Você está na página 1de 9

Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)

Para começar, devemos lembrar que a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, institui a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), alterando a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que trata
das sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente.

Em seguida, temos o Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010, que regulamenta a Lei nº


12.305/2010, que institui a PNRS e cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos
Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa.

Um dos objetivos estabelecidos é a prioridade dada à gestão dos resíduos, que deixa de ser
voluntária e passa a ser obrigatória, estabelecendo a diferença entre dois conceitos:

Resíduo - Deve ser reaproveitado;

Rejeito - Deve receber uma disposição final, visto que não apresentam qualquer possibilidade de
reaproveitamento.

A PNRS tem como objetivo principal a proteção da saúde e da qualidade ambiental, valendo-se,
portanto, dos princípios da Ecologia Industrial a respeito da não geração, redução, reutilização,
reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como das formas adequadas de disposição final
dos rejeitos.

Lei nº 12.305/ 2010

A Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010, instituiu a PNRS, que buscou regulamentar uma gestão
integrada e o gerenciamento dos resíduos sólidos, no sentido de proteger a saúde pública e a
qualidade do ambiente.

Para tanto, trouxe a clarificação do entendimento sobre resíduos sólidos:

(...) Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em


sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder,
nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água,
ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis, em face da melhor tecnologia
disponível (art. 3º, XVI).

Assim, a partir dos princípios da Ecologia Industrial, a lei coloca como objetivos a não geração,
redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos e a disposição final responsável
dos rejeitos.

Aprovada a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos

O projeto de lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos tramitou por aproximadamente 20 anos no
Congresso Nacional, até sua promulgação.
Vários estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará e Pernambuco, já haviam promulgado leis
estaduais determinando diretrizes e normas de prevenção e controle da poluição.

Essa lei é ampla e contempla os anseios da sociedade em prol da preservação ambiental, tal como
vem expresso na Constituição Federal (art. 225)Estão sujeitas à sua observância pessoas físicas e
jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de
resíduos sólidos e aquelas que desenvolvem ações relacionadas à gestão integrada ou ao
gerenciamento de resíduos sólidos (art. 1º, § 1º).

A implantação da PNRS aponta para a necessidade de desenvolvimento científico e tecnológico,


além da possibilidade de utilização de ferramentas tecnológicas já conhecidas.

Estudo da Ecologia Industrial

Sabemos que as indústrias são alimentadas por energia, matéria-prima e água, cuja transformação
resulta em produtos e resíduos.

A ideia de Ecologia Industrial está voltada para ações cujo objetivo seja evitar o desperdício de
materiais e energia, minimizando a geração de resíduos e encontrando formas de reincorporá-los
aos ciclos produtivos.

Portanto, o estudo da Ecologia Industrial visa dinamizar a circulação desse fluxo de materiais,
aumentando seu aproveitamento e balanceando os fluxos de entrada e saída, de modo que o
equilíbrio do ambiente seja preservado.

Assim, evitam-se impactos ambientais, o que entendemos como a base para o desenvolvimento
sustentável, de modo a gerenciar a produção de resíduos e rejeitos, desde a obtenção da matéria-
prima, a manufatura, até o consumo e o descarte final.
Outro ponto importante é o gerenciamento dos resíduos sólidos nos aspectos econômico e social.

Temos observado que ainda não há um mercado capaz de assimilar os custos para a separação e
armazenamento de alguns materiais descartados considerados resíduos ou rejeitos.

Esta questão necessita ser abordada, de modo que receba o suporte de estudos focados na
viabilização econômica dos procedimentos, na caracterização dos resíduos, em ações que
promovam a educação ambiental e o envolvimento do terceiro setor.

Também se faz necessário elaborar planos de armazenamento, de organização e de transporte.

Novo conceito

A Ecologia Industrial é uma nova forma de relação entre a indústria e o meio ambiente, observada
nos países industrializados, ainda que seja relativamente desconhecida nos meios acadêmico e
empresarial.

Até os anos 1950, os estudos ligados às atividades industrializadas concentravam-se apenas nas
consequências da poluição produzida, esquecendo-se de levar em consideração as causas.

Tal comportamento é hoje conhecido como “tratamento de fim de tubo”, expressão que tem sido
utilizada a partir do inglês, end of pipe, relativo a processos industriais que possuem controle apenas
na etapa final.
Um exemplo é a instalação de filtros para a retenção de poluentes em chaminés nas fábricas,
enquanto as várias etapas do processo industrial continuam gerando poluentes.

Isto promoveu a paulatina substituição desta forma de procedimento por tecnologias limpas, que
proporcionam menores custos de produção e minimizam os riscos ambientais.

A Ecologia Industrial, portanto, adota uma abordagem mais realista, inserindo os sistemas industriais
no ambiente, uma vez que ele depende dos recursos naturais, e não pode ser visto de forma
dissociada da natureza.

Aprimorando o ciclo de materiais

Não temos um consenso quanto à definição da Ecologia Industrial, mas não há como negar que se
trata de um sistema com uma visão integrada com a biosfera, salientando sobretudo o substrato
biofísico (lugar e ambiente) das atividades humanas e os limites da capacidade de carga do planeta e
da região na qual se projeta um empreendimento.

Sua proposta é completar os ciclos de vida dos materiais através da sua reutilização ou reciclagem
após sua utilização, de forma a aproveitar ao máximo o valor dos resíduos, que se tornam matéria-
prima para outra atividade.

Trata-se de uma visão sistêmica que pretende aprimorar o ciclo de materiais, desde a matéria-prima
até seu processamento e fim de vida.

Desse modo, busca-se prevenir a poluição, promover a reciclagem e a reutilização, o uso eficiente
dos recursos e insumos para a produção e estender a vida dos produtos industriais.

Partimos do princípio de que é possível organizar todo o fluxo de matéria e de energia que circula no
sistema industrial, de maneira a torná-lo um circuito quase inteiramente fechado, a partir do
relacionamento de indústrias entre si.

Assim, o calor produzido em uma empresa, antes dissipado no ambiente, pode servir para o
processo produtivo em outra empresa.

O rejeito de uma atividade industrial pode ainda tornar-se insumo ou matéria-prima de uma terceira
empresa, revelando uma dinâmica integrada entre parques ecoindustriais.

Ferramentas da Ecologia Industrial

A Ecologia Industrial mostra que não se pode continuar realizando avaliações fragmentadas de
impactos ambientais causados pela produção industrial.

As oportunidades de redução da geração de rejeitos e do consumo de matérias primas e energia


devem ser analisadas de forma sistêmica.

Análise do ciclo de vida (ACV)

A análise do ciclo de vida de um produto, observando desde as fases de extração, transporte,


transformação, uso, descarte e reciclagem, é um instrumento de aplicação da Ecologia Industrial.
Com ele, torna-se possível identificar os impactos ambientais, sociais e econômicos associados aos
processos necessários à utilização de um produto ou um serviço.

Todo o fluxo de energia e de matérias empregados na história de um produto ou serviço compõe


seu ciclo de vida.

Devemos notar que a análise do produto deve ser acompanhada da avaliação do processo de
produção para que, sob a visão sistêmica, as interações do projeto com o meio ambiente possam ser
compreendidas tanto em sua dimensão espacial como temporal.

As normas da família ISO 14.040 contêm as diretrizes, requisitos, princípios e estruturas voltados
para a aplicação na ACV.

Desmaterialização da produção

A ideia de desmaterialização da produção surge como forma de se tentar obter mais serviços e bens
a partir de uma quantidade menor de matéria-prima, além de ter em vista o prolongamento da
durabilidade do produto, aumentando sua vida útil.

É, sem dúvida, uma atividade fundamental para a implantação de um sistema de gestão ambiental.

Ao aplicar os princípios da ecologia industrial, as empresas – entendidas aqui como ecorresponsáveis


– eliminam resíduos, reduzem desperdícios, fazem seus fornecedores reduzirem as emissões de
carbono e promovem a eficiência energética, redesenhando processos de produção, que passam a
reciclar e reutilizar recursos e reduzir impactos.

Ecoeficiência

Outro desafio é a promoção ou a adoção de tecnologias limpas e de processos de produção e de


gestão preocupados com a saúde e a segurança tanto de seus trabalhadores como de seus
consumidores.

O conceito também está relacionado ao uso de tecnologias que utilizam recursos renováveis e
processos de baixo ou nenhum impacto ambiental e a tecnologias que buscam eficiência energética
ou a utilização de recursos naturais alternativos.

A ecoeficiência corresponde a um novo conceito de gestão, que tende a promover maior eficiência
nos processos produtivos de uma empresa, visando ao aumento da qualidade dos produtos e dos
serviços prestados, intensificando sua competitividade.

O conceito engloba, ainda, ferramentas como a prevenção da poluição e produção limpa.

No Brasil, esse movimento tem se fortalecido a partir do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro
para o Desenvolvimento Sustentável). http://cebds.org/

Projeto para o ambiente

Outra ferramenta da Ecologia Industrial que pode ser utilizada na indústria é o Projeto para o
Ambiente (Design for the Environment, ou DfE), que examina todo o ciclo de vida do produto e
propõe alterações no projeto, de forma a minimizar o impacto ambiental do processo, integrando a
preocupação com o meio ambiente em cada etapa do ciclo de vida do produto.

A reciclagem também é uma ferramenta fundamental.

Os resíduos produzidos durante o processo produtivo, ou durante o consumo dos produtos, podem
ser reaproveitados como insumos na cadeia produtiva, por meio de processos de reciclagem.

No caso dos resíduos perigosos, sem possibilidade de reaproveitamento, é importante que se


procurem soluções para o seu tratamento e disposição final, solução que seja ambientalmente
adequada e responsável.

Torna-se, por isso, outra ferramenta da ecologia industrial: o tratamento e disposição final dos
resíduos não utilizáveis e rejeitos.

Materias Primas
Industrias Vidreiras

Envasadores

Embalagens

Distribuição

Consumidores

Coleta

Limpeza Seleção

Trituração

Logística reversa e remanufatura

Por meio das ferramentas logística reversa e remanufatura os resíduos podem ser reaproveitados
diretamente na manufatura do produto.

A importância deste processo reside em dois pontos:

 As regulamentações, que exigem o tratamento de produtos após seu uso, como as


embalagens de agrotóxicos ou baterias de celulares;

 A possibilidade de valorizar o que seria lixo, incentivando a reutilização de sobras industriais,


partes de equipamentos e sucatas em geral.

De modo geral, três fatores estimulam o retorno de produtos:

 A consciência cada vez maior da população para a importância de reciclar e de se preocupar


com o meio ambiente;

 Tecnologias capazes de reaproveitar componentes e aumentar a reciclagem sempre em


desenvolvimento;

 As questões legais, que obrigam as empresas a recolherem e disporem apropriadamente os


produtos após o uso.

Importância das ferramentas da Ecologia Industrial

Com o emprego das ferramentas da Ecologia Industrial, observamos que os produtores passam a
conhecer mais profundamente o processo do qual fazem parte.

As práticas de produção mais limpa e prevenção à poluição podem melhorar o desempenho, uma
vez que se voltam para a análise do detalhamento do processo.
Assim, nos dão a oportunidade de pensar e utilizar abordagens mais sofisticadas e adequadas, que
antes não seriam levadas em consideração graças a um planejamento menos atento ao que se tem
desenvolvido nesta área nas últimas décadas

Certamente uma abordagem sistêmica permite visualizar que produtos e processos não impactantes
ao ambiente não são somente aqueles que foram produzidos a partir de técnicas inovadoras que
minimizam o impacto imediato causado pela fabricação, mas também os que são devidamente
planejados com responsabilidade ambiental.

Nesta aula, você:

 Entendeu o que é Ecologia Industrial;


 Conheceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos;
 Identificou a importância das ferramentas de gestão nesse processo.

Na próxima aula, você vai estudar:

 A origem do petróleo;
 As formas de exploração e refino do petróleo;
 As características químicas do petróleo.

 AMBIPRIME CONSULTORIA E GESTÃO AMBIENTAL LDA. Ecologia Industrial. Disponível


aqui. Acesso em 3 mai. 2013.
 INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS. IPT. Quem somos. Disponível aqui.
Acesso em 3 mai. 2013.
 TEIXEIRA, Cláudia Echevenguá; YOSHIKAWA, Nestor Kenji. Ecologia Industrial e
sustentabilidade: tecnologias para impulsionar a Política Nacional de Resíduos
Sólidos. Disponível aqui. Acesso em 3 mai. 2013.
 Acesse o site do Ministério do Meio Ambiente, disponível aqui. Acesso em 3 mai.
2013.
 Conheça a Lei nº 12.305/2010, disponível aqui. Acesso em 3 mai. 2013.
 Conheça o Decreto nº 7.404/2010, disponível aqui. Acesso em 3 mai. 2013.
 Veja o infográfico Ferramentas da Ecologia Industrial, disponível aqui. Acesso em 3
mai. 2013.