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EBRAMEC – Escola Brasileira de Medicina Chinesa

巴西中医学院 bāxī zhōngyī xuéyuàn


CIEFATO – Centro Internacional de Estudos de Fisioterapia, Acupuntura e Terapias Orientais

Agulhamento
Técnicas Clássicas,
Tradicionais e
Modernas

Material elaborado pelo corpo docente da EBRAMEC / CIEFATO


Para os cursos da Escola Brasileira de Medicina Chinesa
Direção Geral: Reginaldo de Carvalho Silva Filho
www.ebramec.com.br
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Apresentação
Após realizarmos o diagnóstico e termos identificado as condições de plenitude ou de deficiência,
podemos traçar a estratégia de tratamento, que envolverá a seleção correta dos pontos de acupuntura mais
adequados para a ocasião.
Além disso, devemos identificar quais as técnicas de manipulação das agulhas são mais adequadas
para o caso, dependendo de ser um estado de plenitude ou de deficiência.

Agulhas
Nove agulhas clássicas
No ano de 1968, no condado de Mancheng, na província de Hebei,
uma tumba antiga da Dinastia Han Ocidental, enterrada no ano 113 A.C., foi
escavada. Dentre as relíquias encontradas, havia quatro agulhas de ouro e cinco
agulhas de prata.
No capítulo 7 do Ling Shu, podemos encontrar uma afirmação a
respeito da importância do conhecimento das funções das agulhas:
“Na importância que se concede à acupuntura, a função das agulhas é a
mais sutil. Cada uma das agulhas é adequada a um fim. São elas longas ou
curtas, grandes ou pequenas. Cada uma delas tem sua aplicação. Se o emprego
delas não for adaptado, a doença não pode ser modificada.”

Filiforme
A agulha que empregamos com maior freqüência para os tratamentos com acupuntura é uma
evolução da sétima agulha dentre as nove agulhas clássicas, a Hao Zhen. Este tipo de agulha é conhecido
amplamente por agulha filiforme ou agulha fina. Na China as agulhas recebem o nome de Zhen, enquanto
que no Japão o nome é Shin.
A agulha filiforme no decorrer de seu desenvolvimento já foi produzida em diversos tipos de
materiais diferentes como outro, prata, cobre, ferro, porém hoje em dia, a grande maioria das agulhas, na
atualidade, são produzidas em aço inoxidável.

Revisando
Agulhamento
Diversos são os procedimentos envolvidos com a adequada utilização das agulhas filiformes na
prática, desde o momento em que o praticante segura a agulha até o momento em que ele a retira do
paciente após todos os procedimentos.
O praticante deve estar atento a cada etapa e cada procedimento para que o melhor resultado
terapêutico possa ser alcançado.

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Neste momento passemos revisar os procedimentos básicos e a analisar os procedimentos


avançados de manipulação das agulhas de acupuntura.

Inserção das agulhas


Basicamente, podemos afirmar que a inserção de agulhas pode ser realizada com ambas as mãos,
como é de maior costume e uso por todo o mundo, como também pode ser realizada com apenas uma das
mãos. Ambas as formas serão analisadas nesta obra.
Além destas técnicas mais tradicionais, não podemos esquecer da forma oriunda da acupuntura
japonesa, que é a inserção de agulhas com auxílio de um condutor, um tubo, que facilita a inserção das
agulhas na opinião de muitos estudantes e acupunturistas.
O método de inserção de agulhas com ambas as mãos é o mais clássico de todos e é descrito desde
os tempos do Huang Di Nei Jing, passando por todos os demais textos clássicos como Zhen Jiu Jia Yi
Jing, Zhen Jiu Da Cheng, sempre enfatizando a aplicação combinada de ambas as mãos, apresentando a
mão direita como mão de inserção e a mão esquerda como mão de apoio.
Normalmente são descritos 4 métodos básicos:
• Pinçar com a mão esquerda
• Pressionar com a mão esquerda
• Esticar com a mão esquerda
• Combinar a mão direita com a mão esquerda

A inserção de agulha que se faz com a utilização de um condutor, mandril, é a mais popular na
atualidade, principalmente no ocidente, por sua facilidade de aplicação e de aprendizado.
O condutor para a inserção de agulhas é identificado em chinês, mesmo que não seja tão
empregado como no Japão ou no ocidente, pelo nome de jìnzhēnguǎn (进针管).
Este método foi desenvolvido no Japão, por volta de 1600 pelo renomado acupunturista Waichi
Sugiyama, que era deficiente visual, e tinha dificuldade em localizar o ponto com uma das mãos e ter que
utilizar esta mesma mão para posicionar a agulha de maneira adequada na outra mão e posteriormente
inserir a agulha.
Para uma boa administração da acupuntura, o praticante deve, antes de qualquer coisa, saber
exatamente como inserir as agulhas, porém a inserção somente não basta. O acupunturista deve dominar
os princípios de seleção da angulação, da profundidade e o direcionamento do agulhamento.
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Na prática da acupuntura a seleção correta e a precisa localização dos pontos de acupuntura para
tratamento é muito importante. No entanto, se estes forem devidamente selecionados e localizados e o
acupunturista inserir a agulha na direção errada, na profundidade errada ou na angulação errada, os efeitos
terapêuticos desejados não serão alcançados.

Angulação do agulhamento
Esta etapa do tratamento com acupuntura implica no conhecimento, por parte do acupunturista, do
ângulo formado pelo corpo da agulha após esta já ter sido penetrada na pele do paciente.

Direção do agulhamento
A grande maioria dos praticantes de acupuntura no Brasil tende a direcionar a ponta da agulha de
acordo com o fluxo de Qi que circula pelos Canais Principais (Jing Mai).
Além desta recomendação, a direção do agulhamento deve ser norteada de acordo com a região se
deseja que o Qi chegue. Ou seja, a ponta de agulha deve estar direcionada para o local ou área que se
deseja estimular, o foco do tratamento.
Alguns pontos de acupuntura exigem direcionamentos bem determinados para as agulhas para que
sejam evitadas possíveis lesões ou ainda que efeitos terapêuticos específicos possam ser obtidos.

Profundidade do agulhamento
Esta etapa do tratamento implica no acupunturista decidir, dentre diversos fatores, qual será a
profundidade mais indicada para a inserção da agulha, sendo que esta possui uma relação muito próxima
com a angulação da agulha, visto que quanto menor for o ângulo mais superficial será a inserção, e o
contrário também é verdadeiro.

Controle da Mente
治神 - zhìshén
O princípio de controle da Mente (Shen) faz referência ás técnicas de indução, promoção, do De
Qi através de duas condições básicas. A primeira delas relaciona-se com a concentração da Mente (Shen)
do acupunturista e a segunda delas relaciona-se com a regulagem das atividades mentais do paciente.
Deve ficar claro que aqui, o termo geral Mente (Shen) está em referência, principalmente, a um de
seus aspectos, o Yi, que normalmente é traduzido como intenção. O acupunturista deve utilizar o seu Yi
para penetrar a agulha, o acupunturista deve utilizar o seu Yi para manipular o Qi do paciente enquanto
manipula a agulha e assim sucessivamente, de modo que a máxima chinesa “以意引气 yǐ yì yǐn qì – Use
a Intenção para direcionar o Qi” seja buscada ao máximo.
A concentração da Mente (Shen) do acupunturista implica no fato de que este deve concentrar seu
Qi e prestar o máximo de atenção no paciente, observando as alterações e buscar a sensação do De Qi
debaixo da ponta da agulha.
No Capítulo Jiu Zhen Shi Er Yuan, primeiro capítulo do Ling Shu é possível encontrar a seguinte
passagem:
“Ao segurar a agulha, deve-se fazê-lo de maneira decidida, mirando o ponto de acupuntura
acuradamente e picar prontamente; a agulha não deve deslizar da direita para a esquerda. O
acupunturista deve concentrar sua Mente (Shen) na ponta da agulha, prestando atenção no paciente...”

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A regulagem das atividades mentais do paciente implica em fazer com que a Mente (Shen) do
paciente, que possivelmente se encontre dispersa, retorne e fazer com que os pensamentos ruins como
medo ou ansiedade durante o agulhamento sejam amenizados, eliminados.
Para alcançar a tranqüilidade do paciente é importante que se ofereça uma detalhada explicação
sobre o tratamento por acupuntura, para que este possa aliviar possíveis tensões devido ao medo de
agulha, além de aumentar a confiança no profissional e no tratamento a ser realizado.
O acupunturista pode ainda solicitar que o paciente foque sua atenção no local que está sendo
agulhado para que possa descrever as sensações percebidas na região, ajustar as manipulações e ampliar
os efeitos terapêuticos.

Sensação do De Qi
得气 - déqì
O De Qi, traduzido para o português como chegada do Qi ou obtenção do Qi, é de fundamental
importância para a prática bem sucedida da acupuntura.
O De Qi é percebido após a inserção e manipulação da agulha no local correto do ponto de
acupuntura e na profundidade adequada, onde os pacientes e os praticantes mais experientes relatam
sensações particulares.
A importância do De Qi pode ser evidenciada através da seguinte passagem do Capítulo Jiu Zhen
Shi Er Yuan, primeiro capítulo do Ling Shu:
“Ao fazer a acupuntura, se não foi conseguido o De Qi não se deve inquietar quanto ao número das
manipulações. Após conseguir o De Qi pela acupuntura pode-se então fazer a retirada da agulha. Não é
necessário reiterar a puntura ... A chegada da energia atesta a eficiência da acupuntura. Revela-a como
o vento escorraça as nuvens. Permite pela sua clareza ver imediatamente o azul do céu. Encerra a regra
fundamental da acupuntura”.
A experiência clínica indica que a sensação do De Qi com características diferentes tem diferentes
efeitos terapêuticos em doenças diferentes. Para o paciente a sensação do De Qi pode se apresentar de
maneiras diferentes, com destaque para sensação de peso, adormecimento, distensão, dor, sensação de
choque elétrico, sensação de onda ou bolha de ar, frio ou calor.
Já para o acupunturista, a sensação do De Qi pode ser percebida como uma sensação de aperto, em
profundidade, ou por uma sensação de tensão ao redor da agulha ou por debaixo desta. O ideal é que o
acupunturista mais experiente consiga identificar esta sensação sob a agulha antes mesmo que o paciente
descreva a sensação.
Deve ficar claro que o De Qi não é somente sentido no local do agulhamento mas pode e ver ser
sentido no local afetado pela patologia quando empregados pontos denominados distantes, sendo que
estas sensações estão relacionadas com a propagação da sensação do De Qi e a eficácia do tratamento,
sendo que esta circulação da sensação é considerada como um dos elementos essenciais e mais
importantes para o tratamento.
Em diversos estudos realizados com relação ao De Qi foi constatado que a intensidade das
sensações do De Qi aumentam no decorrer das sessões de acupuntura. Várias outras foram as
constatações destes estudos como que a obtenção do De Qi é relativamente bem mais fácil nos pontos
dolorosos, identificados pelos chineses como pontos A Shi (阿是穴 – āshìxué), nos pontos próximos das
grandes articulações (joelho, cotovelo...), pontos de intersecção entre os Canais Principais, a sensação do
De Qi pode durar por longos períodos indo de horas até mesmo alguns dias após a sessão de tratamento.

Manipulações básicas
Na prática da acupuntura o domínio das técnicas de manipulação das agulhas é de grande
importância para os resultados terapêuticos a serem alcançados. De maneira geral as mais diversas
manipulações de agulhas têm por finalidade a obtenção, direcionamento, aumento ou melhora da
sensação do De Qi.

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1- Elevação e Aprofundamento (提插法 tíchāfǎ)


Após a agulha ser inserida, no ponto de acupuntura, o praticante executa movimentos repetidos de
penetração ou aprofundamento, e retirada ou elevação.
De maneira geral, as técnicas de elevação e aprofundamento quando empregadas de maneira
rápida tendem a gerar um estímulo mais forte, enquanto que se as técnicas forem executadas de maneira
mais lenta, o estímulo será mais fraco.

2- Rotações (捻转法 niǎnzhuànfǎ)


Após a agulha ser inserida, no ponto de acupuntura, o praticante executa movimentos repetidos de
rotação da agulha no sentido horário e anti-horário.
De maneira geral, as técnicas de rotação quando empregadas com uma freqüência aumentada e
grande amplitude nos movimentos tendem a gerar um estímulo mais forte, enquanto que se as técnicas
forem executadas de com uma freqüência diminuída e pequena amplitude nos movimentos, o estímulo
será mais fraco.

Manipulações suplementares
Pré e pós agulhamento
Estas manipulações suplementares são aquelas que deveriam ser realizadas antes da realização da
inserção da agulha em si e após o agulhamento, com o objetivo principal de melhorar a performance gral,
de todo o processo, do agulhamento, assim como permitir que possam ser obtidos melhores efeitos
terapêuticos.
Estas manipulações não visam estimular a agulha em si, mas sim o corpo do paciente.
1- Procurar com os dedos (揣法 chuǎifǎ)
Esta manipulação suplementar é um importantíssimo pré-requisito para a realização do
agulhamento, visto que implica na melhor localização, busca, do ponto de acupuntura. Podendo ser
subdivido em busca com a unha, busca por pressão, busca garfando, buscar com rotações, buscar por
balanços.
2- Seguir (循法 xúnfǎ)
Os dedos são empregados para palpar, sentir, seguir o trajeto do Canal onde a agulha será inserida,
promovendo a circulação do Qi. Esta manipulação pode ser divida em duas outras, o seguir pressionando
e o seguir com o dedo.

Manipulações suplementares
Na agulha
As manipulações suplementares são aquelas que complementam os estímulos gerados pelas
manipulações básicas, tendo por objetivo principal a promoção da obtenção da sensação do De Qi, assim
como a o reforço desta sensação.
1- Penetração (进法 jìnfǎ)
Esta manipulação implica no aprofundamento da agulha desde uma região mais superficial até
uma região mais profunda.
2- Rotação (捻法 niǎnfǎ)
Após a agulha ser inserida, no ponto de acupuntura, o praticante executa movimentos repetidos de
rotação da agulha para promover e fortalecer o De Qi.
3- Piparote (弹法 tánfǎ)
Esta manipulação implica no estímulo da agulha através de leves batidas, piparotes, enquanto esta
permanece no paciente.
4- Raspar (刮法 guāfǎ)
Esta manipulação implica na raspagem do cabo da agulha com o polegar ou dedo indicador para
promover o De Qi.
5- Balançar (摇法 yáofǎ)

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Esta manipulação implica na realização de movimentos circulares pequenos com a agulha, como
se a balançasse para os lados no momento da retirada da agulha.
6- Inclinar como um arco (努法 nǔfǎ)
Esta manipulação implica em dobrar a agulha de modo que toda a sua estrutura apresente-se com a
forma de um arco.

Tonificação e Dispersão
Manipulações Gerais
Após a obtenção da sensação do De Qi, através da realização das manipulações básicas e
suplementares, o acupunturista deve aplicar uma ou mais das manipulações de tonificação ou de dispersão
de acordo com a situação de deficiência ou plenitude do paciente, respectivamente.
Deve ficar claro, no entanto, que a prática da tonificação e da dispersão não envolve somente as
manipulações em si, mas todo o processo do agulhamento, desde as técnicas envolvidas na pegada e
inserção da agulha até a sua retirada do corpo do paciente.
O objetivo do acupunturista ao realizar manipulações de tonificação é um fortalecimento do Qi do
corpo do paciente, mais especificamente o Qi Verdadeiro (Zhen Qi, 真气 zhēnqì) ou Qi Correto (Zheng
Qi, 正气 zhèngqì), associado com a capacidade de resistência do corpo às agressões.
Já o objetivo do acupunturista ao realizar manipulações de dispersão é o enfraquecimento ou
eliminação do mais diversos agentes patogênicos, sob o termo geral de Qi Patogênico Maligno ou
Perverso ou Prejudicial (Xie Qi, 邪气 xiéqì).

1- Tonificação e dispersão por elevação e aprofundamento


(提插补泻法 tíchā bǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica na utilização de manipulações repetidas de
penetração e elevação da agulha após a mesma já ter sido inserida.
O acupunturista, após a devida inserção da agulha e obtenção da sensação do De Qi, deve realizar,
de acordo com a situação do pacientes, movimentos de penetração da agulha, empurrando-a desde a
superfície até a profundidade, ou movimentos de elevação da agulha, puxando-a desde a profundidade até
a superfície.

2- Tonificação e dispersão por rotações


(捻转补泻法 niǎnzhuàn bǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica na utilização de manipulações repetidas de
rotações da agulha após a mesma já ter sido inserida.
O acupunturista, após a devida inserção da agulha e obtenção da sensação do De Qi, deve realizar,
de acordo com a situação do pacientes, movimentos de rotação da agulha, empurrando o polegar para
frente ou puxando o para trás.
Segundo o autor e professor Auteroche, o termo Nian (捻 niǎn) implica no movimento de rotação da
agulha com uma amplitude pequena, entre 45º e 90º. E o termo Zhuan (转 zhuàn) implicam no
movimento de rotação com uma amplitude maior, normalmente acima de 180º-360º.
No que diz respeito ao sentido dos movimentos das rotações há algumas divergências na literatura,
principalmente em português onde os textos do professor Auteroche e de Tetsuo Inada, sendo que este
último descreve exatamente o apresentando pelo primeiro, apresentam um conceito de rotação no sentido
anti-horário para dispersão e no sentido horário para tonificação.
Estas informações apresentadas nos textos em português não correspondem às informações
apresentadas por textos chineses, modernos e clássicos, onde é possível identificar, na grande maioria dos
casos, informações opostas às apresentas.
Vale também dizer que na atualidade, diversos acupunturistas chineses defendem que a prática de
rotações na agulha, independentemente do sentido destas rotações, pode apresentar resultados diferentes,
no que diz respeito à tonificação e a dispersão, de acordo com pequenas variações na amplitude, na
intensidade e na freqüência das manipulações.
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3- Tonificação e dispersão por lentidão ou rapidez


(徐疾补泻法 xújíbǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica, principalmente, na utilização da de velocidade
lenta ou rápida na inserção da agulha e na sua retirada.
Com relação a este princípio de tonificação e dispersão, o falecido acupunturista e pesquisador
Chen Ke Yan percebeu que a questão da velocidade não pode ser simplesmente explicada com relação a
inserção ou retirada da agulha na pele ou fora dela. Na sua opinião a inserção deve incluir o
pressionamento para penetração da agulha na profundidade desejada até o De Qi, e a retirada deve incluir,
também, a elevação da agulha até apele após o De Qi.
Uma importante revisão sobre estudos de manipulações de agulhas para tonificação e dispersão
durante a década de 90, publicada no Journal of Traditional Chinese Medicine, apresenta que a maioria
dos acupunturistas (o texto indica que foram todos os consultados) afirmam que as manipulações de
tonificação e dispersão por lentidão e rapidez formam a base teórica e prática para todas as outras
manipulações da acupuntura.
4- Tonificação e dispersão por encontrar ou seguir
(迎随补泻法yíngsuíbǔxièfǎ)
Este método, que também pode ser conhecido como ‘tonificação e dispersão pelo direcionamento
da agulha (针向补泻法 zhēnxiàngbǔxièfǎ)’ e envolve basicamente o direcionamento da ponta da agulha
no sentido do fluxo ou contrário ao fluxo do Qi do Canal.
O acupunturista, após a devida inserção da agulha e obtenção da sensação do De Qi ou até mesmo
com uma inserção inclinada, deve direcionar, de acordo com a situação do pacientes, a ponta da agulha de
acordo com o fluxo de circulação do Qi no Canal que está sendo estimulado.
5- Tonificação e dispersão pela expiração e inspiração (呼吸补泻法 hūxībǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica na utilização da inserção e da retirada da agulha de
maneira combinada com a respiração do paciente.
O acupunturista deve estar atento aos movimentos de inspiração e expiração do paciente, para a
realização adequada de seus movimentos de inserção ou retirada da agulha, em um dos movimentos da
respiração do paciente, de acordo com a necessidade deste no que diz respeito a uma tonificação ou a uma
dispersão.
6- Tonificação e dispersão por nove e seis
(九六补泻法 jiǔliùbǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica na utilização de manipulações repetidas 09 ou 06
vezes, assim como seus múltiplos.
O acupunturista, após a devida inserção da agulha e obtenção da sensação do De Qi, deve realizar,
de acordo com a situação do paciente e sua seleção pessoal, a manipulação que mais achar adequada,
repetindo-a em seqüências de múltiplos de 09 ou de 06.
A utilização destes números remonta o Clássico das Mutações, Yi Jing, onde se apresenta uma
linha contínua para Yang e uma linha interrompida para o Yin, associando o Yang com os números
ímpares e o Yin com os números pares.
7- Tonificação e dispersão por abrir e fechar
(开阖补泻法 kāihébǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica em se aplicar ou não uma pressão no ponto
agulhado, após a devida retirada da agulha.
O acupunturista, após a devida inserção da agulha, obtenção da sensação do De Qi e realização
das manipulações necessárias, deve realizar a retirada da agulha e, de acordo com a situação do pacientes,
pressionar o ponto estimulado, fechando-o, ou deixá-lo aberto.
8- Tonificação e dispersão por penetrar e retirar
(进退补泻法 jìntuìbǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica na utilização de manipulações repetidas e
seqüenciadas de penetração e elevação da agulha.

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O acupunturista deve realizar movimentos de penetração da agulha, empurrando-a desde a


superfície até a profundidade, ou movimentos de elevação da agulha, puxando-a desde a profundidade até
a superfície, sempre com interrupções seqüenciadas na alternância entre o empurrar e o puxar da agulha.
Para a adequada execução deste método através das interrupções nos movimentos, o acupunturista
deve conhecer e empregar a divisão da profundidade total do ponto a ser estimulado em três níveis ou
camadas iguais, sendo que cada nível é conhecido por uma associação clássica chinesa:
A camada mais superficial é Nível do Céu 天才 tiāncái
A camada intermediária é Nível do Homem 人才 réncái
A camada mais profunda é Nível da Terra 地才 dìcái
A aplicação adequada deste método implica no conhecimento destes três níveis e as devidas
paradas em cada um deles.
9- Tonificação e dispersão por retenção da agulha
(留针补泻法 liúzhēnbǔxièfǎ)
Este método de tonificação e dispersão implica no tempo de retenção da agulha, após a realização
das devidas manipulações e obtenção do De Qi. Mais informações além das apresentadas nesta parte,
podem ser encontradas na partes específica sobre retenção das agulhas.
Na atualidade, a grande maioria dos acupunturistas mantém a agulha no ponto de acupuntura, após
a sua manipulação, por cerca de 25-30 minutos, independentemente se o paciente necessidade de uma
tonificação ou de uma dispersão.
10- Tonificação e dispersão no mesmo nível
(平补平泻法 píngbǔpíngxièfǎ)
Este método de estímulo não implica em uma tonificação ou em uma dispersão, mas sim em um
estímulo que emprega as duas características de maneira a ser moderadamente tonificante e
moderadamente dispersante, sendo conhecido como estímulo moderado ou uniforme.
Este método é indicado, principalmente, para os casos em que, após a devida avaliação dos
pacientes de acordo com os quatro diagnósticos, não se pode identificar uma deficiência ou um excesso
muito evidentes, ou ainda para doenças que apresentam sinais intrincados tanto de deficiência como de
excesso.

Retenção das agulhas


留针法 - liúzhēnfǎ
Quando a agulha filiforme é inserida no ponto de acupuntura, previamente determinado, no corpo
do paciente e a sensação do De Qi é experimentada pelo paciente e/ou pelo acupunturista após a agulha
ter sido devidamente estimulada e terem sido realizadas as manipulações de tonificação ou dispersão, a
agulha é normalmente retida no ponto por um determinado período de tempo.
A retenção das agulhas pode ser executada de duas formas principais:
Retenção estática da agulha (静留针 jìngliúzhēn)
Retenção ativa da agulha (动留针 dòngliúzhēn)

Retirada das agulhas


出针法 - chūzhēnfǎ
A técnica básica para a retirada das agulhas é executada mediante a utilização de um pequeno
chumaço de algodão estéril e seco, que deve ser pressionado com auxílio do polegar e dedo indicador, ou
somente este último, da mão esquerda diretamente sobre o ponto onde a agulha está inserida. A mão
direita deve realizar movimentos suaves de rotação em vai-vem e puxar a agulha para fora de maneira
lenta, para então retirá-la por completo.

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Agulhamentos Clássicos
O Ling Shu apresenta basicamente três grandes grupos de variedades de agulhamentos:
• nove técnicas de agulhamentos, relacionadas com nove tipos de enfermidades ou alterações
diferentes;
• doze técnicas de agulhamentos, relacionadas com as doze divisões do corpo, os doze Canais
Principais;
• cinco técnicas de agulhamentos, relacionadas com as profundidades diferentes do agulhamento de
acordo com a patologia e com o Órgão (Zang), envolvido na enfermidade presente.

Agulhamentos Clássicos
Cinco Agulhamentos
1. Ban Ci, puntura superficial ou meia puntura;
2. Bao Wen Ci, puntura leoparda ou vascular;
3. Guan Ci, puntura das articulações;
4. Hegu Ci, puntura do Hegu ou irradiada;
5. Shu Ci, puntura do ponto Shu ou profunda.

Ban Ci, puntura superficial ou meia puntura, técnica de puntura que trabalha com inserção bastante
superficial e retirada rápida da agulha, bem no nível da pele, técnica relacionada com as patologias
associadas ao Pulmão, trata a energia mais superficial do corpo, expulsando os agentes patogênicos
localizados neste nível, sendo empregada no tratamento de febre decorrente de fatores patogênicos
exógenos, tosse e asma;
Bao Wen Ci, puntura leoparda ou vascular, técnica de puntura que trabalha com diversas inserções
subseqüentes com a finalidade de perfurar os Vasos Sangüíneos em volta da área afetada, evocando
manchas na pele similares àquelas dos leopardos, método empregado para tratar dores e inchaços, técnica
relacionada com as patologias associadas ao Coração, pois este está em relação direta com os Vasos
Sangüíneos;
Guan Ci, puntura das articulações, técnica de puntura que trabalha com inserção profunda e rápida na
região ao redor das articulações das extremidades dos membros superiores e dos membros inferiores,
principalmente para tratar reumatismo nos tendões, porém deve-se evitar os sangramentos, insere-se a
agulha perpendicularmente em seguida obliquamente para frente e para trás, técnica relacionada com as
patologias do Fígado, pois este está associado com os Tendões;
Hegu Ci, puntura do Hegu ou irradiada, técnica de puntura que trabalha com inserção oblíqua e profunda
na região intramuscular, em seguida retira-se a agulha e insere novamente dirigindo a ponta para um lado
e depois para o outro lado, formando uma representação do formato de uma pé de galinha, com a
finalidade de tratar problemas musculares, como dores e contraturas, técnica relacionada com o Baço,
pois este está associado com os Músculos;

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Shu Ci, puntura do ponto Shu ou profunda, técnica de puntura que trabalha com uma inserção
perpendicular rápida seguida de uma retirara também rápida, porém bastante profunda, na região dos
ossos, com a finalidade de tratar patologias relacionadas com dores ósseas, por exemplo, técnica
relacionada com as patologias do Rim, pois este está associado com os Ossos.

Transfixação
Tou Ci Fa
透刺法
A técnica onde o acupunturista estimula mais um ponto ao mesmo tempo e com uma única agulha
é conhecida como transfixação, Tou Ci Fa (透刺法), sendo que Feng Runshen, renomado praticante do
norte da China, cita em uma obra já publicada em português que esta técnica também pode ser
identificada pelos seguintes nomes: agulhamento de atravessar o mar; agulhamento de atravessar a viga;
agulhamento de atravessar o tórax; método grosso.
Para que o acupunturista consiga extrair o máximo de efeitos terapêuticos da técnica de
transfixação, este deve conhecer bem a técnica, conhecer muito bem as funções dos pontos de acupuntura
a serem estimulados, isoladamente e quando estimulados em conjunto, além de ter destreza suficiente
para a inserção e manipulação das agulhas.
As recomendações da literatura sugerem a utilização de agulhas com um comprimento médio
maior que 70mm, sendo que o mínimo sugerido seria de 50mm, além disso devemos estar atento para o
diâmetro das mesmas, pois, se por um lado as agulhas finas podem vir a diminuir a dor da inserção em
relação as agulhas mais grossas, por outro lado as agulhas finas tendem a entortar com mais facilidade, o
que pode atrapalhar muito no momento de seus aprofundamentos.
O praticante deve confiar na força de sua mão direita, porém é a mão esquerda que possui um
papel de maior importância na inserção e aprofundamento das agulhas na técnica da transfixação.
Já no capítulo 78 do Nan Jing, importantíssimo texto clássico da Medicina Tradicional Chinesa,
podemos encontrar uma passagem demonstrando a grande importância da mão esquerda nos
procedimentos da acupuntura:
“Aqueles que conhecem a acupuntura (agulhamento) confiam na mão esquerda. Aqueles que não
conhecem a acupuntura (agulhamento) confiam na mão direita.”
O praticante deve conhecer muito bem a anatomia superficial e profunda da área onde a agulha
será inserida e também de todo o trajeto que a agulha percorrerá, visto que em alguns casos a agulha
passa entre ossos, por exemplo.
Um outro fator muito importante para o sucesso do tratamento mediante a aplicação das técnicas
de transfixação é a postura do paciente. Postura esta que deve ser a mais relaxada e confortável possível
para o paciente e a mais adequada possível para a passagem das agulhas.
Após o acupunturista ter escolhido a técnica de transfixação para o tratamento do paciente, após
ter selecionado os pontos de acupuntura ou áreas que receberão os estímulos, após ter preparado os
materiais a serem empregados, após ter sido determinada a melhor postura a ser adotada pelo paciente e
após a inserção, o praticante deve proceder com as devidas manipulações para obtenção do De Qi e
tonificação ou dispersão, dependendo de cada caso em especial, para a posterior penetração em
transfixação da agulha.
A transfixação em si pode ser, didaticamente, classificada de algumas maneiras, como podemos
observar a seguir, segundo as indicações e nomenclaturas sugeridas pelo professor Feng Runshen, do
Instituto de Medicina Tradicional Chinesa da Mongólia, e pelo Dr. Zhang Dengbu, da Universidade de
Medicina Tradicional Chinesa de Shandong:
Direção da agulha;
Angulação da agulha;
Canais.

Direção da agulha:
Unidirecional: o acupunturista somente deve realizar a inserção da agulha em um ponto em
direção de outro, sem impossibilitada ou não recomendada a inserção na direção contrária;
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EBRAMEC – Escola Brasileira de Medicina Chinesa
巴西中医学院 bāxī zhōngyī xuéyuàn
CIEFATO – Centro Internacional de Estudos de Fisioterapia, Acupuntura e Terapias Orientais

Multidirecional: o acupunturista tem a possibilidade de inserir a agulha em diversas direções. Para


tanto o praticante pode proceder com a transfixação padrão, para em seguida puxar esta mesma agulha,
sem retirá-la e proceder com outras transfixações em direção a outros pontos, ou ainda inserir mais de
uma agulha de um único ponto em direção dos demais;
Bidirecional: o acupunturista tem a possibilidade de inserir a agulha de um ponto em direção a
outro, e também realizar o procedimento inverso, ou seja o que era ponto de inserção pode ser ponto de
chegada e o que era ponto de chegada pode ser ponto de inserção;
Convergente ou Centralizada: Neste tipo de transfixação, o acupunturista deve inserir mais de uma
agulha de modo que todas elas fiquem direcionadas para um mesmo ponto, ou seja, com todas as pontas
das agulhas na mesma direção. Este tipo é baseado em agulhamentos clássicos descritos no Ling Shu.

Angulação da agulha:
Horizontal: deve-se inserir a agulha de maneira bastante superficial, desde o ponto de inserção até
o ponto de chegada, formando um ângulo de aproximadamente 15° com a pele;
Oblíqua: deve-se inserir a agulha com uma angulação de aproximadamente 45°, sendo que após a
inserção da agulha o praticante pode, deve, re-adequar a sua angulação para que o ponto de chegada seja
atingido de maneira satisfatória;
Perpendicular: deve-se inserir a agulha de modo a formar um ângulo de 90° com o pele do ponto
se inserção, sendo necessário um bom conhecimento anatômico, visto que neste modo de inserção a
agulha tende a penetrar mais profundamente.

Canais:
Mesmo Canal: Neste tipo de transfixação o acupunturista seleciona tanto o ponto de inserção
como o ponto de chegada na trajetória do mesmo Canal Principal (Jing Mai), sendo que para tanto,
normalmente, o praticante se utiliza de inserção do tipo horizontal da agulha;
Canais Diferentes: Nestes tipos de transfixação o acupunturista seleciona pontos de inserção e de
chegada que não estão localizados no mesmo Canal Principal (Jing Mai), sendo que aqui o acupunturista
tem a opção de selecionar pontos de três maneiras distintas.
- Relação de Interior-Exterior: Aqui o acupunturista seleciona os pontos de inserção e de chegada em
Canais Principais (Jing Mai) diferentes e que possuem uma relação direta de Yin e Yang, ou seja,
possuem uma relação pareada de Interior e Exterior;
- Sem relação Interior-Exterior: Aqui o acupunturista seleciona os pontos de inserção e de chegada em
Canais Principais (Jing Mai) diferentes e que possuem uma relação indireta de Yin e Yang, ou seja, não
possuem uma relação pareada de Interior e Exterior, porém são de naturezas opostas;
- Adjacentes, de mesma natureza Yin ou Yang: Aqui o acupunturista seleciona os pontos de inserção e de
chegada em Canais Principais (Jing Mai) diferentes e que, no entanto, possuem a mesma natureza Yin ou
Yang;

A técnica da transfixação segundo recomendações do Dr. Han Zhao Cheng, da Universidade de


Shandong, deve ser aplicada por acupunturistas experientes, que já tenham dominado as técnicas de
inserção de agulhas, principalmente pelo fato de requerer uma inserção rápida para posterior
aprofundamento.

Agulha de Fogo
Huo Zhen
A técnica de aplicação de agulha de fogo já fora primeiramente descrita no Ling Shu, mais
especificamente em seu capítulo 7, que trata sobre os métodos clássicos de agulhamento. Neste capítulo
podemos encontrar a seguinte citação:
“O nono tipo (de agulhamento) é chamado de Cui Ci, para tratar a Síndrome Bi com a agulha
esquentada ao rubro no fogo”.
Os autores contemporâneos sugerem que as agulhas a serem empregadas para o Huo Zhen devem
ter um comprimento médio de 2cun, sendo mais grossas que as tradicionais agulhas filiformes, com um
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diâmetro variando entre 0,5 e 1,2mm, sendo as mais grossas e mais longas indicadas para estímulos mais
profundos, enquanto que as mais finas e menores são indicadas para estímulos mais superficiais.
As agulhas descritas pelo Dr. Shi possuem cabos confeccionados em madeira com cerca de 5cm
de comprimento, com exceção apenas da Agulha de Três Cabeças:

Além das agulhas alguns outros utensílios são necessários para a boa prática da técnica Huo Zhen.
Dentre eles, destacam-se:
• Lamparina: empregada para produzir uma chama onde a agulha de fogo deve ser aquecida até
ficar com a ponta bem vermelha, ou rosa ou branca, dependendo do material. (pode ser substituído
por uma vela ou alguma outra fonte de chama, no caso de ausência da lamparina);
• Algodão: empregado logo após a retirada da agulha para estancar possíveis sangramentos
ocasionados pela agulha quente;
• Pronto curativo adesivo: empregado após a retirada da agulha sobre o local onde esta estava
inserida.

Ainda com relação ao aquecimento da agulha, gostaria de acrescentar que no grande, fundamental
e importantíssimo texto clássico da Dinastia Ming (1368 – 1644) sobre acupuntura, conhecido por Zhen
Jiu Da Cheng (Grande Compêndio de Acupuntura e Moxabustão), escrito, reunido, por Yang Ji Zhou em
1601 já apresentava algumas recomendações sobre a forma mais clássica de utilização da técnica de Huo
Zhen:
“Quando queimar a agulha, devemos torná-la vermelho vivo. Desta forma, os efeitos curativos podem
ser obtidos. Se a agulha não estiver vermelho vivo após o aquecimento, ela não produz qualquer efeito
sobre as doenças, mas machuca os pacientes.”
Com relação à inserção da agulha, já quente, o acupunturista deve realizar um movimento rápido e
preciso, a não ser em um caso específico a ser detalhado a seguir, a inserção pode ser superficial ou
profunda, de acordo com a profundidade da doença, as condições do paciente, a idade do paciente e o
Canal Principal (Jing Mai) onde a agulha é inserida.
Com relação à aplicação em si da técnica, os praticantes chineses costumam dividir os métodos de
estímulo com Huo Zhen em três diferentes tipos um para cada situação e com suas próprias indicações, o
agulhamento profundo, o agulhamento superficial e o agulhamento lento em cauterização.

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