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82 Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto

Principais doenças da cultura do milho


Nicésio Filadelfo janssen de Almeida Pinto 1
Maria Amélia dos Santos"
Dulândula Silva Miguel WrucP

Resumo - Nos últimos anos, tem-se presenciado o aumento da incidência de doenças


na cultura do milho, que resulta em quedas na produtividade e na qualidade dos grãos.
As causas do aumento da incidência dessas doenças são a monocultura do milho, as
alterações climáticas e o manejo cultural adotado, fazendo com que os patógenos (fungos,
bactérias, nematóides, vírus, molicuttes) permaneçam por mais tempo na área de cultivo.
O manejo de doenças do milho exige o empenho do produtor, que resultará numa maior
ou menor eficiência do controle. Estão disponíveis no mercado, híbridos que apresentam
diferentes graus de resistência para diferentes doenças, mas não para todas. Para algumas
doenças foliares, causadas por fungos, há trabalhos comprovando a viabilidade e a
eficiência do controle químico, podendo assim fazer parte do sistema de manejo da
cultura.

Palavras-chave: Zea mays. Doença. Manejo. Nematóide.

INTRODUÇÃO a mancha-branca (etiologia indefinida); mo saprófita. Portanto, a rotação de cultura,


A incidência e a severidade de doenças as ferrugens causadas por Puccinia sorghi o manejo adequado da matéria orgânica e
na cultura do milho têm aumentado muito (ferrugem-comum), Puccinia polysora o bom preparo do solo reduzem sensivel-
nos últimos anos, devido, principalmen- (ferrugem-polissora) e Phyzopella zeae mente o seu potencial de inóculo.
te, a mudanças climáticas globais, a mu- (ferrugem-branca ou tropical); a queima- Por outro lado, o desbalanço de nutri-
danças no sistema de cultivo (plantio di- de-turcicum (Exserohilum turcicum); a entes no solo predispõe as plantas ao
reto, milho irrigado), da época de plantio cercosporiose (Cercospora zeae-maydis e ataque deste patógeno (Fig. 1). Excesso de
(primeira época - safra de verão e segunda Cercospora sorghi f. sp. maydis); a mancha- nitrogênio associado à deficiência de po-
época - safrinha), de plantios consecutivos foliar por Stenocarpella macrospora tássio toma as plantas mais suscetíveis à
(milho no campo o ano todo), da expan- (Diplodia macrospora); a antracnose-foliar doença.
são da área cultivada para a região Centro- (Colletotrichum graminicola);
Oeste e, não raro, à ausência da rotação de o enfezamento-pálido e o
culturas (substituída pela sucessão de cul- enfezamento-vermelho, entre
turas). Essas mudanças têm contribuído outras.
acentuadamente para a multiplicação e pre-
servação de inóculos de diversos patóge- DOENÇAS FOLlARES o
e>
nos (fungos, bactérias, nematóides, vírus, .g
Mancha por turcicum •o
molicuttes), bem como submetido a cultura ,f
Exserohilum turcicum ~
do milho a condições edafoclimáticas fa- o
c.
(= Helminthosporium e
voráveis ao desenvolvimento de determi- .D

turcicum) .fi
nadas doenças. g
__ é'
"

No Brasil, atualmente, são muitas as É um fungo invasor do solo ..,...:


doenças da cultura do milho. Destacam-se e não consegue sobreviver co- Figura 1 - Moncha por turcicum (Exserohilum turcicum)

1Eng" Agf', D.Sc., Pesq. Embrapa Milho e Sorgo, Caixa Postal 151, CEP 35701-970 Sete Lagoas-MG. Correio eletrônico: nicesio@cnpms.embrapa.br
2Eng" Agf', D.Sc., Prol UFU, Caixa Postal 593, CEP 38400-902 Uberlândia-MG. Correio eletrônico: amelias@umuarama.ufu.br
3Eng" Agf', D.Sc., Pesq. EPAM1G-CTTp, Caixa Postal 351, CEP 38001-970 Uberaba-MG Correio eletrônico: dmiguel@epamiguberaba.com.br

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Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto 83

Mancha-branca Ferrugem-branca ou tropical


Etiologia indefinida Physopella zeae
A medida de controle mais recomen- A ferrugem-branca (Fig. 5) é de ocor-
dada para a mancha-branca é a utilização rência mais recente no Brasil. Nos últi-
de cultivares resistentes. Materiais comer- mos anos, disseminou-se de forrna que se
ciais de milho têm apresentado alta varia- tomou comum em muitas regiões do País.
bilidade no grau de resistência a esta doen- É favorecida por ambientes úmidos e por
ça (Fig. 2). A alteração na época de plantio temperaturas moderadas a altas. Portan-
deve coincidir com a fase de suscetibilida- to, por amplitude maior de temperatura que
de do hospedeiro e ausência do patógeno. aquela mais favorável à ferrugem-polissora,
Em algumas regiões de ocorrência desta apresentando grande capacidade de adap-
doença, sua severidade tem sido maior nos ~ tação em diferentes ambientes. Em geral,
Vl

meses de dezembro a maio, não ocorrendo " apresenta maior severidade em locais de
~
normalmente nos meses de julho a outu- i baixa altitude e, principalmente, em plantios
bro. _ e
••~'·H'\fII
.D
o
tardios. Por ser parasita obrigatório e apre-
.É sentar ciclos completos, as principais me-
~ didas de controle para as três ferrugens
'3

~ citadas são a utilização de cultivares resis-


Figura 3 - Ferrugem-comum
tentes, a eliminação de plantas hospedeiras
(Puccinia sorghi)
e o controle químico.

Ferrugem-polissora
Puccinia polysora

A ferrugem-polissora (Fig. 4) é favo-


recida por temperaturas em tomo de 27°C,
umidade relativa alta e altitudes inferiores
a 900 m. Altitudes superiores a 1.200 m são
desfavoráveis à doença.

Figura 2 - Mancha-branca

Ferrugem-comum
Puccinia sorghi Figura 5 - Ferrugem-branca ou tropical
(Physopella zeae)
A ferrugem-comum do milho (Fig. 3) o
~
o
é favorecida por temperaturas entre 16°C e Vl

23°C, alta umidade relativa e altitudes su-


"o Cercosporiose
'i" Cercospora zeae-maydis e
periores a 900 m. Por ser parasita obrigatório o
a.
~ C. sorghi f. sp. maydis
e apresentar ciclo completo, as principais .D


medidas de controle são a utilização de ~ A cercosporiose (mancha-cinza-da-
'3
cultivares resistentes, a eliminação de plan- ~ folha) (Fig. 6) pode causar perdas superio-
-----'
tas hospedeiras alternativas e o controle Figura 4 - Ferrugem-polissora res a 80% na produção de grãos de milho.
químico. (Puccinia po/ysora) A severidade da cercosporiose é favore-

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cida pela ocorrência de vários dias nubla- bo foliar (Fig. 7) e na nervura central da
dos, com alta umidade relativa, presença folha, sendo favorecida por períodos de
de orvalho e cerração por longos períodos. alta temperatura e de alta umidade relativa.
O fungo sobrevive em restos de cultura Como medidas de controle, recomenda-se
de milho e a disseminação de seus esporos a utilização de sementes sadias, de cultiva-
ocorre pelo vento e por respingos de água res resistentes e de rotação de culturas.
de chuva ou irrigação. Por isso, um fator
de grande importância na severidade da
doença é a presença, na superfície do solo,
de restos de cultura infectados, os quais
se constituem em fonte primária de inóculo.
A medida de controle mais eficiente é a uti-
lização de cultivares resistentes, elimina-
ção dos restos de cultura e a rotação de
culturas.

Figura 8 - Mancha por Stenocarpella


macrospora

Queima-bacteriana
Pseudomonas alboprecipitans
8. A turgidez da folha do milho favorece a
e
~ ocorrência desta doença, cujos sintomas
.~ caracterizam-se pela presença de lesões ne-
~ eróticas, tipicamente alongadas e estreitas
Figura 7 - Antracnose-foliar (Fig. 9). Excesso de água (chuva ou irri-
(Colletotrichum graminico/a)
gação) predispõe as plantas de milho ao
ataque desta doença.
Mancha por
o Stenocarpella macrospora
-D"-
o

.É Este fungo causa manchas necróticas


.~ grandes nas folhas do milho (Fig. 8), que po-
~
-c dem ser confundidas com aquelas produ-
Figura 6 - Cercosporiose
zidas por Exserohilum turcium. Contudo,
(Cercospora zeae-maydis e
uma característica sintomatológica impor-
C. sorghi f. sp. maydis)
tante é que na mancha por S. macrospora
é facilmente observado um pequeno cír-
Antracnose-foliar
culo, visível contra a luz, o qual corres-
Colletotrichum graminicola ponde ao ponto de infecção do patógeno.
A antracnose-foliar está aumentando Este patógeno sobrevive em resto de cul-
em incidência e severidade nas lavouras tura de milho infectado, atingindo nova
das principais regiões produtoras de mi- cultura via liberação dos seus esporas pe-
lho, notadamente nos estados de GO, MT, la ação do vento e da água de chuva. Para
MS, MG, SP, PR e Se. Esta doença tem si- o controle desta doença recomendam-se a
do favorecida no SPD, bem como em áreas utilização de cultivares resistentes, a elimi-
onde não se pratica a rotação de cultura. nação dos restos de cultura contaminados Figura 9 - Queima-bacteriana
A antracnose pode estar presente no lim- e a rotação de cultura. ,(Pseudomonas a/boprecipitans)

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Enfezamento-pálido Enfezamento-vermelho geral, as plantas afetadas não apresen-


Espiroplasma Fitoplasma tam acentuada redução do crescimento,
Esta doença é transmitida pela cigarri- O enfezamento-verrnelho (Fig. 11), à se- embora o tamanho das espigas e o enchi-
nha (Dalbulus maidis). Seus efeitos podem melhança do enfezamento-pálido, pode ser mento de grãos sejam seriamente preju-
resultar em drástica limitação da produção, seriamente lirnitante à produção do milho. dicados. As medidas de controle para o
particularmente quando as plantas de milho Esta doença, também, é transmitida por cigar- enfezamento-vermelho incluem, prin-
são infectadas nas fases iniciais de desen- rinhas, principalmente Dalbulus maidis. cipalmente, o uso de cultivares resisten-
volvimento (Fig. 10). Em geral, as plantas No Brasil, tem sido observado que, em tes.
apresentam encurtamento de intemódios,
formação de espigas pequenas e o enchi-
mento de grãos pode ser seriamente pre-
judicado. As espigas apresentam grãos
frouxos, pequenos, descoloridos ou man-
chados. Dependendo da culti var, as plantas
secam e morrem ou tombam antes da matu-
ridade, provavelmente devido ao enfraque-
cimento causado pela doença. Em regiões
onde o milho é cultivado em plantios su-
cessivos, as cigarrinhas migram de campos
doentes que atingiram a maturidade para
campos com plantas jovens, levando com
elas o agente da doença. O método mais
eficiente para controle do enfezamento-
pálido do milho é a utilização de cultivares
resistentes.

10 - Enfezamento-pálido
(espiroplasma) Figura 11 - Enfezamento-vermelho (fitoplasma)

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DOENÇAS DO COLMO plantas vivas e tomarem-se parasitas. Nes-


se caso, a eficiência da rotação de cultura é
Podridáo-do-colmo
questionável. Por outro lado, o manejo ade-
Stenocarpella (Oiplodia): S. maydis
quado da matéria orgânica e o bom preparo
ou S. macrospora
do solo permitirão sensível redução no
A podridão-do-colmo é uma doença potencial de inóculo. Culturas de milho cor-
favorecida por temperaturas entre 28°C e retamente adubadas, a fim de evitar dese-
30°C e umidade relativa alta, quando estas quilíbrios nutricionais, são mais resisten-
condições ocorrem duas a três semanas tes. A medida mais econômica e eficiente é
após a polinização (Fig. 12). O fungo, na a utilização de cultivares resistentes.
forma de picnídios e/ou micélio dormente,
sobrevive no solo, em restos de cultura e
em sementes. Por serem fungos invasores
do solo, a rotação de cultura, o manejo ade-
quado da matéria orgânica e o bom preparo
de solo reduzem, sensivelmente, o poten-
cial de inóculo no solo. A medida de con-
trole mais econômica e eficiente é a utili-
zação de cultivares resistentes.

Figura 14 - Podridão-do-colmo (Pythium sp.)

Anfracnose-do-colmo
Colletotrichum graminico/a
A antracnose-do-colmo (Fig. 15) toma-
se mais visível após o florescimento das
~ plantas de milho, e, conseqüentemente,
Jl

"
2 Figura 13 - Podridão-do-colmo
~
(Fusarium verticillioides
e F. subg/utinans)
~
'5
~ Podridáo-do-colmo
Figura 12 - Podridão-do-colmo Pythium
(Stenocarpella maydis
O principal causador é o fungo Pythium
ou S. macrospora)
aphanidermatum (Fig. 14), habitante natu-
ral do solo e que se diferencia dos demais
Pod ridáo-do-col mo
patógenos de colmo por atacar plantas
Fusarium verticillioides e ainda jovens e vigorosas, antes do flo-
F. subg/utinans rescimento. Em condições de alta umida-
São fungos (Fig. 13) habitantes do so- de do solo e alta temperatura, a podridão
lo. Apresentam elevado número de hos- ocorre no primeiro entrenó acima do solo.
pedeiros, vivem a maior parte de seu ciclo A principal medida de controle é o manejo Figura 15 - Antracnose-do-colmo
de vida como saprófitos, podendo infectar adequado da água de irrigação. (Colletotrichum graminicola)

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Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto 87

esta é a fase mais apropriada para o seu Podridão-mole-do-colmo a ocorrência da podridão-do-cartucho por
diagnóstico. A antracnose-do-colmo pode Erwinia carotovora pv. zeae E. chrysanthemi. Os sintomas típicos desta
causar a morte prematura da planta, propor- Como o nível de umidade do solo afeta, doença caracterizam-se pela murcha e seca
cionando o seu tombamento. Esta doença simultaneamente, a suscetibilidade do mi- das folhas do cartucho da planta, decor-
tem sido favorecida no SPD, bem como em lho e a virulência do patógeno, a manu- rentes de podridão aquosa na base desse
áreas onde não se pratica a rotação de cul- tenção de altos níveis de umidade no solo cartucho (Fig. 18). As folhas do cartucho
tura. Como medida de controle recomenda- é favorável a patógenos dependentes de desprendem-se facilmente e exalam odor
se a utilização de sementes sadias, culti- água para a sua disseminação, como é o desagradável. O controle desta doença do
vares resistentes e rotação de culturas. caso da bactéria Erwinia carotovora pv. milho, em plantios irrigados, pode ser efeti-

zeae, que causa a podridão-mole-do-colmo vamente conseguido através do adequado


Podridão-preta-do-colmo manejo da irrigação.
(Fig. 17). As plantas atacadas apresentam
Macrophomina phaseolina apodrecimento aquoso na base do colmo e
Este fungo se desenvolve melhor em morrem rapidamente. Esta doença pode
condições de solo seco e quente, causan- ocorrer, também, em locais de temperatura
do a podridão-preta-do-colmo do milho e umidade do ar relativamente altas.
(Fig. 16). Esta doença é facilmente preve-
nida em cultivos irrigados com a umidade
do solo mantida próxima da capacidade de
campo. A incidência desta doença aumen-
ta em condições de altas temperaturas e
seca por ocasião do florescimento do mi-
lho.

o
Q.

"
.D

E
w
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o "5
~ ~
Jl <
~ Figura 18 - Podridão-do-cartucho
~
::E (Erwinia chrysanthemi)
o
Q.

"
.D
..§
.~ DOENÇAS DA ESPIGA
~
! Carvão-da-espiga
Figura 17 - Podridão-mole-do-colmo
Ustilago maydis
(Erwinia carotovora pv. zeae)
Doença muito comum e de fácil iden-
tificação. Ocorre na lavoura normalmen-
Podridão-do-cartucho
o te em baixa freqüência (plantas isoladas).
e>
Jl Erwinia chrysanthemi O desenvolvimento do carvão-da-espiga
e
~ Em geral, as bactérias necessitam de (Fig. 19) é favorecido por temperatura alta
::E
8. água livre e altas temperaturas para sua mul- (26-34°C), baixa umidade do solo e em plan-
"
..§ tiplicação e disseminação.
.D Assim, a alta tas de milho com deficiência nutricional.
g umidade proporcionada pelo excesso de A infecção da espiga resulta na substitui-
'5
! água de irrigação ou chuva, principalmente, ção dos grãos ou das sementes pelas estru-
Figura 16 - Podridão-preta-do-colmo pelo acúmulo de água no cartucho da plan- turas do fungo, com evidente formação de
(Macrophomina phaseo/ina) ta, associada a altas temperaturas, favorece galhas.

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88 Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto

Podridão-rosada-da-espiga Podridão-vermelha-da-
Fusarium verticillioides ou ponta-da-espiga
F. subglutinans Gibberella zeae

A infecção dos grãos pode-se iniciar Esta podridão de espiga é conheci-


pelo topo ou por qualquer outra parte da, também, pelo nome de podridão-de-
da espiga (Fig. 21), mas sempre associada Gibberella. É mais comum em regiões de
a alguma injúria no grão (grãos ardidos). clima ameno e de alta umidade relativa.
A medida mais econômica e eficiente é a A ocorrência de chuvas após a poliniza-
utilização de cultivares resistentes. ção propicia a ocorrência desta podridão
de espiga. A doença inicia-se com massa
cotonosa avermelhada na ponta da espi-
ga (Fig. 22) e pode progredir para sua base.
A palha pode ser colonizada pelo fungo e
tomar-se colada na espiga. Ocasionalmen-
te, esta podridão pode-se iniciar na base e
progredir para a ponta da espiga, confun-
dindo o sintoma com aquele causado por
Fusarium verticillioides ou F. subglutinans.
Figura 19 - Carvão-da-espiga
Chuvas freqüentes no final do desenvol-
(Ustilago maydis)
vimento da cultura, principalmente em
Podridão-branca-da-espiga lavoura com cultivar com espigas que não
se dobram para baixo após a maturidade
Stenocarpella maydis
fisiológica dos grãos, aumentam a incidên-
ou S. macrospora
cia desta podridão de espiga (grãos ardi-
Esta podridão é causada pelo mesmo
dos). Este fungo sobrevive nas sementes
agente etiológico da podridão-do-colmo.
na forma de micélio dormente. A forma
Espigas infectadas apresentam grãos de
as sexual de Gibberella zeae é denominada
cor marrom, denominados grãos ardidos;
F graminearum.
de baixo peso e com crescimento micelial
branco entre as fileiras de grãos (Fig. 20).
Espigas mal empalhadas, com palhas frou-
xas e que não se dobram para baixo após a
maturidade fisiológica dos grãos são mais
suscetíveis. Alta precipitação ou irriga-
ções freqüentes na época da maturidade
dos grãos favorecem o aparecimento desta
doença. A medida de controle mais econô- Figura 21 - Podridão-rosada-da-espiga
mica e eficiente é a utilização de cultivares (Fusarium verticillioides
resistentes. ou F. subglutinans)

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o
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.[ Figura 22 - Podridão-vermelha-da-ponta-
Figura 20 - Podridão-branca-da-espiga (Stenocarpella maydis ou S. macrospora) da-espiga (Gibberella zeae)

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Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto 89

Os grãos ardidos em milho são o reflexo são exímios biossintetizadores de toxinas, As principais micotoxinas que têm sido
das podridões de espigas, causadas pelos denominadas micotoxinas. relatadas contaminando o milho na fase de
fungos presentes no campo, isto é, na fa- Como padrão de qualidade tem-se, em pré-colheita são as aflatoxinas (Aspergillus
se de pré-colheita. São considerados grãos algumas agroindústrias, a tolerância máxi- flavus e A. parasiticus), as ocratoxinas (A.
ardidos todos aqueles que possuem pelo ma de 6% para grãos ardidos, em lotes co- ochraceus) e as toxinas de Fusarium: zea-
menos l,4 de sua superfície com descolo- merciais de milho. Quando ocorrem fortes ralenona (produzida por F. graminearum e
rações, cuja matiz pode variar de marrom- chuvas após o estádio da maturidade fisio- F. roseum), deoxinivalenol- DON ou vomi-
claro a roxo (Fig. 23) ou vermelho-claro a lógica dos grãos e também há a posterga- toxina (F. graminearum e F. verticillioides),
vermelho-intenso (Fig. 24). Esses fungos ção na colheita do milho, normalmente a toxina T-2 (F. sporotrichioides) e as fumo-
podem ser divididos em dois grupos: aque- incidência de grãos ardidos supera este limi- nisinas (F. verticillioides, F. subglutinans
les que apenas produzem grãos ardidos e te de tolerância máxima, cujos valores têm e F. proliferatum). Assim, as perdas qua-
aqueles chamados toxigênicos, que, além atingido freqüentemente 10% a 20%, em litativas por grãos ardidos são motivos
de propiciar a produção de grãos ardidos algumas cultivares. de desvalorização do produto e ameaça à
saúde humana e à dos rebanhos.

DOENÇAS DAS SEMENTES,


RAíZES E PLÂNTULAS
As sementes de milho estão sujeitas a
danos por fungos no campo de produção
de sementes, durante o período de armaze-
namento e pelos fungos presentes no solo
da semeadura. A semente pode ser infes-
tada ou infectada por fungo. Na infesta-
ção, o fungo localiza-se externamente na
g, superfície dela; enquanto que na infecção
.,
~ o fungo aloja-se nos tecidos internos da
i"i. semente: endospenna e embrião.
8. Os fungos que sobrevivem no solo
~ na forma de estruturas de resistência (ela-
Jj
g midosporos, esclerócios e oósporos) ou
·S
~ aqueles que infectam as sementes podem
causar o apodrecimento delas (Fig. 25),

Figura 25 - Podridão-de-sementes
Figura 24 - Grãos ardidos (Fusarium verticillioides) (Pythium aphanidermatum)

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90 Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto

morte de plântulas em pré ou pós-emergência ção de lesão mole, a qual pode apresentar No solo, os fungos encontram condi-
(Fig. 26 e 27), e podridões radiculares em coloração preta, branco-parda ou branco- ções ideais para atacar as sementes de mi-
plântulas (Fig. 28 e 29). Na morte das plân- rosada, indicando o ataque de Pythium lho, principalmente, quando a semeadura é
tulas, o fungo ataca a região do mesocó- spp., Diplodia maydis ou Fusarium spp., realizada em condições subótimas, isto é,
tilo, próximo ao nível do solo, com forma- respecti vamente. em solo frio, mal drenado, compactado e

Figura 26 - Plântulas atacadas por Sclerotium ro/fsii

o
e>
Jl
v

~
~
8.
..ae
.5
~
'5
~ Figura 29 - Podridão-das-raízes
Figura 27 - Plântulas atacadas por Pythium aphanidermatum (Rhizoctonia so/ani)

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Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto 91

com baixo nível de oxigênio; condição em dem ser parasitadas por Meloidogyne e ficando em primeiro os causadores de ga-
que há impedimento da germinação, ou a Pratylenchus. lhas do gênero Meloidogyne. No entanto,
velocidade de emergência é reduzida, apresenta um número de trabalhos reali-
propiciando maior exposição ao ataque dos Meloidogyne: zados no Brasil ainda inferior ao necessário
fungos. Temperatura do solo entre 10°C a nematóide-de-galhas (FERRAZ,1999).
12°C impede a germinação das sementes A ocorrência de Meloidogyne parasi- O gênero Pratylenchus engloba, apro-
de milho, porém não cessa o desenvol- tando milho e causando prejuízos foi rela- ximadamente, mais de 60 espécies descritas
vimento de fungos do solo causadores de tada por Lordello et al. (1986b) e tratava-se (TlHOHOD, 2000). A distribuição geo-
apodrecimento de sementes. de Meloidogyne incognita raça 3. Atual- gráfica do nematóide-das-lesões é ampla,
O potencial de inóculo do fungo no solo mente, Meloidogyne incognita e M. javanica parasitando várias cultivares de grande
é fator importantíssimo na germinação das são as espécies mais comuns em lavou- interesse como soja, milho, algodão, fumo,
sementes e atua na intensidade de resposta ras de milho no Brasil. Sob condições expe- trigo, alfafa, maçã, pêssego e citros (GOODEY
da semente ao tratamento com fungicida. rimentais 2 mil juvenis de 2º estádio de et al., 1965). Além disso, apresenta grande
Em solo muito infectado, mesmo que as Meloidogynelkg de solo reduz o cresci- número de plantas infestantes como hos-
sementes tenham alto vigor, a melhor de- mento e a produção do milho. pedeiros, que possibilitam a sobrevivência
cisão é tratá-Ias com fungicidas. Também, As espécies de Meloidogyne são bas- na entressafra e interferem na eficácia de
para as regiões mais frias ou para plantios tante polífagas, ou seja, apresentam ampla programas de rotação de culturas, quando
de inverno, devem-se utilizar lotes com alto gama de hospedeiros. Desse modo, há com- não são eliminadas (MANUEL et al., 1980).
vigor, associados ao tratamento das se- prometimento da utilização de rotação de Entre as plantas infestantes que se desta-
mentes com fungicidas. culturas, pois existe escassez de opções cam pela alta multiplicação, relacionam-se
de plantas não-hospedeiras. Entre os hos- para Pratylenchus brachyurus: carrapi-
NEMATÓIDES DO MILHO chinho (Alternanthera ficoidea), capim-
pedeiros, incluem-se as plantas infestantes
Muitas espécies de fitonematóides já como beldroega, caruru, capim-marmelada carrapicho (Cenchrus echinatus), capim-
foram associadas ao milho em diferentes e maria-pretinha, que são ótimas hospe- marmelada (Brachiaria plantaginea),
partes do mundo. No Brasil, as espécies mais deiras para Meloidogyne incognita e M. maria-pretinha (Solanum nigrum), capim-
importantes são Pratylenchus brachyurus, javanica. O descuido de não evitá-Ias tan- colchão (Digitaria sanguinalis), bra-
P. zeae, Helicotylenchus spp. Steiner, to na safra como na entressafra pode resul- quiárias (Brachiaria spp.), tiririca (Cyperus
Criconemella spp. De Grises and Loof, tar no fracasso da tentativa de reduzir o spp.) e grama-batatais (Paspalum notatum).
Meloidogyne spp. Goeldi e Xiphinema nível populacional do nematóide. Enquanto que para Pratylenchus zeae,
spp. Cobb. Rotylenchulus reniformis tam- capim-colonião (Panicum maximumi, capim-
bém já foi associada como parasito de raízes Sintomas
carrapicho, sapé (Imperata brasiliensisi e
de milho. O sistema radicular apresenta peque- tiririca são ótimas hospedeiras.
A constatação da ocorrência de nematói- nas galhas. No entanto, as galhas podem Os nematóides-das-lesões são encon-
des na cultura, principalmente Meloidogyne estar totalmente ausentes e, por isso, mui- trados em quase todos os cultivos de milho
incognita e M. javanica, que causam danos tas vezes o milho é considerado, erronea- e são freqüentemente associados com o
em lavouras de milho, tem sido freqüente mente, como mau hospedeiro ou até mesmo crescimento reduzido da cultura. Pratylenchus
em alguns Estados brasileiros (CARNEI- imune. Sintomas observados na parte aérea brachyurus, P. zeae e P. penetrans são as
ROetal., 1990; LORDELLOetal., 1986ab). do milho que refletem o parasitismo nas espécies mais encontradas em regiões
Em muitas regiões brasileiras, o cultivo do raízes, compreendem nanismo, clorose fo- tropicais e subtropicais.
milho apresenta-se como única opção agrí- liar, murcha durante os dias quentes e essas Esses nematóides são tipicamente mi-
cola em programas de rotação de culturas plantas doentes formam as reboleiras de gradores e endoparasitas de órgãos sub-
principalmente em função da sua adapta- tamanho variável. terrâneos, não obstante possam ser encon-
bilidade às diversas condições edafocli- trados associados a órgãos aéreos, como
máticas. Além disso, em áreas produtoras Pratylenchus: em estacas da planta ornamental Coleus,
de soja com Heterodera glycines, o milho nematóide-das-Iesões- causando lesões a cerca de 5 em acima do
é a cultura mais utilizada nos planos de ro- radiculares nível do solo (THORNE, 1961), ou em ramos
tação por tratar-se de planta não-hospedeira No Brasil, o nematóide-das-Iesões deaveiaecevada(MERZHEEVSKAYA, 1951).
a essa espécie (MANZOTTE et al., 2002). posiciona-se como o segundo grupo mais Os nematóides-das-lesões têm quatro
Por outro lado, estas duas culturas po- importante de fitonematóides à agricultura, estádios juvenis e o adulto. Os ovos po-

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92 Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto

dem ser depositados no interior das raízes 1976). A temperatura de 20°C é considera- rias do solo, resultando no aparecimento
ou no solo. Embora sejam comumente mais da ótima para o bom desenvolvimento de de muitas lesões necróticas típicas, de
encontrados no interior dos tecidos vege- raízes e é simultaneamente ótima para pene- coloração escura.
tais parasitados. A célula-ovo passa pela tração máxima na raiz e desenvolvimento P. zeae causa interrupção mecânica das
embriogênese, resultando no primeiro doP. brachyurus (mCKERSON etal., 1964). células e necrose, e resulta na formação
estádio juvenil (11). Ocorre a primeira troca Nas espécies de clima tropical, como P. de cavidades no tecido cortical (OLOWE;
de cutícula no interior do ovo, resultando brachyurus, o ciclo completa-se em 28 dias CORBETT, 1976;OLOWE, 1977). Ao con-
no segundo estádio (J2). Esse juvenil eclode a 30°C - 35°C e a mais alta taxa de reprodu- trário, P. brachyurus causa mais necrose
e inicia sua alimentação ao penetrar na raiz ção foi observada a 29°C - 30°C (LINDSEY; do que danos mecânicos. Ocasionalmente,
da planta. Os juvenis, a partir de J2, sofrem CAIRNS, 1971;OLOWE; CORBEIT, 1976). é observada uma delicada hipertrofia da
três ecdises antes de tomarem-se adultos. Embora para muitas espécies de célula. A presença de pequenas lesões na
O segundo, terceiro e quarto estádios juve- Pratylenchus não se tenham dados sobre superfície da raiz planta pode ser observada
nis e os adultos (fêmeas) são infectivos e a influência de características físicas do com freqüência. A alteração das células é
penetram nas raízes, movimentando através solo, sabe-se que a textura dele está li- o resultado da reação às toxinas produzidas
ou entre as células do córtex, enquanto se gada ao desenvolvimento do nematóide. pelo nematóide (BROOKS; PERRY, 1967).
alimentam do conteúdo celular (NICKLE, Em P. zeae, verificou-se que a movimen- As reboleiras são características nas
1984). tação horizontal foi bem maior em solo pratilencoses de cultivos de milho, consis-
A reprodução em Pratylenchus pode arenoso do que em solo argiloso, quase tindo de conjunto de plantas que apresenta
ser realizada por anfimixia, partenogênese não havendo migração na ausência de sintomas reflexos na parte aérea em fun-
meiótica ou partenogênese mitótica, sendo raízes (ENDO, 1959). ção do parasitismo que acontece nas raízes.
aparentemente equivalentes os números de As plantas tomam-se pequenas (nanismo),
espécies anfirníticas e partenogenéticas Sintomas com ramos finos e folhas cloróticas ama-
(ROMAM; TRIANTAPHYLLOU, 1969; O gênero Pratylenchus, segundo Tiho- relecidas. A murcha pode ocorrer durante
LUC,1987). hod (2000), causa nas raízes ferimentos, a estação seca e, com ataque severo, pode
Os machos de P.brachyurus são extrema- onde outros organismos patogênicos como acontecer a desfolha. Espigas pequenas e
mente raros, visto que as fêmeas reproduzem- bactérias e fungos, tomam-se oportunistas mal granadas podem também ser obser-
se por partenogênese mitótica. O período e penetram. Essa interação ocasiona a for- vadas.
necessário para completar uma geração mação de lesões que resultam na destruição
varia conforme a temperatura. Em baixas dos tecidos da raiz. Os sistemas radiculares Manejo de áreas contaminadas
temperaturas, o ciclo de vida é retardado parasitados mostram-se reduzidos, pouco por nematóides
em milho, quando comparado com o desen- volumosos e rasos. O milho é uma das culturas mais re-
volvimento em temperaturas mais altas Os juvenis e/ou adultos entram nas comendadas para a prática de rotação
(TIHOHOD, 2000). Uma geração completa- raízes e penetram através ou entre as célu- em áreas infestadas com Meloidogyne
se em quatro a oito semanas, em média, e o las do córtex, alimentando-se do conteú- javanica (Treub, 1885) Chitwood 1949, pela
desenvolvimento é parcial ou totalmente do celular, enquanto migram pelos tecidos. existência de muitos genótipos que não
no interior dos tecidos vegetais, particular- O parênquima cortical fica bastante desor- permitem a multiplicação do nematóide.
mente nos sistemas radiculares das plantas ganizado, devido à destruição de nume- No entanto, para P. brachyurus, P. zeae
hospedeiras. Assim, várias gerações po- rosas células durante a movimentação dos Graham 1951 eM. incognitajánão há essa
dem ocorrer durante o ciclo vegetativo das espécimes (ação mecânica). Também, du- pronta disponibilidade.
culturas (JENKINS; TAYLOR, 1967). rante a alimentação, observa-se injeção de O conhecimento do fator de reprodu-
A temperatura juntamente com a espécie secreções esofagianas no interior das cé- ção (FR) das espécies de nematóides em
vegetal afeta efetivamente o desenvolvi- lulas (ação tóxica), as quais se degeneram genótipos de milho é importante. O FR é
mento e a reprodução do Pratylenchus e acabam morrendo pouco tempo depois calculado pela razão entre a população final
(OLOWE; CORBETT, 1976; ZIRAK- da retirada do nematóide. Com isso, ocorre do nematóide (colheita) e a população ini-
PARVAR et aI., 1980). Freqüentemente a severa proliferação de raízes laterais em cial do nematóide (semeadura), e expressa
temperatura ótima para desenvolvimento milho (OGIGA; ESTEY, 1975; ZIRAK- se o genótipo é bom ou mau hospedeiro.
do nematóide está correlacionada com a PARVAR et al., 1980). As radicelas infes- Os híbridos e cultivares de milho utilizados
temperatura ótima requeri da para um bom tadas por Pratylenchus freqüentemen- em plantios comerciais devem apresentar
crescimento da planta (OLOWE; CORBETT, te sofrem invasão por fungos e/ou bacté- FR menor que 1, se possível igual a zero ou

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Cultivo do milho no Sistema Plantio Direto 93

próximo de zero, ou seja, maus hospedei- A utilização de genótipos resistentes In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NEMA-
ros. Deve haver pressão por parte dos seria a medida mais eficiente e econômi- TOLOGIA,14., 1990, Londrina. Resumos ...
agricultores, para que as empresas de se- ca de controle desses nematóides. Porém, Londrina: Sociedade Brasileira de Nematologia,
mentes de milho forneçam as informações pouco se sabe sobre a resistência de espé- 1990. p.4.
de FR. Há uma variação de hospedabilida- cies vegetais ao nematóide-das-lesões.
DICKERSON, 0.1.; DARLING, H.M.; GRIFFIN,
de dos vários genótipos testados e como Segundo Ferraz (1999), quanto ao con-
C.D. Pathogenicity and population trends of
esses materiais apresentam diferenciação trole de P. brachyurus e P zeae nas culturas
Pratylenchus penetrans on potato and com.
de uso regional, são muitos no mercado, e da cana-de-açúcar, do café e do milho, há
Phytopathology, Worcester, v.54, n.3, p.317-
as informações são escassas e nem sempre um número expressivo de trabalhos desen-
322, Mar. 1964.
atualizadas. volvidos no País. Contudo, muitos foram
Brito e Antônio (1989), trabalhando divulgados na forma de resumos e de publi- ENDO, B.Y. Responses of root-lesion nernato-
com diversos genótipos de milho, obser- cações de difícil acesso. Outro problema des, Pratylenchus brachyurus and P zeae, to
varam que dos materiais testados, a maio- levantado foi que as estratégias avaliadas various plants and soil types. Phytopathology,
ria comportou-se como resistente ao ne- visam o controle não só do Pratylenchus, Baltimore, v.49, p.417-421, July 1959.
matóide M. javanica. Em outro trabalho, mas primariamente das espécies de
Meloidogyne. FELLI, L.F.S.; MONTEIRO, A. R. Hospeda-
Manzotte (2002) constataram que, dos 56
Outras medidas, como o alqueive que bilidade de variedades de milho, Zea mays, a
materiais, 24 mostraram-se resistentes a
consiste em arações sucessivas, arranquio Meloidogyne incognita raça 1. Nematologia
M. javanica. Por outro lado, Felli e Mon-
e eliminação de restos culturais, também Brasileira, Piracicaba, v.l1. p.6-7, 1987.
teiro (1987), Manzotte (2002) e Medeiros et
al. (2001) avaliaram genótipos de milho são importantes no controle desses nema-
FERRAZ, L.C.C.B. Gênero Pratylenchus: os ne-
quanto à reação de M. incognita e M. tóides (TIHOHOD, 2000). Entretanto, deve-
matóides das lesões radiculares. Revisão Anual
javanica, e observaram suscetibilidade em se recorrer também a medidas de prevenção
de Patologia de Plantas, v.7, p.157-195,
todos os materiais estudados. para impedir ou limitar a contaminação de
1999.
Embora a resistência do milho a M. áreas não infestadas, principalmente com
javanica já tenha sido relatada, as reações relação ao trânsito de máquinas e imple- GOODEY, J.B.; FRANKLIN, M.T.; HOOPER,

de cultivares utilizadas no Nordeste e das mentos agrícolas. DJ.T. Goody's: the nematode parasites of plant

linhagens selecionadas nos programas de catalogued under their horts. 3rd. ed. Farnham

melhoramento dirigidos àquela região não REFERÊNCIAS Royal: CAB, 1965. 138p.

são conhecidas. Um dos principais fatores


ANDREI, E. Compêndio de defensivos agrí- JENKINS, W.R.; TAYLOR, D.P. Plant nema-
responsáveis por essa falta de informação
colas. 6.ed. comp. de atual. São Paulo: Organi- tology. New York: Reinhold, 1967. 270p.
é que o parasitismo do nematóide-das-
zação Andrei, 2003. v.2, 302p.
galhas em milho nem sempre induz à for- LINDSEY, D.W.; CAIRNS, EJ. Pathogenicity of
mação de genótipos efetivamente resis- _____ . Compêndio de defensivos agríco- the lesion nematode, Pratylenchus brachyurus,
tentes (MEDEIROS et al., 2001). las: guia prático de produtos fitos sanitários para on six soybean cultivars. Journal of Nemato-
Carbofuran é o ingrediente ativo dos uso agrícola. 6.ed. rev. e atual. São Paulo: Orga- logy, v.3, p.220-226, 1971.
nematicidas recomendados para a cultura nização Andrei, 1999. 672p.
LORDELLO, A.I.L.; LORDELLO, R.R.A.;
do milho no controle de Pratylenchus zeae
BRITO, J.A. de; ANTÔNIO, H. Resistência de SAWAZAKI, E. Susceptibilidade de genótipos de
(ANDREI, 1999,2003). Acréscimos de 33%
genótipos de milho a Meloidogyne javanica. milho às raças de Meloidogyne incognita.
a 128% na produção podem ser obtidos
Nematologia Brasileira, Piracicaba, v.13, Nematologia Brasileira, Piracicaba, v.lO, p.21-
após a aplicação de nematicidas.
p.129-137, 1989. 22, 1986a.
Entre as alternativas, o uso da rota-
ção de cultura com plantas do gênero BROOKS, T. L.; PERRY, vo Pathogenicity LORDELLO, R.R.A.; LORDELLO, A.I.L.;
Crotalaria é uma eficiente medida de of Pratylenchus brachyurus to citrus. Plant SAWAZALI, E.; TREVISAN, w.r, Nematóide
controle. Considerando-se que no Brasil Disease Report, Beltsville, v.51, p.569-573, das galhas danifica lavoura de milho em Goiãs,
poucas pesquisas têm sido feitas sobre a 1967. Nematologia Brasileira, Piracicaba, v.I0,
utilização de Crotalaria no controle de espé- p.145-149, 1986b.
cies de Pratylenchus, estudos mostram CARNEIRO, R. G.; ANTÔNIO, H.; BRITO, J.A.;

que a maioria das espécies de Crotalaria ALTÉIA, A.A.K. Identificação de espécies e raças LUC, M. A reappraisal of Tylenchida (Ne-
apresentam acentuada resistência a P. fisiológicas de Meloidogyne na região Noroeste mata) - 7: the family Pratylenchidae Thorne.
brachyurus e P. zeae (SILVAet al., 1989). do estado do Paraná: resultados preliminares. Review Nematology, v.I0, p.203-218, 1987.

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p.1l2-120, 1951. metogenesis and reproduction of seven species of 1980.

A UFV e a EPAMIG acabam de firmar uma parceria, que visa multiplicar sementes
de variedades melhoradas de milho, para atender o pequeno e o médio produtor.

UFVM 100 cJ4iYaIivo- UFVM 200 c!fY~


• Tripla finalidade: grãos, silagem e milho-verde • Potencial produtivo de grãos: 120 sacas/ha
• Potencial produtivo de grãos: 120 sacas/ha • Adequado para baixa e média tecnologia
• Potencial produtivo de silagem: 40 t/ha de massa verde • Ciclo precoce
• Adequado para baixa e média tecnologia • Ótimo empalhamento das espigas
• Duas espigas por planta • Espigas grandes / Grãos duros e alaranjados
• Grãos amarelos, dentados e macios • Maior tolerância aos carunchos
• Baixo custo das sementes • Baixo custo das sementes
• Excelente retorno econômico • Excelente retorno econômico

Sementes disponíveis para venda, a partir do segundo semestre de 2007.


Informações pelo telefone: (31) 3488-8685

Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v.27, n.233, p.82·94, jul./ago. 2006