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Manual de

Licenciamento Ambiental
Guia de procedimentos passo a passo
Federação das Indústrias Serviço de Apoio às Micro e Pequenas
do Estado do Rio de Janeiro - FIRJAN Empresas no Estado do Rio de Janeiro - SEBRAE / RJ
Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira Paulo Alcântara Gomes
Presidente Presidente do Conselho Deliberativo
Isaac Plachta Paulo Maurício Castelo Branco
Presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente Diretor Superintendente
Augusto Cesar Franco Alencar Evandro Peçanha Alves
Diretor Operacional Corporativo
Celina Vargas do Amaral Peixoto
Fernando Sampaio Alves Guimarães Diretores
Superintendente do SESI-RJ e Diretor Regional do SENAI-RJ
Ricardo Wargas
Maury Saddy Gerente da Área de Inovação e Acesso à Tecnológia
Diretor de Meio Ambiente
Dolores Lustosa
Luís Augusto Azevedo
Gerente do Núcleo SEBRAE/RJ de Econegócios e de Biotecnologia
Gerente de Meio Ambiente
Andréa Serpa Brito
Christine Pereira
Técnica do Núcleo SEBRAE/RJ de Econegócios e de Biotecnologia
Especialista em Meio Ambiente

Autoras
Isabelle Ramos Feitosa;
Luciana Santana Lima;
Roberta Lins Fagundes

Sistema FIRJAN
Divisão de Documentação e Normas - Biblioteca
_____________________________________

FIRJAN
F 293p Manual de Licenciamento ambiental : guia de procedimento
passo a passo. Rio de Janeiro: GMA, 2004.

23p. : il.

ISBN

1. Legislação Ambiental. 2.Licenciamento Ambiental. 3. Meio


Ambiente. I. Título.

CDD 628

Março de 2004
Manual de Licenciamento Ambiental
Guia de procedimentos passo a passo

Licenciamento ambiental é uma exigência legal e uma ferramenta do poder públi-

O co para o controle ambiental. E, em muitos casos, apresenta-se como um desafio


para o setor empresarial.
Este manual foi desenvolvido para responder de forma simples e objetiva às freqüentes
dúvidas encontradas nos processos de licenciamento ambiental, como: Qual o órgão
responsável pelo licenciamento? Quais são as etapas deste processo? Quais são os pra-
zos e que licenças são necessárias?
É também objetivo deste manual o levantamento de alguns tópicos relevantes da apli-
cação da legislação ambiental nas empresas. Para isso, o Manual de Licenciamento
Ambiental inclui um roteiro passo a passo de adequação às normas vigentes.

1 - LICENCIAMENTO AMBIENTAL
O que significa Licenciamento Ambiental?
É o procedimento no qual o poder público, representado por órgãos ambientais, autoriza
e acompanha a implantação e a operação de atividades, que utilizam recursos naturais ou
que sejam consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras. É obrigação do empreende-
dor, prevista em lei, buscar o licenciamento ambiental junto ao órgão competente, desde
as etapas iniciais de seu planejamento e instalação até a sua efetiva operação.

Minha empresa é obrigada a ser licenciada? Quais são as ativi-


dades sujeitas ao Licenciamento Ambiental?
Todo empreendimento listado na Resolução CONAMA 237 de 1997 é obrigado a ter CONAMA
Conselho Nacional de Meio
licença ambiental. Assim, é necessário conferir se a sua atividade encontra-se na lista Ambiente
abaixo e, neste caso, seguir com os procedimentos legais para o licenciamento ambiental.

Guia de Procedimentos Passo a Passo 1


ão
o órg tar o , que
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ue lici de
e q de so ivida laçã
t
o. ATIVIDADES OU EMPREENDIMEN
se o a re
Ob tal p utras esta
n n
bie eo es Extração e tratamento de minerais Indústria de material elétrico, eletrônico
am nto d esent - pesquisa mineral com guia de utilização e comunicações
me pr
ncia ejam - lavra a céu aberto, inclusive de aluvião, com ou sem - fabricação de pilhas, baterias e outros acumuladores
lice o est beneficiamento - fabricação de material elétrico, eletrônico e equipa-
nã - lavra subterrânea com ou sem beneficiamento mentos para telecomunicação e informática
- lavra garimpeira - fabricação de aparelhos elétricos e eletrodomésticos
- perfuração de poços e produção de petróleo e gás
natural Indústria de material de transporte
- fabricação e montagem de veículos rodoviários e fer-
Indústria de produtos minerais não roviários, peças e acessórios
metálicos - fabricação e montagem de aeronaves
- beneficiamento de minerais não metálicos, não asso- - fabricação e reparo de embarcações e estruturas flu-
ciados à extração tuantes
- fabricação e elaboração de produtos minerais não
metálicos tais como: produção de material cerâmico, Indústria de madeira
cimento, gesso, amianto e vidro, entre outros. - serraria e desdobramento de madeira
- preservação de madeira
Indústria metalúrgica - fabricação de chapas, placas de madeira aglomerada,
- fabricação de aço e de produtos siderúrgicos prensada e compensada
- produção de fundidos de ferro e aço / forjados / - fabricação de estruturas de madeira e de móveis
arames / relaminados com ou sem tratamento de
superfície, inclusive galvanoplastia Indústria de papel e celulose
- metalurgia dos metais não-ferrosos, em formas - fabricação de celulose e pasta mecânica
primárias e secundárias, inclusive ouro - fabricação de papel e papelão
- produção de laminados / ligas / artefatos de metais - fabricação de artefatos de papel, papelão, cartolina,
não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, cartão e fibra prensada
inclusive galvanoplastia Indústria de borracha
- relaminação de metais não-ferrosos , inclusive ligas - beneficiamento de borracha natural
- produção de soldas e anodos
- fabricação de câmara de ar e fabricação e recondi-
- metalurgia de metais preciosos
cionamento de pneumáticos
- metalurgia do pó, inclusive peças moldadas
- fabricação de laminados e fios de borracha
- fabricação de estruturas metálicas com ou sem trata-
- fabricação de espuma de borracha e de artefatos de
mento de superfície, inclusive galvanoplastia
- fabricação de artefatos de ferro / aço e de metais espuma de borracha , inclusive látex
não-ferrosos com ou sem tratamento de superfície, Indústria de couros e peles
inclusive galvanoplastia - secagem e salga de couros e peles
- têmpera e cementação de aço, recozimento de - curtimento e outras preparações de couros e peles
arames, tratamento de superfície - fabricação de artefatos diversos de couros e peles
Indústria mecânica - fabricação de cola animal
- fabricação de máquinas, aparelhos, peças, utensílios e Indústria química
acessórios com e sem tratamento térmico e/ou de - produção de substâncias e fabricação de produtos
* Anexo 1 da Resolução
superfície químicos
CONAMA 237/ 97.
Fonte: www.mma.gov.br/conama - fabricação de produtos derivados do processamento

2 Manual de Licenciamento Ambiental


TOS SUJEIToS AO LICENCIAMENTO AMBIENTAL*
de petróleo, de rochas betuminosas e da madeira e derivados de origem animal - tratamento/disposição de resíduos especiais tais
- fabricação de combustíveis não derivados de - fabricação de conservas como: de agroquímicos e suas embalagens usadas e
petróleo - preparação de pescados e fabricação de conservas de serviço de saúde, entre outros
- produção de óleos/gorduras/ceras vegetais-ani- de pescados - tratamento e destinação de resíduos sólidos
mais/óleos essenciais vegetais e outros produtos da - preparação , beneficiamento e industrialização de urbanos, inclusive aqueles provenientes de fossas
destilação da madeira leite e derivados - dragagem e derrocamentos em corpos d’água
- fabricação de resinas e de fibras e fios artificiais e - fabricação e refinação de açúcar - recuperação de áreas contaminadas ou
sintéticos e de borracha e látex sintéticos - refino / preparação de óleo e gorduras vegetais degradadas
- fabricação de pólvora/ explosivos/ detonantes/ - produção de manteiga, cacau, gorduras de origem
munição para caça-desporto, fósforo de segurança e animal para alimentação Transporte, terminais e depósitos
artigos pirotécnicos - fabricação de fermentos e leveduras - transporte de cargas perigosas
- recuperação e refino de solventes, óleos minerais, - fabricação de rações balanceadas e de alimentos - transporte por dutos
vegetais e animais preparados para animais - marinas, portos e aeroportos
- fabricação de concentrados aromáticos naturais, - fabricação de vinhos e vinagre - terminais de minério, petróleo e derivados e pro-
artificiais e sintéticos - fabricação de cervejas, chopes e maltes dutos químicos
- fabricação de preparados para limpeza e polimen- - fabricação de bebidas não alcoólicas, bem como - depósitos de produtos químicos e produtos
to, desinfetantes, inseticidas, germicidas e fungicidas engarrafamento e gaseificação de águas minerais perigosos
- fabricação de tintas, esmaltes, lacas , vernizes, - fabricação de bebidas alcoólicas
Turismo
impermeabilizantes, solventes e secantes
Indústria de fumo - complexos turísticos e de lazer, inclusive parques
- fabricação de fertilizantes e agroquímicos
- fabricação de cigarros/charutos/cigarrilhas e outras temáticos e autódromos
- fabricação de produtos farmacêuticos e veterinários
atividades de beneficiamento do fumo
- fabricação de sabões, detergentes e velas Atividades diversas
- fabricação de perfumarias e cosméticos Indústrias diversas - parcelamento do solo
- produção de álcool etílico, metanol e similares - usinas de produção de concreto - distrito e pólo industrial
- usinas de asfalto
Indústria de produtos de matéria Atividades agropecuárias
- serviços de galvanoplastia
plástica - projeto agrícola
- fabricação de laminados plásticos Obras civis - criação de animais
- fabricação de artefatos de material plástico - rodovias, ferrovias, hidrovias , metropolitanos - projetos de assentamentos e de colonização
- barragens e diques
Indústria têxtil, de vestuário, calçados - canais para drenagem Uso de recursos naturais
e artefatos de tecidos - silvicultura
- retificação de curso de água
- beneficiamento de fibras têxteis, vegetais, de - exploração econômica da madeira ou lenha e sub-
- abertura de barras, embocaduras e canais
origem animal e sintéticos produtos florestais
- transposição de bacias hidrográficas
- fabricação e acabamento de fios e tecidos - atividade de manejo de fauna exótica e criadouro
- outras obras de arte
- tingimento, estamparia e outros acabamentos em de fauna silvestre
peças do vestuário e artigos diversos de tecidos Serviços de utilidade - utilização do patrimônio genético natural
- fabricação de calçados e componentes p/ calçados - produção de energia termoelétrica - manejo de recursos aquáticos vivos
-transmissão de energia elétrica introdução de espécies exóticas e/ou geneticamente
Indústria de produtos alimentares e - estações de tratamento de água modificadas
bebidas - interceptores, emissários, estação elevatória e - uso da diversidade biológica pela biotecnologia
- beneficiamento, moagem, torrefação e fabricação tratamento de esgoto sanitário
de produtos alimentares - tratamento e destinação de resíduos industriais
- matadouros, abatedouros, frigoríficos, charqueadas (líquidos e sólidos)

Guia de Procedimentos Passo a Passo 3


Por que devo licenciar minha atividade?
1 – O Licenciamento Ambiental é a base estrutural do tratamento das questões ambien-
tais pela empresa. É através da Licença que o empreendedor inicia seu contato com o
órgão ambiental e passa a conhecer suas obrigações quanto ao adequado controle ambi-
ental de sua atividade. A Licença possui uma lista de restrições ambientais que devem ser
A Lei Federal 6.938/81 seguidas pela empresa.
instuitui a Política Nacional
de Meio Ambiente. 2 – Desde 1981, de acordo com a Lei Federal 6.938/81, o Licenciamento Ambiental
tornou-se obrigatório em todo o território nacional e as atividades efetiva ou potencial-
mente poluidoras não podem funcionar sem o devido licenciamento. Desde então, empre-
sas que funcionam sem a Licença Ambiental estão sujeitas às sanções previstas em lei,
incluindo as punições relacionadas na Lei de Crimes Ambientais, instituída em 1998:
advertências, multas, embargos, paralisação temporária ou definitiva das atividades.

3 – O mercado cada vez mais exige empresas licenciadas e que cumpram a legislação
ambiental. Além disso os órgãos de financiamento e de incentivos governamentais, como
o BNDES, condicionam a aprovação dos projetos à apresentação da Licença Ambiental.

A quem compete conceder o Licenciamento Ambiental


da minha empresa?
IBAMA
No Estado do Rio de Janeiro, atuam os três órgãos ambientais ao lado com diferentes
Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos responsabilidades nos níveis Federal, Estadual e Municipal.
Naturais Renováveis Na esfera federal, o IBAMA é o responsável pelo licenciamento de atividades desenvolvi-
órgão federal
das em mais de um estado e daquelas cujos impactos ambientais ultrapassem os limites
FEEMA territoriais.
Fundação Estadual de
Se este não é o caso de sua empresa, é importante saber que a Lei federal 6.938/81
Engenharia do Meio Ambiente
órgão estadual atribuiu aos ESTADOS a competência de licenciar as atividades localizadas em seus li-
mites regionais. Assim, no Rio de Janeiro, o órgão responsável pelo licenciamento é a
SECRETARIA MUNICIPAL
DE MEIO AMBIENTE FEEMA. No entanto, os órgãos estaduais, de acordo com a Resolução CONAMA 237/97,
órgão municipal podem delegar esta competência, em casos de atividades com impactos ambientais locais,

4 Manual de Licenciamento Ambiental


ao município.
É importante ressaltar que a Resolução CONAMA 237/97 determina que o licenciamento
deve ser solicitado em uma única esfera de ação. Entretanto, o licenciamento ambien-
tal exige as manifestações do município, representado pelas Secretarias Municipais de
Meio Ambiente.

2. A LICENÇA AMBIENTAL
CONCEITOS E PARTICULARIDADES

Licença Ambiental
A licença ambiental é o documento, com prazo de validade definido, em que o
órgão ambiental estabelece regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental
a serem seguidas por sua empresa. Entre as principais características avaliadas no proces-
so podemos ressaltar : o potencial de geração de líquidos poluentes (despejos e eflu-
entes), resíduos sólidos, emissões atmosféricas, ruídos e o potencial de riscos de explosões
e de incêndios. Ao receber a Licença Ambiental, o empreendedor assume os compromis-
sos para a manutenção da qualidade ambiental do local em que se instala.

Tipos de Licenças Ambientais


O processo de licenciamento ambiental é constituído de três tipos de licenças. Cada
uma é exigida em uma etapa específica do licenciamento. Assim, temos:

Licença Prévia (LP)


Licença de Instalação (LI)
Licença de Operação (LO)

Guia de Procedimentos Passo a Passo 5


Zoneamento Municipal - O zonea-
Licença Prévia – LP
mento é uma delimitação de áreas em que É a primeira etapa do licenciamento, em que o órgão licenciador avalia a localização e a
os municípios são divididos em zonas de
características comuns. Com base nesta
concepção do empreendimento, atestando a sua viabilidade ambiental e estabelecendo
divisão, a área prevista no projeto é avalia- os requisitos básicos para as próximas fases.
da. Assim, esta avaliação prévia da locali-
zação do empreendimento é importante A LP funciona como um alicerce para a edificação de todo o empreendimento. Nesta
para que no futuro não seja necessária a
realocação ou a aplicação de sanções, etapa, são definidos todos os aspectos referentes ao controle ambiental da empresa . De
como multas e interdição da atividade. início o órgão licenciador determina, se a área sugerida para a instalação da empresa é
tecnicamente adequada. Este estudo de viabilidade é baseado no Zoneamento Municipal.
EIA/ RIMA - Estudo de Impacto
Ambiental e o Relatório de Impacto Nesta etapa podem ser requeridos estudos ambientais complementares, tais como
Ambiental - Exigência legal, instituída pela
Resolução CONAMA 001/86, na implan- EIA/RIMA e RCA, quando estes forem necessários. O órgão licenciador, com base nestes
tação de projetos com significativo impacto
estudos, define as condições nas quais a atividade deverá se enquadrar a fim de cumprir
ambiental. Consiste em um estudo realiza-
do no local, mais precisamente no solo, as normas ambientais vigentes. O anexo I apresenta uma relação de atividades que devem
água e ar para verificar se a área contém
realizar Estudo de Impacto Ambiental durante o licenciamento.
algum passivo ambiental além de prever
como o meio sócio-econômico-ambiental
será afetado pela implantação do Licença de Instalação – LI
empreendimento.
Uma vez detalhado o projeto inicial e definidas as medidas de proteção ambiental, deve
RCA - Relatório de Controle Ambiental –
Documento que fornece informações de ser requerida a Licença de Instalação (LI), cuja concessão autoriza o início da construção
caracterização do empreendimento a ser do empreendimento e a instalação dos equipamentos.
licenciado. Deverá conter: descrição do
empreendimento; do processo de pro- A execução do projeto deve ser feita conforme o modelo apresentado. Qualquer alteração
dução; caracterização das emissões ger-
adas nos diversos setores do empreendi- na planta ou nos sistemas instalados deve ser formalmente enviada ao órgão licenciador
mento (ruídos, efluentes líquidos, efluentes
para avaliação.
atmosféricos e resíduos sólidos). O órgão
ambiental, de acordo com a Resolução
CONAMA 10/90, pode requerer o RCA Licença de Operação – LO
sempre que houver a dispensa do
EIA/RIMA. A Licença de Operação autoriza o funcionamento do empreendimento. Essa deve ser
requerida quando a empresa estiver edificada e após a verificação da eficácia das medi-
das de controle ambiental estabelecidas nas condicionantes das licenças anteriores. Nas
restrições da LO, estão determinados os métodos de controle e as condições de operação.

6 Manual de Licenciamento Ambiental


Nos casos em que a empresa já opera e não tem LP ou LI, como
pode ser licenciada?
Procure o órgão licenciador e exponha a situação. Dependendo das circunstâncias, geral-
mente o empresário será orientado a requerer a LO, visto que os propósitos da LP ou LI
já não se aplicam mais neste caso.

A LO, portanto, deverá ser requerida quando o empreendimento, ou sua ampliação, está
instalado e pronto para operar (licenciamento preventivo) ou para regularizar a situ-
ação de atividades em operação (licenciamento corretivo).

Para o licenciamento corretivo, a formalização do processo requer a apresentação con-


junta de documentos, estudos e projetos previstos para as fases de LP, LI e LO.
Normalmente é definido um prazo de adequação para a implantação do sistema de con-
trole ambiental.

Então, sempre que modificar ou implantar algo na empresa


será necessário licenciá-la de novo? Mesmo que já possua a
licença?
Sim, mas somente da unidade a ser modificada ou implantada.

No entanto é importante verificar se a licença já incluiu as unidades e instalações exis-


tentes ou previstas nas plantas utilizadas no licenciamento. Por isso, qualquer alteração
deve ser comunicada ao órgão licenciador para a definição sobre a necessidade de licen-
ciamento para a nova unidade ou instalação.

Guia de Procedimentos Passo a Passo 7


3. A OBTENÇÃO DAS LICENÇAS AMBIENTAIS
Passos para a obtenção da licença
1º passo: Identificação do tipo de licença ambiental a ser requerida.
Qual a situação de seu empreendimento?

Empresa tenha sido implantada Neste caso, para o licenciamento, deverão ser
NÃO antes do SLAP1 ou já opera suas apresentados conjuntamente documentos, estu-
Empreendimento atividades sem a licença. dos e projetos revistos para as fases de LP e LI
Novo?
SIM LP LI LO

Planejamento e con- Início da implantação das instalações Operação plena da


Etapa em que se encontra a empresa cepção da localiza- do empreendimento ou ampliação atividade.
ção da empresa. das unidades da empresa.

2º passo: 2º passo: Identificação do órgão a quem solicitar a licença.


Conforme detalhado na página 4, empreendimentos cujos os potenciais impactos ultra-
passem os limites do Estado devem ser licenciados pelo IBAMA.
No caso de empreendimentos cujos potenciais impactos ambientais sejam restritos aos
limites do Estado, a competência para o Licenciamento é da FEEMA. Esse é o caso da
grande maioria dos empreendimentos existentes em nosso país, por isso os próximos pas-
sos detalham o procedimento do órgão licenciador estadual. Caso o seu empreendimen-
to deva ser licenciado pelo IBAMA, o procedimento é semelhante, e mais detalhes podem

as cu-
ser obtidos na Gerência Executiva do IBAMA no Rio de Janeiro (Praça XV de Novembro
icitad os do eci-
h
sol s e con ser 42, 8o Andar ,Centro RJ. Telefone: 021 25061734 / 1735 / 1737 – www.ibama.gov.br).
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1 O SLAP (Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras) foi instituído pelo decreto estadual 1.633
de 1977. Ver capítulo 5.

8 Manual de Licenciamento Ambiental


3º passo: Solicitação de requerimento e cadastro industrial disponibilizados pela FEEMA.
Identificada a fase e, consequentemente, o tipo de licença, que será requerida, é
necessário procurar o órgão licenciador e solicitar os formulários de requerimento ade-
quados. Atualmente a FEEMA disponibiliza o cadastro em seu portal na Internet no
endereço http://www.feema.rj.gov.br .

4º passo: Coleta de dados e documentos


Conforme o tamanho da empresa, a tipologia, o grau de risco e a fase de licenciamento
poderá haver diferenciação em relação aos documentos e procedimentos exigidos. O
quadro que se segue, obtido na Central de Atendimento da FEEMA, relaciona os princi-
pais documentos exigidos no licenciamento.

Principais Documentos Exigidos no Licenciamento Ambiental


• Memorial descritivo do processo • Cópias do CPF e Identidade de • Cópias do registro de propriedade • Planta de Localização do empre-
industrial da empresa; pessoa encarregada do contato entre do imóvel ou de certidão de afora- endimento. Poderá a empresa
• Formulário de Requerimento pre- a empresa e o órgão ambiental; mento ou cessão de uso; anexar cópia de mapas do Guia Rex
enchido e assinado pelo represen- • Cópias da Procuração, do CPF e • Cópia da Certidão da Prefeitura ou outros mapas de ruas, indicando
tante legal; da Identidade do procurador, quan- indicando que o enquadramento do sua localização;
• Cópia do CPF e Identidade do do houver; empreendimento está em conformi- • Croquis ou planta hidráulica, das
representante legal que assinar o • Cópia da Ata da eleição da última dade com o a Lei de Zoneamento tubulações que conduzem os despe-
requerimento; diretoria, quando se tratar de Municipal; jos industriais, esgotos sanitários,
• Cópias dos CPFs e Registros nos sociedade anônima, ou contrato • Cópia da Licença ambiental ante- águas de refrigeração, águas pluvi-
Conselhos de Classe dos profission- social registrado, quando se tratar rior, se houver; ais etc. A representação dessas
ais responsáveis pelo projeto, con- de sociedade por cotas de respons- • Guia de Recolhimento (GR) do custo tubulações deverão ser represen-
strução e operação do empreendi- abilidade limitada; de Licença. A efetuação do pagamen- tadas com linhas em cores ou traços
mento; • Cópia do CNPJ- Cadastro Naci- to e custo da taxa referente deverá ser diferentes.
onal de Pessoa Jurídica; orientada pelo órgão;

5º passo: Preenchimento do cadastro de atividade industrial


O cadastro dispõe de orientações
O cadastro de atividade industrial é um documento com informações da empresa que
complementares em cada campo
descreve a sua atividade contendo endereço, produto fabricado, fontes de abastecimento para facilitar a compreensão sobre
os dados exigidos.
de água, efluentes gerados, destino de resíduos e produtos estocados. Outros documen-

Guia de Procedimentos Passo a Passo 9


tos tais como o levantamento de plantas e a descrição dos processos industriais deverão
ser anexados ao cadastro de atividade industrial.

Muitas empresas optam por contratar serviços de empresas ou profissionais especializa-


dos na área para a realização do licenciamento. Porém, nem todas dispõem de recursos
para este serviço. Neste caso, não deixe que isso seja um empecilho, pois as suas dúvidas
podem e devem ser esclarecidas pelo próprio órgão ambiental.

6º passo: Requerimento da licença - Abertura de processo


Nesta ocasião já deverá estar paga
a taxa referente aos custos Preenchido o cadastro industrial e anexados os devidos documentos, procure a Central de
do processo. Atendimento (CA) da FEEMA para a abertura do processo de licenciamento ambiental de
sua empresa. Os documentos serão conferidos e se estiverem corretos será iniciado o
processo de licenciamento.

7º Passo: Publicação da abertura de processo


Saiba que publicações também
A abertura do processo deverá ser publicada em jornal de circulação e no Diário Oficial
deverão ser realizadas no recebimento
de cada licença e nos pedidos do Rio de Janeiro pela empresa. Após realizada a publicação, faça um ofício e protocole
de renovação!
junto com as publicações na FEEMA. Você terá 30 dias para efetuar este procedimento .

Vamos resumir os procedimentos, apresentados até aqui, através do fluxograma abaixo:

PA S S O S N E C E S S Á R I O S PA R A O R E Q U E R I M E N T O DA L I C E N Ç A
Identificar o Tipo de Identificar a quem Solicitar na Feema Formalização /
Requerimento de
Licença a ser pedir a licença o Cadastro de Abertura de
Licença
Requerida Atividade Industrial. Processo **

• Comprovante de pagamento de taxa referente ao custo do processo


• Documentos solicitados*
* Ver tabela anterior.
** Os próximos passos ocorrerão conforme • Cadastro Industrial Preenchido
descrito no Fluxograma do Processo de
Licenciamento Ambiental (mais adiante)

10 Manual de Licenciamento Ambiental


Procedimentos da FEEMA / CECA
Com o requerimento devidamente formalizado, o processo de licenciamento segue as eta-
pas do trâmite interno da FEEMA.

1º procedimento: Análise dos documentos


Após abertura do processo de requerimento de licença, a empresa aguarda a definição da
FEEMA. Neste período, os técnicos da FEEMA analisam os documentos, os projetos e/ou
estudos ambientais apresentados pela empresa.

2º procedimento: Vistoria técnica


Durante o processo de licenciamento a empresa receberá a visita de técnicos da FEEMA
para a verificação das condições do empreendimento. Esta vistoria avalia o atendimento
às exigências realizadas pelo órgão ambiental e acompanha a execução das medidas de
controle propostas pelas empresas em seus planos de ação.
Em qualquer etapa do processo, outras exigências1 podem ser definidas.
A FEEMA, com base nos resultados destes estudos, decide os itens ou parâmetros que
devem ser ajustados, e se a implantação de métodos mais eficazes de controle ambiental
Em qualquer etapa do processo,
é necessária. Neste caso a empresa receberá uma notificação definindo as exigências e outras exigências podem
seus prazos. ser definidas.

3º procedimento: Emissão do parecer técnico deferindo ou não a licença requerida


Após o cumprimento de todas as exigências determinadas, a FEEMA emite um parecer
técnico referente aos dados levantados durante o licenciamento. O parecer é encami-
nhado à presidência da FEEMA, para aprovação ou não da Licença Ambiental. E se a
licença for aprovada é enviada à CECA para a solicitação da emissão.
4º procedimento: Emissão da licença
Deferida a licença, os responsáveis pela empresa receberão uma comunicação e serão
1 Ver quadro - POSSíVEIS EXIGÊNCIAS
convocados a comparecer ao órgão a fim de formalizar o processo.
AMBIENTAIS REQUERIDAS NO PROCESSO
5º procedimento: Publicação DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL -
A empresa deve publicar uma nota sobre o recebimento da licença no Diário Oficial do Capítulo 4
Estado e em um periódico regional (ou local) de grande circulação.

Guia de Procedimentos Passo a Passo 11


Recomendações
Após a publicação, a empresa estará devidamente licenciada. Para assegurar a manutenção de sua licença, seguem algumas recomen-
dações, que merecem muita atenção:
• Observe as restrições da licença pois o não cumprimento destas poderá resultar no cancelamento da licença, além de outras sanções;
• Atente para o prazo de validade da licença e lembre-se de pedir a renovação 120 dias antes do prazo de validade (CONAMA
237,1997);
• Para os casos de LP e LI não haverá renovação conforme descrito no quadro: Prazos de validade das licenças.
• Mantenha sempre disponível, no local onde a atividade está sendo exercida, uma cópia autenticada da licença a fim de evitar pro-
blemas com a fiscalização;
• Qualquer ampliação ou modificação no processo industrial deve ser previamente comunicada à FEEMA;
• É importante controlar continuamente as condições de operação, pois, mesmo licenciada, a atividade não deve causar poluição ambi-
ental. A empresa estará sujeita às sanções impostas pela legislação ambiental2 por qualquer impacto ambiental negativo decorrente
da sua operação, mesmo após o encerramento das atividades.

FLUXOGRAMA DO PROCESSO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL


Formaização / Abertura do Processo
Publicação pela
empresa
Análise de Documentos
Empreendedor
Vistoria Técnica
Órgão Ambiental

Documentos
Há alguma outra solicitação?

NÃO SIM

Encaminhamento do Parecer Ex:


Técnico à Presidência da EIA/RIMA
FEEMA. RCA
análises
etc. Obs: Esse procedimento deve ser
Encaminhamento à CECA repetido para cada licença solicitada:
para emissão da Licença.
Solicitação LP, LI e LO.
atendida

A empresa recebe a
Licença solicitada e publica
o recebimento.
2 Ver - As sanções impostas pela lei ao crime
ambiental - Capítulo 5.2
12 Manual de Licenciamento Ambiental
Quanto tempo demora o processo de licenciamento?
(Qual o prazo para análise e deferimento de licença ?)
Este prazo é estabelecido no Art. 14o da Resolução CONAMA 237/97 abaixo:
“O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de análise diferenciados para
cada modalidade de licença (LP, LI e LO), em função das peculiaridades da atividade ou
empreendimento, bem como para a formulação de exigências complementares, desde que
observado o prazo máximo de 6 (seis) meses a contar do ato de protocolar o requeri-
mento até seu deferimento ou indeferimento, ressalvados os casos em que houver
EIA/RIMA e/ou audiência pública, quando o prazo será de até 12 (doze) meses”.

Acompanhamento das Licenças


De acordo com o art. 6 o da
Após a emissão da licença ambiental a empresa entrará em fase de acompanhamento da
Política Nacional de Meio
operação em que órgãos ambientais poderão fazer vistorias regulares a fim de verificar o Ambiente (Lei 6.938/81),
cumprimento das exigências estabelecidas na licença. Sendo assim, suspender os méto- a fiscalização pode ser exe-
cutada pelo “órgão execu-
dos de controle de poluição ambiental constitui uma infração passível de autuação, de tor: o IBAMA”, por “órgãos
multas, do cancelamento da licença e da interdição da atividade. seccionais: os órgãos
ou entidades estaduais” e
também por “órgãos locais:
Prazos de validade das Licenças Ambientais os órgãos ou entidades
O prazo de validade de cada licença varia de atividade para atividade de acordo com a municipais”.

tipologia, a situação ambiental da área onde está instalada, e outros fatores. O órgão
ambiental estabelece os prazos e os especifica na licença de acordo com os parâmetros
estabelecidos na Resolução CONAMA 237/97, resumidos abaixo:

P R A Z O S D E VA L I DA D E DA S L I C E N Ç A S
Licença Mínimo Máximo
LP O estabelecido pelo cronograma do projeto apresentado Não superior a 5 anos Os prazos só valem se forem obe-
decidas as condições especifi-
LI De acordo com o cronograma de instalação da atividade Não superior a 6 anos
cadas na expedição das licenças.
LO 4 anos 10 anos

Guia de Procedimentos Passo a Passo 13


Renovação de LO
A LP e a LI poderão ter os prazos de validade prorrogados, desde que não ultrapassem os
prazos máximos estabelecidos na tabela anterior. No caso da LO, deve-se requerer a reno-
vação até 120 dias antes do término da validade dessa Licença.

A licença pode ser cancelada? Quando isso acontece?


Sim. A qualquer momento a licença poderá ser cancelada, bastando para isso que a fis-
calização ambiental constate irregularidades do tipo:
• Falsa descrição de informações nos documentos exigidos pelo órgão ambiental para a
concessão da licença;
• Graves riscos ambientais ou à saúde;
• Alteração do processo industrial sem que o órgão ambiental seja informado;
entre outras.

Que tipo de custos eu terei no processo de licenciamento?


Todos os custos envolvidos nas diversas etapas do licenciamento são de
responsabilidade da empresa.
Os principais custos serão referentes às atividades de:
•Recolhimento da taxa referente a cada licença expedida;
•Coletas de dados e informações pertinentes;
•Análises, se necessárias;
•Estudo de avaliação de impacto ambiental, dependendo da licença;
•Implantação de medidas preventivas e/ou corretivas aos impactos negativos;
•Acompanhamento e monitoramento dos impactos;
•Publicações das licenças;

14 Manual de Licenciamento Ambiental


Depois de pedir a Licença, como acompanhar o processo ?

Existem algumas formas de acompanharmos o andamento dos processos:


• pelo setor de protocolo da FEEMA;

• pelo site da FEEMA (http://www.feema.rj.gov.br/licenciamento ambiental.htm).

4- DAS EXIGÊNCIAS AMBIENTAIS

Conforme mencionado no capítulo anterior, durante as etapas do processo de licencia-


mento, algumas exigências podem ser feitas pela FEEMA. O quadro abaixo sintetiza algu-
mas destas, apontando a sua importância e algumas particularidades.

Exigências O que é Importância Procedimentos


A Análise laboratorial que Determinará a necessidade ou não de
um tratamento mais eficaz do efluente Contratar um laboratório de análises
Análise de Efluentes determina as condições e
a fim de adequá-lo aos padrões máxi- físico-químicas devidamente credenci-
ou Caracterização de características dos efluentes
gerados nos processos de mos estabelecidos para o Lançamento ado pela FEEMA.
Efluentes
produção da empresa de Efluentes Líquidos Industriais (NT-
202/ RJ).
Sistema composto por Trata os efluentes industriais, ade- Após constatada a necessidade da
Estação de
diversos dispositivos que quando-os aos padrões estabeleci- implantação da ETE, contratar
Tratamento de
irão tratar os efluentes dos pela legislação ambiental. empresas especializadas no ramo
Efluentes
gerados.
Também conhecido como Existem empresas especializadas, mas
Fossa séptica, é um compar- Evita a sobrecarga do sistema de você mesmo poderá comprar tanques
Tanque Séptico timento que trata os esgotos esgotamento sanitário, tratando em lojas de materiais de construção.
de origem sanitária. adequadamente o esgoto antes Este deverá ser dimensionado para o
É uma exigência legal deter- de ser lançado na rede pública nº de pessoas servidas.
minada pela NT-215.R2

Guia de Procedimentos Passo a Passo 15


A exigência da fossa estará condi-
cionada ao destino final desse esgo-
Certificado de Documento emitido pela to. Se ele seguir para uma estação
CEDAE atestando o desti- Dirigir-se à CEDAE e efetuar o
esgotamento de tratamento de esgotos domésti-
no do esgoto sanitário ger- requerimento desse certificado.
sanitário cos, dependendo do volume gerado,
ado na empresa. não haverá a necessidade da implan-
tação de fossa séptica na empresa.

Verificar sempre se a empresa con-


Nota fiscal de empresa Ao gerar um resíduo, a empresa será tratada para recolher os resíduos de
Comprovante de diretamente responsável por sua des-
responsável pelo recolhi- sua empresa está devidamente
destinação de tinação final. E o empresário poderá
mento dos resíduos sólidos autorizada a exercer a atividade.
resíduos sólidos ser questionado pela FEEMA quanto
gerados. Não deixe de requerer um compro-
ao destino de seus resíduos. vante da empresa.
É um sistema de controle
de resíduos que, mediante Entrar em contato com a FEEMA
uso de formulário próprio, Controla os resíduos gerados, desde para a obtenção sobre os procedi-
Manifesto de permite conhecer e contro- sua origem até a destinação final, mentos adotados para a utilização
Resíduos lar a forma de destinação evitando seu encaminhamento para dos formulários de vinculação ao
dada pelo gerador, trans- locais inadequados. Manifesto.
portador e receptor de resí-
duos.
Objetiva conhecer os tipos e os desti-
É um sistema de controle e nos dados aos resíduos industriais,
Inventário de cadastramento de Resíduos A FEEMA orientará quanto aos
para a elaboração em nível nacional
Resíduos industriais perigosos. procedimentos necessários.
de um plano de gerenciamento de
resíduos industriais perigosos.

Documento que conterá


uma série de ações na oper-
ação do projeto com o obje- Identificados os impactos causados Seguir a orientação da FEEMA que
Plano de Controle tivo de minimizar o impacto pela atividade, o PCA definirá as estabelecerá as diretrizes a serem
Ambiental - PCA ambiental da atividade. medidas de controle e minimização utilizadas na elaboração do PCA.
Conterá os projetos execu- visando solucionar os problemas
tivos de minimização dos detectados.
impactos ambientais avalia-
dos no RCA.

16 Manual de Licenciamento Ambiental


5 - CONHECENDO MELHOR O DIREITO AMBIENTAL

Neste manual são apresentados, de forma bem simplificada, apenas os pontos mais relevantes dos instrumentos que norteiam o licen-
ciamento ambiental, incluindo suas aplicações e instituições.

I N S T R U M E N T O S M A I S U T I L I Z A D O S N O C O N T R O L E E N A P R E S E RVA Ç AO A M B I E N TA L
Instrumentos Particularidades
•Consagra, pela primeira vez, um capítulo exclusivo para meio ambiente.
Apresentou no art. 225, normas e diretrizes para a questão ambiental, dando as diretrizes de
Constituição Federal de
preservação e proteção dos recursos naturais, incluindo neles a fauna e a flora. Entre outras medi-
1988 das, estabeleceu normas de promoção da educação ambiental e definiu o meio ambiente como
bem de uso comum;
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” (Artigo 225 da CF 1988)

•Institui o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA;


•Institui as competências do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA;
Lei Federal n.º 6.938/81 •Cria o EIA/ Rima;
•Cria o Licenciamento Ambiental;
•Estabelece as Responsabilidades Objetiva e Solidária 3;

SLAP
Sistema de •Conjunto de leis, normas técnicas e administrativas que disciplinam a implantação e o funciona-
Licenciamento de mento de qualquer equipamento ou atividade considerada poluidora ou potencialmente poluidora,
Atividades Poluidoras no território dos estados brasileiros.

•Estabelece as sanções criminais aplicáveis às atividades lesivas ao meio ambiente;


•Introduz conceitos da Responsabilidade Criminal para condutas lesivas ao meio ambiente e
Lei Federal da Responsabilização Criminal da Pessoa Jurídica;
n.º 9.605/98 •Prevê a desconsideração da pessoa jurídica para impedir, por exemplo, que quando a
empresa decrete falência os danos ambientais não sejam ressarcidos.

3 Ver - quadro a seguir - tópico 5.1

Guia de Procedimentos Passo a Passo 17


5.1 – Tipos de Responsabilidades e penalidades impostas aos empresários

RESPONSABILIDADES E PENALIDADES DECORRENTES DE CONDUTAS LESIVAS AO MEIO AMBIENTE


Tipo de Responsabilidade Característica Penalidade para o empresário

Em caso de acidente a empresa será obrigada, indepen-

Objetiva Independe de culpa dentemente da existência de culpa, a reparar os danos


causados ao meio ambiente. Aplica-se, preferencial-
mente à esfera cível.

Depende de existência de culpa ou


dolo. A culpa é caracterizada por Em caso de acidente, a apuração de culpa será
Subjetiva
imperícia, imprudência ou neg- necessária para a responsabilização na esfera criminal.
ligência. E o dolo se caracteriza
pela intenção.

É a responsabilidade na qual o poluidor e seus suces-


Será apurada a responsabili- sores, bem como qualquer um que tenha contribuído
dade de todos os agentes para o dano, serão considerados responsáveis perante
Solidária
envolvidos a lei. Nesse caso, os responsáveis responderão, indivi-
dual ou conjuntamente pelo pagamento do total da in-
denização devida.

5.2 – As sanções impostas pela Lei de Crimes Ambientais e pela Política


Nacional de Meio Ambiente
O quadro abaixo ilustra as diferentes esferas de ação e as sanções aplicáveis às pessoas físicas e jurídicas em caso de danos ambi-
entais, detalhando as leis federais 6.938/81 e 9.605/98.

18 Manual de Licenciamento Ambiental


ESFERAS DE AÇÃO DAS SANÇÕES
IMPOSTAS A O CRIME AMBIENTAL
SANÇÕES

• Reparação civil decorrente do dano causado, com


Esfera Cível indenizações à comunidade atingida;
• Recuperação ambiental da área atingida pelo aci-
Independe da existência dente;
de culpa
• Advertência;
• Multa simples entre R$ 50,00 a R$ 50.000.000,00;
Esferas de ação das • Multa diária;
sanções impostas ao • Suspensão de venda e fabricação do produto;
empresário e aos • Embargo da atividade;
agentes co-respon- • Suspensão parcial ou total da atividade;
sáveis (pessoas físicas) • Restritiva de direito:
e à empresa (pessoa Esfera Administrativa - Cancelamento de licença,
jurídica) em caso de - Perda ou suspensão da participação em linhas de
dano ambiental financiamento em estabelecimentos oficiais de
crédito,
- Proibição de participação em licitações públicas
por até 3 anos;

• Penas privativas de liberdade (prisão ou reclusão) –


para pessoas físicas;
• Penas restritivas de direitos:
• Prestação de serviços à comunidade;
• Interdição temporária de direitos;
• Suspensão parcial ou total de atividade;
Esfera Penal • Ressarcimento à vítima ou à entidade pública com
fim social a importância que varia de 1 a 360 salários
Aplicável quando comprovada a mínimos;
existência de culpa ou dolo • Recolhimento domiciliar;

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro


19
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao final desse manual, é importante entendermos:


•que o processo de Licenciamento Ambiental, apesar de ser constituído de várias
etapas
‘ e exigências, é uma obrigação legal;

•que este processo pode ser simplificado quando as empresas buscam trabalhar
com o órgão ambiental desde o início, buscando de forma transparente as
soluções para o desenvolvimento de suas atividades respeitando o meio ambiente;

•que o real objetivo da criação deste instrumento, o processo Licenciamento


Ambiental por órgãos ambientais, é a conciliação do desenvolvimento das ativi-
dades humanas com o respeito ao meio ambiente.

20 Manual de Licenciamento Ambiental


Agradecimentos
Agradecemos por suas valiosas contribuições, ao Professor Paulo Cézar Motta Lins, Dr. em geoquímica ambiental pela UFF e orientador do trabalho
de conclusão de curso, que originou o presente Manual.
Ao professor Jorge Luis Paes Rios, que incentivou o processo de criação do Manual, à Coordenadoria do Curso Superior de Tecnologia em Meio
Ambiente do CEFET-RJ e a todos os docentes envolvidos em nossa graduação.
Aos profissionais da Petrobras Distribuidora e da FEEMA, em especial ao Eng.o José Luiz Pires pela troca de experiências profissionais.
As equipes da FIRJAN e do SEBRAE, que acreditaram neste trabalho e tornaram possível a sua realização e divulgação.
A todos que direta ou indiretamente contribuíram para realização do Manual.

Isabelle Ramos Feitosa, Luciana Santana Lima e Roberta Lins Fagundes

Referências
SILVEIRA, Antônio. Programa Ambiental. Disponível em: PERRONE, Edson Campos. A certificação ambiental. Disponível em:
< http://www.aultimaarcadenoe.com.br > Acesso em: 31 Jan. 2002. < http://www.ufes.br/~dbio/iso14000.htm> Acesso em: 3 set. 2003.

JÚNIOR, Luis Carlos de Martini; GUSMÃO, Antônio Carlos de Freitas. STF- Supremo Tribunal Federal. Glossário Jurídico. Disponível em:
Gestão Ambiental na Industria, ed. Del Rey. Rio de Janeiro, 2003. < http://www.stf.gov.br/noticias/glossario>. Acesso em 3 set. 2003.

SCHEEFFER, Milena. Avaliação da Efetividade do Controle Industrial do RIOS, Jorge Luiz Paes. Gestão Ambiental – Aspectos Legais e Institucionais.
Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. Tese de Mestrado, Apostila de Curso, Rio de Janeiro, 2001.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2001.
ALMEIDA, Josimar Ribeiro; NAGUENAUER, Cristina; MELLO, Cláudia dos Santos.
BRASIL. CONAMA 237 de 19 de dezembro de 1997. Disposição Sobre o Preservação Ambiental: Instrumentos Legais. Promovido por BR/PETRO
Licenciamento Ambiental. LEX: Legislação Ambiental, Rio de janeiro, 1997.
BRAS e UFRJ. Rio de Janeiro, 2000. CD-ROM.
BERNARDO, Christianne. et al. Curso Básico de Direito Ambiental. Comissão
ROCCO, Rogério. et al. Programa de Capacitação e Atualização Profissional
de Direito Ambiental, OAB/RJ, Rio de Janeiro, 2002.
– PROCAP- Coordenação Extensão, Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro,
BAESSO, Elza Aparecida; NUNES, Henrique; PINTO, Jorge Luiz Vasconcelos. Curso 2000.
Gestão para Resíduos. FEEMA/ Conselho regional de Biologia – 2º Região, Rio
MEDAUAR, Odete (Organizadora). Coletânea de Legislação de Direito
de janeiro, 2002.
Ambiental. RT-mini códigos. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.
FEEMA, <http://www.feema.rj.gov.br/licenciamento ambiental.htm> (Atualizada até 08 jan. 2002).

PRESERVE. Licenciamento Ambiental: Projetos Ambientais. Disponível em: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023. Informações e
< http:// www.preservepr.com.br >. Acesso em: 27 out. 2002. Documentação – Referências. Elaboração: citações em documentos. Rio de Janeiro,
2002.
BRUNDTLAND, Gro Harlem (Presidente da Comissão). Relatório da Comissão
Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso Futuro Comum. Ed. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724. Informações e
Fundação Getúlio Vargas, 2º ed., Rio de Janeiro, (ca. 2000). Documentação – Trabalhos Acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

Guia de Procedimentos Passo a Passo 21


ANEXO I

Atividades modificadoras do meio ambiente sujeitas à elaboração do

EIA/ RIMA de acordo com o Art 2º da Resolução CONAMA 01/86.

ATIVIDADES MODIFICADORAS DO MEIO AMBIENTE SUJEITAS À ELABORAÇAO DO EIA/ RIMA

• Estradas de rodagem com 2 (duas) ou mais faixas de rolamento;

• Ferrovias;

• Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos;

• Aeroportos, conforme definidos pelo inciso I, artigo 48 do Decreto-Lei Nº 32, de 18.11.66;

• Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários;

• Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230 Kw;

• Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para quaisquer fins hidrelétricos acima de 10 MW, de
saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, drenagem e irrigação, retificação de cursos d’água, abertura de
barras e embocaduras, transposição de bacias, diques;

• Extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão);

• Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código de Mineração;

• Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos;

• Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10 MW;

• Complexo e unidades industriais e agro-industriais (petroquímicos, siderúrgicos, cloroquímicos, destilarias de álcool, hulha,
extração e cultivo de recursos hidróbios);

• Distritos industriais e zonas estritamente industriais - ZEI;

• Exploração econômica de madeira ou de lenha, em áreas acima de 100 hectares ou menores, quando atingir áreas significativas
em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental;

22 Manual de Licenciamento Ambiental


• Projetos urbanísticos, acima de 100 ha (cem hectares) ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental a critério da
SEMA e dos órgãos municipais e estaduais competentes;

• Qualquer atividade que utilize carvão vegetal, derivados ou produtos similares, em quantidade superior a dez toneladas por dia;

• Projetos Agropecuários que contemplem áreas acima de 1.000 ha, ou menores, neste caso, quando se tratar de áreas significati-
vas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental, inclusive nas Áreas de Proteção Ambiental;

• Nos casos de empreendimentos potencialmente lesivos ao patrimônio espeleológico nacional.

Guia de Procedimentos Passo a Passo 23


Fotografias: Geraldo Viola

Projeto Gráfico: Isabella Perrotta


Diagramação e Fotografismos: Victor Bittencourt
HYBRIS DESIGN
SISTEMA FIRJAN
DMA - Diretoria de Meio Ambiente
GMA - Gerência de Meio Ambiente
meioambiente@firjan.org.br
Tel.: 2563-4157