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TRATADO

DESCRIPTIYO DO B1MZ1L
EM 1587,
OBRA DK

GABRIEL SOARES DE SOUZA,
Êwjhor de rngenlio da Bahia, o'eUa residente dezetete aonot, teu vereadar da Câmara, etc.

BdiçAo castigada pelo ettudo • exame de muito • oodioei minuicripto» exittentet no Braail, em Portugal , Hespanka e Fraooa, • aoormeentada de algun» ooinmenUrioi 4 obra por Praaaitco Adolpbo de Varnhagen.

5£© D 3 J.41T3SaO
TYPOGRAPHIA UNIVERSAL DE LAEMMERT Rua do* Inválidos, 61 B. AdMH da renda e adraiUenvse subscripções unicamente na loja de 1'auU Brito, Prata da Constituirão n.« 64

1851

Em virtude da resolução da Mesa Administrativa, será considerado fraudulentamente vendido on adquirido todo o exemplar que , nesta pagina não esteja devidamente carimbado coiqjxjhiAre áa.lmtltuto.

H *è?~sTO'R»

AO

LVSTITITO HISTÓRICO DO BR.UIL.

SENHORES.

Sabeis como a presente obra de Gabriel Soares, talvez a mais admirável de quantas em portuguez produziu o século quinhentista, prestou valiosos auxílios aos escriptos do padre Cazal e dos contemporâneos Southey, Martius e Denis, que delia fazem menção com elogios oito equívocos. Sabeis também como as Reflexões critica» que sobre essa obra escrevi, Coram as primicias que offereei ás lettras, por intermédio da Academia das Sciencias de Lisboa que se dignou, ao acolhe-las no corpo do memórias, contar-me nos do seu grêmio. Sabeis «foella obra corria espúria, pseudonyma c cor-

Xi

AO INSTITUTO DO BRAZIL

rompida no titulo e na data, quando as Reflexões criticai lhe restituiram genuinidade de doutrina e legitimidade de autor e de titulo, e lhe fixaram a verdadeira idade. Sabereis, finalmente, como nada tenho poupado para restaurar a obra que por si constitue um monumento levantado pelo colono Gabriel Soares á civilisação, colonisação, lettras e sciencias do Brazil em 1587. Essa restauração dei-a por em quanto por acabada; e desde que o Sr. Ferdinand Denis a inculcou ao publico europêo, com expressões tão lisongeiras para um de vossos consocios , creio que devemos corresponder a ellas provando nossos bons desejos , embora a realidade do trabalho não vá talvez corresponder á expectativa do illustre escriptor francez quando disse: « Ce beau livre.... a été 1'objet d'une.... (permitti-me, senhores, calar o epitheto com que me quiz favorecer).... dissertation de M. Adolfo de Varnhagen. L e — écrivainque nous venons de nommer a soumis les divers manuscrits de Gabriel Soares à un sérieux examen , il a vü même celui de Paris, et il est le seul qui puisse donner aujourd'hui une éditioncorrecledecetadmirabletraité, si précieuxpour 1'empire du Brésil. » Sem me desvanecer com as expressões lisongeiras qiíè acabo de transcrever do benevolo e elegante escriptor, não deixo de me reconhecer um tanto habilitado a fazer-vos a proposta que hoje vos faço de imprimirdes o códice que offereço. Não ha duvida, senhores, que foi o desejo de ver o exemplar da Bihliotheca de Paris o que mais itie leVtfu

seguindo as indicações de Nicoláo Antônio. a quem na Bahia fora dada de presente. e baldados foram todos meus esforços para descobrir este. Em Inglaterra deve seguramente existir. de Barbosa .AO INSTITUTO DO BRA7. e no Museu Britannico nem se quer encontrei noticia de algum exemplar. Igualmente vi três copias de menos valor que ha no Rio de Janeiro (uma dos quaes chegou a estar licenciada para a impressão). Na Bibliotheca de Christovam de Moura. Nenhum d'aquelles códices porém é. mas foram inúteis as buscas que ahi fiz após elle. o original .em Valencia e pertencente ao Príncipe Pio.. posso assegurar-vos que não existe elle. e outros na das . pelo menos. A livraria do conde de Villa-Umbrosa guarda-se incom- . Vi três na Bibliotheca Eborense. e uma que em Neuvvied me mostrou o velho príncipe Maximiliano. de Leon Pinelo e de seu addicionador Barcia.Necessidades em Lisboa. !\ào ha duvida que.lt. o códice que possuiu Southey. graças á bondosa amizade deste cavalheiro. vil a5«#isa capital do mundo litterario em 1847. além d*este códice. a meu ver. Vi mais dous exemplares existentes em Madrid: outro mais que pertenceu ao convento da congregação das Missões e três da Academia de Lisboa. a avulsa da collecção de Pinheiro na Torre do Tombo. tive eu oeeasião de examinar uns vinte mais. mais três na Portuense. me foi permitíido desenganar-me por meu próprio exame. hoje existente . e o terceiro na livraria convcntual de Jesus. um dos quaes serviu para o prelo. pois que. outro se guarda no seu archivo .

muitas lembranças por escripto do que me pareceu digno de notar. A do conde de Vimieiro foi consumida pelas chammas. Era filho de Portugal. creio poder dar no exemplar que vos offereço o monumento de Gabriel Soares. e não ha probabilidade de que quando n'ella se ache ainda o códice que menciona Barcia. onde estava no 1. emquanto a dilação de meus requerimentos me deu para isso logar. as quaes pôde muito bem ser que devorassem os quadernos originaes do punho do nosso colono. passou á Bahia em 1570. as quaes tirei a limpo n'esta corte em este quaderno. em que offertou seu livro a Christovam de Moura por meio da seguinte carta: « Obrigado de minha curiosidade fiz. em quanto o trabalho de outros e a discussão não o aperfeiçoem ainda mais. Graças porém ás muitas copias que nos restam—a uma das de Évora sobretudo. por espaço de 17 annos que residi no Estado do Brazil. tão correcto quanto se poderia esperar sem o original. fez-se senhor de engenho e proprietário de roças e fazendas em um sitio entre o Jaguarípe e o Jequiriçá. no que . como terá de succeder. municavel na ilha de Malhorca.VIII AO INSTITUTO DO BRAZIL. e compadecendo-me da pouca noticia que n'estes reinos se tem das grandezas e estranhezas d'esta província.° de Março de 1587. Voltando áPenínsula dirigiu-se a Madrid. ao que me dispuz entendendo convir ao serviço de El-Rei nosso Senhor. Acerca do autor talvez que o tempo fará descobrir na Bahia mais noticias. possa elle ser o original.

« Como minha tenção não foi escrever historia que deleitasse com estylo e boa linguagem. Preferi este systema ao das notas marginaes inferiores. e lhe accrescente a vida por muitos annos. para que os moradores d'elle roguem a Nosso Senhor guarde a mui illustre pessoa de V. porque não quiz interromper com a minha mesquinha prosa essas paginas venerandas de um escriptor quinhentista. doze annos depois. para que folgue de as ter deste seu Estado. f « anleparei algumas vezes movido do conhecimento de mim mesmo. offereço. M. já existia em Portugal .AU INSTITUTO DO DRAZIL. que a V. Abstive-me também da tarefa. como está merecendo a vontade com que a offereço. aliás enfadonha para o leitor. que talvez seriam para o leitor de mais eommodidade.—Gabriel Soares de Sousa. » Para melhor intelligencia das doutrinas do livro acompanho esta copia dos commcntos que vão no fim. e me fará mercê acceitaJ-a. S. faça dar a valia que lhe é devida. de acompanhar o texto com variantes que tenho por não legitimas. S. pois a confiança disso me fez suave o trabalho e tempo que em a escrever gastei: de cuja substancia se podem fazer muitas lembranças a S. não espero tirar louvor desta escriptura e breve relação (em que se* contém o que pude alcançar da cosmographia e descripção deste Estado). a que V. e entendendo que as obras que se escrevem tem mais valor que o da reputação dos autores dellas. passando pelos desconcertos delia.' de Março de 1587. S. Esta obra. Em Madrid o 1.

ou por copia ou em original. de um modo condigno. Vicente de Salvador e por conseguinte o seu confrade Fr. e em 1599 a cita e copia Pedro de Mariz na segunda edição de seus Diálogos. com estudos regulares. Mais tarde copiou d'ella Fr.AO INSTITUTO DO BRAZ1L. o titulo se trocasse e até na data se commettessem enganos! Pèze-nos ver nos tristes azares d'este livro mais um desgraçado exemplo das injustiças ou antes das infelicidades humanas. se vós o resolverdes. ao ler o seu livro. estaria hoje tão popular o nome de Soares como o de Barros. seria melhor geographo que historiador. Assim. a obra de um escriptor de nota. mas era grande observador. Antônio Jaboatão. a parte as suas Noticias 51 a 5 5 . O nosso autor é singelo. mais de dous séculos correram sem que houvesse quem se decidisse a imprimil-a na integra. como justificam as muitas copias que d'ella se tiraram. Apesar dos grandes dotes do autor. apesar de ser a obra tida em conta. quasi primitivo no estylo. Se esta obra se houvesse impresso pouco depois de escripta. melhor ethnographo que zoólogo. vos custa a descobrir se elle. vai finalmente correr mundo. melhor botânico que corographo. e do capitulo 70 a Noticia 66. As mesmas copias por desgraça foram tão mal tiradas que disso proveio que o nome do autor ficasse esgarrado. Em 1825 realisou a tarefa da primeira edição com- . que o escripto descobre. e. Sinião de Vasconcellos aproveitou do capitulo ÍO da l.

e o revisor não entendido na nomenclatura das cousas da nossa terra. df VarnluHjcn. F A. mas o códice de que teve de valer-se foi infelizmente pouco fiel. sobre a obra os estudos que hoje nos fornecem a edição que proponho.* de Março de 1851. 1. a deveis á corporação vossa co-iruiàa.AO INSTITUTO Dofl^AElI. e sem ella não teríamos tido oceasião de fazei*. a Academia Real das Sciencias de Lisboa. Madrid. mais que a mim. a qual. .. Ainda assim muito devemos a essa primeira edição: cila deu publicameute importância ao trabalho de Soares. XI pleta a Academia de Lisboa.

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que seja um dos estados .PRIMEIRA PARTE. como é notório. o qual se engrandeça e estenda a felicidade. a Ei-Rei nosso Senhor convém. os grandes merecimentos deste seu Estado. deixara n'elle edificadas muitas cidades. o qual com pouca despeza d'estes reinos se fará tão soberano. pois está capaz para se ediiear n'elle um grande império. Em reparo e acereseentamento estará bem empregado todo o cuidado que Sua Magestade mandar ter d'este novo reino. porque está muito desamparado depois que El-Rei D. as qualidades e estranbezas d'elle. João III passou d'esta vida para a eterna. ROTEIRO GERAL COM U R G A S INFORMAÇÕES DE TODA A COSTA DO BRAZIL. etc. o qual se vivera mais dez annos. que lhe mostre.. convém que tenham principio. villas e fortalezas mui populosas. que para o engrandecer melteu n'isso tanto cabedal. e ao bem do seu serviço. do que ae os Reis passados tanto se descuidaram . o como o de minha pretenção ó manifestar a grandeza. para que lhe ponha os olhos e bafeje com seu poder. o qual o principiou com tanto zelo. antas se arruinaram algumas povoações que em seu tempo se fizeram. o que se não effeituou depois do seu fallecimento. com que se engrandeceram todos os estados que reinam debaixo da sua proteeçSo. PROEMIO. por estas lembranças . fertilidade • outras grandes partes que tem a Bahia de todos os Santos e o demais Estado do Brazil. Como todas as cousas tem fim .

nem terem ordem com que possam resistir a qualquer affronta que se offerecer. como fazem com a vista de qualquer náu grande. pois ha Perigo na tardança. e em todas todos os fructos e sementes de Hespanha. a cuja affronta Sua Magestade deve mandar acudir com muita brevidade. e em cuja costa sahe do mar todos os annos muito e bom âmbar. e vinho muito bom. do que vivem os moradores d'ella tão atemorisados. que estão sempre com o fato entrouxado para se recolherem para o matto. que se n'isso cahirem os cossarios. Tem muito páo de que se fazem as tintas. como se verá por este Tratado no tocante á cosmographia d'elle. e muitos assucares tão bons como na ilha da Madeira. o que se pode facilitar sem Sua Magestade metter mais cabedal n'este Estado que o rendimento d'elle nos primeiros annos. cristal e muito salitre. ouro. porque se os estran- . mui sadia. com mui pequena armada se senhorearáõ d'esta província por razão de não estarem as povoações d'ella fortificadas. É esta província mui abastada de mantimentos de muita substancia e menos trabalhosos que os de Hespanha. e maravilhosos pescados. e outros muitos apparelhos para se poderem fazer. mui seguros e grandes portos. se Sua Magestade mandar prover n'isso com muita instância. cobre. porque lhe não falta ferro. esmeraldas. lemendo-se serem corsários. que se escusem os que vem a elles dos estrangeiros. Dão-se n'ella muitas carnes assim naturaes d'ella. e de todas estas e outras podiam vir todos os annos a estes reinos em tanta abastança. cevada. Pela qual costa tem muitos. fresca e lavada de bons ares. o que pão convém que haja.ik REVISTA TRIMENSAL do mundo. para n'elles entrarem grandes armadas com muita facilidade . cuja terra é quasi toda muito fértil. do que haverá muita quantidade. Em algumas partes d'elle se dá trigo. e regada de frescas e frias águas. aço. para as quaes tem mais quantidade de madeira que nenhuma parte do mundo. e no descobrimento dos metaes que n'esta terra ha. como das de Portugal. porque terá de costa mais de mil léguas. o qual está hoje em tamanho perigo. com o que o pode mandar fortificar e prover do necessário a sua defensão. onde se dão melhores algodões que em outra parte sabida.

o muitos milhões do ouro cm armadas e no apparelho d'ellas. onde agora é a capitania do Porto Seguro. qua ordenei pela maneira seguiute. ao pé da qual mandou dizer. pelo qual respeito se chama a villa do mesmo nome. no logar onde já esteve a ilha de Santa Cruz. e a provincia muitos ann JS foi nomeada por de Santa Cruz e de muitos Nova Lusitânia : e para solemnidade desta posse plantou este capitão no mesmo logar um padrão com as armas de Portugal. Esta terra se descobriu aos 25 dias do mez de Abril de 1500 annos por Pedro Alvares Cabral. e como está arrumada. pouco mais ou menos. e vai correndo esta linha pelo sertão d'esta provincia até 45 grãos. a 3 de Maio. com o qiw $o inquietará toda Hespanha. 15 geiros se apoderarem dYsla torra custará muito lançal-os fora d'olla. que lhe não tom dado quem d'isso tem obrigação. em seu dia . debaixo da qual começa cila a correr junto do rio que 90 diz das Amazonas. A provincia do Brazil está situada além da linha equinocial da parle do sul. por mandado de Pedro Alvares Cabral. o custará a vida de muitos capitães o soldados. onde se principia o norte da linha da demarcação e repartição.MIL. Em que se declara quem foram os primeiros descobridores da provincia do Brazil. Não se cré que Sua Magestade não tenha a isto por falta do providencia. pois lhe sobeja para as maiores emprezas do inundo. E como a eu também tenho de seu leal vassallo. que n'esle tempo ia por capitão-mur pata a índia por mandado de El-Rei D. ao que «gora se pôde atalhar acudiudo-lhe com a presteza devida. dos que trazia para o desc brimento da índia. cm cujo nome tomou posse desta provincia. CAPITULO I. . Manoel. pelo grande apparelho quo tem para u'elL-1 so fortilicarom . uma solemne missa cuin muita festa. satisfaço da minha parle com o que se contém neste Memorial. que assim se chamou por se aqui arvorar uma muito grande.ROTKIRO DO Bn. para onde levava ?ua derrota. mas de informarão do sobredito.

com as quaes andou por ellas muitos mezes buscando-lhe os portos e rios. em muitos dos quaes entrou . do que faremos particular menção em seu logar. convém que em summa declaremos como se avieram os . a que pôz o nome de todos os Santos. e andando correndo a costa foi dar com a bocca da Bahia. A.. onde deu suas informações a S. ordenou de fazer povoar esta Provincia. e repartir a terra d'ella por capitães e pessoas que se offereceram a metter n'isso todo o cabedal de sua9 fazendas. e recolheu-se para o reino. o qual foi continuando no descobrimento d'esta costa. e andou especulando por ella todos os seus recôncavos. que com ellas. A estas partes foi depois mandado por S.16 REVISTA TRIMENSAL. fidalgo da sua casa que n'ella foi por capitão-mór. E recolhendo-se Gonçalo Coelho com perda de dous navios. no que passou grandes trabalhos pela pouca experiência e informação que se até então tinha de como a costa corria. para que descobrisse esta costa. achou duas náos francezas que estavam ancoradas resgatando com o genlio. João o III. e com as primeiras e outras que lhe tinha dado Pero Lopes de Souza. CAPITULO II. em um dos quaes. as veio dar a El-Rei D. João II de Portugal. com as informações que! pôde alcançar. com as quaes se pôz ás bombardas. que já n'este lempo reinava. Para se ficar bem entendendo aonde demora. o qual logo ordenou outra armada de caravelas que mandou a estas conquistas. e se estende o Estado do Brazil. e plantou em muitas partes padrões que para isso levava. Gonçalo Coelho com três caravelas de armada. a que chamam o rio do Paraguassú. A. pela qual entrou dentro. com o que se satisfez. e do curso dos ventos com que se navegava. a qual entregou a Christovão Jacques. e assentou marcos dos que para esto descobrimento levava. Em que se declara a repartição que fizeram os Reis catholicos de Castella com El-Rei D. e trabalhou um bom pedaço sobre aclarar a navegação d'ella. e as metteu no fundo. que por esta costa também tinha andado com outra armada. Contestando com a obrigação do seu regimento.

e porque esperavam de ir esls d e f e r i mento em tanto crescimento como foi. ordenaram arepartiçãod'esta concordância. fazendo baliza no ilha das do Cabo Verde. e lançada d'aqui uma linha nieridiana de norte sul. o qual se começa além da ponta do rio das Amazonas da banda de oeste. para cada um mandar conquistar para a sua parto livremente. o que «o fez por esta maneira. por atalharem as diuVonras que sobre isso se podiam oITerecer. e contando d'ella 21 gráos e meio equinoeciaes de dozesete léguas e meia cada gráo. Fernando e D. sua mulher. João o III de Portugal se fizesse uma repartição liquida. d'onde se principia o norte d'esta provincia. que n'esta arte atinou melhor que todos os do seu tempo. concertaram-se cnm 1^1-liei D. e por esta conta tem de costa mil e cincoenta léguas. por 45 gráos pouco mais ou menos. que ficassem as terras e ilhas que estavam por descobrir para a parte do oriente. o louvou muito. sem escrúpulo de se prejudicarem. fica o Estado do Brazil da dita coroa. 17 Reis na repartição de suas conquistas. distantes da linha equinocial. de barlavento mais Occidental. Isabel. pela terra dos Ca ribas. Mathias. segundo o que se contém n"este capitulo atras. tinham começado de entender no descobrimento dns índias oceidentaes a algumas illns. que se entenda a do Santo Antão. CAPITULO III. e indo correndo esta linha pelo sertão d'ella ao sul parte o Brazil e conquistas d'elle além da bahia de S. D. que se começa a costa do Brazil além do rio das Amazona da banda de oeste pela terra que se diz dos Caribas do rio da Vicente Pinson.. E aceordados os Reis «lesta maneira deram conta d'esle concerto ao Papa. da coroa de Portugal.ROTEIRO DO anazu. e altura do pólo antártico. Mostra-se claramente. Em que se declara o principio d'onde começa a correr a costa do Estado do Brazil. que além de o approvar. Os Reis calholicos de Caslclla. D'este rio de Vicente Pinson á ponta do rio . E como tiveram o consentimento do Sua Santidade. como pelas cartas se pode ver segundo a opinião de Pedro Nunes. e lançada esta linha mental como está declarado.

gente branda e mais tratavel e domestica que o mais gentio que ha na costa do Brazil. . Estas ilhas se mostram na carta mais chegadas á terra. E vendo-o tão caudaloso. pelo qual ha muitas ilhas grandes e pequenas quasi todas povoadas de gentio de differenles nações e costumes. nordeste-sudoeste. em as quaes se embarcou com a gente que trazia e se veio por este rio abaixo ern o qual se houveram de perder por levar grande fúria c correnteza. c segundo a informação que se d'este rio tem. Em que se dão cm summa algumas informações que se tem deste rio das Amazonas. o qual é muito povoado de gentio doméstico e bem acondicionado. é povoado de Tapuias. A este rio chama o gentio Mar doce por ser uni dos maiores do mundo. segundo o costume d'aquellas partes. das Amazonas. vem do certão mais de mil léguas até o mar. e indo por seu mandado com certa gente de cavallo descobrindo a terra. e na boca d'este rio.18 GABRIEL SOARES DE SOUZA. não pôde estar encoberto este rio do mar doce ou das Amazona sao capitão Francisco de Arelhana que . porque n'esta conjuncção se descobre melhor o canal. a qual ponta está debaixo da linha equinocial. d'esta ponta do rio á outra ponta da banda de leste são trinta e seis léguas. e muito d'elle costuma pelejar com setas ervadas. o que é erro manifesto. CAPITULO IV. Festas ilhas ha bons portos para surgirem navios. E ao mar doze léguas da bocca d'este rio estão ilhas. a que chamam o cabo Corso. fez junto d'el!e embarcações. entrou por el!a dentro tanto espaço que se achou perto do nascimento deste rio. andando na conquista do Peru em companhia do governador Francisco Pissarro. com parte da costa da banda de leste. as quaes demoram em altura de um terço de grão da banda do sul. mas para bem hão se de buscar de baixamar. Mas toda a gente que por estas ilhas vive. e por elle acima algumas léguas. são quinze léguas. Como não ha cousa que se encubra aos homens que querem commetter grandes emprezas. anda despida ao modo do mais gentio do Brazil e usam dos mesmos manlimentos e muita parle dos seus costumes. de cujos costumes diremos ao diante em seu logar.

o qual. e vindo correndo a ribeira. e que com pouco cabedal e trabalho adquirisse por elle acima muito ouro e praia. acabou no caminho em anão S. com a maior parte da gente que levava. que está em gloria. e muito mais das grandes informações que na ilha da Margarita lhe deram alguns soldados.noTKiuo oo na MIL. que ali achou. e elle com algumas pessoas escaparam nos bateis o uma caravella em que foi ter ás Anlilhas. se passou á índia. d'onde se passou á Hespanha. c tomou língua do gentio. entrou no rio do Maranhão. onde acabou valorosos feitos: e vindo-so •para o Reino muito rico e com tenção de tornar a commelter esta jornada. filho do alcaide mor de Elvas. se veio á Hespanha e alcançou licença de El-Rei D. Francisco quedesappareceu. com as quaes se perdeu nos baixos do Maranhão. lhe ordenou uma armada do quatro nãos para commetter esta empreza. para o que se fez prestes na cidade de Lisboa: o partiu do porto delia com três nãos e duas caravellas. desgarrou com o tempo e as águas por esta cosia abaixo. os quaes facilitaram a Luiz de Mello a navegação d'estc rio. Livrando-so este capitão d'esto perigo e dos mais por onde passou. Joio III de Portugal para armar á sua custa e commetter esta empreza. que ficaram da companhia do capitão Francisco de Arelhana. de cuja grandeza se contentou muito. E depois de este fidalgo ser em Portugal. Do que movido Luiz de Mello. querendo passar a Pernambuco. o que não houve effeito por na mesma boca d'este rio falleccr este capitão de sua doença. Dando suas informações ao Imperador Carlos V. "*em alé hoje se saber novas d'elle. veio tanto por eslo rio abaixo até que chegou ao mar. e n'este das Amazonas. 19 e com muito trabalho tomou a tomar porto em povoado. em a qual partiu do porto de São Lucar com sua mulher para ir povoar a boca dVsie rio e o ir conquistando por elle acima. na qual jornada teve muitos encontros do guerra com o gentio e com um grande exercito de mulheres que com elle pelejaram com nrcos o flechas. d'onde sua mulher se tornou com a mesma armada para Hespanha. e dYlle foi ter a uma ilha que so chama a Margarita. . Neste tempo pouco mais ou menos andava correndo a costa do Brazil em uma caravella como aventureiro Luiz do Mello. d'ondo o rio tomou o nome das Amazonas. de cuja facilidade firou satisfeito.

20 «ARRISL SOARES DE SOUZA. onde chega a Serra Escalvada. uma ilha que se chama das Vacas. onde esteve Ayres da Cunha quando se perdeu com sua armada n'estes baixos. D'este rio á ponta dos baixos são nove léguas. piloto da costa. e muitos braços em que entram muitos rios que se mettem n'este: o qual affirmou ser toda a terra fresca. que será de três léguas. Até aqui se corre a costa noroeste-sueste e toma da quarta de leste-oeste. e d'esta ponta do rio á outra ponta são 17 léguas. e estarem muito seguras de todo o tempo. a qual está na mesma altura de um gráo e 3/4. . e as ilha? também. N'e6td rio entra o de Pindaró que vem de muito longe. náos de 200 toneis. onde podem ancorar navios da costa: a qual {tonta está em dous gráos da banda do sul. d'esta ponta ao rio da Lama ha 35 léguas. Tem este rio do Maranhão na boca. e por este rio acima. entre ponta e ponta d'ellas para dentro. A ponta de leste do rio das Amazonas está em um gráo da banda do sul. onde fizeram pazes com o gentio Tapuia. onde mandavam resgatar mantimentos e outras cousas para remédio de sua mantença. cheia de arvoredo e povoada de gentio . quando também se perderam nos baixos d'este rio. Da ponta dos baixos á ponte do rio do Maranhão são dez léguas. podem entrar por elle dentro. a qua' está em altura de um gráo e três quartos. Que declara a costa da ponta do rio das Amazonas até o do Maranhão. e aqui n'esta ilba estiveram também os filhos de João de Barros e a tiveram povoada. que tem povoado parte d'esta costa. o qual rio entra pela terra dentro muitas léguas. Por este rio entrou um varão meirinho. CAPITULO V. N'esla ponta ha abrigada para os barcos da costa poderem ancorar. com um earavellào e foi por elle acima algumas vinte léguas. a qual está em altura de dous gráos e três quartos. onde achou muitas ilhas cheias de arvoredo e a terra d'ellas alcaniilada com soffrivel fundo. o entre ponta e ponta tem a costa algumas abrigadas. e ainda que este rio se chame da Lama.

Atraz fica dito como a ponta de sueste do rio do Maranhão. mas pnra bem não se ha decommeiler o canal do nenhum d'osies rios senão de baixa-mar na costa. Em que se declara a costa do rio do Maranhão até o Rio Grande. porque esla cosia ató aqui de/. DVta bahia ao Rio da Maio sSo 17 léguas. está em dous gráos e 3/4. como por espraiar e esparwlar o mar oito e dez léguas da terra. 21 Para se entrar nesie rio do Maranhão. e mio vá por menos de doze braç ts. «lide lambera entram caravellões. D'esta ponta á Bahia doa Santos sfo treze loguas. a qual está em dous grão*. vindo do mar em fora. pois então se descobre o canal mui bem: e n'este rio do Maranhão não podem entrar por este respeito navios grandes. Entre este rio e a Bahia dos Reis . equem entrar por entre clln e a ilha entra seguro. CAPITULO VI. vasa e oncho nYlla a maré muito depressa.ROTEIRO DO BRaZIL. Quem houver de ir d'esto rio do Maranhão para o da Lama ou para o das Amazonas ha do so lançar por fora dos baixos com a sonda na mão. onde também entram cararolloes por terem n'elle grande abrigada. o que se pode sabor pela lua. pelo que é forçado chegar-se a terra de baixa-mar. o qual está na mesma altura. ha de se chegar bem a terra da banda de leste por fugir dos baixos e do aparoellado. que se chama esparoelada. N'esta bahia estão algumas ilhas alagadas da maré de águas vivas por entre as quaes entrâo earawsllões e surgem á vontade. Do Rio de João da Lisboa á Bahia dos Sais «ia nove léguas. léguas ao mar. a qual está na mesma altura. onde tem aurgidouro e boa abrigada e maneira para se fazer aguada n'ella. o em ronjuncçào da lua tem grandes macaróos. mas também entram n'eila muitos navios da costa. D'esta Bahia dos Santos ao Rio da João de Lisboa não quatro léguas. o que convém que seja pelos grandes perigos que n'osta entrada se offerecem. a esta bali ia é muito suja e tom alguns' ilhéos. assim de macaréos. o qual está na mesma altura de dous gráos.

e está na mesma altura onde entram c surgem caravellões da costa. e que achara uma lagoa muito grande que seria de 20 léguas pouco mais ou menos. haverá dezeseis annos. que a terra toda ao longo do mar até este Rio Grande era escalvada a mór parte d'ella. mas que a terra que visinhava com ella era fresca c escalvada. D'este Rio do Meio á Bahia de Anno Bom são 11 léguas. Da Bahia da Coroa até o Rio Grande são três léguas. e que em uma e em outra havia grandes pescarias de qua se aproveitavam os Tapuias que viviam por esta costa até esto Rio Grande: dos quaes disse que recebera com os mais companheiros bom tratamento.2-2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Em que se declara a costa do Rio Grande até o de Jagoarive Como fica dito. onde também os navios da costa tem boa colheita. e outra cheia de palmares bravos. um navio nos baixos do Maranhão. a qual costa está na mesma altura de dous gráos. o qual se navega com barcos algumas . onde começaremos o capitulo que se segue. affirmou um Nicoláo de Rezende. o qual vem de muito longe e traz muita água. e que mais adiante achara outra muito maior a que não vira o fim. e se navega um grande espaço pela terra dentro e vem de muito longe. Por este Rio Grande entram navios da costa e tem n'elle boa colheita. o qual se chama dos Tapuias por elles virem por elle abaixo em canoas a mariscar ao mar d'esta bahia. e que ao longo d'ella era a terra fresca e coberta de arvoredo. o Rio Grande está em dous gráos da parte do sul. d'esta companhia. E corre-se a costa até aqui léste-oeste. a qual bahia tem um grande baixo. no meio e dentro n'ella se vem metter no mar o Rio Grande dos Tapuias. 10 léguas. Perdendo-se. entra outro rio que se chama do Parcel. por se metterem n'elle muitos rios: e segundo a informação do gentio nasce de uma lagoa em que se affirma acharem-se muitas pérolas. CAPITULO VII. aonde enlrão navios da costa e tem muito boa colheita. da gente que escapou d'elle que veio por terra. da qual á Bahia da Coroa são.

a qual enseada é muito grande e no longo d'ella navegam navios da costa. porque so meltem n'elle perto do mar dous riachos. e junto da barra d'e$te rio se melte o tru n'elle. D'eslo Rio Grande ao dos Negros são sete léguas. a terra d'aqui até o Maranhão é quasi toda escalvada: e quem quizer navegar por cila e entrar em qualquer porto dos nomeados. onde ka porto e abrigada para os navios da costa. Aflirma o gentio que nasce este rio de unia lagoa. ou de junto d'ella. o qual está em altura de dous gráos e um quarto. achando tudo limpo. Do Rio do Parcel á enseada do Macorive são onze I guas. N'esta boca do Jagoarive está uma enseada onde navios de todo o porte podem ancorar e estar seguros. 23 léguas.u: o faz-se na boca d'este rio uma bahia Ioda csparcellada. e esta na mesma altura. c no Rio das Ostras. D'esla ponta ao Rio da Cruz são sete léguas c está em dous gráos e meio em que lambem tem colheita os navios da rosta. c chama-se este Rio da Cruz. mas dentro em toda t 11 bom surgiduuro 1 e abrigo. Deste rio ao do Parcel são oito léguas.3. a qual está em dous gráos o 1. Do Monte de Li ao Rio de Jagoarive são dez léguas. e quanto se chegar mais á terra se achará mais fundo. c entre este porto e a enseada de Macorive (em os mesmos navios surgidouro e abrigada no porto que se diz dos Parceis. onde Lambem se criam pérolas.i são quinze léguas c eslâ cm altura de dous gráos c dous terços.ROTEiaO DO SRA7II. que se chama o Rio Grande. porque tudo até o Maranhão. com que fica a água em cruz. Das Barreiras Vermelhas á Ponta dos Fumos são quatro léguas. que « • extremo entre os Tapuias c os Piligoares Veste rio entram navios de honesto porte até onde se corre a costa leste oeste. o em uma parle eoutra tem os navios da costa stirgidauro c abrigada. por fundo de ires braças e duas c meia. . o qual está cm dous gráos c uio. ha de entrar n'cstc rio de Jagoarive por entre os baixos e a terra. que cslào na mesma altura. que fica entre eua enseada u a do Parcel. defronte da costa são baixos. o qual está cm dous gráos o 3/4. o tem lambem. e do rio dos Negros ás Barreiras Vermelhas são seis léguas. Da enseada do Macorive ao Monte de l. e pôde navegar sempre por entre elles e a terra. em direito um do outro.

como os caravellões da costa. D'esta bahia ao rio de S. por onde entram os navios da costa á vontade. que lhe faz duas barras. pelos quaes se acha fundo de duas. pelas quaes entram navios da costa. Roque. Defronte d'esta bahia estão os Baixos de S. e entre uma e outra ha uma ilhota. os quaes arrebentam em três ordens. Roque. assim o gentio Pitigoar . Em que se declara a costa do Rio de Jagoarive até o cabo de S. e na ponta d'elle é o Cabo Corso. . a qual demora em altura de três gráos. em cuja ribeira ao longo do mar se acha muito sal feito. e d'este Rio Grande ao Cabo de S Roque são dez léguas. D'esta bahia ao Rio Grande são quatro léguas. D'este rio á Bahia das Tartarugas são oito léguas. Na barra d'este rio está um ilhéo de arvoredo que lhe faz duas barras. que por aqui passam desgarrados. Defronte d'este rio se começam os baixos de S. que aqui vinha. onde acham bom surgidouro e abrigada. Do rio de Jagoarive de que se trata acima até á bahia dos Arrecifes são oito léguas. onde bebem os peixes bois. N'esta bahia se descobrem de baixa-mar muitas fontes de água doce muito boa. e entra-se n'esta bahia por cinco canaes que vem ter ao canal que está entre um arrecife e outro. três. CAPITULO VIII. o qual está em altura de quatro gráos e um seismo: entre este cabo e a ponta do Rio Grande se faz de uma ponta á outra uma grande bahia. o qual está em altura de quatro gráos. em a qual os navios da costa surgem por acharem n'ella boa abrigada.2A «ABRIEL SOARES DB SOtZA. cuja terra é boa e cheia de mato. que se matam arpoando-os. em o qual entram e surgem por qualquer d'cstas barras os navios da Costa á vontade. de que aqui ha muitos. a qual está em trcs gráos e l/i. Este rio tem duas pontas sabidas ao mar. Roque. quatro e cinco braças. a qual está em altura de três gráos e 2/3. Miguel são sete léguas.

depois que se perderam. e entre elles e a terra entram nãos francezas e surgem n'esta enseada á vontade. Andando os filhos de João de Barros correndo esta costa. onde corre água muito á vasante e tem dentro algumas ilhas de mangues. a qual está em cinco gráos e um seismo. da ponta dYsta enseada á ponta de Goaripari são tudo ar recifes. Do Cabo de S. porque tem a barra funda de dezoito até seis braças. de pouco arvoredo e sem gentio. Roque até o porto dos Búzios. D'este Rio Pequeno ao outro Rio Grande são três léguas. em o qual se mettem muitas ribeiras em que se podem fazer engenhos de assucar pelo sertão. 25 Em que se declara o costa do Cabo dt S. Da Ilapitanga ao Rio Pequeno. Tem este rio um baixo á entrada da banda do norte. n'este Rio Grande podem entrar muitos navios de todo o porte. N'este rio entram chalupas francezas a resgatar com o gentio c carregar do pão da tinta. Roque á ponta de Goaripari são seis léguas. e entra-se n'elle como pelo arrecife de Pernambuco por ser da mesma feição. lhes mataram if este logar os Pitiguares com favor dos Francezes induzidos d'el!es muitos homens. De Goaripari á enseada da Ilapitanga são sete léguas. Esta terra do Rio Grande é muito soffrivel para este rio se haver de povoar. a qual está em quatro gráos e 1/4. as quaes são das náos que se recolhem na enseada da Ilapitanga.hOTSIBO DO BRAZIL. a que os índios chamam Baquipe. e está em xir 4 . pelo qual vão barcos por elle acima quinze ou vinte léguas e vem de muito longe. sobre a qual está um grande médão dearéa. a terra por aqui ao longo do mar está despovoada do gentio por ser estéril o fraca. sSo oito léguas. onde a costa é limpa o a terra escalvada. N'este rio ha muito páo de tinta onde os Francezes o vão carregar muitas vezes. o qual está em altura de cinco gráos e 1/4. a qual está em quatro gráos c 1/4. CAPITULO IX. Do Rio Grande ao Porto dos Búzios são dez léguas.

um Castelhano entre os Pitigoares. e como João deBarrosmandoupovoar a sua capitania. c'os beiços furados como elles. de Tamaracá. N'este Porto dos Búzios entram caravellões da costa em um riacho que n'este logar se vem melter no mar. linguado gentio. feitor que foi da casa da índia. fez á sua custa uma armada de navios em que embarcou muitos moradores com todo o necessário para se poder povoar esta sua . Entre esta ponta e o porto dos Búzios está a enseada Tabatinga. o qual está em altura de seis gráos. e entre um e outro rio está a enseada Aratipicaba. pouco mais ou menos. mas o próprio nome do rio é Garatui. CAPITULO X. que quer dizer Ponta da Pipa. onde lambem ha surgidouro e abrigada para navios em que detraz da ponta costumavam ancorar náos francezas e fazer sua carga de páo da tinta. De Itacoatajara ao rio de Goaramatai são duas léguas. e este rio se chama d'este nome por eslar em uma ponta d'elle uma pedra de feição de pipa como ilha. o qual está em seis gráos e 1/4. João III de Portugal fez mercê de cincoenta léguas de costa partindo com a capitania de Pero Lopes de Sousa. do Goaramatai ao rio de Caramative são duas léguas. onde dos arrecifes para dentro entram náos francezas e fazem sua carga. a quem El-Rei D. Em que se declara a terra e costa do Porto dos Búzios até a Bahia de Traição. o qual se embarcou em uma náo para França porque servia de lingua aos Francezes entre o gentio nos seus resgates. se estende a capitania de João de Barros. a que o gentio por este respeito pôz este nome. o qual está em seis gráos esforçados. D'este porto para baixo. altura de cinco gráos e 2/3: entre este porto e o rio estão uns lençóes de arêa como os de Tapoam junto da Bahia de todos os Santos. Do Porto dos Búzios á Itacoatajara são nove léguas. Desejoso João de Barros de se approveitar d'esta mercê. entre os quaes andava havia muito tempo.26 GABRIEL SOARES DE SOUZA. N'este rio Grande achou Diogo Paesde Pernambuco.

gastou muita somma de mil cruzados sem d'esta despesa lhe resultar nenhum proveito. 27 capitania. e proseguindo logo sua viagem em busca da costa do Brazil. IVeste naufrágio escapou muita gente com a qual os filhos de João de Barros se recolheram em uma ilha quo eslá na boca d'este rio do Maranhão. a este rio chamam na carta de marear. Do rio de Camaratibe até á Bahia da Traição são duas léguas. por com ella matarem uns poucos de Castelhanos e Porluguezes que n'esta costa se perderam. e porque . despovoaram e se vieram para este reino. e em a qual mandou dous filhos seus que partiram com ella. N'esla armada. onde entram náos de duzentos toneis. e pela que está da banda do norte entram caravelloes que navegam por entre a terra e os arrecifes até Tamanca. Também lhe matáramos Pitagoares muita gente aonde se chama o Rio Pequeno.ROTEIRO DO B i m i l . foram tomar terra junto do rio do Maranhão. aonde passaram muitos trabalhos por se não poderem communicar d'esla ilha com os moradores da capitania de Pernambuco e das mais capitanias. Tem este rio um ilhéo da boca para dentro que lhe faz duas barras. onde ancoram náos francezas e entram dos arrecifes para dentro. como fica dito alraz. e era outros navios que João de Barros depois mandou por sua conta em soccorro de seus filhos. Chama-se esta bahia pelo genlio Pitagoar Acajutibiro. o qual está em seis gráos e trcsquarlos. e no rio de Magoape entram cara vellas da costa. os quaes. a qual está em seis grãos e 1/3. cm cujos baixos se perderam. CAPITULO XI. a pela outra barra entram as náos grandes. D"esta Bahia da Traição ao rio Magoape sen três léguas. e os Porluguezes da Traição. depois de gastarem alguns annos. FTesta bahia fazem cada anno os Francezcs muito páo de tinta c carregam d'elle muitas náos. Do rio de Magoape ao da Parahiba sáo cinco léguas. Em que se declara a costa da Bahia da Traição até a Paraíba. o qual está era seis gráos e meio. de onde elle vem de bem longe. de São Domingos. mas o rio de São Domingos se navega muito pela terra dentro.

com os quaes fizeram n'estas capitanias grandes damnos queimando engenhos e outras muitas fazendas. assentou Sua Magestade de o mandar povoar e fortificar. para o que mandou a isso Fructuozo Barboza com muitos moradores. entravam cada anno n'este rio náos francezas a carregar o páo da tinta com que abatia o que ia para o Reino das mais capitanias por conta dos Portuguezes.28 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que os fosse soccorrer contra o gentio Pitagoar que os ia destruindo. trinta e seis homens e alguns escravos em uma silada. como os moradores de Pernambuco eTamaraoá pediam muito afincadamente ao governador Manoel Telles Barreto. que então era do Estado do Brazil. onde tinha por prover em grandes negócios convenientes ao serviço de Deos e de . o que se depois effectuou com. mas foi Deos servido que lhe succedesse mal com lhe matarem os Pitagoares (em cuja companhia andavam muitos Francezes). Em que se trata de como se tornou a commetter a povoação do rio da Parahiba. e porque o gentio Pitagoar andava mui levantada contra os moradores da capitania de Tamaracá e Pernambuco com o favor dos Francezes. posto este negocio em conselho. e se desavieram com Fructuoso Barboza de feição que se tornaram para suas casas e elle ficou impossibilitado para poder pôr em effeito o que lhe era encommendado. com o favor e ajuda dos Francezes. pois não havia mais de seis mezes que era a ella chegado. CAPITULO XII. general da armada que foi ao estreito de Magalhães. o favor e ajuda que para isso deu Diogo Flores de Baldez. se assentou que o governador n'aquella conjuncção não era bem que sahisse da Bahia. vindo ahi do estreito de Magalhães com seis náos que lhe ficaram da armada que levou. com o qual successo se descontentaram muito os moradores de Pernambuco. Na Bahia de todos os Santos soube o general Diogo Flores. em que mataram muitos homens brancos e escravos. o que se começou a fazer com mui grande alvoroço dos moradores d'estas duas capitanias. os quaes tinham n'este rio da Parahiba quatro navios para carregar do páo da tinta : e.

e chegou a gente de Pernambuco e Tamaracá por terra com muitos escravos. e todos juntos ordenaram um forte deterrae faxina onde se recolheram. que o general desembarcou a pé enxuto sem lh'o poderem impedir. sabendo os moradores de Pernambuco este destroço. e. o qual . que se amassou tão mal com Frucluoso Barboza. não o querendo conhecer por governador. o qual soffreu mal o capitão Francisco Castrejon. o que lho não serviu de nada.ROTEIRO DO BRAZIL. com a qual ancorou fora da barra o não entrou dentro com mais que com a sua fragata e uma náo das do Diogo Vaz da Veiga. se ajuntaram e tornaram a este rio da Parahiba. no qual Diogo Flores deixou cento e tantos homens das seus soldados com um capitão para os caudilhar. desamparou este forte e o largou aos contrários. Em os Francezes vendo esta armada puzeram fogo ás suas náos e lançaram-se com o gentio. apertado dos trabalhos. a favorecerem com gente o inanlimeutos. E sendo ausente Frucluoso Barboza veio o gentio por algumas vezes affrontar este forte e pòl-o em cerco. e Diogo Vaz da Veiga com duas náos portuguesas da armada em quo do reino fora o governador. era a qual o mesmo Diogo Vaz ia. a qual gente foi por torra o o general por mar com esta armada. das quaes vinha por capitão para o reino. com Frucluoso Barboza. como o fizeram. de onde se queixou a Sua Magestade para que provesse sobre o caso como lhe parecesse mais seu serviço. com aquella armada. com que veio o ouvidor geral Marlim Leilão o o provedor mor Marlim Carvalho para em Pernambuco. passando-se porterraá capitania de Tamaracá que é d'ahi dezoito léguas. mas que. como foram mulheres c outra gente fraca. com o qual fizeram mostras de quererem impedir a desembarcarão. e pelo caminho lhe matou o gantio alguma gente que lhe ficou atraz. e com todos os baleis das outras náos. que se chamava Francisco Castrejon. o qual chegou a Pernambuco com a armada toda junta. quo um capitão e outro fossem fazer esto soecorro indo por cabeça principal o capitão Diogo Flores de Baldez. 2ft El-Rei e do bem commum. mas. pois n'aque!le porto eslava o general Diogo Flores. de quo era capitão Pedro Corrêa de Lacerda. que foi forçado deixal-o n'esle forte só e ir-se para Pernambuco. e se tomaram a apoderar d'este forte.

30 GABRIEL SOARES DE SOUZA. com quem estão ás vezes de guerra e ás vezes de paz. e se ajudam uns aos outros contra os Tabajàras. que tanto mal tem feito aos moradores das capitanias de Pernambuco e Tamaracá e á gente dos navios que se perderam pela costa da Parahiba até o rio do Maranhão. pois é a terra capaz para isso. Dos quaes Pitagoares é bem que façamos este capitulo. á outra por se povoar. E povoado este rio. porque em elles nascendo os arrancam logo. e outros se tornaráõ a reformar que elles queimavam e destruíram. Este gentio é de má estatura. Sua Magestade tem agora soccorrido com gente. Este rio da Parahiba ó mui necessário fortificar-se. que chamam os Caytés. porque os matam e comem logo. Que trata da vida e costumes do gentio Pitagoar. que são seus contrários e se faziam cruelissima guerra uns aos outros. onde se podem fazer muitos engenhos de assucar. como todo o outro gentio. faliam a lingua dos Tupinambás e Caytés. baços de cõr. Costumam estes Pitagoares não perdoarem a nenhum dos contrários que captivam. onde confinaram antigamente com outro gentio. tem os mesmos costumes e gentilidades. Este gentio senhorêa esta costa do Rio Grande até o da Parahiba. munições e mantimentos necessários. Não é bem quo passemos já do rio da Parahiba. como convém. onde se acaba o limite por onde reside o gentio Pitagoar. que visinham com elles pela parte do sertão. que se segue. á uma por tirar esta ladroeira dos Francezes d'elle. e pela banda do Rio Grande são fronteiros dos Tapuias. que se apartou dos Pitagoares. não deixam crescer nenhuns cabellos no corpo senão os da cabeça. a quem se ajuntou uma aldêa de gentio Tupinambá. ficam seguros os engenhos da capitania de Tamaracá e alguns da de Pernambuco que não lavram com temor dos Pitagoares. o que declaramos ao diante . antes que saiamos do seu limite. que é gente mais domestica. e se veio viver á borda da água para ajudar a favorecer este forte. CAPITULO XIII. e se fazem ainda agora pela banda do sertão onde agora vivem os Caytés.

e a outra . e entre um rio e outro ancoravam os tempos passados náos francezes. Do redor d'csta ilha entram no salgado cinco ribeiras em três das quaes estão três engenhos. Até aqui. que se diz também o rio de S. Este gentio o muito bellicoso. e quem houver de entrar por ella dentro ponha-se nordeste sudoeste com as barreiras e entrará a barra á vontade. que équasi o gorai de lodo o gentio da costa do Brazil. guerreiro ealraiçoado. CAPITULO XIV. e quem foi o seu primeiro capitão. o qual está em altura de seis grãos e meio. tem o rio de Tamaracá umas barreiras vermelhas na ponta da barra. a são caçadores bons e laes flecheiros que não erram ílochnda que atirem. ao rio de Jagoaripesão duas léguas. Domingos. de que estão sempre mui providos. Do rio de Jagoaripe ao da Araroama são duas léguas. D'este rio ao da Capivarimirim são seis léguas. no titulo dos Tupiiiamhás. e d'aqui entravam para dentro. cuja terra é alagadiça quasi toda. em o quol entram barcos. e mais. Sío grandes lavradores dos seus mantimentos. D'este rio ao da Abionabiajá sâo duas léguas. e industriado dVlles inimigos dos Poriuguozes. Sao grandes pescadores de linha. Tamaraquá é uma ilha ds duas léguas onde eslá a caberá d'esta capitania e a villa de Nossa Senhora da Conceição. Do rio da Parahiba. comem o bebem pela ordem dos Tupinambás. e d'ahi para dentro o rio ensinará por onde hiode ir. a quero faz sompro boa companhia . onde entram caravellões dos que navegam entre a terra e o arrecife. o qual está em altura de sete gráos. e amigo dos Francezes. Por esta barra entram navios de cem toneis. Em que se declara a costa do rio da Parahiba até Tamaracá . assim no mar como nos rios de água doce. Cantam. cuja terra é toda chàa. bailam. como já lica dito. De Capivarimirim a Tamaracá são seis léguas e eslá cm sete gráos e 1/3.ROTEIRO «O BRAZIL. a qual fica da banda do sul da ilha. onde se fizeram mais se não foram os Pitagoares que vem correndo a terra por cima e assolando tudo. onde se declarara mi tida mente sua vida e costumes.

pela qual se sefvem caravellões da costa. e. que foi um fidalgo muito honrado. o qual» sendo mancebo. De Tamaraquá ao rio de Igarosu são duas léguas. Que declara a costa do rio de Igaruçu até Perriambucfi. d'esta capitania fez El-Rei D. no que gastou alguns annos e muitos mil cruzados com muitos trabalhos e perigos em que sé viu assim no mar pelejando com algumas náos francezas que encontrava (do que os Francezes nunca sahiram bem). em cujo termo ha Ires engenhos de assucar muito bons. entrando para dentro ao longo do arrecife. porque trabalham aqui muito por andar n'este porto sempre o mar de levadio: por esta boca .3fê GABRIEL SOARES DK SOUZA. a qual villa será de duzentos visinhos pouco mais ou menos. CAPITULO X V . por Pero Lopes de Sousa não tomar as cincoenta léguas de costa que lhe fez mercê S. e em pessoa foi povoar esta capitania com moradores que para isso levou do porto de Lisboa de onde partiu. fica o Rio Morto pelo qual entram até acima navios de cem toneis até duzentos. onde chamam Santo Amaro. até que os fez affastar d'esta ilha de Tamaracá e visinhança d'ella: e esta capitania não tem de costa mais de vinte e cinco ou trinta léguas. todas juntas. Vicente. como em terra em brigas que com elles teve de mistura com os Pitagoares. N'este porto de Olinda se entra pela boca de um arrecife de pedra ao susudoéste e depois norte sul. andou por esta costa com armada á sua custa. João III de Portugal mercê a Pero Lopes de Sousa. A villa de Cosmos está junto ao rio de Igaruçu que é marco entre a capitania de Tamaracá e a de Pernambuco. mas tomou aqui a metade e a outra demazia junto á capitania de S. a qual está em altura de oito gráos. de quem foi por vezes cercado e offendido. aonde se extrema esta capitania da de Pernambuco. tomam meia carga em cima e acabam de carregar onde chamam o Poço. defronte da boca do arrecife. onde convém que os navios estejam bem amarrados. barra da banda do norte se entra ao suéste. Do rio de Tgaruçu ao porto da villa de Olinda são quatro léguas. À.

que lhe fizesse mercê de uma capitania n'esta costa. onde se faz aguada fresca para as náos da ribeira que vem do engenho de Jeronymo de Albuquerque: lambem so mettem n'este rio outras ribeiras por onde vão os barcos dos navios a buscar os assucares aos paços onde os trazem encaixados e em carros: este esteiro e limite do arrecife é muito farto de peixe de redes que por aqui pescam e do marisco: perto de uma légua da boca d'este arrecife está outro boqueirão. N'este logar vivem alguns pescadores e ofliciaes da ribeira.ROTEIRO DO BRAZIL. que foi um fidalgo. que logo lhe concedeu. abalisando-hYa da boca do rio de S. . 83 entra o salgado pela terra dentro uma légua ao pé da villa e defronte do surgidouru dos navios faz este rio outra volla deixando no meio uma ponta de arêa onde está uma ormida do Corpo Santo. que chamara a Barreta. e entre ella e elle se navega com barcos pequenos quem vem do mar em fora. que está ao pó da villa. A villa de Olinda é cabeça da capitania de Pernambuco. CAPITULO XVI. Francisco da banda do noroeste e correndo d'clla pela costa cincoenta léguas contra Tamaraquá que se acabam no rio de Iguaracú. o estão alguns armazéns era que os mercadores agasalham os assucares e outras mercadorias. Depois que Duarte Coelho veio da índia a Portugal a buscar satisfação de seus serviços. de cujos feitos estão cheios. e d'esta ponta da aréa da banda de dentro se navega esto rio até o varadouro. e quem puzer os olhos na terra em que está situada esta villa parecerlhe-ha que é o cabo de Santo Agostinho por ser muito semelhante a elle. com caravellòes o barcos. de cujo esforço e cavallaria escusaremos tratar aqui em particular por não escurecer o muito que d'elie dizem os livros da índia. por onde podem entrar barcos pequenos estando o mar bonançoso: d'esta Barreta por diante corre este arrecife ao longo da terra duas léguas. edo varadouro para cima se navega com barcos de navios obra de meia légua. a qual povoou Duarte Coelho. A. Do tamanho da villa de Olinda e da grandeza de seu termo. e quem foi o primeiro povoador d'ella. pedio a S.

quando fôr necessário ajuntar-se esta gente com armas. onde lhe mataram muita gente. onde agora está a villa. de onde depois seu filho. que o fez despejar a costa toda. e não tão somente se defendeu valorosamente. porque em cada um d'estes engenhos vivem vinte e trinta visinhos. om um alto livre de padrastos. mas offendeu e resistio aos inimigos de maneira que os fez affastar da povoação e despejar as terras visinhas aos moradores d'ellas. e como a este valeroso capitão sobravam sempre espíritos para commelter grandes feitos. que lanlo lhe importa a sua redizima e dizima do pescado e os foros que lhe pagam os engenhos. onde muitos annos teve grandes trabalhos de guerra com o gentio e Francezes que em sua companhia andavam . e affastar mais de cincoenta léguas pelo sertão. do mesmo nome. onde fez uma torre de pedra e cal. Mar furado. que é muita gente. da melhor maneira que foi possível. que quer dizer pela lingua do gentio. em a qual trouxe sua mulher e filhos e muitos parentes de ambos. dos quaes estão feitos em Pernambuco cincoenta. fora os que vivem nas roças afastados d'elles. maltratando e captivando n'estc gentio. lhe fez guerra. Chegando Duarte Coelho a este porto desembarcou n'elle e fortificou-se. de maneira que. Esta villa de Olinda terá setecentos visinhos pouco mais ou msnos.3â GABRIEL SOARES DE SOUZA. pór-se-bão em campo mais de três mil homens de peleja com os . que fazem tanto assucar que ostão os dízimos d'elles arrendados em dezenove mil cruzados cada anno. mal ferido e mui apertado. mas tem muitos mais no seu termo . que é o que se chama Caité. pois d'ella resultou ter hoje seu filho Jorge de Albuquerque Coelho dez mil cruzados de renda. N'ostes trabalhos gastou Duarte o velho muitos mil cruzados que adquirio na índia. como esta o é hoje em dia. que ainda agora está na praça da villa. mas elle com a constância de seu esforço não desistio nunca da sua pretenção. a qual despeza foi bem empregada. como já fica dito. onde veio com uma frota de navios que armou á sua custa. não lhe faltaram para vir em pessoa povoar e conquistar esta sua capitania. e outros moradores com a qual tomou este porto que se diz de Pernambuco por uma pedra que junto d'e!le está furada no mar. dos quaes foi cercado muitas vezes.

cinco léguas afastado dellc. verá por cima d'elle uma serra sellada . a qual está quasi leste oeste com o cabo. porque por aquclla parte não ba outra serra da sua altura e feição. em o qual entram barcos. dez mil cruzados.ROTEIRO DO nnAMi. o qual cabo está em oito gráos e meio. Do porto de Olinda á ponta de Pero Cavarim são quatro léguas. o alguns de oi Io. Magestade. Do Cabo ale Pernambuco corre-se a costa norte sul. Quem vem do mar em fora . E para quem vem ao longo da costa bota o Cabo fora com pouco mato e em manchas. o que se pode. a Ilha de Santo Alcixo. IVesta terra sahiram muitos homens ricos para estes reinos quo foram a ella muilo pobres. onde tem boa abrigada. c importa tanto este páo a S. Em que se declara a terra e costa que ha do porto de Olinda até o Cabo de Santo Agostinho. É tão poderosa esta capitania quo ha n'ells mais de com homens que tem do mil até cinco mil cruzados de renda. Da ponta de Pero Cavarim ao rio de Jaboatáo é uma logua. para conhecer este Cabo do Santo Agostinho. Ao socairo d'esle cabo da banda do norte podem surgir náos grandes quando cumprir. Esta genlo pôde trazer de suas fazendas quatro ou cinco mil escravos de Guino o muitos do gentio da terra. o qual é o mais Uno quo so acha cm toda a costa. entre os quaes haverá quntroconlos homens de cavallo. E parece que será tão rica o tão poderosa . d'onde sahem tantos provimentos para estes reinos. 35 moradores da villa de Cosmos. que é boa conhecença. que se devia de ler mais conta com a fortificarão dVlla e não consentir que esteja arriscada a uni corsário a saquear e destruir.. que o tem agora novamente arrendado por tempo de dez annos por vinte mil cruzados cada anuo. . atalhar com pouca despeza c menos trabalho. e ver-lho-hão que tem da banda do sul. CAPITULO XVII. Do rio de Jaboatáo ao Cabo de Santo Agoslinlio são quatro léguas. e toma uma quarta de nordeste sudoeste. com os quaes entram cada anuo d'esta capitania quarenta e cincoenta navios carregados de assucar e páo-brazil.

onde entram caravelões. n'este rio entram e sahem caravelões do serviço dos engenhos. N'este porto e rio das Gallinhas entram barcos da costa. o qual está em nove gráos e meio. o qual tem uns ilhéos na bocca. onde se recolhem com tempo barcos da costa. porque tanto tem de fundo. Em que se declara a costa do cabo e rio do Ipojuca até o Rio ae S. D'este porto ao rio Camaragipe são três léguas. e mistura-se ao entrar do salgado com o rio de Ipojuca.36 GABRIEL SOARES DE SOUZA. a qual se alaga com a maré. De Maracaipe ao Rio Formoso são duas léguas. onde podem surgir ebalraventar náos que nadem em fundo de cinco até sete braças. Francisco. o qual tem na bocca uma ilha de mangues da banda do norte. E corre-se acosta doCabo de Santo Agostinho até este porto das Pedras nornordeste susudoeste. que tem um boqueirão por onde entram navios da costa. D'este rio Una ao porto das Pedras são quatro léguas. em a qual ha surgidouro e abrigo para as náos. que está duas léguas da banda do sul. e por junto d'elle passa um rio que se diz do Cabo (onde também estão alguns). o qual tem um arrecife ao mar defronte de si. que estão nos mesmos rios. Do rio das Gallinhas á ilha de Santo Aleixo é uma légua. cuja terra é escalvada mas bem provida de caça. e está afastada da terra firma uma légua. A terra que ha entre este porto e o rio de Ipojuca é todaalagadiça. agora digamos como d'ellc ao porto das Gallinhas são duas léguas. Entre este e o rio Una se faz uma enseada muilo grande. cuja fronteira é de um banco de arrecifes que tem algumas abertas por onde entram barcos da costa . Até este Cabo é a terra povoada de engenhos de assucar. CAPITULO XVIII. Já fica dito como se mette o rio de Ipojuca com o do Cabo ao entrar no salgado. que é baixa e pequena. e mais adiante chegadas á terra tem sete ilhetas de mato. o qual eslá em nove gráos. o qual sahe ao mar duas léguas do Cabo. o ficam seguros de todo o tempo entre . Do Rio Formoso ao de Una são três léguas. da ilha de Santo Aleixo ao rio de Maracaipe são seis léguas .

e na ponta da barra d'elle da banda do sul tem umas barreiras vermelhas. mas . mas para dentro duas léguas é arresoada. contra o rio de S. Do Porto Novo dos Francezes ao de Sapetiba é uma legoa. uma aberta por onde os Francezes costumam a entrar com suas náos. em o qual entram navios da costa. tomar carga do páo da tinta no rio de Currurupe. 37 os arrecifes e a terra. ao qual rio rhamam os indios o porto Jaragoá. cuja terra ao longo do mar é fraca. por se elles costumarem recolher aqui com suas náos á abrigada d'esta enseada. onde também entrão caravelões . e entre um e outro entra no mar o rio da Alagda . em a qual bem chegado a terra estão os arrecifes de D. do qual ao rio de Currurupe são Ires léguas. Rodrigo. com suas lanchas. Do rio de Santo Antônio Merim ao Porto Velho dos Francezes sío ires léguas. em o qual entrão navies da costa. Miguel ao Porto Novo dos Francezes são duas legoas. e d'aqui faziam seu resgate com o gentio. e hiam por entre os arrecifes e a terra. que fora do Brazil. muitos homens nobres e outra muita gente. o qual se diz da A lagoa por nascer de uma que esta afastada da costa . Francisco são seis legoas. provedor mór. onde estavam mui seguros. a qual escapou toda d'este naufrágio. que está em dez gráos. defronte do qual fazem os arrecifes que (vão correndo a costa). que seriam mais de cem pessoas brancas. D'este rio do Currurupe . Da ponta da barra de Currururipe. onde lambem entram caravelões da costa. e ancoravam entre o arrecife e aterrapor ter fundo para isso. Francisco se vai armando uma enseada de duas legoas. Do Porto Velho dos Francezes ao rio deS.ROTEIRO DO BRAZIL. Do rio de S. onde também se chama o Porto dos Francezes . Pedro Fernandes Sardinha cora sua náo vinda da Bahia para Lisboa. quo eslá d'ello duas léguas. N'esle rio de Camaragipo entram navios de honesto porte. afora escravos. em a qual vinha Antônio Cardozo de Barros. Miguel são quatro léguas. e dous conegos e duas mulheres honradas e casadas. Aqui se perdeu o bispo do Brazil D. até o rio de S. cuja terra ao longo do mar é escalvada até o rio de Santo Antônio Merim. ondo elles costumam a ancorar com as suas nãos e resgatar com o gentio.

não do gentio Caité. a que elles chamam periperí. cuja água se ajunta toda em uma ribeira. Francisco até o porto das Pedras nornordeste susudoeste. Este gentio nos primeiros annos da conquista d'este estado do Brazil senhoreou d'esta costa da boca do rio de S. Francisco é toda alagadiça. que viviam da outra parte do rio. Francisco até o da Parahyba: depois que estes Caités roubaram este bispo e toda esta gente de quanto salvaram . onde sempre teve guerra cruel com os Piliguares. o que agora cabe dizer d'elles. onde captivavam muitos. eram de uma palha comprida como a das esteiras de labúa. que foram moradores na costa de Pernambuco. Francisco guerreavam estes Piliguares em suas embarcações com os Tupinambás. que tanto mal tem feito aos Portuguezes n'esta costa. a qual vai entrar no rio de S. CAPITULO XIX. Que trata de quem são estes Caités . Francisco até o rio Parahyba. a qual palha fazem em molhos muito apertados com umas varas como vimes. Francisco duas legoas da barra para cima. Da banda do rio de S. que n'este tempo senhoreava esta costa da boca d'este rio de S. e amarraram a bom recado. e lhes faziam muito damno. e com estes molhos atados em umas varas grossas fazião uma feição de embarcações . e toma da quarta de norte sul. A terra que ha por cima d'esta enseada até perto do rio de S. de que este gentio usava. que são muito brandas e rijas. a que elles chamam timbós. Parece que não é bem que passemos adiante do rio de S. em que cabiam dez . em cuja terra entravam a fazer seus saltos. que se d'ella faz . filho do meirinho da correiçãO. Francisco sem dizermos que gentio é este Caité. As embarcações. e pouco a pouco os foram matando e comendo sem escapar mais que dous indios da Bahia com um porluguez que sabia a Iingoa. os despiram. para execução da qual entravam muitas vezes pela terra dosPitiguares. corre-se a costa do rio de S.38 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que fazem em Santarém . que comiam sem lhes perdoar. e se matavam e comiam uns aos outros em vingança de seus ódios.

que não matassem e comessem . e se fu/.ROTEIRO DO BRAZIL. e a muitos navios e caravelões . e venderam d'elles aos moradores de Pernambuco e aos da Bahia infinidade de escravos a troco de qualquer cousa.iam uns a outros muito dainno. c deram-lhe nas costas. a Duarte Coelho. Pela parte do sertão. á gente da não do bispo. que osfizeramdescer todos para baixo. e de tal feição os apertaram . e iodos vinham carregados d'esta gente. E d'esta maneira se consumiu esle gentio. onde os acabaram do desbaratar. donde os Tapuias lambem apertavam estes Caités. conluiava este gentio com os Tapuias e Tupinaês. D'estes caplivos iam comendo os vencedores quando queriam fazer suas festas. em cujo titulo se dirá muito do suas gentilidades. 39 adoro indios. cujos damnos Deus não permittiu. que não quando faziam outro tanto oos Piliguares nem aos Tupinambás. a qual Duarte Coelho de Albuquerque por sua parle acabou de desbaratar. ou c-iplivavam alguns contrários d'estes. e «Vilas guerreavam com osTupinamhás ifoste rio do S. do qual não ha agora . e ajuularam-se uns com os outros peta banda décima. e tem a vida e costumes dos Piliguares o a mesma lingoa queé em tudo como a dos Tupinambás. Confederaram-se os Tupinambás seus visinhos com os Tupinaês pelo sertão. junto do mar. Francisco. o qual fez os damnos . e os que não puderam fugir para a serra do Aqueliba não escaparam de mortos ou captivos. Este gentio é da mesma còr baça. que vinham n'ellas ao longo da costa fazer seus saltos aos Tupinainbás junto da Bahia . São estes Cailés mui belicosos o guerreiros. E quando os Cailés matavam. que fica declarado. E aconteceu por muitas vezos fazerem os Cailés d'esla palha tamanhas embarcações. ao que iam ordinariamente caravelões de resgate. dos quaes não escapou pessoa nenhuma. mas ordenou de os destruir d'esla maneira. para cujas nldêa» ordinariamente havia fronteiros. que durassem mais tempo. que se perderam n'esta costa . que se remavam muito bem. o se fazião cruéis guerras. tinham-no por mór honra . que são cincoenta legoas. que as corriãoo sal (cavam. mas mui alreiçoados e sem nenhuma fé nem verdade .

Francisco e seu nascimento. os irmãos e parentes uns aos outros: e de maneira são cruéis. também são mui cruéis uns para os outros para se venderem. temos que basta o que está dito até agora dos Caités. que toca a mor parte do gentio que vive na costa do Brazil. por onde entra a maré com o salgado para cima duas legoas somente . E como no titulo dos Tupinambás se conta por extenso a vida e costumes. E este rio contente-se por ora de se dizer d'elle em somma o que for possível n'este capitulo para com brevidade chegarmos a quem está esperando por toda a costa. A este rio chama o gentio o Pará. Francisco. e em particular da Bahia de Todos os Santos. a quem é necessário satisfazer com o devido. Muito havia que dizer do rio de S. CAPITULO XX. ou se misturou com seus contrários sendo seus escravos ou se aliaram por ordem de seus casamentos. que é tratar toda a costa em geral. o pai aos filhos. Eslá o rio de S. do qual se não pôde escrever aqui o que se deve dizer d'elle . e d'aqui para cima é agoa doce. estavam alguns escravos resgatados. Francisco em altura de dez gráose um quarto. Que trata da grandeza do rio de S. se lhe coubera faze-lo n'este lugar. que a maré faz recuar outra duas legoas. em uma de um Rodrigo Martins. porque será escurecer tudo o que temos dito. senão o que se lançou muito pela terra dentro. onde andou debaixo para cima um pedaço sem se afogar. que aconteceu o anno de 1571 no rio de S. Por natureza são estes Cailés grandes músicos e amigos de bailar. até que de outra embarcação se lançou indio a nado por mandado de seu senhor que a foi tirar: onde a baptisaram e durou depois alguns dias. são grandes pescadores de linha e nadadores. a qual tem na boca da barra duas legoas de largo. e não se pôde cumprir com o que está dito e promettido. não havendo agoa do monte. o qual é . a qual enfadada de lhe chorar uma criança sua filha a lançou no rio. em que entrava uma índia Caité. Francisco estando n'elle algumas embarcações da Bahia resgatando com este gentio.£0 GABRIEL SOARES DE SOUZA.

tão afamada e desejada de descobrir. de uma banda e da outra vivem Tupinambás.ROTEIRO DO BRAZIL. pouco mais ou menos. de que se fazem flechas. e além d"ell. Tupinaês. Ubirájaras e Amazonas. Amoipiras. onde este rio sahe de debaixodaterra. mais acima vivom os Tapuias do diferentes castas. Navega-se este rio com caravelões até a cachoeira . onde se dão mui bem Ioda a sorte de mantünentos naluraes da terra. que se atavia com jóias de ouro. de outubro por diante até janeiro. que é mais fundo que o de nordeste. das quaes foi sempre muito povoado. que estará da barra vinte legoas. E é tãorequestadoeste rio de todo o gentio. e por acharem n'cllo grandes pescarias. e n'este tempo se alagam a mor parte d'estas ilhas. que pode estar da cachoeira oitenta ou noventa legoas. Por cima d'esta cachoeira. Este sumidouro se entende no lugar. até onde tem muitas ilhas . por ser muito farto de pescado e caça. que é de pedra viva. e no verão cresce de dez até quinze palmos. Al mui nomeado entro todas as nações. Ao longo d'esle rio vivem agora alguns Caités. como os outros.as vive outro gentio (não tratando dos que communicam cornos Portugueses). que o fazem espraiar muito mais que na barra. e tiveram uns com outras sobre os sítios grandes guorras por ser a terra muito fértil pelas suas ribeiras. Quem navega por esta costa conhece este rio quatro e cinco legoas ao mar por as aguagens. por onde também tem muitas ilhas. da qual este rio nasce. no inverno não traz este rio água do monte. Da barra d'este rio até a primeira cachoeira ha mais de SOO ilhas. de quo ha cortas informações. Este genito se affirma viver á vista da Alagôa grande. E começa a vir esta água do monte. se se lá fizerem. que d "elle sahem furiosas e barrentas. e por a terra d'elle ser muito fértil como já fica dito. pelo que não criam nenhum arvoredo nem mais que canas bravas. nem corra muito. por onde entram navios de cincoenta toneis pelo canal do sudoeste. até o sumidouro. lambera se pode navegar este rio em barcos. que é (areado verão a'estas partes.por onde vem escondido dez ou doze legoas. no cabo das quaes arrebenta até onde se pôde navegar e faz seu caminho 6 .

o qual trabalhou por descobrir quanto poude . á conta da qual informação se fizeram muitas enlradas de todas as capitanias sem poder ninguém chegar ao cabo. que se dizia do Porto Seguro. e da segunda também teve desenho. no que gastou quatro annos e um grande pedaço da fazenda d'El-Rei sem poder chegar ao sumidouro. como se verá do roteiro que se fez da sua jornada. que n'elle vivem. a cujas mãos foram mortos. e por derradeiro veio acabar com quinze ou vinte homens entre o gentio Tupinambá. que para isso fazem. A' boca da barra d'este rio corta o salgado a terra da banda do sudoeste. mas até á barra é agoa doce. o que lhe aconteceu por não ter cabedal de gente para se fazer temer e por querer fazer esta jornada contra água. por todo o gentio que n'elle viveu e por elle andou affirmar que pelo seu certão havia serras de ouro e prata. e podem os moradores. e dos que o tempo ali faz chegar. fazer grandes fazendas e engenhos até a cachoeira.ffê r. pelo não fartar das honras que pedia. e traz n'este tempo grande correnteza. se osfizeremlá: os Índios se servem por elle em canoas. porque chegou acima do sumidouro mais de cem legoas. Por cima d'esle sumidouro está a terra cheia de mato. em derredor da qual ha muito páo brazil. Está capaz este rio para se perto da barra d'elle fazer uma povoação valente de uma banda e da outra para segurança dos navios da costa. o que não aconteceu a João Coelho de Souza. até o mar. E sendo governador d'este estado Luiz de Brito de Almeida mandou entrar por este rio acima a um Bastião Alvares. se trabalhou muito por se acabar de descobrir este rio. VBRIEL SOARES DK SOUZA. sem se sentir que vai o rio por baixo. . mas desconcertou-se com S. E quando este rio enche com água do monte não entra o salgado com a maré por elle acima. que com pouco trabalho se pôde carregar. e d'este sumidouro paracima se pôde também navegar em barcos. onde se perdem muitas vezes. com este desengano e sobre esta pretenção veio Duarte Coelho a Portugal da sua capitania de Pernambuco a primeira vez. Depois que este Estado se descobriu por ordem dos reis passados. e faz ficar aquella ponta de arêa e mato em ilha. A. que será de três legoas de comprido.

Francisco : este rio se navega pela terra dentro três legoas. lagostins e caranguejos. Do rio de S. faz uma volla ao longo d'elle. assim para atalhar que não entrem ali Francezes. por onde entra o salgado até entrar no rio de S. por onde vão barcos de um rio ao oulro. a qual tem diante de si tudo arrecifes de pedra. onde matam muito peixe. Em que se declara a costa do rio de S. Tem este rio duas legoas por elle acima a terra fraca. como chega perto do salgado. fazendo uma língua de terra estreita entre elle e o mar de uma legoa de comprido. por cuja barra podem entrar barcos e caravelões da costa com a proa ao lesnorocsle. por achar por aquelles arrecifes muitos polvos. o no cabo dYsta legoa se melte o mar: entre um rio e outro é ludo praia de aréa. e tem este rio na boca uma ilha. que é a que vem da ponta da barra do rio de S. onde também resgatavam com os mesmos algodão e pimenta da terra. D'este riacho de Aguaboa a uma legoa está o rio de l birapaliba . o qual braço faz a ilha declarada. onde convém muito que se faça uma povoação.. onde se chama a enseada de Vazaharris. mas não tomavam dentro mais que rocia carga. Do rio de Guaraliha a sete legoas eslá um riacho a que chamam de Aguahoa . como por segurar aquella costa do gentio que vive pro . pelo cila ser . em o qual entram barcos da costa. por cuja barra com baleis diante costumavam entrar os Francezes com suas náos do porte de cem toneis para baixo.A/H. por onde podem entrar com bonança. /| '. A este rio vero o gentioTupinambá mariscar. D'este rio Ubirapatiha a sete legoas está o rio de Seregipc em altura de onze gráos e dous terços. e a pescar á linha. o qual se navega pela terra dentro mais de três legoas. Francisco «té o de Sergipe. CAPITULO XXI. mas d'ahi avante é muito boa para se poder povoar. e faz um braço na entrada junto do arrecife. Francisco ao de Guaraliha são duas legoas. o qual. e fora da barra acabavam de carregar com suas lanchas. em que acabavam de acarretar o páo que ali resgatavam com os Tupinambás. Francisco uma legoa da barra . com alguns boqueirões para barcos pequenos.ROTEIRO DO Ui.

e mais para dentro tem cinco braças. Do qual até Seregipe faz a terra outra enseada./ t CABRIIiL SOARES DE SOUZA. Tem este rio á boca da barra uns bancos de aréa que botam meia legoa ao mar. a que outros chamam de Cannafistula. cuja terra é sofrível para se poder povoar. A este monte chamam os indios Manhana . em meio do qual tem uma ilha. o qual é muito farto de peixe e marisco. a qual ilha faz duas barras a este rio. da feição de um ovo. cuja boca é do meia legoa. Por este rio se navega três legoas./. e nos quo pelo mesmo respeito fogem de Pernambuco para a Bahia. Tem este rio deSeregipe na barra de baixamar três braças. no seio da qual está . que enlram n'ella e no Rio Real no inverno com tempo. e quem quer entrar pelo boqueirão do baixio vai com a proa ao norte. são quatro legoas. pela do sul podem entrar navios de oitenta toneis. cuja barra se entra lessueste e oesnoroeste. este rio acima. assim nos barcos. pelo qual ó a terra bem conhecida. e no sertão d'ella tem grandes matas de páo brazil. o qual todos os annos faz muito dainno. porque no mais debaixo tem de fundo duas braças de baixamar. que commettem este caminho para Pernambuco fugindo á justiça. de que acima dissemos. Em que se declara a costa do rioSeregipeatê o Rio Real. pela barra do norte entram caravelões da costa. qne se diz do Cotigipe. e dentro cinco e seis braças. a que também chamam de Vazabarris. e quem vem de mar em fora verá por cima d'este rio um monte mais alto que os outros. Francisco nornordeste susudoeste. os quaes de maravilha escapam que os não matem e comam. como em homens. que tantas entra a maré por elle acima. e como está dentro a loesnoroeste va demandar a ponta do sul. CAPITULO XXII. por se ver de todas as partes de muito longe E corre-se a costa d'este rio ao de S. que quer dizer entre elles espia . e d'ella para dentro se vai ao norte . que está afastado da barra algumas seis legoas. em que tem umas moitas verdes. D'este rio de Cotigipe ao rio de Pereira. D'este rio de Seregipo. a quatro legoas está outro rio.

para se poder carregar para estes reinos. de que já falíamos. os quaes convém que venham a terreiro. por onde entram navios da costa de quarenta toneladas. estando com as batizas necessárias. eos Francezes desenganados de não poderem vir resgatar com elle entre a Bahia e Pernambuco. por se darem n'ella as canas muito bem. Pelo sertão d'esle rio ha muito páo brazil. e divide-se em ires ou quatro esteiros onde se vero metter outras ribeiras de agoa doce. Que trata do Rio Real e seus merecimentos. onde os naviostemgrande a brigada com todos tempos. convém ao serviço de S. que n'este tempo gover- . e mandou mui afincadamente a Luiz de Brito. e pela barra do sudoeste podem entrar navios de sessenta toneis. Até onde chega o salgado. é aterrafraca e pouca d'ella servirá de mais que de criações de gado: mas d'ondo se acaba a maré para cima é a terra muito boa e capaz para dar todas as novidades. a que muitos chamam do nonio da enseada. onde se faz uma bahia de mais de uma legoa. que com pouco trabalho todo pode vir ao mar. que deve de ter merecimentos capazes d'elle. porque tem dous mares em flor: da barra para dentro tem o rio muito fundo. nornordesle susudoeste. Magestade que mande povoar e fortificar este rio* o que se pode fazer com pouca despeza de sua fazenda . que eslá em gloria. E para que esta costa esteja segura do gentio. E comecemos na altura. CAPITULO WÍÍX. e tem muito marisco. Do rio de Pereira a duas legoas está a ponta do Rio Real. Sebastião. donde se corro a costa até Seregipe. que são doze grãos escaços: a barra d'este rio terá de ponta a ponta meia legoa. foi informado. em a qual tem dous canaes. em a qual se podem fazer engenhos de assacar. em que está. Entra a maré por este rio acima seis ou sete lagoas. Parece que quem tem tamanho nome como o Rio Real.ROTEIRO DO BEAZIL. e de toda a outra sorte de pescado. fl5 o rio de Cotigipe. do que já El-Rei D . em a qual ha grandes pescarias de peixe boi. para que cheguem á noticia de todos. do que lhe prantarem.

A. com muitos hemens das ilhas e da terra. sem de um rio a outro haver na costa por onde entre um barquinho . porque eslava longe do mar para se valerem da fartura d'elle. E quando se o governador recolheu. por que mandou destruir os mais valorosos e maiores dos corsários capitães d'aquelle gentio. que é um dos principaes moradores da Bahia. por se entender ser necessário fazer-se uma casa forte á custa de S. nava este Estado. sem lhe custar a vida a mais que a dous escravos. A boca d'este rio é muito suja de pedras. Em que se declara a terra que ha do rio Real. que lhe pudesse responder com as novidades costumadas. mandando a isso Garcia d'Ávila . no que elle metteu todo o cabedal. que nunca houve n'aquella costa. onde o mesmo governador foi em pessoa com a força da gente que havia na Bahia. que não buliu n'este negocio pelos respeitos. até o rio de Itapocurú. que não serve se não para criações de gado.tlQ GABRIEL SOARES DE SOUZA. que ordenasse com muita brevidade como se povoasse este rio . que não são sabidos. se despovoou este principio de povoação sem se tornar mais a bulir n'isso. o que fez pelo lio acima ires legoas . de cujo sitio elle e toda a companhia se descontentaram: e com razão.. como se não deu n'aquellas partes. para que assentassem uma povoaçâo onde parecesse melhor. e longe da terra boa . e sueceder-lhe Lourenço da Veiga . cuja terra ao longo d'ella é muita fraca. mas podem-se quebrar umas pontas de baixamar de . os quaes principaes do genlio foram mortos. por tudo serem arrecifes ao longo da costa. Donde se afastaram por temerem o gentio que por ali vivia. e os seus que escaparam com vida ficaram captivos. CAPITULO X X I V . para se aqui declararem. o qual passou por esta nova povoação. ao qual Luiz de Brito deu tal castigo n'aquelle tempo. quando foi dar guerra ao gentio d'aquella parte. a qual Luiz de Brito não ordenou por ser chegado o cabo do seu tempo. Do rio Real ao de Itapocurú são quatro legoas.

cuja agoa era muito doce. porque dá muito bem todos os manlimenlos. que lhe plantam. onde do baixamar podem nadar náos do duzentos toneis: entra a maré por esto rio acima cinco legoas ou seis. se acharam pelas roças d'estes Índios. com que lhe fique canal aberto. Da boca d'esterio pira dentro faz-se uma maneira do bahia. cincoenta ou sessenta legoas pelo sertão. a qual alagòa estava cercada de um campo todo cheio de perrexil muito mais viçoso que o que nasce ao longo do mar . e está em doze gráos : cujo nascimento é para a banda de loeste mais de cem legoas do mar. as quaes so podem navegar com barros : o onde se mistura o salgado com agoa doco para cima dez ou doze legoas so pode também navegar com barquinhos poquenos. pouco mais ou monos. porque quando Luiz de Brito foi dar guerra ao gentio do Rio Real. se podem fazer n'elle muitos engenhos do assucar . dos quaes o gentio matou muita quantidade dVlies. uma alagòa de quinhenlas braças de comprido e cento de largo . e o peixe que ambas tinham era da mesma sorte. e por aqui acima é a terra muito boa para so pod. e para cima de peixe de agoa doce.ROTEIRO DO nRAZIL. .«r povoar. porque tem ribeiras que se n'elle metlem muito acommodadas para isso. n'este mesmo tempo se achou entro este rio e o Real. pira poderem por ellu entrar caravolões da costa de meia agoa cheia por diante. Este rio perto do mar é muito farto de pescado e marisco. e tocado por fora nos beiços era láo salgado como so lhe dera o rocio do mar: n'esle mesmo campo afastado desta alagòa quinhentas ou seiscentas braças estava outra alagòa. o qual no verão traz mais agoa que o Mondego. e está povoado do gentio Tupinambá. mui grossas e mui formosas cannas do assucar. que viviam ao longo d'este rio. e dará muito bonscannaviaes deassucar. ambas em um andar. e em ambas havia muitos porcos d'agoa. \J agoas vivas . cuja agoa é mais salgada que a do mar. pelo que povoando-se este rio. e pela terra ao longo d'elle tem muita caça de toda a sorte.

de que não ha que tratar.J58 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Este Garcia d'Ávila tem toda sua fazenda em criações de vaccas e egoas. Aqui tem Garcia d'Avila. toda de abobada. os quaes tem na aldêa uma formosa igreja de Santo Antônio. pela qual atravessam cinco rios e outras muitas ribeiras. uma povoação com grandes edifícios de casas de sua vivenda . onde haverá mais de trezentos homens de peleja: e perto d'esta aldéa tem os padres Ires curraes de vaccas. onde se mette um riacho d'este nome . mas duas legoas pela terra dentro é sofrivel para mantimentos . que é um dos principaes e mais ricos moradores da cidade do Salvador. por se mctterem no mar por cima dos arrecifes sem fazerem barra por onde possa andar um barquinho. como fica dito. e terá alguns dez curraes por esta terra adiante: u os padres da companhia tem n'este direito uma aldéa de Índios forros Tupinambás. que doutrinam estes indios na nossa santa fé catholica. Tatuapará é uma enseada . por onde não é possível lançar-se gente em terra. porque toda esta costa do rio Real até Tatuapará ao longo do mar é cheia de arrecifes de pedra. que grangeam. e um recolhimento onde estão sempre um padre de missa e um irmão. que ha do Itapocurú até Tatuapará. CAPITULO XXV. cuja terra ao longo do mar é muito fresca e baixa . em o qual entram caravelões da costa com preamar : n'esta enseada tem os navios muito boa abrigada c surgidouro. que vem sahir ao mar n'estas oito legoas. a qual se chama de Santo Antônio . de que se aproveitam os que andam pela costa. e uma igreja de Nossa Senhora. que se espraiam muito. nem chegar nenhum barco senão forno Itapocurú. Em que se declara a terra. e não serve se n3o para criação de gado. Do rio Itapocurú a Tatuapará são oito ou nove legoas. no que os padres trabalham todo . mui ornada. em a qual tem um capellão que lhe ministra os Sacramentos.

fazem uma aberta. qne ia para a índia. D'este rio de Jacoipe ale o rio de Joanne são cinco legoas. e os officiaes da náo desconfiados da salvação sendo meia noite deram a vella do traquete para ancorarem em terra e salvarem as vidas: o que lhe suecedeu pelo contrario. senão onde chamam o porto de Arambepe. por onde com bonança podem entrar barcos. e aqui com bonança ainda com trabalho. onde se chama o porto de Braz Affonso . que vem de Tatuapará. ao longo do qual tem o mesmo Garcia d*Ávila um curral de vaccas. até onde são tudo arrecifes sem haver onde possa entrar um barco. onde se perdeu a náo SantaClara. os quaes curraes são de Garcia d'Avila o de outras pessoas chegadas a sua casa. mas alraz uma legoa. que foi forçado cortarem-lhe o mastro grande.ROTIino DO RRAZIL. e corre-se a cosia d'aqui até o Rio Real nornordesle susudooste. e foi tanto o tempo que sobreveio. onde os arrecifes. mas por demais. CAPITULO XXVI. Esta enseada do Tatuapará está em altura de doze gráos esforçados. que a fez ir á cacea. podem entrar caravelões. até o rio de De Tatuapará ao rio Jacoipe são quatro legoas. porque sendo esta costa ioda limpa afastada dos arrecifes foram varar por cima de uma lage não se sabendo outra . por serem de terra baixa e fraca . Em que se declara a terra e costa de Tatuapará Joanne. /|9 o possível. Este rio de Jacoipe se passa de baixamar acima da barra uma legoa a váu . as quaes ao longo do mar estão orcupadas com curraes de gado. o que não bastou para se remediar. porque é este gentio tão bárbaro que até hoje não ha nenhum que viva como christão tanto que se apartam da conversação dos padres oito dias. estando sobre amarra. De Tatuapará até este rio não ha onde possa entrar um barco senão n'cste rio de Jacoipe. onde os arrecifes fazem outra aberta. De Jacoipe a Arambepe são duas legoas. eficaremdentro dos arrecifes seguros. e do arrecife para dentro ficam seguros com todo tempo.

os quaes os padres doutrinam. tem os padres da Companhia duas aldêas de indios forros Tupinambás e de outras nações. onde se dão todos os manlimentos da terra muito bem por ser muito fresca com muitas ribeiras de agoa: n'este limite lança o mar fora todos os annos muito âmbar pelo inverno. de Pernambuco até a Bahia . E á sombra e circuito d'estas aldeias tem quatro ou cinco curraes de vaccas ou mais. que grangeam. D'este rio até Tapoam são três legoas. que estes indios vão buscar. a qual anda ali sempre mui levantada. e a outra de S. Este rio está em altura de doze gráos e dous terços. E corre-se esta costa de Tatuapará até este rio de Joanne nornordeste susudoeste. e não serve ao longo do mar mais que para gado. o qual se passa de maré vazia a váu por junto da barra . Por onde eslas aldeias estão. da aldeia de Santo Antônio. e n'esta comarca.50 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que n'ellas rezidem. uma de Santo Espirito. João. Toda esla terra até o rio de Joanne. quando se mette no mar. a qual lage está um tiro de falcão ao mar dos arrecifes. o qual dão aos padres. onde se esta náo fez em pedaços. CAPITULO XXVII. e até quatro legoas pela terra dentro está esle limite . e morreram n'este naufrágio passante de trezentos homens. é a terra boa. Em que se declara a costa do rio de Joanne até a Bahia. mas não pôde entrar por ella nenhuma jangada por ser tudo pedra viva. cuja terra é baixa e fraca. três legoas do mar para o sertão. com Luiz de Alter de Andrade. está povoada de curraes de vaccas de pessoas diversas. e para outros que muitas vezes se lá vão recrear. e de preiamar não tem sobre si três palmos de agoa. onde espraia muito. como o Zezere quando se mette no Tejo. O rio do Joanne traz tanta agoa. Est'outras se dizem . o qual entra no mar por cima dos arrecifes. três legoas do mar. em as quaes teram setecentos homens de peleja pelo menos. que ia por capitão. como fica dito. onde tem grandes igrejas da mesma advocação e recolhimento para os padres. de que se ajudam a sustentar.

a que o genlio chama d'este nome. quando lá estão. d'esta ponta em um alto. IVesta ponta de Tapoam a duas legoas está o rio Vermelho. e pira o sertão duas legoas está uma grossa fazenda de Garcia d'Avila com outra hermida de S. não sendo travessia na costa nem ventos mareiros: até aqui está toda a terra ao longe do mar orcupada com criações do gado vaceum. CAPITULO XXVIII. Esta terra e outra tanta além do rio do Joanne ó do concelho da cidade do Salvador. 61 c a terra d'elle orcupada com curraes de vaccas. esabe-lo-ha. Em que se declara como Francisco Pereira Coutinho foi povoar a Bahia de todos os Santos e os trabalhos que nisso teve. com uma hermida de S. Esta ponta. o corre-se a costa do rio de Joanne á Ponta do Padrão nornordeste sudoeste.R0TBIR0 DO BRAZIL. por onde so conhece a entrada da Bahia. Francisco mui concertada e limpa. lêa os livros da índia. N'este rio Vermelho pode desembarcar gente com bonança. até onde são tudo arrecifes cerrados sem entrada nenhuma. que quer dizer pedra baixa: defronte. onde os padres. e levam a folgar os governadores: ondo tem um jardim muilo fresco. é a que na carta de marear se chama os Lençóes do Arêa. com uma pedra no cabo cercada d'clle. Quem quizer saber quem foi Fraricisco Pereira Coutinho. em a qual tem umas casas de refrigerio. dizem missa. o uma hermida muito concertada. Francisco. com um formoso tanque de agoa. onde lhe coube por sorte a capitania da Bahia de todos os . e estarem barcos da costa ancorados nesta boca d'elle. está uma fazenda do Sebastião Luiz. A Tapoain é «ma ponta sabida ao mar. E pela terra dentro duas legoas tem os padres da Companhia uma grossa fazenda com dous curraes de vaccas. que se aqui vem metter no mar . D'este rio Vermelho até a Ponta do Padrão é uma legoa. e verão seu grande valor e heróicos feitos dignos de differcnte descanço do que teve na conquista do Brazil. ondo se vão recrear e convalescer das enfermidades. que é uma ribeira assim chamada.

João III. em o qual sitio fez uma povoação e fortaleza sobre o mar. entes que se acabasse de consumir em poder de inimigos tão cruéis. dous engenhos de assucar. da terra que ha da Ponta do Padrão ató o rio de S. de gloriosa memória tez mercê. e nos engenhos quando deram n'elles» Poz este alevantamanto a Francisco Pereira em grande aperto. ordenou de a pôr em salvo e passou-se por . com o que a gente. que já era mui pouca. que embarcou em uma armada. onde esteve de paz com o gentio os primeiros annos. com a qual partiu do porto de Lisboa. ora com tregoas sete ou oito annos. Santos. com o que se ia apouquentando muito: onde mataram um seufilhobastardo e alguns parentes e outros homens de nome. se determinou com elle apertando-o que ordenasse de os pôr em salvo. onde agora chamam a Villa Velha. e fortificou-se. de que lhe El-Rei D. Francisco ao longo do mar. E vendo este capitão sua gente . desesperada de poder resistir tantos annos a tamanha e tão apertada guerra .52 GABRIEL SOARES DE S0VZA. nos quaes passaram grandes fomes. com grande risco dos cercados. ora cercados. que fez á sua custa . porque lhe cercaram a villa e fortaleza. que estava com Francisco Pereira. e fez-se prestes com muitos moradores casados e outros solteiros. os quaes iam buscar da villa as embarcações . tão determinada. que se alevantou. os quaes n'este tempo lhe vinham por mar da capitania dos Ilheos. quando o espedaçavam e comiam. E como este esforçado capitão tinha animo incansável não receou de ir povoar a sua capitania em pessoa. no qual tempo os moradores fizeram suas roças e lavouras. E com bom vento fez sua viagem ató entrar na Bahia e desembarcou da ponta do Padrão d'ella para dentro. e para o sertão de toda a terra que couber na demarcação d'este Estado. que estiveram n'estes trabalhos. pelas quaes mataram muitos homens. doenças e mil infortúnios . e destruiu todas as roças e fazendas. que com elle foram. a quem este gentio Tupinambá matava gente cada dia. e lhe faz merco da terra da Bahia com seus recôncavos. D'esta povoação para dentro fizeram uns homens poderosos. que ainda não acabavam de matar um homem. toraando-lhe a água e mais mantimentos. pela primeira vez. que depois foram queimados pelo gentio .

e á trairão mataram a Francisco Pereira e a gente do seu caravelão. para no seu se dizer o promettido. e arrependido da ruim visinlianra que lhe tinha feito. D'esla maneira acabou ás mãos dos Tupinambás o esforçado eavalleiro Francisco Pereira Coutinho. os quaes se «juntaram. cujo esforço não poderem render os Rumes e Malabares da índia. e partiu-se para Bahia. que viviam u'esla ilha. com boa linguagem. que está em altura de treze . porque lhe não eabe n este lugar dizer mais. E tornando á Ponta do Padrào d'ella. salvou-se a gente toda d'este naufrágio . e outro. Em que se torna a correr a costa e explicar a terra a"elta da ponta éo Padrão até o rio de Camamú. o qual náo somente gastou a vida n'esta preteaçfo. de que pegaremos como acabarmos de correr a costa. ordenaram do mandar chamar Francisco Pereira mandando-lhe promeller toda a paz e boa amizade. em que vinha Diogo Alvares de alcunha o Caramurú. que lhes elles davam a troco de mantimentos. do que escapou Diogo Alvares com os seus. mas quanto em muitos annos ganhou na índia com tantas lançadas e espingardadas. grande lingua do gentio. mas náo das mãos dos Tupinambás . onde deu á costa . o qual recado foi dVHe festejado. e o que tinha em Portugal. e embarcou-se logo com alguma gente em um csravelao que tinha. e foi rendido d'estes bárbaros. que como so foram os Porluguezes lhe ia faltando o sresgalos. e far-lfae-faemos seu offieio da melhor maneira que soubermos. com o que deixou sua mulher e filhos postos no hospital. que o lançou sobre os baixos da ilha de Taparica. e querendo entrar pela barra dentro lhe sobreveio muilo vento e tormentoso. 53 mar com dia em uns caravelões que tinha. para a capitania dos llbeos: do que se espantou o gentio muito . movido também de seu interesso» vendo. Não tratamos da Bahia mais particularmente per ora. pois ásua conta se fez outro memorial. CAPITULO XXIX.BOTBIRO DO BRAZIL.

que lhe destruíram as fazendas e mataram muitos escravos. gráos esforçados: dizemos que d'esta Ponta á do morro de S. o qual está em quatorze gráos. Paulo na ilha deTinharó são nove ou dez léguas. e achará fundo de cinco e seis braças. Este rio é muito grande e notável e vem de muito longe.5/t GABRIEL SOARES DE SOUZA. e tem bom canal para poderem entrar n'elle náos grandes. as quaes hão de entrar chegadas á ponta da banda do sul. que despejaram a terra firme com medo dos Aimorés. porque traz sempre muita água: cuja terra com dez léguas de costa possuem os padres da Companhia por lhe fazer d'ella doação Mem de Sá. esta ilha possuem os padres da companhia do collegio da Bahia. que se diz de S. Tem este rio de Camamú uma bocca grande e n'ella uma ilha pequena perto da ponta da banda do norte. mas todos despejaram por mandado dos Aimorés que lhes deram tal trato que os fez passar d'alli para as ilhas de Boipeba e Tinharé. Faz esta ilha de Tinharé da banda do sul um morro escalvado. e quem quizer entrar d'esta Ponta para dentro pôde ir bem chegado ao morro. Da barra d'este rio para dentro tem uma formosa bahia com muitas ribeiras que se n'ella mettem. porque pelo sertão se pôde navegar. e corre-se com a Ponta do Padrão nordeste sudoeste. os quaes padres a começaram a povoar. a cuja abrigada ancoram náos de todo o porte. Paulo. De Tinharé á ilha de Boipeba são quatro léguas . a qual ilha está tão chegada á terra firme que no mais estreito não ha mais canal que de um tiro de espingarda de terra a terra. d'onde despovoaram logo por não contentar a terra aos primeiros povoadores. e alguns outros moradores. que lhe impede não se navegar muitas léguas. a qual ponta está em treze gráos e meio. o qual se navega do salgado para cima cinco ou seis léguas até á cachoeira. onde tem seis e sete braças de fundo. a qual e a de Tinharé estam povoadas de Portuguezes. De Boipeba ao TÍO de Camamú são três léguas. onde se podem fazer muitos engenhos. . E corre-se a costa d'esta ilha ao Camamú norte sul pouco mais ou menos. N'esta ilha de Tinharé junto do morro esteve a primeira povoação da capitania dos Ilhéos.

cuja cosia se corre norte sul. os quaes se passam a váo ao longo do mar. a qual terra é toda boa e está muita d'ella aproveitada com engenhos de assucar. e delia para cima se pode lambem navegar. Tem este rio das Contas. são duas léguas. D'este rio das Contas a duas léguas está oulro rio que se chama Amemoão. cousa que faz grande espante por se não achar peixe do mar em nenhumas alagòas. por ter fundo para isso. a que os Indios chamam Jussiape. e ao mar uma pedra como ilhéo quo está na mesma bocca. para o conhecer quem vem de mar em fora. que lambem eslam despovoados. E é muilo farlo de pescado e marisco e de muita caça. em o qual se meltem muitas ribeiras que o fazem caudaloso. porque tem fundo e canal para isso bem chegado a esta |iedra. cuja terra é grossa o boa. pelo que não está povoado) o qual eslá em quatorze gráos e um quarto. De Taype ao rio de S. Em que se declara a terra que ha do rio de Camamú até os llhéos. ainda quo eslam mui apertados com esla praga dos Aimorés. pela qual e nlram navios de honesto porte. que é o dos llhéos. cujo nascimento é de uma alagòa que tem em si duas ilhas. e traz roais água sempre que o Tejo. este rio de Taype vem de muito longe. o qual se navega da barra para dentro sete ou oito léguas até á cachoeira. e d'elle a uma légua está oulro rio que se cliama Japarapc. sobro a bocca uns campinhos descuberlos do mallo. Esto rio de Camamú eslá em altura de quatorze gráos.ROTRIRO DO BRAZIL. f>5 CAPITULO XXX. Este rio vem de muito longe. e tem muitas ribeiras para engenhos que se vem mctler n'este rio (os quaes se deixam de fazer por respeito dos Aimorés. o delle ao das Contas são seis léguas. Da alagòa para baixo e perto do mar tem outra ilha e um engenho mui possante de Luiz Alvares de Espenha. Jorge. junto do qual engenho está uma alagòa grande de água doce em que se tomam muitas arraias c outro peixe do mar e muitos peixes bois. DeJaparape ao rio de Taype são ires léguas. c para se conhecer .

onde os navios estam seguros com todo o tempo e também estam á sombra do Ilhéo grande. a barra dos llhéos ha se de vir correndo a costa á vista da praia para se poderem ver os llhéos. que se entende da ilha de Tinharé (como está julgado por sentença que sobre este caso deu Mem de Sá sendo governador. o qual está em altura de quinze gráos escassos. Quando el-rei D. E mandou por seu logo-tenente a um Castelhano muito esforçado. a qual se começa da ponta da Bahia do Salvador da banda do sul. escrivão da sua fazenda. experimentado e prudente. para o que fez prestes á custa de sua fazenda uma frota de navios com muitos moradores providos do necessário para a nova povoação. João o 3. ordenou de o mandar fazer por outrem. E como Jorge de Figueiredo por respeito de seu cargo não podia ir povoar esta sua capitania em pessoa. e fez sua viagem para esta costa do Brazil. e Braz Fragoso sendo ouvidor geral e provedor mór do Brazil) e vai correndo ao longo da costa cincoenta léguas. Paulo. cuja terra é muita fértil e grossa e de muita caça. E como foi bem visto e descuberto do rio dos llhéos. e três. e o rio tem grandes pescarias e muito marisco. Este rio tem alguns braços que se navegam com caravelões e barcas para serviço dos engenhos que tem. que se chamava Francisco Romeiro: o qual partiu do porto de Lisboa com sua frota. do qual sitio se não satisfez. com cincoenta léguas de costa. Em que se contém como se começou de povoar a capitania dos llhéos por ordem de Jorge de Figueiredo Corrêa. a Jorge de Figueiredo Corrêa.° repartiu parte da terra da costa do Brazil em capitanias. e começou a povoar em cima no morro de S. e os navios que houverem de entrar no rio vão pelo canal que está norte sul como o Ilhéo grande. fez mercê de umad'ellas. e foi ancorar e desembarcar no porto de Tinharé. e corre-se a costa d'elle ao rio das Contas norte sul. que assim se cha- . e entre a terra e o Ilhéo grande ha bom surgidouro.56 GARRIEL SOARES DE SOUZA. CAPITULO XXXI. porque são pequenos.

. ê sua vida e costumes. c se foram viver ao sertão. a qual capitania Jcrouyrao de Alarcão. fez pazes cora elles. vendeu a Lucas Giraldos. onde se fortificou e assentou a villa deS. com que se a torra ennobreceu muito. nem ha morador que ouse plantar cannas. Esta villa foi muito abastada c rica. Em que se declara quem são os Aimorés. as quaes tem já muito pouca gente. filho segundo de Jorge de Figueiredo. CAPITULO XXXII. dos quaes Tupiniquins não ha já n'csta capitania senão duas aldêas. Magestade com muita instância lhe não valer. 57 ma criei t|ne tem defronte da barra. mm como eram Tupiniquins. gente melhor «condicionada quo o outro gentio. o não tem nenhuma fortificarão neta medo para se defender de quem a quizer afrontar. cora licença do S. Parece razão que não passemos avante sem declarar que gentio é este a quem chamam Aimorés. a qual se despovoara dte lodo se S. «ronde a capitania tomou o nome^ se passou com toda a gente para este rio. os quaes a despovoaram com medo d'estes brutos. com medo dos quaes fogo a gente dos llhéos para a Bahia. e fez-lhe tal companhia que com seu favor foi a capitania em grande crescimento. que estam junto dos engenhos de Henrique Luiz . em a qual está um mosteiro dos padresda Companhia. ondo homens ricos de Lisboa mandaram fazer engenhos de assucar. Bento.ROTBÍRO DO « H t m . de S. cuja costa era povoada dos Tupiniquins. Mas deu n'esia terra esta praga dos Aimorés do feição quo não ha ahi já mdis que seis engenhos. onde agora eslá . que n ella roetteu grande cabedal cora que a engrandeceu de maneira que veio a ter oito ou nove engenhos. e tem a terra quasi despovoada. e estes náo fazem assucar. e outro que se agora cimoça. porque em indo os escravos ou homens ao campo náo escapam a estes alarves. que lanlo damno tem feito a esta capitania dos llhéos. segundo fica dito. A. o teve quatrocentos ou quinhentos visinhos. Jorge. cm a qual nos primeiros annos leve muitos trabalhos de guerra cora o gentio.

Não costumam estes alarves fazer roças. e não descem á praia senão quando vem dar assaltos. que se deixaram morrer de bravos sem quererem comer. eosque destes descenderam vieram a perder a linguagem.58 GAERIEL SOARES DE S0-UZA. como Vasconço. e não se lhe achou atégora outro rastro de gazalhado. efizeramoutra nova que se não entende de nenhuma outra nação do gentio de todo este estado do Brazil. nem casas. nem plantar alguns mantimentos. são mui ligeiros á maravilha e grandes corredores. como o outro gentio. e nunca se viram juntos mais que vinte até trintafrexeiros. onde engenham as folhas por cima. nem ha quem lh'as visse. nem saiba. a sua falia é rouca da voz. e corre estes matos e praias até o rio de Camamú. e tosquiam-se com umas cannas que cortam muito. e foram-se para umas serras mui ásperas fugindo a um desbarate em que os puzeram seus contrários. dos quaes nostemposd'atrás se ausentaram certos casaes. porque os arrancam todos. mas são de maiores corpos e mais robustos e forçosos. e são tamanhos frecheiros que não erram nunca tiro. Este gentio tem a côr do outro. E são estes Aimorés tão selvagens que dos outros bárbaros são havidos por mais que bárbaros. e se lhes chove arrimam-se ao pé de uma arvore. quanto os cobre. a qual comem crua ou mal assada. Vivem estes bárbaros de saltear toda a sorte de gentio que encontram. andam sempre de uma parte para a outra pelos campos e matos. não pelejam com ninguém de rosto a rosto. Não vivem estes bárbaros em aldèas. não tem barbas nem mais cabellos no corpo que os da cabeça. mantem-se dos fruetos silvestres e da caça que matam. dormem no chão sobre folhas. toda a sua briga é atraiçoada. Começou este gentio a sahir ao mar no rio das Caravellas junto de Porto Seguro. assentando-se em cocras. dão assaltos pelas roças e caminhos por onde . Descendem estes Aimorés de outros gentios a que chamam Tapuias. a qual arrancam da garganta com muita força. pelejam com arcos e flechas muito grandes. e d'ahi veio a dar assaltos perto de Tinharé. e alguns se tomaram já vivos em Porto Seguro e nos llhéos. e não se poderá escrever. onde residiram muitos annos sem verem outra gente. machos e fêmeas todos andam tosquiados. nem desse com ellas pelos matos até hoje. quando tem fogo.

e os que escaparam das suas mãos lhe tomaram tamanho medo que em se dizendo « Aimorés » despejam as fazendas. e com estes muitos homens e muitos mais escravos. e são estes salteadores tamanhos corredores que lhes não escapava ninguém por pés. onde tem mortos.ROTEIRO DO RRAZIL. cujos engenhos não lavram assucar por lhe terem morto todos os escravos e gente d olles. não foi possível saber mais . e cada um trabalha por se por em salvo. e a das mais fazendas. e não atravessa ninguém por elle senão com muito risco de sua pessoa. Estos bárbaros não sabem nadar. mas como vem a gente desmandada fazem parada e buscara aonde fiquem escondidos até que passem os que seguem. E como elles são tão esquivo* inimigos de lodo o gênero humano. onde se elles não atrevem a entrar: mas andamnos esperando que saiam á terra até á noite que se recolhem. e todas as suas flexas empregara. salvo os que se Ibe mettiam no mar. esperando o outro gentio e toda a sorte de creatura em ciladas detrás das arvores cada um per si. o que não tem o outro gentio que a não come senão ' por vingança de suas brigas e antigüidade de seus ódios. A capitania de Porto Seguro e a dos llhéos estam destruídas e quasi despovoadas com o temor d'estes bárbaros. que esla praga persegue estes duas capitanias. 50 andam. e qualquer rio que se não passa a váu basta para defeosfo d"elles. d*onde nfo erram tiro. Comera estes selvagens carne humana por mantimeuto. para onde vão caminhando de seu vagar. e determinaram-se de virem vigiar estas praias e esperar a gente que por ellas passava. e dam-lbe uas costas empregando suas flexadas á vontade. Costumam-se ordinariamente cartearem-se os moradores da Bahia com os dos llhéos. mas para o passarem vão buscar o váu muitas léguas pelo rio acima. e se senão busca algum remédio para destruírem estes alarves elles destruirão as fazendas de Bahia. e atravessavam os homens este caminho ao longo da praia como lhe oonvinha sem haver perigo nenhum. o que estes Aimorés vieram a sentir. pelo que este caminho está vedado. mais de trezentos homens Porluguezes e de três mil escravos. e se lhe fazem rosto logo fogem cada um para sua parto. dos quaes tem morto estes alarves de vinte o cinco annos a esta parte. o que também fazem os homens brancos.

onde andou alguns mezes á ventura sem saber por onde caminhava. os quaes entram n'este rio se querem. por não terem barra para isso. Para satisfazermos com o promeltido convém quo digamos que terra corre do rio de S. que são de um páo. costa começando dos llhéos por diante. D'este rio a cineo léguas está outro rio que se chama Patipe.60 GABRIEL SOAUES DE SOUZA- de sua vida e costumes. e a terra por dentro baixa ao longo domar. Em que se declara a costa do rio dos llhéos até o Rio Grande. em cujo canal na barra tem duas braças. n'este rio será uma povoação muito proveitosa por ser muito grande e ter grandes pescarias e muito marisco e caça . Jorge dos llhéos por diante. o qual está em quinze gráos emeio. Este rio se navega por elle acima em barcos oito ou dez léguas. c melleu-se tanlo pela . e tem na bocca três moitas de mato que do mar parecem ilhas. CAPITULO XXXIII. D'este rio ao Rio Grande são sete léguas. Sebastião Fernandes Tourinbo. por onde é muito bom de conhecer. Este rio vem de muito longe o traz sempre muita água e grande correnteza. pelo qual vieram abaixo alguns homens dos que foram á serra das esmeraldas com Antônio Dias Adorno. e o que está dito pôde bastar por ora : e tornemos a pegar da. onde se darão todos os manlimenlos que lho plantarem . com certos companheiros entrou pelo sertão . eficasomente a casea. Na ponta da barra da banda do norte da parte de fora tem bom abrigo para ancorarem navios da costa. e corre-se a costa d'este Rio Grande ao dos llhéos norte sul. e d'ahi por diante três. depois uma. cuja costa ó de praia e limpa. e em nenhum d'elles podem entrar barcos. do qual a duas léguas está o rio Cururupe. o qual cavacam com qualquer ferramenta. euja terra é muito boa. de maneiraquelhe deitam todoomiolo fora. os quaes vieram em suas embarcações a que chamam canoas. morador em Porto Seguro. quatro e cinco braças. e ha d'cslas arvores algumas tamanhas que fazem d'ellas canoas que levam de vinle pessoas para cima. que tem a casca muito dura e o mais muito molo.

que se achou em direito do Rio de Janeiro. o tornando a leste alguns dias deram em uma aldeia do Tupiniquins junto de um rio. em as quaes andaram oitenta legoas. deram em algumas serras de pedra. que por elle vam entrar no mesmo Rio Grande. que vai por baixo da terra mais de ama legoa. que no inverno traz tanta agoa. o mais. Do sumidouro para cima tem este rio grande fundo. Em que se declara a costa do Rio Grande até o de Santa Cruz. Do Braço do Rio Grande ao rio Boiquisapo são três legoas. quando é no verão. o quo suburam pela altura do sol. e do Boiquisapo á ponta dos baixos de Santo Antônio são quatro legoas . vinte ilhas afastadas uma da outra uma legoa. Este rio tem grande correnteza. cm os quaes chegaram so mar. e acharam quarenta legoas de barra . pouco mais ou menos um sumidouro. c riachos. no mais largo d'elle. quo rabo sobre o Rio de Janeiro. E fazendo esta gente sua viagem. Do Rio Grande ao seu Braço são duas legoas. o outro da banda do loeste. e por conhecerem a serra dos Órgãos. rindo sempre com a proa ao loeste. que este Sebastiflo Fornandcs sabia muito bem tomar. CAPITULO x x x i v . e da ponte de Santo Antônio ao seu rio é meia legoa: do rio de Sanlo Antônio ao de Sernaiibitibe são du. pelo qual Braço entram caravelões.TKIRO DO RRAtlt. meia legoa da barra para cima.v- . que se mediam n'cste Rio Grande: e indo com rosto ao noroeste. por ondo se pode navegar em grandes embarcações: e quasi toda a terra de longo d'elle <•muito boa. que alaga tudo. que será etn meio caminho da mar. com os quaes se vem meiler este rio RazoAguipa no Rio Grande. e entram n'elle dous rios. que so chama Razo-Aguipo. o foram por elle abaixo com o rosto ao norte vinte e oito dias cm canoas. e duas e ires. <>l (erra dentro. E depois que entraram n'elle navegaram nas suas canoas por elle abaixo vinte e quatro dias. por ondo caminharam obra de trinta legoas. e a partes tom poços que tem seis e selo braças. um da banda do leste. achou no sertão d'eslo rio.RI. e chegando no campo grande acharam alagoas.

quando hia para a índia. e mais ao mar ficam uns arrecifes do mesmo tamanho com canal entre uns e outros. e descobriu esta terra. e d'este rio de Santo Antônio e da sua ponta ató o rio de Sernanbitibe estão uns baixos com canal entre elles e a costa . e surgem em uma enseada como concha. Defronte do Rio de . o que se ha de fazer afastado da terra duas léguas por amor dos baixos. pela terra ser mais sadia e acommodada para os moradores viverem.de. N'este porto de Santa Cruz entram náos da índia de todo o porte. por onde entram barcos pequenos pela ponta de Santo Antônio. por onde podem entrar caravelões da costa defronte do rio dè Sernanbitibe.Sernanbitibe ao de Santa Cruz são duas léguas. de cuja vida e feitos diremos ao diante. Do rio. onde esteve a villa de Santa Cruz. e corre-se a costa do Rio Grande até este de Santa Cruz nordeste sudoeste. N'este porto de Santa Cruz esteve Pedro Alvares Cabral. que se diz de S. onde estão muito seguras de todo o tempo. Francisco junlo das barreiras vermelhas. E defronte do rio de Santo Antônio tem estes arrecifes do mar um boqueirão. e aqui tomou posse d'ella. no mesmo arrecife do mar está outro boqueirão. pele qual se pôde ir buscar o porto.(j2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Em que se declara a costa e terra d'clla do Rio de Santa Cruz até o Porto Seguro. e a passaram para junto do-Rio dè Sernanbitibe . Do Rio de Itacumirim ao de Porto Seguro é meia légua: e entre um e outro está um riacho. que senhoreavam esta costado RÍQ de Camamú até o de Cricaré. a qual terra estava povoada então de Tupiquinis. Do Rio de Santa Cruz ao de Itacumirim é meia légua : onde esteve o engenho de João da Rocha. por onde pôde entrar uma náo e ir ancorar pelo canal. Este Rio de Santa Cruz está em désesseis gráos e meio. legoas. Esta villa de Santa Cruz se despovoou d'onde esteve. onde estará segura . as quaes entram com a proa a loeste. CAPITULO X X X V . que se faz entre um arrecife eo outro. onde esteve um engenho de assucar.

quo tem quatro boqueirões. rochas de pedra. E para conhecer bem a torra. que se desjiovoou o anno de 1564 pela grande guerra. De Porto Seguro á villa de Santo Amaro é uma légua. que se diz de S. e se é navio grande. olhe para ao pá da villa. onde está o engenho de GoDçalo Pires. como estiver dentro d'ella. Do Rio de Urubuguape ao Rio do Frade ó uma légua. por onde entrara navios de sessenta toneis. para por elle a conhecer. descobrirá um riacho. que tinham os moradores d'clla com os Aimorés. e como estiver dentro vá com a proa ao sul. e ficará dentro do rio. Porto Seguro está em descssois grãos e dous terços. Francisco. Entra-se este rio leste oeste com a proa n'estas barreiras vermelhas até entrardenlro do arrecife. Do Rio de Maniape ao de Urubuguape é uma légua. onde chamam a ponta de Cururumbabo. em o qual rio entram caravelões. Tiago do Alto. e vai acabar de carregar em Santa Cruz. onde entram barcos: e chama-se do Frade por so n'elle afogar um nos tempos atraz. ou balliza. e os outros éa barrado Porto Seguro. que foi de Manuel Rodrigues Magalhães. que está em ura alto.ROTEIRO DO BRAZIL. o faz outra ordem de arrecifes baixos mais ae mar. e vera umas barreiras vermelhas. e antes de chegarem a elle estão as barreiras vermelhas. que é bom alvo. que so comoçam defronto do engenho de João da Rocha. N este lugar esteve em engenho. a quem vem do mar. e por entre uns arrecifes. e quem vem de mar em fora vá com boa vigia por amor dos baixos. Do Rio do Frade ao de Juhuaccma são duas léguas. que parecem. Da outra banda dos baixos e contra o sul está outra barra. onde eslá um pico mui alto em que está uma hermida de Nossa Senhora d'Ajuda. Deste Rio de Tororam ao de Maniape são duas léguas. por onde entram navios do mesmo porte: quem entrar por esta barra. onde está um engenho. 08 Itacumirim até o de Santa Cruz vai uma ordem de arrecifes. toma meia carga em Porto Seguro. . que faz muitos milagres. que se diz de S. e como o descobrir vi andando para dentro ale chegar ao porto. De Santo Amaro ao Rio de Tororam é uma légua. por onde entram barcos pequenos. e junto a este engenho uma povoação. onde esteve uma villa.

João ITI de Portugal mercê a Pedro de Campo Tourinho. a qual herdou uma filha do Pedro do Campo. e se fortificou no mesmo lugar. que lhe fez o gentio Tupiniquim. o qual lha fez tão cruel. onde desembarcou com sua gente. Não é bem que passemos mais avante sem declararmos cuja é esta capitania do Porto Seguro. e foi tomar porto no rio de Porto Seguro. que o teve Cercado por muitas vezes. e a de Santo Amaro. que vivia n'aquella terra. seus parentes e amigos. quem povoou a capitania de Porto Seguro. com â qual se partiu do porto de Vianna. que se chamou Leonor do Campo que nunca casou. e ordenou á sua custa uma frota de navios. esforçado. com 0 que lhe malaram muita gente . que fez prestes. no que teve nos primeiros annos muito trabalho com a guerra. que foi um cavalleiro natural da villa de Vianna dâ foz dô Lima. Esta Leonor do . cuja doação foi de cincoenta léguas de costa. como as mais que ficam declaradas. em a qual se embarcou com sua mulher Ignez Fernandes Pinto efilhos. o qual edificou mais a villa de Santa Cruz. mas como assentaram pazes. Em que se declara. e posto em grande aperto. é outra muita genle. e muitos moradores casados. Para Pedro do Campo poder povoar esta capitania vendeu toda sua fazenda. Por morte de Pedro do Campo ficou esta capitania mal governada com seu filho Fernão do C Tourinho . é foi mui povoada de gente. a troco do resgate. e fazendas. que por isso lhe davam. onde agora está a villa cabeça d'esta capitania. ficou o gentio quieto. e apoz elle durou pouco. e muito visto na arte do marear. e d'abi por diante ajudou aos moradores fazer suas roças. e em seu tempo se ordenaram alguns engenhos de assucar. CAPITULO XXXVI.04 GARRIEL SOARES DH SOUZA. a qual cm tempo de Pedro do Campo floreceu. e se começou fogo a desbaratar. E com bom tempo foi demandar a terra do Brazil. da qual fez El-Rei D. homem nobre. e quem foi o povoador d'ella. prudente. de que já foliámos.

em o qual tem feito tamanha destruição . de que vem a morrer. que governam ainda agora algumas aldêas de Tupiniquins cbrislãos. e todas as fruetas de espinho. Esta capitania parte com a dos Ilheos pelo Rio Grande pouco mais ou menos. e fazem nojo ás novidades. onde a água de flor é finíssima. os quaes ficaram no campo dos moradores . N'esla capitania se não deu nunca gado vaceum por respeito de certa herva. para onde imãs caminhando. e falta de moradores. que lhe faz câmaras. jumentos. e postos por terra . de Vasco Fornandes Coutinho. c se leva á Bahia a vender por tal. o com mercadorias: onde mandou fazer á sua custa engenho do assucar. onde se lavrava cada anuo muito. c cabras muito bem. . que andam bravo. n qual a favoreceu muito com gente e capitão que a governasse . de que na terra ha muito. pelo mato em bandos . « com navios que a cila lodosos annos mandava. João da Alencastro. que estão nesta capitania. c a villa de Porto Seguro está mais damnificada. cm cujo tempo os padres da Companhia rdtficaram na villa do Porto Seguro um mosteiro.ROTEIRO no nnvrii. fugindo dos Aimorés . em a qual se dão as cannas de assucar muito bem. primeiro duque de Avciro. pelo que estão despovoados. e provocou a outras pessoas de Lisboa a que fizessem outros engenhos. por cem mil réis do juro. em a qual houve cm tempo do duque sele ou oito engenhos de assucar. e muitas uvas. que não tem já mais que um engenho que íaça assucar. mas dá-se a outra criarão de egoas. que desta capitania se passaram para as outras . romãs. onde residem sempre dez ou doze religiosos. e de jumentos lia tanta quantidade na terra. por terem mortos todos os escravos dos outros c muitos Porluguezes. e pela outra parte com a do Espirito Santo. e a villa de Santo Amaro e a de Santa Cruz quasi despovoadas de todo. figos. quo se trazia a este reino. e muito páo de linta."» Campo com licença d'EI-Rei vendeu esln capitania a 1). (».

Em que se declara a terra.66 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Este arrecife é perigoso e corre afastado da terra légua e meia. a qual apparece no cabo do arrecife. quando por manda- . porque até ao cabo d'eslas barreiras brancas se corre esta costa por aqui. que não arrebentam . que é necessário que sejam bem vigiados: e corre-se a costa de Corurumbabo até o Rio das Caravelas norte sul. Do cabo das barreiras brancas ao Rio das Caravelas são cinco ou seis léguas. Da ponta de Corurumbabo ao cabo das barreiras brancas são seis léguas. que arrebentam em frol. onde os moradores d'ella estarão muito providos de pescado e mariscos. em o qual caminho ha alguns baixos. que por toda aquella terra ha. a qual está povoada com fazendas. cuja costa se corre norte sul: esta ponta c baixa . mas tem na boca da barra muitas cabeças ruins. e criações de vaccas. que vão por elle acima para o sertão. e demora ao noroeste. e póde-se fazer aqui uma povoação. A terra por este rio acima é muito boa . pelo qual entra a maré ires ou quatro léguas. e costa de Porto Seguro. de que se hão de guardar com boa vigia os que por aqui passarem. e pelo sertão é povoado do gentio bem acondicionado. muito bem . e eslá em altura de dezesete gráos e um quarto. e de arêa. o qual está em dezoito gráos. Defronte de Jucurú eslá urna rodella de baixos. até o Rio das Caravelas. CAPITULO XXXVII. quo começa da ponta de Corurumbabo. que lhe faz duas barras. que não faz mal aos homens brancos. que lhe plantam. Por este rio acima entram caravelões da costa. até onde corre este arrecife. que se navegam com barcos. afastado da terra légua e meia. Da villa de Porto Seguro á ponta Corurumbabo são oito léguas. Este rio vem de muilo longe. e muita caça. em que se dão todos os mantimentos. Tem este rio na boca uma ilha de uma légua. que se dão n'ella muito bem. Aqui n'este rio foi desembarcar Antônio Dias Adorno com a gente que trouxe da Bahia.

e toda a maisterraé baixa. quatro abertas. Do rio das Caravelas ate o rio de Peruipe são Ires léguas. N'este rio entram caravelões da costa. as quaes estam na terra . junto da qual a terra faz uma ponta grossa ao mar de grande arvoredo. boas para elles. porque ha n'ella grandes pescarias. o qual eslá dezoito gráos e meio. 67 do do governador Luiz de Brito do Almeida foi ao sertão no descobrimento das esmeraldas. e ha maré por elle acima muito grande cspiço. Dodireitod*esta ponta se começam os Abrolhos e seus baixos. da banda do sul. as quaes íe navegam pelo canal indo correndo a costa. muito marisco e caça. por a terra ser muito boa e de muita caça. o qual rio Maruipe está cm dezoito gráos o três quartos. quo acharam pelo sertão d'esto rio das Caravelas. mas entre os baixos e aterraha fundo de seis e sete braças uma légua ao mar somente. Por este rio Maruipe entram caravelões da costa á vontade.ROTEIRO UO BRAZIL. e foi por este rio acima com rente e cincoenta homens. Deste rio de Maruipe ao de Cricaré são dez léguas. CAPITILO XXXVIII. o qual tem na bocca uma barreira branca como lençol. otodosforambem ralados e recebidos dos gentios. c o rio de muito pescado e marisco. e quatrocentos índios de paz e escravos. pelo qual entram navios de honesto porte. uma légua e mais uma da outra. e corre-se a cosia do rio das Caravelas até Cricaré norte sul. e é muito capaz para se poder povoar. por onde é bom de conhecer. D'este rio Peruipe ao de Maruipc são cinco léguas. por onde vai o canal. c navega-se quatro ou cinco léguas por elle acima : o qual tem na barra. c toma da quarta nordeste sudoeste. Este rio vera de muito longe. onde se podem fazer engenhos do assucar por se meltercm n'ello muitas ribeiras de água. Em que se declara a terra que ha do rio das Caravelas até Cricaré. cuja terra é boa e para se fazer conta d'ella para se povoar.

6$ GABRIEL SOAnliS DE SOV7A. nos primeiros annos. ao longo do mar. c sua vida e Já lica dito como o gentio Tupiníquím senhorcou e possuiu a terra da costa do Brazif. que se cumpriram e guardaram bem de parte a parte. os quaes Tupinaês lhe ficavam nas cabeceiras pela banda do sertão. e aos Aimorés que os offendiam por outra: pelo que se afastaram do mar. o qual tem a linguagem. grandes guerras e trabalhos. de quem receberam muitos damnos. por onde a terra é boa de conhecer. do rio de Camamú até o rio do Cricaré. firme por erma da costa. Com este gentio tiveram os primeiros povoadores das capitanias dos llhéos e Porto Seguro e dos do Espirito Santo. o qual tem agora despovoado toda esta comarca fugindo dos Tupinambás seus contrários. ainda que muitas vezes tivessem difforenças c guerras. não ho entre elles . mas pelo tempo adiante vieram afazer pazes. CAPITULO XXXIX. E ainda que são contrários os Tupiniquins dos Tupinambás. Este gentio e os Tupinaês descendem todos de um tronco. em cujo titulo sedeclarará mui particularmente tudo o que se pôde alcançar. vida e costumes e gentilidades dos Tupinambás. de quem é bem que digamos n'este capitulo que se segue antes que cheguemos á terra dos-Goaitacazes. ainda que são seus contrários. que os apertaram por uma' banda . Em que se declara quem são os Tupiniquins costumes. E quem vem do mar em fora parecem-lhe estas abertas boccasderios. c não se tem por contrários verdadeiros. com quem a maior parte dos Tupiniquins agora estam misturados. Este gentio é da mesma côr baça e estatura que o outro gentio de que falíamos. que é baixa e sem arvoredo. e fugindo ao máo tratamento que lhes alguns homens brancos faziam por serem pouco tementes a Deos. e de então para agora foram os Tupiniquins muito fieis e verdadeiros aos Porluguezes. e de campinas. Até aqui senhorearam a costa os Tupiniquins. Pelo que não vivem agora junto do mar mais que os chrisfãos de que jáfizemosmenção.

A terra d'este rio ao longo do mar é baixa e afastada da costa. da quo tem os moradores do Lisboa dos da Beira. onde desembarcou. por ter ribeiras mui accommodadas a elles. caçadores e marinheiros. A boca duslerio éesparccladabem uma légua c meia ao mar. fez uma entrada navegando por elle acima. mas tem seu canal. que dá todos os mantimentos acostumados muito bem. são valentes homens.vr. a que o gentio . com certos companheiros. que se chama Mandi. pescam. por ella dentro tem arrumada uma serra. c entrando por um braço acima. e foi dai com uma lagoa. Em que se declara a costa de Cricaré até o Rio Doce. até onde o ajudou a maré. o qual Rio Doce está em altura de dezanove gráos. o so podem fazer alguns engenhos. e verdadeiro que todo oulro da costa d'oste estado. o sempre nas guerras ajudaram aos Porluguezes. Este Rio Doce vem de muito longe. e corre até o mar quasi leste oeste.ROTEIRO D O BR. o qual rio se navega pela terra dentro algumas léguas. CAPITULO XL. do quem foliámos.it. se os plantarem. cuja terra ao longo do rio por ali acima é muilo boa . como os Tupinambás. por onde entram navios de quarenta toneis . bailam. Do Rio de Cricaré até o Rio Doce são dezasele léguas. os quaes são grandes pescadores de linha. caram. contra n> Aimorés. pelo qual Sebastião Fernandes Tourinho. queéa mesma rosto.. cantam. E gente do grande trabalho e serviço. o nas coesas do guerra são mui industriosos. fit» na lingoa c costumes mais differença. com quem \ izinbam muito bem. Tapuias o Tamoios. c do que se descobriu por elle acima. como ainda hoje fazem esses poucos que se deixaram ficar junto do mar edas missas povoações. onde se darão muito bons canaviaos de assucar . c homens para muito. que parece a quem vem do mar cm fora. as quão se correm pela costa norte sul. mas este gentio é mais doméstico . caminhou por terra obra do vinte léguas com o rosto a les-sudoeste. c pelo Aceci.do quem se faz muita conta a seu modo entre o gentio.

que é quasi toda de crystal muito fino. D'esta serra para a banda de leste pouco mais de uma légua está uma serra. e quando esta gente ia do mar por este Rio Doce acima sessenta ou setenta léguas da barra. e atravessaram o Aceci. e andaram n'estes quarenta dias setenta léguas pouco mais ou menos. pelo qual entraram e foram quatro léguas. ed'ella a quarenta léguas tem uma cachoeira. Com estas informações que Sebastião Fernandes deu a Luiz de Brito. tornando a caminhar andaram quarenta dias com o rosto a loeste: e no cabo d'elles chegaram . ató onde se mette n'esle rio outro a que chamam Aceci. e outras azues todas mui resplandecentes. fizeram nelle canoas de casca. que faz grande enchente neste Rto Doce. como já fica diloatraz. Aqui achou esta gente umas pedreiras. e andaram cincoenta léguas ao longo d'elle da banda ao sul trinta léguas. e no cabo d'ellas desembarcaram e foram por terra com o rosto ao noroeste onze dias. Esta lagoa cresce ás vezes tanto. as quaes estão ao pé de uma serra cheia de arvoredo do tamanho de uma légua. da qual nasce um rio que se mette neste Rio Doce. eque havia outras. mandou Antônio Dias Adorno. umas pedras verdoengas. por ser muitogranáe e funda. chama boca do mar. que segundo sua informação tem ouro muito descoberto. acharam umas serras ao longo do Rio de arvoredo. e foram por ali acima. e andando esta gente ao longo d'estó rio. e indo mais acima quatro ou cinco léguas da banda do sul está outra serra. se detiveram ali alguns dias. e tomam de azul. E quando esta gente passou o Aceci a derradeira vez. eleva muita água. d'ali cinco ou seis léguas da banda do norte achou Sebastião Fernandes uma pedreira de esmeraldas e outra de safiras. aonde se mette este rio no Doce. e outras pedras azues. e affirmou o gentio aqui vizinho que no cimo d'este monte se tiravam pedras muito azues. e quasi todas de pedra. era que se embarcaram. em que aífirma o gentio haver pedras verdes e vermelhas tão compridas como dedos. em que também acharam pedras verdes. o qual achou . a qual cria em si muilas esmeraldas. D'esta lagoa corre este rio a leste. que tem que parecem turquesquas. È como esta gente chegou a este Rio Doce. que sabe da lagòa>aisde trinta léguas.70 GABRIÜL SOARES DE SOUZA. è o acharam tão possante. sendo governador.

Da terra dos üeis Magos ao rio das Barreiras são oito léguas. e notempoque eslava povoado de gentio. havia nelle muitos niautimenlos que aqui iam resgatar os moradores do Espirito San Io. quo nelle se multem. como já fica dito. 71 ao pó desta serra da banda de norte as esmeraldas. por não poderem trazer mais que as primeiras c com trabalho: a qual gente so tornou para o mar pelo Riu Grandu abaixo. do qual se faz pouca conta . e com muito trabalho e risco de sua pessoa chegou á Bahia e fazenda de Gabriel Soares de Souza. dondo trouxeram muitas o algumas muito grandes. cuja terra é muito fértil. era o qual entram navios da cosia. quando foi a estas pedras. muiaccommodadas para isso. Navega-se neste rio da barra para dentro quatro ou cinco léguas. por ler ribeiras. efaz aterra de um rio ao outro uma enseada grande: o qual rio está em dezanove gráos e meio. Umas e outras nascem no cryslal. Em que se declara a costa do Rio Doce até o do Espirito Santo. que affirmein lerem ouro e praia. o que causava grande fertilidade. e boa para se poder povoar. o da do leste a* saüeas. mas Iodos baixas: mas presume-se. se recolheu por terra atravessando pelos Tupinaês e por entro os Tupinambás. e com uns e oulros teve grandes encontros. onde se podem fazer alguns engenhos de assucar.ROTRiaO DO RRAZIL. Do Rio Doce ao dos Reis Magos são oito léguas. sobre o qual eslá a serra do Mestre . do quo mio trouxeram amostras. CAPITULO XLI. que debaixo da terra as deve de haver finas. por ondeé bom de conhecer. em o qual ha grandes pescarias e muito marisco. E Antônio Dias Adorno. Em muitas partes achou c$la gente pedras desacostumadas de grande peso. do rio das Barreiras á pouta do Tubarão são quatro léguas. e corre-se a costa de um a outro nordeste sudoeste. porque estas estavam ú flor da terra. Na boca d este rio dos Reis Magos estão Ires ilhas redondas.

onde nos primeiros tempos de sua conquista se achou. D. onde está assentada a villa do Espirito Santo. a qual está afastada das outras serras: esta serra apparece. o qual tem defronte da barra meia légua ao mar uma lagoa. onde está a villa de Nossa Senhora daVictoria: entre uma ponta e outra está o rio do Espirito Santo. o que se pôde fazer com pouca despeza'. quec por onde se conhece a barra: esta barra faz uma enseada grande. e passando-se para estes reinos fim busca do galardão de seus trabalhos. é capaz este penedo para se edificar sobre elle uma fortaleza. D'csla ilha para a Villa Velha estão quatro penedos grandes descobertos: c mais para cima está a ilha de Anna Vaz: mais avante está o ilheo da Viuva . ao pé do qual se não acha fundo. da banda da Villa Velha está um penedo mui alto a pique sobre o rio. a qual se edilicou no tempo da guerra pelos Goaitacazes. da qual se pôde defender este rio ao poder do mundo todo. de que se hão de guardar. que apertaram muito com ospovoadoresda Villa Velha. no que gastou o melhor de sua idade. que está nesta barra. e como elle a foi povoar em pessoa. pediu em satisfação d'elles . e mais para dentro eslá outra. Jorge. que se diz de Valentim Nunes. da ponta do Tubarão aponta do morro de João Moreno são duas léguas. Em que se declara como El-Rei fez mercê da capitania do Espirito Santo a Vasco Fernandes Coutinho. CAPITULO XL1I. Em direito desta ponta da banda do norte. duas léguas pela terra dentro. Este rio do Espirito Santo está em altura de vinte gráos e um terço. Razão tinha Vasco Fernandes Coutinho de se contentar com os grandes e heróicos feitos que tinha com as armas acabado nas partes da índia. está a serra do Mestre Álvaro. Álvaro. que é grande e redonda. A primeira ilha. a quem vem do mar em fora. e entrase nordeste sudoeste. e no cabo desta bahia fica a ilha de Duarte de Lemos. Defronte da villa do Espirito Santo.72 GABRIEL SOARES DE SOUZA. se chama de. a qual tem umas ilhas dentro. muito longe.

se partiu . com Ioda a terra para o sertão. ordenou á sua custa uma frota de navios.iam cumprir suas penitencias a estas partes. a cujo requerimento El-Hei I). easua capitania tanto avante . os quaes começaram do lavrar assucar. se afastaram da vizinhança domar por aquella parte. com o qual se houve de feição que. A este gentio chamam Guaitacazes. porque a queria ir povoar. o conquistar o sertão d'ella. João III de Portugal satisfez.ROTEIRO DO RRAZIL. Siinão de Castello Branco. de quem diremos adiante. Nestes primeiros tempos teve Vasco Fernandes Coutinho algumas escaramuças com o gentio seu vizinho. capitão de Porto Seguro. A. De redor d'esta villa se fizeram logo quatro engenhos de assucar mui bem providos o acabados . pudindo que lho fizesse mercê de uma capitania na costado Brazil. sessenta pessoas entre as quaes foi D. Jorgo de Menezes. onde chegou a salvamento á sua capitania. em a qual desembarcou c povoou a villa de Nossa Senhora da Victoria. o do Maluco. com tudo o quo mais convinhu a esta empreza. 73 a S. Contente esto fidalgo com a mercê que pediu. a qual em breve tempo se fez uma nobre villa para aquellas partes. A. entendendo estes índios que não podiam ficar bem do partido. e D. como tiveram canas para isso. que so na terra deram muito bem. e foz sua viagem para o Brazil. onde se logo fortificou . que coubesse na sua demarcação. Embarcado este valoroso capitão. ordenou de vir para Portugal a se fazer prestes do necessário (para ir conquistando a terra pelo sertão até descobrir ouro o prata) e a outros negócios que lhe convinham. Jorge de Menezes para em sua ausência à governar. partiu do porto de Lisboa com bom tempo. com sua gente na frota que estava prestes. fazondo-lhe mercê do cincoenta léguas de torra ao longo da costa no dito Estado. e concertando suas cousas. mui provida do moradores o das munições de guerra necessárias. começando ondo acabasse Podro do Campo. e deixou a D. por escusarem brigas que da vizinhança se seguiam. . para satisfazer á grandeza de seus pensamentos. a que agora chamam a Villa Velha. Como Vasco Fernandes viu o gentio quieto. como relevava. quo por mandado de S. entre fidalgos o criados d'ul-Rei. em a qual so embarcaram.e em termos de florecerde bem em melhor. licença para entrarem outros maiores.

mas já agora esta capitania está reformada com duas villas. que todo para isso vendeu . o . desembarcou Fernão de Sá em terra. em uma das quaes está um mosteiro dos padres da Companhia. antes viveu muitos annos afrontado d'elle n'aquellá ilha. o qual gentio se reformou e ajuntou logo . a qual ilha se afasta da terra firme um tiro de berço. não podendo os moradores delia resistir ao poder do gentio. e tem seus engenhos de assucar ô outras muitas fazendas. ao qual os Tupiniquins. que lhe Vasco Fernandes Coutinho mandou . No povoar d'esta capitania gastou Vasco Fernandes Coutinho muitos mil cruzados que adquiriu na índia. o que também fizeram depois a D. Simãode Castello Branco. o qual ordenou na Bahia uma armada bem fornecida de geüto e armas. o que fez com tamanha desordem dos seus. com muita da sua gente ao embarcar. vendo-a tão desbaratada. antes de poder chegar ás embarcações. onde ainda estão. E tornando-se Vasco Fernandes para a sua capitania. que com ella foi entrar no rio dé Cricaré.7!X GABRIEL SOARES DE SOUZA. não se havendo ali por seguros do gentio. e o gentio mui soberbo com as victorias que tinha alcançado. a despovoaram de todo e se passaram á ilha de Duarte de Lemos. onde a seu requerimento o mandou soccorrer Mem de Sá. mataram a Fernão de Sá. por estar impossibilidado de gente e munições de guerra. fizeram tão crua guerra que lhe queimaram os engenhos e muitas fazendas. da qual mandou por capitão a seu filho Fernão de Sá. e puzeram a villa em cerco e em tal aperto que . onde ajuntou com elle a gente do Espirito Santo. e apertou com Fernão de Sá dó maneira. se passaram a outras capitanias. de uma batida e os Guaitacazes. e muitos dos moradores. sendo a gente toda juuta. e todo o patrimônio que tinha em Portugal. e a outra muita gente. que lhe succedeu na capitania. que. que n'aquelle tempo governava este Estado. Esta villa se povoou de novo com o titulo dò Espirito Santo. o que não foi em sua mão. que o fez recolher para o mar. trabalhou todo o possível por tomar satisfação d'este gentio. o desbarataram e mataram ás flexadas. e. e deu sobre o gentio de maneira que opoz logo em desbarate nos primeiros encontros. que era de navios da costa mareaveis. da outra.

ora quo o amortalhassem. Chegado a este rio de Goarapari estão as serras. De Tapemerim a Managé são cinco legoas. até o cabo de S. cuja costa se corre nordeste sudoeste . o faz-se entre um e outro rio uma enseada. a qual ponta é de terra baixa. Pelo nome d'esle cabo o tomou a capitania também de S. o qual se pode tornara povoar. ires ilhas. o estão estas ilhas defronte do rio Goarapari. que boja bem uma légua e meia. A terra d'este rio até Lerilibe c muito grossa e boa para povoar como a melhor do Brazil. e a primeira está meia legoa da terra firme. a qual eslá em vinte gráos e ires quartos. o qual rio de Parahyba está em vinte ura gráo e dous terços. Thomé são sete leguas.ROTEIRO DO BRAZIL. Da Parahyba ao cabo de S. o não sei so teve um lençol sou . Do Rio do Espirito Santo ao de Goarapari são oito léguas. Esta ponta de Lerilibe tem um arrecife ao mar. Thomé. da banda do norte. por dqrredor d'ello e ao longo do mor. CAPITULO XLIII. Este rio de Parahyba tom barra e fundo por ondo entrara navios de honesto porto. e toma da quarta ao norte sul. até onde corre o limite dos Guaitacazes. cuja terra é muito alta: esta ponta tem. a qual foi povoada dos Guaitacazes. o qual cabo está em vinte e dous gráos. 75 qual acabou n'ella lào pobremente. Em que se vai declarando a costa do Espirito Santo. o defronte do morro de João Moreno está a Ilha Escalvada. Do rio de Goarapari á ponta de Leritibi são sele léguas. De Leritibo até "Japomerim são qualro ou cinco legoas. e corre-se a costa do morro de João Moreno até este rio norte sul. as quaes tem bom surgidouro. ao longo do mar. e corre-se a costa nordeste sudoeste. que dizem do Perocão. . a qual está cm vinte e um gráos: de Managé ao rio de Parahyba são cinco léguas. E seu filho do mesmo nome vivo bojo na mosma capitania tão necessitado quo nfio tem mais de seu quo o titulo do capitão e governador d*ella. de quem diremos em seu logar. quo chegou a darom-lho de comer por amor do Deos. cuja costa se corre nordeste sudoeste. Thomé. e corre-se a costa nordeste sudoeste. obra de duas léguas ao mar.

e d'ahi até onde acaba Marlim Affonso de Souza. com o que padeceu cruéis fomes . dando-lhe trinta léguas de terra ao longo da costa. e que. com os gentios Guaitacazes seus vizinhos. A. lhe fez mercê. onde se fortificou. Thômé. que lhe fizesse mercê de uma . assim n'estas traições como em cercos. e o mais necessário para tal empreza: com a qual frota se partiu do porto de Lisboa. fazendo pazes. foi forçado a despejar a terra. onde se acabava a capitania de Vasco Fernandes Coutinho. que lhe logo quebravam .76 OABRIEL SOARES DE SOUZA. E como . que lhe mandou para isso algumas embarcações. e se perdeu com elle no rio da Prata. que lhe puzeram mui prolongados. com quem teve depois guerra cinco ou seis annos . E vendo-se já sem remédio. dos quaes se defendeu com muito trabalho e risco de sua pessoa. com o que lhe foram matando muita gente. apertaram com Pedro de Góes rijamente. e ver que não era soccorrido do reino como devera. no que elle se determinou obrigado d'estes requerimentos e das necessidades em que o tinham posto os trabalhos. Em que se trata de como Pedro de Góes foi povoar a suá capitania de Parahyba ou de S. da qual S. e pela affeição que tomou d'este tempo á terra do Brazil. CAPITULO XLIV. o que não passaria dos baixos dos Pargos. que á sua custa para isso fez. quando repartiu as capitanias. cavalleiro e experimentado. lhe dava sómenleo que houvesse. armas. e passar-se com toda a gente para a capitania do Espirito Santo. Da qual capitania foi tomar posse em uma frota de navios. não as havendo entre uma capitania e outra. e fez uma povoação em que esteve pacificamente os primeiros dous annos. por lhe armarem cada dia mil traições. que se começariam. que a despovoasse . e foi tomar terra eporto na sua capitania: e desembarcou no rio Parahyba. pediu a el-Rei D. e fez sua viagem com prospero tempo. o que não podendo os moradores soffrer. o qual andou na costa do Brazil com Pedro Lopes de Souza. onde eslava a esse tempo Vasco Fernandes Coutinho. João. que proveu de moradores. Pedro de Góes foi um fidalgo muito honrado.

mas no chão com folhas debaixo . vieram a ter com elles tão cruel guerra que os fizeram despejar a ribeira domar.. até confinar com os Tupiniquins . CAPITULO X I V . é muito bárbaro. e da caça que matam ás flexadas. nem são muilo amigos de comer carne humana. os quaes antigamente partiam pela costa do mar da banda do sul com os Tamoyos. mas em campo descoberto . u muitos mil cruzados de Marlim Ferreira. que o favoreceu râuilo com pratençáo do fazerem por couta da companhia grandes eugenhos. entre os quaes estava por marco o rio de Cricaré.ROTEIRO DO HRAMI. coro quem ajudou a povoar o fortificar a cidade do Salvador na Bahia de iodos os Santos. e irem-se para o sertão. não é bem que nos despidamos d'ella. plantam somente legumes. se tornou para eslos reinos mui desbaratado : dos quaes voltou a ir ao Brazil por cnpitáo-mór do mar com Thomé de Souza. passando por elles. o que não houve ofíeito pelos respeitos declarados neste capitulo. e como eram seus contrários. com o que ficaram senhores da costa. de quo se mantém. pois lemos dito parte dos damnos quefizeramaos povoadores do Espirito Santo e aos da Parahyha. e de sua vida e costumes. Este gentio foi o que fez despovoar a Pedro de Góes. e se matam e comem uns aos outros. não dormem em redes. porque são grandes flexeiros. Esto gentio tem a cor mais branca que os que dissemos atraz. e tem differente linguagem. que viviam entre elles eos Tupiniquins. cujos contrários também são. como o gentio atraz. o que deu tantos trabalhos a Vasco Fernandes Coutinho. Pois que temos declarado quasi toda a costa que senhoreavaiii os Guaitacazes. Em que se diz quem são os Guaitacazes. e do norte com os Papanazes. que n este estado foi o primeiro governador geral. 77 Pedro de Góes teve embarcação. o qual não grangea muita lavoura de manlimentos. N esla povoação quo Pedro do Góes foz na sua capitania gastou toda sua fazenda que linha no reino. Não costuma esta gente pelejar no mato.

para os engastarem nas pontas das flexas. CAPITULO XLVI. entre a capUtania de Porto Seguro e a do Espirito Santo. ainda que mal Este gentio dorme no chão sobre folhas. como fica dito. lhe davam com o páo. e no arrancar os mais cabefc los do corpo. não é bem que os guar-^ demos para mais longe. que também o eram e são. Em que se declara em summa quem são os Papanazes e seus costumes. onde agora tem sua vivenda. de quem atrásfizemosmenção. por escusar proluxidade . esperando os tubarões com um páo muito agudo na mão. hoje seus inimigos. como os Guaitacazes. andarem no mar nadando. para o que se não punham em tamanho perigo. no bailar. tingir-se de genipapo. as guardamos para se dizerem uma só vez. que lhe mettiam pela garganta com tanta força que o afogavame matavam. roantenvse estes selvagens de caça e peixe do rio. cuja linguagem ©atendem os Tupiniquins o Guaitacazes. d'onde foi lançado pelos Tupiniquins seus contrários. que matam. e uns e outros lhe fizeram tão cruel guerra que os fizeram sahir para o sertão. também se não occupa em grandes lavouras. e em remettendo o tubarão a elles. e o traziam a terra. Tem esse gentio muita parte dos costumes dos Tupinambás assirrfno cantar. que. não consentem cabello nenhum no corpo senãp os da cabeça. na feição do cabello da cabeça. não para o comerem. pintam-se e enfeitam-se com pennas de cores dos pássaros. viveu ao longo do mar. poc não terem outro remédio. os quaes são grandes flexeiros e pelejam com arcos e flexas. . de si. e pelos Guaitacazes. Este gentio.78 GABRIEL SOARES HE SOUZA. Parece conveniente este logar para so brevemente dizer quem são os Papanazes. andam nus como o mais gentio. Costumavam estes bárbaros. senão para lhes tirar os dentes. e outras gentilidades muitas. e porque passámos o limite de sua vivenda nos tempos antigos.

se o tem. Thomé até o Cabo Frio. e iSerre^se a cosia nordeste sudoeste. so um Índio d'e$tes mata outro da mesma geração em alguma briga.ROTEIRO »0 BRAZIL. o com isso ficara todos contentes o amigos como o eram antes do acontecimento do morto. Em que se torna a dizer de como corre a costa do Cabo de S. 7ü caniam e bailam. que parece frade. e assim ficam todos amigos: e sendo caso que o matador fuja do maneira que os parentes o não possam tomar. Esta Ilha de Santa Anna fica em vinte e dous gráos e um terço. fio Cabo de S. e tem dous ilhéos junto de si. Por aqui não ha de que guardar senão do que virem sobre a água. comendo e bebendo todos juntos por muitos dias. mas enlTo st tem um costumo quo não é tão bárbaro como lodosos outros quo todo o gentio costuma. ostnndo uns o outros presentes. ao qual não matam. Thomé á Ilha de Santa Anna são oito léguas. ondo tem de fundo cinco e seis braçaSí e na terra firme defronte da ilha tem boa aguada. que logo o afogam e o enterram. e todos n'este ajuntamento fazem grande pranto. e se não tem um nem outro. e verá nomeio das serras um pico. A terra firme d'esra costa é muito fértil e boa. ou irmão. entregam pelo matador o parente mais chegado. o qual demora . quo ó. ou por desastre. Ê quem vem do mar emforapara saber se está tanto avante como está ilha. a qual está afastada da terra firme duas léguas para o mar. tem muitas genlilidades. com capello sobre as costas. lhe tomam um filho ou filha. Te» esta ilha da banda da costa bom surgidouro e abrigada por ser limpo tudo. CAPITULO XLVU. das quo usam os Tupinambás. olhe para a terra firme. mas fica caplivo do mais próximo parente do morto. sáo obrigados os parentes do matador a enlrogal-o aos parentes do morto. E quem vem do mar em fora parece-lhe tudo uma cousa. e na mesma ilha ha boa água de oma lagoa.

porque o corta o mar por onde na se não enxerga de fora. e defronte d'ella ficam as ilhas. de duas braças de fundo. e d'esta bahia á Bahia Formosa são sete léguas. no meio das quaes é limpo e bom o porto para surgirem náos de todo porte. No fim d'esta bahia para o norte está a Casa de Pedra. que está entre o Cabo e as serras. CAPITULO XLVIII. por onde é muito bom de conhecer.80 GABRIEL SOARBS DE SOUZA. E tem um baixo n'este canal bem no meio. perto da qual está um rio pequeno. e de dez até quinze braças de fundo. E perto d'esta ilha . que basta para passar uma náo. afastado um pouco de uma ilha que eslá na bocca da Bahia. a quem vem do mar em fora. mas é de maneira que pôde passar um navio por entre elle e a terra firme á vontade. e ancorar defronte entre ella e a terra firme. pelo que não ha que arrecear para se povoar qualquer parte d'esta costa do Espirito Santo ató o Cabo Frio. na verdade o Cabo é ilha. Em que se explicam os recôncavos do Cabo Frio. e o não seja por onde o parece. porque a terra. da Bahia Formosa ao Cabo Frio são duas léguas. O Cabo Frio está em vinte e três gráos. Duas léguas do Cabo da banda do norte está a Bahia Formosa. mas vivem já mais afastados do mar. que tem de fora bom surgidouro. E corre-se a costa norte sul. E ainda que pelo que se julga do mar a terra do Cabo parece ilha. e não ha senão guardar do que virem. e entre esta Bahia e as ilhas ha bom surgidouro. Perto do Cabo estão umas ilhas. o mais é alto. e quando se vem chegando a elle apparece uma rocha com riscos brancos. a loeste noroeste. o qual parece. o podem os navios entrar por qualquer das bandas da ilha como lhe mais servir o vento. Da Ilha de Santa Anna á Bahia do Salvador são três léguas. é muito baixa. ilha redonda com uma forcada no meio. Ató esta Bahia Formosa corriam os Guaitacazes no sou tempo.

Este Rio tem de bocca. cuja costa so corre leste oeste: o qual Rio eslá em vinte e Ires gráos.1X. que ó muito baixa. CAPITULO X1. Costumavam os Francezes entrar por esto rio pequeno a earregar pio brazil. mas não é tão alto nem tão áspero. a qual trovoada é do vento socro < • claro. porque o fundo da barra é por junto d'usta lagea li . e na de lessudoeste tem um pico de pedra m >ito alto e mui a pique sobre a barra Na outra ponta tem outro padrasto. de debaixo da água. por on le se conhece a terra bem. e tem sobre si umas serras mui altas que se vêem de muito longe. de Sacorema ás ilhas de Maricá são quatro léguas. com o que so defenderá este Rio a todo o poder que o quizer entrar. porque vv»m com muita fúria como trovoada de Guiné. c de Maricá ao Rio de Janeiro são seis léguas. ehegando-lhc sempre a maré. que seja uma das melhores do mundo. que traziam para as náos quo estavam surtos na bahia ao abrigo das ilhas. e de um ao outro se defenderá a barra valorosamente. Si é alto para ancorar náos. vindo do mar cm fora.-rras parece do mar gavia de náo. perto de meia légua. a que chamam os Órgãos. de ponta a ponta. sem ficar nunca em socoo. onde se pode fazer uma fortaleza. entre ponta e ponta. porque so venta sudoeste e oeste faz aqui damno no primeiro impeio. Por esta bahia entra a maré muito |i«la terra dentro. No meio d'osta barra. onde do á© de Janeiro ate tode o Fevereiro se coalha a água muito depressa. mas perigoso.R0TPIR0 DO BRAZIL. Jwn que se declara a terra que ha do Caio Frio até o Rio de Janriro. Do Cabo Frio ao Rio de Janeiro são dezoito léguas. e uma d'estas s. e sem haver marinhas tiram os Indios o sal coalhado e duro. que se repartem d'esta maneira: do Cabo Frio ao rio de Sacorema são oito léguas. ás mãos cheias. muito alvo. creou a natureza uma lagea de cincoenta braças de comprido e vinte e cinco de largo. o que se fará com pouca despeza .

que esteve com uma fortaleza nesla ilha. e grande apparelho para se fazer muita cal de ostras. eslão duas ilhas baixas. ao sul d'ella. Em que se declara a entrada do Rio de Janeiro e as ilhas que tem defronte. pela muita pedra que para isso tem ao longo do mar. e por cada uma dellas tem fundo oito até doze braças até á ilha da Viragalham : e quanto mais forem a loeste. a tiro de espingarda d'ella. póde-se chegar á terra até quatro ou cinco braças de fundo para ficar bem. e quem houver de ancorar aqui. mas a barra de leste é melhor por ser mais larga. que serve para quem vem para o reino. ao mar delia . e ao noroeste d'ellas está um porto de arêa bem chegado á terra.82 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Defronléxla barra desle Rio. assim para cantaria como para alvenaria. Defronte da barra do Rio de Janeiro. mas é este pico tão áspero que parece impossível poder-se levar artilharia grossa acima. e quem houver de entrar no Rio. efltre pela banda de leste. bem defronte. que está entre a ponta de Cara de Cão e a lagea. CAPITULO L. e como for outro vento convém fugir na volta de leste ou do norte. e não lhe ficará outro padrasto mais que o do pico de pedra. e segurando-se este pico ficará a fortaleza da lagea inexpugnável. está uma ilha . de que n'este Rio ha infinidade. dando-lhe o vento lugar. e forçado as náos que quizerem entrar dentro hão de ir á falia d'ella . vá pela barra de oeste pelo meio do canal. onde ha abrigada do vento sul. defois que passarem a Ilha. por ser este o nome do capitão francez. leste e noroeste. d'onde lhe podem chegar com artilharia grossa. e para a banda de leste acharão mais fundo em passando a ilha de Viragalham. E uma cousa e outra so pôde fortificar com pouca despeza . quatro ou cinco léguas-. sueste. tanto menos fundo acharão . e sendo o vento oeste. a que . que é a que Mem de Sá tomou e arrazou. que se chama assim.

CAPITULO LI. que defende o porto. que se chama da Carioca . do qual á ponta da barra que se diz de Cara de cão ha pouco espaço . Esta enseada se chama de Francisco Velho. o defronte desta ilha e a ponta da lagoa estão ires ilhas no meio. esla ponte de Cara de cão fica quasi em padrasto da lagea. seis. u aterra. da feição do nome que tem. por ter aqui sua vivenda e grangearia. em dorredor da qual estão quatro ilhotes. que fica entre esta ponta c o Páo de Assucar. que é um pico de pedra mui alto. o chegando á terra eslá oulro ilhote. em que podem surgir navios. 83 chamam ilha Redonda . um modo de fortaleza cm uma ponta. a qual edilicou Mem de Sá um um alto. junto da qual entra uma ribeira. o tem em cima no alto um nobre mosteiro e collegio de padres da Companhia. a quo chamam Joribátuba. donde bebe a cidade.. se quizerem. Aqui se faz uma enseada. em uma ponta de terra que está defronte da ilha de Viragalham . E comecemos do Pão de Assucar. é baixa e cháa. mas náo a barra por lá não chegar bem a artilharia.ROTEIRO DO RRAZII. o ao pé d'ella está uma estância com artilharia para uma banda e para a outra. que se chama do mesmo nome. Da ponta da Cara de cão á cidade pode ser meia legoa. a que chamam a ilha Raza. onde se ella fundou primeiro. para quo se veja como é capaz de se fazer mais couta delle do que se faz. a qual está lançada d'este alto por uma ladeira abaixo. . Sebastião. e alé sele braças. mas náo ú muito grande por ella não ser muito alta. a qual é afeiçoada em compasso alé outra ponta adiante . porque o fundo é do vasa. Em que particularmente se explica a bahia do Rio de Janeiro da ponta do Pão de Assucar para dentro. A cidade so chama S. que nos obriga a gastar o tempo em o declarar neste lugar. e afastado delia para a banda de leste está outra ilha . e viraiido-se desta ponta para dentro da barra se chama Cidade Velha. E tamanha cousa o Rio de Janeiro da boca [tara dentro. que está da banda deforada barra. u tem cinco.

onde entra n'esla bahia um riacho. Affonso. hão de botar fora por entre a ilha e a ponla da terra firme pela banda do norte. que está delrar da cidade. fazendo aterra em meio uma enseada. que lem de fundo cinco e seis braças. e d'ali a meia légua faz outra ponta e antes d'ella entra outro riacho no salgado. e surgirem junto da ilha de Viragalham entre ella e a cidade»no qual lugar acharão de fundo três braças. e chegaqdo-se mais á terra tem três e qualro braças. E quandoos navios quizerem sahir d'este porto carregados. CAPITULO LIT. onde os navios tem abrigo para os ventos geraes do inverno. está uma illieta. onde os navios estão seguros de todo tempo.8/l GABRIEL SOARES DE SOUZA. Em que se explica a terra da Bahia do Rio de Janeira da ponta: da cidade para dentro até tornar á barra. E d'esta ponta a uma légua está outra ponta. a qual serve aos navios que aqui se recolhem de coiieertar as vellas. D'esta ponta que se diz Braço Pequeno por diante foge a terra para Irazmuilo. por se lirar d'ella muita. e á ponta se chama Braço Pequeno.. onde está o porto que se diz de Marlim. e passado este banco virando para detraz da ponta da cidade acharão bom' fundo. por onde enlra a maré três léguas. Ao pé d'esta cidade defronte da ponta do arrecife d'ella teim bom surgidouro. e defronte d'este porto é o desembareadouro da cidade . e Ires e meia. onde se diz as casas de Manoel de Brito. por aterrafazer aqui uma enseada. E quem quizer ir para dentro ha de passar por um banco . onde tem1 porto morto. que se chama Unhauma. E d'csta ponta por diante se torna a terra a recolher. á maneira de enseada. que são sul esusoeste. que tem de preamar até vinte palmos de água. que se diz a da Madeira . c fica a terra na boca d'esle . Na ponta d'esla cidade e ancoradouro dos navios. e hão de rodear a ilha em redondo para tornarem a surgir defronte da cidade. que se diz Yabubiracica: defronte d'este porto de Marlim Affonso estão espalhados seis ilheos de arvoredo. onde se faz um esteiro.

c bem em direito d'estas pontas. Defronto d'esta enseada está a ilha do Salvador Corrêa. fS. e para o sueste oslão cinco em duas carreiras. e da ponta d'este riacho á de Macucú é legua e meia. cheia de arvoredo. que se chama Baxindiba. o faz uma volta tornando a terra a sahir para fora bem meia legua. que se chama Urumaré. quo so chama Parnápirú. o da ponta da terra alta. e uma do largo. que elle fez. em a qual se melte outro rio. c faz uma enseada alé outra ponta da lerra. a qual ilha tem de redorde si oito ou novo ilhas. quo eslá cinco léguas pela terra dentro. quo dão páo brazil. sabida ao mar. e haverá de ponta a ponta dua léguas. quede ponte a ponta são duas léguas. a qual torra è alta até á ponta. em que entra um riacho. e d'esta ilha a uma legua eslá outra. o a outra ponta d'esta enseada se diz Mutungabo. quo tem ires léguas do comprido. Docabo d'esla enseada graKde. em a qual está um engenho du assucar. D'estc Rio Sururuy a duas léguas entra oulro n'esta bahia. ondo faz outra ponta. o d'esta á de Salvador Corrêa ó legua e meia: c estão estas ilhas todas Ires em direito leste oeste umas das outras. em o qual se moita outro rio. com muitos mangues nomeio. de Baxindiba se torna a afastara terra para dentro fazendo outra enseada. so faz. Da ponta do Rio Macucú para a banda de leste se recolho a terra. e mais adiante legua o meia entra eutro riacho n'esta bahia que se chama Sururuy. que vem de muito longo. que se navega pela terra dentro quatro léguas. o qual se chama Magipe. Defronte do Baxindiba. Da ponta de Mutungabo se esconde a terra para dentro bem dous terços de legua. quo nasceao pé da serra dos Órgãos. Defronte do rio de Macucú eslá uma ilha. D'esla ponto á do Mutungabo é unia legua. que se chama Páo Doce. em meio d'estu enseada..ROTEIIIO DU 015A7. que so chama Pacata . .> esteiro de ponta a ponta. está oulra ilha. quo lavra com bois. E no meio bem cm direito das pontas ostá outra ilha cheia de arvoredo. ema qual so mette um rio. Atravessando esta ilha por mar á cidade são duas léguas. que se diz Suaçuna. um tiro de berço: d*oude começa n terra a fozer outra enseada. que se chama dos Guaitacazes. E d*esla ilha Pacata direito ao sul estão SJÍS ilheos. onde se mette um rio. eulra enseada apertada na boca. que se chama Caiaíba.1 L. que se chama Macucú .

que trabalhasse por pôr esla ladroeira fora d'esterio. e pelo mais largo haverá de terra a terra seis léguas. Duarte da Costa que n'este tempo era goveruador d'este Estado. que os annos passados se teve com o Rio de Janeiro. eslá outra ilha do arvoredo. que fica em padrasto sobre a lagea da< barra. suece- . Duarte fez com muila deligencia. E fallecendo El-Roi n'este conflito. que ficam defronte da cidade. que o salgado aparta de terra qualquer cousa. mandou a D. a qual fica ao pé do pico do padrasto. e o cotovello d'esta lingua de terra faz uma ponta defronte da de Cara de Cão. que D. de Portugal fosse informado como os Francezes tinham feito n'este rio umafortalezana ilha de Viragalham. á outra ponta da lagea vinte léguas pouco mais ou menos que se navega cm barcos. D'esta ponta de Mutungabo á de Macucú são quatro léguas. que terá esta bahia do Rio de Janeiro cm redondo da ponta de Cara de Cão. que está sobre a barra. que se assim chamava. a quem encommendou particularmente . e a ponta e lingua de terra d'ella vem quasi em direito de Viragalham. as quaes podem estar n'este rio seguras. Das barreiras vermelhas se vai afeiçoando a terra ao longo da água como cabeça de cajado. e avisou d'isso a S. e defronte d'esta ponta para o norte está uma ilha. da ponta de Urumaré a dous terços de legua está outra ponta. como fica dito. de maneira.86 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Entram por esla barra do Rio de Janeiro náos de todo o porte. andando por dentro ató o mar. Não é bem que passemos avanle sem primeiro se dar conta da muita. a tempo. E como El-Rei D. Que trata como o governador Alem de Sá foi ao Rio de Janeiro. onde se começam as barreiras vermelhas. onde se faz uma enseada. onde bate o mar da bahia. que se diz de João Fernandes. na qual ponta está outra lagea . CAPITULO LIII. diante da qual eslá oulra mais pequena. que foi o capitão que nella residia. João III. A. que tinha eleito para governador geral d'cste eslado a Mem de Sá. a qual ponta se chama de Lery. que se chama de Piratininga.

e os homens de armas. Mas náo alcançou esta victoria tanto a seu salvo que lhe não custasse primeiro a vida de muitos Porluguezes e indios Tupinambás que lhe os francezes mataram ás bombardadas eespingardadas. e cornos navios pequenos mandou desembarcar a gente em uma ponta da ilha. que n'cste tempocra ido a França. donde bateram a fortaleza rijamente. Catharina sua mulher. o avisou logo do suecedido a Rainha em uma náo franceza. onde mandou asseslar artilharia . que do reino para isso lhe fora . que na Bahia havia. que n'este rio tomou . mandou o governador recolher a artilharia c munições de guerra. E foi recebido da fortaleza de Viragalham. em a qual se embarcou a mor parte da gente nobre da Bahia. A. que os favorecia muilo. o que náo foi bastante para Mem d • Si deixar de so chegar á fortaleza com os navios de maior porte a varejar com artilharia grossa . que se puderam juntar. quo está em gloria. e mandou-a desfazer c arrazar por terra. e entendendo quanto ronvinha á coroa de Portugal povoar-se e fortificar-se o Rio de Janeiro . 87 dendo no governo a Rainha D. de todas as capitanias levou gente que por sua vontade o quizeram acompanhar nesta empreza. ao que obedecendo o governador fez prestes a armada . E indo o governador com esta armada correndo a costa . chegou ao Rio de Janeiro com toda a armada junta. c lançaram-se na terra firme com o gentio Tamoyo. de quo ia por capitão mor Rarlholomeu de Vasconcellos. •• não . que com a brevidade possível fosso a esto Rio o lançasse os Francezes delle. e. á qual ajuntou outros navios do El-Rei. seguindo sua viagem. mas como a Rainha soube d'esla victoria. onde o vieram ajudar muitos moradores de S. mandou embarcar nella as armas e munições de guerra c os mantimentos necessários. quo nella havia. com miiiios escravos e índios forros. E como os francezes se viram apertados despejaram o castello e fortaleza uma noite . e feita a frola prestes. (pie tomou aos francezos . escreveu ao mesmo Mem do Sá. e como houve monçam se recolheu o governador para a Bahia ( visitando as capitanias todas) aonde chegou a salvamento. estranhou muilo a Mem de Sá o arrazar a fortaleza. e dez ou doze raravellões. sabendo da vontade de S. Vicente. co-n muitasbombardadas. e entrada a fortaleza.ROTEIRO DO RRAZIL.

N'estas cercas estavam recolhidos com os francezes os indios Tamoyos. se par-J tiu o governador da Bahia com muitos moradores delia que levavam muitos escravos comsigo . porque o achou fortificado dos francezes na terra' firme. com a qual. como lhe custou . para o que não lhe faltava pólvora nem o necessário . e outros seis caravellões . Partindo Mem de Sá para o Rio de Janeiro foi visitando a capitania dos Ilheos. que lhes umas náos que ali foram carregar de páo deixaram . e como chegou ao Rio de Janeiro viu que lhe havia custar mais do que cuidava . sobrinho do governador. mas uns e outros se recolheram contra sua vontade para as suas cercas. de que ia por" eapitam mór Chrislovam de Barros. que logo foram cercadas e postas em grande aperto : mas primeiro que fossem entradas custou a vida a Estacio de Sá. onde lhe suecedeu o que neste capitulo se segue. e com dous navio*de El-Rei que andavam na costa . deixar gente nella. CAP. com muitas espingardas. para se povoar este*' rio (o que elle não fez por não ter gente qne bastasse para poder defender este fortaleza). Porto Seguro e a do Espirito Santo. e a Gaspar Barboza. por de tudo estarem bem providos das náos acima ditas. e o fortificasse edificando nelle uma cidade que se chamasse de S. Desembarcando o governador em terra tiveram os Portuguezes grandes escaramuças com os Francezes e Tamoyos. e que logo sefizesseprestes e fosso povoar este rio. que como aventureiros os foram acompanhando com seus escravos nesta jornada . Que trata de como Mem de Sá foi povoar o Rio de Janeiro. onde tinham feito cercas mui grandes e fortes de madeira . Sebastião: e para que isto pudesse fazer com mais: facilidade . que estavam já tão adestrados delles que pelejavam muito bem com suas espingardas .TULO LIV. das quaes levou muilos moradores. com seus baluartes eartilharia. pessoa .88 GABRIEL SOARES DE SOUZA. qnc a guardasse e defendesse. lhe mandou uma armada de três galeões . e partiu-se para o Rio de Janeiro.

o dos Francezes . E como os Tamoyos não tiveram entro si Francezes. fazendo guerra ao gentio . e um mosteiro do padres da Companhia . ordenou do fortificar este Rio. donde vinham muitas vezes fazer seus saltos. a qual depois reedificou Christovam de Barros. para o que lhe faz S. se recolheram pela terra dentro . E como Mera do Sá viu quo tinha lançado os inimigos da porta . i. fazendo-lhe uma estância ao longo d'agua porá defender a barra. Sebastião por capitão e governador Christovam de Barros. cm quo pôz artilharia necessária. com as quaes a abalroou e tomou á força de armas. que so não podem particularisar em tão pequeno espaço. e com tudo foram as cercas entradas o muitos dos contrários mortos eos mais captivos. ordenou o governador do se tornar para a Bahia.mercê cada anno do dous mil cruzados. deixando nella por capitão a seu sobrinho Salvador Corrêa do Sá com muitos moradores o officiaes do justiça e de fazenda convenientes ao serviço d'EI-Rei eao bem da terra : o qual Salvador Corrêa defendeu esta cidade alguns annos mui valorosamente. do que nunca sahiram bem. aos quaes foi tomar dentro no Cabo Frio uma náo. com canoas que levou do Rio do Janeiro . e assentou a cidade. E acabada de fortificar o povoar essa cidado. que do Cabo Frio os vinham ajudar e favorecer . quo murou com muros do taipas com suas torres. sendo capitão d'este rio. de que alcançou grandes victorias. o a outros muitos homens o escravos . . ondo cdilicou algumas igrejas com sus casa de misericórdia o hospital. em que os |wdres ensinam latim . quo agora é collegio. A. que a accrescenlou fazendo nella em seu tempo muitos serviços a S. A. A esta cidado mandou depois El-Rei D. 80 de muito principal estima. que passava do duzentos toneis.ROTEIRO DO RRAZIL. .

onde o governador assistiu. do dito lim. o que ajuntou quatrocentos homens brancps e setecentQS Índios. cpm alçada . CAPITULO LV.com o gentio ao Cabo Frio. se trata de como foi governador do Rio de Janeiro Anjtonio. por conselho de Chistovam de Barros. tempo que Antônio Salema governou o Rio de Janeiro. o qual senão acabou. Salema tamanho desaforo. A. Antônio Salema . onde acharam os Tamoyos com cercas muilo fortes recolhidos n'ellas com alguns Francezes dentro. que estava na capitania de Pernambuco por mandado de S^ A. foram ambos em pessoa ao Cabo Frio. deu a Luiz de Brito de Almeida.e. que gloria haja. ordenou de partir este Estado do Brazil em duas governanças. do Rio de Janeiro. e d'alli ludo para o sul. e para a terra ir em grande crescimento.ite até tudo que ha para ofnorte. para o que lhe mandou dar quatro mil cru zados. que está dezoito léguas do Rio.90 GABRIEL SOA RE? DE SOUZA. que lhes desse a . F+ era cabeça d'esta governança a cidade deS. e a outra. e carregavam de páo de tinta á sua vontade: e vendo Antônio. onde uns e os outros se defenderam valorosamente ás espingardadas e flechadas: e não podendo os Francezes soffrer o aperto cm que estavam. Sebastião . Sakma. a qual repartição se estendia da capitania de Porto Seguro ató S. onde. se lançaram com o governador. Sebastião do Rio de Janeiro . e do muito para que estava disposto. e comççpu um engenho . sendo mui necessário para °§ moradores fazerem suas cazas. para. Vicente. determinou de tirar essa ladroeira d'esse lugar. ancoravam com suas náos na bahia que atrazficadeclarado . Em qu. i Informado El-Rei D. e deu uma d'ellas ao Dr. iam cada anno náos francezas resgatar. que lhe S. e fez-se prestes para ir fazer. mandou fazer. Esta repartição se fez no anno de 1572: começava no limite em que partem as duas capitanias dos Ilheos e do Porto Seguro. No. guerra ao gentio de Cabo Frio . cpm os quaes.

e não quiz consentir que comrounicassem com a gente da terra. o que lhe defendeu ás bombardadas. pelo que nao tornaram mais náos francesas a Cabo Frio a resgator. onde tem feito muitos serviços a S. Sebastião. E porque d'este successo fez Antônio Salema um tratado. com os quaes esta cidade eslá muito avante. com o que os Tamoyos furão entrado*. o so foram para o sertão. que faz muito assucar. em o qual se dão as vaccas muito bem. J?m que se conclue com o Rio de Janeiro com a tornada de Salvador Corria a elle. e tombem serviu a S. E foi esta cidade em tanto cresciméntoem seu tempo. N'este Rio de Janeiro se podem fazer muitos engenhos por ter terras e águas para isso. o pouco de que lhe servira dividir o Estado do Brazil em duas governanças. onde o dito Salvador Corrêa foi e está hoje em dia. quo despejaram a ribeira do mar. <M vida. Magestade em pelejar com três náos Francesas. que queriam entrar pela barra do Rio de Janeiro . que pela engrandecer ordenou de fazer um engenho de assucar na sua ilha. alcançaram. . de que tem alcançado grandes victorias. havemos por escusado tratar mais d'esto caso n'esto capitulo. quo os Portugueses. e favoreceu a Christovam de Barros para mandar fazer outro. por se dizer trazerem cartas do Senhor D . e com um formoso collegio dos padres da Companhia. e monos infinitos. do modo como procede no governança e detehsão d"esta cidade.. que lambem está moente e cofrerite. Vendo El-Rei D. e de mandar por capitão o governador ao Rio de Janeiro somente a Salvador Corrêa do Sá. cujas obras Salvador Corrêa ajudou e favoreceu muito. cevada. ficaram os Tamoyos tão atemorisados. Antônio. como d"antes era. assentou de o tornar a ajuntar. e no fazer da guerra ao gentio. o captivos oito ou dez mil almas. CAPITULO LVI. que haja gloria. e todo o gado de Hespanha: onde se dá trigo. Magestade. E com esta victoria. o que viessem as appellações á Bahia. como d'antes andava.ROTEIRO DO BRAZIL.

Em que se declara a costa do Rio de Janeiro atéS. cuja terra é muito boa. Do morro de Caruçú á ilha das Couves são quatro léguas. Da ponta da Ilha Grande ao morro de Caruçú são nove léguas. e detodosos inanjiioentos que se dão na costa do Brazil: onde ha muilo páo do Brazil. romãs. figos e todas as fructos de espinho. porque tudo é limpo e sem baixo nenhum. que lhe faz duas abertas. que se chama de Jorge Grego. Quem vem do mar em fora parece-lhe esta ilha cabo de terra firme por estar chegada á terra. com águas boas para engenhos. e muito bom. Sebastião são cinco léguas. a qual faz de cada banda duas barras com a terra firme. cuja terra é boa para . e tem ura ilheo na ponta. Vicente. porque tem em cada boca um penedo no meio.92 GABRIEL SOARES DE SOUZA. vinho. e navega-se por entre esta ilha e aterrafirmecom navios grandes e náos de todo o porte. Defronte d'«sta ilha na ponta d'ella da banda de loeste está a Angra dos Reis : e corre-se esta ilha leste oeste: e quem navegar por entre ella e a terra firme não tem que recear.tom duas ou ires ilhetas de arvoredo. marmelos. Esta Ilha Grande está em vinte e três gráos. na enseada junto á terrafirme. CAPITULO LVII. e não a povoou. da ilha das Couves ao porto dos Porcos são duas léguas. Do porto dos Porcos á ilha de S. o qual morro está em vinte e três grãos e um quarto. a qual está chegada á terra. e é muilo farto de pescado e marisco. onde se faz uma enseada: e defronte d'esta enseada está uma ilha de arvoredo. a qual tem sete ou oito léguas de comprido. e tem cinco ou seis loguas de comprido. Da ponta de Cara de Cão do Rio de Janeiro á ponta do rio de Marambaya são nove léguas . que se chama a Ilha Grande. na qual ha muito bom porto para surgirem navios. toda cheia de arvoredo. Ao mar d'estailha está um ilheo. sendo ella tanto para se fazer muita conta d'ella. eentreella e a Ilha Grande. Esta ilha se deu de sesmaria a um desembargador queé fallecido. o qual porto é muito bom. e tem defronto uma ilha do mesmo nome. a qual eslá em vinte e quatro gráos.

Thomó alé a Angra dos Reis. e são amigos unidos outros. Sebastião ao Monto do Trigo são quatro léguas. Por dentro d'esla ilha de S. E para boa navegação hade se navegar entre osta ilha e a terra firme. coro quem partem. e cada dia se matam e comem uns aos outros. desde o rio do cabo de S. CAPITULO LVIII. Esto gentio é grande de corpo e mui robusto. 08 se poder povoar. Por cst'outra parte de S. e tem as mesmas gentilidades. Ainda que pareça ser já fora de seu lugar tratar aqui do gentio Tamoyo. E corre-se esla costa da Ilha Grande até S. cuja falia se parece muito uma com a outra. de quem já falíamos. Vicente partem com os Guayanazes. e contrários de todo o gentio senão dos Tupinambás. de que se aproveitavam quando não tinham anzoes. por ter mais fundo. mas acostar antes á banda da ilha. por a costa da terra que elles senhorearam passar além do Rio de Janeiro até Angra dos Reis. com quem lambera tem continua guerra. Estos Tamoyos ao tempo que os Porluguezes descobriram esla provincia do Brazil senboreavam a costa delle. no que são muito destros. a qual tem três picos de pedra. As . Vicente lesnordesto eoessudoeste. Em que se declara quem i o gentio Tamoyo de que tanto faltámos. não lhe cabia outro. vida e costumes. sem se perdoarem. e á flecha matam lambem muito peixe. Sebastião d'ahi a ires léguas ao sudoeste delia estão duas ilhotas: uma so diz da Victoria. pelo que se não podia dizer deites em outra parto mais accommodada. Da ilha de S. são valentes homens e mui bellicosos. onde agora vivem. do Monte do Trigo á barra do S. São estes Tamoyos mui inimigos des Guaitacazes. e grandes mergulhadores. c um d'elles muilo mais comprido que os outros. Ao sudoeste d'esta ilha eslá outra ilha. que se chama dos Alcatra/es. segundo já fie* dito. Pelejam estos índios com arcos e flechas. e grandes caçadores e pescadores de Unha. do qual limito foram lançados para o sertão. o a outra dos Búzios.ROTRIRO DO RRAZIL. de quem se fazem parentes. Vicente são quatro léguas.

e tom as suas aldêas mui fortificadas com grandes cercas de madeira. Costiimarft mais ém suas'festas enfeita. Com este gentio tiveram grande entrada os Francezes. Vicente. pelo qual entra a maré cercando a terra de maneira que fica em ilha muito chegada á terra firme. que se diz de Estevam da Gosta. CAPÍTULO LlX. da banda de leste. Vicente. e entrando por este rio acima está a terra toda povoada de uma banda e da outra de fazendas mui frescas. ed'esta ponta á outra. Vicente emáTtura de vinte e quatro gráos e meio. suas casas são mais fortes que as dos Tupinambás e do outro gentio. verá sobre ella uma ilha com um monte. aonde carregavam delle muitas náos que traziam para França. para conhecer a barra. onde os deixaram fortificar e viver até que o governador Mem de Sá os foi lançar fora. é faz este braço do rio muitas voltas. se estende a barra de S. os quaes são grandes componedores de cantigas de improviso. Está o rio ê barra deS. Trazem ôs beiços furados e n'elles umas pontas de osso compridas com uma cabeça como prego éhi que mettem esta ponta. e para quenão caia a tal cabeça lheficade dèrtírõ do beiço por onde a mettem. São havidos estes Tamoyos por grandes músicos e bailadores entre todo o gentio. Por esta bárrâ entram háOs de todo o porte. Nestes dous rios costumavam os Francezes resgatar cada anno muitos mil quintaes do páo brazil. Ém que se declara a barra e povoações da capitania de S.9/l GABRIEL SOARES DE SOUZA. as quaesficamdentro do rio mui seguras de todo o tempo. Na ponta d'esta barra. compres mâmilhões. e depois Antônio Salema no Cabo Frio. rem-se com capas e carapuças de pennas de cores de pássaros. o qual rio tem a bocca grande e muito aberta onde se diz â barra de Estevam da Costêh E quem vem domarem fora. dâ feição de moelade gallinha. e antes que cheguem á Villa estam os èh- . por onde quer que vão. está a villa de Nossa Senhora da Conceição. de quem foram bem recebidos no Cabo Frio e no Rio de Janeiro. pólo que sãô muito estimados do gentio.

e verão os feitos maravilhosos que n'ella acabou. donde começou a fazer sua viagem. Vicente. que proveu de mantimcntos e munições de guerra como convinba. de Marlim Affooso de Souza com a de S. e quem foi o povoador d'ella. Pelo sertão d'esta capitania nove léguas eslá a vjlla de S. João III de Portugal mercê a Marlim Affonso de Souza. da qual fez El-Rei D. sendo capitao-mór do mar e depois governador. Vicente. desejo» de commetler grandes emprezas. Sendo este fidalgo inancebo. Parece que énecessário. com os quaes se partiu do porto de Lisboa. o no rio eslá uma ilhela além da qual a mão direita está a villa do S. e os que delle náo sabem muito vejam os livros da índia. como as de que já fizemos menção. onde geralmente se diz O Campo. e com prospero tempo chegou a esla provincia do Brazil. e do redor delia quatro ou cinco léguas estão quatro aldêas de índiosforroschrislaos. Vicente. que é cabeça d'esla capitania. CAPITULO LX. quo é escusado bulir neste lugar n'isso. Tem esta villa mais dous ou três engenhos de assucar na ilha e terra firme.ROTEIRO RO BRAZIL. 05 gciihos dos Esquortes de Fraudes o o do José Adorno. E aparta-se esta capitania de S. e no cabo da sua capitania tomou porto no rio que se agora chama deS. aceitou esta capitania com cincoenta léguas da costa. em a qual embarcou muitos moradores casados que o acompanharam. d'onde se comera a capitania da villa de S. Vicente. que os padres doutrinam: e servora-se desta villa para o mar pelo esteiro do Ramalho. Amaro. pelo esteiro da villa de Santos. Amaro de seu irmão Pedro Lopes. mas todos fazem pouco assucar por não irem lá navios que o tragam. cuja fidalguia e esforço é tão notório a todos. Paulo. para o que fez prestes uma frota de navios. onde se fortificou . era a qual villa eslá um mosteiro dos padres da Companhia. Vicente. declarar cuja é a capitania de S. Em que se declara cuja é a capitania de S. a qual determinou de ir povoar em pessoa. antes de passar mais adiante.

e como fez pazes com elle. a qual assentou em uma ilha.96 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e foi correndo a costa descobrindo-a . se veio para Portugal. Sebastião . serão máos de lançar fora. do que jáfizemosmenção. E deixando nella quem a governassee defendesse. Catharina sua avó . e o mesmo fez reinando El-Rei D. quo o fez do seu conselho d'Estado . Altcza. porque. pelo . E depois de a governar se veio para estes reinos que também ajudou a governar com El-llei D. e deu ordem com que mercadores poderosos fossem e mandassem a ella fazer engenhos do assucar e grandes fazendas. por ser mui importante esta fortificação ao serviço de S. o alguns engenhos de assucar. ao que é necessário acudir com brevidade. donde se tornou a recolher para a capinia que acabou de fortificar como pôde. N'estes fehces annos de Marlim Affonso favoreceu muito esta sua capitania com navios e gente que a ella mandava. e acabou de fortificar a villa do S. E esta villa foi povoada de muita e honrada gente que n'esta armada foi. e os rios delia até chegar ao Rio da Prata. Com o gentio teve Marlim Affonso pouco trabalho. a qual villa floreceu muito n'estes primeiros annos. por ser pouco bellicoso e fácil de contentar. d'onde lançou os Goaianazes. o assentou a primeira villa. para o que tinha todas as partes convenientes. e de vaccas para criarem . e depois o Cardeal D. Vicente e a da Conceição. se embarcou em certos navios que tinha. por ella ser a primeira em que se fez assucar na costa do Brazil. que se houve por servido d'elle n'aquellas partos. Magestade . e inda agora florece e tem em si um honrado mosteiro de padres da Companhia . aonde perdeu alguns dos navios pelos baixos do mesmo rio. como fica dito. Vicente grande commodidade para se fortificar e defender. e o mandou para as da índia. donde se as outras capitanias proveram de cannas de assucar para plantarem. João. Tem este rio de S. como tem até hoje em dia . pelo qual navegou muitos dias com muito trabalho. Henrique. que se diz do mesmo nome do rio que fez cabeça da capitania. so se apoderarem delia os inimigos-. que é o gentio que a possuía e senhoreava aquella costa até contestarem c'os Tamoyos. chamado de S. no tempo que governava a^Rainha D. em que se lhe afogou alguma gente.

da banda da torra firme estão os rios seguintes. Vicente. IIT 13 . onde eslá uma forte com artilharia e bombardeiros. amaçaram-se muito mal os moradores deltas. V/ cemmodo que tem na mesma terra. CAPITULO LXI. D'esta villa de Santo Amaro á barra de Brilioga são duas léguas. e tornando á ponta do Estevam da Costa que eslá na boca da barra de S. e entrando por este esteiro de Santos. cabeça d'esla capjpania. Defronto da fortaleza de S. Vicente. Felippe faz uma ponta muito chegada a est'outra. d'ella a três léguas ao longo da costa. eslá a villa de Santo Amaro. Vicente com a de Santo Amaro. por onde entra a maré. De Santo Amaro fez Pero Lopes de Souza. antes que cheguem á ilha que n'elle esla . junto da qual está o engenho de Francisco de Barres. Indo pelo rio de S. e quem povoou. Por esta barra entra a maré cercando esta terra alé se ajuntar com o esteiro de San tos. o defenderem de quem os quizor lançar fora. Vicente acima. as quaes iremos dividindo como podermos. c lhe dá jurisdicçáoda capitania de Santo Amaro. e passando d'estas torres pelo esteiro acima. Thiago. onde está outra torre com bombardeiros e artilharia. que se navega com barcos. Está tão inistira a capitania de S. senão foram de dous irmãos. o por entre uma e outra podem entrar náos grandes por ter fundo para isso. estão no rio duas ilhotas.ROTEIRO DO RRAZIL. se d'estas fortalezas Iho não impedirem. Em que se declara a capitania de Santo Amaro . eslá a boca do esteiro e porto da villa de Santos. a qual fica lambem em ilha cercada de água toda.opo do Souza. para se fortificarem nella. á mão direita delle. que. e da ponta onde está esla fortaleza . que se diz de S. cercando estatorraalé se ajuntar com csfoulro esteiro de S. Por morto do Marlim Affonso herdou esla capitania seu filho primogênito Pero Lopes do Souza. que se chama de S. Felippe. por onde fica Santo Amaro também era ilha. á mão esquerda delle está situada a villa do mesmo nome. por cujo fallecimeuto a herdou sou filho l.

e foi tomar porto no de S. com os quaes partiu do porto de Lisboa e se foi á provincia do Brazil. CAPITULO LXII. onde está o engenho de Domingos Leitão. o rio dos Frades. Atraz fica dito como Pero Lopes de Souza não quiz tomar as cincoenta léguas de costa de que lhe El-Rei fez mercê todas juntas. o de Manoel de Oliveira . que é já da capitania de S. Em que se declara parte da fertilidade da terra de S. Do trigo usam somente para fazerem hóstias e alguns mimos. cuja terra é mui sadia e de fresca e delgadas águas. N'estas capitanias de S. Vicente. Vicente. Vicente. concluindo é marco entre a capitania de S. de que os moradores são mui abastado e de muito pescado e marisco. João. o do engenho de Antônio do Valle.98 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde se dão tamanhas ostras que tema casca maior que um palmo. de que agora tratamos. a qual agora possue uma sua neta. o da Trindade. os quaes se vem meter aqui no salgado: rio dos Lagartos. do que se não usa na terra por osmantimentos d'ella serem muito bons e facilissimos de grangear. o de S. ede que tomou a metade em Tamaracá e a oulra em Santo Amaro. que estão povoados com engenhos e outras fazendas. o do engenho de Paulo de Proença. por onde levava sua derrota. por não ficar d'elle herdeiro barão a quem ella com a de Tamaracá houvesse de vir. em as quaes se dá o assucar muito bem. donde se negociou e fez as povoações e fortalezas acima ditas. Miguel. e se dá trigo e cevada. Esta capitania foi povoar em pessoa estefidalgoe fez para o poder fazer uma frota de navios em que se embarcou com muitos moradores . o Piraqué. Vicente e a de Santo Amaro o esteiro de Santos. o de S. Vicente e Santo Amaro são os ares frios e temperados como em Hespanha. Tem esla . no que passou grandes trabalhos e gastou muitos mil cruzados. o das Cobras . o de Santo Amaro. e algumas muito façanhosas.

[>or a lorra ser mais fria. o outras muitas alimarias o aves. por não ir á terra quem a saiba tirar das minas e fundir. não são os Goainazes maliciosos. e os marrados são tantos que os fazem de conservas . e lambem ha já nesta terra algumas oliveiras que dam fruto. ás quaes a formiga náo faz nojo. e matam-se uns aos outros cruelmente. c os moradores da villa de S. Já lica dito como os Tamoyos são fronteiros do outro gentio. que se chamam os Cá rijos. maçãs e raarmelos cm muita quantidade. E não ha duvida senão que ha nestas capitanias outra fruta melhor que é prata . o que so não acaba do descobrir. É cento d»* pouco trabalho. e facilimos de crer em qualquer eonsa. romãs. que se chamam os Goainazes.Paulo tem já muitas vinhas. antes simples e bem acondicionados . o fazem vantajem ás das outras capitanias. o criam-se aqui tantos porcos o tamanhos quo os esfolam para fazerem botas. Dão-se n'esla terra todas as frutas do espinho que cm Hespanha . os quaes tem sua demarcação ao longo da costa por Angra dos Reis. nem a outra cousa . o ha homens if cila que colhem já duas pipas de vinho por anno.ROTEIRO IVO BRAZIL. onde ficam visinhando com outra casta de genlios. por se não criar na terra como nas outras capitanias: dão-se nestas capitanias uvas. 99 capitania muita caça de porcos e voados. e d'ahi até o rio do Cananea. do que n'estas capitanias ha muita quantidade por so na torra darem melhor que na Hespanha . figos. o quo acham os moradores d'estas capitanias mais proveitosos e melhor quo do couro das vaccas. c muitas rosas. Que trata de quem são os Goainazes. o com os Ci rijos da outra. ondo as carnes são muito gordas o gostosas. c por causa das plantas é muilo verde. não u-mn entre si . e couros de cadeiras. CAPITULO LX11I. muito mollar. e de seus costumes. Estes Goainazes tem continuamente guerra com os Tamoyos de uma banda. o tanta marmelada que a levam a vender por as oulras capitanias. nem refalsadbs. e para senão avinagrar llie dão uma forvura no fogo.

antes da qual se acaba a capitania de Santo Amaro. A linguagem d'este gentio o differente da de seus visinhos. Não vive este gentio em aldeias com'. entre os quaes é um que está onze léguas . com quem pelejam no campo mui valentemente e ás flexadas . e tem muitas gentilidades. são grandes flexeiros e inimigos de carne humana. antes boa companhia. vivem de caça que matam e peixe que tomam nos rios. são na côr eproporção do corpo como os Tamoyos. se encontram com gente branca. aonde vivem. as quaes sabem empregar tão bem como seus contrários. mas aceitam-nos por seus escravos. Em que se declara a costa do rio de Santo Amaro até á Cananea.JOO GABRIEL SOARES DE SOUZA. Vicente da de Santo Amaro pelo esteiro de Santos . se não no campo. e corre-se esta costa de Santo Amaro até a Cananea nordeste sudoeste. Náo costuma este gentio fazer guerra a seus contrários fora dos seus limites. Não matam aos que cativam. porque é gente folgasã de natureza e não sabe trabalhar. mas em covas pelo campo debaixo do chão. casas arrumadas . onde tem fogo de norte e de dia . como os Tamoyos seus visinhos. a qual terra é toda boa para se poder aproveitar. e das frutas silvestres que o mato dá. e fazem suas eamas de rama e pelles de alimarras que matam. Atrazficadito como se divide a capitania deS. e toma da quarta de leste oeste. mas entendese com osCarijós . não fazem nenhum damno. da qual ao rio da Cananea são vinte e cinca léguas ou trinta . e quem acerta de ter algum escravo Goainá não espera d'elle nenhum serviço. porque não sabem pelejar entre o mato . e como a villa de Santo Amaro é cabeça d'esta capitania. quo se vem metter no mar. lavoura. como o mais gentio da costa. antes que che- . CAPITULO LXIV. e tem muitos riachos. e se defendem com seus arcos e flexas dos Tamoyos. quando lhe vem fazer guerra. nem os vão buscar nas suas vivendas.

no meio da qual bem defronto do rio tem uma ilha. Do rio da Cananea até o cabo do Padrão são cinco léguas . onde estão seguros de todo o tempo : chama-se este rio de S. Em que se declara a costa da Cananea até o rio de S. Do cabo do Padrão ao rio de Santo Antônio são oito léguas . segundo o lugar onde se vai meter no mar tão distante d'este. e é mui capaz para so poder povoar. Este rio da Cananea está em vinte e cinco grãos e meio. Francisco são cinco léguas . em a qual se dão muitos mantimenlos dos naturaes. a qual faz na boca uma enseada. Do rio de Santo Antônio ao Alagado são cinco léguas.ROTEIRO DO BEAZIL. e toda a criação de gado que lhe lançarem . onde podem estar seguras náos de lodo o porte . ese navega por elle acima algumas léguas. Por este rio entra a . e para se fazer muita conta d'elle. Vicente . Neste rio entram barcos da costa á vontade. que tem uma ilha junto ao rio. e tom na boca três Ilheos. e por ler muita caça . Tem o rio da Cananea na boca uma abra grande . d'onde vinha esto rio. que se informaram do gentio. e entre um e outra está uma ilheia chegada á terra. junto do qual está uma ilheia chegada a terra . por ter grande commodo para isso. por aqui se assentar um pelos primeiros descobridores d'esta costa. N'esto rio entram navios da cosia. o qual eslá em vinte seis gráos e dous terços. 101 gucm i Cananea. CAPITULO LXV. que é o que já dissemos. e nesta abra está grande porto e abrigada para os navios. e que lhe afirmaram ser um braço do Pará. e so dará tudo o que lhe plantarem. porque afirmam os povoadores da capitania deS. Francisco. porque lera fundo para isso. cm o qual rio entram navios da cosLi. Francisco. cuja torra é muito fértil. a que os Porluguezes chamam de S. que entra no mar d'esta costa . o que não parece possível. que se diz a Ilha Branca. Do rio Alagado ao de S. e chama-se este cabo do Padrão. Francisco. por ser muito abastado de pescado e marisco. o qual está em vinte gráos esforçados e dous terços.

por ser muito fértil. e dará tudo o que lhe plantarem. Já estes Carijós estão de paz com os Portuguezes. Do rio dos Dragos á bahia das Seis Ilhas são cinco léguas. Corre-se esta costa da Cananea ató o rio de S. pelo qual entra a maré muito .102 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e tem mais arvoredos que a terra atraz . Francisco. CAPITULO LXVI. Em que se declara a costa do rio de S. o qual está em vinte c oito gráos escassos. e corre-se a costa do Itapucurú ate o rio de S. por onde se navega com barcos. Francisco até a de Jumirim ou Itapucurú. Francisco norte sul. pelo qual entram caravcllões. pela qual entram caravellõcs. especialmente águas vertentes ao mar. maré muito. A terra do sertão é de campinas. e tem na boca três Ilheos. porque se navega muito espaço por ella acima. A terra d'este rio é alta e fragosa e povoada de gentio Carijó. sem entre uns e outros haver desavença alguma. e as que estão á boca do rio de S. tem bom porto e surgidouro para os navios ancorarem. e todas estas ilhas que estão por ella . e grande commodo para se poder povoar. Vicente e Santo Amaro. c corre-se por elle acima leste oeste. e uma e outra ó muito fértil e abastada de caça e muito acommodada para se poder povoar. Francisco nordeste sudoeste . onde se contratam. a que outros chamão Jumirim. Francisco ao dos Dragos são cinco léguas. e a terra ao longo tem muita caça. . que vivem na capitania de S. os quaes vem por mar resgatar com elles n'este rio. tem a boca grande o ao mar d'elle três ilhetas. de que foliámos. Este rio acima dito . Este rio tem grandes pescarias e muito marisco . em o qual se mettem muitas ribeiras. Este rio está povoado de Carijós contrários dos Goainazes. como a de Hespanha . onde ha boas pescarias e muito marisco. A terra d'este rio ó alia e fragosa . Do rio de S. d'esta bahia ao rio Itapucurú são qualro léguas.

Mcttem-se n'estc rio muitas ribeiras. que vem do sertão. n'esta enseada que se faz da ilha para a terra firmo estão muitas ilhotas: está esta boca e ponta da ilha da banda do norte em vinte oito gráos de altura. terra até junto de Itapucurú. Atraz fica dito como os Carijós são contrários dos Guaianazos. a qual da banda do mar náo tom nenhum surgidouro salvo um ilheo . c outro que tem na ponta do norte. c d'aqtii por diante é a vivenda dos Tapuias. e tem grandes pescarias até onde possuem a terra os Carijós. e corre-se norte sul. CAPITULO LXVIII. por onde entram os navios da costa. e como se matam uns aos outros. o qual está em vinte e oito gráos. cuja boca se serra com a ilha de Santa Catharina. quo vai fazendo abrigo á. de porcos e de muitas aves . Tem esla ilha de comprido oilo léguas. até o rio Do rio de Itapucurú ató o rio dos Patos são quatro legoas. e eslá por marro enlre uns o oulros este rio dos Patos. A' boca d'este rio está siluada a ilha do Santa Catharina . a qual tem muita caça de veados.. que está na ponta do sul. por a torra ser muilo fcrlil para tudo o quo lhe plantarem. que fica a maneira de enseada. Jagora cabe aqui dizer delles o que . Em que se declara a terra que ha de Itapucurú dos Patos. por onde se navega. e o rio é mui provido de marisco . onde ha grande surgidouro e abrigada para náos de todo porte. que vai por detraz . entre cllae a terra firmo. e a maré muito espaço. cm que podem estar seguras de todo o tempo muitas náos. e tem grande commodidade para se poder povoar. Esto rio é muito grande . por ser a terra grossa muito boa e ter grandes portos. Em que se declaram parte dos costume* dos Carijós. Mostra esla ilha uma bahia grande. o qual é muito acommodado para se poder povoar.R0TRIR0 DO RRâZII. 10S CAPITULO LXVII. a qual ilha é coberta de grande arvoredo. c tem muitas ribeiras d "água dentro.

Em que se declara a costa do rio dos Patos até o da Alagòa. para os navios estarem seguros de todos os ventos. em cujo titulo se contam mui particularmente. especialmente com os Guaianazes com quem tem suas entradas de guerra. Este gentio possue esta costa desde o rio da Cananea onde parte com os Guaianazes. onde ha grande abrigada e surgidouro. Este gentio é doméstico. se poude alcançar e saber de sua vida e costumes. Do rio dos Patos ao rio de D. Rodrigo são oito léguas. como os Tupinambás. porque nem uns nem outros sabem pelejar por entre elle. que os Carijós sabem tão bem manear como seus visinhos e contrários. o qual nome tomou por o porto ser uma calheta grande e redonda e fechada na boca que parece alagòa. uma por diante. o qual está em uma bahia que a terra faz para dentro. e corre-se a costa norte sul. Rodrigo ao porto e rio da Alagòa são treze léguas. e de suas lavouras que fazem. até onde a terra é algum tanto alta. Este porto está no cabo da ilha de Santa Catharina. Do porto de D. Vivem estes índios em casas bem cobertas e tapadas cora cascas de arvores. tem mais muitas gentilidades. onde plantam mandioca e legumes como os Tamoyos e Tupiniquins. pouco bellicoso. pelejando com arcos e flexas. cuja linguagem é differente da de seus visinhos. fazem suas brigas com os contrários em campo descoberto. Esta gente é de bom corpo. sustentam-se de caça e peixe que matam. Costuma este gentio no inverno lançar sobre si umas pelles da caça que matam. com o qual se não encrespa o mar. por amor do frio que ha naquellas partes. outra por detraz. e como os desbaratados se acolhem ao mato se tem por seguros. de boa razão. tirado o nordeste que cursa no verão e venta igual. o qual porto está em vinte e oito gráos e um quarto. segundo seu costume. . CAPITULO LXIX. não come carne humana. em a qual se fazem uns aos outros mui continua e cruel guerra.10Ü GABRIEL SOARES DE SOUZA. manhas e costumes. nem mata a homens brancos que com elles vão resgatar.

ROTSIRO DO BRAZIL. Tem este rio duas léguas ao mar uma ilha aonde ha bom porto e abrigada para surgirem navios de todo o porto. entra a maré por este rio muito. em a qual se dará maravilhosamente a criação das vaccas e todo o mais gado que lhe lançarem. tem um ilhéo junto da boca da barra. Vicente até o rio da Prata. cuja terra é de campinas que estão sempre cheias de herva verde com algumas reboleiras de mato. CAPITULO LXX. E o porto da Alagòa. 106 onde lambem entram navios da costa e cstao mui seguros. onde se dão muito bem todos os fructos que lhe plantam. mas eslá vestida de herva verde. e se criará todo o gado que lhe lançarem. aonde ha muito marisco. e por a terra ter muita caca. as quaes se correm pela costa nordeste sudoeste e toma da quarta de norte sul. onde se dará tudo o que lhe plantarem. Do rio dos Patos atequi. ainda que vivem algum tanto afastados do mar por ser a terra desabrigada desventos: mas o porto de D. ó eslatorraá vista do mar sem mato. com que concluímos este capitulo. Rodrigo é sufficiente para ae poder povoar* pela fertilidade da terra e pela commodidade que tem ao longo do mar de pescarias e muito marisco. por ser a terra fria e ter muitas águas para o gado beber. e chama-se de Martim Affonso por elle o descobrir quando andou correndo esla cosia de S. por ser terra fria. cuja terra é baixa e da qualidade da de atraz. o qual é povoado de Tapuias. onde os moradores que nelle viverem estarão mui descançados. pelo que este rio se pode povoar. Do porto da Alagòa ao porto e rio de Martim Affonso são vinte e duas léguas. Esto rio está em trinta gráos e um quarto. Esla terra é possuída dos Tapuias. e ter muitas águas de alagòas e ribeiras para o gado poder beber. Busque te declara a costa do porto da Alagòa até o rio de Martim Affonso. . como a de Hespanha. Este rio lera muito bom porto de fora para navios grandes e dentro para os da costa.

N'este porto ha um bom surgidouro e abrigada para os navios estarem seguros sobre amarra. onde ao longo d'elle não tem nenhum abrigo. Esta terra é muito baixa e não se vê de mar em fora senão de muito perto. Pedro. Entre o porto da Alagòa e o de Martim Affonso eslá o porto que se diz de Santa Maria e o que se diz da Terra Alta. assim naturaes como de Hespanha : e dos mantimentos de terra se aproveita o gentio Tapuia. e em um é em outro podem surgir os caravelões da costa. Do rio de Martim Affonso á bahia dos Arrecifes são dez léguas. em o qual se vem metter no salgado um rio de água doce. .106 GABRIEL SOARES DE SOUZA. E tem esta terra algumas reboleiras de mato á vista uma das outras. onde ha muita caça de veados e porcos que andam em bandos. Em que se declara a costa do rio de Martim Affonso até o porto de S. e da bahia ao rio do porto de S. em a qual terra se darão todos os frutos que lhe plantarem. e porque lhe fica a lenha muilo longe. cuja costa se corre nordeste sudoeste : da banda do sudoeste d'esle porto de S. que boja ao mar bem legua e meia. o qual rio está em altura de trinta e um gráo e meio . e toda é de campos coberta de hêrva verde. onde entram caravelões. e muitas outras alimarias e aves. CAPITULO LXXI. e ao longo dá costa ha grandes pescarias e sitios accommodados para potfoações com seus portos . em suas roças e lavouras. muito boa para mantença de criação de gado vaccum e de toda a sorte. como a mais terra atraz. por onde ha muitas lagoas e ribeiras de água para o gado beber. por estarem lá mais abrigadas dos ventos do mar. Pedro se faz uma ponta de área. que fazem afastadas do mar três ou quatro léguas. Pedro são quinze léguas. que cursam no inverno.

Vizorei da provincia de Chile. e tem da banda do sucsto duas léguas ao mar três ilheos altos. Do porto de S. Pedro até o cabo de Santa Maria. o ha partes que tem algumas reboleiras do mato .RUTRIRO DO BRAZIL. e no verto lavada de bons ares frescos e sadios. e porque a terra é muito raza e descoberta aos ventos. não vivem estes . a herva d estos campos é muito boa para criações de gado do toda surte. onde se dá tanto trigo. cera da torra. Em que se conta como corre a costa do rio de S. com quem não tem nunca desavença. Vicente. que se vendeu no Rio de Janeiro a ires reates a fanega. que não como carne humana. como em S. que desembarcou em Buenos-A)ros. Esto cosia desde o Rio dos Paios alé a boca do Rio da Prato é povoada de Tapuias «gente domestica e bem a condicionada. onde se dará muito bem por ser a terra muitotemperadano inverno. onde se darão todos os íructos de Hespanha muito bom. que se dizem osCaslilhos. donde se pode prover toda a costa do Brazil. e pelo rio da Praia acima nas povoaçòes dos Castelhanos. Vicente. nem íaz mal a gente branca que os communica. Toda eslatorraé baixa sem arvoredo. a qual carregou n'este porto de trigo. entre os quaes ea terra firme ha boa abrigada e surgidouro para náos do todo o porte. galinhas e outras couaas. 107 CAPITULO LXXII. mas cheia do herva verde cm lodo o anno. pola qual ba muitas águas frescas para os gados beberem assim de lagoas como de ribeiras. que vão em caravelões resgatar por esta costa com esto gentio alguns escravos. Pedro ao cabo do Santa Maria são quarenta o duas léguas. porcos. as quaes se correm pela costa nordeste sudoeste. que aconteceu o auno de 83 vir ao rio de Janeiro uma das náos cm que passou D. o qual eslá em trinta e quatro grãos. e não tem matos nem abrigadas. como são os moradoras da capitania de S. o qual se dará muito bem do Rio de Janeiro por diante. Afonso.

que está na boca de um rio. D'esta ponta da ilha dos Lobos. que se chama do Arrecife.108 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e ao mar quarenta léguas. Tapuias ao longo do mar. Não tratamos aqui da vida e costumes d'este gentio. que vivem no sertão da Bahia. A torra junto da boca d'este rio é da qualidade da outra terra do cabo de Santa Maria. que se vem metter aqui no salgado. sao todos uns e tem quasi uma vida e costumes. que está na boca do Rio da Prata. a qual está em trinta e quatro gráose dous terços. Do cabo de Santa Maria á ilha dos Lobos são quinze léguas. e ainda que vivam tão afastados d*estes. que se diz a ponta de Santo Antônio. Em que se declara a costa do cabo de Santa Maria até à boca do Rio da Prata. onde se dará também grandemente o gado vaccum e tudo o mais que lhe lançarem. onde está outra ilha . porque aqui se perdeu uma náo sua. que se diz das Flores. Entre esta ponta e a ilha ha boa abrigada e porto para navios. que está legua e meia afastada d'esta ponta. CAPITULO LXXIII. cercado de baixos de redor d'ello obra de duas léguas. nem de sua grandeza não temos que dizer . cuja costa se corre nornordeste susudoeste. pelo haver d'ahi para dentro ató o Monte de Santo Ovidio. á outra banda do rio. bem em direito d'esta bocca do Rio está um ilhéo. cuja terra firme faz defronte da ilha á maneira de ponta. o qual ilhéo está na mesma altura de trinta e cinco gráos e dous terços. D'esta ponta se vai recolhendo a terra para dentro até outra ponta. D'este Rio da Prata. onde se chama os baixos de Castelhanos. Está o meio da boca do Rio da Prata em trinta e cinco gráos e dous terços. e vem pescar e mariscar pela costa. e tem suas povoações afastadas para o sertão ao abrigo da terra. são trinta e quatro léguas. porque se declara ao diante no titulo dos Tapuias.

e toda a costa de ponta a ponta uma e duas léguas ao mar são tudo baixos. do muito que se podo dizer dos seus recôncavos. da ponta do Rio da Prata da banda do sul até além da bahia de S. c fica-lhe em meio uma enseada.ROTEIRO DO BRASIL. Do Cabo Branco ao Cabo das Correntes são vinte e cinco léguas. os quaes so casaram com as índias da torra. onde se pedem recolher caravelões da costa. por onde se mettem alguns esteiros no salgado. a qual é cheia de baixos. rios que se n'elle incitem. que são navios de uma só coberta que andão em seis e sete palmos de água. demora em trinta e sob gráos o meio. ao mar da qual sete ou oito legoas são tudo baixos. Em que se declara a terra e costa. Esto cabo está em trinta e nove gráos. ilhas. fertilidade. que está da banda do sul. CAPITULO LXXIV. A ponto do Rio da Praia que se diz de Santo Antônio. porque é tão nomeado que se não pôde trator d'ollo sem grandes informações. é toda de aréa. que se diz de Santa Apollonia . e fica entre um cabo e o outro a Angra das Aréas. Mathias. e a partes os tem cinco e seis legoas ao mar. 100 n'cste lugar. que escaparam da armada que se n'ello perdeu ha muitos annos. o qual Rio da Praia é povoado muitas léguas por elle acima dos Tapuias atraz declarados. cuja costa se corre nornordesto susudoeste. e corre-se a costa nornordesto susudoeste. Do Cabo dos Correntes ao Cabo Aparcellado são oitenta e seis léguas. o qual Cabo Aparcellado está em quarenta e um gráos. e aterramuito baixa. D'este Cabo Aparcellado se toma a recolher a terra para dentro leste . defronte da qual são baixos uma legua ao mar. Da ponta do Santo Antônio ao Cabo Branco são vinte e duas léguas. cuja costa é cheia de baixos. Esto Cabo Branco está em trinta e sete gráos e dous terços. de que nascerão grande multidão de místicos que agora tom povoado muitos lugares. e corre-se a costa de ponta a ponta lesnordeste oessudoeste. da terra o povoações que por elle acima tem feito os Castelhanos.

cuja costa se corre norte sul. era uma enseada que faz a terra. que está na mesma altura de quarenta eum gráos. que n'esta arte foi era seu tempo o maior homem de Hespanha. Mathias. está uma ilheta. A terra aqui é baixa e pouco proveitosa. e da Ponta Aparcellada a quatro léguas. que está em quarenta e quatro gráos pouco mais ou menos. Da ponta da bahia de S. e na ponta d'esta enseada da banda de loeste está outra ilha uma legua do mar. que está em gloria. Pedro Nunes.HO GABRIEL SOARES DK SOUZA. a qual é toda aparcellada. que serão vinte e sete léguas. e antes de se chegar a esta ponta do Marco está outra ilha. Sebastião. Mathias até a ponta de terra do Marco são trinta e oito léguas.*<S-n . Cosmographo d'El-Rei D. oeste. alé a ponta da habia de S. N'esta ponta do Marco se acaba a demarcação da coroa de Portugal n'esta costa do Brazil. 9*Ç&. segundo a opinião do Dr.

que se nâo soffria naquelle lugar tratar-se das grandezas delia. donde se pudessem ajudar e soecorrer todas as mais capitanias e povoações delia como a membros seus. Como El-Rei D. em a qual mandou embarcar Thomé de Souza do seu conselho. do Portugal soube da morte do Francisco Pereira Coutinho. ordenou de a tomar á sua conta para a fazer povoar. ao que queremos satisfazer cora singelo estilo pois o náo temos grave. DE SUA FERTILIDADE E DAS NOTÁVEIS PARTES QUE TEM. mas fundado ludo na verdade. CAPITULO I.SEGUNDA PARTE. mandou fazer prestos uma armada e prove-la de todo o necessário para esta empreza. e pondo S. sabendo já das grandes partes da Bahia. com que quebrou as doações aos capitães . Jo9o III. por cujos merecimentos devo de ser mais estimada ereverenciadado que agora é. maravilhosas águas e da bondade dos mantimentos delia. como meio e coração de toda esla costa. pois n5o cabiam ali. Da qual podemos agora tratar e explicar o que se delia não sabe para que venham á noticia de todos os occultos desta illuslre terra. Alteza em effeito esta determinação tão acertada. depois que se acabasse do correr a costa com quetemosjá concluído. o que se faria ao diante mui largamente. de que o foz capitão . e mandar edificar nella uma cidade. bons ares. e o elegeu para edificar esta nova cidade. passando pela Bahia de Todos os Santos. Atrazficadito. MEMORIAL E DECLARAÇÃO DAS GRANDEZAS DA BAUIA DE TODOS OS SANTOS. da fertilidade da terra. o governador geral de todo o estado do Brazil: ao qual deu grande alçada e poderes em seu regimento.

que no caso os nSo proveu. Thomé de Souza foi um fidalgo honrado. e alguns moradores casados. pôr o governo da justiça em ordem em todas as capitanias. que pelo tempo em diante servirão. Alteza. aos vinte e nove dias de Março do dito anno. ea Antônio Cardozo de Barros para também ordenar neste Estado o tocante á fazenda de S. entendendo convir a si a seu serviço. para com elle servir de ouvidor geral. que comsigo levou. mereceu fiar d'elle El-Rei tamanha empreza como esta que lhe encarregou. E como a dita armada esteve prestes. proprietários por terem demasiada alçada. para doutrinarem e converterem o gentio na nossa santa fé catholica. pelos quaes serviços e grande experiência que tinha. e levando prospero vento chegou á Bahia de Todos os Santos. convém a saber: seiscentos soldados e quatrocentos degradados. O qual Thomé de Souza também levou em sua companhia Padres da de Jesus. confiando de seus merecimentos e grandes qualidades que daria a conta delia que se delle esperava. grande lingua . homem avisado. Em que se contêm quem foi Thomé de Souza e de suas qualidades. de alcunha o Carajnurú. de que se elles aggravaram a S. assim no crime como no eivei. partiu Thomé de Souza do porto de Lisboa aos 2 dias de Fevereiro de 1549 annos. povoação que Francisco Pereira edificou. prudente e mui experimentado na guerra de África e da índia. a quem deu por ajudadores ao Dr.112 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde pôz mil homens. Pedro Borges. E no tempo que Thomé de Souza desembarcou achou na Villa Velha a um Diogo Alvares. e outros creados d'El-Rei que iam providos de cargos. para ministrarem os sacramentos nos tempos devidos. para onde levava sua derrota. e desembarcou no porto de Villa Velha. ainda que bastardo. e a outros sacerdotes. Alteza. onde se mostrou mui valoroso cavalleiro em todos os encontros em que se achou. e cada um vivia ao som da sua vontade. CAPITULO II. porque ató então não havia ordem em uma cousa nem em outra.

andando ordinariamente trabalhando naforlitiraçàoda cidade a troco do resgate que lhe por isso davam.ii. que era afastado da povoarão . onde não eslava segura. para a tirarem d'aquellc porto da Villa Velha. se foram defendendo e sustentando até á chegada do Thomé do Souza. e que lhe buscassem mais para denlro alguma abrigada melhor quo a em que estava a armada. o que pareceu bem a Iodas as pessoas do conselho quo nisso assignaram. os quaes. mandou descobrir a bahia . e por se achar logo o porto e ancoradouro.ROTMRO no nnAf. e achou que defronto do mesmo porto era o melhor silio que por ali havia para edificar a eidade. arrumou a cidade dVIla para dentro.. e onerecer-se a o servir: oqu. Em que se declara como sr edtfcou a cidade do Salvador. Como Thomé de Souza acabou de desembarcar a gente d'armada e a assentou na Villa Velha. e como leve a armada segura mandou descobrir a terra bem. ora com boas razões. cora ellas feitas. para os trabalhadores e soldados poderem estar seguros do gentio. c outros homens. se veio dos llhéos a |wvoar o assento das casas era que d'aules vivia. arruaiido-a po' . Etomadaesta resolução se pôz era ordem para este edifício.il gentio em seu tempo viveu muito quieto c recolhido. e por respeito do porto assentou que náo convinha fortificarse no porto de Villa Velha. dos que escaparam da desventura do Francisco Pereira. mandou passar a frota para lá por ser muito limpo e abrigado. Como foi acabada. que agora está defronte da cidade. por ser muito desabrigado. o qual depois da morte de Francisco Pereira foz pazes com o gentio. que o acompanharam. o. por defronte d'este porto estar uma grande fonte bem á borda da água que servia para aguada dos navios e serviço da eidade. CAPITULO tll. fazendo primeiro uma cerca muito forte de páo a pique. 111 do gentio. ora com anuas. ondo sefortificoue recolheu cora cinco genros quo tinha. por cujo mandado Diogo Alvares quietou o gentio e o fez dar obediência ao governador.

alfândega. CAPITULO IV. Pedro Fernandes Sardinha. o que fez com muita brevidade. Logo no anno seguinte de 1550 se ordenou outra armada. com o que a cidade ficou muito bem fortificada para se segurar do gentio . em soccorro d'esta nova cidade. Ecomo todos foram agazalhados. Alteza. o qual levou toda a clerezia . contos. munições de guerra. Em que se contem como El-Rei mandou outra armada em favor de Thomé de Souza. cadeia. em a qual mandou a Rainha D. e todo o mais conveniente ao serviço do culto divino: e sommou a despeza que se fez no sobredito.iüi CABBIF. pecas de prata e outras alfaias do serviço da igreja. em a qual foi o bispo D. ordenou de cercar esta cidade de muros de taipa grossa. Catharina. armazéns. da qual foi por capitão Simão da Gama de Andrade com o galeão velho muito afamado e outros navios marchantes. para viverem os governadores. Alteza em favor d'esta cidade outra armada. algumas donzellas de nobre geração. em cada um d'elles assentou muito formosa artilharia que para isso levava .L SOARES DE SOUZA. com gente e mantimentos. soldos. com dous baluartes ao longo do mar e quatro da banda da terra. das que mandou criar e recolherem Lisboa no mosteiro das . e outras officinas convenientes ao serviço de S. em as quaes por entretanto se agazalharam os mancebos e soldados que vieram na armada. E logo no anno seguinte mandou S. que está em gloria. e outras igrejas e grandes casas. passante de trezentos mil cruzados. boa ordem com as casas cobertas de palma ao modo de gentio . em a qual o governador fundou logo um collegiodos padres da Companhia. ordenados dos officiaes. e por capitão d'ella Antônio de Oliveira com outros moradores casados e alguns forçados. pessoa de muita autoridade. ornamentos. casas da câmara. mantimentos. e no cabedal que se metteu na artilharia. fazenda. grande exemplo e estremado pregador. sinos.

Alteza mandava cada anno em soecorro dos mo redores d'esta cidade uma armada com degradados moços orphãos. com um rollo á roda branco. o com os escravos de Guiné . e o mais lhe mandava pagar em mercadorias pelo preço que custavam em Lisboa. a cuja petiçáo El-Rei satisfez com mandar por governador a D. mandou pôr. requereu a S. as quaes foram visitadas pelo governador o [tostas na ordem conveniente ao serviço d'EI-Rci. nem havia para que. CAPITULO V.vzii. para que so repartissem pelos moradores dYlla. o muita fazenda . Como Thomé do Souza acabou o seutempodo governador. para que as (-azasse com pessoas príncipes d'aqucllc tempo. Duarte da Costa foi governar o Brasil. A. que se logo embarcou na dita . onde lhe foi dada posse da governança por Thomé de Souza. pelo qual respeito S. o quo pagassem o custo por seus soldos e ordenados. Em que se traia como D. do que as mais capitanias so foram lambem ajudando. II. e a pomba lem três folhas do oliva no bico. vaccas e egoas que S. que gastou lao bem gastado n'este novo Estado do Brazil.» orpháas. cora o que a foi enobrecendo o povoando com muita presteza . Duarte da Costa. ao qual deu a armada conveniente a tal pessoa.UOTEIIIO no Hn. e ao bem de sua justiça c fazenda. Alteza que o mandasse tornar para o reino. em quo passou a este Estado. por a esse tempo não irem a essas parles mercadores. e desembarcou na cidade do Salvador. com a qual chegou a salvamento á Bahia de Todos os Santos. nome que lhe S. a quem mandava dar em casamento os officios do governo da fazenda e justiça. Alteza mandou a esta nova cidade. do seu conselho .. com letras de ouro quo dizem Sic illa ad Arcam reversa est. as quaes iMicoiiiinoiidoii muito ao governador por sua-' cartas. e lhe deu por armas uma pomba branca em campo verde. por na terra náo haver ainda em que pudessem fazer seus empregos. com o quo a cidado so foi enobrecendo.

onde serviu a El-Rei D. Catharina. foram esfriando os favores e soccorros. de veador. Catharina em quanto viveu. que subjugou e desbaratou todo o gentio Tupinambá da comarca da Bahia e a todo o mais até o Rio de Janeiro. da bahia para dentro. e em que lhe foram muitos moradores e gente forçada com todo o necessário . foi imitando. quarenta engenhos de assucar. mui prósperos de edifícios. para a qual não mandaram d'ali por diante mais que um galeão d'armada. Álvaro da Costa que n'estes trabalhos o acompanhou. no tempo que governou estes reinos . em cujos feitos já tocámos.E se esta cidade do Salvador cresceu em gente. se os moradores foram favorecidos como convinha . Duarte governou o Brazil. pelo que este Estado tornou atraz de como iaflorecendo. por lhe fallecer logo El-Rei D. Em todo o tempo que D. e como elles estão merecendo por seus serviços. escravaria e outra muita fabrica. Joàoe a seu neto El-Rei D. armada e se veio para o reino. que cada anno esta nova cidade recebia. o qual foi também governar este Estado por mandado d'EIRei D. nasceu-lhe da grande fertilidade da terra que ajudou aos moradores d'ella . fazendo-lhe crua guerra. em que iam os governadores que depois a foram governar. que foi governador do Brazil. Duarte. João o 111. a quem a Rainha D. foi todos os annos favorecido e ajudado com armadas que do reino lhe mandavam . E tornando a D. João que com tanto fervor trabalhava por acrescentar e engrandecer este seu Estado. e no mesmo cargo serviu depois á Rainha D. edifícios e fazenda como agora tem. de cujos feitos se pôde fazer um notável tratado . os quaes elle emendou dissimulando alguns com muita prudência. e se mostrou n'elles mui valoroso capitão.11(1 GABBIEL SOARES DE SOUZA. a qual caudilhava seu filho D. a quem a fortuna favoreceu de feição em quartorze annos. ao qual succedeu Mem de Sá. o qual Mem de Sá foi pouco favorecido d'estes reinos. dos quaes houvera muitos mais. de maneira que tem hoje no seu termo. e castigando outras com as armas. Sebastião. por fortificar e defender esta cidade do genlio que em seu tempo se alevantou e cometteu grandes insultos . como tomou a posse da governança. mas como ella desistiu da governança d'elles. com os quaes o . trabalhou quanto foi possível.

as quaes estavam mui apertadas do gentio dáquollas partos e com elles foi lançar por duas vezes o» Francezes fora do Rio de Janeiro o a povoa-lo. náo se fez ato bojo nenhuma honra nem mercê a nenhum d'elles. A Bahia de Todos os Santos eslá arrumada em treze grãos e um terço. que ha travessia na cesta de Perto Seguro alé o cabo Santo Agostinho. E todos foram fazer estos e outros muitos serviços á sua custa.ROTIlho DO BRAZIL. Porto Seguro e a do Espirito Santo. e a troco d'estes serviços e despezas dos moradores d esla cidade. a quem queimou e assolou mais do trinta aldoias . sudoeste e tessuesle. 117 governador Mem de Sá destruiu e desbaratou o gentio quo vivia do redor da Bahia. o com os mesmos raoradoros soceorreu o ajudou o dito Mem de Sá as capitanias dos llhoos. senão ao gentio. Em que se declara o clima da Bahia . sem lhe darem soldo nem mantimentos. Em todo esto tempo do inverno correm as águas ao longe da costa a cem léguas ao mar delia. como fica dito atraz . fugiram para o sertão o so afastaram do mar mais de quarenta léguas. como cruzam os ventos nu sua costa. como se costuma na índia e nas outras partos. das parles do sul para os rumos do norte. e dura ali todo o mez de março. e correm as água». por quatro e cinco mezes. onde os dias em lodo o anno são quasi iguaes com as noites e a differença que tom os dias do verão aos do inverno é una hora até hora e meia. Começa-se o verão em agosto como em Portugal em março. do que vivem mui escandalisados e descontentes. E começa-se o i nverno d'esta provincia no mez de Abril. e acaba-se por todo o julho. CAPITULO VI. em o qual tempo náo faz frio que abrigue aos homens se chegarem ao fogo. em e qual tempo reinara os ventos nordestes . o os que escaparam de mortos ou cativos. onde acabaram muitos d'estes moradores som alé boje ser dada nenhuma satisfação a seus filhos. porque andam despidos. e ás vezes cursam os ventos do sul.

nasce com ella juntamente o sol. quando chove. em o que se descuidaram os governadores. E em se recolhendo o sol á tarde. quando cumprir . que se nunca viram em outra parte. se pôde ajuntar. d'entre os quaes e os da cidade. o que causa grande admiração. haverá mais de dous mil visinhos. em todos os recôncavos da bahia. que a edificou. Em que se declara o sitio da cidade do Salvador. em que se aga- . Em lodo o tempo do anno. porque os mareantes e philosophos que a esla terra foram. pela qual razão se não navega ao longo d'esta costa senão com as monções ordinárias. e lesnordestes. com o rosto ao poente. pouco mais ou menos. sobre o mar da mesma Bahia. agora não ha memória aonde elles estiveram. quinhentos homens de cavallo e mais de dous mil de pé. nem outros homens de bom juizo não tem atinado até agora com a causa porque isso assim seja. cujos muros se vieram ao chão por serem de taipa e se não repararem nunca. A cidade do Salvador está situada na Bahia de Todos os Santos uma legua da barra para dentro em um alto. seja pelo que for. em a qual estão da banda do sul umas nobres casas. n'esta comarca da Bahia. pelo que elles sabem. em rompendo a luz da manhã. fazem os céos da Bahia as mais formosas mostras de nuvens de mil cores e grande resplandor. em que se correm touros quando convém. E ha-se de notar que. a fora a gente dos navios que estão sempre no porto. ou por se a cidade ir estendendo muito por fora dos muros. a que mathematicos dêem razões sufficientes que satisfaçam a quem quizer saber este segredo. e correm as águas na costa ao som dos ventos da parte do norte para o sul. e.ÜS f:\BRlKL SOARES DE SOUZA. assim no inverno como no verão. Está no meio d'esta cidade uma honesta praça. CAPITULO VII. como atraz fica dito. e por fora d'ella. Terá esta cidade oitocentos visinhos. a qual cidade foi murada e torreada em tempo do governador Thomé de Souza. escurece juntamente o dia e cerra-se a noite logo.

o caminho que está da parte do sul é serventia para Nossa Senhora da Conceição. Magestade. mas sáo as necessidades mais. cadêa o outras casas do moradores. o d'osla mesma banda da praça. CAPITULO VIII. por onde se estos mercadorias e outras cousas que aqui se desembarcam levam em carros para a cidade. com quo fica esta praça em quadro e o pelourinho no meio d"ella. mas mui bem acabada e ornamentada. cujas esmolas importam cada anno três mil cruzados pouco mais ou menos. ao qual desembarcadouro vai ter outro caminho do carro. alfândega o armazéns.ROTPIRO DO BRAZIL. é por ser muito pobre e não ter nenhuma renda de S. da banda do mar. e so esta casa não tem grandes officinas e enfermarias. o da banda do norte tem as casas do negocio da fazenda. aonde está o desembarcadouro geral das mercadorias. ondo cslão assentadas algumas peças de artilharia grossa. Em que se declara o sitio da cidade . o da parte do leste lera n casa da câmara. os quaes em suas necessidades não tem outro remédio que o que lhe esta casa dá. esfci situada a casa da misericórdia e hospital . no cabo da qual. correndo d'ella para o norte vai uma formosa rua de mercadores alé a sé. e do desembarcadouro da gente dos navios . E tornando á praça. aa Sé por diante. com um taboleiru de- . dos cantos d'clla. que se gastam com muita ordem na cura dos enfermos e remédio dos necessitados. nem de pessoas particulares. cuja igreja nãoé grande. A Sé da cidade do Salvador está situada com o rosto sobre o mar da Bahia. por a muita gente do mar e degradados que d'estes reinos vão muilo pobres. a qual da banda do poente eslá desabafada com grande vista sobro o mar. I l¥ zalham os governadores. docem dous caminhos cm voltas para a praia. donde a terra vai muito apiquo sobre o mar. e sustenta-se somente de esmolas que lhe fazem os moradores da terra que são muitas. defronte do ancoradouro das náos. um da banda do norte quo é serventia da fonte que se diz do Pereira. ao longo do qual ó tudo rochedo mui áspero .

Está esta Sé em redondo cercada de terreiro. com lhe dar a cada um um tanto com que queiram servir de conegos e dignidades. de honesta grandeza. bem a pique sobre o desembarcadouro. a qual tem cinco capellas muito bem feitas e ornamentadas. tirado o deão que tem quarenta mil réis. quatro moços de coro e mestre da capella. A igreja 6 de três naves. seis conegos. o que custa ao bispo um grande pedaço da sua casa. o que lhes não basta para se vestirem. onde os pedem emprestados. tivera já mandado prover esta ne* cessidade. Serve-se n'esta igreja o culto divino com cinco dignidades. pois manda receber os dízimos d'esleseu Estado. fronte da porta principal. um cura c coadjutor. donde tem grande vista. Está esta Sé muito necessitada de ornamentos eosde que se serve estão mui damnificados i e de maneira que nas festas principaes se aproveita o cabido dos das confrarias. Magestade não deve estar informado. do que os clérigos fogem por não ter cada conego mais de trinta mil réis. . que se o estivera. por contentar os sacerdotes que prestam para isso. em que está o culto divino. mas não está acabada da torre dos sinos e da do relógio. quatro capellães. alta e bem assombrada . por ser muito pobre e não ter para fabrica mais do que cem mil réis. e as dignidades a trinta e cinco . de que S. cuja cabeça está tão damnificada que convém acudir-lhe com remédio devido com muita presteza. dous meios conegos. e outras officinas muito necessárias. casas em que vivam e de comer: e n'estes logares rendemlhe suas ordens e pé de altar outro tanto. e ainda que são tão poucos.j20 GABRIEL SOARES DE SOUZA. fazem-se n'ella os officios divinos com muita solcmnidade. e muitos d'eslesministros não são sacerdotes. e estes muito mal pagos. Pelo que querem antes ser capellãesda misericórdia ou dos engenhos. o que lhe falta. cada anno. e dous altares nas hombreiras da capella mór. onde tem de partido sessenta mil réis.

E oecupa este terreiro e parle da rua da banda do mar um sumpluoso collegio dos padros da Companhia de Jesus. theologia e casos de consciência. Tem esto collegio grandes dormitórios e muito bem acabados. que se oecupam em pregar e confessar alguma parto d'elles. outros ensinam latim. onde se affirma que trazem maisdeduas mil vaccasde ventre. cada anno quatro mil cruzados e davantagem. Tem este collegio ordinariamente oitenta religiosos. artes. cuja obra é de pedra ecal. onde se servo o culto divino com mui ricos ornamentos. o qual eslá muito rico. 16 . onde recolhem o que lhe vem embarcado do fora. Passando além da Sé pelo mesmo rumo do norte. também occupáda cora lojas de mercadores. com uma formosa e alegre igreja. com varandas. o qual está cercado em quadro de nobres casas. corre outra rua mui larga. porque tem muitos curraes de v accas. que nesta torra parem todos os annos. a qual os padres tom sempre mui limpa e cheirosa. parto dos quaes ficam sobrei o mar com grande vista. aonde so representam as festas a cavallo por ser maior que a praça. a qual vai dar oomsigo em ura terreiro mui bom assentado c grande . c por baixo lageadas com muita perfeição.R0TRIR0 DO IIHA/11. M. Em que se declara como corre a cidade do Salvador da Sé por diante. e tom outra muita grangearia de suas roças e fazendas onde tem todas as novidades dos mantimentos. com todas as escadas. cora o que tem feito muito fruto na terra. porque tem deS. o qual collegio tem grandes cercas até o mar. e importar-lhe-ba a outra renda que tem na terra oulro tanto. e ao longo do mar tem umas terracenas. e cubículos mui bem forrados. 121 CAPITULO IX. parlas c janellas de pedrarias. IIT. que se na torra dáo em muita abastança. cora água muito boa dentro.

CAPITULO X I . e de larangeiras e outras arvores de espinho. a qual cidade por esta banda da terra está toda cercada com uma ribeira de água. e outros devotos lhe deram outros chãos juntos d'elle. pondo o rosto no sul. Em que se declara como corre a cidade da praça para a banda do sul. romeiras e parreiras^ com o queficamuito fresca. CAPITULO X . em um alto. figueiras. que ao longo d'ella estão. em que lhe os moradores fizeram uma igreja. que serve de lavagem e de se regarem algumas hortas.122 GABRIEL SOARES DE SOUZA. os quaes estão povoados de palmeiras carregadas de cocos e outras de tamaras. está um mosteiro de Capuchinhos de Santo Antônio. E tornando d'este mosteiro para a praça pelo banda da terra vai a cidade muito bem arruada. vai outra rua muito comprida pelo mesmo rumo do norte. corre outra rua muito formosa povoada de moradores. muito larga e povoada de casas e moradores. e pelo tempo adiante lhe farão oulro recolhimento como os padres quizerem. se podem acommodar até vinte religiosos. os quaes tem neste recolhimento sua cerca com água dentro. Tornados ã praça. com a qual e o mais recolhimento que está feito. além da qual no arrebalde da cidade. onde está uma estância com artilharia. E ao longo . Em que se declara como corre a cidade por este rumo até o cabo Passando avante do collegio. com casas de moradores com seus quintaes. no cabo da qual está uma hermida de Santa Luzia . a qual cerca vem correndo de cima onde está o mosteiro até o mar. que ha pouco tempo se começou de esmolas do povo que lhes comprou este'assento.

ROTEIBO DO BRAML. No principal desembarcadouro está uma fraca hermida de Nossa Senhora da Conceição. no outro arrebalde da cidade. c no topo d'olla está umaformosaigreja de Nossa Senhora d'Ajuda com sua capella de abobada. Tem esta cidade grandes desembarcadouros com três fontes na praia ao pé delia. o qual se nianlcm do esmolas que pedem os frades pelas fazendas dos moradores. . com sua claustra. c não tem nenhuma renda de S. porque sSo muitas. das quaes se serve lambem muita parle da cidade. E náo se faz aqui particular menção das outras ruas da cidade. onde se agasalbam vinte religiosos que n'aquello mosteiro ha. Magestade fundar este mosteiro. 123 d'csta rua lhe fica outra muilo bem assenlada. que é a que rodea toda a cidade. no principio d'esta cidade esteve a Sé. os quaes haverá três annos. no qual sitio. o largas oflicinas o seus dormitórios. CAPITULO XII. cm quem será bem empregada pelas necessidades que tem. Bento é muito pobre. lambem ioda povoada de lojas de mercadores. está situado um mosteiro do S. que foram a esta cidade com licença de S. que lhes os moradores delia fizeram á sua custa com grande fervor c alvoroço. e fora nunca acabar querc-las particularisar. Magestade. cm as quaes os marcantes fazem sua aguada bem á borda do mar. que foi a primeira casa de oração e obra em que se Thomé de Souza oecupou. e estão bcmquislos o mui bem recebidos do povo. Bento. cujos religiosos vivem santa c honesta vida. os quaes tem sua cerca e horta com uma ribeira de água. por serem estas fontes de muito boa água. que lhe nasce dentro. dando de si grande exemplo. Em que se declaram outras partes que a cidade tem para notar. Passando mais avante com o rosto ao sul. cm um alto o campo largo. Este mosteiro de S. como fica atraz dito.

Na cidade do Salvador e seu termo ha muitos moradores ricos de fazendas de raiz. da qual se não aproveitam os moradores por haver outras muitas fontes de que bebe cada um. e das Canárias. que são como os casaes de Portugal. e de melhor cheiro e còr e suave sabor. e alguma? qualidades Mas. onde são mais brandos. Em que se declara o çQmç se tratam Pt mpradore? da cidade do Salvador. do que está sempre mui provida . e de laranjeiras que todo Ó.ànno estão carregadas de laranjas. e porcos. que nasce junto d'ella. e outros mantimentos de Hespanha. A vista d'esta cidade é mui aprazível ao longe. especialmente do mar. e alfaias de casa . e o mais do tempo o está do pão que se faz das farinhas que levam do reino a vender ordinariamente á Bahia .4 CABRIEL SOARES DE SÔUZA. e todas as drogas. fructas e hortaliças.12. que a vai cercando toda. a saber: de palmeiras que apparecem por cima dos telhados. sedas p pa. cuja vista de longe é mui alegre. uma e duas léguas á roda. que nas mesmas ilhas d'onde os levam. os quaes se vendem em lojas abertas. Não tem a cidade nenhum padrasto. onde se lavram muitos mantimentos. segundo a afferção. por estar o nascimento (Telia pizadõ dos bois.nnos de toda a sorte. peças de prata e ouro. onde também levam mmitos vinhos da ilha da Madeira . a qual se não bebe agora. que vão beber. e da que lhe fica mais perto se ajuda por serem todas de boa água. se a cercarem como ella merece. A terra que esta cidade tem. está quasi toda occupada com roças. d'ondeseremedea toda a gente da cidade que o não tem de sua lavra. por estarem as caças com os quintaes cheios de arvores. em tanto que ha muitos homens que tem dous e três mil . por a cidade se estender muito ao longo d'elle. que lhe tomam. a cuja praça se vai vender. o que se pode fazer com lhe ficar dentro uma ribeira de água. d'onde a possam offender. e as mais mercadorias acostumadas. jaezes de cavallos. CAPITULO XIII. mas limpa é muito boa água. n'este alto.

alé que a gente das fazendas e engonhos a . e trazem suas mulheres mui bem ataviadas de jóias de ouro. cujas fazendas valem vinte mil ató cincoenta e sessenta mil cruzados. por a torra não ser fria. os quaes. se a commettorem. que a forem corometter. 125 cruzados em jóias de ouro eprato lavrada. donde lhe náo pôde fazer mais damno que afasta-los da carreira. no que fazem grandes despezas. e quarenta. os quaes tratem suas pessoas mui honradainente com muitos cavallos. sem lhes a artilharia fazer nojo. que tem El-Rei Nosso Senhor obrigação de cora muita instância mandar acudir ao desamparo em que esla cidade está. comotomqualquer possibilidade. Que trata de como se pôde defender a Bahia com mais facilidade. de artilharia miúda: a artilharia grossa eslá asseslada nas estâncias atraz declaradas. para defender a entrada da barra aos navios dos corsários. CAPITULO XIV. o ora outra que está na ponta do Padrão. porque náo vestem senão sedas. mormente entre a gente de menor condição. por que qualquer peão anda com calções e giháo de aelim ou damasco. corno convém ao seu serviço e segurança dos moradores d cila. c dnvantagem . mandando-a cercar de muros o fortificar . e trazem as mulheres com vasquiuhas o gibões do mesmo.ROTEIRO DO BRASIL. croados o escravos. Náo parece despropósito dizer n'cste lugar. porque é a barra muito grande e podem passar as náos que quizerem. porque está arriscada a ser saqueada de quatro corsários. tom suas casas mui bem concertadas e na sua mesa serviço de praia. Ua na Bahia mais de cem moradores que tom cada anno do mil cruzados até cinco mil de renda. Tem esta cidade quatorze pecas de artilharia grossa. por ser a gente espalhada por fora. eoutros que tom mais. pouco mais ou menos. para que náo possam tomar o porto do primeiro bordo. e com vestidos demasiados. especialmente as mulheres. e a da cidade não ter onde se possa defender.

e d'aqui para cima até quinze e vinte . tanto das mercadorias como de muilo dinheiro de contado. e muita somma d'elle recolhido pelas terracenas que estão na praia dos mercadores. a saber: quatro mil pretos de Guiné. porque acharão no porto muitos navios carregados de assucar e algodão. e seis mil indios da terra. Mas emquanto não fôr cercada . não a entram depois. mui bons flexeiros. e muitas alfaias de casa. e outros barcos. aonde se hão de achar mui embaraçados. e estarem sempre armadas. e ser-lhe-ha forçado recolher-se com muita pressa. estava tão afeiçoado ao Estado do Brazil. porque pôde ser soccorrida por mar e por terra de muita gente portugueza até a quantia de dous mil homens. os quaes se não levarem a cidade do primeiro encontro. sendo bem caudilhada.126 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que está em gloria . á sombra das quaes podem pelejar muilas barcas dos engenhos. com o qual corpo de gente. CAPITULO XV. se a commetterem com qualquer armada. de entre os quaes podem sahir dez mil escravos de peleja. e alguma artilharia com que offender aos contrários . que sahirem em terra. que juntos com a gente da cidade se fará mui arrazoado exercito. em as quaes se pôde meller gente da terra para a defender. especialmente á Bahia de Todos os . para poderem pelejar. d'onde podem tirar grande presa. possa vir soccorrer. e pesados por entre o malto que ó mui cego. que pelo mar com quatro galeotas que com pouca despeza se podem fazer. pelo desapercebimento que esta cidade tem. que de continuo estão no porto oito e dez. João III de Portugal. Em que se declaram as grandes qualidades que tem a Bahia de Todos os Santos. o que Deos não permitia que aconteça . que estão tomando carga de assucar e algodão. em que se pôde cavalgar artilharia. da maneira que agora eslá. se pôde fazer muito damno a muitos homens de armas. e esta armada se pode favorecer com as náos do reino. que a cila foram já. El-Rei D. do que sabem a certeza os Inglezes. muitas peças de ouro e prata. não tem remédio mais fácil para se poder defender dos corsários que na bahia entrarem.

ainda que o capitão da capitania dos llhéos não quer consentir que se entenda senão da ponta da ilha de Taparica á do Padrão: mas eslá já averiguado por sentença. sobre a quem pertenciam os dízimos do pescado. do muito frescas edelgadas águas. que se entende a Bahia da ponta do Padrão alé Tinharé. a qual está arrumada pela maneira seguinte. c lhe fez nova doação . do bons ares . como já fica dito. entre as quaes pontas da banda do dentro dYIIas está lançada uma ilha de sele léguas de comprido que se chama Itaparica. por se averiguar entender-se a Bahia do morro para dentro.ROTEIRO DO BRAZIL. edificára n'elle um dos mais notáveis reinos do mundo. o qual dizimo se sentenciou ao rendeiro da Babia. Alteza depois confirmou. a qual sentença se deu por haver duvida entro os rendeiros da capitania dos llhéos e da Bahia. 127 Santos. e agora o eslá ainda mais em poder e apparelho para isso. sendo governador geral do Estado do Brazil. entre uma barra e a outra. e como está arrumada a ilha de Taparica. mui delgados esadios. e mui abastada de mantimentos naluraes da terra. Porquo esla Bahia ó grande. primeiro conde do Castanheira. como na verdade so deve de entender. Acima fica dito como dista a ponta do Tinharé da do Padrão novo eu dez léguas. Antônio de Ataide. A Bahia se entende da ponta do Padrão ao morro do Tinharé que demora um do outro nove ou dez léguas. que é a maior e mais formosa que se sabe pelo mundo. que se pescava junto a esto morro do Tinharé. de muita caça. que se vivera mais alguns annos. assim em grandeza como em fertilidade e riqueza. e muitose mui saborosos pescados e frutas. a qual Thomé de Souza. Em que se declaram as barras que tem a Bahia de Todos os Santos. CAPITULO XVI. porque é senhora deste Bahia. o que lhe S. e engrandecera a cidade do Salvador de feição que se poderá contar entre as mais notáveis de seus reinos: para o que ella eslava mui capaz. deu de sesmaria a D.

sem atégorá se1 averiguar esta causa. A barra principal da Bàhia/e a da banda de festeya que uriáeharuam a barra da cidade e outros de Santo Antônio? por esWjiíílto d'ella da banda de dentro em um alto uma sua hermida. CAPITULO XVII. e entre a 'outra pòntà dá ilha e à porftii de Jaguaripe está a barra de loeste. com titulo de capitão e governador . aoquévéiu cóm ethhá¥^ gos a câmara dá cidade do Salvador. más há1 dó'ser5 com tempos bónáhçòsos. e'temgrande'âflcoTadôtíróJe abrigada ásòhibrà domorro. Deixa! eâta ilha entre si e o morro dé Tiriliaré outra bahia mui grande. com'fundd eporto. Etu que se declara como se navega ptht barra de Santo Antônio para entrar na Bahia. ondéo mkránda ô màiè dó tempo" em Tlòr*! Pôr 'entre estes baixos há'urfrcânal por òn"de 'eiUram'có'ml)oríança navios de quarenta toneis. por cada uma d'estas bárras'sè entra na bahia com a proa ao norte: A barra de loeste se chama'de Jaguaripe por se metter n'ella uni rio do mésmd nome. Haverá dàlerra firme a está ponta da ilha perto1 de Uma légua d£ terra a terra!. por onde navegam.. e lhe impediu sénlprêà jürisdicçáo. e fica à barra pdronde às náos costumam .128 GABRIEL' S0ARB5 DE SOUZA. a qual barra tem de terra a terra' doas legúâs. sobre o que coiiiedaêni1 há irfais detririta annoy." que J é mais sahida ao' márí Dà banda dá ilha tora'èsVabárrá uma' leguá dé baixos de pedra1. á! pohta 'dd Padrãoesfá^a barra de leste. e tatítodfâtá âá^fjotitá' dô Padrão á terra de Taparica còrrití á ponta1.' pelo qual enlrám caráveHõeS dáeóstá'e barcas dos engenhos'. não podênf entrar nèl'baríiof da ilha para dentro. mtástehi úmfeátíaf estreito. em qué pcden^efitràr' náos detodo o porte. de que se aproveitam muitas1 vezes aínáosque' vritóhdo1 reiisd j quando lhe escaceá^o vento>. e . a qüáf barra é aparcellada por ser cheia dôbaíxoédèiafêâ. d'ella. Da ponta d'esta ilha de ItíarJàrteá. porque' comimarulho não se enxerga o cânnL 'Escorregrande perigo quertf se aventura a comraetter esta barra de Jaguaripe com tempo fresco e tormentoso. ondeeátá ó cürfáldéCóshiéGarçâo'.

que chamam a dos Frades. que tem duas leguas de comprido. e d'este porto da cidade. 120 entrar esahir da parto do Padrão. e uma de largo. são nove ou dez léguas de travessia. Ao norte d'esta ilha está outra. que. em as quaes se amarram os navios muito bem. e como ficam a barlavento d'ella. em o qual tempo se ajudam os navios uns aos outros de maneira que não corre perigo. nunca passa a suatormentade vinte e quatro horas. Da ilha dos Frades á de Taparica são quatro leguas. Da ilha de Maré á torra firme da banda do poente haverá espaço de meia legua. que toda tom fundo. ainda que é muilo rijo. quando venta. quando a vêem de mar em fora. De maneira que da ponta da ilha de Taparica até á dos Frades. e haverá outro tanto da mesma eidade á ilha dos Frades. e d'ella á terra firme contra o rio de Maloim. onde os navios ancoram. e os pilotos. que chamam de Maré. CAPITULO XVIII. Em que se declara o tamanho do mar da Bahia em que podem andar náosávella. maream-se com a ponta do Padrão. em o qual espaço não ha baixo nenhum. sem haver de que so guardar . onde ficam seguros sobre amarra de todos os ventos tirado o sudoeste. Por esta barra podem entrar as náos de noite e dia com todo o tempo. que sabem bem esta costa. que chamam do Paraguaçú. que tem uma legua de comprido e meia de largo. Da banda da cidade á terra firme da outra banda. e dista uma ilha da outra três léguas. e ficara seguros d'esta tormenta. á ponta do Padrão pode ser uma legua. e de algumas ilhas. por onde entram náos da índia de todo o porto. no inverno. navegam com a proa ao norte e vão dar comsigo no ancoradouro da cidade. e d'esta corda para a cidade. que de maravilha acontece. e conhecem a terra. como se afastarem iir 17 . a qual tom uma legua de largo. portodoeste mar até á boca da barra. e á ilha de Maré.. se não podem alcançar esta barra com de dia. Da cidade á ilha de Maré são seis leguas. efican este meio uma ilha. se pode balraventoar com náos detodoo porte sem acharem baixos nenhuns.aoTsino DO BRAZIL.

a qual ponta bem chegada ao cabo d'ella tem uma aberta pelos arrecifes. houve pareceres que ella se edificasse. que se chama Christovam de Aguiar de Alto. . Este engenho faz um morador dos principaes da terra. N'esta ponta. com seu cura que administra os Sacramentos a estes moradores. e que notar. . CAPITULO X I X . aonde estão assentados de sua mão passante de vinte moradores. quando se fundou a cidade. Atraz fica dito como da cidade até á ponta do Padrão ha uma legua: agora convém que vamos correndo toda a redondeza da Bahia e recôncavos d'ella . Esta ilha dos Frades é de um João Nogueira. a qual está norte e sul com a ponla do Padrão. onde tem suas grangearias de roças de mantimentos. e da boca da barra para dentro tem uma calheta onde estes caravellões e barcos estão seguros. A ilha de Maré é muito boa terra para canaveaes. com criações de vaccas e porcos. e a suas ilhas. e algodões. por ficar mais segura e melhor assentada e muito forte. mestre da capella da Sé. e todos os mantimentos. que n'ella tem da sua mão. no meio d'este caminho se faz um engenho de água em uma ribeira chamada água dos Mehinos . Em que se declara a terra da Bahia. por onde entram caravellões. que é de Bartholomeu Pires. muito bem concertada. os quaes tem aqui uma igreja de Nossa Senhora das Neves. que é uma legua. o qual está de assento n'ella. com seis ou sete lavradores. cuja terra é fraca para canaveaes de assucar. a qual ilha tem muitas águas mas pequenas para engenhos. da cidade até á ponta de Tapagipe.130 GABRIEL SOARES CE SOUZA. Começando da cidade para a ponta de Tapagipe. e nesta ponta de Tapagipe estão umas olarias de Garcia de Ávila e um curral de vaccas do mesmo. onde está um engenho de assucar que lavra com bois. para se mostrar o muito que tem para ver . da terra um tiro de berço. o qual não será muito proveitoso por ser tão perto da cidade. lavrador. que com tempo se reeolhem aqui.

ora uma d ellas tem nma praia ondo se põe os navios a monte muito á vontade. A' mão esquerda d'este engenho de S. D'cste esteiro para dentro ao longo d'esta ponto estão três ilhetas povoadas o lavradas com canaveaes e roças. por haver aqui muito e bom barro. icm uma formosa vista de tres engenhos de assucar. Bártholomeu . d'onde so provém d"elle os mais dos engenhos. com que móe um engenho de assucar de 9. o qual engenho tem grande aferida e fabrica de escravos. por onde entram náos do quatrocentos toneis. e na terra d'esla ponta osiâo outras duas olarias de muita fabrica. o qual engenho anda arrendado em seissenlas e cincoenta arrobas de assucar branco cada anno. está outro de Diogo da Rocha de Sá. pondo os olhos na terra firme . Entrando por este esteiro . freguezia d'aquelle limite. e oulras muitas fazendas mui formosas da vista do mar. e no cabo do salgado se mette n elle uma formosa ribeira de água. Este esteiro faz para dentro grandes voltas. Sebastião muito bem concertada. Magestade. CAPITULO XX. grandes edifícios e outra muita grangearia de roças. o se calafetam muito bem ás mares. pois se purga o assucar com esto barro. J3I Virando dVsla ponta sobre a mão direito esli um esteiro mui fundo. por onde se serve com suas barcas. Em que se declaram os engenhos de assucar que ha neste rio de Pirajá. que ali está feito com uma igreja de S. ao qual chamam Pirajá.R0TK1R0 DO BRAZIL. meia legua para a banda da cidade até onde este esteiro faz um braço. aonde se queimam o calafeteam bem. o qual está muito ornado de edifícios com uma igreja de S. onde também está uma hermida de Nossa Senhora da En- . Pelo sertão d "este engenho. que móe com outra ribeira. canaveaes e curraes de vaccas. Magestade esta outro de João de Barros Cardozo. meia legua d'elle. porque com as águas vivas descobrem até a quilha.

e vai correndo esta ribeira do mar da Bahia com esta formosura até Nossa Senhora da Escada . ao longo da qual está tudo povoado de mui alegres fazendas. e da boca d'elle para fora ao longo do mar da Bahia. cujo senhorio se chama Fran- . Este rio de Pirajá é mui farto de pescado e marisco. vai tudo povoado de formosas fazendas e tão alegres da vista domar. onde se toma muito peixe. carnação muito bem concertada de todo o necessário. que a tem muito bem concertada. CAPITULO XXI. e de um engenho de assucar que móe com bois. Em que se declara a terra e sitio das fazendas que ha da boca de Pirajá até o rio de Matoim.132 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde ás vezes vão convalescer alguns padres de suas enfermidades. com uma hermida de S. por ella acima. E entre um engenho e outro está uma casa de cozer meles com muita fabrica . e sempre tem peixe de que se todos remedeiam. em o qual andam sempre sete ou oito barcos de pescar com redes. o qual móe com uma ribeira de água com grande aferida e está bem fabricado. pelo ella ser e muito formosa. de que se mantém a cidade e fazendas do sua visinhança. a qual é de Antônio Nunes Reimão. cujo espaço se chama a Praia Grande. que é d'ahi uma legua. que é uma formosa igreja dos padres da Companhia. E no principio está uma de Antônio de Oliveira de Carvalhal. mulher que foi de Simão da Gama de Andrade. Por este rio de Pirajá abaixo. e no inverno em tempo de tormenta pescam dentro n'elle os pescadores de jangadas dos moradores da cidade e os das fazendas duas leguas á roda . Magestade está outro de D. por ser o logar para isso. A' mão direita d'este engenho de S. a qual igreja está uma legua do Rio de Pirajá e duas da cidade. que foi alcaide mór de Villa Velha. Leonor Soares. e está muito bem acabado. que não cansam os olhos de olhar para ellas. De Nossa Senhora da Escada para cima se recolhe a terra para dentro até o porto de Paripe. Braz.

e outras frutos de Hespanha e da terra. e corro assim obra de uma legua. 133 cisco de Aguilar. CAPITULO XXII. que ca mais antiga povoação e julgado da Bahia. e na mais sabida a elle se chama a ponta do Toquetoque. Do porto de Panpe ao rio de Matoim sâo duas leguas. o qual tem da boca.ROTEIRO DO BRAZIL. todo cercado de canaveaes de assucar. D'este porto de Paripe obra de quinhentas braças pelatorradentro . esteirose enseadas. por cima das quaes apparece a igreja do Nossa Senhora do O . ao pá do qual ao longo do mar estão uma pegadas assignaladas cm uma lagea. Do porto do Pa ripo se vai a terra afeiçoando á maneira de ponto lançada ao mar. fazendo algumas voltas. Em que te declara o tamanho do rio de Matoim e os engenhos que tem. arruada e povoada de moradores. tudo povoado de alegres fazendas. de terra a terra. fazendo outra praia mui formosa e povoada de mui frescas fazendas.esiá outro engenho de bois que foi de Vasco Rodrigues Lobato. castelhano de nação. homem principal. Entra a maré pelo rio de MatofaD^g0na quatro legues.defcereouma da outra. povoada de canaveaes e pomares de arvores de espinho. D'esla praia se torna a terra a aíeiçoar á maneira de ponta para o mar. Toda atorrapor aqui é mui fresca. que está junto d'ella. donde se ella torna a recolher para dentro. que diziam seus antepassados que andara por ali havia muito tempo um santo. e á mão direita por um . freguezia da povoação de Paripe. e no cabo d'esta legua se alarga o rio muito de torra a torra. que diz o gentio. d'onde atorratorna a recuar para traz até á boca do rio de Matoim. e entrando por elle acima mais de uma legua twpovoado de muitas e mui frescas fazendas. que fizera aquelles signaes com os pés. Thomé oro um alto. de que se faz muitos arrobas. onde está nma hermida de S. e de Matoim á cidade são cinco leguas. umtiro.

a uma legua está um engenho de bois. mui formosa por estar toda lavrada de canaveaes. até a boca de Matoim. que móe com uma ribeira que chamam Cotigipe. que foi de Affonso de Torres e agora é de Balthazar Pereira. e uma igreja de S. que se diz de Sebastião da Ponte. está uma hermida de S. o qual engenho está muito adornado de edifícios mui aperfeiçoados . o qual está mui petrechado . mercador. cousa muito para ver. e descendo uma legua abaixo do engenho de Cotigipe está uma ribeira que se chama de Aratú. braço acima está o famoso engenho de Paripe . E virando d'este engenho para cima sobre a mão direita. está urna ilha de Jorge de Magalhães. peça de muito preço . e no meio d'ella em um alto tem umas nobres casas cercadas de larangeiras arruadas. Meia legua d'este eugenho pelo rio abaixo está uma ribeira a que chamam de Carnaibuçú. no que gastou mais de doze mil cruzados. sobre a mão direita obra de meia legua. mui ornadas de aposentos: e no cabo d'este está um engenho de bois de duas moendas de Gaspar Dias Barboza.134 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o qual se não faz por haver demanda sobre esta água. Bento. Na boca d'esla ribeira está uma ilha muito fresca. entre partes que a pretendem. de que é senhorio Jorge Antunes. vai tudo povoado de fazendas. mui povoada de nobres fazendas. o qual tem n'elle uma igreja de Santa Catharina. e em uma de Francisco Barbuda. Junto d'este engenho está uma ribeira em que se pode fazer um engenho d'agua mui bom. A este engenho pagamforotodas as fazendas que ha no porto de Paripe. está outra hermida de Nossa Senhora: e assim vai correndo esta terra até o cabo do salgado . Da outra banda d'este engenho está assentado outro. Jeronymo. com grandes edifícios de casas de purgar e de vivenda. a que também chamam do Tubarão. e pelo rio acima duas leguas. que é de Nuno Fernandes. em outra fazenda de Christovarn de Aguiar. onde não está engenho feito por haver letigio sobre esta água. tudo de pedra e cal. e mais adiante. em a qual Sebastião de Faria tem feito um soberbo engenho de água. e outras arvores. e tornando por este rio abaixo.

com uma hermida de Nossa Senhora muito concertada. Sahindo pela boca de Matoim fora. vai a terra fabricada com fazendas e canaveaes dali a meia legua . de duas moendas que lavram com bois . de vivenda ede outras officinas. Esta enseada está cm feição de meia lua . a qual fazenda mostra tanto apparato da vista do mar. está tudo povoado de fazendas. o terá segundo a feição da terra duas leguas. E indo correndo a ribeira do salgado. Em que se declara a feição da terra da boca de Matoim até o esteiro de Mataripe. onde está outro engenho de Sebastião de Faria. 155 de edifícios de casas. Defronte dVsla ponta bem chegada á (erra firmo está uma ilha. d'este engenho a meia legua. Defronte da boca d'esto rio de Matoim eslá a ilha de Maré. a qual está cm uma ponta da terra. e tem sua grangearia de canaveaes c roças com água dentro. Da fazenda do Deão se começa de ir armando a enseada que dizem de Jacarecanga. oqual está povoada dn mui grandes fazendas. no meio da qual está um formoso engenho do boisdeChristovam de Barros. em a qual está uma ribeira . no comprimento d'ella. o qual tem grandes edifícios assim do engenho. que se diz de Pedro Fernandes. que é fregueziad'este limite. e no cabo está uma que foi do Dcão da Sé. e tom uma igreja de Nossa Senhora do Rozario. da qual fica dito atraz o que se podia dizer. virando sobro a mão direita . e tem uma formosa igrejade Nossa Senhora da Piedade. e os engenhos que tem em si.ROTK1R0 DO BR1ZIL. ató onde eslá tudo povoado do fazendas c lavrado[de canaveaes: este engenho tem mui grandes edifícios o uma igreja de Santo Antônio. como de casasde purgar. D'este engenho até a boca do rio será uma legua pouco mais ou menos. CAPITULO XXIII. que parece uma villa. que é mui formoso o largo do alio ató abaixo. que começa a correr d'elle para cima . onde elle vive com sua familia. cujos edilicios o canaveaes estão á visto d'esto rio.

até onde está tudo povoado e plantado de canaveaes mui formosos. no cabo da qual eslá um formoso engenho de água deThomaz Alegre. que é de Luiz Gonçalves Varejão. o que se não faz por haver contenda sobre a dita ribeira. onde faz uma ponta em redondo . Defronte d'esta ponta está o fim da ilha de Maré. o qual se deixa de fundar por se não averiguar o letigioque sobre ella ha. Esta Petinga é uma ribeira assim chamada. que toda está povoada do nobres fazendas e grandes canaveaes. em o qual tem outra igreja de Nossa Senhora do Rosário. e no cabo d'ella se chama a ponta deThomaz Alegre. E tornando atraz ao esteiro e porto de Petinga. Este engenho de Tristão Rodrigo tem uma fresca hermida de Santa Anna. da qual torna. que tem uma hermide de Santo Antônio mui bem concertada.a terra recuar para traz outra meia legua por um esteiro acima. em a qual estão dous engenhos de bois. vai correndo a terra fazendo um canto em espaço de meia legua. donde tomou o nome a terra firme d'este limite. torna a terra a correr para o mar obra de meia legua. defronte da qual à ilha de Maré está um Ilheo que se chama de Pacé. O outro engenho está no cabo d'esta terra. de água. D'este engenho se torna a afeiçoar a terra fazendo ponta para o mar. em que se pôde fazer um engenho. que é freguezia d'esse limite. que se diz a Petinga . está povoada de fazendas e formosos canaveaes. onde está uma formosa fazenda de André Monteiro. virando sobre a ponta da mão direita. por este esteiro . e uma hermida de Nossa Senhora mui concertada. fazendo um modo de enseada em espaço de uma legua. que está pela terra dentro meia legua. que se dizdeMataripe. que terá comprimento de meia legua. um de Tristão Rodrigo junto da ponta da enseada. o qual tem mui ornados edifícios. onde está uma casa de meles de João Adrião mercador. E sahindo d'esta enseada. até onde está tudo povoado de fazendas e canaveaes. em que entra uma casa de meles de Marcos da Costa. sobre a vista da água.136 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e daqui torna a fugir a terra para dentro. D'este engenho a uma legua é o cabo de um esteiro . Por aqui se serve o engenho de Miguel Baptista. e toda esta enseada a roda. onde se pôde fazer um formoso engenho de água.

no cabo da qual está o esteiro de Parnamirim. CAPITULO XXIV. D'( ste engenho de André Fernandes para cima vai fazendo a terra u ma enseada de uma legua. fazenda muito grossa de escravos c canaveaes. que. com nobres edifícios de casas. onde tem uma hermida da Santíssima Trindade mui concertada com as mais officinas necessárias. Entre esta ilha e a dos Frades estão duas ilhetas. e dos engenhos que em si tvm. n'ella vivem. e a igreja é da invocação de Nossa Senhora do O. Defronte d'este esteiro de Caipe está um ilheo de pedra. N'este esteiro de Caipc eslá um engenho do bois de duas moendas. tem foilo. está estendida a ilha do Ctirurupeba. povoação em que vivem muitos moradores que lavram n'esto sertão algodões e nuihiimcnlos. que é de meia legua do comprido. meia legua ao mar. que se diz Ilapitanga. edefronte d'esta enseada bem chegadas á terra firme eslíío ires ilhas: . cm cada uma das quaes está um morador. a qual ó dos padres da Companhia. que eslá meia legua pela terra dentro cm um alio á vista do mar. que a lavra. Em que se declara o sitio da terra da boca do esteiro de Mutn ripe até á ponta de Alarapè . um liro de berço. 1 37 se serve a igreja.ROTEIRO DO RBAZ1L. o qual é de Martim Carvalho. ou menos. que por esta terra vivem.' peça do muita estima. e julgado do logardeTayaçupina ('?). do qual esteiro corre a lerra quasi direita obra de uma legua ou mais. l)'este esteiro de Mataripe ao de Caípe será meia legua. a qual eslá toda lavrada e aproveitada do muitos canaveaes que os moradores. que a tem arrendada a sete ou oito moradores. Ao longo d'esla terra. e são de Antônio da Cosia. com uma fresca igreja de Nossa Senhora das Neves muito bem acabada. no cabo da qual eslá oulro engenho de bois. que o herdou de sen pai com muita fazenda. o qual engenhou do André Fernandes Margalho.

Por este esteiro de Parnamirim entra a maré uma legua. onde se começam as terras de Mem de Sá. até dar em oulro esteiroque chamam Marapé. onde tem muito boas fazendas de canaveaes e algodões. que está mui bem acabado. e junto d'esta ilha está outra mais pequena. a que chamam Marapé. e terra d'elh à boca de Paraguaçú. que tem perto de meia legua. a qual é de meia legua. Esta terra faz nocabouma ponta . Partindo com a terra da Tamarari começa a do engenho do conde de Linhares. no meio do quaí es(á uma ilha de Vicente Monteiro. que estão povoadas de mui grossas fazendas. e mais avante de Parnamirimestá outra ilha.138 GARRIEL SOARCS DB SOUZA. a qual teria se chama Tamararí. a qual está muito mettida para dentro fazendo uma maneira de enseada. no cabo da qual está outro engenho de bois de Antônio da Costa. que se diz a das Fontes. Entra a maré por este rio . que é do mesmo André Fernandes. no meio da qual está uma igreja de Nossa Senltora. está tudo povoado de moradores. andando sobre a mão direita d'ahi a uma légua. Em que se declara o rio de Seregvpe. e terá a grandura de duas leguas. que é freguezia d'este limite. onde tem alguns moradores que lavram cannas e mantimentos. que é de João Nogueira. que é do mesmo. CAPITULO XXV. A terra de todas estos tres ilhas ó alta e muito boa. E tornando á boca d^steesteiro. que tem uma hermida de Santa Catharina. que agora são de seu genro o conde de Linhares. a qual vai correndo até á boca do rio de Seregipe. e virandod'elfo sobre a mão direita vai fugindo a terra para traz. donde tira lenha para o engenho. Este esteiro de uma parle e da outras está todo lavrado de canaveaes. e povoado de formosas fazendas. Na boca do esteiro de Parnamirim está um engenho de bois de Belchior Dias PòrcaJho. a primeira defronte do engenho.*todalavrada com umaformosafazenda. onde também vivem sete ou oito moradores.

Bento. está situado o afamado engenho de Mem de Sá. que será de uma legua de comprido e meia do largo.ROTEIRO DO RRAZU. em espaço de quatro leguas. Junto d'esla ilha está outra pequena despovoada. onde se mette uma rilwira. mas da outra banda do rio. por ser necessária a terra para o meneo do engenho. vai fazendo a terra grandes enseadas. Descendo por este esteiro abaixo. ondo o . não vive nenhum morador. que fea Antônio Dias Adorno. onde se pode fazer outro engenho muito bom. virando ao sahir delia sobrea mào direita. que lhe custou muito a fazer. fora da barra d'elle. que agora é do conde de Linhares seu genro. onde dizem missa aos vizinhos. a qual tombem com as duas atraz são do conde de Linhares. quo «5 diz Farreirey. ató onde chamam o Acura. Da boca d'este rio de Seregipc. os quaes não estão feitos por ser esta terra do engenho do conde de Linhares e não a querer vender nem aforar. o qual eslá mui fabricado de casa fone e de purgar t com grande machina de escravos e outras bemfeilorias. de meia legua em quadro. D'esta banda do engenho ató á barra do rio. por ter o mesmo nome uma ribeira. ora a qual se podem fazer dous engenhos. que foi de um Gonçalo Annes que se metteu frade de S. no cabo do rio da banda do engenho está outra ilha. e por ter perto da barra uma ribeira. pelo que está em mortuorio.19 deSeregipe passante de três legues. entre os quaes está uma. por entre a qual e a terra firme escassamente páde passar um barco. a qual é do conde de Linhares. de cima alé abaixo. que podem ser duas leguas. mas não estará assim muito tempo por ser a terra muito boa e para se meltor n'ella muito cabedal. com uma igreja de Nessa Senhora da Piedade. onde estão assentados dez ou dose moradores. pelo que vivem poucos moradores n'ella. legua e meia sobre a mão direito. que n'ella toro bons canaveaes e roças de mantimentos. | . o qual se despovoou por lhe arrebentar um açude. onde esteve já um engenho. onde os frades tom feito uma igreja do mesmo Santo com seurecolhimento. Na boca d'este rio. que ali se vem meltor no salgado. de muito boa terra. E bem chegado á torra firme. está uma ilha que chamam Cajaiba. está tudo povoado de muitos fazendas. com mui formosos canaveaes.

E tornando acima no cabo d'estas duas leguas eslá uma ilha. são três ou quatro loguas. e estavam n'esla ilha seguros do gentio. Da barra d'estc rio para dontfo eslá uma ilha de meia legua de comprido. e de quinhentas braças de largo e a parles de menos. e pelo rio de Paraguaçú acima quatro leguas." E sahindó d'esta ilha para fora. a qual se vendeu a Francisco de Araújo. que são duas leguas. que sóbc por elle acima sois leguas. alé a boca do rio da Água Doce. conde tem um formoso curral de vaccas. Em que se declara a grandeza do Rio Paraguaçú. que chamam dos Francezes. que terá cm roda seiscentas braças. por o qual entra a maré. que serão duas leguas. c terá na boca de terra a lerra um tiro do falcão .4/|0 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde estão alguns curraes d'ellas. despovoadas do fazendas. Eslc rio de Paraguaçú ó mui caudaloso. e defronte d'esta ilha dos Francezes está uma casa de moles de Anlonio Peneda. mas choios de arvoredo . por a terra ser fraca o não servir para mais que para criação de vaccas. D'esta ilha para cima se abre uma formosa bahia. Do cabo d'esla terra do conde á boca do rio Paraguaçú.'parle dasquaés estão ocrupadas coai tres ilheos despovoados. e olhando pela mão esquerda se estende porto do duas leguas . quo agora a possue com algumas fazendas quo n'ella fez onde a terra ó boa. CAPITULO XXVI. pondo a vista sobre a mão direita'. e de uma banda e da outra até á ilha dos Francezes. cuja terra é baixa e fraca. mui allerosa. a que chamam Uguapc . é a terra alta e fraca e mal povoada. com o qual faziam d'ella seus resgates á vontade. faz este rio urri recôncavo do três leguas. salvo de alguns curraes de vaccas. a qual se chama dé Gaspar Dias Barboza. onde'elles em tempo atraz chegavam com suas náos por ter fundo para isso. Esla terra foi dada a Braz Fragoso de sesmaria . que é pelo rio acima. cousa mui formosa. c os seus engenhos na terra d'El-Rei.

em que entra uma casa do meles do Antônio Rodrigues» c andando assim ató junto do rio da Água Doce do Paraguaçú. 1 'ti quo se podem povoar. o qual engenho é de pedra e cal. sem se acabar. No meio d'cste caminho está uma ilha rasa. No cabo d'cslas duas leguas começa a torra boa que está povoada até o engenho do Antolonio Lopes Ulboa. que podem ser duas leguas. além da qual está outra ilha • que chamam da Ostra.IL. que está senborcando esta bahia com a visto. o rio da Água Doce do Paraguaçú • o qual terá na boca do torra a torra ura tiro de falcão do espaço. e tom grandes cdiíicios de casas. d'aqui a duas leguas. o do uma ilha de Antônio do Paiva . sobro a mão direito ao longo do salgado. que ficará acima d'esta ilha o rio do terra a terra uma meia legua. vão dar com o notável c bem assentado engenho de João de Brito de Almeida. cindo por elle acima sobrou mão direita tem poucas fazenda?. d'onde so tem tirado tanto quantidade quo so fizeram de ostras mais de dez mil moios do cal. junto da terra d'elle. é a terra fraca e não servo senão para curraes do vaccas. com muros o bolareos do pedra e cal > cousa muito forte. onde a terra firme so vai aportando . feita toda por pedra viva ao picão com suas açudadas. o qual engenho tem mui grande aferida. no que haverá espaço do uma legua. e navega-se por elle acima ató á cachoeira. ondo se vai mariscar. E indo d'esto engenho para cima. e vai-se cada dia tirando tonto quo faz espanto. sobre a mão direita. E auto . outra nesta bahia. e muito formosa igreja de S. por ser aterrado engenho do João do Brito. vai povoada a terra do fazendas o canaveaes. E antes do so chegar a este engenho. Mas tornando á casa do meles de Antônio Poneda . de pedra o cal. e móe com uma ribeira quo vem a esto sitio por uma levada de uma legua. quo ostá aproveitada com canaveaes. ura tiro do berço delle. Esto engenho móe com grande ferida > o eslá mui ornado com edifícios de pedra o cal.BOTBino DO BRA I. quo pode ser a ires leguas com barcos grandes. que esto rio aqui faz. virando d'ella para a enseada do Uguapc. João. e a ribeira com que móe se chama jUbirapitonga. Acima d'este engenho. estão três ilheos de aréa pequenos cheios do mangues. que Antônio Dias Adorno levo já cheia de manlimenlos. de muitos canaveaes e formosas fazendas .

de chegarem á cachoeira. o qual fez um Rodrigo Martins. por onde entra a maré. entque se mettem outras ribeiras. o qual rio está povoado de muitos moradores por onde faz muitos esteiros. e de Luiz de Brito de Almeida. E no braço da mãodireita está o engenho de Lopo Fernandes. junto do qual vivem. mas muito fragosa e povoada de fazendas. obra mui bem acabada. e declarar a terra da outra banda. e mal povoada de fazendas.. descendo sobre a mão direita. mameluco. João lhe fez mercê.vai dar no braço que se diz de Igaraçú: e por elle acima espaço de duas leguas vai o rio mui largo. Começando da cachoeira d'este rio de Paraguaçú para baixo. com titulo de capitão e governador d'esla terra. ao longo das ilhas de que já dissemos.1/J2 GABRIEL SOARES DE SOUZA. CAPITULO XXVII. rom seus canaveaes ao redor do engenho. . obra mui forte. de que MieEI-Rer D. no tocante á terra d'El-Rei. Álvaro da Costa. que é de Nossa Senhora da Graça. e a igreja. No cabo d'estos duas leguas se aparta este rio em três braços. Em que se declara a terra do rio de Paraguaçú. e d'aqui por diante convém' tratar do mesmo rio. por sua conta. está oulro engenho de água mui bem acabado. Até agora tratámos n'este capitulo atraz da grandeza do rio de Paraguaçú. e de pedra e cal assim o engenho como os mais edifícios. obra de uma legua. e por elle acima outrasdez leguas. do que faz muilo assucar. e sallindo pela boea fora á"este rio á hahia que o salgado n'elle faz. muitos mamelucos com suas fazendas. cuja terra da parte esquerda é fraca. e ao longo do mar da bahia até o rio de Jagoaripe. se . que é da eapt-' tania de D. e da banda direita é a terra boa. tocante á capitania de D. á vista d'ella. Álvaro. de que diremos n'este capitule. dó campinas. e virando sobre a mão direita . que tem da boca da barra d'esle rio por elle acima dez leguas de terra . sem haver ainda nenhum engenho.

e tornando a correr a cosia contra Jaguaripe . onde em uma maré vasia quatro negros carregam um barco deltas. assim de rede como de linha. onde se elle mette na bahia grande. onde ee pode fazer um engenho. N*esto rio de Paraguaçú e em Iodos os seus recôncavos. vai fazendo a terra umas enseadas de aréa obra de duas leguas. e em toda aterrad'este rio ha muita caça. pouco mais ou menos. o polo outro esteiro que está a mão esquerda está um prospero engenho de pedra e c a l . e passada da outra banda tom sete ou oito ilheos de aréa cheios de mangues. ató em direito da ilha da Pedra.ROTEIRO DO BRAZIL. ha muito marisco detodaa sorte. de curraes de vaccas e . e do uma banda e da outra é tudo povoado de roças e canaveaes. João. por onde entra o salgado. a qual corta a maré a passos. e una formosa igreja. quo so diz Igaruçu. que eslam povoadas de curraes de vaccas e de pescadores. no cabo das quaes se metia nelle uma formosa ribeira do água. CAPITULO XXVIII. cujos herdeiros o possuem agora. Esto engenho é copioso como os mais do rio. o qual edificou Antônio Adorno. Do cabo de rio Paraguaçú. e no cabod'estas duas leguas faz a terra uma ponta de aréa muito sahida ao mar da bahia. especialmente ostras muito grandes. se vai armando em enseadas obra de três leguas que estam povoadas. porque por uma banda tem duas legoas de comprido. especialmente na bahia que faz abaixo. com grandes edifícios de casas do vivenda e de purgar. l/. e quando é cheia fica parte d'esta ponta em ilha. e tem grandes pescarias. Na ponta d'esta torra entre um esteiro e outro está uma hermida de S.S Pelo braga do meio vai subindo a maré duas leguas. e por outra duas de largo. J?m que se declara o como corre a terra do Rio de Paraguaçú ao longo do mar da Bahia. até a boca de Jaguaripe e por este rio acima.

em o qual se vem melter três ribeiras por esta mesma banda. que se n'ellas podem mui bem fazer. Por detraz d'esta ilha vai correndo a costa da terra firme mui chegada a ellas. para baixo está um engenho de água de Fernão Cabral de Ataide. e será necessário fazer o engenho um pedaço pela terra dentro . que não plantam mais que mantimentos. é a terra mui fraca. que valem a oitocentos réis cada arroba. a qual o salgado com a força da maré faz recuar até á cachoeira. capazes de três engenhos. onde se mette no salgado uma ribeira. virando sobre a mão direita. a qual terraficano cabo em lingua . de que se mantém. que se diz a de Fernão Vaz. ainda que junto do porto vem a água baixa. tudo terra despovoada por ser fraca de campinas. mas mais aprazível na frescura: navega-se alé a cachoeira que está cinco leguasda barra. e duas leguas abaixo da cachoeira é a água doce. a qual costa por detraz d'estas ilhas terá três leguas de espaço até chegar ao rio de Jaguaripe. E virando da boca de Jaguaripe para cima. mas aterra d'esta banda é raza e de arôa. fazendas de gente pobre. que estão livres de todo o foro. que não serve senão para vaccas e roças de mantimentos. Junto da cachoeira. Este rio de Jaguaripe é tamanho como o Douro. que o aformoseam muito. os quaes não são já feilos por o capitão desta terra não querer dar as águas menos de a dous por cento de foro. e de uma igreja de S. que não serve para mais que para lenha dos mesmos engenhos. que se vem melter a este rio. d'ahi a duas leguas. o qual engenho está feito nas terras de El-Rei. e mais avante está outra ilha que tem mais de legua de comprido. duas leguas abaixo do Fernão Cabral. que costumam poros capitães. e do cabo d'estas duas leguas até á cachoeira é a terra soffrivel e tem cinco ribeiras'. por amor da aferida. obra mui formosa e ornada de nobres edifícios de casas de vivenda e de outras officinas. que se chama Pujuca. que servirá para um engenho. em que se podem fazer cinco engenhos-. que no cabo do anno vem a montar oitenta a cem arrobas de assucar. Bento mui bem acabada .ll|4 GABBIEL SOARES DE SOUZA. Esta ilha da Pedra é de pouco mais de meia legua de comprido e tem muito menos de largura . D'este engenho para baixo vivem alguns moradores que tem suas roças e canaveaes ao longo do rio.

é atravessam estes rio. Lonfcnço . que é uma das melhores peças da Bahia.>. por que eslá mui bem acabado . onde se ajuntam com elle duas ribeiras do água em as quaes estão dous engenhos. com grande o formosa igreja te è . * . a qual ó tio Gabriel Soares do Soííza. e (Í'es!o engenho ao de Diogo Corrêa náo ha mais disútnWqitè quatrocentas braças de caminho do carro. onde vivem muitos visinhos em uma povoação que sè diz áfirfcíosíi/Esla terra ó muilo forlil o abaslad. povoado de canaveaes e fazendas em que entra uma casa de meles de muita fabrica de Gaspar de Freitas. Em que se explica o tamanho e formosura do rio Irajúfii e seus recôncavos. ó ludopovoado'ác'canaveaes e fazenda de moradores. daqpi para cima umá legua da cachoeira d"este rio. é a terra fraca que não sorve senão para lenha dos engenhos-. eficamos engenhos á vista um'do outro. os quaes deixemos estar para dizermos primeiro do rio de Irajubí. Ê tornando abaixo ao esteiro da mão direita. até onde a água salgada se mette por dous esteiros acima. a qual ponta tom uma ilhota no rabo. alem da qual junto á cachoeira está situado o engenho de Diogo Corrêa de Sando. com a mao direita ao longo da forra. está um soberbo engonhocom grandes casas de purgar é de vivenda . Correndo por esla ponto de entre ambos os rios acima. e uma fresca igreja de Vera Cruz. e multas ou iras officinas. que vai por este meio um quarto de legua para cima.. onde se vem ajuntar o rio de Irnjuhi com o do Jaguaripe. e para visinhàremse/fervem os carros do um engenho ao oulro por cima do duas punir*'.x. que se chama Cnipe. com grandes aposentos e outras officinas.ROTRÍRO «O BRAZIL. indo por elle aciniá. CAPITULO xx.i defuntos os maniiinoiítos e de rauilos rnnavcaís <fo Rssurar. 14o estreita defronte da ilha de Fernão Vaz. da ponta duas leguas polo rio acimp .

Da ponta da barra de Jaguaripe ao rio de Juquirijape são quatro leguas. IVesla terra á ilha de Fernão Vaz é perto de uma legua. onde este rio é como o Tejo de Villa Franca para cima. em os quaes se meltem ribeiras com que se podem moer engenhos . E abaixo d'estcs esteiros está uma ilheta que chamam do Sal . onde se mette a ribeira que so diz de Jacorú. e descendo por este rio abaixo. CAPITULO X X X . onde se mette a barra que se chama de Jaguaripe . Em que se declara a terra que ha da boca dá barra de Jaguaripe até Juquirijape. da mão direita. com a qual móe outro engenho que agora novamente fez o mesmo Diogo Corrêa. E i]'aqui ató em direito da ponta que divide o esteiro de Jaguaripe é a torra fraca. andando mais de uma legua. E tornando ao oulro esteiro que fica da outra banda do rio do Irajuhí. Este rio de Juquirijape . pelo qual atravessam das campinas quatro ribeiras de pouco cabedal. defronte do qual está outra ilheta no cabo da ponta de ambos os rios. á feição de enseadas quasi pelo rumo de norte e sul. ao longo da terra. vai a terra povoada da mesma maneira . cuja terra é baixa e fraca com pouco mato. e entre esta ilha e a de Taparica e a torra firme. quando vivia mais perto do mar.OxQ GABRIEL SOARES DE S0VZ1. costumava-o vir fazer ali. todo este esteiro está povoado de fazendas de moradores com formosos canaveaes. fica quasi em quadra uma bahia de uma legua. onde ha três esteiros que entram por ella dentro duas leguas. mas a terra não é capaz para dar muitos annos canas. o qual eslá mui bem acabado e aperfeiçoado com as officinas necessárias. ao longo do mar. tudo terra de pouca substancia. a qual terra não serve para mais que para criações de vaccas. I)'esta ilha até á ponta da barra haverá uma legua. porque o {jentio. de que se fez já menção. e d'ahi até o rio de Una.

Ilo esteiro mais do rabo. o frutas silvestres. onde o tempo leste e lessueste é travessia. por ondo não podem en'rar mais quo caravellões da costa por ler uma lagea na boca quo a toma toda. náo tem outro remédio so não varar em terra . e do uma parto á outra podo haver quatro leguas. e tom indo por elle acima mais avante dous esteiros. Este curral do Sebastião da Ponte está em uma ponta sabida ao mar com o rosto no morro do Tinharé . mas tem muito mais fundo. Toda esla praia e costa no inverno é mui desabrigada até á barra do Jaguaripe. onde não ha perigo das pessoas por ser tudo aréa. e junto d'esla cachoeira se vom melter uma ribeira com grande aforida . 1 \7 tem a barra pequena e baixa. Da barra de Juquirijape ao curral de Sebastião da Ponte serão cinco leguas ao longo do mar. Por este rio entra a maré mais de duas leguas. Este rio ó muito provido de pescado. E*to rio é lào formoso como o do Guadiana . torra boa para vaccas . o terra muilo gro<sa para canaveaes . que será Ires leguas todas de praia. que tem duas moend is do água em uma casa quo móe ambas com uma ribeira. para a banda da cachoeira uma legua toda do vargea.R0TEIB0 DO BBAZIL. cm os quaes so podem fazer dous engenhos. ondo Gabriel Torres tem começado um engenho . e assentado uma aldeia de escravos com um feitor quo os manda. e se toma aqui os caravellões da costa que se mettem por esta barra. por ondo podem navegar navios de cem tonois e do mais. o . onde se mettem três ribeiras que nascem nas campinas desta terra. que não servem para mais que para criação do vaccas. cm o qual tem feilo grandes bemfeilorias. o pela mór parte do campinas com muitos alagadicus. e gente com que se grangea. da qual vai fugindo a terra para dentro fazendo uma enseada ato o rio Una . c elles não acertam com a boca de Juquirijape para se recolherem dentro . de uma banda e da oulra alé duas leguas. Na barra d'eslo rio tem uma roça com mantimentos. da outra banda é a terra mais sonienos. no cabo das quaes eslá situado o engenho do Sebastião da Ponte. marisco o muita caça . da barra para dentro até a cachoeira é muilo fundo . tudo despovoado em feição de enseada . e tem indo por elle acima. a terra fraca.

e da ilha Da boca do Rio Una a uma legua se mette no mar oulro rio. a qua! ó fraca para canaveaes. qual engenho ó mui grande e forte . que está mui visinho da ilha de Tinharé. DE SOUZA. de purgar e outras officinas. o qual vivia n'olla e tem abi sua fazenda com g-aiules criações e uma hermida onde lhe dizem missa. ha grandes pescarias e muito marisco. onde tem muitos homens de soldo para se defenderem da praga dos Aimorés. No tíiàr que lia entre esla ilha e a terra firme . com as officinas acostumadas "e uma igreja de Nossa Senhora do Rosário muito bem concertada. de que atraz se faz menção . E tornando á boca d'esle rio. que lhe fizeram já muito damno. com uma formosa igreja do S. porasua terra ser alta. pela banda de Tinharé não tem porto aonde se possa desembarcar por ser cercada de baixos de pedra . quê é senhor d'esta ilha. onde os . onde se acaba o que se entende a Bahia de Todos os Santos. CAPITULO X X X I . onde Fernão Rodrigues de Souza fez uma populosa fazenda com um engenho mui bem acabado e aperfeiçoado. Tornando á ilha de Taparica. aonde o mar quebra ordinariamente.1/|8 GABRIEL SOARES. pelo qual entra a maré duas ou três leguas. que se dizTairirí. está mui bem fabricado de casas de vivenda. Da Boca dVto rio deTairirí a esta ilha pôde ser um tiro de falcão. que n'el!a estão assentados da mão de Domingos Saraiva. Gcns com Ires capellas de abobada : e por este rio Una vivam alguns moradores que n'elle tem feito grandes fazendas de canaveaes e nianlimontps. onde vivem alguns moradores. Esta ilha faz abrigada a esta terra atéá ponta do curral. de Taparica com outras ilhas. a-qual peba banJa da doutro da bahia tem muitos portos. d'onde vai correndofato o morro. onde por muitas vezes no inverno lança o mar fora n'esla ilha o nas praias de defronte até o Juquirijape âmbar gris1 muilo bôm. Em que se explica a terra do Rio Una até Tinharé. fazendo uma enseada de obra de três leguas até a ponta'do ninri'0.

o diante d'ella estão Ires ilbeos razos. quo vem das outras partes da bahia para a cidade. Tem esla ilha pola banda de dentro grandes pontas o enseadas. e pode haver de uns aos outros uma legua. cuja terra não sene para mais que para manlimontos. «pio so diz do Lopo Rebcllo. d'onde se tira muita madeira. que lavrara eaunas e manliiiientos. que será de seiscentas braças em quadro. e meia de largo. D'esla ponta uma legua ao norte eslá uma ilha que se diz a do Medo. ondo vive um morador. . que chamam dos Porcos. No cabo da ilha Tamarãliba entro cila e a de Taparica estão três ilbeos de aréa pequenos. a qual é do condo do Castanheiro. cuja terra é fraca e do arèa. o qual é de Gaspar Pacheco. Avante d'csla ilheia. E d'aqui para dentro é povoada Taparica do alguns moradores. Na ponta d'csta ilha do Taparica defronto da barra do Jagoaripe está uma ilheta junto a ella . ondo o mais do tempo estão difforenles pescadores do rede. muito raza. que lavram mai ti nentos e algumas canas. quo se chama ponta da Cruz alé onde está povoada a ilha de moradores. por cujo porto se servem os moradores que vivem pelo sertão da ilha. aonde com tormenta so recolhem as embarcações.BOTKIBO DO BRAZIL. está um engenho de assucar que lavra com bois. ondo vivem seis ou sete moradores. Mais avante junto datorrade Taparica eslá outra ilheta. E«ta ilha Tamanhos tora uma legua de comprido. por haver ali muitos lanços. e junto d "elles está uma ilheia.0 barcos podem desembarcar com todo o tempo. 1 '. cuja terra ó raza o despovoada por ser do arca c náo lor água. em uma enseada grande que Taparica faz. cheia do arvoredo. do mar contra a ponta de Taparica eslá outro ilheo razo com arvoredo que náo servo senão a pescadores de redes. onde tem uma igreja de Santa Cruz : e d'este engenho a duas leguas está a ponta de Taparica . quo vivem junto 33 mar. fazendo uma ponta ao mar contra a outra que vem da banda do Paraguaçú . entro a qual ca ilha do Tamarãliba haverá espaço de ura tiro do falcão. que é mais sabida ao mar. que so diz de João Fidalgo. o d'aqui alé Tainaràliba serão duas leguas da costa d'esla ilha. Gonçalo. e criam vaccas. Junto da Tamarãliba da bunda da terra firme eslá uma ilheta S. que está cheia do arvoredo.

e tem a Bahia da ponta do Padrão. CAPITULO XXXII. das quaes são dezaseis freguezias curadas. que são trinta e nove. e quatro que se andam fazendo. Da ponta de Taparica se torna a recolher a terra fazendo rosto para a cidade. de muita fabrica e mui proveitosas. e três mosteiros de religiosos. ainda que particularmente se dissesse de cada um seu pouco. Em que se contém quantas igrejas. Sabem da Bahia cada anno d'estes engenhos passante de cento e vinte mil arrobas de assucar. convém a saber: vinte e um que moem com água e quinze que moem com bois. Tem a Bahia. convém a saber: nove vigarariasque paga S. que são dezaseis entre grandes e pequenas. c om seus recôncavos sessenta e duas igrejas. E por aqui temos concluído com a redondeza da Bahia e suas ilhas. Mas comecemos nos engenhos.150 GABRIEL SOARES DE SOUZA. em que entra a Sé. onde os visinhos d'esta banda tem missa aos domingos e dias santos. Alteza. os quaes são moentes e correntes trinta e seis. cincoenta e três leguas. nomeando-os emsumma. Pois que acabamos de explicar a grandeza da Bahia e seus recôncavos . E na fazenda de Fernão de Souza está uma igreja mui bem concertada daadvocação de Nossa Senhora. que junto todas fazem a somma de cincoenta e cinco . pois o fizemos atraz.foraas ilhas que ha dentro nos rios. a saber vinte e duas ilhas e dezasete ilheos. até chegar a ponta do Tinharé. e a mór parte das outras igrejas tem . andando-a por dentro sem entrar nos rios. e outras sete Pagara aos curas os freguezes . e muitas conservas. havendo que dizer d'elles e de sua machina muito. Tem mais oito casas de cozer meles. não tratando da gente. a qual está toda povoada de moradores que lavram muitos mantimentos e canaveaes. convém que lhe juntemos o seu poder. engenhos e embarcações tem a Bahia.

limpas e providas de ornamentos. e ainda com ellas não são bem servidos. ajuntar-sc-háo trezentos barcos de trinta e quatro palmos de quilha para baixo. Em que se começa a declarar a fertilidade da Bahia e como se nella dá o gado da Hespanha. é bem que digamos a fertilidade d'ella um pedaço. ras quaes pode jogar pelo menos um berço por proa. e se. E são tantas as embarcações na Bahia . as quaes se dão de feição que . e todas estas embarcações mui bem remadas. pelo que os homens se mantém honradamente com pouco cabedal. e como produz em si as criações das aves e adularias de Hespanha e os frutos d'ella. 161 capellães e suas confrarias como em Lisboa. Todas as vezes quo cumprir ao serviço de S. Tratando em summa da fertilidade da terra. se se querem acommodar com a terra o remediar com os mantimentos delia. Magestade. porque se servem todas as fazendas por mar. o náo ha pessoa que nãotenhaseu barco ou canoa pelo menos. As primeiras vaccas que foram á Bahia.ROTEIRO DO BRAZIL. digo que acontece muitos vezes valer mais a novidade de uma fazenda que a propriedade. e todas estas igrejas estão mui concertadas. se ajuntaraô na Bahia mil e quatrocentas embarcações: de quarenta e cinco para setenta palmos]do quilha. do que é muito abastada e provida. e do quarenta o quatro palmos d 5 quilha até trinta e cinco so ajunlaráõ oilocentas embarcações. cumprir ajunlarem-se as mais pequenas embarcações. em as quaes nos dias dos oragos se lhe faz muita festa. e não ha engenho que não tenha de quatro embarcações para cima. que n'esta terra se plantam. cem embarcações mui fortes . Pois se tom dado conla tão particular da grandura da Bahia de Todos os Santos e do seu poder. e mais de duzentos conòas. em cada uma das quaes podem jogar dous falcões por proa e dous berços por banda. CAPITfLO XXXIII. levaram-nas de Cabo Verde e depois de Pernambuco.

e as egoas esperam-nos bem. as pellas das mais velhas são pretas e lisas que parecem vidradas no resplandor e brandura . mas são de casta pequena . mas os asnos tomam as egoas por invenção e artificio. são muitoformosas. o fazem-se mui desassocegados. assim elles como as e^oas andam desforrados. de que se faz muila manteiga eas mais consas de leite que se fazem em Hespanha. e depois de velhas criam algumas no buxo umas maçãs tamanhas como uma pélla e maiores. que lhe não podem chegar. os quaes até a idade de cinco annos são bem acondicionados. . quando as tomam. as quaes parem cada anno. multiplicaram de uma tal maneira que valem agora a dez e a doze mil réis. e ha homens que tem em suas grangearias quarenta ecincoenta. e porque as novilhas esperam o louro de tão tenra idade. umas e outras são muito leves e duras. como as melhores de Hespanha. se não consentem nos curraes os louros velhos . São tão formosas as egoas da Bahia. das quaas se inçou a terra de modo que custando em principio a sessenta mil réise a mais. por ellas serem grandes e elles pequenos. e dizem que tem virtude.bem feitas e de muito trabalho. dasquaes nascem formosos cavallos o grandes corredores. e aos dous annos vem paridas. Os jumentos se dão da mesma maneira que as egoas. pelo que levavam lá muitas todos os annos e cavallos. mas não faltam por isso em nada por serem mui duros de cascos. as vaccas são muito gordas e dão muito leite. como as vaccas. os cavallos não querem tomar as burras por nenhum caso. pelo que acontece muitas vezes mamar o bezerro na novilha e a novilha na vacca juntamente. mal arrendados e ciosos. onde valem a duzentos e a trezentos cruzados è mais. e pela maior parte como passam d'aqui criam malícia. ovelhas e porcas. mas estas que ha. e algumas vezes parem duas crianças juntas. porque são pezados e derream as novilhas. Da Bahia levam os cavallos a Pernambuco por mercadoria. ainda que são pequenas.152 CABRIEL SOARES DE SOUZA parem cada anno e não deixam nunca de parir por velhas.e quando são ainda novas tem o carão deforacomo o couro da banda do carnaz. e esperam o cavallo poldras de um anno. cabras. as novilhas como são de anno esperam o touro. pelo que ha poucas mulas. As egoas foram á Bahia de Cabo Verde. o que se lambem vê nas éguas.

a carne dos bodes ê gorda e muito dura. polo que multiplicam rousa de espanto. pelo que so não podem criar em pombaes. o umas c outras dão muito o bom leite. cuja carne é muito gorda e saborosa. se lhes não falia o macho. A porca pare infinidade de leilões. c os frangãos da mesma idade tomam as fêmeas. em quanto são novos e depois de velhos não lem preço . os quaes se criam sem mais cereraonias que as gallinhas. por cm nenhum tempo ser prejudicai. umas o outras parem . esperam o gallo. saborosos e gordos como se não viu em outra parte. 20 . e grandes poedeiras c muito saborosas. E tombem se dáo muito bem os patos e ganços de Hespanha. mui sadia e saborosa. As pombas de Hespanha se dáo na Bahia. porque ordinariamente andam prenhes. que como são de tres mezes. Vicente e na do Rio de Janeiro. os quaes são feitos gallos c tão tenros. mas não fazem os loucinhos tão gordos como em Portugal. cuja carne é sempre muito gorda. duas crianças e muitas vezes três. os quaes são muilo tenros e saborosos. salvo os que se criam nas capitanias de S. o parem cada anno pelo menos duas vozes. 153 As ovelhas e as cabras foram «Io Portugal e de Cabo Verde . a qual se dá aos doentes como gallinlia. tirada a primeira paridura. c come-se todo o anno. mas é do espantar.ROTRIRO DO BRAZIL. A carne dos porcos é muito sadia o saborosa. e criam sobre o racho um» carne como iibre de vacca de ires dedos de grosso. e lambem fazem tão formosos como em Hespanha . Os cordeiros e cabritos são sempre muitos gordos e saborosos. Os gaüipavos se criam. o quanto mais •olha é melhor. cuja carne é muito gorda e soborosa. de feição que parem Ires vezes no anno. As gallinhas da Bahia são maiores e mais gordas que as do Portugal. e davanlagem. mas fazem-lhe muilo nojo as cobras que lhe comem os ovos c os filhos. a dos carneiros é magra . de que so fazem queijos e manteiga. as quaes emprenham como são de quatro mezes. as quaes se dão muito bem . e como a leiloa é de quatro mezes espera o macho .

cuja planta levaram á capitania dos Ilbeos das ilhas da Madeira e de Cabo Verde. Canárias. E na Bahia ha muitos canaveaes que ha trinta annos que dão canas: e ordinariamente as terras baixas nunca cançam e as altas dão quatro e cinco novidades e mais. logo acamam e é forçoso corta-las para plantar em outra parte. sem se eslercar a terra. e como as canas são de seis mezes. tantas dá fruto. e porque . porque na ilha da Madeira. Na ilha da Madeira e nas mais partes aonde so faz assucar cortam as canas de pranta de dous annos por diante o a soca de três annos. e na Bahia plantam-se pelos altos e pelos baixos. nem se regar. e ainda assim são canas mui curtas . se as não misturam com canas velhas. porque aqui se dáo tão compridas como lanças. S. e as de soca como são de anno logo se cortam. Em que se declara as arvores de Hespanha que se dão na Bahia.15/» GABRIEL SOARES DE SOUZA. CAPITCLO X X X I V . e quantas vezes a podam. Parece razão que se ponha em capitulo particular os frutos de Hespanha e de outras partes. so não quando a podam que lh'a lançam fora. E comecemos nas canas de assucar. Valencia e na índia não se dão as canas se se não regam os canaveaes como as hortas e se lhes não estercam as terras. Trucíente. Das arvores a principal é a parreira. onde a terra não dá mais que duas novidades. a qual se dá de maneira n'esta terra que nunca lhe cahe a folha. as quaes recebeu esta terra de maneira em si que as dá maiores e melhores que nas ilhas e parles d'ondd vieram a ella e que em nenhuma outra parte que se saiba que crie canas de assucar. porque acamam as canas e estam tão viçosas que não coalha o summo d'ellas. que se dáo na Bahia de todos os Santos. e como se criam nella. Cabo Verde. e como são de quinze mezes logofiamnovidade ás canas de prantas. e na terra baixa não se faz assucar da primeira novidade que preste para nada. Thomé.

porque como são do cinco. ondo ha homens que colhem ja a Ires o quatro pipas do vinho cada anno. jwrque não tom formiga quo lhe faça nojo. o quo so faz em qualquer tempo do anno conformo ao tempo que cida un qujr as uvas. e níto amadurecem todas juntas. é a poda ordinária duas vozes pira darem duas novidades. polo que não ha na Bahia tanto vinho como na ilha da Madeira. com as quaes arvores tem as formigas grande guerra. era unia só parreira . elbes faz cahir afolliao ensoar o fruto. as quaes são maiores arvores e durara perfeitos mais annos quo as oulras. s«is annos. logo so eurliem do uns carra|iatos que as comem. e as arvores não são muito grandes. o assim cm lodo o anno tem uvas maduras. c iwo H . o que deve de nascer das plantas. os quaes pegam c logo dão fruto aos dous annos. os quaes ligos prelos não criam bichos como os do Portugal. as quaes nunca cahe folha. nem duram muilo tempo. e como se da na capitania do S. uriosos que lera nos seus jardins pé de parreira quo tom uns braços com uvas maduras. Vicente. que dáo mui grandes o saborosos figos pretos . As figueiras se dão do maneira que no primeiro anno que as plantem vem com novidade. dão figas om lodo o anuo.ROTEIRO DO BRAZIL. Também ha outras figueiras pretas que dão figos bobaras mui saborosos . so as podam muitas vezes no anno. e dahi por diante. mas não ha n'aquella terra mais planta que de uxaslerraes e outras uvas pretos. e não lhes cabo nunca a folha do lodo . ao qual dão uma forvura no fogo por se Ibo não azedar.irquo em lodo o anuo inadurocem e são muito doces e saborosas. p. outros rora agraços . mas nau dão a nov idade tão depressa como ella. o fruto d'ellas é maravilhoso no gosto e de bom tamanho. As romeiras se plantam do quaesquer raminhos. outros com fruto em flor o outros podados do novo. o so não ha n'csla terra muitas vinhas é por respeito das formigas que cm uma noite que dáo em uma parreira. e as que dão logo novidade efigosora lodo o anuo são figueiras pretos . mas náo dão muitas romãs por pecarem muito. lhe cortam a folha o fruto e o lançam no chão. o ha . !?>•> duram poucos annos com a fertilidade. e cabirom no chão estando em flor. as arvores não são nunca grande». mas dão romãs emtodoo anno.

deque sefozagoa muito fina édémais suave cheiro que a de Portugal. o qual é o mais formoso e grande que ha no mundo. como as laranjeiras doces são velhas. que á figueira não faz a formiga nojo. dão as laranjas com uma ponta de azedo muito galante. a quem as formigas não fazem nojo. mas com pouco trabalho se defendem d'ellas. As limas doces são muito grandes. e faz-se d'ellas muita conserva. porque dão fruto ao segundo anno. como cidras de Portugal. porque tem o pé da folha muito duro.156 GABRIEL SOARES DÈ SOtZA. As cidreiras se plantam de estaca. e todos aos dous annos vem com . ás quaes arvores as formigas em algumas partes fazem nojo. que em três annos se fazem arvores mais altas que um homem . e tomam muita flor. as quaes fazem muita vantagem ás de Portugal. As laranjeiras so fazem muito grandes é formosas. como no sabor. e é o seu doce mui doce. e faz-lhe a terra tal companhia. se lhe pôde chegar. em que so começa n'aquellas partes a primavera. porque tem cidras maduras. As limeiras se dao da mesma maneira. assim no grandor . e as laranjas doces tem mui Suave Sabor. e n'este terceiro anno dão fruto. As arvores das limas são tamanhas como as laranjeiras. Algumas tem o âmago doce. uns c outros se plantam de pevide. Dão-se na Bahia limões francezes tamanho. e são mui saborosos. verdes . e em todo o anno as cidreiras estão de vez para dar fruto . mas de pevide se dão melhor. e a camiza branca com que se vestem os gomos é também muito doce. e se se atravessa uma palha por cima. Tomam estas arvores a flor em Agosto. as quaes fazem muita vantagem ás de Portugal. e as cidras são grandíssimas c saborosas. outras pequenas c muila flor. aquém a formiga faz o mesmo damno. pelo que sé sustentam com trabalho estas arvores e as parreiras. e plantam-se de pevide também. assim no grandor. e. onde ha poucas que dem fruto azedo. outras azedo. e outros limões do perdiz o os galegos1. defendem dellas senão com testos de água ao pé que fica no meio . por se não usard'elle na terra. formosas e muilo saborosas. como no sabor. por ella lhe dão fogo tal assalto que lhe lançam a folha toda no chão . As larangeiras se plantam de pevidé.

porque. repartindo pui muitas pusso. de que não ha muitos na torra. Thomé levaram á Bahia gengihre. Também so dão na Bahia outras arvores do espinho quo elutnam azambôas.ROTEIRO DO RRACIL. o . c a côr dosramosé do um verde claro. mas não foz ninguém conta d'ellas. Em que se conta de outros frutos estrangeiros que se dão na Bahia. mettido um coco debaixo da torra. Os cocos são maiores e melhores que os da6 outras partos. deram fruto e dos caroços deste fruto ha outras arvores que dão j á . a palmeira que d elle nasce dá coco em cinco o seis annos.is. e pode-se contar por estranheza esla brevidade. se dáo na Bahia melhor quo na índia . porque se tem que quem semeia estas tomaras. d'abi a oito annos. e aproveitar-<=o do muilo proveito que na índia se faz dos palmares. os quaes muito depressa so fazem arvores mui formosas e tomem muito fruto. e houvera infinidade d'elles se oio se secaram. 1 f>7 novidade. pelo que não se faz n'csla terra conto d'estos arvores. como eslá dito das cidreiras) e alguns d'estos limoeiros se fazem muito grandes. Foram os primeiros cocos á Bahia de Cabo Verde. espuclalmento os galegos. elle nem seus filhos lhe comem o fruto senão seus netos. e começou-se de plantar obra do meia arroba d'oMc. que dão tomaras mui perfeitas. mas não lia quem lhes saiba matar esto bicho. o qual dáo em lodo o anno. as fêmeas tem uma copa cm rima. CAP1TILO x x x v . c na índia não dáo estos palmas fruto em vinte annos. por so nao aproveitarem n'ella d'esto fruto. Da ilha de S. Estos tamarciras não dáo fruto senão houver macho entre ellas. Tanureiras se dão na Bahia muito formosas. as primeiras nasceram dos caroços que foram do Reino e depois de semeadas o nascidas. como sio de oito o doz annos para cima. donde se encheu a torra. As palmeiras que dão os cocos. e a arvoro que é macho não dá fruto c c mui ramalhuda do meio para cima. c as folhas são do côr verde escuro. dizem que lhes nasce um bicho no olho que os foz seccar.

mas não o sabiam curar bem. porque se colheu d'elle penca que pezava dez e doze arreteis. são mais saborosos. campos. Arroz seda na Bahia melhor que em outra nenhuma parte sabida. senão a que lhe cahiu ao colher da novidade. de quem diremos em seu logar. morrem disso. que são os quo usam mais d'elle. E peguemos logo dos melões que se dáo em algumas parles muito bem. onde se deram de maneira quo pasmam os negros de Guiné. o qual é tão grado e formoso como o de Valencia: e a terra em que se semea se a tornam alimpar dá outra novidade. e. e o como se procede com ellas. se comem muito d'ella. porque os seus. Da ilha de Cabo Verde e da de S. e de como frulificaram. e colhem inhames que não pôde um negro fazer mais que tomar um ás costas: o gentio da terra não usa d'elles. a qual é com muita vantagem do que vem da índia. como o da índia. do qual se fazia muita e boa conserva . em grandeza e fineza . Não ó razão que deixemos de tratar das sementes de Hespanha que se dão na Bahia. e por não terem nenhuma sabida para fora apodreceram na terra muitas logeas cheias d'elle. por que ficava denegrido . como for terra baixa é sem duvida que o anno dê novidade. do que se não usa já na terra por El-Rei defender que o nao tirem para fora. cuja palha se a comem os cavallos lhe faz muito mormo. porque o semeam em brejos e em terra enxuta. Thomé foram á Bahia inhames que se plantaram na terra logo.ais de quatro mil arrobas. Como se isto soube o deixaram os homens pelo. Em que se diz as sementes de Hespanha que se dão na Bahia. Levaram a semente do arroz ao Brazil de Cabo Verde . CAVITULO XXXVI. sem lhe lançarem semente nova. e são mui arrazoudos. sem o quererem recolher . mas . a que chamam carazes.158 GABRIEL SOARES DB SOUZA. de cada alqueire de semeadura se recolhe de quarenta para sessenta alqueires. qual se deu na terra de maneira que d'ahi a quatro annos se colheram „.

1Í>9 não chegam todos a maduros. se tornam a semear. onde lhes arrebentam muitos filhos. Pepinos se dão melhor quo nas hortas de Lisboa. Abóboras das de conservas so dão mais e maiores quo nas hortas de Alvalado. da qual ordinariamente nascem raostardeiras. Melancias se dão maiores e melhores que ondo so podem dar bem em Hespanha. e dão novidade que é infinita. a quo se chamam de Guiné. cujas pevides tornam a nascer se as semeara. Mostarda so semea ao redor das casas das fazendas uma só voz. as quaes espigam c dão semente muilo boa. que como são do tamanho da couvinlia. da6 quaes se fazem latadas quo durara todo o verão verdes. dando sempre novidade. dando sempre novidade mui pcrfeiLas. som serem regados.ROTEIRO DO BRAf. e dão alguns tão grossos como a poma de um homem. As couves tronchudas e murcianas se dão tão boas como cm Alvalade. e crião-se delles melhores couves que da couvinlia. cujas pevides H das outras abóboras. Coenlros se dão tamanhos que cobrem um homem. com o que se escusa semente de couve. mas uns nem outros não dão semente senão fallida c pouca e que não torna a sen ir. e colhe-se cada anno muita e boa mostarda. som se seccarero. o nada se rega. e onde os semeara uma . as quaes pegam todos sem seccar uma. Endros se dão tão altos que parecem funcho. muitas e mui gostosas. Alfaces se dão a maravilha de grandes e doces. como as colhem corlam-nas pelo pé. porque lhes corta ura bicho o pé. e faz-se d'ellas conserva mui substancial. o duram quatro e rineo mezes os pepineiros. melancias e pepinos. Abobaras de quaresma. se dão na Bahia façanhosas de grandes. os quaes espigam e dão muita semente.lL. das quaes so faz muita conserva e as abohreiras duram todo um anno. nem estercados. as tiram e plantam como couvinham. mas não dão sementes. Nabos e rahSos se dão melhores quo entre Douro e Minho. os rabãos queimam muito.

as quaes espigam . Funcho se dá com vara tamanha. ainda que seceara. ainda que lh'a não cavem. A salsa se dá muito formosa. e d'elles se dão muito boas cebolas. mas na eapitania de S. a qual semente vai ás vozes misturada coro a da hortaliça. Agriões nascem pelas ruas onde acertou de cahir alguma semente. outros tomam a nascer. . e portam o grelo da cebola. mas quantas são tantas pegam no chão. Poejos se dão muito e bem aonde quer que os plantam > Jayram a lerra toda como a horlelã. A semente de cebolinho nasce mui bem. Alhos não dão cabeça na Bahia. e pelos quintaes quando chove. se lixe alimpam a terra.160 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e dá muita semente como os endros. e fazem-se muito formosos. e nasce de cada uma um cebolinho. e também os ha naturaes da terra pelas ribeiras sombrias. o cortar-se era talhadas para se pizarem. o qual se cria assim e cresce até ter disposição para se transpor. nunca se secca. e dão tanta semente que não ha quem os desince. para que não abale o cebolinho. nem espiga. a cujo pé chegam uma pequena de torra. por mais que os deixem estar na terra. Bringelas se dão na Bahia maiores e melhores que em nenhuma parte. deitando-lhe uma pouca de água. A hovtelã tem na Bahia por praga nas hortas. vez. a qual está em flor e com o pezo que tom . que parece uma eana de roca muito grossa. porque onde a plantam lavra toda a terra e arrebenta por entre a outra hortaliça. Vicente se faz cada dente que plantam tamanho comp uma cebola em uma só peça. mas não dá semente. mas não secca aquella maçaroca em que criam a semente. as quaesfezerngrandes arvores. e so no verão tem conta com ella. mas não espigam nem florescem. e não ha quem os desince da terra onde se semeam uma vez. a qual dá muita seinente que se espalha pela terra que se toda inça d'ella. faz vergar o grefo até dar eom esta maçaroca no ehão. eterna a nascer a sua semente muito bem. Tanchagem se semea uma só vez. cujas flores se não soccam..

CAPITULO XXXVII. c tem a grandura conforme a bondade da terra. espinafres se dão muito bem . a que em Portugal chamão farinha de páu. todos prendem. somsecem nenhum como se tivessem reinos. As chicorias e os malurços se dão muito bem e dão muita semente e boa para tornar a semear. dis|tondo raminbos som raiz epor pequenosquo sejam. selgas. BukJros nem beldroegasse não semeara.i . e fofos por dentro. são naluruos da mesma torra. Ilacasla do mandioca. a qual so faz mais alto o forte que era Portugal. de que os moradores aproveitam. nem os cardos: vai muita semente de Portugal. o quo se não usa. que é o principal raaiUimcnlo e do mais substancia. o espiga com muita semente se UYa querem apanhar. e dura todo o anno njo o deixando espigar. As aenouras. mas não espigam. cuja rama ó delgada e da côr como ramos de sibugueiro. que so nella dão. saibamos dos seus mantimentos naUiraes : o peguemos primeiro da mandioca. sem os semearem. porquo nascem infinidade de uns e de outros. Em que se declara que cousa é a mandioca. a quem a formiga náo faz damno como ao mangericão. Alfavaca se planta da mesma maneira. Mandioca é uma raiz da feição dos inhames c batatas. mas foto «*• usa d'ella na terra. a qual so dá [velos matos tão alia que cobre um homem. Até agora so disse da fertilidade da terra da Bahia tocante ás arvores de fruclo de Hespanha. nas hortas e quinlacs e em qualquer torra que esto limpa de mato. e ás outras sementes. a folha é do feição o da branduii da d. e a criação que tem. nem dio semente. porquo cora ura só pé se encho todo um jardim. E já que se sabe como n esta provincia fructificuui as alheias.ROTEIRO DO BRAZIL. I (> 1 Mangcricàoso dá muito hora do somonte.

quando a planta rebonla ó por estes nós. e duram estas raizes debaixo da lerra sem apodrecerem Ires. de palmo cada um.os pés destas folhas são compridos e vermelhos. Planta-se a mandioca em covas redondas como melões muito bem cavadas. esla mandioca manaitinga e parati se quer plantada cm terras fracas e de arèa. porque a não arranque e quebre o vento. que chamão taiaçu e manaibarú. e quer mais tempo secco que invernoso. quatros annos. A grandura da raiz e da rama da mandioca é conforme a lerra em que a plantam. e ha outras castas. Arrebenta a rama d'esta mandioca dos nós d'cstes páusinhos aos três dias até os oito. que se a deixam criar. e em cada cova se mettem três quatro pauzinhos da rama. mas tem a côr do verde mais escura. Ha casta de mandioca. até que tenha disposição para criar boa raiz. Planla-se a mandioca em lodo o anno náo sendo no inverno. Ha uma casta de mandioca. Ha outras castas. que se fazem ao pó de cada folha. e quando os olhos nascem delles são como de parreira.162 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que se começam a comer do oito mezes por diante. e outra que chamam manaibussú.v mas ordinariamente é a rama mais alta que um homem. como os das mesmas folhas das parreiras. por onde quebram muito. e fazem-se estas plantadas mui ordenadas seis palmos de uma cova a outra. se o inverno é grande. parra. que se quer com esta de anno e meio por diante. mas ha uma casta. qu^«0qucrem comestas de um anno por diante. ou os cortam com faca ao tempo que os plantam. apo- . os quaes ramos são muito tenros e muito cheios de nós. que se diz mauipocamirim. e não entram pela terra mais que dous dedos. e tão grossos como a perna de um homem: queremos» as roças da mandioca limpas de herva. os quaes paus quebram á mão. c a parles cobre um homem a cavallo. porque em fresco deitam leite pelo corte. e se passa de anno apodrecem muito. que se dizem manaitinga e parati. e a criação que lem. donde nascem e se geram as raizes. a qual plantam em lugares sujeitos aos tempos tor>mentosos. que de sua natureza dá pequenos ramos. segundo a fresquidão do tempo . dá raizes de cinco seis palmos de comprido.

para que de noite. rapam-nas muito bem . com o quo se contentam. umas flores brancas como de jasmins. e se as comem os índios. com pimenta da torra. Que trata das raizes da mandioca e do para que sen-tem. que então não lhe faz a formiga nojo.ROTRIRO D BRASIL. pitarem a lerra dos olhos dos formigeiros com pirões muito bem. porque acha sempre pelo chão as folhas. e das da mandioca velha. em que ellas dão os seus assaltos. e desviam-na do caminho.. e para so defenderem as roças d'csia praga da formiga. que não tem nenhum cheiro. O lli. o lançam-lhe de redor folhas de arvores. se detenham em tornar a furar a terra para sahirem fora. cabras. ainda que sejam assadas. que ellas comem. Lança a rama da mandioca na entrada do verão. porcos e a caça do mato. fa-la serrar. N 'este trabalho andam os lavradores até que a mandioca é de seis mezes. buscam-lhe os formigueiros donde as arrancara com enchadaseasquoimam. antes que se recolham. mais de uma vez. a qual como é contesta delia nunca dá boa raiz. que cabem de cima. As raizes da mandioca comem-nas as vaccas. A formiga faz muito damno á mandioca. e se lhe come a folha. a qual folha o gentio como cozida ora tempo de necessidade. e nasterrasnovas não ha formiga que faça nojo a nada. c para se aproveitarem os índios e mais gente destasraizesdepois do arrancadas. e todos engordam com ellas comendo-as cruas. com o que.l drece a raiz da mandioca nos lugares baixos. ovelhas. outros costumam ás tardes. per onde vão e vem a vontade. quando sahem acima se embaraçam até pela roanháa. que cobre bem a torra com a rama. o qual caminho fazem muito limpo. quo se recolhem aos formigueiros . e se as formigas vem de fora das roças a comer a ellas. lançam-lhes desta folha no caminho rentes que entrem na roça. CAPITULO x x x r m . e cortam-lhe a herva com o dente. morrem disso por serem muito peçonhentas. e por onde quer que quebram a folha lança leite. egoas.

esrèndéhdo-a no alguidar sobre o fogo. qtte^ o mantimento que se usa entre gente de primor. com leite tem muita graça. e fica esta maça toda muito enxuta. alé ficarem alvissimas. ralam-nas em uma pedra ou rafo que para isso «em. da qual sa foz á farinha que se come. que lhe faz lança? a agita que tem toda fora. depois de espremida. e quem quer que a bebe não escapa por mais contrapeçonha que lhe dem. o que faaetn ôôm cascas de ostras. a qual é de qualidade que as gallinhas em . nem tão sadios. Em que se declara quão terrível peçonha é a da água da mandioca. convém que declaremos a natural estranheza da água da mandioca que ella de si deita quando a espremem depois de ralada. que se fazem de maça de trigo. espremem esta maça em1 uni engenho dè palma . que o gentio não usava d*elles^ Fazem mais d'esta mesma maça tapioeas. e deste maneira se come. iVesies beijús são mui saborosos. até que fica enxuta'6 sem nenhuma humidade^ e fica como cuscuz. o que foi inveritatro pelas mulheres porluguezas. CAPITULO XXXIX.164 GABRIEL SOARES DE SOUZA. umas filhos. porque é a mais terrível peçonha que ha nas partes do Brazil. e depois de bem raladas. a que chamam beijúá. é muito doce e saborosa. como quem foz confeitos. masficamtão iguaes como obroas . e com assucar clàff~ ficado também. as quaes são grossas como filtós de polme e moles. mas mais branca. a que chamam tapitim. as quaes se eozem n'este alguidar até que ficam' muito seccas e torradas. e querem*§ÍN comidas quentes. sadios ede boa digestão. que cozem em um alguidar para isso feito. e fazem-se no mesmo alguidar como os beijí&V mas não são de tão boa digestão. e depois de lavadas.'em o qual deitam esta maça e a enxugam sobre ofogo. onde1 uma india a meche com um meio cabaço. Antes de passarmos avante. de maneira que fieam tão delgadas comofilhosmouriscas. Fazem mais cFésíá mtéfò.

e não se sento esto mal senão quando não tem remédio nenhum. CAPITULO XL. porque não mala com tanta presteza empo a agoa de que se criáo. que não fazem a farinha da mandioca crua. cabras. engordam com ella e não lhes faz danino. de maneira que ficam limpas como quando sabem da mó. a o mesmo acontece aos paios. espingarda ou outra qualquer corna cheia de ferrugem. ovelhas.R0TRIR0 SO BRAZIL. pais os porcos. Que trata da farinha fresca que se faz da mandioca. sem lhe aproveitar alguma contrapeçonha. aonde Rio faça nojo ás criações. segundo dizem. que se lançam primeiro a curtir. a qual se faz d'eslas raizes. e por esta razão se espreme esla mandioca por curtir em covas cobertos. lha come era vinte e quatro horas. a se estos aliraarias comem a mesma mandioca por espremer. perus. papagaios a a todas as aves. cuja cama se faz logo negra e nojenta. algumas mulheres brancas contra seus maridos. e matara a quem querem. se criam da água d ella uns bichos brancos como vermos grandes que são peconbenttssimos. com os quaes muitas indias mataram seus maridos o senhores. de que atraz temos dilo. 105 lhetocandocom o bico» «lavando uma só gota para baixo. Tem esla água tal qualidade que se matem n'ella uma espada ou coçolete. era bebendo o primeira bocado dão ires e quatro voltas em redondo e cabem mertas. cabem todas da oulra banda mortas. Nos logares onde se esta mandioca espremo. e o mesmo acontece a todo gênero da atinaria que a bebo. e basta lançar-se um d'estes bichos no comer para uma pessoa não escapar. do que se aproveitam algumas pessoas para limparem algumas poças de armas da ferrugem que na mó se não podem alimpar sem entrar pelo são. e em outras parles. O mantimeoto de mais estima e proveito que se faz da mandioca é a farinha fresca. doquetombemse aproveitavam. . senão por necessidade. e os Porluguezes. do que se aproveito o gentio.

as quaes se comem assadas e são muito boas. qual mandam misturar algumas raizes de mandioca crua. Costumam as indias lançar cada dia d'estas raizes na agna corrente ou na encharcada. que é como joeira . que toda se gastou na água. e quem é bem servido em sua casa. cuja água é cruelissima peçonha. i. eficacomo cuscuz .virtude para curar postemas. a qual se chama carimá que se faz . e feito da massa um emplasto. Que trata do muito para que prestam as raizes da carimã.' Os Porluguezes não a querem curtida mais que alé dar a casca-. onde está a curtir até que lança a casca de si. e depois desfeitas á mão. CAPITULO XLI. a qual cm quente e em fria é muito boa e assim no sabor. Estas raizes da mandioca curtida tem grande. a qual farinha fresca dura sem se damnar cinco a seis dias . as quaes se pizam muito bem sem se espremerem. masfaz^>4 se secca . se espremem no lapetí. e como eslá d'esta maneira. Muilo é para notar que de uma mesma cousa saia peçonha e contrapeçonha. cuja água não faz mal. e o pó que se coou lançam-no em um alguidar que está sobre o fogo. depois de bem espremidas desmancham esla massa sobre uma urupema. como da mandioca. i e quente. Os índios» usam d'estas raizes tão curtidas queficamdenegridas e a farinha azeda. aonde se enxuga e coze da maneira que fica dilo. e a mesma raiz secca é contrapeçonha. como em ser sadia e de boa digestão. com o quefica* a farinha mais alva e doce. posto sobre a postema a molefica de maneira que a faz arrebentar por si. se a não querem furar. está curtida. quando não tem perto a corrente . come-a sempre fresca . por onde se côa o melhor. da qual traz para casa outra tanta como lança na água para curtir. e d'esta maneira se aproveitam da mandioca.166 GABRIEL SOARES DE SOUZA. E para se fazer a farinha d'estas raizes se lavam primeiro muito bem . e ficam os caroços em cima. as quaes raizes escascadas ficam muito alvas e brandas sem nenhuma peçonha.

o fica o pó «folias tão delgado o mimoso como de farinha muito boa.il iu tuna i liainar lhe a. Em que se declara que cousa é farinha de guerra . c tomo os Indios estão doentes. c o mesmo usam os brancos no inalto lançando-lhe mel ou a socar. com o quo se acham bem . porque o gentio do Bu/. faz-lhe arreveçar quanto tem no bucho. que fique como amendoada. que chamara aipis. como pelos Portiigueze*. I(">7 « esla maneira. até quo deixa a ferida limpa. o depois peneiraui-as. as quaes raizes sorvem para mil musas. comofiradito. quo se parecem com cila .ROTEIRO DO RR1ZIL. e uma rousa e outra está muito experimentada. porque quaud<_' determinam de J . o dada a beber ao tocado da peçonha. a qual carimá se dá d'esta feição: tomam estas raizes seccas. Depois que as raízes da niamliota estão curtidas na 1 água. ficam muito duras. e lein outras tantas virtudes: a prkacifiat servo de roílrapoçouha para os mordidos das cobras. o outras muilas cousasde comer se fazem «Cesta carimá que se apontam no capitulo quo se segue. CAPITULO XLII. com o «pio a poçouha quo tem no corpo não vai por diante. assim pelos índios. o para os quo comera a mesma mandioca por curtir assada. se poe a ouxugar sobre o fogoom cima do umas varas. o rapam-lho o defumado da parle de fora c ficara alviariinase pizam-nas muilo bom. com «pie se acham mui bem |K>r ser muito levo . bons de comer.iim pela tua lingua . e mato-lbesas lombrigas todas. e outras causas. a sua dieta é fazerem d'este pó da cariou uns raldinhos no fogo (como os do poejos) que bebem. o como estão hora scrcas. aos quaes so dá a beber desfeita na água. Fuinha do guerra so diz. e como se faz da carimá. cuidando que são outras raizes . o quo comem bichas peçonlieiilos. alovantodas Ires e quatro palmos do chão. Da mesma farinha da carimá se foz uma massa que posta sobro feridas velhas que tem canie podre llúi come toda. E lambem servo esla carimá para os meninos que tem lomhrigas. e tomada uma pouca d'csta farinha o delida em água fria.

e os que estão fora d'ellas na cidade. e embrulhada unia com outra a vão mechendo sobre o fogo.168 GABRIEL SOARES DE SOUZA. não se molha. onde levam esta farinha muito calcada e enfolhada. que levam ás costas ensacada em uns fardos de folhas. com que sustentam seus creados o escravos. não tem outro remédio de matalotajem. mas são muito mais pequenos. e molhada no caldo da carne ou do peixeficabranda^ c lào saborosa como cuscuz. ir fazer a seus contrários algumas jornadas fora de sua casa. gente até Portugal. e por cima d'clla uma pouca de farinha da carimá. Também costumam levar para o mar malalotagem de beijúsgrossos muito torrados. e como é bem pizada a peneiram muito bem. a qual farinha de guerra é muito sadia e desenfastiada. e os navios. que para isso tem. que tem dous de Portugal. se dá de regra a cada homem para um mez. com os mesmos materiacs. a qual depois de rapada a pisam em um pilão. como no capitulo antes fica dito. lançam uma pouca d'esla massa em um alguidar. c pelas festas fazem as fruclas doces com a massa d'esla carimá. enos engenhos se provêm d'ella para sustentarem a gente cm tempo de necessidade. D'esta farinha de guerra usam os Porluguezes que não tem roças. que a tiram fora. que para isso fazem. tomam as raizes da mandioca por curtir. em que da índia trazem especiaria e arroz. que vem do Brazil para estes reinos. E como tem esta carimá prestes. que dura um anno. mais saborosos que de farinha de trigo. e trazem-na sobre o fogo. e depois de espremidas como se faz á primeira farinha que dissemos atraz. c mais sem se danarem como a farinha de guerra. Para se fazer esta farinha se foz prestes muita somma de carimá. que está sobre o fogo. e d'esta mesma massa fazem mil invenções de beilhós. e assim como se vai cozendo lhe vão lançando do pó da carimá. de maneira que ainda que lhe caia em um rio o que lhe chova em cima. e bolos amassadas com leite e gemmas de ovos. parasse sustentar». alé que fica muito enxuta e torrada . se prove d'esta farinha. e ralam como convém uma somma d'ellas. em lugar da farinha de trigo. senão o da farinha de guerra . da feição de uns de couro. o se a quo . e um alqueiref d'ella da medida da Bahia. D'esta carimá e pó d'ella bem peneirado fazem os Porluguezes muito bom pão.

a qual fazem tudo muito primo. antes a farinha de carimá. CAPITULO XLIII. e como passam do oiio mezes apodrecem muito. c desvantagem. fazem-se dures.•. a rama e a folha são da mesma maneira. de cevada. assadas são muito dores. esão muito saborosas.. e tem o sabor das mesmas castanhas assadas. de centeio. que é mais doce que a da mandioca . Os indios se vaiem dos aipins para nas suas festas fazerem dellcs cozidos seus vinhos. mas servem enlão para beijús epara farinha fresca. E porque tudo é mandioca. cm. como esláo cruas sabem ás castanhas cruas d Hespanha . Ü'osles aipins se apruveitoiu nas povoações novas. a* quae' se comem lambem cozidas. concluamos que o mantimenlo d'elta é o melhor que se sabe.„. o para se recolherem estas raizes as conhecem os indios pela cor «tos ramos. ff >( » vai á Bahia do reino não é muilo alva e fresca. sem haver nenhuma «lilTerença. Em que se declara a qualidade dos Aipins. mas os que mais so estimam. no que alinam poucos Porluguezes. arroz. e como passam do seis mezes. porque p Jo de itfou do mar.ROTEIRO IKI B I U Í I L . e «le uma maneira e da oatra sao ventosas como as castanhas. de milho. I>á-se n'esta lerra outra casia do mandioca. para o que os plantara mais que para os comerem assados. que é alvissima « lavra-se melhor. e não se assam bem.. a que o gentio chama aipins. E estasraizesdos aipins são alvissimas. são uns que chamara gerumús. . as quaes raizes duram pouco debaixo da terra. . D'estes aipins ha sete ou oito castas. o planto-se de mistura com a mesma mandioca. porque como são do cinco mezes se começam a comer assados.. por serem mais saborosos. inhames e cocos. como fazem os Porluguezes.„ :ls l n t l | | i m . cujas raizrt são da feição da mesma mandioca. não presta a par da mandioca . tirado o do bom trigo.

de que se não faz muita conta entre gente de primor. Milho de Guiné se dá na Bahia. de côr almecegada. de côr muilo tostada. ha outras que são todas encarnadas e mui gostosas. mui saborosas. as quaes são todas humidas e ventosas. e em cada enxadada. como ao diante se verá. Em que se apontam alguns mantimentos de raizes que se criam debaixo da terra na Bahia. que se vão criando em quinze e vinte dias. mettem uma talhada de batata. e assim o fazem outras muilas pessoas. que ficaram na terra. e ficam outras pequenas. Como fica dito da mandioca o que em breve se pôde dizer d'ella. ha outras batatas que são roxas ao longo da casca e brancas por dentro. os governadores Thomé de Souza. por se não acharem bem com elle. mas de talhadas das mesmas raizes. . e ha outra casta.170 GABBIEL SOARES DE SOUZA. que dão na terra sem ser mais cavada. e começam a colher a novidade em Agosto. por ser de melhor digestão. mas não se tem lá por mantimento. CAPÍTULO XLIV. que são naturaes da lerra e se dáo n'ella^ de maneira que onde se plantam uma vez nunca mais se desinçam. senão entre lavradores. donde tem que tirar até todo o Março. as quaes tornam a nascer das pontas das raizes. e brancas e compridas como as das Ilhas. ha outras que são côr azul anilada muito fina. e ainda digo que a mandioca é mais sadia e proveitosa que o bom trigo. as quaes se plantam em Abril. quando se colheu a novidade d'ellas. ha outras pequenas e redondas como tubaras da terra . as quaes tingem as mãos. porque colhem umas batatas grandes. Duarte e Mem de Sá não comiam no Brazil pão de trigo. e mui saborosas. Ha umas batatas grandes. D. ha outras verdoengas muito doces e saborosas. As batatas não se plantam da rama como nas Ilhas. convém que declaremos d'aqui por diante outros mantimentos que se dão na Bahia debaixo da terra. e outras todas amarellas. E por se averiguar por tal. E peguemos logo nas batatas.

que se plantam como os mangarazes. corao raizes de cannas do roça. são mui gostosos. os quaes se comem cozidos o assados. que se chamam mangarazes. e dão a casca como tremoços. que se comem esperregadas como elles. mas limpa do mato a cada enehadada meltera uma talhada. e colhem-se duas novidades no anno. e como um punho. poem-lhe ao pé uns páos. outros são todos negros como pós. que são os melhores. por onde alropam os raiuos que lançara. o qual se guarda para se tornar a plantar: e quando o plantam se foz ora talhadas. que é a planto donde nasceram os outros. mas plantara-se tão juntos e pela ordem cora que se dispõe a couvinba. Dão-se n'esta terra outras raizes tamanhas como nozes o avelãas. o cozidos com carne tem muito graça. os que se plantara em Março so colhem em Agosto. mas tem melhor sabor: os mais d'ellos são brancos. As .» thamam carazes. Dão-se niesta terra outras raizes. e tombem servem cozidas com o peixe. 171 Dão-se na Bahia outras raizes maiores que batatas. outros roxos. e o que está no meio é como um ovo. o duram «Io um anno para o outro.ROTEIRO DO BRAZIL. As folhas d'esles mangarazes nascem em moulas corao os espinafres. mas muito maiores. como as batatas e carazes. o do mor sabor. c são da mesma côr e feição. que se chamara laiázes. corao herva. mus cintadas com uns perfilos com barbas. e os que se plantara em Setembro so colhem cm Janeiro. e não se cava a torra toda. com assucar fazem as mulheres d elles mil manjares. e são mui medicinaes. e tira-se do cada pó duzentos c trezentos juntos. as quaes se chamam taiaobas. outros brancos por dentro e roxos [>or fora junto á casca. que se plantam da mesma maneira «pie as batatas. e são de feição de maça rocas. a «pie os indi. e assim molles como as dos espinafres. Estes carazes se plantara em Mareo o colhem-se em Agosto. e uns e outros se curam no fumo. e molhados em azeite e vinagro. e quando se colhem arrancara-nos debaixo datorraem louças corao juoça. como os foliamos. as quaes se comem cozidas na água. Da massa d'estos carazes fazem a» Portuguezas muitos manjares com assucar. mas sempre fitara tezas. As raizes d'estes mangarazes se comem cozidas com água e sal. c como nascem.

que em Portugal chamam zaburro. que este milho dá. Em que se contêm o milho que se dá na Bahia. oulro vermelho. Plantam os porluguezes este milho para maniesça dos cavallos. comem-se estas folhas eozidas com peixe em lugar dos espinafres. e tem uma mesma qualidade. natural da mesma lerra. que éo milho de Guiné. os quaes tomam com o bafo delle. uma em Agosto. com o que se acham bem. e tem mui avantajado sabor : os indios as comem cozidas na água e sal. quatro. e da grossura das cannas da roça. e aos negros de Guiné o dão por fruta. oulro preto. de feição e côr das dos plalanos que se adiam nos jardins de Hespanha.. Este milho come o gentio assado por fruta. e fazem seus vinhos com elle cozido. dos quaes suadouros se acham sãos alguns homens brancos e mestiços que se valem delles. folhas são grandes. As espigas.172 GABRIEL SOARES DE SOUZA. em todo o Brazil. Dá-se outro mantimento. e colhe-se a novidade aos três mezes. . Este milho se planta por entre a mandioca e por entre as ca»nas novas de assucar. ovelhas e porcos. o lodo se planta á mão. ha outro almecegada . e mais espigas destas em cada vara. os quaes o não querem por mantimento sendo o melhor da sua terra : a côr geral deste milho é branca . o bebem-no mui valentemente. e os mestiços não so desprezam delle. parece mysterio. a que os indios chamam ubatim. e outra em foneiro. e com muito somma de pimenta. e criação das gallinhas e cabras. com nós e vãs por dentro. e dá três. são de mais de palmo. aos quaes chamam taiaobuçú. CAPITULO XLV. Costuma este gentio dar suadouros rom este milho cozido aos doentes de boubas. e os Porluguezes que communicam com o gentio. cuja arvore é mais alta que um homem. e com favas verdes em lugar das alfaces. c o para que serve. o que. com o qual se embebedam. porque este milho por natureza é frio.

e dío em cada bainha quatro e cinco favas.ROTEIRO UO RRAtll. o estas favas se cântara á mão na entrada do inverno. CAPITULO XLVI. os quaes se plantam á mão. que sempre é molle. a flor é branca: eemeçam a dar a novidade no fim do inverno e dura mais de três mezes. que se nella criam. e de uma maneira e de outra fazem muita vantagem no sabor ás de Portugal. c tomo nascem poe-sc-lhe atada pé um páo. as quaes são muito alvas. Dão-se nesta terra infinidade de feijões naluraes delia. c outros pintados do branc. c como nascem põe-se ao pé de cada uma um páo por onde atrepam. o qual é mais saboroso qno o arroz. e preto. e do tamanho e maiores que as de Évora cm Portugal. Em que se apontam os legumes que se dão na Bahia. como fazem em Portugal ás ervilhas. e dura de um anno para oulro. e são reimosas como as do Reino. Ha outras favas meias brancas e meias pretas. do «piai fazem os Portugueses muito hora pflo e bolos com ovos o assinar. e cozem-se com as eeremontas que se costumam em Portugal. mas maior. uns são brancos. e sobem de . por onde alrepam como <e faz as ervilhas. e não criam bichos. como as de Hespanha. outros vermelhos. e são muito melhores de cozer. ou pescado. O mesmo milho quebrado e pirado no pilão o bom para se cozer com caldo do carne. é bem que digamos dos legumes. 173 Ha outra casta de milho. quo são brancas o pintadas todas de pontos negros.. mas são pequenas. mas são delgadas e amassadas. e de geHinha. Pois que até aqui tratámos dos mantimentos naluraes da lerra da Bahia. assim as declaradas como a outra casto de favas. o depois de seccas se cozem muito bem. Estas favas são em verdes mui saborosas. e se tem por onde atrepar fazem grande raraada: a folha é como a dos feijões de Hespanha. e de uma casto e outra se curam ao fumo. como os figos passados. que os indios chamam comenda. ondo se conserva para so não danar. outros prelos. E comecemos peles favas.

cozem-se estes feijões sendo seccos como em Portugal. e ha alguns d'estes cabaços tamanhos que levam dous almudes e mais. e como estam de vez curam-nas no fump. Chamam os indios gerumús as abobras da quaresma. em terra humida e solta. Costuma p gentio cozer e assar estas abobras inteiras por lhe não entrar água deptro. e curam-se po fumo para durarem todo o anno. e deppjs de cozida? as cortam como melões. mastemmais compridas bainhas. de que fazem depois vasilhas para acarretarem água. que são naturaçs d'esta terra. que se não tira nunca. os quaes são da mesma feição que os de Hespanha. e em quanto são verdes cozem-se com a casca como fazem ás ervilhas. maneira para cima que fazem delles latadas nos quintaes. chama 0 gentio pela sua lingua gerumuyê. e são assim mais saborosas que cozidas em talhadas. e dã cada abobreira muita somma. cada uma de sua feição.J7ft GABRIEL SOARES DE SOUZA. e costumam também cortar estes cabaços em verdes. e lhes deitam as pevides fora. e dão-lhes por dentro uma tinta preta. . das quaes tem entre si muitas castas de differentes feições. mas deixain-nas estar nas abobreiras até se fazerem duras. ppr ostras pequenas bebem. em os quaes guardam as sementes que hão de plantai". das quaes ha dez ou doze castas. as quaes se estendem muito pelo chão. e depois de curadas estas metades servem-lhes de gambás. como estão duros. e são mui saborosos. tirando as abobras compridas ? de que dissemps atraz. eplantam-nas duas vezes no anno. As que em Portugal chamamos cabaços. e cada pé dá infinidade de feijões. e estas são as suas porcelanas. pelo meio. e são mui desenfastiados. outras meias levam ás costas cheias de ag«a quando caminham. e as ametades dos pequenos servem-lhes de escudelas. mas não são tamanhas como as da casta de Portugal. Estes abobras ou cabaços semeia o gentio para fazer d'el)as vasilhas para seu uso. por fora outra amarella. e afolhae flor como as ervilhas. as quaes não costuma comer. e outros despejos.

Dos aroendois lemos que dar conta particular. o qual miolo é alvo. a quem como muitos. e tom a casca da mesma grossura e dureza. porque é cousa. e para durarem todo o anno curam-nos no fumo. e tem dentro de cada bainha três e quatro amendots. que são da feição dos pinhões com casca. De uma maneira e d'outra é esta fruta muito quente em demazia. e cortados os fazem cobertos de assucar de mistura como os confeitos. e cauzam dor de cabeça. de que fazem pinhoadas. Comestos crus tem sabor de gravanços crus. que se lhes sabe logo como a do miolo dos pinhões. que fazem das amêndoas. que se não sabe haver senão no Brazil. e o para que servctn. E também os curam em peças delgadas e compridas. e tom para si que se elles ou seus escravos os plantarem. que nascem nas pontos das raizes. e segundo seu uso hão de ser as mesmas que os plantem. e quem os não conhece. e n'esla lavoura não entendem os maridos. Plantam-se estes amendois em terra solta e faumida. 175 CAPITULO XLV1I. O próprio tempo em que se os . Tem uma tona parda. e as mestiças. E as fêmeas os vão apanhar. e são muito saborosos. as suas folhas são como as dos feijões de Hespanha. e tom os ramos ao longo do chá». onde os tem até vir outra novidade.ROTKIRO DO RRAZIL. se é doente delia. mas é branca e crespa. mas comem-se assados e cozidos cem a casca. por tal a come se lh'a dão. E cada pé dá um grande prato d'estes amendois. um palmo um do outro. soas índias os costumam plantar. que não hão de nascer. Em que se declara a natureza dos amendots. os quaes são tamanhos como bololas. D'esta fruto fazem as mulheres portuguezas todas as cousas doces. em a qual planta e beneficio delia não entra homem macho. e torrados fora da casca são melhores. como as castanhas. e ainda mais grossos. onde se plantam á mão. os quaes nascem debaixo da torra.

imitando o costume dos indios. as quaes se comem em verdes. e não estão debaixo da terra mais que até Maio. que em todo o anno dá novidade. CAPITULO XLVIII. Costumam os Porluguezes. e na sua visinhança. . amendois plantam ó em Fevereiro. A' sombra d'estes legumes. sempre tem pimentas vermelhas. Ha outra pimenta. Ha outra casta. seccarem esla pimenta. e como é madura faz-se vermelha. a qual tem bico. que chamam sabãa.176 GABRIEL SOARES DF. esta é grande e comprida. e todo o anno dá novidade. que é comprida e delgada. a qual queima muito. e tamanho de gravanços. o que as fêmeas vão fazer com grande festa. e usam d'ella como da de cima. que é otempoem que se lhes colhe a novidade. e duram muitos annos sem se seecar. e faz arvore meã. podemos ajuntar quantas castas de pimenta ha na Bahia. quando não tem qi*e comer com ella. come-se em verde crua e cozida como a de cima. e entre os brancos se traz no saleiro. e não descontenta a ninguém. feição. que são tamanhas como cerejas. e dura muitos annos sem se seecar. SOUZA. e o gentio come-a inteira misturada com a farinha. e depois de madura faz-se «ermelha. e faz arvores de altura de um homem. e de uma maneira e d'outra queimam muito. Em que se declara quantas castas de pimenta ha na Bahia. e depois de maduras cozidas inteiras com o pescado e com os legumes. Os indios a comem misturada com a farinha. e depois de estar bem secca a pizam de mistura com sal. verdes. Estas pimenteiras fazem arvores de quatro e d e cinco palmos de ano. e flor. Ha outra casta que chamam cuiepiá. ao que chamam juquiray. segundo nossa noticia : e digamos logo da que chamam cuihem. a quem as gallinhas e pássaros tem grande affeição. a que pela lingua dos negros se chama mihemoçu. em verde não queima tanto como quando é madura. em a qual molham o peixe ea carne. que é vermelha.

Convém trator d'aqui por dianto das arvores de frulo naluraes da Bahia. Daqui por diante se dirá das arvores de fruto. pois é uma arvore «le muita estima. Estas arvores são como figueiras grandes. por ser mais pequena que gravanços. mas são cm tudo maiores que os peros e da mesma còr.os cajus e cajuis. c qoando se acha d'esta não se come da outra. a flor ó como a do sabuguciro. dá fruta lo. |ior ser da feição de abobra. muito brandas c frescas. !»z-se arvore pequena. a qual nasce «Io feitio dos pássaros que a comem muito. águas vertentes ao mar c á vista d'ollc. e ha tantos ao longo do mar o na vista d'elle. mas muito breve. outras o dão da mesma côr c redondo. A sombra d'estos arvores ó muilo fria c fresca. c demos o primeiro logar e capitulo por si aos cajueiros. o frulo é formosíssimo. começando r.fo o anno. ruja arvore è pequena e em lodo o anno «lá novidade Ha oulra casto que chamam ruma ri. o é mais gostosa que todas . ha outras arvores que dáo o frulo amarello e comprido como peros d'EI-Bci. Ha oulra casto que so chama cuihejuriinu . mas a partes vermelho e noutras de côr almecegada. cujas folhas são . assim amassada. mas queima mais que Iodas asque dissemos. .Ia feição da cidreira e mais macias. e lambem se usa «IVIIa cômoda mais. de bom cheiro.ROTKIRO 110 BRAZIL. que é bravia o nasce pelos matos. algumas arvores dão fruto vermelho e comprido. da qual so usa como das mais «le que lenws dilo. lera a casca da mesma còr. As folhas dos ollios novos são vermelhas. lem as flores brancas como as mais. Ha outra casta que dá o fruto da mesma feição. CAPITULO XLIX. esta quando é verde lem a ròr azulada « • como é madura se faz vermelha. o a madeira branca e mele como figueira. 177 cuja arvore é pequena. e quando é madura foz-se vermelha. campos o pelas roças. e dá novidade em lodo o anno.

com que se embebeda. da qjual as mulheres se aproveitam para fazerem alcorce de assucar em Vogar-de alquitira.-que aonde tpca na carne faz empola . e são medieinaes para doentes de febres. A natureza d'estes cajus é fria . cria ranço.17S GABRIEL SOARES DE SOWZA. E' para notar que no olho d'este pomo tão formoso cria a natureza outra fructa parda. para conservação do estômago. Fazem-se estes cajus de conserva. bertos de canella não tem preço. os quaes $Q desfazem todos cm água. a qual ó muito saborosa. Ha outras arvores que dáo este fruto redondo. Os cajus silvestres travam/junto do o|ho que se lhes bota fora. e quer arremedar no sabor aos pinhões. Tem esta. que é da feição e tamanho dó um rim de cabrito. do azeite que-tem-em si. e » muitas pessoas lhes tomam o sumo pefos manhãs em jejum. tamanho como o de uma amêndoa grande. a uns e outros são muito gostosos. que é de bom cheiro e saboroso. e por mais que se cama o/elles nãofozemmal a nenhuma hora de dia» e são de tal digestão que era dous credos se esmoem. o que fazem poucas arvores n 'estas partes. sumarentos e de suave cheiro. Cria-se n'estas arvores uma resina muito alva. Estas arvores se dão em arôa eterras-fracas. D'estas castanhas fazem as mulheres todas as conservas doces que cost\nnam fazer com* as amêndoas. o azeite que tem a casca pellar as mãos a quem as quehra. a qual castanha tem a casca muito dura e de natureza quentissima e o miolo que tem dentro. deita esta casca um óleo tãoforte. e fazem bom bafo a quem os come pela mania. o que tem graça na suavidade do sabor. os que se criam nas roças e nos quintaes çomem-se todos sem terem que lançar fora por não travarem.o cheira mui forte. ps quaesfozembom estômago . a que chamamos castanha. quando sequebram estas castanhas para lhes tirarem' o mioloy inv. o. que é muito suave. o qual óleo é da côr de azeite e tem.miolo d'estas castanhas. e para se comerem logo cozidos no assucar co-. e para quem tem fastio. Do sumo d'esta fruta faz o gentio vinho. so esta muitos dias fora da casca. mas éde muita vantagem. Nascem estas arvores das castanhas r e em dous annos se fazem mais ajtas que- . castanha o miolo branco. mas. e se as cortam tornam logo a rebentar.

tiram-lhe o cacho que tem o fruto verde e muito tozo. CAPITULO L. que lha chega um homem do chão ao mais alto d'ella a colher-lhe o fruto. o criam lambem saa castanha na ponta. 179 um homem. quo os índios charaão rnjui. e dependuram-iio em parte onde amadureça . e na «rasa ondo sefizerfogoamadurecera mais depressa cora a qucnlura . e como esto cacho está de vez. e a arvoro «Ia mesma côr. as quaes arvores se não dão ao longo do mar. e do ura só gol|io que lhe dão cora uma fouee a cortam eercea. é avantajado no cheiro o sabor. e no mesmo tempo dão frulo . emquanto as arvores são novas. Pacuba é uma fruto natural desta terra. cheira muilo bom. a «piai so dá era uma arvore muito mollc e fácil de cortar. cuja arvore é nem mais nem menos que a dos cajus. que 4 amarello. c como esta fruta eslá madura. á mesma arvore E como so corta esta pacobeira. na índia chamara a estas pacoboirasfigueirasc ao frueto figos. e se façam araarellas as pacobas. Ha outra casta d'esla fruta. cujasfolhass « de doze o quinze á> pilinos de comprido c de Ires e quatro do largo . de redor d'esto pé arrebentara muitos filhos que aos seis mezes dão frntlo. mas nas campinas do sertão alem da Cátioga. do qual corte corre logo água era fio.ROTEIRO DO BRAMI. como se fora uni nabo. c dentro era vinte o quatro horas torna a lançar do meio do corte um olho mui grosso d'onde se gera outra arvore. Cada pacoha d'estas tem um palmo de comprido o a grossura de um po- . e tem maravilhoso sabor com pontinha de azedo. cortam a arvore pelo pé. e o mesmo ht. Cada arvore destas não dá mais que um só cacho que pelo menos lem passante de duzentos pncobas. mas mais escura. muito verdes umas e outras. mas não é maior quo as cerejas grandes. senão quanto ó muilo mais pequena. o qual. Em que se declara a ntttireza das paço fias e bananas. as do junto ao olho são menores.

e são muito gostosas. o lambem se dão em terras seccas e de arèa . e a estas pacobas chama o gentio pacobuçú. e lambem as concertam como beringelas. e o miolo mais molle e cheiram melhor como são de vez. mas no inverno não ha fontes como no verão. ás quaes tiram as cascas. e não ha nas arvores de umas ás outras nenhuma difforença . quem cortar atravessadas as pacobas ou bananas.180 íiABRIEL SOAfiES DE SOUZA. As bananeirastemas arvores. Dão-se estas pacobas assadas aos doentes ern logar de maçãs. c d'ellas usam nas suas roças. mas muito melhores no sabor. que quer dizer pacoba pequena . o que fazem na arvore . que os índios chamam pacobamirim. e umas e outras se querem plantadas em valles perto da água. ás quaes arregoa a casca como vão amadurecendo e fazendo algumas fendas ao alto. mas mais grossas. . folhas e criação como as pacobeiras. e não são tão sadias como as pacobas. muito saboroso. ver-lliesha no meio uma feição de crucifixo. pino. Ha outra casta. e passadas ao sol sabem a pecegos passados. aonde ao seu fruto chamam bananas c na índia chamam a estasfigosde horta. mas mais grossas e de três quinas. Os negros de Guiné são mais affoiçoados a estas bananas que ás pacobas. e fica-lho o miolo inteiro almocogado. o cozidas no assucar com cannella são estremadas. que são do comprimento de um dedo . Basta quede toda a maneira são muito boas. as quaes oram ao Brazil de S. que são de grossura das das favas. que quer dizer pacoba grande. e vermelhaças por dentro quando as cortam . e dão-se em todo o anno. as quaes são mais curtas quo as pacobas. sobre o que os contemplativos tem muito que dizer. das quaes se faz marmelada muito soffrivel. ou ao monos cm terra que seja muito humida para se darem bem . estas são tão doces como tamaras. Thomé. e so dão e criam da mesmo maneira das grandes. tem a casca da mesma còr c grossura da das pacobas. Ha outra casta que não são tamanhas. cm tudo mui excellentes.

que náo dáo fruto como as tamaroiras. c tem unias sementes pretas <|ue se lançam fou. ás quaes talhadas se apara a casca. c nasceram logo . Entre estas arvores ha machos. quo tem a casca dura o grossa. quo cm ludo se parece com estes mamões do cima. o ao segundo começaram de dar fruto. o como são maduros so fazem molles como melão. Estas sementes so semearam na Bahia. e pelo pé tão grossas como um homem pela cinta. os seusramossão as mesmas folhas arrumadas como as das palmeiras. d'esta maneira tem esta fruta a tasca. mas são crespas o pretas como grãos de pimenta da índia. como á maçã . o fruto é amarello por fora. 1S| CAPITULO LI. tem bom cheiro. o sabor é doce o muito gostoso. á qual os indios chamam jaracateá. e se fizeram as arvores de mais do vinte palmos de alto. Esta arvoro dá a flor branca. Em que se diz que fruto é o que se chama mamíks e jacarateàs. de cuja madeira se não usa. e em casa acabam do amadurecer. e umas o outras em poucos annos se fazem polo pé tão grossas como uma pipa. e d'avantagem. senão quo são mais pequenos. da feição o tamanho dos figos béboras ou longaes brancos. o lem muito bom cheiro como são de voz. e o que se come ó da côr e brandura do melão. o tiram-lho as pevides que tora envoltas em tripas como as de melão. e o sabor toca << 1 azedo. Do Pernambuco veio á Bahia a semente do uma fructa.ROTUIRO n o I t R U I l . c cria-se o fruto no tronco entre as folhas. o pira so comerem cortam-se cm talhadas como mata. N'esta torra da Bahia so cria outra fruta natural «1'olla. . que so fazem nas arvores. mas tem a arvoro delgada. os quaes são do tamanho o da feição o còr do grandes peros ramoezes. e tal agazalhado lhe fez a terra que no primeiro anno se fizeram as arvores mais altas que um homem. a quo chamam em Portugal longaes. «pie M lhe apara quando se como. a quo chamam mamões.

Cajá é uma arvore comprida. que são tamanhas como ameixas e outras maiores. Engá é arvore desaffeiçoada que se não dá sertão em terra boa. Na visinhança do mar da Bâhià se dão umas arvores nas campinas e terras fracas. Quando estas mangabas não estão bem maduras. Tem os troncos delgados. com copa como pinheiro. porque se amadurecem na arvore cahenl no chão. como pecegos calvos. enão se lhe come senão um doce que lem derredor das pevides. dá a flor branca como de maccira. e a flor como a do marmeleiro. e colhem-se inchadas para amadurecerem em casa . pelo que ó muito boa para os doentes1 de febres por ser muito leve. & a folha miúda. cuja casca é tão delgada que se lhe pella se as enxovalham. de cuja lenha se faz boa decoada para os engenhos. Esta fruta se come toda Sem se deitar nada fora como figos. o fruto é amarello córado de vermelho. E dá uma freta da feição das aifarrobas de Hespanha. travam na boca <íomo&s sorvas verdes em Portugal. . que é muito medicinal e gostosa. Esta fruta arregoa. tem grande caroço e pouco que comer. e tem dentro umas pevides como as das ai farrobas. e quando estão inchadas sao boas para conserva de assucar. e o frueto é amarello do tamanho das ameixas. ao qual chamam mangabas. o que fazem de um dia para o oUtro. a cascaé como a das ameixas. que é muito pegajoso. a qual cheira muito bem e tem suave sabor. que é muito saboroso. as quaes em verdes são todas cheias de leite. que são do tamanho de pecegueirbs. CAPITULO LU. cuja natureza é fria. tema casca grossa e áspera. A madeira é muito molle e serve para fazer decoada para os engenhos. Em que se diz de algumas arvores de fruto que se dão na visinhança do mar da Bahia. ainda que comam muitas.182 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o se a picam deita um óleo branco como leite em fi#. é de boa digestão e foz bom estômago. que se chamam mangabeiras.

que sao brancas o formosas. Bacoropary ê outra arvore do honesta grudara. e tem a mesma còr e sabor. que se dá peto sertão da Ambú é uma arvore pouco alegre á visto. 183 so lhe chovo. outras maiores e menores. e o caroço maior. o chama-se corao a arvore» quo se dá aotangodo mar. Piquihi é uma arvore real. queó amarello o cheira muito bem. Dá esta arvore umas flores brancas. de mesmo nome. Dá esta arvore um fruto tamanho como fruta nova. e do seu tamanho. a qual so lhe lira muilo bem. muito amarello e pegajoso como visco. e achara-se algumas afastadas da arvore . e tirada. por ser fria e appotitosa. de cuja madeira se dirá adianto. Esta arvore lança das raizes naluraes oulras raizes tamanhas e da feição das botijas. Dá-se esta fruta ordinariamente pelo sertão. e quando a cortam corre-lhe um óleo grosso d'entre a madeira e a casca. com ponta de atado. a qual cabo com o vento no chão. dão esta fruta aos doentes de febres. ficam umas castanhas alvissimas. e o fruto. cuja casca é parda e teza . como é madura. a qual arvore dá fruta como castanhas. no matos qoe se chama a Cátinga. Que trata da arvore doe ambús. onde a natureza criou a estas arvores para remédio da sede que os indios por alli passam.ROTEIRO DO RRAZtL.se lhe come. o sabor e precioso. e lera a casca grossa como hranja. áspera da madeira. que está pelo menos afastado vinte leguas do mar. que se dá perto do mar. e cheiram muito bem o fruto e as flores.de pouca água. a qual tom a folha miúda. e cada arvore dá d'islo muito. e com espinhos come romena. sobre os quaes tora o que. que é de maravilhoso sabor. do tamanha r feição das ameixas braneas. CAPITULO L m . que sabem como pinhões crus. cuja natureza á fria e sadia. e lera doutro dous caroços juntos. que é terra seeca. redondas e compridas como batatas.

servem de graes ao gentio. onde dão o mesmo fruto e raizes CAPITULO LIV. onde cava etira as raizes de três e quatro palmos de alto. tem a madeira amarella e boa de lavrar. como a dos inhames. Terá esta bola uma polegada de grosso. a qual dá um fruto tamanho como . ás quaes se tira uma casca parda que tem. que nasceram dos caroços dos ambús. e mata afomecomendo esta raiz. e ficam alvissimas e brandas como maçãs de coco. Em que se diz de algumas arvores de fruto afastadas do mar.|g£ GABRIEL SOARES DE SOUZA. Piquiá é uma arvore de honesta grandura. cincoenta e sessenta passos. D'estas arvores ha já algumas nas fazendas dos Porluguezes. e em cada um uma fruta tamanha como uma castanha de Hespanha. e tem a boca tapada com uma tapadoura tão justa que se não enxerga a junta d'ella. cujo sabor é mui doce. que está por dentro cheia de frueto. assim assadas como cruas. Esto arvore toma tanta flor amarella. que é mui sadia. ou mais comprida. por cujo tom o conhece. e outras se acham á flor da terra . e tão sumarento que se desfaz na boca tudo em água frigidissima e mui desencalmada. que são muito grandes. e não fez nunca mal a ninguém que comesse muita d'ella. que esta bola cahe no chão. Afastado do mar da Bahia e perto d'elle se dão umas arvores que chamam Sabucai. de cujo frueto tratamos aqui somente. Nasce d'esla flor uma bola de páo tão dura como ferro. com o que a gente que anda pelo sertão mata a sede onde não acha água para beber. a qual tem por dentro dez ou doze repartimentos. as quaes castanhas são muito alvas e saborosas. anda batendo com um páo pelo chão. mas não tem nenhum cheiro. a qual flor é muito formosa. E para o genlio saber onde estas raizesestão. onde pizam o sal e a pimenta. e despegadas estas bolas das castanhas e bem limpas por dentro. e outras mais ao perto. que se lhe não enxerga a folha ao longe. a qual se não despega senão como a frueta que está dentro é de vez.

são iodas cheias de leito. como á» |KÍ. mm algumas pevides dentro. Pela terra dentre ha outra arvore. coma qual tinta se tinge toda . e sio tamanhas como maçãs pequenas.ua. e da sua feição. e tal que lhe não ganha nenhuma frula de Hespanha. cuja cascasse lhe apara. comem-se todas como figos. a que chamam guli que ó de honesta grandura. quo lhe corre em fio. mais preta se faz. a qual dá umas frutas do mesmo nome.. esto fruto lem a casta dura e grossa como cabaço. mas tem grand*caroço. delgada e muito quubradica. e . do tamanho e còr das peras pardas. e por dentro é todo cheio de um mel branco muito doce.ROTÜIRO DO BRAÇO. de que estas arvores nascem. são de còr verdoenga. do que loma cada anno muita quantidade. e raolles. dá uma fruta do mesmo nome. o tem misturado umas pevides como de maçãs. no cabo dos quaes se vai tirando. e como são maduras tomam a còr almecogada. e quaiuto pile « ta liula é branca corao água. e a quem se cura cora cila. A sua folha é como de castanheiro. Macugé é uma arvore comprida. e dá-se em áreas junto dos rios. rom os pós compridos e côr verdoaoga. Quando cortam esta arvore. de cujo fruto aqui tratamos somente.-i nação do gentio em lavores polo corpo . e como são maduras se fazem «lecòr prd. Colhem-se inchadas para amadurecerem era casa. da qual lhe nasce muita fruta . e como se enxuga so faz preta como azevicbe. • >I» 21 . nem de oulre nenhuma parle. c pelatorradentro dez ou doze leguas. cujo sabor é mui suave. o qual mel se lhe come em sòrvce.I. « o que se lhe come se tira era talhadas. Geripa|K> é uma arvore que se dá ao longo do mar e |H-1U sertão . 1 S5 marraolos que tem o nome da arvoro. a flor é branca. Quando esta fruto é pequena. lança de si um leito muito alvo e pegajoso. as quaos sãotamanhascomo limas. e quando são verdes travam muito . e como égrande antes «le amadurecer tinge o sumo delia muito. o dura nove «lias. e refresca muito no verão. Tem virtude esta tinta pira faz T seecar as busk-las dasboubas aos indios. e tem honesto sabor e jnuilo que comer. redondas. e tem muilo bom cheiro. faz -s^lYlla conserva. perto do salgado. do còr |iarda por fora. e quanto mais a lavam.

e tem ponta de azedo. o qual se parte pelo meio como fava e fica em duas metades. Camhuy é uma arvore delgada de cuja madeira se não usa . cuja arvore ó como vides. n é muito saboroso . e Irepa por outra arvore qualquer. Nas campinas ha outra arvore a que chamam ubucaba. Dá-se no mato perto do mar e afastado d'elle uma fruta quo se chama curuanhas. que se comem todas lançando-lhes fora uma pevide preta que tem. a qual tem pouca folha. Matidiha é uma arvore grande que dá fruto do mesmo nome tamanho como cerejas. da feição das colas de Guiné. lança-se-lhe fora um carocinho que lem dentro como coentro. os quaes caroços tem virlude para o ligado. que se comem . da mesma còr o sabor. o frulo que dá ó do uns oilo dedos de comprido e de três a quatro de largo. a qual carrega todos os annos de umas frutas vermelhas. como-se como sorva lançando-lhe o caroço fora e uma pevide que tem dentro. tamanhas e de feição de murtinhos. Esta fruta é mui saborosa. e o mais quo se come ó da grossura de uma casca do laranja . que o a sua semente. emuilodoce. lem estremado sabor. a qual dá uma flor branca. que lem dentro lies e «|uatro caroços. cuja madeira é molle. Mondururúé outra arvore que dá umas frutas prelas. que é a semente d'estas arvores. e tem sabor mui soffrivel. e assada tem u mesmo saboi d'ellas assadas. o dá umas frutas prelas e miúdas como murlinhos. Estas melados lem a casquinha muito delgada como maçãs. de feição da fava. tamanhas «oino avelãs. a qual tem grande virtude para estancar cambras de sangue. a qual fruta é muito saborosa. quo se comem iodas. sabe e cheira a camoezas. de côr vermelha. lançando-lhe fora umas pevides brancas que tem. romendo-se esla fruta crua. e o frulo amarello do mesmo nome. faz-se d'esla fruta marmelada muilo . e lainjadas estas talhadas om vinho não tem preço. lia outra arvore como larangeira que se chama comichã.186 GAlililtL SOARES Dli SOUZA. feição e còr das maçãs d'anafega. a qual fruta é muilo gostosa. Faz-se desta fruta marmelada muito gostosa . do tamanho.

°ino é uma arvore comprida.r. O seu fruto nasce em ouriço cheio de espinhos como os das castanhas. gross. Ao fruto chamam amçnzes. e o j»omo é muilo molle e cheira muito bem.. mas o frutlo é Limanho como uma pinha. esfarrapida da folha . se toiilmce debaixo «pie e«tá maduro pelo cheiro. <)s araçnzeiros são outras arvores qu«» nela maior parle «> dão em « lerra fraca na visinhança «Io mar. A flor é branca.ROTEIRO r o r. e o fruto tomo laranja. Como esle frutlo •'• maduro. e aparam-lhe a casca de fora que é muilo delgada.comer corta-e em quartos. e |HM «lenlro caroços cniim ellas. cujas arvores si o grandes. Perto do salgado ha outm rasta de araçazeiros. •atando em rima da arvore. mas mui saboroso. a qual por sua natureza envolta no assucar cheira a almisr. como de cabaços. [. e tem o sabor «le |iera«la nlmiscarad. cuja folha é muilo verde escura. lançando-lhe fora umas pevides «pie lem amarellas e roniprulas. a casta da arvore éromo de loureiro. e da mesma còr. no rheiro da folha e na «Vir o feição d'olla. lavor é lizo c branco. «• tomo *io maduros tem a ròr das peras. da feição da da larangeira mn< maior. a flor é fresca. \ m .« lam.na M. das quaes nascem ««ias amres. e todo mais se tomo. no «piai «param a easi-a |>or ser muito grossa.inhoéo seu cheiro que. as «pin«»s são ronin miirieiras na üramlura. e quem a não ronhe» nlende « • allirma que é perada. «Ia foirSo da de murta. que é muilo foia e melhor pira doentes de cambras. |S7 Imã. Quando são verdes lem a eòr venfo. Araticú v uma arvore do tamanho de uma nmoroirn . a madeira é muito molle. delgada. «pie tem muito bom sabor com ponta do azedo . Ha qual se faz mar melada. lem o olho como nespera*.i e pouco vistosa. e em verde «'• lavrado como pinha . feiiao .. a qual fruta é para a calma mutdesenfastiada. a qn:l é d«> tamanho e feição da folha da parra. que sito da feição das nesperas. Esta írula «e «•orne Ioda. e cheira muilo Item. mas.ir. arregoa todo pelo*favoresque ficam então brancos. e tirado este ouriço fora fira umn cousa do tamanho do uma noz. na corda casca. Este fruto por natureza é frioe «adio.i. e lem ponta «le nzwlo mui saboroso. ma« muilo mais pequenos. mas alguns muito maiores.

mas nunca são pretas. o dureza . de que se fazem todas as frutas doces que se costumam fazer das amêndoas . incham e ficam muito dosou fastiados para comer. e fica-lhe o miolo alvissimo. mas mais delgadas .188 GABRIEL S0VRES DF. Amaytim é uma arvore muito direita. cuja eôr é roxa. em terras dependuradas. come-se como as amoras . que nascem em pinhas como ellas. ás quaes tiram uma camisa parda que tem como as amêndoas. muito secca da casca e da folha . e são bons para dòr de cabeça.e muito esfarrapados. Esta arvore dá um fruto do mesmo nome. cuja folha é áspera. . o qual lhe quebram. lançados em água fria . O fruto é do mesmo nome e da feição e tamanho das ameixas de cá. mui appetitoso para quem tem faslio. Apé é uma arvore do tamanho e feição das oliveiras . cheira e sabe a queijo do AlemtejG querequeima. a qual fruta é molle e come-se toda. Abajerú é uma arvore baixa como carrasco. mais pequenas que cerejas. cuja madeira mão serve para nada. mas tem maior caroço. o de còr roxa. com ponta de azedo. mettem-se estes bagos na boca c tiram-lho fora um caroço como de cereja . os quaes pinos. come-se como ameixas. e cobertos de um pello tão macio como velludo. de que se fazem amendoados. tem bom sabor. tem a folha como figueira. comprida e delgada. e tem a còr brancaoenta. da feição das amoras. Dão-se estas arvores em ladeira sobre o mar e á vista d'elle . as quaes arvores se dão ao longo do mar e á vista d'elle. dá umas frutas amarellas. dá uns cachos maiores que os das uvas ferraes. a folha é da feição de pecogueiro e da mesma còr. que tem o sabor como as amêndoas. e tiram-lhe de dentro dez ou doze pevides do tamanho de amêndoas sem casca . com os pés compridos. tem os bagos redondos. SOUZA. Estas arvores se dão nas campinas perto do mar em terras fracas. o sabor é doce e saboroso. Murici é uma arvore pequena . mas lem a madeira áspera e espinhosa como romeira . e a pelle que tem o pello . natural donde lhe chegue o rocio do mar. entre a qual e o caroço tem um doce mui saboroso como o sumo das boas uvas. e dá uma flor branca e pequena. tamanhos como os das uvas mouriscas. pelo que se não dão estas arvores'senão ao longo das praias.

ijn • se lhe lançam fora com a casca. cuja tasca ó teza e tom duas pevides detilro. c algumas junto do mar. e muilo dote e. Cambucá é oulra arvore «le honesta grandura. tamanhas como abrimpies. quo dá umas frntias amarellas do mesmo nome. a qual dá umas frutas amarellas. que são muito altas e "rossas. pegam-se-lhe os bigodes com o sumo d'ella. Como ha tanta diversidade de palmeiras quo dão fruclo na lerra da Bahia. e lem o sabor d'elIas quando as vendimam. e tem uma pevido preta quo so lhe lança fora.ROTRIRO no nnvzii. que cheiram muito hera. «]uo esl/ío muilo madura». Esta fruLi so tome tomo uvas.. que «'• «foce o muilo saboroso . de honesto sabor. o tem grande caroço. que é muito doce e pegajoso. u toma tantos ordinariamente quo negrejani ao longo. convém que as arrumemos todas neste capitulo. < «pie se lhe como é de maravilhoso > sabor . a qual carrega por Iodos os ramos do uma fruta preta do mesmo nome . e aparam-lhe a casta de fora. Maçarandiba é uma arvore real do cuja madeira st! «lira ao diante. OAIMTILO LV. começando logo em umas a que os índios chamam pindoba. Estas se dáo ao longo do mar ou a vista dello Mocurv v uma arvore granile que se dá porto do mar. maior quo nuirlinhns. assim na eòr «Ia casei «Io tronco tomo na folha. e p r a os indios lhe colherem esta frnla corLim as arvores polo pé como fazem a todas que são altas. e o fruclo em . Dão-se «•slas arvores ao longo do mar o «Io* rios \wr oiule entra a maré. o mais so lhe come. Em que se contém muitas castas de palmeiras que dão fruto pela terra da Bahia no sertão. que dáo flor como as tamareiras. tamanhas como abricoques. 180 Copiuba é uma arvore da feição «Io loureiro. Só lhe cabe aqui dizer do seu frueto. e ijuem como muita d'esta fruta «pio se chama como a arvore. quo é da còr dos medroiihos e do seu tamanho. mas lem maior caroço e pouco «pie comer.

eo frueto como as palmeiras acima. mas serve para remédio de quem caminha pelo mato cobrir com ella as choupanas. tamanhos como um punho. com as quaes cobrem as casas. é muito melhor e mais sadia cobertura qu3 a da telha. é muito tenro e saboroso. porque é muito rara e não cobre bem. e dentro d'ella um miolo massiço com esta casca. o qual faz d'estes cocos azeite para suas mézinhas. cachos grandes como os coqueiros. depois de coberta. e outra dentro de um dedo de grosso. e a maçaroca fica muito liza por dentro e dura como páo. De junto do olho d'estas palmeiras tira o gentio três e quatro folhas cerradas. mas não serve a folha para cobrir casas. a qual palma no verão é fria. cada um dos quaes é tamanho que não pôde um negro mais fazer que leva-lo ás costas. as quaes palmeiras dão também palmito no olho e seus cachos de cocos. e tem a casca de fora como coco. com que também cobrem as casas onde se não acham as palmeiras acima. em os quaes cachos tem os cocos tamanhos como peras pardas grandes. e ficam da feição de almadia. muito formosa. muito dura. e se não fora o perigo do fogo. e no inverno quente. e de uma maneira e outra é bom mantimento para o gentio quando não tem mandioca. Anajámirim é outra casta de palmeiras bravas que dão muilo formosos palmitos. com o miolo como as mais. e tão grossos como a perna de um homem.190 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e como este cacho quer lançar a flor arrebenta esta maçaroca ao comprido e sahe o cacho para fora . Ha outras palmeiras bravas que chamam japeraçaba. que também serve de manti- . se tira com trabalho. Do olho d'estas palmeiras se tiram palmitos façanhosos de cinco a seis palmos de comprido. mas são os cocos mais pequenos. da qual se servem os indios como de gamellas. Qs cachos d'estas palmeiras c das outras acima nascem em uma maçaroca parda de dous a três palmos de comprido. e se não é de vez. que também são grandes arvores. que se depois abrem á mão. a que chamam pindobuçú. com o que fica uma casa por dentro. d'ondo. e as palmas que se lhe tiram de junto dos olhos tem a folha mais miúda. o qual é tamanho como uma bolota. e mui alvo e duro para quem tem ruins dentes.

cheio de ura miolo alvo e solto como cuscuz. que náo são muito altas. que é alvo e tenro c muito saboroso. c quem anda pelo . e os cocos tamanhos como nozes. substancial e proveitoso aos que andam pelo sertão. e «Ia umas folhado cinte e sois palmos de rompritfo e dou* o Ires d* largo . As principaes palmeiras bravas da Bahia são as que chamam ururucuri. a que chamam farinha de páo. com pello como marraolos.sio mui estimados do todos. que é tão dura quo cora trabalho a passa um prego. Pii/andós são umas palmeiras bravas o baixas quo so dão em terras fracas. e dáo uns cachos de cocos pequenos o amarellos por fora. D'estas arvores so usa muito. Ha outras palmeiras que chamam bory. as mais grossas são pelo pó corao a coxa do ura homem . que é maiitiracnto. Os palmitos quo «lao são pequenos. por ser brando o do soffrivel sabor. da «mal so faz ripa para as casas. mas são miúdos. 101 monto ao gentio.VZIL. e também dão palmitos. donde se lhe lira um miolo como o das avelãs.sertão tira este miolo o coze-o em ura alguidar ou tacho. e quobrande-lhe o caroço. a qual ripa quando se lavra por dentro cheira a maçãs maduras. molle e venle-esciira. a que chamara pataiba. porque tom a casca muito dura. porque tem o miolo muito saboroso como avelãs. as quaes lambem dáo palmitos muito bons. os «|uaes «'oquinhos . o qual c o do cima tem o cheiro muito forlum. o dáo uns cachos do cocos muito miúdos do tamanho e côr dos abricoques. estas tem a folha da parte de fora verde e da de dentro branca. aos quaes so como o de fora. para quem anda pelo sertão.ROTRIRO n o lin. sobre o fogo. muito bom. tom u rama pequena. Paty ó oulra casta de palmeiras bravas muito compridas o delgadas . com o seu miolo pequeno quo so como. Palioba é como palmeira nova no tronco e olho. o do fazerem azeite. e por dentro é estopenta . quesofende ao machado muito bom. ondo se lhe gasta a humidade. i|ue tem muitos nós. Estas palmeiras tem o tronco fofo. corao os abricoques. que lambem dão cocos em cachos. o molle. e é mantimento muito sadio. é de t«u .

quando se estas folhas seccam. muitos annos. d'onde nascem umas fruclas como laranjas pequenas. e dá uma fruta como bagos de uvas brancas coradas do sol e molles. eslas lem as folhas do um palmo de . que não Como na Bahia se criam algumas frutas que se comem.a para desafogar. Canapú é uma herva que se parece com herva moura . mas não tem bom sabor senão para os indios. que além de ler bom cheiro tem suave sabor. a qual atrepa pelas arvores e as cobre todas . sahem feitas em pregas. a casca é da grossura da das laranjas de côr verde-clara . Modurucú é nem mais nem menos que uma figueira das que se plantam nos jardins de Portugal . como eslá um leque estando fechado. dá palmitos pequenos . pareceu decente arruma-las n'este capitulo apartadas dasoutras arvores. tem ponta de azedo e é mui desenfasliada . que lem as folhas grossas . Em que se declaram as licrvas que dão fruto são arvores. faz-se d'ella boa conserva . A folha da herva é muito fria e bo. e para as choupanasdosque caminham. e dá uma ilôr branca muito formosa e grande que cheira muito bem . sem se seecar. fazem-se em pregas tão lindas como de leques da índia . o cm quanto é nova. E comecemos logo a dizer dos maracujás. que é uma rama como hera o tem a folha da mesma feição. Esta frueta é fria de sua natureza e boa para doentes de febres. em hervas que não fazem arvores. mas mui gostosos. e em quanlo não é bem madura. e tem outras muitas virtudes. e serve para cobrir as casas no logar onde se não acha outra. a qual so come. e quando nascem.192 GABRIEL SOARES DE SOUZA. a quo chamam figueiras da Índia . pondo-se em cima de qualquer nascida ou chaga. CAPITULO LVI. verde e leza como pergaminho. muito lizas por fora. do que se fazem nos quinlaes ramadas muito frescas. é muito azeda. na Bahia. porque duram. e tudo o que tem dentro se come.

e o caroço «lenho tomo cerejas. não se pozeram os olhos nas frutas declaradas nu . que é mui doce. que são unsfigostamanhostomo os lamparos. a qual se lança fora para se comer o miolo. cujo sabor «• mui apetiloso e fresco. de quem é mui estimada. CAPITULO LVII. o tão agudas como ellas. com a casca grossa «pio so não tome. Ao longo do mar se criam umas folhas largas . « miolo é de malhas brancas e pretas. Nos pés d'estc ramos se dão uns cachos como os dastaraareiras. Marujaiba são unsramosespinhosos. e gosta-se do um sumo que tom dentou doce e suave. que so prece na folha • ora coenlro. ' áreas ao longo do mar. que dáo um fruto a que chamam carauato. os «|uaes tom a casca dura e roxa por fora. que ú da feição do maçaroca. l'. e o prelo » como azeviche. o qual com a casca se lhe lança fora. Ha uma herva que se chama nhamby.-. o «pie se cria na. folha-' nas pontas umas das outras. cujo. otemperamas panellasdos seus manjares com ella .ROTKIRO DO HiAV/ll. espinhos são prelos. mas deixamo-los para elle. c do mesmo tamanho. feitos os fios em cordões cheios do bagos como os do uvas forraes. mas lim|ios dos espinhos ficam umas canas pretas que servem de bordões como renas «le rola . o tão agudos como agulhas..)> Comprido e quatro dedos de largo o um «Io grosso. e dito o frulo nas pontase nas ilhargas das folhas. c queima como mastruços. as quaes são todas cheias «le espinhos lama nltos e tão duros como agulhas. vermelhos por fora. a qual comem os índios e os místicos crua. a casca grossa o teza . e nascem a. que c o seu . tem bom cheiro. o amarello pw fora. o branco o idvissimo . por que solho déramos o primeiro. Náo foi descuido deixar os ananazes para este logar por esquecimento. mas empola-se a Loca a quem come muito fruta d'esta. Em que se declara a propriedade dos ananazes tão nomeados.

e depois de aparado este fruto. ainda que estejam com as raizes para o ar fora da terra ao sol mais de um mez .19/j GARRIEL SOARES DE SOUZA. e se andam limpos de herva . e pegam sem se seecar nenhum. mas em todo o anno uns mais temporãos que os outros. que lançam ao pé do fruto e no olho.ficando-lheo grelo quetemdentro. ecomo vai amadurecendo. lançam outros ao pé do ananazeiro. e com uma ponta e bico em cada signal das pencas. mas é todo maciço . e lança um grelo da mesma maneira . que entre elles nasce. mas mais comprido. e tem as folhas armadas. mas não são tão grossas. o cortam em talhadas redondas. e desfaz- . Os ananazeiros se transpõe de uma parte para a outra. que dura oito mezes. muito vermelho. e no inverno dão menos fruto que no verão . pois se lhe não podiadar companhia conveniente a seus merecimentos. os quaes se transpõem. como de laranja ou ao comprido. que também espigam e dão seu ananaz . os quaes não dão o frueto todos juntamente . em que vem aforçada^novidade. e. como a mãi donde nasceram. e alguns ba de côr mais amarella. e para o pormos só. Ananaz é uma fruta do tamanho de uma cidra grande. que vai correndo do pé até o olho. sem se seccarem. toda a vida. e em cima d'elle lhe nasce o fruto tamanho como alcachofre. e quando se corta lira o prato cheio de sumo que d'elle sabe. Para se comerem os ananazes hão de se aparar muito bem. e o que se lhe come é da còr dos gomos de laranja. quanto mais velhossão dão mais novidade. e como é maduro conhece-se pelo cheiro como o melão. capitulo atraz. tem olho da feição dos alcachofres. e o corpo lavrado como alcachofre molar.do tamanho da herva babosa. os qíaes dão novidade d'ahi aseis mezes: e além dos filhos. o qual assim como vai crescendo. e muitos ananazes lançara o olho e ao pé do fruto muitos olhos tamanhos como alcachofres. lançando-lhe a casca toda fora. e os olhos que nascem no pé e no olho do ananaz. A herva em que se criam os ananazes é da feição da que em Portugal chamam herva babosa. a qual herva ou ananazeiro espiga cada anno no meio como o cardo. Os ananazeiros duram na terra. se vai fazendo amarello acatacolado de verde. vai perdendo a côr e fazendo-se verde. e a ponta de junto do olho por não ser tão doce.

aparada da casta. e muilo damnoso pira quem tem ferida ou chaga aberta : os quaes ananazes sendo verdes são proveitosos paru curar chagas com elles . que lhe incitem nos golpes. a qual é muito formosa c saborosa. D'csla arvore se Ura o balsamo suavíssimo. o sabor dos ananazes é muito doce. e náo tem a queiitura c humidade de quando so come em fresco. do que se aproveita o gentio: e em tanta maneira como esta fruta . dando-lhe piques alé um certo logar. oulros a tomoezns: mas no cheiro e no sabor não ha quem so saiba afirmar em nada . I ! '. do cujo sumo. porque. c como . Quando lavram esta madeira cheira a rua toda a balsamo.l se tudo em sumo na boca. cujo sumo come todo o cancere. e todas as vezes que se queima cheira muito bem. cuja madeira é pardaça e incorruptível. CAPITULO LTI1I. donde começa de chorar esto suavíssimo licor na mesma hora . o tão suave que nenhuma fruto de Hespanha lhe chega na formosura. Daqui por diante se tão arrumando as arcores e hercas de virtudes que ha na Bahia. do qual vinho todos os mestiços e muitos Porluguezes são mui afeiçoados. para ser mais azedo. porque uns cheiram a melão muito fino. no sabor o no cheiro. ora sabe e cheira a uma cousa. para que os colhem mal maduros. D'esta fruta se foz muita conserva. Não se podiam arrumar era outra parte que melhor estivessem as arvores de virtude que apoz das que dâo frulo. o qual se recolhe era algodões. que alimpam com as suas cascas a ferrugem das espadas o facas. o carne podre. os indios fazem vinho. e seja a primeira arvore do balsamo que se chama cabureiba. quando são maduras. mas é muito mui? suniarento.ROTEIRO DO RRAZIL. ora a outra. A natureza d'eslo fruto é quente e humido. com «pio so embebedam. e tiram com ellas as nodoas da roupa ao lavar. como o gomo de laranja. que são arvores mui grandes do que se fazem eixos para engenhos.

e antes de se saber de sua virtude servia de noute nas candeias. so não são vidradas. e lança tanta quantidade cada arvore que ha algumas que dão duas botijas cheias. cuja madeira não ó muito dura.i96 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o para tirar os sinaes d'ellas no rosto. e algumas pessoas querem afirmar que ato no vidro mingoa. porque ó prejudicial. Este óleo tem muito bom cheiro. mas tão áspera . dores de barriga e pontadas de frio ó este oleo santíssimo. Em que (rala da virtude da embaiba c caraobuçú c caraobamirim. c amassa-so com o mesmo balsamo. Para frialdades. O caruncho d'cstc páo. Para se tirar este óleo das arvores lhes dão um talho com um machado acima do pó. e não deixa criar nenhuma corrup<. e é excellenle para curar feridas frescas. sem outras mézinhas. que faz uma copa em cima de pouca rama. e as que levam ponlosda primeira cura soldam se as queimam com elle. Embaiba ó uma arvore comprida o delgada . e fazem «resta massa contas. c preciosíssimo no cheiro. mas um óleo santíssimo em virtudes. De tão santa arvore como a do balsamo merece ser companheira o visinha a que chamam copaiba que é arvore grande. a qual não dá fruto que se coma. e tem a côr pardaça. que ó grosso e da côr do arrobe. o é tão subtil que se vai de todas as vazilhas. a folha ó como de figueira. os espremem em uma prensa. atè que lhe chegam á veia. e as estocadas ou feridas que não levam pontos se curam com elle. e quem se untar com este oleo ha-se de guardar do ar. estão bem molhados do balsamo. o qual é milagroso para cifrar feridas frescas.ãoncm matéria. c como lhe chegam corra este óleo em fio. que depois de seccas ficam de maravilhoso cheiro. CAPITULO LIX. com o qual se cria a carne ató encourar. onde lhe tiram este licor. que tem cada uma quatro canadas. que se cria no logar donde sahiu o balsamo . o qual c da còr e clareza de azeite sem sal. e faz se d'ella taboado.

a <|ual se pároco com o páo das Antilhas. cujo saibo é adocicado. do que lambem se aproveitam os Porluguezes.IL. de que muitos tem muitos. mas tem a madeira muito seca e a folha miúda. tomam os Porluguezes doentes d "estos males suadouros. pondo-a com o sumo em cima das bostellas ou chagas. cuja casca é delgada : da folha se aproveitam os indios. tomando o bafo desta água. sem outros unguentos. queó a semente de quo estas arvores nascem. da qual se aproveitam tomo da caraoba de cima . feitas em carvão. . i «mia qual so põe a madeira melhor quo com a pello do lixa. que lem necessidado d'cste remedio-para curarem seus males. seccam estas bostellas. Caraobuçu ó uma arvore como pocegueiro. senão quanto ó mais pequena. c com ella pisada curam as boubas. e tem a folha mais miúda. e o sumo da mesma folha bebido por xarope. com o quo se secam muito depressa : c quando isto não basta. onde se criam infinidade «le formigas miúdas. estando muito «pieiite. e cora o oleo do copaiba. como a da amendoeira : esta madeira c muito dura e de còr almecegada. o o entroeisco deste olho tem ainda mais virtude. o com o pó d'ellas. com o que lambem so curara feridas o chagas velhas: e laes curas se fazem cora o olho d'esta arvore. com as folhas d'esta arvore cozidas. queimam om uma telha estas folhas. O frulo d'esla arvore sao umas candeias o cachos como as dos caslanhoiros. de que acham muito bem. e se curam com elle com muita brevidade. Caraobamirim é outra arvore da mesma casta. que se não oecupam na Bahia cirurgiões. as quaes so náo dáo em mato virgem. tomo os figos passados. tomando d'estes nove suadouros.ROÍ t i n o DO HKAI. Tem o olho d'esta arvoro grandes virtudes para cora elle curarem feridas. porque cada ura o ó cm sua casa. 197 que os indios copilhara cora ellas os seus arcos o hastes de dardos. o assim no tronco como nos ramos é toda oca por «lenlro. o como amadurecem as comem os passarinhos o os indios. e dizem que tem mais virtude. o qual depois do pisado so põe sobre feridas moriaes. senão na lerra que foi já aproveitada. o tora doutro uns grãos do milho. o lhes faz sahir todo o humor para fora e secar as hostol Ias.

a que os indios chamam ubiracica. Em algumas partes do sertão da Bahia se acham arvores de canafislula. pelo que se entende. da qual fazem emplastos para defensivo da frialdade. e é differente na grandura das arvores. e quando a deita é muito molle e pegajosa. a qual é maravilhosa almecega. que faz muita vantagem á que se vende nas boticas.198 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que lhe os indios vão apanhando com umas folhas. de que lança grande quantidade. e faz muita vantagem á trebentina de beta. e para fazer vir a furo postemas. Corheiba é uma arvore . na baga e no cheiro é a aroeira de Hespanha. na vista. debaixo de cujas raizes se acha muito anime. Naturalmente se dão estas arvores em terra de areia. e tem a mesma virtude para os dentes. os quaes faz arrebentar por si. porque se não acha junto de outras arvores. Que trata da arvore da almecega e de outras arvores de virtude. de cuja madeira se faz boa cinza para decoada dos engenhos. mas de agrestes dão a . e lhes chupa de dentro oscarnegões. e na virtude como o de Guiné. de cuja madeira se não aproveitam. e para uma arvore lançar muita picam-na ao longo da casca com muitos piques. Ha outras arvores de muita estima. e para soldar carne quebrada. que é no cheiro. que o estila de si. que na folha . que são tamanhas como oliveiras. mas valem-se da sua resina. e derretida é boa para escaldar feridas frescas. na flor. á qual os indios chamam icica. aonde a vão ajuntando e fazem cm pães. Esta almecega é muito quente por natureza . pelo baixo do tronco da arvore. a que o genlio chama geneüna. com a qual almecega se fazem muitos unguentos e emplastos para quebraduras de pernas. CAPITULO LX. e logo começa a lançar por elles esta almecega. tem honesta grandura.

«piedáo o fruto mui perfeito como o das índias. liáo-se de pizar muito bem. mas quebrada. Em algumas fazendas ha algumas arvores de canafistula. com o que fazem tâo bom curtume como com elle. as quaes tomem todo o cancere e carne podre. e cobrir as chagas cora os pós dellas. e lem a codea áspera. que nasceram «Iassementes «pio foram de S. as quaes lem um circulo preto. cuja flor e o cheiro delia é da murla. da qual raurta se usa na Misericórdia para a cura dos penitentes e para todos os lavalorios. ao longo do mar. Thomé. que alrepam por outras maiores. da qual não usa o gentio . as quaes se chamam mucunás. Ha uns mangues. d'esta maneira. Criam-se nesla terra outras arvores semelhantes ás de cima. Estes mangues fazem as arvores muito direitas. para que ella serve. de que se faz carvão. de que elles nascem. as quaes dão umas favas aleonadas pequenas. e tem tal virtude que serve aos curtidores para curtir toda a sorte de pelles. assim nas pevides que lem tomo no prelo. que tem dentro uma semente como lentilhas. que tem a madeira vermelha e rija. eda mesma feição. que se chamam o cipó das feridas. em lugar de sumagre. por ondo lançam muitos ramos romo vides. e do tamanho de um tostão. Ao longo do mar da Bahia nascem umas arvores que tem o pé como parras. mas não dá murtinhos. cujo fruto são umas favas redondas e aleonadas na còr. mas tem grande virtude. sem outros unguenlos. as quaes alrepam por outras arvores grandes. a qual se dá pelos campos da Bahia. Cuipeuna é uma arvore pontualmente como a murla de Portugal. cuja casca é muito áspera.ROTEIRO DO BRAZIL. cuja folha pizada e posta nas feridas. a que o gentio chama apareiba. porque tem a mesma virtude desecaliva. e não tom outra differença quo fazer maior arvore e ter a folha maior do viço da terra. e na cabeça um olho branco. . |iorque nio sabe o para que ella presta. para curar com ellas feridas velhas. e dão umas candeias verdes compridas. Depois de serem estas favas bem seccas. Estas favas para comer são rteçonhentos. da feição das de Portugal. que se come o tem o mesmo saiho. as cura muito bem. 199 canafistula muito grossa e comprida.

cuja natureza é muito quente. e põe-lhe o fogo por uma banda. é muito eslimada dos indios o mamelucose dos Portuguezes. sem se entender de que. e se curam hoje em dia os tocados d'este mal. e não ha duvida senão que este fumo tem virtude contra a asma. matam a fome e sede com esle fumo . Pino é pontualmente na folha. torcidas umas com as outras. bebe muito deste fumo. Pelume é a herva a que em Portugal chamam santa. e os que são doentes delia se acham bem com elle. que bebem o fumo d'ella. Todo o homem que se toma do vinho. CAPITULO LXI. A folha d'esta herva. se curaram com esta herva santa. como é seca e curada. Afirmam os indios que quando andam pelo mato e lhes falta o mantimento. e com o sumo d*esla herva lhe encouram. ajuntando muitas folhas d'estas. pelas grandes mostras que tem dado da sua virtude. pelo que o trazem sempre comsigo. como ó matarem com o seu summo os vermes que se criam em feridas e chagas de gente descuidada.200 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e comecemos logo a dizer da herva santa e outras hervas semelhantes. Deu na costa do Brazil uma praga no gentio. e como faz braza. onde ha muita delia pelas hortas e quintaes. Daqui por diante se vai relatando as qualidades das hervas de virtude que se criam na Bahia. com a qual se tem feito curas estranhas. como as que em Portugal chamam . como foi adoecerem do sèsso. mettem este canudo pela oulra banda na boca. e depois que se soube o seu mal. sem terem necessidade de outra mézinha. com a qual se curam também as chagas o feridas das vaccas e das egoas sem oulra couza. c dizem que lhe faz esmoer o vinho. da qual doença morreu muita somma d'esta gente. pelo que não diremos d'esta herva senão o que não é notório a todos. e metlidas em um canudo de folha de palma. e criarem bichos nelle. e sorvem-lhe o fumo para dentro até que lhe sabe pelas ventas fora.

e de outras hervas que fazem arvore. bebido < s« »t > azeite. deitam estas hervas umas raizes por baixo d.iim chamam os indios ao algodão. bebido serve tanto como purga de ranafistola . 201 figueira do inferno. pira cada purga o pezo de dous reates de prata. e de sua virtude. e para os doentes «Io eólica. tamanho como um feijão. mas mais grossas. Pecacuem são uns ramos que alrepam como parra. iodo* cheios de bicos. as quaes raizes se cortam emtalhadasem verdes. que são por dentro alvissimas. do que se usa muilo na Bahia . Mar. CAPITULO LXII. cujas arvores parecem marmeleiros arruados em pomares. o lança por einn da terra uns ramos como as batatas. mas a madeira delle é como de nr 2ü . e tomada pela manhã uma colher d'esta conserva faz-se com ella mais obra. « • lhe passa o aetidente logo : ns folhas d'csla herva são muito < boas pira desafogarem chagas e postemas. que com assucarrezadode Alexandria. c faz maravilhas.i raiz pizada e lançada em água. Em que se declara o modo com que se cria o algodão.i lerra tomo bnlaLis. cuja folha «• ' pequena. as quaes tem grande virtude para estancar cameras. os quais dáo umas sementes preLis tomo enilh. c secram-nas muito bem ao sol. Jeticuçú é uma herva. I) estas raizes se faz conserva em assucar raladas muilo bem . que serve na candeia. tamanhos como avelãs. cuia um d'eMes bagos tem dentro um grão pardo. e tomam d 'estas talhadas. Esla herva dá o fruto em cachos cheios do bagos. o qual pi/a«!o se desfaz todo em azeite. redonda e brancacenta . as suas raizes são como de junta brava. do que se usa tomando uma pequena d'est.ROTEIRO DO BMZIL. e lançando em vinho ou cm água muilo bem pizado se dá a beber ao doente de madrugada. que são maravilhosas para purgar. posta a serenar e dada a beber ao doente «te cameras de sangue lh'as faz «lançar logo.ieas grandes . que nasce pelos campos. depois de seccas. como eidrada.

com muitos ramos como de roseira de Alexandria. que se faz em papas que chamam mingáu. Nas campinas da Bahia se dão urzes de Portugal. porque se seccam. Vistes caroços do algodão come o gentio pizadós e depois cozidos. com o pé comprido e vermelho. A flor do algodão é uma campainha amarella muito formosa. o qual se fecha com três folhas grossas e duras. com que sé fecham estes capulhos. e se não o apanham logo. ficam-lhe umas camarinhas denegridas.) As arvores d'estes algodoeiros duram sete e oito annos e mais. e cada carocinho e tamanho e da feição do feitio dos ratos. amarellos. que é a semente donde o algodão nasce. a qual faz arvore. mole e oca por dentro. cada um do tamanho de um capulho de seda. com quatro ordens de carocinhos pretos. a qual tema mesma virtude. e como lhe cahe a flor. e como o algodão está de vez. de que esta herva nasce. assim a uma como a outra. e para seecar chagas de boubas. da feição das com que se fecham os botões das rozas. e da mesma feição. o qual no mesmo anno que se semea dá novidade. quebrando lhe cada anno a = pontas grandes á mão. em que tomam mais novidade. para que a herva os não acanhe. mas de feitio mais arteficioso. cidreira. cuja madeira é seca e qucbradiça. abrem-se estas folhas. a folha é como da herva cidreira . < para que lancem outros filhos novos. com o sumo da qual se cüfam feridas espremido nellas. que comem os meninos e os passarinhos. . as flores são como cravos de Tunes. donde nasce um capulho. os quaes algodões se alimpam á enchada. que é de Agosto por diante. cahe no chão. Camará é uma herva que nasce pelos campos. e vão-se seccando e mostrando o algodão que tem dentro muito alvo. Ha outra casta d'este camará. sabu-ueiro. que dá flores brancas da mesma feição. tem a sua água muito bom cheiro e virtude para sarar sarna e comichão. lavando-as com esta água quente. a folha parece de parreira. da mesma feição. que é a semente. duas e três vezes cada anno.202 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que ao longe parece uma noz verde. e em cada capulho d'estes estam quatro de algodão. que cheira a lieWa. Cozidas as folhas e flores d'esta herva. e cada capulho bestes tem dentro um caroço prelo. do que se usa muito naquellas partes.

E também se dáo na Bahia as canuas do Hespanha. por se parecer cm tudo cora elle. que lera as flores brancas da feição dos bommcqucres.\ assim nos ramos corao na flor. As calmas «Ia Bahia chama o gentio ubá. Esta herva dá umas candeias como castanheiro. e trazendo-a na boca. ainda que tem o miolo mole e osloponlo. as quaes cozidas em água tem a mesma virtude deseraliva que as de Hespanha. das quaes c das flores se faz tinta amarella tomo açafrão muito fino. os pós dellas alimpam o cancere das feridas. e da largura da folha da cidreira. quem lem a boca damnada. cujas espigas são do quinze e vinte palmos do comprido. o tem a folha molle. a cura muilo depressa . 'M). do que usam os indios no seu modo de tintas.nOTEIItO DO BRAZIL. Espigam estas ca nuas cada anno. por se parecer nos ramos com ella. sem dar nenhuma pena. dos quaes ramos cozidus na água so aproveitam os indios pira seecar qualquer humor ruim. «pieiraadas estas folhas. mas não dáo camarinhas. que faz arvore do altura de um homem. onde ha umas sementes como gravanços. EsLis canoas são compridas. a água cozida com estas folhas é loura e muilo cheirosa e boa para lavar o rosto. a qual cheira a hortelã franceza. a que chamam os indios caapiam. o lança umas varas era nós como cannas. mas não crescem tanto como as da terra. e dáo o mesmo nome da de cima. mastigando as folhas d'esta herva. A arvore que faz esta herva é como a do alecrim. por onde estalam muito corao as apertam. Jaborandi é uma herva. e tem outras muitas virtudes. e tem a aspereza da hortelã ordinária. ou chagas nella. as quaes tem folhas como as do Hespanha. a folha será de palmo de comprido. onde so cria a semente do que nasce. duas ou tres vezes cada dia. a que os índios chamara jaborandiba. e os homens que andaram na índia lhe chamam bétele. Dão-se ao longo da ribeira da Bahia umas hervas. e a côr de verde claro como alface. Nascem outras hervas pelo campo. cheias de nos por fora e maciças por dentro. ao harbear. e as raizes da mesma maneira. do que os indios fazem as flexas com que atiram. A folha d'osta herva mellida . que lavram a lerra muito.

as quaes são muito macias. Pelos campos da Bahia se dáo algumas hervas que lançam grande braços como meloeiros. o qual do natureza é muito frio. por onde estala muito. CAPITULO LX. tiram a dòr de dentes. e os Porluguezes fedegosos. e mastigadas estas folhas e trazidas na boca. Esta herva faz arvore do tamanho das mostardeiras. a arvore faz umgrelo . so lhe não açodem com tempo. cujos olhos comem os índios doentes de boubas.e 20k GABRIEL SOARES DESOUZA. o outras pessoas. pelos campos. e dizem acharem-se bem com elles. Ha outras hervas menores. e tem as folhas cm ramos arrumadas como folhas de arvores. e afirma-se que esta ca salsaparrilha das Anlilhas. de que se aproveitam os indios e os Porluguezes. o cozidos os olhos e comestos. mas tem a folha redonda muito grande com o pé comprido. da feição dâs folhas de pecegueiro. são sanissiraos para este mal do fígado. que alrepam se acham por onde. Cápeba é uma herva que nasce em boa terra perto da água . lh'as cura cm poucos dias. a qual é muito macia. a qual é muilo macia. das quaes lho nascem umas bainhas com semente como ervilhacas. porque criam nelle muitas vezes bichos de que morrem. e serve para desafogar chagas: com este sumo curam o sesso dos indios e das galinhas. na boca requeima como folhas de louro. os ramos tem muitos nós. e faz arvore como couve espigada . A arvore que faz esta herva é tão alta como um homem. começando na que o gentio chama tararucu. estas folhas deitam muito sumo. das quaes faremos menção brevemente neste capitulo. mas tem o verde muito escuro. Em que se dcclaru a virtude de outras hervas menores.I1I. as quaes dão umas flores brancas que se parecem até no cheiro com a flor do legacão em Portugal. de muita virtude. Quem SJ lava com ella cozida nas partes eivadas do fígado. Estas hervas dão umas flores amarellas como as da páscoa . e tem o verde muito escuro. se as pizam. e o cheiro da fortidão da arruda.

quando é necessário. da qual fazem as vassouras na Bahia. e posta sobro chagas e coçaduras das pernas que lem fogagem. a que o gentio chama caameuam. as quaes são brancas da banda debaixo. lança umas randoias crespas em que dá a somente. Esta herva é do natureza frigidissima.RoTEISO DO BRAZIL. e se a fbgagem é grande. e depois de bem espigado. pondo-lho estos folhas em cima. soca-se esta folha do maneira quo fica áspera. com cujas folhas passadas polo ar do fogo. mas tom a mesma virtude. que são mentrastos. do quo nasce uma bainha como do tremoços. Poipeçaba é uma herva que se parece com bclverdo. e sãotontosque juncam com elles as igrejas pelas oiidocnças. do quo nasce. as desafoga. que causa dòr do cabeça a . porque não tem oulra differeuça do de Portugal que ser muito viçoso. a quo os índios chamam campuava. a qual pizain os indios e curara com ella feridas frescas. a qual náo dá flor. da feição de tonchagem. a que o gentio chama caapiá. quo so chama guaxima. sem outros uugueDtos. e muito tenro. [tara o que tem grande virtude. Nas campinas da Bahia se cria outra herva. Por estes campos se cria outra herva. e tem a mesma virtude. e os Porluguezes malvaisco. «|ue tem as folhas do três em Ires juntas. cuja água cozida « boa para lavar ' • os pés . para fazerem vir a foro as postemas o inchaçõcs. mas semente muito miúda. dá qual usara os médicos da Bahia. e tom o pé comprido. c também entre os Porluguezes so cura com o sumo d'esta herva o mal do sesso. Criam-se outros hervas pelos campos da Bahia. e são da còr da salva. cuja natureza c fria. que tom dentro umas sementes como lentilhas grandes . quo se dá nos jardins de Porlugual. so desafoga toda a chaga e incharão. nem mais nem menos quo os do Hespanha. cuja natureza é fria . Petos mesmos campos se criam outras hervas. de que nasce. e dá a flor roxa. era logar de rosmaninhos. a qual herva tem o cheiru muilo fortum. com quo varrem as casas. da feição de escudete. -'05 oco por dentro. mas tem as folhas mais pequenas. e como está seta se lhe põe outras até que o fogo abrande. que está esquentada. eencourain com cilas.

para outras obras d'elles. E parece razão que se dê o primeiro logar ao vinhatieo. começando neste capitulo 64. e os homens que tem conhecimento da herva besteira d? Hespanha. Como temos dito das arvores de fruto. cuja madeira ê amarella e doce de lavrar. cuja madeira se não . e acham-se muitos páos maciços. de que se fazem os engenhos de assucar e outras obras. Os cedros da Bahia não tem differença dos das Ilhas senão na folha . convém que se declare as arvores reaes. mui grandes. daqui para baixo. que a côr da madeira e o cheiro. os quaes não poderam aturar o trabalho mais que até o meio d& i » porque todos adoeceram com o cheiro d'ella de dôr de cabeça. CAPITULO LXIV. que se acham muitos de cem palmos de roda. o que fez espanto. çoino cameras de que morre : pelo qual respeito houve quem quiz desinçar esta herva de sua fazenda. e brandura ao lavrar c todo um : a esla arvore chama o genlio acajacatinga. e das que tem virtude para curar enfermidades. Ha também foçanhosos páos d'esta casta. e depois dá-lhe. assim sobre a terra como debaixo d'ella. dos quaes se fazem canoas tão compridas cpmo galeotas. que se dão na Bahia. mas os muito grandes pela maior parte são ocos por dentro. quem a colhe: o gado que come esta herva engorda muito no primeiro anno com ella.200 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e a viram n'esta terra. que trata do vinhatieo e cedro. a que o gentio chama sabigejuba. de que se tira taboado de três. Daqui por diante se vai dizendo das arvores reqes e o para çifç servem. afirmam que é esta n^espia beffia a besteira. de cuja grandeza ha tanta fama.. e para casas e outras obras primas. e serve para as rodas dos engenhos. quatro e cinco palmos de largo. a qual é incorruptível. Esta madeira não se dá senão em terra boa e afastada do mar. e outros. > e poz um dia mais de duzentos escravos a arranca-la do campo.

muilo pesada. da . ainda que esteja cortada de cem annos. CAPITULO ixv. que se dá perto do mar. de que se fazem gangorras. Pequibi é uma arvore grande. e as obras do cedro das Ilhas nunca jamais perderam o cheiro. e o fato que se mette nas caixas de cedro não toma nenhum cheiro d*ellas. nem levantam lavareda. 207 corrompe nunca. de que se faz muito taboado pare o forro das casas e para barcos. Quando lavram esta madeira cheira a vinagre. e sempre que se tiram delia os cavacos molhados. da qual se acham mui grandes pios «pie pela maior parle são ocos. o qual cheirava a vinagre. estopenta . uiezas . cuja madeira é parda. que havia dezeseis annos que estava debaixo da tolha de ura engenho. em terras baixas. o já se viu melter um prego por uma gangorra. quo logo perde a fórtidao do cheiro. a qual dura sem apodrecer para fim dos fins. a qual «• branda ' detorrar• proveitosa par» obras primas e outras obras dos engenhos. e já quando pega não fazem braza. de quo se lira taboado «le três e quatro palmos de largo. mas acham-se alguns maciços. em quatro horas não pega n'elles. Pelo rio dos Ilheos trouxe a cheia um páo de cedro ao mar. e tanto que o prego começou a entrar para dentro. Que trata da» qualidade» do pequihi e de outras madeiras reaes. tamanho que se tirou d'elfo a madeira e taboado com que se mtdeirou e mrrou a igreja da Misericórdia. e se mettem os cavacos d esta madeira no fogo. acham-se muitas «festas arvores de quarenta acincoeuta palmos de roda . humidas e fracas. virgens e esteios para engenhos. começou a rebentar pelo mesmo furo ura torno de água em fio que correu até o chão. ainda que esteja lançada sobre a terra ao sol e á chuva. e sobejou madeira . o daranam com elle o fato que se nellas agasalha. E" esta madeira tão pesada que em a deitando na água se vai ao fundo. o faz uma vantagem o redro da Bahia ao das Ilhas.ROTEIRO DO BRAZIL.

e a madeira é boa de lavrar. de que se fazem gangorras. mesas. virgens.que se achas» muitas de trinta e quarenta palmos de roda. Quando se cortam estas arvores. assim debaixo da terra como sobre ella.20S CABRIEL SOARES DE SOUZA. o grosso dá vigas de oitenta a cem palmos de comprido. de quo se fazem gangorras. de. de que se fazem frexaes e tírantes dos engenhos. que nunca apodrece. cuja madeira é vermelha e mui fixa. onde se quebram muito. cuja madeira é vermelhaça e muito fixa . e é mui dura ao lavrar. eixos. lançando grandes troncos. fusos. Quaparaiva é outra arvore real muito grande. . Ha outras arvores também naturaes de vargeas de arêa. Não são estas arvores muito altas. e pela maior parte estas grandes são ocas por dentro. tinem n'ellas os machados como se dessem por ferro. mesas. da qual se acham grandes arvores. e acham-se muitas arvores tão compridas d'esta casta. por se desordenarem peto alto. fora o delgado. dura e tão pesada que se vai ao fundo . acham-se muitas arvores d'esta casta de cincoenta a sessenta palmos de roda. que nunca se viu podre. esteios e outras obras dos engenhos. Sabucai é outra arvore real que nunca apodreceu. virgens e esteios para engenhos e outras obras. qual se fazem bons liamos e outras obras para barcas grandes e navios. mas ha outras de honesta grandeza maciças. esteios e outras obras de engenhos. que cortadas direito. Estas arvores são naturaes de vargeas de arêa yisinhas do salgado. virgens. a que o gentio chama jutaypeba . mas tiram-se d'ellas gangorras de cincoenta a sessenta palmos de comprido. como são os eixos. de cujo frueto tratamos atraz. e são tão pesadas que em lançando a madeira na água se vai logo ao fundo. ainda que é muito dura e tão pesada que se vai na água ao fundo. que fica no mato. cuja madeira é vermelhaça. de que se fazem gangorras. mesas.

eixos.muitorija c doce de lavrar e incorruptível. ' Maçarandiba é outra arvofe real. mas de honesta grandura. a que os Portuguezes chamam Angelina. virgens. mesas. u acham-se muitas de trinta a quarenta palmos de roda. Estos arvores sãotoocompridase direitas que se aproveitam do grosso «fdlade cem palmos para cjraa. eixo-. cuja madeira ó de cor de carne de presunto . e boas caixas por ser madeira leve e boa de lavrar e honesta côr. de que se fazem gangorras. mas não é muilofixoao longo da torta. façanhosa na grossura e coroprizif 27 . esteios 5 outras obras dos engenhos. virgens. e não se dá cm ruim terra. esteios c outras obras dos engenhos. e de pesado se vai ao fundo. e para taboado. esteios e outras obras miúdas. « Em que se acaba de concluir a informação da» arvores reaes que se criam na Bahia. esteios e outras obras dos engenhos e das cazas de vivenda.' virgens. c os Indios andurababapari . eixos. de quo se fazem eixos. de cujo frueto já fica dito atraz: são naturaes estas arvores da visinhança de mar.ROTRIBO DO BRAZIL. e Uo dura de lavrar que não ha ferramenta quo lhe espere. Nas várzeas de aréa se dão outras arvores reaes. e é tão pesada quese vai ao fundo. mesas. na folha. fusos. as quaes se parecem na feição. e é tão pesada que se vai ao fundo. quo não é tamanha como as de cima. Ha outras arvores reaes. Ha outra arvore real que se chama jataymondé. com carvalhos. Juquitibá ó oulra arvore real. o qual lambem serve para liames de navios e barcos. e nunca so corrompem.. as quaes são muito grandes o acham-se muitas de mais de vinte palmos de roda de que fazem gangorras. fusos. e acham-se alguns de vinte e cinco a trinta palmos de roda . a «jue os índios chamam curuà. virgens. mezas. cuja madeira < • amarella de corformosa. l!()í* • CAPITULO LXVI. na còr da madeira. de que so fazem gangorras.

tem a côr de carne de fumo. e vai-se ao fundo. e boa de lavrar. mas muilo doce de lavrar. fuzos. Putumujú é uma arvore real. esteios e fuzos para os engenhos * a madeira é parda e muito rija . porque nunca se corrompe. que se chamam urueuranas. mesas. por serem desordenadas nos troncos. cuja côr ó amãrellaça.. lnento. não são arvores muilo façanhosás na grandura. a qual madeira é pesada. qué cada uma pelo menos lia de ter cincoenta palmos de comprido. e muito taboado. de que se aòham muitas de vinte palmos de roda para cima. Esta madeira lem a côr brancactínla. e é boa de lavrar e serrar.210 GABBÍEL SOARES DE SOjÜZA. da qual se fozem eixos. de que se fazem gangorras. não muito pesada. que soffre melhor o prego e nunca apodrece. e outras obras. mas tiram-se d'ellas virgens.e taboado para navios.. quatro de assento e cinco de alio. e taboado para navios. de que se fazem gangorras. Pelas campinas e terra fraca se criam muitas arvores. e já se cortou arvore destas tào comprida d grossa. Ubiraem é oulra arvore real. não são arvores muito grandes. que sâó muito compridas e de grossura. de que se também fazem carros muito bons. não se dão estas arvores em ruim terra. e é tão pesada esta madeira que se vai ao fundo. e não se dá senão em terra muito boa. Ha outras arvores. que deu no comprimento e grossura duas gangorras.. mas dão três palmos de testai Esta é das mais lixas madeiras que ha no Brazil.é pesada e dura. e outras muitas obras de casas. que se chamam sepepiras. é leve e pouco durável onde lhe chove. . que fazem dellas virgens e esteios para os engenhos. e toda a obra de casas e de primor: a côr desta madeira é amarella com umas veras vermelhas. esteios para os engenhos. esteios dos engenhos. virgens. a quem o gusano não faz mal. mesas dos engenhos é outras obras. virgens.e tão liada que nunca fende. e pára Ilação de navios e barcos é a melhor que ha no mundo. que em certo tempo se enchem de flor como de pecegueiro.

e se foram mais leves eram melhores quo os «Io pinho. o qual pega tomo visco. das quaes se liram frccliaes o tiranias para engenhos de tom palmos. ha tantas na Bahia. ainda que mais alva.ROTKIIIO DO H I W / I I . por haver muita somma d estas arvores a borda d'agua . cuja madeira é amãrellaça. das quaes diremos alguma parto das que chegaram á nossa noticia. e se isto não •'• lermcntina. centre ella e o páo lança um leite grosso. que pega como teniientina. do quo se faz muito taboado para ellas e para os navios. e cada uma deita muita matéria d'esla. de que se fará miiila quantidade. e não muilo gnKo. !>l f CAPITULO LXVII. o com elle armam os moços ai* . não se tira senão com azeito. que serve pira outras eousas. que pirecem torneadas. parece que fazendo-lhealgum cozimento. o que iançi dando-lhe piques na casca em lio. Madeiras meSs. e de cento e vinte de comprido e dous de largo. que servirá para brear os navios. Cria-se entre a casca e o âmago d'esla arvore uma matéria grossa ealva. Daqui por diante se trata das madeiras meãt. e lança muita quantidade. quo so náo podem contar. quo «ingressará o coalhará tomo rezina. São estas arvores muito compridas e direitas.'e melhor de serrar. E comecemos no camaçari que silo arvores naluraes de aréa o terras fracas. n qual madeira serve para toda a obra das casas. o o mesmo lança ao lavrar e ao serrar. por serem mais fortes. e de toda a sorte. e palmo o meio afora o delgado da ponta. boa do lavrar. Guanandi é uma arvore comprida. que serve para obrado casas em parte aotufo lhe não toque a água : a casca d'esta arvore é muito amarella por denlro. E«ta madeira tem a còr vcrmelhaçn . o so loca nas mãos. e é da mesma còr. as quaes arvores são tão roliças. e de còr amarella muito fina. IVestas arvores se fazem nia«lms para os navios.

« a qual madeira se não faz conta. para calafetar. Dão estas arvores umas flores brancas como . e como apertam com ellas não cheiram. nora se aproveitam delia 3 senão em obras de pouca dura. a qual os indios fazem em fios para fachos com que vão mariscar. que se chama ibiriba. Açham-se pelos matos muitas arvores de que se tira a envira para 'calafelar: e comecemos a dizer das que se chamam enviroçú. de que se fazem esteios para os engenhos. as quaes se abrem como se põe b sol. e para andarem de noute. de que se fazem mastros para navios. as quaes tem a easca áspera por fora. pega o fogo n'elIa como emalcatrão. cuja madeira amole. que estão fechadas 4a mesma maneira . e da mesma feição.cebola cocem muilo formosas. e não ha machado com que se possa cortar. as quaes arvores são muito compridas. Estas arvores se csfoSlam c obrem-se á mão. com que so servem de noute á falta d'ellas. e não se faz conta delia senão para o fogo. e estão abertas até pela manhã. a qual se esfolla das arvores. como de candeias. as quaes . e se pisam muito bem . e outra obra de casas. e ainda que «eja verde cortada d'aquella hora. Que trata das arvores que dão a envira ? de que se fazem cordas e estópa para calafetar navios. e não apaga o vento os fachos d'ellá. faz-se branda como estopa .todo o trabalho. emquanto lhe não dá o sol: e como lhe chega se tornam a fechar. mas muito mimoso. que são arvores grandes.. cujo cheiro é suave. que nao quebre ou se trate mal. tirando taboado por ser má de serrar. Ha outra arvore meã. que serve. CAPITULO L X V I H . direitas e roliças. é muito boa defender. Esta madeira é muito dura o má de lavrar. é muito forte para .212 (ÍABRIEL SOARES DE SOUZA. e as que são mais velhas cabem no chão.tirantese frechaes. e cm casa servem-se os indios das achas d'esta madeira. pássaros.

c não dáo um palmo de âmago vermelho. que não é mMgrossa que a perna do um homem. porque nfio apodreço n água. 213 se fazemtodasora fios muitos compridos.XIX. cortam-n'a os indios em rolos de dez. quo se liam como canliamo. cadeiras o outras obras delicadas. cm que mettem os arcos • flechas. O condurú é arvore de honesta grossura. de que se fazem amarras e toda a sorte de cordoalha. Que trata de algumas arvores muito duras. o qual ontrecasco se tira tão facilmente. com es quaes se eid|Bm o cobrem. c o vermelho é incorrutivel. . porque náo quebram. se faz tflo branda e mais que estopa. mas muito macios. que se nito apagam nunca. D estes condurús novos se fazem espeques para os engenhos. coro que se fazem cordas U o alvas T como de algodão. e ficam 13o delgados como lona.ROTEIRO DO BRAZIL. e pisada esto casca muito bem. com o que se calafetam os navios e barcos.dozo palmos. o incha muito. o sabem os entrecascos inteiros. e para debaixo d'agua ó muito melhor que estopa. os quaes amassam e pisam coro uns páos coro que os fazem estender. que é tão forto como de cairo. de que os indios fazem aljaras. a qual envira é muito alva. c acham-se algumas que tem ires palmos de tosta. que fazem os negros de Guiné d'elle pannos de cinco a seis palmos de largo. e csfolam-na inteira para baixo como coelho. por darem muito de si quando lhe fazem força. . e morrões de espingarda muito bons. de que se fazem leitos. CAPITULO I. Embirili é outra arvore rooã. e do comprimento que querem. o do enlre«•ascodYlta se tira envira branca. e fazem muito boa braza. cuja madeira é molle. que todo o mais é branco que apodrece fogo. de que fazem cordas e niurrões de espingarda. i Goayaimbira é uma arvore pequena.

e com as mesmas águas. e os Portuguezes páo-ferro. por quebrarem os machados n'ellas. a madeira tem a côr parda. as quaes arvores se dão em terra de pedras e lugares ásperos. a qual é muito dura. se vai logo ao fundo.. Ha outras arvores grandes de que se fazem esteios para os engenhos. a que o genlio chama ubirapiroca : são arvores compridas. a madeira é alvissima como martim . a qual pella cada anno. cuja madeira se não corrompe. que tem as folhas como . em tocando n'agua. Suaçucanga é uma arvore pequena. em os quaes se faz aleonada depois de cortada: e é tão pesada que. por ser madeira de muita dura. Ao longo do mar se criam umas arvores. cujo tronco não é mais grosso que a perna de um homem. de que se fazem esteios dos engenhos o virgens. e serve para marchetar em lugar de marfim. a que os Porluguezes chamam espinheiros. Esta madeira é pesada e vai-se ao fundo. Ha outras arvores. de que so fazem tirantes e frechaes de casas. Ubirapariba é arvore grande. muito direitas. c os indios talagiha. e de còr amãrellaça. cuja madeira é preta. Ubirauna são arvores grandes do que se fazem esteios para os engenhos. CAPITULO LXX.2l£ GARRIEL SOARES DE SOUZA. por serem muito duras e trabalhosas de cortar. muito dura. e tão pesada que se vai ao fundo se a lançam n'agua. de que os indios fazem os seus arcos. Mandiocahi é uma arvore assim chamada pelo genlio. nem estallâm os arcos. de que se tira grossura até palmo e meio detesta. e ó muito dura de lavrar e de cortar. tem estas arvores a casca lisa. de honesta grossura e comprimento. cuja madeira é pardaça e incorruptível. muito dura de lavrar. que pelo ser se não aproveitam destas arvores. e é muito rija e boa de lavrar. a que os indios chamam ubiraetá. que sé d!ella fazem. e vem criando outra casca nova por baixo d'aquella pelle. a qual é pesada e boa de lavrar. por se não corromper nunca. Que trata das arvores que se dão ao longo do mar.

aflitos» que se fazem amarellas. em quanto novos e direitos. á maneira de favas. 215 romeira. a que os indios chamam sereiba. por serem muitos compridos e rijos. de que so fazem muitas obras boas. e por derredor d'ella. que so criara onde descobre a maré. com o pezo das quaes vero obedecendo ao chão até que pega d'elle. de que tornam a nascer ao pé da mesma arvore. de que se tiram taboões. cujas arvores são'muito tortas e desordenadas.ROTEIRO DO BltAZIL. e ó tão fixa que não ha quem visse nunca um páo d'estes podre. muito ásperas da casca. de que se fazem . as quaes lhe cortara ao machado. que vio crescendo mui desafoiçoados. que tem tio juntos que se afogam uns aos outros. e como esla chega a elles logo criam ostras. lVestos mangues se faz lambem lenha para os engenhos. de feição das dos feijões. aos quaes cabem algumas . e lançam mil filhos ao longo d'agua. delgados. CAPITULO LXXI. de grossura que servem para encaibror as casas de inalo. ede grossura bastante. e osramoscheios de espinhos. cuja madeira é molle. sem embargo de ser dura. e tem dentro um fruto. Em que se trata de algumas arvores moles. de que se mantém os caranguejos r que por entre elles se criam. para os engenhos fazerem decoada. feitas por tal artificio. e os mais grossos servem para as casas dos engenhos. os quaes lançam muitos filhos ao pé todos de uma grossura. que parecem taboas postas ali á mão. a que o gentio chama copaubuçú. alé que chegam a maré. e como pega logo lança ramos para cima. Pelo salgado ha uma casta «le mangues. direitos. Canapaúba é outra casta de mangues. Ha umas arvores muito grandes. a qual so lavra muito bem. e dão estas arvores umas espigas de um palmo. Estas arvores tem umas raizes sobre a terra. cujas pontas tornam para baixo em ramos muito lisos. e vem assim crescendo para baixo. e não serve senão para cinza. ajnadoira por fora ó muito áspera o por dentro amarella de cor fina.

cuja madeira não sorve mais. Geremari é outra arvore. cuja madeira é leve e de côr de pinho. c se fazem vasos de sellas. de que se tiram curvas para barcos. a qual ao longe parece na brancura e grandura o alamo. e a que se esfolla a casca muito bem. que são como as de adargoeiro. gamellas de cinco. a madeira é muito mole e oca por dentro. que serve para mastros e vergas das embarcações da terra . e é tão leve esla madeira. seis palmos de largo. as quaes arvores se não dão senão em terra muito boa. se os levarem a estas partes. que se parecem com os cajueiros. muito direita. mas muito liada. e sete e oito de comprido . que se chama cajupeba. para fazer d'elles uma jangada para pescar no mar á linha. d'onde se fazem também muitas rodellas. a qual em poucos annos se faz muito alta e grossa . e tem a casca brancacenta. e da vantagem na levidão. por ser muito mole. Penaiba é uma arvore comprida e delgada. que não dão fruto. porque a corrompe a chuva. A madeira é leve. mas não dura muitos annos. tem a casca muito verde e lisa . e por dentro tem muitas iníindas formigas.21(5 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que não fende. de que fazem bombas aos caravelões da costa. crespa o áspera como de amoreira. e muito grossa em cima. e dá umas favas brancas. e d'eslas folhas podem manter bichos de seda. de que já falíamos. Tem esta arvore a folha como figueira. a qual é defoada no pé. Paraparaiba c uma arvore. que para o fogo. a qual dá de si muito e não estala . que traz um indio do mato ás costas três páos d'estes de vinte e cinco palmos de compridoe da grossura da sua coxa. a casca d'estas arvores é secca como de sobreiro. quo se dá em boa terra que foi ja lavrada. tem estas arvores a folha brancacenla. a qual arvore se corta de dous golpes de machado. mas os pés mais compridos. Dão-se nas campinas perto do mar umas arvores. Apeyba é uma arvore comprida muito direita. cuja madeira é estopenla e muito branda. cuja madeira é muito branca. que se dá pela terra dentro. que não fende. Pelo sertão da Bahia se criam umas arvores muito grandes cm .

tapadas as cabeças. Jucuriaçu é uma arvoro que se dá em terras fracas. quo são fac. que se prece na folha. na casca e no cheiro aos loureiros de Hespanha. o porquo se cortam retas arvores muilo depressa por não ler dura mais.ROTKino DO nnAi. e sem duvida que parece canella. a que os indios chamam iihiragara. porque o cnlrccasco dos ramos queima mais do que o do tronco da arvore. AnhaybalSa é uma arvore que se dá cm várzeas humidas e ilo área a qual na grandeza c feição é como o louro. -217 comprimento e grossura. que dão três palmos de testa: a madeira d'csla arvoro náo se corrompe nunca. Jacarandá 6 uma arvore de bom tamanho. o não se corrompe nunca sobre a terra. c é muito «lura. e boa de lavrar para obras primas. mas com tudo se acham algumas.li. 28 . é xir. que se gasta no fogo dos engenhos. Entro as arvores de cheiro. que a casca e o âmago é muito molle c tanto que dous indios em ires «lias tiiam com suas foures o miolo lodo a estas arvores. ha uma»a quo os indios chamara cariinje. a qual lem muito bom cheiro. o parece que se a beneficiarem. cuja madeira é muilo molle e de côr almecegada . cuja madeira ê preta com algumas águas. 4 CAPITULO LXXII. mas tem a quentura mais branda. mas náo na baga. c é muito pczada. ainda que lhe dé o sol c chuva. cuja madeira «• ' sobre o molle. Em qur se apontam alguma* arvores de cheiro. o entre casco d'csla arvoro é da côr de canella. queima. que lhe servo de canoas. de sessenta e setenta palmos de comprido. que se dá nas campinas era terras fracas.. «Ias quaes fazem umas embarcações pira pescarem pelo rio o navegarem. que se acham na Bahia. e cheira. e fica a casca só. em que se embarcam vinte c trinta pessoas. que será muilo fina.ilissimas «fo fazer. e não é demasiada na grandeza. c sabe como cancha.

tem afolha«orno castanheiro. que duram mais que os de faia. e outra vermelhaça. com águas pretas. e na casa onde se lavra sahe o cheiro por toda a rua. CAPITULO LXXHI. em quanto verdes são pezados. dura. cuja madeira é mole. mas depois de secos são muito leves. e na casa onde se queima recende o cheiro por toda a rua. muito rija e pezada. umas e outras da feição do chamalote. cheira muito bem. a que chamam em Pernambuco páo santo. e os seus cavacos no fogo cheiram muito bem. Ha uma casta de côr parda. Atraz tratamos do genipapo no tocante ao fruto. e cheira muito bem. cujas arvores são altas. a madeira é de côr branca. de côr parda. como buxo. e muito boa de lavrar para obras primas. e o gentio as suas espadas. a qual se dá em terras humidas e de arêa. para se delia fazer obras de estima. e de honesta grossura. e cabos e cepos para toda a ferramenta de toda a sorte. Ubirataya é outra arvore que não é grande.-cuja madeira é de honesta grossura. Mucetayba é uma arvore que se dá em terras boas e nSo é de demaziada grandeza. por ser doce de lavrar. Entagapena é uma arvore que tem a madeira dura. nunca se corrompe do tempo.218 GARRIEL SOARES DE SOUZA. São estas arvores de meã . de que se fazem muitos e bons remos. com água sobre aleonado. agora lhe cabe tratar no tocante á madeira. mas boa de lavrar e melhor de tornear. e tem boas águas. de que se fazem contas muilo cortezãs. de que se faz também toda a sorte de poleame. que cheira muito bem. pezada. a qual madeira é muito estimada em toda a parte pelo cheiro e formosura. com águas também pretas. Huacã é outra arvore de que se fazem remos para os barcos. Em que se trata de arvores de que se fazem remos e hastes de lanças. esta madeira 'não fende nem estalla. e umas e outras tem o cheiro suavíssimo.

CAPITULO LXXIV.R0TR1R0 DO BRAZIL. a sua madeira por fora c almecegada e o âmago por dentro muito preto. a que os indios chamam cipós. como as oliveiras. o quo se lhe faz para fazerem hastes do lança e arremeçõos. folhas. depois de derrubadas. por mais que so lavo. mas compridas e direitos. os quaes alrepam pelas arvores acima como as videiras. mas quando a lavram não ha quem lhe sofra e fedor. cascas e madeira federa a alhos. os quaes cipós cheiram a alhos. da grossura e da feição de uma corda meã. e tem estas arvores asfolhasda feição das ameixeiras. Dão-se estas arvores oratorrasbaixas e humidas perto do salgado. e quem pega d'elles não se lhe lira o cheiro. Vestes matos se acham umas arvores mefis e direitas. Ao pé de algumas arveies se criam uns ramos como parreiras. e quando se lavram fazem um roxo claro muito formoso. a que os indios chamam ubiratinga. para fazerem os remos. Ha outra casta de ubirarema. de feição que quem os aporto coro as mãos lhe fieatn fedendo de maneira que se lhe não lira em todo o dia o cheiro. cujos ramos. Em que se dit de algumas arvores que tem ruim cheiro. Ha outras arvores. . cujas arvores são grandes e desordenadas nos troncos. porque é peor que o do umas necessárias. 219 grossura. quo não duram tanto como os do genipapo. mas dura-lhe pouco a cor. mas mais duras e formosas. que tão terrível fedor lem: e meltendo-se aofogose refina mais o fedor. que não são grossas. que quer dizer madeira que fede muito.c do dardos que são mais pesadas que as de Biscaia. a estas arvores chamam os indios ubirareiua. quese fazem muitoformosos. as quaes. e tom a casca áspera. as fondcm os indios de alto a baixo era quartos. de que se fazem obras de casas. a côr da madeira é açafroada o boa de fender. cm lodo aquolfo dia . e chegar os cavacos aos narizes é morrer.

que ó por comerem esta fruto naquello tempo. Anhangáquiabo quer dizer pente do diabo. o vão curando estas . affeiçoada como pente. definascores. do que os gentios se aproveilavamantesde communicarem com os Portuguezese se valerem dos seus pentes. e como os colhem . Aralicurana é uma arvore do tamanho e feição do marmeleiro.toradentro em si uma cousa branca edura. maiores o menores de feição redonda e comprida. a que os índios chamam comedoy. cortam-nos peto meio ao comprido o lançam-lhe fora o miolo. cuja madeira é mole o liza que se esfola toda em lhe puxando pela casca. o qual arregoa como é maduro. e são para isso mui estimados. cada um por si: estando esta fruta na arvore. e tem a folha como nogueira. as quaes se criam nos alagadiços. Este frulo comem os indios a medo. meios vermelhos e meios pretos. porque as não cortam os indios: por estimarem muito o seu fruto. cujo fruto são umas bainhas grandes. lavrado pela casca. Em que se apontam algumas arvores que dão frutos silvestres que se não comem. e muito lizo. que é a semente de que as arvores nascem. Da madeira se náo trata. e cheira muito bem. mui duros. ondo se ajunta a água doce com a salgada. edá umasfloresbrancas grandes. é da côr dos cabaços verdes. por «jue tem para si que quando os caranguejos da terra fazem mal. Nos matos se criam umas arvores de honesta grandura. Cuièyba é uma arvore tamanha como nogueira.2*i0 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Dáo estas arvores um fruto tamanho como marmelos. queé como melões. os quaes servem para tentos. é arvore de bom tamanho . «pie é como o dos cabaços. do cuja madeira se náo foz conta. Esta arvore dá umas bainhas como feijões. CAPITULO 1 X X V . a qual se não cria em ruim terra. senão pelo tronco da arvore o pelos braços d'ella. como pinha. o qual frulo se não dá entro asfolhascomo as outras arvores.

Ha outras arvores méis. que é da mesma feição dos limbos. que nascem aos pés das arvores o alrepam por ellas acima. que os indios chamam limbos. o qual amaruja e requeima como ella. que os indios chamam limborana. Pelo certão se criam umas arvores aquo os indios chamam beribebas. e os brancos quo náo podem mais. ás quaes cabe a folha cada anno . e ficam uns fios mui lindos como do rota da índia em cadeiras. ~-l peças até se fazerem duas. o fazem d'ellcs cestos melhores que de vimes. Deu a natureza no Brazil. N"estes mesmos matos se criam outras cordas mais delgadas o primas. . quo dão um fruto de tamanho e feição de noz moscada. dando-lhe por dentro uma tinia preta o por fora amarella que se não tira nunca. o torna arebentardo novo. Esto arvoro dá umas frutas brancas dotamanhoo feição do azeitonas cordovezas. Que trata dos cipós e o para que servem. por entre os seus arvoredos. e serão da mesma grossura. c fazer-sc-ha d'cllos tudo que se faz da rola da índia. do que fazemtombemcestos finos. com que os indios atam a madeira das suas casas. a que os indios chamam jaluaihu. quo lhe servem do pratos. com que escusam pregadura: e em outras partes servem em logar do cordas. mas tora comprimento de cinco o seis braças. pucaros. mas não são tão rijos . quando não achara os tinibúi. do «juo so aproveitara o indios.ROTEIRO DO Hn. e com estes fios atam a palma das casas quando as cobrem com ella. laças o do ou iras cousas. servem do mesmo. cuja madeira é muito pczada . a que chamam cipós. Ha oulra casta. aos quaes fondem também em quatro partes. que são mais rijos quo os cipós acima. ao que os indios chamara cuias. umas cordamuito rijas e muitas. CAPITULO LXXVI.MIL. cscudelas.

touças muito juntas. e são tão rijos que tiram com elles as gangorras dos engenhos do mato e as madeiras grossas. e acham-noa tão grossos como são necessários . Criam-se tombem n'estes matos uns cipós muito grossos. a que os indios chamam cipó-embé. as quaes nascem em. que é da feição das folhas das alfaces estendidas. ediira uma cobertura d'estas sete.222 GARR1EL SOABES DE SOUZA. Estas folhas quebram os indios ás mãos. e as deitara ao mar. e com elles varam as barcas em lerra. que nasce como a de cima. mas mais curtas e brandas. Cáeté é uma folha que se dá em terra boa e humkk . mas de quatro e cinco palmos de comprido. oito annos o mais. por onde atrepam.sem quebrarem. e assentam-nas sobre o emmadeiramento das casas. e não fazem arvore. onde a farinha vai de feição que ainda que chova muito não lhe entra água denlro. Que trata de algumas folhas proveitosas que se criam no mato. cujo nascimento é também ao pé das arvores. ou algum outro caminho . com os quaes se escusam calabretes de Unho» CAPITULO LXXVII. e tiram d'ella o mais fino linho do mundo. com estas folhas arma o gentio em umas varas uma feição como esteira muito teeida. cujas folhas são como de cannas do reino. e são muito tezas. pelos quaes puxam cem e duzentos índios. quando vão a guerra. Capara é outra folha. Tocum é uma herva. e fica cada esteira de trinta palmos de comprimento e três do largo. atar. a vara onde se criam é cheia de espinhos pretos. pegadas umas nas outras. mas em cada pé estão pegadas quatro folhas como as atraz. e se acertam de quebrar. com o que ficam muito bem cobertas. o limpa d'ellesficacomo rota da índia. que . e tem o pé de quatro e cinco palmos de comprido. tornam-se logo a. Servem estasfolhasaos indios para fazerem d'ellas uns vasos> em que metem a farinha.

São estas aves brancas. e com os frutos. e assim o parece. e ainda que o que se disse é o menos que se pode dizer. as pernas compridas. grandeza e estranbezas d'ella. A águia. tem o bico revolto. Sumnutrio das aves que se criam na terra da Bahia de Todos os Santos do Estado do Brazil. E porque se não pode aqui escrever a infinidade das arvores e hervas que ha petos matos e campos da Bahia . E peguemos logo da águia como da principal ave de todas as criadas. de que se fazem apitos. as quaes se criam pela terra dentro em campinas. e em todo o anno estão verdes e formosos. as unhas grandes e muito voltadas. convém que se de conta quaes aves se criam entra estos arvoredos. ou seda que d'elle sahe.t parece seda. por haver muitas mais arvores. e eu vi um quarto de uma depennada tamanho de um carneiro grande. é pontualmente do loque da herva da índia. Criam-se n'estes matos emas muito grandes. de que fazem linhas de pescar torcidas á mão. e outras malhadas de preto.ROTEIRO DO RRAflL. mas ha-se de notar que aos arvoredos d'esla província lhe náo cahe nunca a folha. de que se mantém. as quaes tom as pennas muito . de qual se farta obras mui delicadas. se quizerem. a que o gentio chama nhandú. é tamanha como as águias de Hespanha. e sustentam os filhos da caça que tomam. a que o gentio chama cabureaçü. Si que lemos satisfação com o que está dito no tocante ao arvoredo que ha na Bahia de Todos os Santos. nem as notáveis qualidades e virtudes que tem. lem o corpo pardaço e as azas pretas. onde fazem seus ninho e põem dous ovos somente. criam em montes altos. CAPITULO LXXTIII. outras cinzentos. e silo tão rijas que não quebram com peixe nenhum. e são tamanhas como as da África. ?2. e se mantém de seus frutos e frescura d'elle. Este lorum. achamos que bastava para o propósito d*esto compêndio dizer o que se contém em seu titulo.

e com frutas do campo . esobre a cabeça umas pennas levantadas. cuja carne é dura. onde criam. como poupa. e outros bichos que tomam. mas muito gostosa: das pennas se aproveita o gentio. e mantém os filhos com cobras. a mais carne ó sobre «lura. que tem cm muita estima. e ás vozes as matam as flexadas. que é branco. voam pouco e ao longo do chão. e fazem d'ellas uma roda de penachos. Tem estas aves as pernas e pescoço compridos. e as tomam com cãss a coco. os pés grossos . sendo assada . onde põe muitos ovos. tem sobre o bico. motum e das gallinhas do mato. mas tem no peito mais titellas que dous galipavos. mantem-se de frutas do mato. Motúm são umas aves pretas nas costas. tem as pernas compridase pretas. correm em pulos. são do tamanho dos gallipavos. mas boa para comer. os seus ovos não são redondos. mas cozida é muito boa. criam no chão.22/t GARRIEL SOAnES DE SOUZA. nem tamanhos como os das da África. e mantem-se das frutas do mato. as quaes são tenras como de perdiz. mas tem a casca verde de còr muito fina. o da mesma côr. as quaes não voam levantadas do chão . com as azas abertas: tomam-nas os indios a coco. CAPITULO LXXIX. por onde correm muito. tem as pernas altas. cheias de escamas verdoengas. Tem estas aves as pernas compridas. Em que se declara a propriedade do macucagoá . Estas aves fazem os ninhos no chão . e de cançadas as tomam. Macuagoá é uma ave grande de côr cinzenta. os ovos são tomo de patos. a còr parda. Tabuiaiá é uma ave muito maior que pato. grandes. cuja carne é dura. e sobre a . uma maneira de crista vermelha. e tanto as seguem. até que as cancam. em ninhos como de gallinhas. que pelas suas festas trazem nas costas.temo bico pardaço da feição da gallinha . mas não tem nellas tanta penugem como as da Alemanha. do tamanho de um grande pato. azas e barriga branca. Criam cm arvores altas. o bico grosso e grande.

e papo vermelho. cm montes muito altos. e o bico de dous palmos de comprido: fazem os ninhos no chão. cm que põem dous ovos. a mais carne é «lura para a-s. Jaciis são umas ares a que os Portugiiiv. e tem no peito muitas mais titellas.-vh. o muilo tenras. a qual enfastia muito. barriga e collo amarellas. e ao redor do bico amarello. tem as pennas das pernas.ROTEIRO DO HRAZIL. e as pennas do rabo e . matam-nas o* indios ás floxadas. mas tem as pernas mais compridas. 225 rabeca umas pennas levantadas como pavão. e tão crespos da casca como confeitos. cacaream como perdizes. e repartem-no pelos filhos. e o mais branco. CAPITULO LXXX. Canindé é um pássaro tamanho corao um grande gallo. o bico preto. araras e tucanos. lera o pescoço muilo grande. e voam pouco «• baixo. correm muito pelo chão.es chamam gallinhas «Io mato. a carne d'estas aves è muito boa. cuja carne é muito boa. mantõm-so defruetas. criam no chão. tem o bico preto. c são do tamanho dns gallinhas e pretas. Criam no chão. a rabeca o pós corao galtinha. e cozida é muito boa. o as c isias acatasoladas de azul e verde. ondo os matam a floxadas o as tomam n coco com cães. Em que se declara a natureza dos canindés. tom as azas pretas. Tom estas aves o bico preto como do corvo. e as das azas oraboazues. grande e grosso. o tocado ao redor do vermelho. e tem o peito cheio de titelln* como perdiz «Ia mesma còr. e a cabeça por cima azul. do côr muito fina. c reeo/em-o no pipo. rada um como um grande punho: mantém os filhos com peixe dos rios. Tuyuyú é uma ave grande do altura de cinco palmos. e toem o v«V) muito curto. o qual comem primeiro. o qual tem muito comprido. á maneira de crista. onde fazem grande ninho. o a clara d'clles é como matoiga de porco derretida. pontualmonto como a de gallipivos. muito alvos. os sous ovos saotamanhoscomo «fo pata. o depois arrevoçam-o.

Criam em arvores altas.. como lêem.a penna das cestas azulada.226' BARRIRA SOARES DE SOUZA. as das azas são vermelhas pela banda debaixo. Tucanos são outras aves do tamanho de um. Tem a cabeça pequena. cuja carne é dura. porque não pôde o pescoço com tamanho pezo. Criam esteã pássaros em arvores altas. e as dascostas .pennas do collo. e tão duro que quebram com elle uma cadeia de forro. como se fosse uma inxó. para lhe esíolarem o peito. muito grosso.» o qual os indios esfolam para forro de carapuças. os quaes mordem muito e gritam mais. cuja carne ó muito dura e magra-. e tão pesados que não podem com elle quando comem. pernas e barriga vermelhas. e do rabo azues. para se criarem nas casas.-e em caza tudo quanto lhe dão. Criam estas aves em arvores altaí. Os indios se aproveitam cfas suas pennas amarellaspara as suas carapuças. e algumas verdes. mas tem as. o peito cheio de frouxel muito miúdo definissi-moamarello. para os criarem. e a mandioca quando está a. . e o bico branco1 e muito grande'. e as do rabo. Os indios tomam estes pássaros quando são novos nos ninhos .corvo. das azas. porque faliam e gritam muito.-mas aproveitam-se delia os que andam pelo mato. onde os indios os lomam novos nos ninhos. os quaes depois de grandes cortam com o bico por qualquer pão. e alguns são tãocompridos como um palmo. com voz alta e grossa: os quaes mordem mui valentemente. A sua carne é como a dos'canindés. com o que viram o bico para cima. os bravos matam os indios á flexa. e a cabeça e pescoço vermelho. e tomam-nos novos para se criarem em casa. que são de três e quatro palmos.curtir. tem as pernas* curtas e pretas. Arara é outro pássaro do mesmo tamanho e feição do eaninde. para as embagaduras das suas espadas. o bico branco e amarello. e comem fructas das arvores. comem fructas do mato e milho pelas roças . a das azas e do rabo anilada.de cujas pennas se aproveitam os indios. porque tomam grande bocado.

as costas azues. mantem-se do peixe. as quaes dormem em arvores altas. com que offondem aos pássaros com que pelejam. Ao longo dos rios da água doce se criam mui formosas garças. e mantem-se de caracóes que buscam. a barriga branca. o tamanhas como as de Hespanha. criam em buracos. e são estas garças muilo magras. tem o bico comprido. Tem as pernas longas. e criara no chão junto da água. que são da feição das do Hespanha. Criam-se mais ao longo d'estes rios e nas alagòas muitas adens. c esperam mal que lhe atirem. e criam-nas era casa. e tem entre os encontros um molho de plumas. o peito vermelho. que tomam nos rios. Andam estas aves nas alagòas. que são mui alvas e fonnosas. onde se fazem muito domesticas. Em que se diz das aves que se criam nos rios e lagoas da água doce. e para estimar. c criam no chão perto da água. pernas e pésamarellos. Aguapeaçoca é uma ave dotamanhode um frangão. pescoço o bico mui comprido. Jabacatim é um pássarotamanhocomo um pinlâo. as quaes são brancas. ao longo dos quaes andam sempre cora os pés peja água a tomar peixinhos. onde põem Ires ovos não mais. a que o gentio chama uratinga. e tom nos encontros das azas dous esporões de osso amarello. . do que se mantém. que lhe chegam á ponta do rabo.R0TR4RO DO BRAZIL. o derredor do bico uma rosa muito amarella. quando são novas. e criam nas junqueiras junto deltas. e nas pontas deltas outros dous . e da mandioca que eslá a curtir nas ribeiras. tem as peruas muito compridas. que fazem nas barreiras sobre os rios. mas muito maiores. Comem peixe.tomamos indios estas adens. 227 CAPITULO LXXXI. a que o genlio chama upera. e o pescoço e o vestido do pemia aleonada.

e tomam-nos em redes. tem o peito e carne mui saborosa. e do seu tamanho . Payrary é uma ave do tamanho. e amançam-nas em casa de maneira que criam como pombas. voam ao longo do chão. Jurutis é outra casta de rolas do mesmo tamanho . mas são mais pequenas. estas andam sempre pelo chão. também criam no chão. as quaes criam no chão em ninhos. côr e feição das rolas. mais pequena alguma cousa . Nambú é uma ave da côr e tamanho da perdiz. criam ao longo dellas e dos rios. Jocuaçu são outras aves da feição das garças grandes. as quaes tem o peito muito cheio. onde põem muitos ovos. por onde correm muito. rolas e pombas. mas são aleonadas. mantem-se do peixe que tomam. tem a còr cinzenta. os pés vermelhos. são pardas e pintadas de branco. em que põem dous ovos. cria no chão. andam nos rios e lagoas. no chão . e da mesma còr. cuja carne é muito tenra e boa. c põem dous ovos. e tomam-nas em redes. Estas aves tem grande peito cheio de titellas muito tenras e saborosas. Ha outras ayes. Picacu ó como pomba brava. c tem as pernas vermelhas e o bico preto. buscando umas pedrinhas brancas de que se mantém. a que os indios chamam piquepebas. a «|iic o genlio chama garirama. e criam cm ninhos que fazem no chão. e boa carne.'J28 (íABlilEL SOARES DE SOUZA. CAPITULO LXXXII. onde põem dous ovos. . tem os pés e bico vermelho. onde põemdousovos. que são da feição das rolas. Das aves que se parecem com perdizts . onde criam . e tem o bico pardo. as quaes o mais do tempo andam esgara vaiando a terra com o bico. E lia outros mais pequenos da mesma feição e costumes.

em ninhos. Ha uns passarinhos todos verdes. e criam em arvores. tomam-nos novos para se amançarem em casa. são muito gordos e de boa carne. e aroançam-se alguns porque faliam. que tem tamanho corpo reino uma adem. maiores que os tuins. e não tom mais que o só queixo amarello. donde fazem grande damno nas searas do milho. '220 CAPITULO LXXXIII.que criam em arvores.toucadode amarello c azul. . onde faliam muito claro e bem. o rabo comprido e vermelho: criam-se em arvores altas . os quaes criam cm ninhos nas arvores. os quaes se fazem mui domésticos cm casa . como papagaio. e o toucado da cabeça amarello. e tom muita graça no «pie dizem. e voltado para baixo. os quaes sio verdes. que tem " bico branco voltado. os quaes andam em bandos:tomam-nosem novos para se criarem cm casa. e tora os encontros das azas vermelhos. Em que se relata a diversidade que ha de papagaios. Ageruèté sio uns papagaios verdadeiros que so levara a Hespanha. perto do mar e não os ha pelo sertão. e algumas pennas nas azas encarnadas . cuja carne comem os que andam pelo mato. Marcará é um pássaro verde todo. em ninhos de palha. mas come-a quem não tem outra melhor. criam nas arvores em ninhos. o bico grosso e sobre o grande.torao bico revolto para baixo. que tem os pós e bico branco.RolRIRi) » 0 RRAZIL. onde faltam muito bem . cm arvores alias. que são todos verdes. mas hão de ser cozidos. o comera a frueta deltas. Ageruaçu são uns pipagaios gramfes Iodos verdes. Ha outros papagaios a que chamara contas. tem a cabeça toucada de amarello. Ha outros pássaros todos verdes. cuja carne se coroe. cuja carne é dura. a que os indios chamam tuim. mas é dura. o muito saborosos. onde faltam muilo bem: ««tos no mato criam cm ninhos. e para se amançarem tomam-nos novos. de que se mantém.

e vcam ao longo d'agua lauto sem descançar. e caranguejos novos. tem as pernas vermelhas. todas criam ao longo do mar. uraleon: são pardos. diante de algum navio do reino. as quaes dão umas plumas cinzentas pequenas. e voam. e tem o pescoço branco. d'onde se recolhem para a Bahia. Em que se conta a natureza de algumas aves da água salgada. o bico verde. tem a côr cinzenta. e esperam bem a espingarda. até que cabem como mortos. os quaes se vão cincoenta e sessenta leguas ao mar. Jaború é outra ave tamanha como um grou . CAPITULO LXXX1V. o bico delgado e mais que de palmo de comprido . aonde foliam lambem: estes andam em bandos destruindo as milharadas. d'onde se tomam em novos. de que se mantém. Carapirá é uma ave. e andani sempre . mas criam em terra ao longo d'elle. que se criam perto do salgado. perto da terra por onde andam. Ha outros pássaros. são mui ligeiros. as pernas compridas . e assim descançam até que se tornam levantar. ou do vento sul que lhe vem nas costas ventando. d'onde tornam logo fazer volta ao mar.230 GABRIEL SOARES DESOUZA. e são tamanhos como adens. a que os indiqs chamam. muito fidalgas para gorro. se criam garcetes pequenas. a que os indios chamam carabuçú: algumas são brancas e outras pardas. o bico prelo e eqinprido. e comem o peixe que tomam no mar. e tem os pés da sua feição. estas aves criam em terra ao longo do salgado. Na Bahia ao longo da água salgada y nas ilhas que ella tem. Ao longo do salgado so criam uns pássaros. onde tomam peixe. em ninhos. Estes pássaros andam no mar perto da terra. para se criarem em casa . tamanhos como frangãos. a que os mareanles chamam rabiforcado. que são pardos. a que os indios chamam uirateonteon.

Urubus são uns pássaros pretos. o peito pintado de branco e pardo. tem as pernas curtas e brancas. que lem as pernas compridas e amarellas. onde põem dous ovos. com que cortam o peixe como com tesoura . lem as pomas e bico prelo. criam em torra no chão. tem o corpo branco. e uns e outros criam no chão ao longo do salgado. Margui é um pássaro pequeno e pardo. fazem grandes ninhos nos mangues. tamanhos como corvos. e as pernas pretas. e mantem-se de peixe quo tomam. Pitooão são passarinhos detamanhoe eòr dos canários. mas tem o bico mais grosso. CAPITULO LXXXV. Estas aves se criam ao longo do salgado. a quo os indios chamam alv. e mantem-se do peixe quetomarano mar. 3Sl sobre a água salgada.ROTEIRO DO BRAZIL. e a cabeça como gallinha cucurutada . Ha umas aves como parcelas. a que os indios chamam socéry. e de caranguejos dos mangues. saltando em pulos. mas tio sajos que fazem seu feitio pelas pernas abaixo. mantem-se do peixe que tomam . do «pie cornem. de eòr pardaça. perto da água salgada. e lodo o mais pardo. Áo longo de mar se criam ontroà pássaros. e mantem-se dos peixinhos que alcançam por sua lança. Matuimirim são outros pássaros do feição dos de cima . e está sempre olhando para o chão o como vé gente foge dando um grande grito. o bico do poralto . tamanhos como franganitos. mas mais pequenos o braucaeentos. Maluim-açú são uns pássaros. e . aonde se mantém do peixe que n'elle tomam. ao longo dos rios salgados. as azas pretas. o pescoço longo. que andara sempre sobro os mangues. espreitando os peixinhos de que se mantém. andam Sempre nas barras do rio buscando peixe. o bico e pescoço longo . lem as pernas mui compridas. Em que se trata de algumas aves de rapina que te criam na Bahia. e lem uma coroa branca na cabeça.

a barriga branca. e em povoado não lhe escapa pintão que não tome. Uraoaçú são como os minhotos de Portugal. e correm pelo chão com muita Irgeíreza. as quaes criam em arvores altas: algumas ha mancas em poder dos indios que tomaram nos ninhos. . que andam pelos monturos. são pretos e tem grandes azas. Estes pássaros comem cobras que tomam. a que os indios chamam urubutinga.532 GABRIEL SOARES DE SOUZA. E quando o gentio vai de noite pelo mato que se teme das cobras vai arremedando ostes pássaros para as cobras fugirem. que é o que andam sempre buscando para sua mantença . teto a Cabeça grande. Oacaoam são pássaros tamanhos como gallinhas. Pela terra dentro se criam umas aves. em os ouvindo. o bico revolto para baixo. e vâo-nos picando. e sãotodosbrancos. e vive de rapina no mato. ôs quaes se mantém de carrapatos. Estas aves tem grande faro de cousas mortas. Sabiápitanga são uns pássaros pardos como pardaes. cujas pennas os indios aproveitam para empenarem as flexas. as costas pardas. o pescoço branco . que chamam suiriri. tornam-nofogoa comer. o rabo e azas pretas e brancas. e quando as levam no bico vão apoz elles Uns passarinhos. osqitaeâ criam em ninhos em arvores. o peito vermelho. Tôató é um pássaro. as cobras lhes fogem. e tem crista como os gallipaves. que é na feição. e do lagartixas que tomam. o bico preto voltado para baixo . e em povoado deslroem uma fazenda de gallinhas e pintãos. na côr e no tamanho um gavião. que são dotamanhodosgallípnvos. por que lhe não escapam. ementem-se da mandioca que furtam dos indios quando está a curtir. com as quaes mantém os filhos. até que de perseguidos se põem no chão. tem as ôOstte pretas. os quaes vivem de rapina no mato. Estas aves comem carne que acham pelo campo morta . e ratos que tomam. as azas pintadas de branco e o rabo. para a defender. para que as larguem. que trazem as alimarias. as quaes põem um só ovo . e quando faliam se nomeam pelo seu nome. com á lagartixa debaixo dos pés. sem terem nenhuma differença. Carácará são uns pássaros tamanhos como gaviões. e criam em afVores altas.

lem as pernas curtas. o mantem-se das frutas do mato. que tem tamanhos dentes como gatos. onde lhoamanhece. EsLi ave é d. tem a cabeça grande. Jucuriitú è uma ave tamanha corao um franga. que são pintados . os quaes andam de madrugada dando os mesmos gritos e uns e outros criam no chão. a quo os indios chamam oitibó. acabtra grande com ires listas pardas por ella que parecem cuidadas. ou>s tomeiite .XXXVt. ondo põem d m•-. pontualmente tomo as corujas d<. CAPITULO I. e aonde quer que está. e em povoado nas igrejas. c mantem-se das frutas c folhas de arvores. Ha outros pássaros do mesmo nome mais pequenos. e nas casas o logares escuros.ROTRIUO no ni. quo cm povoado anda «le noite pelos telhados.mordem .MI 2*5 que mettem em um buraco.i còr brancarenüt. as quaes criam no mato em troncos de arvores grossas. onde o tiram. de cujas alampadas comem o azeito. e de dia não os vê ninguém. Ha outros pássaros pardos. Ilrutuream é uma ave.«. Aos morcegos chamam os indios andura. as »i» »« . e ha alguns muito grandes.é mantém nVllc o filho com ratos que llie trazem para comer. a que os indios chamam ubujaús. e são todos pardos e muilo cheios de penujera. que são tamanhos como pinláus. e duas pennas nella dofoiçà«>do orelhas. totla noite esta grilando pelo seu nome. com que tem grande agouro. com que. os quaes andara do noite gritando cuxaiguigui. umas são ciiuentas e outras brancas: gritam «le noite como corujas . o rabo comprido.Hespanha . Ha outros pássaros. « * Em que se contém a natureza de algumas ares nucturnas. o anda ao longo «tos caminhos. os quaes andam ordinariaraonto gritando oitibó. criam nos concavos das arvores. e no inato cria em locas «fo arvores grandes.

que tem as pontas das azas pretas. que é como de ratos. que tem o neilo. e as do rabo que tem compridas. ondo fazem muito damno. de côrapavonada. espreitando as aranhas. sujando o assucar com o seu fertio. quando 'esles morcegos mordem alguém que eslá dormindo de noite. mantem-se das pimentas que buscam. criam em arvores. que tem as azas pretas. e pegados com as unhas ao pescoço da ma. Em que se declara de alguns pássaros de diversas cores é costumes. onde fazemseus ninhos . onde se fazem tão domésticos.am infinidade d'elles. por serem muilo formosos. de cujo feitio se criam pelo campo muitas pimenteiras. aos quaes os indios esfolam os peilos para forrarem as carapuças . Tiépiranga são pássaros vermelhos do corpo. Gainambi são uns passarinhos muito pequenos. . Uranhertgatá é uma ave do tamanho de um estorninho. onde os tomam em novos e os criam em casa. e as pernas e pés como flouba. que vão comer ao mato o tornam pata casa. o tão delgados como alfinetes: comem aranhas pequenas e fazem os seus ninhos das suas têas.2 3/ ( GABRIEL SOARES DE SOUZA. que tem os bicos maiores que o corpo. e comem muito d'elle. azas e rabo de côr 'preta mui fina. Nas casas de purgar assucar se cr. Sabiátinga são uns passarinhos brancos. barriga e coxas de fino amarello . fozem-no tão sublilmente que se não sente. e as costas. Íemeas parem quatro filhos o trazem-os pendurados ao pescoço com as cabeças para baixo. criam em locas de arvores.. os quaes criam em ninhos em arvores altas. CAPITULO LXXXVII. os quaes criam em ninhos que fazem nas arvores. . pescoço. mas a sua mordedura e mui peçonhenta. tem as azas pequenas e andam sempre bailando no ar. e a cabeça o de redor do bico um so queixo amarello. e são°lamanhos como pintarroxos.

Tiéjuba são passarinhos pequenos que tom o corpo amarello . quo são (amanhos tomo papagaios todos verdes. Em que se trata de alguns passarinhos que cantam. Tupiana são uns passarinhos que tem o peito vermelho . CAPITULO LXXXVIII. e servem-se por uma porlinha. os «iiiaes criam era tocas de arvores. que é do tamanho de uma franga toda vermelha . os quaes se mantém com bichinhos o formigas. Ha outros pássaros quo os indios chamam sijá . de cuja fruta se mantém. dependunidos por um lio da mesma arvore. còr muito subida . onde põem «lous ovos: e fazem os ninhos desta feição por fugirem as cobras que lhes comem os ovos. e crião em arvores. e tem os bicos compridos. com curucheos por cima muiioagudos. se os acham em oulra parte. Ha outros passarinhos pequenos todos vestidos de azul. em ninhos. muito delgados. as azas ventos. ondo fazem osninhos. e os ninhos são de barro e palha. os pés prelos o o cabo do bico amaçado como pata. criam em tocas de arvores. e mantem-se da fruta d'eHas.ROTEIRO DO DRAZIL. que tem o bico prelo. das «pio . que criam em ninhos nas arvores. a barriga amarella. a que os indios chamara ayayá. e criam nas arvores. e mantem-se do bichinhos. o mantem-so das frutas do mato. as costas e o rabo pardo. Jaçanã são uns pássaros pequenos todos encarnados e os pés vermelhos: criam-se era arvores altas. Suiriri são uns passarinhos como chamarizes. o o bico revolto para baivo . 2A5 Ha outra ave. e o bico preto. o bico prelo. e mantem-se dos bichinhos da terra. o mantem-se do |iedrinlias que apanham pelo chão. a barriga branca e o mais azul. aos quaes os indios chamam sayubui. fazem seus ninhos em arvores altas. tem o bico verde. Macacica é um pássaro pequeno que tem as azas verdes. fazem estes pássaros os ninhos nas pontas das arvores.

e o pescoço e bico comprido . comem aranhas e minhocas. onde chega a mure de aguus vivas. os quaes cantam nas gaiolas muito bem. Ha outros pássaros pretos. os quaos cantam muilo bem. Criam-se em arvores baixas em ninhos outros pássaros. mas não dobram tanto como elles. Saracura é uma ave tamanha como gallinha. cantam como roxinõos. que são quasi todos amarellos. onde cria e põem muitos ovos de fina còr aleonada.0J(5 GABRIEL SOARES D|i SOUZA. Ha outros passarinhos. cuja carne é dura. com os encontros amarellos. que criam em ninhos de palha que fazem nas arvores. estes se criam em gaiolas. que são todos aleonados muito formosos. CAPÍTULO LXXX1X. a que ô genlio chama sabiá coca. a que os índios chamam urandi. a que os indios chamam uraenhangatâ. cria no chão. onde cantam muito bem. a que em Portugal chamam agudes. Nhapupé ó uma ave do tamanho de uma franga. que se mistura com . mas não dobram muito quando cantam. a qual anda sempre pelo chão. de còr aleonada. e come-se cozida. que andam sempre por cima das arvores. que tem as pernas muito compridas . mas comem no chão bichinhos e canlam muito bem. que andam sempre por cima das arvores. Muiepereru são uns passarinhos pardos tamanhos como carriças. onde criam e se mantém com o fruto d'ellas. tem azas. onde põem dous ovos . Que traía de outros pássaros diversos. os quaes cantam muilo bem. Queiejuá são uns passarinhos todos azues de côr finíssima . de côr aleonada. que criam em ninhos de palha. e cantam muito bem. põem muito ovos . criam nos buracos das arvores e das pedras. Pexarorem são uns passarinhos todos pretos tamanhos como caIhandros . tem os pés como gallinha.

de côr parda . o rabo comprido. e mantem-se de uma baga preta como murlinhos. e tora o peito cheio de titollas tenras. criam em arvores altos. comem frutas e bichinhos. ambas por uma banda. Aliaçú é um pássarotamanhocomo um esterninho . criam nas arvores em ninhos de palha. o peito e a barriga branca. e de outras frutinhas que buscam. as pernas v erdoengas. criam era arvores. Uanandi c um pássaro pequeno pardo . de còr preta o o bico revolto. os olhos vermelhos. quo faz espanto. manlora-so do frutas o minhocas. Ha uns passarinhos pequenos todos pretos. Orús sio umas aves tamanhas como papagaios. que lhes querem tomar. e tem as pernas e pés mais compridos que as garças. pintado de preto pelas . e corre pelo cháo por entre o mato . o vòa muito ao longe. comem o frulo dollas. que leva ao longo do peito alé abaixo onde se juntara. que faz tamanho vulto corao uma garça . e tem duas goelas. e tem o bico curto e o peito muito agudo e nenhuma carne. voando de arvore cm arvore ao longo do chão. Sabiáuna são uns passarinhos pretos. as quaes e a mais carne são muito tenras o saborosas como gallinha. criam em arvores baixas em ninhos. do tamanho o feição do grelha. e a mais carne é boa lambem. que criam em ninhos do palha. tem as pernas corao de frangãos. 237 agua doce. porque tudo é penna. c andam sempre em bandos. a que os indios chamam tirauna. as quaes não andam pelo salgado. Magoari c oulra ave de còr branca. <|uo andam sempre entre arvoredo. tem as costas pardas. e quando tom filhos nos ninhos reraettera aos indios. mas os dedos muilo compridos c o rabo longo. mas ao longo delle: do noite carta roa como perdiz. criara-se estas aves em arvores. Aracoâ é oulro pássaro tamanho como um frangão.ROTEIRO DO RRAZIL. nom polo mato grande. estas aves tom grande peito cheio de titollas. c o pescoço tão longo que quando vòa o faz em voltas. e cantam em assobios. e comem fruta d'elIas. Anú é outra ave preta.

e andam muita vezes em bandos. os quaes são da côr dos que ha em Hespanha . os quaes pássaros tem na cabeça um cucuruto vermelho alevanlado . e não torna ao lugar donde sahiu. e o bico comprido. e sahe lanta multidão que cobre o ar. e lera o bico curto. e quando dao as picadas no páo. e pouco proveitosas ao serviço dos homens. Nas tocas das arvores se criam uns bichinhos como formigas. CAPITULO XC Que trata de alguns bichos menores que tem azas e tem alguma semelhança de aves. e cria em ninhos de palha que faz nas arvores. lêem o corpo preto e as azas pintadas de branco. Ha outros pássaros. Comecemos logo dos gafanhotos. mas não fazem mal a nada. os quaes se criam na Bahia muito grandes. ainda que sejam immundicias. costas e branco na barriga . pintados e grandes. a que o gentio chama tacura . Como foi forçado dizer-se de todas as aves comoficadito. outros verdes e de differentes cores. com azas brancas. e quando sahem fora é voando. os quaes são muilo formosos. tamanhos como tontos. a que os indios chamam arará. Ás borboletas o que chamam mariposa. e ha outros pintados. Ha outros bichos a que os indios chamam tacuranda. e quando voam abrem-nas como pássaros e não são muito daninhos. e tem maiores azas que os de Hespanha. de que se mantém. a que o gentio chama uapicú. soa a pancada a oitenta passos e mais. chamão os indios sarará. e perde-se com o venlo. tão duro e agudo que fura com elle as arvores que tem abelheiras até que chega ao mel. e criam nas tocas das arvores. e o primeiro dia de sol. . convém que junto u"ellas se diga de outros bichos que tem azas e mais aparência de aves que de alimarias.238 GABRIEL S0ARRS DE SOUZA. que não sahem do ninho senão depois quo chove muito. e em Portugal saúdes.

«pie são grandes e pardas. onde fazem seu favo e criam mel muilo bom e alvo.is ás vozes quo não ha quem se valha com ellas. maiores que as de Hespanha.'«s quaes andam de noite de redor «kis eantleias. e põem logo todo um «lia < m passar por > cima da cidade «Io Salvador . a quem os indios tomem as crianças. do queellas fogem muito. e dentro criam seu mel em favos. estas fazem o ninho no ar. porque so vem ao rosto e dão enfadameuto ás ceas. o que acontece em povoado. . Na Bahia ha muitas castas de abelhas Primeiramente ha umas a «pie o genlio chama herii. estas criam nas arvores alias. maiorme nlo em casas pai luvas do mato. a que os indios chamam tapiuja. a que os indios chamam taluraina. que cobrem o ar. «pie são nove ou «lez leguas «le [lassageiu. que lambem são grandes. e cm noites do escuro. a «pie os indios chamara panamá. o ellas são pretas e mui cruéis. CAPITl"LO xr. cuja abobada é tão subtil que não é mais grossa que pipel. lia outra casta de borboletas grandes. Estas Uirbtdetas fazem muilo dam no nos algodões quando «stam era ftòr. Ha outra casta do abelhas. Estas abelheiras crestara também com fogo. que lhe os indios tiram com fogo. umas brancas. o são tão |ierlux. c ellas mordem muito.i. 230 . as «juacs mordem valentemente. e criam em ninhos que fazem nas pontas dos ramos das arvores com barro. n a oulra casta de abelhas. por amor das cobras. fazendo seu ninho de barro ao longo do (rouco deltas. e outras pintadas. muito formosas n vista. o qual é bato. as quaes vem ás v«»zes de passagem no verão em tanta multidão.i oulra I anda «Ia Bahia .ROTEIRO DO BRASIL. o outras amarellas. Em que conta a propriedade das abelhas da Bahia. porque se põem no comer. o não deixam as candeias «lar sen lume. como os pássaros de que dissemos atraz.

e mordem muito a quem lhe vai bolir no seu ninho. onde criam mel branco e bom. onde tem os favos. que desce da ponta de um raminho: e são tão bravas que. com o qual lhe tiram os favos cheios demel muito bom. a que o gentio chama cabaojuba. Capueruçú é outra casta de abelhas grandes: criam seus fa.vO£em ninhos.. que fazem no mais alto das arvores. e lhes comem os filhos. Saracoma são outras abelhas pequenas que fazem seu gazaihado entre folhas das arvores. que se criam em ramos de . Ha outra casta de abelhas. que mordem muito. olhos eorelhas. do tamanho de UB» panella.2£0 GARRIEL SOARES DE SOUZA. os quaes são de barro. e mordem muito. os indios os crestam com fogo. e fazem alli seu favo. CAPITULO XCII. que mordem muito. onde não criam mais que sete ou oito juntas. em especial umas. Cabatan são outras abelhas que não sào grandes. as quaes são louras. onde mordem cruelmente. em sentindo gente. dependurado por um fio. e são mais croe*. Ha outra casta de abelhas. que fazem seu ninho no ar. a que os indios chamam caapoam. o dobram umas folhas sobre outras.qpe todas. que são pequenas. e criam nas tocas das arvores. de barro sobre um torrão. e em sentindo gente remettem logo a ella. estas mordem rijamente. onde criam mel muito alvo e bom.remettemlogo aos beiços. Ha outra casta de abelhas a que o genlio chama cabecé. que tecem com uns fios como aranhas. em que criam mel muito bom ealvo. que lambem fazem o ninho em arvores. onde criam seu mel. Que trata das vespas e moscas. a que chamam os indios terigoá. que lhe acham. que fazem no chão. o qual é redondo. que são amarellas. que não é bom.. do tamanho de uma panella. as quaes também mordem onde chegam a quem lhes vai bolir. e convém levar aparelho defogoprestes. Criam-se na Bahia muitas vespas. etem serventia ao longo do chão. e nestes ninhos armam seus favos.

Digamos logo dos mosquitos. estas seguem sempre «> > cão» e comem-lho as orelhas. sfo outras moscas grandes e azuladas que mordem muito. nas ventas e no céo da boca. grillos. qoeikunbem mordem onde chegam. donde farem seu offlein em sentindo gento. CAPITULO xcm.nas orelhas. que são as moscas gentes eenfodonhasque ha em Hespanha. 2'il arvores pomas juntas e cobrem-se com uma cepa que pare«v fos «Io aranha. Que trata dos mosquitos. e se tocam em sangue ou chaga. Amisagoa é outra casta da vespas. Merús. que sao mais miúdas que as de cima e azuladas. do maneira que. que ato á maneira dn mosca. onde chegam t tonto que por cima de rede passara o gtbam a quem eslá lançado nella. e nas barreiras da terra. os quaes náo mordem. que morreram alguns disso. sem se saber o que era. so se sente sua picada. e logo fazem arrebentar o sangue pela mordedura: aconteceu moitas rezes pocem oitos varejas a homens que estavam iformindo. E porque as moscas se não queixem.ROTMRii DO RRA/II. bisouro» e broca que ha na Bahia. que fazem nas paredes. por onde uniram. Ha outra casta de moscas. convém que digamos de sita pnura virtude: e comeremos nas que se chamam mutuca. as quaes adivinham a chuva. Também ha' outras como as de cavallo. e são muito pequenos e da feição das moscas.*. o qual ninho é de barro. mas mais pequenas e muilo negras. tamanhos como uma castanha com um olho ttn meio. mas são sir 31 . é que ha boa novidade. e ellas mordem a quem lhe VAÍ bulir nelle. começando a morder onde chegam. a que chamam afaitinga. togo lançam varejas. e lavrarem de feição por dentro as varejas. a que os indios chamam muriianja.. que se criam em sm ninho.

mormente quando as águas são vivas. e em chegando estes á carne. que andam nuas* mormente quando andam sujas do seu costume. ecrescem em partes despoVoadàs. Ha outra casta que se cria entre os mangues. e nas terras povoadas de poueo fazem mais damno. de que todos são inimigos. cuja mordedura causa muita comichão depois. senão faz vento. e apparecem quando não ha ventú. a que os indios chamam nhalium-açu. do qlie se vem muitas pessoas a encher de boiibas. e mordem é zunefn? pontualmente como os que ha em Hespanha . muito enfadonhos. e voam sem lhe enxergarem azas. Estes são amigos de chagas. é quer-se espremida do sangue por não fazer goadelhão na carne. que se criam pelo maio e campos. e zunem de noite. Pium é outra casta de mosquitos tamanhos como pulgâs grandes com azas. porque se põem tios oihos4 lios narizes. e se lhe põem a mão. Ha outra casta de mosquitos. de maneira que fazem muita perda. e sãti tamanhos como um pontinho de pennâ. e furam todas as pipaá e bâiTis vazios. so as não vigiam. deixam-lhe a peeottha nella. que é ao longo do mar. e não deixam dormir de dia no campo. aquechamamosbrocas. os quaes onde chegam são fogo de tamanha comicbão e ardor que fazem perder a paciência. as quaes furam as pipas do vinho e do vinagre. que andam em bandos. estes são do pernas compridas. e se se vão porem qualquer cossadura de pessoa sã. que tem as pernas compridas. que entram nas casas onde não1 ha fogo. Estes mosquitos seguem sempre em bandos as índias. e mordem a quem anda onde os ha. a que os indios ehamam inhatiúm. Marguis são uns mosquitos qué se criam áo longo do salgado» e outros na terra perto d'agua.9/(2 GARRIEL SOARES DE SOUZA. e era lhe tocando com a mão se esbofracham. e chupam-lhe a peçonha que tem. desfazem-se logo em pó. Também se cria na Bahia oulra immundicia. nas quaes se reco- . que são como pulgas. Ha também grande copia de grillos na Bahia . mas se faz vento não apparece nenhum. salvo se tiveram azeite. como gafanhotos. em quanto sao novas. logo sangram sem se setltif. os quaes estãV cheios de sangue. e se criam também nas casas de palha.

que se criam na Bahia e da condição c ttatureza delia». o são negros. e o rabo muito curto. Apontamento» das alimarias. a que os indios chamam unauna. •'«•te togar que alimarias se mantêm e criam com a fertilidade d» Bahia. os quaes são muito daninhos. sem mais cabello que nas ancas: e tem o foeinho como multa. pescoço epernas muito resplandecentes. . de tamanho de «ma multa . para se acabar de crere entender o muito que se diz de tuas grandezas. onde fazem destruição no falo qw achem 09 chio. porque roem muito os vestidos. e parecem de azeviche. E comecemos das antas (a que os indios chamam tapirurú) por ser a maior alimaria que estaterracria. com o que fazem damno aonde chegam. das outras alimarias. e o beiço de cima mais comprido que o debaixo. e saltam corao gafanhotos. mas são muito maiores que os de Hespanha. 243 dhcm muitos entre a palma quo vem do mato. mas nfo fazem tão ruim feitio com as maçãs que fazem os de Hespanha. o qual cortam de maneira que parece cortado á tesoura. o metiem-se muitas vezes nas caixas. Também se criam n estos partes muitos bisouros. Em que se declara a natureza das antas do Brazil. mas mais baixas das pernas . tem azas. a quo podem chegar. o tudo muito duro. CAPITULO XCIV. parem uma só criança . e são pezadas para saltar. defendem-se estas alimarias no maio. mas eemoas|psas são defumadas recolhem-se todos para o maio: estes làp grande* e pequenos. asquaes são pardas.ROTBIao DO RRAZIL. com o cabello assentado. comas mãos. e tem as unhas fendidas como vacca. e emqiianlo são pequenas são raiadas de preto e amarello tostado ao . o tom dous corsos virados cem as pontas uns para os outros. com a cabeça. andam por logares sujos.e tom azinhas. Não correm muito. comera frutos silvestres e hervas. em que lem muita força.

Os ossos d'estas alimarias queimados e dados a beber são bons pare estancar câmaras. e tem o cacho como maçã do peito da vacca. Tem para si os Portuguezes que. jaguareté é onça . e brincam totlos juntos. e no peito não tem nada. mas depois de grandes tornam-se pardas: e emquanto os filhos não andam. como a de vacca. e em muitas partè| as não passa fiexa ainda que seja de bom braço. Em que se trata de uma alimaria que se chama jaguqreté. para o que são mui ligeiras. Matam-nas em fojos. fallo dos machos. e saltam por cima a-pique altura de dez. e algumas fêmeas são todas pretas. tem os braços e pernas muito grossos. que as não passa estocada. estão os machos por elles emquanto a fêmea vai buscar de comer. porque as fêmeas são maiores. se lhes matam algum filho andam tão bravas que dão nas roças dos indios. e o cabello n'ellecomo nas ancas. e quer-se bem cozida. ©outros dizem que é tigre. CAPITULO XCV. as quaes os Indioi tomem cozidas pegadas com acarne. as suas pelles são muito rijas . Tem prezas nos dentes como libréo. e os ossos tom os cachorros e gatos de mistura. porque é dura . e as mãos e unhas muito grandes. que lhe Itizem de noite tanto que se conhecem por isso a meia legua. onde se fazem" muito domesticas. e tanto que lhes não escapa nenhuma alimaria grande por pés . D'estas pelles. parem as fêmeas uma e duas crianças. cuja grandura ó como um bezerro dé seis mezes. doze palmos. e tão mansas «jue comera as espinhas. em que cabem . comprido do corpo. Se tomam estas antas pequenas. ás flexadas. c são muito formosas. se são bem cortida^ se fazem mui boas couraças. e o rosto a modo de cão. comem a caça que matam. o todos tem o cabello nedio. . A carne é mnito gostosa. cheias do pintas pretas. A maior parto d'estas alimarias são ruivas. o rabo comprido. os olhos como gato. o trepam pelas arvores apóz os indios .2ll \ GABRIEL SOARES DE SOUZA. criam-se em casa. mas não tem sebo. onde matam todos quantos podem alcançar.

e corao se co roeram a enrarniçar n'ellas dostroem um turrai. e não lem nenhum sebo. Anuam os indios a estas alimarias cm mondóos.to matem o comam. ao que lem grande medo. ondo lhe põem um cachorro ou oulra alimaria preza. equando andam esfaimadas entram-lhe nas «•asas das roças. que são pintadas do riiivoc preto e malhas grandes. salteam o genlio de noilo pelos caminhos. no sertão. onde a comem a sua vontade. Jaguaracangoçú óoutra alimaria o casta de tigre ou onça da quo tratamos já: e são muito maiores. . e comem-lho a carne. Criam-se no rio de S. de que primeiro faltamos. e tem as quatro prezas dos dentes do tamanho de um palmo: criam-se na água d'este rio. ao que os indios açodem e a matam ás floxadas. e tora tanta força que com uma unhada que dão era uma vacca lhe derrubara a anca no cliüo. elambem aos indios quo podem apanhar. Francisco umas alimarias tamanhas como poklros. para levarem nos dentes a anta ao rio. onde os matam e comem. náo escapa que a u.ROTEIRO DO RRAZIL. ondo Iho armam tora uma arvore alta e grande levantada do chão. 245 quando o ironto ó gramo. o ajuntam-se Ires e quatro d'estas alimarias. cuja cabeça c tão grande como do um hora novilho. se «cs náo sentem fogo. CAPITULO x c v i . e indo para atomarcahe esta arvore que está deitada sobre esta alimaria. quo é muilo dura. porque era sahindo alguma pessoa d'ella fora de casa. com uma só porto. Criam-se estas alimarias pelo sertão longe do mar. ciem as foiçoes e mais condições dos tigres. quo é uma tapigem do páo a-piquo. Quando estas alimarias matam algum indio que se encarniçam n'cllc. E ua visinhança das povoacões dos Porluguezes fazom muito damno nas vaccas. Que trata de outra casta de tigres e alimaria daninhas. onde dá grandes bramidos. e a outras alimarias. fazem despovoar toda uma aldeia. ás quaes os indios chamam jagoaruçú. donde sitiem a terra fazer suas prezas em antas. muilo alta e forte.

e de muitos galhos. o rabo como cão. . os quaes matam em armadilhas. que é do tamanho de ura rafeiro. vivem de rapina .. na terra dos Tabajáras.uüo grossas. e Jhe comem a carne. e são semelhantes na rapina ao lobo. a que o gentio chama suçuarana. mas saborosa: as pelles são muito boas para botas. maiores que os de Hespanha. os quaes não lem cornos nem sebo. SOUZA. as quaes seourtem com casca cfo mangues. e pela terra dentro as ha muito maiores que na visinhança do mar. Correm muito. Para os indios matarem estas alimarias esperam-nas em cima das arvores. cuja carne é muito boa . dos quaes se acha armação pelo mato de cinco e seis palmos de alio. que não são tamanhos como os de Hespanha. e não tem nenhum sebo : as fêmeas parem uma só criança . doade as fteKam.: os quaes andam em bandos como cabras. e tem as pelles m. Mais pala terra dentro pelas campiaas se criam outros veados brancos que tem cornos. ás quaes os indios chamam suaçupára. CAPITULO XCVII. e fazem-se mais brandas que os dos veados de Hespanha.2-4<j GABRIEL SOARES DP. tem o cabello comprido e macio. Ha outra alimaria. as mãos como rafeiro. e matam os indios se os podem alcançar. Entrando pelo mato além das campinas. que são ruivos e tamanhos como cabras . a que os índios. «e criam uns veados ruivaços. ás floxadas. em quo os tomam. chamam suaçú. os quaes mudam os cornos como os de Hespanha. Criam-se nos matos d'csta Bahia muitos veados. cuja carne é sobre o duro. as quaes não tem mais que uma só tripa. Em que se declaram as castas dos veados que esta terra cria. mas são muito maiores que os primeiros. como os de Hespanha. e tem a mesma qualidade das que se criam perto do mar. Tomara-nos em armadilhas. e de maior cornadura. tem muita ligeireza para correr e saltar. e com cães . as fêmeas parem uma só criança. mas tem maiores unhas e mui agudase voltadas. o rosto carrancudo.

que tom muito eompriéa. ondetomamas gallinhas «pie podem alcançar . Temindoi é uttttHftd do tamanho de tuna raposa. é Í 1 M par* â ponta é mdite fefpado. são mui ligeiras. e despovoa ama fazenda de gallinhas que furta. o que faz até que não pôde comer mais. cuja carne comem es indios velhos. Temem-nos os cães quando es acham fora do mato. o rabo delgado m arraigada. e como a sente bem cheia recolhe-a para dentro. e tem o meto de cordeiro. tem os p«'-s como gato. andem petas trvereet de cujas frutas se mantém. e com o cabello curta. que os mancebos tem nojo d'ella. Coaty é um bicho tamanho «eme gato. e na feição pontualmente como os outros . e lança-lhe a lingua fora. e engole-as. e étJetig«fm'qiet se mantém no mato de aves que andam pelo chão. tem pouca carne. e de pássaros que adias tomam. e tamanhos e tantos que se cobre todo cem elles quando dorme. tem o foeinho como furão e mais comprido.ROTKIRO OO HIUZIL. ao que açodem as formigas com muita pressa: e cobrem-lhe a lingua umas sobre outras. Si» pretos. Em que se trata dé algumas alimarias que te mantém de rapina. e alguns novos. o qual trazem sempre levantado para o ar. Maracajàs sao uns gatos breves tamanhos como cabritos do seis mezes. Jaguapitanga é uma alimaria do tamanho de um cachorro . o rabo grande e folpudo. deita-se ao longo d'elle como morto. 88 unhas agudas. de côr preta-. quo tem o flaWeeiifofuIflei a. th CAPITULO XCVIII.o # * pHtt. com grandes unhas e muito voltadas. Esto bicho se mamem de formigas que tomada maneira seguinte: chega-se a um formigueiro. a que ferem eora as unhas mui valentemente: os novos se ameaçam em casa. as fêmeas parem três e quatro. de que se fazem apitos. são muilo gordos. que tom»<fepçot * em povoado faz oflfeie de raposa. e tem n'ella o> ca hei V* grossos como eavalb. tem as mãos como cão.

e parem quatro e cinco. onde trazem os filhos até que podem andar com a mãi. as fêmeas tem na barriga um bolso em que trazem os filhos metidos. mas não lhe escapa gallinha nem papagaio. gatos. cousa muito formosa. e sãofelpudos. por onde andam como bogios. e as unhas grandes emuito agudas.emantem-sedasavesque tomam pelas arvores. o que fazem par muitos dias sem lhes aproveitar. eesfregam-se com a terra por tirarem ofedorde si. que não matem. Serigoé é um bicho do tamanho de um gato grande.2Í|8 GABRIEL SOARES DE SOUZA. o rosto como cão. onde pare uma só criança . Anda sempre pelo chão. e em povoado as gallinhas. escondidos espreitando as aves. não tem cabello . e quando cmprenham geram osfilhosn'este bolso. Vivem estes de rapina. nem na cabeça. mas pintados de amarello e preto em raias. Os que se tomam pequenos fazem-se em casa muito domésticos. de côr preta e alguns ruivaços. e os pés c mãos da feição dos bogios . mas vào-se logo lançar na água. e não ba quem por ali possa passar mais de dous mezes. um tiro de pedra afastado de uma banda e d'outra. onde osfilhosmamam. em o qual. e são tão ligeiros que lhes não escapam. e andam pelo chão. tem as tetas junto do bolso. e o rabo.mas tem o cabo muito macio. que está fechado. i CAPITULO XCIX. emquanto são pequenos. • Jaguarecaca é um animal do tamanho de um gato grande. parem muitosfilhos. não ha quem o possa soffrer. e o caçador fica de maneira que por mais que se laveficasempre com . por ficar tudo tão empeçonhentado com o máo cheiro que se não pode soffrer. e se abre quando parem. e o rabo comprido . lema côr pardaça e o cabello comprido. tem o focinho comprido. P'este animal pegam os cães quando vão á caça . que por onde quer que passa deixa tamanho fedorque. Que trata da natureza e estranheza do jaguarecaca. que se lhe fecha o bolso. o qual é tão estranho e fedorento. o qual se mantém das frutas do mato.

ficou tão fedorento que náo podendo soffrar-se a si se fez mui amarello. que lhe durou muitos dias. por onde andam em bandos. por tirar de si tão terrível cheiro. que não tem mais comprido que uma polegada. que encontrando com um d'estes bichos. e coro estas armas se defende das onças e de outros nnimaes. Tajaçutirica é outra casta de porcos montezes maiores que os primeiros. a que os indios chamam tajaçú. e ás flexadas. Eaconteceu a um Português. a carne é toda magra. quando so vô perseguido «1'elles. A carne d'este bicho é boa para estancar câmaras de sangue. mas a casa aonde está fede toda a vida. eo deixam . onde os matam com cachorros e armadilhas. 249 esto terrível cheire. pelo que as Índias a tem assada muito embrulhada em folhas. depois de bem seca ao ar do fogo. que lhe dure três e quatro mezes : o como este bicho se vô era pressa perseguido dos cães. os quaes náo tora banha. senão o rabo. Em que se declara a natureza dos porcos do mato que ha na Bahia. e tao peçonhenta que perfuma d'esta maneira a quem lhe fica perto. e os . que trazia o seu caçador do mato morto para mézinhas. emquanto eslá na casa. mas nem isso basta para deixar de feder na rua. c vao-se logo lavar e esfregar pela torra. e carregada para quem não tem boa disposição. que sâo de còr parda e pequenos. tudo tom semelhante com o porco. as fêmeas parem muitos no mato. mas saborosa.ROTRIRO DO BRASIL. senão uma pello viscosa. e tem embigo nas costas. e a tem no fumo para se conservar. e se foi para casa doente do cheiro que era si trazia . que tem os dentes Cbmo os montezes de Hespanha . comendo as frutas d'elle. lança de si tanta venlosidade. Criam-se nos matos da Bahia porcos montezes . nem toucinho. CAPITULO c. cuja artilhariatomtantaforça que a onça e os outros inimigos que o buscam se tornam.

250 GABRIEL SOARES DE SOUZA. a que os indios chamam tapibaras. e em tudo mais são como elles. os quaes tem pouco cabello. donde sahem em terra . ihdios que os flaxam . e se lho cortam é muito saborosa. os quaes são muilo ligeiros e bravos. e fazem mito damho nos canaveaes de assucar. c roças que estão perto da água . A estes porcos cheira o embigo muito mal. os quaes fazem muito damno nas roças e nos canaveaes de assucar. hão de ter prestes aonde se acolham. hão lhes escapam. e não tem na boca mais que dous dentes grandes. e o toucinho pegajoso. os quaes parem e criam os filhos debaixo da água. e se quando os matam lh'o náo cortam logo. ambos debaixo na dianteira . qüe não são tamanhos como os porcos do mato. e o rabo como os outros. porqúése se não põem em salvo com muita presteza. e a côr cipzenta. CAPITULO Cl. e grandes prezas e o embigo nas costas. que são do comprimento e grossura de um dedo. é tem também o embigo nas costas. que no de cima não tem nada. . cheira-lhe a carne muito ao mato. Tajaçucté é outra casta de porcos rrtoritezes que são maiores qué os de que fica dito * e lem toucinho como os montezes de Hespanha . e estes o os mais andam em bandos pelo mato. também comerrl herva ao longo da água . Dos porcos e outros bichos que se criam na água dóce^ Nos rios de água doce e nas lagoas também se criam muitos porcos. onde os matam cm armadilhas: cuja carne é molle . mas a carne mais gostosa que os outros. onde tomam peixinhos o camarões que comem. onde as fêmeas parem muitos filhos: e no tempo das frutas entram pelas aldêas dos indios e pelas casas. os quaes os fazem levantar com os cachorros para os flexarem. e cada um é fendidopelo meio e fica de duas peças. mas não são tão bravos e perigosos para os caçadores. e tem mais outros dous queixaesj todos no queixo debaixo. e não tem banha t nem toucinho.

as orelhas pequeninas e redondas. as orelhas pequenas. onde as fêmeas pirem muitos filhos. e a boca muilo rasgada o vermelha por dentro e no» dentes grandes preza». que são dotamanhodo» gozo». a que os indios chamam vivia. o tão macio como vulludo. cuja carne tomem os índios.ROTEIRO DO H R A / i l . andam sempre na água. Arerá é oulro bicho da água doce. o focinho comprido cheio de conchas. Mantem-se do peixe e dos camarões que tomam na água .">l mas salpreza «boa de toda a maneira. e outros pretos. Criam-se nos nos de água doce outros bichos. Tem a feição do cão. onde se fazem domésticos. o ladram como cão. (elpudos do cabello. que é toda cheia de . as pernas curtas. cuja carne coroem os indios. a quo o genlio chama jagoarapeba. tem o focinbo comprido e agudo. ondo criam e parem muitosfilho»e onde so mantém dos peixes quetomarae de camarões: não sahem nunca fora da água. que tem o cabello prelo. -. tem as pernas curtas cheias de escamas. tamanho como um grande rafeiro. lem a cabeça como de gato. CAPITULO Cl|. onde gritara quando vera gente ou oulro bicho. De uns animaes a que chamam tatus. mas carregada paia quem nau lera saudo. como carneiro. Tatuaçú é um animal estranho. São do tamanho «Io um gozo. tom as mãos e unhas de cão. e se os tomam novos. «lu còr parda. quando gritam no rio. tem o rabo muito comprido e grosso pela arreigada. cgjo corpo é como um baroro. e a cabeça. «pie se parecem cora lontras de Portugal. ereraeUem a gente com muita braveza : as fêmeas parem muilo» filhos juntos . nomeara-se pelo seu nome. Nos mesmos rios se criam outros bichos. dotamanhode uma casca de Iramoço. e «le eòr cinzenta . mantem-se do peixe e camarões que tomam. Andam sempre n'agua . criam-se em casa.

sem lhe ficar nada do fora. cuja carne é muito gorda e saborosa. mas quando se temem de lhe fazerem mal. e por cima sua coberta de lâminas como os grandes que são muilo rijas. cuja carne quando estam gordos é boa. tiram-lhe o corpo inteiro fora d'estas armas. as quaes são muito fortes. e tem o corpo todo coberto de conchas feitas em lâminas. conehinhas. como assada. tem trabalho para se virar. e tem-nas muito grossas. e em tudo o mais são semelhantes aos de cima: e malam-tios os indios quando vêem bolir a terra. . e são muito carrancudos. o não comem mais que minhocas. o rabo comprido cheio de lâminas em redondo. os quaes tem as mesmas manhas e condição. de que tem armado uma formosa coberta. cuja carne é muito boa. que não são tamanhos como os primeiros. a cabeça comprida cheia de conehas. fazem-se em uma bola toda coberta em redondo com suas armas. onde criam. e tem a barriga vermelhaça toda cheia de verrugas. Matam-nos os indios em armadilhas onde cahem. que cavalga uma sobre outra. cujo corpo não ó maior que de um leitão. comem e criam como os grandes. o rabo comprido e muito agudo coberto de conchas até a ponta. andam de vagar. criam debaixo do chão em covas. de que se acham muitos no mato. Tatúpeba é outra casta de tatus maiores que os communs. mas cheira ao mato. cuja carne é muito boa. que estendidas são tamanhas como uma adarga. que alravessam o corpo todo. A estes chamam tatúmerim. com que fazem covas debaixo do chão. Ha uma casta de tatus pequenos da feição dos grandes. tem as unhas grandes. e se cahem de costas. as unhas de cão. e são muito baixos das mãos e pernas. Mantem-se de frutas silvestres e minhocas. e na barriga não tem nada. e tem as mais manhas e condições dos outros. Ha outros talús meàos. os dentes de gato. tem as pernas curtas cobertas de conchas. mette-se todo debaixo d'estas armas. e quando se este animal teme de outro. onde ficam mettidos sem lhes apparecer cousa alguma. que ficam nesta addição acima. assim cozidas. e parem duas crianças. e andam sempre debaixo do chão como toupeiras.252 GABRIKL SOARES DE SOUZA. os olhos pequeninos. os quaes lem as conchas mais grossas. mantem-se de frutas e minhocas.

cuja carne é muilo sadia e gusu»<i. criam cm covas. tem a barriga grande. comem frutas e herva. cuja carne se não esfola. quando correm fa/ein na anta uma ruda de cabello». e os pés e mãos curtes. RRtr. mantem-se com frutas. cozida e assada é muito Ima. lera os pese mãos como coelhos. os dous dianteiros sao compridos e agudissimos. que são do tamanho do leilões de seis me/. senão nas covas. Cotimerim é oulra casta de cotias do tamanho de um lapare . Criam-se nestes matos uns animais. a cabeça com o fotinho agudo. a calteta «oiiio lebre. jtõlt CAPITULO CHI. mas são damninlias. como to/ida : itella-se como leilão sem »e «isfolar. a que os índios chamam pacas. também se tomam em latos. raiado de pretoebranco ao comprido docor|io. porque roem muito o fato. As fêmeas [tarem duas e ires crianças. como leitão. e assada faz couros tomo leilão. cm que parem duas e três crianças. as unhas comu cáo. mas pellam-nas. são muito ligeiras. «jue alli tem compridos. com que se cobrem: e trepam muito pelas arvores. o qual viram para cima e passa-IJie a folpa por cima da cabeça. e com armadilhas. e são muito felpudas. Cotias são uns bichos tamanhos tomo coelhos grandes. a que chamam ntondeos. Em que se relata a propriedade das pacas e cotia*. e tem o rabo muito felpudo. e teui a banha como porco . são algumas vezes muito gordos . e «le Ioda a maneira é muito boa carne. mas sai» muito barrigudos.ROTKIRO ll«.«s. onde se defendem (»m os dentes. a* unhas tomo cachorros. tem o rabo muilo comprido. criam em covas. onda . assim assada. se as tomam em pequenas. corao que os índios *e sarjauí como com uma lanceta.IL. correm pouco. lem o cabello i-oino lebre. e os dentes mui agudos. de côr parda . tem o fotinho comprido. em lanlo que não ha cio «pie MS lome. o pello muito macio. Tomam-sc com cães. fazem-se tão domesticas como coelhos.

o aconteceu muitas vezes tomarem aflexaque tem em si. e mantem-se do fruto dellas. e o rabo muito comprido. e as fêmeas parem uma só criança. dão uns assobios com que se avisam uns aos outros. tem o rabo comprido o muita felpa no pescoço. E se atiram algumaflexadaa algum.•JÒk GABRIEL SOARES DE SOUZA. Estes bogios criam também nos troncos das arvores. e ferirem-no com ella. e mettendo-as pela flexada . matam-se todos de rizo. a qual trazem sempre arrepiada. e tem os dentes muito agudos. e outras vezes deixam-se cahir com a flexa na mão sobre o indio. se os tomam novos. se não cahem da flexada. e atirarem com ella ao indio que lhe atirou. fogem pela arvore acima. com que entendem que é entrada gente. de maneira que em um momento corre a nova em espaço de uma legoa. Do Rio de Janeiro vem outros saguins da feição d'estes de cima. para se porem em salvo. criam em covas debaixo do chão. Saguins são bogios pequeninos muito felpudos e de cabello macio.a se mantém. que andam em bandos pelas arvores . que os flexou. com que tomam o sangue e so curam . e criam-se em casa. o que os faz muito formosos. onde se fazem muito domésticos. Nos matos da Bahia se criam muitos bogios de diversas maneiras: a uns chamam guigós. que cheiram muito bem. e das aranhas que tomam. raiados de pardo e prelo e branco. do que se mantém. e de pássaros que tomam. e como sentem gente. Guaribas é outra casta de bogios que são grandes o mui entendidos. o» . mastigando folhas. os quaes criam nas tocas das arvores. matam outros bichos. estes bogios criam em tocas de arvores. e o não acertam. de cujos frutos e da ca«. os quaes como se sentem flexados dos indios. estes tem barbas como um homem. que chamam saguins. Que trata das castas dos bogios e suas condições. de cujas frutas se mantém. CAPITULO CIV. que tem o pello amarello muilo maeio.

e das aranhas de casa. que não tem rabo. cuja carne é muilo estimada de toda a pessoa. e criam em concavosde arvores. os quaes criam em covas. a que fazem muito damno. Em toda a parte dos maios da Bahia se criam coelhos tomo os de Hespanha. por ser muilo saborosa. No mesmo sertão ha outros bichos da feição de ralos. e o cabello como lebre. CAPITULO CV. que são muito grandes. onde andam sempre saltando de ramo em ramo. mas tamanhos como coelhos. cuja carne é muilo boa. e morrem em casa. Ha nos matos da Bahia outros bogios.se comem. do qualquer frio. dizem que hade morrer algum. comem frutas oca n nas de assucar. e coelhos t outros ratos de casa. criam em covas. mantem-se de frutas silvestres. cuja carne é muito saborosa.ROTRIRO DO RRA7IL. Mais pela terra dentro ha outros bichos da feição de ratos. a que o? indios chamamtapotim. o não andam senão de noite. que tem o cabello vermelho. e tem o rosto da feição de leitão. criam em covas no chão: mantem-se das frutas silvestres. a que os indios chamara saviácoea. mas nâo são tamanhos. Aperiás são outros bichos tamanhos como laparos. tem o rabo comprido o cabello como lebre. com o cabello branco. e comem frutas. a quo os indios chamam saianhangá. são da feição dos outros. a . e são tamanhos como laparos . o o gentio tem agouro nelles. as orelhas como coelho. que quer dizer bogio diabo. e mantem-se da fruta do mato. e parece-se com a dos coelhos. a que os indios chamam saviátinga. Que trata da diversidade dos ratos qu. *>55 quaes e os de traz são muito mimosos. criam em covas. tomara-nos em armadilhas. que são mais peçonhentas que as das arvores. Pelo sertão ha uns bichos a que os indios chamam saviá.tamanhostomo coelhos. cuja carne é romode coelhos. sadia e saborosa. e como os ouvem gritar.

que se criam pelos pés das arvores. e de dia andam pelo mato. pernas. Em algumas partes dos maios da Bahia se criam uns bichos. e não tem verrugas. todas as feições tem de coelhos. e as fêmeas parem muitos. porque o não tem . e de noile vem-se meter nas casas. até que são criados. os quaes tem os mesmos lavores nas conchas. a que os indios chamam jabuty. e agudas nas pontas. estes põem infinidade de ovos. Aos ratos das casas chamam os indios saviá. com todas as feições e parecer de ratos. onde criam debaixo de arvoredo. Estes cagados tem as mãos. ha uns que são muito maiores que os de Hespanha. e as fêmeas tem um bolso na barriga em que trazem sete e oito filhos. e tem as conchas lavradas em compartimenlos oitovados de muito nolavel feitio. cuja carne ó muito gorda. e muito saborosa. mantem-se de frutas. tem pouca carne e mui saborosa: criam e mantem-se pela ordem fios décima. sem irem á água. mais altos e de mais carne. cheios de verrugas tamanhas. os lavores dos compartimentos são pretos. que caem pelo chão. . e metidos em casa comem tudo quanto acham pelo chão. saborosa e sadia para doentes. e tem as costas muilo chãs. sobre o grande. onde se criam infinidade delles. que também se criam no mato . os quaes criam em covas. senão o rabo. de que nascem em terra humida. sem irem á água. como chicharos. e o meio de cada um é branco e almecegado. CAPITULO CVI. pés . que senãocomem. cuja carne é como a dos coelhos. os quaes criam em os troncos das arvores velhas. Que trata dos cagados da Bahia. a que os gentios chamam jupati.256 GABRIEL SOARES DE SOUZA. muito vermelhas. pescoço e cabeça. que tantos parem. Ha outros cagados. mas são muito amassados. a que os indios chamam jabutiapeba. Em qualquer parte dos matos da Bahia se acham muitos cagados. os quaes são muito damninhos.

CAPITULO CMI. náo chega ao meio delia desde pela manhã até ás vésperas . E parerou-mo decente arrumar neste capitulo os cagados por serem aniraaes quo so criara na terra. que o faça mover uma hora mais que outra. c náo remetera aa . As fêmeas parem uma só criança.ROTEIRO DO HRAZIL. c lera a côr cinzenta. e os porluguezes preguiça. o andando sempre. os braços e pernas grandes. e tral-a dos que a pare. calma. o qual c felpudo tomo cão dágua. c se não faz vento. sem se pôr nunca sobre os pés o mãos. «pio tom as mesmas manhas. e faz espaço entro uma e a outra. mas coberta de gadelhas. quando estam comendo de tarde era tarde. alé que é criada o pôde andar por si: e parem em cima das arvores. que se criam o andara sompro na água. tem as unhas como cão e muilo voltadas. ainda que esteja morta de fome c sinla ladrar os cães que a querem tomar . o dos que so criam na água ha muitas castas de diversas feições. e não so desce nunca ao chão. c se mantém do frutas delta. que lhe cobrem os olhos. ao pescoço dependurada pelas mãos. os dentes como galo. e depois a oulra. com pouca carne. e muita lã. fogo. água. de cujas folhas se mantém. mas muda uma mão só muito de vagar. o são estes animaes tão vagarosos que poste um ao pé de uma arvoro. pois não ha fome. nem outro nenhum perigo que veja diante. e do mesmo tamanho. nomo certo mui acomniodado a este animal. quo lambem são mui saborosos o niedieinacs. e da mesma maneira faz aos pés. por nenhum caso so move do lugar ondo eslá encolhida até que o vento lhe chegue: os quaes dão uns assobios. a taboca como galo . o depois á cabeça. frio. 257 Ha outras castos do cagados da feição dos de Hespanha. mas mui diferentes na grandura. nem bebem. o natureza. n que os índios chamam jabutomirim. a quo os indios chamam ahv. o tem sempre a barriga chegada á arvore. Em que se declara que bicho é o que se chama preguiça. Nestes maios se cria um animal mui estranho.

por ser muito ligeiro . <muia SOARES HF. lem os pés muito curtos. e levarem no para casa. pés. e não buscam oulro lugar senão quando não cabem no primeiro.258 r. Cuim é outro bicho assim chamado dos indios. Este bicho pare uma só criança. e tem a còr pardaça. e mantem-se dos frutos silvestresEste animal tem a boca por dentro ató as goelas. cabeça. o rabo comprido. onde faz sua morada a buscar uma casta de formigas que se cria nella. E no lugar onde pariu abi vive sempre. que quer dizer noite. a que chamam copy. que é tamanho de um laparo. e toda a sua geração que delle procede. nem fazem resistência a quem quer pegar d'elles. a que os gentios chamam jupará. com o que fazem grande preza. por ser pezado no andar. e de noite sabe da cova ou ninho a andar pela arvore. c é todo cheio de cabellos brancos e tezos. e lingua tão negra. que ó do tamanho de um bogio. de que se mantém. sem comer couza alguma. os quaes são tamanho? como alfinetes. cuja carne não comem por terem nojo delia. o qual dorme todo o dia. onde paro um só filho. SOUZA. cria no tronco das arvores onde está metido de dia. o focinho como doninha. Ha outro bicho que no mato se cria a que chamam os indios coandú. até quo de piedade o tornam a largar. onde o tem quinze e vinte dias. náo corre muito. eanda de noite. CAPITULO CVIII. cria no concavo «Ias arvores. que ó do tamanho de um gato. com os quaes se defende de quem lhe . e por entro o cabello c lodo cheio de espinhos ató o rabo. que faz espanto. cuja carne os indios não romem por terem nojo delia. a nada. mais que pegarem-se com as unhas á arvoro onde estam. e acontece muitas vezes tomarem os indios um d'estes animaes. Que trata de outros animaes diversos. Nestes matos se cria um animal. e anda de arvore em arvore como bogio. e os filhos. pelo que lhe chamam noite.

que comem. e cornos mesmos espinhos. do que tanto se falia em Portugal. c cuin razão: ponpio tantas o tão estranhas. sncoiliiulo-iis do >i co«n muita lima. que são. nem mais nem menos. por ondo o metem alé que lu. onde tomam muitos [wrc»-. criam debaixo «Io chão. ou outra couza grande que não pôde digirir.ào. o não ha duvida senão quo engolem uma anta inteira. o que fazem porque não tem dentes. e entre os queixos lhe moem o» ossos feira o poderem engolir. *i->l> quer fazer mal.outros bichos. onde tomam muitos porcos d'agua. o mantem-se do minhocas o frutas. o que engolem sem mastigar. o como tem morta a caça. o dormem em lerra. lagartos <. moein-na entre os queixos para a poder melhor engolir. Estas andam nos rios e alagòas. não se sabe onde as haja..R O T l ll\<> U I I IIRV/II. nem eqwdaçar. E para matar uma anta ou ura indio. Comecemos logo a dizer das cobras a quo os indios chamou giboias. e criam ora covas «lehuixo «Iochão. bustara-lheo sesso com a ponta do rabo. CAPITULO CIX. Acham-se outras bichos polo mato a «pio os indio» chamam quuiruá. das quae» ha muitas de cincoenta e sessenta palmos do comprido. como ouriços caoheiros de Portugal. < lem as (Miia-* • pretas e mui agudas. E como tem a aula. cuja carne os indtos não comem. e d'aqui para baixo. o por ondo ustam |wgndo» no couro sao farpada Estes bichos correra pouco. tam o que tem abarcado . Em que se declara a qualidade das cobras. os «pines espinhos são amarello-. com o que fero os outros animaes. ou outra «jualquer caça. A«*ora cahe aqui dizermos que cobras são esta-* do Brazil. «pio acham pefo ehàu. mantem-se «to minhocas e «le frutas que raliein «Ias arvores. onde |iarem uuu só criança. da mesma fei«. o como tem segura a preza. c um indio. « II geiii-so com ella muito bem. empanturra de maneira . veados o outra muita caça.

e dão sobre ella. e torna a reviver. amarellas e azues. a que acudiu um grande libreo. E um Jorge Lopes. e torna-lhe a crescer a carne nova. . e não pôde levar o touro para baixo pelo impedimento que lhe tinha feito o libreo. e assim como lhe vai crescendo a carne. e os mamolucos. a qual tinha mais de sessenta palmos de comprido . epesava mais de oito arrobas. afíirmava que indo para uma aldeia do gentio no sertão. com o que ficou sem força para os apertar. almoxarife da capitania de S. o qual touro sahiu acima da água depois deafogado. cuja carne os indios tem em muita oslima . na Bahia. e que acabando de matar esta cobra. e que lho levou para dentro de uma lagoa. que tinha liado três indios para os malar. por se ler tomado disto muitas informações dos indios e dos lingoas que andam por entre elles no sertão. e não lhe deixam senão o espinhaço . ao qual a cobra arremetteu e engoliu logo. lhe achara dentro quatro porcos . no caminho. e eu vi uma pelle de uma cobra d'estas que linha quatro palmos de largo.260 GABRIEL SOARES DÉ SOUZA. que está pegado na cabeça e na ponta do rabo. e affirmou que n'este mesmo logar mataram seus vaqueiros outra cobra que tinha noventa e três palmos. lança-se ao sol como morta. os quaes o afirmam assim. das quaes tiram logo uma arroba de banha da barriga. e o que tem nella. os quaes livrara d'este perigo ferindo a cobra com a espada por junto da cabeça e do rabo. E como se sente pezada. até que fica cobra em sua perfeição. e junto do curral de Garcia de Ávila. e é muito duro. que remetteu a um touro. e tudo o mais. do que dá o faro logo a uns pássaros que se chamam urubus. andavam duas cobras que lhe matavam e comiam as vaccas. ficando como d'antes: o que se tem por verdade. comendo-lhe a barriga com o que tem dentro. Vicente. até que lhe apodrece a barriga. pela acharem muito saborosa. começa a bolir com o rabo. e como isto fica limpo da carne toda. e que os largara . por estar podre. achara uma cobra d'estas. vão-se os pássaros. Estas cobras lem as pelles cheias de escamas verdes. que não pôde andar. o qual affirmou que adiante d'elle lhe sahira um dia uma . grande lingua. e homem de verdade.

ROTEIRO DO RRA/.II..

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CAPITULO CX.

Que trata de algumas cobras grandes que se criam nos rios da Bahia. Sucuriúé outra casta «le cobras, que andam sempre na água , e não sahem a terra: são muito grandes, tem as escamas pardas e brancas , das quaes matam os indios muitas de quarenta e tiutoenla palmos de comprido. Esta* engolem um porco d'agua , cuja carne m indios e alguns Portuguezes comem, o dizem ser muilo gostosa. Boiuna é oulra tasta de cobras , quo se criam na água , nos rios do serlão , as quaes são descompassadas de grandes e grossas, cheias de esta mas pretas, e lem tamanha garguula que engolem um negio sem o lomarem, em tanloipie quando o engolem ou alguma alimaria, se mettem na água para o afogarem doutro, o não sahem da água senão para remetterem a uma pessoa ou caça , que anda junto do rio ; ese com a pressa com que engolem a preza se embaraça e peja, com o que não pôde tornar para a água donde sahiu, morre em terra, e sabe->e a pessoa ou alimaria de dentro viva; e a (firmam os línguas, que houve indios , que estas cobras engoliram , que estando dentro da sua barriga tiveram acordo de as matar com a faca que levavam dependurada ao pescoço, como costumam. Nos rios e lagoas se criam umas cobras, a «pie os indios chamam araboya; que são mui grandes, e tem o corpo verde e a cabeça preta, as quaes não sahem nunca a lerra , e mantem-se dos peixes < • bichos, que tomam na água; cuja carne os indios comem. Ha outra casta de cobras que se criam nos rios, sem sahirem á terra, a que os indios chamam taraiboia, que são amarellas e muito compridas e grossas; as quaes se mantém do paixe que tomam nos rios, e sao muito gordas e boas para comer.

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GABRIEL SOARES DE SOUZA.

CAPITULO CXI.

Que trata das cobras de coral e das gereracas. Pelos matos e ao redor das casas se criam umas cobras, a que os indios chamam gereracas; as maiores são de sete e oito palmos de comprido, e são pardas e brancacentas nas costas, as quaes se põem ás tardes ao longo dos caminhos esperando a gente que passa, e em lhe tocando com o pé lhe dão tal picada, que se lhe não açodem logo com algum defensivo, náo dura o mordido vinte e quatro horas. Estas cobras se põem também em ramos de arvores junto dos caminhos para morderem a gente, o que fazem muitas vezes aos indios , o quando mordem pela manhã, tem a peçonha mais força, como a vibora ; as quaes mordem também as egoas e vaccas, do que morrem algumas, sem se sentir de que, senão depois que não tem remédio. Tem estas cobras nos dentes prezas, as quaes mordem de ilharga ; e aconteceu na capitania dos Ilheos morder uma d'estas cobras um homem por cima da bota, e não sentir cousa que lhe doesse, o zombou da cobra, mas elle morreu ao outro dia ; e vendendo-se o seu fato em leilão comprou outro homem as botas e morreu em vinte quatro horas com lhe inchar as pernas; pelo que se buscaram as botas, e acharam n'ellas a ponta do dente, como de uma agulha, que estava meltida na bota ; no que se viu claro, que estas gereracas tem a peçonha nos dentes; estas cobras se criam entre pedras e páos podres, e mudam a pelle cada anno; cuja carne os indios comem. Ububocas são outras cobras assim chamadas dotamanhodas gereracas , mas mais delgadas, a que os Porluguezes chamara de coral, porque tem cobertos as pelles de escamas grandes vermelhas e quadradas , que parecem coral; e entre uma escama e outra vermelha, tem unia preta pequena. Estas cobras não remettem á gente, mas se lhe tocam, picam logo com os dentes dianteiros, e são as suas mordeduras mais peçonheçtas que as das gereracas, e de maravilha escapa

ROTEIRO DO RRAZIL.

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pessoa mordida dellas. E quando estao enrascadas no chão parecem um ramal do coraes; ehouvc homem que lomou uma quo estava dormindo, emeleu-a no seio, cuidando serem roraos, e náo lho foz mal; as quaes criam debaixo de penhascos o da rama secca.

CAPITULO CXII.

Em que se declara que cobras são as de cascavel, e as dos formigueiros, e as que chamam boitiapòia. Boicininga quer dizer cobra que tange, pela lingua do gentio; as quaes são pequenas e muito peçonhentas quando mordem; chamam -lhe os Porluguezes cobras de escavei, porque tem sobre o rabo uma peite dura, ao modo de reclamo, tamanha como uma bainha de gravanço, mas é muito aguda na ponta que tem para cima, onde tem dous dentes com que mordem, que são agudos. Esta bainha lhe relino muito, quando andam, pelo que são logo sentidas, e não fazem Lauto damno. Eaffirmam os indios, que as cobras d'esta casta não mordem com a boca, mas com aquelle aguilbáo farpado que tem n'esle cascavel , o qual também reline fora da cobra : e tem tantos reclamos , como a cobra tem de annos; ecada anno lho nasce um; as quaes cobras mordem ou picam com esta ponta de cascavel de salto. Nos formigueiros velhos se criam outras cobras, quo se chamam uhojára,quesãode três até cinco palmos, e tem o rabo rombo na {tonta, da feição da cabeça; e não tem outra differcnça um do outro que ter a cabeça boca, em a qual não tem olhos e são cegas; e sahem dos formigueiros, quando se elles enchem com a água da chuva ; o como so sahem fora, ficam perdidas sem saberem por ondo andam ; e so chegam a morder, são também mui peçonhentas. Estas cobras não são ligeiras como as outras, e andam muito de vagar, tem a pello do còr acatasolada pela banda de cima , c pela de baixo são brancas ; raanteiii-se nos formigueiros das formigas quando as podem alcançar, e do seu maiilimeuto, donde lambem so sabem apertadas da fome.

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GABRIEL SOARES DESOUZA.

Boítiapoias são cobras de cincoenta e sessenta palmos de comprido c muito delgadas, que não mordem a nada; porque tem o foctnho muito comprido, e o queixo debaixo muito curto; onde tem a boca muito pequena e não podem chegar com os dentes a quem querem fazer mal, por que lho impede o focinho; mas para matarem uma pessoa ou alimaria enroscam-se com ella, e apertam na rijamente, e buscam-lhe com a ponta do rabo os ouvidos, pelos quaes lha mettem com muita presteza, por que a tem muito dura e aguda; e por este lugar matam a preza, em que se depois desenfadam á vontade.

CAPITULO CX.III.

Em que se declara a natureza de cobras diversas. Surucucu são umas cobras muilo grandes e brancas na côr, que andam pelas arvores, donde remettem á gente, e á caça que passa por junto d'ellas, as quaes lem os dentes tamanhos que quando mordem levam logo bocado de carne fora. D-estas cobras são os indios muilo amigos, e tomam-nas em umas armadilhas, que chamam mondeos; e se o macho acha ali a fêmea preza e morta , espera ali o armador, com quem se cinge, e não o larga até que o mata: e torna a esperar ali alé que venha outra pessoa., a quem morde somente, e com esta vingança se vai d'aquelle lugar. Ha oulra casta de cobras, a que os indios chamam tiopurana, que são de quarenta e cincoenta palmosdecomprido, que não mordem nem fazem mal a gente nenhuma , e mantem-se da caça que tomam. Eslas lomamos indios ás mãos, quando são novas, e prendem-nas em casa, aonde as criam , e se fazem tão domesticas que vão buscar comer ao mato e tornam-se para casa , cuja carne é muito saborosa. Caninam são outras cobras meàs na grandura, com a pelle prela nas tostas e amarella na barriga, as quaeseriam em osconcavosdos páos podres, e são muilo peçonhentas, e os mordidos d'ellas morrem muilo do pressa , se lhes nao açodem logo.

ROTEIRO DO IIRA7.II .

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Boiuhú quer dizer cobra verde, «pie náo são grandes, e criam-se no campo, ondo se mantém «'«un ratos «pio tomam listas lambem mordem gente se podem , mas são muilo |HVOU bentas, as «pines s: eu restam cora as lagartixas, ralos o com outros bichos tom que se atrevem , que lambera matara para comerem. Ha outra cisia «le cobras a quo os indios chamam ubiracoa , quo sào |iequoiias o do còr ruivaça , as quaos andam sempre |»elas arvoro, donde mordera no rosto o |>elos lugares allos das pessoas, e não se «tecem nunca ao chão; e se não açodem á moidediira d'estas com brevidade, é a sua peçonha láo fina que faz arrebentar o sangue «-m lies horas pur l«j«las as parles, de que o mordido morro logo. Urapiagárassão outras cubras, que andam pelas arvores salleando pássaros, c a comer-lhes os ovos nos ninhos, do «jue se mantém ; as quaes não sio grandes , mas muilo ligeiras.

CAPITULO CXIV.

Que trata dos lagartos e dos canuleões. Nas lagoas c rios de água doce se criara uns lagartos a «pie os indios chamara jacaré, «his quaes ha alguns tamanhos como um homem , o «|uc tem a cabeça como um grande libreo ; estes lagartos são totfos «oberlos de conchas muito rijas, os quaes não remetem á gente, antes fogem d'ella; e mantem-se do peixe quo tomam, e da herva que comem ao longo da água; e lia alguns negros que lhes tora perdido o metlu, o se vão a elles, chamando-os pelo sou nome ; o vão-se chegando a elles até que os tomam ás mãos e os inalam para os comerem ; cuja carne é algum tanto adocicada, e lão gorda «pie tem na barriga banha «mio porco, a qual é alva e saborosa e cheira bem. Os leslicufos dos machos cheiram como os dos gatos de algalea, c ás fêmeas cheira-lhes a «ame de junto do vaso muito bem. No maio se criara outros lagartos, a que os indios chamara senembús, que lambera são muilo grandes, mas não tamanhos tomo os
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GARRIEL SOARES DÉ SOIIZA.

jacarés; estes remetem a gente, ecriam-se nos troncos das arvores ; cuia carne é muito boa e saborosa. Criam-se no mato outros lagartos tamanhos como os de cima, aqué os indios chamam tijuaçú, os qüaes são mansos, e criam em covas na terra, mantem-se das frutas que buscam pelo mato; cuja carnee havida por muito boa e saborosa. Pelos matos se criam outros lagartos pequenos pintados como os de Hespanha , a que os indios chamara jacarépinima, os quaes criam por entre as pedras, e era tocas de arvores, com os quaes tem as cobras grandes brigas. Anijuacangas sao outros bichos que não tem nenhuma d.ffeíença doscameleões, mas são muito maiores que os de Afnca euja còr naturalmente é verde, a qual mudam como fazem os de África, o estão lo-o presos a uma janella um mez sem comerem nem beberem; e eslão s°empre virados com o rosto para o vento, de que se mantém; e não querem comer cousa, que lhes dêem , do que comem os outros animaes; são muito pezados no andar, e tomam-nos as mãos, sem se defenderem; os quaes tem o rabo muito comprido, e tem um modo de prepatanas n'elle como os cações.

CAPITULO

CXV.

Que trata da diversidade das rãs e sapos que ha no Brazil. Chamam os indios cururús aos sapos de Hespanha , do que não tem nenhuma differença, mas não mordem, nem fazem mal, estando vivos, mortos sim, porque o seu fel é peçonha mui cruel, e os figados e a pelle , da qual o gentio usa quando quer matar alguém. Estos sapos se criam pelos telhados, e em tocas de arvores e buracos das paredes, os quaes tem um bolso na barriga em que trazem os ovos, que são tamanhos como avellàs e amarellos como gemmas de ovos, do que se geram os filhos, onde os trazem metidos até que são para

ROTEIRO UO BRAZIL.

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buscar sua vida; estes sapos buscam de comer do noite, a quem os indios comem, corao ás rãs; mus liram-lheas tripas o fure ura fora, do maneira que lhe náo arrebente o foi; porque se arrebenta fita a carne toda peçonhenta, e não eseapa quem a come, ou alguma cousu «Ia pello o foreura. E porque as rSssào de differentes feições e costumos, digamos logo de umas a que os indios chamam juiponga, quo são grandes, o quando cantam parecem caldeirem* quo malhara nas caldeiras: o estas são pardas, e criam-se nos rios onde desovara cada lua; as quaes so comem, e são muito alvas e gostosas. D'esta mesma casta so criam nas lagoas, ondo desovam omquanlo tom agna, mas como se secca, recolhem-se para o mato nos (roncos das arvores, onde estão alé que chove, e como as lagtias tora qualquer água, fogo se tornam para ellas, ondo desovam ; o os seus ovos são pretos, ede cada um nasce um bichinho com prepatanas o rabo, e as prepatanas se lhes convertem nos braços, o o rabo so lhes converte nas pernas. Emquanto são bichinhos Ihos chamam os indios juins.do «pie ha sempre infinidade delfos. assim nas lagoas como no remanso «losrias; do que se enchera balaios quando os tomam , o para os alimparein apertam-nos entre os dedos , o lançara-lhes as tripas fora, o embrulham-nos ás mãos cheias cm folhas, e assam-nos no borraiho; o qual manjar gabara muito os línguas que tratam com o gentio, e os místicos. Juigiã ó oulra casta do rãs, que são brancacontas, o andam sempre na água, e quando chove muito faliam de maneira quo parecera crianças que choram, as quaes se comem esfoladas, como as mais; e são muito alvas e gostosas. Ha oulra casta de rãs, a que os indios chamam juihi; o são muilo grandes., e «le côr pretoça. o desovam na água como as outras, as quaes, depois de esfoladas, lera tamanho corpo como um honesto coelho. Cria-se na água oulra casta de rãs, a que os indios chamam juiperega, que saltam muito , em tanlo que dão saltos do chão em cima dos telhados, onde andam no inverno, o cantam de cima como chove:

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GABRIEL SOARES DE SOUZA.

as quaes são verdes, e desovam lambera na água era logares humidos; c esfoladas comem-se como as outras. Ha outra casta de rãs, a que os indios chamam juigoaraigarai, que são pequenas, e no inverno quando ha de fazer sol e bom tempo, cantam toda noile no alagadiço , onde se criam, o qual signal é muito certo; estas são verdes, o desovam na água que corre entre junco ou rama , e também esfoladas se comem e são muito boas. Como não ha ouro sem fezes, nem tudoé á vontade dos homens, ordenou Deus que entre tantas cousas proveitosas para o serviço d'ellcs, como fez na Bahia, houvesse algumas immundicias que os enfadasse muito, para «pie não cuidassem que estavam em outro paraizo térrea I, de que diremos daqui por diante; começando no capitulo que se segue das lagartas.

CAPITULO

cxv;.

Que trata das lagartas que se criam na Bahia Soca chamam os indios á lagarta , que é tamanha como bichos de seda, quando querem morrer que estão gordos, a qual se cria de borboletas grandes que vão de passagem. A's vezes se cria essa lagarta com muita água e morre como faz sol, outras vezes se cria com grande secca e morre como chove. Uma e outra destroe as novidades de mandioca, algodão, arroz; e faz mala cana nova de assucar, e ás vezes ó tanta esta lagarta que vão as estradas cheias dellas, e deixam o caminho varrido da herva, e escaldado. E quando dão nas roças da mandioca chascam de maneira que sé ouve um tiro de pedra, ás quaes comem os olhinhos novos, e depois as outras folhas; e muitas vezes é tanta que comem a casca dos ramos da mandioca; e se se não muda o tempo, destroem as novidades de maneira que causa haver fome na terra, e o chão por onde esta praga passa, ainda que seja mato, fica escaldado de maneira que não cria herva em dous annos. Imbua é outra casta de lagartas verdes pintadas de preto e a cabeça

todas cobertas de pello. CAPITULO CXVII. e de meio palmo de comprido. as quaes como sentem gente debaixo. Na Bahia se criam uns bichos. deitando-se ás escuras. e toda* são tão grossas como ura dedo. Ha outras mais pequenas que as de traz. em tanto que ás vezes acorda uma pessoa de supilo vendo a casa clara.ROTEIRO 1)0 IIRAIIL. o quo o impossível poder-se contrafazcr com pintura. estes tem os indios por mau peçonhentas que todas. muito sulis o do estranho feitio. se levanta logo tamanha comichão que é peior que a das orligas. o táo peçonhento. todas cobertas de csgalhos verdes. Limanlias como as das couves ora Portugal. a que os indios chamam mainoás. era cujos matos os ha muito grandes: os quaes entram de noite nas casas ás escuras. Que trata das lucernas e de outro bicho estranho. o que dura todo ura dia : e criam-se estas nos ramos velhos. e chamam a estas socauna. e na carne onde chega. sacodem este pello de si. quo são pretas. que andam em noites escuras. 26í) branca. Em outras arvores que se chamam cajuzciros. e fogem muito dellas. c outros cagalumc. todas cheias de pello tao macio como veludo. assim em Portugal como na Bahia. c afirmara que fazem secar os ramos das arvores por onde passam com lhes morderem os olhos. que faz inchara carne so lhe locam. «Io que se espanta ruidnmlo ser oulra cousa: dos quaes bichos lia muita quantidade em lugares mal povoados. . onde parecem candeias muito claras. tão delgados como cabellos da cabeça. com cujo pello os indios fazem crescer a nalura. so criam umas lagartas ruivaças. as quaes crestam a lerra e arvores por onde passara. aos quaes chamam em Portugal lucernas. porque alumiam uma casa toda. do còr muilo fina. e oulras pintadas de vermelho o preto. Nos limoeiros e em oulras arvores naluraes da torra se criam outras lagartos verdes. cora muitas pernas.

e o largavam. que são as acostumadas em toda a parte de que. com a humidade da terra que. de dous rcales. e tornava-sefogoa juntar e reviver. e se tornarem logo a juntar. se criam tantas no Brazil. e" criam-se em páos podres. ató que enfadava. o qual é muito resplandecente. e quando anda é ainda mais resplandecente. Ha outra casta de aranhas. cujas mordeduras são mui perigozas. as quaes são tamanhas como grandes carangueijos. o no. em o qual bolso criam mais de duzcnlas aranhas. a que os indios chamam buijeja. c como esta sevandija o tão nojenta . no concavo delles. e tem os dentes tamanhos como ratos. a que os indios chamam nhandui. mui resplandecente. remetem á gente de salto. parece uma candeia aceza. e de oito reates. povoado em paredes velhas. ede quatro. e como podem viver sem a mãi largam o bolso de si com ellas. que é do tamanho. E peguemos logo nas a que chamam nbanduaçú. em tanto que estando de noite em qualquer casa. e cada uma vai fazer seu ninho. Que trata da diversidade e estranheza das aranhas e dos lacráos. CAPITULO CXVIH.270 GABRIEL SOARES DE SOUZA. que parece de longe algodão. e se o fazem em pedaços. Na Bahia se cria muita diversidade de aranhas. Tem este biche uma natureza tão estranha que parece encantamento. Estas fazem um bolso na barriga inuiloalvo. e depois o embrulharam em um papel durante oito dias. e cada dia o espedaçavam em migalhas. e tomando-o na mão parece um rubim. e tão estranhas que convém declarar a natureza de algumas. . se tornafogoa juntar e andar como d'antes. Também se criam outros bichos na Bahia mui estranhos. que são do tamanho de uma lagarta de couve. e sobre assinte se viu por vezes em differentes partes cortar-se um d'esles bichos com uma faca em muitos pedaços. escusamos de dizer mais delia. ou lugar fora delia. não ha quem se defenda dellas. se não alímpam as cazas muitas vezes. e muito cabeíludas c peçonhentas.

mas náo periga. porque suo pouro «laiiimisas. Não fêo para lembrar as immundicias de que nté aqui tratamos. cujas monleduras são mui perigosas. e se de dia se lhe secou a a<nia . a Bahia se podéra chamar outra terra de promissão. e não sal tenra senão de noite. na Bahia outros bichos «In feição dos lacráos. e trilham o caminho por onde passam. pòem-lhc ura (esto de barro ao redor do pé. a quo os índios chamam nhandoahijú. conde chegam destroem as roças da mandioca. Que trata das formigas que mais damno fazem. os quaes são todos cheios de pello. Se estas formigas não foram. as hortas das arvores de Hespanha. . que sr chamam saüba. mas sao tamanhos como camarões. romeiras e parreiras. a que o gentio chama iissaúha. Muito havia que dizer das formigas do Brazil. esto atormentada com ardor vinte quatro horas. o que se deixa «le fazer Lio copiosamcnte corao «u |«nlem fazer. houvera na Bahia muitas vinhas e uvas de Portugal. 271 Surajú chamam os indios a um bicho corao m tocraos de Portugal. as quaes formigas vem de muito longe de noite buscar uma roça «le mandioca. mas mordem muilo. e criam-se em tocas do arvores velhas no podre «folias. masá praga das formigas nSose pode compadecer. as laranjeiras.1 não comerem as arvores a que fazem nojo. os quaes lera o corpotamanhocomo ura rato. mas diremos era breve de algumas. começando nas que mais damno fazem na terra. e duas bocas tamanhas como de lagosta . das quaes começaremos a dizer daqui por diante. |>or se escusar prolixidade. |iorqiie se cilas não foram. o so mordem uma pessoa. corno se fosso gente por elle muitos dias. Criam-se. «pie éa praga do Brazil. CAPITULO CXIX. e por atalharem . as quaes são corao as grandes do Portugal. cheio de água . e ao que se pode atalhar cora alguns remédios. o tem duas horas compridas.ROTEIRO DO HRAZIL. e muito peçonhentos.

c tornarem todas carregadas. para a levarem para os formigueiros. e entrarem assim no formigueiro. CAPITULO CXX. e tem tantos ardis que fazem espanto. onde matam as baratas. as quaes são pequenas e ruivas. e dão em uma casa onde lhe não fica caixa em que não entrem. e torna a fazer bom tempo que se lhe enche a cova de água. onde foram as primeiras.272 GARR1EL SOARES DE SOUZA. mas tanto que as vêem limpas. ou lhe cahiu uma palha de noite que a atravesse. saltam nellas de noite. pois se dá nelle tudo o que se pôde desejar. e dão-lhe com a folha no chão. que levam avizo aos formigueiros. lhe dáo com toda a folha no chão. nem buraco. porque se viu muitas vezes irem três e quatro formigas para os formigueiros. E como se d'eslas formigas não diz o muito que dellas ha que dizer. orelhas e narizes. o que esta maldição impede de maneira que lira o gosto aos homens de plantarem senão aquillo sem o que não podem viver na terra. é melhor não dizer mais senão que se ellas não foram que se despovoara muita parte de Hespanha para irem povoar o Brazil. e entrara-lhes pelos olhos. e são tantas que os cobrem de improviso. e mordem muito. e todos os bichos que acham. e se as roças e arvores estão cheias de mato de redor não lhes fazem mal. como quem entende que tem gosto a gente disso. Em que se trata da natureza das formigas de passagem. trazem taes espias que são logo disso avisadas. e encontrarem outras no caminho e virarem com ellas. nem greta pelo chão epelas paredes. Temos que dizer de oulra casta de formigas mui estranha. e sahirem-se logo delle infinidade dellas a buscarem de comer á roça . e passa logo por aquella palha tamanha multidão dellas que antes que seja manhã. e pelas partes baixas. e não ha duvida senão que trazem espias pelo campo. inaiormenle depois que chove muilo. as aranhas e os ratos. e assim os levam para . estas de tempos em tempos se sahem da cova. a que os indios chamam goajugoajú.

em chegando.is fora. snpateando. Criam-se na mesma terra outras formigas. e pflem em passar por mu lugar ioda uma noite. e se entrara de dia to«lo um dia: as quaes vão andando em ala «le mil om cada fileira. e são tantas estas formigas. e a tudo o que matam. estando antes a terra limpa dellas. e em outros animaes. e andar por cima das caixas n cadeiras. Nesta terra se criam umas formigas grandes. e de feição que as acabam. o como correm uma rasa toda passam por diante n outra. ondo fazem o mesmo e a toda unia aldéa. que náo ha fogo que baste para as queimar. e cossando. mas são maiores. porque em hortas cercadas de água quo ficam em ilha. o acham a roupa da cam. 273 os seus aposentos. a que os indios chamam içans. e inalara lambem as cobras que acham descuidadas. dão nelles de feição. que são as que em Portugal chamam agudes. e vão diversas voando por lugares onde enxameam granrlo somma de formigas. o são da mesma côr. porque ellas. CAPITULO CXXI. quando passara. e não pôde ser menos «i'estas enxamearem de vôo. e lambem se saem . por onde ellas subam. lhes arrebentam formigueiros dentro. Que trata da natureza de certas formigas grandes. a que os indios chamara guibuquibura. as quaes tem o corpo tamanho como passas de Alicante. e viu-se por muitas vezes levarem-nas eslas formigas a raslfles infinidade dellas. ou lhes da o vento logo lhes cahem as azas e morrem.i no chão. por onde as tratam c mordem tão mal. fazem alcvantar mui depressa a quem nella jaz. e não podem passar por respeito da água que cerca estas hortas. e se ns rasas em que entrara são (erreas. o'matam-nas primeiro enlrando-lhe pelos olhos e ouvidos. Estas sahem dos formigueiros depois que chovo muito. lançando-.ROTEIRO DO RRAZIL. quo os fazem voar. e so acham cachorros e gatos dormindo. cobrem unia pessoa ioda. e como lhes toca qualquer cousa . as quaes tem azas como os agudes.

e a tinham Ioda abocanhada. a enxugar-se ao sol. e ficar nas encospeas no chão. obrados como favo de mel. e quando veio pela manha as acharam todas lavradas pela banda da flor. c tem o corpo tamanho com grão de trigo. quando a maré está vazia. que são pequenas do corpo e . Que trata de diversas castas de formigas. e da podridão doconcavo dellas. que cortam com ella como lezoura o foto a que chegam. as quaes são amigas das caixas. dos formigueiros depois que chove muilo. e fazem ninhos na terra nestas arvores. a qual terra vão buscar enxuta. o mantem-se dos olhos dos mangues e de ostrinhas que se nelles criam. onde criam . a estas formigas comem os indios torradas sobre o fogo. Ha outra casta. onde roem o fato que está ncllas. CAPÍTULO CXXII. o succedeu muitas vezes terem os sapateiros o calçado feito. as quaes se mantém das folhas das arvores. que parecem feitos á tesoura. e o gabam de saboroso. e os místicos as tem por bom jantar. dizendo que sabem a passas de Alicante. e tom grande boca. mas mordem muito. eoque acham pelo chão. Ha outras formigas a que os indios chamam tarusãn. e torradas são brancas por dentro. e de outros bichinhos que tomam pelo chão. são pardas e pequenas. que são ruivas. o alguns homens brancos que andam entre elles. em o qual fazem lavores. onde lhe chegaram de noite. e tão aguda.27^ GABRIEL SOARES DK SOUZA. as quaes são pequenas. o grande boca . übiraipú é outra casta de formigas. que se criam nos pés das arvores.as quaes se mantém das folhas das arvores e de minhocas. e quando pegam na carne de alguma pessoa seaferram de maneira que não se podem tirar senão cortando-lhe a cabeça com as unhas. a queos indios chamam tacicema. que são da feição e natureza dos caracoes. Tacibura é outra casla de formigas. que se criam nos mangues que eslam com a maré cobertos de água até o meio. e de uns caramujos quesecriam nas folhas d'estes mangues. e fazem-lhe muita festa .

cora o que enfadam muilo. criam pelas rasas em lugares ocultos que se não podem achar.itiahi. e fazem nas partes mais altas das casas seus aposentos. niatilem-se delles e da liumidado que esles pios tem em si. redondose muito nojento-. uns para cima e outros para baixo. e criam-se nos pios podres que estam no chão. mas não h» quem possa defender dellas as «-ousas dotes.XXIII. V. Copl são uns biclios que são tão prejuditiaes tomo as formigas. os quaes arremedam na feição á< formigas. e são muito certas em casas velhas. l«igo lhes dão assalto. com dous torninhos nella .ROTEIRO DO IIRA7IL. que sã«> graixfos « • prelas. nem oulras de tumer. pelas juntas de madeira em redondo. e criam-se debaixo «Io chão. se se não lera muito tento nisto. que lem as |wredt»s de lerra.~ f> tem grande cabeça. «fostroem umas casas.» defenda delles. <>. qw ha na Bahia. outro< como botijas. mas náu se afastam muito «Io seu formigueiro. lambera mordem muito. E«tes bichos «e criam nas arvores e na madeira das casas. e dos carrapatos. e comem-lhe a madeira. e ficam fedendo a percevejos: e são brancacenfis. e tamanhos como potes. mas como as cousas dotes entrara era casa. E*la< «e. Outras formigas chamam o« indios t. e se lhe locam tom as mãos logo se esborratham. as quaes nao monlem. mas são mais curtos. o servem-se por d«'iilro por onde sempre caminham. e. Em que se trata que musa r o cop!. «vriTUi. e fazem de barro um caminho muilo para ver. os quaes vem do mato por baixo do chão a entrar nas casas. onde não ha quem s. são preta*. c apodrentani-iia . o mordem muito. Tncipitanga é outra casLi de formigas pequenas. tousa sublilissima e tão delgada a parede delia como casca de castanha. uns tamanhos como bollas. que vai todo coberto com uma abobada de barro de volta de berço.o «. e trepam pelas paredes aos forros e emmadeiramento dellas.

Pulgas ha poucas no Brazil. mas ha uns pássaros de que dissemos atraz. e nas vaccas. e mantem-se disto. D'estes carrapatos se pegam muitos na caça grande.27G GABRIEL SOARES DE SOliZA.as d'este copi. e fazem grande comichão no corpo. entre os indios so criam alguns nas redes em que dormem. o qual lançam ás gallinhas com o que engordam muito. e é mais ligeiro que o de cima. Também se criam nas palmeiras uns caracoes do tamanho de oito reales. dos quaes se cria infinidade delles no maio. eslam todos lavrados por dentro como favo de mel. como estam sujas. este mordo muito. convém que se diga . CAPITULO CXX1V. logo morrem. e lavram-nos todas por denlro. mas tem as casas mais miúdas. os quaes são compridos com feição de pernas. se comem muitos. e com o vento caem no chão. e dos bichos. mas como se uniam com qualquer azeite. Ha na Bahia muilos carrapatos. Que trata das pulgas e piolhos. Pelas arvores se cria outra casta de copi prelo. que os matam ás alimarias e ás vaccas. que os esperam muito bem. nas folhas das arvores. que se criam nos pés. como os piolhos ladros. o quando lhe tiram fora estes aposentos. toda • e o mesmo feitio fazem nas arvores. e faz seus ninhos pelos ramos das arvores secas. quo em Hespanha se cria no trigo. e de nenhum proveito qua se criam na Bahia. de quando em quando. e quem anda por baixo d'estas arvores leva logo seu quinhão. os quaes fazem mal aos índios. o ntnhuns piolhos do corpo entre a gente branca. e todas estas che. a que os indios chamam tungaçú. dos quaes nasce grande comichão. que são baixos e enroscada a casca em voltas como a poslura de uma cobra quando eslá enroscada. Para se arrematar esta parle das informações dos bichos prejudiciaes. onde se fazem muito grandes. com que as fazem secar: e é necessário que se alimpem as casas delle. Dos caracoes de Hespanha se criam muitos nas arvores e nas hervas. e do tamanho e feição do gorgulho.

Daqui por diante vão arrumados oi peixes que se criam no mar da Bahia e nos rios delia. a quo os indios chamam tiingas.s sio mais inclinados. e náo se senle mais dòr nenhuma .is e «laquell. e outros a encherem *. d • hoohas.irinh. mormente junto das unhas. deixam «Mar os bichos nelles. em os quaes lugares esles bichos -aliam como pulgas nas pernas descalças. como is pulgas em Portugal. on«lo vem a crescer. o os que estam entre as uuln<. o em casas sujas «fo negros que ns mio «limpam. e donde saem liei uin-i eowrih. que <e melem nos pé* da gento.íi se descuidam tanto de si. porquo estam por dentro UKION cheios de lendeas. o que não acontece agora . que ao.i. e abastança dos mantimentos. pouco maiores quo ouç«ies. Criam-se em ra*as despovoadas. mas os preguiçosos esujosque nunta lavam tu p'•. como faziam os primeiros povoadores. nem fazem mal a quem anda calcado: aos preguiçosos c sujos fazem « esles bichos mal. porque em os sentindo «süram fogo com a ponta d • um alfinete tomo quem lira ura oução. frutos o caça d'ella. e «mires «|ue fazem comichão como de frieiras.wqu<>andam limpas. *>77 quo süo estos bichos tão temidos era Portugal. mormente «o estam «MU lerra «oiia o do muito pó. c fazerem-s. logo so sentem corao picada «Io agulha. os quaes sã. Pois queremos manifestar as grandezas da Bahia de Todos os Santos. nem nasterre. porqnn eslam metidos pela carne.ROTEIRO UO BRVJIL. e como arrebentara vão estas lemkaí lavrando os [»és. e tomo e<te« bichos entram na carne. Ha alguns «pio doem ao (Miinr na carne. No principio da povo. e dos brancos que fazem o mesmo.outros homem não. do que se vem a fazer grandes chagas. a fertilidade da lerra. e n.i còr. -* por que todos os sabem lirar. u náo aiiikira nas casas subradndas. convém que se saiba se tem o mar tão abundoso de pescado . o> qu i •.<e lirarn em menos espa-o de nma Avu Maria .içàodoBra/il. mas nos pè> ó a morada a que ell. vieram alguns homens a perder os pés. doem muito ao tirar. em «pie põem-lhe uns pós de cinza ou nada.» pretinhos.-•.» tamanhos tomo cini.

Entendo que cabe a este primeiro capitulo dizermos das baleas que enlram na Bahia. Que trata das baleas que se entram no mar da Bahia. depois que parem. pela tormenta que faz no mar largo. em a qual obra fazem grandes estrondos no mar. que lhe tinham levado para azeite. onde andam até o fim de Dezembro que se vão: e n'este tempo de inverno.278 GABRIEL SOARES DE SOUZA. comecemos logo no capitulo seguinte. cortando com um machado no beiço debaixo com ambas as mãos. c o beiço debaixo sahia para fora mais que o de cima . E em quanto as baleas andam na Bahia. por a este tempo estar já despido da carne . ( como do maior peixe do mar d'ella) a que os indios chamam pirapuã. como aconteceu no rio de Pirajá o anno de 1580. macho e fêmea . das quaes entram na Bahia muitas em o mez de Maio . gastando um pedaço em relatar a diversidade de peixes que este mar e os rios que n'elle enlram criam . e eu mandei medir a fêmea. o macho era sem* comparação maior. e dezasete de alto. o que se não pôde medir. e a borda do beiço era tão grossa como um barril de iSeis almudes. que é o primeiro do inverno n'aquellas partes. a fêmea tinha a boca tamanha que vi estar um negro metlido entre um queixo e outro. sem tocar no beiço de cima . que elles tem disposição para seguirem as mais pelo mar largo. fora o que tinha mellido pela vasa. foge o peixe do meio d'ella para os baixos e recôncavos onde ellas não podem andar . em que estava assentada . que reina até o mez de Agosto. as quaes foi ver quem quiz . . três e quatro mezes. e n'este tempo tornam as fêmeas a emprenhar. as quaes ás vezes pelo irem seguindo dão em secco. e porque havemos de satisfazer a esta obrigação. CAPITULO CXXV. e trazem aqui os filhos. e marisco como tem a terra do muito que se se nella cria . que ficaram n'este rio duas em secco . e tinha do rabo até a cabeça setenta e três palmos de comprido. parem as fêmeas á abrigada da terra da Bahia. como já fica dito. que estava inteira.

e tiraram-lho de dentro um lilho tamanho com oura barco de trinta palmos de quilha . levantando sobre a água tamanho vulto e tanta d'ella para cima. 271) tanto que so podia arrumar de cada banda n'ello um quarto do mearão. fazem grande espanto ao oulro peixe miúdo.W. Entram na Bahia. que se desfez lodo em azeite.IL. em «pie deram com o rabo.ROTEIRO DO BR. Je côr vordoenga . a qual balêa estava prenhe. e como vinha cora muita força. o não tinha escama. a que os índios chamara pirapicú . em que andam. cm o verão do anno do 1584 . e fazem grande temor aos que navegam por ella era barcos. o qual tinha trinta e sele palmos de comprido. e com esta revolta . e os Porluguezes espadartes . ate dar em secco. o qual peixe «>ra tão alio e grosso que tolhia a vi-la do mar. vir ura grande vulto «Io mar fazendo grande inarulho do diante apóz o peixe miúdo que lhe vinha fugindo para a terra. e já aconteceu por vezes espedaçarein barcos. mas couro muito grosso egordo como toucinho . como faz a bahia. a quem se punha de . o que se vê do três o quatro leguas de espaço. oulros peixes muito grandes. ao que acodirara os vizinhos d'aquella comarca a desfazer este peixe. lançando a água mui alta para cima . porquo andam urrando. e fazem tamanho estrondo quando pelejara. e se fez em ambas de duas tanto azeito que fartaram a lerra d'ello dous annos. no tempo das baleas. Quando estas baleas andam na Bahia acompanhara-se era bandos do dez. Aconteceu na Bahia . onde chamam Tapoara. Que trata do espardatc e de outro peixe não conhecido que deu á costa. que parece de longe um navio á vella . o matarem a gente dVIles. os quaes tem grandes brigas cora as baleas. com o que fogo para os rios e recôncavos da Bahia. e em saltos. CAPITULO CXXVI. dozo juntas. donde se não pôde tornar ao mar por vazar a maré c lhe faltar a água para nadar. varou cm terra pela praia.

onde fazem muito damno aos indios pescadores e mariscadores que andam em jangadas. e salvar-se oulro tão assombrado que esteve para morrer. e que grilavam umas negras. Que trata dos homens marinhos. que estavam lavando umas fôrmas de assucar . e mettem-nos debaixo d'agua onde os afogam : os quaes sahem a terra com a maré vazia afogados e mordidos na boca . as espinhas e ossos eram verdoengas: ao qual peixe não soube ninguém o nome. os quaes andam pelo rio d'agua doce pelo tempo do verão. a uns e outros apanham. as quaes fantasmas ou homens marinhos mataram por vezes cinco indios meus. ao qual mestre de assucar as negras disseram que aquella fantasma vinha para pegar n'ellas. viu um vulto maior que um homem á borda d'agua. do que ficaram tão atemorizados que não quizeram tornar a pescar d'ahi a muitos dias. traz d'elle . onde os tomam. e os que isso viram se recolheram fugindo á lerra assombrados. e que aquelle era o homem . narizes e na sua natura. por nao haver entre os indios nem porluguezes quem soubesse dizer que visse nem ouvisse que o mar lançasse outro peixe como este fora. e alguns morrem disto. e já aconteceu tomar um monstro destes dous indios pescadores de uma jangada e levarem um. CAPITULO CXXVII.280 GABRIEL SOARES DE SOUZA. uma noite. e dizem outros indios pescadores que viram tomar a estes mortos que viram sobre água uma cabeça de homem lançar um braço fora d'ella o levar o morto. metidos «'ella. a que os indios chamam pela sua lingua upupiara. o que também aconteceu a alguns negros de Guiné . e aos que andam pela borda da água. muitos homens marinhos. e linha por natureza um só olho nomeio da frontaria do rosto. cuja cabeça era grandíssima. de que se admiraram muilo. E um mestre de assucar do meu engenho afirmou que olhando da janella do engenho que está sobre o rio . Náo ha duvida senão que se encontram na Bahia e nos recôncavos d'ella. mas que se lançou logo n'ella .

o vinte quatro canadas de azeito.imam peixe serra : os quaes tem o touro e feição dos tubarões. que se tomam muitos de cujos ligados se tiram trinta a quarenta canadas de azeite. em os quaes acham pegados os peixes romeiros. e fazem-no em lassalhos pira se seecar. corao o peixe serra. é a espinha de seis . Aragoagoay e chamado pelos indios o p >ixe a que o. Que trata do peixe serra. o dVsies . aos quaes matam cora anzoes de cadea com grandes arpociras. e outros de mais.icontecimeiiios ncontecem muitos no verão. de que ha muita somma no mar da Bahia. a que os indios chamam pojuji. e os que os tem são muito estimados dVlles. e lixos. cora dentes «le ambas as bandas mui grandes.ROTRIRO DO BUAJU. mas tem no fotinho uma espinha de osso muilo dura. qne no inverno nfio (alta nunca nenhum negro. CAPITULO CXXVI1I. cujos dentes aproveitam os indios. os quaes tem tamanhos fígados que se tira «1'elles vinte. as quaes estiveram assombradas muitos «lias. uns de moio palmo. segundo o peixe . como nos do mar largo. que os engastara nas pontas das flexas. eandam sempre acata do peixe iniudo. e lera tamanhos fígados. que serve para a candeia e para concertar o broo para < s > barcos. °Sl marinho. estes come n gente. e de menos . cuja carne comem os indios. que lhe largam para quebrar a fúria e se vazar do sangue. sete palmos de comprido . Por tempo de calma apparecem no mar da Bahia toninhas.Porluguezes rh. os quaes se defendem com ellas dos tubarões c de outros peixes. e em lassalhos seccos se gasta com a gente dos engenhos. toninhas. das quaes também foge o peixe miúdo para li v 36 . que serve para a gente do serviço. Estes setomamcom auzoes de cadea cora ai poeiras compridas. Este peixe naturalmente é secco. Uperu é o peixe a que os Porluguezes chamam tubarão. tubarões. se lhe chegam a lanço.

e seccas e escaladas servem para a gente dos engenhos. não tem°escama . A esles peixes se mata com arpões muito grandes. e no cabo d?ellas atado um barril ou outra boia . onde o esfolam como novilho. alé que o peixe se vasa lodo do sangue. e tem dous colos como braços. que se dá ao longo da água. o que esperam bem. o qual peixe tem o corpo tamanho como um novilho de dous annos. tem o corpo muito maciço. e o arpador vai em uma jangada seguindo o rasio do barril ou boia . Que trata da propriedade do peixe boi. õs recôncavos. mas tem o raboá feição de peixe e a cabeça e focinho como boi. uaon* No mar da Bahia se criam muitas lixas maiores que as de Hespanha . de que elles bebem. e n'elles umas mãos sem dedos . e salpreza . nao tem pés. e tem muilo melhor sabor : a carne d'este peixe em fresco cozida com comes sabe a carne de vacca . cuja carne é muito gorda e saborosa: e tem o rabo como toucinho sem ter n'elle nenhuma carne magra. as quaes tem tamanhosfigadosque se tira delles quinze e vinte canadas de azeite . o qual levam atado a terra ou ao barco. que o peixe leva alraz de si com muita fúria. mas não se faz conta d'ellas para as matarem.282 GABRIEL SOARES DE SOUZA. atados a grandes arpoeiras mui fortes . Goará<'oá é o peixe a que os porluguezes chamam boi. o qual derretem como banha de porco. que anda «a água salgada e nos rios junto da água doce. e duas goellas. o qual tem osfigadose bofes e a mais forçura como boi. e tomam-nas com arpeos. e comem de uma herva miúda como milha. que apparecem em certa monsão do anno. as quaes andam ao longo da arêa onde ha pouco fundo. em nenhum tempo. e uma só tripa . CAPITULO CXXIX. porque lhe largam com o arpão a arpoeira. e para matalotagem da gente que ha de passar o mar. e tudo muilo bom . e se desfaz todo em manteiga. mas pelle parda e grossa. que serve para tudo o para que presta a de porco. e se vem acima da água morto.

senào quanto c mais barri- . «adubada parece e lera o sabor de carne do porre. CAPITULO CXXX. o na tabeço entre os miolos tem uma pedra tamanha como ura ovo de pala . na pellc não tem cabello nem escania. pelo qual nomeo noraeam os Porluguezes. e os machos tom os testículos c vergalhocomo boi. e porque ha poucos indios que os saibam tomar. mas tem mais que comer. Andam estes peixes pelos baixos ao lonso da arêa. a qual é muilo alva e dura corao marfim. cujas escamas são grandes : quando este peixe é grande. assada pároco lombo de porc». Que trata dos peixes pesados e grandes. e assim a vão seguindo alé que cahem no anzol. ondo não bolem comsigo. e cada uma enche um pralo grande. Tapyrsiçá é outro peixe assim chamado pelos indios. e tora grandes virtudes contra a dôr de pedra : as fêmeas parem uma só criança. e pardo na còr: lera a cabeça grande e gorda como toucinho. é-o muito. e feita o:n lassalhos. e «le vinha d'alhos. o qual lera os dentes corao boi. a qual so faz muilo vermelha e é feita toda emfovrascom sua gordura misturada : o em fresca . etera saborosissimo sabor: a sua cabeça é quasi inassiça . e desfazem-se na boca cm manteigi todos. foi Ia em três peças. 28* melhor. morrem poucos. o faz-lho vantagem no sabor.cozida. mas hão lhe ir andando com alinha pira comerem a isca. era cuja língua quer dizer olho de boi. posta de fumo faz-se muilo vermelha. tamanho e da feição do solho. as màoscozidas d'eslo peixe são como as do [wm-o. o parece e tem o sabor. esie peixeé quasi da feição do beijupirá. e tora o seu sexo como outra alimaria. cujos ossos são muito tenros. lambem morrem á linha. as quaes são muito saborosas. de caruo do porco muito boa.ROTR1RO UO BRAZIL. aonde esperam bem que os arpoem. as fêmeas tem as ovas amarellas.1 salpreza. Beijupirá é o mais estimado peixe do Brazil.

os quaes . pescadas e xareos. e morre á linha . os quaes morrem em todo o anno. cavallos . e é muito saboroso e de grande estima. mas cheio de escainas grossas do tamanho da palma da mão. os quaes a seu tempo tem ovas grandes. o qual morre á linha no verão . e sal prezo é estimado CAPITULO CXXXI Que trata das propriedades dos meros . e quando estão gordos não tem preço. Camuropi ê outro peixe muito prezado o saboroso. Cunapú são uns peixes. que se tomam á linha. os quaes são muito estimados.284 GABRIEL SOARES BE SOUZV. são muito saborosos era extremo. e no cabo tem muitas juntas corao o savel. e mais saborosos. o qual lera lambem grandes ovas e muito boas. porque o são na côr: os grandes são como pargos. e outro de carne. mas mais vermelhos uns e outros. Carapitanga são uns peixes que pela lingua do gentio querem dizer vermelhos. gudo . Estes peixes morrem á linha em honesto fundo. as fêmeas tem ovas tamanhas que enchem um grande prato cada uma d'ellas. a que chamam em Portugal meros. e por façanha se meteu já um negrinho de três annos dentro na boca de um d'cfte? peixes. e quando este peixe é gordo é mui saboroso. e muito gostosas . os quaes são mui grandes. e t-ão mui sadios. como são gordos. e ordinariamente em todo o anno morre muita somma delles. que são como os corcovados de Portugal. está arrumado um eilo de espinhas grandes. porque. e são muitos d'elles tamanhos que dous indios não podem com umas costas atado em um páo. e muitos morrem tamanhos que lhe caberia na boca um grande leitão de seis mezes. e cortado em poslas. eoutras mais pequenas. e os pequenos como gorazes. Ha outro peixe a que os indios chamara piraquiroâ. tamanho conto uma pescada muito grande e da mesma feição.

e açodem então á isca. 2Rõ tem tamanhos figados como ura carneiro. o «|ual quando é gordo « ? em extremo saboroso. e recolhem-se com elles. e tem o bucho tamanho como uma grande cidra .ij. e salprezas de um dia para outro. e salprezo este peixe é muito gostoso. ao que os Porluguezes chamam charéo. cujoraboé gordissimo. e tem grandes ovas em extremo saborosas. e se faz todo em folhas como pescada. São esles peixes maiores que grandes pescadas. o couro d'esie peixe é tão grosso como um dedo e muito gordo . prateado e tezo .R. . com a criação que desovaram na Bahia. o qual cozido e recheado dos figados tem muilo bom sabor. por trabalhar muito como se sente prezo. mas e muito avaut. mas muito maiores e mais gostosas. Guarapicú sao uns peixes a que os Porluguezes chamam cavadas . fazem as postas folhas como as boas pescadas do Lisboa e em extremo são saborosas. e pegam do anzol. pelo que os pescadores vão andando sempre com as jangadas. a quo os indios chamam camboas onde morrem muitos.ido no sabor e levidão. os seus ossos dos focinhos se desfazem todos entre os dentes em manteiga . o além de ser gostoso é muito sadio. nas tostas.WIL. que e peixe largo. sem trabalharem por se soltar d'el!e. e no tempo das águas vivas setomamem umas tapages de pedras e do páos. as quaes se tomam á linha. o salpimenlados suo muito bons. mas compridos. Cupá são uns peixes a que os Porluguezes chamam pescadas bicudas que são pontualmente da feição das das ilhas Terceiras . e quando está gordo sabem as suas ventrecbas a savel. das quaes ha muitas que começam a entrar na Bahia no verão com os nordestes. branco . os quaes salprezos são muito bons.UTRIRO DO BR. o qual se toma cora qualquer anzol e linha. tão grossos no meio como avelãs. e tem nas pontas«tasespinhas. uns ossos alvos atonelados. o qual peixe morre á linha e era redes em Icxfo «»anuo . os quaes não comem a isca estando queda. Esto peixe é muito saboroso. Chamam os indios guiará. mas da feição e côr dos saveis. que é grande.

mas temo couro amarello. o são muito gordas e saborosas. e tem muitas espinhas. frescos e seccos. se não quanto tem na ponta do focinho uma roda de meio compasso.286 GABRIEL SOARES DE SOUZA. a que os indios chamam guris e os Portuguezes bagres: tem o couro prateado sem escama. mas muito dura. Ha outro peixe. que se tomam á linha e com redes. onde as tomam ás mãos. das quaes ha muitas. as quaes chamam os indios jabubirá p sflo de muitas castas como as de Lisboa. mui grandes e mui pintadas como as de Hespanha . a que os indios chamam urulús. tem a cabeça como enxarroco. que em tudo o parecem. as quaes mordem muito. e morrem á linha e em redes: . Ha outra casta de bagres. e tem o miolo d^ella duas pedrinhas brancas muito lindas. do que ha muitos na Bahia. Aos cações chamam os indios socori. Chamam os indios ás moréas caramurú. este peixe se toma em todo o anno. tomam-se á linha. que tem a mesma feição. de palmo e meio e de dous palmos. comem-se os grandes reccos em tassalhos. que também morrem em todo o anno á linha. da boca dos rios para dentro até onde chega a maré. os pequenos á linha e em redes de mistura com o oulro peixe. cujas pelles se pegam muito nos dedos. Panapaná é uma casta de cações . e são muito gostosos e leves. e os pequenos são mui leves e saborosos. não as ha senão junto das pedras. CAPITULO CXXXII- Em que se trata dos peixes de couro que ha na Bahia. Arraias ha na Bahia muitas . o qual peixe tem grandes fígados como tubarões. e os pequenos frescos. e não são tão saborosos como os bagres brancos. e uns e outros não tem na feição nenhuma differença dos que andam e se tomam em Hespanha. e é muito leve e gostoso. e os grandes lomam-se com anzoes de cadêa.

. que são pontualmente como as das IlliasTerceiras. e morre :«linha: do que ha muilo por estes rios. que são muito saborosas e sadias. Camuris são uns peixes. mas muito maiores. morrem á linha . Que trata da natureza das albacoras. tomam-se á linha . Piracuca chamara os indios as garoupas. Bonitos entrara também na Bahia no verão muita somma. e tem uma còr amãrellaça era fresco. No mesmo tempo enlram na Bahia muitas albacoras. 287 ha umas muito grandes e outras pequenas . bonitos . é peixe molle. que são como as das Ilhas. CAPITULO CWXIII. e salprezo. faz-se em folhas corao pescada. que morrem á linha: são corao os do mar largo.ROTEIRO UO BR VIU. e lera a espinha verde. assim chamados pelos índios . mas muito sadio e saboroso. e lera a carne molle . o não ó havido por bom peixe. mas tem bichos nas ventrechas que se lhes tiram. «is boca d«>s rios para dentro até ondo chega a maré . os quaes são poucas vezes gordos e nenhumas estimadas. o qual peixe é secco e toma-se á linha. Tacupnpirema « ura peixe <|ue arremeda as comuns «Io Hespanha . dourados. morrera a linha das botas dos rios para doutro até onde chega a maré. «me são tomo as que seguem os navios. pescam-se onde o fundo seja de pedra . que se parecem com os roballos de Portugal. que são como os «pie se criam na carne. tem o peixe molle. e tem-se em pouca estima. mas em fresco é saboroso e sadio. corrinas e outros. Abróteas morrem na Bahia. * o qual morre no verão. a que os iudios chamam caraoatá. e é muito gostoso. mas mais setcas . Também entram na Bahia no verão muitas douradas. e secco lambera. Esto peixe tem na cabeça metidas nos miolos duas pedras muito alvas do tamanho de um vintém . «piesão da feição das do mar largo.

mas muito carnudos o tezos e de bom sabor. se toma nellas o que se contem neste capitulo . e apoz elles as cavallas de que dissemos atraz . a que os indios chamam ubaranas. dos quaes morrem em todo o anno muitos á linha. seis palmos de comprido: são muito gordos e de muitas espinhas. e sempre estão como as dos ovos crus de gallinhas. a que os indios . dos quaes se comem somente as gemmas. Ha outros peixes na Bahia. E comecemos logo do principal. porque roncam debaixo d'água. e tomam-se muitas na costa brava tamanhas que as suas cascas são do tamanho de adargas. de que fica dito atraz. e ha alguns de cinco. e é peixe muito saboroso e sadio. as quaes são muilo verdes. as quaes põem nas arêas infinidade de ovos.tamanho e feição dos sargos. tem muitas espinhas farpadas como as do savel. e tem grandes fígados e muito gordos e saborosos. que são as tainhas.28S GABRIEL SOARRS DE SOUZA. que se parecem com tainhas. de que fazem a isca para as cavallas. Goaivicoára são uns peixes a que os Portuguezes chamam roncadores. Além dos peixes que morrem nas redes. Maracuguara é um peixe a que os Portuguezes chamam porco. por que as claras. CAPITULO CXXXIV. Chamam os indios ás tartarugas girucóa. e ha d'esta casta muitos peixes pequenos. Chamam os índios ao peixe agulha timuçú. Sororocas são outros peixes da feição e tamanho dos chicharros. os quaes morrem em todo o anno á linha. que vem no verão d'arribação á Bahia. morrem á linha e são de pouca estima. que não morre á linha. e é peixe levee pouco estimado. são do. ainda que estejam no fogo oito dias a cozer ou assar. não se hão de coalhar nunca. que morrem á linha no verão. Em que se contém diversas castas de peixes que se tomam em redes. e em todo o anno se toma este peixe á linha. porque roncam no mar como porco.

do quo ha infinidade «folias na Bahia. estoo cheias de banhas. o qual é alvaccnto. Ha outro peixe que morre nas redes. que morrem nas rodes em to«lo o anno. c. e quando eslão gordas. muito delgado e largo. oa gonte«los navios do Beiuo. mas muito mais ^osiosas . o andara na Bahia ordinariamente a ellas mais de cincoenta redes de pescar. etomara-seem redes.. e nada de perallo. E de noite.< gordas. as tomam «K indios com umas redinhas de mão. que é o nome que tem oulro peixe quo morre nas redes. para que se venham todas abaixo a meter nas redes: e d*esta maneira carregam uma canoa de tainhas. e ajnntam-se muitos indios. Carapebas são uns peixes. as qua»* morrera nas enseadas. e poem-Uie »sredinhasao longo datapagem. as quaes salprezas arremedam ás sardinhas de Portugal no sabor. do tamanho dos sarguetes. •|ue morrem nas redes e qne lera o mesmo sabor. saborosos e leves. e outros batom na água no cabo do esteiro. de. mas sáo muito maiores. das quaes sahem logo em um lanço Ires.quando a maré vaza. Chamam os indios coirimas a outros peixos dafeiçãodas tainhas. e são muito gostosas. :57 . este peixe é muito levo e saboroso. que lambem tom boas oras. 5g() ehamam paratis.|uo fazem matalotogem para o m»r. cora águas vivas.. Arabori é um peixe de arribaçao. e faz na cabeça uma feição conm crista. a que os indios chamara zabucaí. e em todo o anno são gordos. com uma boca pequenina. que são baixos e largos. o são estas tainhas. Tareira quer dizer enxada. quatro mil tainhas. e assim cheias de espinhas.m as quaes secasse mantom osengenhos. qne chamara puçás. e como a maró está cheia tapam-lho a porta. o qua! também nada de perallo. e tom grandes ovas. muito delgado pela banda da barriga e grosso pelo lombo. o tapam a boca A» um esteiro com varas e rama. Estas tainhas sotomaraera redes. da feição das savelhas de Lisboa. ponpm andam sempre em cardumes. eé muito saboroso e leve. quo vfloataila* em uma vara arcada. e os Portuguezes gallo. que é quasi quadrado. nem mais nem menos «orno as de Hespinha.ROTEIRO no «Ruir.e de oolro peixe qne entra no esteiro.

Que trata de algumas castas de peixe medicinal. tem os figados vermelhos como lacre. que lhe comem todo o ceo da boca. a carne d'este peixe é muito teza. mas muito gostoso e leve. que por não enfadar não digo delles. Atucupa são uns peixes pequenos. CAPITULO CXXXV. é peixe saboroso. Bodiaens é um peixe de linha. os quaes lhe morrem no verão em que lhe torna a encourar a chaga. no sabor os salmoneles de Hespanha. e outros muitos peixes ha. que lhe os bichos fazem . e leves para doentes. na côr. no ceo da boca tem uns carrapatos. este peixe se dá aos doentes. e muito leve para doentes. Tomam-se na Bahia outros peixes que são pontualmente na feição. é peixe molle. os quaes morrem á linha junto das pedras. e tem a côr de peixe cabra. estes peixes nascem no inverno com água do monte. morre á linha em todo o anno. que morrem a linha : e quando é gordo. dos quaes ha muitos na Bahia. que se dá na costa das Ilhas . Piraçaquem é um peixe da feição dos safios de Portugal. que se tomam á canna. e são tão leves que se dão aos doentes. o qual não tem escama. Jagoaracá é um peixe que morre á linha. e largos como choupas.290 GABRIEL SOARES DE SOUZA. muito saborosa. nas pedras. . muito medicinaes para doentes e de muita substancia . é muito saboroso . e são tão leves que se dão aos doentes. que são em todo o anno muito gordos e saborosos. Goayibicoati são uns peixes azulados pequenos. tamanho como cachuchos. e feição de salmonete.

da mesma còr o feição. e são muito saborosas. . ondo ficam com pouca água. são sobre o molle. onde se tomam nas covas da vasa. sem o açouLirom . mormente a pelle. Aimoré é um peixe que se cria na vasa dos rios da água salgada. a que os indios chamara caiacanga. e liraui-lhe o peçonhento fora. e se o cozem ou assam . nas concavidades que tem os arrecifes. e de improviso se acha mal quem as come como as dos aimorés. Estes quando eslão ovados. o mui leves. as suas ovas são pequenas e gostosas. e grande fraqueza. Nos arrecifes se tomam muitos polvos. os ligados e o fel. cujo sabor não ó muito bom. faz-se cm pedaços. e vomitar. Chama o genlio aimorèoçús a outros peixtís. que são da feiçio dos eirós de Lisboa. e são como os de Hespanha sem nenhuma differenea. e tem a cabeça da mesma maneira. Que trata da natureza de alguns peixes que se criam na lama e andam sempre no fundo. e tomam-se na baixamar do maré de águas vivas. que se criam na vasa dos mesmos rios do salgado. mas são tão peçonhentas que de improviso fazem mal a quora as come . mas passa este mal logo. mas as ovas são peçonhentas. Uramaçá é uma casta do peixe da feição delingoados do Portugal. mas o peixe é muito gostoso e sadio. u mui peçonhento. e comem-nos. e fazem arvoar a cabeça. os quaes são da feição e còr dos enxarrocos: e lio escorregadios como elles. o qual se toma debaixo da vasa ou com redes. mas mais curtos e assim escorregadios. Baiacú é um peixe que quer dizer sapo. e dòr de estômago. mas muito gostosos cozidos e fritos. e o mesmo peixe. os quaes não andam nunca em cima d'agua. tem as ovas tão compridas quo quasi lho chegam á ponta do rabo . e de noite se tomam melhor eom fachos de fogo. ao qual os judios com fome csfolam.ROTEIRO UO BRAZIL 1MH CAPITULO CXXVVI.

Que trata da qualidade de alguns peixinhos e dos camarões. os quaes tem pegados na polle por duas pontas com que estam arraigados. e tem na barriga. e no fim dellas duas perpatanas duras como as do rabo . e debaixo na barriga tem dous bracinhos curtos. e na despedida do rabo tem duas pernas corno rãs. uns bichos como minhocas. quando não tem outra cousa. e nelles maneira de dedos. Piraquiroà é um peixe da feição de um ouriço cacheiro. CAPITULO CXXXVII.cm cujas bocas se criam no inverno. e é dos hombros para baixo muito estreito. e ficam com a maré . Bacupuá é um peixe da feição do enxarroco nos hombros e na cabeça. e como as ruivocas de água doce. dous buracos. ou lhes fica alguma pclle. e da cabeça lhe sabe um corno de comprimento de um dedo. os quaes andam sempre ao longo da arêa no fundo. delgado e duro como nervo. e tem as costas cheias de sarna como ostrinhas. os quaes andam sempre no fundo da água. com os quaes peixes assados os indios matam os ratos. easperpatanas do rabo são duras e grossas. mas anda sempre pela arêa sobre as mãos. mas se lhes derrama o fel. Este peixe não nada. a quem os indios esfolam. todos cheios de espinhos tamanhos como alfinetes grandes.soça onde se esles peixinhos vem recolher fugindo do peixe grande. assim chamado dos indios.1U2 GABRIEL SOARES 1)1-. que lhes morrem no verão. onde ha pouca água. incha quem o come até rebtítitar. mas delgado e duro como osso e muito prelo. e o mais é còr vermelhaça . da feição de choupinhíis. com as cheias. mie são umas cercas de pedra en. mas tem a boca muilo pequena e redonda . debaixo das mãos. e comem-lhe a carne. Mirocaia ó um peixe. Piraquiras são uns peixinhos como os peixes reis de Portugal. ao qual os índios comem esfolado. SOUZA. que se tomam á cánnanos rios do salgado: são tezosede fraco sabor . tomam-se em redes. os quaes se tomam na água salgada em eamboas.

irauguej<r- . em a qual estão cheios «le coraes muito grandes as fêmeas.il castas de outros de que se não faz menção. Carapiaçaba são uns peixinhos que se tomam á ranna. mas eslá entendido que onde ha tanta diversidade de peixes grandes. Aos lagoslins chama o gentio potiquequiâ: os quaes sao da maneira das lagosLis. os quaes são redondos como choupinhas. as barbas compridas . e são sempre gordos e muilo bons pira doente*. O maristo mais proveitoso á gente da Bahia sm uns e. mas mais pequenos alguma tousa. criam-se «jstes nos esteiros d'agua salgada . ha ile ser de noite com fachos de fogo. estão melhores que na lua cheia .ll 2ft. e sãoesborrachados na feição: tem a casta branda c são mui saborosos.em terlo « tempo trazemos índios«I'esles lugares sacos cheiosdVstcs peixinhos. ondo fitara tomo a maré varia. e ficam depois de assados todos pegados á feição de uma maçaroca. Pequilinins são uns peixinhos muilo pequininns que se tomam em poças d'agua. haverá muilo mais dos [icquenns. onde se tomam era conjunção das águas v ivas muilos. E afora estes peixinhos ha iv. Que trata da natureza dos lagostins c ussús. que é nas marés da lua nova. a em seu tempo. e tomara-se era redinhas de mão. que são tomo os de villa Franca. onde s > enchem balaios «folies : (.ROTEIRO l>i> RRA/. e os machos muito gordos. e são tamauinns que os indios assam mil juntos. os quaes tem as unhas curtis. e em tudo o mais lem a mesma feição e feilio: e triarn-se nas tontavidades dos arrecifes . por estuzar prolixidade . e nas red«s grand«ís de pescar vem de mistura tora o oulro peixe CAPITULO CXXXVI1I.*V vazia dentro nas poços. c para se tomarem bem esles lagoslins. Polipemas chamam os indios aos camarões. e pintailosde pardo e amarello. embrulhados era umas folhas debaixo do burralho.

e não ha indio d'estes que não tome cada dia trezentos e quatrocentos carangueijos. E não ha morador nas fazendas da Bahia que não mande cada dia um indio a mariscar d'estes carangueijos. Estes carangueijos tem as pernas grandes . e o que se dellas como o o mais do rarangueijo. e é não haver quem visse nunca carangueijos d'esta casta quando são pequenos. de cuja folha se mantêm. e quando as fêmeas estão com coraes. e recolhem em cada samurá d'estes um cento. a que os indios chamam samurá. e duas bocas muilo maiores com que mordem muito . os quaes são grandes e tem muito que comer . onde fazem sua morada. Estes ussás são infinitos. do tamanho que hão de ser. e como desovam pellam a casca. e é necessário tiral-o a tento. porque não faca amargar o mais. e de cada engenho vão quatro e cinco d'estes mariscadores. tanto que parece o seu casco estar cheio de manteiga. o qual amarga muito. e nasce-lhes outra casca por baivo. e tem coraes uma só vez no anno . Tem esles caranguejos no casco um fél grande. das quaes covas os tiram os indios mariscadores com o braço nú. que trazem vivos em um cesto serrado feito de verga delgada. em as quaes tem tanto que comer como as das lagostas. e bucho junto á boca com que come. . e emquanto a tem molle estão por dentro cheios de leite. a que os indios chamam ussás. e como tiram as fêmeas fora as tornam logo a largar para que não acabem. pouco mais ou menos. e são mui sadios para mantensa dos escravos e gente do serviço . e faz espanto a quem atenta por isso.29ÍI GABRIEL SOARES DE SOUZA. os quaes se querem antes assados que cozidos. e façam criação. e fazem dor de barriga aos que os comem . os machos estão mui gordos. estes caranguejos se criam na vasa entre os mangues. que todos apparecem e sahem das covas da lama. com os quaes dão de comer a toda a gente de serviço. e quando assim estão são mui gostosos. é muito gostoso. assim os machos como as fêmeas.

que se tomam no rio de Sacavem em Lisboa . Que trata de diversas castas de caranguejos. Ha outros caranguejos. e tem as covas mui fundas. *?95 CAPITULO CXXXIX. como os de Portugal. que lem outra feição mais natural com os caranguejos do Portugal. Goaiaussá são outros caranguejos que se criam dentro d'aréa . e tem o casco redondo. Ha outros caranguejos. que se descobre na vasante da maré . e andam sempre pelas praias. e em seu tempo. as pernas curtas. quando a maré enche. Estes desovam em cada lua nova. ondo os tomam ás mãos. dos quaes ha infinidade. e os machos estão muito gordos. criara-se enlre os mangues. e sempre lhe eslão roeiufo nos pés. tem as fêmeas coraes. era a qual as fêmeas lera grandes coraes vermelhos. uns e outros. e náo tem foi como os ussás. a quo os índios chamam goaiá: estes são compridos. e uns e outros são sadios e gostosos. em quanto não vêem gente. os quaes. para tirar ura d'estes caranguejos. que se criam nos rios. de cuja folha e casca se mantêm . e como a sentem se mettem logo nas covas : e aconteceu já fazer ura indio tamanha cova.ROTEIRO DO RRAriI. mas tem a casca molle. e lera as duas botas muito compridas e grandes. Criam-se outros caranguejos na água salgada . e são poucos e gostosos. a que os indios chamam goaiarara. onde a água doce se mistura com a salgada. a que os índios chamara serizes. tem muilo que comer. e eslào muito gordos. que . os quaes são mui lizos e de còr apavonada. os quaes são pequenos e brancos. Aralús são oulros caranguejos pequenos. e em todo o tempo são muilo gostosos e sadios: criam-se na praia d'area dentro na água . mas são muito maiores. e tem as pernas curtas e pequenas bocas: são muito poucos mas muito bons. uma vez no anno. e os machos os lera brancos. em o que tem muito que comer. e os hratos dellas quadrada*.

a que os indios chamam lerimerim. mas muito gostosas. defronte do Barreiro. a que os indios chamam leripebas. e ha engenho que se gastou nas obras d'elle mais de três mil moios de cal d'estas ostras : as quaes são muito mais sadias que as de Hespanha. que se criam em baixos de arêa de pouca água . as quaes estão sempre cheias. que se criam no rio de Lisboa . CAPITULO CXL. As mais formozas ostras que se viram são as doBrazil. as quaes são como as salmoninas. e criam-se nas raizes e ramos d'elles até onde lhes chega a maré de preamar. as quaes cruas. da feição de vieiras. no que os indios tomam tanto trabalho. a qual é muito alva. onde lhe os indios chamam leriuçú . E ha tantas ostras na Bahia e em outras partes que se carregam barcos d'ellas muito grandes para fazerem cal das cascas. porque lhes serve este goaiaussá de isca . de que se faz muita e muito boa para as obras. e tem ordinariamente grandes miolos. de maneira que não pôde tirar a cabeça e afogou-se. que o peixe come bem . estão mui doces e sem sabores. porque tiradas umas. e pelos rios onde se junta a água doce ao salgado se criam muitas na vasa. como se vè na Bahia. Que trata das qualidades das ostras que ha na Bahia. e estão na con- . e ha infinidade d'ellas. e nunca se acabam . lhe cahiu arêa em cima. os quaes tem a casca muito molle ordinariamente. que se não enxerga o páo. Nos mangues se criam outras ostras pequenas. e não se comem por pequenos. as boas se dão dentro da vasa no salgado . e em todo o tempo são muito boas e muito leves. as quaes raizes e ramos estão tão cobertos d'estas ostras. as quaes são pequenas. e eslào umas sobre outras. mas quando ha água do monte. assadas e fritas são muito gostosas . logo lhe nascem outras.296 GABRIEL SOARES DE SOUZA. Estas leripebas são um marisco dü muito gosto. e em algumas partes os tem tamanhos que se não podem comer senão coriadas em talhadas . Ha outras ostras. e muito grandes.

mas o melhor d'este marisco e frito. a que os indios chamam tercobas. por que se lhe gasta no fogo a muiLi reima que tem . que são da medrai feição e tamanho o sabor dos mexilhões de Lisboa.ii/a . e com a minguante da lua <s>tão muito cheios. Primeiramente sernambis é marisco que S«Í cria na vasa. o um cheiro forlum que assado e cozido lem . além descrera maravilhosas no sabor. os quaes tem taranguejinhos dentro.I. que são da mesma feição dos de Lisboa. e o mais que tem os do Lisboa . cujo miolo «'• sobre o te/o e muito exeellente. Na Bihia se criam oulras sortes de marisco miúdo debaixo da arêa. T)os berbigões ha grande multidão na Bahia. que são como as ameijoas grandes de Lisboa . mas tem a casta muito redonda e grossa . e tem dentro grande miolo de còr pard.« > aconteceu «lescer com a maré serra dVllas ale defronte da tidade. assim cruas tomo abertas no fogo: as quaes se tiram do deliaixo da arêa . que se come assado e cozido. e de toda a maneira este marisco é prezado. a que os indios chamam sarnambitinga . nas praias da arca. e tem o mesmo gosto e sabor . Qw trata de outros mariscos que ha nu Bahia.ROTEIRO DO BRAZIL *2U7 inncção da lua nova muilo cheias . ns quaes. e são mais pequenos. Criam-se na vasa da Bahia infinidade de mexilhões. CAPITULO CXI. quinze c vinte dias. tom que a gente d'ella e «Io seu limite teve «pie comer mais de dous annos. a que os índios chamam sururús. em as quaes so acham grãos de aljofar fiequenos. . e criam-se logo serras «1'esLis leripebas umas sobre as outras. mas tem a casca mais grossa. são muilo leves. e lera-se em casa na água salgada vivas. muilo grandes: « |. que são da feição •• tamanho das ameijoas de Lisboa. Em os baixos da aréa que tem a Bahia se cria ontrn marisco.

que os indios comem. que se criam na arêa. onde lem uma tripa cheia de arêa. que se come aberto no fogo . que são tamanhos como uma grande cidra. Que trata da diversidade da búzios que se criam na Bahia. o qual tem uma tripa cheia de arêa. os quaes são algum tanto baixos. o da mesma grossura. nem casa de indios onde não haja três e quatro. e no que a boca abre para fora são mui formosos. os quaes são tão compridos como um dedo e mais. a que os indios chamam oapuaçú. a que us indios chamam goaripoapem. na vasa dellas. os quaes soam muito mais que as buzinas. que são tamanhos como uma pinha & maiores. que tem uma horda estendida para fora no comprimento do búzio 'de um coto de largo. sobre o tezo. a que os Portuguezes dizem lingoeirões. se cria outro marisco. que requeima algum tanlo na lingoa. os quaes búzios servem aos indios de buzinas. tamanhos como nozes e maiores. Também se criam na arêa outros búzios de três quinas. com que tangem. são brancos. CAPITULO CXLII. e tem um miolo grande e mui gostoso. a que os indios chamam oatapú. Tapuçú são uns búzios tamanhos de palmo e meio. que se lhe tira bem. A estes búzios furam os indios pelo pé por tangerem com elles. e a casca se abre como a das ameijoas. e pontagudos no fundo. c criam-se na arêa . e no miolo lem uma tripa cheia delia. e roucos com grande boca. também servem de buzinas aos indios.29S GABRIEL SOARES DE SOUZA. Nas enseadas da Bahia. Perigoas são outros búzios. estes tem grande miolo bom para comer. e não ha barco que náo tenha um . cujo miolo é grande e saboroso. mas tora um certo sabor. comem-se abertos no fogo. e também crus. e são mui gostosos. Ha outros búzios. e algum tanto tezo. cheios de bichos muito bem a foi- . e tem grande miolo. e criam-se estes búzios na arca. mas é muito tezo. que se lhe lira facilmente.

Sacurauna é outra casta «le búzios. da mesma maneira se criam no mar. que cozidos o assados. e lambem tora tripa de aréa. outros compridos. os quaes tem grande miolo. e rum tormenta lança-os o mar fora nas enseadas. do quo ha muita somma. Oulras muitas castas ha destes búzios pequenos. Pindá chamam os indios aos ouriços que se criara no mar da Bahia. Ticoerauna são uns búzios pequenos da feição de caramujos. como atraz no titulo das alimarias fica declarado. lambera pintados.ROTEIRO DO RRAZIL 299 eoailos. o cozidos tirara-se cora alfinetes como caramujos. a que os indios chamara oacare. o «piai o muilo saboroso. que sao muilo lizos. Em que contém algumas estranhezas que o mar cria na Bahia. mas sobre o duro. e silo muito bons e saborosos. Ha outros búzios. CAPITULO CXL1II. que por atalhar prolividadesc não diz aqui delles. que se criam na aréa. Este marisco é de muito gosto o love. o são muito alvos. lavrados era caracol por fora: lera miolo grande tom tripa como esfoutros. Ha oiilros bu/ios. e sobro o tezo. «pie sorvera de tentos. e lera grande miolo. que se criara na arêa. . tamanhos como [«eras pardas. que são corno os da costa de Portugal. que são ásperos por fora. como se verá pelo que neste capitulo se contem. os quaes se criam nas folhas dos mangues como caracoes. e pintados por fora. do que ha muita quantidade. pintados por fora. os quaes se criam em pedras. Estes búzios são os cora que as mulheres burilem e assentara as costuras. tamanhos tomo um ovo. os quaes tem ura miolo dentro. Assim como se na terra criam mil immundicias de bichos prejudiciais ao remédio da vida humana. a «pio os indios chamara ticoarapuâ. o sorriam lambem na arêa . so lhes lira tora a mão muito bem. e tem uma tripa cheia de aréa fácil «le tirar. que so lhes lira. com um grande bico no fundo.

feitas em castelletes alvissimos . lindos. Lança este mar fora muitas vezes. o qual se cria em uma casca roliça. e na Bahia sahem ás vezes juntas duas. mas já agora não ha tanto que faça mal aos navios e outras embarcações. que é cousa estranha. as quaes se criam no fundo do mar. e outras tezas e aperfeiçoadas. a que os indios chamam itamanbeca. Na Bahia houve já muito. como aquellas que sabem no rio de Lisboa na praia de Belém o em outras partes.SOO GABRIEL SOARES UE SOUZA. Nas redes de pescar sahem ás vezes umas pedras brancas. e de tanto artificio. donde umas sahem delgadas e molles. e tem a cabeça e boca dura. alva e dura. Também esle mar lança fora pelas praias alforrecas ou coroas de frades. soltas. com tormenta. e dizem alguns . epara roer não lança fora d'esta casca mais que a boca. e da mesma feição. e com ella faz as obras e damno tão sabido . nem para outra cousa alguma que aproveite para nada. é ura bicho molle e comprido como minhoca. e é uma água morta. os quaes são muilo duros e resplandecentes. onde não acha páos. e o que se cria na doce morra na salgada. a que os indios chamam jaci. com que faz o caminho diante d'esta sua camisa. retorcida. «|ue são lão delicados. segundo a opinião dos mareantes. que o corpo do bicho de dentro manda para onde quer. este guzano. Muitas vezes se acha pelas praias da Bahia uma cousa preta. e para esle guzano não fazer tanto damno nas embarcações. as quaes se acham cada hora lavradas delles. as quaes não servem para nada. umas estrellas da mesma"feição e tamanho das que lança o mar de Hespanha. do qual não é deespantar furara madeira dos navios. por se criarem no fundo do mar. Aos guzanos chamam os indios ubiracoca. mui liada como fígado de vacca. que fizeram já aos homens lerem pensamentos que era coral branco. e três mil dellas . como búzio. a não usa ninguém delles para se comerem. permitiu a natureza que o quo se cria na água salgada morra entrando na água doce. Também deita o mar por estas praias muitas vezes esponjas. pois fura as pedras. com o que se enganaram muitos homens cuidando ser âmbar. e furadas de uma banda e outra . a que os indios chamara muciqui.

e é mui saboroso. pelo «pie os indios se náo atrevera a meter n'agua onde ha este |>eixe. é muilo. Piranha quer dizer tesoura : é peixe de rios grandes. este peixe é muito gordo e gostoso.1»' . entre as pedras. o é da feição dos sargos. . e maior. do que ha grandes [«estarias. a que os indios chamara motim. Não menos são de noLir os pescados. que ha nestes rios. |Hinpie se acham alguns muitas vozes cnfurinhados «Io aréa congelada e dura. «pie os que se criam no mar delia. o elles mui branco*. por terem a casca mui grossa e dura. o é peixe miúdo . Juquiás chamam os índios a outros peixes da feiijáo dos safios de Hespanha. se lhes alcamjam os geuilaes. E comecemos das eirns. do que «'• bem «|ue «ligamos J'aqui por diante.101 toulemplaliv» que st criam dos limos do mar. Que trata da natureza e feições do peixe de água doce.11. e «jue so lhe tira fora inteira depois de assados ou cozidos. porque remete a elles muilo e morde-os cruelmente. CAPITULO CXLIV. leva-lho. o maiores. muilo gostoso c sadio. o ondo o ha. Tamoatássão outro peixed'eslcs rios «pie se não escamani. tomo cousa quo so vai criando.ROTEIRO ltlt II HA 7. o qual peixe náo tem escama. os quaes se tomara á linha. mas mais pequenos. que se criam nos rios de água tfote da Bahia. mas lera Lies dentes «|ue corta o anzol eereco. as quaes são da feição e sabor das de Portugal. os quaes se tomam á linha nos rios de água doce: tem boas ovas e nenhuma cscama. mas são prelos. e tem muitas espinhas. mas não ainda aperfeiçoados. de còr mui prateada . Tarciras são peixes tamanhos como miigens. quo se criam debaixo das pairas. da côr dos enxarrocos. os quaes se tomara ás mãos. e loma-se a linha.

o qual peixe se toma á linha. que são como ruivacas. como . que é peixe muito saboroso . CAPITULO CXLV. a que os indios chamam piábâ. os quaes se tomam á cana. mas por ora deve de bastar o que eslá dito para que possamos dizer de algum marisco que se cria na água doce. Que trata do marisco que se cria na água doce. e tem a barriga grande. a qual os indios tem por con Ira peçonha para mordeduras de cobras e outros bichos. fez o mesmo nos rios c alagòas da água doce. Tomam-se n*estes rios outros peixes. Cria-se nestes rios outro peixe. mas tem o focinho mais comprido . a que os indios chamam oaquari. o qual se toma á cana. e o mesmo faz á caça que atravessa os rios á*de este peixe anda. que são pequenos . c veia pelos mexilhões que se criam nas pedras d'esles rios o no . Assim como a natureza criou tanta diversidade de marisco nu água salgada. e é muito estimado e soboroso . o qual se toma á cana. da feição dos pnchôes do rio de Lisboa. Também se tomam n'estes rios á cana outros peixes a que os indios chamam maturaqué . o qual é peixe saboroso e de poucas espinhas. que são pequenos. ila outros peixes nos rios a que os indios chamam goarara. Ha outras muitas castas de peixes nos rios da água doce . e lem a pello grossa . a cabeça mettida nos hombros e duas pontas como cornos . cerceos. que para se escrever houvera-se de tomar muito de proposilo mui largas informações . Acaras são outros peixes do rio. Ouerico é um outro peixe de água doce da feição das savelhas . mas tem o rabo agudo . tamanhos como bezugos. largos e muito saborosos. e tem as mesmas espinhas e muitas. que são tamanho e feição das choupas de Portugal.30'2 GABRIEL SOARES DE SOUZA.

a que os indioa chamara como as do mar. as quaes são. que vizinham com a água. que são muitos. Mais pelo sertão se criam.0. . e são muilo saborosos. do tamanho dos grandes de Lisboa. e cm ou(ro tem o casco gordo como lagostas. os quaes criam coraes em certo tempo. que os indios chamam potim. que se criam e tomam do maneira dos de eiroa. Ha outra casto de camarões. de que os indios se aproveitam tomaodo-osãs mãos.são muito saborosos. se criam ameijoas redondas que tom grande miolo. a que os indios chamam mpicaretá. que são muito gostosos e tomam-se ás mãos. Também se criam na pedras d'estes rios caramujos maiores que os do mar e compridos. que se também tomam ás mãos. começando primeiro dos mais genes.". uns mexilhões de palmo de comprido e quatro dedos de largo. mas mais pretos na còr. que silo pela banda de dentro da côr e Insiro da madre pérola. nos riosgrandes. os quaes se criam entre as pedras das ribeiras e entre as rai/es das arvores. e em qnaesquer hervas qne se criam na água. pelo lugar onde nascem. os quaes cozidos são muito bons. e o pescoço da mesma maneira . N estos ribeiras se criam outros camarões a que os índios chamam aralure. e da terra das ribeiras. quo por serem de água doce nío sao mui gostosos corao os do mar. e estes e os mais mio são nada carregados. que sao da feiçãoe (amanho dos do mar. No fundo das lagoas. que tem pequeno corpo e duas bocas como alacrâos e a cabeça de cada «ma é tamanha como o corpo.1 fundo das lagoas. muito ensoças. tem a casca nedia e as pernas curtas.. que são da mesma maneira dos primeiros. e. na lamas dellas. a que os indios chamam aralúcm . dos quaes diremos o que foi possível chegar á nossa noticia. Também se criam n'estes rios muitos e mui diversos camarões. os quaes tom grandes miolos. e tem a casca mais dura. os quaes se criam em pedras no concavo d'ellas. que servem de colheres aos indios. « quaes w não são tão gostosos por serem doces. Poliuaçú são uns camarões que se criam nas cavidades das ribeiras.ROTEIRO DO BRAZIL . e lem tamanho corpo como os lagostins. mas são mais grossos e tem a$ barbas curtas.

A estes caranguejos da terra chamam os indios guoanhamú . No mez de Fevereiro estão as fêmeas. porque para os arrumar com os caranguejos do mar parecia despropósito. onde os mordem mui valentemente. mas na visinhança da água doce. pois se parecem com o marisco do mar. tiram-lhe o fel ou bucho que tem. o que é tão duro como ferro. os machos são muito maiores que as fêmeas. tão fundas que com trabalho se lhe pôde chegar com o braço e hombro de um indio metidos n'ella. com o casco*e pernas mui luzentes. todas cheias de coral mui vermelho . e até meado de Março. e por nãoficaremsem gazalhado n'estas lembranças. e tão compridos e voltados que faz com elles tamanha apparencia como faz o dedo demonstrativo da mão de um homem com o pollegar. náo muito longe do mar. sem verem nem tocarem água do mar. ainda que se não criam n'agua estes caranguejos . em o qual . se sahem os machos e fêmeas ao sol. No mez de Agosto. Criam-se estes caranguejos em covas debaixo da terra. porque se se derrama faz amargar tudo opor onde elle chegou. mas em lugares humidos por todas as ribeiras. os apozentei na vizinhança do marisco da terra. que é no cabo do inverno. e tamanhos que tem os braços grandes. sem lhe achar lugar commodo. o qual e tudo o mais é muito gostoso. Em que se declara a natureza dos caranguejos do mato. com o que anda a terra coberta d'elles. Andei buscando até agora onde agazalhar os caranguejos do mato. e para os contar com os animaes lambem parece que lhe não cabia esse lugar. onde tem as bocas com tamanhos bicos n'ellas. e tem tanto no casco como uma lagosta . cheio de tinta preta muilo amargosa. os quaes se criam em vargeas humidas. os quaes são muito grandes e azues. pois se elles criam na terra.30/í GABRIEL SOARES DE SOUZA. e onde pegam com esta boca não largam até os não matarem. CAPJTULO CXLVI.

e por não acharam caminho dcsorapedidu morrera á boca da cova abafados.ROTEIRO p«i URAKIL. de que jáfizemosmontão. Já era tempo de dizermos quem foram os povnadorcs e possuidores d'estaterrada Bahia . n qual é peçonhento. mas são carregados: « para os • indios os tiraram das covas som trabalho. a que chamam arilicurana. com o que elles abafam nas covas.taparo-lirnscora ura molho «Io hervas. segundo as informações que se tem tomado dos indios muito antigos. e n esta coujuncçfio andam os machos iao gordos que tom os cascos cheios de uma amarellidão corao gemas «Io ovos. que se chamam Tupinaês. por outro genlio seu contrario. e dizem os indiosque 1:0tempocm quo fazem mal comem uma fruta. de quem diremos ao diante cm sou lugar. que desceu do sertão. Que trata de quaes foram o» primeiros povoadores da Bahia. que é uma casta de genlio muito antigo. cuja vida c costumestomosprometido por tantas vezes n'cste tratado. o<. ao que começamos satisfazer d'aqui por diante. < são então > bons de tomar. c quem são estos Tupinambás tão nomeados. á fuma da fartura da terra e mar d'esla provincia. quaes são mui gostosos a maravilha. Daqui por diante se trata da rida e costumes do gentio da terra da Bahia.{).• tempo ae sahem ao sul passeando do unia pirte pua oulra .1 Vila. *i» i'j . CAPITULO CXLVII. Algumas vezes morrerão possoosifotomeremesiogiianhamú. Os primeiros povoadores que viveram na Bahia do Todos os Santos e sua comarca. do que se tom dito Lintas maravilhas. . o se vêem para tomar ar.'. Estos Tapuias foram lançados fora da terra da Bahia e da vizinhança do mar . foram os Tapuias.

cm Iodas as outras partes do corpo os não consentem . fazendo guerra aos Tupinaês que a possuíam . até que os lançaram fora das vizinhanças do mar. alvos. Francisco descendo sobre a terra da Bahia. Em que se declara a proporção e feição dos Tupinambás. os quaes se foram para o sertão e despejaram a terra aos Tupinambás . matando aos que lhe faziam rosto. destruindo-lhe suas áldêas e roças. c chegando á noticia dos Tupinambás a grossura e fertilidade «Testa lerra. e bem assombrados. em cuja memória andam estas historias de geração em geração. que vinham seilhoreando . de côr muito bata . aos quaôs faziam crua guerra com força. até á vinda dos Portuguezes a ella : dos quaes Tupinambás e tupinaês se tem tomado esta informação. sem perdoarem a ninguém. tendo guerra ordinariamente pela banda do sertão com os Tapuias» primeiros possuidores das faldas do mar. per se afastarem dos Tupinambás que os apertavam da banda do mar. e irem-se para o sertão. muitoalegres dó roslo. e assim foram possuidores desta provincia da Bahia muitos annos. de que estavam senhores. todos lem bons dentes. fazendo guerra a seus contrários com muilo esforço. elh'os fazerem despejar a ribeira do mar. fi fizeram guerra um gentio a outro* tanto tempo quanto gastou para os Tupinaês vencerem cdesba ratarem aos Tapuias. sem lhe nunca apodrecerem . os pés pequenos. bem feitos e bem dispostos. CAPITULO CXLV1II. e como se dividiram logo. tem as pernas bem feitas.SOO GABRIEL SOARES DE SOUZA. da qual os faziam recuar pela terra dentro . se ajuntaram e vieram d'além do rio «fo S-. irazem o cabello da cabeça sempre aparado . üs Tupinambás são homens de méã estatura . miúdos. que a ficaram senhoreando. a qual os Tupinaês possuíram e senhorearam muitos annos. sem poderem tornar a possuir mais esta terra de que eram senhores. E estas Tupinaês se foram pôr em frontaria com os Tapuias seus contrários.

ainda que ntraiçoados: são muilo amigos do novidades. com a gente das suasaldéas. e passaram-se a ilha do Taparica. CAPITULO CXL1X Que trata de como ss dividiram os Tupinambás. c fizeram ^u-rra aos da cid ide. e para muito. que orara indios primipaes. e amigos de lavouras. com os quaes so lançou outra muita genlo . e so comiam . o faziam escravos uns aos outros. que eslá no meio da Bahia . e demasiadamente luxuriosos. no quo continuaram alé o tempo dos Portuguezes. Gomo se esto genlio viu senhor da terra da Bahia. som lh'a querer tornar. com a «|ual desavença so apartou toda a parentella do pai «Ia moça. e sal toavam- . « • faziam-se cada dia cruel guerra . sobro uma moça que um tomou a seu pai por forca . dividiu-se em bandos por certas differonras que tiveram uns com os outros. com as quaes faziam ciladas uns aos outros. o grandes caçadores o pescadores. ondo se davam batalhas navaes era canoas. Francisco e o rio lleal so declaram por inimigos dos quo so apozentaram do rio Kcal até á Bahia. e assentaram suas nldAas apartadas. ficavam escravos dos vencedores. e se passaram á ilha de Taparica e delia a Jaguaripe.ROTEIRO DO RRAZIL 307 o os arrancam como lhes nascera : são homens do grandes feiras o «le muito trabalho j são muilo belicosos. e coniiani-so uns aos outros: « os que cativavam. onde havia grande mortandade do parte a parte. a cujo limite chamavam Ciramurè. o eneorporaram-se tora os vizinhos do rio Paraguassú . por entre as ilhas. uo limito do rio de Paraguassíi o do «le Seregipc . tom o quo so inimizaram : os que se apozentaram entre o rio de S. o a que davam vida. o faziam-se cruel guerra uns aos outros por mar. Entre os Tupinambás moradores «Ia banda da «idade armaram desavenças uns com os outros. E os moradores da Bahia da banda da cidado so declararam por inimigos dos outros Tupinambás moradores da outra banda da Bahia. o em sua maneira esforçados.

o que foi bastante para o não fazerem . e tamanho ódio se criou entre esta gente. por so esconderem delraz d'ella . nem lem nenhum . que ainda hoje. para osquebradores das cabeças tomarem novos nomes.oOís GABRIEL SOARES 1)E SOUZA. em tanto que se encontram alguma sepultura antiga dos contrários. cm que se matavam cada dia muitos dVlles. se querem tamanho mal que se matam uns aos outros se o podem fazer. lhe desenterram a caveira. com grandes festas. Destes Tupinambás. onde faziam ciladas uns aos outros com canoas. Ainda «pie os Tupinambás sedividiram em bandos. sendo toda uma por sua avoenga . todos faliam uma lingua que é quasi geral pela cosia do Brazil . em as quaes festas houve grandes bebedie*. com o que tomam nome novo. CAPITULO CL. e ainda hoje cm dia ha memória de uma ilheta . Tinharé e a costa dos llhéos. e lh'a quebram. o de novo se tornam a inimizar. e seinimizaram uns com outros. os quaes não adoram nenhuma cousa. as quaes caveiras foram desenterrar a uma aldèa despovoadas para vingança de morte dos pais ou parentes dos quebradores d'ellas. e se quererem de novo mal. houve na sua povoação grandes ajuntamentos das aldèas dos indios ali vizinhos. o que ordenáramos Portuguezes ali moradores para se escandilizarom os parentes dos defuntos. E em tempo que os Portuguezes tinham já povoado este rio de Jaguaripe . se povoou o rio de Jaguaripe . para o que as enfeitavam com pennas de pássaros ao seu modo . c Iodos tora uns costumes em seu modo de viver o gentilidades. para quebrarem caveiras em terreiros . se uns aos outros cada dia.temiam que se viessem a confederar uns com os outros para lhe virem fazer guerra . enlre esses poucos que ha. que se passaram á ilha de Taparica. por que se. e se assegurarem com isto os Portuguezes «pio viviam n'este rio. Em que se declara o modo e linguagem dos Tupinambás. que se chama a do Medo .

Era cada aldéa dos Tupinambás ha um principal. onde lhe dão alguma ohedrentia. a que seguem somente na guerra. para ler quem ajude a fazer suas rotas .«o do -CIMÇO que . o são mais bárbaros que quantas crealiiras Deuscroou. nora sabem mais quo ha morrer c viver: e qualquer cousa que lhe digam. nem lealdade a nenhuma pessoa. e para «lizerera Lourcnço dizem Rorento. o por este modo pronunciara todos «»s vocábulos era «|uc enlram estas três letras. e a quem obedeçam . quo lho faça bem. nem preceitos pira se governarem. porque senão tem F. e muito copiosusno seu orar. para dizerem Rodrigo dizem Rodigo.10 tem fé em nenhuma cousa que adorem . nem o filho ao pai.10 som «Ia sua vontade : para dizerem Francisco dizem Pancico.ROTEIRO 1)11 IIRAZIL. «pie no tempo de paz tada nm faz o a que o obriga seu ajielite. nem tem lei uns com os oulros.4 B C. nem obedecera a ninguém. Que trata do sitio e arrumação das aldcas . é por que náo tem rei que os reja. è porque 11. que são F. mas «punido as faz com ajuda '!•' seus (un-iiles e ch. L. mormente as mulheres: são mui conipondiosas na forma «Ia linguagem. o cada um faz lei a seu modo. o afrontado e bemquislo . e ao som da sua vontade. é |»rquc náo tem lei nenhuma que guardar. CAPITULO CLI.'ga«|os . nem lera verdade. E se nao lem L na sua pronunciaçao. nora os nasridos entre os chrisláos e doutrinados pelos padres da Companhia lera fé era Deus Nosso Senhor. Tem muita graça quando faliam. nem ao pai o filho. |>ela confiança quo lera cm seu esforço e experientia . >-||c laiwa pri iro m. Agrando oudohrailo. cousa muito pnra so nolar. Este principal ha de ser valente homem [«ara o toiihecerera |K»r tal . e as quantidades dos principaes dellas. sem haver entro elles leis com «jue se governem. se lhes niette na cabeça. E so não tora esta letra U na sua proiiunciatâo. e cada ura vive . 300 conhecimento da verdade . mas falta-lhe três loiras da «Io .

cada parenteUa em seu lanço . e algumas velhas. fazem de redor delia uma rede de madeira. E n'estas casas não ha nenhuns repartimentos. e da mesma maneira se arrumam o ordenam nas outras casas. mas sempre o macho com fêmea. que se aqui curam ao fumo. sem se pejarem uns dos outros. e o principaj toma o seu rancho primeiro. onde se elle aiTuma cfim. e por cima d'estes tirantes das casas lançam umas varas arruinadas bem juntas. o casar. Se estas aldôas estão em frontaria de seus contrários. e os principaes deitados nas redes. para não apodrecerem. donde se não poderão mudar. Em estas casas tein este gentio ajuntamento . Quando este principal assenta a sua aldèa. o quo tenha a água muito perto. E corao lhe chove muito n'el!as passam a aldèa para outra parte. sua mulfierefilhos.creados solteiros. coberta da palma. onde fazem bailes e os seus ajuntamentos. para lhe os outros que virem n'estas casas terem respeito. busca sempre um sitio alto o desabafado dos ventos. que lhes dura Ires. o afastado da cerca.310 GABRIEL SOARES DE SOUZA. porque em tal caso se irá para o lançq pnde está sua mulher. e em umas e oulras a gente que se agazaíha cm cada lanço d'estes. lhe sahirem. a que chamam juráos. que ha de ser indio antigo e aparentado. e não vivem mais n'esta aldéa. e pela mesma ordem vai arrumando a gente da sua casa. e em cada aldèa ha um cabeça. c as outras casas da aldéa so fazem lambem muito compridas. iodos. com suas portas e seleiras. c todos juntos. das casas. a que os indios chamam pindoba. eque aterra tenha disposição para de redor da aldèa fazerem suas rotas e grangearias. quatro annos. em que guardam suas alfaias c seus legumes. que em quanto lhes não apodrece a palma. para <juo> se lhe os contrários entrarem dentro . e como escolhe o silio a contentamento dos mais antigos. Quando comem é no chão em cocras. para que lhe lave as casas. o ao recolher se . vinte e trinta palmos. e em lugares de guerra. com suas entradas deforapara entro ella o a cerca. que q servem. e arrumadas de maneira qqo lhe fica no meio uni terreiro quadradro. faz o principal sua casa muito comprida. salvo se fôr algum mancebo solteiro. mancebas. e entre um e outro é ura rancho onde se agazaíha cada parentella. faz este genlio de roda daald«!a uma cerca de páo a pique muito forte. mais que os tirantes.

mais afastadas. e quando o marido se «|uer ajuntar com qualquer dellas. e as outras mulheres lera as suas redes.a . Que trata tUi maneira dos casamentos dos Tupinambás e seus amorrS. e apartam-se dos pais. mais o irrnáos. e mais I arentella cora quem danles estavam . o não as dáo senão aos «jue melhor os servem. mas ellas «lio todas a obediência á mais antiga. vai-se lançar com ella na rede. e sempre ha entre estas mulheres ciúmes. 31 t embaraçarem de maneira quo os possam (levar e desbaratar. e Iodas a servem. os quaes servem os pais das damas dous o ires annos primeiro <|ue lhas dém por mulhem.ROTEIRO DO RRtZIL. e como . tomo acontece muitas vezes. A mulher verdadeira dos Tupinambás c a primeira que o homem teve e conversou. e lhe trazem a lenha do mato. CAPITULO CLII. o que lem mais lilhas é mais rico e mais estimado. elles se vâo agazalhar no lauto dos sogros cora as mulheres. o qual ajuntamento é publico diante de Iodos. a quem os namoradores fazem a ro«. e náo lera era seus casamentos oulra ceremonia mais que «lar o pai a lilha a seu genro. e loma-sc para o seu lugar. e corao os sogros lhes entregam as damas. e mais honrado de todos. e entre uma e oulra tem sempre fogo acezo. e do menos gentileza. e por nenhum caso se enlrega a dama a sou marido era quanto lhe náo vom seu corturao. porque sio as filhas mui requestadas dos niancebos quo as namorara . em que dormem. porque pela mor parte sio mais velhas «|ue as oulras. e fogo entro cada duas rodes. mormente a mulher primeira. ficam casados: c os indios principaes tem mais do uma mulher. onde se delem só aquello «ispaço d'esle contentamento. E quando o principal nio é o maior da aldèa dos índios das oulras casas. quedezejam de ter. e vão pescar c eaijar para os sogros. a qual lera armado sua rede junto da «Io marido. o como lera ajuntamento natural. c o que mais mulheres tem. so tem por mais honrado e estimado.

sobrancelhas. que fazem com tinta de genipapo. aos quaes as mesmas damas rapam a testa com umas canninhas. e arrecadas de osso nas orelhas. e não deixar mais que os da cabeça.lhe venha seu coslume. E «mando se estes mancebos querem fazer bizarros.312 GABRIEL SOARES DE SOUZA. e muilo bem aparado. que por natureza cortam muilo. E como o marido lhe leva a flor. porque elle a leva para o seu lanço. antes que tivessem tezouras. que de outra maneira cuidará que a leva logo o diabo. pestanas. Costumam os mancebos Tupinambás se depenarem o* cabellos de todo o corpo. lhe vem é obrigada a moça a trazer atado pela cinta um fio de algodão. ha de romper os fios da sua virgindade. os quaes cobrem os membros genitaes com alguma cousa por galantaria. e pintam-se de lavores pretos. mas o pai não se enoja por isso. pegadas pelos pés com cera. o ainda que uma moça d'estas seja deflorada por quem não seja seu marido. para que seja notório que c feita dona. que fazem de búzios. ainda que seja em segredo. c se algum principal da aldèa pede a outro indio a filha por mulher. o pai lha dá sendo menina. e aqui senão entende o preceito acima. arrepiam o cabello para cima com almecega. e os mais cabellos de todo corpo. e alguns o trazem cortado por cima das orelhas. e lhe arrancam os cabellos da barba. porque não falta quem lha peça por mulher com essa falta. onde lhe pegam umas . lançadas ao pescoço . e a vai criando até que. Que trata dos afeites deste gentio. com umas cannas. e se tem damas. que trazem losquiados de muitas feições. para que venha á nolicia de iodos. e grandes contas brancas. e antes disso por nenhum caso lhe loca. o que faziam. os quaes desastres lhes acontecem muitas vezes. CAPITULO CL1I1. é obrigada a noiva a quebrar esles fios. cilas lem cuidado do os pintar : lambem trazem na cabeça umas pennas amarellas. e em cada bucho dos braços outro. e não pelo cobrir. como já fica dito.

e dizem que se lhe der o ar que far. onde c marido se deita logo na rede . e depois de casadas os maridos. onde se lavam . de todos osrabelfos que os uiantebos liram. tinto do vermelho. por outras mulheres. era quanlo o marido está assim parido. o «piai está muilo empnado para que lhe não d«o ar.i«. que são do fio de algodão . o que lhe piiem as mais em quanlo são cnchopas. não se guardam do ar. tecido de maneira ipio lh'asnão podem tirar. e as crianças que pariram: e vèm-se para casa.i muito nojo á criança . Quando estas indiaseiitram em dores «feparir. mui louçáos: e piem grandes raraaes de tontas de ioda a sorte ao pescou» o nosbratos. niss de maneira que as possam lirar. se llus «pierein bem . E põem nas pernas. até que seca o embigo da criança.IV. a seu modo. era o qual lugar o visitam seus parentes e amigos. Que trata da criação que os Tupinambás dão aos filhos . não buscam parteiras. grossos e prelos os quaes para lerem isto os untain muitas vezes c<tin oleo de cotos bravos.ROTEIRO DO BRAZIL.APITl LO CI. e lhe trazem presentes de comer e beber. nem fazem outras ceremoni. «. e o q-ut fazem quando lhe nascem. parem pelos campos e em qualquer outra parte tomo uma alimaria: e em acabando de parir. e a mulher lhe faz muitos rniuios. e nos braços umas nianilhas «le pennas amarellas. as quaes as trazem nas pernas em quanlo sSo namoradas. e sua diadema das mesmas pennas na tabe<. e póem nas pernas por baixo do joelho umas lapacuras. 3 1 'A perminhas amarellas pagadas nelle. em quanlo crescem. e sobraram oulras coutas brancas. e em quanlo sà«> solteiras pintam-nas as mais. onde eslá muito coberto.a. ainda que com trabalho. Estas índias lambem turara os cabellos para que sejam compridos. para que lhe engrossem as pernas («elas barrigas. e 40 . se vão ao rio ou fonte . As moças lambem so pintara de tinta de genipapo. as «piaes motas são barbeadas. o que lem três dedos de largo. c«>m iniiilos lavores.

com grandespontas para fora. Não dão os Tupinambás a seus filhos nenhum castigo. aves. em as quaes ha alguns que tem nas faces dous e três buracos. pelo que mamam muitas vezes seis e sete annos. e outros furam os beiços décima. Como nascem os filhos aos Tupinambás.e depois aos pássaros. que ficam ingeridas nas faces. senão da sua. aos quaes furam logo obeiço debaixo. em que metem >pedras. CAPÍTULO CLV. e uns c outros mamam na mãi até que torna a parir outra vez. Em que se declara o com que se os Tupinambás fazem bizarros. e a fiar algodão. mantimenlos. e trazem-nos sempre ás costas até a idade de sete e oito annos. pedras por gentileza. e a fazer o mais serviço de suas casas conforme a seu costume.tombemcomo-os debaixo. verdes e pardas. e ha alguns que tem todos estes buracos. e não ha quem lhes tire da cabeça que da parte da mãi não ha perigo. . com pontas para fora . parecem os demônios. que. como espelhos de borracha. depois que São maiores.314 GABRIEL SOARES DE SOUZA. porque o filho lhe sahio dos lombos. como fazem as Portuguezas. e o mesmo ás fêmeas. os quaes sofrem estas dores por parecerem temerosos a seus contrários. nem os doutrinam. logo lhe põem-o nome que lhe parece.e elles que serão doentes da barriga. io d'outras couzas diversas. arvores. os quaes nomes que usam entre si são de álimâriás. e que ellas não põem da sua parte mais que terem guardada a semente no ventre Onde se cria a criança. onde também melem pedras redondas. peixes. como é fazerem depois de homens três e quatro buracos nos beiços debaixo. ás fêmeas ensinam as mais a enfeitar se. onde metem pedras. onde lhe põem. aos machos ensinam-nos a atirarcom arcos e flexas ao alvo. que lhe morrerão osfilhos. nem os reprehendem por cousa que façam . peças de armas. que se se erguerem e forem ao trabalho. com as pedras nelles. Para se os Tupinambás fazerem bizarros uzam de muitas bestialidades mui estranhas.

onde vão folgar. e para se fazerem mais feios se tingem todos de genipapo. Que trata da luxaria destes bárbaros. por detraz. nem de noile. quo lho faz tamanho vulto que lho cobre as costas iodas de alio abaixo . que põem na cabeça. já desestimadas dos que são homens. Ires mil dentes. levara uma espada de pio ma rebelada cora casca de ovos do pássaros do cores diversas. que lb'a cobre alé ás orelhas . que ê ura cabaço cheio de pedrinhas. que parecem negros de Guiné. tomos «juaes atavios se fazem temidos e estimados. e na erapuiihadura umas pennas grandes de pássaros. atada ao pescoço. e levam na mão esquerda seu arto «. do uma roda do pennas de ema. fiexas. e fazem estas bizarrices para quando na sua ahfoa ha grandes vinhos. a qual espada lançam. CAPITULO CIAI. [>elas quaes andam cantando e tangendo sós. cujo teniilo se ouve muilo longe. porque as velhas. com quo vai tangendo e cantando. c bem mulheres. 3l5 Usam lambem entre si umas carapuças de pennas amarellas e vermelhas. o as faces. que atam sobre as ancas. com dentes de tubarão .elles não sabem. e quando so ataviam com iodas estas peças. não os deixam de dia . É esle genlio tão luxurioso que poucas vezes tem respeito ás irmãs e lias c porque e-te [«ceado «j . os quaes sendo de muilo pouca idade tem conta com mulheres. São os Tupinambás tão luxuriosos . o põem sobraçadas muitas contas de búzios. e ensinara-lhes a fazer « qm. ondo trazem fogo juntos dous. grangeara instes meninos. Ornam-se raais estes índios . e depois misturados tom outros.pie não ha peccado de luxuria que não cometam . o tingem os pés de uma tiuta vermelha muito fina. e na direita ura maracá . fazendo-lhes mimos e regalos. «. e outras pequenas de pennas nos braços. os quaes fazem eolarcs para o pescoço do dentes dos contrários. o nos pés uns cascavéis de tortas hervas da feição da castanha. para suas hizarrices.ROTEIRO UO BRAZIL. ou em oulra. e certas campainhas de pennas amarellas. com seu cabo.

como é fazerem depois de homens três e quatro buracos nos beiços debaixo. e elles que serão doentes da barriga. onde metem pedras. que lhe morrerão os filhos. e o mesmo ás fêmeas. porque o filho lhe sahio dos lombos. peixes. Como nascem os filhos aos Tupinambás. e a fiar algodão. e uns e outros mamam na mãi até que torna a parir outra vez. onde também melem pedras redondas. Para se os Tupinambás fazerem bizarros uzam de muitas bestialidades mui estranhas. aves. CAPÍTULO CLV. nem os reprehendem por cousa que façam . e ha alguns que tem todos estes buracos. com grandespontas para fora. que. onde lhepõem. como fazem as Portuguezas. logo lhe põem o nome que lhe parece. ás fêmeas ensinam as mais a enfeitar se. os quaes nomes que usam-entre si são de alimarias. em que metem ipedras. nem os doutrinam. os quaes sofrem estas dores por parecerem temerosos a seus contrários. depois que são maiores. Em que se declara o com que se os Tupinambás fazem bizarros. . tombem como os debaixo.314 GABRIEL SOARES DE SOUZA. nianlimentos. em as quaes ha alguns que tem nas faces dous e três buracos. parecem os demônios. e que ellas não põem da sua parte mais que terem guardada a semente no ventre Onde se cria a criança. senão da sua. que ficam ingeridas nas faces. arvores. verdes e pardas. como espelhos de borracha. aos machos ensinam-nos a atirar com arcos e flexas ao alvo. cora as pedras nelles. peças de armas. e outros furam os beiços décima. e a fazer o mais serviço de suas casas conforme a seu costume. e d'outras couzas diversas. e não ha quem lhes tire da cabeça que da parte da mãi não ha perigo. que se se erguerem e forem ao trabalho. e trazem-nos sempre ás costas até a idade de sele e oito annos. Não dão os Tupinambás a seus filhos nenhum castigo. aos quaes furam logo obeiçodebaixo. com pontas para fora . pedras por gentileza. pelo que mamam muitas vezes seis e sete annos. e depois aos pássaros.

para suas hizarrices. Ornam-se mais esles indios . os quaes fazem colares para o pcswoço do dentes «los contrários. e cortas campainhas de pennasamarcllas.elles nao sabem. São os Tupinambás tão luxuriosos que não ha peccado de luxuria que não cometam . Ires mil doutos. cora que vai tangendo o cantando. e na direita um inaracá . fazendo-Ihes roimos e regatos. com dentes de tubarão . e bem mulheres. atada ao pescoço.vnlio lão luxurioso que poucas vezes tem respeito ás irmãs e ius. tomos quaes atavios se fazem temidos e estimados. e põem sobraçadas muitas contas do búzios. e ensinam-lhes a fa/. E este . ja deseslimadas dos que são homens. porque as velhas. e tingem os pés de uma tinta vermelha muilo fina. que põem na cabeça. que lh'a cobre ato as orelhas . e outras pequenas de pennas nos braços. e pira se fazerem mais feios se Ungem todos de gonipapo. nem de noite. os quaes sendo «le muito pouca idade tem conta com mulheres. que parecem negros de Guiné. cujo teniilo se ouve muilo longe. 315 Usam também entre si umas carapuça* «le pennas amarellas e vermelhas. onde vão folgar. e depois misturados com outros.VI. grangeam estes meninos.ROTEIRO DO BRAZIL. que é ura cabaço cheio de pedrinhas. por detraz. que aLuu sobre as ancas. Que trata da luxurta d'estes bárbaros. e fazotn estas bizarrites para quando na sua aldèa ha grandes vinhos. ondo trazem logo juntos dous. flexas. CAPITULO CI. quo lho faz tamanho v ulio que lhe cobre as costas todas de alto abaixo . cora seu cabo. e quando se ataviam com todas «stas peças. e porque e-le peeeado i) . levara uma espada de pio marclietada com casca de ovos de pássaros do tôres diversas. e as faces . pelas quans andam cantando o tangendo ais. e não os deixam de dia . de uma roda do pennas de ema. a qual espada lançara. e levara na mão esquerda seu arto «. ou em outra. e iras pés uns cascavéis de certas hervas da feição da castanha.er o «jm. c na erapunhadura umas pennas grandes de pássaros.

mormente as que vivem entre os Portuguezes. cousa que não faz nenhuma nação de gente. CAPITULO CLVII- Que trata das cerernonias que usam os Tupinambás nos seus parentescos.3T6 GABRIEL SOARES DE SOCZA. buscam-lhe moças com que elles se desenfadem. elles Ufa buscam. mas teem muitas. onde lhe pedem muito que se queira deitar com os maridos. e contam esta bestialidade por proeza . os quaes são tão amigos da carne que se não contentam. e não se contentam com uma mulher. para seguirem seus apetites. e quando muito espancam as mulheres peto caso. pelo que morrem muitos de esfalfados. e nas suas aldêas pelo certão ha alguns que tem tenda publica a quantos os querem como mulheres publicas. nem sofrer: e não contentes estessalvagens de andarem tão encarniçados neste peccado. E em conversação não sabem fallar senão nestas sujidades. dormem com ellas pelos matos. e quando . não inalam a ninguém por isso. são mui afeiçoados ao peccado nefando. senão esles bárbaros. é obrigado o irmão mais velho a casar com sua mulher. Costumam os Tupinambás que quando algum morre que é casado. pelos contentarem. com o membro genital como a natureza o formou. que lh'o faz logo inchar. as quaes lhe levam a rede onde dormem . e o que serve de macho. o alguns com suas próprias filhas. com o que se lhe faz o seu cano tão disforme de grosso que os não podem as mulheres esperar. como já fica dito. naturalmente cometido . entre os quaes se não tem por afronta . e as peitam para isso. com o que lem grandes dores. Os machos d'estes Tupinambás não são ciozos. e os ensinam como a saberão servir: as fêmeas muito meninas esperam o macho. contra seus costumes. que se lhe vão gastando por espaço de tempo. e ainda que achem outrem com as mulheres. mas ha muitos que lhe costumam pôr o pello de um bieho tão peçonhento. E as que querem bem aos maridos. Como os pais e as mais vêem os filhos com meneos para conhecer mulher. se tem por valente. mais de seis mezes. que cometem cada hora.

e trabalha muito pelos chegar para si. não casa tom a sobrinha. estão deitados na rede. e quando qualquer indio apreiiU. CAPITULO CLVIll. e elles aos tios pais. o «punido a > mài da mota náo lera irmão.irtom«^a sua sobrinha. o aos filhos dos netos.•'17 ROTEIRO DO RRâZIL. sempre. irmão de seu pai. t senão«piorcas. e da mesma maneira chamara os netso ao irmão e primo de seu avô. e o que mais parentes «: parentes tem. e netas de >eus irmãos e primos. mas lem-na era lu^ar de (ilha. nem lhe tora quando fazem o que devem. onde lhe põem o que ha de comer em uma vasilha . e como comera com elles os parentes. e pai lhe chama : e quaiuto estas motas não lera lio. c os agazalha corasi^o . |ierleiice-lho |«or marido o parente mais chegado da parle de sua mãi. mas ella obedece ao mais chegado parente. e da |«arlo da mãi lambem es irmãos e primos dellas chamam aos sobrinhos filhos. e elles a ella filha.-a. entre os quaes comem lambem os seus criados e escravos. e depois lhe da o marido que lho vera á vonLide.do tein agazalhado seus parentes em sua casa e lanço. nSo tolhera a ninguém doirair cora ella . suas mulheres e filhos. que eslá no meio de todos. .e fazer corpo com elles em qualquer parte cm que vivem . grandes e • pequenos. quando ha de comer. e assentam-se em cócoras. irmão do pai da nnx. mas não lhe tem tamanho acatamento como aos lios da parte do pai. e o irmão da viuva « obrigado a casar cora sua filha se a tem . c todos comera juntos do «jue lem na vasilha. deila-se na sua rode. c elles a elles netos. e ella como a pai lhe obedete. não tem irmão. Já fica dito como os principaes dos Tupinambás quando comera. o parente mais chegado pela [arte masculina . e mais honrado o temido. « Iodos seus parentes. avô. »Ü tio. tomam em seu lugar o parente mais chegado. e preza-se esle genlio de seus [«rentes. Que trata do modo de comer c do beber dos Tupinambás. depois da morte do pai. e a todos os parentes da prte do pai em lodo o grão chamam pai.

e anda logo dous. e as tripas mal lavadas. Este genlio é muito amigo de vinho. o principal o reparte por quinhões iguaes. dos que se criam em casa. senão depois de comer. e chamuscam-na toda ou pellam-na na água quente. o bebem com grandes cantares. com a vasilha. ao peixe não escamam. e assim como vem do mar ourios. nem lhe tiram as tripas. toda a noite não fazem outra cousa. e quando tem que. e muitas. e não praticam. é no chão como eslá dito. pelo que os que são escravos dão pouco trabalho a seus senhores pelo mantimenlo. mas o seu vinho principal é de uma raiz a que chamam aipim. e pescando-lhes ordinariamente. vezes fica elle sem nada. som lhe terem nenhum respeito. que se coze. como fêmeas. e caçando. se não os ladinos : toda a caça. antes quando o peixe ou carne não ó que sobeje. que para isso tom. o que fazem depois de comer. o qual fazem de todos os seus legumes. fazendo-lhes suas roças. com que temperam o seu comer. o três dias sem comer. o por outra parte mantem-se este genlio com nada. Quando os Tupinambás comem á noite. e requeima. em cousa alguma. e como o está bem. assim o cozem ou assam: o sal de que usam... os quaes estão lados em cócoras.. assim machos. e em quanto comem não bebem vinho. que este gentio come. senão são os escravos criados entre os brancos. a esta água e sumo d'eslas raizes lançam em grandes poLes. e virados com as costas para o fogo. e . buscam as mais formosas moças da aldèa para expremer esles aipins com as mãos. o algum mastigado com a boca. e depois. em qne comem todos no chão no meio delles.318 GABRIEL SOARES DE SOUZA. não a esfola. e como é bem cozida. segundo a sua genlilidade. até da farinha que comem. nem água. e depois pizam-na e tornam-na a cozer. mas é sobre o preto. Este gentio não come carne de porco. que ó o que dizem que lhe põem a virtude. quando comem. mas comem a carno dos porcos do mato e da água: os quaes também não comem' azeite. e está ató que se faz azedo. com o que se remedeam. fazem-no da água salgada que cozem tanto em uma va-zilha sobre o fogo até que se coalha e endurece. e em que molham o peixe e carne. espremido na vasilha. onde este vinho se coze. até que os vence o somno . e ficam todos ás escuras. a qual comem assada ou cozida.. antes elles mantém os senhores.

e jogam as liçoadas uns tom os outros. senão depois que se vera para casa. a que chamam samburá. Não fazem os Tupinambás entre si oulras obras primas «|ue balaios de folha da palma. aos que andam cantando. 310 cantam e bailam lixla uma noite ás vosporas do vinho. onde não comera cm quanto andara no trabalho. e o «pie faz mais desatinos nestas hebedites. não trabalham senão das sete horas da manhã até ao meio dia.o outras vasilhas em lavores. e as fêmeas plantam o maiiliuiento o o alimpam: os machos vão buscar a lenha com «|ue se aqueutam o se servem.IR0 DO I1RAZ1L. porque aqui se lembrara de seus ciúmes. ao que aoodein os amigos.R0TI-. Em que se declara o modo da grangearia dos Tupinambás e de suas habilidades. o os queimara e alimpam a terra d'elfos. porque não dormem sem fogo ao longo das redes . e as moças solteiras tia casa andam dando o vinho era uns meios cabaços. em os quatvs se fazem sempre brigas. Quanilo os Tupinambás. quando eslão sujas. bailar e t-antar. o os machos costumara ir lavar as red<s aos rios . corao as de rola da índia: fazem carapuças e capas do pennas do pássaros. a sabem dar liuta do vermelho e amarello á= . e do seu uso: fazem arcos e flexas. o que fazem de maneira. os quaes uso comem nada em quanto bebem. eos muito diligentes ate' horas de véspera. c alguns empalhados e lavrados de branco e preto. o outras vasilhas da mesma folha a seu modo . o nfioeomjtn neste tempo senão depois dVslas horas. as fêmeas vão buscar a água á fonte o fozcin de comer. vão ás suas roças. esse é mais estimado dos outros. e ao «miro dia pela manhã começam a beber. que ú a sua cama. «pie se vem para suas casas: os machos costumam a roçar os matos. São costumados a almoçar primeiro que se vão ás suas roças a trabalhar. a «pie chamam cuias. e castigam por isso as mulheres. o outras obras de penna do seu uso. feitio de muito artificio : fazem ceslos de varas. que vera a rahir do bêbados por esse chão. CAPITULO CLIX.

o também conlrafazem as pennas dos papagaios com sangue de rãs. e as que são muito velhas tem cuidado de fazerem vasilhas de barro á mão. como poderam . a qual louça cozem em uma cova que fazem no chão. e tem e crèm estas Índias que se cozer esta louça outra pessoa. somente liam algodão . As quaes. redes lavradas de lavores de esteiras. e algumas mais largas. arrancando-lhe as verdes . onde lhe lançam muita somma de umas certas hervas pizadas . que bebem: fazem mais estas velhas panellas. que não são lavradas. Quando este genlio quer tomar muito peixe nos riosd'agua doce e nos esteiros d'agua salgada. As fêmeas d'estes genlios são muitoafeiçoadas a criar cachorros para os maridos levarem á caça. de que não fazem tèas. As mulheres já de idade tem cuidado de fazerem a farinha de que se mantém. pennas brancas. os atravessam com uma tapagem de varas. que não seja a que a fez. nem lavram . e fazem-lhe nascer outras amarellas : fazem mais estes indios. em os quaes e em oulros menores fervem os vinhos. e fazem alguns tamanhos que levam tanto como uma pipa . e quando ellas vão fora levam-nos ás costas. e não se pejam de se alimparem . e umas cordas tecidas. onde tomam ás mãos muita somma d'elle. alimpain-se com um bordão que tem sempre junto de s i . como são os potes em que fazem os vinhos. em que cozem a farinha. a que chamam muçuranas.320 GABRIEL SOARUS DE SOUZA. e poem-lhe a lenha por cima. os que são principaes. com que ennastram os cabellos. as quaes lambem folgam de criar gallinhas e outros pássaros em suas casas. com o •que se embebeda o peixe de maneira que se vem acima d'agua como morto. e de trazerem a mandioca das roças ás costas para casa. e umas fitas como pa--'samancs. as quaes velhas ajudam lambem a fazer afarinha que se faz no seu lanço. porque não sabem lecer: fazem d'este fiado as redes em que dormem. e outros em que a deitam e em que comem . e batem o peixe de cima para baixo . quando com seu costume. de algodão. As mulheres d'este gentio não cozem . pucaros e alguidares a seu uso. lavrados de tintas de cores. que ha de arrebentar no fogo. que levam na mão quando vão fora de casa . e de outros laços. a que chamam timbó . que tem o feitio dos cabos de cabresto que vem de Fez.

assim nassuascanòas. CAPITULO C. e o mais entregam a soas mulheres. que tomam vivos a braços. 321 diante «le gente. carreiros e para todos os officios de engenhos de assucar. nem de as verem comer piolhos. Que trata de algumas habilidades t costumes dos Tupinambás. mas em vingança de os morderem. que matam. que fazem de um só páo. Costumam mais estes indios. mui ligeiros pira altar e trepar. Tem esles indios mais que s3o homens enxutos. e ha muitos que matara no mar e nos rios da água doce o peixe á flexa. que é o que mais estimara. Sao os Tupinambás grandes flexeiros. veados e outras alimarias. e para criarem vaccas tom grande mão e cuidado. o a lagartos que andam na água. quando vem do caçar ou pescar. para saberem logo estes offitios. é coram ura a todos os da sua casa que querem usar d*elle. ou a quem tem o cuidado «le os agazalhar no seu lanço. Tem estes Tupinambás uma condição muito boa para frades franciscanos. tem grande destrato. assim para as aves como para a caça dos porcos. como os melem nos barcos e navios. partirem sempre do que trazem com a principal da casa em que vivem. os quaes não nrreceam arremeter grandes cobras. serradores. onde com todo o tempo ninguém toma as velas como elles. como . porque suo para isso muito bárbaros. nem de sentido. mas para carpinteiros de machado. oleiros. assim das ferramentas. porque o seu fatio. que logo os trinta entre os dentes.LX. o que não fazem pelos comer.IL.ROTEIRO DO RRAI. n que fazem quando se catam nas cabeças umas as oulras. e quanto tem. que remam em pé vinte e trinta indios. e d'esla maneira matam mais peixe qoe outros á linha. como não for cousa de conto. e são grandes remadores. com o que as fazem voar: são tombem muito engenhosos para tomarem quanto lhes ensinam os brancos. grandes corredores e estremados marinheiros. e como os encontra a que os busca. tamanhos como elles. os dá i que os trazia na cabeça.

a qual é muito escura e tem a porta muito pequena. os quaes. pôde comer Com elles quem quizer. se deitam na água. das suas roupas. nem de lhe tocar em cousa d'ell'a . que fera este nome entre elles. e dá mesma maneira tiram polvos e lagostins das concavidádes do fundo dó mar. o tomam as mãos de mergulho. Que trata dos feiticeiro se dos que comem terra para se mata/rem. e para Se fazerem estimar e temer tomam esteofficio. mas são muito namoradas e amigas de terem amores com os homens brancos. A estes feiticeiros chamam os Tupinambás pagos . SOUZA. que os espancam muitos vezes. quando estão' comendo. mas ha alguns que faliam com os diabos. SOARES DF. Entre esle gentio Tupinambá ha grandes feiticeiros . Também as moças d'este gentio. por lhe metterem em cabeça mil mentiras . os quaes os fazem muitas vezes ficar em falia com o que dizem. que se criam e doutrinam Com as mulheres portuguezas. e fazem todas as obras de agulha que lhe ensinam. sem lh'o impedirem nem fazerem por isso carranca. os quaes pela maior parte não sabem nada. se as tem. e como sentem o peixe comsigo. tomam muito bem o cozer e lavrar . para o que tem muita habiidade. e para fazerem cousas doces. CAPITULO CLXr. lhe dizem. por entenderem com quanta facilidade se mette em cabeça a esta gente qualquer cousa . ainda quô seja contrario. ao longo da costa. São os Tupinambás grandes nadadores e mergulhadores. os quaes se se escandalisam de algum indio por lhe não dar sua filha ou oulra «ousa que lhe pedem. nadam três e quatro leguas. e fazem-se estremadas cozinheiras. esão taesque se de noite não tem com que pescar. pela qual não ousa ninguém de entrar em sua casa. e quando lhes releva. — vai que has de morrer. os quaes feiticeiros vivem em casa apartada cada um por s i . edo seumantimcnlo. pelo que não-são tão cridos dos indios como temidos. ao qne .?)22 GABBIEI.

que vivem nas outras. e trazem-lhe de comer. e se o chorado vera de longe. o mandam ás velhas (1ue se calem. por so assegurarem suas vidas. e lhe da novas de cousas não sabidas. Muitas vezes acontece apparocor o diabo a este gentio. os trabalhos que uns e outros passaram. som quererem comer \ e do pasmo so deixara morrer. «pie se tomam qualquer desgosto. ao qual se vai logo uma velha ou velhas. do que morrem de pasmo. ao que estas obedecem.ROTKIRO DO BRAZIL. com medo d'olles. a que os ranchos lhe respondera chorando era altas vozes . cada dia uma pouca. e que lhes apparece. e piiein-fe ora cocaras diante d'elle a chora-lo era altas vozes. Tem esle genlio oulra barbaria muito grande. até que se enfadara. se anojara do maneira quo determinara do morrer. com sua auzencia. e como choram c cantamGisturaain os Tupinambás que vindo qualquer d'clles do fora. era o qual pranto lho dizem as saudades. que delle tiuham. se vai fogo deitar na sua rede. carne e farinha. e põem-se a comer terra. nem desviar de se quererem matar. ora lugares escuros. sem lhe ninguém poder valer. o a morrer d'isso. era entrando pela porta. corao se determinara a comer a terra. peixe . tudo junto posto no chão. sem haver quem lho posssa tirar da «-abeça quo pod01» escapar do mandado dos feiticeiros. aos quaes dão alguus indios suas filhas por mulheres. o vem chorar d'esta maneira todas as fêmeas mulheres d'aquella casa. e os espanca. e as parentes. e como acabam de chorar. o que afirmara quo lho ensinou o diabo. Que trata das saudades dos Tupinambás . até que vem a dilinhar o inchar do rosto e olhos. e sem pronunciarem nada. em ura alguidar. CAPITULO CLXII. lhe dão as boas vindas. e sSo tão bárbaros quo se vão deitar nas redes pasmados. o que elle assim deitado í-orae: c tomo acaba de comer lhe vera dar as boas vindas todos os da . mas a outros não faz mal. 3-3 chamam lançar a morto.

IVlli

CAIir.ll.I. àOARES

Uli SOUZA.

aldèa ura e tira, e lhe perguntara como lhe foi pelas partes por onde andou ; e quando algum principal vem de fora, ainda que seja da sua roça, o vem chorar Iodas as mulheres de sua casa, uma e uma, ou duas em duas, e lhe trazem presentes para comer, fazendo-lhe as ceremonias acima ditas. Quando morre algum indio, a mulher, mãi e parentas, o choram com um tom mui laslimoso, o que fazem muitos dias,1; em o qual choro dizem muitas lastimas, e magoam a quem as entende bem; mas os machos não chorara, nem se costuma enlre elles chorar por ninguém que lhes morra Os Tupinambás se prezam de grandes músicos, e, ao seu modo, cantam com sollrivel tom, os quaes teem boas vozes; mas todos cantam por um tom, e os músicos fazem motes de improviso, e suas voltas, que acabam no consoante do mote; um só diz a cantiga, e os oulros respondem com o fim do mote, os quaes cantam e bailam juntamente em uma roda, em a qual um tange um tamboril, era «pie não dobra as pancadas; oulros trazem um maracá na mão, que é um cabaço, com umas pedrinhas dentro, com seu cabo, por onde pegam; e nos seus bailos não fazem mais mudanças, nem mais continências que bater no chão com um só pé ao som do tamboril; e assim andam todos juntos á roda, e entram pelas casas uns dos outros; onde tem prestes vinho, com que os convidar; õ ás vezes andam um par de moças cantando entre elles, enlre as quaes ha também mui grandes musicas, e por isso mui estimadas. Entre este gentio são os músicos mui estimados, e por onde quer que vão, são bem agazalhados, e muitos atravessaram já o sertão por entre seus contrários, sem lhe fazerem mal.
CAPITULO CLXII1.

Que truta como os Tupinambás

agazalham os hospedes.

Quando entra algum hospede em casa dos Tupinambás, logo o dono do lanço da casa, onde elle chega , lhe dá a sua lede, e a mulher lhe põe de comei' diante, sem lhe perguntarem quem c, nem

RO 11.1110 !)<> BRAZIL.

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d'on«levcin, nem o «jue quer; e tomo o hospede come, lhe perguntam pela sua lingua : Vieste já? e ello respondo sim : as quaes boas vindas lho vem dar todos os que o querem fazer, o depois d'isso praticara muito do vagar. E quando algum hospedo estrangeiro enlra era alguma d'estas aldèas, vem pregando, o assim anda correndo toda a aldéa alé que dá cora a casa do principal, o som faltar a ninguém deita-se era uma rodo qualquer quo acha mais á mão, ondo lhe pwra logo de comer, e corao acaba do comer, lho manda o principal armar uma rede junto «Ia porta do seu lanço do unia banda, o ello arma a sua da oulra banda , fitando a porta no meio para caminho de quem quizer entrar, o assim os da aldèa lhe vem dar as boas vindas, como acima está declarado; e neste lugar so põem a praticar o principal com o hospedo muito do vagar, do redor dos quaes se vera assentar os indios da aldéa, que querem ouvir novas, onde ninguém não responde, nem pergunta cousa alguma, até que o principal acabe de fadar, c como dáfimás suas praticas, lho Jiz que destance de sou vagar; e depois quo se o principal despede do hospedo, vera oulros a faltar com elle, para saberem novasd'aquelIas parles d'ondco hospede vem; e ao oulro dia se ajunta este principal ora outra casa, ondo so ajuniam os anciãos da aldèa, o praticara sobre a vinda do indio estrangeiro, e sobre as cousas que contou donde vinha ; e lançam suas contas, se vera do bom titulo ou náo; e se é seu contrario, de maravilha escapa que o não matem , o lhe façam seu officio cora muita festa e regozijo; ao qual hospede chorara as velhas, lambem antes que coma, como atraz fica declarado.

CAPITULO

CLXIV.

Que trata do uso que os Tupinambás tem em seus concelhos c das ceremonias que n elles usam. Quando o principal da aldéa «píer praticar algum negocio de importância, manda recado aos indios de mais conta, os quaes se ajuiilain no meio do terreiro da aldèa, onde era estacas, que tem [«ara

326

GíBRIEL SOARES DE SOUZA.

isso mellidas no chão, armam suas redes de redor da do principal, onde também se chegam os que querem ouvir estas praticas, porque entre elles não ha segredo; os quaes se assentam todos em cocaras, e como tudo eslá quieto, propõe o principal sua pratica , a que todos estam mui attenlos; e como acaba sua oração, respondem os mais antigos cada um por s j ; e quando um falia, callam-se todos os outros, alé que vem a concluir no que hão de fazer ; sobre o que tem suasaltercações muitas vezes. E alguns dos principaes, que eslam n'este conselho, levam algumas cangoeiras de fumo, de que bebem; o que começa de fazer o principal primeiro; e para isso leva um moço, que lhe dá a cangoeira aceesa, e como lhe toma a salva, manda a cangoeira a outro que a não tem, e assim se revezam todos os que a não tem, com ella; o que estes indios fazem por aulhoridade, como os da Índia comem o bétele, em semelhantes ajuntamentos; o que lambem fa?em muitqs homens brancos, etodos os mamalucos; porque tomam este fumo por mantença, e não podem andar sem ello na boca, aos quaes dana o bafo e os dentes, e lhe faz mui ruins cores. Esta cangoeira de fumo é um canudo que se foz de uma folha do palma sècca, e lem dentro Ires quatro folhas sôccas da herva sanla , a que os indios chamam petume, a qual cangoeira atam pela banda mais apertada com um fio, onde estão as folhas do pelume, e accendem esta cangoeira pela parte das folhas do pelume, e como lem braza , a incitem na bocca, e sorvem para dentro o fumo, que logo lhe entra pelas, caehagens, rnui grosso, c pelas goelas, e sabe-lhe pelas ventas fora, com muita fúria, ; como não podem soffrer este fumo, liram a cangoeira fora da boca.
CAPITULO CLXV.

Que trata de como se este gentio cura em suas

enfermidades,

São os Tupinambás mui sujeitos á doença das boubas, que se pegam de uns aos outros, mormente emquanto são meninos; porque se não guardam de nada : e lem para si que as hão de ler tarde ou cedo, e

ROTEIRO no nnv/ii..

3J7

que o bom « tereni-iias eniquanto são meninos, aos quaes não fazem « ' outro remédio senão fnzer-lhas sm-ar, quando lhe sahem para fora, o que fazem com as tingirem cora ginipapo; o quando islo não hasta, curam-lho estas buslollas das houbas cora a folha da «-aranha, de cuja virtude tomos já feito menção, o como se estas btisiellas serram, lem para si que esláo s3osd'eslo máo humor, e na verdade não tem dores nas juntas como se ellas seccam. Em alguns loui|ios e lugares, mais quo outros, são estos indios doentes de terças o quartas, que lhe nasce de andarem |>ela calma, sem nada na cabeça, e de quamlo estão mais suadas se banharem com água fria, melendo-se nos rios e nas fontes, muitas vezes ao dia polo tempo da calma; ou quando trabalham, que cslão cansados e suados: ás quaes febres não fazem nenhuma cura senão comendo uns ming/ios, que são uns caldos de farinha de carimã, como já fica dito, que sio muito leves o sadios: e uniam-se cora água do geiiipnpo, tom o «pie litam iodos tintos de preto, ao que lera grande devoção. Curam estes indios algumas postemas c bexigas tom sumo de hervas de virtude, que ha entre elles, cora que fazem muitas curas mui notáveis, corao já fica dilo atraz; e quando se sentem carreados da cabeça, sarjain nas fontes e ao< meninos sarjam-nos nas pernas , quando tem febre, mas em sècco; o «pio fazem as velhas cora um dente da coda muito agudo, «pie tem jeira isso. Curam as grandes feridas o Ü -vidas cora umas hervas, que chamara cabureiba, que é milagrosa, e cora outras hervas, de cujas virtudes fica dito atraz no seu titulo; tom as quaes curam o «ano , que se lhes enche muitas vezes de cancere; e as (levadas penetrantes e outras feridas, de que se vêm era perigo, turain por um estranho modo, fazendo era cima do fogo ura leito de varas largas umas das outras , sobre as quaes deitam os feridos, tomas feridas lnx-.« abaixo em cima d'esle fogo , pelas quaes com a (|uenlura se lhes sabe todo o sangue que tem dentro e a humidade ; c ficara as feridas sem nenhuma huinidade; as quaes depois turain cora oleo e balsamo , ou hervas , «le que já fizeDios menção, cora o que tem saúde em poucos dias; e não ha enlre esle gentio médicos assignalados , mas sáo-no muito bons os

3*28

GABRIEL SOARES DE SOUZA.

recochilhados. D'estes indios andarem sempre nús, e das fregueinces que fazem dormindo no chão, são muitas vezes doentes de corrimentos a que elles chamam caiváras, de que lhes dóe as juntas; das quaes são os feiticeiros grandes médicos, chupando-lhe com a boca o logar onde lhe dóe, onde as vezes lhe mette os dentes, e tira da boca algum pedaço de ferro, páo ou outra cousa, que lhes mete na cabeça tirar d'aquelle logar onde chupava, e que quando lhe doía lhe sahira fora , onde lhe tinge com genipapo, com que dizem que se acha bem logo.
CAPITULO CLXVI.

Que trata do grande conhecimento que os Tupinambás tem da terra. Tem os Tupinambás grande conhecimento da terra por onde andam, pondo o rosto no sol, por onde se governam; com o que atinam grandes caminhos pelo deserto , por onde nunca andaram; como se verá pelo que aconteceu já na Bahia, d'onde mandaram dous indios d'estes Tupinambás degradados pela justiça, por seus delidos, para o Rio de Janeiro , onde foram levados por mar ; os quaes se vieram de lá, cada um por sua vez, fugidos, afastando-se sempre do povoado, por não ser sentidos por seus contrários ; e vinham sempre caminhando pelos matos; e d'esta maneira atinaram com a Bahia, e chegaram á sua aldèa, d'onde eram naturaes, a salvamento, sendo caminho mais de trezentas leguas. Costuma este gentio, quando anda pelo mato sem saber novas do logar povoado , deitar-se no chão, e cheirar o ar, para ver se lhe cheira a fogo, o qual conhecem pelo faro a mais de meia legua, segundo a informação de quem com elles trata mui familiarmente; e corao lhe cheira a fogo, se sobem as mais altas arvores que acham, em busca do fumo, o que alcançam com a vista de muito longo , o qual vão seguindo, se lhes vem bem ir aonde elle está; e se lhe convém desviar-se d'elle, o fazemantes que sejam sentidos; e por os Tupinam-

ROTEIRO DO niiAMi..

3-20

hás terem este conlieciinenlo «l.i terra e do fogo, so faz muita tonta delles, quando se offerece irem os Portuguezes á guerra a qualquer parto, onde os Tupinambás vão sempre diante, correndo a terra |x>r serem de recado, o mostrando á mais goolo o caminho p r ondo há«> de caminhar, e o logar onde se hão «to aposentar caifo noite.
CAPITULO CLXVH.

Que trata de como os Tupinambás guerra.

se apercebem para irem á

Corao osTiipinambás são muilo belicosos, todos os seus fundamentos são como farão guerra aos seus contrários ; para o ijue se ajiuilani no terreiro da sua ahfea ,v> |»cssoas mais |>rintipaos, o fazem seus roocelhus, tomo líc.i declarado; onde assentara a que p r l e hão de ir dará dita guerra, e em quo tempo: para o quo so mitifica a tolos que se façam prestes de arcos e floxas e alguns pa vezes , que fazem •le ura pao molle e muilo leve, o as mullieres entendera em lhes fazerem a farinha que hao «le levar, a que chamam «ie guerra; porque dura muilo, para se fazer a dita guerra, d'oude tomou o nome; o tomo Iodos csião prestes de suas armas e mantimentos, as noites antes da partida anda o principal pregando ao redor das casas, e n'«jsta pregação llie diz onde vSo, e a obrigação «pio lem de ir tomar vingança de seus toulrarios, |iondo-llies diante a obrigação <iue lera pira o fazerem e pira pelejarem valorosamente ; prometlerufo-lbe victoria contra seus inimigos, sem nenhum perigo da sua parte, do «pie ficará d'elles memória para os que aiio^ elles vierem cantarem seus louvores; e i|ue pela manhã comecem do caminhar. E era amanhecendo, depois de almoçarem, loma ca«la ura seu quinhão de farinha ás costas, e a rede em que.ha de dormir, seu pavez e arco e flexas na mão, e oulros levam além disto uma espada de páo a liracollo. Os roneailores levam tarnboril, oulros levara buzinas, quo vão tangendo pelo caminho, eom «pie fazem grande estrondo, tomo chegara á vista dos tonlrarios. E os |'iiuci|i;ies d'«iste genlio levam toinsigo as mulheres carregadas «le
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«;AI;I.ILL SOARES ITli SUlZA.

manumeiilns, e elles não levam mais «pie a sua rede o armas ás costas, « arco e lfoxus na mão. E autos que se abalem, faz o principal capitàb • da dianteira , que elles tem por grande honra, o qual vai mostrando o caminho e logar ondo hão de dormir «ida noite. E a ofdenança com que se põe a caminho, é um diante do outro, por que não sahem andar de oulra maneira; o como sabem fora dosscus limites, e enlram pela terra dos contrários, levam ordinariamente suas espias diante, que são sempre mancebos muito ligeiros, que sabem muito bem esleollicio; c com muito cuidado , os quaes não caminham cada dia mais de legua e meia até duas leguas, que é o que se pôde andar alé ás nove horas do dia; que ó o tempo em «pie apozeiilara sou arraial, o que fazem perto d'agua, fazendo suas cliopauas , a que chamara tajupares, as quaes fazem arruadas, deixando um caminho pelo inoio iPelIas ; e d'esta maneira vão fazendo suas jornadas , fazendo fogos nos tajupares.
CAPITULO CLXV1II.

Que trata de como os Tupinambás dão em seus contrários. Tanto que os Tupinambás chegam duas jornadas da aldèa «le seus contrários, não fazem fogo de dia, por não serem sentidos d'elles pelos fumos que se vêm de longe; e ordenam-se de maneira que possam dar nos contrários de madrugada , e em conjuneção de lua cheia para andarem a derradeira jornada de noite pelo luar, e tomarem seus contrários desapercebidos e descuidados; e em chegando á áldêa dão todos juntos tamanho urro, gritando, que fazem com isso e com suas buzinas e tamboris grande espanto; e d'esta maneira dão o seu salto nos contrários: e do primeiro encontro não perdoam a grande, nem a pequeno; para o que vão apercebidos de uns páos a fefoüo de arrochos, com uma quina por uma ponta , com o que da primeira pancada que dão na cabeça ao contrario, lha fazem em pedaços. E ha alguns d'estes bárbaros tão carniceiros «pie cortam aos vencidos, depois de mortos, suasnaturas, assim aos machos como ás

ROTIIRO

1>.» B R V 7 I I . .

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fêmeas, as quaes finara pira «forem a SII.K mulheres, ipie as gualdam «lepois de mirradas no fogo, pira nas suas festas ns «forem .1 comer aos maridos por roliipiias, o «pie lhes dura muito tempo; e levam os contrários, quo não mataram na briga, cativos, piradepoisns matarem em terreiro com as festas costumada*. No despojo d'esta guerra não tem o principal cotisa eerla, e cada ura leva «• «pie pode apanhar, o, quando «>s vencedores so recolhem, põem fogo ás casas da aldéa em que «leram, «pie são cobertas de palmas ate o chão. E recolhem-se logo. andando lotfo o que lhe rosla do «lia , I ' ioda a noite pelo luar cora o passo mais apressado, trazendo suas espias «lelraz. jior se arrete-irera «fe se .-«juntarem muitos dos contrários, o virem toiuar vingança do acont fido a seus visinhos, como cada dia lhes acontece. E sendo caso que os Tupinambás achem seus contrários apercebi«los com a sua cerca feils, e elles se atrevem nos cortar, fazem-lhe por de redor oulra ronlracerea de rama e espinhos muilo liada tom madeira «pie melem 110 chão , a «jue chamam eaiçá, pela qual, emquanto verde não ha tensa «pie os rompa , o ficam com ella seguros «Ias flexas dos cenlrarios, .1 qual eaiçá fazem liem chegada a «•erra dos contrários, e de noite foliam mil roncarias, e jogam as pulhas de parte a parte, ate «|ue os Tupinambás abalroara a cerca ou levantam cerco, se se não atrevem tom elle, ou por lhes faltar o inanlinx-olo.
CAPITULO CI.XIX.

Que trata de como os contrários dos Tupinambás dão sobre elles quando se recolhem. Acontece muitas vezes aos Tupiuamlw*, quando se vera reiolbemlo liara suas (asas, dos assaltos que deram em seus contrários, ajuntar-se grande somma delles, e virem-lhe 110 alcance alé lhe náo poderem fugir; e ser-lhe necessário espera-los, o que fazem ao longo d'agua , onde se fortificara fazendo sua cerca de eaiçá ; o que fazem cora muita pressa para dormirem ali seguros de seus contrários , mas com Loa

e antes que dêm o assalto. e lançando-lhe as suas com muita fúria. eosde fora náo vêem quem lhes atira. se não são avisados primeiro. Quando osTupinambás eslão cercados de seus contrários. e os avisa para que se apercebam e estejam alerta: e as mesmas pregações lhe faz» quando andam fazendo as cercas de eaiçá. e se não vem apercebidos para os abalroarem » ou de mantimentos para continuarem cora o cerco -. por não poderem abalroar aos Tupinambás corao queriam. E estes assaltos* que os Tupinambás vão dar nos Tupinaês e outros contrários seus. para empregarem todas as suas flexas á vontade. e as mesmas pregações costumam fazer quando elles tem cercado seus contrários. e façam aquella obra com muila pressa. quando se vêem n'estas afrontas de mandarpedirsoecorro a seus vizinhos» e lh'o vem fogo dar com muita presteza.332 UABRIF.L SOARES Dl! SOUZA. e os querem abalroar. porque lhes não tardará o soecorro muito. e quando os Tupinambás pelejam no campo. passêa o principal de redor dos seus» e lhes diz em altas vozes o que hão do fazer. . sem estarem nunca quedos» assobiando. guardando-se das flexas que lhe lançam seus contrários. onde muitas vezes são cercados e apertados dos contrários: mas os cercados vêem por detraz d'esta cerca a quem está de fora . se tornam a recolher. vigia. porque muito depressa se verão vingados d'elles. esão mais prevenidos. dando com a mão no peito. lhes aconte«:e também a elles por muitas vezes. estando juntos todos á noite atraz. do que ficam muito mal tratados. mas as mais das vezes elles são os que offondem a seus inimigos. para que se animem. as pessoas de mais authoridade d'enlre elles lhes andam pregando de noite que se esforcem e pelejem como bons cavalleiros» e que não temam seus contrários. e apercebidos . andam saltando de uma banda para a outra.

o qual. como anojaifo |M>r certos «lias. e era quanto o riscado vive. liiigem-se a véspera a tanfe «legeiiipapo. costumam. *. Em que se declara como o Tupiiuuubà que moto* « contruno. e us ceremomm qw nisso fazem. ao qne sv faz de rogar.* CAP1TILO CLXX. Todo o TupinamUi que inalou na guerra ou ora oulra qualquer parle algum contrario. toma foga nome enlre si. tanto «pie vem para sua casa. mas náo o «li* senão a seu ieni|>o. e 30 «lia «pie se fofo «le beber os vinhos si* tusquia u matador. anda Ioda a gente da aldèa rogando ao maUidor. e cometam á tarde » «atilar. toma logo nome. e c notório aos in««radures d Vila da tal morte do contrario. em o matador entrando em casa. e dáo por estas sarjatf uras uma tinta tom <jue ficara vivas. «|ue lera |wr aguuni se as tumor dentro «1'aquelle tenqHi. Costuma-se enlre <is Tu pinam bas. rumo se acabara aquellas festas « • vinhos. se recolhe pari a sua rtule. . e lira o «to. arremerareui-se todos ao seu lanço.?. «pie manda fazer grandes vinhos.«. o qual tantlxíiu se risca era algumas prtes do tor[»o com o dente de tolia. e como esUo («ara se po«fort«m beber. era lavores. «• iiÃo cinne 11'elles certas tousas. ha alguns indius quo tomaram lautos nomes. se ordenam log«i novas cantigas fundadas sobre a morte «raipielle que morreu. tomando-se a encher ir tingir «Igeüipapo. que ti««kt aquelfe que mata contrario. o toda a noite. < • fiu louvores do «pie matou. . ijue diga o nuimr que tomou. e lomareni-lh. e »e riscaram tantas vezes que não lera parte onde não esteja o corpo viscjdo. ao «pie foz suas vésperas cantadas. o lem por gratufe bizarria. o depois que lera cantado um grande pedaço. o lauto ipie o diz.loque elle não ha tfo resistir por nenhum caso. ordena outros vinhos para tirar o dó.«OYF1RO DO lIRtML. e corao é grande.» as armas e Iodas as sins alfaias de seu uso. e ha de «leixar levar tudo sem fatiar palas ra: e tomo o matadur faz estas festas deixa crescer o cabello por do alguns dias.

mas muitos ficam d'ellas lão mal tratados que se põem em perigo de morte. dáo a cada ura por mulher a mais formosa moça. todas as vezes que quer. as quaes são cordas de algodão grossas. tosquiando-se.334 GABRIEL SOARES DE SOUZA. onde lhe dão muilo bem de comer. que a offerece para isso ao parente mais chegado. como pare. as quaes são tecidas como os cabos dos cabrestos de África. e a mãi é a primeira que come d'esta carne. e com ellas os atam pela cinta e pelo pescoço. e a mulher que lhe dão. a que chamam muçuranas. até que engordam. Os contrários que os Tupinambás cativam na guerra. onde toma o nome. a que também chamam irmãos. Que trata do tratamento que os Tupinambás fazem aos que cativam. e fazem lambem suas festas com seus vinhos como elles. que se adiante seguem. a comem assada e com grande festa. e fazem o mesmo pelos primos. ou de oulra qualquer maneira. o que tem por grande honra. CAPITULO CLXXI. metem-nos em prisões. que ha na sua casa. e de lhe dar o necessário para comer e beber. com quem se elle agazalha. E se esta moça omprenha do que está preso. como acontece muitas vezes. e como os Tupinambás tem esles contrários quietos e bem seguros nas prisões. e não sentem as sarjaduras. e dando alguns riscos em si. o qual lhe quebra a cabeça em terreiro com as ceremonias. se lavam primeiro muito espaço com água muito quente. quo é o fim para que os engordam. que para isso tem mui louças. pelo . e para se não sentir a dòr do riscar. e como a criança é morta. com que lhe enteza a carne. que lh'o agradece muito. e lhe fazem muitos regalos. Costumam também as irmãs dos matadores fazerem as mesmas ceremonias quefizeramseus irmãos. e estam estes cativos para se poderem comer. com o que o cevam cada hora. a qual moça tem cuidado de o servir. cria a criança até idado que se pôde comer. e lhe fazem bom tratamento. e tingindo-se do genipapo.

mas fazem-nas muilo maiores para o dia do sacrilicio do <|ue ha de padecer. c a véspera era todo dia cantara e bailara. «pie lho deram muilo geilo para se acolherem o fugirem das prisões. folgara do lerem escravos para lh'os venderem. CAP1TILO CLXXII. que não matem. que tem calivos. tem-na em ruim conta.ROTEIRO DO BRAZIL. que reino ch«?gam a essa idade logo escapim da fúria dos seus conlrarius. e a mái quo náo come sou próprio filho. e em pcor. para as quaes ba grandes ajuntamentos «Io parentes e amigos. Que traia da (esta e apparalo que os Tupinambás fazem para matarem em terreiro seus contrários. que |wra isso são chamados de trinta e quarenta leguas. que tomaram tamanho amor aos cativos que as tomaram por mulheres. Muitas vezes deixam os Tupinambás de matar alguns contrários que taúvarara por serem moços. o lhe foram pôr no mato. e não os entregaram a seus pircntos pira os matarem . antes de fugir. Comoos Tupinambás vêem que os contrários. mas depois que esle gentio teve coinmercio com os Portuguezes. «pie «pior dizer filho do contrario. manliinenlos |«ara o taininho: c estas taes criaram seus filhos com muilo amor. e ás vezes depois do os criarem . para a vinda dos quaes fazem grandes vinhos. e se quererem servir d'elfos. a que esles indios chamam runhambira. e ao dia . Mas lambem ha algumas. 3A5 que de maravilha escapa nenhuma criança quo nasta d'estes ajuilLimeutos. aos quaes criam e fazem tão bom tratamento que andam de maneira que podem fugir. que bebem cora grandes festas. que ellas ás escondidas lhes «leram. se o não entregam seus irmãos. antes osguanlaram e defenderam d'elles ate serem motos grandes. estão já bons para matar. tora grandes «autoras. o que elles não fazem por estarem á sua vontade. ordenam de fazer grandes festas a cada ura. os matam por fazerem uma festa d'estas. quo elles cortam com alguma ferramenta. ou parentes cora muito contentamento.

ao qual ameaça e a toda a gente da aldèa . E os que cantam fundam nesta festa suas cantigas vituperando o que ha de padecer e exaltando o matador. «: põem-lhe nr» cabeça uma carapuça de pennas amarellas e uma diadema. que estão melidos no chão. começam a pregar e dizer grandes louvores de sua pessoa. dizendo suas proezas e louvores . uniam o cativo lodocom mel de abelhas. que accoilao morrer com muito esforço. das mesmas pennas. «pie pois elle lem a vingança da sua morte tão certa. e seu rabo de pemia» . onde lhe as velhas dizem «pie se farte de ver o sol. as quaes eslão furados. como puder. com motes que dizem sobre a cabeça do «jue ha de padecer. dizendo que já eslá vingado de quero o !ia do matar. afastados ura do outro vinte palmos. e pintam-no a lugares de genipapo. e os pés com uma tinta vermelha. . grandes rainaes do contas brancas sobraçadas . contemos como se prepara «t matador. e antes que bebam os vinhos. que para esla execução eslá preparado.. e como esles cativos vêem chegada a hora em que hão de padecer. CAPITULO CLXXIH. e por cada furo metem as pontas das cordas com «jue o contrario vem preso. pouco mais ou menos. primeiro que o matador saia ao terreiro. Costumam os Tupinambás. onde fica preso como touro de cordas. manílhas nos braços e nas peruas. E começara a levar esle preso a um terreiro fora da aldèa. pinta-lo com lavores de genipapo todo o corpo. Que trata de como se enfeita e apparata o matador. e por cima d'este mel o empenam todo com pennas de cores. pois tem o fira tão chegado. ao «pie o cativo responde cora grande coragem. que lambera bebe com elles. E antes de lho chegar a execução. e melem-lhe uma espada de páo nas mãos para que se defenda de quem o quer matar com ella.33t5 GABRIEL SOARES DE SOUZA. contando grandes façanhas suas e mortes que deu aos parentes do matador. e melem-no entre dous maurões. enfeita-lo muilo bem.se bebem muitos vinhos pela manhã. dizendo que seus parentes o vingarão.

e lhe diz que «e defenda. toma logo entre si . e levam-no onde se «os inu. d'onde o vem nroinp.is os qne tem cuidado «Ias cordas purham por «?llas «le feita» que o fazem cs|i«!rar i pautada . mas o solto remeiie a elle rom a sua espada «fo ambas as mãos. •• torao o matador está preste* parareceberesi.i honra. em lavores ao seu modo.«foiira nome.fomos . chega tom a sua espada »•• matador e o traUí muito mal. como «• vingar a morte ' «li* «eu» tniei«r«ss.7 «le ema nas anr.is.inli.. diante «fo quiMii chega o matador. que « > está esperando com jrramfe coragem tom uma espada de pão na mão . gaitas t» tamlmros. poisrhe«oii a ganhar tamanha honra. do que tomam também novo nom«\ rom as mesmas festas e ceremonias «ine já ficam ditas . o qual declara depois tom as ceremonias que ficam ditas atraz. m. que entre o gentio ê a maior qne pode ser. mãos muito pesaila. onde esLi o que ha de padecer. e pintada tom tascas de ovos de cores. ajunlam-se svus parentes e amigos. onde a rende nas mãos do -J-II inimigo. e aeonlece muitas vezes «pie o preso primeiro que morra . porque vem para o matar. n qne ell«>s chamam embagadnra . o que se não faz com menos alvoroço que aos próprios nwtailore*. assentado tudo. por mais que o pobre trabalha . o que tira mui igualado e bom feito.-i repartir esta carne. marchetada com continhas brancas de. e tom ««ste estronifo entra no terreiro da exernrao. li» 43 .. que lhe faz a cabeça <m pedaços com sua espada : e como se acaba esta execução. a quem responde o preso tom mil rontarias. liram» nodas cordas.indn com grandes tnntare» etangeresdos seus hnzio*. porque tudo < dilatar a vida mais dous • credos.ROTEIRO DO BRV7II. onde tira as armas e petrechos com que se enfeitou. ". «Ia qual *• se qu«*r desviar o pre«o para alguma banda.s e «le seus irmãos e parentes. não lhe aproveita . e no rabo «IVsta espada tem jrrandes penachos de pennas «fo pássaros feitas em molho < «fe» pnndiiradas da empunhadura. e a mesma honra fitam recebendo aquelles que primeiro pegaram «fos cativos na guerra . ehimando-lhe bemnvvnlurado . som embargo de lhe não deixarem as cordas chegara elle .-«(|. < • acabado o matador de executar sua ira no cativo. e uma espada «le pio •!* ambas a. e vai-se doterreirorecolher para o seu lanço.". sobre tnra. e vão-im buscará sua rasa.

e outra assam muito afastada do fogo de maneira que fica muito mirrada. onde o não quiz matar para o trazer cativo para a sua aldèa. com as mesmas ceremonias. mas atam as mãos ao que ha de padecer. . que lhe deram do morto. e tiram-lhe as tripas efreçura. onde o faz engordar com as ceremonias já declaradas para o deixar matar a seu filho quando é moço e não tem idade para ir á guerra. se se não offerecer tão cedo matarem outro contrario. e os homens mancebos e mulheres moças provam-na somente. CAPITULO CLXXIV. e mui estimado de todos. a qual se não come por mantimento senão por vingança. o qual mata em terreiro. e guardam alguma da assada domoquem por relíquias. Em que se declara o que os Tupinambás fazem do contrario que mataram. Acontece muitas vezes cativar um Tupinambá a um contrario na guerra. ou outro algum.338 GABRIEL SOARES DK SOUZA. para com ella de novo tornarem a fazer festa. como fica dito. segundo sua gentilidade. a qual repartem por todos os da aldéa. o espedaçam logo os velhos da aldèa. se não quer riscar quando tomam novo nome. mal lavadas. a qual carne se cozefogopara se comer nos mesmos dias de festas . contentam-se com se tingir de genipapo. a que este gentio chama moquem . assada do moquem para as suas aldèas. como fica dito. cozem e assam para comer. onde como chegam fazem grandes vinhos para com grandes festas . para a provarem e se alegrarem em vingança de seu contrario que padeceu. Acabado de morrer este preso. os beberem sobre esta carne humana que levam . qne. e os velhos e velhas são os que se metem n'esta carniça muito. para com isso o filho tomar nome novo e ficar armado cavalleiro. e reparte-se a carne por todas as casas da aldèa e pelos hospedes que vieram de fora a ver estas festas e matanças . E os hospedes que vieram de fora a ver esta festa levam o seu quinhão de carne. E se este moço matador.

d onde se tornam para sua casa. cora as corouionias atraz declaradas . CAPITrLO C. para quetenhaaterraque não caia sobre o defunto. e quando o levara a enterrar vão-no acompanhando mulher. o irmão ou parente mais chegado lhe faz a cova. filhas e parentes. e a sua espada. e se morrera as mulheres destes Tupinambás. eesUo-no pranteando ato que fica bem coberto «fo terra. o leva a enterrar embrulhado na sua rede em «pio dormia .V. e depois de morto alguns dias. quando morro qualipioi d'elles.ROTRIRO DO BRAZIL. para que so veja quantos nomes tom. o por cima do mel o entpennam com pennas de pássaros de cures. cora os cabellos soltos sobro o rosto. quanlo E' costume enlre os Tupinambás que. uma cova muito funda e grande. efüzem-lhe fogo ao longo da rode para se aqueutar. c so não tem já marido. se as lera. 0111 a qual rede o metem assim enfeitado. cora sua estacada por ifo redor.) e deixar crescer o cabello o losquia-lo. e como os enterram. e todos os mais enfeites «pie elles costumam trazer nas suas festas. o põe-lhe uma carapuça de penna na cabeça. e o niaraca cora quo costumava tangei.o oinle elle vivia. quo para elles o grande bizarria . e tem-lho feito na mesma casa o lan«. e põem-lhe junto da rede seu arco e flexas. e o parente mais chegado lhe ha de (azar a cova . e põem-lho dt . o armara-lhe sua rede em baixo de maneira que não toque o morto no chão. e ajudem a levar ás costas a defunta. e os que so riscara . Primeiramente o uniam com inol todo.LXXV. é costume que os maridos lhe façam a cova. antes de o enterrarem fazem as ceremonias seguintes.'V. as quaes vão pranteando alé a cova. Que trata da» ceremonias que os Tupinambás. a cada nome que tomam fazem sua feição do lavor. . jazem morre algum. E quando morre algum principal da aldéa em que vive. quandotomaranome novo. onde a viuva chora o marido por muitos dias.

lançam-lhe muita somma do madeira igual no andar da rede de maneira «|ue não loque no corpo. CAPITULO CLXXVI. e as que se fazem por morte delia lambem. onde o filho e]o pai. Costumam os indios. e lem as partes atraz declaradas. como d'aiites. deixarem . As quaes choram seus maridos muitos dias.3/|() l. É costume enlre as mulheres dos principaes Tupinambás. e tinge-se de novo do genipapo. e sobre esta madeira moita somma de lerra. as quaes deixam crescer o cabello. aceitam ura seu irmão era seu lugar. ou o não tem. c das ceremonias que faz sua mulher. como gallinha. Que trata do successor ao principal que morreu . até que lhe dá pelos olhos. e água em ura tabaco.AHltlLI. tornam com a viuva a prantear de novo o defunto. para que não caia terra sobre o defunto. são chorados muilo* dias. so é capaz de tal «. o náo os lendo «jue tenham partes para isso. se é morto. atados os joelhos com a barriga. sobre a qual sepultura vive a mulher. ou de oulro qualquer indio. e lhe põem também sua cangoeira «le fumo na mao. elegem um parente seu. tomei em um alguidar. elegerem entre si quem succeda era sou logar. a elle aceitam por sua cabeça. a mulher cortar os cabellos por dó. E quando morre algum moço. filho de algum principal. e todas as vezes que o fazem. e torna-se a losquiar para tirar o dó. e quando náo é para isso. metem-no era cocaras. quando lhe marrom as mulheres. que não lem muita idade. logo faz sua festa cora vinhos. SOARES UE S o U Z * . e são visitadas do suas parenlas e amigas. e tingir-se toda de genipapo. em ura pote era que elle caiba. e tomo esta íiialafotagem eslá feita. Costumara os Tupinambás quando morre o principal da aldéa. com rama debaixo primeiro. o se não casa com outro.argo. e enterram o pote na mesma casa debaixo do chão. e se o defunto tem filho que lhe possa succeder.

porque como chega a perder a falia dáo-no logo por morto. e cada um por si faz sua festo. N"estas festos se cantam as proezas do defunto ou defunta. pirecen decente escrever aqui o «|ue n'elle se contém. dizendo que pois ba de morrer. e não tem remédio. com os quaes o. o do que tira o dó. o liiigem-so do genipapo por do. e de um indio que se achou muito alvo. e curam d'elle muito pouco. pai e mâi do defunto. é logo julgado por morto. quando tira o dó apartado. e ao outro dia ha grandes revoltos de cantar e bailar.RdltlRii UO IIRA1IL. muitos dos quaes tiveram saúde e viveram depois muitos annos. so tornara a tingir do prelo á véspera da festa dos vinhos. e não trabalham os seus mais chegados por lhe dar a vida. mas este sentimento houveram do ter os vivos dos mortos. Que trata de como entre os Tupinambás ha muitos mamelucos que descendem dos Franceses. CAPITULO CLXXVII. nem curar d'elle. para se melhor "iitender a natureza e condição dos Tupinambás. o o viuvo toaquia-se ã véspera a tarde. e a doença c comprida. e tanto é isto assim que morrem muitos ao desamparo. Ainda «|ue pareçaforade propósito o «|ue se contém n'este capitulo. o beber muito. logo aborrece a todos os seus. por as mulheres os julgarem por mortos. no «pio náo tora tempo certo. e levam a enterrar outros ainda vivos. e corao o doente chega a estar mal. cantando toda a uoito. ainda que vomito o perca o juizo. e o mesmo dó tomam os irmãos. e entre os Portuguezes aconteceu muitos vezes fazerem trazer de junto da cova escravos seus para casa. filhos. e quando so querem tosquiar. . para a qual so ajuuto muita geuto para estos cântaros. quando estavam doentes. ainda que o tragam por uma mesma pessoa. que para que é dar-lhe de comer. e o que n'eslo dia mais bebeu fez mor valentia. que quando algum está doente. 361 crescer o cabello. quo fazem a sou modo. antes o desamparam. mas são tão desamoraveis os Tupinambás.

que nasceram. um menino de idade de dez annos para dozo. eemmercio. e não era muito preto. o julgava por esse sem o eo/ihecer. os quaes se «imancebarani na terra. com quem era tão natural. Francezes. para lhes fazer seu regato. sobre o que as outras Índias. e pimenta. e pelas informações que se então tomaram dos outros Tupinambás da companhia. e quando se iam para França com suas nâ«36 carregadas de páo de tinta.3/(2 GABRIEL SOARES Dlí SOUZA. e havidos por indios Tupinambás. que são louros. pois que sahem a seus avós. que era tão alvo. deixavam entre os gentios alguns mancebos para aprenderem a lingoa e poderem. achou-se que o pai d'este indio branco não descendia dos Francezes. d'onde esta gente vinha. e o enterrou vivo: e foi-se a india com as outras á roça. que ia chorando. viveram. masé de maravilhar trazerem do sertão. e arrancou a mandioca. e tinha os cabellos da cabeça. outro liro de bombarda. dos quaes ha hoje muitos seus descendentes. pestanas e sobrancelhas tão alvas como algodão. e viveram como genlios com muitas mulheres. com o qual vinhja seu pai. N'esta povoação onde este índio branco veio ter. que de o ser muito não podia olhar para a claridade. onde morreram. sem se quererem tornar para França. que ia buscar. estando fazendo a . aconteceu um caso estranho a uma indiaTupinambá. que havia pouco que viera do sertão. tinham. dos quaes. nem elfeg foram áquellas partes. que seria d'alli distancia de ura bom tiro de bombarda. era muito feio. alguns annos antes quo se povoasse a Bahia. se inçou a terra de mamelucos. servir na terra. e morreram como gentios. alvos e sardos. era muito preta. que viram esta crueldade de mãi. e ainda que este menino era assim branco. no anno de 1586. quando tornassem de França. e tornou-se cora ella para casa. nunca. entre outros Tupinambás. esào mais bárbaros que elles. e a mãi que vinha na companhia. que seria d'onde a criança ficava enterrada. algodão. a qual ia para uma roça a buscar mandioca. levando um filho de ura anno ás costas. e dos que viuham todos os annos á Bahia e ao rio de Segeripo em náos de França. que é de Gabriel Soares. que ioda a pessoa que o via. E não é de espantar serem estesdescendentes dos Francezes alvos e louros. do qual se enfadou a mãi de maneira que lhe fez uma cova com uni páo no chão.

o quWuviram oulras índias «Ia mesma rasa ladinas.. a sabendo a verdade d'elle mandou a toda a pressa desenterrar a criança. •"*«. Daqui por diante te vai continuando com a vida e costumes dos Tupinaês e outras castas de gentio da Bahia que vire pela terra dentro de seu sertão.ROTKIRO D O iin. que continuamente tom. como duem os indios antigos d'esta nação. e nào rançam de se matarem em guerras. Tupinaês ó uma gente do Brazil semelhante no parecer. e mais amigos . ma* tem-se por tão contrários uns dos outros que se comem aos bocados. alguns Tapuias. SàoosTupiiiaèsiiiaisatraiçoadiJsque os Tupinambás. com quem tem lambem continua guerra. onde agora vivem. e terão occupado uma corda de terra de mais de duzentas leguas: masficamentres achados cora elles. Os quaes Tupinaês nos tempos antigos viveram ao longo do mar.vrii. mas são-no de todas as oulras nações do genlio do Brazil. do que tem os moradores de Lisboa dos de Enlre Douro e Minho. vida e coslumesdos Tupinambás. e não láo somente são inimigos os Tupinaês dos Tupinambás. CAPITCXO CLXXVUI. a «piai viveu depois seis mezes. do» quaes diremos o que podemos alcançar deite»: e começando logo no» Tupinaês. que logo se informou do caso como acontecera. e pelo nome tao semelhante destas duas castas de genlio se parece bem claro que antigamente foi esta gente toda uma. que os lançaram d'elle oara o sertão. e por ser pigf a fez baplisnr logo. mas a dos Tupinambás ó mais pulida.'> fajjÉKKaipuzerama praticar. como fica dito no titulo dos Tupinambás. e foram -no contar á sua senhora. quo ainda acharam viva. que quer dizer contrários. e entretodasellas lhe chamam Taburas.ena lingoagem não lem inais differeiiça uns dos oulros. em algumas partes. Que trata de quem são os Tupinais. maravilhando-sedo «aso acontecido.

e ainda. de uma maneira e outra fica muito affeiçoado. e trazem ao pescoço colares de dentes dos contrários como elles. e pedras n'elles e no rosto. lhe comem logo a criança. como se acham n'elle. de comer carne humana. e grandes cantores de chacotas. quasi pelo modo dos Tupinambás. por suas ruins condições. são músicos de natureza. muito aparados sobre ellas. Costumam enlre os Tupinaês trazerem os homens os cabellos da cabeça compridos até lhe cobrirem as orelhas . São os Tupinaêsmais fracos de animo queos Tupinambás. em tanto. sem perdoarem a ninguém. e desafogado por diante. mas não são pescadores no mar. e alguns tosquiam a dianteira até as orelhas sobre pentem . e a seu modo. como elles. o esmorecerem. com quem ficavam visinhando. se fazem mais furos n'elle . do que ficaram mui odiados de todas as outras nações do gentio. e por detraz o cabello comprido . E quando as fêmeas emprenham dos contrários. que se lhes não acha nunca escravo dos contrários que cativam. Traz este genlio os beiços furados. e não pescam senão nos rios d'agua doce. caçam e pescam. pelo não haverem em costume. de menos trabalho. e outros o trazem copado sobre as orelhas. d'onde foram sempre lançados do outro gentio. buzinas que costumam trazer os Tupinambás. se fazem mais bizarros. como crenchas. e a mesma mãi ajuda fogo a comer o filho que pariu. de menos fé e verdade . Estes Tupinaês andaram antigamente correndo toda a costa do Brazil. CAPITULO CLXXIX. e quando se enfeitam o fazem na forma dos Tupinambás. e na guerra usam dos mesmos tambores. como os Tupinambás . em parindo. Que trata de alguns costumes e trages dos Tupinaês. por ser gente do sertão. e pelejam em saltos.3U& GABRIEL SOARES DE SOUZA. porque todos mafom e comem. bailam. os quaes sao muito mais sujeitos ao peccado . como elles. a que lambem chamam cunhãembira . trombetas.

Francisco : e passamos pelos Tupuias. Esles Tupinaês são os fronteiros dos Tupinambás. além do rio de S. CAPITULO CLXXX. no cabo d'esta historia da vida o costumes do gentio. o qual canudo é aberto peto banda de cima. da maneira que os elles tangem. por doutro «Iclle. -li-) nefendo. e tão grosso que cabe um braço. da qual sabem como lhe ordena a fortuna. o qual fogo pega nas flexas. por que descendem dou Tupinambás. e quando o tangem vão locando com o fundo do canudo no chão. ou se acha em parlo onde lho falta fogo . com quem tom sempre guerra som entenderem era oulra cousa. onde certas aldêasVellea foram fazendo guerra aos 44 . Quando os Tupinaês viviam ao longo do mar. do uma parto eda oulra. e «Testa maneira se remedeam. com flexas fundidas. quando se dizem sons louvores. Quando esto genlio aiuh algum caminho. em comparação dó muilo que houve. por estarem espalhados por toda a terra. residiam os Tupinambás no sertão. do que são os Tupinambás. D esto genlio Tupinaês ha já muito pouco. Costumam estes indios nos seus cântaros tangerem com um canudo de uma cana de seis a sele palmos de comprido. e os quo servem «Io macho so prezam muito d'isso. tora os «piaes foram sempre apertando alé que os fizeram ir visinhar com os Tapuias. Convém arrumarmos aqui os Amoipiras. fazem acender esfregando muilo cora as mãos alé que levanto labareda. e o tratara. Em que te declara quem tão o» A mo ip ir as e onde vivem. qne ficam em meio para uma das bandas. por grosso que seja. «puiido tom necessidade de fogo. e tôa tanto tomo o> seus tambores. do que lambem so aproveitara os Tupinambás. esfregando ura páo rijo que pura isso ira/mu . de quem temos muilo que dizer ao diante.ROTRIRO U0 URAZIL. e por estarem na fronteira dos Tupinaês. o qual se consumiu com fomes e guerras que tiveram com seus visinhos.

S/l (3 GABRIEL SOARES DL SOUZA. mais de cem leguas. Tapuias que tinham por visinhos. que atravessam o rio emalraadias. onde agora vivera: e ficam-lhe em fronteria d'est'outra parte do rio. que. e assentaram ali sua vivenda. deram-lhe nas costas e apertaram com elles rijamente. de um lado os Tapuias. . mas são mais atrafeoados e de nenhuma fc. dando grandes assaltos nos contrários. e a differença que tem é ora alguns nomes próprios . e vendo-se tão apertados de seus contrários. como já fita dito . «|ue foram visinhar com o rio de S* Francisco. e do outro os Tupinaês. E n'este tempo outros Tupinambás fizeram despejar aos Tupinaês de junto do mar da Bahia. nem verdade. afastando-se dos Tupinambás. e lem os mesmos costumes e gentilidade . CAPITULO CLXXXI. quo os lançaram fora da ribeira do mar. chamando-se Amoipiras> por o seu principal se chamar Amoipira: onde esta gente multiplicou de maneira que tem senhoreado ao longo d'oste rio de S. pelo que não poderam tornar para o mar por terem diante os Tupinaês. o que lambem fizeram da sua parte os Tapuias fazendo-lhe crua guerra. que tomaram os caminhos áquelles «jue iam seguindo os Tapuias. que se fazem cruel guerra uns aos outros. a que o gentio chama o Pará. a quora foram perseguindo por espaço de anuos tão rijamente que entraram tanto pela terra dentro. os quaes os metteram tanto pela terra dentro. passando com embarcações ao seu modo á outra banda. os Amoipiras aos Tapuias. que fazem da casta de arvores grandes. quo no mais ontoiidein-se muito bem. ao que os Tupinambás não podiam resistir. assentaram de se passarem da outra banda do rio de S. cujo feítio fica atraz declarado. Francisco. Francisco. e souberam desfoutrosTupinambás que seguiram os Tapuias. Que trata da vida e costumes dos Amoipiras. onde se contentaram da lerra . corao se sentiram desaprcssados dos Tupinambás. Tem os Amoipiras a mesma linguagem dos Tupinambás.

pintam-se de genipapo.poi nao lerem rommcrcio rom «is Portugueses.O t CLXXXII. e seus Pelo sertão da Bahia além do rio de S. . P*sca ««le genlio cora uns espinhostortosque lhe sorvera «fo «•mu**. E para plantarem na terra a sua mandioca e legumes. sem perdoarem as vidas . vive uma certa nação de gente . antes quo communirasso cora genle branca.) vive estão mui faltos «foferramentas. <R quaes toam muito hera. dos quaes fica dito largamente no seu titulo. Estes Amoipiras tem por vizinhos no sertão detraz de si outro genlio. Francisco. ou da cannada perna das alimarias que matam. e as mulheres trazem os eabellos compridos como nsTupin. que Ibes servem do enxadas. cavam nYlla com uns páos tostados agudos. e usara na guerratamboresque fazem de um só páo que cavara por dentre com fogo tanto ato que ficam mui delgados. a qual lavram e engastam em um pão. «pie para isso fozem . Os quaes Amoipiras trazem o cabello da cabeça ro|«ado e aparado ao longo d s orelhas. guando se cativam. CAPITll. e se i na Li m e tomem uns aos outros com muito crueldade. |iara o «juo são mui certeiros. na mesma guerra usam de troinbetas que fazem de uns búzios grandes furados.«» aperta«los «Ia mtessida.ROTEIRO n o URWII. cora quem tem guerra ordinariamente. partindo toei os Amoipiras da outra banda do sertão. do quetamborase aproveitava antigamente lodo o oulro gentio.Ie «-orlam as arvores cora umas ferramentas de pedra . e enfeitam-se como elles. e pira matarem muita taça. as>im na guerra tomo na paz.iralias. cora que matam muito peixe.V|7 Na terra onde esto gemi. Que trata brevemente da vivenda dos Vbirajaras costumes. com o que ainda quo com muito trabalho roçam o mato para fizerem suas roças. Em tudo o mais seguem os cosiuraes dos Tupinambás. e á flexa . Trajem os Amoipiras <K beiços furados o pedras n'ollos corao «s Tupinambás. a que chamam llhirajaras.

e se "overnam e regem sem maridos. os quaes com estas armas se defendem de seus contrários tão valorosamente como seus visinhos com arcos e flexas. que quer di/er senhores «los páos. em que lhe facilmante cae. como fica dito dos Amoipiras . com os quaes atiram a seus contrários como com punhaes. e trazem os cabellos muito compridos. é necessário que não fique por . e não consentem em seu corpo nenhuns cabellos que. A peleja dos Ubirajaras é a mais notável do mundo. e comem-se uns aos outros sem nenhuma piedade.3^8 GABRIEL SOARES DE SOUZA. ecom estas armas são muito temidos dos Amoipiras. como fica dito. Como a tenção com que nos oecupamos n'estas lembranças foi para mostrar bem o muito que ha que dizer da Bahia de Todos os Santos. nem da vida e costumes d'estas mulheres. assim os machos coinoas fêmeas. não arranquem. em lhes nascendo . os quaes se não entendem na linguagem com outra nenhuma nação do gentio: lem contínua guerra com os Amoipiras. e quando vão á guerra. nem tem noticia «1'ella. se lhe espera o tiro . porque a fazem com uns páos tostados muilo agudos. pouco mais ou menos cada um. que pelejam com arco e flexa. cabeça do Estado do Brazil. e matam muita caça com certas armadilhas que fazem. e cativam-se. dos quaes não podemos alcançar mais informações. barbara. * Começa a vida e costumes dos Tapuias. como se diz das Amazonas. e com outras armadilhas que fazem com hervas. e é gente muito barbara. e pescam nos rios com os mesmos espinhos. matam-se. Fazem estes Ubirajaras suas lavouras . com o que tem "rande chegada. não lhe escapa. da estatura e côr do outro gentio. que. que dizem ter uma só teta . Estes Ubirajaras não viram nunca gente branca . de comprimento de três palmos. leva cada um seu feixe d'estes páos com que peleja. e d'esta maneira matam também a caça. e são tão certos com elles que não erram tiro . e pela outra com umas mulheres. com os quaes tem sempre guerra por uma banda. e são agudos de ambas as pontas. a que chamam Ubirajaras.

os contrários tiveram forcas para poucoa pouco os irem lançando da ribeira do mar de «pie elles eram possuidores. para não poderem resistir a seus contrários cora as forças necessárias. desde o rio da Prato alé o das Amazonas. e da parte •!•• rio «Ias Amazonas senhoream para contra o sul mais de duzentos leguas. corao se vê do que eslá hoje povoado e seiihortado d'elles . 3/|W declarara vida e costumes dos Tapuias. «pie o esforço dos poucos nao pode resistir ao poder dos muitos. CAPITULO CLWXIII. kit . nâ"o se acmoinando uns tora os oulros. de qo<. não entendendo o que esta tao entendido. antes tem cada dia difforen<. por onde so diminuem em poder. do «piai ella foi toda senhoreada desde a boca do rio <la Prata alé a do rio das Amazonas. coraeçaiKlo no capitulo que so segue. primeiro* possuidores d'e«ta provincia da Bahia . e de algumas nações «pie vivera polo sertão.i tratamos de iodas as castas do gentio que vivia ao largo «fo m «r da cosia dn Brazil. <• deixamos de faltar dos Tapuias. e toiia a mais costa senhorearam nos tempos atra/.tivemos noticia. por se fiarem muito era seu esforço e animo. e se inalara muitas vezes era campo . por onde so não favoreceram. Que trata da terra que os Tapuias possuíram r possuem hoje em dia. que é o mais antigo genlio que vive iiiwta cosia .as « • brigas. «le «piem começamos a dizer o «pie se |MHI<* alcançar «Folies.vjor. donde por espaço «Io tempo foram lançados de seu-) contrários. «. onde alégora vivem divididos era bandos. porque da banda do rio da Prata senhoream ao luugo da costa mais de cento e cincoenta leguas.ROTKIRO DO URA III. Atraz fita dito corao foram lançados os Tapuias da Bahia e seu limite pelos Tupinaês. « pelo sertão vera povoando por uma corda de terra por cima de todas as nações do gentio nomeadas. . por se elles dividirem e iiiiraizarem uns cora os outros. os quaes se foram recolhendo para o sertão por espaço de tempo.

os quaes são homens robustos e bem acondicionados. se se elles recolhem em alguma cerca. a quem o outro gentio folga muilo de ouvir cantar. costumes e linguagem. que lhe as mulheres plantam. mas pouco amigos de abalroar cercas.350 GABRIEL SOARRS DE SOUZA. Como os Tapuias são tantos e estão tão divididos em bandos. como costumam os Tupinambás. antes se recolhem logo para suas casas.mulheres os cabellos compridos atados detraz. que são os Maracás. e não trabalham nas roças. para so poder dizer delles muito. as quaes tem em aldêas ordenadas. Que trata de quem são os Tapuias. assim para a ca«. e grangeam emterrassem mato grande. trazem o cabello crescido até ás orelhas e copado. Estes Tapuias não comem carne humana. vida e costumes. . o qual gentio folia sempre de papo tremendo com a falia. e grandes homensde pelejarem em campo descoberto. mas pois ao presente não é possível. nem plantam mandioca. por ser tudo garganteado. sobre quem se fundaram todas estas informações que neste caderno estão relatadas: começando logo que os mais chagados Tapuias aos povoadores da Bahia são uns que se chamam de alcunha os Maracás. mas servem-se delles como de seus escravos. nem eomem senão legumes. trataremos de dizer dos que vizinham com a Bahia. era necessário de propósito e de vagar tomar grandes informações de suas divisões. São estes Tapuias grandes flexeiros. esãomuito ligeiros e grandes corredores. não se detém muito em os cercar. e quando dão em seus contrários.a como para seus contrários. e se tomam na guerra alguns contrários. e não se entende com outro nenhum genlio que não seja Tapuia. CAPITULO CLXXX1V. São estes Tapuias muito folgazões. e as . mas a seu modo . Quando estes Tapuias cantam. não os matam. não pronunciam nada. e por taes os vendem agora aos Portuguezes que com elles tratam e communicam. são entoados e prezam-se de grandes músicos. como os Tupinambás.

ROTEIRO DO BRAZIL 361 a que pfteui o fogo para fazerem suas sementeiras: os homens orcupam-se em caçar. e está povoado d"este gentio por esto banda cincoenta ou sessenta leguas de torra. e esperam que se saiam para fora. entre os quaes ha umas serras. que vivera da banda do poente: e vigiam-se ordinariamente de uns e dos outros. e se seus contrários. pela banda do rio de Seregipe. . pouco mais ou menos. doa Tupinambás que vivem por aquelbs partes. e de parte de seus costumes. cantam e bailam de uma mesma feição. de que elles fazem as que trazem metidas nos beiços por bizarria. Em que se declara o sitio em que vivem outros Tapuias. andam nus como o mais gentio. ou ae lhe passa a ira e acceilam-mis por escravos. e para o sertão mais de duzentas leguas.lhe da briga. a que são muito afeiçoados. Costuma este genlio não matar a ninguém dentro em suas casas. e trazem os beiços furados e pedras nelles. nem fazer-lbe nenhum aggraw. por mais irados que estejam. fugindo. o tem os mesmos costumes no proceder da sua vida e genlilidades. donde porforçade armas foram lançados: os quaes sio homens de grandes forças. ao que sio mais afeiçoados que a mata-los. estão umas serras que se estendera por uma banda e para a outra . para a banda do poente oitenta leguas do mar. Pelo sertão da mesma Bahia. CAPITCLO CLXXXV. como muito pouca differenta. como os Tupiiuuubus. por lerem guerra com elles ao tempo qie viviam justo do mar. mas todos faliam. tudo povoado de Tapuias contrários d'estes de que até agora tratamos que so dizem os Maracás. Estos Tapuias sio conquistados. se colhem a ellas. não os hao de matar dentro. onde ha muito salitre e pedras verdes. como Ibe fazem a elles. São os Tapuias contrários de todas as oulras nações do gentio. e por outra parto os vem saltoar os Tupinaês. e não consentem em si mais cabellos que os da cabeça.

que lhe ficam a um lado muilo vizinhos. contra quem pelejam com arcos e flexas. o que sabem tão bem manejar como todo o genlio do Brazil. e cantam pela maneira dos primeiros.35*2 GARRIEL SOARES DE SOUZA. São estes Tapuias grandes homens de fazer guerra a seus contrários. e por outra parte a tem com os Amoipiras. Em que se declaram alguns costumes dos Tapuias d'estas parles. em as quaes dormem em redes. Não costuma este gentio plantar mandioca. trazem os beiços debaixo furados. Esles Tapuias «jue vivem nesta comarca são muilo músicos. . que tem os cadilhos tão compridos que bastam para lhe cobrirem suas vergonhas. muito fortes. e mais fieis que os Tupinaês. e trazem cingidas de redor de si umas franjas de fio de algodão. e ás vezes os trazem entrançados ou emnastrados com fitas de fio de algodão. Francisco. Vivem estes Tapuias em suas aldêas em casas bem tapadas pelas paredes. e cavam a terra com páos agudos. com fogo áilharga . que são como passamanes. e são mais esforçados que conquistadores. e armadas de páo a pique a seu modo. dos quaes se vigiam de continuo. e ás arvores grandes põem fogo ao pé d'onde está lavrando até que as derruba . como os Tupinambás. CAPITULO CLXXXVI. e o mais do tempo se mantém com frutas silvestres e com caça. porque não tem ferramentas com que roçar o mato e cavar a terra. que lhe ficam em fronteira da outra banda do rio de S. e as fêmeas andam tosquiadas. por amor dos contrários os não entrarem e tomarem de súbito . Costume d'e?te genlio Tapuia é trazerem os machos os cabellos da cabeça tão compridos que lhe dão pela cinta. o que não trazem nenhumas mulheres do gentio d'eslas J 'o parles. Estes Tapuias lem guerra por uma banda com os Tupinaês. para plantarem suas sementeiras. e matam-se uns aos oulros cruelmente. nem fazer lavouras senão de milho e outros legumes. e por falta d'ella quebram o maio pequeno ás mãos. a que são muito afeiçoados. mas muito largas. como faz todo o gentio d'esta comarca.

D'aqui por diante se declara o grande commodo que a Bolmi tem para se fortificar. Náo parece despro|nisiui arrumar á sombra do qoe esta dito da Bahia de Todos os SIIIII«JS< OS grandes apparelhos « tommodos ipie • tem para se forlific. que são mais agrestes e náo vivem era casas. roçando-as com outras pedras tanto ató quo as H|>eifeiçoam a sua vontade. e põem-na ao fogo ondo a cozem e ferve tanto alé que su coalha . onde se ajutiia . e fazem sua vitenda era furnas ondo so recolhem. Costumara estes Tapuias. por onde se. paru fazerem sal. os quaes tora os mesmos costumes que os de cima. e ha enlre elles differontes castas. mas mui compridos e brandos. donde o peiva fogo e vem-se decemlo ale dar nella. mas para matarem peixe. e tapara no de uma parle a outra . com mui differentes costumes. queimarem uma serra do salilre. a qual fita fogo salgada . e lotem-nos tomo rede. Francisco. mas o salilre torna fogo acrescer na serra para cima.ll. fazem guerra muitas vezes e se matam sem nenhuma piedade. mas não é tão alvo corao o quo náo foi queimado.ROTKIRO DO KRAT. e fica feito o sal em um pão . o tomam as mãos o peixe pequeno. que estáo com elles desavindos. colhera uns ramos «le umas hervas tomo vides. e tem uma d'estas serras mui áspera omle fazem sua habitação. Não pescaiu estes indios nos rios a linha. e a terra queimada. Corre esta corda dos Tapuias ioda «sla lerra do Brazil pelas cabeceiras do outro genlio . e o grande matara ás «levadas sem errarem um. e com esle sal temperara seus manjares. porque não lera anzoes. Enlre estos Tapuias lia outros mais chegados ao rio de S. r« mo convém ao serviço de El-ltei N« s o Seii* 45 . « uns lem • niáo n'csta rede e outros batera a água era cima. c sáo contrários iras dos oulros. e os metaes que se nella dão. que lavram de vagar. enlre os «piaes ha grandes discórdias. r . d'on«fo tomam aquella cinza. os quaes deitara no rio. 353 e nelles umas pedras verdes roucas e compridas. lançam-na na água do rio cm vasilhas. que esta enlre elles.

CAPITULO CLXXXVII. c pelos limites d'esta cidade ha muita pedra molar. parase poder resistira quem a quizer offender. a qual pedra é alva e dura . e muitas campas e outras obras proveitosas. de que se fazem obras mui primas e formosas. o que começamos a declarar pelo capitulo que se segue. com os quaes se liam os edifícios que se na terra fazem.a eidade do Salvador. mas depois se descobriu oulra pedreira melhor. portaes e cunhaes e outras obras de meio relevo. com que se faz boa obra: e ao longo do mar. se aproveitaram os edificadores c povoadores d'ella de uma pedra cinzenta boa de lavrar. e grande quantidade para se poder fazer grandes muros. meia legua da cidade. Em que se declara a pedra que tem a Bahia para se poder fortificar. com a qual se fazem paredes mui bem liadas. a qual éde pedreiras boas de quebrar. de que se fazem cunhaes em obra de alvenaria . fortalezas e outros edifícios. e parece a quem islo tem attentado que esta . Quando se edificou.354 CABSIEL SOARES DE S«)U/. mas trabalhosa de lavrar que gasta as ferramentas muito. por que de redor da cidade ha muita pedra preta.que está sete leguas da cidade na mesma Bahia . da qual fizeram as columnas da Sé. nhore ao bem da terra. que se arranca dos arrecifes eme se cobrem com a preiamar da maré de águas vivas ao longo do mar. e se affeiçoam os eunhaes d'estas lages com pouco trabalho . que iam buscar por mar ao porto de Itapitanga. como a de alvenaria de Lisboa. que o tempo nunca gasta . assim ao longo do mar.A. A primeira cousa qne convém para se fortificar a Bahia é que tem pedra de alvenaria e cantaria. e campas de sepulturas mui grandes. de que ha em todo o seu circuito muita commodidade. ha muitas lagoas de pedra molle como lufo. por estarem eortados pela natureza conforme o para que são necessários. e em muitos logares mais afastados. como pela terra .

a qual quando a lavrara faz sempre uma grá nreonta. porque so achara por estas praias limos enfarinhados do aréa . e esl'outra ó muilo branca. porque gasta pouca lenha e cora lhe fazerem fogo <]ue dure dez. o uns seixinhosde aréa. a qual e alvissima. Esta pedra se enfórna em fornos do arcos. o que é fácil de crer. por serem por dentro organisadas com alfobas. depois de lavrada. o alguns paos de ramos do arvores lambem cobertos desta massa láo dura corao so foram d«i pedra. mas acham-se soltas em muita quantidade. o fazem-se «Folia guarniçôes de estoque mui alvas e primas. c náo nascem em pedreiras. é tudo rochedo do pedra preta. as quaes são muito crespas e artificiosas pira oulras curiosidades.ROTülRO DO BRAZIL >lu 6 pedra se foz da aréa congelada. porque so faz de umas pedras quo so criam no mar nesta sitio d'esta ilha c era oulras partia. porque ao longo dos mesmo» arrecifes. e ao caldear fervo cm pulos como a cal do pedra do Lisboa. doze horas. como se faz. a qual cal é mui estranha. que so vendo a cruzado o moio . Em que se declara o commodo que lem a Bahia para se poder fazer muita cal. ondo se faz muita . de quo ha tanta quantidade que so fazd'ella muita cal. Quanlo mais que. polo quo so tora que esta pedra so formou «fo aréa e que se congelou cora a frialdado da água do mar. que está congelada e dura como pedra. corao a do Alcântara. e a cal <|ue se faz das ostras o mais fácil de fazer que «lepolras. bem chegado a elles. com sua abobada fechada por cima da mesma pedra. Estas pedras são sobre o leve . na ilha de Taparica que esta defronte da cidade esláo três fornos do cal. CAPITILO CLXXXVIII. o é láo forte que se quer caldcada. fita muito bem cozida. . A mor |iarto da tal que se faz na Bahia é das cascas das ostras. quando não houvera esto remédio tao fácil . o achain-so muitas vezes no âmago destas pedras cascas do ostras o do oulro marisco . como os em que cozem a louça. mas não é muilo macia . e lisa lambera.

para o que tem tantas e tão maravilhosas e formosas madeiras. Quanto mais que. quando não houvera remédio tão fácil para se fazer infinidade de cal como o que está dito . muito estremados. como ja fica dito atraz . quanto mais cal. e se se não vale d'ella para fazerem cal é porque acham est'outro remédio muito perto e muito fácil. de que tambom se faz muito alva e boa para todas as obras. de que ha tantos . com pouco trabalho se podia fazer muita cal. se nella fazerem grandes armadas. como em seu logar fica dito. Em que se declara os grandes apparelhos que ha na Bahia para. com umas veias vermelhas. cuja cal é muito alva. para quem não faltarão remos.356 GABRIEL SOARES DE SOUZA. entenda-se que lhe não faltam para se poder fazer grandes armadas com que se possa defender e offender a quem contra o sabor de S. em os quaes se coze tombem muito bpa louca e formas que se (az do mesmo barro : CAPITULO CLXXXIX. e coze muilo bem. porque na Bahia. a qual pedra é muito dura . e caldeam-na da mesma maneira. porque ha muitas castas de madeiras. como a de Alcântara. no rio de Jaguaripe. Magestade se quizer apoderar d'el!a . e para as mesmas obras e edifícios que forem necessários. e coze em uma noite e um dia. e muito tijolo de toda a sorte. mas não leva tanta arêa como a cal que se faz das ostras e de outro qualquer marisco. pois para se fazer muito taboado para estas embarcações sobeja commodo para isso. e o fogo metlese-lhe por baixo dos arcos com lenha grossa. e era outras partes ha muita pedra lioz. que se serram muito bem. e lia a obra que se d'ella faz como a de Portugal. para o que se tem já experimentado e coze muito bem. para se fazerem muitas náos. do «|ue ha em cada engenho um forno da tijollo c telha. mas sobro os arcos está o forno todo cheio de pedra . tem a Bahia muilo barro de que se faz muita e boa telha . de que se fará toda a obra prima. galeões e galés. Pois sobejam apparelhos á Bahia para se poder fortificar. com que se elles possam remar. para as quaes o que falta são serradores.

porque ha nos matos d'esta provincia infinidade de arvores que dão envira. com seus mestres obreiros. ao quo respondo quo na terra ha muilo ferro de veas para se poder lavrar. digo que em cada engenho ha ura ferreiro com sua tenda. Magestade trabalharem todos o fazer taboado . quo convindo ao serviço de S. Bem sei que mo estão já perguntando pela pregadura para estas armadas. O que resta agora do madeira para fazerem estas náos o galés são mastros e vergas: disto ha mais apparelho na Bahia quo nas províncias de Flandes. o que tudo se achará á borda da água. pira ajudarem a fazer as embarcações . CAPITULO CXC.ROTEIRO DO BRAZIL 357 na Bahia escravos de diversas pessoas. o ajuntar-se-hão mais quarenta carpinteiros da ribeira. mas se a necessidade for muita . quando falíamos da propriedade d'ellas. e com os mais que tem tenda na cidade e em outras partes se pode juntar cincoenta tendas de ferreiros. caravellões. os quaes se oecupim cm fazer navios que na terra fazem . Portuguezes o místicos. e duzonto» ^scravos carpinteiros de machado. c muitas vergas. como temos dite. tantos ferragens dos engenhos que so poderão juntar mais de com mil quintaes do ferro . ajuntar-so-hão polo menos quatro centos serradores escravos muito destros. e. porque ha muitos mastros inteiros para se emmastrearom náos do toda a sorte . ha tantas ferramentas na terra de trabalho . o que tudo é mais forte que os de pinho e de mais dura (mas são mais pesados). mas que cm quanto se não lavra será necessário ir de outra parte . Em que se apontam os mais apparelhos que ha para se fazerem estas armadas. galeões e galés que se podem fazer n'clla . . barcas do engenho c barcos de toda a sorte. como está pisada é muito branda . Parecerá impossível achar-se na Bahia apparelho de estopa para se calafotarem as náos. para o que tem facillissimo remédio. e por que tardo já em lhe dar ferreiro. a qual envira lhe sahe da casca quo «tão grossa como um dedo.

na Bahia se foz muita de tubarões. de que se fará tanta graxa que não haja embarcações que a possam trazer á Hespanha. do que ha muita quantidade na terra. é tudo povoado de umas arvores. em terras baixas de arêa. quanto mais que se á Bahia forem Biscainhos ou outros homens que saibam armar ás baleas. a qualé tão pegajosa. afirmo-lhe que ha estantes na Bahia mais de duas dúzias . o que é bastante para se adubar o breu para muitas náos. e porque se não podem brear as náos sem se misturar com a resina graxa. e achar-se-hão nos navios. e as costuras que se calafetam com a envira ficam muito mais fixas que as que se calafetam com estopa. com que se alumiam os engenhos e se bream os barcos que ha na terra. porque ao longo do mar. onde residem seis mezes do anno e mais. Breu para se brearem estas embarcações não temos na terra. grossa como termentina de Beta. de que ha tanta quantidade como já dissemos atraz . a qual para debaixo da água é muito melhor que estopa. em nenhuma parte entram tantas como nella. mas ê por falta de se não dar remédio a isto. dez ou doze. que senão tira das mãos senão com azeite quente. d'esta envira se calafetam as náos que se fazem no Brazil. a qual. que são calafates das mesmas náos. por que na*o apodrece tanto.358 GARRIEL SOARES DE SOUZA. e á sombra de quem. etodasas embarcações. e ha muitos escravos também na terra que são calafates por si sós. E se cuidar quem ler esles apontamentos que não haverá officiaes que calafetem estas embar cações. e incha muito na água. lixa e outros peixes. convém que lhe demos os aparelhos com que . o sabem bem fazer. que sempre estão no porto. CAPITULO CXCI. será muito boa para brearem com ella os navios. Em que se apontam os mais aparelhos que faltam para as embarcações. Pois que temos aparelhos para lançar as embarcações que se podem fazer na Bahia ao mar. e far-se-ha tanta quantidade que poderão carregar náos d'esta resina . que se chamam camaçarl. que entre a casca e o âmago lançam infinidade de resina branca. se houver quem lbe saiba fazer algum cozimento.

de que ha muita quantidade pelos matos para se fazerem muitas quando cumprir. que é muito bom do lavrar. as quaes são muilo boas. c nunca feuAe tomo esta secco. de que se farto de toda a sorte. Pelo que nSo falta mais agora para estas armadas que as velas. se a forem commeter.". do qual podem fazer grandes teaes de panno grosso. e muita picaria e armai de algodão. Pois temos dito o aparelho que a Bahia tem para se fortificar e defender de corsários. e ha na terra envira cm abastança para se poder fazer muita quantidade de ensarcea eamarras: o para amarras tem a terra outro remédio das barbas de umas palmeiras brabas que lhes nascem ao pé. de que so dá muito na terra. e é mais durável e mais rija quo a de esparlo. o outra muita gente branca de trabalho. o láo boa como a do Cairo. que se oecupam em tecer teaes de algodão. pois era todos os annos se fazem grandes carregações «fo algodão. de comprimento do quinze e vinte palmos. de uiuiia dura e muito leves. de que andam velejados os navios e barcos da tosta. aberta em febres á mão. escravos de Guiné. Em que se aponta o aparelho que a Bahia tem para se fazer pólvora. e dentro na Bahia trazem muitos barcos as velas de panno de algodão que se fia na terra. porque se faz «Ia mesma em ira cora que calafetam.r)Ç) estas embarcações possam navegar: o demos-lha primeiro as bombas. antes de se amassar. .quando as não houver de lonas e panuo de treu. que é muito bom para velas. Ensarcea para as embarcações tem a Bahia em muita abaslança. CAPITULO CXCII. pira o que ha muitos tecedeiras. que se fazem na torra muito lwas «fo «luas peças. e d'esta mesma enviia se fazem amarras muito fortes e grossas e de muita dura . Pois os poleames se fazem do uma arvore que chamara genipapo . saibamos so tem alguns . para o que ha facilissimoremédio. porque lera estrumadas madeiras para ellas. de que se fazem amarras muito fortes e que nunca apodrecem. a qual se fia táo bem como o linho'. o para navios |ie*|uenos ha umas arvore* que a natureza furou por dentro. «pio HTVCIU do bombas nas navios da costa.ROTEIRO DO HRAZII. quo se gastam em vestidos dos indios.

nem flexa nenhuma. e das arvores de que se estas hastes tiram. do que ha tanta quantidade nesta provincia. com o que os escravos de Guiné. Fazem também na Bahia pavezes e rodellas de copaiba. porque tem muitas serras que não tem outra cousa senão salitre. d'onde trazem este salitre com lanta despeza e trabalho. que é a pólvora. E chegando ao principal. as quaes rodellas são tão boas como as do adargoeiro. e muito boas adargas. e outros muitos homens brabos naturaes da terra sabem pelejar. sem esperar que lhe venha de Allemanha. do que se farão infinidade d'ellas muito grandes e boas. com que se forneçam todos os estados de que S. e davantagem por serem mais leves e estopentas. as quaes são mais pesadas que as de feia* mas são muito mais fortes o formosas. porque a flexada que dá nestas armas resvala por ellas e faz damno aos companheiros. geralmente por todas as casas dos moradores* as quaes não passa besta. Dão-se na Bahia muitas hastes de lanças do comprimento que quizerem. Magestade é rei e senhor. ha muitas de que se pôde fazer muita picaria* e infinidade de dardos de arremeço. e deste estofado de algodão armam os Portuguezes os corpost e fazem do mesmo estofado celladas para a cabeça.360 CABRIEL SOARES DR SOUZA. nem coura<. tãofinoque assim pega o fogod'elle como de pólvora muirefinada. . o qual está em pedra alvissima sobre a terra. mamelucos. do que se os Portuguezes querem antes armar que ds coçoletes.as. aparelhos naturaes da terra com que possam offender seus inimigos. nem de oulras partes. mas digamos das maravilhosas armas de algodão que se fazem na Bahia. que os Tupinambás sabem muito bem fazer. pelo que se pôde fazer na Bahia tanta quantidade d'ella que se possa d'ella trazer tanta para Hespanha. de que se deve de fazer muita conta. nãofoliandonos arcos e flexas do genlio. de quefizemosmenção quando falíamos da natureza d'esta arvore. em todo o mundo se não sabe que haja tão bom aparelho para ella como na Bahia.

não serve de nada dizer-se . A. o qual esta em pedia sem oulra nenhuma mistura «le terra nem pedra .» III 3til CAPITll. Também na Bahia. aço e cobre que tem a llilua Ifora por culpa de quem a lera não ha na Bahia muitos engenhos de forro. os quaes trouxeram mostras d'este cobre em pedaços.R0TF.IR0 DO 1! 11. que se não foram tantas as pessoas que viram esla serra se não podia crer senão que o derreteram no caminho de algum pedaço de caldeira que levavam. Em que se declara o ferro. pois a terra tem tantas e 13o capazes para tudo. do que lia rauita quantidade que esta perdido sem haver quem ordene de o aproveitar. c outros homens que vinham do resgate. ou ao menos que andou fogo por esta serra. crespo que não parece senão quo foi já fundido. e o porque se não fez. paia > o que Luiz do Brito levou aparelhos para fa/er ura engenho «le ferro por couta de S. que está descoberto sobre a terra era [ledatos.-. e d'esta pedra do aço so servem os índios [«ara amolarem as suas ferramentas tora ella á mão.s sobre a terra de mais fino ato que o d. e officiaes d'eslo mister. feito era concav-idades. cora que se fez este lavor no cobre.-scobert. mas não se deixou de fazer |x»r falia «le ribeiras de água. E cincoenta ou sessenta leguas pela terra donlro lera a Bahia uma serra muito grande escalvada que não tem outra cousa senão cobre. pois era qualquer parte onde se o< engenhos de ferro assentarem ha disto muita abundância. . «Io que ha tanta quantidade que senão acabara nunca. nem por falta de lenha e carvão.O CXCIII. «' não lem que fazer mais que lavrar-se era vergas para se poder fazer obra cora elle. Milão. ha algumas minas d. E nesta serra estiveram por vezes alguns indios Tupinambás o muitos mamelucos. trinta leguas pela terra dentro. pois o ella esta mostrando cora « dedo era tantas |>arles. mas iodos afirmaram estar esle cobre daquella maneira descoberto na a-rra.

No mesmo sertão ha muitas pedreiras de pedras verdes coalhadas muito rijas. e podem-se tirar da pedreira pedaços de sele e oito palmos . e entre ellas ha algumas que tem umas veias aleonadas que lhe dão muita graça. E não ha duvida senão que entrando bem pelo sertão d'esta terra ha serras de cristal finissimo. que se podem tirar pedaços inteiros de dez. as quaes se acham muito grandes. por terem a còr muito formosa . doze palmos de comprido. e fazem-nas muito roliças e de grande lustro. e afirmaram alguns Portuguezes que as viram que parecem de longe as serras de Hespanha quando estão cobertas do neve. Em muitas outras partes da Bahia. que tem muita formosura e resplandor. as quaes lavram como as de cima. Em que se trata das pedras verdes e azues que se acham no sertão da Bahia. do que se podem lavrar peças muito ricas e para se estimarem enlre príncipes e grandes senhores. se acham pedaços de finissimo cristal e de mistura algumas pontas oitavadas como diamante. do qual crislal pôde vir á Hespanha muita quantidade para poderem fazer d'elle obras mui notáveis. Deve-se também notar que se acham também no sertão da Bahia umas pedras azues escuras muito duras e de grande fineza . e de grande largura efornimento. de que os indios fazem pedras que mettem nos beiços. roçando-as com outras pedras. de que o gentio também faz pedras para trazer nos beiços roliças e compridas.362 GABRIEL SOARES DE SOUZA. os qoacs e muitos mamelucos e indios que viram estas serras dizem que está tão hem criado e formoso este cristal em grandeza . CAPITULO CXCIV. . e estas pedras tem grande virtude contra a dòr de eólica. lavradas pela natureza. das quaes se podem fazei* peças de muita estima e grande valor. com o que ficam muito lustrosas. nos cavoucos que fazem as invernadas na terra. que se enxerga o resplandor d'ellas de muilo longe.

i Bahia se acham esmeraldas mui limpas o de honesto tamanho . Em que se dclara o nascimento das esmeraldas c sttfiru». pequenas e de grande resplandor. mas não as podem lavrar como as pedras ordinárias que trazem nos befeos do que já falíamos.IRO UO RRAZIL. das quaes esmeraldas se servem os indios nos beiços. e os índios quando as achara dentro n'olle. nem chegaram a ellas mais que mamelucos e indios. e tem-se grande prosumpção d'estas pedras poderem ser muilo finas o do muita estima. porque ao pé d'esta serra «Ia banda do nascente se acham muitas esmeraldas dentro no cristal solto onde ellas nascem. que o scram muito as que so buscarem debaixo d'ella. omlc é denotar muito o seu nascimento.o -u V cristal. que é ao pé do uma serra. . as quaes mostrara um roxo côr de purpura muilo fino. trespassam acsmeraldas com seu resplandor da outra banda .ua as pontas da banda de fora que parece que as mclteram á m.Roll-. com o que ellas perdem a core muita parte do sou lustro. arrebenta o cristal. . ás quaes lhe lic.'tlio CAPITULO CXCV. J". porque. « • como ellas crescem muito. de maneira que lhe possam tirar as esmeraldas do dentro. que so contentavam 'le trazerem as que acharam sobre a terra. as quaes nascera dentro era cristal. põem-lhe o fogo pira o fazerem arrebentar. porque a torra despedo de si. e de muito preço. cousa muito para ver. e em uma das parles onde se acham estas esmeraldas. E ao pé da mesma serra da banda do poente so acham outrapedras muito escuras que tombem nascem no cristal. as quaes se não buscaram ale agora por quem lhe fizesse todas as diligencias. Em algumas partos do sertão d. entende-se que assim como estas esmeraldas que se achara sobre a terra são finas.. d'onde trouxeram uns indios amostras. como o cristal é mui transparente . deve do ser escoria das boas que ficam debaixo . E perto d'esta serra está outra de quem o gentio conta que cria umas pedras muito vermelhas.

pois esta terra da Bahia tem folie tanta parte quanto se pôde imaginar. Dos metaes de que o mundo faz mais conta. nem fazer ao caso da tenção d'estas lembranças. Vicente . Em que se declara a muita quantidade de ouro c prata que ha na comarca da Bahia. do que pôde vir á Hespanha cada anno maiores carregações do que nunca vieram das índias oceidentaes. mas um diamante de um anel entrava por ellas . «pie dá tamanho estouro como uma espingarda . «. cujo fundamento é inoslrar as grandes qualidades do estado do Brazil . CAPITULO CXCVI.os e Tapuias e os indios que cora elles tratara . que debaixo da terra se cria uma pedra do tamanho e redondeza de uma bola. Afirmam os índios Tupinambás. Magestade for d'isso servido .tavadas e lavradas mui sutilmente em ponta como diamante. pois tem tanto commodo para isso como no que toca á Bahia está declarado '•> o que se devia pôr em effeilo com muita instância. das quaes trouxeram do sertão amostras 'folias ao governador Luiz de Brito. as quaes são de uma banda o. onde toou este estouro . para so haver de fazer muita couta foíle. e que lhe sahem de dentro muitos pontas cristalinas do tamanho de cerejas. onde acham aquella bola arrebentada em quartos como romã. que quando as viu teve pensamento que seriara diamantes. pondo os olhos . se S. o que se pôde fazer sem se melter n'esla empreza muito cabedal de sua fazenda. e a casca da bola era de pedra não muito alva e ruivaça por fora. què os guardamos para o remate e fim d'esta historia. havendo-se de dizer d'elles primeiro. do que não tratamos miudamentèpor não haver para que. a qual arrebenta debaixo da terra. forlificando-lhe os portos principaes. que é o ouro e prata. os Tupinaês . n'este sertão da Bahia e no da capitania de S. e da outra banda onde pegavam da bola tinham uma cabeça tosca. fazemos aqui tão pouca.364 GABRIEL SOARES DE SOUZA. ao que açodem os indios e cavam a lerra. Tarao.

de cuja bondade confiamos. para fazerem suas armadas. com seus escravos. que seja isto. Se Deus o permiltir por nossos peccados. quo Deus deixe crescer em seu santo serviço. como lhe ficarão fazendo se se senhorearem d*esta terra . com que o seu santo nome seja exaltado. adiarão todos os comraodos quo lemos declarado e muita mais para se fortificarem. o que Deus não nermitlirú. donde os moradores so possam defender nem offonder a «piem os quizer entrar. 30S no perigo em quo eslá do cliegar á noticia dos Lulteranos parlo do conteúdo neste tratado. para que Sua Magestade a possa possuir por muitos e felices annos com grandes contentamentos. que deixará estar estes inimigos da nossa santa fé calholica rom a cegueira que até agora tiveram de náo chegar á sua noticia o conteúdo neste tratado. onde com pouca força que levem de gente bem armada se podem senhorear dos portos principaes. barcos. para que lhe náo façam tantas offonsas estes infiéis. carros o tudo o mais necessário. >-jgK< «ai «a» . pois náo tem nenhum modo de fortificaçáo. porque não hão de achar nenhuma resistência n'elles. d'onde podem fazer grandes damnos a seu salvo em todas as terras marítimas da coroa de Portugal e Castella. o que lhe ha do ser forçado fazer para tom isso resgatarem as vidas: e com a força da gente da terra se poderão apoderar e fortificar «Io maneira que náo haja poder humano com que se possam lirar do Brazil estes inimigos. bois. c tora todos os mantimentos que tiverem por suas fazendas. o so irem povoar esta provincia.ROTEIRO DO BRAZIL. porque hão de fazer trabalhar os moradores nas suas fortificações tora as suas pessoas.

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tivemos a fortuna de alcançar nessa parte a coadjuvatáo do nosso amigo e consocio o Sr. Silva. pelos novos estatutos. anda annexa a direcçào dos annaes que ha quatorze annos publica esta corporação. e lhe serve como de prefacio. não podíamos imaginar que tão cedo veríamos em execução a nossa proposta. HSTRODÜCCÍO. e menos podíamos adevinhar que concorreríamos até para a realisar. Ainda assim tal era a difficuldade da empreza que nos escaparam na edição algumas ligeiras irregularidades c imperfeições que se levantarão na folha das erratas. Animados pelo voto da maior parto de nossos consocios. Dr. sem desfeiteal-a com interrupções. ou se advirtirão nestes commentarios que ora redigimos. e seguimos com igual voto sua impressão. e que mencionamos na .BREVES COMMENTARIOS PRECEDENTE OBRA DE GABRIEL SOARES. a dedicatória que precede a presente edição da obra de Gabriel Soares. entregamos ao prelo o manuscripto da obra sobre que tanto tínhamos trabalhado. que se prestou a esse enfadonho trabalho com o amor do estudo que o distingue. sendo. chamados a desempenhar as funcções do cargo do primeiro secretario do nosso Instituto Histórico. ao chegar á corte. com maior extensão do que os que havíamos escriplo em Madrid. Edandonos por incompetentes para a revisão das provas de um livro que quasi sabemos de C«JT. Quando em princípios de Março d'esto anno escrevíamos em Madnd. cargo a que.

insectos. Além de havermos em alguns pontos melhorado nossas opiniões. Âlguem quereria talvez que aproveitássemos para esta edição muitas noticias que. evitaremos aqui de consignar citações que podessem julgar-se nascidas do desejo de ostentar erudição. e esse serviço já está feito. Nem sequer n'ellas ousamos introduzir o titulo . e só conhecidos dos caçadores. roceiros e pescadores. por certo que já hoje nos nao apoquenta.) Não faltará talvez quem censure o não havermos dado melhor methodo ao escripto de Soares acompanhando-o de notas que facilitassem mais a sua leitura. O tempo fará ainda descobrir algumas correcções mais que necessitar esta obra. De propósito porém não quizemos sobrecarregar mais estes commentaríos: alem de que as noticias úteis que excluímos serão unicamente algumas bibliographicas de obras inéditas. em vez do original.° das Memórias Ultramarinas.TRATADO DESCR1PT1VO DO BRAZIL-que adoptámos no rosto para melhor dar a conhecer o conteúdo da obra: pelo contrario conservamos eneclivamente em toda esla o titulo com que . Bepetimos que nao ousamos ingerir nossa mesquinha penna em meio fossas paginas venerandas sobre que já pesam quasi três séculos. Nos presentes commentarios. 3.ptos nos livros. cuja existência queríamos accusar aos litteralos.368 BREVES C0MMENTARI0S dedicatória/ É mais difficl do que parece a empreza de restaurar um códice antigo do qual existem. e principalmente de peixes não descr. já pelo que diz respeito a nomes de locaes que hoje só poderão pelos habitantes d'elles ser bem averiguados. não repetiremos quanto dissemos nas Reflexões criticas escriptas ainda nos bancos das aulas com o tempo que forrávamos depois de estudar a liçSo. ja por alguns nomes de pássaros. Muitos dos nossos actuaes commentos versarão sobre as variantes dostextos. uma infinidade de copias mais ou menos erradas em virtude de leituras erradas feitas por quem não entendia do que lia. por ventura deslocadas. desejo que se existiu em nos alguma vez quando principiantes. se encontram nas Reflexões criticas.e sobre as differenças principaes que houver entre a nossa edição e a da academia das sciencias de Lisboa (Tom.

° p. Cremos com esto índice que será publicado era seguida «lestes ronimentarios.* a obra de Nicoláo Antônio (Tom. os numeraremos succes«ivamente segundo os capítulos. a divisão philosophica da segunda parte. 1. 1710) e 4 . de modo que a numeração do capitulo d'«»sla ultima a que se refere o commentario será conliecida logo que ao numero que tiver esle se abater o mesmo 74.*.*col. O principio desta obra contém na parle histórica muitos erros.° a do addicionador do Americano Pinelo.* parte se terá o do commentario respetivo. 3. assim desde o i . 680 e Tom.*. pertencerão aos t . 76 ." a Bibliotheca Lusitana (Tora. 369 ja ella é conhecida e citada de —ROTEIRO GERAL—que aliás so compete á primeira parte. 1. tom os seus tilufos etc. 40 e Part. E vice-versa: addicionaudo-se 7 i ao numero do capitulo da 2.° pag. só talvez por tradição. O quo sim fizemos a beneficio dos leitores foi redigir um indico lacônico o claro. para não introduzirmos nova numeração e adaptarmos melhor os commentarios á obra a que se destinam. 2.' caps. 2. poderá lambera consultar-se tomo indica destes coiiraTAMos. Assim o Índice da obra. sendo que Cazal.' col. " até o 74 serão elles referentes aos respectivos capítulos da i. o Hespanhol Barcia (Tom. 1. Como sobre cada um dos capítulos do Soarestemosalguma reflexão a fazer. por meio de vinte títulos. ter feito ao livro de Soares um novo sen iço. 321). sem em nadv alterar a ordem e numeração dos capítulos. o s 7 5 . 3. 30. introduzindo nelle.Vc. idade o titulo chamaram a attenção dos litteratos sobre o que haviam consignado . 509 e. quando as Reflexões criticas para accusar delle o autor. 399). tantot annos . \ 2. 29. Tom.A' OBRA DE SOARRS. 2. da 2. Marlius e outros o iam quasi fazendo passar por obra de um tal Francisco da Cunha.* «ap. 127 e 177).° p. 77 «." parle . 1 parte. O publico sabe já como esto livro corria anonymo. 2. 3. ' o próprio autor que consignou o seu nome na sua obra (Parte 1 . 2. nascidos «fo entrever o autor. «Stc.

Pororoca. o nosso A. Parte 2. e por conseguinte depois de Jaques. 27 — e Antônio Pinto Pereira. 5.* Liv. o que deve ter procedido de nota marginal. Dec. 4. João 3. e não aos 24." e Dec. Coelho voltou á Europa fogo depois. O descobrimento do Amazonas porOrellana foi em 1541. e por tanto n'este capitulo. Macaréo é o termo veidadeiramente portuguez para o que nós chamamos. que estavaelladescubertamaisdevínteantios antes. que o copista aproveitasse. que terá a extensão que lhe dá Soares.°. Á vista da posição em que se indicam os baixos. e a expediçSo do Luiz de Mello por 1554. A costa do Brazil foi avistada por Cabral aos 22 de Abril. Pero Lopes passou a primeira vez ao Brazil com seu irmão Martim Affonso em 1530. cumpre advertir que essa parte da costa era então pouco freqüentada pelos nossos. e portanto a ilha em que naufragou Ayres da Cunha deve ser a de Santa Anna.* pag. O texto da Academia de Lisboa nom«5a erradamente Clemente VII como autor da bula em favor dos reis catholicos.» de Maio. Christovam Ja«jues foi mandado por este ullimo rei como capitão mór da costa. 3. não pôde servir para nada de aulhoridade. A ida deste cavalheiro á índia em 1557 e seu naufrágio em 1573— Consulte-se Diogo de Couto. mas não foi o descobridor da Bahia. se refere á bahia deS. a sua vinda de Hespanha em meado de 1545 . e não quando já reinava D. de algum ignorante possuidor de códice. A missa de posse teve lugar no dia 1. como no que diz respeito á doutrina do 1. Acerca das informaçt>es que dá o autor dos terrenos ao norte do Amazonas. Em França lambem o . 7. a respeito de quem se pôde consultar a memória que escrevemos intitulada : Âs primeiras negociações diplomáticas respectivas ao Brazil. como na lingua dos indígenas.* Cap. 7 e 58. e a 3 já a frota ia pelo mar fora.370 BREVES COJIMENTARIOS depois dos suceessos que narra. 5. 2. o que eqüivalia a dizer uns vinte annos mais tarde. 9 Cap.°. deduz-se que o A. Éoplienomeno chamado Hyger e Bore no Severn e Parret. José. 2. quando a do Medo ou do Boqueirão nao tem uma legua.

talvez assim chamado porque so parecia ao de igual nome na Ásia. Este Hio Grande é o actual Parnayba.'171 tom a Gironda cem o nome cremos quo de Mascarei. . vulgarmente chamado Barleus. 14. 6. Os Atlas de La/aro Luiz o Fernam Vaz Dourado e outros amigos manuscriptos trazem aqucllo nome. será o de Aracaty. vem em muitas cartas antigas e modernas. E«te nome de Cabo Corso aqui repetido. 1* p. Pitagoares diz aqui o nosso autor. o que corresponde talvez ao nosso Acajutibiro. Outros escrevem Pitaguàrat. 7. o deu talvez origem a unir-se este focto ao nome «le ftiogo Alvares. 197.) Àcejulibirò. Tabajaras significa os habitantes dasaldcas. 8. 9. queCazal leu (Tom. e que hojelemtó certeza de haver sido escripta pelo próprio governador D. o que se nio dá a respeito do outro do commonto 3. 10 É boje sabido. A expedição leve logar por Outubro de 1535. como esta capitania de Barros era mixta. Veja a nossa disserta«. e era nome que se dava a todos os indígenas que viviam aldeados. . 13.A' OURA DR SOAREI. 11. O Monte de Li. Cristovam de Gouvéa : d'ella temos por autor o P Jerouynw Machado. o Cararaurú. o quo quereria dizer que esses índios se sustentavam de camarões.ão sobre este assumpto que o Instituto so dignou premiar. A respeito da cofoinsação da Parahiba deve consultar-se a obra especial mandada escrever pelo P. chama á Bahia da traição Tebiraeajmtiba. 12. pelos documentos que encontramos na Torre do Tombo. e tambcin nos Jortiaes do Coimbra n. Diogo «fo Menezes. Aramama deve ser o mesmo rio Guiramame mencionado na Razão do Estado do Brazil. Neste capitulo se contem a histeria do castelhano feito botocudo que se embarcou para França. — A « > 1 Amazonas é descripta por Condamino. Baerl. sendo elle donatário ao mesmo tempo que Fernam Alvares d'Andrade e Ayres da Cunha de 225 leguas de costa o não do cincoenta separadas só para elle. obra cilada por Moraes no Diccionario." 30 e 87. Abionabiajá lia de ser a lagoa Aviyajá cilada tia conhecida Jornadu do Maranhão.

O nome era naturalmente de objecto indigeno. em baixamar de águas vivas . As notas que o texto acadêmico admittiu a este capitulo que trata do litoral da actual provincia das Alagòas são evidentemente estranhas a elle. na maior parte d'ella cinco. 16. Este nome denuncia que o sitio era freqüentado por navios européos. e duas ao norte do rio Una. 18. Francisco que se ataviavam com jóias de ouro. pois uma até refere ura facto de 1632. ou rio da Náo. A doação de Duarte Coelho era de 60 leguas de costa e não de 50. 11) disser Percaauri. São curiosas as informações que Soares. 17. só por noções dos indígenas. tenente de artilharia. cabem n'esla enseada cem navios e mais. e uma legua ao sul do rio Formoso. porque tem de fundo braça e meia. está cercada da banda do mar com arrecifes. Lopes (Diário pag. seis braças. A melhor entrada da barra ó pela banda do sul. Trata-se dos habitantes do Peru. P.3/2 RRÊVE9 COMMENTARIOS 15. pela qual entra por sete. e pela banda do norte entra por cinco e quatro : e não se ha de entrar pelo meio. que na palavra—vigia — Ira/. ebem junto a terra quatro : tem bom fundo . com pilotos o anno de 1632. Ponta de Pero Cavarim. — Aqui as daremos correctas para evitar ao leitor o trabalho de as ir ler onda estão : « Weste rio Formoso. e uma barra de sete braças de fundo na boca. A serra á'Aquetiba será talvez a que hojo se diz da Tiuba. por elle acima quatro leguas. < Tamanduaré é uma enseada oito leguas ao sul do cabo do Santo c Agostinho. Rio de Igaruçu ou de Igara-uçú quer dizer rio da Canoa grande. 'a . o significado— manhane. 20. » 19. A correcçso da palavra indígena—manhana—para significar —espia—se collige do üiccionario Brazilico. O porto eslá do banda do sul. 21. nos transmitte dos gentios d'além do rio deS. Pimentel escreveu (p. Foi sondal-o Andrés Marim. desemboca n'ella o rio das Ilhotas ou Mambucaba. a mesma orlhographia seguiu Antônio Mariz Carneiro. 215) Pero Cabarigo. está o lugar ( de Serenhem. e degenerou em outro que se poderia crer de algum piloto europeu. e logo mais dentro seis.

28. corao escreve Soares.* da 2. Tab. Bento. do qual «nisto na bibliolhoca publica do Madrid um exemplar mais aprimorado ainda «Io que o «pio se guarda com tanto recaio no archivo chamado da Torre do Tombo do Lisboa. 35. lia. Pimenlel. Astron. expressão esta mui freqüente no nosso autor pira desiguar o mar. impressa no Tom. Jacoipe se lé nos códices que vimos: tomos porém por melhor orlhographia o escrever Jacuhtpe ou Jacuhype. pedra. inapp do Jos«. puam. onde ainda eslá. 27. 373 22. 29. pelo habito.Teixeira (de 1764). etc. porque o nome quer dizer o e-4oiro ou igarapé do jacú. 21 . a salgada. com o antigo nome. Paganino pag. 217. porém mais conforme á etymologiafora dizer-se eescrever-so Itapuam. O texto da academia náo mencionava o nome Real onde na lin. Boipeba. Parece ter sido o que nosraappasdo Ruysch (1508). 129. a cerca do facto que deu logar a ser Diogo Alvares apellidado do Carainurú. Consulte-se a dissertação que citamos (cora. 3. Perpet. 76). diz o texto acadêmico. 8* se diz:—porque toda esta costa do rio Real. 26. 24. veio de que o tombo o arehivos da coroa portugueza se guardavam antigamente era uma torro do Caslcllo de Lisboa (onde estavam lambem os paços dWlcaçova). Mariz Carneiro Tapoam. Do nome —Hio do Pereira—so faz menção no famoso Atlas de Vaz Dourado . O rio Itapocurú diz-se bojo Tapicurú. de Lázaro Luiz e Vaz Dourado se chamou de S. e por isso os papeis so diziam guardados na Torre de Tombo. O terremoto do 1755 destruiu a tal torre. redonda.A' OBRA DE SOARES. No logar ondo se lê : — Até ondo chega o salgado. com a Corographia Brazilica . Jeronymo. etc. No final d'este capitulo 28 se encontra a noticia quo melhor se desenvolve no capitulo 2. Paganino e as Taboas Perpétuas astronômicas escreveram Tapou. 23.» da 2. p. para «pio de uma voz satisfaçamos cm assumpto sobre quo algumas pessoas nos lem por vozes pedido informações.—Vej. e o archivo passou para as ahobadas do (bojo exlinclo) mosteiro de S. quanto a nós menos correctamente." serie da Revista do Instituto pag. O nome de Torre do Tombo. 9 ) ." pirte (cora. é noras mais correclo do que .

que é ainda hoje nome de famílias castelhanas. um dia os vindouros o farão .— Cremos piamente que sem má intenção arranjou a palavra que d'ahi resultou. p.lendo-se Gaimúres.—Assim melhor se escreverá. 33.° p. p. é o verdadeiro nome do rio que de tantos modos se tem eseripto.Z7U RREVRS COMMENTARIOS o de Boypeda Hsado por Pimentel e seguido nos roteiros inglezes. como o de um pouco de grego e latim. 34. mas o homem chamava-se Romero. Deixámos o nome Romeiro aportuguezado.onomeseapresentava como muitodifferenle dequeé. e nos chamarão a juizo por muitos erros em que houvermos cahido por nossa ignorância . como fogo depois (II. p. 32. e Mamoam no mappa de Balthazar da Silva Lisboa. 101) Patype. 31.—Os antigos pronunciavam ás vezes gaimurés. 22). raça esta que. 78) em João de Tyba ! —Estas o outras hão de chegar a convencer os nossos governos de que o conhecimento de um pouco da lingua indígena 6 para nós pelo menos tão importante para não escrevermos disparates. E senão tratamos de reiraprimir estes livros e de os estudar.—A lingua guarani já está reduzida a escripta . Boi-peba significa cobra achatada. por assim o acharmos nos melhores códices. 2. 30. Patipe quer dizer—esteiro do coqueiro (paty). 71 ) . Confirmamos não haver alteração na palavra Amemoão ao lermos Memoam na viagem de Luiz Thomaz de Navarro (1808). segundo dizíamos nas Reflexões criticas (n. Sernambitibi ou Sernambi-tiba. não só em Simão de Tyba (II. e salva de perecer de todo. e por ventura por um pouco de filaucia em termos por línguas sabias c aristocráticas unicamente o grego . Os Aimorés sào talvez os Puris de hoje.—Cazal (ou o eseripto que o guiou) chegou a adulterar este nome. O amanuense do exemplar que serviu á edição anterior escreveu na ultima syllaba um f em vez de p.o Thesouro e á Arte e Vocabulário de Montoya. e quando faltavam com o acento na ultima syltaba. como faz Cazal (Tom. graças sobre todo f. pelas palavras que se conhecem de sua lingua. 26. ainda nao podemos classificar entre as d'esta America Antártica. segundo a etymologia.

38. 239) e com Laet. 376 e o latira. aos 20 de Agosto de 1540. — O rio mencionado diz-se hoje Mucury. ' da Razão do Estado se diz Jocoruco. 39. Juaci quer dizer sede . 295) diz Jaússema.*. sendo as primeiras holbndezas. 41. numa das cartas do Novus Orbi» impresso em 1633. que depois se publicou em francez. Laet nesta obra. A doação da Ilha a Duarte de Lemos teve logar em Lisboa. de Leyden. pelos serviços que o mesmo Lemos prestara .' da Revista pag. Maruipe é quanto a nós um erro que se repetiu nos códices. e seu filho Fernão do Campo. e o Dr. 236) escreveu Mucuru. ou sem água. 3. Por Jucurú se noniêa o rio que no mappa 3 .—Veja-se a nossa dissertação tobre a necessidade do estudo e ensino das línguas indígenas no Tom. pag. e n'uina grande carta do Deposito Hidrográfico de Madrid Jucurucu. Pontes na sua caria geographica poz Juacein. e que nos serviu para confirmar que elle tivera conhecimento da obra do Soares. Deve ler-se Mocurvpe com Piiaentel (pag. Novo exemplo dos inconvenientes de ignorar inteiramente a liugua indígena nos dá o nome de uni rio do fim d'esto capitulo 35. 37. 2. escreveu Juatsema. sem .— 40. Este capitulo 40 foi o que Vasconeellos transcreveu quasi na integra nas suas Noticia» (51 a 55). que no sertão chamam a oulro—o lgarey—rio da sede. 35. 83. 70 e 72. Esta edição latina foi a 3. 36. de modo que o nome do rio significa talvez— Rio que nãotorasede.—nome que esto muito no gosto dosque davam os indígenas. e eyme. que foi interpretado Insuacoma em vez do Juhuacema.* p. de 1625 e 1630. O príncipe Maxirailiano «fo Neuwied em sua viagem (Tom. A mulher do donatário chamava-se Ignez Fernandes. consultou sobre o Brazil os escriptos do paulista Manoel de Moraes. que Luiz Thomaz Navarro. e Neuwied (I. Tupiniquim ou Tupin-iki qoer dizer simplesmente o Tupi do lado ou—eúinAo lateral: —Tupinaé significa— Tupi maú. Aceci hade ser o — Guasisi—da Razão do Estado.A* ORRA DR SOARES. Aceci de Brito Freire. 1°. Deste capitulo aproveitou Cazal no Tom.

" 43.— 44. e isso se confirma com o asseverar aqui Soares que Góes acompanhara sempre o mesmo Pero Lopes. O texto d'Academia diz Tapanazes em vez de Papanazes. 108 v. Ainda que o author no capitulo precedente havia dito que o gentio guaitacá tem linguagem differente dos seus visinhos Tupiniquins. e com elle se perdera no Rio da Prata. J. Remettemos a tal respeito o leitor para o que dizemos em um .-r46. na defonsa da capitania. quanto a nós. e pelos nossos antigos — peixe martello.376 BREVHS COMMENTARÍOS ao Donatário. isto é. da Zygaena chamada pelos indígenas Papaná. Fiquem estas advertências aqui consignadas. havendo que exceptuar os Aimorés que depois apareceram acoçados talvaz do oeste. III. que dêmos a luz. A confirmação regia é datada de Almeirim aos 8 de Janeiro de 1549. Lerilibe é adulteração de Leriliba que em guarani significa — A ostreira. Neste capitulo faltem no texto acadêmico umas cinco linhas. Tivemos occasiüo de consultar e de conservar em nossas m5os uma carta authographa de Pero de Góes para Martim Ferreira. de quem se faz menção neste capitulo 44. 338) escreve Goaraparim. As emendas feitas nas primeiras paginas do dito texto do Diário são de lettra de Martim Affonso. 45. Deve ler-se accentuado Goarapari. não podemos entender essa afirmativa muito em absoluto.) 42. e a Razão do Estado Guaraparig. aliás importantes. Isto vai conforme com á idéa sabida de que os invasores que dominavam o Brazil na Jépoca da colonisação eram geralmente da mesma raça. que no nosso se encontram no fim do 2. na ilha de Gorriti do porto do Montevideo. á vista do que assevera agora—de que os Papanazes se fazem entender dos mesmos gentio guaitacá e do tupininquim.° § e principio do 3. ora quanto não temos para ellas melhor lugar. que hoje distinguimos perfeitamente. (Chanc de D. segundo sabemos. e por ella conhecemos que é de feltra sua o texto do códice do Diário de Pero Lopes existente na Ajuda. Este nome ou alcunha derivou. foi. que Vasconcellos na Vida de Anchieta (pag. O texto acadêmico dizia Goarapira.

á latitude da Ilha de Santo que em oulros códigos achamos 22 1 3 ou 22* 20'. Por este capitulo se confirma que a primeira fundação de uma colônia nesta bahia do Janeiro teve lugar na Praia Vermelha.A OBR4 UF SOARK*. Conservamos a palavra Viragalhão dos códices. |KIÍS soria adulterai-os o substiluiki pela mais correcta Villegagnon que alias é menos eupbonica para nos. o qu. mas sim da aldéa do principal Ararigboia . 54. mas sim no importante códice mais antigo de Évora. A descriptáo da enseada desta nossa bahia não poder estar mais exacta. Porto de Marlim Affonso era o esteiro que vai ter ao Aterrado. do que não «o estava longe no tempo do nosso aulhor. Mem de Sá foi nomeado por provisão de 23 de Julho de 1556. e em outros. o não Sacorema. por pertencerem essasterrasaotalveztronco primitivo da família—Velho—no Brazil. Sururuy. 373 e seg. que o arruma em 23. Saquarema se diz hoje. H77 escripto impresso no Tomo 5.— As palavras—que se chama da Carioca—não se lêem no texto da Academia. quanto a nós. O Cabo-Frio jaz segundo Roussin em 23" 1' 18" S. rendeu o inimigo a 15 de Março. e que o saco do Botafogo se chamava do Francisco Velho. O ilheo de Jtribatuba.—Chegou ao Rio a 21 de Fevereiro. 53. A ilha da Madeira è a das Cobras. são hoje quasi os mesmos.°49.. 52. não.— 51. dos Coqueiros. Baxindiba e Macucú. Partiu da Bahia para a conquisto do forte de Villegagnon em 16 de Janeiro de 1560. Antes tinha-se . que quer dizer do Coqueiral (de Jeribás) — ó o que hoje se diz— I. que nobaptismo se chamou Martrm Affonso. 50.» Serie da Revisia do Instituto pag. Os nomes Unhauma. o segundo Livingston (1824) em 23° 1' 2" S. O texto da Academia dá 22* 3/4 ou 22 a 45' S. Chamou-sed'aquelle nome. por via do celebre capitão de igual nome. que hoje so lho calcula. 48.* «Ia 2. Salvador Corrêa governou tanto tempo o Rio de Janeiro que a sua ilha se ficou chamando até hoje do Governador. 47.« mais se aproxima da de 22* 25" S.

Meyembipe. segundo Pedro Taques. Gaspar da Madre de Deus (p. Nos melhores códices não se encontra essa cláusula57. A' ilha de S.) 58. — Isto parece verdade. Tamoio quer dizer avô. Vicente que Soares diz parece moela de gallinha. ascendente. 55. 17. 61. Vicente designavam os d'esta provincia fluminense . chama-se ainda hoje da Moela. 02. Do texto da Academia consta que Salvador Corrêa foi nomeado governador por provisão de 10 de Setembro de 1557. Vicente. e aos vizinhos do sul apellidavam os Temiminòs. Viceute da Fonseca por carta de 24 de Janeiro de 1569. Um dos indivíduos chamava-se Erasmo Esquert. segundo Sladcn . Os Tamoios chamavam-se^ si Tupinambás. isto é seus—netos—ou descendentes. 286) e Fr. Os—EsquertesdeFlandres —eram uma família flamenga que se estabeleceu em S. E' sem verdade que Soares afirma que não havia n'outro . e já assim escreveram Vasconcellos ( p. 59. dos Maracaiás e dos Engenhos. Esse grande capitão não voltou a S. A ilha da barra do porto de S. Vicente depois deser donatário. mas não cremos que fosse escripta. e lemos quasi certeza que não. logar-tenentes. o que comprova as nossas fortes conjecturas de que a emigração tupica marchou do norte para o sul. segundo Hans Staden. O primeiro sesmeiro da Ilha Grande foi o Dr. e á dos Alcatrazes Uraritan. 56. Tão pouco nos consta que Pero Lopes voltasse mais ao Brazil depois de ser aqui donatário . ele. do Gato . A pezar de todas as diligencias ainda até hoje nos não foi possível encontrar o manuscripto de Antônio Salema sobre a Conquista do Cabo Frio. Era o nome tom que os indígenas de S. antepassado. e não eincoenta. 60. Sebastião chamávamos indígenas. O morro e ponta de Caruçú chama-se hoje vulgarmente de Cairuçú. Martim Affonso recebeu cem leguas de costa por doação. eainda assim a sua capitania sahiu uma das mais pequenas em braças quadradas. mandou sim providencias.378 BREVES COMMENTARIOS denominado ParnapicÚ .

379 teui|K)formigasum S. 64. mi» entenda-se que náo foi n"este rio. Paulo. 66. — A" lagoa dos Pato* chamavam alguns antigos de . Em vez do ijoainú ou antes Guaianà escrevo Sladon Wayganna. A bahia das Seis Ilhas e naturalmente a enseada formada pelo rio Tajay.A' OBRA DE SOARES. O leitor podo consultar o que ponderamos a tal respeito no Tom. Segundo o exame que abi fizemos pessoalmente era Janeiro de 1841 esse padrão ou padrões (pois existem ires iguaos) foram abi postos por ordem de Marlim Affonso. mas sim no pequeno Chuim que aquelle capitão naufragou . Diz aqui Soares que a linguagem dos Carijós é difforcnlc da « o seus vizinboá. do quo no capitulo seguinte so trata. c já lemos que os indígenas a denominavam Xerimertm. Lopes) se dedemorou 44 dias no visinho porto da Cananea. Rodrigo proveio de abi ter estado o infeliz D. 375. que tão tristes episódios [«assou n'esta costa. Antes chamavam-lhe Ilha dos Patos. L»pes. que é a mesma.ar. Não sabemos se a adulteração veio da poiina do autor. Porto da Alagôaé o da Laguna. Rodrigo da Cunha. 5" du 2' Serio da Revistado Instituto pag. 68.o de P. as sanhas o ás lotas do copius. fronteira á ponta do padrão. «3. Ilha Branca é talvez adulteração do 1. O Cabo do Padrão rhaina-so bojo Ponta do Itaquaruça. 70. o que se deduz da leitura altenla do D. 67. E S. 71. do Abrigo. 1 l«or quanto no capilulo 63 assevera que com elles se entendem os Guaianás. ou se a causou algum copista que não quiz adinittir era sua copia aquellas palavras hespanboladas. Paulo é desgraçadamente terra proveihial «pianta ás tanajuras. Chama-se aqui rio de Marlim Affonso ao Mauipiluha. cuja armada (segundo P. 69. O nome de ilha do Santa Catharina foi dado pelos casthelhanos da armada de Loaysa. mas isso não se deve entender mui reslriclamentc . Já Anchiela dá d'ellas conta. O nome de Porto de D. 65.

75.. ainda quando vivendo a grandes distancias uns dos outros. «são todos uns e tem quasi uma vida e costumes. segundo nos assegura o Sr. a cujo assumpto parece que dedicava certa predilecçSo. 78. outros textos que seguimos dáo 39°. 81. 80. 74. »— Não as admittimos por não se acharem nos melhores códices. e que Soares poria com os pilotos do tempo o cabo em 38". conselheiro Baptista de Oliveira72. Ao lermos esta parle da descri peão da cidade. Ás sabias providencias da metrópole em favor da colonisação da Bahia deveu talvez Portugal a conservação de todo o Brazil» segundo melhor desenvolveremos em outro logar. e segundo a tradição onde hoje eslá o bairro da Victoria. O texto da Academia põe a sabida de Thomé de Souza de Lisboa a 1 de Fevereiro e não a 2 . O texto da academia arruma. Nas ultimas linhas d'este capitulo 72 confirma Soares a geral opinião de que os indígenas de toda esta costa. 76. 28. 77. A explicação—dePorto Seguro alé o Cabo Santo Agostinho — com que conclue o 1. Monte de Santo Ovidio é o conhecido cerro da bahia de Montevidéu . filho de D. mas cremos que houve n'este numero também engano . embaixador d'el-rei D. 79. o Cabo das Correntes em 36° de latitude S. com manifesto erro. As noticias sSo ainda mais minuciosas que as que chamaram nossa attenção no com.880 RREVES COMMEWTARIOS Tibiquera ou —dos cemitérios—talvez em virtude de alguns dos indígenas que ainda hoje por ali se encontram . Duarte: « fidalgo muito illustre. Volve Soares a occupar-se do celebre Caramurú . quando apor- . No texto da Academia se dão mais as seguintes informações acerca do governador D." § não se contém no texto acadêmico. o amigo de Camões. Manoel ao imperador Carlos V. Álvaro da Costa. O primeiro assento da povoação da cidade era próximo á barra. »— De expressões quasi idênticas se serve o seu contemporâneo Pedro de Magalhães Gandavo . Pedro. como os mais códices. 73. a que Pero Lopes quiz infructuosamente chamar — monte deS.

em vez de doze. livraria e alguns treze cubículos. escrevendo Sua Magestade duas vezes e náo Sua Alteza. . tem uma fonte perenne de boa água com seu tanque. Corrigimos hortas onde no fim do capitulo dizia outras o texto acadêmico.. os portaes de pedra. veludo verde e carmesim.A ORRA DK SOARES.. e lambem segundo a lição dos melhores códices dizemos vinte religioso».e.. tem uma cruze ihuribuIo de prata. Quasi no fim do capitulo em vez de — capellães da raisorirordia ou dos engenhos — diz incorrectamento o texto da Academia —capellães da misericórdia ou dos engeitados. que é tão boa como a de pedra de Portugal. por dentro se vão os padres embarcar. quasi que acom panhavamos o autor passo a passo: tanta verdade ha em sua descripção. os cubículos são grandes. 8*. A respeito do collegio dos padres da Companhia na Bahia parece-nos que o leitor levara a bem que lhe demos aqui outra deeeripeão: ainda quando náo seja senão para lhe fazer constar a existência de um curioso livrinho como é a obra de P. as portas de angelim forradas de cedro: das janellas descobrimos grande parto da Bahia. aonde se vao recrear. — 83. &c. A cerca é mui grande. os navios estarem tão perto que quasi ficam á falia. Fernão Cardim. Este capitulo foi bastante retocado á vista das copias mais dignas de fé.. os mais d'elles tom as janellas para o mar. o edificio é todo de pedra e cal destra. 381 tomos na Bahia em principio de Maio deste anno. bate o mar n'ella. como o leitor pode deduzir pela confrontação. 82. que imprimimos em 1847. a igreja é capaz bom cheia de rires ornamentos de damasco branco e roxo. <S. todos com tela de ouro. A observação de Soares de melhorarem de sabor e aroma os vinhos fortes que passam a linha é hoje láo admittida como é verdade que da Europa se mandam vinhos a viajar através da zona torrids . é uma quadra formosa com boa capella. 85. Diz este escriptor em 1585: «Os padrestomaqui collegio novo quasi acabado. Também aqui seguimos os melhores códices.. e vimos os cardumes dos peixes e baleas andar saltando nagua. está cheia de arvores de espinho. só para os beneficiar.. 86.

(obra escripta no século de seiscentos) da profecia do astrologo. João III. Depois da acclamação de D. o que se teria realisado se a França não se mettesse de permeio. podéra ter aqui edificado « um dos mais notáveis reinos do mundo. que. Na doação da ilha de Taparica. se comprehendia a de Tamarantiba. quatro mil africanos. Onde se diz—da parte do Padrão—parece-nos que houve salto de uma palavra e se deve entender—da parte da ponta do Padrão. e seis mil indios civilisados. João fosse estabelecer seu império (Florilegio. 370) e o alferes Lisboa (em 1804). 88. ou Itaparica como agora se diz.° do capitulo 13 dizia erradamente o primitivo texto—por civilidade —. 89. A ilha de Maré de que se faz aqui menção é a mesma que inspirou o poeta bahiano Manuel Bolelho de Oliveira que tão bellu- . 92. Receberam ambas foral em 1556. O marquez de Pombal ideou trazer ao Pará a sede da monarchia. João IV tratou a Hespanha de lhe ceder o Brazil.382 RREVES COMMENTARIOS 87. T. vaticinou que havia ella de ser abrigo e amparo da metrópole. Chamamos a attenção do leitor sobre a relação de 1 : 2 : 3 entre as classes dos defensores da Bahia em 1587. 574). não contente com o haver dito no proemio que este estado era a capaz para se edificar n'elle um grande império »— repete esta sua aspiração á nossa independência e nacionalidade dizendo n'este capitulo que já D. ao chegar a Lisboa a nova do descobrimento da lerra da Vera Cruz. desejava que em Minas o príncipe D. [Florilegio da poesia brasileira. 2. O nosso autor que tanto enlhusiasmo e predilecçSo mostra pelo Brazil. a saber: dois mil colonos europeus. em vez de—possibilidade— como escrevemos. 90. depois d'elle o poeta Alvarenga convocava para o Brazil a rainha Maria I. » É sabida a aneodota referida pelo autor dos Diálogos das grandezas do Brazil. pag. —Estes fados pelo menos são curiosos.°. pag. 91. com mais alguns annos devida. Na anto-penultima linha do § 1. e tornar a reunir a si Portugal.

o que se náo dá segando nos asseveram vários Bahiauos entendidos cora o nume Et um do texto acadêmico-—Otuim e Viuim se l«. Aratú lemos uniii dos c«idices. No mesmo texto se léainda erradamente Sacarecanga o Pitanga. para a banda da fre^uezia Tamarari de água das melhores que hoje no Brazil ha. Tem na Ixita «luas forlifu-açoes.i»ho. » 91. de Coimbra n.—No texto mencionado lé-se lambem Curnuibão em vez de Cmmaibuçú ou tarnaybuçú como lemos no J. 99.A' OBRA DE SOARRA. em vez de Jacareccnga e Petinga. 97. os quaes entrara desi-arreg. A palavra Tayacuptna a quo puzemos ura ponto de interrogação náo nos foi possível decifrar adequadamente. e admilliiiios a li«. — 95.nlos o hão «fo sair lia mesma forma.i da oulra. Notam-se grandes variantes entre o nosso texto o o d'Aca- . 170. 127. Diz o mesmo texto—Ponta do Toque em\M do P do Toquetoque—corao sabemos que se chama. e de\eraos julgar introduzida* por eiiriuMis: «lista enseada tem ua barra do fundo duas braças «le preamar. 134. bem no fira de Perua merim.) — Essa bonita composição foi reproduzida no Florilegio." pag. quo depois foi de Estevão de Brito Freire. e outra mais |ieqtieu. 1. ao saber que havia por alli ura engenho tora tal nome. lé-se no texto dAcaderaia depois da frase—que está mui bem acabado—as seguintes palavras— evidentemente anachronicas para o livro de Soares: u. Tiago. 86 pag.porém em alguns raanuscriptos. 98. 383 mente a descreveu na sua Musica do Parnaso J.»— D<? Ilapitanga volve a oecupar-se o autor no cap. 67. 96. 93. Tratando do engenho de Antônio da Costa. que Deus perdoe.Catpe ou Cahype quer dizer o—esteiro do maio—. Tom. o fez oulro engenho por nome S. cabem ale 80 navios do forca.» pag. O texto a que no» lemos referido trazia —Alteza—onde oulra vez adiuiltinios—Mageslado.i. as seguintes linhas que não cnconlranios nos melhores códices. uma maior do uma Linda. O texto da Academia contém depois da palavra Pirajá do 3 $ d'esle capitulo.ão. 187.

que exportavam annualmente para cima de 120 mil arrobas d'assucar. avalia em 53 leguas. o que quasi eqüivalia aos preços da Bahia. o da Academia escreveu Puinqua. sem metter os rios d'agua doce. os cavallos que por negocio se levavam embarcados a Pernambuco eram lá pagos a 200 e 300 cruzados. em vez de Antônio Peneda e Rodrigues Martins. 108. etc. e permitta-se que as recapitulemos: 36 engenhos. Conclue Soares com a sua minuciosa descripção de todos os Recôncavos da Bahia cuja extensão. O rio Irajuhi ó o que hoje se diz Pirajuhia. graças à confrontação de tantos códices. No texto da Academia encontra-se Irayaha. 102. Acúm. Farreirey foi erro que escapou ainda no nosso texto: lêa-se Tareiry. e nessa extensão conta 39 ilhas além de 16 do interior dos rios. As primeiras éguas valiam a 6 0 $ rs. entrando 16 freguezias. e não a 20 e a 30. Jiquiriçá é o nome que hoje se dá ao rio que Soares designa por Jequoirijape. A topographia do Recôncavo ainda até hoje não teve melhor. o que procedeu naturalmente de má leitura de copista. Marapé. . 101. como fica dito (com. Algumas variações encontrará o leitor no nosso texto. 135) á cerca das plantas de socca—«que são as que rebentam e brotam das primeiras cortadas» —Foi por certo explicação de algum copista animado de excesso de zelo. 103. 100. São curiosas as notas estatísticas da Bahia (em 1587). 104. o que prova que habitualmente alli chegavam. Pujuca è o nome que dá o nosso texto á ribeira que.38/4 RREVES COMMENTARIOS demia. leram-se errados os bem conhecidos nomes Paraguaçú. e 3 mosteiros e 1400 barcos de remo. como encontramos nos códices mais dignos de credito. 105. nem mais exacto alumno. Aqui temos um novo rio de Igaraçú. e não eram a 1 0 0 $ eficarama 2 0 $ . 62 igrejas . No mesmo texto acadêmico lê-se Antônio Penella e Rodrigo Muniz. entre outros. 107. 15). CajaíbaeTamararí. eficaramdepois a 1 2 $ . as náos dos Europeus. 106. Além de linhas que lá foliam. No exemplar da Academia diz-se (pag.

como lautos outros nossos indígenas. . e não so encontra nos mais coilicos: mas sim inhames. basilicuui — Amaramhos blitum—Portulaca oleracea — Cichoneum endivia — Lipidium salivum—Daucus carola — Beta vulgaris—Spinacea oleracea.— 113. vem no texto d'Acadomia.i . com outras composições análogas.'I8. o de taiobas. « i c — 111. e por este apontadas no capitulo 36: — Cucumis sativtis—Cucurbiia pepo—C citrullus — Sinapis nigra — Brassica napus —Raphanus sativus — Brassica oleracea crispa—B.'> 109. que escreveu era verso latino o melhor tratado que conhecemos i cerca desta raiz alimentícia. A tapioca de que Soares trata ora preparada um pouco differenteincnte da que hoje se usa no commercio. o foram ambos adoplados pela Europa. — No texto acadêmico vem diflerenlemcnte.A' ORRA fít SOARR*. fceniculum— Apium petroselinuin — Menlha saliva — Allium cepa — Allium salivum — Solanum raelongena — Plantago—Mentha pulegium — Sisymbrium naslurlium — Ociniura niinimum — O. Santos Reis. miirciana—Lactuca saliva —Coriandrum salivum — Anelhum graveolons—A. Náo respondemos pela devida exaciidáo na orlhographia dos nomes das espécies de mandioca apontados no capitulo 37. No ultimo § . e Marcgrafe Vasconccllns trazem oulras denominações. em um lomo tora o adequado titulo do Geor- gica Brasileira. Não deixou Rodrigues do Mello de escrever com elegância acerca das propriedades venenosas do sumo «Ia mandioca crua: 4'. o. 110. segundo iremos vendo. — Este nome o o da mandioca são puros guaranis. 112. que é nome indigeno. Hortaliças que já se cultivavam na Bahia em tempo de Soares. este tratado era dois cantos foi traduzido pelo Sr. tratando-se dos inhames trazidos das ilhas do África. e publicado na Bahia. O mesmo foz José Rodrigues de Mello. era vez daquolle nome.

p. 110) e os viajantes Spix e Martius (T.— Ha porém quem escreva gurupema (Cunha Mattos). 73 e 7Z|). As palavras —algumas jornadas — no principio do capitulo faltam no texto acadêmico. not. de Lisboa. A pronunciação tipeti ou aportuguesadamente tipitim. Rebello (pag. positos neque tangere suecos Perraittas: namque illa quidem niveoque colore Innataqiie trahit pecudes dulcedine captas Potio: mortiferum tamen insidiosa venenum Continet: etfibris ubi pestem hausere. que adoptaram Denis e St. Tom. 120).' Ed. «&c. goropêma (João Daniel. 5. Et gyrosagitant crebros. pag. do Tesoro Guarani. p. parece ter preferido a mais aportuguesada de aipim. p. 135 da edição da Rochelle de 1578). 69). 24) e oropêma (Anlonil. bem que em geral seja n'isso irregular (V. mas esla ultima parece-nos mais euphonica. Hilaire.386 HREVES COMMENTARIOS Fac procul bine habeas armênia . por Vandelli. da Acad. É curiosa a variedade de orthographia com que se tem escripto o nome que adoptamos dos indígenas para a planta de raiz amylacea que Pohl denominou Manihot Aypi. 114. alferes Lisboa.°. — Urupèma (segundo o Dicc. furoro Huc illuc actae pecudes per prata feruntur. Botelho de Oliveira escreveu aypim . 27) era qualquer crivo: a orthographia de Soares é a seguida por Moraes. &c. I o . 7 1 . 117 da 1.) 115. Braz. seguindo para esta denominação da espécie a orthographia de Lery (p. gurupemba (Mem. feret ipsa salulem Jam praelo domita elicitoque innoxia sueco diz Rodrigues de Mello a respeito da carimã. 7 °). 116. P. I o . 1576J. temo-la por mais conforme á dos indígenas do que a de tapeti. 117.*. 2. Vasconcellos também uma vez assim escreve (not. seguida por Anlonil (pag. liv. 526). tapetim. Qua? sueco nocuit radxi. Moraes adoptou aquella primeira. 16 da ed. omnemque volucrum Atilium gentem. . de Martinière (T.—Soares com o seu contemporâneo Candavo (fl. pag. 140).

e ay molho (td. Luiz Figueira na sua grammatica da lingua geral (pag. e assim se lé no Coro dat Musas (T. 19) escreveu aipi. pag. 120.) dá o mesmo significado. 4 *. pois abaty e avaty encontramos em muitos autores. que tombem dão impim. —Cremos que o nosso autor menciona suecessivamente o Capticum ceraeifornme. 119. A' conhecida planta leguminosa Arachis hypogaa L. em 1832. 7 0 ) . e talvez o C. Poecile de Scholt. 115) igualmente.A URRA DE SOARUS. Abbevitie (fl. 118. Portuense («£-•) le-se mais no fim d'e8le capitule o seguinte:— . e nos diccionarios portuguezes. e o P. como se proviesse de amêndoa. 142) e Cazal (I. cordiforme.refere que os indígenas do Maranhão chamavam ás favas comanda. Nocapitulo48tralaSoaresdaspimenlasquedIovariassolaneas capsicinas de Brazil. o Dicc. 143 j . No capitulo 44 descreve Soares vários Convolvulut.). aipim. kyynha.) mandouy. longum e fruteteens. das quaes não se esqueceu de tratar Fingerhuth na sua monographia imp. p. 826 v. 387 {Floril. est. Apezar da preferencia que já a sciencia deu a aypi. • 138. á portugueza.) fio códice da Bib. Ao Eea Mais L. 1. — Montoya ( Arte y Bocab.*. quiya. p. braz. com os clássicos Gandavo e Soares. O autor do Carainurú (C. chama Soares. amendoi. Monteiro de Carvalho.* ed. p. Jukiray quer dizer —molho de sal — i'u*yre sal ( Dicc. 141 ) chama á pimenta qutgi. com Piso. 87 da 4. a Diotcorea sativa. Abbeville escreveu (fl. braz. Esperamos que o leitor nos desculpe a digressão quo fizemos sobre esta palavra. se diz no texto que chamavam os indios ubatim: cremos que diria Soares abatim. pag. Em Hespanha chamam-lhe avellanas (avelãs) americanai. acerca da qual desejávamos que se assentasse em uma orthographia. baccatum. 52. Marcgraf qipü. o Caladi um tagittifolium (Vent. O nome é degenerado do mandubi ou mandui indígena. 889). nós em linguagem preferiríamos. 181.

porque é muito boa e não tem oulro mal que queimar mais que a da índia . e dá todo a anno novidade: estas pimentas se fazem em conserva em assucar.— E já que dissemos das pimentas que queimam . a qual se faz vermelha como é madura. e se quando vão resgatara esta costa achassem muita d'ella. poderá entrar em Hespanha muita somma.— « A outra casta a que chamam Ayo. e sempre é muito doce. que na feição é mais redonda e pequena da qual se usa como das mais e tem as mesmas qualidades. e do seu tamanho. a qual se faz também em conserva em assucar e so faz arvore grande. com o que a refinam e abatem : ainda que so faz este beneficio a esta pimenta. cuja arvore é pequena. o acha-lhe mais gosto que á da índia. que o não fazem e que são muito doces. uma das quaes se chama Saropó que é tamanha como uma avelã. que queima mais que a casca. por ser mais pequena que todas. digamos agora das. que se lhe lan- . a qual como é madura so faz vermelha. cuja arvoro não é grande. cuja arvore é de cinco a seis palmos. e das sementes de dentro se aproveitam pisando-a bem e lançando por cima das pimentas da índia. e dá fruta em todo o anno: todas eslas pimentas sSo cheias por dentro de umas sementes brancas da feição da semente de inastruços. « Não é bem que se faça pouca conta da pimenta do Brazil. que é da feição de uma bolola.—Ha outra pimenta a «|ue chamam Cuiepiá.il. Esta em verde é muito preta o depois de madura faz-se vermelha. que em lodo o anno dá fruto. e queima a seis palmos. se S. da qual se usa como da demais e tem as mesmas qualidades. e quem muito a lem em costume folga mais com ella. Magestade dera licença para isso: de tal massa é esla terra da Bahia . onda os Francezes vão buscar a natural da terra . estima-la-iam muito mais que o páo bra/. porque da casca vermelha se aproveitam nas tintas da mesma côr. da qual por esse respeito se gasta pouca no Brasil. •— « Ha outra pimenta a que chamam Cuiepupuna do tamanho do um gravanço muito redondo.388 BREVES COMMENTARIOS <i Ha outra casta de pimenta a que chamam Cuiêmerim . e de toda a maneira é muito doce. e d'ellas nascem us pimenteiras quando as semeara.

ao gênero Psidium. na Flora Cochinchinensi» (Ed. segue talvez a rosacea Rubtts idaeut ou occidenlalis ( Velloso V. A palavra caiinga no sentido de malto rarrasquenio ou charncca de moutas e malagaes é de origem indigen a e deriva de ca e tinga.us de Vellozo (Flora Flum. deve ser voz afrirana.) não é fruta indígena do Brazil -. 218. 185. notamos depois entre outras a Byrsonima Crisophylla de Kunth. 81 e 82). de quo so dirá adianto. 304). bem como as guaiabas. havia na terra pelo menos duas espécies de pacobas: grandese pequenas. e dá outras arvores que dáo canella: se fòr á lerra «piora a saiba beneficiar será como a de Ceilâo. D'esle capitulo parece deduzir-se que já antes da introducção no Brazil das bananas da África e da Ásia. » 183. que o nosso Velfoso chamou (Flor.•1 OBRA DE SOAIIRS. 224 escreve Ouagirou) que parece um Chrysobalanus. 185). porém outro tonto não suecede â papayacea jaracatiá a. 389 çarein a semente do cravo o dará. a Spondias myrobalar. 134. alé—Cambacá—exclusivamente. Esles periodüs perfazem qnaci du»s paginas e meia desde — Os araçasciiuelusire. 186. a errai». os araçás pertencem. . Soares dá noticia de mais espécies de anacardios do quo as conhecidas dos naturalistas.—S'esle» comoienlaiius ros nao demos coin-ideraçào a e«sa deslocaçào accidviital.* 8 * • P»"* r » U J P a r a •* l^g'1""» * • ' • 188 e 189. a Moronobea escu(*) Na presente edição deve alleuder se i di>foc*çao que |«or descuido jypogrjphjco padeceram alguns períodos que devendo ir n'eM«j capitulo depois do 1* S •»• P*8. mato brancacento. como noz moscada. e Berlim 1793 p. est. est. A mangaba é a Hancornia speciota de Gomes. As arvores frutíferas indígenas com que se oecupa Soares no capitulo 52 (*) estão boje quasi todos conhecidos e descriptas pelos naturalistas.) Carica dodecaphylla. se não derivou d "esta mesma aceepçso. Flum. quo tora o sabor d'ella. mas no sertão vimos nós ainda uma espécie (talvez gênero) mas cuja planto ò rasteira. o araticú 6 uma A nona: vem depois o abajerú (Abbeville foi. Mamão (Carica Papaya L. Vrj. a Vitex Tarumãe Ingá edulis de Marlius. Calinga no sentido de mau cheiro. 1790 II. O caju oriental « ' • descripto pelo conhecido botânico porluguez Loureiro. IV.

390.

BREVES COMMJBXTAJUOS,

lenta d'Arruda ou Platonia excelsa de Martius,, o Caryocar. Pequi, etc. Tudo isto salvo engano.— O ambú, imbú, ombú ou umbu (que para todas as orthog.rapbia,s. ha autoridades ) é a notável planta que o nosso Arruda (Discurso dos jardins) denominou Spondias tuberosa. 128. Das fructas do sertão da Bahia que Soares reúne nq cap. 54 ha menos conhecimento. Trata-se de um Lecythis, segue-sé talvez, uma planta rhisobolacea, outra apocjnea (talvez outro carioçar), um Genipa , e o conhecido oyty de que Arruda fez o novo gênero Pleragina. Cazal (II. 60) escreve goyty, Vasconcellos ( I I ; 87) gutti, Abbeville ouíty.— Este capitulo necessita mais esludq. 129. Para melhor se identificar o leitor com a synonimia da? palmeiras remettemo-lo ao exame da magnífica monograpl|ia d'e,sta família do celebre Martius, ^-precedendo a elle, se for possível, o conhecimento pratico das mesmas. Nas Reflexões criticas enganámo-nos a tal respeito era varias de nossas conjecturas, feitas sem fundamento e só quasi inspiradas, como em oulros logares da secção 4a desse escripto , pelo desejo de acertar. 130. Bem conhecida é a passiílora maracujá-açú , com que se começa o capitulo das hervas fructiferas: —Náo nos acontece outro tanto com a planta de que se trata depois, e que nos parece alguma solanea. Segue um Cactus, com nome indigeno por nós desconhecido , fogo depois um Astrocarium e termina o capitulo èm duas plantas bem conhecidas; uma bromeliacea e um Piper, segundo cremos; talvez o unguiculatum de Ruiz e Pavon. No nosso texto se escrevem ellas carautà e nhamby. Esta ultima palavra escreve Piso ea Pharmacopea Tubalense nhambi. Quanto áquella, Vasconcellos ( I I , not. 70) diz caragoatá; Anloníl( p, 113) caravatà ; Piso e Brotero caraguatá; Bluteau caragoatá e também caroatá; Fr. Antônio do Rosário carautá e Moraes carahuatá', mas hoje mais geralmente em quasi todas as nossas províncias se adoptou gravata. 131. O ananaz offerece exemplo de mais uma palavra itldigena nossa que passou ás linguas da Europa, e á linguagem das sciencias,

*.' OBRA DE SOARK*.

J01

depois trae Thunberg formou o gênero Ananassa. Vamos registando estes fados para decidir se para nós a lingua guarani o ou não digna, a par da grega , de ser cultivada como lingua sabia , necessário para -daí esclarecimentos néo só na elhnographh o na botânica, corao nos differenles ramos da zoologia. Só na botânica, além do mencionado gênero Annassa, lemos com nomes brazileiros os gêneros (não foliando nas espécies) Andira , Apeiba, focar anda, Icica e Ingá. 132. A cabureiba eslá hoje designada como Miroxylon Cabriuva. NSo sabemos qual espécie de copaifera é mais gorai na Bahia, á qual se referia Soares. As virtudes do sen oleo foram já em 1694 apregoadas pelo Dr. João Ferreyra na Rosa no Tratado da Constituição Pestilencial de Pernambuco, pag. 51 a 56. 133. Embaiba (ou segundo outras orthngrepbias embauba, imbaiba, ambaiba e ambayvai é a conhecida Cecropia, arvoro urlicacea de cujas folhas se alimento a preguiça (animal, se entende). Quanto às caraobas, os indígenas davam este nomo a varias plantas bignoniaceas, e náo nos é fácil acertar quaes d VI Ias são as duas de que se eceupa Soares, bem que imaginemos a primeira a da estampa 50 da Flora de Velloso: e era tal caso é a que Marlius classificou como

Cybistax antisyphilitica.
134. A arvore da almecega ou icica (ygcyca no Dicc. Braz.) é do gênero que Aublet designou com o próprio nome guianense (e que tombem é nosso) de Icica.—Cornetba é a Schinut aroeira, de Velloso; Geneúna i uma Cássia, não nos é fácil saber qual; — cuipeúna parece um Myrtus; seguem dous cipós leguminosos; e o conhecido Rhizophora mangle, L. ou mangue vermelho. 135. As plantasdescriptas no capitulo 61 sãotodasde uso commum e por issomui conhecidos; vem a ser: a nicociana, orieino oumamona, a batata de purga ou jalapa (jeticuçú) e a rubiacea ipecacuanha, que o nosso autor escreve pecacuem, e os antigos jesuítas ipecaeoaya, donde derivou o nome poaya, que muitos lhe dão. Ao tabaco chama Soares petume; segundo Montoya (Voe. pag. 203) dizia-se em Guarani petyma, ou como traz o üiec. Braz. pylyma. Damiáo de (íoesÇCBron. de D. Manuel P. 1.» cap. 56) e com eHeBahhasarTeHés

JWS

nhliVES

l.OHllIíNTAKIOS

(Chron. da Comp. de Jesus P. 1.DLiv. 3 cap. 3.« pag. 442), chamam-lhe betum. O chronisla do rei D. Manuel narra corao essa planta foi levada á Europa por seu irmão Luiz de Góes; que ao depois f i jesuíta; e de quem nenhum botânico tem feito caso alé hoje, « apezar do serviço que fez, muilo maior do que Nicot. As minuciosas informações sobre o como se fumava são hojemui curiosa prolixidade, por isso mesmo que todos sabem o que é beber fumo, como Soares chama ao fumar. 136. Manyú deve entender-se o nome indígena do algodoeiro [Gossgpium vitifolium de Lam.) — O Dicc. Braz. diz amanyú, a Montoya (pag. lol) Amandiyú :—em Abbeville (foi. 226 v.) lemos amonyiou.—A Lantana Camará é hoje conhecida por ioda a parte: ubá ou taboca é o Ginerium sacharoides de Kunlh: Náo sabemos se ha engano na palavra jaborandi ou na ultima jaborandiba, quando nos diz o autor que o nome dado pelos indígenas ás duas plantas era o mesmo : o ultimo é evidentemente o Piper jaborandi de Velloso. Não afiançamos a correcçSo orthographica em caapiam; deveria talvez ler-se, com Piso, caaopiá, planta do gênero que Vandelli denominou Vismia, em honra do seu amigo Mr. de Visme. 137. Aos fedegosos (Cássia sericea,• Sw.) chamavam os jesuítas tureroguy, donde se pôde ver que não haverá erro no nosso texto em tararucú; bem que nos inclinemos mais á desinencia em quy, e seriamos de opinião que a preferíssemos para a nossa lingua em todos os casos idênticos; poisaté pareccque os muitos u «tomam a linguagem tristonha. Para redu/.ir as outras plantas, apezar de terem algumas nomes conhecidos, até na bolanica, encontramos contrariedades, as quaes todas só poderá aplanar algum naturalista que se ache na província em que o autor vivia. 138. O cedro chamado acayacâ pelos indígenas (Dicc. Braz. p. 23) é segundo se nos assegura do gênero Cedrela. 139. N5o respondemos pela correcção do nome da segunda arvore que o nosso texto chama Guaparaiva, e menos ainda pela do da Academia quoapaijú ; pois nem sabemos o que seja. Dzjutaipeba

A ' ODRA

DH ROARKS.

SÇlS

propoz-se B.ilih.izar Lisboa a fazer uni novo gênero rom o nonin «fo Jatahypebu ralenciann. 140. Também quiz o mesmo Ilalihazar trear ura novo gênero com o nome de Massnrnnduba, talvez sem saber se esta sapotacea, embora no Brazil seientifiraniente desconhecida então, não pertencia a algum vellio gênero.—Para se classificar de novo na botanira é necessário ler sobretudo muita erudição dos escriptos da st iencia : muitos gêneros so contam boje «pie se h5o pouco a pouco ir reduinido a espécies do outros. Quanto ás espécies, printipalmenic na America, onde as phvsionomias naturaes lem tanta semelhança umas cora outras, apezar das distancias, estamos persuadidos que mais de metade dellas se verão reduzidas a simples variedades, quando haja viajantes naturalistas que percorram lodo este ronlinente, e tratem de harmonisar os trabalhos dispersos de tantos, rada qual a querer-sc fazer celebre caos seus protectores. — l ra elassilicador de plantas devo ser exclusivamente botânico. Segundo o nosso texto chamavam os Indios andurahnbapari ao angelim, que Piso chama Andira Ibacariba, c Marlius reduziu sob o titulo de Andira rosea. A palavra andira faz crer que alguma cousa tinham os morcegos que ver com esta arvore. O códice acadêmico diz andurababajari , c o roronel Carlos JtiliSo (ull. num. do Patriota p. 98) o teria visto em manusrripto No Dicc. Braz. (pag. 12, chama se-lhe Pobiira — Arruda linha denominado o angelim Skolemora pernambucensis. Lamarck havia já proposto o gênero Andira, de que o synonimo o CeofTroya dn Jacquin. O gequitibá não sabemos que esteja reduzido. Lbiraem é naturalmente o burayén de Anlonil (p. 57), que o Sr. Riodel classificou corao Crysophyllum Buranhem. — Sepcpira é a sicopira ( assim escreve Moraes) :talveza mesma que Ballhasar queria designar com o nome de Joanesia Magestas. —Antonil (p. 51 , 56 56) escreve sapupira, e o autor do poema Cararaurú supopira. A Bowdichia major de Martins é uma sicopira ; a IJrucurana do Rio de Janeiro foi reduzida pelo Sr. I)r. Freire Allemâo a ura gênero

Z9Í

BREVES COMMENTARIOS

novo a que deu o nome de Hyeronima alchorneoides. Náo sabemos se a da Bahia é ditTerente. 141. Antonil (p. 57) escreve Camassari e Cazal camaçari. —O autor pondera mais adiante ( cap. 191) o valor d'esta arvore, da qual seria fácil extrahir alcatrão. —Guanandi é talvez uma clusiacea , e poderá ser a mesma Moronobea coccinea que encontrou Aublet na Guiana franceza. 142. Das arvores que dão embira mencionadas no capitulo 68 é mais conhecida a que Velloso (IX est. 127) designou por Xylopia muricata. 143. Das madeiras de lei de quo n'este commentario cabe tratar, só nos consta que estejam classificadas a do páo forro, e a que Soares diz ubirauna, se é a braúna vulgar (Melanoxylon Brauna de Schott.) — Ubira-una significa madeira preta e ubira-piroca madeira cascuda ou escamosa. 144. Tatagiba ou antes Tatajuba (juba significa amarello) é a Broussonetia linetoria , Mart.; — Sereíba a Avicennia nitida , L.; e a terceira arvore, cujo nome n5o podemos ainda justificar, é a Laguncularia racemosa de Gaertner. 145. Á apeiba, com este mesmo nome, deu a scienoia um gênero, na ordem natural das Tiliaceas. Aqui trata-se da jangadeira ou arvore das jangadas, que Arruda apellidou A. cimbalaria.— Sobre as outras arvores não nos atrevemos a fazer reflexões sem mais conhecimento especial d'ellas: deixamos essa tarefa para os que forem botânicos de profissão; o fim principal d'estes commentario; é outro, e ainda quando estudássemos toda a vida as sciencias que abrange hoje o livro de Soares, em alguns pontos deixaríamos de ser juizes competentes. O nome da arvore com que cometia o capitulo deveria etymologicamente talvez ser Catanimbúca, isto é, páo de cinza. Ubiragàra quer dizer arvore de canoas. — Cremos que seja a figueira do mato ou gameleira (Ficus doliaria, Mart.)—Se soubermos algum dia a lingua tupi ou guarani, e estudarmos bem os seus nomes de arvores, animaes, etc, acharemos que todos elles terão como este

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sua explicação das propriedades e usos dos respectivos ubjorlos;—o que já advertimos com a palavra andira no tora. 140. 146. Carunje parece-nos palavra adulterada. Inhiiilxitan escreve J. André Anlonil. ( p. 57.) Jacarandá ó já uni gênero botânico troado por Jussicu : não sabemos so a ello pnrtenceode Smros.- Mocetayba escreve o jezuita Vasconcellos ( I I , 80 ) , o messetuüba Anlonil ( p. 56 o 57. ) — l'birataya é talvez a ubiralahi ou uratalu descripta por José Barbosa de Sa foi. 361 v . ) , n'uni extenso livro manuscriplo do século passado, obra feita no sertão quasi cora tantas informações filhas da própria observarão do autor, corao esta de Soares que ora commentamos. Tangapemas lemos em Vasconcellos (II , n. 18.,—Referiino-nos deste jesuíta quasi sempre ás Nolicias Curiosas, qne tiveram terceira edição no Rio de Janeiro era 182'i, em um volume de 183 paginas de 4.° 147. Vbiratinga quer dizer madeira branca. 148. .4nt*wwi significa—cheirar mal — ( Dicc. Braz. p. 40 ) ; do modo que ubirarema quer dizer— madeira fedorenta — Guararema se lé no Patriota (III, 4 *, 8 '; oulros dizem ibirarema. 149. A foguininosa de <|ue primeiro se trata com o nome eomedoy é naturalmente do gênero Ormosia.—Araticupana (como diz o texto da Academia e vem era Moraes1 é a .4nona paluslris L.—Anhangákybába seria mais correntemente a tradueçáo de—pente do diabo. — Cuié-yba , ou arvore das cuias é a conhecida Crescenlia Cujetc L. Da jatuaiba ou jutuahiba trata lambem Barbosa de Sá, foi. 365 v. 150. O limbó-cipó é a Paullinia pinnata de Linneo; o cipó-embé o Philodendron Imbé de Schotl íVell. Flora Flum. IX est. 109.) 151. Tocum, segundo é sabido, é uma espécie de Astrocarium. 152. A ave que Soares designa por águia Caburéaçú é, pelos indícios que nos da, a Trachypcte* Aquilus de Spix.—Nhandú ou ema é a Slruthia Rhea do Linneo.—Abbcvillc ( foi 242) escreveu Yandou. — O Tabuiáiá, que Baona (Curogr. p. 100 ) diz Tombuiaiá , pela tlvmologia se julgaria ura Anser , pois que atá quer dizor paio; mas a descriptão conforma-se mai< a «pi» «<'ja afoum Cassicus.

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Í-.IIEVES COMMIúNr.UUOS

153. O Macucagoá descriplo por Soares não é o macuco vulgar : parece antes a Perdix Capoeira deSpix. e por conseguinte não Tinamus: — Abbevillo escrevo macoxicaoua, e Staden mackukawa (P. 2.a cap. 28.)—O motum de Soares è cxactamento o Crax rubrirostrts deSpix (Av. II, Tab. 67.) O jaca por ello descriplo não nos parece nenhum dos gallinaceos classificados no gênero Penelope; cujos nomes brazilicos para as especiesjaciipema,jacutinga, ele , a ornythologia já admittiu. Tuiuiú é reconhecidamente o Tantalus loculator do Lin. Em Cayena chamam porém Touyouyou á Micteria americana. 154. O Canindé de Soares é uma variedade da Aratingaluteus de Spix (Av. Tom. I o Tab. 16). Confronte-se lambem a descripçfio deBuffon (Hist Nat. Tom. T p. 154 e 155, edic. 4a gr.) —A arara e tocanos são bem conhecidos.—Embagadura, entre os indígenas, era o punho da espada, segundo melhor se explica no capitulo 173. 155. Uratinga (Ouira-tin de Abbeville foi. 241), ó a Ardea egrettaàeUn.; Upeca, Vpec de Abbeville (foi. 242), Ipecii do Dic. Braz. (pag. 59), é ave do gênero—A nas. —Aguapeaçoca ou Piassoca a Palamedea comuta de Lin.; Jabacatim a ribeirinha que Moraes (no voe. — Papapeixe —) designou por Jaguacati. Os gariramas são do gênero Tringa. [Jacuaçú é evidentemente a Ardea Scolopacea do Gmelin, para a qual Vieillot propoz o gênero Aramus» havendo sido por Spix denominada Rallus ardeoides. 156. O Nhambú ó conhecidamente o Tinamus plumbeus do Temniiik. Picaçú , parari, juriti epiquepeba parecem as Columbinas griseola, strepitans, caboclo e campetris de Spix. "~157. Papagaio é voz africana; era o nome dado em Guiné aos cinzentos, primeiros que se levaram a Portugal. O nome brazilico é agerúou ajurú como admitte Moraes (Dico. Port.)—Abbeville (foi. 234 ) escreveu juruue. — Assim agerú-assú, (que outros escrevem juru-assú) significa papagaio grande, o agerú-élé papagaio verdadeiro. O primeiro, bem como corica parecem antes do gênero Ara. Thevet (f. 93 das Singul.) escreveu Aiouroub. Tuim será um dos Psitaculus gregarius de Spix. —Soares escreveu com Gandavo

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oniu nu SOARES.

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niaracaná ; oulros porém dizem niflrflfnwJ. —Consullo-so Muregraf : pag. 20) ; Johnslon , Avi . pag. 112; Willugby, Ornilhol. pag. ll\ o Brisson, Ornilhol. Tom. 4", |»ag. 202. 158. O capitulo 81 occupa-sedo varias aves ribeirinhas;talvezda Ardea garzetla «Io (iineliu; da Sterna magnirolris «Io Spix ; do umaProcellaria; da Miclerta americana; do algum íbis, Tringa oic. — Socory devo ser Sòa>boy ou -4r«V« Cocoi do Lalh. Em vez de margui lemos em uns códices mnrgusi, otalvezso devesse ler majui quo é o nome dado ás andorinhas ( Dicc. braz. p. 12. ) — Pitahuãa parece que se diz no Peregrino da America ( p. 48) que era o bemtevi; mas a descripção de pitaoão não se conforma. 159. Urubu é o Yultur Jota de C. Bonoporte: carácará o Polyborus vulgaris de Vieillot: oacauoam o Astur cachinnans do Spix (Tom. 1*, tab. 2 \ ) —Irubuttngu, á vista do descripção não podo deixar do ser o Calhartes Papa , o impropriamente chamou Linneo a uma águia negra Falco Urubutinga quando esta ultima palavra quer dizer urubu branco: mas igual troca já se foz cora a Araraúna. Diflicil será reduzir a espécie do Falco ou Mihius do quo trata o autor tom tão po ueo explicação. 160. A primeira e terceira aves parecera Slrix. A segunda cremos que será o Trogon Curucui de Levaillanl. — Desculpe-se a Soares o cecupar-se, a par dfostes, de uni cheiroptero, seu companheiro de noite. —Quanto á orthographia dos nomes Souza Caldas escreveu (Canto das Aves; Jacorutú, e Abbevillo em franoez Joucouroutou. 161. Uranhengatà é o passarinho do Brazil que substitue no canto o canário e o pintosilgo. Gorinbatá escrevem alguns; e Nuno Marques Pereira, no Peregrino da America (Lisboa, 1760 pag. 48), Guarinhatáa. Hoje diz-se Grunhalá (Cazal I , 84. o Rcbello, Cor. da Bahia, 1829, pag. 56).-Parece o Iclerus eitrinus de Spix. Sabiatingu (que ainda hoje era algumas partos so chama tabui branco) o o Turdus Orpheut do Spix. Tié piranga ó o nosso mu» conhecido lihé (Tangara nigrogularis de Spix) — tiainambi o o nome indigeno dos beija-flores, que bojo constituem vários gêneros:

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BREVES COMMENTARIOS

o Agayá o da linda colhereira que Vieillot designou como Plalalca aiaia. Jaçanã, pelo nome, deve ser do gênero Parra; e neste caso talvez a de que trata Soares seria encarnada por metamorphose quo essa espécie soffra, como acontece aos guarás (íbis ruber)—Segue-se a Tangara calestis de Spix, e mais duas aves que também podem ser do mesmo gênero, se alguma não é antes Muscicapa ou Lanius. A ultima ave é da família psittacina. 162. Os pássaros que melhor conhecemos, além do que primeiro tratou no cap. anterior, e torna a occupar-se, são: o sabiácoca ou sabiá da praia que Spix denomina Turdus rufiventer, e do qual diz (pag. 69 do texto) ser « cantu melódico uti philoraela europsea insignis»: e o Querejua ou Crejoá que é a Ampelis Cotinga do Linneo. 163. Nhapupé é o Tinamus rufescens de Temnink. A saracura pertence ao gênero Rallus: Spix descreve-a como Galinula Saracura. Orú é o Trogon sulphureus de Spix, e Anú (que Moraes dhAnum) o Crotophaga Aní deLimico. Segue-se a Ardea Maguari de Vieill, e talvez um Tinamus, vários Turdus; e conclue-se o capitulo com um trepador picapáu (Picus), manifestamente o que Spix denominou P. albiroslris, e que, segundo Cuvier julga, lem analogia com o P. Martius de Linneo. 164. Occupa-se o autor de dar noticia geral dos orthopteros c lepidopteros. No Dicc. Braz. (pag. 42) lemos tucuna, e em Abbeville (foi. 255 e 235 v.) pananpanam e araraa. 165. Seguem vários hyraenopteros da família mellifera. Da canajuba traia Baena (Corog. pag. 121) e da copueruçú Carvalho (cap. 351) e Piso (pag. 287), que lambem se occupa da Taturama (pag. 289). 166. Outros da família diptoptera de Latreille—e alguns diptcros etc. Abbeville escreve (para ser lido por Francezes) tururugoirc e merou ou berou por terigôa o merú. 167. Mais dipteros, ura orthoptero e um coleoplero da família dos longicornios de Latreille, ou cerambycios de Lamk. 168. Tapir-elé ou simplesmente tapir era o nome que davam

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os indígenas ao conhecido pichydcrino Tapir americanas que Buffon descreve no tomo tindocimodo sua obra (Edic. de 4.°, pag. 4/i4).--Os Castelhanos lho chamaram ante o danta, e os Porluguezes <IHÍ«, porque designavam a esse tempo com tal nome (derivado do arabigo que é semelhante) o bufalo {Bos Bubalusiio Lin.) quo havia na África e no sul da Europa, e cujas pelles curtidas do còr amarella, que muito se empregavam nos vestuários o armaduras no século 16, poderain substituir pelas do nosso tapir, cora mais vantagem ao menos no preço. A resistência das couras de anta á estocada era provcrbial. 169. Jaguareté ou jaguar verdadeiro é a Felis onça de Lin. 170. Ha talvez engano era suppor ura animal Felis hahitador dos rios ou amphibio; no tamanho das presas lambera deve haver engano; pois náo podem ser do ura palmo. 171. Julgamos mais acertado nào querer reduzir sem bastante segurança as três espécies de cervos de quo se oecupa Soares; se bem que uma nos pareça o C. rufus de Cuvier, e outra o C. tentticornisde Spix. 172. Occupa-se o autor do tamanduã-açú ou Myrmecophagu jubala. Segue-se talvez uma espeeie aguarachai ou Canis A zarie • e depois o coaly . espécie de Xasua, o maracaiá ou Felis trigrtna «j o serigué ou gambá , que no Rio da Prata chamara micuré, espécie do Didelphis de Linneo. Gandavo (fl. 22 v.) escreveu cerigoés o Vasconcellos'Li v. 2 ° , n o l . 101) çarigué. — Ao bolso do abdômen chamavam os indígenas tambeó. 173. Jaguarecaca (talvez antes jaguatecaca) diz Soares ler sido o nome do conhecido Mephilis fada de III., que Cazal (I., 64) designou por Jaraticaca. 174. Os pachydermes que se descrevem todos parecera dicotyles e nenhum sus. Deixemos a reducção das espécies aos que tenham a vista bons exemplares adquiridos nas iinmediatjõesda Bahia. — Os nom«3S nos manuscriptos não soffrerain adulteração; mas hoje alguns variam em caitelú , tayatilú e teririca. 175. Poucas palavras teráõ soffrido entre nós mais variedade na orthographia do que a da capivara, que assim se pronuncia e escreve

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BREVES COMMENTARIOS

hoje quasi geralmente o nome do Hydroclmrm Capibara do Cuvier. — Os outros amphibios não podemos determinar só pelos nomes: um pôde ser a Mustela lutra brasiUensis', os outros talvez Flvcrras. 176 Chama-se Tatú-açú ao Tatú-ai ou Dasypus Umcinctus ; tatà-bola é o D. tricintus; os dois últimos parecem ambos da espécie D. novemcinctus. 177 As pacas e cotias bem conhecidas são, assim do vulgo como dos naturalistas. -Colimerim ou antes Coatimerim é o estimado Caximguenguelé, espécie do gênero Scinrus. 178 O capitulo 104 dá razão de cinco animaes da ordem dos quadrumanos, cada um de seu gênero. O guigó 6 Callitrix; a guariba Mycetes; os saguins da Bahia, Jacchus; os do Rio, Mídas; o os anhangásou diabos são evidentemente Nocthora. 179. Se o autor andou tão systematico no capitulo que acabamos de commenlar, não succedeu assim no immediato, onde ajuntou vários animaes mui differentes: Saviâ (ou talvez Sauiu) e seus compostos S. tinga e S. coca, são espécies dos gêneros Mus o do JTerodondeNeuwied.—Aperiás são os Preàs ou Ancema Cobaia L.: Tapotim é a Lepus brasiUensis de Gmelin; o Jupaíi um marsupial, provavelmente a denominada marmola (Bidelphit murina.) 180. Para não interrompermos o pouco que falta da classe dos mammiferos, não nos deteremos com largo exame no capitulo em que Soares dá noticia de alguns reptís do gênero Emys, e talvez de mais algum da família chelonida. O nome brasilico jabuti já está lambem consignado nos tratados da sciencia zoológica, e nos museos do Universo. 181. A preguiça (gênero Bradypus de Lin.) é pelo jesuita Vasconcellos denominada (Liv. 2.° n.% 100) Aig. - Haüt dizia Thcvet. 182. Não sabemos como entende Soares que Jupará ou antes Jurupará queira dizer noite. Jurú significa boca, o noite ou escuro traduz-sc por pytuna. — Sabemos que existe ainda nas nossas

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províncias «Io norte um animal «laqucllo nome, que se caça «le noite, quando vera comer fruta em certas arvores, o quo era algumas lerras lhe chamara jurupary. Esto norao quasi eqüivalia enlre os indígenas ao de anhangà. Assim talvez o animal seja algum do gênero Nocthora (cora. 178^. O cnandú, ciiim e qtteiroá sáo «'species do Hystrix. 183. Enceta-se uma das ordens dos reptis cora a giboia mui propriamente chamada Boa Constrictor. Anualmente ha duas dellas vivas no nosso museu. Veja-se a dissertação sobre Ophiologia do Sr. Burlamaque na Bibliotheca Guanabarense, quo publica os trabalhos da Sociedade Vellosiana (Agosto de 1851. i 184. São conhecidos os ophidios de que traia o capitulo. Ao ultimo chamou Abbeville Tarehuboy, e Bacna (Cor. do Pará p. 114) Tarahiraltoia. 185. Hoje diz-se vulgarmente jararaca [Trigonocephalus jararaca, Cuv.) — A ububoca ou coral, pelo nome, deve ser a Elaps Maregracii do Spix. 186. O nome de Boicininga cahiu era desuso e so ficou o de cascavel (Crotalus Cascatella). Os Chiriguanos chamavam-lhe emboicini o boiquirá; assim corao, segundo J. Jolis (Saggio dei Chaco p. 350', chamav:i„i boi l tapou que Soares diz B"itiap-jia, mais conhecida por cobra d*, cipó, lalvoz pelo uso dos indígenas de açoutarem com cila. pelas cadeiras, a .-nas mulheres quando lhes não davam filhos. Lbojara é naturalmente a CariUa Ibiara, I)..ud, pag. 63 o64. 187. Trigonocephalus Surucucu ti ->T>-' Cuvier ao opbidio que em vulgar designamos tora esle uiiimo nome. — O uhiracoi parece a Xatrix punetatissima de Spix. Os outros são talvez espécies de Xiphosoma. Lrapiagára ou Guirauptagára quer dizer «comedora dos ovos dos pássaros. » 188. Na ordem dos saurios menciona Soares um jacaré, que como se sabe é gênero da família dos crocodilos. — Sanainbús o Tijús (ou Teyús) são Iguanas. Anijuacanga talvez seja adulteração de Teju-acanga.
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BREVES C0V.MEHTARIOS

189. Trata-se de alguns amphibios da família Banidas. — O sapo é o PipaCururú de Spix. Juí-giá quer dizer rã do gemido, — e por este nome é hoje conhecido em algumas províncias este batrachio. 190. Não sabemos individuar os apteros myriapodes, que Soares descreve neste capitulo, por nossa mingua de conhecimentos entomologicos, e falta de collecções que nos sirvam de guia. Piso (p. 287) escreve Ambuà. 191. Outro tanto dizemos acerca dos pyrilampos ou vagalumes que devem naturalmente pertencer, como os que conhecemos, á ordom dos Coleopteros. — Piso (p. 291) disso Memoà. 192. Da classe arachnidea trata-se no capitulo 118 , bem como dos articulados do gênero Scorpio, Mygala, etc. 193. Não nos foi possível encontrar collecções contendo os Hymenopteros tratados nos quatro capítulos que seguem. Abbeville (foi. 255 v.) chama Ussa-ouue á formiga saúba ou tocanteira. 194. A palavra goajugoajú parece-nos não ter soffrido adulteração : é uma Formica destructrix. 195. O Diccionario de Moraes anda falta de ura accento na segunda syllaba da palavra Içás. 196. Tacjba é em geral a paiavra para dizer formiga na lingua guarani. 197. Copiou Cupim é o conhecido Termes fatale de Lin. (Cuvier T. 3." p. 443). — Neste capitulo ha no nosso texto melhoramentos de variantes importantes. 198. Abbeville (foi 256) chama lou ao que Soares e o Padre Luiz Figueira (Gram. p. 48) dizem tunga, eAtlun HansStaden. É a nigua dos Hespanhoes, e chique dos Francezes (Labat, Viag. 1724; T. l.«p. 52e53.) 199. O nome pirapuã dado pelos indígenas ao cetáceo balêa pôde traduzir-se por peixe redondo — ou — peixe ilha. 200. Segundo nos informa o Sr. Maia não consta que o espadarte freqüente hoje a nossa costa. E se nunca a freqüentou é elle de opinião que o de que Soares trata seja antes o Hiitiophorus

rminantemenle ouvia afirmar . O P. etc. 62). apenas diversamente escripio. A idéa de homens marinhos era familiar aos índios. sem questão o mais estimado peixe do Brazil como assevera Soares. e Vai. com as soreas etc. 967 v. desPois. Squalus. gênero da familia dos Squalidaz. altendida naquelles a orthographia franecza. Romeiro ó o Echeneis Remora de Lin. 203. 205. Abbeville líol. Lago (p. 60. Ainda que sejam mui nomeados os peixes quo Soares reuniu no capitulo 131. scomberoide do gênero Cybium (Cuv. — Hipupiára. flOA «mcrreoniis de Cuv. Do Camoropi tratam Laet (p 570). des Pois. Panapaná (nome quetambémnos transmittem Thevet e Abbeville) é a Zygena malleus de Valoncicnncs.) Houperou. 11) também se inoslra em tal assurapio crédulo. uma vez que por ali não consta haver phocas.". 244). . o que comprova aexaclidáo nos termos Aragoagoay e Uperu de Soares. Gandavo (foi. João Daniel no Thesouro do Amazonas (P. Goaràguá ou Guirabá 'Dicx. p. O peixe monstro de quo so faz montão seria naturalmente algum cachalote do extraordinário tamanho.) 206. é o scomberoide antes denominado Centronotus. Trata o cap. 201.) é o conhecido cetáceo do gênero Trichechus. 1. 245 v. Gandavo e Pitta (p. 128 de peixes dos genoros Pristis. cao seu século: pois que era «Uh . Braz. O beijupirá. eThevel (Singul..ntiga lambem na Europa.) escreveu Araouaoua. 8. — Soares não poude ser superior ao quo t. com o mesmo nome quoSoares. om. Hist. e Vai. 42).334) Olho de boi (que deve ser algum Thinnus) diz-so em guarani Tapir-siçá. 204. E fauno pulIuUr quest' acqua ai summo. 8. 202. Hist. foi. Melhor acertamos acerca dos peixes cartilaginosos. Bom conhecida é a p^sagom de Danietantasvezes citada : • Che solto 1'arq-ja ha pente ehe «ospirs . foi. confessamos que só d'elles conhecemos a cavalla.» cap. Abbeville (foi.A OBRA DE SOAnRi.. 35) dá noticia delles. •> As assaltadas de que so faz menção seriam talvez obra de tubarões ou do jacarés. bem. e hoje classificado como Elacate americana (Cuv. 133 e Cosmogr. pag 181.

De novo attende Soares a outros peixes. A coirimá ou coriman.. Trata-se primeiro da Mugil Albula de Linneo. 66. que Soares. o peixe porco dos Balistidas e este ultimo mui provavelmente Monocanthus. Treme-treme. Quanlo aos nomes indígenas temos por exactos todos os do nosso t ex t 0 . como se juntos tivessem sabido de um lanço de rede. — O nome Atucupâ verifica-se pelo de Oalucupá. Julgamos o roncador dos Scienidas. pertence ao citado gênero Mugil. (pag. segundo Piso. 208. Boi (a negra). talvez Petromyzon. as agulhas dos Esocidas. Arobori deve ser dos Clupidas. Barboleta e Manteiga. Pororé é o nome que significa enxada. . quanto alcançam nossos exames. Preparemo-nos para encontrar em um capitulo peixes muito dissemilhantes entre si. Ticonha. e do gênero Ephippus.teve a lembrança pouco feliz de arrumar n'este capitulo. Jabybyra é significado que se confirma no Diccionario Brazilico. que é dos mais abundantes da nossa costa. um Serranos. porém a enxada peixe. O bodião é peixe differente. um Elops.RIOS como os cações. 207. 62) para a pescada. ou o peixe enxada é da familia chetodonlida. e carapeba do gênero Seiena. Paslinaca o Rhinoptera: e os nossos pescadores d'esta parte da costa as distinguem com as denominações de Santa. Asraiasdo Brazil são de vários gêneros: Raia. por quanto guaibi ou guaimim (segundo escreveu o autor do Diccionario Brazilico) quer dizer velha. os quaes se podem comprehender na familia dos Scomberoides. segundo os paizes. uma Coryphena. Jurucuáé. 56). Caramurú é um cyclostomo.—pirasaquê do gênero Conger. um Scomber. ou de algum dos outros que constituiam o Zeus de Lin. pag. Os bagres são Siluridce talvez do gênero Galeichthys ePimelodus.404 BREVES COMMENTA. O peixe gallo era questão é do gênero Argyreyosus ou do Blepharis. o nome das tartarugas. —Vereis ao lado de algum Lobotes (?) um Thynnus. «Stc. _ Guaibi-coara explica a denominação que menciona Piso (pag. que dá o Dicc. 209. Piso trata d'elles com nomes análogos Curui e Urutu. Braz. Jaguariçá é naturalmente da família dos Cyprinidas.

Uramaçá ou aramaçá. . « do gênero Pleuroncctes. Aimoré pareço um Lophiiis—O haiacú ó um Telraodon e o pira-quiroá ura Diodon. not 59. o d'esta maneira de pronunciar (mais exacta visto qne segundo Soares os indigenas náo tinham o 1 de Lei) veio Reritygba ( Vasconc. segundo os que soguora Marcgraf. e ainda uos lembramos da graça que os Tamoios acharam ao francez Lery de ter um nome corao o d'elles. designaram elles por sapo. além do muito que deixamos nos capítulos já commentados. Mytilus. Mais crustáceos do gênero Câncer. O de quo tratamos conclue com um crustáceo bem conhecido. 211. Foi com um exemplar preparado. Vacupuá é seguramente adulteração de Baiacu-puá. que Uto freqüente é em nossas águas. tão pouco estudada até agora. 207. e depois com oulro que se acabava de pescar. e pira-quiroá traduzido ao pé da letra quer dizer peixe-ourico ou peixe porco-espinho . O nosso autor dava-lbe novo cunho de autoridade. os exames que não nos é possível ultimará cerca da doutrina deste capitulo. com o nome de morcego do mar. nome dado pelos pescadores. Unio. — Ussá é o Câncer uca de L. quo tivemos bemoccasiSo de admirar o gênio observador e talento descriptivo de Soares. 136. Grapsus.) 210. quo tem o nosso museo do Rio de Janeiro. 204 ) diz Bery. Estes dous peixes da familia gymnodonlida servem de confirmar a propriedade que guardavam os Guaranis em suas denominações : ao haiacú que ainda hoje sorvo de proverbial comparação para os que imitam a rã da fábula. ou Ocypode fossor de Latr. Abbeville ( foi.i' OBRA DE SOARES. Concluiremos o que temos a dizer sobre o cap. 213. frOíi A palavra (rouyói-coali tem o que quer quo seja quo ver cora velha (com. 212.) 215. ele— O uso já adrailliu a pronuncia e orthographia de Seri com preferencia a todas as outras. depois de parar algum tempo admirando Soares a descrever a Malthea Vesperlilio. 214. Seguem outros crustáceos. Os testaceos de que trata Soares sio conhecidamento Anodon. á vista. Leri é o nome genérico da ostra. Deixamos para os que venham a fazer ex-professo estudos sobre a nossa Ichtyologia.

/. como actualmente ainda no Pará. chamava-se tapuia ao gentio bravo. no Brazil nação Tapuia. Oatapesi e Jatetaosu differentes. Antigamente no Brazil. Quando os Tupis invadiram o Brazil do norte para o sul (e não do sul para o norte como pretendeu Hervas e com elle Martius).06 BREVBS COMMENTARIOS 216. Otextoda academia nomeava Goachamoi o que em outros códices lemos Guoanhamú : hoje dizemos Ganhamú. Helix. Polypos. 217. São-nos mui familiares os nomes e o gosto dos peixes lembrados no cap. foram logo seguidos de outros de sua mesma raça. pag. Descreve-se a Ampularia Gigas deSpix. 42). 218. Unio. 220. etc. Comprehende o capitulo vários Echinodermes. que empurraram para o sul o para o sertão. Parenchymalosos. da silurea dos lamoalâs.. etc. etc. chamando-lhes Tapuytinga. Helk. alguns Bulimus. que se chamavam também a si Tupinambás. e deram aos vencidos. que a si se chamavam Tupinambás ou Tupis analisados. e tapuia se iam chamando uns aos outros. e os indígenas a applicavam até aos Francezes. O fraccionamento crescente na raça tupica. que seestendia por quasi todo o Brazil na época do descobrimento. o nome de Tupiikis e de Tupin-aem. contrários dos nossos. como já dissemos (cora. os quaes se encontram nos rios do sertão : mas sem exemplares á vista não queremos arriscar opinião sobre o logar que elles occupam na Ichtyologia. 219. 39). de água doce. —Os Tupis. era tal. Esta palavra quer dizer contrario. etc. a . isto é Tupis lateraes e Tupis máos. Vem de novo alguns testaceos e crustáceos: são Anodon. Braz. isto é Tapuia branco.. 221. os mais aos menos civilisados. e insistimos ainda n'esta idéa. Lisb. da percida dos ocaris. Não havia. da cyprinida dastrahiras. 144 . sendo mui natural que pela maior parte estejam por classificar: ainda assim conservamos lembrança da forma petromyzonida dos muçús. Nos nomes indígenas notam-se variantes dos do texto acadêmico que traz o Papesi.: 1795. 222. que não exageram os quo crêem que a não ter lugar a colonisação europea. (Veja-se o Dicc. chamaram Tapuias ás raças que elles expulsaram.

» da 2. 227. Cunha Rivara. que com essa superioridade ficava vencedor.' S. 223. N'este capitulo confirma Soares que o nome dos indígenas. pag. Nao andaria porém já n'este nome a idéa da residência do Caramurú ? 224. protegendo sempre um dos partidos. — Os primeiros colonos seguravum-se na terra á custa d'esta desunião. 1. A07 mesma raça devia perecer assassinada por suas próprias mãos. 225. o que tantos outros serviços tem prestado ás leltras brazileiras. do Insl. <Scc. 226. Dr. Ás vezes chegavam a fomentar a desunião política.A* ORRA DB HOAIUI. corao quasi vai suecedendo n'esses inaltos virgens em quo lemos Índios bravos . e que no baptismo so chamou (como o governador) José Saturnino. No nosso museo ha o retraio de um de Mato-Grosso todo vestido de gala. &c. nfio conquistariam muitas vezes nações fracas. As axorcas usadas pelas mulheres eram denominadas como . 251) Esseescripto de Anchieta devemos á bondade do nosso amigo°o Sr. se dentro d'estas não adiassem partidos discordes em quem podesse encontrar ponto de apoio sua alavanca terrível. da Rev. 129) cora o nome de Pointe de 6Yoi*esímourou. e se unia aos da nova colônia . o alé em relações de parentesco. era o de Tupinambás: —o que faltavam geralmente a mesma lingua por toda a costa. o que não deve admirar quando vemos que isto ainda hoje é seguido.— Cremos ser a mesma Bahia o local a que se quiz referir Thevet (fl. e tinham os mesmos costumes. alias poderosas. porquanto os Jesuítas o repetem escrevendo-o porém Quigrigmuré. mesclando-se com ella em interesses.. antes de se dividirem. — Sem a desunião da raça tupica nunca houvera uma nação peipieua como Portugal colonizado extensão do terra tão grande como a que vai do Amazonas ao Prata. bibliothecario de Évora. O principal ou cacique dos Tupinambás tinha (e tem ainda) entre elles o nome de morubixaba. O nome indígena do termo da Bahia deve estar certo. fazendo-se uns a outros crua guerra. Anchieta (Tora. A respeito da condição da mulher entre os Tupinambás consulte-se o que nos diz o P. e que nações.

274) Tabacourá. 4. Couraças. 2.° Pinheiros. Carneiros. Trigos. &c. Temos visto botoques de mármore. 1. 4. sob o nome de Socaúna. Romeiros. e por graça deitavam elles ás vezes por ali a lingua de fora. segundo Soares. o que lambem era admittido entre os antigos Egypcíos. E o que succede por toda a parte com a raça humana. Os Romanos também faziam grande differença entre o parentesco dos tios paternos e maternos distinguindo patruus de avunculus." de arvores. Coelhos. nem sempre são modelo dos sentimentos puros. 230." Sardinhas. &c.° Leões. O que dizemos dos nossos nomes pôde applicar-se aos inglezes. c Leites. caridosos e pios que o christianismo quiz symholisar com a fraternidade. os irmãos por via de rivalidades quotidianas. 66. allemães. Assim a idéa da fraternidade de que o Evangelho se serviu ." de mantimentos. &c. Pacas. nem que tivessem a boca cheia. «SÍC. Titara . e sendo aquelle o segundo pai. a falia dos gentios se difficultava ou antes era mais difficit entende-los." de animaes. Nos nossos mesmos nomes não acontece isso? Vejamos: — 1. 229.408 BREVES COMMENTARIOS diz o nosso autor. 228. O parentesco mais prezado d'este genlio depois do de pai a filho. &c. Cajus. Os primeiros apellidos derivavam entre os Tupis. padrinho ou preceptor nato. Metara era o nome indigeno dos botoques da cara : ás vezes tinham a forma de uma bolota grande. outras vezes eram como uma muleta em miniatura. 3. Farinhas. francezes. 2. de âmbar e de cristal de rocha. pois que o confirma Abbeville escrevendo (fl. como diz Thevet. não era a que grassava entre essas raças: o na verdade já desde Caim e Abel. era o de tio paterno a sobrinho. e se servem hoje os philanlropos como prototypa dos sentimentos da piedade e caridade. O bicho em questão de pelle peçonhenta é descriplo por Soares no cap. 231. É claro que com taes corpos estranhos na boca e nas faces. Os Tupis da- . &c. 5° Lanças. Lamprêas. Quando tiravam o botoquesahia a saliva pelo buraco. Lobos. 5° de peças de armas. Cordeiros." de peixes.. 3. Pereiras. &c. Pelo sangue de mãi não havia parentesco.

232. 237. quando so lhes nao dá «ísmota. 114 v. mas são filhas de duvidas que temos.'. e pôde muito bem ser quo o nome que bojo damos á raça não signifique senão tios.—Sendo assim teríamos n'este factos mais ura ponto de contado para a possibilidade de relações do outr ora entro o Egv pio e a America. Não faltara quem ache estas nossas opiniões demasiado metaphysicas. como do dos Tupis.09 \.A OURA III. Também chamamos a atlenção sobre este capitulo. Segundo Thevet (fl.T 52 . Recommendamos a leitura d'este capitulo 160 aos que sustentam o pouco prestimo do nosso gentio. . sobretudo quando velhos Temos idèa do haver lido «|ue o uso antigo do chamar-se a gente |M»r tios. ainda so chama tio a qualquer homem do campo ou do mato a qmmi so não sabe o nome . Era IIespinha e Portugal. 233. 234. assim Tupi-mbá significaria os tios boa gente.) para fazer o sal ferviam a água do mar até engrossa-la e ficar ella em metade . E' certo que a mesma expressão Tupi quer dizer lio. Tupi-ikis os tios contíguos . como mis hoje era communhSo social nos dizemos irmãos. MURES. Tupi-aem os tios máos . Tal é a X. O uso de comer terra e de mascar barro é cousa ainda hoje vista entre alguns caboclos e moleques. e mesmo entro nós no sertão. — e talvez que não só em virtude do uso europeo. irmão diz-se so aos pobres. segundo Montoya. o pai ou paisinho aos pretos. á cerca do que Lord Kingsborough apresentou tantas probabilidades. e publicando-as não fazemos mais que leva-las ao terreiro da discussão. O fimòõ e tingui são o trovisco do Brazil—Quanto á criação de animaes a pássaros domésticos era ella anterior á colonisação . que por philantropia estamos deixando nos matos tragando-se uns aos outros. e quem sabe so mesmo d'elles africanos. c di/iatn-so por ventura uns aos outros tios. por quanto já da carta de Pero Vaz de Caminha se vô que com isso se oecupavam os das aldéas vizinhas a Porto Seguro. etc. e tinham então uma substancia com que faziam cristalisar esta calda salitrosa. procede do tempo dos Phenicios e dos Egypcios. o caçando os nossos africanos (a que chamam macacos do chão) só para os comer! 235.«m preferencia ao parentesco Ao patruismo. Os nossos africanos ainda se traiam mutuamente por tios .

Eram os riscos como uma farda ou condecoração. 244. 238. Póde-se dizer que com este segundo nome ficavam titulares. 241. cuja capa exterior se fazia de folha de palmeira. de quem trataremos em oulra occasião. —As relações dos prisioneiros com as gentias. Como typoda eloqüência guerreira indígena eram consideradas as declamações do celebre principal Quoniambebe. Oappelido de nascença. Fernão Cardim e mais viajantes antigos. quando trazidos por quem não as houvesse de direito. O apuro dos sentidos entre os indígenas é proverbial. Thevet. que promoveriam o riso. Quanto aqui se relata é confirmado por Lery. deque tratámos (com. o texto acadêmico. 63 v. e 121) aiupawe. só servia aos indígenas em quanto por alguma façanha não conquistavam outro mais honroso. tapume silvado ou sebe. Em vez de tajupares escreveu o autor do Dicc. -21) tejupaba. 245.£jlO BREVES COMMENTARIOS magia da musica e da poesia que a apreciam até os povos sepultado na maior brutalidade. que lhes davam por companheiras. 228). e Abbeville (foi. O ultimo § d'este capitulo não se encontra no texto da Academia. ou de folha de milho ou do mesmo tabaco. quando diz que se curavam ao fumo. O uso de curar feridas com fogo debaixo de si foi advertido por Pero Lopes. Cangoeira de fumo era nem mais nem menos do que um cigarro monstro. que fazia a contracerca ou circumvalação das tranqueiras ou palancas. em logar de ser de papel. . E palavra que se encontra três vezes na Relação da tomada da Parahiba doP.— Ereiupê era oSalamaláh da raça tupi. 240. 239. 237. e ainda nos tempos modernos se vê confirmado por todos os viajantes que tem visitado as cabildas errantes em nossas malas. Deste modo encaramos o assumpto do Caramurú como romance histórico. poderia talvez explicar a salvação de alguns. Cazia diz o texto acadêmico. Braz. ( p. Para memória dos novos títulos sarjavam o corpo de riscos indeléveis. o que era honra de que só usava quem a conquistava. 242. 243. Caiçá era o nome do tapigo . Mazaraca dizia aqui. em vez de muçurana. Jeronymo Machado.

£ra para o gentio reputado vil cobardia do prisioneiro o não afrontar a morte com arrogância. le laisse aller sans se venger. Ainda temos na idéa o horror quo nos causou o assassinato do sertanista Barboza. descripto em um numero anterior (o. nelles confiam. A. disse que elles não agradeciam esses meios brandos." 19) da Revista do Instituto. Foi por isso quo â câmara da Bahia. Algumas particularidades narradas por Soares tem analogia . 247.i. 250. depois de lhes fazer presentes. 80. porque tudo o que por amor lhe fazem attribuem é com medo e se danam com isso » — O mesmo assegura Thevet na sua Cosmogr. Por esto capitulo 175 vemos que enlre os Tupinambás da Bahia só os moços iam á cova dentro de talhas pintadas (iguaçabas ou camueins): falto pois examinar se essas múmias . represou laudo ao rei contra a ineflicacia das ordens regias de se levarem os mesmos indígenas por meios do brandur. et lasche de coeur. quizer tomar informações por pessoas que bem conheçam a qualidade do genlio destatorraachará que por mal e não por bem se hão de sujeitar e trazer á fé. 249. foi. Os bugres recebem presentes de ferrinhos que no anno seguinte enviam contra o bemfeitormui aguçados. nas pontas do suas frochas. e seus dous companheiros. ou faziam alguma oulra supplica. acha-se repetido neste tratado no cap. Embagadura é o nome do punho da espada tangapoma. Moquem (donde derivou o nosso verbo moquear) é a mesma expressão que na America do Norte se converteu em boucan.acocoradas que se tem encontrado em tolhas contém cadáveres que se possam julgar de pessoas adultas. fatiando dos antigos Tupinambás ou Tamoiosdo Rio de Janeiro. imaginando que provinham de medo. 248. ou assassinam aqueitos que. antes se enfatuavam mais com elles. — «Se V. lequel ayanl le dessus de son ennemy. donde veio bucaneiro.A* OURA l)U SOARES. h1 1 246. 909. e o não exhalar o ultimo suspiro com alguma afronta contra os vencedores. Assim os indígenas deviam fazer triste idéa dos chrislaos quando elles podiam a Deus misericórdia na hora da morte. «El estiniont celuy là poltron. et sans le massacrar» E o que ainda suecede com os dos nossos sertões.

Amoipiras quer dizer os — Parentes cruéis—Amôig — parente (Tesoro de Montoya foi. Tabuáras dizem algumas copias em vez de Tapuras. Pelo que nos revela Soares a invasão dos Tupinaéns devia ser muito numerosa.412 BREVES COMMENTARIOS com o que praticava a antigüidade. A freqüência e familiaridade com que Soares se serve já em seu tempo da palavra mameluco faz-nos crer que ella foi adoptada no Brazil com analogia ao que se passava na Europa. é o caso de um albino na raça tiipinambá. tanto no que respeita ao carpir os mortos. mamelucos os filhos de christão e moura ou de mouro e christã. 32 v. 254. cruel foi. e talvez também em Portugal. Abbeville (foi. As folhas dos machados eram umas cunhas de pedra esverdeada como de syenito ou diorito. — Sem nos occuparmos da etymologia dessa palavra (que é árabe. e neste caso seria quasi o mesmo que Tubirá ou Timbirá que ainda hoje se dá a uma nação do sertão: Timbirá é nome injuriosocomo patife. 252. nem das accepções differentes em que foi tomada. quanto a nós. sabemos que no século XV e XVI chamavam vulgarmente na Hespanha. O que Soares conta da industriados Amoipiras é applicavel em tudo ao que praticava o mais gentio antes de communicar com os Europeos. o que pouco dista de Tapuias. 251. No nosso museo da Corte e no do Instituto Histórico se guardam vários utensis em tudo primitivos.) e Pira. O pequeno mui alvo de que dá noticia Soares. bem que pela . que hoje se emprega n'outra accepção. 297 v. 261 v. 253. 255. por quanto diz que elles « andavam correndo toda a costa do Brazil» antes da vinda dos Tupinambás. assim será: mas não se confunda com Tabajaras que quer dizer Os das Aldêas ou Os Aldeões •' Talvez o nome em questão se devesse antes ler Tapurá. lingua que não conhecemos). O nome brasilico para mestiço era Caribóca. Merece pois quanto a nós menos credito a etymologia de Soares de um chefe chamado Amoipira.) é de parecer que Tabaiares quer dizer grandes inimigos. como ao desamparar ou matar os doentes em perigo. Não temos noticia de outros fados ou exames a tal respeito.

Joaquim Caetano da Silva. não entendendo o que esta tão entendido quo o esforço dos poucos não pode resistir ao poder dos muitos. 260. —Cremos que até hoje não se tem ninguém aproveitado de sua lembrança para fabricar delia alcatrão e mais produetos resinosos. segundo muito bem nos lembra o nosso erudito amigo o Sr. Temos de novo que lastimar a crcdulidade do século: agora são mulheres do uma só teta. com seus obreiros. » 258.A' OBRA DE SOARES. As pedras d'alfebassão naturalmente produetos zoophylos. 262. que náo usavam do motaes. 259. nora de niós. quo pelejavam como Amazonas. —Do pedra usavam também grandes bordões. cora forras necessárias. a todo gentio quo habitava as terras das hoje províncias de Goyaz . queria talvez Soares designar os potes . etc. corao as alavancas ordinárias. sem ser louça nem tolha e lijollo (se não houve erro dos copistas). cântaros. explica a verdadeira causa da victoria dos estrangeiros Tupis contra as amigas raças quo habitavam o nosso território pela desunião dellas entre si: «Por onde so diminuem em poder para não poderem resistir a seus contrários. Da arvore camaçari tratou sufficienlemente Soares no cap. Vasconcellos (p. . o a perfeição como são feilas basta para caraclerisar a pacioncia dos artistas. &i. 146 o 148) dá noticia do oulra nação do Igbirayáras a quo os nossos chamavam bilreiros. que lhes serviriam «fo arma offonsiva. e só por informações geraes. Os habitantes das serras do sertão que viviam corao iroglodictas seriam naturalmente os Paretis. 263. O nome de Maracás procedeu talvez. 261. Soares cora seu espirito penetrante. G7. por so fiarem muito em seu esforço o animo. 256. do tremerem elles com a falia o imitarem com isso a hulha dos maracás.— Com as fôrmas feitas de barro. Dá uma idéa da prosperidade da Bahia em 1587 o haver abi 240 carpinteiros e 50 tendas de ferreiros. Malto Grosso e Pará. 257. no sul do Brazil. Allude Soares.l dureza se deviam julgar do porfulo. 264. A rocha que tanta admiração causa ao autor é talvez alguma de formação secundaria ou terciaria abundante de incrustações.

63 ) diz ter visto pedras que se podiam julgar verdadeiras esmeraldas. não se commovesse senão por alicientes análogos. segundo Caminha. 268. As esmeraldas descobertas no século 16 seriam naturalmente as turmalinas. Soares levado de bons desejos acreditou na existência do minas de aço. que que se tiravam de montanhas já d'ellas faz menção Thevet (foi. e o nome dragoeiroanda corrompido se acaso a madeira da arvore serviu alguma vez para adargas. 270. onde só seattendia ás riquezas do Peru e á guerra aos hereges. cuja abundância em nossos sertões é tal que foi causa de «jue baixassem de preço no mercado taes pedras. e imaginou por venlura que o aço se tirava em Milão da rocha . Já dá Soares noticia que no seu tempo vinham do sertão de mislura com o cristal « pontas oitavadas como diamantes lavradas pela natureza de muita formosura e resplandor./tili BREVES COMMENTARIOS como a therebentina. » Não teremos aqui a primeira noticia de diamantes no sertão da Bahia? — Quando ás pedras verdes dos beiços. Cabral viu já dessas pedras em 1500 . As rochas eram evidentemente de amelhista ou quartzo liyalin violeta . Adargoeiro é talvez a arvore africana que hoje se diz dragoeiro que dá o sangue de Drago. 267. que das minas do Brazil poderiam quasi. nome que em Portugal se adoptou pronunciando-o piaçá. 265. 266. Soares não contente com ter inculcado a um valido de Filippe II a grande importância do Brazil (no livro que por vezes elle denomina francamente Tratado). sem trabalhos nem dos- . a ponto que de junto da Caxoeira sahiu um dos maiores pedaços de cobre nalivo conhecidos. 269. breu e o competente ácido pyrolenhoso ou água russa.". qual é que se guarda na Historia Natural de Lisboa. 121 ) em 1557. conclue sua obra com asseverar: 1. A palmeira de cujas barbas diz Soares que se faziam amarras era a conhecida Piassaba. Thevet ( France Antarctique foi. Quanto ao que diz do cobre nativo não tardou que os fados o confirmassem. já prompto. receoso que essa corte.

2. \ÍÒ pezaS. como Soares. O seu livro esteve «piasi dousseculoso meio som publicar-se. não tardariam em se assonhorear da Bahia. ainda quando ello não houvesse eseripto. lirar mais riquezas «loque das índias Occidentaos . quo se não cuidavam do Brazil e os Lutheranos viessem a saber o quo por cá havia. e ainda outro dia. Assim aconteceu lambem. o se o chegassem a effecluar muilo custaria a botal-os fora.— Os llollandczcs vieram na America vingar-se «fo Filippell e dosou Duque do Alba . — Do homem superior «jue tinha entregue grainfo parte do seu tempo a observar.A' ORRA DR SOARES. F. Estas duas venlades proféticas fariam só por si a reputarão do um homem. de oiro e diamantes. . Adolpho de Varnhagen. veio a passar vida tão obscura que nem sabido é quando . Rio de Janeiro . um Tratado verdadeiramente etieyclopodito do Brazil. o o autor naturalmente depois da dilacção ícomo elle diz) do seus requerimentos em Madrid. nem onde morreu. do século passado para cá. a meditar e a escrever nenhum caso naturalmente so fez.". o as minas do Minas inundaram o Fui verso. 15 de Setembro de 1851. ao homem quo depois do Soares mais noticias deu a c«?rca do Brazil: — ao modesto autor da Corographia Brazilica.

Agostinho. 18. . Roque até o porto dos Búzios. . . . R e p a r t i ão que fizeram os reis catholicos com El-Rei I). 34.i <-AIMTIILOS : DA COSTA BRAZILICA. Do Rio de S. Quem são os Aimorés 33. e como J o ã o de Barros mandou povoar a sua capitania 11. ib. 374 ib. Do Rio Grande até o de Santa Cruz . Do cabo e rio de Ipojuca até o Rio de S. . . ib.'. 13. e quem foi o primeiro povoador d'ella 17. Do Rio de Santa Cruz até o de Porto Seguro. . . Do porto de Olinda até o cabo de S. . V Com. 373 ib. 1 35. . 375 ib.ÍNDICE DA OBRA E DOS COMMENTARIOS DE GABRIEL SOARES ARRANJADO PELO COMMENTADOR. . nEDICATORI*. Do rio da Parahiba até T a m a r a c á . ib.". De Tatuapará alé o rio de Joanes 27. 19. . . até o de Seregipe. Donde começa a correr a costa do Brazil. . Vida e costumes do gentio Petigoar 11. ROTEIRO GERAL Proeini. . Do Rio Real. 9. Do Cabo de S. e os trabalhos que n'isso teve 20. «Io «'. Francisco. Quem povoou a capitania de Porto Seguro . Costa do Amazonas até o Maranhão 6. ib. Do rio Amazonas 5. Da grandeza do rio de S.ora PARTE PRIMEIRA. Quem são os Caités 20. ib. Do rio de Camamú até os llhéos 31. 22. Do Rio Real até o rio de Tapocuru . Da bahia da Traição até a Parahiba 12.Do Rio Grande até o de Jagoarive 8.5. 37. Primeiros descobridores do Bra7. . Do porto dos Búzios até a bahia da Traição.'. I>ag. . 25. .'. ib. e de seus merecimentos 24. ib. 36. ib. Da ponta do Padrão ale o rio Camamú 30. ib. . . Do Rio Seregipe até o Rio Real 23. ib. . 15 1 369 16 17 18 20 21 22 24 25 26 27 28 30 32 33 35 36 38 40 43 44 45 46 48 49 50 51 53 56 57 60 61 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 ih. . Francisco. ib. PáR. . Como Francisco Pereira Coutinho foi povoar a Bahia. il). 372 ib. ib. Do Rio de Joanes até á Bahia 28. . quem foi o primeiro capitão 1. Como se começou de povoar a capitania dos ílheos! 32. 4. ib. . 13 1. i.1l. ib. Do Rio dos Ilheos até o Rio Grande. Da villa de Olinda. Como se tornou a commetter a povoação da Parahiba • 13. • 2. Do Maranhão até o Rio Grande 7. il>. Do Jagoarive até o Cabo de S. h i. e como está arrumado • • . ib. ib. Do Ttapocuru até Tatuapará 26. . Francisco 21. ib. de Portugal '}. Roque . . Do rio de Igaroçii até Pernambuco 16'. . De Porto Seguro até o Rio das Caraveilas. i b m 64 66 . 371 ib. ib. e da grandeza de seu termo. João I I . ib. b ib.

. 54. . b 380 ib. b i. . Vicente.. Fertilidade da terra de S. Pedro . Pedro até o cabo de Santa Maria. e ilha* que tem defronte . MEMORIAL E DECLARAÇÃO DAS GRANDEZAS DA BAHIA. ib.ho« a u * • f o i P<»»«>ar em pessoa . b 377 ib.açao tia Bahia. Barra< en. — Historia da Coloni. ' . 73. Vicente 94 58. . . P M . Antônio Salema 56. Francisco 102 103 103 104 105 106 107 108 109 101 74 ib. « . . . . Governo de Duarte da Costa 115 79 "j^ «*5» . Do porto da Alaguna até o Rio de Marlim AlTonso .ri t° Sanio. Governador Mem de Si no Rio de Janeiro. i. . Costa do Rio ale 8. . De Ilapocorú até o Rio dos Patos Coatames dos Carijós Costa do Rio dos Fatos até o da Alaguna. 45 Quem «toai Goitacasetr • . Quem foi Tbomé de Souza 111 76 jb 3. b 37S i. « • ( npimnia do Etpirílo Santo a Vatco Fernandes . b ib. Do Rio de Martim A «Tonto até» porto de 8. Vicente i . Do cabo d» 8.F»|. . Quem sao oa Tupiniquins. . . b i. . . Vicente 98 63. . . . da ponta do Pão-oV-\»siK-nr para dentro S8. b i. i. . J>o Cricaré até o rio Doce ! . Do cabo de Santa Maria até ao Rio da Prata .- PARTE SEGUNDA. h i b i. Quem ê o gentio Tamoio 93 59. . . 0 15* S "™ "*" °* P»P»na«es f 4 1. J8. b i. . Como foi governador do Rio de Janeiro. '. ] 13 77 jD. b i b i. Edificação da Cidade do Salvador. TITULO I. . Da Cananea até o Rio de S. . . 1. o c e • • ' ° ** E *P . . Dita da ponta da cidade para dentro . Thomé . 43. ' * 50. ib. rvt/°J?. . ib. 18. Povoacao d*esta cidade 55. Capitania de Santo Amara 97 68. . . Thomé. 2. . . 74. 1U0 66. . . . . Coocloe-se com o Rio de Janeiro cota a tornada dé Salvador Corrêa 81 82 83 H » 8(2 88 90 9) 57. Quem tão o« Goaianaves ? 99 64. Entrada do Rio de Janeiro. Costa do rio de Santo Amaro até i Cananea . . Do Rio de 8. 68. Recôncavo do Cabo Frio . Armada de Thomé de Souza 111 75 jD. AS. 4. b i b i. . b ib. b ín 2° Cabo FHo *'* " R l ° ** *••"«> .". Bihia do Rio de Janeiro. 67 fiá 69 71 79 75 76 77 78 79 fio 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 4S 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 61 65 66 67 68 69 70 71 72 73 i b i b i b I. até além da bahia de S. Francisco alé o de Itapocurú . Nova armada em favor da coloiiisaç£o 114 78 ib! 5. . . Com. 95 61. 51. . Do Rio das Caravellat até n Cricaré 39. Ponta do Rio da Prata. io í?° rio . ! . . b 378 ib. b 379 ib. 94 Sr i ? e 0 • ' ' • capitania de 8. Pedro de Ooes Uri povoar a iua capitania da Parahiba oa de S. . . Do Espirito Santo até o Cabo de S. 69. i. i. . 67. i. . povoaçSes da capitania de S. da banda do Sul. d* 38. 7178. Mathias 65. 70. Como corre a costa do Rio de 8. i b i. . Thomé até o Cabo Frio . «mm. . . .

. 1°J oi ->^ *>9.e os seus engenhos . Tamanho e formosura do rio Irajuhí. Cidade do Salvador \iH ^ 8. P*S. . Como se navega para entrar na Bahia . 6. até Juquirijape. Terra do Riode Paragoaçú tocante i capitania de 1 4 2 D . . que se dão na Bahia .ú. . e de algumas ilhas . Feição da terra da boca de Matoim até o esteiro de Metaripe. Das sementes de Hespanha. . Da boca da barra de Jagoaripe. Jo3 39. Como se tratam os moradores do Salvador e algumas qualidades suas • • • 14. «*>. . .. 137 25. !''ib.J 19. e por este rio acima • • 1*3 29. «b. ijo 18. e suas ilhas 30 20. . 1-»^ 22. . r e c ô n c a v o s . e seus recôncavos • • Uâ 30.°° Com. Fertilidade da Bahia. 15. Terra da Bahia da cidade até aponta de Tapagipe. IJ. — D a e n s e a d a d a B a h i a .Zllíj 1NDIGE Pag. Das raizes da mandioca. Fazen'das que ha da barra de Pirujá até o Rio de Matoim . !'• >b. • 1*° 33. — Da agricultura da B a h i a . Quantas igrejas . Álvaro . Da mandioca „ 38. Do Rio Una até Tinharé.. . Barras que tem.n-. 140 27. Tamanho d o R i o de Matoim e engenhos que tem . Outras partes que a cidade tem para se notar . e como se criam . D'outros fruetos estranhos 157 36.„„ wt12.• • 28. 133 23. Sitio da cidade 1'y ftíj fl. Como segue por este ramo • • • 11. lu - . Clima da Bahia: curso dos ventos na costa. edos engenhos que em si tem . Da farinha fresca que sr faz da mandioca . Tamanho do mar da Bahia.1 " -. Como corre a terra do rio de Paragoaçú ao longo do mar da Bahia até a boca de J a g o a r i p e . Como se pôde defender a Bahia com mais facili125 88 dade T I T U L O 3 . — D e s c r i p ç ã o T o p o g r a p h i c a «ia B a h i a .rin " *%' 9 U .^ ib| 38 jD ib] :[. Grandeza' do Rio Paragoa<. 34. Engenhos de assucar de Piraj * • JJl 21. Rio de Seregipe e terra d'elle á boca do P a r a íroaçú ^ ° 26. 164 35. Da terra da boca do esteiro de Mataripe ate a ponta de Mairapé. !b«bibJ89 06 107 WS jü» 11" JJ* II113 111 . 158 I6 l 37.D ' Íí8i %b ~ 10103 101 105 ] io. . e mais engenhos 133 24. ib. e da ilha de Taparica . ribeiros e engenhos. Como corre esta da Sé por diante 1-' ' íí 10. . JH5 ib. engenhos e embarcações tem a Bahia. . e do para que servem . Grandes qualidades que tem a Bahia . ^ '"• ib. Como corre a mesma da banda da praça para a banda do Sul . com outras ilhas 1*8 32. ' >- xaparica * iQQ 37. Algumas arvores de Hespanha. 123 o» 13. Quão terrível é a água da mandioca 164 40. 151 T I T U L O 4. . suas i l h a s . .e como se n'ella dá o gado. ib. ° Com. 156 89 16.íJ £6 Ji i* 100 ]01 íh ™i 38. . e corno está arrumada a ilha de T-. e das águas nas monções ]|7 ' 7. T I T U L O 2 . e d'ahi até o rio Una 1*6 31. .

51. — Das a r v o r e s nseaos cosn d i f e r e n t e s p r o p r i e d a d e s . dos c i p ó s c folhas a t e i s . genipapo etc 184 128 ib. . Das arvores que dão a envira 214 142 ib. D o muito paru que prestam asrair. 223 15? ib79.e ha-tes de lan.' 1 151 ib. que dão frueto . Doa cajúaeeajuins. que se não tomem 520 119 ib. 71. 166 115 ib.):) T I T U L O 9 . sapucaia. emas ele . Dos amendoins {maadoblnsí 175 141 ib. . 52. 209 140 '«. — D a s a r v o r e s e p l a n t a s i n d í g e n a s que dao f n s e t o q n e s e coroe. macule. gallinhas do mato. 173 140 ib. Da farinha «le guerra. e pnra o que servem 221 j. 49. 66. — D a s aves. — Das a r v o r e s m e d i c i n a e s . Alguns mnntimentos de raizes que se criam d -baião da terra 170 118 38" 45. 46.Arvores. Em que se contém muitas f astns de palmeiras . 47.. Da ramacari e gnanandi 211 141 394 08. Legumes. . T I T U L O 8. '. D e algumas arvore* que dão Cructos. e raraoba merim. que dü» fruetos silvestre».Do macurugu». . De algumas arvores muilo duras 413 14i ib. Da embaiba e caraobui. Em que se a< alia a infirmaçu» das arvores reaes . . Hervas que dão frueto 194 130 ife57.. etc . 48. t>4. !>«• alguma* arvores de fruclo afastadas domar . 64. Arvore.. Algumas arvore* de cheiro '. 44. 6U. Daa Pacobeiraa e Bananeiras. 43. 184 126 ib. piqtiià. 241 1. De algumas arvores moles 215 145 il». e de oulrvs madeirns reaci .ú. D«»ripôs.Dua anananr* Itu 1 JI ib T I T U L O 6. 418 147 ib. Das arvores de virtude 195 132 391 59. 69. . Arvores de que se fazem remos.is . 41. 61. 91 -7 139 ib. 179 144 ií. e de outras arvores de virtude 198 111 ib.->J 39t> . 77* Folhas proveitosas que se rriain no mato . 70. 55. JR9 149 ib56. 167 116 ib. . TITULO 7 D a s hervas m e d i c i n a e s . AtO Pau. Das bervas de virtude.INDU. Como se cria o algodão . 1S6 133 ib. labaco. 74. du Com. . Doa mamões ejacarate-s 181 145 ib. Quantas casta» de pimenta ha 176 142 Ib. 44. 58. 65. 67. e como se f m da enrim* . Da arvore da almecega. Do vinhatieo e cedro 406 133 .U •••St Com. Virtudes de outras hervas menores 404 137 ib. Du P. Do milho 179 11» Ib. 53. 75. mulum. e de sua virtude.-quihi. T I T U L O 6.es «Io carimá . Doa aipins 16» 117 ib. Algumas arvores que tem ruim cheiro 'J19 148 ib. .'17 146 395 73. — Das a r v o r e s r e a e s e paus de lef. que M-dâ) xn longo domar 414 144 ib. 76. '4. etc 4(19 135 ib. T I T U L O 1 0 . 177 143 339 50. 7a» Da águia.íO ib. Da arvore dosambús 183 147 390 64. . e de outros arbustos 401 136 394 4»3.

Dos canindés. Que cobras são as de cascavel. Cobras diversas 2H4 w ib _ 114. — D o s m a m m i f e r o s t e r r e s t r e s e a m p h i b i o s . T I T U L O 12. . . i i ^ . 398 ib.Do copim e dos carrapatos 275 197 ib124. Alguns insectos com azas Das abelhas Das vespas e moscas Dos mosquitos. . ib. 106. 250 175 Dos tatus • . ib. Diversidade dos ralos que se romem 255 179 ib. ib. Das antas 243 168 Dojaguareté 244 169 Tigres e alimarias daninhas 245 170 Dos veados 246 J7 L Alimarias que se mantém de rapina 247 172 Entranheza do jaguaretacua 248 173 Dos porcos do mato 249 174 Dos porcos e outros bichos que se criam na a»ua x^006 . 95. e lagoas da água doce 82. 251 I76 Das patas e cutias 253 177 bogios ÍMÍ* K " S . 400 ib ib! . Das aves que se parecem com perdizes. Bicho que se chama preguiça 257 lgl jb108. T I T U L O I I . ' 261 184 ib. 101. 100. ib. 88. Alguns pássaros de diversas cores e costumes . Uas lucernas e de outro bieho estranho . . araras e tucanos 81. . . ' . ib. ib. 89. ib. T I T U L O 1 3 — D a h e r p e t o g r a p h i a e dos b a t r a c h i o s e v á r i o s o u t r o s . 397 jb. Diversidade das rans e sapos 266 189 402 1 6 . .De vários inseetos sevandijas 276 198 ib. 93. .A20 ÍNDICE Pag. Das aves que se criam nos rios. Aves de rapina 86. . 112. 90. . — D e v á r i o s h y m e n o p t e r o s e t c .-. llq r?113. 263 186 ib. . — Da entomologia hrazilica. Uas aranhas e larráos 270 192 ib T I T U L O 14. ib. ib. . ' . Das lagartas 26s ]g0 jb. Algumas aves nocturnas 87. ™„ J02. Com. . ib. IH cobras de coral e das gereracas 262 185 ib. . ib. Das formigas de passagem 272 194 ibCer aS t o n n i a s 100 7? ' S grandes 273 195 ibUl. . De outros pássaros diversos 225 227 228 229 230 231 233 231 235 236 154 155 156 157 158 ] (39 160 161 162 163 ib. ib. De alguns passarinhos que cantam . . 118. • . 269 191 ib. . T»f. Dos Kàgados 256 180 ib. . . 98. íio" £ a S / o r m ' S a s que mais damno fazem 271 193 ib140. ib. 107. 399 ib. 99. 109. 96. Algumas aves da água salgada 85. Uiversas castas de formigas 274 196 ib' 113.'254 178 105. Da cobra giboia. Dos lagartos e cameliões 265 188 ib. . i l j . 92. De outros animaes diversos 258 182 ib. Diversidades de papagaios que ha 84. rolas e pombas 83. 94. 259 183 401 110 Cobras grandes que se criam nos rios . grillos. 91. 80. 97. <!» Com. bizouros e broca 238 239 240 241 164 165 166 167 ib. . 103. . ib. e as dos formi°-ueir s • . .

Algumas castas de peixe medicinal. 136. . Doa peixes de couro v 486 406 ib. . 154. . douradas* curvinas etc. «noltoscos. Como os Tupinambás agazalham os hospedes. Dealgumashabilidadese costumes dosTupinambís. . . e das ceremonias que n'estesu«nui . 131. CIMII. 490 409 ib. 162. . .M deu * costa. . e andam sempre no fundo 491 410 405 137. Pis. Qae trata de qnaes foram os primeiros povoadores da Bahia 303 241 ib. 317 434 409 159. . Das ceremonias que usam os Tupinambás nos seus parentescos. . . .e o que fazem quaodo lhes nascem 313 448 408 155. 163. il. 156. 139. Do modo de comer e beber dos Tupinambás . . . Dos feiticeiros e dos que comem terra para se matarem 345 S35 ib. 154. 339 234 ib. . Das baleas. 316 431 ib. Da qualidade de alguns peixinhos. — Doa mammiferos marinhos • dos peixes do mar . 144. 487 407 404 134. 130. Dos meros. 498 416 406 143. 311 246 ib. Do peixe-boi » !B2 jí:a ib. 484 405 ib. camarões ato. . . e uejs 293 414 ib. . Das albacoras . . 148 Proporção e feição dos Tupinambás. 1 » . . 138. e dos peixes d'agua doce. e de outro peixe não conhecido que . 135. T I T U L O 10.—Dos crustáceos. 344 437 ib. .«li. e dos camarões . 161. 133. Modo da rranrearia dos Tupinambás. 161.. tuninhas e lisas . 481 404 ib. 319 433 ib. Diversas castas de caranguejos 495 413 ib. Dos caranguejos do mato 304 440 ib. . . O com que os Tupinambás se fazem bizarros. . xoopby tos. TITULO 16. . 186. V7 . «79 400 ib.. . \1\ « . 499 417 Ib. 145. . 158.ÍNDICE P»f. IPalguns peixes que se criam na lams. . De oatros mariscos §97 315 ib. pescadas e xareos . Das saudades dos Tupinambás. . Maneira do* rasameotas dos Tupinambás e seus amores. 483 404 ib. 140. e como choram e cantam 353 486 ib. . . % • 314 447 ib. (orno se dividiram os Tupinambás 307 443 407 150. . 139. . Do que o autor julgava homens msrinhos . . Dos peixes d'agua doce 301 418 ib. 494 411 ib. . Linguagem dos Tupinambi» 308 444 ib. Do uso que os Tupinambás lêem em seus conselhos. Da diversidade de botios. . 141. Do aiarisco que se cria n'agua doce 302 419 ib. Das ostras 29fi 414 ib. 147. Doa lagostina. . eebinodernes ate. tubarões. 160. . . e como se dividiram logo . — Noticia ethnographiea do gentio Tupinambá que povoava a Bahia. . 306 444 ib. Doa peixea preiadoa e grandes . . . TITULO 17. 114. 149. . 878 199 io. . e de suas habilidade! . Do peixe serra. 153. Dos enfeites d'este gentio . . 325 438 ib. bonitos. 145. 147. 314 429 ib. cavallas. Eatraabecaa qae o mar cria na Bahia . 146. 480 401 4ti3 148. . 151. Dacreaçãoque os Tupinambéa duo aosfilhos. . 157. . DasaWease seus principaes 309 445 ib. Do espadarte. . Da luxuria d'estes bárbaros 315 430 ib. Peixes que se tomam em rede* 338 408 ib.

ib. ib. quando se recolhem . . 192. Como os T u p i n a m b s dão a seus contrários . 165. Do tratamento que os Tupinambás fazem aos que captivam. ib. Com. Mais aparelhos para se fazerem armadas. . ib. . para se fazerem grandes armadas. ComooTupinmnbi que matou o contrario toma logo nome. ib. ib. . ib. 331. Aparelhos que faltam para as embarcações . ib. ibib. Pedra para fortifiencões Commodo para se poder fazer cal. 178.nes do sertão Dns esmeraldas e outras pedras Da quantidade de ouro e prata. . Paa. . ib. 180. Successor ao principal que morreu. ib T I T U L O 20. 190. aço. Da festa e apparato que os Tupinambá's fazem para matarem em teireiro a seus contrários 173. Dos aparelhos. T I T U L O 18. 174. Das ceremonias qHe os Tupinamb. ih. A m o i p i r a . A i m o r é s . .'>s fazem quando morre algum. e a mulher que lhe dão . 269 270 ibibibib- . . I9t>. Dito para se fazer pólvora. ibib. . r as ceremonias que n'isto fazem . T I T U L O 19. . . De como entre os Tupinambás ha muitos mamelucos que descendem dos Francezes. ib. e as que se fazem por morte d'ella também 177. Como os contrários dos Tupinambás dão sobre elles. . . Alguns outros costumes 343 344 345 346 347 349 350 351 352 252 253 254 255 256 257 258 259 260 ib. 195. . ib. — Metaes e pedras preciosas. . — I n f o r m a ç õ e s e t h n o g r a p h i c a s a c e r c a de o u t r a s n a ç õ e s visinhas da B a h i a . De como se este gentio cura em suas enfermidades. 169. e cobre Das pedras verdes e ar. ib. 193. 183.s e . . 176. . e como o enterram. . c o m o T u p i n a é . . " 170. De como se enfeita e apparata o matador. . e t c . . — R e c u r s o s da B a h i a p a r a d e f e n d e r . 371. e seus costumes. Ubirajara. ih. e das ceremonias que faz sua mulher. . 182. . Dorrande conhecimento que os Tupinambás tem da teTra . ib. 184^. IS5Dos Tupinaês Costumes. . . . 172. ib. 354 261 355 262 356 ' 263 357 264 358 265 359 26b ib. 361 362 363 364 267 268 . e trnges dos Tupinaês Quem suo os Aimorés. ib. . 179. . ib. Como os Tupinambás se apercebem para irem á guerra 168. e de um Índio que se achou muito alvo 326 328 329 330 331 333 334 335 336 338 339 340 341 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 450 251 ib. ih. 194.Íl22 ÍNDICE T»g. ib. e parte de seus costumes 186. Da terra que os Tapuias possuíram De quem suo os Marac-is Sitio em que vivei» outras gentes. 166. e armas. âo Cot». picaria. 167. 1S7188. O que os Tupinambás fazem do contrario que mataram 175. 191. e como se faz . Do ferro. . c onde vivem Vida e costumes dos Amoipiras Da vivenda dos Ubirajaras. JS9.

pesados 14 araticarana araticupana. Tamaracá. linha dte pag. senão escriptai 8 erudição de algum copista Gabto cm 1526. 187 até ai Unha 40 inclusive da pagina 189. de locaes 6 capitulo» commeolo1» poderia poder 25 escripti) por Soares. . idem Tamaror. 126 130 139 149 150 ib. pesado* Allero.. Pitagoar idem.. vaccas.24 e 44 3 1* 19 94 2 9 ERRO EM KMn* 26 30 31 ib. em casamento moças orphus.'e d*aqui ai é.... 10 Madrid. leguas da costa S. roca 3 tapeti tapitim 4 aipins. Igaruçu.. jabutrmirim 2 presados. toaysa 19 radix radxi 17 falto falta 1» . Maruipe em dote de casamento. 12 jabuti merim. 6 locaes. M. Iagororu Tamaraci. aajoa aboixo ultima couraças ronras. Farreiry vaccas.... 1 4 ..i. ai pis 8 penúltima roça rota... Itacoatajaroí Pitiguar.. Tamaraqtii Tàmaraquí.. Entre a linha M e 20 deve seguir o quese encontra desde a 4. copanibuca.. 18. 34 33 41 67 115 ib. abaixo. mocos orpbãos pejados.ERRATAS. 26 ropaubucú Araticupana. penúltima S. e 16 28 25 2 ultima 10 16.. leguas de costa. Tamaraquá gentio. 13 3 .. 1'.... . d'aipii até. 160 164 167 171 184 215 240 431 441 457 483 305 367 368 371 377 378 379 386 403 Itacoatigara. PAU. A . Alto Tareiry. ultima Paga» rota. pagam. Arai ir tirana 9 sujos. Madrid. genito Mocuripe... Ltir.

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