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GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ

ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA DO CEARÁ

OFICINA TERRITORIALIZAÇÃO PARA CURSO


INTRODUTÓRIO DE GERENCIAMENTO DA
ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Lorena Monteiro
Olga Alencar
Shirley Ramalho
Thayza Miranda

Fortaleza,2012
ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE

“[...] parte integral do sistema de serviços de saúde [...]


...]
Constitui-
Constitui-se no primeiro contado dos indivíduos, famílias
e comunidades com o sistema de saúde, trazendo os
serviços de saúde o mais próximo possível aos lugares de
vida e trabalho das pessoas e constitui o primeiro
elemento de um processo contínuo da atenção”
atenção (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 1978).
AP é uma abordagem que forma a base e
determina o trabalho de todos os outros níveis
do sistema de saúde. É a atenção que organiza
e racionaliza o uso de todos os recursos,
recursos tanto
básicos como especializados,
especializados direcionados para
a promoção,
promoção manutenção e melhora da saúde
(STARFIELD, 2002).
ESF NO BRASIL: ESTRATÉGIA DA
ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE

Reafirma os
princípios SUS Princípios básicos
Universalização, Integralidade e
Descentralização, hierarquização
Integralidade e ESF
Participação da Territorialização e
comunidade e está Cadastramento
estruturada a partir Equipe
da Unidade Básica de multiprofissional
Saúde da Família.
TERRITORIALIZAÇÃO EM SAÚDE

A polissemia do termo território assume diversos


significados [...]. O termo território origina-se do
latim – territorium,
territorium que deriva de terra e que nos
tratados de agrimensura aparece com o
significado de “pedaço de terra apropriada.
apropriada.”(3)
TERRITÓRIO: ABRANGÊNCIA DA ESF

Território-
Território-solo:
solo: espaço geofísico que está dado e completo. ( área
territorial).

Território-
Território-processo:
processo: território de vida pulsante, de conflitos, de
interesses diferenciados em jogo de projetos e de sonhos. Além de
território-solo é ademais, um território econômico, político, cultural
e epidemiológico. Esse é o território do distrito sanitário entendido
como processo social de mudança das práticas sanitárias e é o que
permitirá exercitar a hegemonia do modelo epidemiológico de
saúde.(MENDES,1993)
Milton Santos, propôs o conceito de “território
geográfico” ou “território usado” como uma
mediação entre o mundo e a sociedade nacional
e local, através de interações horizontalizadas
(lugares vizinhos reunidos por uma
continuidade territorial) e verticalizadas
(formadas por pontos distantes uns dos outros,
ligados por todas as formas e processos sociais),
normalizadas pelo capital (6).
território deve ser considerado enquanto um
espaço geográfico,
geográfico mas também social e
político,
político que se encontra em permanente
transformação,
transformação onde vivem grupos sociais
definidos, em que se integram e interagem as
condições de trabalho,
trabalho de renda, de
habitação,
habitação de educação,
educação o meio ambiente,
ambiente a
cultura e as concepções acerca da saúde e da
doença (MONKEN, 2005; BARCELLOS,
1997).
Muito além de ser meramente o espaço político-
político-
operativo do sistema de saúde,
saúde o território do distrito
sanitário ou do município, onde se verifica a
interação população-
população-serviços no nível local,
caracteriza-se por uma população específica,
específica vivendo
em tempo e espaço determinados,
determinados com problemas de
saúde definidos e que interage com os gestores das
distintas unidades prestadoras de serviços de saúde.
Esse espaço apresenta,
apresenta portanto, além de uma
extensão geométrica, um perfil demográfico,
epidemiológico, administrativo, tecnológico, político,
social e cultural, que o caracteriza como um
território em permanente construção (MENDES,
1993).
pressuposto que o processo de
territorialização pode ser um meio
operacional para o desenvolvimento de
vínculo entre os serviços de saúde e a
população, permitindo aproximação para o
entendimento dos problemas e necessidades
de saúde (CASTELLANOS, 1997).
TERRITÓRIO DO DISTRITO SANITÁRIO

Subdividem-se:

Território-
Território-distrito;
Território-
Território-área;
área;
Território-
Território-microárea;
microárea;
Território-
Território-domicílio
TERRITÓRIO
Território-
Território-Distrito
Território-
Território-Área

Território-
Território-
Microárea
Território-
Território-Domicílio
ÁREA DE ABRANGÊNCIA

Base territorial delimitada com base em seu


caráter administrativo, gerencial, econômico e
político-operacional do sistema de saúde

ÁREA DE INFLUÊNCIA
Área que mesmo não pertencendo aos limites
delimitados de um dado território influencia as
ações de saúde de um determinado serviço de
saúde
CARTOGRAFIA
Através de mapas, podem-se sobrepor dados
sócio ambientais e sanitários que permitam
uma melhor focalização de problemas
Facilitar o planejamento de ações
Explicitar uma concepção de espaço geográfico
Visualizar espacialmente informações (5)
OUTRAS CONCEPÇÕES
Territorialidade é formada pelas relações sociais
(existenciais
existenciais e de produção)
produção que se estabelecem no
interior dos territórios constituída também através de
relações concretas com áreas abstratas, tais como
línguas, religiões, tecnologias (1).

• Lugar é o papável
• O espaço da existência e da coexistência
• Espaço do acontecer solidário
• É a sede da resistência da sociedade civil
• Espaço real e efetivo da comunicação, da troca de
informação e da construção política (6).
TERRITÓRIO COMO ESPAÇO
HISTÓRICO EM CONSTRUÇÃO (4)
Aspectos
econômicos

Demográficos,
Historicidade epidemiológicos
e tecnológicos

TERRITÓRIO

Aspectos
Relação de políticos e
poder administrativos

Aspectos
sócio-
culturais
TERRITÓRIO VIVO: FERRAMENTAS
METODOLÓGICAS
Espacializar e analisar os elementos e relações
existentes em uma comunidade
Planejamento estratégico-situacional
Organização dos serviço e das práticas de
vigilância à saúde
A avaliação sistemática das ações e da
situação de saúde da população de uma área de
abrangência (2)
[...] Essa territorialização não se limita à dimensão
técnico-científica do diagnóstico e da terapêutica ou do
trabalho em saúde, mas se amplia à (re)orientação de
saberes e práticas no campo da saúde, que envolve
desterritorializar os atuais saberes hegemônicos e práticas
vigentes (CECCIM,2005).
REFERÊNCIAS
BARCELLOS C, SANTOS SM. Colocando dados no mapa: a escolha da unidade
espacial de agregação e integração de bases de dados em saúde e ambiente através do
geoprocessamento. Informe Epidemiológico do SUS 1997; 6(1):21-29.

BARCELLOS C. Constituição de um sistema de indicadores socioambientais. In:


MINAYO MCS, MIRANDA AC, organizadoras. Saúde e ambiente sustentável:
estreitando nós. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2002. p. 313-329

CASTELLANOS PL. Epidemiologia, Saúde Pública, Situação de Saúde, Condições de


Vida. Considerações conceituais. In Barata RB, organizador. Condições de vida e
situação de saúde. Rio de Janeiro: Abrasco; 1997. p. 31-75.

FERNANDES, D. Perspectivas em Políticas Públicas.


Públicas Belo Horizonte .Vol. II ,
Nº 4. p. 59-68. jul/dez 2009 (1)
FREITAS CM. A Vigilância da Saúde para a promoção da saúde. In: CZERESNIA D,
FREITAS CM. Promoção da Saúde – conceitos, reflexões, tendências. Rio de
Janeiro: Fiocruz; 2003. p. 141-159.
FONSECA, A.F.;CORBO, A.M.D.–O território e o processo saúde-doença . Rio de
Janeiro: EPSJV/Fiocruz, 2007 (2).

GONDIM, G. M. M; MONKEN, M. Territorialização em saúde. Disponível em


www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/tersau.html . Acesso em 1-12-2011 (3)

MENDES, E.V. et alli. Território: Conceitos Chave. In: Distrito Sanitário: o


processo social de mudança das práticas sanitárias do Sistema Único de
Saúde.
Saúde São Paulo, HUCITEC; Rio de Janeiro, ABRASCO, 1993,p. 166-169

MONKEN, M.; BARCELLOS, C.. Vigilância em saúde e território utilizado:


possibilidades teóricas e metodológicas. Cad. Saúde Pública,
Pública Rio de
Janeiro, v. 21, n. 3, Junho,2005.

PEREIRA, M. P. B; BARCELLOS, C. HYGEIA, Revista Brasileira de Geografia


Médica e da Saúde. Disponível em www.hygeia.ig.ufu.br. Acesso em 1-12-2011 (5).

SANTOS, M. Metamorfoses do espaço habitado: fundamentos teóricos e


metodológicos da Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996 (6).