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CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

MECÂNICA DOS SOLOS - I

Caderno de Conteúdo e Exercícios da disciplina de


Mecânica dos Solos I do Curso de Engenharia Civil da
Estácio de Sá, UCDB, Unigran e da Facsul.

Professor: Eng. Civil Esp. Talles Mello


www.tallesmello.com.br
eng.tallesmello@gmail.com

Acadêmico:

Campo Grande – MS
3ª Edição
Solicita-se aos usuários deste trabalho a
apresentação de sugestões que tenham por
objetivo aperfeiçoa-lo ou que se destinem à
supressão de eventuais incorreções.

As observações apresentadas, mencionando a


página, o parágrafo e a linha do texto a que se
referem, devem conter comentários
apropriados para seu entendimento ou sua
justificação.

A correspondência deve ser enviada


diretamente ao autor, por meio do e-mail:
eng.tallesmello@gmail.com

Ficha Catalográfica

Mello, Talles.
Mecânica dos Solos I/Talles Taylor dos Santos Mello–Campo Grande,MS,
2018.
85 p. : il. color. – (Material didático)

Caderno de aula de exercícios da disciplina de Mecânica dos Solos, do


Curso de ECV da Universidade Católica Dom Bosco, Estácio de Sá,
Universidade da Grande Dourados e da Facsul, de Campo Grande/MS.

1. Engenharia Civil – composição, proporção, etc. 2. Solos. 3. Apostila.I.


Universidade Católica Dom Bosco. Unigran. Estácio de Sá. Facsul. Curso de
Engenharia Civil.II.Título.

CDD (20) 720.7

Prof Talles Mello – www.tallesmello.com.br / eng.tallesmello@gmail.com / 3ª Edição / 2019 2


Sumário

1 ORIGEM E FORMAÇÃO DOS SOLOS ........................................................................................................................ 5

1.1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................. 5


1.2 FORMAÇÃO DOS SOLOS .................................................................................................................................................. 5
1.3 CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS QUANTO À SUA ORIGEM........................................................................................................ 6
1.4 FÍSICA DOS SOLOS .......................................................................................................................................................... 7
1.4.1 PARTÍCULAS SÓLIDAS: ................................................................................................................................................ 7
1.5 IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS................................................................................................................ 7
1.5.1 MATERIAIS CONSTITUINTES DO SOLO .......................................................................................................................... 7
1.5.2 TIXOTROPIA ............................................................................................................................................................... 8
1.6. SOLO ............................................................................................................................................................................ 9
1.7. ROCHA ......................................................................................................................................................................... 9
1.8. MINERAL.................................................................................................................................................................... 10
1.8.1. PRINCIPAIS MINERAIS ............................................................................................................................................. 10
1.8.1.1. MINERAIS SILICOSOS ........................................................................................................................................... 10
1.8.1.1.1 BARRAGEM DE CONCRETO .......................................................................................................................................... 11
1.8.1.2. MINERAIS MICÁCEOS ........................................................................................................................................... 11
1.8.1.3. MINERAIS ARGILOSOS .......................................................................................................................................... 12
1.8.1.3.1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS GEOTÉCNICAS ............................................................................................................. 12
1.8.1.3.2. ADENSAMENTO NATURAL ......................................................................................................................................... 13
1.8.1.3.3. PROBLEMA GEOTÉCNICO: TALUDE............................................................................................................................. 14
1.8.1.4. GRUPO DOS CARBONATOS .................................................................................................................................... 15
1.8.1.4.1 CARACTERÍSTICAS DOS CARBONATOS ......................................................................................................................... 15
1.8.1.5. GRUPO DOS FELDSPATOS ...................................................................................................................................... 16
1.8.1.5.1. ENSAIO DE DURABILIDADE FELDSPATOS .................................................................................................................... 17
1.9. RASTEJO (OU COLUVIAMENTO) ................................................................................................................................... 18
1.10. ORIGEM E FORMAÇÃO DOS SOLOS: EXERCÍCIOS ....................................................................................................... 21

2. ÍNDICES FÍSICOS ...................................................................................................................................................... 22

2.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................................................. 22


2.2. O ESTADO DOS SOLOS .................................................................................................................................................. 23
A) TEOR DE UMIDADE (W OU H) ................................................................................................................................................ 23
A.1) PROCEDIMENTO PARA DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE (MÉTODO DA ESTUFA) ......................................................... 24
A.2) PROCEDIMENTO PARA DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE (MÉTODO SPEEDY) .............................................................. 24
B) ÍNDICE DE VAZIOS (E) ........................................................................................................................................................... 25
C) POROSIDADE (N) ................................................................................................................................................................... 25
D) GRAU DE SATURAÇÃO (S OU SR) .......................................................................................................................................... 25
E) PESO ESPECÍFICO APARENTE NATURAL DO SOLO (Ɣ OU ƔNAT OU ƔN) ................................................................................ 26
F) PESO ESPECÍFICO APARENTE SECO DO SOLO (ƔS OU ƔD) ..................................................................................................... 26
G) PESO ESPECÍFICO REAL DOS GRÃOS OU SÓLIDOS (ƔG OU δ) ............................................................................................... 26
H) RELAÇÃO ENTRE ÍNDICES FÍSICOS ....................................................................................................................................... 26
2.3. ÍNDICES FÍSICOS: EXERCÍCIOS .................................................................................................................................... 27

3. GRANULOMETRIA ................................................................................................................................................... 32

3.1. PENEIRAS .................................................................................................................................................................. 32


3.1.1 REPRESENTAÇÃO DAS PENEIRAS ...................................................................................................................................... 32
3.2. FRAÇÕES LIMITES ...................................................................................................................................................... 33
3.3. COEFICIENTE DE UNIFORMIDADE (CUN) ....................................................................................................................... 33
3.4. COEFICIENTE DE CURVATURA (CC) ............................................................................................................................. 33
3.5. GRANULOMETRIA: EXERCÍCIOS .................................................................................................................................. 34

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4. PERMEABILIDADE ................................................................................................................................................... 36

4.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 36


4.2. OCORRÊNCIA DE ÁGUA SUBTERRÂNEA ......................................................................................................................... 36
4.3. FENÔMENOS CAPILARES.............................................................................................................................................. 37
4.4. FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS ........................................................................................................................................ 38
4.5. CONSERVAÇÃO DA ENERGIA ........................................................................................................................................ 39
4.5.1. GRADIENTE HIDRÁULICO CRÍTICO ................................................................................................................................. 41
4.6. LEI DE DARCY ............................................................................................................................................................ 42
4.6.1. VALIDADE DA LEI DE DARCY.......................................................................................................................................... 43
4.7. COEFICIENTE DE PERMEABILIDADE ............................................................................................................................. 44
4.7.1. FATORES QUE INFLUEM NA PERMEABILIDADE ................................................................................................................ 44
4.8. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE PERMEABILIDADE .............................................................................................. 47
4.8.3. EQUAÇÃO EMPÍRICA DE HAZEN ...................................................................................................................................... 49

5 - LIMITES DE LIQUIDEZ E LIMITES DE PLASTICIDADE ....................................................................................... 55

5.1 – ENSAIO DE LIMITE DE LIQUIDEZ - NBR 6459 .................................................................................................................. 55


5.2. – ENSAIO DE LIMITE DE PLASTICIDADE - NBR 7190 ......................................................................................................... 57
5.3. INDICE DE PLASTICIDADE ................................................................................................................................................. 58
5.4. LIMITES DE LIQUIDEZ E LIMITE DE PLASTICIDADE: EXERCÍCIOS ..................................................................................... 58

6. TENSÕES NOS SOLOS ............................................................................................................................................. 59

6.1. TENSÕES GEOSTÁTICAS ............................................................................................................................................... 59


6.1.1. TENSÃO TOTAL - ΣV .......................................................................................................................................................... 60
6.1.2. PRESSÃO NEUTRA - µ (PRESSÃO DA ÁGUA DOS POROS): ..................................................................................................... 61
6.1.3. TENSÃO EFETIVA ............................................................................................................................................................. 61
6.2. DISTRIBUIÇÃO DE TENSÕES DEVIDO A APLICAÇÃO DE CARGAS ...................................................................................... 61
6.2.1. CARGA PONTUAL.............................................................................................................................................................. 62
6.2.2. CARREGAMENTO UNIFORMEMENTE DISTRIBUÍDO SOBRE PLACA RETANGULAR ............................................................. 62
6.2.3. CARREGAMENTOS UNIFORMEMENTE DISTRIBUÍDOS SOBRE PLACA CIRCULAR............................................................... 64
6.3. TENSÕES: EXERCÍCIOS ............................................................................................................................................... 66

7. REDES DE FLUXO ..................................................................................................................................................... 71

7.1. SOLUÇÃO GRÁFICA ..................................................................................................................................................... 71


7.2. REDE DE FLUXO .......................................................................................................................................................... 72
7.2.1. RELEVÂNCIA PARA ENGENHARIA GEOTÉCNICA: ........................................................................................................... 72
7.3. FLUXO BIDIMENSIONAL .............................................................................................................................................. 73
7.3.1. FLUXO EM UM SOLO ISOTRÓPICO KX = KY) .................................................................................................................. 73
7.3.2. FLUXO EM UM SOLO ANISOTRÓPICO (KX ≠ KY): ............................................................................................................. 73
7.4. DETERMINAÇÃO GRÁFICA DAS REDES DE FLUXO ........................................................................................................ 74
7.5. REDES DE FLUXO – EXERCÍCIOS.................................................................................................................................. 75

ANEXO A: MODELO DE RELATÓRIO ........................................................................................................................... 79

ANEXO B: ENSAIO TÁCTIL VISUAL .............................................................................................................................. 81

ANEXO C: ENSAIO DE ANÁLISE GRANULOMÉTRICA: NBR 7181 ............................................................................ 82

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1 Origem e Formação dos Solos

1.1 Introdução

A porção externa e superficial da crosta terrestre é formada por vários tipos de corpos
rochosos que constituem o manto rochoso. Estas rochas estão sujeitas a condições que alteram a
sua forma física e sua composição química. Estes fatores que produzem essas alterações são
chamados de agentes de intemperismo. Pode-se então conceituar o intemperismo como o
conjunto de processos físicos e químicos quemodificam as rochas quando expostas ao tempo.
O processo do intemperismo se dá em duas fases:
- intemperismo físico – que é a desintegração da rocha;
- intemperismo químico – que é a decomposição da rocha.
A desintegração (intemperismo físico) é a ruptura das rochas inicialmente emfendas,
progredindo para partículas de tamanhos menores, sem, no entanto, havermudança na sua
composição. Nesta desintegração, através de agentes como água,temperatura, pressão, vegetação
e vento, formam-se os pedregulhos e as areias (solos departículas grossas) e até mesmo os siltes
(partícula intermediária entre areia e argila).
Somente em condições especiais são formadas as argilas (partículas finas), resultantes
dadecomposição do feldspato das rochas ígneas.
A decomposição (intemperismo químico) é o processo onde há modificaçãomineralógica
das rochas de origem. O principal agente é a água, e os mais importantesmecanismos
modificadores são a oxidação, hidratação, carbonatação e os efeitos químicosresultantes do
apodrecimento de vegetais e animais.
Normalmente a desintegração e a decomposição atuam juntas, uma vez que aruptura
física da rocha permite a circulação da água e de agentes químicos. Os organismosvivos
concorrem também na desagregação puramente física e na decomposição químicadas rochas.

1.2 Formação dos solos

Cada rocha e cada maciço rochoso se decompõem de uma forma própria.


Porções mais fraturadas se decompõem mais intensamente do que as partes maciças, e
certos constituintes das rochas são mais solúveis que outros.

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As rochas que se dispõem em camadas, respondem ao intemperismo de forma diferente
para cada camada, resultando numa alteração diferencial. O material decomposto pode ser
transportado pela água, pelo vento, etc.
Os solos são misturas complexas de materiais inorgânicos e resíduos orgânicos
parcialmente decompostos. Para o homem em geral, a formação do solo é um dos mais
importantes produtos do intemperismo. Os solos diferem grandemente de área para área, não só
em quantidade (espessura de camada), mais também qualitativamente.
Os agentes de intemperismo estão continuamente em atividade, alterando os solos e
transformando as partículas em outras cada vez menores. O solo propriamente dito é a parte
superior do manto de intemperismo, assim, as partículas diminuem de tamanho conforme se
aproximam da superfície.
Os fatores mais importantes na formação do solo são:
- ação de organismos vivos;
- rocha de origem;
- tempo (estágio de desintegração/decomposição);
- clima adequado;
- inclinação do terreno ou condições topográficas.

1.3 Classificação dos solos quanto à sua origem

Quanto à sua formação, podemos classificar os solos em três grupos principais: solos
residuais, solos sedimentares e solos orgânicos.

Solos residuais– são os que permanecem no local da rocha de origem (rocha mãe),
observando-se uma gradual transição da superfície até a rocha. Para que ocorramos solos
residuais, é necessário que a velocidade de decomposição de rocha seja maior que a velocidade
de remoção pelos agentes externos. Estando os solos residuais apresentados em horizontes
(camadas) com graus de intemperismos decrescentes, podem-se identificar as seguintes camadas:
solo residual maduro, saprolito e a rocha alterada.

Solos sedimentares ou transportados– são os que sofrem a ação de agentes


transportadores, podendo ser aluvionares (quando transportados pela água), eólicos(vento),
coluvionares (gravidade) e glaciares (geleiras).

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Solos orgânicos– originados da decomposição e posterior apodrecimento de matérias
orgânicas, sejam estas de natureza vegetal (plantas, raízes) ou animal. Os solos orgânicos são
problemáticos para construção por serem muito compressíveis. Em algumas formações de solos
orgânicos ocorre uma importante concentração de folhas e caules em processo de decomposição,
formando as turfas (matéria orgânica combustível).

1.4 Física dos solos

O solo é constituído de uma fase fluida (água e/ou gases) e de uma fase sólida.
Pode-se dizer que solo é um conjunto de partículas sólidas que deixam espaços vazios
entre si, sendo que estes vazios podem estar preenchidos com água, com gases(normalmente o
ar), ou com ambos.

1.4.1 Partículas sólidas:

As partículas sólidas dão características e propriedades ao solo conforme sua forma,


tamanho e textura. A forma das partículas tem grande influência nas suas propriedades. As
principais formas das partículas são:
a) poligonais angulares: são irregulares, exemplo de solos: areias, siltes e pedregulhos.
b) poligonais arredondadas: possuem a superfície arredondada, normalmente devido ao
transporte sofrido quando da ação da água. Exemplo: seixo rolado.
c) lamelares: possuem duas dimensões predominantes, típicas de solos argilosos. Esta
forma das partículas das argilas responde por alguma de suas propriedades, como por exemplo, a
compressibilidade e a plasticidade, esta última, uma das características mais importantes.
d) Fibrilares: possuem uma dimensão predominante. São típicas de solos orgânicos.

1.5 Identificação e Classificação dos Solos

1.5.1 Materiais constituintes do solo

Pedregulhos:
Solos cujas propriedades dominantes são devidas à sua parte constituída pelos grãos
minerais de diâmetro máximo superior a 4,8mm e inferior a 76mm. São caracterizados pela sua
textura, compacidade e forma dos grãos.

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Areias:
Solos cujas propriedades dominantes são devidas à sua parte constituída pelos grãos minerais de
diâmetro máximo superior a 0,05mm e inferior a 4,8mm. São caracterizados pela sua textura,
compacidade e forma dos grãos. Quanto à textura, a areia pode ser:
- grossa: grãos cujo diâmetro máximo compreendido entre 2,00mm e 4,80mm;
- média: grãos cujo diâmetro máximo compreendido entre 0,42mm e 2,00mm;
- fina: grãos cujo diâmetro máximo compreendido entre 0,05mm e 0,42mm.

Silte:
Solo que apresenta apenas a coesão necessária para formar, quando seco, torrões facilmente
desagregáveis pela pressão dos dedos. Suas propriedades dominantes são devidas à sua parte constituída
pelos grãos minerais de diâmetro máximo superior a0,005mm e inferior a 0,05mm. São caracterizados
pela sua textura e compacidade.

Argila:
Solo que apresenta características marcantes de plasticidade; quando suficientemente úmido,
molda-se facilmente em diferentes formas; quando seco, apresenta coesão bastante para constituir torrões
dificilmente desagregáveis por pressão dos dedos; suas propriedades dominantes são devidas à sua parte
constituída pelos grãos minerais de diâmetro máximo inferior a 0,005mm. São caracterizados pela sua
plasticidade, textura e consistência em seu estado e umidade naturais. Quanto à textura, são as argilas
identificadas quantitativamente pela sua distribuição granulométrica.
Os três grupos principais de minerais argílicos são: caolinitas, ilitas e montmorilonitas. As
montimorilonitas são as que causam mais preocupação, pois são muito expansivas e, portanto, instáveis
em presença de água.
As bentonitas são argilas muito finas, formadas, em sua maioria, pela alteração física de cinzas
vulcânicas. Este material foi descoberto em 1888, em Fort Benton(EUA), daí a sua denominação. Em sua
composição predomina a montmorilonita, o que explica a sua tendência ao inchamento. Graças a esta
propriedade, as injeções de bentonita são usadas para vedação em barragens e escavações. A bentonita é
um material que exibe propriedades tixotrópicas.

1.5.2 Tixotropia

É a propriedade que possui alguns solos finos coesivos, de, após ter a sua estrutura molecular
destruída (amassando-se o solo, por exemplo), quando deixado em repouso, recuperar a sua resistência
coesiva (através da sua reordenação da estrutura molecular).
As “lamas tixotrópicas”, ou sejam, suspensão, em água, desta argila especial, que é a bentonita,
são muito usadas em perfurações petrolíferas, fundações profundas,etc.

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Matéria Orgânica:
Cada solo pode apresentar teor de matéria orgânica, oriundo de restos vegetais e animais. São de
fácil identificação, pois possuem cor escura e odor característico. A norma D2487 da ASTM classifica
como solo orgânico àquele que apresenta LL de uma amostra seca em estufa menor que 75% do LL de
uma amostra natural sem secagem em estufa. Geralmente são problemáticos, devido à sua grande
compressibilidade.
Apresentam elevados índices de vazios. As turfas são solos orgânicos com grande porcentagem
de partículas fibrosas de material carbonoso (folhas e caules) ao lado de matéria orgânica no estado
coloidal. Esse tipo de solo pode ser identificado por ser fofo e não plástico e ainda combustível.

1.6. Solo

Faixa (superficial) desagregada (é possível efetuar corte em solo sem explosivos) de


espessura e constituição variáveis, apresentando componentes sólidos (minerais e materiais
orgânicos), líquidos (água) e gasosos (ar), em proporções variáveis (fato que modifica
sensivelmente as características tecnológicas do mesmo solo).
OBS: abaixo do solo temos a formação rochosa (também denominada embasamento
rochoso ou maciço rochoso).

Exemplos de solo:
Solos orgânicos – turfa, mangue.
Solos inorgânicos – pedregulhos, arenoso, siltoso, argiloso, areno-argiloso, silto-argiloso,
arenoso, etc.

1.7. Rocha

Agregado natural de minerais de 1 ou mais espécies e que constitui uma unidade bem
definida (para corte temos necessidade de explosivos). Ex:
As rochas podem ser agrupadas em:
Rochas magmáticas (ou ígneas):
a. Extrusivas (ex: meláfiro, basalto, felsito)
b. Intrusivas (ex: granito, pegmatito, diabásio)

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Rochas sedimentares:
a. Mecânicas ou clásticas (ex: conglomerado, arenito, argilito)
b. Químicas (ex: sílex, ágata, limonita)
Rochas metamórficas:
a. Dinamotermais (ex: gnaisse, xisto, ardósia, quartzito micáceo)
b. Termais (ex: mármore)
c. Cataclásticas (ex: brecha tectônica, milonito)

1.8. Mineral
Natural

MINERAL qualquer substância Inorgânica

Composição química e estruturas definidas

*Pérola e petróleo não são minerais, pois são de origem orgânica.

Ex: de minerais (já agrupados para a Engenharia)


 Minerais silicosos (SiO2)
 Minerais argilosos
 Água (H2O)
 Grupo dos feldspatos
 Minerais micáceos
 Grupo dos carbonatos

Embora os minerais possam ocorrer na natureza de formas diferentes, interessam para a


engenharia:
 Como um grande conjunto de partículas desagregadas, constituindo solos;
 Como um conjunto de partículas agregadas, constituindo rochas;
 Isolados em grandes concentrações formando as jazidas

1.8.1. Principais Minerais

1.8.1.1. Minerais silicosos

Constituído de sílica (SiO2). Ex: quartzo (mais comum), calcedônea e opala (mais raro).
A calcedônia e a opala são reativas a álcalis.

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Portanto, o conceito (antigo) de areia pura silicosa ser constituída de somente quartzo está
errado.

1.8.1.1.1 Barragem de concreto

Barragem de concreto: (cimento Portland + Água + Agregado graúdo = britas de basalto


+agregado miúdo = areia silicosa + etc.)
Se (areia silicosa) for constituída somente por partículas de quartzo não há problemas,
porém se apresentar 5% de partículas de calcedônea poderão surgir, após 5 a 7 anos, pequenas
fissuras na barragem, isto porque:
 O cimento Portland +água = pasta com álcalis; as partículas de calcedônea são
atacadas quimicamente (reação bastante lenta) pelos álcalis resultando na formação de um gel
esbranquiçado (gel de sílica de alcalino)
 Este gel apresenta afinidade com a água, isto é, incorpora e perde molécula de
água com facilidade, com variação de volume ∆v = F (%água)
 Esta variação de volume ∆v gera P (pressões dentro da estrutura de concreto), que
atuando milhares de vezes, vão causando a “FADIGA” do concreto e o consequente surgimento
de microfissuras.
Este tipo de problema geotécnico ocorreu em barragens da CESP e da CEMIG. Daí a
importância da análise mineralógica das areias.

Para evitar este problema podemos:


a) Não utilizar areia com > 5% de calcedônia
b) Utilizar cimento especial (com baixo teor de álcalis – 0,6% álcalis)

1.8.1.2. Minerais micáceos

Os minerais micáceos são as micas e qualquer outro mineral laminar. Os minerais


micáceos apresentam comportamento tecnológico semelhante a uma resma de sulfite, isto é:
a) Apresentam baixa Rc (Resistência ao cisalhamento) paralelamente às lâminas;
b) Apresentam alta permeabilidade paralelamente às lâminas;

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Na natureza ocorre fenômeno idêntico. Podemos ter uma rocha (quartzito) com faixas de
minerais micáceos. Estas faixas representam faixas de baixa Rc, causando instabilidade no talude
(possibilitando ocorrência de escorregamentos translacionais).
Mesmo que nada aconteça durante a execução da obra, acidentes poderão acontecer em
épocas chuvosas, pois como os minerais micáceos apresentam alta permeabilidade paralelamente
às lâminas, parte da água da chuva, irá se infiltrar e percolar pelas faixas de minerais micáceos
exercendo as seguintes influências principais:
 Age como lubrificante, diminuindo o atrito, e reduzindo ainda mais, a já baixa
resistência ao cisalhamento;
 Torna o material argiloso (que ocorre em pequena quantidade nessas faixas)
moldável, isto é, com a água, o material argiloso adquire características de plasticidade.
Consequências: escorregamento translacional do talude.

1.8.1.3. Minerais argilosos

São alumino-silicatos de K, Na, ou Ca, hidratados, de dimensões microscopias (<0,002


mm) e de formato lamelar. São originadas pela decomposição química dos feldspatos.

1.8.1.3.1. Principais características geotécnicas

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1. É praticamente impermeável (embora a água possa se infiltrar muito lentamente nos
microporos de uma argila);
2. O adensamento natural é muito lento (adensamento=consolidação) demorando
milhares de anos
3. Característica de plasticidade – Tornando-se moldável e escorregadia
4. Característica de expansão das argilas quando hidratadas

1.8.1.3.2. Adensamento Natural

Como ficariam as obras após 10 anos

Logo, se a argila for mole, se construirmos sem cuidado, após 10 anos podemos ter a obra
abaixo do nível (Caso A), pois o peso da obra provoca um adensamento extra ou podemos ter a
obra em nível mais elevado (Caso B), pois as fundações estão apoiadas em material adequado e a
obra permanece no nível inicial e o solo adensa naturalmente.

Solução:
a) Obras com fundação flutuante (como na cidade do México)
No Brasil não temos edificações (flutuantes) com fundações flutuantes.
Temos rodovias flutuantes como as Rodovias do Imigrante, Piaçara-Guarujá, Rio-
Santos nos trechos de mangue (serão vistos mais adiante)
b) Acelerar artificialmente o adensamento (que pode ser feito com
pressão=peso e eliminação do excesso de água =drenagem subterrânea)
Em São Paulo a firma AOKI-GUARANTÃ tem obtido excelente resultado 10 cm
(conseguido obter > 85% do adensamento total) aplicando a seguinte técnica:
1. Regularização da superfície, como pequeno caimento (2%).
2. Execução da camada drenante de areia grossa (espessura=15,20 cm)
3. Instalação de inúmeras fitas drenantes sintéticas (parecem fitas de feltro)

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4. Construção do aterro (com sobrecarga se o peso do aterro não for suficiente para
forçar a subida da água do solo argiloso para a camada drenante, através das fitas).
5. Retirada da sobrecarga e regularização da superfície do aterro
6. Edificação

1.8.1.3.3. Problema geotécnico: Talude

Ação atmosférica (isto é, o material junto ao talude : variação no teor de água)

Chuva A argila da camada silto argilosa =


ΔV gerando pressão que provocam
Cerração + água um “lasqueamento” (na (camada
Orvalho silto argilosa) junto ao talude,
formando pequena fragmentação
com forma de lascas (detritos) que
caem (queda de detritos ou “em
Calor solar pastilhamento”).
- água
Ventos

Esta queda de detritos, com o correr do tempo vai originando um vazio (entrada) na
camada silto-argilosa, descalçando o material rochoso superior, (cuja instabilidade vai
aumentando gradativamente)

Queda de detritos

Quando o descalçamento atingir o valor crítico (geralmente atingido após 3-5 anos)
ocorre a QUEDA DE BLOCOS ROCHOSOS que podem causar acidentes, principalmente em
ferrovias.

Estabilização
1° Regularização do talude com explosivos
2° Instalar uma tela (tipo galinheiro ou alambrado) sobre a camada problema fixando-a
com grampos cimentados (chumbados) na camada rochosa adequada.
3º Lançar concreto projetado (com brita) ou argamassa projetada (sem brita) sobre a tela.

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Grampo

Tela

Argamassa ou concreto projetado

Grampo

Camada silto-argilosa (argila expansiva)

1.8.1.4. Grupo dos carbonatos

O carbonato simples mas comum é o de Ca – CaCO3


O carbonato duplo mais comum é o de Ca e Mg = Ca, Mg (CO3)2
Os carbonatos podem ser encontrados na forma de minerais ou rochas, recebendo
denominações diferentes:

Mineral = calcita

CaCO3 Rocha sedimentar =


calcário
Rocha Metamórfica =
mármore

1.8.1.4.1 Características dos carbonatos

Num local com uma formação rochosa carbonática, teremos o seguinte: como a rocha
formou-se há dezenas a centenas de milhões de anos, já sofreu a influência de, bilhões de chuvas.
A água da chuva é ligeiramente ácida (pois contem gases dissolvidos, como o CO2). Esta
água penetra na formação rochosa pelas fraturas e minúsculos poros, atacando-a quimicamente,
dissolvendo lentamente o carbonato, originando canais e cavernas de dissolução na formação
rochosa.
Desta forma, mesmo que o carbonato em si, seja de boa qualidade geotécnica, se a obra
for executada sem adequada pesquisa, as fundações poderão ficar um pouco acima de uma
caverna e consequentemente ocorrer um colapso da obra.

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Fundação

Solo

Canais

Carbonato
Cavernas de dissolução

1.8.1.5. Grupo dos feldspatos

São alumino-silicatos de K, Na e/ou Ca

O feldspato é o mineral mais comum em rochas magmáticas. Entra também na


constituição de algumas rochas metamórficas (como o gnaisse). Raramente é encontrado em
rochas sedimentares.
Em rochas magmáticas e no gnaisse com pouca mica, o feldspato exerce função de
material aglutinante (que agrega os componentes da rocha), sendo responsável pela
RESISTÊNCIA da rocha (como o feldspato apresenta boas características geomecânicas, a
resistência da rocha será elevada). PORÉM, o feldspato poderá ficar submetido a um lento
ataque químico sofrendo uma decomposição química muito lenta. Logo sob a ação intemperismo
(químico) o feldspato irá se decompondo muito lentamente em mineral argiloso (de
características geotécnicas ruins) e, a resistência da rocha irá diminuindo muito lentamente.
Como a velocidade de decomposição de uma rocha não é constante (é muito pequeno no
início e vai aumentando à medida que a rocha vai sofrendo alteração – pois, à medida que se
decompõe, aumenta a superfície de contato entre os minerais e os agentes químicos), o simples
fato de a resistência da rocha ser maior que a pressão transmitida pela fundação da obra. (R>>P)
não é suficiente para garantir a estabilidade, pois, se a rocha (embora com R>>P) estiver em

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estágio avançado de decomposição, a velocidade de DECOMPOSIÇÃO será alta e, durante a
vida útil da obra, a Resistência da rocha poderá ficar igual ou menor que a pressão da obra.
Para verificar essa possibilidade, temos necessidade de fazer ENSAIO DE
DURABILIDADE com amostras dessa rocha.

1.8.1.5.1. Ensaio de durabilidade feldspatos

Durabilidade: resistência ao intemperismo. O ensaio de durabilidade consiste em:


1° Obter n corpos de provas (c.p.) padronizados
2d

Pesar os corpos de provas para obtermos o peso inicial (Pi). Após a pesagem, submeter
metade dos corpos de provas ao ensaio de ruptura (resistência a compressão axial). Obtemos o
valor da resistência à ruptura (inicial) = Ri. Depois, iremos submeter a metade restante à: 30
ciclos de saturação em água por 48 horas e a 30 ciclos de secagem em estufa ventilada a 105°c,
durante 24 horas. A ação intempérica é substituída em laboratório por estes 30 ciclos. Após os 30
ciclos devemos:
a) Pesar os corpos de prova. Obtemos o Pf (peso final dos corpos de provas após a
influência dos 30 ciclos)
b) Submeter os corpos de prova à ruptura obtemos Rf (resistência final após a
influência dos 30 ciclos
Ao fim, comparar o Pf com Pi e Rf com Ri. Se as diferenças forem pequenas significa
que a ação dos 30 ciclos quase não modificou as características geotécnicas da rocha. Logo, sua
durabilidade será alta.
Caso contrário, a durabilidade será baixa e, após a execução da obra em pouco tempo, o
intemperismo irá diminuir sensivelmente a resistência da rocha, podendo trazer problemas.

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1.9. Rastejo (ou Coluviamento)

São movimentos ou deformações lentas e contínuas de massa fluidas superficiais de


encostas. Podem envolver grandes massas de solo, sem que haja, diferenciação nítida entre o
material em movimento e o material sem movimentação. É provocada pela ação da
GRAVIDADE, que pode ser auxiliada pelos efeitos devidos às variações de temperatura e
umidade (expansão e contração de materiais argilosos expansivos).
Assim, por exemplo, se tivermos uma encosta com manto de alteração argiloso, por
expansão, o ponto A, passará para a posição B. Por contração, irá passar da posição B para a C.
Desta forma o ponto A, se deslocou para a posição C. Logicamente, este deslocamento (de A
para C) por expansão e contração térmica de materiais argilosos, se traduz em movimento,
encosta abaixo, numa espessura proporcional à atingida pela variação de temperatura. Abaixo
dessa profundidade, somente haverá rastejo, por ação da gravidade. Logo, nestas condições, no
talude, teremos na parte mais superficial, onde atua a ação da temperatura e da umidade, uma
movimentação variável (RASTEJO PERIÓDICO ou sazonal) e, na parte inferior, um
coluviamento constante, denominado RASTEJO ou COLUVIAMENTO CONSTANTE. O
mecanismo de deformação nos rastejos se assemelha ao de um líquido muito viscoso. A tensão
de fluência de rastejos e menor que a tensão de cedência ao cisalhamento do solo local.
Enquanto as tensões que agem no sentido de movimentar uma determinada massa de
material estiverem abaixo da tensão de fluência, o talude permanecerá estável. Quando
ultrapassarem aquele valor, o terreno iniciará sua movimentação num estado de rastejo.
OBS: Iniciado o rastejo, quando as tensões atingirem valores iguais ao de resistência
máxima ao cisalhamento, teremos início ao ESCORREGAMENTO

1.9.1. Reconhecimento da ocorrência de rastejo no campo

Embora o rastejo (ou coluviamento) seja um movimento muito lento (da ordem de alguns
cm/ano à alguns cm/dia), sua ocorrência deve ser verificada e estudada antes da execução da
futura obra, à fim de se evitar problemas geotécnicos futuros. No campo (em superfície), o
rastejo pode ser evidenciado através de:

A – Observação de árvores inclinadas (ou troncos recurvados) e estruturas deslocadas (ou


adernadas) – conforme figura abaixo, reproduzida de Sharpe.

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B – Através da observação de estacas fixas no solo em relação às fixadas no material sem
movimentação.

Inicialmente, fixamos uma (ou mais) estacas (F) no solo ou rocha sem movimentação,
que irá (ão) servir como ponto(s) referencial (ais). Á seguir, cravamos diversas estacas presas
apenas no solo com rastejo, cuja posição é determinada em relação ao referencial (estaca fixa na
rocha). À seguir, é suficiente ir determinar a posição assumida por estas estacas móveis, em
intervalos de tempo conhecidos. Desta forma, ficamos conhecendo como ocorre o deslocamento
(a estaca 1 após uma semana irá se deslocar para a posição 1’) e, também determinar a
VELOCIDADE DO RASTEJO (para isto será suficiente dividir a distância 1-1’ pelo intervalo de
tempo Δt gasto – no caso, 1 semana)

1 F

1’

Solo com rastejo

Solo ou rocha sem


movimento

Via ANCHIETA – Cota 500


Na cota 500 da Via Anchieta, as fundações de obras de arte ficaram assentadas em
material adequado e sem movimentação. Porém, os pilares atravessavam o solo com rastejo, sem
nenhuma proteção, conforme ilustra a figura abaixo.

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Como o solo com rastejo apresenta movimentação LENTA, porém CONTÍNUA o pilar
fica submetido à pressão do solo em movimento.
Embora esta pressão apresente valor baixo (quando determinado por medições
momentâneas feitas no local), atua ininterruptamente 24 horas por dia. Da mesma forma que
“água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, esta pressão (pequena) atuando
constantemente, “forçou” o pilar para baixo. Como o pilar era fixo na extremidade inferior
(fundação) e, também na extremidade superior (obra de arte), começou a se deformar lentamente
(conforme figura abaixo) gerando microfissuras de compressão num dos lados do pilar e,
microfissuras de tração no outro lado (ver figura anterior), comprometendo a estabilidade da
obra.
Microfissuras de
compressão

Microfissuras de
tração
Solo com rastejo

Solo ou rocha sem


movimento

Solução adotada na Rodovia dos Imigrantes

Conhecedores da influência da pressão do rastejo em pilares de obras de arte


(consequente dos problemas provocadas em obras semelhantes na via Anchieta), o problema foi
cuidadosamente analisado, dados de campo obtidos com instrumental adequado devidamente
estudados e, partiu-se para a solução seguinte: proteger os pilares com envoltório de concreto
(cilindros de concreto, também denominados ANÉIS DE CONCRETO).
As fundações ficaram apoiadas em material adequado (solo ou rocha sem movimentação
e com características geomecânicas ótimas). Protegendo os pilares, foram construídos cilindros
de concreto (de diâmetro interno = 5,0 m e espessura da parede = 0,60 m). Os anéis de proteção,

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envolvem o pilar em toda espessura do solo com rastejo, ficando apenas apoiados no solo (sem
movimentação) imediatamente abaixo do solo em rastejamento (ver figuras da página seguinte)
O pilar (de diâmetro= 3,0m) e o anel (de diâmetro int=5,0m), são excêntricos, conforme
ilustrado na figura inferior 2 páginas adiante.
Com a pressão da movimentação do solo, o cilindro de concreto irá sofrer um lento
deslocamento para baixo. Calculou-se que, o tempo mínimo necessário, para que o cilindro (com
o deslocamento) chegue à encostar no pilar, será 50 anos (E, mesmo que as condições de
movimentação do solo sejam bastante agravadas com o passar do tempo, irá demorar, pelo
menos 20 anos para que o anel chegue a encostar no pilar.
O controle desse deslocamento do cilindro é fácil de ser executado.
Quando o anel de proteção ficar perigosamente próximo ao pilar, deverá ser substituído
por um novo, construído na posição original.
Foi, sem dúvida, uma solução tecnicamente correta para o problema e, de custo
baixíssimo.

1.10. Origem e Formação dos Solos: Exercícios

1) O que se entende por:


a) Solo

b) Solo residual

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c) Solo transportado

d) Solo coluvional (ou solo com coluviamento)

e) Aluvião

f) Solo orgânico

g) Solo pedregulhoso

h) Turfa

i) Mangue

2) Por que o material orgânico em decomposição piora as características


tecnológicas de um solo?

2. Índices Físicos

2.1. Introdução

Índices físicos são valores que tentam representar as condições físicas de um solo no
estado em que ele se encontra. São de fácil determinação em laboratórios de geotécnica e podem
servir como dados valiosos para identificação e previsão do comportamento mecânico do solo.

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2.2. O estado dos solos

Na Mecânica dos Solos, os índices físicos são utilizados na caracterização das condições
do solo, em um dado momento, que pode ser alterado ao longo do tempo.
Os Índices Físicos são definidos como grandezas que expressam as proporções entre
Pesos e Volumes nas três fases constituintes do solo: sólidos, líquido e ar, para caracterizar o
estado do solo. Grandezas obtidas em laboratório:
• Teor de umidade (w).
• Peso específico dos grãos (γg ou δ)
• Peso específico natural (γ ou γnat)
• O peso específico da água é adotado (γa ou γw)
Os demais Índices Físicos são calculados

A) Teor de Umidade (w ou h)

É a relação entre a massa ou o peso da água contida no solo e a massa ou o peso de sua
fase sólida, expressa em percentagem.
A umidade varia teoricamente de 0 a ∞. Os maiores valores conhecidos no mundo são os
de algumas argilas japonesas que chegam a 1400%.
Em geral os solos brasileiros apresentam umidade natural abaixo de 50%. Se ocorre
matéria orgânica, esta umidade pode aumentar muito, podendo chegar até a 400% em solos
turfosos.

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A.1) Procedimento para determinação do teor de umidade (Método da Estufa)

• Toma-se uma porção de solo (aprox. 50,0 g), colocando-a numa cápsula de alumínio com
tampa;
• Pesa-se a cápsula (precisão de 0,01g);
• Pesa-se o solo úmido + cápsula (precisão de 0,01g);
• Leva-se a cápsula destampada a uma estufa até constância de peso (aprox. 6 horas para
solos arenosos e 24 horas para solos argilosos);
• Pesa-se o conjunto solo seco + cápsula.

A.2) Procedimento para determinação do teor de umidade (Método Speedy)

Reservatório metálico fechado que se comunica com um manômetro, destinado a medir


a pressão interna. Coloca-se dentro do reservatório o solo úmido e uma porção (varia conforme
o fornecedor) de carbureto de cálcio (CaC2), pela combinação da água do solo com o carbureto
gera acetileno e pela variação da pressão interna obtém-se a umidade do solo.
CaC2 + 2H20 = Ca(OH) 2 + C2H2

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B) Índice de Vazios (e)

Indica variação volumétrica ao longo do tempo (história das tensões e deformações


ocorridas no solo). É a relação entre o volume de vazios e o volume de sólidos.Embora possa
variar, teoricamente, de 0 a ∞, o menor valor encontrado em campo para o índice de vazios é de
0.25 (para uma areia muito compacta com finos) e o maior de 15 (para uma argila altamente
compressível).

C) Porosidade (n)
• É a relação entre o volume de vazios e o volume total da amostra, expressa em
percentagem.

D) Grau de Saturação (S ou Sr)

• É a relação entre o volume de água e o volume de vazios de um solo, expressa em


percentagem. Varia de 0% para um solo seco a 100% para um solo saturado.

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E) Peso Específico Aparente Natural do Solo (ɣ ou ɣnat ou ɣn)

Magnitude depende da quantidade de água nos vazios e do mineral constituinte


predominante. Utilizado no cálculo dos esforços. Para determinação de g, geralmente utiliza-se o
“método do Frasco de Areia”

F) Peso Específico Aparente Seco do Solo (ɣs ou ɣd)


Empregado para verificar o grau de compactação de bases e sub-bases de pavimentos,
aterros e barragens de terra.

G) Peso Específico Real dos Grãos ou Sólidos (ɣg ou δ)


Empregado para verificar gradiente hidráulico crítico.

H) Relação entre Índices Físicos

1 1

1 1
. . .
1 .

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2.3. Índices Físicos: Exercícios

1) Uma amostra de solo saturado tem um volume de 0,0283m3 e uma massa de 57,2kg. O
peso específico dos grãos é 2,79 tf/m3. Considerando-se que os vazios estão tomados por água
pura, determinar o teor de umidade e o índice de vazios do solo.Resposta: w = 27,17%; e =
75,78%.

2) Um recipiente de vidro e uma amostra indeformada de um solo saturado pesaram


68,959gf. Depois de seco o peso foi de 62,011gf, o recipiente de vidro pesa 35,046gf e o peso
específico dos grãos é de 2,80 gf/cm3. Determinar o índice de vazios, o teor de umidade e a
porosidade da amostra original.Resposta: e = 72,15%; w =25,77%; n = 41,91%.

3) Uma amostra de areia úmida tem um volume de 464 cm3 em seu estado natural e um
peso de 793,0gf. O seu peso seco é 735,0gf e peso específico dos grãos é 2,68gf/cm3. Determinar
o índice de vazios, a porosidade, o teor de umidade e o grau de saturação. Resposta: e =
69,19%; n = 40,89%; w = 7,89%; s = 30,57%.

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4) Um corpo de prova cilíndrico de um solo argiloso tinha H= 12,5cm, φ = 5,0cm e sua
massa era de 478,25g, após secagem passou a 418,32g. Sabendo-se que o peso específico dos
grãos é 2,70gf/cm3, determinar o peso específico aparente seco, índice de vazios, porosidade,
grau de saturação e teor de umidade.Resposta:γγd = 1,7gf/cm³; n = 36,88%; s =66,21%; w
=14,33%; e =58,42%.

5) Uma amostra de solo de 1.000,0g com umidade de 16,0% , passou a ter umidade de
26,0% em função da adição de água. Qual a quantidade de água acrescida a esta amostra
?Resposta: ∆PA = 86,21gf.

6) Escavou-se um buraco em um terreno, retirando-se 1080 g de solo. Logo em


seguida preencheu-se este buraco com 1500 g de uma areia seca com peso específico aparente de
18,63 kN/m3. Calcular o peso específico seco, o índice de vazios e o grau de saturação deste
terreno sabendo-se que de uma parcela do solo retirado do buraco determinou-se a umidade do
terreno em 14% e a densidade relativa dos grãos em 2,5.Resposta:γd = 1,18 gf/cm³; e = 112%; s
= 31%.

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7) Um recipiente de vidro e uma amostra indeformada de um solo saturado pesaram
0,674 N. Depois de seco em estufa o peso tornou-se 0,608 N. O recipiente de vidro pesa 0,344 N
e o peso específico dos grãos do solo é 27,5 kN/m3. Determinar o índice de vazios e o teor de
umidade da amostra original. Resposta: e = 68,75%; w = 25,0%.

8) Um solo saturado tem um peso específico aparente de 18,83 kN/m3 e umidade de


32,5%. Calcular o índice de vazios e o peso específico dos grãos do solo.Resposta: e = 85,83%;
δ =26,41 KN/m³.

9) Tem se 1900gf de solo úmido, o qual será compactado num molde, cujo volume é de
1000 cm3. O solo seco em estufa apresentou um peso de 1705gf. Sabendo-se que o peso
específico dos grãos (partículas) é de 2,66gf/cm3 determine, o teor de umidade, a porosidade e
o grau de saturação. Dados: γ G = 2,66 gf / cm 3 / P = 1900gf / PG =1705gf / V = 1000cm3

Resposta: w =11,44%; n = 35,9%; s = 54,34%.

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10) Uma amostra de solo úmido pesa 920 g, com o teor de umidade de 30%. Que
quantidade de água é necessária acrescentar nessa amostra para que o teor de umidade passe para
35%?

11) Uma amostra de solo de 1.000,0g com umidade de 16,0%, passou a ter umidade de
26,0% em função da adição de água. Qual a quantidade de água acrescida a esta amostra ?

12) O peso de uma amostra de solo saturado é de 870g. O volume correspondente é de


520 cm3. Sendo o índice de vazios igual a 65%, determinar o peso específico real do solo?

13) Considere um solo com índice de vazios igual 0,67, peso específico relativo igual
2,68 e com 12% de teor de umidade. Determine o peso da água a ser adicionada a 10 m³ de solo
para saturação total.

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14) Uma amostra de solo úmido em uma cápsula de alumínio tem um peso de 462 gf.
Após a secagem em estufa se obteve peso da amostra igual a 364 gf. Determinar o teor de
umidade do solo considerando o peso da cápsula de 39 gf. Resposta: w = 30,2 %.

15) Um solo saturado tem teor de umidade igual a 38 % e peso específico dos sólidos
igual a 2,85 gf/cm³ . Determinar o índice de vazios, a porosidade e a massa específica do solo.
Resposta: e = 1,08, n = 52 % e γ= 1,89 g/cm3 .

16) Qual a quantidade de água a ser acrescentada a uma amostra de 1500 g com teor de
umidade de 17 %, para que esta amostra passe a ter 30 % de umidade. Resposta: Volume a
acrescentar igual a 166,67 cm³

17) Um corpo de prova de argila saturada tem uma altura de 2,5 cm e 6,5 cm de
diâmetro, e um volume de água igual a 48,7 cm3 . Foi comprimida em um ensaio até que sua
altura se reduzisse para 1,85 cm, sem alteração do seu diâmetro. Esta amostra possuía um índice
de vazios inicial de 1,42 e uma massa específica dos grãos de 2,82 g/ cm3 . Admitindo que toda
compressão tenha se dado por expulsão de água dos vazios e que a amostra ainda continue
saturada, determinar: Respostas: a) 0,79 b) 22,4% c) 109,09 cm³
a) Índice de vazios após a compressão.
b) Variação do teor de umidade.
c) Considerando que foi retirada uma outra amostra de 1 kg do solo de fundação, calcular
a quantidade de água (em cm3) que é necessário adicionar a esse 1 Kg de solo, cujo teor de
umidade é de 10 %, para que esse teor de umidade tenha um acréscimo de 12 %.

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3. Granulometria

A Curva Granulométrica é a representação gráfica da distribuição granulométrica do solo.


• abscissa → diâmetros dos grãos
• ordenadas → porcentagens, em peso, dos grãos de diâmetros inferiores aos da
abscissa correspondente.
Ensaios (NBR 7181/84)
• peneiramento
• sedimentação

% . 100%

% .100%

Porcentagem Acumulada → É a soma dos percentuais retidos nas peneiras superiores,


com o percentual retido na peneira em estudo.

3.1. Peneiras

3.1.1 Representação das peneiras

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3.2. Frações Limites

• Pedregulho de 4,8 mm a 7,6 cm


• Areia grossa de 2,0 mm a 4,8 mm
• Areia média de 0,42 mm a 2,00 mm
• Areia fina de 0,05 mm a 0,42 mm
• Silte de 0,005 mm a 0,05 mm
• Argila inferior a 0,005 mm

3.3. Coeficiente de uniformidade (CUN)

• Cun (U) < 5 → solo uniforme (mal graduado)


• 5 < Cun (U) < 15 → solo medianamente uniforme (medianamente graduado)
• Cun (U) > 15 → solo desuniforme (bem graduado)

Exemplo:

3.4.Coeficiente de Curvatura (CC)

Fornece a idéia do formato da curva permitindo detectar descontinuidades no conjunto.


²
=
"

. !

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3.5. Granulometria: Exercícios

1) Segundo a ABNT como se classificam os solos grossos?

2) Segundo a ABNT como se classificam os solos finos?

3) O que é um solo graduado e mal graduado?

4) Em que o consiste o coeficiente de uniformidade?

5) Calcule: as porcentagens de solo de cada curva e nomeie, CC e CUN.


a)

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b)

6) Represente no gráfico:
a) Solo argilo siltoso
b) Solo arenoso
c) Solo silto argiloso

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4. Permeabilidade

4.1. Introdução

Às vezes o engenheiro se defronta com situações em que é necessário controlar o


movimento de água através do solo e, evidentemente, proporcionar uma proteção contra os
efeitos nocivos deste movimento.
Do ponto de vista prático, a água pode ser considerada incompressível e sem nenhuma
resistência ao cisalhamento, o que lhe permite, sob a ação de altas pressões, penetrar em
microfissuras e poros, e exercer pressões elevadas que levam enormes maciços ao colapso.
Um aspecto importante em qualquer projeto em que se tenha a presença de água é a
necessidade do reconhecimento do papel que os pequenos detalhes da natureza desempenham.
Assim, não basta apenas realizar verificações matemáticas, mas também recorrer a julgamentos
criteriosos dessas particularidades, pois que elas nem sempre podem ser suficientemente
quantificadas.
O objetivo básico deste capítulo é fornecer as informações necessárias para o
entendimento físico da presença da água nos solos e para a resolução de problemas que
envolvem percolação de água no solo.
A permeabilidade é a propriedade que o solo apresenta de permitir o escoamento da água
através dele, sendo o seu grau de permeabilidade expresso numericamente pelo "coeficiente de
permeabilidade".
O conhecimento da permeabilidade de um solo é de importância em diversos problemas
práticos de engenharia, tais corno: drenagem, rebaixamento do nível d'água, recalques, etc.
A determinação do coeficiente de permeabilidade é feita tendo em vista a lei
experimental de Darcy (proposta em 1 856 por esse engenheiro francês), de acordo com a qual a
velocidade de percolação é diretamente proporcional ao gradiente hidráulico.

4.2. Ocorrência de água subterrânea

Segundo CHIOSSI (1989), o interior da Terra, composto de diferentes rochas, funciona


como um vasto reservatório subterrâneo para a acumulação e circulação das águas que nele se
infiltram. As rochas que formam o subsolo da Terra, raras vezes, são totalmente sólidas e
maciças. Elas contêm numerosos vazios (poros e fraturas) denominados também de interstícios,
que variam dentro de uma larga faixa de dimensões e formas, dando origem aos aquíferos.
Apesar desses interstícios poderem atingir dimensões de uma caverna em algumas rochas, deve-

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se notar que a maioria tem dimensões muito pequenas. São geralmente, interligados, permitindo
o deslocamento das águas infiltradas.
A água subterrânea é originada predominantemente da infiltração das águas das chuvas,
sendo este processo de infiltração de grande importância na recarga da água no subsolo. A
recarga depende do tipo de rocha, cobertura vegetal, topografia, precipitação e da ocupação do
solo. A utilização desta água é feita através de poços caseiros e profundos, conforme a
profundidade alcançada. O processo de formação do lençol freático é mostrado na Figura 1.

Figura 1 – Ciclo Hidrológico: Infiltração e formação de lençol freático

Problemas relativos às águas subterrâneas são encontrados em um grande número de


obras de Engenharia. A ação e a influência dessas águas têm causado numerosos imprevistos e
acidentes, sendo os casos mais comuns verificados em cortes de estradas, escavações de valas e
canais, fundações para barragens, pontes, edifícios, etc. As obras que necessitam de escavações
abaixo do lençol freático, como por exemplo, a construção de edifícios, barragens, túneis, etc;
pode ser executado um tipo de drenagem ou rebaixamento do lençol freático. A água existente
no subsolo pode ser eliminada por vários os métodos.

4.3. Fenômenos capilares

A posição do lençol freático no subsolo não é, entretanto, estável, mas bastante variável.
Isso representa dizer que, em determinada região, a profundidade do lençol freático varia
segundo as estações do ano. Essa variação depende do clima da região, e dessa maneira, nos
períodos de estiagem, a posição do lençol freático sofre normalmente um abaixamento, ao
contrário do período das cheias, quando essa posição se eleva.

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A ocorrência de leitos impermeáveis (argila, por exemplo) ocasiona aprimoramento
localizado de certas porções de água, formando um lençol freático ou nível d’água suspenso, que
não corresponde ao nível d’água principal.
Em consequência da infiltração, a água precipitada sobre a superfície da terra penetra no
subsolo e através da ação da gravidade sofre um movimento descendente até atingir uma zona
onde os vazios, poros e fraturas se encontram totalmente preenchidos d’água. Esta zona é
chamada zona saturada ou freática. Essa zona é separada por uma linha conhecida como nível
freático ou lençol freático, abaixo da qual estará o solo na condição de submersão (se em
condição de água livre), e acima estará o solo saturado até uma determinada altura.
Nos solos, por capilaridade, a água se eleva por entre os interstícios de pequenas
dimensões deixados pelas partículas sólidas, além do nível do lençol freático. A altura alcançada
depende da natureza do solo.
O corte, na Figura 2, mostra-nos uma distribuição de umidade do solo e os diferentes
níveis e condições da água subterrânea em uma massa de solo. Verifica-se que o solo não se
apresenta saturado ao longo de toda a altura de ascensão capilar. Observa-se que o fenômeno de
capilaridade ocorre em maiores proporções em solos argilosos. A altura capilar é calculada pela
teoria do tubo capilar, que considera o solo um conjunto de tubos capilares.

Figura 2 – Distribuição de umidade no solo

4.4. Fluxo de água nos solos

A fundamentação teórica para resolução dos problemas de fluxo de água foi desenvolvida
por Forchheimer e difundida por Casagrande (1937).
O estudo de fluxo de água nos solos é de vital importância para o engenheiro, pois a água
ao se mover no interior de um maciço de solo exerce em suas partículas sólidas forças que
influenciam o estado de tensão do maciço. Os valores de pressão neutra e como isso os valores
de tensão efetiva em cada ponto do maciço são alterados em decorrência de alterações de regime

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de fluxo. De uma forma geral, os conceitos de fluxo de água nos solos são aplicados nos
seguintes problemas:

• Estimativa da vazão de água (perda de água do reservatório da barragem), através da


zona de fluxo;
• Instalação de poços de bombeamento e rebaixamento do lençol freático;
• Problemas de colapso e expansão em solos não saturados;
• Dimensionamento de sistemas de drenagem;
• Dimensionamento de “liners” em sistemas de contenção de rejeitos;
• Previsão de recalques diferidos no tempo (adensamento de solos moles – baixa
permeabilidade);
• Análise da influência do fluxo de água sobre a estabilidade geral da massa de solo
(estabilidade de taludes);
• Análise da possibilidade de a água de infiltração produzir erosão, arraste de material
sólido no interior do maciço, “piping”, etc.
O estudo dos fenômenos de fluxo de água em solos se apoia em três pilares: conservação
da energia (Bernoulli), permeabilidade dos solos (Lei de Darcy) e conservação da massa. Alguns
conceitos sobre os dois primeiros pontos são aqui abordados:

4.5. Conservação da energia

A água ocupa a maior parte ou a totalidade dos vazios do solo e quando submetidas a
diferenças de potenciais, ela se desloca no seu interior. A água pode atuar sobre elementos de
contenção, obras de terra, estruturas hidráulicas e pavimentos, gerando condições desfavoráveis
à segurança e à performance destes elementos.
O conceito de energia total de um fluido, formulado por Bernoulli, é apresentado nas
disciplinas de Fenômenos dos Transportes e Mecânica dos Fluidos. A equação apresenta a
proposta de Bernoulli para representar a energia total ou carga total em um ponto do fluido,
expressa em termos de energia/peso.
EQUAÇÃO DE BERNOULLI → válida p/ escoamentos em regime permanente, não
viscosos, de fluídos incompressíveis. A carga total é dada pela soma de três parcelas:
CARGA TOTAL = CARGA DE ALTURA + CARGA PIEZOMÉTRICA + CARGA DE
VELOCIDADE H = ha + hp + hv

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Carga de altura (ha) → diferença de cota entre o ponto considerado e qualquer cota definida como referência;
ha = z
Carga piezométrica (hp) → pressão neutra no ponto, expressa em altura de coluna d’água;
Carga de velocidade (hv) → nos problemas de percolação de água nos solos a carga de velocidade (ou cinética) é desprezível -
velocidades muito baixas.

Para que haja fluxo de A para B → HÁ > HB


Tem-se:
HA = HB + ΔH
onde: ΔH = perda de carga hidráulica

Sempre que houver diferença de carga total entre dois pontos haverá fluxo, na direção do
ponto de maior carga ao ponto de menor carga total.
Analisemos dois casos:

Define-se como gradiente hidráulico (i) a taxa de dissipação da carga total em função da
distância.

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4.5.1. Gradiente hidráulico crítico

Na condição de fluxo ascendente a tensão efetiva reduz com o aumento no gradiente


hidráulico. Para um dado valor de gradiente hidráulico, a tensão efetiva pode ser anulada →
gradiente hidráulico crítico (icrít)
Como a tensão efetiva (tensão de contato grão a grão) é responsável pela resistência ao
cisalhamento de areias →perda total de resistência → comporta-se como fluído ⇒ estado de
areia movediça.
Para fluxo ascendente, na condição crítica:
)*! -./0
%&'( !+, -1

O fenômeno de areia movediça é típico de areias finas e tem rara ocorrência natural.
Porém certas obras geotécnicas podem gerar esta situação. Ex:

Figura 3 – Condições de areia movediça criada em obras. Modificado de Pinto, 2000.

Icrit é chamado gradiente hidráulico critico (aproximadamente igual a 1,0 para a maioria
dos solos). A condição i ≥ icrit implica, portanto, em pressões efetivas nulas em quaisquer pontos
do solo.
No caso de solos arenosos (sem coesão), a resistência está diretamente vinculada às
pressões efetivas atuantes (s = σ‘ tg φ‘). Atingida a condição de fluxo para Icrit, resulta uma perda
total da resistência ao cisalhamento da areia, que passa a se comportar como um líquido em
ebulição. Este fenômeno é denominado areia movediça. Nota−se, portanto, que a areia movediça
não constitui um tipo especial de solo, mas simplesmente, uma areia através da qual ocorre um
fluxo ascendente de água sob um gradiente hidráulico igual ou maior que Icrit. A ocorrência de
areia movediça na natureza é rara, mas o homem pode criar esta situação nas suas obras. A fig. 3
apresenta duas situações em que este fenômeno pode ocorrer. No caso (a) tem−se uma barragem
construída sobre uma camada de areia fina sobreposta a uma camada de areia grossa. A água do
reservatório de montante percolará, preferencialmente, pela areia grossa e sairá a jusante através

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da areia fina com fluxo ascendente. No caso (b) tem−se uma escavação em areia saturada e
rebaixamento do nível de água para permitir a execução dos trabalhos.
O combate à situação de areia movediça pode ser feito reduzindo-se o gradiente
hidráulico ou aumentando-se a tensão sobre a camada susceptível.

4.6. Lei de Darcy

Permeabilidade: é a propriedade que o solo apresenta de permitir o escoamento da água


através dele, sendo o grau de permeabilidade expresso numericamente pelo “coeficiente de
permeabilidade”.
Importância: O estudo da percolação de água no solo, ou seja, a permeabilidade, é
importante porque intervêm num grande número de problemas práticos, tais como drenagem,
rebaixamento do nível d’água, cálculo de vazões, análise de recalques, estudo de estabilidade,
etc. Grau com que isto ocorre ⇒ Expresso por um coeficiente “k” maior ou menor.
A determinação do coeficiente de permeabilidade é feita tendo em vista a lei
experimental de Darcy (proposta em 1856 por esse engenheiro francês). Darcy realizou um
experimento com um arranjo similar ao mostrado na Figura 4 para estudar as propriedades do
fluxo de água através de uma camada de filtro de areia:

Figura 4 – Esquema do experimento realizado por Darcy

Este experimento deu origem a uma lei que correlaciona a taxa de perda de energia da
água (gradiente hidráulico) no solo com a sua velocidade de escoamento (Lei de Darcy).
Os níveis de água h1 e h2 são mantidos constantes e o fluxo de água ocorre no sentido
descendente através do corpo-de-prova. Medindo o valor da taxa de fluxo que passa através da
amostra (vazão de água) q, para vários comprimentos de amostra (L) e de diferença de potencial
(Δh), Darcy descobriu que a vazão “q” era proporcional à razão Δh/L (ou gradiente hidráulico da
água, i).
2 3. . 4

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A vazão (q) dividida pela área transversal do corpo-de-prova (A) indica a velocidade com
que a água percola pelo solo. O valor da velocidade de fluxo da água no solo (v) é dado por:
3.
Esta velocidade é conhecida como velocidade de descarga (v), sendo, portanto diferente
da velocidade real da água nos vazios do solo. Aplicando-se as noções desenvolvidas em índices
físicos pode-se admitir que a relação entre a área transversal de vazios e a área transversal total
seja dada pela porosidade (n). Desse modo, a velocidade de percolação real da água no solo é:

&,56

Chama-se de velocidade de percolação (vp), a velocidade com que a água escoa nos
vazios do solo. Considera-se a área efetiva de escoamento ou área de vazios (Av).

Obs: A existência do gradiente hidráulico fará com que haja percolação.

4.6.1. Validade da Lei de Darcy

A lei de Darcy é válida para um escoamento “laminar”, verdadeiro para quase todos os
tipos de solos (argila, silte e areia), tal como é possível e deve ser considerado o escoamento na
maioria dos solos naturais. Tambem sua validade é para solos saturados.
Um escoamento se define como laminar quando as trajetórias das partículas d’água não
se cortam; em caso contrário, denomina-se turbulento.
A lei de Darcy á válida para fluxo laminar → nº de Reynolds (R) ≤ 2000

v - velocidade
D - diâmetro da seção de escoamento
γ - peso específico do fluído
µ - viscosidade do fluído
g - aceleração da gravidade

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4.7. Coeficiente de permeabilidade

O valor de k é comumente expresso como um produto de um número por uma potência


-8
negativa de 10. Exemplo: k = 1,3 x 10 cm/seg, valor este, aliás, característico de solos
considerados como impermeáveis para todos os problemas práticos.
Na Figura 5 apresentamos, segundo A. Casagrande e R. E. Fadum, os intervalos de
variação de k para os diferentes tipos de solos e na Tabela 1, segundo Casagrande.

Figura 5 – Intervalos de variação de K para diversos solos

É interessante notar que os solos finos, embora possuam índices de vazios geralmente
superiores àqueles alcançados pelos solos grossos, apresentam valores de coeficientes de
permeabilidade bastante inferiores a estes.

4.7.1. Fatores que influem na permeabilidade

A permeabilidade é uma das propriedades do solo com maior faixa de variação de valores
e é função de diversos fatores, dentre os quais podemos citar o índice de vazios, temperatura,
estrutura do solo, grau de saturação e estratificação do terreno.

a) Índice de vazios:

A equação de Taylor correlaciona o coeficiente de permeabilidade com o índice de vazios


do solo. Quanto mais fofo o solo, mais permeável ele é. Conhecido o k para um certo tipo de
solo, pode-se calcular o k para o outro solo pela proporcionalidade da equação apresentada (mais
utilizada para areias).

Maior índice de vazios (e) → Maior coeficiente de permeabilidade (k).

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b) Temperatura:

Quanto maior for a temperatura, menor a viscosidade da água e, portanto, mais


facilmente ela escoa pelos vazios do solo com correspondente aumento do coeficiente de
permeabilidade. Logo, k é inversamente proporcional à viscosidade da água.
Por isso, os valores de k são referidos à temperatura de 20º C, o que se faz pela seguinte
:;
relação: 37 38 ∗ 38 ∗ >
:<=

Segundo Helmholtz, a viscosidade da água em função da temperatura é dada pela fórmula


, !AB
empírica: ?
!+ , "" 8+ , 7 8²

Sendo T a temperatura do ensaio em ºC.

Os valores de Cv são fornecidos pelo gráfico 1:

Gráfico 1 –Viscosidade da água em função da temperatura. Caputo, 2000.

A figura 6 mostra uma planilha de ensaio, executado em um solo coletado à 1,50m de


profundidade em uma região de Igrejinha – Juiz de Fora, em área estudada para possível
utilização como aterro sanitário do município.

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Figura 6 – Exemplo de resultado de ensaio de permeabilidade
(Solo argilo-arenoso, coletado em Igrejinha – JF).
Observe os resultados de k obtidos em 4 amostras diferentes a 25,4º de temperatura e o
-3
valor médio (dos 4 ensaios) corrigido para 20º ( k20º ) igual a 1,24x10 cm/seg.

c) Estrutura do solo:

A combinação de forças de atração e repulsão entre as partículas resulta a estruturas dos


solos, que se refere à disposição das partículas na massa de solo e as forças entre elas. A
amostra com estrutura dispersa terá uma permeabilidade menor que a floculada.

d) Grau de saturação:

O coeficiente de permeabilidade de um solo não saturado é menor do que o que ele


apresentaria se estivesse totalmente saturado. Essa diferença não pode, entretanto, ser atribuída
exclusivamente ao menor índice de vazios disponível, pois as bolhas de ar existentes, contidas
pela tensão superficial da água, são um obstáculo para o fluxo. Entretanto, essa diferença não é
muito grande.

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e) Estratificação do terreno:

Em virtude da estratificação do solo, os valores de k são diferentes nas direções


horizontal e vertical, como mostra a Figura 6. Chamando-se de k1, k2, k3, ... os coeficientes de
permeabilidade das diferentes camadas e de e1, e2, e3, ... respectivamente as suas espessuras,
deduzamos as fórmulas dos valores médios de k nas direções paralela e perpendicular aos planos
de estratificação. A permeabilidade média do maciço depende da direção do fluxo em relação à
orientação das camadas.

Figura 7 – Direção do fluxo nos terrenos estratificados

e.1.) Permeabilidade paralela à estratificação: na direção horizontal, todos os estratos


têm o mesmo gradiente hidráulico i. Portanto demonstra-se que:

e.2.) Permeabilidade perpendicular à estratificação: na direção vertical, sendo


contínuo o escoamento, a velocidade v é constante. Portanto demonstra-se que:
Para camadas de mesma permeabilidade, k1 = k2 = ...= kn, obtém-se pela aplicação dessas
fórmulas: kh = kv. Demonstra-se, ainda, que em todo depósito estratificado, teoricamente: kh >
kv.

4.8. Determinação do coeficiente de permeabilidade

A determinação de k pode ser feita: por meio de fórmulas que o relacionam com a
granulometria (por exemplo, a fórmula de Hazen), no laboratório utilizando-se os
“permeâmetros” (de nível constante ou de nível variável) e in loco pelo chamado “ensaio de
bombeamento” ou pelo ensaio de “tubo aberto”; para as argilas, a permeabilidade se determina a
partir do “ensaio de adensamento”.

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4.8.1. Permeâmetro de nível constante

É utilizado para medir a permeabilidade dos solos granulares (solos com razoável
quantidade de areia e/ou pedregulho), os quais apresentam valores de permeabilidade elevados.

Procedimento: Após garantida a constância de vazão, mede-se o volume d’água (V) que
percola pela amostra de comprimento (L) em intervalos de tempo (t).

4.8.2. Permeâmetro de nível variável

O permeâmetro de nível variável é considerado mais vantajoso que o anterior, sendo


preferencialmente usado para solos finos, nos quais o volume d’água que percola através da
amostra é pequeno. Quando o coeficiente de permeabilidade é muito baixo, a determinação pelo
permeâmetro de carga constante é pouco precisa.

Procedimento: Após garantida a constância da vazão, faz-se leituras das alturas inicial e
final na bureta e o tempo decorrente.

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4.8.3. Equação empírica de Hazen

(Válida para areias uniformes)


7
C 100 . ! → D10 em cm

4.9. Permeabilidade: Exercícios

1) Estimar o coeficiente de permeabilidade de um solo (k), cujo resultado do ensaio de


granulometria foi o seguinte: (D10 = 0,1 mm; K = 0,01 cm/s)

2) Uma amostra de areia é ensaiada em um permeâmetro de nível constante. O diâmetro


da amostra é 10,2 cm e a altura 0,125 m. a diferença de nível entre os dois tubos
piezométricos é de 0,86 m e a quantidade de água coletada durante 2 minutos é de
0,733 litros. Calcule a descarga (por segundo) e o coeficiente de permeabilidade desta
areia. (Q = 0,00000611 m³/s; K =0,000108 m/s)

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3) Verificar se a areia contida no aparelho esquematizado está sujeita ao fenômeno de
“areia movediça”. Se não estiver, calcular H para que se inicie o fenômeno. Dados:
γSAT=26,5kN/m³ (Não ocorre, ic > i; ∆H = 82,5 cm)

4) No aparelho esquematizado abaixo, mediu-se uma vazão de 6 cm³/seg. Calcular a


permeabilidade do solo. (K = 0,00195 cm/s)

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5) Qual a vazão que passa através da amostra de areia contida no aparelho abaixo? Esta
areia, submetida a um ensaio de classificação granulométrica por peneiramento
apresentou o resultado abaixo: (K = 0,0625 cm/s; Q = 49,09 cm³/s)

6) Para a areia (K = 10-2 cm/s; δ = 2,67gf/cm³) contida no aparelho abaixo, pede-se:

a) A vazão que percola pelo sistema; (Q=33,69cm³/s)


b) A velocidade de percolação da água no solo; (v = 0,0043 cm/s)
c) Verificar se ocorre o fenômeno da areia movediça, (Não ocorre, i<ic)
d) Se não ocorrer, qual deve ser a carga hidráulica para que se inicie o processo? (∆H = 61,6 cm)
e) A diferença de carga total entre os pontos A e B. (HA - HB = 21,45 cm)

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7) Com os dados do sistema hidráulico abaixo, determinar qual a cota que deveria
atingir uma escavação na camada de areia para ocorrer o fenômeno de areia
movediça, considerando inalterados os níveis d’água dos reservatórios durante a
escavação. (Cota -9,0 m)

8) Realizou‐se um ensaio de permeabilidade numa amostra de areia em que


obtiveram os seguintes resultados:

Determine a constante de permeabilidade da areia em questão. (K = 0,0033 cm/s)

9) A figura seguinte representa um permeâmetro de carga constante utilizado para


determinação do coeficiente de permeabilidade dos solos. Determine o valor do
coeficiente de permeabilidade determinado para as condições mostradas na figura,
sabendo‐se que a vazão percolada pelo solo vale Q= 0,3 cm³/s, e que a área da
amostra é igual a 706 cm². (K = 0,0005 cm/s)

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10) Em um permeâmetro de nível constante, 6x10-5 m³ de água percola através de uma
amostra cilíndrica de 0,13 m de altura e 0,07 m de diâmetro, durante um período de
1,5 minutos, com um nível efetivo de 0,30 m. Qual é o coeficiente de permeabilidade
da amostra, em cm/s, na temperatura do ensaio?

11) O permeâmetro da figura possui seção transversal de 530 cm². Determine a


permeabilidade do solo cujo peso específico é 18 kN/m³. Em 18 s, o volume de água
que passou pelo permeâmetro foi de 100 cm³. (K = 0,0187 cm/s)

12) Estimar o coeficiente de permeabilidade por meio do diâmetro efetivo, do solo abaixo
(traçejado): (K = 0,0001 cm/s)

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13) Considere o escoamento representado na figura.
a) Qual o sentido do escoamento? (A→B)
b) Determine o gradiente hidráulico. (i = 0,333)
c) Determine a velocidade. (v = 6,66 . 10-4 m³/s)

14) Calcular os valores da carga total, da carga topografica e da carga piezometrica,


no pontos indicados, do exercicios abaixo (cm), sabendo que o PHR se encontra 30 cm abaixo do
ponto B. Ponto HZ HP H
B’ 0 290 290
B 30 236 266
A 110 92 202
A’ 150 20 170

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5 - Limites de Liquidez e Limites de Plasticidade

Só a distribuição granulométrica não caracteriza bem o comportamento dos solos.


O comportamento de partículas de minerais de argila difere devido à estrutura mineralógica.
A forma prática de identificar a influência das partículas argilosas, é feita pela
determinação dos ditos Limites de Atterberg, adaptados e padronizados por Arthur Casagrande.

Limite de Liquidez (LL) - teor de umidade no qual o solo começa a se comportar


como um líquido, ou seja, flui.
Limite de Plasticidade (LP) - teor de umidade no qual o solo começa a comportar
como um material plástico.
Limite de Contração (LC ou LR) - teor de umidade a partir do qual reduções da
umidade não acarretam redução de volume da amostra

5.1 – Ensaio de Limite de Liquidez - NBR 6459

Atterberg definiu o limite de liquidez em termos de uma técnica de laboratório que


consiste em colocar os solos misturados com água em uma concha, fazendo no solo uma ranhura.
Em seguida, a concha é golpeada contra uma superfície dura até fechar a ranhura num
determinado comprimento. O solo tem a umidade correspondente ao limite quando as bordas
inferiores da ranhura se tocam num determinado comprimento, após certo número de golpes.
A necessidade de normalizar o processo para a determinação do limite de liquidez levou
Casagrande a elaborar um aparelho que pudesse ser utilizado em todos os laboratórios, de uma
maneira padronizada, minimizando a influência do operador sobre o resultado obtido, este
aparelho leva o nome de “APARELHO DE CASAGRANDE”.

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Este aparelho consiste de uma calota de latão que conterá o material e que cairá sobre
uma base sólida (ebonite), queda provocada por um excêntrico ligado a uma manivela, à qual se
dá um movimento de rotação.
São colocados 70g de solo, que passa na peneira com abertura igual a 0.42 mm,
homogeneizada com água até formar uma pasta, na calota do aparelho. Com o cinzel abrira-se
uma ranhura no centro da calota. Gira-se a alavanca na velocidade de 2 revoluções por segundo,
conta-se o números de golpes da calota, necessários para obter-se o fechamento da ranhura em 1
cm entre as paredes inferiores. Convém na 1ª determinação com a pasta que seja necessária mais
de 25 golpes para o fechamento da ranhura.
Acrescentando-se água ao solo repete-se o processo anterior pelo menor 3 vezes. Dessa
maneira resulta 4 pares de valores umidade x n.º de golpes que, colocadas no gráfico semi
logarítmico com o n.º de golpes no eixo logarítmico, se alinham numa reta.
O limite de liquidez é então obtido como sendo a umidade correspondente a 25 golpes.

Após o ensaio lançam-se os pontos experimentais obtidos, num gráfico “Teor de


Umidade X log (n.° de golpes)”.
Ajusta-se uma reta passando por esses pontos. O limite de liquidez corresponde à
umidade para a qual foram necessários 25 golpes para fechar a ranhura.

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5.2. – Ensaio de Limite de Plasticidade - NBR 7190

Corresponde a um teor de umidade mínimo no qual a coesão é pequena para permitir


deformação, porém, suficientemente alta para garantir a manutenção da forma adquirida.

Para determinação do limite de plasticidade são usados 50,0g de material passando na


peneira com abertura igual a 0.42 mm. Desse material homogeneizando com água até adquirir
característica plástica, toma-se cerca de 15,0g e sobre uma placa de vidro, procura-se fazer
pequenos cilindros de solo com 3 mm de diâmetro e cerca de 10 centímetros de comprimento,
rolando o solo entre a mão e a placa de vidro até que o cilindro apresente as primeiras fissuras. A
umidade desse material é definida com limite de plasticidade do solo ensaiado.
A operação do ensaio é repetida pelo menos 5 vezes. Os valores obtidos de umidade
serão considerados satisfatórios quando, de pelo menos três, nenhum deles diferir da respectiva
média de mais de 5%.
O limite de plasticidade será o valor médio de pelo menos três valores de umidade (teores
de umidade) considerados satisfatórios.

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Se não for possível obter o cilindro com 3 mm de diâmetro, a amostra deve ser
considerada como não apresentando limite de plasticidade (NP).

5.3. Indice de Plasticidade

Os solos costumam ser tanto mais compressíveis quanto maior seu LL. O IP permite
comparar a compressibilidade entre tipos diferentes de solo

5.4. Limites de Liquidez e Limite de Plasticidade: Exercícios

1) Na determinação do Limite de Liquidez de um solo, de acordo com o


Método Brasileiro NBR 6459, foram feitas cinco determinações do número de golpes
para que a ranhura se feche, com teores de umidade crescentes como na tabela a
seguir. Qual o Limite de Liquidez do solo ensaiado?

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6. Tensões nos solos

Os solos são constituídos de partículas e forças aplicadas a eles são transmitidas de


partícula a partícula, além das que são suportadas pela água dos vazios. Nos solos, ocorrem
tensões devidas ao peso próprio e às cargas aplicadas.

6.1. Tensões geostáticas

Para estudar o comportamento do solo utilizam-se equações constitutivas, que relacionam


as tensões, deformações e o tempo. Assim, é possível dar um tratamento matemático a problemas
que envolvem o comportamento do solo quando submetido a cargas aplicadas, incluindo seu
peso próprio.
Os projetos de fundações e contenções são analisados separando-se, ainda que
artificialmente, a deformação da ruptura. Na realidade, qualquer estrutura quando é solicitada
passa a deformar até que atinja a ruptura. Antes de romper, considera-se que a estrutura está
sendo solicitada em condições de trabalho e a solicitação é limitada em função da máxima
deformação que a estrutura pode sofrer, sem que sejam prejudicadas as condições de utilização
da mesma. A estrutura deve ser segura e parecer segura. Na cidade de Santos, por exemplo, onde
os prédios sofrem grandes deformações devido à camada de argila mole orgânica existente
abaixo da camada de areia - na qual as fundações são apoiadas - os limites de utilização foram
ultrapassados largamente. Neste caso, embora a camada de argila esteja com coeficiente de
segurança apropriado em relação à ruptura, as deformações sofridas por esta camada provocam
inclinação dos edifícios em até aproximadamente 2,5º, gerando uma sensação de desconforto e
insegurança muito grandes. Uma análise que considere concomitantemente os problemas de
deformação e de ruptura só é possível com a utilização de sofisticados métodos numéricos,
difíceis de serem utilizados no dia a dia da engenharia.
Nos problemas de deformação são determinadas as deformações do solo e da estrutura
quando submetidos a um carregamento qualquer, porém muito inferior ao que possa provocar a
ruptura. Um exemplo típico é o cálculo de recalques. Nos problemas de ruptura não há
preocupação com as deformações, mas somente com a capacidade que o solo tem de resistir às
solicitações impostas, sem romper. Nos cálculos de deformações, trabalha-se com pequenas
deformações e por isto pode ser utilizada a teoria da elasticidade, enquanto nos cálculos de
estabilidade (possibilidade que o solo tem de resistir às solicitações impostas) utiliza-se a teoria
da plasticidade.

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Estas duas teorias consideram o solo um meio contínuo. Na realidade, os solos são
constituídos por partículas e a tensão aplicada é transmitida por meio de forças, partícula a
partícula. Ao sofrer solicitações o solo irá se deformar, modificando seu volume e sua forma
inicial. O nível de deformação dependerá das propriedades mecânicas do solo e do carregamento
aplicado. O estado de tensões no maciço depende do peso próprio, da intensidade da força
aplicada e da geometria do carregamento.
A transmissão das tensões ocorre por áreas muito reduzidas. Ao longo de um plano
passando pelo solo, os esforços podem ser decompostos em componentes normais e tangenciais
(conforme mostrado na Figura 1):

Figura 1- Tensões de contato nos grãos

Nos contatos, as tensões podem ultrapassar 700 MPa que são muito maiores que as
tensões totais. Na engenharia, as tensões são normalmente inferiores a 1MPa.
O estado de tensões no solo obedece a um conjunto de equações de equilíbrio,
compatibilidade e às leis constitutivas do material. Em alguns casos a própria distribuição de
tensões devido ao peso próprio pode ser complexa, dependendo da geometria do terreno.

6.1.1. Tensão total - σv

No caso particular de terrenos planos e horizontais com camadas de solo também


horizontais e sem carregamento externo, os cálculos das tensões tornam-se bastante simples. Não
existirão tensões cisalhantes nos planos horizontal e vertical. A tensão total vertical é calculada
pelo peso de solo acima da profundidade considerada. Caso o peso específico seja constante com
a profundidade (uma única camada), a tensão vertical será dada por:

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Quando o terreno é formado por várias camadas de solo com diferentes pesos específicos
(estratificado), a tensão vertical total resulta do somatório das parcelas de cada camada:

onde: zi e γi são as espessuras das camadas e os pesos específicos, respectivamente.

6.1.2. Pressão Neutra - µ (pressão da água dos poros):

A pressão neutra ou poro-pressão é a pressão na água dos vazios do solo e é dada pela
carga piezométrica da lei de Bernoulli. Quando há um nível d’agua sem fluxo a pressão neutra
(u) será a pressão hidrostática e é dada por:

sendo:
γw – o peso específico de água (10kN/m³ ou 1gf/cm³) e;
zw – a altura da coluna de água.

6.1.3. Tensão Efetiva

É a tensão suportada pelos grãos do solo, ou seja, é a tensão transmitida pelos contatos
entre as partículas. O princípio das tensões efetivas é dado por:

E> E> F G
(Principio das tensões efetivas de Terzaghi)
sendo:
E> - a tensão efetiva
E> - a tensão total e
u - a poro-pressão.

6.2.Distribuição de tensões devido a aplicação de cargas

σ0= tensão devida ao peso próprio do solo;


Δσ1= alívio de tensão devido à escavação;
Δσ2= tensão induzida pelo carregamento “q”.
Ao se aplicar uma carga na superfície de um terreno, numa área bem definida, os
acréscimos de tensão numa certa profundidade não se limitam à projeção da área carregada. Nas

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laterais da área carregada também ocorrem aumentos de tensão, que se somam às anteriores
devidas ao peso próprio.

6.2.1. Carga pontual

Solução de Bussinesq
A distribuição de tensões devido a uma carga pontual aplicada perpendicularmente à
superfície do terreno é conhecida como solução de Bussinesq. As hipóteses desta solução são:
· maciço homogêneo, isotrópico e continuo
· comportamento elástico linear
· variação de volume do solo é desconsiderada

3J M " 7
∆E> . N M7 ²
2L N O
6.2.2. Carregamento uniformemente distribuído sobre placa retangular

Newmark apresentou uma solução para determinar a tensão vertical induzida no canto de
uma área retangular uniformemente carregada.

Figura 2 – Placa retangular uniformemente carregada

A expressão é longa, por isso utiliza-se um fator de influência Iσ:

EM P . QE
O fator de influência Iσ é função da área carregada e da profundidade. Existem ábacos
(como o da figura 3) que fornecem o fator de influência. São definidas as seguintes relações com
os parâmetros m e n, sendo a > b:
R
M M

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Figura 3 – Ábaco de Newmark

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6.2.3. Carregamentos uniformemente distribuídos sobre placa circular

Quando o carregamento é uniformemente distribuído sobre uma placa circular pode-se


usar a solução de Love que permite calcular a tensão em qualquer ponto de um semi-espaço
infinito. Existem ábacos e tabelas (Fig. 4) com dados de entrada z/r e x/r para calcular quando o
ponto a ser calculado está fora do eixo, onde z é a profundidade, r é o raio da placa e x é a

1
distância horizontal em relação ao centro da placa.

S1 − T \]
[
W 7 <
U1 + V Y Z
QE
X

EM = P . QE

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Figura 4 - Carregamento uniformemente distribuído sob uma área circular.

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6.3. Tensões: Exercícios

1) Para o perfil geotécnico abaixo, determine: a) o acréscimo de tensão vertical para


um depósito circular nas profundidades indicadas; b) a tensão efetiva final aos 7,5m e aos 90,0 m
de profundidade.

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2) Calcular a tensão induzida por uma carga pontual de 1500 tf a um ponto situado a
5 m de profundidade afastado 5,3 m da aplicação da carga.

3) Calcular a tensão induzida (pressão transmitida) por uma carga circular (raio de 5
m) com 100 kN/m2 a pontos situados a 5 m de profundidade, sob o centro da placa e afastado a
6m do centro da placa.

4) Calcular o acréscimo de tensão produzida pela placa da figura abaixo, carregada


com 78 kN/m2, a um ponto situado a 5 m de profundidade abaixo do ponto O, indicado na
figura, sabendo-se que a1 = 3 m; a2 = 4 m; b1 = 1 m; b2 = 2 m;

5) Dada a situação da planta abaixo, calcule o acréscimo de tensão devido a sapata


carregada com 480 kN/m2 a 5 m de profundidade no ponto A.

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6) Calcular o acréscimo de pressão causado por uma placa circular, com 5 m de
diâmetro, carregada com 20 t/m2, em pontos situados sob o seu eixo, a 2,5; 5,0 e 10,0 m de
profundidade e traçar o respectivo diagrama.

7) Dada a placa circular em forma de anel, abaixo representada, calcular o acréscimo


de pressão nos pontos A, B, C e D indicados, situados a 2,5m de profundidade.

8) Determinar a variação de pressão à profundidade de 4,0 m provocada por uma


placa circular com 8,0 m de diâmetro, carregada com 724 toneladas.

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9) A sapata mostrada na figura está submetida a um carregamento uniforme de 250
kN/m2 na área hachurada e de 150 kN/m2 na área restante. Determinar a intensidade da tensão
vertical no ponto A a 3,00m de profundidade, usando a equação de Newmark para CARGA
RETANGULAR UNIFORMEMENTE DISTRIBUIDA.

10) Calcular o acréscimo de carga sobre o ponto F, situado a 10m de profundidade,


provocado pelos carregamentos transmitidos ao terreno pelas obras A, B e C, cujas
características estão indicadas abaixo.

11) Calcule o acréscimo de tensão vertical no ponto A, induzido por um carregamento


de 20 t/m2 aplicado na superfície da área retangular, mostrada na figura abaixo. O ponto A situa-
se a 2,4m de profundidade.

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12) Uma placa em forma de anel transmite uma carga uniforme de 500kN/m2.
Determinar os acréscimos de tensões induzidas nos pontos A e B indicados, situados a 2,5m de
profundidade.

15) Uma carga concentrada de 2250kg age na superfície de uma massa de solo
homogênea de grande extensão. Encontrar a intensidade das tensões na profundidade de 15m:
a) Diretamente abaixo do ponto de aplicação da carga
b) A uma distância horizontal de 7,5m do ponto de aplicação.

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7. Redes de Fluxo

O estudo do fluxo bidimensional é facilitado pela representação gráfica dos caminhos


percorridos pela água e da correspondente dissipação da carga. Esta representação é conhecida
como Rede de Fluxo.
O conceito de rede de fluxo baseia-se na Equação da Continuidade, que rege as
condições de fluxo uniforme para um dado ponto do maciço terroso.

Fluxo Unidimensional
• Fluxo d’água com direção constante
o Areia uniforme → gradiente constante em qualquer ponto
o Exemplo: permeâmetros

Fluxo Tridimensional
• Fluxo d’água em qualquer direção
o Migração de água para um poço ou cava
o Barragens em vales fechados

Fluxo Bidimensional
• Fluxo segue caminhos em planos paralelos
o Obras lineares
o Barragens em vales abertos

7.1. Solução gráfica

A equação bidimensional de Laplace pode ser representada graficamente, através de


famílias de curvas que se interceptam em ângulos retos, formando uma figura denominada rede
de fluxo. Esse método é descrito no item seguinte.

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7.2. Rede de fluxo

A rede de fluxo é uma figura que representa o fluxo através de um meio poroso e
consiste em um conjunto de linhas de fluxo e linhas equipotenciais que se cruzam em ângulos
retos. A rede pode ser obtida graficamente por tentativas e, uma vez isto feito, podem ser
determinados facilmente poropressões e gradientes hidráulicos em qualquer ponto dela. Em
seguida, conhecendo-se a permeabilidade, determina-se a vazão que percola.
Não é do escopo deste artigo discutir técnicas para o traçado da rede de fluxo mais
profundas, recomendando-se o trabalho de Cedergren (1977) para os leitores que desejarem
dominá-las, mas serão abordadas de uma maneira simplificada. A abordagem aqui é dirigida para
o estudo de sua utilização na determinação de poropressões, vazões e gradientes.
As linhas de fluxo traduzem a trajetória das partículas de água no maciço terroso,
quando estas se deslocam de montante (nível de energia mais alto) para jusante (nível de energia
mais baixo).
As linhas equipotenciais são linhas ao longo das quais a carga hidráulica é constante. Se
for colocado um piezômetro em qualquer ponto de uma dada linha equipotencial, a coluna de
água no piezômetro sobe sempre até ao mesmo nível.

7.2.1. Relevância para Engenharia Geotécnica:

• As redes de fluxo permitem determinar facilmente a vazão percolada


• Permitem calcular a pressão da água dos poros (pressão neutra) e, logo, a tensão
efetiva em cada ponto do maciço
• Permitem avaliar o risco de ocorrência de acidentes resultantes de quick
condition (anulação da resistência, passando o solo a comportar-se como líquido denso)
• Permitem adotar medidas de prevenção contra o piping (erosão interna) e o
“levantamento hidráulico”. A colocação de filtros é uma boa medida de prevenção.

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7.3. Fluxo Bidimensional

7.3.1. Fluxo em um solo isotrópico KX = KY)

A rede de fluxo é a solução gráfica da Equação de Laplace, composta de dois grupos de


curvas perpendiculares entre si, formando quadrados curvilíneos.

A rede de fluxo define:


• Número de canais de fluxo (Nf);
• Número de faixas de perda de potencial (Nd).

7.3.2. Fluxo em um solo anisotrópico (Kx ≠ Ky):

Equação bidimensional do fluxo, em um meio saturado e com fluxo estacionário.


No caso em que os coeficientes de permeabilidade não sejam iguais nas duas direções
(kx ≠ ky), as linhas não são mais perpendiculares às equipotenciais. Para o traçado da rede de
fluxo nesta situação, recorre-se a uma transformação do problema. Efetua-se uma alteração de
escala na direção x.
A permeabilidade na direção horizontal tende a ser maior que a vertical.

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7.4. Determinação Gráfica das Redes de Fluxo

•O método consiste no traçado, à mão livre, de diversas possíveis linhas de escoamento


e equipotenciais, respeitando-se a condição de que elas se interceptem ortogonalmente e que
formem figuras “quadradas”.
•Há que se atender também às “condições limites”, isto é, às condições de carga e de
fluxo que, em cada caso, limitam a rede de percolação.
•O método exige experiência e prática de quem o utiliza. Geralmente, o traçado baseia-
se em outras redes semelhantes obtidas por outros métodos.

Passos na obtenção da rede de fluxo (Método gráfico de Forchheimer)

a) Definir as fronteiras do fluxo (condições de contorno);


b) Traçar certo número de linhas de fluxo;
c) Traçar equipotenciais formando elementos retangulares na relação a/b, em número
compatível com o número de linhas de fluxo e interceptando estas a 90º. Preferencialmente
busca-se malha quadrada (a/b = 1).

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Recomendações úteis no traçado das redes de fluxo

- Usar poucos canais de fluxo, mantendo seções quadradas (em geral 4 a 6 canais de
fluxo são suficientes);
- Verificar sempre a ortogonalidade entre as curvas e a constância na relação de lados;
- A rede deve ser analisada por inteiro. Não se deve deter em pequenos detalhes
enquanto a rede não está refinada;
- Usar propriedades de simetria quando possível;
- As transições entre trechos retilíneos e curvos devem ser suaves.

7.5. Redes de Fluxo – Exercícios

1) Calcule:
a) A vazão por metro linear e;
b) A força normal resultante da barragem. Dados: K = 10-3 cm/s; γconcreto = 25KN/m³

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2) Calcule:
a) A vazão por metro linear e;
b) A força normal resultante da barragem. Dados: K = 10-6 cm/s; γconcreto = 25KN/m³

3) Calcule:
a) A vazão por metro linear e;
b) A carga piezométrica nos pontos A, B, C e D.

Dados: K = 2x10-5 cm/s; γconcreto = 25KN/m³

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4) Calcule:
a) A vazão por metro linear e;
b) A força normal resultante da barragem. Dados: K = 10-5 cm/s; γconcreto = 25KN/m³

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5) Calcule:
a) A vazão por metro linear e;
b) A força normal resultante da barragem. Dados: K = 10-5 cm/s; γconcreto = 25KN/m³

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Anexo A: Modelo de Relatório
EMPRESA RESPONSÁVEL: N.º DOCUMENTO:

TMPE-201710/02
CATEGORIA:

LAUDOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA ESTRUTURAL


ÁREA DE ATIVIDADE: DATA EMISSÃO:

ENGENHARIA DE PROJETOS NBR-6118 08/10/2017


EMPREENDIMENTO:

ENDEREÇO DA OBRA:
CENTRO BENEFICENTE ESPANHOL
RUA 13 DE MAIO, Nº 3072, CENTRO, CAMPO GRANDE – MS.

ELABORAÇÃO: RESPONSÁVEL TÉCNICO:

RUA GENERAL GENTIL MARCONDES, 58 – VILA PARATI ENGENHEIRO CIVIL


CEP: 79.081 – 550 CAMPO GRANDE-MS BRASIL
TALLES TAYLOR DOS SANTOS MELLO
TEL:+55 (67) 9940-9427
www.tallesmello.com.br CREA: 26047-D/MS

EQUIPAMENTO: OBJETIVO:

LAUDO TÉCNICO DE SEGURANÇA ESTRUTURAL


N/A DO ÉDIFICIO
LOCALIZAÇÃO:

LATINO AMERICANO
ÍNDICE GERAL

1. RELATÓRIO INSPEÇÃO ELÉTRICA


1.1 OBJETIVO
1.2 DATA E HORÁRIO DA INSPEÇÃO
1.3 DADOS GERAIS
1.4 NORMAS DE REFERÊNCIA
1.5 DESCRIÇÃO
1.6 CONCLUSÃO

Expedição original Rev. A Rev. B Rev. C Rev. D Rev. E Rev. F Rev. G Rev. H
Data 03/10/2017
Execução 03/10/2017
Verificação 03/10/2017
Aprovação 03/10/2017

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1. RELATÓRIO INSPEÇÃO DA ESTRUTURA

1.1 Objetivo: O presente laudo tem por finalidade a verificação da estrutura do empreendimento IFMS.

1.2 Data e Horário da Inspeção:

Data Hora
Início Inspeção 01/10/2017 08:00
Término Inspeção 01/10/2017 10:00

1.3 Dados gerais:

Proprietário CENTRO BENEFICENTE ESPANHOL


Endereço RUA 13 DE MAIO, Nº 3072, CENTRO, CAMPO GRANDE-MS.
Local LATINO AMERICANO

1.4 Normas de Referência:

Norma Regulamentadora Brasileira – NBR6118

Norma Regulamentadora Brasileira – NBR8681

Norma Regulamentadora Brasileira – NBR15575-1

1.5 Descrição:

Conforme vistoria realizada “in loco” as instalações do referido prédio foram verificadas e analisadas,
afim de averiguar se as mesmas se encontram dentro das Normas Técnicas Brasileiras. Não foi encontrada
nenhuma irregularidade nas instalações que pudessem ocasionar algum tipo de sinistro. Toda a estrutura
incluindo laje, vigas, pilares e estruturas metálicas, estão dimensionados corretamente para suas finalidades,
não apresentando riscos como trincas, fissuras ou carbonatação da estrutura. Todas as instalações estão de
acordo com as Normas Técnicas Brasileiras (NBR´s).
1.6 Conclusão:

Portanto, concluo, que a estrutura do prédio acima descrito não apresenta riscos de sinistros, estando em
condições seguras de uso.

.........................................................
Eng. Talles T. S. Mello
CREA 26047-D/MS

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Anexo B: Ensaio Táctil Visual
Aparelhagem necessária para o ensaio:
1º Peneira Nº 10 (2,00 mm) e Fundo. 2٥ Um Almofariz pequena com soquete; 3º Uma Proveta graduada de 500 Ml;
4º Um Becker 200 Ml / 250 Ml; 5º Uma bisnaga de água; 6º Uma colher média; 7º Um cronômetro / relógio;
OBS: A amostra ao retirar seca-se ao ar, caso no laboratório estufa em 105ºC a 110 ºC, observando, as areias não forma torrões as
outras tem que obter torrões para o ensaio do Becker e da resistência a seco, 2 torrões pequeno antes de passar na 10 (2,00 mm), para
outros ensaios a seguir:
Finalidade do ensaio
*Reconhecimento do solo em campo:
*Seis ensaios para definição.

1º Teste: Reconhecimento Visual ao tato: 2º Teste: Sujar as Mãos.


Nesse ensaio formam-se duas classificações, Areia ou Coloque na palma da mão um pouco de amostra e pingue
Argila. algumas gotas de água flexionando para formar uma pasta na
- Coloca-se a amostra entre os dedos indicador e mão; após vai a torneira deixa escorrendo um filete de água e
polegar, e faz uma flexão para ver se é áspera, após com a palma da mão inclinada vai e volta em sentido
coloque de 2 a 3 pingos de água, flexione e verifica, se horizontal.
continuar áspera é Areia, caso vire uma pasta de sabão Esse teste da direito a 3 classificações, Areia, Silte e Argila.
escorregadia, é Argila. 1º Classificação: Nessa primeira passada na água não soltar
Resposta: Areia. nada, descarta se a Areia.
2º Classificação: Na segunda passada com a ponta do dedo
indicador flexione de leve na água corrente em direção
horizontal vai e volta, caso limpe a mão é Silte.
3º Classificação: Se a caso continua impregnado na palma da
mão, faça novamente a flexão mais forte e faça a mesma coisa
em direção horizontal vai e vem em baixo da água, limpando
é Argila.
Resposta: Argila
4º Teste: Dispersão do Solo:
3º Teste: Desagregação do solo: Na proveta 500 Ml de água, coloque + ou – 3 colheres média
Use um Becker de 200 Ml e um pequeno torrão da do material passado na peneira 10 (2,00 mm), e faça durante 1
amostra, coloque no fundo do Becker e aplica-se água minuto no cronômetro movimentos para cima e para baixo e
com a Bisnaga na parede do Becker até que cubra a em seguida coloque a proveta em um local plano. Esse teste
metade da amostra, notando que a amostra não se dá se 3 classificações: Areia, Silte ou Argila.
desmanche, se desmanchar lentamente é Argila, caso a Após colocar a proveta em um local plano acione o
amostra se desmanche rápida é Silte. cronômetro.
Lembrete: As areias não formam torrões. De 15 a 30 segundos: é Areia.
Resposta: Silte De 30 segundos a 1 minuto: é Silte.
Após 1 minuto: é Argila.
1 – Areia decanta rápida;
2 – Silte fica turva, clareando;
3 – Argila permanece barreada;
Resposta: Argila.
5º Teste: Resistência do Solo: 6º Teste: Mobilidade da água Intersticial (Sheik Teste).
Pegue outro torrão + ou – do tamanho de uma bolita, Da amostra passada na peneira 10 (2,00mm), faça uma
feche a mão e coloque o torrão em cima é pressiona com bolinha do tamanho de uma bolita, coloca na palma da mão e
o dedo polegar. faz um tipo de concha e coloca umas 3 gotas de água e com a
1º Quebrando em várias partes: é Silte. outra mão dá um leve toque batendo com a outra mão para
2º Não conseguindo quebrar: é Argila. que a bolinha da amostra esteja embebida e aparece o brilho
Obs: Esse ensaio são 2 testes. total, pegue a amostra com o dedo polegar e o indicador, faça
Resposta: Silte uma leve compressão, caso a água (Brilho) desaparecer rápida
é Areia, e continuandopressionando um pouco mais forte e
demorar um pouco mais é Argila.
Obs: Esse teste tem 2 classificações: Areia ou Argila.
Resposta: Argila.

OBS: ESSA AMOSTRA ENSAIADA FOI CLASSIFICADA EM ARGILA SILTE ARENOSO – COR AMARELADO, HOUVE:
3 ARGILAS, 2 SILTE E UMA AREIA.

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Anexo C – Ensaio de Análise Granulométrica: NBR 7181

1) Destorroar o solo seco e tomar uma amostra de cerca de 1 kg de material passante na peneira de 76 mm;
2) Determinar a massa da amostra seca ao ar (Mt).

Peneiramento Grosso

1) Passar o material na peneira 2,0 mm e anotar a massa de material retida (Mg);


2) Passar o material retido na peneira 2,0 mm nas peneiras de abertura 50; 38; 25; 19,9; 5 e 4,8mm. Anotar
as massas retidas acumuladas em cada peneira.

Sedimentação

1) Do material passado na peneira 2,0 mm, separar cerca de 100 g para determinação da umidade higroscópica
(h) e tomar cerca de 70 g para o ensaio de sedimentação (Mh);
2) Transferir o material para um béquer e adicionar 125cm³ da solução de defloculante. Agitar o béquer até que
todo o material fique imerso e deixarem repouso por, no mínimo, 12 horas;
3) Verter toda a mistura no copo de dispersão, com auxílio da bisnaga com água destilada. Adicionar água
destilada até que seu nível fique 5 cm abaixo das bordas do copo e submeter à ação do aparelho dispersor por
15 minutos;
4) Transferir todo o conteúdo do copo de dispersão para a proveta completar com água e destilada até 1000 cm³;
5) Tapando a boca da proveta com uma das mãos, agitá-la durante 1min de forma que a boca da proveta passe de
cima para baixo e vice-versa;
6) Colocar a proveta sobre a mesa, mergulhar o densímetro e o termômetro na dispersão e disparar o cronômetro;
7) Efetuar leituras do densímetro e do termômetro correspondentes aos tempos de sedimentação (t) de 0,5; 1 e 2
min. Retirar cuidadosamente o densímetro;

8) Fazer as leituras de 4; 8; 15 e 30 min, 1; 2; 4; 8 e 24 horas a contar do início da sedimentação. O


densímetro deve ser mergulhado na dispersão cerca de 15 a 20 segundos antes de cada leitura. Após a
cada leitura, medir a temperatura da dispersão;
9) Após a última leitura, verter o material da proveta na peneira 0,075 mm, lavando o material com água
potável;
10) Secar na estufa o material retido na peneira 0,075 mm até constância de massa.

Peneiramento Fino

1) Tomar o material resultante da sedimentação, seco na estufa até constância de massa;

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2) Passar o material retido na peneira 0,075 mm nas peneiras 1,2 ;0,6 ;0,42 ;0,25 ;0,15 e
0,075 mm. Anotar as massas retidas acumuladas em cada peneira.

Cálculos:


(`a *`b )
Massa total da amostra seca (Ms)

× 100 + f
(! +d)
^ (1)


(`h *`i )
gf = × 100
Peneiramento grosso: porcentagem de material que passa em cada peneira (Qg)):

`.
(2)

Onde: Mi = massa do material retido acumulado em cada peneira.

• Sedimentação: porcentagem de material em suspensão:

> ∙ 1 ∙(o* oli.m )


gj = k × .
× pq
V . * li.m Y ×!
(3)

r==s q
Onde:
Qs = porcentagem do solo em suspensão no instante da leitura do densímetro;
N = porcentagem de material que passa na peneira 2,0 mm, calculado de acordo com a Eq. (2);
qc= massa específica dos grãos do solo, em g/cm³;
qdicp=massa específica do meio dispersor,em g/cm³ (considerar como 1,000 g/cm³) V= volume da
suspensão,em cm³ (considerar como 1000 cm³);
qw= massa específica da água, em g/cm³ (considerarcomo1,000g/cm³);
L= leitura do densímetro na suspensão;
Ldisp= leitura do densímetro no meio dispersor, na mesma temperatura da suspensão (considerar como 1,0042);
Mh = massa do material úmido submetido á sedimentação, em g;
h = umidade higroscópica do material passado na peneira 2,0 mm, em %.

• Sedimentação: diâmetro das partículas de solo em suspensão:

!B ∙u 5
=t ×
v . * li.m w (
(4)

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Onde:
d = diâmetro máximo das partículas, em mm;
µ=coeficiente de viscosidade do meio dispersor,à temperatura de ensaio,em g.s/cm²
(considerar como 10,29 . 10-6 g.s/cm²);
a= altura de queda das partículas,correspondente à leitura do densímetro,em cm
(consultar gráfico no anexo);
t = tempo de sedimentação, em s.

`q × ! * `i ∙ (! +d)
×k
• Peneiramento fino: porcentagem de material que passa em cada peneira (Qf):

`q × !
gx (5)
Onde: Mi = massa do material retido acumulado em cada peneira.

Resultados:
Obter a curva granulométrica do solo: construir um gráfico do diâmetro das
partículas, em mm, em escala logarítmica (abcissas) pela porcentagem das partículas
com diâmetro menor que o considerado, ou porcentagem que passa (ordenadas).

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