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PESSOA JURÍDICA ( PJ):

​ ntidades constituídas pela reunião de pessoas naturais, ou patrimônios, com


- Conceito: E
determinado objetivo ou finalidade previsto em seu ato constitutivo.
a​ -) Associação
Pessoas
b-) Sociedade

a-) Associação: ​Beneméritas, isto é, favorecem terceiros sem finalidades lucrativas, isso não
as impedem de lucrar. As mesmas podem ter finalidades: educacionais, esportivas, sociais e
etc. ( APAE)
b-) Sociedade: ​Possui uma finalidade lucrativa, ninguém monta uma sociedade sem o
objetivo de obter lucro. As sociedades físicas estão perdendo, cada vez mais, espaço para as
sociedades online.
DOAÇÕES
BENS FUNDAÇÕES
TESTAMENTO

- ​Fundação​: como próprio esquema retrata acima, uma fundação não é constituída por
pessoas e sim por bens, NECESSITA POSSUIR UMA FINALIDADE SOCIAL. Essa pessoa
jurídica se mantém através de doações. ( Médico sem Fronteiras, FGV e etc.)
PATRIMÔNIO + FINALIDADE= FUNDAÇÃO
Obs :A polêmica envolvendo fundações é a respeito de como elas podem servir como
mecanismo para lavagem de dinheiro, já que, o dinheiro doado a uma finalidade social
não pode ser questionado quanto a sua origem.
Obs 2: Quando acaba o objeto que dava finalidade a fundação, o que acontece? R: O
patrimônio dessa fundação é destinado a fundações com objetos e finalidades
semelhantes, ou seja, o dinheiro NUNCA é “pego de volta”.
II-) Requisitos de formação:
- Vontade humana: ​Logicamente é necessário que se tenha, por parte do fundador, uma
vontade expressa.
- ​Observância dos requisitos legais: ​Não se pode formar uma sociedade civil sem registro,
sendo que para as fundações-seja para constituí ou extingui uma- é necessário consultar um
promotor do MP.
- Licitude do objeto: ​Obviamente não se pode abrir uma prestadora de serviços de uma
prática ilegal.
- ​Finalidade: ​Vendedora de bens? Prestadora de serviços?.

III) Quanto à estrutura:


- ​Universitas Pensanarum​ = ​Associações e Sociedades
- ​Universitas​ ​Bonorum= ​Fundação
IV) Quanto à nacionalidade:
- Nacionais;
- Estrangeiras; Externa
V-) Quanto à função: a-) Pessoa Jurídica de Direito Público Interna
- Externa: ​A constituição é o contrato base, social da pessoa jurídica do Estado.

b-) Interno

b-) Pessoa Jurídica de Direito Privado

OS BENS:
I) Conceito:
- O objeto do direito são as ​coisas ​ou ​os bens​. Alguns autores afirmam que os bens se
distinguem das coisas pois, não necessariamente, o primeiro possui um valor econômico
atribuído a ele. ( Ex: fotos e o seu valor sentimental ao dono)
- Alguns colocam bens como gênero e coisa como espécie.
- Segundo o diagrama de venn elaborado por Flávio Tartuce:
- Coisas= Tudo aquilo que não é humano.
- Bens= Coisas com o interesse econômico e/ou jurídico.

- Patrimônio​: vale ressaltar que o patrimônio se difere dessas classificações, já que o


mesmo, ​é a representação econômica da pessoa ( quanto aos créditos, débitos, dívidas ​e
aplicações). Porém NÃO SE TRATA, necessariamente, de um conjunto de bens corpóreos
dado que o patrimônio pode estar em: investimentos, ​bitcoins,​ startups.
Obs: O direito brasileiro não entende o ​bitcoin como uma moeda, pois não há um “lastro”
presente nela.

II) Classificação de Bens:


1) Bens considerados em si mesmos​:
a-) Móveis: ​bens que podem ser deslocados de um lugar ao outro sem que perca sua essência.
( cadeira, mesa, computador, etc.)
Obs: seres sencientes ( animais sensíveis mas sem consciência)
Imóveis:​ exatamente o oposto. ( casa, apartamento , terreno)
b-​) ​Fungíveis: ​podem ser substituídos facilmente, ou seja, não é um bem individualizado. (
Ex:​ água, refrigerante, comida e etc)
Infungíveis: ​são bens que não podem ser trocados tão facilmente devido a sua
individualização, como por exemplo, o chassi do carro ou o número de série de um
notebook, livros autografados.
c-​) ​Consumíveis: ​são aqueles que com o tempo e uso, tendem a desaparecer. ( comida,
gasolina, bebida, remédio)
Não Consumíveis: não será o uso dele que acarretará sua diminuição ou desaparecimento.
( casa, carro, roupas)
d-​) ​Divisíveis: ​bens que podem ser divididos ( bolo, pizza e outras comidas)
Indivisíveis​: não existe a possibilidade de ter mais de um titular ( cadeira, casa ou
apartamento). São bens que todos devem usufruir de maneira igual.
e​-) ​Singulares: ​mochila, ​livro​, celular
Coletivos​: Segundo Tartuce : “ São bens que se encontram agregados em um todo, sendo
constituídos por vários bens singulares” (biblioteca, discoteca, conjunto de gado,
coméias.)

2​-) Bens Reciprocamente Considerados:​ um bem em relação ao outro.


- Principal: são bens que existem de maneira autônoma e independente, de forma concreta
ou abstrata ( art 92,CC). Exercem função ou finalidade não dependente de qualquer
outro objeto.
- ​Acessório​( ou dependentes​): são bens cuja existência e finalidade dependem de outro bem,
sendo esse o bem principal.
Frutos: ​geralmente não destroem o bem.
Produto: ​bens minerais finitos
Benfeitoria: ​trata-se de um acréscimo feito na coisa
Rendimento: ​produção continuativa ( aplicação)
Necessária ( conservação)
Obs: Formas de benfeitoria Úteis ( aprimoram, valorizam)
Voluptuárias ( são para embelezar)
3-) Bens em relação ao titular do domínio:

-Públicos: ​são os que pertencem a uma ​entidade do direito público interno​, ou seja, à união,
Estados, Distrito Federal, Municípios, entre outros ( vide art 98, CC).

- Particulares:
São os bens
que pertencem
a pessoa física ou jurídica do Direito
Privado, ou seja, ​bens que atendem​ exclusivamente aos interesses de seus proprietários​.

III) Aprofundamento na Classificação dos Bens:


a-) Bens Considerados em si mesmos (​ art 79-91)

a.1) móveis
a.2) sencientes : trata-se ainda de um projeto de lei para retirar os animais da categoria de
semoventes para que os mesmo tenham direitos e proteção jurídica e não sejam apenas
tratados como propriedade.

a.3) ​imóveis

b-) Bens Fungíveis: ​são aqueles que podem ser substituídos por outros da mesma
espécie, qualidade ou quantidade.
b.1) ​Infungíveis: ​são bens insubstituíveis, aquele bem que de alguma forma é
especificado ( celular, computador, carro etc)​, ​até mesmo um bem fungível, pode se tornar
um bem ​infungível ​por apresentar uma característica que o torne único ( autógrafo em um
livro).

c-) Bens consumíveis: LER CARLOS R. GONÇALVES


c.1) Inconsumível​:​ seu uso não implica em alteração das qualidades do bem​, na realidade
todo bem possui sua durabilidade, ou seja, no sentido jurídico ​bem consumível é apenas o que
desaparece com primeiro uso​. (​inconsumíveis:​ livros, roupas, eletrônicos)
c.2) Durabilidade: ​Como dito acima, cada bem- mesmo que inconsumível- possui sua
durabilidade, entretanto, existe um fato que está vindo à tona na sociedade pós moderna e
consumista na qual vivemos: ​“ a obsolescência programada”, ​trata-se de um prazo de
validade estabelecido pelos fabricantes aos bens ditos “​inconsumíveis”. ( celulares e suas
atualizações).

d-) Bens: Divisíveis e Indivisíveis


d.1) Divisíveis: ​quando o bem pode ser dividido em partes iguais, sem que o mesmo perca a
sua essência ( ex: pizza).
d.2) Indivisíveis:
- Por determinação legal
- Por convenção​: por convenção das partes, isto é, quando ambas as parte concordarem em
tornar um bem- muitas vezes móvel- em imóvel. Com isso, é possível vender tudo ou nada.
- Por sua própria natureza: bem imóvel, é necessário que o imóvel seja vendido para que
ele seja partilhado.

e-) Bens: singulares e coletivos


e.1) Singulares: são coisas consideradas em sua individualidade, podendo ser tanto simples (
livro) como compostos ( carro), já que o fato do bem ser composto não impede, que o
mesmo, seja singular.
e.2) Coletivos: ​São bens agregados como um todo, sendo assim compostos por diversos bens
singulares ( biblioteca).
IV) Dos Bens Reciprocamente Considerados ( art 92-97):

a-) Principal: O bem que possui autonomia estrutural, isto é, existe sobre si, abstrata ou
concretamente.

b-) Acessório: ​Já o bem acessório ​existe devido a existência do principal​, por isso existe a
regra geral.

R.G= ​“ O acessório segue o principal!”

- Por isso, quando se vende um carro, se houver bens acessórios, é necessário


discrimina-los no preço ao vender o mesmo. Caso o contrário, ​o bem acessório seguirá o
principal!​, o vendedor deve vender tudo.

b.1) São bens acessórios:

- Frutos: ​Espécie de bens que são de utilidades que a coisa principal periodicamente produz,
cuja percepção ( aproveitamento) não diminui a sua substância.

Quanto à ligação:
- Percebidos ( colhidos): ​São aqueles já destacados do bem principal.
- Pendentes: ​São aqueles que ainda estão “presos” ao bem principal, ainda não foram
colhidos.
-​Percipiendos: ​São os frutos “ perdidos” que não foram colhidos a tempo.
-​ Estantes: ​Aqueles que foram colhidos e já armazenados
- ​Consumidos:​ São os que não mais existem, aqueles já vendidos.

b.2) Produtos: ​É extraído da coisa principal e consequentemente diminui a substância do


mesmo.
b.3) Rendimentos: ​São frutos civis, isto é, ​utilidades que a coisa periodicamente produz
possibilitando um aproveitamento de renda. (ex: aluguel, ações)
b.4) Pertenças: ​São as coisas acessórias destinadas a conservar ou facilitar o uso dos
principais, mas que não integram o bem principal.
Ex: Máquinas em um fábrica, trator como aluguel.
b.5) Benfeitorias: Trata-se de uma obra realizada pelo homem na estrutura da bem principal
com o intuito de: ​conservá-la, melhorá-la ou embelezá-la. Acréscimos feito a coisa.
Necessária ( conservação)
Obs: Formas de benfeitoria Úteis ( aprimoram, valorizam)
Voluptuárias ( são para embelezar)
- ​As benfeitorias necessárias serão SEMPRE ​indenizadas e não ​necessitam de autorização
do locatário.
- As benfeitorias ​voluptuárias NUNCA serão indenizadas e necessitam de autorização prévia
do proprietário.
- As benfeitorias ​úteis dependem sempre de uma autorização e um contrato para saber se a
benfeitorias será indenizada ou não.
- IMPORTANTE​: Ao decorrer do tempo e das mudanças promovidas pela a sociedade,
determinadas benfeitorias voluptuárias podem se tornar úteis, e as úteis podem se tornar
necessárias. ​Sempre ter em vista a situação do imóvel.
Exemplos: ​em 1980, uma garagem era considerada um benfeitoria útil
- Pintura: está nas 3 categorias: ​conservação ( necessária), pintura diferenciada ( úteis),
quando não há necessidade de pintura ( voluptuárias)
- Retenção de Benfeitoria: não é necessário pagar o aluguel por que a outra parte não
cumpriu o contrato.
b.6) Segundo Flávio Tartuce: ​A diferença entre benfeitorias é que as primeiras são
introduzidas por quem não é proprietário, enquanto as últimas por aquele que tem domínio.
V) Bens em relação ao titular do domínio:

- Públicos:

VI) Bens fora do comércio: ​são aqueles que possuem um valor sentimental, impossibilitando
que o dono daquele bem atribua qualquer valor comercial ao objeto.
a-) Bens não apropriáveis: ​são os bens dos quais a pessoa não pode tomar posse​, no Estado
brasileiro o comércio é vedado pelo diploma jurídico, podendo até configurar ​crime​, por isso
qualquer contrato, originado desse acordo, ​não é válido juridicamente.
São exemplos de bens fora do comércio: ​estrelas, terrenos no céu, criptomoedas (​bitcoin)
devido à falta de lastro)
b-) Cláusulas ( restringem, mas não impedem a comercialização):
- inalienabilidade: ​impede que a pessoa possa vender o bem, podendo apenas usar ou alugar,
pressupõe, hoje, apenas a ​primeira geração.
- ​impenhorabilidade: ​impede a pessoa de dar o bem como ​garantia de pagamento de
dívida​, entretanto essa cláusula não afeta a comercialização desse bem.
-incomunicabilidade: ​impede a comercialização do bem, assim como, impede que o mesmo
e​ntre em partilha para o cônjuge, ​mantendo o bem ​“dentro” da família.
V-) Bem de Família:
O ​bem de família é uma garantia de moradia mínima para à família da pessoa, possibilitando
a manutenção das estruturas famílias e a dignidade humana.
a-)Modalidades:
I- Voluntário ( Art 1712, CC, Direito de Família): ​O indivíduo que possui 4 a 5
imóveis, deverá escolher um para ceder como bem de família, caso isso não
ocorra, o bem mais barato será cedido
II- Legal ( Lei 8009/90): ​Procura garantir para as pessoas o ​mínimo existencial,
uma proteção mínima para garantir a ​manutenção​ da mesma.
III- Exceções: ​Não se pode alegar bem de família:
a-) ​Se o bem que receber essa tentativa de proteção for aquele que possui ​dívida.
b-) ​Se a pessoa estiver devendo ​pensão alimentícia, ​sendo uma dívida que não se estende
ao cônjuge- isto é de caráter pessoal.
c-) ​Se a pessoa estiver devendo o ​IPTU ou não estiver arcando com as despesas para
manutenção ou conservação do bem​, perdendo o bem nesse caso.
d-) ​A pessoa que alega bem de família ​para o bem hipotecado ou dado como garantia de
empréstimo.
e-) ​Bem ​produto de​, ou usado para, ​crime. ( perdimento)
f-) “​ ​por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.”
- ​Ou seja, nas palavras de Pablo Stolze, “​se o fiador for demandado pelo locador,
visando à cobrança de alguns aluguéis atrasado, poderá seu único imóvel
residencial ser executado, para a satisfação do débito do inquilino”
g-) ​“ Para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devias em
função do imóvel”
b-) Impenhorabilidade do imóvel de solteiro: ​não podem ser cedidos para pagamento de
dívidas.

-​ NEGÓCIO JURÍDICO: ​vínculo jurídico.


I) Conceito: ​são os fatos relevantes para o direito, com isso, ​todo fato, ​para ser considerado
jurídico, ​precisa passar por ​um juízo de valoração, c​ om isso, pode-se atribuir a
​ utável,​ já que os juízos de valoração mudam de tempos e tempos.
característica de m
​ reservação de espécies, queimadas, alagamentos
Exemplos: P
II) Fatos Jurídicos:
a-) Fatos naturais/ Fatos jurídicos em strictu sensu: ​São os fenômenos da natureza, podendo
ser classificados como ​ordinários ou extraordinários.
a.1) Ordinários: ​são fatos jurídicos ,d​ e ocorrência comum e p​ revisível , g​ erando e​ feitos
jurídicos (​ nascimento, morte, idade). São manifestações da natureza.

a.2) Extraordinários: ​São eventos da natureza de f​ orça maior (inevitáveis) ou c​ aso fortuito
( imprevisíveis).​ ​Os casos fortuitos podem ser ​internos ou externos.​
- externos: isenta da responsabilidade civil, a entidade não poderá ser cobrada já que o fato
jurídico não ocorreu por sua responsabilidade.

- internos: o​ brigam a instituição a assumir ​responsabilidade civil. Ex: ô​ nibus com a


manutenção mal feita e para de funcionar, a responsabilidade da empresa era manter o
ônibus em bom estado.
b-) Fatos Humanos:
Atos jurídicos “lato sensu” decorrem da atividade humana ( criação, modificação,
transferência ou extinção de direitos).
b.1) Atos lícitos: ​São os atos não vedados pelo ordenamento jurídicos
1) Ato meramente lícito: é​ o efeito da manifestação de vontade, já está predeterminada na
lei, ou seja, são atos simples que tem, como objetivo, evitar a prática de um ato ilícito:
- Contrato de Adesão;
- Spotify: autorização cadastral ;
- Notificação de divida ou vencimento de boleto;

2-) Negócio Jurídico:


“ ​Negócio Jurídico é aquela espécie de a​ to jurídico q​ ue além de se originar de um ​ato de
vontade, i​ mplica a declaração expressa da vontade instauradora de ​uma relação entre duas
ou mais pessoas,​ tendo em vista um o​ bjetivo protegido pelo ordenamento jurídico” ( Miguel
Reale)
- Ato de vontade: ​a declaração de vontade expressa é o pressuposto básico para que se
estabeleça um negócio jurídico, não necessitando- em alguns desses negócios- de uma grande
formalidade.
- Ato jurídico: é​ o vínculo jurídico, isto é, a relação entre o sujeito ativo e passivo perante ao
objeto.
- ​2 ou mais pessoas: ​pode ocorrer em um negócio jurídico uma pluralidade de pessoas
interessadas, como é o caso dos irmãos perante o espólio dos pais.
- Objeto protegido pelo ordenamento jurídico: ​Ora, o objeto a ser negociado não pode ser
ilícito.
3-)Ato- Fato Jurídico:
Ato inconsciente o​ u involuntário que gera consequências jurídicas, ou seja, o indivíduo não
possuía a vontade mas ocorreu do mesmo jeito.
Ex: achado de tesouro, petróleo ou minas ( há regras jurídicas pré estabelecidas)
b.2) Atos ilícitos: São os atos que desobedecem o princípio de ​Neminem Laedere: ​“
ninguém ferido” ou “ não causar prejuízo a ninguém”, toda base da i​ ndenização ​decorre
desse ato, sendo alguns classificados como crime. Em geral, são atos vedados pelo
ordenamento jurídico brasileiro.
Art 186: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito de outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

III) Aquisição de direitos: “ embora não haja dispositivo equivalente na nova legislação civil
genérica, os conceitos legais mencionados ainda podem ser utilizados, pois equivalem aos
consagrados pela doutrina” ( Stolze, 2010)
a-) Espécies:
​ era possibilidade de aquisição de direito, já que, ainda não foi
- Expectativa de direito: m
incorporado ao patrimônio jurídico da pessoa. ( nascituro)
​ ireito subjetivo já formado e incorporado ao patrimônio do agente, isto é, a
- Direito Atual: D
pessoa tem o direito disponível para ser utilizado, basta apenas utiliza-lo ( “facultas
agendi”)
-Direito eventual: ​Direito concebido mas pendente da concretização, a ser efetivada pelo
próprio interessado, ou seja, ​o interesse do titular ainda não se encontra por completo
,​também configurasse aí a “facultas agendi”.
- Direito Condicional: D ​ ependente do implemente de condição prevista, sempre de um
evento futuro e incerto.
Ex: o negócio jurídico está pronto e válido, mas para se concretizar é preciso que obedeça as
condições previstas ( herança prevista por testamento coma condição da pessoa se casar).
​ o que ainda não se constituiu, não está nem perto da expectativa.
- Direito Futuro: É
Podendo ser de caráter: d​ eferido o​ u n
​ ão deferido
Deferido: d​ epende único e exclusivamente do arbítrio de uma pessoa.
Não deferido: d​ epende de circunstâncias alheias às pessoas.

b-) Aquisição de Direitos:


I) Originária: ​a não existência de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto
da relação, sem interposição ou interferência de outra pessoa. ( uso capião)
​Derivada: ​se difere pela a existência de uma relação jurídica entre as partes, entre o
adquirente e o alienante.
II) Gratuita: quando não há uma contraprestação ( prestação que pode ser exigida do credor
pelo devedor, antes que cumpra sua obrigação) para aquisição do direito. ( d​ oação,
empréstimos entre pessoas físicas)
​Onerosa: q​ uando existe de fato essa contraprestação ​( compra e venda, prestação de
serviço, contratos de forma geral)
III) ​A título singular:​ o​ adquirente compra algo específico do alienante.
​A título universal: a​ pessoa não sabe do que se trata, até recebe-lo ( partilha de
herança), exceção só se o direito determinar ( testamento em totalidade).
c-) Defesa dos Direitos:
​ ção Judicial: ​forma usual
-A
- Negociação
-Conciliação
- Mediação
- Constelações Familiares
- Arbitragem ( não se pode acionar o poder
judiciário posteriormente)
- Mini- Trial ( arbitragem)

​ lassificação do Negócio Jurídico:


3-) C
a-) Unilateral: d​ epende apenas da manifestação de vontade de um indivíduo, podendo ser
receptício ou não receptício
- ​Bilateral: ​acordo resultante de uma manifestação de vontade de ambas as partes, podendo
ser um acordo: s​ imples ou sinalagmáticos.

-​Plurilaterais: ​É um acordo múltiplo de vontade com obrigações estabelecidas entre todas as


partes.
Ex: startups, espólios, multipropriedade ( time sharing).

b-) Gratuitos: ​não se presumem, isto é, tem que estar caracterizado no contrato, s​ alvo se for
determinado por lei. ​Em outras palavras, é uma exceção.
​ nerosos ( regra): ​podem ser ​comunicativos ou aleatórios.
-O
c-)
- Inter vivos: ​produz efeito desde logo, ou seja, ​produz efeito no momento em que foi
celebrado.
- Mortis causa: ​apenas produz efeitos após a morte do agente ( ex: seguro de vida,
testamento), ou seja, a morte do agente é a pré-condição para produzir o efeito de
determinados negócios jurídicos.
d-)
-Principais: ​depende de nenhum outro negócio jurídico.
- Acessórios: ​garantia em relação ao contrato principal, dando bem certo em garantia ( ex:
fiança)
-​Derivados: ​autorização de sublocação é determinado pelo contrato de locação, a sublocação
deriva do contrato de locação, está previsto no contrato ou não.
e-)
- Solenes: ​formais, escritos, tudo aquilo que se tratar de bem móvel é um negócio jurídico
solene ( previsto no CC), passível de invalidade/nulidade.
- ​Não solenes: ​são a maioria dos negócios jurídicos realizados, não são formais porém
continuam sendo sérios e válidos, normalmente apenas um gesto é suficiente para realizar o
negócio jurídico. ( ônibus, uber, ifood, leilão, taxi etc)
f-)
- Dispositivos: ​criar ou extinguir direitos ( disposição do patrimônio)
-​ Obrigacionais: ​contratar obrigações: prestar serviços, locações.
4-) ​Elementos do Negócio Jurídico:
- Essentialia Negotti: ​conhecidos como ​elementos essenciais ​do negócio jurídico, ou seja
são ​estruturais, indispensáveis ​à existência do negócio jurídicos. Em outras palavras,
tratam-se dos ​requisitos obrigatórios ​para a concretização dos negócios jurídicos, podendo
ser classificados como:
a-) Gerais: ​previstos pelo artigo 104:
“​ A validade do negócio jurídico requer:
I- agente capaz;
II- objeto lícito, possível, determinado ou determinável; ( viável fatidicamente e
juridicamente)
III- forma prescrita ou não defesa em lei;( bem imóvel é sempre em contrato formal)
Ex; bitcoin não é considerado um objeto possível, já que não possui lastro.
O juiz não pode discutir algo inexistente ou que não possui validade.
b-) Particulares: ​São as descrições especificadas do produto à ser vendido, caso isso não
ocorra haverá um negócio jurídico de difícil execução.
- Preço;
- Formas de pagamento;
- Modelo;
- Natvralia Negotti: são os elementos naturais, sendo as consequências de efeitos que
decorrem da natureza do negócio jurídico.
Ex: pagar as coisas na sempre no domicílio do devedor
Artigo 327, CC: “​Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes
convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou
das circunstâncias”.
- Accidentallia Negotti: estipulações acessórias/ facultativas, em determinados casos as
obrigações não são necessárias.

4.1) ​Existência, Validade e Eficácia: ( Escada Ponteana):

a-) Plano da Existência: ​quando falta 1 dos elementos essenciais, sequer é possível de
afirmar que ingressou no mundo jurídico. ( nulidade)

- agente capaz - objeto lícito possível e determinado

- forma.

Ex: terreno no céu, comprar uma estrela, bitcoin

Crítica: a análise dos casos é feita de forma muito objetiva, ignorando a subjetividade presente
em diversos caso.

b-) Plano da Validade: ​o ato não pode ser considerado perfeito, possuindo algum defeito ou
vício ( coação, dolo) , tornando-se passível de anulação ( Anulabilidade)

c-) Plano da Eficácia: ​produção de efeitos do negócio jurídico, ou seja, ​o contrato precisa
estar apto para produção de efeito, d​eterminando se é possível, ou não, produzir os efeitos
jurídicos.

Ex: Contrato de locação sem data.


5-) Manifestação de vontade:
- ​Somente a ​vontade exteriorizada é considerada suficiente para compor o ​suporte fático do
negócio jurídico.
- ​Reserva Mental: ​trata-se da vontade ​não exteriorizada.
- Problema: o casamento entre deficientes segundo o EPD, não determina se os deficientes
mentais podem ou não. ( Lei 13.146/2015), a manifestação de vontade é válida?
5.1)​Autonomia da vontade: ​É o princípio básico do direito privado, trata-se da
independência da pessoa, apesar de ser uma autonomia relativa devido aos seguintes ​limites:
- função social; - ordem pública;

5.2) Formas de Manifestação da Vontade:


a-) Expressa: ​podendo ser escrita ou verbal;
b-) Tácita: ​é a própria ​conduta que gera o negócio jurídico, ou seja, se a pessoa começa a
prestar um serviço e aquela que recebe esse benefício ​não a impede​, a pessoa deverá arcar
com os custos.
c-) Presumida: ​a própria lei determina o efeito, isto é, esclarece qual é o efeito da
manifestação da vontade .
Ex: o silêncio em alguns casos é considerado manifestação de vontade.
d-) Silêncio: ​o silêncio ​excepcionalmente pode implicar em ​manifestação tácita ​da vontade,
é uma forma de agir. O contrato pode convencionar um efeito para o silêncio.
Ex: Contratos de locação= o silêncio em ambas as partes prorroga o contrato

6-) Defeitos do Negócio Jurídico:


Por alguma razão, o negócio jurídico, ​não irá ter ​validade ou eficácia, ​podendo ser nulo ou
anulável. Dividem-se em ​vícios do consentimento ​( manifestação da vontade) ​e vícios
sociais ​( atinge terceiros ou a lei).
7-) Vícios do Consentimento:
a-) Erro: sempre espontâneo, a pessoa não é induzida ao erro. Para reparar, a mesma deve
confessar que cometeu tal erro.
b-) Dolo: ​sempre provocado, alguém prejudica outro propositalmente. ( ex: aplicação de
golpes)
c-) Coação: ​não há vontade, a pessoa não tem outra alternativa a não ser aceitar
d-) Lesão: ​ocorre quando uma cláusula do contrato é abusiva, leoninas.
e-) Estado de Perigo: ​em situação de perigo a pessoa celebra um contrato que normalmente
não realizaria.
7.1) Vício Social:
I-) ​F​raude contra credores/ Fraude O'Fisco
- Devedor que doa o patrimônio. ( Nulo)
II) ​Simulação ​torna o ato ​NULO​: por que de fato o ato não existiu.
Ex: Documentos pré e pós datados ( cheque).
b-) A arguição dos vícios torna o negócio anulável.

- ​VÍCIOS DO CONSENTIMENTO
8-) ERRO: ​a falsa percepção da realidade, precisa ser um erro escusável ( diligência média).
- Erro ≠ Ignorância ( completo desconhecimento da realidade, não anula o negócio jurídico)
- O erro para ser anulável deve ser:
I- ​Substancial: ​elemento essencial para realização do negócio.
II- Escusável:
III- Real: ​existe na realidade.

a-) Espécies: ​substanciais e acidentais.


- ​ Substanciais​: elementos essenciais para a realização do negócio jurídico.
-​Acidental: ​quando não é essencial, quando o elemento é caracterizado como secundária,
acessório. Não é capaz de anular o negócio já que a própria desatenção da pessoa causou.
b-) Modalidades do erro substancial:
- sobre a natureza do negócio: ​a pessoa pensou que estava realizando um empréstimo,
quando na verdade estava realizando uma doação.
- sobre o objeto da declaração: a pessoa achou que era tal coisa quando na verdade era
outra ( compras pela internet)
- sobre as qualidades essenciais do objeto: ​compra de carro com cor não declarada como
elemento essencial.
- quanto à pessoa ( erro in persona): ​ou seja, erro quanto à identidade ou qualidade da
pessoa a quem se refere a declaração de vontade. Um bom exemplo é o caso de anulação de
casamento, previsto no artigo 1557, CC.
Artigo 1557 :​Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I- o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu
conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado;
c-)Elementos do Erro:
- Escusável: ​Utiliza-se o critério de diligência mediana, ou “homem médio”.
- Real: ​Isto é, deverá causar um prejuízo concreto para o interessado, além de ser necessário
e efetivo.
- Obstativo: ​é o de relevância exacerbada, em outras palavras, se a pessoa soubesse da
realidade, não teria feito o negócio.

9-) DOLO: ​“ Artifício ou expediente empregado para induzir alguém à prática de um ato que
o prejudica, e aproveita ao autor do dolo ou a terceira pessoa”
- O dolo pode ser considerado como ​erro provocado​, ou seja, a pessoa que pratica sabe que
está prejudicando um indivíduo.
- ​Nomenclaturas: ​Deceptor= autor do dolo / Deceptus= vítima, aquele que foi enganado.
a-) Espécies:
- Principal: ​elementos efetivos do negócio jurídico, ou seja , sem isso não haveria a
realização do negócio jurídico . Em outras palavras, trata-se de determinada prática que leva
à pessoa a realizar o negócio jurídico. ​( CABE ANULAÇÃO)
- Acidental: ​a enganação ocorre sobre as condições do negócio, a pessoa já possuía à
intenção de realizar um negócio. ​( NÃO CABE ANULAÇÃO)- indenização
- Bônus: ​É ​tolerável , ​apesar de ser um tipo de dolo, é a função do vendedor, mesmo que
haja por parte dele um exagero a respeito do benefício do bem.
- Malus: ​ao contrário do primeiro, existe uma má fé por parte do alienante. Por exemplo,
aquele que vende determinado produto que não serve para a finalidade exigida pelo
adquirente, produto que não era bom para o uso.
- Positivo: ​engana de forma “ positiva”
- Negativo: ​dolo por omissão, o indivíduo tinha o dever de informar a pessoa. ​( CABE
ANULAÇÃO, ​mesmo quando for equivocada.
b-)
I) Dolo de terceiro: ​previsto no ​artigo 148, CC​:

“P​ ode também s​ er anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro,​ se a parte a quem
aproveite dele ​tivesse ou devesse ter conhecimento;​ em caso contrário, ainda que subsista o
negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem
ludibriou.”

Em outras palavras, a terceira pessoa é quem irá receber a vantagem e não a pessoa que
enganou o adquirente. Trata-se de uma defesa dos funcionários, que praticam tal ato,
afirmar que apenas exerciam sua função.
II) Dolo Bilateral ou recíproco: ​ocorre quando ambas as partes agem de má fé,
cometem dolo, sendo assim, tanto um como outro não poderá alegar que foi
prejudicado. É como ditado diz: “ não há honra entre ladrões”.

10-) COAÇÃO: ( ameaça)


- ​“É toda ameaça ou pressão injusta exercida sobre 1 indivíduo, para forçá-lo, contra sua
vontade, a praticar um ato ou realizar um negócio, que a pessoa normalmente não
realizaria”.

​ equisitos:
-R
I​-) Ameaça;
II) Gravidade;
III) Incutir temor aprofundado;
IV) Dano considerável;
V) Real ou iminente;
VI) Ameaça injusta;
VII) Causa determinante do negócio;

- Temor Reverencial= NÃO ANULA O NEGÓCIO ( foi cobrado na prova, revisar)


b-) Espécies:
- Absoluta: ​trata-se de uma coação física. Exemplo: um pessoa aponta a arma e rouba a
pessoa, claramente não há manifestação de vontade, portanto o negócio é inexistente.
- Relativa (vis compulsiva): ​trata-se de uma coação moral, por que há uma ameaça, uma
pessoa aceita ou não e depois anula. ( ​ANULÁVEL) . ​É sempre necessário levar em
consideração a subjetividade de cada pessoa nesses casos, sua qualidade e condições (
crença, doença etc)

11-) ESTADO DE PERIGO: ​quando a pessoa faz um negócio oneroso consciente devido
extrema necessidade.
a-) Conceito: “ Situação de ​extrema necessidade que conduz uma pessoa a ​celebrar negócio
jurídico em que ​assume obrigação desproporcional e excessivo​, de caráter extremamente
oneroso.”
- A desproporção ocorre​ no momento ​da celebração do negócio.
b-) Elementos:
I) Situação de necessidade, sua ou de família( amigos);
II) Iminência de dano atual e grave;
III) Nexo de causalidade entre a declaração e o perigo de dano;
IV) Incidência de ameaça de dano: pessoa ou família.
V) Conhecimento do perigo pela outra parte: ​por exemplo, o hospital sabe ,ao
pedir o cheque para internar o paciente na UTI, que à pessoa está em uma
situação de extrema necessidade.
VI) Assunção ​( tomada de responsabilidade) ​de observação extremamente
onerosa: ​ou seja, é possível observar um gasto por parte da pessoa, fora
daquilo que ela gasta normalmente.
VII) Situação de perigo não provocada pela parte beneficiada;

12-) LESÃO:
a-) Conceito:
“ ​Ocorre lesão- apta de invalidar o ato- em negócio comutativo ( prestação e
contraprestação equiparadas) pelo fato de uma das partes por ​INEXPERIÊNCIA ou
NECESSIDADE ​premente ( muita urgência), se obriga a prestação desproporcional à outra”
- Ruptura do equilíbrio contratual através de uma cláusula leonina.
b-) Elementos:
I) Objetivo: ​desproporção da prestação;
II) Subjetivo: ​inexperiência e premente necessidade;
Artigo 178, III:
“ É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico,
contado:
III ​- no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
- Promove a manutenção do negócio jurídico
Obs: Lesão por trote de sequestro não é passível de anulação, o critério para justificar tal ato
é o de diligencia mediana, já que existe uma conscientização a respeito desses golpes.

- Há consciência de que existe um negócio jurídico lesivo, mas mesmo assim é realizado por
falta de alternativa.

12-) FRAUDE CONTRA CREDORES:


a-) ​Conceito: “ ​É todo negócio suscetível de diminuir ou onerar o patrimônio do devedor,
reduzindo ou eliminando a garantia que este representa para o pagamento das dívidas
praticadas pelo devedor insolvente ou na iminência de tornar-se”
obs: É o patrimônio que garante o pagamento das dívidas e das obrigações, não a pessoa!!!
Devedor Credor

- A fraude contra credores é um ​vício social ​devido o prejuízo que a mesma causa aos
credores, não só eles como também a Receita Federal através da fraude ao fisco.
b-) ​Elementos Constitutivos:
- Objetivo ( Eventus Damni): ​é o evento danoso, a alienação ou doação que tira o
patrimônio como garantia de pagamento ao credor.
- ​Subjetivo ( Consilium Fraudis) : ​trata-se do consenso realizado para cometer tal fraude, ou
seja, o terceiro sabe que cometeu o ato fraudulento.
- A má fé do adquirente pode ser presumida, sendo um ônus do adquirente provar o
contrário.

c-) ​Causas:
I- Clandestinidade do ato
II- Continuidade dos bens alienados na posse do devedor
III- Falta de causa: ​não há motivo nenhum para o patrimônio ter sumido.
IV- Parentesco ou afinidade entre devedor e terceiro: ​até mesmo para menores ou
parentesco por afinidade.
V- Preço vil: ​preço muito baixo do valor do mercado.
VI- Alienação de todos os bens;
- ​Diante da presunção ​juris tantum ​( presunção relativa, válida até que se prove ao
contrário), inverte-se o ônus probatório.
- ​Ação Pauliana: ​consiste em uma ​ação para anular o ato praticado em fraude contra
credores, pode ser denominada de ação revocatória. É o pressuposto pelos credores contra
o adquirente/devedor, com fim de anular o ato fraudulento
- A presunção de fraude inverte o ônus da prova, teoricamente tal ônus é dever do acusador,
nesse caso é aquele que está sendo acusado que deverá provar o contrário, por isso tal ato
recebe o nome de “ presunção relativa”.

13-) SIMULAÇÃO:

- ​No código civil vigente, ao contrário do anterior de 1916, tal ato é tão grave- e socialmente
aceito- que deixou de ser considerado como vício social para se tornar ​motivo de anulidade
absoluta​ do negócio jurídico, ou seja, é dever do juiz considerar tal ato nuto.

- Artigo 167, CC: ​ É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido
for na substância e na forma.

§1.º​ Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:


I -​ aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se
conferem, ou transmitem;
II - ​contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;

III -​ os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.

§ 2.º​ Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico
simulado.

- Na simulação celebra-se um negócio jurídico que tem aparência normal, mas que na
verdade não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir.

a-) Modalidades:

- Absoluta: ​situação jurídica irreal, não há como existir um comprovante se não houve de
fato uma prestação de serviço. ( o ato é considerado inválido)

Segundo Pablo Stolze​: “ Cria-se uma situação jurídica irreal, lesiva do interesse de terceiro,
por meio da prática de ato jurídico aparentemente perfeito, embora substancialmente
ineficaz”

- Relativa: ​é uma dissimulação, um negócio jurídico aparente mas há por trás um negócio
oculto. ( comumente usado como um meio para realizar uma fraude contra credores) .

Negócio Aparente= compra e venda

Negócio Oculto= doação

Segundo Pablo Stolze: “​ emite-se uma declaração de vontade ou confissão falsa como
propósito de encobrir ato de natureza diversa”.
- Doação nu proprietário ( terra), com reserva de usufruto ( gozar ou deter a posse do
bem). A pessoa transfere o bem e continua usufruindo do mesmo.
b-) Elementos Acidentais do Negócio Jurídico:
Conceito: São instrumentos de eficácia jurídica para adaptar os efeitos de uma manifestação
de vontade. Além disso, não são elementos essenciais ao negócio jurídico portanto não
necessitam estar presentes no contrato. São expressas em cláusulas acessórias.

1-) Condição ( SE….) : É evento futuro e incerto, ou seja, não há como ter certeza se tal
ato ocorrerá e portanto não depende unicamente da pessoa.
- Subordina efeito do ato, implemento do pactuado: assim que advier a condição, o
contrato passa a ter eficácia.
a.1) ​Requisitos da Condição
- Voluntariedade: ​a pessoa precisa querer, nem sempre é querido a condição, mas
assim que o donatário aceitar- para que o mesmo torne eficaz o contrato- terá que
obedecer a condição.
- Futuridade: ​o fato presente ou passado, ainda que ignorado pelas partes, não será
considerado como condição.
a.2) ​Espécies de Condição:
- Suspensiva: o ato está pronto e válido. ​A eficácia depende do implemento da
condição. ​Espécie comum em contratos de doação e herança.
Exemplos: casamento.
- Resolutiva: ​o ato é eficaz, e o advento da condição põe fim ao negócio jurídico. É ma
espécie comum em contratos agrários e comerciais.
Exemplos: Quebra de safra ( 3 vezes consecutivas), Usinas que cedem casas a
funcionários.
a.3) ​Condições admitidas pelo Direito:
- casar;
- não se casar com;
- ter filhos;
- viduidade ( considerar viúvo)​: era uma condição válida apenas no caso empresarial
de família, trata-se de uma condição resolutiva. ​(polêmico)

2-) Termo ( DATA / QUANDO) :


- As partes submetem os efeitos do negócio jurídico a um evento ​FUTURO E CERTO, ​ou
seja, a um acontecimento que certamente ocorrerá. Porém, é certo quanto a
ocorrência, mas pode ser incerto quanto à data de sua verificação, como por
exemplo a morte.
b.1) ​Espécies:
- Termo ​inicial​: ​“dies aquo”
- Termo ​final: ​“dies ad quem”
​ razo ≠ Termo
b.2) P
- Prazo: ​aquele que medeia entre o termo inicial e final.

3-) Encargo​: ​ônus de natureza moral, isto é, manter determinado tipo de conduta de
acordo com o desejo daquele que deixou o patrimônio.
Conceito: É o ônus imposto a uma liberalidade com o fim de limitá-la, tem que dirigir-se
diretamente a pessoa.
- Geralmente consiste em obrigação, de ​dar ou receber.
- O não cumprimento do encargo pode acarretar na anulação do negócio jurídico,
conforme está previsto no artigo 137, CC​:
“C​onsidera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo
determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.”
- ​ brigação Moral.
Reconhecida como uma O

ATO ILÍCITO:
1-) Conceito: ​é a violação do dever legal de não lesar outrem ( “​neminem laedere”). Caso
houver esse prejuízo, a pessoa que o causou deverá reparar.
- O ato ilícito é único, apresenta diversas faces dentro dos ramos do direito ( penal,
civil, ambiental, consumidor etc). ou seja, todo ato ilícito criminal geral um ato ilícito civil
- Previsto no ​artigo 186, CC : “ Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito”
a-) Existe uma classificação que distingue ato ilícito em dois elementos, sendo eles : a​ to ilícito
contratual e extracontratual.
- Contratual: ​quando há um vínculo subjetivo prévio fruto de um negócio jurídico.
- Extracontratual: ​quando o ato ilícito surge de um acidente.
2-) Responsabilidade Subjetiva vs Responsabilidade Objetiva
É uma discussão dentro da doutrina, se o ato ilícito civil deve considerar a
responsabilidade subjetiva ou objetiva. Venosa e Carlos Roberto acreditam que a subjetiva é
a que impera no ato ilícito, em contrapartida Rosewald e Maria Helena atribuem a
responsabilidade objetiva.
A responsabilidade civil é calcada no dano, isto é, não há preocupação com o tipo de
culpa. Dessa forma a mensuração é feita através do dano causado.
3-) Excludentes de Ilicitude:
As excludentes de ilicitude estão previstos no artigo 188, CC que afirma:
Não constituem atos ilícitos:
I - ​os praticados em ​legítima defesa​ ou no ​exercício regular de um direito reconhecido;
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo
iminente.

Parágrafo único. ​No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias
o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a
remoção do perigo.

- Legítima Defesa: ​a legítima defesa real é praticada contra o agressor ( Admitida no


Direito Civil). A putativa não exime a pessoa da responsabilidade (​não admitida pelo
direito civil).
- Exercício Regular de um direito: ​É necessário distanciar esse tópico da questão de
abuso de direito. ​O abuso é configurado quando o agente, atuando dentro dos
limites da lei, deixa de considerar a finalidade social de seu direito subjetivo e o
exorbita, causando dano a outrem. Em suma o agente ultrapassa os limites de
autonomia confira por lei a ele.
- Estado de Perigo: ​Não há obrigação de indenizar se o lesado causa o estado de
perigo
- Lesado= sofre o ato, dano
- Lesante= Pratica o ato ilícito, o dano.

b-) Pressupostos do artigo 186

Artigo 186: “A​quele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”
- Ato Ilícito: tem que ter culpa
- Culpa
- Dano
- Nexo Causal.

c-) Formas de Culpa


- in eligendo: ​na escolha, isto é, a pessoa escolheu mal.
- in vigilando: ​na vigilância, a pessoa que não vigia os funcionários da forma adequada.
- in custodiendo: ​na custódia, a pessoa falta com o cuidado
- in comittendo: ​na ação
- in omittendo: ​na omissão quando há o dever legal (enfermeiro, salva
vida)
d-) Culpa presumida:
A culpa presumida é uma presunção classificada como “ juris tantum”, isto é, existe uma
relatividade na culpa, possibilitando que a pessoa acusada prove o contrário, entretanto,
justamente por possuir esse ônus probatório invertido, se ela não provar o contrário, será
considerada culpada. Interessante como isso configura uma ​responsabilidade objetiva.
4-) Formas de Dano:
O dano é o produto de um ato ilícito e gerador do dever de indenização, detentor das
seguintes modalidades:
- Dano Material ( Perdas e Danos): ​Nessa modalidade o dano pode ser classificado
como: ​dano emergente e lucro cessante.
(i) Dano emergente: ​foi o dano efetivamente causado ( prejuízo). ( acidente de carro)
(ii) Lucro cessante: ​aquilo que a pessoa deixa de ganhar pelo dano causado, ou seja,
o dano acaba causando provocando empobrecimento já que atingiu a fonte de renda
do lesado.( acidente de carro do motorista de uber).
- Dano Moral: ​Se baseia na ofensa da Dignidade da Pessoa Humana, entretanto, é
necessário cuidado ao analisar esse dano moral já que cada um pode sentir sua
dignidade ofendida de uma forma. É incabível alegar determinado dano em casos de
danos materiais.
- Dano à Imagem: ​O uso indevido da imagem pode acarretar danos, além disso pode
ser classificado como um dano à reputação em casos onde a imagem da pessoa seja
denegrida perante outros.
- Dano Estético: Pode abranger o dano material ( gasto), moral ( psíquico) e imagem (
defeito na imagem física). Só é cabível alegar dano estético em casos de cirurgia
embelezadora.

5-) PROVAS: ​As provas são meios utilizados para comprovação de fatos, não podem ser
utilizadas provas ilícitas. Em outras palavras, a prova é a comprovação da ocorrência de um
fato, que irá dar base suficiente para autorizar a sentença de um juiz. É a pessoa que deverá
apresentar provas.
a-) Espécies: Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser
provado mediante:
I - confissão: ​é o reconhecimento livre da veracidade do fato narrado pela outra parte na
relação jurídica. Em outras palavras, a confissão acontece quando a pessoa admite
verdadeiros os fatos narrados por outro. ​Não é suficiente​, exige outra espécie de prova.
- total
- parcial: apenas uma parte da confissão pode ser válida ( há quem aceite ou não essa
forma de confissão)

II- Documento: ​o documento é todo o elemento de prova, podendo ser: ​contratos, e-mail
recebido, fotos do vínculo, vídeos e whatsapp ( o uso de mensagem desse app só poderá
ser utilizado como documento sem prévia autorização em casos de ação familiar, segundo
o STJ).

III-Testemunha: ​A pessoa que presencia o fato e realizará um depoimento com base no que
viu ou ouviu, dessa forma, ​o mesmo irá dizer a respeito dos fatos e não dos rumores, como
prevê o artigo 212, CC.

O artigo 288, CC​ trata a respeito daqueles que ​não​ podem ser admitidos como testemunha:
1. Menores de 16 anos​, por serem absolutamente incapazes
2. Cegos e Surdos,​ sobre o elemento que os falta
3. I​nteressado no litígio​, a pessoa que irá testemunhar não poderá ter interesse na
vitória de uma das partes.
4. Amigo íntimo
5. Inimigo Capital
6. Conjûges, ascendentes, descendentes e colaterais de algumas das partes.
Entretanto, para assuntos relacionados à família é permitido por motivos claros.

Obs: O depoimento pessoal das partes não requer a prestação de compromisso​, isto é, o
dever de falar a verdade. Com a justificativa de que ninguém é obrigado a criar provas contra
si mesmo.

Artigo 229: Ninguém pode ser obrigado a depor sobre fato:

I - a cujo respeito, por estado civil ou profissão ( advogado, padre e médico), deva guardar
segredo;

II - a que não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, parente em grau
sucessível, ou amigo íntimo;

III - que o exponha, ou às pessoas referidas no inciso antecedente, a perigo de vida, de


demanda, ou de dano patrimonial imediato.

IV-) Presunção: ​É a ilação feita de um fato conhecido para, com auxílio da lógica, achar a um
desconhecido, admitido como verdadeiro
- Absoluta ( ​juris et de jure):​ Não cabem provas ao contrário
Ex: “todos conhecem o direito” Artigo 3, LINDB
- Relativa (​juris tantum):​ responsabilidade objetiva, inversão do ônus probatório.
V - Perícia: ​São provas técnicas necessárias para elucidar pontos do processo,ou seja, é uma
análise técnica do fato ou situação, para isso, é necessário que haja peritos e assistentes
técnicos que possuem conhecimento em áreas muito específicas.
Podem ser pedidos pelas partes ou solicitada pelo juiz, aquele pedido pelas partes é
denominado de assistente técnico, o solicitado pelo juiz é o perito judicial.
- Classificação:
a-) Exame: ​é a perícia mais técnica, trata-se de um laudo pericial.( engenheiros,
médicos, fotógrafos e etc.)
b-) Vistoria: ​se houver algum problema no bem imóvel, o mesmo irá ser verificado.
c-) Avaliação: ​Avaliar o valor bem.

PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA:
I-) O tempo como fato jurídico que pode ​extinguir um direito ( decadência) ou a pretensão
de demandar em juízo.
- Elementos:
a-) Transcurso do Tempo e Inércia do titular do direito.
b-) Artigos 188, 205 e 206 ​são as regras específicas do prazo de prescrição.
- Caso a lei não estabeleça o prazo, a ​regra geral para o prazo da prescrição é
de 10 anos.
- Artigo 205: ​A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado
prazo menor.
- Artigo 206, parágrafos 2 e 3, V, CC: ​2 anos ( alimentos) e 3 anos ( indenização)
- Após terminado o prazo, a pessoa perde o direito de mover uma ação judicial
contra o devedor. Entretanto o devedor ainda possui uma dívida moral.
c-) A decadência tem seus prazos nas leis específicas.
II)

PRESCRIÇÃO( surge com a violação do DECADÊNCIA ( surge com o direito)


direito)

Extingue a pretensão judicial Extingue o direito

Prazo estabelecido por lei Prazo por lei/ Vontade das Partes, elas
podem estabelecer um prazo decadencial
Supõe uma ação cuja origem seja diversa Ação e direitos correm juntos, ou seja, no
do direito ( violação da origem ao prazo) momento que adquire o direito.

pode ser renunciado, a pessoa poderá é irrenunciável: não há mais direito


reconhecer sua dívida moral. potestativo.

- O juiz poderá reconhecer de ofício ( por lei de acordo com o cargo


ocupado) ambas.
- O juiz, caso já tenha decaído o prazo, tem o dever de extinguir o
processo.
- Conceito de Prescrição: ​É a perda da pretensão de exigir a reparação de
um direito violado, em virtude da inércia de seu titular, no prazo previsto
pela lei.