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Contributo no âmbito da consulta pública do projecto de

Loteamento Urbano Quinta das Flores Residence

Exma. Senhora Presidente da CCDR-LVT,

Arquitecta Maria Teresa Mourão de Almeida

Sinta, 28 de Setembro de 2010

Através da presente carta, o Bloco de Esquerda de Sintra vem dar o seu contributo no âmbito da
consulta pública do projecto de Loteamento Urbano Quinta das Flores Residence, doravante
referido como empreendimento.

Na nossa opinião, este empreendimento lesa os interesses da população do concelho de Sintra e, em


particular, daquela que habita nas freguesias para onde está previsto a sua implantação. Nas
próximas páginas, expomos um conjunto de argumentos que sustentam este ponto de vista.

Sobre o enquadramento demográfico e geográfico do Empreendimento

O empreendimento situar-se-á na fronteira entre as freguesias de Agualva e Massamá, no limite do


futuro Parque Natural e Cultural de Colaride.

A freguesia de Agualva tem mais de 50 mil habitantes e está integrada na cidade de Agualva Cacem,
com cerca de 120 mil residentes.

A freguesia de Massamá tem cerca de 30 mil habitantes e está integrada na cidade de Queluz, que
conta com mais de 100 mil habitantes.

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Ambas as cidades, e estas duas freguesias em particular, se debatem com problemas derivados de
quatro décadas de crescimento urbano desregulado e pouco cuidado, tais como as dificuldades de
mobilidade interna, falta de espaços verdes ou equipamentos de saúde, educativos e sociais
insuficientes para responder às necessidades da população.

Este empreendimento irá contribuir para piorar uma situação que já é complicada, pois a
construção de um novo bairro, com 16 prédios de quatro a sete pisos acima do solo, onde irão
habitar cerca de 1800 pessoas, irá continuar ocrescimento urbano e populacional numa zona onde
este deveria ser contido.

Apesar de se estar projectado para a zona de fronteira entre as referidas freguesias, verifica-se que o
bairro que ficará localizado, na sua grande maioria, na Freguesia de Agualva, do que vai resultar:

- isolamento do centro da Freguesia de Agualva, e aos equipamento a que a maioria da população


do bairro terá de recorrer

- Aumento da pressão sobre os equipamentos e a rede viária da freguesia de Massamá;

Por outro lado, o aparecimento de um bairro tão distante do centro da freguesia a que pertence, e tão
próximo do centro de outra freguesia, acabará por gerar a reivindicação de uma mudança dos
limites da Freguesia de Massamá, solução que irá facilitar a vida às pessoas mas não resolverá o
problema do aumento de pressão sobre os equipamentos desta freguesia.

Um exemplo do que acaba de se dizer está hoje a acontecer na Quinta da Barota, urbanização que
pertence a Belas mas cuja população, devido à distância ao centro da sua freguesia e à proximidade
a Massamá , reivindica pertença a esta freguesia;

Sobre a proximidade do empreendimento ao futuro Parque de Colaride

Os 12 hectares onde o empreendimento irá ser implantado situam-se na fronteira de um território


classificado como Espaço Natural e Cultural e para onde a Câmara Municipal de Sintra tem
planeado um Parque Natural e Cultural.

Na verdade, não há distinção entre o Território previsto para o Parque e o território onde o
empreendimento irá surgir, pelo que, face às necessidades de espaços verdes, aquela área deveria
ser considerada como zona natural de alargamento do futuro Parque.

Para tal, é preciso que, no imediato, o empreendimento não seja viabilizado, para que, ao abrigo do

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artigo 72º do Decreto Lei 380/99 de 22 de Setembro, se possa vir a altrerar a classificação de
terreno urbanizavel inscrita no Plano Director Municipal.

Sobre o plano de ordenamento do território em vigor e a necessidade de construção de


habitação no concelho de Sintra e nestas freguesias em particular

A necessidade de uma politica de contenção da expansão urbana no Município de Sintra é


amplamente reconhecida não só pelos moradores e representantes locais dos partidos políticos,
como também por responsáveis políticos da Administração Central e académicos.

O Empreendimento surge num momento em que a revisão do Plano Director Municipal,


fundamental para pôr na Lei medidas de contenção da expansão urbana, já deu tímidos passos mas
ainda não começou de facto. A Câmara de Sintra se comprometeu a rever o PDM durante o presente
mandato;

Existem mais de 300 mil fogos devolutos no território nacional, e que uma parte considerável destes
se situa no concelho de Sintra – no censos de 2001 são apontadas 30 mil, mas é bem possível que
este número tenha aumentado.

É possível observar, nas urbanizações de ambas as freguesias, e nas cidades onde estas estão
englobadas, que existem dezenas de casas vazias e para venda (muitas delas em empreendimentos
deste mesmo promotor).

Estes argumentos reforçam a ideia de que a construção deste empreendimento não se justifica, uma
vez que, aliada a necessidade de contenção do betão, não existe necessidade de nova habitação;

Alguns aspectos que não considerados no Resumo Não Técnico do Estudo de impacto
Ambiental

Da leitura do Resumo Não Técnico do Estudo de Impacto Ambiental (RNTEIA) e do


conhecimento que temos do terreno, destacam-se algumas questões que não foram tidas em conta
ou não estão suficientemente esclarecidas, nomeadamente:

Proximidade a Linhas de Alta Tensão

Na zona da intervenção, ou na sua fronteira, existe um corredor de linhas Alta Tensão que não é
mencionada no RNTEIA. Sabemos a polémica que a proximidade das linhas de Alta Tensão a zonas

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urbanas tem causado no país. Se é errado implantar estas infra estrtuuras perto de habitações,
contrariando o principio da precaução, mais errado será construir novas casas junto de linhas já
montadas.

Aspectos não referidos no RTNEIA

No RNTEIA não encontramos referências a um conjunto de situações que devem ser tidas em
contas e que terão implicação para a qualidade de vida das populações que já habitam as freguesias
em questão e naqueles que irão chegar.

Os impactos relacionados com a impermeabilização de 6 hectares de terreno numa zona já muito


impermeabilizada pela ocupação adjacente são menorizados.

Não é definido com clareza qual o destino a dar à zona de montado que existe na área de
implantação do empreendimento. Há uma sugestão de que ficarão numa “suposta zona verde”, mas
isto não é dito com clareza. Sendo o sobreiro uma espécie protegida por lei, deveria haver
informação concreta sobre o assunto.

É feita menção à construção de um equipamento colectivo, sem, no entanto, clarificar do que se


trata. A experiência passada mostra-nos que este tipo de indefinições está na origem de
contrapartidas nunca concretizadas ou de estruturas desadequadas às necessidades da população e às
exigências legais que enquadram as referidas infra-estruturas.

Não se faz qualquer menção aos impactos que esta urbanização trará nos equipamentos de saúde,
educação e serviços sociais das freguesias para onde está previsto. Como já tivemos possibilidade
de observar, não são questões menores.

Embora as dificuldades de mobilidade automóvel dentro de Massamá e Agualva sejam amplamente


conhecidas, o impacto sobre a rede viária da freguesia não é considerado.

Os impactos relacionados com a ferrovia também não são tidos em conta, quer se trate do aumento
da utilização dos comboios da linha de Sintra ou do do ruído que a proximidade à infra estrutura
trará ao bairro.

Pelo Bloco de Esquerda de Sintra

André Beja

Helena Carmo

João Silva

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