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Cartola (compositor)

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Angenor de Oliveira, mais conhecido como
Cartola OMC (Rio de Janeiro, 11 de outubro Cartola
de 1908 — Rio de Janeiro, 30 de novembro de
OMC
1980), foi um cantor, compositor, poeta e
violonista brasileiro. Tem como maiores
sucessos, as músicas As Rosas não Falam e O
Mundo É um Moinho.

Considerado por diversos músicos e críticos


como o maior sambista da história da música
brasileira, Cartola nasceu no bairro do Catete,
mas passou a infância no bairro de
Cartola em setembro de 1977.
Laranjeiras. Tomou gosto pela música e pelo
Informação geral
samba ainda menino e aprendeu com o pai a
tocar cavaquinho e violão.[1] Dificuldades Nome Angenor de Oliveira
completo
financeiras obrigaram a família numerosa a se
mudar para o morro da Mangueira, onde Também Cartola
conhecido(a) Divino
então começava a despontar uma incipiente
como Poeta das Rosas
favela.[2]
Nascimento 11 de outubro de 1908
Na Mangueira, logo conheceu e fez amizade
Local de Rio de Janeiro, DF
com Carlos Cachaça — seis anos mais velho — nascimento Brasil
e outros bambas, e se iniciaria no mundo da
Origem Morro da Mangueira
boêmia, da malandragem e do samba.[2] Com
15 anos, após a morte de sua mãe, abandonou Morte 30 de novembro de 1980 (72 anos)
os estudos — tendo terminado apenas o Local de morte Rio de Janeiro, RJ
primário.[1] Arranjou emprego de servente de Brasil
obra e passou a usar um chapéu-coco para se Nacionalidade brasileiro
proteger do cimento que caía de cima. Por
Gênero(s) samba, MPB
usar esse chapéu, ganhou dos colegas de
Ocupação(ões) Cantor, compositor
trabalho o apelido "Cartola".[2] Junto com um
grupo de amigos sambistas do morro, Cartola Instrumento(s) voz, violão, cavaquinho
criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em Período em 1927-1980
1928 fundou a Estação Primeira de atividade
Mangueira. Ele compôs também o primeiro Gravadora(s) Discos Marcus Pereira
samba para a escola de samba, "Chega de RCA Victor
Demanda". Os sambas de Cartola se Afiliação(ões) Mangueira, Zicartola, Carlos
popularizaram na década de 1930, em vozes Cachaça, Dona Zica, Noel Rosa,
Oswaldo Martins, Roberto
ilustres como Araci de Almeida, Carmen Nascimento, Nuno Veloso,
Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e Sílvio Hermínio Bello de Carvalho,
Nelson Cavaquinho, Élton
Caldas.[2] Medeiros, Elizeth Cardoso, Odete
Amaral, Dalmo Castello, Eliana
Em 1974, aos 66 anos, Cartola gravou o Pittman, Marcus Pereira, Sérgio
primeiro de seus quatro discos-solo e sua Cabral, Francisco Alves, Vinícius
carreira tomou impulso de novo com clássicos de Moraes, Creusa, Paulinho da
Viola, Tom Jobim, Mário Reis,
instantâneos como "As Rosas não Falam", "O
Sílvio Caldas, Candeia
Mundo É um Moinho", "Acontece", "O Sol
Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me
Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço", "Alvorada" e "Alegria". No final da década de 1970,
mudou-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, onde morou até a morte, em 1980.[2]

Índice
Biografia
Do Catete para a Mangueira
O surgimento do sambista
Tempos difíceis
Os bons tempos do Zicartola
A glória na velhice
Últimas homenagens
Após a morte
Obras
Discografia
Oficiais
Canções Clássicas[10]
Participações
Não-oficiais
Homenagens e Tributos
DVD
Coletânea
Filmografia
Referências
Bibliografia
Ligações externas

Biografia

Do Catete para a Mangueira


Angenor de Oliveira nasceu em 1908 na cidade do Rio de Janeiro. Era o
mais velho dos oito filhos do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída
Gomes de Oliveira. Apesar de ter recebido o nome de Agenor, foi
registrado como Angenor — fato que só viria a descobrir muitos anos
mais tarde, ao tratar dos papéis para seu casamento com Dona Zica na
década de 1960. Para não ter que providenciar a mudança do nome em
cartório, a partir de então passou a assinar oficialmente seu nome como
Angenor de Oliveira.[3]

Sua família materna era de Campos dos Goytacazes (RJ) e seus


antepassados foram escravos do primeiro Barão de Carapebus,
proprietário do Solar do Beco. Nesse local nasceu seu avô materno, Luís
Cipriano Gomes, famoso cozinheiro, que trabalhou em Macaé (RJ) — na
Fazenda da Bertioga, propriedade da aristocrata D. Julia Nogueira da
Cartola aos 4 anos, com Gama e Gavinho — até ser aliciado por D. Anita Peçanha, prima de D.
Biela, no Catete. Julia e esposa do futuro Presidente do Brasil, Nilo Peçanha. O avô de
Cartola foi levado para o Rio de Janeiro, chegando a servir o casal
Peçanha no Palácio do Catete.[3]

Cartola nasceu no bairro carioca do Catete, onde também passou parte de sua infância. Quando tinha oito
anos, sua família se mudou para as Laranjeiras, onde ele se tornou torcedor do time do bairro, o
Fluminense.[4] Nas Laranjeiras, entrou em contato com os ranchos carnavalescos "União da Aliança" e
"Arrepiados" — neste último tocava cavaquinho (instrumento musical que lhe tinha sido dado pelo pai
quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade), o que também fazia nos desfiles do Dia de Reis, em que suas
irmãs saíam em grupos de "pastorinhas".[5] Era tão entusiasmado pelo "Arrepiados" que, mais tarde, ao
participar da fundação da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, sugeriu que as cores desse
rancho — o verde e o rosa — fossem as mesmas da nascente agremiação, que seria um símbolo dos mais
reverenciados no mundo do samba. Por outro lado, Carlos Cachaça disse que tinha existido no Morro da
Mangueira um antigo rancho chamado Caçadores da Floresta, cujas cores eram exatamente o verde e o
rosa.[3]

Em 1919, movidos por dificuldades financeiras, os Oliveira foram para o morro da Mangueira, então uma
pequena e nascente favela com menos de cinquenta barracos.[4] Logo, outro morador da Mangueira,
Carlos Cachaça, seis anos mais velho que Cartola, se tornaria, além de amigo por toda a vida, o seu parceiro
mais constante em dezenas de sambas.[3]

Quando tinha 15 anos, abandonou os estudos (tinha concluído apenas o quarto


ano primário) para trabalhar, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida
boêmia. Na adolescência, trabalhou como aprendiz de tipógrafo, mas logo se
transformou em pedreiro. Foi enquanto trabalhava nas obras de construção que
ele ganharia o apelido com que se tornaria reconhecido como um dos grandes
nomes da música popular brasileira.[6] Para que o cimento não lhe caísse sobre os
cabelos, resolveu passar a usar um chapéu-coco, que os colegas diziam parecer
mais uma cartolinha, e assim, começou a ser chamado de "Cartola".[3][4] Cartola aos 12
anos, na
Mangueira.
Tinha 17 anos quando sua mãe morreu. Pouco depois, após conflitos crescentes com o pai, inimigo da
malandragem, acabou expulso de casa. Levou então por algum tempo uma vida de vadio, bebendo e
namorando, frequentando zonas de prostituição e contraindo doenças venéreas, perambulando pelas
noites e dormindo em trens de subúrbio. Esses hábitos o levaram a se enfraquecer fisicamente, adoecido e
mal-alimentado, na cama de um pequeno barraco.[4] Uma vizinha do seu barraco chamada Deolinda, sete
anos mais velha, casada e com uma filha de dois anos – passou a cuidar e a gostar dele. Os dois acabaram
se envolvendo. Tinha na época apenas 18 anos e estava morando sozinho. Decidiram viver juntos e
Deolinda deixou o marido, levando a filha, que o compositor criaria como sua.[3]

O surgimento do sambista
O barraco dividido por Cartola e Deolinda era habitado por mais gente, todos sustentados pela dona de
casa, que lavava e cozinhava para fora. Sob seu teto e de Deolinda, Noel Rosa foi se abrigar algumas vezes,
à procura de um refúgio tranqüilo.[7] Cartola exercia a atividade de pedreiro apenas esporadicamente,
preferindo assumir o ofício de compositor e violonista nos bares e tendas locais. À época, já se firmava
como um dos maiores criadores do morro, ao lado do grande amigo Carlos Cachaça e Gradim.[4]

Com estes e outros compositores, Cartola integrava uma turma de brigões e arruaceiros que, não por
acaso, formaram o Bloco dos Arengueiros, em 1925, para brincar o carnaval. Esse bloco seria o embrião da
Estação Primeira de Mangueira.[4] A ampliação e fusão do bloco com outros existentes no morro gerou, em
28 de abril de 1928, a segunda escola de samba carioca e uma das mais tradicionais da história do carnaval
da cidade.[8] Cartola, um dos seus sete fundadores, também assumiu a função de diretor de harmonia da
escola, em que permaneceu até fins da década de 1930. O nome Estação Primeira foi escolhido porque,
contando a partir da Central do Brasil, o morro de Mangueira ficava na primeira estação de trem de um
lugar em que havia samba.[4] Cartola compôs "Chega de Demanda", o primeiro samba escolhido para o
desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco "História das Escolas de Samba:
Mangueira".[6]

No início da década de 1930, Cartola se tornou conhecido fora da Mangueira, quando foi procurado por
Mário Reis, através de um estafeta chamado Clóvis Miguelão, que subira o morro para comprar uma
música.[8] O sambista vendeu os direitos de gravação do samba "Que Infeliz Sorte", que acabou sendo
lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Assinava então Agenor de Oliveira.
Vendeu outros sambas a Francisco Alves, maior ídolo da música brasileira na época, cedendo apenas os
direitos sobre a vendagem de discos. Neste comércio – que serviu para projetá-lo entre os sambistas na
cidade –, Cartola conservava a autoria e não dava parceria a ninguém.[4]

O rapaz foi lá e disse: "Cartola, vem cá. O Mário Reis tá aí, queria
“ comprar um samba teu". "O quê? Comprar samba? Você tá maluco,
rapaz? (...) Eu não vou vender coisa nenhuma." (...) Ele disse: "Quanto é

que você quer pelo samba?". Eu virei pro cara, no cantinho, disse assim:
"Vou pedir 50 mil réis". "O quê, rapaz? Pede 500." (...) Com muito medo,
pedi 500 contos. "Não, dou 300. Tá bom?" Eu disse assim: "Bom, me dá
esses 300 mesmo". Mas com muito medo (...) Mas botou meu nome
direitinho, legal (...). Ele comprou, mas não deu para a voz dele. Então
gravou Chico, Francisco Alves.
— Cartola, sobre o samba "Que Infeliz Sorte", Almanaque da Folha (http://almanaque.folh
a.uol.com.br/cartola.htm).
Em 1932, Francisco Alves e Mário Reis gravaram outro samba seu, "Perdão, Meu Bem". Também remonta
àquela época a amizade e a parceria que Cartola estabeleceu com Noel Rosa. Com o "poeta de Vila Isabel",
compôs "Tenho Um Novo Amor", interpretada por Carmen Miranda, "Não Faz, Amor" e "Qual Foi o Mal
Que Eu Te Fiz", interpretadas por Francisco Alves. Ainda naquele ano, Sílvio Caldas lançou "Na Floresta",
de autoria de Cartola, do próprio Sílvio e ainda a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça.[4]
Também em 1932, a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal "O Mundo Esportivo" com o
samba "Pudesse Meu Ideal", sua primeira parceria com Carlos Cachaça.[6][8]

Em 1933 Cartola viu pela primeira vez um samba seu se tornar sucesso comercial: "Divina Dama",
novamente na voz de Francisco Alves. Arnaldo Amaral gravou "Fita Meus Olhos" (com B. Vasquez), canção
que encerrava o breve ciclo inicial de gravações de composições suas. A partir dali, o sambista passou a
compor exclusivamente para a sua escola no morro, marginalizando-se do círculo artístico e de produção
discográfica da cidade.[4] Em 1935 novamente a Mangueira teve premiado no desfile um samba de Cartola,
"Não Quero Mais", feito com Carlos Cachaça e Zé da Zilda, que foi gravado, em 1936, por Araci de Almeida
e regravado, em 1973, por Paulinho da Viola, com o título alterado para "Não Quero Mais Amar A
Ninguém".[6][8]

Em 1940 Cartola foi convidado pelo maestro e compositor erudito Heitor Villa-Lobos, seu admirador, a
formar um grupo de sambistas - entre eles, Donga, Pixinguinha, João da Baiana - para fazer algumas
gravações de música popular brasileira para outro maestro mundialmente famoso, o norte-americano
Leopold Stokowski (que percorria a América Latina recolhendo músicas nativas), realizadas a bordo do
navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, no Rio de Janeiro.[6] Dos sambas que Cartola gravou a
bordo do navio, "Quem Me Vê Sorrindo", composto com Carlos Cachaça, saiu em um dos quatro discos de
78 rpm lançados comercialmente apenas nos Estados Unidos pela gravadora Columbia.[4] Além da sua
primeira gravação, foi registrado nesse álbum o coro da Mangueira com as vozes de Dona Neuma e de suas
irmãs, a clarineta de Luís Americano, emboladas de Jararaca e Ratinho, a flauta de Pixinguinha, além das
participações de Donga e João da Baiana e um arranjo de Villa-Lobos para o tema indígena Canidé
Joune.[8]

Popular, Cartola também atuou como cantor na rádio, apresentando músicas suas e de outros
compositores. Ainda em 1940 criou com Paulo da Portela o programa A Voz do Morro, na Rádio Cruzeiro
do Sul, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes. Assim, o
programa premiava o ouvinte que tivesse sugerido o título escolhido para o samba. Em 1941 formou, junto
com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou
apresentações em um programa da Rádio Cosmos, da cidade de São Paulo.[6] Em 1942 "Não Posso Viver
Sem Ela" (parceria com Alcebíades Barcellos) foi lançada no famoso disco "Ai Que Saudades da Amélia",
de Ataulfo Alves.[4][8]

Gosto de fazer samba de dor de cotovelo, falando de mulher, de amor, de


“ Deus, porque é isso que acho importante e acaba se tornando uma coisa
importante.

— Cartola, comentando sua obra, Almanaque da Folha (http://almanaque.folha.uol.com.b
r/cartola.htm).

Tempos difíceis
Nos anos seguintes, Cartola participou pouco no cenário musical. Entre suas poucas atuações artísticas, o
sambista apareceu como corista da gravação de alguns cantores na Colúmbia e chegou a se apresentar com
um grupo de morro no Cassino Atlântico.[4]

Com a nova direção da Estação Primeira de Mangueira antipática a Cartola, o sambista viu seu samba ser
desqualificado pelo júri que julgou as músicas concorrentes ao enredo que representaria a escola de samba
no carnaval de 1947. Para piorar, ele contraiu meningite, ficando três dias em estado de coma e um ano
andando de muleta. Com vergonha da condição de doente, acabou se mudando para Nilópolis. Foi cuidado
por Deolinda, mas pouco depois assistiu à morte da mulher, vitimada por um ataque cardíaco. Com a
morte de Deolinda, deixou o Morro da Mangueira.[4]

Por um período de cerca de sete anos, andou desaparecido dos seus conhecidos. Fora do ambiente musical,
muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948 a
Mangueira sagrou-se campeã do carnaval do Rio de Janeiro com seu samba-enredo "Vale do São
Francisco" (com Carlos Cachaça).[6]

Cartola vivia um período difícil em sua vida. Sem mais a atenção de Deolinda e o prestígio no morro da
Mangueira, o sambista morava em uma favela no bairro do Caju, com uma mulher chamada Donária. Ele
conseguiu trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios. Mas a entrada em cena de
uma nova - e definitiva - mulher em sua vida alterou o seu destino. Quando Eusébia Silva do Nascimento,
mais conhecida como Zica, o encontrou, o sambista estava em um estado lastimável, entregue à bebida,
desdentado e sobrevivendo de biscates - sem contar ainda um problema no nariz, que tinha se tornado
demasiadamente grande, devido a uma afecção denominada rinofima. Apesar disso, Zica, antiga
admiradora de Cartola, se apaixonou por ele, conquistando-o.[4] Zica o levou de volta ao morro da
Mangueira, onde o casal se instalou em uma casa na subida do morro, perto da quadra da escola de samba
e próximo da casa de Carlos Cachaça e Menina (irmã de Zica). Com Zica, Cartola viveria até o fim de seus
dias, sem, no entanto, deixar filhos.[4] Mesmo sumido, Cartola ainda foi lembrado em 1952, quando
Gilberto Alves gravou o samba-canção "Sim" (parceria com Oswaldo Martins).[8]

Os bons tempos do Zicartola


Em 1957, Cartola trabalhava como vigia e lavador dos carros dos moradores de um edifício em Ipanema.
Nessa função, foi identificado em uma madrugada pelo jornalista Sérgio Porto (conhecido como Stanislaw
Ponte Preta), sobrinho do crítico musical Lúcio Rangel, que havia dado ao sambista, anos antes, o apelido
de "Divino Cartola". Ao ver o compositor magro e maltrapilho em um macacão molhado, Stanislaw
decidiu ajudá-lo, começando por divulgar a redescoberta, que fizera, do sambista.[4] Àquela altura, Cartola
era dado como desaparecido ou mesmo morto por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro
com o jornalista foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor.[3]

A promoção rendeu algumas apresentações na Rádio Mayrink Veiga e em restaurantes, além de matérias
em jornais e revistas. Sérgio também arranjou para o sambista, por meio do cronista e pesquisador Jota
Efegê, um emprego de contínuo no jornal Diário Carioca em 1958[6] e, no ano seguinte, no Ministério da
Indústria e Comércio.[4] Em 1958 foram gravados seus sambas "Grande Deus" e "Festa da Penha",
respectivamente por Jamelão e Ari Cordovil. Em 1960 Nuno Veloso gravou "Vale do São Francisco",
parceria com Carlos Cachaça.[8]
No início da década de 1960, Cartola se tornou zelador da
Associação das Escolas de Samba, localizada em um velho
casarão no centro do Rio de Janeiro, que se tornou um ponto
de encontro de sambistas de toda a cidade. Além das rodas de
samba no local, Zica - uma exímia cozinheira - passou a servir
uma sopa aos participantes. Estimulado por amigos, Cartola e
Zica resolveram aplicar a fórmula música-comida em um
sobrado da rua da Carioca, também na zona central da cidade, Cartola em 1967.

em 1963.[4] A iniciativa contou com o apoio financeiro de


empreendedores considerados "mangueirenses de coração", como o empresário Renato Augustini.[3]

O Zicartola se tornou um marco na história da música popular brasileira no início das década de 1960.
Além da boa cozinha administrada por Zica, Cartola fazia as vezes de mestre de cerimônias, propiciando o
encontro entre sambistas do morro e compositores e músicos de classe média, especialmente ligados à
Bossa Nova, além de poetas-letristas como Hermínio Bello de Carvalho e jornalistas musicais como Sérgio
Cabral. Velhos bambas, como Nelson Cavaquinho e Zé Kéti, se juntavam a novos talentos, como Élton
Medeiros e Paulinho da Viola.[4] Além da presença constante de alguns dos melhores representantes do
samba de morro, diferentes gerações de cantoras se encontravam ali, como Elizeth Cardoso e Nara Leão.[4]

No Zicartola, desafiado pelo amigo Renato Agostini, Cartola compôs com Elton Medeiros em cerca de 30
minutos o samba "O Sol Nascerá", que se tornaria um de seus grandes clássicos. A mesma facilidade para
compor experimentaria em "Alvorada" um samba feito a seis mãos. Compusera com Carlos Cachaça a
primeira parte de um samba que decidiram mostrar a Hermínio Bello de Carvalho, que escreveu então os
versos da segunda parte, que ele musicou na hora.[8]

Moda no Rio de Janeiro, o Zicartola inaugurou um gênero de casa noturna que viria a se propagar nas
décadas seguintes. Apesar disso, o bar durou pouco e, mal-administrado, fechou as portas após dois anos
de existência, pois seu dono definitivamente não tinha tino comercial.[4] Em 1974, um bar chamado
Zicartola foi aberto no bairro paulistano de Vila Formosa.[3]

Ainda em 1964, Cartola e Zica se casaram oficialmente (às vésperas do casamento, ele compôs "Nós Dois"
para ela), e o sambista atuou no filme "Ganga Zumba". de Carlos Diegues, no papel de um escravo. Ele já
havia atuado discretamente em "Orfeu Negro" e ainda participaria de "Os Marginais".[4] O samba "O Sol
Nascerá" foi gravado por Isaura Garcia.[8]

Em 1965 foi lançado o álbum com gravações do Show Opinião, no ano anterior, realizado entre Zé Keti,
João do Vale e Nara Leão - esta incluiu "O Sol Nascerá" (de Cartola e Elton Medeiros) no repertório do
LP.[3] Esta gravação tornou Cartola, assim como outros sambistas de seu círculo, conhecidos pelo público
de classe média da época, projetando-os profissionalmente. Em consequência do prestígio que ganhou,
Cartola chegou a ter seu nariz retocado pelo célebre cirurgião plástico Ivo Pitanguy.[4] Pery Ribeiro e Bossa
Três também regravam "O Sol Nascerá".[8]

Ainda em 1965 Cartola iniciou a construção de uma casa (verde e rosa) ao pé do morro da Mangueira, em
terreno doado pelo então Estado da Guanabara.[6] Naquele mesmo ano e no seguinte fez participação em
dois discos de Elizeth Cardoso, que gravou o samba "Sim" (parceria com Oswaldo Martins e Leny
Andrade).[8] Ainda em 1966 gravou com Clementina de Jesus seu samba "Fiz por você o que pude".[8]
Em 1968 participou em duas faixas do LP "Fala, Mangueira", que reuniu, além dele, Nelson Cavaquinho,
Carlos Cachaça, Clementina de Jesus e Odete Amaral. Também naquele ano, Cartola gravou com Odete
Amaral "Tempos Idos" (parceria com Carlos Cachaça) e Ciro Monteiro gravou "Tive Sim".[4][8]

A glória na velhice
Em 1970 Cartola protagonizou uma série de apresentações
promovidas pela União Nacional dos Estudantes,
intituladas "Cartola Convida", na praia do Flamengo, onde
recebia grandes nomes do samba. Também naquele ano, a
Abril Cultural lançou um volume dedicado à sua obra na
série "História da música popular brasileira", no qual o
sambista interpretou "Preconceito", de sua autoria. Em
1972 Paulinho da Viola gravou "Acontece" e Clara Nunes
gravou "Alvorada", com Carlos Cachaça e Hermínio Bello
Cartola em foto de 1970. de Carvalho. Em 1973 Elza Soares gravou "Festa da
Vinda", parceria com Nuno Veloso.[8]

Mas a consagração definitiva viria somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, quando o
sambista finalmente gravou seu primeiro disco solo. Cartola, lançado em uma iniciativa do pesquisador
musical, produtor de discos e publicitário Marcus Pereira. O disco, que recebeu vários prêmios e foi
considerado um dos melhores daquele ano,[1] reunia uma coleção de obras-primas de Cartola e uma equipe
de instrumentistas de primeira linha no acompanhamento. O sambista interpretou "Acontece", "Tive Sim"
e "Amor Proibido" (canções de autoria própria), "Disfarça e Chora" e "Corra e Olhe o Céu" (parceria com
Dalmo Casteli), "Sim" (com Oswaldo Martins), "O Sol Nascerá" (com Élton de Medeiros), "Alvorada"
(com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), "Festa da Vinda" (com Nuno Veloso), "Quem Me Vê
Sorrindo" (com Carlos Cachaça) e "Ordenes e Farei" (com Aluizio).[4]

Também em 1974 a mesma gravadora Marcus Pereira lançou o LP "História das escolas de samba:
Mangueira", no qual Cartola interpretou algumas faixas. Pouco depois, durante uma entrevista ao
radialista e produtor Luiz Carlos Saroldi, em um programa especial para a Rádio Jornal do Brasil,
apresentou dois sambas ainda inéditos: "As Rosas Não Falam" e "O Mundo é um Moinho". Ainda naquele
ano, o sambista participou do programa radiofônico "MPB - 100 ao vivo" - os programas foram editados
em oito LPs com o mesmo título e em um dos álbuns ocupou todo um lado, deferência só concedida a dois
outros convidados, Luiz Gonzaga e Paulinho da Viola - e se apresentou no bairro carioca de Botafogo, em
que atuou ao lado da cantora Rosana Tapajós e do flautista Altamiro Carrilho.[8] Gal Costa regravou
"Acontece".[8]

Logo depois, em 1976, a mesma gravadora lançou o segundo LP, também intitulado Cartola. O sucesso do
álbum foi puxado por uma de suas mais famosas criações, "As Rosas Não Falam", incluída na trilha sonora
de uma novela da Rede Globo. Ainda em seu segundo disco, Cartola interpretou suas composições
"Minha", "Sala de Recepção", "Aconteceu", "Sei Chorar", "Cordas de Aço" e "Ensaboa". Gravou também
as canções "Preciso me encontrar" (de Candeia), "Senhora tentação" (de Silas de Oliveira) e "Pranto de
Poeta" (de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito). Também nesse ano, Clementina de Jesus gravou
"Garças Pardas" (parceria com Zé da Zilda).[8]
A grande popularidade obtida pelo samba levou Cartola a uma divulgação inédita de seu trabalho. Realizou
seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo
Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por quatro meses em várias partes do país.[6]

Em 1977 o sambista dividiu com um novo parceiro, Roberto Nascimento, uma turnê por palcos do Sesc, no
interior de São Paulo.[9] Em meio ao grande sucesso, Cartola voltou a desfilar pela Mangueira, após 28
anos de ausência no desfile de carnaval. O seu samba "Tive, Sim" foi defendido por Ciro Monteiro na I
Bienal do Samba, promovida pela TV Record, e terminou classificado em quinto lugar no concurso.[4]
Também foi convidado pela Prefeitura de Curitiba para integrar o júri do desfile das escolas de samba
locais, onde, pela primeira e única vez, julgou um desfile das escolas. Beth Carvalho gravou com sucesso "O
mundo é um moinho". Em junho de 1977 a Rede Globo apresentou o programa "Brasil Especial" número
19, dedicado exclusivamente a Cartola, e que obteve grande êxito. Em setembro daquele mesmo ano, o
sambista participou, acompanhado por João Nogueira, do "Projeto Pixinguinha", no Rio de Janeiro, e
depois em uma excursão pelas principais cidades brasileiras. O sucesso do espetáculo os levou a
excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.[6][8]

Ainda em 1977, em outubro, a gravadora RCA lançou "Verde que te quero rosa", seu terceiro disco solo,
com igual sucesso de crítica. Um dos grandes destaques do álbum foi "Autonomia", com arranjo do
maestro Radamés Gnatalli.[4] Desse LP fazem parte o samba-canção "Autonomia", além de "Nós Dois",
composta especialmente para o casamento com Zica, em 1964. Recriou "Escurinha", samba do
mangueirense Geraldo Pereira, falecido prematuramente em consequência de uma briga com "Madame
Satã". Estão presentes ainda os sambas "Desfigurado", "Grande Deus", "Que é feito de você" e "Desta vez
eu vou" (todos de sua autoria), "Fita meus olhos" (com Osvaldo Vasques) e "A canção que chegou" (com
Nuno Veloso.[8]

Últimas homenagens
Em 1978, quase aos 70 anos, se transferiu da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, buscando um
pouco mais de tranquilidade, na tentativa de continuar compondo, mas sempre voltava para visitar os
amigos no morro onde crescera e se tornara famoso.[6] A residência de Cartola e Zica em Mangueira era
muito frequentada por músicos e jornalistas, o que levou o casal a procurar um pouco de sossego. Era
finalmente a primeira casa própria do artista, o máximo que ele conseguiu com o sucesso obtido no final da
vida. Em frente à sua porta, foi inaugurada em seguida uma praça apropriadamente batizada de As Rosas
Não Falam.[4]

Naquele mesmo ano, estreou seu segundo show individual: "Acontece", outro sucesso. E em novembro, por
ocasião de seu septuagésimo aniversário, recebeu uma grande homenagem na quadra da Mangueira. O
sambista, no entanto, já estava doente. Diagnosticado seu mal - um câncer na tireoide - foi operado em
1978.[4]

Ainda naquele ano o sambista gravou com Eliana Pittman o samba "Meu amigo Cartola", de Roberto
Nascimento e, com Odete Amaral, o samba "Tempos Idos" (parceria com Carlos Cachaça). Valdir Azevedo,
João Maria de Abreu, Joel Nascimento e Fagner regravaram "As rosas não falam". Elizeth Cardoso
regravou "Acontece" e Odete Amaral, "Alvorada". Durante a apresentação no Ópera Cabaré, em São Paulo,
no mês de dezembro, o concerto foi gravado ao vivo, por iniciativa de J.C. Botezelli, responsável pelo
primeiro disco de Cartola. Esse registro ao vivo só sairia em LP após a morte do compositor.[8]
Em 1979 foi lançado Cartola – 70 anos, seu quarto LP, no qual interpretou seus sambas "Feriado na roça",
"Fim de estrada", "Enquanto Deus consentir", "Dê-me graças, senhora", "Evite meu amor", "Bem feito" e
"Ao amanhecer", além de "O inverno do meu tempo" e "A cor da esperança" (parcerias com Roberto
Nascimento), "Ciência e arte" e "Silêncio de um cipreste" (com Carlos Cachaça), "Senões" (com Nuno
Veloso) e "Mesma estória" (com Élton Medeiros).[8]

Ainda naquele ano Nelson Gonçalves e Emílio Santiago regravaram "As rosas não falam". Em fins de 1979
Cartola participou de um programa na Rádio Eldorado, da cidade de São Paulo, no qual contou um pouco
de sua vida e cantou músicas que andava fazendo. Essa entrevista foi posteriormente lançada em LP, na
década de 1980, com o nome "Cartola - Documento Inédito".[8] Em 1980, a cantora Beth Carvalho
regravou "As rosas não falam" e "Consideração", parceria com Heitor dos Prazeres. Com Nelson
Cavaquinho, compôs apenas "Devia ser condenada", gravada pelo parceiro na década de 1980. A carreira
de Cartola não iria longe. Ele sabia que sua doença era grave, mas manteve segredo sobre ela todo o tempo.
Para todos dizia que tinha uma úlcera.[1]

“ Quando for enterrado, quero que Waldemiro toque o bumbo. ”


— Cartola, manifestando a sua família um desejo uma semana antes de sua morte,
Almanaque da Folha (http://almanaque.folha.uol.com.br/cartola.htm).
Três dias antes de morrer, recebeu de Carlos Drummond de Andrade sua última homenagem em vida.[4]
Cartola morreria de câncer em 30 de novembro de 1980, aos 72 anos de idade. O corpo foi velado na
quadra da Estação Primeira de Mangueira, onde passaram as mais diversas presenças do mundo da
música; Clara Nunes, Alcione, Emilio Santiago, Chico Buarque, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Nelson
Sargento, Jamelão, Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Martinho da Vila, Gal Costa, Simone, Elizeth
Cardoso, Paulo Cesar Pinheiro, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Gonzaguinha, entre muitos outros. Seu
corpo foi sepultado no Cemitério do Caju. Dona Zica viu o corpo do seu grande amor pela última vez,
abraçada com Clara Nunes, que era amiga e uma das "queridinhas" do poeta. Atendendo a seu pedido, no
dia 1º de dezembro, data de seu funeral, Waldemiro, ritmista da Mangueira, que havia aprendido com ele a
encourar seu instrumento, marcou o ritmo para o coro de "As Rosas Não Falam", cantada por uma
pequena multidão de sambistas, amigos, políticos e intelectuais, presentes em sua despedida. Em seu
caixão a bandeira do time do seu coração, o Fluminense.[1]

Após a morte
Durante os anos seguintes, viriam homenagens póstumas, discos e biografias que o confirmariam como
um dos maiores nomes da música popular brasileira.[3] Em 1981, Artur Oliveira concluiria o samba "Vem",
que Cartola deixara inacabado, e seu livro escrito juntamente com Marília Trindade Barboza, a biografia
"Cartola, Os Tempos Idos" seria lançado pela Funarte, em 1983. Ainda em 1982 foi lançado um disco
póstumo do sambista, "Ao Vivo" – gravação de um espetáculo realizado no final de 1978, em São Paulo.

Em 1984, também pela Funarte, sairia o LP "Cartola, Entre Amigos".[8]


Em 1988, para comemorar o octogésimo aniversário de seu nascimento, a gravadora Som Livre lançou o
songbook "Cartola – Bate Outra Vez...", que trazia Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zeca
Pagodinho, Luiz Melodia, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Nelson Gonçalves, Paulo Ricardo e Cazuza. E a
cantora Leny Andrade apareceu com "Cartola – 80 Anos". Marisa Monte viria a incluir em seu repertório o
lundu "Ensaboa", composto em 1975 e gravado pelo compositor em seu segundo LP.[4][8]

A cantora Claudia Telles, filha de Sylvia Telles, um dos ícones da Bossa Nova, lançaria em 1995 um álbum-
tributo com composições de Cartola e Nelson Cavaquinho. Em 1998, Elton Medeiros e Nelson Sargento
gravaram o álbum "Só Cartola". Medeiros também se apresentou com a cantora Márcia no espetáculo
"Cartola 90 anos", que resultaria em um álbum lançado pelo SESC de São Paulo. Naquele mesmo ano, o
grupo Arranco (ex-Arranco de Varsóvia) lançou o álbum "Samba de Cartola".[8]

Em 2001, a RCA relançou em CD o disco "Verde que te quero rosa". Naquele mesmo ano, foi fundado o
Centro Cultural Cartola, tendo por base a obra do compositor. Em 2002, o cantor Ney Matogrosso lançou o
álbum "Cartola", com repertório todo dedicado ao compositor da Mangueira. Em 2003, a neta de Cartola
descobriu uma pasta com vários letras inéditas que teriam de ser musicadas. Ainda naquele ano, Beth
Carvalho lançou o álbum "Beth Carvalho canta Cartola". Em 2004, o espetáculo "Obrigado Cartola", de
Sandra Louzada, com direção de Vicente Maiolino, estreou no Centro Cultural Banco do Brasil. O musical
contava a vida do compositor e apresentava sambas clássicos. Naquele mesmo ano, foi lançado pela
Editora Moderna o livro "Cartola", de Monica Ramalho.[8]

Em 2007, foi lançado o filme "Cartola - Música para os Olhos", com direção de Lírio Ferreira e Hilton
Lacerda. Em 2008, esquecido no ano de seu centenário pela Estação Primeira de Mangueira que ajudou a
fundar, foi, no entanto homenageado pela Paraíso do Tuiuti com o enredo "Cartola, teu cenário é uma
beleza", que ajudou a escola de São Cristóvão a subir para o grupo de Acesso A. Dentro das comemorações
pelo seu centenário, foi lançado pelo selo Biscoito Fino "Viva Cartola - 100 anos", que incluiu gravações
lançadas em outros discos e que continha uma única faixa inédita, "Basta de Clamares Inocência" -
gravada por Mart'nália. "Pranto de Poeta" – BMG [8]

Obras

Discografia

Oficiais

◾ 1974 - "Cartola"
◾ 1976 - "Cartola"
◾ 1977 - "Verde Que Te Quero Rosa"
◾ 1978 - "Cartola 70 Anos"
◾ 1982 - "Cartola - Ao Vivo"
◾ 1982 - "Cartola - Documento Inédito"

Canções Clássicas[10]

◾ "Que Infeliz Sorte!" (1931, canção lançada por Francisco Alves)


◾ "Divina Dama" - álbum "História da música popular brasileira" (RCA, 1970)
◾ "Quem Me Vê Sorrindo" com Carlos Cachaça - álbum "Cartola"
◾ "O Sol Nascerá" com Elton Medeiros - álbum "Cartola"
◾ "Alvorada" com Carlos Cachaça e Herminio Bello de Carvalho- álbum "Cartola"
◾ "Tive Sim" - álbum "Cartola"
◾ "O Mundo É um Moinho" - álbum "Cartola"
◾ "Peito Vazio" com Elton Medeiros - álbum "Cartola"
◾ "As Rosas Não Falam" - álbum "Cartola"
◾ "Cordas de Aço" - álbum "Cartola"
◾ "Autonomia" - álbum "Verde Que Te Quero Rosa"
◾ "Tempos Idos" com Carlos Cachaça - álbum "Verde Que Te Quero Rosa"
◾ "Disfarça e Chora" com Dalmo Castello - álbum "Cartola"
◾ "Corra e Olhe o Céu" com Dalmo Castello - álbum "Cartola"
◾ "Acontece" - álbum "Cartola"
◾ "Ensaboa" (participação: Creusa) - álbum "Cartola"

Participações

◾ 1942 - "Native Brazilian Music" - Leopold Stokowski


◾ 1967 - "A Enluarada Elizeth" - Elizeth Cardoso (participação em "Seleção de Sambas da Mangueira")
◾ 1968 - "Fala Mangueira!" - Odete Amaral, Cartola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Carlos
Cachaça
◾ 1970 - "História da música popular brasileira" - Cartola e Nelson Cavaquinho
◾ 1974 - "História das escolas de samba: Mangueira" - Vários Artistas
◾ 1975 - "MPB - 100 ao vivo" - Vários artistas
◾ 1980 - "E Vamos À Luta" - Alcione (participa da faixa "Eu Sei", de sua autoria)
◾ 1993 - "No Tom da Mangueira" - Tom Jobim e Velha Guarda da Mangueira (incluída sua gravação de
"Não quero mais amar a ninguém")

Não-oficiais

◾ 1977 - "Cartola" - este disco faz parte da coleção Nova História da Música Popular Brasileira vem
acompanhado de fascículo, fotos, ilustração de Elifas Andreatoe as letras das músicas
◾ 1980 - "Adeus, mestre Cartola"
◾ 1982 - "Cartola - História da MPB"
◾ 1999 - "O Sol Nascerá"
◾ 2001 - "A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes"

Homenagens e Tributos

◾ 1984 - "Cartola, Entre Amigos" - Vários Artistas


◾ 1987 - "Cartola – 80 Anos" - Por Leny Andrade
◾ 1988 - "Cartola - Bate outra vez..." - Vários Artistas
◾ 1995 - "Claudia Telles Interpreta Nelson Cavaquinho e Cartola" - Por Claudia Telles
◾ 1998 - "Sambas de Cartola" - Grupo Arranco
◾ 1998 - "Só Cartola" - Por Élton Medeiros e Nelson Sargento
◾ 1998 - "Cartola – 90 Anos" - Por Élton Medeiros e Márcia
◾ 2002 - "Cartola" - Por Ney Matogrosso
◾ 2003 - "Beth Carvalho canta Cartola" - Por Beth Carvalho
◾ 2008 - "Viva Cartola! 100 Anos" - Vários Artistas

DVD
◾ 2007 - MPB Especial 1974

Coletânea
◾ 2005 - Maxximum: Cartola

Filmografia
◾ 1959 - Orfeu Negro (participação especial)
◾ 1963 - Ganga Zumba ... Salustiano
◾ 1968 - Os Marginais (participação especial)
◾ 2006 - Cartola - Música para os Olhos (cinebiografia)

Referências
7. DIDIER, Carlos, e MÁXIMO, João. Noel Rosa:
1. Dettmar, U. (11 de outubro de 1978). «Cartola» uma Biografia. 1. ed. UnB, 1990 - ISBN 85-
(http://almanaque.folha.uol.com.br/cartola.htm). 2600-254-5
Almanaque da Folha.
almanaque.folha.uol.com.br. Consultado em 2 8. Dados Artísticos de Cartola (http://www.dicionar
de dezembro de 2015 iompb.com.br/detalhe.asp?nome=Cartola&tabel
a=T_FORM_A&qdetalhe=art) - Dicionário
2. Cartola (http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/c Cravo Albin da Música Popular Brasileira
artola.asp) no Cliquemusic
9. "A fama chegou até sua porta sem ser
3. Biografia de Cartola (http://www.dicionariompb. procurada. O discreto Cartola recebeu-a com
com.br/detalhe.asp?nome=Cartola&tabela=T_F cortesia. Os dois convivem civilizadamente",
ORM_A&qdetalhe=bio) - Dicionário Cravo Albin escreveu (http://www2.uol.com.br/cartol
da Música Popular Brasileira a/)Carlos Drummond de Andrade, em uma
4. Cartola - Por Carlos Rennó (http://www2.uol.co crônica sobre o sambista. "A dura experiência
m.br/cartola/) - UOL Música de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de
5. MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia carros, desconhecido e trazendo consigo o dom
da música brasileira - erudita, folclórica e musical, a centelha, não o afetou, não fez dele
popular. 3. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú um homem ácido e revoltado", completava o
Cultural/Publifolha, 1998 - ISBN 85-7161-031-2. poeta - Cartola - Por Carlos Rennó - UOL
6. Marcondes, Marcos Antônio (1998). Música
Enciclopédia da música brasileira: popular, 10. Carneiro, Luiz Felipe “Os doze maiores
erudita e folclórica (http://books.google.com.br/ clássicos de Cartola”(Fitinha, 22/11/2008); e
books/about/Enciclop%C3%A9dia_da_m%C3% “Cartola – Uma Biografia” Conexão Professor,
BAsica_brasileira.html?id=diUKAQAAMAAJ&re Secretaria de Educação, Portal do Governo do
dir_esc=y). [S.l.]: Art Editora. 887 páginas Rio de Janeiro.

Bibliografia
◾ Cartola: Os Tempos Idos, de Arthur L de Oliveira Filho & Marília Trindade Barbosa da Silva, (220pp.).
Pág. 94 e 101.Rio de Janeiro: FUNARTE, 1997.
◾ Cartola: Os Tempos Idos, de Arthur L de Oliveira Filho & Marília Trindade Barbosa da Silva, Rio de
Janeiro: Gryphus, 2003.
◾ Cartola: semente de amor sei que sou, desde nascença. Arley Pereira; prefácio de Elton Medeiros. 2ª
ed. rev. e ampl. - São Paulo: Edições SESC SP, 2008.

Ligações externas
◾ Sítio oficial (http://www.cartola.org.br)
◾ Cartola (http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Cartola) no
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
◾ Cartola - O Trovador do Samba (http://www.tvcultura.com.br/aloescola/artes/cartola/).
www.tvcultura.com.br
◾ Jovem Pan - Especial "Um Século de Cartola" (http://jovempan.uol.com.br/memoria/noticia/centenario
+de+cartola+ganha+homenagem+especial-140578,0)
◾ Revista Língua Portuguesa - O poeta improvável (http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11
629)
◾ Cartola (http://almanaque.folha.uol.com.br/cartola.htm) no Almanaque da Folha de S. Paulo
◾ JBlog Hoje na historia: 30 de novembro de 1980 - Um vazio se fez no samba (http://www.jblog.com.b
r/hojenahistoria.php?itemid=6146)

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