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FACULDADE PIO DÉCIMO

CURSO DE DIREITO

JOSÉ BARRETO CAVALCANTE


KELSON BRITO SANTOS SILVA
LARISSA HILLARY SILVA CAMPOS
PAULA MONIQUE RODRIGUES FERREIRA

VIDA E OBRA DE THOMAS MORE

ARACAJU
2019
JOSÉ BARRETO CAVALCANTE
KELSON BRITO SANTOS SILVA
LARISSA HILLARY SILVA CAMPOS
PAULA MONIQUE RODRIGUES FERREIRA

VIDA E OBRA DE THOMAS MORE

Trabalho apresentado a disciplina Filosofia


Jurídica do curso de direito da faculdade Pio
Décimo como requisito parcial da nota da 2ª
unidade.
Orientadora: prof.ª. Valéria.

ARACAJU
2019
A VIDA DE THOMAS MORE

Thomas More (1480 - 1535) nasceu em Londres. Filho de juiz, More acabou
seguindo os passos de seu pai. Desde cedo teve uma boa educação, estudando línguas,
matemática, astronomia e teologia. Era um lorde, talvez o primeiro lorde da história da
filosofia. Era um filósofo da filosofia moderna, escritor, advogado e defensor da igreja
católica. Representa uma das figuras mais importantes do humanismo renascentista.

Tornou-se advogado em Oxford exercendo a profissão por algum tempo. Em


1505, casou-se com Jane Colt e com ela teve quatro filhos. No entanto, essa relação durou
pouco tempo. Ficou viúvo e casou-se novamente com Alice Middleton, com quem teve mais
um filho. More era amigo íntimo de Erasmo de Roterdã, escritor, filósofo e teólogo humanista
neerlandês. O então amigo, dedicou sua obra mais emblemática, Elogio da Loucura, a More.
Vale ressaltar que, por conta de seu reconhecimento na posição de homem das leis, fez parte
da Corte inglesa a partir de 1520. Ao lado da família real, tornou-se embaixador, cavaleiro e
chanceler da Inglaterra.

Algum tempo depois, Henrique VIII, rei da Inglaterra o chamou para confirmar
sua posição com líder da Igreja que havia fundado, More recusou. Esse fato o levou a ser
considerado um traidor. Após esse evento, foi preso na Torre de Londres, julgado e
condenado a morte. Na manhã de 6 de julho de 1535 foi decapitado em sua cidade natal.
Diante de sua importância histórica e religiosa, Thomas More foi canonizado em 1935 pelo
Papa Pio XI.

A parte tais fatos lastimáveis, o nome de Thomas More está ligado a um romance
intitulado Utopia. Percebemos o quanto a ironia de T.M. ataca as falhas e os erros em que
estava envolvida a Igreja. No entanto, pouca gente leu ou conhece a obra de More - que é
também um santo da Igreja católica - a que faz referência ao usar o seu título como vocábulo.
Vale a pena começar analisando o próprio nome da obra, que se origina do grego: "u" é um
advébio de negação e "tópos" significa lugar. "Não lugar", portanto, ou lugar inexistente, é o
modo irônico com que o pensador batizou sua sociedade perfeita. Tradição platônica A ideia
de Morus de criar uma sociedade imaginária vem de uma tradição que remonta a Platão (427-
347 a.C) na obra “A República”. A "Utopia", de More, divide-se em dois livros: o primeiro,
de caráter negativo faz a crítica à Inglaterra da época em que o autor vivia; o segundo, em
contraponto, apresenta uma sociedade que lhe é alternativa. Em ambos os livros, Rafael
Hitlodeu - personagem que é o "alter-ego" de More - narra sua viagem a Utopia e descreve a
sociedade que viu.

Dessa forma, este trabalho tem como finalidade discorrer a perspectiva de um


discurso sobre filosofia moral e política nas reflexões contidas nessa obra. Essa proposta se
dá pelo reconhecimento de que o autor se mantém presente nas discussões filosóficas pela
inovação de uma sociedade racional e pelo olhar visionário de uma humanidade da razão.

Segundo Collins (2010) A perspectiva de uma humanidade racional se


compreende a instauração de um Estado em que o comportamento de seus cidadãos seja um
reflexo de como se mantêm diante de si, dos demais e das prescrições de uma sociedade ideal.
A sensibilidade à sociedade de seu tempo faz com que T.M. crie antagonismos. A uma
sociedade em que se evidencia o vício, ele apresenta o modelo de uma sociedade virtuosa. A
um privilégio direcionado a poucos, ele constrói uma sociedade em que todos têm acesso aos
mesmos direitos e cumprimento dos deveres recíprocos. A utopia, resumindo, mostra uma
forma de vida na qual a igualdade é considerada um bem ainda mais importante do que a
felicidade.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Thomas tornou-se advogado em Oxford exercendo a profissão por algum tempo.


Em 1505, casou-se com Jane Colt e com ela teve quatro filhos. No entanto, essa relação durou
pouco tempo. Ficou viúvo e casou-se novamente com Alice Middleton, com quem teve mais
um filho.

More era amigo íntimo de Erasmo de Roterdã, escritor, filósofo e teólogo


humanista neerlandês. Erasmo dedicou sua obra mais emblemática, Elogio da Loucura, ao seu
amigo e mentor Thomas More.

Por conta de seu reconhecimento na posição de homem das leis, fez parte da Corte
inglesa a partir de 1520. Ao lado da família real, tornou-se embaixador, cavaleiro e chanceler
da Inglaterra. Todavia, Henrique VIII com o intuito de se casar novamente funda
o Anglicanismo em 1534 rompendo laços com a Igreja Católica de Roma. A intenção do Rei
era se divorciar de Catarina de Aragão e casar-se com a dama de companhia da rainha, Ana
Bolena. Esse episódio levou More a desconfiar cada vez mais dos interesses humanos,
abandonando seu cargo de Chanceler.
Além disso, se posicionou contra a Reforma Protestante defendendo os dogmas da
Igreja. Quando Henrique VIII, rei da Inglaterra o chamou para confirmar sua posição com
líder da Igreja que havia fundado, More recusou. Esse fato o levou a ser considerado um
traidor. Após esse evento, foi preso na Torre de Londres, julgado e condenado a morte. Na
manhã de 6 de julho de 1535 foi decapitado em sua cidade natal. Diante de sua importância
histórica e religiosa, Thomas More foi canonizado em 1935 pelo Papa Pio XI.

PRINCIPAIS OBRAS

Thomas More estudou as línguas clássicas (grego, latim) sendo um grande erudito e
exímio escritor. Escreveu obras filosóficas e literárias, das quais se destacam:

-A Utopia

-A Agonia de Cristo

-A Apologia

-Diálogo da fortaleza contra a tribulação

-Tratado sobre a Paixão de Cristo

-Os Novíssimos

-Réplica a Martinho Lutero

-Diálogo contra as heresias

-Súplica das Almas

-Epitáfio

A OBRA UTOPIA DE THOMAS MORE

O termo Utopia foi criado pelo inglês Thomas More para intitular um romance
filosófico em 1516. Para compor a palavra, Thomas More juntou duas palavras
gregas: "ου" (não) e "τοπος" (lugar), ou seja, se formos interpretar a palavra seguindo sua
etimologia, Utopia significa um lugar que não existe na realidade. No entanto, a obra tornou-
se tão célebre que o termo foi considerado uma espécie de gênero de escrita caracterizado por
conter como principal tema uma organização política e/ou social ideais, geralmente em
contraponto a uma organização política e/ou social atuais, por exemplo, se um autor vive sob
um regime totalitário e escreve uma obra sobre uma sociedade que não existe representando
por meio dela uma forma de governo considerada ideal, é possível que ele tenha escrito uma
utopia, mesmo que sua obra não esteja diretamente vinculada à filosofia.

Também pela definição posterior do termo, como gênero, podemos entender que a
obra “A República” de Platão, embora escrita antes da obra de More e, portanto, antes da
palavra ter sido inventada, trata-se de uma utopia, pois nela mostra-se a criação de uma cidade
governada por reis-filósofos para responder à questão “o que é justiça?”.uma das marcas que
indicam, em uma obra filosófica, a diferença entre uma utopia e uma Filosofia Moral ou
Política é a exposição do pensamento: em vez de o autor de uma utopia trabalhar com
conceitos e argumentos, ele expõe os conceitos aplicados a uma situação concreta. Por
exemplo, Thomas More cria uma ilha-reino, com a geografia descrita provavelmente a partir
de narrativas sobre a América, em que demonstra como seria aplicável uma sociedade sem
propriedade privada e sem intolerância religiosa, na qual a razão é o critério para estabelecer
condutas sociais e não o autoritarismo do Rei ou da Igreja – que, em seu contexto histórico, a
Inglaterra do século XVI, estavam reunidos na figura de Henrique VIII, chefe de Estado e da
Igreja Anglicana, criada por ele como forma de reverter a proibição da Igreja Católica ao seu
novo matrimônio com Ana Bolena.

RELIOGIDADE DE THOMAS MORE

Apesar de ter se oposto tão firmemente à Igreja Anglicana criada pelo rei, em
Utopia todos têm liberdade religiosa e apenas deveriam ser vistos com desconfiança aqueles
que não professavam nenhuma fé. Isso porque, na obra de Morus, a fé é consequência da
razão e instrumento para exercício da justiça: os utopianos acreditam em Deus porque, pela
razão, reconhecem que sua existência depende dele; a crença em um julgamento futuro faz
com que todos se apliquem a exercer a justiça e a não se entregarem a prazeres de forma
desregrada. Ou seja, aos utopianos é recomendada a fé em Deus, mas podem discordar a
respeito de sua identidade.

A religião de Utopia é formada a partir de preceitos do cristianismo e, também, de


escolas filosóficas como o estoicismo e o epicurismo. Tem três verdades básicas:

1) A fé na existência de um ser supremo, como já foi dito;

2) A providência de Deus em relação aos homens é amável;


3) A fé na providência e na retribuição futura para a alma, que é imortal.

O bem comum, a divisão do trabalho e a propriedade privada, um dos pontos


principais de Utopia é a preocupação com o bem comum ao qual se submete o bem
individual. Para tanto, os utopianos preferem a divisão dos bens entre todos, pois acreditam
que isso garantiria a abundância para todos e não a concentração de riquezas nas mãos de um
grupo pequeno. Diz Morus:

“É minha convicção firme que uma distribuição segundo critérios de


equidade ou uma planificação justa das coisas humanas não é possível sem
eliminar totalmente a propriedade privada. Enquanto ela subsistir, estou
convencido de que há de continuar sempre a haver, entre grandíssima parte
da humanidade e entre a melhor parte dela, o fardo angustiante e inelutável
da pobreza e da miséria.”

Por meio da divisão do trabalho, todos trabalhariam apenas o necessário para


garantir o bem geral, pois do mesmo modo que ninguém trabalharia para outra pessoa,
ninguém poderia se esquivar da sua responsabilidade. Até os viajantes deveriam trabalhar
antes de serem alimentados. Em caso de haver produção além da necessidade de consumo, as
horas de trabalho seriam reduzidas. A esse respeito, diz Morus:

“Se todos trabalhassem, a carga horária diminui para todos. Havendo


seis horas apenas para trabalhar, [...] esse tempo é suficiente para
produzir bens abundantes que bastem para as necessidades e que
cheguem não apenas para remediar, mas até sobrem”

GEOGRAFIA DA ILHA DE UTOPIA E ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-


SOCIAL

No segundo livro, descreve-se a ilha como um semicírculo de quinhentas milhas


de arco onde existem cinquenta e quatro cidades organizadas a partir da estrutura familiar. Na
capital, há trinta famílias, cada uma dirigida por um filarca, o mais idoso e, em tradução
literal, “aquele que a ama”, O principal papel do filarca é mediar a participação da população
nas decisões políticas, mas sua função é supervisionar o trabalho e evitar a preguiça. Pratica-
se a monogamia e todos sabem quem são seus filhos. No entanto, cada família nuclear é
integrada às outras famílias com quem tenha laços de sangue.

CONCLUSÂO

Thomas more nobre e membro da corte era conselheiro pessoal do Rei Henrique
VIII. Aquele tinha grande influência tanto com o povo como na corte, sua visão estratégica
ajudou o rei em inúmeras batalhas e na administração daquela sociedade.

A Utopia de More, divide-se em dois livros: o primeiro, de caráter negativo faz a


crítica à Inglaterra da época em que o autor vivia; o segundo, em contraponto, apresenta uma
sociedade que lhe é alternativa. Em ambos os livros, Rafael Hitlodeu - personagem que é o
"alter-ego" de More - narra sua viagem a Utopia e descreve a sociedade que viu.

Como se disse, a primeira parte é de crítica a uma Inglaterra em que os


camponeses estão sendo expulsos do campo para as cidades, onde há bandos de ladrões e uma
justiça cega, porém cruel, a realeza ávida de riquezas e sempre pronta para a guerra, sem falar
nas perseguições religiosas. Essas regras são invertidas na República de Utopia.

Um homem com visão futurista e ideias revolucionárias Thomas More que


personificou uma fé inabalável, a qual custou à sua própria vida, retrata em sua obra de maior
sucesso sua visão da sociedade inglesa que já o decepcionava, assim como uma corte tirana
que negligenciava os dogmas da igreja e o condenou à morte.

A Utopia representa a primeira crítica fundamentada no regime burguês e encerra


uma análise profunda das particularidades inerentes ao feudalismo em decadência. Esta obra
representa a dureza e amargura das críticas contra uma sociedade profundamente
desorganizada e injusta. Assim, Thomas More faz desta uma sátira das instituições inglesas da
época.

Enquanto isso, o povo, cada vez mais oprimido pelo trabalho incessante, precisa
manter o exército, a corte e uma multidão de ociosos. A sede de dinheiro dos reis, dos nobres
e dos grandes burgueses cria a miséria da maioria, alarga cada vez mais o abismo entre as
classes sociais, transforma os juízes em carrascos e as penas em castigos pavorosos.
Com definições rígidas, tanto na estrutura territorial como no pessoal e seus
órgãos administrativos, a ilha da Utopia é retratada em um plano ideal de sociedade que More
desejava diante das decepções vividas no reino. A república, modelo de governo da Utopia,
junto com a diminuição do poder do príncipe e outras características confrontavam a estrutura
monárquica vigente.

Tendo a família como base, tanto na religião como nas principais decisões, vários
cargos dependiam de eleições. As tomadas de decisões que dependiam de um conselho
reduziam a autoridade do príncipe para, praticamente, só decidir o que a maioria determinava.

Uma obra detalhista que ressaltava a importância da agricultura e o ensino de


diversos ofícios necessários à vida urbana da época. Ainda neste caminho, o papel da mulher
e do homem, muitas das vezes, estavam distintos. Com uma estrutura de cooperação mútua a
sociedade ideal de More se aproximava de uma visão “socialista”, pois negava a propriedade
privada e o lucro, como também não admitia classes sociais.

Além de destacar os moldes da escravidão e das guerras a religião tem papel


importantíssimo na obra de Thomas More. O autor tenta influenciar e reunir todas as cresças
em uma só que cultuasse um só Deus caminhando para a construção de uma só religião.

A ideia de uma sociedade igualitária subjacente à obra de More inspirou os


socialistas do século 19, como Pierre Proudhom (1809-1865), Charles Fourier (1772-1837),
Robert Owen (1771-1858) e Saint-Simon (1760-1825), a quem Karl Marx (1818-1883)
chamou de "socialistas utópicos", contrapondo-se a eles com a criação de um suposto
"socialismo científico".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COLLINS, Mark Ian. A filosofia moral e política na Utopia de Thomas More. Fortaleza,
2010. Disponível em:
<http://www.uece.br/cmaf/dmdocuments/2010_a_filosofia_moral_e_pol%C3%ADtica_na_ut
opia.p>df. Acesso em: 05 de mai. 2019.

DE CRESCENZO, Luciano ,1928- História da filosofia moderna: de Nicolau de Cusa a


Galileu Galilei / Luciano de Crescenzo; tradução de Mário Fondelli. – Rio de Janeiro: Rocco,
2007.
MORE, Thomas. A Utopia. Tradução de Pietro Nasseti. São Paulo: Martin Claret, 2005.
(MORVS, 2006, p. 479), (MORVS, 2006, p. 507), (MORVS, 2006, p.
517). https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/utopia.htm. Acesso em: 15/ 05/ 2019.

SANTOS, Wigvan Junior Pereira dos. "Utopia"; Brasil Escola. Disponível em


<https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/utopia.htm>. Acesso em 30 de abril de 2019.

Toda matéria. Biografia: conteúdos escolares. Artigo revisado em 21/03/2017.

Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_More>. Acesso em: 26 de abril de


2019.