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UM NOVO MORAR

defletindo o Nova Aliança

HELENA RIBEIRO DEZEM


TFC II | 2015
Helena Dezem

Um Novo Morar: defletindo o Nova Aliança / Helena Ribeiro Dezem - Ribeirão Preto:

Centro Universitário Moura Lacerda, 2015.

67 p.

1. Arquitetura 2. Habitação Unifamiliar 3. Habitação Contemporânea


CENTRO UNIVERSITÁRIO MOURA LACERDA
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

HELENA RIBEIRO DEZEM

UM NOVO MORAR
DEFLETINDO O NOVA ALIANÇA

Trabalho Final de Curso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Moura Lacerda sob a orientação da Prof. Me. Tânia Maria Bulhões Figueira

Ribeirão Preto
2015
AGRADECIMENTOS

Agradeço aos meus pais, Ana Beatriz e Marcelo, por todo o apoio, confiança

e incentivo ao longo do meu curso pela Arquitetura e Urbanismo.

Agradeço a todos os professores do Centro Universitário Moura Lacerda e

da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais que contribuiram para a minha

formação acadêmica.

Agradeço à Prof. Me. Tânia, orientadora do presente Trabalho Final de Cur-

so, que não mede esforços para compartiilhar seus conhecimentos.

A vocês, o meu MUITO OBRIGADA!


SUMÁRIO
BIBLIOGRAFIA 6

REMATE 65

EXPERIMENTAÇÃO 40

ANTAGONISMO 26

RIBEIRÃO PRETO 20

HISTÓRIA 12

PRÓLOGO 6
PRÓLOGO

novos tempos, novos modos de morar


O modo de pensar e o comportamento humano em determinada conjuntura histórica são questões fundamentais para se pen-

sar o programa habitacional, sobretudo, a organização espacial e a relação entre público-privado. As habitações ao menos deveriam ser

o reflexo da sociedade e da cultura de uma determinada época. Assim, se as configurações da moradia do século XIX, por exemplo, são

totalmente distintas de uma do atual século XXI, por quê ainda identificamos uma condição quase que sine qua non de reproduzi-las?

A sociedade contemporânea encontra-se em constante reconfiguração das características de sua constituição familiar e, portan-

to, de seus modos e estilos de vida; o que pode ser considerado como uma consequência direta das reestruturações das condicionantes
1 | HINTZ, 2001 do quotidiano sociocultural atual [1].

Atualmente, há diversas formações familiares que estão sem-

pre se reinventando, contrapondo-se à antiga configuração hegemô-

nica do século XIX: no qual as relações familiares se davam exclusiva-

mente através do perfil nuclear. Na atualidade, de modo geral, tem-se

as famílias unipessoais, constituídas por uma pessoa; nuclear, casal com

ou sem filhos, pessoa com ou sem filhos; estendida, casal ou pessoa


Fig. 1 | Constituição Familiar Brasileira, IBGE, 2010. Arte: Jornal O
2 | IBGE, 2010 com outro parente; composta, casal ou pessoa com não parente [2]. Globo, 2012.
prólogo
Essas condicionantes para as novas configurações familiares, grosso modo, são o individualismo acentuado, a crescente parti-

cipação feminina no mercado de trabalho, as uniões instáveis, as quedas crescentes das taxas de natalidade e mortalidade, a liberdade

sexual, entre outros. Tais fatores influenciam na necessidade de um projeto de habitação que se adapte a essas constantes transforma-

08 | 09
3 | BERQUÓ, 1980, apud TRAMONTANO, 1993, p.1 ções e que não perca a identidade para com o lugar que ocupa [3].

Pode-se verificar que na contemporaneidade, há um descompasso entre a questão habitacional, os correspondentes culturais

de organização da sociedade e os interesses do mercado imobiliário. Há uma crítica sobre esse descompasso pelo crescimento popu-

lacional mundial considerado como problema; a padronização habitacional sem preocupar-se com o lugar e com as reais necessidades

de seus moradores; a recriação da sensação da vida de tempos passados, através das habitações pastiches. Essa zona de conforto

4 | BUTTON, 2008. encontrada na replicação de projetos habitacionais do passado é ilusória e, para ele, até mesmo patológica [4].

Como problematização ligada a essa ideia temos, por exemplo, a questão de que as pessoas buscam sempre a modernidade

em seus equipamentos do cotidiano, porém, quando se tratam de suas residências, retrocedem ao passado. A arquitetura tem uma

profunda relação com os sentimentos humanos e ela apenas oferecerá felicidade às pessoas que viverem em um ambiente cujo projeto

5 | BUTTON, 2008. corresponde ao tempo e espaço aos quais pertencem [5].

A habitação não pode mais ser considerada como um objeto isolado; deve ser contextualizada como um pretexto para de-

6 | ROCHA, 2012. monstrar que a casa atual é a cidade, tendendo à relação entre público e privado cada vez mais homogênea [6].

As configurações espaciais do programa interno das habitações contemporâneas também foram alteradas: os dormitórios

tornaram-se menos privativos; os banheiros transformaram-se em espaços de permanência; cozinhar tornou-se sinônimo de interação

familiar; as pessoas também trabalham em casa. As moradias atuais têm a necessidade de absorver em seus espaços essas mudanças

7 | TRAMONTANO, 1993. comportamentais, inclusive as constantes reconfigurações familiares [7].

Além da preocupação com a adaptabilidade da habitação ao tempo contemporâneo, há a preocupação com a questão am-

biental oriunda do conceito de redução de impactos ao meio ambiente afins à tecnologia das construções – área da arquitetura e

urbanismo:

“Os materiais utilizados devem ser oriundos de fontes renováveis, e sua produção deve ser ecológica, ou seja, a construção

em si não deve poluir, e o tanto quanto possível, os ambientes criados devem interferir o mínimo no entorno. Assim, novas soluções

devem ser analisadas frente à preocupação com a redução de perdas e desperdícios, através da racionalização da proposta, como

8 | CAMPOS, 2009, p. 7. também com o destino de resíduos sólidos que possam ser gerados, causadores de impactos ambientais [8].”

A indústria da construção civil é a maior geradora de resíduo urbano. Em 2010, segundo um estudo da ABRELPE, o Brasil gerou

36.264.210 toneladas. Por essa questão é pouco provável uma sociedade conseguir reduzir seus impactos ao meio ambiente urbano

sem ocorrer transformações na edificação de obras (sejam elas mais ou menos complexas – habitações, equipamentos, praças e par -
ques urbanos ou mesmo intervenções urbanísticas). A cidade, os edifícios e o meio ambiente devem constituir um sistema integra-

do, e para tanto deve-se considerar avanços da técnica e de tecnologias construtivas quanto o caráter histórico, social e cultural

de determinada sociedade para projetarem-se edifícios que atentam, ou ao menos tentem atender, as demandas e urgências da

contemporaneidade.

A caracterização do presente trabalho sobre habitação se alia ao conceito de flexibilidade e parte do pressuposto de discu-

tir e buscar alternativas e estratégias para o projeto de uma morada que atenda as necessidades espaciais e funcionais de uma fa-

mília, independente do tipo familiar. Paralelamente deseja-se que essa habitação possua um caráter universal, ou seja, um projeto

que busque uma flexibilidade ao mesmo tempo itinerante (possibilidade de deslocamento físico), adaptativa (planta livre e ambien-

tes mutáveis) e evolutiva (capaz de transformar-se ao longo do tempo), sem perder a identidade para com o local de implantação.

Nessa linha de pensamento elege-se a questão da habitação modular – vários módulos que se encaixam conforme a ne-

cessidade e a funcionalidade do usuário – e, através de tal questão chega-se a intensão de discutir otimização de sistemas cons-
Fig. 2 | Modelo de Habitação Tripartida Burguesa
trutivos pré-fabricados que sejam capazes aplicação ampla. Outro item importante a ser pensado são as vedações, que devem ser
Planta de apartamento unifamiliar. Edifício Vila Romana, 1984 [Jornal
compatíveis com as necessidades e flexibilidades dos usuários e, paralelamente, permitam a otimização do conforto ambiental da
Folha de S. Paulo, 17/07/1984 e 16/03/1983]
edificação.

Ao final do presente trabalho a intensão é que os usuários do projeto proposto estejam imersos em uma habitação adap-

tada a sua realidade, com possibilidade de alteração de sua configuração espacial as suas necessidades.

Desta forma, intenta-se por experimentações nos estudos preliminares que gerem um projeto adaptável ao usuário, o que

visa garantir que haja uma inversão nas relações entre usuário e ambiente, ou seja, o segundo adapta-se às alterações quotidianas

que regem a vida doméstica e pública do primeiro, e não o contrário.

Fig. 3| Modelo de Habitação Contemporânea


Planta de residência unifamiliar. Casa B+B, STUDIO MK27, São
Paulo, 2014 [http://studiomk27.com.br/p/casa-bb/, último acesso em
12/02/2015]
histórico
10 | 11
Canhões, munições? Não, obrigado!

Casas, por favor!

Le Corbusier
HISTÓRIA

o tempo é o senhor da casa


ÂMBITO INTERNACIONAL
A contextualização histórica da habitação, no âmbito internacional, é fundamental para compreender a necessidade de modi-

ficações no programa habitacional relacionadas às necessidades humanas temporais.

A Idade Média caracterizou-se por uma constituição social: em que nobres e servos mantinham uma relação de senhorio/

vassalagem e a condição rural impunha a manutenção de organizações sociais, denominadas feudos, extremamente segmentadas

e ensimesmadas. Nessa época, a Igreja possuía uma influência cultural sobre tal sociedade, o que pode ser caracterizado como uma

mentalidade regida pelo teocentrismo – consciência cultural na qual Deus está no centro do Universo.

Partindo para análise que mais interessa a esta pesquisa, ou seja, a questão da organização espacial dos feudos, pode-se desta-

car uma característica geral: havia uma área destinada às casas dos servos, enquanto que o senhor feudal, sua família e alguns serviçais

moravam no castelo. Entre os séculos X e XV, durante a Baixa Idade Média, a sociedade que vivia no interior dos feudos era coletiva e
9 | ARIÈS, 1960. comunitária, caracterizando um ambiente que não era público por excelência e nem privado [9].

No século XIV, com o aumento populacional, as novas atividades artesanais; o surgimento da burguesia; o maior intercâmbio

entre Ocidente e Oriente; a perda de poder da Igreja; e a ascensão dos estados nacionais no âmbito político, econômico e cultural; o

homem, influenciado pelos ideais antropocentristas e pelas questões econômicas pouco favoráveis, busca manter uma família nuclear,

não mais expandida como era na Alta Idade Média, através da privacidade junto à sua família e a escolha de seu estilo de vida.

Nos séculos XVI e XVII, período de transição do feudalismo para o capitalismo, com o advento do mercantilismo e ênfase na

atividade comercial – objetivando o fortalecimento do Estado e a máxima expansão da economia –, houve um movimento de migração

dos camponeses da zona rural para a cidade. O fortalecimento da indústria manufatureira e a concentração de renda nas mãos da nova

classe detentora dos bens de produção favoreceu a “eleição” da cidade como o centro de negócios e símbolo de modernidade.

Nesse período, a contrapartida cultural era caracterizada pelo Renascimento, movimento que colocou em pauta questões rela-

tivas ao antropocentrismo e à racionalidade humana possibilitada pelos constantes avanços científicos e tecnológicos, o que pode ser

expresso, em termos artísticos e arquitetônicos, através da retomada dos valores da Antiguidade Clássica.

Fig. 4 | Modelo de Feudo na Idade Média


Todos esses fatores refletiram na organização da sociedade e de seu específico modo de morar. Nos séculos XVII e XVIII, a Re-
[http://novahistorianet.blogspot.com.br/2009/01/idade-mdia.html, volução Industrial permitiu um maior deslocamento de pessoas e mercadorias, sobretudo devido a produção de máquinas, utilização
último acesso em 13/09/2015].
do ferro fundido, da energia a vapor e a carvão, gerando a necessidade de uma nova configuração espacial para abrigar esse novo
10 | BÓGEA, 2006. estilo de vida em formação [10].

“A partir da revolução industrial, o deslocamento, seja no movimento de objetos seja no movimento de pessoas, corresponde

ao entrelaçamento, como numa curva de moebius, de um mesmo fenômeno: movimentam-se os corpos no espaço, movimenta-se o

11 | BÓGEA, 2006. espaço para abrigar novos corpos [11].”


A proposta de um novo tipo de habitação para uma nova sociedade começou desde o século XVIII, com a industrialização

história
europeia, principalmente na Inglaterra, França e Alemanha. Grande parte de acontecimentos parte das principais organizações tec-

nológica, econômica, ideológica, social e política oriundas dessa industrialização. Demonstra, por fim, como a influência do novo

homem, que passa a ter uma vida urbana e a conformar uma família nuclear, altera as configurações tradicionais da habitação [12].

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12 | TRAMONTANO, 1998.
No século XIX e início do século XX, havia uma diferença socioeconômica entre a burguesia e o proletariado, e essa diferença

começou a refletir-se nas habitações e na organização espacial das cidades, a burguesia habitava a parte central e o proletariado, a

periferia [13].
13 | GUERRAND, 1987.
Tanto os imóveis de aluguéis burgueses, quanto às mansões, eram caracterizados por uma tripartição bem definida – em

área social, privada (ou íntima) e de serviço – espaços com subdivisões conhecidos como cômodos estanques.
1 - sala de música 1 - gabinete
2 - sala de festa 2 - biblioteca De maneira geral, o salão, as salas de jantar e bilhar e o jardim de inverno eram cômodos para receber e negociar, eram
3 - sala de visita 3 - quarto de vestir
4 - sala de jantar 4 - aposento opulentes e formais para demonstrar poder. Os quartos eram extremamente privativos, visitas não podiam adentrar nesses cômo-
5 - escritório
dos. Em algumas residências, o acesso aos dormitórios dos filhos era pelo quarto dos pais, muitas vezes para preservar a pureza das

filhas pelo fato de que a virgindade era totalmente valiosa em um casamento burguês. Ainda nessa época, como havia uma grande

desconhecimento científico e tecnológico relativos às questões sanitárias, o cheiro e a temperatura da cozinha e do banheiro eram

considerados desagradáveis. Por isso, eram cômodos isolados e pouco frequentados por seus moradores em uma residência.

Com as frequentes rebeliões populares, parecia que a classe burguesa procurava a segurança e a tranquilidade na residên-

cia. Negava, portanto, a possibilidade de imersão entre público e privado. As delimitações espaciais entre ambiente doméstico (pri-

vado) e cidade (público) são claras, vide implantação de tais objetos arquitetônicos na paisagem urbanas das cidades do século XIX.
Fig. 5 | Modelo de Habitação Unifamiliar Burguesa do Final do Séc. XIX.W
Com as alterações socioeconômicas do século XX, esse modelo residencial tripartido burguês, ainda reproduzido, foi critica-
Residência de Rui Barbosa, Botafogo, Rio de Janeiro, 1895 [http://www.
rioecultura.com.br/instituicao/arq/arq_mus_ruibarbosa.asp, último do e revolucionado pela Arquitetura Moderna. No século XX, entre as décadas 1910 e 1950, a preocupação da Arquitetura Moderna
acesso em 13/09/2015]. estava na funcionalidade, modularização, praticidade, melhor utilização do solo e melhores relações entre o público e o privado,

visando atender o quotidiano da modernidade, por vezes caracterizado por apressado, bem como o crescimento demográfico das
14 | MENDES E MENDRANO, 2013.
cidades [14].

O modo econômico industrial é o que rege o pensamento hegemônico da época, ou seja, a contrapartida sociocultural: a

casa, por exemplo, passa a ser considerada como uma “máquina de morar” seriada e o homem não é considerado singular, mas

padrão. O arquiteto Le Corbusier desenvolveu o Modulor, modelo de proporção áurea da escala humana, como tentativa frustrada
15 | POSSEBON, 2004.
de unificar as dimensões arquitetônicas; porém não desmerece suas obras [15].

Um dos grandes legados de Le Corbusier foi a Carta de Atenas e a delimitação de cinco princípios da Arquitetura Moderna

internacional a serem aplicados na edificação. Grosso modo, estes podem ser assim descritos: pilotis, que liberam o edifício do solo

e tornam útil essa área – devolvendo esse precioso locus à sociedade, ou seja, torna-o público; terraço jardim, que transforma as co-
berturas em espaços/lugares utilizáveis, o que auxilia, inclusive, no conforto térmico das edificações; planta livre, resultado direto da

independência entre estruturas e vedações, possibilitando flexibilidade nos espaços internos; fachada livre, também permitida pela se-

paração entre estrutura e vedação, possibilitando a máxima abertura das paredes externas e a integração do exterior com o interior; e

por fim a janela em fita, aberturas longilíneas que atravessam toda a extensão da edificação, permitindo uma melhor iluminação e vistas

agradáveis do interior para o exterior.

A principal e pioneira obra de Le Corbusier que contém esses cinco princípios da arquitetura moderna é a Villa Savoye (1928-

1929), construída em Paris, França. Esse arquiteto e sua obra retratam a busca por uma referência de habitação que apresente valores

díspares aos postulados pela sociedade burguesa, seja pela evolução técnica e tecnológica da modernidade ou mesmo pelos novos

padrões de comportamento que estão em constante mutação neste período.


Fig. 6 | Modelo de Habitação Unifamiliar Modernista
Mies van der Rohe também tem grande importância na Arquitetura Moderna, e um exemplo seria a utilização das áreas molha-
Villa Savoye, França, 1928, Le Corbusier [http://villasavoyeblog.tumblr.
com, último acesso em 13/09/2015] das de uma habitação como um elemento opaco e fixo integrado ao restante do corpo da casa, como no projeto da Farnsworth House

16 | BÓGEA, 2006. [16]. A distribuição interna do programa habitacional nesta edificação pode se caracterizar como o oposto da casa tripartida burguesa

– os três setores estão totalmente integrados; tem-se ausência de vedações (exceto as que cerceiam o equipamento citado); a cozinha

e o banheiro ocupam um lugar central no projeto e, portanto, podem ser caracterizados como espaços mais valorizados, tal qual os

outros ambientes da moradia.

Nos Estados Unidos durante a década de 1960, houve uma grande crítica dos arquitetos em relação à insipidez da arquitetura

moderna, propagada por Mies van der Rohe e do estilo industrial a que deu origem, que sobrecarregava os centros urbanos com sua

17 | GLANCEY, 2000. reprodução em massa [17]. Esses arquitetos defendiam que a arquitetura moderna, com suas edificações simplistas, tornou-se insensível

aos valores e vidas de seus usuários e que era o momento de implementar essa arquitetura. Surgia assim o Pós – Modernismo – princí-

pios da arquitetura modernista associados a novas formas e estilos. Nos Estados Unidos, o resultado foi edificações pastiches de estilos

históricos e hollywoodianos.

Na Europa, o pós-moderno influenciou mais sutilmente e convincente a arquitetura local. Os melhores arquitetos eram aqueles

18 | GLANCEY, 2000. que estavam buscando novos significados e personalidades no modernismo, ligando-se à história de uma nova maneira [18]. Na Itália,

ao final da década de 1970, o pós-modernismo teve duas vertentes. A primeira era uma crítica inteligente ao modernismo, porém com

deficiência conceitual. A segunda tinha um forte apelo conceitual e experimental. Na Inglaterra, houve tentativas de associar música,

moda e arquitetura.

Na década de 1990, com os avanços das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), houve um correlato avanço em ou-

tras áreas do conhecimento, tal como na Arquitetura e no Urbanismo e no campo habitacional.

A pluralidade da contemporaneidade permitem o desenvolvimento de “estruturas sensíveis à ordem e à perturbação, ao ritmo


história
19 | GAUSA, 1996, p. 2 apud MENDES; e à distorção, à volumetria e à secção, à presença e à ausência, a uma ideia abstrata, uma manifestação expressiva [19].” O termo ha-
MENDRANO, 2013
bitar transita de sedentário e permanente para móvel, transitório, flexível, adaptável ao seu tempo através dos novos valores, novas

materialidades e novas maneiras de projetar com indeterminação espacial.

16 | 17
ÂMBITO NACIONAL
No Brasil, o processo de evolução habitacional foi tardio em relação a Europa e com certas particularidades.

Durante os séculos XV e XVIII, o Brasil era conhecido historicamente como América Portuguesa, devido ao sistema de coloni-

zação. Nessa época, a sociedade colonial foi organizada segundo dua função de território a ser explorado (colônia de exploração) e,

portanto, ligou-se à economia rural e à importância das relações de posse, tanto em termos de território quanto à relação entre domi-

nador (senhor) e dominado (escravo. A organização familiar era caracterizada pela segregação da sociedade em senhorial, escravos e
20 | NOVAIS, 1997. pequenos produtores ou indivíduos pobres e livres [20].

Vários fatores justificam essa sociedade organizada em estamentos, todavia, com possível mobilidade, tais como distancia-

mento da metrópole, escravidão, expansão territorial constante e recursos precários. Devido, grosso modo, a esses fatores e as diver-

sas configurações familiares, nos três primeiros séculos do Período Colonial as habitações eram simples com apenas um pavimento,

tamanho reduzido e construídas a partir de usos de materiais regionais e tecnologias rudimentares (pau a pique, adobe, entre outros.),
21 | ALGRANTI, 1997. devido a sua função de estadias passageiras [21].

Com a evolução da América Portuguesa, sobretudo após a vinda da família real portuguesa para solo colonial, as moradas

tornam-se mais sofisticadas devido à influência europeia, porém com adaptações. As habitações mais abastadas não se limitaram

apenas à edificação, tinham jardins que ocupavam os recuos frontais e, no fundo, quintal com horta e pomar, onde concentrava-se a

vida doméstica já que a ventilação restrita e o clima quente incentivavam os moradores a frequentarem mais a parte externa de suas

habitações. No âmbito rural, também encontravam-se a senzala, habitação destinada aos escravos, já no âmbito urbano, os escravos

instalavam-se nos sótãos ou porões das casas.

Com o movimento bandeirista, surge a característica da hospitalidade nas casas coloniais através do alpendre, anexo coberto

por telha ou palha, circundado por muretas. Os elementos vazados, tais como cobogó e muxarabi, aparecem com frequência nas casas

dessa época, através da função de permitir certa privacidade no interior das edificações; conforme o interior das residências evoluiu,

esse elemento desapareceu, sendo substituído pelo vidro e venezianas.

Quanto ao interior, as moradas coloniais mais simples tinham poucos cômodos, causando acumulação de funções nos mes-

mos; as moradas coloniais urbanas mais elaboradas tinham, na frente, a sala com janela para a rua; na lateral, os dormitórios com cir-
Fig. 7 | Modelo de Habitação Unifamiliar Bandeirista
culação pelo corredor e, no fundo, a cozinha, o alpendre e o quintal.
Sítio de Pe. Inácio, Cotia, séc. XVI [http://www.arquitetonica.com/
historico_revista5/quartinho.htm, último acesso em 13/09/2015]. No final do Período Colonial, com o crescimento das cidades e influência da burguesia europeia, as casas caracterizam-se por
suas subdivisões para funções específicas como orações, trabalho, alimentação, lazer, fazendo propagar o número de sobrados.

Com a chegada da corte portuguesa à América Portuguesa, seguida pela abertura dos portos, missão artística francesa e Re-

volução Industrial europeia, novos materiais e técnicas foram importados pelo Brasil, fazendo com que as habitações ficassem mais ela-

boradas. Com a propagação do saneamento e da iluminação elétrica, além de grande influência de estilos europeus, respectivamente

neoclassicismo e ecletismo, houveram alterações nos hábitos familiares e, consequentemente, nas moradias. A partir do século XIX, as

22 | LEMOS, 1989. habitações passaram a ter mais aberturas com vidro, proporcionando maior insolação, ventilação e iluminação [22].

O arquiteto Ramos de Azevedo propagou o modelo “morar à francesa”, através das funções social, repouso e serviço bem de-

finidas separadamente. Para facilitar o acesso de uma zona a outra, surge o vestíbulo, um cômodo de passagem com saída para as três

zonas. Essa configuração perdurou até a arquitetura moderna brasileira, porém ainda é reproduzida até os dias atuais.

Nas primeiras décadas do século XX, diferentemente da Europa, a arte moderna brasileira não está conectada à crise do siste-

ma tradicional, e sim à necessidade de propagar uma identidade nacional, pois o Brasil já era uma República com uma etnia miscige-

23 | LEONIDIO, 2005. nada e uma linguagem própria [23]. Com esse intuito, surge o Movimento Modernista para incentivar a cultura própria nacional e não

mais uma reprodução de modos europeus.

Na arquitetura brasileira, no final da década de 20, o racionalismo desse Movimento é refletido na teoria arquitetônica de ade-

24 | FICHER E ACABAYA, 1982. quar a arte e a arquitetura brasileiras com as técnicas de produção europeias e a identidade nacional [24]. Nessa fase, o principal teórico

foi o arquiteto Lucio Costa, que questionava a postura internacionalista da arquitetura e defendia uma nova estética com características

nacionais específicas.

No início da década de 30, com a visita de Le Corbusier (1929) ao Brasil e a nomeação de Lucio Costa como diretor da Escola

de Belas Artes (1929), a difusão dos ideais da Arquitetura Moderna internacional e a necessidade de modernização da arquitetura na-

cional se ampliaram, somadas ao incentivo do Estado Novo. Várias obras de caráter modernista destacaram-se nesse início, como o

Plano de Goiânia (1933) de Attilio Correa de Lima; a Sede da ABI (1936) e o Aeroporto Santos Dumont (1937) dos Irmãos Roberto; e o

MEC (1936) de Lúcio Costa.

A primeira fase da Arquitetura Moderna brasileira, datada de 1930 a meados da década de 50, caracterizou-se pela influência

internacionalista de Le Corbusier e Mies van der Rohe somada ao nacionalismo político, criando uma linguagem arquitetônica única

através da valorização da plástica. As formas geométricas definidas, separação da estrutura com a vedação para gerar flexibilidade, uso

de pilotis, panos de vidro contínuos e integração da edificação com o paisagismo foram as principais características físicas das edifica-

ções nesse período.


Fig. 8 | Modelo de Habitação Unifamiliar Modernista Brasileira
O maior divulgador internacional dessa arquitetura, Oscar Niemeyer defendia a importância do formalismo acima da função
Casa Lagoa de Freitas, 1942, Oscar Niemeyer, Rio de Janeiro
[L’Architecture D’Aujourd’hui n. 13-14, set./1947, p. 48]. e da técnica - suas obras eram caracterizadas pelo simbolismo e soluções originais e inusitadas, como a Pampulha (1943). A cidade de
história
Brasília (1960), projetada pelo urbanista Lucio Costa e com edifícios públicos de Oscar Niemeyer, foi o grande símbolo
25 | FICHER E ACABAYA, 1982. da Arquitetura Moderna brasileira, por englobar todos os princípios dessa vertente nacionalista [25].

Não obstante, foi um período de muitas críticas. Em 1952, Vilanova Artigas, ex-aluno de Lucio Costa, questiona

que as teorias da Arquitetura Moderna ignoram os problemas do modo de produção capitalista. Para ele, o arquiteto

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tem o papel de produtor de novas formas, mas também considerando o caráter político e humanístico para superar as

contradições da realidade social.

Após 1960, fase conhecida como Pós-Brasília, as grandes diferenças regionais e falta de incentivo público pro-

vocaram a dissolução da unidade da Arquitetura Moderna brasileira, deixando de ser uma expressão dominante. Em

1979, o Grupo Arquitetura Nova, constituído por ex-alunos de Vilanova Artigas, questionam a relação entre as ações

humanísticas do projeto arquitetônico de Artigas com a exploração de mão de obra para tal realização.

Atualmente, no âmbito nacional, pode-se considerar que essa fase ainda perdura com a falta de trabalhos ar-

quitetônicos críticos e a má qualidade profissional dos arquitetos. Pode-se considerar uma retrocidade em relação ao

programa da habitação, pois ao invés de avançarmos a partir dos postulados e críticas da arquitetura moderna, ainda há

uma reprodução massificada do modelo tripartido burguês do século XIX e de uma arquitetura que se alia diretamente
Fig. 9 | Modelo de Habitação Unifamiliar Modernista
Casa Olga Baeta, Vilanova Artigas, São Paulo, 1956 [http://mulher.uol.com. aos desígnios do mercado imobiliário reduzindo-a em obtenção e replicação de lucros e dividendos.
br/casa-e-decoracao/album/2015/01/12/, último acesso em 13/09/2015].

Fig. 10 | Modelo de Habitação Unifamiliar Modernista


Casa Juarez Brandão Lopes, Grupo Nova Arquitetura, São Paulo, 1968
[http://www.flavioimperio.com.br/, último acesso em 13/09/2015].
RIBEIRÃO PRETO

múltiplas cidades em uma só


Além do município de Ribeirão Preto ser um dos maiores parques agroindustriais do país e o terceiro de maior importância

econômica do estado de São Paulo, também é polo da região administrativa em que está inserido, RA15 – um aglomerado de 25 mu-

26 | SEADE, 2014. nicípios com mais de 1 milhão de habitantes, dos quais 636.983 habitantes pertencem a Ribeirão Preto [26].
27 | SEADE, 2014. Com uma área de 638.796 km2, sendo 99,72% urbanizada, sua densidade demográfica é 981,31 hab./km2 [27].

O município possui o melhor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da região administrativa, 0,8, composto por

28 | SEADE, 2010. educação, longevidade e renda, o índice de educação é o menor do município [28].

29 | SEADE, 2012. O Produto Interno Bruto é em torno de 20.300,80 milhões, com renda per capita de R$ 1.052,76 [29].W

O MERCADO IMOBILIÁRIO
A partir da década de 1980, com o desenvolvimento econômico oriundo da agroindústria, o município de Ribeirão Preto passou

por uma reformulação em sua organização socioeconômica, refletindo no processo de urbanização relacionado aos interesses imobili-

ários.

Atualmente, a constituição urbana ribeirão pretana é oriunda dos interesses imobiliários, resultando em um desenho urbano

definido pela iniciativa privada com uma grave segregação sociomorfológica, gerando reflexos culturais, como a negativa de convivên-

cia entre classes sociais, população dispersa e um sistema viário baseado no transporte individual. Os principais fatores que contribuem

30 | FIGUEIRA, 2013. para essa realidade são [30]:

• Privatização de grandes áreas de expansão urbana do município;

• Histórico segregacionista e conformacionista do processo de urbanização. Pois, desde o início da constituição urbana, a

alta classe instalou-se na região centro-sul, e, na zona norte, a população de baixa renda, havendo poucas alterações nessa constituição

ao longo de anos;

• Flexibilização da legislação urbana municipal em consonância com os interesses do mercado imobiliário.

Contudo, o maior agravador no processo de urbanização de Ribeirão Preto é a falta de políticas públicas que atendem as reais

necessidades de toda a população, e não apenas de um extrato da sociedade.

A REGIÃO SUL E O SUBSETOR SUL-5


Ao longo da história constituição morfológica de Ribeirão Preto, com o direcionamento da expansão urbana dos setores sul-
Fig. 11 | Mapa da Região Administrativa de Ribeirão Preto [http://
www.skyscrapercity.com, último acesso em 13/09/2015] -sudeste voltado a atender as necessidades da população de alta renda, houveram grandes investimentos nessa região da cidade,

contribuindo ainda mais para a valorização territorial e a gentrificação. No subsetor SUL-5, o qual o projeto está inserido, os principais

31 | FIGUEIRA, 2013. investimentos foram [31]:

• Na década de 1980, o empreendimento Ribeirão Shopping da empresa Multiplan, instalado em uma área da fazenda

Nova Aliança e voltado para as classes A e B. Foi o principal fator para a valorização imobiliária na região sul-sudeste;
ribeirão preto
• Em 1998, a implantação da Universidade Paulista (UNIP) contribuiu para o crescimento de investidores no Loteamento

Nova Aliança, pelo fato do aumento de busca de moradias próximas à Universidade;

• Em 2000, a inauguração do Colégio Objetivo;

24 | 25
• Implantação do anexo e do colégio da Fundação Armando Alves Penteado (FAAP);

• O empreendimento Mercadão da Cidade da Stéfani Nogueira Construtora. Com a sua inauguração em 2008, também

contribuiu para a valorização imobiliária do Loteamento Nova Aliança, o qual está inserido.;

• O empreendimento Trio Ribeirão, composto por um shopping center, um edifício comercial e um residencial, entre os

subsetores SUL-4 e SUL-5.

Não obstante, na década de 1990, a dicotomia social ultrapassou a barreira segregacionista da região sul e tornou-se nítida
Fig. 12 | Gráfico PIB (Valor Adicionado) de Ribeirão Preto [IBGE,2012]
no subsetor SUL-5 com a implantação do João Rossi, bairro de conjuntos habitacionais de caráter social. Com a divulgação de sua

implantação, os investidores do Ribeirão Shopping tentaram, através de medidas judiciais sem sucesso, proibir sua construção pela

proximidade e visibilidade em relação ao shopping. Para isolar a faixa entre o shopping e o João Rossi, foi aprovada pela Prefeitura

Municipal, com forte influência da Multiplan, a Avenida Braz Olaia Acosta, através de desapropriação de área, o que acabou sendo be-

néfico para a valorização ainda maior de todo o subsetor SUL-5, incluindo o valor imobiliário do João Rossi. Contudo, até os dias atu-

32 | FIGUEIRA, 2013. ais, o bairro João Rossi ainda é um elemento isolado do subsetor – demonstrando a segregação da zona sul dentro dela mesma [32].

Fig. 13 | Gráfico de preço médio por m2 do Loteamento Nova Aliança


de ago./2014 a ago./2015 [Agente Imóvel, 2015]. Mapa 1 | Visão Aérea do Subsetor SUL - 5, Ribeirão Preto [Google Earth, 2015]
ANTAGONISMO

nova aliança e joão rossi, lado a lado


Para mim, a primeira e primordial Arquitetura é a Geografia.

Paulo Mendes da Rocha


antagonismo
28 | 29
LEGENDA

ANEL VIÁRIO CONTORNO SUL

AV. BRÁZ OLAIA ACOSTA

AV. CARAMURU

AV. INDEPENDÊNCIA

AV. JOSÉ CESARIO M. SILVA

AV. PRESIDENTE VARGAS

CENTRO

JD. JOÃO ROSSI


Mapa 2 | Vista aérea - Relação Centro x Jd. João Rossi x Nova Aliança [Google Earth, 2015]
NOVA ALIANÇA
1

4
5
3
2

LEGENDA

ANEL VIÁRIO CONTORNO SUL

AV. BRÁZ OLAIA ACOSTA

AV. CARAMURU

AV. INDEPENDÊNCIA

AV. JOSÉ CESARIO M. SILVA

6 AV. PRESIDENTE VARGAS

CENTRO

JD. JOÃO ROSSI


Mapa 3 | Vista aérea - Pontos de Referência Nova Aliança x João Rossi [Google Earth, 2015]
NOVA ALIANÇA
antagonismo
30 | 31
Fig. 14 | 1 | Ribeirão Shopping [ www.skyscrapercity.com, 14/09/2015] Fig. 15 | 2 | UNIP [ www.bocchiadvogados.com.br, 14/09/2015] Fig. 16 | 3 | Ford Vecel [ www.vecelford.com.br, 14/09/2015]

Fig. 17 | 4 | Mercadão da Cidade [www.construtorastefani.com.br, 14/09/2015] Fig. 18 | 5 | Honda Lago-San [www.breci.com.br, 14/09/2015] Fig. 19 | 6 | Shopping Iguatemi [www.vickinews.com.br, 14/09/2015]

▶ Como não há a quantidade e a qualidade necessária de comércio e serviços em seus bairros, os moradores do Nova Aliança

e do João Rossi possuem a necessidade de acessá-los em outras regiões da cidade, principalmente no Centro, onde a concentração

de comércio e serviços é maiorPara isso, há três avenidas que interligam os dois bairros ao Centro de maneira ágil e fácil: Caramuru,

Independência e Presidente Vargas.

▶ A proximidade com o Anel Viário Contorno Sul também permite essa mesma qualidade de acesso para todas as regiões da

cidade.

▶ Em relação a essa necessidade de busca por comércio e serviços, os moradores do Nova Aliança, por terem um poder aqui-

sitivo maior, possuem o hábito de busca-los também nos shopping centers próximos e no Novo Mercadão para evitar o deslocamento

ao Centro.
NOVA ALIANÇA JARDIM JOÃO ROSSI
SETOR Sul Sul

SUBSETOR S-5 S-5

ÁREA 1,02 km2 0,28 km2

PREÇO MÉDIO POR M2 R$ 4.400,00 R$ 2.100,00

ZONEAMENTO ZUC- Zona de Urbanização Controlada ZUC- Zona de Urbanização Controlada

APROVAÇÃO 2000 1990


Jardim João Rossi
Jardim Califórnia
Nova Aliança
Jardim Canadá
BAIRROS LIMÍTROFES JWardim Nova Aliança Sul
Jardim Califórnia
Estação Primavera

• Área Especial de Interesse Social I;


• Constituído por conjuntos habitacionais
da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e
• Área com restrição do loteador; Urbano (CDHU);
• Urbanização recente; • Público alvo: população de baixa renda;
• Público alvo: população de média e alta renda; • Questão imobiliária: por ser um bairro
• Questão imobiliária: pela proximidade do Ribei- incluso em um setor supervalorizado e por ser bem
CARACTERÍSTICAS rão Shopping e Shopping Iguatemi, voltados para as classes assistido, seu valor imobiliário é superior a outros
A e B; e a presença da UNIP no bairro, o valor imobiliário da cidade;
médio é 22,85% acima do valor municipal; • População média: famílias;
• População média: jovem e solteira. • Com o narcotráfico, o local, para os mo-
radores de outros bairros da região sul, é sinônimo
de violência e insegurança, um agravante para a
segregação socioespacial desse local.

Tabela 1 | Comparativo entre Nova Aliança e João Rossi


antagonismo
A DICOTOMIA SOCIAL

32 | 33
Diferença da configuração urbana dos bairros. No João Rossi,

devido à ausência de garagens nos edifícios, as garagens são improvisadas


Fig. 21 | Nova Aliança - R. Arnald Capuzzo. Fig. 22 | Jd. João Rossi - R. 1. externamente, fazendo parte da configuração urbana local.

Enquanto o Nova Aliança é composto por edifícios residenciais he-

terogêneos com atrativos para atrair investidores, como programas de la-

zer, encontra-se uma padronização de edifícios do João Rossi com escadas

externas. Não obstante, ambas tipologias de apartamentos possuem baixo

Fig. 23 | Nova Aliança - Edifícios de médio/alto padrão. Fig. 24 | Jd. João Rossi - Edifícios de baixo padrão. conforto ambiental.

Com a ausência de lotes comerciais no João Rossi, o comércio,

principalmente relacionado à alimentação, é improvisado em trailers e

barracas nas ruas. Enquanto que, no Nova Aliança, com a sua configura-

ção, valorização e localização, há diversas edificações horizontais e verti-

cais comerciais, concentrados em sua maioria na Av. Braz Olaia Acosta.

Em relação à alimentação, destaca-se o edifício Modena, da Construtora

Fig. 25 | Nova Aliança - Av. Bráz Olaia Acosta. Fig. 26 | Jd. João Rossi - Pontos comerciais improvisados. Maistro, que possui cinco restaurantes.
LEVANTAMENTO FÍSICO
USO DO SOLO

▶ O Jardim João Rossi, pelo fato de ser

área de interesse social e constituído por conjun-

tos habitacionais, é estritamente residencial com

alguns lotes institucionais para sua assistência e

de seu entorno.

▶ O Loteamento Nova Aliança, em sua

maioria, é composto por lotes residenciais.

▶ Devido a sua valorização e localização,

está em progresso de desenvolvimento comer-

cial.

▶ Por ser uma urbanização recente, ainda

há um grande número de vazios urbanos com for-

te tendência à ocupação a curto prazo.

▶ O lote escolhido, localizado no Lote-

amento Nova Aliança, atualmente encontra-se


Fig. 27 | Mapa de Uso do Solo - Nova Aliança e Jd. João Rossi. ESCALA 1 : 2000 vazio e sua ocupação, assim como o restante do
LEGENDA bairro, conforme legislação municipal vigente, é

de acordo com a preferencia do loteador, não


ÁREA VERDE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO
sendo permitido apenas a ocupação industrial.
COMERCIAL RESIDENCIAL
Assim sendo, permite-se o uso residencial do
INSTITUCIONAL VAZIO
projeto a ser desenvolvido no local.
antagonismo
LEVANTAMENTO FÍSICO
GABARITO

34 | 35
▶ O Jardim João Rossi possui um gabarito

padrão por ser constituído por conjuntos habita-

cionais homogêneos.

▶ O Loteamento Nova Aliança, predomi-

nantemente verticalizado, apresenta uma grande

variação em seu gabarito.

▶ De acordo com a legislação vigente, o

bairro onde encontra-se o lote, Loteamento Nova

Aliança, não possui limites mínimo e máximo para


Fig. 27 | Mapa de Gabarito - Nova Aliança e Jd. João Rossi. ESCALA 1 : 2000
LEGENDA a altura das edificações. Porém, como o lote in-

sere-se no limite entre o Nova Aliança e o Jardim


VAZIO 3 A 6 PAVIMENTOS João Rossi, bairros predominante verticalizados,
1 PAVIMENTO 7 A 14 PAVIMENTOS tende-se a projetar uma edificação também ver-
2 PAVIMENTOS 15 OU MAIS PAVIMENTOS ticalizada.
LEVANTAMENTO FÍSICO
HIERARQUIA VIÁRIA FUNCIONAL

▶ No João Rossi, pelo fato de ser constituído apenas

por conjuntos habitacionais e equipamentos públicos, con-

centra-se as vias locais. As coletoras e arteriais circundam o

bairro, sem adentrá-lo, com exceção da via arterial Av. José

Cesario M. Silva , que “corta”o bairro.

▶ Em relação à escala pedestre, pelo fato das gara-

gens serem improvisadas e externas , elas invadem as calça-

das, atrapalhando a circulação.

▶ No Nova Aliança, também concentra-se as vias

locais, porém o número de vias coletoras é maior devido a

presença das vias arteriais Av. José Cesario M. Silva, Av. Braz

Olaia Acosta e Av. Presidente Vargas, que fazem a interliga-

ção com outros pontos da cidade.

▶ Há pouca valorização em relação à escala pedes-

tre. Antes do Shopping Iguatemi ficar pronto, não havia pas-

sagem para pedestres no canteiro central da Av. Braz Olaia

Acosta. A dificuldade de atravessar as vias arteriais, as qua-

dras maiores que o padrão e os constantes assaltos incenti-

vam o uso de veículo em percursos dentro do próprio bairro.

Devido a essas condições precárias dos dois bairros


Fig. 28 | Mapa de Hierarquia Viária Funcional - Nova Aliança e Jd. João Rossi. ESCALA 1 : 2000 e a localização do lote que limita-se entre esses, o projeto

buscará alternativas para melhorar à circulação de pedestres


LEGENDA
entre o João Rossi e o Nova Aliança, devolvendo espaço à

ARTERIAL LOCAL cidade e reduzindo a dicotomia social física através da gra-

COLETORA RODOVIA dação entre o público e o privado.


antagonismo
LEVANTAMENTO FÍSICO
MOBILIÁRIO URBANO

36 | 37
▶ No João Rossi, encontra-se menor quantida-

de de pontos de ônibus em relação ao Nova Aliança,

porém melhor localizador por ter no interior do bairro.

Esses pontos de ônibus são, em sua maioria, sem local

de permanência, apenas a placa.

▶ Encontra-se dois semáforos na Av. José Cesa-

rio M. Silva por causa da Escola.

▶ No Nova Aliança, pelo fato da população lo-

cal não depender do transporte público devido seu po-

der aquisitivo, os pontos de ônibus estão concentrados

nas avenidas, principalmente na Av. Braz Olaia Acosta,

demonstrando deficiência.

▶ Não havia semáforo até meados de 2014. Po-

rém, com o movimento intenso provocado pela UNIP,

principalmente às 12:00 h, 19:00 h e 22:00 h, foi neces-

sária a instalação de um semáforo de três tempos na Av.

José Cesario M. Silva. Porém, não amenizou a situação.

▶ Por causa da intervenção da praça Nadyr Frei-

tas da Silva, na rotatória que interliga as avenidas Braz


Fig. 29 | Mapa de Gabarito - Nova Aliança e Jd. João Rossi. ESCALA 1 : 2000
Olaia Acosta e José Cesario M. Silva feita para a prova
LEGENDA
da Stock Car, houve um acordo com o Ministério Pú-

PLAYGROUND blico em que a intervenção foi desfeita e instalada um

PONTO DE ÔNIBUS playground para a população. Porém, o trânsito e a di-

SEMÁFORO ficuldade de atravessar a rotatória, torna-se um trajeto

extremamente perigoso para acessar esse mobiliário.


LEVANTAMENTO FÍSICO
EQUIPAMENTO URBANO

▶ O bairro João Rossi encontra-se bem

assistido com as presenças da Unidade Básica de

Saúde, escolas e creches públicas com infraestru-

tura satisfatória.

▶ Já o Nova Aliança concentra-se apenas

equipamentos privados e ligados à educação.

▶ Os ocupantes do projeto, por ser um

lote lindeiro aos dois bairros de características

distintas, terão acesso tanto à serviços públicos

quanto privados, referente à educação e à saúde,

não havendo a necessidade de locomoverem-se

para outras áreas da cidade em busca desses ser-

viços.
Fig. 30 | Mapa de Equipamento Urbano - Nova Aliança e Jd. João Rossi. ESCALA 1 : 2000
▶ Quanto ao serviço de transporte públi-
LEGENDA
co, essas pessoas encontram-se bem assistidas

1 CRECHE A 1 GRAU
O
UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS) pela proximidade com os pontos de ônibus do

2 PRÉ ESCOLA B 2O GRAU PÚBLICO MUNICIPAL João Rossi e da Avenida Braz Olaia Acosta, locali-

3 CRECHE E PRÉ ESCOLA D 3O GRAU PARTICULAR zada no Nova Aliança.


antagonismo
LEVANTAMENTO FÍSICO
VEGETAÇÃO

38 | 39
▶ Tanto o João Rossi, quanto o Nova

Aliança, são bairros áridos, contando apenas

com as árvores lote a lote exigidas, a vegetação

mínima dos canteiros centrais e sistemas de lazer,

e as pequenas massas verdes.

▶ No Nova Aliança, há o Parque Fernan-

do de Freitas Morais da Silva, constantemente

sem manutenção municipal, o que gera muitas

reclamações da população.

▶ Em relação ao lote do projeto, preo-

cupa-se com a recuperação do paisagismo local,


Fig. 31 | Mapa de Vegetação - Nova Aliança e Jd. João Rossi. ESCALA 1 : 2000
buscando otimizar a relação com a paisagem ao
LEGENDA redor e enfatizar a vegetação, através do vazio

CANTEIRO PRAÇA URBANIZADA como articulador da organização espacial do

MATA DE SANTA TEREZA SISTEMA DE LAZER projeto – gradação da oposição entre público e

PARQUE privado nos bairros João Rossi e Nova Aliança.


EXPERIMENTAÇÃO

uma nova proposta de habitação unifamiliar


LEGENDA

NOVA ALIANÇA LIMITE ENTRE BAIRROS

JD. JOÃO ROSSI MURO DE DIVISA

LOTE VIAS ENTRE BAIRROS

Mapa 4 | Vista aérea - Limite Nova Aliança x João Rossi [Google Earth, 2015]
42 | 43 experimentação
LOTE
SETOR Sul
SUBSETOR S-5
BAIRRO Nova Aliança
LOGRADOURO R. Leda Vassimon, 648
ZONEAMENTO ZUC- Zona de Urbanização Controlada
ÁREA 782, 84 m2
• Frontal: 5,00 m para a frente principal e 3,00m para a rua secundária
• Lateral: 1,50 m em um dos lados, inclusive edícula
RECUOS
• Fundos: 1,50 m, permitindo edícula

TAXA DE OCUPAÇÃO 75% para todos os lotes


COEFICIENTE DE APROVEITAMENTO 5 x a área do lote
GABARITO Em todos os lotes é permitida a verticalização, sem limite para a altura.
• Lote com frente e lateral para o Loteamento Nova Aliança e fundos
para o Jardim João Rossi, sem barreiras;
• Rua secundária interliga os dois bairros;
• Atualmente utilizado como estacionamento improvisado pela po-
CARACTERÍSTICAS pulação que habita ou trabalha no entorno;
• Ao fundo do lote, há a presença de garagens improvisadas, uma
das principais particularidades do João Rossi;
• Lote com topografia em declive.

Tabela 2 | Características do lote em que será impantado o projeto.


PROJETO
PLANTA DE SITUAÇÃO

Fig. 33 | Vista da área de projeto através da R. Leda Vassimon

Fig. 34 | Vista da área de projeto através da R. Leda Vassimon

LEGENDA
ESCALA 1 : 500
NOVA ALIANÇA VIA DE PEDESTRE

JD. JOÃO ROSSI VIA DE VEÍCULOS

LOTE MANGUEIRA A SER REMOVIDA SO Fig. 35 | Vista da área de projeto através da R. 1


44 | 45 experimentação
9
9,5 58 PROJETO
58
PLANTA DE lOCAÇÃO

▶ ÁREA EDIFICADA: 251,56, m2

▶ RECUOS: R. Leda Vassimon - 8,00 m2


0
59
R. P - 6,68 m2

R.1 - 5,40 m2

Lote vizinho - 13,05 m2

▶ GABARITO: 3,75 m

▶ TAXA DE OCUPAÇÃO: 0,18 | 18%

▶ COEFICIENTE DE APROVEITAMENTO: 0,31

▶ SOLO NATURAL: 407, 45 m2 | 51, 31%

▶ SOLO PERMEÁVEL: 135,05 m2 | 17%

O projeto visa demonstrar que, para uma

habitação ser considerada sociológica não precisa

necessariamente ser multifamiliar e nem atender apenas

as famílias de baixa renda. Uma habitação sociológica

é aquela em que seu habitante, além de preocupar-

se com o espaço particular, também considera o

entorno e a cidade como parte integrante de sua casa.

A partir dessa premissa, justifica-se os recuos maiores;

a baixa taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento;

e as áreas permeáveis e de solo natural maiores.

O intuito é um lote com uso privado, destinado

à habitação unifamiliar flexível, e público, destinado à

LEGENDA ESCALA 1 : 200 travessia entre dois bairros antagônicos: Loteamento

Nova Aliança e Jardim João Rossi e ao convívio


NOVA ALIANÇA JD. JOÃO ROSSI CIRCULAÇÃO DE VEÍCULOS PISO PERMEÁVEL dos moradores dos bairros. O partido no lote é

alterar a realidade Nova Aliança x João Rossi ,


PISO IMPERMEÁVEL VEGETAÇÃO ÁGUA SO transformando-a em Nova Aliança + João Rossi.
PROJETO DE REFERÊNCIA
MARITIME YOUTH HOUSE | BIG

▶ Localização: Copenhagen , Dinamarca

▶ Ano: 2003

▶ Tipologia: Clube de Vela e Centro da Juventude, 2.000 m2


Problemática Solução

lote com solo poluído despoluição de parte do solo + deck de madeira elevado
Privado Público

Clube de vela Centro de Juventude

Fig. 36 | Esquema do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015]

Resultado

local público + funções sociais


Fig. 37 | Vista do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015]

Programa

clube de vela (privado) x centro de juventude (público)

Esse projeto demonstra a relação entre público e

privado, através da criação de camadas superior e inferior,

respectivamente Assim, mantém-se a privacidade necessá-

ria para a marina, sem deixar de integrá-la ao superior e

exterior públicos.

No projeto de TFC desenvolvido, foi utilizado esse


Fig. 38 | Vista do centro de juventude [www.big.dk, acesso em 13/09/2015] Fig. 39 | Vista da marina [www.big.dk, acesso em 13/09/2015] mesmo conceito.
46 | 47 experimentação
PROJETO DE REFERÊNCIA
VILLA FUR | BIG

▶ Localização: Birkerod, Dinamarca

▶ Ano: 2006

▶ Tipologia: Habitação Unifamiliar, 400 m2


Fig. 40 | Esquema do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015] Fig. 41 | Esquema do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015]

União dos módulos União dos módulos

Fig. 46 | Implantação do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015]

Fig. 42 | Esquema do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015] Fig. 43 | Esquema do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015] Fig. 47 | Vista do projeto [www.big.dk, acesso em 13/09/2015]

Deslocamento dos módulos Sobreposição dos módulos e movimentação de terra Esse projeto demonstra a relação entre público

e privado através da criação de camadas superior e in-

ferior, respectivamente. Além de ser vedada na face de

visibilidade pública e translúcida na visibilidade para o

lago. Assim, mantém-se a privacidade necessária para

a habitação, sem deixar de integrá-la ao superior e ex-

terior públicos.

No projeto de TFC desenvolvido, foi utilizado

esse mesmo conceito de camadas. Os materiais das

vedações também foi definido através da tentativa de

Fig. 44 | Vista da face translúcida [www.big.dk, acesso em 13/09/2015] Fig. 45 | Vista da face vedada [www.big.dk, acesso em 13/09/2015]
manter a privacidade da habitação unifamiliar.
PROJETO
589
,5
IMPLANTAÇÃO
589

Além do novo calçamento do passeio, foram projetadas

passagens e locais de permanência, gerando um espaço de lazer público

que conecta os bairros Nova Aliança e Jardim João Rossi.


590
Dentre esses locais de permanência, destaca-se a cobertura

da habitação unifamiliar, a qual funciona também como espaço de

contemplação do entorno e do próprio lote. Para acessá-la, é necessário

subir os degraus do lote. Esses degraus possuem dimensões distintas e

mais largas para funcionarem tanto como permanência quanto circulação.

Além de qualidade visual, a escolha dos tipos de vegetação e

outros elementos foi determinada conforme as possibilidades de usos do

lote:

- Arbusto e vegetação rasteira: coibir acesso.

- Árvore: sombreamento e condutor do campo visual. Foram

escolhidas também árvores frutíferas para incentivar a manutenção do

ecossistema local e servir como fonte de alimento para os usuários locais.

- Areia: tipologia de piso sensorial, a qual permite passagem e

permanência, ideal para crianças.

- Gramínea: tipologia de piso sensorial, a qual permite passagem

e permanência.

- Pedra: tipologia de piso sensorial, a qual permite passagem e

permanência.

- Espelho d’água: além de coibir acesso, é essencial para gerar

umidade interna e externa à habitação unifamiliar, amenizando as altas


ESCALA 1 : 200 tempereturas caracteríjá que localiza-se na direção de vento predominante.

Em relação aos portadores de necessidades especiais, as

passagens e os espaços destinados à vegetação são planos. As diversas

SO tipologias de piso e vegetação possibilitam um espaço sensorial.


48 | 49 experimentação
VEGETAÇÃO PROJETO
IMPLANTAÇÃO | LEGENDA

Correspondente à Implantação da página 48.

ÁRVORE GRANDE PORTE PALMEIRA COM FOLHAGEM GRANDE ARBUSTO H>1,60 m

PAGINAÇÃO

AREIA PEDRA

F FORRAÇÃO IMPERMEÁVEL

ÁRVORE MÉDIO PORTE PALMEIRA GRANDE PORTE ARBUSTO 1 H<1,60 m


GRAMÍNEA TERRA

Apenas as tipologias de vegetação foram pré-determidas

por causa do conforto ambiental. As espécies serão determinadas

conforme a preferência dos moradores da habitação unifamiliar


ÁRVORE PEQUENO PORTE COQUEIRO ARBUSTO 2 H<1,60 m sob orientação de um agrônomo.
PROJETO
PLANTA DA HABITAÇÃO UNIFAMILIAR

O projeto da habitação unifamiliar baseia-se na


flexibilidade como determinante da modulação residencial.
Busca-se a capacidade ampla da habitação de permitir
diferentes interpretações e usos a serem definidos pelo
usuário, podendo haver modificações físicas e funcionais
internas progressivas ao longo do tempo, sem necessidade
de ir em busca de uma nova residência.
O conteúdo do projeto para atingir tal objetivo foi:
§ Possibilidade de interconexões das unidades
espaciais que estão em níveis diferentes;
§ Unidade espacial de forma neutra - sem pré-
delimitações funcionais, como cômodos;
§ Espaços multifuncionais e reversíveis conforme
a necessidade do usuário;
§ Separação entre estrutura com
compartimentação, permitindo diversas alterações internas - o
invólucro do projeto é uma unidade estrutural independente;
§ Estrutura passível de escada para acesso aos
dois níveis internos da habitação;
§ Fachadas dinâmicas - pelo fato das vedações
serem basculantes e pivotantes, permitem que usuário
altere as aberturas conforme as necessidades de ventilação,
iluminação e privacidade;
§ Acessos diversificados - pelo lado voltado para
a R. P destinado ao pedestre ou pelo lado voltado para a R. 1
ao pedestre e veículo (via de baixo fluxo);
§ Estrutura e sua dimensão pré-determinadas
LEGENDA ESCALA 1 : 100 através do invólucro, permitindo alterações progressivas em
seu interior e evitando alterações no projeto paisagístico do
VEDAÇÃO MÓVEL | ÁGUA ACESSO lote, já que é um grande investimento;
PRUMADA | ÁGUA QUENTE § Estrutura e elementos de vedação pré-
fabricados;
PRUMADA | ÁGUA FRIA
§ Revestimentos e vedações internas conforme
PRUMADA | ESGOTO necessidades e preferências do usuário;
§ Piso elevado para instalações de hidráulica e
PISO ELEVADO SO elétrica, permitindo maiores possibilidades de usos internos.
50 | 51 experimentação
PROJETO
IMAGENS 3 D

3D 1 | Vista esquina R. Leda Vassimon x R. P. 3D 2 | Vista passagem interna, habitação e acesso ao terraço. 3D 3 | Vista playground e espaço de permanência.

3D 4 | Vista acesso à habitação, passagem interna e espaço de permanência. 3D 5 | Vista R. 1 3D 6 | Vista rampa de acesso à habitação.

3D 7 | Vista rampa de acesso à habitação. 3D 8 | Vista espaço de permanência R. P. 3D 9 | Vista terraço.


PROJETO
CORTES

ESCALA 1 : 100

CORTE AA

ESCALA 1 : 100

CORTE BB
52 | 53 experimentação
PROJETO
DETALHES | ESQUADRIA
PROJETO
DETALHES | ESQUADRIA
54 | 55 experimentação
PROJETO
DETALHES

PISO ELEVADO
SUPORTE
CONCRETO IMPERMEABILIZADO

ESTRUTURA DE AÇO

VEGETAÇÃO
SUBSTRATO
COLMÉIA
CAMADA DE ESTABILIZAÇÃO
CAMADA DRENANTE

TUBO DE DRENO

CONCRETO IMPERMEABILIZADO

GRANITO

MANTA GEO TÊXTIL


IMPERMEABILIZAÇÃO
CAMADA DE REGULARIZAÇÃO
CONCRETO
PROJETO
FACHADAS

ESCALA 1 : 100

FACHADA P

ESCALA 1 : 100

FACHADA 1
56 | 57 experimentação
PROJETO
FACHADA| MATERIALIDADE

VEDAÇÃO EXTERNA EM ALUMÍNIO

▶ 77 mm de espessura;

▶ Alcoa ou similar;

▶ Leveza, durabilidade e reciclável;

▶ Fixo ou pivotante;

▶ Lã de PET Isosoft ou similar em manta entre as duas

faces de cada vedação para gerar conforto térmico e

acústico.

CAIXILHO | ALUMÍNIO GALVANIZADO

CHAPA DE ALUMÍNIO GALVANIZADO

CHAPA DE ALUMÍNIO GALVANIZADO 1 mm

LÃ DE PET 75 vmm

CHAPA DE ALUMÍNIO GALVANIZADO 1 mm


PROJETO
FACHADA | MATERIALIDADE

VEDAÇÃO EXTERNA EM VIDRO

▶ 8 mm de espessura;

▶ Fixo ou pivotante;

▶ Linha Cool Lite CEBRACE ou similar;

▶ Reduz em até 80% a entrada de calor;

▶ Impede em até 99,6% a entrada dos raios UV

(Ultravioleta) quando aplicado laminado.

CAIXILHO | ALUMÍNIO GALVANIZADO

VIDRO LAMINADO PRATA

VIDRO FLOAT INCOLOR 4 mm

VIDRO COOL LITE PRATA 4 mm


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PROJETO
FACHADA| MATERIALIDADE

Guarda-corpo 10mm x 5 mm em I com vedação do ESTRUTURA EM PERFIL DE AÇO GALVANIZADO


mesmo perfil espaçada de 30 em 30 cm
▶ 355x171 mm em perfil I;

▶ 153x102 mm em perfil I (travamentos);

▶ GERDAU ou similar;

▶ Menor tempo de construção e retorno de

investimento;

▶ Obra Limpa;

▶ Menor custo de mão de obra;

▶ Facilidade nas instalações dos kit’s hidráulicos PEX e

elétricos;

▶ Versatilidade, permite executar qualquer modelo

arquitetônico;

▶ Melhor controle do canteiro de obras;

▶ Economia de energia na obra e sem uso de água;

▶ Precisão construtiva;

▶ Resistência a fogo e a corrosão, os materiais

possuem alta durabilidade acima de 100 anos;

▶ Maior conforto termo-acústico;

▶ Menor custo de manutenção;


153x 102 mm em perfil I
▶ Melhor controle da umidade no ambiente interno;
355 x 171 mm em perfil I
▶ Maior área útil devida as seções das paredes mais

esbeltas;

▶ Preservação do meio ambiente, emite 5 vezes

menos CO² quando comparado ao sistema

convencional.
PROJETO DE REFERÊNCIA
FARNSWORTH |MIES VAN DER ROHE

▶ Localização: Plano Illinois, Estados Unidos

▶ Ano: 1951

▶ Tipologia: Habitação Unifamiliar, 679 m2

Fig. 54 | Vista da Farnsworth [www.archdaily.com, acesso em 15/09/2015 Fig. 55 | Vista da Farnsworth [www.archdaily.com, acesso em 15/09/2015

Farnsworth, através de seu volume envidraçado consti- Por causa das cheias do Rio Fox, a habitação está 1,60

tuído por panos de vidro que vão do piso ao teto, é totalmente m suspensa do chão. Apenas os pilares de aço tocam o chão,

integrada ao seu entorno. dando sustentação.

Fig. 57 | Planta da Farnsworth [www.archdaily.com, acesso em 15/09/2015

A planta da habitação é composta apenas por um


bloco central que contém a hidráulica. O entorno interno des-

se bloco é todo livre, sem vedações, sendo o mobiliário defi-

nidor dos usos.

Esse projeto, através do bloco central hidráulico,

permite a flexibilização do espaço, podendo utilizar diversos


Fig. 56 | Vista interna da Farnsworth [www.archdaily.com, acesso em tipos de definidores de funções e usos no caso, o mobiliário
15/09/2015 multifuncional.
O mobiliário é essencial para a definição de usos e fun- No projeto de TFC desenvolvido, foi utilizado esse
ções no ambiente, já que a habitação não possui cômodos pré- mesmo conceito de maior flexibilização do espaço através
determinados. da pré-determinação da localização de prumadas hidráulica.
60 | 61 experimentação
PROJETO DE REFERÊNCIA
AIRSPACE TOKYO | BIG

▶ Localização: Tokyo, Japão

▶ Ano: 20012

▶ Tipologia: Edifício Multifuncional

Fig. 58 | Vista do Airspace Tokio [www.homify.com.br, acesso em 15/09/2015] Fig. 59 | Detalhe da vedação translúcida. [www.homify.com.br, acesso em 15/09/2015]

Fig. 62| Detalhe do invólucro [www.homify.com.br, acesso

em 15/09/2015]

Esse projeto utiliza invólucro metálico como

um dos elementos estruturais. E, para manter a pri-

vacidade da edificação, as vedações são de mate-

rialidades diferentes conforme o uso do ambiente.

No projeto de TFC desenvolvido, foi uti-

lizado esse mesmo conceito de invólucro metálico

estrutural com vedações distintas para manter a pri-

Fig. 60 | Vista interna do invólucro [www.homify.com.br, acesso em 15/09/2015] Fig. 61| Vista interna do invólucro [www.homify.com.br, acesso em 15/09/2015] vacidade do ambiente.
PROPOSTA DE OCUPAÇÃO
,5 9
589 58 FAMÍLIA UNIPESSOAL

PERFIL DO CLIENTE

0 ▶ 25 anos;
59
▶ Publicitária;

▶ Homeworker - vai ao escritório exporadicamente;

▶ Fisicamente ativa;

▶ Socialmente consciente;

▶ Faz curso de Gastronomia;

▶ Recebe o namorado aos finais de semana;

▶ Recebe os amigos semanalmente para jogarem

carteado e outros jogos;

▶ Gosta de alterar o mobiliário temporariamente;

▶ Admiradora da designer Patrícia Urquiola;

▶ Não utiliza carro.

Para suprir tanto as necessidades pessoais da cliente

quanto as necessidades dos usuários do espaço, foram

projetados no espaço público:


ESCALA 1 : 200
▶ Academia ao ar livre (cobertura);

▶ Espaços de Permanência sombrados com mobiliário;

▶ Playground (areia).
SO
61 | 62 experimentação
PROPOSTA DE OCUPAÇÃO
FAMÍLIA UNIPESSOAL

PROJETO DE INTERIORES

Para que as necessidades da cliente fossem atendidas

juntamente com seus ideais e expectativas em relação ao

projeto, não há vedaçõs internas fixas e nem cômodos, e sim

um espaço único e com funções integradas.

Não há um espaço pessoal destinado à cliente - quem

a visita tem total acesso ao interior da habitação. Apesar de

ser privado em relação ao restante do lote, não é um espaço

exclusivo de sua moradora.

O principal possibilitador dessa configuração é o

mobilíario que centraliza os evlementos dependentes de

hidráulica através de uma prumada central. Esse equipamento

tem vedações móveis que “escondem”e “mostram” os

elementos conforme a necessidade.

As ações principais em uma habitação - dormir,

banhar, divertir, relaxar, cozinhar , trabalhar, lavar - integradas

são uma forte característica no projeto.

O restante do mobiliário solto no espaço também

contribui para a flexibilidade.

ESCALA 1 : 75

SO
PROPOSTA DE OCUPAÇÃO
FAMÍLIA UNIPESSOAL

ESCALA 1 : 50

CORTE BB
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PROPOSTA DE OCUPAÇÃO
FAMÍLIA UNIPESSOAL

3D 10 | Acesso e espaço de trabalhar/divertir. 3D 11 | Escada de acesso também funciona como mobiliário. 3D 12 | Estante que funciona como divisória.

3D 13 | Mobiliário multifuncional inferior - opção A 3D 14 | Mobiliário multifuncional inferior - opção B

3D 15 | Mobiliário multifuncional superior - opção A 3D 16 | Mobiliário multifuncional superior - opção B


REMATE

as considerações finais
No fundo, vejo a Arquitetura como

serviço coletivo e como poesia.

Lina Bo Bardi
remate
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Esse projeto sobre a revisão da configuração de habitação unifamiliar, em forma de experimentação,

é voltado para o usuário contemporâneo - aquela pessoa que, ao invés de isolar-se, prefere integrar-se à vida

social da cidade e preocupa-se com ela:

▶ Utiliza meios de transporte mais alternativos ao automóvel, como ônibus e motocicleta;

▶ Não isola sua habitação do entorno, incentivando o convívio público local;

▶ Investe em recursos mais sustentáveis em sua habitação, como canteiro de obra limpoe materiais

menos poluentes.

Apesar da área escolhida ser crítica por causa dos índices de violência, o projeto é uma tentativa de

solucionar uma parcela da dicotomia social local através do incentivo de convívio entre os moradores locais.

O alto custo da construção do projeto, o que torna uma habitação unifamiliar voltada às classes A e B,

é justificado por ser um lote em que o uso público é superior ao uso privado - a população recebe um retorno

desse investimento transformado em um espaço de circulação e lazer.


o
o

BIBLIOGRAFIA

o conhecimento é para ser compartilhado


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