida em
aspectos de solidariedade entre as pessoas, na busca contínua de uma nova
consciência sobre o real significado de direitos humanos para os profissionais que
trabalham na esfera policial da segurança pública, deve a polícia pontuar quais sãos seus deveres
e sua função, para contribuir para o quadro social cada vez mais justo.
Dentro da esfera legal da polícia, é necessário conhecer seu exato dever que é a obrigação
ética e moral de fazer ou deixar de fazer algo, orientada e tutelada por leis, convenções
socioculturais e preceitos deontológicos.
O policial, diante da função que lhe reserva o Estado, tem o dever legal de respeito e
promoção dos direitos humanos do cidadão.
Não basta ser teórico em matéria de direitos humanos, prioritariamente na
atividade policial. É indispensável ser prático, preocupado sempre em servir e proteger a
sociedade, observados os deveres e a função atribuídos ao policial.
5.2 Princípios da ação policial
O policial deve ter sempre em mente que sua presença, principalmente de forma
ostensiva, inibe a ocorrência de infração penal. A experiência prática mostra-nos que o primeiro a
chegar ao local da ocorrência é o policial. Assim, é fundamental sua ação inicial, pois será
suporte dos passos seguintes das investigações. É imprescindível que essa providência inicial
seja conduzida de forma ética e legal.
Durante a fase de rastreamento policial no levantamento de dados, padrões
internacionais e nacionais de direitos humanos são de especial relevância.
Para que os princípios éticos sejam acatados em todos os procedimentos policiais do ciclo
completo de polícia, deve haver obediência às leis e respeito aos direitos humanos pelo policial.
Todas as informações levantadas pelo policial militar devem ser redigidas no
boletim de ocorrência, o que será útil à polícia judiciária no que tange aos aspectos
investigativos e subsidiará todo o processo desencadeado, até a esfera judiciária de julgamento e
solução.
5.3 Comportamento policial durante o rastreamento
Deve-se ressaltar que o serviço policial-militar, competente para o exercício da polícia
ostensiva e preservação da ordem pública, tem atuação eminentemente preventiva.
Uma vez rompida essa ordem, devem ser adotadas medidas que restaurem os
direitos da sociedade e socorram o cidadão. Se ocorrer a ruptura da ordem pública, a
perseguição criminal deve ser desencadeada imediatamente, com ou sem a presença da polícia
judiciária. Assim, a Polícia Militar não interrompe nem cessa o cumprimento de seu dever de
polícia administrativa em favor de outro órgão, em busca da defesa e promoção Atuação Policial
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dos direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. A polícia persiste, enquanto


durar o estado de flagrância delituosa.
O rastreamento é a primeira ação de resposta a ser dada para localizar o suspeito, logo
após o fato delituoso.
O cidadão capturado terá seus direitos e garantias preservados pelo policial.
Dentro da concepção sistêmica de defesa social, deve-se buscar a participação de outros
órgãos. É prudente que a polícia judiciária esteja ciente da ocorrência e alongamento da
intervenção do policial militar na realização do rastreamento.
A resposta eficiente e rápida pela polícia contribui para o aumento da sensação de
segurança do cidadão que teve seus direitos desrespeitados. Para o melhor aproveitamento do
aparato policial, deve ser levado em conta o tempo decorrido entre o fato e o início do
atendimento policial.
A guarnição policial, durante sua atuação, deve adotar os cuidados necessários para não
causar, em detrimento de resposta imediata, um mal maior à integridade física do próprio militar
e dos demais cidadãos.
5.4 Presunção de inocência das pessoas capturadas pela Polícia
Toda e qualquer pessoa no ato de sua captura, detenção ou prisão tem direitos que lhe
assistem e devem ser respeitados. Dentre eles, a presunção de inocência, que é uma garantia
pertencente ao ser humano: “toda pessoa acusada de um delito tem o direito de ser presumida
inocente, até que a sua culpabilidade seja provada de acordo com a lei, em julgamento público no
qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa”. A culpa ou
inocência pode ser determinada somente por tribunal constituído de forma apropriada, após
processo conduzido adequadamente, em que o acusado tenha todas as garantias necessárias à sua
defesa. O direito de ser presumida inocente, até ser considerada culpada, é fundamental para
assegurar à pessoa julgamento justo.
5.5 Deveres do policial
O policial, no uso de suas atribuições legais, deve estar atento a cumprir e fazer cumprir o
direito à liberdade e segurança pessoal do cidadão. Ninguém pode ter sua liberdade cerceada,
salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade com os procedimentos nela
estabelecidos. A pessoa, ao ser capturada, deve ser prontamente avisada das acusações contra ela.
Para transparência da conduta do policial, é prudente que ele, na execução dos
procedimentos, conte com a presença de testemunhas a fim de evidenciar a lisura e cristalinidade
de seus atos.
Nenhuma pessoa é obrigada a constituir prova contra si mesma nem confessar
culpa, o que lhe dá o direito a permanecer calada no ato da captura e posterior detenção,
se assim for o caso, sem violência nem tortura, com direito a tratamento humano, especialmente
pelo policial, e consultar a um advogado, mesmo no local de sua captura, mediante observância
das regras mínimas de segurança.
Após ter passado da captura para a detenção, o detido tem direito de avisar sua família,
ou pessoa por ele escolhida, acerca desta sua situação. Ele pode, para isso, usar telefone ou
qualquer outro meio de comunicação.
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Para conhecimento do policial militar, no momento da ratificação da detenção pela


polícia judiciária, alguns direitos devem ser preservados ao detido. Cabe ao policial que lida com
a comunidade assegurá-los e comunicá-los ao detido, naquele momento, como promoção dos
direitos humanos. A preservação desses direitos impõe deveres ao policial como agente do
Estado. Diante de tal postura profissional o policial deve ter em mente que, em nenhum
momento, essa conduta não lhe causa descrédito nem desconforto, no que tange à ameaça de
perda de autoridade. Ao contrário, o próprio detido passa a respeitá-lo, em razão de seu
comportamento ético, motivo da autenticidade e legitimidade da Polícia Militar.
O policial deve saber que a detenção antes do julgamento é exceção, ao invés de regra. As
pessoas detidas devem ser mantidas somente em locais oficialmente
reconhecidos e apropriados para detenção, e sua família e representantes legais devem
sobre isso receber todas as informações. A detenção de uma pessoa deve ser confirmada por uma
autoridade judicial. Ao detido informa-se a razão de sua detenção e qualquer acusação contra ele,
e faculta-se-lhe comunicar-se, reservada e pessoalmente, com seu representante legal.
5.6 Interferência policial na privatividade
Todas as pessoas, independentemente do sexo, raça, cor, língua, idade, crença religiosa e
opinião política, devem ter sua honra e reputação protegidas e preservadas.
Ninguém pode sofrer interferência em sua vida privada, em seu lar, em sua família,
respeitado o rigor do sigilo de correspondência.
Nem mesmo a autoridade pública exercida pela polícia pode intervir em tal
privatividade que é garantida às pessoas. O policial só pode interferir nesse direito em
concordância com a lei, e, assim mesmo, em prol dos interesses de segurança nacional, e
segurança pública, para a prevenção da ordem e do crime, proteção da saúde ou da moral, em
favor da coletividade, em busca da paz social.
O policial deve pautar sua conduta por não violar o lar, residência, veículos nem outras
propriedades, nem interceptar correspondência, mensagens telefônicas ou outras comunicações, a
não ser em cumprimento legítimo do que a lei permite, como flagrante delito ou execução de
mandado judicial.
O fato é que o policial, dentro da postura ética, deve se auto-policiar para o não-
cometimento de atos contrários à lei, aos aspectos morais e à honra das pessoas.
5.7 Como lidar com informantes confidenciais
O policial deve ter habilidade individual para lidar com informantes confidenciais, haja
vista o nível de importância que a informação cedida pelo informante confidencial pode
representar para a justiça. A ética, inteligência policial, discrição e conduta profissional do
policial, o qual passa a ser o vetor de tais informações, devem ser adotadas em virtude de poder
ser o informante até mesmo alguém integrante do crime organizado ou nele envolvido.
É importante lembrar que tais informações podem ser as únicas a contribuir com a
descoberta da veracidade, alcançando a legalidade. O policial deve estar preparado para lidar
com todos os tipos de situação, sem se envolver. Ao contrário, cometerá atos que contribuirão
para a falta de ética e desabonarão sua conduta como policial. Tal atitude pode ser tal como a
troca de favores dos mais diversos possíveis, a qual, muitas vezes, Atuação Policial Frente aos
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foge da alçada e competência do policial, até mesmo porque tal situação ocorre de forma
secreta e pode acarretar inclusive atos de corrupção pelo policial que lida diretamente com esse
tipo de caso.
Para evitar esse caso que pode afetar a credibilidade da Instituição em decorrência de
ações isoladas, alguns procedimentos nesse tipo de relacionamento devem ser levados em
consideração, como direcionar para o mesmo policial os reiterados contatos para melhor
acompanhamento, dando-lhe a responsabilidade de conduzir a troca de informações para o
alcance da justiça. Embora seja uma premissa a ausência de identidade desses informantes, são
necessários para a segurança do próprio policial e conseqüentemente da Instituição, seus dados
em registro oficial, e que estes estejam acessíveis a uma pessoa específica na estrutura de
comando. Tais dados devem ser verdadeiros, até mesmo para a própria segurança do informante,
que deles deve ter conhecimento.
Não deve ser desprezado pelo policial o fato de o próprio informante ser o
responsável pelo planejamento das informações prestadas. Isso deve ser cautelosamente
monitorado.
O relacionamento entre a polícia e informantes transporta-nos à esfera de
corrupção. Isso implica que o controle e supervisão devem ser tratados com o mais alto
grau de profissionalismo, ética e moralidade, sem deixar que a subcultura policial permeie tais
situações. As políticas internas da Instituição, tratadas com bastante rigidez e lisura, devem
deixar claro ao policial que não é aceitável nenhum tipo de comportamento que possa contribuir
para o mínimo ato de corrupção ou desonestidade, durante o trato com as informações de caráter
confidencial.
A prevenção para não ocorrerem atos contrários aos aspectos legais, éticos e
morais tem de ser clara e constante, inclusive para não contribuir para o desrespeito aos
Direitos Humanos.

5.8 Vítimas de crimes e abuso de poder


Mais importante que saber o tratamento e como atuar no atendimento à vítima é prevenir
para ninguém cometer atos que contribuam para a vitimização. Em contrapartida, a pessoa deve
ser orientada sobre como proceder e adotar posturas que possam diminuir fatos que avolumem o
quadro de ocorrências policiais.
Qualquer cidadão pode ser vítima, independente de o agressor ser preso,
processado, condenado ou identificado, irrelevante sua condição de familiar, amigo ou
inimigo da vítima.
O relacionamento entre o policial e a vítima deve ser respeitoso, pois esta pode fornecer-
lhe dados de suma importância para a elucidação de fatos decorrentes do acontecimento
principal. No instante prático de auxílio à vítima, é o policial que vai desempenhar papel de
extrema importância quanto aos aspectos psicológicos, em virtude de atos delituosos cometidos
por pessoas que utilizam métodos e meios, dos mais simples aos mais aterrorizantes, para
alcançar o intento contrário à lei, aos costumes e à segurança do cidadão.
As próprias pessoas que facilitam a solução dos fatos e auxiliam as vítimas podem tornar-
se vítimas, inclusive o próprio policial defensor do cidadão cujos direitos foram violados.
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Em contrapartida, o policial que atuar por dever nos casos em que direitos foram
desrespeitados, jamais deve esquecer que, ao intervir em qualquer que seja o caso, pode, em
razão de sua conduta e atos, aumentar a lesão sofrida por aquela pessoa que foi vítima, bem
como provocar outras vítimas com sua inadequada atuação policial, desrespeitando direitos, ao
invés de garanti-los. O policial tem de pautar-se em comportamento ético, levar em consideração
os aspectos legais, respeitar e promover os direitos da pessoa humana. A vítima tem o direito de
pronta reparação dos danos que tiver sofrido. Para que tais direitos lhe sejam assegurados em
plenitude, a vítima tem de ser orientada e pelo próprio policial.
A rapidez e a cordialidade no atendimento de vítimas, a disponibilidade em ouvi-las,
deixá-las apresentar seus pontos de vista e preocupações, proteger-lhes a privacidade e garantir-
lhes a própria segurança e a de sua família e testemunhas são papéis que devem ser
desempenhados pelo policial, com vistas no bom desempenho de seu trabalho e no cumprimento
de seus deveres em prol do cidadão e da comunidade.
5.9 Princípios dos Direitos Humanos na captura e detenção
Durante a prevenção e detecção do crime, a captura e detenção exigem do policial alto
padrão de moralidade e ética. Durante os contatos policiais, fica evidente que sempre haverá
oportunidade para violação dos direitos e liberdades individuais das pessoas capturadas ou
detidas. Somente a ética e o profissionalismo impedem a transformação dessa oportunidade em
execução do mal.
Um fator indispensável para salvaguarda dos direitos das pessoas, como garantia mínima
exigida, é a atitude impecável do policial conjugada com seu comportamento e postura ética e
moral, mediante mecanismos de supervisão interna pela própria Organização.
Nos momentos de maior susceptibilidade de desrespeito aos direitos humanos das
pessoas, é que há a intervenção do policial. Uma questão importante é este profissional saber a
real dimensão de sua função aliada a seu dever de polícia. Como profissional, ele deve saber
mensurar seu valor individual e sua contribuição para os resultados individuais e coletivos, e,
conseqüentemente, para o melhoramento da imagem da Instituição.
5.10 Gerência, supervisão e coordenação pela Polícia Militar
Para a eficiência e efetividade das providências policiais, a Polícia Militar, no que tange à
proteção eficaz dos direitos humanos, precisa formular políticas e práticas, e estabelecer
minuciosos aspectos de comando: circuito gerencial e administrativo para exercício do controle
interno, e sistema de fiscalização e supervisão para prestação de contas, por ser órgão público em
estado democrático de direito.
Para o êxito da execução do policiamento com o devido respeito aos direitos humanos, é
de fundamental importância que os níveis estratégico e intermediário da Corporação estejam em
sintonia com o respeito aos mesmos direitos.
A supervisão deve ocorrer em caráter periódico e contínuo, com emissão de relatório de
conduta individual dos policiais. Tal aspecto deve ser objeto de implementação perene e pode
gerar outros prejuízos de caráter administrativo em função da atividade operacional. A qualidade
do serviço prestado pelo policial militar à comunidade é de vital importância para o Estado, no
desempenho da preservação da ordem pública e defesa social.
A supervisão e a coordenação são imprescindíveis para que a violação dos direitos não
ocorra, pois minimizam os possíveis excessos e abusos do policial. Ao mesmo tempo, deve ser
disseminada a idéia de que Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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o papel da supervisão e coordenação é contribuir para a melhor conduta do policial e o


diagnóstico do real serviço que está sendo prestado ao Povo, com análise crítica e construtiva das
dificuldades encontradas e aspectos positivos do desempenho do policial.
Com fulcro no apoio contido na supervisão, esta atividade é importante para a
manutenção do grau de respeitabilidade da Instituição, especialmente por orientar e avaliar seus
talentos humanos. O objetivo precípuo para estabelecer medidas de supervisão e coordenação é
assegurar a qualidade dos produtos e serviços prestados pelo policial militar, por meio dos quais
a Polícia Militar alcança mais credibilidade e maior consagração. Tal aspecto é crucial para o
sucesso da execução das medidas de implementação das políticas de comando.

CAPÍTULO VI

6 PROCEDIMENTO
POLICIAL-MILITAR
6.1
Introdução
A consolidação da democracia brasileira pressupõe o amplo exercício da cidadania para
todos. Nessa filosofia é que o policial deve se embasar para o trato diário com as pessoas. A
sociedade brasileira é plural, formada por diversidade de raças e credos, e por infinidade de
diferenças.
Vários procedimentos policiais devem ser feitos na chegada do policial ao local de
atendimento a uma ocorrência. Há providências deste profissional que exigem seqüência lógica
de idéias e atitudes, durante a atuação em local de infração penal.
Diante de tantas providências que o policial deve adotar na intervenção policial, vale
ressaltar que, em qualquer nível de procedimentos técnicos e táticos, os Direitos Humanos
devem permear todas as ações e atitudes policiais.
Assim, antes, durante e depois da atuação propriamente dita, o policial deve levar em
consideração a prioridade de segurança na intervenção, observando esta ordem de importância:
primeira, a segurança do público; segunda, a segurança dos policiais; terceira, a segurança do
cidadão infrator ou suspeito.
Todos esses cuidados são recomendados, a fim de que o público, no geral, não
seja exposto a riscos, pois nós, como profissionais que somos, devemos tecnicamente
tratar dos fatos, servindo e protegendo a comunidade.
É de fundamental importância que possamos embasar todos os procedimentos em
documentos nacionais e internacionais relativos aos direitos humanos de todas as pessoas
com as quais trabalhamos em nosso dia-a-dia.
O policial deve, no uso de suas atribuições legais, respeitar, garantir, preservar e proteger
os direitos humanos de todos os cidadãos, como veículo pleno de promoção desses direitos, no
momento em que o policial atua no atendimento a ocorrências nas ruas ou qualquer outro lugar,
quando e onde o cidadão lesado encontra-se mais vulnerável.
Nesse instante, é que atua o policial, que tem de pautar seu trabalho na legalidade,
necessidade, proporcionalidade e postura ética, sem nenhuma violação dos direitos humanos.
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Vários documentos omitem a especificação do local de atuação policial em relação às


pessoas envolvidas, quer sejam vítimas, suspeitos, cidadãos infratores, testemunhas ou
informantes. Tal omissão não impede o desempenho do policial em favor de todas as pessoas, às
quais ele tem de preservar direitos que devem ser levados em conta a todo tempo.
6.2 Detalhamento do comportamento policial
Algumas considerações de ordem geral e específica precisam ser vistas, com o
objetivo de contribuir com o policial e aumentar-lhe os conhecimentos sobre direitos
humanos, em benefício de sua conduta operacional. A ética profissional na aplicação da lei, em
seu aspecto teórico, tem de permear a conduta de cada policial, durante a garantia da aplicação
da lei.
6.2.1
Procedimentos na intervenção policial
6.2.1.1 Aproximação mediante técnicas e táticas policiais para a segurança do
policial
O policial, ao aproximar-se do local onde sua intervenção é necessária, deve ter em
mente: como, de que forma, com que técnica, em que formação tática, entre outros
procedimentos indispensáveis sua segurança e a de sua equipe. Utilizar cobertas e abrigos
durante a aproximação é de vital importância para a vida do policial. Os primeiros minutos de
qualquer fato em que houve a quebra da ordem pública são o instante em que o profissional deve
adotar medidas para minimizar as causas geradoras do problema. O
policial, em local seguro e com técnicas e formação tática adequadas, poderá utilizar a
força mais razoável a aplacar a forma de agir do suspeito, sem atentar contra sua integridade
física e moral.

6.2.1.2 Auto-identificação
A auto-identificação deve ser feita, de modo que o policial sempre esteja
praticando procedimentos de auto-salvaguarda, auto-defesa e auto-segurança, quando se
identificar a si mesmo como policial ao cidadão. Demonstrar clareza, falando seu nome e posto
ou graduação, não obscurecerá, em momento algum, sua autoridade de policial, mas enfatizará
sua postura ética e humana. Cabe ao policial saber que sua identidade profissional deve ser
pública diante de sua função revestida pelo Estado, e não pode confundir-se com sua identidade
pessoal, cujos registros não podem ser expostos aleatória e indiscriminadamente.
6.2.1.3 Tratamento da pessoa pelo nome
Tratar a pessoa pelo nome demonstra respeito e automaticamente possibilita o surgimento
de empatia entre as partes. Essa conduta humana, ética e respeitadora gera reciprocidade.
6.2.1.4 Tratamento respeitoso para com as pessoas
O policial deve tratar as pessoas, com respeito e cordialidade. O discernimento aliado ao
tirocínio deve ser inerente ao policial, especialmente para utilização de técnicas e Atuação
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atitudes, entre as quais a forma de falar para facilitar o entendimento e cumprimento de


ordens emanadas do policial.
Tratar as pessoas com respeito à dignidade humana gera cordialidade e pronto
acatamento às ordens e orientações oriundas do policial, a quem cabe enunciar os direitos
que devem ser assegurados às pessoas, segundo sua situação: o nível de responsabilidade a ela
inerente, se suspeita, ou alguém sobre quem se atribui a responsabilidade por ato contrário à lei.
A tal pessoa o policial declara a infração a ela imputada e os direitos a ela garantidos.
6.2.1.5 Valorização da vida acima de qualquer bem
Em todos os momentos, o bem maior de todas as pessoas é a vida, que deve ser
preservada. Para isso, o policial emprega todos os recursos disponíveis. O direito à vida tem de
ser respeitado e garantido pelo policial. Há momentos em que esse profissional dotado de
poderes especiais pode usar a força letal como seu último recurso. O policial precisa usar meios
menos ofensivos para alcançar seu intento, mas não pode menosprezar o uso da letalidade. A
postura ética, a experiência de vida e o treinamento profissional são imprescindíveis em
momentos cruciais da atuação policial.
6.2.1.6 Preservação da integridade física e moral
A integridade física e moral da pessoa tem de ser respeitada e preservada, em todas as
atitudes do policial, desde a aproximação até o ultimo ato do atendimento a uma ocorrência.
6.2.1.7 Advertência ao abordado sobre o possível uso da força
Quanto ao uso gradativo da força, cabe ao policial, diante do quadro de sua
atuação, discernir, à medida que forem sendo adotados os procedimentos policiais com
elevação da intensidade do uso da força, para cada circunstância, a intensidade de força
justificada e proporcionalmente necessária. Sempre que possível, o policial deve advertir o
abordado sobre a possibilidade de contra ele aumentar a intensidade de força
proporcionalmente compatível com o grau de sua reação ou resistência ilegal ao
desempenho dos atos policiais.

6.2.1.8 Tratamento das vítimas e testemunhas com cuidado, sensibilidade e


profissionalismo
Como a presunção da inocência é direito do acusado que lhe deve ser garantido, o policial
tem de tratar com cuidado, profissionalismo e sensibilidade as vítimas e testemunhas, tomadas de
natural e compreensível estado de vulnerabilidade afetiva e psicológica, em razão da gravidade
dos fatos por elas sofridos ou presenciados. Em tal situação, o policial deve tratá-las com
brandura, respeito, consideração e palavras tranqüilizadoras, sem submetê-las ao desconforto de
interrogatório inoportuno e antecipado.
6.2.1.9 Relacionamento adequado com a imprensa
Preservar às pessoas a veiculação, ou não, de sua imagem é responsabilidade do policial,
quando estas estiverem sob sua custódia. O policial deve saber que não tem o direito de expor
ninguém, independentemente do nível de seu envolvimento, a vexame ou constrangimento.
Exposição da própria imagem, só se a pessoa o quiser e permitir. O
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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policial tem o dever de assegurar a todos o direito de não se exporem à câmera, nem à
maquina de fotografia, nem ao assédio ou interrogatório por repórteres, sem ferir a integridade
física ou moral dos profissionais da imprensa. O policial não pode desrespeitar direitos de
pessoas em nenhuma hipótese, nem em razão do direito de outras. Ele deve oferecer tratamento
polido, ético e profissional a ambas as partes.
6.2.1.10 Esclarecimento sobre os motivos de uma abordagem
O policial deve esclarecer seus atos às partes interessadas e envolvidas, e expor-lhes o
porquê da abordagem, como forma de respeitar o direito de saberem o motivo da intervenção
policial e seu possível desdobramento. Desta forma, o policial está, mais uma vez, criando clima
de respeito, cortesia e credibilidade, para aumentar às pessoas a sensação de segurança, seja o
atendimento originado pela Central de Operações, por solicitantes durante o radiopatrulhamento
ou por iniciativa do próprio policial.
6.2.2 Importância do conhecimento e conjugação de esforços
Quando o policial aborda uma pessoa, tudo pode acontecer. Por isso, ele deve
conhecer e saber utilizar o uso progressivo da força, que é a seleção adequada de opções
de força em resposta ao nível de reação do indivíduo suspeito ou infrator a ser controlado.
A progressão do nível de força deve ser ajustada à resistência enfrentada pelo policial e
adequada ao tipo de ação do suspeito. Se um nível falha ou a reação aumenta ou diminui, o
policial adota outra ação proporcional, necessária e conveniente a cada reação, tudo de acordo
com a lei.

Se o cidadão está em situação de normalidade, a presença policial é rotineira. Se o


cidadão é cooperativo, o policial utiliza-se da verbalização. Se há resistência passiva, o policial
pode usar os controles de contato. Se há uma postura de resistência ativa, utiliza-se do controle
físico. Para agressão não-letal, o policial utiliza-se de táticas defensivas não-letais. Para agressão
letal, cabe ao policial utilizar a força letal. Tal quadro sistêmico auxilia o policial, durante sua
atuação, e contribui para seu equilíbrio tático.
Com a finalidade de esclarecer os níveis de força, é preciso definir cada
procedimento policial: a presença policial e a mera presença do policial. Verbalização é o
uso da comunicação pelo policial, mediante palavras claras e de fácil entendimento. Quanto aos
controles de contato, trata-se do emprego de talentos táticos pelo policial em defesa pessoal, para
assegurar o controle e ganhar a cooperação do suspeito, podendo ser utilizadas inclusive as
algemas. Na fase de controle físico, o policial emprega força suficiente para superar a resistência,
vigilante a um comportamento mais agressivo, e pode utilizar, nesse nível, técnicas de
forçamento, agentes químicos e cães. Quanto a táticas defensivas não-letais, cabe ao policial
utilizar os métodos não-letais disponíveis, por meio de gases fortes, forçamento de articulações e
uso de equipamentos de impacto (cassetetes, bastão tonfa). Neste caso, é possível a utilização da
arma de fogo, desde que excluídos os casos de disparo com intenção letal (sacar e apontar a arma
com finalidade de controle intimidatório do suspeito, dentro dos procedimentos de verbalização).
Na iminência de agressão letal contra o policial ou terceiros, compete a esse defensor da
sociedade utilizar força proporcional que é a força letal, em defesa dos direitos fundamentais de
todo o ser humano, como último recurso e medida extrema, após experimentados todos os outros
recursos disponíveis.
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Os direitos essenciais do homem não derivam do fato de ser ele cidadão de


determinado Estado, mas do fato de os direitos terem como base os atributos da pessoa
humana. As condutas operacionais vigentes na Polícia Militar de Minas Gerais
fundamentam-se em atos normativos e documentos nacionais e internacionais relativos
aos direitos humanos.
6.3
Procedimento policial com grupos vulneráveis e minorias
O policial, em sua rotina de trabalho, está habituado a procedimento-padrão com pessoas
que podem locomover-se normalmente e entender o que lhes é solicitado.
Quando depara com uma pessoa com característica que a torna diferente das demais,
como deficiência física, orientação sexual, idade avançada, entre outras, o policial encontra, por
vezes, dificuldades no trato com elas.
A atividade de polícia exige um profissional que saiba lidar com as pessoas, sem
discriminá-las nem privilegiá-las, de forma imparcial, com habilidade para garantir-lhes direitos
e resolver conflitos, serena e indiscriminadamente.
A pessoa com característica que a diferencia das demais espera ser tratada não como
inútil, desprezível ou como alguém que necessita tão somente de assistencialismo e piedade, mas
como um cidadão cumpridor de seus deveres para com a sociedade e dono de direitos e respeito
à respectiva dignidade. É imprescindível que o policial conheça um pouco sobre as diferenças e
procure sempre respeitá-las. O policial deve conhecer os procedimentos que fogem aos padrões,
contemplando questões sobre Minorias e Grupos Vulneráveis, para nortear sua atuação no trato
adequado com tais pessoas.
6.3.1 Grupos vulneráveis
Grupo Vulnerável é um conjunto de pessoas com características especiais, em
decorrência das quais podem tornar-se mais suscetíveis à violação de direitos.
Os cinco principais grupos são:
a) mulheres;
b) crianças e adolescentes;
c) idosos;
d) homossexuais;
e) pessoas com deficiência física ou sofrimento mental.

6.4 Minorias

“Um grupo de cidadãos de um Estado, constituindo minoria numérica e em


posição não-dominante no Estado, dotada de características étnicas, religiosas ou
lingüísticas que diferem daquelas da maioria da população, tendo um senso de
solidariedade um para com o outro, motivado, senão apenas implicitamente, por vontade
coletiva de sobreviver e cujo objetivo é conquistar igualdade com a maioria, nos fatos e na lei”
(sic).

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6.4.1 Minorias
étnicas
“São grupos que apresentam fatores distinguíveis em termos de experiências
históricas compartilhadas e sua adesão a certas tradições e significantes tratos culturais,
que são diferentes dos apresentados pela maioria” ( Pouter, 1986, sic).
6.4.2 Minorias lingüísticas
“São grupos que usam uma língua, quer entre os membros do grupo, quer em
público, que claramente se diferencia daquela utilizada pela maioria, bem como da
adotada oficialmente pelo Estado. Não há necessidade de ser uma língua escrita.
Entretanto, meros dialetos que se desviam ligeiramente da língua da maioria não gozam
do mesmo modo que religião, e, a seguir, etnia, precisam ser definidas,o mesmo se dá com a
expressão língua, e minorias lingüísticas. Língua é utilizada como sinônimo de linguagem,
querendo significar ‘método humano e não instintivo de comunicar idéias, sentimentos e desejos,
por meio de um sistema de sons e símbolos sonoros’” (Hornby, 1974, sic).
6.4.3 Minorias
religiosas
“São grupos que professam e praticam uma religião (não simplesmente uma
outra crença, como o ateísmo, e.g.) Dienstein (1992:156) que se diferencia daquela
praticada pela maioria da população”. Esse é outro aspecto de relevo, a conceituação de religião,
para fins de proteção. Walker aponta que “ religião envolve crença em, e conciliação de, poderes
considerados superiores ao homem os quais são acreditados como reguladores e controladores do
curso da natureza, e da vida humana. Envolve elementos de crença, um corpo de dogma, atos de
profissão de fé, e ritual” (Dinstein, Yoram e M.Tobory, 1992).
No Brasil, existem as seguintes minorias: judeus, budistas, muçulmanos,
espíritas, praticantes de candomblé (religião jeje-nagô ou ioruba), entre outras.
6.4.4 Diferença entre grupos vulneráveis e minorias
Os Grupos Vulneráveis são pessoas que podem fazer parte de uma minoria
étnica, mas, dentro dessa minoria, têm uma característica que as difere das demais e as
torna parte de um outro grupo. Por exemplo: uma pessoa que faz parte de um pequeno grupo
islâmico, num país católico, e também portadora de deficiência física. Ela pertence a uma
minoria religiosa (islã) e integra outro grupo vulnerável por ter deficiência física.
A diferença básica é que as minorias estão limitadas aos aspectos étnicos,
lingüísticos e religiosos. Os grupos vulneráveis estão relacionados com as características
especiais que as pessoas adquirem em razão de tenra idade, gênero, idade avançada, orientação
sexual e deficiência física ou sofrimento mental.
6.5 Atuação policial relativa aos grupos vulneráveis
6.5.1
Mulheres
A igualdade é a essência de toda a sociedade democrática comprometida com a
justiça e os direitos humanos. Em praticamente todas as atividades e esferas sociais, a
mulher é alvo de desigualdades, por lei e de fato. Essa situação é causada e agravada pela
existência de discriminação na família, na comunidade e no local de trabalho. A discriminação
contra a mulher mantém-se na sobrevivência de estereótipos (do homem e da mulher), de
culturas tradicionais e crenças prejudiciais às mulheres.
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Entende-se por discriminação contra mulheres qualquer distinção, exclusão ou


restrição baseada no sexo que tenha como objetivo ou efeito comprometer ou destruir o
gozo ou o exercício pelas mulheres, seja qual for seu estado civil, com base na igualdade
garantida a homens e mulheres, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no campo
político, econômico, social, cultural, civil ou de qualquer outra natureza ou espécie.
6.5.2 Violência contra a mulher
O Comitê da Mulher (CEDM) definiu a violência contra a mulher como:
“... violência que é dirigida à mulher pelo fato dela ser mulher ou que atinge a mulher
desproporcionalmente. Inclui atos que infrinjam sofrimento ou dano físico, mental ou sexual,
ameaças de tais atos e outras privações da liberdade...”(sic).
A violência contra a mulher é um fenômeno antigo, ao longo da história, a qual não era
notada nem contestada. Após pressão internacional muito recente, para que se considere a
violência contra a mulher como questão internacional de direitos humanos, a CEDM respondeu
com a declaração específica de que a proibição geral da discriminação contra a mulher que
consta na Convenção sobre a Mulher inclui a violência contra a mulher. O Comitê afirma ainda
que a violência contra a mulher constitui uma violação de seus direitos humanos reconhecidos
internacionalmente e considera irrelevante haver sido cometida a violação por um policial ou
cidadão comum. A responsabilidade do Estado pela violência contra a mulher pode ser invocada,
quando um policial está envolvido em ato de violência contra a mulher ou quando o Estado deixa
de agir com a devida diligência, para evitar a violação desses direitos cometida por particulares
ou investigar e punir tais atos de violência, mediante compensação ética e sociojurídica.
A violência doméstica é outra violação dos direitos humanos e crime (na maioria dos
países) que os policiais podem ajudar a prevenir. Os homens que batem em suas mulheres ou
companheiras estão normalmente confiantes em que o podem fazer com impunidade − de que
não serão denunciados à polícia e, mesmo que o sejam, conseguirão escapar da punição. As
autoridades policiais, de uma forma geral, contribuíram para tal situação, ao se recusarem não só
a tratar a violência doméstica como crime, mas a intervir para acabar com a violência, baseados
supostamente na errônea noção de que isso fosse um problema de família.
A violência doméstica não é um problema só de família − é um problema da
comunidade, e esta, em sua quase-totalidade, é responsável pela continuação desse delito.
São os amigos e vizinhos que ignoram ou encontram desculpas para as provas evidentes
de violência. É o médico que apenas cuida dos ossos quebrados e machucados. São a polícia e o
tribunal que se recusam a intervir em assunto particular. Os policiais podem ajudar a prevenir a
violência doméstica, ao tratá-la como crime. Eles são responsáveis por assegurar e proteger o
direito da mulher à vida, à segurança e à integridade corporal, e incorrem em evidente abdicação
dessa responsabilidade, quando falham de preservar a mulher da violência no lar.
Na maioria dos países do mundo, os crimes contra a mulher são
quantitativamente insignificantes. É dever de toda instituição policial analisar esses
crimes, para evitá-los o máximo possível, e tratar a respectivas vítimas com cuidado,
sensibilidade e profissionalismo.
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6.5.3 Mulher capturada


A não-discriminação rege que a mulher tem os mesmos direitos que o homem no
ato da captura. Também existem outras formas adicionais de proteção e consideração a
serem oferecidas à mulher durante a captura. Tais medidas incluem as garantias de que: a) a
captura das mulheres seja feita por uma policiala ou pessoa do sexo feminino, devidamente
orientada (sempre que possível);
b) as mulheres e suas vestimentas sejam revistadas por uma policiala (em todas as
circunstâncias);
c) as mulheres capturadas sejam mantidas separadas dos homens capturados
(quando, para isso, houver condições de segurança e logística).
Deve-se observar que a proteção e consideração adicionais à mulher em situação de
captura não devem ser tidas como discriminatórias, porque se visa à garantia plena de a mulher
gozar seus direitos igualitariamente ao homem.
6.5.4 Mulher detida
À mulher detida asseguram-se procedimentos destinados a proteger seus direitos e sua
condição especial (particularmente os da grávida e da lactante). Entre tais medidas, incluem-se
instalações médicas especializadas, pois a denegação de tratamento médico adequado a mulheres
detidas constitui maus-tratos, proibidos por leis nacionais e internacionais, e alojamento separado
para mulheres detidas, com disponibilidade de pessoal do sexo feminino na justiça penal. Outras
medidas especiais podem ser oferecidas à mulher detida, para a melhor criação de seus filhos e
tratamento de saúde durante a gravidez.
6.5.5 Mulher vítima da criminalidade e do abuso de poder
Verifica-se que a Declaração das Vítimas e as outras disposições importantes de tratados
sobre maus-tratos contra a mulher são neutras. Não chegam nem perto de reconhecer que as
necessidades das mulheres vítimas da criminalidade e abuso de poder são, muitas vezes, muito
diferentes das necessidades das vítimas do sexo masculino, não somente em termos físicos e
psicológicos, mas também porque a vítima feminina provavelmente sofreu um tipo de violação
que é peculiar a seu sexo. Em muitos casos, os policiais serão o primeiro contato que vítima do
sexo feminino terá. O bem-estar dessa vítima deve ser da mais alta prioridade. Não se pode
desfazer o crime cometido, mas o auxílio e a assistência adequados a tal vítima farão com que as
conseqüências negativas desse mal sejam definitivamente limitadas.
Se o incidente for de natureza doméstica ou a vítima conhecer seu agressor, ela poderá
relutar em contra ele apresentar queixa, com medo de represálias. O cuidado e a assistência
adequados para as mulheres vítimas de crime podem fazer com que sejam necessárias medidas
especiais, inclusive a proteção contra vitimização posterior, o encaminhamento a abrigos e a
prestação de serviços médicos especializados, o respeito pelo direito à privatividade e à
dignidade pessoal da mulher vítima, e a disponibilidade de policialas para conduzir a
investigação e providenciar instalações especiais dentro das delegacias, para conforto e bem-
estar da vítima.
As mulheres vítimas de abuso de poder necessitarão também de proteção especial para
assegurar que seus direitos não sejam ainda mais violados. Há uma preocupação Atuação Policial
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particular com a situação das mulheres vítimas de violência nas mãos dos policiais e
funcionários do Estado − vítimas que incluem as mulheres que sofrem agressões enquanto
capturadas. É nítido o dever das organizações de aplicação da lei de se assegurarem de que
qualquer alegação de violência desse tipo tenha sido imediatamente levada à presença da
autoridade policial , a assistência médica, aconselhamento e outro serviço de apoio tenham sido
oferecidos às vítimas, a quem a implementação do direito à compensação tem de ser facilitado.
6.6
Crianças e adolescentes
Crianças e adolescentes têm direitos próprios que estão previstos em diversos
instrumentos internacionais e na legislação brasileira. A Constituição Federal relaciona em seu
art. 227 direitos destinados a garantir às crianças e adolescentes absoluta prioridade no
atendimento ao direito à vida, saúde, educação, convivência familiar e comunitária, lazer,
profissionalização, liberdade e integridade. Além disso, é dever de todos (Estado, família e
sociedade) livrar a criança e adolescente de toda a forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão. Crianças e adolescentes têm primazia em receber
proteção e socorro em quaisquer circunstâncias, precedência no atendimento por serviços
públicos ou de relevância pública, destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas
relacionadas com a proteção à infância e juventude, programas de prevenção e atendimento
especializado aos jovens dependentes de entorpecentes e drogas afins.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece um rol de direitos
exclusivos dessas pessoas, bem como regras especiais para o adolescente infrator.
Considera-se criança a pessoa de até doze anos de idade, e adolescente aquela de entre
doze e dezoito anos. O ECA também regula casos excepcionais de jovens que receberam
medidas que se esgotarão até depois dos dezoito anos, como no caso do prolongamento da
medida de internação e no caso de assistência judicial.
6.6.1 Ato infracional
Ato infracional é a ação tipificada como contrária à lei que tenha sido praticada pela
criança ou adolescente. São inimputáveis todos os menores de dezoito anos e não poderão ser
condenados a nenhuma pena. Recebem, portanto, tratamento legal diferente dos réus imputáveis
(maiores de dezoito anos) a quem cabe a penalização.
A criança acusada de crime deverá ser encaminhada à presença do Conselho
Tutelar ou Juiz da Infância e da Juventude. Se efetivamente praticou ato infracional, ser-
lhe-á aplicada medida especial de proteção como orientação, apoio e acompanhamento
temporário, freqüência obrigatória a ensino fundamental, requisição de tratamento médico e
psicológico, entre outras medidas.
Adolescente em caso de flagrância de ato infracional será levado à autoridade policial
especializada. Os adolescentes não são igualados a réus ou indiciados nem são condenados a
nenhuma pena (reclusão e detenção), como ocorre com os maiores de dezoito anos. Recebem
medidas socioeducativas, sem caráter de apenação. É ilegal a apreensão do adolescente para
averiguação. Fica apreendido, e não preso. A apreensão somente ocorrerá, quando for em
flagrância ou por ordem judicial, e, em qualquer das hipóteses, esta apreensão será comunicada,
de imediato, ao juiz competente, bem como à família do adolescente.
6.6.2 Apreensão do adolescente infrator
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A autoridade policial deverá averiguar a possibilidade de liberar imediatamente o
adolescente. Caso a detenção seja justificada como imprescindível a investigações e manutenção
da ordem pública, a autoridade policial deverá comunicar aos responsáveis pelo adolescente,
assim como informá-lo de seus direitos, como o de ficar calado se quiser, ter advogado, ser
acompanhado pelos pais ou responsáveis. Após a apreensão, o adolescente será imediatamente
conduzido à presença do promotor de justiça, que poderá promover o arquivamento da denúncia,
conceder remissão-perdão ou representar ao juiz para aplicação de medida socioeducativa.
6.6.3 Medidas aplicadas aos adolescentes
O adolescente que cometer ato infracional estará sujeito às seguintes medidas
socioeducativas: advertência, liberdade assistida, obrigação de reparação do dano, prestação de
serviços à comunidade, internação em estabelecimento especial, entre outras.
6.7 Homossexuais
O termo homossexual foi criado por um médico húngaro , Karoly Kertbeny, ao
saber que, em 1869, o código penal da Prússia criou alguns artigos que criminalizavam o
sexo praticado entre homens. O médico, insatisfeito com a nova lei , enviou uma carta ao
Ministro da Justiça prussiano, argumentando que a homossexualidade era uma propensão inata,
uma tendência com a qual uma parte dos seres nascia. Essa propensão era incapaz de seduzir a
maioria dos homens, porque era considerada naturalmente estranha a eles, presumindo que a
atração pelo sexo oposto era a sexualidade normal. A partir de então, passou-se a designar como
homossexuais as pessoas do mesmo sexo que sentiam atração entre si.
Em 1974, a Associação Americana de Psiquiatria (AAP) deixou de considerar a
homossexualidade uma doença. Dezenove anos depois , em 1993, a Organização Mundial
da Saúde (OMS) retira a homossexualidade da categoria das doenças mentais. Em 1985, o
Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece que a homossexualidade não é um desvio nem
transtorno mental.
6.7.1 Definições dos homossexuais
a) Gay - Homossexual Masculino:
Não- necessariamente afeminado.
Barbie – Gay/homossexual masculino fisiculturista/malhador ou praticante de artes
marciais. Ex.: Jiu-Jitsu
Gay afeminado – usa artifícios femininos como peças do vestuário, brincos e anéis, e tem
trejeitos ao andar e ao expressar-se.
b) Lésbica - Homossexual Feminino:
Não- necessariamente masculinizada.
Quando profissional do sexo – trabalha em prostíbulos, boates de “strip-tease”, etc.
Quando masculinizada – usa artifícios masculinos, como peças do vestuário
(pochete, camisa esporte ou social, camiseta regata) e tem trejeitos ao andar e ao
expressar-se.
c) Homossexual masculino que se traveste de mulher: “Travesti”
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Estão travestidos geralmente vinte e quatro horas por dia, transitam mais durante à noite
e, em sua maioria, moram em casas de diárias e são “cafetinados” por outro travesti ou mulher.
Noventa por cento vivem exclusivamente do mercado do sexo nas vias públicas ou negociam por
telefone dessas “agências” de programa.
d) Transexual – “clinicamente” é heterossexual e, só após análise por equipe
multidisciplinar de psicólogos, psiquiatras, médicos de diferentes áreas, pode-se
diagnosticá-lo. Mesmo identificado, existe a dificuldade de atrelá-lo à nova identificação
(quando adequado sexualmente) no jurídico. Fica a critério do Jurista a análise e aprovação de
nova identidade adequada ao sexo transmutado.
Transexual masculino: adequação da genitália masculina ao sexo feminino
Transexual feminino: adequação da genitália feminina ao sexo masculino.
Obs.: A transexualidade é psíquica, e não genital. Existem transexuais que ainda não
foram operados ou aguardam a possibilidade da cirurgia.
e) Bissexuais – Pesquisas demonstram que parte da heterossexualidade tende à
bissexualidade, em algum ou todo o tempo da vida.
Exemplos são homens heterossexuais que procuram realizar “fantasias sexuais”
com travestis, garotos de programa ou mulheres que atuam como homens (usando
próteses artificiais para penetração).
A diversidade sexual é uma realidade em nossa sociedade. O cidadão, muitas
vezes, tem seus direitos desrespeitados pelo fato de ser homossexual. A falta de
informação da sociedade, que em sua maioria é homofóbica (discrimina e não gosta do
homossexual), o preconceito e o despreparo dos policiais que compõem o sistema de segurança e
outros setores públicos e privados, tornam a vida do cidadão homossexual extremamente penosa.
O policial, como promotor dos diretos humanos e pedagogo da cidadania, deve
lidar com o cidadão, respeitando sua orientação sexual e dando-lhe a atenção devida,
especialmente quando se fizer necessária a intervenção policial em seu cotidiano.
O cidadão homossexual ordeiro deve ser tratado de forma respeitosa, sem gracejos nem
críticas, pelos policiais que o abordam ou são acionados por ele, em situação de vítima da
criminalidade e abuso de poder.
Em abordagens a homossexuais do sexo masculino ou feminino, o policial deve
conduzir-se de acordo com as seguintes orientações contidas na lei estadual número
14.170, de 15/01/02 (determina a imposição de sanções à pessoa jurídica por ato discriminatório
praticado contra a pessoa, em virtude de sua orientação sexual): a) se o cidadão homossexual
teve um direito seu desrespeitado como vítima de crimes diversos, o policial que por ele for
procurado deve tratá-lo com respeito, sem constrangê-lo, ainda mais, com gracejos ou descrédito
de seus apelos;
b) ao suspeitar de homossexual masculino, o policial deverá, da maneira menos
constrangedora possível, proceder à revista evitando apertar-lhe os “seios”, se este os tiver,
podendo realizar uma vistoria entre os mamilos como é procedida em mulher; no restante do
corpo a busca se procede normalmente;
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c) no caso de busca em homossexual feminino (lésbica), evitar apalpar seios e partes
íntimas;
d) ao detectar homossexual feminino (lésbica), travesti ou transexual, evitar o
constrangedor preconceito social, exemplo: ao ler o nome de registro na Carteira de Identidade,
não o fazer em voz alta a outros policiais nem ao público presente, com zombaria;
e) não cabe ao policial externar o que pensa, com posições pessoais, religiosas e morais
sobre a homossexualidade, e sim advertir, orientar e cumprir aquilo que por lei lhe for exigido,
aplicando assim os devidos procedimentos;
f) o policial não deve coibir manifestações de afeto entre homossexuais (mãos dadas,
beijo na boca, abraços, entre outros), em logradouro público, estabelecimento público ou
estabelecimento aberto ao público (se solicitado a coibir, deve orientar o solicitante que a
manifestação de afeto não é crime, mas sua coibição, sim; sexo explícito é diferente de
manifestação de afeto; no primeiro caso, é necessária a providência policial).
6.8 Pessoas com deficiência física e sofrimento mental
6.8.1 Deficiência
É toda a perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou
anatômica.
Modalidades:
a) lingüística: mudo;
b) sensorial: auditiva, visual;
c) mental: síndrome de down, oligofrenias, síndrome de autismo, algumas
psicoses;
d) física: hemiplegia (paralisia de um dos lados do corpo), paraplegia, amputações de
membros ou partes do corpo;
e) neurológica: paralisia cerebral;
f) alterações do sistema nervoso central;
g) psicológicas: distúrbios comportamentais do aprendizado e da sociabilidade; h)
múltipla: tetraplegia+cegueira+surdez.
6.8.2
Doença
É toda a perturbação da saúde, moléstia, mal, enfermidade, temporária ou
definitiva.
6.8.3
Incapacidade
Toda a restrição ou falta (por uma deficiência) da capacidade de realizar uma atividade,
na forma ou na medida que se considera normal a um ser humano.
6.8.4 Impedimento
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Situação desvantajosa para determinado indivíduo, em conseqüência de deficiência ou de


incapacidade que limita ou impede o desempenho de papel que é normal em seu caso ( em
função de idade, sexo e fatores sociais e culturais).
6.8.5
Cuidados no trato com pessoa deficiente
“Existe atualmente um grande número, que aumenta dia a dia, de pessoas com
deficiência. Está confirmada, pelos resultados de pesquisas com segmentos da população
e por investigações de respeitados pesquisadores, a estimativa de 500 milhões”.
As causas das deficiências variam em todo o mundo: o mesmo acontece com a
predominância e as conseqüências das deficiências. Essas variações são conseqüências
das diferentes circunstâncias socioeconômicas e das diferentes disposições que cada sociedade
adota para alcançar o bem-estar de seus membros.
Segundo estudo realizado por peritos, estima-se que pelo menos 350 milhões de pessoas
com deficiência vivem em regiões onde não há disponibilidade de serviços necessários para
ajudá-las a superar suas limitações. Grande parte dessas pessoas está sujeita a barreiras físicas,
culturais e sociais que dificultam sua vida, mesmo quando há ajuda para sua reabilitação.
Para alcançar os objetivos de “igualdade” e “plena participação”, não bastam medidas de
reabilitação voltadas para o indivíduo com deficiência. A experiência tem demonstrado que é o
meio que determina, em grande parte, o efeito de uma deficiência ou incapacidade na vida diária
da pessoa. Uma pessoa torna-se vítima do impedimento, quando lhe são necessários aos aspectos
fundamentais da vida, inclusive, a vida familiar, a educação, o emprego, a moradia, a segurança
econômica e pessoal, a participação em grupos sociais e políticos, nas atividades religiosas, nas
relações afetivas e sexuais, no acesso a instalações públicas, na liberdade de movimentos e no
sistema geral da vida diária.
O policial atua como agente da cidadania e, como tal, deve saber comportar-se
adequadamente em ocorrência que envolva pessoas deficientes físicas e com sofrimento mental,
dando-lhes tratamento digno, encaminhando-as corretamente e solucionando seus problemas.
Cuidados que o policial deve ter ao abordar ou auxiliar uma pessoa deficiente:
6.8.5.1 Pessoa que usa cadeira de rodas
a) não segure nem toque na cadeira de rodas. Ela é considerada como se fosse
parte do corpo da pessoa. Apoiar-se ou encostar-se na cadeira é o mesmo que se apoiar-se
ou encostar-se na pessoa;
b) se desejar, ofereça ajuda, mas não insista. Se precisar de ajuda, ele(a) aceitará seu
oferecimento e lhe dirá o que fazer. Se você forçar esta ajuda, isso pode, às vezes, até mesmo,
causar insegurança;
c) não tenha receio de usar palavras como "caminho" ou "correr". As pessoas com
deficiência também as usam;
d) se a conversa durar mais do que alguns minutos, sente-se, se possível, de modo que
fique no mesmo nível do olhar do interlocutor. Para uma pessoa sentada, não é confortável ficar
olhando para cima, durante um período relativamente longo;
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e) não estacione viatura em lugares reservados às pessoas com deficiência física.


Tais lugares são reservados por necessidade, não por conveniência. O espaço reservado é
mais largo do que o usual, a fim de permitir que a cadeira de rodas fique ao lado do automóvel e
a pessoa com deficiência física possa sair e sentar-se na cadeira de rodas, e vice-versa. Além
disso, o lugar reservado é próximo à entrada de prédios, para facilitar o acesso dessas pessoas;
f) ao ajudar uma pessoa com deficiência física a descer uma rampa inclinada ou degraus
altos, é preferível usar a marcha a ré para evitar que, pela excessiva inclinação, a pessoa perca o
equilíbrio e caia para frente;
g) quando se tratar de pessoa suspeita, deverão ser seguidos todos os
procedimentos acima, e efetuada a busca pessoal e na cadeira de rodas.
6.8.5.2 Pessoa que usa muletas
a) acompanhe o ritmo de sua marcha;
b) tome cuidados necessários para que ele(a) não tropece;
c) deixe as muletas sempre ao alcance das suas mãos;
d) quando se tratar de pessoa suspeita, deverão ser seguidos todos os
procedimentos acima, e efetuada a busca pessoal , tomando-se cuidado com possíveis
golpes de muleta do suspeito e com pontas ou lâminas que possam estar escondidas no interior
da muleta.
6.8.5.3 Pessoa com deficiência visual
a) ofereça sua ajuda, sempre que um(a) cego(a) parecer necessitar;
b) mas não ajude, sem que ele(a) concorde. Sempre pergunte, antes de agir. Se você não
souber em que e como ajudar, peça explicações de como fazê-lo;
c) para guiar uma pessoa cega, segure-a pelo braço, de preferência no cotovelo ou no
ombro. Não a pegue pelo braço. Além de perigoso, isso pode assustá-la. À medida que encontrar
degraus, meios-fios e outros obstáculos, vá orientando-a. Em lugares muito estreitos para duas
pessoas caminharem lado a lado, ponha seu braço para trás, de modo que a pessoa cega possa
segui-lo. Ao sair de uma sala, informe-o ao cego(a), pois é desagradável para qualquer pessoa
falar para o vazio. Não se preocupe ao usar palavras como "cego", "olhar" ou "ver": os(as)
cegos(as) também as usam; d) ao explicitar direções a uma pessoa cega, seja o mais claro e
específico possível.
Não se esqueça de indicar os obstáculos que existem no caminho que ela vai seguir.
Como algumas pessoas cegas não têm memória visual, não se esqueça de indicar as distâncias
em metros (p.ex.: "uns vinte metros para frente"). Mas, se você não sabe corretamente como
direcionar uma pessoa cega, diga algo como "eu gostaria de ajudá-lo. Mas como é que devo
descrever as coisas?" Ele (ela) lhe dirá;
e) ao guiar um(a) cego(a) para uma cadeira, guie sua mão para o encosto da
cadeira e verifique se a cadeira tem braços ou não. Num restaurante, é de boa educação
que você leia o cardápio e os preços;
f) uma pessoa cega é como outra qualquer, só que não enxerga. Trate-a com o
mesmo respeito com que trata uma pessoa que enxerga;
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g) quando estiver em contato social ou trabalhando com pessoas com deficiência visual,
não pense que a cegueira possa vir a ser problema. Por isso, nunca as exclua de participar
plenamente nem procure minimizar tal participação. Deixe que decidam como participar.
Proporcione à pessoa cega a chance de ter sucesso e de falhar, tal como qualquer outra pessoa;
h) quando são pessoas com visão subnormal (alguém com sérias dificuldades
visuais), proceda com o mesmo respeito, perguntando-lhes se precisam de ajuda, quando
notar que elas estão em dificuldade;
i) quando se tratar de pessoa suspeita, deverão ser seguidos todos os
procedimentos acima, e efetuada a busca pessoal , tomando-se cuidado de avisar ao
suspeito que será procedida uma busca por outro policial, e que ele fique calmo.
6.8.5.4 Pessoa com deficiência auditiva
a) fale claramente, distinguindo palavra por palavra, mas não exagere. Fale com
velocidade normal, salvo quando lhe for pedido para falar mais devagar;
b) cuide para que o (a) surdo(a) enxergue sua boca. A leitura dos lábios fica impossível,
se você gesticula, segura alguma coisa na frente de seus próprios lábios, ou fica contra a luz;
c) fale com tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para levantar a voz;
d) gritar nunca adianta;
e) seja expressivo. Como os surdos não podem ouvir as mudanças sutis do tom de sua
voz, indicando sarcasmo ou seriedade, a maioria deles(as) lerá suas expressões faciais, seus
gestos ou os movimentos de corpo, para entender o que você quer comunicar; f) se você quer
falar com uma pessoa surda, chame a atenção dela, sinalizando com a mão ou tocando em seu
braço. Enquanto estiverem conversando, mantenha contato visual. Se você olhar para outro lado,
enquanto está conversando, o(a) surdo(a) pode pensar que a conversa terminou;
g) se você tiver dificuldades para entender o que uma pessoa surda está falando, sinta-se à
vontade para pedir que ela repita o que falou. Se você ainda não entender, peçalhe para escrever.
O que interessa é comunicar-se com a pessoa surda. O método não é o que importa;
h) se o(a) surdo(a) está acompanhado(a) por um intérprete, fale diretamente à pessoa
surda, não ao intérprete;
i) ao planejar um encontro, lembre-se de que os avisos visuais são úteis aos
participantes surdos. Se estiver previsto um filme, providencie uma narração por escrito,
ou um resumo do conteúdo do filme, se não houver legenda;
j) quando se tratar de pessoa suspeita, deverão ser seguidos todos os
procedimentos acima, e efetuada a busca pessoal.
6.8.5.5 Pessoa com paralisia cerebral
a) a pessoa com paralisia cerebral anda com dificuldade ou não anda, podendo ter
problemas de fala. Seus movimentos podem ser estranhos ou descontrolados. Ela pode,
involuntariamente, apresentar gestos faciais incomuns, sob a forma de caretas.
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Geralmente, porém, trata-se de pessoa inteligente e sempre muito sensível – ela sabe e
compreende que não é como os outros;
b) para ajudá-la, não a trate bruscamente. Adapte-se a seu ritmo. Se não
compreende o que ela diz, peça-lhe que repita: ELA O COMPREENDERÁ. Não se deixe
impressionar por seu aspecto. Aja de forma natural... sorria...é uma pessoa igual a você.
6.8.5.6 Pessoa com deficiência mental
a) cumprimente a pessoa com deficiência mental de maneira normal e respeitosa, não se
esquecendo de fazer a mesma coisa, ao despedir-se. A pessoa com deficiência mental é, no geral,
bem disposta, carinhosa e gosta de comunicar-se;
b) dê-lhe atenção, dirigindo-lhe palavras como: "que bom que você veio",
"gostamos quando você vem nos visitar", tentando manter a conversa até quando for
possível;
c) seja natural. Evite a superproteção. A pessoa com deficiência mental deve fazer
sozinha tudo o que puder. Ajude-a, quando realmente for necessário;
d) deficiência mental pode ser conseqüência de uma doença, mas não é uma
doença. É uma "condição de ser". Nunca use a expressão "doentinho(a)" ou "bobinho(a)"
,quando se dirigir ou referir a uma pessoa com deficiência mental;
e) deficiência mental não é doença mental;
f) pessoa portadora de deficiência mental é, em primeiro lugar, uma pessoa;
g) enquanto for criança, trate-a como criança. Quando for adolescente ou adulto, trate-a
como tal.
6.8.5.7 Deficiência mental severa
Existem deficiências mais graves; como o Autismo e outras , em que o indivíduo não
interage com o mundo de forma adequada, apresenta sinais de agitação, não consegue
comunicar-se, não tem noção de perigo e, apesar de ser dócil, é arredio e reage com
agressividade em situações adversas.
a) o policial não poderá subestimar tais indivíduos e deverá ter total atenção na condução
deles , para evitar que se machuquem ou causem acidente;
b) ao conduzir essas pessoas a pé, o policial deve ter cuidados, ao atravessar ruas, pois
elas poderão lançar-se na frente de veículos em movimento;
c) essas pessoas deverão ser conduzidas a um centro neuropsiquiátrico, até que seus
parentes sejam encontrados.
6.9 Terceira Idade
Uma das principais causas que levam as pessoas da terceira idade ao
abandono ou descrédito é a situação de relaxamento e falta de execução de
normas. Assim, o afastamento da família, o internamento dessas pessoas em
locais inadequados a seu completo restabelecimento, manutenção de seu estado
físico e mental, o abandono pela sociedade, a começar pela própria família, caracterizam
situação que coloca em risco sua garantia e proteção integral, nos termos da Constituição,
desprezando, desta forma, todos aqueles que deram Atuação Policial Frente aos Grupos
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sua vida em prol de nossa nação e aqueles que lutam para vencer o preconceito e ser
integrados à sociedade.
A pessoa idosa deve ter tratamento que lhe garanta o direito à vida e participação na
comunidade, como defesa de sua dignidade e bem-estar. É bom deixar claro que na Lei Magna é
declarado que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar os idosos.
É necessário o engajamento de todos nessa causa, para que esse fundamento seja
implementado e torne-se realidade.
O policial deve estar ciente dessas premissas, quando, em sua rotina operacional, deparar
com situação que envolva pessoa de terceira idade. Na atuação do policial em relação à pessoa
idosa, ele, sempre que possível, tomará os seguintes cuidados: a) o idoso deve ter tratamento
especial. Dentro de uma delegacia, será
convidado a assentar-se;
b) também será ótimo oferecer-lhe um cafezinho e água. Com isso, o
policial estabelecerá clima de confiança e respeito;
c) se o idoso for suspeito, o policial deve respeitar sua idade e
condições de saúde, e manter com ele prévia conversa sobre o ato cometido, para
que ele comece a refletir sobre as conseqüências e esteja preparado para assumi-las,
resguardados os aspectos de segurança do policial;
d) será esclarecida ao idoso a ajuda jurídica que ele receberá do Estado, com outras
informações acerca da trâmite da investigação ou processo;
e) o idoso, sempre que possível, será acompanhado por algum membro
familiar; f) o policial deverá evitar agressão verbal ou física aos familiares do idoso,
vítima de crime, para não causar-lhe problemas sérios ou até complicações à saúde.
6.10 Atuação policial diante das minorias
6.10.1 Discriminação
Discriminação é a política que objetiva separar ou isolar no seio de uma sociedade as
minorias raciais, sociais, religiosas, culturais e ideológicas.
O racismo e a segregação social existem em nossa sociedade. A todo o momento,
deparamos com fatos que revelam a triste face do preconceito.
O policial deve pautar seu desempenho sempre nos princípios do bom- senso e
profissionalismo, ao lidar com situações nas quais uma pessoa se sinta discriminada por
sua cor, religião, etnia, língua ou procedência nacional, demonstrar sempre respeito pela crença e
cultura das pessoas envolvidas e deixar de lado suas convicções culturais e religiosas, em busca
da melhor solução do problema.
A lei nº 9.459,de 13/05/1997, tipifica o crime de racismo, com três importantes verbos:
obstar, recusar e impedir alguém de exercer seus direitos previstos pela lei: em decorrência de
sua cor, religião, etnia, língua ou procedência nacional. O cuidado que o policial deve ter é de
não enquadrar incorretamente uma pessoa no crime de racismo, pois algumas condutas estão
tipificadas como crime de injúria e não de racismo. Apesar de as duas condutas serem crime, a
diferença é que a primeira, o crime de racismo é inafiançável.
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Condição social ou étnica não se confunde com índole criminosa. Pessoas que se trajam
bem também podem ser suspeitas de algum crime. Não se pode suspeitar das pessoas, somente
porque são negras ou pobres.
Em ocorrências que envolvam pessoas de cor negra, o policial deve, resguardados os
aspectos de fundada suspeita e segurança, agir da seguinte forma:
a) não considerar de antemão que os negros são suspeitos (preconceito);
b) não tratar os cidadãos negros, mesmo em caso suspeito, por apelidos ofensivos à
pertinência racial. O descumprimento da lei não é uma característica de nenhuma raça ou etnia;
c) quando houver negros e não-negros; nunca revistar apenas os primeiros;
d) não agir preconceituosamente contra jovens vestidos de acordo com seu grupo cultural
(calças largas, bonés, cabelos descoloridos ou pintados, tranças, “rastafari”...) Em toda a
abordagem, considerar que todos os cidadãos têm seus direitos assegurados por lei.
6.11 Ações dos Comandantes de Unidade
Os Comandantes de Unidade deverão, nas respectivas áreas de atuação:
a) realizar capacitação periódica, mediante cursos, seminários e palestras, com o objetivo
de otimizar o atendimento de ocorrências nas quais co-participem pessoas dotadas de deficiência
e sofrimento mental;
b) realizar capacitação periódica, mediante cursos, seminários e palestras, com o objetivo
de otimizar o atendimento de ocorrências nas quais se envolvam minorias; c) interagir com os
conselhos tutelares e com eles manter um intercâmbio de
informações e apoio;
d) realizar capacitação periódica sobre o direito da criança e do adolescente para
policiais, mediante cursos, seminários e palestras, com o objetivo de otimizar o atendimento de
ocorrências nas quais se envolvam crianças e adolescentes;
e) realizar capacitação periódica, mediante cursos, seminários e palestras, com o objetivo
de otimizar o atendimento de ocorrências nas quais se envolvam pessoas de terceira idade;
f) realizar capacitação periódica, mediante cursos, seminários e palestras, com o objetivo
de otimizar o atendimento de ocorrências nas quais se envolvam homossexuais; g) realizar
capacitação periódica, mediante cursos, seminários e palestras, com o objetivo de otimizar o
atendimento de ocorrências nas quais se envolvam mulheres.

7 CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O papel da Polícia Militar de Minas Gerais na defesa social consiste em preservar a
ordem pública, por meio da prevenção e inibição dos atos anti-sociais. O policial militar atua,
preventiva e repressivamente, para promover a paz social por meio de procedimentos policiais de
proteção e socorro comunitário. Preventivamente, atua na defesa comunitária, executando o
policiamento, mediante presença ostensiva, principalmente em locais de risco, a qualquer hora,
inibindo ações delituosas dos que optaram por viver à margem da Atuação Policial Frente aos
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lei. Para o atingimento desse papel social, é necessário que os policiais militares sejam
capacitados e treinados para lidar com as mais diversas situações adversas, em ocorrências
policiais deparadas no dia-a-dia.
Haverá um lugar para o policial profissional que busca atualizar-se e aperfeiçoar-se nas
mais modernas técnicas e táticas policiais. Cabe à Instituição proporcionar treinamento de
qualidade e adequado ao policial voltado às novas realidades do ambiente no qual ele trabalha
em seu dia-a-dia, promovendo a proteção e a segurança das pessoas.
Ao policial cabe garantir aos cidadãos as liberdades asseguradas na Constituição Federal
e evitar o cometimento de crime. Na captura e detenção do agressor da sociedade, agir sem
violência nem abuso de poder. Impor sua autoridade, pelo exemplo moral.
Cumprir seu dever legal, de forma honesta e extensiva a todos. Usar sua arma, nos casos
de legalidade, necessidade, proporcionalidade e conveniência. Promover os direitos humanos.
É importante que o policial cumpra e faça cumprir o conjunto dos direitos que os
cidadãos têm assegurados na Constituição Federal, especialmente em seu art. 5º, como também
em outras legislações especiais, a exemplo do Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei Contra a
Tortura e Lei nº 4.898 (que regula a responsabilidade nos casos de abuso de autoridade).
O art. 5o da Constituição Federal apresenta setenta e sete direitos e liberdades individuais
os quais o policial deverá garantir em seu contato com o civil, durante o empenho nas mais
diversas ações e operações policiais-militares. Dentre esses direitos, como são em grande
número, abordaremos apenas alguns que consideramos essenciais ao cotidiano do policial em
contato com os cidadãos, exatamente os setenta e sete mais sujeitos a ser desrespeitados ou
violados.
1) Todos são iguais perante a lei
Significa que ninguém poderá sofrer nenhum tipo de discriminação em razão do
sexo, raça, cor, por ser pobre, pelas preferências sexuais ou crenças religiosas.
2) Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude da lei
Isto significa que as pessoas somente estão obrigadas a fazer ou deixar de fazer aquilo
que a lei determinar.
3) Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento humano
degradante
A tortura praticada pelo policial é crime, considerado, inclusive, hediondo, dos mais
cruéis. As pessoas capturadas ou detidas não podem ser submetidas a tortura nem a nenhum
outro tratamento desumano ou cruel.
4) São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurado o direito de indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação
Esse direito não pode ser violado. A intimidade da pessoa é o direito relativo às questões
da vida privada de cada cidadão. O direito à honra é o sentimento da própria dignidade e
reputação. A ofensa à honra das pessoas é crime, que pode resultar em condenação a quem
ofende, além de indenização por danos materiais ou morais. O direito Atuação Policial Frente aos
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à imagem é a representação que as pessoas têm perante si mesmas ou outras pessoas,


como, por exemplo, um cargo ou uma função.
5) A casa é o asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
Esse artigo protege a casa da pessoa, a qual é considerada sagrada. A polícia ou qualquer
outra autoridade não pode nela entrar , sem o consentimento do morador, a não ser nos casos de
flagrante delito (quando um crime ali está sendo cometido), desastre (incêndio, desabamento,
etc.), para prestar socorro a alguém (em risco de morte ou ameaçado de sofrer violência física,
lesão corporal ou constrangimento), ou, durante o dia, por ordem escrita do juiz.
6) É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar
A polícia não pode impedir que as pessoas se reúnam, a não ser que a reunião
tenha por finalidade planejar ou realizar algum crime, ou formar organização proibida por
lei, ou tenha caráter paramilitar.
7) A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível,
sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei
Quem comete crime de racismo não tem direito a pagar fiança para ser solto.
8) É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral
Os presos não podem sofrer tratamento desumano ou cruel. A pena para qualquer pessoa
que tenha cometido esse crime é a privação da própria liberdade, quando ela perde o contato com
a família, amigos e a sociedade, e o direito à livre locomoção.
9) Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judicial competente.
Ninguém pode ser preso para investigação nem por suspeita. Só é cabível a prisão, em
caso de flagrante delito ou mediante ordem escrita e fundamentada de juiz.
A pessoa presa/apreendida pela Polícia Militar tem direito a permanecer calada e ser
assistida pela família.

8 RECOMENDAÇÕES FINAIS

Esta Diretriz será desdobrada pelas RPMs em Instruções, Planos ou Ordens para as
Unidades e Frações subordinadas.
Esta Diretriz entra em vigor a partir da data da sua publicação.
Revogam-se as disposições contrárias.

QCG, em Belo Horizonte, 19 de janeiro de 2004.

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(a) SÓCRATES EDGAR DOS ANJOS, Coronel PM


Comandante-Geral

ANEXO “ÚNICO”: (ASPECTOS DA LEGISLAÇÃO CORRELATOS AO TEMA)


Distribuição: todas as Unidades da Corporação.
COMANDO - GERAL

DIRETRIZ PARA A PRODUÇÃO DE SERVIÇOS DE SEGURANÇA PÚBLICA


DPSSP Nº 08/2.004 - CG
ATUAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS SEGUNDO A
FILOSOFIA DOS DIREITOS
HUMANOS

ANEXO “ÚNICO” (ASPECTOS DA LEGISLAÇÃO CORRELATOS AO TEMA)


À DPSSP Nº 08/2.004-CG

I
INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS
1)
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Direitos
Artigo I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas
de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades
estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,
religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou
qualquer outra condição.
Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política, jurídica ou
internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território
independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de
soberania.
Artigo III - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV - Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de
escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V - Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel,
desumano ou degradante.
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Artigo VII - Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual
proteção da lei.
Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente
Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo IX - Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo XI
1.
Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que
a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe
tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não
constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta
pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no
seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem
direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII
1.
Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de
cada Estado.
Artigo XVII
1.
Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e
religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar
essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou
coletivamente, em público ou em particular.
Artigo XIX - Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito
inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir
informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX
1.
Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
Artigo XXIX
1.
Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2.
No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações
determinadas por lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito
dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem
pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3.
Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente
aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

2)
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (1966)
Artigo 5º
§1
Nenhuma disposição do presente Pacto poderá ser interpretada no sentido de reconhecer a
um Estado, grupo ou indivíduo qualquer direito de deixar-se a quaisquer atividades ou de praticar
quaisquer atos Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 3

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que tenham por objetivo destruir os direitos ou liberdades reconhecidos no presente Pacto
por ou impor-lhes limitações mais amplas do que aquelas nele previstas.
§2.
Não se admitirá qualquer restrição ou suspensão dos direitos humanos fundamentais
reconhecidos ou vigentes em qualquer Estado-parte no presente Pacto em virtude de leis,
convenções, regulamentos ou costumes, sob pretexto de que o presente Pacto não os reconheça
ou nos reconheça em menos grau.
Artigo 6º
§ 1. O direito à vida é inerente à pessoal humana. Este direito deverá ser protegido pela
Leis. Ninguém poderá ser arbitrariamente privado de sua vida.
§2.
Nos países em que a pena de morte não tenha sido abolida, esta poderá ser imposta
apenas nos casos de crimes mais graves, em conformidade coma legislação vigente na época em
que o crime foi cometido e que não esteja em conflito com as disposições do presente Pacto, nem
com a Convenção sobre a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. Poder-se-á aplicar
essa pena em decorrência de uma sentença transitada em julgado e proferida por tribunal
competente.
§3.
Quando a privação da vida constituir crime de genocídio, entende-se que nenhuma
disposição do presente artigo autorizará qualquer Estado-parte no presente Pacto s eximir-se, de
modo algum, do cumprimento de qualquer das obrigações que tenham assumido, em virtude das
disposições da Convenção sobre a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.
§4.
Qualquer condenado à morte terá o direito de pedir indulto ou comutação da pena. A
anistia, o indulto ou a comutação da pena poderão ser concedidos em todos os casos.
§5.
Uma pena de morte não poderá ser imposta em casos de crimes por pessoas menores de
18 anos, nem aplicada a mulheres em caso de gravidez,
§6.
Não se poderá invocar disposição alguma de presente artigo para retardar ou impedir a
abolição da pena de morte por um Estado-parte no presente Pacto.
Artigo 7º
Ninguém poderá ser submetido a tortura, nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos
ou degradantes. Será proibido, sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu livre consentimento, a
experiências médicas ou científicas.
Artigo 8º
§1.
Ninguém poderá ser submetido à escravidão; a escravidão e o tráfico de escravos, em
todas as suas formas, ficam proibidos.
§2.
Ninguém poderá ser submetido à servidão.
a) ninguém poderá ser obrigado a executar trabalhos forçados ou obrigatórios; b) a alínea
"a" do presente parágrafo não poderá ser interpretada no sentido de proibir, nos países em que
certos crimes sejam punidos com prisão e trabalhos forçados, o cumprimento de uma pena de
trabalhos forçados, imposta por um tribunal competente;
c) para os efeitos do presente parágrafo, não serão considerados "trabalhos forçados ou
obrigatórios":
1.
qualquer trabalho ou serviço, não previsto na alínea "b", normalmente exigido de um
indivíduo que tenha sido encarcerado em cumprimento de decisão judicial ou que, tendo sido
objeto de tal decisão, ache-se em liberdade condicional;
2.
qualquer serviço de caráter militar e, nos países em que se admite a ...menção por motivo
de consciência, qualquer serviço nacional que a lei venha a exigir daqueles que se oponham ao
serviço militar por motivo de consciência;
3.
qualquer serviço exigido em casos de emergência ou de calamidade que ameacem
o bem-estar da comunidade:
4.
qualquer trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais.
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Artigo 9º
§1.
Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. Ninguém poderá ser preso ou
encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser privado de sua liberdade, salvo pelos motivos
previstos em lei e em conformidade com os procedimentos nela estabelecidos.
§2.
Qualquer pessoa, ao ser presa, deverá ser informada das razões da prisão e notificada,
sem demora, das acusações formuladas contra ela.
§3.
Qualquer pessoa presa ou encarcerada em virtude de infração penal deverá ser conduzida,
sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por lei a exercer funções
judiciais e terá o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em liberdade. A prisão
preventiva de pessoas que aguardam julgamento não deverá constituir a regra geral, mas a
soltura poderá estar condicionada a garantias que assegurem o comparecimento da pessoa em
questão à audiência e a todos os atos do processo, se necessário for, para a execução da sentença.
§4.
Qualquer pessoa que seja privada de sua liberdade, por prisão ou encarceramento, terá o
direito de recorrer a um tribunal para que este decida sobre a legalidade de seu encarceramento e
ordene a soltura, caso a prisão tenha sido ilegal.
§5. Qualquer pessoa vítima de prisão ou encarceramento ilegal terá direito à reparação.
Artigo 10
§1.
Toda pessoa privada de sua liberdade deverá ser tratada com humanidade e respeito à
dignidade inerente à pessoa humana.

a) As pessoas processadas deverão ser separadas, salvo em circunstâncias excepcionais,


das pessoas condenadas e receber tratamento distinto, condizente com sua condição de pessoas
não condenadas.
b) As pessoas jovens processadas deverão ser separadas das adultas e julgadas o mais
rápido possível.
§2.
O regime penitenciário consistirá em um tratamento cujo objetivo principal seja a
reforma e reabilitação moral dos prisioneiros. Os delinqüentes juvenis deverão ser separados dos
adultos e receber tratamento condizente com sua idade e condição jurídica.
Artigo 11
Ninguém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma obrigação contratual.

Artigo 12
§1.
Toda pessoa que se encontre legalmente no território de um Estado terá o direito de nele
livremente circular e escolher sua residência.
§2.
Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive de seu próprio
país.
§3.
Os direitos supracitados não poderão constituir objeto de restrições, a menos que estejam
previstas em lei e no intuito de proteger a segurança nacional e a ordem, saúde ou moral
públicas, bem como os direitos e liberdades das demais pessoas, e que sejam compatíveis com os
outros direitos reconhecidos no presente Pacto.
§4.
Ninguém poderá ser privado arbitrariamente do direito de entrar em seu próprio país.
Artigo 13
Um estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado-parte no presente
Pacto só poderá dele ser expulso em decorrência de decisão adotada em conformidade com a lei
e, a menos que razões imperativas de segurança nacional a isso se oponham, terá a possibilidade
de expor as razões que militem contra a sua expulsão e de ter seu caso reexaminado pelas
autoridades competentes, ou por uma ou várias pessoas especialmente designadas pelas referidas
autoridades, e de fazer-se representar com este objetivo.
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Artigo 15
§1.
Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que não constituam delito de
acordo com o direito nacional ou internacional, no momento em que foram cometidos.
Tampouco poder-se-á impor pena mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do
delito. Se, depois de perpetrado o delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o
delinqüente deverá dela beneficiar-se.
§2.
Nenhuma disposição do presente Pacto impedirá o julgamento ou a condenação de
qualquer indivíduo por atos ou omissões que, no momento em que foram cometidos, eram
considerados delituosos de acordo com os princípios gerais de direito reconhecidos pela
comunidade das nações.

II
INSTRUMENTOS REGIONAIS DE DIREITOS HUMANOS

1.
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem
Artigo I. Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança de sus pessoa.
Artigo II. Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm os direitos e deveres
consagrados nesta Declaração, sem distinção de raça, língua, crença, ou qualquer outra.
Artigo III. Toda pessoa tem o direito de professar livremente uma crença religiosa e de
manifestá-la e praticá-la pública e particularmente.
Artigo V. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra os ataques abusivos à sua
honra, à sua reputação e à sua vida particular e familiar.
Artigo VI. Toda pessoa tem direito a constituir família, elemento fundamental da
sociedade e a receber proteção para ela.
Artigo VII. Toda mulher em estado de gravidez ou em época de lactação, assim como
toda criança, têm direito à proteção, cuidados e auxílios especiais.
Artigo VIII. Toda pessoa tem direito de fixar sua residência no território do Estado de
que é nacional, de transitar por ele livremente e de não abandoná-lo senão por sua própria
vontade.
Artigo IX. Toda pessoa tem direito à inviolabilidade do seu domicílio.
Artigo X. Toda pessoa tem direito à inviolabilidade e circulação da sua correspondência.
Artigo XXI. Toda pessoa tem o direito de se reunir pacificamente com outras, em
manifestação pública, ou em assembléia transitória, em relação com seus interesses comuns, de
qualquer natureza que sejam.
Artigo XXII. Toda pessoa tem o direito de se associar com outras a fim de promover,
exercer e proteger os seus interesses legítimos, de ordem política, econômica, religiosa, social,
cultural, profissional, sindical ou de qualquer outra natureza.
Artigo XXIII. Toda pessoa tem direito à propriedade particular correspondente às
necessidades essenciais de uma vida decente, e que contribua a manter a dignidade da pessoa e
do lar.
Artigo XXV. Ninguém pode ser privado da sua liberdade, a não ser nos casos previstos
pelas leis e segundo as praxes estabelecidas pelas leis já existentes.
Ninguém pode ser preso por deixar de cumprir obrigações de natureza claramente civil.
Todo indivíduo, que tenha sido privado da sua liberdade, tem o direito de que o juiz
verifique sem demora a legalidade da medida, e de que o julgue sem protelação injustificada, ou,
no caso contrário, de ser posto em liberdade. Tem também direito a um tratamento humano
durante o tempo em que o privarem da sua liberdade.
Artigo XXVI. Parte-se do princípio de que todo acusado é inocente, até provar-se-lhe a
culpabilidade.
Toda pessoa acusada de um delito tem direito de ser ouvida em uma forma imparcial e
pública, de ser julgada por tribunais já estabelecidos de acordo com leis preexistentes, e de que
se lhe não inflijam penas cruéis, infamantes ou inusitadas.
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Deveres
Artigo XXXIII. Toda pessoa tem o dever de obedecer à Lei e aos demais mandamentos
legítimos das autoridades do país onde se encontrar.

III
INSTRUMENTOS NACIONAIS DE DIREITOS HUMANOS
1.
Constituição da República Federativa do Brasil
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta
Constituição; II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei; III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou
degradante; IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção
filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e
recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro,
ou, durante o dia, por determinação judicial;
XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados
e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XV
– é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos
termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de
reclusão, nos termos da lei;

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática


da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como
crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-
los, se omitirem; XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as
seguintes: a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
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e) suspensão ou interdição de direitos;


XLVII – não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; LIV – ninguém
será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LVII – ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; LXI – ninguém
será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar,
definidos em lei;
LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu
interrogatório policial;
LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; LXVI –
ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com
ou sem fiança;
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IV
DIREITO CONSTITUCIONAL BRASILEIRO E DIREITO INTERNACIONAL

PACTO
DECLARAÇÃO
PACTO
INTERNACIONAL
CONVENÇÃO
CONSTITUIÇAO DA
UNIVERSAL DOS
INTERNACIONAL
AMERICANA
DOS DIREITOS
REPÚBLICA
DIREITO
DIREITOS
DOS
DIREITOS ECONÔMICOS,
SOBRE OS
FEDERATIVA DO
HUMANOS
CIVIS POLÍTICOS
DIREITOS
SOCIAIS E
BRASIL
(v. nota 1)
(v. nota 2)
CULTURAIS
HUMANOS
(v. nota 5)
(v. nota 3)
(v. nota 4)
VIDA
Art. 3º
Art. 6º *

art. 4º *
art. 5º, caput
INTEGRIDADE
PESSOAL
art. 3º e 5º
art. 7º * e 10

art. 5º *
art. 5º, III
PROIBIÇÃO DA
art. 1º, II e art. 5º,
ESCRAVIDÃO
art. 4º
art. 8º (1-2)*

art. 6º *
XLVII
PROTEÇÃO
À
FAMÍLIA E À
Art. 5º, LXXVI; 6º,
art. 16
art. 23, 24 e 25
art. 10
art. 17 * e 19*
226, 227 e 229
CRIANÇA
Art. 5º, incisos XXXV,
GARANTIAS
XXXVIII, XXXIX, LIII,
JUDICIAIS
art. 10 e 11
art. 14 e 15 *

art. 8º, 9º * e 10
LV, LVII, LXXIV
IGUALDADE
art. 3º, IV e 5º, caput
art. 7º
art. 14 e 26

art. 24
PERANTE A LEI
e inciso I
ACESSO AO
art. 8º e 10
art. 14 e 26

art. 8.1 e 25
art. 5º, XLI, XXXV
JUDICIÁRIO
art. 9º, 11 * , 14.6 e
art. 5º, caput, incisos
LIBERDADE PESSOAL art. 3º, 9º e 11.2

art. 7º, 9º e 10
15*
LXI, LXVII e LXXV
LIBERDADE DE
CONSCIÊNCIA
art. 18
art. 18 * e 27

art. 12 *
art. 5º, VI e VIII
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CRENÇA
LIBERDADE DE
PENSAMENTO E
art. 5º, incisos IV, VII
art. 19
art. 19

art. 13
e IX
EXPRESSÃO
DIREITO DE

art. 19.3 (a)

art. 14
art. 5º, inciso V
RESPOSTA
LIBERDADE DE
art. 20
art. 21

art. 15
art. 5º, XVI
REUNIÃO
DIREITO DE
PETIÇÃO

art. 5º, XXXIV (a)


LIBERDADE DE
art. 5º, incisos XVII a
ASSOCIAÇÃO
art. 20
art. 22

art. 16
XX
DIREITOS
art. 1º, § único, 5º,
POLÍTICOS
art. 20 e 21
art. 25

art. 23 *
LXXIII, 14, 15 e 37, I
DIREITO À HONRA E
DIGNIDADE PESSOAL art. 12
art. 17

art. 11
art. 1º, III e 5º, X
LIBERDADE DE
art. 9 e 13
art. 12, 13 e 24.3

art. 22
art. 5º, XV e LXVIII
LOCOMOÇÃO
INVIOLABILIDADE
art. 12
art. 17

art. 11
art. 5º, XI
DO DOMICÍLIO
INVIOLABILIDADE
DE
art. 12
art. 17

art. 11
art. 5º, inciso XII
CORRESPONÊNCIA E
COMUNICAÇÃO
PROTEÇÃO DA
art. 5º, I, 6º, 227, §
MATERNIDADE E
art. 25.2
art. 24

art. 19
INFÂNCIA
1º, inciso I
LIBERDADE DE
art. 5º, XIII, 7º , 8º e
TRABALHO
art. 23

art. 6º, 7º e 8º
art. 26

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DIREITOS SOCIAIS
DIREITO
À
art. 3º, I a IV, 4º, IX,
SEGURIDADE SOCIAL art. 22 e 25

art. 9º
art. 26
194 a 204
DIREITO À SAÚDE
art. 25

art. 12
art. 26
art. 196
DIREITO À MORADIA art. 25

art. 11
art. 26
art. 7º, IV
DIREITO
À art. 26 e 27

art. 13 e 15
art. 26
art. 205
EDUCAÇÃO
AMBIENTE
art. 5º, LXXIII, 225,
art. 25

art. 12
art. 26
SAUDÁVEL
170, VI
DIREITO DOS
ÍNDIOS
art.
27
art.
231

(*)
Esses direitos não podem ser derrogados sob nenhuma circunstância, mesmo em estado
de exceção.

NOTAS:
1.
Adotada e proclamada pela Resolução nº 217 A (III) da Assembléia-Geral das Nações
Unidas, em 10 de dezembro de 1948, e assinada pelo Brasil, em 10 de dezembro de 1948.
2.
Adotado pela Resolução nº 2200-A (XXI) da Assembléia-Geral das Nações Unidas, em
16 de dezembro de 1966, e ratificada pelo Brasil, em 24 de janeiro de 1992.
3.
Adotado pela Resolução nº 2200-A (XXI) da Assembléia-Geral das Nações Unidas, em
16 de dezembro de 1966, e ratificada pelo Brasil, em 24 de janeiro de 1992.
4.
Adotada e aberta à assinatura na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos
Humanos, em San José de la Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, e ratificada pelo Brasil,
em 25 de setembro de 1992 (Pacto de San José de la Costa Rica).
5.
Promulgada pela Assembléia Nacional Constituinte, em 05 de outubro de 1988.

(a) SÓCRATES EDGAR DOS ANJOS, Coronel PM


Comandante-Geral

Distribuição: a mesma da DPSSP nº 08/2004-CG

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.
PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o direito Constitucional
Internacional, 1997. p.337
2.
BRASIL, Constituição 1988. Constituição da República Federativa do Brasil.
Brasília: Congresso Nacional, 1988.
3.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua
portuguesa. 2ª ed. Ver. E aum. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
4.
MINAS GERAIS, Polícia Militar. Comando Geral. Manual de Prática Policial.
Belo Horizonte, 2002.
5.
MORAES, Alexandre de. Direitos Humanos Fundamentais: Teoria Geral,
Comentários dos Artigos 1º a 5º da Constituição da República Federativa do Brasil,
Doutrina e Jurisprudência. 3ª edição São Paulo: Atlas, 2000.
6.
Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Paris, em 10 de dezembro de
1948.
7.
SABÓIA, Gilberto Vergne, org. Anais de Seminários Regionais
Preparatórios para Conferência Mundial contra Racismo, Discriminação
racial, Xenofobia e Intolerância Correlata/ organizadores Gilberto Vergne Sabóia,
Samuel Pinheiro Guimarães. Brasília, Ministério da Justiça, 2001.
8.
CERQUEIRA, Carlos Magno Nazareth; DORNELLES, João Ricardo Vanderley: A
polícia e os direitos humanos/,. – 2. Ed. – Rio de Janeiro: F. Bastos,2001.
9.
NORMAS e recomendações internacionais sobre deficiência/Tradução de Edílson
Alkmin da Cunha.-2.ed. – Brasília:CORDE,2001.
10.
Revista Todos, Grupo de Convivência para Homossexuais-GAPA/MG - Ano01 –
2002.
11.
ROVER,Cees de. Para Servir e Proteger. Direitos Humanos e direito
internacional humanitário para forças policiais e de segurança: manual para instrutores.
– C. de Rover. Trad. de Sílvia Backes e Ernani S. Pilla – Genebra:Comitê Internacional
da Cruz Vermelha, 1998.

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Módulo 4 – Segurança pública e população em situação de


rua

Neste módulo, você estudará sobre a relação da segurança pública e população em


situação de rua (população adulta maior de 18 anos). A partir de alguns casos selecionados
poderá compreender mais sobre essas pessoas.

Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

Definir população de rua;

Compreender a situação da população de rua no Brasil;

Proceder de forma adequada na abordagem a população de rua; e

Identificar os principais documentos relativos à proteção da população de rua.

O conteúdo deste módulo está dividido em 3 aulas:

Aula 1 – População em situação de rua

Aula 2 – Casos – A realidade do povo vivendo na rua

Aula 3 – População em situação de rua: marco legal


Aula 1 – População em situação de rua

Conceitos, características e perfil

No processo de identificação do perfil da população em situação de rua,


contingente significativo da população urbana, esbarra-se numa questão anterior, que é a
definição de um conceito de população em situação de rua. Desde o final da década de oitenta,
estudiosos do tema e entidades que desenvolvem ações com moradores de rua vêm
desenvolvendo conceitos. Esse processo não é muito fácil devido as diversas especificidades
relacionadas a esse grupo de indivíduos e os vários perfis existentes no interior dos grupos.

Silva (2006), em sua dissertação de mestrado define a população de rua como:


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Grupo populacional heterogêneo, que tem em comum a pobreza absoluta, os


vínculos familiares fragilizados ou interrompidos e não possui moradia
convencional regular e faz da rua espaço de moradia e sustento por contingência
temporária ou de forma permanente, podendo utilizar albergues para pernoitar e abrigos,
repúblicas, casas de acolhida temporária ou moradias provisórias, no processo de construção de
saída das ruas.

A conceituação de Silva (2006) é uma das mais abrangentes e vem balizando uma série
de ações e estudos. Os moradores de rua se encontram num estágio de grande vulnerabilidade
social e, muito comumente, possuem um histórico de consecutivas perdas e uma série de
rompimentos com o trabalho, a família e, por fim, com a própria moradia. Normalmente
sobrevivem com pouca ou nenhuma renda. É
comum trabalharem como catadores de material reciclável nas ruas e lixões ou
sobreviverem de pequenos trabalhos artesanais e outras atividades, como lavar e vigiar
carros, por exemplo. Há os que, já decaídos, vivem de pedir esmolas.
Existem também os trabalhadores sazonais e pessoas que não se fixam numa
cidade. Esses últimos recebem o apelido de trecheiros.

Dentre os moradores de rua existem várias realidades e situações diferenciadas,


especificidades, o que torna esse contingente bastante heterogêneo. São vários os casos de
pessoas portadoras de sofrimento mental, dependência química e
situações de conflitos familiares que levam as pessoas a saírem de casa. Há
também os que, por anos a fio, pernoitam em albergues públicos, sem perspectiva de
mudança significativa da condição na qual se encontram. São trabalhadores
excluídos do mercado de trabalho; migrantes que vêm para os grandes centros em busca
de melhor qualidade de vida; famílias que perderam o poder aquisitivo e as condições de
subsistência. (PASTORAL DO POVO DA RUA, 2003)

Assim como a conceituação da população em situação de rua não é tarefa fácil, o


levantamento de dados para traçar o perfil também não é. Todas as pesquisas
desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE,
incluindo o censo, são de caráter domiciliar. Conforme demonstra a tabela 01, em quatro
capitais brasileiras foram desenvolvidas duas pesquisas censitárias sobre população em situação
de rua.

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Tabela 01
Cidades onde já houve censos de população em situação de rua
CIDADE ANO
DO
CENSO FREQÜÊNCIA
1995 302
Porto Alegre
1999 427
1998 916
Belo Horizonte
2005 1.164
2000 8.706
São Paulo
2003 10.399
2004 653
Recife
2005 1.390
Fonte: SILVA, 2006

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS realizou em


2007, uma contagem da população em situação de rua em setenta e uma cidades do país.
Segundo o Sumário Executivo (Sumário Executivo da Pesquisa Nacional
sobre a População em Situação de Rua – Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome. 2008) publicado pelo MDS, foram contabilizadas 31.922 pessoas em situação
de rua nas cidades pesquisadas vivendo em calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos
de gasolina, praias, barcos, túneis, depósitos e prédios abandonados, becos, lixões, ferro-velho ou
pernoitando em instituições.

Dados relevantes apresentados pela contagem (Entrevistas realizadas com pessoas


maiores de 18 anos.):

82 % da população em situação de rua são do sexo masculino;

53% das pessoas adultas em situação de rua entrevistadas possuem entre 25 e 44


anos;

39,1% das pessoas em situação de rua se declararam pardas, 29,5% brancas e


27,9% negras;

52,6% recebem entre R$ 20,00 e R$ 80,00 semanais;

74% dos entrevistados sabem ler e escrever, 17,1% não sabe escrever e 8,3%
apenas assinam o próprio nome; e

95%, imensa maioria, não estuda atualmente.

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No que se refere à escolaridade, o resultado da pesquisa é apresentado pela tabela 02:

Tabela 02 - População em situação de rua: escolaridade

ESCOLARIDADE F
%

Nunca estudou
4.175
15,1

1º grau
incompleto 13.385
48,4

1º grau completo 2.854


10,3

2º grau

incompleto 1.045
3,8

2º grau completo 881


3,2

Superior

incompleto 190
0,7

Superior completo 194


0,7

Não sabe/Não

lembra 2.136
7,7

Não informado
2.787
10,1

Total 27.647
100

Fonte: Pesquisa Nacional sobre a população em situação de rua, Meta/MDS, 2008.

Alguns dados coletados pela contagem são bastante elucidativos. Exemplo disso é no que
tange à migração. Durante muito tempo foi reforçada a idéia de que a
pobreza urbana era decorrente, em grande parte, do êxodo rural. Com a população em
situação de rua, nos últimos anos percebe-se que esse fator tem cada vez menor relevância. Veja
na página seguinte, a contagem que comprova isso.

45,8% das pessoas entrevistadas sempre viveram no município em que moram


atualmente. Do restante (54,2% do total), 56% vieram de municípios do mesmo
estado de moradia atual e 72% vieram de áreas urbanas. Isso significa que uma parte
considerável da população em situação de rua é originária do mesmo local em que se encontra ou
de locais próximos, não sendo decorrência de
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deslocamentos ou da migração campo/cidade.” (Sumário Executivo da Pesquisa


Nacional sobre a População em Situação de Rua – Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome. 2008)

No que tange ao trabalho, os dados da contagem também apresentam resultados


interessantes: 70,9% exercem alguma atividade remunerada. Há destaque para:

- Catador de materiais recicláveis (27,5%);

- Flanelinha (14,1%);

- Construção civil (6,3%);

- Limpeza (4,2%); e

- Carregador/estivador (3,1%).

Somente 15,7% das pessoas declararam que pediam esmola como meio de
obtenção de renda. Esse resultado mostra que a situação de pedinte não é a mais comum
entre os moradores de rua.

Saiba mais...

Ainda segundo a contagem, a maioria (88,5%) da população em situação de rua


não é atingida por nenhum programa governamental. Dos que recebem algum
benefício, 3,2% recebe aposentadoria e o Benefício de Prestação Continuada –
BPC alcança 1,3% dessa população.

Aula 2 – Casos – A realidade do povo vivendo na rua

Os casos que conhecerá são reais, porém, por questão de ética, nomes de pessoas e locais
foram omitidos ou trocados. Esses casos não têm cunho depreciativo ou
crítico, mas sim, didático, uma vez que irão remeter a questões, reflexões e
sugestões de práticas para que você possa estar mais preparado diante das situações que
por ventura vier a enfrentar. Anote as suas respostas, pois na próxima aula irá compará-las com o
ordenamento jurídico sobre essas questões.

Caso1: Policiais tentam abrigar duas moradoras de rua.

Numa das noites mais frias do inverno de 2006, policiais que faziam plantão, ao passarem
pelas imediações do Hospital das Clinicas, se sensibilizaram com a
situação de Dona Marilda, de 72 anos, e de Dona Chica, de mais ou menos 50
anos, que encontrava-se com dificuldade de locomover-se por ter uma perna
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amputada. Segundo Dona Chica, fazia tanto frio naquela noite que dois PMs que faziam
“batida” por ali na noite anterior, sentiram pena delas e, por volta das 22h, as colocaram na
viatura e rodaram a cidade toda, procurando um abrigo para deixá-
las.

Primeiro foram em um abrigo conveniado com o município que não as acolheu


com a justificativa de que não tinham documentos e pelo fato de não terem
condição de acolher pessoas com dificuldade de locomoção. A segunda tentativa foi
numa república feminina, que também não as acolheu pelo fato de não ser
objetivo acolher pessoas para pernoite e ter metodologia própria para seleção e
recebimento de mulheres, além das duas não terem perfil para a casa. Em terceira e última
tentativa, foram numa instituição católica, onde também não foram
acolhidas pelo fato da casa atender apenas homens. E assim, segundo Penha,
depois de rodarem a cidade numa viatura, por quase 12 horas, foram deixadas no mesmo
lugar onde estavam – marquise do Hospital das Clínicas. E aquela foi mais uma noite em que
sentiram muito frio.

Pergunta-se:

1. Nesse caso, o que você acha que faltou para que as senhoras fossem acolhidas?
2. Você faria o mesmo por elas?

Reflita!
Casos como esses são comuns em nossas cidades, mas será que não merecem
atenção especial por parte da segurança pública?

Pratique!
Procure localizar em sua cidade abrigos e albergues que recepcionem pessoas com
trajetória de rua, onde possa em uma situação como essa encaminhá-las.
Caso 2: PM é solicitada para retirar moradores de rua de um casarão ocupado.

Um grupo de cerca de 20 pessoas, entre elas solteiros e famílias com crianças, morava a
aproximadamente dois anos em um casarão abandonado. Durante esse
período, os mesmos utilizam os serviços de saúde e escola da região. Os adultos
trabalhavam como catadores ou flanelinhas nas proximidades. O imóvel é colocado á venda e a
pessoa interessada em comprá-lo tentou negociar com as famílias sua saída, sem êxito. Então, o
comprador buscou apoio no poder público que, com
laudo da Defesa Civil, montou operação para retirar as pessoas. Ao invés de se ajuizar
uma ação de reintegração de posse ou uma ação reivindicatória, o
proprietário se utiliza de via de duvidosa legalidade. Aciona a Defesa Civil e esta
mobiliza a Polícia Militar, com o fim de desalojar as famílias de sua posse, sem qualquer
mandado judicial. Como estratégia, as famílias foram avisadas que seriam Atuação Policial
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retiradas em um dia, quando na verdade seria feito no dia anterior. Embora não tivesse
ordem judicial, a gerência da Regional solicitou apoio da PM para retirada.
Nesse caso, a presença da polícia garantia a segurança dos funcionários da
prefeitura, mas também intimidava as famílias, forçando-as a aceitarem a
desocupação.

Caso 3: Moradores de um condomínio residencial chamam a polícia para retirar


casal de moradores de rua que dorme na marquise do prédio.

Depois de acionar a paróquia, o serviço de abordagem da Secretaria Municipal de


Assistência Social do Município e não obter o resultado esperado – a retirada do casal que há
mais de mês estava dormindo sob a marquise de um prédio situado em região nobre da cidade –
o síndico chamou a polícia, alegando que os mesmos
estavam trazendo risco para os moradores.

Ao chegar no local, a polícia encontrou o casal acordando e se preparando para sair para
trabalhar. Ambos eram catadores de material reciclável, inclusive dormiam sob o carrinho e tinha
com eles um cachorro. Ao serem abordados, Ana foi logo mostrando seus documentos, enquanto
João, exaltado, dizia que os fiscais da
prefeitura, em abordagem anterior, lhe haviam seqüestrado os documentos e o
próprio carrinho cheio de papel. Revoltado perguntava ao policial: E o senhor quer o quê?
Vão prender um trabalhador?

Pergunta-se:

1. Como você agiria numa situação assim?


2. Qual resposta daria para João?
Reflita!
A situação de rua não retira de uma pessoa sua dignidade a ponto de ser tratada como um
infrator em potencial. Por isso, é preciso entender a situação de rua como um problema social
que requer diálogo, resolução pacífica de conflitos e
encaminhamentos adequados. É necessária uma forma enérgica, mas cordial de
falar, e é imprescindível que você jamais deixe de considerar a condição de
cidadão dessas pessoas.

Pratique!
Procure saber se em sua cidade existe algum órgão que lida diretamente com a
melhoria das condições das pessoas em situação de rua, como a Pastoral de Rua ou uma
sede do Movimento Nacional da População de Rua. Faça contatos com eles e
procure estar informado de como encaminhar adequadamente como as desse caso.

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Caso 4: PM acompanha fiscais da prefeitura em “operação de limpeza”

Há mais de um ano, um grupo de pessoas que mora na região central da cidade


sofre com operações rotineiras de fiscais que apreendem e levam todos os seus pertences:
cobertores, roupas, medicamentos, alimentação, documentação e
papelão. Quando protestam, os fiscais chamam reforço policial, que geralmente está bem
próximo, e logo chegam ao local uma ou até três viaturas. Os policiais mandam que encostem no
muro, apertam seu rosto contra a parede para não
poderem identificá-los, e passam a submetê-los a uma “revista”, enquanto os
fiscais terminam o serviço.

Protegidos pela polícia, os fiscais os humilham, os provocam ainda mais e quando


alguém se altera, por vezes, chegam a ser colocados na viatura. Os objetos são jogados em um
caminhão, apesar dos protestos, e os fiscais dizem que para
recuperá-los devem ir ao depósito com documento fiscal que comprovem
pertencerem a eles, pagar uma taxa e apresentarem atestado de antecedentes. Com isso, o
grupo está com os nervos à flor da pele, pois em nenhum momento lhes foi oferecido alguma
alternativa. Não fossem suficientes os constrangimentos
freqüentes a que são submetidos, a cada abordagem todos os seus pertences são
confiscados, inclusive documentos. Pelo fato de viverem na rua são tratados como vagabundos e
não como cidadãos.

1. Qual a sua opinião sobre o caso acima?


2. Você julga correto este tipo de operação?
Reflita!
Você, certamente, se orgulha de sua casa, de seu carro, enfim, de seus pertences e bens,
não é mesmo? As pessoas em situação de rua também têm seus pertences e
documentos que devem ser preservados e mantidos em sua posse, desde que não
sejam ilícitos é claro. Respeite sempre este direito destas pessoas, e pense neles com os
únicos e preciosos bens que elas possuem.

Pratique!
Procure reunir-se com seus colegas de trabalho, para juntos poderem buscar uma solução
para esse caso em específico. Troque idéias sobre a melhor forma de
solucionar a situação. Depois escreva a solução construída pelo grupo.

Esses casos foram citados para ajudá-lo a refletir sobre algumas situações
freqüentes em sua rotina operacional. Com a ajuda da próxima aula, faça um
paralelo sobre suas respostas e o que diz o ordenamento jurídico sobre as pessoas em
situação de rua.

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Aula 3 – População em situação de rua: marco legal

As pessoas que se encontram em situação de rua constituem um grupo marcado por uma
invisibilidade social. A realidade vivida por elas, conforme ilustrado
anteriormente, representa grave violação a diversos dispositivos constitucionais, dos
quais se destacam:

1 – Princípio da dignidade da pessoa humana e da vedação à discriminação –


Constituição Federal, artigo 1º, nos seus incisos II e III: são fundamentos do nosso país a
cidadania e a dignidade da pessoa humana. Portanto, todos podem buscar os seus direitos
(especialmente, o direito de viver, de estar, permanecer em um lugar) e devem ser tratados (as)
com respeito pela sua dignidade de pessoa,
independentemente da aparência ou qualquer outra condição física, psicológica ou social.

2 – Princípio da Justiça Social – Constituição Federal – artigo 3º, incisos I, III, IV, que diz
que são objetivos fundamentais do nosso país: construir uma sociedade livre, justa e solidária,
erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais, e promover o bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação. Assim, quando uma pessoa estiver vivendo em condições sociais extremamente
precárias, deve ser atendida e encaminhada aos órgãos competentes para que possa recuperar as
condições de vida digna e, assim, o Estado possa cumprir um dos seus objetivos
fundamentais, o da justiça social.
3 – Princípio da igualdade ou isonomia – Constituição Federal – O artigo 5º diz que todos
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Isto significa que as pessoas
em situação de rua são cidadãs como qualquer outra pessoa que mora nesse país, e assim devem
ser tratadas pelas
autoridades e por todas as pessoas, e não com menosprezo ou humilhações por
parte de qualquer um, seja particular, seja servidor público.

4 – Princípio da legalidade – Constituição Federal, artigo 5º, inciso II, diz que ninguém
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, ou seja, as pessoas
na rua não podem ser obrigadas a fazer nada que não seja exigido por lei, e são livres para estar
em qualquer local, sem que a sua presença signifique desrespeito à lei, exceto se estiverem
praticando um crime. Ao mesmo tempo, o servidor público não pode aplicar nenhuma sanção ou
penalidade que não esteja prevista em lei e não tenha sido definida por um juiz, em sentença
fundamentada e transitada em julgado.

5 – Princípio da vedação à tortura e tratamentos desumanos ou degradantes –


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Constituição Federal, artigo 5º, inciso III, diz que ninguém será submetido à tortura nem
a tratamento desumano ou degradante. Isto significa que, como qualquer
cidadão do nosso país, a pessoa em situação de rua deve ser tratada com respeito, sem
agressões de qualquer natureza.

6 – Princípio da inviolabilidade do direito à intimidade, à privacidade, à honra e à


imagem – Constituição Federal, artigo 5º, inciso X, diz que são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, sendo assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação. Quer dizer que os pertences (por mais humildes e
precários que sejam), quando for
necessária e justificada uma revista, devem ser tratados como os pertences de qualquer
cidadão, e devolvidos no mesmo estado em que se encontravam, sendo
abusiva qualquer exigência de taxa ou comprovante de propriedade.

7 – Princípio da função social da propriedade – Constituição Federal, artigo 5º, incisos


XXII e XXIII, diz que é assegurado o direito de propriedade, mas que essa propriedade deverá
atender à sua função social. Assim, quando qualquer morador da cidade estiver próximo ou nas
dependências de uma propriedade privada não
ocupada ou não utilizada, sem praticar nenhum delito ou tumulto anormal, estará apenas
dando a esse imóvel (ou bem) uma utilidade social, que é dar guarida
(acolhida) a um de seus beneficiários, e poderá estar aguardando o reconhecimento desse
direito pelo Poder Judiciário.
Conclusão

Vale lembrar que os servidores públicos que atuam nas ruas e que, no seu trabalho, lidam
com as pessoas em situação de rua, são operadores das normas legais. Nessa condição, em
diversas situações, eles são intérpretes dessas normas, e podem
encontrar saídas e soluções ditadas pelo bom senso para os problemas que lhes são
trazidos pela população, em vez de aumentar o problema com uma nova violação
de direitos.

Ao mesmo tempo, devem buscar aplicá-las da maneira mais adequada e humana


possível, conforme estabelecem os princípios, leis e diretrizes aplicáveis à sua missão.
Desse modo, em vez de provocar um aumento da insegurança e da revolta na sociedade, estarão
contribuindo para recuperar nas pessoas o sentimento de confiança na justiça e nas instituições.

Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a


compreensão do conteúdo.

O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas nas


páginas anteriores.
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1. Analisando o perfil da população em situação de rua pesquisada em algumas


capitais brasileiras é percebido que:

( ) Em sua maioria é composta de idosos.

( ) As mulheres são a maioria das pessoas encontradas nas ruas.

( ) Não há pessoas com nível superior.

( ) A maioria do público pesquisado é de homens.

2. Segundo o sumário executivo publicado pelo Ministério do Desenvolvimento


Social e Combate à Fome – MDS, realizado em 2007, a população em situação de
rua está estimada em cerca de:

( ) 40.450 pessoas nas cidades pesquisadas.

( ) 31.922 pessoas nas cidades pesquisadas.

( ) 60.320 pessoas nas cidades pesquisadas.


( ) 12.004 pessoas nas cidades pesquisadas.

3. Dois homens em situação de rua estavam dormindo em frente a uma loja no


centro da cidade. O dono da loja solicitou uma dupla de policiamento para que retirasse
aqueles homens dali. Os policiais, porém, surpreenderam o dono da loja tratando com polidez e
respeito os dois indivíduos. O dono da loja criticou a ação dos policiais dizendo que se tratassem
aqueles “vagabundos” com carinho, eles com certeza voltariam sempre.

Comente sobre a atitude dos policias.

Este é o final do módulo 4

Segurança pública e população em situação de rua

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para


acesso e impressão.

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Respostas:

1. A maioria do público pesquisado é de homens.

2. 31.922 pessoas nas cidades pesquisadas.

3. A atitude dos policiais foi correta, a condição social das pessoas não retira delas a
condição de cidadãos.
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Módulo 5 – Atendimento policial às pessoas com deficiência

Neste módulo, você estudará sobre as pessoas com deficiência. É importante que
compreenda a situação delas no Brasil e que aprenda como prestar um atendimento adequado.

A sociedade ainda não está preparada para uma convivência harmônica e consciente com
essas pessoas. O espaço público, na maioria das vezes, não está adequado às suas necessidades e
faltam políticas públicas mais eficazes no atendimento aos deficientes. Porém, nos últimos anos,
grandes mobilizações do setor aconteceram e houve a criação de leis que visam à melhoria de
sua qualidade de vida.

É importante que o profissional de segurança pública conheça essas leis para a promoção
e defesa dessas pessoas.

Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

Definir pessoa com deficiência;

Compreender a situação da pessoa com deficiência no Brasil;

Proceder de forma adequada ao abordar pessoas com deficiência;


Identificar os principais documentos relativos à proteção da pessoa com deficiência; e
Identificar os principais órgãos de proteção a pessoa com deficiência no Brasil.

O conteúdo deste módulo está dividido em 5 aulas:

Aula 1 – Discutindo os conceitos

Aula 2 – Situação das pessoas com deficiência no Brasil

Aula 3 – Legislações importantes relacionadas a pessoas com deficiência Aula 4 – Como


melhorar o atendimento às pessoas com deficiência

Aula 5 – Programas nacionais e estaduais de promoção dos direitos e órgãos nacionais e


estaduais ligados à temática

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Aula 1 – Discutindo os conceitos

Pessoa com deficiência, resumidamente, e para um entendimento mais simples, é o


conjunto dessas deficiências. Quando se faz referência a todos não se deve falar “pessoas com
deficiências físicas", e sim, pessoas com deficiência. Não se aceita mais o uso do vocabulário
"deficiente(s)"
como um substantivo, exceto quando for necessário no contexto de uma explicação.

Outra diferença importante é a distinção entre pessoa com deficiência e pessoa portadora
de deficiência. Ainda é usual "portadores de deficiência", muitos textos legais o usam, mas, o
movimento de pessoas com deficiência vem abandonando esse termo pelo seguinte
entendimento: o termo "portar" significa algo que se pode dispor dela: uma bola, uma caneta. A
deficiência é inerente à condição de individuo, não tem como a pessoa separar-se dela. A pessoa
não é "deficiente" (substantivo), também não “porta” uma deficiência, ela é uma pessoa com
deficiência. Procure usar o último termo.

Para saber mais sobre o uso de conceitos relativos às pessoas com deficiência, visite o
site da Secretaria dos Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência.

(http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/index.php/informacoes/p=terminologia)
Aula 2 – Situação das pessoas com deficiência no Brasil

O censo demográfico do IBGE 2000 apurou que 24,6 milhões de pessoas declararam
apresentar algum grau de limitação, o correspondente a 14,5% da população das quais 19,8
milhões residiam em áreas urbanas e 4,8 milhões em áreas rurais. A partir dos novos conceitos
introduzidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) considera-se a informação dos vários
graus de incapacidade e sua relação com contexto social e ambiental.

Deficiências por tipo


Havia no Brasil em 2000, 160,3 milhões de pessoas das quais 24,6 milhões com alguma
deficiência. A deficiência visual era a mais significativa, acometendo 16,6 milhões de pessoas ou
o equivalente a 68% das deficiências e 9,8% da população. Em segundo lugar, a dificuldade de
caminhar ou subir escadas incidia sobre 7,9 milhões de pessoas.

Correspondendo a 32% das deficiências e 4,7% da população estavam a deficiência


auditiva, a mental, as paralisias e a falta de membros.

Veja quadro com indicadores do IBGE relativos a cada tipo de deficiência na página
seguinte.

Tabela 1

População residente por tipo de deficiência – Brasil – 2000

Tipo de deficiência
População residente
Mental
2.844.937
Física
1.416.060
Visual
16.644.842
Auditiva
5.735.099
Motora
7.939.784

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Importante!
Algumas pessoas declararam possuir mais de um tipo de deficiência. Por isso, quando
somadas as ocorrências de deficiências, o número é maior do que 24,6 milhões, que representa o
número de pessoas, não de ocorrências de deficiência.

Distribuição regional das deficiências

As deficiências concentram-se mais nas áreas rurais que urbanas, no Sul e no Sudeste e,
em virtude da grande população dessas regiões, predominam as deficiências nas áreas rurais
também na média do Brasil. Nas demais regiões predominam as deficiências em áreas urbanas.
Em número de pessoas, as regiões Sudeste e Nordeste, juntas, concentram 17,5 milhões de
pessoas com deficiência, o que corresponde a 71% do total.

Distribuição das deficiências por sexo e por idade

No conjunto da população, as mulheres estavam em supremacia numérica em 2000, eram


86,3
milhões de mulheres contra 83,6 milhões de homens. Havia 1,759 milhões de mulheres
com deficiências a mais que os homens. Sua superioridade numérica era ainda maior na
deficiência visual, onde os superavam em 2,127 milhões; na dificuldade permanente de caminhar
ou subir escadas predominavam em 1,350 milhão, as demais deficiências os homens eram em
maior número.

Causas de deficiência

As causas mais freqüentes de deficiência identificadas nas áreas de maior carência estão
ligadas, fundamentalmente, às condições socioeconômicas do país, que se refletem diretamente
sobre a população mais vulnerável.

De acordo com o Programa de Ação Mundial para Pessoa Portadora de Deficiência da


ONU
(http://www.mj.gov.br/sedh/ct/apoio_2004/programa_acessibilidade_ppd.htm) estão sob
maiores riscos de apresentar grande número de cidadãos deficientes, as nações ou sociedades que
tiverem precárias condições de vida com escassos recursos de saneamento, de água tratada, de
alimentação e de habitação adequada; alto índice de analfabetismo, desinformação em geral e
relacionada com a proteção da saúde; grandes distâncias geográficas com populações
desassistidas pelo Estado; alto índice de doenças infecto-contagiosas e inadequado atendimento;
centralização excessiva das decisões e das atividades nas áreas urbanas; violência no trânsito, nas
grandes aglomerações populacionais e no campo; acentuada desigualdade social por
concentração dos meios de produção; mercado de trabalho estagnado e mão-de-obra não
qualificada; alta taxa de acidentes nos locais de trabalho; contaminação do meio ambiente e
deterioração da condição de sobrevida; falta de controle no uso de medicamentos, drogas e
agentes agrícolas; ausência de políticas sociais de médio e de longo prazo.

Embora a pobreza e a marginalização social não sejam exclusivas das pessoas com
deficiência, com toda a certeza agem mais cruelmente sobre elas. A realidade brasileira possui,
em alto grau, as características definidas pela ONU, acentuadas pelo alto índice de violência
urbana e no campo.

As transformações sociais necessárias para a inclusão das pessoas com deficiência não
dependem apenas de ações pontuais, específicas e momentâneas. Necessitam de políticas
públicas conseqüentes, intersetoriais e articuladas de forma a contemplar todas as dimensões da
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vida dessas pessoas. Mais do que uma questão de educação, saúde, trabalho, cultura,
transporte, lazer, dentre outros, é uma questão de cidadania.

O redimensionamento das prioridades de governo para a vertente social irá tanto


promover a inclusão da pessoa com deficiência, quanto reduzir o número de novos casos. A
questão das deficiências é, portanto, universal e deve ser preocupação constante não só do
governo, mas da sociedade em geral.

As medidas governamentais destinadas a melhorar a situação das pessoas com deficiência


devem, necessariamente, estar ligadas à prevenção, reabilitação e equiparação de oportunidades,
de acordo com o Programa de Ação Mundial para Pessoa Portadora de Deficiência da ONU.
A prevenção de deficiência não se confunde com o conjunto das ações preventivas, nem
esgota nas atividades necessárias à sua realização. O avanço do conhecimento científico tornou
possível prevenir a incidência de algumas deficiências com medidas simples e de custo reduzido.
Apesar desses avanços, as ações orientadas para a prevenção de deficiência têm sido pouco
expressivas no Brasil e constata-se que a incidência de deficiências permanece elevada. A
prevenção implica na adoção de medidas intersetoriais que impeçam o surgimento de
deficiências em qualquer de suas manifestações (prevenção primária) ou que impeçam que
deficiências já instaladas se agravem produzindo conseqüências negativas para a qualidade de
vida dessas pessoas (prevenção secundária e terciária).

Quanto à reabilitação, esta é uma questão que corresponde a um conjunto de


procedimentos diversos, interdependentes e deve partir da valorização das potencialidades das
pessoas, ou seja, a reabilitação da pessoa com deficiência, só pode ser equacionada dentro do
contexto geral e integrada das políticas de saúde, educação, trabalho, esporte, cultura,
previdência e assistência social.

As características atuais dos atendimentos de reabilitação revelam insuficiência da rede


agravada pela desigualdade na distribuição regional e no acesso individual aos diferentes
serviços. Há uma necessidade urgente de simplificação e da integração familiar e comunitária
para favorecer a interiorização e universalização dessa política pública.

Para que se alcance a igualdade e plena participação, não são suficientes as medidas de
reabilitação orientadas para as pessoas com deficiência, faz-se necessária a adequação do
ambiente coletivo às exigências de toda a população, incluindo esse segmento de pessoas. Além
das pessoas com deficiência, esse grupo é formado também por idosos, obesos, cardíacos,
pessoas com problemas respiratórios, mulheres grávidas e todos aqueles que, por alguma razão,
no transcorrer de suas atividades cotidianas encontram-se com limitações na sua capacidade de
deslocamento ou de acesso aos bens e serviços da comunidade.

A experiência tem demonstrado que é, em grande parte, o meio que determina o efeito de
uma deficiência sobre a vida diária de uma pessoa, quando lhe são negadas as oportunidades de
acesso a tudo que a comunidade disponibiliza aos cidadãos. Essas oportunidades são necessárias
para efetivar os aspectos fundamentais para a vida familiar, como educação, emprego, proteção
econômica e social, participação em grupos sociais e políticos, atividades religiosas, atividades
esportivas, acesso às instalações públicas, habitação, cultura e turismo. Daí a importância da
inclusão.

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Inclusão da pessoa com deficiência

Ao falar da inclusão social se faz referência a todas as pessoas, inclusive aos demais
grupos vulneráveis. Essas pessoas precisam estar incluídas mediante a adaptação da sociedade às
necessidades e peculiaridade específica desses segmentos sociais.

O modelo da inclusão das pessoas com deficiência e necessidades especiais apresenta os


seguintes princípios:

A aceitação das diferenças individuais;


A valorização de cada pessoa;
A convivência dentro da diversidade humana;
A aprendizagem através da cooperação; e
O direito de pertencer.

A diversidade humana é representada por origem nacional, sexual, religião, gênero, cor e
etnia, idade e deficiência. Muitas vezes a sociedade usa esses atributos pessoais e sociais para
separar as pessoas. Essas particularidades não devem se constituir em barreiras para o
relacionamento humano. Embora os preconceitos existam, é bom lembrar que a sociedade
constrói, de forma contraditória, o caminho inverso: o reconhecimento da liberdade religiosa, o
fim da escravidão, as aceitações das nacionalidades e da autodeterminação dos povos são bons
exemplos da luta contra o pensamento intolerante.

A inclusão das pessoas com deficiência constitui-se em um novo desafio que consiste no
papel das pessoas dentro do processo de mudanças sociais. As políticas, os programas, os
serviços e as práticas sociais não podem ser simplesmente disponibilizados a determinados
segmentos populacionais. Esses segmentos devem participar do desenvolvimento, da
implementação, do monitoramento e da avaliação desses programas e políticas.

Outro aspecto relevante a ser tratado é a questão da inclusão da pessoa com deficiência
no mercado de trabalho, com a capacitação exigida. Tem-se a convicção da necessidade de
intensificar políticas de qualificação profissional e de empregabilidade para esse grupo. Percebe-
se que políticas dessa natureza irão, no médio prazo, garantir cidadania e gerar mercado
consumidor entre as pessoas com deficiência. Por outro lado, haverá uma estratégia para
diminuir investimentos na manutenção de pagamento do custo relevante para o governo federal –
Beneficio de Prestação Continuada à Pessoa com Deficiência, transformando tais
investimentos em receitas para a União. Destaca-se, ainda, a questão da parcela de pessoas com
deficiência que tem capacidade produtiva e possui condições de gerar renda, mas necessita
desenvolver o trabalho protegido.

(http://www.mds.gov.br/programas/rede-suas/protecao-social-basica/beneficio-de-
prestacao-continuada-bpc)

A promoção de acesso adequado às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida,


por meio da eliminação de barreiras e obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário
urbano, na construção e reforma de edifícios, nos transportes e nos meios de comunicação e
informação é parte indissociável dos direitos humanos.

O texto constitucional dispõe sobre essa temática nos seus artigos 227 e 244
(http://www.mpdft.gov.br/sicorde/Leg_CF_Art227_244.htm). Ressalta-se, ainda, o
compromisso Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 5

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firmado pelo governo brasileiro com a Organização dos Estados Americanos – OEA, no
contexto da Convenção Interamericana para Eliminação de todas as formas de discriminação
contra as pessoas portadoras de deficiência, em especial as medidas previstas no Artigo III. No
texto estão estabelecidos os compromissos dos países membros para reafirmação dos direitos
humanos e das liberdades fundamentais da pessoa humana, com fundamento no princípio de que
justiça e segurança sociais são bases para uma paz duradoura.

(http://www.oas.org/juridico/portuguese/treaties/A-65.htm)

Ainda no campo legal e no sentido de estabelecer normas gerais e critérios básicos para a
promoção de acessibilidade, foram promulgadas as Leis n° 10.098/00 e 10.048/00
(http://www.mj.gov.br/sedh/ct/CONADE/conferencia/legislacao3.htm) e o Decreto nº
5.296/04, que as regulamenta. Esses preceitos legais nos levam à essência maior dos direitos para
todos.

(https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5296.htm)

É necessária a adequação do ambiente coletivo às exigências de toda a população


incluindo o grupo

dessas pessoas que necessitam de soluções especiais para lhes garantir autonomia e
segurança e, igualmente, melhor padrão de vida de toda a comunidade. Para isso, é preciso
intensificar ações que impulsionem o desenvolvimento de políticas integradas junto aos governos
de todos os níveis e com a sociedade civil, de forma a garantir os direitos deste segmento e
combater a discriminação, possibilitando o acesso aos bens e serviços existentes, buscando meios
de sua inclusão qualificada no processo de desenvolvimento país.

As políticas públicas para as pessoas com deficiência devem levar em conta as


disparidades regionais e a desigual distribuição de renda que, associadas, produzem sob a forma
de pobreza algumas das mais importantes causas de deficiências. Deve, ainda, integrar-se ao
conjunto das ações executas pelo sistema básico de serviços sociais e considerar que as pessoas
com deficiência não formam na sociedade agrupamentos específicos. Elas são crianças, jovens,
adultos e idosos, homens e mulheres, negros, brancos e índios, pertencentes a famílias de
segmentos sociais e econômicos diversos, que possuem valores culturais distintos e habitam
várias regiões geográficas do país, em municípios de porte e potencialidades diferentes quanto às
oportunidades de oferta de serviços, e outros morando no meio rural, com mais dificuldades de
acesso a esses bens e serviços.

A questão da acessibilidade é fator de desenvolvimento do país, uma vez que o direito de


ir e vir, de ter acesso à informação e à comunicação, de garantir patamares mais elevados de
qualidade de vida são elementos dos direitos humanos e da cidadania.

Aula 3 – Legislações importantes relacionadas às pessoas com


deficiência

A Lei nº 7853, de 24 de outubro de 1989 dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de


deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa
Portadora de Deficiência – CORDE, institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou
difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outras
providências.

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(http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume
%20i/deflei7853.htm) A Lei nº 8213, de 24 de julho de 1991 dispõe sobre os planos de beneficio
da providencia social e dá outras providências.

Lei nº 8213, de 24 de julho de 1991.

Secção VI
Dos serviços

Subsecção I
Do serviço social

Art. 93 A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2%
(dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas
portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:

I - Até 200 empregados – 2%;


II - De 201 a 500 – 3%;
III - De 501 a 1.000 – 4%; e
IV - De 1.001 em diante – 5%.

http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1991/8213.HTM

A Lei n° 8686, de 20 de junho de 1993 dispõe sobre reajustamento da pensão especial aos
deficientes físicos portadores de Talidomida, instituída pela Lei nº 7070, de 20 de dezembro de
1982.

(http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1993/8686.htm)

A Lei n° 8687, de 20 de julho de 1993 retira da incidência do imposto de renda benefícios


recebidos por deficientes mentais.

(http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1993/8687.htm)

A Lei n° 9533, de 10 de dezembro de 1997 autoriza o poder executivo conceder apoio


financeiro aos municípios que instituírem programas de garantia de renda mínima associados a
ações socioeducativas.

(http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume
%20i/lei9533.htm) A Lei nº 9615 de 24 de março de 1988 institui normas gerais sobre o desporto
e dá outras providências.

(http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1998/9615.htm)

O Decreto n° 3928, de 20 de dezembro de 1999 regulamenta a Lei n° 7853, de 24 de


outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa com Deficiência,
consolida as normas de proteção e dá outras providências.

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(http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/23/1999/3298.htm)

O Decreto n° 3956, de 8 de outubro de 2001 promulga a convenção interamericana para a


eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência.

(http://www.usp.br/drh/novo/legislacao/dou2001/df3956.html)

O Decreto n° 5296, de 02 de dezembro de 2004 regulamenta a Lei nº 10.048, de 8 de


novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e a Lei nº
10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a
promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e
dá outras providências.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm)
(http://www3.dataprev.gov.br/SISLEX/paginas/42/2000/10048.htm)
(http://www3.dataprev.gov.br/SISLEX/paginas/42/2000/10098.htm)

O Decreto n° 5622, de 19 de dezembro de 2005 regulamenta o artigo 80, da Lei nº 9.394,


de 20
de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5622.htm)

O Decreto n° 5626, de 22 de dezembro de 2005 regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de


abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, e o artigo 18, da Lei nº
10.098, de 19 de dezembro de 2000.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/D5626.htm)

A Lei n° 10182, de 12 de janeiro de 2001 restaura a vigência da Lei nº 8989, de 24 de


fevereiro de 1995, que dispõe sobre a isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI)
na aquisição de automóveis destinados ao transporte autônomo de passageiros e ao uso de
pessoas com deficiência física, reduz o imposto de importação para os produtos que especifica e
dá outras providências.

(http://www.leidireto.com.br/lei-10182.html)

Aula 4 – Como melhorar o atendimento às pessoas com deficiência


Se você nunca atendeu ou auxiliou uma pessoa com deficiência, fique tranqüilo. Com
certeza, ela já orientou muita gente como você, interessado a ajudá-la. Portanto, de maneira
geral, guie-se pelas orientações a seguir:

Procure:

Olhar diretamente para a pessoa ao dialogar com ela;


Ser atencioso e paciente, especialmente se ela tiver dificuldade de fala ou de audição;
Não enfatizar o atendimento ou diálogo;
Dirigir-se diretamente à pessoa com deficiência, mesmo que ela esteja acompanhada; e
Utilizar mais de uma forma de comunicação se necessário.
Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 5

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Evite:

Ser apressado no diálogo;


Completar as frases ou falar pela pessoa que está sendo atendida;
Ficar olhando de maneira fixa ou repetidamente para algo que lhe chame atenção na
pessoa; e Ajudar sem que seja pedido, salvo em caso de acidente ou de a pessoa passar mal.

Lembre-se:

A pessoa atendida tem alguma deficiência, mas, como todo ser humano, possui
habilidades, talentos e potencialidades em áreas específicas; e
A pessoa atendida está exercendo sua independência. Faça sua parte oferecendo soluções
aos problemas apresentados e receba sugestões.

Veja nas próximas páginas, as orientações de atendimento para os tipos de deficiência


mais facilmente encontradas.
Pessoa com deficiência auditiva

Fazendo-se entender:

- Procure verificar se a pessoa atendida consegue se comunicar, se tem percepção de


compreender o que foi dito; e
- Repasse uma informação de cada vez, de forma clara e objetiva, certificando-se de que
foi entendido.

Procurando entender:
- Fique atento aos lábios, aos seus e às expressões faciais e corporais da pessoa com
quem o diálogo está sendo mantido;
- Solicite, quando necessário, que seja repetida a frase ou faça o comunicado de outra
forma;
- Utilize a escuta, quando necessário, para melhor compreensão da demanda da pessoa; e
- Ao transmitir, por telefone e em tempo real, mensagens de uma pessoa com deficiência
auditiva, repita o que ela disse na primeira pessoa do singular.

Evite:

- Iniciar o diálogo sem possuir a atenção visual da pessoa, cuidando para não mudar
repentinamente a forma de comunicação;
- Conversar com outras pessoas, atender telefone ou trabalhar no computador;
- Exagerar na articulação das palavras, fale no seu tom e no ritmo normal; e
- Utilizar gestos com as mãos que possam cobrir a boca ou rosto.

Lembre-se:

Ao encaminhá-la para outros setores ou repartições indique e oriente-a sobre as placas ou


sinais visuais do ambiente.

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Página 100

Pessoa com deficiência visual

Entrar e sair do carro:

Abrir a porta do carro utilizando o braço seguro pela pessoa cega, para que ela possa
sentar-se; e
Ao descer do carro, observe se a porta do "carona" não está ao lado de um buraco ou de
uma poça de água.

Ajuda na locomoção da pessoa cega:

Cumprimente a pessoa e pergunte-lhe se quer ajuda;


Encoste seu braço no braço dela (como cotovelo dobrado). Ela pode segurar perto do seu
cotovelo, feito isso, fique normalmente, prevenindo quando for virar, parar, subir ou descer
escadas ou rampas; e
Ao atravessar uma rua, avise se tem mão única, assim como se existe faixa de proteção.
Chegando ao outro lado da rua, pergunte-lhe se necessita ainda de ajuda, só vá embora
depois de despedir-se dela.

Ao entrar e sair de elevadores:


- Ao entrar, olhe se o elevador está disponível, se não for acompanhar a pessoa, dê as
orientações necessárias.

Subir e descer escada:


- Antes de subir ou descer uma escada, pare e avise a pessoa conduzida. Fique sempre um
degrau acima da pessoa ao subir e um degrau abaixo dela ao descer.

Abrir e fechar portas:


- Quando abrir uma porta verifique se há algum obstáculo à frente; e
- Ao conduzi-Ia através de uma porta, entre na frente (ela irá continuar segurando seu
braço).

Sentar numa cadeira:


- Aproxime a pessoa da cadeira de forma que ela possa tocá-la; e
- Observe se ela está se sentando com segurança.

Evite:
- Deixar a pessoa sozinha sem avisá-la de sua saída. Caso você saia sem avisá-la, ela
continuará falando como se você ainda estivesse ali.

Pessoa com deficiência mental

Procure:
- Repassar as informações, solicitações e/ou orientações de forma engajada e utilizando
exemplos concretos.

Você precisa saber:


- Algumas dessas pessoas são capazes de ler e escrever, outras podem apresentar também
dificuldade de memória, audição ou de visão, conforme o caso, as informações devem ser
repassadas por escrito.
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Evite:
- Ficar aborrecido se a pessoa que está sendo atendida se distrai. Não interprete como
falta de educação.

Pessoa com deficiência física


Ao entrar e sair do carro:
- Pergunte se a pessoa precisa de ajuda, para entrar e sair do carro, para tirar e/ou guardar
a cadeira de rodas, etc.

Ao entrar e sair de escadas rolantes:


- Quando auxiliar uma pessoa em cadeira de rodas a subir ou descer de escadas, consulte-
a sobre a melhor forma de conduzi-la.

Algumas polícias, dentre elas a Polícia Militar de Minas Gerias, têm dado bons exemplos
na elaboração de diretrizes para atendimento às pessoas com deficiência.

Antes de terminar a aula, leia parte do capítulo da Diretriz Para Produção De Segurança
Pública Nº 8 (Ver anexo 1), que trata sobre a forma correta de abordar pessoas com deficiência.

Conclusão

A construção de uma co-responsabilidade social nas políticas públicas de atendimento e


em tratamento mais digno para as pessoas com deficiência, também passa pela segurança
pública, por isso, é preciso fomentar a criação de mecanismos internos, principalmente, nas
instituições policiais, que possibilite a capacitação dos policiais tornando a segurança pública
mais acessível a esse grupo.

Não fique inibido em ajudar uma pessoa com necessidade por não saber como tratá-la,
siga o que aprendeu nesta aula, pergunte sempre como você pode ajudá-la, usando compreensão
e cordialidade e vá em frente.

Antes de finalizar este módulo, visite alguns sites que tratam do tema abordado:
Legislação pertinente ao tema
(http://www.mj.gov.br/sedh/ct/CONADE/conferencia/legislacao3.htm)

CORDE
(http://www.mj.gov.br/sedh/ct/corde/dpdh/corde/principal.asp)

Acessibilidade
(http://acessibilidade.sigaessaideia.org.br/)

CONADE
(http://www.mj.gov.br/sedh/ct/conade/index.asp)

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Página 102

Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a compreensão do


conteúdo.

O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas nas


páginas anteriores.

1. Qual é o número estimado de pessoas com deficiência no Brasil?

2. Quais as duas regiões brasileiras que concentram maior número de pessoas com
deficiência no Brasil?

3. Você está conversando com uma pessoa com deficiência visual, se vai se afastar, como
deve proceder?
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Respostas:

1. O censo demográfico do IBGE 2000 apurou que 24,6 milhões de pessoas declararam
apresentar algum grau de limitação.

2. Regiões Sudeste e Nordeste.

3. Deve avisá-la que irá se retirar do local, para que ela possa saber que ficará sozinha e
interromper o diálogo.

Este é o final do módulo 5

Atendimento policial às pessoas com deficiência

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para acesso e
impressão.

Anexos:

Anexo 1

Este texto foi retirado do documento denominado Diretriz para Produção de


Segurança Pública nº 8, da Polícia Militar de Minas Gerais. Nele, você encontrará conceitos
importantes e orientações para abordar, adequadamente, pessoas com deficiências.
Pessoas com deficiência física e sofrimento mental
Deficiência
É toda a perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou
anatômica.
Modalidades:
a) Lingüística: mudo;
b) Sensorial: auditiva e visual;
c) Mental: síndrome de Down, oligofrenias, síndrome de autismo, algumas psicoses; d)
Física: hemiplegia (paralisia de um dos lados do corpo), paraplegia, amputações de membros ou
partes do corpo;
e) Neurológica: paralisia cerebral;
f) Alterações do sistema nervoso central;
g) Psicológicas: distúrbios comportamentais do aprendizado e da sociabilidade; e h)
Múltipla: tetraplegia+cegueira+surdez.
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Doença
É toda a perturbação da saúde, moléstia, mal, enfermidade, temporária ou definitiva.
Incapacidade
Toda a restrição ou falta (por uma deficiência) da capacidade de realizar uma atividade,
na forma ou na medida em que se considera normal a um ser humano.
Impedimento
Situação desvantajosa para determinado indivíduo, em conseqüência de deficiência ou de
incapacidade que limita ou impede o desempenho de papel que é normal em seu caso, em função
de idade, sexo e fatores sociais e culturais.
Cuidados no trato com pessoa deficiente
“Existe atualmente um grande número, que aumenta dia a dia, de pessoas com
deficiência. Está confirmada, pelos resultados de pesquisas com segmentos da população
e por investigações de respeitados pesquisadores, a estimativa de 500 milhões”.
As causas das deficiências variam em todo o mundo. O mesmo acontece com a
predominância e as conseqüências das deficiências. Essas variações são conseqüências
das diferentes circunstâncias socioeconômicas e das disposições que cada sociedade adota para
alcançar o bem-estar de seus membros.
Segundo estudo realizado por peritos, estima-se que, pelo menos, 350 milhões de pessoas
com deficiência vivem em regiões onde não há disponibilidade de serviços necessários para
ajudá-las a superar suas limitações. Grande parte dessas pessoas está sujeita a barreiras físicas,
culturais e sociais que dificultam sua vida, mesmo quando há ajuda para sua reabilitação.
Para alcançar os objetivos de “igualdade” e “plena participação”, não bastam medidas de
reabilitação voltadas para o indivíduo com deficiência. A experiência tem demonstrado que é o
meio que determina, em grande parte, o efeito de uma deficiência ou incapacidade na vida diária
da pessoa. Uma pessoa torna-se vítima do impedimento, quando lhe são necessários aos aspectos
fundamentais da vida, inclusive, a vida familiar, a educação, o emprego, a moradia, a segurança
econômica e pessoal, a participação em grupos sociais e políticos, nas atividades religiosas, nas
relações afetivas e sexuais, no acesso a instalações públicas, na liberdade de movimentos e no
sistema geral da vida diária.
O policial atua como agente da cidadania e, como tal, deve saber comportar-se
adequadamente em ocorrência que envolva pessoas deficientes físicas e com sofrimento mental,
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dando-lhes tratamento digno, encaminhando-as corretamente e solucionando seus
problemas.
Cuidados que o policial deve ter ao abordar ou auxiliar uma pessoa deficiente: Pessoa
que usa cadeira de rodas
a) Não segure nem toque na cadeira de rodas. Ela é considerada como se fosse parte do
corpo da pessoa. Apoiar-se ou encostar-se na cadeira é o mesmo que apoiar-se ou encostar-se na
pessoa;
b) Se desejar ofereça ajuda, mas não insista. Se precisar de ajuda, ele(a) aceitará e lhe
dirá o que fazer. Se você forçar essa ajuda, isso pode, às vezes, causar insegurança; c) Não tenha
receio de usar palavras como "caminho" ou "correr". As pessoas com deficiência também as
usam;
d) Se a conversa durar mais do que alguns minutos, sente-se, se possível, de modo que
fique no mesmo nível do olhar do interlocutor. Para uma pessoa sentada, não é confortável ficar
olhando para cima durante um período relativamente longo;
e) Não estacione viatura em lugares reservados às pessoas com deficiência física. Tais
lugares são reservados por necessidade, não por conveniência. O espaço reservado é mais largo
do que o usual, a fim de permitir que a cadeira de rodas fique ao lado do automóvel e a pessoa
com deficiência física possa sair e sentar-se na cadeira, e vice-versa. Além disso, o lugar
reservado é próximo à entrada de prédios, para facilitar o acesso dessas pessoas; f) Ao ajudar
uma pessoa com deficiência física a descer uma rampa inclinada ou degraus altos, é preferível
usar a marcha ré para evitar que, pela excessiva inclinação, a pessoa perca o equilíbrio e caia
para frente; e
g) Quando se tratar de pessoa suspeita deverão ser seguidos todos os procedimentos
acima e efetuada a busca pessoal, inclusive na cadeira de rodas.
Pessoa que usa muletas
a) Acompanhe o ritmo de sua marcha;
b) Tome cuidados necessários para que ele(a) não tropece;
c) Deixe as muletas sempre ao alcance das suas mãos; e
d) Quando se tratar de pessoa suspeita deverão ser seguidos todos os procedimentos
acima e efetuada a busca pessoal, tomando-se cuidado com possíveis golpes de muleta do
suspeito e com pontas ou lâminas que possam estar escondidas no interior da muleta.
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Pessoa com deficiência visual


a) Ofereça sua ajuda, sempre que um(a) cego(a) parecer necessitar;
b) Não ajude, sem que ele(a) concorde. Sempre pergunte, antes de agir. Se você não
souber em que e como ajudar, peça explicações de como fazê-lo;
c) Para guiar uma pessoa cega, segure-a pelo braço, de preferência no cotovelo ou no
ombro. Não a pegue pelo braço. Além de perigoso, isso pode assustá-la. À medida que encontrar
degraus, meios-fios e outros obstáculos, vá orientando-a. Em lugares muito estreitos para duas
pessoas caminharem lado a lado, ponha seu braço para trás, de modo que a pessoa cega possa
segui-lo. Ao sair de uma sala, informe ao cego(a), pois é desagradável para qualquer pessoa falar
para o vazio. Não se preocupe ao usar palavras como "cego", "olhar" ou "ver", os(as) cegos(as)
também as usam;
d) Ao explicitar direções a uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível.
Não se esqueça de indicar os obstáculos que existem no caminho que ela vai seguir.
Como algumas pessoas cegas não têm memória visual, não se esqueça de indicar as distâncias
em metros (Ex.: "Uns vinte metros para frente"). Mas, se você não sabe corretamente como
direcionar uma pessoa cega, diga algo como "eu gostaria de ajudá-lo, mas como é que devo
descrever as coisas?" Ele(ela) lhe dirá;
e) Ao guiar um(a) cego(a) para uma cadeira, guie sua mão para o encosto da cadeira e
verifique se a cadeira tem braços ou não. Num restaurante é de boa educação que você leia o
cardápio e os preços;
f) Uma pessoa cega é como outra qualquer, só que não enxerga. Trate-a com o mesmo
respeito com que trata uma pessoa que enxerga;
g) Quando estiver em contato social ou trabalhando com pessoas com deficiência visual,
não pense que a cegueira possa vir a ser problema. Por isso, nunca as exclua de participar
plenamente nem procure minimizar tal participação. Deixe que decidam como participar.
Proporcione à pessoa cega a chance de ter sucesso e de falhar, tal como qualquer outra
pessoa; h) Quando são pessoas com visão subnormal (alguém com sérias dificuldades visuais),
proceda com o mesmo respeito, perguntando-lhes se precisam de ajuda, quando notar que elas
estão em dificuldade; e
i) Quando se tratar de pessoa suspeita deverão ser seguidos todos os procedimentos acima
e efetuada a busca pessoal, tomando-se cuidado de avisar ao suspeito que será procedida uma
busca por outro policial, e que ele fique calmo.
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Pessoa com deficiência auditiva


a) Fale claramente, distinguindo palavra por palavra, mas não exagere. Fale com
velocidade normal, a não ser quando lhe for pedido para falar mais devagar;
b) Cuide para que o(a) surdo(a) enxergue sua boca. A leitura dos lábios fica impossível,
se você gesticula, segura alguma coisa na frente de seus próprios lábios ou fica contra a luz; c)
Fale com tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para levantar a voz;
d) Gritar nunca adianta;
e) Seja expressivo. Como os surdos não podem ouvir as mudanças sutis do tom de sua
voz, indicando sarcasmo ou seriedade, a maioria deles(as) lerá suas expressões faciais, seus
gestos ou os movimentos de corpo, para entender o que você quer comunicar;
f) Se você quer falar com uma pessoa surda, chame a atenção dela, sinalizando com a
mão ou tocando em seu braço. Enquanto estiverem conversando, mantenha contato visual. Se
você olhar para outro lado, enquanto está conversando, o(a) surdo(a) pode pensar que a conversa
terminou;
g) Se você tiver dificuldades para entender o que uma pessoa surda está falando, sinta-se
à vontade para pedir que ela repita o que falou. Se você ainda não entender, peça-lhe para
escrever. O que interessa é comunicar-se com ela. O método não é o que importa; h) Se o(a)
surdo(a) está acompanhado(a) por um intérprete, fale diretamente à pessoa surda, não ao
intérprete;
i) Ao planejar um encontro, lembre-se de que os avisos visuais são úteis aos
participantes surdos. Se estiver previsto um filme, providencie uma narração por escrito
ou um resumo do conteúdo do filme, se não houver legenda; e
j) Quando se tratar de pessoa suspeita deverão ser seguidos todos os procedimentos acima
e efetuada a busca pessoal.
Pessoa com paralisia cerebral
a) A pessoa com paralisia cerebral anda com dificuldade ou não anda, podendo ter
problemas de fala. Seus movimentos podem ser estranhos ou descontrolados. Ela pode,
involuntariamente, apresentar gestos faciais incomuns, sob a forma de caretas. Geralmente,
porém, trata-se de pessoa inteligente e sempre muito sensível – ela sabe e compreende que não é
como os outros; e
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b) Para ajudá-la, não a trate bruscamente. Adapte-se a seu ritmo. Se não compreende o
que ela diz, peça-lhe que repita: ELA O COMPREENDERÁ. Não se deixe impressionar por seu
aspecto. Aja de forma natural... sorria, porque é uma pessoa igual a você.
Pessoa com deficiência mental
a) Cumprimente a pessoa com deficiência mental de maneira normal e respeitosa, não se
esquecendo de fazer a mesma coisa, ao despedir-se. A pessoa com deficiência mental é, no geral,
bem disposta, carinhosa e gosta de comunicar-se;
b) Dê-lhe atenção, dirigindo-lhe palavras como: "que bom que você veio", "gostamos
quando você vem nos visitar", tentando manter a conversa até quando for possível; c) Seja
natural. Evite a superproteção. A pessoa com deficiência mental deve fazer sozinha tudo o que
puder. Ajude-a, quando realmente for necessário;
d) Deficiência mental pode ser conseqüência de uma doença, mas não é uma doença. É
uma "condição de ser". Nunca use a expressão "doentinho(a)" ou "bobinho(a)" quando se
dirigir ou referir a uma pessoa com deficiência mental;
e) Deficiência mental não é doença mental;
f) Pessoa portadora de deficiência mental é, em primeiro lugar, uma pessoa; e g)
Enquanto for criança, trate-a como criança. Quando for adolescente ou adulto, trate-a como tal.
Deficiência mental severa
Existem deficiências mais graves, como o autismo, por exemplo, e outras, em que o
indivíduo não interage com o mundo de forma adequada, apresenta sinais de agitação, não
consegue comunicar-se, não tem noção de perigo e, apesar de ser dócil, é arredio e reage com
agressividade em situações adversas;
a) O policial não poderá subestimar esses indivíduos e deverá ter total atenção na
condução deles, para evitar que se machuquem ou causem acidente;
b) Ao conduzir essas pessoas a pé, o policial deve ter cuidado ao atravessar ruas, pois elas
poderão lançar-se na frente de veículos em movimento; e
c) Essas pessoas deverão ser conduzidas a um centro neuropsiquiátrico até que seus
parentes sejam encontrados.
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Módulo 6 – Atendimento policial às crianças e adolescentes

Antes de iniciar o estudo deste módulo, leia o texto de Rubem Alves:


“O melhor de tudo são as crianças”

(http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id131002.htm)

Nele, o renomado educador apresenta a Declaração dos Dez Direitos Naturais das
Crianças.

Depois de lê-lo, reflita como pai, mãe, responsável ou servidor da área de segurança
pública, e responda: o que faz para ajudar a garantir esses direitos?

Neste módulo, você estudará sobre algumas questões relacionadas às crianças e


adolescentes presentes na rotina dos profissionais da área de segurança pública.

Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:

Definir criança e adolescente;

Proceder de forma correta no atendimento à criança e ao adolescente;

Identificar os principais documentos nacionais e internacionais relativos à proteção dos


direitos da criança e do adolescente;

Identificar os principais órgãos de proteção à criança e ao adolescente; e

Compreender a situação de crianças e adolescentes no Brasil.

O conteúdo deste módulo está dividido em 4 aulas:

Aula 1 – Crianças e adolescentes: definição dos termos

Aula 2 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

Aula 3 – Violação dos direitos humanos em relação à criança e ao adolescente: dados


sobre esta questão
Aula 4 – Atuação policial frente a casos de violação dos direitos da criança e do
adolescente Aula 1 – Crianças e adolescentes: definição dos termos

A adoção definitiva da Doutrina Jurídica da Proteção Integral, a partir da Constituição


Federal de 1988, passou a representar um novo marco na proteção da criança e do adolescente.
De acordo com essa doutrina, crianças e adolescentes devem ser protegidos e seus direitos
garantidos, além de terem reconhecidos os mesmos direitos dos adultos.

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Conforme artigo 227, da Constituição Federal:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com


absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.

Criança e adolescente são sujeitos de direitos universalmente reconhecidos. Não é


suficiente que apenas os mesmos direitos humanos e liberdades de um adulto lhe sejam
concedidos. Vários outros direitos especiais provenientes de sua condição peculiar de seres em
desenvolvimento devem ser assegurados pela família, Estado e sociedade.

Sujeitos de direitos

O termo “sujeito de direito” representa, hoje, condição especial que deve garantir direitos
e deveres individuais e coletivos, bem como todas as oportunidades e facilidades a fim de lhes
facultar um bom desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de
liberdade e de dignidade.

Você, com certeza, já ouviu falar ou já leu a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH) de 1948. Até hoje esse documento é considerado a principal norma de direitos humanos
no mundo. Em seu artigo XXV consta que “a maternidade e a infância têm direito a cuidados e
assistência especiais (...)”

(http://www.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm)

Importante!

No nível internacional, além da DUDH, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou,
por unanimidade, em 20 de novembro de 1989, a Convenção sobre os Direitos da Criança
(CDC), que reconhece em seu preâmbulo “A NECESSIDADE DE CUIDADOS E PROTEÇÃO
ESPECIAIS, INCLUINDO A PROTEÇÃO JURÍDICA ADEQUADA PARA A
CRIANÇA”

(http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf) Essa
convenção foi confirmada por 192 países e é o instrumento de direitos humanos mais aceito na
história universal.

O governo brasileiro ratificou a referida convenção em 24 de setembro de 1990, tendo


entrado em vigor em 23 de outubro de 1990.

No Brasil, as diretrizes dessa convenção foram implementadas pelo Estatuto da Criança e


do Adolescente (ECA), de 13 de julho de 1990, que regulamentou o artigo 227, da Constituição
Federal. Através dele, a proteção da criança e do adolescente foi ampliada, passando a serem
tratados como sujeitos de direitos, e não mais considerados propriedade da família, do Estado ou
da sociedade, como eram na vigência do Código de Menores de 1927 e 1979.

A CDC em seu artigo 1º definiu criança como “todo ser humano com menos de dezoito
anos de idade, a não ser que, em conformidade com a lei aplicável à criança, a maioridade seja
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antes”.

Seguindo o conceito da CDC, o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 2º,


definiu criança como a pessoa até doze anos de idade incompletos e, adolescente, aquele entre
doze e dezoito anos de idade.

Conforme preceitua a Declaração dos Direitos da Criança, a idade da criança será


definida em virtude de sua falta de maturidade física e mental, necessitando de proteção e
cuidados especiais.

Aula 2 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

O ECA – Lei Federal nº 8069 – teve origem com base no artigo 227, da CF/88, sendo
sancionado em 13 de julho de 1990.

(http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L8069.htm)

Importante!

Como princípios norteadores do ECA estão definidos que crianças e adolescentes são:
- Prioridade absoluta na formulação de políticas, na destinação de recursos e na prestação
de socorro;
- Seres em desenvolvimento, devendo essa condição fundamentar ações e decisões no
âmbito individual e coletivo; e
- Sujeitos de direitos.

Como responsáveis pela execução estão:


- A família;
- A sociedade; e
- O Estado.

O ECA e a política de atendimento: Conselhos

A política de atendimento é o conjunto de todas as ações realizadas para promover,


proteger ou resgatar os direitos das crianças e dos adolescentes.

As ações da política de atendimento devem ser orientadas pelas diretrizes do ECA. São
elas: Municipalização do atendimento – O município, de forma ampla e integrada, incluindo
famílias, grupos sociais e poder público, é responsável pelas suas crianças e adolescentes.
Criação dos Conselhos Municipal, Estadual e Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente.

Nível nacional: CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do


Adolescente.
Nível estadual: CEDCA – Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Nível municipal: CMDCA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente.

Integração dos órgãos responsáveis pelos problemas relacionados aos adolescentes em


conflito com a lei.

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É responsabilidade dos conselhos a formulação das políticas públicas, conforme a


demanda existente em relação à infância e à juventude.

Você sabe o que é e qual a função do Conselho Tutelar?

De acordo com o ECA, artigo 131º, “o Conselho Tutelar é um órgão permanente e


autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos
da criança e do adolescente”.

São algumas atribuições do Conselho Tutelar, conforme artigo 136º, do ECA:


- Atender crianças e adolescentes com direitos ameaçados ou violados;

- Atender pais ou responsáveis que necessitam de orientação, aconselhamento ou


advertência;

- Atender educadores e dirigentes de estabelecimentos de ensino em busca de alternativas


para problemas
cuja solução esteja além de suas possibilidades;

- Atender quaisquer cidadãos que queiram denunciar, discutir ou simplesmente informar-


se sobre questões relacionadas à infância e à adolescência;

- Requisitar serviços públicos na área da saúde, educação, trabalho, previdência, caso seja
necessário; e

- Estabelecer contatos, mobilizar e realizar os encaminhamentos.

Praticando
Procure:
- Localizar o Conselho Tutelar de seu município ou da sua regional;
- Conhecer o Conselho dos Direitos de seu município, acompanhar seu trabalho, suas
atribuições, as prioridades e ações;
- Conhecer mais sobre a Doutrina de Proteção Integral;
- Ter em mãos o Estatuto da Criança e do Adolescente; e
- Participar de grupos de discussão existentes no seu município: fóruns dos direitos,
frentes de defesa.

O ECA, a criança e o adolescente em conflito com a lei

Como outras polícias estaduais, a Polícia Militar de Minas Gerais possui em seu
arcabouço de normas, a Diretriz para a produção de serviços de Segurança Pública Nº 08/2004,
que trata da atuação policial segundo a filosofia de direitos humanos, e que traz em um dos seus
capítulos, a atuação policial frente às crianças e aos adolescentes.

Orientações gerais

Importante!
Criança e o adolescente não cometem crime, e sim, ato infracional.

Art. 103 do ECA – “Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou
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contravenção penal”.

São inimputáveis todos os menores de dezoito anos e não poderão ser condenados a
nenhuma pena. Recebem, portanto, tratamento legal diferente dos réus imputáveis (maiores de
dezoito anos) a quem cabe a penalização.

A criança acusada de ato infracional deverá ser encaminhada à presença do Conselho


Tutelar ou Juiz da Infância e da Juventude. Não havendo nenhum dos dois deverá ser
encaminhada aos pais ou responsável legal, que dará recibo no boletim, sendo registrado ao
Juizado da Infância e da Juventude. Se efetivamente praticou ato infracional, receberá a medida
especial de proteção como orientação, apoio e acompanhamento temporário, freqüência
obrigatória no ensino fundamental, requisição de tratamento médico e psicológico, dentre outras
medidas.

O adolescente, em caso de flagrante de ato infracional, será levado à autoridade policial


especializada. Não havendo deverá ser encaminhado à delegacia local, devendo ficar separado
dos adultos. Os adolescentes não são igualados a réus ou indiciados, nem são condenados a
nenhuma pena (reclusão e detenção), como ocorre com os maiores de dezoito anos. Recebem
medidas socioeducativas, sem caráter de apenação. É ilegal a apreensão do adolescente para
averiguação. Fica apreendido, e não preso. A apreensão somente ocorrerá, quando for em
flagrância ou por ordem judicial, e, em qualquer das hipóteses, essa apreensão será comunicada,
de imediato, ao juiz competente, bem como à família do adolescente.

O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua apreensão, devendo
ser informado acerca de seus direitos.

Apreensão do adolescente infrator

A autoridade policial deverá averiguar a possibilidade de liberar imediatamente o


adolescente.
Caso a detenção seja justificada como imprescindível a investigação e manutenção da
ordem pública, a autoridade policial deverá comunicar aos responsáveis pelo adolescente, assim
como informá-lo de seus direitos, como o de permanecer calado, ter advogado, ser acompanhado
pelos pais ou responsáveis. Após a apreensão, o adolescente será imediatamente conduzido à
presença do promotor de justiça, que poderá promover o arquivamento da denúncia, conceder
remissão-perdão ou representar ao juiz para aplicação de medida socioeducativa.

Importante!

Art. 178º do ECA – O adolescente apreendido pela prática de ato infracional não poderá
ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial, em condições
atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental, sob pena
de responsabilidade.

Medidas aplicadas aos adolescentes


O adolescente que cometer ato infracional estará sujeito às seguintes medidas
socioeducativas, conforme artigo 112 do ECA:

I – Advertência;
II – Obrigação de reparar o dano;
III – Prestação de serviços à comunidade;
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IV – Liberdade assistida;
V – Inserção em regime de semiliberdade;
VI – Internação em estabelecimento educacional; e
VII – Qualquer uma das previstas no artigo 101, I a VI.

Aula 3 – Violação dos direitos humanos em relação à criança e ao


adolescente: dados sobre a questão

Você, certamente, já presenciou ou ficou sabendo de vários fatos envolvendo criança e


adolescente. Crianças que estão nas ruas pedindo esmolas, fazendo malabarismos e, até mesmo,
furtando, roubando ou matando. São crianças e adolescentes que vivem em situações difíceis,
sendo exploradas sexualmente, violentadas, trabalhando em vez de estarem na escola. Muitas
vezes sendo exploradas no espaço doméstico.

Para que possa compreender melhor essa questão, nas próximas páginas você verá alguns
dados estatísticos sobre situações relacionadas à violação dos direitos humanos.

Criança e adolescente em situação de risco

O Brasil, segundo pesquisa publicada recentemente pelo Fundo das Nações Unidas para a
Infância, o Unicef, ocupa lugar de destaque sobre fome, desemprego e miséria, conforme
BONDARUK (2005, p.19):

Severa degradação das condições humanas básicas, incluindo alimentação, água limpa,
condições sanitárias, saúde, habitação, educação e informação. São nessas condições,
consideradas de absoluta pobreza, que vivem quase 6 milhões de crianças brasileiras. Esse
número representa 10% da população infantil do Brasil, que já chega a 60 milhões de crianças. A
pesquisa ainda mostra que 15% das crianças brasileiras vivem sem condições sanitárias básicas.
As áreas rurais do Brasil concentram a maioria das crianças carentes, com 27,5% delas
vivendo em absoluta pobreza. Nas áreas urbanas esse número representa 4,3% da população
infantil.
Mais de 1,3 milhões sofrem com problemas alimentares no Brasil, como desnutrição e,
até mesmo, fome.
Criança e adolescente em trabalho infantil

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2001 e


2004, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 5,3 milhões de crianças e
adolescentes, na faixa de 5 a 17 anos de idade, trabalham, sendo que 8,9% deles não freqüentam
a escola; 11,8%
das crianças e adolescentes naquela faixa de idade estão trabalhando, estando ocupadas
1,5% das que tinham de 5 a 9 anos e 10,1% das que tinham de 10 a 14 anos, idades em que o
trabalho é absolutamente proibido. Só 3% das crianças que começam a trabalhar entre 5 e 11
anos chegam ao ensino médio. Só 12% dos jovens que entram no mercado de trabalho entre 12 e
15 anos chegam ao ensino médio. (Informação disponível em www.ibge.gov.br. Acesso em 16 de
julho de 2008)

Violência contra criança e adolescente


Segundo Minayo (2004), apud OLIVEIRA e CAFÉ (2006, p. 4), no Brasil:

No período de 1990 a 2000, segundo dados do Ministério da Saúde, morreram 211.918


crianças e adolescentes por acidentes e violências (causas externas), sendo 59.203 crianças nas
idades de Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 6

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0 a 9 anos; 33.512 púberes de 10 a 14 anos e 119.203 adolescentes de 15 a 19 anos.

Conforme Silva (2002), apud OLIVEIRA e CAFÉ (2006, p. 5), “três entre dez crianças
de zero e doze anos sofrem, diariamente, algum tipo de maus-tratos dentro da própria casa,
perpetrados por pais, padrastos ou parentes”.

Aula 4 – Atuação policial frente a casos de violação dos direitos da


criança e do adolescente

Você, em sua labuta operacional ou administrativa, já deve ter sido acionado ou ter se
deparado com inúmeros casos de violência praticada contra crianças e adolescentes.

Nas próximas páginas, você terá acesso, por meio de algumas situações, a sugestões de
atendimento a crianças e adolescentes em casos de violação de seus direitos.

Situação prática 1 – Criança e adolescentes em situação de risco

Você está trabalhando no centro de sua cidade, em um local movimentado e é solicitado


por um cidadão que relata que uma criança está perdida próximo ao ponto de ônibus. Em contato
com a criança, ela diz que está perdida e que é do interior e você não consegue nenhum contato
com os familiares dela. Como você agiria nessa situação?
O que diz o estatuto
O artigo 136, do Estatuto da Criança e do Adolescente, prevê:

Art. 136 É atribuição do Conselho Tutelar atender às crianças e aos adolescentes sempre
que os direitos reconhecidos no referido estatuto forem ameaçados ou violados por ação ou
omissão da sociedade ou do Estado; por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável e em
razão de sua conduta, aplicando as medidas de proteção previstas no artigo 101, I a VII.

Sugestão de atendimento
Nesse caso, a criança deve ser encaminhada ao Conselho Tutelar para que sejam tomadas
as providências previstas no artigo 101, do ECA.

Situação prática 2 – Criança e adolescente em trabalho infantil (Ver anexo 1) Imagine que
você está de serviço próximo a um local onde funciona uma serralheria e uma pessoa te aborda e
relata a seguinte situação: uma criança de 12 anos está trabalhando no local, pois o pai ganha
pouco e o seu filho tem de ajudar em casa. Como você, profissional operador de segurança
pública, agiria nessa situação?

O que diz a Doutrina de Proteção Integral

A Constituição Federal diz ainda sobre a Doutrina da Proteção Integral em seu artigo 227,
conforme citado na introdução dessa aula.

O ECA reforça tais direitos em seus artigos 3º, 4º e 5º:

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à


pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-lhes, por lei
ou por Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 6

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outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o


desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de
dignidade.

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público


assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,


discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer
atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Importante!
A Doutrina de Proteção Integral assegura os seguintes direitos da criança e do
adolescente:
-Relacionados à sobrevivência (vida, saúde);
-Relacionados ao desenvolvimento social (educação, lazer, profissionalização,
convivência familiar e comunitária); e
-Relacionados à integridade física, moral e psicológica (respeito, dignidade, liberdade).

O que diz a lei

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, inciso XXXIII, com nova redação dada
pela Emenda Constitucional nº 20, de 16/12/1998, prevê a “proibição de trabalho noturno,
perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos,
salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.”

Importante!
ECA, artigos 60, 65 e 67 e Lei 10.097/00 – Esses artigos falam sobre o direito à
profissionalização e à proteção no trabalho dos adolescentes.

Sugestão de atendimento
Você deve tomar alguns cuidados, sendo um deles, verificar a veracidade do fato que lhe
foi repassado. Caso haja realmente suspeita do trabalho infantil se faz necessário a lavratura de
um boletim de ocorrência com destino a um dos órgãos abaixo que tomarão as providências
necessárias:
- Ministério Público do Trabalho;
(http://www.mpt.gov.br)
- Ministério do Trabalho – Delegacia Regional do Trabalho;
- Ministério Público do Estado – Promotoria Pública;
- Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente; e
- Conselho Tutelar.

Situação prática 3 – Violência contra criança e adolescente

A situação abordada aqui está relacionada à violência doméstica (Ver anexo 2) e sexual
contra criança e adolescente.

Você trabalha próximo a uma escola e em um determinado dia a diretora lhe chama,
tendo em vista que suspeita que uma aluna de 08 anos foi violentada sexualmente pelo seu
padrasto. A diretora suspeitou do fato, pois, estabeleceu um clima de confiança e respeito com a
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tendo esta lhe informado que seu padrasto havia lhe violentado. Como você, profissional
operador de segurança pública, agiria neste caso?

O que diz a Constituição Federal, Código Penal e o ECA


A Constituição Federal prevê em seu artigo 227, parágrafo 4º, que “a lei punirá
severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente”.

A Lei 12.015/ 2009 (Crimes contra a Dignidade Sexual) trouxe a seguinte modificação no
código penal: Estupro de vulnerável ( Art.217- A do Código Penal).

O estupro de vulnerável é a pratica de relações sexuais ou ato libidinoso com menor de


14 anos ou com pessoa que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência. E a pena é de 8 a 15 anos de reclusão, podendo variar de 10 a 20 anos no caso de
lesão corporal grave ou de 12 a 30 anos se resultar na morte da vítima. No estupro de vulnerável
o delito independe do consentimento da vítima e a ação penal é pública incondicionada. (Neste
caso Art 224 foi revogado, pela lei 12.015, e a presunção de violência se tornou um tipo penal
autônomo o Art 217-A).

Pela nova lei 12.015/09, quem praticar ato libidinoso ou relações sexuais com menor de
18 anos e maior de 14 anos, mesmo que essa pessoa já tenha se corrompido por meio da
prostituição, incorre na pena prevista pelo crime de: ”Submeter, induzir ou atrair à prostituição
ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la,
impedir ou dificultar que a abandone”,que varia de 04 a 10 anos de reclusão. (Art. 218 – B § 2º
inciso I).

Sugestão de atendimento
Você não pode esquecer que o caso citado é considerado crime, por isso, é necessário
procurar obter um maior número de informações.

A primeira providência a ser tomada nos casos de suspeita ou confirmação de quaisquer


tipos de maus-tratos contra crianças e/ou adolescentes (dentre eles, a violência sexual) é a
notificação do fato ao Conselho Tutelar.

O ECA (Art. 13 do ECA – A finalidade é promover cuidados voltados para a proteção da


criança e do adolescente, vítimas de violação de seus direitos fundamentais.) estabelece que seja
obrigatório comunicar a esse conselho todos os casos de suspeita e de maus-tratos contra
crianças ou adolescentes:

O ato da notificação inicia um processo que visa interromper as atitudes e


comportamentos violentos, no âmbito da família e/ou por parte de qualquer agressor.

Importante!
Quando não houver Conselho Tutelar, o ECA, em seu artigo 62, prevê que suas funções
serão exercidas pela autoridade judiciária.
É necessária uma atuação conjunta entre os órgãos: polícia, conselhos, Ministério
Público, serviços de assistência, delegacia especializada, dentre outros, para que existam os
encaminhamentos necessários, a fim de garantir os direitos fundamentais da adolescente. O fato
deve ser lavrado em boletim de ocorrência, tendo em vista que é crime e com destinação à
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Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente. Caso não haja essa


delegacia, deverá ser encaminhada à delegacia local.

O cuidado institucional e profissional é um direito que a criança e o adolescente possuem.


Para o profissional, prover a assistência e notificar são deveres.

Você, operador de segurança pública, saiba que em caso de situações agudas de violência
sexual (ocorridas num prazo igual ou inferior a 72 horas), a vítima deve ser imediatamente
encaminhada a um hospital de referência para esse tipo de atendimento. Nele, a vítima recebe
atendimento médico e psicossocial especializados, medicação preventiva de doenças
sexualmente transmissíveis (DST) e outras orientações.

Praticando

Procure saber:
- Qual(is) hospital(is) em seu município é considerado de referência para esse tipo de
atendimento?

- Qual o número do disque-denúncia de violência sexual contra crianças e adolescentes


ou disque-denúncia de direitos humanos?

- No caso de flagrante de violência sexual contra criança e adolescente, tanto de abuso


como de exploração sexual, a polícia deve ser acionada.

Agora que você estudou sobre os direitos da criança e do adolescente, pesquise mais
sobre o assunto visitando os sites indicados e leia as legislações internacionais sobre esses
direitos.

- Associação Municipal de Assistência Social – AMAS


(http://www.amas.org.br/)

- DHNET
(http://www.dhnet.org.br/)

- Ministério da Justiça
(http://www.mj.gov.br)

Legislações internacionais sobre o direito das crianças

- Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção da Delinqüência Juvenil – Diretrizes de


RIAD, de 1988. Dispõe sobre a prevenção do delito e tratamento do delinqüente.
(http://www.cfappm.ma.gov.br/pagina.php?IdPagina=811)

- Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça de Menores –


Regras de Beijing adotadas pela Assembléia Geral da ONU, Resolução 40/33, de 29 de
novembro de 1985.
Dispõe sobre a defesa dos direitos das crianças e adolescentes que, por circunstâncias
variadas, tornam-se alvo da ação da justiça.
(http://www.direitoshumanos.usp.br/counter/Onu/Crianca/texto/texto_5.html)

- Declaração de Direitos da Criança – Resolução 1386, da Assembléia Geral, de 20 de


novembro de 1959.
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(http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf)
Conclusão

O Estatuto da Criança e do Adolescente trouxe grande esperança a milhões de


brasileirinhos que sonham com um futuro melhor, a salvo da exploração, da negligência e da
violência.

Lembre-se de que esse estatuto também foi feito para seus filhos, netos, sobrinhos, enfim,
conhecer sobre ele fará você conhecer mais sobre seus próprios direitos.

Conclusão do curso

Neste curso, você conheceu o universo dos grupos vulneráveis. Você pôde perceber que
faz parte dele uma parcela significativa da população brasileira, que sofre com o preconceito
social e, muitas vezes, com a falta de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de
suas vidas.

Você estudou sobre como lidar com cada grupo e em como atender às suas necessidades
básicas.
Dentro dessa nova visão, você terá condições de ajudar muito mais a essas pessoas,
lidando com elas de forma adequada e orientando-as quando necessário.

Tenha sempre em mente que saber respeitar os grupos vulneráveis é um gesto de


humanidade.
Conquistar a confiança e o reconhecimento desses grupos é um indicativo de evolução
para a segurança pública no Brasil. Por isso, não perca tempo! Comece hoje mesmo a colocar em
prática o que aprendeu.

Bom trabalho!

Referências bibliográficas

AMAS. Caderno de formação para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e


adolescentes. Belo Horizonte: 2007 – 1ª edição.

BONDARUK, Roberson Luiz. O império das casas abandonadas: crianças e adolescentes


“de rua” e a polícia. Curitiba: Editora Universitária Champagnat, 2005.

BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência
doméstica e familiar contra a mulher. Brasília, 2006.

BRASIL, Constituição da República Federativa do.


Disponível em: http://www.legis.senado.gov.br/con1988.htm - acesso em 14/04/2008

BRASIL, Lei n º 4.898, de 09 de dezembro de 1965.

BRASIL, Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente.

BRASIL, Lei nº 9.455, de 07 de abril de 1997.

BRASIL, Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 – Estatuto do Idoso.

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Referências bibliográficas

AMAS. Caderno de formação para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e


adolescentes. Belo Horizonte: 2007 – 1ª edição.

BONDARUK, Roberson Luiz. O império das casas abandonadas: crianças e adolescentes


“de rua” e a polícia. Curitiba: Editora Universitária Champagnat, 2005.

BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência
doméstica e familiar contra a mulher. Brasília, 2006.
BRASIL, Constituição da República Federativa do.
Disponível em: http://www.legis.senado.gov.br/con1988.htm - acesso em 14/04/2008

BRASIL, Lei n º 4.898, de 09 de dezembro de 1965.

BRASIL, Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente.

BRASIL, Lei nº 9.455, de 07 de abril de 1997.

BRASIL, Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 – Estatuto do Idoso.

MEDRADO, Bendito e PEDROSA, Cláudio. Pelo fim da violência contra as mulheres –


Um compromisso também para os homens. Brasília: AGENDE, 2006.

OLIVEIRA, Maria Luiza Moura e CAFÉ, Mônica Barcellos. Cartilha Violência


doméstica: conhecendo para proteger e prevenir. Goiânia: 2006.

ONU. Código de conduta para os funcionários responsáveis pela aplicação da lei, 17 de


dezembro de 1979.

ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).

ONU. Conjunto de princípios para a proteção de todas as pessoas sujeitas a qualquer


forma de detenção ou prisão (Resolução nº 43/173, ONU, 1988).

ONU. Princípios básicos sobre o uso da força e armas de fogo pelos funcionários
responsáveis pela aplicação da lei (Adotados por consenso em 7/09/1990, no VIII Congresso das
Nações Unidas) ONU. Pacto internacional de direitos individuais, civis e políticos e Pacto
internacional dos direitos econômicos, sociais e culturais (ONU, 1966).

ONU. Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou


degradantes (ONU, 1984), e Convenção interamericana para prevenir e punir a tortura (OEA,
1985).

PASTORAL DO POVO DA RUA. Pastoral do povo da rua: vida e missão. São Paulo:
Loyola, 2003. 87 p.

POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS (PMMG). Seção de Emprego Operacional.


Diretriz para a produção de serviços de Segurança Pública nº 08. Atuação da Polícia Militar de
Minas Atuação Policial Frente aos Grupos Vulneráveis – Módulo 6

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Gerais segundo a filosofia dos direitos humanos. Belo Horizonte, 2004. ONU.
Convenção sobre os direitos da criança (1989).

REVISTA VIRTUAL DE DIREITOS HUMANOS. Brasília: OAB, 2002 – Ano 2 – nº 2.

ROVER, Cees de. Direitos humanos e direito internacional humanitário para forças
policiais e de segurança. 4ª edição. Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Genebra: 2005.

SILVA, Maria Lúcia Lopes da. Mudanças no mundo do trabalho e o fenômeno da


população em situação de rua no Brasil: 1995-2005. Dissertação de mestrado, curso de Serviço
Social, Unb, Brasília, 2006.

Sumário executivo. Pesquisa nacional sobre a população em situação de rua – Ministério


do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. 2008. Contribuição: Pastoral do Povo da Rua e
Fórum Mineiro de Direitos Humanos.

Este é o final do módulo 6

Atendimento policial às crianças e adolescentes

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para acesso e
impressão.

Neste módulo são apresentados exercícios de fixação para auxiliar a compreensão do


conteúdo.

O objetivo destes exercícios é complementar as informações apresentadas nas


páginas anteriores.

1. Qual a diferença entre abuso sexual e exploração sexual?

2. Defina corretamente criança e adolescente, segundo o ECA.

3. Os jornais noticiaram, recentemente, um fato no mínimo inusitado. Uma criança de


quatro anos que atirou uma pedra em sua vizinha, também criança, foi detida por policiais e
levada até uma delegacia. Faça uma análise desse caso e, se possível, cite os dispositivos do ECA
em que estariam enquadrados esse caso?
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Respostas:

1. Embora a situação de exploração envolva o abuso sexual, a exploração refere-se àquele


tipo de violência que possui fins comerciais e tem como intermediário um aliciador – pessoa que
lucra com a venda do sexo com meninos e meninas.

2. O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 2º, definiu criança como a


pessoa até doze anos de idade incompletos e, adolescente, aquele entre doze e dezoito anos de
idade.

3. O fato trata de uma ação policial, onde os envolvidos desconheciam totalmente os


procedimentos a serem adotados nesse caso. Uma criança de quatro anos ainda não tem noção do
que está fazendo, bastaria aos policiais conversar com os pais de ambas as crianças e resolver
tudo de forma amistosa, sem causar impacto às crianças envolvidas. Segundo o ECA, em caso de
ato infracional cometido por crianças, só cabe medidas de proteção. (Artigos 105 e 101, do ECA)
Este é o final do módulo 6

Atendimento policial às crianças e adolescentes

Além das telas apresentadas, o material complementar está disponível para acesso e
impressão.

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Anexos:
Anexo 1

Trabalho Infantil: informações sobre a questão


CAP Cláudio Martins Duani – MMG

Você, como profissional operador de segurança pública, sabe o que vem a ser o trabalho
infantil?

Trabalho Infantil é considerado a atividade econômica e/ou de sobrevivência, com ou


sem finalidade de lucro, remunerada ou não, realizada por crianças e adolescentes com idade
inferior a 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir de 14 anos.

Qual é a principal causa do trabalho infantil?

A pobreza é a principal causa do trabalho infantil. Para sobreviver, pais colocam seus
filhos no trabalho bem cedo. Há também a falsa visão do trabalho como fator de formação da
criança e do adolescente, como se fosse a única porta para que tenham mais oportunidades no
futuro e não fiquem nas ruas, sujeitos à violência e à
marginalidade. No entanto, o trabalho precoce prejudica o desenvolvimento sadio da
criança e do adolescente, assim como os afastam da escola, tirando suas chances de se preparar
para o trabalho e a cidadania plena.

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Anexo 2

Violência doméstica contra crianças e adolescentes

Cláudio Martins Duani

Você sabe qual o significado de violência doméstica?

Segundo AZEVEDO (1995), apud OLIVEIRA e CAFÉ (2006, p. 7), violência doméstica
é:

Todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e
adolescentes que, sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima implica de
um lado uma transgressão do poder/dever de proteção do adulto e, de outro, uma coisificação da
infância, isto é, uma negação do direito que crianças e adolescentes têm de serem tratados como
sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento.

Não se pode deixar de dizer que essa violência é uma forma de violação dos direitos
essenciais da criança e do adolescente como pessoa.

Para se conseguir perceber os sinais emitidos por aquelas crianças ou adolescentes que
sofreram violência é necessário compreender alguns indicadores, conforme cada tipo de
violência.

Veja quais são os indicadores:

O que é violência física?

Segundo OLIVEIRA e CAFÉ (2006, p. 8):

É o uso da força física de forma intencional, não-acidental, por um agente agressor


adulto.
Normalmente, esses agentes são os próprios pais ou responsáveis que, muitas vezes,
machucam a criança ou adolescente sem a intenção de fazê-lo. A violência física pode deixar ou
não marcas evidentes e nos casos extremos pode causar a morte.

Indicadores físicos da criança/adolescente:


- Marcas no corpo;
- Lesões que não se ajustam à causa alegada;
- Queimaduras e hematomas em diferentes estágios de cicatrização; e
- Fraturas freqüentes.

Alguns comportamentos que a criança/adolescente pode apresentar:


- Muito agressivo ou apático;
- Depressivo;
- Mentiras (está sob ameaça ou medo);
- Dificuldade de aprendizado;
- Não quer que seus problemas sejam comunicados aos responsáveis; e
- Fugas de casa.

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O que é violência psicológica?

De acordo com Maria Luiza e Mônica Barcellos (2006, p. 9):

Trata-se de uma forma quase invisível de violência, pois pode passar despercebida por
não deixar marcas nem cicatrizes. No entanto, trata-se de um conjunto de atitudes, palavras e
ações para envergonhar, censurar e pressionar a criança de modo permanente. Ela ocorre quando
se xinga, se rejeita, se isola, se aterroriza, se exige demais das crianças e dos adolescentes, ou
mesmo, os utiliza para atender as necessidades dos adultos. Pode trazer graves danos ao
desenvolvimento emocional, físico, sexual e social da criança.

Indicadores físicos da criança/adolescente:


- Problemas de saúde;
- Obesidade;
- Afecções da pele;
- Comportamento infantil; e
- Urina na cama ou na roupa.

Comportamento da criança/adolescente:
- Medo;
- Dificuldade de acreditar que é capaz e importante;
- Depressão, às vezes com tendência suicida;
- Baixa auto-estima;
- Angústia, agressões e condutas anti-sociais;
- Dificuldade de aprendizado; e
- Comportamentos extremos de agressividade ou de timidez.

O que é violência sexual?

A violência sexual contra criança e adolescente deve ser entendida como um crime e uma
violação aos seus direitos fundamentais, podendo ocorrer nas formas de abuso e exploração
sexual.

O que é abuso sexual?

É definido como uma situação em que uma criança ou adolescente é usado(a) para a
gratificação sexual de um adulto ou de um adolescente mais velho, configurando-se em uma
relação de poder e dominação.

O abuso sexual pode ocorrer com contato físico (como numa carícia com intenção sexual,
na masturbação, na tentativa de relação sexual, na prática de sexo oral, vaginal ou anal) ou sem
contato físico (como no assédio sexual, verbal ou com gestos, na exibição dos órgãos genitais ou
na pornografia).

O que é exploração sexual?

Caracteriza-se pela utilização sexual de crianças e adolescentes, com fins comerciais e de


lucro, seja levando-os a manter relações sexuais com adultos ou adolescentes mais velhos, seja
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utilizando-os para a produção de materiais pornográficos, como revistas, filmes, fotos,


vídeos, sites na internet, etc.

As principais formas de exploração sexual são a venda do corpo – em rodovias ou em


estabelecimentos como bordéis, bares, casas noturnas ou em outros lugares; a pornografia –
produção e/ou venda de imagens e filmes eróticos que tenham crianças e/ou adolescentes;
o tráfico e venda com propósitos sexuais; aliciamento, rapto, transferência e hospedagem de
crianças e adolescentes, e o turismo sexual – uso de crianças e adolescentes para servir a turistas
nacionais e estrangeiros.

Você, após ler os conceitos de abuso e exploração sexual, saberia diferenciar as duas
formas de violência sexual?

Na exploração sexual, o adulto sempre oferece vantagens econômicas à criança e/ou


adolescente, como, por exemplo, dinheiro, roupas, brinquedos ou comida. Já no abuso sexual
benefícios econômicos não estão envolvidos.

Aquele que abusa, geralmente é uma pessoa conhecida, como o padrasto, o tio ou um
amigo, simplesmente usa do poder que exerce sobre a criança e/ou adolescente, valendo-se, por
exemplo, dos papéis de confiança e proteção.

Indicadores específicos de violência sexual:


- Lesões nas zonas genitais e/ou anal;
- Sangramento pela vagina e/ou ânus;
- Infecção genital não pré-existente;
- Gravidez;
- DST (Doenças sexualmente transmissíveis);
- Qualquer dos indicadores anteriores junto com sintomas de maltrato físico
(hematomas, escoriações, etc.); e
- Expressões de terror, tristeza, abatimento profundo e tentativas de suicídio.
No caso de exploração sexual comercial podem aparecer como indicador o de
surgimento de objetos pessoais, brinquedos, dinheiro e outros bens, que estão além das
possibilidades financeiras da criança ou adolescente e da sua família.

Comportamento da criança/adolescente:
- Mudanças extremas, súbitas e inexplicáveis no apetite, humor e desempenho escolar;
- Comportamento agressivo, pesadelo, gritos ou agitação noturna;
- Desenvolvimento de brincadeiras sexuais persistentes com amigos, animais ou
brinquedos;
- Comportamento sexualizado da criança, não adequado à sua fase de
desenvolvimento;
- Atitudes de sedução com adultos;
- Medo extremo de uma determinada pessoa da família ou conhecido;
- Resistência de voltar para casa depois da escola; e
- Fugas de casa.

Para saber mais


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Leia algumas garantias legais de proteção de crianças e adolescentes que fundamentam o


enfrentamento da violência sexual.
Art. 227 da CF/88.
Arts. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 13, 15, 17, 18 e 86 do ECA/90.

Referência bibliográfica

OLIVEIRA, Maria Luiza Moura e CAFÉ, Mônica Barcellos. CARTILHA VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA: CONHECENDO PARA PROTEGER E PREVENIR. Goiânia: 2006.

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AtuacaoPolicialFrenteGruposVulneraveis_Mod1
AtuacaoPolicialFrenteGruposVulneraveis_Mod2
AtuacaoPolicialFrenteGruposVulneraveis_Mod3 JANEIRO/2.004 Encarregado da
Aplicação da Lei – é o agente público, civil Organização Encarregada da Aplicação da Lei – para
esta Dire Para sistematização didático-pedagógica da filosofia de Dir 4 CONDUTA ÉTICA E
LEGAL DO POLICIAL CAPÍTULO V 5 DEVERES E FUNÇÕES DO POLICIAL CAPÍTULO
VI 6 PROCEDIMENTO POLICIAL-MILITAR 6.5.2 Violência contra a mulher 6.5.3 Mulher
capturada 6.5.4 Mulher detida 6.5.5 Mulher vítima da criminalidade e do abuso de poder 8
RECOMENDAÇÕES FINAIS Distribuição: todas as Unidades da Corporação. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
AtuacaoPolicialFrenteGruposVulneraveis_Mod4
AtuacaoPolicialFrenteGruposVulneraveis_Mod5
AtuacaoPolicialFrenteGruposVulneraveis_Mod6