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Gerado por: Samoel Gonçalves de Oliveira CPF: 11335037721

ÍNDICE
Direito Processual Civil 3
Processo de Execução 3
878/STF - REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. 1.038.507-PA 3
888/STF - Empresas Públicas e execução de débitos via precatório 3
578/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APLICAÇÃO DA MULTA POR ATO
ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA (ART. 600, III, DO CPC/1973). 3
579/STJ - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PROTESTO E INSCRIÇÃO DO NOME
DO DEVEDOR DE ALIMENTOS EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. 4
579/STJ - DIREITO CIVIL. IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA. 5
583/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. FORMA PREFERENCIAL DE PAGAMENTO AO
CREDOR. 5
583/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. MOMENTO PARA REQUERIMENTO DA
ADJUDICAÇÃO. 5
Samoel Gonçalves de

584/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PRÉVIA INTIMAÇÃO NA PRESCRIÇÃO


INTERCORRENTE. CPF: 11335037721 6
584/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO. TEMA 56 6
585/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXEQUIBILIDADE DE SENTENÇAS NÃO
CONDENATÓRIAS (ART. 475-N, I, DO CPC/1973). RECURSO REPETITIVO. TEMA 889. 6
585/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INCOMPETÊNCIA PARA CANCELAR GRAVAME
EM MATRÍCULA DE IMÓVEL ARREMATADO. 8
588/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INEXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO FUNDADA
Oliveira

EM LEI NÃO RECEPCIONADA PELA CONSTITUIÇÃO. 8


589/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ORDEM DE NOMEAÇÃO À PENHORA DE COTA
DE FUNDO DE INVESTIMENTO. RECURSO REPETITIVO. TEMA 913. 8
589/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECUSA DE NOMEAÇÃO À PENHORA DE
COTAS DE FUNDO DE INVESTIMENTO. RECURSO REPETITIVO. TEMA 913. 9
589/STJ - DIREITO CIVIL. INVALIDADE DA PENHORA SOBRE A INTEGRALIDADE DE
IMÓVEL SUBMETIDO A TIME SHARING. 10
590/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE
DEDUÇÕES E PRESUNÇÕES NA APURAÇÃO DE LUCROS CESSANTES. 10
591/STJ - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. HIPÓTESE DE IMPENHORABILIDADE
DE IMÓVEL COMERCIAL. 11
593/STJ - Remição. Art. 788 do CPC de 1973. Crédito trabalhista. Direito de preferência.
Inexistência de concurso singular de credores. 11
594/STJ - Alienação de imóvel por sócio da pessoa jurídica após a citação desta e antes do
redirecionamento da execução. Desconsideração da personalidade jurídica. Fraude à
execução não configurada. 12
599/STJ - Família. Direito de visitação. Obrigação de fazer. Fixação preventiva de astreintes
para a hipótese de eventual descumprimento imotivado do regime de visitação. Possibilidade.
12
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599/STJ - Juizado Especial. Suspensão condicional do processo. Acordo de reparação civil


realizado entre as partes. Título executivo judicial. 14
599/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO. TEMA 910. 15
600/STJ - Ação civil pública. Indisponibilidade de bens. Integralidade do patrimônio.
Execução. Expropriação. Adjudicação de bem. Coisa determinada e específica. Impedimento.
Ausência. 15
604/STJ - Insolvência Civil. Execução individual posterior. Impossibilidade. Incompetência
absoluta. Juízo universal da insolvência. Nulidade da arrematação. 16
606/STJ - Contrato particular de crédito a pessoa física para aquisição de material de
construção. Construcard. Título executivo extrajudicial inexistente. 16
607/STJ - Execução contra a Fazenda Pública. Prescrição executiva. Súmula 150/STF.
Demora ou dificuldade no fornecimento de fichas financeiras. Hipótese de suspensão ou
interrupção do prazo prescricional. Não ocorrência após a entrada em vigor das modificações
proc 17
614/STJ - Execução para entrega de coisa incerta. Conversão para procedimento executivo
Samoel Gonçalves de

por quantia certa. Coisa perseguida entregue com atraso. Possibilidade. 18


614/STJ - Créditos vinculados aos FIES. Recurso público recebido por instituição privada
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para aplicação compulsória em educação. Art. 649, IX, do CPC/73. Impenhorabilidade. 18
614/STJ - Execução. Honorários sucumbenciais. Penhora. CPC/73. Saldo do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço. FGTS. Impossibilidade. 19
616/STJ - Embargos à execução. Pequena propriedade rural trabalhada pela entidade
familiar. Impenhorabilidade reconhecida. Executado que não reside no imóvel e débito que
não se relaciona à atividade produtiva. Circunstâncias irrelevantes. 20
Oliveira

617/STJ - Execução. Fazenda Pública credora. Medidas expropriatórias. Arts. 647 e 685-C do
CPC/73. Adjudicação do bem. Alienação particular. Desinteresse da parte exequente. Hasta
pública. Possibilidade. 20
618/STJ - Execução de título extrajudicial. Mensalidades escolares. Dívidas contraídas em
nome dos filhos da executada. Ausência de bens em nome da mãe para a satisfação do
débito. Pretensão de inclusão do pai na relação jurídica processual. Possibilidade. Sustento
21
634/STJ - Anistia. Execução. Mandado de Segurança. Inclusão de correção monetária e juros
de mora. Previsão no título executivo. Necessidade. 21
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Direito Processual Civil


Processo de Execução
878/STF - REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. 1.038.507-PA
RELATOR: MIN. EDSON FACHIN
Ementa: PEQUENA PROPRIEDADE RURAL. BEM DE FAMÍLIA. IMPENHORABILIDADE. ART. 5º,
XXVI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

888/STF - Empresas Públicas e execução de débitos via precatório


As empresas públicas e sociedades de economia mista não têm direito à prerrogativa de
execução via precatório.
Esse é o entendimento da Primeira Turma, que, por maioria, negou provimento a agravo regimental em
recurso extraordinário.
A agravante, empresa pública constituída com capital integralmente pertencente ao Estado do Paraná e
prestadora de serviço público, sustentava ter direito à execução de débitos via precatório, consoante o
Samoel Gonçalves de

art. 100 (1) da Constituição Federal (CF).


A Turma entendeu pela aplicação do art. 173, §1º, inciso II (2), da CF, o qual submete a empresa
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pública ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações
civis, comerciais, trabalhistas e tributários. Assim sendo, observou incongruente considerar os bens
integrantes do patrimônio de empresas públicas, enquanto pessoas jurídicas de direito privado, como
bens públicos, a fim de gozar das vantagens decorrentes.
Vencido o ministro Alexandre de Moraes, que deu provimento ao agravo, por entender que empresa
pública prestadora de serviços tem direito à execução via precatório.
(1) Constituição Federal: “Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal,
Oliveira

Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem


cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação
de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
”. (2) CF: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou
a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da
empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade
econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (...)
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; ”.
RE 851711 AgR/DF, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 12.12.2017. (RE-851711), Primeira
Turma.

578/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APLICAÇÃO DA MULTA POR ATO ATENTATÓRIO


À DIGNIDADE DA JUSTIÇA (ART. 600, III, DO CPC/1973).
A multa por ato atentatório à dignidade da Justiça previsto no art. 600, III, do CPC/1973 constitui
punição cuja aplicabilidade restringe-se aos atos do executado em procedimento executivo.
Infere-se do art. 600, III, do CPC/1973 que o ato atentatório à dignidade da Justiça se restringe ao
processo de execução e que a conduta de deslealdade processual caracteriza-se somente como aquela
praticada pelo executado. Isso porque o código se utiliza da expressão "ato do executado", além do fato
de as hipóteses previstas nos incisos I, II e IV do mesmo art. 600 se referirem a circunstâncias inerentes
ao procedimento executivo. Ademais, apesar de o inciso III do citado dispositivo legal tratar da situação

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de resistência injustificada às ordens judiciais, podendo levar à conclusão de que seria aplicável a
qualquer "tipo de processo", inclusive o de conhecimento, isso não se revela como possível. A razão é
bem simples: a cabeça do dispositivo, conforme já destacado, faz alusão expressa a "atos do
executado", e somente dele. Acrescente-se que, para ato atentatório à dignidade da Justiça, o art. 601
do CPC/1973 regula a sanção no patamar de até 20% (vinte por cento) sobre o valor atualizado da
execução, a ser revertido em proveito do exequente. Mais uma vez, fica claro que a norma aqui
discutida tem o seu âmbito de aplicação limitado às execuções, pois, repita-se, até o valor da multa tem
como parâmetro o montante cobrado na execução, a ser revertido em proveito do credor/exequente.
Acerca da multa, entendimento doutrinário explicita que "seu caráter é eminentemente punitivo, e não
indenizatório, razão pela qual, na fixação do valor, o juiz levará em conta, não necessariamente a
existência ou o montante do dano que possa ter sofrido o credor, mas sim a gravidade da culpa ou do
dolo com que agiu o devedor". Nesse viés, o STJ apresenta entendimento sobre a utilização do método
restritivo de interpretação das normas que estabelecem penalidades, e a aplicação da interpretação
restritiva não se refere apenas à parte que pode praticar o ato (no caso, o executado), mas também à
"espécie de processo" no qual há resistência ao cumprimento da ordem judicial. Não caberia, portanto,
ao intérprete querer estender a incidência do art. 600 do CPC/1973 às ações do processo de
conhecimento, cautelar e aos procedimentos especiais. Assim, a regra é taxativa. Precedentes citados:
Samoel Gonçalves de

REsp 758.270-RS, Primeira Turma, julgado em 8/5/2007, DJ 04/6/2007; REsp 1459154-RJ, Terceira
Turma, julgado em 4/9/2014, DJe 11/9/2014. REsp 1.231.981/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
CPF: 11335037721
julgado em 15/12/2015, DJe 3/3/2016. 4ª Turma.

579/STJ - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PROTESTO E INSCRIÇÃO DO NOME DO


DEVEDOR DE ALIMENTOS EM CADASTROS DE INADIMPLENTES.
Em execução de alimentos devidos a filho menor de idade, é possível o protesto e a inscrição do
nome do devedor em cadastros de proteção ao crédito. Não há impedimento legal para que se
determine a negativação do nome de contumaz devedor de alimentos no ordenamento pátrio. Ao
contrário, a exegese conferida ao art. 19 da Lei de Alimentos (Lei n. 5.478/1968), que prevê incumbir ao
Oliveira

juiz da causa adotar as providências necessárias para a execução da sentença ou do acordo de


alimentos, deve ser a mais ampla possível, tendo em vista a natureza do direito em discussão, o qual,
em última análise, visa garantir a sobrevivência e a dignidade da criança ou adolescente alimentando.
Ademais, o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente encontra respaldo constitucional
(art. 227 da CF). Nada impede, portanto, que o mecanismo de proteção que visa salvaguardar
interesses bancários e empresariais em geral (art. 43 da Lei n. 8.078/1990) acabe garantindo direito
ainda mais essencial relacionado ao risco de vida que violenta a própria dignidade da pessoa humana e
compromete valores superiores à mera higidez das atividades comerciais. Não por outro motivo o
legislador ordinário incluiu a previsão de tal mecanismo no Novo Código de Processo Civil,
como se afere da literalidade dos arts. 528 e 782. Precedente citado: REsp 1.533.206-MG, Quarta
Turma, DJe 1º/2/2016. REsp 1.469.102-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
8/3/2016, DJe 15/3/2016. 3ª Turma.
COMENTÁRIO:
Vejam os dispositivos do NCPC:
Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de
decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o
executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a
impossibilidade de efetuá-lo.
§1o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou
ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o
pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517.

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Art. 782. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos executivos, e o oficial de justiça
os cumprirá.
§1o O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo juiz também nas comarcas
contíguas, de fácil comunicação, e nas que se situem na mesma região metropolitana.
§2o Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego de força policial, o juiz a
requisitará.
§3o A requerimento da parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do executado em cadastros de
inadimplentes.
§4o A inscrição será cancelada imediatamente se for efetuado o pagamento, se for garantida a
execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo.
§5o O disposto nos §§ 3o e 4o aplica-se à execução definitiva de título judicial.

579/STJ - DIREITO CIVIL. IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA.


A impenhorabilidade do bem de família no qual reside o sócio devedor não é afastada pelo fato
de o imóvel pertencer à sociedade empresária. A jurisprudência do STJ tem, de forma reiterada e
inequívoca, pontuado que a impenhorabilidade do bem de família estabelecida pela Lei n. 8.009/1990
está prevista em norma cogente, que contém princípio de ordem pública, e a incidência do referido
Samoel Gonçalves de

diploma somente é afastada se caracterizada alguma hipótese descrita em seu art. 3º (EREsp 182.223-
SP, Corte Especial, DJ 7/4/2003). Nesse passo, a proteção conferida ao instituto de bem de família é
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princípio concernente às questões de ordem pública, não se admitindo sequer a renúncia por seu titular
do benefício conferido pela lei, sendo possível, inclusive, a desconstituição de penhora anteriormente
feita (AgRg no AREsp 537.034-MS, Quarta Turma, DJe 1º/10/2014; e REsp 1.126.173-MG, Terceira
Turma, DJe 12/4/2013). Precedentes citados: REsp 949.499-RS, Segunda Turma, DJe 22/8/2008; e
REsp 356.077-MG, Terceira Turma, DJ 14/10/2002. EDcl no AREsp 511.486-SC, Rel. Min. Raul
Araújo, julgado em 3/3/2016, DJe 10/3/2016. 4ª Turma.

583/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. FORMA PREFERENCIAL DE PAGAMENTO AO


Oliveira

CREDOR.
A adjudicação do bem penhorado deve ser assegurada ao legitimado que oferecer preço não
inferior ao da avaliação. Com a edição da Lei n. 11.382/2006, que alterou alguns artigos do
CPC/1973, a adjudicação (art. 647, I) passou a ser a forma preferencial de satisfação do direito do
credor, tornando secundárias as tradicionais formas de expropriação previstas no art. 647 do referido
código. Igualmente, o novo CPC também prevê a adjudicação como forma preferencial de satisfação do
direito do credor. Conforme preceitua doutrina especializada, a adjudicação pode ser conceituada como
"o ato executivo expropriatório, por meio do qual o juiz, em nome do Estado, transfere o bem penhorado
para o exequente ou a outras pessoas a quem a lei confere preferência na aquisição". REsp 1.505.399-
RS,Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 12/4/2016, DJe 12/5/2016. 4ª Turma.

583/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. MOMENTO PARA REQUERIMENTO DA


ADJUDICAÇÃO.
A adjudicação poderá ser requerida após resolvidas as questões relativas à avaliação do bem
penhorado e antes de realizada a hasta pública. O limite temporal para requerimento da adjudicação,
embora não esteja claro na legislação, consoante doutrina, parece ser o início da hasta pública. Com
efeito, a norma prevista no art. 686 do CPC/1973 limita-se a prever que "Não requerida a adjudicação e
não realizada a alienação particular do bem penhorado, será expedido o edital de hasta pública (...)".
Nesse contexto, doutrina entende que "a falta de previsão legal deste momento conclusivo recomenda
que o juiz consulte o credor, depois da penhora e da avaliação dos bens, sobre seu interesse na
adjudicação. Não havendo manifestação em prazo razoável, segue-se para a alienação em hasta

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pública". Assim, os legitimados têm direito a realizar a adjudicação do bem a qualquer momento, após
resolvidas as questões relativas à avaliação do bem e antes de realizada a hasta pública. Ressalte-se
que diante da importância conferida à adjudicação no sistema atual, segundo doutrina, "ainda que
expedidos os editais de hasta pública, nada impede a adjudicação pelo exequente ou por qualquer um
dos legitimados do art. 685-A, § 2º, do CPC", situação em que o adjudicante ficará obrigado a arcar com
as despesas decorrentes de atos que se tornaram desnecessários em razão da sua opção tardia, sendo
aplicável o art. 29 do CPC/1973. Esse entendimento visa a assegurar a menor onerosidade da
execução, princípio consagrado no sistema processual brasileiro com objetivo de proteger a boa-fé e
impedir o abuso de direito do credor que, dispondo de diversos meios igualmente eficazes, escolha
meio executivo mais danoso ao executado. REsp 1.505.399-RS,Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
julgado em 12/4/2016, DJe 12/5/2016. 4ª Turma.

584/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PRÉVIA INTIMAÇÃO NA PRESCRIÇÃO


INTERCORRENTE.
Em execução de título extrajudicial, o credor deve ser intimado para opor fato impeditivo à
incidência da prescrição intercorrente antes de sua decretação de ofício. Prestigiando a segurança
jurídica e o reconhecimento antigo e reiterado de que as pretensões executivas prescrevem no mesmo
Samoel Gonçalves de

prazo da ação, nos termos da Súmula n. 150 do STF, albergou-se na Terceira Turma do STJ
possibilidade de reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente, utilizando-se como parâmetro
CPF: 11335037721
legal a incidência analógica do art. 40, §§ 4º e 5º, da Lei n. 6.830/80 - Lei de Execução Fiscal (LEF).
Essa mesma solução foi concretizada no novo CPC, em que se passou a prever expressamente regra
paralela ao art. 40 da LEF, nos seguintes termos: "Art. 921. Suspende-se a execução: (...) § 4º.
Decorrido o prazo de que trata o § 1º sem manifestação do exequente, começa a correr o prazo de
prescrição intercorrente. § 5º. O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá,
de ofício, reconhecer a prescrição de que trata o § 4º e extinguir o processo." Todavia, ressalte-se que
em ambos os textos legais - tanto na LEF como no novo CPC - prestigiou-se a abertura de prévio
contraditório, não para que a parte dê andamento ao processo, mas para possibilitar-lhe a apresentação
Oliveira

de defesa quanto à eventual ocorrência de fatos impeditivos da prescrição. E em razão dessa exigência
legal de respeito ao prévio contraditório, cumpre enfatizar que, quanto à aplicação do instituto no âmbito
da execução fiscal, o STJ, por intermédio de sua Primeira Seção, assentou o entendimento de que é
indispensável a prévia intimação da Fazenda Pública, credora naquelas demandas, para os fins de
reconhecimento da prescrição intercorrente (EREsp 699.016/PE, Primeira Seção, DJe 17/3/2008; RMS
39.241/SP, Segunda Turma, DJe 19/6/2013). Nessa ordem de ideias, a viabilização do contraditório,
ampliada pelo art. 10 do novo CPC - que impõe sua observância mesmo para a decisão de matérias
conhecíveis de ofício -, concretiza a atuação leal do Poder Judiciário, corolária da boa-fé processual
hoje expressamente prevista no art. 5º do novo CPC e imposta a todos aqueles que atuem no processo.
Ao mesmo tempo, conforme doutrina, mantém-se a limitação da exposição do devedor aos efeitos da
litispendência, harmonizando-se a prescrição intercorrente ao direito fundamental à razoável duração do
processo. REsp 1.589.753-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 17/5/2016, DJe
31/5/2016. 3ª Turma.

584/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO. TEMA 56


Recurso especial afetado à Segunda Seção como representativo da seguinte controvérsia:
"possibilidade de conversão de ação individual de cobrança de expurgos inflacionários sobre o
saldo de cadernetas de poupança em liquidação/execução de sentença proferida em ação civil
pública movida com a mesma finalidade". REsp 1.532.516-RS, Rel. Min. Raul Araújo, DJe
31/5/2016; e REsp 1.532.525-RS, Rel. Min. Raul Araújo, DJe 7/6/2016.

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585/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXEQUIBILIDADE DE SENTENÇAS NÃO


CONDENATÓRIAS (ART. 475-N, I, DO CPC/1973). RECURSO REPETITIVO. TEMA 889.
A sentença, qualquer que seja sua natureza, de procedência ou improcedência do pedido,
constitui título executivo judicial, desde que estabeleça obrigação de pagar quantia, de fazer,
não fazer ou entregar coisa, admitida sua prévia liquidação e execução nos próprios autos. De
início, destaca-se que o ponto nodal da controvérsia consiste em definir se há exequibilidade (ou não)
em sentenças não condenatórias, notadamente após o acréscimo, pela Lei n. 11.232/2005, do art. 475-
N, I, ao CPC/1973 ("Art. 475-N. São títulos executivos judiciais: I - a sentença proferida no processo civil
que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia"), quer a
decisão contenha julgamento de procedência, quer de improcedência, dada a natureza dúplice do
elemento declaratório presente em toda decisão judicial. Inclusive, a Lei n. 13.105/2015 (CPC/2015)
reproduz essa norma: "Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo
com os artigos previstos neste Título: I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a
exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa". Daí a
atualidade da matéria. De fato, a execução forçada não se destina ao ajustamento ou à definição do
direito do exequente, de modo que sua instauração demanda necessariamente que a situação jurídica
do titular do direito tenha sido completa e previamente reconhecida em título executivo, assim
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entendido, por doutrina, como "o documento que contém um ato de acertamento do direito que o credor
pretende executar". É o que se dessume da interpretação conjunta dos arts. 580 e 586 do CPC/1973,
CPF: 11335037721
reproduzidos respectivamente pelos arts. 786 e 783 do CPC/2015. Com efeito, a decisão de cunho
condenatório sempre foi considerada o título executivo judicial por excelência, à evidência da norma
inserta no revogado art. 584, I, do CPC/1973 ("Art. 584. São títulos executivos judiciais: I - a sentença
condenatória proferida no processo civil"). A grande carga de executividade dessa espécie de decisão
decorre do fato de que seu comando consubstancia efetiva manifestação judicial acerca da existência e
validade da relação jurídica controvertida e da exigibilidade da pretensão que dela deriva, revestindo-a
com o grau de certeza exigido pela lei quanto à obrigação inadimplida, em virtude da identificação de
Oliveira

todos os elementos dessa relação jurídica. Às decisões de natureza declaratória, contudo, antes da
vigência da Lei n. 11.232/2005, era negada a eficácia executiva, ainda que secundária, ao argumento
de que elas se limitavam à declaração de certeza acerca da existência ou da inexistência de relação
jurídica (art. 4º do CPC/1973) - o que constituiria o cerne da pretensão exercitada -, não se estendendo
ao reconhecimento da existência de prestação a cargo do vencido. Diante disso, para fins de aferição
da exequibilidade do provimento judicial, a utilização do critério da natureza da decisão não parece ser
o melhor caminho, porquanto enseja polêmicas intermináveis e inócuas, que não oferecem contribuição
no campo prático. Na verdade, o exame do conteúdo da decisão mostra-se método mais adequado à
discriminação das sentenças passíveis de serem consideradas como título executivo, bastando, de
acordo com doutrina, que ela contenha "a identificação integral de uma norma jurídica concreta, com
prestação exigível de dar, fazer, não fazer ou pagar quantia". Nesse ponto, é relevante salientar que os
referidos dispositivos legais não atribuem eficácia executiva a todas as sentenças declaratórias
indiscriminadamente, mas apenas àquelas que, reconhecendo a existência da obrigação, contenham,
em seu bojo, os pressupostos de certeza e exigibilidade (art. 586 do CPC/1973), sendo certo que, na
ausência de liquidez, é admitida a prévia liquidação, tal qual ocorre com o provimento condenatório.
Afinal, há de se considerar os princípios da efetividade jurisdicional e da economia processual como
freios ao formalismo excessivo presente na imposição ao titular do direito já reconhecido em sentença
declaratória da exigibilidade da obrigação de ajuizamento de demanda condenatória inútil, porquanto
até mesmo a ampla análise da pretensão deduzida em juízo estaria impedida pela coisa julgada
formada no processo anterior. Precedentes citados: REsp 1.422.401-PR, Primeira Turma, DJe
30/5/2014; AgRg no AREsp 720.870-SP, Segunda Turma, DJe 27/8/2015; AgRg no REsp 1.460.032-
RN, Segunda Turma, DJe 14/9/2015; AgRg no REsp 1.018.250-RS, Segunda Turma, DJe 25/9/2014;

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AgRg no REsp 1.384.913-ES, Terceira Turma, DJe 24/8/2015; e REsp 1.508.910-SP, Terceira Turma,
DJe 26/5/2015. REsp 1.324.152-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em
4/5/2016, DJe 15/6/2016.
COMENTÁRIO:
Julgado importante!

585/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INCOMPETÊNCIA PARA CANCELAR GRAVAME


EM MATRÍCULA DE IMÓVEL ARREMATADO.
Arrematado bem imóvel, o Juízo da execução que conduziu a arrematação não pode determinar
o cancelamento automático de constrições determinadas por outros Juízos de mesma hierarquia
e registradas na matrícula do bem, mesmo que o edital de praça e o auto de arrematação
tivessem sido silentes quanto à existência dos referidos gravames. Isso porque, além de o Juízo
da execução não deter competência para o desfazimento ou cancelamento de constrições e registros
determinados por outros Juízos de mesma hierarquia, os titulares dos direitos decorrentes das decisões
judiciais proferidas em outros processos, as quais geraram as constrições e registros imobiliários que os
arrematantes pretendem cancelar, têm direito ao devido processo legal, com seus consectários
contraditório e ampla defesa. Ademais, as possíveis falhas nos atos judiciais que antecederam a
Samoel Gonçalves de

arrematação, porque não mencionavam as outras constrições de outros Juízos sobre o imóvel a ser
arrematado, não possibilitam ao Juízo da arrematação determinar a baixa de outras constrições levadas
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a efeito por outros juízos. RMS 48.609-MT, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 19/5/2016, DJe
8/6/2016. 4ª Turma.

588/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. INEXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO FUNDADA EM


LEI NÃO RECEPCIONADA PELA CONSTITUIÇÃO.
Ainda que tenha havido o trânsito em julgado, é inexigível a obrigação reconhecida em sentença
com base exclusivamente em lei não recepcionada pela Constituição. Fundado o título judicial
exclusivamente na aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo STF como
Oliveira

incompatíveis com a CF, é perfeitamente permitido o reconhecimento da inexigibilidade da obrigação na


própria fase de execução. Por outro lado, fundada a sentença em preceitos outros, decorrentes, por
exemplo, da interpretação da legislação civil ou das disposições constitucionais vigentes, a obrigação é
perfeitamente exigível, só podendo ser suprimida a partir da rescisão do título pelas vias ordinárias, sob
pena de restar configurada grave ofensa à eficácia preclusiva da coisa julgada material. Isso porque, a
partir da entrada em vigor da Lei n. 11.232/2005, que incluiu, no CPC/1973, o art. 475-L, passou a
existir disposição expressa e cogente assegurando ao executado arguir, em impugnação ao
cumprimento de sentença, a inexigibilidade do título judicial. Essa norma, diga-se de passagem, foi
reproduzida, com pequeno ajuste técnico na terminologia empregada, no art. 525 do CPC/2015. REsp
1.531.095-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/8/2016, DJe 16/8/2016. 3ª Turma.

589/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ORDEM DE NOMEAÇÃO À PENHORA DE COTA


DE FUNDO DE INVESTIMENTO. RECURSO REPETITIVO. TEMA 913.
A cota de fundo de investimento não se subsume à ordem de preferência legal disposta no
inciso I do art. 655 do CPC/1973 (ou no inciso I do art. 835 do CPC/2015). Inicialmente, cabe
destacar que a tese firmada pode nortear também a interpretação de casos vindouros, sob a vigência
do CPC/2015, pois, como visto, a redação do dispositivo legal correlato não foi modificada. No mérito,
registre-se que, de acordo com o disposto no art. 2º, V, da Lei n. 6.385/1976 (que disciplinou o mercado
de valores mobiliários e criou a Comissão de Valores Mobiliários), as cotas de fundos de investimento
consistem em valores mobiliários e, por isso, não se encontram em primeiro lugar, na ordem legal de
preferência de penhora, contida no inciso I do art. 655 do CPC/1973, mas sim, expressamente, no
inciso X (ou no inciso III do art. 835 do CPC/2015; ou no inciso VIII do art. 11 da Lei n. 6.830/1980).

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Ressai evidenciado, assim, pela própria literalidade do dispositivo legal, que valores mobiliários, como é
o caso das cotas de fundo de investimento, não se confundem com aplicações financeiras previstas na
legislação processual (art. 655, I, do CPC/1973). Veja-se, pois, que, diversamente do que ocorre com o
dinheiro em espécie, com o dinheiro depositado em conta bancária ou com aquele representado por
aplicações financeiras, as cotas de fundo de investimento encontram-se invariavelmente sujeitas aos
riscos de mercado, de crédito e de liquidez, o que, por si só, justifica a diversidade de gradação, para
efeito de penhora, imposta pela lei adjetiva civil. A partir da constituição do fundo de investimento, que
se dá por meio da reunião de aportes financeiros manejados por investidores, o terceiro administrador
os aplica em títulos e valores mobiliários, com o intuito de obter lucro/rendimento, sujeitando-se aos
riscos das variações dos índices do mercado financeiro. Destaca-se, por conseguinte, haver uma
indissociável vinculação entre os recursos aportados em um fundo de investimento (convertidos, a partir
de então, em cotas, de titularidade de cada investidor) com a aplicação propriamente realizada pelo
fundo em determinados ativos financeiros, com cotações no mercado. Por consectário, referidos
recursos, convertidos em cotas, passarão a seguir, necessariamente, a sorte desses ativos investidos
pelo fundo quanto à existência, à negociabilidade, à liquidez e, portanto, aos riscos daí advindos, em
maior ou menor grau. Como assinalado, esses riscos são inerentes a todos os fundos de investimento,
que podem ser naturalmente minorados - mas não totalmente extirpados - a depender dos ativos e
Samoel Gonçalves de

títulos financeiros que, de modo preestabelecido, venham a compor a carteira do fundo e retratem, na
medida do possível, um investimento de perfil mais conservador. Tampouco se afigura influente à
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conclusão o fato de o fundo de investimento ser qualificado como de "renda fixa", pois, conforme
determina a Instrução Normativa n. 505 da CVM, esse fundo tem "como principal fator de risco de sua
carteira" a variação da taxa de juros, de índice de preço, ou ambos, devendo possuir "no mínimo 80%
(oitenta por cento) da carteira em ativos relacionados diretamente, ou sintetizados via derivativos, ao
fator de risco que dá nome à classe", (arts. 109 e 110), o que evidencia, de igual modo, a presença dos
riscos acima aludidos, ainda que em menor grau. Assim gizados os contornos das cotas de fundo de
investimento, que, por expressa definição legal, constituem valores mobiliários (art. 2º, V, da Lei n.
Oliveira

6.385/1976), pode-se afirmar com segurança que essas não se incluem, para efeito de ordem legal da
penhora, no conceito "de dinheiro em aplicação financeira", cuja eventual constrição judicial recai sobre
numerário certo e líquido, que ficará bloqueado ou depositado, à disposição do juízo em que se
processa a execução.
REsp 1.388.642-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado
em 3/8/2016, DJe 6/9/2016.
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Julgado importante!

589/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECUSA DE NOMEAÇÃO À PENHORA DE


COTAS DE FUNDO DE INVESTIMENTO. RECURSO REPETITIVO. TEMA 913.
A recusa da nomeação à penhora de cotas de fundo de investimento, reputada legítima a partir
das particularidades de cada caso concreto, não encerra, em si, excessiva onerosidade ao
devedor, violação do recolhimento dos depósitos compulsórios e voluntários do Banco Central
do Brasil ou afronta à impenhorabilidade das reservas obrigatórias. A gradação legal estabelecida
no art. 655 do CPC/1973, estruturado de acordo com o grau de aptidão satisfativa do bem penhorável,
embora seja a regra, não tem caráter absoluto, podendo ser flexibilizada, em atenção às
particularidades do caso concreto, sopesando-se, necessariamente, a potencialidade de satisfação do
crédito, na medida em que a execução se processa segundo os interesses do credor (art. 612), bem
como de acordo com a forma menos gravosa ao devedor (art. 620). Essa compreensão, é certo,
encontra-se sedimentada na jurisprudência do STJ, por meio da Súmula n. 417, que assim dispõe: "na
execução civil, a penhora do dinheiro na ordem de nomeação de bens não tem caráter absoluto".

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Ressai evidenciado, por conseguinte, que, uma vez inobservada a gradação disposta na lei, afigura-se
lícito ao credor recusar a nomeação de cotas de fundos de investimento, se, com esteio nas
particularidades do caso, o aludido valor mobiliário não guarda em si a esperada liquidez a satisfazer
prontamente a obrigação inadimplida, circunstância que não encerra, em si, excessiva onerosidade ao
devedor. Também sob o enfoque da onerosidade excessiva ao devedor, absolutamente insubsistente a
tese de que a recusa da nomeação à penhora das cotas de fundo de investimento importaria, por via
transversa, na violação do recolhimento dos depósitos compulsórios e voluntários do Banco Central do
Brasil (art. 10, IV, da Lei n. 4.595/1964) ou na afronta da impenhorabilidade das reservas obrigatórias
(art. 68 da Lei n. 9.069/1995). Reconhecida a licitude da recusa, cabe ao banco executado, inclusive,
como condição de procedibilidade de impugnação ao cumprimento de sentença (definitiva), garantir o
juízo, por meio de constrição que recaia sobre numerário constante de suas agências ou sobre o
produto do capital investido em suas aplicações financeiras, providência que não toca a intangibilidade
dos depósitos mantidos no Banco Central, tampouco a impenhorabilidade das reservas bancárias.
Aliás, linha argumentativa contrária não encontra ressonância na jurisprudência pacífica do STJ, bem
sintetizada na Súmula n. 328, editada pela Corte Especial, nos seguintes termos: "Na execução contra
instituição financeira, é penhorável o numerário disponível, excluídas as reservas bancárias mantidas no
Banco Central."
Samoel Gonçalves de

REsp 1.388.642-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado
em 3/8/2016, DJe 6/9/2016. CPF: 11335037721
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589/STJ - DIREITO CIVIL. INVALIDADE DA PENHORA SOBRE A INTEGRALIDADE DE


IMÓVEL SUBMETIDO A TIME SHARING.
É inválida a penhora da integralidade de imóvel submetido ao regime de multipropriedade (time-
sharing) em decorrência de dívida de condomínio de responsabilidade do organizador do
compartilhamento. Na espécie, reconhece-se que a natureza jurídica da multipropriedade imobiliária
Oliveira

bem mais se compatibiliza com a de um direito real. Isso porque, extremamente acobertada por
princípios que encerram os direitos reais, a multipropriedade imobiliária, nada obstante ter feição
obrigacional aferida por muitos, detém forte liame com o instituto da propriedade, se não for a sua
própria expressão, como já vem proclamando a doutrina contemporânea, inclusive num contexto de não
se reprimir a autonomia da vontade nem a liberdade contratual diante da preponderância da tipicidade
dos direitos reais e do sistema de numerus clausus. Não se vê como admitir, no contexto do CC/2002,
óbice a se dotar o instituto da multipropriedade imobiliária de caráter real, especialmente sob a ótica da
taxatividade e imutabilidade dos direitos reais inscritos no art. 1.225. Primeiro, porque o vigente diploma,
seguindo os ditames do estatuto civil anterior, não traz nenhuma vedação nem faz referência à
inviabilidade de consagrar novos direitos reais. Segundo, porque com os atributos dos direitos reais se
harmoniza o novel instituto, que, circunscrito a um vínculo jurídico de aproveitamento econômico e de
imediata aderência ao imóvel, detém as faculdades de uso, gozo e disposição sobre fração ideal do
bem, ainda que objeto de compartilhamento pelos multiproprietários de espaço e turnos fixos de tempo.
REsp 1.546.165-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. para acórdão Min. João Otávio de
Noronha, por maioria, julgado em 26/4/2016, DJe 6/9/2016. 3ª Turma.
COMENTÁRIO:
Julgado importante!

590/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE DEDUÇÕES


E PRESUNÇÕES NA APURAÇÃO DE LUCROS CESSANTES.
É possível ao julgador, na fase de liquidação de sentença por arbitramento, acolher as

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conclusões periciais fundadas em presunções e deduções para a quantificação do prejuízo


sofrido pelo credor a título de lucros cessantes. Inicialmente, destaca-se que, para a tutela dos
lucros cessantes, impõe-se ter em mente que essa espécie de dano material existe quando o
prejudicado não teria de desenvolver nenhuma atividade excepcional para obtenção do ganho que
deixou de realizar, ou seja, quando esse ganho seria resultado natural da atividade comum. Nessa
trilha, alerta doutrina: "[n]a apreciação dos danos que devem ser ressarcidos a título de lucros
cessantes, o juiz há de, entretanto, ter em conta, não só os atuais, consequência direta e imediata da
lesão, mas também a alteração de condições habitualmente existentes e das quais seja lícito deduzir
com certa segurança a presunção de que criariam a favor do lesado uma situação que lhe traria
benefícios patrimoniais legítimos." Vê-se, portanto, na apuração dos lucros cessantes, um campo fértil à
utilização de deduções e presunções, as quais, na maioria dos casos, serão imprescindíveis à
prestação adequada da tutela jurisdicional devida. Com efeito, pretender-se chegar a uma conta exata
do quanto se deixou de lucrar com uma atividade que não foi realizada por culpa do devedor, é o
mesmo que se exigir a prova de fatos não ocorridos - prova diabólica e impossível. Essa exigência
resulta assim, por via transversa, na negativa de reparação integral do dano judicialmente reconhecido
em fase de cumprimento de sentença. Nesse contexto, a utilização de presunções não pode ser
afastada de plano, uma vez que sua observância no direito processual nacional é exigida como forma
Samoel Gonçalves de

de facilitação de provas difíceis.


REsp 1.549.467-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 13/9/2016, DJe 19/9/2016,
CPF: 11335037721
Terceira Turma.
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591/STJ - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. HIPÓTESE DE IMPENHORABILIDADE DE


IMÓVEL COMERCIAL.
É impenhorável o único imóvel comercial do devedor quando o aluguel daquele está destinado
unicamente ao pagamento de locação residencial por sua entidade familiar. Inicialmente, registre-
Oliveira

se que o STJ pacificou a orientação de que não descaracteriza automaticamente o instituto do bem de
família, previsto na Lei n. 8.009/1990, a constatação de que o grupo familiar não reside no único imóvel
de sua propriedade (AgRg no REsp 404.742-RS, Segunda Turma, DJe 19/12/2008; e AgRg no REsp
1.018.814-SP, Segunda Turma, DJe 28/11/2008). A Segunda Turma também possui entendimento de
que o aluguel do único imóvel do casal não o desconfigura como bem de família (REsp 855.543-DF,
Segunda Turma, DJ 3/10/2006). Ainda sobre o tema, há entendimento acerca da impossibilidade de
penhora de dinheiro aplicado em poupança, por se verificar sua vinculação ao financiamento para
aquisição de imóvel residencial (REsp 707.623-RS, Segunda Turma, DJe 24/9/2009).
REsp 1.616.475-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/9/2016, DJe 11/10/2016, Segunda
Turma.
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593/STJ - Remição. Art. 788 do CPC de 1973. Crédito trabalhista. Direito de preferência.
Inexistência de concurso singular de credores.
O pedido de remição feito com base no art. 788 do CPC de 1973, já estando aperfeiçoado com
decisão concessiva transitada em julgado e registro no cartório competente, não deve ser
revogado por ter-se apurado posterior crédito privilegiado de credor que não efetivou prévia
penhora do bem alienado. A questão posta em discussão cingiu-se a saber se depois de alienado o
bem na execução singular, o fisco ou o credor trabalhista que não efetivaram a penhora podem
exercitar o seu direito de privilégio. Em execução por quantia certa, há dois sistemas: a execução

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concursal ou universal e a execução singular. A primeira pressupõe insolvência, regida pelo princípio da
par conditio creditorum, que nivela todos os credores e, consequentemente, credores de mesma
categoria submetem-se a um concurso de credores. Já na execução singular vigora o princípio prior in
tempore, potior in jure (primeiro no tempo, primeiro no direito), ou seja, o princípio da ordem das
prelações da penhora. O credor que penhorou em primeiro lugar recebe seu crédito antes do credor que
penhorou em segundo, e assim sucessivamente. Quanto ao direito de preferência, a lei processual civil
estabelece que a prioridade é por data de penhora: quem primeiro penhorou tem a preferência, não
importando as datas de ajuizamento das ações. Assim, na execução singular, só há concurso de
credores quando há coincidência de penhora, ou seja, quando os credores penhoram o mesmo bem.
Isso é o que está no art. 612, que estabelece a preferência, cuja interpretação deve ser feita
considerandose os arts. 709, 710 e 711. Embora o inciso II do art. 709 do Código de Processo Civil de
1973 preveja que, antes de entregar o dinheiro ao credor, verificar-se-á se não há uma preferência ou
um privilégio, estas só existirão se o credor dessa condição, que pode ser o trabalhista ou o fiscal,
penhorar o bem. Depois de alienado o bem na execução, o fisco ou o credor trabalhista que não
efetivaram a penhora não podem exercitar o seu direito de privilégio.
REsp 1.278.545-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, por unanimidade, julgado em 2/8/2016,
DJe 16/11/2016, Terceira Turma.
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594/STJ - Alienação de imóvel por sócio da pessoa jurídica após a citação desta e antes
do redirecionamento da execução. Desconsideração da personalidade jurídica. Fraude à
execução não configurada.
A fraude à execução só poderá ser reconhecida se o ato de disposição do bem for posterior à
citação válida do sócio devedor, quando redirecionada a execução que fora originariamente
proposta em face da pessoa jurídica. A questão consistiu em determinar se a venda de imóvel
realizada por sócio de pessoa jurídica executada, após a citação desta, mas antes da desconsideração
Oliveira

da personalidade jurídica da mesma sociedade, configura fraude à execução. De acordo com o art. 593,
II, do CPC/1973, depreende-se que, para a configuração de fraude à execução, deve correr contra o
próprio devedor demanda capaz de reduzi-lo à insolvência. No mais, urge destacar que é indispensável
a citação válida para configuração de fraude à execução (REsp 956.943-PR, Corte Especial, DJe
1/12/2014). Dessa feita, tem-se que a fraude à execução só poderá ser reconhecida se o ato de
disposição do bem for posterior à citação válida do sócio devedor, quando redirecionada a execução
que fora originariamente proposta em face da pessoa jurídica. Somente com a superveniência da
desconstituição da personalidade da pessoa jurídica é que o sócio da pessoa jurídica foi erigido à
condição de responsável pelo débito originário desta. Inclusive, este é o entendimento adotado por esta
Corte nas hipóteses de execução fiscal, que pode ser utilizado, por analogia, na espécie (AgRg no
REsp 1.186.376-SC, Segunda Turma, DJe 20/9/2010). No mesmo sentido, tem-se: EREsp 110.365/SP,
Primeira Seção, DJ 14/3/2005; e REsp 833.306-RS, Primeira Turma, DJ 30/6/2006.
REsp 1.391.830-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 22/11/2016, DJe
1/12/2016, Terceira Turma.
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599/STJ - Família. Direito de visitação. Obrigação de fazer. Fixação preventiva de


astreintes para a hipótese de eventual descumprimento imotivado do regime de visitação.
Possibilidade.
A aplicação de astreintes é válida quando o genitor detentor da guarda da criança descumpre
acordo homologado judicialmente sobre o regime de visitas.

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Discute-se se é cabível a fixação preventiva de astreintes para a hipótese de eventual descumprimento


do regime de visitação de menor, por parte do genitor que detém a guarda da criança, consoante
acordo de separação consensual homologado judicialmente entre as partes. Com efeito, nos termos do
art. 1.589 do CC/02, o direito de visita é uma garantia conferida pela lei, ao pai ou à mãe que não
detiver a guarda do filho, para que possa desfrutar de sua companhia segundo o que for acordado entre
eles ou decidido pelo juiz. O direito de visitação tem por finalidade manter o relacionamento do filho com
o genitor não guardião, que também compõe o seu núcleo familiar, interrompido pela separação do
casal ou por outro motivo, tratando-se de uma manifestação do direito fundamental de convivência
familiar garantido pela Constituição Federal, no seu art. 227, caput. Essa prioridade absoluta aos
direitos da criança, do adolescente e do jovem, assegurada pela CF/88, que abrange o direito de visita
como decorrência do direito à convivência familiar, em absoluto, não pode ser visto somente como um
direito do genitor não guardião, mas como um direito do próprio filho, de modo que deve ser assegurado
e facilitado pelos pais, com absoluta prioridade, priorizando a intimidade, que é direito intangível da
personalidade. A cláusula geral do melhor interesse da criança e do adolescente, decorrente do
princípio da dignidade da pessoa humana, recomenda que o Poder Judiciário cumpra o dever de
protegê-las, valendo-se dos mecanismos processuais existentes, de modo a garantir e facilitar a
convivência do filho com o visitante nos dias e na forma previamente ajustadas, e coibir o guardião de
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criar obstáculos para o cumprimento do acordo firmado com a chancela judicial. Nesse cenário, o direito
de visitação deve ser visto como uma obrigação de fazer do guardião de facilitar, assegurar e garantir, a
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convivência do filho com o não guardião, de modo que eles possam se encontrar, manter e fortalecer os
laços afetivos e, assim atender suas necessidades imateriais, dando cumprimento ao preceito
constitucional. Dessa forma, o não guardião pode ir a juízo para assegurar o direito de ter o filho em sua
companhia caso haja obstáculo ou resistência ao exercício do seu direito. Como é sabido, o art. 461 e
parágrafos do CPC/73, trazem instrumentos processuais úteis ao jurisdicionado na obtenção de tutela
das obrigações de fazer e não fazer, podendo ele obter tanto a preventiva como a inibitória, além de
medidas coercitivas para que se possa obter o cumprimento da obrigação. A melhor interpretação é a
Oliveira

de que os instrumentos processuais previstos nos referidos dispositivos legais podem ser utilizados
para tutelar os direitos provenientes do direito de visitação, devendo a expressão obrigação de fazer ou
não fazer ser interpretada como de abrangência geral, acolhendo também as de natureza não
patrimonial, servindo como um mecanismo apto e eficiente de garantir o direito fundamental da
personalidade que é o do regime da visitação. Por oportuno, cabe ressaltar que o NCPC, afasta
qualquer dúvida sobre a temática aqui discutida, pois o § 6º do art. 536, autoriza, de modo
expresso, a aplicação de multa em caso de descumprimento de obrigação de natureza não
obrigacional ou existencial. Além disso, outro mecanismo que poderia ser utilizado para que o não
guardião da criança exercesse o seu direito de visitação, seria a utilização da ação de busca e
apreensão (CPC/73, art. 839). No entanto, essa medida, levando-se em consideração sempre o melhor
interesse da criança e do adolescente, pode se mostrar drástica e prejudicial para elas que poderiam
ser levadas a força por uma ordem judicial, inclusive com a utilização da polícia para a sua efetivação,
mostrando-se a astreintes um meio mais eficaz e menos traumatizante para o menor.
REsp 1.481.531-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, por unanimidade, julgado em 16/2/2017, DJe
7/3/2017, Terceira Turma.
Discute-se se é cabível a fixação preventiva de astreintes para a hipótese de eventual descumprimento do regime
de visitação de menor, por parte do genitor que detém a guarda da criança, consoante acordo de separação
consensual homologado judicialmente entre as partes. Com efeito, nos termos do art. 1.589 do CC/02, o direito de
visita é uma garantia conferida pela lei, ao pai ou à mãe que não detiver a guarda do filho, para que possa
desfrutar de sua companhia segundo o que for acordado entre eles ou decidido pelo juiz. O direito de visitação
tem por finalidade manter o relacionamento do filho com o genitor não guardião, que também compõe o seu
núcleo familiar, interrompido pela separação do casal ou por outro motivo, tratando-se de uma manifestação do
direito fundamental de convivência familiar garantido pela Constituição Federal, no seu art. 227, caput. Essa

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prioridade absoluta aos direitos da criança, do adolescente e do jovem, assegurada pela CF/88, que abrange o
direito de visita como decorrência do direito à convivência familiar, em absoluto, não pode ser visto somente como
um direito do genitor não guardião, mas como um direito do próprio filho, de modo que deve ser assegurado e
facilitado pelos pais, com absoluta prioridade, priorizando a intimidade, que é direito intangível da personalidade. A
cláusula geral do melhor interesse da criança e do adolescente, decorrente do princípio da dignidade da pessoa
humana, recomenda que o Poder Judiciário cumpra o dever de protegê-las, valendo-se dos mecanismos
processuais existentes, de modo a garantir e facilitar a convivência do filho com o visitante nos dias e na forma
previamente ajustadas, e coibir o guardião de criar obstáculos para o cumprimento do acordo firmado com a
chancela judicial. Nesse cenário, o direito de visitação deve ser visto como uma obrigação de fazer do guardião de
facilitar, assegurar e garantir, a convivência do filho com o não guardião, de modo que eles possam se encontrar,
manter e fortalecer os laços afetivos e, assim atender suas necessidades imateriais, dando cumprimento ao
preceito constitucional. Dessa forma, o não guardião pode ir a juízo para assegurar o direito de ter o filho em sua
companhia caso haja obstáculo ou resistência ao exercício do seu direito. Como é sabido, o art. 461 e parágrafos
do CPC/73, trazem instrumentos processuais úteis ao jurisdicionado na obtenção de tutela das obrigações de
fazer e não fazer, podendo ele obter tanto a preventiva como a inibitória, além de medidas coercitivas para que se
possa obter o cumprimento da obrigação. A melhor interpretação é a de que os instrumentos processuais
previstos nos referidos dispositivos legais podem ser utilizados para tutelar os direitos provenientes do direito de
visitação, devendo a expressão obrigação de fazer ou não fazer ser interpretada como de abrangência geral,
acolhendo também as de natureza não patrimonial, servindo como um mecanismo apto e eficiente de garantir o
Samoel Gonçalves de

direito fundamental da personalidade que é o do regime da visitação. Por oportuno, cabe ressaltar que o NCPC,
afasta qualquer dúvida sobre a temática aqui discutida, pois o § 6º do art. 536, autoriza, de modo expresso, a
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aplicação de multa em caso de descumprimento de obrigação de natureza não obrigacional ou existencial. Além
disso, outro mecanismo que poderia ser utilizado para que o não guardião da criança exercesse o seu direito de
visitação, seria a utilização da ação de busca e apreensão (CPC/73, art. 839). No entanto, essa medida,
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599/STJ - Juizado Especial. Suspensão condicional do processo. Acordo de reparação


civil realizado entre as partes. Título executivo judicial.
Oliveira

O ato de composição entre denunciado e vítima visando à reparação civil do dano, embutido na
decisão concessiva de suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei n. 9.099/95), é título
judicial apto a lastrear eventual execução. Trata-se de ação em que se postula o cumprimento de
sentença no ponto pertinente ao acordo realizado entre acusado e vítima visando à reparação civil do
dano, firmado como uma das condições para a concessão da suspensão condicional do processo (art.
89, § 1º, I da Lei n. 9.099/95). É certo que, ao contrário da transação penal do art. 72 da Lei dos
Juizados Especiais, a qual pressupõe imediata aplicação da pena, a suspensão do processo do art. 89
não faz coisa julgada para efeitos penais, podendo ser revogada se o beneficiário vier ser processado
por outro crime, contravenção, não reparar o dano sem motivo justificado ou não cumprir as condições
impostas. Todavia, a decisão concessiva da suspensão condicional do processo não impede que, no
seio do mesmo ato judicial, esteja também embutido ato de composição entre denunciado e a vítima,
apto a lastrear eventual execução de título judicial. Noutros termos, não há como se confundir o
deferimento da suspensão do processo, que não faz coisa julgada para extinguir a pretensão punitiva
do Estado, com a decisão que homologa o acordo entabulado em juízo entre as partes, passível de
execução por constituir-se título executivo judicial, ainda que elaboradas em audiência única, tratando-
se de verdadeira decisão complexa. A compreensão de que tal ato não constituiria título cível em favor
da vítima, e de que caberia a esta propor ação de conhecimento contra o ofensor, em caso de
descumprimento da obrigação, vai de encontro aos princípios da confiança, boa fé e da segurança, uma
vez que ela teria sido induzida a crer, por ato praticado em juízo, que tivera seus direitos resguardados.
Por outro lado, o reconhecimento do acordo celebrado entre o autor do fato e a vítima, na audiência em
que deferida a suspensão condicional do processo, como título executivo atende ao intuito da Lei dos

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Juizados Especiais de primar pela celeridade e concentração dos atos processuais, assim como pela
simplificação dos procedimentos, a fim de incentivar as partes à realização de autocomposição.
REsp 1.123.463-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, por unanimidade, julgado em 21/2/2017, DJe
14/3/2017, Quarta Turma.
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599/STJ - DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO. TEMA 910.


Recursos especiais submetidos à Segunda Seção como representativo da seguinte controvérsia:
legitimidade passiva das empresas que arremataram ações do leilão regido pelo Edital de
Desestatização MC/BNDES 01/98 para a ação de complementação de ações na hipótese em que as
ações originárias tenham sido subscritas na TELEBRAS.
REsp 1.633.852-SP e REsp 1.633.801-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 3/4/2017.

600/STJ - Ação civil pública. Indisponibilidade de bens. Integralidade do patrimônio.


Execução. Expropriação. Adjudicação de bem. Coisa determinada e específica.
Impedimento. Ausência.
Samoel Gonçalves de

A indisponibilidade de bens do executado deferida em ação civil pública não impede a


adjudicação de um determinado bem ao credor que executa o devedor comum com substrato em
título executivo judicial. Inicialmente, cumpre salientar que se o devedor não adimplir
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espontaneamente com as prestações a que se sujeitou, a atuação do Estado é necessária para
compeli-lo a satisfazer o direito de crédito de um determinado credor previsto em um título executivo.
Nessa hipótese, a fim de evitar que essa atividade estatal seja infrutífera, o ordenamento jurídico prevê
meios de remediar e precaver essa situação, evitando a gestão ruinosa do devedor sobre seu
patrimônio por meio de determinadas medidas que atuam sobre seu poder de livremente dispor de seus
bens. A indisponibilidade é uma dessas medidas destinadas à garantia da satisfação de uma dívida.
Trata-se de cautelar inominada, deferida com substrato no poder geral de cautela do juiz, por meio da
Oliveira

qual é resguardado o resultado prático de uma ação pela restrição ao direito do devedor de dispor sobre
a integralidade do seu patrimônio, sem, contudo, privá-lo definitivamente do domínio. Diferentemente do
que ocorre na indisponibilidade, no arresto, a perda do poder de disposição incide sobre um
determinado ou determinados bens porque já se sabe quantos deles serão necessários à satisfação da
dívida, o que é justificado pelo fato de que sua decretação depende da existência de prova literal da
dívida líquida e certa. Além disso, o arresto “apenas importa na ineficácia da transmissão dominial”
(REsp 819.217/RJ, Terceira Turma, DJe 06/11/2009; REsp 487.921/SP, Quarta Turma, DJe 2/5/2013),
haja vista que a ineficácia se restringirá apenas a um negócio jurídico realizado sobre um bem
específico, dada sua vinculação à dívida a ser executada. Ademais, diferentemente da indisponibilidade
cautelar, a inalienabilidade e impenhorabilidade legal e a voluntária incidem somente sobre bens
determinados, não sobre a integralidade do patrimônio do devedor. Já a expropriação é o ato final da
execução por quantia certa, consistindo no ato da autoridade judicial por meio do qual se retira
coativamente a propriedade ou posse de alguém com o objetivo de obter-se a prestação suficiente à
satisfação do crédito exequendo. Por se tratar de atuação coativa do Estado, a adjudicação não
pode ser impedida pela cautelar atípica de indisponibilidade de bens, a qual atua sobre o poder
de o devedor dispor sobre todo seu patrimônio de acordo com sua vontade. Ademais, não
havendo um direito de preferência especial de um outro credor sobre um bem determinado do devedor,
a adjudicação não pode ser obstruída pela indisponibilidade, que não impõe a um bem específico a
situação de inalienabilidade ou impenhorabilidade, afastando sua sujeição à execução. Caso contrário,
se a indisponibilidade impedisse a penhora ou a expropriação do bem do patrimônio do devedor,
conforme asseverou o i. Min. Ruy Rosado de Aguiar, “o réu com bens indisponíveis receberia um bill de

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indenidade e, uma vez extinta a ação civil, teria conseguido manter o patrimônio livre de execuções, em
prejuízo dos seus credores, que nenhuma relação têm com os atos que determinaram aquela iniciativa ”
(REsp 418.702/DF, Quarta Turma, DJ 07/10/2002).
REsp 1.493.067-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 21/3/2017, DJe
24/3/2017, Terceira Turma.
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604/STJ - Insolvência Civil. Execução individual posterior. Impossibilidade. Incompetência


absoluta. Juízo universal da insolvência. Nulidade da arrematação.
É nula a arrematação de bens do devedor promovida em ação de execução por credor individual,
após a declaração de insolvência civil do devedor, em foro diverso do Juízo universal da
insolvência.
Cinge-se a discussão, entre outras questões, acerca da nulidade da arrematação dos bens, porquanto
realizado em prejuízo do juízo universal da insolvência. De início, cabe ressaltar que, declarada a
insolvência do devedor, por meio de sentença dotada de eficácia imediata – fato já reconhecido pela
doutrina e jurisprudência desta Corte Superior (REsp 794.364-SP, Rel. Min. Humberto Gomes de
Samoel Gonçalves de

Barros, Terceira Turma, DJ 18/12/2006) – instaura-se a execução universal de credores e a


arrecadação de todos os bens suscetíveis de penhora (CPC/73, art. 751), sendo que o devedor perde o
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direito de administrar os seus bens e deles dispor (CPC/73, art. 752). Na hipótese, a insolvência foi
declarada pelo Juízo da Comarca de Guaxupé/MG em 3 de março de 2002; no entanto, o credor propôs
a execução de título extrajudicial no dia 2 de abril do mesmo ano, perante o Juízo da 2ª Vara Cível da
Comarca de Lavras/MG. A declaração de insolvência conduz à execução por concurso universal de
todos os credores (CPC/73, art. 751, II), inclusive aqueles com garantia real, não sendo possível a
propositura de ação de execução singular, como na presente hipótese, perante Juízo absolutamente
incompetente, porquanto a execução dos créditos deve ser realizada perante o Juízo universal da
insolvência. Assim, deve-se anular a arrematação realizada na execução individual, com remessa dos
Oliveira

autos ao Juízo competente, facultando-se ao recorrido habilitar-se no quadro geral de credores, e


determinar a arrecadação dos bens em favor do juízo da insolvência.
REsp 1.074.724-MG, Rel. Min. Raul Araújo, por unanimidade, julgado em 27/4/2017, DJe 18/5/2017.
4ª Turma.

606/STJ - Contrato particular de crédito a pessoa física para aquisição de material de


construção. Construcard. Título executivo extrajudicial inexistente.
O contrato particular de abertura de crédito a pessoa física visando financiamento para
aquisição de material de construção – Construcard –, ainda que acompanhado de demonstrativo
de débito e nota promissória, não é título executivo extrajudicial.
De início, não se desconhece que a natureza jurídica do contrato de abertura de crédito denominado
Construcard, para fins de possibilitar, de pronto, a execução do crédito devido, tem sido objeto de
intensas divergências nos Tribunais de piso. Nessa ordem de ideias, diante da notória divergência na
interpretação da lei federal, mostra-se necessária a definição do seu enquadramento como título apto
ou não a amparar, de plano, a execução extrajudicial. Nesse ponto, cabe definir que o Construcard é
uma linha de crédito voltada às pessoas físicas para a compra de material de construção, reforma ou
ampliação de imóvel residencial, com verbas disponibilizadas pela Caixa Econômica Federal, por meio
de concessão de cartão magnético específico que disponibiliza determinado crédito a ser usado pelos
clientes na medida de suas necessidades, com a previsão de prazo certo para sua utilização e outro
para amortização da dívida. Ao que se percebe, apesar de haver a disponibilização de quantia certa;
esta poderá ou não ser utilizada pelo cliente, não se sabendo, no momento da assinatura do contrato,

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qual será, ao certo, o valor do débito, as parcelas devidas e a data de início da contagem dos encargos
correspondentes. Isso porque a apuração dependerá da efetiva utilização do crédito em momento
posterior, o que o faz se aproximar, de alguma forma, do crédito rotativo, em que linhas de crédito são
abertas com determinado limite e usadas pelos clientes na medida de suas necessidades, sendo os
encargos cobrados conforme a utilização dos recursos. Inexistindo, pois, certeza e liquidez no próprio
instrumento, exigências que não são alcançadas mediante a complementação unilateral do credor com
a apresentação de extratos bancários, porquanto não lhe é dado criar títulos executivos à revelia do
devedor, o presente contrato de abertura de crédito carece de exequibilidade. Não obstante esses
entendimentos, salienta-se, ainda, que a questão fundamental para afastar a exequibilidade do
Construcard encontra-se na forma de averiguação da sua liquidez, que dependerá sempre de apuração
com base em fatos e provas. Por fim, apesar da dissonância de entendimentos dos Tribunais Regionais
Federais quanto à executoriedade do Construcard, fato é que, no tocante à monitória, todos são
unânimes em aceitar o sobredito contrato como meio a ampará-la, sendo, por conseguinte, a praxe
adotada atualmente pela CEF na obtenção desses créditos.
REsp 1.323.951-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, por unanimidade, julgado em 16/5/2017, DJe
14/6/2017. 4ª Turma.
Samoel Gonçalves de

607/STJ - Execução contra a Fazenda Pública. Prescrição executiva. Súmula 150/STF.


Demora ou dificuldade no fornecimento de fichas financeiras. Hipótese de suspensão ou
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interrupção do prazo prescricional. Não ocorrência após a entrada em vigor das
modificações proc
A partir da vigência da Lei n. 10.444/2002, que incluiu o § 1º ao art. 604, dispositivo que foi
sucedido, conforme Lei n. 11.232/2005, pelo art. 475-B, §§ 1º e 2º, todos do CPC/1973, não é mais
imprescindível, para acertamento de cálculos, a juntada de documentos pela parte executada ou
por terceiros, reputando-se correta a conta apresentada pelo exequente, quando a requisição
judicial de tais documentos deixar de ser atendida, injustificadamente, depois de transcorrido o
prazo legal. Assim, sob a égide do diploma legal citado, incide o lapso prescricional, pelo prazo
Oliveira

respectivo da demanda de conhecimento (Súmula 150/STF), sem interrupção ou suspensão, não


se podendo invocar qualquer demora na diligência para obtenção de fichas financeiras ou outros
documentos perante a administração ou junto a terceiros.
O tema que se pretende pacificar, mediante o julgamento de recurso representativo de controvérsia,
restringe-se a saber de que modo a demora no fornecimento de documentação (no caso, fichas
financeiras) em poder da administração pública influi no prazo prescricional de execução de sentença
contra a Fazenda Pública. Em primeiro lugar, não se põe em dúvida que o prazo prescricional da
execução é o mesmo da ação de conhecimento, consoante dispõe a Súmula 150/STF. Cabe destacar
que a interpretação desse enunciado não pode ser feita sem a compreensão de que o procedimento de
arbitramento integra o próprio processo de conhecimento. Assim, a prescrição da pretensão executória
apenas tem início – quando dependente o título de liquidação (por quaisquer de suas modalidades) –
após encontrado o valor exequendo. Esse termo inicial sofreu sensível modificação a partir da alteração
da natureza jurídica da "liquidação" por meros cálculos aritméticos. Tais mudanças ocorreram durante o
processo de reforma do CPC/1973, capitaneado pelas seguintes legislações: (i) Lei n. 10.444/2002 –
que incluiu os §§ 1º e 2º ao art. 604 à sistemática de liquidação da sentença; e (ii) Lei n. 11.232/2005 –
que revogou os citados dispositivos, mas transportou a dicção normativa para os §§ 1º e 2º do art. 475-
B do CPC/1973. Assim, até a data da vigência da Lei n. 10.444/2002, havia necessidade de,
previamente à execução, acertar os cálculos, não se podendo ingressar com o feito sem tal
“acertamento”, o qual, muitas vezes, dependia de documentos em poder do próprio executado ou de
terceiros. No entanto, após o advento da referida lei, a jurisprudência do STJ – em relação à inércia da
parte exequente, para efeito de incidência do prazo prescricional –, passou a encampar a seguinte

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premissa básica: estando os elementos de cálculo em poder do executado ou de terceiros, o juízo os


requisitaria, a pedido do exequente, e, caso não entregues, seria considerada correta a conta
apresentada pelo credor. É que, com essa faculdade à disposição do credor, nenhuma outra
necessidade de acertamento da conta exequenda restou vigente, não podendo o exequente se escudar
em eventual demora para obtenção de documentos, estejam estes em poder do devedor, ou não. Isso
porque também foi pacificada nesta Corte a orientação de que “não pode a parte aguardar
indeterminadamente que os documentos necessários à elaboração dos cálculos sejam juntados aos
autos (...)” e que “nas hipóteses em que o devedor não fornece os documentos necessários para a
confecção dos cálculos executivos, aplica-se o art. 475-B, § 2º, do CPC, que autoriza presumir corretos
os cálculos apresentados pelo credor.” Desse modo, caso as diligências para obtenção dos dados
imprescindíveis ao aparelhamento do feito executivo tenham se esgotado antes da entrada em vigor da
Lei n. 10.444/2002, não se pode penalizar o exequente pela desídia do devedor. Todavia, com a
vigência do referido diploma legal, o lustro prescricional conta-se doravante, porque, como visto, não
tem mais o credor a justificativa de que ainda pende de providência determinada medida para
acertamento dos cálculos.
REsp 1.336.026-PE, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
28/6/2017, DJe 30/6/2017. (Tema 880) Recurso Repetitivo.
Samoel Gonçalves de

614/STJ - Execução para entrega de coisa incerta. Conversão para procedimento CPF: 11335037721
executivo por quantia certa. Coisa perseguida entregue com atraso. Possibilidade.
É possível a conversão do procedimento de execução para entrega de coisa incerta para
execução por quantia certa na hipótese em que o produto perseguido for entregue com atraso,
gerando danos ao credor da obrigação.
Na origem, trata-se de execução movida por cooperativa agroindustrial com base em cédula de produto
rural, em que os executados se comprometeram à entrega de coisa incerta. Ante o atraso no
cumprimento da obrigação, discute-se a possibilidade de se converter o procedimento para execução
por quantia certa. Com efeito, o art. 627 do CPC/73 já autorizava a referida conversão para as hipóteses
Oliveira

de frustração do meio executório, ou seja, nas situações específicas em que: (a) não encontrada a coisa
perseguida; (b) não entregue; (c) deteriorada a coisa; e (d) não reclamada de terceiro adquirente. Na
hipótese em que se busca obrigação subsidiária consistente nos frutos e ressarcimento dos prejuízos
decorrentes da mora, deve-se fazer uma análise da compatibilidade do título (CPR) com o rito
(execução para entrega de coisa e de quantia certa). Nesse sentido, extrai-se da leitura da segunda
parte do art. 624 do CPC/73 - agora com nova redação ampliada do art. 807 do CPC/15 - combinado
com o art. 389 do CC/02, que, mesmo satisfeita a obrigação de entregar a coisa, se "prosseguirá a
execução" para o pagamento de frutos e/ou ressarcimento de prejuízos. Dessa forma, embora não
contido no título, decorre da lei a certeza do direito perseguido, sem a necessidade de um novo
processo cognitivo para se declarar a obrigação que o ordenamento jurídico já estabeleceu. Ressalta-
se, por fim, que o citado ressarcimento dos prejuízos depende de liquidação incidental no próprio feito
executivo convertido, sendo a prévia apuração do quantum realizada por estimativa do credor ou por
arbitramento.

614/STJ - Créditos vinculados aos FIES. Recurso público recebido por instituição privada
para aplicação compulsória em educação. Art. 649, IX, do CPC/73. Impenhorabilidade.
São absolutamente impenhoráveis os créditos vinculados ao programa Fundo de Financiamento
Estudantil - FIES constituídos em favor de instituição privada de ensino.
A Lei n. 11.382/2006 inseriu, no art. 649, IX, do CPC/73, a previsão de impenhorabilidade absoluta dos
"recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde,
ou assistência social". Essa restrição à responsabilidade patrimonial do devedor justifica-se em razão

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da prevalência do interesse coletivo em relação ao interesse particular. No sistema anterior, embora a


impenhorabilidade dos recursos públicos, enquanto pertencentes ao patrimônio de algum ente público,
já estivesse garantida pelo disposto no art. 649, I, do CPC/73, quando eram repassados às entidades
privadas, esses recursos passavam a integrar o patrimônio privado, o qual, em regra, está sujeito à
penhora. Nesse contexto, a inserção do inciso IX no art. 649 do CPC/73, pela Lei 11.382/2006, visa a
garantir a efetiva aplicação dos recursos públicos recebidos pelas entidades privadas às áreas da
educação, saúde e assistência social, afastando a possibilidade de sua destinação para a satisfação de
execuções individuais promovidas por particulares. Por seu turno, consigna-se que o programa Fundo
de Financiamento Estudantil-FIES destina-se à concessão de financiamento a estudantes de cursos
superiores não gratuitos, considerando sua renda familiar mensal bruta per capita, a qual, atualmente,
está limitada a 03 (três) salários mínimos. Trata-se, pois, de programa que concretiza política pública
voltada a promover educação - ensino superior - para a população de menor renda. Muito mais que
constituir simples remuneração por serviços prestados, os créditos recebidos do FIES retribuem a
oportunidade dada aos estudantes de menor renda de obter a formação de nível superior, de aumentar
suas chances de inserção no mercado de trabalho formal e, por conseguinte, de melhorar a qualidade
de vida da família. Como se vê, são recursos vinculados a um fim social, e, portanto, impenhoráveis.
Noutro ângulo, permitir a penhora desses recursos públicos transferidos às instituições particulares de
Samoel Gonçalves de

ensino poderia frustrar a adesão ao programa e, em consequência, o atingimento dos objetivos por ele
traçados. CPF: 11335037721
REsp 1.588.226-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 17/10/2017, DJe
20/10/2017, Terceira Turma.

614/STJ - Execução. Honorários sucumbenciais. Penhora. CPC/73. Saldo do Fundo de


Garantia por Tempo de Serviço. FGTS. Impossibilidade.
Não é possível a penhora do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS para o
pagamento de honorários de sucumbência.
Inicialmente, cumpre salientar que embora os honorários advocatícios tenham natureza alimentar, não
Oliveira

se confundem com a prestação de alimentos, sendo esta última obrigação periódica, de caráter ético-
social, lastreada no princípio da solidariedade entre os membros do mesmo grupo familiar. Apesar da
distinção havida entre as verbas, esta Corte Superior, em linhas gerais, tem dado interpretação
extensiva à expressão "prestação alimentícia" constante do § 2º do art. 649 do CPC/73, para englobar
não somente as prestações alimentícias stricto senso, como também os honorários advocatícios.
Ocorre que no caso dos autos, a hipótese não é propriamente de penhora de salários e vencimentos,
mas, sim, de saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS, que tem regramento próprio.
De acordo com o art. 7º, III, da Constituição Federal, o FGTS é um direito de natureza trabalhista e
social. Trata-se de uma poupança forçada do trabalhador, que tem suas hipóteses de levantamento
elencadas na Lei n. 8.036/1990. O rol não é taxativo, tendo sido contemplados casos diretamente
relacionados com a melhora da condição social do trabalhador e de seus dependentes, mais
especificamente em casos de comprometimento de direito fundamental do titular do fundo. Nessa linha
de entendimento, tem-se admitido a penhora de saldo do FGTS para pagamento de prestação
alimentícia stricto senso, considerando que a dignidade do trabalhador está em risco, diante da
possibilidade de sua prisão, assim como de seus dependentes. Destaca-se, porém, que a penhora de
verbas do FGTS é medida extrema, que só se justifica para evitar a prisão do devedor de alimentos e
atender as necessidades imediatas de sua prole. Dessa forma, não se justifica a liberação de valores do
fundo de garantia fora das hipóteses legais para o pagamento de dívidas do trabalhador, ainda que
tenham natureza alimentar em sentido amplo, como as decorrentes de honorários sucumbenciais e
quaisquer outros honorários devidos a profissionais liberais.
REsp 1.619.868-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, por unanimidade, julgado em

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24/10/2017, DJe 30/10/2017, Terceira Turma.

616/STJ - Embargos à execução. Pequena propriedade rural trabalhada pela entidade


familiar. Impenhorabilidade reconhecida. Executado que não reside no imóvel e débito
que não se relaciona à atividade produtiva. Circunstâncias irrelevantes.
A impenhorabilidade da pequena propriedade rural não exige que o débito exequendo seja
oriundo da atividade produtiva, tampouco que o imóvel sirva de moradia ao executado e à sua
família.
O art. 5º, XXVI da Constituição Federal estabelece que "a pequena propriedade rural, assim definida em
lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos
decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu
desenvolvimento". Em consecução do mandamento constitucional acima referido, o Código de
Processo Civil de 1973, em seu art. 649, VIII, preceituou ser absolutamente impenhorável a pequena
propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família (com redação similar, o art.
833, VIII, do CPC/2015). Ademais, é evidente que não passou despercebido do constituinte originário o
fato de que o desenvolvimento da atividade agrícola (sujeita às mais variadas intempéries de tempo e
Samoel Gonçalves de

circunstâncias outras), cujo propósito é o de viabilizar o sustento do agricultor e de sua família - e, não,
propriamente, o de gerar lucros -, demandaria, com certa frequência, a utilização de financiamentos. A
CPF: 11335037721
especial menção deveu-se, assim, à necessidade de se salientar que, nem mesmo a dívida oriunda da
atividade produtiva, teria o condão de autorizar a constrição judicial da pequena propriedade rural.
Deste modo, essas normas citadas estabelecem como requisitos únicos para obstar a constrição judicial
sobre a pequena propriedade rural: i) que a dimensão da área seja qualificada como pequena, nos
termos da lei de regência; e ii) que a propriedade seja trabalhada pelo agricultor e sua família. Conclui-
se, portanto, que, nos termos dos arts. 5º, XXVI, c/c o art. 649, VIII, do CPC/1973 (art. 833, VIII, do
CPC/2015), a proteção da impenhorabilidade da pequena propriedade rural trabalhada pela entidade
familiar, como direito fundamental que é, não se restringe às dividas relacionadas à atividade produtiva.
Oliveira

De igual modo, não se exige que o imóvel seja a moradia do executado, impõe-se, sim, que o bem seja
o meio de sustento do executado e de sua família, que ali desenvolverá a atividade agrícola.
REsp 1.591.298-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, por unanimidade, julgado em 14/11/2017,
DJe 21/11/2017, Terceira Turma.

617/STJ - Execução. Fazenda Pública credora. Medidas expropriatórias. Arts. 647 e 685-C
do CPC/73. Adjudicação do bem. Alienação particular. Desinteresse da parte exequente.
Hasta pública. Possibilidade.
Manifestado o desinteresse da parte exequente na adjudicação e na alienação particular do
imóvel penhorado (arts. 647, I e II e 685-C do CPC/73), poderá ela, desde logo, requerer sua
alienação em hasta pública.
A controvérsia que se põe em questão está em definir se, diante do rol de espécies expropriatórias
previsto no art. 647 no Código de Processo Civil de 1973, ao credor seria facultado eleger uma forma de
expropriação fora da ordem listada no referido dispositivo. De início, impende ressaltar que a alienação
por iniciativa particular - inovação trazida pela Lei n. 11.382/2006 -, trata-se de forma de expropriação
judicial para fins de satisfação do credor, na esteira dos arts. 647, II, e 685-C do CPC/73. Com essa
modificação legislativa, a ordem das medidas expropriatórias foi alterada, estabelecendo-se que, em
não havendo interesse do exequente na adjudicação do bem penhorado, abrir-se-á a possibilidade de
que a alienação do bem constrito seja empreendida por iniciativa do próprio credor. Nesse sentido, o
art. 685-C da antiga legislação processual civil dispõe que, caso o exequente não proceda à
adjudicação dos bens penhorados, este poderá requerer sejam eles alienados por sua própria iniciativa

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ou por intermédio de corretor credenciado perante a autoridade judiciária. Extrai-se da própria leitura do
dispositivo que a norma conferiu uma faculdade ao credor de se valer deste meio expropriatório (art.
647, II), visando à satisfação de seu direito creditório e à melhor efetividade da execução - o que não o
inviabiliza de escolher outra espécie fora da ordem listada no referido artigo da lei, de acordo com
eventuais particularidades relacionadas ao bem ou à sua própria pessoa.
REsp 1.312.509-RN, Rel. Min. Sérgio Kukina, por unanimidade, julgado em 07/12/2017, Primeira
Turma, DJe 14/12/2017

618/STJ - Execução de título extrajudicial. Mensalidades escolares. Dívidas contraídas em


nome dos filhos da executada. Ausência de bens em nome da mãe para a satisfação do
débito. Pretensão de inclusão do pai na relação jurídica processual. Possibilidade.
Sustento
A execução de título extrajudicial por inadimplemento de mensalidades escolares de filhos do
casal pode ser redirecionada ao outro consorte, ainda que não esteja nominado nos
instrumentos contratuais que deram origem à dívida.
A discussão está em saber se, no curso de execução extrajudicial, baseada em contrato de prestação
de serviços educacionais firmados entre a escola e dois dos filhos da executada, representados nos
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instrumentos contratuais apenas por sua mãe, há a possibilidade de redirecionar-se a pretensão de


pagamento para o pai, na hipótese em que não fora encontrado patrimônio suficiente em nome da
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genitora para a solvência da dívida. Inicialmente, importante anotar que, tanto no CPC de 1973 como no
CPC de 2015, a legitimidade passiva ordinária para a execução é daquele que estiver nominado no
título executivo. Já a legitimidade passiva extraordinária para a execução recai sobre aqueles que se
obrigam, pela lei ou pelo contrato, solidariamente, à satisfação de determinadas dívidas. Note-se que o
Código Civil de 2002 dispõe nos arts. 1.643 e 1.644 que, para a manutenção da economia doméstica, e,
assim, notadamente, em proveito da entidade familiar, o casal responderá solidariamente, podendo-se
postular a excussão dos bens do legitimado ordinário e do coobrigado, extraordinariamente legitimado.
Além disso, do que se lê do art. 592 do CPC/1973, é de observar que o patrimônio do coobrigado se
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sujeitará à solvência do débito que, apesar de contraído pessoalmente por outrem, está vocacionado
para a satisfação das necessidades comuns/familiares. Nessa linha de raciocínio, não importa se o pai
do infante não está nominado no contrato de prestação de serviços, especialmente, na confissão de
dívida assinada pela mãe, pois o Código Civil estabelece a solidariedade do casal na solvência,
inclusive, de empréstimos contraídos para a satisfação das necessidades domésticas por apenas um
deles - sendo incluído em tais necessidades o pagamento de despesas ordinárias e extraordinárias para
o apoio emocional e material dos que integram a entidade familiar. Da mesma forma, a interpretação
conjunta dos arts. 22, 55 do ECA e 229 da CF/88, denota que a imposição aos pais da obrigação
solidária de somar esforços para fazer solvidas as despesas constitui uma das formas de bem cumprir o
direito à educação e à proteção integral do menor ou adolescente. Conclui-se, dessa forma, pela
legitimidade passiva extraordinária daquele pai que não se fez constar no título executivo de dívida
cobrada pela instituição que prestou serviços ao seu filho, pois a obrigação tem gênese no próprio
poder familiar.
REsp 1.472.316-SP, Terceira Turma, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, por unanimidade,
julgado em 05/12/2017, DJe 18/12/2017.

634/STJ - Anistia. Execução. Mandado de Segurança. Inclusão de correção monetária e


juros de mora. Previsão no título executivo. Necessidade.
Nos casos de anistia política, em sede de mandado de segurança, só é possível a inclusão de
juros de mora e correção monetária na fase executiva quando houver decisão expressa nesse
sentido.

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Em regra, verifica-se a ocorrência de três situações no que concerne às execuções/cumprimentos de


sentença de decisão que concedeu a segurança em casos de anistia: (1) o título exequendo
expressamente determina a incidência de juros e correção monetária sobre o valor nominal da portaria
de anistia: nessa hipótese, revela-se legítima a inclusão de juros e correção monetária no montante
executado. Eventual afastamento desses consectários depende da descontituição do título executivo,
na via própria (ação rescisória); (2) o título exequendo expressamente afasta a incidência de juros e
correção monetária: nessa hipótese, revela-se ilegítima a inclusão de juros e correção monetária no
montante executado. Isso porque a execução não pode extrapolar os limites do título exequendo, sob
pena de afronta à coisa julgada; (3) a despeito de pedido expresso do impetrante, o título exequendo
ficou omisso sobre a incidência de juros e correção monetária: nessa hipótese, não é possível a
inclusão de juros e correção monetária na fase executiva, conforme as seguintes razões. A doutrina e a
jurisprudência deste Tribunal admitem a existência de pedido implícito. Destarte, na ação relativa à
obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a
extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a
periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso (art. 491 do CPC/2015). Em suma, o pedido
implícito compõe o mérito da questão controvertida, razão pela qual cabe à decisão defini-lo,
independentemente de constar expressamente da postulação. Contudo, não se pode confundir pedido
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implícito com condenação implícita. Com base na doutrina: "não se permite a condenação implícita: o
magistrado deve examinar expressamente o pedido implícito". Assim, nas hipóteses de impetração de
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mandado de segurança no âmbito deste Tribunal, nos casos de anistia política, só é possível a inclusão
de juros de mora e correção monetária na fase executiva quando houver decisão expressa nesse
sentido. A contrario sensu, havendo afastamento expresso ou permanecendo omisso o título
exequendo, não é possível a inclusão, ressalvada a possibilidade de ajuizamento de ação autônoma
(perante o juízo de primeiro grau) para fins de definição e cobrança de tais consectários. Não se
desconhece que o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar os Embargos de Declaração no RE
553.710/DF, em 1º de agosto de 2018, estabeleceu que "os valores retroativos previstos nas portarias
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de anistia deverão ser acrescidos de juros moratórios e de correção monetária". Contudo, essa decisão
refere-se a feito julgado na fase de conhecimento (recurso ordinário interposto em face de acórdão
deste Tribunal proferido em sede de mandado de segurança), cujos efeitos não podem ser ampliados
aos feitos que já se encontram na fase executiva, sob pena de manifesta afronta à coisa julgada.
ExeMS 18.782-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, por unanimidade, julgado em 12/09/2018,
DJe 03/10/2018. 1ª Seção.

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