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RESERVADO

MINISTÉRIO DA DEFESA
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6'

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-

Telefone: (61) 3312-8709 ministro@defesa.gov.br


-

Oficio n ~ J Z- /MD

Brasília,US de março de 2012.

A Sua Excelência a Senhora


Dra. SIMONE BARBISAN FORTES
Juiza da ia Vara Federal e Juizado Especial Federal Criminal de Santa Maria
Seção Judiciária do Rio Grande do Sul
97050-030 Santa Maria RS
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Assunto: Ação Civil Pública n2 5007180-81.2011.404.7102/RS

Senhora Juíza,

1. Em atenção ao Oficio n 7482027, de 16 de dezembro de 2011, recebido em 23 de


janeiro de 2012, apresento a Vossa Excelência informações acerca dos militares que exercem
atividades em residências funcionais ocupadas por autoridades civis e militares deste Ministério
da Defesa.

2. O rol das autoridades que podem utilizar militares em serviço de taifa se limita ao
Ministro de Estado da Defesa, aos Secretários da Pasta, ao Chefe do Estado-Maior Conjunto das
Forças Armadas e aos Oficiais-Generais que exercem função de Direção ou Chefia que residam
em Próprio Nacional Residencial PNR.
-

3. Atualmente, os ocupantes de cargos públicos que utilizam tais serviços são: o


Ministro de Estado da Defesa; o Secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto; o Chefe do
Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas; o Comandante da Escola Superior de Guerra; o
Chefe de Logística; o Chefe de Preparo e Emprego; Subchefe de Inteligência Estratégica;
Subchefe de Comando e Controle; o Chefe da Assessoria de Planejamento Institucional; e, o
Chefe de Gabinete do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. No total, pois, de 10 (dez)
autoridades.

4. O número de militares que prestam serviços de taifa varia de 1 (um) a 3 (três) por
imóvel funcional ocupado pelas referidas autoridades e resulta em um total de 17 (dezessete)
militares, sendo: 7 (sete) Sargentos, 2 (dois) Cabos, 6 (seis) Taifeiros-Mor e 2 (dois) Taifeiros de
1' Classe.

5. Inicialmente, cabe esclarecer que os militares designados para esse fim atuam no
resguardo da segurança orgânica, na manutenção e conservação das residências e dos bens
patrimoniais pertencentes ao erário e na proteção e salvaguarda das instalações, materiais,
uipamentos e informações, bem como em atividade de taifa, como arrumadores, cozinheiros e

(
Continuação do Ofício n IMD, de de março de 2012.

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despenseiros. Portanto, o serviço realizado, face à sua peculiaridade, caracteriza-se como de


natureza militar e impessoal, pois visa ao atendimento de autoridades ocupantes de cargos
específicos para tais fmalidades.

6. Vale destacar que, embora sejam identificáveis os servidores militares atingíveis


pelo eventual resultado da ação civil pública, o que busca o autor da ação é a alegada defesa do
interesse público, sob a argumentação de ser ilegítima a atividade de taifeiros nos imóveis
funcionais ocupados por autoridades civis e militares. Entende-se, porém, que o próprio objetivo
da pretensão perseguida dispensa a conversão de um tratamento nominal às eventuais pessoas
que estejam ocupando os cargos e postos envolvidos.

7. Ante a peculiaridade do serviço militar, tanto os exercícios funcionais das


autoridades, quanto dos taifeiros, possuem caráter transitório, pois se sujeitam a movimentações
periódicas, o que torna precária a prestação de informação com a indicação de nomes, não
havendo como vinculá-los durante todo o iter processual. A título de exemplo, observa-se que
em 30 de março próximo, bem corno em julho e novembro (ciclo quadrimestral) ocorrerão
movimentações de oficiais-generais e, por via de consequência, dos ocupantes dos cargos e
postos que se utilizam dos serviços de taifa.

8. Cabe elucidar que não existe qualquer vinculação pessoal ou ao imóvel funcional
na questionada relação de serviço. Nesse ciclo de movimentações, há a possibilidade de lotação
de um taifeiro em qualquer unidade militar do país, inclusive, navios e batalhões de selva, por
exemplo.

9. Ademais, conforme destacado no item 5, acima, caracterizar a atividade dos


taifeiros como "de cunho doméstico" pode resultar em injusta desqualificação de sua missão
institucional e possível lesão à imagem destes profissionais no meio militar e em seu convívio
social.

10. Por fim, solicita-se que seja preservado o caráter reservado das informações
prestadas por este Ministério, nos termos art. 22 do Decreto n 4.553, de 27 de dezembro de
2002.

Atenciosamente,

'7
CELSO 'ORIM
Ministro de Estado da Defesa