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É com muita relutância que eu ouso escrever sobre a prática da oração: em primeiro lugar

porque estou longe de possuir a perfeição do hábito, e além disso não conheço suficientemente
a teologia mística da Igreja. No entanto, considerando que o mundo inteiro enlouqueceu e a fé
católica praticamente desapareceu da face da terra, até mesmo os conhecimentos de uma alma
insipiente como a minha podem ser de alguma utilidade.

De forma geral, o ato da oração consiste na elevação da inteligência à contemplação da


verdade suprema: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Sempre que possível deve necessariamente
ser executado de joelhos e com os olhos fechados, por motivos que serão explicitados mais
adiante. Além disso, outra parte do corpo que também desempenha nesse ato uma função
particularmente especial são as nossas mãos.

Quando cobrimos a face com as mãos, por exemplo, tal como Moisés fez diante da sarça
ardente, manifestamos a reverência pela qual nos consideramos indignos de contemplar a
majestade divina. E por outro lado, com a coluna ereta, as mãos abertas e a face voltada pro
céu, nos gratificamos no reconhecimento de que todas as coisas pertencem a Deus, inclusive
nossa própria alma e corpo: o qual não concebemos como uma espécie de invólucro provisório
e descartável, e sim como uma parte integrante e indispensável da nossa estrutura ontológica,
digno de ser amado com o amor de caridade por lhe ser possível participar da glória eterna
onde entraremos, se Deus quiser, em plena comunhão com o corpo, a alma e a divindade de
Nosso Senhor Jesus Cristo, associados aos espíritos angélicos e aos santos homens e mulheres
predestinados pelo Altíssimo a compor sua Santa Igreja.

As mãos unidas para o autoconhecimento, as mãos no chão para o conhecimento da


realidade: detalhes corporais do ato da oração que não se costuma ler nos livros de teologia,
mas que fazem parte da vida mística pela qual prestamos o nosso culto individual e secreto –
isto é, íntimo – ao Criador e Redentor da humanidade.

Em primeiro lugar, realizamos o sinal da Cruz: a palavra Pai é marcada com um toque
sobre a testa, a palavra Filho com um toque sobre o tórax e ao termo Espírito Santo
corresponde um toque sobre cada ombro. Com efeito, por esse ato indicamos a relação entre a
cruz de Cristo e a própria Santíssima Trindade: o Deus verdadeiro em nome do qual falamos e
cujo auxílio e testemunho invocamos.

Em seguida, pelo comando da vontade o corpo se prostra com os cotuvelos no chão, os


olhos se fecham e a inteligência se prepara para o mergulho nas trevas interiores: e se for
persistente, quantas luzes não acabará encontrando!
Sendo Deus mesmo o único que pode nos inspirar a este ato, se você não sabe rezar,
sua primeira oração deve ser justamente: "Deus, me ensine a rezar". E se não compreende,
deve pedir: "Deus, me faça compreender". E se não acredita, suplicar: "Deus, me faça crer".
Não seja como esses fingidos que "só agradecem": pois Deus não tem interesse em bajulações
e agradecimentos hipócritas.

A sua oração íntima deve ser um reflexo sincero do seu estado cognitivo e corporal. E
nesse sentido, se você está cansado, diga que está cansado. E se está confuso, confesse a
própria ignorância. E se está triste, reflita sobre a própria tristeza. Ou seja: não tente encenar
diante de Deus o mesmo teatrinho que você exibe pra sociedade, querendo se fazer de forte e
bonzinho o tempo todo. Saia detrás do arbusto e una-se ao Crucificado, gritando interiormente
"Pai, porque me abandonates?" quantas vezes for preciso, e quem sabe assim você não acaba
descobrindo que, no fundo, Deus nunca te abandonou: mas é você mesmo que se abandona e
se destrói, fazendo do pecado e do autoesquecimento um projeto de vida - ou melhor dizendo,
de morte.

Dentro das trevas interiores, sob o influxo da graça a alma é como um espelho límpido
no qual a ordem da criação se reflete de forma clara e nítida. E assim como Adão permitiu que
Deus passasse diante de seus olhos todos os animais, dando nome a cada um deles,
restaurados pelos sacramentos de Cristo e o poder do Espírito Santo os membros do seu Corpo
Místico permitem que Deus passe diante da inteligência todas as verdades, dando nome
apropriado a cada uma delas, isto é, reconhecendo e confessando as coisas como ela são, por
mais belas ou dolorosas que possam ser.

Dessa forma, rezar não é apenas pedir: é contemplar, compreender e compartilhar...

Deus nos ama e nos conhece até o último fio dos cabelos, e por isso não precisa ser
ensinado sobre o que somos, o que fazemos ou deixamos de fazer. É nós que precisamos do
seu ensinamento.

Quando rezemos não queremos mudar a vontade Deus; pelo contrário, queremos sim
que Deus mude a nossa própria vontade pervertida.

Mais ainda, não rezamos para mudar a vontade imutável de Deus, mas para que Deus mude a
nossa própria vontade pervertida: deve-se sobretudo contemplar o próprio apetite desordenad
Como bem diz o nosso querido Padre Paulo Ricardo de Azevedo, antes de se encontrar
com Deus é preciso encontrar com si mesmo

Deus nos ama como filhos e nos conhece até o último fio

Nós não rezamos para mudar a vontade de Deus, mas para mudar a nossa própria vontade
pervertida: fechamos os olhos para retrair o nosso apetite pela

Deus quer um coração sincero e contrito de quem reconhece os próprios pecados: nada
é mais repugnante do que essa geração dos bonzinhos que acham podem

e a verdadeira arte do agradecimento lhe será dada. Ou seja: não reze pensando queDeposite
todas as suas angústias nas mãos do CriadorMuitas coisas são aprendidas por tentativa e erro,
mas a fé uma virtude sobrenatural que só pode ser concedida pela infusão do Espírito Santo. O
que não quer dizer que alma

que não é uma "humilhação", e sim uma honra: O mistério sublime da Santíssima Trindade é
incompreensível, mas pode ser contemplado indiretamente incompreensível e não pode ser
contemplado diretamente, mas apenas indiretamente: quando proferir a palavra Pai, pense no
universo e em todas as belezas naturais

Trata-se de um simples que encerra Com efeito, cabeça, peito e ombros significam,
respectivamente, inteligência, vontade e ação; por esse ato indicamos a relação entre a Cruz de
Cristo e a própria Santíssima Trindade:

Acima de tudo, deve-se compreender em primeiro lugar que não existe verdadeiro ato de fé
Em primeiro lugar, é necessário o hábito da solidão

Na verdade, sem este culto íntimo é impossível ao homem ser agradável a Deus ou
adiquirir qualquer tipo de virtude. Como diz São Carlos Borromeu, citado por Santo Afonso
Maria de Ligório em seu famoso livro Sobre a Oração, "a oração é o princípio, o progresso e o
complemento de todas as virtudes.". Mais ainda, a oração é a vida da alma, como diz Santo
Agostinho,

Como ensina a tradição budista, três coisas são necessárias para se obter a "iluminação": sila,
samadhi e pranna - o que corresponde aos conceitos de moralidade, meditação e sabedoria.

Os gregos também já sabiam que não existe verdadeira sabedoria sem a prática da
virtude, isto é, a moralidade. E sendo assim, se você é um psicopata mentiroso, desses que
vivem blasfemando compulsivamente contra o Espírito Santo, envolto no conhecimento de
futilidades e escravo dos próprios apetites, incapaz de compreender os seus próprios
sentimentos, então transmitir os mistérios da fé é mesmo pior do que atirar pérolas aos porcos:
pois os porcos ao menos comem as pérolas, enquanto você cospe e vomita sua estupidez sobre
o sangue dos mártires que preservaram as verdades ensinadas por Cristo.

A condição natural mais básica que contribui para o desenvolvimento do hábito da oração é o
hábito da solidão.

De fato, toda a nossa vida interior deve estar fundamentada nesse culto íntimo: pois apenas
diante de Deus o homem encontra-se realmente e cognitivamente situado na estrutura do real.
Nesse sentido, se ajoelhar diante de Deus e conhecer a realidade são uma única e mesma coisa:
pois compreender a realidade significa justamente compreendê-la como a obra de uma
Inteligência Suprema.

Fechando os olhos a alma neutraliza os estímulos do campo visual para se concetrar na


atividade da própria inteligência em união com a vontade: possuimos uma espécie de apetite
insaciável que inclusive
Sob o influxo da graça, a mente em estado de concentração não deve querer atingir as
verdades supremas de uma só vez. Em primeiro lugar, deve se deleitar na contemplação das
pessoas que ama: o pai, a mãe, os familiares de forma geral, os amigos, etc. I

Os tolos, pelo contrário, aqueles que vivem sob o domínio de Satanás,

Os tolos não compreendem essas coisas e por isso as rejeitam: escravizados ao apetite
sensível e o conhecimento. Com efeito, transmitir os mistérios da fé a essas pessoas que
blasfemam compulsivamente contra o Espírito Santo é pior do que atirar pérolas aos porcos:
pois os porcos ao menos comem as pérolas, enquanto os idiotas cospem e vomitam sobre o
sangue dos mártires e a sabedoria dos doutores.