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UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES


UNIDADE ACADÊMICA DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CURSO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA

ROBERTO DOUGLAS DIAS ROLIM

APOLOGIA DA HISTÓRIA OU O OFICIO DO HISTORIADOR


(FICHAMENTO)

CAJAZEIRAS-PB
JULHO/2018
ROBERTO DOUGLAS DIAS ROLIM

APOLOGIA DA HISTÓRIA OU O OFICIO DO HISTORIADOR


(FICHAMENTO)

Trabalho apresentado ao Curso de Licenciatura em


História do Centro de Formação de Professores em
cumprimento às exigências de avaliação parcial na
disciplina Projeto de Pesquisa II, ministrada pelo
Prof. Me. Almair Morais de Sá.

CAJAZEIRAS-PB
JULHO/2018
FICHAMENTO

Apologia da História ou O Ofício de Historiador – Título original: Apologie pour l'histoire,


ou Métier d'historien. Tradução autorizada da edição francesa publicada em 1997 por Armand
Colin, de Paris, França – p.69-62.

CITAÇÃO COMENTÁRIO

Historiador, por definição, está na MARC BLOHC quis dizer que, quanto
impossibilidade de ele próprio constatar os historiador, somos incapazes de falar sobre
fatos que estuda. Nenhum egiptólogo viu os fatos que não se viveu, de dar atestado de
Ramsés; nenhum especialista das guerras fé aquilo que foi pesquisado sobre a história
napoleônicas ouviu o canhão de Austerlitz. do passado vividos por outros
Das eras que nos precederam, só poderíamos
[portanto] falar segundo testemunhas.

Em suma, em contraste com o conhecimento Mas aquilo que descrito por um historiador
do presente, o do passado seria sobre a história do passado, não se pode negar
necessariamente "indireto". Que haja nessas uma parte da verdade. Pois o investigador,
observações uma1 parte de verdade, ninguém que é papel do historiador, tem seus métodos
pensará em negá-lo. Elas exigem, no entanto, de aproximação através das fontes
serem sensivelmente nuançadas. escolhidas, daquilo que se quer informar.
É que na verdade ela é quase sempre um mero A história contada pelo outro, nunca foi
artifício: no instante, pelo menos, em que o contada por ele sozinho, para Bloch isso faz
horizonte do observador se alarga um pouco. toda a diferença quando se narra um fato
] Toda coletânea de coisas vistas é, em uma impossibilitando a existência de uma verdade
boa metade, de coisas vistas por outro. absoluta.

Porque no imenso tecido de acontecimentos, De acordo com M. Bloch não há historiador,


gestos e palavras de que se compõe o destino seja ele do presente, seja ele do passado, mais
de um grupo humano, o indivíduo percebe bem preparado para falar sobre um objeto de
apenas um cantinho, estreitamente limitado pesquisa do que o outro, quando ambos,
por seus sentidos e sua faculdade de atenção; precisaram de outros para falar sobre aquilo
porque [além disso] ele nunca possui5 a que eles também não viveram.
consciência imediata senão de seus próprios
estados mentais: todo conhecimento da
humanidade, qualquer que seja, no tempo,
seu ponto de aplicação, irá beber sempre nos
testemunhos dos outros uma grande parte de
sua substância.
O investigador do presente não é, quanto a
isso, melhor aquinhoado do que o historiador
do passado.
Como primeira característica, o Se não fosse os vestígios, a história de acordo
conhecimento de todos os fatos humanos no com M. Bloch (e eu concordo) jamais seria o
passado, da maior parte deles no presente, que ela é, e o conhecimento, os métodos não
deve ser, [segundo a feliz expressão de teria sentido investigar o passado, nem o
François Simiand] um conhecimento através presente.
de vestígios.
O passado é, por definição, um dado que nada O conhecimento não só modifica o passado
mais modificará. Mas o conhecimento do com reconstrói, destrói, progressivamente as
passado é uma coisa em progresso, que transformações que os fatos narrados do
incessantemente se transforma e aperfeiçoa. passado podem aceitar.
Para quem duvidasse, bastaria lembrar20 o
que, há pouco mais de um século, aconteceu
sob nossos olhos. Imensos contingentes da
humanidade saíram das brumas.
É que os exploradores do passado não são O historiador do passado estava muito ligado
homens completamente livres. O passado é aos reis, ao clero, nada seria transmitido ao
seu tirano. povo sem a chancelaria dos senhores
detentores do poder, seja o poder da caneta,
seja o poder da espada.
Tal é a sorte comum de todos os estudos cuja A missão do historiador é acima de tudo,
missão implica escrutar fenômenos buscar sempre, nunca desistir de aprofundar-
consumados, e o pré-historiador não é, na se nas suas pesquisas, ainda que chegue ao
falta de escritos, menos capaz de reconstituir seu limite.
as liturgias da idade da pedra do que o
paleontólogo, suponho, as glândulas [de
secreção] interna do plessiosauro, do qual
apenas subsiste o esqueleto. É sempre
desagradável dizer: "Não sei, não posso
saber." Só se deve dizê-lo depois de tê-lo
energicamente, desesperadamente buscado.
Mas há momentos em que o mais imperioso
para o cientista é [, tendo tentado tudo,]
resignar-se à ignorância e confessá-lo
honestamente.
Do mesmo modo, até nos testemunhos mais A simplicidade, embora concisa de um relato,
resolutamente voluntários, o que os textos deixa de ser em muitos casos, objeto de uma
nos dizem expressamente deixou hoje em dia análise mais profunda, onde apegamos aquilo
de ser o objeto predileto de nossa atenção. que mais nos deu a entender algo que não
Apegamo-nos geralmente com muito mais pretendíamos dizer.
ardor ao que ele nos deixa entender, sem
haver pretendido dizê-lo.
Em nossa inevitável subordinação em relação A subordinação não está impedindo que o
ao passado, ficamos [portanto] pelo menos historiador, seja a sua moda, fique inerte ao
livres no sentido de que, condenados sempre passado e seja livre para reelabora-lo,
a conhecê-lo exclusivamente por meio de reconstruí-lo através dos vestígios que iram
[seus] vestígios, conseguimos, todavia, saber ser, fontes de pesquisas, prontas a subsidiar
sobre ele muito mais do que ele julgara conhecimentos sobre determinado fato
sensato nos dar a conhecer. histórico.