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Reimpresso com permissão de Scott Hahn.

 
É uma jornada que o tomou de ser um fervoroso ministro presbiteriano e 
professor de Teologia de um grande seminário Protestante para se tornar um 
teólogo Católico Romano, um apologista internacionalmente conhecido da 
Igreja Católica. Através do estudo e oração, Scott Hahn veio a entender que a 
verdade da Igreja Católica é firmemente enraizada nas Escrituras. Aqui vai o 
texto transcrevido de uma palestra dada por Scott Hahn esboçando sua 
jornada de fé. 
 
É muito bom estar aqui com vocês esta manhã. É sempre uma surpresa deliciosa. 
Eu nunca paro de ficar maravilhado com a oportunidade que eu tenho de 
compartilhar o porquê que eu me tornei um Católico Romano e como o Senhor 
trabalhou na vida da minha esposa e da nossa família também. 
 
Isso sempre me lembra de uma das minhas histórias favoritas. Havia um jovem 
garoto que queria, da pior maneira, chamar uma bela moça para sair. Isso levou 
semanas para que ele tomasse coragem suficiente, e quando ele finalmente a 
chamou, ela disse “sim”. Ele estava chocado e encantado. Aquela manhã de 
sábado chegou, e ele se preparou de muitas maneiras : Tomou um longo banho, 
pensou sobre o que vestir; então ele decidiu fazer uma grande surpresa para ela. 
Foi até a drogaria. Ele foi até o farmacêutico atrás do balcão e disse : “Quero uma 
caixa de chocolate de uma libra[(aprox. meio quilo)], uma de duas libras e uma de 
três libras”. O farmacêutico curvou-se, pegou as caixas e colocou no balcão.Ele 
disse : “Você se importa se eu perguntar por que você está comprando três caixas 
com tamanhos diferentes?” - “Não eu não me importo”. E ele explicou : “Hoje é a 
noite, encontro especial, uma bela garota; e se antes do encontro ela me deixar 
segurar sua mão, ela ganha a caixa de uma libra. Se durante o filme, quando eu 
maliciosamente passar o braço por volta dela e ela não reclamar, ela ganha a 
caixa de duas libras. E quando nós trocarmos os “boa noites”, se ela me deixar 
dar-lhe um beijo, ela ganha a caixa de três libras”. O farmacêutico disse : 
“Espertinho - divirta-se”. 
 
Ele ficou tão nervoso que chegou na casa da garota meia hora antes. Ela veio até 
a porta e disse : “Estamos indo agora mesmo jantar”. Ele disse : “Posso me juntar 
a vocês?” - “Claro,eu acho”. Ele foi e se sentou na mesa de jantar. Ele perguntou : 
“Posso orar agradecendo?” - “Claro”,eles disseram. Ele orou por um, três, cinco, 
dez minutos; e foi comer um jantar que já tinha esfriado. No caminho para a 
porta, a garota sussurrou : “Você nunca tinha me dito que era tão religioso”. E ele 
disse de volta : “Você nunca tinha me dito que teu pai era o farmacêutico”. 
 

A vida é cheia de surpresas inesperadas, e é delicioso e surpreendente para mim 


compartilhar como eu vim a ver a Igreja Católica Romana com a família de Deus 
que Ele quer que todos os Seus filhos estejam lá. [O Arcebispo] Fulton Sheen uma 
vez disse (e aqui eu faço uma paráfrase), que não há 100 pessoas nos Estados 
Unidos que odeiem a Igreja Católica, apesar de que há milhões de pessoas que 
odeiam o que eles erroneamente acreditam ser o que a Igreja Católica é e 
ensina.E ainda bem que eu descobri que caí na segunda categoria, porque 
durante anos eu me opus a Igreja Católica, e eu trabalhei duro para tirar católicos 
da Igreja. Mas eu vim a ver, através de muito estudo e [uma quantidade de] 
oração considerável, que a Igreja Católica Romana é baseada na Escritura. 
 
Conversão à Jesus Cristo na Adolescência 

É isto que eu quero compartilhar com vocês nesta manhã. E começa com uma 
experiência de conversão que eu tive no ensino médio. Eu não cresci em uma 
família fortemente cristã. Nós não íamos à igreja com muita frequência, e eu não 
era muito religioso. O que Deus usou na minha vida foi uma organização 
chamada “Young Life”, um [meio de] alcance para adolescentes de ensino médio 
que não vão a igreja; e um homem chamado Jack em particular, que se tornou 
meu amigo e também compartilhou comigo o Evangelho de Jesus Cristo. Isso 
fez uma profunda diferença na minha vida. 
 
Nos meus primeiros do ensino médio eu me comprometi com Cristo e pedi que 
Ele entrasse em meu coração; eu pedi a Ele para ser meu Senhor e Salvador. Eu 
entreguei à Ele meus pecados e recebi o presente do [Seu] perdão e [Sua] 
salvação. Fez uma diferença do tamanho do mundo para mim. Me custou um 
monte de amigos, mas, em [algum certo] sentido, o Senhor compensou tudo 
isso, me dando amigos reais, amigos em Cristo. 
 
Jack, que me ensinou a amar ao Senhor, também me ensinou a ler a Bíblia. E não 
somente ler, mas estudá-la; e não somente estudar, mas mergulhar nela, ler e 
reler de capa a capa. Quando eu estava no fim do ensino médio, eu já tinha lido a 
Bíblia inteira umas duas ou três vezes. E eu caí em amores pela Sagrada 
Escritura. Como resultado disso,eu me tornaria convencido de algumas coisas. 
 
Primeiramente, no vício em ler a Bíblia, Jack compartilhou comigo algumas 
coisas da sua biblioteca pessoal dos escritos de Martinho Lutero e João Calvino, e 
eu me tornei um cristão protestante convicto; não apenas uma cristão bíblico, 
mas alguém que estava convencido que, até os anos de 1500, o Evangelho havia 
 

quase se perdido no meio da superstição medieval e todas as práticas pagãs que 


a Igreja Católica havia adotado. E então essa primeira convicção era para ajudar 
meus amigos católicos a ver o simples Evangelho de Jesus Cristo, para 
mostrar-lhes a Bíblia, e mostrar que, na Bíblia, você só aceita Jesus Cristo como 
Senhor e Salvador e é tudo que precisa. Nada dessa conversa furada. Sem Maria, 
sem os santos, sem purgatório, sem devoções. Apenas pedindo a Jesus para ser 
[seu] Senhor e Salvador. 
 
Naquele tempo eu estava namorando uma garota que era católica, e o 
relacionamento estava ficando sério. Mas eu sabia que não haveria futuro no 
nosso relacionamento se ela continuasse católica. Então, eu dei a ela um volume 
largo, um livro [escrito] por Loraine Boettner, intitulado “Catolicismo Romano”. É 
conhecido como a bíblia do Anti-Catolicismo. São mais de 450 páginas cheias de 
todos os tipos de distorções e mentiras sobre a Igreja Católica.Mas eu não sabia 
disto,então eu compartilhei [o livro] de boa fé com ela. Ela me escreveu naquele 
verão dizendo : “Obrigado pelo livro, nunca mais vou à uma Missa de novo”. E eu 
falo isso com uma certeza vergonha e tristeza, mas eu digo isto para ilustrar a 
sinceridade que muitos cristãos Bíblicos tem quando se tratar de [fazer] oposição 
a Igreja Católica.Eu descobri que se a bolacha [(hóstia)] que eles estão adorando 
no altar não é Deus, então eles são idólatras, eles são pagãos, [devemos] lamentar 
e nos opor à eles.[E] se o Papa não é o Vigário infalível de Cristo que pode vincular 
centenas de milhões de católicos em suas crenças e práticas, então ele é um 
tirano. Ele é, pura e simplesmente, um ditador espiritual. E porque eu pensava 
que ele não era o vigário infalível, eu pensei que era bem razoável para mim 
ajudar católicos a ver as coisas da mesma maneira, para que eu pudesse tirá-los 
da Igreja. 
 
A única católica da minha família, de ambos os lados, era minha querida avó. Ela 
era bem quieta, bem humilde, bem santa, eu tenho que admitir.E ela era uma 
católica bem devota.Quando ela morreu, meus pais me deram os pertences 
religiosos dela. Eu comecei a ler o livro de oração e o missal dela; e então, eu 
achei o Rosário dela. Aquilo tudo me deixou doente por dentro. Eu sabia que 
minha avó tinha uma fé real em Jesus, mas eu imaginei o que aquilo significava. 
Então eu quebrei as contas do rosário dela, e joguei elas no lixo. Eu pensei [que] 
aquelas contas eram quase [como] correntes, das quais ela finalmente estava 
livre. Aquilo era o segundo aspecto da minha própria perspectiva : que aquelas 
pessoas talvez tenham alguma fé, mas estão rodeadas de mentira, e então, 
precisam de cristãos que amam a Bíblia para livrá-los [disso]. 
 
 

Bem, depois de me graduar no ensino médio, eu decidi não apenas perseguir o 


ministério, mas [decidi] estudar teologia também. A decisão veio como resultado 
do texto de pesquisa sênior que eu escrevi no meu último do ensino médio. Eu 
escrevi um texto chamado “Sola Fide”. Isso é uma frase em Latim que significa 
“Fé Somente” ou “Pela Fé Somente”. Na verdade, é a frase que Martinho Lutero 
usou para lançar a Reforma Protestante. Ele disse que nós somos justificados, 
somos feitos justos para com Deus pela fé somente, não por quaisquer obras que 
nós podemos fazer. E por ele, era o artigo pelo qual a igreja cai ou fica de pé, 
como ele descreveu. Eu escrevi esse texto inteiramente convencido, depois de 
muito estudar [sobre] aquilo, que se você está errado nesse ponto, você está 
errado em todo o resto. Se você diz fé somado a algo, você [já] poluiu a simples 
verdade do Evangelho. E então, fui para a faculdade com essa forte convicção.  
 
Anos de Faculdade 

Meus quatro anos de faculdade foram gastos estudando triplamente em 


Filosofia, Teologia nas Escrituras e Economia. Mas eles também foram gastos 
fazendo [um] ministério no Young Life. Eu queria, efetivamente, retribuir a Deus, 
por gratidão, por como Ele usou o Young Life em minha vida para me introduzir a 
Cristo. Então esses quatro anos eu me devotei a me aproximar de jovens sem 
igreja que não conheciam Jesus Cristo, e eu confesso que essa categoria incluiu 
jovens católicos no ensino médio que eu trabalhei, porque eu os via como pobres 
almas ignorantes que não conheciam realmente Jesus Cristo. Eu descobri, após 
muitos estudos da Bíblia, que esses jovens não apenas desconheciam Jesus 
Cristo, mas [também que] praticamente todo jovem católico no ensino médio 
que eu conheci nem ao menos sabiam o que a Igreja ensina. Se um ou dois deles 
sabiam o que a Igreja ensinava, não sabiam porque. Eles não tinham nenhuma 
razões para sustentar suas crenças como católicos. Então, levando a eles a ver, a 
partir da Bíblia, o Evangelho que eu entendia, [que veio] de Martinho Lutero, de 
uma perspectiva anti-Católica, é como “escolher patos em um barril”. Eles não 
estavam preparados.Eles estavam sem preparação. Eles estavam sem defesa. 
 
Eu não sei o que exatamente aconteceu [entre os] últimos 15,20 ou 25 anos, mas 
eu olho de volta para aqueles jovens e penso se eles não eram algum tipo de 
cobaias em algum experimento catequético, onde pessoas achavam que podia 
ignorar [a parte de] instrução em doutrina para eles; [coisas que] eles precisavam 
acreditar e ter razões para tais doutrinas. Mas lá eles estavam. Eu vi muitos sair da 
Igreja e eu me opus a[‘o Catolicismo d’]eles, em um certo sentido de fé sincera, 
mas eu me opus à eles porque eu, pessoalmente, estava desinformado. 
 

 
Meu terceiro ano de ministério no Young Life, eu perguntei a uma bela jovem, a 
mais bela garota do campus, se ela iria se juntar a mim para trabalharmos juntos 
em aproximar-nos desses jovens sem igreja. Kimberly disse : “Sim”.Trabalhamos 
juntos por dois anos e foi um tempo muito bom. Algumas vezes nós brigávamos 
como irmãos, discutindo várias maneiras de nos aproximarmos desses jovens. 
Mas nós realmente ganhamos respeito um pelo outro. Então, ao final desses 
quatro anos de faculdade, eu fiz ​a pergunta​. E eu acho que a coisa mais estúpida 
que ela disse foi “sim”. Nos casamos assim que saímos da faculdade. Nós dois 
tinhamos praticamente a mesma visão : Queríamos continuar no ministério 
juntos, queríamos compartilhar as boas novas de Cristo, queríamos abrir a Bíblia 
e fazer ela [se tornar] viva para as pessoas. 
 
Anos de Seminário 

Nós fomos para o seminário depois de uma ou duas semanas depois que nos 
casamos. Que grande experiência foi estudarmos Teologia juntos para um 
diploma de Mestrado. Depois de três anos, me graduei como o melhor da minha 
turma. Eu não digo isso para me orgulhar, mas para ilustrar como eu perseguia 
os estudos como uma espécie de vingança. As pessoas que me conheciam no 
Seminário me conheciam por ser meio intenso. Eu gastava quase todas as horas 
acordado em leitura e estudo das Escrituras ou de livros sobre ela que iriam 
extrair mais sentido da Bíblia. Se eu não estava lendo, eu estava procurando 
recursos [de leitura] em lojas de livros usados. Eu e Kimberly tivemos uma boa 
experiência nesses três anos.Mas algumas coisas aconteceram ao longo do 
caminho que eu preciso relatar porque, em exame retrospecto, eu as vejo como 
experiências marcantes. 
 
A primeira coisa foi um curso que Kimberly fez no seu primeiro ano, um curso 
que eu já tinha feito um ano antes, intitulado Ética Cristã. O Dr.Davis organizava 
os estudantes “quebrando” a turma em pequenos grupos, para que cada grupo 
pudesse estudar um assunto. Tinha um pequeno grupo sobre aborto, um 
pequeno grupo sobre guerra nuclear, um pequeno grupo sobre pena de morte. 
Em um jantar, ela me contou que estava num pequeno grupo destinado a 
estudar sobre medidas anticoncepcionais. Eu me lembro de pensar naquela hora 
: “Porque esse assunto?” 
 
No ano anterior, quando eu fiz este curso, ninguém se inscreveu para esse 
pequeno grupo e eu contei isto a ela. Ela disse : “Bem, outras três pessoas se 
 

inscreveram e nós tivemos o primeiro encontro hoje”. O líder do comitê anunciou 


os resultados antes mesmo dos estudos começarem. Ele disse : “Bem, como nós 
todos sabemos como Protestantes, como Cristãos Bíblicos, que métodos 
contraceptivos não é errada. [Digo isto enfatizando que] até que não usemos 
métodos abortivos, como dispositivos intrauterinos (DIU)”. Ele depois disse que as 
únicas pessoas que se dizem cristãs que se opõem ao controle artificial de 
natalidade são os Católicos, e ele [ainda] disse que “a razão disto é que eles são 
liderados por um Papa celibatário e por padres celibatários que não precisam 
criar filhos mas querem que os pais católicos tenham muitos, para que eles 
tenham de onde tirar muitos padres e freiras, vocês sabem”. 
 
Bem, este tipo de argumentação não impressionou Kimberly tanto assim. Ela 
disse : “Esses são os melhores argumentos que você tem a oferecer?” - e eu acho 
que o líder do comitê deve ter zombado ao dizer : “Bem, quer certificar-se por 
conta própria?” - ela disse “sim” e tomou um interesse em pesquisar sobre isso 
por conta própria. Uma semana passou e Terry me parou nos corredores. Ele 
disse : “Você deveria falar com sua esposa. Ela está desenterrando muita 
informação interessante sobre contraconcepção.” - “Informação interessante 
sobre contracepção?” - “Bem,você sabe…”, disse ele. “Ela é sua esposa, você 
deveria descobrir” - “Está certo.Eu vou, Terry”. 
 
Naquela noite, no jantar, eu perguntei a ela : “Sobre o que Terry está falando?” - 
ela disse : “Eu descobri que até 1930, todas as denominações protestantes, sem 
exceção, eram contra os métodos contraceptivos, com base bíblica”. Eu disse : 
“Ah, qual é...talvez só levamos alguns séculos para nos livrar do resto do 
Romanismo… sei lá”. Ela disse : “Bem, eu vou conferir isso”.  
 
Mais uma semana depois, Terry me parou [de novo] e disse : “Os argumentos dela 
fazem sentido” - “Argumentos contra anticoncepcionais nas Escrituras?” - ele 
disse : “Você deveria falar com ela” - “Tudo bem, eu vou falar com ela”. Você sabe, 
devido ao assunto, eu pensei que era melhor. 
 
Então eu levantei o problema e ela me deu um livro. Era intitulado “Controle de 
Nascimento e a Aliança Matrimonial”[(​Birth Control and the Marriage Covenant​ - 
tradução minha)], escrito por John Kippley. Recentemente ele foi reeditado, 
intitulado “Sexo e a Aliança Matrimonial”. Você pode adquiri-lo na “Couple to 
Couple League in Cincinnati”[(ONG que propaga o planejamento natural familiar 
- sediada em Cincinatti,Ohio)]. Eu comecei a ler o livro com grande interesse 
porque, em meus estudos pessoais, percorrendo a Bíblia diversas vezes, eu 
 

adquiri uma forte convicção de que, se queres conhecer a Deus, tens de 
entender a Aliança. Então, quando eu peguei o livro, fiquei interessado por ver a 
palavra “aliança” no título. Eu abri o livro e comecei a ler; e eu falei : “Espera um 
segundo, Kimberly...esse cara é Católico!Você espera que eu leia um [livro de um] 
católico?” - e o que veio a minha mente no mesmo instante foi : “O que um 
Católico está fazendo ao colocar “aliança” no título do seu livro? Desde quando os 
Católicos roubaram meu conceito favorito?” 
 
Então, eu comecei a ler o livro. Eu li dois ou três capítulos e ele estava fazendo um 
certo sentido até. Eu imediatamente joguei o livro na minha mesa. Eu não queria 
que ele fizesse mais sentido. Mas eu peguei ele de novo e comecei a ler mais um 
pouco. Os argumentos dele faziam muito sentido. [Baseado] nas Escrituras [e 
discorrendo sobre] a Aliança, ele mostrou que o ato matrimonial não é 
meramente físico; [e sim que] é um ato espiritual que designou para que a 
aliança matrimonial seja renovada.E em todas as alianças, você tem a 
oportunidade de renová-la; e o ato de renovar a aliança é um ato ou momento de 
graça. Quando você renova uma aliança, Deus libera graça, e a graça é vida, a 
graça é poder, a graça é o próprio amor de Deus. Kippley mostra como, em uma 
aliança matrimonial, Deus designou o ato matrimonial para mostrar o poder do 
amor que dá a vida. Que, na aliança matrimonial os dois se tornam um, para que 
depois se tornem um em nove meses, para que depois talvez dêem um nome. E 
aquela criança que foi concebida, incorpora a unicidade do que Deus fez dos dois 
no ato matrimonial. Isso é em todo sentido - Deus designou a aliança 
matrimonial. Deus disse : “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, e 
Deus, que é três em um fez o homem, macho e fêmea, e disse : “Frutificai e 
multiplicai”. Os dois devem se tornar um para que, quando se tornem um, esse 
um se torne um terceiro : Uma criança.E então, se tornam três em um. Isso 
começou a fazer muito sentido, e ele percorreu outros argumentos também. Eu 
terminei o livro, eu estava convencido. 
 
Me incomodou um pouco que apenas a Igreja Católica Romana era a única 
denominação, a única tradição eclesiástica na Terra que dava suporte a este 
velho ensinamento Cristão enraizado nas Escrituras, porque em 1930 a Igreja 
Anglicana esqueceu esta tradição e começou a permitir contraceptivos; e, a partir 
daí, toda grande denominação praticamente caiu na montagem da Revolução 
Sexual. Nos anos 60 e 70, a minha própria denominação, a Igreja Presbiteriana 
nos Estados Unidos da América, não apenas deu apoio aos contraceptivos, mas 
também ao aborto sob demanda e ao financiamento federal para abortos. E 
aquilo me assustou. E eu comecei a pensar se não havia uma conexão entre abrir 
 

um pouco as porteiras e depois, de repente, ver todo o fluxo d’água aberto. Eu 
pensei : “Não,não...você sabe que a Igreja Católica tá ai há uns 2000 anos; eles 
tem que estar certos em alguma coisa [, pelo menos]”. Nós temos um ditado em 
nossa família de que mesmo um porco cego encontra uma bolota, e assim era, 
pensei. Esse foi o meu segundo ano no seminário. 
 
No meu terceiro e último ano, uma coisa aconteceu que representou uma crise 
para mim. Eu estava estudando [a teologia da] Aliança e eu ouvi falar de outro 
teólogo que estudava o mesmo assunto, um homem que atendia pelo nome de 
Prof.Shepherd. Eu ouvi falar dele porque ele estava sendo acusado de heresia. 
Alguns estavam insinuando que essa heresia veio do seu entendimento da 
[teologia da] Aliança. Então eu peguei alguns dos documentos que ele escreveu, 
alguns artigo, e eu comecei a ler. Eu descobri que o Prof.Shepherd se deparou 
com as mesmas conclusões que eu me deparei em minha pesquisa. 
 
No mundo protestante, a ideia de Aliança é entendida praticamente como um 
um sinônimo ou como intercâmbio com um contrato. Quando se tem uma 
Aliança com Deus, é o mesmo que ter um contrato : Você entrega seus pecados 
a Deus, ele lhe entrega Cristo, e tudo é um acordo de fé para a Salvação. 
 
Mas,quanto mais eu estudava, mais eu conseguia ver que, para os antigos 
Hebreus, e na Sagrada Escritura, uma aliança difere de um contrato tanto quanto 
um casamento difere da prostituição. Em um contrato, você faz troca de 
propriedades, enquanto que, em uma aliança, você troca pessoas. Em um 
contrato, você diz : “Isto é seu e aquilo é meu”, mas a Escritura nos diz que, em 
uma aliança, você diz : “Eu sou teu e tu és meu”. Mesmo quando Deus faz uma 
aliança conosco, Ele diz : “Eu serei vosso Deus e vocês serão meu povo”. Depois 
que eu estudei Hebraico, eu descobri que “Am”, a palavra hebraica para “povo”, 
literalmente significa parentes, família. “Eu serei vosso Deus e Pai; vocês serão 
minha família, meus filhos e filhas”. Então alianças formam laços parentescos que 
fazem família com Deus. 
 
Eu li os artigos do Prof.Shepherd, e ele estava dizendo quase a mesma coisa : 
Nossa aliança com Deus significa sermos feitos filhos. Eu pensei : “Bem, sim… isso 
é bom”. Eu fiquei imaginando qual heresia estaria envolvida nisso. Então, alguém 
me disse : “Shepherd está começando a questionar a Sola Fide!” - eu pensei : “O 
que!?Não é possível?” - eu quis dizer, “isso é o Evangelho. Essa é a simples 
verdade de Jesus Cristo. Ele morreu por meus pecados, eu creio nele, ele me 
salva - é um acordo feito. Sola Fide? Como ele está questionando isso?”  
 

 
Eu liguei por telefone para ele e disse : “Eu li seu material sobre Aliança; faz 
bastante sentido. Eu cheguei, praticamente, às mesmas conclusões. Mas por que 
isso está te levando a questionar a doutrina de Lutero sobre a Sola Fide?” - ele 
começou a apresentar que a concepção de Lutero sobre justificação é bem 
restrita e limitada. Tem várias verdades, mas também deixa escapar várias 
verdades. 
 
Quando eu desliguei o telefone, eu comecei a perseguir um pouco essa questão 
e descobri que, para Lutero e praticamente toda a Cristandade Protestante e 
Bíblica, Deus é um juíz, e a Aliança é um júri onde todos nós somos criminosos 
culpados. Mas, como Cristo tomou nosso castigo, nós recebemos sua justiça,e Ele 
toma nossos pecados, então ficamos impunes e ilesos. Para Lutero, em outras 
palavras, salvação é uma troca jurídica, porém para Paulo em Romanos, para 
Paulo em Gálatas, salvação é isso, porém é muito mais que isso.Não é 
simplesmente uma troca jurídica porque a Aliança não aponta para um tribunal 
Romano tanto quanto aponta para uma casa familiar Hebraica. Deus não é 
apenas um juíz, Ele é um Pai, e Seus julgamentos são paternos. Cristo não é 
apenas alguém que representa uma vítima inocente que toma nossa culpa, 
nosso castigo.Ele é o primogênito dentre muitos irmãos. Ele é nosso irmão mais 
velho na família, e nos vê como fugitivos, como filhos pródigos, como rebeldes 
que estão desconectados, com suas vidas, da família de Deus. E, pela Nova 
Aliança, Cristo não apenas faz uma troca de sentido jurídico; Cristo nos dá seu 
status​ de Filho para que nós possamos realmente nos tornar filhos de Deus. 
 
Quando eu compartilhei isso com meus amigos, eles ficaram tipo : “Bem, isso é 
Paulo”. Mas quando eu adentrei os escritos de Lutero e Calvino, eu não achei 
mais nada disso. Eles tinham me treinado para estudar as Escrituras, mas eu 
descobri que haviam brechas significativas nos seus ensinamentos. Então, eu 
cheguei a conclusão que de a Sola Fide estava errada. Primeiro, porque a Bíblia 
nunca menciona tal coisa, em lugar nenhum. Segundo, porque Lutero adicionou 
a palavra “somente” [(no alemão, a ​ lleyn​)] na sua tradução da Bíblia para alemão. 
O Espírito Santo nunca inspirou os autores das Escrituras para dizer que somos 
salvos pela fé somente. Paulo diz que somos salvos pela fé, mas em Gálatas ele 
diz que somos salvos pela fé que atua pelo amor. E isso é como uma família 
funciona, não é mesmo? Um pai não diz a seus filhos : “ Meus filhos, já que vocês 
estão na minha família e seus amigos não estão, vocês não precisam trabalhar, 
não precisam me obedecer, não precisam sacrificar porque, olha só, vocês estão 
 

salvos! Receberão a herança não importa o que vocês façam”. Não é assim que 
funciona. 
 
Então, mudei minha mentalidade e fiquei muito preocupado. Um dos meus 
melhores professores, um homem chamado Dr.John Gerstner, uma vez me disse 
que “se nós estivéssemos errados sobre a Sola Fide, eu estaria de joelhos, no lado 
de fora do Vaticano, em Roma, amanhã de manhã, fazendo penitência”. Nós 
apenas rimos, que retórica, sabe? Mas ele tinha razão num ponto : Esse é o ponto 
de onde todas as outras doutrinas fluem. Se estamos errados ali, teremos de fazer 
um certo dever de casa para descobrir se estamos errado em mais alguma coisa. 
Eu estava preocupado,mas nem tanto. Naquele tempo, eu queria ir estudar na 
Universidade de Aberdeen sobre a doutrina da Aliança; porque, na Escócia, a 
teologia aliancista nasceu e foi desenvolvida. E eu estava ansioso para ir até lá 
estudar. Então, não estava tão preocupado em resolver esse problema porque, 
afinal, isso poderia ser o foco do meu estudo de Doutorado. 
 
Então, do nada, recebemos notícias que nossa mudança de visão sobre 
anticoncepcionais trouxe uma mudança na anatomia e fisiologia de Kimberly : 
Ela estava grávida. E Margaret Thatcher não estava interessada em financiar 
bebês americanos nascendo no seu grande império. Então, olhamos para a 
situação e percebemos que não podíamos manter despesas de ir para a Escócia. 
Nós teríamos que esperar um ano.Mas o que nós faríamos até lá enquanto 
estávamos cada vez mais perto da graduação? Não sabíamos, mas começamos a 
orar. 
 
Pastoreando uma Igreja em Virgínia 

O telefone tocou. Uma igreja na Virgínia, uma igreja bem conhecida que eu já 
tinha ouvido falar, me ligou e disse : “Você gostaria de vir aqui e se candidatar 
para o pastorado?” - isso significava pregar um sermão como teste, direcionar 
um estudo bíblico, e ter uma entrevista com pessoas mais velhas que iriam 
coordenar a sessão. Eu disse : “Claro”. Eu fui até lá, preguei um sermão, dirigi um 
estudo bíblico e fiz a entrevista. Eles disseram : “Você foi ótimo! Queremos você 
aqui. Pagamos o suficiente para que você possa estudar teologia nas Escrituras 
pelo menos 20 horas por semana. Mas, nós queremos que você pregue todas as 
manhãs de Domingo por 45, para nos abrir à Palavra”. 45 minutos! Você pode 
imaginar o que um padre ganharia se ele pregasse por 45 minutos? Na próxima 
semana, a paróquia estaria vazia. E lá estavam eles me pedindo para pregar, ao 
menos, 45 minutos. Eu disse: "Se você insiste, você que sabe... claro." E eles 
 

disseram: "Queremos que você nos mergulhe na Palavra de Deus", e então eu 
comecei. 
 
A primeira coisa que eu fiz foi pregar sobre Aliança. A segunda coisa que eu fiz 
foi corrigir o entendimento errado de que a Aliança é um contrato e mostrá-los 
que a Aliança significa família. A terceira coisa que eu fiz foi mostrar a eles que a 
família de Deus faz mais sentido de quem somos e o que Cristo fez por nós. Deus 
é Pai, Deus é Filho, e Deus pelo Espírito Santo nos fez uma família com Ele. E 
assim que eu comecei a pregar e ensinar isso, foi como um relâmpago : Eu 
conseguia ver isso afetando [positivamente] famílias e casamentos. Uma 
maravilha! A quarta coisa que eu fiz, foi ensinar a eles sobre liturgia, aliança e 
família; que, nas Escrituras, a Aliança é celebrada através da adoração litúrgica 
onde a Família de Deus se reúne para um jantar, celebrando o Sacrifício de 
Cristo. Eu ensinei na minha pregação que talvez devêssemos ter o jantar da 
família : Comunhão. Até usei o termo “Eucaristia”. Eles nunca tinham ouvido isto 
antes. Eu disse : “Talvez nós deveríamos celebrar a Aliança da Família de Deus 
com a Comunhão toda semana” - “O quê?” - eu disse : “Ao invés de estarmos 
centrados no sermão, por que não fazemos o sermão como um prelúdio ou 
preparação para a celebração de sermos a Família de Deus?” - eles amaram isso. 
 
Mas um rapaz veio e disse : “Toda semana? Você sabe que repetição gera 
desprezo; tem certeza que deveríamos fazer isso toda semana?” - eu disse : 
“Bem, pare um pouco. Você diz ‘eu te amo’ para sua esposa apenas 4 vezes no 
ano? Afinal de contas, repetição gera desprezo. Você a beija apenas 4 vezes no 
ano?” - ele pensou e disse : “É...entendo seu ponto”. 
 
À medida que mudamos nossa liturgia, nós sentimos uma mudança em nossas 
vidas como uma paróquia, mas também nas nossas famílias. Foi maravilhoso ver 
que, à medida que eu os ensinava sobre a Aliança, cada vez mais eles estavam 
com sede de aprender mais. 
 
No meio tempo, eu também estava ensinando um meio período na escola cristã 
local, no ensino médio, que eu conheci naquela igreja. Eu tive alguns dos 
estudantes mais brilhantes que estudaram comigo nesta época, e eles também 
responderam com entusiasmo à esta ideia da Aliança. Eu comecei a ensinar um 
curso sobre a História da Salvação; e de início, eles estavam meio assustados 
porque tudo era muito confuso. Todos aqueles nomes e lugares que você não 
consegue nem pronunciar; e que [também] não fazem muito sentido. Então, eu 
mostrei para eles : “Vejam, a partir do ponto que vocês olham a Aliança como 
 

uma família, tudo se torna muito simples”. Eu guiei meus estudantes pela série 
de alianças do Antigo Testamento que apontam para Cristo. Primeiro, você tem 
a Aliança que Deus fez com Adão; esta foi um casamento, um laço familiar. A 
segunda foi a que Deus fez com Noé. Esta é uma família; Noé, sua esposa, seus 
três filhos e suas três esposas; que formam uma família juntamente com Deus, a 
Casa da Fé. Então, no tempo de Abraão, vemos que a família de Deus cresce a 
uma medida que se torna uma família tribal. Então, a próxima aliança, a que 
Deus fez com Moisés e Israel, vemos doze tribos que se tornam uma nação. 
Então, esta aliança torna a família de Deus algo nacional. Até que, finalmente, 
Cristo estabelece uma Nova Aliança. Ao invés de ter uma família identificada em 
uma nação, a grande diferença da Nova Aliança, eu os ensinei, que agora nós 
tinhamos uma família internacional, uma família católica espalhada pelo 
mundo. 
 
Um das minhas alunas levantou a mãe e disse : “Como isso ficaria se pudesse 
realmente reconstruir tudo?” - Eu desenhei uma pirâmide no quadro e disse : 
“Pense que isso é uma grande e extensa família com figuras de pais e mães 
nesses níveis, e nós sendo como irmãos e irmãs em Cristo”. Eu ouvi alguém dizer, 
bem baixinho, lá atrás : “Com certeza isso parece com a Igreja Católica”. Eu disse 
: “Não, não, não! O que eu estou te dando é a solução dos problemas, o antídoto 
para o veneno”. Bem, Rebecca veio até mim, um dia, no horário de almoço. Eu 
estava comendo e ela disse : “Nós fizemos uma votação lá nos fundos da sala; foi 
unânime. Todos nós pensamos que você vai se tornar um Católico Romano”. Eu 
engasguei o sanduíche, e disse : “Fica quieta! Eu não perder meu emprego! 
Rebecca, eu te asseguro que o que estou te dando não é Catolicismo; é o 
antídoto do Catolicismo”. Ela só ficou ali me encarando - “não, é unânime, você 
vai se tornar um católico”. E daí, ela se virou e foi embora. 
 
Eu fiquei atordoado com aquilo. Quando eu fui pra casa naquela tarde, eu fui até 
a cozinha, vi Kimberly perto da geladeira e disse : “Você nunca vai adivinhar o 
que Rebecca me disse hoje”. “Me diz, outra história da Rebecca?” - eu disse : 
“Bem, ela veio até mim no horário de almoço e anunciou que eles tinham feito 
uma votação nos fundos da sala, e por unanimidade pensam que eu vou me 
tornar católico. Dá pra acreditar? Eu me tornar católico?” - e ela não riu. Ela só 
me encarou e disse : “Bem...você vai?” - aquilo foi como uma punhalada nas 
costas, algo tipo : “Et tu, Brute Kimberly? Por favor, você não”. Eu disse : “Você 
sabe que eu sou um Calvinista, um calvinista de Calvinistas, um Presbiteriano, 
um anti-Católico, eu já distribuí dezenas do livro de Boettner, eu já puxei 
católicos para fora, eu fui desmamado em Martinho Lutero”. Ela só ficou lá 
 

parada e disse : “Sim, eu sei, mas as vezes eu imagino se você não é o Lutero ao 
contrário”. Opa...essa doeu. Eu perdi as palavras.  
 
Eu só andei devagar até minha sala de estudos, fechei a porta, tranquei, sentei 
na minha cadeira e comecei a pensar. Eu estava assustado. Lutero ao contrário. 
Naquele ponto, era o mesmo que salvação ao contrário. Eu estava assustado. 
“Talvez eu só esteja estudando muito e orando pouco”, então comecei a orar 
mais. Comecei a ler mais livros anti-Católicos, mas eles não faziam mais sentido 
para mim. Então eu me voltei para fontes católicas e passei a ler elas. 
 
Professor em um Seminário Presbiteriano 

Nesse meio tempo, algo dramático aconteceu. Eu fui chamado por um 
seminário, um seminário presbiteriano, e perguntou se eu gostaria de ensinar aos 
seminaristas, começando com o Evangelho de João. Eu disse : Claro. Então eu 
comecei a compartilhar tudo [ o que eu sabia ], no Evangelho de João, sobre a 
Aliança, sobre a família de Deus, sobre o que significa nascer de novo. Eu 
descobri que nascer de novo não significa aceitar Jesus Cristo como Senhor e 
Salvador e pedir para que Ele entre no seu coração, apesar de que isto é 
importante; e todo crente, Católico ou diverso, deve ter Jesus Cristo como Senhor 
e Salvador e viver um relacionamento pessoal com Ele. Mas eu descobri o que 
Jesus Cristo quis dizer em João 3, quando Ele disse o que você tem que fazer para 
ser nascido de novo. Ele se volta e diz que você tem que nascer da água e do 
espírito. E assim que Ele termina sua conversa com Nicodemos, os próximos 
versos dizem que Jesus Cristo e seus discípulos discutiram acerca do batismo. Eu 
ensinei que nascer de novo é um ato de aliança, um sacramento, uma renovação 
da Aliança envolvendo o Batismo. Eu compartilhei isto com meus estudantes 
seminaristas, [e] eles foram convencidos.  
 
Nesse meio tempo, estava preparando meus sermões e algumas leituras 
posteriores de João 3. Eu estava investigando o capítulo 6. Eu não quantos de 
vocês já estudaram o Evangelho de João. Em muitas maneiras, é o mais rico dos 
Evangelhos. Mas João capítulo 6 é o meu capítulo favorito do quarto Evangelho. 
Ali, eu descobri algo que eu acho que tinha lido antes, mas nunca parei para 
reparar. Ouça isto : “Jesus disse a eles : Em verdade, em verdade vos digo, ao 
menos que comam a carne do Filho do Homem e bebam seu sangue, não haverá 
vida alguma em vós. Aquele que comer da minha carne e beber do meu sangue 
permanece em mim, e eu nele”. Eu li, li de novo, olhei por dez ângulos diferentes. 
 

Comprei todos os livros sobre isso, comentários sobre João. Eu não conseguia 
entender como aquilo fazia sentido. 
 
Eu havia sido treinado para interpretar aquilo em um sentido figurativo; Jesus 
está usando uma simbologia. Carne e sangue são apenas um símbolo de Sua 
Carne e Sangue.Mas quanto mais eu estudava, mais eu compreendia que aquela 
interpretação não fazia sentido algum. Por que? Porque assim que os Judeus 
ouviram o que Jesus disse, eles partiram.Até este ponto, milhares estavam 
seguindo ele, e de repente, as multidões simplesmente se chocam com o que Ele 
falou : “Minha carne é também comida, meu sangue é também bebida”, e todos 
eles partiram. Milhares de discípulos o deixaram. Se Jesus tivesse falado de modo 
simbólico, Ele teria a obrigação moral, como Mestre, de dizer : “Esperem, eu 
apenas estou falando de modo simbólico”. Mas Ele não faz isso. Ao invés disso, o 
que Ele faz? 
 
Minha pesquisa me mostrou que Ele não virou para os apóstolos e disse : “Melhor 
contratarmos um agente de relações públicas”; Ele disse : “Vocês também vão 
me deixar?” - Ele não explica que falou de modo simbólico. Não! Ele diz que a 
Verdade é o que nos liberta, e que Ele ensinou a Verdade. “O que vocês farão 
sobre isso?”  
 
Pedro se põe a frente e proclama : “Para onde iremos nós? Só tu tens palavras de 
vida eterna. E nós cremos”. O pronunciamento de Pedro : “Para onde iremos 
nós?”, significa que : “Não entendemos o que dizes, porém há outro Mestre que 
tu possa nos recomendar? Então, para onde iremos nós? É tarde demais para 
nós; cremos em tudo que dizes mesmo que não conseguimos entender por 
completo; e se dizes que temos comer tua carne e comer teu sangue, então de 
alguma forma será nos dada a graça que precisamos para aceitar o valor de tuas 
palavras”. Ele não disse isso figuradamente. 
 
Assim que eu comecei a estudar isto, eu comecei a compreender que, uma coisa 
é convencer presbiterianos que nascer de novo é ser batizado, mas como, neste 
mundo, eu poderia convencer que nós temos que realmente comer Sua Carne e 
beber Seu Sangue? Eu foquei um pouco mais na Ceia do Senhor e na Comunhão. 
Eu descobri que Jesus nunca usou a palavra “aliança” em seu ministério público. 
Exceto uma vez, quando Ele instituiu a Eucaristia e disse : “Este é o cálice do 
sangue da Nova Aliança”. Se Aliança significa família, então o que nos faz família? 
Partilhar a Carne e o Sangue. Então se Cristo forma uma nova aliança, que é uma 
nova família, o que Ele fará em providência para nós? Nova Carne e Novo Sangue. 
 

Eu comecei a perceber por quê, na Igreja primitiva, durante 700 anos, ninguém 
disputou o significado das palavras de Jesus. Todos os Padres primitivos 
ensinaram, sem exceção, que Jesus usou palavras em valor nominal, crendo e 
ensinando a Presença Real de Cristo na Eucaristia. Eu estava assustado. Não 
sabia a quem recorrer. 
 
E de repente, um episódio ocorre; uma noite no seminário, para o qual eu não 
estava preparado.Um ex-aluno de graduação católica chamado John levantou 
sua mão. Eu tinha acabado de terminar uma apresentação para o seminário 
sobre o Concílio de Trento. O Concílio de Trento, você vai recordar, foi a resposta 
oficial da Igreja para Martinho Lutero e a Reforma. 
 
Em cerca de uma hora e meia, ele apresentou o Concílio de Trento com as luzes 
mais favoráveis. Ele mostrou como muitos dos argumentos dele eram, de fato, 
baseados na Bíblia. Então, ele virou os holofotes para mim. Os estudantes podiam 
perguntar uma ou duas vezes. Ele disse : “Posso te fazer uma pergunta, Professor 
Hahn?Você sabe que Lutero tinha dois slogans, não apenas s​ ola fide​, mas o 
segundo slogan que ele usou na revolta contra Roma era s​ ola scriptura​, a Bíblia 
somente. Minha pergunta é : Onde a Bíblia ensina isso?” 
 
Eu olhei para ele com um olhar vazio.Eu podia sentir o suor descendo na minha 
testa. Eu costumava me orgulhar de perguntar aos meus professores as 
perguntas mais difíceis, mas eu nunca ouvi essa antes. E eu então me ouvi dizer 
palavras que eu tenho jurado nunca mais dizer : “John, que pergunta idiota.” E ele 
não estava intimidado. Ele olhou para mim e disse : “Me dê um resposta idiota”. 
Eu disse : “Tudo bem, eu vou tentar”. E eu comecei : Eu disse [que] “bem, II Tim. 
3.16 é a chave : Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para correção, no 
preparo para a justiça, para provar que o homem de Deus esteja corretamente 
equipado para toda boa obra”. Ele disse : “Espere um segundo. Isso apenas diz 
que a Escritura é inspirada e útil.Não diz que APENAS a Escritura é inspirada ou 
até melhor, que apenas a Escritura é útil para estes fins, também precisamos da 
oração”. E então ele disse : “E quanto a 2 Tessalonicenses 2:15?” - eu disse , “O que 
diz?” - ele disse : “Bem, ali Paulo diz aos Tessalonicenses que eles tem que se 
manter firmes e se apegar às tradições que Paulo os ensinou; seja por escrito ou 
por palavra dita”. Nossa! Eu não estava preparado. Eu disse : “Bem, vamos 
continuar com as perguntas e respostas, lido com isso próxima semana, vamos 
continuar”. 
 
 

Eu não acho que eles perceberam o pânico que me deu.Quando eu dirigi de 
volta para casa aquela noite, eu estava simplesmente olhando para os céus e 
perguntando a Deus : “Por que eu nunca ouvi esta pergunta? Por que eu nunca 
achei uma resposta?”. No outro dia, eu comecei a ligar para teológos ao redor do 
país, ex-professores. Eu perguntei a eles : “Onde a Bíblia ensina s​ ola scriptura​? 
Onde a Bíblia nos ensina que a Bíblia é a única autoridade?” - alguém disse uma 
coisa para mim : “Que pergunta idiota para vir de você”. Eu disse : “Então, me dê 
uma resposta idiota” - já estava pegando o jeito. Um professor que eu respeitava 
muito, um teólogo de Oxford, me disse : “Scott, você não espera encontrar a 
Bíblia ensinando s​ ola scriptura ​porque não é algo que a Bíblia demonstra”.É 
nossa própria suposição, é nossa pressuposição quando nos aproximamos da 
Bíblia”. Aquilo me pareceu estranho. Eu disse : “Mas professor, isso parece 
estranho, porque quando dizemos isso, dizemos que deveríamos acreditar 
apenas no que a Bíblia ensina.Nossa posição não é ensinada pela Bíblia.Isso 
parece como cortar os ramos nos quais estamos”. Então, ele disse : “Bem, que 
outras opções nós temos”. Boa pontuação, muito bem. 
 
Outro amigo, um teólogo, me ligou e disse : “Scott, o que isso que eu estou 
ouvindo que você está considerando a fé Católica?” - “Bem, não; Art, eu não estou 
realmente considerando a fé Católica”. Então, eu decidi colocar uma pergunta 
para ele. Eu disse : “Art, para você, o que é o Pilar e Fundamento da Verdade?” - e 
ele disse : “Scott, para todos nós, a Escritura é o Pilar e Fundamento da Verdade”. 
Eu disse : “Então Art, por que a Bíblia diz em 1 Timóteo 3.15 que o Pilar e 
Fundamento da Verdade é a Igreja, a Família da Fé?” - ouve silêncio. Então ele 
disse : “Bem...que Igreja, Scott? Tem várias delas”. Eu disse : “Art, quantas igrejas 
estão se candidatando ao trabalho de ser o Pilar e Sustentáculo da Verdade? 
Tipo, se você fala de uma Igreja dizendo : Somos o Pilar e Sustentáculo da 
Verdade; nos procure e você ouvirá Cristo ensinando e falando, quantas 
candidatas você vê por aí? Eu conheço sobre uma.Eu apenas sei que a Igreja 
Católica Romana ensina que ela foi fundada por Cristo. Ela está por aí há 2000 
anos e ela está fazendo algumas reivindicações estranhas que parecem muito 
com 1 Timóteo 3:15.” 
 
Bem, até esse ponto, eu não estava certo do que fazer.Aliás, eu recebi um 
telefonema do presidente do conselho de curadores no seminário onde eu 
estava ensinando. Eu não sabia exatamente por quê. Eu pensei : “Talvez o rumor 
que eu estou ensinando coisas que parecem católicas chegou até o presidente”. 
Quando eu me juntei à ele para almoçar, eu estava bem assustado e indeciso. Ele 
procedeu para dizer que os curadores chegaram a uma decisão unânime : Como 
 

minhas aulas estavam indo tão bem, pois muitas pessoas estavam se 
inscrevendo para elas, eles perguntaram se eu queria ponderar sobre ser o reitor 
do seminário na velhice madura de 26 anos. Eu não acreditei. Ele disse : “Vamos 
deixar você ensinar os cursos que quiser. Vamos deixar você contratar 
capacitados se quiser. Nós vamos até pagar por seu programa doutoral em 
Teologia.” Eu disse : “Onde tem um programa desses por aqui perto?” - ele disse : 
“Universidade Católica”. Eu pensei : “Não, não, não. Eu não quero estudar lá; estou 
fugindo dessa perspectiva no momento”. Eu só não disse “não” naquele 
momento à ele porque eu não sabia o que dizer. Ele disse : “Bem, você oraria 
sobre esse assunto?” - “eu vou, Steve. Mas eu acho que já sei a resposta. E, 
suficientemente estranho, eu acho que vou dizer não e não vou poder explicar 
porque eu não tenho certeza”.  
 
Quando eu cheguei em casa, Kimberly estava me esperando. Ela disse : “O que 
ele queria?” - “queria que eu fosse reitor”. “Não brinca!” - “não”. “O que você 
disse?” - “não”. “Por que você disse não?” - Kimberly, neste exato momento eu 
não sei o que eu iria ensinar. Exatamente agora eu não sei o que a Escritura 
ensina, e eu sei que um dia eu vou estar diante de Jesus Cristo para julgamento e 
não vai ser suficiente dizer : Bem, Jesus, eu apenas ensinei o que fui aprendi de 
meus professores. Ele tem me mostrado coisas da Escritura e eu tenho que ser 
fiel a elas”. Ela caminhou até mim, estendeu os braços e me abraçou. Então ela 
disse : “Scott, é isso que eu amo em você, é por isso que eu casei com você. Mas, 
se é assim, vamos ter que orar”. Ela sabia o que isso significava. Isso não só 
significava rejeitar a oferta do seminário, mas também era rejeitar o pastorado de 
uma igreja crescente. Eu amei as duas oportunidades. 
 
Assistente Administrativo do Presidente da Universidade 

 
Nós não sabíamos o que iríamos fazer. Estávamos desamparados em Julho. 
Depois de muita oração, nós decidimos nos mudar de volta para a cidade onde 
nos conhecemos fazendo faculdade.Quando nos mudamos, eu me candidatei 
para empregos em vários locais, mas a universidade me contratou como 
assistente para o presidente. Por dois anos eu trabalhei ali, e era bem 
confortável, pois eu trabalhava durante a manhã e isso me dava noites livres 
para mergulhar em pesquisa profunda.Das 8 da noite, quando eu colocava as 
crianças para dormir, até uma ou duas da manhã, eu iria ler, estudar e pesquisar. 
 
 

Em um tempo de dois anos, eu li centenas de livros, e eu comecei a ler, pela 


primeira vez, teólogos Católicos e eruditos da Escritura. E eu estava 
impressionado de quão bons eram suas intuições, e como suas intuições 
estavam em concordância com minhas descobertas pessoais. Eu não conseguia 
acreditar quantas descobertas inovadoras que eu fiz estavam em hipóteses, e de 
forma garantida.Isso me preocupou. 
 
Algumas vezes eu vinha ler algumas coisas com a Kimberly. “Olha, veja esse 
autor”. Como ela era uma teóloga, e estava muito ocupada em criar crianças, ela 
não tinha muita energia.Mas ela sempre se sentava e ouvia. Eu disse : “Quem 
você acha que é?” - ela disse : “Nossa!Parece muito com um de seus sermões na 
Virgínia. Ah, eu tenho muita saudades deles”. Eu disse : “Isso era o [Concílio] 
Vaticano II, ​Gaudium et Spes​. Isso era a Igreja Católica”. Ela disse : “Scott, eu não 
quero ouvir isso.” Eu disse : “Kimberly, essas coisas sobre liturgia são muito 
interessantes.Eu não tenho certeza,mas eu acho que Deus talvez nos esteja 
chamando para nos tornarmos Episcopais”. É uma casa no meio do caminho. Ela 
olhou para mim com olhos cheios de lágrimas e disse : “Eu sou Presbiteriana, 
meu pai é um ministro Presbiteriano, meu tio é um ministro Presbiteriano, meu 
tio é um ministro Presbiteriano, meu marido era um ministro Presbiteriano, meu 
irmão quer ser um, e eu até pensei sobre.Não quero ser uma Episcopal”. 
 
Eu lembro que, depois de alguns meses, depois de ler muito mais, uma noite eu 
disse : “Kimberly, eu não tenho certeza, mas eu acho que Deus talvez esteja me 
chamando para ser um Católico Romano”. E o olhar de desespero tomou conta 
dela. Ela disse : “Não podemos nos tornar Episcopais? Tudo, menos Católicos”. 
Vocês, católicos de berço, não sabem como é. Você não sabe como é o terror 
que toma conta de você quando você pensa que talvez tenha de atravessar o 
Tibre. Bem, ela estava entrando em desespero. Ela começou a orar para que 
alguém resgatasse seu marido; algum professor, algum teólogo, algum amigo. 
 
Jornada Direta ao Catolicismo 

Finalmente aconteceu. Um dia eu recebi uma ligação de Gerry, meu melhor 


amigo do seminário. Um prodígio estudioso em Grego clássico e do Novo 
Testamento. Ele era o único estudante além de mim que cria na velha crença 
protestante de que o Papa era o Anticristo. Nós ficamos ombro a ombro 
oponentes a todos os compromissos que vimos em nossos irmãos 
protestantes.Ele me ligou uma noite e nós conversamos. Eu li para ele um 
trecho de um livro do Padre Bouyer. Ele disse : “Nossa isso é muito rico e 
 

profundo. O que ele é?” - “Como assim?” - “Bem, ele é Metodista?” - “Não” - 
“Luterano?” - “Não” - “Batista?” - e daí, umas vinte perguntas de “o que ele era”. 
“O que ele é, então?” - “Ele é Cató-” - “O que?Não ouvi?” - “Ele é Católico 
Romano”. “Espera um segundo, acho que a ligação está cortando, Scott. Eu 
achei que você tinha dito que ele é Católico”. Eu disse : “Gerry, eu disse que ele é 
Católico e ele é Católico, e eu tenho lido muitos católicos”. 
 
E, de repente, começou a jorrar como as cataratas do Niágara. Eu disse : “Eu 
tenho lido Danielou, Ratzinger, de Lubac, Garrigou-Lagrange, Congar, e todos 
esses caras; é muito rico [o material deles]. Você tem que ler também”. Ele disse : 
“Calma lá - Scott, sua alma pode estar em perigo”. - “Gerry, posso te dar uma lista 
de livros?” - “Claro, eu vou ler; qualquer coisa para te tirar dessa armadilha. E eu 
vou te dar esses aqui”. Ele mencionou uns 10 livros anti-Católicos. Eu disse : 
“Gerry, eu já li cada um deles, pelo menos uma ou duas vezes” - “Então, me dê a 
sua lista”. E eu citei para ele. 
 
Depois de um mês, nós combinamos uma conversa longa por telefone. Kimberly 
não podia estar mais feliz. Finalmente, um cavaleiro prodígio em armadura 
brilhante vindo para resgatar seu marido das garras do Romanismo. Ela estava 
me esperando com respiração suspensa, depois que a conversa acabou. Eu disse 
que Gerry estava bem alegre porque estava lendo o que eu lhe mandei e estava 
me levando a sério. Ela disse : “Que bom!Eu sabia que ele iria fazer isso”.  
 
Bem, isso continuou por 3 ou 4 meses. Nós nos falávamos por telefone por duas, 
três ou até quatro horas discutindo sobre Teologia até às três ou quatro da 
manhã. Kimberly estava muito feliz e grata à ele por estar me levando tão à 
sério. 
 
Uma noite, eu me deitei às duas ou três [da manhã]; ela ainda estava acordada. A 
luz estava apagada, mas ela se sentou na cama e disse : “Como está indo?” - 
“Muito bem” - “Me conta mais” - “Gerry está quase intoxicado de excitação com 
todas as verdades da Escritura que a Igreja Católica apresenta” - “O que!?” - eu 
não consegui ver o rosto dela, mas eu quase podia senti-lo afundar quando ela 
recostou-se na cama, colocou o rosto no travesseiro e começou a soluçar. Eu não 
conseguia nem abraçá-la, ela estava tão machucada e abandonada. 
 
Um pouco depois, Gerry me ligou e disse : “Escuta, eu estou um pouco receoso. 
Meus amigos estão um pouco receosos. Temos que levar isso a sério. Eu falei 
com o Dr. John Gerstner, um presbiteriano treinado em Harvard, teólogo 
 

anti-Católico. Ele vai conversar conosco por quanto tempo nós quisermos”. 
Combinamos uma sessão comigo, Gerry e o Dr.Gerstner por 6 horas, 
percorrendo o Antigo Testamento em Hebraico, o Novo Testamento em Grego, e 
os documentos de Concílios, sobre História da Igreja. Ao final das seis horas, 
Gerry e eu esperávamos estar completamente soprados da água. Ao invés disso, 
o que nós descobrimos foi que a Igreja Católica quase não precisa de uma 
defesa. É mais como um leão - só precisa deixar ele sair da jaula, e ele cuida do 
resto. Nós apenas apresentamos os ensinamentos da Igreja e mostramos os 
textos na Escritura, e não sentimos que ele deu uma resposta para uma só 
objeção ou pergunta nossa. No final, nós nos sentimos como : “Nossa, o que isso 
quer dizer?” - nenhum de nós sabia [o que]. Os seminaristas mais anti-católicos 
imaginando se Deus talvez seja Católico - estávamos aterrorizados. 
 
Nesse meio tempo, eu mandei uma inscrição para a Universidade Marquette 
porque eu ouvi que lá eles tinham alguns poucos e excelentes teólogos, que 
estavam baseados na Aliança, estudando sobre a Igreja e fazendo muitas coisas 
boas. Antes mesmo de ser aceito e conseguir uma bolsa de estudos, eu comecei 
a visitar alguns padres na área.Eu estava assustado. Eu fazia isso a noite, para 
que ninguém me visse. Eu quase me sentia sujo e contaminado entrando na 
reitoria. Eu sentei e lancei algumas perguntas e, para um homem, cada padre 
iria dizer : “Vamos conversar sobre outra coisa além de teologia”. Nenhum deles 
queria discutir sobre minhas perguntas. Um deles até disse : “Você está 
pensando em se converter? Não, você não quer fazer isso. Desde o Vaticano II 
nós não encorajamos isso”. Eu disse : “Espere um segundo, Padre…” - “Não, me 
chame de Mike.” - “Muito bem, Mike. Eu não quero que você quebre o meu 
braço e me force a entrar.Eu acho que Deus está me chamando” - “Então, se 
você quer minha ajuda, veio para a pessoa errada”. 
 
Depois de uns três ou quatro encontros desse jeito, eu estava confuso. Eu 
conversei com Kimberly. Ela disse : “Você tem que ir para uma escola Católica 
onde você pode estudar em tempo integral, onde você pode ouvir da boca do 
cavalo, onde você pode se certificar que a Igreja Católica na qual você acredita 
ainda existe”. Ela tinha razão. Depois de muita oração e preparação, nos 
mudamos para Milwaukee onde eu estudei por dois anos no Doutorado em 
período integral. 
 
Esses dois anos foram o período mais rico [em matéria] de estudos que eu 
experimentei na minha vida.E o tempo mais rico [em matéria] de oração 
também. Eu conheci alguns seminaristas, onde eu era, na verdade, o 
 

protestante solitário defendendo o ensino da Igreja contra ataques vindo de 


Católicos. Era estranho. O ensinamento de João Paulo, por exemplo, que é bem 
escritural e “aliançal”, foi uma das coisas que eu expliquei para essas pessoas. 
Mas eu conheci alguns teólogos que conseguiam [falar coisas com] muito 
sentido. Eu realmente gostei dessa época. Mas algumas coisas aconteceram no 
caminho.Na verdade, duas coisas:  
 
Primeiro, eu comecei a rezar um rosário. Eu estava bem assustado para fazer 
isso. Eu pedi ao Senhor que não se ofendeu enquanto eu tentava. Eu prossegui 
para rezar.E, enquanto eu rezava, eu sentia mais em meu coração aquilo que eu 
vim a saber em minha mente : Eu sou um filho de Deus. Eu não tenho somente 
Deus como meu Pai e Cristo como meu irmão, eu tenho Sua Mãe para o meu 
bem. 
 
Um amigo meu que havia ouvido falar que eu estava pensando sobre [me 
converter à] Igreja Católica me ligou um dia e me disse : “Você adora Maria como 
aqueles Católicos fazem?” eu disse, “eles não adoram Maria; eles honram Maria”. 
“Bem, qual é a diferença?” eu disse, “Permita-me explicar. Quando Cristo aceitou 
o chamado do Seu Pai para se tornar um homem, Ele aceitou a responsabilidade 
de obedecer a lei, a lei moral que está sumarizada nos Dez Mandamentos. Há 
um mandamento que diz, ‘honra teu pai e tua mãe’.” Eu disse : “Chris, no original 
em Hebraico, a palavra “honra”[(imperativo)], k ​ aboda​, aquele termo em Hebreu 
significa glorificar, conceder qualquer glória e honra que você tem sobre seu pai 
e sua mãe. Cristo cumpriu a lei mais perfeitamente que qualquer humano ao 
depositar Sua glória sobre Seu Pai celeste e ao tomar Sua própria divina glória e 
honrar Sua Mãe com isso.Tudo o que nós fazemos no rosário, Chris, é imitar 
Cristo que honra Sua Mãe com Sua própria glória. Nós honramos ela com a 
glória de Cristo”. 
 
A segunda coisa que aconteceu foi quando calmamente me enfiei na capela do 
porão na Marquette, Gesu. Eles estavam uma Missa de meio-dia e eu nunca 
havia ido à uma missa antes. Eu me meti lá. Eu me sentei no banco de trás.Eu 
não me ajoelhei.Eu não me curvei[em reverência].Eu não fiquei de pé.Eu era um 
observador; eu estava lá para assistir.Mas eu fui surpreendido quando 40, 50, 60, 
80, ou 100 pessoas comuns entraram da rua para a Missa de meio-dia, pessoas 
comuns que apenas vieram e entraram, se curvaram [em reverência], se 
ajoelharam e oraram.Então um sino tocou e todos eles se levantaram e a Missa 
começou. Eu nunca tinha visto aquilo antes. 
 
 

A Liturgia da Palavra foi tão rica, não apenas nas leituras da Escritura. Eles liam 
mais da Escritura, eu pensei, em uma missa de dia de semana do que nós[, 
protestantes,] lemos em um culto de domingo. Mas as suas orações estavam 
encharcadas de linguagem bíblica e frases de Isaías e Ezequiel.Eu me sentei 
dizendo, “Cara, pare show! Deixe-me explicar suas orações. Isto é Zacarias, é 
Ezequiel! Nossa! É a Bíblia vindo à vida e dançando no palco central e dizendo, ‘é 
aqui o lugar ao qual eu pertenço”. 
 
Então a Liturgia Eucarística começou. Eu assisti e ouvi enquanto o padre 
pronunciava as palavras da consagração e elevava a hóstia. E eu confesso, a 
última gota de dúvida secou naquela hora. Eu olhei e disse , “Senhor meu e Deus 
meu”.À medida que as pessoas iam para receber a Comunhão, eu literalmente 
comecei a babar, “Senhor, eu te quero. Eu quero uma comunhão mais plena 
contigo.Você veio ao meu coração. Você é meu Salvador pessoal e Senhor, mas 
eu penso que quero-te na minha língua e no meu estômago, e no meu corpo e 
na minha alma até esta comunhão estar completa.”  
 
E assim que começou, terminou. As pessoas ficaram ali por um ou dois minutos 
para a ação de graças e então foram embora.E eventualmente, eu também fui 
embora e pensei, o que eu fiz? Mas no dia seguinte, eu estava de volta, e no dia 
seguinte. Eu não pude contar a uma alma. Eu não pude contar a minha esposa. 
Mas em duas ou três semanas eu estava preso.Eu estava de ponta-cabeça com 
Cristo e Sua Real Presença no Santo Sacramento.Aquilo se tornou a fonte e 
cumo e o clímax todo dia, e eu ainda não podia contar a ninguém. 
 
Então um dia Gerry me chamou no telefone. Ele estava lendo centenas de livros 
por conta própria. Ele me chamou e anunciou, “Leslie e eu decidimos que nós 
vamos nos tornar Católicas esta Páscoa, 1986.” Eu disse, “espera uma segundo, 
Gerry. Você veio para me impedir de entrar; agora você acha que vai me bater na 
mesa? Isso não é justo.” Ele disse, “Escuta, Scott, eu não sei que objeções ou 
perguntas você ainda tem, mas todas as nossas estão respondidas.” Eu disse, “as 
minhas também estão.” Ele disse, “Bem, eu não vou forçar.” 
 
Quando eu desliguei o telefone, percebi que atrasar a obediência para mim 
estava se tornando quase como obediência. Deus tem feito tudo tão na Escritura 
sobre Maria, sobre o Papa, até mesmo sobre o Purgatório de 1 Coríntios 3,15 e em 
diante, sobre os Santos como família de Deus, como meus irmãos e irmãs em 
Cristo. Eu estava explicando para meus amigos como a Família de Deus é a ideia 
central que faz tudo ter sentido na fé Católica.Maria é nossa mãe, o Papa é nosso 
 

pai espiritual, os santos são como irmãos e irmãs, a Eucaristia é a refeição 


familiar, os dias de festa são como aniversários. Nós somos a família de Deus. Eu 
não sou um órfão; eu tenho uma casa. Eu apenas não estou lá ainda.Eu comecei 
a perguntar ao Senhor, “O que queres que eu faça? Gerry vai entrar.O que 
queres que eu faça?” E o Senhor virou as mesas e disse, “o que tu queres fazer?” 
Eu disse, “Isto é fácil. Eu quero ir para casa.Eu quero receber nosso Senhor na 
Santa Eucaristia.” E eu só tive a sensação de que o Senhor estava me dizendo: 
"Eu não vou impedir você". Então eu pensei, é melhor eu falar com a pessoa que 
queria [me impedir]. 
 
Então eu desci as escadas e disse, “Kimberly, você nunca vai adivinhar o que 
Gerry e Leslie estão planejando fazer.” “O quê?” Ela já estava sem esperanças 
neste ponto. “Eles vão se tornar Católicos esta Páscoa, 1986.” Ela olhou para mim 
e com uma visão interna, ela me conhece muito bem e ela ainda me ama, ela 
disse, “Então o que? Que diferença isso faz? Você me deu sua promessa pessoal 
que você não iria entrar até 1990 no mínimo.” Eu disse, “Sim, você lembra disso; 
está certo, eu disse. Mas eu poderia ser dispensado disso se você se sentisse…” 
“Não, não, não…” “Você oraria sobre isso?” “Não tente espiritualizar suas 
promessas, Scott.” Eu disse, “Mas, Kimberly, você não quer ouvir [sobre] isso, você 
não quer ler [sobre] isso, você não quer discutir [sobre] isso. Mas para mim, 
atrasar a obediência à algo que Deus tornou tão claro, se torna desobediência.” 
Eu sabia que Kimberly me amava o suficiente para nunca permitir ou me 
pressionar à desobediência ao meu Senhor e Salvador. Ela disse, “eu vou orar 
sobre isso, mas eu tenho que te dizer, eu me sinto traída. Eu me sinto 
abandonada. Eu nunca me senti tão sozinha na minha vida. Todos os meus 
sonhos estão morrendo por causa disso.” Mas ela orou, e Deus a abençoou, ela 
voltou e disse, “Esta é a coisa mais dolorosa na minha vida, no nosso casamento, 
mas eu acho que é o que Deus quer que eu faça.” 
 
Naquela vigília Pascal de 1986, ela na verdade me acompanhou na Missa da 
vigília onde eu recebi o que eu gosto de chamar de meu ​grand slam 
sacramental : batismo condicional, primeira confissão, Crisma e então, Deus foi 
levantado, Sagrada Comunhão. Quando eu voltei eu senti ela chorando, e eu 
coloquei meu braço ao redor dela e nós começamos a orar. O Senhor disse para 
mim, “Olha, eu não estou pedindo para que você se torne um Católico apesar do 
seu amor por Kimberly, porque eu amo ela mais do que você.Eu estou 
chamando você para se tornar um Católico por causa do seu amor. Porque você 
não tem a força para amá-la tanto quanto eu amo, eu vou te dar o que falta na 
Sagrada Comunhão.” Eu pensei, “Bem, tente explicar isso para ela.” E eu tive a 
 

sensação de paz vindo devagar quando Ele disse, “Eu vou com o passar do 
tempo; apenas recue.Você não é o Espírito Santo, você não pode mudar o 
coração dela.” Nos próximos dias e as próximas semanas e meses ela ainda não 
estava interessada. Aquilo foi difícil. 
Eu acabei aceitando um trabalho [na cidade de] Joliet para ensinar por alguns 
anos em uma faculdade ali. Bem antes de nos mudarmos algo aconteceu que o 
Senhor fez. Nós tivemos um terceiro bebê, Hannah. Quando Hannah foi 
concebida, eu estava bem assustado. Assustado por várias razões mas nunca tão 
assustado quanto eu estava em um domingo de manhã quando Kimberly 
estava grávida apenas de quatro meses. Nós estávamos na igreja dela cantando 
a última estrofe do último hino, e ela virou para mim. Ela estava pálida como um 
fantasma, “Eu não me sinto bem, eu estou sangrando.” Ela sentou e deitou no 
banco enquanto todo mundo começou a sair do santuário. Eu entrei em pânico. 
Eu não sabia o que fazer; ela estava pálida como um fantasma. Eu corri para o 
orelhão. Eu chamei nosso obstetra. Eu disse, “Onde está ele?” “Bem, eu não sei 
onde o Dr. Marmion está.É fim de semana e ele deve estar fora da cidade.” “Você 
pode procurá-lo?” “Eu vou procurá-lo e ele vai ligar pra você se estiver 
disponível.”Eu desliguei.Eu estava em pânico.Eu comecei a rezar para São 
Gerardo [Magella], para todo mundo. Eu apenas pedi ao Senhor Jesus Cristo para 
nos ajudar. Dez segundos, talvez quinze se passaram e o telefone tocou.Eu o 
peguei e disse, “Olá”. “Scott?” “Sim.” “É o Dr.Marmion aqui.” Eu disse, “Pat, cadê 
você?” Ele disse, “Onde você está?” Eu disse, “Eu estou fora da cidade neste 
bairro particular”. “Onde?” “Nesta igreja”. “Aonde você está na igreja?” “Estou fora 
do santuário no orelhão” Ele disse, “Isso é inacreditável. Eu estou justamente 
visitando aquela igreja esta manhã.Eu estou ligando do porão. Já estou 
subindo”. Ele subiu as escadas correndo em quatro ou cinco, talvez oito 
segundo. Ele disse, “Onde ela está?” Eu disse, “ali está ela.” Ele correu e começou 
a administrar ajuda para ela. Ela entrou no carro. Nós aceleramos ao 
(agradecidamente) ​St.Joseph Hospital e ​ a vida de Kimberly foi salva, a vida do 
bebê foi salva, e eventualmente Hannah nasceu. 
 
Eu estava com uma sensação de que o Senhor estava muito mais próximo de 
nós e de nosso casamento que parecia mais quebrado do que eu podia 
perceber. Eu comecei a orar, “O que vamos fazer com um bebê novo?” Kimberly 
me abordou logo antes de Hannah nascer, e ela disse, “Eu não estou certa 
exatamente do porquê, mas o Senhor me deu a impressão de que Hannah é a 
criança da reconciliação. Eu não estou certa do que isso significa.” Nós nos 
abraçamos e começamos a orar sobre isso.  
 
 

Depois que Hannah nasceu, Kimberly me abordou. Ela disse, “Eu não tenho 
certeza por quê, mas eu acho que o Senhor quer que eu batize Hannah na Igreja 
Católica.” Eu disse, “O quê!?” Ela disse, “Não tenho certeza mas sim[, quero fazer 
isso].” Passamos pela liturgia batismal juntos. O Monsenhor Bruskewitz, o padre 
que me trouxe para dentro, é somente o mais nobre príncipe de um homem 
piedoso. Ele agora é o Bispo de Lincoln e eles fez esta liturgia privada tão bem, 
tão cheia com a tradição e a Escritura, que enquanto ele disse, “Aleluia, aleluia” 
em uma das orações litúrgica, Kimberly quase pulou fora das suas meias. Ela 
disse, “Aleluia! Oh, desculpa.” Ele disse, “Não, eu queria que os Católicos fizessem 
isso; isto é bom.” 
 
Como um resultado desta celebração litúrgica do batismo, ela tirou uma xerox a 
liturgia batismal e mandou para sua família e amigos. Mas ela ainda não estava 
pronta para entrar nesses debates. Ela começou a ler e a orar. Eu apenas tentei 
recuar mais e mais. 
 
Viagem ao Vaticano em Roma 

Eu quero inserir uma coisa. Meu pai faleceu no último Dezembro(1990), o 


homem que me ensinou a amar o vocativo Divino “Pai”.Em Janeiro, meu sogro 
me convidou para me juntar à ele e à um grupo bem pequeno de pessoas que 
estão lutando contra a pornografia h ​ ard core​ que está transbordando no Leste 
Europeu para viajar para o Vaticano para um colóquio e uma audiência privada 
com o Papa João Paulo II. Meu sogro, o ministro Presbiteriano, me convidando 
para conhecer o Papa? Eu disse “Sim”. Então, no último janeiro eu não apenas 
me encontrei com o Papa neste pequeno grupo, mas também fui convidado 
para me juntar à ele na sua capela privada para a Missa na manhã da Sexta-Feira 
às 7:00 da manhã.Eu estava à alguns metros dele e eu senti ele orando. Você 
poderia ouvir ele orando com sua cabeça em suas mãos, carregando o peso da 
Igreja com todos os seus fardos em seu coração. 
 
Enquanto ele celebrava os Mistérios da Santa Missa, eu tomei uma decisão, aliás 
duas : para entrar mais profundamente a cada dia na missa e para este 
ministério que ele tem que orar por ele.Mas a segunda decisão era de 
compartilhar com meus irmãos e irmãs em Cristo sobre nosso Santo Padre, e 
como Cristo nos agraciou com uma família incrível, com a Santa Virgem Maria 
para ser nossa própria Mãe espiritual, com o Papa João Paulo II para ser um guia 
e uma figura de pai espiritual para levar todos nós à adorar nosso Pai celeste, 
com os santos como irmãos e irmãs, para conhecer nós mesmos como família 
 

de Deus, mas acima de tudo, com a Santa Eucaristia para conhecer nós mesmos 
ao redor da mesa como família de Deus, Seus próprios filhos. Que privilégios nós 
temos; que graças Ele dá!  
Tradução por : Simão Bezerra. ​Ad maiorem Deo gloriam!