1.
O PROJETO
O Projeto Sala Verde, coordenado pelo Departamento de Educação Ambiental do
Ministério do Meio Ambiente (DEA/MMA) consiste no incentivo à implantação de espaços
socioambientais para atuarem como potenciais Centros de informação e Formação
ambiental. A dimensão básica de qualquer Sala Verde é a disponibilização e
democratização da informação ambiental e a busca por maximizar as possibilidades dos
materiais distribuídos, colaborando para a construção de um espaço, que além do acesso
à informação, ofereça a possibilidade de reflexão e construção do pensamento/ação
ambiental.
Sala Verde é um espaço definido, vinculado a uma instituição pública ou privada, que
poderá se dedicar a projetos, ações e programas educacionais voltados à questão
ambiental. Deve cumprir um papel dinamizador, numa perspectiva articuladora e
integradora, viabilizando iniciativas que propiciem uma efetiva participação dos diversos
segmentos da sociedade na gestão ambiental, seguindo uma pauta de atuação permeada
por ações educacionais, que caminhem em direção à sustentabilidade.
O Projeto Salas Verdes possui atualmente 357 salas espalhadas por todo o país. As
instituições participantes do projeto estão distribuídas em quase todos estados e no
Distrito Federal. Estão localizadas, em sua maioria, em prefeituras municipais, secretarias
de meio ambiente, secretarias de educação, institutos federais e universidades, mas
também em conselhos gestores de Unidades de Conservação (UCs) e organizações não
governamentais.
A região Sudeste possui o maior número de Salas Verdes no país, com o total de 129. Na
região Sul são 88 Salas cadastradas e no Nordeste são 81 unidades. A região Centro-
Oeste possui 34 Salas Verdes e a Região Norte 25 espaços. Para conhecer melhor onde
se localizam as Salas Verdes, acesse a seção Salas Verdes no Brasil.
A participação no Projeto Salas Verdes é realizada por meio de Editais lançados pelo
Departamento de Educação Ambiental.
1.1. Concepção
O Projeto Sala Verde foi inicialmente concebido com foco considerável no caráter
biblioteca verde que estes espaços poderiam assumir, e a partir do desenvolvimento e da
evolução do Projeto passou-se a visualizar as Salas Verdes como espaços com múltiplas
potencialidades, que além da disponibilização e democratização do acesso às
informações, podem desenvolver atividades diversas de Educação Ambiental como:
cursos, palestras, oficinas, eventos, encontros, reuniões, campanhas.
O Departamento de Educação Ambiental (DEA) parte da compreensão de que a Sala
Verde deve cumprir um papel de dinamizadora de espaços/iniciativas já existentes, numa
perspectiva articuladora e integradora. A Sala Verde pode e deve estabelecer parcerias
locais e regionais, com autonomia e iniciativa própria, contando com a possibilidade de
apoio institucional.
Cada Sala Verde é única, não há um padrão pré-definido ou um formato modelo para ela.
Cada instituição deve configurá-la à sua maneira, levando em consideração a identidade
institucional e o público com quem trabalha, dialogando as potencialidades com as
particularidades locais e regionais e, também deve buscar orientar as ações, através de
um processo constante e continuado de construção, implementação, avaliação e revisão
de seu Projeto Político Pedagógico.
Entendemos que o Projeto Político Pedagógico (PPP) é o que explicita os porquês da Sala
Verde; os comos, o quando, o onde, o quanto, além de outras questões de cunho político e
pedagógico.
1.2. Histórico
O Ministério do Meio Ambiente por meio do Centro de Informação e Documentação (CID
Ambiental) passou a incentivar a implantação de Salas Verdes no ano 2000. Esta foi uma
estratégia de encaminhar as demandas que estavam surgindo referentes a um apoio maior
do Ministério do Meio Ambiente para além da mera distribuição de livros e materiais
ambientais. No período anterior ao ano 2000, o que vinha ocorrendo é que todos os
públicos que acessavam e visitavam as dependências do CID Ambiental solicitavam
materiais, publicações e informações para que eles próprios pudessem levar a seus
municípios, e por conta própria disponibilizá-los à população interessada no tema. Este
processo, entendido como sendo o embrião do Projeto Sala Verde demonstrou-se num
primeiro momento positivo, por avançar na direção na disseminação de informações e
materiais produzidos e/ou disponibilizados pelo Ministério do Meio Ambiente, mas num
segundo momento deparou-se em algumas dificuldades:
- Falta de garantia de que aqueles materiais e informações estivessem sendo efetivamente
disponibilizados à população do município/região em questão;
- Carência de informações complementares posteriormente à retirada do material por parte
destes técnicos e gestores;
- A disponibilização de materiais ficava restrita a pessoas e instituições que acessavam
diretamente ao CID Ambiental, requerendo no mínimo uma visita (presencial) a Brasília,
característica esta que se tornava um fator excludente à maioria dos municípios e
organizações, especialmente aqueles considerados menores;
- Criava-se uma relação muito mais entre CID/MMA e as pessoas que retiravam os
materiais do que a nível inter-institucional;
- Carência de estratégias de monitoramento e avaliação da utilização destes materiais nos
municípios envolvidos.
Embora com estas dificuldades, o Projeto Sala Verde avançou consideravelmente no
estímulo a implantação de Salas Verdes pelo país, especialmente no período
compreendido entre os anos de 2000 a 2004 (neste último até o primeiro semestre). Nesta
fase o processo de implantação de Salas Verdes baseou-se no modelo de Atendimento a
Demandas Espontâneas, seguindo a estratégia descrita acima, alcançando resultados
satisfatórios.
A partir de 2004 o projeto passou a ser reformulado, sofrendo algumas alterações:
- sua coordenação passou a ser feita pelo Departamento de Educação Ambiental, junto ao
qual ficou vinculado o CID Ambiental;
- todas as estratégias e linhas de ação do Projeto foram rediscutidas, em virtude dos
problemas identificados e em função do novo ordenamento político, pessoal (técnico) e
orçamentário.
A fase atual do Projeto Sala Verde foi implementada a partir do segundo semestre de
2004, através da realização de algumas ações:
- formulação e lançamento do Edital 01/2004, como um novo mecanismo de incentivo a
implantação de Salas Verdes pelo país (Este Edital foi denominado como sendo Manual
Orientador 01/2004 e passou a configurar-se como uma estratégia de indução de Salas
Verdes, sendo lançada com periodicidade variável);
- mapeamento e diagnóstico de todas as Salas Verdes implantadas no período pré 2004;
- diálogo e estímulo ao estabelecimento de parcerias, como uma nova estratégia de
implantação de Salas Verdes pelo país; dentre outras ações.
Nos anos de 2004 e 2005, os Manuais do Processo Seletivo mantiveram suas
características estruturantes, mas foram orientados de acordo com as demandas, com a
necessidade de integração com outras ações e projetos do DEA e do MMA. Outro aspecto
que orientou a elaboração dos manuais foi a busca de equiparação da representatividade
do projeto nas regiões, com vistas a priorizar as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
(Manual 01/2004) e estimular a presença da ação em todos os Estados do país (Manual
01/2005).
As metas de desenvolvimento da ação avançaram e culminaram na descentralização do
processo de seleção com o lançamento do Manual do Processo Seletivo 01/2006. Foram
instituídas 17 câmaras técnicas temporárias de análise que receberam propostas de seu
Estado para análise e orientação do processo de seleção e de ajuste de propostas.
Atualmente, as Salas Verdes representam um potencial de capilaridade e de integração de
políticas públicas,que pode ser representado pela pluralidade de suas propostas, pela
diversidade do público atendido e pelos vários tipos de instituições que aportam Salas
Verdes.