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ANÁLISE TEÓRICA E EXPERIMENTAL DO RESFRIAMENTO DE

CARVÃO VEGETAL EM FORNO RETANGULAR

Geraldo Augusto Campolina França


Departamento de Engenharia Mecânica, UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
CEP 31270-901 – Belo Horizonte – MG, tel: (031) 3499-5239, fax: (031) 3443-3783

Marcos Bandeira Campos


CVRD - Companhia Vale do Rio Doce
CEP 36570-000 – Viçosa – MG, tel: (031) 3891-1446, fax: (031) 3443-3783

RESUMO from V&M Florestal (Paraopeba/MG – Brazil). The


purpose was to understand the significant
Este trabalho apresenta os resultados da mechanisms of heat exchange, so that future
simulação numérica de um modelo matemático improvements can be implemented, such as
bidimensional do processo de resfriamento natural reducing the period of cooling. The simulation was
de um leito de carvão vegetal no interior de um performed by a software designed in TURBO
forno retangular de carbonização de madeira PASCAL language and the numerical method
existente na V&M Florestal (Paraopeba/MG - chosen was the Finite Difference Method (FDM)
Brasil). O objetivo foi compreender os fenômenos with implicit formulation. Thermophysical
de troca de calor relevantes, de forma a embasar properties have been updated with the value of the
futuras melhorias visando reduzir o tempo total de temperature at each time. No fluid flow was
resfriamento do forno. A simulação foi considered inside the kiln by the use of an effective
desenvolvida na linguagem TURBO PASCAL e o thermal conductivity for the bed. The effect of
método numérico utilizado foi o de Diferenças radiation among the particles and among the
Finitas (MDF) com formulação implícita. As internal surfaces of the kiln was considered. The
propriedades termofísicas foram atualizadas com a theoretical results were compared with the
temperatura a cada incremento de tempo. Admitiu- experimental data obtained by thermocouples. The
se a condição de fluido estagnado no interior do validation of the model has let it be extended to the
forno usando-se uma condutividade térmica study of other conditions, like the effect of a
equivalente para o leito. O efeito da radiação entre reduction of the thickness of the walls and ceiling
as partículas e entre as superfícies internas do forno and the effect of the wind velocity outside the kiln.
foram consideradas. Os resultados da simulação The study has indicated that the velocity of the
numérica foram comparados a dados experimentais wind and a reduction of the thickness of the ceiling
coletados no forno por meio de termopares. A have a small influence over the period of cooling,
validação do modelo permitiu a simulação de on contrary of what has been observed with a
condições adversas, como o efeito da redução da reduction at the thickness of the walls.
espessura da parede, teto e do efeito de diferentes
velocidades de vento externo ao forno. O estudo INTRODUÇÃO
indicou que a velocidade do vento e a redução da
espessura do teto exercem pouca influência sobre o Historicamente, a produção de ferro gusa
tempo total de resfriamento, ao contrário do efeito no Brasil tem sido sustentada por duas fontes
da redução da espessura da parede. termoredutoras: o carvão mineral (coque) e o
carvão vegetal. No entanto, foi na década de 70 e
ABSTRACT início da de 80 que o carvão vegetal atingiu seu
auge, com um consumo crescente e sendo alvo de
This work presents the results of a inúmeras pesquisas. Porém, foi no início dos anos
numerical simulation of a bidimensional 80 que o carvão vegetal adquiriu importância
mathematical model which represents the natural estratégica, devido à crise mundial do petróleo no
colling process of a packed bed of charcoal inside a final dos anos 70.
rectangular industrial kiln for wood carbonization,
A crise estimulou o uso de fontes À medida que a frente de carbonização
alternativas de energia, justificando o interesse pelo atinge o leito, a madeira é consumida e, devido à
seu estudo (BRITO, 1990). Nesse período houve degradação de seus componentes, reduz seu volume
crescimento na demanda por ferro gusa no País e as e massa. Essa contração reduz o diâmetro dos poros
condições de mercado, nacionais e internacionais, das partículas, mas, devido à permeabilidade do
viabilizaram o uso do carvão vegetal. Mesmo com carvão, há uma concentração de gás no seu interior.
técnicas de produção primitivas, sustentadas na Os poros são uma resistência extra à troca
exploração de matas nativas, o carvão vegetal de calor entre o carvão e o meio ao seu redor além
tornou-se economicamente viável. de intensificarem a anisotropia na difusão do calor,
Hoje, a maioria das grandes siderúrgicas com uma direção preferencial longitudinal às suas
nacionais adota o carvão mineral em seus altos- fibras. Com isso, seu interior tende a estar a uma
fornos. Porém, em parte devido à projeção que o temperatura mais elevada que a superfície. Quando
tratado de Kioto tem assumido na sociedade o ar (O2) penetra nos poros, ocorre a combustão.
mundial, criou-se um promissor mercado de A inflamabilidade do carvão ocorre em
compra e venda de créditos de carbono, em função temperaturas diversas e está relacionada com o
das metas estabelecidas de redução das emissões processo de carbonização. UHART (1971) explica
atmosféricas. Nesse cenário, as extensas plantações que a temperatura de incendeiamento está
de eucalipto para produção de carvão vegetal são diretamente relacionada à temperatura atingida na
um importante diferencial. Isso abre espaço para o carbonização. Essa relação existe devido à absorção
carvão vegetal voltar a assumir uma posição de de oxigênio do ar pelo carvão ser uma função da
relevância nacional. Essa perspectiva têm motivado temperatura em que este foi produzido. Quanto
o estudo de processos mais eficientes, rápidos e de maior o teor de oxigênio absorvido, mais baixa será
menor custo. a temperatura suficiente para a combustão. Como
Vários modelos de fornos já foram exemplo, este autor apresenta a Tabela 1.
construídos e estudados, conforme SILVA (1994),
TRUGILHO (1988) e CETEC (1982) e tentativas Tabela 1 – Temperatura de inflamabilidade do carvão em função
da temperatura de carbonização e percentual de oxigênio
de mecanização do carregamento/descarregamento
retomado/absorvido
dos fornos têm sido adotadas com algum sucesso,
tanto pela V&M Florestal como também por outras
indústrias do ramo (SANTOS, 1991).
Quanto ao resfriamento, a prática usual é o Temperatura de
350 430 550
processo natural, em que o forno reduz sua carbonização ( oC )
temperatura lentamente pela simples exposição ao % de oxigênio
8 31 6
meio ambiente. A duração do resfriamento depende absorvido pelo carvão
muito da geometria do forno, de suas dimensões, do Temperatura de
material usado na sua construção e da massa de inflamabilidade do 165 150 215
carvão produzida, entre outros. Na V&M Florestal carvão (oC )
o resfriamento natural requer entre 9 e 14 dias. Por
ser um processo bastante demorado o resfriamento
tem sido, recentemente, alvo de estudo. Pela Tabela 1, para temperaturas de
Para reduzir esse tempo a V&M Florestal carbonização entre 350oC e 550oC o teor de
usou nebulizadores d’água entre a 1a e a 20a hora oxigênio absorvido pelo carvão passa por um ponto
após a carbonização, obtendo bons resultados. Com de máximo, em torno dos 430oC, com uma
isso, o tempo foi reduzido para 6 dias. Para atingir temperatura de inflamabilidade mais baixa. É
esse resultado utilizou-se cerca de 10.000 litros justamente nessa faixa de temperaturas que
d’água. No entanto, o excesso de umidade favorece usualmente se procura conduzir a carbonização para
a geração de finos por reduzir a resistência assegurar rendimentos gravimétricos mais elevados.
mecânica do carvão, além de não ser indicado para Por esse motivo é tão comum haver o
o carvão para uso em altos-fornos. incendeiamento do leito após a abertura do forno.
A simulação do processo de resfriamento Segundo UHART (1971), mesmo a 110oC
natural possibilita, admitindo não haver infiltrações há risco de combustão espontânea no leito
de ar no forno, a estimativa dos fenômenos de troca dependendo da espécie de madeira. Por segurança
de calor mais relevantes. Com isso, torna-se adotam-se valores entre 60oC e 75oC, dependendo
possível agir sobre determinado fenômeno no do forno. Maiores volumes de ar em contato com o
momento adequado, intensificando seu efeito para leito também favorecem a inflamabilidade a baixas
reduzir o tempo do processo. temperaturas.
Apesar das transformações químicas a que
O LEITO DE CARVÃO VEGETAL é submetido, o carvão tende a conservar a
geometria inicial da madeira que lhe deu origem, ou
E SUAS CARACTERÍSTICAS
seja, aproximadamente cilíndrico. Porém, com a
redução da resistência mecânica, o carvão se
fragmenta, em especial na região próxima ao piso • Radiação de calor entre as partículas do leito.
do forno, onde as peças ficam submetidas ao peso • Gás interno ao forno admitido em repouso.
de todo leito acima. Nessa região também há • Convecção e radiação de calor entre teto e
concentração de tiços (madeira semi carbonizada). paredes com o meio ambiente.
Para JUVILLAR (1980), peças de madeira • Partículas de carvão e gás intersticial admitidos
muito grandes e uma carbonização muito rápida a uma mesma temperatura.
favorecem a fragmentação do carvão pois • Idealização da geometria das partículas
favorecem a formação de trincas, tornando-o menos (cilíndricas, esféricas, quebradas e arranjo da
denso e mais frágil. Por sua vez, às velocidades fase sólida – carvão – e gasosa, alternadas e
mais altas de carbonização estão associados paralelas ao fluxo de calor).
maiores gradientes térmicos, que submetem a • Piso do forno sendo uma superfície adiabática.
madeira e o carvão a choques de temperatura • Temperaturas iniciais da malha estimadas por
capazes de gerar trincas que fragmentam as peças. medições feitas com termopares e de acordo
O leito de carvão, nos fornos retangulares com histórico de dados da empresa.
da V&M Florestal, possui baixa permeabilidade • Propriedades termofísicas dos materiais do
para a recirculação dos gases residuais da forno e carvão obtidas na literatura.
carbonização. Testes realizados através da tiragem • A radiação entre superfícies no interior do
forçada de gases no interior do leito comprovaram o forno desprezou as áreas da porta e fundo do
fato. Com isso a recirculação do gás é mais forno. As superfícies do leito, paredes e teto
relevante no espaço confinado entre o leito e o teto foram admitidas à temperatura média dos nós
do forno, apesar também de ser pouco intensa. que as formavam, a cada instante de tempo.
Em toda malha computacional aplicou-se a
MODELAGEM MATEMÁTICA equação geral (1) em cada nó. Entretanto,
A modelagem matemática do resfriamento dependendo da região do forno, alguns termos
do forno exigiu a adoção de simplificações. Estas tornam-se nulos. O termo “efetivo” (ef) utilizado
foram feitas em pontos distintos do forno, uma vez deve-se à natureza não homogênea dos materiais
que cada região apresentava particularidades a (presença de poros, mistura de materiais e
serem inclusas no modelo. As considerações gerais anisotropia na direção horizontal, x, e vertical, y).
feitas foram (não se aplica a todos os modelos): Na expressão (1) o termo III varia de acordo com o
• Abordagem bidimensional da difusão de calor local em que for aplicado e o termo IV só não é
em uma seção transversal do forno. nulo quando aplicado aos nós da malha da
• Radiação de calor entre a superfície do leito e superfície externa do forno. Seus termos são
as paredes e o teto. descritos conforme BEJAN (1984) em (2), (3) e (4).

∂  o ∂T  ∂  o ∂T  " ∂T
 k ef , x ⋅  +  k ef , y ⋅  + q + q"conv = ρ ef ⋅ c p,ef ⋅
∂y  rad
(1)
∂x  ∂x  ∂y  ∂t
I II III IV V

ρ ef = φ ⋅ ρ f + (1 − φ ) ⋅ ρ s (2) índice superior o, realça a condição de fluido


estagnado (equação (4)). Para o leito de carvão:
o
A expressão (2) define a densidade das k ef
α =
o
ef (4)
partículas do leito. O índice f refere-se à fase fluida ρ ef ⋅ c p ,ef
(gás intersticial) e s à fase sólida (carvão). Também
foi utilizada para a densidade de todo volume de
controle composto por dois materiais distintos. Em Para definir a condutividade térmica do
(2)  é a porosidade do leito. Na prática, representa leito foram analisados quatro modelos da literatura.
a fração percentual de cada fase que compõe o O modelo empírico de KRUPICZKA
volume de controle. O calor específico de um meio (1967), equação (5), destina-se a um leito de
bifásico foi expresso por (3). cilindros mas é aplicável também a um leito de
esferas. Leitos de cilindros e esferas dispostos
(ρ f ⋅φ ⋅ c p, f )+ [ρ s ⋅ (1 − φ ) ⋅ c p,s] homogeneamente possuem porosidade na faixa de
valores: 0.215 ≤ φ ≤ 0.476, respectivamente.
c p,ef = (3)
ρ ef
  
A1 +  B1 ⋅ log  k s  
k oef
 k s    kf 
=
No caso da condutividade térmica admitiu-
se que no leito de carvão os valores na direção x e y
kf kf  (5)
seriam os mesmos, sendo expressos por k oef . O
 
sendo: A1 = 0.280-[0.757log(φ )] e B1 = -0.057
KRUPICZKA (1967) sugere o modelo de para a condição de máxima condutividade térmica,
Damkhler, equação (6), para representar a radiação conforme equação (8).
de calor entre as partículas sugerindo somá-lo à
equação (5).
k oef   
= φ +  k s  ⋅ (1 − φ ) (8)
4 ⋅σ ⋅ ε ⋅ D p kf  k f  
kr = ⋅T 3 (6)
[2 − ε ]
Este modelo admite apenas a ocorrência de difusão
de calor entre as partículas.
O termo ε é a emissividade térmica das partículas
O quarto e último modelo simulado foi o
do leito e Dp o diâmetro característico de uma
proposto por BAUER e SCHL⇐NDER (1978),
partícula. Nesse estudo Dp = 6,3 cm. O termo σ é a
equação (9). O modelo contempla os efeitos da
constante de Stefan - Boltzmann.
pressão, radiação, formato das partículas e a
O segundo modelo testado foi o de
existência de uma superfície de contato com área
MARIVOET et al (1974), equação (7).
finita entre as partículas. Neste caso simulou-se o

(
k oef = k s ⋅ (1 − φ ) + β ⋅ k f ⋅φ ) (7)
leito como sendo composto por partículas esféricas
(Dp = 6,3 cm) com volume próximo ao de uma
partícula de carvão característica.
O termo β é um fator multiplicativo intensificador Para expressar a condutividade térmica
da condutividade térmica do gás. Ao fazer isso o equivalente na interface de dois meios, tais como a
modelo pretende simular o efeito da convecção interface leito/gás (acima do leito), leito/parede e
natural entre as partículas do leito. Este modelo não gás/parede ou teto usou-se a expressão proposta por
contempla o efeito da radiação entre as partículas. LEITE e MIRANDA (1990), equação (10). Esse
O terceiro modelo simulado foi o de modelo se baseia na definição de uma distância
finita à partir da interface no sentido de
Krischer e Krll, citado por HAHNE et al (1991),

  
   φ ⋅ k      δ ⋅ k s    
( φ
) ( )  k
o
k   + (1 − δ ) ⋅ 
= 1− 1−φ ⋅ +  ∗ r    +  1 − φ ⋅   
ef (9)
  k f   k f      k 
kf  (φ − 1) +    k f   f   
  ∗ 
  kf  
k  23 ⋅ ς 2
 ⋅ [(C1 ⋅ C 2 ) + C 3] e δ =
2
com = ( ς obtido experimentalmente). C1 , C 2 e C 3 :
k f  (N − M )
4
1 + 22 ⋅ ς 3
  ks kr  kf k s    k s k r   k f 
 B ⋅  + − 1 ⋅  ∗   +  ⋅  ∗ 
 kf kf  kf k f    k f k f   k f 
C1 =   , C 2 = ln   e
( N − M )2  kf    
  B ⋅ 1 +  ∗ − 1 ⋅  k s + k r  
    k f   k f k f  
 B − 1   k f   B + 1   k r k f       
C 3 = −  ⋅ ∗  +   ⋅   ⋅ ∗  − B ⋅ 1 +  k ∗f − 1 ⋅  k r   , sendo
  2⋅ B   k k    k 
 N − M  kf   f f    k f   f  
   k f  k s   k f    k ∗f    k s   ,
N − M = 1 +  k r −  B ∗   ⋅ ∗  −  B ⋅  − 1 ⋅ 1 +  k r 
  k f  k f  k f   k f 
   k f
  
   k f k f  
10

1 −φ  9
4 ⋅σ kf
⋅ f (ξ ) , k r =
1
B = C forma ⋅  
 φ  kf 2
ε
[( ) ]
−1 ⋅k f
⋅T 3 ⋅ X r e
kf
=
   l   2   
1 + 2 ⋅   ⋅   − 1 
   L   ϑ   
em que X r depende da forma da partícula.
cada meio. Neste estudo essa distância corresponde Na parede lateral (L = altura da parede):
à medida da interface até o centro de cada nó
adjacente à interface. Se os volumes de controle na
k
( )
h = 0,138 ⋅ ar ⋅ Gr 0,36 ⋅ Pr0,175 − 0,55 (14)
L
interface tiverem tamanhos diferentes, tais
distâncias são expressas por l1 e l2, sendo l = l1+l2. para 0,3 < Pr < 100 e 1010 ≤ Ra ≤ 1013
Os índices 1 e 2 indicam as fases (meios)
adjacentes. O índice xy indica se tratar de uma No teto (L = diâmetro da abóbada):
k 1
análise bidimensional.
h = 0,10 ⋅ ar ⋅ Ra 3 ,para Ra > 108 (15)
L
o l ⋅ k1 ⋅ k 2
k ef , xy = (l 1 ⋅ k 2 ) + (l 2 ⋅ k 1)
(10)
MODELAGEM NUMÉRICA
A técnica numérica utilizada para a
discretização das equações diferenciais foi o
Os termos III e IV da equação (1) são os
Método de Diferenças Finitas implícito (MDF),
últimos que requerem uma formulação para
com abordagem bidimensional transiente de todos
completar o modelo. O termo III, para a superfície
os fenômenos de troca de calor envolvidos. A
externa do forno, é expresso pela equação (11)
resolução do sistema de equações foi feita usando-
sugerida por INCROPERA e de WITT (1992), e
se o método iterativo de Gauss-Seidel. O
representa a troca de calor por radiação entre forno
comportamento incondicionalmente estável do
e meio ambiente, admitido a uma temperatura T:.
MDF assegurou uma rápida convergência dos
resultados. A escolha da dimensão de cada volume
q rad = ∫ q"rad dA e q rad = hr ⋅ A ⋅ (T ∞ − T ) (11) de controle do leito foi baseada no tamanho
sendo: h r = ε ⋅ σ ⋅ (T + T ∞ ) ⋅ T 2 + T ∞
2( ) característico de cada partícula de carvão. Pelas
característica físicas e construtivas do forno e pelo
tamanho dos volumes do leito foi definido o
Quando aplicado para as superfícies internas das tamanho dos volumes de controle da parede e teto.
paredes, teto e superfície superior do leito, o termo Para representar melhor a curvatura da abóbada do
III assume outro formato. Isso porque, dentro do teto a malha foi refinada para os nós acima do leito.
forno, a troca de calor entre essas três superfícies é As equações discretizadas tiveram uma
significativa. Levando-se em conta os fatores de formulação centrada no espaço e à frente no tempo.
forma (F) de cada superfície perante as outras duas No entanto, uma restrição do método foi a
a expressão (12) foi definida como: necessidade do conhecimento prévio das condições
iniciais em cada um dos nós da malha antes de se
N
(
q rad = ∑ Asup ⋅ Fi , j ⋅ σ ⋅ T i4 − T 4j = ) iniciarem os cálculos, o que representou, para o
problema analisado, o conhecimento das
j =1 temperaturas no instante inicial do resfriamento.
Ai ⋅ F i,1 ⋅ σ ⋅ (
T 14 − T i4 ) + Ai ⋅ F i,2 ⋅ σ ⋅ (T 42 − T i4 )(12) Na prática, essa questão foi solucionada
através da disposição dos termopares em diversos
pontos do forno, de maneira a estimar as
Para implementar esta expressão, a equação (12) foi
temperaturas em todos os nós. Tal estimativa foi
linearizada usando o coeficiente de troca radiativa
realizada levou em consideração tanto o histórico
hr com a inclusão dos respectivos fatores de forma.
de dados da V&M Florestal quanto os valores
Por fim, o termo IV, para a convecção
medidos durante o experimento, além de
entre as paredes e teto com o meio ambiente
interpolações nos nós próximos aos termopares.
utilizou-se as equações (13), (14) e (15), conforme
O regime transiente foi simulado com
FRANÇA (1984). Essa abordagem permitiu avaliar
incrementos de tempo de 60 segundos. O processo
o efeito da velocidade do vento.
real durou 221 horas, sendo necessárias 13260
iterações cada vez que algum modelo foi simulado.
q conv = ∫ q"convdA e q conv = h∗ ⋅ A ⋅ (T∞ − T ) (13) A malha computacional foi construída
sendo: h∗ = h ⋅ [1 + (2,237 ⋅ f ⋅ Var )] com f igual a:
aproveitando a simetria lateral que o forno
apresenta. No total foram 4747 nós (101 na direção
y – vertical - e 47 na direção x - horizontal).
f = 0,229 para ∆T = 8,33 oC A malha admitiu a existência de tiços na
f = 0,200 para ∆T = 13,89 oC região central próxima ao piso do forno. Admitiu-se
f = 0,171 para ∆T = 27,78 oC que os volumes de controle seriam da mesma
f = 0,150 para ∆T = 55,56 oC dimensão dos demais volumes do leito. As
f = 0,121 para ∆T = 111,11 oC propriedades termofísicas aplicadas aos nós na
região dos tiços foram interpoladas entre os valores
∆T = diferença de temperatura entre a superfície para o carvão e para a madeira. A Figura 1 mostra a
externa do teto ou da parede e o ar.
malha computacional utilizada.
O resfriamento natural durou cerca de
nove dias, até que o leito atingisse uma temperatura
de 60oC na sua região central. A temperatura
Figura 3.10 - Malha computacional utilizada

T
ambiente também foi monitorada, oscilando entre

8
11oC<Tamb<40oC. Para evitar infiltração de ar
vedou-se o forno com um material argiloso.
A madeira enfornada foi o Eucalyptus
grandis, com idade média de 72 meses (6 anos). As
toras tinham comprimento médio de 1,8m, com
classe de diâmetro predominante entre 10 e 12cm,
sendo o valor de 11,5cm uma estimativa média
compreendida na faixa, conforme dados de
GÁS mensuração florestal da V&M Florestal.
Devido à forte redução do volume aparente
do leito de madeira durante a carbonização (≈46%),
admitiu-se que o carvão apresentava um diâmetro
característico médio de 6,3cm (≈54% do diâmetro
original das toras de madeira).
Os fornos retangulares são feitos de tijolos
CARVÃO
vermelhos, ligados por uma massa de consistência
semelhante ao cimento, feita à base de terra e
alcatrão. As dimensões principais do forno são:
16,4m x 4,5m x 3,65m (altura até a abóbada),
TIÇO
espessura da parede = 37,4cm, espessura do teto =
23,6cm, volume interno = 190 estéreos (St), sendo
1 St equivalente a 1m3 de madeira empilhada.
Aproveitando-se da simetria lateral do
Figura 1 – Malha computacional utilizada. forno os termopares foram instalados apenas em
uma metade da seção transversal de estudo, em
alturas diversas, sendo os dados armazenados em
ABORDAGEM EXPERIMENTAL uma placa de aquisição de dados em intervalos de 4
Os dados experimentais deste trabalho minutos, até o sexto dia de resfriamento. A Figura 3
foram obtidos de um forno de carbonização mostra a posição de cada termopar.
retangular em escala real (190m3) transcorreu
durante o período de 29/06/1999 a 19/07/1999,
totalizando cerca de vinte dias. Esse período incluiu
a fase de carregamento, carbonização, resfriamento
e descarregamento. Durante a carbonização e
resfriamento não houve chuvas na região dos fornos
e a carbonização foi conduzida recuperando-se o
alcatrão expelido na fumaça. A Figura 2 mostra o
forno retangular utilizado.

Figura 3 – Seção transversal do forno com termopares.

Figura 2 – Forno retangular utilizado na V&M Florestal. RESULTADO DA CARBONIZAÇÃO


Foram enfornados 54320 kg de madeira,
gerando um leito de carvão com 1,4m de altura com
um volume aparente de 102,9m3. Em pontos
isolados do leito houve consumo do próprio carvão,
gerando regiões com vazios. O volume total Temperatura x Tempo
TERMOPAR 5
aproximado desses vazios foi de 9,9m3. Nessas
600
regiões, a temperatura atingida foi muito elevada
(>700oC). Algumas regiões, porém, nem sequer 500

atingiram uma temperatura suficiente para


400
carbonizar a madeira. O resultado foi a geração de

temperatura (Celsius)
Dados experimentais

uma massa de tiço de 3555kg. O tiço retirado 300


Krischer e Kroll (Máx.)
Marivoet et alii (B = 150)

totalizou um volume aparente de 12,97m3, Krupiczka + Damkohler


Bauer e Schlunder

resultando num volume aparente de 274,1kg/m3. 200

Logo, o volume apenas de carvão foi de 80,08m3. 100

Já o carvão de eucalyptus grandis possui densidade


aparente de 230kg/m3 e à granel de 350kg/m3. A 0
0 50 100 150 200 250

massa de carvão foi de 18418,4kg, garantindo ao tempo (horas)

leito uma porosidade média de 34,3%. O


Figura 5 – Curvas de resfriamento do termopar 5.
rendimento em massa (gravimétrico) foi de 33,91%. A curva de resfriamento dos termopares 3
e 6, localizados no gás logo acima do leito, mostrou
RESULTADO DA SIMULAÇÃO que o modelo de BAUER e SCHL⇐NDER (1978)
A condição de difusão pura no leito, apresentou o melhor ajuste. Isso indicou que essa
simulada pelo modelo de Krischer e Krll, não se região ainda se mostrava sob forte influência do
ajustou às medições. O modelo equivale ao de leito logo abaixo, de forma que os efeitos da
MARIVOET et al (1974) com ⇓=1. Este, por sua recirculação dos gases não foram suficientes para
vez, só obteve um ajuste aceitável com ⇓=150, prejudicar o ajuste dos dados experimentais com os
extrapolando sua ordem de grandeza usual. O do modelo. As Figuras 6 e 7 mostram esse
motivo foi a radiação, não contemplada pelo resultados.
modelo. Ela foi mais significativa no início do
resfriamento, com as temperaturas ainda elevadas. Temperatura x Tempo
TERMOPAR 3
Em partículas de grandes dimensões (da ordem de
centímetros) seu efeito torna-se mais relevante. 800

Os modelos de BAUER e SCHL⇐NDER 700

(1978) e de KRUPICZKA (1967), com a extensão 600

de Damkhler, apresentaram um bom ajuste. As


temperatura (Celsius)

500
Dados experimentais

Figuras 4 e 5 mostram os resultados da simulação 400


Krischer e Kroll (Máx.)
Marivoet et alii (B = 150)
Krupiczka + Damkohler
comparados às medições dos termopares 2 e 5. 300
Bauer e Schlunder

200
Temperatura x Tempo
TERMOPAR 2 100

700
0
0 50 100 150 200 250
tempo (horas)
600

500
Figura 6 – Curvas de resfriamento do termopar 3.
temperatura (Celsius)

Dados experimentais
400
Krischer e Kroll (Máx.)
Marivoet et alii (B = 150)
Krupiczka + Damkohler
300
Bauer e Schlunder Temperatura x Tempo
TERMOPAR 6
200
800

100
700

0 600
0 50 100 150 200 250
tempo (horas)
temperatura (Celsius)

500
Dados experimentais
Krischer e Kroll (Máx.)
Figura 4 – Curvas de resfriamento do termopar 2. 400 Marivoet et alii (B = 150)
Krupiczka + Damkohler
Bauer e Schlunder
300

200

100

0
0 50 100 150 200 250
tempo (horas)

Figura 7 – Curvas de resfriamento do termopar 6.


Já os termopares 8, 9 e 10, conforme
Figuras 8, 9 e 10, por estarem mais afastados As curvas dos modelos para os termopares
do 11 e 12 (Figuras 11 e 12) localizados na parede e
teto, respectivamente, ajustaram-se bem às
Temperatura x Tempo
medições.
TERMOPAR 8

800

700 Temperatura x Tempo


TERMOPAR 11

600
450
temperatura (Celsius)

500 400
Dados experimentais
Krischer e Kroll (Máx.)
350
400 Marivoet et alii (B = 150)
Krupiczka + Damkohler
Bauer e Schlunder 300

temperatura (Celsius)
300
Dados experimentais
250 Krischer e Kroll (Máx.)
200 Marivoet et alii (B = 150)
200 Krupiczka + Damkohler
Bauer e Schlunder
100
150

0 100
0 50 100 150 200 250
tempo (horas) 50

Figura 8 – Curvas de resfriamento do termopar 8. 0 50 100


tempo (horas)
150 200 250

leito e mais próximos do teto e parede, que se Figura 11 – Curvas de resfriamento do termopar 11.
resfriam mais rapido, apresentaram curvas de
resfriamento mais acentuadas no início do processo. Temperatura x Tempo
Nessa fase, nenhum modelo conseguiu captar o TERMOPAR 12

declínio mais acentuado na temperatura do gás. 600

Uma explicação seria o efeito da convecção natural 500

acima do leito não considerada por nenhum


modelo. 400
temperatura (Celsius)

Dados experimentais
Krischer e Kroll (Máx.)
300 Marivoet et alii (B = 150)
Krupiczka + Damkohler
Temperatura x Tempo Bauer e Schlunder
TERMOPAR 9
200

700

100
600

0
500 0 50 100 150 200 250
tempo (horas)
temperatura (Celsius)

Dados experimentais
400
Krischer e Kroll (Máx.)
Marivoet et alii (B = 150)

300
Krupiczka + Damkohler
Bauer e Schlunder
Figura 12 – Curvas de resfriamento do termopar 12.
200

100
Como pode ser observado nas Figuras 11 e 12,
0
0 50 100 150 200 250
nesses locais, com pouca participação direta da
tempo (horas)
radiação, os efeitos difusivos prevalecem,
permitindo um bom ajuste até mesmo para o
Figura 9 – Curvas de resfriamento do termopar 9. modelo de Krischer e Krll.
Por ter sido obtido um bom ajuste de dados
Temperatura x Tempo
TERMOPAR 10 com o modelo de BAUER e SCHL⇐NDER (1978)
700 foram realizadas simulações de outras situações
operacionais. As Figuras 13 e 14 mostram o efeito
600
da redução da espessura das paredes laterais.
500
temperatura (Celsius)

Dados experimentais
400
Krischer e Kroll (Máx.)
Marivoet et alii (B = 150)
Krupiczka + Damkohler
300
Bauer e Schlunder

200

100

0
0 50 100 150 200 250
tempo (horas)

Figura 10 – Curvas de resfriamento do termopar 10.


Temperatura x Tempo Temperatura x Tempo
TERMOPAR 2 TERMOPAR 5

700 600

600
500
Bauer e Schlunder Bauer e Schlunder
500
400

temperatura (Celsius)
temperatura (Celsius)

400
Dados experimentais Dados experimentais
Condição normal 300 Condição normal
T = 60 C Parede c/ menor espessura Teto c/ menor espessura
300 t = 140 horas T = 60 C
t = 200 horas
200
200

100
100

0 0
0 50 100 150 200 250 0 50 100 150 200 250
tempo (horas)
tempo (horas)

Figura 16 – Efeito da redução da espessura do teto.


Figura 13 – Efeito da redução da espessura das paredes.

A redução da espessura do teto de 23,6cm para


Temperatura x Tempo 12,6cm não se converteu numa redução de tempo
TERMOPAR 5
de resfriamento significativa.
600
A última condição operacional simulada
500 foi o efeito da variação da velocidade do vento
Bauer e Schlunder
externo ao forno em relação ao tempo total de
400
resfriamento. Simulou-se o resfriamento com
temperatura (Celsius)

300
Dados experimentais
Condição normal
velocidades do ar de 1, 5 e 10 m/s. As Figuras 17 e
Parede c/ menor espessura

T = 60 C
18 mostram os resultados obtidos.
200 t = 180 horas T = 60 C
t = 220 horas

Temperatura x Tempo
100 TERMOPAR 2

700
0
0 50 100 150 200 250
tempo (horas) 600
Bauer e Schlunder
500
Figura 14 – Efeito da redução da espessura das paredes.
temperatura (Celsius)

400 Dados experimentais


Velocidade do ar = 1 m/s
Sentido em que cada curva
Os resultados mostraram que a redução na 300
está associada a velocidades
do ar mais elevadas
Velocidade do ar = 5 m/s
Velocidade do ar = 10 m/s

espessura da parede poderia representar um ganho


200
de tempo de resfriamento entre 40 e 60 horas, ou
seja, entre 18 e 27% do tempo total. 100

Outro efeito simulado foi a redução da 0

espessura do teto em relação ao tempo total de 0 50 100


tempo (horas)
150 200 250

resfriamento, conforme mostram as Figuras 15 e


16. Figura 17 – Efeito da velocidade do vento externo ao forno.
Temperatura x Tempo
TERMOPAR 5

Temperatura x Tempo 600


TERMOPAR 2

700
500
Bauer e Schlunder
600
Bauer e Schlunder 400
temperatura (Celsius)

500 Dados experimentais


Sentido em que cada curva Velocidade do ar = 1 m/s
temperatura (Celsius)

300
está associada a Velocidade do ar = 5 m/s
400 velocidades do ar mais
Velocidade do ar = 10 m/s
Dados experimentais elevadas
Condição normal
200
Teto c/ menor espessura
300

100
200

100 0
0 50 100 150 200 250
tempo (horas)
0
0 50 100 150 200 250
tempo (horas)

Figura 18 – Efeito da velocidade do vento externo ao forno.


Figura 15 – Efeito da redução da espessura do teto.

O efeito do vento foi pouco significativo na redução


do tempo de resfriamento. No caso em estudo,
admitiu-se que a condição normal de resfriamento
natural ocorria com vento de 1 m/s. As demais
situações, velocidades de 5 m/s e 10 m/s, foram KRUPICZKA (1967) +
condições impostas na simulação. 5:20
Damkhler
De todas as simulações feitas, desde a BAUER e SCHL⇐NDER
condição de resfriamento natural com os fornos na 18:11
(1978)
condição normal de operação até a consideração do
efeito da variação da velocidade do vento, apenas o
termopar 4 apresentou resultados divergentes para CONCLUSÕES
todos os modelos. Essa diferença de resultados foi Todos esses resultados, coletados e
observada na simulação da condição normal de simulados por CAMPOS (2000), revelaram:
resfriamento e está apresentada na Figura 19. 1 – É importante o uso de um número maior de
termopares nas regiões de maior gradiente térmico
para que a estimativa inicial de temperaturas seja
Temperatura x Tempo mais precisa e exija o mínimo de interpolações.
TERMOPAR 4
2 – A abordagem do estudo usando-se uma seção
800
transversal do forno mostrou-se eficiente.
700
3 – A condição de fluido estagnado foi considerada
600
uma simplificação coerente e aplicável.
4 – O modelo de BAUER e SCHL⇐NDER (1978)
temperatura (Celsius)

500
Dados experimentais

400
Krischer e Kroll (Máx.)
Marivoet et alii (B = 150) obteve melhor ajuste e foi o mais conservativo na
Krupiczka + Damkohler

300
Bauer e Schlunder determinação do momento apropriado para abertura
200
da porta do forno. O modelo de KRUPICZKA
(1967) + Damkhler foi considerado satisfatório e
100
recomendada para uso quando o tempo de
0
0 50 100 150 200 250 simulação for uma condição relevante.
tempo (horas)
5 – Os modelos de Krischer e Krll e de
MARIVOET et al (1974) não são indicados.
Figura 19 – Divergência de resultados do termopar 4 na
condição normal de resfriamento natural para todos 6 – O efeito da radiação de calor entre as partículas
os modelos . e dentro do forno foram bastante significativos.
7 – A redução da espessura da parede resultou em
Há alguns motivos que podem explicar ganhos significativos de tempo, ao contrário do
esse comportamento. Um deles seria a incerteza na verificado com a redução da espessura do teto.
estimativa dos valores das temperaturas no instante 8 – O efeito do vento foi pouco significativo.
inicial do resfriamento nos pontos próximos a esse
termopar. Essas temperaturas na vizinhança do PALAVRAS CHAVES
termopar foram obtidas por interpolação e com base Carvão vegetal, resfriamento, forno, leito poroso.
em medições anteriores da V&M Florestal. Outro
motivo seria a proximadade do termopar à região AGRADECIMENTOS
do leito com acúmulo de tiço. Nessa região o O segundo autor agradece ao CNPq, pela
gradiente de temperatura é mais elevado devido às bolsa de mestrado junto à UFMG e à V&M
temperaturas no tiço serem significativamente mais Florestal, pelos dados e uso de suas instalações.
baixas que nas regiões apenas com carvão.
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TEMPOS COMPUTACIONAIS utilização da biomassa florestal, a madeira e o
Os modelos apresentaram tempos de carvão vegetal na matriz energética brasileira.
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intrínseca a cada um. A simulação foi feita em um
forno de cúpula metálica móvel. Viçosa: UFV,
microcomputador K6 II/450 MHz, com 64 Mbytes
de memória RAM. A Tabela 2 mostra o tempo de DEF, 1994. 41p. (Mestrado).
simulação que cada modelo demandou. [3] TRUGILHO, P.F. Influência do tempo de
funcionamento da câmara de combustão no
rendimento da carbonização em forno de
Tabela 2 – Tempo de simulação de cada modelo. alvenaria.Viçosa:UFV,DEF,1988.58p,(Mestrado)
[4] CETEC. Manual de construção e operação de
TEMPO
fornos de carbonização. Belo Horizonte, 1982,55 p.
MODELO COMPUTACIONAL
(horas:minutos) [5] SANTOS, R.W.C. dos. Desenvolvimento de
um forno para carbonização de madeira na
Krischer e Krll 2:56
ACESITA. In: ENCONTRO TÉCNICO
MARIVOET et al (1974) 2:56 FLORESTAL, V, 1991. Belo Horizonte. Anais.
Belo Horizonte, ABRACAVE, 1991. p. 107-116.
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energia, Belém: SUDAM, 1971, p. 1-24. (Relatório
Técnico – Convênio SUDAM – C.T.F.T./França).
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fabricação de carvão vegetal e aproveitamento
do coco de babaçu. In: Masuda, H. (Org.). Carvão
e coque aplicados à metalurgia. São Paulo:
ABM,1980.v.1,p.97-135.
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York, John Wiley & Sons (Wiley-Interscience
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conductivity in granular materials. A.I.Ch.E.
Journal,v.7, n.1, p. 122-144,1967.
[10] MARIVOET,J., TEODOROIU,P. e WAJC,
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Science, v. 29, n. 8, p. 1836-1840, 1974.
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Measurements of thermal conductivity in porous
media. In: Kakaç, S., Kilkis, B., Kulacki, F.A. e
Arinç, F. (Ed.). Convective heat and mass transfer
in porous media. The Netherlands: Kluwer
Academic Publishers, 1991. v. 196, p. 849-865.
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flow. Part II. Thermal conductivity of the
packing fraction without gas flow. International
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thermal diffusivity measurements. In:III ENCIT,
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Fundamentos de transferência de calor e de massa.
Rio de Janeiro, LTC Editora S.A., 1992. 455 p.
[15] FRANÇA, G.A.C., Modelagem de
isolamento térmico econômico de tanque
contendo líquidos aquecidos. Belo Horizonte:
UFMG, DEMEC, 1984. 70p. (Mestrado).
[16] CAMPOS, M.B., Modelagem matemática
com validação experimental do resfriamento de
leito de carvão vegetal em forno retangular
industrial. Belo Horizonte: UFMG, DEMEC,
2000, 116p.(Mestrado).