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PESQUISAS LENA

Chamamos de problema social uma condição ou um fenômeno que,


sob o ponto de vista de grupos que estão presentes dentro de uma
sociedade organizada, não está a funcionar como deveria. Ou seja,
uma definição do que é um problema social vai sempre depender do
cenário e das características individuais de cada uma dessas
formações sociais, bem como a qual período histórico a situação se
refere, implicando uma avaliação moral e ideológica, por parte de tais
grupos, do fenômeno em questão, promovendo a ideia de que tal
fenômeno está sob uma disfunção no sistema.

Para que um fenômeno seja encarado e descrito como um problema


social, torna-se necessário que três condições estejam presentes:

 Primeiramente, é necessário que certas transformações tenham


acontecido dentro da sociedade, transformações essas que
afetem diretamente a vida dos indivíduos, mesmo empregando
efeitos diferentes nos diferentes grupos;
 Em segundo lugar, esse problema precisa ser sentido como um
"problema" por pelo menos uma parte da população, e que seja
socialmente identificada com determinadas situações ou
categorias sociais. O problema deve se tornar "digno de
atenção", o que sugere que os grupos sociais ajam de modo a
produzir na sociedade uma percepção problema, ou seja, que
existam setores dessa sociedade que pretendam agir sobre o
problema;
 Por último, um trabalho de institucionalização, ou seja, que
sobre esse problema sejam produzidas interpretações oficiais,
que o caracterizem como "problema".

A formação de um problema social é, dessa forma, o resultado de


questões simbólicas que tomam forma no interior de uma sociedade
que carregue grupos com gradações diversas de poder. Dessa forma,
um problema social se difere do que é um problema sociológico.
Pois o segundo é uma interrogação que o investigador teoriza sobre
os processos de interação social, acerca dos modos de organização do
sistema social e dos fenômenos que dele nascem, e não se justapõe
ao problema social. O problema sociológico é um problema de
conhecimento científico que se suscita e resolve no âmbito da
Sociologia. Formular corretamente um problema como esse, é tarefa
muito difícil, em regra só acessível a quem esteja a par do estado de
desenvolvimento da ciência em causa e seja dotado duma imaginação
viva e treinada na pesquisa. Um problema sociológico abrange
problemas com explicação teórica, sobre o que que acontece na vida
social.
Partindo desse ponto, é importante sabermos que há uma diferença entre problemas sociais e
problemas sociológicos. Em alguns livros de introdução à Sociologia, como no trabalho de
Sebastião Vila Nova, define-se que um problema social tem origem em fatores sociais e tem
consequências sociais. Embora a classificação de um problema social possa ser subjetiva (afinal
de contas, o que é um problema para nossa cultura pode não ser em outra), dentre as suas
características mais gerais podemos dizer que estão o sentimento de indignação e de ameaça à
coletividade que podem ser gerados. A indignação estaria ligada ao sentimento de injustiça (do
ponto de vista moral) despertado por esse problema social e, da mesma forma, a ideia de
ameaça à coletividade estaria vinculada à desestabilização do que Durkheim chamava de
solidariedade social, a qual seria responsável pelos laços sociais entre os indivíduos.

Para exemplificar a primeira característica (da indignação), podemos pensar no trabalho e na


prostituição infantil, na fome no Nordeste brasileiro, na condição do trabalhador
desempregado, na pobreza que afeta as regiões metropolitanas brasileiras, entre outros
assuntos que certamente nos “incomodam” mesmo que não sejamos atingidos diretamente. Já
com relação à noção de ameaça à coletividade, podemos pensar na violência urbana, nas crises
econômicas que levam ao desemprego, nas guerras entre os países e etnias, nas ações
preconceituosas das mais diversas naturezas, enfim, numa série de fatores que afetam a ordem
social como um todo.

Já os problemas sociológicos são os objetos de estudo da Sociologia enquanto ciência, a qual


se debruça sobre esses para compreender suas características gerais. Como afirmado
anteriormente, a Sociologia estuda os fenômenos sociais, sendo eles percebidos como
problemas sociais ou não, lançando mão de uma observação sistemática e pormenorizada das
organizações e relações sociais. Problemas sociológicos, nas palavras de Sebastião Vila Nova,
são questões ou problemas de explicação teórica do que acontece na vida social, isto é, na
sociedade, como por exemplo: o casamento, a família, a moda, as festas como o carnaval, o
gosto pelo futebol, a religião, as relações de trabalho, a produção cultural, a violência urbana,
as questões de gênero, desigualdade social, etc.

A violência urbana, por exemplo, pode ser um problema sociológico, uma vez que pode
despertar o interesse dos sociólogos para desvendar os motivos de tal fenômeno social, mas ao
mesmo tempo trata-se de um problema social, haja vista afetar toda a coletividade. No
entanto, caberia à Sociologia apenas explicá-la, e não necessariamente resolvê-la. Dessa forma,
podemos dizer que todo problema social pode ser um problema sociológico, mas nem todo
problema sociológico é um problema social.