Você está na página 1de 8

Psicomotricidade

A psicomotriciade é uma ciência em constante diálogo com aspectos


emocionais, linguagem, imagem corporal, aspectos perceptivos e gnósticos, assim como
intuitivo-emocional. Sendo que o movimento não é apenas as estruturas que compõe o
corpo e o movimento no tempo e no espaço, este estudo não pode recair em métodos
empíricos, ou correcionistas e padronizados. Assim é a prática que nos ensina mas esta
prática deve estar voltada para uma realidade em constante movimento.

Não há movimento para os homens, mas há homens em movimento, não há


objetos para homens, mas homens que se valem dos objetos. O movimento é uma
significação expressiva e intencional é uma manifestação vital da pessoa humana. É a
situação concreta que determina o contexto, ocupando grande parte das manifestações
históricas e biológicas do indivíduo.

Torna-se então elementar o estudo da gênese da psicomotricidade em um


quadro epistemológico dinâmico e estruturado, que dialogue com a anatomia e a
fisiologia, pois são os fundamentos da execução do ato motor. Por outro lado, há que se
levar em conta a intencionalidade como algo primordial, pois é nela que o individuo põe
em jogo toda sua personalidade. O movimento é a antecipação da ação sendo sempre a
expressão da existência.

O movimento ocupa grane parte das manifestações da história biológica do


indivíduo, dado que como exteriorização significativa não é uma relação abstrata, mas
concreta e vivida pelo sujeito. Reduzir o movimento as leis naturais dá um caráter
newtoniano do estudo do corpo, que por suave não é uma máquina, os estudos
biológicos mostram a impossibilidade de explicar a totalidade dos fenômenos.

A teoria da forma não satisfaz a compreensão e o significado das funções


vitais. O movimento humano não se desenvolve independente da consciência, o
individuo quando em movimento não é um expectador desinteressado. O estudo do
desenvolvimento exige se considerar a subjetividade, a fisiologia, a patologia como
intuito de procurar as relações biopsico e sociais que colaboram para a elaboração
motora do ser humano. Por é necessário um estudo sistêmico do sistema nervoso
central.
Somente a posteriore se pode indicar os elementos que contribuíram para a
realização do movimento, trás as reações se originam da intersecção entre as interações
interoceptivas, proprioceptivas, exteroceptivas, que constituem as premissas
psicofisiológicas de toda a vida afetiva.

O termo imagem corporal é similar a esquema corporal, que tem por base o
estudo da adaptação humana que liga o homem ao seu meio, através da criação infinita
de projetos de comportamentos. Não podemos construir uma fisiologia completa das
sensações sem conhecer as percepções sensíveis, assim como não podemos conhecer
uma fisiologia completa sem conhecer a intenção do movimento. Assim é a intenção
que dá conteúdo a consciência.

Movimento função

Comportamento

Valor vital e existencial

Pelo movimento se tem por vezes uma tomada de posição e a ação é


conscientizada. A motricidade é projetada para o mundo, no universo de relação na
qual o sujeito se insere em seu contexto.

Considerando as bases históricas podemos esquematizar:

Seguindo o desenvolvimento do indivíduo, como expressão da


materialidade e estruturada a partir das funções variadas e indiferenciadas que vão se
diferenciando e se especializando.

Sendo que a base epistemológica é a neuropsicologia, reflexologia e


psicologia.

A psicofisiologia verifica a aprendizagem do sujeito, os aspectos


psicoafetivos a emoção e os afetos e a psicologia social a imitação, interação,oposição e
demais aspectos que vislumbram a relação do sujeito com o mundo mediado pelos
diversos instrumentos pertinentes a cultura.
As contribuições de Wallon e Piaget para o estudo da psicomotricidade

Contribuição de Wallon

Para Wallon é pela motricidade que se emerge a consciência, levando em


consideração a constante interdepedêcia dos aspectos cinéticos e tônicos, com a
interação entre atitudes, movimentos, percepção mental ao longo do desenvolvimento. o
caráter emotivo da relação tônico emocional foi levantado por Wallon, traduzindo-a
como uma simbiose afetiva, que surge posteriormente a simbiose fisiológica, existente
na relação mãe-filho responsável por sorrisos, choro, e sinais de comportamento.

A partir daí que surgem o movimento de imitação, como fatores


influenciadores que subdividem a fusão-alienação ao objeto e desdobramento do ato
executado e do modelo.

A diferenciação do eu e do outro é a base da afirmação do próprio EU. A


UTILIZAÇÃO do corpoe a conseqüente vivencia tônica garantem a projeção do EU,
para além da superfície corporal.

Para Wallon os aspectos afetivos são anteriores a qualquer tipo de outros


comportamentos, em qualquer movimento existe uma condicionante afetiva, que lhe
influência algo intencional. Dessa forma, existe uma evolução Tonica que precede a
verbalização, que é chamada pelo autor por diálogo tônico. Assim, a ação desempenha
um papel fundamental de estruturação cortical e está na base da representação. Ao
longo da obra de Wallon pode-se perceber a significação do movimento e suas
alterações ontogenéticas. Em cada estagio do desenvolvimento, o movimento assume
uma importância cada vez maior. Nos primeiros meses, a agitação orgânica e a
hipertonacidade global caracterizam uma atividade rítmica essencial que
progressivamente vai se abrindo o que permite as primeiras relações afetivas e
emocionais com o meio ambiente o que o autor chamou de estado impulsivo (descargas
de energia, esteriótipos e gestos desordenados).

A agitação global é eliciada pelas necessidades, pelos estados de bem estar


ou mal estar, provocados por variações tônics e pelas emoções.
E difusa que a criaça se comunica com o meio ambiente, onde irá introduzir sua
comunicação e se ajustar nas relações. Os primeiros gestos são as expressões,
desenvolvidos na criança para tomar objetos indispensáveis a seu bem estar. Tal
expressão motora se encontra ligada a esfera afetiva, por ser o escape das emoções
vividas. A forma de emoção expressa é o elemento que expõe as primeiras formas de
significação estruturada do sujeito. O mundo das emoções que dará origem ao universo
da representação, a ação ligada a sensibilidade reestrutura o processo histórico que
caracteriza a evolução mental do ser humano.

Wallon concorda com Politzer ao constatar que o sujeito não se desenvolve apenas
pelos seus processos psicológicos, mas a medida em que seu comportamento se
expressa e interage com o meio social e neste consolida seus significados.

O segundo estágio é chamado de período Tonico emocional, a relação com o meio


dominante dá o comportamento da criança um estilo particular.

A coexistência de diferentes atividades traduz o enriquecimento específico das relações


da criança com o seu meio ambiente. Após o dominar subjetivamente seus afetos, as
atividades anunciam o 3º estágio o sensório motor. Este tem um caráter mais
representativo do que afetivo, sua finalidade é ligar o movimento as conseqüências
sensíveis e operar um conjunto extenso de dados sensoriais e perceptivos discriminando
as excitações causadas pelos objetos exteriores. Surge o apalpar, balançar de cabeça e
tronco. O estado sensorial sucede o desenvolvimento das atitudes, dos atos
rudimentares, das expressões emotivas, de tal forma que o individuo é o curto circuito
da sua atividade.

Surge então a atividade circular, isso porque o efeito proveniente de um movimento leva
a reprodução do mesmo, é com estes instintos que a criança desenvolve a orientação
própria e exploração do meio. A conduta de exploração espacial e determinada por
objetivos ocasionais. O espaço começa pela boca, para se tornar próximo aos braços e o
restante do corpo, neste período o conhecimento do corpo é fragmentado, cada uma das
partes é descobertas de forma progressiva, estas relações não são naturais, mas nascem
da cultura.
As coordenações intersetoriais são de importância capital no desenvolvimento da
criança, o movimento é denominador comum das polisensações. Para Gesel o
movimento é o elemento essencial da percepção sensorial.

Wallon sublina diferentes níveis de atividade sensório motora:

Na primeira fase puramente subjetiva, a mão chega ao campo visual, retém o olhar e
este ssegue todo seu deslocamento. A visão começa progressivamente a guiar a mão e
esta elabora os primeiros contantos com os objetos do seu meio ambiente. Mesclando
processos visuais e táteis.

A perfeição dos movientos da mão é acompanhada pela maturação da motricidade


humana e da sensibilidade cinestésica, que estão em paralelo com a progressão das
capacidades de informação e da realização.

A preferência e a riqueza dos movimentos do membro supero-anterior levanta


questionamentos mediante a coordenação do movimento, isso porque a coordenação da
mão é uma característica humana, sendo um sistema altamente elaborado, que vem a
ser acompanhado de forma uniforme por uma inteligência superior. O aspecto evoluído,
intelectualizado e práxico da motricidade continuará a desenvolver-se a partir dos 3
anos.

Tendo um acompanhamento continuo da aprendizagem e uma revolução do domínio


de maturação, neste período se instala os movimentos de coordenação fina, em uma
primeira fase estas ações são manipuladas de forma global, com as duas mãos, isso é
chamado por Wallon de palpação estrutural, onde a atividade de uma mão e completada
pela outra, uma coordena os movimentos outra dá sustentação.

Outra fase de grande importância é a bipartição diferencial do movimento, em que cada


mão é capaz de ações combinadas, cada um com o seu papel.

A representação mental serve de suporta a intencionalidade do gesto, ela se impõe a


consciência ainda dominada pelas impressões do momento e ligada ao jogo das
associações sensoriais, é o estado projetivo.

A criança exprime-se por gestões e por palavras, onde ela parece organizar o mimetismo
do pensamento e distribuir pelo movimento as suas imagens no meio ambiente atual.
Isso é tido como um simulacro para Wallon, onde a atividade motriz que regula o
aparecimento e o desenvolvimento das formações mentais, o ato, o movimento,
mistura-se com a própria realidade. A atividade neste momento é eminentemente
subjetiva, é o sistema no qual se opera o contato com as coisas que prevalece sobre o
das associações entre imagens e símbolos, nesta fase a forma de comunicação da criança
é o gesto, gera-se uma grande necessidade de manifestação e inquietação.

O gesto pode tornar presente o objeto ausente e substitui-lo. O gesto é um meio de


estabelecer analogias que dificilmente se formulariam de outra forma.

Surge então a imitação, que é a repetição de um gesto executada pela própria crianças.
As ligações psicomotoras anteriormente constituídas condicionam a atividade circular.
A imitação é uma forma de atividade que parece implicar, de uma maneira
incontestável, relações entre o movimento e a representação. A criança esboça um
movimento em relação a algo exterior a si. Os movimentos deixam de responder
imediatamente a uma necessidade pulsional, para se ajustarem as situações exteriores.
A similitude gestual é muito comum nos animais mas ela é fundamental na evolução
psicológica da criança. O modelo do outro indicia a sua importância. A imitação
começa de forma passiva e termina de forma ativa.

A criança põe então em movimento a necessidade de realizar os seus próprios ritmos,


por intermédio destes, de se por de acordo com o ambiente e de estender sua
sensibilidade aos objetos que a rodeiam.

A imitação depois de ser um simples gesto de repetição percepto motora, passa a ser
uma reação convergente. Toda essa dimensão é possível por meio da marcha e da
palavra.

A sensação de prazer da autonomia, experimentado a partir dos 3 ano, tem uma


importância elevada na formação da autoconfiança. É o movimento que projetando no
meio de uma realidade humana, permite a criança uma atenuação de grupos musculares
oneroso, que proporcionarão um progressiva coordenação e uma melhor habilidade
manual.

A evolução da motricidade tem um fim cognitivo: a criança constrói o real através da


exteriorização cinética da sua unidade. Os limites do real deixam de ser um bloco, elas
são cada vez mais abertos e longínquos.
As percepções do meio por meio da imitação se dá por meio do eco: ecolalia, ecocinese,
ecomimia.

A significação da palavra evolui com a maturidade motora e com a corticalização


progressiva. É pelo movimento que a criança integra a relação significativa das
primeiras formas de linguagem. e pelo aspecto motor que a criança solicita seus lugares
no espaço e requisições, onde estabelece seus primeiros contatos com a linguagem
socializada, as noções de aqui, ali, esquerda, direita, de frente e atrás, de em cima, a
baixo, dentro e fora, são fundamentais para a orientação do ser humano no sentido de
sua autonomia e da sua independência. O movimento não influencia apenas no
desenvolvimento psicológico, e nas relações com os outros, mas também no
comportamento habitual favorecendo a configuração da personalidade do sujeito.

O movimento está ligado ao progressos das noções culturais e as capacidades


fundamentias, quando passa ao controle dominante da inteligência, ele continua
implicando com as formas de exteriorização da atividade psíquica. A modificação do
meio provocada pelo movimento, modifica a própria pessoa, dando a possibilidade de
criar, é a representação que liberta o homem dos dados imediatos na natureza e de sua
experiência individual. A representação com base numa simbolização não pertente ao
mundo das coisas, e se configura de forma social. Nasce as formas de comunicação,
linguagem, com resultado da representação, e isso dá origem a inteligência. a aquisição
da linguagem implica 3 condições.

1. Maturação do sistema nervoso


2. Integração em um grupo humano
3. Motivação afetiva.

A motricidade insere a criança no mundo das relações humanas e nas representações,


portanto é de fundamental importância para a configuração de sua personalidade. Não
se podendo isolar o ato motor da totalidade do sujeito que o orienta. A determinação da
conduta está em relação intima com a estrutura do individuo, numa perspectiva
dinâmica, a evolução nervosa é sempre uma evolução motora, é uma maturação
importante na integração em função com a causalidade no tempo.