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Capítulo 7

EVAPORAÇÃO E EV APOTRANSPIRAÇAo

Carlos E. M. Tucci e Lawson F. S. BeItrame

7.1 Introdução

A evaporação e a evapotranspiração ocorrem quando a água líquida é


convertida para vapor de água e transferida, neste estado, para a atmosfera.
O processo somente poderá ocorrer naturalmente se houver ingresso de energia
no sistema, proveniente do sol, da atmosfera, ou de ambos e, será controlado
pela taxa de energia, na forma de vapor de água que se propaga da superfície
da Terra. Esta transferência ocorre fisicamente, nas formas de difusão
molecular e turbulenta. Logo, o processo de evaporação/evapotranspiração de
superfícies naturais, pode ser simulado com embasamento físico, por modelos
que descrevem o efeito de resistência à difusão molecular e turbulenta sobre
a distribuição de energia do solou da atmosfera.
Informações quantitativas desses processos, que se constituem em
importante fase do ciclo hidrol6gico, são utilizadas na resolução de
numerosos problemas que envolvem o manejo d'água. Tanto o planejamento de
áreas agrícolas de sequeiro ou irrigada, a previsão de cheias ou a construção
e operação de reservat6rios, requerem dados confiáveis de evaporação e/ou
evapotranspiração. Entretanto, essas informações obtidas por medidas diretas
de diferentes locais e condições meteorol6gicas distintas, não existem em
quantidade suficiente. Assim, estimativas baseadas em princípios físicos e
principalmente equações empíricas são utilizadas como alternativas para
suprir esta carência.
Neste capítulo são discutidos os processos de evaporação e
evapotranspiração e apresentados alguns procedimentos de cálculo, com
comentários sobre a conveniência de seu emprego.

7.2 Evaporação

Evaporação é o processo físico no qual um líquido ou s6lido passa ao


estado gasoso. Em meteorologia, o termo evaporação restringe-se à mudança da
água no estado líquido para vapor devido à radiação solar e aos processos de
difusão molecular e turbulenta. Além da radiação solar, as variáveis
meteorol6gicas que interferem na evaporação, particularmente de superfícies
livres de água, são a temperatura do ar, vento e pressão de vapor. Esta
254 IDdrologia

mudança de estado físico consome 585 caI.g-1 à 25oC. Por isto, diz-se que a
evaporação depende fundamentalmente da energia disponível proveniente da
radiação solar. A temperatura do ar está associada à radiação solar e, desta
forma, correlaciona-se positivamente com a evaporação. Um aumento da
temperatura do ar influi favoravelmente na intensidade de evaporação, porque
permite que uma maior quantidade de vapor de água esteja presente no mesmo
volume de ar, quando é atingido o grau de saturação deste. Os ventos são
responsáveis pela renovação do ar acima da superfície evaporante. Entretanto,
existe um limite superior, em velocidade, da ação dos mesmos. Este fenômeno
também é proporcional à diferença entre a pressão do vapor saturado, à
temperatura da água e à pressão do vapor do ar (es - ea),· mantidas em
igualdade as demais condições.
Na evaporação de uma superfície de solo descoberto, quando este está
saturado, ou mesmo quando o nível freático for elevado, atuam somente os
fatores meteorol6gicos. Por outro lado, na condição de solo não-saturado ou
nível freático à grande profundidade, o processo de evaporação passa a
depender também das propriedades do perfil do solo, principalmente da
condutividade hidráulica, que é função da estrutura e textura do mesmo.
Os métodos normalmente utilizados para determinar a evaporação são:

- transferência de massa;
- balanço de energia; .
- equações empíricas;
- balanço hídrico; e,
- evaporímetros

7.2.1 Métodos de transferência de massa

Os métodos de transferência de massa baseiam-se na primeira Lei de


Dalton, que estabelece a relação entre evaporação e pressão de vapor,
expressa por

Eo = b ( es - ea) (7.1)

onde Eo = evaporação; b = coeficiente empírico; es = pressão de vapor de


saturação na temperatura da superfície; ea = pressão de vapor numa altura
acima da superfície.
O efeito do vento foi introduzido através da alteração do parâmetro b. A
expressão resultante é função da velocidade do vento, expressa por

N f(w)(es-ea)
Eo=---- (7.2)
f(r)
Evaporação e Evapotranspiração 255

onde N = parâmetro que considera os efeitos da densidade do ar e da pressão;


f(w) = função da velocidade do vento; f(r) = parâmetro de rugosidade.
As funções introduzidas, que retratam o efeito do vento, são obtidas com
base nos conceitos de camada limite que ocorre na ação do vento próximo da
superfície de interesse. Na literatura, existem várias expressões utilizadas
para estimativa da evaporação em intervalos de tempo superiores a um dia.
Duas expressões deste tipo são apresentadas a seguir:

0,623 P K2 wS (e2 - es))


Eo = Sverdrup (1946) (7.3)
p [ln (800/r)]2

0,623 P K2 (ws-w2)(e2-es)
Eo = --------- Thornthwaite e Holzman (1939) (7.4)
P [ln (800/200)]2

onde Eo = evaporação em g/(cm2.s); p = massa específica do ar em g/cm3, K


=0,41 constante de Von Karman, w8 e w2 = as velocidades do vento em cm/s a
8 e 2 m acima da superfície, respectivamente; p = pressão atmosférica em mb;
r= altura da rugosidade em cm; e2 e e8 = pressão de vapor a 2 e 8 m; respectiva-
mente, em mb. Estas equações apresentam limitações devido à dificuldade de
obtenção das variáveis envolvidas.

7.2.2 Balanço de energia

Para melhor entendimento desta metodologia, é necessário revisar alguns


aspectos do comportamento climático sobre a superfície terrestre e a
atmosfera.
A radiação solar que atinge a Terra tem comprimento de onda curto (1 Jl)
(figura 7.1). Parte da energia é absorvida pela atmosfera (11%) devido às
moléculas de gases e partículas de poeiras, parte é dispersa em direção ao
espaço ( 9%) e outra parcela em direção à Terra (5%). Uma parcela desta
energia (33%) é refletida e o restante chega na superfície da Terra (42%),
atravessando nuvens ou diretamente. Da parcela que atinge a superfície da
Terra, parte é refletida e parte é absorvida. A parcela absorvida produz
aquecimento na superfície, tendo como resultado a evaporação e a radiação
térmica em direção à atmosfera. Esta radiação tem comprimento de onda longo,
apresentando uma grande absorção (95%) pelos gases existentes na atmosfera
(H20, C02, N03, ). Ao aquecer a atmosfera, ocorre radiação de volta para
Terra (88%). Este processo de aquecimento da atmosfera, pela radiação térmica
de ondas longas, é o denominado "efeito estufa". O aumento do efeito estufa
pode ocorrer com o acréscimo de gases na atmosfera. Os valores percentuais
256 Hidrologia

indicados se referem ao hemisfério Norte (Gray,1970).


Na figura 7.2 é representado um volume de controle sobre o qual agem os
diferentes processos que afetam a temperatura da água e a evaporação. A
temperatura da mesma depende do balanço de energia e do volume de controle
que influencia a superfície. A equação resultante deste balanço é

~Hs = qr + qal - qbl - qc - qe + Ri - Ho (7.5)


onde qr = radiação efetiva de ondas curtas CN/m2); qal =radiação atmosférica
de ondas longas em direção à superfície CN/m2); qbl = radiação de ondas
longas em direção à atmosfera CN/m2); qc = fluxo de calor por condução,
CN/m2); qe = fluxo de calor pela perda por evaporação CN/m2); Ri e Ho=
respectivamente, a energia de entrada e saída do volume de controle CN/m2);
~Hs = variação de calor no volume de controle CN/m2).

Radiação solar: a radiação de onda curta na superfície terrestre depende da


efetiva radiação do Sol, a sua posição com relação ao ponto de interesse na
Terra e das condições climáticas que atuam sobre os raios solares. A Terra
recebe no topo da atmosfera um fluxo de energia proveniente do Sol. Este
processo apresenta grande regularidade, dependendo exclusivamente da latitude
do local em estudo, da distância Sol-Terra e do período do ano que se estuda.
Na prática, existem tabelas denominadas de Angot, onde se podem obter os
valores de radiação incidente no topo da atmosfera, para cada dia do ano numa
dada latitude.
Uma parcela variável da radiação que atinge o topo da atmosfera, chega à
superfície terrestre. O fenômeno de penetração da radiação solar na
atmosfera, depende do ângulo de incidência dos raios solares, do conteúdo de
vapor de água existente na atmosfera, altitude e espessura da camada de
nuvens. Este processo complexo é abordado com base em formulações empíricas,
que devem ser verificadas com observações em cada local.
TVA(l972) cita que Angstrom propôs a seguinte equação para relacionar a
radiação no topo da atmosfera (RI) com radiação incidente de onda curta (G)

G = RI (a. + p p ) (7.6)

onde a. e p = parâmetros que dependem do local e p = é a proporção entre o


efetivo número de horas de brilho solar e o máximo possível.
Uma parcela da radiação de onda curta que recebe uma superfície qualquer
é refletida pela mesma e não intervém no seu balanço térmico. A magnitude
desta parcela depende da superfície. Esta radiação refletiva chama-se albedo
e oscila entre 3 e 10 % para a superfície de água. A radiação efetiva de onda
curta fica
Evaporação e Evapotranspiração 257

I
RADIAÇÃO
OA
. :. SUPERFíCIE

Figura 7.1. Componentes do balanço de energia (Schneider, 1987)

~0, ~ 'al

\ qc \ qe t q bl
i

-..
I
II Ho
Hj
6Hs i-"
I
1 I
L .J

Figura 7.2. Balanço de Energia


258 Hidrologia

qr = (l - a) G (7.7)

onde a = parcela do albedo. Alguns valores de u e 13 são apresentados na


tabela 7.1. Para a estimativa da radiação solar em locais sem dados é
necessário utilizar dados de postos climatol6gicos que tenham características
de cobertura de nuvem e latitude semelhante.

Tabela 7.1. Valores deu e 13

Local 0,460
0,610
0,436
0,480
0,765
0,780
0,700
0,530
13 u
0,540
0,350
0,270
0,280
0,235
0,220
0,300
0,200
0,230
0,180
Sul
ki

A superfície absorve a radiação de onda curta e emite radiação térmica


pelas moléculas que compõem a atmosfera em outra faixa do espectro eletro-
magnético (onda longa). Os componentes atmosféricos com maior capacidade
de absorção/emissão são, em ordem de importância, o vapor de água, o dióxido
de carbono e o ozônio.
A radiação efetiva de onda longa para a superfície, com um céu sem nu-
vens, é igual a diferença qal - qbl. A atmosfera absorve grande parte da radiação
de onda longa emitida pela superfície e o coeficiente de emissibilidade retrata
esta relação

radiação de onda longa da atmosfera


e =--------------- =-qal
radiação de onda longa para a atmosfera qbl

qal - qbl = qbl (e - 1) (7.8)

A emissão total de um corpo negro, obtida pela lei de Stefan-Boltzman,


é expressa por
Evaporação e Evapotranspiração 259

q=crT4 (7.9)

onde q = é a intensidade do fluxo de energia (W/m2) ; cr =constante de


Stefan-Boltzman (5,72. 10-8 W/m2fK\ T = temperatura absoluta da superfície

de radiação ( °K).
Como os corpos naturais não são corpos negros perfeitos, a radiação
emitida é reduzida de um fator que depende da superfície. O fator de redução
é da ordem de 0,97 para superfície de água (Anderson, 1954). Sendo qbl a
radiação emitida pela superfície e substituindo a equação 7.9 em 7.8, resulta

4
qal - qbl = (e - 1) 0,97 cr T (7.10)

O coeficiente de emissibilidade foi expresso por Brunt segundo a


seguinte equação

1/2
e= A + B (ea) (7.11)

onde ea = pressão de vapor a 2m de altura. Na tabela 7.2 são apresentados


alguns valores desses coeficientes.
Essas equações consideram o céu claro. Penman introduziu o coeficiente
c + bp para considerar as nuvens, onde p é o número real de horas de
incidência solar dividido pelo número de horas possíveis. O número máximo de
horas de luz, encontra-se tabulado no anexo A2 em função do mês e latitude.

Tabela 7.2. Coeficientes da equação de Brunt (Anderson,1954)


Autor e localB
0,063
0,032
0,036
0,061
0,039 A 0,68
0,50
0,44
0,47
0,66

A radiação efetiva obtida pelos três primeiros termos da equação 7.5


fica

qef = Rt ((H~p) (l-a) - 0,97 cr T4 (l-e) (c+bp) (7.12)

Energia de evaporação: uma superfície de água troca constantemente moléculas


260 Hidrologia

de vapor com a atmc~fera circundante. Quando o número de moléculas que saem


do corpo de água é maior do que as que entram, ocorre a evaporação. Este
processo é controlado pela tensão de vapor na atmosfera circundante e quando
esta atinge a saturação se estabelece o equilíbrio. A tensão de vapor de
saturação depende exclusivamente da temperatura do ar circundante. Em
presença de vento o vapor de água é removido das proximidades da superlície,
facilitando a evaporação de outrQs volumes.
A energia empregada nesse processo é necessária para mudar a parcela de
água evaporada do estado líquido para o gasoso, denominada calor latente de
vaporização e, expressa pela seguinte fórmula:

qe = L Eo (7.13)

onde L = calor latente de vaporização por unidade de massa, negativo para


evaporação e positivo para condensação; Eo = evaporação. A evaporação pode
ser obtida com base no efeito do vento e na tensão de vapor do ar através da
equação

Eo =(al +b 1 W2) ( es - ea) (7.14)

onde aI e bl são coeficientes; w2 = velocidade do ar a 2 metros de altitude;


es e ea = tensões de vapor de saturação a temperatura da superlície de água e
a tensão de vapor a uma altura da superlície.
Quando a temperatura da água é conhecida, a evaporação pode ser
calculada diretamente pela equação 7.14, no entanto a temperatura da água não
é conhecida e a evaporação é calculada pelo balanço de energia da equação
7.5. Desprezando as mudanças de Hs, os efeitos da entrada e saída no volume
de controle, teremos

qef - qe - qc = O (7.15)

o calor sensível por condução é devido ao transporte que ocorre por


difusão molecular e turbulenta entre a superlície e a atmosfera. Este fluxo
de calor pode ser produto de convecção livre ou forçada. No primeiro caso, o
próprio gradiente de temperatura nas proximidades da superlície de água
determina a transferência de calor. No segundo, a existência de forças
externas ao processo, como a velocidade do vento, contribuem na troca de
calor por advecção entre o corpo de água e a atmosfera. Este termo pode ser
estabelecido com base na relação de Bowen, que estabelece que o quociente
entre a energia empregada por evaporação e a energia perdida na forma de
calor sensível é proporcional a diferença entre temperatura e tensões de
vapor. Esta relação é
Evaporação e Evapotranspíração 261

qc
'Y-~._-
Ts - Ta

es - ea (7.16)
qe

onde 'Y= parâmetro de Bowen, constante psicrométrica, 'Y= 0,66 mbares °c ou

0,485 mm Hg fc.
Considerando a variável auxiliar L\ (Ta)

es (Ts) -es (Ta) des(T)


L\ (Ta) = Ts - Ta - dT IT=Ta (7.17)

onde es(Ta) = tensão de vapor de saturação para T = Ta, onde Ta é a


temperatura do ar; es(Ts)= tensão de vapor saturada para T = Ts.

Introduzindo a equação 7.17 na 7.16 resulta

qc 'Y es(Ta)-ea
-=-[1---- (7.18)
qe L\(Ta) es(Ts)-ea

A evaporação para condições isotérmicas (Ts = Ta) representada por Ei,


pode ser obtida pela equação 7.14, com es (Ta)' Utilizando esta definição em
7.18, resulta:

(7.19)

Introduzindo as equações 7.13 e 7.19 na equação 7.15 resulta

L\
- qef +qei
'Y
EO= 1----
L\
/L (7.20)
- + 1
'Y

A OMM apresenta na forma abaixo os termos da equação 7.20 que são


utilizados em vários países, ou seja

qef/L = [ G(l-a) - cr'f'l (0,56-0,0geal/2) (0,1+0;9p) ] / L (7.21)


262 Hidrologia

onde qef (mm/dia); G (cal/cm2.dia); T (OK); cr = 1,19.1O-7cal/cm2.dia;L = 59


cal/(cm2.mm); G pode ser obtido por registros locais ou estimado com base na
equação;

G = Rt (0,24 + 0,58 p) (7.22)

onde RI é obtido da tabela AI. nos anexos, função da latitude e do mês. Os


coeficiente usados foram obtidos para o Planalto Paulista (Cervellini et
al,1966).
A tensão parcial de vapor de água ea é obtida por

U es
(7.23)
ea = 100

onde, U = umidade relativa do ar em .%; es (Ta) = tensão de vapor saturado,


obtida com base na temperatura do ar

es = 4,58. 107,5T/(237,3+1) (7.24)

onde T é a temperatura em 0c e es em mm de Hg.


O termo !1/y é obtido pela derivada da expressão 7.24 (veja definição na
equação 7.1'7), transformada para mb e sendo y = 0,66, resulta

A 38640.10 7,5T/(237,3+1)
- = (7.25)
y 2
(237,3+T)

O termo de evaporação das condições isotérrnicas embutida na equação 7.19


fica

Ei = 0,35 (0,5 + w2/160)(es - ea) (7.26)

para w2 em km/dia. Rearranjando os termos a equação 7.20 fica

Eo (mm/dia) = (!1/y .qef/L + Ei )/ (!1/y + 1) (7.27)

Este é o denominado método de Penman, que se baseia no balanço de


energia e nas características aerodinâmicas do processo. Algumas
simplificações foram introduzidas, tais como desprezar a variação da energia
da massa de água e a entrada e saída de energia do volume de controle. Em
Evaporação e Evapotranspiração 263

coberturas como solo e vegetação esta aproximação é mais aceitável, mas em


reservatórios isto pode introduzir erros. Linsley et aI. (1975) mencionam que
o método, ao considerar Ts=Ta para o termo de radiação, superestima a
evaporação para condições calmas e úmidas e subestima para condições secas e
ventosas.
Para a aplicação do método de Penman são necessários:
- temperatura média, °C;
- umidade relativa do ar, %;
- radiação solar, cal/cm2.dia. No caso de não existir esta informação
pode-se utilizar a equação ajustada, com coeficientes mais
representativos. No caso de não existirem deve-se ajustar os parâmetros
a e ~ aos dados do local;
- número de horas de incidência solar real, obtidos de heliógrafos. O
valor do número máxima de horas em função da latitude consta da tabela
apresentada no anexo A2;- velocidade do vento a 2 metros de altura, w2,
km/dia. A velocidade do vento é uma das váriáveis que apresentam maiores
incertezas devido a sua variabilidade temporal e espacial. Para estimar
em cota diferente de 2m pode-se utilizar uma extrapolação logarítmica,
ou seja
log(200/2)
w2 = wh ----
10g(l00 h)

onde h = a altura onde foi medida a velocidade do vento.

Exemplo 7.1. Estime a evaporação média, usando a equação de Penman, de um


reservatório na latitude de 230S no mês de fevereiro. Os dados disponíveis
são a temperatura média de 23°C, umidade relativa de 66%, incidência solar é
de 6,82 horas e a velocidade do vento é desconhecida.

Solução: Neste caso, como não se conhece a velocidade do vento, o resultado


pode ser obtido para uma faixa possível de valores de velocidade do vento.
Utilizando w2=1 m/s e w2=4 m/s pode-se ter uma faixa possível de ocorrência.
Para a latitude 230S na tabela do Anexo AI obtém-se Rt =932 cal/cm2.dia.
Da tabela A2 obtém-se o número de horas de insolação 12,8 e p = 6,82/12,8 =
0,533. O valor do albedo adotado é de 0,05, pois a superfície é a água.
Calculando es com base na equação 7.24, resulta es= 21,07 mm de Hg e ea fica

ea = 66/100 . 21,07 = 13,90 mm Hg.

O termo de radiação pela equação 7.21 fica


264 Hidrologia

-7 4
qef;L = 932/59. (1 - 0,05). (0,24 + 0,58 . 0,533) - 1,19 . 10 . (23 + 273) .
[ 0,56 - 0,09 (13,9) 1/2] (0,1 + 0,9. 0,533)/59 = 6,23 mm/dia.
O termo IJ./y é obtido pela equação 7.25, IJ./y = 2,62. Substituindo os
valores conhecidos na equação 7.27 resulta

Eo = (2,62 . 6,23 + EO/(2,62 + 1 ) = 4,51 + Ei/ 3,62

Substituindo a expressão para Ei, resulta

Eo = 4,51 + 0,693 (0,5 + 0,54 W2) = 4,86 + 0,374 w2

onde w2 é dado em m/s. Para w2 = lm/s, resulta Eo =5,23 mm/dia (157 mm/mês) e
para 4 m/s resulta Eo = 6,36 mm/dia (190,7 mm/mês). Esses valores permitem
avaliar a variabilidade da evaporação em função do vento e adotar um valor
mais próximo das condições conhecidas no local.

7.2.3 Equações empíricas

As equações empíricas foram estabelecidas com base no ajuste por


regressão das variáveis envolvidas, para algumas regiões e condições
específicas. Por isso devem ser usadas com cuidado. Essas equações se baseiam
usualmente na equação aerodinâmica. Esta equação é do tipo

Eo = K f(w) [es(Ts) - ea] (7.28)

onde K = constante; f(w) = função da velocidade do vento. Um resumo das


equações deste tipo são apresentadas na tabela 7.3

Tabela 7.3. Equações empíricas baseadas na expressão aerodinâmica


Marciano e
Referência
Penman(1948)
Meyer(1915) condições
lagos Hefner
Lago rasostanques
pequenos de Rohwer(1931)
Harbeck(1952)
equação
p = pressão barométrica
Eo(pol/dia)=0,35(1 +0,24w2)(es-ea)
pol/Rg

w em mph; o subíndice indica a altura da medição;


Evaporação e Evapotranspiração 265

Unesco (1972) cita uma fórmula utilizada na América do Sul obtida por
regressão com variáveis como precipitação e altitude. A equação conhecida
como de Avellán estima a evaporação por

10(1,426 logP + 2,4)


Eo = -------- (7.29)

onde Eo = evaporação média anual em mm, equivalente a evaporação medida em


tanque classe A; P = precipitação média anual em mm; H altitude em m; e =
obtido por interpolação com base em postos vizinhos

1 - log (251,2 p0,426 Eo)


e = ---------- (7.30)
log H

7.2.4 Evaporímetros

Os evaporímetros são instrumentos que possibilitam uma medida direta do


poder evaporativo da atmosfera, estando sujeitos aos efeitos de radiação,
temperatura, vento e umidade. Os mais conhecidos são os atmômetros e os
tanques de evaporação.

Atmômetros: são equipamentos que dispõem de um recipiente com água conectado


a uma placa porosa, de onde ocorre a evaporação. Cabe destacar o de Piché,
bola preta e branca, e Bellani. O mais comum entre estes é o de Piché,
constituído de um tubo de vidro com 11 cm e discos planos horizontais de
papel de filtro, com 3,2 cm de diâmetro. Ambos os lados são expostos ao ar,
figura 7.3a.
O balanço energético de um atmômetro difere consideravelmente do balanço
de uma superfície livre de água, solo descoberto ou vegetado. A energia para
evaporação provém da radiação, transporte de calor sensível e condução de
calor através do recipiente de abastecimento. A instalação, geralmente bem
acima da superfície do solo e o meio circundante, afetam as reações deste
aparelho, tomando-o pouco confiável. Tem como pontos positivos a fácil
instalação, operação e portabilidade.

Tanques de evaporação: em trabalho realizado por Gangopadhyaya et aI. (1966),


foram listados 27 tipos de tanques de evaporação, com diferentes
características e grande diversidade de aplicação. Resumidamente, podem ser
reunidos em quatro classes: enterrados, superficiais, fixos e flutuantes. O
mais usado em nível mundial é o tanque classe A, figura 7.3b, que tem forma
266 Hidrologia

circular com um diâmetro de 121 cm e profundidade de 25,5 cm. Construído em


aço ou ferro galvanizado, deve ser pintado na cor alumínio e instalado numa
plataforma de madeira a 15 cm da superfície do solo. Deve permanecer com água
variando entre 5,0 e 7,5 cm da borda superior. A taxa de evaporação, medida

Cilindro graduado

.--J

Placa
porosa

Dispositivo de sucção
constante

a) Atmômetro

b) Tanque de evaporação

Figura 7.3. Evaporímetros


Evaporação e Evapotranspiração 267

com auxílio de uma ponta linimétrica apoiada em um tranqüilizador, é resultado


das mudanças de nível de água no tanque, levando em consideração a precipita-
ção ocorrida. A manutenção da água entre profundidades recomendadas, evita
erros que podem chegar a 15% do valor determinado, quando por exemplo, o
nível de água estiver 10 cm abaixo dos níveis estabelecidos. Também a água
dentro do tanque deve ser renovada regularmente para evitar a turbidez, respon-
sável por erros que podem superar 5% dos valores determinados.
Ao instalar um tanque de evaporação, deve-se dar especial atenção à
fmalidade a que se destina a informação, evitando, desta maneira, ampliar os
erros cometidos correntemente. O fato do tanque ser instalado sobre o solo
faz com que as paredes do mesmo sofram influência da radiação e da
transferência de calor sensível, traduzindo-se num aumento da evaporação
medida. Os tanques são mais suscetíveis à advecção do que, por exemplo, uma
comunidade vegetal. Doorembos e Pruitt (1990) atribuem incrementos na

. temperatura de 2 a sOe e redução na umidade relativa de 20 a 30%, ao nível do


tanque, quando instalados sobre pisos inadequados. Quando circundados por
cultivos de elevada estatura, subestimam a evaporação. Os valores da
evaporação medida em tanques superam os obtidos em lagos e/ou reservatórios,
devido às diferenças de volume, superfície e localização e também pelo fato
do lago/reservatório depender da variação do transporte de massa e balanço de
energia, que influenciam os dias subseqüentes, enquanto que no tanque isto
não ocorre. O fator que relaciona a evaporação de um reservatório e do tanque
classe A oscila entre 0,6 e 0,8, sendo 0,7 o valor mais utilizado.

7.2.5 Balanço Hídrico

O Balanço hídrico possibilita a determinação da evaporação com base na


equação da continuidade do lago ou reservatório. A referida equação pode ser
escrita da seguinte forma

dV/dt = 1 - Q - EO.A + P.A (7.31)

onde V = volume de água contido no reservatório; t = tempo; 1 = vazão total


de entrada no reservatório; Q = vazão de saída do reservatório; Eo =
evaporação; P = precipitação sobre o reservatório; A = área do reservatório.
A evaporação é obtida da equação 7.31 por

Eo = (1 - Q)/A + P - (dV/dt)/A (7.32)

Utilizando as unidades usuais de cada variável, e considerando que o

volume e a área podem-se relacionar por uma função do tipo V = a A b, ( V em


268 Hidrologia

hectômetros e A em kml ou utilizando tabelas, a equação 7.32 resulta em


b-I
Eo (mm/mês) = 2.592.( I - Q )/A + P - 1000 . a b A

[A(t+I)-A(t)]/~t (7.33)
onde A a área da superfície do reservat6rio no mês (km2); P (mm/mês); I e Q
as vazões médias do mês em rn3js.
O uso de uma equação de balanço hídrico para estimar a evaporação é
teoricamente precisa, pois está alicerçada no princípio de conservação de
massa. Na prática as dificuldades para medir as demais variáveis limitam este
procedimento. As imprecisões ficam por conta principalmente (as ,contribuições
diretas que aportam aoreservat6rio. Quando a contribuição direta não-
controlada é grande, o erro na sua avaliação pode produzir erros
significativos na determinação da evaporação.

Exemplo 7.2. A precipitação total no mês de janeiro foi de 154 mm, " vazão de
entrada drenada pelo rio principal foi de 24 m3/s. Este rio drena 75 % da
bacia total que escoa para o reservat6rio. Com base n?cS operações do
reservatório ocorreu uma vazão média de saída de 49 m3/s. A relação entre o
volume e a área do reservat6rio encontra-se na tabela abaixo. O volume no
início do mês era de 288 106 m3 e no final 244.106m 3. Estime a evaporação no
reservatório.

Tabela 704. Relação entre volume e área

Área 270
440
60 m3
10
106
volume
m2
0

Duas soluções podem ser usadas. A primeira utiliza diretamente a equação


7.32 e a outra a equação 7.33. No primeiro caso evita-se o erro de ajuste de
uma função para a relação entre a área e o volume, mas no segundo é mais
fácil de operar com todas as variáveis envolvidas.

- A(t+1) = 81,43 km2 e A(t) = 92,12 km2, a área média fica A = 86,78 km2
- a variação de volume é = (244 - 288) . 106 = -44 . 106
Evaporação e Evapotranspiração 269

- a variação de vazão é = (24/0,75 - 49) = -17 m3/s.

A evaporação em mm/ mês é

Eo = 2592 (-17)/86,78 + 154 + (44/86,78). 1000 = 153 mm.

Como pode-se observar, o uso deste método depende da avaliação de cada


um dos seus termos. As principais dificuldades são na avaliação da vazão
afluente e na precipitação direta sobre o lago. No primeiro caso,
dificilmente existem dados de todos os afluentes e a simples proporção de
áreas, como utilizado no exemplo, pode apresentar erros devido à
variabilidade de contribuição. Este procedimento é mais confiável em peóodos
de estiagem. A, distribuição espacial da precipitação é outro fator que pode
ser fonte de incertezas. O erro diminui à medida que aumenta o peóodo
avaliado. As outras fontes de incertezas são: as relações entre cota, área e
volume, curva-chave dos extravazores e do rio afluente e perdas para o
aquífero. Para reservat6rio ou lago, deve ser realizada uma avaliação de cada
um dos termos para se ter uma idéia da magnitude dos erros envolvidos. Quando
a evaporação representa uma parcela pequena do volume, o erro de cálculo pode
ser muito grande, pois pequenas diferenças das variáveis envolvidas produzem
grandes diferenças no cálculo' da evaporação. Nesta situação a evaporação
passa a ser pouco importante para o sistema.

7.3 Evapotranspiração

A evapotranspiração é aqui considerada como a perda de água por


evaporação do solo e transpiração da planta. A evapotranspiração é importante
para o balanço hídrico de uma bacia como um todo e, principalmente, para o
balanço hídrico agrícola, que poderá envolver o cálculo da necessidade de
irrigação.
O solo, as plantas e a atmosfera podem ser considerados como componentes
de um sistema fisicamente inter-relacionado e dinâmico, no qual os vários
processos de fluxo estão interligados como os elos de uma corrente. Neste
sistema, é valioso e aplicável o conceito de potencial hídrico, ou seja, o
fluxo de água ocorre dos pontos de maior potencial para os de menor potencial
(o fluxo ocorre em direção do gradiente de potencial negativo).
A quantidade de água transpirada diariamente é grande em relação às
trocas de água na planta, de modo que se pode considerar o fluxo através da
planta, em curtos peóodos de tempo, como um processo em regime permanente.
As diferenças ele potencial, em distintos pontos do sistema são proporcionais
à resistência do fluxo. A menor resistência ao fluxo é encontrada na planta.
E a maior resistência é encontrada no fluxo das folhas para a atmosfera,
270 Hidrologia

devido à mudança do estado líquido para vapor. A passagem para a atmosfera


ocorre através dos estômatos localizados nas folhas e a diferença total do
potencial entre o solo e a atmosfera pode chegar a centenas de bares. O
transporte de água desde as folhas até a massa de ar ocorre também através do
processo de difusão de vapor, sendo proporcional ao gradiente de tensão do
vapor de água. A umidade relativa ou seja, a relação entre a tensão real e a
de saturação de vapor, relaciona-se exponencialmente com o potencial hídrico.
A transferência de água de uma área cultivada, onde a umidade do solo
não é um fator limitante, ocorre segundo sua intensidade potencial e,
qualquer variação será devida somente a diferenças de condições
meteorol6gicas, incluindo os efeitos de advecção. De acordo com Berlato e
Molion (1981), o controle exercido pela vegetação seria através da sua
estrutura, afetando o albedo, a rugosidade e o sistema radicular. Na medida
em que diminui a umidade do solo, ocorrem restrições à transferência de água
para a atmosfera, que passa a depender não somente das condições
meteorol6gicas, mas também do sistema radicular das plantas, bem como de
outras caraçterísticas, como o estado fitossanitário das mesmas. Esta
condição permite distinguir entre evapotranspiração potencial e real.

Evapotranspiração potencial (ETP): quantidade de água transferida para a


atmosfera por evaporação e transpiração, na unidade de tempo, de uma
superfície extensa completamente coberta de vegetação de porte baixo e bem
suprida de água (penman,1956).

Evapotranspiração real (ETR): quantidade de água transferida para a atmosfera


por evaporação e transpiração, nas condições reais (existentes) de fatores
atmosféricos e umidade do solo. A evapotranspiração real é igual ou menor que
a evapotranspiração potencial (ETR < ETP) (Gangopadhyaya et aI, 1968).

Informações confiáveis sobre evapotranspiração real são escassas e de


difícil obtenção, pois demandam um longo tempo de observação e custam muito
caro. Já a evapotranspiração potencial, pode ser obtida a partir de modelos
baseados em leis físicas e relações empíricas de forma rápida e
suficientemente precisas. Várias teorias, relacionam a ETR e ETP em função da
disponibilidade de água no solo, resumidas na figura 7.4. Apesar destas
tentativas não existe, ainda hoje, nenhuma teoria que seja aceita
universalmente.
Sendo um processo complexo e extremamente dinâmico, que envolve
organismos vivos como o solo e a planta é muito difícil estabelecer um valor
exato de evapotranspiração real. Entretanto, a conjugação de inúmeras
informações associadas ao conceito de ETP, nos permitem estimativas
suficientemente confiáveis para a grande maioria dos nossos objetivos.
As diferenças entre a evapotranspiração real e potencial diminuem sempre
Evaporação e Evapotranspiração 271

que os intervalos de tempo utilizados para o cálculo da segunda são ampliados


(um mês ou mais).
A seguir são apresentados alguns procedimentos usualmente empregados
para medir ou estimar a evapotranspiração:

- medidas diretas;
- métodos baseados na temperatura;
- métodos baseados na radiação;
- método combinado; e
- balanço hídrico.

7.3.1 Medidas Diretas

Lisímetro: o procedimento mais correto para determinar a evapotranspiração é


através de lisímetros. São estruturas constituídas de um reservat6rio de solo
com volume mínimo de 1 m3, providos de um sistema de drenagem e instrumental
de operação, figura 7.5. As medidas podem ser volumétricas ou de massa,
dependendo do tipo de lisímetro. Quando são construídos junto ao local de
interesse, deve~se tomar cuidado para não provocar nenhuma descontinuidade
entre a cultura implantada no lisímetro e a comunidade vegetal em tomo do
mesmo. Quando há necessidade de remoção do solo, deve-se evitar a inversão ou
mistura de horizontes, que modificaria a estrutura do solo e,
conseqüentemente, as medidas das variáveis. As bordas do reservat6rio devem
ser tão pequenas que não prejudiquem os fluxos de ar e calor do solo
adjacentes. As variáveis controladas junto ao lisímetro; precipitação,
escoamento, infiltração, armazenamento e percolação profunda, permitem
estabelecer a evapotranspiração real e/ou potencial. Para determinação da
ETR, mantém-se as condições naturais de umidade do solo. Para determinar a
ETP, promove-se a irrigação da cultura implantada no lisímetro, mantendo-se o
solo em capacidade de campo.
A maior restrição imposta aos lisímetros reside no pequeno volume e/ou
área que o mesmo representa. Em algumas situações, como é o caso de vários
lisímetros instalados em casas de .vegetação, cria-se um microclima,
desfavorável à precisão da medida de evapotranspiração. Este procedimento é
muito utilizado para calibrar metodologias de estimativa da
evapotranspiração. Aboukhaled et aI. (1982) apresentou detalhes sobre uso e
operação de lisímetros.

Medidas de umidade do solo: sucessivas medidas da umidade do solo permitem,


por diferença, estabelecer um valor de evapotranspiração na ausência de
precipitação e/ou irrigação.
272 Hidrologia

VIÉHME YER_5.. !:lE!lQR...tÇ!~QN

o:
....
0.8
~
'" 0.4

:: 0.6

0.2
PENMAN,
MARLAT
01
UMIDADE DO SOLO solo
seco
capacidad 8 ponto murcha
de campo permonete

Figura 7.4. Relação entre intensidade relativa de evapotranspiração e o


conteúdo de umidade do solo.

TUBO
MEDIDA

DRENOS

PLACA POROSA
)
~

Figura 7.5. Lisímetro de drenagem


Evaporação e Evapotranspiração 273

~w
- = ET + Pp (7.: 4)
t
onde: ~ W = variação do arrnazenamento d' água para um determinado perfil de
solo (mm); ET = evapotranspiração (mm/dia); Pp = percolação d'água abaixo do
sistema radicular (mm/dia); t = tempo.
A umidade do solo poderá ser determinada através dos métodos
gravimétrico, resistência elétrica" tensiométrico ou dispersão de neutrons,
entre outros. Estes procedimentos estão sujeitos à grande variabilidade
espacial dos solos e, via de regra, são usados somente em áreas irrigadas. A
redistribuição interna e/ou a percolação profunda constituem-s'e em outra
fonte de erro.
Valores aceitáveis s6 poderão ser obtidos se forem adotadas algumas
práticas preventivas. Entre elas Jensen (1973) aponta:

- local de amostragem representativo da-área;


- nível freático bem abaixo da profundidade alcançada pelo sistema
radicular;
- fazer a determinação em períodos secos;
- em áreas irrigadas, manter a umidade abaixo da capacidade de campo;
- promover as medições de umidade, somente junto da zona radicular.

7.3.2 Métodos baseados na temperatura

Entre as mais antigas expressões para estimativa da evapotranspiração


potencial, com base na temperatura do ar, destacam-se as de Thornthwaite e
Blaney-Criddle.

Thornthwaite: a equação original de Thornthwaite, segundo Chang (1968), é


baseada em dados de precipitaçã9 e escoamento, de inúmeras bacias
hidrográficas localizadas nas regiões central e leste dos Estados Unidos,
onde predomina um clima telT'perado com invernos úmidos e verões secos. O
método correlaciona estas informações com a variável temperatura e
possibilitra a estimativa da evapotranspiração fazendo

T a
ETP = Fc 16 (10 - ) (7.35)
I
onde ETP = evapotranspiração potencial para meses de 30 dias e comprimento de
12 horas (mm/mês); T = temperatura média do ar (oC) e ; Fc = fator de
correção em função da latitude e mês do ano, tabulados em A3;
274 Hidrologia

12

I= E (~i)I,514
5
i=1

a = 1 - 7,71. 10-6 I2 + 0,01791 I + 0,492


67,5 . 10-8 ...3

onde T e ti = temperaturas do mês analisado em oCo


Berlato e Molion (1981) citam que em regiões onde o clima difere da-
quele onde a equação foi desenvolvida, os resultados obtidos não são satisfa-
tórios. Pressupõe-se que isso ocorra porque o método não contempla explici-
tamente a umidade do ar. Assim, deve-se ter muita cautela ao utilizar este
método, particularmente em climas de verões úmidos e invernos secos. Ape-
sar de tudo, a equação de Thornthwaite ganhou popularidade mundial, mais
pelo fato de necessitar somente de dados de temperatura do ar, informação
disponível em grande número de estações meteorológicas, do que pela sua
precisão.

Exemplo 7.3. Calcule a evapotranspiração potencial pelo método de


Thornthwaite para os dados da cidade de Passo Fundo.

Solução: os resultados encontram-se na tabela 7.5 e foram obtidos utilizando


as equações acima. Como se observa, a ETP, através deste método tende a ser
menor que os valores do exemplo seguinte.

Tabela 7.5. Resultados de evapotranspiração potencial (mm/mês), calculadas


pelo método de Thornthwaite.

FEV
MAR
DEZ
ABR
AGO
OUT
JUL
TOT
NOV
MAl
SET
JAN
JUN
44
41
47
29
ANO47
112
39
6886
100
35
853
3
46
62
37
821
118
116
42
121
106
30
7089
6389
6880
40
6877
37
112
854
860
859
36
45
25
2
3764
120
99
92
95
93
5
4
99
113
66
6
85
97
63
90
56
128
55
122
118
117
94
4
75
6
7293
869
51

B1aney-Criddle: este método descrito por Kijne (1978) foi desenvolvido


originalmente para estimativas de uso consuntivo em regiões semiáridas,
baseado na suposição de que a disponibilidade de água para a planta em
crescimento não é um fator limitante.
Evaporação e Evapotranspiração 275

ETP = (0,457 T + 8,13) p (7.36)

onde, ETP = evapotranspiração potencial (mm/mês); T = temperatura média

mensal do ar em °C; p = porcentagem diária de horas de luz, obtida do anexo


A4.
A inclusão de um coeficiente de cultura ke, que deve ser determinado em
lisímetros, para cada cultura ,e local de interesse, pressupõe um avanço em
termos de confiabilidade dos resultados obtidos. Neste caso:

ET = ETP. ke (7.37)

onde, ET = evapotranspiração estimada para determinada cultura e loca! de


interesse (mm/dia); ke = coeficiente da cultura, Valores ilustrativos
encontram-se no Anexo AS. Dependendo da precisão desejada, o uso de tais
coeficientes requer uma verificaçào prévia, o que, via de regra, é
impraticável. Assim sendo, é mais correto empregar este método para cálculo
da evapotranspiração potencial.
Independente do uso do coeficiente de cultura, Doorenbos e Pruitt (1990)
não recomendam a equação de Blaney-Criddle para regiões equatoriais em que a
temperatura se mantém estável, oscilando somente as demais variáveis
meteorol6gicas. Descartam seu uso em ilhas pequenas, onde a temperatura do ar
é função da temperatura do mar circundante. Também em locais altos e climas
de latitude média, os resultados são duvidosos.
O empirismo contido nos métodos baseados na temperatura do ar,
recomendam seu uso, exclusivamente, quando esta variável for a única
informação meteorol6gica disponível.

7.3.3 Métodos baseados na radiação

Métodos desenvoividos com base na variável meteorológica radiação so-


lar, são mais confiáveis, principalmente nas situações em que a advecção possa
ser desconsiderada.
A equação de Jensen e Haise, descrita por Kijne (1978), é um exemplo de
método baseado na radiação e tem dado resultados razoáveis em diferentes con-
dições climáticas. A equação é a seguinte:

G
ETP = (0,025 T +0,08 ) - (7.38)
59

onde, ETP = evapotranspiração potencial (mm/dia); T = temperatura do ar (oC);

G = radiação Incidente de onda curta (cal. cm-2• dia-I).


.276 Hidrologia

Apesar de ter sido proposto originalmente para estimativas diárias, o


emprego deste método, de acordo com a recomendação de Jensen (1973), deve
limitar-se a intervalos de cinco dias, exceto quando o saldo de radiação for
medido diretamente. Neste caso o intervalo poderá ser diário. A principal
dificuldade para uso corrente, está na disponibilidade das informações.
Poucas estações meteorol6gicas medem rotineiramente a radiação solar, sendo
necessário estimá-Ia com base na equação 7.6 e coeficientes adequados para o
local de interesse.

7.3.4 Método Combinado

o método combinado ou equação de Penman, apresentado no item 7.2.2 como


alternativa para cálculo da evaporação de superfícies livres de água, também
é utilizado correntemente para estimativas de evapotranspiração potencial.
Na equação 7.27 o termo qef refere-se à radiação efetiva sobre um corpo
de água sendo, neste caso, necessário substituí-Io por valores
representativos da superfície de interesse. Quando a energia efetiva não é
medida, mas estabelecida através de f6rmulas empíricas, deve-se adotar o
albedo pr6prio da cultura. Na tabela 7.6 são apresentados valores de albedo
para diferentes superfícies.
Por tratar-se de superfícies vegetadas, o termo aerodinâmico também se
altera, e a equação representativa deste termo passa a ser

w2
Ei = 0,35 (1 + -)(es - ea) (7.39)
160

o termo aerodinâmico, de acordo com observação de Penman (1956) não é


crítico em sua equação, pois um erro na estimativa deste resulta em pequena
variação na evapotranspiração calculada. Entretanto, em regiões semi-áridas e
com ventos constantes, a transferência de calor horizontal poderá ser
apreciável e, com isto provocar erros representativos.
Indiscutivelmente, o método combinado é a melhor opção para estimativa
da evapotranspiração potencial, mas a precisão do método depende
fundamentalmente da radiação efetiva. Quando esta variável for medida, as
estimativas poderão ser diárias. Quando for estimada, o intervalo de tempo
para cálculo da evapotranspiração potencial não deve ser inferior a cinco
dias.
Beltrame et al. (1993), desenvolveram um estudo sobre regionalização da
evapotranspiração potencial, calculada em base decendial pelo método
combinado, para todo o estado do Rio Grande do Sul.
Evaporação e Evapotranspiração 277

Tabela 7.6. Valores de albedo (Raudkivi, 1979)

Intervalo
0,10-0,15de a
0,15-0,25
0,05-0,20
0,10-0,25
0,20-0,25
0,03-0,10
0,15-0,45
0,20-0,35
0,15-0,20
Superfícies

Exemplo 7.4. Considere o enunciado do exemplo 7.1 e calcule a


evapotranspiração potencial da bacia hidrográfica onde está localizado o
reservatório. Adote o albedo de 0,25.

Solução: os termos da equação de Penman ficam

qef/L = 932/59 ( 1 - 0,25).(0,24 + 0,58. 0,533) -


-1,19.10-7 (23 +273)4 [0,56-0,09.(13,9)1/2]
(0,1 +0,9.0,533)/59 = 4,491

ETP = 3,25 + Ei/3,62


ETP = 3,95 + 0,374 w2 e E = 4,33 mm para w2 = 1 m/s
ETP = 5,45 mm para w2 = 4 m/s.

Os valores anteriores eram, respectivamente, 5,23 e 6,36 mm. Observa-se


uma redução de 17 e 14 %, respectivamente, devido à superfície.

7.3.5 Balanço hídrico

O balanço hídrico objetivando o cálculo da evapotranspiração,


normalmente é elaborado para intervalos de tempo superiores a I semana,
devido à falta de medição de todas as variáveis envolvidas. Normalmente, os
dados disponíveis são a precipitação e a vazão. A equação 7.31 pode ser
adaptada para uma bacia, resultando em
278 Hidrologia

VI = Vo + (P - Q - ETP )~t (7.40)

onde VI e Vo = são o "armazenamento total de umidade na bacia no final e


início do intervalo de tempo ~t; P, Q e ETP são respectivamente a
precipitação, vazão e evapotranspiração no período. Este balanço é simplista
se considerarmos todos os processos que envolvem o escoamento na bacia. Para
um intervalo de tempo suficientemente grande, o erro cometido no termo
armazenamento, na propagação do escoamento é pequeno se comparado com a
precipitação, vazão e evapotranspiração. Utilizando a equação 7.40 para
intervalos superiores a 1 semana, mês ou ano, pode-se quantificar a
evapotranspiração de uma bacia.

Exemplo 7.5. Estime a evapotranspiração da bacia do rio Passo Fundo em


Ponte do rio Passo Fundo, afluente do rio Uruguai. A bacia possui 3650 km2.
Na tabela 7.7 são apresentadas a precipitação média e a vazão.

Solução • Os valores do evaporímetro apresentam discrepâncias anuais se


comparados com a diferença entre precipitação e vazão, mas nà média os
valores são semelhantes. Deve-se considerar que o evaporímetro mede a
evaporação potencial e não a real. Apesar do balanço hídrico basear-se
somente na precipitação e na vazão existe a tendência de apresentar bons
resultados a longo prazo. Erros sistemáticos nos dados podem distorcer os
resultados finais, como por exemplo, a extrapolação inferior ou superior de
uma curva de descarga. A realidade é que muitos processos hidrol6gicos
possuem variação na faixa de erro de processos como a precipitação e a
evaporação, ficando mascarados numa avaliação global.

Tabela 7.7. Bacia do rio Passo Fundo


1002
1166
897
1216
mm
E -359
P778
1695
693
2048
1266
1250
11581142
2671
2582
1988
1749
1802
1162
1123
1454
627
1361
1217
1294
1862
1941
1229
1747
1230 969
1102
803
1137
696
1288
1192660
832
647
Ano P
Q -Q
Evaporação e Evapotranspiração 2 9

o Balanço Hídrico da bacia hidrográfica também envolve a quantificaçã


dos componentes deste sistema visando ao seguinte:

- melhor entendimento do comportamento do sistema;


- utilização racional dos recursos hídricos.

A bacia hidrográfica pode ser avaliada como um todo ou quanto a um


sistema em particular, como um reservat6rio. No primeiro caso, é necessário
conhecer a disponibilidade dos recursos hídricos para atender às demandas
existentes e conservar o meio ambiente. O segundo caso, pode estar contido no
primeiro, tem uma visão de detalhe e envolve a melhor utilização de um
aproveitamento, quanto à sua operação.
O balanço hídrico, envolve a continuidade de massa e a troca de energia
dos sistemas envolvidos, no tempo e no espaço. Os componentes principais
deste balanço são:

- precipitação;
- evaporação;
- evapotranspiração;
- escoamento superficial e subterrâneo.

O balanço hídrico corresponde à avaliação de cada um desses processos


(ou outros mais importantes) num sistema. Portanto, existem diferentes
procedimentos utilizados atualmente na prática, que utilizam os componentes
mencionados.
UNESCO (1982) cita o balanço hídrico superficial, aerol6gico, isot6pico,
balanços energéticos, balanços hídricos de superfícies líquidas e modelos
matemáticos. O primeiro utiliza a equação da continuidade composta dos
termos de precipitação, evapotranspiração e escoamento, cada qual calculado
pelas equações conhecidas. O balanço hídrico aerol6gico envolve o uso de
informações climatol6gicas para estabelecer a conservação de massa na
atmosfera, calculando a diferença efetiva entre a precipitação e a
evaporação. Este tipo de método esbarra ainda na limitação das redes. O
Balanço hídrico isot6pico utiliza as propriedades químicas da água que possui
um tipo específico de is6topo para identificar a fonte da água e quantificar
seus componentes.
O balanço energético estabelece o balanço de calor na superfície de
interesse, para cálculo da evaporação ou evapotranspiração. O Balanço hídrico
se refere principalmente a lagos, reservat6rios ou trechos de rios. Os
modelos matemáticos representam os principais fenômenos envolvidos e procuram
estimar no tempo e no espaço esses componentes através de diferentes equações
de continuidade integradas.
Os processos que normalmente apresentam maior dificuldade de
280 Hidrologia

estimativa são a evaporação e a evapotranspiração, já que existem diferentes


equações para sua estimativa. Normalmente o balanço hídrico é apresentado
como uma seqüência dos métodos de evaporação e evapotranspiração. O balanço
hídrico agrícola envolve um balanço de detalhe, para cálculo da necessidade
hídrica real de diferentes cultivos.
O balanço hídrico na bacia, envolve a quantificação dos componentes do
processo de transferência de água através da bacia. Como a bacia envolve
diferentes subsistemas pode-se estabelecer o balanço de sistemas
particulares, como um perímetro de irrigação, para cálculo da necessidade
hídrica de irrigação ou de um reservatório ou lago. Em cada caso existe um
objetivo específico, no caso da irrigação o objetivo é o de quantificar o
volume a ser irrigado e no reservatório é o de atender· as diferentes
demandas, variações de níveis para recreação, navegação e meio ambiente,
entre outros.
O balanço hídrico como um todo na bacia, envolve quantificar as
macrovariáveis e seu comportamento ao longo do tempo. Para a bacia, dentro de
uma macroanálise pode-se estudar os seguintes fatores:

- precipitação;
- umidade do solo;
- evaporação;
- vazão.

A análise dessas variáveis pode ser realizada de forma simplística


através de valores médios num período longo como o ano ou seqüência de anos.
Para uma análise mais detalhada, em intervalos de tempo menores, deve-se
utilizar modelos matemáticos hidrológicos.

Exemplo 7.6. Considere a bacia do rio Passo Fundo mencionado no exemplo


anterior. Deseja-se construir um reservatório num dos seus afluentes, que
possui área de bacia com 50 km2. A área de inundação do reservatório é de 10
km2. Estime qual deve ser a redução de vazão média disponível na bacia.
Considere que evaporação potencial da surperfície de água é de 1.400 mm.

Solução: pode-se utilizar a equação de Penmam com dados climáticos ou


simplificadamente o seguinte procedimento.
Para a parcela da bacia não-inundada a evapotranspiração continua a
mesma e para a parcela inundada é aumentada para 1.400 mm, o que resulta

ETP = (1400. 10 + 1137 . 40 )/ 50 = 1190 mm.


Q = 1941 - 1190 = 751 mm.
Evaporação e Evapotranspiração 281

A vazão média estimada é 803 mm (tabela 7.7), portanto houve redução


final de 6,5%. A vazão resultante fica

2 3 3
Q = 751 mm . 50 km . 10 /86400/ 365 = 1,19 m/s.

PROBLEMAS

1 - Por que o método de Penman que utiliza o balanço de energia é considerado


simplificado? Quais são suas principais limitações?

2 - No método de Penman como você poderia levar em conta os termos que foram
desprezados? Discuta o assunto

3 - Estabeleça a análise de sensibilidade da equação de Penman com relação as


variáveis de entrada.

4 - Estabeleça uma função que relacione evaporação de uma superfície livre de


água e de áreas vegetadas. Quais são as suas conclusões quanto à
variabilidade dessa função?

5 - Utilize a equação de Penman para resolver o exemplo 7.6. Compare os


resultados. Quais são as suas conclusões?

6 - Num reservat6rio existem incertezas quanto à contribuição lateral direta


ao lago no mês de março de 1987. A vazão média de entrada a montante é de 2,5
m3/s. A vazão de saída foi de 3,3 m3/s. Houve rebaixamento no reservat6rio de
O,5m, correspondendo a um volume de 1,6. 106 m3. A precipitação no mês foi de
95 mm. A área do lago no início do mês é de 2,5 km2 e 2,1 km2 no final. A
radiação solar medida foi de 395 cal/cm2. dia e umidade de 75%; p=6,5 horas,
T=200C, W2 = 2,5 m/s na latitude 30 oS. Estime a vazão média da contribuição
lateral neste mês.

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284 Hidrologia

Tabela AI. Radiação solarrecebidano tpo da atmosferano 15° dia de cada mês

entre latitudes10° N e 400S, em cal/cm2dia*.

755
714
885
797
879
578
826
838
856
867
FEV
826
873
814
832
484
460
797
808
779
820
832
767
738
702
684
661
643
625
531
507
555
578
885
897
903
743
720
779
702
661
637
620
891
313
732
389
873
366
690
684
596
572
549
519
791
496
448
472
767
336
785
856
838
566
826
543
802
920
460
437
295
732
749
708
767
684
637
614
590
897
885
407
903
909
330
920
926
932
968
974
979
378
472
354
755
779
885
738
873
808
791
897
856
720
909
915
679
661
637
614
944
956
566
962
519
496
448
419
696
590
389
360
861
867
791
779
761
743
673
714
732
850
890
856
903
920
838
944
826
956
974
802
985
991
649
631
897
909
861
791
773
743
720
702
684
661
1038
1033
1027
879
814
850
802
1003
643
1015
620
1021
596
531
1044
507
844
861
873
850
838
826
AGO
OUT
814
861
JUL
879
MAR
JUN
867
785
838
850
802
844
832
814
NOV
MAl
749
SET
DEZ
885
ABR
873
779
755
720
602
867
661
861
850920
950
956
968
979
991
997
1009
1003
5431003
797
761
832
755
555
879 850
JAN
938
861
latitude

* Shaw e Napier, Manual of Meteorology, Cambridge UniversityPress.


Evaporação e Evapotranspiração 285

Tabela A2. Duração máxima da insolação diária em horas. Os valores

correspondem ao 150dia de cada mês.*

FEV
JUL
OUT
AGO
MAR
NOV
MAl
DEZ
SET
ABR
JUN
12,3
12,2
12,1
11,8
11,7
12,1
12,0
12,2
11,8
12,7
12,6
12,5
12,2
12,1
11,7
11,6
11,5
11,4
12,6
11,7
12,5
11,8
12,4
11,9
12,2
12,0
12,1
12,3
11,6
12,7
12,2
12,0
12,1
11,5
11,6
11,7
12,4
12,5
12,6
12,7
12,8
12,2
12,3
12,1
12,0
12,5
11,9
12,2
12,4
11,8
11,9
12,0
12,6
12,7
11,6
11,6
12,5
11,4
12,6
11,2
12,7
13,1
10,8
9,8
12,3
12,4
11,3
10,9
10,7
10,5
12,8
11,4
12,9
11,3
13,0
13,2
13,4
14,2
10,1
11,5
11,2
10,9
10,8
12,9
13,1
13,3
11,9
11,8
13,2
13,5
13,6
13,8
14,8
11,8
11,1
11,7
11,6
11,5
9,5
13,1
14,5
13,1
13,4
13,5
13,6
13,0
12,8
11,0
10,9
12,9
10,7
13,2
10,3
13,3
13,4
13,6
9,6
10,6
10,4
10,2
10,0
9,3
10,7
13,5
10,6
13,6
10,5
10,3
13,9
10,2
14,3
14,1
13,9
14,2
15,0
11,2JÀ~
11,7
11,5
12,4
11,9
12,0
10,6
10,5
10,1
10,013,0
12,8
11,4
11,3
9,7
9,9
13,9
14,2
11,3
13,5
11,2
12,4
11,1
10,8
11,1
13,3
11,1
10,4
13,7
14,0
14,6
14,4
9,8 12,1
14,0
14,3
14,7
13,7
latitude

* Smithsonian Meteoro1ogica1 Tab1es, 6~ Edição, 1951.


286 Hidrologia

Tabela A3. Fator de correção Fc do método de Thomthwaite (UNESCO,1982)

OUT
FEV
JUL
MAR
MAl
NOV
ABR
AGO
JUN
SET
DEZ
0,93
1,05
1,07
1,02
0,91
1,03
0,99
1,06
1,08
1,02
1,02
1,03
1,00
1,01
1,06
0,94
1,04
0,99
1,08
0,97
0,98
0,95
1,03
0,96
1,12
0,92
1,15
1,05
1,00
0,93
0,99
1,06
1,03
1,07
1,02
1,04
1,05
0,94
0,91
0,88
0,85
0,82
0,78JAN
0.86
1,20
1,05
1,01
1,03
0,94
1,09
1,14
0,89
1,17
1,20
0,98
0,96
1,02
0,92
1,01
0,99
1,10
0,98
0,97
1,04
1,06
0,96
1,18
0,95
1,21
0,94
1,25
0,93
1,29
1,00
0,98
1,10
1,13
0,90
0,84
0,96
0,87
1,01
latitude 0,98
1,01
1,02
1,04
1,08
1,12
1,14
1,23
1,06
1,07
1,11
1,00
1,12
1,151,17
1,27

Tabela A4. Proporção média diária (P) de horas de luz para diferentes
latitudes (Doorembos e Pruitt, 1990)

JUL
FEV
MAR
JUN
NOV
DEZ
OUTABR
MAl
SET
0,27
0,28
0,26JAN
AGO
0,32
0,26
0,27
0,28
0,27
0,29
0,30
0,31
0,24
0,23
0,22
0,19
0,30
0,20
0,25
0,24
0,23
0,22
0,21
0,20
0,18
0,26
0,29
0,25
0,30
0,23
0,31
0,32
0,21
0,34
0,20
0,24
0,22
0,30
0,31
0,32
0,34
0,35
0,36
0,26
0,25
0,24
0,23
0,27
0,280,31
0,32
0,30
0,33
0,34
0,35
0,277
0,27
0,25
latitude0,27
0,28
0,29
0,29
Evaporação e Evapotranspiração 287

Tabela AS. Coeficiente de cultura kc (Doorenbos e Kassam, 1979)

IV
II0,4-0,50
0,4-0,60
V0,3-0,40
III0,80-0,95
0,60-0,65
0,65-0,75
1,00-1,30
0,3-0,40
0,3-0,40
0,85-1,05
0,60-0,70
0,60-0,75
1,10-1,50
0,70-0,75
0,85-0,95
0,65-0,70
0,75-0,80
0,70-0,80
0,85-0,90
0,95-1,05
0,80-0,90
0,85-1,00
0,70-0,75
1,10-1,30
0,20-0,25
0,50-0,55
0,40-0,50
1,00-1,15
0,4-0,60
1,1-1,15
0,80-0,85
0,80-0,95
0,90-1,00
0,55-0,66
0,55-0,60
0,4-0,50
0,70-0,80
0,65-0,75
0,80-0,90
0,25-0,30
0,65-0,70
1,05-1,20
1,05-1,25
0,70-0,90
0,95-1,10
1,00-1,15
0,70-0,85 I tal
0,3-0,50
0,80-0,90
0,90-1,00
0,75-0,85
0,5-0,65
0,85-0,95
0,65-0,75
0,85-0,95
0,90-0,95
0,70-1,000,85-1,05
0,80-0,95
0,65-0,70
0,75-0,85
0,75-0,80
0,75-0,90
0,80-0,90
0,70-0,80
0,85-0,90
0,50-0,60
0,75-0,850,85-0,95
O,65~O,80
1,05-1,20
0,95-1,05
0,60-0,70
1,00-1,20 1,05-1,20
Culturaperíodo to
seca
verde
de crescimento
tropical
açucar

1- Intervalo inferior: sob alta umidade (Umid min >70%) e vento fraco (V <5
m/s); intervalo superior: sob baixa umidade ( Umid min < 20%) e vento forte (
V> 5 m/s).
2- Estágios: I- emergência até 10% do desenvolvimento vegetal (dv); II - 10%
do dv até 80% do dv; III - 80% do dv até 100% do dv; IV - maturação; V -
colheita.