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DPC SEMESTRAL

Penal Geral
André Estefam
Data: 06/03/2013
Aula 6

RESUMO

SUMÁRIO

1) Estudo da tipicidade.

Fato Típico (elementos):

1) Conduta: -Ação;
-Omissão.

-Crimes Omissivos: -Próprios / Puros (verbo: “não fazer”) - são crimes de mera conduta / não
admitem tentativa.

-Impróprios, impuros ou comissivos por omissão.


2) Tipicidade.
3) Resultado.
4) Nexo Causal

1) CONDUTA:

I) Crimes omissivos próprios ou puros:

São aqueles cujo tipo penal descreve um “não fazer”. O verbo nuclear contém uma omissão (“deixar de...”).

Exemplos no CP: Art. 135; Art. 244, caput, 1ª parte; Art. 269.

II) Crimes omissivos impróprios, impuros ou comissivos por omissão:

São delitos comissivos atribuídos a quem se omitiu.

Teorias dos crimes comissivos impróprios:

1 - Teoria causal ou naturalista da omissão:

Faz análise de nexo causal.

Para essa teoria, entre a omissão e o resultado é possível estabelecer um nexo causal, sendo que isso ocorre
quando o omitente podia agir para evitar ou impedir o resultado.

Por essa teoria o jovem que vê a senhora ser atropelada, podendo agir para evitar e nada faz, será
responsabilizado pela morte.

Não foi a teoria adotada pelo nosso Código Penal.

DPC SEMESTRAL – 2013


Anotador(a): Tiago Ferreira
Complexo Educacional Damásio de Jesus
2 - Teoria normativa ou jurídica da omissão:

Essa teoria parte de uma premissa de que não há nexo causal entre omissão e resultado, pois a omissão é um
nada e do nada, nada vem.

A imputação do resultado se baseia num liame (vínculo) jurídico, o qual se fará presente quando o omitente
tiver o dever jurídico de agir para evitar o resultado.

Segundo essa teoria, o juízo de imputação se baseia num vínculo jurídico ou normativo - para que este vínculo
se aperfeiçoe é necessário que o agente possa agir para impedir o resultado E, além disso, tenha o dever de
agir.

No exemplo da senhora atropelada em que o jovem permanece inerte gravando a situação, a ele não se
imputará a morte, mas no máximo uma omissão de socorro, que é crime omissivo próprio vale lembrar.

Dever jurídico de agir (Art. 13, §2º do CP) - Relevância penal da omissão:

a) Dever legal de agir (Ex: Pais em função dos filhos, bombeiros etc);

b) Dever de garante / garantidor - É o sujeito que de qualquer modo se comprometeu a impedir o resultado
(Ex: Guia do montanhismo, Babá contratada pela família, Salva-vidas contratado pelo clube particular [salva-
vidas de praia é bombeiro, então enquadra no Art. 13, §2º, alínea ‘a’ do CP] etc).

Atentar que não se exige um contrato formal para incidir na alínea ‘b’ do §2º do Art. 13, basta o compromisso,
ainda que informal, falado. No exemplo da senhora atropelada, se o rapaz tivesse falado que a ajudaria, já
estaria configurado o status de garantidor.

c) Ingerência na norma - Quem de qualquer modo criou o risco do resultado (São dois momentos - Aqui o
sujeito realiza uma ação e tal ação cria o risco futuro do resultado. Quando o risco se torna real, o sujeito se
omite, consumando o resultado [Clássico exemplo do exímio nadador que convida outrem para realizar a
travessia de um rio e se omite quando o sujeito se afoga / Exemplo do fumante que joga uma bituca acesa no
matagal, sendo que, ao perceber o início do incêndio, permanece inerte ao fato]).

Atenção: Lembrar que os crimes omissivos impróprios admitem tentativa.

***Após verificar a questão do dever jurídico de agir, é imprescindível aferir se houve dolo ou culpa na
conduta omissiva para cogitar a responsabilidade penal do indivíduo.

2) TIPICIDADE:

Tipicidade consiste na relação de subsunção entre o fato concreto e o tipo penal (tipicidade formal), somada à
lesão ou perigo de lesão ao bem penalmente protegido (tipicidade material).

Atentar que a tipicidade é um indício de ilicitude (não é uma certeza - pode haver excludentes de
antijuridicidade).

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Tipicidade Conglobante (Zaffaroni):

Zaffaroni trabalha com a ideia de tipicidade penal, cuja concepção engloba a tipicidade legal + a tipicidade
conglobante.

Tipicidade penal = Tipicidade legal + Tipicidade conglobante.

“Conglobante” - O jurista deve sempre adotar uma visão conglobada do ordenamento jurídico (como outros
ramos jurídicos “encaram” determinado fato - isso para determinar se a conduta é típica).

Ex do Zaffaroni quanto ao direito / norma desportiva. No futebol, por exemplo, uma lesão corporal justa
praticada em campo poderia se adequar à tipicidade legal, porém, por ser ato permitido pelo direito
desportivo, careceria de tipicidade conglobante, levando à atipicidade penal do ato.

Tipicidade legal constata-se quando a conduta for definida num tipo penal (olhar do jurista sobre o tipo penal).

A tipicidade conglobante verifica-se quando o ato não for permitido ou incentivado por normas extrapenais
(Caso da mordida do Mike Tyson). Quando tiver tal permissão carecerá de tipicidade conglobante, conduzindo,
por fim, à atipicidade penal.

Atenção: No exemplo do futebol do Zaffaroni atentar que o Brasil adota outra solução. No Brasil, expõe o Art.
23 do CP que não há crime se o fato praticado constitui exercício regular de direito, que é o caso da lesão no
futebol.

No exemplo da lesão no futebol (Muita Atenção):


-Para Zaffaroni o fato é atípico (ausência de tipicidade conglobante).
-Para o CP o fato será típico, porém lícito (Art. 23, III do CP).

Métodos de adequação típica:

 Adequação por subordinação direta ou imediata:

Verifica-se quando a conduta se encaixa diretamente no tipo penal.

Ex: Matar alguém = Art. 121.

 Adequação por subordinação indireta ou mediata:

Ocorre quando o encaixe exige (depende) a utilização de uma norma de extensão (norma que amplia /
estende o tipo penal).

Ex: Tentativa de homicídio = Art. 121 combinado com Art. 14, II (esse artigo 14 é a norma de extensão).
Ex: Participação = Art. 121 combinado com Art. 29, caput (esse artigo 29 é a norma de extensão).
Ex: Crimes omissivos impróprios = Art. 121 combinado com Art. 13, §2º (esse artigo 13, §2º é a norma de
extensão).

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3) RESULTADO:

Os crimes que exigem a produção / exteriorização do resultado são os crimes materiais.

Tal resultado (elemento integrante do fato típico) é o resultado material ou naturalístico, ou seja, é a
modificação no mundo exterior provocada pela conduta praticada.

Classificação dos crimes segundo o resultado naturalístico:

 Crimes Materiais ou de resultado: É aquele cujo tipo penal descreve conduta e resultado e exige a
ocorrência de ambos para fins de consumação (Arts. 121, 171, 155).

 Crimes Formais ou de consumação antecipada: É aquele cujo tipo penal descreve conduta e resultado,
mas não exige a produção do resultado para a consumação (“com o fim de”; Arts. 158 [Súm 96 STJ], 159,
317).

 Crimes de Mera Conduta ou Simples atividade: O tipo penal se limita a descrever uma conduta, não
fazendo qualquer referência a resultado (Art. 135).

Não confundir resultado material com o resultado jurídico ou normativo.

Resultado jurídico ou normativo é a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado / protegido. É aqui que
entra a classificação dos crimes de lesão e dos crimes de perigo, sendo que esse se subdivide em crime de
perigo concreto ou real e crime de perigo abstrato.

Existe crime sem resultado? Depende do resultado (lembrar que são dois).
-Existe crime sem resultado jurídico? NÃO, pois todo crime possui o resultado jurídico.
-Existe crime sem resultado naturalístico? SIM, exemplo dos crimes de mera conduta.

Outra forma de fazer a mesma pergunta: Todo crime possui resultado jurídico? SIM, pois resultado jurídico é a
mesma coisa que tipicidade material (lesão ou perigo de lesão ao bem tutelado pela norma penal).
*Resultado jurídico = Tipicidade material.

4) NEXO CAUSAL:

O nexo de causalidade é estudado quando se verifica qual a exigência para imputar um resultado a uma
conduta.

O CP expressamente elegeu o nexo causal como seu critério de imputação (Art. 13, caput).

A determinação de presença do nexo causal dependerá da teoria do nexo causal adotada.

O caput do Art. 13 do CP adotou a Teoria da equivalência dos antecedentes ou Teoria da conditio sine qua non.

Tal teoria foi adotada em 1940 e mantida em 1984 - Cunhada por Nelson Hungria, o qual a descrevia como
“um dado irrefutável de lógica”.

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A teoria da equivalência, para apurar a causalidade, utiliza o juízo de eliminação hipotética, ou seja, elimina-se
hipoteticamente a conduta e verifica-se se o resultado teria ou não ocorrido. Se eliminando a conduta o
resultado permanece, então não houve influência dela, não havendo relação de causalidade entre conduta e
resultado. Se eliminando a conduta o resultado não permanece, então houve influência dela, ou seja, há
relação de causalidade entre a conduta praticada e o resultado criminoso produzido.

Para tal teoria, o sujeito que produziu uma munição em 2010 entra na relação de causalidade do homicídio
causado por tal munição em 2013 (essa é a lógica do caput do art. 13). Com isso ingressamos no regressus ad
infinitum.

Para que não haja tal regresso ao infinito, é necessário um limite, o qual é encontrado na Teoria da ausência
do dolo ou da culpa.

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