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A CONTRIBUIÇÃO DA GRANDE MINERAÇÃO ÀS COMUNIDADES LOCAIS:

UMA PERSPECTIVA ECONÔMICA E SOCIAL

Maria Helena Rocha Lima; Nilo da Silva Teixeira


CETEM - Centro de Tecnologia Mineral
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INTRODUÇÃO
Persiste no país a preocupação em reduzir as desigualdades regionais e permanece nos
diversos níveis de governo o objetivo de incrementar o crescimento integrado de todas as regiões.
O setor mineral, pela sua abrangência e importância na economia nacional, historicamente
tem tido um papel importante neste esforço. Os governos militares acreditaram que a mineração
era um fator de integração nacional e, dentro da doutrina de segurança nacional, formularam uma
política de incentivos fiscais para a implantação de projetos exportadores, nos quais se
destacavam os minero metalúrgicos na Amazônia.
A visão de desenvolvimento regional, nesta época, tinha como fundamento a concentração
em pólos de desenvolvimento das atividades econômicas. A mineração em grande escala na
Amazônia se adaptou bem a esta estratégia, na medida em que somente as grandes empresas se
enquadravam nas necessidades de capital dos empreendimentos. A noção de que esses pólos
trariam o desenvolvimento regional perdeu espaço, em anos mais recentes, para um conceito de
“eixos estruturadores de integração nacional e internacional” (MONTEIRO, 2005). Dentro deste
conceito foi retirado, através de emenda constitucional, o impedimento das empresas de
mineração de terem capital majoritário em poder de empresas estrangeiras.
A capacidade da atividade mineral de impulsionar processos de desenvolvimento de base
local varia substancialmente nas diversas regiões e estados do país.

O DESENVOLVIMENTO LOCAL E A GRANDE MINERAÇÃO


A permanência na localidade do empreendimento mineral de parte da riqueza gerada pela
atividade mineral é fator importante para o desenvolvimento local, propiciando a distribuição de
renda e a melhoria na qualidade de vida da população.
Os custos e benefícios que a atividade de mineração de grande porte pode gerar sobre as
comunidades locais e a melhoria das relações entre as empresas e os municípios são temas cada
vez mais importantes, na medida em que se exige cada vez mais maximizar os benefícios
sustentáveis da mineração, tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento.
Atualmente existe o consenso que as empresas de mineração devem ter em suas listas de
prioridades a eliminação de seus possíveis efeitos prejudiciais aos ecossistemas frágeis e efeitos
sociais negativos sobre as comunidades locais (BANCO MUNDIAL, 2002).
A identificação da estrutura de encargos das atividades minerais em relação ao pagamento
de tributos e a geração de renda, além da quantidade e qualidade de emprego gerada por esta

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atividade é uma fonte importante para estudos de impactos, tanto econômicos quanto sociais da
riqueza gerada pela mineração.
Além dos tributos incidentes sobre as empresas de mineração e produtos minerais que tem
uma conotação social, mas que não estão vinculados aos municípios que geraram a receita, a
Compensação Financeira por Exploração dos Recursos Minerais - CFEM tem um percentual que
deve ser aplicado no município que gerou a receita e é, portanto, o que melhor contribui para o
estudo dos impactos sociais no município arrecadador.
Os municípios mineradores, que possuem atividade de mineração formalizada, recebem
essa compensação financeira, que é um substancial fluxo de receita que retorna para o município,
que pode exercer um papel importante como catalizador de mudanças e de crescimento
econômico. Portanto, a CFEM além de ser um indicador do valor da produção mineral em cada
município (tendo em vista que o valor da produção mineral só é calculado para estados da
federação, pelo DNPM), e na medida em que é calculada sobre o valor do faturamento líquido
obtido por ocasião da venda do produto. Pode ser considerada também como um indicador do
impacto social da mineração nos municípios mineradores (LIMA, 2005).
Essa compensação pela atividade de mineração é devida pelas mineradoras em
decorrência da exploração de recursos minerais, não pode ser aplicada nos municípios em
pagamento de dívida ou no quadro permanente de pessoal dos municípios, devendo somente ser
aplicada em projetos, que direta ou indiretamente revertam em prol da comunidade local na forma
de melhoria da infra-estrutura, da qualidade ambiental, da saúde e educação.
Esse estudo pretende apontar os municípios com grande potencial de desenvolvimento,
tendo em vista o grande volume de recursos advindo da CFEM, que estão relacionados aos
grandes empreendimentos minerários (empresas mineradoras), nos seus respectivos estados.
Pretendemos fazer uma análise do PIB per capita dos municípios em relação a CFEM per capita e
uma análise da evolução do IDH destes municípios.
Inicialmente mostraremos questões de ordem de grandeza, por estados da federação, do
volume de arrecadação da CFEM e do número de municípios que arrecadam CFEM por estado da
federação. Serão apresentados dois gráficos, ambos para o ano de 2004, o primeiro mostra o
percentual do volume de recursos repassados a cada estado da federação aos seus municípios
mineradores e o segundo, o percentual do número de municípios mineradores por estado da
federação, que arrecadaram CFEM no ano mencionado.

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Gráfico 1: Percentual do volume de recursos arrecadados por municípios pela CFEM dos
principais Estados -2004

Santa Catar i na
Outr os
2%
12%
São Paul o
3%

Bahi a
3%
Minas Ger ais
Goi ás Par á
4% Mi nas Ger ais
Goi ás
47%
Bahia
São Paul o
Santa Catar ina
Outr os

Par á
29%

Fonte: DNPM (2006).

Gráfico 2: Percentual do número de municípios que arrecadam CFEM nos principais estados
mineradores

São Paulo
Out ros 20%
25% São P aulo

M inas Gerais

Rio Grande do Sul

Santa Catarina

Bahia Minas Gerais P araná


5% 17%
Go iás
Goiás
B ahia
6%

Paraná Outro s
Rio Grande do Sul
6%
Sant a Cat arina 11%
10%

Fontes: DNPM (2005) e IBGE (2006).

Os dois gráficos mostram que o volume maior de produção mineral se concentra nos
estados de Minas e Pará, sendo seguidos a uma grande distância pelos estados de Goiás, Bahia,
São Paulo e Santa Catarina. Por outro lado, o número de municípios que possuem atividade
econômica de mineração é maior nos estados de São Paulo, seguido de Minas Gerais, Rio
Grande do Sul e Santa Catarina.
Pretendemos selecionar os municípios mais importantes, sob o aspecto do volume de
renda gerada na mineração (maiores valores de CFEM), e comparar essa participação da

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atividade de mineração (CFEM) na renda municipal (PIB municipal) e no IDH. Pretende-se,
portanto, inferir se a riqueza gerada nos municípios, que pagam CFEM, é oriunda, de maneira
significativa, da atividade econômica da mineração. Serão relacionadas duas variáveis (CFEM e
PIB municipal) para cada um dos municípios selecionados que mais arrecadaram CFEM.
Numa primeira seleção foram escolhidos os municípios dos estados de Minas Gerais,
Pará, Goiás, Bahia, Santa Catarina e São Paulo.

ESTADO DE MINAS GERAIS


Minas Gerais é o estado que tem a maior variedade de substâncias exploradas e
comercializadas (16 substâncias metálicas e 29 não metálicas) e em reservas (28 metálicas e 33
não metálicas) e é também o estado mais importante em termos de arrecadação da CFEM.
Arrecadou 98.774.470 milhões no ano de 2004, correspondendo a 47 % do total arrecadado no
país. No entanto, em termos de número de municípios que arrecadam a CFEM fica atrás de São
Paulo, que é o quinto estado em valor arrecadado.
Dentre os 244 municípios do estado que arrecadaram CFEM no ano de 2004, foram
selecionados os municípios com arrecadação maior que R$ 500 mil, responsáveis por cerca de
91,45% total arrecadado de CFEM no ano de 2004. Destaca-se a produção de minério de ferro,
concentrado na região central do estado – o Quadrilátero Ferrífero - que tem como vértices os
municípios de Belo Horizonte, Santa Bárbara, Congonhas e Mariana. Conforme podemos
observar na tabela 1:
Tabela 1: Empresas mineradoras e o principal bem mineral, em atividade nos municípios selecionados no
estado de Minas Gerais.

Município Empresa Bem Mineral

Itabira CVRD minério de ferro


Nova Lima MBR, Magnesita, Rio Verde minério de ferro, argila e hematita
Mariana CVRD, Samarco minério de ferro
Brumadinho MBR, V&M minério de ferro
Itabirito CVRD, MBR, Magnesita minério de ferro e argila
Congonhas CVRD, CSN minério de ferro
Santa Bárbara São Bento minério sulfetado
Sabará CVRD minério de ferro
Barão de Cocais CVRD minério de ferro
Tapira Fosfertil rocha fosfática
Paracatu RPM ouro e prata
Fortaleza de Minas Votorantim Metais sulfetado de níquel
São Gonçalo do Rio Abaixo CVRD minério de ferro
Araxá CBMM, Bunge pirocloro, fosfato
Vazante Votorantim Metais willemita e calamita

Fonte: Revista Brasil Mineral, 2005.

Os empreendimentos minerais (empresas) no estado de Minas Gerais já existem por


muitas décadas e alguns são mesmo centenários. A atividade de mineração faz parte da história e
do processo de desenvolvimento da região.

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Atualmente essa atividade está inserida numa economia bastante diversificada e compete
com outras atividades econômicas industriais. Portanto, analisando o PIB dos municípios, a
mineração é parte importante do valor adicionado pela indústria, conforme tabela 2.

Tabela 2: Valor da CFEM, Impostos e PIB dos municípios e CFEM e PIB per capita dos municípios
selecionados no estado de Minas Gerais.
CFEM* Impostos** PIB CFEM per capita PIB per capita PIB per capita/CFEM
Municípios (R$1000) (R$1000) (R$1000) (R$) (R$) per capita
Itabira 20.897 28.753 1.350.647 205 13.245 65
Nova Lima 11.377 29.435 897.779 168 13.237 79
Mariana 10.701 7.215 483.954 218 9.845 45
Brumadinho 7.589 5.732 248.577 264 8.658 33
Ouro Preto 7.342 32.142 780.859 109 11.593 106
Itabirito 7.132 12.032 470.998 180 11.904 66
Congonhas 4.954 24.280 266.599 115 6.208 54
Santa Bárbara 2.915 5.419 124.842 118 5.039 43
Sabará 2.654 35.754 583.495 22 4.755 216
Barão de Cocais 2.630 15.741 191.719 108 7.896 73
Tapira 2.359 1.703 97.626 688 28.471 41
Paracatu 2.338 10.533 497.325 30 6.312 210
Fortaleza de Minas 2.257 2.269 62.961 602 16.803 28
São Gonçalo do Rio Abaixo 2.113 327 30.752 249 3.617 15
Araxá 1.430 31.185 823.309 18 10.089 561
Itatiaiuçu 899 3.123 63.185 102 7.142 70
Vazante 743 3.073 124.076 39 6.542 168

Fontes: DNPM * (2005) e IBGE** (2006).

O PIB per capita é um importante indicador de desenvolvimento local, levando-se em conta


que a CFEM per capita seria um indicador da capacidade da atividade de mineração deixar
benefícios financeiros à população das localidades onde existe a extração mineral. De acordo com
a tabela acima, vários municípios apresentam uma taxa de PIB per capita/CFEM per capita
significativa, ou seja, a compensação pela exploração mineral é importante na composição do
PIB, tomando como exemplo São Gonçalo do Rio Abaixo, que a CFEM per capita é 1/15 do PIB
per capita. Com esta relação verifica-se que a mineração é um componente importante da
economia nos municípios selecionados.
A tipologia dos municípios, quanto ao valor adicionado por atividade, na região sudeste, se
caracteriza por áreas e eixos bem delimitadas com características semelhantes (IBGE, 2005).
Como por exemplo, a região em torno de Belo Horizonte se caracteriza por ser uma importante
área industrial, levando em conta que é uma região de importantes empreendimentos minerais.
Todos os municípios considerados são predominantemente industriais, apresentado quase
nenhuma atividade agropecuária. Somente os municípios de Fortaleza de Minas têm um setor
agrícola e Paracatu um setor de serviços mais consistentes que o setor industrial
Para melhor ilustração deste trabalho foram selecionadas como variáveis que compõem os
mapas a seguir, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a Compensação Financeira pela
Exploração de Recursos Minerais (CFEM), para cada Estado apresentado neste trabalho. O IDH
foi selecionado por ser um indicador de desenvolvimento social, pois retrata as condições gerais
de vida de população municipal.
Os mapas temáticos foram gerados segundo a metodologia do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que classifica o IDH em três categorias: IDH baixo (<
0,500), são aqueles municípios considerados de baixo desenvolvimento humano; IDH médio (≥

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0,500 < 0,800), municípios de médio desenvolvimento humano e IDH alto (≥ 0,800), aqueles com
alto desenvolvimento humano (BARRETO, 2001).

Mapa 1: IDH dos municípios e os municípios que mais arrecadam CFEM no estado de Minas Gerais

Fonte: IBGE (2005) e DNPM (2006).

De acordo com o mapa 1 observa-se que o Estado de Minas Gerais apresenta grande
representatividade de municípios com IDH médio, ou seja, situados na faixa de 0,500 a 0,799. Os
municípios destacados com contorno amarelo são aqueles que possuem arrecadação da CFEM
maior que R$ 500.000,00, além de terem maior representatividade tanto em valor (R$), quanto em
número de municípios se comparados aos outros Estados do país. Entretanto, pode-se concluir
que a atividade de mineração não significa maior qualidade de vida para a população local, uma
vez que os municípios mineradores destacados no mapa não são aqueles que apresentam maior
IDH, tanto que quase todos os realçados (com poucas exceções) como grandes arrecadadores de
CFEM estão na faixa de IDH médio.

ESTADO DO PARÁ
O segundo estado em importância para o setor mineral do país é o Pará, que arrecadou
59,8 milhões de reais de CFEM no ano de 2004, cerca de 29% do total.
O Pará é o estado, que apresenta maior diversidade tipológica, segundo o IBGE (2005), em razão
do seu histórico recente de ocupação, possui municípios que apresentam grande peso na
atividade agropecuária, e outros como Barcarena (indústria de alumínio), Tucuruí (usina
hidrelétrica) e Parauapebas (extração mineral) onde predominam o setor industrial. Os municípios
selecionados como Oriximiná e Parauapebas podem ser classificados como aqueles que
apresentam predominância no setor industrial, enquanto que o município de Canaã dos Carajás e
Ipixuna do Pará tem a predominância do setor agropecuário (IBGE, 2005).

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Tabela 3: Empresas mineradoras e o principal bem mineral, em atividade nos municípios selecionados no
estado do Pará.

Município Empresa Bem Mineral


Paraupebas CVRD minério de ferrro
Oriximiná MRN bauxita
Ipixuna do Pará Pará Pigmentos caulim
Canaã dos Carajás CVRD minério de cobre

Fonte: Revista Brasil Mineral, 2005.

Constata-se importância da CVRD – Companhia Vale do Rio Doce no Estado do Pará,


tendo em vista que além de participar da extração de minério de ferro, em Carajás, extrai minério
de cobre e participa da MRN – Mineração Rio do Norte na extração de bauxita.
Segundo a tabela 4 todos os quatro municípios apresentam o CFEM per capita alto em
relação ao PIB per capita. Esta característica evidencia que a atividade de mineração deveria
trazer um impacto em termos de melhoria da qualidade de vida em cada um dos municípios,
ressaltando que está é uma área de ocupação recente e tem na exploração dos recursos naturais
(minerais) sua atividade principal.

Tabela 4: Valor da CFEM, Impostos e PIB dos municípios e CFEM e PIB per capita dos municípios
selecionados no Estado do Pará.

CFEM* Impostos** PIB CFEM per capita PIB per capita PIB per capita/CFEM
Municípios (R$1000) (R$1000) (R$1000) (R$) (R$) per capita
Parauapebas 31.846 50.051 994.893 392 12.246 31
Oriximiná 17.572 43.435 462.101 347 9.124 26
Ipixuna do Pará 6.305 3.527 168.330 211 5.625 27
Canaã dos Carajás 3.475 351 80.107 287 6.605 23

Fontes: DNPM * (2005) e IBGE** (2006).

Visualizando o mapa 2, com a exceção de Belém, todos os municípios estão enquadrados


na categoria de IDH médio. O Pará está inserido na região amazônica, e sua integração
econômica se dá num contexto voltado, em sua maior parte, para o mercado internacional. A
apropriação dos recursos naturais é a principal atividade econômica vigente, sendo os recursos
minerais um ponto chave na dinâmica do Estado, que por conseqüência, fizeram surgir indústrias
e obras de infra-estrutura como hidrelétricas para sustentar a exploração mineral. Ressalta-se
ainda a criação de rotas de escoamento com a implantação de ferrovias que se ligam aos portos
visando o mercado externo.

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Mapa 2: IDH e dos municípios e aqueles que mais arrecadam CFEM no estado de Minas Gerais

Fonte: IBGE (2005) e DNPM (2006).

ESTADO DE GOIÁS
O Estado de Goiás se destaca no cenário nacional com uma importância significativa em
relação à exploração mineral. É o terceiro estado que mais arrecada CFEM, correspondendo por
4,47% da arrecadação nacional, com R$ 9.362.863,06 no ano de 2004. Possui seis municípios
que arrecadam a compensação financeira mais elevada que R$ 500 mil.
Os principais bens minerais são os minerais metálicos (níquel, ouro e nióbio) e
principalmente aquele voltado para o mercado agrícola - o fosfato, conforme tabela 5. Neste
sentido é válido ressaltar que Goiás é atualmente um dos nichos de atuação do setor industrial
agrícola de grande porte, estando, portanto a atividade mineral aliada à atividade econômica
predominante de maior sustentáculo, além de estar em uma região logisticamente privilegiada
para abastecer a agroindústria do centro-oeste, que contribui com enorme peso para a exportação
de produtos do gênero, tendo em mente principalmente a soja.

Tabela 5: Empresas mineradoras e o principal bem mineral, em atividade nos municípios selecionados no
estado de Goiás.

Município Empresa Bem Mineral

Minaçu SAMA fibra de crisotila


Catalão Fosfertil minério de fosfato
Crixás Serra Grande minério de ouro
Ouvidor Copebras, Catalão minério de fosfato e minério de nióbio
Niquelândia Votorantim Metais, Codemin minério de níquel laterítico
Faina Sertão minério de ouro

Fonte: Revista Brasil Mineral, 2005.

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Dentre as empresas mineradoras se destaca a SAMA produtora de amianto no município
de Minaçu na parte ao norte do estado e a produção de nióbio na região de Catalão, ao sul do
estado.
Em duas localidades, Crixás e Faina, o PIB per capita é relativamente baixo, e a CFEM per
capita é relativamente mais alta, de acordo com a tabela 6, considerando-se uma comparação
com os outros municípios selecionados, ou seja, pode-se constatar que a mineração tem peso
importante como atividade econômica para esses municípios, o que seria um fator de maior
contribuição para a melhoria das condições sociais da população do município.
Tabela 6: Valor da CFEM, Impostos e PIB dos municípios e CFEM e PIB per capita dos municípios
selecionados no Estado de Goiás.

CFEM* (x Impostos** (x PIB (x CFEM per capita PIB per capita PIB per capita/CFEM
Municípios R$1000) R$1000) R$1000) (R$) (R$) per capita
Minaçu 2.400 24.426 410.148 71 12.068 171
Catalão 1.929 259.024 1.097.156 29 16.317 569
Crixás 1.534 2.231 90.255 115 6.753 59
Ouvidor 1.124 1.412 72.299 253 16.306 64
Niquelândia 830 67.618 319.342 22 8.415 385
Faina 776 649 33.508 107 4.621 43

Fontes: DNPM * (2005) e IBGE** (2006).

De maneira geral, grande parte dos municípios do estado de Goiás se encontra na


categoria de IDH médio, de acordo com o mapa 3. Assim como nos estados já analisados, a
mineração de grande escala, que contribui com maior quantia de impostos e onde é maior a
arrecadação de CFEM, está presente nas localidades de IDH médio, sendo que apenas o
município de Catalão apresenta IDH na faixa mais alta.
Observando o mapa 3, constata-se que quase a totalidade dos municípios de IDH alto no
estado de Goiás não apresenta exploração mineral de grande porte, no entanto, a atividade de
mineração é importante para alguns municípios do estado como observamos na tabela 6, em que
a CFEM per capita pode ser um indicador do impacto da atividade econômica no município e uma
forma indireta de medir melhorias na qualidade de vida da população.
Mapa 3: IDH e dos municípios e maiores arrecadadores da CFEM no Estado de Goiás.

Fonte: IBGE (2005) e DNPM (2006).

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ESTADO DA BAHIA
A Bahia é o quarto estado brasileiro com maior participação na arrecadação da CFEM no
país com R$ 5.967.248,96, correspondendo a 2,85% da arrecadação total, distribuída entre 74
municípios ou 5,11% do total de municípios. Os principais bens minerais que se destacam são
magnesita, dolomito, talco, minério de cobre e fosfato, segundo a tabela 7.

Tabela 7: Empresas mineradoras e o principal bem mineral, em atividade nos municípios selecionados no
estado da Bahia.

Município Empresa Bem Mineral

Jaguarari Mineração Caraíba minério de cobre


Brumado Irecê, Magnesita fosfato, dolomita, magnesita e talco

Fonte: Revista Brasil Mineral, 2005.

Apenas duas localidades se destacam como arrecadação acima de R$ 500 mil de CFEM,
Jaguarari e Brumado. Nestes dois municípios encontramos PIB´s municipais per capita, assim
como a CFEM per capita, de acordo com a tabela 8.
Tabela 8: Valor da CFEM, Impostos e PIB dos municípios e CFEM e PIB per capita dos municípios
selecionados no estado da Bahia.

CFEM* Impostos** PIB CFEM per capita PIB per capita PIB per capita/CFEM
Municípios (R$1000) (R$1000) (R$1000) (R$) (R$) per capita
Jaguarari 2.594 22.878 136.519 98 5.183 53
Brumado 1.115 26.984 246.587 18 3.917 221

Fontes: DNPM * (2005) e IBGE** (2006).

Com exceção da capital do Estado, Salvador, o restante do estado apresenta taxas de IDH
médio, visualizados no mapa 4. A atividade de maior alcance e tradição no estado é a agricultura,
apresentando atualmente outro seguimento crescente com a indústria do turismo. A mineração
por sua vez, abarca pequeno número de municípios.
Mapa 4: IDH e dos municípios e maiores arrecadadores da CFEM no estado de Bahia.

Fonte: IBGE (2005) e DNPM (2006).

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Perspectiva Econômica e Social”
ESTADO DE SÃO PAULO
O Estado de São Paulo é constituído por 645 municípios, sendo um dos maiores
quantitativos municipais por Estado do país. Seu território é detentor de inúmeros bens minerais,
com destaque àqueles voltados para a construção civil. Apesar da lógica espacial da extração
mineral se espraiar por vários municípios, a arrecadação de impostos (CFEM) não é significante
em montante para cada município que arrecada, fato este visualizado na tabela 11, pois apenas o
município de Salto de Pirapora arrecadou no ano de 2004, valor acima de R$ 500.000,00, na
exploração de carvão mineral, granito, calcário e cal. Apesar disso, o Estado de São Paulo é o
quinto estado que mais arrecada CFEM.
A pequena representatividade na arrecadação de CFEM por município no estado está
inserida na lógica da mineração de pequeno e médio porte. Os principais produtos explorados
são: minério de ferro, bauxita, rochas fosfáticas, calcário, argila e granito. Com relação à escala de
exploração mineral de pequeno e médio porte, em geral, presente no Estado, está voltada
principalmente a atender as demandas regionais de grande escala pelos bens minerais primários,
ressaltando que São Paulo está localizado num ponto privilegiado espacialmente no território
brasileiro, no que concerne a logística da produção industrial, sendo considerada um ponto chave
na dinâmica de fluxos de serviços e produtos.
Segundo Monteiro 2005, com relação aos recursos minerais em termos regionais: “a
mercantilização de recursos minerais... guardam importantes e decisivas singularidades e contam
com lógicas e características comuns no que tangem a repercussões em relação aos processos
de desenvolvimento regional”. Neste foco, as atividades voltadas à valoração da mineração da
região, impulsionam processos de desenvolvimento local, mesmo que de forma limitada.
Entretanto ressalta-se que de forma geral os impostos (no caso, a CFEM como royalty) gerados
pela mineração atuam de forma quase que inexpressiva, pois em termos de valores a quantia per
capita é extremamente pequena.
Tabela 11: Empresa mineradora e o principal bem mineral, em atividade no município selecionado no
estado de São Paulo.

Município Empresa Bem Mineral

Salto de Pirapora Votorantim Cimentos, Cominge, Pagliato calcário

Fonte: Revista Brasil Mineral, 2005.

De acordo com a tabela 12, no município de Salto de Pirapora em São Paulo o mesmo não
se verifica na proporção da CFEM per capita com o PIB per capita que ocorreu nos municípios
dos outros Estados, sendo a CFEM per capita insignificante. Este fato se dá pela provável
existência de outras atividades mais relevantes que a exploração mineral, tendo em vista que São
Paulo é um centro de gestão do território brasileiro, sendo sede de várias empresas que abarcam
inúmeras atividades.
Tabela 12: Valor da CFEM, Impostos e PIB do município e CFEM e PIB per capita do município
selecionado no estado de São Paulo.

CFEM* (x Impostos** (x PIB (x CFEM per capita PIB per capita PIB per capita/CFEM
Municípios R$1000) R$1000) R$1000) (R$) (R$) per capita
Salto de Pirapora 504 76.018 323.007 13 8.531 641

Fontes: DNPM * (2005) e IBGE** (2006).

O mapa 6 indica vários municípios com IDH alto, muito disso se devendo a influência da
capital que irradia várias de suas atividades para a sua periferia, conforme pode se observar no
mapa que grande parte destes municípios circundam São Paulo. O município de Salto de Pirapora
apresenta alto IDH, mesmo que a CFEM não seja significante no montante do PIB, destacando a

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Perspectiva Econômica e Social”
presença de outras atividades mais importantes que a mineração na composição do PIB
municipal.
Mapa 6: IDH e dos municípios e maiores arrecadadores da CFEM no Estado de São Paulo.

Fonte: IBGE (2005) e DNPM (2006).

ESTADO DE SANTA CATARINA


É o sexto estado que arrecada CFEM no país, com 2,19% do total (R$ 4.593.174,44). O
carvão mineral tem o maior destaque no setor mineral no estado, pois a Região Sul é a detentora
das reservas nacionais. A exploração de carvão ocorre de longa data e ainda perdura como uma
das principais atividades no setor. Os maiores arrecadadores da CFEM têm por principal bem o
carvão, de acordo com a tabela 9, Lauro Muller e Treviso são os municípios que tem atuação de
grandes empresas na exploração do carvão.

Tabela 9: Empresas mineradoras e o principal bem mineral, em atividade nos municípios selecionados no
estado de Santo Catarina.

Município Empresa Bem Mineral

Lauro Muller Rio Deserto carvão mineral


Treviso Metropolitana, Belluno carvão mineral

Fonte: Revista Brasil Mineral, 2005.

Ainda com relação aos mesmos municípios, destaques da CFEM no Estado, a CFEM per
capita em relação ao PIB per capita é significante, de acordo com a tabela 10, demonstrando que
a extração do carvão é um importante pilar econômico para as localidades citadas, já que esta
atividade ocorre em grande escala.

Comunicação Técnica – “A Contribuição da Grande Mineração às Comunidades Locais: Uma 13


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Tabela 10: Valor da CFEM, Impostos e PIB dos municípios e CFEM e PIB per capita dos municípios
selecionados no Estado de Santa Catarina.

CFEM* Impostos** PIB CFEM per capita PIB per capita PIB per capita/CFEM
Municípios (R$1000) (R$1000) (R$1000) (R$) (R$) per capita
Lauro Muller 927 936 70.947 69 5.252 77
Treviso 688 606 51.721 210 15.754 75

Fontes: DNPM * (2005) e IBGE** (2006).

Segundo o mapa 5, Santa Catarina é um dos Estados brasileiros que apresenta uma das
maiores quantidades de percentual de municípios enquadrados numa situação de IDH alto. Este
fato está associado à presença de várias pequenas e médias empresas que atendem a demanda
por produtos nos ramos de vestuário, cerâmica, calçados, bebidas, dentre outros, além de
destacar a pequena e média propriedade, indicando maior acesso a renda.
Mapa 5: IDH e dos municípios e maiores arrecadadores da CFEM no Estado de Santa Catarina.

Fonte: IBGE (2005) e DNPM (2006).

CONCLUSÃO
As grandes empresas de mineração têm sua atuação maciça voltada principalmente aos
estados de Minas Gerais e Pará, detentores das principais reservas de bens minerais (minério de
ferro e bauxita) e onde se encontra commodities para exportação. Este fato faz desses dois
estados os maiores produtores em volume de minérios e em receita arrecadada e
conseqüentemente registram os maiores volumes de impostos e compensações financeiras pela
exploração mineral, denominada CFEM.
No entanto, aquilo que poderia ser um fator de desenvolvimento regional e de valorização
dos recursos minerais, pelo fato de que as atividades só podem ser desenvolvidas na área de
ocorrência mineral, na maioria dos casos, essas atividades são dependentes de dinâmicas fora de
seus estados e regiões. Residem nesta questão as maiores dificuldades da atividade mineral
impulsionar processos de desenvolvimento de base local.
Esse estudo pretendeu ser mais passo no estudo do impacto sócio econômico da grande
mineração nas comunidades locais, através do estudo do retorno financeiro para os municípios
que a CFEM representa e da participação da atividade de mineração no PIB de cada um dos
municípios onde existe a atividade de extração mineral.

Comunicação Técnica – “A Contribuição da Grande Mineração às Comunidades Locais: Uma 14


Perspectiva Econômica e Social”
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Comunicação Técnica – “A Contribuição da Grande Mineração às Comunidades Locais: Uma 15


Perspectiva Econômica e Social”
Rio de Janeiro, 28 de julho de 2006.

Silvia Gonçalves Egler


Chefe do Serviço de Desenvolvimento Sustentável - SEDS

Zuleica Carmen Castilhos


Chefe da Coordenação de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação - CPAA

Adão Benvindo da Luz


Diretor do CETEM

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