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1.

- A TERRA CONTA A SUA HISTÓRIA

Fig. 1 - Escala do tempo geológico


1.2. - Grandes etapas da história da Terra
Com base no estudo dos fósseis e na datação dos estratos, o Homem construiu
uma escala do tempo geológico.

Esta escala divide-se em várias etapas chamadas Eons, que se dividem em


Eras geológicas. Estas ainda se dividem em Períodos.

A passagem de uma Era para outra deve-se a grandes acontecimentos


biológicos e/ou geológicos, como os seguintes:

Extinções em massa – desaparecimento de grande número de espécies ao


mesmo tempo;

Glaciações – períodos de arrefecimento da Terra; Aquecimentos globais –


períodos de aumento da temperatura média da Terra;

Regressões – recuo do mar em relação à linha de costa;

Transgressões – avanço do mar sobre a linha de costa.

Pré-Câmbrico (4600 M.a. – 540 M.a.)


Aparecimento da Vida (seres unicelulares e procariontes);

Primeiros seres pluricelulares;

Primeiros seres eucariontes;

Final do Pré-Câmbrico – grande diversidade de seres pluricelulares.

Era Paleozóica (540 M.a. – 250 M.a.)


Era das trilobites;

Primeiros peixes e animais com concha;

Aparecimento de vida em meio terrestre (anfíbios, répteis, insetos, fetos e


coníferas);

Ex. de um Período: Câmbrico;

Crise do final do Paleozóico – maior extinção em massa de seres aquáticos e


terrestres.

Era Mesozóica (250 M.a. – 65 M.a.)


Era das amonites e dinossauros;

Primeiros mamíferos e aves;


Primeiras plantas com flor;

Ex. de um Período – Jurássico;

Crise do final do Mesozóico – extinção em massa no meio terrestre e aquático.

Era Cenozóica (65 M.a. – atualidade)


Era dos mamíferos e plantas com flor;

Aparecimento do Homem;

Ex. de um Período – Quaternário.

2. - ESTRUTURA INTERNA DA TERRA

Fig. 1 - Os materiais expelidos pelos vulcões


permitem conhecer o interior da Terra

2.1. - O estudo do interior da Terra


Para conhecer melhor o interior da Terra, os cientistas usam dois tipos de
métodos diferentes:

métodos diretos

 realização de sondagens,
 exploração de materiais rochosos extraídos de minas e
 análise de materiais expelidos pelos vulcões.
métodos indiretos essencialmente a análise do comportamento das ondas
sísmicas.
A Terra conta a sua história
Os cientistas pensam que o Universo teve origem numa grande explosão – o Big Bang
(já deves ter ouvido falar nas aulas de Físico-Química) – há cerca de 13 mil milhões de
anos. No entanto, o nosso planeta só se formou mais tarde, em conjunto com todo o
Sistema Solar, há cerca de 4,5 mil milhões de anos. A vida, por sua vez, também não
existe logo desde o início. Foi há apenas 3.800 milhões de anos que começaram a
aprecer as primeiras formas de vida.

Desde a origem do planeta que este tem sofrido muitas transformações. Também a vida,
desde que surgiu, que evoluiu desde as formas mais simples até ao que hoje
conhecemos.

Como é que os cientistas conhecem o que aconteceu no planeta mesmo antes de o ser
humano ter aparecido?
É sobretudo através do estudo das rochas e dos fósseis que se consegue perceber como é
que o planeta evoluiu. Neste capítulo, falaremos apenas dos fósseis, uma vez que as
rochas serão tratadas num capítulo à parte.

1. Fósseis – o que são?


1.1. Como se forma um fóssil?
1.2. Processos de fossilização

1.2. Importância dos fósseis

2. Grandes etapas da História da Terra

2.1. História da Ciência – A idade da Terra


2.2. Escala do Tempo Geológico
2.3. Eras Geológicas

– Pré-Câmbrico
– Câmbrico
– Paleozóico
– Mesozóico
– Cenozóico
Fósseis
Os fósseis são talvez dos vestígios do passado aqueles que mais interesse têm suscitado
ao Homem. Uma folha “em pedra”, pegadas, dentes, esqueletos, peixes e conchas
marcados nas rochas… é algo que nos marca a memória e, de certo modo, nos desperta a
imaginação.

Fósseis são restos de seres vivos (ou vestígios da sua actividade) que ficaram
preservados nas rochas.
Como restos, consideram-se os ossos, conchas, folhas, enfim, tudo o que possa ter feito
parte do corpo do organismo. A partir da análise deste tipo de fósseis, podemos saber
como era o aspecto geral dos seres vivos.

Concha fossilizada de uma amonite do género Lytoceras

Insecto preservado em âmbar (resina fossilizada)


Tronco de árvore fossilizado

Dentes de tubarão fossilizados


Folhas de uma planta fossilizadas
Trilobite fossilizada. As trilobites eram animais parecidos com os “bichos de conta” (mas um pouco maiores… bem
maiores) que se deslocavam no fundo dos mares do Paleozóico.
No entanto, pegadas, ovos, coprólitos (fezes fossilizadas) também são considerados
fósseis, e no entanto não fazem parte do corpo dos organismos. São vestígios da sua
actividade.

Este tipo de fósseis também se chamam icnofósseis e dão-nos informações muito


importantes sobre a forma como os seres viviam.

Trilhos de pegadas de dinossauros na Pedreira do Galhina, Vila Nova de Ourém (perto de Fátima). Através da análise dos
trilhos podemos saber o tamanho que os animais tinham, se se deslocavam em duas ou quatro patas (estes eram bípedes), se
andavam sozinhos ou em grupo (neste caso vê-se que se movimentavam em grupos, mas não muito grandes).
Pegadas de aves fossilizadas

Monograptus – pistas de reptação. As pistas de reptação são as marcas que os animais deixam ao rastejar pelo solo.

Os ovos dão-nos informações sobre a forma como os animais se reproduziam, tais como quantas crias tinham por ninhada,
em que condições faziam os ninhos, etc.

Os coprólitos são fezes fossilizadas. Dão-nos informações sobre o tipo de alimentação dos seres vivos.
Fósseis e Palentologia

O ramo da Geologia que estuda os fósseis é a Paleontologia e os cientistas que estudam


os fósseis chamam-se paleontólogos.
Paleontologia parece uma palavra muito esquisita. Contudo, tem uma razão de ser.

Resulta da união de duas palavras gregas: Paleo (que significa antigo) e Onthos (que
significa ser, neste caso ser vivo).
-Logia é o sufixo comum ao nome de todas as ciências e vem também de uma palavra
grega: Logos, que significa Ciência, ou conhecimento.
Então Paleo (antigo) + Onto (ser) + Logos (ciência) = Paleontologia (Ciência que
estuda os seres antigos).
Tem lógica, ou não?

A importância dos fósseis

Enquanto registos do passado, os fósseis são extremamente importantes porque nos dão
informações sobre o passado do nosso planeta, de um modo particular:

– Quais os seres vivos que habitaram o nosso planeta e o modo como viviam
– Como é que a vida evoluiu na Terra
– Quais eram as condições do nosso planeta no passado

Como se forma um fóssil?


Bem, antes de mais, deves ter a noção de que não é fácil formar-se um fóssil, pois
normalmente depois de um organismo morrer o seu corpo é decomposto por outros seres
vivos decompositores ou comido por predadores. De um modo geral, as etapas que levam
à formação de um fóssil são as seguintes:
1 – Para se formar um fóssil é necessário que o corpo do ser vivo (animal ou planta)
seja enterrado por sedimentosfinos e protegido da decomposição.
2 – As partes moles decompõem-se (e também algumas partes duras menos resistentes)
devido à atividade dos decompositores que vivem nos sedimentos.
3 – Com o passar do tempo, acumulam-se várias camadas de sedimentos sobre o
organismo. Os sedimentos sofrem processos de mineralização que os transformam em
rocha (atenção: estes processos durante milhões de anos….)

4 – As partes duras do organismo são mineralizadas. Os mesmos processos de


mineralização que atuam sobre os sedimentos acabam por ao mesmo tempo atuar sobre o
fóssil, deixando-o preservado na rocha que entretanto se formou.
5 – Com o passar do tempo, e ao fim de muitos milhões de anos, as camadas onde o fóssil
está enterrado acabam por ser erodidas e trazidas à superfície, expondo o fóssil.

Assim, os restos dos corpos raramente duram tempo suficiente para sofrer mineralização,
que é o processo que vai permitir preservar esses restos. Por isso também é que
normalmente as partes que fossilizam mais facilmente são as partes duras (como os
dentes, conchas ou ossos), já que as partes moles do corpo se decompõem mais
rapidamente.
Quanto mais partes duras tiver o corpo de um organismo, maior é a probabilidade de se
formar um fóssil. Por isso é que é mais provável formar-se um fóssil de um animal (com
esqueleto) do que de uma planta, que praticamente só tem partes moles (a não ser que
seja uma árvore…). Do mesmo modo, se um animal morrer de morte natural terá melhor
probabilidade de fossilizar, pois os predadores comem os animais que caçam.

A imagem seguinte exemplifica bem o que foi dito.

As belemnites eram animais muito parecidos com as lulas de hoje. O seu corpo era maioritariamente constituído por partes
moles, mas tinha no seu interior um esqueleto semi-rígido. Hoje, as partes que restaram destes animais são pequenos
fragmentos, parecidos com balas, que correspondem à parte terminal do esqueleto e que mineralizaram. As partes moles
decompuseram-se.

Condições do ambiente necessárias à fossilização

As condições que impedem a decomposição são, por motivos óbvios, as que facilitam a
formação de um fóssil.

– Ausência de oxigénio. Os organismos decompositoras são aeróbios, isto é, precisam de


oxigénio para sobreviver. Assim, onde não houver oxigénio a atividade destes organismos
é muito reduzida ou quase nula.
– Temperaturas mais baixas. Baixas temperaturas também reduzem a atividade dos
organismos decompositores. É um pouco o que se passa com o teu frigorífico, que usas
para proteger os alimentos durante mais tempo.
– Ambientes de águas calmas. A água é um bom agente transportador de sedimentos.
Esses sedimentos transportados pela água vão enterrar rapidamente o organismo,
protegendo-o da decomposição. Contudo, estes só se depositam sobre o organismo se as
águas não estiverem muito agitadas. O facto de a água normalmente ter uma temperatura
mais baixa que o ambiente terrestre também ajuda a preservar o corpo do organismo.
A escala do Tempo Geológico
Para facilitar o estudo do nosso planeta, o tempo é algo fundamental. Por isso, da mesma
maneira que a História do Homem se encontra dividida em séculos, os séculos em anos,
os anos em meses, os meses em dias, os dias em horas e por aí fora, também a História
da Terra está dividida em períodos que, como deves imaginar, são muito maiores do que
os séculos em que se divide a nossa história.

As maiores divisões são os Éons. São considerados 3 Éons:

– Arcaico (que significa antigo) – Dá-se o aparecimento da vida. No entanto, os seres


vivos são ainda pequenas células muito simples, procarióticas.
– Proterozóico (= vida escondida) – Os seres vivos tornam-se um pouco mais complexos.
Aparecem as primeiras células eucarióticas (isto é, com um núcleo bem definido) e os
primeiros seres pluricelulares, mas ainda muito simples.
– Fanerozóico (= vida visível) – A vida evolui significativamente. Os seres vivos tornam-
se cada vez mais complexos até aquilo que são hoje.
Os dois primeiros Éons (Arcaico e Proterozóico) ocupam uma grande parte da história do
nosso planeta, contudo as formas de vida são muito simples e praticamente não há registo
fóssil que nos mostre como seria a vida nesta altura. É do Fanerozóico que temos mais
informação, e por isso a partir de agora vamos apenas concentrar-nos neste Éon.

A tabela que se segue representa a escala do tempo geológico, que se encontra organizada
desta forma. Também se chama tabela estratigráfica, ou tabela cronoestratigráfica ou
geocronológica, e indica as principais secções em que se divide o tempo geológico
O Fanerozóico divide-se em 3 eras, que (estas sim) tens de conhecer muito bem:

– Paleozóico (paleo= antigo + zóico=vida)


– Mesozóico (meso=meio + zóico)
– Cenozóico (cenos=novo + zóico)
Cada uma das eras subdivide-se ainda em períodos e cada período ainda pode ser
subdividido em épocas. Mas estes nomes não precisas de memorizar. Para já, deves
concentrar-te apenas no nome das Eras.

O período de tempo que antecede o Paleozóico denomina-se de Pré-Câmbrico, pois o


Câmbrico é o primeiro período da era Paleozóica. O termo Pré-Câmbrico designa tudo o
que está para trás.
A tabela seguinte resume os principais acontecimentos que marcaram cada uma das
Eras.
Contudo, se reparares bem, a duração das Eras não é a mesma.

Há Eras que são mais longas do que outras. Por exemplo, o Paleozóico durou cerca
de 297M.a., o Mesozóico durou 183M.a. e o Cenozóico (a era em que vivemos) dura há
65M.a.

Se transformássemos os 4,6 mil milhões de anos da História da Terra num ano só,
verificávamos que o Fanerozóico só teria começado em meados de Novembro, e o ser
humano só teria aparecido nos últimos segundos do último dia de Dezembro. Se clicares
na miniatura que se segue poderás ver com maior pormenor.

Então, o que é que determina o final de uma Era e o princípio de outra?

Transição entre Eras

A transição entre Eras é marcada por acontecimentos muito importantes que


sucederam na Terra e afetaram a vida de uma forma global. Como as extinções em
massa, por exemplo. Alguns fatores que podem provocar extinções são as alterações
climáticas e a alteração do nível das águas do mar.
Uma regressão marinha (A) é o nome que se dá quando o mar recua. Quando o mar
avança sobre a costa, chama-se transgressão (B). Grandes alterações no nível das águas
do mar afectam os habitats dos seres que vivem junto à costa, que podem desaparecer
quando o mar avança, ou desenvolver-se quando o mar recua.

As glaciações podem afetar em muito os seres vivos. Por exemplo, apesar de hoje não existirem glaciares na Serra da Estrela
como o que está representado na figura A, é lá que temos o maior vale glaciar da Europa (B), o que significa que no passado
esta zona já foi muito fria e praticamente desprovida de seres vivos.
Glaciações à escala global e grandes trangressões marinhas são fatores que podem levar
à extinção de um grande número de espécies.

De facto, o que marca a passagem da era Paleozóica para a Mesozóica é uma


grande extinção em massa que levou à morte de muitas espécies marinhas, entre elas as
Trilobites, que dominavam os mares nessa altura.
A passagem do Mesozóico para o Cenozóico (a Era em que vivemos hoje) é também uma
extinção em massa, que levou à morte dos dinossauros.

No entanto, o início do Paleozóico já é marcado por um acontecimento completamente


diferente: o aparecimento de seres vivos com concha. Este acontecimento foi muito
importante porque permitiu que a vida se diversificasse muito, pois pela primeira vez o
corpo dos organismos estava protegido e tornou-se mais resistente. Assim, isso permitiu
também aos organismos crescer mais, pois com um esqueleto (mesmo que seja só
externo) o corpo passa a ter mais suporte.