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UM ENSAIO DE AXIOLOGIA

Boa parte das pessoas que se embrenham na literatura moralista ou semelhante o faz em busca de um
ponto de apoio de onde possa avaliar suas ações. Pensar sobre isso no remete à acertada tese de Eric
Weil, quando este nos diz que o reconhecimento da necessidade da moral é o reconhecimento de nossa
própria imoralidade[1]. É divertido ainda atentar que isto é ainda válido até para os relativistas mais
extremados; afinal, o que eles fazem senão procurar por um sistema que justifique seus próprios valores
ou falta deles? De qualquer forma, o tema da moral sempre nos fará correr atrás do problema do valor e
se sua pretensa absolutez ou relatividade. O presente artigo não tem intenção alguma de resolver o
problema da moral, mas espera servir de guia introdutório sobre o tema. E para que nos ponhamos no
bom caminho, é mister que iniciemos pelo tema dos valores.

1. Dos valores e da valoração

É sabido que a moral em geral trata dos valores; quando dizemos que algo “vale” mais que outro,
dizemos que este possui alguma qualidade que o torna superior em certo aspecto, que o confere algo que
se acresce e essa “adição” que o torna superior a outro possui razão de “bem”, visto que a superioridade
implica certa perfectibilidade. Tomás nos pergunta: o bem acrescenta algo ao ente? ” [2]; e nos parece
que o valor é intrinsecamente ligado ao bem. Como algo que serve como qualidade de valoração quanto
à superioridade poderia ser uma medida que aponta para o que repugna? Assim, o bem e o valor são
ligados de algum modo. Chamamos normalmente de bom aquilo que nos apetece; não parece lógico
chamar de bem aquilo que nos soa como repugnante, ao menos num primeiro momento. Valorar algo
então parece que seja conferir certa medida de bem que algo possua em determinado aspecto; algo
melhor costuma valer mais em comparação com outro. É interessante notar que a valoração parece ser
uma categoria de relativos, visto que pede um termo comparativo: valer mais, valer menos. Apontamos
ainda que tal é também ligado à escala daquele que valora; o objeto valorado depende de um sujeito que
lhe confere um valor em comparação com outros objetos dotados de algum valor; “o agente homem, ao
organizar suas ações, tem uma escala de necessidades ou de valores [3]”. Deste modo, o valor, ou o
valorar, liga-se profundamente ao tema da preferência: “Onde não houver uma preferência que rompa a
indiferença ou a igualdade entre as coisas, o valor não se manifesta”.[4]

Aqui surge um problema: consideramos o valorar de um ponto de vista subjetivo, enquanto o sujeito
valora ou confere algum valor a entes acrescentando-lhes certa qualidade que nos é concebida em razão
de bem, comparando este com aquele. Mas, há um valor objetivo? Essa pergunta nos remente a outra: o
que seria um valor objetivo independente do sujeito? Na perspectiva da valoração como investigamos
aqui, o valor é uma qualidade adquirida, ou acrescentada; um valor objetivo não seria acrescentado, mas
sim percebido. Mas como perceber um valor e como o diferenciaríamos de um valor subjetivo dado?
Ao valorarmos algo, o fazemos segundo certas condições, como a utilidade e o tempo; um valor objetivo,
além de anterior ao ato valorativo, deve estar isento das condições de valoração, o que o impediria, em
primeiro lugar, de ser submetido ao tempo. Estar fora do tempo implica simultaneamente sua
imutabilidade, frente à possível mutabilidade a que estão submetidos os valores subjetivos dados sob
certas condições. Mas sua imutabilidade formal não impede que os valores objetivos não sejam captados
em sua manifestação fenomênica, i.e, no espaço e no tempo; assim, torna-se possível a manifestação
empírica de objetos dotados de valor objetivo. Ora, é isso o que ocorre quando vemos uma ação chamada
boa; ela manifesta um valor que não é dado por nós, mas é exibido por sua própria essência que repousa
em certa bondade que nos apetece.

Assim, temos uma cisão; o valor percebido é anterior ao sujeito e o valor adquirido é posterior ao sujeito,
pois um é dado pelo objeto que vale e o outro é posto no objeto que passa a valer. Deste modo, diferem
ainda na fonte de valoração; o objetivo baseia-se em algo outro, e o subjetivo baseia-se em nós mesmos.
Do valor enquanto subjetivo podemos considerar aquelas coisas que valorizamos para nós numa questão
de gosto ou de necessidade. Valorizar mais uma cor por gostar dela, ou valorizar mais um bem por
precisar dele, como um pedaço maior de pernil.

Quando aplicamos o valorizar a “algo”, especificamo-lo ao modo de valorizar; tal modo especificamente
dado por comparação e apreciação em razão de bem como dito, é o que se chama Tímese
Parabólica.[5] Essa aplicação é que dará origem à Timologia, disciplina que trata dos valores segundo
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apreciação estimativa no sentido de medir a quantidade de valor do objeto em questão segundo várias
condições [o que para alguns economistas virá a ser o valor marginal] que normalmente deve ser
traduzido quantitativamente em razão de paridade; assim, a Timologia é a mãe da Economia.

O valor objetivo, que é considerado na medida em que é percebido por nós como vindo de uma fonte
externa de onde emana, dará origem a problemas novos: enquanto aplicado a regras valorativas da ação
humana, fornece a raiz do valor na Ética; enquanto aplicado a regras de apreciação do belo em suas
determinações, fornece a raiz do valor na Estética. A Axiologia é a disciplina dos valores enquanto
apreciados por sua dignidade intrínseca,[6] ou do valor enquanto valor.

Outra pergunta surge: como diferenciar os objetos de tais disciplinas, e qual a necessidade de a ética
tratar dos valores objetivos e não subjetivos conforme a explicação dada?

Assim se resolve: o objeto timológico é sempre um ente no espaço ou um serviço valorado segundo
certas leis dadas que se originam da própria estrutura da valoração, como por exemplo oferta e demanda,
ou a operação da faculdade do juízo que faz a apreciação de tais objetos [no caso de um juízo de gosto].
O valor enquanto ético trata das regras mesmas da ação humana no tempo e no espaço, o que se chamou
também de razão prática. A axiologia trata do valor, enquanto o valor aplicado à ação mesma sobre os
objetos irá criar a Timologia. Temos assim uma separação mais ou menos precisa das ciências
valorativas e seus objetos próprios; lembrando que isso não significa que a distinção dada aqui implique
que, em determinadas situações, uma disciplina interfira ou coopere com a outra, como esperamos
mostrar.

Da exposição precedente, faz parecer que a axiologia trata-se de uma disciplina apriorística enquanto a
Timologia é apenas empírica. Tal impressão não deve ser levada em conta, por uma série de pontos que
o leitor deve atentar; a descoberta dos valores se dá num contexto onde, embora regrem nossas ações,
são desvelados via pesquisa; são anteriores na ordem do ser, e não na do conhecer. O mesmo se dará
analogamente na Timologia. Esclarecido o tema do valor, passemos ao próximo.

2. Dos valores e seus desdobramentos

Tendo tais noções do valor e da valoração em mãos, agora podemos procurar propriamente sua
aplicação. Quando preferimos algo, já executamos certa valoração; essa preferência, quando desejamos
que seja seguida enquanto regra de conduta, é a experiência do valor ético. Observamos já nas relações
entre as crianças que estas, mesmo quando desobedecendo certa regra estipulada por sua tutoria, tendem
a convencionar regras próprias que esperam que seus iguais sigam; aqueles que seguem tais ditames são
aceitos de certa forma. Aqui percebemos que aquele que segue certa regra é tido em razão de bem; temos
um denominativo para aquele que segue certa ética, o homem ético.

Certa valoração daquele que regra-se segundo certa norma – que chamaremos por hora de norma ética
– é o que constrói o símbolo do Spoudaios, “ o homem maduro que deseja o que é na verdade desejável
e que julga tudo com correção”[7], a encarnação concreta do nomos. Não se trata de um ideal enquanto
formal, mas do executor da norma hic et nunc. Olhando mais de perto e para além da empiria da
valoração daquele que segue certas normas sejam convencionadas ou não, percebemos certa tendência
a aceitar a valoração de certas regras que desejamos em razão de universalidade: aqui parece que
encontramos a inspiração de Kant para a construção do imperativo categórico. Vejamos o que Kant diz:

2.1 – Da decomposição Simbólica: Os Imperativos Kantianos

Kant chama de imperativo certa representação de um princípio que funciona como mandamento à
vontade[8], a norma de conduta que mencionamos, e são expressados em razão de “dever”. Kant percebe
que os imperativos são normas de conduta que operam em razão de lei para certas ações, que aqui
tratamos como dotadas ou pelo menos dignas de valoração. Ele dirá que o que dá valor à ação é a vontade
mesma, mas ora; a vontade nos parece servir senão como árbitro que modula as ações segundo princípios
que precisam ser dotados de algum valor pelo menos persuasivo. Neste caso, a vontade deveria ser
classificada como boa ou má segundo sua relação com um ideal posto externamente, um summum
bonum talvez. De qualquer forma, o que nos interessa é o seguinte trecho:
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Como toda a lei prática representa uma acção possível como boa e por isso como necessária para um
sujeito praticamente determinável pela razão, // todos os imperativos são fórmulas da determinação da
acção que é necessária segundo o princípio de uma vontade boa de qualquer maneira. No caso de a acção
ser apenas boa como meio para qualquer outra coisa, o imperativo é hipotético; se a acção é
representada como boa em si, por conseguinte como necessária numa vontade em si conforme à razão
como princípio dessa vontade, então o imperativo é categórico.[9]

A lei prática trata das regras que tomamos para as ações, possíveis, como percebemos anteriormente. Os
imperativos são certa norma de conduta que determina tais ações em razão de dever; no caso de certa
ação for boa em certos casos, é hipotético, e se em todos, é categórico.

O imperativo categórico enquanto norma da ação obrigatoriamente devida, parece simbolizar certa regra
de ação de valor máximo ou pelo menos indiscutível numa universalidade de situações; o homem ético
com certeza precisa de certo princípio de conduta de valoração máxima. Tomemos a honestidade como
exemplo; é uma regra apreciada e louvada em todos os cantos e culturas até onde podemos ver, e seu
vício correspondente é sempre execrado; assim, temos uma alta valoração da honestidade até onde se
percebe. Mas ora, Kant nos diz que a ação determinada pelo imperativo deve ser boa em si; será que há
uma ação boa em si? Ou melhor, estaríamos defronte um valor objetivo?

Isso nos leva ao problema da descoberta do valor objetivo enquanto princípio de sistematização das
regras adequadas a ações determinadas, e ainda: como é feita a passagem da valoração das regras
convencionalmente à percepção da regra objetivada segundo um valor mesmo independente de nós?

2.2 Tímese Parabólica da objetivação valorativa

Para que possa haver sequer a possibilidade de uma apreensão, é necessário que o homem esteja munido
de certo equipamento apreensivo, que no caso humano, dá-se normalmente pela divisão entre a intuição
e o entendimento – fazendo uso, para fins de melhor entendimento, da terminologia kantiana. A
capacidade de apreensão valorativa deve ser apreciativa; assim a definição de Mário Ferreira para a
tímese parabólica vem bem a calhar: enquanto capacidade de apreciação possibilita o valor objetivo, a
estimativa possibilita o valor subjetivo – como definido por nós. Mas a capacidade de valoração
pressupõe antes a razão de bem (ratio boni), que deve assentar-se na concepção de, neste caso, ao menos
a noção de um bem infinito e um bem finito: o primeiro é o bem supremo, que aqui, se dividirá entre o
bem supremo representado por Deus, e o bem “supremo mitigado”, que figurará a valoração
incontornável da ação, ou, o objetivo do imperativo categórico; o segundo, tratará da gradação
valorativa, ou dos imperativos hipotéticos.

A apreensão do bem se dá de várias formas; antes de uma valoração, é preciso que se saiba valorar em
“razão de”, o que supõe uma prioridade do valor objetivo; para se “bonificar” certo ato, é preciso que
se saiba o que é bom, e melhor, como aquele ato pode ser bom. Tal noção não pode ser inata, pois em
nossa mente nada há que indique uma noção prévia de bem além de certa estrutura estimativa que Mário
Ferreira chamará de esquema[10]; o bem pode estar em nós, mas apenas de modo virtualizado na estrutura
de nossa mente, ou nos nossos esquematismos[11]. A razão de bem, no caso, é um juízo virtual que é
trazido à luz através da experiência mesma, tendo por gatilho primevo a sensação mesma, ou como
diriam os empiristas, o prazer e a dor. É interessante atentar que aqui não temos uma dedução da razão
de bem, mas antes uma construção dela a partir da intuição em conformidade com as estruturas
esquemáticas próprias de nosso espírito, resultando em certa capacidade – a educação do gosto[12] – de
apreensão do bem finito (gradativo) que está objetivado no mundo. De tal modo, temos em uníssono as
vozes de Tomás de Aquino e Kant enquanto Hume[13] fica surdo.

Quando tal esquematização atinge a capacidade de universalização do bem ao modo de aplicá-la a certa
regra incontornável, o imperativo categórico se torna possível enquanto representação do bem máximo
da ação; quando se reconhece que tal bem transcende a ação, a noção mesma se reconhece como
simbolização do bem objetivo: assim, o bem finito reconhece-se como espelho do infinito e a axiologia
encontra sua via de ligação à Teologia Moral.

3. Um epílogo do valor
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Este ensaio termina em uma incógnita: quisemos fazer um ensaio moral ou axiológico? A resposta é que
sem uma axiologia não podemos tratar de uma moral – ou mais acertadamente, de uma ética. A
axiologia, enquanto ciência dos valores, é um ramo da ontologia que possui – este é um ponto de nosso
artigo que merece expansão futura – como objeto o bem em si mesmo ao modo de valoração. Lembrando
que bonum é um transcendental. Daqui o leitor pode ficar com a dúvida se uma ética deve partir antes
de uma ontologia ou de uma epistemologia; podemos responder que sem uma, não teremos a outra e
vice-versa – e assim temos um tema para escrever mais.

Espero que em meio a tantas dúvidas que surgem após tal leitura, o leitor possa colher os bons frutos
das respostas que aqui foram ensaiadas e que continuarão sendo em trabalhos posteriores e que foram
prenunciadas em trabalhos anteriores*

*Um dos objetivos deste ensaio é explicar o tema do valor prenunciado em Por uma Liberdade
Prudente.

Notas:

[1] “Toda moral, quer ela se mantenha na certeza quer busque na insegurança, supõe que o homem, capaz de
observar regras morais, é ao mesmo tempo imoral: ela reconhece a imoralidade do homem ao reconhecer que ele
pode e deve ser conduzido à moral. ” Filosofia Moral p.17

[2] O Bem: Questões disputadas sobre a verdade Questão 21 p.28

[3] Ação Humana p.127

[4] A Ontologia Axiológica de Louis Lavelle p.108

[5] Noologia Geral p.211

[6] “Não se deve confundir a Axiologia com a Timologia, embora se analoguem. Axios, como vimos, vem
de axiou, em grego, eu aprecio a dignidade de algo, e timós, outro têrmo grego, do qual temos tímesis, significa
apreciação meramente estimativa, de medida, que se aproxima do sentido dos valôres, como se emprega na
Economia. Com êstes têrmos cunharam-se essas duas palavras Axiologia e Timologia. A Axiologia estuda os
valôres ontologicamente. A Timologia estuda o valôres segundo as apreciações estimativas de medida, tendendo,
como dissemos, ao sentido econômico. ” Filosofia Concreta dos Valôres p.16

[7] Anamnese p. 190

[8] “A representação de um princípio objetivo, enquanto obrigante para uma vontade, chama-se um mandamento
(da razão), e a fórmula do mandamento chama-se Imperativo”.Fundamentação da Metafísica dos Costumes p. 48

[9] Ibidem p. 50

[10] “Basta que atentemos para o seguinte: se nos pusermos a analisar a mera intuição sensível que temos de
alguma coisa, digamos aquela árvore, o verde de suas folhas é reduzido ao esquema do verde, pela assimilação, de
tal modo que a sua singularidade se esvai aos poucos, ou diminui, ao mesmo tempo que se acentua a imitação que
oferece à forma do verde, do qual temos uma posse virtual, representativa. Todo nosso conhecimento sensível é
misto dessa facticidade e dessa eideticidade. Há razão a favor de Aristóteles, mas também a favor de Platão. Essa
a razão porque não temos mais uma intuição pura, mas já decorada com a presença de esquemas adquiridos. Ora,
demonstramos que é impossível a construção de um esquema sem esquemas prévios, que os estruturem numa nova
coerência esquemática tensionalmente unitária. Essa aptidão, que se dá previamente à experiência, demonstra que
há em nós algo que antecede a experiência sensível, apto a estruturar-se em novos esquemas. O que se dá
previamente ainda não está coordenado na nova estrutura esquemática, mas constitui o elemento fundamental que
comporá a nova estrutura. Há, assim, em nossa emergência, uma predisponência aos esquemas, e essa
predisponência não pode surgir da mera experiência, como fatorada apenas pelo componente exterior, mas sim
como o produto de fatores intrínsecos e extrínsecos. A posição concreta só pode ser a que concilia uma nova visão
5

a posição aristotélica e a platônica, como é a nossa. Ademais, como ainda se verá, o verdadeiro pensamento de
Tomás de Aquino é mais adequado ao nosso do que parece aos olhos de muitos dos seus seguidores e discípulos.
” Tratado de Esquematologiap.11-12

[11] “Esta doutrina transcendental da faculdade de julgar deverá conter dois capítulos: o primeiro, que trata da
condição sensível, a única que permite o uso dos conceitos do entendimento, isto é, do esquematismo do
entendimento puro… “ Crítica da Razão Puraa136

[12] “Será difícil numa época posterior tornar aqueles modelos dispensáveis, porque ela estará sempre menos
próxima da natureza e finalmente, sem ter exemplos permanentes dela, não poderia estar em condição de formar
sequer um conceito da unificação feliz em um e mesmo povo da coerção legal da mais elevada cultura com a força
e correção da natureza livre que sente seu próprio valor. Mas, visto que o gosto é no fundo uma faculdade de
ajuizamento da sensificação de ideias morais (mediante uma certa analogia da reflexão sobre ambas as coisas), da
qual também e de uma maior receptividade – que se funda sobre ela – para o sentimento a partir daquelas ideias
(que se chama sentimento moral) deriva aquele prazer que o gosto declara válido para a humanidade em geral e
não simplesmente para o sentimento privado de cada um; assim parece evidente que a verdadeira propedêutica
para a fundação do gosto seja o desenvolvimento de ideias morais e a cultura do sentimento moral, já que somente
se a sensibilidade concordar com ele pode o verdadeiro gosto tomar uma forma determinada e imutável.” Crítica
da Faculdade do Juízo p.220

[13] “O bem então é causa do ente. Principalmente porque tem o caráter de causa final, supondo a causalidade
eficiente e formal na ordem da produção. De fato, também na Metafísica de Aristóteles a doutrina do bem é, antes
de tudo, uma doutrina da causalidade do bem, ou seja, uma forma de explicara sua causalidade em relação ao ente
segundo o aspecto da causalidade final, não da eficiente.

A objetividade do bem pode ser compreendida na medida em que o vemos como algo do qual as coisas dependem.
Isso significa que o bem não está sujeito a uma análise conceituai da nossa primeira compreensão do ente, nem é
fruto da dedução da razão comuto de ente, a qual não contêm toda a natureza do ente, nem todos os seus princípios:
A ratio entis não é idêntica à ratio boni, pois o bem acrescenta ao ente a razão de causa final. De fato, a afirmação
de Tomás manifestum est quod bonum rationem finis importat nos mostra que a razão de apetecível e a de fim se
relacionam de modo imediato. Apetecer alguma coisa nada mais é do que se relacionar com a mesma como sendo
um fim.

Essa precisão vai de encontro às interpretações frequentes do is-ought paragraph de D. Hume, que dizem que ele
condenaria todas as teorias morais precedentes a ele, nas quais o bem seria deduzido do ser (is). Pois o bem — que
é muito mais do que o mero dever moral — não é deduzido do ser, mas é apreendido imediatamente: quando se
apreende o ente, este é visto como verdadeiro e bom, de modo que implicitamente é apreendida a causa formal e
final do mesmo. ” Ser e Dever Ser: Tomás de Aquino e o debate filosófico contemporâneo p.267

Bibliografia:

Eric Weil

Filosofia Moral
Ludwig Von Mises
Ação Humana
Tarcísio Padilha
A Ontologia Axiológica de Louis Lavelle
Santo Tomás de Aquino
O Bem: Questões disputadas sobre a verdade Questão 21
Mário Ferreira dos Santos
Noologia Geral
Filosofia Concreta dos Valôres
6

Tratado de Esquematologia
Eric Voegelin
Anamnese
Immanuel Kant
Fundamentação da Metafísica dos Costumes
Crítica da Razão Pura
Crítica da Faculdade do Juízo
Pe. Anderson Machado
Ser e Dever Ser: Tomás de Aquino e o debate filosófico contemporâneo
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