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Introdução Bíblica

Pr. Handerson Xavier


Introdução Bíblica
A Bíblia

 Vem do grego e significa “livro”.


 Formada pelos livros Canônicos.
Inspirados
Inerrantes
Infalíveis
Suficientes
 66 livros considerados autoritativos.
 “Sola Scriptura” da Reforma Protestante.
 Termo utilizado por João Crisóstomo (sec.
IV).
Introdução Bíblica
O material utilizado

 Papiro
Introdução Bíblica
O material utilizado

 Pergaminho
Introdução Bíblica
O formato dos livros

 Rolo
Introdução Bíblica
O Grande Rolo de Isaías
http://dss.collections.imj.org.il/isaiah
Introdução Bíblica
O formato dos livros

 Códices (códex)
Codex Sinaiticus: escrito em grego, data
do séc. IV. Único que contém todo o Novo
Testamento.
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O formato dos livros

 Códices (códex)
Codex Vaticanus: escrito em grego, data
do séc. IV. Contém praticamente toda a
Bíblia.
Introdução Bíblica
O formato dos livros

 Códices (códex)
Codex Alexandrinus: escrito em grego,
data do séc. V. Contém toda a Septuaginta e
o Novo Testamento.
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O formato dos livros

 Códices (códex)
Codex Leningradensis: Um dos mais
antigos e o mais completo com o texto
massorético. Data do ano 1008 d.C.
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As traduções

 A Vulgata
Tradução em latim da Bíblia. Feita entre
os séculos IV e V por São Jerônimo.
É a versão oficial da Igreja Católica
desde o concílio de Trento (1546).

 A Septuaginta
Tradução grega a partir do texto
hebraico do Antigo Testamento. Feita entre
os séculos III a.C. e I a. C.
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Outras traduções históricas

 A Bíblia de Wycliffe
Tradução para o inglês da Vulgata. Feita
entre os anos 1382 e 1395.
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Outras traduções históricas

 A Bíblia de Lutero
Tradução para o alemão feita por Lutero
no séc. XVI a partir dos originais.
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Outras traduções históricas

 A Bíblia de Tyndale
Escrita para o inglês a partir do séc.
XVI. Composta por todo o NT e metade do AT.
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Outras traduções históricas

 A Bíblia King James (Rei Tiago)


Feita no início do séc. XVII a pedido do
Rei Tiago (ou Jaime I). É a versão oficial da
Igreja Anglicana.
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Outras traduções históricas

 A Bíblia em português
Séculos XIII e XIV com D. Diniz.
Todas eram traduções católicas.
Em 1628 nasce João Ferreira
D’Almeida, que se converte em 1642.
Como membro da Igreja Reformada
Holandesa foi evangelista, pastor, teólogo e
tradutor.
Em 1670 concluiu sua tradução do Novo
Testamento, que só foi publicado em 1681.
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Outras traduções históricas

 A Bíblia em português
Somente em 1819 a Bíblia completa foi
publicada.
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O Cânon

 O termo: vem de um termo grego que


significa “vara de medir”, indicando que tais
livros servem de norma para a Igreja;
 Atanásio (Sec. IV) foi o primeiro a utilizar o
termo;
 No ano 327 d.C. Atanásio já listava os 27
livros do Novo Testamento.
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O Cânon do Antigo Testamento

 O Canon Alexandrino (longo): 46 livros,


incluindo os apócrifos;
 O Canon Palestinense (curto): 39 livros,
excluindo os apócrifos;
 Os 39 livros aceitos tanto por judeus, quanto
católicos e protestantes são chamados de
“protocanônicos”;
 Os 7 livros que estão presentes apenas no
canon católico são chamados de
“deuterocanônicos”;
 No ano 130 d.C. já era conhecida a tríplice
divisão do AT: Lei, Profetas e Escritos.
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O Cânon do Antigo Testamento

 O Cânon Protestante é igual ao cânon


massorético hebraico, mas segue a divisão da
Vulgata e Septuaginta;
 Flávio Josefo, historiador judeu (37 – 95 a.C.)
cita o conjunto de 22 livros do canon
hebraico;
 O Concílio de Trento (1546) definiu o Cânon
Católico e considerou “anátema” os que não
o aceitassem;
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O Cânon do Antigo Testamento

 Critério de canonicidade:
1. A língua original;
2. Sem incoerência com os escritos de
Moisés;
3. Escritos entre Moisés e Esdras;
4. Não podia expressar dúvida de que seus
escritos eram inspirados por Deus;
5. Ausência de erros nas narrativas históricas;
6. A autoria direta ou indireta de homens de
Deus.
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O Cânon do Antigo Testamento

 Rejeição dos apócrifos:


1. Não possuem manuscrito em hebraico;
2. Nunca constaram da Tanakh Hebraica;
3. Ensinam doutrinas incoerentes com AT e o
NT;
4. Alguns, como I Macabeus, Judite e Tobias,
trazem erros históricos e geográficos;
5. Foram escritos depois de Esdras;
6. Não transmitem autoridade;
7. Nenhum deles foi citado por Jesus ou
pelos apóstolos.
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O Cânon do Antigo Testamento

 O Concílio de Jamnia:
 Após a destruição de Jerusalém (70 d.C.)
um grupo de eruditos judeus criou uma
escola na cidade de Jamnia e lá definiram
quais eram os 22 livros canônicos (39
segundo nossa Bíblia).
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O Antigo Testamento Hebraico (Tanakh)
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O Antigo Testamento Protestante
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O Cânon do Novo Testamento

 Até o ano 175 d.C. a Igreja reconheceu quais


eram os livros canônicos;
 Marcião, herege gnóstico, foi o primeiro à
propor um cânon, excluindo propositalmente
os livros que considerava contrários ao seu
pensamento;
 A perseguição trazia a necessidade de saber
quais livros serviam de orientação à Igreja;
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O Cânon do Novo Testamento

 Critérios de canonicidade:
1. Autoria: escrito por um apóstolo ou
alguém ligado à eles;
2. Doutrina: coerente com a doutrina dos
apóstolos;
3. Uso: a Igreja já os reconhecia e utilizava
na edificação;
4. Período: escritos no primeiro século;
Obs.: A Igreja não escolheu o Cânon; apenas o
reconheceu.
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O Cânon do Novo Testamento

 Critério de canonicidade:
 Em 327, Atanásio listou os atuais 27 livros
como canônicos e o Concílio de
Calcedônia, 451, encerrou finalmente a
questão.
 Alguns livros tiveram dificuldades em
serem aceitos por questões de autoria:
Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas
e Apocalipse.
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Divisão do Novo Testamento

 Evangelhos sinóticos:
 “evangelho” é uma palavra grega que
significa “boa nova”;
 Em 1776, um pesquisador alemão chamado
J.J. Griesbach publicou a obra Synopsis
evangeliorum (Sinopse dos evangelhos).
Foi a primeira vez que se utilizou o termo
“sinótico” aos escritos dos três primeiros
evangelhos;
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Divisão do Novo Testamento

 Evangelhos sinóticos:
Passagens Mt Mc Lc
Comuns aos três 330 330 330
Comuns a Mt-Mc 178 178
Comuns a Mc-Lc 100 100
Comuns a Mt-Lc 230 230
Próprios a cada um 330 53 500
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Divisão do Novo Testamento

 Evangelhos sinóticos:
 A partir da ideia dos sinóticos, surgiu a
TEORIA DAS DUAS FONTES;
 Segundo essa teoria (não comprovada),
Mateus e Lucas utilizaram o evangelho de
Marcos e um documento chamado de Q
(Quelle) na escrita de seus evangelhos;
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Divisão do Novo Testamento

 Evangelhos:
 Sinóticos:
Mateus: Escrito pelo apóstolo Mateus aos
judeus por volta de 60 d.C., busca apresentar
a Jesus como o Rei e Messias esperado. Faz
uso de muitos textos do AT e da expressão
“Reino dos Céus”;
Marcos: Escrito entre 50 e 70 d.C. por
João Marcos, companheiro de Paulo e Pedro e
dirigido aos romanos. Apresenta um Cristo
dinâmico e forte, principalmente através de
seu poder.
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Divisão do Novo Testamento

 Evangelhos:
 Sinóticos:
Lucas: Escrito por Lucas, o médico amado
(Cl 4:14), por volta do ano 60 d.C. Também
escreveu Atos. Dirigido aos gregos, apresenta
Jesus como o homem perfeito. É o mais rico
em detalhes;
 João: Escrito por João, irmão de Tiago,
filho de Zebedeu e dirigida a todos os
cristãos no final do primeiro século.
Escrito para combater a heresia gnóstica.
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 Evangelhos sinóticos:
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Novo Testamento:
Mt 50 –75 dC Mateus Mc 65—70 dC Marcos
Lc 59—75 dC Lucas Jo 85 dC João
At 62 dC Lucas Rm 56 dC Paulo
1Co 56 dC Paulo 2Co 56 dC Paulo
Gl 55—56 dC Paulo Ef 60—61 dC Paulo
Fp 61 dC Paulo Cl 61 dC Paulo
1Ts 50 dC Paulo 2Ts 50 dC Paulo
1Tm 64 dC Paulo 2Tm 66—67 dC Paulo
Tt 64 dC Paulo Fm 60—61 dC Paulo
Hb 64—68 dC ? Tg 48-62 dC Tiago (irmão de
Jesus)
1Pe 60 dC Pedro 2Pe 65—68 dC Pedro
1Jo 90 dC 1,2,3 Jo // João Jd 65—80 dC Judas
Ap 70—95 dC João
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Divisão do Novo Testamento

 Olivro de Atos dos Apóstolos


 Data: escrito entre 61 e 64 d.C.;
 Autor: evangelista Lucas;
 Trata sobre o avanço da igreja primitiva;
 É um livro histórico, apesar de ter
endereçamento;
 Como narrativa histórica, precisamos ter
cuidado ao estabelecer doutrinas com base
unicamente em seus relatos.
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Divisão do Novo Testamento

 O livro de Atos dos Apóstolos


 As viagens de Paulo:
 1ª. viagem (com Barnabé). Antioquia da
Síria - Chipre- Antioquia da Pisídia - Icônio
- Listra - Derbe - Antioquia da Síria. (Atos
13 e 14).
 2ª. viagem (com Silas e Lucas desde
Trôade)- Antioquia- Síria- Cilícia- Derbe-
Listra- Galácia- Trôade- Filipos-
Tessalônica- Beréia- Atenas- Corinto-
Éfeso- Jerusalém- Antioquia. (Atos 15: 40-
18 :22).
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Divisão do Novo Testamento

 O livro de Atos dos Apóstolos


 As viagens de Paulo:
 3ª. viagem (com Silas, Lucas e outros) -
Antioquia - Galácia-Frígia - Éfeso -
Macedônia - Trôade - Mileto - Tiro -
Cesaréia - Jerusalém - Prisão e
encarceramento em Cesaréia . (Atos 18:23
- 26:32).
 4ª. viagem (com Lucas e outros discípulos)
- Cesaréia - Licia - Ilha de Creta (naufrágio)
- Malta - Silícia - Roma. ( Atos 27-28).
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Divisão do Novo Testamento

 Epístolas Paulinas:
 Epístolas maiores:
Romanos (56 e 58 d.C.);
1 Coríntios (55 d.C.);
2 Coríntios (55 e 57 d.C.);
Gálatas (até 55 d.C.);
1 Tessalonicenses (50 d.C.);
2 Tessalonicenses (51 e 52 d.C.).
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Divisão do Novo Testamento

 Epístolas Paulinas:
 Epístolas pastorais:
1 Timóteo (62 e 66 d.C.);
2 Timóteo (67 d.C.);
Tito (66 d.C.).
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Divisão do Novo Testamento

 Epístolas Paulinas:
 Epístolas da prisão (entre 62 e 63 d.C.):
Efésios
Filipenses
Colossenses
Filemon
Obs: Éfeso, Cesaréia ou Roma.
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Divisão do Novo Testamento

 Epístolas Paulinas:
 Epístolas perdidas:
1. Em 1 Co 5:9 é falado sobre uma carta
anterior que Paulo enviou à Corínto;
2. Em Cl 4:16 Paulo faz referência à uma
epístola enviada à Laodicéia;
3. Em 2 Co 2:4 Paulo faz referência à
“Carta em Lágrimas” enviada aos
coríntios.
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Divisão do Novo Testamento

 Epístolas gerais/universais/católicas:
 Hebreus (65 d.C.);
 Tiago (45 d.C.);
 1 Pedro (64 e 65 d.C.);
 2 Pedro (66 e 68 d.C.);
 1, 2 e 3 João (80 e 90 d.C.);
 Judas (65 e 70 d.C.)
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Divisão do Novo Testamento

 Literatura Apocalíptica:
 A literatura apocalíptica surgiu entre 175-
163 a.C. como resultado da ausência de
voz profética durante o período conhecido
como “intertestamental” ou
“interbíblico”;
 O tempo era de perseguição e
desesperança;
 Surge como uma forma de animar o povo e
dar respostas;
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Divisão do Novo Testamento

 Literatura Apocalíptica:
 Os “apocalipses” eram escritos com
pseudônimos de grandes vultos a fim de
atribuir autoridade aos livros;
 Eram cheios de simbolismos, visões e
alegorias;
 Faziam uso de numerologia;
 São teodiceias.
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Divisão do Novo Testamento
 Os “Apocalipses do Antigo Testamento” são:
• 1) O Livro de Enoque (164-64 a.C.);
• 2) A Assunção de Moisés (50 a.C. — 25 d.C.);
• 3) Os Segredos de Enoque (início do primeiro século);
• 4) O Livro de Baruque (século I);
• 5) IV Esdras (depois de 90 d.C.);
 Os "Apocalipses do Novo Testamento" são:
• 1) O Pastor de Hermas (início do século II);
• 2) O Apócrifo de João (metade do século II);
• 3) O Apocalipse de Pedro (metade do século II);
• 4) O Apocalipse de Paulo, (final do século IV);
• 5) O Apocalipse de Tomé, do quinto século;
• Há ainda o Apocalipse de Maria e o de Estevão.
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Divisão do Novo Testamento

 O Apocalipse de João:
 Se difere dos demais por ter autoria definida;
 Considerado inspirado e canônico;
 Escrito por volta de 95 d.C., quando João
estava aprisionado na ilha de Patmos;
 Visões de suas profecias:
 Completamente cumprido;
 Parcialmente cumprido;
 Referências à eventos diferentes.
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Inspiração bíblica

“Toda a Escritura é inspirada


por Deus e útil para o ensino,
para a repreensão, para a
correção, para a educação na
justiça.” (2 Timóteo 3:16)
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Inspiração bíblica

 “Inspiração” vem de um termo grego que


significa “soprado por Deus”;
 A “inspiração” bíblica é Deus soprando,
sobre os autores bíblicos aquilo que Ele
queria que por eles fosse escrito;
 Não se trata de “inspiração mecânica” ou
“inspiração do ditado”;
 Deus respeitou suas particularidades;
 Por isso é chamada de Dinâmica ou
Orgânica.
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Inspiração bíblica

 Também é PLENÁRIA, pois toda a


Escritura é divinamente inspirada;
 Também é VERBAL, pois os autógrafos
originais foram inspirados em suas
palavras;
 Também é SOBRENATURAL, pois a
inspiração ocorreu pela ação do Espírito
Santo em pessoas especialmente
escolhidas.
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Preservação da Bíblia

 Preservação: Deus supervisionou a


transmissão das Escrituras para que as
cópias sempre fossem o mais fiel
possível aos originais;
 Crítica Textual ou Baixa Crítica:
• Reconstituição dos textos originais;
• Estudar cópias imperfeitas para
chegar ao texto original;
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Preservação da Bíblia

 Alta Crítica:
• Busca determinar a autoria, data e
circunstância em que foram
compostos os textos;
• Este método verifica também as
fontes literárias e a confiabilidade
histórica da Bíblia;
• No séc. XVIII, Jean Astruc aplicou a
crítica ao AT. O resultado foi o
liberalismo da Hipótese Documental.
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Preservação da Bíblia

 Os Cânones da Crítica Textual:


1. A leitura mais antiga deve ser preferida.
2. A leitura mais difícil se deve preferir.
Isto porque o escriba tenderia mais a
simplificar ou esclarecer as palavras do
original, do que tomá-las mais difíceis para
o leitor entender.
3. A leitura mais breve deve ser preferida.
Os copistas tinham mais tendências a
acrescentar novas matérias do que.
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Preservação da Bíblia

 Os Cânones da Crítica Textual:


4. A leitura que melhor explica as
variações deve ser preferida.
5. A leitura com o maior apoio geográfico
deve ser preferida.
6. A leitura que mais se conforma ao estilo
e à dicção do autor deve ser preferida.
7. A leitura que não reflete nenhuma
tendenciosidade doutrinária deve ser
preferida.
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Iluminação

 A iluminação é a ação do Espírito Santo


na pessoa do cristão para torna-lo apto
na compreensão das Escrituras;
 Não existe mais “inspiração” como nos
autores bíblicos;
 Precisamos da iluminação do Espírito
Santo para recebermos, entendermos,
aceitarmos e praticarmos a Palavra.