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QUESTÕES – PROCESSO PENAL XI

1- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da prova, na qual não deve haver
critérios de valoração das provas rigidamente definidos na lei, no entanto, por outro lado, o
juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade, podendo ser
controlado em âmbito recursal ordinário.
II – Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo da defesa,
isso significa que deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação, a pena
imposta neste segundo julgamento não poderá ser superior àquela fixada na sentença do
primeiro júri.
III – Segundo entendimento recente do STF, não é possível a execução provisória da pena em
face de decisão do júri sem que haja o exaurimento em grau recursal das instâncias ordinárias,
sob pena de macular o princípio constitucional da presunção de inocência. A execução
provisória da pena somente é admitida se o recurso pendente de julgamento não tiver efeito
suspensivo.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: B
I – CORRETA - Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da prova, na qual não
deve haver critérios de valoração das provas rigidamente definidos na lei, no entanto, por outro
lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade, podendo ser
controlado em âmbito recursal ordinário. Para a pronúncia, não se exige uma certeza além da
dúvida razoável, necessária para a condenação. Contudo, a submissão de um acusado ao
julgamento pelo Tribunal do Júri pressupõe a existência de um lastro probatório consistente no
sentido da tese acusatória. Ou seja, requer-se um standard probatório um pouco inferior, mas
ainda assim dependente de uma preponderância de provas incriminatórias. STF. 2ª Turma. ARE
1067392/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/3/2019 (Info 935).

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II – CORRETA - Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo
da defesa, isso significa que deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação,
a pena imposta neste segundo julgamento não poderá ser superior àquela fixada na sentença do
primeiro júri. Em outras palavras, se apenas o réu recorreu contra a sentença que o condenou e o
Tribunal decidiu anular a sentença, determinando que outra seja prolatada, esta nova sentença, se
também for condenatória, não pode ter uma pena superior à que foi aplicada na primeira. Isso é
chamado de princípio da ne reformatio in pejus indireta, que tem aplicação também no Tribunal
do Júri. A soberania do veredicto dos jurados (art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) não autoriza a
reformatio in pejus indireta. STF. 2ª Turma. HC 165376/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
11/12/2018 (Info 927).
III – INCORRETA - Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a execução provisória
da pena mesmo antes de o Tribunal julgar a apelação interposta pela defesa? 1ª corrente: SIM. É
possível a execução da condenação pelo Juiz Presidente do Tribunal do Júri, independentemente
do julgamento da apelação ou de qualquer outro recurso, em face do princípio da soberania dos
veredictos. Assim, nas condenações pelo Tribunal do Júri não é necessário aguardar julgamento
de recurso em segundo grau de jurisdição para a execução da pena. STF. 1ª Turma. HC 140449/RJ,
rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/11/2018 (Info 922).
STF. 1ª Turma. HC 118770 ED, Redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 04/06/2018.
2ª corrente: NÃO Não é possível a execução provisória da pena em face de decisão do júri sem que
haja o exaurimento em grau recursal das instâncias ordinárias, sob pena de macular o princípio
constitucional da presunção de inocência. A execução provisória da pena somente é admitida se o
recurso pendente de julgamento não tiver efeito suspensivo. STF. 2ª Turma. HC 136223, Rel. Min.
Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 25/04/2017. STJ. 5ª Turma. HC 438088, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/05/2018. STJ. Presidente Min. Laurita Vaz, em decisão
monocrática no HC 458.249, julgado em 12/07/2018.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
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2- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Diante das peculiaridades do Tribunal do Júri, o fato de ter havido sustentação oral em
plenário por tempo reduzido não caracteriza, necessariamente, a deficiência de defesa técnica
II – O prazo de três dias úteis a que se refere o art. 479 do CPP deve ser respeitado apenas para a
juntada de documento ou objeto, e não para a ciência da parte contrária a respeito de sua
utilização no Tribunal do Júri.
III – Ocorrido o desmembramento da ação penal que imputava aos coacusados a prática de
homicídio doloso tentado decorrente da prática de "racha", a desclassificação em decisão do
Tribunal do Júri para o delito de lesões corporais graves ocorrida em benefício do corréu é
extensível, independentemente de recurso ou nova decisão do Tribunal Popular, a outro corréu.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas
Gabarito: C
I – CORRETA - Diante das peculiaridades do Tribunal do Júri, o fato de ter havido sustentação oral
em plenário por tempo reduzido não caracteriza, necessariamente, a deficiência de defesa técnica.
STJ. 6ª Turma. HC 365008-PB, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz,
julgado em 17/04/2018 (Info 627). Obs: existe decisão reconhecendo a ocorrência de nulidade
pelo simples fato de a sustentação oral ter sido feita em poucos minutos: STJ. 6ª Turma. HC
234.758-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/6/2012.No entanto, entendo que a
posição majoritária é no sentido que isso não conduz, obrigatoriamente, à nulidade, conforme
decidido no HC 365.008-PB.
II – INCORRETA - Segundo o art. 479 do CPP: “Durante o julgamento não será permitida a leitura
de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos autos com a antecedência
mínima de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte.” O prazo de 3 dias úteis a que se
refere o art. 479 do CPP deve ser respeitado não apenas para a juntada de documento ou objeto,
mas também para a ciência da parte contrária a respeito de sua utilização no Tribunal do Júri. Em
outras palavras, não só a juntada, mas também a ciência da parte interessada deve ocorrer até 3
dias úteis antes do início do júri. STJ. 6ª Turma. REsp 1637288-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 8/8/2017 (Info 610).
III – CORRETA - Ocorrido o desmembramento da ação penal que imputava aos coacusados a
prática de homicídio doloso tentado decorrente da prática de "racha", a desclassificação em
decisão do Tribunal do Júri do crime de homicídio doloso tentado para o delito de lesões corporais
graves ocorrida em benefício do corréu (causador direto da colisão da que decorreram os
ferimentos suportados pela vítima) é extensível, independentemente de recurso ou nova decisão
do Tribunal Popular, a outro corréu (condutor do outro veículo) investido de igual consciência e
vontade de participar da mesma conduta e não responsável direto pelas citadas lesões. STJ. 6ª
Turma. RHC 67383-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Rel. para acórdão Min. Sebastião
Reis Júnior, julgado em 5/5/2016 (Info 583).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
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3- Assinale a alternativa INCORRETA.


a) A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal defensiva, deve ser
quesitada ao Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de desclassificação em razão da
ausência de animus necandi.
b) A desclassificação do crime doloso contra a vida para outro de competência do juiz singular
promovida pelo Conselho de Sentença em plenário do Tribunal do Júri, mediante o
reconhecimento da denominada cooperação dolosamente distinta, pressupõe a elaboração de
quesito acerca de qual infração menos grave o acusado quis participar.
c) O direito de a defesa recusar imotivadamente até três jurados é garantido em relação a cada
um dos réus, ainda que as recusas tenham sido realizadas por um só defensor.
d) Ainda que a defesa alegue que a absolvição se deu por clemência do Júri, admite-se, mas desde
que por uma única vez, o provimento de apelação fundamentada na alegação de que a decisão
dos jurados contrariou manifestamente à prova dos autos.
e) A leitura, pelo Ministério Público, da sentença condenatória de corréu proferida em julgamento
anterior não gera nulidade de sessão de julgamento pelo conselho de sentença.
Gabarito: B
a) A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal defensiva, deve ser
quesitada ao Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de desclassificação em razão da
ausência de animus necandi. Assim, nos casos em que a tese principal for absolutória (ex: legítima
defesa), o quesito de absolvição deve ser formulado antes que o de desclassificação (tese
subsidiária). Isso se justifica com o objetivo de garantir a plenitude da defesa, já que a absolvição é
mais vantajosa do que a mera desclassificação para outro crime menos grave. STJ. 6ª Turma. REsp
1509504-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 27/10/2015 (Info 573).
b) A desclassificação do crime doloso contra a vida para outro de competência do juiz singular
promovida pelo Conselho de Sentença em plenário do Tribunal do Júri, mediante o
reconhecimento da denominada cooperação dolosamente distinta (art. 29, § 2º, do CP), não
pressupõe a elaboração de quesito acerca de qual infração menos grave o acusado quis participar.
Assim, não há falar em ocorrência de nulidade absoluta no julgamento pelo Tribunal do Júri, por
ausência de quesito obrigatório, na hipótese em que houve a efetiva quesitação acerca da tese da
desclassificação, ainda que sem indicação expressa de qual crime menos grave o acusado quis
participar. Afastada pelos jurados a intenção do réu em participar do delito doloso contra a vida
em razão da desclassificação promovida em plenário, o juiz natural da causa não é mais o Tribunal
do Júri, não competindo ao Conselho de Sentença o julgamento do delito, e sim ao juiz presidente
do Tribunal do Júri, nos termos do que preceitua o art. 492, § 1º, primeira parte, do CPP. STJ. 6ª
Turma. REsp 1501270-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 1º/10/2015 (Info
571).
c) O direito de a defesa recusar imotivadamente até 3 jurados é garantido em relação a cada um
dos réus, ainda que as recusas tenham sido realizadas por um só defensor (art. 469 do CPP). De
acordo com o art. 468, caput, do CPP, o direito a até 3 recusas imotivadas é da parte. Como cada
réu é parte no processo, se houver mais de um réu, cada um deles terá direito à referida recusa.
Dessa forma, o direito às três recusas imotivadas é garantido ao acusado, e não à defesa, ou seja,
cada um dos réus terá direito às suas três recusas imotivadas ainda que possuam o mesmo
advogado, sob pena de violação da plenitude de defesa. STJ. 6ª Turma. REsp 1540151-MT, Rel.
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 8/9/2015 (Info 570).
d) Ainda que a defesa alegue que a absolvição se deu por clemência do Júri, admite-se, mas desde
que por uma única vez, o provimento de apelação fundamentada na alegação de que a decisão
dos jurados contrariou manifestamente à prova dos autos (art. 593, III, "d", do CPP). STJ. 6ª Turma.
REsp 1451720-SP, Rel. originário Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 28/4/2015 (Info 564).
e) Imagine que duas pessoas tenham praticado, em conjunto, homicídio. Uma delas foi julgada
primeiro, tendo sido condenada. No julgamento do segundo réu, durante os debates no Plenário
do Júri, o Promotor de Justiça leu a sentença que condenou o primeiro réu. Houve nulidade por
violação do art. 478, I, do CPP? NÃO. A leitura, pelo Ministério Público, da sentença condenatória
de corréu proferida em julgamento anterior não gera nulidade de sessão de julgamento pelo
conselho de sentença. Segundo decidiu o STF, o art. 478, I, não proíbe que se leia a sentença
condenatória de corréu no mesmo processo. Logo, não é possível falar que houve
descumprimento da regra prevista nesse dispositivo. STF. 1ª Turma. RHC 118006/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 10/2/2015 (Info 774).
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
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4- Assinale a alternativa INCORRETA de acordo com as disposições do Código de Processo Penal.
a) Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou
a segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento do Ministério Público, do assistente,
do querelante ou do acusado ou mediante representação do juiz competente, poderá determinar
o desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles
motivos, preferindo-se as mais próximas.
b) A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa, filosófica ou política importará no
dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos, enquanto não
prestar o serviço imposto.
c) O Tribunal do Júri é composto por um juiz togado, seu presidente e por vinte e cinco jurados
que serão sorteados dentre os alistados, sete dos quais constituirão o Conselho de Sentença em
cada sessão de julgamento.
d) Salvo motivo relevante que autorize alteração na ordem dos julgamentos, terão preferência os
acusados precedentemente pronunciados, os acusados presos e dentre os acusados presos,
aqueles que estiverem há mais tempo na prisão.
e) Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do
Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de cinco
dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de cinco,
oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.

Gabarito: D
a) Art. 427, CPP. Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a
imparcialidade do júri ou a segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento do
Ministério Público, do assistente, do querelante ou do acusado ou mediante representação do juiz
competente, poderá determinar o desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma
região, onde não existam aqueles motivos, preferindo-se as mais próximas.
b) Art. 438, CPP. A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa, filosófica ou política
importará no dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos,
enquanto não prestar o serviço imposto.
c) Art. 447, CPP. O Tribunal do Júri é composto por 1 (um) juiz togado, seu presidente e por 25
(vinte e cinco) jurados que serão sorteados dentre os alistados, 7 (sete) dos quais constituirão o
Conselho de Sentença em cada sessão de julgamento.
d) Art. 429, CPP. Salvo motivo relevante que autorize alteração na ordem dos julgamentos, terão
preferência:
I – os acusados presos;
II – dentre os acusados presos, aqueles que estiverem há mais tempo na prisão;
III – em igualdade de condições, os precedentemente pronunciados.
e) Art. 422, CPP. Ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do
órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de
5 (cinco) dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5
(cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligência.

5- Com relação ao Tribunal do Júri, assinale a alternativa CORRETA.


a) A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de
função estabelecido pela Constituição estadual.
b) A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do Tribunal do Júri e não o juiz
singular.
c) É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do Júri sem
audiência da defesa.
d) É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de juiz que funcionou em julgamento
anterior do mesmo processo.
e) O efeito devolutivo da apelação contra decisões do Júri não é adstrito aos fundamentos da sua
interposição.

Gabarito: C
a) Súmula vinculante 45-STF: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o
foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual.
b) Súmula 603-STF: A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e
não do Tribunal do Júri.
c) Súmula 712-STF: É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência
do Júri sem audiência da defesa.
d) Súmula 206-STF: É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que
funcionou em julgamento anterior do mesmo processo.
e) Súmula 713-STF: O efeito devolutivo da apelação contra decisões do Júri é adstrito aos
fundamentos da sua interposição.

6- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Não há nulidade na decisão que indefere pedido de incidente de falsidade referente à prova
juntada aos autos há mais de 10 anos e contra a qual a defesa se insurge somente após a
prolação da sentença penal condenatória.
II – Eventual irregularidade na informação acerca do direito de permanecer em silêncio é causa
de nulidade absoluta, o prejuízo se presume da possibilidade de eventual condenação.
III – A ausência de contrarrazões à apelação do Ministério Público não é causa de nulidade por
cerceamento de defesa se o defensor constituído pelo réu foi devidamente intimado para
apresentá-las, mas não o fez.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: C
I – CORRETA - Não há nulidade na decisão que indefere pedido de incidente de falsidade referente
à prova juntada aos autos há mais de 10 anos e contra a qual a defesa se insurge somente após a
prolação da sentença penal condenatória, uma vez que a pretensão está preclusa. STJ. 5ª
Turma.RHC 79834-RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 07/11/2017 (Info 615).
II – INCORRETA - Eventual irregularidade na informação acerca do direito de permanecer em
silêncio é causa de nulidade relativa, cujo reconhecimento depende da alegação em tempo
oportuno e da comprovação do prejuízo. O simples fato de o réu ter sido condenado não pode ser
considerado como o prejuízo. É o caso, por exemplo, da sentença que condena o réu
fundamentando essa condenação não na confissão, mas sim no depoimento das testemunhas, da
vítima e no termo de apreensão do bem. STJ. 5ª Turma. RHC 61754/MS, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 25/10/2016.
III – CORRETA - Não há que se falar em nulidade do julgamento da apelação interposta pelo
Ministério Público se a defesa, regularmente intimada para a apresentação de contrarrazões,
permanece inerte. Em outras palavras, a ausência de contrarrazões à apelação do Ministério
Público não é causa de nulidade por cerceamento de defesa se o defensor constituído pelo réu foi
devidamente intimado para apresentá-las, mas não o fez. STF. 1ª Turma. RHC 133121/DF, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/o acórdão Min. Edson Fachin julgado em 30/8/2016 (Info 837).
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7- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Diante do trânsito em julgado de duas sentenças condenatórias contra o mesmo condenado,
por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação que transitou em julgado em primeiro lugar.
II – A sustentação oral do representante do Ministério Público que diverge do parecer juntado
ao processo, com posterior ratificação, não viola a ampla defesa.
III – Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado constituído nos autos e a intimação
para a sessão de julgamento ocorre em nome de apenas um dos causídicos que, no entanto, já
havia falecido, mas cuja morte não tinha sido comunicada ao Tribunal.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: A
I – CORRETA - Diante do duplo julgamento do mesmo fato, deve prevalecer a sentença que
transitou em julgado em primeiro lugar. Diante do trânsito em julgado de duas sentenças
condenatórias contra o mesmo condenado, por fatos idênticos, deve prevalecer a condenação que
transitou em primeiro lugar. STJ. 6ª Turma. RHC 69586-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel.
Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 27/11/2018 (Info 642). Os institutos da litispendência
e da coisa julgada direcionam à insubsistência do segundo processo e da segunda sentença
proferida, sendo imprópria a prevalência do que seja mais favorável ao acusado. STF. 1ª Turma.
HC 101131, Rel. Min. Luiz Fux, Rel p/ Acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 25/10/2011.
II – CORRETA - A sustentação oral do representante do Ministério Público que diverge do parecer
juntado ao processo, com posterior ratificação, não viola a ampla defesa. STF. 1ª Turma. HC
140780/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 30/10/2018 (Info 922).
III – CORRETA - Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado constituído nos autos e a
intimação para a sessão de julgamento ocorre em nome de apenas um dos causídicos que, no
entanto, já havia falecido, mas cuja morte não tinha sido comunicada ao Tribunal. Vale ressaltar
que, neste caso, não havia pedido da defesa para que todos os advogados fossem intimados ou
para que constasse o nome de um causídico em específico nas publicações. Assim, estando o réu
representado por mais de um advogado, basta, em regra, que a intimação seja realizada em nome
de um deles para a validade dos atos processuais, salvo quando houver requerimento expresso
para que as publicações sejam feitas de forma diversa. STJ. 5ª Turma. HC 270.534/SC, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 07/03/2017. STF. 1ª Turma. HC 138097/SP, Rel. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921). Cumpre esclarecer, no
entanto, que, se, no processo estivesse atuando apenas um advogado, neste caso, haveria
nulidade: A intimação do julgamento da apelação em nome do advogado falecido do réu, único
causídico constituído nos autos, configura cerceamento de defesa apto a ensejar a nulidade
absoluta, já que impossibilitou a interposição de recurso pela defesa. STJ. 5ª Turma. HC
307.461/CE, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 14/08/2018. STJ. 6ª Turma. HC 301.274/CE,
Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 23/10/2018.
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8- Assinale a alternativa INCORRETA.


a) É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do único
defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.
b) Não constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao
recurso interposto da rejeição da denúncia, a suprindo a nomeação de defensor dativo
c) No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o
anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
d) É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção.
e) No processo penal, é nulo o exame realizado por um só perito não oficial, considerando-se
impedido o que tiver funcionando anteriormente na diligência de apreensão.

Gabarito: B
a) Súmula 708-STF: É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da
renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.
b) Súmula 707-STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de
defensor dativo
c) Súmula 523-STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua
deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
d) Súmula 706-STF: É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por
prevenção.
e) Súmula 361-STF: No processo penal, é nulo o exame realizado por um só perito, considerando-
se impedido o que tiver funcionando anteriormente na diligência de apreensão. • Válida,
mas deve ser feita uma ressalva: o Enunciado 361/STF é aplicável apenas nos casos em que a
perícia for realizada por peritos não oficiais. • Se a perícia for realizada por perito oficial:
basta um único perito. • Se a perícia for realizada por perito não oficial: serão necessários
dois peritos não oficiais. • Assim, para que a perícia seja válida, é necessário que ela seja
realizada: a) por um perito oficial; ou b) por dois peritos não oficiais. • Vide art. 159, caput e §
1º do CPP.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
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9- Com relação às nulidades, assinale a alternativa CORRETA.


a) No procedimento do Júri, a contradição dos jurados nas respostas dos quesitos não é causa de
nulidade.
b) A incompetência do juízo é causa de nulidade absoluta, devendo o processo, ser remetido ao
juiz competente o qual repetirá todos os atos processuais já realizados.
c) A nulidade de um ato, uma vez declarada, causará a dos atos que dele diretamente dependam
ou sejam consequência.
d) Não pode ser sanada a nulidade por ilegitimidade do representante da parte.
e) Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a defesa.

Gabarito: C
a) Art. 564, Parágrafo único, CPP. Ocorrerá ainda a nulidade, por deficiência dos quesitos ou das
suas respostas, e contradição entre estas.
b) Art. 567, CPP. A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo,
quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente.
c) Art. 573, CPP. Os atos, cuja nulidade não tiver sido sanada, na forma dos artigos anteriores,
serão renovados ou retificados.
§ 1o A nulidade de um ato, uma vez declarada, causará a dos atos que dele diretamente
dependam ou sejam conseqüência.
§ 2o O juiz que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende.
d) Art. 568, CPP. A nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá ser a todo tempo
sanada, mediante ratificação dos atos processuais.
e) Art. 563, CPP. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa.

10- Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.


I – Ainda que o réu tenha constituído advogado antes do oferecimento da denúncia e o patrono
tenha atuado, por determinação do Juiz, durante toda a instrução criminal, é nula a ação penal
que tenha condenado o réu sem a sua presença, o qual não foi citado nem compareceu
pessoalmente a qualquer ato do processo, inexistindo prova inequívoca de que tomou
conhecimento da denúncia.
II – Não gera nulidade do processo o fato de, em audiência de instrução, o magistrado, após o
registro da ausência do representante do MP, complementar a inquirição das testemunhas
realizada pela defesa, sem que o defensor tenha se insurgido no momento oportuno nem
demonstrado efetivo prejuízo.
III – A defesa técnica realizada por advogado, suspenso pela OAB, é irregularidade processual
que não demanda a demonstração do efetivo prejuízo a ensejar a declaração de nulidade.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II e III estão corretas.
e) Todas estão incorretas

Gabarito: B
I – CORRETA - Ainda que o réu tenha constituído advogado antes do oferecimento da denúncia —
na data da prisão em flagrante — e o patrono tenha atuado, por determinação do Juiz, durante
toda a instrução criminal, é nula a ação penal que tenha condenado o réu sem a sua presença, o
qual não foi citado nem compareceu pessoalmente a qualquer ato do processo, inexistindo prova
inequívoca de que tomou conhecimento da denúncia. STJ. 6ª Turma. REsp 1580435-GO, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/3/2016 (Info 580).
II – CORRETA - Não gera nulidade do processo o fato de, em audiência de instrução, o magistrado,
após o registro da ausência do representante do MP (que, mesmo intimado, não compareceu),
complementar a inquirição das testemunhas realizada pela defesa, sem que o defensor tenha se
insurgido no momento oportuno nem demonstrado efetivo prejuízo. STJ. 6ª Turma. REsp
1348978-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Rel. para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em
17/12/2015 (Info 577).
III – INCORRETA - Qual é a consequência processual do réu ter sido defendido no processo por um
advogado que esteja suspenso ou licenciado da OAB? • Lei: o art. 4º, parágrafo único, da Lei
8.906/94 afirma que são NULOS os atos praticados por esse advogado. • Posição do STJ: a defesa
técnica realizada por advogado, ainda que suspenso pela OAB, é irregularidade processual que
demanda a demonstração do efetivo prejuízo a ensejar a declaração de nulidade. STJ. 5ª Turma.
AgRg no REsp 1295765/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 01/10/2015.
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
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